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Numero do processo: 10735.903329/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 33 29 /2 01 2- 35 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito (s) nele discriminado(s) com crédito de Cofins, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior que o devido. A compensação não foi homologada, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: que o despacho decisório não preencheu os requisitos do ato administrativo, faltandolhe a forma e objeto; que a compensação pleiteada originouse de sobra de valores de Cofins pago a maior e não retificado em DCTF, sendo que, persistindo a não homologação da DCOMP apresentada, estará sendo obrigado a pagar tributos em duplicidade, em flagrante desrespeito a legislação pátria vigente e que a DCTF é apenas informativa; que é ilegal a aplicação da taxa SELIC para correção monetária do crédito tributário constituído, sendo que o correto seria aplicar o percentual de 1%, conforme CTN; que a multa aplicada fere o "princípio da proporcionalidade razoável" e possui caráter confiscatório. O colegiado a quo julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02051.783. Inconformado com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário ora em apreço, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.663, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903325/201257, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.663): Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O Decreto 70.235, de 1972 prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que ora se instala que esse direito é exercido. O fundamento de fato para o indeferimento do pedido é a insuficiência do crédito utilizado na compensação e o despacho decisório demonstra isso. No quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” está indicado o débito (código da receita e período de apuração de tributo) quando o Darf foi utilizado para pagamento de tributo declarado pelo contribuinte, ou o número do PerDcomp quando o Darf foi utilizado em outro processo de compensação ou restituição. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 5 4 O fundamento legal também esta informado no despacho. Portanto, não há como se acatar a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/12/2009. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese em avaliar a existência de provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Contudo, antes de entrar na análise das provas, cabe tecer algumas linhas sobre provas no processo. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 7 6 relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 8 7 interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, DARF, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 9 8 identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem nenhum documento probante. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Multa de Mora. Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10735.903329/201235 Acórdão n.º 3302006.667 S3C3T2 Fl. 10 9 Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.721867/2012-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 21.340,00, excluindo-se, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendo-se a glosa das despesas no valor de R$ 300,00 pelas razões explicitadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 21.340,00, excluindose, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendose a glosa das despesas no valor de R$ 300,00 pelas razões explicitadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 18 67 /2 01 2- 33 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.951,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas e, despesas com nutricionista, não dedutíveis. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, bem como abatimento de despesas não dedutíveis, como segue: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2010, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Jundiaí. Após a revisão da declaração, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 5.951,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A glosa do valor de R$ 21.640,00 corresponde à dedução indevida a título de despesas médicas. Glosas: Erodiade Maria Benetti Rodrigues, R$ 300,00 (Falta de previsão legal para dedução de despesa com nutricionista); Clínica Valéria Campos, R$ 9.340,00 (falta de comprovação do efetivo pagamento); Antônio Carlos Checoli, R$ 12.000,00 (falta de comprovação de quem foi o beneficiário do serviço, pois quem assinava os recibos era Caroline, e do efetivo pagamento). Foi intimada a comprovar o efetivo pagamento por meio do TIF nº 0111/2012. Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação parte da glosa de despesa médica (despesa com nutricionista), que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Assim, a matéria em litígio é parte das despesas médicas no valor total de R$ 21.340,00. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999: (...) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.721867/201233 Acórdão n.º 2001001.273 S2C0T1 Fl. 106 3 Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, é licito à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Antônio Carlos Checoli, R$ 12.000,00 falta de beneficiário do serviço e do efetivo pagamento. A interessada afirma que ela foi a beneficiária do serviço e que sua filha Caroline apenas realizava os pagamentos atendendo pedido seu. Foi juntada a Declaração de fls. 11, em que o odontólogo afirma que Maria Carmen era a paciente e que os recibos eram assinados por sua filha Caroline, pois ela era quem lhe trazia os pagamentos, pois a mãe não podia comparecer nas datas marcadas. De acordo com essa declaração, o tratamento, no valor total de R$ 12.000,00, foi pago em espécie, em parcelas mensais de janeiro a dezembro de 2009, conforme recibos. Também foram juntados os recibos de fls. 18 a 29. Muito embora Caroline tenha assinado os recibos no campo destinado ao cliente, o nome de Maria Carmen consta como pagadora dos serviços prestados e na descrição consta “tratamento odontológico no mesmo”. De acordo com o exposto, restou comprovado que Maria Carmen era de fato a beneficiária do serviço. Em relação à comprovação do efetivo pagamento, a impugnante juntou extratos bancários, mas afirmou que nem sempre um saque era específico para um pagamento. Os extratos de fls. 30 a 39 não identificam a instituição bancária emissora e, portanto, não serão considerados válidos para fins de comprovação do efetivo pagamento. De qualquer forma, verificouse que os saques apresentados nesses documentos são todos de valores inferiores aos R$ 1.000,00 mensais que teriam sido pagos ao dentista. Fl. 107DF CARF MF 4 Quanto aos extratos do Banco do Brasil, fls. 40 a 45, verificouse que não constam as movimentações do mês de maio e dos meses de julho a novembro de 2009. Do confronto dos extratos dos meses apresentados com os recibos, considerouse comprovado o efetivo pagamento dos recibos de 12/02, total de R$ 1.000,00, e 10/06, total de R$ 1.000,00, pois somente para esses foram localizados saques anteriores e próximos às datas de emissão dos recibos em valores capazes de suportar esses pagamentos. Assim, considerado que as despesas foram da própria contribuinte e que foi comprovado o efetivo pagamento no total de R$ 2.000,00. Deve ser restabelecida a despesa médica no valor de R$ 2.000,00. Clínica Valéria Campos, R$ 9.340,00 falta de comprovação do efetivo pagamento. A contribuinte juntou Declaração de fls. 12 e Notas Fiscais de fls. 13 a 17 (R$ 570,00, R$ 1.000,00, R$ 2.450,00, R$ 3.160,00 e R$ 2.160,00). Consta da Declaração que os valores do tratamento foram pagos em espécie. Verificouse que esses documentos estão de acordo com a despesa declarada. Em relação à comprovação do efetivo pagamento, juntou extratos bancários, mas afirmou que nem sempre um saque era específico para um pagamento. Como já foi dito, os extratos de fls. 30 a 39 não identificam a instituição bancária emissora e, portanto, não serão considerados válidos para fins de comprovação do efetivo pagamento. De qualquer forma, verificouse que os saques apresentados nesses documentos são quase todos de valores inferiores aos das Notas Fiscais. Quanto aos extratos do Banco do Brasil, fls. 40 a 45, verificouse que não constam as movimentações do mês de maio e dos meses de julho a novembro de 2009. Do confronto dos extratos dos meses apresentados com as notas fiscais, considerouse comprovado o efetivo pagamento da NF de 15/04, no valor de R$ 1.000,00, pois somente para essa NF foi localizado saque no mesmo dia da emissão e em valor suficiente para quitála. Para as demais, não consta saque em data anterior e próxima e de valor suficiente para saldar as despesas. Dessa forma, considero comprovado o efetivo pagamento no valor de R$ 1.000,00. Deve ser restabelecida a despesa no valor de R$ 1.000,00. Diante do exposto, julgo pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 3.000,00, que resultou na manutenção do imposto suplementar de R$ 5.126,00, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados nos termos da legislação vigente. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 5.126,00, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13839.721867/201233 Acórdão n.º 2001001.273 S2C0T1 Fl. 107 5 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em que pese todo teor do r. Acórdão, a decisão nele exarada não deve prosperar, senão vejamos: ... (legislação) A Recorrente, eméritos julgadores, apresentou todos os documentos que comprovam e atendem a esses ditames legais e, dirseia, até superaram as exigências. Apresentou os Recibos de profissionais Pessoas Físicas e Notas Fiscais de Pessoa jurídica, com todos os requisitos de preenchimento, em total conformidade com o artigo 80, III supramencionado. Apresentou Declarações, firmadas por seus representantes e com cláusula de submissão à Lei quanto a sua veracidade, da efetivação dos serviços à Recorrente. Atendeu à solicitação de provas de disponibilidade de dinheiro em espécie para pagamentos, com extratos de instituições bancárias com as quais trabalhava à época por força de seu trabalho e, permitam apresentar um breve resumo das movimentações que alicerçam o alegado: (...) Mister dizer que as pessoas, frequentemente, retiram dinheiro e o mantém em casa, em quantias que não são as exatas para cada destinação, e assim vão cumprindo com suas obrigações. Dificilmente fazse um saque no valor específico de um determinado pagamento. Portanto não se há de falar, com certeza, que tal quantia se destina a um determinado fim. Pela “tabela” acima, podese verificar que os valores dos saques, somados mês a mês, sempre estão à frente dos pagamentos efetuados, portanto, sempre foi possível realizar os pagamentos. Quanto aos saques realizados junto ao Banco Bradesco, podese notar claramente que foram realizados em datas próximas às das datas dos pagamentos e que a Recorrente, para essa conta, não utilizava cheques, efetuando pagamentos com cartões ou, como no presente caso em tela, retirando numerário para saldar seus compromissos. Os extratos que guarnecem este Recurso, com a perfeita identificação da instituição financeira “Banco Bradesco” mostram exatamente os mesmos lançamentos dos extratos entregues anteriormente, e que comprova a total retidão da Recorrente e a prova cabal da veracidade das informações. À vista de todo exposto, demonstrada a total pertinência da presente ação e total comprovação das alegações acima, espera e requer a Recorrente: Fl. 109DF CARF MF 6 Seja acolhido o presente recurso par o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, relacionado à parte impugnada. Sejam recebidos e juntados os extratos do Banco Bradesco em formulário timbrado da instituição, relativos ao período considerado, com as mesmas e exatas informações constantes dos extratos apresentados anteriormente, atestando assim sua validade. Admissão e juntada do comprovante de pagamento de diferença de imposto devido, referente a dedução indevida por Falta de previsão legal para dedução de despesa com nutricionista, a qual não foi objeto de contestação e considerada matéria não impugnada, valor de despesas R$ 300,00, comprovante DARF anexo. A Extinção do processo coma devida concordância para se efetuar a retificação da Declaração Exercício 2010, AnoCalendário 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13839.721867/201233 Acórdão n.º 2001001.273 S2C0T1 Fl. 108 7 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 111DF CARF MF 8 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.721867/201233 Acórdão n.º 2001001.273 S2C0T1 Fl. 109 9 DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. A decisão do Acórdão da DRJ contestado na defesa da Recorrente é de que somente restariam aceitos como pagamento em espécie, como efetivo pagamento, aqueles valores constantes nos extratos resultantes de saques bancários em datas correspondentes aos valores pagos aos profissionais e constantes dos recibos emitidos na mesma oportunidade. Esse Fl. 113DF CARF MF 10 critério produziu o resultado inconsistente de o Fisco aceitar alguns recibos/notas fiscais e não aceitar outros, do mesmo serviço, mesmo profissional, mesmo contribuinte e mesmo método de pagamento. Este procedimento fiscal, por si só, é insustentável. Essa exigência fiscal fere usos e costumes no trato diário dessas atividades de paciente e prestadores de serviços médicos que deve ser de livre decisão entre as partes, bastando para efeitos fiscais que quem emitiu os recibos se debite do imposto de renda de forma a estabelecer a contrapartida do uso do benefício fiscal do abatimento da despesa médica incorrida. Isso é o que pressupõe o objetivo da lei. A Recorrente apresentou os recibos de prestação de serviços médicos, fls. 12/29, que preenchem os requisitos legais para efeito de abatimento do imposto de renda e assim fez constar em sua Declaração de Ajuste Anual. E, considerandose, ainda, que a Contribuinte apresentou extratos bancários, fls. 30/45, em que se permite constatar a disponibilidade financeira compatível com os desembolsos para cobrir despesas médicas, fica provada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, assim como constatada a providência de atendimento da exigência da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total informado na Declaração do Imposto de Renda. Quanto à observação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa “o nome da pessoa beneficiária”, é oportuno dizer que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente deve ser especificado outro nome de paciente quando é o caso de atendimento a dependentes, o que é destacado na INRFB nº 1.500/2014, art. 97, inciso II, como se vê: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; (grifei) Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante comprovantes assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. A Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 21.340,00, sendo R$ 12.000,00 referente ao profissional Antônio Carlos Checoli, fls. 11, 18/29, e R$ 9.340,00 referente a Clinica Valéria Campos, fls. 12/17. Verificase, neste caso, que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais habilitados e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.721867/201233 Acórdão n.º 2001001.273 S2C0T1 Fl. 110 11 imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas correspondentes. Contudo, conforme explicitado do Acórdão da DRJ a despesa com recibo fornecido pela profissional Erodiane Maria Benetti Rodrigues no valor de R$ 300,00, referente a tratamento e/ou acompanhamento nutricional, não está abrangidas no que dispõe o inciso II, art. 8º da Lei nº 9.250/95, devendo ser mantida a glosa da referida despesa porque não dedutível legalmente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 21.340,00, excluindose, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendose a glosa das despesas no valor de R$ 300,00 pelas razões explicitadas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900539/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 39 /2 01 4- 60 Fl. 70DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitouse a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.900539/201460 Acórdão n.º 2401006.258 S2C4T1 Fl. 3 3 vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogálos (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito Fl. 72DF CARF MF 4 disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da nãohomologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculálo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.900539/201460 Acórdão n.º 2401006.258 S2C4T1 Fl. 4 5 fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificouse que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utilizase do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 74DF CARF MF 6 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721209/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002).
Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN.
Numero da decisão: 3302-006.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 12 09 /2 01 3- 96 Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.634 2 (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da resolução de fls. 1.4671.481: Tratase de Recursos Voluntário (fls. 1400/1442) e de Ofício (fls. 1353) contra o v. Acórdão DRJ/JFA nº 0944.678 de 21/06/13 constante de fls. 1351/1387 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por maioria de votos, houve por bem “julgar procedente em parte” (para reconhecer a decadência relativa ao período de 08/07 a 12/07) a impugnação ao lançamento original de IPI consubstanciado no Auto de Infração (fls. 02/21) notificado em 15/03/13 (AR fls. 1066), no valor total de R$ 143.771.298,62 (IPI R$ 69.789.826,47; juros de mora R$ 21.639.102,22; Multa de 75% R$ 52.342.369,93), que acusou a ora Recorrente de no período de 31/08/07 a 31/03/12, na qualidade de “estabelecimento industrial ou equiparado”, ter recolhido a menor o IPI “em decorrência da escrituração e utilização de crédito ficto indevido de mercadorias adquiridas da Zona Franca de Manaus conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal” (fls. 23/33), cujo teor é o seguinte: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal e na forma do disposto no art. 7° da Lei n° 2.354/54 e no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 06 março de 1972, em fiscalização realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 01301002011001044, emitido em 01 de abril de 2011 e substituído pelo MPF n° 01301002012000300, de 10 de fevereiro de 2012 e que também foi alterado para abranger o período de agosto de 2007 a março de 2012, todos emitidos contra a empresa RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BERBIDAS S/A. Em 30 de setembro de 2012 com a incorporação da Renosa pela empresa Companhia Maranhense de Refrigerantes foi emitido um novo MPF que recebeu o n° 01301002013000053 para que fosse possível continuar a fiscalização já iniciada na incorporada RENOSA. Assim foram constatadas infrações à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados que resultaram no creditamento indevido e que propiciaram a lavratura de auto de infração por falta de lançamento e recolhimento deste imposto conforme demonstraremos a seguir. 1. HISTÓRICO DA FISCALIZAÇÃO A fiscalização teve início em 25 de agosto de 2011 com a emissão de Intimação dirigida a empresa RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS LTDA, empresa esta que foi incorporada em 30 de setembro de 2012 pela Companhia Maranhense de Refrigerantes, para esclarecer algumas divergências encontradas em sua escrituração digital. O contribuinte deu ciência à Intimação mediante o AR em 29 de agosto de 2011 e em 16 de setembro e 17 de outubro de 2011 respondeu aos questionamentos feitos na primeira intimação. Em 02 de fevereiro de 2012 foi emitido um novo MPF que recebeu o n° 01301002012000300 e foi substituído o auditor fiscal Em 14 de maio de 2012 foi emitido um novo Termo de Início do Procedimento Fiscal esclarecendo Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.635 3 ao contribuinte que a intimação efetuada anteriormente, assim como as respostas do contribuinte passariam a fazer parte integrante da nova fiscalização. Neste novo documento a fiscalização intima o contribuinte a comprovar os créditos de valores efetivamente lançados ao longo do período e que também enviassem cópias das notas fiscais que foram utilizadas para esses créditos. O contribuinte toma ciência do Termo de Início em 18 de maio de 2012, mediante AR e em 24 de maio de 2012 responde solicitando um prazo complementar para a realização da intimação feita em mais 45 ( quarenta e cinco) dias. Em 05 de julho de 2012 foi alterado o MPF de fevereiro e foram acrescentados novos períodos de fiscalização abrangendo assim as competências de agosto de 2007 a março de 2012. Para tanto foi emitido um Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal informando o contribuinte dessa alteração e também intimandoo a apresentar os livros fiscais em meio magnético do período de agosto de 2007 a dezembro de 2008. Como a fiscalização apurou que a maioria dos créditos efetuados pelo contribuinte eram oriundo das notas fiscais emitidas pela empresa RECOFARMA, da Zona Franca de Manaus, foi também exigido do contribuinte uma planilha em meio magnético, relacionando as notas fiscais efetivamente entradas no estabelecimento advindas dessa empresa e que foram lançadas no Registro de Entradas, discriminadoas, mês a mês, nota por nota, do período compreendido entre agosto de 2007 a março de 2012, dando um prazo de 20 dias para o atendimento do termo. O termo foi recepcionado pelo contribuinte em 12 de julho de 2012, e em 30 de julho de 2012, envia uma correspondência explicando a possível legalidade do seu direito ao credito do IPI de mercadorias advindas da Zona Franca de Manaus. Em 31 de julho de 2012 responde ao Termo de ciência anexando as cópias autenticadas das notas fiscais emitidas pelas RECOFARMA e que foram efetivamente lançadas na contabilidade do contribuinte. Também em 05 de julho de 2012 foi enviado um Termo de Intimação Fiscal para Terceiros para o contribuinte RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, para confirmar e comprovar se os produtos relacionados foram elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional nos termos do inciso III, do art. 82, do RIPI/202 (Decreto 4.544/2002). A RECOFARMA recepcionou o termo mediante AR no dia 13 de julho de 2012 e em 25 de julho de 2012 responde parcialmente aos questionamentos feitos e remete documentos tentando demonstrar a legalidade das ações executadas. A fiscalização houve por bem reintimar a RECOFARMA reiterando para que a mesma confirmasse e comprovasse se os produtos relacionados foram elaborados com matérias primas regionais e que indicassem as empresas de quem adquiriu tais matérias primas. Em 23 de agosto de 2012 a RECOFARMA recepcionou o termo de reintimação mediante AR, e responde arguindo que “... No que se refere às matérias primas empregadas em cada concentrado, a requerente informa que o Demonstrativo de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação (DCRE), apresentado à Receita Federal do Brasil, contém a relação de todos os insumos utilizados (...) aqueles produzidos a partir de produtos agrícolas regionais na Amazônia, ficando explicitado que estes últimos são: a cana de açúcar, utilizada para a produção de caramelo, do álcool neutro e do ácido cítrico; a semente de guaraná, utilizada na produção do respectivo extrato. (...) a Requerente anexa a esta petição as DCREs relativas aos concentrados de CocaCola, CocaCola Zero, Guaraná Kuat, Fanta Uva, Fanta Laranja, Fanta Laranja Zero, Aquarius Fresh Uva, Aquarius Fresh Abacaxi Menta, que constituem, em seu conjunto, mais de 90% de sua produção." De acordo com as informações obtidas nas DCREs esta fiscalização enviou Termo de intimação de Terceiros à empresa D.D. Williamson do Brasil Ltda. para Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.636 4 que a mesma informasse se os corantes de caramelo fornecidos para a RECOFARMA utilizava de matéria prima regional. Em 01 de outubro de 2012 a empresa responde esclarecendo que:" 1 ) A D.D.Williamson do Brasil Ltda. recebe da Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. o açúcar cristal para fins de produção por encomenda do corante caramelo a ser utilizado na fabricação de concentrado. (... ) O produto é o açúcar cristal produzido pela Agropecuária Jayoro Ltda., (... ) é obtido da cana de açúcar, produto agrícola regional, proveniente das plantações locais da própria Jayoro." Em 04 de setembro de 2012 foi enviado Termo de Intimação Fiscal de Terceiros à empresa AGROPECUARIA JAYORO LTDA, intimandoa a informar se o açúcar e o álcool fornecidos utilizavam matérias primas agrícolas regionais. Em 17 de setembro de 2012, recepciona o Termo de Intimação de Terceiros mediante AR e em 15 de outubro de 2012 responde informando que : " (... ) a única matériaprima agrícola utilizada é a canadeaçúcar e que a totalidade da cana consumida pela ora intimada é de plantação própria (... ) Presidente Figueiredo, Estado do Amazonas." Nos termos respondidos pela RECOFARMA não foi citado a CAFEÍNA como insumo utilizado mas nas DCREs apresentadas pelo mesmo está inserida a cafeína como insumo da fabricação de refrigerantes e a Naturex como sendo seu fornecedor. Assim esta fiscalização enviou a Naturex Termo de Intimação de Terceiros para que a mesma pudesse comprovar a veracidade das informações obtidas juntos as DCREs. A Naturex recondiciona o termo mediante AR em 12 de setembro de 2012 e em 24 de setembro de 2012 responde , " (... ) Naturex informa que NÃO utiliza matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional na fabricação de cafeína (... )" Em 04 de setembro de 2012 foi emitido um Termo de Intimação de Terceiros para a empresa MAGANA INDUSTRIAL LTDA, pois a mesma foi indicada pela RECOFARMA como sendo fornecedora de álcool neutro e açúcar durante o período de agosto de 2007 a março de 2012. O contribuinte recepciona o Termo, mediante AR, em 25 de setembro de 2012 e em 02 de outubro de 2012 responde aduzindo " (... ) não é e nem nunca foi produtora de açúcar; Diferentemente do que foi informado pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., nos termos de sua intimação, a Magma Industrial Ltda. não lhe forneceu álcool neutro no período entre agosto de 2007 e março de 2012 (... ) 2.CRÉDITO PRESUMIDO INCENTIVADO INDEVIDO PRODUTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. O estabelecimento industrial apropriouse de créditos do IPI relativo à aquisição de insumos isentos (concentrado), condicionada a produtos adquiridos na Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa,e utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes). O PRODUTOR ( RECOFARMA) não se utiliza de matérias primas agrícolas regionais vegetais ou extrativas na sua composição de insumos porque ela adquire , por exemplo, açúcar e álcool neutro e envia a outra empresa para que a mesma industrialize, por encomenda, os corantes caramelos que vão ser utilizados na fabricação de seus concentrados que são vendidos aos consumidores de outras regiões do pais. Assim a RECOFARMA só utiliza, no seu processo industrial, produtos industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condições estas necessárias para a fiscalizada creditarse do imposto calculado, como se devido fosse. Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.637 5 Direito ao crédito de que trata o art. 6°, § 1°, do Decretolei n° 1.435, de 1975. A fiscalizada não tem direito ao crédito isento por força da disposição expressa do 1.435/1975. Assim é a redação dos dispositivos manutenção de créditos nas compras de relativo à aquisição do concentrado art. 6°, §1°, do Decretolei n° normativos de interesse quanto à isentos oriundos da Zona Franca de insumos Manaus: Decretolei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975: "Art. 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º. Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.” RIPI/2002, arts. 82, III, e 175: "Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto lei n° 1.435, de 1975, art. 6°, e Decretolei n° 1.593, de 1977, art. 34)." "Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei n° 1.435, de 1975, art. 6°, § 1° )." Da leitura dos dispositivos normativos, são vislumbradas duas condições cumulativas para a isenção do produto industrializado na Zona Franca de Manaus, adquirido e utilizado como insumo em produtos onerados pelo imposto em processo industrial em qualquer ponto do território nacional: a utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental (área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 1967 ) e a aprovação pelo Conselho de Administração da SUFRAMA de projetos da empresa produtora do insumo passível de isenção nas vendas para o território nacional. Em sua resposta, tentando demonstrar a legalidade do crédito do contribuinte, a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., fornecedora de concentrado para refrigerantes situada na Zona Franca de Manaus, enviou cópias dos seguintes documentos: Resolução n° 387/1993 da SUFRAMA, Parecer Técnico n° 088/1993 da SUFRAMA, Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007, Parecer Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.638 6 Técnico de Acompanhamento n° 035/1997 da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA e Resolução n° 298 de 11 de dezembro de 2007. Percebe se, por exemplo, que no Parecer técnico 224/2007 , em seu item 4, referente a produção do corante caramelo, in verbis, " A Recofarma do Amazonas adquire da Agropecuária Jayoro a totalidade do açúcar cristal que necessita para atender à produção de corante caramelo que utiliza na fabricação de seus concentrados. O açúcar ( cristal e mascavo) é enviado pela Recofarma do Amazonas à D.D. Williamson, e representa em torno de 70% da quantidade total de matérias primas ( açúcar + água + catalizadores) necessárias a fabricação corante caramelo". Aqui já se evidencia que o corante fabricado pela D.D. Williamsom não utiliza matéria prima agrícola vegetal ou extrativa e sim produto industrializado (açúcar) e é esta a matéria prima utilizada para a fabricação dos concentrados que são enviados à fiscalizada. O Parecer Técnico n° 088/1993 foi elaborado, por solicitação da empresa fornecedora (Recofarma) do concentrado, para incorporar nova verticalização de insumo básico para refrigerante (açúcar liquido) em sua linha de produção, mediante a aquisição de parte das matériasprimas, principalmente açúcar mascavo e álcool, de produtores da Amazônia Ocidental, mais especificamente do Estado do Amazonas. Mais uma vez a Recofarma informa que a matéria prima utilizada em seus concentrados são produtos industrializados (açúcar e álcool neutro) que são adquiridos na região amazônica e que não albergam um possível creditamento de IPI por parte de outras empresas que adquiram tais concentrados, em todo o território nacional, e que produzam mercadorias tributadas ( como é o caso da fiscalizada). Ao examinar os termos da Resolução n° 387/1993, é verificado que foi aprovado projeto industrial de atualização da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. para a produção de concentrados, tendo sido concedidos os benefícios fiscais previstos no DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967 (matriz legal do artigo 69 do RIPI/2002). A alteração deste ato legal, foi promovida pelo artigo 1° do DecretoLei n° 1.435/1975, e limitase ao artigo 7º do DecretoLei n° 288/1967, e atualmente possui a redação dada pela Lei n° 8.387/1991. Artigo 69 do RIPI/2002 nos seguintes termos: Art. 69 São isentos do imposto (DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9°, e Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°) II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes ( posições 33.03 a 33.07 da TIPI ) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.639 7 Observase que os dispositivos normativos constantes do DecretoLei n° 288/1967 não prevêem a hipótese de crédito do IPI como se devido fosse nas aquisições desoneradas. Consoante transcrição alhures, o artigo 82, inciso III, combinado com o artigo 175 do RIPI/2002, que prevêem tal hipótese, tem como matriz legal o artigo 6° do DecretoLei n° 1.435/1975, sendo que este artigo não está incluído nos benefícios fiscais citados na Resolução em comento. A aprovação do projeto pela Suframa, por si só, não estende a concessão de incentivos fiscais para outros dispositivos legais que não aquele inequivocamente discriminado na Resolução. Para a fruição do benefício em tela seria necessário ato específico pois cada beneficio tem regras próprias e distintas a ser observadas para o respectivo gozo, que devem ser expressas e claras. Esse entendimento foi ratificado pelo Parecer n° 1.420, de 16 de novembro de 1995, da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. E patente que, pelos termos da. Resolução n° 387/1993, do Conselho de Administração da SUFRAMA, não houve aprovação de projeto vinculada ao gozo do benefício do artigo 6° do DecretoLei n° 1.435/1975. O Parecer Técnico de Acompanhamento n° 035/1997, da Secretaria Especial de Regionais da SUFRAMA, ratifica os termos da Resolução n° 387/1993. O fato deste Parecer em seu texto considerar que a Resolução n° 387/1993 conte,1a o art. 6° do DecretoLei n° 1.435/1975, é inconteste que a Resolução n° 387/1993 emitida pelo Conselho de Administração da Suframa é o documento legal e hábil para a aprovação do projeto exigido pela legislação pertinente. Assim, é de se concluir que a empresa fornecedora dos insumos não possuía o benefício fiscal do art. 6° do DecretoLei n° 1.435/1975, pois este benefício não está incluído na citada Resolução n° 387/1993. Com a edição da Resolução n° 298 de 11 de dezembro de 2007, baixada com base no Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007, houve aprovação de projeto nos termos do art. 82, III, do RIPI/2002 para o creditamento do imposto como se devido fosse. No entanto, existem outras condições a serem consideradas conjuntamente: na elaboração dos concentrados de refrigerantes a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda não utiliza matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exceto semente de guaraná na composição do concentrado de guaraná, condição essencial para fruição do beneficio fiscal previsto no dispositivo legal em questão. As matériasprimas utilizadas na produção de concentrados para refrigerantes, exceto o concentrado de guaraná, são o açúcar cristal e o álcool, que são PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Observando a informação da própria empresa Recofarma verificamos que esta utiliza em sua produção produtos intermediários industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.640 8 empresa Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas de produção regional em seu processo industrial. Assim sendo, as saídas dos concentrados, de bebidas não alcoólicas, vendidos à empresa fiscalizada NAO poderiam ser objeto da isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002. Há ainda a considerar, o seguinte , Decretolei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975: "Art 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos e efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. §20 os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido provados pela SUFRAMA." Este beneficio fiscal configura uma verdadeira exceção legal à regra geral de creditamento de IPI visto que somente com o destaque do mesmo seria permitido o crédito, assim, mesmo sendo exonerado pela isenção o imposto pode ensejar crédito ao comprador. Evidente que terá de ser observados os requisitos postos na norma legal a fim de que possa usufruir do incentivo sem contrariar a legislação pátria. O Art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional estabelece que a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, não comportando alargamento de benefício que não seja expressamente previsto. Ao analisar a isenção e o crédito retro referido, é de extrema clareza que o gozo do incentivo excepcional exige que todas as matérias primas utilizadas no processo produtivo sejam matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional não gozando assim produtos elaborados com a mistura de matérias primas, sendo parte regional e parte de outras localidades, haja vista que isso não atenderia à literalidade da norma nem aos objetivos do legislador. Para que seja possível a isenção devem ser de produção regional todas as matériasprimas utilizadas, que se assim não fosse, diante do art.111 do CTN, a norma outorgante deveria expressar claramente que bastaria uma preponderância de matériasprimas de produção regional; e a partir do vínculo entre as normas que estabelecem a isenção de que ora se trata e o direito de crédito pela aquisição isenta nos termos especificados, que o requisito para a isenção, definida no caput do art.6° do DL 1.435/75 impõe que se para a isenção devem ser regionais todas as matériasprimas utilizadas pelo estabelecimento localizado na "área definida pelo §40 do art.1° do Dl 291/67", então, por conseguinte, para o gozo do excepcional direito de crédito do IPI, pelo adquirente desse produto isento, ainda que a industrialização seja realizada em qualquer ponto do território nacional, também remanesce a exigência de que sejam regionais todas as matériasprimas utilizadas no processo produtivo dos insumos adquiridos para a industrialização; não se Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.641 9 admitindo, para a configuração do direito creditório pretendido, a inserção de outras matériasprimas não regionais, pois do contrário, restaria desvirtuada a literalidade da norma que introduziu benefício fiscal muito específico (A norma que outorga isenção exige interpretação literal, isto é, restritiva, nos termos previstos pelo art.111 do CTN). A vinculação entre o direito de crédito excepcional, previsto no art. 175 do RIPI/02, e a isenção estabelecida no inciso III do art. 82 do mesmo RIPI, impõe para a manutenção e aproveitamento de créditos do IPI pela aquisição de produtos elaborados na Amazônia Ocidental, que tenham sido elaborados com a utilização exclusiva de MATÉRIAS PRIMAS regionais. Como confirmação dessa interpretação chegou a ser apresentado pelo então Senador Expedito Júnior (PSDBRO) para contornar a imposição descrita no parágrafo anterior, o Projeto de Lei do Senado n° 292/2008, propondo justamente nova redação ao art.6° do DL 1.435, de 1975 (conforme texto transcrito às fls. 28): " PROJETO DE LEI DO SENADO N° 292, DE 2008 Amplia a gama de produtos da Amazônia Ocidental beneficiários da isenção do Imposto sobro Produtos Industrializados prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda deles no mercado interno. O CONGRESSO NACIONAL decreta; 1° O art. 6° do DecretoLei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6° Os produtos industrializados na área definida pelo §4° do art. 1° do DecretoLei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967, ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer outro ponto do território nacional. § 1° A isenção prevista no caput deste artigo somente se aplica aos produtos: I em cuja composição final haja preponderância de matériasprimas de origem regional, provenientes dos segmentos animal, vegetal, mineral, exceto os minérios do Capitulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), ou agrossilvopastoril, observada a legislação ambiental pertinente e conforme definido em regulamento; II elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Ora, bem se vê que a proposta era para alargar o benefício que se encontra vigente e definido no texto do art. 6° do DL 1.435/75, para que se alargasse a atual restrição de exclusividade de matériasprimas regionais na composição do produto elaborado na Amazônia Ocidental, adquirido como insumo de produto final industrializado sujeito ao IPI, para, nos termos do inciso I da nova redação proposta no Projeto de Lei do Senado pretender que passasse a se exigir apenas uma "preponderância de matériasprimas de origem regional". Contudo, até o momento não logrou êxito o mencionado Projeto de Lei, persistindo a restrição de que para haver o direito de manutenção e aproveitamento do crédito do IPI, tratese da aquisição de produtos elaborados na Amazônia Ocidental exclusivamente com matériasprimas regionais. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.642 10 Em síntese, para assegurar o direito de crédito de IPI pretendido, seria necessário o enquadramento na hipótese de isenção tratada no inciso III do art.82 do mesmo RIPI, conforme estabelecido na matriz legal representada pelo art.6° do Dl 1.435/75, e como vimos acima, não é o caso. Intimada pela fiscalização, a fornecedora da ora fiscalizada, RECOFARMA, informou que na elaboração dos "concentrados" vendidos, além das matérias primas regionais corante caramelo, álcool neutro e semente de guaraná, também utilizara outras matériasprimas, conforme constam nas DCREs enviadas , cloreto de sódio, acido fosfórico, cafeína, propileno glicol, sorbitol, óleo de casca de laranja, acetato de sacarose, acido cítrico, etc. No detalhamento dos insumos utilizados na elaboração de cada um dos produtos fornecidos à ora fiscalizada existem várias matériasprimas de origem. diversa das especificadas como sendo de produção regional, conforme informado pelo fornecedor RECOFARMA. Este, por si só, é motivo suficiente para a confirmação da glosa dos créditos de IPT. indevidamente considerados pela ora fiscalizada, com suposta base naqueles artigos supramencionados do RIPI/2002. DA FABRICAÇÃO DO CONCENTRADO PELA RECOFARMA Os concentrados que são vendidos à fiscalizada tem um "modus operandi" cujo modelo perpassa pelas seguintes etapas: A Recofarma adquire açúcar e álcool neutro diretamente da Agropecuária Jayoro e envia para industrialiação por encomenda do corante caramelo, que é a matéria prima básica dos referidos concentrados, à D.D. Williamsom, empresa ligada, inclusive a própria Recofarma. A D.D. Williamsom fabrica o corante caramelo, com o açúcar e o álcool neutro recebido, e fatura para a Recofarma com o CFOP (código fiscal de operações) 5.124 industrialização efetuada por outra empresa. Com o corante assim adquirido, adicionam outros produtos que vão desde ácidos, óleos de casca de laranja, sorbitol, sementes de guaraná, cafeínas etc, surgindo assim os vários tipos de concentrados que são vendidos às empresas de outros estados, aqui especificamente, à fiscalizada. Em todo o processo aqui revisto, em nenhum momento, salvo no caso da semente de guaraná, são utilizadas matérias primas agrícolas vegetais ou extrativas de produção regional na produção dos concentrados. Onde estão as condições que a legislação determina para o possível creditamento ficto do IPI? Sem dúvida nenhuma em lugar algum pois, repito, inequivocamente, não existem matérias primas agrícolas e extrativas de produção regional ( Amazônia ) utilizadas na fabricação dos famigerados concentrados. Que não se diga que o açúcar e o álcool utilizados são decorrentes da cana deaçúcar e por isso deveriam os créditos serem aceitos, porque em assim sendo todos os produtos que, por ventura, levariam açúcar deveriam ter o mesmo tratamento , por exemplos, os sorvetes e iogurtes fabricados na Amazônia também deveriam ser contemplados e as empresas adquirentes desses produtos , em todo o território nacional, que os utilizassem como matérias primas teriam de ser beneficiados. Mas não é esse o objetivo da norma e andou bem o legislador quando legifera, sem dó e nem piedade, de que a matéria prima, isso mesmo, a matéria prima ( é, em geral, toda a substância com que se fabrica alguma coisa e da qual é Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.643 11 obrigatoriamente parte integrante) a ser utilizada tem de quer agrícola vegetal ou extrativa de produção regional e não há o que discutir que as matérias primas dos concentrados são todas, praticamente todas, de produtos industrializados. CONCLUSÃO: ASSIM NÃO EXISTE DIREITO DE APROVEITAMENTEO DE CREDITO FICTO POR PARTE DA FISCALIZADA POR QUE ADQUIRE CONCENTRADOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS QUE TEM COMO MATÉRIAS PRIMAS APENAS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS, SALVO NO CASO DOS CONCENTRADOS DE GUARANÁ. PLANILHA DE CÁLCULOS DOS SALDOS DE IPI DESDE AGOSTO DE 2007 A MARÇO DE 2012 A fiscalização recalculou todos os saldos de IPI desde agosto de 2007 até março de 2012 glosando os valores dos produtos relacionados nas notas fiscais emitidas pela RECOFARMA e que não sejam concentrados de Guaraná. Assim esta fiscalização montou planilhas demonstrando os saldos de IPI de cada mês, além das notas fiscais da Recofarma e das glosas efetuadas que passam a fazer parte integrante deste auto de infração.” Por seu turno a r. decisão de fls. 1351/1387 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, houve por bem julgar parcialmente procedente o lançamento de IPI consubstanciado no Auto de Infração (fls. 02/21), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL/ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 6º DO DL 1.435/75 [Art. 82II c/c Art. 175, DO RIPI/2002]. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Zona Franca de Manaus e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos tributados do estabelecimento contribuinte com o crédito relativo ao imposto cobrado nas operações anteriores, referentes às entradas oneradas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP,PI, e ME) a serem utilizados no processo industrial do adquirente. Não tendo havido IPI cobrado nessas operações anteriores de aquisição, porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo adquirente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza, em espécie, o respectivo pagamento parcial antecipado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2012 Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.644 12 EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADES E JUROS DE EXIGÊNCIA. Não há de se falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502/c/c o art. 100,II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não parte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PENALIDADES. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidos descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória,independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois evento sucessório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 1400/1442) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida e do auto de infração por ela mantido, tendo em vista: a) preliminarmente a decadência parcial do lançamento em relação a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2008, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; b) a aplicação do art. 132 do CTN e a consequente exclusão da multa de ofício vez que seria imputável à sucedida; c) sustenta a regularidade do crédito efetuado nas aquisições feitas a empresa sediada na ZFM, isenta nos termos da legislação de regência (art. 6° do DL n° 1.435/75, base legal do art. 82, III, do RIPI/02 e do art. 95, III, do RIPI/10, vigentes à época dos fatos, que assegura ao adquirente (no caso, a RECORRENTE) o crédito de IPI relativo à sua aquisição (art. 6°, § 1°, do DL n° 1.435/75), seja em face de Mandado de segurança anteriormente intentado, seja ainda porque a Jurisprudência da Suprema Corte assim o assegura. Nos termos da referida resolução, o processo foi convertido em diligência para que fosse oficiada a SUFRAMA para que a mesma se manifestasse a respeito do cumprimento, pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., das condições previstas na Resolução n° 298/2007 ou em atos posteriores se o caso, abrangendo todo o período do lançamento tributário em questão, manifestandose se a mesma incorreu em infração que determinasse a perda dos incentivos fiscais de isenção de que trata o inciso III, do art. 82, do RIPI, em função das matériasprimas adquiridas (art. 6º, do DecretoLei nº 1.435/75). Duas vezes intimada, a SUFRAMA não atendeu a solicitação da fiscalização, retornando os autos para julgamento. Em 17.07.2018, a Recorrente protocolou petição (fls.1.539 arquivo não paginável), noticiando existir decisão transita em julgada em 23.02.2017, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, RESP nº 1.438.361RJ, que retirou a restrição territorial imposta pelo TRF nos autos do MSC 91.00477834 no qual havia decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA, entretanto os seus efeitos restringemse apenas aos associados da ABFCC com domicílio no Estado do Rio de Janeiro , decidindo, expressamente que a coisa julgada no referido MSC também se aplica em relação aos Delegados da RFB indicados na inicial e, em qualquer ponto do território nacional. Juntou documentos para corroborar suas alegações. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.645 13 Intimada da petição e documentos, a Recorrida (FN) protocolou sua manifestação de fls. 1.5971.601, no sentindo de afastar os efeitos da decisão noticiada pela Recorrente, considerando que referida decisão possui efeito "inter partes" e deve surtir efeitos somente à parte postulante que, no caso, foi Recorrente que postulou em juízo a extensão dos efeitos da decisão judicial. Adicionalmente a petição anteriormente citada, a Recorrida (FN) protocolou nova manifestação (fls.1.6071.609), alegando que os fatos geradores foram praticados pela incorporada, RENOSA, motivo pelo qual a análise da extensão da coisa julgada coletiva invocada pela Recorrente deve ter como referência aquela empresa extinta, e não a Companhia Maranhense, sendo necessário identificar se a RENOSA já havia sido criada quando da propositura do Mandado de Segurança Coletivo e se ela era associada da AFBCC, à época. A Recorrente apresentou manifestação carreada às fls. 1.6121.614, informando que a empresa Renosa sempre foi associada da AFBCC desde sua constituição, ocorrida em 25.06.1996. Por fim, ressaltase que houve interposição de Recurso de Ofício nos termos Portaria MF n.º 3, de 03/01/2008, vigente à época da prolação da decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.07.2013 (fls.1.398) e protocolou Recurso Voluntário em 07.08.2013 (fls.1.4001.442), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haverá recurso de ofício sempre a decisão de primeiro grau exonerar o contribuinte do pagamento de tributos e encargos da multa, em valor superior a R$ 2.500.000,002. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II. Do recurso voluntário 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.646 14 Conforme exposto anteriormente, a Recorrente em sede recursal trouxe diversas matérias para serem analisadas por este tribunal que, em síntese, são as seguintes: (i) decadência parcial do lançamento em relação a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 2008, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; (ii) regularidade do crédito efetuado nas aquisições feitas a empresa sediada na ZFM, isenta nos termos da legislação de regência (art. 6° do DL n° 1.435/75, base legal do art. 82, III, do RIPI/02 e do art. 95, III, do RIPI/10, vigentes à época dos fatos, que assegura ao adquirente (no caso, a RECORRENTE) o crédito de IPI relativo à sua aquisição (art. 6°, § 1°, do DL n° 1.435/75), seja em face de Mandado de segurança anteriormente intentado, seja ainda porque a Jurisprudência da Suprema Corte assim o assegura; (iii) a aplicação do art. 132 do CTN e a consequente exclusão da multa de ofício vez que seria imputável à sucedida; (iv) afastamento da multa de ofício nos termos do artigo 76, inciso II, "a", da Lei n. 4.502/64. Em data posterior a interposição do recurso voluntário, as partes trouxeram fatos novos relacionados ao alcance da decisão proferida no MSC. Assim, passase a analisar as matérias suscitadas pelas partes. II.1. Decadência A Recorrente pede que seja reconhecido a decadência do período de janeiro e fevereiro de 2008, por entender não ser aplicável para o caso o inciso I, do artigo 173, do CTN e, sim a regra prevista no §4°, do artigo 150, no referido diploma. Para a Recorrente, a legislação do IPI (artigo 124, III, do RIPI/02) apenas impôs ao contribuinte a obrigação de lançar o imposto e, não a de, necessariamente, recolhêlo em espécie, pois a dedução do débito pelo crédito também equivale ao pagamento. Pois bem. Em se tratando de IPI, o art. 1243, parágrafo único, do RIPI/02 considera pagamento: I — o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II — o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir;ou; III — a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” (grifado). Ou seja, considerando a peculariedade que envolve o tributo sob análise, a regra do artigo 150, §4º, do CTN somente se aplicaria aos casos quando do cruzamento da escrita fiscal entre débitos e créditos resultar saldo positivo, do contrário, aplicase a contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I, do CTN. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA FAZENDA NACIONAL. IPI. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. Nos 3 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.647 15 termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos. Tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é considerado como pagamento prévio do débito, mediante o encontro de contas entre créditos e débitos do IPI, nos termos dos artigos 111 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 25/06/98) e 124 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 26/12/2002), vigentes à época dos fatos geradores em análise, e de idêntica redação, e correspondentes ao art. 183 do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010), atualmente em vigor, desde que não reste saldo a recolher. Na hipótese dos autos, por terem sido considerados como indevidos os créditos compensados pela filial, que lhe foram transferidos pela matriz, não se pode considerar o encontro de contas como pagamento, pois restou saldo a recolher. A contagem do prazo de decadência de 05 (cinco) anos para constituição do crédito tributário pela Fazenda Nacional, por consequência, tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. No presente caso, especificadamente nos meses de janeiro e fevereiro de 2008 (vide documento de fls. .22), verificase que houve apuração de saldo a pagar, afastando, assim, a aplicação do inciso III, do artigo 124, do RIPI/02 e, consequentemente do §4º, do artigo 150, do CTN. Portanto, considerando que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 15.03.2013, a exigência dos créditos relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2008 não devem sofrer a incidência do instituto da decadência. II.2 Das questões envolvendo MSC nº 91.00477834 Conforme exposto anteriormente, a recorrente, seja em sede impugnatória ou recursal, alegou que tinha o direito ao crédito calculado sobre o insumo adquirido com isenção (concentrado), baseada no argumento de que fazia parte do Mandado Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (ABFCC), de quem era associada, no qual restou decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA. Além disso, segundo a recorrente, o extinto Conselho de Contribuintes, em cumprimento à decisão do STF, prolatada no âmbito do RE 212.484/RS, em diversas oportunidades, reconhecera o direito de a recorrente de creditarse do IPI, calculado sobre os insumos adquiridos de estabelecimentos industriais localizados na ZFM. Logo, a glosa desse crédito configurava, no mínimo, inobservância de decisão judicial emanada do STF e, consequentemente, o descumprimento de ordem judicial autorizadora da conduta da recorrente. A decisão proferida no referido MSC, embora tenha reconhecido o direito ao crédito presumido em comento, os seus efeitos restringemse apenas aos associados da AFBCC Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.648 16 com domicílio no Estado do Rio de Janeiro, conforme ficou expressamente consignado na decisão prolatada pelo TRF da 2a Região, nos autos do Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.0132984, que teve como agravante a União Federal e agravada a ABFCC, cujo enunciado da ementa ficou assim redigido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TUTELA COLETIVA. COISA JULGADA. ABRANGÊNCIA RESTRITA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DO JULGADO. COMPETÊNCIA. A eficácia da coisa julgada, embora erga omnes, fica restrita aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator, consoante disposto no art. 16 da Lei n° 7.347/85, na redação da Lei n° 9.494/97, qual seja, este TRF 2a Região, e apenas no Estado do Rio de Janeiro. Agravo provido. A não aplicação da referida decisão judicial em benefício da recorrente, que tem domicílio no Estado Mato Grosso, estava em perfeita consonância com as limitações impostas à sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, pelo art. 2ºA da Lei 9.494/1997, incluído pela Medida Provisória 2.18035/ 2001, que alterou o alcance do art. 16 da Lei 7.347/1985, ao estabelecer limitação territorial para o provimento judicial, restringindoo ao território do órgão prolator. Para melhor compreensão, o referido preceito legal segue transcrito: Art. 2ºA: A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/ 01) Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços. (NR) (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/ 01) grifos não originais. Foi com base nesses fatos, que esta Turma de Julgamento afastou as alegações da Recorrente quanto à aplicação da decisão judicial em seu favor, conforme se verifica no acórdão nº 3302003741 (PA 13839.002752/200274). Entretanto, a recente petição da Recorrente de fls. 1593 noticiando existir decisão transita em julgada em 23.02.2017, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, RESP nº 1.438.361RJ, que retirou a restrição territorial imposta pelo TRF nos autos do MSC 91.00477834 no qual havia decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA, entretanto os seus efeitos restringemse apenas aos associados da ABFCC com domicílio no Estado do Rio de Janeiro , decidindo, expressamente que a coisa julgada no referido MSC também se aplica em relação aos Delegados da RFB indicados na inicial e, em qualquer ponto do território nacional, altera, no entendimento deste relator, a solução a ser dado ao presente processo, qual seja, aplicação da Súmula CARF nº 01 que assim preceitua: Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.649 17 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)." Isso se dá, pura e simplesmente pelo fato de haver uma decisão judicial transitada em julgada, que favorece a Recorrente, reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Destacase o trecho do despacho de 17.11.2016 proferido no RESP 1.438.361RJ "Em relação ao art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido pela MP 1.7981/ 99, e ao art. 16 da Lei n. 7.347/85, com redação dada pela Lei n. 9.494/97, a jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97 de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações (...) No caso, dos autos, a instância ordinária expressamente afirmou que o mandado de segurança foi impetrado em data anterior a vigência da MP n. 2.18035/2001 (eSTJ, fl. 429)" Somase à isso, como bem pontuado pela Recorrente, o Supremo Tribunal Federal, proferiu decisão transitada em julgado em 18/08/2017, decretando a extinção da Reclamação nº 7.778 (ajuizada contra decisão do TRF), em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361/RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.650 18 Ainda, entendo que o fato do RESP 1.438.361/RJ ter sido interposto por outro associado que não a Recorrente, não afasta o direito dos demais associados usufruir dos efeitos da decisão que retirou a restrição territorial imposta pelo TRF nos autos do MSC 91.00477834. A uma, porque o RESP é vinculado ao processo originário, não se tratando de ação autônoma. A duas, porque a decisão proferida em ação coletiva, beneficia a todos os litigantes. E, a três, porque a decisão do STJ não restringiu o direito somente ao recorrente daquele recurso. Por fim, em relação ao fato da empresa incorporada da Recorrente não ser associada da AFBCC quando da propositura do MSC, verificase que de fato referida empresa foi constituída em 25.06.1996, 05 anos após a propositura da ação, não sendo, assim, associada da AFBCC à época do ajuizamento da referida demanda. Entretanto, entendo que a empresa incorporada deve beneficiarse da decisão proferida no MSC, posto que neste tipo de demanda, o benefício judicial obtido pode ser aplicável aos associados que se filiaram à associação em data posterior a distribuição da ação. Esse é o entendimento emanado pelo STJ no AREsp nº 1.126.330DF: PROCESSUAL CIVIL. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. FORO DO DOMICÍLIO DO BENEFICIÁRIO. POSSIBILIDADE. RELAÇÃO NOMINAL E AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS ASSOCIADOS. DESNECESSIDADE. 1. Para a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade associativa não há obrigatoriedade de apresentação da lista dos filiados nem da autorização expressa deles, exigências aplicáveis somente às ações submetidas ao rito ordinário. 2. O art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997 não se aplica ao mandado de segurança coletivo. 3. "A liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levandose em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo [...] Finalmente, a impetrante ressalta que a Lei n. 11.323/05, que acrescentou o art. 475P ao CPC/73, (...) franqueou ao vencedor optar, para o pedido de cumprimento de sentença, 'pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do executado' (art. 475P, parágrafo único, do CPC)" (REsp 1243887/PR, repetitivo, Rel. Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 12/12/2011). 4. Hipótese em que o recurso fazendário encontra óbice na Súmula 83 do STJ, porquanto o fato de algum exequente não constar da relação de filiados apresentada pela FENACEF no mandamus coletivo ou não ser aposentado ou pensionista na data da impetração do mandado de segurança ou de sua sentença não é óbice para a execução individual do título executivo. 5. Agravo interno desprovido. Destacase parte da motivação proferida no AREsp nº 1.126.330DF para estender os efeitos da decisão proferida em Mandado de Segurança Coletivo aos associados que não faziam parte da instituição à época do ajuizamento da ação, mas que se filiaram posteriormente: Nesse cenário, observase não se aplicar ao mandado de segurança coletivo a exigência contida no parágrafo único do art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997 ("nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.651 19 acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços"). Nesse sentido: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO CONTRA ATO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL. LEGITIMIDADE. PRECEDENTES. OBJETO DA AÇÃO. ACÓRDÃO 845/2012. ATO DE EFEITOS CONCRETOS. CABIMENTO DO WRIT. ALTERAÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES DE CARGO PÚBLICO POR MEIO DE RESOLUÇÃO. INOCORRÊNCIA. SEGURANÇA DENEGADA. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a impetração de mandado de segurança coletivo por associação em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula 629/STF. 2. Cabe mandado de segurança contra acórdão do Tribunal de Contas que, como ato concreto, aprecia requerimento de alteração de resolução normativa. 3. Não extrapola dos limites de seu poder regulamentar ato do Tribunal de Contas da União que atribui ao cargo de técnico de controle externo, área de controle externo, atividades de natureza administrativa. 4. Segurança denegada. (MS 31336, Rel. Min. EDSON FACHIN, Segunda Turma, julgado em 28/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe097) MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DO TRABALHO. COMPOSIÇÃO DOS TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA REPRESENTAÇÃO CLASSISTA NA JUSTIÇA LABORAL. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 24/99. VAGAS DESTINADAS A ADVOGADOS E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. CRITÉRIO DE PROPORCIONALIDADE. 1 Legitimidade do Presidente da República para figurar no polo passivo do writ, tendo em vista ser ele o destinatário da lista tríplice prevista no § 2º do art. 111 da Constituição Federal, visando ao provimento dos cargos em questão. Precedente: MS nº 21.632, rel. Min. Sepúlveda Pertence. 2 Não aplicação, ao mandado de segurança coletivo, da exigência inscrita no art. 2º A da Lei nº 9.494/97, de instrução da petição inicial com a relação nominal dos associados da impetrante e da indicação dos seus respectivos endereços. Requisito que não se aplica à hipótese do inciso LXX do art. 5º da Constituição. Precedentes: MS nº 21.514, rel. Min. Marco Aurélio, e RE nº 141.733, rel. Min. Ilmar Galvão. [...] Segurança denegada. (MS 23769, Rel. Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/04/2002, DJ 30042004). Nessa linha, o fato de algum exequente não constar da relação de filiados apresentada pela FENACEF no mandamus coletivo ou não ser aposentado ou pensionista na data da impetração do mandado de segurança ou de sua sentença não é óbice para a execução individual do título executivo. A respeito, pelo STF: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – TÍTULO JUDICIAL CONSUBSTANCIADOR DE SENTENÇA COLETIVA – EFETIVAÇÃO EXECUTÓRIA INDIVIDUAL – POSSIBILIDADE JURÍDICA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. POSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA PROFERIDA EM PROCESSO COLETIVO. O fato de tratarse de mandado de segurança coletivo não representa obstáculo para que o interessado, favorecido pela sentença mandamental coletiva, promova, ele próprio, desde que integrante do grupo ou categoria processualmente substituídos pela parte impetrante, a execução individual desse mesmo julgado. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.652 20 Doutrina. Precedentes. (RE 648621 AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 19/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe051) Importante acrescer o entendimento da Corte Especial deste Tribunal Superior, firmado em recurso repetitivo, segundo o qual "a liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levandose em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo" (REsp 1243887/PR, Rel. Ministro LUÍS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/10/2011, DJe 12/12/2011). Nesse julgado, a propósito, ressaltouse expressamente: "é importante ressaltar que a Lei n. 11.323/05, que acrescentou o art. 475P ao CPC, no desiderato de facilitação e incremento de efetividade do processo de execução, franqueou ao vencedor optar, para o pedido de cumprimento de sentença, 'pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do executado' (art. 475P, parágrafo único, do CPC)". Sobre a matéria, confiramse: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO (INDIVIDUAL) DE TÍTULO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LEGITIMIDADE. SÚMULA 83 DO STJ. 1. Conforme o Supremo Tribunal Federal, a lista dos filiados e a autorização expressa deles somente são necessárias para ajuizamento de ação ordinária quando a associação atua como representante dos filiados (art. 5º, XXI, da CF). (RE n. 573.232/SC, em repercussão geral, e Súmula 629 do STF). 2. No julgamento do REsp n. 1.243.887/PR, representativo de controvérsia, a Corte Especial do STJ reconheceu que a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro no qual haja sido proferida a sentença coletiva ou no do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia do aludido julgado não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido. 3. Hipótese em que o fato de algum exequente não constar das relações de filiados apresentadas pela Fenacef ou de não ser aposentado ou pensionista na data da impetração do mandado de segurança coletivo ou de sua sentença não é óbice para a propositura de execução individual do título executivo. 4. Aplicação da Súmula 83 do STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 993.662/DF, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2017, DJe 27/10/2017) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE TÍTULO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. FORO COMPETENTE. ALCANCE OBJETIVO E SUBJETIVO DOS EFEITOS DA SENTENÇA COLETIVA. LIMITAÇÃO TERRITORIAL. IMPROPRIEDADE. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.653 21 1. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.243.887/PR, processado sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, analisando a questão da competência territorial para julgar a execução individual do título judicial em ação civil pública, decidiu que a liquidação e a execução individual de sentença genérica proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido (Relator Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 12.12.2011). 2. Seguindo aquela orientação, os efeitos da sentença proferida em mandado de segurança coletivo impetrado pela Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal Fenacef não estão limitados a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido. 3. Esse é o entendimento pacífico das Turmas da Primeira Seção, de que são exemplos os seguintes julgados: AgRg no AREsp nº 302.062/DF, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19.05.2014 e AgRg no AREsp nº 322.064, DF, Relator Ministro Humberto Martins, DJe 14.06.2013. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 471.288/DF, Rel. Ministra MARGA TESSLER (JUÍZA FEDERAL CONVOCADA DO TRF 4ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA AO TERRITÓRIO SOBRE JURISDIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR. IMPROPRIEDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. RESP PARADIGMA 1.243.887/PR. EXTENSÃO DOS EFEITOS. NÃO FILIADOS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp 1.243.887/PR, relatoria do Min. Luis Felipe Salomão, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), reconheceu que "os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levandose em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo". 2. Proposta a ação coletiva pela FENACEF Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal, estão legitimados a executar o julgado a totalidade dos integrantes da categoria ou grupo interessado e titular do direito, ainda que não filiados à entidade que atuou no polo ativo do mandamus. 3. Necessidade de retorno dos autos às instâncias ordinárias para verificar os limites objetivos do que foi decidido no writ coletivo, bem como promover a adequada análise dos temas suscitados nos embargos à execução, sob pena de supressão de instância e violação do princípio da ampla defesa. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 322.064/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 14/06/2013) Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.654 22 Portanto, considerando (i) que a decisão proferida no MSC se aplica à Recorrente, associada AFBCC, independentemente de sua localização e da autoridade administrativa a que está subordinada; e (ii) que o mérito discutido neste processo administrativo foi levado ao judiciário, resta caracterizada a renúncia à esfera administrativa. III Do recurso de ofício A decisão de piso afastou da cobrança, face a incidência do instituto da decadência, o período compreendido de agosto/2007 a dezembro/2007, nos termos do voto relator que, em síntese entendeu aplicável para caso a regra prevista no §4º, do artigo 150, do CTN, mesmo na hipótese do artigo 124, III, do RIPI, considerar pagamento somente para os casos que resultar saldo positivo, a saber: Isso posto, temse que, no tocante ao IPI, a admissão do pagamento parcial para fins de cômputo do prazo decadencial sob a égide do § 4º do art. 150 do CTN implica, evidentemente, excepcionar a literalidade da redação dos incisos I e III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002 no sentido de não se exigir que ocorra estritamente: i) o recolhimento integral do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; ii) a dedução integral dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos. Ou seja, para a decadência regida pelo § 4º do art. 150 do CTN, a admissão do pagamento parcial implica considerar: i) para o inciso I do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, a existência de uma parcela não recolhida daquele saldo devedor; ii) para o inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, a dedução parcial dos débitos escriturais por créditos legítimos, remanescendo uma parcela não recolhida do saldo devedor apurado. No caso em tela, pelo demonstrativo elaborado pela Autoridade Fiscal à fl. 22 (Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, elaborado tomando por base as planilhas de fls. 34/201) observase que nos períodos de apuração mensais 08/2007 a 03/2008 [em relação aos quais a defesa alega a decadência], considerados no lançamento de ofício, a fiscalização efetuou confrontos escriturais de “créditos legítimos” originários da escrita fiscal do sujeito passivo com os “débitos apurados” decorrentes do IPI destacado nas saídas do estabelecimento industrial, caracterizados como pagamentos antecipados (parciais, frisese), a teor do inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, combinado com o Parecer PGFN/CAT nº 1617, de 2008, pelo que se lhes aplicam todas as explanações mencionadas retro. Conforme entendimento manifestado anteriormente por este relator, em se tratando de IPI, o art. 1244, parágrafo único, do RIPI/02 considera pagamento: I — o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II — o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir;ou; III — a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” (grifado). Ou seja, considerando a peculariedade que envolve o tributo sob análise, a regra do artigo 150, §4º, do CTN somente se aplicaria aos casos quando do cruzamento da 4 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10183.721209/201396 Acórdão n.º 3302006.773 S3C3T2 Fl. 1.655 23 escrita fiscal entre débitos e créditos resultar saldo positivo, do contrário, aplicase a contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I, do CTN. No presente caso, especificadamente nos meses de agosto a dezembro de 2007 (vide documento de fls. 22), verificase que houve apuração de saldo a pagar, afastando, assim, a aplicação do inciso III, do artigo 124, do RIPI/02 e, consequentemente do §4º, do artigo 150, do CTN. Portanto, considerando que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 15.03.2013 e, aplicando a contagem de prazo decadencial prevista no inciso I, do artigo 173, do CTN, temos que somente a exigência dos créditos relativos aos meses de agosto a novembro de 2007 devem sofrer a incidência do instituto da decadência, conforme demonstrado na tabela abaixo: Período de Apuração Vencimento Início Contagem Prazo Decadencial Término Prazo Decandecial Ciência do Auto de Infração ago/07 set/07 set/07 out/07 out/07 nov/07 nov/07 dez/07 01/01/2008 31/12/2012 dez/07 jan/08 01/01/2009 31/12/2013 15/03/2013 Assim, deve ser afastado a decadência em relação ao período de dezembro de 2007, restabelecendo, assim, sua cobrança. IV.Conclusão Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento e, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento relativo a dezembro/2007. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1655DF CARF MF
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Numero do processo: 13746.000253/2003-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/10/2002
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos.
Recurso especial da Fazenda não conhecido e do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, eis que o caput daquele artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. Recurso especial da Fazenda não conhecido e do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 02 53 /2 00 3- 62 Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda (fls. 712/734), admitido pelo despacho de fls. 736/738, e de recurso especial de divergência interposto contribuinte (fls. 748/776), admitido pelo despacho de fls. 968/970, contra o Acórdão 3802004.237 (fls. 685/710), de 18/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/03/2003 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros. Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 4 3 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Sustenta a Fazenda nacional que o acórdão recorrido entendeu pela aceitação da compensação realizada com créditos de terceiros, enquanto "o acórdão paradigma (3403 003.458, de 11/12/2014) aduz vedação do ordenamento jurídico de compensação de créditos tributários próprios (débitos) com créditos de terceiros". No mérito, em síntese, alega que mesmo que haja decisão judicial não é passível compensar débitos com créditos de terceiros após 01/10/2002. Vejase o seguinte excerto da peça recursal: Verificase, portanto, que, a partir de 1º de outubro de 2002, a decisão judicial favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, obtida no Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250, não ampara compensações de seus créditos com débitos de terceiros, como do interessado neste processo, que apresentou a “Declaração de Compensação” após aquela data. Pede, alfim, que seja reformado o recorrido para que seja mantido, em sua integralidade, o decidido em primeira instância. Em contrarrazões (fls. 852/864), alega o contribuinte que o recurso fazendário não deve ser admitido, pois, em suma, "os casos não possuem similitude fática e não há divergência na interpretação da legislação tributária". Acresce que a Fazenda não adotou a técnica processual de confrontar analiticamente a divergência entre os entendimentos contidos nos acórdãos", conforme previsto no art. 67, § 8º do RICARF, o que, em seu entender, "deve acarretar o não conhecimento do recurso especial". Ao final, pede o não conhecimento do recurso, e, uma vez conhecido, que lhe seja negado provimento. De sua feita, postula o contribuinte em seu recurso especial de divergência que as homologações não analisadas no prazo de cinco anos, independentemente de quando protocoladas, estariam homologadas tacitamente. Aduz que tal questão já teria sido solucionada judicialmente nos autos do MS 2001.51100010250, "não podendo haver decisão em contrário". Acresce que "a edição da Lei 10.833/2003 não surpreendeu a SRF, "que desde sempre assumiu que possuía o prazo de cinco anos para analisar a compensação". Pede a reforma do recorrido para reconhecer a ocorrência da homologação tácita das compensações. Em contrarrazões (fls. 972/977), entende a Fazenda, com força no Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005, que as compensações com créditos de terceiros protocoladas após 01/10/2002, data da edição da MP 66/2002 que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96 prevendo que a declaração de compensação só poderia ser