Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13896.907895/2016-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.902
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.907895/2016-95
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993225
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.902
nome_arquivo_s : Decisao_13896907895201695.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896907895201695_5993225.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7706116
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659997806592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907895/201695 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.902 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 5/ 20 16 -9 5 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13896.907895/201695 Resolução nº 3201001.902 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13896.907895/201695 Resolução nº 3201001.902 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13896.907895/201695 Resolução nº 3201001.902 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13896.907895/201695 Resolução nº 3201001.902 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13896.907895/201695 Resolução nº 3201001.902 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13896.907895/201695 Resolução nº 3201001.902 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962493/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.803
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.962493/2008-24
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5985895
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.803
nome_arquivo_s : Decisao_10880962493200824.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880962493200824_5985895.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7688974
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660011438080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 141 1 140 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962493/200824 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.803 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente SOFICAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP) que restou não homologada, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 49 3/ 20 08 -2 4 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.962493/200824 Resolução nº 3201001.803 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.640. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.962493/200824 Resolução nº 3201001.803 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.962493/200824 Resolução nº 3201001.803 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10880.962493/200824 Resolução nº 3201001.803 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954725/2009-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/03/2004
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/03/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.954725/2009-51
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974511
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.142
nome_arquivo_s : Decisao_10880954725200951.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10880954725200951_5974511.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7660948
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660019826688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.954725/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.142 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/03/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 47 25 /2 00 9- 51 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do grupo de tributos RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/COFINS/PIS (código de receita: 5952), PA 28/02/2004, no valor original na data de transmissão de R$ 7.226,78, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 03/03/2004. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: O PER/DCOMP apresentado pela Requerente em 13/12/2004, tem por finalidade a compensação de crédito oriundo de recolhimento indevido ou a maior das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL retidas na fonte por ocasião de pagamento a outras pessoas jurídicas e, que anexa à manifestação de inconformidade documentação que comprova a existência do crédito com a cópia da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF 2005, ano base 2004 (Doc. n° 3), onde consta na página 3 da declaração o valor total, discriminado mês a mês, referente às retenções de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado CSLL, COFINS e PIS/PASEP código de receita 5952. O total dos rendimentos pagos a outras pessoas jurídicas no mês de fevereiro/2004 é de R$ 382.574,86, o valor total dos tributos retidos nesse mês atinge R$ 17.789,74 e o valor total recolhido no mesmo período de apuração sobre as rubricas (Retenção PIS, COFINS e CSLL), totalizou R$ 19.660,40, (Doc. n° 4). Verificase que há uma diferença entre o valor total das retenções (Código 5952) apurado pela empresa no mês de fevereiro conforme DIRF 2005 que consubstancia um pagamento indevido a maior no valor de R$ 1.870,66 (19.660,40 17.789,74) e, como conseqüência, um crédito passível de compensação com débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, via PER/DCOMP. O pagamento a maior ocorreu porque, à época dos fatos a Requerente não havia se dado conta que seu sistema Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 4 3 informatizado de apuração de impostos apresentava falha de configuração e, em alguns casos, o cômputo em duplicidade de valores retidos sobre notas fiscais. Isso acarretava o recolhimento em duplicidade, pois os valores computados em um determinado período de apuração, também eram incluídos no período de apuração subseqüente. O que ocorreu nesse caso foi que na 4” semana de fevereiro/2004 a Requerente efetuou pagamentos à empresa Barreto & Barreto Contábil Treinamento S/C Ltda. (CNPJ 04.526.657/000148) sobre os quais foram retidas as contribuições ao PIS, COFINS c CSLL no valor total de R$ 748,60. Esse valor, entre outros, compõe o DARF de R$ 7.226,78, da 4” semana conforme quadro que elabora e que entende confirmado pela analise do comprovante de rendimentos enviado àquela essa pessoa jurídica (cópia anexa Doc. n° 5). Devido à falha na configuração do sistema esse mesmo valor (R$ 748,60) foi computado novamente no período de apuração 5" semana de fevereiro/2004, de forma indevida. Isso levou a Requerente a recolher novamente esse valor, em duplicidade, aumentando indevidamente o total de retenções apurado na 5° semana de fevereiro/2004, ocasionando o pagamento a maior em duplicidade (DARF de R$ 7.128,90 Doc. O4). Esse valor de R$ 748,60, recolhido ein duplicidade, consubstancia um crédito líquido e certo da Requerente, oriundo de recolhimento indevido a maior, passível de compensação via PER/DCOMP e, que esse valor de R$ 748,60 corresponde ao montante do crédito original na data da transmissão, informado na PER/DÇQ ° 30380.04720.131204.13.049343, a que se refere o despacho decisório impugnado. A Requerente esclarece e atesta que o valor total das retenções apurado pela empresa no mês de fevereiro de 2004, é exatamente aquele informado na DIRF (DoC. n° 3, página 3 da declaração). A DCTF do 1° Trimestre de 2004 não havia sido retificada para corrigir o débito de "retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica para pessoa jurídica de direito privado" Código 5979 art. 30 da Lei n° 10.833/03), da 5° semana de fevereiro/2004, de R$ 7.128,90 para R$ 6.380,31. .O erro no preenchimento da DCTF culminou com a não homologação da compensação pelo despacho decisório impugnado. O fato é que esse mero equívoco no preenchimento da DCTF foi constatado pela empresa antes mesmo de tomar conhecimento do despacho decisório e, foi devidamente regularizado por meio da transmissão de DCTF retificadora (DOC. n° O6). `A DCTF retificadora foi transmitida no dia 02/03/2009, antes que a empresa fosse cientificada acerca da não homologação da compensação. Aparentemente, quando da prolação do despacho decisório a DCTF retificadora ainda não havia sido processada, Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 5 4 com a retificação, promovida em tempo hábil, toda a situação ficou definitivamente regularizada conforme entende demonstrado. O erro meramente material incorrido, consistente no preenchimento equivocado da DCTF original (já corrigida), não tem o condão de invalidar a compensação pretendida, onde a Requerente utilizou crédito liquido e certo oriundo de pagamento a maior da retenção de contribuições sociais do período de apuração fevereiro/2004, para extinção do crédito tributário informado. O pagamento localizado, constante do despacho decisório, referese, precisamente, ao pagamento a maior relativo a retenção de contribuições sociais do referido período de apuração e, agora, devidamente retificada a DCTF do 1° trimestre de 2004, sendo que o valor total do débito foi corrigido para R$ 6.380,31, remanescendo um saldo de recolhimento a maior, precisamente o crédito utilizado na PER/DCOMP A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo l (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 1633.097. O fundamento adotado, em síntese, foi o de falta de comprovação do direito creditório pleiteado, conforme ementa abaixo: Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 03/03/2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 6 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL retidas na fonte por ocasião de pagamento a outras pessoas jurídicas, alegando erro material no cômputo em duplicidade de valores retidos sobre notas fiscais. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente às retenções de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado CSLL, COFINS e PIS/PASEP código de receita 5952, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 7 6 O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A análise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. Além disso, nem mesmo a suposta inovação alegada pela Recorrente é verificada no caso. Com efeito, a decisão atacada não altera o fundamento do despacho decisório, mas analisa os mesmos fatos e aplica a mesma legislação, apenas corroborando a alocação do pagamento informado como indevido à débitos já declarados e a necessidade de comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito com base na legislação vigente. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 8 7 Alega a Recorrente que o seu crédito é oriundo de recolhimento indevido ou a maior das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL retidas na fonte por ocasião dos pagamentos feitos a outras pessoas jurídicas (Códigos de Receita: 5952), período de apuração 5ª semana de fevereiro de 2004, no qual teria havido um recolhimento a maior na ordem de R$ 748,59 (setecentos e quarenta e oito reais e cinquenta e nove centavos), conforme informado no PERDCOMP.. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DIRF/2005, Cópia dos DARFs, Cópia da DCTF retificadora e Cópia dos PER/DCOMPs. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DIRF/2005, Cópia dos DARFs, Cópia da DCTF retificadora e Cópia dos PER/DCOMPs, porém sem documentos hábeis, idôneos e suficientes que os embasassem. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.954725/200951 Acórdão n.º 3003000.142 S3C0T3 Fl. 9 8 Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900248/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.900248/2006-05
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5971397
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.563
nome_arquivo_s : Decisao_13851900248200605.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13851900248200605_5971397.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7649776
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660049186816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.900248/200605 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.563 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente TECNOMOTOR ELETRÔNICA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.563, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 24 8/ 20 06 -0 5 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13851.900248/200605 Resolução nº 1201000.563 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 31/12/2001, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.905557/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.905557/2015-38
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981542
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.976
nome_arquivo_s : Decisao_13896905557201538.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896905557201538_5981542.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7677212
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660059672576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.905557/201538 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.976 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 55 57 /2 01 5- 38 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13896.905557/201538 Acórdão n.º 3201004.976 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.567, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13896.905557/201538 Acórdão n.º 3201004.976 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.905557/201538 Acórdão n.º 3201004.976 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002374/2007-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006
ATRASO ENTREGA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO.
É devida a exigência de multa, quando identificado atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Ativididades Imobiliárias (DIMOB).
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
Quando, no curso do processo, ao ato praticado comine legislação com penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, essa deve ser aplicada.
