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Numero do processo: 15771.721893/2016-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/03/2016
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.337
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/03/2016 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
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IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 18 93 /2 01 6- 42 Fl. 260DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.721893/2016-42 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Trata o presente processo da constituição do crédito tributário para exigência dos impostos incidentes sobre operação de comércio exterior, realizada ao amparo da(s) declaração(ões) de importação identificada(s) no auto de infração. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), relata a fiscalização que os lançamentos tributários então efetuados objetivaram a prevenção da decadência dos tributos devidos, haja vista haver a autuada ingressado em juízo, consoante Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, pleiteando a suspensão da exigibilidade dos tributos incidentes sobre as importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e, no art. 141 do Decreto nº 6.759/2009, por meio da qual obteve antecipação de tutela. Cientificada dos lançamentos, a autuada tempestivamente apresentou sua defesa, reafirmando as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, fundamentalmente que: 1. As exigências fiscais seriam descabidas, devendo, pois, serem canceladas, haja vista que a Impugnante não incidira em qualquer falta que ensejasse o auto de infração, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72; este, inclusive, encontrar-se-ia lavrado sem qualquer sanção punitiva; 2. O Fisco teria se utilizado de instrumento inadequado para constituir o crédito, vez que a Impugnante procedeu ao desembaraço dos bens, respaldada por decisão judicial concedida liminarmente; 3. Consoante considerações aduzidas na inicial impetrada em juízo, não incidem tributos nas operações de importação da Impugnante devido à sua condição (imunidades prescritas no art. 150, IV, alínea “c”, e, no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/CF); 4. Por derradeiro, requereu que sua impugnação fosse declarada procedente. Por seu turno, ao enfrentar a matéria, a DRJ declarou a Impugnação Procedente em Parte. A decisão proferida registra que a propositura de ação judicial em que se discute objeto idêntico ao da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte ao direito de contestá-la na instância administrativa, cabendo declarar a definitividade das respectivas exigências tributárias, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração, por ser tal via inadequada para a constituição do crédito em questão. Também aduziu a nulidade da decisão recorrida, por não haver concomitância entre os processos administrativo e judicial. No mérito invocou novamente a imunidade tributária (CR/88, arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º). Por fim, requereu a decretação da nulidade da decisão de primeiro grau. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. E Fl. 261DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.721893/2016-42 que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.323, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 15771.722345/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.323): O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo alertar que o pedido para que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório, só pode ser atendido parcialmente, uma vez que não há previsão legal para serem intimados os seus advogados, no respectivo escritório. Inteligência do art. 23 do Decreto nº 70.235, que prevê o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por ser a via inadequada. Dizia que quando ausente a prática de infrações tem o Fisco outro instrumento jurídico para constituir o crédito tributário - a notificação de lançamento. Agora, em sede de recurso voluntário, reprova a mantença do lançamento e reproduz a preliminar trazida anteriormente. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário deveria ser usado. Quando não há obrigatoriedade de utilização de uma forma de lançamento, são legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72: auto de infração ou notificação de lançamento. Dessarte, afasta-se a preliminar de nulidade do auto de infração. DA DECISÃO RECORRIDA Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, por não haver concomitância de processos judicial e administrativo e consequente ausência de renúncia parcial ao contencioso, a recorrente assevera: (...) no processo administrativo pretende a Recorrente obter a desconstituição e o cancelamento da autuação em razão da não incidência do IPI, II, PIS/PASEP E COFINS na operação de importação de bens do exterior realizada por meio da DI n.º 17/0935234-7. O objeto em discussão no presente caso, portanto, trata tão somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos em determinada operação efetuada pela Recorrente. Fl. 262DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.721893/2016-42 Por outro lado, na ação judicial ajuizada anteriormente, discute-se o reconhecimento da imunidade latu sensu da Recorrente. Em outras palavras, pretende a Recorrente obter o reconhecimento de que, por ser entidade de assistência social, goza de imunidade constitucional. Cumpre ressaltar que tal imunidade foi devidamente reconhecida em sede de tutela antecipada e confirmada pela sentença proferida no caso. Logo a seguir, a recorrente parte para o mérito da lide administrativa, e apresenta o seguinte título: Da imunidade da Recorrente e sua extensão aos tributos incidentes na importação. Ora, a contradição é evidente! Em sede administrativa diz tratar somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos, porém o único argumento para tanto é justamente a imunidade, objeto por excelência da disputa judicial. Não há como enfrentar o mérito da lide sem passar por matéria que está sob análise do Poder Judiciário! Aliás, é bom rememorar que o auto de infração sub analisis foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Dito isso, entendo por afastar também a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Superadas as preliminares, passar-se-ia a analisar a matéria de fundo, todavia, como se viu no item supra, a alegação de imunidade tributária é causa de pedir da Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, que tem por objeto justamente ficar livre das exigências tributárias de que trata o presente contencioso. Corolário disso, falta competência a este Colegiado para apreciar tal matéria neste expediente, razão por que não se conhece da imunidade da recorrente. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas e negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905461/2009-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela 1ª instância de julgamento.
Numero da decisão: 1003-000.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à 1ª instância de julgamento para apreciação do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP analisado nos autos quanto a existência, suficiência e disponibilidade.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela 1ª instância de julgamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-26T17:59:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-26T17:59:48Z; Last-Modified: 2019-08-26T17:59:48Z; dcterms:modified: 2019-08-26T17:59:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-26T17:59:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-26T17:59:48Z; meta:save-date: 2019-08-26T17:59:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-26T17:59:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-26T17:59:48Z; created: 2019-08-26T17:59:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-26T17:59:48Z; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-26T17:59:48Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10660.905461/2009-05 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003-000.917 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 8 de agosto de 2019 Recorrente PC CASE INDUSTRIA E COMERCIO LTD Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela 1ª instância de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à 1ª instância de julgamento para apreciação do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP analisado nos autos quanto a existência, suficiência e disponibilidade. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 54 61 /2 00 9- 05 Fl. 47DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.917 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.905461/2009-05 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 09-36841, de 15 de setembro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/JFA, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A contribuinte formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) retificadora nº 40290.66161.110509.1.7.04-3375, em 11/05/2009, e-fls. 5-10, utilizando-se de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior Imposto de Renda da Pessoa Jurídica-IRPJ(código 2362), determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês de fevereiro do ano-calendário de 2006, para compensação dos débitos ali confessados. A compensação não foi homologada pela autoridade administrativa, com fundamentação, decisão e enquadramento legal informados no excerto do Despacho Decisório abaixo colacionado: Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ/JFA em acórdão cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Fl. 48DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.917 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.905461/2009-05 Pagamento efetuado a titulo de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte tomou ciência do acórdão em 09/11/2011 (e-fl. 26). Inconformada com a decisão a contribuinte, ora Recorrente, apresentou recurso voluntário em 07/12/2011 (e-fls. 27- 29), onde alega em síntese que o crédito pleiteado foi considerado existente pelos julgadores de 1ª instância. Que por equívoco, devido a complexidade da declaração de compensação, informou modalidade incorreta de compensação, mas que não agiu de má fé; Que a compensação pleiteada atende aos requisitos da IN 460/2004 e o art. 74 da lei 9.430/96, e que seu equívoco foi simplesmente informar a modalidade de compensação como pagamento indevido ou a maior ao invés de saldo negativo de IRPJ. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do PER/DCOMP ao argumento de que se trata de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de imposto de renda do período. Contudo, a Súmula CARF nº 84, que é de observância obrigatória por seus membros 1 2 , determina que “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”. Logo, como o pedido inicial da Recorrente refere-se ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, entendo que ele pode e deve ser analisado. Contudo, a reforma do acórdão a quo, não implica o reconhecimento implícito do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. 1 Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). 2 (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) Fl. 49DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.917 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.905461/2009-05 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Destarte, instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Desta forma, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da PER/DCOMP, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB, nos termos da Súmula CARF nº 84. Cumpre ainda consignar que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, à Recorrente deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de Fl. 50DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.917 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.905461/2009-05 formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à 1ª instância de julgamento para apreciação do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP analisado nos autos quanto a existência, suficiência e disponibilidade. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.731340/2017-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APURAÇÃO DE INFRAÇÕES POR AMOSTRAGEM. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de apuração de infrações por amostragem refere-se à etapa de apuração das infrações porventura existentes e nada tem a ver com lançamento por presunção, não implicando, portanto, existência de nulidade.
AUTARQUIA. PERSONALIDADE JURÍDICA NÃO COMPROVADA.
Não comprovando a autarquia revestir-se das formalidades legais necessárias à condição de entidade com personalidade jurídica própria, fica o Município imbuído de toda a responsabilidade tributária.
EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
É defeso na esfera administrativa o exame de constitucionalidade de lei, bem como o da violação pelo ato normativo a princípios constitucionais, entre eles o da vedação ao confisco.