prestada pelo detentor do crédito objeto da compensação declarada, não tem natureza de declaração de compensação. Ante tal premissa, conclui que as compensações protocoladas após a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, 01/10/2002, não tem natureza de "declaração de compensação", pelo que não há de falarse no caso em homologação tácita. Pede, alfim, que seja negado provimento ao recurso especial É o relatório. Voto Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO RECURSO DA FAZENDA Com a devida vênia, entendo que o recurso fazendário não deva ser conhecido, pois o aresto paradigma (3403003.458, de 11/12/2004) não deu interpretação divergente à mesma legislação tributária. O acórdão paragonado negou provimento in totum ao recurso voluntário, o qual versava exclusivamente sobre a mesma questão a qual foi negado provimento no recorrido, qual seja, a impossibilidade de compensar crédito de terceiros (no paradigma tratavase de crédito de coligada) com débitos próprios após a edição da MP 66/2002. Ou seja, a matéria versada no paragonado, ao qual foi negado provimento, é idêntica a matéria que, igualmente, foi negado provimento no recorrido. Assim, alem de não ter havido o cotejo analítico dos arestos a permitir a constatação da interpretação de divergência, como pontuado pelo contribuinte, até porque não houve, a Fazenda não sucumbiu quanto ao tema no recorrido. Dessa forma, falta à Fazenda interesse de agir, do que decorre a falta de um dos pressupostos recursais. Por tal, não conheço do recurso fazendário. RECURSO DO CONTRIBUINTE Já o recurso do contribuinte deve ser admitido nos termos em que foi processado, mormente por se tratar de paradigma em relação à mesma empresa. MÉRITO RECURSO DO CONTRIBUINTE O aresto recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo à empresa "o direito de a recorrente compensar os débitos do IPI discriminados nos autos do presente processo e dos processos a ele apensos, com créditos do mesmo imposto reconhecidos judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação do débito a compensar". A Fazenda não recorreu. Contudo, foi rejeitada a suposta homologação tácita, mesmo transcorrido prazo superior a 5 anos entre o protocolo do pedido e a ciência da decisão que não homologou a compensação. Assim, devolvido ao nosso conhecimento, unicamente, a questão quanto à possibilidade de homologação tácita de compensações, como em caso, protocoladas após a edição da MP 66/2002, tratandose de créditos de terceiros (Nitriflex S.A.). Referese a compensação ao pedido de fl. 03, débito de IPI (código receita 1097). O acórdão recorrido decidiu que as compensações com créditos de terceiros, autorizadas pela decisão proferida no Mandado de Segurança 2001.02.01.0352326 (processo originário nº 2001.51.1.00010250), não seriam convertidas em declaração de compensação e, consequentemente, não se sujeitariam a homologação tácita no prazo de cinco anos. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 6 5 Entendo correta a decisão a quo, da qual valhome em grande medida para fundamentar o presente voto, nos termos do art. 50 § 1º, da Lei 9.784/99. O formulário em que o pleito foi formalizado, Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, não mais vigia à época da protocolização do pedido, ou seja, em 11/03/2003. Com efeito, no rodapé do formulário em tela (fls. 02) consta que aludido formulário foi "aprovado pela Instrução Normativa SRF/Nº 21/97 Anexo IV", em sintonia com o que dispunha o artigo 15 da citada Instrução Normativa, abaixo transcrito: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRF A diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Muito embora a Instrução Normativa SRF nº 21/97 só tenha sido revogada em 01/10/2002 (data da publicação da IN SRF nº 210, de 30/09/2002, cujo artigo 46 revogou formalmente a citada IN 21/97), todo o artigo 15 da IN 21/97, ou seja, a integralidade do dispositivo que tratava da possibilidade de utilização de créditos de um contribuinte para compensação com débitos de outrem, já havia sido revogado pela IN SRF nº 41, de 07/04/2000 (publicada no DOU de 10/04/2000), e que assim dispôs sobre a questão: Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 7 6 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 170 da Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 66 da Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei Nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e nos arts. 73 e 74 da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória Nº 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF Nº 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Essa nova limitação à compensação que motivou a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio a impetrar Mandado de Segurança (n° 2001.02.01.0352326 processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde pleiteou o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41/2000. Reiterese que o Poder Judiciário, por força de decisão no Mandado de Segurança nº 98.00166580, transitada em julgado em 18/04/2001, já tinha reconhecido, em favor da Nitriflex, o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Segundo o artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados". Tal dispositivo vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, que incluiu aludido preceito. Quanto ao caput daquele art. 74, o mesmo, na redação à época vigente (dada pela MP nº 66/2002), já tratava exclusivamente da compensação de créditos com débitos próprios, o que pode ser conferido pela simples leitura do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Restrição nesse sentido de autorizar a compensação tributária somente com débitos próprios foi mantida na redação do preceito em comento desde então. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, não poderia ser dado ao pedido objeto dos autos efeito de compensação de crédito de terceiros com débito próprio a natureza da declaração a que alude o § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ("a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"). Também a realidade presente não se enquadra no disposto no § 4º do aludido dispositivo, segundo o qual "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo". Primeiro porque o pleito envolve forma de compensação (de créditos com débitos de terceiros) não prevista pelo caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; segundo, porque o pleito foi formalizado posteriormente à edição da MP nº 66/2002, ou seja, em 10/10/2002. E o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela MP 66/2002, passou a explicitar que a compensação a que se refere é somente em relação a créditos próprios. E tal norma vige desde 30/08/2002, antes, portanto, das compensações em análise. Em consequência, não se aplica ao caso em exame o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Resta claro que o preceito em evidência é restrito aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, que, como já consignado, aborda unicamente a compensação de débitos com créditos próprios, ou seja, a hipótese legal de que trata o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 a partir da alteração trazida pela MP nº 66/2002. Não bastasse isso, o § 5º que trata do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada só veio a ser incluído no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833, publicada em 31/10/2003, a partir de quando o dispositivo em questão passou a viger. Ou seja, posteriormente à protocolização do pleito da interessada. Evidente, portanto, que o caso em exame não se subsume à homologação tácita a que se refere o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Rejeitase, portanto, o argumento da recorrente nesse sentido. Impende lembrar, por fim, que com o advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (que, dentre outras alterações, incluiu o § 12 no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 "será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: ...II em que o crédito...a seja de terceiros"), a apresentação de pedido de compensação de débitos próprios com débitos de terceiros passou a ser considerada como compensação não declarada. Tal preceito passou a viger a partir de 30/12/2004, data da publicação da referida norma. Sem embargo, não é razoável entender que, por conta do aludido preceito, até então todo o pedido de compensação deveria ser declarado como declaração de compensação. Por fim, ao contrário do que afirma a recorrente, não há decisão judicial que determine, na hipótese dos autos, que haverá homologação tácita dentro de cinco anos da data do protocolo do pleito de compensação. O que há é uma manifestação obter dictum do juízo ao se manifestar sobre a resposta da repartição fazendária sobre o ofício judicial (1579 Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 9 8 2/0657/2004, de 04/08/2004), conforme reproduzido no recurso especial do contribuinte (fl. 771). Dessarte, afastase tal alegação, pois não improcedente. Assim, sem reparos a r. decisão na matéria devolvida ao conhecimento desta E. turma. DISPOSITIVO Em face do exposto: 1 Não conheço do especial fazendário; e 2 Conheço do especial do contribuinte, mas negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13746.000253/200362 Acórdão n.º 9303008.535 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 987DF CARF MF
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Numero do processo: 13736.001752/2007-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de e-fls. 41, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes.
Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de efls. 41, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes. Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 36 .0 01 75 2/ 20 07 -1 0 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13736.001752/200710 Resolução nº 2002000.090 S2C0T2 Fl. 45 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 04/08) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, onde se apurou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 13.160,00. O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (efls. 09). Inconformado, apresentou Impugnação (efls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 29): Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 10 da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/RJOII em decisão assim ementada (efls. 28/32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. O interessado ingressou com Recurso Voluntário (efls. 37/38) com exatamente os mesmos argumentos apresentados em sua Impugnação. Voto Inicialmente, impõese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. Do exame dos autos observase que a ciência do acórdão de primeira instância foi realizada em 24/04/2008, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (efls. 36). De acordo com o art. 33, caput, do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Por outro lado, extraise do art. 5º do mesmo Decreto que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindose de sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13736.001752/200710 Resolução nº 2002000.090 S2C0T2 Fl. 46 3 Assim, tendo em vista que a apresentação do Recurso Voluntário só ocorreu em 13/06/2008, conforme carimbo da Agência da Receita Federal do Brasil em Cabo Frio (efls. 37), não resta dúvida sobre a intempestividade do mesmo. Ocorre, contudo, que o Despacho emitido pela referida Agência considerou a apresentação do Recurso Voluntário tempestiva (efls. 41), o que levou ao questionamento por este Colegiado sobre a existência de outros elementos de prova que demonstrassem este fato. Em vista do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem confirme a informação contida no Despacho de efls. 41, juntando aos autos os documentos comprobatórios correspondentes. Posteriormente, o recorrente deverá ser cientificado da diligência realizada, com abertura de prazo para sua manifestação. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726117/2016-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.593
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 17 /2 01 6- 53 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.637. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726117/201653 Acórdão n.º 3302006.593 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720393/2015-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA
O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.