Numero da decisão: 1003-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor da multa aplicada nos moldes da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, dada pela Lei nº 12.766, de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 ATRASO ENTREGA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO. É devida a exigência de multa, quando identificado atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Ativididades Imobiliárias (DIMOB). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Quando, no curso do processo, ao ato praticado comine legislação com penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, essa deve ser aplicada.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11610.002374/2007-82
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970086
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.441
nome_arquivo_s : Decisao_11610002374200782.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 11610002374200782_5970086.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor da multa aplicada nos moldes da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, dada pela Lei nº 12.766, de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7646912
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660070158336
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-05T11:06:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-05T11:06:25Z; Last-Modified: 2019-03-05T11:06:25Z; dcterms:modified: 2019-03-05T11:06:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-05T11:06:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-05T11:06:25Z; meta:save-date: 2019-03-05T11:06:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-05T11:06:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-05T11:06:25Z; created: 2019-03-05T11:06:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-03-05T11:06:25Z; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-05T11:06:25Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.002374/200782 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.441 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PREDI MOR ADMINISTRACAO DE IMOVEIS SS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 ATRASO ENTREGA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO. É devida a exigência de multa, quando identificado atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Ativididades Imobiliárias (DIMOB). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Quando, no curso do processo, ao ato praticado comine legislação com penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, essa deve ser aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor da multa aplicada nos moldes da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dada pela Lei nº 12.766, de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 23 74 /2 00 7- 82 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11610.002374/200782 Acórdão n.º 1003000.441 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1616.063, de 15 de janeiro de 2008, da 5ª Turma da DRJ/SPOI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), do anocalendário 2006, no valor de R$ 5.000,00. Defendeu a contribuinte que a Declaração foi elaborada no dia 28/02/2007, contudo, após diversas tentativas de transmissão da declaração, a mesma foi recepcionada pela Receita Federal às 00:01 horas do dia 01/03/2007, embora tenha sido transmitida antes das 00:00 horas. A DRJ/SPOI julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Informações sobre atividades Imobiliárias, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente. A Recorrente foi intimada da decisão e apresentou recurso voluntário no qual destacou: (i) Que em 28/02/2007, elaborou e preencheu todos os requisitos legais do cadastro da DIMOB e transmitiu a referida declaração pela internet, antes do término do horário e finalizando a operação, segundo órgão receptor às 00:01 do dia 01/03/2007; (ii) Esclarece a Recorrente que tentou por várias vezes no dia 28/02/2007 efetuar a transmissão da respectiva declaração, contudo ocorria perda de conexão e a declaração não era enviada; (iii) Afirma ter efetuado o envio da declaração em horário bem anterior ao término do dia 28/02/2007, mas por motivos alheios a sua vontade, teve o término e conclusão da referida operação ocorrida um minuto após o fim do prazo. Não tem como comprovar o horário de início da transmissão, pois o órgão receptor apenas registra o horário da finalização da transmissão. Por fim, requereu a anulação e cancelamento da multa fiscal aplicada. É o Relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11610.002374/200782 Acórdão n.º 1003000.441 S1C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Defende a Recorrente que entregou a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB fora do prazo legal em razão de lentidão do sistema de internet para a transmissão. Informa ter tentado diversas vezes efetuar a transmissão da citada declaração durante o dia 28/02/2007, porém não obteve sucesso. A Recorrente colacionou aos autos o Recibo de Entrega da Declaração, fls. 18 no volume I, no qual consta ter sido a declaração recebida pelo agente receptor em 01/03/2007, às 00:01:01 horas. Não há nos autos, contudo, nenhuma comprovação de ter a Recorrente tentado transmitir a declaração em outro horário, ainda que sem sucesso. Poderia a mesma ter copiado (dado um "print") na página informando o insucesso na tentativa de envio em momento anterior, porém tal comprovação não foi colacionada aos autos. Dessa forma, a única prova constante no processo demonstra que, infelizmente, ocorreu o atraso, ainda que pequeno no envio da declaração. O Julgador está obrigado a seguir a norma legal, sob pena de responsabilidade funcional. A lei determina que o prazo legal para a apresentação da DOMIB é o último dia do mês de fevereiro. A DIMOB foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. A Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, determina, no artigo 4º,que a pessoa jurídica que deixar de entregar a DIMOB dentro do prazo estabelecido em lei, sujeitarseá a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário. Ocorre, porém, que a nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01, alterado pela Lei nº 12.766, de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, aplica penalidade menos severa para o atraso no envio da DIMOB, senão vejamos: Art. 57.O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11610.002374/200782 Acórdão n.º 1003000.441 S1C0T3 Fl. 5 4 a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1oNa hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2oPara fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alíneabdo inciso I docaput. § 3oA multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (...) Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11610.002374/200782 Acórdão n.º 1003000.441 S1C0T3 Fl. 6 5 Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...]6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal.6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. [...] No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 03/01/2007 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do ano calendário de 2006, cujo prazo final era 28.02.2007. Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Nos presentes autos, não é possível identificar o regime tributário no qual a Recorrente estava subordinada em 2006, se sob o regime do lucro presumido ou do lucro real. Diante disso, identificado o regime tributário, deve ser aplicada a multa respectiva, conforme inciso I do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001, reduzida à metade, em obediência ao §3º do artigo acima citado, tendo em vista que a declaração foi apresentada fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Isto posto, voto pela procedência em parte do recurso voluntário, para reduzir o valor da multa aplicada nos moldes da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dada pela Lei nº 12.766, de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003080/2005-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
INTIMAÇÃO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NULIDADE
É válida .a remessa postal de Requisição de informações sobre Movimentação Financeira - RMF - procedida a endereço da instituição financeira diverso do endereço indicado como domicílio fiscal, mesmo quando recebido por pessoa que não seja o seu representante legal, justificando a aplicação da multa regulamentar por falta de seu atendimento.
Numero da decisão: 1401-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 INTIMAÇÃO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NULIDADE É válida .a remessa postal de Requisição de informações sobre Movimentação Financeira - RMF - procedida a endereço da instituição financeira diverso do endereço indicado como domicílio fiscal, mesmo quando recebido por pessoa que não seja o seu representante legal, justificando a aplicação da multa regulamentar por falta de seu atendimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.003080/2005-56
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5992180
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.280
nome_arquivo_s : Decisao_11020003080200556.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 11020003080200556_5992180.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7705521
