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Numero do processo: 10680.006909/2007-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS.
Deve se mantida a glosa das deduções quando não comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
RETIRADA DE MATERIAL PARA OBTENÇÃO DE CÉLULA-TRONCO.
A retirada de material para obtenção de célula-tronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente
Pedido de Diligência Indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS. Deve se mantida a glosa das deduções quando não comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. RETIRADA DE MATERIAL PARA OBTENÇÃO DE CÉLULATRONCO. A retirada de material para obtenção de célulatronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 69 09 /2 00 7- 06 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 311 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/BHE/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Cuidase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004 que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: Imposto (2904) R$24.013,60 Multa de Oficio R$18.010,20 Juros de Mora (até 30/04/2007) R$7.240,10 Valor do Crédito Tributário Apurado R$49.263,90 Em sede de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, procedeuse ao lançamento de ofício do Imposto de Renda, originário das alterações promovidas conforme demonstrativo de fls. 27/31, tendo sido alteradas para R$0,00 as deduções com despesas médicas (R$36.197,45), de dependentes (R$3.816,00), com instrução (R$1.998,00), com previdência privada (R$42.515,46), de incentivo (R$200,00), por falta de comprovação dos gastos, apesar de devidamente intimado. Foi apurada ainda omissão de rendimentos recebidos das fontes pagadoras Secretaria de Estado da Fazenda/MG (R$4.431,90, com IRRF sobre a omissão de R$795,69) e Tribunal de Justiça/MG (R$571,20). Na peça impugnatória apresentada às fls. 01/24 (instrumento de mandato à fl. 25) o contribuinte manifesta sua irresignação contra parte do lançamento tributário. Por meio de questão de ordem nega não ter atendido à intimação fiscal para apresentação de documentação comprobatória das despesas declaradas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Informa que mesmo diante de recibos/notas fiscais apresentados, o auditor fiscal comunicoulhe a respeito da não aceitação dos Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 312 3 recibos, pois também seria necessária a apresentação das cópias de cheques que comprovariam os respectivos pagamentos. Alerta que a lei não traz essa exigência, já que ressalva apenas a apresentação de cheques caso não haja a apresentação dos recibos ou estes sejam comprovadamente inidôneos. Ressalta que o ano de 2004 foi atípico em sua vida financeira, pois com o nascimento do 2º filho, muitas foram as despesas médicas incorridas. Quanto às deduções, apresenta suas justificativas para cada valor glosado pela malha fiscal. Às fls. 177/179, promove a juntada de sua certidão de casamento e a de nascimento de seus filhos para comprovar a relação de dependência e procedência da respectiva dedução. Os comprovantes das despesas com instrução foram acostados às fls. 32/46 e referemse às mensalidades escolares de sua filha Maria Luisa Godói Baracho junto ao Instituto Cecília Meireles. O contribuinte junta comprovantes de pagamento e extratos relativos à previdência privada, fls. 48/65 e requer o julgamento pela procedência das deduções no montante de R$42.515,46. Pugna pela procedência das seguintes despesas médicas: Hospital Mater Dei (R$1.909,24 fls. 103/108), Maria Ângela Gontijo (R$130,00 fl. 109), Denison Cavalcante Pinto (R$900,00). Quanto a esse último profissional, o contribuinte adverte que os gastos no anocalendário 2004 foram da ordem de R$1.650,00 e que pesquisando em seus arquivos pessoais identificou a numeração de alguns cheques (850326, 850438, 850523, 85041, 85048, 85049), que seriam todos no valor de R$150,00, R$900,00 no total, aptos a comprovar parcialmente a despesa médica declarada. Ainda que não tenha havido manifestação expressa na impugnação, o contribuinte ainda carreou aos autos os recibos e notas fiscais relativos aos seguintes profissionais da área médica/odontológica e clínicas, inseridos na declaração de ajuste anual: Paulo Tadeu de Mattos Pereira Poggiali (3.350,00 fls. 73/90 e 126151), Clínica Ginecológica Marcílio Magalhães (R$3.780,00 fls. 91/97), Phitágoras Carmo de Moraes (R$1.300,00 fls. 98/102), Estelamares Dória V. Barros (R$160,00 fls. 110/111), Arnaldo Antônio Elian (R$150,00 fl. 112), Ivan Cunha Melo (R$120,00 fl. 113), Rosângela Fátima de Macedo Moura (R$110,00 fl. 114), Luiz Megale (R$150,00 fls. 115 e 161), Criopraxis Criobiologia Ltda (R$3.500,00 fls. 116 e 162/173), Policlínica Oftalmológica (R$120,00 fl. 117), SAMBH Serviço de Anestesia Médica de Belo Horizonte (R$1.000,00 fl. 118), CÉU Centro Especializado em Ultra Sonografia (R$120,00 fl. 119), Bradesco Saúde (R$1.229,88 fl. 120) e Hernane Saldanha Lopes (R$9.800,00 fl. 121/124). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 313 4 Esteirado em farta jurisprudência e julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, repugna a exigência da apresentação de cheques para comprovar despesas constantes de recibos e notas fiscais. Com justificativas lastreadas em diversos princípios constitucionais, requer o cancelamento do crédito tributário. O contribuinte, em tópico intitulado "do crédito reconhecido e pago efetuou cálculos e recolheu o imposto no valor de R$3.069,99, acompanhado de multa de ofício reduzida para 50% e juros moratórios (fl. 181). Os valores reconhecidos referemse a: A dedução de incentivo (R$200,00), cujo pagamento foi em favor da Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente AMDA; Omissão de rendimentos no valor total de R$5.003,10, já mencionados anteriormente; Despesas médicas declaradas com os seguintes profissionais da área médica ou clínicas no valor total de R$7.598,33, conforme consta da fl. 09 da peça impugnatória: Márcia Helena M.F. Oliveira, Instituto de Patologia Hermes Pardini, ECOAR Medicina Diagnostica Ltda, Rochele Pedrosa Godói, Vicente Gabrich e Phitágoras Carmo de Moraes (apenas o valor de R$126,00). O reconhecimento dessas glosas fundamentase em ressarcimento pelo plano de saúde ou ausência da documentação comprobatória.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 213/223, que restou assim ementado: GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. INSTRUÇÃO. RESTABELECIMENTO PARCIAL. Os valores glosados acompanhados de documentação devem ser restabelecidos até o montante comprovado dos gastos. DESPESAS MÉDICAS. COLETA/ARMAZENAMENTO DE CÉLULASTRONCO. DEDUÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por falta de previsão legal, deduzir da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, a título de despesas médicas, os valores pagos na prestação de serviço de coleta, processamento e criopreservação de célulastronco. GLOSA DE DEDUÇÃO. DEPENDENTES. A dedução com dependente deve ser acatada, quando caracterizada a relação de dependência conforme previsão da lei tributária. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 314 5 Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é do Poder Judiciário. Regularmente cientificado daquele acórdão em 22/08/2011 (fl. 249), o interessado, representado por sua advogada (fl. 289), interpôs recurso voluntário de fls. 255/288, em 20/09/2011. Em sua defesa, pretende seja reformado o acórdão recorrido no que diz respeito: · à glosa dos pagamentos feitos à Sociedade Mineira de Cultura, no valor de R$ 4.437,98, reconhecendose a possibilidade de sua dedução; · à glosa do IASAMINAS, que seja dita glosa reduzida para R$ 2.124,82 ; · à glosa dos pagamentos feitos aos profissionais Phitágoras Carmo de Moraes (R$ 1.300,00), Arnaldo Antônio Elian (R$ 150,00), Rosângela Fátima de Macedo Moura (R$ 110,00) e Hernane Saldanha Lopes (R$ 9.800,00) e também à Policlínica Oftalmológica (R$ 120,00), reconhecendose a possibilidade de sua dedução; · à glosa dos valores pagos ao profissional Denison Cavalcante Pinto (R$ 900,00), reconhecendose a possibilidade de sua dedução; · à glosa dos valores pagos à CRYOPRAXIS Criobiologia Ltda (R$ 3.500,00); · à glosa dos valores relativos ao parto de filho comum do casal, no valor de R$ 3.029,24. Requer, ainda, caso haja dúvidas acerca da idoneidade de tais despesas, seja o processo baixado em diligência para fins de comprovação por parte do fisco. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente pretende sejam restabelecidas diversas deduções, sem, contudo, aditar qualquer elemento de prova. O valor declarado referente à Sociedade Mineira de Cultura a título de dedução com previdência privada deve ser mantido, pois, como bem registrou a decisão recorrida não restou demonstrado o vínculo da proposta de adesão de fl. 52 com o pagamento acostado à fl. 51. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 315 6 Também não se comprovou que os valores pagos à IASAMINAS referemse a contribuições a PGBL para que possam ser deduzidos como previdência privada, conforme legislação de regência. Neste sentido, não merece acolhida a solicitação do recorrente para que se considere a parcela de R$ 182,28, conforme nota de rodapé no informativo de fl. 53, dispondo que os valores das contribuições p/ o Fundo Auxiliar de Desemprego Normal (FUNDESN) não são dedutíveis da base de cálculo do IR, devendo deduzir somente as contribuições para FUNDESA (Invalidez) e pensão. Em relação aos pagamentos feitos a Phitágoras Carmo de Moraes, Arnaldo Antônio Elian, Rosângela Fátima de Macedo Moura, Hernane Saldanha Lopes e à Policlínica Oftalmológica, observase que a glosa foi mantida por ausência de indicação do paciente nos recibos. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2o , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados, o que, na espécie, não foi providenciado. Melhor sorte não socorre o interessado no que diz respeito à glosa do valor de R$900,00 relativo aos pagamentos ao profissional Denison Cavalcante Pinto, já que o contribuinte simplesmente enumerou uma relação de cheques que supostamente teriam sido emitidos para quitar as despesas declaradas. A retirada de material para obtenção de célulatronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda. Assim, a despesa constante da nota fiscal emitida pela empresa Cryopraxis Criobiologia Ltda. não pode ser considerada dedutível como despesa médica. Diferentemente do que entende o peticionário, as despesas como o parto do filho não é passível de dedução na declaração em tela, dado que o cônjuge do contribuinte apresentou declaração em separado no modelo simplificado. Ou seja, as despesas médicas pleiteadas pelo recorrente, que poderia delas fazer uso de forma supletiva, caso seu cônjuge não fizesse, já foram objeto de dedução por aquele, via desconto simplificado, sendo vedada a utilização da mesma dedução de despesa médica por mais de um contribuinte Além disso, rejeitase o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 316 7 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 10120.006940/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
