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Numero do processo: 16682.720469/2013-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
CIDE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IRRF. ILEGALIDADE.
A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior conforme estabelecido em contrato, sendo incabível a adição do IRRF a sua base de cálculo.
Numero da decisão: 9303-007.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e redator designado.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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(sucessora por incorporação da EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S.A EMBRATEL) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CIDE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IRRF. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior conforme estabelecido em contrato, sendo incabível a adição do IRRF a sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e redator designado. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 69 /2 01 3- 08 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 677 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte CLARO S.A. (sucessora por incorporação da EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S.A. EMBRATEL) (efls. 458 a 474) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3201003.389 (efls. 438 a 446) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 01 de fevereiro de 2018, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Negado Na data de 22/12/2011, a Contribuinte foi cientificada da lavratura de Auto de Infração (efls. 99 a 107) para exigência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) Remessas ao Exterior referente aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2009 a dezembro de 2011. O lançamento decorre do entendimento da Fiscalização pela necessidade de inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) assumido pela fonte pagadora (Embratel) à base de cálculo da CIDE. A impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo (efls. 113 a 128), foi julgada improcedente, mantendose o lançamento fiscal na íntegra, conforme Acórdão nº 12 058.377 (efls. 214 a 227), proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ). Não resignado com a decisão, apresentou recurso voluntário (efls. 238 a 257), ao qual foi negado provimento, nos termos do Acórdão nº 3201003.389 (efls. 438 a 446), ora recorrido. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 678 3 Na sequência, insurgese a Contribuinte por meio de recurso especial (efls. 458 a 474) suscitando divergência jurisprudencial com relação à inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDEremessas, na hipótese de o contribuinte ter arcado com o ônus do seu pagamento. Aduz a impossibilidade do alargamento da base de cálculo da CIDE devido à literalidade da previsão legal (Lei n.º 10.168/2000). Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 3403002.702 e 3402004.391. Em suas razões recursais, aduz o Sujeito Passivo, em síntese que: (a) não há possibilidade de incidência da CIDE sobre o valor reajustado do pagamento (com o IRRF na base de cálculo), pois tal extensão não corresponde ao estabelecido na Lei n.º 10.168/2000 como base de cálculo para a contribuição; (b) a obrigação tributária da CIDE é o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa às operadoras estrangeiras, a título de remuneração decorrente de serviços técnicos pela ora Recorrente, e por essa razão a sua base de cálculo não pode ser outra senão o valor da remuneração pelos serviços e assistência administrativa prestados pelas operadoras estrangeiras, conforme contratos de serviços pactuados; (c) discorre sobre os elementos constitutivos da regramatriz de incidência da CIDE, estabelecida nos artigos 1º e 2º da Lei n.º 10.168/2000, concluindo que, independentemente de uma ou outra atividade constante do critério material (fato gerador), bem como do ônus do “IRRF” veiculado por norma diversa (art. 725 do Decreto n.º 3.000/1999), a base de cálculo da CIDE instituída pela Lei n.º 10.168/2000 consiste tão somente na remuneração decorrente das atividades mencionadas no fato gerador; (d) o art. 725 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/1999), que impõe o reajustamento da base de cálculo do IRRF para os casos em que a fonte pagadora assume o ônus do imposto, está adstrito ao IRRF, não tendo o condão de alargar a base de cálculo da CIDE; (e) demonstra a existência da divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e aqueles indicados como paradigmas, os quais decidiram que a base de cálculo é o valor da remuneração do fornecedor, domiciliado no exterior estipulada em contrato, entendendo, assim, que a adição do IRRF à base de cálculo da CIDE não possui amparo legal; (f) ao final, postula a aplicação da mesma linha de raciocínio dos paradigmas, no sentido de que independente do ônus financeiro do IRRF recair sobre a fonte pagadora brasileira, a CIDE do art. 2º da Lei n.º 10.168/2000 deve incidir necessariamente sobre o valor da remuneração pactuada em contrato, inapropriada, portanto, a inclusão em sua base de cálculo o IRRF, e requer seja provido o recurso. O recurso especial foi admitido conforme Despacho s/nº, de 19 de abril de 2018 (efls. 645 a 647), proferido pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 679 4 Julgamento, quanto à possibilidade de inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, na hipótese de o ônus ser suportado pelo Contribuinte. Consoante destacado no despacho de admissibilidade, o acórdão paradigma n.º 3403002.702 foi parcialmente reformado pelo Acórdão n.º 9303004.314, mas não em relação à matéria objeto do apelo especial, pois a divergência não foi reconhecida pela CSRF, permanecendo válida a decisão recorrida no ponto. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 649 a 659) postulando a negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. 1. Admissibilidade O recurso especial da Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Mérito Não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE No mérito, delimitase a controvérsia suscitada pela Contribuinte à inclusão na base de cálculo da CIDEremessas do IRRF, na hipótese de o Sujeito Passivo ter arcado com o ônus do seu pagamento. O art. 149 da Constituição Federal estabelece três espécies de tributos denominadas como contribuições: contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. O mesmo dispositivo outorgaas à União, para utilização como instrumento de atuação em cada uma das áreas correspondentes. As contribuições de intervenção no domínio econômico, objeto de análise dos presentes autos, destinamse apenas a instrumentalizar a ação da União no domínio econômico, alcançandolhe recursos para fazer frente aos custos e encargos pertinentes. Nesse campo, a atuação do Poder Público foi moldada pelo art. 174 da Constituição Federal, o qual dispõe que o planejamento do Estado, em relação ao setor privado, é meramente indicativo. Nesse contexto, a Lei nº. 10.168, de 29 de dezembro de 2000, instituiu a contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, tendo este como objetivo principal "estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediantes programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo". Dispõe o art. 2º da referida lei: Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 680 5 Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. § 6º Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (grifouse) Para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, foi editado o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2001, que em seu art. 10 especifica as hipóteses de incidência da CIDE instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/2000. Com relação à inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, entendeu o acórdão recorrido ser cabível a inclusão do IRRF na base de cálculo, amparandose no Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 681 6 argumento da inexistência de dispositivos legais que determinem a exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE, bem como no Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2004, expedido pela Secretaria da Receita Federal e na Solução de Divergência nº 17/2011 da COSIT/RFB. A Lei nº 10.168/2000, em seu art. 2º, §3º, com redação da Lei nº 10.332/2001, estabeleceu como base de cálculo da CIDE os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a cada mês, como remuneração das obrigações contratadas. Da análise do dispositivo, verificase ter a lei previsto a incidência da CIDE tão somente sobre o valor da remuneração estipulada em contrato pactuado com o fornecedor domiciliado no exterior, não compreendida nessa o montante relativo ao IRRF ou quaisquer outros acréscimos. Importa mencionar que remuneração é o valor estipulado no contrato como a contraprestação devida pelo Contribuinte (contratante) às prestadoras de serviços estrangeiras, obrigação contraída pelas contratadas no âmbito dos contratos internacionais. O IRRF não faz parte da remuneração estabelecida entre as partes, constituindose em parcela de valor já transferida ao Poder Público quando da remessa da contraprestação ao exterior pela Contratante à Contratada, não sendo cabível a sua tributação pela CIDE. Além disso, independentemente de qual das partes, se contratante ou contratado, assuma o ônus pelo IRRF, fazer incidir a CIDE sobre base de cálculo na qual esteja incluído o valor relativo ao imposto referido, e não somente sobre a remuneração conforme estabelecido pelo art. 2º, §3º da Lei nº 10.168/2000, é incorrer em flagrante violação ao princípio da estrita legalidade. A questão é tratada, ainda, de forma bastante elucidativa em declaração de voto apresentada pela Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no Acórdão n.º 9303 004.142, cujos termos são abaixo transcritos e passam a integrar o presente voto, in verbis: [...] Importante trazer, a priori, que a CIDE é uma contribuição que tem como sujeito passivo o tomador do serviço, e não o prestador de serviço residente no exterior, conforme os seguintes dispositivos da Lei 10.168/00 (Grifos meus): “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 682 7 § 1o A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]” Ou seja, é diferente do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, pois, nesse caso (CIDE), o contribuinte é o próprio prestador do serviço não residente. Ora, o próprio beneficiário da importância a ser recebida é o sujeito passivo. Tanto é assim que, em geral, após a recepção da “Invoice” pelo tomador do serviço, o tomador quando da liquidação do câmbio para pagamento ao não residente pela prestação de serviço, deve apresentar DARF à Instituição Financeira autorizada a fechar o câmbio comprovando que reteve e recolheu 15% de IRRF sobre tal remessa direcionado ao prestador. Não obstante às situações corriqueiras, vêse que, eventualmente, por questões comerciais e, por conseguinte, contratuais, pode ser firmado “Agreement" entre o tomador do serviço e prestador de serviço não residente, prevendo a assunção do ônus do IRF devido pelo prestador ao tomador. Mas, em ambos os casos, o sujeito passivo continua claramente sendo o não residente. Tanto é assim, que na DIRF do tomador do serviço, deve constar o CNPJ e a NIF – Número de Identificação Fiscal do prestador de serviço não residente. Eis a IN SRF 1587/2015, que dispõe sobre a DIRF: “Art. 22. Na hipótese prevista no § 2º do art. 2º, a Dirf 2016 deverá conter as seguintes informações sobre os beneficiários residentes e domiciliados no exterior: I Número de Identificação Fiscal (NIF) fornecido pelo órgão de administração tributária no exterior; II indicador de pessoa física ou jurídica; III número de inscrição no CPF ou no CNPJ, quando houver; IV nome da pessoa física ou nome empresarial da pessoa jurídica beneficiária do rendimento; Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 683 8 V endereço completo (rua, avenida, número, complemento, bairro, cidade, região administrativa, estado, província etc); VI país de residência fiscal; VII natureza da relação entre a fonte pagadora no País e o beneficiário no exterior, conforme Tabela constante do Anexo II desta Instrução Normativa; VIII relativamente aos rendimentos: a) código de receita; b) data de pagamento, remessa, crédito, emprego ou entrega; [...] Parágrafo único. O NIF será dispensado nos casos em que o país do beneficiário residente ou domiciliado no exterior não o exija ou nos casos em que, de acordo com as regras do órgão de administração tributária no exterior, o beneficiário do rendimento, remessa, pagamento, crédito, ou outras receitas, estiver dispensado desse número.” Continuando, temse que, quando, por questões comerciais, o tomador, responsável tributário por reter e recolher o IRF, assume o ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, deve observar para o cálculo do IRF, a base de cálculo descrita no art. 725 do RIR/99, in verbis (Grifos Meus): “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Sendo assim, caso haja previsão contratual de assunção do ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, o tomador deve “grossapar” o IRF – com o intuito de o beneficiário efetivamente receber o valor contratado sem os efeitos fiscais impostos pela autoridade fazendária do país do tomador. Não é demais ressaltar que o art. 725 do RIR/99 é plenamente aplicável para a hipótese de o tomador do serviço assumir o ônus do IRRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, pois, por óbvio, abarcou essa hipótese ao expressar literalmente o termo “ônus do imposto DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO”. No que tange à CIDE, nos termos da Lei 10.168/00, vêse que o contribuinte/sujeito passivo não é o prestador de serviço não residente, mas sim o tomador do serviço. O que faz todo o sentido ser assim, vez que essa contribuição foi instituída com a pretensão de se estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo brasileiro. E para que haja tal estímulo deverseia imputar um “ônus financeiro” às pessoas jurídicas residentes no país que deixassem de contratar um residente para tomar serviço Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 684 9 de um não residente, vez que, agindo dessa forma, desestimularia o setor produtivo no país desviando o “investimento” (recurso) ao exterior. Sendo assim, resta claro que o sujeito passivo da contribuição é o tomador de serviço – ou seja, que A CONTRIBUIÇÃO É DEVIDA PELO TOMADOR, e não pelo beneficiário do recurso (remuneração pela prestação do serviço), tal como ocorre com o IRRF. O que, a rigor, é de se afastar a aplicação do art. 725 do RIR/99 no cálculo de apuração da CIDE. Notase que faz todo o sentido aplicar o art. 725 do RIR/99 para a base de cálculo do IRRF, tendo em vista que se trata de tributo sujeito a retenção na fonte devido pelo beneficiário do recurso objeto da incidência desse imposto. E que, portanto, seria passível, por questões comerciais, de ter o ônus financeiro do imposto assumido pelo despendedor do referido recurso a ser remetido. O que, aplicar tal dispositivo à CIDE, extrapolaria matematicamente, economicamente, contabilmente e juridicamente a base de cálculo dessa contribuição, vez ser uma contribuição devida efetivamente pelo tomador do serviço prestado. E não se trata de contribuição a ser retida na fonte. A Cide não oneraria o prestador – o que, por óbvio, não há que se falar em assunção desse ônus, pois não é devido pelo beneficiário da remuneração, mas sim por seu despendedor. Para melhor elucidar, importante trazer ainda à baila o art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/00, in verbis (Grifos meus): Art. 2º [...] §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse claro que a base de cálculo da CIDE é a remuneração dos serviços prestados – remuneração essa prevista no contrato. Ora, quando é firmado um “Agreement" entre o tomador e prestador, há uma clausula específica de remuneração – que traz um valor mensurável de remuneração e outra cláusula, no caso de se optar pelo “grossup”, de “disposições gerais” que traz expressamente a assunção pelo tomador do serviço do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO da remuneração. Sendo assim, ainda que haja previsão contratual determinado o “grossup” do IRF devido pelo beneficiário, a remuneração não Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 685 10 se altera com tal disposição e, por conseguinte, a BASE DE CÁLCULO da contribuição. Não se altera a remuneração, em respeito à literalidade da Lei e aos termos contratuais (declaração de vontade das partes). A base de cálculo da CIDE não deve ser “reajustado”, pois sua base de cálculo é simplesmente a remuneração do prestador. Ora, reajustar a base de cálculo da CIDE, seria extrapolar as normas que regem sua instituição. E nem há previsão legal para tanto. E caso, por equívoco, se pretenda aplicar o art. 725 do RIR/99 por analogia, importante trazer os dizeres do art. 97 do CTN, in verbis (Grifos meus): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Considerando o enunciado, temse que aplicar por analogia o art. 725 do RIR/99 feriria gravemente o art. 97 do CTN, vez que aumentaria o valor da contribuição, bem como extrapolaria a base de cálculo definida pela própria Lei 10.168/00 – que DEFINIU A BASE DE CÁLCULO COMO SENDO A REMUNERAÇÃO PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. E, ainda, caso se entenda que a legislação pertinente ao IR poderia ser aplicada subsidiariamente à CIDE, invocando o art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01, in verbis: “Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 686 11 Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” Não há que se aplicar ainda assim o art. 725 do RIR/99, pois o parágrafo único do art. 3º traz sua aplicação da legislação do IR apenas quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Em respeito à ciência do direito, a aplicação subsidiaria “no que couber” só pode dar em matéria na qual a Lei 10.168/00 for omissa, o que não ocorre quanto à base de cálculo da CIDE, fixada no § 3º do art. 2º dessa lei. A omissão existe quando houver apenas lacunas normativas – o que não ocorreu na legislação da CIDE, pois o legislador quando da feitura da Lei 10.168/00 trouxe claramente que a base de cálculo da CIDE é a remuneração pela prestação do serviço. Em vista de todo o exposto, entendo que não há que se falar em “grossapar” o IRRF na base de cálculo da CIDE. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. [...] 3. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo para determinar a exclusão do IRF da base de cálculo da CIDE. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado. Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial da Contribuinte. No mérito, no que tange ao recurso da Contribuinte, a discussão cingese à inclusão ("gross up") ou não do IRRF na base de cálculo da CIDERemessas ao Exterior. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 687 12 Este assunto, no âmbito da RFB, encontrase pacificado, via Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29/06/2011: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Dispositivos Legais: arts. 97 e 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 682, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, e pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007. A Jurisprudência majoritária desta 3ª Turma é no mesmo sentido, conforme Acórdão recente, de minha lavra (nº 9303005.982, de 29/11/2017), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 688 13 Outro Acórdão, de 09/06/2016 (nº 9303004.142), em um Processo da NESTLÉ BRASIL, de relatoria do ilustre Conselheiro Demes Brito, também espelha este entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. A mesma empresa (gigante mundial do ramo alimentício) discutiu a mesma questão no Judiciário, tendo sido o TRF da 3ª Região claríssimo sobre a inclusão do IRRF da base de Cálculo da CIDE, em decisão publicada em 20/04/2016 (contra a qual foram opostos Embargos de Declaração pela autora, os quais foram pouco depois rejeitados, e interpostos Recursos Especial e Extraordinário, cuja admissibilidade ainda se encontra sujeita a apreciação pelo TRF): APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IRRF DA BASE DE CÁLCULO DA CIDEROYALTIES PREVISTA NA LEI 10.168/00. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SIMULTÂNEA, ENVOLVENDO SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS. CONCEITO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SEGURANÇA DENEGADA. (grifei) 1. Nos termos da Lei 10.168/00, a CIDE tem por objetivo o custeio do Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, tendo por fato gerador a transferência onerosa de tecnologia detida por residente ou domiciliado no exterior para pessoa jurídica. Sua base de cálculo será a contraprestação ofertada, a título de remuneração pela transferência. 2. O imposto de renda retido na operação, por força do art. 710 do RIR/99, tem por fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica da renda auferida pelo residente no exterior, tendo por base de cálculo também a contraprestação alcançada pela transferência. 3. Na espécie, não obstante terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento pela transferência da tecnologia. Caberá ao adquirente da tecnologia, na qualidade de Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 689 14 contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda, tomando por base de cálculo de ambos o pagamento efetuado. 4. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o que seria devido pelo titular da tecnologia no exterior pela obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. 5. Entendimento obediente do previsto no art. 43 do CTN, pois nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo questionado referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. Ademais, o legislador não instituiu a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. 6. Recurso de apelação e reexame necessário providos, denegandose a segurança com cassação da liminar. (Apelação/Reexame Necessário Nº 0016434 92.2011.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal Johonsom di Salvio, Publicação 20/04/2016) A transcrição de excertos do Voto do eminente Relator dispensa qualquer argumentação adicional: "O raciocínio fica mais claro se mantivermos o recolhimento do imposto de renda no momento do pagamento, mas agora de responsabilidade de seu contribuinte. Nesse caso, receberia os royalties devidos e recolheria a tributação, e tomaríamos como valor da operação aquele determinado no contrato, não descontando o imposto de renda recolhido. Por que, tornando o adquirente o responsável tributário pelo recolhimento, o raciocínio seria diferente ? Não o é, até porque o valor pago é sim aquele acordado pelas partes contratantes, recaindo sobre o mesmo os tributos devidos. Tudo o que o adquirente faz é reter o imposto de renda devido pelo titular da tecnologia justamente em razão do valor recebido. Ao contrário do alegado pelas impetrantes, as normas em comento não trouxeram como base de cálculo o valor efetivamente pago, excluída a retenção, mas sim a disponibilidade de renda decorrente do contrato de transferência de tecnologia. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 690 15 Isso porque, conforme previsto no art. 43 do CTN, nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo legal referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. De forma a tornar a tributação mais próxima da realidade e atender à capacidade contributiva, o legislador elenca uma série de deduções da base de cálculo, possibilitando ao contribuinte reduzir o quantum tributário devido. O legislador não fez qualquer ressalva nesse sentido no caso, não permitindo a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. Assim, ambos devem recair sobre o valor total do contrato, em respeito às normas de incidência em comento.” Matematicamente, teríamos o seguinte: Para se encontrar a base de cálculo da CIDE, há que tomar como referência o valor efetivamente remetido e fazer a recomposição (“cálculo por dentro” ou “gross up”) do valor bruto, antes da retenção do IRRF. Exemplifico: Valor do Contrato de Câmbio (Valor "Líquido" da Remessa): R$ 17.000,00 IRRF: 15 % Valor Bruto (Base de Cálculo da CIDE): R$ 17.000,00 / (10,15) = R$ 17.000,00 / 0,85 = R$ 20.000,00 Valor da CIDE: R$ 20.000,00 x 10 % = R$ 2.000,00. Agora, quanto à análise de mérito do Recurso Especial do contribuinte, abordemos as duas matérias trazidas à apreciação: 1) Necessidade do efetivo pagamento da CIDE para utilização do crédito previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001. Discutese aqui a interpretação a ser dada ao inciso I do § 1º do referido artigo: Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 691 16 I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: (...) O STJ já se pronunciou de forma clara sobre a exigência do efetivo pagamento para que o crédito possa ser utilizado para dedução da contribuição incidente em operações posteriores, no julgamento do REsp nº 1.186.160/SP: TRIBUTÁRIO. CIDE. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE PATENTES E DE USO DE MARCAS. CRÉDITO. ART. 4º DA MP N. 2.15970. SURGIMENTO COM O EFETIVO PAGAMENTO DO TRIBUTO. 1. O cerne da controvérsia consiste em definir se o crédito estabelecido na MP n. 215970, incidente sobre a Cide instituída pela Lei n. 10.168/2000, tem origem a partir do surgimento do dever de pagar essa contribuição ou apenas quando há o seu efetivo pagamento. 2. A Cide da Lei n. 10.168/00 tem nítido intuito de fomentar o desenvolvimento tecnológico nacional por meio da intervenção em determinado setor da economia, a partir da tributação da remessa de divisas ao exterior, interno de produção e consumo dos referidos serviços, bens e tecnologia. 3. Não obstante, o legislador entendeu por bem reduzir temporariamente o montante da carga tributária devida, por meio da instituição de um crédito incidente sobre a referida Cide (art. 4º da MP n. 2.15970). 4. A referida sistemática ameniza os efeitos da tributação, reduzindo o ônus da carga tributária temporariamente, por meio da técnica do creditamento. Não se almejou com isso criar incentivo, pela criação de créditos desvinculados do efetivo pagamento do tributo, mas apenas amenizar o ônus por período determinado. 5. Daí concluise que o crédito surge apenas com o efetivo recolhimento da exação paga no mês, aproveitandose nos períodos subsequentes. 6. Recurso especial não provido. (REsp 1.186.160/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 30/09/2010) 2) Incidência de juros sobre a multa de ofício. Não cabe mais discutir esta matéria, pois existe Súmula do CARF a respeito: Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 9303007.875 CSRFT3 Fl. 692 17 Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.902493/2011-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
INEXATIDÃO MATERIAL.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 24 93 /2 01 1- 20 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 136 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 22584.93234.050307.1.2.040179, em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do primeiro trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$40.149,00 recolhido em 08.03.2005 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 57, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Valor do crédito pleiteado do PER/DCOMP: 40.149,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. [...] Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento Legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.461, de 20.12.2013, efls. 7579: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição autorizada por lei. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. Mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. IRPJ. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. PARCELAMENTO EM ANDAMENTO. É vedada a restituição de recolhimentos relativos a crédito tributário incluído em processo de parcelamento em andamento, por faltarlhes os atributos de certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 16.06.2014, efl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.07.2014, efls. 81129, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 137 3 III DO DIREITO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo, o julgador deve sempre buscar a verdade material dos. fatos, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além. daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A busca pela verdade deve funcionar como verdadeiro norte do processo administrativo, de modo que a autoridade administrativa competente deve sempre sopesar os dados contidos nos autos e a realidade aplicável ao caso, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir seu convencimento. [...] Como se vê, em decorrência do principio da verdade material, corolário do processo administrativo, temse que o julgador não pode se ater aos dados contidos nos autos, devendo utilizar de todos os meios possíveis e ilícitos para alcançar a verdade dos fatos. No presente caso, em que pese a PER/DCOMP ter vinculado DARF utilizado para pagamento de débito devidamente declarado em DCTF, tal pagamento ocorreu quando já havia iniciado fiscalização na empresa Recorrente, motivo pelo qual o auditor autuante não considerou o pagamento efetivado, sob argumento de falta de espontaneidade. Assim, o i. auditor fiscal autuante [...] lavrou auto de infração para a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o lucro Liquido CSSL, abarcando os valores objeto da DCTF retificadora apresentada em 09/01/2006. Ora, ilustres julgadores! Se os valores objeto da presente PER/DCOMP tivessem sido integralmente vinculados e utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF, como aduzido [...] no julgamento do manifesto de inconformidade, qual a necessidade de se lavrar auto de infração para cobrança destes mesmos valores? É fato certo e notório que os valores utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF não foram considerados pelo fiscal autuante. O próprio Termo de Verificação Fiscal deixa claro tal fato ao enunciar que "Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de oficio. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados" [...]