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Numero do processo: 15374.724356/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. PRONUNCIAMENTO DO STJ. REPRODUÇÃO. NECESSIDADE. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO.
No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543 C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. No REsp nº 1149022/SP restou assentado que, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Alberto Pinto Souza Junior
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. PRONUNCIAMENTO DO STJ. REPRODUÇÃO. NECESSIDADE. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543 C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. No REsp nº 1149022/SP restou assentado que, “quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 56 /2 00 9- 16 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.724356/200916 Acórdão n.º 1301001.041 S1C3T1 Fl. 287 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.724356/200916 Acórdão n.º 1301001.041 S1C3T1 Fl. 288 3 Relatório PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que deferiu parcialmente solicitação veiculada por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de compensação envolvendo crédito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (R$ 24.603.480,67), relativo a suposto pagamento indevido ou a maior de estimativa de junho de 2008, e débito de igual espécie (estimativa de IRPJ) relativo ao período de apuração de agosto de 2009. O Parecer Conclusivo e o Despacho Decisório dele decorrente (fls. 22/27), emitido pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO), emitiu entendimento no sentido de que, tratandose de recolhimentos antecipados integrados à sistemática do lucro real anual, somente é possível reconhecer direitos creditórios relacionados aos saldos negativos apurados ao final do anocalendário, não sendo pertinente apurar pagamento indevido ou a maior de antecipações de IRPJ. Restou assinalado ainda que, independentemente do entendimento esposado acerca da impossibilidade de restituição das estimativas mensais de IRPJ, não foram trazidos ao processo elementos comprobatórios do pagamento indevido. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 30/43), a contribuinte argumentou, em síntese, que: o pagamento a maior encontrarseia documentado pelas provas acostadas; o entendimento esposado pela Demac/RJO estaria equivocado, não possuindo a limitação ventilada pelas instruções normativas citadas respaldo nas leis que regulam a matéria; o art. 10 da IN SRF nº 460/2005 e o art. 10 da IN SRF nº 600/2005 seriam ilegais, visto violarem o princípio da hierarquia das normas; ainda que se entendesse que a restrição atacada não representou ofensa ao princípio da legalidade e da hierarquia das leis, não poderia mais ela ser oposta ao contribuinte em razão de o art. 11 da IN SRF nº 900, de 2008, não mais trazer referida limitação. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando a defesa apresentada, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12037.590, de 30 de maio de 2011, pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE SEUS FUNDAMENTOS. REJEIÇÃO. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.724356/200916 Acórdão n.º 1301001.041 S1C3T1 Fl. 289 4 Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendolhes competência para apreciar argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade do artigo 10 das Instruções Normativas SRF nº 460/2004 e 600/2005, regularmente editados, atribuição essa privativa do Poder Judiciário. LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. CRÉDITO ORIUNDO DE PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL, NÃO DEDUZIDO NA APURAÇÃO ANUAL DO IRPJ. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. A parcela que excede o pagamento de estimativa de IRPJ não tem natureza jurídica de estimativa se a pessoa jurídica apura o tributo com observância das normas que regem a tributação com base no lucro real e não procede à dedução da parcela excedente na apuração da contribuição (sic) ao término do ano calendário. Em decorrência, reconhecese o direito creditório relativamente ao valor correspondente ao pagamento a maior da estimativa. LUCRO REAL ANUAL. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ A MAIOR, APÓS O VENCIMENTO. RECOLHIMENTO SEM A MULTA DE MORA. REDUÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Sobre os débitos recolhidos após o vencimento incide multa de mora. A sua falta e a conseqüente utilização de parte do crédito pleiteado no PER/DCOMP para o seu pagamento, resulta, na espécie, na redução do saldo de crédito passível de compensação. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 209/219, por meio do qual sustenta: que a multa é equivocada, posto que para que ela tivesse efetivamente ocorrido, haveria que existir um fato gerador; que a multa também se apresenta inexigível uma vez que aplicável o art. 138 do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.724356/200916 Acórdão n.º 1301001.041 S1C3T1 Fl. 290 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Como se vê, no presente caso, pronunciandose favoravelmente à contribuinte acerca da possibilidade de reconhecimento de crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa antes de finalizado o período de apuração, a autoridade julgadora de primeira instância, por outro lado, reduziu o montante do crédito pleiteado de R$ 24.603.480,67 para R$ 4.061.560,07, em virtude da constatação de que parte do débito vencido em 31 de julho de 2008 só foi recolhido em 30 de janeiro de 2009, sem a inclusão da multa de mora. A Recorrente clama pelo restabelecimento da integralidade do seu direito creditório, pois, para ela, a exigência de multa de 20% é equivocada tendo em vista a denúncia espontânea. Aduz que, caso se conclua pela não aplicação do instituto da denúncia espontânea à situação sob análise, não se pode exigir a multa de mora em questão haja vista a ausência de fato gerador. No que diz respeito à possibilidade de cobrança de multa moratória em virtude do atraso no pagamento da estimativa apurada, com o devido respeito a eventuais pronunciamentos em sentido diverso, penso que, em se tratando de pagamento a destempo realizado no âmbito da atividade a que faz referência o art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação), é cabível a aplicação da penalidade pecuniária, nos exatos termos do disposto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O que, a meu ver, não encontraria suporte legal, seria a constituição de ofício do crédito tributário relativo à antecipação obrigatória em referência, vez que, para esta Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.724356/200916 Acórdão n.º 1301001.041 S1C3T1 Fl. 291 6 situação, existe penalidade específica, qual seja, a prevista na alínea “b”, inciso II, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto à alegada inexigibilidade da multa moratória em face da denúncia espontânea da infração, trago à baila a súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Ainda que não se avance na análise acerca de um possível afastamento da lei de vigência por parte da autoridade administrativa a partir da aplicação das disposições do art. 138 do CTN em detrimento do disposto no art. 61 da Lei nº. 9.430/96, o que, no caso deste Colegiado, poderseia argumentar não ser possível face as disposições do art. 62 do Regimento Interno, entendo que o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça refletido na súmula nº. 360 decorre do fato de que, no lançamento por homologação, o dever de apurar a base de cálculo do tributo, efetuar o seu pagamento e, por meio de declaração, prestar as informações relativas a esses procedimentos à Administração Tributária, é do próprio sujeito passivo. Nesse contexto, revelase, a meu ver, absolutamente impróprio dizer que o sujeito passivo que cumpre com as determinações prescritas pela legislação para a modalidade de lançamento em referência está “denunciando espontaneamente a infração”. Assim, mesmo desconsiderando qualquer análise acerca da ausência de conflito entre a norma trazida pelo art. 138 do CTN e a preconizada pelo art. 61 da Lei nº. 9.430/96, resta fora de dúvida que, nos tributos e contribuições submetidos ao denominado lançamento por homologação, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea da infração. Em que pese o entendimento acima esposado, no âmbito deste Colegiado, por força do disposto no art. 62 A do Anexo II do Regimento Interno, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543 C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Nessa linha, no REsp nº 1149022/SP, Relator o Ministro Luiz Fux, restou assentado que “a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. Adiante, está consignado que “quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN”. Diante dos elementos trazidos pela decisão recorrida, que autoriza a conclusão de que o caso vertente assemelhase à enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça no recurso especial acima referenciado, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.724356/200916 Acórdão n.º 1301001.041 S1C3T1 Fl. 292 7 Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 9/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 15889.000677/2007-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
LUCRO PRESUMIDO - SERVIÇO DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA - NATUREZA HOSPITALAR - TRIBUTAÇÃO NA FORMA PRESUMIDA COM ALÍQUOTA DE 8% SOBRE A RECEITA BRUTA - DECISÃO DO STJ. Confirmada pela natureza do serviço prestado que a atividade do contribuinte se enquadra no disposto no art. 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, há que se reconhecer o direito à aplicação de alíquota de 8%, para o imposto de renda, e de 12% para a contribuição social sobre o lucro líquido.