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660116295680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 308 1 307 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003080/200556 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.280 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INTIMAÇÃO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. NULIDADE É válida .a remessa postal de Requisição de informações sobre Movimentação Financeira RMF procedida a endereço da instituição financeira diverso do endereço indicado como domicílio fiscal, mesmo quando recebido por pessoa que não seja o seu representante legal, justificando a aplicação da multa regulamentar por falta de seu atendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 30 80 /2 00 5- 56 Fl. 308DF CARF MF 2 Relatório Peço a devida venia aos colegas de turma para transcrever o relatório da decisão de piso sobre o processo. Trata o presente processo de auto de infração exigindo multa mínima de R$ 50.000,00, em razão da falta de atendimento de requisição de movimentação financeira, procedida por meio do RMF n° 10.1.06002005000788 e que foi cientificada ao contribuinte em 09/08/2005, tendo como base legal o art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e Decreto n° 3.724, de 2001. O contribuinte impugna o lançamento (fls. 13/52) alegando, em síntese, o seguinte: 1. Não foram cumpridos os requisitos legais para a intimação, previstos no art. 23, II, §2°, II, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, que exigem, no caso de intimação por vía postal, a prova do recebimento no domicilio tributário do sujeito passivo, que, conforme Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral CNPJ às fls.80, é na Rua Sete de Setembro n° 1.080, Porto Alegre, 1.080, Porto A1egre, RS, e também a Rua Siqueira Campos n° 1.125, 1° e 2° andares, Porto Alegre, conforme procuração às fls. 53, e não aquele para o qual foi remetido a RMF, que é o endereço da empresa Service Bank, que é prestadora de serviços do Banco Santander; 2. A referida,empresa, Service Bank, presta serviços ao Santander quanto à elaboração e protocolo de comunicações escritas a diversas autoridades, com as informações que está obrigada a prestar e que são coligidas junto às competentes áreas da instituição financeira, bem como presta serviços de solicitação de pesquisas sobre a existência e manutenção de contas de depósito, requerendo extratos bancários a setores de captação, microfilmagem, etc., sobretudo para elaborar ofícios e encaminhálos a terceiros. Todavia, tais atribuições não lhe dão foros de representação daquele que está diretamente obrigado a prestar informações, isto é, a terceirização de ditos serviços não confere poderes a tais contratados para receber intimações pelo contribuinte; 3. A RMF deveria ter sido dirigida ao presidente da instituição financeira, a seu preposto ou gerente de agência, tal como prevê o § 1°, III e IV, do art. 4° do Decreto, n° 3.724, de 2001. Da forma como foi procedida, afronta ao devido processo legal, pois dificulta o direito ao contraditório e à ampla defesa com os recursos que lhe são inerentes, previstos no art. 5°, LIV e LV, e no art. 37 da Constituição Federal e no art. 142 do Código Tributário Nacional; 4. De outra forma, caso se considere a Rua Sete de Abril, 230, Sala 94, em São Paulo, como endereço possível do impugnante, mesmo assim a intimação continua sendo inválida, pois a ciência da intimação foi dada à pessoa que é sua desconhecida e que sequer tem vinculação jurídica com a Service Bank, locatário do referido endereço. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.003080/200556 Acórdão n.º 1401003.280 S1C4T1 Fl. 309 3 5. O Código de Processo Civil, também tem como um dos princípios fundamentais do processo que a citação seja feita na pessoa do próprio réu ou, em se tratando de pessoa jurídica, na figura do seu representante legal. 6. Jamais pretendeu agir em ofensa ã lei que lhe exige o cumprimento de .obrigações acessórias de prestar informações sobre operações ocorridas em sua instituição financeira, promovidas por usuários dos seus serviços que estejam sob a fiscalização das administrações fazendárias. Tanto é assim que em relação ao mesmo contribuinte, O cujas informações lhe foram supostamente requisitadas pela RMF n° 101.06.002005000788, prestou informações sobre suas movimentações bancárias, consoante comprova a RMF n° 10.1.06.0020050()0¡2,90 (fls. 82), atendida pelos ofícios de 19/05/2005 e 05/07 /2005, cópias às fls. 83/91, o que demonstra a sua boafé, de sempre agir de conformidade com o art. 6° da Lei Complementar n° 105; de 2001, e com o art. 4° do Decreto n° 3.724, de 2001. 7. A RMF que deu origem ao auto de infração, além de ter sido postada a domicílio tributário diverso daquele indicado para fins cadastrais à Receita Federal, foi endereçada a prestador de serviços seu, que não tem qualquer capacidade para assumir suas obrigações, por absoluta ausência dos poderes de representação para tanto. 8. Assim, a intimação em questão resultou extraviada e, por questão de equidade, o seu malfadado fim não pode ser imputado como de sua responsabilidade, ainda porque, no mínimo, subsistirão dúvidas O quanto aos fatos concretos efetivamente ocorridos, o que exige uma solução mais favorável a si quanto à penalidade pela infração (in dúbio pra rea), conforme alude o art. 112 do Código Tributário Nacional. 9. Por último, requer que seja dado integral provimento à sua impugnação e que as intimações e comunicações relativas ao presente processo sejam realizadas em nome de sua procuradora, no endereço Rua Uruguai, 240, 14º andar, Porto Alegre. Fim da transcrição do relatório da DRJ. Analisando a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento considerou improcedente e manteve a autuação na íntegra. Cientificado da decisão da Delegacia de Julgamento o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu alegações semelhantes às apresentadas na impugnação, tanto quanto ao endereço de encaminhamento da RMF, quanto ao recebimento por pessoa que não compõe o quadro da empresa. No mais apresenta doutrina e jurisprudência judicial a lhe socorrer quanto aos pedidos de cancelamento da infração em razão da boafé e da demonstração de que vem atendendo as requisições regularmente. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente, independente da análise do caso que se nos apresenta, é mister salientar que, se por motivos diversos a instituição financeira autuada não conseguiu apresentar as informações requeridas a tempo, o mesmo não se pode dizer quanto à sua representação processual. As extensas peças impugnatórias demonstram um acurado zelo na defesa da instituição. Ocorre, no entanto, que após a leitura do extenso texto recursal, verificamos que, em verdade os argumentos apresentados foram idênticos ao objeto de análise por parte da Delegacia de Julgamento, notadamente no que se referem ao endereçamento da intimação e o seu recebimento por pessoa não constante do quadro de pessoal da empresa. Assim, verificando então o teor do que foi decidido em sede de julgamento da impugnação forçoso reconhecer que esta relator concorda com todos os argumentos aduzidos pela Decisão de Piso. Por isso, não havendo acréscimos no recurso que modifiquem substancialmente o teor da impugnação, utilizarei da faculdade estabelecida pelo art. 57, § 3º do RICARF para utilizar os fundamentos de decidir da Decisão de Piso como fundamentos de decidir o presente recurso. Assim, passo a transcrever a Decisão de Piso em sua íntegra. Em face às informações contidas na folha 92, no sentido de que não foi possível precisar a data da ciência do auto de infração, considerase tempestiva a impugnação, por isso dela tomase conhecimento. Sem razão o impugnante. Primeiro, qual o domicílio tributário do sujeito passivo? 1. Rua Sete de Setembro, 1080, Porto Alegre, RS? (fls. 80) Ficha Cadastral; 2. Rua Sete de Abril, 230, Edifício Guaratinguetá 9° andar sala 94 Centro ~ CEP 010.444.000 São Paulo/SP? (fls. 83/90) Superintendência Adjunta de Controles Operacionais e Gerência de Ofícios, de onde partem as informações prestadas a Receita Federal; 3. Rua Sete de Setembro, 1.080 São Paulo/SP? (fls. 94/96) Endereço fornecido nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Juridica ~ DIPJ. Percebese que até o próprio contribuinte tem suas dúvidas. As informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, poderão ser requisitados mediante Requisição de Informações Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.003080/200556 Acórdão n.º 1401003.280 S1C4T1 Fl. 310 5 de Movimentação Financeira dirigida, entre outras autoridades, ao presidente da instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto, e a gerente de agência, conforme prevê o art. 4°, inc. III e IV dõ Decreto n° 3.724, de 2001. Observase que ao referir a gerente de agência, a norma não especificou qual a agência que deve ser encaminhada a RMF, podendo ser qualquer uma das agências da instituição financeira. As provas dos autos indicam que o contribuinte tem como endereço de sua Superintendência Adjunta de Controles Operacionais e de sua Gerência de Ofícios a Rua Sete de Abril, 230, Edifício Guaratinguetá 9° andar sala 94 Centro CEP 010.444.000 São Paulo/SP. ' Logo, o encaminhamento de Requisição de Informações de Movimentação Financeira para esse endereço não se apresenta como irregular, notadamente porque é daí, por meio da Superintendência Adjunta de Controles Operacionais/Gerência de Ofícios, que partem as informações sobre movimentação financeira fornecidas para a Receita Federal. E, nesse sentido, o próprio impugnante confirma quando diz que, em relação ao mesmo contribuinte, prestou as informações sobre suas movimentações bancárias, solicitadas pela RMF n° 10.1.06.002005000290, por meio dos ofícios de 19/05/2005 e 05/07/2005, cópias às fls. 83/91. Segundo, a requisição de informações de movimentações financeiras de contribuintes, enquanto mero pedido de informações à instituição financeira, está regido pela Lei Complementar n° 105, de 2001, e pelo Decreto n° 3.724, de 2001, fora, portanto, da abrangência do Decreto n° 70.235, de 1972. Assim, mesmo que a solicitação de informações financeiras não tenha sido efetivada no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, mas no endereço de uma de suas agências, a solicitação é válida, pois é facultado pelo Decreto n° 3.724, de 2001. Por sua vez, em se tratando de solicitação enviada via postal, a prova do recebimento pelo porteiro, ou síndico do prédio é suficiente para se considerar que o destinatário tomou ciência de seu conteúdo, pois é de todos conhecido o modo de proceder dos correios, que não acessa ao interior dos prédios para efetuar a entrega de correspondências. Nesse sentido, por não haver norma impondo a citação pessoal do agente, como existe nas esferas civil e criminal, as jurisprudências administrativa e judicial são tranqüilas, inclusive com súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme abaixo: Súmula CARFn°9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da Fl. 312DF CARF MF 6 correspondência, ainda que este não seja O representante legal do destinatário. DOU de 22/12/2009 (Seção 1, pâgs. 70 a 72), E, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o AgRg no Recurso Especial N° 1.178.129 MG (2010×00l66940), DJ: 20/08/2010: PROCESSUAL CIVIL. TR1BUTÁR1O. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. CITAÇÃO POSTAL. ENTREGA NO DOMICÍLIO DO EXECUTADO. RECEBIMENTO POR PESSOA D1VERSA. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO.VALIDADE. PRECEDENTES. ,.« l. Trata~se a controvérsia à possibilidade de interrupção da prescrição por meio de citação via postal recebida por terceiros. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal eé no sentido de que a Lei de Execução Fiscal traz regra especifica sobre a questão no art. 8º, II, que não exige seja a correspondência entregue ao seu destinatário, bastando que o seja no respectivo endereço do devedor, mesmo que recebida por pessoa diversa, pois, presumese que o destinatário será comunicado. 