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Numero do processo: 18050.002660/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exclusão das parcelas relativas ao auxílio-alimentação.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Recorrente DIAS D'AVILA METALÚRGICA TECNOLOGIA E LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 26 60 /2 00 9- 41 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exclusão das parcelas relativas ao auxílioalimentação. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.002660/200941 Acórdão n.º 2402003.057 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2004 a 12/2004. Também há apuração de Diferença de Acréscimos Legais (DAL). O Relatório Fiscal (fls. 101/108) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. FP Folha de Pagamento à foram lançadas, nas competências 01/2004 e 02/2004, diferenças de remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas GFIP, deduzindo dos resumos das folhas de pagamento apresentadas as bases de cálculo declaradas em GFIP. Este levantamento, portanto, apura apenas as contribuições de parte da folha dos salários dos segurados empregados não declaradas na GFIP; 2. DTG Décimo Terceiro Salário Dispensado Declarar em GFIP à apurouse o décimo terceiro salário do exercício de 2004 através dos resumos das folhas de pagamento apresentados; 3. SCC Salário de Contribuição Contábil à este levantamento contempla, no período de 01/2004 a 12/2004, remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, através do exame da contabilidade da empresa (Diário/Razão); 4. SIA Salário Indireto Alimentação à este levantamento teve como finalidade apurar, no período de 02/2004 a 12/2004, através dos registros contábeis específicos de lançamentos das despesas pagas a título de alimentação (refeição dos segurados empregados), sem o devido convênio com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), onde o salário indireto correspondente às despesas incorridas pela empresa a título de alimentação dos trabalhadores, depois de deduzidas ou compensadas as parcelas correspondentes às participações dos empregados; 5. SSF Salário de Contribuição Salário Família à neste levantamento constam salário de contribuição dos segurados empregados, correspondentes ao período de 01/2004 a 12/2004, apurados através do exame das folhas de pagamento apresentadas, decorrente da conversão do Salário Família em base de cálculo das contribuições sociais; Fl. 728DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6. SIU Salário Indireto Utilidade à este levantamento tem como finalidade apurar, no período de 01/2004 a 12/2004, através dos registros contábeis específicos de lançamento das despesas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades, especialmente nas contas 3.3.2.01.004 (1270) Serviços de Terceiros, 3.5.1.01.012 (1201) Gastos com Aluguéis, 3.5.1.01.019 (1208) Outros Gastos Administrativos e 3.5.1.02.014 (1223) Outros Gastos com Pessoal. Foi solicitado ao contribuinte, através de Termos de Intimação Fiscal (TIF), o regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador, bem como os esclarecimentos sobre os pagamentos feitos a título de utilidades, tais como despesas médicas (PROMATER), remédios (FARMÁCIA JONAS), aluguéis e cartões de crédito, dentre outros. Como a empresa não apresentou nenhum regulamento dos benefícios concedidos, bem como não apresentou os esclarecimentos solicitados, estas despesas foram consideradas como salário indireto; 7. DAL Diferença de Acréscimos Legais à neste levantamento forma lançados, na competência 12/2004, os acréscimos legais decorrentes dos recolhimentos das contribuições feitos em atraso. Esse Relatório Fiscal informa que, em decorrência da falta de apresentação dos documentos comprobatórios do Salário Família pagos aos segurados empregados, solicitados reiteradamente através dos termos para este fim, todos os valores informados pela empresa nos resumos das folhas de pagamento, concernentes ao Salário Família, foram convertidos em salário de contribuição, objeto do levantamento SSF Salário de Contribuição Salário Família. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 20/03/2009 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 512/520) – acompanhados de anexos de fls. 521/875 –, alegando, em síntese, que: 1. a pretensão fiscal não tem cabimento, posto que foi lastreada em falsa premissa e medidas arbitrárias que não lograram demonstrar com clareza a ocorrência das infrações relatadas, tornando insustentável a manutenção do crédito lançado, bem como a multa. Afirma serem inocorrentes, como comprovam os documentos acostados (docs. 01/185), os atos infracionais que constituíram a base da autuação, resultando vulneração ao princípio da legalidade que preside todo e qualquer procedimento administrativo fiscal, bem como a cobrança das contribuições sociais questionadas, em face da prova do cumprimento do fato gerador tido como infringido, o que é repudiado pelo artigo 37 da Constituição Federal, conforme se passa a demonstrar, ressalvando não ser verdadeira a assertiva de falta de recolhimento das diferenças de remunerações; 2. deverá haver a desconstituição do comparativo do salário de contribuição dos segurados empregados, elaborado pela Auditoria Fiscal e que acompanhou todos os autos de infração lavrados, por não refletir a realidade factual, relativamente aos valores efetivamente descontados e recolhidos, conforme comprovam os documentos referidos (GPS e GFIP), em anexo, e refletidos no demonstrativo também anexo (fls. 172/185), elaborados conforme referidos Fl. 729DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.002660/200941 Acórdão n.º 2402003.057 S2C4T2 Fl. 4 5 documentos e que não foram considerados pelo fiscais, o que de forma irrefutável fulminam de nulidade o lançamento; 3. não foram considerados valores pagos e representados pelos documentos acostados à impugnação, considerando apenas os valores pagos em complemento, referentes ao período fiscalizado (01/2004 a 12/2004) e correspondentes à diferença em complementação, a título da cesta básica fornecida (186/308); 4. quanto à competência 13° salário, afirma que o valor R$0,00 apresentado no comparativo elaborado pela auditoria, referente a salário de contribuição GFIP e desconto dos segurados, houve recolhimento no valor de R$11.081,51 (GPS recolhida em 20/12/2004); 5. quanto ao salário família, acosta aos autos todos os documentos comprobatórios do salário família pago, cumprindo a legislação regula a matéria, documentação essa que o Fisco também não conferiu no sentido dar validade aos descontos procedidos pelo autuada e tendentes ao integral cumprimento da legislação pertinente (docs. n° 134 a 171); 6. quanto aos alegados salários indiretos (alimentação e utilidade), visto se tratar de obrigação prevista em Convenção Coletiva, estes benefícios são concedidos aos empregados com intuito de proporciona melhores condições de trabalho, possuem nítido caráter indenizatório e de natureza não salarial, não devendo, inscrita ou não a autuada no PAT, sofrer a incidência de Contribuição Previdenciária, conforme reiteradas manifestações jurisprudenciais; 7. requer anulação do lançamento sob julgamento e os demais que possuem correlação com este e a realização de perícia contábil para demonstrar a inexistência da infração capitulada no art. 337A e 168 A do Código Penal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1527.109 da 5a Turma da DRJ/SDR (fls. 878/883) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou a retificação dos valores inicialmente apurados em decorrência da constatação de que os valores, na competência 13/2004, já tinham sido recolhidos. A Notificada apresentou recurso (fls. 893/904), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que houve cerceamento ao seu direito de defesa e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Camaçari/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 906). É o relatório. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição patronal e às contribuições destinadas ao financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e na planilha de fl. 109. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/505) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.002660/200941 Acórdão n.º 2402003.057 S2C4T2 Fl. 5 7 Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 101/108) e seus anexos (fls. 01/100 e 109/505), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 521/875), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 63/65), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/14). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD), fls. 15/17; Relatório de Lançamentos (RL), fls. 18/54; Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), fls. 55/61; cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), fls. 110/505; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 69/98) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 99/100) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 101/108. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/505) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 DO MÉRITO: A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que parte dos fatos geradores que ensejaram a presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, assim como a própria alimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal (fls. 101/108) nos seguintes termos: “[...] 4. ORIGEM DO DEBITO 4.1 O débito originouse da constatação de diferenças de remunerações incidentes de contribuição previdenciária, não declaradas em GFIP, pagas pela DIAS D'ÁVILA METALÚRGICA aos "segurados empregados" e aos "segurados contribuintes individuais" (prestadores de serviços autônomos/administradores), levantadas pela fiscalização, de acordo com os comprovantes em anexo, sem os conseqüentes recolhimentos das contribuições devidas (pagamento de salário constante dos resumos das "folhas de pagamento", levantamento "DTG" e "FP"; pagamento de salário e prestação de serviços constantes da "contabilidade", nas contas específicas de lançamento destes pagamentos, levantamento "SCC"; pagamento de despesas com alimentação dos empregados relativas à conta "3.5.1.01.008 (1197) Gastos com Alimentação", sem o devido convênio com o "PAT Programa de Alimentação do trabalhador", levantamento "SIA"; pagamento de despesas para cobrir ganhos habituais sob a forma de utilidades, levantamento "SIU"; e os pagamentos do "salário família" convertidos em base de contribuição, pela falta de apresentação dos documentos comprobatórios, solicitados pela fiscalização, para o pagamento desse benefício, levantamento "SSF"). [...]” (g.n.) Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.002660/200941 Acórdão n.º 2402003.057 S2C4T2 Fl. 6 9 § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Fl. 734DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU Fl. 735DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.002660/200941 Acórdão n.º 2402003.057 S2C4T2 Fl. 7 11 de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser retirados dos valores apurados no presente processo aqueles oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – constantes das folhas de pagamento, fornecidos aos segurados empregados (levantamento SIA Salário Indireto Alimentação) –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/875) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. É importante deixar registrado que a base de cálculo, apurada no presente lançamento, é oriunda exclusivamente dos valores declarados pelo sujeito passivo nas folhas de pagamento (levantamentos “FP” e “SSF”) e na escrituração contábil (levantamentos “SIU” e “SCC”). Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos os valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15983.000683/2010-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INFRAÇÃO AO ART. 32, IV DA LEI N. 8.212/91.