A alegação de que a Decisão de Primeira Instância encontra-se eivada, pois a Fiscalização teria se baseado em NIT-PIS errados para determinar a autuação, não há de prosperar já que ele não maculou o lançamento, não cabendo a necessidade de realização de perícia, exatamente porque não houve prejuízo ao lançamento, e, portanto à defesa.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram ern manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) ern dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas !imitada ao determinado no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à (TIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à sorna de: *) multa de mora limitaa1a a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do 'art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 69 40 /2 01 0- 80 Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram ern manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) ern dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas !imitada ao determinado no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à (TIP deve ser mantida a penalidade equivalente à sorna de: *) multa de mora limitaa1a a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do 'art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de AI — Auto de Infração relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes às contribuições dos segurados, descontadas da remuneração paga devida ou creditada aos seus segurados empregados, arrecadadas pelo contribuinte, e não repassadas à Previdência Social, nos termos do inciso I, alíneas "a" e "b", do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Ressalva que os fatos descritos configuram, em tese, infração penal tipificada no artigo168A do DecretoLei 2.848, de 07/12/1940 Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, e foram objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Quanto a multa, esclareceu a Fiscalização que em decorrência das alterações na Lei 8.212/91, introduzidas pela Lei 11.941/09, foi aplicado o dispositivo mais benéfico ao contribuinte pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional. Inconformada com autuação, apresentou, tempestivamente, sua impugnação, cuja qual foi julgada improcedente. Em 27 de fevereiro de 2012 foi notificada da decisão e em 27 de março do mesmo ano interpôs o presente remédio, alegando a) exclusivamente a nulidade da decisão recorrida, porque o Fiscalizador cometeu erro de fato/material ao fundamentar o lançamento, haja vista que a Recorrente, na impugnação comprovou que as informações trazidas na autuação, muitas delas estavam equivocadas quanto ao número do NITPIS, o que levou a Fiscalização a erro material; b) que a Fiscalização deveria ter utilizado o princípio da razoabilidade e não ter aplicado a sanção, e; c) ao final pede a realização de perícia contábil. Eis o relato. Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Sendo tempestivo e acudindo todas as demais exigências processuais, merece ser acolhido o presente recurso aviado, passandose à sua análise. i) DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Segundo a Recorrente a conduta que motivou a Fiscalização autuála foi a declaração em GFIP de número de PIS, informado pelo funcionário, cujo qual estava errado. E, estas informações não corretas, quando em confronto com o número certo causou à Fiscalização de preenchimento incorreto. Para demonstrar o que alega, junta uma relação de empregados, cujos números considerados pela Fiscalização estavam errados, como é o caso de Marcia Emiliano Santiago, onde, segundo a Recorrente, a Fiscalização considerou o número NIT 10838020671, ao passo que o certo seria 13622467311. Assim, compulsando as peças dos autos viuse que o NIT da empregada em comento considerado pela Fiscalização foi de fato o NIT 10838020671 MARCIA EMILIANO SANTIAGO (fls. 95 volume 1). Mas, não vejo prejuízo ao lançamento o fato de um outro NIT ter ocorrido o dito erro. Aliás, em verdade, ocorreu em 4 casos apenas, como a própria Recorrente informar. E, isto não macula o lançamento, razão pela qual não há de ser acollhida esta dita nulidade no lançamento, e tão pouco comporta perícia apenas para saber qual o NIT/PIS é correto. Ademais, a Recorrente é responsável pelas informações prestadas à Autoridade Fiscal. MULTA Alega a Recorrente que deveria a Fiscalização ter aplicado o princípio da razoabilidade, o que não cabe no caso em tela, já que se aplica a razoabilidade em casos permissíveis e específicos, mormente quando há na legislação entendimento dúbio ou mesmo laguna normativa, o que não é o presente caso. Portanto, não há de aplicar a razoabilidade quando na clareza da lei, cessa sua interpretação, segundo já diziam os latinos. Por outro lado, segundo consta do relatório fiscal e da decisão ora hostilizada que a multa aplicada foi a que mais beneficiou a Recorrente, inclusive por respeito ao artigo 106, II do CTN. Então, em caso como este, ou seja, quando a Fiscalização diz ter aplicado o dispositivo legal que mais beneficia o Recorrente e no seu arrazoado da Decisão há muito bem embasamento para tal mister, ou seja, a retroatividade da lei, há de pautar o melhor dispositivo, que no caso tenho que deve ser o artigo 32A da Lei 8.212/90. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente Recurso Voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito DAR LHE PROVIDMENTO PARCIAL somente para aplicação da multa mais benéfica, sendo certo que o Artigo 32A é o que atende. E, quanto aos demais quesitos, não vejo imperfeição na Decisão ‘a quo’ merecedora de reforma, razão pela qual a mantenho em sua integralidade. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 5 7 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 6 9 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 7 11 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10283.006383/00-73
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/06/1990 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/06/1990 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 63 83 /0 0- 73 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 16/06/2000, relativo ao período de apuração de 01/06/1990 a 30/09/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006383/0073 Acórdão n.º 9900000.652 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001834/98-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. A compensação do IRRF deve ser efetuada no ano-calendário em que o rendimento foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário, e por ele tributado na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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COMPENSAÇÃO DO IRRF. A compensação do IRRF deve ser efetuada no anocalendário em que o rendimento foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário, e por ele tributado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 18 34 /9 8- 22 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0635.982 (fl. 128), que, por unanimidade de votos, considerou não impugnada a matéria não contestada e procedente em parte o lançamento, para alterar o resultado da declaração de ajuste anual de imposto a pagar de R$ 11.277,00 para R$ 10.777,00, em face das seguintes alterações: (a) dedução de imposto para R$ 0,00; e (b) imposto retido na fonte para R$ 9.570,00 (fl. 07). Em sua impugnação ao lançamento, o contribuinte alega que a fonte pagadora DU PONT DO BRASIL não emitiu o informe de rendimentos e a DIRF, conforme “carta” de 04/02/1998, ao passo que houve a retenção em 20/06/1995, consoante DARF, e o valor foi liberado em 20/11/1996, segundo “cheques” em nome de JULIO CRISTIANO DE SOUZA; acrescenta que nos rendimentos tributáveis foi lançado o rendimento de R$ 8.315,00 do INSS, mas que o correto seria de R$ 6.315,00. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau julgou procedente em parte a impugnação, para corrigir o rendimento tributável auferido do INSS, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1996 DEDUÇÃO DO IMPOSTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a infração apurada que não é objeto de contestação. RETENÇÃO DE IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo comprovação de retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos que compuseram o ajuste anual, descabe a dedução do imposto de renda devido apurado. ERRO DE FATO. ALTERAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Constatandose erro de fato na quantificação da base de cálculo sujeita ao ajuste anual, cabe proceder à sua correção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 139/143, a recorrente reitera o seu direito à compensação do IRRF retido no ano de 1995, que incidiu sobre os rendimentos tributados auferidos em ação trabalhista, conforme provam os documentos extraídos do processo judicial e juntados aos autos. Argumenta que agiu de boafé, e que buscou a compensação do IRRF relativo aos valores auferidos em processo trabalhista no ano de 1996. Ao vedar a utilização do IRRF, está o ente tributante, de forma direta, se locupletando indevidamente de valores pertencentes ao patrimônio do contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.001834/9822 Acórdão n.º 2101002.114 S2C1T1 Fl. 146 3 Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio a glosa do IRRF de no valor de R$ 14.654,00 (fl. 11) que teria incidido sobre rendimentos que o contribuinte alega haver auferido no anocalendário 1996 da DUPONT DO BRASIL S/A. O valor do IRRF pleiteado resulta dos recolhimentos efetuados através dos DARFs à fl. 03, nos valores de R$12.445,00 e de R$2.209,42, em 19/06/1995 e 20/06/1995, respectivamente. Os rendimentos correspondentes, segundo o contribuinte, são os indicados nos cheques à fl. 05, nos valores de R$36.957,65 e R$10.817,60 (fl. 04), datados de 28/11/1996. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o imposto de renda retido pela fonte pagadora, no anocalendário de 1995, consoante DARFs à fl. 03 (onde consta o nome de Antonio Francisco Borges e a referência ao processo trabalhista), corroborado pela Declaração da empresa à fl. 02, DIRF à fl. 23 e Comprovante de Rendimentos à fl. 24 estão relacionados aos rendimentos auferidos da empresa DU PONT DO BRASIL S/A, no anocalendário de 1996, conforme fotocópias dos cheques à fl. 04, no montante de R$47.775,25, nominal ao patrono do contribuinte na reclamatória trabalhista. Esse descompasso entre retenção do imposto e disponibilização do numerário ao reclamante muitas vezes ocorre devido a questionamentos das partes na liquidação da sentença, tal como alegou o autuado. De fato, o aviso de crédito emitido pelo Banco do Brasil, à fl. 114, indica expressamente que o valor de R$36.972,65, relacionado ao RDB emitido em 20/06/1995, somente foi pago em 28/11/1996. Este valor foi complementado pelo RDB emitido em 20/09/1996, cujo valor de R$10.832,60 também foi liberado em 28/11/1996 (fl. 116). Descontados as respectivas tarifas de serviço, no valor de R$15,00 cada, os valores decorrentes da reclamatória trabalhista foram disponibilizado ao recorrente, através do seu patrono, em 28/11/1996, pelos cheques à fl. 04. Em que pese os óbices levantados pela decisão recorrida para negar a realidade dos fatos, entendo que o conjunto probatório nos autos são conclusivos e concordantes com o pleito do recorrente. Verificase, inclusive que na DIRPF do contribuinte, relativo ao anocalendário de 1995, nenhum rendimento da fonte pagadora DU PONT foi relacionado, como também não foi compensado IRRF (fls. 70 e 73). Portanto, firmo convencimento de que a retenção efetuada em 1995 referese aos rendimentos apenas disponibilizados no ano de 1996, até porque os dois avisos de crédito expedidos pelo Banco do Brasil possuem datas do ano de 1996. Nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995, o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, poderão ser compensados com o imposto de renda devido apurado na Declaração de Ajuste Anual – DAA. A tributação dos rendimentos deve ocorrer no ano em que este foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário (anocalendário de 1996). No mesmo período deve ocorrer a compensação do IRRF, que guarda estrita relação com o rendimento sobre o qual incidiu. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 O Estado não tem interesse subjetivo nas questões. Deve sempre atuar de forma a promover a justiça e demais princípios constitucionais relacionados à boa administração pública. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer o IRRF no valor de R$14.654,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10983.908293/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 29 3/ 20 09 -5 9 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908293/200959 Resolução nº 3801000.409 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Por meio de Declaração de Compensação apresentada eletronicamente, a requerente postula a compensação de débito de contribuição com crédito decorrente de pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, nos termos de despacho decisório eletrônico não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação efetuada. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada interpôs manifestação de inconformidade. A DRJ em Florianópolis (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908293/200959 Resolução nº 3801000.409 S3TE01 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo, todavia não atende os demais pressupostos recursais, uma vez que seu conhecimento estará condicionado à regularização da representação processual, conforme será demonstrado. Como constatado pela autoridade fiscal que realizou a diligência fiscal, o signatário do recurso voluntário não comprovou ter poderes para representar a pessoa jurídica, todavia não se deve adotar como solução do litígio a preclusão temporal, ou seja, a declaração de revelia. Registrese que este relator, ao propor a conversão do julgamento em diligência, não atentou para o fato de que o recurso voluntário foi subscrito por advogado sem instrumento procuratório válido. O vício na representação processual não deve resultar na cobrança imediata dos débitos. O artigo 13 do Código de Processo Civil, inciso II, dispõe que: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) Assim, ao receber o recurso voluntário, a autoridade preparadora deveria verificar se o representante legal era detentor de poderes para representar a interessada. Constatado o vício, a recorrente deveria ter sido intimada a regularizar a representação processual. Este procedimento não foi adotado e não pode trazer prejuízos à recorrente. Tenhase presente que o não conhecimento do recurso voluntário nos termos propostos pela autoridade fiscal implicaria em um enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois resultaria na cobrança indevida de débito. A administração pública pauta principalmente pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que, no prazo de quinze dias, seja dada à recorrente a possibilidade de regularizar a sua situação processual. Ademais, do exame dos documentos da diligência fiscal, verificase que a diligência não foi cumprida integralmente, pois a recorrente não foi devidamente cientificada de seu teor, em especial dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. A falta de intimação da diligência viola o princípio do devido processo legal e implica ofensa ao amplo direito de defesa administrativa, que é uma garantia individual e reconhecida constitucionalmente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908293/200959 Resolução nº 3801000.409 S3TE01 Fl. 5 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) intime à interessada no prazo de 15 (quinze) a regularizar a representação processual; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo acima. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16403.000261/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Exercício: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em
declaração de compensação, impõe-se o indeferimento do pedido respectivo.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 1102-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em declaração de compensação, impõese o indeferimento do pedido respectivo. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 26641.88187.110208.1.3.042011 (fls. 01 05), relativa à compensação do débito de Cofins (código de receita 2172) do mês de dezembro/2003, acrescido de multa e juros de mora, totalizando R$ 3.870,80, com utilização do direito creditório de R$ 2.438,45 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL (código de receita 2484) do mês de dezembro/2003, recolhimento este efetuado em 31/03/2004 (R$ 2.438,45). 2. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório n° 927/2009 (fls. 0910), proferido em 11/12/2009, não homologou a compensação declarada em 11/02/2008 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista entender que o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que manteve a restrição anteriormente prevista na IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, art. 10. 3. Regularmente cientificada em 18/05/2010 (fl. 15), a reclamante apresentou, em 17/06/2010, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1721, instruída com os documentos de fls. 2265, cujo teor é sintetizado a seguir: a) aduz que em 31/03/2004 recolheu indevidamente R$ 2.438,45 de estimativa de CSLL; que o pagamento indevido ocorreu em Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000261/200973 Acórdão n.º 110200.739 S1C1T2 Fl. 2 3 face de o Departamento Financeiro da AFEPON, diante das guias emitidas por escritório de contabilidade externa, com base nas notas fiscais do período, ter efetuado mencionado pagamento; b) que o DARF foi recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; que não apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem utilizou valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida; c) que tem direito à repetição do valor indevidamente recolhido e que a compensação requerida constitui a melhor forma de apurar e reaver este crédito; d) junta relatório de auditoria externa, demonstrando que durante a gestão anterior, no período de 2001/2004, ocorreram pagamentos indevidos à Receita Federal; e) requer a reforma da decisão de não homologação da declaração de compensação, com reconhecimento do direito à restituição do valor indevidamente recolhido, conforme arts. 165 do CTN e 876 do Código Civil, corrigido monetariamente consoante jurisprudência pacífica dos tribunais superiores. O acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que: (i) não restou comprovada nos autos a existência do alegado pagamento indevido ou a maior, mediante apresentação dos balanços/balancetes de suspensão/redução levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário, mormente considerando que a reclamante informou que as estimativas de CSLL foram apuradas por escritório de contabilidade externa com base nas notas fiscais do período (com base na receita bruta); e (b) mesmo se assim não fosse, “a indicação dessa estimativa de CSLL como direito creditório configura descumprimento da regra constante do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, em vigor à dada da transmissão da declaração de compensação em análise, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, no sentido de que teria direito à restituição dos valores pretendidos, por intermédio de compensação, pois o DARF em referência teria sido recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; não ter apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem ter utilizado valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Entendo que os valores recolhidos pelo contribuinte a título de antecipação (estimativa) de IRPJ e CSLL podem ser restituídos e compensados, mesmo dentro do respectivo anocalendário, desde que o sujeito passivo comprove cabalmente que os montantes recolhidos a esse título eram indevidos na data do respectivo recolhimento (v.g., quando o contribuinte faz prova de ter recolhido valores de estimativas acima dos montantes fixados em lei para tanto). Ausente tal comprovação, os valores em referência obrigatoriamente representarão mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário, sendo que eventual indébito (rectius: saldo negativo) apenas poderá ser apurado (compensado ou restituído) após o encerramento do respectivo anocalendário e entrega da declaração de ajuste pelo contribuinte. Citado entendimento foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende de ementa de acórdão abaixo transcrita, verbis: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido do tributo.” (1a Turma da CSRF, Processo n. 14.033.000222/200572; Rel. Antonio Carlos Guidoni Filho, sessão de 30 de setembro de 2009) No caso, verificase dos autos que a Contribuinte declarou na Ficha 16 Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) da DIPJ 2004 (ND 0881654), apresentada em 29/06/2004, não ter apurado débito de estimativa de CSLL para o mês de competência dezembro/2003. Contudo, na DCTF original do 4º trimestre/2003 (ND 0000.100.2003.51769975), apresentada em 13/02/2004, foi confessado débito de R$ 2.006,14 de estimativa de CSLL para esse mês (fl. 79), cujo valor foi retificado para zero em DCTF retificadora (ND 0000.100.2007.32145132) apresentada em 24/09/2007 (fl. 80) e novamente retificado para R$ 996,76 pela declaração apresentada em 05/03/2008 (ND 0000.100.2008.12392541, à fl. 81). Como bem asseverado pelo acórdão recorrido, não há prova nos autos de que os valores recolhidos pela Contribuinte a título de estimativa eram indevidos na data do respectivo recolhimento, o que seria fundamental para o reconhecimento do alegado pagamento indevido ou a maior. Ao contrário, a Contribuinte informa ter débitos de (estimativa) de CSLL em períodos anteriores no próprio anocalendário de 2003 (cf. DIPJ/2004) e não trouxe aos autos provas de que tais valores tenham sido tempestivamente anteriormente quitados (como antecipação do tributo devido ao final do ano calendário), a fim de que os valores de estimativa recolhidos fossem efetivamente um indébito. Além disso, a Contribuinte confessou originariamente em DCTF como débito o valor do crédito que pretende ora restituir e, sem justificar adequadamente a medida nestes autos, retificou citada Declaração para reduzir o valor a zero e, posteriormente, novamente sem o adequado material probatório, confessou como devido valor inferior ao montante do crédito em referência. O fato de a Contribuinte eventualmente não ter se utilizado de valores de estimativa na apuração do resultado respectivo, o que se admite apenas para fins de argumentação já que também não há prova cabal nesse sentido, não altera a natureza jurídica dos montantes recolhidos (estimativas) e não transforma o valor devido (na data do Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000261/200973 Acórdão n.