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Numero do processo: 11080.914821/2012-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 21 /2 01 2- 41 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 3802003.821 S3TE02 Fl. 140 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 64 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 62), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 64). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914821/201241 Acórdão n.º 3802003.821 S3TE02 Fl. 141 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15504.000491/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006
NFLD DEBCAD sob nº 37.126.503-7
Consolidado em 06/11/2007 - SAMARCO
Consolidado em 18/01/2012 - Devedoras Solidárias
DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO.
Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO.
No caso em tela não há nos autos comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impondo aplicação da regra geral, ou seja, inciso I do art. 173 do CTN.
DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO
Aplica a regra do artigo 150, § 4º do CTN, e a Súmula CARF 99 se a Recorrente comprova nos autos recolhimento parcial do crédito previdenciário.
Para efeitos da contagem do prazo decadencial, tem início o dia da cientificação do lançamento do último co-obrigado.
No caso em tela o último co-obrigado tomou notícia em 18 de janeiro de 2012. Estando abarcado pela decadência todo o lançamento.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) com a decisão sobre a contagem do prazo decadencial, em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em contar o início do prazo decadencial a partir da ciência do último coobrigado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em contar o prazo decadencial a partir da ciência do primeiro coobrigado.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Natanael Vieira Dos Santos E Wilson Antonio De Souza Correa
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD sob nº 37.126.503-7 Consolidado em 06/11/2007 - SAMARCO Consolidado em 18/01/2012 - Devedoras Solidárias DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. No caso em tela não há nos autos comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impondo aplicação da regra geral, ou seja, inciso I do art. 173 do CTN. DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Aplica a regra do artigo 150, § 4º do CTN, e a Súmula CARF 99 se a Recorrente comprova nos autos recolhimento parcial do crédito previdenciário. Para efeitos da contagem do prazo decadencial, tem início o dia da cientificação do lançamento do último co-obrigado. No caso em tela o último co-obrigado tomou notícia em 18 de janeiro de 2012. Estando abarcado pela decadência todo o lançamento. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) com a decisão sobre a contagem do prazo decadencial, em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em contar o início do prazo decadencial a partir da ciência do último coobrigado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em contar o prazo decadencial a partir da ciência do primeiro coobrigado. MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Natanael Vieira Dos Santos E Wilson Antonio De Souza Correa
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RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. No caso em tela não há nos autos comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impondo aplicação da regra geral, ou seja, inciso I do art. 173 do CTN. DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Aplica a regra do artigo 150, § 4º do CTN, e a Súmula CARF 99 se a Recorrente comprova nos autos recolhimento parcial do crédito previdenciário. Para efeitos da contagem do prazo decadencial, tem início o dia da cientificação do lançamento do último coobrigado. No caso em tela o último coobrigado tomou notícia em 18 de janeiro de 2012. Estando abarcado pela decadência todo o lançamento. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 91 /2 00 7- 70 Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) com a decisão sobre a contagem do prazo decadencial, em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em contar o início do prazo decadencial a partir da ciência do último coobrigado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em contar o prazo decadencial a partir da ciência do primeiro coobrigado. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Natanael Vieira Dos Santos E Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.297 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário autuado em desfavor da Recorrente (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.126.5037), que se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, do segurado, da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (competências ate 06/1997) e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (competências a partir de 07/1997), e as destinadas às Entidades/Fundos denominados “Terceiros”: SEBRAE (empregados não marítimos dos estabelecimentos /000161; /000242, /000323; /000676 e /001052) e para DPC (empregados marítimos do estabelecimento /0006 76), incidentes sobre pagamentos feitos aos seus segurados a título de Prêmio Idéias e Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a legislação específica. Para Fiscalização PLR em desconformidade com a lei de regência pois: · A empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. · Em nenhum dos acordos mencionados no item 2.1.1 do Relatório Fiscal foram estipulados critérios quanto à fixação de “índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa”, tampouco houve o estabelecimento de “programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”, tendo a empresa, para fins de pagamento da PLR, se utilizado de resultados já atingidos no exercício anterior. · Os pagamentos das parcelas da “participação nos lucros ou resultados” foram efetuados quase sempre no mês da celebração dos acordos e após o encerramento do exercício a que se referiam. · E ainda, segundo o Fiscal, foi observado que, apesar de os acordos coletivos fixarem um valor para o pagamento da PLR (geralmente 120% a 130% o valor do salário nominal acrescido de valor variável de R$500,00 a R$700,00) a empresa efetuou o pagamento da PLR de acordo com “critérios próprios”. A título de exemplo citou o pagamento da PLR do segurado empregado Registro nº 549609 José Luciano Duarte Penido (Diretor Presidente), que apesar de possuir salário nominal em torno de R$23.000,00 no ano de 2000, recebeu 03/1997 (83.710,40), em 06/1998 (R$93.931,15), em 03/1999 (R$61.599,30), em 08/1999 (R$32.236,80), em 04/2000 (R$149.776,48) e 08/2000 R$38.412,27) valores estes bem acima do estipulado nos acordos coletivos. Quanto ao ‘prêmio idéia’, diz a Fiscalização que as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, a título de Prêmio Idéias, foram constatados pela auditoria fiscal, através das folhas de pagamento nos períodos 12/1999 a 12/2006 (código rubrica 1926 ), e, através de lançamentos contábeis nas contas 912001 – Adiantamento s/Folha (período de 08/1999 a 12/2003) e 50414003 – Campo Idéias/Marcas e Patentes (período de 01/2004 a 12/2006). Plano idéia é um programa da Recorrente que premia aquelas pessoas que sugerem algo que traga benefício à organização e seja implementável na empresa. Dessa forma, qualquer “idéia” que tenha por objetivo um ganho de qualidade, produtividade, custo, imagem, segurança e outros, pode ser sugerido à companhia, onde o idealizador é contemplado com um prêmio financeiro. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 4 O agente notificante informa que estão sendo arroladas as empresas componentes do grupo econômico, ali relacionadas, tendo em vista o disposto no "art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212/91. A empresa notificada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0217.612 da 7a Turma da DRJ/BHE, (fls. 987), julgou o lançamento procedente. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.024 e seguintes), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. A empresa solidária, COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, cientificada do Acórdão da DRJ/BHE, apresentou recurso alegando, em síntese, que, em que pese a NFLD ter sido lavrada pela Receita Federal do Brasil em 31.10.2007, quando há muito a autuada já tinha a composição societária que ora se apresenta, foi a autuação levada a efeito tão somente em face da Samarco Mineração S/A, sem que fosse arrolado qualquer coobrigado em função de eventual responsabilidade solidária. Entende que, se a Recorrente já participava do quadro societário da autuada e não se cogitou em intimála para que lhe fosse oportunizada a discussão acerca de sua responsabilidade e da legitimidade do crédito tributário apurado, não merece prevalecer a decisão recorrida na parcela que lhe impõe a responsabilidade solidária, já que não lhe foi possível conhecer do litígio, participar da instauração da fase litigiosa e se utilizar de todas as prerrogativas decorrentes do princípio da ampla defesa. Observa que, nos termos do Decreto n.° 70.235/72, norma que rege o processo administrativo fiscal, a NFLD deverá conter a qualificação do notificado, oportunizando a apresentação de Impugnação, ato que instaura a fase litigiosa do procedimento e que, no caso em tela, sequer foi oportunizada à Recorrente, somente considerada responsável solidária por ocasião da apreciação da matéria pelo órgão julgador, participar da fase de sua cobrança amigável. Afirma que o ato de intimar a Recorrente somente por ocasião da decisão administrativa de 1a instância viola seu direito à ampla defesa, eis que suprime, na prática, toda uma esfera de julgamento da qual ela não pode participar. Alega que não há como se configurar na situação sub examinem a hipótese de responsabilidade solidária entre a autuada e a ora Recorrente, já que sua situação não se enquadra em nenhuma das modalidades previstas seja pelo CTN, seja pela Lei n.° 8.212/91. Ressalta que a mera invocação de artigo de lei previdenciária que impute a responsabilidade solidária de empresas que integram grupo econômico de “qualquer natureza", sem a necessária aferição da culpa em que incorreu o ora Recorrente, não merece prevalecer. Salienta que não se pretende nesta seara discutir a constitucionalidade do dispositivo suscitado pela decisão recorrida, já que é aceitável a norma esculpida no inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91, repelindose, contudo, sua aplicação in casu, haja vista a desconformidade da situação com o próprio pressuposto de sua aplicação, qual seja, a inexistência de erro de conduta (culpa) imputável à ora Recorrente, a qual não restou caracterizada. Chama a atenção para o fato de que, na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, para provocar a obrigação comum quanto ao pagamento de tributo devido, pois a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico pessoas jurídicas está condicionada à prova do interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador, ou da fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Nestas razões, vêse que os autos deste processo já estiveram nesta Corte, cuja relatoria foi distribuída à Conselheira Bernadete Barros de Oliveira, onde, juntamente com a Turma decidiram por anular a decisão de piso, eis que verificouse que a autoridade notificante arrolou as empresas CIA VALE DO RIO DOCE e BHP BILLITON BRASIL Ltda como responsáveis solidárias pelo débito lançado, se amparando no art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212/91, tendo em vista a existência de grupo econômico, mas, não dando ciência às duas empresas quando lançada a NFLD dos autos. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.297 S2C3T1 Fl. 4 5 Diante deste fato e fulcrada na IN 03/05, artigo 749, Decreto nº 70.235/72, artigo 59, inciso II, e artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, anulou a decisão de piso, para dar ciência às empresas CIA VALE DO RIO DOCE e BHP BILLITON BRASIL e oportunizando a impugnar, se desejarem. Devidamente noticiadas do lançamento o impugnaram, onde a DRJ procedeu novo julgamento, com decisão de procedência em parte das impugnações, excluindo por decadência o crédito tributário, relativo ao período de 02/1997 a 11/2001 e manutenção de 12/2001 a 12/2006, não atingido pela decadência. Por força do artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, recorreuse de ofício. A Vale do Rio Doce foi noticiada em 24 de janeiro de 2013, mas não consta nos autos Recurso Voluntário de sua lavra. A Samarco foi noticiada da decisão de piso no dia 05 de fevereiro de 2013 e no dia 21 do mesmo ano e mês aviou seu Recurso Voluntário. A BHP Billiton Brasil foi noticiada da decisão singular no dia 29 de janeiro de 2013 e no dia 22 de fevereiro de 2013 aviou seu Recurso Voluntário. É a síntese do necessário. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 6 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Os presentes Recursos de Ofício e Voluntários acodem os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. RECURSO DE OFÍCIO. Na peça defensiva inicial alegase que ocorreu a decadência com relação às contribuições sociais, cujos fatos geradores ocorreram antes de 06 de novembro de 2002, cujo o estripo da razão está no fato de o prazo decadencial das contribuições sociais somente poder ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, o que afasta a incidência do prazo decadencial decenal contido na Lei nº 8.212 de 1991. Entende a Unidade Julgadora de primeiro grau administrativo que o prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I, havendo a exceção nos casos de lançamentos por homologação, regra específica definida no artigo 150, § 4º do mesmo diploma, onde deverá o sujeito passivo apurar, declarar e antecipar o pagamento, sem prévio exame do FISCO, restando à Fazenda Pública homologar o pagamento no prazo previsto. No entanto, prossegue, o ato homologatório somente pode ocorrer em relação aos procedimentos obrigatórios e que forem efetuados pelo sujeito passivo, bem como sobre os montantes recolhidos. Assim, não haverá o que homologar quando o obrigado a prestar a informação deixa de fazê la a tempo e modo e, além disso, não recolhe o tributo devido. Neste caso, o valor dos tributos não recolhidos fica sujeito ao lançamento de ofício, previsto no artigo 149, V, do CTN, que se encontra sujeito ao prazo decadencial do inciso I do art. 173 do CTN. Nestas razões entendeu a Unidade Julgadora de piso que o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do mesmo Código é aplicável ao caso, e, levando em consideração que a Samarco Mineração S/A tomou ciência da NFLD em 06/11/2007, o crédito relativo ao período de 02/1997 a 11/2001, foi atingido pela decadência, já para as devedoras solidárias Cia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Brasil S/A, que tomaram ciência da NFLD somente em 18/01/2012, consoante documentos de fls.1302 e 1306/1307, respectivamente, a decadência atingiu o crédito relativo ao período de 02/1997 a 11/2006. O Regimento Interno do CARF compele os seus conselheiros a seguirem os entendimentos de matérias já sumuladas. ‘Vide’ Artigo 72 do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Recentemente foi incorporada às súmulas do CARF a Súmula 99 que reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.297 S2C3T1 Fl. 5 7 Ela seria aplicável à espécie se houvesse nos autos a comprovação de recolhimento, ainda que parcial, de contribuição previdenciária, ainda que fosse de exação de outra natureza. Todavia, compulsando os autos não verifico nenhuma comprovação de recolhimento de contribuição previdenciária, razão pela qual mantenho a decisão singular. Portanto, dele conheço e negolhe provimento. RECURSOS VOLUNTÁRIOS. CONSTA inicial no Relatório Fiscal da NFLD (fls. 215) que um dos fatos geradores das contribuições lançadas decorre do pagamento de valores aos segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período de 01/1997 a 11/2000, a titulo de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, em desacordo com a legislação de regência. Ocorre que por entender que o período anterior a novembro de 2001 está abarcado pela decadência, conforme decisão no item anterior, deixo de apreciar as questões e matérias levantadas com referência ao PLR por tratarse de matéria já decaída. Desta feita, analiso as duas defesas, entretanto, para Samarco, tão somente quanto a matéria defensiva de decadência e do ‘Prêmio Idéia”. Em relação a Recorrente BHP, urge dizer que ela encontrase abarcada pela decadência, eis que somente tomou ciência do lançamento em 18/01/2012, e mesmo com a regara decadencial do artigo 173, I, do CTN, os créditos previdenciários até dezembro de 2006 estão decaídos. RECURSO VOLUNTÁRIO DA SAMARCO DECADÊNCIA Diz a Recorrente que há de se aplicar a regra do artigo 150, § 4º do CTN, eis que o FISCO cobralhe diferença de contribuição previdenciária, ficando entendido que ela, de uma forma ou de outra, ainda que em valores parciais e de outras rubricas, contribuiu, compelindo a aplicação do dispositivo mencionado. Conforme antes mencionado a Súmula CARF trás o mesmo teor normativo, entretanto, há de ser comprovado o recolhimento ainda que parcial e ou de outra rubrica, o que não ocorre nos autos, devendo ser mantido o artigo 173, I do CTN. Prossegue a Recorrente alegando que, ainda que seja mantido o artigo 173, I do CTN a DRJ realizou a contagem do prazo equivocadamente, uma vez que o mês de dezembro de 2001 também está abarcado pela decadência, já que o mencionado dispositivo determina a contagem do prazo, onde o início é o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou seja, no caso em tela, 01/01/2002, extinguindose no dia 01/01/2007. Reza o mencionado dispositivo: CTN Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Artigo 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (GN) Neste sentido, vejo razão ao Recorrente e tenho, por isto, que está decaído todo o período autuado, considerando com convalidado o lançamento da cientificação do último contribuinte solidário, nos termos da Portaria 520 / RFB e de conformidade com o pensamento da CSRF, que abaixo transcrevo. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 8 Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Acórdão nº 9202003.106 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurelio Pereira Valadão que davam provimento parcial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) e Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE. TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO COOBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerarseá concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último coobrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o seu termo final. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Especial provido. CAPÍTULO IX Das Intimações Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301004.297 S2C3T1 Fl. 6 9 que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. (...) § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Assim, como o último coobrigado teve ciência do lançamento somente em 18 de janeiro de 2012, pela regra do artigo 150, § 4º do CTN, está abarcado todo o lançamento pela decadência, eis que compreende a autuação de 01/02/1997 a 31/12/2006. Como razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que os Recursos aviados encontramse em consonância com a legislação processual, razão pela qual deles conheço, sendo que para o Recurso de Ofício NEGOLHE PROVIMENTO. Aos Recursos Voluntários DOULHES PROVIMENTO, para aplicar a regra imposta pelo Artigo 150, § 4º do CTN, estando abarcados pela decadência os créditos previdenciários do lançamento, porque, para efeito da decadência o prazo flui a partir da ciência do último coobrigado que ocorreu em 18 de janeiro de 2012, conforme artigo 34, § 4º da Portaria 520/2004 RFB. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10830.912941/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 94 1/ 20 12 -1 1 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o direito creditório da Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 28), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 12129.59417.260209.1.2.045803, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA 31/03/2004, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/12/2012 (AR fl. 34). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 4 3 considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/95, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no anocalendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 5 4 diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizam se indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequ ente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 05/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 04/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Brasília que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 7 6 Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 8 7 definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 9 8 DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 10 9 pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 11 10 interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 12 11 prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 13 12 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 14 13 disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 15 14 A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912941/201211 Resolução nº 1802000.602 S1TE02 Fl. 16 15 que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13855.003732/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ATO SUPERVENIENTE AO RECURSO QUE CONFIGURA ACEITAÇÃO TÁCITA DA DECISÃO RECORRIDA. INCOMPATIBILIDADE COM VONTADE DE RECORRER. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O reconhecimento de parte da dívida relativa às mesmas infrações mediante pedido de parcelamento, bem como a informação de que procederá ao pedido de parcelamento sobre o restante do crédito em litígio, configuram atos incompatíveis com o desejo de recorrer, nos termos do art. 503 do Código de Processos e do art. 52 da Lei nº 9.784/99, implicando o não conhecimento do recurso interposto.
Numero da decisão: 1402-001.827
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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INCOMPATIBILIDADE COM VONTADE DE RECORRER. RECURSO NÃO CONHECIDO. O reconhecimento de parte da dívida relativa às mesmas infrações mediante pedido de parcelamento, bem como a informação de que procederá ao pedido de parcelamento sobre o restante do crédito em litígio, configuram atos incompatíveis com o desejo de recorrer, nos termos do art. 503 do Código de Processos e do art. 52 da Lei nº 9.784/99, implicando o não conhecimento do recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 37 32 /2 01 0- 22 Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.847 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.848 3 Relatório DANCAR AGÊNCIA DE COBRANÇAS LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14 33.515 da 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impgunação apresentada. Por bem delimitar a lide até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, verbis: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 173.046,35 (fl. 02), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 71.144,20 (fl. 18) ,Contribuição para o PIS no valor de R$ 15.776,74 (fl. 33) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 73.325,05 (fl. 48), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 952.960,80 (fl. 01), em virtude de omissão de receita decorrente de prestação de serviços gerais e de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal e planilhas de fls.63/115. 1 Do procedimento fiscal. Em 22/12/2009 foi lavrada a intimação de fls. 120/122 solicitando que a empresa Dancar Agência de Cobrança Ltda apresentasse documentação hábil e idônea que justificasse a operação de depósito relacionada na intimação, feito em conta corrente mantida em nome de André Luis Cintra Alves, e que apresentasse registros contábeis e fiscais referentes a operação que deu origem ao depósito, anexando cópia do livro Diário e do Razão, contendo os lançamentos referentes ao depósito efetuado, ou cópia do livro Caixa no caso de ter optado pelo lucro presumido ou pelo Simples. Em resposta, a empresa informou à fl. 123 que tem como sócio majoritário o Sr. Sebastião Francisco Alves, pai do Sr. André Luis Cintra Alves, e que os depósitos feitos na conta do Sr. André e relacionados na intimação são empréstimos pessoais realizados entre a empresa do pai e a pessoa física do filho. Juntou cópia do Contrato Social (fls.124/126). Verificada a incompatibilidade entre a receita declarada em DIPJ pela empresa Dancar Agência De Cobrança Ltda e os valores movimentados em conta corrente, deuse início ao procedimento fiscal junto à empresa, em 02/02/2010, com a entrega pessoal do Termo Início de fls. 127/128 ao sócio da empresa, Sr. Sebastião Francisco Alves, por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte), entre outros documentos, o contrato social e suas alterações, os livros contábeis (livro Diário e Razão, ou o livro Caixa, etc), documentação fiscal e contábil, Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.849 4 os extratos das contas bancárias e a comprovação da origem dos recursos movimentados, tudo relativamente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008. Segundo consta à fl. 64, a contribuinte, em atendimento, apresentou o contrato social (fls. 130/132), o livro Caixa 2007, o livro Diário 2008, as notas fiscais e os extratos bancários das conta mantidas no UnibancoAgência 033, c/c c/c 2106897 e 2106715 (fls. 551/661) e no Banco Bradesco – Agência 2309 c/c 00145904 (fls. 612/945). Em 25/03/22010 foi a empresa intimada (fls. 133/134) a apresentar os extratos da conta corrente Bradesco – Agência 2309 – c/c 00145904 dos dias 03/10/2006 a 06/10/2006; o contrato de abertura das contas correntes Bradesco – Agência 2309 – c/c 00145904, Unibanco – Agência 033, c/c 2106897 e Unibanco – Agência 033, c/c 2106715, bem assim os cartões de assinatura das mesmas e eventuais procurações autorizando terceiros a movimentar tais contas; justificar a origem dos recursos depositados nas contas correntes mantidas no UnibancoAgência 033, c/c 2106715 e c/c 2106897 e no Banco Bradesco – Agência 2309 c/c 00145904 , conforme planilhas de fls. 135/196, e justificar os dispêndios realizados utilizandose as contas correntes Unibanco – Agência 033, c/c 2106715 e Bradesco – Agência 2309, c/c 00145904, conforme planilhas Saídas Unibanco e Bradesco de fls. 137/209. Em atendimento, a empresa apresentou em 28/03/2010 os extratos da conta corrente Bradesco – Agência 2309 – c/c 00145904 dos dias 03/10/2006 a 06/10/2006 (fls. 210/212) e, posteriormente, apresentou vários documentos e planilhas (fls. 214/331) com o fim de justificar os créditos em conta corrente. Entre os documentos apresentados estão uma Relação de Borderôs (fls. 216/262) e planilhas contendo justificativas de saídas de conta corrente e justificativas de depósitos bancários (flS. 263/331). Em 14/10/2010 apresentou o expediente de fls. 335/345 acompanhado dos elementos de fls. 346/507, no qual discorreu sobre a alienação de veículos, cheques devolvidos, cheques reapresentados, crédito bancário, desconto de cheques e duplicatas em banco, empréstimos entre coligadas, empréstimos concedidos a terceiros, depósitos com irregularidades, pagamentos de operações de desconto e depósitos sem justificativas. Intimada a justificar os recebimentos da empresa Ilmas Exportação e Importação Ltda (fls. 508/509), a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 510/511 acompanhados de documentos. 2 Da confusão patrimonial e financeira. Conforme Termo de Verificação e Constatação (fls. 63/81), André Luis Cintra Alves, auxiliado por seu irmão Danilo José Cintra Alves, comanda um grupo econômico formado pelas empresas Dancar Veículos Ltda, Dancar Fomento Mercantil Ltda e Dancar Agência de Cobranças Ltda. A empresa Dancar Veículos Ltda tem como atividade o comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários e tem como sócios André Luis Cintra Alves e Felipe André de Oliveira Alves, este filho de André. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.850 5 A empresa Dancar Agência De Cobranças Ltda tem como atividade cobranças e informações cadastrais e tem como sócios Sebastião Francisco Alves e Olga Consuelo Cintra Alves, genitores de André . A empresa Dancar Fomento Mercantil Ltda tem como atividade o fomento mercantil –factoring e como sócios André Luis Cintra Alves e seu irmão Danilo José Cintra Alves. Referidas empresas estão localizadas na cidade de Franca/SP e têm como endereço a Avenida Hélio Palermo, n.