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas, nos termos do art. 32, IV da Lei n. 8.212/91.
MULTA PREVISTA NO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91.
O valor mínimo da multa previsto no § 3o do art. 32-A da Lei n. 8.212/91 se aplica ao valor final da multa e não em relação a cada competência.
Recurso Voluntário Procedente em Parte
Numero da decisão: 2403-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para estabelecer a multa com base no Art. 32-A da Lei n° 8.212/91, sendo a determinação do valor mínimo pelo conjunto do lançamento (R$ 780,00 de valor originário) e não por período de lançamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Leôncio Nobre de Medeiros que negaram provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INFRAÇÃO AO ART. 32, IV DA LEI N. 8.212/91. Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas, nos termos do art. 32, IV da Lei n. 8.212/91. MULTA PREVISTA NO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. O valor mínimo da multa previsto no § 3o do art. 32A da Lei n. 8.212/91 se aplica ao valor final da multa e não em relação a cada competência. Recurso Voluntário Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para estabelecer a multa com base no Art. 32A da Lei n° 8.212/91, sendo a determinação do valor mínimo pelo conjunto do lançamento (R$ 780,00 de valor originário) e não por período de lançamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Leôncio Nobre de Medeiros que negaram provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 06 83 /2 01 0- 36 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI nº 37.282.6725, cuja notificação ocorreu em 13/09/2010 (fl. 03), lavrado em face da MARIEL INTERNACIONAL LTDA., por ter deixado de informar na GFIP, os segurados empregados a seu serviço. Tendo apresentado GFIP contendo apenas 01 (um) segurado empregado. Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 11/13, in verbis: “1. A empresa está sendo autuada por ter apresentado a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91(Guia de Recolhimento da Previdência Social GFIP), nas competências 01/2006, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 11/2006, 01/2007, 03/2007, 04/2007, 05/2007, 06/2007, 10/2007, 10/2008 e 11/2008, com as seguintes incorreções ou omissões: Deixou de informar em GFIP, nas competências acima mencionadas, todos os segurados empregados a seu serviço. A empresa apresentou GFIP contendo apenas 01 (um) segurado empregado. (...) 3. O contribuinte foi intimado a retificar as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP do período de 02/2004 a 06/2007, corrigindo as falhas apontadas, ou a prestar esclarecimentos sobre as informações incorretas ou omitidas. Salientese que o mesmo não sanou as irregularidades.” (destaque nos original) Consta no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 15, in verbis: “A multa corresponde a R$ 20,00 para grupo de dez informações incorretas ou omitidas, por competência, totalizando o montante de R$ 6.500,00, conforme determinações contidas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, ‘caput’, inciso II e parágrafo 2°, com redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, publicada em 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, respeitado o disposto no art.106, inciso II, alínea ‘c’, da Lei n°5.172, de 25/10/1966 – CTN.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 143/145. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15983.000683/201036 Acórdão n.º 2403001.611 S2C4T3 Fl. 3 3 Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em CampinasSP, prolatou o ACÓRDÃO N° 0534.097, de fls. 196/171, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007, 01/12/2007 a 30/09/2008 GFIP. Constitui infração punível com multa pecuniária a empresa entregar GFIP com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 178/181, requerendo a reforma total do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: Do Direito A Recorrente se insurge em face da impropriedade da autuação, pois a mesma nunca teria deixado de apresentar suas GFIPs com todas as informações pertinentes a seus empregados. Não concorda com a alegação da fiscalização de que teria apresentado a GFIP com apenas dados de 1 (um) funcionário. Assim, alega que há equívoco do agente fiscalizador que alega a substituição da GFIP anterior com os dados de todos os empregados no mês da competência pela GFIP por outra elaborada posterior apenas para informar o nome do funcionário que teria sido demitido naquele mês. Levanta o princípio da moralidade quanto aos atos da administração, alegando a necessidade de se fazer válido o ato com base na realidade dos fatos, não devendo ser concebido o lançamento de auto de infração temerário, quando se há conhecimento de que o sistema de informática não prevê todos os casos concretos. Finaliza questionando o valor aplicado à multa imposta, bem como considerando ter havido um erro material de fato com relação à quantidade de número de funcionários usados no cálculo para aplicação da multa. Do Pedido Requer a anulação do auto de infração, reformando a decisão diante das razões expostas para que se faça justiça. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 177 e 178, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A Recorrente foi autuada por ter apresentado GFIP contendo incorreções e omissões, vez que continham apenas 1 (um) segurado empregado, contrariando o disposto no art. 32, IV da Lei n. 8.212/91, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Pela citada infração, foi aplicada multa com base no valor de R$ 6.500,00, com base no art. 32A da Lei n. 8.212/91, verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15983.000683/201036 Acórdão n.º 2403001.611 S2C4T3 Fl. 4 5 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Analisando o Relatório Fiscal de fls. 11/15, verificase que a Fiscalização aplicou a multa de forma equivocada, vez que, considerou o valor mínimo de R$ 500,00 previsto no citado § 3o em relação a cada competência, quando o correto é aplicar em relação ao total da multa aplicada. Por essa razão, o valor correto da multa aplicada é de R$ 780,00, assim como consta na 6a coluna da planilha elaborada pela Fiscalização na fl. 11 do Relatório Fiscal. No que se refere ao descumprimento propriamente dito, a Recorrente não trouxe elementos de fato ou de direito para infirmar a autuação que lhe fora apontada. Devendo, portanto, ser mantida a infração. Contudo, no que se refere ao valor da multa aplicada, assiste razão à Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, dou parcial provimento ao recurso da Recorrente, para estabelecer a multa com base no Art. 32A da Lei n° 8.212/91, sendo a determinação do valor mínimo pelo conjunto do lançamento (R$ 780,00 de valor originário) e não por período de lançamento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10660.001792/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. CARACTERIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO
A constatação de saldo credor na conta caixa da pessoa jurídica, quando essa não lograr apresentar provas em contrário, enquadra-se como presunção legal, autorizativa no sentido de que se presuma a existência de manipulação de recursos à margem dos registros contáveis, vez que, não havendo disponibilidade contábil no Caixa, quaisquer saídas ou pagamentos efetuados por essa conta evidenciam a utilização de valores oriundos de receitas omitidas, caracterizadores do elemento do tipo legal descrito como infração.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS OU DESNECESSÁRIAS. GLOSA
Não tendo sido comprovadas, nem podendo ser consideradas necessárias, tudo à luz da legislação de regência da matéria, há que se manter a glosa operada em face das despesas operacionais assim escrituradas.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. PERDAS COM SWAP.