3. Agravo Regimental não Provido. Por esses motivos, entendo que não ha nenhum vício na remessa da Requisição de Informações sobre a Movimentação financeira para o endereço do contribuinte da Rua Sete de Abril, 230, Edifício Guaratinguetá 9° andar sala 94 Centro CEP 010.444.000 São Paulo/SP, e, por conseguinte, motivo para a anulação da RMF n° 10.1.06002005000788 e a desconstituição do crédito tributário objeto do auto de infração. Da mesma forma, como aduz o próprio impugnante, no rigor da lei aplicável. objetivamente. Ocorreu a infração relacionada ao não atendimento da RFM (sic) N. 10.1.06.00.2005000788, por isso não cabe ao julgador afastar a multa correspondente pela aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, conforme previsto no parágrafo único do artigo 142 desse Código, mesmo porque, não há dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. Por último, o pedido para que as intimações e comunicações relativas ao presente processo sejam realizadas, sempre e necessariamente, em nome da procuradora deve ser rejeitado, tendo em vista que o art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, estipula que as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para que seja no endereço do procurador. Assim, voto para que se julgue improcedente a impugnação do sujeito passivo, mantendose o auto de infração. Concordo integralmente com a análise trazida pela Decisão de Piso, não vislumbro no presente caso irregularidade no procedimento de intimação de representação da Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11020.003080/200556 Acórdão n.º 1401003.280 S1C4T1 Fl. 311 7 empresa responsável pelo atendimento de ofícios de requisição de movimentação financeira quando se constata que este era o endereço usual utilizado pela empresa para encaminhar respostas ao fisco. Por isso, havendo regramento próprio de que prepostos da empresa podem ser cientificados das RMFs não vejo nulidade aparente, assim como decidido pela DRJ. Em relação ao fato de a intimação ser recebida por pessoa não constante do quadro funcional da empresa a decisão do STJ é bastante para ilidir a alegação e, no mais, em relação á boafé, à inexistência de dolo e doutrina e precedentes judiciais apresentados, não é possível se lhe acatar os pedidos com base nestes, visto que a multa foi lavrada com base em norma regularmente instituída não podendo a administração tributária excluir a sua aplicação por melhores que sejam as justificativas, vez que estaria agindo de forma ilegal. Apenas o Poder Judiciário, em sede de controle da legalidade ou constitucionalidade de Lei pode excluir a aplicação de determinada norma. Assim, correto o valor do lançamento realizado pela fiscalização e a decisão emitida pela DRJ.. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.001452/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2401-006.200
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13893.001452/2007-28
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993315
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.200
nome_arquivo_s : Decisao_13893001452200728.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13893001452200728_5993315.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
id : 7706206
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660145655808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 78 1 77 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13893.001452/200728 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.200 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2019 Matéria ADMISSIBILIDADE Recorrente JAIR FRANCISCO DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 14 52 /2 00 7- 28 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13893.001452/200728 Acórdão n.º 2401006.200 S2C4T1 Fl. 79 2 Relatório A bem da celeridade, aproveito excertos do relatório veiculado no Acórdão n° 1736.576, de 25/11/2009, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II: Trata o presente de manifestação de inconformidade (fl.39/42) encaminhada pelo Correio, em 25/08/2009 (fl.44), pela viúva do contribuinte, ao Despacho Decisório SEORT nº 0586/2009 (fls. 34/36), que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda que teria sido retido indevidamente sobre o décimo terceiro salário, em face do interessado ser portador de moléstia grave, concernente aos anoscalendário de 2002 a 2006. (...) O pleito do contribuinte foi indeferido, sob o argumento de que: Os laudos periciais expedidos por entidades privadas, não atendem à exigência legal e, portanto, não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. A esse respeito já se pronunciou a Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna nº 05 de 30/04/2007. CONCLUSÃO O contribuinte em questão não preencheu os requisitos exigidos pela legislação pertinente para pleitear a referida restituição, não fazendo portanto jus ao direito pleiteado. (...) a manifestação de inconformidade de fls. 39/42, instruída com os documentos de fls. 43/44, aduzindo que: Em meados de 2002, o contribuinte, conforme laudos anexos aos autos, estava em tratamento de saúde, por ser portador de neoplasia maligna. (...) O contribuinte fazia tratamento pelo Sistema Único de Saúde, ou seja, embora o Laudo tenha sido emitido por Médico junto ao Hospital A C Camargo, sendo este credenciado ao SUS, houve a prestação de serviço por médico oficial do Estado, não merecendo assim acolhida da negativa quanto à restituição. Por unanimidade de votos, a Turma de Julgamento da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 61/66). Do voto condutor, extraise: O Laudo Pericial assinado por Dr. Garles Miller Matias Vieira, CRM 93883, datado de 05/06/2009, com carimbo da Fundação Antonio Prudente (fl. 30), bem assim os Relatórios Médicos datados de 05/06/2009 (fl. 31) e 24/10/2007 (fl. 32), assinados pelos médicos da Fundação Antonio Prudente, não se constituem documento hábil, pois referida Fundação não Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13893.001452/200728 Acórdão n.º 2401006.200 S2C4T1 Fl. 80 3 consiste em serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (...)O SUS não é entidade, não possui personalidade jurídica, é somente uma forma de organização da prestação de atendimento médico à população pelo Poder Público, que tanto pode ser prestado por instituições públicas como por entidades privadas, mediante convênio. Somente podem ser aceitos para fins da isenção por moléstia grave laudos médicos expedidos por instituições públicas, independentemente da vinculação destas ao SUS. Já os laudos médicos expedidos por entidades privadas, como é o caso da Fundação Antonio Prudente, não atendem à exigência legal e, portanto, não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. Intimado em 26/01/2010 (fls. 69/70), o recorrente apresentou em 26/02/2010 (fls. 71) recurso voluntário (fls. 71/73), em síntese, alegando: a) Apesar do disposto no art. 30 da Lei n° 9.250, de 1996, há laudo emitido por médico do SUS devidamente inscrito no CRM. Como o contribuinte "não está mais entre nós", não há como se obter novo laudo. b) Apesar de não serem normas gerais, as decisões judiciais do STF e TRF mostram claramente a realidade hodierna. c) Reiteramse os pedidos anteriores. O órgão preparador silencia sobre intempestividade e sobre a ausência de preliminar de tempestividade (fls. 74). Uma vez distribuído para relatar, não cabe emissão de despacho de devolução (fls. 77). É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Tratase de Recurso Voluntário (fls. 71/73) interposto em face de decisão da 7ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 61/66) que julgou improcedente manifestação inconformidade (fls. 63/77) contra despacho decisório (fls. 37/39) que indeferiu pedido de restituição de IRPF feito pela viúva, Sra. Marli Pires Dias, do contribuinte (fls. 02/16). O recorrente foi cientificado do Acórdão em 26/01/2010 (fls. 69/70) e interpôs o recurso em 26/02/2010 (fls. 71). O órgão preparador (Agência da Receita Federal do Brasil em Mogi das CruzesSP) não se pronunciou sobre a tempestividade e nem sobre a existência ou não de preliminar de tempestividade (fls. 74). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13893.001452/200728 Acórdão n.º 2401006.200 S2C4T1 Fl. 81 4 Em Mogi das Cruzes, são feriados municipais: sextafeira da paixão (02/04/2010), dia de Corpus Christi (03/06/2010), 1° de setembro e 02 de novembro (Lei Municipal n° 3.433, de 1989, art. 1°). Em São Paulo, é feriado estadual o dia 09 de julho (Lei Estadual n° 9.497, de 1997, art. 1°). A contagem do prazo recursal de trinta dias (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33) se iniciou na quartafeira dia 27/01/2010 e se encerrou na quintafeira dia 25/02/2010 (CTN, art. 210), logo o recurso apresentado em 26/02/2010 é intempestivo. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720833/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DITR.
Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Laudo Técnico de Vistoria emitido pelo IBAMA
ITR. DECLARAR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. PREENCHER REQUISITOS LEGAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DO ITR.
Para efeito de exclusão da área de interesse ecológico na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, a contribuinte, obrigatoriamente, deveria declarar tais áreas, sendo que o recurso voluntário não é o instrumento adequado para pedir inclusão da área.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SECRETARIA ESTADUAL. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Cabe a manutenção do arbitramento realizado pela fiscalização com base no VTN registrado no Sistema de Preços de Terra - SIPT, com valores fornecidos pela Secretaria Estadual da Agricultura e delineados de acordo com a aptidão agrícola do imóvel.
JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.
A doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado com decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, não vinculam o julgamento na esfera administrativa.
ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. ATO DO PODER PÚBLICO ESTADUAL. RECONHECIMENTO. GOVERNO FEDERAL
O estado de calamidade pública decretado por ato do poder público estadual deverá ser reconhecido por portaria do Ministro de Estado da Integração Regional.
APRESENTAR O ADA. OBRIGAÇÃO. LEGALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA.
Não cabe aplicar o princípio da verdade material para desobrigar a contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja a entrega do ADA.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INÍCIO DO LITÍGIO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a contribuinte fazê-la em outro momento processual.