Numero da decisão: 1802-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Conselheiro.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Confirmada pela natureza do serviço prestado que a atividade do contribuinte se enquadra no disposto no art. 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, há que se reconhecer o direito à aplicação de alíquota de 8%, para o imposto de renda, e de 12% para a contribuição social sobre o lucro líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 06 77 /2 00 7- 51 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 519 2 Marco Antonio Nunes Castilho Conselheiro. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto – SP (DRJRPO), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “No âmbito do procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08.1.03.002007008051 (fl. 01), contra a contribuinte, submetida à tributação pela sistemática de apuração do resultado pelo lucro presumido, foi lavrado o auto de infração (fls. 02/21) que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), conforme quadro abaixo: Tributo Lançado Multa Juros Total IRPJ 84.991,36 63.743,48 30.373,91 179.108,75 CSLL 44.545,29 13.797,09 33.408,94 91.751,32 Total 129.536,65 77.540,57 63.782,85 270.860,07 A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 154/157) a contribuinte aplicou a alíquota de 8% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido e 12% para determinação da base de cálculo da CSLL, classificando sua receita bruta como prestação de serviços hospitalares, nos termos da Lei n. 9.249/1995, arts. 15 e 20. A autoridade fiscal consignou que a definição de serviços hospitalares deve ser calcada na interpretação dada pelo Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n. 19/2007, segundo o qual ‘os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação Fl. 519DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 520 3 de pacientes, garantir o atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada pro médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.’ Aduziu que se deve ter em mente que os coeficientes de presunção do lucro são variáveis em função da margem de lucro obtida em cada tipo de atividade, levandose em conta os custos incidentes que, no caso de serviços hospitalares, são maiores, conforme manifestações jurisdicionais que colacionou no referido termo. Instruem os autos os demonstrativos de fls. 152/153 em que constam o IR e a CSLL apurados em razão de a atividade da contribuinte não ter sido considerada como serviços hospitalares. Regularmente notificada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com uma impugnação para cada um dos tributos lançados (fls. 158/173. 192/213). em que declina os mesmos argumentos, com alegação de que: a tipificação legal dos ilícitos tributários apontados é insuficiente e não especificou em qual hipótese de incidência estaria enquadrada a impugnante, em descumprimento do art. 10 do Decreto n. 70.235/1972; tal circunstância impede exercício da plena defesa e não pode ser suprimida pela exposição dos fatos; está sediada nas dependências do hospital Sociedade Beneficente Portuguesa de Bauru, único tomador de seus serviços, na área de hematologia e hemoterapia, que devem ser considerados serviços hospitalares, em consonância com o entendimento do Ato Declaratório Interpretativo n. 19/2007, do Conselho de Contribuintes e da própria Administração Tributária, prolatado nas soluções de consulta enumeradas. Ao final, propugnou pela nulidade do auto de infração baseada em que: a) não houve subsunção dos fatos à norma, de modo que não foi citado de forma específica o dispositivo legal que obriga a impugnante, como prestadora de serviços hospitalares, a aplicar o percentual diverso do adotado sobre a receita bruta do período para determinação da base de cálculo de IRPJ e da CSLL, o que prejudica o seu exercício da ampla defesa, assegurado pelo inciso LV do art. 5 o da CF; b) o IR e a CSLL não são devidos, pois o valor que está sendo cobrado decorre do alargamento ilegal da base de cálculo, pela aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando a lei determina a aplicação do percentual de 12% para apuração Fl. 520DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 521 4 da CSLL e 8% para IRPJ, para os prestadores de serviços hospitalares, como é o caso da impugnante.” Em sua decisão, a DRJRPO houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 1432.649, Sessão de 24 de fevereiro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2006 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação.” Impugnação Improcedente “Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, o Recorrente apresentou, em 28/11/2011, Recurso Voluntário (fls. 44/54) no qual aduziu, em síntese; que entende que o IR e a CSLL não são devidos, pois o valor que está sendo cobrado decorre do alargamento ilegal da base de cálculo, pela aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando a lei determina a aplicação do percentual de 12% para apuração da CSLL e 8% para IRPJ, para os prestadores de serviços hospitalares, como é o caso da recorrente. É o relatório, passo a decidir. Voto Fl. 521DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 522 5 Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O Recorrente foi intimado da decisão da DRJ, em 25.03.2011, sendo certo que o recurso voluntário foi interposto em 20.04.2011, portanto, tempestivamente. O presente recurso é dotado dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento. O cerne da discussão do presente processo diz respeito a estar, ou não, o Recorrente enquadrado na categoria de empresa que presta serviço que pode ser considerado hospitalar, para efeito de usufruir de carga tributária menor, quanto ao cálculo do imposto de renda pessoa jurídica – “IRPJ” e contribuição social sobre o lucro líquido – “CSSL”, em relação às demais empresas comuns de prestação de serviços. A Recorrente tem como atividade a prestação de serviços de hemoterapia e hematologia e desenvolve suas atividades em uma única unidade que se encontra nas dependências do hospital da Socedade Beneficiente Portuguesa de Bauru. A Recorrente, às fls. 404, descreve da seguinte forma a sua atividade: “(...) a coleta de sangue para atendimento de pacientes do Hospital da Sociedade Beneficente Portuguesa de Bauru e, para tanto, dispõe de estrutura de material e pessoal destinada a atender as necessidades específicas de tratamento dos pacientes daquela instituição, principalmente no que toca aos procedimentos cirúrgicos, contando com equipe clínica e assistência médica permanente, além de disponibilizar serviços de laboratório (doc. 03)” Ou seja, a Recorrente possui estrutura de material e de pessoas e desenvolve a sua atividade dentro de uma unidade hospitalar. Em contrapartida, a autoridade fiscalizadora e a Decisão Recorrida contestam os argumentos da Recorrente, com base no Ato Declaratório Interpretativo n˚ 19/2007, que somente seriam considerados atividades hospitalares aquelas que se enquadram no conceito abaixo transcrito: “Artigo Único. – Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 523 6 ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” O assunto em debate não é novo nesse Conselho e já mereceu diversas decisões favoráveis aos contribuintes que comprovaram exercer serviços hospitalares mesmo não se caracterizando como estabelecimento hospitalar. Apenas para demonstrar como as decisões estão sendo prolatadas transcrevo a seguir o seguinte acórdão: “Processo n° : 10680.014258/200213 Matéria : IRPJ — EXS: DE 1998 a 2001 Recorrente : Clínica Santo Antônio S/C Ltda. Recorrida : 3a Turma/DRJBelo Horizonte — MG. Sessão de : 10 de agosto de 2005. Acórdão n° : 10195.117 LUCRO PRESUMIDO — SERVIÇOS DE HEMODIÁLISE — ALÍQUOTA APLICÁVEL — LEI N° 9.249/95 — CONTEXTO FÁTICO — ATIVIDADE HOSPITALAR — A interpretação do julgador deve se vincular a lei, e para proceder a aplicação consentânea ao Direito deve considerar todos os fatos da realidade operacional da atividade desenvolvida pela contribuinte. Em face disso, os serviços prestados de hemodiálise, considerando a estrutura funcional, e demais condições operacionais, que compõem o caráter empresarial da prestação, não se confundem com uma mera prestação de serviços de profissão regulamentada, mas sim e propriamente, no caso concreto, com verdadeira prestação de serviços hospitalares. Assim, tal enquadramento quanto a alíquota aplicável no regime de tributação de lucro presumido, se insere na exceção prevista no art. 15, §1° , inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/95. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos o presente recurso voluntário interposto por CLINICA SANTO ANTÔNIO S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento o recurso, nos termos do relatório e voto que passam a Integrar o presente julgado.” Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 524 7 A decisão prolatada está calcada no aspecto fático do contribuinte desenvolver alguma atividade hospitalar. Essa é a premissa básica prevista no art. 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com o propósito de definir o que deve ser compreendido como atividade hospitalar, foi expedido o Ato Declaratório Interpretativo de n˚19/2007 (transcrito quando tratei do argumento da Fazenda) dispondo que a atividade hospitalar contém uma série de atividades complementares, as quais juntas, corroboram no atendimento dos pacientes. Ou seja, a atividade hospitalar compreende uma série de serviços de natureza médica que combinados formam o serviço hospitalar. Dentre esses serviços encontramos a menção expressa ao atendimento básico de diagnóstico que é exatamente atividade do Recorrente, prestado com equipamentos e equipe própria dentro de um estabelecimento hospitalar na cidade de Bauru. A Recorrente tem suas atividades vinculadas às atividades desenvolvidas pelo hospital, sendo tais atividades voltadas diretamente à promoção da saúde e não se caracterizam como simples consultas médicas que são atividades mais atinentes aos consultórios médicos do que prestados no âmbito hospitalar. Não há que se negar o benefício pela eventual falta de estrutura da Recorrente em permitir a internação de pacientes, sendo certo que tal requisito pode ser alcançado pela estrutura do próprio hospital onde exerce suas atividades, as quais buscam atender as necessidades específicas de tratamento dos pacientes daquela instituição, principalmente no que toca aos procedimentos cirúrgicos. Portanto, a meu ver, é inegável que a Recorrente presta um serviço hospitalar, tal qual especificado no art. 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Ademais, esse entendimento foi esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, em caráter vinculativo, ao apreciar o Recurso Especial nº 1.116.399 BA (2009/00064810 Ministro Benedito Gonçalves), do qual transcrevo os seguintes trechos do voto do Relator: “Por outro lado, conforme já mencionado, a Corte a quo consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade que é diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, de acordo com a argumentação acima exposta, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso do CSLL, sobre a receita brita auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais).” “Com efeito, naquela assentada, após os judiciosos votos proferidos pelo Ministro Relator e pelos Ministros Teori Zavascki e Eliana Calmon, decidiuse, em síntese, que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pela Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 525 8 contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou o contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), que é , inclusive, alçado à condição de direito fundamental.” A seguir transcrevo a íntegra da ementa do julgado: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CALCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOSHOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1a Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15. § Io. inciso III. da Lei 9.249/9, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal. Não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 526 9 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2o do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido”. Considerando tratarse de material que mereceu o tratamento previsto no art. 543 – C, do CPC, pelo Superior Tribunal de Justiça, a meu ver tem aplicação o dispositivo do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com a redação da Portaria MF nº 586, de 2010, que determina o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil deverão ser reproduzidos pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15889.000677/200751 Acórdão n.º 1802001.371 S1TE02 Fl. 527 10 Assim, com base nos aspectos de fato e de direito acima debatidos, entendo que a atividade desenvolvida pelo Recorrente se enquadra no disposto no art. 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que permite calcular o imposto de renda pessoa jurídica, à alíquota de 8% e a contribuição social sobre o lucro líquido à alíquota de 12%, ambos sobre a receita bruta. Ante o exposto voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto para reformar a decisão da DRJ RPO. (assinado digitalmente) Relator Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11483.000305/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Constado que os valores da pensão alimentícia informados nos comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora são conflitantes entre si, cancela-se o lançamento.