Quando não se prova que a operação no mercado de derivativos se relaciona à proteção dos direitos e obrigações do contribuinte, fica descaracterizado o propósito de cobertura de risco (hedge) da operação. Nesse caso, para fins de dedutibilidade na determinação do lucro real, impõe-se o reconhecimento das perdas apuradas em operações de swap somente até o limite dos ganhos auferidos nas operações de mesma natureza.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Uma vez que os lançamentos de Pis, Cofins e CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidencia-se o caráter reflexivo, impondo-se a eles o mesmo veredicto firmado no lançamento principal.
Numero da decisão: 1401-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SALDO CREDOR DE CAIXA. CARACTERIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO A constatação de saldo credor na conta caixa da pessoa jurídica, quando essa não lograr apresentar provas em contrário, enquadrase como presunção legal, autorizativa no sentido de que se presuma a existência de manipulação de recursos à margem dos registros contáveis, vez que, não havendo disponibilidade contábil no Caixa, quaisquer saídas ou pagamentos efetuados por essa conta evidenciam a utilização de valores oriundos de receitas omitidas, caracterizadores do elemento do tipo legal descrito como infração. DESPESAS NÃO COMPROVADAS OU DESNECESSÁRIAS. GLOSA Não tendo sido comprovadas, nem podendo ser consideradas necessárias, tudo à luz da legislação de regência da matéria, há que se manter a glosa operada em face das despesas operacionais assim escrituradas. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. PERDAS COM SWAP. Quando não se prova que a operação no mercado de derivativos se relaciona à proteção dos direitos e obrigações do contribuinte, fica descaracterizado o propósito de cobertura de risco (hedge) da operação. Nesse caso, para fins de dedutibilidade na determinação do lucro real, impõese o reconhecimento das perdas apuradas em operações de swap somente até o limite dos ganhos auferidos nas operações de mesma natureza. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os lançamentos de Pis, Cofins e CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a eles o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 17 92 /2 00 9- 66 Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 68 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em razão dos Autos de Infração (Ais) lavrados a título de IRPJ, Pis, CSLL c Cofins entremeados às fls. 0243, foi constituído o credito tributário no montante de R$ 2.338.595,52, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2004 e 2005. Segundo a "DESCRIÇÃO DOS FATOS ..." constante no Al relativo ao IRPJ, matriz, o lançamento deuse em face da ocorrência de saldo credor de Caixa e de custos/despesas operacionais glosados por não serem necessários, enquanto os demais, reflexos, deramse por falta de recolhimento. Integra os Autos de Infrações o Termo de Verificação fiscal (TVF) de fls. 44 49. Às fls. 145174 a impugnante contesta o auto de infração adotando os seguintes argumentos: o deferimento da prova pericial, a ser realizada por um expertise, a fim de comprovar e legalidade das operações de HEDGE e a ausência de caráter especulativo; a legalidade dos contratos de mútuo celebrados, os quais foram entregues à empresa em espécie (dinheiro); que é indevida a glosa, pois todas as despesas são intrínsicas as atividades descritas no estatuto social, normais, usuais e necessárias as atividades da empresa e que os recibos e notas fiscais juntados aos autos comprovam o gasto/despesa; em relação as operações de HEDGE foi demonstrado que foram celebradas com o amparo na Lei n.° 8.891/95, registrados e contratados de acordo com as normas do BACEN; além do mais, foi comprovado também que se destinavam exclusivamente à proteção contra riscos inerentes às bruscas oscilações de preços ou taxas que permeiam o mercado de café. da ilegalidade da multa aplicada face ao seu caráter confiscatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 ILEGALIDADE Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 70 4 A autoridade administrativa não possui competência para apreciar ilegalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004,2005 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTOS. Deve ser indeferido o pedido de realização de perícia por ser despicienda, vez que, além de a situação fática ter bastado para o seu enquadramento nos tipos legais; tanto na fase procedimental, quanto na processual, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova documental dos fatos alegados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. CARACTERIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO A constatação de saldo credor na conta caixa da pessoa jurídica, quando essa não lograr apresentar provas em contrário, enquadrase como presunção legal, autorizativa no sentido de que se presuma a existência de manipulação de recursos à margem dos registros contáveis, vez que, não havendo disponibilidade contábil no Caixa, quaisquer saídas ou pagamentos efetuados por essa conta evidenciam a utilização de valores oriundos de receitas omitidas, caracterizadores do elemento do tipo legal descrito como infração. DESPESAS NÃO COMPROVADAS OU DESNECESSÁRIAS. GLOSA Não tendo sido comprovadas, nem podendo ser consideradas necessárias, tudo à luz da legislação de regência da matéria, há que se manter a glosa operada em face das despesas operacionais assim escrituradas. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. PERDAS COM SWAP. Quando a operação de swap não se revelar pertinente à proteção dos direitos e obrigações do contribuinte, fica descaracterizado o propósito de cobertura de risco (hedge) da operação. Nesse caso, para fins de dedutibilidade na determinação do lucro real, impõe se o reconhecimento das perdas apuradas em operações de swap somente até o limite dos ganhos auferidos nas operações de mesma natureza. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os lançamentos de Pis, Cofins e CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 71 5 evidenciase o caráter reflexivo, impondose a eles, mutatis mutandis, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 72 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Entretanto, o recurso é parcial, uma vez que desde a impugnação o Contribuinte renuncia à discussão de determinadas matérias, seja admitindo expressamente a indedutibilidade de determinadas despesas através planilhas (fls. 148/149), seja apresentando Dcomp confessando alguns débitos lançados de ofício, seja simplesmente omitindose completamente em sua impugnação da defesa de determinados itens. A Dcomp referenciada é a de nº 36168.14002.150110.1.3.095113 (fls. 293 297) que visou à compensação de créditos de Cofins não cumulativa (2o trim/2007) com débitos de IRPJ (código 291700) e de CSLL (código 297300) objetos dos lançamentos, nos valores principais de R$ 29.383,44 e R$ 10.578,04, respectivamente. Os itens em que não apresentou defesa desde a fase impugnatória nas palavras da DRJ são: C) conta 420164.2.1.16 — Conservação de veículos: não foi dispensada uma linha sequer sobre a assertiva fiscal de que "Tratase de despesa com revestimento de couro furadinho para caminhonete Toyota Hylux, que não consta do ativo da autuada. " D) conta 420114.2.1.11 — Assistência contábil e jurídica: aqui também, não houve contradita sobre a afirmação fiscal de que "Tratase de despesa com consultoria em radiocomunicação junto ao SRPVRJ para fins de legalização de estação de rádio, desnecessária ao funcionamento do empreendimento. " E) conta 420144.2.1.14 — Serviços de Terceiros: a contribuinte não contestou a afirmativa fiscal de que "Tratase de serviço de montagem de móveis, que são bens do ativo da empresa. Não se trata de bem de pequeno valor. " G) despesas da conta 420284.2.1.28 — Brindes: a contribuinte não contraditou essa glosa, motivada por serem "despesas desnecessárias" H) despesas da conta 420254.2.1.25 — Donativos: a contribuinte não contraditou a realidade fática de que "Tratase de despesas não necessárias ao processo produtivo, tais como doação para campanha eleitoral. " J) despesas da conta 430124.3.1.12 — Serviços de Terceiros: tratase de inquestionada glosa de "despesas com montagem de mobiliário, um bem imobilizado. Não se trata de bem de pequeno valor" K) despesas da conta 430164.3.1.16 — Brindes: idem à conta do item acima. Portanto, tais matérias estão fora da lide. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 73 7 Perícia A contribuinte requer a realização de perícia, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de perícia. Omissão de Receitas – Saldo Credor de Caixa (item 1 do Auto e III TVF) Tratase de presunção legal de omissão de receitas oriunda de saldo credor de caixa a partir da desconsideração de empréstimos não comprovados. Eis a legislação de regência RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n? 1.598, de 1977, art. 12, §2? e Lei n* 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa: IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.(grifei) Tratase, por óbvio, de presunção relativa que pode ser desfeita por prova em contrário, mas que a Recorrente não logrou êxito em fazêlo. Por oportuno, cabe observar que o direito pátrio adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, mas também ao réu a comprovação da sua versão no que tange à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. É o que se depreende do transcrito do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 74 8 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. As alegações trazidas pela Recorrente em relação a esses itens são vazias e estéreis e ao meu ver, bem refutadas pelas primeira instância, não trazendo em fase recursal nenhuma tréplica que enfraquecesse os argumentos da DRJ, pelo contrário, a recorrente cingiu se a reproduzir ipsis litteris o teor da peça impugnatória fazendo ouvido de mercador ao arrazoado da DRJ. De um lado, o fisco informa no TVF (fls. 4449) que a contribuinte foi intimada e reintimada (fls. 99 e 100, 103) a comprovar a origem dos recursos e o efetivo ingresso dos valores lançados a débito da contra a título de "Recebido Exportadora Princesa do Sul ref. Empréstimo conf. Rec. ". Em resposta à reintimação, recebeu cópias dos contratos de mútuo celebrados entre a autuada e a Exportadora Princesa do Sul e o documento de fls. 104 em que a autuada informa que o recebimento dos valores se deu em dinheiro. Ao analisar os contratos apresentados a fiscalização constatou : “que se trata de documentos assinados apenas por representantes das empresas contratantes, sem testemunhas ou avalistas; que não foram registrados em cartório e que não especificam as garantias oferecidas pela mutuária. Ainda, a empresa que teria repassado os recursos tem como sócia majoritária outra empresa que tem sede em paraíso fiscal. Em vista dessas observações, somadas ao fato de a autuada não comprovar a tradição do numerário, desconsideramos essa operação de empréstimo, excluindo da conta caixa os valores supostamente emprestados. Essa operação gerou saldos credores de caixa, conforme planilha de fls. 130 a 133. [...] O fato de as operações de empréstimos terem sido lançadas nas declarações de rendimentos dos mutuantes não comprova sua efetividade, pois o que interessa à tributação, no caso, é a comprovação do efetivo ingresso do numerário na empresa, vez que é isto que determinará, ou não, o saldo credor de caixa, o qual configura a omissão de receita sujeita ao imposto.” Ora, não se trata simplesmente de ter desconsiderado os contratos de mútuo em função de descumprimento formal desses contratos (falta de registro, testemunhas etc), mas a partir de vários indícios a fiscalização solicita a prova da efetividade da entrada do numerário na conta caixa. Esse é o ponto relevante. Nesse aspecto a DRJ foi bem clara: Digno de nota, os contratos de mútuo, por si sós, não são determinantes para manter ou não o lançamento pertinente ao saldo credor de Caixa. A razão maior pela qual o fisco os desconsiderou como elemento de prova foi a não comprovação da efetividade do ingresso de numerários na conta Caixa, decorrente daqueles contratos. Tudo isso, sem que o servidor autuante se aventurasse, conforme sugere o discurso passivo, a deles retirar as validade e eficácia do negócio jurídico contratado, ainda que limitadas aos contraentes. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 75 9 A Recorrente por sua vez, repete os mesmos argumentos da fase impugnatória: que a simples ausência de prova da transferência do numerário não pode em momento algum servir de fundamento para descaracterizar o mútuo celebrado pelas partes contratantes. Não há exigência legal neste sentido, posto que o objeto mais comum é o dinheiro. além de lícito o objeto contratado (empréstimo em dinheiro), as partes foram devidamente representadas na forma de seus estatutos sociais, e o instrumento particular atende todas as prescrições legais, estando portanto devidamente revestidos das formalidades legais exigidas pela legislação civil (Lei n° 10406/2002), que rege os negócios jurídicos celebrados entre particulares, não havendo razões para a sua descaracterização.] Embora a recorrente tenha logrado êxito em trazer em sede impugnatória algum tipo de documentação, embora digase de passagem, totalmente carente de credibilidade em face do desapego total a um mínimo de formalismo exigido, não conseguiu provar o que mais importa em situações que envolvam a prova de suprimento de numerário, qual seja, não conseguiu produzir prova que esse dinheiro foi realmente entregue pela mutuária a mutuante. Outrossim, causa espécie, a Recorrente apesar de não tomar as precauções legais cabíveis no sentido de bem formalizar os contratos de mútuo, operar com valores significativamente altos, totalizando R$ 610.000,00, e recebendo todos esses ingressos na forma menos usual possível, que é o recebimento sempre em espécie e não via o sistema bancário normal: Data Valor 19/01/2005 140.000,00 21/01/2005 350.000,00 02/0202005 120.000,00 Total 610.000,00 Este inclusive é o entendimento do CARF: A falta de registro em cartório de contratos de mútuos ou de reconhecimento de dívida, por si só, não comporta a presunção de omissão de receita por passivo fictício ou passivo não comprovado. Entretanto, os mútuos contratados devem ser comprovados com efetivo trânsito do numerário (grifamos).Contratos de assunção, cessão e transferência de dívida, assinados por uma só pessoa, como sócio da autuada de um lado e como representante de pessoa jurídica com sede em paraíso fiscal (grifamos) sem prova de sua representação legal e outros contratos de mútuo, só podem ser aceitos como válidos quando comprovados , mediante documento hábil e idôneo, o efetivo trânsito do numerário (grifamos). I o Conselho de Contribuintes)/I a Câmara/Acórdão 10194013 em 06/11/2002, publicado no DOU em 17/01/2003. (grifei) Portanto, mantenho este item da autuação. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 76 10 2) Custos, Despesas operacionais/encargos não necessário 2.1) item I do TVF De início cabe ressaltar uma premissa teórica que reputo importante para o deslinde desse item. Para o contribuinte comprovar a sua “versão” no que tange à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do seu direito, não é bastante trazer aos autos informações, de forma desarticulada e incompletas, como fez a Recorrente. Conforme jurisprudência deste Conselho a prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. Por outro torneio, as “peças de um quebracabeça” não são provas, prova é o “quebracabeça” montado. Em sua defesa (fase impugnatória) afirmou que “os documentos comprobatórios das despesas operacionais, anexos à ação fiscal (volumes I e II), são mais que suficientes para comprovar a efetividade dos pagamentos efetuados e, ainda, preenchem os requisitos exigidos pela lei do Imposto de Renda. ". Ademais, como esclareceu a decisão de piso, “os fatos de que os volumes I e II dos autos foram compostos ainda na fase procedimental e seu cotejo com o rol de documentos anexos à peça impugnatória (fl. 174) não aponta para nenhum ponto de interseção.” Tratase quase de uma negativa geral. Em razão do que foi acima colocado repriso os argumentos da DRJ apenas nos itens que já não foram declarados como não mais fazendo parte da lide: Não obstante, vejamos os valores glosados: A) conta 420174.2.1.17 (combustíveis e lubrificantes). Tem razão o fisco por assim sustentar a glosa operada: Os documentos apresentados para justificar os lançamentos mostram que se trata de abastecimento de aeronaves e embarcações não constantes do ativo da empresa fiscalizada. Não foram apresentados contratos de prestação serviço, tampouco comprovada a necessidade da despesa. Tratase, na sua maioria, de aquisições de querosene para aviação ou diesel marítimo, conforme notas fiscais acostadas ao referido Anexo I. Em oposição, são as seguintes razões de defesa passiva: Conforme já foi devidamente informado [...] às fls. 70, tais despesas referem se a reembolso de despesas pela utilização de aeronaves de terceiros para promover Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 77 11 viagens a clientes e fornecedores, bancos, sempre com o objetivo de implementar seus objetivos sociais [...]