Numero da decisão: 2202-005.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área de 735,50 ha declarada como área de utilização limitada (reserva legal) e a glosa da área de 900,0 ha declarada com área de preservação permanente. Vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, que deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DITR. Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Laudo Técnico de Vistoria emitido pelo IBAMA ITR. DECLARAR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. PREENCHER REQUISITOS LEGAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DO ITR. Para efeito de exclusão da área de interesse ecológico na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, a contribuinte, obrigatoriamente, deveria declarar tais áreas, sendo que o recurso voluntário não é o instrumento adequado para pedir inclusão da área. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SECRETARIA ESTADUAL. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Cabe a manutenção do arbitramento realizado pela fiscalização com base no VTN registrado no Sistema de Preços de Terra - SIPT, com valores fornecidos pela Secretaria Estadual da Agricultura e delineados de acordo com a aptidão agrícola do imóvel. JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado com decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, não vinculam o julgamento na esfera administrativa. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. ATO DO PODER PÚBLICO ESTADUAL. RECONHECIMENTO. GOVERNO FEDERAL O estado de calamidade pública decretado por ato do poder público estadual deverá ser reconhecido por portaria do Ministro de Estado da Integração Regional. APRESENTAR O ADA. OBRIGAÇÃO. LEGALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA. Não cabe aplicar o princípio da verdade material para desobrigar a contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja a entrega do ADA. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INÍCIO DO LITÍGIO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a contribuinte fazê-la em outro momento processual.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.720833/2007-17
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975555
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.029
nome_arquivo_s : Decisao_10680720833200717.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RORILDO BARBOSA CORREIA
nome_arquivo_pdf_s : 10680720833200717_5975555.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área de 735,50 ha declarada como área de utilização limitada (reserva legal) e a glosa da área de 900,0 ha declarada com área de preservação permanente. Vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, que deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7665251
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660170821632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 238 1 237 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.720833/200717 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.029 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria ITR Recorrente SAINT GOBAIN CANALIZAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DITR. Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Laudo Técnico de Vistoria emitido pelo IBAMA ITR. DECLARAR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. PREENCHER REQUISITOS LEGAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DO ITR. Para efeito de exclusão da área de interesse ecológico na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, a contribuinte, obrigatoriamente, deveria declarar tais áreas, sendo que o recurso voluntário não é o instrumento adequado para pedir inclusão da área. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 33 /2 00 7- 17 Fl. 238DF CARF MF 2 declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SECRETARIA ESTADUAL. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Cabe a manutenção do arbitramento realizado pela fiscalização com base no VTN registrado no Sistema de Preços de Terra SIPT, com valores fornecidos pela Secretaria Estadual da Agricultura e delineados de acordo com a aptidão agrícola do imóvel. JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado com decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, não vinculam o julgamento na esfera administrativa. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. ATO DO PODER PÚBLICO ESTADUAL. RECONHECIMENTO. GOVERNO FEDERAL O estado de calamidade pública decretado por ato do poder público estadual deverá ser reconhecido por portaria do Ministro de Estado da Integração Regional. APRESENTAR O ADA. OBRIGAÇÃO. LEGALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA. Não cabe aplicar o princípio da verdade material para desobrigar a contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja a entrega do ADA. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INÍCIO DO LITÍGIO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a contribuinte fazêla em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área de 735,50 ha declarada como área de utilização limitada (reserva legal) e a glosa da área de 900,0 ha declarada com área de preservação permanente. Vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, que deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 239 3 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0328.455 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF DRJ/BSA, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício 2003, acrescido da multa e dos juros de mora, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Bloco Serra Luís Soares, com área total de 3.276,0 ha., Cadastrado na RFB com o NIRF 0.633.9280, localizado no município de Caeté/MG (fls. 156/172 e 178/211). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/BSA (fl. 158) mencionou o seguinte: Contra a contribuinte interessada foi emitida, em 20.08.2007, a Notificação de Lançamento n° 06101/00028/2007 de fls. 01/06, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 550.657,84, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2003, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 31.08.2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Bloco Serra Luis Soares”, cadastrado na RFB, sob o n° 0.633.9280, com área de 3.276,0 ha, localizado no Município de Caeté/MG. Regularmente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 70/92) que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 156/172). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/BSA apreciou o lançamento nos seguintes termos (fls. 172): "Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de rejeitar a preliminar argüida e, no mérito que seja julgado procedente o lançamento relativo ao exercício de 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento n° 06101/00028/2007 de fls. 01/06, mantendose a exigência." Conforme ementas a seguir transcritas (fls. 156/157): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE . TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Fl. 240DF CARF MF 4 Contendo a notificação de lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando a contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). CALAMIDADE PÚBLICA DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DO IMÓVEL A decretação/homologação do Estado de Calamidade Pública pelo Poder Público Estadual deve ser reconhecida pelo Governo Federal. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / INTERESSE ECOLÓGICO Para exclusão dessas áreas de tributação, se faz necessário, além da comprovação da exigência relativa ao ADA, a existência de Ato de órgão competente federal ou estadual reconhecendo as áreas imprestáveis do imóvel como sendo de interesse ecológico. DO VALOR DA TERRA NUA Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 240 5 A empresa Saint Gobain Canalzação Ltda, devidamente intimada da decisão da DRJ/BSA, em 09/04/2009, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 177), apresentou, em 08/05/2009, por via postal (fls. 236) recurso voluntário (fls. 178/211). Esclarecimento, no comprovante dos Correios referente ao envio do recurso por via postal, o carimbo com a data não está legível em relação ao dia, sendo considerada a data como dia 08/05/2009. Em sede de recurso voluntário, a recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/BSA, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: Do Protocolo do ADA No que diz respeito à exigência do ADA, a empresa alegou que os julgadores da DRJ/BSA ignoraram as provas apresentadas, porque o ADA não foi protocolizado a tempo (fl. 181): A exigência da entrega tempestiva do ADA, como único documento o comprovar a existência do área de preservação natural, não encontro respaldo no princípio do verdade material, já que outros documentos, tais como a vistoria in loco do órgão conveniado, comprovando a veracidade dos dados opostos no ADA devem ser também aceitos. (fl. 189). O STJ Superior Tribunal de Justiça jaz reconheceu a desnecessidade do uso do ADA para exclusão de área, ainda mais quando comprovada de outros meios: (fl.189 ). Do Estado de Calamidade Pública A empresa alegou que no ano de 2002, o município de Caeté/MG sofreu pesadas chuvas e inundações, frustrando safras e impedindo a correta utilização do terreno, por este motivo houve a declaração de calamidade pública nos termos do Decreto Estadual nº 43.166 de 24/01/2003, conforme Resolução Federal nº 03 do Conselho Nacional de Defesa Civil CONDEC, sendo a intensidade do desastre de nível III (fls. 184), e também que: Ha ainda interpretação menos favorável ao contribuinte ao afirmar que “o Estado de Calamidade Pública decretado para determinado município, deve ser obrigatoriamente reconhecido pelo Governo Federal, através de Portaria do Ministério da Integração NacionaI.". Ora, o texto da Lei 9393/1996, como se verá adiante não faz qualquer referência ao que foi afirmado pelo delegado de julgamento.