º 2860. Segundo a autoridade fiscal, entre essas empresas houve uma confusão patrimonial e financeira estabelecida através de transferências bancárias entre contas correntes das empresas e das pessoas físicas, além da efetivação de negócios jurídicos com depósitos em nome de terceiros não participantes. A autoridade fiscal destacou os cartões de abertura de contas pelos quais estariam autorizados a operar as contas não apenas os sócios das referidas empresas, mas também terceiros, e citou o caso da empresa Dancar Veículos Ltda que, além do sócio André Luis Cintra Alves, também estavam autorizados a movimentar as contas Danilo José Cintra Alves, Sebastião Francisco Alves e Márcia Cristina de Oliveira Alves, esposa de André, e no caso da Dancar Agência de Cobranças Ltda., além dos sócios, estavam autorizados a movimentar as contas André Luis Cintra Alves e Danilo José Cintra Alves. Segundo a autoridade fiscal “a confusão patrimonial e financeira é estabelecida através das transferências entre as contas correntes das empresas e das pessoas físicas, além da efetivação de negócios jurídicos com depósitos em nome de terceiros não participantes caracterizando o abuso do instituto da personalidade jurídica, que torna a pessoa jurídica titular de direitos e obrigações, participante efetiva do negócio jurídico e responsável pelos seus atos”. Como prova da confusão patrimonial e financeira entre as empresas a autoridade fiscal juntou os documentos de fls. 946 e seguintes e destacou os seguintes fatos: a venda de veículos por Dancar Veículos Ltda, cujo recebimento se dava em contas da Dancar Agência de Cobrança Ltda, destacando, como exemplo, a venda de um veículo Civic SI por R$ 43.625,00, transferido a Elaine Cristina de Oliveira em 31/06/2008, sendo que parte do pagamento foi feito por meio de depósito em conta Bradesco – Agência 2309 – c/c 00145904, no valor de R$ 30.000,00, conforme justificativa da origem de recurso depositado apresentada por Dancar Cobrança Ltda (fl. 971/972); o pagamento da compra de uma fazenda, efetuado por Danilo José Cintra Alves, através de conta pertencente a Dancar Veículos Ltda, cuja fazenda foi adquirida de Vivian Verônica Buck e paga por meio de TED (fl. 973); a compra de um imóvel rural pertencente a Marina de Lima Santos, por André Luis Cintra Alves e Danilo José Cintra Alves, sendo que parte do pagamento foi feito através da conta corrente da Dancar Agência de Cobranças Ltda (fl. 976); a compra e venda de veículos realizados por André Luis Cintra Alves em nome da empresa da qual é sócio (Dancar Veículos Ltda), cujo fato teria ficado evidenciado pelas respostas às intimações para justificar os depósitos bancários Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.851 6 feitos em suas contas correntes e também pelas respostas de terceiros quando intimados a esclarecer a razão dos depósitos em conta de André Luis Cintra Alves (fls. 980/ 981); a venda realizada por André Luis Cintra Alves de um imóvel localizado em Franca, para Mauro Bertoncelo Júnior, sendo que parte do pagamento foi realizado em conta da Dancar Agência de Cobranças Ltda (fls. 983). No mesmo sentido foi o rancho vendido a Ademar de Barros Rocha (fls. 987). Por fim, a fiscalização ressaltou que as respostas às intimações nas diversas fiscalizações realizadas evidenciam a existência de desconto de cheques efetuados em todas as contas bancárias e citou o depósito efetuado em conta de André Luis Cintra Alves, em 05/05/2006, que foi justificado como sendo o depósito de três cheques, que por sua vez tratavam de descontos de cheques realizados pelas empresas de André (fl. 989). Ressaltou que “o princípio contábiljurídico da entidade prevê a aceitação da personalidade própria da sociedade e a distinção imperativa entre o seu patrimônio e a dos seus sócios, ou o patrimônio de outras entidades e que havendo confusão patrimonial entre ambos, reputase como de responsabilidade de um deles os valores apurados na forma como as provas constantes dos autos apontarem. Dessa maneira, cabe a cada um dos fiscalizados parte das receitas omitidas nas operações relativas às suas atividades”. 3 Da apuração da receita. A autoridade fiscal destacou que a empresa Dancar Agência de Cobranças Ltda deveria atuar nas atividades de cobranças e informações cadastrais e, no entanto, pela documentação apresentada no curso da ação fiscal, a empresa realiza atividade de desconto de duplicatas, cuja atividade é considerada de factoring e a receita desta atividade, segundo o entendimento da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, expresso no Parecer CST n.º 1162, de 20/09/1993, é a diferença entre o valor de face do título ou direito adquirido e o valor de aquisição, devendo ser reconhecida como tal na data da operação e integrar o faturamento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos. 3.1 Da receita proveniente de desconto de duplicatas por Dancar Agência de Cobranças. Ao ser intimada a justificar os depósitos em suas contas correntes, a empresa fiscalizada apresentou uma planilha informando quais os depósitos seriam oriundos de desconto de duplicatas e/ou de cheques (fls. 270/331) e, ainda, apresentou relatórios/planilhas informando os valores cobrados pelo desconto de cada duplicata (fls. 441/476) e o fator de desconto dos cheques (fls. 410/441) correspondentes às receitas auferidas. A fiscalização, com base nessas informações, agrupou tais depósitos na planilha denominada “Receita Desconto de Duplicatas – DANCAR Agência de Cobrança Ltda” (fls. 82/90), relacionando a receita que fora informada pela contribuinte às fls. 441/476 e justificada com a apresentação das duplicatas descontadas, cujos valores foram consolidados mensalmente. Por amostragem, foram Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.852 7 juntadas às fls. 1096/1166 cópia das duplicatas e às fls. 1167/1216 documentos relativos aos descontos de cheques. 3.2 Da receita proveniente de desconto de cheques por Dancar Agência de Cobranças. Também, com base nas informações prestadas pela contribuinte, a fiscalização agrupou os depósitos oriundos de desconto de cheques na planilha denominada “Receita Desconto de Cheques e Títulos – DANCAR Agência de Cobranças Ltda” (fl. 91/97) relacionando a receita que fora informada pela contribuinte. 3.3 Da receita proveniente do desconto de duplicatas por DANCAR Veículos Ltda. Em procedimento fiscal instaurando contra a empresa Dancar Veículos Ltda, esta foi intimada a justificar a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas correntes e, em atendimento, apresentou vários documentos (fls. 1222/1544), entre eles uma planilha informando os depósitos oriundos de desconto de duplicatas (fls. 1290/1319), inclusive com os valores cobrados, que seriam as receitas, e também informou os depósitos/créditos oriundos de desconto de cheques com os respectivos fatores correspondentes as receitas. Segundo a fiscalização, diante da evidente confusão patrimonial, ficou comprovado que os valores creditados na conta de depósitos de Cancar Veículos Ltda, no que se refere ao desconto de duplicatas, pertencem a Dancar Agência de Cobrança Ltda, pessoa jurídica (terceiro, não titular da conta), evidenciando confusão patrimonial, e que a determinação das receitas omitidas é efetuada em relação à pessoa jurídica, na condição de efetiva responsável pela operação mercantil. Assim, com base nas planilhas e demais documentos apresentados pela Dancar Veículos Ltda, procedeu a apuração da receita conforme planilha denominada “Receita Desconto de Duplicatas – Dancar Veículos Ltda” (fls. 98/107). 3.4 – Da receita proveniente do desconto de cheques por Dancar Veículos Ltda. Também, com base nas informações prestadas pela Dancar Veículos Ltda, a fiscalização agrupou os depósitos oriundos de desconto de cheques e procedeu a apuração da receita conforme planilha denominada“Receita Desconto de cheques– Dancar Veículos Ltda” (fl. 103). 3.5 – Da Receita proveniente do desconto de cheques por André Luis Cintra Alves. André Luis Cintra Alves ao ser intimado a justificar os depósitos em suas contas correntes apresentou uma planilha identificando os depósitos oriundos de desconto de cheques com o respectivo ganho (fls. 1590/1599) Segundo a fiscalização, diante da evidente confusão patrimonial, ficou comprovado que os valores creditados na conta de depósitos de André Luis Cintra Alves, no que se refere ao desconto de cheques, pertencem a Dancar Agência de Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.853 8 Cobrança Ltda, pessoa jurídica (terceiro, não titular da conta), evidenciando confusão patrimonial, e que a determinação das receitas omitidas é efetuada em relação à pessoa jurídica, na condição de efetiva responsável pela operação mercantil. Assim, procedeu a apuração da receita omitida conforme planilha denominada “Receita Desconto de Cheques – André Luis Cintra Alves” (fls. 104/106). 3.6 – Da Receita proveniente do desconto de cheques por Danilo José Cintra Alves. Danilo José Cintra Alves ao ser intimado a justificar os depósitos em suas contas correntes apresentou uma planilha identificando os depósitos oriundos de desconto de cheques com o respectivo ganho (fls. 1549/1584). Segundo a fiscalização, diante da evidente confusão patrimonial, ficou comprovado que os valores creditados na conta de depósitos de Danilo José Cintra Alves, no que se refere ao desconto de cheques, pertencem a Dancar Agência de Cobrança Ltda, pessoa jurídica (terceiro, não titular da conta), evidenciando confusão patrimonial, e que a determinação das receitas omitidas é efetuada em relação à pessoa jurídica, na condição de efetiva responsável pela operação mercantil. Assim, procedeu a apuração da receita omitida conforme planilha denominada “Receita Desconto de Cheques – Danilo José Cintra Alves” (fls. 107/108). 3.7 – Da Receita conhecida proveniente das atividades de factoring. A fiscalização elaborou a planilha denominada “Receitas das Atividades Factoring” (fls. 109/111) resultante da soma das receitas descritas nos itens 3.1 a 3.6. 3.8 – Da Receita bruta proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada. A fiscalização elaborou a planilha “Depósitos bancários de origem não comprovada” (fl. 112) relacionando os depósitos para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a sua origem, os quais forma considerados receita omitida com fulcro no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. 4 – Arbitramento do lucro. Consta que a contribuinte é optante pelo lucro presumido, conforme declarações DIPJ apresentadas (fls. 949 e 1659) e nessa condição deveria manter a escrituração do livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, e no caso verificouse ser quase nula a emissão de notas fiscais e nenhuma das contas bancárias da contribuinte foi escriturada e não foi registrada a movimentação financeira na escrita contábil, conforme se verifica dos livros Razão e Diário (fl. 1046), o que, segundo a fiscalização, esses vícios, erros ou deficiências ensejam a desconsideração da contabilidade por ser totalmente imprestável, justificando o arbitramento do lucro, conforme preconiza o art. 530, II, “a”, c/c art. 527 do RIR/99 (Decreto n.º 3.000/99), mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do RIR/99 e seus parágrafos, acrescidos de 20%, conforme art. 532 do mesmo Regulamento. Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.854 9 Ademais, acrescentou a autoridade fiscal, a atividade preponderante exercida pela contribuinte é a de fomento mercantil (factoring) e, segundo o disposto no art. 246, VI, do RIR/99, empresas que exercem essas atividades estão obrigadas à apuração do lucro real, tendo, assim, feito a opção indevidamente pelo lucro presumido, situação esta que implica o arbitramento do lucro nos termos do art. 530, IV, do RIR/99. Diante dessas infrações foram lavrados os autos de infração para exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tendo sido considerados os recolhimentos efetuados pela contribuinte ou declarados em DCTF, o de maior valor, conforme planilha denominada “Débitos Declarados em DCTF e Pagamento Sinal” (fl. 115). Sobre os tributos e contribuições apurados foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, por entender que a empresa, ao deixar de escriturar suas contas bancárias nas quais movimentou quantias milionárias, declarar apenas 1,05% da receita apurada, e utilizarse de conta pertencente ao sócio gerente, de forma consistente e repetida, teve o objetivo de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador e/ou o não pagamento de tributos. Foi lavrado Termo de Responsabilidade Tributária Pessoal em nome de André Luis Cintra Alves, este na qualidade de administrador de fato da sociedade, nos termos do art. 135, III, do CTN, tendo em vista a constatação de confusão patrimonial nos termos do art. 50 da Lei n.º 10.406/2002 (Código Civil) e a prática reiterada de infração à lei, conforme art. 1º, I, e art. 2º, II, da Lei n.º 8.137, de 1990. Inconformada, a empresa, por meio do sócio Sebastião Francisco Alves, apresentou a impugnação de fls. 1712/1730 aduzindo como razões de defesa o seguinte: PRELIMINARES 1 – Nulidade do lançamento por ausência de provas – Inobservância ao art. 9º do DecretoLei n.º 70.235/72 e incorreta sujeição passiva. Alegou ser incoerente a afirmação fiscal constante no último parágrafo do item III1 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 68) de que diante da confusão patrimonial entre os fiscalizados, caberia a cada um dos fiscalizados parte das receitas omitidas nas operações relativas às suas atividades, já que foram atribuídas à autuada receitas estranhas à sua atividade. Alegou que embora tenha constado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal que restou comprovado que valores pertencentes à Dancar Agência de Cobranças Ltda foram creditados nas contas de terceiros Dancar Veículos Ltda, André Luis Cintra Alves e Danilo José Cintra Alves, o que se constata, pela análise dos documentos utilizados pela fiscalização, é que não há prova de que os valores creditados na conta de terceiros pertenciam à autuada, nem há menção desses terceiros de que os valores creditados em suas contas correntes, relativos a descontos de cheques e duplicatas. eram de titularidade da autuada, nem há exemplo de desconto de cheques ou duplicatas pertencentes à autuada que tenham gerado crédito na conta desses terceiros. Além do mais, para responsabilizar terceiros pelos créditos em conta Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.855 10 bancária da qual não seja o titular, o §5º da Lei n.