. Todavia, não obstante a realidade existente (auto de infração para cobrança dos valores declarados em DCTF retificadora, por não considerar os pagamentos efetuados), a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se valeu do princípio da verdade material, se atendo ao simples fato de que o crédito reclamado na PER estava vinculado a débito confessado em DCTF, sem considerar o auto de infração lavrado para cobrança destes valores. Ocorre que o princípio da verdade material é corolário do processo administrativo, devendo ser amplamente observado, sob pena de afronta às disposições legais. Desta maneira, considerando que os pagamentos vinculados aos débitos confessados em DCTF foram objeto de autuação, e devendo a Administração Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 138 4 Pública valerse do princípio da verdade material, temse que o pedido de compensação merece ser homologado, devendo ser reformada a decisão que indeferiu tal pedido. DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO A ilustre julgadora, em citação totalmente fora de contexto, uma vez que em nenhum momento argumentou a respeito da existência de prescrição do direito de pleitear a restituição; citou o artigo 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional, que trata sobre o prazo prescricional. [...] Da data do pagamento indevido até a data de transmissão do pedido de restituição/compensação, decorreu o lapso temporal inferior a 02 (dois) anos. Considerando que nos termos do artigo 168, do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, em caso de pagamento indevido ou a maior, evidente que o crédito objeto do presente pedido de compensação não se encontra abarcado pela prescrição, uma vez que da data da extinção do crédito tributário [...] até a data do pedido de restituição [...], decorreu lapso temporal bem inferior ao prazo limítrofe de 05 (cinco) anos. Assim, temse que não há o que falar em prescrição do direito de se pleitear a restituição do crédito tributário pago indevidamente. DA CONSISTÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO ORA PLEITEADO COM O DÉBITO INDICADO NA PER/DCOMP O acórdão [...] aduziu que para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido è que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário e sim de suspensão. Ainda, afirmou que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando, daí, que, por não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, disse que a orientação passada pelo fiscal autuante foi de que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados, razão pelo qual os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de oficio. Logo, a autoridade a quo não pode reconhecer crédito algum, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição. Tais argumentos são desprovidos de razão, motivo pelo qual não merecem prosperar. Primeiramente cumpre sa salientar que os argumentos lançados pela i. Julgadora/Relatora são contraditórios. Num primeiro momento aduz que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF, motivo pelo qual restou inexistente o crédito reclamado na PER. Num segundo momento, aduz de forma contrária, reconhecendo que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento. Todavia, aduz que por Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 139 5 não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se reconhece a certeza e a liquidez necessárias à pretendida restituição, uma vez que o parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e não de extinção. Ora! Razão não assiste a Julgadora Tributária. Em que pese o parcelamento ser causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e ainda estar em vigência, tal fato não pode ser motivo para o indeferimento do presente pedido. E assim o é porque, em que pese serem relativos ao mesmo tributo, os créditos objeto do pedido de compensação não foram considerados pelo auditor fiscal autuante, tendo sido lavrado auto de infração que está sendo pago através de parcelamento. Ou seja, tratase de hipóteses distintas, uma vez que o próprio fiscal autuante não considerou os pagamentos efetuados através do DARF, motivo pelo qual não poderiam ser utilizados para pagamento do débito objeto de autuação, e, muito menos, sua compensação com outros débitos ser condicionada ao término do parcelamento. Se o fiscal autuante, no momento da lavratura do auto de infração, não considerou os pagamentos realizados através dos DARF's, autuando a Recorrente pelo não pagamento do tributo, tais pagamentos não poderiam ser utilizados para pagamento do auto de infração. Se os pagamentos realizados através de DARF pudessem ser utilizados para pagamento do débito objeto de fiscalização, o i. auditor fiscal autuante deveria considerar os pagamentos realizados, lavrando auto de infração somente em relação à multa e aos juros, pela não consideração da espontaneidade do pagamento. Ou então, o próprio fisco, no momento da consolidação do débito do Parcelamento Excepcional PAEX, deveria abater o valor dos pagamentos efetuados por meio de DARF's. E se assim não o fez, não pode o Julgador Tributário, ao analisar os pedidos de compensação, condicionar o deferimento da PER/DCOMP ao término do parcelamento, uma vez que ps créditos objeto da PER não foram dados como garantia do parcelamento, até mesmo porque a lei não exige tal garantia, sendo que, em caso de não pagamento das parcelas, o Fisco deve se valer de outros meios legais de cobrança. Ora, ilustres julgadores! Qual outra conduta possível que a Recorrente deveria se valer a não ser o pedido de compensação? O pagamento indevido ocorreu, uma vez que os pagamentos efetivados não foram considerados pelo fiscal autuante e sequer abatidos no momento do parcelamento. Logo, não haveria outra conduta a ser realizada pela Recorrente a não ser valerse do pedido de compensação. E condicionar o deferimento deste pedido ao término do parcelamento, fadaria o crédito à ocorrência de prescrição. Ademais, em pesquisa ao site da Receita Federal do Brasil, no campo perguntas e respostas, constatouse que não podem ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; e o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 140 6 Ou seja, como o débito objeto do auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente foi parcelado, tendo o débito sido consolidado, não pode ser objeto de compensação. Além disso, o argumento da Julgadora Tributária no sentido de que os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação. Com os valores lançados de oficio, em razão da orientação repassada ao contribuinte pelo autuante, não merece prosperar. E assim o é porque no Termo de Verificação Fiscal o fiscal autuante tão somente consignou que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados. Tal fato não pode induzir o Julgador Tributário à conclusão que chegou de que os pagamentos deveriam ter sido objeto de compensação com os valores lançados de oficio, sendo incluídos no processo de parcelamento. O fato de o fiscal autuante ter facultado a possibilidade de compensação com os débitos lançados, não obrigada o contribuinte a agir de tal maneira, conforme afirma o julgador tributário. A compensação com os valores lançados seria uma faculdade do contribuinte, que pode se valer ou não desta prerrogativa, de acordo com o seu interesse. E por ter a Recorrente aderido ao Parcelamento Excepcional PAEX, para quitação dos débitos, achou por bem compensar os créditos oriundos do pagamento indevido realizado por meio de DARF's com outros débitos que não os lançados, exercendo sua faculdade de compensar os créditos com os débitos que entendeu adequado. Assim, resta evidente que o condicionamento estabelecido pelo i. Julgador Tributário, de deferimento do pedido de compensação ao término do parcelamento é indevido, merecendo ser reformada a r. decisão recorrida, uma vez que a compensação dos pagamentos efetuados com os valores lançados de oficio era mera faculdade do contribuinte, que por ter aderido ao PAEX, entendeu compensar os créditos devidos com outros débitos que não os lançados de oficio. Por fim, cumpre esclarecer, que condicionar o deferimento do pedido de compensação com o término do parcelamento, fere direito líquido e certo da Recorrente.em ter restituído/compensado débito pago indevidamente, uma vez que esperar o término do parcelamento para poder requerer a compensação certamente fará com o direito de compensação esteja prescrito, em total afronta à legislação pátria vigente. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO TOTALMENTE DIFERENTE DA R. RECORRIDA EM RELAÇÃO AO MESMO CASO DOS AUTOS Como visto anteriormente, foram objeto de fiscalização e posterior autuação os seguintes tributos: CSSL e IRPJ. O caminho trilhado em relação aos dois tributos foi o mesmo, qual seja: o contribuinte efetuou o pagamento através de DARF's, sendo que o pagamento não foi considerado pelo auditor fiscal autuante sob o argumento de falta de espontaneidade, uma vez que os pagamentos ocorreram quando já havia iniciado o procedimento fiscalizatório. Em razão de o fiscal autuante não ter considerado os pagamentos efetivados por meio dos DARF's, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento ou Restituição' e Declaração de Compensação PER/DCOMP, para compensar os pagamentos não acolhidos pelo auditor fiscal autuante com outros débitos, uma vez Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 141 7 que o débito objeto do auto de infração lavrado em seu desfavor fora parcelado através da adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX. Em primeira.análise, os pedidos de compensação foram indeferidos, sendo proferido despacho decisório de não homologação de compensação, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na declaração. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em relação a todos os pedidos de compensação, sendo que parte dos manifestos foram encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB e outra parte à 3ª Turma da DRJ/REC. Os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 3ª Turma da DRJ/REC tiveram o destino delineado anteriormente, cujas argumentos são refutados no presente recurso, em razão do seu indeferimento. Já os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB, teve caminho totalmente diverso, com a procedência do pedido sob o argumento de que: como afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal, ao apurar a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, deixou de deduzir o valor pago e declarado pela interessada em DCTF retificadora. Em razão disto, resta claro que a empresa recolheu indevidamente e tem direito de repetição do indébito, pois a autuação já contemplou no lançamento de oficio aquele valor. a compensação pode ser homologada até o limite daquele crédito, tendo em vista que comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional para absorver o débito tributário. por fim, aduz que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, que é o caso dos autos, motivo pelo qual julgou procedente a manifestação de inconformidade formulada, reconhecendo o crédito do sujeito passivo, homologando a compensação até o limite daquele crédito, nos termos da legislação de regência. Como se vê, em relação ao mesmo caso, alguns manifestos de inconformidade teve destino totalmente diverso, sendo julgados procedentes, em total atenção à realidade ocorrida nos autos, por restar liquido e certo o direito da Recorrente à compensação. Portanto, temse que, no presente caso, devese dado o mesmo tratamento dispensado aos pedidos de compensação julgados pela 4ª Turma DRJ/BSB, com o julgamento de procedência do presente Recurso Voluntário, pela existência de direito líquido e certo da Recorrente à compensação e por ser medida da mais lidime justiça. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: IV DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 142 8 a) Que seja recebido e processado o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reconhecendo a existência de crédito e anulando a r. decisão recorrida que não homologou as compensações efetivadas, uma vez que devidamente comprovada a existência do crédito; b) a homologação do pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, pelos próprios e jurídicos fundamentos deste Recurso; c) a juntada dos documentos (PER/DCOMP, DCTF, DARF, auto de infração, Termo de Verificação Fiscal e comprovante de parcelamento) ora anexados; d) o cadastramento do Advogado MÁRCIO EMRICH GUIMARÃES LEÃO. OAB/GO 19.964, para o recebimento das intimações provenientes destes autos, no endereço constante do rodapé desta; e) Pugna, ainda, pela juntada posterior de documentos que reputar pertinentes. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Os argumentos atinentes ao Auto de Infração formalizado no processo nº 13116.000427/200656, efls. 3853 e 133134, devem ser ali tratados (art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente não instaurou no tempo, no lugar e na forma própria a fase litigiosa no procedimento (art. 14 do 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 143 9 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que se encontra no ARQUIVO DEL REC FED EM ANAPOLISGO desde 29.07.2010. Ocorre que o contencioso do lançamento de ofício não pode ser inaugurado nos presentes autos, que trata do Per/DComp, cujo rito está previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que se refere as alegações pertinentes ao parcelamento formalizado nos processos nºs 18208.001246/200712, 18208.001247/200767 e 18208.001248/200710, efls. 5455, vale ressaltar que cabe a autoridade preparadora da unidade de origem de circunscrição da Recorrente analisar a matéria, nos termos do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. Ademais, o referido processo encontrase no SETOR PROC ELETRÔNICO REFIS DRF ANA GO desde 01.06.2007, efl. 132. Para fins de esclarecimento vale discriminar os débitos de IRPJ objeto de parcelamento, efls. 5455, e aqueles que foram lançados, conforme o Auto de Infração, efls. 3853: Período de Apuração Débitos de IRPJ Parcelamento Valores Originais R$ Débitos de IRPJ Auto de Infração Valores Originais R$ 1º Trimestre de 2001 18.072,18 44.628,47 2º Trimestre de 2001 28.040,19 28.040,19 3º Trimestre de 2001 66.039,94 66.039,94 4º Trimestre de 2001 1º Trimestre de 2002 2º Trimestre de 2002 580,97 580,97 3º Trimestre de 2002 771,22 771,22 4º Trimestre de 2002 1º Trimestre de 2003 3.302,68 2º Trimestre de 2003 3.082,22 3º Trimestre de 2003 2.139,94 4º Trimestre de 2003 11.034,07 60.936,80 1º Trimestre de 2004 4.667,85 107.022,23 31.119,06 107.022,23 2º Trimestre de 2004 95.700,78 3.456,45 23.043,00 95.700,78 3º Trimestre de 2004 1.016,43 1.016,43 4º Trimestre de 2004 O Auto de Infração foi lavrado em 2006 e somente em 2007 a Recorrente efetuou a adesão ao parcelamento e como visto nem todos os débitos de IRPJ lançados no Auto de Infração foram parcelados. Relativamente ao pedido de cadastramento do patrono para o recebimento das intimações provenientes destes autos, temse que consta no enunciado da Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Por conseguinte, o pleito da Recorrente não pode ser deferido, uma vez que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 144 10 No caso de prescrição da repetição de indébito em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir a partir da data do pagamento indevido (art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). Verifica se que não houve o transcurso do prazo prescricional, haja vista que a Recorrente formalizou o Per/DComp em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ, código 0220, do primeiro trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$40.149,00 recolhido em 08.03.2005. No que tange ao resultado do julgamento em outro procedimento, vale ressaltar que a cada processo autônomo, como é o caso dos presentes autos, prevalece o princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 145 11 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 146 12 A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.461, de 20.12.2013, efls. 7579, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado no PER, razão pela qual foi indeferido o pedido de restituição. Alega a inconformada que efetuou pagamento indevido do IRPJ, que restou evidenciado seu crédito, por ocasião da autuação efetuada e relativa ao ano calendário 2004, quando realizou, durante o procedimento fiscal, os recolhimentos listados no quadro à fl. 03, que não foram considerados pelo autuante em razão do procedimento de fiscalização em andamento e, consequente ausência de espontaneidade. Afirma ainda, que os valores lançados de ofício através do Auto de Infração lavrado foram incluídos em processo de parcelamento em 14/09/2006, valores divididos em 120 parcelas, o que comprova com o extrato PAEX fls. 54/55. [...] Como se observa, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Por outro lado, sabese que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, e sim de suspensão, nos termos dos arts. 151 e 156 do CTN, adiante transcritos: [...] No caso concreto, conforme se relatou, o contribuinte pleiteia restituição de recolhimentos do IRPJ relativos ao mesmo tributo e mesmo período de apuração incluído em processo de parcelamento que se encontra em andamento na DRF de sua jurisdição, ou seja, o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando daí que, por não estar o crédito Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13116.902493/201120 Acórdão n.º 1003000.493 S1C0T3 Fl. 147 13 tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, transcrevese a seguir orientação repassada ao contribuinte pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal cuja, cópia foi trazida pela inconformada, fl. 53: “Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de ofício. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados” Portanto, os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de ofício, na realidade, deveriam ter sido incluídos no processo de parcelamento, a pedido do interessado, para apuração do montante a parcelar, se não o foram, só após extinção do montante parcelado, é que poderão ser restituídos ou compensados com outros débitos a critério do contribuinte. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição, nos termos do art. 170 do CTN). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.905175/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.737
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 75 /2 01 2- 78 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09052.650, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.650. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Acórdão n.º 3201004.737 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.169) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721093/2017-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE.
Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizá-lo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal.
Numero da decisão: 2001-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE. Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizá-lo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal.
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS FORNECIDOS PELAS FONTES COM RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVAÇÃO SUFICIENTE. Os rendimentos pagos a título de aluguéis com os devidos descontos efetuados pela fonte pagadora e informados na declaração de rendimentos fornecida ao contribuinte fazem prova da retenção do imposto e habilita o recebedor a utilizálo como antecipação. A documentação probatória apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa nesta etapa recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 10 93 /2 01 7- 70 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável para a contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos com desconto do IRRF. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte R$ 9.299,32, sendo R$ 581,85 a título de imposto suplementar com multa de 75% e R$ 8.717,47 com multa de 20%, todos acrescidos de juros de mora, referente ao anocalendário de 2014. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Contribuinte não comprovou corretamente a retenção do imposto de renda retido na fonte sobre aluguéis recebidos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação do IRRF em divergência com os dados contidos no sistema eletrônico da Receita Federal, como segue: Em nome da contribuinte acima identificada foi lavrada em 13/02/2017 a Notificação de Lançamento de fls. 122/127, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF, exercício 2015, ano calendário 2014, sendo apurados os seguintes valores: (...) O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2015, apresentada à RFB pela contribuinte, cujo resultado havia sido de imposto a pagar no valor de R$ 12.632,55 – fls. 110/119. Motivou o lançamento de ofício a constatação pela Fiscalização de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 2.115,83, e de compensação indevida de imposto de renda na fonte IRRF no valor total de R$ 8.717,47, relativa às fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda, no valor de R$ 644,53, por falta de comprovação, e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, no valor de R$ 8.072,94, correspondente à diferença entre o declarado de R$ 14.446,74 e o constante em Dirf de R$ 6.373,80. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 125), constatouse a compensação indevida do IRRF, no valor total de R$ 8.717,47, referente às fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda. Em que pese a apresentação das Declarações de Operações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob e dos Extratos de Repasses ao Proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda (fls. 04 e 14/39), relativos a contratos de locações de imóveis onde a contribuinte figura como locadora, não ficou cabal e inequivocamente comprovada a retenção do imposto de renda na fonte correspondente aos rendimentos de aluguéis recebidos das fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.721093/201770 Acórdão n.º 2001001.110 S2C0T1 Fl. 158 3 (...) Da legislação acima extraise que a condição para a dedutibilidade do imposto de renda retido na fonte é a posse pelo contribuinte de comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora, para apresentação à Fiscalização quando intimado a fazêlo. Fazse mister frisar que a DIRF e o comprovante de rendimentos são os instrumentos legais para se justificar o IRRF. Na ausência de tais documentos, o contribuinte pode apresentar o DARF em seu nome para que possa provar que não só houve a retenção na fonte, mas também o efetivo recolhimento do imposto. No caso em tela, os documentos elaborados pela administradora de imóveis não suprem a necessidade de apresentação do comprovante de rendimentos, sendo insuficientes para comprovar a retenção do imposto, uma vez que não foram emitidos pelas fontes pagadoras dos aluguéis. Assim, inexiste reparo ao trabalho efetuado pelo fisco, uma vez que não foi provada a retenção na fonte em favor do contribuinte. Sendo assim, não há reparo a ser feito no lançamento no que concerne ao IRRF, cabendo manter a glosa de compensação indevida no valor de R$ 8.717,47. A parcela de imposto suplementar não impugnada, no valor de R$ 581,85, correspondente à omissão de rendimentos apurada, foi quitada pelo impugnante, conforme extrato de fls. 133/135, permanecendo em cobrança no presente processo o imposto de R$ 8.717,47, sujeito à multa de mora e juros de mora. Do exposto, encaminho o voto no sentido de considerar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, resultando, por consequência, na manutenção integral do crédito tributário remanescente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 9.299,32, sendo: R$ 581,85, sujeito à multa de ofício de 75%, parte não impugnada, e R$ 8.717,47, sujeito à multa de mora de 20%, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A requerente entregou o IRPF Exercício 2015 AnoCalendário 2014 informando o Imposto Retido na Fonte de acordo com os Comprovantes de Rendimentos fornecidos pela Administradora de Imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda. Os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte foram descontados dos aluguéis pagãos pelas empresas locatárias AG Ferreira & Cia Ltda, CNPJ nº 44.754.877/000143 e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, CNPJ nº 11.814361/000198, nos valores retidos de R$ 644,53 e R$ 14.446,74 respectivamente, conforme cópia da DIMOB em anexo. Fl. 159DF CARF MF 4 Acontece que as fontes pagadoras (locatárias) não informaram na DIRF os valores retidos corretamente. Cópia do sistema DIRF fonte pagadora extraído do portal ecac em anexo. A Receita Federal junto aos DD. Membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveriam analisar que realmente teve omissões e erros nas informações prestadas entre as declarações DIRF x DIMOB x DIRPF. Senhores Julgadores, está claro que o erro houve nas informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, tendo em vista que a requerente informou em sua DIRPF o valor descontado dos seus recebimentos de aluguéis e valore fornecidos através de documento hábil e verídico pela administradora de imóveis. Em vista do exposto, peço que seja novamente analisada minha DIRPF, e cobrar de quem realmente deve ser cobrado, e por ser a verdade, peço apenas justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência na lide é de cunho probatório material do imposto retido na fonte e descontado da Contribuinte no momento dos recebimentos dos valores referentes a aluguéis. A Autoridade Autuante tem como forte a afirmação de que não restou cabalmente comprovada a retenção do imposto, no seguinte texto: Em que pese a apresentação das Declarações de Operações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob e dos Extratos de Repasses ao Proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis Ltda (fls. 04 e 14/39), relativos a contratos de locações de imóveis onde a contribuinte figura como locadora, não ficou cabal e inequivocamente comprovada a retenção do imposto de renda na fonte correspondente aos rendimentos de aluguéis recebidos das fontes pagadoras A G Ferreira & Cia Ltda e Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda. Todavia, o texto que recusa a possibilidade de ter sido comprovada a operação com retenção afirma que foram apresentadas as DIMOBs e os extratos de repasses ao proprietário, elaborados e entregues pela administradora de imóveis, exatamente a quem cabe providenciar as informações ao Fisco. Somese a isso que a Contribuinte juntou aos autos, fl. 149, o Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis que identifica como fonte pagadora Hot Piracicaba Comércio de Confecções Ltda, tendo como intermediária a Assessoria Imobiliária Miguel Imóveis. Da mesma forma, também juntou aos autos, fl. 150, o Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis que identifica como fonte pagadora AG Ferreira Cia. Ltda, que tem Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.721093/201770 Acórdão n.º 2001001.110 S2C0T1 Fl. 159 5 como intermediária na locação a mesma imobiliária. Nos referidos comprovantes conta o valor bruto mês a mês, o valor da comissão descontada e o imposto retido. Ambos os documentos, somadas as retenções do imposto de renda retido na fonte igualam o valor informado pela Recorrente na sua Declaração de Ajuste Anual de 2014. O fato das informações constantes no sistema da Receita Federal acusar valor diferente dos informados nas DIMOBs e nos Comprovantes de Rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras não justifica a glosa da utilização do imposto de renda retido na fonte, porque a Recorrente agiu com base nos documentos recebidos da fonte pagadora e na atribuição que lhe compete como recebedora dos aluguéis e contribuinte do imposto em relação aos valores informados oficialmente. Se o sistema da Receita referente à DIRFs apresenta divergências de valores, não compete a Recorrente comprovar se houve falta de recolhimento ou outra falha qualquer de parte das fontes pagadoras, vez que nem autoridade tem para tanto junto àqueles estabelecimentos. Por fim, cabe salientar que a parcela do Lançamento que se refere ao imposto suplementar no valor de R$ 581,85 foi recolhida pela Recorrente, não tendo sido objeto sequer de defesa na impugnação, bem assim como em sede recursal. Neste sentido, a lide se limita à divergência de valores no que se refere à comprovação documental, o que resultou no valor de R$ 8.717,47 de crédito tributário remanescente. Pelo que consta dos autos a comprovação documental apresentada pela Recorrente supre suficientemente o requerido de sua parte como contribuinte, respaldada pelas informações fornecidas através das DIMOBs e especialmente pelos Comprovantes de Rendimentos que lhe foram disponibilizados, e juntados aos autos pela Contribuinte, como se vê às fls. 149 e 150 do processo. Neste sentido considerase devidamente comprovada a retenção pelos descontos efetuados quando dos pagamentos dos aluguéis em valores líquidos como demonstrados. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário remanescente no valor de R$ 8.717,47, pela improcedência do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014138/2006-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de
juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital
dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos
aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados.
Numero da decisão: 1101-000.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados.
