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Numero do processo: 11444.000808/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.633
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Compareceu à sessão de julgamento o advogado Bráulio da Silva Filho, OAB/SP nº 74449.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Bráulio da Silva Filho, OAB/SP nº 74449. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Por meio do Auto de Infração às folhas 04 a 68, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 821.451,00 (oitocentos e vinte e um mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais), a título de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescida de multa de ofício de 75% e dos encargos legais devidos à época do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 44 .0 00 80 8/ 20 07 -7 9 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11444.000808/200779 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.019 2 pagamento, referentes aos períodosbase que vão de janeiro de 2002 a agosto de 2003. De acordo à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(ís)”, às folhas 05 a 47, verificase que a autuação se deu em razão da falta de comprovação, por parte da contribuinte, de que os produtos vendidos para empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados (por conta e ordem, daquelas empresas comerciais exportadoras), nos termos do exigido pelo artigo 39 da Lei n° 9.532/1997. Assim, por não cumprida a obrigação legal e, conseqüentemente, por não cumprida a condição para o gozo da suspensão, foi formalizado o lançamento de oflcio com o fim de exigir o imposto devido. Irresignada com o feito fiscal, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 791 a impugnação de folhas 774 a 790 alegando, em síntese, o seguinte: 1. Requer, preliminarmente, nulidade da autuação pelos seguintes motivos: 1.1. Nos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN e acórdãos do Conselho de Contribuintes, teria ocorrido a decadência do direito de constituir o crédito tributário do IPI para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao mês de novembro de 2002, por este ser um tributo sujeito à homologação; 1.2. Ausência da materialidade da acusação fiscal, pois “tal como restou comprovado no próprio trabalho fiscal, as mercadorias foram efetivamente exportadas ”; 1.3. Conforme o RIPI/O2 e os Pareceres Normativos CST n° 47/75 e 73/77, eventual responsabilidade do pagamento do imposto não poderia ser atribuída à autuada, mas sim à empresa comercial exportadora para qual efetuou as vendas; 2. No mérito, considera descabida a exigibilidade do IPI, pois “torna se patente que a condição suspensiva do IPI, no caso das operações realizadas pela ora impugnante, efetivamente se cumpriu, posto que, repisese, está comprovado nos autos que as mercadorias foram vendidas para empresas comerciais exportadoras, e essas, por seu turno, exportaram os produtos de fabricação da Autuada ”. Também alega que a documentação apresentada evidencia que foi cumprida a condição preconizada no §2° do artigo 40 do RIPI/98 e §1° do artigo 42 do RIPI/02, ou seja, a condição o fim especifico de exportação”, uma vez que a norma não diz “para embarque imediato de exportação”, mas apenas e tão somente “para embarque de exportação "; 3. Por fim, com fundamento no Decreto n° 70.235/72, a autuada requer que seja efetuada perícia contábil para o fim de certificação da exportação das mercadorias vendidas por ela às comerciais exportadoras. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11444.000808/200779 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.020 3 Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2003 OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELO IPI DEVIDO RELATIVO À NÃO EfETIVAÇÃO DA EXPORTAÇÃO. Responde pela contribuição devida e não recolhida em face da isenção que favorece as operações de exportação, a empresa industrial que vende produtos destinados à exportação mas não trata de enviálos, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente, diretamente a embarque de exportação ou a recinto alfandegado. DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura O montante tributável e efetua O pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.23 5/72. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Em análise aos autos, decidiu a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, em sessão de 12/11/2014, pela conversão do julgamento em diligência, para que fosse informado acerca da existência de recolhimentos parciais de IPI em relação aos fatos geradores abarcados entre 01/01/2002 e 30/11/2002, relacionados ao pleito de decadência do crédito tributário. Realizada a diligência, foi dado ciência de seu resultado à PGFN, sendo encaminhado o presente processo para este Relator. É o relatório. VOTO Constatase, de pronto, que a diligência não foi atendida em todos os seus aspectos, haja vista que a recorrente não foi cientificada do resultado desta diligência. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11444.000808/200779 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.021 4 Desta forma, como o objetivo de sanar as falhas processuais, mostrase necessário que a recorrente seja cientificada do resultado da diligência, o qual abrange todos os documentos anexados aos autos, sendolhe concedida a oportunidade de manifestarse acerca destes novos elementos. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para: que seja dada ciência à recorrente do resultado da diligência demandada, através da Resolução 3201000.508, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, bem como seja aberto prazo de 30 dias para manifestação, caso tenha interesse. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016792/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Joel Miyazaki Presidente atual.
Marcelo Ribeiro Nogueira Relatora.
José Luiz Feistauer de Oliveira Redator ad hoc
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Helena Trajano Damorim, Maria Regina Godinho de Carvalho, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Gudiño.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Joel Miyazaki – Presidente atual. Marcelo Ribeiro Nogueira – Relatora. José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Helena Trajano D’amorim, Maria Regina Godinho de Carvalho, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Gudiño. Relatório Para descrever os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/13, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 260.398,25, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 06. Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF). fls. 14/19, elaborado pela Fiscalização: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 16 79 2/ 20 05 -0 7 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10680.016792/200507 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 341 2 Consta do estatuto que a instituição fiscalizada constituise em uma sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social. É detentora de Declaração de Utilidade Pública Municipal e Federal, possuindo registro no Conselho Nacional de Assistência Social e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, bem como Registro na Secretaria de Educação do Estado de MG. Intimada a comprovar o recolhimento da Cofins e a apresentar peças processuais da justiça, respondeu que sendo uma instituição filantrópica de ensino não recolheu a Cofins, tampouco ajuizou ação sobre a contribuição. A fiscalizada auferiu receitas de atividades tais como: prestação de serviços de ensino (mensalidades escolares, matrículas, taxas por aulas de recuperação), aluguéis de imóveis e aplicações financeiras. A fiscalização procedeu ao levantamento dos valores da Cofins devidos, tendo como base de cálculo as receitas recebidas em caráter de contraprestação pelos serviços prestados na área de educação infantojuvenil, dos aluguéis recebidos, bem como das receitas decorrentes das aplicações financeiras efetuadas, de acordo com os registros contábeis e com as planilhas apresentadas pela fiscalizada. Cientificado em 30/11/05 (fls. 03), o interessado apresentou, em 29/12/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 154/165, acompanhado dos documentos de fls. 166/195, com as suas razões de defesa, assim resumidas: Diante do que consta no Auto de Infração, temse que a autuação não encontra amparo legal, impondo seja a mesma desconsiderada, por ser a entidade Instituto Padre Machado, sociedade civil, sem fins lucrativos e de caráter assistencial, a teor do que consta da documentação acostada, reconhecida como isenta do pagamento da Cofins. Indica a Auditora Fiscal que a recorrente não pode ser considerada como de Assistência Social pelo fato da CF ter tratado, em capítulos distintos, as entidades de caráter assistencial e as de educação. Se de um lado temse que a questão da imunidade é matéria eminentemente constitucional, indiscutível que o reconhecimento do caráter de assistência social é do atual Conselho Nacional de Assistência Social, a quem compete expedir o respectivo certificado. Assim estando a instituiçãoimpugnante, regularmente inscrita junto aquele Conselho, e preenchendo todos os demais requisitos para manter não só o título de filantrópica, não distribuindo lucros e não remunerando seus dirigentes, indiscutível que o AI não tem como se sustentar, quanto a natureza jurídica da entidade educacional. Da mesma forma, o Auto de Infração está eivado de vício no que se refere ao adotado conceito de receitas próprias atribuído pela fiscalização. É de se registrar, em que pese, a equivocada redação contida na CF, as entidades beneficentes de assistência social, que reúnam as exigências estabelecidas na legislação infraconstitucional estão imunes das contribuições para a Seguridade Social, a teor do disposto no art. 195, § 70, as quais ficam obrigadas a seguir os requisitos fixados no CTN, em especial no artigo 14. Se com o advento do artigo 14, inciso X, da MP 185861999 as receitas relativas às atividades próprias estavam isentas da Cofins, indiscutível que o conceito não mudou com o passar dos tempos. Conforme julgamento, ocorrido no dia 9 de novembro de 2005, o STF conheceu do RE, deu provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3 0, da Lei 9718, de 27/11/98. Como resultado prático do julgamento, temos que volta o regime anterior definido pela LC 70/91, ou seja, receita bruta ou faturamento é o que decorra da venda de serviços ou mercadorias e serviço, não se considerando receita de natureza diversa. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10680.016792/200507 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 342 3 É sobre esse conceito de receita que passarão a incidir o PIS e a Cofins, tornando inócua a tentativa de tributação sobre o impugnante, restando prejudicado o Auto de Infração, vez que permanece intacta a isenção prevista no texto da MP 2.15835. A impugnante como instituição de educação filantrópica, que presta serviços para os quais foi instituída e os coloca à disposição, sem fins lucrativos, recolhe o PIS à razão de 1% sobre a folha de salários, estando isenta da Cofins no que se refere à sua receita própria. Também pode ser citado, em abono da tese de que o impugnante é isento da Cofins, o disposto no art. 12 da Lei 9532/97. A receita decorrente de atividade própria do Instituto Padre Machado, somente decorre das mensalidades pagas pelos alunos, podendo ocorrer a percepção de doações e contribuições de terceiros, estas por mera liberalidade. O texto legal que trata das isenções em nenhum momento estabeleceu o referido requisito, tendo ao contrário mencionado que a mesma — a isenção — atingia as instituições de educação e de assistência social, bem como as entidades filantrópicas, sem fins lucrativos, o que dá legalidade à situação, vez que pautada no disposto no art. 176 do CTN. O caráter contraprestacional mencionado na IN 247/2002 é o direto, o que não é o caso do impugnante que percebe mensalidade dos alunos. A imposição feita pelo Fisco, pode ser considerada abusiva e ilegal, vez que o autuado em condições de igualdade com as demais entidades de educação, que além de não serem filantrópicas, possuem fins lucrativos, atribuindolhe maior carga tributária, quando resta comprovado que o impugnante está amparado e é isento da referida contribuição. Sendo o impugnante uma entidade sem fins lucrativos e que oferece um serviço — educação básica — suprindo o Estado a quem compete tal atividade, nada mais correto e justo que o mesmo tenha uma desoneração proporcional da carga tributária, sendo imperioso, ainda, lembrar que todo o valor da mensalidade percebida é destinado aos serviços prestados aos seus alunos. De todo o exposto, temse que o Instituto Padre Machado tem direito à imunidade prevista no § 7° do art. 195 da CF, estando de posse de seu título de entidade de assistência social, além de gozar da isenção da Cofins no que toca as suas receitas próprias, vez que é uma entidade de educação sem fins lucrativos nos termos do disposto no art. 15 da Lei n° 9.532/97, e que presta os serviços para os quais foi instituída colocandoos à disposição da sociedade, não remunerando seus dirigentes. Requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte proferiu decisão declarando o lançamento procedente. A interessada regularmente cientificada do Acórdão interpôs Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos na manifestação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado ao relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Fl. 343DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10680.016792/200507 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 343 4 Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar esta Resolução, não entregue pela relator original, Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. O contribuinte alega, basicamente, que reúne as exigências estabelecidas na legislação infraconstitucional, estando imune das contribuições para a Seguridade Social, a teor do disposto no art. 195, § 7°, sendo obrigada a seguir os requisitos fixados no CTN, em especial no artigo 14. Discute, também, o conceito de receitas próprias, afirmando, inclusive, que as mensalidades pagas pelos alunos são receitas de atividade própria do impugnante. O Fisco, por sua vez, aduz que as receitas tributadas no auto de infração não são consideradas receitas de atividade próprias, porque possuem o caráter contraprestacional, afirmando, ainda, que as atividades econômicas de prestação de serviços, alugueis e de aplicação financeira não são próprias das associações. Antes de adentrar ao mérito do litígio, devese comprovar a situação de regularidade da recorrente junto ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Portanto, persistem nos autos questões fáticas que precisam ser esclarecidas. Destarte, deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte para que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, assim como informar e comprovar a situação dos pedidos de renovação pendentes de julgamento (71010.002499/200370 e 71010.004831/200683). 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 344DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10680.016792/200507 Resolução nº 3202000.288 S3C2T2 Fl. 344 5 Ao término da diligência, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados e documentos apresentados. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Fl. 345DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI
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Numero do processo: 10920.722342/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado Por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para sobrestar presente feito até o julgamento dos processos nºs. 10920.722345/2011-14 e 10920.722345/2011-51. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir a Resolução.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencedor
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator do Voto Vencido
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o redator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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TUBOS E CONEXÕES e FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado Por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para sobrestar presente feito até o julgamento dos processos nºs. 10920.722345/201114 e 10920.722345/201151. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir a Resolução. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencedor (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator do Voto Vencido Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o redator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 22 34 2/ 20 11 -1 7 Fl. 4726DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.727 2 Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão de piso, fls. 44874508: Em decorrência de fiscalização procedida junto à contribuinte, foram lavrados, em 21/11/2011, relativamente aos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, os Autos de Infração de: a) IRPJ, exigindolhe recolhimento de crédito tributário total de R$ 69.346.807,87, sendo R$ 23.793.630,39 de imposto; R$ 9.011.416,05 de juros de mora (calculados até 31/10/2011); R$ 24.640.845,63 de multa proporcional e R$ 11.900.915,80 de multa isolada; b) CSLL, exigindolhe recolhimento de crédito tributário total de R$ 20.680.521,05, sendo R$ 8.565.706,92 de contribuição; R$ 3.244.109,74 de juros de mora (calculados até 31/10/2011); R$ 8.870.704,39 de multa proporcional; c) Multa exigida isoladamente, cód receita 1649, pela falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada, no valor de R$ 3.409.576,43; d) Multa exigida isoladamente, cód receita 6583, pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF (multa isolada bônus dirigentes), no valor de R$ 14.947.464,62, acompanhada de juros de mora exigidos isoladamente no importe de R$ 350.737,07. O crédito tributário total é de R$ 108.735.107,04. O lançamento do IRPJ decorreu da apuração de infrações caracterizadas por: 1) Custos, Despesas Operacionais e Encargos não necessários – despesas incorridas no processo de fechamento do capital da empresa, com suporte nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR/99 e aplicação de multa proporcional de 75%; 2) Serviços assistenciais a empregados inobservância dos requisitos legais – Planos FGB e PGBLI, correspondendo a valores de contribuições a planos de previdência complementar que não atendem aos requisitos legais de dedutibilidade, com base no artigo 13, inciso V, da Lei nº 9.249/95; no art. 11, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.532/97 e arts 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 360 e 361 do RIR/99 e aplicação de multa proporcional de 75%; 3) Contribuições e doações/inobservância dos requisitos legais – SER Tigre, glosa de despesa com contribuições e doações efetuadas à entidade SER Tigre, com enquadramento legal no artigo 13, § 2º, da Lei nº 9.249/95 e arts 249, inciso I, 251 e parágrafo único e 365 do RIR/99 e aplicação de multa proporcional de 75%; 4) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real – Bônus dirigentes, redução indevida do lucro real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores referentes a bônus pagos a dirigentes da empresa, tendo como base legal os artigos 250, inciso I, 303, 357 e 359 do RIR/99 e artigo 58 do Decretolei 1598/77, com aplicação de multa proporcional de 75% e 150%; 5) Multa isolada pela falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada, com lastro nos arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96; art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07; e com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/07. As infrações de 1 a 4 do IRPJ geraram, por decorrência, a autuação no tocante à CSLL, por afetarem diretamente a base de cálculo da contribuição, e consequentemente Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.728 3 foi lavrado o auto de infração referente a multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada. As compensações de prejuízos fiscais, no tocante ao IRPJ, e da base de cálculo negativa, relativamente à CSLL, foram devidamente consideradas nos cálculos realizados pela Fiscalização. Foi lavrado ainda auto de infração para exigir a multa isolada e juros isolados pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF sobre o “Bônus Dirigentes”. Foi apensado ao presente o processo o de número 10920.722480/201104, referente à Representação Fiscal para Fins Penais. O Termo de Verificação Fiscal, acompanhado dos Anexos “A” a “H”, parte integrante e inseparável dos autos de infração acima mencionados, detalha pormenorizadamente o procedimento fiscal de onde se extraí que: (...) A empresa apresentou DECLARAÇÕES DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS da PESSOA JURÍDICA (DIPJ) com base no LUCRO REAL ANUAL, nos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, com determinação das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL com base em balancetes de suspensão/redução. 