(fl. 182). Da Área de Interesse Ecológico No tocante as áreas de interesse ecológico, a recorrente alegou que tais áreas devem ser aceitas e que não foram relacionadas na DITR/2003, mas que existem desde 1993 (fls. 190/196): Assim, dentre os áreas de uso limitado (áreas de interesse ecológico) deve também ser alijado das áreas Fl. 242DF CARF MF 6 aproveitáveis, o extensão de 187,0 (cento e oitenta e sete) hectares, não utilizada por ser área de bioma (remanescente) do Mata Atlântica, protegido por lei, através de ato do poder publico federal, sendo, portanto, considerado para todos os efeitos do lei, inaproveitável, conforme determino o artigo 10, §l°, letra "b", do Lei 9393/96, in verbis: (fl. 193) Da Área de Preservação Permanente A recorrente afirmou a área de preservação permanente da propriedade foi lançada como sendo de 900,00 hectares e a área de utilização limitada (reserva legal) de 735,6 hectares, e alegou que considerou os aspectos legais descritos nas Leis nº 9.393/96 e nº 4.771/65 para considerar as áreas de preservação permanente como foram descritas no art. 11, incisos I e II, do Decreto nº 4.382/2002, e que não é a falta de entrega do ADA que vai tirar essa condição (fls. 196/201). Sendo que: No caso em tela, esta área existe na propriedade antes mesmo do exercício de 2003, ou seja, desde o ano de l965, por definição da lei 4771/65. não cabendo qualquer ato complementar de declaração do Poder Público para que aquela área possa ser considera de preservação permanente, já que são assim consideradas, pelo sa efeito do artigo 2° da Lei 4.771/65, portanto, independe de apresentação do ADA. (fl. 201). A recorrente afirmou também que a área de 900,0 hectares, enquadrada como preservação permanente, deveria ser retirada das áreas tributáveis, porque são áreas de utilização naturalmente limitada, permanecendo intactas para quaisquer atividades de agricultura. Inclusive assevera que o IBAMA realizou visita in loco na sua propriedade, constatou a referida área e emitiu uma certidão (fls. 98 e 232) na qual reconhece a existência de 901,0 hectares de área de preservação permanente (fls. 201 ). Desta forma, alem de ter declarado em sua DITR/2003, a existência desta área de 901,0 (novecentos) hectares de preservação permanente, a autuada providenciou ainda o ADA Ato Declaratório Ambiental (doc. fls.), e também, requereu ao IBAMA/MG que fosse a sua propriedade e atestasse a sua existência, tendo o Órgão emitido a anexa certidão comprovando a existência da área de 901,0 (novecentos e um hectares) de preservação permanente (doc. fls.). Acrescentou ainda que nem mesmo a Autoridade Julgadora de primeira instância duvidou da existência desta áreas, mas não as acatou porque o ADA não foi entregue tempestivamente (197/198). Frisase: nem mesmo o Delegado de Julgamento duvidou da efetiva existência destas áreas, mas não acatou as provas porque não foi protocolizado ADA a tempo. Vejamos a síntese de sua decisão: Da Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 241 7 A recorrente, em relação a reserva legal, asseverou ainda que "Da mesma forma, improcedente a afirmação de que não existe área averbada de Reserva Legal, porque não foi o ADA entregue a tempo" (fl.201/203 ). Sendo que: A área total desta "reserva legal" é de 735,6 (setecentos e trinta cinco vírgula seis ) hectares, devidamente averbada em 23/05/1996, no Cartório de Registro de Imóveis, Matrícula 7885, registro 01, livro 2U , fls. 220, conforme comprovou o IBAMA, através do ADA de número 10731310048 63 (Anexo), vía certidão expedida atestando a sua existência (doc. fls.). (fl.202). Da Previsão Contida no Código Tributário Nacional A empresa continuou alegando que "não há dúvida, a Lei Civil e o Ambiental são anteriores a tributário (Lei 9393/96 ou 4.771/65), e especificaram sobre matéria florestal no âmbito federal, determinando, técnica e juridicamente, os elementos essenciais para a definição, não só da propriedade como dos seus acréscimos e reduções, inclusive para efeitos tributários, consoante o dispositivo no artigo 110 do CTN:" (fls. 203/204 ). Sendo que: A utilização do termo legal, notadamente para as “áreas de “preservação permanente“, “reserva legal" e “interesse ecológico", não seria simplesmente um favor fiscal do legislador aceitálas na declaração de produtor rural relativo a DITR/2003 como sendo de áreas inaproveitáveis. (fl. 204 ). Do Enfoque Doutrinário e Jurisprudencial A recorrente ainda alegou que "Consoante o princípio do verdade material, deve a ação fiscal aterse predominantemente à constatação da real existência do todo. Jamais pode o fisco deixar de considerar a existência das áreas de utilização limitada da propriedade, conforme a lição doutrinaria da festejada Odete Medauar:" (fls. 204/209). Sendo que: Constatandose, efetivamente, a existência das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, formalmente declarada, não deve, pois, a "forma" prevalecer sobre o tato real, sob pena da afronta ao Estado de Direita, o que torna, in casu, a decisão manifestamente ilegal. (fl.205 ) A recorrente, com o objetivo de corroborar os seus argumentos, ainda apresentou, ao longo do seu recurso, além da legislação correlata, doutrina, jurisprudências do TRF e do STJ bem como acórdãos de decisões administrativas proferidos por DRJ e pelo CARF. Do Valor da Terra Nua No tocante aos questionamentos contestando o arbitramento do valor da terra nua, a recorrente afirmou que (fl. 210): "não resta dúvida portanto, de que o valor utilizado pelo agente fiscal foi o do primeiro semestre do ano de 2003 (até o dia 30/06/2003), quando deveria ser o do último semestre de 2002, que data vênia refletia o valor do hectare no dia 01/01 /2003 (fato gerador)" e alegou o seguinte: Ora uma propriedade que possuiu a maior porte como de preservação permanente e uso limitado, não pode ter o mesmo Fl. 244DF CARF MF 8 valor da área de propriedade plano sem restrições de exploração, que é o que o fiscal quis dizer.(fl. 210). Outro mister diz respeito ao cerceamento de defesa, pois apesar de requerido, os valores do SIPT não foram encaminhadas junto auto de o infração, sendo portanto nulo o julgamento de l° instância neste aspecto. (fl. 210). Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que (fl. 211): Protestando pelo juntada posterior e oportuno de outros documentos ou procedimentos que se tornem necessários o comprovação do direito da lmpugnante. Requer, por fim que, V. Exas. se dignem, reconhecendo com base nos prerrogativas legais e constitucionais supra enumerados sob vigência pleno, o procedência da presente lmpugnação, dando por legítimos e alterados os procedimentos efetuados nas informações prestados relativos ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no exercício de 2003, para acatar a área de preservação permanente de 901,00 (novecentos e um) hectares; a área de reserva legal averbada em 1996 de 736,00 ( setecentos e trinta e seis ) hectares; a área de interesse ecológico (bioma da mata atlântica ) de 187,00 (cento e oitenta e sete) hectares, tudo comprovado por certidão do órgão conveniado, bem como, a ilegalidade do uso do SIPT posterior ao fato gerador, alem é cloro, do reconhecimento de existência de área de calamidade pública por porte do Poder Público (Governo do Estado de Minas Gerais) para todos os seus efeitos, por ser a melhor forma do reconhecimento do direito. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da Área de Preservação Permanente APP No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração previstos na alínea 'a', no inciso II, no §1º, e no art. 10, da Lei nº 9.393/96, que até 18 de julho de 2013, apresentava a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 242 9 (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de preservação ambiental, como APP e ARL, nos termos da referida lei. Todavia, para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos na Lei nº 4.771/65, o contribuinte deveria, obrigatoriamente, apresentar o ADA ao IBAMA dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000. Do mesmo modo, o Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, também tratou da obrigatoriedade de apresentar o ADA para efeito da exclusão da área tributável, as áreas correspondentes à de preservação permanente. Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Fl. 246DF CARF MF 10 Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original). No que tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados ao ITR, podese afirmar que é um documento de cadastro, junto ao IBAMA, das áreas de interesse ambiental que integram o conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural reduzir o Imposto Territorial Rural – ITR, com a exclusão da área de Preservação Permanente APP da base tributária, efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração DIAT/ ITR. Por outro lado, o questionamento da recorrente, afirmando que "a exigência da entrega tempestiva do ADA, como único documento o comprovar a existência da área de preservação natural, não encontra respaldo no princípio do verdade material, já que outros documentos, tais como a vistoria in loco do órgão conveniado, comprovando a veracidade dos dados opostos no ADA devem ser também aceitos" (fl. 189), merece acolhida, pois, compulsando os autos, notase a que a recorrente apresentou um Laudo Técnico de Vistoria (fls. 98 e 232) emitido pelo IBAMA, que após visita in loco, constatou a existência de uma área de 901,0 ha enquadrada como preservação permanente: II RELATÓRIO DA VISTORIA A vistoria do imóvel foi realizada com auxilio de uma planta topográfica e documentação da propriedade. Verificouse uma área de reflorestamento de 1350,00 ha, 901,00 ha de preservação permanente, 735,60 ha de reserva legal e 187,00 ha de floresta com característica de Mata Atlântica. A área de preservação permanente está assim considerada, desde 15 de setembro de 1965, data da edição da Lei 4.771/65, por estar devidamente tipificada no artigo 2°. desta Lei. Dessa forma, entendo que o Laudo Técnico de Vistoria (fls. 98 e 232) emitido pelo IBAMA, atestando que no imóvel existe uma área de 901,0 ha de preservação permanente, permite concluir que a empresa Saint Gobain Canalização Ltda faz jus à exclusão de tal APP da base de cálculo do ITR, pois, o referido Laudo é mais consistente do que o ADA, uma vez que não se trata de mera informação, mas de reconhecimento efetivo da existência da APP. Neste aspecto, para corroborar o fundamento para tal decisão de reconhecer a área de 901,0 ha como preservação permanente, nos termos do Laudo Técnico de Vistoria emitido pelo IBAMA, cabe citar o acórdão nº 920201.933 proferido pela 2ª turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, nos seguintes termos: No caso em tela, apesar de não possuir esse documento específico, o sujeito passivo possui declaração de órgão ambiental, emitida muito antes do fato gerador, que atesta que o imóvel está inteiramente inserido em área de preservação permanente. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 243 11 Assim, há que se concluir que o documento apresentado é mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois não se trata de mera informação para que o órgão ambiental verifique que o imóvel possui área de preservação permanente, mas de reconhecimento do fato pelo órgão. Nesse sentido, entendo que a exigência legal foi atendida por documento diferente do nela previsto, mas que cumpre de forma mais completa a intenção do legislador. Acrescentando ainda a ementa do referido Acórdão, a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado. Assim, entendo que a recorrente faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente que foi reconhecida pelo Laudo Técnico de Vistoria (fls. 98 e 232) emitido pelo IBAMA e que, nestes termos, deve ser restabelecida a área de 900,0 ha declarada pela empresa como área de preservação permanente e que foi glosada pela Fiscalização (fl. 6). Da Área de Interesse Ecológico No que diz respeito à Área de Interesse Ecológico, notase que a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento foi nos seguintes termos: Quanto à possível existência de áreas de interesse ecológico (187,0 ha), como requer a impugnante, é preciso ressaltar que, além de não ter sido cumprida a exigência relativa ao ADA, faz se necessário, para fins de excluir tais áreas da incidência do Fl. 248DF CARF MF 12 ITR, a apresentação de Ato de órgão competente federal ou estadual reconhecendo as mesmas como sendo de interesse ecológico exigência esta aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista no art. 