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PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 41 38 /2 00 6- 57 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 3 2 Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.374.667,49. A autoridade lançadora glosou parte dos juros sobre o capital próprio deduzidos no anocalendário 2002. Embora os valores do Patrimônio Líquido da pessoa jurídica permitissem dedução até o R$ 8.017.934,81, do valor total contabilizado (R$ 7.836.856,08), admitiuse apenas a parcela de R$ 4.927.088,02 porque correspondente à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP naquele anocalendário. A parcela de R$ 2.909.768,06 corresponderia ao anocalendário de 1999, e assim não se conformaria ao disposto nos arts. 251 e 374 do RIR/99, que estabelecem a apropriação de despesas segundo o regime de competência. Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu que: 1) a despesa decorreu da deliberação dos sócios no anocalendário 2002, e assim não poderia ter sido registrada em 1999; 2) a lei não estabelece prazo para esta deliberação, e a dedução observou os limites estabelecidos na legislação; 3) a Instrução Normativa SRF nº 11/96 apenas relaciona a despesa ao ato que determina seu nascimento; 4) a legislação não veda a dedução de despesas registradas em período subseqüente ao de competência; 5) a interpretação adotada pelo Fisco prejudicaria a pretendida isonomia de tratamento tributário entre o capital próprio e o de terceiros. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · [...] não ocorreu o fato gerador da despesa, no anocalendário 1999, mediante o pagamento ou creditamento aos sócios dos juros sobre o capital próprio; · [...] como somente no anocalendário 2002 teria se materializado o pagamento ou o creditamento, em favor dos sócios, dos juros sobre o capital próprio, não se pode reconhecer como dedutíveis valores que não foram pagos ou creditados em períodos anteriores, mas apenas a despesa paga ou incorrida no próprio anocalendário de 2002, e nos limites legalmente estabelecidos para esse período; · A Instrução Normativa SRF nº 11/96 não trouxe qualquer inovação, pois o próprio art. 9o e seu §1o da Lei nº 9.249/95 estabelecem a indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância do regime de competência. · Ao estabelecer como limite o valor equivalente a 50% dos lucros acumulados e reserva de lucros, admitiu a Lei que, caso a pessoa jurídica não procedesse ao pagamento ou creditamento, aos sócios, dos juros sobre o capital próprio calculados sobre o lucro do período, poderia ela, nos períodos de apuração subsequentes, realizar o pagamento ou creditamento Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 5 4 com base nos lucros acumulados e nas reservas de lucros. Porém, nessa última hipótese, a base de cálculo para o limite do valor dedutível a título de juros sobre o capital próprio deve corresponder, obviamente, ao período de apuração do pagamento ou crédito dos juros; e não ao período de apuração em que foram gerados aqueles lucros, posteriormente destinados a lucros acumulados e a reserva de lucros. · Entendimento em contrário resultaria admitir a esdrúxula possibilidade de que uma mesmíssima quantia, em períodos diversos, pudesse vir a constituir base de cálculo para o limite do valor dedutível a título de juros sobre o capital próprio, a saber: lucro apurado num ano e integralmente destinado a lucros acumulados e/ou a reservas de lucros em outro ano. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/12/2009 (fl. 160), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 30/12/2009 (fls. 161/173), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação e colaciona decisões no âmbito do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e do Superior Tribunal de Justiça – STJ, as quais concluem, de forma clara e inequívoca, que não há qualquer óbice ao procedimento praticado pela recorrente. A recorrente assim sintetiza seus argumentos de direito: Tendo em vista que a despesa de JCP (quer do capital investido em 1998 quer do relativo ao ano de 2001), nasceu em função da deliberação dos titulares do capital que determinaram o seu pagamento, o exercício de competência da despesa só poderá ser aquele no qual ocorreu tal deliberação. De fato, ainda que seja possível calcular a remuneração em tela para um determinado anocalendário, devese ter em conta que o seu pagamento ou crédito é uma faculdade, de forma ser possível a assunção ou não desse encargo. Nesta última hipótese, simplesmente não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não se justifica na contabilidade. Na ocorrência da primeira opção, a conseqüente despesa deve ser de imediato contabilizada. Tal raciocínio é lógico quando se busca o fundamento do instituto do JCP, qual seja o de remunerar a permanência do capital próprio por um determinado período, o que pode ocorrer em períodos diferentes daquele em que o lucro foi gerado, pelo simples fato da existirem lucros acumulados passíveis de distribuição. Assim, sob o ponto de vista jurídico, estamos diante de uma situação em que o direito é potestativo, que depende da vontade ou do livre arbítrio pelo uso deste direito, assim como é o caso da distribuição de dividendos, que também decorre da formação de lucro, mas não passa a existir apenas pela formação deste lucro, sendo necessário, para que surja a obrigação de pagar, uma deliberação por parte dos sócios. Por esta razão, e não podia ser de outra forma, tendo em vista a deliberação dos sócios para o crédito dos JCP, a Recorrente registrou o total da despesa no ano calendário de 2002. Acrescenta que a Lei nº 9.249/95 limita os juros à variação “pro rata” da TJLP, o que significa que essa variação deve corresponder ao tempo decorrido entre o início do período de apuração até a data do pagamento ou crédito dos JCP e deve ser aplicada sobre o patrimônio líquido existente no início desse período, consideradas as eventuais mutações ocorridas durante o período. E assim procedeu a recorrente, aplicando esta taxa sobre os Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 6 5 patrimônios líquidos de 1998 e 2001, de modo que o valor registro em 2002 ficou abaixo do limite calculado em razão dos lucros do período e acumulados. Observa que ao estabelecer tais limites, o legislador teve em mente não só a possibilidade de pagamento por parte daqueles que, mesmo não tendo auferido lucros suficientes no período, dispunham de lucros acumulados e reservas de lucros, bem como o contribuinte que, não havendo pago nem creditado os JCP em determinado período, viesse a optar por esta dedução em exercício subseqüente. Neste sentido, inclusive, é a determinação que permite a imputação dos juros sobre capital própria ao valor do dividendo mínimo obrigatório, especialmente tendo em conta que a lei não estabelece limitação temporal à deliberação sobre a distribuição de lucros. A lei apenas condiciona o efetivo pagamento ou crédito à existência de lucros, sem impedir a dedução de excedente em período posterior. Inexiste a condição imposta pelo Fisco. De outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 11/96 não teria, de fato, inovado a legislação, isso porque a referência ao regime de competência constante do ato administrativo só pode relacionar a despesa ao ato que determina seu nascimento, qual seja a deliberação dos sócios. Reportase ao Parecer Normativo CST nº 58/77, no sentido de que a obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornam incondicional. Como o pagamento ou crédito é faculdade da pessoa jurídica, se a mesma optar por não assumir esse encargo, não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não se justifica contabilmente. Reitera que a lei não qualifica como indedutíveis as despesas registradas em período subequente, e observa que o art. 347 do RIR/99, por ser mais específico, sobrepõese à regra do art. 374 do mesmo Regulamento. Finaliza fazenda referências aos acórdãos deste Conselho nº 10196.751 e 10708.941, bem como à manifestação do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.086.752PR. E pede, assim, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Diz a Lei nº 9.249/95, na redação já atualizada pela Lei nº 9.430/96: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (negrejouse) A Fiscalização defende que a pessoa jurídica somente pode deduzir, na apuração do lucro tributável, os juros correspondentes à variação da TJLP aplicada sobre o capital próprio no período de referência, ao passo que a contribuinte afirma seu direito de deduzir, no momento da deliberação, também os juros correspondentes à variação daquela taxa em períodos anteriores, mas que ainda não haviam sido contabilizados. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 8 7 Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: IRPJ — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP — PAGAMENTO ACUMULADO — LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE —Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição , para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. (Acórdão nº 10708.941, sessão de 28 de março de 2007, Relator Conselheiro Natanael Martins) JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 10196751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri) Na concepção que orienta estas julgados, os juros são dedutíveis no período de apuração em que haja o pagamento ou crédito, desde que observado o limite legal para sua distribuição, e isto tendo em conta os parâmetros verificados no anocalendário da deliberação. Mais recentemente, o acórdão nº 1402001.179 também foi inspirado por aquele mesmo entendimento. Nas palavras do I. Conselheiro Antonio José Praga de Souza, relator deste último acórdão, no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinando o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. E acrescenta: antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida, não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência, posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. A recorrente também reportase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752PR, de cuja ementa extraise: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anos calendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 9 8 II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (Relator Ministro Francisco Falcão, DJe: 11/03/2009, julgamento em 17/02/2009) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os juros sobre o capital próprio devem ser apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos de lucros acumulados ou do exercício, na data do crédito ou pagamento. (Acórdão nº 19500.023, sessão de 20 de outubro de 2008, Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DESPESAS COM PAGAMENTO A TITULAR, SÓCIOS OU ACIONISTAS. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução dos valores de juros pagos a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores, em vista do regime de competência. (Acórdão nº 140100.348, sessão de 10 de novembro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto) DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. INOBSERVÂNCIA DE REGIME CONTÁBIL. INOCORRÊNCIA Não tratando os autos de registro em período diverso ao que competia a despesa, ou de postergação do pagamento do imposto, descabe apreciar os efeitos preconizados pelas normas regulamentares que disciplinam tais matérias (artigos 247 e 273 do RIR/99). (Acórdão nº 130200.465, sessão de 27 de janeiro de 2011, Relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. (Acórdão nº 120100.348, sessão de 11 de novembro de 2012, Relator designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto) A Secretaria da Receita também já se manifestou contrariamente ao entendimento da recorrente, ao editar as seguintes Soluções de Consulta: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 10 9 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. Dispositivos Legais: RIR/3.000, de 1999, art. 347 e IN SRF nº 11/1996, art. 29. (Solução de Consulta SRRF/6a RF nº 63, de 24 de abril de 2001) JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. (Solução de Consulta SRRF/9a RF nº 32, de 27 de janeiro de 2010) Os julgados administrativos contrários à tese defendida pela recorrente fundamentamse em doutrina que classifica o registro dos juros sobre capital próprio como opcional, de modo a limitar os efeitos da deliberação de crédito/pagamento ao período de apuração no qual auferidos os lucros distribuídos. Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos). O referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3a ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240242): A partir dos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está subordinada a critérios quantitativos objetivos. A existência desses critérios, em princípio, não impede que uma empresa remunere, da forma como melhor lhe aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas. De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode – no presente – deliberar a respeito dos pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite que diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 11 10 outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. O art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto; o problema é saber quando surge a despesa e quando o atendimento ao regime de competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros. Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal dos juros sobre o capital, de modo que é intuitivo que eles devem ser registrados segundo o regime de competência. Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a regra geral do art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decreto lei nº. 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior “quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”. As Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº. 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência porque a observância – e a eventual inobservância – desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito e da correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. Ora, se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 12 11 exercida pelos próprios sócios, razão pela qual os juros não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães bem sintetiza as conclusões extraídas deste texto, no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: Do referido texto, que acolho por inteiro, ressalto as seguintes conclusões: 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; 8. descabe, no contexto em que as disposições relativas à observância do regime de competência devam ser interpretadas, falarse em postergação do pagamento do imposto; 9. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade. A caracterização do registro de juros sobre o capital próprio como faculdade ou opção é aspecto que envolve, também, a definição de sua natureza. Luís Eduardo Schoueri, em seu artigo Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 13 12 "Nova Contabilidade" (in Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3o volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193), aborda a criação desta dedução em contexto que facilita a compreensão de sua natureza: Os juros sobre o capital próprio devem ser inseridos em contexto mais amplo, tendo em vista que acompanharam a isenção de dividendos. Sob tal perspectiva, parece possível ver nos juros sobre capital próprio uma criativa solução do legislador brasileiro para enfrentar a prática da subcapitalização, ou thin capitalization. Tal prática, que se mostrou corrente em países nos quais a distribuição de dividendos é tributada, consiste em os sócios de determinada sociedade, em vez de aportarem seus investimentos no capital social da referida sociedade, mantêlos como empréstimos. Revelase vantajosa na medida em que as despesas da sociedade com o pagamento dos juros decorrentes de tais empréstimos são dedutíveis, ao passo que os dividendos distribuídos não. Assim, em situações em que tanto os juros quanto os dividendos pagos aos sócios são tributados, é mais vantajoso para os sócios capitalizar suas empresas por meios de empréstimos do que por aportes no capital social, uma vez que o pagamento de juros, diferentemente dos dividendos, é despesa dedutível da sociedade. Para evitar a prática da thin capitalization, países como os Estados Unidos da América estabeleceram alguns limites para a capitalização por meio de empréstimos dos sócios. Com efeito, a legislação desses países estabeleceram diversos métodos para se constatar se a subcapitalização estaria ocorrendo, a exemplo do limite máximo de empréstimos em relação ao valor do capital subscrito e integralizado; uma vez constatada a ocorrência da prática, autorizado ficaria o Fisco a tributar os juros excessivos como dividendos. No Brasil, com o advento da Lei n° 9.249/1995 (produzindo efeitos para o exercício de 1996), os dividendos pagos pelas sociedades brasileiras aos seus sócios ou acionistas, pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou não no País, passaram a ser rendimentos não tributáveis. Conforme reconhecido pela própria Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda que acompanhou, à época, o Projeto de Lei n° 913/1995, tratouse de medida de integração entre o imposto de renda da pessoa física e o imposto de renda da pessoa jurídica, com vistas a evitar a incidência do primeiro sobre recursos já tributados pelo ultimo5. O tema da integração da tributação das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, ocupou, nas últimas décadas, estudos e debates nos Estados Unidos e na União Européia6. E dizer, pretendeuse eliminar, com tal expediente, a dupla tributação econômica. Conferirse isenção aos dividendos recebidos pelos acionistas ou sócios é método tradicional para evitarse a dupla incidência econômica do imposto, cuja adoção já foi considerada pelo Departamento do Tesouro norteamericano em estudo sobre os diversos "protótipos" de integração7. Daí encontrarse nos juros sobre capital próprio expediente criativo para se evitar a thin capitalization. Em face da isenção dos dividendos recebidos então estabelecida, e que passou a diferenciar o modelo brasileiro daquilo que se encontrava, via de regra, no direito comparado, a solução adotada seguiu caminho inverso à experiência internacional. Enquanto alhures se conferia aos juros a indedutibilidade própria de dividendos, o Brasil inovava, permitindo que se deduzissem os juros sobre o capital próprio, equiparandoos, portanto, ao tratamento tributário de juros propriamente ditos. Os "juros sobre o capital próprio" têm a finalidade de permitir ao sócio ou acionista perceber um rendimento equivalente ao que receberia se buscasse outra aplicação financeira de longo prazo. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 14 13 Assim, consoante a disciplina do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995, a sociedade paga uma remuneração a seus acionistas e reconhece o valor como uma despesa dedutível, abatendoa de seu lucro tributável8. Ao mesmo tempo, tais valores encontramse sujeitos à retenção na fonte, no momento do pagamento ao acionista, à alíquota de 15%. Desincentivase, pois, a capitalização das sociedades por meio de empréstimos, ou subcapitalização, já que ela não é necessária para se conseguir a dedutibilidade dos pagamentos aos sócios. A este respeito, assinalou a Exposição de Motivos que acompanhou o Projeto de Lei do qual derivou a Lei n° 9.249/1995: "A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o limite proposto, em especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimentos, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentado da economia." [...] (negrejouse) Na seqüência, descrevendo o debate existente na doutrina acerca da natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio, referido autor conclui que a divergência existente resulta da tentativa de enquadrar os juros sobre o capital próprio nas categorias de Direito Civil, e assume razoável tomálos como vero conceito de Direito Tributário, sem qualquer amparo em categorias do Direito Privado. Daí que: Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. [...] A natureza de remuneração do capital emprestada ao instituto constante do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995 permite que se concretizem as exigências do princípio da igualdade e da capacidade contributiva. [...] É neste ponto que se revela, a partir de uma perspectiva essencialmente tributária, a relevância dos juros sobre o capital próprio. Tal instituto, ao permitir que as empresas que se valem de recursos de seus próprios sócios ou acionistas tomem a dedutibilidade dos valores pagos enquanto remuneração pelo referido capital, restabelece a igualdade destes em relação a contribuintes que, com igual capacidade econômica, façam uso de capital emprestado por terceiros. [...] Em síntese, por meio dos juros sobre capital próprio, assegurase igual tratamento tributário à atividade empresarial, afastandose a diferenciação por conta da origem de seu capital (próprio ou de terceiros). Do ponto de vista do investidor, também, se concretiza a igualdade, naquilo que se equiparam ambas as situações. Se é verdadeira a premissa de que do lucro obtido na atividade empresarial, uma parte corresponde à remuneração do capital e outra, à atividade produtiva, então não há razão para a remuneração do capital Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 15 14 proveniente de aplicações financeiras ter tratamento diferente daquele mesmo capital investido na empresa. Daí a tributação exclusiva na fonte. [...] Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (negrejouse) Abordando a questão, expõe Alberto Xavier, em Natureza Jurídico Tributária dos “Juros sobre Capital Próprio” face à Lei Interna e aos Tratados Internacionais (in Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), que o “juro sobre capital próprio” outra coisa não é que um resultado distribuível da companhia sujeito a regime fiscal especial” e “opcional para os lucros distribuíveis que se enquadram no duplo limite atrás referido”. E acrescenta: Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados não excederem o duplo limite atrás referido, a sua totalidade pode beneficiarse da dedução fiscal, muito embora o contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade, ficando a outra parte sujeita ao regime comum. Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados excederem o duplo limite, só poderão beneficiar da dedução fiscal até o referido limite, ficando no remanescente sujeitos ao regime tributário geral. Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquele que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado: Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. Como bem disse a recorrente, se a pessoa jurídica optar por não assumir esse encargo, não haverá como incorrer, nesse mesmo período, em uma despesa decorrente de uma obrigação inexistente ou cujo provisionamento não se justifica contabilmente. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 16 15 Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no anocalendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. Pertinente observar que, neste contexto, não há que se falar em inobservância do regime de escrituração, e de eventual antecipação de pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não optou por destacar parte da base de cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizála como lucro. Como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa repisar, não guardam relação com a matéria submetida a exame, eis que não estamos diante nem de valores que competem a outro período de apuração nem de postergação de pagamento de imposto. Despicienda, assim, a análise dos efeitos decorrentes da aplicação dos dispositivos acima mencionados. No que diz respeito ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, cabe, apenas, destacar a ausência de efeito vinculante. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.014138/200657 Acórdão n.º 1101000.918 S1C1T1 Fl. 17 16 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.902068/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.902062/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 20 68 /2 00 9- 41 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.902068/200941 Acórdão n.º 1402003.728 S1C4T2 Fl. 3 2 Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de PIS (código de receita 8109) e COFINS (código de receita 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ:2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcornp (...), ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/18 na qual alega, em síntese, que: a) na DIPJ anobase de 2004, a Recorrente apurou crédito fiscal suficiente a embasar os pedidos de compensação; b) os créditos originaram recolhimento a maior, já que as estimativas recolhidas com base em balancetes de suspensão e redução do imposto superaram o valor devido do exercício, no montante de (...), no ano calendário de 2004; c) a utilização do saldo recolhido a maior para compensação com outros tributos administrados pela RFB é legitima. Ao final, requer a homologação da declaração de compensação apresentada por embasarse em crédito legitimo. A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade por dois motivos, sendo o primeiro com base na impossibilidade de se compensar crédito originado de pagamento indevido ou a maior de estimativa no próprio mês e o segundo fundamento é pautado na falta de documentação para comprovar a liquidez e certeza do crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou a alegação de que o direito a restituição deve seguir o entendimento que aplica cumulativamente o artigo 165 e o artigo 150, parágrafo quarto do CTN (ou seja a tese dos 5 + 5). É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.902068/200941 Acórdão n.º 1402003.728 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.720, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13830.902062/2009 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.720): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Apesar de um dos fundamentos do v. acórdão para manutenção do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação ter sido pautado na impossibilidade de se compensar o valor pago a maior da estimativa no próprio mês, contrariando a Súmula CARF 84, o principal motivo utilizado para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário rebatendo o primeiro fundamento do v. acórdão que não integra a motivação do r. Despacho Decisório e acostou o Livro Razão que demonstra apenas a escrituração das Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.902068/200941 Acórdão n.º 1402003.728 S1C4T2 Fl. 5 4 antecipações, para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, apenas o Livro Razão não é suficiente para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão nos autos, conforme muito bem explicado na decisão "a quo", que demandou a demonstração da apuração da base de cálculo e do tributo devido. Desta forma, como o r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior da estimativa teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.727927/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017
AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória.
AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE.
A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
Numero da decisão: 3302-006.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
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DE SEGUROS PREVIDÊNCIA DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 AÇÃO RESCISSÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É indevida a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir decadência do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 79 27 /2 01 7- 11 Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 3 2 A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescissória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/BHE nº 0278.278, da 6ª Turma, proferido na sessão de 09 de março de 2018: Tratase de Auto de Infração AI relativo ao período de janeiro de 2013 a março de 2017 por meio do qual se exige Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Relatório da Ação Fiscal Por meio do Relatório da Ação Fiscal de fls. 3.620/3.628 a Autoridade lançadora esclarece que: Contencioso judicial relativo à Cofins A Fiscalizada é uma sociedade anônima fechada que tem como objetivo a exploração e operação de seguros de pessoas e danos em todo o território nacional, podendo participar de outras sociedades como sócia ou acionista. Este procedimento fiscal é similar ao desenvolvido nas fiscalizações dos períodos de julho de 2008 a dezembro de 2011, no qual foi lavrado o Auto de Infração nº 11080.725641/201377 e janeiro de 2012 a dezembro de 2012, no qual foi lavrado o Auto de Infração 11080.722155/201569, ambos referentes a Cofins. Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 4 3 A empresa impetrou mandado de segurança com o objetivo de desobrigála do recolhimento da Cofins nos termos previstos na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e com retorno à hipótese do parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Obteve decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça STJ no sentido de que a isenção concedida no parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 1991, não foi revogada pelo parágrafo 5º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão transitou em julgado em primeiro de dezembro de 2008. Contudo, no ano de 2010 a Fazenda Nacional ingressou com uma ação rescisória perante o STJ com o objetivo de desconstituir a decisão judicial obtida nos autos do mandado de segurança, tendo sido deferido o pedido de antecipação de tutela para suspender os efeitos do acórdão rescindendo até o julgamento da ação rescisória. A antecipação de tutela deferida, para fins de suspensão da eficácia do acórdão rescindendo, implica restabelecimento da obrigatoriedade de o contribuinte recolher a Cofins nos termos dos parágrafos 5º, 6º e 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. A Fiscalizada, visando evitar cobranças indevidas em decorrência da decisão provisória obtida na ação rescisória, interpôs medida cautelar em que houve a concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade dos créditos tributários em discussão. Na petição inicial da medida cautelar incidental consta como pretensão da empresa tão somente a suspensão da exigibilidade de crédito tributário da Cofins objeto da Certidão da Dívida Ativa CDA nº 00.6.13.0043580 (Processo Administrativo 11080.004601/200316) e da CDA nº 00.6.13.0032627 (Processo Administrativo 11080.011595/199951). Declarações e registros contábeis da Fiscalizada Constatouse, no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON e na Escrituração Fiscal Digital EFD Contribuições, relativas aos anos de 2013, 2014, 2015, 2016 e primeiro trimestre de 2017, que todos os campos relativos à Cofins estavam zerados, embora existissem informações das bases de incidência do Programa de Integração Social PIS. Também não houve declaração em DCTF. Os valores das bases foram confirmados pelo contribuinte em suas respostas e pela Fiscalização na auditoria realizada, assim como na contabilidade da empresa. Observouse, ainda, que nenhum recolhimento de Cofins foi realizado, tampouco houve depósito judicial. Valores apurados e multa de ofício Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 5 4 Elaborouse tabela onde estão elencados os valores das bases de cálculo e retenções na fonte da Cofins para os meses de janeiro de 2013 a março de 2017. Sobre os valores apurados efetuouse o presente lançamento com multa de ofício de 75%, conforme determina o inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A discriminação do valor da contribuição apurada, dos juros de mora e da multa, bem como os respectivos enquadramentos legais e o prazo para pagamento ou impugnação estão contidos no Auto de Infração e anexos. Impugnação A Autuada apresentou a impugnação de fls. 3.637/3.648, aduzindo, em síntese, que: Suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de Cofins ainda discutidos em ação rescisória. Imposição indevida de multa de ofício Tratase de caso idêntico ao tratado no Processo Administrativo nº 11080.725641/201377, envolvendo a Impugnante, em cujo julgamento a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF decidiu pelo afastamento da multa de ofício justamente em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído no bojo do referido processo, até que fosse proferida decisão definitiva no âmbito da ação rescisória. A Autoridade Administrativa reconheceu na fundamentação do AI ora impugnado que o cerne desta autuação corresponde ao mesmo assunto tratado nos autos do processo administrativo supramencionado. Os créditos tributários de Cofins encontramse com a exigibilidade suspensa até a decisão definitiva no âmbito da ação rescisória, razão pela qual não merecem prosperar os termos em que foi lavrada a presente autuação, no que toca a aplicação da multa de ofício. A pretensão da Impugnante na ação cautelar era de obter o reconhecimento da suspensão de todos os atos e efeitos de cobranças futuras até o julgamento final da ação rescisória ainda em curso. No momento em que foi concedida a medida liminar restou determinada a suspensão de todos os atos e os efeitos de cobrança, assim como as cobranças vinculadas aos débitos de Cofins até então constituídos e já inscritos em Dívida Ativa da União (Processo Administrativo nº 11080.004601/200316 e Processo Administrativo nº 11080.011595/9951). A decisão que antecipou a tutela na ação rescisória, para meramente suspender os efeitos do acórdão rescindendo, nunca autorizou a cobrança da Cofins antes do julgamento definitivo Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 6 5 do feito, de modo que os créditos desta contribuição sempre estiveram inexigíveis, mormente após a concessão da antecipação de tutela, restando ao Fisco tão somente a possibilidade de exercer seu direito de constituílo para fins de prevenção de decadência, sem a imposição de multa de oficio, tal como preconizado no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificase, ainda, que em momento algum foi apontado no AI o intuito da mera prevenção de decadência, extrapolando, assim, os limites da tutela antecipatória concedida à Fazenda Nacional na ação rescisória e, por conseguinte, afrontando a decisão que deferiu a medida liminar na ação cautelar para reconhecer expressamente a suspensão da exigibilidade da Cofins. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF possui entendimento sumulado no sentido de que não cabe imposição da multa de ofício nos lançamentos em que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa por medida liminar em ação judicial (Súmula CARF nº 17). Não incidência de Cofins sobre receitas decorrentes das atividades desenvolvidas pelas companhias seguradoras Conforme decidido Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.0846, em que reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, a base de incidência da Cofins se restringe exclusivamente ao faturamento do contribuinte, assim entendido a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. No que tange as receitas de prêmios de seguro consideradas no AI, isto é, os valores recebidos pela Impugnante pelos contratos de seguro que celebra, fundamental ressaltar que uma companhia seguradora não vende mercadorias ou presta serviços, já que se limita a indenizar o resultado desfavorável de danos causados aos beneficiários do seguro. Assim, tendo em vista que a Impugnante não se inclui (i) entre as empresas vendedoras de mercadorias; (ii) entre as prestadoras de serviços; e (iii) entre as empresas mistas vendedoras de mercadorias e prestadoras de serviços, não há dúvidas de que ela não pode ser classificada como contribuinte da Cofins, razão pela qual se impõe o afastamento da integralidade do presente crédito tributário. Não merecem prosperar, igualmente, quaisquer alegações de que o faturamento corresponde à receita bruta oriunda não apenas da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais. Tal entendimento somente poderia ser admitido a partir de janeiro de 2015, quando começou a vigorar a Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, que determinou que o faturamento a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, passasse a compreender Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 7 6 a receita bruta de que trata a nova redação do artigo 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. As receitas financeiras auferidas pela Impugnante evidentemente não decorrem de atividade típica do ramo securitário, bem como qualquer outra receita patrimonial, sendo certo que o CARF já afastou a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras de seguradoras. As receitas financeiras e patrimoniais estão fora do campo de incidência da Cofins, ainda que se admita que o conceito de faturamento corresponde à receita bruta oriunda do exercício das atividades empresariais do contribuinte, já que tais receitas “não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário”. Pedidos Pleiteia a Interessada, ao fim, que seja acolhida a impugnação para desconstituir integralmente o presente AI, já que lavrado em desconformidade com a decisão proferida na ação cautelar e com os ditames do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como em razão de que as receitas auferidas pela Impugnante não se coadunam com o conceito de faturamento para fins de incidência da Cofins, na forma da redação originária da Lei nº 9.718, de 1998 e conforme entendimento do STF. Na hipótese de não acolhimento do pleito anterior, requer a exclusão da multa de ofício, bem como o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da ação rescisória, haja vista a conexão da exigibilidade dos créditos constituídos com o resultado definitivo de tal ação. A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação da recorrente, por unanimidade de votos, sendo seus fundamentos resumidos na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 REGIME CUMULATIVO. RECEITA BRUTA. ABRANGÊNCIA. A jurisprudência do STF e do STJ se consolidou no sentido de que o conceito de receita bruta, para fins de incidência da Cofins, não abarca apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Após a vigência da Lei nº 12.973, de 2014, a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço da prestação de serviços em geral, o resultado auferido nas operações de conta alheia e as outras receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2017 Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 8 7 LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade não esteja suspensa por medida judicial caberá lançamento com aplicação de multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo analisado. I Concomitância Identidade de objeto de matéria discutida em ação judicial e defesa administrativa A recorrente no mandado de segurança nº 1999.71.00.0126706, pleiteou e obteve provimento judicial no sentido de ser desobrigada do recolhimento da COFINS nos termos trazidos pela Lei nº 9.718/19, requerendo a retomada da sistemática de recolhimento prevista na Lei Complementar 70/91. Em seu recurso voluntário a recorrente discute novamente a matéria já debatida na ação judicial, o que não é possível, pois, uma vez levado ao judiciário a discussão, seja ela anterior, concomitante ou posterior ao procedimento administrativo, abre mão o contribuinte do contencioso administrativo. Tal fato é tratado em Súmula editada pelo E. CARF, vejamos: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 9 8 Destarte, não se toma conhecimento dessa parte do recurso impetrado pela recorrente. II Mérito A matéria colocada para análise e decisão no presente processo já foi objeto de decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, em sessão realizada em 17 de setembro de 2014, acórdão nº 3102002.283, de lavra do I. Conselheiro José Fernandez do Nascimento. A diferença da presente demanda consiste, exclusivamente, no período de apuração, 01/07/2008 a 31/12/2011, no processo acima mencionado e, no nesse 01/01/2013 a 31/03/2017. Desta forma, uma vez tratar de matéria idêntica e por comungar do mesmo entendimento, peço vênia para adotar como minhas as razões de decidir esposadas no acórdão 3102002.283, colacionada abaixo: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese a duas questões: a) extinção do crédito tributário lançado, nos termos do art. 156, X, do CTN, em face da decisão transitada em julgado, proferida no âmbito do Mandado de Segurança n° 1999.71.00.0126706 (REsp n° 336.280/RS); e b) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS, promovida pela recorrente. Da extinção do crédito tributário lançado. A recorrente alegou a improcedência da autuação, com base no argumento de que, por força do disposto no art. 156, X, do CTN, o crédito tributário lançado fora extinto pela referida decisão judicial, com trânsito em julgado em 1/12/2008, que não poderia ser restabecidos com fundamento em mera decisão antecipatória de tutela concedida na Ação Rescisória nº 4.596/RS. A alegação da recorrente não procede, haja vista que, com a finalidade de desconstituir a citada decisão judicial favorável a autuada, por meio da Ação Rescisória nº 4.596/RS, ajuizada perante o STJ, a União Federal/Fazenda Nacional obteve o deferimento do pedido de antecipação de tutela, para suspender os efeitos do acórdão rescindendo até o julgamento da ação rescisória. Dessa forma, se o efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos pela citada medida de antecipação de tutela, por força do disposto no art. 142 do CTN, e sob pena de responsabilidade funcional, a autoridade fiscal deveria exercer o poderdever de proceder o lançamento do crédito tributário. Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 10 9 Aliás, nesse sentido, a autoridade fiscal lançadora, expressamente, consignou o Relatório de Ação Fiscal (fls. ...), integrante do questionado Auto de Infração, que lançamento visava “resguardar os interesses da Fazenda Nacional com relação aos fatos escritos, não impedindo a realização de novas fiscalizações dentro do prazo decadencial”. Logo, a autuação em questão foi realizada em consonância com o que determina o referido preceito legal, não havendo qualquer mácula que possa conspurcar a sua legitimidade. No que tange à alegação da recorrente de que houve afronta ao princípio da segurança jurídica, uma vez que se tratava de um direito advindo de pronunciamento jurisdicional já transitado em julgado, a meu ver, tratase de questão que não cabe a este Colegiado se manifestar a respeito, posto que se trata de matéria relativa aos efeitos da coisa julgada, ponto que, certamente, será dirimido no âmbito do julgamento da referida Ação Recissória (sic), não tendo qualquer efeito prático ou jurídico o pronunciamento deste Colegiado sobre a questão, ante prepoderância da decisão proferida na esfera do Poder Judiciário. Por essas razões, rejeitase a alegação de improcedência do lançamento do crédito tributário objeto da autuação em questão. Da impossibilidade de aplicação da multa de ofício e da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. A recorrente alegou a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS. Assiste razão à recorrente. Com efeito, de acordo com extrato de fls. 4713/4715, em 20/3/2013, a autuada ingressou com a Medida Cautelar nº 20.749, perante o STJ, tendo sido deferida a medida liminar, em 11/4/2013, para fim de suspender “a exigibilidade do crédito tributário em discussão até ulterior deliberação desta Corte”. Em 15/4/2013, a referida decisão foi publicada no Diário de Justiça. No corpo da referida decisão (fls. ......), há autorização expressa para a autoridade fiscal realizar o lançamento do crédito tributário em questão, nos termos do art. 142 do CTN e 63 da Lei 9.430/1996, com vista a prevenir a decadência, enquanto não sobrevier o trânsito em julgado da sentença, conforme explicitado no excerto a seguir reproduzido: É certo que, com a suspensão dos efeitos do acórdão rescindendo, cabe à autoridade administrativa proceder ao lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN e 63 da Lei 9.430/99. O Superior Tribunal de Justiça já assentou que a Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 11 10 suspensão da exigibilidade do crédito tributário por ordem judicial não determina a impossibilidade de a Fazenda Pública proceder ao lançamento tributário, de modo a prevenir a decadência, enquanto não sobrevier, naturalmente, o trânsito em julgado da sentença. (grifos não originais) De acordo com subitem 3.1 do referido Relatório de Ação Fiscal (fls. .....), verificase que a autuação em questão foi realizada com respaldo na decisão de antecipação tutela deferida em favor da Fazenda Nacional, no âmbito da citada Ação Rescisória, que suspendeu os efeitos do acórdão rescindendo, proferido pelo STJ no julgamento do REsp n° 336.280/RS. Da leitura da referida decisão (fls. 3226/3228), verificase que não havia qualquer determinação acerca da suspensão da exigibilidade de eventual crédito tributário lançado. Entretanto, no dispositivo da decisão proferida no âmbito da referida Medida Cautelar nº 20.749 foi esclarecido que o lançamento era para prevenir a decadência. Dessa forma, ainda que o procedimento fiscal tenha se iniciado antes da referida decisão liminar, dada a sua natureza interpretativa, inequivocamente, ela deve retroagir, inclusive, para alcançar os lançamentos anteriormente realizados. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, deve ser afasta a exigência da multa de ofício aplicada. Pela mesma razão, impõese a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até porque consta da referida decisão expressa menção neste sentido, conforme se infere do teor do trecho que segue reproduzido: De outra parte, todavia, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, impõese assegurar ao contribuinte, igualmente, o direito de não se submeter, desde logo, à míngua de urgência, às exigências tributárias decorrentes da possível rescisão do acórdão. Com efeito, se por um lado há urgência em conferir à Fazenda Nacional o direito de não pagar imediatamente o que fora reconhecido ao contribuinte no acórdão rescindendo, por outro não se pode olvidar que a coisa julgada ainda não foi desconstituída. Tão somente seus efeitos foram suspensos, por força da decisão que proferi nos autos da AR 4.596/RS. (grifos não originais) Com base no exposto, em consonância com disposto no art. 151, V, do CTN, e no que determina o art. 63 da Lei 9.430/1996, deve ser afastada a multa de ofício aplicada e suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração em apreço, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da Ação Rescisória nº 4.596/RS. Da conclusão. Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 12 11 Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para afastar a aplicação da multa de ofício e determinar suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da Ação Rescisória nº 4.596/RS. Ressaltase que em pesquisa realizada no site do STJ, os processos judiciais acima mencionados continuam em andamento, não havendo decisão definitiva em nenhum deles, sendo certo que a decisão obtida pela recorrente na ação cautelar que suspende a exigibilidade dos créditos tributários continua vigente, observese: Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 11080.727927/201711 Acórdão n.º 3302006.549 S3C3T2 Fl. 13 12 III Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir o lançamento relativo à multa de ofício.. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 3925DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.905945/2008-59
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 59 45 /2 00 8- 59 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.905945/200859 Acórdão n.º 3003000.173 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 41909.84207.311005.1.7.046022, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente ao período de apuração de fevereiro de 2004 (data da arrecadação 15/03/2004), no valor original na data de transmissão de R$ 14.019,12. Após processada, foi exarado o Despacho Decisório (efls. 02), emitido em 18/07/2008, no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese, ter feito a retificação da DCTF conforme as informações do PER/DCOMP em 15/08/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 10 039.830. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a um débito declarado em DCTF e a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, sustentando que a apuração mensal do tributo estaria de acordo com a DIPJ . É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11080.905945/200859 Acórdão n.º 3003000.173 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior da Cofins, do período de apuração de fevereiro de 2004, conforme declarado na DCTF retificadora do 1° Trimestre de 2004, apresentada em 15/08/2008 e refletido na correspondente DIPJ. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Da mesma forma fundamentouse a decisão de primeira instância, ressaltando que a retificação da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De fato não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010, abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11080.905945/200859 Acórdão n.º 3003000.173 S3C0T3 Fl. 5 4 (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 15/08/2008, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da Cofins referente ao período de apuração em discussão e confirmar as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000188/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontram-se fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao ano-calendário de 2001.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO
Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados
TAXA DE JUROS SELIC
Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
