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Numero do processo: 19311.720328/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO.
Para que se constitua a presunção de omissão de receita caracterizada por passivo fictício de que trata o artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao fisco identificar a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.
Não subsiste lançamento pautado exclusivamente em mídia eletrônica, para caracterizar passivo fictício, sem que se aponte quais valores em aberto, presentes no balança já estavam pagos. Ademais, no que se referem a obrigações financeiras ainda não vencidas e nem pagas, por óbvio que haveriam de constar em aberto na contabilidade, não podendo caracterizar passivo fictício.
Acórdão da DRJ que se mantém por seus próprios fundamentos.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1402-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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PASSIVO FICTÍCIO. Para que se constitua a presunção de omissão de receita caracterizada por passivo fictício de que trata o artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao fisco identificar a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Não subsiste lançamento pautado exclusivamente em mídia eletrônica, para caracterizar passivo fictício, sem que se aponte quais valores em aberto, presentes no balança já estavam pagos. Ademais, no que se referem a obrigações financeiras ainda não vencidas e nem pagas, por óbvio que haveriam de constar em aberto na contabilidade, não podendo caracterizar passivo fictício. Acórdão da DRJ que se mantém por seus próprios fundamentos. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 28 /2 01 2- 11 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 742 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fl. 81), acompanhado do termo de verificação fiscal de fl. 70, notificado à parte interessada em interessada em 29/8/2012, imputandolhe as seguintes infrações: 001 IRPJ Omissão de receitas. Passivo fictício (fl. 83). Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2008 R$ 89.620.583,65 75% Enquadramento Legal: art. 24 da Lei nº 9.249. de 1995; art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996 e art.249, II, 251 e parágrafo único, 279, 281, III, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. 002 CSLL Omissão de receita. CSLL sobre receitas omitidas (fl.98) Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2008 R$ 89.620.583,65 75% Enquadramento Legal: art. 2º e §§, art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008; art. 24 da Lei nº 9.249. de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996 e art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996. 002 PIS Incidência não cumulativa apuração reflexa. Falta de recolhimento do PIS (fl. 88) Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2008 R$ 89.620.583,65 75% Enquadramento Legal: 1º, 3º e 4º Lei nº 10.637, de 2002. 003 COFINS Incidência não cumulativa apuração reflexa. Falta de recolhimento da Cofins (fl. 93) Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2008 R$ 89.620.583,65 75% Enquadramento Legal: 1º, 3º e 4º Lei nº 10.637, de 2002. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 70, farseia necessário auditoria de produção, visto que a aquisição de mercadorias/insumos foi incompatível com os custos dos produtos vendidos. Contudo, em razão do tempo que vinha sendo despendido, foi mudado o foco de apuração de eventual omissão de receitas, sendo intimado a contribuinte para que preenchesse o formulário de composição do saldo da conta de fornecedores, no valor de R$ Fl. 758DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 743 3 58.704.352,98, e a composição do saldo da conta de financiamentos a curto prazo, no valor de R$ 70.678.902,92, constantes do balanço patrimonial, cujas informações foram prestadas na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais, referente ao exercício de 2009, ano calendário de 2008. Em item seguinte, a autoridade autuante destaca textualmente "após filtro aplicado no arquivo digital entregue na forma de planilha excel, relativa à conta de fornecedores e financiamentos a curto prazo, ficou evidenciado que o contribuinte praticou omissão de receitas no anocalendário de 2008, no total de R$ 89.620.583,56, mediante o artifício de "passivo fictício", ou seja: deixou de demonstrar através de lançamento contábil, na sua forma intrínseca e extrínseca, o efetivo pagamento das obrigações constituídas em seu balanço patrimonial e, consequentemente, deixou de apresentar os documentos necessários à sua análise.". Do termo de verificação, no que diz respeito aos cálculos, transcrevo os seguintes quadros (fl. 72): À fl. 73 há um parágrafo sob o título de responsabilidade solidária, destacando que o Diretor da empresa Sr. Ricardo Lessa da Silva, nos termos do artigo 121, do CTN, ficava ciente do procedimento. Contudo não é mencionado o porquê o Diretor da empresa seria responsável solidário. Igualmente, o diretor aqui nominado sequer foi intimado da autuação. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 744 4 A empresa apresentou a contestação de fls. 433 apontando falta de motivação para a autuação, que sequer indica como surgiu o valor considerado passivo fictício. Destaca desconhecer o teor do que a autoridade fiscal denominou de "breve relato/análise conclusiva do RPF/MPF 201000958, que teria resultado a mudança de foco da fiscalização." Quanto ao mérito, a recorrente destaca que "todos lançamentos que deram ensejo à lavratura dos autos de infração ora impugnados constantes das contas fornecedores e financiamentos a curto prazo estavam em aberto e tinha o seu cômputo no passivo absolutamente escorreito". Diz a recorrente que "a partir de uma simples conferência dos dados inseridos na sua planilha de fl. 67, concluise que a autoridade fiscal não precedeu à subtração do item 003 (saldo conta fornecedores no final do período) no valor de R$ 58.705.352,98 e do item 19 (saldo de outros valores a pagar no final do período) no valor de R$ 27.121.720,10. Em outras palavras, somou ao resultado valores que dele deveriam ser diminuídos. Na impugnação, a recorrente ainda tece extensas considerações sob o item identificado como "dos saldos da conta fornecedores" e apresenta planilhas destacando lançamentos que foram estornados por situações posteriores aos seus registros (fl. 448/453) A DRJ, por meio do acórdão de fls. 668 e seguintes, julgou procedente a impugnação, cujos fundamentos da decisão podem ser sintetizados no seguinte trecho da ementa que transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2008 Omissão de Receitas. Passivo Fictício. Presunção Legal Relativa Questão eminentemente probatória. Presunção legal, no que tange ao passivo fictício, que, por ser relativa, admite prova em contrário. Se o contribuinte a ela contrapõese, respaldado por elementos probatórios que atestem suas alegações, a presunção legal cai por terra. E, neste passo, restaria ao fisco provar que, em verdade, a presunção é que deveria prevalecer, o que não ocorreu. Lançamento que se cancela. Levantamento do Fluxo Financeiro. Equívocos Ocorridos. Se a Fiscalização optou por realizar levantamento do fluxo financeiro da autuada visando dar suporte aos lançamentos efetivados, deveria ter calculado corretamente tais valores. Tendo havido erro nas operações, o resultado final mostrouse equivocado e inapto para comprovar os fins a que se destinava. Lançamento Tributário. Certeza Necessária. Conforme dispõe o artigo 112 do Código Tributário Nacional, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo e não comporta incertezas. Tratandose de atividade plenamente vinculada, cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. As dúvidas em relação aos elementos em que se baseou devem beneficiar o contribuinte e não o fisco, em homenagem à máxima "in dubio pro reo". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 745 5 Base de Cálculo Negativa da CSLL. Compensação e Aproveitamento por Ocasião dos Lançamentos de Ofício. Obrigatoriedade. Comprovada a existência de base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário dos lançamentos de ofício realizados, cabe à Fiscalização compensar tais valores no momento da lavratura do auto de infração. Igualmente, devem ser compensados, com a limitação de 30% da base imponível, os valores acumulados de anos anteriores da base negativa da contribuição. A não realização de tal procedimento, aliada às demais circunstâncias presentes nos autos em debate, fragiliza os lançamentos e concorre para seus cancelamentos. Da decisão sintetizada por meio da ementa acima, houve recurso de ofício. É o relatório. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 746 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator A decisão da DRJ exonerou crédito tributário superior a um milhão de reais, razão pela qual está sujeito a reexame necessário. Assim, conheço do recurso. Para que se constitua a presunção de omissão de receita caracterizada por passivo fictício de que trata o artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao fisco identificar a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. No caso concreto, conforme destacado no longo voto da decisão da DRJ, por ter se baseado apenas em registros eletrônicos, a Fiscalização não trouxe sequer indícios de que os valores constantes no balanço já estivessem pagos anteriormente ao seu levantamento, ou seja, estivessem sendo mantidas no passivo obrigações já pagas, nem que referidos montantes não tivessem sua exigibilidade comprovada (inciso III, do artigo 281, do RIR/1999). Mais, no momento em que a autoridade fiscal verificou os registros digitais presumindo passivo fictício e a contribuinte apresentou elementos probatórios em sentido contrário, cabia a esta indicar as razões pelas quais refutava as provas apresentadas pela parte interessada. Em relação aos demais aspectos, a decisão da DRJ desce a minúcias enfrentando de forma adequada as questões controvertidas e expondo as razões pelas quais o lançamento não subsiste. Neste sentido, confirmo a decisão da DRJ adotando como razões de decidir seus próprios fundamentos, os quais transcrevo parcialmente: "CONSIDERAÇÕES INICIAIS As questões de mérito resumemse em se definir se houve a exteriorização dos fatos indiciários que levaram o Fisco a impingir a presunção de omissão de receitas prevista no artigo 281, do RIR/1999, ou se tal fato foi suficientemente contraposto, com provas robustas, pela autuada. Prescreve mencionado dispositivo regulamentar: Omissão de Receita Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo. Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 12, § 2 º , e Lei n º 9.430, de 1996, art.40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 747 7 Para perpetrar os lançamentos, o Fisco relatou que, “após filtro aplicado no arquivo digital entregue na forma de planilha Excel, relativa à conta de Fornecedores e Financiamentos a Curto Prazo, ficou evidenciado que o contribuinte praticou omissão de receitas no anocalendário de 2008, no total de R$ 89.620.583,56, mediante o artifício de "passivo fictício", ou seja: deixou de demonstrar através de lançamento contábil, na sua forma intrínseca e extrínseca, o efetivo pagamento das obrigações constituídas em seu balanço patrimonial e, consequentemente, deixou de apresentar os documentos necessários à sua análise, conforme demonstrado”: Para resumir o valor a tributar, após a compensação dos prejuízos acumulados de que dispunha a contribuinte em relação ao IRPJ, a autoridade fiscal elaborou a seguinte planilha: Fl. 763DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 748 8 Após apontar as razões de defesa que indicam equívocos da fiscalização, o acórdão recorrido, passa analisar o passivo fictício destacando: DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO Como é sabido, em quaisquer das hipóteses elencadas pela norma substantiva, no caso, o artigo 281, do RIR/1999, estáse diante de uma “presunção legal”, situação que leva a um descompasso com a regra jurídica geral (que impõe ao acusador o ônus de provar o que afirma – Código de Processo Civil, art. 333, I), deslocando para o acusado a obrigação de demonstrar a correção de seu procedimento, sob pena de ver aquilo que era “presumido”, se tornar real e definitivo, caso não contrapostas provas robustas que infirmem tal presunção. Em outras palavras, presente a “presunção”, ao Fisco só cabe trazer os indícios que a expõe ao mundo jurídico, momento em que o onus probandi se reverte em desfavor do sujeito passivo, que dele deverá se safar, com os meios legais e documentais possíveis, sob pena de ver aflorar o fato gerador que estava latente, surgir a obrigação tributária respectiva e a subseqüente constituição do crédito tributário, via lançamento. Ainda em relação às presunções de omissão de receita, essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (juris tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação Fl. 764DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 749 9 e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa.” Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, a Fiscalização pode lançar mão da figura da presunção legal, como nos casos de omissão de receitas, oportunidade em que resta provocada, como dito, a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil, art. 333, II). Neste cenário, como salientado pela defesa, a presunção legal trazida pelo artigo 281, do RIR/1999, não é absoluta, antes comporta a possibilidade de a acusada elidir o trabalho do Fisco de perpetrar os lançamentos calcados na hipótese prevista no referido dispositivo, DESDE QUE carreie aos autos documentos, livros e comprovantes que destruam a pretensão da Autoridade Fiscal, visto que, como dito, a presunção tem cunho de relatividade. Pois bem, a análise dos documentos que compõem todo o presente processo administrativo, desde os Termos e Intimações emitidos pela Fiscalização, passando pelas respostas da contribuinte, os autos de infração, o Termo de Constatação e Encerramento de Ação Fiscal, a impugnação e chegando aos documentos juntados por ambas as partes mostra que o Fisco pautou seu trabalho exclusivamente sobre a “mídia eletrônica (CD/DVD) contendo a composição do saldo final da conta de Fornecedores e Financiamentos a Curto Prazo, em 31 de dezembro de 2008, conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (Código de Identificação Geral 15f516e0958fd45ca577ela449cdd788), gerado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA)” (Termo de Constatação e de Encerramento de Ação Fiscal – fls. 71). Para concluir, como relatado antes, que após “filtro aplicado nos arquivos digitais”, estaria presente a omissão de receitas, advinda de “artifício de "passivo fictício", ou seja: deixou de demonstrar através de lançamento contábil, na sua forma intrínseca e extrínseca, o efetivo pagamento das obrigações constituídas em seu balanço patrimonial e, consequentemente, deixou de apresentar os documentos necessários à sua análise...”. De seu lado, a defesa juntou dezenas de documentos e comprovantes probatórios visando confrontar o trabalho desenvolvido pela Fiscalização, conforme se vê às fls. 172/430 e 498/664. Ou seja, enquanto o Fisco limitouse a intimar a fiscalizada (em 03/05/2012) para que preenchesse formulário com a composição das contas acima citadas e depois de “batimento” realizado nos arquivos digitais da contribuinte (não está explícito nos autos qual foi a ferramenta utilizada para este fim, mas, provavelmente, tratouse do “Contágil”) concluiu que, “após filtro aplicado no arquivo digital entregue na forma de planilha Excel, relativa à conta de Fornecedores e Financiamentos a Curto Prazo, ficou evidenciado que o contribuinte praticou omissão de receitas no anocalendário de 2008, no total de R$ 89.620.583,56” (cf. planilhas de fls. 11/56, 57/58, 60/63 e 64/65), a autuada acostou provas concretas da correção da maioria dos valores contabilizados nas mencionadas rubricas contábeis. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 750 10 Todavia, e aí reside o âmago do fato aqui apreciado, não basta, nos casos de omissão de receita, pela existência de “passivo fictício” (art. 281, III, do RIR/1999), que o Fisco, SEM MAIORES APROFUNDAMENTOS, baseandose em planilhas previamente elaboradas pelo sujeito passivo e, a partir das quais, no dizer literal da Autoridade Fiscal “após filtro aplicado no arquivo digital entregue na forma de planilha Excel, relativa à conta de Fornecedores e Financiamentos a Curto Prazo, ficou evidenciado que o contribuinte praticou omissão de receitas no anocalendário de 2008, no total de R$ 89.620.583,56” liste tais valores e simplesmente sem investigações mais detalhadas, inclusive mediante exame dos livros e documentos da autuada ou, o que seria mais prudente, através de circularização junto aos fornecedores e estabelecimentos de crédito, impute tais montantes como “passivo fictício”. Dizendo de modo diferente, ao Fisco caberia verificar “quais” valores supostamente presentes no Balanço da autuada, levantado em 31/12/2008, “já estavam pagos”, conforme expressamente define o caput do inciso III, do artigo 281, o que não foi possível ver nos autos. Ademais, como se nota nos documentos acostados pela defesa, especialmente em relação à conta “Financiamentos a Curto Prazo”, as obrigações contraídas com instituições financeiras tinham vencimento a partir de 1º de janeiro de 2009, sendo óbvio, pois, que deveriam estar “em aberto” no dia 31/12/2008. Em outras palavras, não estavam pagas e nem poderiam estar, posto que nem vencidas estavam! A propósito, a perfunctória vista dos documentos (contratos) juntados às fls. 172/430 mostra esta realidade. ..... Assim, embora a chamada prova indiciária seja pacificamente admitida em nosso direito, como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostrem explícitos, como já decidido pelo CARF (Acórdão 1401000.405)4, não é menos correto que cabe ao Fisco, em tais circunstâncias, mostrar, para que os indícios sejam suportáveis, a relação de causalidade entre eles e a infração imputada, de forma que a hipótese abstrata prevista em lei possa se materializar. Muito a propósito, tratando do tema, o Conselho de Contribuintes (hoje CARF), por sua 7ª Câmara (1º Conselho), em Acórdão prolatado 16/10/20085, cuidou do tema, em brilhante voto do Conselheiro Luiz Martins Valero, aqui adotado como razões de decidir e que resume, categoricamente, o assunto “omissão de receitas – passivo fictício”: O perfeito entendimento dos eventos denominados "passivo fictício" e "passivo não comprovado", bem assim da natureza e alcance dos efeitos que se irradiam pela contabilidade da empresa, são fundamentais para que o fisco não cometa impropriedades ao formular exigência fiscais sancionadoras, ainda que, comodamente, lance mão das presunções legais. É que, mesmo nas presunções legais, a fiscalização não está dispensada de fazer prova do fato indiciário (fato índice). O que o fisco não precisa provar é o fato presumido, ou seja, a conseqüência (omissão de receitas) tida como ocorrida pela experiência cristalizada na norma que veicula a presunção. Em outras palavras: provada a ocorrência do fato "A", presumese ocorrido o fato "B", reservandose ao acusado a possibilidade de produzir prova em contrário. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 751 11 A experiência demonstrava à exaustão que os contribuintes ao liquidarem obrigações com recursos mantidos à margem da escrituração, porque amealhados em anterior omissão de receitas, e não dispondo de saldo escritural suficiente nas contas de disponibilidade, não baixavam contabilmente referida obrigação, exatamente para não provocar saldo credor naquelas contas, denunciativo direto de utilização de recursos estranhos à escrita oficial. A valoração dessa experiência é que permitiu ao legislador introduzir no ordenamento jurídico a presunção legal de omissão de receitas quando a fiscalização se deparasse com eventos dessa natureza. Com efeito, dispunha o art. 180 do RIR/80: "Art. 180. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decretolei n° 1.598/77, art. 12, § 2°)." (grifamos) Veja, era preciso que o fisco provasse a manutenção no passivo de obrigação já paga, mais especificamente: era preciso que o fisco provasse o pagamento não registrado. Apesar do artigo em tela reproduzir fielmente a norma inserta no § 2° do art. 12 do Decretolei n° 1.598/77, prevalecia o equivocado entendimento de que se o contribuinte não apresentasse os documentos comprobatórios do passivo era porque as obrigações haviam sido liquidadas no curso do ano base, e assim estaria configurada a hipótese de manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, prevista literalmente no discutido artigo. Era equivocado o entendimento porque era diferente a situação em que o contribuinte não conseguia comprovar as obrigações constantes do passivo. Não cabia, nessa hipótese, a aplicação pura e simples da presunção legal, sob pena de se perpetrar uma injurídica presunção da presunção. Com efeito, numa situação desta poderia ter ocorrido: a) pagamento da obrigação com recursos à margem da escrituração, negandose o contribuinte a apresentar o título liquidado, exatamente para não produzir prova em seu desfavor; b) extravio, verdadeiro, do documento; c) obrigação inexistente, cuja contrapartida serviu a outros propósitos (majoração indevida de custos/despesas, "notas frias", suprimentos fictícios na conta caixa, etc.); ou d) mero erro de contabilização. Cabia à fiscalização, por prova direta, desnudar as conseqüências da situação que poderia até desembocar no "passivo fictício". O Poder Executivo, reconhecendo a existência dessa divergência de interpretação do texto legal, introduziu no art. 228 do Decreto n° 1.041/94, que aprovou o RIR194, um parágrafo dispondo, in verbis: "Parágrafo único. Caracterizase, também, como omissão de receitas: a) (...) b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 752 12 Mas, em se tratando de uma presunção, a sua validade somente poderia ter lugar se proveniente de lei, em face do princípio da reserva legal consagrado no Código Tributário Nacional (arts. 3°, 97 e 142). Daí fezse necessário respaldar a medida regulamentar com disposição expressa de lei, o que veio a acontecer com o art. 40 da Lei n° 9.430, de 27/12/96 (DOU de 30/12/96), que tem o seguinte teor: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo. de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita." (...) A prova a ser feita pelo fisco, portanto, é a do efetivo pagamento da obrigação registrada no passivo (...). (...) Este Colegiado tem sólida jurisprudência no sentido de que o lançamento tributário não comporta incertezas, em consonância com o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” (...) Ao fisco, dentro do prazo decadencial, cabia investigar com profundidade os fatos relatados pela fiscalizada e por ela contabilizados em busca da verdade real e não lançar mão de dispositivo legal que lhe pareceu adequado a alcançar partes do enredo que se apresentava. (...) Repito, isolar operações do todo e tentar "encaixar" em tipos legais, mormente naqueles que veiculam presunções legais, não se coaduna com as boas técnicas de auditoria fiscal”. .... Exprimase, cabe ao Fisco provar o indício, hipótese em que, por força de lei, o ônus probandi voltase para o contribuinte. Impróprio, porém, tentar aplicar tal presunção partindo de mero batimento feito de forma digital e sem aprofundamento nos saldos das contas “Fornecedores” e “Financiamento a Curto Prazo” informados pelo sujeito passivo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 753 13 Ao revés, caberia à Autoridade Fiscal demonstrar (pelas formas usuais de auditoria) que os valores “x” e “y” insertos no Balanço já estariam pagos em data anterior ao seu fechamento e que permaneciam indevidamente “em aberto” naquela peça contábil, exigindo do sujeito passivo que infirmasse a acusação, sob pena de incorrer em “passivo fictício”6. Isto não foi feito. Em síntese, a Fiscalização não trouxe sequer indícios de que os valores constantes no Balanço já estivessem pagos anteriormente ao seu levantamento, ou seja, estivessem sendo mantidas no passivo obrigações já pagas, nem que referidos montantes não tivessem sua exigibilidade comprovada (inciso III, do artigo 281, do RIR/1999). De outro lado, a autuada, instada a comprovar os saldos das contas citadas e que figuravam no seu Passivo, trouxe dezenas de documentos (cf. autos), refutando