Recuso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Constado que os valores da pensão alimentícia informados nos comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora são conflitantes entre si, cancelase o lançamento. Recuso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 48 3. 00 03 05 /2 00 8- 18 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 16 a 22, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, no valor original de R$ 347,49, que acrescido de juros de mora e multa de ofício totalizou o crédito tributário no valor de R$ 763,70, relativamente ao exercício financeiro de 2005, anocalendário de 2004. Depreendese da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 17 a 20, que o lançamento teve origem na constatação das seguintes irregularidades: Dedução Indevida de Dependentes, no valor de R$ 3.816,00, uma vez que concomitante com dedução de pensão alimentícia paga a filhos; Dedução Indevida com Despesa de Instrução, no valor de R$ 1.350,40, tendo em vista que não ficou comprovado que o contribuinte ficaria responsável pelas despesas com instrução dos alimentandos; Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 2.562,20, por corresponder a rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte (13º salário). Não se conformando com o crédito tributário constituído, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01 a 02, sustentando em sua defesa que: é casado legalmente com Glaucia Maria de Alvarenga Nogueira, CPF 072.351.418 67, e possui três filhos menores: Jorge Henrique de Alvarenga Nogueira, nascido em 27/12/1990; Gláucia Maria de Alvarenga Nogueira, nascida em 15/05/1993, e Gabriel Francisco de Alvarenga Nogueira, nascido em 18/11/1998,, sendo todos dependentes do seu salário de aposentado; a razão pela qual sua esposa recebe pensão alimentícia decorre do fato de que, estando à época afastado para tratamento de saúde, ela teria ficado sem acesso à conta corrente mantida no Banco do Brasil. Diante das privações financeiras passadas juntamente com filhos, sua esposa teria solicitado e obtido o direito à pensão alimentícia judicial; o Imposto de Renda é debitado no seu holerite e sua esposa não tem renda para pagar o imposto, uma vez que o dinheiro que recebe é do seu salário. Assim, além de não receber a sua restituição, ainda tem que pagar novamente imposto de renda de um dinheiro que já foi pago imposto; anexa à impugnação as cópias das certidões de casamento e de nascimento dos filhos e comprovante de rendimentos. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, julgou a impugnação procedente em parte, fls. 70 a 77, para restabelecer os valores das deduções declaradas a título de dependentes e despesas com instrução. Abaixo se reproduz excerto extraídos do voto condutor do Acórdão nº 1741.361 – 8ª Turma da DRJ/SP2, relativamente à manutenção da glosa da despesa de pensão alimentícia : (...) Da Dedução de Pensão Alimentícia Judicial A dedução feita pelo contribuinte a titulo de pensão judicial não pode ser aceita, pois a situação de fato existente à época não condiz com a situação de direito expressa na sentença judicial exarada nos autos do Processo n° 1010/02 (fls. 56/57), que Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11483.000305/200818 Acórdão n.º 2802001.949 S2TE02 Fl. 90 3 homologou o acordo entre o Impugnante e o cônjuge para que fosse paga em seu favor desta e de seus filhos a quantia equivalente a 30% dos proventos líquidos deste. Conforme declara o Impugnante, embora sua esposa Gláucia receba pensão alimentícia, o casal não é separado nem divorciado e vive juntamente com os filhos na Rua Maranhão, 768 — Centro, Ubatuba/SP. (...) Assim, mantida a unidade familiar e não caracterizada a saída da residência do responsável pelo sustento da família, as despesas a que o contribuinte faz jus para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda são aquelas inerentes aos deveres familiares, quais sejam: dedução com os dependentes (cônjuge, filhos etc), despesas médicas e despesas com instrução por serem estas mais especificas. Por estas razões a glosa da despesa declarada a titulo de pensão judicial deve ser mantida. (...). Cientificado em 18/01/2011, fls. 82, verso, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 09/02/2011, fls. 83, acompanhado dos documentos de fls. 84 a 87, aduzindo, textualmente, que: (...) Já tenho meu imposto retido na fonte, sou Funcionário Público Federal (PRF), e minha esposa Gláucia Maria Alvarenga Nogueira paga o imposto da parte dela. Por isso não entendo, além de não receber restituição, tem de pagar. (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Inicialmente, cumprese ressaltar que o presente julgamento se aterá à matéria litigiosa remanescente da decisão proferida em primeira instância administrativa, qual seja, dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Constatase das fls. 54 a 63 que o valor glosado a esse título tem por referência as importâncias estipuladas em razão de dois acordos de concessão de alimentos homologados judicialmente que fixaram, respectivamente, uma pensão alimentícia devida pelo Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 contribuinte à Gláucia Maria de Alvarenga Nogueira e seus três filhos menores e outra devida à Edna da Silva. Ainda a respeito da glosa de pensão alimentícia considerada indevida pelo lançamento, de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 20, o valor de R$ 2.562,20 decorre da alteração do montante consignado na DIRPF/2005 de “R$ 33.619,95 para R$ 31.057,75 tendo em vista que não se pode deduzir a pensão alimentícia oriunda de décimo terceiro salário por ser rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte”. A decisão proferida pela DRJ em São Paulo II manteve o lançamento, nessa parte, ao argumento de que o valor correto a ser exigido do contribuinte deveria corresponder à integralidade do valor deduzido na DIRPF/2005 como pagamento realizado à Gláucia Maria de Alvarenga Nogueira e seus três filhos menores. Segundo consta do voto condutor do acórdão recorrido, diante do fato de nos autos constarem declaração firmada pelo próprio contribuinte no sentido de que inexistiu a separação do casal, os pagamentos efetuados não possuem a natureza própria das despesas com pensão alimentícia. Contudo, não foi esse o fato gerador registrado no Lançamento Suplementar, conforme acima mencionado. Tratase, pois, de inovação do fundamento que serviu ao Lançamento Suplementar, procedimento esse que, a teor do disposto no § 3º do art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, necessitaria da adoção de procedimento fiscal complementar, o que não ocorreu nos presentes autos. Por sua vez, o exame dos comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, fls. 04 e 05, revela que o valor total da pensão alimentícia deduzida dos rendimentos auferidos pelo contribuinte conflita com o somatório dos valores destacados individualmente nesses mesmos comprovantes para cada beneficiária. Diante dessa constatação, bem como do fato de não se colher dos autos nenhum elemento capaz de evidenciar que, de fato, a diferença constada referese à pensão alimentícia calculada sobre décimo terceiro salário, há que se desconsiderar o lançamento efetuado, nessa parte. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer o valor de R$ 2.562,20, glosado a título de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11483.000305/200818 Acórdão n.º 2802001.949 S2TE02 Fl. 91 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 26 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724516/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF - fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês-calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento).
Numero da decisão: 1803-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/10/2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF - fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês-calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento).
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A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 45 16 /2 01 0- 01 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.724516/201001 Acórdão n.º 1803001.539 S1TE03 Fl. 44 2 ARTIS SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de auto de infração (fl. 12), decorrente de lançamento eletrônico de multa por atraso na entrega da DCTF do 1º Semestre de 2005, efetuada em 26/06/2009 (fl. 20), cujo vencimento ocorreu em 07/10/2005. Em sua impugnação (fls. 02/11), alega a empresa a improcedência do lançamento considerando que não há previsão legal para exigência da multa, não podendo a penalidade ser instituída por mera instrução normativa. A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão nº 1529.627, de 31 de janeiro de 2012 (fls. 28/31), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária. Ciente da decisão em 16/02/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 34), apresentou o recurso voluntário em 13/03/2012 fls. 35/38, onde altera substancialmente suas argumentações pugnando pela nulidade do auto de infração por vício do MPF e que não foi reconhecida a exclusão dos débitos de PIS/COFINS da base de cálculo da multa. Requer adicionalmente perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade do auto de infração pois não houve prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, havendo vício formal no lançamento; Fl. 44DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.724516/201001 Acórdão n.º 1803001.539 S1TE03 Fl. 45 3 b) Que não foi considerada pela decisão de primeira instância, a exclusão dos valores de PIS/COFINS que foram considerados indevidos em outro processo, não podendo incidir a multa sobre estes valores; c) Requer adicionalmente a perícia para comprovação do alegado. Não assiste razão à interessada. Com efeito, além de não ter apresentado estas alegações por ocasião da impugnação, sendo matéria preclusa, não há qualquer vinculação com os fatos constantes do presente processo. Inicialmente com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), não houve emissão de MPF pois tratase de lançamento eletrônico interno que dispensa a emissão do Mandado. No que tange a suposta exclusão de valores de PIS e COFINS que teria sido reconhecida em outro processo, não juntou a recorrente qualquer prova de suas alegações e tampouco fez referência a qualquer número de processo que desse sentido ao seu pedido de perícia técnica. Ou seja, as alegações formuladas no recurso voluntário não tem qualquer nexo com o conteúdo do presente processo de multa por atraso na entrega da DCTF. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11516.005465/2007-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITES DO LITÍGIO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Não integra o litígio em segunda instância a omissão de receitas que não foi impugnada.
BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA PAGAS PELA CAPES. ÁREA MÉDICA. NATUREZA DE DOAÇÃO.
Não entram no cômputo do rendimento bruto tributável os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Destarte, no lançamento devem ser excluídos dos rendimentos tributáveis o valor referente a bolsa de estudos paga pela CAPES que atendem os requisitos acima descritos.