º 110200.739 S1C1T2 Fl. 3 5 recolhimento) em indevido. Conforme determina a legislação vigente, ao final do ano calendário, a Contribuinte deveria (i) ter deduzido o montante recolhido a título de estimativas do valor do tributo apurado definitivamente; e caso aquele (estimativas) excedesse a este (tributo devido), (ii) ter pleiteado a restituição/compensação do saldo (negativo) respectivo. Ao assim deixar de proceder a Contribuinte, impõese a rejeição de seu pleito de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10925.001739/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O motivo para indeferir a compensação não se confunde com o motivo para aplicação da penalidade. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 1401-000.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presen te processo: a) por unanimidade de votos, não conheceram parcialmente do recurso quanto à ocorrência de simulação, pela concomitância com a esfera judicial; b) Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negaram provimento quanto à alegação de bis in idem, tendo acompanhado pelas conclusões a conselheira Karem Jureidini Dias; e, por maioria de votos, deram provimento parcial para reduzir a multa de ofício de 75%, vencidos o relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor do provimento parcial.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O motivo para indeferir a compensação não se confunde com o motivo para aplicação da penalidade. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 334 1 333 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001739/200915 Recurso nº 890.930 Voluntário Acórdão nº 140100.629 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de agosto de 2011 Matéria Multa isolada Recorrente Troia Consultoria Empresarial Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O motivo para indeferir a compensação não se confunde com o motivo para aplicação da penalidade. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presen te processo: a) por unanimidade de votos, não conheceram parcialmente do recurso quanto à ocorrência de simulação, pela concomitância com a esfera judicial; b) Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negaram provimento quanto à alegação de bis in idem, tendo acompanhado pelas conclusões a conselheira Karem Jureidini Dias; e, por maioria de votos, deram provimento parcial para reduzir a multa de ofício de 75%, vencidos o relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor do provimento parcial. (assinado digitalmente) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sergio Luiz Bezerra Presta, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 335 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 290291): Tratase de Auto de Infração no valor de R$ 1.273.658,61, relativo ao período de 08/2007 a 10/2008. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento(s) legal (is), o lançamento de oficio se deve As compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, em vista do Despacho Decisório DRF/JOA 1962, de 20 de novembro de 2008, pelo qual as referidas compensações não foram homologadas. Segundo o relatório fiscal, as compensações foram realizadas ao arrepio dos dispositivos legais disciplinados pelo art. 74 da Lei n°. 9.430/96 (com a redação dada pelo art. 49 da Lei n°. 10.637/02), tendo a contribuinte se valido indevidamente dos créditos de terceiros. O referido Despacho Decisório (DRF 1962) foi emitido com base no parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, datado de 18/12/2007 (fls. 12/21). 0 parecer foi solicitado através de representação fiscal administrativa, pela qual a autoridade fiscal coloca sob suspeição o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado da contribuinte em tela (10925.0002.111/200503), no valor de R$ 1.047.146,67 (14/03/2007), relativo ao PIS, proveniente de operações da empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. (fl. 31). Segundo a representação fiscal, as pessoas jurídicas envolvidas passaram por repetidas trocas de sócios, incorporações e cisões, em vários casos deixando débitos tributários sem quitação, com suspeita de que tais fatos tenham sido motivados pela possibilidade de utilização do crédito tributário ganho pela empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda., sem vinculálos aos débitos que estão pendentes. 0 parecer emitido pela PGFN trata de esclarecer as relações existentes entre as empresas envolvidas. Segundo trechos compilados do relatório fiscal: Em parecer emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional mencionado que o crédito reconhecido judicialmente era da empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. (...) que tinha como sócia controladora a empresa Huaine Participações Ltda (...) Ocorre que em 07/12/2005, o Ato Declaratório Executivo n° 34, DRF Joaçaba/SC, declarou inapta a inscrição do CNPJ da empresa Huaine Participações Ltda.. Assim sendo, são considerados inidôneos os documentos emitidos a partir da publicação deste ato. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Nas fls. 14, é mencionado que, após a declaração de inaptidão e encontrandose a empresa inativa, a Huiane Participações Ltda. cedeu e transferiu a integralidade das suas cotas, equivalente a 99,84% do capital da Comercial de Alimentos Verde Vale Lida (...) Declara ainda a PGFN que o negócio jurídico da transferência da participação societária é nulo, bem como a empresa Huaine permanece sendo a controladora da Comercial de Alimentos Verde Vale, Menciona também que neste ato a empresa Huaine praticou simulação. Em 01/01/2007, a 12ª. alteração contratual da Comercial de Alimentos Verde Vale (..) tratou da incorporação desta pela empresa Tróia Consultoria Empresarial Ltda., porém esta alteração somente foi registrada na Junta Comercial do Estado em 19/03/2007. Tendo em vista que o registro foi feito somente após ter transcorrido um período superior a 30 dias da assinatura da alteração contratual, esta alteração pela legislação em vigor só tem validade após o seu registro, ou seja, após 19/03/2007. Em 15/03/2007, foi feito novo pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitado em julgado, em nome de TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL, fls. 31, alegando que esta havia incorporado a empresa Comercial de Alimentos Verde Vale, tornandose sucessora do crédito. Concluiu a PGFN que, como a data da alteração contratual (19/03/2007) foi posterior à data do pedido de habilitação (15/03/2007), na época do pedido de habilitação (15/03/2007), na época do pedido de habilitação, não havia incorporação,e com isso, não existia crédito a compensar. Tendo sido consideradas como "não declaradas" as compensações, conforme Despacho Decisório DRF/JOA n°. 1962, nos termos do disposto no artigo 74, §12, inciso II, alínea "a" da Lei n°. 9.430/1996, restou caracterizada a aplicação da multa isolada prevista no § 4°, art. 18, da Lei 10.833, c/c o inciso I e § 1 0. do art. 44 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996 (e sucessivas alterações). Com base nos elementos analisados pela PGFN, cujo parecer foi no sentido de caracterizar um grupo econômico e a pratica de simulação por parte das empresas envolvidas, a multa foi qualificada nos termos da §. 1°. do art. 44 da Lei n°. 9.430/96. Foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais pela caracterização, em tese, da conduta de sonegação, tipificada no art. 71, II, da Lei n°. 4.502/64. A contribuinte apresenta a sua defesa as fls. 149/157, alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração em face da suspensão dos efeitos do despacho decisório n°. 1.962/2008 por decisão judicial transitada em julgado, visto que este foi utilizado como fundamento para a lavratura do auto de infração ora impugnado. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 336 5 Sustenta que, na condição de sucessora da empresa Verde Vale por incorporação, obteve o deferimento no seu pedido de habilitação para reaver indébito de PIS assegurado por decisão judicial, mas que, posteriormente, em ato incompatível, foi proferido o referido despacho decisório glosando as compensações, sob a alegação de que se tratam de débitos de terceiros. Inconformada, propôs a Ação Anulatória de Ato Administrativo n°. 2009.72.11.0001082 contra a União Federal, perante a Vara Federal de Caçador/SC, onde foi proferida a decisão antecipando os efeitos da tutela para declarar, em suma, a suspensão dos efeitos do despacho decisório e da exigibilidade do crédito tributário. Alega que, na mesma data, baseado no Despacho Decisório cujos efeitos foram suspensos, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo a multa de 150% do valor dos débitos objeto de compensação, tendo sido cientificada em 17/08/2009, após a intimação da decisão judicial que suspendeu os efeitos do referido despacho. Por este motivo, entende como inválida a pretensão punitiva no lançamento fiscal calcado em ato administrativo que não pode produzir efeitos. A contribuinte remete, ainda, ao artigo 151, V, do Código Tributário Nacional — CTN, para alegar que, enquanto não solucionada a controvérsia no âmbito judicial, não há como lançar a multa consubstanciada no auto de infração ora impugnado. No mérito, alega sobre a inocorrência da infração capitulada no artigo 18, § 4º. da Lei n°. 10.833/2003 e no artigo 74, § 12, II, da Lei n°. 9.430/1996, sustentando que não compensou créditos de terceiros, mas sim créditos próprios, sucedidos por incorporação da empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. Aduz ter atendido a todas as formalidades legais exigidas pela IN/SRF n°.600/2005, tendo o fisco habilitado o indébito para compensação em favor da impugnante; que agiu de boafé, tanto que levou a incorporação da Verde Vale e a pretensão de compensar o crédito incorporado ao conhecimento do Fisco, nada fazendo às escondidas; que os atos societários da impugnante relativos à incorporação são legítimos, firmes, diretos e efetivos, conforme demonstrado na inicial da ação anulatória, em que já se discute o mérito da causa. Argumenta, ainda, que, segundo a própria fiscalização, a fundamentação/motivação de seus atos seria a ocorrência de simulação, hipótese que não se enquadraria no §12 do artigo 74 da Lei n°. 9.430/96. Sob o titulo "Inconstitucionalidade da multa de 150% ofensa ao principio da vedação ao confisco", referindose ao art 140, IV, da Constituição Federal, alega que a multa imposta, por seu montante excessivo ou despropositado em razão da natureza do delito ou infração tributária, configura verdadeiro confisco. Por tal razão, aduz ser inconstitucional a sua exigência. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 Remete, ainda, ao lançamento dos créditos tributários, cujas compensações não foram homologadas, em divida ativa, para alegar que a exigência de nova multa fundamentada no mesmo ato administrativo pretende penalizar duplamente a impugnante, configurando o famigerado "bis in idem", o que contraria o principio da razoabilidade e proporcionalidade da tributação. Alega, ainda, que tal fato, por si só, vicia o auto de infração, impondo o seu cancelamento. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela interessada, por meio do Acórdão 0720.733, assim ementado (fls. 290): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 CONCOMITANCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A proposição de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após o pleito administrativo, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem as administrativas. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificada do Acórdão em 20/09/2010 (fls. 300), a contribuinte, em 20/10/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 301316, reiterando os argumentos e os apresentados em sua impugnação. De maneira resumida, a recorrente: a) arguiu a inocorrência de renúncia à instância administrativa; b) considerou indevida a desconsideração, pelo acórdão recorrido, dos efeitos da antecipação de tutela deferida nos autos da ação anulatória nº 2009.72.11.0001082; c) questionou a ocorrência da infração capitulada, argumentando que a simulação constitui hipótese não titpificada no art. 74,§ 12, II da Lei 9.430/96; d) arguiu ainconstitucionalidade da multa de 150%, por ofensa ao princípio da vedação ao confisco; e) questionou a exigência de duas multas sobre a mesma conduta imputada à recorrente (bis in idem). Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recuso voluntário, cancelandose o auto de infração. Alternativamente, requereu o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário e a suspensão do andamento do presente processo administrativo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos da ação anulatória nº 2009.72.11.0001082. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 337 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Preliminarmente, a contribuinte arguiu a inocorrência de renúncia à instãncia administrativa, o que teria motivado a indevida ausência de apreciação de parte dos argumentos deduzidos pela contribuinte em sua peça impugnatória. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, assim se pronunciou, com muita propriedade, o acórdão recorrido, fls. 291293 (grifado): Conforme se verifica nas razões da contribuinte, há coincidência na causa que gerou tanto o processo judicial (copia anexada as autos às fls. 235/279) quanto o processo administrativo em apreço, que se configura na insurgência do contribuinte contra o despacho decisório que deu origem tanto ao lançamento dos débitos indevidamente compensados, quanto à multa isolada constante do presente. A coincidência entre a causa de pedir, constante no fundamento jurídico da ação judicial, e o fundamento da exigência consubstanciada em lançamento, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos mesmos fundamentos, de modo a prevalecer a solução judicial do litígio. Há determinação expressamente prevista nesse sentido, conforme a alínea "a" do Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 03, de 14 de fevereiro de 1996, ipsis verbis: [...] Dessa forma, sempre que um contribuinte ingressa em Juizo para discutir algum direito que entende possuir perante a Fazenda Nacional, esvaziase o contencioso administrativo em relação ao assunto, pois a decisão judicial é sempre soberana, ficando caracterizado um quadro de renúncia/desistência da via administrativa, dai cabendo As unidades fiscais locais/jurisdicionantes dos contribuintes o acompanhamento das ações por estes aforadas para o cumprimento das decisões judiciais aplicáveis e a adoção das medidas cabíveis. Pelo que consta dos autos, verificase que o auto de infração que ora se analisa foi emitido em razão das compensações terem sido consideradas nãodeclaradas. Conforme consta no Relatório de Atividade Fiscal, o referido despacho decisório, amparado pelo parecer da PGFN, expressou que a empresa Tróia Consultoria Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 Empresarial compensou indevidamente créditos de terceiros. Neste entendimento, em especial com o contido no § 12, II, alínea "a" do art. 74 da Lei n°. 9.430/96, é que foi emitido o Despacho Decisório 1962 que indeferiu as compensações. Tendo sido consideradas como não declaradas as compensações, restou caracterizada a multa prevista no § 4°., art. 18 da Lei no. 10.833/2003. A suspensão judicial dos efeitos do despacho decisório n° 1962/2008 atingem a cobrança dos tributos e as multas decorrentes daquele ato, mas não o direito de a Receita Federal do Brasil lançar créditos que entende serem devidos e que se encontram legalmente previstos. Lembrese, por oportuno, o permissivo legal constante da Lei 9.430/96, art. 63, prevendo que se constitua o crédito tributário relativo a tributo de competência da União cuja exigibilidade houver sido suspensa, com o intuito de prevenir a decadência, o que pode se estender aqui, por analogia, ao caso em concreto. Assim, da mesma forma que a cobrança dos tributos já lançados nas Certidões da Divida Ativa (CDA) fica suspensa até que seja dirimida a controvérsia através da sentença judicial definitiva, a cobrança da multa isolada gerada por compensações consideradas "não declaradas" fica sujeita ao deslinde da questão posta judicialmente. Ou seja, tratandose de uma discussão de matéria correlata àquele processo judicial, a decisão judicial que definirá a legalidade do referido despacho irá surtir efeitos também em relação à multa de que trata o presente processo. Não há que falar, portanto, em anulação do auto de infração, conforme requer a contribuinte, mas sim em suspensão da cobrança da multa isolada, até que seja prolatada a decisão judicial relativa ao Despacho Decisório n°. 1962/2008. A contribuinte, no mérito, alega não ter incorrido na infração tipificada no artigo capitulado pela fiscalização, sustentando os mesmos motivos alegados processo judicial, em breve síntese: que o indébito de PIS foi vertido para a impugnante em face da incorporação do patrimônio da Verde Vale; que atendeu a todas as formalidades exigidas para a habilitação dos créditos; que os atos societários relativos a incorporação do patrimônio da Verde Vale são legítimos, firmes, diretos e efetivos, conforme demonstrado na Ação Anulatória (judicial), em que já se discute o mérito da causa, na qual alega demonstrar a inexistência de simulação nos Inegócios jurídicos realizados, bem como desmente a alegação de formação de grupo econômico. Isso posto, apenas se conhecerá das questões relativas as matérias diferenciadas abordadas pela contribuinte no presente processo, conforme se colocará a seguir. Antes disso, porém, há que rebater o argumento de que a fimdamentação/motivação do auto de infração em tela seria a ocorrência de simulação, hipótese que não se enquadraria no §12 do art. 74 da Lei n°. 9430/96. Consta dos autos todo o histórico que deu origem ao ato administrativo ora impugnado, conforme já relatado acima. As Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 338 9 compensações foram realizadas ao arrepio dos dispositivos legais disciplinados pelo art. 74 da Lei n°. 9.430/96 (com a redação dada pelo art. 49 da Lei n°. 10.637/02), tendo a contribuinte se valido indevidamente dos créditos de terceiros. Obviamente que para que se chegasse a esta conclusão, foi preciso uma análise apurada das circunstâncias em que os fatos ocorreram, conforme a abordagem feita no parecer da PGFN o qual, por sua vez, gerou o despacho decisório que foi objeto de interposição de decisão judicial. Desta forma, a ocorrência da simulação está sendo discutida naquele processo, não cabendo aqui discussão quanto a legalidade dos atos societários da empresa. Cumpre frisar que este tema já se encontra sumulado no âmbito desta Corte Administrativa: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nestes termos, considero improcedentes as alegações da recorrente, relativas à arguição de inocorrência de renúncia à instância administrativa e à suposta desconsideração, pelo acórdão recorrido, dos efeitos da antecipação de tutela deferida nos autos da ação judicial. Pelas mesmas razões, considero que o colegiado julgador a quo agiu corretamente, ao se abster de analisar as alegações da recorrente relativas à ocorrência da infração capitulada. Não pode prosperar a alegação da recorrente no sentido de que a simulação constitui hipótese não tipificada no art. 74, §12, II da Lei nº 9.430/96. Afinal, de acordo com a fundamentação legal da presente exigência, o Fisco claramente afirmou que se trata de hipótese de compensação com créditos de terceiros (§ 12, II, “a” do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Diante do exposto, concluo que somente não ocorreu a renúnicca à esfera administrativa no que tange à arguição de inconstitucionalidade da multa de 150%, por ofensa ao princípio da vedação ao confisco e ao questionamento acerca da suposta exigência de duas multas sobre a mesma conduta imputada à recorrente (bis in idem). Inconstitucionalidade da multa de 150% Em relação a este tema, a recorrente referiuse ao art 140, IV, da Constituição Federal, alegando que a multa imposta seria inconstitucional, por seu montante excessivo ou desproporcional em relação à natureza da infração tributária. Não assiste razão à recorrente. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 10 A multa aplicada à contribuinte possui clara e explícita previsão legal, consubstanciada no § 4º. do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003. A referida multa foi corretamente à hipótese fática identificada pela autoridade fiscal. Consequentemente, a alegação da recorrente subsumese em mera arguição de inconstitucionalidade daquele dispositivo legal. Tal arguição, contudo, não pode ser apresentada perante este colegiado julgador administrativo, a que compete exclusivamente o controle de legalidade dos atos administrativos (ou exame, exame da adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes). Sobre o tema, é suficientemente clara a determinação contante do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009, verbis: Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fimdamento de inconstitucionalidade. Vale dizer que este tema também se encontra sumulado no âmbito desta Corte Administrativa: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Bis in Idem Em relação a este tema, a recorrente arguiu que a exigência da presente multa, fundamentada no mesmo ato administrativo que deu origem ao lançamento dos créditos tributários, acaba por penalizar duplamente a contribuinte, caracterizando a ocorrência de bis in idem, afrontando os princípios tributários da razoabilidade e da proporcionalidade. Não assiste razão à recorrente. Os valores a que a recorrente se refere são os débitos tributários que que ela pretendia compensar com créditos de terceiros. As aludidas compensações foram consideradas não declaradas, tendo sido a ausência de previsão legal para compensação utilizando créditos de terceiros. Conforme relatado, os aludidos débitos não têm origem no despacho decisório objeto dopresente processo. Os aludidos débitos eram preexistente e efetivamente devem ser exigidos da contribuinte, uma vez que até o momento não foram extintos, seja por pagamento, seja por compensação validamente declarada. Eventuais multas incidentes sobre estes valores decorrem exclusivamente da ausência de pagamento dentro do prazo previsto pela legislação tributária. Por seu turno, o crédito exigido no presente processo referese apenas à multa isolada. A referida multa tornouse exigível em razão da nãohomologação da compensação, decorrente da comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, que ficou sujeito à aplicação da multa no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°. 