Numero da decisão: 9202-007.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 106 1 105 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17437.720393/201539 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.821 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF MOLÉSTIA GRAVE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMA RUBIS FERRAZ PACHECO MAZZINI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de “moléstia grave” previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 93 /2 01 5- 39 Fl. 106DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 80/87, contra o acórdão nº 2001000.443, julgado na sessão do dia 24 de maio de 2018 pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Como descrito pela Câmara a quo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 03 e 06, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual formalizouse a redução da restituição do imposto de renda para o valor de R$2.430,19. O lançamento foi motivado por omissão de rendimentos no total de R$78.243,62 recebidos da São Paulo Previdência SPREV. Segundo o relatório fiscal, o contribuinte não apresentou laudo de serviço médico oficial nos moldes da lei, que amparasse a isenção por moléstia grave e ato concessivo da pensão. À fl.09 e ss a contribuinte contesta o lançamento, argumentando em síntese que o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave. Apresenta documentos para comprovar as suas alegações. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda tendo em vista que a doença contida nos laudos, qual seja Alzheimer, não se encontra elencada no rol das doenças passíveis de isenção previstas no inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, efls. 80/87, requerendo a reforma do acórdão, alegando que a Contribuinte não faz jus à isenção regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Apresenta como paradigma os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 2801001.299 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 107DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201539 Acórdão n.º 9202007.821 CSRFT2 Fl. 107 3 Anocalendário: 1997 IRPF. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos de tributação do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por contribuinte acometido de doença especificada em lei isentiva do imposto de renda. IRPF. ISENÇÃO. MAL DE ALZHEIMER. O mal de Alzheimer não enseja a isenção de que tratam os incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto n.º 3.000, de 26/03/99, exceto quando dele decorra outra moléstia, elencada na norma isencional. Recurso Negado.” Acórdão n.º 10616.392 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – ERRO DE FATO O erro de fato deve decorrer de um equívoco inescusável, suficiente para que restasse demarcada a situação descrita pelo o § 2o, do artigo 147 do Código Tributário Nacional autoriza que essa circunstância não deva dar azo a que a Administração Tributária possa cobrar tributo que não seja devido. FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO A colheita de informações e documentos pelo fisco durante o trabalho de auditoria fiscal, prescinde do pronunciamento do sujeito passivo, por tal, a repartição fiscal tem competência legal para constituir o crédito tributário que considerar devido, através de lançamento de ofício. IRPF ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE – PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA – Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia os rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, e que referentes a aposentadoria, pensão ou reforma. Não havendo nos autos a comprovação exigida para demarcar a moléstia grave, com o laudo médico pericial, não há como ser reconhecido o direito à isenção. PECÚLIO – Somente estão fora da incidência do IRPF os pecúlios: a) recebidos pelos aposentados que tenham voltado a trabalhar até 15/04/1994, em atividade sujeita ao regime previdenciário, pago pelo INSS ao segurado ou a seus dependentes, após a sua morte (art. 1º da Lei nº 6.243, de 1975, art. 6º, XI, da Lei nº 7.713, de 1988, art. 81, II, da Lei nº 8.213, de 1991, e art. 29 da Lei nº 8.870, de 1994); b) recebido em prestação única de entidades de previdência privada, quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante (art. 6º, VII, da Lei nº 7.713, de 1988, e art. 32 da Lei nº 9.250, Fl. 108DF CARF MF 4 de 1995; c) pago por seguradora, em razão de morte do segurado (art. 6º, XIII, da Lei nº 7.713, de 1988. BASE DE CÁLCULO – Devem ser excluídos da base de cálculo da exação os valores que não compõem os rendimentos tributáveis, sujeitos à declaração de ajuste anual. IRF RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. MULTA DE OFÍCIO O não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo devido enseja que a Fazenda Pública, quando legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor. Recurso parcialmente provido. Conforme despacho de admissibilidade efls. 90/93, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Com efeito, o cotejo do acórdão paradigma com o recorrido permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. No paradigma, decidiuse no sentido de que a Doença de Alzheimer não ensejaria a pleiteada isenção, por não se encontrar expressamente elencada na norma isentiva, sem qualquer ressalva sobre eventual associação com outra enfermidade. Já no recorrido, a isenção foi aplicada não em função da Doença de Alzheimer, em si, mas sim pelo fato de tal moléstia ter sido considerada no julgado uma forma de alienação mental, que está elencada na legislação isentiva. Assim, restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a questão da aplicação da isenção de Imposto de Renda por moléstia grave a portador de "Mal de Alzheimer. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 97/102, requerendo que seja negado provimento ao REsp da PGFN. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 109DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201539 Acórdão n.º 9202007.821 CSRFT2 Fl. 108 5 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos pela o seu conhecimento, conforme despacho de admissibilidade efls. 90/93. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria em discussão é a aplicação da isenção de Imposto de Renda por moléstia grave a portador de "Mal de Alzheimer. Destaco que nos autos, conforme efls. 14/16, foi juntado o laudo médico pericial do INSS, reconhecendo a moléstia grave da Contribuinte. Nesse sentido, destaco a Súmula nº 63 do CARF, que apresenta o seguinte teor: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Este tema já foi apreciado pela esta E. CSRF, conforme o acórdão 9202 005.441, proferido na sessão de 27 de maio de 2017, de relatoria da Ilmo. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Aponto abaixo os fundamento do voto da Ilmo Conselheiro: Salientese que, no recorrido, o laudo é claro em afirmar que o contribuinte "é portador de DEMÊNCIA NÃO ESPECIFICADA / DOENÇA DE ALZHEIMER CID F03 / G030, conforme atestados e exames constantes no prontuário. Por outro lado, no paradigma, o fato de doença de alzheimer não estar expressamente nominada entre as moléstias elencadas em lei é suficiente para afastar a isenção. Portanto, entendo comprovada a divergência. Essa matéria vem sendo discutida já há alguns anos nesta casa e já tive a oportunidade de presidir sessão de julgamento de caso que em tudo se amoldava ao presente, nos termos presentes no voto do acórdão 2101001.896, relatado pelo então conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que considerou que a doença de Alzheimer, com o acometimento de demência, pode sim implicar alienação mental, o que é suficiente para seu enquadramento como moléstia grave. Adoto esse entendimento, como razões para minha decisão, verbis: A controvérsia dos autos cingese, essencialmente, na isenção de rendimentos por moléstia grave, in casu, Doença de Alzheimer. Segundo o Dr. Norton Sayeg, Editor Médico da AlzheimerMed, informativo encontrado no sítio www.alzheimermed.com.br, “a doença de Alzheimer é a mais freqüente forma de demência entre idosos. É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as Fl. 110DF CARF MF 6 tarefas cotidianas.” O renomado especialista informa, ainda, que “Demência é um grupo de sintomas caracterizado por um declínio progressivo das funções intelectuais, severo o bastante para interferir com as atividades sociais e do cotidiano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência.” Destarte, no concernente à doença de Alzheimer estar sob o alcance do art. 6º, inciso XIV, da Lei n.° 7.713/88, temse que o assunto já foi objeto de estudo, no âmbito da Sexta Câmara, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho, formado em Medicina e Advocacia, advindo o Acórdão 106 13.418, de 02.07.2003, cuja ementa é a seguinte: Outrossim, compulsandose os autos verificase que os rendimentos eram relativos à aposentadoria, pois como se observa, provenientes de órgãos estatais ao contribuinte que já contava com 75 anos no anocalendário de 2007. Quanto ao laudo médico, verificase atendida a formalidade exigida pela Lei nº 9.250, de 1995. Foi emitido por órgão médico oficial, estadual, qual seja, Centro de Saúde I Vereador João Lopes Jundiaí (efl. 89). Consta no referido laudo a informação de que a contribuinte é portadora da doença de Alzheimer, estando sob cuidados médicos desde 2007 e necessitando de acompanhamento permanente. Há ainda laudo particular que afirma terem os primeiros sintomas surgido em 2005 (efl. 90). Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela PGFN e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o acórdão de Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003343/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
Súmula CARF nº 107
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 9303-008.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.003343/200591 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.426 – 3ª Turma Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria COFINS ISENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSPETORIA MADRE MAZZARELLO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 33 43 /2 00 5- 91 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10680.003343/200591 Acórdão n.º 9303008.426 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 3201001457, de 22/10/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. A divergência apontada pela Fazenda Nacional referese à parte do acórdão recorrido que reconheceu a isenção relativa às receitas de cunho contraprestacional, decorrentes da prestação de serviço efetuada pelo entidade beneficente de assistência social. O recurso especial foi integralmente admitido por despacho aprovado pelo então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões, o contribuinte pede o improvimento do recurso especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário com o entendimento de que são isentas da Cofins as receitas oriundas das atividades próprias de uma entidade beneficente de assistência social, mesmo que elas tenha caráter contraprestacional. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10680.003343/200591 Acórdão n.º 9303008.426 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda Nacional apresentou acórdãos paradigmas que deram interpretação divergente, entendendo que tais receitas são tributáveis pela Cofins. Porém esta matéria já está devidamente superada pela aplicação da Súmula CARF nº 107, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902254/2008-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO.
Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
Numero da decisão: 1001-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 163 1 162 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.902254/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.204 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de abril de 2019 Matéria DCOMP Recorrente TRATOWEL COMÉRCIO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. CRÉDITO. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 22 54 /2 00 8- 67 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10983.902254/200867 Acórdão n.º 1001001.204 S1C0T1 Fl. 164 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação 22896.33127.170806.1.7.044135 (efls.14/18), de 17/08/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (CSLL PA 31/10/2002, data de arrecadação 30/04/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775549489 (efl.12), que analisou as informações e reconheceu que não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi assim resumida no relatório da decisão recorrida (efls. 22/25): II – O DIREITO Da peça intimidatória depreendese que ocorreram os seguintes fatos: a) Recolhimento de CSLL do período de apuração 31/10/2002 no valor de R$ 11.745,09; b) Recolhimento este que foi considerado, posteriormente, indevido ou a maior; c) Utilização do valor recolhido, considerado a maior ou indevido, para compensar com outros débitos através da PERDCOMP. O contribuinte não nega estes fatos. Acrescenta ainda, que a PER/DCOMP em tela, de nº 22896.33127.170806.1.7.044135, de natureza retificadora, foi transmitida em 17/08/2006, utilizandose do valor de R$ 7.222,69. Não há que se destacar legislações e nem jurisprudências, pois o contribuinte não nega nenhum dado constante para análise. Porém, somente, trás a lume um ponto de discordância e este, por si, se basta para justificar a impugnação. O recolhimento do tributo gerador da compensação futura, "não localizado nos sistemas da Receita Federal", não é peça de ficção. Existe e vai anexada à presente Impugnação. Tratase de Darf devidamente recolhido e autenticado pela Instituição Financeira recebedora (BESC) em 29/11/2002,originado no código de receita 2484. Referido código de receita tem por fato gerador: CSLL – DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10983.902254/200867 Acórdão n.º 1001001.204 S1C0T1 Fl. 165 3 Diante dos dados apresentados, considerando o contribuinte que o ponto principal apurado pelo auditor fiscal foi a não localização nos sistemas da Receita Federal da comprovação documental do recolhimento e considerando ainda a prova material anexada, o contribuinte entende que se legitima o crédito declarado na PER/DCOMP. [...] A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0729.366 3 ª Turma da DRJ/FNS, efl. 22/25). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento informado na DCOMP pela recorrente, de fato, não existe. Por isso, o Despacho Decisório não demanda reparo. E mesmo que se considere que o DARF seja aquele (outro) apresentado pela recorrente, constatou a DRJ que o alegado pagamento a maior no montante de R$ 7.222,69 não foi devidamente comprovado pela recorrente. Cientificada em 20/08/2012 (efl. 27), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/09/2012 (efl. 29), repetindo os argumentos levados à primeira instância e alegando, em resumo, que a autoridade julgadora administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, e pede a juntada de cinco processos de PER/DCOMP em seu nome que foram protocolados por profissional de contabilidade de forma aleatória e equivocada e que não correspondiam à realidade. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado em PER/DCOMP e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. Mas antes da análise da documentação que comprova o crédito, nestes autos não se confirmou o próprio recolhimento declarado na PER/DCOMP em questão. Desta forma, se erro houve na descrição das características do recolhimento cabia a apresentação de nova declaração de compensação, o que não foi feito pelo contribuinte. Desta forma, adiro às razões da primeira instância, razão pela qual transcrevo seus fundamentos a seguir: A data de arrecadação do DARF é 29/11/2003, porém na DCOMP a interessada informou data de arrecadação em 30/04/2003. Isto impediu que o pagamento fosse localizado, pois a data de arrecadação é um dos parâmetros utilizados para identificar o pagamento. Ou seja, o DARF não foi localizado em Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10983.902254/200867 Acórdão n.º 1001001.204 S1C0T1 Fl. 166 4 razão de erro cometido pela recorrente no preenchimento das informações pertinentes na DCOMP (“erro” desta mesma natureza foi cometido pela recorrente em várias outras DCOMP: 22896.33127.170806.1.7.044135, 16418.59129.170806.1.7.046883, 32470.59512.170806.1.7.046583, etc.). Deste modo, o pagamento informado na DCOMP pela recorrente, de fato, não existe. Por isso, o Despacho Decisório não demanda reparo. Considerando agora que o DARF seja aquele ora apresentado pela recorrente, constatase que o alegado pagamento a maior no montante de R$ 7.222,69 não foi devidamente comprovado pela recorrente. À evidência, o pagamento de R$ 11.745,09 encontrase totalmente alocado ao débito de mesmo valor informado pela própria recorrente em DCTF, conforme registro supra. Ainda que se supere a situação de não localização do DARF, causada por erro cometido pela recorrente, permanece inalterada a acusação de que não foi confirmada a existência de crédito. Cabe aqui a regra geral de que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito (CPC, art. 333, I). Deste modo, além de provar que o DARF é em verdade outro, que não aquele que informou na DCOMP, a recorrente deveria comprovar o direito creditório que alega possuir, sem o quê o pleito não poderá ser acatado. Ante o exposto, manifestome pela improcedência da manifestação de inconformidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 166DF CARF MF
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