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, a seguir transcrito: Neste caso, mesmo havendo áreas passíveis de enquadramento como de interesse ecológico, notase que a recorrente além de não ter declarado tais áreas, não apresentou o ADA no prazo normativo e também não apresentou o ato específico do órgão competente, federal ou estadual, declarando as áreas como de interesse ecológico. Todavia, caso a contribuinte comprovasse que possuía os requisitos para excluir da base tributável a área de interesse ecológico, entendo que o procedimento adequado deveria ser a retificação da declaração para sua inclusão, uma vez que a referida área não foi declarada, portanto não foi glosada pela fiscalização e assim, não se tornou objeto da lide. Além do mais, cabe observar que a Fiscalização somente glosou área de preservação permanente e área de reserva legal e que o recurso voluntário não é o instrumento adequado para requerer tal retificação com a inclusão da área de interesse ecológico. Ressaltando que não se pode retificar a declaração, após o início da ação fiscal, pois precluiu o direito à espontaneidade da contribuinte. Da Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) No caso da Área de Reserva Legal, para efeito de sua caracterização com o objetivo de desoneração do ITR, cabe observar o contido nos § 4º e § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, que determina, além da exigência do interesse ecológico, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Dito isso, passouse a analisar os autos, com o objetivo de verificar a existência de Área de Reserva Legal, nos termos estabelecidos pela Lei nº 4.771/65. Assim, com base nos documentos apresentados, cópia da certidão emitida pela Cartório de Registro de Imóveis (fls. 99/105, 108/111, 114/117, 120/122, 126/128 e 132/135) bem como nos termos lavrados pelos órgãos ambientais IBDF e IEF/MG (fls. 106/107, 112/113, 118/119, 123/125 e 129/131), foi possível verificar que houve cinco averbações de área com interesse de preservação ambiental, a título de reserva legal declaradamente nos termos dos art. 16 e 44 da Lei nº 4.771/65, código florestal, conforme dados extraídos para a Tabela 1. Tabela 1: Averbações de área para reserva legal Identificação data averbação Área Ha Termo Fl. Autos Fund. legal AV47887 06/02/2001 404,85 IEF 103/107 art. 16 e 44 AV27885 23/05/1996 67,16 IBDF 111/113 art. 16 e 44 AV37880 06/02/2001 21,85 IEF 116/119 art. 16 e 44 AV37906 06/02/2001 12,06 IEF 121/125 art. 16 e 44 AV37884 06/02/2001 229,72 IEF 127/131 art. 16 e 44 Fonte: Certidão do Cartório do Registro de Imóveis e Termos (fls. 99/135) Da análise dos registros que constam das averbações da citada certidão (fls. 99/105, 108/111, 114/117, 120/122, 126/128 e 132/135) realizada em conjunto com os termos (fls. 106/107, 112/113, 118/119, 123/125 e 129/131) emitidos tanto pelo IBDF quanto pelo IEF/MG, podese inferir que foi averbada com reserva legal uma área correspondente à 735,64 ha, resultante da soma das cinco áreas averbadas individualmente (404,85+67,16+21,85+12,06+229,72), como descrito está na Tabela 1. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 244 13 Dessa análise, denotase que foram preenchidos os requisitos definidos para caracterização de 735,64 ha como Área de Reserva Legal, nos termos dos § 4º e § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal de 1965. Isto posto, notase que a contribuinte, nos anos de 1996 e 2001, antes do fato gerador do ITR/2003, já possuía uma área de 735,64 ha averbada no registro de imóveis a título de reserva legal, mas que a DRJ/BSA manteve o lançamento exclusivamente em função da falta de apresentação do ADA. Todavia, de acordo com a Súmula CARF nº 122, o cumprimento dos requisitos formais da referida averbação da reserva legal supre a necessidade de apresentação tempestiva do ADA. SUMULA CARF Nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Dessa forma, entendo que a contribuinte faz jus a exclusão da base de cálculo do ITR exercício de 2003, da área de 735.50 ha correspondente à reserva legal, tendo em vista que houve averbação no registro público de imóveis da respectiva área antes de ocorrência do fato gerador do ITR/2003, conforme entendimento extraído da Súmula CARF nº 122. Neste sentido, deve ser cancelada a glosa da área de 735.50 ha declarada como área de utilização limitada (reserva legal). Do Estado de Calamidade Pública No tocante ao estado de calamidade pública, a controvérsia se instalou devido a contestação da recorrente que se insurgiu contra a decisão da DRJ/BSA, a qual decidiu que precisava de reconhecimento pelo governo federal para validar o estado de calamidade pública instituído por decreto estadual. Dessa forma, passouse buscar o deslinde da controvérsia que fora instalada, para verificar se o estado de calamidade pública precisava ser validado pelo governo federal. De acordo com o inciso I, do art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 256 de 11 de dezembro de 2002, para efeito de considerar utilizada pela atividade rural, a área aproveitável do imóvel, a ocorrência de calamidade pública, além do reconhecimento pelo poder público local, precisava também do ser reconhecida pelo Governo Federal. Art. 18. Observado o disposto nos arts. 23 a 29, considerase utilizada pela atividade rural a porção da área aproveitável do imóvel rural que, no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR: I esteja comprovadamente situada em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público local e reconhecida pelo Governo federal, da qual tenha resultado frustração de safras ou destruição de pastagens; No mesmo sentido, observase Decreto nº 895 de 16 de agosto de 1993, redação vigente á época do fato gerador do ITR/2003, que dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec) defesa civil, estabeleceu no seu art. 12 que o estado Fl. 250DF CARF MF 14 de calamidade pública será reconhecido por portaria do Ministro de Estado da Integração Regional. Art. 12. O estado de calamidade pública e a situação de emergência, observados os critérios estabelecidos pelo Condec, serão reconhecidos por portaria do Ministro de Estado da Integração Regional, à vista de decreto do Governador do Distrito Federal ou do Prefeito Municipal, homologado este pelo Governador do Estado. Diante do exposto, verificase que não há como acatar o estado de calamidade pública, para efeito de aplicação do art. 10, § 6° da Lei 9.393/96, haja vista que não consta dos autos o reconhecimento pelo governo federal do referido estado de calamidade pública invocado pela recorrente. Dessa feita, permanece incólume a decisão da DRJ/BSA que assim proferiu: "Em relação ao estado de calamidade pública pleiteado, não cabe acatálo, uma vez que não consta dos autos que o Decreto n° 43.166/2003, às fls. 79/80, que decretou o estado de calamidade pública em referência, tenha sido reconhecido pelo Governo Federal." Da Previsão Contida no CTN A recorrente alegou que a lei civil e a lei ambiental foram publicadas antes da lei tributária do ITR (Lei nº 9.393/96), as quais dispõe técnica e juridicamente os elementos essenciais para definição da propriedade, seus acréscimos e reduções inclusive para efeitos tributários. Invocando o art. 110 do CTN para sustentar seus argumentos. Todavia, a recorrente apresentou suas alegações mas não apontou qual foi o instituto que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado nos termos do art. 110 do CTN, assim, tal questionamento, da forma como apresentado, demonstra tratarse de uma argumentação genérica. Contudo, observando a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996 que "Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências." não se verificou qualquer alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, como previsto no referido art. 110 do CTN. Outro ponto questionado pela recorrente de que "a utilização do termo legal, notadamente para as “áreas de “preservação permanente“, “reserva legal" e “interesse ecológico", não seria simplesmente um favor fiscal do legislador aceitálas na declaração de produtor rural relativo a DITR/2003 como sendo de áreas inaproveitáveis." não tem como prosperar, isto porque a isenção realmente é um favor concedido por lei, dispensando o contribuinte do pagamento do imposto. No caso das áreas de “preservação permanente“, “reserva legal" e “interesse ecológico", o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, tratou de estabelecer as definições para efeito de caracterização e proteção, enquanto que a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996, art. 10, inciso II, estabeleceu que estas áreas estariam excluídas da base de incidência do ITR. No mesmo sentido, observase que o § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382/2002, estabeleceu a obrigatoriedade da entrega do ADA, para efeito da desoneração do ITR. Isto posto, notase que o ente tributante, no caso a União, concedeu à isenção do ITR paras as áreas de “preservação permanente“ e “interesse ecológico", contudo criou uma obrigação legal, entrega do ADA, para fazer jus a esta desoneração. Inclusive cabe ressaltar que a obrigatoriedade de entrega do referido ADA, além da repercussão tributária, permite a Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 245 15 entidade responsável pela fiscalização ambiental verificar a existência ou não de tal área declarada. Dessa forma, a exoneração do pagamento do ITR, por exclusão da base de cálculo das áreas de “preservação permanente“ e “interesse ecológico", não desobriga a contribuinte de cumprir a obrigações instituídas por lei, neste caso a entrega do ADA no prazo regulamentar, a qual possibilita a redução do ITR. Assim sendo, rejeito o argumento da pessoa jurídica Saint Gobain Canalização Ltda de que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado o disposto do art. 110 do CTN bem como a isenção não é um favor legal concedido. Do Enfoque Doutrinário, Jurisprudencial Quanto à alegação de que existe a necessidade de observância do Princípio da Verdade Material, afirmando que: "consoante o princípio da verdade material, deve a ação fiscal aterse predominantemente à constatação da real existência do todo. Jamais pode o fisco deixar de considerar a existência das áreas de utilização limitada da propriedade, (...)". entendo que tal alegação não merece prosperar, uma vez que, a recorrente pretendeu se eximir de uma obrigação legal, deixar de apresentar do ADA no prazo definido pela legislação, invocando o princípio da verdade material. Neste contexto, entendo que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário, mas não permite ao julgador, deixar de exigir um documento em que sua entrega seja obrigatória por lei. Isto porque, no presente caso, não se está discutindo os tipos de provas apresentadas nos autos e sim, o cumprimento da obrigação de entrega do ADA, para usufruir a redução do ITR, como previsto no § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e também no inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Isto posto, entendo que para se obter a exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do ITR e usufruir tal isenção, a recorrente deveria cumprir o que determina as normas no que diz respeito a entrega do ADA, entretanto, os documentos acostados aos autos não tem o condão de substituir a entrega tempestiva do ADA, exatamente por falta de previsão legal. Além do mais, por se tratar de isenção tributária, a interpretação da norma que determina a obrigatoriedade do ADA deve ser realizada nos termos do artigo 111, II, do CTN, que não permite interpretação extensiva. No tocante ao argumento apresentado pela recorrente de que o servidor deveria aplicar a discricionariedade dentro dos critérios da razoabilidade, invocando ainda os princípios do ordenamento jurídico e da proporcionalidade, também não merece prosperar. No caso da discricionariedade, como definido está na própria peça recursal (fl. 205), que permite à autoridade administrativa "certa margem livre de apreciação da conveniência e oportunidade de soluções legalmente possíveis", bem como no caso da razoabilidade e da proporcionalidade, entendo que não há espaço para aplicálos no contexto da ação fiscal. Isto porque, quando a autoridade fiscal constatar que o contribuinte deixou de cumprir uma determinada obrigação, deverá fazer o lançamento correspondente, nos termos do art. 