Numero da decisão: 2301-006.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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APURAÇÃO DE INFRAÇÕES POR AMOSTRAGEM. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de apuração de infrações por amostragem refere-se à etapa de apuração das infrações porventura existentes e nada tem a ver com lançamento por presunção, não implicando, portanto, existência de nulidade. AUTARQUIA. PERSONALIDADE JURÍDICA NÃO COMPROVADA. Não comprovando a autarquia revestir-se das formalidades legais necessárias à condição de entidade com personalidade jurídica própria, fica o Município imbuído de toda a responsabilidade tributária. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso na esfera administrativa o exame de constitucionalidade de lei, bem como o da violação pelo ato normativo a princípios constitucionais, entre eles o da vedação ao confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 13 40 /2 01 7- 69 Fl. 624DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.322 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.731340/2017-69 Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente à contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, incluindo-se aquelas destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.212/91 e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SENAT e SEST). Também foi lavrado Auto de Infração por descumprimento de obrigações acessórias, tendo em vista que o autuado; Não preparou folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os Segurados; Não lançou em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos; Não exigiu CND da empresa quando da contratação com o poder público, ou no recebimento de benefícios ou de incentivo fiscal ou creditício e; Deixou de arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais. Após a impugnação a decisão de primeira instância julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso alegando em síntese: Que o crédito tributário cobrado é indevido, por ter sido apurado partindo de critério de amostragem, resultando em montante elevado, nitidamente desproporcional à realidade financeira do Município e a fiscalização dispunha de todos os meios para obter, junto à Administração Municipal, os dados individualizados dos segurados, a fim de calcular com precisão as quantias devidas por cada um. Defende que alegado não recolhimento é de responsabilidade de gestão anterior. A Sra. Aline Cavalcante Vieira ingressou na Administração a partir de 2017, “com o árduo desafio de reequilibrar as contas municipais; Argumenta que foram incluídas no levantamento as folhas de pagamento do Hospital Municipal, imputando-se ao Município de Boa Viagem, suposta responsabilidade tributária de ente diverso, que foi criado como autarquia municipal e, como tal, desfruta de autonomia administrativa e financeira; Questiona que foi aplicada aos trabalhadores a alíquota máxima (11%), designada na Tabela de Contribuição Mensal do INSS, para quem aufere rendimentos entre R$ 2.822,91 e R$ 5.645.80; Afirma que lançamento em questão, exigindo elevado valor, fere o princípio do não-confisco e ofende o direito de propriedade, sobre a qual uma eventual execução fiscal poderá recair, o que é defendido expressamente no artigo 5o, inciso XXII, da Constituição Federal. Requer o provimento do recurso como o cancelamento do débito fiscal reclamado, como medida de lídima justiça; ou, sucessivamente, sejam os autos baixados em diligência a fim Fl. 625DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.322 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.731340/2017-69 de que se promova nova auditoria, para apurar correta e individualizadamente os valores adotados como base de cálculo para a cobrança das contribuições. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR Nulidade Em suas razões de recurso, o contribuinte argui preliminarmente nulidade de lançamento, por ter levantamento fiscal sido elaborado pelo sistema de amostragem. Segundo o artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, são nulos: 1- Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II- Os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo contido no texto legal supra citado, não vislumbra este relator qualquer incidente de nulidade que possa ser caracterizado pelo fato do trabalho fiscal ter sido elaborado pelo sistema de amostragem, como também não se vislumbra o alegado cerceamento de defesa, na medida em que, ausentes os vícios formais que pudessem enseja-los. Ao contrário do apregoado pelo recorrente, o lançamento pode perfeitamente ser efetuado através de trabalho interno ou externo, desde que a autoridade fiscal possua elementos aptos a embasá-lo. Ressalte-se que, no vertente procedimento a fiscalização dispunha de tais elementos, por sinal, fornecidos pelo próprio recorrente atendendo intimação nesse sentido, tanto é que não questionou qualquer documento utilizado para instruir o procedimento fiscal. Apurado o crédito tributário, seja através de amostragem, que por sinal beneficia o contribuinte, seja através de fiscalização mais extensiva, pode a autoridade fiscal efetuar o lançamento, dando-se em seguida ciência ao contribuinte para que, em querendo, apresente a sua impugnação. Assim é que no entender deste relator, o Auto de Infração lavrado com base em verificação por amostragem não gerou qualquer confusão ou prejuízo ao contribuinte, não havendo portanto que se falar em cerceamento de defesa, da mesma forma que não se vislumbra qualquer induzimento do contribuinte a uma falsa realidade ou sofisma jurídico. Destarte, tendo sido concedidos todas as oportunidades de defesa ao sujeito passivo, concedendo-lhe vistas aos autos, inclusive lhe fornecendo cópias de todo o processo para sua análise, razão nenhuma lhe assiste para arguir nulidade do feito, mormente por cerceamento do direito de defesa, que efetivamente não ocorreu. DO MÉRITO Da alíquota da contribuição do Segurado Fl. 626DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.322 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.731340/2017-69 O recorrente equivoca-se ao afirmar que foi aplicada, relativamente à contribuição do segurado, a alíquota de 11%, sendo esta máxima na Tabela de Contribuição Mensal do INSS, para a categoria empregados. Do que se depreende do Relatório Fiscal, como também consta na decisão ora combatida, tal informação não se refere à categoria empregado, mas à de contribuinte individual (remuneração do autônomo), nos exatos termos estabelecidos no art. 4º da Lei 10.666/03. Desta forma, não há que se falar também em diligência para apurar correta e individualizadamente os valores adotados como base de cálculo para a cobrança das contribuições. Da Sujeição Passiva da Autarquia Municipal Inicialmente cumpre esclarecer que os municípios são considerados pessoas jurídicas de direito público interno, dotadas de capacidade plena para exercer direitos, contrair obrigações e praticar todos os demais atos próprios, agindo através de seu representante legal, que é o prefeito municipal. Nas relações externas e em juízo , quem responde civilmente pelos débitos contraídos na esfera dos poderes é o Município, que detém capacidade jurídica e legitimidade processual para tanto. O artigo 12, do Código de Processo Civil, assim dispõe: Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: I - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, por seus procuradores; II - o Município, por seu Prefeito ou procurador; No tocante ao Hospital Municipal o entendimento é diverso. Trata-se de órgão do Município, desprovido de personalidade jurídica. O Hospital Municipal, não sendo pessoa jurídica, não tendo patrimônio próprio, não se vincula perante terceiros, pois que lhe falece competência para exercer direitos de natureza privada e assumir obrigações de ordem patrimonial O art. 121 do Código Tributário Nacional-CTN, por sua vez, conceitua o sujeito passivo da obrigação principal: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Embora alegado pelo recorrente, não há nos autos comprovação de que a autarquia em questão reveste-se das necessárias formalidades legais que confirmem sua condição de entidade com personalidade jurídica própria. Portanto, sem razão ao recorrente. Da Ofensa à princípios constitucionais Com relação a este argumento, trazemos a colação a Súmula CARF nº 02, que assim dispõe: Súmula CARF nº 2 Fl. 627DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.322 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.731340/2017-69 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Logo, não conheço desta matéria. Ante ao exposto, conheço parcialmente do recurso e no mérito nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000563/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF julgar o recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre a compensação de crédito do imposto de renda retido a título de antecipação do IRPJ com débitos do PIS e da COFINS.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: Relator Marcelo Vasconcelos de Almeida
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COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF julgar o recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre a compensação de crédito do imposto de renda retido a título de antecipação do IRPJ com débitos do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 05 63 /2 00 8- 24 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10166.000563/200824 Acórdão n.º 2801003.029 S2TE01 Fl. 112 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 73 deste processo digital), reproduzido a seguir: Cuidam os autos de Pedido de Restituição, mediante formulário papel, com posterior Dcomp – Declaração de Compensação, visando compensar débitos de PIS e Cofins, dezembro/2007, com aquele crédito solicitado (IRRF de agosto/2007). Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo" e pelo indeferimento do Pedido de Restituição (considerado não formulado), a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Embora o pedido de restituição tenha sido considerado “não formulado”, a contribuinte protocolou, após o término dos registros contábeis, quando apurado os valores finais, pedido de substituição daquela restituição através do PER/Dcomp, com outros valores, devendo este segundo pedido ser considerado processo formulado; No mérito, não se trata de conflito de normas e nem mesmo de interpretação, pois se tem claramente que, apesar de nas primeiras linhas do Decreto 3.000/99 vedar a compensação com quaisquer tipo de tributos, o mesmo adiante, assegura que se o contribuinte requerer, a compensação será viável com qualquer tipo de tributo; Noutro giro, há que se comentar que o Decreto não pode vedar a compensação frente a uma Lei Ordinária que obriga este procedimento (art. 74 da Lei 9.430/96); Ante o exposto, solicita que se arquive a intimação objeto da presente contestação e acolha os novos valores constantes das obrigações acessórias citadas, bem como o pedido de compensação em questão. A manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Compensação – Crédito de IRRF com Débitos de PIS e COFINS – Impossibilidade. O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. Compensação – Observância das Condições da Lei e do Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.000563/200824 Acórdão n.º 2801003.029 S2TE01 Fl. 113 3 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei, sendo que o julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 15/07/2011 (sextafeira), a Interessada apresentou recurso em 15/08/2011 (fls. 78/81). Na peça recursal aduz, em síntese, que: DA ENTREGA MEDIANTE PER/DCOMP A alegação de que o pedido foi realizado mediante formulário não merece prosperar, uma vez que apesar de ter protocolizado pedido de restituição e compensação de crédito de imposto retido na fonte, com apuração parcial, fora protocolado, logo após o término dos registros contábeis, quando apurado os valores finais, pedido de substituição daquela restituição, através do PER/DCOMP, com outros valores. Os valores da obrigação tributária objeto da compensação que informara parcialmente foram modificados e substituídos pelos valores finais de apuração. O segundo pedido fora feito no prazo legal, devendo, portanto, ser considerado processo formulado. DA COMPENSAÇÃO Diferente do que afirma a RFB, o Decreto nº 3.000/1999 (art. 891) estabelece que, por solicitação do contribuinte, poderá ser processada a compensação para quaisquer tributos ou contribuições, ainda que não sejam da mesma espécie. No mesmo sentido é a literalidade do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Não se trata de conflito de normas e nem mesmo de interpretação, pois apesar de o Decreto nº 3.000/1999 vedar, inicialmente, a compensação com quaisquer tipos de tributos, o mesmo assegura, posteriormente, a viabilidade da compensação, desde que requerida pelo contribuinte. Ademais, ainda que um decreto vedasse a compensação, este não poderia fazêlo frente a uma lei ordinária. Requer, ao fim, que seja dado provimento ao presente recurso, para que o pedido de compensação seja aceito. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Cuidase de Pedido de Restituição em formulário papel com posterior apresentação de DCOMP visando compensar débitos de PIS e Cofins com crédito de IRRF a título de antecipação do IRPJ. Em consonância com o Anexo II do Regimento Interno do CARF: Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10166.000563/200824 Acórdão n.º 2801003.029 S2TE01 Fl. 114 4 Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (...) Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) § 3° Na hipótese do § 1°, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; II Da Segunda Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da Terceira Seção; III Da Terceira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado unicamente de competência dessa Seção. Depreendese, da leitura dos dispositivos transcritos, que na competência das Seções do CARF foram incluídos os recursos interpostos em processos de compensação e que a competência para julgamento de tais recursos é definida pelo “crédito alegado”. À evidência, o julgamento do presente recurso não compete a esta Turma de Julgamento, porquanto o crédito utilizado na compensação se refere a imposto de renda retido na fonte a título de antecipação do IRPJ. Tratase, portanto, de matéria cuja competência está afeta à Primeira Seção de Julgamento do CARF, atribuída a esta pelo art. 2º do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10166.000563/200824 Acórdão n.º 2801003.029 S2TE01 Fl. 115 5 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso e por declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914993/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.133