. A prova do efetivo desembolso destas encontrase acostadas às fls. 109 a 612 do anexo I dos presentes autos. Destaquese, que a aeronave utilizada pela Impugnante pertence à empresa Armazéns Gerais Agrícola Ltda. (doe. 07) [...]. Para a utilização da referida aeronave, a Impugnante firmou comodato, sob a forma verbal, tal como admite o nosso Código Civil (Lei n° 10.406/2002). Não obstante, é importante mencionar que o Parecer Normativo CST n" 108, de 1972, permite a dedução de despesas com veículos e combustíveis, desde que satisfaçam os seguintes requisitos: [...] Causam espécie os argumentos passivos em face das obrigações tributárias acessórias contidas nos dispositivos legais objetos do ENQUADRAMENTO LEGAL, tendo em vista, tanto a apresentação das DIPJs correspondentes aos anos calendário 2004 e 2005 pelo lucro real, quanto o disposto no artigo 251, § único, do Decreto n° 3.000/1999 já transcrito. Tais despesas escrituradas não encontram supedàneo para serem consideradas como operacionais e, via de decorrência, dedutíveis, ex vi dos dispositivos constantes no enquadramento legal, particularmente, em face do disposto no artigo 299 do Decreto n° 3.000/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias u atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n4.506, de 1964, art. 47). § 1 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n 4.506, de 1964, art. 47, § 1?). § 2 As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n 4.506, de 1964, art. 47, §2° ). § 3 O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. B) conta 420244.2.1.24 — Viagens e Estadas. Segundo o fisco: Os documentos dos lançamentos dessa conta apresentados evidenciam que se trata de gastos não necessários ao empreendimento, tais como compras na boutique Daslu, despesas contraídas em bares, hotéis e restaurantes e lojas de roupas. Embora a contribuinte expressamente faça referência a essa conta e à conta 4300543.1.05 (Viagens e Estadas), seus pontos de discordância, em termos documentais, tão somente orbitam aqueles de fls. 26, 27 a 29, 50, 54 a 59 e 72, que dizem respeito às despesas relativas à conta 420244.2.1.24. A síntese do discurso passivo nesse particular traduzse na afirmação d que "tais despesas guardam estrita correlação com a realização das transações ou Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 78 12 operações exigidas pelas atividades da empresa e é perfeitamente justificável considerando o negócio desenvolvido pela Impugnante é justamente o comércio nacional e exterior. " No entanto, tais alegações são órfãs da necessária comprovação "com documentação hábil e idônea" dos gastos que teriam sido suportados pelos seus diretores, tal como negritado na ementa transcrita pela própria contribuinte do "Acórdão n° 10991594, Recurso n" 115.098. Sessão 20.11.1997". (...) F) conta 420194.2.1.19 — Utilidades para empregados: a contribuinte discorda da afirmação fiscal de que "Tratase de despesas estranhas ao objeto social da empresa, tais como churrascos, cervejas, coquetéis, etc. ". Em apertada síntese, o faz em nível dos seguintes argumentos, por excertos: Tais despesas, conforme se observa dos documentos de fls. 78, 80, 81, 83, 84, 85, 88 constantes do Volume Ido Anexo I [...], referemse a alimentações fornecidas aos funcionários da Impugnante quanto estes excederam o tempo normal de jornada de trabalho (lioras extras). Referemse, ainda a coquetéis, almoços ou jantares oferecidos aos clientes, fornecedores, gerentes de bancos, em visitas à sede da Impugnante, bem como festas de confraternização as seus funcionários. A dedutibilidade de tais despesas encontra amparo no Parecer Normativo CSTn" 322, de 05.07.1971. Ora, de uma simples análise das notas fiscais, às fls. 79, 82, 86 e 87 que comprovam o gasto/dispêndio, verificase que amoldamse perfeitamente ao comando contido referido parecer. De plano, o argumento passivo de que determinadas notas fiscais referemse a alimentações fornecidas a funcionários não se sustenta, i) a uma, porque tais notas não nominam ninguém; ii) a duas, porque a contribuinte não apresentou elemento de prova que dissessem dos empregados que teriam excedido a jornada normal de trabalho e se beneficiado dessa ou daquela refeição. Juízo semelhante deve ser aplicado no que tange aos coquetéis, confraternizações, eíc, até porque suas naturezas destoam do propósito daquela conta. Mais que isso e apesar da alegação de que os valores despendidos nessa conta "equivalem a 0,017% da receita bruta operacional", o mesmo PN CST n° 322/1971, no qual se escudou a contribuinte, é no sentido maior de que: Despesas com relações públicas em geral, tais como, almoço, recepções, festas de congraçamento, etc, efetuadas por empresas, como necessárias à intermediação de negócios próprios de seu objeto social, para serem dedutíveis da receita bruta operacional, deverão guardar estrita correlação com a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, além de rigorosamente escudadas em todos os elementos comprobatórios que permitem sua aceitabilidade pela Fiscalização, limitandose tais despesas a razoável montante, sob pena de sua inaceitação é tributandose as quantias glosadas de acordo com os artigos 243, letra I, 251, letra “e” e 252, letra d, do RIR. (...) Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 79 13 I) despesas da conta 430054.3.1.05 — Viagens e Estadas: sobre esse item já foram feitas considerações; mantémse a glosa por tratarse de despesas desnecessárias. Por todo o exposto, mantenho as glosas. 2.2) Despesas ou perdas indedutíveis (item II do TVF): A fiscalização constatou que o Contribuinte lançou como despesas operacionais em 31/12/2005 na DIPJ (linha 30 da Ficha 05 A), o valor total de R$ 1.469.011,32, correspondente a perdas excedentes aos ganhos com operações em bolsa de valores, conforme planilha demonstrativa das contas do grupo outras despesas operacionais. O fisco então procedeu à glosa porque tal montante corresponderia "a perdas excedentes aos ganhos com operações em bolsa de valores”. A conclusão do fisco então foi peremptória: (...) em nenhum momento a fiscalizada provou que as operações por ela realizadas no mercado tinham a finalidade de eliminar ou reduzir riscos assumidos em outras operações ativas ou passivas. Para fazer essa prova, teria que apontar quais eram as operações acobertadas por meio de contratos celebrados ou documentos correspondentes a compromissos assumidos e, mais que isso, teria que demonstrar a correlação entre os montantes, prazos de vencimento e demais características dessas operações com os ativos ou passivos protegidos por elas. Vamos reconstituir os passos dado pelo fisco para chegar a essa conclusão: Inicialmente ela tinha sido intimada (fls. 67 e 68) a comprovar com documentação hábil e idônea os valores constantes dos lançamentos contábeis efetuados nas contas de resultado, identificados em anexos à intimação, entre as quais, a conta "Operação na Bolsa 430114.3.1.11". A Recorrente afirma que a referida conta referese a "operação de HEDGE (proteção), nesta são lançados os ganhos e perdas dessas operações, conforme extratos que serão entregues em data próxima". Apresentou extratos de contas correntes da corretora Credit Suisse HedgingGriffo S.A, de janeiro até dezembro de 2005, relativos aos ajustes diários. A Fiscalização então intimou a Recorrente: a fornecer documentação necessária à demonstração de todos os resultados das operações de hedge intermediadas pela empresa Credit Suisse HedgingGrifo durante o anocalendário de 2005; Apresentar demonstrativo em que seja estabelecida correlação de quantidade, data de vencimento e valores de referência dos contratos das operações de hedge com as quantidades, datas e valores dos contratos que representam o direito ou obrigação protegida; Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 80 14 indicar as contas ou subcontas dos livros contábeis da empresarem que o bem, direito ou obrigação protegida esteja contabilizado; comprovar os registros nos órgãos competentes, se for o caso, dos contratos relativos às obrigações ou direitos acima referidos. A fiscalização assim indica o teor da resposta dada pela Recorrente: (...) apresentou somente os extratos da movimentação do ano de 2005 na Credit Suisse