Recurso voluntário conhecido em parte e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 2802-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos conhecer o recurso voluntário em parte e , na parte conhecida, DAR PROVIMENTO para que seja excluído do rendimento bruto tributável o valor de R$20.550,40 (vinte mil, quinhentos e cinquenta reais e quarenta centavos) referente à bolsa de estudo paga pela CAPES, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Banderia Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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LIMITES DO LITÍGIO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não integra o litígio em segunda instância a omissão de receitas que não foi impugnada. BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA PAGAS PELA CAPES. ÁREA MÉDICA. NATUREZA DE DOAÇÃO. Não entram no cômputo do rendimento bruto tributável os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Destarte, no lançamento devem ser excluídos dos rendimentos tributáveis o valor referente a bolsa de estudos paga pela CAPES que atendem os requisitos acima descritos. Recurso voluntário conhecido em parte e, na parte conhecida, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos conhecer o recurso voluntário em parte e , na parte conhecida, DAR PROVIMENTO para que seja excluído do rendimento bruto tributável o valor de R$20.550,40 (vinte mil, quinhentos e cinquenta reais e quarenta centavos) referente à bolsa de estudo paga pela CAPES, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 54 65 /2 00 7- 48 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Banderia Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2005 , anocalendário 2004, em virtude de apuração de omissão de rendimentos no montante de R$20.813,02, sendo R$20.550,40 da fonte pagadora Fundação Coordenadora de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e R$262,62 da Associação dos Professores da Universidade Federal SC. A descrição dos fatos contempla informação de que o valora pago pela CAPES referese a “Bolsa Capes” e que dos R$6.081,61 decorrentes de decisões da Justiça Federal só há previsão legal para dedução dos honorários advocatícios, de forma que os rendimentos tributáveis correspondentes totalizam R$6.030,22. (fls. 05). O valor referente a Bolsa Capes foi declarado no campo de rendimentos isentos e não tributáveis (fls. 11). Na impugnação o contribuinte alega que recebeu bolsa de estudo o que entende comprovado pelos documentos carreados aos autos e que se trata de rendimentos não tributável. A DRJ declarou não impugnada a omissão de R$262,62 consignando que o litígio limitouse ao valor pago pela CAPES a título de bolsa de estudo e indeferiu a impugnação com fundamento na natureza tributável das bolsas de estudo com previsão exemplificativa no art. 43 do RIR1999 e na Pergunta nº 165 do Manual Perguntas e Respostas da Receita Federal. Ciente da decisão de primeira instância em 12/06/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 11/07/2011, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. recebeu bolsa estudantil da CAPES para realização de estágio pósdoutorado na Universidade Técnica de Lisboa entre novembro de 2004 e maio de 2005 na Universidade Técnica de Lisboa, verba de natureza indenizatória, que não constitui vantagem para o doador e não caracteriza contraprestação de serviços ou acréscimo patrimonial por parte do beneficiário do rendimento; 2. os referidos valores foram informados na Declaração de Ajuste Anual como rendimentos isentos e não tributáveis, de forma que é incorreto considerar que Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.005465/200748 Acórdão n.º 2802002.005 S2TE02 Fl. 79 3 houve omissão de rendimentos e muito menos aplicar sanção; 3. discorre sobre a finalidade das bolsas de estudo da CAPES e sobre o Estágio Pósdoutoral para comprovar a natureza da bolsa de estudo; 4. não se aplica o inciso I do art. 43 do RIR1999, pois este dispositivo trata de rendimentos do trabalho assalariado, o que não é o caso, a norma aplicável é o inciso VII do art. 39 do RIR1999 o qual dispões que as bolsas de estudo e de pesquisa não entram no cômputo do rendimento bruto; 5. também não se aplica a este caso a Pergunta nº 165 do Manual Perguntas e Resposta e sim a de nº 267 que trata da isenção dos valores recebidos como bolsas de estudo quando recebidos exclusivamente para proceder estudo ou pesquisa e o resultado dessas atividades não representem vantagem para o doador e não caracterize contraprestação de serviço, o que é reconhecido neste Conselho, tal como no acórdão 10422.536, de 14/06/2007; e 6. Requer o cancelamento integral do lançamento. Relatado, passo ao voto. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Na primeira instância não foi impugnada a omissão de rendimentos no valor de R$262,62 referente á Associação dos professores da UFSC, o que foi objeto de declaração da DRJ e não foi contestado no recurso voluntário. Esta matéria, portanto, não integra o litígio em segunda instância. Entretanto, o recorrente requer cancelamento integral do lançamento, razão pela qual destaco que não se conhece do recurso quanto à parcela do crédito tributário que não foi impugnada. A discussão cingese à tributação dos valores recebidos como bolsa de estudos da CAPES para realizar estágio pósdoutoral na Universidade Técnica de Lisboa. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Às fls. 15 consta declaração da CAPES descrevendo que a bolsa consiste em mensalidade para manutenção do beneficiado, auxílio para instalação pago em única parcela, seguro saúde e passagem aérea e compreende o período de novembro de 2004 a maio de 2005. A tributação ou não dos valores pagos como bolsas de estudo, de pesquisa ou de extensão requer analisar o disposto no inciso VII do art. 39 do RIR1999, cuja matriz legal é o art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Capítulo II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços Depreendese que os valores recebidos como bolsas de estudo e de pesquisa podem ser tributáveis ou não, a depender da aferição dos requisitos estampados no citado dispositivo legal, a saber: a) constituam doação; b) sejam recebidos para proceder a estudos ou pesquisas; c) o resultado das atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. A bolsa de estudo paga pela CAPES ao recorrente cumpre com os três requisitos apontado acima. Ademais, há precedentes tanto deste Conselho como judiciais no mesmo sentido. A saber: BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA ÁREA MÉDICA NATUREZA DE DOAÇÃO ENCARGO NÃO TRIBUTÁVEL Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins tributáveis, os valores percebidos a titulo de bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Assim, a bolsa de estudos percebida por professores e pesquisadores, ligados à área médica, para realização de estudos e pesquisas, constitui doação com encargo, não tributável pelo imposto de renda (inciso VII, do artigo 39, do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 1999). Acórdão 10422.488, de 13 de junho de 2007 da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.005465/200748 Acórdão n.º 2802002.005 S2TE02 Fl. 80 5 TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPOSTO DE RENDA. BOLSA DE PESQUISA DO CNPQ. ISENÇÃO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. São isentas do Imposto de Renda as bolsas de estudo e pesquisa recebidas do CNPq, exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas, visto que os resultados dessas atividades não representam vantagem para o doador, e por não importarem contraprestação de serviços. Inteligência dos arts. 26, da Lei 9.250/95, e 39, VII, do Decreto 3.000/99 (RIR/99). 2. Recurso especial desprovido. (REsp 410500/RS, Relator(a) Ministra Denise Arruda, Data do Julgamento 01/06/2006) Diante do exposto, conheço o recurso voluntário em parte e , na parte conhecida, dou PROVIMENTO para que seja excluído do rendimento bruto tributável o valor de R$20.550,40 referente à bolsa de estudo paga pela CAPES. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.001253/2009-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 30/04/2009 (fl. 570), lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), multa de ofício qualificada e juros de mora, nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2003 e dezembro de 2004, em razão da falta de recolhimento do imposto detectada após a glosa de créditos indevidos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 25 3/ 20 09 -7 5 Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Resolução nº 3403000.418 S3C4T3 Fl. 6 2 Segundo o termo de constatação fiscal de fls. 484 a 555, no primeiro decêndio de março de 2003 e na primeira quinzena de janeiro de 2004 o contribuinte lançou a crédito na escrita fiscal do IPI, sob a rubrica “outros créditos”, os valores de R$ 7.463.403,48 e R$ 505.133,83, respectivamente. O contribuinte justificou a composição do crédito de R$ 7.463.403,48 da seguinte forma: R$ 322.159,89 se referem a créditos presumidos de atacadistas anos de 2000 a 2002; R$ 262.499,85 se referem ao crédito presumido de IPI de 1998 a 2002; R$ 226.575,42 se referem créditos por aquisições de insumos isentos de 2000 a 2002; R$ 1.458.329,51 se referem a créditos de insumos “não creditados nos anos 2000 a 2002”; R$ 585.047,82 se referem a créditos por aquisições de insumos tributados com alíquota zero nos anos de 1994 a 1996; R$ 2.430.671,81 se referem à correção monetária – alíquota zero e R$ 310.000,00 se referem à correção monetária – alíquota zero ano de 1993. Esses valores totalizam R$ 5.595.284,30 e o contribuinte justificou a diferença em relação ao valor creditado da seguinte maneira: R$ 1.183.334,37 foram estornados na primeira quinzena de maio de 2004 e R$ 684.784,81 são créditos presumidos de atacadistas não aproveitados à época própria e créditos por aquisição de insumos isentos do período de 1998 a 1999, cujas listagens não foram encontradas. O contribuinte justificou a composição do crédito de R$ 505.133,83 da seguinte forma: R$ 241.460,87 são créditos presumidos de atacadistas do ano 2003; R$ 102.846,33 são créditos presumidos de IPI ano 2003; R$ 91.597,24 são créditos de insumos indiretos; R$ 63.660,83 são créditos de correção monetária sobre insumos indiretos. O somatório desses créditos é de R$ 499.565,27 e o contribuinte justificou que a diferença em relação ao valor creditado se refere a aquisições de atacadistas optantes pelo Simples. A fiscalização justificou as glosas efetuadas da seguinte forma: CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee aaqquuiissiiççõõeess ddee ccoommeerrcciiaanntteess aattaaccaaddiissttaass nnããoo ccoonnttrriibbuuiinntteess ddoo IIPPII.. O contribuinte se creditou do IPI aplicando as alíquotas a que estavam sujeitos os produtos sobre 50% do valor constante da nota fiscal de aquisição. Essas aquisições ocorreram em grande parte durante os anos de 1999, 2000, 2001 e 2002. Entre as compras que originaram os créditos, existem aquisições de empresas optantes pelo Simples, que não dão direito a crédito. Além disso, a maioria das aquisições não ocorreu de comerciantes atacadistas, mas sim de estabelecimentos industriais, pois grande parte das aludidas notas fiscais traz em seu corpo a observação: “Alíquota de IPI reduzida a zero”. Tendo em vista essa situação fática e considerando, ainda, que o contribuinte não comprovou a contabilização das notas fiscais anteriores ao ano de 2003, pois não apresentou os livros de registro de entradas dos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002, a fiscalização glosou as aquisições de empresas optantes do Simples e aquelas emitidas por estabelecimentos industriais, aceitando créditos no valor de R$ 18.702,98. CCrrééddiittoo pprreessuummiiddoo ddee IIPPII O contribuinte apurou e aproveitou o crédito presumido do IPI nos anos de 1998 e de 2000 a 2003. A fiscalização glosou a totalidade do crédito presumido, pois o contribuinte, além de não ter apresentado as DCPs exigidas pela IN SRF 210/2002, também não apresentou os livros de registro de entradas e de saídas dos anos de 1998 a 2002. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Resolução nº 3403000.418 S3C4T3 Fl. 7 3 CCrrééddiittooss rreellaattiivvooss aa ““iinnssuummooss nnããoo ccrreeddiittaaddooss”” O contribuinte se creditou por compras de insumos indiretos ocorridas no período de 30/12/1999 a 21/12/2002. Segundo o contribuinte, esses materiais indiretos são empregados no processo produtivo e não são bens classificados no ativo permanente. Utilizou como fundamento do crédito o Parecer Normativo CST nº 515/71. A fiscalização glosou a totalidade dessas aquisições porque o contribuinte deixou de comprovar sua contabilização, uma vez que não apresentou os livros de registro de entradas de mercadorias dos anos de 1999 a 2002. CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee aaqquuiissiiççõõeess ccoomm aallííqquuoottaa zzeerroo O contribuinte se creditou pelas compras de insumos sujeitos à alíquota zero, ocorridas no período de 25/01/1993 a 05/11/1996, com base na jurisprudência do Poder Judiciário e no princípio da nãocumulatividade. A fiscalização glosou a totalidade desses créditos, pois o valor do crédito de IPI decorrente da entrada de insumos tributados com alíquota zero é zero. Entendeu a fiscalização que não há amparo legal para tomar a alíquota de uma das operações para fictamente fazer surgir um crédito. CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee aaqquuiissiiççõõeess iisseennttaass O contribuinte se creditou do IPI pelas aquisições de insumos isentos ocorridas no período de 31/12/1999 a 30/12/2002, com base no princípio da nãocumulatividade e na jurisprudência do STF e do Conselho de Contribuintes. Os créditos não foram aceitos pela fiscalização, pois além do contribuinte não ter apresentado as notas fiscais de aquisição e os livros de registro de entradas dos anos de 1999 a 2002, não há amparo legal para a tomada de crédito relativo a insumos isentos por meio da aplicação de uma alíquota de 15% sobre o valor das aquisições. CCrrééddiittooss ddeeccoorrrreenntteess ddee ccoorrrreeççããoo mmoonneettáárriiaa O contribuinte calculou correção monetária sobre todos os créditos que não foram efetuados na época própria e lançou essa correção a crédito no livro de apuração do IPI, com amparo no princípio da nãocumulatividade e da jurisprudência do TRF da 4ª Região e do STJ. A fiscalização glosou esses créditos, pois considerou que não há amparo legal para a correção monetária de créditos