3.1. CONTRIBUIÇÕES/DOAÇÕES PARA ASSOCIAÇÃO DE EMPREGADOS • Despesas indedutíveis com doações à entidade recreativa dos funcionários da empresa: (...) A análise dos arquivos disponibilizados permitiu verificar que a TIGRE realizou doações/contribuição à entidade "SOCIEDADE ESPORTIVA E RECREATIVA TIGRE", doravante denominada simplesmente S.E.R. TIGRE, que é uma associação recreativa dos funcionários da empresa. Em sua RESPOSTA, a TIGRE relatou: a) que considerou dedutíveis as citadas doações; b) que a entidade S.E.R. TIGRE não é reconhecida como de utilidade pública, mas que os serviços prestados aos associados eram gratuitos; c) que usou como base legal para a dedutibilidade dos gastos com a entidade o art. 365 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR 99). Sobre esta fundamentação, vale a pena reproduzir o seu conteúdo (...) Verificase, a partir dos demonstrativos acima, que a associação agrega funcionários de quatro empresas, quais sejam a CRH INDÚSTRIA E EMPREENDIMENTOS LTDA, a PINCÉIS TIGRE S/A, a própria FISCALIZADA e o ICRH INSTITUTO CARLOS ROBERTO HANSEN. Além disso, fica caracterizado que a entidade recebe mensalidades de seus associados, não atendendo, assim, ao requisito normativo acima reproduzido, de prestar serviços gratuitos a seus associados. A obrigação dos associados contribuírem com a associação está definida no ESTATUTO SOCIAL, conforme previsão contida no art. 3 2 , abaixo reproduzido, que dispõe sobre a "taxa de manutenção mensal" (...) Ademais, tendo por base o dispositivo acima, constatase que há a possibilidade da entidade aceitar associados que não funcionários da TIGRE e suas coligadas, controladoras ou controladas, bastando autorização do Conselho Supervisor. Continuando a análise do ESTATUTO SOCIAL, verificase, a partir do art. 49, que além dos filhos e dos pais, irmãos, avós, netos, também podem figurar como Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.729 4 dependentes do associado, e usufruir das instalações da entidade, recebedora de doações da FISCALIZADA (...) (...) O Anexo A ao presente Termo, cujos dados foram extraídos da contabilidade, detalha a composição do demonstrativo acima, e permite evidenciar que há contribuições efetuadas a outras entidades, como o RIO CLARO FUTEBOL CLUBE, SESI, ACADEMIA OLIMPO, entre outros. (...) Diante dos fatos anteriormente expostos, verificase que a S.E.R. TIGRE não atende aos requisitos legais impostos pelo art. 365 do RIR/99, uma vez que cobra mensalidades de seus associados, não prestando, assim, serviços gratuitos, exigência textual da norma. 3.2 JUROS E ENCARGOS FECHAMENTO DO CAPITAL DA EMPRESA (OPA) De acordo com Fato Relevante datado de 23/12/2002, a TIGRE noticiou que fechou acordo com os acionistas minoritários, UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (empresa do Grupo BRADESCO, que doravante será denominada simplesmente UNIÃO) e CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL (PREVI), para a aquisição das respectivas ações, de forma a possibilitar o cancelamento do registro da Companhia.(...) Vêse, pois, que a TIGRE pagou à vista as ações dos minoritários, e em relação à aquisição das ações detidas pela UNIÃO e pela PREVI, pagou 20% à vista, e o restante de forma parcelada, em 05 anos, com pagamentos anuais. Sobre esta dívida incidiram encargos e juros, nos termos do acordo firmado, descrito acima. A RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 05 apresentou DEMONSTRATIVOS DA OPA, explicitando os valores envolvidos, um deles abaixo reproduzido, que resume os números totais da operação (...) Tendo por base o demonstrativo acima, verificase que a dívida da empresa com a PREVI e a UNIÃO totalizava em maio de 2003 cerca de 200 milhões de reais, sobre os quais incidiram juros de mora e outros encargos. A tabela a seguir detalha, por mês, os valores dos juros incorridos pela FISCALIZADA, de acordo com a planilha disponibilizada pela FISCALIZADA (...) (...) Relativamente aos encargos incorridos em 2003 e 2004, houve Lançamento de Ofício por parte do Fisco Federal, conforme Processo Administrativo Fiscal 10920.002171/200649, cujo julgamento na DRJ foi favorável ao Fisco, estando o processo aguardando julgamento no CARF (...) (...) Portanto, somente pode ocorrer a aquisição de quotas da própria empresa se os recursos utilizados na operação foram lastreados em lucros ou reservas. Claro que a empresa pode ir a Banco a financiar esta aquisição, mas não o que não se pode admitir é querer deduzir estas despesas na apuração de tributos federais, considerandoas como necessárias a sua atividade. (...) Cumpre registrar que os valores pagos para a realização de uma OPA, não se tratam de um investimento para a empresa ou da empresa e, por conseguinte, não se reveste de caráter de ser uma despesa usual e necessária para a manutenção da fonte produtora. Não se está aqui argumentando que uma empresa não pode fazer o fechamento do capital. Não é isso que estamos falando! Apenas não se admite que despesas relacionadas a este fechamento sejam inseridas na apuração do IRPJ e da CSLL, em função de não serem necessárias a manutenção da fonte produtora. Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.730 5 Além dos juros incorridos com o processo de fechamento do capital em questão, verificase que a empresa também incorreu em despesas de CPMF com os pagamentos realizados, e aí devem estar inclusos tanto as amortizações quanto os pagamentos dos juros. Desta forma, a CPMF incorrida ao longo de 2006 e 2007 (em 2008 não havia mais a cobrança da contribuição), em função dos pagamentos (principal e juros), é despesa indedutível, por estar relacionada com a OPA. A alíquota da CPMF vigente nos anos de 2006 e 2007 era de 0,38%. Ou seja, nos débitos havidos nas contas bancárias da empresa para o pagamento da OPA (amortização e juros) sofreram incidência da CPMF à alíquota de 0,38%, ensejando a glosa destes valores na apuração do IRPJ e da CSLL. 3.3. BÔNUS A DIRIGENTES E EMPREGADOS PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Do Plano da Diretoria Em relação a este plano, veremos que na verdade as contribuições realizadas pela empresa foram de fato pagamentos de bônus aos seus dirigentes, conselheiros e alguns empregados por ela indicados, não se revestindo de efetivas contribuições a um plano de previdência complementar, sendo apenas uma vestimenta dada pela FISCALIZADA, de forma a elidir a tributação da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, bem como deduzir os bônus pagos na apuração do IRPJ e da CSLL. A FISCALIZADA, em sua RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 09, explicitou que o saque antecipado era opção do "beneficiário", ficando esta decisão ao seu "livre arbítrio". Além disso, atestou a inexistência neste plano de benefícios de risco, como pensão por morte ou invalidez. (...) Vale ressaltar que as contribuições realizadas pela empresa eram anuais, sempre no mês de dezembro de cada ano, e foram contabilizadas em conta contábil 21614 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Apesar de contabilizados nesta conta, estes valores foram de fato de bônus/gratificação, e não integraram os valores pagos a título do Programa de Participação nos Resultados da empresa (PPR), denominado internamente de PTC PROGRAMA TIGRE DE COMPETITIVIDADE. Ou seja, era algo a mais que o PPR da empresa. No PPR da TIGRE estavam incluídos os dirigentes da empresa, juntamente com os demais empregados, e o pagamento era realizado no mês de abril de cada ano, em função do alcance ou não de metas gerais da empresa. Mas para os dirigentes, conselheiros e alguns empregados indicados, existia outro tipo de vantagem pecuniária, paga através dos bônus, desvinculados do PPR da empresa. Estes bônus eram pagos em dezembro de cada ano, e a forma escolhida pela FISCALIZADA para o pagamento de alguns beneficiários foi o depósito em conta de previdência privada. Veremos que alguns Conselheiros, diferentemente, receberam seus bônus por meio de depósito em conta bancária. A infração detalhada neste tópico trata especificamente destes bônus pagos por meio de previdência privada e/ou depósitos em conta. Para termos uma idéia dos valores envolvidos, tendo por base os relatórios apresentados pela empresa (DOC. 01 da RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 06), verificase que foram pagos R$ 7.862.658,83 em 2006, R$ 9.262.001,61 em 2007 e R$ 10.293.478,55 em 2008, e envolveram 39, 37 e 33 dirigentes e/ou empregados, respectivamente. Em 2009, conforme RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 09, o total da contribuição foi de R$ 8.825.183,00, envolvendo apenas 27 dirigentes/empregados. Conforme esclarecimentos da FISCALIZADA, prestados em complementação da RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02, a conta contábil 21641 Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.731 6 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS recebeu provisões mensais, as quais foram devidamente adicionadas ao Lucro Real. Quando o pagamento do bônus era realizado em dezembro, o respectivo valor era excluído na apuração do Lucro Real. Assim, verificase que as despesas com bônus influenciaram a apuração do IRPJ e da CSLL no momento do pagamento, ou melhor, da "contribuição" ao plano. O que se observa claramente é que tais valores nada têm de contribuição para um plano de previdência privada dos dirigentes e/ou empregados indicados pela empresa, nos termos do PLANO DA DIRETORIA. Tratamse simplesmente de pagamentos de gratificações e/ou bônus aos mesmos. E lembremos que não são valores relacionados ao programa de participação nos resultados da empresa (PPR)! Em sua RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 06, a TIGRE, ao ser questionada sobre a existência de pagamentos de Bônus a Conselheiros e/ou Diretores da empresa, asseverou que "os pagamentos realizados via previdência privada, foram efetuados em 26/12/2006, 26/12/2007 e 23/12/2008, tendo apresentado os demonstrativos com os valores individualizados por participante. Ainda em sua explicação, relatou que existiram outros pagamentos, realizados diretamente em conta corrente dos beneficiários, os quais também foram relacionados a Bônus de Conselheiros e Diretores. Continuando em sua resposta, declarou que tais valores foram considerados dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Cabe repisar que os pagamentos do PPR da empresa eram feitos em abril de cada ano, e em dezembro havia apenas os Bônus dos Dirigentes, Conselheiros e Empregados indicados, que não era regido pelo PPR. Ressalvase apenas que alguns Conselheiros recebiam seus bônus no ano seguinte, com depósitos diretos nas respectivas contas bancárias. Nos próprios demonstrativos apresentados pela empresa (DOC. 02 de sua RESPOSTA), há a indicação, nos respectivos cabeçalhos, de que os valores pagos por meio de previdência privada eram de fato pagamento de Bônus a Dirigentes e Empregados da empresa.(...) Em resumo, o pagamento a um plano de previdência privada de fato não ocorreu, uma vez que o referido contrato com a BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, como já dito, carece de regras básicas de um verdadeiro plano previdenciário. O que a empresa fez de fato foi chamar de contribuição a um plano de previdência (despesa, a princípio, dedutível na apuração do IRPJ/CSLL e isenta da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA), algo que na verdade é um pagamento de gratificação e/ou bônus a seus Diretores/Conselheiros, que tem previsão expressa de indedutibilidade na apuração do IRPJ/CSLL, bem como, tendo natureza claramente remuneratória, deve integrar o salário base para efeitos da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Ademais, cabe esclarecer que esta FISCALIZAÇÃO pôde atestar que os valores dos bônus, depositados pela empresa nas contas previdenciárias individualizadas ao final de cada ano, eram, em regra, sacados integralmente pelos beneficiários no ano seguinte. Cabe registrar que esta pesquisa demonstrou que alguns poucos sacaram parcialmente, ou até mesmo não sacaram no ano seguinte, mas, assim como os demais que o fizeram, tinham a possibilidade de saque integral, o que já basta para a presente análise. De se perguntar: que plano de previdência é esse que permite, sem qualquer restrição, o saque da parcela da empresa, e única, por parte dos beneficiários? Que plano previdenciário é esse em que o participante nada contribui para a acumulação da reserva? Como acreditar que estas contribuições da empresa serviam para a acumulação da reserva dos participantes, se os saldos eram sacados, ou tinham a possibilidade de Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.732 7 saque, ato contínuo? Qual a razão da criação deste PLANO DA DIRETORIA, se a empresa já disponibilizava aos dirigentes o PLANO FGB? (...) Da materialização dos riscos sociais surgem os estados de necessidade, dentre os quais se encontram a velhice, a doença, a invalidez e o desemprego. E o plano de previdência que permite resgates em prazos exíguos se afasta completamente do espírito previdenciário. Não é por menos que o Conselho de Contribuintes (atual CARF) já decidiu que são indedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares não assemelhados aos da previdência social.(...) Cumpre agora verificarmos a legislação que rege a matéria. O art. 359 prevê a dedutibilidade para os PPR das empresas (...) (...) é de se concluir que o bônus pago aos diretores e conselheiros, em função do atingimento de metas administrativas, somente será dedutível para os efeitos do imposto de renda se forem atribuídos mensalmente aos dirigentes, em montante fixo, sendo, portanto, indedutíveis os pagamentos que não tenham respeitado essas condições. No caso aqui debatido, os bônus pagos eram anuais e variáveis, afrontando à exigência normativa acima exposta. Na verdade, sequer sabemos os critérios utilizados para os cálculos dos valores pagos, tendo a TIGRE alegado não mais dispor da respectiva documentação. Assim, em relação a estes valores pagos aos dirigentes, conselheiros e empregados indicados, tanto pelo suposto plano de previdência, como por depósitos em conta bancária, as exclusões havidas na apuração do IRPJ e da CSLL foram indevidas, devendo ser objeto de glosa. (...) Cabe ressaltar que no DEMONSTRATIVO de 2009 que registra o referido desconto, há a relação de empregados agraciados com o bônus e os respectivos valores, totalizando R$ 8.825.183,00. Ou seja, os dirigentes e demais empregados tiveram estes valores efetivamente depositados em suas contas, e sendo R$ 8.825.183,00 o valor contábil total da despesa, este é o valor a ser glosado. O fato de a empresa ter aproveitado eventual crédito que dispunha junto a BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, desembolsando um valor menor para quitar a obrigação com a referida instituição, não tem condão de reduzir o montante indedutível da despesa. Por fim, e como já abordado anteriormente, verificase que também houve bônus pagos diretamente nas contas bancárias de alguns Conselheiros, que foram considerados dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, conforme declaração da própria FISCALIZADA em sua RESPOSTA ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 06. Estas despesas, por igualmente infringirem a dedutibilidade prevista nos atos normativos anteriormente citados, também serão objeto de glosa na apuração do IRPJ e da CSLL (exclusão indevida), (...) As infrações até aqui relatadas repercutiram no cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ensejando a aplicação da multa isolada. Da Falta de Retenção do IRRF Multa Isolada (...) os bônus pagos integram o conceito de rendimento tributável, e em conseqüência, submetemse às regras de retenção do IRRF quando do pagamento. (...) o resgate efetivo, ou simplesmente a possibilidade de resgate, não é essencial à constituição ou não do presente Crédito Tributário, na medida em que a imputação se Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.733 8 faz devido ao caráter remuneratório dos valores depositados nas contas de Previdência Privada dos dirigentes e conselheiros, não sendo relevante, assim, a destinação final dos valores depositados, se mantidos, ou não, em conta de previdência privada. (...) Para o cálculo do valor da multa isolada pela falta de retenção do IRRF, recalculamos, para cada beneficiário, o valor do IRRF que seria devido no mês de dezembro (mês de pagamento dos bônus via previdência complementar), considerando na base de cálculo o valor do bônus pago. Deste valor, deduzimos o IRRF já pago (retido) por ocasião da retenção das verbas originalmente pagas no mês de dezembro. Sobre a diferença do valor devido e o recolhido, foi aplicada a multa isolada, no percentual de 150%, nos termo do art. 9º , da Lei 10.426/2002. A aplicação da multa no percentual duplicado está fundamentada no item 3.6 – DA MULTA DE OFÍCIO deste Termo. Da Falta de Retenção do IRRF – Juros Isolados Para o cálculo dos juros isolados, tomamos por base o PN COSIT nº 01, de 24/09/2002 (...) 3.4. CONTRIBUIÇÕES A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR (...) A mais importante característica para a questão tributária reside no fato do plano restringir o acesso a uma pequena parcela de empregados da empresa. A relação de participantes nos anos de 2006 a 2008 foi acostada na resposta à citada intimação, e posteriormente foi disponibilizada a relação do ano de 2009. Delas podemos verificar que o número de participantes, nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, foi 264, 231, 248 e 247, respectivamente. De outro lado, conforme dados extraídos das GFIP da FISCALIZADA, a empresa teve, em média, cerca de 2.600 empregados no período. Ou seja, apenas cerca de 10% eram agraciados com a possibilidade de um plano de previdência complementar. Esta restrição está prevista no contrato do PLANO FGB, conforme art. 3º, que limita o acesso àqueles que possuíam cargos de chefia ou salário igual ou superior a 12 salários mínimos. (...) Outro aspecto relevante do PLANO FGB diz respeito à possibilidade de saque antecipado da parcela depositada pela empresa. Tal característica esta regulada no art. 6º, §2º do CONTRATO, o qual foi alterado no 8º termo aditivo. Nele podemos ver que esta possibilidade de saque acontece somente nos casos de desligamento da empresa pelo participante, e que quanto maior o tempo de empresa, maior o percentual de saque da parcela da empresa, chegando a 100%. A relevância desta característica para o aspecto tributário reside na necessidade de semelhança dos planos de previdência complementar com os da previdência oficial, para a dedutibilidade das contribuições na apuração do IRPJ e da CSLL, conforme prevê o art. 361 do RIR/99 (...) (..) há dois aspectos importantes a nortear a dedutibilidade das despesas com plano de previdência complementar e a isenção da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Primeiro, que os planos sejam assemelhados aos da previdência social; segundo, que sejam instituídos em favor dos dirigentes e dos empregados da empresa. (...) Na verdade, no âmbito da previdência social, um empregado demitido de uma empresa sequer consegue recuperar as contribuições por ele efetuadas, quanto mais a parcela recolhida pelo empregador, no caso a contribuição patronal. Na situação do plano aqui debatido, vemos que mesmo nos casos de pedidos de demissão, os empregados conseguem sacar, antes da aposentadoria, as suas parcelas e as da empresa. Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.734 9 (...) Assim, definido o valor necessário da contribuição para cada empregado e/ou dirigente, a empresa arcará com 70%, ao passo que o empregado com o restante, 30%. Acrescentese a isso o fato da parte do empregado (30%) estar limitada a 8% do seu salário, cabendo a empresa arcar com o restante do valor, caso este limite seja superado. Assim, há casos em que a parte da empresa ultrapassa 90% do total da contribuição (...) (...) Como já abordado, o PLANO FGB inibiu o acesso após 01/01/2006. Em 01/03/2008, entrou em vigência uma nova possibilidade para os funcionários, um PGBL, dividido em duas versões, uma para o denominado Grupo I, e outra para o Grupo II. Assim, passamos a denominar estes planos de PGBLI e e PGBLII, respectivamente. O regulamento do plano foi acostado na resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02. Em resumo, o PGBLI substituiu o FGB, que não mais permitia ingresso desde 2006, ao passo que o PGBLII era um plano realmente novo, destinado aos funcionários de baixa renda (< 10 salários de referência), que até então não possuíam direito algum em relação à previdência complementar. (...) Para termos um comparativo mais resumido, a tabela constante do Anexo D deste Termo exibe algumas das principais características dos planos FGB, PGBLI e PGBLII, considerando as informações constantes dos respectivos contratos. Concluise que a empresa, mesmo em 2008 e 2009, onde já existia o PGBLII, não ofereceu, de fato, planos de previdência complementar a todos os seus dirigentes e empregados, acarretando a indedutibilidade das despesas com o FGB e com o PGBLI. (...) Desta forma, os totais anuais registrados nos demonstrativos anteriormente expostos serão glosados na apuração do IRPJ e da CSLL, havendo ainda repercussão no cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ensejando a aplicação da MULTA ISOLADA, infração que será detalhada no item 3.6 deste Termo. 