HedgingGrifo S/A, e cópias das notas de corretagem emitidas pela Bolsa de Mercadorias & Futuro S.A, BM&F, onde constam as operações de compra e venda a termo, realizadas no ano de 2005. Informa também "que a quantidade constante da nota de corretagem, referese ao quantitativo de contratos de compra ou venda, sendo que cada contrato corresponde a 100 sacas de café, que na sua absoluta maioria é liquidado por diferença. Informa ainda que em 2005 a empresa comercializou 586.658 sacas, gerando uma receita total de R$ 159.272.893,94, sendo 419.970 sacas exportadas, gerando uma receita de R$ 125.802.751,34, e 166.688 vendidas no mercado interno com uma receita de R$ 33.470.142,60". Alega ainda que "Conforme os extratos da Bolsa BM&F a maior exposição se deu em 27/06/2005 com 414 contratos em aberto, o que corresponde a 41.400 sacas, e em 02/09 do mesmo ano, com um saldo comprado em 42.000 sacas, o que equivale a mais ou menos um mês com proteção de preço (hedge), prática comum e necessária para operações com comodities com alta volatilidade ", entre outras alegações. Anexou ainda demonstrativo mensal dos ganhos e perdas e valores contabilizados das operações na referida bolsa no ano de 2005. Por fim, a Recorrente foi ainda intimada (fls. 93 /94) a apresentar os contratos de exportação de café que estiveram vigor em 2005, ou seja: Contratos celebrados anteriormente a 2005 e encerrados no decorrer de 2005 ou posteriormente; Contratos celebrados em 2005 e encerrados no decorrer do próprio ano de 2005 ou posteriormente. Em resposta, informou que: "não firmamos Contratos de Exportação de Café; que toda negociação com os importadores é feita por meio eletrônico, não havendo, portanto, a formalização de contratos. Que a formalização da exportação de café cru em grão é toda feita e registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), sistema que envolve todos os órgãos reguladores do comércio exterior, tais como Receita Federal, Banco Central do Brasil e o Ministério da Indústria e do Comércio, entre outros” De fato, a legislação de regência considera indedutível as perdas excedentes aos ganhos com operações em bolsa de valores. Porém, abre uma exceção bastante coerente em relação às operações de Hedge, uma vez que dentro dos mercados derivativos(Opções, Futuro e a Termo) esse tipo de operação não é o lado especulativo, mas quem a usa pretende tão Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 81 15 somente proteger os ativos que trabalha (commodities) das oscilações dos preços assumindo uma posição contrária no mercado de futuros contrária à posição assumida no mercado à vista. Ele, necessariamente deve ter vínculo com a mercadoria objeto da operação. Se um produtor de arroz, por exemplo, acredita que dentro de um mês, quando for comercializar a sua safra, os preços terão caído e não cobririam assim os seus custos, ele então, para se resguardar compra em bolsa de valores através de uma corretora um contrato de venda futura de sua produção ao final do mês, procurando é claro um preço vantajoso. Essa é a lógica do mercado. Eis a legislação de regência: Regra Geral RIR/99 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro liquido do período de apuração (DecretoLei n 1.598, de ¡977, art. 6, § 2): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II[...]. Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: [...] X as perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap, que excederem os ganhos auferidos nas mesmas operações (Lei n8.981, de 1995, art. 76, §4?); Exceção: Lei nº 8.981/1995: Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1° A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2o O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3° Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente. Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei n"'9.065. de 1995) § 2o Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de Io de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 82 16 § 3o As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade), realizadas em mercado de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 4o Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5° Na hipótese do § 4°, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anos calendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) [...] Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (Redação dada pela Lei n°9.065, de 1995) [...] V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1° Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 2o O Poder Executivo poderá definir requisitos adicionais para a caracterização das operações de que trata o parágrafo anterior, bem como estabelecer procedimentos para registro e apuração dos ajustes diários incorridos nessas operações. § 3o Os rendimentos e ganhos líquidos de que trata este artigo deverão compor a base de cálculo prevista nos arts. 28 ou 29 e o lucro real. (grifei) Eis a doutrina de Eduardo Fortuna a esse respeito: Os agentes econômicos ao participarem deste mercado (mercado de futuros) podem fazêlo sob dois enfoques principais, o de hedger e o de especulador. O hedger é o agente que assume uma posição no mercado de futuro contrária à posição assumida no mercado à vista. Ele, certamente deve ter vínculo com a mercadoria objeto da operação. Se as diferenças de preços permitirem poderá, também, surgir como participante deste mercado, o arbitrador, que tentará obter um ganho fixo proporcionado por esta diferenças de preço. 1 1 Fortuna, Edurado. Mercado Financeiro. Produtos e serviços. 14ª ed.:Rio de Janeiro, 2001, p.477. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 83 17 Como se vê, o que a Recorrente tem que provar é essa posição de Hedger e que necessariamente tem vínculo com a mercadoria objeto da operação. Nesse sentido caminhou bem a fiscalização na tentativa de que fosse feita essa prova através da apresentação: demonstrativo em que seja estabelecida correlação de quantidade, data de vencimento e valores de referência dos contratos das operações de hedge com as quantidades, datas e valores dos contratos que representam o direito ou obrigação protegida; das contas ou subcontas dos livros contábeis da empresa em que o bem, direito ou obrigação protegido esteja contabilizado; comprovação dos registros nos órgãos competentes, se for o caso, dos contratos relativos às obrigações ou direitos acima referidos. Novamente, a Recorrente não logra êxito no cumprimento do seu papel de provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do seu direito. Apresentou somente os extratos da movimentação do ano de 2005 na Credit Suisse HedgingGrifo S/A, e cópias das notas de corretagem emitidas pela Bolsa de Mercadorias & Futuro S.A, BM&F, onde constam as operações de compra e venda a termo, realizadas no ano de 2005. Ora, isso só prova que ela operou no mercado de futuros e que pode estar no lado especulativo. Na linha de raciocínio alhures ressaltado, como se viu, as “peças de um quebracabeça” não são provas, prova é o “quebracabeça” montado. Nesse pssao, pode até ser difícil para uma empresa não muito organizada apresentar o demonstrativo solicitado pela fiscalização, em que ela faça analiticamente a correlação da quantidade, data de vencimento e valores de referência dos contratos das operações de hedge com as quantidades, datas e valores dos contratos que representam o direito ou obrigação protegida, porém o que dizer das outras opções de prova elencadas pelo fiscal e que também a Recorrente não logrou êxito em satisfazêlas? Será que apontar o mínimo que seja na contabilidade é ta difícil assim? Ou seja apresentar as contas ou subcontas dos livros contábeis da empresa em que o bem, direito ou obrigação protegido esteja contabilizado? O que se deduz é que os alegados direitos, representados pelos respectivos ativos negociados (café), sequer foram escriturados, ainda que a contribuinte tenha sido instada e estivesse sujeita a fazêlo. E quanto aos contratos firmados de exportação que indicariam também o procurado vínculo entre as operações apregoadas e ativo objeto de Hedge? A DRJ bem tratou dessa questão: Nesse sentido, observo que à fl. 93 a contribuinte foi intimada a apresentar os contratos de exportação de café celebrados antes ou durante 2005, mas encerrados durante ou posteriormente àquele ano. Naturalmente, também visavase ali que, na linha do tempo, a dinâmica dos objetos contratados, não apresentados, tivesse o espelhamento individuado das operações que teriam sido contratadas, em linguagem contábil. No entanto, em resposta, contribuinte informa (fl. 95) que: Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10660.001792/200966 Acórdão n.º 1401000.854 S1C4T1 Fl. 84 18 [...] não firmamos Contratos de Exportação de Café, toda negociação com nossos exportadores é feita por meio eletrônico [...]. A formalização da exportação de café cru em grão é toda feita e registrada no [...] SISCOMEX, sistema que envolve todos os órgãos reguladores do comércio exterior [...]. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.000597/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