º 9.430, de 1996, dispõe que a condição de efetivo titular dos valores creditados na conta bancária deve ser comprovada, o que não ocorreu no presente caso. Em relação à Dancar Veículos Ltda alegou que as planilhas apresentadas pela fiscalização (fls. 1222 a 1544) nada comprovam, isoladamente, em termos de omissão de receita, pois não foram apresentados os respectivos extratos bancários e as informações prestadas pela Dancar Veículos Ltda, sendo que as planilhas apenas justificam alguns valores como desconto de cheques de duplicatas MAS realizados nas contas de Dancar Veículos Ltda. Em relação a Danilo José Cintra Alves alegou que na manifestação do Sr. Danilo, às fls. 1546 a 1548, ele apenas esclarece que estava apresentando planilhas com as descrições solicitadas quanto aos depósitos justificados como “Desconto de cheques”, mas sequer foi mencionado que era de titularidade de Dancar Agência de Cobrança Ltda. Argumentou que as citadas planilhas não constam desses autos, nem os extratos bancários das contas de titularidade do Sr. Danilo, nos quais foram identificados os créditos que, posteriormente, foram indevidamente reconhecidos pela fiscalização como receita da ora impugnante. Em relação a André Luis Cintra Alves alegou que também não há prova de que os valores creditados nas contas de André sejam de titularidade da impugnante, pois só foram juntadas a esses autos planilhas que nada comprovam e que na manifestação de André, às fls. 1586 a 1589, é possível observar que não há qualquer menção de que os valores creditados em sua conta sejam de titularidade da impugnante. Argumentou que não constam desses autos os extratos bancários nos quais foram identificados os créditos pela fiscalização e, por se tratar de tributação por presunção legal de omissão de receita (art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996), caberia à fiscalização a prova da infração, o que não foi feito, além de intimar a impugnante para justificar a origem desses créditos ou a se manifestar se de fato esses créditos em conta de terceiros eram de sua titularidade, o que também não ocorreu. Reiterou a alegação de que inexiste prova das infrações apontadas, nem de que os valores creditados em conta de terceiros pertenciam à impugnante. 2 – Ausência de presunção legal para o PIS, COFINS e CSLL. Alegou que não havia, para a época dos fatos alegados, lei tratando sobre a presunção legal para o PIS, CSLL e COFINS, e que a previsão só veio com a Lei n.º 11.941/2009, art. 29, que deu nova redação ao art. 24 da Lei n.º 9.249, de 1995. Após afirmar que não há nos autos de infração relativos a essas contribuições nem mesmo como fundamentação legal o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, acrescentou que o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que a presunção legal de omissão de receita, prevista no referido artigo, só pode prevalecer para fatos geradores após a vigência da lei que dispõe sobre a sanção, conforme ementa do Acórdão 10708.526, de 26/04/2006, que transcreve, devendo prevalecer esse entendimento também para fins de PIS, CSLL e COFINS. MÉRITO. 1 – Depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.856 11 Com relação aos depósitos bancários de origem não comprovada alegou que eles referem a recebimentos de empréstimos concedidos pela autuada, devidamente comprovados pela planilha de fls. 477/481 e documentos apresentados. Argumentou que entre os 73 recebimentos de empréstimos listados e comprovados (fl. 477/481), em 33 deles as justificativas da autuada foram aceitas pela fiscalização e nos 44 restantes não houve qualquer manifestação ou esclarecimento quanto à não aceitação. Acrescentou que a fiscalização juntou aos autos, por amostragem, apenas alguns dos inúmeros documentos apresentados durante a fase de fiscalização, não estando, dentre esses, aqueles relacionados aos pagamentos dos empréstimos, e que deveria a fiscalização ter intimado alguns contribuintes que realizaram os depósitos em comento, cujos nomes foram informados. 2 – Qualificação da multa de ofício. Contestando a multa de 150% alegou que esta foi aplicada com o fundamento de que a omissão de receita em montante acentualmente superiores às receitas declaradas e a não escrituração dessa movimentação na contabilidade e livro Caixa caracterizaram o evidente intuito de fraude, definido no art. 72 da Lei n.º 4.502/64. Contestou a argumentação do fisco de que a autuada utilizouse de conta corrente do sócio gerente, de forma consistente e repetida, associada a valores expressos, alegando não ter sido tributado qualquer valor do sócio gerente da autuada, o Sr. Sebastião Francisco Alves, e não serem expressivos, frente à receita total tributada, os valores creditados nas contas de Dancar Veículos, André e Danilo, cujos valores estão sendo impugnados. Alegou que a tributação se deu com base em presunção legal de omissão de receita, razão pela qual não há como aceitar o agravamento da multa, uma vez que inexiste o evidente intuito de fraude, que não se presume e escapa à simples omissão de rendimentos, e não ficou demonstrado que a contribuinte praticou condutas visando o impedimento, pelo Fisco, do conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, pois foi a própria contribuinte que apresentou, durante o trabalho fiscal, a documentação que possibilitou a realização do lançamento. 3 – Responsabilização pessoal de André Luis Cintra Alves. Com relação à responsabilização pessoal de André Luis Cintra Alves alegou que o AuditorFiscal não demonstrou as razões para a responsabilização pessoal de André e não há uma descrição da conduta do responsabilizado subsumindo se às hipóteses legais, mas o que se pode vislumbrar é que o Sr. André está sendo responsabilizado, pelos débitos da Dancar Agência de Cobranças Ltda, mesmo sem integrar o quadro societário da empresa e de exercer qualquer ato de administração, pela prática de infração à lei, correspondente à confusão patrimonial e pela falta de declaração ou declaração falsa sobre as receitas da autuada. Alegou que não tendo ficado comprovado qualquer das situações de representação ou gerência da pessoa jurídica autuada deveria afastar a hipótese prevista no art. 135, III, do CTN, e que a confusão patrimonial prevista no art. 50 da Lei n.º 10406/2002 (Código Civil) só fica caracterizada através de decisão judicial, e que as simples transferências bancárias entre as empresas do mesmo grupo e seus sócios não são suficientes para caracterizarem essa situação. Alegou, por fim, que o Sr. André, mesmo sendo responsabilizado pelos débitos da autuada, não foi sequer notificado dos lançamentos Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.857 12 para se defender no tocante a não prática de infração à lei, o que contraria o disposto no art. 28 da Lei n.º 9.784, de 1999, e alegou que o E. Primeiro Conselho de Contribuintes vem decidindo, de forma reiterada, que compete à Procuradoria da Fazenda Nacional imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva, nos casos de responsabilidade prevista nos art. 128 a 138 do CNT, sendo nula a imputação efetuada pela fiscalização. Após análise da defesa apresentada, a decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONFUSÃO FINANCEIRA E PATRIMONIAL. Comprovada a confusão financeira e econômica estabelecida entre as pessoas do “grupo de fato” consubstanciando desrespeito ao princípio da entidade, associada a ausência de escrituração da movimentação financeira e bancária, correto o procedimento fiscal ao segregar as receitas em função da atividade exercida por cada um dos participantes. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITO BANCÁRIO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Nos termos do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, comprovada a origem dos depósitos bancários, os valores não computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos serão tributados de acordo com as normas específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada da contribuinte de não registrar no livro Caixa a sua movimentação financeira e bancária, utilizandose de conta do sócio para movimentar recursos próprios, e de declarar à Receita Federal do Brasil Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.858 13 apenas parte de sua receita, não deixa dúvida da intenção dolosa da contribuinte de ocultar o conhecimento por parte da Fazenda Pública dos fatos gerados dos tributos e contribuições e, com isso, eximirse do pagamento dos tributos, o que caracteriza evidente intuito de sonegação, implicando na qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização. Encaminhouse cópia da decisão ao coobrigado André Luís Cintra Alves, cuja ciência se deu em 26 de maio de 2011 (fl. 1792). À fl. 1826 consta edital, afixado em 07 de junho de 2011, com ciência ficta em 22 de junho de 2011. A Interessada, contudo, apresentou recurso voluntário de fls. 17931819 em 22 de junho de 2011. Alega, em síntese, nulidade da decisão recorrida em razão de falha na intimação, que deveria, a seu ver, ser encaminhada ao seu endereço cadastral , e não do coobrigado. Cita os artigos 26 a 28 da Lei nº 9.784/99 que trata da necessidade de intimação dos interessados no processo administrativo. No mérito, reafirma seu argumentos da impugnação, inclusive quanto à responsabilização do coobrigado, atacando ainda a decisão recorrida quanto à ausência de análise dos argumentos apresentados sobre o tema. Às fls. 18351838 consta pedido do contribuinte para apartamento dos autos em razão de pedido de parcelamento dos débitos com vencimento até novembro de 2008 (Lei nº 11.941/2009), informando ainda: No que tange ao parcelamento relativo aos tributos com vencimento até novembro de 2008 (períodos de apuração até outubro de 2008), constam nos autos as informações a respeito de sua formalização. Contudo, não identifiquei qualquer formalização a respeito do parcelamento dos débitos referentes aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2008. É o relatório. Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.859 14 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e deve ser conhecido parcialmente. Conforme exporei a seguir, a discussão quanto à responsabilidade atribuída ao coobrigado e em relação aos débitos objeto de pedido de parcelamento não devem ser alvo de pronunciamento por parte deste colegiado. Isso porque, conforme bem analisado na decisão recorrida, embora devidamente intimado, o coobrigado não apresentou qualquer peça de defesa, não podendo se admitir que a Recorrente (contribuinte), discuta a responsabilidade tributária atribuída a terceiro. Nesse contexto, convém transcrever excerto da decisão recorrida: Foi lavrado Termo de Responsabilidade Tributária em nome de André Luis Cintra Alves tendo em vista a constatação de confusão patrimonial nos termos do art. 50 da Lei n.º 10.406/2002 (Código Civil) e a prática reiterada de infração à lei, conforme art. 1º, I, e art. 2º, II, da Lei n.º 8.137, de 1990, entendendo a autoridade fiscal que teria ficado caracterizada a responsabilidade pessoal de André Luis Cintra Alves, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN), na qualidade de administrador de fato da sociedade. Em 04/11/2010, a empresa autuada tomou ciência dos autos de infração que compõem o presente processo, por meio de seu sócioadministrador, Sr. Sebastião Francisco Alves, consoante termo de ciência às fls. 03, 19, 34 e 49, referente aos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, bem como do “Termo de Verificação Fiscal e Constatação Fiscal” e “Termo de Encerramento”, anexo aos respectivos autos de infração, conforme ciência às fls. 81 e 116, respectivamente. Também foi cientificada, em 04/11/2010, dos citados autos de infração, por sujeição passiva, o Sr. André Luís Cintra Alves, mediante o “Termo de Responsabilidade Tributária” às fls 118/119. Inconformada com a autuação, compareceu aos autos a contribuinte DANCAR AGÊNCIA DE COBRANÇA LTDA, mediante seu sócioadministrador, o Sr. Sebastião Francisco Alves, para apresentar a impugnação de fls. 1712/1730. Por outro lado, o Sr. André Luís Cintra Alves não apresentou impugnação contra a relação jurídicoobrigacional de responsabilidade passiva tributária imputada ao mesmo na presente ação fiscal. Assim sendo, resta caracterizada preclusão do direito à discussão quanto à responsabilidade do coobrigado, não devendo ser conhecido o recurso voluntário em relação ao tema. Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.860 15 No que tange à arguição de nulidade da intimação a respeito da decisão recorrida, não merece prosperar o pleito, em primeiro lugar em razão de a ciência ter se dado por edital, haja vista a empresa encontrarse em local incerto e não sabido. Ademais, tendo o contribuinte apresentado recurso voluntário sem qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório, incide o disposto no § 5º do art. 27 da Lei nº 9.784/99, no sentido de que “As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade.” (grifo nosso) No mérito, entendo que o contribuinte, com sua peça de fls. 18351838 acabou por concorda com a integralidade da exigência. Vejase seu teor: Conforme se observa, tratandose da mesma infração em todos os períodos de apuração, e a defesa única em relação a todo o ínterim, o fato de o contribuinte ter pedido parcelamento dos débitos com vencimento até novembro de 2008, nos termos da Lei nº 11.941/2009, já demonstra sua concordância com a tese em que se embasa a autuação, mesmo em relação aos débitos não incluídos em tal parcelamento especial (no caso, os tributos com vencimento nos meses de dezembro de 2008 e janeiro de 2009, uma vez que o último mês a que se refere o lançamento foi dezembro de 2008). Reforça tal conclusão o fato de o contribuinte concordar Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13855.003732/201022 Acórdão n.º 1402001.827 S1C4T2 Fl. 1.861 16 expressamente também em relação a tal parcela de crédito, requerendo o desmembramento dos autos para parcelamento ordinário desse restante de crédito tributário. Entendo estarmos diante de um ato incompatível com o desejo de recorrer, incidindo no caso concreto o disposto no art. 503 do Código de Processo Civil, verbis: Art. 503. A parte, que aceitar expressa ou tacitamente a sentença ou a decisão, não poderá recorrer. Parágrafo único. Considerase aceitação tácita a prática, sem reserva alguma, de um ato incompatível com a vontade de recorrer. Aplicase ainda o disposto n o artigo 52 da Lei nº 9.784/99, que determina que “O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente” A peça de 18351838 consubstanciase, sem dúvida, em fato superveniente ao recurso que põe fim à lide, uma vez que houve a perda do objeto do recurso em análise por falta de interesse, ante à concordância da Recorrente com os valores exigidos pelo Fisco. Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10240.720368/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
Conforme se verifica das informações inseridas no Termo de Verificação Fiscal, a imposição da responsabilidade solidária aos sócios pessoas físicas fora a eles tempestiva e regularmente informado, inexistindo, assim, qualquer possibilidade de configuração de cerceamento do direito de defesa e nem tampouco a suposta supressão de instância administrativa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a apreensão de livros e documentos fiscais relacionados no respectivo Termo de Retenção, possibilitando ao contribuinte o pleno conhecimento do que foi apreendido.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE.