3.5. DA MULTA DE OFÍCIO A aplicação da multa de ofício no percentual de 150% t em regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo (...) (...) o contribuinte, ao mascarar os pagamentos de bônus a seus dirigentes e a alguns de seus empregados, tendo utilizado um inexistente plano de previdência complementar, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual claramente retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador. Ademais, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ e CSLL devidos foram reduzidos, bem como da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A FISCALIZADA não praticou estes atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta. Restou caracterizada a atitude dolosa. Desta forma, a conduta sob análise amoldase às hipóteses previstas nos artigos da Lei 4.502/64 acima citados. Assim, no âmbito da aplicação da multa qualificada, não resta dúvida de que o dolo exigido nos artigos 71 a 73 da lei 4.502/64 não requer a consciência do agente de que sua conduta esteja tipificada como criminosa. A expressão "conduta dolosa" inserida nos citados artigos exige tãosomente a prova de que o contribuinte teria agido voluntariamente, e de forma consciente de seus atos, independentemente de saber se é ilícita ou não sua conduta. (...) Assim, por tudo o acima exposto, de se aplicar a multa de ofício em seu percentual duplicado, 150%, em relação às infrações descritas no tópico 3.3 deste Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.735 10 Termo, atinentes ao IRPJ/CSLL, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA e IRRF (Multa Isolada pela falta de retenção), pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. Para os fatos geradores de 31/01/2007 a 31/12/2009, serve de fundamento o mesmo artigo 44, porém com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007. 3.6. MULTA ISOLADA – Falta de Recolhimento das Estimativas do IRPJ e da CSLL A FISCALIZADA optou, em todos os anos fiscalizados, pelo regime tributário de apuração do IRPJ e da CSLL anual, ou seja, com pagamentos mensais por Estimativa. Convém relembrar que os pagamentos mensais por estimativa são antecipações dos tributos IRPJ e CSLL devidos na apuração anual, sujeitos a ajustes, então, no final do período. Estas antecipações mensais são obrigatórias mesmo que ao final do período seja apurado prejuízo fiscal e inexista base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL. Em todos os meses foram elaborados balancetes de redução ou suspensão do IRPJ e CSLL, não sendo utilizada a base de cálculo estimada sobre as receitas acumuladas, conforme as DIPJ de 2006, 2007, 2008 e 2009, acostadas a este processo. Considerando a apuração de infrações praticadas pela FISCALIZADA, as quais ensejaram, conforme visto acima, o recalculo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afetando os balancetes mensais, a TIGRE deixou de recolher aos Cofres Públicos valores relativos a antecipações obrigatórias do IRPJ e da CSLL. À diferença entre o tributo apurado (IRPJ/CSLL) no final do período anual e o recolhido ou confessado pela fiscalizada durante o mesmo período, está sendo exigido em Auto de Infração próprio. Contudo, as diferenças mensais relativas às antecipações das estimativas mensais com base nos balancetes mensais ajustados por esta autoridade tributária geram infrações passíveis de cobrança de multa isolada sobre a diferença da estimativa mensal não recolhida, conforme determina o artigo 43, § único c/c artigo 44, inciso II, alínea "b", todos da Lei nº 9.430/96. (...) A base de cálculo é, portanto, a diferença entre o valor devido mensalmente pela estimativa mensal com base nos balancetes de redução, ajustado por esta autoridade tributária, e o valor efetivamente recolhido ou compensado a este título, mês a mês. Os Anexos E e F deste Termo demonstram a apuração dos valores da Multa Isolada. 4. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 5. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 6. DO ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL Em 28/12/2011, a contribuinte apresentou impugnação onde alega, em síntese, após descrever de forma sintética as infrações apontadas no TVF, que: 1. DESPESAS COM DOAÇÕES À ENTIDADE RECREATIVA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA (S.E.R TIGRE) ITENS 3.1 DO TVF E 003 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (...) os valores pagos pelos associados da Impugnante a S.E.R Tigre a título de "taxa de manutenção mensal" para usufruir das atividades culturais, sociais e esportivas, previstas no artigo 2° do seu estatuto social8 (doc. 4), são simbólicos e decorrem exclusivamente do vínculo associativo relação interna corporis existente entre a S.E.R Tigre e seus associados e não de uma prestação de serviços na acepção técnica do termo, que pressupõe uma atividade realizada para terceiros com intuito de lucro. A título de argumentação, cabe transcrever jurisprudência do STF que formaliza o entendimento de que não há incidência de ISS sobre atividades realizadas pela Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.736 11 associação em benefício de seus associados, por não corresponder a uma prestação de serviço que visa a obtenção de lucro. (...) Verificase, portanto, que a S.E.R Tigre não cobra a "taxa de manutenção social" dos seus associados visando a obtenção de lucros (até porque essa entidade não tem fins lucrativos) ou mesmo a compensação dos custos por ela incorridos, os quais são arcados pelas doações feitas pela Impugnante. (...) Deveras, a cobrança de tais mensalidades simbólicas serve apenas para garantir a mínima assiduidade dos associados e a utilização consciente e responsável dos benefícios oferecidos por essa entidade. Vale dizer, tais valores possuem um caráter meramente educativo e não visam, de forma alguma, qualquer tipo de contraprestação por um serviço prestado. Logo, a gratuidade das atividades postas à disposição dos associados da S.E.R Tigre não é comprometida pelo pagamento de mensalidades ínfimas. Ou seja, não há incompatibilidade entre a gratuidade das atividades sociais oferecidas e a cobrança de simbólicas mensalidades dos associados, o que deixa evidente o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal no presente TVF. (...) é importante salientar que as empresas mencionadas pertencem ao Grupo Tigre. De fato, a CRH Indústria e Empreendimentos Ltda é controladora da Tigre S/A (Impugnante), que por sua vez controla a empresa Pincéis Tigre conforme comprovam as listas dos acionistas presentes à Assembléia Geral (doc. 5) (...) Por sua vez, o ICRH Instituto Carlos Roberto Hansen, que é uma associação civil sem fins lucrativos, tem como sócios fundadores, dentre outros, a Impugnante, a CRH Indústria e Empreendimentos Ltda. e a Pincéis Tigre, conforme comprova o seu estatuto social (doc. 6). Notase, portanto, que não há, absolutamente, qualquer impedimento para que os funcionários dessas empresas sejam associados da S.E.R Tigre, nos exatos termos do artigo 3o , "b" do seu estatuto social. (...) Do mesmo modo, os dependentes dos funcionários da Impugnante podem ser associados da S.E.R Tigre, conforme estabelece o artigo 4° do seu estatuto social (...) (...) Assim, diante dos fatos acima expostos, restou demonstrado que a cobrança de ínfimas mensalidades dos associados da S.E.R Tigre não tem o condão de descaracterizála como uma pessoa jurídica sem fins lucrativos, que oferece gratuitamente atividades culturais, sociais e esportivas aos seus associados. Ainda que se entenda que os valores doados pela Impugnante a S.E.R. Tigre não seriam dedutíveis, por desrespeitar o disposto no artigo 365, inciso II, alínea "c" do RIR/99, o que se alega a título meramente argumentativo, é certo que tais despesas são nitidamente operacionais, nos termos do que dispõe o artigo 360, §1° do mesmo diploma. (...) Nesse sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já se posicionou reiteradas vezes, conforme se infere das ementas abaixo transcritas (...) 1.1. Dos Princípios da Proporcionalidade, Razoabilidade e Insignificância (...) Portanto, ainda que a Fiscalização pudesse descaracterizar a gratuidade das atividades sociais oferecidas pela S.E.R Tigre em razão da cobrança das ínfimas mensalidades por parte dos associados, o que se alega a título meramente argumentativo, é certo que a glosa total das despesas incorridas pela Impugnante para a manutenção dessa entidade Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.737 12 sem fins lucrativos fere frontalmente os princípio da razoabilidade, proporcionalidade e da insignificância. 2. DESPESAS COM JUROS E OUTROS ENCARGOS INCORRIDOS NO PROCESSO DE FECHAMENTO DO CAPITAL DA IMPUGNANTE – OPA – ITENS 3.2 DO TVF E 001 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (...) A necessidade da despesa é comprovada na medida em que ela é empregada na otimização das operações ou dos negócios exigidos pela atividade que constitui o objeto social da pessoa jurídica. Ademais, uma despesa será necessária quando for justificável do ponto de vista gerencial da empresa. Já a usualidade pode ser definida em razão de a despesa ser habitual para a realização do objeto social, ainda que essa despesa não seja reiteradamente verificada na prática. Basta que ela seja justificável do ponto de vista negocial, pois assim possui potencial para tornarse usual. No que tange à normalidade, há que se considerar se determinada despesa é normal na realização das atividades e negócios pertinentes ao objeto social exercido pela empresa, ou seja, se é comumente verificada na realização do objeto social pelas empresas do ramo. (...) O referido entendimento também é compartilhado pela Receita Federal do Brasil, bem pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse sentido, confira se o exemplo extraído de decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° CSRF/010.834 (...) Disso decorre que as despesas serão operacionais(dedutíveis) quando forem, portanto, justificáveis do ponto de vista gerencial.(...) Destaquese, ainda, que a Impugnante deliberou em assembléia realizada no final do ano de 2002 que, diante da (i) baixa liquidez de suas ações no mercado de valores mobiliários, (ii) dos elevados custos necessários à manutenção do registro de companhia aberta perante a CVM; e (iii) da desnecessidade de captação de recursos no mercado de capitais nos próximos dois anos, não era mais interessante, do ponto de vista empresarial, manterse como uma sociedade anônima aberta. Nesse sentido, mencionese o item 1.2 do edital de oferta pública de aquisição de ações ordinárias de emissão da Impugnante (doc. 7), publicado em 23/05/2003 (...) Conforme se observa pela simples leitura de todas as obrigações as quais uma sociedade anônima de capital aberto está obrigada, bem como os direitos que os seus acionistas fazem jus, percebese que a decisão de abertura de capital, bem como a manutenção do registro de companhia aberta perante a CVM, influi significativamente no processo produtivo e organizacional da empresa. (...) Realmente, ao se realizar uma simples interpretação literal da legislação vigente, notase que a Fiscalização incorreu em grave equívoco ao asseverar que "os valores pagos para uma OPA, não se tratam de um investimento para a empresa ou da empresa e, por conseguinte, não se revestem de caráter de ser uma despesa usual e necessária para a manutenção da fonte produtora" (página 25 do TVF). (...) Com efeito, já é presente há muito tempo, tanto na jurisprudência do antigo Conselho de contribuintes, bem como nos precedentes do atual E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que as despesas indiretamente vinculadas à manutenção da fonte produtora são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.738 13 Nesse sentido, destaquese recente julgado proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, formalizado no Acórdão n° 13020 0.056 (...) (...) Nesse contexto, analisando a OPA realizada pela Impugnante à luz dos argumentos acima expostos, verificase que as despesas incorridas com a operação de fechamento de capital são plenamente dedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99, por serem essenciais à manutenção e ao fomento da fonte produtora, motivo pelo qual devem ser cancelados os autos de infração por essa E. Turma Julgadora. Mas não é só! (...) fato é que o artigo 325, inciso II, alínea "h", do RIR/99 qualifica como despesas operacionais os valores despendidos e registrados no ativo diferido, tais como "custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização, ou modernização da empresa" (...) (...) Da mesma forma, não é por outra razão que está encartada na concepção de reorganização de uma sociedade a mutação do controle societário. Tanto isso é verdade que o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência CADÊ (autarquia do Governo Federal), ao analisar atos de concentração em mercados por meio da aquisição de controle acionário de uma companhia, também destacou que essa operação se qualifica como ato de reorganização.(...) (...) destacase que nos termos do artigo 84 da Lei n° 3.470/5823, verificase que os prejuízos decorrentes da alienação de ações da sociedade em bolsa de valores são integralmente dedutíveis para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Destarte, mediante uma interpretação teleológica do referido dispositivo legal, constatase que o legislador reconheceu que a abertura de capital é atividade indiretamente vinculada à manutenção da fonte produtora, sendo, por consequência, as despesas com ela incorridas dedutíveis. Consequentemente, se os resultados econômicos com a abertura de capital de uma sociedade são dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL, o tratamento dado a uma operação de fechamento de capital, que representa a face reversa de uma abertura de capital, deve ser o mesmo no que se refere à dedutibilidade de despesas. Admitir o contrário seria incorrer em grave erro lógico e interpretativo da legislação, o que não pode ser tolerado por essa E. Turma Julgadora. (...) Ainda, os "demais encargos" atrelados à realização da OPA, por serem a ela inerentes, devem receber o mesmo tratamento tributário, ou seja, devem ser considerados necessários à manutenção e fomento da fonte produtora. Assim sendo, também não se pode aceitar o entendimento do Sr. Agente Fiscal no sentido de glosar as despesas de CPMF incidente sobre os pagamentos realizados. Ressaltese, ainda, que nos termos do artigo 344 do RIR/99, "os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41)". (...) Verificase, portanto, que ainda que a despesa com a OPA não fosse operacional, o que se alega a título de argumentativo, a despesa com a CPMF é, indubitavelmente, operacional, nos termos do artigo 344 do RIR/99, sendo, portanto, dedutível. Portanto, diante de todos os argumentos acima expostos, constatase o grave equívoco cometido pela Fiscalização ao afirmar que a OPA para fechamento de capital Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.739 14 em nada beneficiou a empresa, restando plenamente claro que as despesas incorridas pela Impugnante no pagamento de juros e demais encargos, como o recolhimento de CPMF, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porquanto foram incorridas no processo de reorganização empresarial da Impugnante objetivando a manutenção e aperfeiçoamento de suas atividades. Desta forma, aguardase o cancelamento dos autos de infração ora combatidos por essa E. Turma Julgadora. 3. BÔNUS A DIRIGENTES E EMPREGADOS PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E PAGAMENTOS VIA CONTA BANCÁRIA – ITENS 3.3 DO TVF E 004 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 3.1. Discriminação dos valores pagos pela Impugnante relativamente ao presente tópico (...) Relativamente aos valores identificados como "Bônus a Conselheiros Pagos via Conta Bancária", discriminados na Tabela 08 do Termo de Verificação Fiscal, às páginas 45 e 46, houve pagamento total do IRPJ e da CSLL, acompanhado de juros moratórios, devidamente atualizados para pagamento em dezembro de 2011, bem como da multa de ofício reduzida em 50% e, portanto, equivalente a 37,5% do total dos tributos cobrados. Devese pontuar que somente foram pagos pela Impugnante o IRPJ e a CSLL incidentes sobre os valores constantes da coluna "Individual (Não Empregado)", destacados na planilha acima. O montante da coluna "Empregado" será objeto de impugnação no tópico posterior, pelo que restará demonstrada a total improcedência da lavratura de autos de infração sobre tais valores.(...) Isso se deve ao fato de que, no que diz respeito à majoração da multa qualificada (de 75% para 150%), a presente Impugnação demonstrará que se trata de cobrança totalmente improcedente, eis que não houve sonegação, fraude ou conluio, como indevidamente alegado pela Fiscalização (...) Diante de todo o exposto e da documentação acostada, requer a Impugnante seja reconhecida a extinção da parcela do crédito tributário objeto de pagamento, para os devidos fins de direito.(...) 3.2. Da dedutibilidade dos pagamentos efetuados aos empregados da Impugnante (...) Nada obstante, entende a Impugnante que não pode prosperar a cobrança de tais tributos sobre os valores constantes da coluna "Empregados", em virtude da natureza salarial de que se revestem. De fato, a Fiscalização entendeu que tais valores não são dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por conta da previsão do artigo 303 do RIR/99 (...) No entanto, não atentou o Sr. Agente Fiscal para o fato de que (i) os valores discriminados na coluna "Empregado" foram pagos a empregados da Impugnante, os quais não possuem poderes de gestão ou administração da sociedade; e (ii) os referidos montantes não dizem respeito a gratificações ou participações no resultado, mas são verbas de natureza salarial, pagas como remuneração à prestação de serviços. Conjugados esses dois fatores, fazse mandatório que esta E. Turma Julgadora reconheça a dedutibilidade dos referidos valores, como se passará a demonstrar. (...) Outrossim, não se deve confundir a figura dos administradores com aqueles funcionários que exercem cargos de alto nível nas sociedades, geralmente denominados "diretores", mas que na verdade são meros empregados, assalariados, subordinados hierarquicamente e não possuidores de autonomia para tomarem decisões referentes ao Fl. 4739DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.740 15 objeto social de tais sociedades, bem como, impossibilitados de representarem estas perante terceiros. Desta forma, os empregados de alto nível estão ligados às sociedades mediante um vínculo de subordinação; tratase de típico contrato de trabalho. O antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou sobre o tema, conforme se infere da decisão abaixo transcrita (...) O Parecer Normativo CST n° 109/75, na mesma esteira de raciocínio, procurou diferenciar a figura dos funcionários de alto nível, dos administradores das sociedades, expondo que estes últimos são aqueles que exercem funções de gerência DA empresa (ditando a política ou normas da empresa), enquanto que os funcionários de alto nível, meros empregados, exercem funções de gerência NA empresa. Por conseguinte, considerando que o diretor de sociedade anônima pode efetivamente exercer a função de empregado, como sustentam tanto a doutrina e a jurisprudência pátria, quanto a Instrução Normativa n° 2/69, não pode prevalecer, no presente caso, a presunção de que os diretores da Impugnante seriam administradores, a fim de justificar a indevida glosa dos valores que lhe foram pagos, uma vez que tais "diretores" eram empregados, conforme se pode comprovar da análise das fichas de registro de empregado e das Relações Anuais de Informações Sociais (RAIS) juntadas à presente peça impugnatória (doc. 9). A Autoridade Fiscal efetivamente entendeu tratarse de remuneração de caráter salarial, como se nota dos trechos acima descritos. Tanto é que lançou as contribuições previdenciárias incidentes sobre tais valores, por meio dos autos de infração lavrados nos processos administrativos n° 10920.722.344/201114 e n° 10920.722.345/201151. As referidas contribuições lançadas foram, inclusive, recolhidas pela Impugnante, conforme demonstrado preliminarmente nas impugnações aos autos de infração relativos aos processos previdenciários em tela, acompanhadas dos respectivos comprovantes de pagamento. Nem se diga que o fato de o pagamento ter ocorrido em parcela única seria suficiente para infirmar a natureza salarial dos valores pagos aos empregados da Impugnante. De fato, os pagamentos realizados em uma única parcela poderiam ter sido pagos aos empregados da Impugnante em parcelas mensais e iguais, o que em nada mudaria a sua natureza. O pagamento aglutinado em uma única parcela, portanto, não é capaz de retirar o caráter de salário dos valores em questão, o qual, repisese, foi confirmado pela própria Autoridade Fiscal, que entendeu tratarse de salário de contribuição e lançou as contribuições sociais correspondentes. 