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard que rejeitou a proposta de diligência.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins que restou não homologado pela DRF de origem, consoante despacho decisório carreado aos autos. Cientificado do despacho, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, para alegar que não seria contribuinte da Cofins, pois seria cooperativa e somente praticaria atos cooperados. Defendeu que se enquadraria no conceito de cooperativa, conforme o art. 3º da Lei nº 5.764/71, e que teria as características previstas no art. 4º da mesma lei. Argumentou que sua atividade seria a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos seriam cooperativos, estando isentos da Cofins. Concluiu, para requerer o provimento de sua manifestação de inconformidade, a ineficácia do despacho decisório, o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade e apresenta a seguinte ementa, na parte de interesse: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 99 3/ 20 12 -2 1 Fl. 189DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.133 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.914993/2012-21 (...) COOPERATIVAS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.858-6 de 1999. A base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; (ii) que o acórdão que julgou a Manifestação de inconformidade improcedente é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado pela recorrente não se limitando unicamente na alegação de que há ausência de crédito; (iii) prova de que o mero argumento de vinculação a obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório, é que somente com a decisão que fundamentos de direto foram aduzidos, em arrepio ao contraditório e ampla defesa uma vez que o acórdão combatido extrapola os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; (iv) a recorrente é uma cooperativa e que no acórdão proferido pela DRJ não foi consignada nenhuma objeção em relação a tal fato; (ii) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas; (iii) menciona o art. 3° da Lei n° 5764/71 que traz a definição de sociedade cooperativa; (iv) o art. 5° da Lei n° 5764/71 permite que as sociedades cooperativas tenham por objeto qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; (v) o art. 4° da Lei n° 5764/71 elenca as características das sociedades cooperativas; (vi) não há incidência da COFINS sobre os atos cooperativos; (vii) a discussão travada nos autos não diz respeito a isenção da COFINS, mas a não incidência da aludida contribuição sobre os atos cooperativos; (viii) o 79 da Lei n° 5764/71 preceitua o que são atos cooperativos; (ix) no caso em apreço a recorrente exerce a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados; (x) todos os valores ingressados na cooperativa decorrem das contribuições dos cooperados; Fl. 190DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.133 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.914993/2012-21 (xi) os valores ingressados na recorrente para a contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, estão diretamente ligados à sua atividade; (xii) os referidos ingressos servem para custear os atos praticados entre os cooperados e a cooperativa; (xiii) que o direito ao crédito decorre de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS; (xiv) os atos praticados pela recorrente, o são no propósito de assegurar a contratação de serviços médicos, odontológicos, laboratoriais e hospitalares, em preço inferior e com melhores condições, possuindo nítido caráter cooperativo; e (xv) a matéria está submetida a Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Pede, ao final, o provimento do Recurso Voluntário ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência em respeito ao princípio da verdade material. O julgamento do processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 3201-001.253, a seguir transcrita: "Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Em cumprimento a diligência, a Recorrente foi instada a apresentar a documentação pertinente para o cumprimento da diligência não tendo apresentado manifestação tempestiva. Face a inércia do contribuinte, a unidade de origem elaborou despacho de retorno dos autos ao CARF. Devidamente intimada do referido despacho, a Recorrente apresentou manifestação e documentos em que requer a apreciação da documentação acostada para o fim de que a decisão proferida pela DRJ seja integralmente reformada, com o consequente reconhecimento do direito creditório proveniente do recolhimento indevido de COFINS e homologada a compensação declarada. Em complemento de despacho de diligência, a autoridade fiscal consignou que "Após receber o Comunicado de fl. (...) que abria prazo de 30 dias para complemento de Informações sobre o Despacho de Diligência de fl.(...) o Contribuinte juntou as Informações de fls. (...).", sem contudo proceder a análise dos documentos. Fl. 191DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.133 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.914993/2012-21 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.129, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.914988/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.129): “Depreende-se do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Entendo que os atos cooperativos são aqueles identificados no art. 79 da Lei n.º 5.764/1971, recepcionada pelo art. 146, III, 'c' da Constituição Federal com o status de lei complementar, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." O Estatuto Social da recorrente estabelece que: "Art. 2° A COOPERATIVA tem por objetivo, exercer, nos termos da Lei n° 9.656/98 e suas Resoluções, ou legislação que venha a substituir, a função exclusiva de Operadora de Planos de Assistência à Saúde através da modalidade de Medicina de Grupo. Art. 3° A COOPERATIVA condicionará a prestação de serviços aos Cooperados, à capacidade física e financeira de sua infra-estrutura." Denota-se, então, por seu Estatuto Social que a recorrente presta serviços única e exclusivamente aos seus cooperados, não prevendo a prestação de serviços a terceiros não-cooperados. Importante frisar que em nenhum momento a fiscalização trata que os valores tratados nos autos se referem à prestação de serviços para terceiros, aduzindo que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.858-6 de 1999 e que a base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. A matéria em apreço foi objeto de julgamento em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão que deve ser obrigatoriamente aplicado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, conforme estabelecido no art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF. No Recurso Especial nº 1.164.716, que tratou dos denominados atos cooperativos típicos como aqueles envolvidos nos presentes autos, entre a cooperativa e seus associados (cooperados), cujo acórdão transitou em julgado em 22/06/2016, a Corte Superior firmou o seguinte entendimento: Fl. 192DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.133 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.914993/2012-21 "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas." (REsp 1164716/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Mesmo a recorrente não tendo tempestivamente cumprido com a diligência determinada por este Colegiado, em razão de ter apresentado documentos, entendo como razoável as alegações produzidas em sua peça recursal, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em comprovar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa-fé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica novamente a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento.” Fl. 193DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.133 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.914993/2012-21 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.005460/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO
Ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE.
Permite-se ao julgado conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, quando estes possuírem efeito probante e contribuírem para o convencimento da resolução da controvérsia, observando o princípio da verdade material.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento.
No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
Numero da decisão: 2401-006.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas pagas ao profissional Paulo Célio Guerreiro Barbosa (R$ 10.000,00). Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que dava provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO Ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. Permite-se ao julgado conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, quando estes possuírem efeito probante e contribuírem para o convencimento da resolução da controvérsia, observando o princípio da verdade material. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
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PRIORIDADE NO JULGAMENTO Ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE. Permite-se ao julgado conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, quando estes possuírem efeito probante e contribuírem para o convencimento da resolução da controvérsia, observando o princípio da verdade material. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 54 60 /2 00 6- 51 Fl. 443DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas pagas ao profissional Paulo Célio Guerreiro Barbosa (R$ 10.000,00). Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que dava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 259/273). Pois bem. Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 116 a 120, no qual é calculado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) suplementar, relativamente ao ano-calendário 2002, no valor de R$ 375,04 (trezentos e setenta e cinco reais e quatro centavos), acrescido da multa de ofício e dos juros de mora calculados até 04/2006, resultando no valor de R$ 849,12 (oitocentos e quarenta e nove reais e doze centavos). O lançamento em questão foi decorrente de revisão procedida na Declaração de Ajuste Anual, referente ao exercício 2003, tendo em vista ter sido constatada a dedução indevida a título de despesas médicas. Foi alterada a seguinte linha da declaração: dedução de despesas médicas para R$ 3.689,98. Não concordando com a exigência, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, alegando, em síntese, que: (a) Dra. Henilda Landin reconheceu o erro da data do referido recibo e ratificou o mesmo no verso, enquanto os demais membros de sua equipe emitiram seus recibos na data correta, com valor total de R$ 3.000,00 pagos por meio do cheque 850.067 do Banco do Brasil, conforme citado pelos profissionais, comprovado pela cópia do extrato do conta-corrente; Fl. 444DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 (b) Anexa a nota fiscal da Clínica-Materno-Infantil Santa Lúcia Ltda; (c) Apresenta recibo e declaração do odontólogo de que o tratamento foi realizado na contestante, colocando-se à disposição para quaisquer esclarecimentos; (d) Deixa de juntar as cópias de cheques e/ou extrato bancário por ter sido parte pago em dinheiro e parte em cheques, cuja comprovação toma-se difícil em decorrência do tempo decorrido e em decorrência dos emitentes dos recibos não terem citado a forma de pagamento; (e) O Decreto 3.000/99 é claro quando faculta em substituição o contribuinte fazer prova quer com recibo quer com cheque; (f) A legislação civil brasileira reconhece como comprovante de pagamento o respectivo recibo; (g) O imposto de renda no Brasil nunca é sonegado, desde que as despesas efetuadas e comprovadas constem da declaração de quem efetuou os pagamentos, uma vez que a importância deduzida em uma declaração gera imposto a ser pago por quem firmou o recibo, não havendo que se falar em sonegação. (h) Anexa documentos pertinentes à questão nas fls. 06 a 24. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 11-23.227 (fls. 259/273), cujo dispositivo considerou o lançamento procedente em parte. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Preliminarmente, cabe esclarecer que as declarações de ajuste apresentadas anualmente pelos contribuintes estão sujeitas à revisão pela autoridade administrativa, conforme está previsto no art. 835 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), cuja base legal é o art. 74 do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943. 2. Verifique-se o inciso III do § 2° do art. 8° da Lei 9.250/95, é claro ao exigir pagamentos especificados e comprovados, incluindo o endereço de quem os recebeu. 3. Deixo de analisar o recibo de fl. 07, no valor de R$ 150,00, emitido por Ana Cremilda Coelho de Arruda, por não ter sido objeto de glosa, pela fiscalização, de acordo com a descrição dos fatos de fl. 05. 