grande parte do trabalho do Fisco. Dizendo de modo mais claro, a Fiscalização optou por simplesmente escorar se na regra legal que trata da presunção de omissão de receitas pela possível existência de passivo fictício (artigo 281, III, do RIR/1999), transferindo o ônus probandi ao sujeito passivo, sem a preocupação de se aprofundar no procedimento de auditoria, inclusive mediante rotinas básicas como a circularização dos fornecedores e de instituições financeiras, de modo a alicerçar sua posição e poder demonstrar os valores que incorretamente figuravam nas contas do exigível da fiscalizada. Já a autuada carreou dezenas de documentos que comprovaram a maior parte da composição do saldo, em 31/12/2008, de sua conta “Fornecedores”, combatendo, assim, em grande escala, os valores entendidos pelo Fisco como “passivo fictício” e que ensejaram os lançamentos de omissão de receitas aqui apreciados. Para demonstrar as razões pelas quais não subsistem o lançamento, o acórdão da DRJ, a partir da fl. 718, insere inúmeras planilhas apontando equívoco quanto aos valores considerado pela autoridade fiscal como passivo fictício, destacando, por exemplo, parcelas de empréstimos a vencer, que se encontravam em aberto exatamente porque ainda não tinham vencido e tampouco pagas. Se eu tivesse que acrescentar algo ao voto da DRJ o faria em relação ao PIS e a Cofins em que também houve erro em relação ao critério temporal de apuração. Se as normas que o instituíram estabeleceram critério temporal mensal, não há como adotar critério temporal anual e nem mitigar o critério temporal para, nos casos em que é possível, como é o entendimento da douta maioria desta egrégia turma, segregar os valores correspondentes ao mês de dezembro para exigir os tributos relacionados a este mês. Neste sentido, destaco os seguintes fundamentos que representam meu entendimento: É incabível a constituição de crédito tributário sem que se observe a norma de incidência tributária que o institui, tanto no que diz respeito ao antecedente (critério material, temporal e espacial), assim como ao consequente, este, conforme figura abaixo, constituído de critério subjetivo (sujeito ativo e sujeito passivo) e o critério qualitativo (base de cálculo/alíquota). Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 754 14 Sempre que o lançamento deixar de observar um dos elementos acima que integram a norma de incidência tributária, estarseá diante de ato que não possui aptidão para constituir crédito tributário. Não é possível conceber um lançamento, por exemplo, o critério 8 material, espacial e qualitativo1. Interessa ao exame da exigência do PIS e da Cofins o exame dos critérios temporal e qualitativo (base de cálculo/alíquota). O critério temporal pode dizer respeito a fatos geradores instantâneos ou complexivos. Quando se refere a fatos geradores complexivos temse uma cadeia de atos que resultam num único evento, sobre o qual incide a regra tributária. A constituição do fato gerador dito complexivo pode ser comparado ao percurso de uma maratona, identificada por um ponto de partida e outro de chegada. No percurso os atletas executam inúmeros passos que os conduzem à linha de chegada. Contudo, o que interessa ao resultado da prova é o passo no qual o primeiro atingir a linha de chegada. Este conjunto de passos, do início ao fim da corrida, para efeitos de trajeto, constituise num todo indissociável, qual seja, o percurso. Para efeito de percurso, havendo um marco inicial e outro final, não se pode considerar apenas os últimos passos, como se fossem dissociáveis do restante do trajeto. Idêntico raciocínio aplicase ao PIS e a Cofins. Se a norma estabelece que há que se observar o faturamento mensal, não se pode considerar as receitas somente da última semana do mês e, tampouco, se pode considerar o faturamento trimestral ou anual. Tal procedimento importaria em violação do critério temporal, fixado nos artigos 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 1990, e artigo 2º, da Lei nº 9.715, de 1998, a seguir transcritos: Lei Complementar n°70/1991. Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às d3s atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720328/201211 Acórdão n.º 1402001.433 S1C4T2 Fl. 755 15 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei n°9.715/1998. .... Art. 22 A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: No caso dos autos, tanto em relação ao PIS quanto à Cofins, conforme se verifica das fls. 521 e 527, a autoridade, em relação ao aspecto temporal, violando as disposições da Lei, estabeleceu período de apuração trimestral e adotou como base de cálculo a correspondente ao IRPJ e da CSLL. Conforme dito anteriormente, o lançamento tributário, para ser ato jurídico válido, necessita observar os critérios contidos na regramatriz de incidência. Violado qualquer um destes critérios o lançamento estará viciado e não produz aptidão para constituir o crédito tributário. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 771DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 02/10/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002962/2001-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996
LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA - MULTA
Glosa da dedução dos juros sobre o capital próprio na apuração da base de cálculo da CSLL no ano-calendário de 1996. Não tendo sido revogada a liminar que autoriza tal dedução até o momento da lavratura do auto de infração, descabida a aplicação de multa de ofício, mas só o lançamento do tributo para prevenir a decadência.
Numero da decisão: 1103-000.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Niesta Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA MULTA Glosa da dedução dos juros sobre o capital próprio na apuração da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 1996. Não tendo sido revogada a liminar que autoriza tal dedução até o momento da lavratura do auto de infração, descabida a aplicação de multa de ofício, mas só o lançamento do tributo para prevenir a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Niesta Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 29 62 /2 00 1- 11 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 401 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de CSL de fls. 78 a 84, lavrado pela DRF do Rio de Janeiro, em 31/7/2001, que constituiu, para fato gerador que teria ocorrido no ano calendário de 1996, crédito tributário de CSL no valor de R$ 17.284.256,09, acrescidos de multa de 75% e dos juros de mora calculados até 29/6/2001. Conforme fl. 78 do auto de infração, o crédito tributário através dele lançado teve sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do processo nº 2000.51.01.0035598. Verificouse que, em 4/7/2000, a interessada retificou sua DIRPJ/1996, com base na referida medida liminar, para deduzir da base de cálculo da CSL os valores pagos a título de juros sobre o capital próprio. Determinouse, por medida liminar, que o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro se abstivesse de praticar atos a fim de cobrar créditos oriundos da retificação. A infração enquadrouse nos arts. 9º, § 10, e 19, da Lei 9.249/95, bem como art. 2º e parágrafos, da Lei 7.689/88. Foi aplicada multa com percentual de 75%, conforme previsão do art. 4º, I, da Lei 8.218/91 e art. 44, I, da Lei 9.430/96 c.c. art. 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. Os juros de mora foram aplicados de acordo com o disposto no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 31/7/2001 e irresignada com a autuação, a interessada apresentou impugnação em 30/8/2001, de fls. 85 a 93, em que aduz, em síntese, o que segue. Alegou que, ao contrário do que ocorre para fins de IRPJ, no caso da CSL há necessidade de adição dos valores de remuneração do capital próprio ao lucro líquido para que seja determinada sua base de cálculo. Teria sido isso, inclusive, o que sempre aconteceu com a remuneração relativa ao capital investido por terceiros, com as hipóteses de pagamentos de juros de empréstimos, com os rendimentos de debêntures, etc. Afirmou que antes de encerrado o período de apuração da CSL entrou em vigência a Lei 9.430/96, publicada em 30/12/1996, enquanto ainda pendia a ocorrência do fato gerador do tributo. Entendeu que, assim, ficou expressamente revogada a necessidade de se proceder à adição dos valores gastos com remuneração dos juros sobre o capital próprio à base de cálculo da CSL. Contudo, tendo em vista que a Fazenda Nacional permaneceu exigindo a adição das referidas despesas ao lucro líquido para determinação da base de cálculo de CSL, a Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 402 3 interessada impetrou o mandado de segurança acima mencionado. Nele foi concedida medida liminar a fim de assegurar seu direito líquido e certo, nos termos do art. 151, IV, do CTN. Reconheceu que, apesar de a matéria ter sido entregue ao Poder Judiciário, o crédito tributário é passível de lançamento, ainda que esteja com sua exigibilidade suspensa, apenas para evitar ser atingido pelo fenômeno da decadência. Afirmou que o procedimento adotado pela interessada foi fundado em decisão judicial proferida antes do início do procedimento fiscal, conforme documentação anexa a presente defesa, de acordo com a previsão do art. 63, § 1º, da Lei 9.430/96. Ainda, de acordo com o § 2º do mesmo dispositivo, também não poderiam ter sido cobrados valores de multa de mora. Sendo assim, restou comprovado o descumprimento a determinação judicial, anterior e vigente, por parte da autoridade fiscal. Mais. Asseverou que sequer deveria ter sido aberto prazo para oferecimento de impugnação, tendo em vista que o mérito da causa foi entregue definitivamente ao Poder Judiciário. Por essa razão a tramitação do presente processo administrativo deveria permanecer sobrestada (sim, ele usa a palavra “sobrestada”, e não “suspensa”) até sua conclusão. Acrescentou ser esse o entendimento da Secretaria da Receita Federal, conforme seu Boletim Central nº 165/93. Por acreditar ser indevida a tramitação do processo administrativo, considerou indevida também a apresentação de impugnação. Contudo, entendeu ser necessário. Isso para evitar que, acaso encerrada a discussão judicial de maneira desfavorável à interessada, seja ajuizada ação executiva fiscal indevidamente majorada pela “multa proporcional”. Pelo exposto, requereu que se obste a tramitação do presente processo administrativo, nos termos do Boletim Central SRF nº 165/93, até decisão favorável à Fazenda Nacional, ou a perda de eficácia da medida liminar concedida – exceto no caso de ser suspensa novamente a exigibilidade do crédito tributário no decurso dos trinta dias contados a partir da mencionada decisão, por força de outras hipóteses previstas pelo art. 151 do CTN, quando deverá permanecer obstada a tramitação do feito. Alternativamente, requer seja considerado insubsistente o lançamento dos valores relativos à “multa proporcional”. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA Em 29/4/2003, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, converter em diligência o julgamento do processo em epígrafe, de acordo com o entendimento que segue. Declarou que em casos de ação judicial, havendo identidade de objeto, a solução do mérito se desloca da esfera administrativa para a judicial, tendo a em vista a preferência do contribuinte por esta. Entretanto, no presente caso, existe ainda uma questão não deslocada para a via judicial a da aplicação de multa de ofício. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 403 4 Sendo assim, é necessário saber se a medida liminar foi concedida antes do início da ação fiscal e se a referida medida ainda vigorava no momento da formalização do auto de infração. Das afirmações feitas por ambas as partes, restou claro ter havido a concessão da medida liminar, porém não foi possível ter certeza quanto à data da concessão. Nem auto de infração, nem peça exordial foram instruídos com cópia do despacho proferido nos autos do mandado de segurança. Diante disso, foi solicitado: • Seja juntada aos autos cópia do despacho que concedeu a medida liminar, destacandose a data; • Seja esclarecido se na data da lavratura do auto de infração a medida liminar prevalecia, surtindo seus efeitos legais; • Seja anexada aos autos a exordial da ação judicial, especificandose o objeto; • Havendo decisão da primeira instância, que seja juntada aos autos. Com base nos arts. 18 e 23, do Decreto 70.235/72, bem como art. 15, § 8º, e 22, § 2º, da Portaria MF nº 258/01, propôsse a diligência. DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Em atendimento à solicitação supra, em 30/6/2005, foram juntados os documentos de fls. 112 a 115 e, à fl. 116 dos presentes autos, o AFRF se pronunciou: “Em atendimento ao documento de fls. 110 e 111, informo a esta DRJ, com base nos documentos de fls. 1 a 30 do processo em apenso 10768.008710/0051 e de fls. 113 do presente processo, que, em 04 de maio de 2000 foi prolatada liminar em 1ª instância favoravelmente ao pleito do contribuinte e em 16 de setembro de 2002 foi prolatada sentença em 1ª instância no mesmo sentido. Portanto, após a anexação a este processo do processo 10768.008710/0051, proponho encaminhamento do presente processo a DRJ/BH, informando que em 31 de julho de 2001 vigia a liminar cuja cópia encontrase em fls. 01 a 30 do processo em apenso supracitado”. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/11/2005, acordaram os julgadores da 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento para: • Manter a exigência da CSL, no valor de R$ 6.535.925,92, acrescida de juros de mora pertinentes, declarandoa definitiva, para encerrar, na esfera administrativa, a discussão relativa à dedução na apuração da base de cálculo dessa contribuição dos valores do pagamento de juros sobre capital próprio, no anocalendário de 1996, questão essa com o Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 404 5 mesmo objeto do Mandado de Segurança, impetrado na 30ª Vara da Justiça Federal/RJ, processo judicial nº 2000.51.01.0035598, tendo em vista a opção da contribuinte, nessa matéria, pela via judicial; • Exonerar a multa de ofício lançada, em razão da obtenção de medida liminar anteriormente ao início da ação fiscal, em sede de mandado de segurança. Primeiramente teceu considerações sobre o tratamento a ser dispensado ao processo administrativo quando o contribuinte opta pela discussão na via judicial. Sendo lá discutido o principal fundamento do lançamento, afastase da via administrativa a apreciação da questão. Restou, portanto, a questão da multa de ofício aplicada no lançamento. Sobre essa questão, afirmou que ficou comprovado nos autos, segundo consta expressamente do despacho de fl. 116, que, em 4/5/2000, antes do início da ação fiscal, de 11/4/2001 (intimação, fl. 58), estava em plena vigência medida liminar favorável à interessada concedendo autorização para retificar sua declaração do anocalendário de 1996 com o intuito de serem deduzidos os valores do pagamento de juros sobre o capital próprio (cópia da sentença de 1º grau, fl. 113). Tendo em vista a vigência da medida liminar, o art. 960 do RIR/99, cuja matriz é o art. 63 da Lei 9.430/96, bem como o art. 151, IV, do CTN, não poderia o fisco ter exigido a multa de ofício, devendo ser exonerada. Quanto ao crédito exonerado, foi determinada sua submissão à apreciação do antigo Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto 70.235/72 e Portaria MF 333/97, por força de recurso necessário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 18/4/2006, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 132 a 145, alegando, em síntese, o que segue. Afirmou, primeiramente, não ser crível a necessidade de interposição de recurso voluntário visando impedir o prosseguimento do processo administrativo, tendo em vista ter desistido dessa via para discutir o mérito de sua causa pela via judiciária. E, ainda, ter de fazêlo condicionado ao depósito de 30% do valor da exigência fiscal que se encontra com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial. Acrescentou que o tipo de suspensão que lhe foi concedida, por diversas vezes, é realizada mediante depósito integral do tributo, de maneira que teria de desembolsar, além da totalidade do crédito tributário, na via judicial, a quantia de 30% do valor como garantia administrativa. Corroborando sua alegação, colacionou entendimento do antigo 2º Conselho de Contribuintes, asseverando estar em inteira consonância com o caso, bem como com o princípio da razoabilidade. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 405 6 Reiterou o que alegado em sede de impugnação, acerca do descabimento da tramitação do procedimento administrativo, tendo em vista a entrega do mérito da questão ao Poder Judiciário. Este, inclusive, proferiu decisão definitiva, confirmando a liminar anteriormente concedida, reconhecendo direito líquido e certo da interessada. Reiterou também o pedido, para que “se obste a tramitação do presente processo administrativo, nos termos do Boletim Central SRF nº 165/93, até decisão favorável à Fazenda Nacional, ou a perda de eficácia da medida liminar concedida – exceto no caso de ser suspensa novamente a exigibilidade do crédito tributário no decurso dos trinta dias contados a partir da mencionada decisão, por força de outras hipóteses previstas pelo art. 151 do CTN, quando deverá permanecer obstada a tramitação do feito”. DA ANISTIA DA LEI 11.941/09 Em 25/2/2010, através do informativo juntado à fl. 269, a interessada afirmou que, em cumprimento ao art. 5º da Lei 11.941/09, requereu nos autos do mandado de segurança nº 2000.51.01.0035598, desistência do feito com renúncia expressa ao direito sobre o qual se funda. Sendo assim, requereu também a desistência do presente processo e do recurso interposto em seus autos, renunciando às alegações de direito sobre as quais se fundamentaram o recurso, conforme fl. 269. Asseverou ter incluído o crédito tributário no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, já deferido, assim como foram pagas as três primeiras parcelas, referentes aos meses de novembro e dezembro de 2009 e janeiro de 2010. Diante do parcelamento do crédito exigido, requereu a extinção do presente processo, nos termos da Lei 11.941/09. À fl. 278, foi anexada cópia do pedido de desistência para extinguir o feito judicial sem ônus às partes, nos moldes da Lei 11.941/09, que foi juntado aos autos do mencionado mandado de segurança, também renunciando ao direito sobre o qual se fundou a ação. DO DESPACHO DA DEMAC Em 23/7/2010, à fl. 198, foi proferido despacho fundado no pedido de desistência anexado pela interessada por força de sua adesão ao parcelamento previsto na Lei 11.941/09. Foi aberto novo processo, de nº 16682.720062/201020, para controlar a parcela do débito que deixou de ser objeto de controvérsia, conforme extrato de fls. 296 e 297. Propôsse seu encaminhamento à Equipe de Parcelamento da Demac para consolidação do parcelamento. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 406 7 Propôsse, ainda, o encaminhamento do recurso de ofício interposto em razão da aplicação de multa ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento e providências. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.002962/200111 Acórdão n.º 1103000.871 S1C1T3 Fl. 407 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Como se viu do relatório, tratase de recurso de ofício, tendo havido a desistência do feito judicial para adesão à anistia da Lei 11.941/09, em razão do que foi aberto novo processo administrativo para controle do débito objeto do parcelamento com anistia da referida lei. A quaestio juris devolvida a este órgão julgador é sobremaneira simples. Como consta nos autos, segundo despacho do resultado da diligência de fl. 116, em 4/5/2000, antes do início da ação fiscal, de 11/4/01 (intimação, fl. 58), estava em vigência medida liminar favorável à interessada, autorizandoa a retificar sua declaração do anocalendário de 1996 com o intuito de serem deduzidos os valores do pagamento de juros sobre o capital próprio (cópia do dispositivo da sentença, fl. 113), com cópias dos documentos no processo apenso nº 10768.008710/0051. Liminar essa que não fora cassada até o momento da lavratura do lançamento (31/7/01), que é o que efetivamente importa, com sentença mantendo a decisão liminar, de 16/9/02, publicada no DOU de 3/10/02. Diante de tal quadro a aplicação do art. 63 da Lei 9.430/96, com a alteração introduzida pela MP 2.158/01, é de rigor, não havendo lugar para a exigência de multa de ofício, mas somente do lançamento do tributo, com fim de se prevenir a decadência. Nessa ordem de juízo, nego provimento ao recurso de oficio. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11065.914574/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.396
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 74 /2 00 9- 75 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 29/06/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos a maior de PIS/Pasep de competência setembro de 2002, com débitos de IRPJ, período de apuração maio de 2006 no valor total original de R$ 236,04. Através de despacho decisório eletrônico a DRF em Novo Hamburgo/RS não homologou a compensação requerida, pois encontrou o pagamento indicado, porém integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Irresignado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando resumidamente que: 1. Em junho de 2006 o contribuinte efetuou uma revisão nos seus cálculos tributários, tendo apurado R$ 5.205,73 de PIS a pagar. Como havia pago R$ 5.349,22 identificou pagamento a maior de R$ 143,49. 2. A situação apontada pela fiscalização decorre de um equívoco do responsável contábil, que não retificou as declarações fiscais (DCTF, DIPJ e DACON). Para corrigir essa situação o contribuinte elaborou DCTF retificadora entregue em 28/10/2009. 3. Observase, portanto, que ocorreu erro de fato, e, nesses casos legislação prevê a possibilidade de revisão, conclusão com fulcro no art. 149, do CTN. 4. Requer o reconhecimento do credito apontado e a homologação da compensação transmitida. Ao final anexa Razão Contábil da conta "PIS Pago a Maior"; Razão Contábil da Conta "COFINS Pago a Maior"; Planilha de Apuração de créditos PIS / COFINS; DCTF 3o Trimestre 2002 Retificadora. A DRJ em Porto Alegre/RS constatou que existiam elementos indicadores da plausibilidade do alegado erro de fato, e determinou a realização de diligencia nos termos dos art. 18 e art. 29 do decreto 70.235/1972, para que se providenciasse análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão. O relatório da diligencia registrou que, na época, a determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS era regulamentada pelos artigos 2°, 3º e 8º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, cujos efeitos produziramse a partir de 1° de fevereiro de 1999, conforme a seguir: Assim, toda receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua natureza ou classificação contábil submetiase à tributação pela COFINS e pelo PIS, ressalvadas apenas as exclusões taxativamente previstas no §2°, do art. 3o,da Lei n° 9.718, de 1998. No caso concreto, deveriam entrar na base de cálculo da Contribuição para o PIS (setembro/2002) os seguintes valores, quais sejam: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA Processo nº 11065.914574/200975 Acórdão n.º 3803004.396 S3TE03 Fl. 11 3 · faturamento/receita bruta: R$ 1.518.569,19 (inclusas no calculo: receitas com vendas mercado interno, das receitas com vendas mercado externo e das receitas financeiras.); · isenções e exclusões: RS 46.330,02; Concluise que a Base de Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep apurada em setembro/2002 resulta no valor de RS 1.472.239,17 (faturamento – Isenções), aplicando a alíquota de 0,65%, temos como contribuição para o PIS/Pasep o valor de RS 9.569,55, portanto, o pagamento (credito) informado na DComp foi totalmente utilizado não restando credito, o que corrobora o despacho decisório. Inconformado o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade contra o relatório da diligencia realizada, por entender que o procedimento adotado pelo próprio contribuinte foi correto, já que o crédito de PIS utilizado tem suporte em decisão proferida pelo STF, que declarou inconstitucional a majoração da base de cálculo daquela contribuição realizada pela Lei n.