9.430/96, duplicado na forma de seu § 1º. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 339 11 Constatase, pois, que as multas a que alude a recorrente tem origens distintas, razão pela qual não se configura o alegado bis in idem. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer parcialmente do recurso quanto à ocorrência de simulação, pela concomitância com a esfera judicial. Na pare conhecida, voto por NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 12 Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias. Esclareço incialmente que fui designada para redigir o voto vencedor tão somente no tocante à redução da multa qualificada de 150% para 75%. Sobre o tema, entendeu o Conselheiro relator por manter a multa qualificada em 150%, afastando a alegação de inconstitucionalidade do referido percentual. De fato este Tribunal Administrativo não é competente para apreciar a constitucionalidade da lei. Entretanto, ao realizar o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, deve avaliar os fundamentos que serviram para a qualificação da multa no percentual de 150%, tendo em vista que o contribuinte insurgiuse sobre a qualificação da penalidade, ainda que por meio de fundamentos diversos. Verifico do Termo de Verificação Fiscal, que o auto de infração se refere à “lançamento de multa isolada em decorrência de compensações indevidas efetuadas [pela contribuinte], a qual se utilizou indevidamente de crédito de terceiros para compensar débitos próprios referentes ao IRPJ, COFINS e CSLL”. Os períodos de apuração abarcam os anos calendário de 2007 e de 2008. Os débitos se originam em pedidos de compensação indeferidos no processo administrativo nº 10925.002636/200883, no qual a recorrente pretende a utilização de crédito relativo à Contribuição Social Pis/Pasep obtido por ordem judicial pela pessoa jurídica Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. Segundo relatado, o indeferimento da compensação está fundamentado na alegação de que “os créditos judiciais pertenciam e continuam pertencendo a Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda., os quais já haviam sido habilitados em seu próprio nome — fls.123.” O grupo era formado pelas empresas HUAINE PARTICIPAOES LTDA, COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE LTDA e TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA. A empresa Tróia, ora recorrente, promoveu as compensações indicando como origem do crédito o processo judicial 9870001823, crédito de sucedida transitado em julgado. Conforme relata a PGFN, o crédito reconhecido judicialmente era da empresa COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE LTDA, que tinha como sócia controladora, a empresa HUAINE PARTICIPAÇÕES LTDA. Em 07/12/2005, a empresa HUAINE PARTICIPAÇÕES LTDA foi declarada inapta (Ato Declaratório Executivo nº 34, DRF Joaçaba/SC). Conforme a 8ª, 9ª e 10ª alterações contratuais, a HUAINE PARTICIPAÇÕES LTDA. cedeu e transferiu a integralidade das suas cotas, equivalente a 99,84% do capital da COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE LTDA. Tais atos foram considerados nulos pela autoridade fiscal, tendo em vista terem ocorrido Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 340 13 Em 01/01/2007, por meio da 12ª alteração contratual da COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE, fls. 52/54, tratou da incorporação desta pela empresa TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. Tal alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado em 19/03/2007. Argumenta a autoridade fiscal que como o registro foi feito somente após ter transcorrido um período superior a 30 dias da assinatura da alteração contratual, esta alteração pela legislação em vigor, só tem validade após o seu registro, ou seja, após 19/03/2007. O novo pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, em nome de TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL, fls. 31, sob o fundamento de incorporação da empresa COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE, tornandose sucessora do crédito, foi feito em 15/03/2007. Segundo a PGFN, como a data da alteração contratual (19/03/2007) foi posterior a data do pedido de habilitação (15/03/2007), na época do pedido de habilitação não havia incorporação, e com isso não existia crédito a compensar. Tendo sido a compensação efetuada com crédito de terceiros, considerou a Receita Federal não declaradas as compensações, nos termos do disposto no § 12 do art.74 da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei no 11.051/2004. O fundamento para a qualificação da multa foi feita nos seguintes termos, conforme fls. 218/219: Tendo sido consideradas como NÃO DECLARADAS as compensações supra, conforme Despacho Decisório DRF/JOA n° 1962 de 20 de novembro de 2008, nos termos do disposto no artigo 74 § 12 inciso II alínea a da lei 9;430/1996, então resta caracterizada a aplicação da multa prevista no § 4°, art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, c/c inciso I e § 1°do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (e sucessivas alterações). (...) Devido às empresas possuírem identidades de objetos e sócios, declara a Sra. Procuradora a caracterização do GRUPO ECONÔMICO e configura a prática de “simulação" por parte do grupo com o objetivo de afastar a sua responsabilidade tributária, fls. 15. Assim sendo, entende esta fiscalização, com base nos elementos analisados pela PGFN, que a multa aplicada deverá ser qualificada nos termos do § 1º do artigo 44 da lei 9.430/96. Então, com os fatos apresentados, concluímos pela caracterização, em tese, da conduta de sonegação, tipificada no artigo 71, II da lei 4.502/64, acima transcrito. Quando à empresa TROIA, ao efetuar compensações através dos documentos eletrônicos PER/DCOMPs, com a finalidade de reduzir o crédito tributário, sendo estes créditos pertencentes a outra pessoa jurídica, no caso a empresa HUAINE, incidiu na conduta, em tese, de sonegação, por que : Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 14 o seu ato de transmissão eletrônica se revestiu de aparência legal (ocorreu normalmente a transmissão eletrônica do PER/DCOMP em questão), entretanto o crédito que consta nessas PER/DCOMPs pertence 'a outra pessoa jurídica, impossibilitando assim, o aproveitamento deste por parte da empresa Tróia.; o ato de transmissão é de sua conveniência (caso a autoridade fazendária não tratasse manualmente os PER/DCOMPs transmitidos, o contribuinte não recolheria o tributo devido, compensandoo sem previsão legal). houve infração aos dispositivos legais que tratam da matéria (art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pela Lei 10.637/2002). Ora, apesar da compensação ser um direito discricionário, o contribuinte deve exercêlo de acordo com a legislação que disciplina a matéria. Segundo o art. 170 do CTN a compensação será efetuada "nas condições e sob as garantias" que a lei estipular; Não foram consideradas as orientações da RFB sobre o preenchimento dos PER/DCOMPs; O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcularse o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classificaas como repressivas ou repressivocompensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigálo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 341 15 decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de ofício, verificamos a imposição de multa de ofício, espécie de sanção pecuniária. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivocompensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 16 Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse sentido, a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Voltando ao presente caso, extraise do Termo de Verificação Fiscal que o lançamento tem origem em compensações consideradas não declaradas. Especificamente no tocante à multa qualificada, a autoridade fiscal fundamentou sua aplicação na ocorrência de simulação, mencionando, ainda, os seguintes atos que a configuraram: (i) o crédito que consta nas PER/DCOMPs pertence a outra pessoa jurídica; (ii) o ato de transmissão é de sua conveniência (caso a autoridade fazendária não tratasse manualmente os PER/DCOMPs transmitidos, o contribuinte não recolheria o tributo devido, compensandoo sem previsão legal); (iii) houve infração aos dispositivos legais que tratam da matéria (a compensação será efetuada "nas condições e sob as garantias" que a lei estipular); (iv) Não foram consideradas as orientações da RFB sobre o preenchimento dos PER/DCOMPs. Conforme esclarecemos, a qualificação da penalidade não se confunde com o próprio motivo do lançamento, e pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. Não me parece ser o caso dos autos. A utilização de crédito de terceiro, bem como o descumprimento das orientações da Receita Federal no preechimento dos PER/DCOMP`s são fundamentos para o indeferimento da compensação e para a aplicação da multa de ofício, porém, não são suficientes para a configuração da simulação, tal como pretendeu a fiscalização. E mais, a simulação não se confunde com a fraude, esta sim pressuposto para a qualificação da penalidade in casu. Acrescento, ainda, que a data em que se considera, por questão formal, efetuada a incorporação, pautase na contagem dos 30 dias da assinatura do documento, sem que tenha ocorrido atos até o registro. Tal fato enseja a negativa da compensação pela qualificação, a partir disso, de que se trata de créditos de terceiros e não próprios. Por outro lado, este fato, por si só, não torna possível a qualificação da penalidade, mormente porque o débito foi declarado, ainda que via PER/DCOMP. 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 342 17 Pelo exposto, fui designada para redigir o voto vencedor quanto à qualificação da penalidade, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de reduzir a multa para 75%. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Redatora Designada Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 19515.003708/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A
do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATÓRIOS.
MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de
caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.658
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e conceder-lhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas relativas ao auxílio-transporte.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C3T2 Fl. 142 1 141 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003708/200814 Recurso nº 001.658 Voluntário Acórdão nº 230201.658 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente SAGA ASSISTÊNCIA MÉDICA S/C LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATORIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e concederlhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas relativas ao auxíliotransporte. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura do AIOP: 29/07/2008. Data da Ciência do AIOP: 30/07/2008. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, assim como sobre o valor do Vale Transporte pago em desacordo com a legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/36. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 101/106. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 116/129, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 143 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/03/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 133. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 135/139, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a exigência contida na ação de execução fiscal combatida representa excesso de execução em relação à correção monetária pretendida, que apresenta valor superior ao permitido em lei. Aduz que a Medida Provisória nº 294/91, convertida em Lei nº 8.177/91, trouxe normas para a desindexação da economia, extinguindo as diversas moedas de conta, dentre as quais estavam o BTN e o BTNfiscal. Consequentemente, a referida Lei não mais permitiu a correção monetária de tributos; • Que a exigência de juros de mora, multa moratória e correção monetária, configuram pretensões excessivas e constituem bis in idem. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/03/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DO EXCESSO DE EXECUÇÃO Alega o Recorrente que a exigência contida na ação de execução fiscal combatida representa excesso de execução em relação à correção monetária pretendida, que apresenta valor superior ao permitido em lei. Aduz que a Medida Provisória nº 294/91, convertida em Lei nº 8.177/91, trouxe normas para a desindexação da economia, extinguindo as diversas moedas de conta, dentre as quais estavam o BTN e o BTNfiscal. Consequentemente, a referida Lei não mais permitiu a correção monetária de tributos. Se nos antolha que tal alegação tenha sido aqui postada por engano. Mostrase auspicioso esclarecer que o presente Processo Administrativo Fiscal tem por objeto lançamento de crédito tributário formalizado em desfavor do Recorrente, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, assim como sobre os valores equivalentes dos Vales Transporte concedidos em desacordo com a legislação, conforme assim descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/36, inexistindo qualquer relação, a mínima que seja, com ação de execução fiscal. Compõem a obrigação tributária principal objeto da presente demanda administrativa, o valor do tributo devido, acrescido de juros e multa moratórios, devidos em razão e conformidade com os artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91, conforme destacado no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 17/18, não estando compreendida no presente lançamento qualquer parcela atinente a correção monetária, BTN ou BTNfiscal. Por tais razões, não há como apreciar as alegações deduzidas pelo Recorrente, eis que, conforme demonstrado, tal rogativa não se aplica, de modo algum, à demanda ora em julgamento. 2.2. DO ALEGADO BIS IN IDEM Pondera o Recorrente que a exigência de juros de mora, multa moratória e correção monetária configuramse pretensões excessivas e constituem bis in idem. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, voltamos a alertar que o vertente lançamento não comporta qualquer parcela referente a correção monetária, mas, tão somente, ao principal, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 144 5 acrescido de juros e multa moratórios, conforme assim destacado na folha de rosto do Auto de Infração a fl. 03. Mostra auspicioso trazer à balha que a CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Nos limites do comando constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito de sua competência, o art. 113 do CTN estabeleceu um discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, nos termos que se vos seguem: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A inobservância do cumprimento da obrigação principal até a data do seu vencimento sujeita o sujeito passivo ao pagamento de multa de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, in casu, a penalidade moratória, e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, a teor do art. 161 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) Realçadas as normas legais supracitadas, cumpre chamar atenção, na sequência lógica da demonstração de raciocínio, ao fato de que as naturezas jurídicas das parcelas pecuniárias em destaque são absolutamente distintas e inconfundíveis. Muito embora se consubstanciem a obrigação tributária principal, a multa de mora e os juros moratórios numa obrigação de dar, elas não se confundem. A primeira consiste na própria obrigação principal representada pelo tributo devido pelo sujeito passivo, em razão da ocorrência real do fato gerador estatuído na lei. A multa moratória, por seu turno, se Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 configura como uma penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal, enquanto que os juros representam o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda paga ao seu legítimo proprietário pela posse temporária do numerário. Salientese que os preceitos normativos supra anunciados não se conflitam com as diretrizes vertidas na Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabelece as sanções aplicáveis ao descumprimento de obrigação principal, assim como o custo pela retenção indevida do tributo, senão vejamos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Deflui das regras matrizes acima desfraldadas que a incidência de juros de mora e de multa moratória sobre o montante de tributo devido decorre de previsão expressa assentada em lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Tal conclusão decorre de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, não requerendo áurea mestria do exegeta. O alegado bis in idem, portanto, jamais poderá existir nas espécies ora em debate eis que as naturezas jurídicas dos acessórios da obrigação tributária principal postos em xeque são absolutamente diversas e distintas. Por outro viés, mas ária de outra ópera, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional exigiu, em relação aos impostos, a observância aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 145 7 para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. De outro eito, a Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Em conformidade com os comandos constitucionais ora em visita, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de natureza moratória decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 35 estatuiu, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a juros moratórios de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 146 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não somente à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante da previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 147 11 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Mostrase auspicioso destacar que escapa da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar alegações de inconstitucionalidade e afastar a multa e os juros moratórios aplicados na exata bitola dos trilhos mandamentais da lei, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, se nos afigura correta a incidência tanto da multa no percentual indicado quanto de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado nos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 2.3. DO VALE TRANSPORTE Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa às contribuições sociais incidentes sobre o vale transporte pago em pecúnia pelo empregador a seus segurados empregados. Nos exatos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Em justa conformidade com o art. 5º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o valetransporte não pode ser pago em dinheiro aos empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo de tal proibição foi, no exercício do válido poder regulamentar do Executivo, impedir que o valetransporte fosse utilizado para fins diversos do transporte do trabalhador da residência para a empresa e viceversa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o valetransporte pago nos termos da Lei nº 7.418/1985 está isento da contribuição previdenciária, como se observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 148 13 No caso em tela, como o próprio assento no Relatório Fiscal a fl. 32 revela, o empregador não efetuou o desconto de 6% do salário básico do empregado, e este beneficio não estava previsto no Acordo ou Convenção Coletiva. Tal parcela configurarseia, portanto, autêntico salário, sendo, nessa condição, base de cálculo da contribuição social da empresa sobre a folha de salários, como bem determinou a fiscalização. Nessa perspectiva, ante a ausência de previsão na legislação do vale transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título de vale transporte não estaria albergado pela norma isentiva, sendo irrelevante que tal acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei. Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de que o pagamento habitual e em dinheiro do valetransporte não estaria abraçado pela regra da não incidência de contribuições previdenciárias, compondo assim o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins, uma vez que se configuraria inobservância da legislação de regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que evitaria o desvio de sua finalidade. Ocorre que, recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte, inaugurando precedente que restou assim ementado: “RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento." Diante de tal cenário, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o benefício do vale transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fezse necessária a revisão da jurisprudência da Corte Superior de Justiça, que passou a se manifestar na forma assentada nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido." (REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010). "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fático probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 149 15 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido." (REsp 1.194.788/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 14/09/2010) Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar a pag. 32 do Diário Oficial da União de 09/12/2011 a súmula nº 60, de 08/12/2011, que desonerou a rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia, ostentando o seguinte enunciado: Súmula AGU nº 60 Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. Nesse contexto, não deve persistir, portanto, o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregado, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregados, sendo mantidas as demais. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 16DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720127/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR.
RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA.
Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2004.
Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN.
VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.