3.3. Ausência de configuração de conduta ilícita Inaplicabilidade da multa qualificada incidente sobre os valores constantes da Tabela 07 Item 3.5 do TVF (...) De fato, entendese por sonegação, nos termos do que estabelece o artigo 71 da Lei n° 4.502/64, toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e (ii) das condições pessoais de contribuintes, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Contudo, nenhuma dessas ações ou omissões foi praticada pela Impugnante, de modo que não há como proceder qualquer alegação de que a Impugnante teria feito "tudo" para ocultar da Fiscalização a ocorrência de fato gerador do IRPJ e da CSLL, de que desejaria sonegar tributos ou de que teria simulado negócio jurídico para deixar de Fl. 4740DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.741 16 recolhêlos, agindo de máfé, pois todas as operações por ela realizadas foram contabilizadas e nunca foram omitidas de nenhuma autoridade! (...) Deveras, quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. E mais, adultera documentos, se utiliza de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou "laranjas" e de documentos falsos e inidôneos. No presente caso, nenhuma destas condutas foi praticada pela Impugnante,(...) Portanto, restou demonstrado que não houve a fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso, razão pela qual deve essa E. Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores pagos via previdência privada ("Plano da Diretoria"). 3.4. Da inaplicabilidade da multa isolada e juros isolados em decorrência da falta de retenção do IRRF Itens 3.3 do Termo de Verificação Fiscal e 001 e 002 do auto de infração (...) De fato, na visão dos Srs. Auditores Fiscais, a cobrança da multa de ofício isolada, à razão de 150%, decorreria da aplicação do artigo 9º da Lei n° 10.426/02, com a majoração prevista no artigo 44, inciso I e § 1º , acrescida de juros isolados. Apontese, desde já, que tudo o que se alegará a respeito da multa isolada aplica se para afastar a imposição de juros isolados sobre tal multa. Dizse isso porque a multa isolada pela suposta falta de recolhimento de IR/Fonte corresponde à obrigação tributária principal, nos termos do § 3º do artigo 113 do Código Tributário Nacional, que determina que a "obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária". Os juros, por seu turno, acompanham o principal, de modo que o necessário cancelamento da multa isolada no presente caso conduzirá, inexoravelmente, ao cancelamento dos juros isolados. 3.4.1. Da inexistência de previsão legal para a exigência de multa isolada no presente caso (...) muito embora o Sr. Agente Fiscal tenha fundamentado a cobrança da multa isolada em comento no artigo 9º da Lei n° 10.426/02, com a redação dada pelo artigo 16 da Lei n° 11.488/07, tal como descrito no auto de infração, fato é que o referido dispositivo não prevê a cobrança de tal penalidade em hipóteses como a da Impugnante. Afinal, conforme se verificará, nos termos em que estão previstas atualmente as hipóteses de lançamento de ofício da multa isolada, não há fundamento para sua cobrança no presente caso.(...) (...) especificamente para os casos de retenção na fonte de tributos ou contribuições, o tratamento legal próprio foi conferido pelo artigo 9o da Lei n° 10.426/02. Em sua redação original, determinava o dispositivo que a fonte pagadora estaria sujeita às multas de que tratam os incisos I e II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos acima analisados (ou seja, 75% ou 150%; juntamente com o tributo ou isoladamente).(...) (...) observase que, com a promulgação da Lei n° 11.488/07, que alterou a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, atualmente somente existe a previsão legal para a cobrança de multa de ofício isolada no percentual de 50%, mas em hipóteses não existentes no presente caso (carnê leão e estimativas mensais). (...) Nesse exato sentido, destaquese o recente posicionamento proferido pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...) Fl. 4741DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.742 17 (...) Caso não se aceite o argumento até aqui exposto, referente à revogação da norma de aplicação da multa e dos juros isolados o que se alega a título meramente argumentativo fato é que, conforme já exposto anteriormente no item 3.3, a Impugnante não praticou quaisquer atos descritos no TVF que pudessem acarretar no agravamento da penalidade imposta. 4. CONTRIBUIÇÕES A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR – ITENS 3.4 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E 002 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 4.1. Da necessidade de sobrestamento do presente processo ou união para julgamento em conjunto com os processos administrativo n° 10920.722.344/201114 e n° 10920.722.345/201151 (...) Isso porque, nos termos do artigo 265, inciso IV, do Código de Processo Civil ("CPC"), suspendese o processo quando a sentença de mérito "depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente", (g.n.) 4.2. Da evidente contradição da Fiscalização quanto à natureza dos pagamentos feitos a Planos de Previdência Complementar (...) concluiu, de um lado, que os valores pagos pela Impugnante no âmbito dos planos FGB e PGBLI teriam a natureza salarial/remuneratória, sendo, portanto, passíveis da incidência das contribuições previdenciárias e, de outro, entendeu, no presente processo administrativo, como indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os pagamentos então caracterizados como salário. Ora, uma vez que a Fiscalização consignou que os montantes pagos pela Impugnante relativamente aos planos FGB e PGBLI não podem ser subsumidos à hipótese de isenção das contribuições previdenciárias, a consequência lógica de tal entendimento foi a incidência de tais tributos sobre os valores ora considerados, os quais foram cobrados nos já mencionados processos administrativos n° 10920.722.344/201114 e n° 10920.722.345/201151. Em outros termos, no ponto de vista do Sr. Agente Fiscal, os pagamentos realizados pela Impugnante devem ser entendidos como salário de contribuição, o qual constitui base de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos do inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, já mencionado e abaixo reproduzido (...) (...) passase a demonstrar a patente contradição existente nos presentes autos de infração, quando analisados em conjunto com os autos de infração lavrados contra a Impugnante que visam à cobrança das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos no âmbito dos planos FGB e PGBLI. (...) Conforme já se apontou na presente peça impugnatória, a dedutibilidade de uma despesa está intrinsecamente relacionada à comprovação de que esta é normal, necessária e usual às atividades da empresa, nos termos do artigo 299 do RIR/99. É esse o caso, claramente, das despesas com salários, as quais estão, indubitavelmente, enquadradas no conceito de despesas operacionais, por serem normais, necessárias e usuais à atividade de qualquer empresa. (...) Com efeito, configura verdadeiro absurdo o fato de a Autoridade Fiscal afirmar que a natureza dos pagamentos é de salário apenas quando tal fato interessa ao Fisco, ou seja, no momento de exigir o pagamento de contribuições previdenciárias, mas não reconhecer que tal condição denota a existência de uma despesa absolutamente operacional e, portanto, dedutível.(...) Fl. 4742DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.743 18 4.3. Da dedutibilidade dos pagamentos efetuados à Conselheira Rosane (...) Devese notar que são totalmente desprovidas de sentido as alegações da Autoridade Fiscal, na medida em que existe previsão expressa e específica na legislação a respeito da dedutibilidade das remunerações a conselheiros.Vejase, nesse sentido, o artigo 357 do RIR/99,(...) (...) Assim, nos termos do caput do artigo 357 do RIR/99, combinado com o inciso I de seu parágrafo único, serão dedutíveis na apuração do lucro real as remunerações a conselheiros que correspondam à "remuneração mensal e fixa por prestação de serviços". (...) 4.4. Da dedutibilidade das contribuições a Planos de Previdência Privada De fato, conforme demonstrado nas impugnações apresentadas nos processos administrativos n° 10920.722.344/201114 e n° 10920.722.345/201151, as quais a Impugnante espera que sejam julgadas conjuntamente com a presente impugnação, os planos PGB e PGBLI, mantidos pela Impugnante, correspondem a efetivos planos de previdência privada, que cumprem adequadamente os requisitos estabelecidos pela legislação de regência. Por essa razão, para fins de determinação da dedutibilidade de tais valores, seria aplicável ao caso concreto o já citado artigo 361 do RIR/99,(...) Portanto, em princípio, na hipótese de esta E. Turma Julgadora vir a entender, no julgamento das impugnações apresentadas no âmbito dos processos administrativos n° 10920.722.344/201114 e n° 10920.722.345/201151, que os planos FGB e PGBLI são legítimos e atendem adequadamente aos requisitos legais para a isenção das contribuições previdenciárias, imperativo seria o reconhecimento da dedutibilidade dos valores pagos por meio de tais planos, limitada a 20% "do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa vinculados ao referido plano". Não obstante, caso a referida hipótese venha a se confirmar, é certo que restará comprovado o evidente erro da Autoridade Fiscal ao autuar a Impugnante sem levar em consideração a dedutibilidade parcial das contribuições aos planos FGB e PGBLI, de modo que autos de infração lavrados, por padecerem de iliquidez e incerteza, deverão ser cancelados integralmente pela Turma Julgadora, não podendo esta simplesmente alterar os fundamentos da autuação, buscando corrigila. Com efeito, para ser válido o lançamento, devem ser cumpridos os requisitos de liquidez e certeza, em conformidade com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, sem os quais fica constatada a sua nulidade (...) Esse procedimento, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador e calcular o montante do tributo devido, encontrase disciplinado no Decreto n° 70.235/72, em seus artigos 10 e 11 (...) Portanto, uma vez constituído o crédito tributário baseado em determinado critério jurídico, cabe à autoridade julgadora, além de determinar a realização de eventuais diligências e perícias, apenas a declaração: (i) da total improcedência do lançamento; ou (ii) da sua procedência. (...) Não poderá a Turma Julgadora, portanto, simplesmente determinar que, por se tratar de pagamentos a legítimos planos de previdência privada, os montantes pagos pela Impugnante devem ser dedutíveis até o limite de 20% do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa vinculados aos referidos planos. Fl. 4743DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.744 19 Diante desta hipótese, o procedimento correto a ser adotado pela Turma Julgadora consiste na declaração da improcedência dos lançamentos, e não simplesmente na sua correção, por meio da utilização de novos critérios jurídicos, justamente porque este órgão colegiado não detém competência para aperfeiçoar o lançamento. (...) Nesse sentido já se posicionou o antigo E. Conselho de Contribuintes (...) 5. DA COBRANÇA DA MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA ITENS 3.6 DO TVF E 005 DO AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ E AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL (...) Com efeito, a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL somente pode ser realizada antes do encerramento do anobase. (...) Desta maneira, os recolhimentos efetuados com base na estimativa nada mais são do que uma antecipação do tributo que será devido no encerramento do período base. (...) Portanto, como os autos de infração, objeto do presente processo, foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2006 a 2009, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes o antigo Conselho de Contribuintes (...) 5.1. Da duplicidade de cobrança Impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício (...) não pode haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. (...) destaquese que a impossibilidade da cumulação de multas em debate já é assunto com posicionamento definido no E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse sentido, citese o entendimento manifestado, por unanimidade de votos, no Acórdão n° 140100.021, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento (...) 6. AD ARGUMENTANDUM: DA IMPOSSIBILIDADE DE ADIÇÃO DOS VALORES GLOSADOS À BASE DE CÁLCULO DA CSLL Isso porque, muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro, certo é que para ela (CSLL) existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais nem sempre são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. Deveras, não é possível à Administração Tributária querer atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas. O que existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. (...) Nesse sentido, é importante ressaltar que não há qualquer Lei, que vede a dedução pela Impugnante, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, das despesas glosadas pela Fiscalização nos autos do processo em referência. Nesse sentido, citese as palavras de Hiromi Higuchi: "Além daquelas despesas, os demais custos e despesas incorridos mas não dedutíveis na determinação do lucro real não são adicionados na apuração da base de Fl. 4744DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.745 20 cálculo da contribuição social sobre o lucro. Em algumas fiscalizações, todavia, os custos e despesas não dedutíveis para efeito do lucro real são incluídos na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro sob argumento de tratarse de mero reflexo. Tratase de equívoco."(gn.) 7. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. É o que se passará a demonstrar. De fato, o artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, (...) (...) Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal , o que não pode ser admitido por essa E. Turma Julgadora. Assim, ao exigir os juros calculados à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo, a Autoridade Fiscal agiu em evidente afronta ao princípio constitucional da legalidade, o que não pode ser admitido. Nesse sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...) Nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. (...) Ante o exposto, a Impugnante aguarda que essa I. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo. (...) A 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para: a) exonerar a contribuinte do pagamento: a) da multa proporcional no valor de R$ 6.795.622,84, relativamente ao lançamento do IRPJ, pela alteração do percentual de 150% para 75%, uma vez que não prevaleceu a qualificação apontada no trabalho fiscal; b) do IRPJ no importe de R$ 127.204,96, acompanhado de multa proporcional de 75% e dos juros de mora correspondentes; c) da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa do IRPJ, no valor de R$ 63.602,48; d) da multa no valor de R$ 2.446.424,20, relativamente ao lançamento da CSLL, pela alteração do percentual de 150% para 75%, uma vez que não prevaleceu a qualificação apontada no trabalho fiscal; e) da CSLL no montante de R$ 3.599.296,92, acompanhada de multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até a data do efetivo pagamento; f) da multa isolada pela falta de recolhimento da Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.746 21 estimativa da CSLL, no valor de R$ 1.629.497,65; g) da multa isolada pela falta de retenção do IRRF, no importe de R$ 7.473.732,31, uma vez que não prevaleceu a qualificação apontada no trabalho fiscal. O aludido Acórdão foi assim ementado (fls. 44844486): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM DOAÇÕES À ENTIDADE RECREATIVA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA. Não sendo a entidade beneficiária das doações reconhecida como de utilidade pública e existindo obrigatoriedade de pagamento de mensalidades pelos seus associados, fica descaracterizada a condição de prestação de serviços exclusivamente gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora e respectivos dependentes, necessária para que o benefício fiscal de dedução dessas doações seja usufruído. DESPESAS DECORRENTES DE COMPRA DE AÇÕES DE EMISSÃO DA PRÓPRIA EMPRESA. São indedutíveis despesas decorrentes de juros pagos na compra de ações de emissão da própria empresa, por corresponderem a gastos estranhos às atividades principais ou acessórias da empresa, não atenderem aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade exigidos pela legislação tributária, e, ainda, inexistir expressa previsão legal para sua dedução. BÔNUS A DIRIGENTES. Serão dedutíveis na determinação do lucro real as remunerações dos sócios, diretores ou administradores, titular de empresa individual e conselheiros fiscais e consultivos, desde que as retiradas correspondam à remuneração mensal e fixa por prestação de serviço. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. As contribuições para plano de previdência privada somente são dedutíveis se atenderem aos requisitos legais de similaridade com plano oficial e abrangência de todos os empregados e dirigentes. MULTA ISOLADA E MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. IRPJ e CSLL. As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. Apenas circunstancialmente os valores das bases de cálculo podem coincidir, o que não significa que sejam a mesma penalidade, ou que se esteja penalizando duplamente a mesma infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.747 22 BASE DE CÁLCULO Somente as adições previstas em lei devem ser somadas ao lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA E JUROS ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO. Na falta de retenção após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da referida declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do lançamento realizado por autoridade competente, respeitado o contraditório e a ampla defesa e com atendimento aos requisitos do artigo 10 do PAF e do artigo 142 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PAGAMENTO. EXTINÇÃO. A parcela do crédito tributário lançado no auto de infração (tributo, multa e juros) paga incide em hipótese de extinção. MULTA QUALIFICADA. Não restando caracterizado dolo, no tocante ao lançamento do IRPJ, IRRF e CSLL, deve persistir a multa de ofício de 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi interposto recurso de ofício, em conformidade com o disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Cientificada do referido Acórdão em 01/07/2013 (fls. 4560), a contribuinte apresentou em 31/07/2013 o recurso voluntário de fls. 45624650, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 4747DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.748 23 Em sua peça recursal, apresentou uma razão de defesa inovadora, referente à glosa das despesas com juros incorridos no processo de fechamento do capital da recorrente – OPA. A recorrente alegou que a decisão de piso manteve a glosa destas despesas sob fundamento diverso daquele utilizado pela Fiscalização no TVF. Para justificar seu entendimento, apresentou um quadro comparativo dos fundamentos utilizados pelo TVF e pelo acórdão da DRJ (fls. 45854586). Com base nesta alegada inovação de critério jurídico, requereu a declaração de nulidade da decisão de piso. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator do Voto Vencido O ilustre Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira apresentou a proposta de conversão do presente julgamento em diligência, para sobrestar o presente feito até o julgamento dos processos nºs. 10920.722344/201114 e 10920.722345/2011 51. A citada proposta foi vencedora, por ampla maioria de votos. Considerando que restei vencido em relação à proposta de diligência, reservo me o direito de apresentar meu voto de mérito somente após o julgamento dos processos nºs. 10920.722344/201114 e 10920.722345/2011 51. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator do Voto Vencido VOTO VENCEDOR Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencedor Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o redator designado Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias Fl. 4748DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.722342/201117 Resolução nº 1401000.321 S1C4T1 Fl. 4.749 24 em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a reprodução do voto. Dentre as parcelas objeto de glosa no presente processo, encontramse os pagamentos realizados a título de “Bônus a Dirigentes e Empregados Plano Previdência Privada e Pagamentos via Conta Bancária”. Referidas parcelas foram objeto de lançamentos de contribuição previdenciária controlados pelos processos nºs 10920.722344/201114 e 10920.722345/201151, sob a alegação de se tratarem de parcelas salariais (salário in natura). Em julgamento, a Turma Julgadora entendeu que a decisão daqueles processos administrativos interessa diretamente ao presente processo. Isso porque, a caracterização, ou não, das parcelas como sendo de natureza salarial poderá influenciar na dedutibilidade dos valores pagos a mesmo título, uma vez que o salário, ainda que in natura, seria dedutível da base de formação da renda tributável. Assim, entendeu por bem a maioria da Turma Julgadora, em sobrestar o julgamento do presente processo, até o trânsito em julgamento dos processos nºs 10920.722344/201114 e 10920.722345/201151. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 10540.900254/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO.
Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado, mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal da interessada, o direito creditório reclamado.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3301-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado, mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal da interessada, o direito creditório reclamado. Recurso ao qual se dá provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado, mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal da interessada, o direito creditório reclamado. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 02 54 /2 00 8- 31 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Salvador (fls. 25/28 da cópia digitalizada do processo, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente e indeferiu a compensação pleiteada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que denegou a restituição, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: O estabelecimento acima identificado formalizou PERDCOMP eletrônica, fls. 08 a 12, visando compensar os débitos nele declarados com o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, do tributo de código 6912 – PIS (Programa de Integração Social), referente ao PA de 31/01/2003. A DRF/Vitória da Conquista emitiu Despacho Decisório eletrônico, nº de rastreamento 757696653, de 24/04/2008, fl. 03, não homologando a compensação pleiteada, em face de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008, conforme informação à fl. 22, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01 a 02, alegando que: ] efetuou pagamento a maior de valores devidos a título de PIS/Cofins, em face da não aplicação da Lei nº 10.637, de 2002; ] considerando as movimentações da empresa e com espeque na Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, o valor apurado do referido tributo fica limitado R$ 143,26. Assim, no período de apuração mencionado foi pago a maior o valor de R$ 7.325,39, que foi objeto de compensação, conforme PERDCOMP às fls. 08 a 12; ] requer, com base nos fatos relatados, o deferimento do processo de compensação. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/09/2009 (fls. 31). Inconformada, a mesma apresentou, em 22/10/2009, o recurso Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10540.900254/200831 Acórdão n.º 3301002.702 S3C3T1 Fl. 62 3 voluntário de fls. 32/34, onde ressalta haver juntado aos autos documentação contábil e fiscal capaz de comprovar o direito creditório, o qual corresponderia a R$ 7.587,62, conforme demonstrado abaixo: Mês B/C Crédito Alíquota (%) Valor crédito Cred. estoque abertura Crédito do mês jan/03 446.823,15 1,65 7.372,58 215,04 7.587,62 Alega ainda o seguinte, verbis: Assim, em virtude das compras de mercadorias, lançadas no livro razão, fizemos (sic) jus ao crédito que nos é de direito haja visto (sic) que a Lei n° 10.637 institui o efeito nãocumulativo sobre o pagamento do PIS. Observase, a titulo de exemplo, mais uma vez, que o valor do PIS referente ao mês de Janeiro/2003 foi pago no valor de R$ 7.468,65 e lançado no Diário/Razão de acordo com o pagamento. Somente em 2004 depois de estar fechado o ano de 2003 percebemos que não usufruímos do direito ao crédito, então procedemos em fazer a compensação dos valores pagos a maior. Conforme cópias dos Livros Razão e Diário, em anexo, apontamos que no mês de Janeiro/2003 tivemos o valor de R$ 484.481,31 referente às compras. No entanto, sobre o valor de R$ 37.658,16 não incide PIS/COFINS, ficando assim o valor de R$ 446.823,15, como base para o referido crédito. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 22/09/2009 (fls. 31). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 22/10/2009, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF original não corresponderia à realidade fática. Aduz que teria direito a crédito decorrente de compras realizadas no período no valor de R$ 484.481,31, deduzido do montante de R$ 37.658,16, onde não teria havido a incidência de PIS/COFINS. Assim, o crédito seria o resultado da aplicação da alíquota de 1,65% sobre a quantia de R$ 446.823,15, correspondente pois a R$ 7.372,58, que, somado ao crédito referente ao estoque de abertura (R$ 215,04), resultaria no valor total do crédito pleiteado, ou seja, R$ 7.587,62. Pelo que foi relatado, constatase que o sujeito passivo se alicerça no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que autoriza o desconto de créditos calculados sobre bens adquiridos para revenda, salvo as exceções legais elencadas pela norma em Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 evidência. Também se baseia no artigo 11 da mesma norma, que dá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura existente em 1º de dezembro de 2002. A título de comprovação apresenta demonstração do custo das mercadorias de janeiro a março de 2003 (fls. 41), demonstração do resultado do exercício de janeiro a março de 2003 (fls. 42), balanço patrimonial levantado em 31/03/2003 (fls. 43/46), razão analítico da conta mercadorias correspondente ao período de 02/01/2003 a 31/01/2003 (fls. 49/56) e registro de apuração do ICMS de janeiro de 2003 (fls. 58/59). Em análise da documentação acostada aos autos, temse, de fato, que o montante de mercadorias adquiridas no mês de janeiro/2003 corresponde a R$ 484.481,31, como ressaltado pela interessada (vide razão analítico do período às fls. 56). Ademais, segundo o livro registro de apuração do ICMS, a soma dos montantes correspondentes aos CFOP de aquisição de mercadorias para comercialização (1.102, 1.403, 2.102, 2.403), lançados às fls. 58, corresponde a R$ 485.273,37 (soma de 145.494,27 + 146.165,42 + 139.475,69 + 54.137,99), ou seja, valor bem próximo (um pouco superior) ao de R$ 484.481,31, consignado no razão analítico. Portanto, os valores acima, extraídos da escrituração da recorrente, estão bem próximos àqueles informados pelo sujeito passivo, razão pela qual, entendo, está provada a base de cálculo da contribuição passível de creditamento, com fundamento no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10380.730189/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1655.545, exarado pela 2ª Turma da DRJ 1 em São Paulo SP. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 2321 e ss.): Tratase de impugnação de fls. 416/440, apresentada contra os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 171.366.413,77, aí incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até a data da autuação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 30 18 9/ 20 13 -1 8 Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 3 2 O auto de infração assim descreve as infrações às fls. 06/26, para a autuação do IRPJ: 0001 RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Receitas operacionais escrituradas e não declaradas, no valor de R$ 1.579.827,49, referente a um crédito oriundo do exterior, conforme lançamento contábil, conta 2130106, em 31/12/2008 (Doc 1). A contribuinte chegou a registrar na conta citada obrigações referentes ao IRPJ no montante de R$ 16.496.123,32, em 31/12/2008, ocorre que, na mesma data, transferiu para a conta 2430101 – RESULTADOS ACUMULADOS, o valor de R$ 1.579.827,49 e, por conseguinte, agregou ao lucro líquido sujeito a distribuição ao quadro societário, sem a devida tributação. Na escrituração contábil foram efetuados dois lançamentos para a transferência em 31/12/2008: D 2130106 IRPJ C 3280101– PROV IR 1.579.827,49 D 328.0101 PROV IR C 2430101 RESULTADOS ACUMULADOS 1.579.827,49 Como se vê, a conta 3280101 PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA foi debitada e creditada pelo mesmo valor, ou seja, o efeito foi zero, restando, induvidosamente, a transferência do valor para o Resultado Liquido do Período. Resultado de R$ 31.322.977,02 que, ainda em 31/12/2008, foi integralmente transferido para a conta "21605 DIVIDENDOS A PAGAR" (Doc 10) e efetivamente distribuído em 02/03/2009, conforme Razão do anocalendário 2009 (Doc 11). (...) 0002 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE RECEITAS – EMPRESAS IMOBILIÁRIAS E/OU CONTRATOS DE LONGO PRAZO A contribuinte desenvolve a atividade de montagem de usinas termoelétricas, tendo iniciado suas operações no anocalendário 2008. Para esse mister assinou três contratos de longo prazo, ainda em execução,a saber: Contrato I Porto do Pecém 720 MW UTE, de 27/01/2008; Contrato II Porto Itaqui 360 MW UTE, de 27/01/2008; e Contrato III Porto do Pecém BR 365 MW UTE, de 06/11/2008 (extratos anexos Doc. 15, 16 e 1). Entretanto, na apuração do resultado dos contratos, por não ter observado a IN SRF 21/79, reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de postergação no reconhecimento de receitas Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 4 3 tributáveis dos períodos trimestrais do ano calendário 2009, no qual foi tributada com base no Lucro Real Trimestral, e do período do ano calendário 2010, que optou pela tributação com base no Lucro Real Anual. Intimada a respeito, conforme Termo de Intimação 007 PAPEL, respondeu (Doc. 13) em relação a cada projeto: 1 data da assinatura do contrato; 2 data de assinatura do último aditivo; 3 valor contratado. Valor este que será utilizado no cálculo da apuração do resultado, conforme demonstrativos anexados; 4 custo total estimado. No caso, informa que não houve segregação dos custos de produção por contrato e dá um valor global; 5 data de reajuste e respectivos valores; 6 data da conclusão. A informação é que nada foi concluído até o presente momento. Quanto aos custos de produção foi lavrada nova intimação, desta feita em mídia eletrônica, identificada como Termo de Intimação 007 NOTES, que é complemento da 007 em PAPEL, exigindo a composição do custo total estimado por projeto. A resposta a este documento (Doc. 14), depois de alguns ajustes, informa os custos realizados até julho de 2013, dos contratos em conjunto, e o estimado para a conclusão final, também dos três projetos englobadamente, perfazendo, assim, o custo total estimado de R$ 3.436.828.976,00 (Doc. 12A, base para cálculo dos percentuais de realização dos contratos): (...) Considerando que os três projetos estão sendo executados simultaneamente, desde o início, e que na auditoria das contas de custos ficou constatado que não houve a segregação por contrato, é de se concluir que a apuração do resultado dos contratos por período, pode ser feito em conjunto, sem prejuízo para a fiscalizada. Para isso, determinouse a Receita Total Reajustada por projeto, de acordo com os números apresentados pela própria contribuinte e, posteriormente somadas por período (Doc 12B), a saber: (...) Em razão da contribuinte não ter determinado o resultado dos contratos de longo prazo, por período de apuração, e por não ter apresentado Laudo Técnico de Execução, só restou à fiscalização a possibilidade de apurar o resultado com base no critério dos custos incorridos em relação ao custo total estimado, como demonstrado nas planilhas Apuração Contrato L Prazo Custos nesta, se encontra o Percentual Acumulado de Realização de cada período (Doc. 12 A), na planilha Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 5 4 Apuração Contrato L Prazo Receitas nesta está demonstrado o reconhecimento da receita devida (Doc. 12B) e na planilha Apuração Contrato L Prazo Resultado (Doc 12C) nesta se demonstra o resultado por período, tendo sido constatada redução indevida do Lucro Real nos seguintes períodos: 3º TRIMESTRE 2009 R$ 10.840.323,00 4º TRIMESTRE 2009 R$ 13.567.757,00 ANOCALENDÁRIO 2010 RS 242.857.557,00 Por oportuno, esclareçase que nos anoscalendário seguintes a empresa registrou prejuízo fiscal, portanto, nada recolheu de imposto postergado. (...) 0003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Recolhimento a menor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente ao anocalendário 2008, no montante de R$ 789.798,19 causado pelas deduções indevidas de Imposto de Renda Retido na Fonte e Imposto de Renda pago no Exterior (ver infração por falta de recolhimento de estimativa do IRPJ), conforme demonstrativos: (...) 0004 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPENSAÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE RECOLHIMENTOS ANTERIORES EFETUADOS A MAIOR Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 800.181,47, no ano calendário 2008. A contribuinte ao preencher a DIPJ/2009 FICHA 12A CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO REAL consignou na linha 14 Imp. de Renda Ret. na Fonte o montante de R$ 1.850.282,28, enquanto que, na escrituração contábil, o saldo da conta "1120403 IRRF S/APLIC FINANCEIRAS" (Doc 2), em 31/12/2008, é de R$ 1.764.047,91, a diferença resultante de R$ 86.234,37 já foi vencida na infração INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Ocorre que, após auditoria circunstanciada na conta contábil citada, verificouse que, em relação ao cálculo do IRPJ do anocalendário 2008, ao invés da dedução do saldo do IRRF, via registro contábil, só foi efetivamente compensado (lançado) o valor de R$ 963.866,44. A diferença, R$ 800.181,47, foi utilizada na compensação de outras obrigações do IRPJ do anocalendário 2009. A auditoria da conta IRRF S/ APLIC FINANCEIRAS (Doc 2 e 7) consistiu na análise dos anoscalendário 2008 e 2009 e nas contas que serviram de contrapartida: "1120404 IRPJ Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 6 5 ESTIMATIVA" (Doc 6 e 8) e "2130106 OBRIG EST IRPJ" (Doc 1 e 9). Com efeito, o saldo inicial da conta "1120403 IRRF S/ APLIC FINANCEIRAS AC 2009 (Doc 7), em 01/01/2009, é, como não poderia deixar de ser, igual ao saldo final da mesma conta em 31/12/2008 (Doc 2), R$ 1.764.047,91. E, como se pode verificar no Razão, o lançamento de R$ 963.866,44, em 31/01/2009, tem como contrapartida a conta "2130106 OBRIGAÇÕES IRPJ (Doc 9), zerando a obrigação do anocalendário 2008: (...) O próximo lançamento na conta "1120403 IRRF S/ APLIC FINANCEIRAS" é de 30/04/2009 e diz respeito ao IRPJ do ano calendário 2009, que, digase de passagem, foi declarado no regime trimestral, fatos que demonstram cabalmente, a dedução indevida do IRPJ demonstrada na DIPJ/2009. A conta "1120404 IRPJ ESTIMATIVA" (Doc 6 e 8) corrobora os fatos descritos quando apresenta saldo ZERO, em 31/01/2009, após o lançamento do recolhimento da Estimativa de dezembro/2008 no dia 30/01/2009. Por oportuno, e com o fito de uma melhor clareza, vale lembrar que por ocasião da infração n° 2 INSUFICIENCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ ficou demonstrado: IMPOSTO DEVIDO R$ 16.492.123,32 () ESTIMATIVA RECOLHIDA R$ 13.938.277,22 () SALDO IRRF S/ APLIC FIN R$ 1.764.047,91 IMPOSTO A RECOLHER R$ 789.798,19 Observese que o saldo de IRRF S/ APLC FIN foi todo aproveitado, reduzindo, dessa maneira o Imposto a Recolher. Na presente infração demonstrase que do saldo de IRRF S/ APLICAÇÕES FINANCEIRAS só foram efetivamente compensados no IRPJ apurado em 31/12/2008, RS 963.866,44, o que implica numa dedução indevida de R$ 800.181,47 (saldo em 31/12/2008 R$ 1.764.047,91 R$ 963.866,44). (...) 0005 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Multa pela falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função do balanço de suspensão ou redução, referentes aos meses de junho e dezembro de 2008, nos valores de R$ 7.076,08 e de R$ 1.271.846,97, respectivamente. Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 7 6 Com efeito, no que pertine a junho/2008, o Imposto de Renda Mensal, no montante de R$ 14.152,62 (DIPJ/2009 FICHA 11), apesar de ter sido lançado no razão da conta 2130106 OBRIGAÇÕES FISCAIS/IRPJ (Doc. 1), o mesmo não foi recolhido, conforme se pode verificar no sistema SINAL (Doc. 4), cabendo, por consequência, a cobrança da multa de 50%, que importa em R$ 7.076,08. Em relação ao mês de dezembro/2008, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função do balanço de suspensão ou redução, foi recolhido a menor em R$ 2.543.693,94, o que implica na aplicação da multa de 50%, com importe de RS 1.271.846,97, consoante demonstrativo. (...) A falta de recolhimento foi em decorrência do aproveitamento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras de R$ 915.237,17, mais R$ 1.628.456,77 referentes a um crédito inexistente do exterior, perfazendo o total de R$ 2.543.693,94. Quanto ao IRRF, o valor apesar de consignado na DIPJ/2009 FICHA 11 LINHA 07, do mês de dezembro, não houve lançamento correspondente na conta "IRRF S/APLIC FINANCEIRAS 1120403" (Doc 2), o que torna indevida a dedução, mormente, por que o saldo final da conta foi aproveitado na apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (DIPJ/2009 FICHA 12A, LINHA 14). No que diz respeito ao valor de R$ 1.628.456,77, referente ao suposto credite oriundo do exterior, também consigando na DIPJ/2009 FICHA 11 DEZ/ 08, LINHA 08, intimada a apresentar o comprovante (item 02 do Termo de Intimação 0006), informou na Resposta à Intimação 006 (Doc 3): "A informação constante na DIPJ referente ao pagamento do valor de R$1.628.450,77 (sic) a título de Imposto de Renda no Exterior se trata de um erro no preenchimento da referida declaração, motivo pelo qual a empresa não tem como apresentar o comprovante solicitado, tendo em vista que o mencionado pagamento não existiu, devendo, esta informação constante da DIPJ ser desconsiderada". Destarte, fica patente a falta de recolhimento de R$ 2.543.693,94 (R$ 915.237,17 + R$ 1.628.456,77) da estimativa do IRPJ de dezembro/2008, implicando, assim, na multa mencionada. (...) Cientificado, em 01/11/2013, nos próprios autos de infração, o contribuinte apresentou, em 03/12/2013, a presente impugnação, com as alegações abaixo sintetizadas. PRELIMINAR As presentes autuações seriam nulas por ausência de infração e erro de cálculo. Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 8 7 MÉRITO ITEM 0001 dos autos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS O valor de R$ 1.579.827,49 tratado no item 0001 corresponderia à parte do crédito tomado no Brasil do imposto de renda pago no Chile sobre o lucro líquido disponibilizado pela MABE Chile (empresa controlada localizada no Chile), conforme o Tratado para evitar a dupla tributação BrasilChile (Decreto 4.852/2003). Esse valor estaria compreendido dentro do lucro líquido da MABE Chile apurado no ano de 2008 no valor de aproximadamente R$ 14 milhões, o qual já teria sido tributado no Brasil em razão da equivalência patrimonial. Tributálo novamente como pretende a D. Fiscalização equivaleria a um Bis in Idem, o que não seria admissível. Ademais, a receita de equivalência patrimonial não seria tributável pelo PIS e COFINS. Item 0002 do auto de IRPJ e Item 0003 do auto de CSLL Teria ocorrido erro de cálculo pela D. Fiscalização no momento de estimar a receita que seria tributável de acordo com o custo incorrido pela Requerente e as receitas decorrentes dos contratos de empreitada de longo prazo por ela firmados. A diferença de receita apurada pela D. Fiscalização teria decorrido da utilização indevida de receitas previstas no contrato que teriam sido pagas diretamente a empresa MABE Chile (uma das partes do contrato localizada no Chile), as quais corresponderiam às importações de mercadorias vendidas pela MABE Chile às empresas contratantes no Brasil. Uma vez refeitos os cálculos, a Requerente verificou que não haveria qualquer diferença de tributo a ser paga após a exclusão das receitas apuradas pela MABE Chile. Item 0003 do AIIM IRPJ: Os documentos trazidos com a impugnação comprovariam a quitação da estimativa mensal do IR e seria legítimo o crédito oriundo do imposto de renda recolhido no exterior (Chile). Item 0004 do AIIM IRPJ Os documentos anexos a presente impugnação comprovariam o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) decorrente de aplicações financeiras e a sua utilização na apuração do IRPJ do ano de 2008 e não no ano de 2009 como teria alegado a Fiscalização, assim não haveria valor residual de IRPJ a ser cobrado em 2008. Item 0005 do AIIM IRPJ Os documentos anexos à presente impugnação demonstrariam que os valores de estimativa dos meses de junho/2008 e dezembro/2008 teriam sido compensados com créditos decorrentes de aplicações financeiras e do imposto de renda recolhido no exterior e creditado no Brasil conforme o Decreto 4.852/2003 (Acordo BrasilChile). A jurisprudência administrativa de forma reiterada não admitiria a cobrança da multa de isolada de 50% em conjunto com a multa de ofício de 75% e tampouco após o término do respectivo exercício. Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 9 8 Itens 0002 e 0004 do AIIM CSLL Os documentos colacionados comprovariam que o valor da diferença de estimativa da CSLL do mês de Junho/2008 no valor de R$ 5.814,78 teria sido compensado e quitado com crédito de COFINS pago a maior, não seria aplicável a multa isolada de 50% pelos mesmos motivos acima. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação para reconhecer a extinção por compensação de parte das estimativas do IRPJ e da CSLL referente ao mês de junho de 2008, exonerando assim parte do IRPJ, da CSLL e das respectivas multas isoladas. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 2355 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Alega a defesa ser nulo o lançamento por inexistência das infrações apontadas pela fiscalização, bem como por conter erros de cálculo. Não há como acolherse o pedido da recorrente haja vista que, a teor do disposto nos a seguir transcritos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, os vícios apontados não dão causa à nulidade do lançamento, e sim, se for o caso, à sua retificação: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) 3) DA ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 10 9 No item 0001 dos autos de infração do IRPJ, PIS, Cofins, e CSLL a autoridade tributária afirma o seguinte (fl. 6): Receitas operacionais escrituradas e não declaradas, no valor de R$ 1.579.827,49, referente a um crédito oriundo do exterior, conforme lançamento contábil, conta 2130106, em 31/12/2008 (Doc 1). A contribuinte chegou a registrar na conta citada obrigações referentes ao IRPJ no montante de R$ 16.496.123,32, em 31/12/2008, ocorre que, na mesma data, transferiu para a conta 2430101 RESULTADOS ACUMULADOS, o valor de R$ 1.579.827,49 e, por conseguinte, agregou ao lucro líquido sujeito a distribuição ao quadro societário, sem a devida tributação. Na escrituração contábil foram efetuados dois lançamentos para a transferência em 31/12/2008: D 2130106 IRPJ C 3280101 PROV IR 1.579.827,49 ..................................... D 3280101 PROV IR C 2430101 RESULTADOS ACUMULADOS 1.579.827,49 Como se vê, a conta 3280101 PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA foi debitada e creditada pelo mesmo valor, ou seja, o efeito foi zero, restando, induvidosamente, a transferência do valor para o Resultado Líquido do Período. Resultado de R$ 31.322.977,02 que, ainda em 31/12/2008, foi integralmente transferido para a conta "21605 DIVIDENDOS A PAGAR" (Doc 10) e efetivamente distribuído em 02/03/2009, conforme Razão do anocalendário 2009 (Doc 11). (...) Em sua defesa alega a recorrente o seguinte: a) o valor de R$ 1.579.827,49, integrante do crédito no montante de R$ 2.568.123,27, referese ao imposto de renda pago no Chile por sua controlada, a empresa Comercializadora de Equipos y Materiales Mabe Limitada (fl. 664 e ss.); b) a existência dessa empresa foi informada na ficha 34 da DIPJ/2009 (fl. 158) e o lucro por ela disponibilizado, no montante de R$ 14.819.082,53, foi adicionado ao lucro real e à base de cálculo da contribuição social, conforme fichas 09A e 17 da mesma declaração (fl. 142 e fl. 153); c) referido imposto foi compensado pela ora recorrente, controladora de Mabe Chile, conforme lhe faculta o disposto no art. 26 da Lei nº 9.249/95; d) ocorre que os lucros disponibilizados no exterior foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo seu valor bruto, ou seja, antes de descontado o imposto pago no exterior. Assim sendo, se a recorrente houvesse adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o imposto de renda pago no exterior no valor de R$ 1.579.827,49 estaria incorrendo em bis in iden. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 11 10 Pois bem, não está claro que o valor de R$ 1.579.827,49, transferido da conta representativa da provisão para o imposto de renda para a conta representativa de lucros acumulados, tenha como origem o imposto pago no exterior por Mabe Chile. Até porque, conforme afirmado pela própria recorrente, o imposto pago pela controlada chilena equivale a R$ 2.568.123,27. Assim sendo, não faria sentido o argumento da contribuinte pois, para anular o alegado bis in iden deveria ela excluir da provisão o montante de R$ 2.568.123,27, e não apenas R$ 1.579.827,49. Seja como for, de acordo o com o abaixo transcrito art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, os lucros disponibilizados por controlada no exterior devem ser tributados no Brasil pelo seu valor bruto, ou seja, antes de descontado o imposto no país de origem: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. (...) § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. (...) Correta, portanto, a exigência do IRPJ. Contudo, o mesmo não se pode dizer em relação à CSLL bem como ao PIS/Cofins. De fato, quanto à CSLL a autoridade não demonstrou ter havido exclusão do montante de R$ 1.579.827,49 da conta representativa da provisão para a contribuição social sobre o lucro. Ademais, não provou que os R$ 1.579.827,49 referemse a receita auferida pela ora recorrente, daí porque sobre aquele valor não poderia incidir o PIS/Cofins já que tais contribuições têm como fato gerador a receita. 4) DA ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DA RECEITA No item 0002 do auto de infração do IRPJ e no item 0003 do auto de infração da CSLL a autoridade tributária afirma o seguinte (fl. 7 e ss.): A contribuinte desenvolve a atividade de montagem de usinas termoelétricas, tendo iniciado suas operações no anocalendário 2008. Para esse mister assinou três contratos de longo prazo, ainda em execução, a saber: Contrato I Porto do Pecém 720 MW UTE, de 27/01/2008; Contrato II Porto Itaqui 360 MW UTE, de 27/01/2008; e Contrato III Porto do Pecém BR 365 MW UTE, de 06/11/2008 (extratos anexos Doc 15, 16 e 17). Entretanto, na apuração do resultado dos contratos, por não ter observado a IN SRF 21/79, reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de postergação no Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 12 11 reconhecimento de receitas tributáveis dos períodos trimestrais do ano calendário 2009, no qual foi tributada com base no Lucro Real Trimestral, e do período do anocalendário 2010, que optou pela tributação com base no Lucro Real Anual. Intimada a respeito, conforme Termo de Intimação 007 PAPEL, respondeu (Doc 13) em relação a cada projeto: 1 data da assinatura do contrato; 2 data de assinatura do último aditivo; 3 valor contratado. Valor este que será utilizado no cálculo da apuração do resultado, conforme demonstrativos anexados; 4 custo total estimado. No caso, informa que não houve segregação dos custos de produção por contrato e dá um valor global; 5 data de reajuste e respectivos valores; 6 data da conclusão. A informação é que nada foi concluído até o presente momento. Quanto aos custos de produção foi lavrada nova intimação, desta feita em mídia eletrônica, identificada como Termo de Intimação 007 NOTES, que é complemento da 007 em PAPEL, exigindo a composição do custo total estimado por projeto. A resposta a este documento (Doc 14), depois de alguns ajustes, informa os custos realizados até julho de 2013, dos contratos em conjunto, e o estimado para a conclusão final, também dos três projetos englobadamente, perfazendo, assim, o custo total estimado de R$ 3.436.828.976,00 (Doc 12A,base para cálculo dos percentuais de realização dos contratos): ANOCALENDÁRIO 2008 R$ 63.198.534,00 1o TRIMESTRE 2009 R$ 20.864.587,00 2° TRIMESTRE 2009 R$ 71.755.116,00 3o TRIMESTRE 2009 R$ 67.535.683,00 4o TRIMESTRE 2009 R$ 217.664.584,00 ANOCALENDÁRIO 2010 R$ 971.018827,00 ANOCALENDÁRIO 2011 R$ 851.468.925,00 ANOCALENDÁRIO 2012 R$ 849.771.120,00 ANOCALENDÁRIO 2013 R$ 143.551.600,00 CUSTO ESTIMADO R$ 180.000.000,00 OBS.: OS CUSTOS DO PERÍODO 2008 A 2012 CONSTAM DAS DIPJs Considerando que os três projetos estão sendo executados simultaneamente, desde o início, e que na auditoria das contas de custos ficou constatado que não houve a segregação por contrato, é de Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 13 12 se concluir que a apuração do resultado dos contratos por período, pode ser feito em conjunto, sem prejuízo para a fiscalizada. Para isso, determinouse a Receita Total Reajustada por projeto, de acordo com os números apresentados pela própria contribuinte e, posteriormente somadas por período (Doc 12B), a saber: ANOCALENDÁRIO 2008 R$ 4.756.082.233,00 1o TRIMESTRE 2009 R$ 4.844.348.135,00 2o TRIMESTRE 2009 R$ 4.751.041.571,00 3o TRIMESTRE 2009 R$ 4.440.566.772,00 4o TRIMESTRE 2009 R$ 4.423.500.157,00 ANOCALENDÁRIO 2010 RS 4.464.694.345,00 (...) Em sua defesa a recorrente alega que a autoridade tributária cometeu erro quanto ao montante da receita por ela auferida na execução dos três contratos sob exame. Afirma que a receita auferida, já reajustada, foi de R$ 2.955.490.921,00 e não de R$ 4.948.220.057,00 (fl. 2372). Explica que a diferença, no montante de R$ 1.992.729.136,00, é receita de sua controlada no exterior, Comercializadora de Equipos y Materiales Mabe Limitada (Mabe Chile), conforme itens 4.1, 4.26 e 14.15 dos mencionados contratos. Pois bem, pelo exame dos três contratos (fl. 682 e ss.; fl. 828 e ss.; fl. 961 e ss.) é possível verificar que em cada um deles há três partes, quais sejam: (i) a "Empregadora", que são, Porto do Pecém Geração de Energia S.A. (Contrato I), UTE Porto do Itaqui Geração de Energia S.A. (Contrato II) e MPX Pecém II Geração de Energia S.A. (Contrato III); (ii) a "Contratada", ora recorrente, Mabe Construção e Administração de Projetos Ltda., e; (iii) a "Fornecedora no Exterior", Comercializadora de Equipos y Materiales Mabe Limitada. A DRJ de origem manteve essa parte da autuação com base no seguinte argumento (fl. 2337): Ora, o item 4.1 (fls. 717) da tradução de um dos contratos, nos outros a mesma informação se repete , colacionado pelo próprio impugnante em fls. 682/1071 assim estabelece, cabendo esclarecer que ao referirse à contratada está se referindo ao impugnante: 4. A Contratada 4.1. Obrigações Gerais da Contratada A Contratada deverá realizar as Obras, incluindo o planejamento, engenharia, fornecimento, preparação do local, construção, comissionamento, inicialização, demonstração, teste, engenharia de valor, gestão, operação durante funcionamento de teste, instalação e conclusão do Projeto, assim como o fornecimento de todos os Maquinários e Materiais (incluindo sua instalação), máquinas, ferramentas, suprimentos, artigos de consumo (incluindo óleo lubrificante mineral e/ou sintético para primeiro abastecimento), mãode obra, supervisão, transporte, administração, treinamento e Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 14 13 outros serviços e itens exigidos para concluir e entregar à Empregadora, e permitir que a Empregadora inicie a operação do Projeto, integralmente testado, integrado e operacional, em cada caso, em conformidade com o Contrato. Quando concluídas, as Obras deverão ser adequadas para os propósitos pelos quais as Obras são pretendidas, conforme definidos no Contrato. Além disso e sem prejudicar a sentença precedente, a Contratada, ao realizar as Obras, deve exercer o grau de cuidado e diligência em conformidade com a Prática Industrial Prudente. (grifo da transcrição) Ora, da leitura do referido item se depreende que embora o impugnante queira fazer crer que os valores atribuídos pela fiscalização como receitas por ele auferidas no fornecimento dos equipamentos às empresas contratantes, não é o está estabelecido no item 4.1 acima transcrito. (...) Em outras palavras, entendeu o órgão de primeiro grau que foi a ora recorrente quem forneceu às contratantes (Empregadoras) os maquinários e materiais adquiridos de Mabe Chile. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente, a cláusula 4.26 de cada contrato, que trata das "Compras Diretas de Maquinários ou Materiais Importados", encontra se assim redigida: "Todos os Maquinários ou Materiais que serão importados para a realização das Obras deverão ser vendidos diretamente pela Fornecedora No Exterior à Empregadora para que, a partir do ponto de vista legal, a Empregadora possa ser considerada na qualidade de importadora dos referidos Maquinários ou Materiais pelas autoridades fiscais brasileiras." (grifamos) (...) Isso posto, a meu juízo, há uma dubiedade entre as cláusulas 4.1 e 4.26 dos referidos contratos, pois não está claro se a relação jurídica de compra e venda dos materiais e maquinários importados se deu entre a "Empregadora" e a "Contratada" (ora recorrente cláusula 4.1), ou se ocorreu entre a "Empregadora" e a "Fornecedora no Exterior" (Mabe Chile cláusula 4.26). A favor da segunda hipótese há os documentos de fl. 1159 e ss., fl. 1511 e ss. e fl. 1913 e ss. Tratamse, entre outros documentos, de invoices, e declarações de importação indicando como fornecedor Mabe Chile e como adquirente/importador as "Empregadoras". Contudo, tais documentos foram emitidos, em sua maioria, no ano de 2011, enquanto a exigência de IRPJ e CSLL referese aos 3º e 4º trimestres de 2009 e ao anocalendário de 2010. 5) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade tributária de jurisdição do sujeito passivo: Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.730189/201318 Resolução nº 1201000.183 S1C2T1 Fl. 15 14 a) verifique, tento em vista o disposto nas cláusulas 4.1 e 4.26 dos contratos, se a relação jurídica obrigacional de fornecimento dos materiais e maquinários importados se deu entre a ora recorrente e as Empregadoras, ou se se deu entre Mabe Chile e as Empregadoras. Se for o caso, poderá inclusive intimar as Empregadoras para elucidar a questão; b) informe se o montante da receita empregada na lavratura do auto de infração, em reais, é aquele auferido pela recorrente, conforme item anterior; c) em caso negativo, refaça os demonstrativos 12A a 12C (indicados nos autos de infração) e informe os novos valores de IRPJ e de CSLL a serem exigidos da contribuinte; d) recomponha os documentos contidos nas fls. 82 a 86 dos autos, tendo em vista a ocorrência de erro na leitura do arquivo digital (pdf); e) elabore relatório sobre as informações acima requeridas; f) intime a recorrente a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório de diligência no prazo de 20 dias de sua ciência; g) ao final, encaminhe os autos a esta Turma para julgamento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13688.720073/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AJUSTE. DIRF x DIRPF Recorrente AURELIO WALMIR CAIXETA DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 8. 72 00 73 /2 01 1- 42 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 2402004.989 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para manter o crédito tributário exigido após a revisão efetuada pela autoridade lançadora no Despacho Decisório de fl. 68, relativo ao IRPF e demais acréscimos legais, exercício 2009, ano calendário 2008. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, teria sido constatada: a) omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 376.055,71, com IRRF de R$ 11.805,00; b) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 7.464,80, informado em Dimob pela administradora de imóveis Coelho da Fonseca Empreendimentos Imobiliários Ltda; Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: c) o nome da fonte pagadora estaria incorreto, posto que os rendimentos se refeririam, na realidade, a valores pagos pelo Banco ABN Amro Real S/A, e que parte dos rendimentos omitidos seria de natureza isenta, mais especificamente a parcela correspondente aos juros de mora A própria autoridade lançadora, com supedâneo na Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04/08/2010, analisou as questões de fato trazidos pelo impugnante e emitiu o Termo Circunstanciado de fls. 63/66, excluindo da omissão a parcela que corresponderia aos juros de mora considerada isenta, esclarecendo ainda que a DIRF teria sido apresentada pelo Banco do Brasil S/A, pois se trataria da instituição financeira depositária dos rendimentos. Após a revisão, foi lavrado o Despacho Decisório de fl. 68, no qual se apurou o saldo de imposto a pagar no valor de R$ 46.886,42. Cientificado do citado despacho, o impugnante apresentou manifestação, na qual alegou que: d) teria havido retenção de imposto de renda relativo à mesma ação trabalhista, no valor de R$ 116.503,19, em novembro de 2001; e) não se poderia considerar apenas o valor bruto recebido em 2008 para cálculo do imposto sobre o montante tributável, pois deveria ser considerado o montante total recebido na ação, com dedução do valor isento e apuração do valor tributável; f) não seriam devidos multa e juros, pois não teria recebido qualquer informação fiscal do Banco do Brasil S/A acerca do valor tributável, isento, imposto retido, etc. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: g) não teria sido contestada a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 7.464,80, informado em Dimob pela administradora de imóveis, razão pela qual se consideraria a mesma matéria não impugnada; h) o imposto de renda retido na fonte apenas poderia ser compensado na DAA relativa ao anocalendário da percepção dos rendimentos a que corresponderia, tendo em vista que o IRPF se sujeitaria ao regime de caixa; i) em se tratando de RRA, o imposto incidiria no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária; j) a alegação do contribuinte de que não teria declarado os rendimentos em razão de não ter sido entregue pela fonte pagadora o informe de rendimentos anual não afastaria a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora. Notificado da decisão em 14/02/2015, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/03/2015, no qual alegou que: k) na DIRPF do anocalendário 2001, teria havido informação equivocada dos rendimentos tributáveis e da base de cálculo, o que teria implicado um imposto superior ao efetivamente devido; l) o imposto ora cobrado já teria sido retido e recolhido indevidamente pelo banco no ano de 2001, de tal forma que deveria ser feita compensação; m) não se poderia considerar apenas o valor bruto recebido em 2008 para cálculo do imposto sobre o montante tributável, pois deveria ser considerado o montante total recebido na ação, com dedução do valor isento e apuração do valor tributável; n) o imposto já teria sido recolhido, de tal forma que seria indevida a cobrança de multa e juros. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 2402004.989 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da matéria não contestada Vale lembrar que, tanto na impugnação, quanto no recurso, não foi contestada a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 7.464,80, informado em Dimob pela administradora de imóveis, de tal forma que permanece a omissão apurada pela fiscalização, ex vi dos arts. 17 e 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/1972. Da omissão de rendimentos O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacouse) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista movida em face do Banco ABN Amro Real S/A. Os valores a ela atinentes são de anoscalendário pretéritos e foram pagos de forma acumulada em 2001 e 2008, o que levou a DRJ a decidir pela aplicação do art. 56 do RIR, segundo o qual os RRA são totalmente tributados no mês do recebimento. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 2402004.989 S2C4T2 Fl. 5 7 Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 8 julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 2402004.989 S2C4T2 Fl. 6 9 adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Sobreleva ressaltar que os fundamentos acima são suficientes para embasar a decisão, não sendo necessário enfrentar, um a um, os argumentos da parte recorrente. Isto é, a prestação jurisdicional foi dada na medida exata da pretensão deduzida, sendo inútil e desnecessário analisar os demais fundamentos recursais. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para darlhe TOTAL PROVIMENTO, a fim cancelar o lançamento no tocante à omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Banco do Brasil S/A. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 19311.720281/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
REGIME MONOFÁSICO. LEI Nº 10.147/2000. FABRICANTES DE PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA OU DE TOUCADOR. REVENDA. INCIDÊNCIA.
Incidem as alíquotas diferenciadas previstas no art. 1º, I, "b" da Lei nº 10.147/2000 sobre as receitas oriundas da revenda de produtos de higiene pessoal, perfumaria ou de toucador, auferida por pessoa jurídica fabricante desses produtos, ainda que o revendedor não os tenha submetido a processo de industrialização.
ERROS MATERIAIS. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
MULTAS. ABUSIVIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE.