° 9.718/98. Assim, tendo em vista a decisão do STF e a obrigatoriedade da administração pública de obedecer às decisões de inconstitucionalidade proferidas pelo plenário do STF, deve ser validado o procedimento adotado pelo contribuinte. Ao final pede que seja reconhecido o crédito de PIS pretendido e homologada a compensação efetuada. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fundamenta sua decisão na falta de material probatório, apesar de reconhecer o direito subjetivo ao credito pleiteado. Ementou como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 Ementa: ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA 4 Direito Creditório Não Reconhecido O sujeito passivo protocolou Recurso Voluntario contra o acórdão que negou seu direito creditório. Alega que por força da homologação tácita, dada cinco anos após o fato gerador, o fisco não poderia rever seus cálculos, portanto, não poderia recalcular o montante devido a titulo da contribuição social. Delimita a lide acerca da incidência de PIS/Pasep sobre as receitas financeiras, afastando a argumentação de não enfrentamento dos cálculos realizados em diligencia. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de arguição de homologação tácita pelo decurso do tempo. O contribuinte contesta a majoração do montante de PIS/Pasep devido relativo a setembro de 2002, argumenta que em setembro de 2007 ocorreu a homologação tácita pelo decurso do tempo de 5 anos, por força do § 4º, do art. 150 do CTN. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. A regulamentação da compensação foi remetida à legislação ordinária, somente vindo a ocorrer com a edição da Lei n.º 8.383/91, que permitiu a compensação entre tributos da mesma espécie. Posteriormente, foi editada a Lei n.º 9.430/96, a qual permitiu a compensação entre tributos distintos, desde que administrados pela Secretaria da Receita Federal. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 (com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941 e Instrução Normativa RFB nº 1.067/2010) é a norma que disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP e não do fato gerador. Não o fosse, bastava que o contribuinte transmitisse um PER/DCOMP dias antes do prazo de cinco anos do fato gerador, quando não haveria tempo suficiente para análise da Receita Federal e assim operaria a homologação tácita. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA Processo nº 11065.914574/200975 Acórdão n.º 3803004.396 S3TE03 Fl. 12 5 Considerando que o PER/DCOMP foi transmitido em 29/06/2006 (fl.31), teria a Receita Federal do Brasil até o dia 28/06/2011 para analisar o pedido e cientificar o sujeito passivo, ocorre que a ciência do despacho decisório de não homologação se deu em 30/09/2009 (fl.43), portanto, não há que se falar em homologação tácita da compensação requerida. No presente caso, é possível constatar que, na realização da diligência, a Fiscalização não adotou simplesmente o que havia sido declarado em Dacon, pois, conforme se verifica das planilhas então elaboradas, os valores declarados pelo contribuinte em meses anteriores não coincidiram com os verificados pela Fiscalização, fato esse que, por si só, já afasta a alegação do Recorrente. Além disso, o Recorrente se defende de forma genérica, não apontando especificamente que dados não foram considerados pela Fiscalização, reportandose tão somente às planilhas e fichas apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sem identificar a origem dos erros alegados. Nas referidas planilhas/fichas relativas aos meses anteriores, se identificam valores da contribuição a pagar em montante superior aos créditos apurados, o que em nada corrobora com a tese defendida pelo Recorrente, por falta de demonstração e de prova do erro alegado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, desenvolvendose a atividade probatória nos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu apenas em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA 6 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas as planilhas e as fichas acima abordadas, mas desacompanhadas de qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse infirmar as conclusões da Fiscalização. No Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos, o contribuinte nada traz aos autos, salvo cópias de decisões da DRJ Porto Alegre/RS, versando sobre matérias que não coincidem com o objeto controvertido neste processo. Nesse contexto, por ausência de prova da existência do crédito reclamado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA
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Numero do processo: 16004.720357/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.. APROPRIAÇAO INDÉBITA.
As empresas e entidades a elas equiparadas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
ISENÇÃO - COTA PATRONAL
A isenção da contribuição previdenciária, na forma do disposto pelos artigos 55 da Lei n.º 8.212/91 e 29 da Lei n.º 12/101/2009, se restringe à cota patronal, permanecendo hígida a obrigatoriedade do recolhimento da cota relativa ao segurado empregado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral o Dr. Antonio Corrêa Júnior OAB/DF 16.286.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2011 É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.. APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas e entidades a elas equiparadas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. ISENÇÃO - COTA PATRONAL A isenção da contribuição previdenciária, na forma do disposto pelos artigos 55 da Lei n.º 8.212/91 e 29 da Lei n.º 12/101/2009, se restringe à cota patronal, permanecendo hígida a obrigatoriedade do recolhimento da cota relativa ao segurado empregado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Corrêa Júnior OAB/DF 16.286. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas e entidades a elas equiparadas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. ISENÇÃO COTA PATRONAL A isenção da contribuição previdenciária, na forma do disposto pelos artigos 55 da Lei n.º 8.212/91 e 29 da Lei n.º 12/101/2009, se restringe à cota patronal, permanecendo hígida a obrigatoriedade do recolhimento da cota relativa ao segurado empregado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Corrêa Júnior OAB/DF 16.286. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 57 /2 01 2- 50 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720357/201250 Acórdão n.º 2302002.742 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 06/11/2012 e cientificado ao sujeito passivo, através de Registro Postal em 14/12/2012, referese às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados constantes das folhas de pagamento, no período de 10/2009 a 12/2011. Conforme consta do relatório fiscal de fls.193/195, a entidade não declarou em GFIP, tampouco recolheu as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, no período já citado. Aduz o relatório, que Portaria n.º 1.445, de 08/12/2011 do Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação certificou a empresa como Entidade Beneficente de Assistência Social, o que está sendo contestado através da pertinente Representação enviada ao órgão certificador, nos termos do artigo 230 da Instrução Normativa RFB n.º 971/2009, porque a entidade não cumpre os requisitos impostos pelos incisos VII e XI do artigo 227 da mesma instrução citada, uma vez que não entregou GFIP’s e não procedeu a recolhimentos previdenciários devidos. Após a impugnação, Acórdão de fls. 193/195, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, argüindo apenas que o acórdão proferido merece ser reformado, porquanto é entidade beneficente, que possui CEBAS e Ato Declaratório de imunidade que tem efeitos ex tunc. Que os efeitos ex tunc dizem que a recorrente nunca esteve obrigada a recolher contribuição previdenciária desde a sua fundação. Com estes argumentos requer o provimento do recurso para julgar improcedente o Auto de Infração, por ser imune desde a sua fundação. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O presente levantamento referese exclusivamente às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados cujos recolhimentos não foram comprovados. Os valores foram apurados do exame das folhas de pagamento elaboradas pela recorrente. Sendo assim, tais valores são incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança, repisando que as informações foram repassadas ao Fisco pelo próprio contribuinte. Por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/1/93) I a empresa é obrigada a: (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) a)arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da competência; (Nova redação dada pela Lei nº 11.933, de 28/04/2009) O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. As razões expostas pela recorrente na sua peça recursal são totalmente inócuas. Ainda que aqui não se vá discutir, porque não é o foro próprio, o cabimento ou não, da expedição do certificado que confere imunidade/isenção para a recorrente, é improcedente a alegação trazida de que a entidade não está obrigada desde a sua fundação de Fl. 299DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720357/201250 Acórdão n.º 2302002.742 S2C3T2 Fl. 4 5 recolher as contribuições previdenciárias, porque ainda que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social tivesse efeitos , as contribuições ora levantadas não se encontram abrangidas pela isenção previdenciária. A legislação, por período de regência, é clara ao elencar no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, que as contribuições previdenciárias atingidas pelo benefício da isenção são as patronais contidas nos artigos 22 e 23 da mesma lei, ex vi: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente As contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado empregado encontramse dispostas no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, e portanto fora da abrangência da isenção patronal, tendo a recorrente obrigação quanto ao seu recolhimento, desde sempre: Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: Este alcance, também está repetido na Lei n.º 12.101/2009, artigo 29, que revogou o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91 e dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social e dá outras providências: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Destarte, totalmente improcedente a alegação da recorrente de que por lhe ter sido conferido CEBAS e Ato Declaratório de imunidade, está isenta do recolhimento da contribuição previdenciária que desconta da remuneração dos segurados empregados. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11065.003230/2010-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TERCEIROS. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária devida a outras entidades e fundos (terceiros).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TERCEIROS. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária devida a outras entidades e fundos (terceiros). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 32 30 /2 01 0- 72 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11065.003230/201072 Acórdão n.º 2803002.613 S2TE03 Fl. 69 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo TABI BOLSAS LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 33/36), os valores lançados decorrem do não recolhimento das contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Terceiros): Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Serviço Social de Transporte (SEST) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT). 3. A fiscalização, em seu relatório, informou que a entidade apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações para a Previdência Social (GFIP), no entanto, por ser uma empresa optante pelo simples nacional, informou somente o valor correspondente à retenção dos segurados. 4. Além disso, pelas informações trazidas no relatório, a empresa participava do simples desde 01/07/2007, tendo sido excluída em 31/12/2008, de acordo com a solicitação n.º 00.00.14.07.60. 5. Observase que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) para verificação dos fatos que possam constituir ilícito previsto na legislação previdenciária e penal. 6. O acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos a seguir: “AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária devida a outras entidades e fundos (terceiros). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls.58/63). 7. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) a empresa não está excluída do simples, conforme a documentação acostada aos autos; b) as informações trazidas pelo fisco são equivocadas, sendo nulo o auto de infração, pois, por meio da Comunicação n.º 324/2010, de 27/05/2012, a Secretaria da Receita Federal do Brasil informou os termos do despacho que Fl. 69DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11065.003230/201072 Acórdão n.º 2803002.613 S2TE03 Fl. 70 3 autoriza a inclusão dos débitos vencidos relativos ao período de apuração de 01/2006 a 12/2006 no parcelamento para o ingresso no simples nacional. 8. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11065.003230/201072 Acórdão n.º 2803002.613 S2TE03 Fl. 71 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES 2. Antes de passar à análise da questão controvertida atinente a exclusão do simples, cumpre esclarecer, no que se refere à alegação de nulidade do auto de infração, que tal alegação não prospera, pois não se denota nenhuma das hipóteses de nulidade delineadas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dia os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 3. Constatada a inexistência de nulidade, dou sequência as demais discussões. 4. A recorrente, em seu recurso voluntário, reiterou as argumentações proferidas em sede impugnação, nos seguintes termos, fls. 65 a 67: “No início do exercício de 2009, estranhamente a empresa foi excluída do simples nacional pelo Conselho Gestor, imediatamente verificouse o que havia ocorrido e constatouse que havia débitos em aberto, tal fato havia ocorrido na consolidação dos débitos consolidados para o parcelamento do simples nacional. Na data de 23/01/2009, houve a solicitação de revisão dos débitos consolidados no parcelamento para ingresso do simples nacional junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11065.003230/201072 Acórdão n.º 2803002.613 S2TE03 Fl. 72 5 conforme processo n.º 13056000017200918 e na data de 27/05/2010, a comunicação de n.º 324/2010, da Secretaria da Receita Federal comunicando o despacho favorável para a empresa transferindo os débitos que se encontravam em cobrança para o presente processo e consolidados os débitos no parcelamento de ingresso ao Simples Nacional. (...). Tratandose então de informações equivocadas, do senhor Auditor Fiscal, perante a empresa, o referido auto de infração tornase nulo, não tendo legitimidade de dar seguimento.” 5. Não obstante o disposto pelo contribuinte em suas razões, consta do sítio da Receita Federal que o contribuinte era optante do Simples de 01/07/2007 a 31/12/2008, tendo sido excluído por ato administrativo praticado pela Receita. Assim, o período autuado foi de 01/01/2009 a 30/06/2010, portanto, considerando a documentação trazida aos autos, a empresa não era optante do simples nesse período. 6. Dessa forma, em consonância como que dispõe a decisão de primeira instância, não merecem prosperar as argumentações do contribuinte fundamentadas no Despacho DRF/NHO/SEORT, de 21/05/2010, fls. 45/47, pois o despacho apenas noticia que o contribuinte solicitou a revisão de consolidação do Parcelamento para ingresso no Simples. 7. Verificase que a Comunicação n.º 324/2010 apenas informou o teor do Despacho anteriormente citado, que estabeleceu a seguinte conclusão: “Por todo o exposto, considerando o artigo 79 da Lei Complementar 126/2006 com alterações posteriores, o § 4° e caput do artigo 10 da IN RFB n° 767/2007 e tendo em vista as verificações relatadas, defiro PARCIALMENTE a solicitação do contribuinte para que sejam incluídos no parcelamento SN os débitos relacionados na tabela abaixo”: CÓDIGO DE TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO VENCIMENTO VALOR 6106 01/2006 20/02/2006 1.009,33 6106 02/2006 20/03/2006 1.996,30 6106 03/2006 20/04/2006 3.290,32 6106 04/2006 22/05/2006 2.343,33 6106 05/2006 20/06/2006 1.274,47 6106 06/2006 20/07/2006 1.294,78 6106 07/2006 21/08/2006 3.224,04 6106 08/2006 21/09/2006 3.789,38 6106 09/2006 20/10/2006 3.915,27 6106 10/2006 20/11/2006 5.866,13 6106 11/2006 20/12/2006 3.633,25 6106 12/2006 22/01/2007 2.996,65 (Fonte: DESPACHO DRF/NHO/SEORT, fl. 45/47) 8. Diante do exposto, observase que as alegações do contribuinte não foram suficientes para afastar a exigência do cumprimento da obrigação em questão, ante as provas constantes no processo, devendo ser mantida a decisão a quo. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11065.003230/201072 Acórdão n.º 2803002.613 S2TE03 Fl. 73 6 9. Corroborando o entendimento prolatado, temse o art. 32 da Lei Complementar nº 123/ 2009, que assim dispõe: “As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” 10. Ora, também é por imposição legal que deve a autoridade fiscal, em atendimento ao que preceitua a Lei, efetuar o lançamento, conforme traçado pelo Código Tributário Nacional: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” 11. Portanto, está correta a imposição do tributo na forma em que exigido das demais pessoas jurídicas, posto que já se operavam os efeitos da exclusão do Simples. CONCLUSÃO 12. Assim, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13828.000082/98-05
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1989 a 31/05/1995
PIS. Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 10/06/98, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de 1º de março de 1989 a 31 de maio de 1995, objeto de seu pedido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.320
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65A do Regimento Interno do CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 10/06/98, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de 1º de março de 1989 a 31 de maio de 1995, objeto de seu pedido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 8. 00 00 82 /9 8- 05 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de número 20218.266, proferido pela Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte pleitear, em 10/06/1998, restituição/compensação de valores de PIS referentes ao período compreendido entre 1º de março de 1989 a 31 de maio de 1995 e, paralelamente, reconheceu a semestralidade da base do cálculo do PIS, afastando, entretanto, a correção da mesma, conforme ementa a seguir: “SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QUINQUENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado. Recurso provido em parte.” Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 56, inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e noartigo 7º, incisos I e II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso especial com base em acórdãos utilizados como paradigmas, quais sejam, os de números 20400511 e 20402678, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito Fl. 820DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13828.000082/9805 Acórdão n.º 9303002.320 CSRFT3 Fl. 784 3 tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I do CTN, conforme ementa de um deles a seguir transcrita: “NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. (...)” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I do CTN. O i. Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em despacho de fls. 795/796, deu seguimento ao recurso especial. Intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões suscitando inclusive o não cabimento do recurso especial por violação a lei ou evidência das provas, eis que sobre a prescrição do direito ao indébito a decisão foi unânime.. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento, razão pela qual dele conheço (maioria ou unânime)??? A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas no que se refere ao período compreendido entre 1º de março de 1989 a 31 de maio de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 10/06/1998, já estaria prescrito. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA 4 Considerando que o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 822DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13828.000082/9805 Acórdão n.º 9303002.320 CSRFT3 Fl. 785 5 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento. Nanci Gama Fl. 823DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 19679.011379/2003-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 7.750 1 7.749 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.011379/200390 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.580 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de agosto de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente PADMA INDUSTRIA DE ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .0 11 37 9/ 20 03 -9 0 Fl. 7750DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19679.011379/200390 Resolução nº 3402000.580 S3C4T2 Fl. 7.751 2 Relatório Versa este processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96 e Portaria MF 38/97 , no valor originário de R$ 535.532,58 (quinhentos e trinta e cinco mil, quinhentos e trinta e dois reais e cinquenta e oito centavos), referentes ao anocalendário de 2000. De acordo com o procedimento fiscal realizado na empresa, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo opinou pelo indeferimento total do crédito, de acordo com o Parecer (fls. 439/442), que concluiu por não reconhecer a legitimidade dos créditos pleiteados pelo contribuinte em razão da falta de atendimentos às ordens de serviço, deixando de apresentar a documentação que lhe foi requerida. Assim, foi indeferido o Pedido de Ressarcimento e não homologada a compensação pretendida, sob o fundamento de que a recorrente não apresentou documentos comprobatórios dos créditos de IPI detidos por ela. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 11/09/2008, conforme Intimação nº 4812/2008 de fls. 444, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/10/2008 (fls. 445/452), alegando, em suma: a) a nulidade da decisão ora atacada, em razão da forma arbitrária pela qual foi conduzido o Mandado de Procedimento Fiscal n. 0812400/00443/2007; b) teve seu direito de defesa cerceado em virtude de que os documentos que comprovariam as alegações do contribuinte neste autos estariam sendo apresentadas também em outro MPF, de forma que tornouse materialmente impossível a apresentação da documentação requerida; c) que esclareceu o fato de estar impossibilitada de apresentar os documentos requeridos, justificando que estes estariam sendo apresentados junto ao DEAIN/SP; d) foi encerrada a fiscalização sem que fosse dada alguma resposta acerca de qual MPF deveria prevalecer, se aquele movido pelo DEAIN/SP ou este que ora se discute, já que tratariam dos mesmos tributos e acerca do mesmo período de apuração; e) seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para, após a análise dos documentos ora acostados, seja integralmente reformado o despacho decisório, com o reconhecimento do direito aos créditos presumidos de IPI e a conseqüente homologação do pedido de compensação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Fl. 7751DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19679.011379/200390 Resolução nº 3402000.580 S3C4T2 Fl. 7.752 3 Acórdão nº. 1433.844, que, em apertada síntese entende que o contribuinte não comprovou as suas alegações quanto ao direito de crédito, o que leva ao indeferimento do pedido. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 13/07/2011, conforme AR de fls. 577 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 907/927 – n.e.) em 12/08/2011, a fim de requerer a anulação do julgamento da DRJ/RPO, repisando os argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, e que por brevidade, não os repetirei. Além dos argumentos já alegados, o recorrente pleiteia a necessidade de baixa em diligencia do processo para que a autoridade preparadora analise os documentos juntados, em especial as notas fiscais, que, segundo ela, comprovam a origem do crédito presumido de IPI. DA DISTRIBUIÇÃO Cumprida a diligência determinada pela 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, foi o processo distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 (quatro) Volumes, numerados até a folha 7420 (sete mil, quatrocentos e vinte), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 7752DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19679.011379/200390 Resolução nº 3402000.580 S3C4T2 Fl. 7.753 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento. Pela análise das matérias trazidas à debate neste processo administrativo, a autuação referese à glosa de créditos tributários oriundos de um pedido de ressarcimento de créditos de IPI que fora indeferido em razão da não apresentação da documentação requerida pelo agente fiscal. Em razão da não entrega de documentos por parte do contribuinte, não foi possível o reconhecimento da legitimidade do crédito pleiteado, razão pela qual foi indeferido o pedido e não homologado o pedido de ressarcimento. Todavia, percebemos que por diversas vezes o contribuinte se insurgiu no decorrer do Processo Administrativo Fiscal, no intuito de questionar a existência de dois Mandados de Procedimento Fiscal, em jurisdições diversas, com o objetivo de fiscalizar o mesmo procedimento de ressarcimento. Com o fim de comprovar as suas alegações, assim como para comprovar a legitimidade dos créditos e seu efetivo direito ao ressarcimento, junta, no decorrer deste Processo, documentação contábil, assim como notas fiscais e demais documentos aduaneiros. É possível verificar que até o presente momento, estes documentos ainda não foram devidamente analisados, de forma que não se tem a certeza necessária acerca da legitimidade dos pretensos créditos a serem ressarcidos pelo contribuinte. Dando cumprimento ao Princípio da Verdade Material que norteia esta instituição, quando do julgamento dos seus recursos, necessária se faz que toda a documentação juntada pelo Recorrente seja devidamente analisada, a fim de verificar se, através destes documentos, é possível quantificar a quantidade de créditos efetivamente existentes e que são passíveis de ressarcimento por parte do contribuinte. Somente através de diligência, com o fim de análise dos documentos acostados pelo Recorrente, é possível verificar se os créditos lançados pelo contribuinte preenchem os requisitos da Lei n. 9.363/96. Estas situações podem ser confirmadas pela autoridade julgadora, se entender que tais informações são necessárias para a formação de sua convicção, segundo o art. 29, do DecretoLei nº 70.235/72, verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Convençome de que os documentos trazidos pela Recorrente causam dúvida razoável, justificando, portanto, a realização de diligência para que sejam esclarecidos os fatos invocados, de modo que deve ser aplicado o mesmo provimento obtido quando do julgamento, por esta mesma Turma, do processo n. 13308.000212/200173, resultante na Resolução n. 3402000.459, de 25 de setembro de 2012. Fl. 7753DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 19679.011379/200390 Resolução nº 3402000.580 S3C4T2 Fl. 7.754 5 Assim sendo, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo. Consequentemente, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para fins de determinar que a Autoridade Preparadora identifique se, a vista da documentação disponibilizada pelo sujeito passivo, é possível mensurar os valores correspondentes às aquisições de MP, PI e ME feitas com incidência de PIS e de COFINS junto a fornecedores do mercado interno, assim como, se é possível identificar os valores correspondentes à receita de exportação e a receita total do sujeito passivo, no período de apuração dos créditos pleiteados. Identificados tais elementos, nos termos do parágrafo 7º, do art. 3º, da IN 38/97, calcular o valor dos créditos com base nos elementos acima, se possível. Ao final desta atividade, emitir Relatório conclusivo sobre a Diligência, dando vista à Recorrente para que dele se manifeste, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação do sujeito passivo, deverá o processo ser reenviado a esta Turma de julgamento para nova inclusão em pauta. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 7754DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 13116.000242/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
.Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. .Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 02 42 /2 00 8- 11 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 0344.317 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.223.2124, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.193.576,81. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias a cargo da empresa devidas à Seguridade Social, em relação às remunerações pagas ou creditadas às pessoas físicas na qualidade de contribuinte individual, correspondentes a valores relativos à parcela patronal e descontos sobre as remunerações pagas aos segurados que lhe prestam serviço, nas competências entre 03/2000 e 06/2005. O Relatório Fiscal informa: 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os pagamentos de serviços prestados pelos SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS no período de 03/2000 a 12/2005, conforme consta nas folhas de pagamento, na contabilidade e demais documentos analisados. 4. A parte dos segurados constantes da presente notificação foi calculada aplicandose alíquota mínima sobre o total por competência do Salário de Contribuição apurado, uma vez que não houve arrecadação mediante desconto, com base no § 3 o do artigo 33 da Lei n° 8.212/91. 5. Os fatos geradores estão relacionados no Relatório de Lançamentos RL, à parte. Os débitos lançados com valores originários por competência e deduzidos dos recolhimentos já efetuados, estão discriminados no Relatório: Discriminativo Analítico de Débito DAD, também em anexo 7. No período fiscalizado, a fundação executou diversas atividades, principalmente na área de ensino, divididas e numeradas conforme o que passaram a denominar de "Projetos". Esses projetos equivaleriam a propostas para realização de trabalhos específicos, tal como cursos de pósgraduação, cursos sequenciais, concurso de vestibular, ou concurso de provimento de cargo público. Geralmente eram feitos por meio de contratos, sendo a principal contratante para a maioria dos cursos a Universidade Estadual de Goiás UEG, CNPJ 01.112.580/0001 71, endereço: Campus BR 153, Km 98, CEP 75001970. 11. As remunerações apuradas foram obtidas pelo exame das Folhas de Pagamentos, Recibos de Pagamento, Livro Diário, Livro Razão, Registro de Empregados, Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, disponibilizados pela Fundação Universitária do Cerrado. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13116.000242/200811 Acórdão n.º 2403001.862 S2C4T3 Fl. 201 3 12. As folhas de pagamento do período de 2004 e 2005 estavam agrupadas em CURSOS SEQUENCIAIS, PÓS GRADUAÇÃO e CENTRO DE IDIOMAS, todos eles subdivididos pelos projetos integrantes de cada grupo. Ainda havia um grupo à parte denominado de PRONERA, que era um projeto específico. E também havia as folhas de pagamento do pessoal da administração, que ficou denominada como RECURSOS PRÓPRIOS ou simplesmente FUNCER. Essas folhas também estavam divididas entre Empregados e Prestadores de Serviço. Os valores que originaram o débito encontramse em planilhas anexas ao Relatório Fiscal, denominadas: “PRESTADORES DE SERVIÇO” SEQÜENCIAL2003, “PRESTADORES DE SERVIÇO” até 2003, “PRESTADORES DE SERVIÇO” 2004/ 2005, “CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (AUTÔNOMOS)”, “RELAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO”, “RELAÇÃO DE PROJETOS”. Os contribuintes individuais, prestadores de serviços à empresa, nos termos do art. 12, inciso V, alínea “h”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social RGPS Os valores contidos nas GPS do período fiscalizado e os Parcelamentos de Contribuições Previdenciárias DEBCAD n. 35.713.3323 e 35.713.3499, que abrangem o período de 09/2003 a 10/2004 e 11/2004 a 06/2005, respectivamente, foram considerados para efeito de dedução dos valores apurados. Os lançamentos foram individualizados por levantamento e constam do Relatório Discriminativo de Débito – DD: LEVANTAMENTO: PRÉ PRESTADORES DOS PROJETOS. LEVANTAMENTO: QCI CONTRIBUINTE INDIVIDUAL A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. A Recorrente teve ciência do AIOP em 07.04.2006, conforme fls. 828.. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Sintético do Débito DSD é de 03/2000 a 06/2005. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O autuado contestou, tempestivamente, o lançamento em tela, fls. 529, requerendo, preliminarmente, a nulidade do presente AI, uma vez que teve cerceado seu direito de defesa. Alega que os auditores mencionaram no Relatório Fiscal, item 20, que os Parcelamentos foram deduzidos dos valores apurados; porém, estes Parcelamentos são feitos a partir da base de cálculo. Como a Fundação não possui as tabelas com as quais a fiscalização trabalha, tornase impossível chegar aos valores notificados; Fl. 922DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Ao final, alega que, da forma como estão os relatórios anexos à autuação, só lhes resta entender que não foram deduzidos os valores parcelados, configurando cerceamento do direito de defesa, por falta de clareza na exposição dos elementos que compõem seu objeto, não deixando margem ao contribuinte para se defender com segurança. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0344.317 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Brasília DF, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2005 AIOP DEBCAD Nº 35.793.8933 DECADÊNCIA Quando se verifica a antecipação de pagamento, mesmo que parcial, por parte do contribuinte, aplicase o prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 do CTN. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário, a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de primeira instância reconheceu a decadência até a competência 03/2001, com fulcro no art. 150, §4º, CTN. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Do cerceamento do direito de defesa Falta clareza para se saber se o parcelamento foi deduzido do valor do débito. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13116.000242/200811 Acórdão n.º 2403001.862 S2C4T3 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme se depreende do encaminhamento ao CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 0344.317 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.223.2124, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.193.576,81. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias a cargo da empresa devidas à Seguridade Social, em relação às remunerações pagas ou creditadas às pessoas físicas na qualidade de contribuinte individual, correspondentes a valores relativos à parcela patronal e descontos sobre as remunerações pagas aos segurados que lhe prestam serviço, nas competências entre 03/2000 e 06/2005. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 35.793.893 3que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.223.2124) Lei n° 8.212/91 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: 1 Instruções para o Contribuinte IPC Relatório que fornece ao sujeito passivo orientações entre outros assuntos de seu interesse, sobre providências para regularização de sua situação Fl. 925DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13116.000242/200811 Acórdão n.