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN), porque a lei não lhe permite nenhuma margem Fl. 252DF CARF MF 16 de escolha bem como não permite fazer juízo de valor sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade da norma tributária. Assim, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre o cumprimento das obrigações referente à entrega do ADA não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a obrigação definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário. Aliás, aplicase o mesmo entendimento em relação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo que a norma legal que determina a entrega do ADA não permite a autoridade fiscal exigir diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. Então, uma vez constatada o descumprimento da obrigação de entregar o ADA, deve ser feita a glosa das áreas excluídas indevidamente da tributação do ITR, não permitindo à autoridade fiscal fazer juízo de valor sobre tal exigência conforme está disciplinada na norma tributária. Além do mais, o lançamento tributário realizado pela Autoridade Fiscal é uma atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Em relação as decisões administrativas, cabe esclarecer que, de acordo com o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, tais decisões para se tornarem normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, necessitam de lei que lhe atribua essa eficácia. No presente caso, as decisões administrativas trazidos aos autos não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as referidas decisões não têm efeito vinculante. Já em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, cabe ao conselheiro do CARF o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência trazidos aos autos pela recorrente não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Da Apuração do Valor da Terra Nua VTN As alegações da recorrente contestando o arbitramento feito pela fiscalização para apurar o valor da terra nua do imóvel não merecem prosperar. De acordo com a descrição dos fatos enquadramento legal da notificação de lançamento (fls. 03/05) e do extrato com informações sobre o SIPT com os valores por aptidão agrícola emitido pela RFB (fl. 10), os valores se referem ao exercício de 2003, portanto, passível de aplicação ao presente lançamento. Percebese que os valores médios informados no extrato SIPT têm como origem a Secretaria Estadual da Agricultura e estão delineados de acordo com a aptidão Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.720833/200717 Acórdão n.º 2202005.029 S2C2T2 Fl. 246 17 agrícola e definidos da seguinte forma, por hectare: a) pastagem pecuária R$ 2.000,00; b) cultura lavoura R$ 3.000,00; c) campos 1.500,00 e d) matas R$ 1.200,00. Com base nas informações que constam no extrato do SIPT (fl. 10), verifica se que a fiscalização arbitrou o valor da terra nua tendo como parâmetro o menor valor com aptidão agrícola informado pela Secretaria Estadual da Agricultura que foi de R$ 1.200,00 por hectare, referente a matas. Quanto a alegações de cerceamento de defesa, porque os valores do SIPT não foram encaminhados junto com o auto de infração, também não procedem, isto porque todas as informações referentes ao arbitramento do VTN, inclusive o valor atribuído, constam da descrição dos fatos enquadramento legal da Notificação de Lançamento (fls. 03/05) bem como, o extrato com os valores médios informados pela Secretaria Estadual da Agricultura constam dos autos a folha 10. Dessa forma, não há que se falar em cerceamento de defesa, porque a recorrente, além de receber a Notificação de Lançamento (fls. 135) ainda poderia consultar o presente processo que ficou a sua disposição na unidade de preparo. Apresentação posterior de provas Ao final, a recorrente protesta pelo juntada posterior de outros documentos ou procedimentos que se tornem necessários a comprovação do seu direito No que se refere ao requerimento pela produção posterior de provas, a título de documento novo, não prospera, uma vez que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que está precluso o direito de apresentar novas provas documentais. Art.16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 254DF CARF MF 18 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Estas são as razões para o indeferimento da produção de novas provas, com as ressalvas do § 4º do art. 16 supra transcrito. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 735.50 ha declarada como área de utilização limitada (reserva legal) e a glosa da de 900,0 ha declarada com área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.906853/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE.
A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004.
IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO.
A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei.
Numero da decisão: 3201-005.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários.
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE. A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO. A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10983.906853/2011-55
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994295
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.097
nome_arquivo_s : Decisao_10983906853201155.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10983906853201155_5994295.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários. (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7707615
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660183404544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.906853/201155 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201005.097 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente SANTOS GUGLIELMI AGROPECUARIA E IMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE. A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO. A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários. (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 68 53 /2 01 1- 55 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10983.906853/201155 Acórdão n.º 3201005.097 S3C2T1 Fl. 0 2 Relatório Tratam os autos de PER/DCOMP enviada pela contribuinte, pleiteando compensação que restou não homologada face a inexistência de crédito disponível, conforme consta do Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado dessa decisão, o sujeito passivo apresentou, manifestação de inconformidade, onde alega que estaria sujeito à suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre as vendas de arroz realizadas no período, conforme dispõe a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 9º. Apresenta cópia de documentos no intuito de demonstrar suas alegações, incluindo DARF, DCTF original e retificadora, Dacon, DCOMP, Demonstrativo da base de cálculo das contribuições, balancetes contábil, notas fiscais, declaração e legislação. Ao final, requer que seja feita a revisão da situação e julgada totalmente procedente a Manifestação de Inconformidade, de forma que seja homologada integralmente a compensação declarada. Protesta, ainda, pela apresentação e/ou juntada de qualquer documentação adicional eventualmente julgada necessária. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 03068.668. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma, alegando que a) DRJ apenas limitase a reproduzir os argumentos da fiscalização; b) aplicabilidade do art. 9º, da Lei 10.925/04 e afastada a aplicação da IN 660/06; c) alegações que também o direito estaria assegurado pela Lei 10925/04 e LC 95/98; Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.093, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10983.902950/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.093): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10983.906853/201155 Acórdão n.º 3201005.097 S3C2T1 Fl. 0 3 A DRJ negou provimento por ausência de demonstração do direito, vejamos: Da análise documental, verificase, de plano, que não consta das Notas Fiscais apresentadas pela contribuinte, relativas aos produtos adquiridos pela empresa Realengo Alimentos Ltda (CNPJ 07.032.688/000130), menção à expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", consoante a obrigação do disposto no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, não se reconhece a aplicação da suspensão de que cuida o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 ao presente caso, tendo em vista o não preenchimento de, pelo menos, um dos termos e condições assinalados pela IN SRF 660, de 2006 (art. 9º, § 2º da Lei nº 10925, de 2004). Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Ainda, apesar da IN SRF 660/06, ter sido publicada apenas em 25/07/06 e as notas fiscais anterior a essa data, a DRJ apontou que o art. 11 determinou retroação do efeito a partir de 04 abril de 2006, vejamos: Primeiramente, deve ser destacado que o direito creditório em discussão se refere ao período de apuração 30/06/2006 e a IN SRF nº 660, de 2006, foi publicada em 17 de julho de 2006, o que poderia levar à conclusão equivocada de que os termos e condições disciplinados nessa Instrução Normativa não se aplicariam ao caso em concreto. No entanto, verificase que, para as disposições relativas à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, os efeitos são produzidos a partir de 4 de abril de 2006, nos termos do inciso I do art. 11 da própria IN SRF nº 660, de 2006. Desse modo, a contribuinte estava obrigada a cumprir todos os termos e condições disciplinados nesta Instrução Normativa para usufruir do benefício da suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre as vendas de arroz realizadas no período. Contudo, verificase que a instrução normativa afrontou o poder de legislar, regulamento fato passado, nesse sentido: EMENTA:TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS. COFINS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. LEI Nº 10.925/2004. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 660/2006. 1. O art. 9º da Lei 10.925/2004, que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários, é norma de eficácia contida, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10983.906853/201155 Acórdão n.º 3201005.097 S3C2T1 Fl. 0 4 condicionandose sua aplicabilidade à regulamentação. 2. A Instrução Normativa nº 660, ao determinar como termo "a quo" para produção de seus efeitos a data da publicação da Instrução nº 636, por ela revogada, não só extrapolou o poder delegado na lei de regência da matéria, como alterou a substância desta, incorrendo, por tal razão, em ofensa ao princípio da legalidade. (TRF4, AC 5020843 92.2018.4.04.9999, PRIMEIRA TURMA, Relator ROGER RAUPP RIOS, juntado aos autos em 30/01/2019) Com isso é de reconhecer a ilegalidade da aplicação do art. 11 da IN SRF 660/06, que não poderia retroagir a data anterior da publicação, ferindo assim o devido processo legislativo. Restando prejudicado os demais argumentos. No entanto, devem ser cumpridos os requisitos formais estabelecidos pela IN SRF 636/06 para os fatos geradores a partir da sua vigência. O voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade preparadora ultrapassada a questão art. 11, IN SRF 660/06 relativamente as vendas realizadas anteriormente a sua publicação, para que faça analise do direito ao crédito do contribuinte, podendo requerer demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão do art. 11, da IN SRF 660/06 relativamente às vendas realizadas anteriormente a sua publicação, faça análise do direito ao crédito do contribuinte, podendo requerer demais documentos caso entenda necessário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