4. Segue quadro com as despesas médicas pleiteadas pela contribuinte e aceitas por esta relatora, conforme comprovantes de fls. 35, 10 e 11, emitidos em consonância com a legislação supracitada. Emitente Folhas Especificação Valor em R$ José Adolfo Bastos Lima Júnior 07 Cirurgia de mamoplastia e abdominoplastia 850,00 Henilda Landin 07 Cirurgia de mamoplastia e abdominoplastia 2.000,00 Fl. 445DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 Clínica Materno Infantil Santa Lúcia Ltda 08 Despesa hospitalar 1.075,00 Total 3.925,00 5. Os comprovantes contidos no quadro acima formam um conjunto harmonioso, comprovando que a contribuinte foi submetida à cirurgia de mamoplastia e abdominoplastia em 05112/2002, tendo-pago-os-honorários-da-equipe médica por meio do cheque 850069 do Banco do Brasil, conforme extrato de fl. 06. Ressalte-se que a comprovação da despesa relativa à Clínica Materno Infantil Santa Lúcia Ltda. ocorreu por meio da nota fiscal 04692, anexada na fl. 08. 6. O recibo de fl. 09, emitido por Paulo Célio Guerreiro Barbosa, informa o valor de R$ 3.000,00, recebido da contribuinte, referente à prestação de serviço odontológico. Observa-se que o recibo não informa em quem o tratamento foi realizado, além de não especificar que tipo de tratamento foi realizado. Ademais, não foi anexado orçamento detalhando os valores dos serviços realizados e nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, a referida despesa não pode ser aceita para fins de dedução do imposto de renda, em virtude de seu comprovante ter sido emitido em desacordo com a legislação acima transcrita, que exige especificação e comprovação do pagamento, e gerar dúvidas quanto ao real beneficiário dos serviços. 7. Os recibos de fls. 12 a 14, emitidos por Cláudia Peixoto de Lima, informam o valor total de R$ 3.000,00, relativo a sessões psicoterápicas realizadas na filha da contribuinte, Rebeca de Morais Pereira. Porém, não foram indicadas a quantidade de sessões, as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 8. Os recibos de fl. 15 e 16, emitido por Dilemar Siqueira Pena Femandes, odontólogo, informa o valor de R$ 1.200,00, recebido da contribuinte, referente a honorários profissionais prestados em Ana Raquel de Moraes Pereira e os de fl. 16 no valor de R$ 800,00, referente a honorários profissionais prestados em Débora Oliveira. Observa-se que os recibos não especificam o tipo de tratamento foi realizado. Ademais, não foi anexado orçamento detalhando os valores dos serviços realizados e nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, a referida despesa não pode ser aceita para fins de dedução do imposto de renda, em virtude de seu comprovante ter sido emitido em desacordo com a legislação acima transcrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 9. Os recibos de fl. 15, emitidos por Maria José do Monte Barbosa, informam o valor total de R$ 2.000,00, relativo a tratamento de fono realizado em Ana Raquel de Moraes Pereira no período de janeiro a outubro de 2002. Observa-se que não foi indicada a quantidade e as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 10. Os recibos de fl. 18, emitidos por Isabel Cristina Moura, informam o valor total de R$ 6.000,00, relativo a tratamento fisioterápico na contribuinte, porém não foi indicada a quantidade e as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. Fl. 446DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 11. Os recibos de fls. 18 e 19, emitidos por Kátia Teresa O. e Silva informam o valor total de R$ 2.000,00, relativo a tratamento psicoterápico realizado na contribuinte, porém, não foi indicada a quantidade de sessões nem as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 12. O recibo de fl. 20, emitido por Maria Bernadete Aires, informa o valor total de R$ 3.000,00, relativo às terapias fonoaudiológicas realizadas em sua sobrinha Débora Olivieira, porém observa-se que não foi indicada a quantidade e as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 13. O recibo de fl. 21, emitido por Sineide Pimenta, informa o valor total de R$ 3.000,00, relativo ao tratamento psicológico de sua sobrinha Débora Olivieira, porém observa-se que não foi indicada a quantidade e as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 14. Os recibos de fl. 22, emitidos por Catharina Ximenes de Moura, informam o valor total de R$ 500,00, relativo a dez sessões fonoterápicas realizada em Ana Raquel de Moraes Pereira, porém observa-se que não foram indicadas as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. 15. Vê-se assim, que os documentos contidos nas fls. 09 a 22, em discussão, não têm a força probatória inquestionável pretendida pela impugnante. 16. Portanto, após a análise dos documentos acostados ao processo, deve ser restabelecida em parte a dedução de despesas médicas, devendo ser acrescido ao valor de R$ 3.689,98, acatado pela fiscalização, o valor de R$ 3.925,00 efetivamente comprovado no presente processo, alterando a dedução de despesas médicas para o valor de R$ 7.614,98. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 333/365), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Preliminarmente, requer a prioridade no presente Recurso Voluntário, em atendimento a que dispõe o artigo 71 da Lei 10.714/03 (Estatuto do Idoso). b. Nessa oportunidade, passa a recorrente a descrever todos os recibos glosados nos itens 13 a 21, rebatendo os fundamentos expostos pela Ex. Relatora a quo. c. Insta salientar que todos os recibos foram indeferidos ao fundamento que não havia descrição de: ITEM ORÇAMENTO DETALHADO DOS VALORES DOS SERVIÇOS COMPROVANTE DO EFETIVO DESEMBOLSO (CHEQUES, DEPÓSITOS OU TRANSFERÊNCIAS) QUANTIDADE E DATAS DAS SESSÕES TIPO DO TRATAMENTO Fl. 447DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 13 X X 14 X X 15 X X X 16 X X 17 X X 18 X X 19 X X 20 X X 21 X X d. Frise-se, por fim, que consoante se extrai das informações declaradas na declaração do IRPF do ano-calendário de 2002, a recorrente auferiu, no referido ano, rendimento total de R$ 109.828,65 (cento e nove mil, oitocentos e vinte e oito reais e sessenta e cinco centavos), restando plenamente demonstrada a capacidade econômica da contribuinte em arcar com as despesas descritas a seguir. Item 13 – Dr. Paulo Célio Guerreiro Barbosa – CRO 5276 e. Inicialmente cumpre apontar o erro material contigo no referido item, id que, na realidade, a despesa médica descrita no recibo emitido pelo Dr. Paulo Célio Guerreiro Barbosa é de R$ 10.000,00 (dez mil reais). f. Na presente oportunidade, junta, a Recorrente, aos fólios, orçamento detalhado dos valores dos serviços prestado pelo cirurgião-dentista, denominado "evolução do piano do tratamento" sanando - apesar de não se mostrar necessário para legitimar o referido recibo - uma das pendências apontadas como justificadora do indeferimento, já que descreve, detalhadamente, o tratamento odontológico em que se submetera, ao longo dos doze meses do ano de 2002, pagando mensalmente quantias variantes, conforme os procedimentos feitos mês a mês. g. Destarte, a soma dos valores pagos em dinheiro, em cada mês, perfaz o montante total de R$ 10.000,00 (dez mil reais), consoante recibo em anexo. h. Não encontrando outra solução para atender as arbitrárias exigências do ente fiscal, a Contribuinte diligenciou até o consultório do Dr. Paulo, a fim de obter outro documento que acreditasse ser útil como meio probatório. i. Sendo assim, o cirurgião-dentista emitiu declaração de recebendo do referido valor, colocando-se a disposição para qualquer esclarecimento acerca do tratamento efetuado. Item 14 – Dra. Cláudia Peixoto de Lima – CRP 02/9588 j. Ainda no mesmo ano-calendário, a filha da Recorrente, Sra. Ana Rebeca de Moraes Pereira, necessitou de acompanhamento psicológico, tendo sido submetida a sessões de psicoterapia nos meses de janeiro de 2002 a dezembro de 2002, tendo gasto o total de R$ 3.000,00 (três mil reais). k. Ademais, ao contrário do que fora fundamentado no acórdão vergastado, os recibos foram devidamente datados. l. A indicação prévia da quantidade de sessões se mostra totalmente desnecessária, com a permissa venia, já que não se mostra razoável obrigar o contribuinte a lembrar quantas vezes teve quer comparecer ao estabelecimento para ser atendido, como se isso pudesse auferir a validade do referido documento. m. Destarte, como poderá ser observando, cada parcela varia entre R$ 300 (trezentos reais) e R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais), não se mostrando tais valores, quando unitários, de elevado valor, sendo totalmente viável o seu pagamento em dinheiro, não sendo necessária a emissão de cheques ou até mesmo depósito em conta, já que a forma de pagamento é de livre escolha das partes contratantes, desde dentro da legalidade. Item 15 – Dra. Dilemar Siqueira Pena Fernandes – CRO 3951 Fl. 448DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 n. Já a sua outra filha, Sra. Ana Raquel Pereira, e sua tutelada, Sra. Débora Oliveira, tiveram que passar por tratamento odontológico, no período compreendido de março a dezembro de 2002. o. A exigência da apresentação do orçamento detalhado dos serviços realizados se torna uma patente arbitrariedade por parte do ente administrativo, já que - como é cediço - não é praxe que médicos e dentistas forneçam tais documentos aos pacientes, sendo a sua programação feita de forma informal, após um exame prévio visando identificar os problemas a serem sanados. p. Insta salientar que só fora possível obter o referido documento do Dr. Paulo (item 13), devido ao fato do mesmo - por um acaso - ter em seus registros profissionais a descrição individualizada do tratamento realizado e ter se prontificado, gentilmente, em fornecê-los por escrito. q. O pagamento mensal correspondia a R$ 200,00 (duzentos reais), o que fora pago em dinheiro. r. Ao contrário do que fora fundamentado pela Relatora a quo, as parcelas mensais não são de valor elevando, sendo plenamente plausível que a Contribuinte tenha pago em dinheiro, já que as partes contratantes podem sempre escolher o melhor meio de pagamento, desde que estejam dentro dos facultados em Lei. Item 16 – Dra. Maria José do Monte Barbosa – CFF 0293 s. Concomitantemente com o tratamento odontológico, a filha da Recorrente, Sra. Ana Raquel, teve que passar por tratamento fonoaudiológico, a fim de evitar o agravamento dos problemas bucais que a acometiam. t. A exigência da apresentação do orçamento detalhado dos serviços realizados se torna uma patente arbitrariedade por parte do ente administrativo, já que - como é cediço - não é praxe que médicos e dentistas forneçam tais documentos aos pacientes, sendo a sua programação feita de forma informal, após um exame prévio visando identificar os problemas a serem sanados. u. Sendo assim, a Contribuinte pagou em dinheiro, ao longo dos meses, os valores devidos por cada sessão, que compreenderam os meses de janeiro a outubro de 2002, conforme fora descrito nos dois recibos emitidos pela fonoaudiáloga. v. Como poderá ser observado, a Dra. Maria José emitiu dois recibos, respectivamente nos valores de R$ 800,00 (oitocentos reais) - referente aos meses de janeiro a abril de 2002 - e R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) - referente aos meses de maio a outubro de 2002. w. A indicação prévia da quantidade de sessões se mostra totalmente desnecessária, com a permissa venha, já que não se mostra razoável obrigar o contribuinte a lembrar quantas vezes teve quer comparecer ao estabelecimento para ser atendido, como se isso pudesse auferir a validade do referido documento. x. Ademais, a quantidade não pode ser determinada de forma genérica, sendo necessário avaliar a evolução do paciente ao longo do tratamento. y. Ora, em uma simples operação matemática, podemos deduzir que o preço mensal das sessões foi de R$ 200,00 (duzentos reais). z. Desta feita, tomando como base o valor unitário supramencionado, razoável se mostra a possibilidade da Recorrente ter efetuado, mês a mês, o pagamento em dinheiro. Item 17 – Dra. Isabel Cristina Moura – CREFITO 840-F aa. A Contribuinte, senhora idosa, contando com mais de sessenta anos, passou por tratamento fisioterápico no ano de 2002, necessário para manter sua resistência física e sua autonomia motora. bb. Como poderá ser observado nos três recibos trazidos (ti baila dos fólios, cada um no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), referentes, respectivamente, aos meses de janeiro a dezembro de 2002 e perfazendo um montante total de R$ 6.000,00 (seis mil reais). Fl. 449DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 cc. A indicação prévia da quantidade de sessões se mostra totalmente desnecessária, com a permissa venha, já que não se mostra razoável obrigar o contribuinte a lembrar quantas vezes teve quer comparecer ao estabelecimento para ser atendido, como se isso pudesse auferir a validade do referido documento. dd. Ademais, a quantidade não pode ser determinada de forma genérica, sendo necessário avaliar a evolução do paciente ao longo do tratamento. ee. Em uma simples operação matemática, há de se concluir que o prego unitário, de cada sessão fisioterápica, foi de R$ 500,00 (quinhentos reais). ff. Desta feita, tomando como base o valor unitário supramencionado, razoável se mostra a possibilidade da Recorrente ter efetuado, mês a mês, o pagamento em dinheiro ou parte em cheque, caso não possuísse, naquele momento, o valor total em espécie. Item 18 – Dra. Kátia Teresa O. e Silva – CRP 3751 gg. A Contribuinte passou por tratamento psicoterápico ao logo do ano-calendário de 2002. hh. Como poderá ser observado nos cinco recibos trazidos à baila dos fólios, cada um no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), cada um referente a dois meses de tratamento, de janeiro a dezembro de 2002, perfazendo um montante total de R$ 2.000,00 (dois mil reais). ii. A indicação prévia da quantidade de sessões se mostra totalmente desnecessária, com a permissa venia, já que não se mostra razoável obrigar o contribuinte a lembrar quantas vezes teve quer comparecer ao estabelecimento para ser atendido, como se isso pudesse