º 2403001.862 S2C4T3 Fl. 203 7 perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; 2 Discriminativo do Analítico do Débito DAD Relatório que discrimina por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; 3 Discriminativo Sintético do Débito DSP Relatório que discrimina sinteticamente, por competência e por estabelecimento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; 4 Relatório de Lançamentos RL Relatório que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; 5 Fundamentação Legal do Débito FLD Relatório que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente á época de ocorrência dos fatos geradores; 6 Relatório de Representantes Legais REPLEG Relatório que relaciona todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação; 7 Relatório de Vínculos VÍNCULOS Relatório que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 926DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Analisandose o AIOP nº 37.223.2124, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) Do cerceamento do direito de defesa Falta clareza para se saber se o parcelamento foi deduzido do valor do débito. Analisemos. A decisão de primeira instância jádebateu este ponto, afastando na totalidade a argumentação da Recorrente, posto que o Relatório RDA relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, valores que tenham sido objeto de notificações anteriores: Sobre a alegação da autuada de que teve seu direito de defesa cerceado, por falta de clareza nos relatórios anexos à autuação, e, dessa forma, só lhe resta entender que não foram deduzidos os valores parcelados, esclarecemos: Verificando os autos, constatase que o entendimento da autuada é totalmente equivocado, conforme se verifica nos relatórios RDA Relatório de Documentos Apresentados e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. O RDA relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, valores que tenham sido objeto de notificações anteriores. O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA demonstra como os documentos (GRPS, GPS, LDC), apresentados pelo contribuinte ou apurados em ação fiscal foram apropriados pela fiscalização. Notase perfeitamente que os parcelamentos questionados na defesa foram sim considerados, conforme se verifica no RADA, às fls.117/126. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13116.000242/200811 Acórdão n.º 2403001.862 S2C4T3 Fl. 204 9 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE provimento. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 928DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16624.002888/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas com pensão alimentícia no valor de R$ 3.600,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas com pensão alimentícia no valor de R$ 3.600,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 28 88 /2 00 9- 64 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16624.002888/200964 Acórdão n.º 2801003.082 S2TE01 Fl. 72 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 47/48 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 23/11/2009, contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício 2006, Ano Calendário 2005, tendo sido apurado crédito tributário de R$ 6.186,48, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária, todas em decorrência do não atendimento à intimação fiscal: Dedução Indevida com Dependentes: glosa de R$ 1.404,00; Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial: glosa de R$ 7.200,00; Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica: no montante de R$ 14.015,13 (IRRF s/ omissão de R$ 420,45), recebidos pelo contribuinte, conforme Dirf apresentada pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Na impugnação apresentada tempestivamente (fls. 1/2), o contribuinte alega, em síntese, que: não atendeu à intimação fiscal acostada aos autos (fls. 38) porque ela foi enviada para o endereço em que não mais residia, conforme atualização feita no cadastro da Receita Federal, onde já consta o endereço correto, ou seja, Rua Prof. Ferreira Paulino, 169 apto 25 Vl. Augusta, Guarulhos/SP, tornando improcedente a ciência por Edital e, por consequência, a devolução de prazo para que possa retificar a declaração; lançou como dependente a sua mãe, Sra. Nair Bugno Pinheiro, CPF 249.672.26809, que não tem nenhuma fonte de renda. Anexa a certidão de óbito dela, datada de 08/05/2007; a pensão em nome da Sra. Roseli Rodrigues de Lima, CPF 076.892.13847, mãe de seu filho, Samuel de Lima Lopes, para o qual é responsável pelo pagamento de um salário mínimo por mês a título de pensão (certidão de nascimento e comprovantes de depósito anexos); pensão à Sra. Etelvina Augusta Duarte Lopes, CPF 139.135.82878, excônjuge, conforme processo nº 1583/1989, ação de separação judicial consensual, para a qual paga uma pensão judicial no valor de 10% de seus rendimentos, conforme recibos em anexo. Afirma que solicitou o desarquivamento do processo de separação, conforme requerimento acostado aos autos. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16624.002888/200964 Acórdão n.º 2801003.082 S2TE01 Fl. 73 3 A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 DEPENDENTES. MÃE. Deve ser restabelecida a dedução referente à mãe do contribuinte, uma vez comprovada a relação de dependência. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Somente as importâncias cabalmente demonstradas como despendidas em decorrência de acordou ou sentença judicial proferida em face das normas do Direito de Família podem ser admitidas como dedução da base de cálculo do IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE COMPROVANTE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte tem o dever de oferecer à tributação todos os rendimentos tributáveis percebidos no anocalendário, de pessoas físicas ou jurídicas, mesmo que não tenha recebido comprovante da fonte pagadora. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/10/2011 (fl. 54), o Interessado interpôs, em 19/10/2011, o recurso de fls. 56/57, acompanhado dos documentos de fls. 58/68. Na peça recursal limitase a pedir o restabelecimento da dedução de pensão alimentícia paga a sua excônjuge Etelvina Augusta Duarte, em face da documentação comprobatória ora apresentada. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia se restringe à glosa de pensão alimentícia relativa à ex cônjuge Etelvina Augusta Duarte. Às fls. 64/65 foi anexada sentença judicial que homologou o acordo de separação judicial consensual entre o Recorrente e sua exesposa (fls. 60/63), onde se lê, no item III, o seguinte: III – O cônjuge Varão contribuirá mensalmente para a manutenção dos filhos e da requerente, com trinta por cento do rendimento líquido que aufere com seu trabalho, sendo estes corrigidos automaticamente com os aumentos progressivos que o mesmo perceber. A referida pensão obedece a seguinte proporção: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16624.002888/200964 Acórdão n.º 2801003.082 S2TE01 Fl. 74 4 10% destinase à sua filha Sandra Regina Lopes; 10% destinase ao filho Sílvio Roberto Lopes; 10% destinase à requerente. Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos os recibos de fls. 28/39, supostamente assinados por sua excônjuge, totalizando o montante de R$ 3.600,00 pagos a título de pensão alimentícia no decorrer do anocalendário de 2005 (12 recibos de R$ 300,00). Embora entendendo que os recibos apresentados não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, penso que a glosa relativa à pensão da excônjuge Etelvina deve ser restabelecida, uma vez que, em relação a ela, a decisão de piso julgou improcedente a impugnação exclusivamente pelo fato de que não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente, a ver: A produção de provas, no caso, deve ser feita com a apresentação do conteúdo da sentença ou acordo judicial, acompanhada de documento comprobatório do efetivo pagamento. (...) No que se refere á pensão declarada à outra excônjuge, Etelvina, foram apresentadas a cópia da ação de separação consensual (fls. 24), cópia da certidão de casamento (fls. 25), acompanhadas de doze recibos (fls. 25/36). Foi anexado, ainda, petição do contribuinte, datada de dezembro de 2009, dirigida ao Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Comarca de Guarulhos – SP, solicitando o desarquivamento do acordo homologado entre as partes sobre a pensão alimentícia de Etelvina Augusta Duarte, para extração de cópias (fls. 37). Neste caso também não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente determinando o pagamento da pensão alimentícia à Sra. Etelvina. Os doze recibos acostados aos autos, acusando o recebimento do montante de R$ 3.600,00, no anocalendário 2005, a título de pensão alimentícia, por si sós são insuficientes para comprovar que tal pagamento se embasava em decisão judicial/acordo homologado judicialmente. Significa dizer que os recibos apresentados não foram considerados inidôneos pela decisão recorrida. A manutenção da glosa, fundamentada no fato de que tais recibos não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, configura, a meu ver, a denominada reformatio in pejus (reforma para pior), o que não se admite no âmbito do processo administrativo fiscal. Nesse contexto, em que o Recorrente anexou aos autos cópia da sentença judicial que homologou o acordo de fls. 60/63, no qual consta a obrigação alimentar em relação à ex cônjuge Etelvina, sou pelo restabelecimento da despesa com pensão a ela destinada. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16624.002888/200964 Acórdão n.º 2801003.082 S2TE01 Fl. 75 5 Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer despesas com pensão alimentícia no valor de R$ 3.600,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10850.907268/2009-63
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2007
IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 72 68 /2 00 9- 63 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório BENSAUDE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada PER/DCOMP, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 29, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada apresentou a contribuinte manifestação de inconformidade pela qual pugna pela reforma do despacho decisório, afirmando deter crédito líquido e certo perante a Fazenda Nacional tendo em vista o pagamento a maior ou indevido de estimativa em virtude da apuração incorreta do imposto devido relativo ao mês de Dezembro/2007. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1436.114, de 15 de dezembro de 2011 (fls. 04/106), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 13/09/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 10/10/2012 fls. 57/70, onde reafirma seu direito à repetição de indébito de estimativa recolhida a maior. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10850.907268/200963 Acórdão n.º 1803001.783 S1TE03 Fl. 148 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP cujo direito creditório decorre de estimativa de IRPJ recolhida a maior, relativa ao fato gerador Dezembro/2007. Alega a recorrente em síntese, de que conforme documentos que já constam dos autos e dos juntados no recurso voluntário efetuou apuração incorreta do imposto devido no mês de Dezembro/2007, tendo em conseqüência efetuado recolhimento a maior de estimativa de IRPJ, tendo efetuado o recolhimento do imposto devido no ajuste anual liberando em conseqüência, integralmente o DARF da estimativa que foi compensado com débitos de IRPJ e CSLL relativos a janeiro de 2008. Assiste razão à recorrente. O direito à utilização de estimativas pagas a maior ou indevidamente foi reconhecido inclusive para os pedidos pendentes anteriores à edição da Instrução Normativa nº 900/2008, conforme consta da SCI Cosit nº 19, de 2011, estando o entendimento consolidado neste colegiado conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Conforme a recorrente aponta em seu arrazoado, o IRPJ devido pelo ajuste anual do ano calendário 2007, era de R$ 23.204,31 e que foi extinto mediante DARF constante da fl. 130 dos autos, recolhido em 08/10/2012. Embora o pagamento tenha sido feito extemporaneamente e apenas em 08/10/2012, não há qualquer impedimento para que o DARF objeto do litígio (fl. 16/18), no valor de R$ 138.046,56 seja aproveitado na compensação realizada pela contribuinte constante do presente processo, tendo sido utilizado o montante de R$ 110.483,72. Considerando outrossim, que os fundamentos contidos no despacho decisório que não homologou a compensação apenas se atém à suposta ausência de limite disponível em virtude da vinculação do valor ao débito apontado na DCTF, deve o direito creditório ser reapreciado pela unidade de origem, afastando qualquer óbice em relação a possibilidade de compensação de estimativas recolhidas a maior e não utilizadas para reduzir o imposto na declaração de ajuste. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar invocada pela autoridade fiscal e reconhecer a possibilidade de compensação de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, devendo a unidade de Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 origem apreciar o pedido observando, contudo a inexistência de efetiva utilização a título de saldo negativo de IRPJ ou seja compensada ou ressarcida a este título. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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