O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LOCAL DA LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF No 6.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SIGILO. LEI COMPLEMENTAR 105.
Estando expressamente prevista nas disposições da Lei Complementar no 105 a possibilidade de obtenção de informações bancárias pelas autoridades fazendárias, não cabe a este Conselho impossibilitar a sua aplicação. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 2).
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE NATUREZA NÃO IDENTIFICADA PELA CONTRIBUINTE
De acordo com as expressas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14 e 96.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
Não restando configurada e comprovada quaisquer das condutas contidas nas disposições dos art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, descabe a aplicação da qualificação da penalidade prevista no art. 44, §1o da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1301-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso para reduzir a multa qualificada.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Conforme se verifica das informações inseridas no Termo de Verificação Fiscal, a imposição da responsabilidade solidária aos sócios pessoas físicas fora a eles tempestiva e regularmente informado, inexistindo, assim, qualquer possibilidade de configuração de cerceamento do direito de defesa e nem tampouco a suposta supressão de instância administrativa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a apreensão de livros e documentos fiscais relacionados no respectivo Termo de Retenção, possibilitando ao contribuinte o pleno conhecimento do que foi apreendido. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LOCAL DA LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF No 6. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SIGILO. LEI COMPLEMENTAR 105. Estando expressamente prevista nas disposições da Lei Complementar no 105 a possibilidade de obtenção de informações bancárias pelas autoridades fazendárias, não cabe a este Conselho impossibilitar a sua aplicação. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 2). PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE NATUREZA NÃO IDENTIFICADA PELA CONTRIBUINTE De acordo com as expressas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14 e 96. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Não restando configurada e comprovada quaisquer das condutas contidas nas disposições dos art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, descabe a aplicação da qualificação da penalidade prevista no art. 44, §1o da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso para reduzir a multa qualificada. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
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Depósitos bancários Recorrente CENTRO DE ENSINO CLASSE A LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Conforme se verifica das informações inseridas no Termo de Verificação Fiscal, a imposição da responsabilidade solidária aos sócios pessoas físicas fora a eles tempestiva e regularmente informado, inexistindo, assim, qualquer possibilidade de configuração de cerceamento do direito de defesa e nem tampouco a suposta supressão de instância administrativa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a apreensão de livros e documentos fiscais relacionados no respectivo Termo de Retenção, possibilitando ao contribuinte o pleno conhecimento do que foi apreendido. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LOCAL DA LAVRATURA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF No 6. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SIGILO. LEI COMPLEMENTAR 105. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 03 68 /2 01 3- 41 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Estando expressamente prevista nas disposições da Lei Complementar no 105 a possibilidade de obtenção de informações bancárias pelas autoridades fazendárias, não cabe a este Conselho impossibilitar a sua aplicação. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 2). PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE NATUREZA NÃO IDENTIFICADA PELA CONTRIBUINTE De acordo com as expressas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14 e 96. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Não restando configurada e comprovada quaisquer das condutas contidas nas disposições dos art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, descabe a aplicação da qualificação da penalidade prevista no art. 44, §1o da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso para reduzir a multa qualificada. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de autuação fiscal promovida contra a contribuinte, referente ao lançamento de crédito tributário apurado a partir da sistemática própria do Lucro Real Trimestral, decorrente de (possíveis) receitas omitidas pela contribuinte no ano de 2009, identificadas pelos agentes da fiscalização a partir das informações colhidas de sua específica movimentação bancária (fornecida pela própria contribuinte), não se verificando em seus registros e documentos a necessária contabilização dos referidos valores ou qualquer comprovação de sua natureza, aplicandose, então, a respectiva presunção de omissão de receita, nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96. A decisão de primeira instância, analisando todos os argumentos expendidos pela contribuinte em sua impugnação, conclui pela procedência do lançamento, em acórdão que, então, assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITO BANCÁRIO. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o depósito bancário não justificado é considerado, por presunção legal, receita omitida. Por ser presunção relativa, a impugnante, para afastar a impugnação, tem o ônus de demonstrar, precisamente, quais as receitas vinculadas aos depósitos bem como os custos, despesas e encargos incorridos. LEI COMPLEMENTAR 105. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. A Lei Complementar 105, de 2001, reforçou a norma contida no artigo 42 da lei 9.430/96, ao contrário de tela revogado tacitamente. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local em que for constatada a falta, o que pode se dar na repartição pública, ou seja, fora do estabelecimento do contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE EXTRATOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A espontaneidade na entrega dos documentos bancários pelo fiscalizado não se equipara à quebra ou transferência de sigilo das instituições financeiras para o Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Aplicamse aos lançamentos reflexos as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento principal, por serem comuns os fundamentos fáticos e jurídicos dos lançamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada, em regra, não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RETENÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Não se vislumbra a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa quando os documentos disponibilizados ao fisco foram devolvidos ao interessado e, tendo sido, ainda, regularmente facultado ao contribuinte a vista dos autos durante o prazo de impugnação. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa qualificada prevista na legislação quando o contribuinte subtrai informações à RFB, com vistas a impedir o conhecimento do montante de sua receita bruta, configurando o evidente intuito de fraude, tendo se verificado o dolo específico, caracterizado pela vontade voltada à ocultação dos tributos devidos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA. Não tendo sido contestado o termo de sujeição passiva solidária, mesmo após intimação das pessoas físicas arroladas, declarase definitivo o ato administrativo que imputou a responsabilidade pelo crédito tributário em discussão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MPF. SUPOSTAS IRREGULARIDADES. EFEITOS. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e não requisito formal da ação fiscal. MPF. COMPETÊNCIA. DELEGADOADJUNTO O delegadoadjunto da RFB tem competência regimental para praticar os atos de competência do titular em seu impedimento, o que abrange os atos relativos ao MPF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada do inteiro teor do julgamento apontado, pela contribuinte foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, pretendendo, assim, a reforma da decisão exarada, e, por conseqüência, a necessária desconstituição do feito, aduzindo, para tanto, as seguintes razões fáticas e de direito: Cerceamento do direito de defesa em relação à sujeição passiva solidária. Supressão de instância administrativa de julgamento Como primeiro ponto de ataque aos termos da r. decisão de primeira instância, destaca a recorrente que a (suposta) invalidade do apontamento contido nas primeiras considerações do referido julgado, especificamente em face da constatação de que, ao contrário do que aponta, o referido Termo de Sujeição Passiva Solidária aos apontados responsáveis somente teria sido juntado aos autos após a intimação e o transcurso do Fl. 677DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 4 5 prazo para a impugnação, não podendo assim, de forma alguma, ser considerado como definitivo, da forma como apontado. Tendo a contribuinte apresentado a sua impugnação em 13/05/2013, somente em 17/05/2013 teria sido intimada da juntada dos apontados termos de sujeição. Em face dessa verificação, aqui se teria verificado inafastável preterição ao direito de defesa, devendo então ser efetivamente devolvido o prazo, possibilitando, assim, a sua necessária oposição. Cerceamento do direito de defesa em relação aos livros e documentos fiscais Conforme destacado pela própria decisão, os livros e documentos fiscais antes entregues à fiscalização somente foram devolvidos à contribuinte em 17/05/2013, portanto, após o transcurso integral do prazo para a impugnação apresentada. Como se verifica, tendo constado das preliminares da impugnação apresentada, os agentes da fiscalização teriam pretendido o “saneamento” do feito, promovendo, na mesma data, a devolução dos livros reclamados, e, também, a produção do antes aqui já mencionado Termo de Sujeição Passiva Solidária, buscando, com isso, salvaguardar o lançamento efetivado, afastando as nulidades vitandas apontadas. Que as considerações apresentadas pela decisão recorrida de que a contribuinte poderia, a qualquer tempo, ter buscado o acesso aos livros e documentos mantidos pela fiscalização, representa verdadeira inversão procedimental, uma vez que essa “garantia” é a do fiscal, no desenvolvimento de sua fiscalização, sendo necessária a devolução dos documentos utilizados assim que finalizado o trabalho, o que, nos presentes autos, efetivamente não se teria verificado. Em face dessas considerações, requer seja reconhecida a nulidade por cerceamento do direito de defesa, promovendose a devolução do prazo para a apresentação de nova impugnação. Incompetência da autoridade emitente do MPF. Nulidade do procedimento fiscal Que o MPF, ao contrário do que afirmado na r. decisão de primeira instância, não seria apenas uma mero ato de controle administrativo dos procedimentos dos agentes da fiscalização, mas sim uma “ferramenta” que, concedida pela autoridade superior ao agente fiscal determinado, traz consigo a regularização da legitimidade, da legalidade, da moralidade, da eficiência, o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a segurança jurídica em relação de fiscalização. O MPF é responsável por salvaguardar as garantias do contribuinte. Em face dessas considerações, para a válida fiscalização de um contribuinte localizado em Porto VelhoRO, fazse necessário que o MPF seja expedido pelo ilustre Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil com competência para aquela região. Que a emissão do MPF por delegada adjunta invalidaria o procedimento, por promovido em desacordo com as respectivas normas de regência. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Inexistindo provas de que o ilustre Sr. Delegado estaria ausente, ou ainda, sob qualquer tipo de licença, não se pode admitir a aplicação de substituição, sendo, também por isso, inválido o MPF emitido por delegadoadjunto. Nulidade do procedimento fiscal por lavratura de suas peças e termos fora do domicílio do contribuinte Nos termos do art. 10 do Decreto 70.235/72, o auto de infração deve ser lavrado “no local da verificação da falta”. Que, por essa razão, o local da lavratura do auto de infração deveria ser “Porto Velho RO” e não “GuajaráMirim/RO” da forma como procedido. Nulidade do auto de infração lavrado exclusivamente com base em depósitos bancários não justificados pela contribuinte Repisando os fundamentos antes apresentados em sua impugnação, a recorrente sustenta, no mérito, a invalidade da quebra de sigilo bancário praticada pelos agentes da fiscalização fazendária. Pelas disposições constantes do Art. 5o da Lei Complementar no 105/2001, ao passo que se admite a quebra do sigilo bancário, impõese à fiscalização o dever de investigar a natureza dos recursos eventualmente não regularmente contabilizados, não sendo válida, assim, a aplicação da presunção contida nas disposições do art. 42 da Lei 9.430/96. Após longa exposição a respeito do “histórico” do regramento das normas relativas às apurações fiscais a respeito relativas à omissão de receitas, arremata a recorrente que, no seu entender, a tributação incide sobre fatos, e não sobre presunções e indícios. Nulidade do auto de infração levado a termo com base em dados de extratos bancários obtidos sem autorização judicial Que o Supremo Tribunal Federal, em 15/12/2010, no julgamento do RE 389.808, entendeu pela invalidade do acesso aos dados financeiros pelos agentes da fiscalização sem a necessária intervenção jurisdicional. Por essa razão, também, deve ser reconhecida a invalidade do lançamento efetivado. Inexigibilidade de multa punitiva agravada em 150% Que a imposição do agravamento da multa de ofício seria ilegal, sobretudo porque, conforme já apontado nos autos, estaria fundada, exclusivamente, na verificação da omissão de receitas, sem qualquer indicação de ato efetivamente praticado pela contribuinte que possibilitasse a sua aplicação. Que o agente da fiscalização não teria promovido qualquer comprovação de que a atuação da contribuinte pudesse efetivamente se consubstanciar em quaisquer das hipóteses relativas à configuração da ato de sonegação fiscal. Que, a esse respeito, existe hoje a Súmula CARF no 14, que alberga a argumentação da contribuinte. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 5 7 Por essa razão, acaso mantido o lançamento, requerse o afastamento da qualificadora da multa de oficio aplicada. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Passo a análise dos argumentos da recorrente. Do alegado cerceamento do direito de defesa em relação à sujeição passiva solidária O primeiro ponto trazido pela recorrente, referese a sua insurgência em relação às considerações apresentadas pela r. decisão recorrida, especificamente no que diz respeito à afirmação de Preclusão Administrativa quanto à configuração de solidariedade dos Srs. Lúcia Maria de Holanda Freitas, CPF 377.761.93453 e Carlos Alberto Bezerra de Freitas, CPF 191.320.26404, que, indicados como responsáveis nos Termos constantes às fls. 486/489, não teriam impugnado o feito, tornando, assim, definitiva a sua situação. A recorrente, por sua vez, destaque que o mencionado “Termo” terseia lavrado após o transcurso do prazo para a impugnação apresentada, não tendo tido ela conhecimento de seus termos antes do protocolo realizado, não se podendo admitir assim a sua definitividade. A respeito dessas considerações, relevante observar que, ao contrário do que aponta a contribuinterecorrente, a indicação a respeito da Sujeição Passiva Solidária apontada constava, já, no Termo de Verificação Fiscal antes por ela recebida, indicando, especificamente, quais seriam os fundamentos da consideração dos referidos agentes como responsáveis pelo crédito tributário lançado, fato que, com toda a certeza, era do conhecimento da contribuinte quando da preparação de sua impugnação. Relevante destacar que, em que pese a indicação constante do TVF a respeito da específica responsabilidade dos agentes apontados, de fato, o Termo de Responsabilidade Solidária a eles relacionada somente foi produzido no dia 15/05/2013 (após a impugnação da contribuinte) e encaminhado à intimação respectiva no dia 17/05/2013, sendo regularmente entregues, conforme, inclusive, cópias dos AR’s juntados aos autos. Insta destacar que, ao contrário do que afirmado pela recorrente, constando do TVF a referida responsabilidade solidária, a ela foi sim dado tempestivo e regular conhecimento a seu respeito. A produção apartada dos apontados “Termos de Responsabilidade Solidária”, por certo, não são instrumentos direcionados à contribuinte como parece querer fazer crer em suas razões, mas sim, especificamente, às pessoas físicas objetivamente responsabilizadas, que, sendo regularmente intimadas, não opuseram qualquer impugnação à imposição da solidariedade apontada, configurando, em relação a eles (também) a definitividade da formalização administrativa. Assim, completamente inexistente qualquer nulidade em relação à responsabilidade solidária apontada, mostrandose, aqui, perfeitamente regular o saneamento do feito promovido pela autoridade preparadora. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade por suposta “supressão de instância administrativa de julgamento” alegada pela recorrente. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 6 9 Do cerceamento do direito de defesa em relação aos livros e documentos mantidos em poder da fiscalização Continuando em suas considerações, sustenta a recorrente que seria também nulo o lançamento, tendo em vista o cerceamento ao seu sagrado direito de defesa, tendo em vista que, tendo sido intimada a contribuinte a respeito do Auto de Infração lavrado, os livros e documentos fiscais que teria apresentado aos agentes da fiscalização não lhe teriam sido devolvidos, promovendo, assim, efetivo obstáculo a sua defesa. A respeito deste ponto, importante destacar que, nos presentes autos, não se verifica qualquer registro de que a contribuinte teria tentado o acesso aos autos do presente Processo Administrativo Fiscal, ou mesmo aos documentos mantidos pelos agentes da fiscalização, e esse acesso terlheia sido negado por qualquer motivo que seja. A recorrente, em suas razões, sustenta que as considerações apresentadas pela r. decisão de primeira instância para o afastamento dessa suposta nulidade importaria em verdadeira “inversão” sobretudo porque imporia a ela o dever de buscar as suas informações contábeis, o que seria inadmissível. Não se trata disso. Inexiste, de fato, qualquer mandamento legal ou regulamentar especifico que imponha aos agentes da fiscalização fazendária o objetivo dever de entregar, no ato da intimação da autuação, todos os documentos que teriam subsidiado suas análises aos fiscalizados. Na verdade, o que a lei garante, de fato, é o acesso a esses documentos ao fiscalizado para que possa promover sua defesa, e isso, especificamente, em momento algum fora efetivamente impedido ou negado ao contribuinte. A alegação genérica de que a retenção dos livros e documentos fiscais ter lheia acarretado prejuízo para a defesa é tema já há tempos pacificado neste Conselho, verificandose, na nossa jurisprudência, a rejeição à pretendida nulidade. Vejamos um precedente sobre a matéria: Número do Processo 10735.000856/9712 Contribuinte SOCAPE SOCIEDADE CAXIENSE DE PETROLEO LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 27/07/2006 Relator(a) Paulo Jacinto do Nascimento Nº Acórdão 10322559 Tributo / Matéria Decisão Por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1991, vencido o conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que não a acolheu e o conselheiro Fl. 682DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 Leonardo de Andrade Couto que não a acolheu apenas em relação à exigência da CSLL; por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência do IRF/ILL. Ementa AUTO DE INFRAÇÃO LOCAL DA LAVRATURA – NULIDADE É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Enunciado nº 7 de Súmula do 1º Conselho de Contribuintes – Pleno). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a apreensão de livros e documentos fiscais relacionados no respectivo Termo de Retenção, possibilitando ao contribuinte o pleno conhecimento do que foi apreendido. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo de decadência dos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação é, a teor do art. 150, § 4º, do CTN, de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a fraude, o dolo ou a simulação. IRRF Não prospera a exigência quando o contrato não prevê a imediata disponibilidade pelos sócios do lucro líquido apurado na data do encerramento do períodobase. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL Dada a intima relação de causa e efeito entre eles existente, se aplica ao lançamento reflexo o decidido no lançamento principal. Recurso parcialmente provido. Publicado no D.O.U. nº 215 de 09/11/2006. (Destaque nosso) Em face dessas considerações, rejeito, também aqui, a argüição de nulidade por suposto cerceamento do direito de defesa, decorrente da manutenção dos livros e documentos fiscais em poder dos agentes da fiscalização, sobretudo por não verificar, nos autos, qualquer registro de que a contribuinte teria tentado o acesso a eles e, por qualquer razão, este lhe teria sido negado pelos respectivos agentes fiscais responsáveis. Da validade do MPF e improcedência das alegações que lho circundam Além das considerações apresentadas, relevante também destacar que a recorrente aplica grande parte de seus esforços para a discussão de invalidade do lançamento realizada em decorrência de circunstâncias relacionadas à (in)validade do MPF que iniciou a apontada ação fiscal. A primeira considerações é referente à suposta “incompetência” da autoridade que teria promovido a sua emissão, tendo em vista que, tratandose de ato de competência exclusiva do Sr. Delegado da Receita Federal com jurisdição sobre a determinada região, não poderia ele ser emitido pelo “Delegadoadjunto” da forma como realizado. Antes de qualquer consideração a respeito do ponto abordado pelo recurso, entretanto, é relevante aqui destacar que, conforme se tem admitido hoje pela remansosa e respeitada doutrina pátria, e, também, sobretudo, pelo consolidado entendimento pacificado pela jurisprudência deste CARF, o Mandado de Procedimento Fiscal referese, na verdade, a mero ato de controle interno de atividades das autoridades fazendárias, em absolutamente nada influindo na existência, validade e/ou eficácia da atuação dos agentes fiscais. Aliás, a competência dos agentes da fiscalização é tema que decorre das expressas disposições do Art. 142 do CTN, que, sobre o agir fiscalizatório, expressamente destaca: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente Fl. 683DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 7 11 a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, por mais que pretenda o recorrente limitar a atuação dos agentes da fiscalização a quaisquer considerações a respeito do MPF, todo esforço se mostra, hoje, completamente infrutífero, sobretudo em face do pacífico entendimento a respeito de sua consideração como mero ato de controle interno das competentes Delegacias. Vejamos, apenas a título de exemplo, um dos precedentes deste Conselho sobre a matéria: Número do Processo 14120.000349/200936 Contribuinte AVANTI INDUSTRIA, COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) ROBSON JOSE BAYERL Nº Acórdão 3401002.648 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2007 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. Recurso voluntário negado. (Destaque nosso) Fl. 684DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 Assim, a argüição de suposta incompetência do “Delegadoadjunto”, mesmo que eventualmente admitida, não importaria em qualquer conseqüência para a manutenção ou não do Auto de Infração lavrado, não podendo aqui, portanto, de forma alguma ser admitida. Nada obstante, apenas a título de registro, especificamente em relação à argumentação expendida pela recorrente em relação à suposta “incompetência” apontada, relevante observar que suas considerações parecem impor verdadeira confusão conceitual, entendendo que a legitimidade para o ato estaria na “pessoa” do Delegado, e não propriamente na “função” exercida, o que, com toda a certeza, contraria o próprio comando da impessoalidade, expressamente previsto nas disposições do Art. 37 da CF/88, ou ainda nas mais comezinhas lições doutrinárias do direito administrativo pátrio. Nesses termos, rejeito, também aqui, a preliminar argüida. Da nulidade pelo local da lavratura do lançamento Seguindo em suas considerações a respeito das supostas invalidades argüidas, sustenta ainda a recorrente a ocorrência de nulidade no feito, tendo em vista a inobservância da aplicação das disposições do Art. 10 do Decreto 70.235/72, que, por sua vez, assim aponta: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A interpretação dada pelo recorrente a respeito do referido dispositivo seria de que o Auto de Infração, obrigatoriamente, deveria ser lavrado “no local em que realizada a falha”, o que, por outro lado, efetivamente não se apresenta como a mais adequada. Na verdade, o dispositivo da Lei do Processo Administrativo Fiscal Federal possibilita que o agente competente, assim que identificada a falta cometida por contribuinte, possa, imediatamente, promover o lançamento, não sendo necessário a sua localização física no estabelecimento do contribuinte faltoso. Por certo, a adequada interpretação aponta no sentido diametralmente oposto àquele indicado pela recorrente, não podendo aqui, portanto, de forma alguma ser admitido. Nesses termos, inclusive, é a expressa disposição da Súmula CARF no 6, que, sobre o tema, assim então já pacificou: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 8 13 Assim, rejeito a preliminar de nulidade do procedimento fiscal por lavratura de suas peças e termos fora do domicílio do contribuinte. DA OMISSÃO DE RECEITAS Sobre a inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem a prévia quebra do sigilo bancário por determinação judicial – inconstitucionalidade da LC 105/2001 A primeira ponderação trazida no recurso interposto, referese à discussão pretendida pela contribuinte a respeito da inconstitucionalidade das disposições da Lei Complementar no 105/2001, e, no caso, a obtenção, pelos agentes da fiscalização fazendária , de informações a respeito da movimentação bancária dos contribuintes sem a prévia determinação de quebra de sigilo bancário pelas respectivas autoridades judiciárias. Antes, entretanto, de qualquer consideração a respeito da matéria, cumpre aqui destacar então o que expressamente previsto na norma em referência, ressaltando, especificamente, a autorização legal de obtenção das referidas informações. Vejamos: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o §2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. (...) Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (Regulamento) Fl. 686DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. A partir da análise dessas disposições, verificase que, sob o ponto de vista estritamente legal, não se configura a “quebra do sigilo bancário” a prestação de informações pelas instituições financeiras e bancárias aos agentes da Fiscalização Fazendária quando por eles requerido. A (in)constitucionalidade dessas disposições, é bem verdade, ainda hoje é tema debatido na doutrina e jurisprudência pátria, estando pendente ainda a apreciação da questão pelo Supremo Tribunal Federal, que, a respeito do assunto, já expressamente reconheceu a repercussão geral da matéria quando do destaque das disposições do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI). Nada obstante, considerando que a avaliação a respeito da constitucionalidade das normas é competência própria da atuação do Poder Judiciário, aplicandose, na atuação administrativa, a necessária presunção de validade dos comandos legais, destacase, a esse respeito, os dizeres específicos da Súmula CARF no 2 que assim, inclusive, especificamente já se pronuncia: Fl. 687DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 9 15 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A par de todas essas considerações, relevante observar que, no presente caso, os extratos bancários utilizados pelos agentes da fiscalização não decorreram de emissão de RMF, mas sim, foram entregues pela própria contribuinte, sendo, por essa razão, completamente inoportunas as construções por ela trazidas a respeito da suposta invalidade do acesso dos agentes da fiscalização às suas informações bancárias. Da aplicação da presunção de omissão de receitas Continuando suas razões, a contribuinte sustenta também a invalidade da aplicação de presunção de receitas na espécie, destacando, novamente, ofensa a princípios constitucionais como proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, etc. A aplicação, no caso, da presunção de omissão de receitas, vale destacar, decorrem, especificamente, da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, que, sobre a matéria, assim então especificamente destaca: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 688DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques nossos) Por essas disposições, verificase que, obtendo os agentes da fiscalização as informações a respeito das movimentações financeiras realizadas nas contascorrentes da fiscalizada e não tendo ela apresentado, ao tempo e modo devido, os específicos e devidos registros dos respectivos montantes em sua contabilidade com a comprovação de sua origem e natureza, perfeitamente válida, mais uma vez, se mostra a aplicação da presunção de omissão de receitas, da forma como efetivada, não se podendo aqui, portanto, deixarse de observar a especifica determinação legal aqui apontada. À fiscalizada, insistase, assistiria o direito de efetivamente desconstituir as presunções aplicadas, apresentando, quando devidamente intimada para tanto, as respectivas comprovações a respeito da origem e natureza dos apontados recursos, o que, mais uma vez, não se verifica no presente caso. Diante disso, perfeitamente válida e regular, no caso, se verifica a aplicação da presunção de omissão de receitas promovida na atuação realizada, não se havendo falar aqui, absolutamente, em qualquer invalidade das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96 (Súmula CARF no 2) e, ainda, em qualquer ofensa a princípios da razoabilidade, proporcionalidade, contraditório, ampla defesa ou qualquer outra disposição constitucional apontada. Da desqualificação da penalidade aplicada Além das discussões em torno da matéria apresentada nestes autos, verifica se ainda que o recorrente insurgese, também, contra o “agravamento” (na verdade, qualificação) da multa aplicada, tendo em vista ter sido ela registrada pelos agentes da fiscalização do patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento), com espeque nas disposições do Art. 44, inciso I e par. 1o da Lei 9.430/96. Analisando, mais uma vez, os fundamentos adotados no TVF, verificase que as razões para a exacerbação da penalidade apontada seriam decorrentes, tão somente, da omissão do recebimento dos valores pela contribuinte, sobretudo ante a ausência de inclusão de informações em seus respectivos documentos fiscais (DIPJ/DCTF). Em que pese as razões apresentadas, é fato hoje completamente pacífico neste CARF que a simples “omissão de receitas” não se mostra suficiente para a aplicação da qualificação da penalidade pecuniária, sendo certo que, nesse sentido, assim se apresentam as Súmulas CARF no s 14 e 96 que, sobre o assunto, assim então especificamente apresentam: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 96: Fl. 689DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.720368/201341 Acórdão n.º 1301001.692 S1C3T1 Fl. 10 17 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Ora, como se verifica, a simples omissão de receitas, ao contrário do que entenderam os doutos agentes da fiscalização fazendária, não apresenta, por si só, hipótese suficiente de configuração da pretendida “Sonegação Fiscal”, não autorizando, assim, a qualificação da penalidade aplicada, da forma como então aqui considerado. Diante dessas razões, entendo, também, que, em relação à multa aplicada, não havendo qualquer efetiva comprovação de ocorrência das hipóteses dos art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, baseandose a qualificação promovida, exclusivamente, na configuração da omissão de receitas, não pode ela então subsistir, devendo aqui, então, ser efetivamente desconstituída. Conclusão Em face de todos esses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, exclusivamente por admitir a desqualificação da multa de ofício aplicada, reduzindoa de 150% para 75%, mantendo, assim, todas as demais considerações contidas na autuação. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 690DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912316/2012-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/11/2009