auferir a validade do referido documento. jj. Ademais, a quantidade não pode ser determinada de forma genérica, sendo necessário avaliar a evolução do paciente ao longo do tratamento. Item 19 – Dra. Maria Bernadete Aires – CRF 4626 kk. Conforme já amplamente exposto, a Contribuinte, ti época do ano-calendário de 2002, era curadora da sua sobrinha, Sra. Débora Oliveira. ll. Sendo assim, ante a necessidade de sua tutelada, a Recorrente custeou tratamento seu fonaudiológico. mm. Como poderá ser observado no recibo trazido à baila dos fólios, as sessões foram realizadas nos meses de março a dezembro de 2002, tendo sido emitido ao fim do tratamento, no valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais). nn. A ausência da quantificação das sessões realizadas resta totalmente sanada, ao contrário do que fora alegado pelo ente administrativo a quo, já que resta evidenciada a quantidade de dez sessões no total. Item 20 – Dra. Sineide Pimenta – CRP 03522 oo. Ante a necessidade de mais sessões mensais no inicio do tratamento e ante a impossibilidade em encontrar horários compatíveis com a psicóloga supramencionada e no âmago de oferecer o devido tratamento a sua sobrinha, cuidou a Recorrente de custear todas as sessões extras realizadas pela Dra. Sineide. pp. Como poderá ser observado no recibo trazido baila dos fólios, as sessões foram realizadas nos meses de fevereiro a setembro de 2002, tendo sido emitido ao fim do tratamento, no valor total de R$ 3.000,00 (três mil reais). qq. A indicação prévia da quantidade de sessões se mostra totalmente desnecessária, com a permissa venia, já que não se mostra razoável obrigar o contribuinte a lembrar quantas vezes teve quer comparecer ao estabelecimento para ser atendido, como se isso pudesse auferir a validade do referido documento. rr. Ademais, a quantidade não pode ser determinada de forma genérica, sendo necessário avaliar a evolução do paciente ao longo do tratamento. Fl. 450DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 Item 21 – Dra. Catharina Ximenes de Moura – CRF 7787 ss. Como dito no item iii.2.4, a filha da Recorrente, Sra. Ana Raquel Pereira, teve que se submeter a tratamento fonaudiológico concomitantemente ao tratamento odontológico descrito no item iii.2.3, a fim de sanar as causas dos problemas dentários que a acometiam. tt. Ante a necessidade de complementação das sessões de fonoaudiologia, a filha da Contribuinte se submeteu a outras sessões, descritas nos recibos emitidos pela Dra. Catharina Ximenes. uu. Como poderá ser observado nos recibos trazidos à baila dos fólios, as sessões foram realizadas nos meses de novembro a dezembro de 2002, sendo emitidos dois recibos no valor de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) cada. vv. A indicação prévia da quantidade de sessões, não obstante sua desnecessidade, se encontra plenamente sanada, eis que os recibos indicam as datas e a quantidade de 10 (dez) sessões realizadas em casa mês. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar de prioridade na tramitação (Estatuto do Idoso). Preliminarmente, a recorrente requer a prioridade na tramitação do feito, por ter mais de 60 (sessenta) anos. Destaco que, ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. Assim, entendo que deve ser acatada a preliminar. 3. Juntada de documentos na fase recursal. Inicialmente, oportuno esclarecer que, quando do Recurso Voluntário, a contribuinte requereu a juntada dos documentos de fls. 371/437, sendo que, apenas os documentos de fls. 397/399 não foram apresentados na impugnação, e, que em suma, dizem respeito à declaração emitida pelo profissional Paulo Célio Guerreiro Barboza, bem como à evolução do plano do tratamento executado. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Fl. 451DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 Contudo, ressalto que a autoridade julgadora de 2ª instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária da prova, o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Ademais, entendo que se tratam de documentos apresentados para contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, notadamente as alegações ofertadas pela decisão de piso para a manutenção da exigência tributária, estando de acordo com o que prescreve o art. 16, § 4°, “c”, do Decreto n° 70.235/72. 4. Mérito. A acusação fiscal, no que interessa para o debate recursal, consiste na dedução indevida de despesas médicas, por entender que a contribuinte, uma vez intimada a apresentar comprovantes mediantes termos, não comprovou satisfatoriamente, nos seguintes termos constantes na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS, UMA VEZ QUE INTIMADA A APRESENTAR COMPROVANTES MEDIANTE TERMOS, CÓPIAS ANEXAS AO SEU DOSSIÊ, A CONTRIBUINTE NÃO COMPROVOU SATISFATORIAMENTE, COMO SE ESPECIFICA A SEGUIR, AS DESPESAS DECLARADAS, NÃO INCLUINDO ENTRE OS DOCUMENTOS APRESENTADOS, CÓPIAS DOS CHEQUES DE PAGAMENTOS OU EXTRATO BANCÁRIO RELATIVOS A: 1) CLAUDIA PEIXOTO DE LIMA 2) DILEMAR SIQUEIRA PENA, 3) KÁTIA TERESA DE O E SILVA, 4) IZABEL CRISTINA MOURA SANTOS, 5) MARIA BERNADETE AIRES MENDONÇA, 6) MARIA JOSÉ DO MONTE BARBOSA, 7) JOSÉ ADOLFO BASTO LIMA J., 8) SINEIDE PIMENTA DA SILVA, 9) KATHARINA XIMENES, 10) HENYLDA LANDIM, 11) MATERNIDADE SANTA LUCIA, E 12) PAULO CELIO GUERREIRO BARBOSA; BEM COMO OBSERVAM-SE FALHAS NOS DOCUMETOS APRESENTADOS PARA OS ITENS ACIMA , COMO SEGUE: ITEM 10) O COMPROVANTE NÃO SE REFERE AO ANO CALENDÁRIO/2002; 11) NÃO FOI APRESENTADA A NOTA FISCAL; 12) RECIBO NÃO INDICA BENEFICIÁRIO DO TRATAMENTO.DESTE MODO, RESTARAM AS DESPESAS DE TODOS OS ITENS ACIMA CITADOS, SEM COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO CONFORME SOLICITADO NOS TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL JÁ REFERIDOS. Enquadramento Legal: art. 8°, inciso 11, alínea 'a', e §§ 2° e 30, da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as Fl. 452DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. Fl. 453DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebe-se que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. 4.1. Despesas médicas com o profissional Paulo Célio Guerreiro Barbosa – CRO 5276 – R$ 10.000,00 (Item 13). Em relação às despesas médicas com o profissional Paulo Célio Guerreiro Barbosa, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas a tratamento odontológico, consta nos autos, os recibos de fls. 19 e 395, que alcançam o montante de R$ 10.000,00, evolução do plano do tratamento odontológico executado, constante na fl. 397, bem como declaração emitida pelo profissional, constante na fl. 399. Apesar da falta de juntada de prova do efetivo pagamento das despesas médicas, entendo que não há dúvida razoável quanto à sua realização, assim entendida a prestação dos Fl. 454DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, o que, ao meu ver, torna desnecessária a complementação da prova, para além dos documentos que já constam nos autos. Ao meu juízo, os valores estão compatíveis com o mercado, sendo que os serviços foram realizados durante o ano-calendário de 2002, não havendo, nos autos, indícios que possam levantar suspeitas em desfavor do recibo emitido pelo profissional de saúde, bem como das respectivas declarações sobre o tratamento. Assim, ao meu juízo, para o presente caso, entendo que os recibos, em conjunto com a declaração, que descreve o procedimento realizado, cumprem com as formalidades exigidas pela lei para a comprovação das despesas médicas com o profissional Paulo Célio Guerreiro Barbosa, no valor de R$ 10.000,00 (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). 4.2. Despesas médicas com a profissional Cláudia Peixoto de Lima – CRP 02/9588 – R$ 3.000,00 (Item 14). Em relação às despesas médicas com a profissional Cláudia Peixoto de Lima, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas ao tratamento psicológico de sua filha, Sra. Ana Rebeca de Moraes Pereira, tendo sido submetida a sessões de psicoterapia nos meses de janeiro de 2002 a dezembro de 2002, consta nos autos, os recibos de fls. 25/29 e 401/405, que alcançam o montante de R$ 3.000,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Cláudia Peixoto de Lima (R$ 3.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois os recibos apresentados, isoladamente, não são suficientes para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.3. Despesas médicas com o profissional Dilemar Siqueira Pena Fernandes – R$ 2.000,00 CRO 3951 (Item 15). Em relação às despesas médicas com o profissional Dilemar Siqueira Pena Fernandes, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas a tratamento odontológico de sua filha, Sra. Ana Raquel Pereira, e sua tutelada, Sra. Débora Oliveira, consta nos autos, os recibos de fls. 31/35, que informam o valor de R$ 1.200,00, recebido da contribuinte, referente a honorários profissionais prestados em Ana Raquel de Moraes Pereira e o valor de R$ 800,00, referente a honorários profissionais prestados em Débora Oliveira. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com o profissional Dilemar Siqueira Pena Fernandes (R$ 2.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois os recibos Fl. 455DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 apresentados, isoladamente, não são suficientes para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.4. Despesas médicas com a profissional Maria José do Monte Barbosa – CFF 0293 – R$ 2.000,00 (Item 16). Em relação às despesas médicas com a profissional Maria José do Monte Barbosa, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas ao tratamento fonoaudiológico de sua filha, Sra. Ana Raquel, consta nos autos, os recibos de fls. 31, que alcançam o montante de R$ 2.000,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Maria José do Monte Barbosa (R$ 2.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois os recibos apresentados, isoladamente, não são suficientes para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.5. Despesas médicas com a profissional Isabel Cristina Moura – CREFITO 840-F – R$ 6.000,00 (Item 17). Em relação às despesas médicas com a profissional Isabel Cristina Moura, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas a seu tratamento fisioterápico, consta nos autos, os recibos de fls. 37, que alcançam o montante de R$ 6.000,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Isabel Cristina Moura (R$ 6.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois os recibos apresentados, isoladamente, não são suficientes para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.6. Despesas médicas com a profissional Kátia Teresa O. e Silva – CRP 3751 – R$ 2.000,00 (Item 18). Em relação às despesas médicas com a profissional Kátia Teresa O. e Silva, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas a seu tratamento psicoterápico, consta nos autos, os recibos de fls. 37/38, que alcançam o montante de R$ 2.000,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva Fl. 456DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Kátia Teresa O. e Silva (R$ 2.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois os recibos apresentados, isoladamente, não são suficientes para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.7. Despesas médicas com a profissional Maria Bernadete Aires – CRF 4626 – R$ 3.000,00 (Item 19). Em relação às despesas médicas com a profissional Maria Bernadete Aires, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas ao tratamento fonoaudiológico de sua sobrinha, Sra. Débora Oliveira, por ser curadora desta à época, consta nos autos, o recibo de fl. 41, que alcança o montante de R$ 3.000,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Maria Bernadete Aires (R$ 3.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois o recibo apresentado, isoladamente, não é suficiente para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.8. Despesas médicas com a profissional Sineide Pimenta – CRP 03522 – R$ 3.000,00 (Item 20). Em relação às despesas médicas com a profissional Sineide Pimenta, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas ao tratamento psicoterápico de sua sobrinha, Sra. Débora Oliveira, por ser curadora desta à época, consta nos autos, o recibo de fl. 43, que alcança o montante de R$ 3.000,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Sineide Pimenta (R$ 3.000,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois o recibo apresentado, isoladamente, não é suficiente para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. 4.9. Despesas médicas com a profissional Catharina Ximenes de Moura – CRF 7787 – R$ 500,00 (Item 21). Fl. 457DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-006.856 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19647.005460/2006-51 Em relação às despesas médicas com a profissional Catharina Ximenes de Moura, que, segundo a contribuinte, estariam relacionadas às sessões de fonoaudiologia de sua filha, Sra. Ana Raquel Pereira, consta nos autos, os recibos de fl. 45, que alcançam o montante de R$ 500,00. Conforme entendimento acima traçado, a apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. Sobre a glosa das despesas médicas com a profissional Catharina Ximenes de Moura (R$ 500,00), entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois o recibo apresentado, isoladamente, não é suficiente para afastar a dúvida posta pela autoridade fiscal, no sentido da materialidade do pagamento. Dessa forma, neste ponto, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para restabelecer a dedução de despesas médicas pagas ao profissional Paulo Célio Guerreiro Barbosa (R$ 10.000,00). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001012/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/06/2007
DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR AO INSS TODAS AS INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO MESMO, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999
DECADÊNCIA
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante n. 08.