escriturais, ainda que tenham sido lançados na escrita de forma extemporânea. MMuullttaa qquuaalliiffiiccaaddaa ddee 115500%% A multa de ofício foi qualificada em 150% porque a fiscalização entendeu que o aproveitamento de créditos indevidos e não comprovados caracteriza a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Considerou, ainda, que ocorreu crime contra a ordem tributária e de sonegação fiscal. Regularmente notificado do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) decadência do direito do fisco efetuar as glosas, pois o IPI é um imposto sujeito ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN); b) o Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Resolução nº 3403000.418 S3C4T3 Fl. 8 4 aproveitamento dos créditos foi feito de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 33, de 1999, e, quanto aos créditos extemporâneos, de acordo com o Parecer Normativo CST n° 515, de 1971; c) o principio da nãocumulatividade assegura o direito ao crédito em relação a produtos essenciais à atividade empresarial, ainda que se trate de peças de reposição de máquinas, uma vez que há consumo no processo produtivo e esses bens não integram o ativo imobilizado; d) o direito ao crédito de IPI em aquisições de estabelecimentos atacadistas tem previsão no art. 165 do RIPI/2002, sendo que, apesar dos ajustes feitos pela própria impugnante nas listagens, foi considerado pela fiscalização somente o valor de 18.702,98; e) a simples falta de apresentação de DCP não pode impedir o direito ao crédito presumido referente a exportações, sendo que, de acordo com o art. 14, § 4º da IN SRF n° 210, de 2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, a DCP passou a ser exigida somente a partir do 2° trimestre de 2003 e não do 4° trimestre de 2002, sendo antes apenas exigida a apresentação de DCTF; f) mesmo que não fossem admitidos créditos por causa da falta de DCP a partir do 2° trimestre de 2003, isso não poderia acontecer em relação aos créditos de 2000 até o 1° trimestre de 2001, e quanto à falta dos livros de registro de entradas de 1998 a 2002, deve ser aplicada a regra do art. 191 do RIPI/2002, segundo a qual, no lançamento de oficio, devem ser considerados como escriturados os créditos que forem alegados até a impugnação; g) sob o fundamento da falta de livros fiscais (de 1999 a 2002), a fiscalização deixou de considerar créditos referentes a insumos que seriam produtos intermediários diretamente consumidos no processo produtivo (solventes, tintas, fitas adesivas, cartuchos de impressora, fita de processador, etc.), apesar da documentação fiscal comprobatória; h) o direito aos créditos de IPI de produtos com alíquota zero e isentos, glosados pela fiscalização, deflui do princípio da nãocumulatividade, conforme doutrina e jurisprudência, inclusive administrativa; i) a correção monetária foi incorporada aos créditos não escriturados na época própria para evitar o prejuízo com a inflação do período, sendo inconstitucional o enriquecimento sem causa do Estado resultante do acréscimo inflacionário em favor dos cofres públicos e à custa do sujeito passivo; j) tendo em vista que o imposto em questão segue o regime do lançamento por homologação, o prazo prescricional de cinco anos somente poderia ser contado a partir da data da extinção do crédito tributário, sendo que, então, deve ser considerado o prazo total de 10 anos (5 anos a partir do fato gerador mais 5 contados da homologação tácita do lançamento), consoante doutrina e jurisprudência; k) na confusa planilha de "reconstituição do livro registro de apuração de IPI —AC 2003 e 2004" não constam os créditos referentes a março de 2003 e janeiro de 2004, respectivamente de R$ 7.463.403,48 e R$ 505.133,83, além da demonstração das glosas efetuadas nos períodos respectivos e o estorno efetuado pela própria contribuinte no importe de R$ 1.183.334,37; l) os créditos de IPI relativos a insumos isentos e com alíquota zero, assim como os créditos relativos a insumos adquiridos de comerciantes atacadistas ou os créditos de exportação previstos na Lei n° 10.276, de 2001, são admitidos tanto pela doutrina quanto pelo Poder Judiciário, sendo matéria controversa, e, portanto, não é cabível o enquadramento de crime contra a ordem tributária, não tendo sido provada em nenhum momento a conduta dolosa; e m) não existindo prova do dolo do contribuinte, a multa qualificada de 150% não pode prosperar. Por meio da Resolução nº 1.285, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse analisada a documentação relativa ao crédito presumido até o 3º Trimestre de 2002, pois a não apresentação do Livro de Registro de Entradas seria insuficiente para fundamentar a glosa. Também foi determinada a elaboração de demonstrativos de reconstituição dos saldos da escrita fiscal antes e depois das glosas efetuadas, sendo que no demonstrativo posterior à glosa deveriam ser demonstrados todos os ajustes efetuados, inclusive o estorno que teria sido efetuado pelo próprio contribuinte no valor de R$ 1.183.334,37 na 1ª quinzena de maio de 2004. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Resolução nº 3403000.418 S3C4T3 Fl. 9 5 O processo retornou com os documentos de fls. 674 a 1126. No termo de diligência de fls. 1100 a 1126, a fiscalização apresentou novos demonstrativos de reconstituição dos saldos da escrita fiscal e aferiu o valor do crédito presumido até o 3º trimestre de 2002. A fiscalização informou que, embora tenha atendido à solicitação da 2ª Turma da DRJRibeirão Preto, quanto ao cálculo do crédito presumido, permanece firme e irredutível no seu entendimento de que cabe a glosa integral do valor desse crédito, pois o contribuinte não apresentou nenhum livro contábil ou fiscal correspondente aos anos calendário de 1998 a 2002. Esclareceu a fiscalização que a glosa não se deu apenas por falta de apresentação do livro registro de entradas, como entendeu a DRJ, mas sim por falta de apresentação de toda a escrituração dos anoscalendário de 1998 a 2002. Regularmente notificado do resultado da diligência, o contribuinte apresentou sua manifestação às fls. 1138 a 1146, onde reafirmou não só o seu direito à totalidade do crédito presumido, mas também a ineficácia da nova reconstituição dos saldos da escrita fiscal. Atacou a glosa integral do valor do saldo credor inicial da reconstituição da escrita no valor de R$ 424.870,15. Por meio do Acórdão nº 30.344, de 29 de julho de 2010, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente. No que tange à preliminar de decadência, entendeu aquela turma de julgamento que restou caracterizada a sonegação, em virtude da não apresentação dos livros contábeis e fiscais imprescindíveis à análise dos fatos. Assim, o termo inicial de contagem do prazo decadencial deslocouse para o primeiro dia do exercício seguinte à data do conhecimento do fato gerador pela Administração Tributária, no caso, pela apresentação da DIPJ anual com a ficha referente ao IPI onde constam os débitos e créditos do imposto relativo a cada período de apuração. Apresentada a DIPJ de 2003 no exercício de 2004, a constituição do crédito tributário de 2003 mediante glosa de créditos poderia ocorrer até 31/12/2009. Quanto aos créditos por aquisições isentas e sujeitas à alíquota zero, a glosa foi mantida porque o IPI não é imposto sobre valor agregado. A constituição adotou a técnica do imposto contra imposto. Assim, para que haja crédito na operação seguinte é necessário que haja débito do imposto na operação anterior. Relativamente aos insumos indiretos, a glosa foi mantida porque esses bens não se enquadram no disposto no Parecer Normativo CST nº 65/79, pois não se desgastam no processo produtivo em decorrência de contato físico direto com o produto em fabricação. No tocante à correção monetária dos créditos, a glosa foi mantida, sob o argumento de que não há previsão legal para a correção de créditos escriturais do imposto. Quanto à diligência efetuada e à elaboração dos novos demonstrativos de reconstituição da escrita fiscal, ficou decidido que o contribuinte não tem direito ao crédito presumido do período de 1998 ao 3º trimestre de 2002 porque não foi apresentada a escrituração contábil e fiscal desse período. Quanto ao crédito presumido do 4º trimestre de 2002 e do ano de 2003, o direito foi negado porque o contribuinte não apresentou o DCP, conforme exige a IN 210/2002. Quanto à glosa do saldo credor inicial de R$ 424.870,15, a DRJ consignou que ela decorreu de ajustes empreendidos em processo concernente a pleito de ressarcimento, ainda pendente de decisão no âmbito administrativo. Relativamente ao estorno de R$ 1.183.334,30, entendeu a DRJ que no termo de constatação houve informação errônea de que seria relativo a estorno de crédito. Na verdade se trata de estorno de débito efetuado pelo contribuinte sem nenhuma justificativa. Quanto à multa qualificada de 150%, entendeu a DRJ que o fato de o contribuinte ter deixado de apresentar livros contábeis e fiscais, caracterizou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pelas autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou também a natureza ou as circunstâncias materiais. A DRJ considerou não impugnados os valores lançados nos meses de outubro e dezembro de 2004 e determinou o prosseguimento da cobrança em separado. Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Resolução nº 3403000.418 S3C4T3 Fl. 10 6 Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 18/10/2010 (fl. 1178 do PDF), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/11/2010 (fl. 1183). Alegou em preliminar a nulidade da decisão de primeira instância por ter considerado não impugnado o lançamento relativo aos meses de outubro e dezembro de 2004. Disse que esses débitos somente apareceram em decorrência da glosa dos créditos e da reconstituição da escrita fiscal e, portanto, foram abrangidos pela impugnação. Estando a glosa de crédito devidamente impugnada, é necessário o cancelamento do processo 16151.001216/201089 para o qual foram transferidos os débitos, pois estão prestes a serem encaminhados para cobrança executiva. Ainda em preliminar, reafirmou que ocorreu a decadência do direito do fisco efetuar as glosas e que a interpretação lançada no voto da DRJ é casuística e configura uma vã tentativa de manter o lançamento. No mérito, reprisou os argumentos oferecidos na impugnação não só em relação ao direito de apropriar os créditos glosados, mas também em relação à prescrição para a escrituração dos créditos. Reiterou que não houve a prática de crimes e nem de sonegação. No tocante à diligência efetuada, disse que a fiscalização não contestou a magnitude do crédito presumido, apenas mantém a glosa sob o fundamento da não apresentação da escrituração e do DCP. O contribuinte apresentou listagens e notas fiscais que permitem a conferência do cálculo e sendo assim, não há justificativa para a glosa. Relativamente à reconstituição da escrita, ela continua ineficaz para o fim de exigência do imposto. Isto porque com relação ao saldo credor inicial (em 31/12/2002) no valor de R$ 424.870,15, a fiscalização alega que o mesmo foi desconsiderado em razão da falta de comprovação por documentos e livros relativos ao ano de 2002, conforme diligência efetuada no processo 13882.000021/200340, que versa sobre pedido de ressarcimento do 4º trimestre de 2002. A glosa do valor de R$ 373.620,15 no saldo credor de 31/12/2000 foi objeto de manifestação de inconformidade, que se encontra pendente de julgamento. Assim, o saldo credor inicial de R$ 424.870,15 não pode ser objeto de glosa enquanto estiver pendente o julgamento da manifestação de inconformidade. Quanto ao valor de R$ 1.183.334,37, no resultado da diligência a fiscalização confirmou que se trata de estorno de crédito efetuado pelo contribuinte, entretanto a decisão recorrida erroneamente afirma que se trata de estorno de débito, o que compromete a sua validade. O novo demonstrativo de reconstituição dos saldos da escrita fiscal continua confuso e ineficaz para o fim de justificar a exigência dos saldos devedores. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Há alguns entraves que impedem o julgamento deste processo. São as questões do saldo credor existente na escrita fiscal em 31/12/2002 e da decadência. Relativamente ao saldo credor inicial da reconstituição da escrita, a diligência revelou e o contribuinte alegou que o valor é objeto de controvérsia no processo nº 13882.000021/200340, que atualmente aguarda julgamento na DRJ – Juiz de Fora. Sendo assim, não há como prosseguir no julgamento deste processo enquanto não ficar definido se o valor inicial de R$ 424.870,15 deve ou não ser considerado integralmente na reconstituição da escrita fiscal. Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001253/200975 Resolução nº 3403000.418 S3C4T3 Fl. 11 7 Quanto à decadência, o deslinde da questão depende da análise do mérito, quando o colegiado decidirá se existiu ou não o dolo por parte do contribuinte. De qualquer modo, quanto à decadência, este colegiado está vinculado ao que restou decidido pelo STF no RESP nº 973.733. Sendo assim, será necessário saber se houve pagamento antecipado do IPI durante os fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. A escrita original do contribuinte apresenta saldo credor entre de janeiro de 2003 e abril de 2004, fato que permite inferir que não houve pagamento com DARF. Entretanto, para que se evite a prolação de decisão com base em meras inferências, é necessário que a autoridade administrativa manifestese conclusivamente nos autos sobre a existência ou inexistência do pagamento antecipado do IPI em relação aos fatos geradores ocorridos durante os anoscalendário de 2003 e 2004. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que: 1) Sejam anexadas a este processo cópias das peças principais do processo nº 13882.000021/200340, que versa sobre ressarcimento do IPI relativo ao 4º trimestre de 2002, principalmente a cópia da decisão administrativa definitiva nele proferida; e 2) Sejam anexadas ao processo cópias das DCTF dos anoscalendário de 2003 e 2004 (DCTF completa e não extratos) e informação conclusiva acerca dos períodos de apuração em que houve recolhimento antecipado do IPI por meio de DARF. Atendidas as solicitações acima, o processo deverá retornar a este colegiado para prosseguimento no julgamento. Antonio Carlos Atulim Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16004.000756/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificando-se a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.467 1 2.466 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000756/200903 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.821 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente AGRO CARNES ALIMENTOS AT. C. LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 56 /2 00 9- 03 Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000756/200903 Acórdão n.º 2401002.821 S2C4T1 Fl. 2.468 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.180.5635, lavrado contra o sujeito passivo acima, para exigência das contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, contribuintes individuais e sobre faturas de serviços prestados por cooperados, intermediados por cooperativas de trabalho. O relato do fisco dá conta de operação deflagrada pela Polícia Federal, que identificou suposta organização criminosa, cujo objetivo maior era fraudar à administração tributária. Afirmase que as práticas criminosas eram efetuadas por grupo econômico de fato, denominado Grupo Itarumã, do qual fazia parte a autuada. Foram arrolados como devedores solidários, em razão da existência de grupo econômico, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: a) Ari Félix Altomari; b) João do Carmo Lisboa Filho; c) João Carlos Altomari; d) Itarumã S/A; e) Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda; f) Unidos Agroindustrial Ltda; g) J & T Administração e Participação Ltda; h) JL Administração e Participação Ltda; i) AFA Administração e Participação Ltda; j) Mafrico Matadouro e Frigorífico Ltda; k) Transportadora Agro Ltda; l) Atual Carnes Ltda. Apresentouse discriminação das contribuições não recolhidas, as quais não foram, segundo a auditoria, declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A Autoridade Fiscal afirmou que os líderes do referido grupo econômico criaram empresas em nome de “laranjas”, a exemplo da autuada, para desviar faturamento das empresas legalmente constituídas. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foram apresentados pelo fisco argumentos e provas quanto à existência do Grupo Itarumã, em razão da interdependência existente entre as empresas componentes e do comando destas centralizado nas mão dos senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. São apresentadas como evidências da existência de grupo econômico de fato o custeio de plano de saúde pelo Grupo Itarumã de segurados pertencentes às diversas empresas que o compunham, além da rotatividade de empregados entre estas. Acrescenta o fisco que a multa foi calculada levando em conta as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posto que as disposições revogadas eram mais gravosas ao sujeito passivo. Foram apresentadas impugnações pela autuada e codevedores, as quais não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que as declarou improcedentes, mantendo integralmente o crédito tributário. Desta decisão, interpuseram recursos voluntários as empresas Itarumã S.A.; AFA Administração e Participação Ltda; J & T Administração e Participação Ltda; JL Administração e Participação Ltda; Unidos Agroindustrial S.A. e Atual Carnes Ltda, além das pessoas físicas Ari Félix Altomari; João Carlos Altomari e João do Carmo Lisboa Filho. Nas peças de igual teor, as recorrentes alegaram: a) malgrado o extenso relatório fiscal, a auditoria não conseguiu demonstrar a relação existente entre o(a) recorrente e a empresa Agro Carnes Alimentos; b) não faz parte do Grupo Itarumã, não possui relação com a autuada, nem tem sócio comum com esta; c) não se pode inferir que o simples fato de uma empresa firmar contrato com outra seria suficiente para tornála parte de esquema supostamente fraudulento; d) o fisco se baseou apenas em ilações, não conseguido demonstrar a relação entre as empresas e pessoas arroladas como devedoras juntamente com a autuada; e) não restou demonstrado o interesse comum entre a autuada e o(a) recorrente, não podendo prevalecer a solidariedade pela satisfação do crédito tributário; f) a doutrina entende que somente se caracteriza o interesse comum quando se demonstra que o contribuinte autuado e o solidário deram causa em conjunto para ocorrência do fato gerador; g) da forma como se apresenta o relato do fisco, não há como se delimitar com precisão qual a fraude acarretou a solidariedade entre as partes envolvidas; h) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a mera existência de grupo econômico é insuficiente para justificar a solidariedade tributária; i) a melhor doutrina tem ensinado que o encargo de provar a ocorrência do fatos gerador e as circunstâncias em que se deu é do fisco, além de que, não existe na espécie justificativa legal para inversão do ônus da prova; j) é nulo o AI, por falta de motivação quanto à imputação da responsabilidade solidária à(o) recorrente; Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000756/200903 Acórdão n.º 2401002.821 S2C4T1 Fl. 2.469 5 k) o erro na identificação do sujeito passivo acarreta em ofensa ao art. 142 do CTN, devendo ser declarada a nulidade da lavratura; l) ocorreu decadência parcial do crédito; Ao final, requereram a declaração de nulidade do AI ou, alternativamente, a exclusão do polo passivo e ainda o reconhecimento parcial da decadência. É o relatório. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. A responsabilidade solidária De acordo com o fisco, foi constatada a existência de grupo econômico de fato, o qual era formado por empresas, cuja titularidade pertencia aos reais proprietários Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari; e por outras registradas em nomes de “laranjas”. A autuada fazia parte do segundo grupo. As afirmações da Autoridade Fiscal foram lançadas em relatório de 188 páginas, onde se tenta demonstrar, com esteio em farta documentação, coletada principalmente em documentos apreendidos pela Policia Federal, a existência de organização empresarial que sistematicamente fraudava administração tributária. Para tomarmos partido acerca da contenda, iniciemos fazendo um breve resumo dos fatos relatados pela fiscalização para justificar a inclusão no polo passivo de diversos responsáveis na condição de solidários. Afirma o relato do fisco que, provocada por denúncias da Receita Federal e do INSS, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Grandes Lagos”, no intuito de desbaratar organização que há cerca de quinze anos vinha praticando sonegação fiscal, com envolvimento de frigoríficos localizados principalmente nos municípios paulistas de Jales e Fernandópolis. Indicase que foram criadas diversas empresas “de fachada” para acobertar desvios de faturamento das empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, de modo a fraudar a Fazenda Pública. As empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e a Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda, segundo a auditoria, teriam sido criadas em nome de interpostas pessoas, para receber grande volume de faturamento do grupo empresarial, sem, no entanto, recolher os tributos devidos. São apresentados documentos, principalmente contratos, os quais comprovariam a estreita relação entre as empresas do grupo e entre estas e os sócios de fato do grupo, Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Ressaltase a existência de notas fiscais de saída de carne emitidas pelas empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda (a autuada) com propaganda e garantia do Frigorífico Itarumã. Havia, conforme relato do fisco, procurações da autuada outorgando poderes para pessoas que trabalhavam para o “Grupo Itarumã”. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000756/200903 Acórdão n.º 2401002.821 S2C4T1 Fl. 2.470 7 A Autoridade Fiscal indica a existência de notas fiscais de aquisição de animais pela autuada, todavia, com pagamentos aos produtores efetuados pela empresa Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda. Essa fato levou à conclusão da existência de interdependência entre as empresas envolvidas. Foram apresentados diversos exemplos de trabalhadores que atuavam em determinada empresa, todavia, o custeio do plano de saúde era suportado por outra, o que levou o fisco a reforçar sua conclusão pela existência de grupo econômico de fato. Também foram assinaladas as frequentes transferências de trabalhadores entre as diversas empresas do grupo, em que a última empregadora assumia integralmente os encargos trabalhistas e previdenciários. Foi detalhada pelo fisco a situação de todas as empresas envolvidas – regulares e irregulares, dos sócios de direito (laranjas) e dos sócios de fato acima mencionados. São apontadas ainda coincidência de endereços entre os estabelecimentos da empresa autuada e outras empresas do grupo. Afirmase que os recursos para integralização do capital da empresa autuada foram repassados aos sócios “de fachada” por empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, conforme demonstrado mediante cruzamento de extratos bancários. Essas pessoas, que foram presas no decorrer da operação policial, afirmaram em seus depoimentos que outorgaram poderes a procuradores para gerir a empresa. Ressaltase também a incompatibilidade entre o faturamento da autuada e a situação financeira de seus sócios. Dáse conta que uma das formas de reverter para o “Grupo Itarumã” os resultados financeiros da autuada era a realização de benfeitorias de grade vulto em instalações industriais arrendadas a esta pelo Frigorífico Itarumã, que eram, por força de contrato, incorporadas ao imóvel arrendado. Consta do relato fiscal que a empresa Unidas Agroindustrial S/A tinha uma filial instalada no mesmo endereço da Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos e que neste local centralizavase todo o controle financeiro e operacional das empresas do grupo. Citase que o imóvel foi adquirido pelos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, todavia, com recursos oriundos da empresa Grandes Lagos. A seguir, o fisco relata a relação existente entre o “Grupo Itarumã” e as empresas J & T Administração e Participação Ltda, JL Administração e Participação Ltda e AFA Administração e Participação Ltda, buscando demonstrar que as mesmas teriam sido criadas apenas para transferir patrimônio dos sócios do grupo para seus filhos. Um dos sócios da empresa Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos, Senhor Cláudio Freitas, confessou, conforme o fisco, que os verdadeiros donos desta empresa eram os Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, proprietários do “Grupo Itarumã”, e que aquele era apenas pessoa interposta para esconder a real titularidade da empresa. Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Informase que a empresa Transportadora Agro Ltda é uma extensão da autuada e que foi criada para simular o arrendamento de veículos da empresa Itarumã S/A. O Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda, segundo a auditoria, foi constituído com recurso oriundos da distribuição de lucros efetuada pela autuada. Afirmase que a empresa Atual Carnes, que absorveu todos os empregados demitidos pela Wood Comercial Ltda, rescindiu os contratos com estes, os quais foram imediatamente absorvidos pela autuada. Ressaltase também que a folha de pagamento da Atual Carnes era paga com recursos da Comercial Grandes Lagos, da Agro Carnes Alimentos e da Coferfrigo AT. C Ltda. A seguir, os Auditores fizeram inúmeras considerações sobre os titulares de fato e os titulares de direito (laranjas) das empresas em questão para demonstrar que faziam parte do conglomerado “Grupo Itarumã”. São também lançadas observações sobre pessoas, cujos serviços prestados ao grupo indicam a interligação entre as empresas. Depois são tecidas considerações sobre as evidências reveladas pelos documentos apreendidos na “Operação Grandes Lagos”, quando à ocorrência dos crimes tributários. O fisco também fundamentou suas conclusões mediante análises da movimentação financeira entre as empresas e pessoas envolvidas, bem como do cruzamento de dados bancários obtidos por ordem judicial. Ressaltese que os dados constantes nos cadastros das instituições financeiras demonstram que os sócios da autuada não passavam de prepostos dos verdadeiros proprietários do “Grupo Itarumã”. Também está evidenciado no relato a ocorrência de pagamentos de despesas pessoais dos sócios verdadeiros pelas empresas “de fachada”, demonstrandose que estas eram de fato pertencentes aos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Mesmo diante desses argumentos, todos lastreados em farto conjunto probatório, as recorrentes se limitaram a negar a existência do grupo econômico de fato, sem, no entanto, apresentar qualquer argumento específico ou elemento de prova que pudesse infirmar as conclusões da auditoria. Não há dúvida de que o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a responsabilização na condição de devedores solidários dos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, posto que estes se beneficiaram da falta de pagamento dos tributos exigidos no presente AI. Eis o dispositivo invocado: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) É para esse lado que tem se inclinado a jurisprudência do CARF, como se pode ver dos julgados abaixo reproduzidos: Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000756/200903 Acórdão n.º 2401002.821 S2C4T1 Fl. 2.471 9 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. O interesse comum na constituição do fato gerador da obrigação principal fica bem caracterizado quando o sócio majoritário deixa a sociedade colocando em seu lugar interposta pessoa, tornandose a partir daí um sócio oculto. (1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1401000.878, de 06/11/2012, Rel. Conselheiro Antônio Bezerra Neto) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA A prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, pelo que se impõe a multa de 150% sobre a totalidade do tributo lançado de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS MATÉRIA SUMULADA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (2.ª Turma Especial da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012, Rel. Conselheira Ester Marques Lima de Souza) Portanto, uma vez comprovado que as pessoas físicas citadas, que eram os controladores do “Grupo Itarumã”, constituíram empresas com a interposição de sócios fictícios, tirando proveito da fraude perpetrada, devem os mesmos ser chamados ao polo Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 passivo do presente crédito na condição de devedores solidários, em face do claro interesse comum na ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto às pessoas jurídicas arroladas como solidárias, o fisco fundamentou o seu proceder no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Conforme o relato do fisco acima reproduzido em breve síntese, as diversas empresas compunham o grupo econômico de fato denominado “Grupo Itarumã”, conclusão esta que se baseou na confusão financeira, operacional e patrimonial que se dava entre as empresas, além de comando único representado pelas pessoas físicas acima mencionadas. É assim que tem entendido a jurisprudência pátria, como se pode ver do julgado do Superior Tribunal de Justiça, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000756/200903 Acórdão n.º 2401002.821 S2C4T1 Fl. 2.472 11 satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes". 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.(grifei) (2.ª Turma, Resp. 200901142420, DJE 03/02/2011, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques) Assim, cabível a colocação de todos os responsáveis tributários arrolados pelo fisco na condição devedores solidários. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verificase que, tendo ocorrido a simulação acima destacada, deslocase a contagem do prazo de decadência para a norma do art. 173, I, do CTN. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que não se configurou o transcurso do prazo decadencial, haja vista que o período do lançamento foi de 12/2003 a 12/2006 e a cientificação ao último dos coobrigados (intimado por edital) deuse em 29/12/2009. Procedência do lançamento Não tendo as recorrentes apresentado qualquer argumento quanto à apuração do crédito, seja quanto à inocorrência do fato gerador ou à delimitação da base de cálculo, devese tomar como procedentes as contribuições apuradas. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000756/200903 Acórdão n.º 2401002.821 S2C4T1 Fl. 2.473 13 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900356/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
- Caracterizado erro material no preenchimento da declaração, diante da identidade de valores postos no PER/DCOMP e na DIPJ, deve ser apreciado o pleito, com amparo no princípio da busca da verdade material.
Numero da decisão: 1102-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DCOMP, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
ALBERTINA SILVA SANTOS LIMA - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. - Caracterizado erro material no preenchimento da declaração, diante da identidade de valores postos no PER/DCOMP e na DIPJ, deve ser apreciado o pleito, com amparo no princípio da busca da verdade material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DCOMP, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS LIMA - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo.
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Recorrida 5ª TURMA DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Caracterizado erro material no preenchimento da declaração, diante da identidade de valores postos no PER/DCOMP e na DIPJ, deve ser apreciado o pleito, com amparo no princípio da busca da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DCOMP, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 56 /2 00 6- 52 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 13888.900356/200652 Acórdão n.º 1102000.761 S1C1T2 Fl. 351 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que homologou a compensação efetuada no PER/DCOMP nº. 39348.99234.060603.1.3.026067, com base no saldo negativo no exercício de 2002, em razão do transcurso do prazo quinquenal, mas não homologou a compensação requestada através do DCOMP n.º 39125.01616.130906.1.7.02 9049, transmitida em 13/09/06 para compensar débitos de IRPJ dos períodos de apuração de abril a julho de 2003, com saldo negativo de IRPJ do exercício de 2002. De acordo com a DRJ, o saldo negativo do exercício de 2001, declarado na DCOMP n.º 39348.99234.060603.1.3.026067 teria sido totalmente consumido na compensação de débitos de IRPJ, não restando créditos para compensação dos débitos do período de apuração de abril a julho de 2003. A Recorrente defende, em síntese, que cometeu equívoco ao preencher a declaração, pois teria informado em ambos os processos o saldo negativo do anocalendário de 2001 como direito creditório, quando o PER/DCOMP 39125.01616.130906.1.7.029049 seria relativo ao anocalendário de 2002 e que, apesar de ter tentado, não teria sido possível transmitir a retificação. Para fundamentar a sua pretensão, a Recorrente invoca o comando do art. 165, I, do CTN, o art. 74, da Lei n. 9.430/96 e o art. 170, do CTN, asseverando ser legítimo o seu direito de compensação, haja vista que apenas teria cometido erro no preenchimento das declarações e colaciona cópias de DIPJ’s e planilhas. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Insurgese a Recorrente contra decisão que não homologou a compensação pleiteada através do PER/DCOMP n.º 39125.01616.130906.1.7.029049, com base na inexistência de saldo negativo passível de compensação, e no entendimento de que, após proferido despacho decisório, não mais seria possível a retificação da declaração. Compulsando os autos, constato que a alegação da Recorrente no sentido de que houve erro de preenchimento na declaração apresentada, caracterizado pela informação do direito creditório que, ao invés de oriundo do saldo negativo do exercício de 2002, seria do exercício de 2003, tem suporte na documentação colacionada. Na fl. 229, consta o valor do direito creditório declarado no PER/DCOMP correspondente a R$ 33.272,87, que é exatamente o valor declarado na DIPJ/2003 (fl. 155) e Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 13888.900356/200652 Acórdão n.º 1102000.761 S1C1T2 Fl. 352 3 demonstrado na planilha apresentada pela Recorrente na fl. 15, o que corrobora as alegações postas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário. Diante dos fortes indícios de que houve erro no preenchimento da declaração e amparada no princípio da verdade material, deve ser apreciado o PER/DCOMP considerandose como direito creditório o saldo negativo do exercício de 2002. Em face do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que superado o erro no preenchimento da DCOMP, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do mérito. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por SILVANA RES CIGNO GUERRA BARRETTO
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Numero do processo: 11080.100062/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Tratando-se de pedido de restituição de valores pagos indevidamente, como no caso sob análise, cabe ao requerente comprovar a existência dos pagamentos e também a pertinência da causa para o alegado pagamento indevido
Numero da decisão: 3302-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 04/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1999 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Tratando-se de pedido de restituição de valores pagos indevidamente, como no caso sob análise, cabe ao requerente comprovar a existência dos pagamentos e também a pertinência da causa para o alegado pagamento indevido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 04/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Tratandose de pedido de restituição de valores pagos indevidamente, como no caso sob análise, cabe ao requerente comprovar a existência dos pagamentos e também a pertinência da causa para o alegado pagamento indevido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 00 62 /2 00 2- 64 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 04/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido de Restituição de valores recolhidos a titulo de Cofins nos períodos de apuração janeiro de 1994 a janeiro de 1999. Alega a interessada que teria incluído na base de cálculo da contribuição receitas oriundas de transporte internacional de cargas, as quais seriam imunes a tributação pela Cofins. 0 indeferimento do pedido pela DRF teve origem na decadência do direito de pleitear a restituição, bem como na falta de comprovação dos requisitos exigidos pela legislação para usufruir da isenção. A interessada não se conforma com o indeferimento. Argumenta que o transporte internacional de cargas é imune a contribuição, tendo em vista as limitações impostas pelos art. 155, § 2°, X, alínea a e art. 149, §2°, I da Constituição Federal. 0 transporte de mercadoria destinada ao exterior estaria totalmente excluído do campo de incidência da contribuição, pois sem essa etapa do transporte não haveria como proceder à exportação do bem desonerado de qualquer tributação. Deveria ser observado apenas o principio do destino, proporcionando ao empresariado nacional a inserção de forma mais competitiva no mercado internacional. Requer tratamento isonômico com o transporte aéreo internacional, com a aplicação do disposto no art. 4° da Lei no 10.560/2002, que possibilitou a concessão de remissão dos débitos das empresas nacionais de transporte aéreo. Entende que seu direito à repetição não estaria decaído, uma vez que nos casos de lançamento por homologação o prazo de 5 anos estabelecido pelo art. 168, I só começaria a fluir após a extinção do crédito tributário, o que ocorria com a homologação expressa ou tácita do lançamento, nos termos do disposto no art. 150 do CTN. Cita entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a LC n° 118/2005 só poderia ser aplicada para fatos jurídicos ocorridos após a sua vigência (9 de junho de 2005). A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a manifestação de inconformidade, em decisão que assim ficou ementada: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.100062/200264 Acórdão n.