No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacioná-lo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização
imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2004. Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN. VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacioná-lo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Recurso Voluntário Negado
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PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR sub rogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2004. Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN. VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacionálo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Recurso Voluntário Negado Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 114 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Rita”, NIRF no 2.251.8010, com área de 1.664,4 ha, localizado no município de Nova Santa Rita – RS, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$19.880,20, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 33 a 37), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 96), alegou o seguinte: 7.1 Estava em dia com suas obrigações fiscais e tributárias no momento da formalização da compra e venda do imóvel, tanto que ficou consignado na Escritura Pública que foram apresentadas todas as certidões negativas, inclusive a de quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Receita Federal. 7.2 Havia informado que, por subrogação legal e convencional, cabia aos novos proprietários, INCRA e Estado do Rio Grande do Sul, a responsabilidade fiscal e tributária sobre o referido bem. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 115 3 7.3 Surpresamente se deparou com a apuração e lançamento em foco, discordando da utilização dos valores do SIPT por estarem mais próximos daquele pelo qual o imóvel foi, efetivamente, vendido. 7.4 Tratou da avaliação efetuada para alienar o imóvel em leilão público, através do processo de licitação da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, cujo valor constante do laudo da AHM Consultoria de Avaliações Ltda., foi de R$ 4.200.000,00. 7.5 Listou os valores dos lances e explanou a respeito da ordem judicial que autorizou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA apresentar proposta do VTN de R$ 8.770.533,71, homologado pelo Conselho Diretor da SUSEP. 7.6 Na seqüência disse que a alienação ocorreu atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor foi aquele maior entre os lançadores, superior ao da avaliação do especialista e maior do que o escriturado na contabilidade da vendedora e que, no entanto, não procede o lançamento fiscal apurado entre o valor efetivo da venda e o efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodos base, 2003, 2004 e 2005. 7.7 De todo o exposto requereu seja recebida a defesa, com seus respectivos anexos, para considerar cumpridas todas as obrigações fiscais, principais e acessórias, enquanto o bem imóvel esteve sob a propriedade da impugnante, e se determine a extinção, baixa e arquivamento do procedimento para todos os fins e efeitos de direito. 8. Das fls. 38 a 77 consta a documentação anexada, composta por cópia de folhas do processo licitação mencionada, onde constam: as propostas de pagamentos; informação do INCRA de apresentação dos valores com base em laudo técnico; da avaliação efetuada pela AHM Consultoria de Avaliações Ltda., embasada em uma avaliação ocorrida em 28/09/1999 e atualizada por meio de opiniões e variações do valor do Dólar Americano, entre outros, para concluir pelo valor de R$ 5.992.092,00 e, considerando a necessidade de liquidez imediata, com uma redução de 30,0% restaria o valor de R$ 4.200.000,00; cópia da liminar concedida ao INCRA, na qual se verifica a não realização de laudo conforme ABNT; entre ouros e, das fls. 78 a 90 consta providência quanto à regularização do processo, bem como quanto à baixa de inscrição na dívida ativa, efetuada equivocadamente. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 93 a 98): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Alienação de bens imóveis Subrogação de créditos Por determinação legal, os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 116 4 de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, porém, não ocorre subrogação se do título de aquisição constar a prova de quitação dos tributos. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 6/11/2009 (fl. 101), o contribuinte apresentou, em 24/11/2009, o recurso de fls. 105 a 111, afirma: a) que é uma empresa controlada e/ou coligada do MONTEPIO MFM EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, ambas em processo especial de Liquidação Extrajudicial decretada nos termos e de acordo com o que dispõe a Lei Complementar no 109/2001, submetidas ao juízo da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, e que essa condição não foi mencionada pelo acórdão recorrido; b) que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública; c) que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por sub rogação legal; d) que todos os documentos do imóvel foram entregues aos compradores; e) que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais; f) que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, e que, ao vendêlo em leilão público, realizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, e que se chegou ao valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento; g) que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$ 8.770.533,71; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 117 5 h) que está comprovado que o valor do imóvel foi alienado atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor da venda foi aquele maior entre os lançadores, superior ao valor da avaliação do especialista e maior do que aquele escriturado na contabilidade da vendedora, sendo improcedente, portanto, o ato de lançamento fiscal do imposto complementar da diferença apurada entre o valor efetivo da venda e o valor efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodosbase. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 112, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Responsabilidade pelo tributo O recorrente afirma que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública. Assim, defende que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por subrogação legal, e que, para os anos anteriores, comprovou estar em dia com os tributos na época da venda, não podendo ser cobrado por débitos passados. A solução do impasse é encontrada no art. 130 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 118 6 Examinando os termos da escritura de venda e compra de fls. 12 a 18, lavrada em 21/10/2005, verificase que foi apresentada certidão negativa de débitos do imóvel rural, expedida pela Secretaria da Receita Federal em 27/09/2005. Assim, ocorre a cláusula excepcional do art. 130 do CTN, ficando o adquirente responsável pelos tributos apenas após a venda. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, o alienante permanece responsável pelo ITR até o exercício de 2005. Acrescentese que essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Desta forma, o contribuinte é o responsável pelos créditos tributários relativos ao imóvel do exercício de 2004. Valor da Terra Nua – VTN O contribuinte informou, em sua Declaração do ITR do exercício de 2004, o VTN de R$1.511.752,29 (fls. 21). Entretanto, o VTN constante no Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (SIPT), para imóveis daquele município, era de R$10.511.177,98. Intimado a comprovar o efetivo valor da terra nua mediante laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT (fls. 7 a 8), o sujeito passivo alegou não possuir mais os documentos relativos ao imóvel, que haviam sido entregues ao novo proprietário (fls. 9 a 10). Diante da falta de comprovação mediante laudo, e por considerar que o valor da alienação de R$10.011.847,95, em 2005, era compatível com aqueles constantes no SIPT daquele ano (R$11.105.859,83), a Fiscalização adotou o valor da venda como base para o arbitramento do VTN. Para isso, com o fim de se obter o VTN de 2004, partiu do valor de venda da terra nua em 2005 (R$9.233.642,95), obtido da subtração do valor de venda menos as benfeitorias declaradas, e deflacionou o resultado de acordo com a valorização imobiliária apontada no SIPT. Assim, para o exercício de 2004, chegou o valor de R$8.697.541,80. O recorrente afirma que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais, que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, que, ao vendêlo em leilão público, utilizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, que indicou o valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento, e que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$8.770.533,71. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 119 7 Pela simples comparação entre o valor adotado no lançamento, referente a 01/01/2004 (R$8.697.541,80), e aquele efetivamente obtido na venda em 21/10/2005 indicado pelo contribuinte (R$8.770.533,71), vêse que não procede o argumento de que o valor arbitrado era irreal. Na verdade, utilizandose os valores constantes na escritura, há que reconhecer que o valor da terra nua foi na verdade de R$9.595.475,65, já que o valor pago foi de R$10.011.847,95 e as benfeitoria indenizadas importaram em R$416.372,30. O laudo de fls. 52 a 54, que atribuiu o valor de R$ 4.200.000,00 para o imóvel, e que serviu de base para o preço da licitação, não foi admitido pelo julgador de 1a instância por ter como “base uma avaliação efetuada em 1999, corrigida com base em opiniões e valoração de moeda estrangeira”, não se tratando “de uma avaliação específica de VTN, com base em pesquisa de valores de mercados, acompanhado dos comprovantes dessa pesquisa, em quantidade mínima de cinco, relativamente à negociação e/ou oferta oficial de imóveis à venda na região da propriedade em avaliação no ano base do lançamento, atendendo, assim, a requisitos mínimos constante das normas técnicas da ABNT.” Correta a conclusão do acórdão recorrido, até mesmo porque o preço efetivo de venda foi mais que o dobro daquele indicado nessa avaliação. Não se pode perder de vista que o art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Assim, diante da evidente subavaliação, nada mais razoável do que se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacionálo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10283.006925/2007-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado. Como a cientificação do lançamento se deu em 07/06/2005 e os débitos lançados se referem a contribuições devidas entre as competências de 01/1995 a 12/2004, encontram-se decaídos os créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado. Como a cientificação do lançamento se deu em 07/06/2005 e os débitos lançados se referem a contribuições devidas entre as competências de 01/1995 a 12/2004, encontram-se decaídos os créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado. Como a cientificação do lançamento se deu em 07/06/2005 e os débitos lançados se referem a contribuições devidas entre as competências de 01/1995 a 12/2004, encontramse decaídos os créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 69 25 /2 00 7- 73 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 373 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 240300.031, da 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 324 a 335), julgado na sessão plenária de 29 de abril de 2010, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência levantada de oficio pelo relator, até a competência 05/2000, e, no mérito, negou provimento ao recurso. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO UTILIDADE ALUGUEL RESIDENCIAL CONFIGURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos pelo empregador por imóveis locados em grande centro urbano em beneficio de empregados ocupantes de cargos de gerência ou de administração, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, 1, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 374 3 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:”São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Em 17/02/2005 foi dada ciência à Recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), enquanto que a cientificação da NFLD pela Recorrente ocorreu em 07/06/2005 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social entre as competências 01/1995 a 12/2004. Na hipótese, como houve pagamento antecipado pelo contribuinte por tratarse de lançamento por homologação, temse que o dispositivo legal a ser aplicado está insculpido no art. 150, § 4o, CTN, o que fulmina a constituição dos créditos ora lançados da competência 01/1995 até a competência 05/2000, inclusive. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (grifei) Cientificado dessa decisão em 4/8/2010 (fl. 336), a Fazenda Nacional apresentou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 339 a 355), onde defendia não ter ocorrido a decadência do direito de lançar, em virtude da aplicação da regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN ao caso, devido à inexistência de pagamento antecipado. Afirma a recorrente que, para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, é necessário verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Isso porque os relatórios e discriminativos apresentados pela fiscalização demonstrariam que a antecipação do recolhimento dos tributos, especificamente nas rubricas lançadas, não ocorreu nas competências descritas no presente lançamento, motivo pelo qual se tornaria necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN e não o do art. 150, § 4°, do mesmo código. Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentou o seguinte paradigma: Acórdão 20501.579 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 375 4 DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado – Súmula Vinculante de no 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN . Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 356 a 357, que considerou comprovada a divergência de interpretação da lei tributária. Cientificado do acórdão recorrido e do recurso especial da Fazenda Nacional em 30/12/2010 (fl. 361), o contribuinte apresentou, em 7/2/2011, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda (fls. 362 a 370), onde pugna pela manutenção da decisão recorrida e pelo direito de expor oralmente seus argumentos perante o Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versaram sobre o assunto. Porém, pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 376 5 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 377 6 Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois existiu antecipação de pagamento, conforme expressamente referido no acórdão recorrido e não refutado no recurso, no qual se alega apenas a inocorrência de recolhimento referente à rubrica. Entendo que não há que se falar em antecipação de pagamento por rubrica, mas tão somente antecipação do tributo (ou seja, do crédito tributário relativo ao fato gerador lançado). Assim, diante de recolhimento antecipado, é obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador, conforme consta do acórdão recorrido (fl. 331), cujas razões de decidir utilizo: Verificase, da análise dos autos, que em 17/02/2005 foi dada ciência à Recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 68 a 69, enquanto que a cientificação da NFLD pela recorrente, às fls. 01, se deu em 07/06/2005 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social entre as competências 01/1995 a 12/2004. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive. Então, em resumo, em relação aos códigos de Levantamento presentes na NFLD em questão: (a) Constatase a decadência total no Levantamento ALU – jan/95 a dez/9, ou seja, a decadência total do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências entre as competências 01/1995 a 12/1998; (b) Constatase a decadência parcial no Levantamento ALG – jan/99 a dez/04, ou seja, a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/1999 a 05/2000, inclusive. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 378 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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