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 85 1 84 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.912316/201276 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.795 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente TRANSFARRAPOS TRANSPORTE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2009 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 16 /2 01 2- 76 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912316/201276 Acórdão n.º 3802003.795 S3TE02 Fl. 86 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 57), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 60). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912316/201276 Acórdão n.º 3802003.795 S3TE02 Fl. 87 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000618/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA - IRPJ. POSTERGAÇÃO DE TRIBUTOS. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO E PAGAMENTOS EM ANOS POSTERIORES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PROVA.
Para a postergação de pagamentos de tributos ser considerada legítima é necessário não só a escrituração como também a demonstração do ônus de pagamento no ano-calendário seguinte ou posteriores.
Demonstrado que houve o cumprimento dos requisitos exigíveis não há alteração a ser feita no julgado consubstanciado no Acórdão nº 1202000.044, de 13 de maio de 2009.
Numero da decisão: 1202-001.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para negar-lhes provimento. Declararam-se impedidos os Conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (presidente à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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POSTERGAÇÃO DE TRIBUTOS. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO E PAGAMENTOS EM ANOS POSTERIORES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PROVA. Para a postergação de pagamentos de tributos ser considerada legítima é necessário não só a escrituração como também a demonstração do ônus de pagamento no anocalendário seguinte ou posteriores. Demonstrado que houve o cumprimento dos requisitos exigíveis não há alteração a ser feita no julgado consubstanciado no Acórdão nº 1202000.044, de 13 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para negarlhes provimento. Declararamse impedidos os Conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 06 18 /2 00 7- 84 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 12 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10909.000618/200784 Acórdão n.º 1202001.182 S1C2T2 Fl. 5 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (presidente à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls.373) em que a Fazenda Nacional alega omissão/contradição no Acórdão de nº 1202000.044 de 13 de maio de 2009, a fls. 363, proferido pela 2ª Turma Ordinária/da 2ª Câmara desta Primeira Seção de Julgamento. A embargante opôs o recurso em relação a decisão do Recurso de Ofício, proveniente do acórdão da DRJ, no qual foi acolhida a tese de postergação de tributos com base no Parecer Normativo CST n° 02/96. Sustentou que o Embargado apresentou DIPJ de rendimentos referentes ao anocalendário de 2003 constando que possuía (R$1.706.429,74) de IRPJ a pagar, e (R$ 886.530,68) de CSLL a pagar, fls. 31 e 37 DIPJ. No entanto, alegou que como não havia comprovação do pagamento de tributo não recolhido no ano de 2002, em 2003, assim como não houve recolhimento do tributo referente ao ano de 2002, nos anos posteriores, não se poderia falar na tese de postergação de tributos. Reforça sua tese afirmando que a decisão de primeira instância, assim como a decisão embargada apenas se amparou na DIPJ, sem qualquer referência ou demonstração de pagamento efetivo dos tributos pelo Embargado, destoando do que estabelece o Parecer Normativo COSIT n° 02/96. Entendeuse que havia contradição/omissão no referido acórdão face a inexistência de prova de pagamento para efeito de caracterizar, faticamente, hipótese de Postergação de Tributos. Dessa forma, determinouse a conversão do julgamento em diligência e intimouse o embargado para que comprovasse o efetivo pagamento dos tributos referente ao ano de 2002, em anos posteriores, a fim de sanar a omissão decorrente do acórdão proferido. Tendo sido cumprida a diligência, retornou o processo a esta turma para fim de retomar o julgamento. Eis o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 12 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10909.000618/200784 Acórdão n.º 1202001.182 S1C2T2 Fl. 6 3 Por presente o pressuposto de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. A postergação do pagamentos de tributos para período posterior ao em que seria devido ocorre quando se protela, para períodos subsequentes, a escrituração de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro, ou se antecipa a escrituração de custo, despesa ou encargo correspondente a períodos subsequentes. O caso sub judice é exatamente o dito por último, pois houve a escrituração da despesa relativa a CPMF e, o que se pretende perquirir é, se houve o pagamento nos períodos posteriores. Não assiste razão ao embargante. Pois, em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, fls. 1061 a 1068, o embargado trouxe aos autos os elementos necessários para dirimir a dúvida que pairava sobre a existência do pagamento a maior no anocalendário de 2003, relativo ao IRPJ e CSLL. Comprova a escrituração da despesa a planilha I – A, fls. 1.064, em que os valores referentes ao IRPJ e CSLL foram escriturados sem a exclusão da CPMF e observando o disposto na LALUR. No entanto, com a decisão final da justiça que julgou desfavorável o mandado de segurança no qual foram questionados e depositados os valores da CPMF, transitada em julgado em 06/10/2003, passou a ser direito do embargado a dedutibilidade para fins de cálculo do IRPJ e CSLL no próprio anocalendário de 2003. Ocorre que a despesa relativa a CPMF convertida em renda da União em novembro de 2003 foi simplesmente adicionada ao resultado do ano de 2002, pela fiscalização (fl. 167). Entretanto, no ano de 2003, a embargada apurou lucro real e base de cálculo positiva de CSLL, tendo então efetuado recolhimentos de IRPJ (fl. 31) e de CSLL (fl. 37), o que indica que houve efetivamente pagamentos posteriores passíveis de serem abatidos no cálculo das diferenças devidas. É prova suficiente a planilha I – B, fls. 1.066, em que os valores referentes ao IRPJ e CSLL foram calculados com a exclusão da CPMF e com observância do disposto na LALUR, comprovando que houve o pagamento a maior dos referidos tributos, a saber, IRPJ no importe de R$ 2.436.125,70 e CSLL no montante de R$ 898.570,96. A citada planilha comprova que efetivamente houve o pagamento a maior no anocalendário de 2003, apesar de não ter sido realizada a exclusão de tais valores no referido anocalendário, pois dessa forma haveria recolhimentos realizados a menor no que tange ao IRPJ e CSLL dos que foram declarados nas DIPJ`S. No intuito de reforçar seu posicionamento, o embargado trouxe ainda a planilha – II, fls. 1.067, na qual há a demonstração de todas as adições/exclusões realizadas na LALUR. Neste sentido, o embargado cumpriu os dois requisitos necessários para a postergação de tributos, quais sejam, a escrituração da despesa e comprovação do ônus Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 12 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10909.000618/200784 Acórdão n.º 1202001.182 S1C2T2 Fl. 7 4 tributário em anos posteriores. Por isso, sanada a omissão, deve ser mantida, quanto ao recurso de ofício, a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1202000.044, de 13 de maio de 2009. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 12 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.912691/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique se os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da compensação. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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DIAS BRANCO S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique se os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da compensação. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP n° 02290.63809.160108.1.3.046136) de débitos tributáriosde IRPJ relativo a 12/2003 com crédito resultante de pagamento a maior de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 12 69 1/ 20 09 -6 9 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.912691/200969 Resolução nº 3803000.510 S3TE03 Fl. 96 2 Pis/Pasep em 15/10/2004. O Despacho Decisório (fls. 06/07) homologou parcialmente a compensação declarada por entender que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 10/17) contra o referido ato administrativo, alegando que: O contribuinte denunciou espontaneamente seus débitos tributários e, por isso, só deveria ter sido cobrado dele o principal e os juros de mora; No presente processo, o Fisco exigiu multa de mora, em discordância com o artigo 138 do CTN; Aduziu decisões administrativas e judiciais. A DRJ em Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. A autoridade julgadora administrativa não se encontra atrelada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de decisões do STF vinculantes para a administração pública federal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2007 MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. ESPONTANEIDADE. INAPLICABILIDADE. Declarada a compensação após o vencimento do tributo, fica descaracterizado o instituto da denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, incidindo os correspondentes débitos tributários em multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos da impugnação e ataca a decisão a quo, que reputa equivocada; ao final, requer a desconsideração da multa moratória sobre os débitos compensados e intimação do procurador em seu endereço profissional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.912691/200969 Resolução nº 3803000.510 S3TE03 Fl. 97 3 A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Em 1º de março de 2012, a recorrente apresenta requerimento de extinção do processo administrativo, fundado no art. 62A do Regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que a matéria dos autos teria sido julgada pelo STJ no regime dos recursos repetitivos. Relatado, passase ao voto. VOTO VENCIDO Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, cumpre dizer que o pedido de intimação do procurador em seu endereço profissional, de todos os atos deste contencioso administrativo, é de ser indeferido, porquanto o Decreto nº 70.235/72, aplicável ao processo administrativo fiscal, é explícito quanto ao local da intimação via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (art. 23, II). Quanto à controvérsia destes autos, penso que há nos autos elementos suficientes para a solução da lide. Ante o exposto, voto por não converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado VOTO VENCEDOR Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Do relato provido pelo d. Relator depreendese que os débitos apresentados na declaração de compensação foram compensados, sendo a insuficiência do crédito utilizado decorrente da incidência da multa de mora que deixara de ser calculada e acrescida ao débito na compensação operada pela Contribuinte. A Recorrente focaliza o seu embate apenas na evocação do instituto da denúncia espontânea, enfatizando ter apresentado as declarações de compensação antes de qualquer procedimento de ofício do órgão fazendário. Configurandose os fatos nessa linha dos acontecimentos, conforme relatado, não outro haveria de ser o posicionamento da Turma senão de ocuparse em aferir a aplicabilidade, ao caso, do instituto da denúncia espontânea, feita, por sinal, sob o prisma da decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça, no recurso representativo de controvérsia, REsp nº 1.149.022. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.912691/200969 Resolução nº 3803000.510 S3TE03 Fl. 98 4 Observase que o fato alçado à norma judicial parece ser consentâneo com o fato jurídico gerado a partir da ação desta Contribuinte. Sendo forçosa a reprodução da decisão do STJ, importa apreciar se a Contribuinte no exercício da atividade de apurar o quantum devido do tributo e antecipar o pagamento ou apresentar a declaração de compensação , encontrase ou não sob o pálio desse instituto, na forma como definido pela Corte, uma vez que a quitação do débito ora sob análise deuse após o seu vencimento com atraso. A estar, o entendimento exarado nesse recurso especial deve ser adotado pelos conselheiros nos julgamentos no âmbito do CARF, por força do art. 62A do RI/CARF, porquanto produzido na forma processual prevista no art. 543C do CPC. Para tanto, importa saber se ao tempo em que foi apresentada a declaração de compensação o débito nela constante já havia ou não sido confessado anteriormente em DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique se os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da compensação. Dado o teor da informação solicitada, é dispensável a ciência para manifestação da Contribuinte. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907255/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 72 55 /2 00 9- 40 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907255/200940 Acórdão n.º 3801004.659 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.005663/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN.