Numero da decisão: 2401-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao ano-calendário 2001.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontram-se fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao ano-calendário de 2001. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao ano-calendário 2001. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. A contagem do prazo decadencial deve ser aferida com base no art. 173, inciso I do CTN, tendo em vista que não se verificou a antecipação de pagamento do imposto. Encontramse fulminados pela decadência os fatos geradores referentes ao anocalendário de 2001. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 88 /2 00 7- 32 Fl. 243DF CARF MF 2 Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário apurado referente ao anocalendário 2001. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1730.467 (fls. 189/202): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 3 3 Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. Documentos apreendidos pela Polícia Federal ainda permanecem acessíveis para pedido de cópias. A omissão do interessado quanto a essa providência não pode beneficiálo com a caracterização do cerceamento de defesa. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A existência de pagamento antecipado, decorrente de apuração do imposto, é requisito essencial para a caracterização do lançamento por homologação. Na sua ausência, aplicase o art. 173, I, do CTN e o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetua. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR. Os rendimentos presumidamente omitidos com base no artigo 42, da Lei 9.430/96, estão sujeitos ao ajuste anual e, por isso, o fato gerador é anual e ocorre no dia 3l de dezembro do correspondente ano. Tratase de rendimentos cuja origem é desconhecida e, dessa forma, não podem ser considerados de tributação exclusiva ou definitiva, únicas hipóteses, no caso do IRPF, de ocorrência de fato gerador mensal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DESCONSIDERAÇÃO DE VALORES INFERIORES AO LIMITE LEGAL. A legislação prevê a exclusão de valores inferiores a R$ 12.000,00 desde que o somatório seja inferior a R$ 80.000,00 no anocalendário, o que não se aplica ao presente caso. METODOLOGIA DE APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. O lançamento com base em acréscimo patrimonial tem fundamento legal na Lei n.° 7.713/88 e sistemática de apuração própria, distinta da que se aplica à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, origem do presente auto de infração. Fl. 245DF CARF MF 4 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considera se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. Lançamento Procedente. O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 147/152), lavrado contra o Contribuinte em 30/08/2007, relativo aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, decorrente de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica e Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no qual é exigido R$ 151.794,67 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 113.846 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 109.406,63 de Juros de Mora, calculados até 31/07/2007, ficando o Crédito Tributário no valor total de R$ 375.047,30. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 148/151), temos que: 1. O Contribuinte não declarou os rendimentos de trabalho assalariado recebidos de H & S Trading Importadora e Exportadora Ltda., no ano de 2003, no valor de R$ 6.184,05 com Imposto Retido na Fonte de R$ 321,04; 2. O Contribuinte não comprovou a origem dos rendimentos que serviram de base para os depósitos / créditos efetuados em suas contas corrente e de poupança, mantidas junto aos bancos Bradesco e Citibank, nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, pessoalmente, em 30/08/2007 (fl. 147) e, em 27/09/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 170/181. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1730467, em 11/03/2009 a 10ª Turma resolveu, por maioria de votos, rejeitar as preliminares arguidas e julgar procedente o lançamento, mantendo o Crédito Tributário exigido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio, em 14/04/2009 (AR fl. 206) e, inconformado com a decisão prolatada, em 13/05/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 215/242, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta sobre: 1. A nulidade da Autuação Fiscal por falta de provas da efetiva omissão de rendimentos (Item II.1 219/221); 2. A Decadência do Crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos em 2001, uma vez que, no caso em tela, o tributo está sujeitos ao lançamento por homologação e por essa razão têm seu prazo decadencial contado a partir da ocorrência do fato gerador, conforme preconiza o Art. 150, § 4º, do CTN (Item II.2 fls. 221/224); 3. A omissão de supostos rendimentos baseandose unicamente na existência de depósitos bancários (Item II.3 fls. 224/227); Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 4 5 4. A inaplicabilidade da Taxa Selic como indexador dos juros moratórios (Item II.4 fls. 227/233). Finaliza seu RV requerendo seu conhecimento e o acolhimento das preliminares levantadas a fim de cancelar a exigência fiscal ou, caso assim não se entenda, seja dado provimento para reformar o Acórdão recorrido afastando definitivamente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência Aduz o Recorrente que o crédito tributário apurado relativo aos fatos geradores ocorridos em 2001 estariam fulminados pela decadência, tendo em vista que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 30/08/2007, conforme a contagem do prazo decadencial quinquenal na forma do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física é anual, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário do recebimento dos rendimentos. Nesse contexto, à luz do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os rendimentos dos depósitos bancários encontramse sujeitos à aplicação da tabela progressiva, que conduz ao ajuste anual. Dessa forma, após longo debate no contencioso administrativo acerca da matéria este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) consolidou o entendimento através da Súmula nº 38, conforme o teor abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 247DF CARF MF 6 Dessa forma, para fins de contagem do prazo decadencial nos tributos lançados por homologação, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, salvo na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, situação que atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, conforme Declaração de Ajuste Anual (fls. 153), houve o recebimento de rendimentos tributáveis com imposto de renda retido na fonte, o que atrai a regra do CTN, art. 150, § 4º, nos termos da Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Assim, como o Auto de Infração é relativo aos anos calendário de 2001 a 2003, ocorrendo o fato gerador no dia 31 de dezembro do anocalendário, e dado que a ciência do lançamento ao sujeito passivo foi perfectibilizada em 30/08/2007, encontramse fulminados pela decadência os fatos geradores relativos ao anocalendário de 2001. Nulidades do lançamento O contribuinte alega a nulidade do lançamento e para tanto assevera que a Fiscalização procedeu ao lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF sem fazer prova da efetiva omissão de rendimentos. Destarte, o auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que estabelece a caracterização de omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente autuante, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. Dessa forma, indefiro a preliminar suscitada. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada A despeito da matéria, o legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I Os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. Nesse caso, não há necessidade do Fisco comprovar o consumo da renda relativa à referida presunção, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, através do enunciado da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Como se vê, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação do sujeito passivo objetivando a comprovação da origem dos depósitos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 249DF CARF MF 8 Da Comprovação da origem dos valores depositados O contribuinte traz alegações gerais quanto à legitimidade da presunção da existência de rendimento tributável quando não comprovada a origem dos depósitos. Assevera que o valor de R$ 1.006,50, depositado em 23.10.2001, na conta do Bradesco advém de resgate de título de capitalização. Afirma que os valores de R$ 1.000,00 (depositado em 30/09/2002), R$ 271,00 (depositado em 22/04/2002), R$ 270,00 (depositado em 08/05/2002), R$ 8.400,00 (depositado em 10/09/2003) e R$ 1.960,00 (depositado em 17/11/2003), decorrem de contratação de empréstimos pessoais com o Citibank. Conforme divulgado no próprio site do Citibank, o “Citiplan” e o “Citicrédito". Com efeito, as alegações apresentadas pelo contribuinte são vagas, e sem comprovação efetiva, através de prova documental, de que alguns depósitos se tratam de empréstimos e outro decorrente de resgate de título de capitalização. Não há na peça recursal, um esforço do contribuinte objetivando fazer a correlação entre os valores depositados e os fatos alegados, sem, no entanto, apresentar argumentos convincentes para combater a caracterização da omissão apontada. Em se tratando de tributação decorrente de presunção legal (art. 142 da Lei nº 9.430/96), cabe ao contribuinte refutar a alegação de omissão de rendimentos, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos creditados em suas contas, fazendo a correlação do fato alegado como origem e os depósitos creditados, de maneira individualizada. O Recorrente, não logrou refutar a presunção apontada. Embora as informações, palavras, códigos, contidos nos extratos sirvam para indicar uma provável existência de determinada movimentação financeira, não se prestam, de forma isolada, para comprovar a origem dos depósitos bancários por falta de demonstração e correlação como prova válida. As deduções expressamente autorizados em lei são aquelas relativas à transferência entre contas, cheques devolvidos e exclusão de créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, o que foi feito pela fiscalização. Assim, com base nos elementos inseridos no processo administrativo fiscal, não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal. Juros SELIC Contesta ainda a aplicação da SELIC na apuração do crédito tributário em discussão Contudo, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16024.000188/200732 Acórdão n.º 2401006.091 S2C4T1 Fl. 6 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para declarar a decadência referente ao ano calendário de 2001. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000068/2005-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 00 68 /2 00 5- 42 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 99 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 19/24) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 1999, onde se apurou: Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. De acordo com o Demonstrativo das Infrações (efls. 24), a glosa foi realizada devido à não coincidência entre os valores declarados e as informações consignadas em DIRF pelas fontes pagadoras e por não ter o contribuinte, após intimado, comparecido para prestar esclarecimentos. O sujeito passivo apresentou impugnação (efls. 03/04), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 64): Em resumo, o contribuinte argumentou que o Imposto de Renda Retido na Fonte que foi glosado corresponde aos rendimentos percebidos de quatro fontes pagadoras, por prestação de serviço, conforme demonstrativo abaixo: Fontes Pagadoras CNPJ Valor dos Rendimentos Valor do IRRF Prefeitura Municipal de Peri Mirim 41.611.856/000180 30.000,00 3.930,00 Prefeitura Municipal de São Bento 06.214.258/000177 36.000,00 5.580,00 Prefeitura Municipal de Lago da Pedra 06.021.810/000100 22.529,00 4.035,48 Prefeitura Municipal de Axixá 06.008.569/000180 24.000,00 2.280,00 112.529,00 15.825,48 Na impugnação, o contribuinte informou, ainda, que prestou serviços às fontes pagadoras e que os rendimentos foram devidamente informados na Declaração de Ajuste Anual. Informou, ainda, que cada fonte pagadora apresentou a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, fato que ocorreu após o lançamento do Auto de Infração. A Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte foi apresentada, em 30/12/2004, em nome da cada fonte pagadora. Como prova, o contribuinte carreou aos autos cópias dos Recibos de Entrega das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRFs, apresentadas em nome da cada fonte pagadora, documentos anexados às fls. 25/36. Os julgadores da 1ª Turma da DRJ/FOR decidiram converter o julgamento em diligencia (efls. 46/48) para que as fontes pagadoras fossem intimadas a comprovar os pagamentos feitos ao contribuinte no ano calendário 1998 e a respectiva retenção do IRRF, conforme indicado nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas em 30/12/2004 (efls. 25/36). Extraise da Informação Fiscal (efls. 61) que: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 100 3 1) A Prefeitura de Lago da Pedra informou que não foi possível prestar as informações solicitadas por não encontrar nos seus arquivos os documentos solicitados (fls. 54); 2) A Prefeitura de Axixá enviou Ofício, com data de 22/06/2011, solicitando dilação do prazo por mais vinte dias face à dificuldade de localizar os documentos solicitados (fls. 55). Esse expediente foi recepcionado em 05/07/2011, porém, até a presente data nenhuma outra resposta foi apresentada. As Prefeituras de Peri Mirim e de São Bento não apresentaram resposta até a presente data. A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR (efls. 63/68) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:1998 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. FALTA DE DIRF. Para efeito da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o Imposto Devido apurado na Declaração de Ajuste Anual, devese apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos. Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/06/2012 (efls. 72), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 27/07/2012 (efls. 75/77) apresentando uma breve descrição dos fatos ocorridos e solicitando que o Auto de Infração seja julgado improcedente pelas razões a seguir reproduzidas. 4.1.1 que a glosa do Imposto Retido na Fonte, tipificação da Infração que deu origem ao Lançamento ora questionado, deixe de existir, tendo em vista a DIRF ter sido apresentada pelas Fontes Pagadoras, saneando a irregularidade até então existente; 4.1.2 A DIRF significa uma Declaração da Fonte Pagadora, à Receita Federal, de que pagou ao portador do CPF indicado, no período também indicado, o valor total informado e o correspondente Imposto Retido na Fonte, procedimento que foi realizado, embora com atraso; 4.1.3 o fato das Prefeituras haverem apresentado as DIRF após o contribuinte ter recepcionado o Auto de Infração, não se sustenta, tendo em vista a inexistência de Ato Legal dispondo sobre a matéria; 4.1.4 o fato do requerente ter sido o Contador dessas Prefeituras naquele período, não sustenta o Lançamento, por falta de legislação impeditiva; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 101 4 4.1.5 a falta de juntada aos autos, por parte do contribuinte, de documentos da fonte pagadora, também não é motivo de sustentação do Lançamento, por considerar que a DIRF supre essas informações, considerando que a Fonte Pagadora declarou que pagou e reteve os valores questionados. O contribuinte não os anexou aos autos, quando da Ia impugnação, por não mais dispor em seus arquivos e ter tido dificuldade em obtêlos junto às Fontes Pagadoras, que havia mudado de Gestores. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos verificase que, após diligenciar junto às fontes pagadoras, a DRJ manteve integralmente a dedução indevida apurada no lançamento conforme razões de decidir a seguir reproduzidas, as quais acompanho: Cabe por bem se ressaltar que as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte foram apresentadas após a ciência do Auto de Infração, em uma mesma data. Examinandose os documentos acostados aos autos, notadamente, as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, percebese, facilmente, que todas as Declarações foram apresentadas em uma mesma data, ou seja, em 27/12/2004. Percebese, ainda, que cada fonte pagadora possuía apenas o senhor contribuinte como beneficiário de rendimento com retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte. Ademais, verificase que o senhor contribuinte prestava serviço de contabilidade às fontes pagadoras, todas prefeituras municipais. É o que se pode inferir da impugnação e da ocupação principal e da natureza da atividade, informadas na Declaração de Ajuste Anual. Conforme o relatório de diligência, nenhuma das quatro fontes pagadoras informou se havia pago rendimento ao senhor contribuinte e se havia retido e recolhido o respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] É certo que o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de prestação de serviço é compensável com o Imposto de Renda Devido apurado na Declaração de Ajuste Anual (Lei nº 9.250, de 1995, art.12). É certo também que o Imposto Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na Declaração, se, efetivamente, o ônus Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 102 5 de pagamento tenha sido do contribuinte e o contribuinte possua um comprovante de rendimentos e de retenção de imposto, emitido em seu nome, pela fonte pagadora (Lei nº 7.450, de 1985, artigo 55). Para o presente caso, vêse que o contribuinte não carreou aos autos o nenhum Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, que tivesse sido fornecido pela fonte pagadora. Ademais, nenhuma das quatro fontes pagadoras informadas na Declaração de Ajuste Anual confirmou que tivesse pago ao senhor contribuinte, no anocalendário de 1998, rendimentos por prestação de serviços de contabilidade. [...] Desta forma, não tendo o contribuinte logrado comprovar a efetividade da retenção do IRRF (no valor de R$ 3.930,00, no valor de R$ 5.580,00, no valor de R$ 4.035,40 e no valor de R$ 2.280,00), através de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, nos termos do artigo 941 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, é indevida a compensação do IRRF na Declaração de Ajuste Anual, pois nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995 (artigo 87 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), somente poderá ser compensado do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual o Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo e respaldo em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fornecido pela fonte pagadora. Cumpre ressaltar que a DIRF é um documento emitido pela fonte pagadora que serve como prova relativa dos rendimentos pagos ao contribuinte e da respectiva retenção de imposto de renda efetuada no ano calendário. Assim, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da veracidade das informações ali consignadas. Havendo questionamento acerca dos valores declarados, cabe ao contribuinte o ônus de comproválos de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. No caso concreto extraise do Auto de Infração que, após intimado pela autoridade lançadora, o interessado não compareceu para prestar esclarecimentos (efls. 24). Verificase, ainda, que mesmo após a ciência da decisão de piso, este não apresentou nenhum comprovante de rendimentos ou outro elemento de prova com o intuito de suprir as pendências apontadas na primeira instância. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10320.000068/200542 Acórdão n.º 2002000.779 S2C0T2 Fl. 103 6 Fl. 103DF CARF MF
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