Estando a penalidade e seu percentual expressamente previstos em texto legal, só cabe à administração verificar a presença dos pressupostos de fato para sua aplicação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à tomada de crédito das contribuições sobre as operações contabilizadas sob os CFOP 2949 e 1102, conforme apurado em diligência, e para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que votaram por manter os juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LEI Nº 10.147/2000. FABRICANTES DE PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA OU DE TOUCADOR. REVENDA. INCIDÊNCIA. Incidem as alíquotas diferenciadas previstas no art. 1º, I, "b" da Lei nº 10.147/2000 sobre as receitas oriundas da revenda de produtos de higiene pessoal, perfumaria ou de toucador, auferida por pessoa jurídica fabricante desses produtos, ainda que o revendedor não os tenha submetido a processo de industrialização. ERROS MATERIAIS. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. ABUSIVIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Estando a penalidade e seu percentual expressamente previstos em texto legal, só cabe à administração verificar a presença dos pressupostos de fato para sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 81 /2 01 2- 87 Fl. 3743DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à tomada de crédito das contribuições sobre as operações contabilizadas sob os CFOP 2949 e 1102, conforme apurado em diligência, e para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que votaram por manter os juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao PIS e à Cofins, com ciência pessoal do contribuinte em 15/06/2012, lavrados em razão da falta de recolhimento das contribuições no regime monofásico devidas pelos fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2010. Segundo consta do termo de verificação fiscal (fls. 2531/2542), a atividade do contribuinte consiste na industrialização e comercialização de produtos de higiene e de toucador (marca Nívea). O contribuinte também realizou importações por encomenda e por conta e ordem desses mesmos produtos de outras empresas do grupo Beiersdorf. Foi constatado, ainda, que a fiscalizada adquiriu, para revenda, sabonetes da empresa Higident do Brasil Indústria e Comércio Ltda (ItajubáMG). As mercadorias assim adquiridas foram revendidas para a comercial atacadista BDF – Nívea Ltda (CNPJ 43.389.383/000132). O contribuinte não tomou créditos de PIS e Cofins nem sobre as importações e nem sobre o valor das aquisições de sabonetes no mercado interno. Nas vendas à BDFNívea o contribuinte considerou que as receitas provenientes dessas operações estavam sujeitas à alíquota zero de PIS e de Cofins, invocando como base legal o art. 1º, § 1º da Lei nº 10.147/2000. Entende a fiscalização que essas vendas deveriam ter sido tributadas com as alíquotas de 2,2% (PIS) e de 10,3% (Cofins), pois a alíquota zero somente pode ser aplicada às receitas auferidas por empresas exclusivamente comerciantes, a teor do art. 1º combinado com o art. 2º da Lei nº 10.147/2000. Foi apurado também excesso na base de cálculo de créditos do PIS e Cofins nas linhas "02. Bens Utilizados com Insumos" das fichas 06A e 16A dos Dacon, sobre os totais mensais dos dispêndios efetivamente ocorridos e registrados nos Livros Registro de Entradas sob os CFOP 1101 e 2101 (compras para industrialização). Houve preenchimento incorreto de campos dos Dacon, uma vez que em todos os períodos de apuração foram omitidas informações referentes às devoluções de vendas e importações diretas, além de valores Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.744 3 relativos a bens adquiridos como insumos terem sido declarados como se fossem de bens destinados à revenda. Não foram informados nos Dacon valores relativos às despesas com energia elétrica. Diante das irregularidades constatadas, foram lavrados autos de infração para a exigência das contribuições com a multa de ofício agravada em 50% (art. 959, II, do RIR/99), por ter o contribuinte apresentado à fiscalização, fora do prazo regulamentar, os arquivos digitais do ano de 2008 no padrão exigido pela IN SRF nº 86/2001 e ADE Cofis nº 15/2001. A fiscalização menciona a inflição da multa regulamentar, em razão dos erros de preenchimento dos Dacon, nos termos do art. 7º, III e IV, e § 3º da Lei nº 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. O contribuinte sintetizou sua impugnação da seguinte forma: (i) Estão sujeitas à sistemática monofásica da Lei 10.147/00 e conseqüentemente à aplicação das alíquotas majoradas – 2,2% (PIS) e de 10,3% (COFINS) – apenas a receita bruta apurada pela pessoa jurídica que tenha procedido à industrialização ou à importação de produtos classificados sob as posições 3303 a 3307 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00; (ii) Os insumos importados (na modalidade de conta e ordem) ou adquiridos no mercado nacional, que são utilizados na industrialização de produtos (classificados nas posições 3303 a 3307 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00) geram direito de crédito de PIS e COFINS à requerente; (iii) A receita bruta decorrente da venda (mera revenda) dos produtos, ainda que classificados sob as posições 3303 a 3307 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00, que não forem objeto de industrialização ou importação da requerente está sujeita à alíquota zero, na forma da Lei nº 10.147/00, sem direito a crédito de PIS e Cofins; (iv) Em se tratando de importação, aquelas realizadas sob a modalidade conta e ordem, são referentes a insumos que são posteriormente utilizados pela requerente na sua atividade de industrialização, pelo que dão direito a créditos de PIS e Cofins, e a receita bruta decorrente da venda do produto final fica sujeita às alíquotas de 2,2% (PIS) e 10,3% (Cofins); (v) As operações de importação por encomenda de produtos finais são realizadas por comerciais importadoras (terceiros) e os produtos assim importados não são submetidos a nenhuma forma de industrialização do art. 4º do RIPI; dessa forma, a receita bruta decorrente da venda desses produtos é sujeita à alíquota zero sem direito a crédito de PIS e Cofins; (vi) Da mesma forma, em relação aos sabonetes, são adquiridos no mercado interno de pessoa jurídica industrial, sendo que cabe à requerente tão somente proceder à revenda sem nenhuma industrialização, o que conduz à conclusão de que é acertada a aplicação da alíquota zero de PIS e Cofins; (vii) Todos os documentos, arquivos, demonstrativos e esclarecimentos foram apresentados à fiscalização durante o procedimento fiscal. Não obstante, há erros de interpretação quanto à legislação e aos fatos, e também nos cálculos realizados pela fiscalização, demonstrando total falta de consciência nos procedimentos adotados, pelo que caberia uma diligência para apurar corretamente os cálculos, em se considerando, ad argumentandum, que a presente impugnação não seja acolhida; Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 (viii) Nem pretenda a fiscalização atribuir o direito aos créditos de PIS e Cofins à requerente na ânsia de ter tributada a totalidade da receita da requerente na forma da Lei nº 10.147/00 (2,2% e 10,3% de PIS e Cofins, respectivamente), pois afronta toda a legislação e a sistemática tributária vigentes; (ix) Como a requerente não cometeu nenhuma infração, descabidos a multa de ofício e os juros Selic. Com mais razão deve ser afastado o agravamento da multa de ofício, pois o pedido de prorrogação de prazo, que justifica o atraso e demonstra a boafé da requerente, atestam que a multa de 112,5% aplicada pelo fiscal é abusiva. Por meio do Acórdão nº 38.820, de 03/09/2012, a 3ª Turma da DRJ – Campinas julgou a impugnação procedente em parte. Foram retificados erros materiais alegados e afastado o agravamento da multa. A 3ª Turma da DRJ – Campinas decidiu as seguintes questões: 1) Quanto à sujeição das receitas da recorrente provenientes da mera revenda dos produtos discriminados no art. 1º da Lei nº 10.147/00, entendeu a turma de piso que o regime monofásico define os grupos de contribuintes que serão tributados com alíquotas diferenciadas em percentuais mais elevados do que aqueles aplicáveis ao regime geral. O art. 1º da Lei nº 10.147/2000 escolheu qual o grupo de contribuintes que seria tributado com alíquotas diferenciadas (pessoas jurídicas que importam ou industrializam os produtos de perfumaria e toucador). O inciso I, alínea “a”, do referido dispositivo estabeleceu a venda desses produtos como sendo a operação que ficaria sujeita às alíquotas majoradas. E o art. 2º desonerou a receita bruta decorrente de vendas desses produtos somente em relação às pessoas jurídicas que não se enquadrem na condição de industrial ou de importador. Este entendimento seria confirmado pelo art. 24 da Lei nº 11.727/2008, que reconheceu à pessoa jurídica fabricante de produtos sujeitos ao regime monofásico o direito ao crédito das contribuições, quando adquirir esses produtos de outra pessoa jurídica importadora ou fabricante para fins de revenda. Assim, a receita proveniente da revenda de produtos de higiene pessoal, perfumaria ou de toucador, quando auferida por pessoa jurídica fabricante desses produtos, ainda que tal receita decorra de mera revenda, sujeitase às alíquotas diferenciadas da Lei nº 10.147/00, com direito ao crédito estabelecido no art. 24 da Lei 11.727/2008, tal como entendeu a fiscalização; 2) Quanto aos erros materiais cometidos pela fiscalização, a DRJ considerou improcedentes as alegações no sentido de que a fiscalização teria ignorado créditos sobre aquisições de matériaprima; que a fiscalização teria exigido as contribuições sobre devoluções e reversões de vendas; e que a fiscalização aplicou as alíquotas diferenciadas em relação a produtos que estão excluídos da sistemática monofásica; 3) Foi acolhida a alegação de erro material em relação à utilização indevida do livro registro de entradas que continha erro em sua impressão. A DRJ efetuou a retificação dos cálculos utilizando as cópias do livro corretamente impressas; 4) A DRJ considerou que embora o termo de verificação tenha feito referência à multa regulamentar por erro no preenchimento do DACON, essa multa não foi aplicada no auto de infração; 5) A DRJ decidiu desagravar a multa de ofício, pois a própria fiscalização concedeu prorrogação de prazo para apresentação de arquivos magnéticos e não foi consignada a data de protocolo no documento que formalizou a entrega dos arquivos restantes por parte do contribuinte, fato que impossibilitou o julgador de aferir se a entrega dos arquivos se deu após Fl. 3746DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.745 5 o novo prazo concedido pela fiscalização. A dúvida quanto ao cumprimento ou não do prazo prorrogado colocou em xeque o agravamento da penalidade; 6) Foi mantida a incidência da taxa Selic na forma posta no lançamento. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 07/11/2012 (fl. 2.819), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/11/2012 (fl. 2.822), insurgindose contra a decisão recorrida quanto à interpretação do alcance do regime monofásico estabelecido no art. 1º da Lei nº 10.147/00 e também em relação ao não acolhimento das alegações relativas aos erros materiais contidas na impugnação. Quanto à questão do regime monofásico, reiterou as alegações contidas na impugnação, no sentido de que o simples fato da pessoa jurídica ser fabricante ou importadora de produtos de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, não sujeita a totalidade de suas receitas às alíquotas diferenciadas de PIS e Cofins. Segundo seu entendimento, apenas estão sujeitas às alíquotas diferenciadas os produtos que sejam por ela industrializados ou importados diretamente. As receitas provenientes da mera revenda desses produtos enquadramse no art. 2º da referida lei, ou seja, sujeitamse à alíquota zero. Na hipótese de sua interpretação não prevalecer, reafirmou a existência de erros materiais não acolhidos pela DRJ, quais sejam: a) a fiscalização só considerou créditos em relação à importação de produtos acabados, ignorando as DI apresentadas durante a fiscalização, que demonstram as matériasprimas que também dão direito a crédito (CFOP 2949); b) quanto à tributação das devoluções/reversões de venda, alegou que a fiscalização não considerou as contabilizadas sob os CFOP 1410 e 1411. A fiscalização só considerou as devoluções contabilizadas sob os CFOP 1201, 2201, 1202 e 2202; e c) existem produtos que a recorrente adquire para revenda (CFOP 1102 e 2102), que estão excluídos da sistemática monofásica. Entretanto a recorrente preencheu o DACON incorretamente de forma que esses produtos foram indicados como insumos, quando na verdade eram produtos destinados à revenda. Assim, o mero equívoco da recorrente não lhe retira o direito aos créditos dos produtos para revenda NCM 3401.30.00 e 3401.19.00. Insurgiuse contra a multa de 75%, sob o argumento de ser abusiva e confiscatória, citando julgados do Supremo Tribunal Federal para corroborar sua tese. Atacou a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, alegando que sua cobrança viola o art. 150, inciso I, do CTN (sic). Na hipótese de ser mantida a aplicação da taxa Selic sob o crédito tributário lançado, requereu que ela não incida sobre a multa de ofício, conforme a pacífica jurisprudência do CARF. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, pugnando pela legalidade do lançamento, valendose dos argumentos a seguir resumidos: 1) A Lei nº 10.147/2000 estabeleceu incidência única das contribuições, que se realiza apenas sobre a indústria e o importador, atribuindo alíquota zero para os produtos especificados para o restante da cadeia. É nítido o objetivo do legislador concentrar a tributação na fase de produção, liberando a fase de comercialização, com o fim de facilitar o controle fiscal. A interpretação defendida pela recorrente contraria a lógica da instituição do regime monofásico porque o fisco teria que distinguir cada operação de venda realizada pela indústria de modo a determinar se o contribuinte estaria atuando ou não como industrial. A Fl. 3747DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 receita bruta oriunda de quaisquer vendas de produtos de higiene pessoal, toucador e perfumaria, realizadas por quem seja produtor ou importador desse tipo de bem está submetida às alíquotas diferenciadas do regime monofásico. A norma não fez nenhuma distinção ou ressalva quanto à origem dos produtos vendidos pelos produtores ou importadores e nem determina a aplicação de alíquota zero sobre revendas desses bens praticadas por indústria. A lei é expressa em determinar a aplicação da alíquota zero apenas para varejistas; 2) No que concerne à tributação das receitas oriundas da venda de bens importados por conta e ordem, a defesa afirmou que a empresa somente importava, sob essa modalidade, matériasprimas utilizadas na industrialização de produtos de higiene e toucador e que, nesses casos, teria recolhido PIS e COFINS com base na Lei nº 10.147/2000. Entretanto, não existem nos autos documentos hábeis a infirmar a alegação da fiscalização, de que a recorrente procedeu à importação de produtos finais também nas modalidades de importação por conta e ordem; 3) Na modalidade de importação por conta e ordem, o importador de fato é aquele que encomenda a importação, o adquirente da mercadoria, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país. A trading que realiza a importação é mera mandatária do adquirente. O registro da declaração de importação em seu nome não caracteriza uma importação própria, mas sim, por ordem do adquirente. Tanto isso é verdade que a receita bruta da importadora (trading), para fins de incidência do PIS e COFINS, corresponde ao valor dos serviços prestados e, ainda, que não se caracteriza operação de compra e venda a emissão de nota fiscal de saída das mercadorias importadas, do estabelecimento do importador para o do adquirente. E também o importador não pode descontar eventuais créditos gerados pelo recolhimento dessas contribuições por ocasião da importação realizada. Quem tem o direito de aproveitar esses créditos é o adquirente. Tudo isso demonstra que o importador por conta e ordem está na mesma situação do importador direto para fins de enquadramento no regime monofásico; 4) Já no caso da importação por encomenda, que é aquela em que uma empresa adquire mercadorias do exterior com recursos próprios e promove o despacho de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante, a legislação determina que o direito ao desconto de créditos é do encomendante (art. 34 da IN 594/2005). Por seu turno o art. 24 da Lei nº 11.727/2008 determina que a pessoa jurídica fabricante de produtos sujeitos à incidência monofásica que adquire esses mesmos produtos de outra pessoa jurídica importadora ou fabricante, para fins de revenda no mercado interno, tem o direito de apurar créditos sobre a aquisição desses bens. Sendo assim, se cabe o desconto de créditos ao fabricante que não fabrica ou a importador que não importa, como afirmar que a alíquota de bens importados por encomenda seria zero? 5) Quanto aos sabonetes, a defesa não comprovou que os sabonetes foram revendidos sem sofrerem uma das operações de industrialização previstas na legislação; 6) Quanto aos erros materiais apontados no lançamento, a Procuradoria da Fazenda Nacional invocou a análise das planilhas feita pela DRJ, pugnando pela manutenção do que ali restou decidido; 7) No que tange aos consectários do lançamento de ofício, pugnou pela manutenção. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, entende que tal incidência tem amparo legal porque o art. 139 do CTN estabelece que o crédito tributário compreende o tributo e a multa. Fl. 3748DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.746 7 Por meio da Resolução nº 3403000.525 o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que: a) a fiscalização verificasse e informasse se foram ou não considerados os créditos relativos às entradas de matériasprimas contabilizadas sob o CFOP 2949; b) se houve ou não exigência indevida das contribuições sobre devoluções/reversões de vendas contabilizadas sob o CFOP 1410 e 1411; e c) para que fosse esclarecido se houve glosa indevida de créditos decorrentes de bens adquiridos para revenda (CFOP 1102 e 2102). Os autos retornaram com os documentos de fls. 3.530 a 3.778. No relatório de diligência a fiscalização informou o seguinte: 1) as matériasprimas importadas por conta e ordem, registradas com CFOP 2949, não consideradas no lançamento de ofício, estão contabilizadas e consideradas no recálculo das contribuições, conforme demonstrativo anexo. A esse respeito, apesar dos erros no preenchimento dos DACON, não há óbice ao aproveitamento dos créditos correspondentes; 2) Os créditos sobre as compras para revenda com o código CFOP 1102, não consideradas no lançamento de oficio, foram contempladas no recálculo das contribuições, conforme demonstrativo anexo; 3) O créditos referentes às compras para revenda com o código CFOP 2102 já tinham sido contemplados no lançamento de ofício, porquanto referemse às aquisições de mercadorias importadas através das comerciais importadoras Trop Companhia de Comércio Exterior, Cotia Vitória Comércio e Serviços S/A e Comexport Companhia de Comércio Exterior Ltda, conforme demonstrativo anexo; 4) Igualmente foram considerados no lançamento de ofício os créditos pertinentes às importações efetuadas diretamente pelo contribuinte, conforme demonstrativo anexo. Em sua manifestação sobre a diligência, a defesa alegou, em síntese, o seguinte; 1) Em relação aos créditos CFOP 2102 a empresa apresentou todos os documentos que comprovam tais créditos, mas eles não foram considerados nem no lançamento de ofício e nem na diligência. A fiscalização deveria ter considerado as Notas Fiscais no tocante às operações sob o CFOP 2102 (compras de mercadorias no mercado nacional), cujas cópias já se encontram totalmente acostadas. Entretanto, apesar de não ter considerado essas notas, a fiscalização alega que foram consideradas outras operações para fins de créditos de PIS e COFINS no lançamento de ofício, o que, de fato, não se observa; 2) A fiscalização levou em conta os créditos com base em algumas DI equivocadamente, já que tais documentos nem geraram créditos para a requerente. Ainda que a fiscalização pudesse considerar as DI para fins de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, não foram indicadas na relação preparada pela fiscalização a totalidade dessas DI, o que demonstra que houve inconsistência no procedimento adotado pela fiscalização. Foi reiterado o pedido de que sejam considerados os créditos referentes às compras para revenda CFOP 2102, com base nos documentos já apresentados. É o relatório. Fl. 3749DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. São três as questões a serem enfrentadas por este colegiado: (i) sujeição da recorrente ao regime monofásico em relação a produtos revendidos; (ii) erros materiais cometidos pela fiscalização e (iii) legalidade dos consectários do lançamento de ofício e incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A primeira questão posta para o deslinde deste colegiado consiste em saber se a pessoa jurídica, que industrializa ou importa produtos discriminados no art. 1º da Lei nº 10.147/00, deve submeter a totalidade das receitas auferidas com as vendas desses bens às alíquotas diferenciadas do regime monofásico, ou se esse regime só se aplica às receitas provenientes de vendas de produtos que efetivamente tenham sido industrializados ou importados pela pessoa jurídica. Entende o contribuinte que somente estariam sujeitas ao regime monofásico as receitas decorrentes de vendas de produtos industrializados ou importados diretamente pela pessoa jurídica. Para a recorrente, a lei não colocou a pessoa jurídica produtora ou importadora daqueles produtos automaticamente no regime monofásico, mas apenas uma parcela de suas receitas, exatamente aquela parcela proveniente da venda de produtos que tenham sido por ela industrializados ou importados. Tendo em vista que as receitas que foram tributadas pela fiscalização neste processo foram auferidas em relação à venda de produtos que não foram efetivamente industrializados e nem importados diretamente pela recorrente, a defesa sustentou que tais receitas foram corretamente tributadas pelo contribuinte com a alíquota zero, nos termos do art. 2º da Lei nº 10.147/00. Por outro lado, a fiscalização e a decisão de primeira instância enveredaram por outro caminho, entendendo que a menção às pessoas jurídicas que promovam a industrialização ou a importação dos produtos de perfumaria, higiene pessoal ou de toucador, se refere à pessoa jurídica em si e não às operações de industrialização ou de importação propriamente ditas. No entender da administração, as receitas provenientes das vendas daqueles produtos estão sujeitas ao regime monofásico, independentemente de a pessoa jurídica industrial ou importadora ter efetivamente industrializado ou importado diretamente os produtos citados pela lei. Seguindo esta vertente interpretativa, a receita proveniente da revenda dos sabonetes que foram adquiridos de estabelecimento industrial no mercado interno, estaria sujeita às alíquotas diferenciadas do regime monofásico, pelo simples fato de a recorrente revestir a condição de empresa industrial de produtos de perfumaria, higiene e toucador classificados nas posições da TIPI discriminadas no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00. Os fatos geradores abarcados pelos autos de infração ocorreram no período compreendido entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2010, os quais eram regidos pelos arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147/00, com as redações introduzidas pelas Leis nº 10.548/02 e 10.865/04, in verbis: Fl. 3750DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.747 9 “Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) omissis... b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta das demais atividades. § 1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI. § 2º O Poder Executivo poderá, nas hipóteses e condições que estabelecer, excluir, da incidência de que trata o inciso I, produtos indicados no caput, exceto os classificados na posição 3004. § 3º Na hipótese do § 2º, aplicase, em relação à receita bruta decorrente da venda dos produtos excluídos, as alíquotas estabelecidas no inciso II. Art. 2º . São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples.” (Grifei) Os dispositivos acima transcritos constituem exceção à regra geral de incidência das contribuições nãocumulativas estabelecida pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. O objetivo do regime monofásico é facilitar a fiscalização dos tributos por meio da concentração da tributação em um número menor de contribuintes. O legislador atribui uma alíquota mais gravosa a um pequeno número de contribuintes, geralmente industriais e grandes atacadistas e desonera o restante da cadeia. No caso específico dos produtos de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, o art. 1º da Lei nº 10.147/00 elegeu os contribuintes cujas receitas se sujeitam às Fl. 3751DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 alíquotas diferenciadas e o art. 2º estabeleceu, por exclusão, os contribuintes que seriam desonerados. À luz do art. 2º, estão desonerados todos os contribuintes que não forem industriais ou importadores dos produtos especificados no art. 1º, I, “b”, da Lei nº 10.147/00. Em outras palavras, a lei desonerou os contribuintes que são exclusivamente comerciantes dos produtos especificados no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00. Se a desoneração recaiu sobre aqueles contribuintes que são exclusivamente comerciantes, a conclusão a que se chega é que a expressão “(...) pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação (...)” contida no caput do art. 1º da Lei nº 10.147/00 abrange todas as pessoas jurídicas que sejam industriais ou importadoras daqueles produtos. Portanto, se pessoa jurídica for industrial ou importadora dos produtos especificados no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00 e auferir receita proveniente da venda desses produtos, essa receita estará sujeita às alíquotas diferenciadas do regime monofásico, independentemente de os produtos terem sido efetivamente industrializados ou importados pela pessoa jurídica. Essa interpretação é confirmada pelo fato de o art. 24 da Lei nº 11.727/08 ter concedido à empresa sujeita ao regime monofásico o direito de crédito sobre aquisições de desses produtos, quando efetuadas de outra pessoa jurídica importadora ou fabricante, para fins de revenda. Eis a transcrição do referido dispositivo legal: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.83, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” A interpretação sistemática dos arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147/00 e do art. 24 da Lei nº 11.727/08, permite estabelecer as seguintes regras para o regime monofásico: 1) se a venda dos