Em se tratando de auto de infração a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2202-005.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/06/2007 DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR AO INSS TODAS AS INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO MESMO, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 DECADÊNCIA O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante n. 08. Em se tratando de auto de infração a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-21T10:40:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-21T10:40:50Z; Last-Modified: 2019-08-21T10:40:50Z; dcterms:modified: 2019-08-21T10:40:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-21T10:40:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-21T10:40:50Z; meta:save-date: 2019-08-21T10:40:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-21T10:40:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-21T10:40:50Z; created: 2019-08-21T10:40:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-08-21T10:40:50Z; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-21T10:40:50Z | Conteúdo => S2-C 2T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13706.001012/2008-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.409 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2019 Recorrente NOVA YEN MOTORS COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/06/2007 DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR AO INSS TODAS AS INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO MESMO, BEM COMO OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 DECADÊNCIA O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante n. 08. Em se tratando de auto de infração a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 10 12 /2 00 8- 11 Fl. 88DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.409 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001012/2008-11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 12-20.900, proferido pela 15 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ (DRJ/RJOI) que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: DO LANÇAMENTO O presente lançamento refere-se ao Auto de Infração - AI DEBCAD 37.005.453-9 (CFL 35), que recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo de n° 13706.001012/2008-11, tendo em vista a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social e a conseqüente transferência dos processos administrativo-fiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme artigo 4o da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. 2. Trata-se de Auto de Infração lavrado por infringência ao artigo 32, III da Lei 8.212/1991 c/c artigo 225, III do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, quede acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 17/18, a empresa deixou de apresentar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, solicitados através dos TIAD's - Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, anexos ao presente auto de infração, conforme item 3 do Relatório Fiscal da Infração. 2.1. Os documentos não apresentados são os referentes a pagamentos de cursos a segurados empregados, conforme contido em folha de pagamento (benefícios a funcionários -cód. 85), no período de 01/1998 a 12/1999. 3. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes ou atenuantes previstas nos artigos 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 4. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 19/20, de acordo com o art. 283, II, "b", do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, foi aplicada a multa no valor de RS 11.951,21, atualizado conforme a Portaria MPS 142 de 11/04/2007, DOU de 12/04/2007. DA IMPUGNAÇÃO 5. A empresa contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 25/53, em síntese alegando a decadência do período de referência da autuação. O lançamento foi julgado procedente pela DRJ/RJOI. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Fl. 89DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.409 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001012/2008-11 Data do fato gerador: 11/06/2007 PRESTAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, E ESCLARECIMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da fiscalização, bem como os esclarecimentos necessários, constitui infração ao art. 32, III, da Lei 8.212/1991, c/c. art. 225, III, do RPS - Decreto 3.048/1999. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (efls. 72 e ss.), ensejando a interposição de recurso voluntário, alegando, em apertada síntese, que: - a Requerente foi autuada em 11 de junho de 2007, em decorrência de Ação Fiscal que apurou supostos débitos de contribuições sociais referentes ao período entre 01/01/1999 a 31/12/1999; - ocorre que, os lançamentos efetuados com base nos débitos correspondentes a obrigação principal do período acima mencionado, foram considerados improcedentes, pois estavam fulminados pela decadência, conforme decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - Rio de Janeiro I nos processos administrativos n°s 13706.000994/2008-24 e 13706.001013/2008-66 e 13706.001014/2008-19. - entretanto, no mesmo procedimento de fiscalização, lavrou-se o Auto de Infração ora contestado sob o argumento de que a Recorrente deixou de apresentar a documentação referente ao mesmo período cujos créditos estavam fulminados pela decadência. - a mesma 15ª Turma da DRJ-RIOI considerou procedente o auto de infração ora contestado, referente ao suposto descumprimento de obrigação acessória, cuja obrigação principal vinculada, ela considerou fulminada pela decadência; - logo, tal decisão deve ser totalmente modificada, pois fere os princípios congruentes da razoabilidade e da legalidade, fortemente presentes no ordenamento jurídico pátrio, uma vez que as obrigações tributárias acessórias decorrem de prescrições legislativas que impõem qualquer prática ou abstenção de ato, cujo cumprimento é estritamente necessário para viabilizar o controle da obrigação principal. - não havendo prejuízo para o fisco, em relação a obrigação principal, não há razão para se prosseguir com a aplicabilidade da sanção pelo descumprimento de obrigação acessória, sob pena de ferir-se frontalmente o princípio da razoabilidade. - além disso, o argumento de que a súmula vinculante n° 8 não declarou a ilegalidade do artigo 32 da Lei 8.212/91, o qual obriga o contribuinte a manter durante 10 anos os documentos à disposição da fiscalização, é totalmente infundado. - isto porque, o STF ao editar a súmula vinculante n° 8 o fez com base no princípio de que tudo em matéria de prescrição e decadência tributária só pode ser regulado por lei complementar. - pois bem, com se vê, o artigo 32 da Lei 8.212/91, extrapola os prazos decadenciais vigentes relativos a matérias tributárias e, portanto, deve ser interpretado com a mesma sistemática jurídica adotada pelo STF quando da edição da súmula vinculante n° 8. Fl. 90DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.409 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001012/2008-11 - requer, por fim, a reforma total da decisão ora contestada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Relator. O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de "fazer" ou "deixar de fazer", sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 pelo Supremo Tribunal Federal, portanto, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional - CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações providenciarias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazendo Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4o, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 91DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.409 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001012/2008-11 exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, independe do número de ocorrências, bastando uma única falta dentro de prazo não alcançado pela decadência qüinqüenal para manutenção da autuação. No caso, podemos observar no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (efls. 17/18) que o período objeto da fiscalização compreendeu 01/1998 a 12/1999. No encerramento da ação fiscal ficou constatado que a empresa deixou de apresentar documentos/comprovantes referentes a pagamentos de cursos a segurados empregados, conforme contido em folha de pagamento, segundo consta do Relatório Fiscal da Infração (efls. 20). No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 11/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia (efls. 03). As faltas que ensejaram a autuação ocorreram entre as competências 1998 a 1999, posto tratar-se de auto de infração, descumprimento de obrigação acessória, não há de considerar antecipação de pagamento sendo a decadência apreciada a luz do art. 173, I do CTN. Neste caso, a decadência deve ser declarada até 11/2001. Fl. 92DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.409 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001012/2008-11 Conclusão Ante o exposto, voto em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 13976.000316/2001-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543- C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Provido. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Antonio Carlos Atulim Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 233 a 240) e por Buddemeyer S/A (fls. 253 a 263) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 222 a 230) que: I) por unanimidade de votos: a) não conheceu do recurso quanto à matéria preclusa; e b) deu provimento ao recurso quanto à inclusão dos valores da industrialização por encomenda na base de cálculo do benefício; e II) por maioria de votos, negou provimento ao recurso quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic e à inclusão de energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e maravalha no cálculo do benefício. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO TEMPORAL. Inadmissível a apreciação, em grau de recurso, da pretensão do reclamante no que pertine à inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido, quando tal matéria não foi suscitada expressamente na manifestação de inconformidade apresentada à instância a quo. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000316/200113 Acórdão n.º 930301.408 CSRFT3 Fl. 428 3 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Tratandose de custo a que se submete a matériaprima, deve o custo de industrialização por encomenda integrar o valor das aquisições incentivadas. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E MARAVALHA. A energia elétrica, os combustíveis, lubrificantes e outros produtos que não sejam consumidos em decorrência de ação direta sobre o produto em fabricação, não dão direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. TAXA SELIC. NÃOINCIDÊNCIA.. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. Recurso provido em parte. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial aduzindo, em síntese, que não existe previsão legal para incluir o valor dos serviços de industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido. O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 247 a 248 no tocante à inclusão dos valores dos "serviços de industrialização por encomenda" no cálculo do incentivo previsto na Lei nº 9.363/96. Contrarrazões do contribuinte às fls. 396 a 404. O contribuinte, por outro lado, também interpôs recurso especial, abordando as questões relativas à exclusão dos gastos efetuados a titulo de "energia elétrica/combustiveis/lubrificantes/maravalha" da base de cálculo do beneficio previsto na Lei nº 9.363/96; bem como a referente à inaplicabilidade da Taxa SELIC, além da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido. O recurso especial do contribuinte foi admitido através do r. despacho de fls. 407 a 409 apenas no que tange à correção monetária pela Taxa SELIC dos créditos presumidos a serem ressarcidos. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 413 a 419. É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que os recursos merecem ser conhecidos. Conforme se depreende dos autos, a questão a ser dirimida diz respeito (i) à inclusão dos valores dos "serviços de industrialização por encomenda" no cálculo do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96, e (ii) à atualização do ressarcimento de créditos de IPI pela taxa SELIC. No tocante à industrialização por encomenda, meu entendimento coincide com o do seguinte precedente: Número do Recurso: 132221 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 11065.001121/0069 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente: SCHMIDT IRMÃOS CALÇADOS LTDA Recorrida/Interessado: DRJPORTO ALEGRE/RS Data da Sessão: 05/12/2006 09:00:00 Relator: Nadja Rodrigues Romero Decisão: ACÓRDÃO 20217563 Resultado: PPM DADO PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão: Deuse provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, deuse provimento para reconhecer o direito de incluir o valor da industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido.Vencida a Conselheira Nadja Rodrigues Romero (Relatora). Designada a Conselheira Maria Teresa Martínez López para redigir o voto vencedor, nesta parte; e II) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto a taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Simone Dias Musa (Suplente), Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros, visando aperfeiçoar, para o uso ao qual se destina, matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000316/200113 Acórdão n.º 930301.408 CSRFT3 Fl. 429 5 produtos exportados pelo encomendante, agregase ao seu custo de aquisição para o efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e à Cofins, previsto na Lei nº 9.363/96. PRECLUSÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Incabível a apreciação na fase recursal de matéria não questionada na fase impugnatória. Recurso provido em parte. D.O.U. de 16/12/2008, Seção 1, pág. 42 (grifos nossos) Já com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima aludido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, de 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000316/200113 Acórdão n.º 930301.408 CSRFT3 Fl. 430 7 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, em que se pleiteou a não inclusão dos valores dos "serviços de industrialização por encomenda" no cálculo do incentivo previsto na Lei nº 9.363/96. No tocante ao recurso especial interposto pelo contribuinte, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial a fim de que o ressarcimento de créditos presumidos de IPI se dê com a atualização pela taxa SELIC. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator Designado Divirjo do ilustre Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda quanto à solução dada ao recurso da Fazenda Nacional. A questão diz respeito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pago pela Interessada pelos serviços de industrialização prestados em regime de encomenda. A matériaprima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços se incorpora ao valor do produto acabado e não ao da matériaprima. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições que deram origem ao incentivo, não se trata de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos valores são os únicos a integrarem a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Textualmente, a Lei se refere a “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem”, que têm um conceito jurídico preciso, e não a insumos em sentido genérico. Não se trata de matéria a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca a inexistência de direito ao crédito nessa hipótese. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Vejase que o raciocínio de que “se houvesse adquirido diretamente as matériasprimas, haveria o direito”, não é premissa suficiente para concluir pela existência do direito de crédito. Se assim fosse, em relação a qualquer direito poderseia efetuar o mesmo raciocínio. Para concluir pela existência do direito, haveria que se considerar uma outra premissa, que é a de que as situações seriam equivalentes, raciocínio típico da analogia, que não é forma de interpretação, mas de integração do direito. Portanto, considerar que se outra hipótese houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes representa regulação positiva do direito, para estender o benefício a situação claramente não contemplada na lei, o que é completamente inadmissível. Inexistindo previsão legal no sentido de autorizar a inclusão do valor dos serviços de industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido, divirjo do ilustre relator, e voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado dig italmente em 20/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908014/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE.