º 3302001.665 S3C3T2 Fl. 247 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/01/1999 TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS COFINS EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO Até o advento da MP 1.8586, de 09/06/1999, somente estavam sob abrigo da isenção da Cofins os serviços de fretes internacionais encomendados por empresas sediadas fora do território brasileiro, havendo respectivo ingresso de divisas no pais, cabendo à empresa beneficiada com referida isenção comprovar o atendimento desses requisitos para gozar do beneficio fiscal em questão. RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA Nos termos do art.168 do Código Tributário Nacional, o prazo para solicitar restituição é de 5 (cinco) anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento, entendimento corroborado pelo art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005. Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. São dois os temas a serem analisados no presente processo: (i) a prescrição de parte dos créditos pleiteados; e (ii) a isenção da COFINS nos casos de transporte internacional de cargas. O primeiro tema a ser analisado diz respeito a alegada prescrição parcial dos créditos pleiteados por meio do pedido protocolado no dia 20/12/2002. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.100062/200264 Acórdão n.º 3302001.665 S3C3T2 Fl. 248 5 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.100062/200264 Acórdão n.º 3302001.665 S3C3T2 Fl. 249 7 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o pedido foi protocolado em 22/12/2002, estando assim submetido ao prazo dos 10 anos, conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências de 01/1994 a 01/1999, temos que estes não estão atingidos pela prescrição os eventuais créditos tratados no presente processo. A segunda questão a ser analisada no presente processo tem relação com a isenção da COFINS no caso de transporte internacional de cargas. A Receita Federal indeferiu o pedido por entender que “até o advento da MP 1.8586, de 09/06/1999, somente estavam sob abrigo da isenção da Cofins os serviços de fretes internacionais encomendados por empresas sediadas fora do território brasileiro, havendo respectivo ingresso de divisas no pais, cabendo à empresa beneficiada com referida isenção comprovar o atendimento desses requisitos para gozar do beneficio fiscal em questão.” A Recorrente, por sua vez, alega que as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte internacional seriam imunes a incidência da contribuição social. Afirmou ainda que disponibilizou os livros fiscais para que a Receita Federal verificase seus lançamentos contábeis. Sobre a documentação apresentada, assim restou concignado no relatório fiscal: 25. Em que pese a contribuinte ter esclarecido sobre qual conta de receita requer a exclusão da base de cálculo da Cofins (segundo ela, a (mica receita passível de tributação pela Cofins é a registrada na conta no 530.4 Frete Nacional), não é possível apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado haja vista que a contribuinte não apresentou os documentos fiscais comprobatórios dos registros lançados nos Livros Diário e Razão, tais como conhecimentos de transporte rodoviário de cargas, controles de faturamento, conhecimentos emitidos por série, contratos de fechamento de câmbio, etc..., que permitiriam não somente confirmar se as contas no 5339 (FRETE IMPORTAÇÃO) e 536.3 (FRETES EXPORTAÇÃO) registram Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 efetivamente somente operações de transporte internacional de cargas, como, e principalmente, se os tomadores de serviço foram pessoas físicas e/ou jurídicas domiciliadas no exterior, o que era condição obrigatória para o reconhecimento da isenção da COFINS prevista no artigo 7° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo artigo 10 da Lei Complementar n.° 85, de 15 de fevereiro de 1996. 26. Cabe lembrar à contribuinte que, nos termos do art. 264 do RIR/99, cuja base legal é o artigo 4° do DecretoLei n° 486/69, toda pessoa jurídica é OBRIGADA a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, ENQUANTO não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. 27. Também cabe salientar que, mesmo que por si só bastassem os registros contábeis, não é possível identificar nos livros entregues em meio magnético (cópia anexada a este processo â. fl. 161), os tomadores de serviço que dão fundamento ao faturamento (tomando como exemplo o anocalendário de 1998, a contrapartida dos lançamentos efetuados nas contas FRETE IMPORTAÇÃO e FRETE EXPORTAÇÃO é feita a débito numa conta genérica denominada CONHECIMENTOS A RECEBER; e a contrapartida dos pagamentos recebidos é feita a débito nas contas de Bancos com descrição genérica como "REC DIV FAT CFE REL", "VLR.AVISO DE DEBITO", ou "VLR.AVISO DE CREDITO", com exceção de alguns lançamentos que começam com a descrição "VLRCAMBIO...", cujos valores identificados são inferiores Aqueles já excluídos da base de cálculo da Cofins). Diante da carência de documentação suporte, não é possível apurar se a contribuinte faz jus o direito creditório pleiteado. Esta matéria não é nova, e este órgão colegiado já analisou ouros pedidos do ora Recorrente, como no caso do processo nº 11080.001206/9619 (decisão juntada as fls.616). A decisão ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/09/1995 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. Excluise da base de cálculo da Cofins a receita decorrente da realização de frete do Brasil para o exterior, inclusive no período compreendido entre 10 de abril de 1992 e 31 de dezembro de 1993, independentemente de o tomador do serviço situarse no Brasil ou no exterior. FRETE DO EXTERIOR PARA 0 BRASIL. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. E incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins da receita de frete do exterior para o Brasil, se não restar Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.100062/200264 Acórdão n.º 3302001.665 S3C3T2 Fl. 250 9 comprovada que a receita advém de exportação de serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte Do voto condutor do acórdão, de lavra da eminente Conselheira Silvia de Brito Oliveira, cujos fundamentos cito como razão de decidir, cabe destaque: Nesse aspecto, divirjo da autoridade autuante e do entendimento da decisão recorrida, pois assim dispõe o art. 7° supracitado, com a redação dada pela Lei Complementar ei 85, de 1996, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente lançamento: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes; I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor as empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim especifico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim especifico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamentofor efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Notese que o mencionado dispositivo legal não exige que o pagamento seja feito em moeda estrangeira, tampouco que o cliente, tomador do serviço, esteja situado no exterior. Também o Decreto no 1.030, de 1993, ao regulamentar o art. 7° supratranscrito, não estabeleceu nenhuma condição adicional para o gozo da isenção relativa à receita de venda de mercadoria ou de serviço par o exterior. Aqui, vale lembrar que o disposto no art. 111 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), torna obrigatória a interpretação literal, em matéria isencional, independentemente de ser ela favorável ao Fisco ou ao contribuinte. Portanto, não cabe ao aplicador da lei, em decorrência de exercícios interpretativos fundamentados em outro método que Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES 10 não o literal, estabelecer condições para fruição de isenção que não estejam legalmente previstas. Sobre as receitas obtidas com o frete de retomo do Brasil para o exterior, entendo que, nesse caso, urna vez que o frete é destinado ao Brasil — e, aqui, socorrome do entendimento do Conselheiro Serafim Fernandes Corda expresso no voto condutor do Acórdão 20177.524 invocado pela recorrente, entendimento este que considera como condição que os serviços "se destinem ao exterior e não que sejam produzidos os produtos no exterior ou realizados os serviços no exterior", não se pode falar em exportação de serviço, sem que se conheçam as qualificações do cliente e as condições do contrato de prestação do serviço correspondente. Neste sentido, devem ser afastadas as afirmações de que para fazer jus a isenção deveria haver a contratação por cliente do exterior e haver o ingresso de divisas no Brasil. Porém, a questão que me parece decisiva esta relacionada a efetiva comprovação, por parte da Recorrente, de que as receitas que foram excluídas da base de cálculo da COFINS, de fato se tratavam de receitas oriundas do transporte internacional de cargas. Após ser instada a apresentar os documentos que davam suporte aos lançamentos efetuados em seus livros, a Recorrente afirmou que em relação aos conhecimentos de frete seira impossível fazer a apresentação tendo em vista o longo período decorrido (10 anos) e que não possuía obrigação de mantêlos e que, os livros fiscais, por si só, seriam suficientes para provar o que se pretendia. Neste contexto, entendo estar com razão a decisão recorrida. Tratandose de pedido de restituição de valores pagos indevidamente, como no caso sob análise, cabe ao requerente comprovar a existência dos pagamentos e também a pertinência da causa para o alegado pagamento indevido. Ainda que não fosse possível apresentar os conhecimentos de frete relacionados aos alegados transportes internacionais, existem uma série de outros documentos que teriam força para demonstrar a efetiva forma de contratação e de prestação dos serviços. Poderiam ter sido trazidos aos autos, cópias dos contratos, de pedidos, controles internos de faturamento ou mesmo os contratos de câmbio firmados entre a Recorrente e seus clientes. Ao longo do presente processo, a Recorrente poderia ter efetuado a juntada de documentos que afastassem a afirmativa levantada pela Receita Federal, principalmente em relação ao argumento de falta de liquidez dos créditos pleiteados, porém não o fez, o que a meu ver, afasta a possibilidade de se promover o ressarcimento nos moldes pleiteados. Neste contexto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso para afastar a prescrição dos créditos e no mérito negar o pedido de ressarcimento por ausência de prova do alegado pagamento a maior ou indevido. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.100062/200264 Acórdão n.º 3302001.665 S3C3T2 Fl. 251 11 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10875.002641/99-77
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 26 41 /9 9- 77 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10875.002641/9977 Acórdão n.º 9900000.589 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 03 05.827, proferido pela 3ª Turma da CSRF em 17/06/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n.º 1.110 em 31/08/95 – p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810), no ponto em que decidiu que, no caso do FINSOCIAL, o prazo para realizar o pedido de restituição teve início com a publicação da MP 1110/95, momento em que a inconstitucionalidade foi formalmente reconhecida pelo Poder Executivo. Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que o voto condutor do paradigma entende que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. No mérito, afirma que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN, e 3º e 4º da LC 118/05. Pondera que, mesmo que se entenda que o marco inicial do prazo para a restituição começa a partir da data da publicação da MP 1110/95, não se pode deferir a restituição para além dos cinco anos anteriores à data do pedido. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.611, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Considera intolerável a aplicação, no presente caso, da letra fria da lei (CTN, art. 168, I c/c 165, I) porque à época os valores recolhidos pela contribuinte eram devidos e corretamente apurados em conformidade com as leis vigentes. Pondera que, no momento em que determinada norma tributária é declarada inconstitucional e seus efeitos estendidos a todos em virtude da publicação da MP 1110/95, todos os pagamentos efetuados sob a égide de tal norma têmse por indevidos, e, a partir de então, surge o direito à restituição. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso em comento. Eis o breve relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10875.002641/9977 Acórdão n.º 9900000.589 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10875.002641/9977 Acórdão n.º 9900000.589 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (28/10/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 28/10/1989. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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