produtos classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI for efetuada por pessoa jurídica que industrialize ou importe esses produtos, a receita será tributada com as alíquotas diferenciadas do regime monofásico; 2) se a venda dos produtos nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI for efetuada por pessoa jurídica exclusivamente comerciante (que não seja industrial e nem importador), a receita será tributada com alíquota zero; Fl. 3752DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.748 11 3) se a empresa industrial ou importadora auferir qualquer outra receita que não seja proveniente da venda dos produtos especificados no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00, deverá tributar essas receitas com as alíquotas estabelecidas no art. 1º, II, da Lei nº 10.147/00 (0,65% para o PIS e 3% para a Cofins); 4) se a empresa industrial ou importadora, sujeita ao regime monofásico, adquirir os produtos especificados no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00 de outra empresa industrial ou importadora, poderá descontar a título de créditos de PIS e Cofins o valor dessas contribuições devidos pelo fornecedor em decorrência da operação. Desse modo, é irrelevante perquirir sobre a origem dos produtos, se industrializados ou importados pela própria empresa, ou se adquiridos de terceiros para revenda, pois o único critério estabelecido no art. 1º, I, "b", da Lei nº 10.147/00 é a natureza do produto vendido. Alegou a defesa que a fiscalização só teria considerado créditos em relação à importação de produtos acabados, ignorando as DI apresentadas durante a fiscalização, as quais demonstrariam a existência de matériasprimas que também dão direito a crédito (CFOP 2949). No que concerne a essa alegação de fato, na diligência efetuada a fiscalização reconheceu que no lançamento de ofício tais créditos não haviam sido considerados, tendo efetuado o recálculo das contribuições, em relação ao qual a defesa não apresentou contestação, devendo ser acatado o recálculo elaborado pela fiscalização. Outro erro material alegado pelo contribuinte foi a suposta tributação das devoluções/reversões de venda. Segundo a defesa, a fiscalização não teria considerado nas exclusões da base de cálculo as devoluções/reversões contabilizadas sob os CFOP 1410 e 1411. Os CFOP 1410 e 1411 se referem a operações com mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária. No quesito "b" da diligência, foi solicitado à fiscalização que se manifestasse acerca da exigência ou não das contribuições sobre operações com mercadorias realizadas sob os CFOP 1410 e 1411. O relatório de diligência não se manifestou sobre esse quesito e também nada foi alegado a respeito pela defesa na manifestação quanto à diligência. Sendo assim, a solução da questão passa pela análise da distribuição do ônus da prova. Verificandose as planilhas que acompanham o termo de verificação, fls. 2573 a 2581, constatase que foram consideradas devoluções e reversões de vendas registradas sob os CFOP 1201,1202, 2201 e 2202. Tais valores de reversões foram utilizados na dedução das bases de cálculo, conforme comprovam os demonstrativos de fls. 2586 a 2597. Em sede de impugnação e de recurso voluntário, a defesa alegou que não teriam sido deduzidas as reversões contabilizadas sob os CFOP 1410 e 1411, mas nenhum documento foi juntado para comprovar tal alegação. Fl. 3753DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Apenas em dezembro de 2012 é que a defesa juntou a petição de fls. 2977 e seguintes, colacionando os documentos que no seu entender comprovariam os erros materiais alegados. Foi em razão dessa petição que o julgamento foi convertido em diligência. O exame dos documentos de fls. 3318 a 3325 embora revelem que no livro de IPI existem operações contabilizadas sob os CFOP 1410 e 1411, não comprovam a magnitude valor que deveria ser excluído, pois nos referidos documentos em vez de a defesa demonstrar mês a mês os valores das exclusões pretendidas, demonstrou a apuração de créditos das contribuições sobre tais operações. Ora, a demonstração do cálculo de créditos sobre operações contabilizadas sob os CFOP 1410 e 1411 é totalmente incompatível com a alegação contida no recurso de que tais operações não foram ou não teriam sido excluídas das bases de cálculo pela fiscalização. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 exige que a contestação do contribuinte seja específica e que venha acompanhada das provas que possuir. Não tendo sido específico quanto ao valor da exclusão pretendida; não tendo apresentado as notas fiscais hábeis a dar suporte às operações CFOP 1410 e 1411, bem como sua contabilização; e não tendo contestado a omissão da fiscalização quanto ao item "b" da diligência, só resta a este colegiado rejeitar a alegação do contribuinte. Alegou a defesa que a empresa adquire para revenda (CFOP 1102 e 2102) produtos que são excluídos do regime monofásico. Entretanto, preencheu o DACON incorretamente de forma que esses produtos foram indicados como insumos, quando na verdade eram produtos destinados à revenda. Entende a recorrente que o mero equívoco no preenchimento do DACON não lhe retira o direito aos créditos dos produtos para revenda NCM 3401.30.00 e 3401.19.00. Quanto a esta alegação, a fiscalização admitiu na diligência que não havia considerado os créditos na apuração original em relação aos CFOP 1102 e efetuou o recálculo no demonstrativo que acompanhou o relatório de diligência. Não houve contestação do contribuinte quanto a este cálculo. Entretanto, quanto ao CFOP 2102 a fiscalização afirmou que já havia considerado tais créditos na apuração original, pois se referem a operações com as empresas citadas no termo de diligência. A defesa contestou essa afirmação da diligência, sob o argumento de que os créditos sobre mercadorias adquiridas para revenda não foram considerados nem na apuração original e nem na diligência. Mais uma vez a solução da questão deve ocorrer pelo ônus da prova. Em sede de recurso voluntário e de impugnação a defesa, além de não ter se desincumbido do ônus da prova, foi genérica na sua alegação, pois não indicou quais os valores e nem os períodos de apuração em que os créditos não foram considerados. O mesmo se deu na manifestação em relação à diligência. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 exige que a contestação do contribuinte seja específica e que venha acompanhada das provas que possuir. Não tendo sido específico quanto aos valores e períodos dos créditos pretendidos; não tendo apresentado as notas fiscais relativas aos CFOP 2102 e nem demonstrado sua contabilização, só resta a este colegiado rejeitar a alegação do contribuinte. Fl. 3754DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.749 13 Relativamente à multa de ofício, estando a penalidade expressamente prevista em texto legal, só cabe à administração verificar a existência dos pressupostos de fato para sua aplicação. Alegações relativas à abusividade ou à inconstitucionalidade da multa de ofício, estão fora da alçada de competência das esferas administrativas de julgamento e devem ser levadas ao Poder Judiciário, se for o caso, a teor da Súmula CARF nº 2. No que tange à exigência dos juros de mora com base na taxa Selic, a questão também já está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 4. Por fim, quanto à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, tal questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. Fl. 3755DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Fl. 3756DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720281/201287 Acórdão n.º 3402002.799 S3C4T2 Fl. 3.750 15 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à tomada de crédito das contribuições sobre as operações contabilizadas sob os CFOP 2949 e 1102, conforme apurado em diligência, e para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Como afirmado pelo Cons. Antônio Carlos Atulim em seu voto, são três as questões a serem enfrentadas pelo colegiado: (i) sujeição da recorrente ao regime monofásico em relação a produtos revendidos; (ii) erros materiais cometidos pela fiscalização e (iii) legalidade dos consectários do lançamento de ofício e incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Na ocasião da votação, sustentei que no que refere aos itens "ii" e "iii", o entendimento esposado pelo relator seu voto não merecia reparos, inaugurando divergência relativa ao item "i". Fl. 3757DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Diante de uma leitura mais detida da documentação do processo, bem como do Acórdão da DRJ de Campinas, verifiquei que a aplicação das alíquotas às receitas do Recorrente obedeceram estritamente a esquemática elaboração do Ilustre Relator: A interpretação sistemática dos arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147/00 e do art. 24 da Lei nº 11.727/08, permite estabelecer as seguintes regras para o regime monofásico: 1) se a venda dos produtos classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI for efetuada por pessoa jurídica que industrialize ou importe esses produtos, a receita será tributada com as alíquotas diferenciadas do regime monofásico; 2) se a venda dos produtos nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI for efetuada por pessoa jurídica exclusivamente comerciante (que não seja industrial e nem importador), a receita será tributada com alíquota zero; 3) se a empresa industrial ou importadora auferir qualquer outra receita que não seja proveniente da venda dos produtos especificados no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00, deverá tributar essas receitas com as alíquotas estabelecidas no art. 1º, II, da Lei nº 10.147/00 (0,65% para o PIS e 3% para a Cofins); 4) se a empresa industrial ou importadora, sujeita ao regime monofásico, adquirir os produtos especificados no art. 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/00 de outra empresa industrial ou importadora, poderá descontar a título de créditos de PIS e Cofins o valor dessas contribuições devidos pelo fornecedor em decorrência da operação. Diante disso, reformo meu entendimento pretérito para aderir integralmente ao voto do Relator, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à tomada de crédito das contribuições sobre as operações contabilizadas sob os CFOP 2949 e 1102, conforme apurado em diligência, e para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. (Assinado com certificado digital) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3758DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/1 2/2015 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722790/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010
GLOSA. IMPROCEDÊNCIA.
As compensações devem ser efetuadas com consonância com o art. 170-A, do CTN.
Numero da decisão: 2302-003.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa de compensações efetuadas sem a observância do artigo 170-A do Código Tributário Nacional, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. As compensações devem ser efetuadas com consonância com o art. 170-A, do CTN.
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IMPROCEDÊNCIA. As compensações devem ser efetuadas com consonância com o art. 170A, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa de compensações efetuadas sem a observância do artigo 170A do Código Tributário Nacional, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 27 90 /2 01 2- 61 Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10320.722790/201261 Acórdão n.º 2302003.670 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização do acórdão proferido. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa de compensações efetuadas sem a observância do artigo 170A do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001539/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
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Numero da decisão: 3201-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Igor Saldanha, OAB/DF nº 20191.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA- Presidente
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 197 1 196 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18336.001539/200572 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.054 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria PREFERÊNCIA TARIFÁRIA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO SA PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Igor Saldanha, OAB/DF nº 20191. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 39 /2 00 5- 72 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 198 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, bem como da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 218.653,57 objeto do Auto de Infração fls. 01/11. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de nº 00/10298031, registrada em 26/10/2000, pleiteou a redução tarifária da alíquota “ad valorem” de 6% para os produtos classificados no código NCM 2710.00.31, que à época era a alíquota normal vigente para o imposto de importação, para a alíquota reduzida de 3,00%, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (PaísesMembros da Comunidade Andina). A descrição dos fatos de fls.03/06 esclarece a situação fática constatada pela fiscalização merecendo destacar: a) o certificado de origem ALD1001135480, emitido na Venezuela, em 08/11/2000, indica como país de origem da mercadoria, a Venezuela e declara como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A; b) uma terceira empresa, a Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, consta na DI como exportadora conforme a fatura comercial apresentada na instrução do despacho; c) conforme consta no conhecimento de embarque a mercadoria foi embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil e recepcionada no Brasil pela Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS, na qualidade de importador, por conta do endosso que lhe foi conferido pela Pifco, e essa mesma empresa figura como exportadora, de acordo com o declarado pela PETROBRAS; d) o certificado de origem apresentado para instrução do despacho foi emitido em Caracas, na Venezuela, indica como país de origem da Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 199 3 mercadoria, a Venezuela e declara como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A; f) o certificado de origem, emitido na Venezuela cita apenas no campo 10 – OBSERVAÇÕES – o nome da Petrobras International Finance Company (Pifco), sem especificar conforme determina o art.9º o domicílio da empresa e o nº da fatura comercial emitida pela mesma; g) a fatura comercial (1214230) no campo reservado à declaração de origem difere da fatura que instuiu a DI (PIFSB 1189/00, fl. 20, emitida em 31.12.2000 pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI); “Para atender as exigências do artigo 9º, esse campo do certificado de origem deveria indicar o número da fatura emitida pela Pfico, ou então, ter sido deixado em branco, caso o número dessa fatura não fosse conhecido quando da emissão do certificado. Nessa situação, o importador deveria ter apresentado a declaração juramentada prevista no citado artigo, o que se tivesse sido o caso concreto, também deixou de ser observado”; d) na verdade, a operação realizada na importação da mercadoria difere da operação prevista no art. 2º do citado acordo, pois na realidade a operação original consistiu na venda das mercadorias pela PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A à Pfico situada nas Ilhas Cayman, como se observa pela indicação da fatura da PDVSA no Certificado de Origem; Diante dos fatos, a Fiscalização decidiu pela desclassificação do regime aduaneiro de tributação na modalidade redução, retificandoo para regime de tributação integral. Constatou ainda a fiscalização a falta de recolhimento da multa de mora relativa a complementação do Imposto de Importação referente às mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 00/10298031, registrada em 26/10/2000, conforme descrito às fls.07, fato que ensejou o lançamento da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora Em função do constatado, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação e acréscimos legais, bem como da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora. Cientificado do lançamento em 10/10/2005, conforme fl. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 01/11/2005 a impugnação de fls. 26/67, nos seguintes termos: invoca Acórdãos do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, cujo resultado em matéria semelhante lhe foi favorável, destacando que os Conselhos de Contribuintes foram concebidos para um escopo especial: orientar a aplicação das leis tributárias no âmbito da SRF e unificarlhes a interpretação para todo o Brasil, assim é “data máxima vênia”, necessário Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 200 4 que suas decisões/jurisprudências sejam observadas, para que se mantenham firmes e coerentes em todas as unidades da Secretaria da Receita Federal; argúi que a crise mundial, restrições administrativas impostas na área cambial, a exigência dos prazos para entrega da documentação de importação, as dificuldades na captação de recursos por que passa o país, além de significativas especificidades geopolíticas dessas mercadorias, acarretam limitações aos negócios, inviabilizando alternativas comerciais que superam esses óbices. alega que por interesses vitais da economia do País e para equacionar o significativo rol de contingenciamentos, e como uma das alternativas comerciais, passou a PETROBRAS a comprar o produto, com o prazo necessário, mas uma das subsidiárias paga diretamente ao produtor exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente a PETROBRAS revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento até 180 dias; destaca que a Resolução nº 78 e o Acordo nº 91, não vedaram a compra direta com interveniência posterior de terceiros com finalidade de mera alavancagem financeira, e sem trânsito por outro país; descabe a perda da redução em face da não informação da quantidade, bem como pela emissão de fatura comercial depois do certificado de origem; ressalta que a fatura final, compreende o preço puro e idêntico, constante em ambas as faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; a mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do país produtor para o Brasil e, só muito raramente, haverá trânsito por outro país; ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; reitera que essas operações de intermediação de um terceiro país não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, observandose ainda o devido processo legal; alega que é improsperável a pretensa divergência entre os números constantes do Certificado de Origem e da fatura correspondente; basta observar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem, do respectivo certificado, efetivamente NÃO DIVERGE da fatura que instruiu o processo Pfico; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 201 5 em nenhum momento o enquadramento legal citado no auto, faz disposição quanto à perda do direito de redução nestes casos, logo o enquadramento legal não se coaduna com a penalidade imputada à impugnante; afirma que o Auto de infração está eivado de nulidade, por contrariar e negar vigência ao art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, ao não especificar de modo claro o que está sendo cobrado; indaga em atendimento ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, (art. 5º LV da CF/88), qual a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, vez que há na mesma autuação Fiscal, enquadramentos legais distintos e divergentes; traz a lume o art. 112 do CTN e conclui que o cerne do auto de Infração reside na impossibilidade material de correlacionar a fatura comercial da Pfico com a da PDVSA, o que não pode prosperar; em observância ao princípio da verdade material, requer a realização de perícia para comprovar se os documentos objeto da presente lide têm a devida adequação ou correlação às importações em questão, apresentando a quesitação às fls.39/40: Seria correto afirmar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem do respectivo certificado, diverge da fatura que instrui o processo Pfico ? Seria correto afirmar que ao observarmos o campo “INVOICE” se vê com clareza a identificação da Fatura Comercial (venezuelana) a que dispõe o d. Fiscal? Seria correto afirmar que a informação que consta no campo “INVOICE”, (fatura 1214230) é suficiente para se esclarecer o país de origem e demais dados da origem do produto? Por fim, seria correto afirmar que do certificado de origem se extrai referências suficientes/claras – OBSERVAÇÕES – sobre a participação de um operador de um terceiro país na transação? Com algumas diligências e análise de todos os documentos que compuseram a importação, seria possível afirmar que os produtos importados tem origem efetivamente na Venezuela, e se a mercadoria relacionada nos documentos mencionados no AI são as mesmas? Ressalta que quanto ao art.16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, podese afirmar que o perito oficial da SRF seria suficiente, e por isso não havia necessidade de nomeação de perito da parte, assim sendo não há como se refutar a apreciação da prova material ora apresentada pela impugnante, em respeito ao princípio do formalismo moderado. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 202 6 Ressalta que, tratandose de importações no interesse do País e sob rigoroso controle do Governo Federal, verificase desarrazoada a autuação, em que pese a erudição de seu signatário; traz à colação respeitável doutrina e jurisprudência administrativa e sintetiza a posição adotada pelo então Conselho de Contribuintes acerca de julgados sobre a matéria em questão ; reitera que há copiosa jurisprudência no Terceiro Conselho de Contribuintes acatando a tese da defesa e elenca resumidamente os fundamentos utilizados pelo Conselho de Contribuintes em matéria semelhante; argui a denúncia espontânea da infração e a inaplicabilidade ao caso da multa de ofício em decorrência do não lançamento da multa de mora, trazendo respeitável doutrina e jurisprudência quanto à matéria; requer ainda que seja declarado nulo por ilegalidade, e se caso não seja esse o entendimento, seja cancelado o Auto de Infração por sua manifesta improcedência/insubsistência. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0816.726 de 27/11/2009, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2000 PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/01/2001 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração não definitivamente julgado, sobrevindo nova disposição de lei que deixa de definir o fato como infração, aplicase a retroatividade benigna expressa no inciso II, “a” do artigo 106 do CTN. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 26/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 203 7 É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi procedente em parte, no sentido de exonerar: o crédito tributário referente ao lançamento da multa de 75%, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 62.606,03; bem como, o crédito tributário referente ao lançamento da multa de ofício, por falta do recolhimento da multa de mora, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 966,92. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Através da Resolução 320100.175, de 01/10/2010, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse confirmado se a pessoa que tomou ciência da decisão DRJ, era empregado/funcionário da empresa, para fins de comprovação da tempestividade do rv, o que foi atestado. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata de importação através da Declaração de ImportaçãoDl de n° 00/10298031, registrada em 26/10/2000, onde se pleiteou a redução tarifária da alíquota “ad valorem” para os produtos classificados no código NCM 2710.00.31, que à época era a alíquota normal vigente para o imposto de importação, para a alíquota reduzida de 3,00%, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (PaísesMembros da Comunidade Andina). O julgamento da decisão a quo foi no sentido de julgar procedente em parte o lançamento para exonerar as quantias já relatadas. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 204 8 Registrese que o Certificado de Origem (efl.21) indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (querosene de aviação) pela fatura comercial de nº 1214230, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1189/2000, anexada à efl. 22 emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas no certificado de origem eram emitida pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a recorrente era a destinatária do querosene de aviação adquirido na Venezuela. Argumenta a recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a verdade material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o benefício da preferência tarifária, tendo em vista que o número da fatura comercial (1214230) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura comercial que instruiu a DI, logo, às alegações fáticas da recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificado de origem decorrente da triangulação comercial por ela realizada, ou seja, divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI; dessa maneira, não há como prosperar o lançamento ora combatido. Na mesma linha de entendimento, cabe destacar a matéria apreciada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, decidindo pela manutenção do benefício apesar da existência de erros formais, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2001 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão nº 9303001.812, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/01/2012) Há várias outras decisões no mesmo sentido, como: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 18336.001539/200572 Acórdão n.º 3201002.054 S3C2T1 Fl. 205 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/11/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão de n° 3201001.923, de 19/03/2015, de relatoria de Daniel Mariz Gudiño) Dessa forma, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10850.722761/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 219 1 218 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.722761/201391 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.552 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 8 de dezembro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HYPERMARCAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000283/201025. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 76 1/ 20 13 -9 1 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722761/201391 Resolução nº 3201000.552 S3C2T1 Fl. 220 2 Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000283/201025, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722761/201391 Resolução nº 3201000.552 S3C2T1 Fl. 221 3 III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000283/201025. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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