A não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3401-006.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para: (a1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-988/98, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; e (a2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-328/2002, exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que mantinha integralmente o lançamento nesse item; e (b) por unanimidade de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-229/2005-F, exceto no que se refere a manutenção predial; (b2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-1012/2007-A; (b3) afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados; e (b4) manter a autuação em relação aos contratos Contrato JUR-562/98 e JUR 230/2005-F, e em relação aos demais itens lançados.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. A não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.
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NÃOCUMULATIVIDADE. A nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para: (a1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR988/98, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; e (a2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR328/2002, exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que mantinha integralmente o lançamento nesse item; e (b) por unanimidade de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR229/2005F, exceto no que se refere a manutenção predial; (b2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR1012/2007A; (b3) afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados; e (b4) manter a autuação em relação aos contratos Contrato JUR562/98 e JUR 230/2005F, e em relação aos demais itens lançados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 80 14 /2 01 1- 48 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a repetir os seguintes argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. (a) Ressalta o conceito extensivo a “insumo” para fins de sua aplicação à legislação do PIS/COFINS nãocumulativos, e que os serviços contratados pela Recorrente seriam atinentes a sua atividade; (b) Sobre os fretes na aquisição de insumos importados, afirma que esses valores integram o custo efetivo de aquisição de insumos não se confundindo com o frete internacional da importação; e (c) Sobre os seguros, alega que tais valores integram o custo do frete na venda de mercadorias, assim geram direito ao crédito, a teor do art. 3o, IX, da Lei Federal no 10.833, de 2003. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.251, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.908007/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão n3401006.251): "Do Mérito Em síntese, o Recurso busca a reforma da decisão que manteve as glosas em relação a: (1) Serviços de manutenção e conservação predial, manutenção de rede elétrica, aluguel de Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 4 3 empilhadeiras e veículos, movimentação de mercadorias, controle de estoque, almoxarifado, limpeza e jardinagem , que não foram considerados insumos do processo produtivo pela fiscalização, a teor da Instrução Normativa (IN) SRF no 404, de 2004, ou seja, tais serviços não foram aplicados diretamente ao processo produtivo da empresa; (2) Fretes sobre a aquisição de insumos importados; e (3) Seguros pagos sobre as mercadorias vendidas ao exterior. Do Conceito de insumos na legislação que rege as contribuições Com relação a esse item do Recurso, é necessário estabelecer os limites interpretativos para o conceito de insumo no âmbito das contribuições sociais, para, em seguida, expor as conclusões quanto à plausibilidade do direito ao crédito. A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias no 66/2002 e no 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária, no Brasil, foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu na doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, porque até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional das contribuições limitouse a delegar à lei ordinária o estabelecimento de quais setores de atividade econômica teriam o regime nãocumulativo aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: “§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas”. Vejase que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 5 4 (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2o O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...)” De tal forma, ainda, que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio qual seja, o de viabilizar a tributação sobre o valor agregado , é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Ed. Dialética, 2009, p.427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3o das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, que serão objeto de análise pontual mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3o: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei no 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei no 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei no 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei no 11.898, de 2009) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 7 6 XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços.” E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar no 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: “(...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...)” De fato, do ponto de vista puramente econômico, o referido conceito nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito, ao menos no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente se trata do ICMS ou do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei no 5.172/1966 CTN). 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 8 7 No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT no 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: “Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos.” Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 9 8 acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica”. De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o mencionado artigo 3o, quando se observa que os incisos e parágrafos endossam a ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando mencionam “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da não cumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse sentido decisão recente e vinculante do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 1.221.170/PR, de que o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF no 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: “Art. 66. (...) § 5o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 10 9 II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” Partindo desse posicionamento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta no 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 11 10 atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art. 8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF no 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8o, § 4o, que assim dispôs: “Artigo 8o (...) § 4o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I Utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II Utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente que a do IPI e do ICMS, o construído à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 12 11 Passo a analisar, a seguir, os itens glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão de primeiro grau. Das glosas efetuadas (1) Glosa de créditos sobre serviços de manutenção e conservação predial, manutenção de rede elétrica, aluguel de empilhadeiras e veículos, movimentação de mercadorias, controle de estoque, almoxarifado, limpeza e jardinagem. A Recorrente deseja ver reformadas as glosas relacionadas a: Contratos de Prestação de Serviço JUR562/98 e JUR988/98, que se referem a gerenciamento do inventário físico dos insumos utilizados na produção, incluindo compra, recebimento, estocagem, manuseio até a sua utilização na produção; Contrato de Serviços JUR 328/2002, relacionado à limpeza industrial e remoção de resíduos industriais; Contrato de Serviço JUR 229/2005F, relacionado a operações de instalação, manutenção predial e tratamento de resíduos, manutenção de equipamentos industriais (empilhadeiras, motobombas, geradores, guindastes), além de serviços de serralheria e carpintaria relacionados a equipamentos utilizados na produção; Contrato de Serviço JUR 230/2005F, relacionado a jardinagem, correio, administração do arquivo, almoxarifado de materiais indiretos; e Contrato de Serviço JUR 1012/2007A, relativo à manutenção de equipamentos industriais (empilhadeiras, paletizadoras, geradores, guindastes). Ora, dos itens relacionados acima, com base no entendimento esposado na parte anterior do voto, aliado à compreensão dada por insumo nos termos da Solução de Consulta COSIT no 5/2018, é possível entender como passíveis de apropriação de crédito, por guardarem essencialidade em relação à atividade da Recorrente, as despesas dos contratos de serviço JUR988/98, JUR328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo), JUR229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial), e JUR1012/2007A, sendo corretas as glosas referentes aos contratos JUR562/98 e JUR 230/2005F, por serem atinentes a atividades que não denotam o grau de essencialidade relevância discutido no tópico anterior. Assim, devem ser reformadas parcialmente as glosas relativas a este tópico, como exposto acima. (2) Fretes sobre a aquisição de insumos importados Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 13 12 Devese reconhecer que a legislação da modalidade não cumulativa das contribuições sociais não previu a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da aquisição de insumos que, por sua vez, geraram créditos. Talvez nem precisasse. Isso porque, conforme, será explicitado à frente, esse regime nãocumulativo está sensivelmente ligado à dualidade custo receita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: “11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição.” Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos no transporte de insumos serem integrantes do custo de estoque. Dessa forma, o frete nacional na aquisição de insumos, por compor o seu custo, implica o direito ao crédito das contribuições. Esse entendimento acabou sendo replicado na Solução de Consulta COSIT no 99048, de 20.03.2017, ao reconhecer a possibilidade do crédito sobre frete quando esse integrar o custo de aquisição de insumos, a despeito da falta de “previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens”: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os dispêndios com serviço de transporte de bens de terceiros entre estabelecimentos da pessoa jurídica executora de serviços de manutenção dos referidos bens não geram para esta direito à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Não há previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens. No entanto, considerando que o frete do bem adquirido, em Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 14 13 regra, integra o custo de aquisição do bem: a) quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo de seu transporte, incluído no seu valor de aquisição, servirá, indiretamente, de base de apuração do valor do crédito; b) quando vedado o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá, sequer indiretamente, tal direito em relação aos dispêndios com seu transporte. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT No 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 10.637/2002, art. 3o, II; RIR, art. 289, § 1o; IN SRF no 247/2002, art. 66, I, ‘b’, e § 5o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os dispêndios com serviço de transporte de bens de terceiros entre estabelecimentos da pessoa jurídica executora de serviços de manutenção dos referidos bens não geram para esta direito à apropriação de créditos da Cofins. Não há previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens. No entanto, considerando que o frete do bem adquirido, em regra, integra o custo de aquisição do bem: a) quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo de seu transporte, incluído no seu valor de aquisição, servirá, indiretamente, de base de apuração do valor do crédito; b) quando vedado o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá, sequer indiretamente, tal direito em relação aos dispêndios com seu transporte. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT No 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 10.833/2003, art. 3o, II; RIR.” Diante disso, deve ser reformada a decisão recorrida, para reconhecer os créditos oriundos da contratação de frete nacional na aquisição dos insumos importados, uma vez que os gastos relacionados sua efetiva entrega no estabelecimento da Recorrente integram o custo de aquisição. Excluemse da geração de créditos os fretes relativos à operação de importação (fretes internacionais). Assim, devem ser revertidas as glosas referentes a fretes nacionais na aquisição de insumos importados. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 15 14 (3) Seguros pagos sobre as mercadorias vendidas ao exterior Por outro lado, a contratação de seguro relacionada aos produtos acabados a serem vendidos ao exterior não se insere o conceito de custo de aquisição de insumos ou mercadorias, uma vez que esses gastos que ocorrem após a finalização do produto, não sendo possível sua integração ao custo do produto acabado. Em sua defesa, a Recorrente traz à baila o fato de que os valores de seguro estão compreendidos no valor total do frete relacionado à exportação dos seus produtos, como se demonstra no trecho do contrato de serviços de frete internacional (JUR 777/2003): Nesse sentido, alega que o seguro, na verdade, se inclui no total da remuneração cobrada pela transportadora, e, como tal, deveria ser passível de creditamento. Por outro lado, o fato de o contrato entre as partes prever que o seguro será cobrado conjuntamente não desnatura o “seguro”, de modo que não há como tratálo como frete. Assim, tratase de típica “despesa com vendas”, cuja natureza (seguro) não está prevista no rol de possibilidades de apropriação de créditos de PIS/COFINS, posto que não é tampouco possível caracterizála como insumo. Acertada, portanto, a decisão de primeiro grau, que manteve a glosa de créditos originados dessas despesas. Das considerações finais Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento em relação aos contratos JUR988/98; JUR328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo); JUR 229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial); e JUR1012/2007A; bem assim para afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados. Nota do redator designado Ad Hoc: Como o presente processo foi julgado em conjunto com outros seis, da mesma empresa, na sessão de julgamento de 17/06/2019, sendo um deles de maior abrangência e referente a lançamento (no 13888.720188/2012 61, onde podem ser encontrados, na íntegra, os contratos mencionados neste voto), o resultado do processo abrangente acabou espelhado nos demais, inclusive no presente. Assim, a menção, no resultado do julgamento, a afastamento de Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 16 15 “lançamento” para um determinado tema deve ser compreendida como afastamento “das glosas” efetuadas pela fiscalização em relação ao respectivo tema. O esclarecimento aqui apresentado objetiva facilitar a compreensão e a liquidação administrativa do acórdão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicase também aos autos a observação contida na “Nota do redator designado Ad Hoc” constante do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento em relação aos contratos JUR988/98; JUR 328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo); JUR 229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial); e JUR1012/2007A; bem assim para afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13888.908014/201148 Acórdão n.º 3401006.258 S3C4T1 Fl. 17 16 Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005177/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO.