VALE-TRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 68, para excluir do cálculo da multa os valores relativos ao vale-transporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU e para que a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo seja recalculada, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. VALE-TRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente DACALA SEGURANCA E VIGILANCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 63 /2 00 9- 95 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 68, para excluir do cálculo da multa os valores relativos ao valetransporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU e para que a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo seja recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 256 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração Debcad n° 37.180.0668, lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, procedimento fiscal instaurado pelo Mandado Procedimento Fiscal MPF n° 0819000.2008.00965, no valor total de R$ 465.213,00 (quatrocentos e sessenta e cinco mil e duzentos e treze reais), lavrado em 07/12/2009, por apresentar a empresa o documento a que se refere a lei n° 8.212/91, art. 32, IV e § 3o, acrescentados pela Lei n° 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na lei n° 8.212/91, art. 32, IV c § 5o, também acrescentados pela lei n° 9.528/97, combinado com o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Providência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 2. Consoante o Relatório Fiscal da Infração, fls. 5, ficou constatado que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias: (i) a empresa não informou em GFIP os valores pagos aos seus funcionários a título de valetransporte em dinheiro e valores pagos como "comissões"(levantamentos constantes dos Debcad 37.180.0730 e 37.180.0692, referente à obrigação principal parte da empresa e segurados respectivamente). (ii) após ciência do procedimento fiscal reapresentou GFIP de todas as competências de 2004, em março, abril e maio de 2008 com significativa redução da massa salarial. 2.1. Informa o Auditor Fiscal, foram considerados omitidos cm GFIP os valores correspondentes às remunerações informadas na GFIP inicial que não foram informadas nas reapresentadas pelo GFIP Web (base de calculo do levantamento "Dif" constante do Debcad 37.180.0730), somados às remunerações constantes nos levantamentos "VAL" e "COM". 2.2. Salienta a fiscalização que não ocorreram circunstâncias agravantes. 2.3. Às fls. 6/9, consta o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa c anexos, que demonstra os valores da multa, sua aplicação, sua fundamentação e a atualização nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009 e, da taxa de juros Sclic, conforme dispõe a portaria conjunta PGFN/SRF n 10/2008 DOU 17/11/2008, alem do calculo para aplicação da multa mais benéfica (fl. 9), que compara o AI CFL Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 68 + AI CFL 69 imulta de mora de 24% com o valor da multa de ofício de 75%. (...) DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo legal, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 31/67 e 110/144 e, documentos de fls. 68/99 e 145/151, onde alega: (...) (destaques nossos) É de se considerar que a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Após referido procedimento, como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN); * nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo; * as diferenças encontradas seriam decorrente de erro de preenchimento e foram corrigidas pela entrega de novas GFIP´s; os valores de valetransporte não poderiam sofrer incidência de contribuições previdenciárias; e os valores contabilizados como Serviço de Apoio ao Departamento Comercial não poderiam ser tributados como comissões; * que as multas sejam relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99; * ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 257 5 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Assevera a recorrente que deve ser reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo. Como destacado no relatório supra, a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Portanto, concluise que, com a reabertura do prazo de defesa, não se consolidou qualquer prejuízo à recorrente, razão pela qual a sua argumentação não merece prosperar. Decadência. Alega a recorrente a decadência parcial do lançamento, com base no artigo 173, I, do CTN, sendo que deveriam ser desconsiderados os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN). É sabido que se sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários originamse sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto à contagem do prazo decadencial. ValeTransporte. Aduz a recorrente que os valores de valetransporte não poderiam sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Razão assiste à recorrente. Estabelece a Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, que: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . (de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 258 7 Assim, sem maiores considerações sobre o acerto de tal entendimento, em cumprimento à referida Súmula, deve ser excluído do cálculo da multa os valores relativos ao valetransporte pago em pecúnia. Aferição indireta. Divergência GFIP. Comissões. A recorrente entende ser nulo o lançamento por ausência de vinculação e de suporte fático. Destaca que, em especial nos processos 19515.005657/200938 (parte patronal e SAT) e 19515.005655/200949 (segurados), restou estabelecida uma presunção de que em 2004 houve prestação horas extras superiores às reconhecidas pela empresa, pelo simples fato de ter ocorrido a prática recorrente de horas entras no ano de 2005. Afirma haver justificativa para o aumento das horas extras a partir de 2005 (incremento da violência do crime organizado). Aduz ainda que as diferenças encontradas seriam decorrentes de erro de preenchimento e foram corrigidas pela entrega de novas GFIP´s após o início do procedimento fiscal. Todos esses fatos repercutem no cálculo da multa, todavia, a argumentação da recorrente não procede. Da análise dos presentes autos e dos Autos de Infração de Obrigação Principal (em especial, citamos aquele relativo à cota patronal), constatase que a recorrente deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, conforme já mencionado na decisão de origem: 16.7. Constatase que a Impugnante deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, como: 16.7.1. Às fls. 77 do processo 19515.005657/200938, constam Termo de Intimação Fiscal n° 7, datado de 24/06/2009, recebido pela empresa cm 01/07/2009 (11. 78), para que em 3 dias úteis, para o período de 01/2004 a 12/2004, fosse justificado por escrito, apresentando a respectiva documentação hábil e idônea, a diferença entre remunerações dos segurados informadas em GFIP entregues antes do início do procedimento fiscal (em 22 e 23/03/2006) e após o início do procedimento fiscal em (03,04 c 05/2008), que resultaram cm redução da base de cálculo das contribuições previdenciárias. 16.7.2. Às fls. 79 do processo 19515.005657/200938, Termo de Intimação Fiscal n° 8, datado de 24/08/2009, recebido pela empresa em 31/08/2009 (11. 80), para que em 3 dias úteis, para o período de 01/2004 a 12/2004, a composição da contabilização da folha de Pagamento dos meses de janeiro a abril 2004 (especificar quais contas foram utilizadas para contabilização e, esclarecer por escrito sobre o que c contabilizado na conta Serviço dc Apoio Departamento Comercial e respectiva documentação de apoio. 16.8. A relação contida no item 16.7, não é exaustiva, haja vista o número de documentos que deixaram de ser apresentados como constam dos autos. 16.9. Ao descumprir o seu dever legal de fornecer a documentação solicitada e necessária, por deixar de informar e prestar esclarecimentos de interesse da fiscalização, o Contribuinte deu razão à inversão do ônus da prova. (...) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 16.12. Como se constata dos autos, a Impugnante foi instada, mais de uma vez, a esclarecer os motivos que a levaram a incorrer em despesas contraídas pelos empregados sem que houvesse o devido recolhimento das correspondentes contribuições sociais, porém, conforme relatado no Relatório Fiscal deixou de fazêlo, satisfatoriamente, fato esse que ensejou a imposição de multa, através da lavratura dos Autos de Infração: DEBCAD 37.180.0790 CFL 35 <> PA 19515.005661/2009 04 porque a empresa não apresentou esclarecimentos solicitados ao longo da fiscalização; DEBCAD 37.180.0811 CFL 38 PA 19515.005662/200941, porque a empresa apresentou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 (Diário e Razão) com informação diversa da realidade. DEBCAD 37.180.0676. CFL 21 <> PA 19515.005658/2009 82 porque a empresa não apresentou informações em meio digital correspondentes à folha de pagamentos na forma estabelecida pela RFB. DEBCAD 37.180.0803 CFL 23 <» PA 19515.005659/2009 27 porque a empresa não apresentou informações em meio digital correspondentes aos registros contábeis. Posto isso, também, não há que se falar em ausência de vinculação c de suporte fático como articulado na impugnação, foi correto o procedimento da fiscalização cm lançar de ofício o crédito tributário exigido no presente auto de infração. Com efeito, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tudo nos termos do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e do art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 259 9 (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, legítimo o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Especificamente quanto às diferenças entre GFIP originária e retificadora, acrescento que a Fiscalização analisou DIRF e RAIS e conclui que valores antes da retificação estavam compatíveis. Assim, diante da não apresentação de diversos documentos e não prestação de esclarecimentos e dos indícios de que a declaração originária era mais fidedigna, lançou diferença entre declaração originária e retificadora. Note que foram considerados, arbitrados indiretamente, os valores informados pela empresa nas GFIP transmitidas nas épocas próprias e, posteriormente retificadas após o início da ação fiscal, pois a autoridade fiscal também desclassificou as informações constantes nos livros contábeis e nas folhas de pagamentos, tanto que lavrou o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória: DEBCAD n° 37.180.0811 CFL 38 – PA 19515.005662/200941. No que tange, ao lançamento contábil de comissões, estas foram consideradas remunerações de empregados, em razão da recorrente ter se quedado inerte quanto à solicitação de documentos de suporte e de esclarecimentos. Portanto, plenamente adequado o procedimento de apuração dos valores e, conseqüentemente, não assiste razão à recorrente. Relevação da Multa. A recorrente requer sejam as multas relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) O dispositivo referese exclusivamente às multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, sendo de se considerar que não houve o preenchimento de seus requisitos por parte da recorrente. Ademais, em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Taxa Selic. Aduz a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Multa. Retroatividade Benigna. Impõese a esta instância julgadora analisar questão referente à retroatividade benigna da multa aplicada. Consta dos autos que foi procedida a comparação das multas, sendo que a legislação anterior é mais benéfica ao contribuinte em todas as competências. Ocorre que a autoridade fiscal, a fim de apurar a multa mais benéfica, fez um somatório da multa moratória de vinte e quatro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais as multas pelo descumprimento da obrigação acessória (CFL´s 68 e 69) e comparouas com a multa de ofício de 75% da novel legislação mais a multa de obrigação Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 260 11 acessória hoje prevista no artigo 32A, I, da Lei n° 8.212/91. Ou seja, misturou a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 261 13 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa no Auto de Infração de omissão de fatos geradores em GFIP, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescentese que a lei, ao tipificar essas infrações em dispositivos distintos, denota estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, (i) para excluir do cálculo da multa os valores relativos ao valetransporte pago em dinheiro (Súmula n.º 60 da AGU); e (ii) para que a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo seja recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005663/200995 Acórdão n.º 2302003.529 S2C3T2 Fl. 262 15 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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