Tem amparo legal a exclusão da Área de Reserva Legal quando o contribuinte demonstra que sua averbação à margem da matrícula do Registro Imobiliário decorre de mera explicitação de averbações levadas a termo pelos proprietários anteriores, em datas anteriores à ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-005.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer integralmente a exclusão das áreas declaradas a título de reserva legal nos exercícios de 2004 e 2005.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Tem amparo legal a exclusão da Área de Reserva Legal quando o contribuinte demonstra que sua averbação à margem da matrícula do Registro Imobiliário decorre de mera explicitação de averbações levadas a termo pelos proprietários anteriores, em datas anteriores à ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer integralmente a exclusão das áreas declaradas a título de reserva legal nos exercícios de 2004 e 2005. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata do Auto de Infração de fl. 2 a 13, pelo qual a Autoridade fiscal lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 2.562.657,40, já incluídos a Multa de Ofício de 75% e os juros de mora calculados até outubro de 2010. O lançamento é relativo aos exercícios de 2004 e 2005 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 6.528.337-6 e com o nome de Parque Fazenda Bom Futuro. Ao descrever os fatos que levaram ao lançamento, fl. 3, o Auditor-Fiscal sustenta que, mesmo regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção das áreas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 77 /2 00 8- 11 Fl. 317DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005177/2008-11 declaradas a título de Área Preservação Permanente - APP e de Reserva Legal - ARL, tampouco o Valor da Terra Nua declarado. Das três infrações citadas, o contribuinte concordou com duas delas, instaurando o contencioso administrativo exclusivamente em relação à ARL, sobre a qual a Autoridade lançadora complementa tal descrição dos fatos nos seguintes termos, fl. 10: 2. Área de Reserva Legal - Exercício de 2004 e 2005: Não foi comprovada a averbação da reserva legal em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel em data anterior à ocorrência do fato gerador do ITR, conforme art. 12, § lº, do Decreto 4.382/02, a reserva legal de 78% da área total foi averbada apenas em 11/04/2005. Não há que se falar em Reserva Legal sem a devida averbação em matrícula do imóvel ou, se posse, sem o devido Termo de Ajustamento de Conduta ou Termo de Responsabilidade/ Compromisso de averbação. A averbação ê ato constitutivo, ë através da averbação da reserva legal é que o proprietário do imóvel rural delimita a respectiva área e assumi o compromisso documental e legal de preservação perpétua perante os órgãos ambientais competentes. Sem averbação, a reserva pode ser qualquer outra coisa, menos legal. Pelo exposto e conforme o art. 10, § 1o, inciso II, letra 'a' da Lei 9393/96, e art. 16, § 8°, da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. lº da Lei 7803/89) e art. 12, § lº, do Decreto 4.382/02, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título. Ciente do lançamento em 28 de outubro de 2008, conforme AR de fl. 164, inconformado, o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 172/185, na qual questiona exclusivamente o lançamento no que se refere à glosa da ARL, afirmando expressamente que não discutiu a glosa da APP e o arbitramento do VTN. Debruçada sobre o tema, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS exarou o Acórdão nº 04-22.558, fl. 231/239, acatado por unanimidade de votos, em que concluiu pela improcedência da impugnação, cujas conclusões estão resumidas na ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005 Nulidade do Auto de Infração. Não tendo sido constatada ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Tributação. Área de Reserva Legal. Para a exclusão da área de reserva legal da tributação do ITR, além do reconhecimento mediante ADA, protocolizado tempestivamente, junto ao Ibama, é necessário que essa área esteja averbada na matrícula do imóvel na data de ocorrência do fato gerador do ITR do exercício a que se referir a declaração. Da Área de Preservação Permanente e Valor da Terra Nua (VTN) Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do Acórdão da DRJ, conforme AR de fl. 252, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 257/277, em que reitera as Fl. 318DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005177/2008-11 razões apresentadas em sede de impugnação as quais serão melhor detalhadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Como bem delimitado no Relatório supra, a lide administrativa gravita, exclusivamente, em torno da questão da glosa da ARL declarada, sendo oportuno destacar a legislação correlata vigente à época da ocorrência do fato gerador sob análise: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Grifou-se. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(...) §8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifou-se. Por economia processual, oportuno iniciar a análise sobre o tema que se mostra mais relevante para solução do presente caso, que está relacionado à alegação da defesa de que a averbação da ARL à margem da matrícula no registro de imóveis teria ocorrido anteriormente à ocorrência do fato gerador e que a Autoridade lançadora e a Decisão recorrida não teriam considerado as averbações promovidas por proprietários anteriores. Sobre tal alegação, a decisão recorrida assim se manifestou: (...) Nesta fase, a interessada pretende que seja considerada a área de 9.723,1ha de reserva legal, o que representa 78% da área total do imóvel e apresenta a cópia da matrícula de n° 13.033, fls. 191 e 192 e as Certidões constantes de fls. 193 a 207 dos autos, as quais comprovam que a citada área foi averbada em 11 de abril de 2005. A averbação de n° 04/13.033 constante no verso dessa matrícula é referente ao Termo de Responsabilidade e Preservação de floresta firmado entre os ex-proprietários do imóvel objeto da matrícula e o Ibama, ocorrido em 20/08/1996, que não pode ser confundida com a averbação efetuada em Cartório de Registro de Imóveis, onde os proprietários de imóveis firmam o compromisso de não promover o corte raso da vegetação junto ao Ibama. Fl. 319DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005177/2008-11 Para a contribuinte fazer jus a exclusão da área de reserva legal da incidência do ITR, seria necessária a comprovação de que essa área já se encontrava averbada na matrícula anterior. (...) Analisando os documentos referidos em tal conclusão do Julgador de 1ª Instância, temos que assim está documentada a averbação nº 04/13.033, fl. 196/197: Tal averbação foi levada a termo em 11 de abril de 2005 e, por tal razão, não acolhida pelo Julgador de 1ª Instância, que, como citado alhures, a mesma é referente ao Termo de Responsabilidade e Preservação de floresta firmado entre os ex-proprietários do imóvel objeto da matrícula e o Ibama, ocorrido em 20/08/1996, que não pode ser confundida com a averbação efetuada em Cartório de Registro de Imóveis. Disse, ainda, que para a contribuinte fazer jus a exclusão da área de reserva legal da incidência do ITR, seria necessária a comprovação de que essa área já se encontrava averbada na matrícula anterior. A análise das demais informações registradas na matrícula nº 13.033, fl. 195/197, que data de 18 de fevereiro de 2004, evidencia que a mesma decorre do aquisição conjunta de diversas outras áreas menores, todas detentoras de inscrições individuais. Assim, o registro do imóvel em tela gerou uma nova matrícula (13.033) resultante do agrupamento de outras anteriores. Ocorre que o contribuinte junta aos autos diversas Certidões a partir de fl. 199, todas com o teor semelhante à imagem abaixo colacionada: Fl. 320DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005177/2008-11 Como se vê, ao se referir à matrícula anterior, o 1º Serviço Notarial e Registral da Comarca de Poconé/MT certifica que consta averbado que 78% (setenta e oito por cento) da área do imóvel encontra-se gravada de Reserva Legal. Portanto, tal informação, que goza de presunção de legitimidade, evidencia exatamente aquilo que a Decisão recorrida afirmou que seria necessário para que o contribuinte gozasse da isenção de tais áreas, a saber, que as mesmas estivessem averbadas nas matrículas anteriores. A averbação da ARL à margem da inscrição de matrícula do imóvel objetiva exatamente dar publicidade de tal fato, bem assim das restrições dela decorrentes, aos sucessores e à coletividade, sendo, conforme prevê o § 8º do art. 16 da lei 4.771/65, vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título. Naturalmente, tivesse o contribuinte mantido segregadas as inscrições de todas as áreas adquiridas, as citadas averbações estariam evidentes em cada inscrição e não seriam contestadas pelo Agente Fiscal. Não obstante, o simples fato de se constituir uma nova inscrição a partir da integralização de outras menores e nesta nova inscrição restar gravada as ARL das Fl. 321DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.402 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.005177/2008-11 inscrições anteriores, não faz nascer uma nova ARL, mas a mera explicitação das ARL antigas, cuja alteração de destinação é vedada no caso de transmissão a qualquer título. Portanto, com razão a defesa. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário restabelecer integralmente a exclusão das áreas declaradas a título de reserva legal nos exercícios de 2004 e 2005. Por consequência, deixo de avaliar os demais argumentos do contribuinte relacionados à ARL, expressos nos tópicos do recurso voluntário abaixo listados. - O aspecto fiscalista da RFB em confronto com as decisões judiciais e administrativas; - A recorrente não abriu discussão sobre diferença da área de preservação permanente - exercício 2004; - A legalidade da averbação da área de reserva legal exercício 2004 e 2005 ante decisões judiciais e administrativas - Da repercussão do decreto 7.009/2009 - que prorroga o prazo para averbação da reserva legal. Por fim, ressalte-se que o presente voto está limitado à discussão sobre a ARL, não alcançado os demais temas lançados, sobre os quais não se instaurou o contencioso fiscal e, por tal razão, assumiu caráter de definitividade no âmbito administrativo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 322DF CARF MF
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