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Numero da decisão: 3201-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
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Mantémse o crédito tributário lançado, tendo em vista a falta de comprovação com documentação hábil do efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 05 97 /2 00 2- 61 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir especificado, para exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), período de apuração janeiro de 1997: Valores em REAIS Contribuição Multa Juros Total 2.079,82 1.559,87 2.039,05 5.678,741 2. Por meio do relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 11, o AFRFB autuante descreve o seguinte fato: falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata. 3. Inconformada, a Contribuinte, por seu Diretor Presidente, apresentou a peça impugnatória à fl.01, afirmando, em síntese, que: o valor cobrado está devidamente quitado e no prazo. Anexa cópia do DARF quitado; cópia da 31ª alteração do Contrato Social Consolidado; cópia do Cartão do CNPJ e cópia do auto de infração.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/REC no 1130.856, de 26/08/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1997 CRÉDITO TRIBUTÁRIO É de se manter o crédito tributário lançado, quando não comprovado com documentação hábil o efetivo recolhimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O julgamento foi pela improcedência da impugnação e manutenção dos autos. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 62DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10480.000597/200261 Acórdão n.º 3201001.179 S3C2T1 Fl. 62 3 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente Auto de Infração, da exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), período de apuração janeiro de 1997, tendo em vista diferença de recolhimento. A recorrente insiste que o valor cobrado está quitado, anexando cópia de DARF. O lançamento foi efetuado com base em Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF de nº 00001.001.998/00429501, referente ao 1º trimestre de 1997, quando o mesmo declarou o débito apurado no valor de R$ 23.006,64 (vinte três mil, seis reais e sessenta e quatro centavos), e efetuou o pagamento de R$ 20.926,82 (vinte mil, novecentos e vinte seis reais e oitenta e dois centavos), cujo recolhimento foi efetuado pelo DARF, que o contribuinte juntou. Como se observa, resta uma diferença, cuja importância é de R$ 2.079,82 (dois mil e setenta e nove reais e oitenta e dois centavos), a qual a recorrente não comprovou o seu efetivo recolhimento. Destarte, voto no sentido de negar provimento por falta de provas, apenas alegações do recolhimento da diferença para o período considerado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925223/2008-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/02/2004
FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário que resta caracterizada a falta de interesse de agir não oferece os requisitos para ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.925223/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.598 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente PLSTIPRENE PLASTICOS ELASTOMETROS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/02/2004 FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário que resta caracterizada a falta de interesse de agir não oferece os requisitos para ser conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP nº 25789.78217.120204.1.3.042604 de fls. 6/10, através da qual, busca a contribuinte, compensar crédito de PIS/PASEP pago a maior, competência de dez/2003, transmitida em 12/02/2004, com débitos do mesmo tributo com vencimento em 15/01/2004 no valor original de R$ 13.230,74. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 52 23 /2 00 8- 32 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 A DERAT/SP emitiu despacho decisório eletrônico fls. 2, que reconheceu o credito e compensou os débitos até seu limite, restando à diferença a ser paga de R$ 951,46. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade impugnando a decisão da DERAT/SP alegando, em síntese, que: a. Foi indicado, por erro de fato, credito inexistente oriundo de pagamento à maior correspondente ao DARF no valor de R$ 13.402,66. b. Embora tivesse sido pago a maior em relação ao saldo devedor do PIS/PASEP competência dez/2003 não havia a necessidade de documento de compensação, bastando à vinculação em DCTF do DARF mencionado. c. Requer o cancelamento do PER/DCOMP, do Despacho Decisório, bem como os débitos dela advindos, e requer o direito de retificar a DCTF do período. A DRJ/SP1 julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Verificou que o contribuinte errou ao preencher DCTF do 4o trimestre de 2003 informando como “Compensação de pagamento indevido ou a maior” ao invés de “Pagamento” o valor de R$ 13.556,25 tendo em vista o DARF arrecadado em 15/01/2004 de R$ 13.402,66. Mantém a decisão da DRF de compensar o valor devido até o limite do DARF indicado, restando saldo a ser pago. Ressalta que o PER/DCOMP não é instrumento hábil a retificar informações prestadas incorretamente em DCTF, e se configura em confissão de divida. Entende impossível a retificação de DCTF após o Despacho Decisório. Inconformada o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário a esta turma julgadora onde alega os mesmos argumentos e pedidos da Manifestação de inconformidade. É o Relatório. [Clique aqui para iniciar o Relatório] Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porém, dele não tomo conhecimento. A recorrente apresentou PER/DCOMP que foi homologado até o limite do credito, restando débito a ser pago. Os pedidos da interessada são de cancelamento do PER/DCOMP e retificação da DCTF a fim de que sejam considerados os valores declarados pela contribuinte. Em analise do acórdão da DRJ/SP1, destacamos os seguintes paragrafos: “Analisamos os dados contidos no sistema da Receita Federal do Brasil e as informações contidas nos autos, verificase que o contribuinte errou ao preencher a DCTF do 4o trimestre de 2003, informando erroneamente como “Compensação de pagamento indevido ou a maior” ao invés de “Pagamento” o Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.925223/200832 Acórdão n.º 3803003.598 S3TE03 Fl. 11 3 valor de R$ 13.566,25, tendo em vista DARF arrecadado em 15/01/2004 de R$ 13.402,66. Ao invés de providenciar a retificação da DCTF, o contribuinte emitiu PER/DCOMP ora em julgamento buscando sanar o equivoco por ele cometido[...] No entanto, o pagamento de R$ 13.402,66 não foi suficiente para quitar o valor do débito para o PIS/PASEP declarado na DCTF de R$13.566,25. Deste modo, sendo o pagamento inferior ao valor declarado como devido em DCTF a titulo de PIS/PASEP(código da receita 6912) permanece o débito quanto a diferença apurada, devendo ser efetuada cobrança.” Apesar da obscuridade na conclusão do voto e na ementa, resta claro que a DRJ/SP1 considerou os valores lançados em DCTF, como verificado no extrato da DCTF (fl. 35), e calculou que o valor pago em DARF não fora suficiente para sanar os débitos, ou seja, não houve duplicidade de lançamento (DCTF e PER/DCOMP). Assim, entendemos que faleceu o processo pelo que carece a defesa do interesse de agir no recurso voluntário, visto que seus pedidos foram atendidos pela Delegacia de Julgamento ao computar tão somente a diferença existente entre o valor do débito declarado em DCTF e o valor efetivamente recolhido pelo contribuinte, como se extrai da parte do voto acima destacado, ou seja, diferença de R$ 163,59 (R$ 13.566,25 declarado em DCTF menos R$ 13.402,66 valor efetivamente pago), pelo que não há que se falar em cancelamento ou retificação de PER/DCOMP e/ou DCTF. Pela falta do interesse de agir voto por NÃO CONHECER o recurso voluntário. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007485/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL.
Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
Recurso de Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, a qual terá como limite o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 (75% da contribuição devida) deduzida a multa aplicada no AI n.º 37.192.491-0. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. Recurso de Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, a qual terá como limite o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 (75% da contribuição devida) deduzida a multa aplicada no AI n.º 37.192.4910. Vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 74 85 /2 00 8- 14 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.007485/200814 Acórdão n.º 2401002.677 S2C4T1 Fl. 113 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.192.4928, lavrado contra o contribuinte acima identificado para aplicação de penalidade em razão do descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social – GFIP. A penalidade aplicada atingiu a cifra de R$ 77.439,57 (setenta e sete mil, quatrocentos e trinta e nove reais e cinquenta e sete centavos) e, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa omitiu da guia declaratória, no período de 05/2004 a 12/2006, a totalidade da remuneração dos administradores, cujos valores foram verificados de extratos bancários e da contabilidade apresentados pela empresa. Asseverase ainda que o processo relativo à exigência das contribuições da empresa que contém os mesmos fatos geradores é o AI n.º 37.192.4910. O sujeito passivo ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a impugnação. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, no qual requer apenas que seja aplicada a multa mais benéfica, em razão da alteração legislativa promovida pela Lei 11.941/2009, que modificou a forma de calcular a multa para infrações relacionadas a GFIP. Mediante a Resolução 2401000.199 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, o julgamento foi convertido em diligência, para que o órgão de origem informasse a situação processual do AI n.º 37.192.4910. Informouse, fl. 110, que o AI n.º 37.192.4910, encontrase parcelado nos favores da Lei 11.941/09. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Aplicação da multa mais benéfica A única questão posta a discussão é o requerimento constante no recurso para que a multa seja aplicada considerando as alterações legislativas que modificaram a sistemática de cálculo das multas aplicadas por infrações relacionada à GFIP. No entender do sujeito passivo a penalidade passaria a ser calculada no montante de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa incidente sobre as contribuições lançadas, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa incidente sobre as contribuições devidas. Deixa, assim, de haver cumulação de multa por descumprimento da obrigação acessória e multa Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.007485/200814 Acórdão n.º 2401002.677 S2C4T1 Fl. 114 5 decorrente da falta de pagamento do tributo, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas no AI n.º 37.192.4910. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas a multa aplicada no AI correlato, resulta em valor mais benéfico ao contribuinte, tendose em conta que, em algumas competências, a penalidade aplicada foi limitada ao teto legal, nos termos do demonstrativo de fls. 07/08. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Conclusão Voto então pelo provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, a qual terá como limite o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 (75% da contribuição devida) deduzida a multa aplicada no AI n.º 37.192.4910. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726774/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da tributação BOLSA FILHOS DE EMPREGADOS.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 67 74 /2 00 9- 81 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da tributação “BOLSA FILHOS DE EMPREGADOS. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 71 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1528.214 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.248.8676, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 13.291,66. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01/2005 a 12/2006. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o sujeito passivo contabilizou verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária abrigadas em uma mesma conta contábil. Na conta n° 3.3.1.02.009 " Gratuidades Escolares" do livro razão em meio papel (equivalente à conta n° 330101000013 da contabilidade entregue à fiscalização em meio digital arquivo Manad), a empresa lançou vários tipos de descontos atinentes a mensalidades escolares. Lançou, por exemplo, descontos relativos a bolsas de estudo concedidos a filhos de empregados (com incidência de contribuição previdenciária) e descontos concedidos a terceiros sem vínculo empregatício com a escola (sem incidência de contribuição previdenciária). Portanto, a escrituração contábil não foi efetuada de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos das contas, sem que haja a necessidade de pesquisa em documentos de suporte dos lançamentos contábeis. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. A Recorrente teve ciência do AIOP em 04.11.2009. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD é de 01/2005 a 12/2006. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1528.214 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTABILIDADE. TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. BOLSA DE ESTUDO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes de empregados da empresa integram o saláriodecontribuição, por se tratarem de salário indireto, devendo constar em títulos próprios na contabilidade. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 72 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto e sua fundamentação. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, com redução de 25% (vinte e cinco por cento), conforme art. 293, §2º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, na forma dos arts. 25, II, e 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. À Delegacia de origem para as providências cabíveis. Sala de Sessões, em 30 de agosto de 2011. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da não incidência das contribuições previdenciárias objeto do lançamento fiscal no caso concreto Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (ii) Interpretação do artigo 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991 conforme a Constituição federal de 1988. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 73 7 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 67. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade da lavratura do AIOA. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1528.214 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.248.8676, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 13.291,66. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01/2005 a 12/2006. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o sujeito passivo contabilizou verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária abrigadas em uma mesma conta contábil. Na conta n° 3.3.1.02.009 " Gratuidades Escolares" do livro razão em meio papel (equivalente à conta n° 330101000013 da contabilidade entregue à fiscalização em meio digital arquivo Manad), a empresa lançou vários tipos de descontos atinentes a mensalidades escolares. Lançou, por exemplo, descontos relativos a bolsas de estudo concedidos a filhos de empregados (com incidência de contribuição previdenciária) e descontos concedidos a terceiros sem vínculo empregatício com a escola (sem incidência de contribuição previdenciária). Portanto, a escrituração contábil não foi efetuada de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 74 9 das contas, sem que haja a necessidade de pesquisa em documentos de suporte dos lançamentos contábeis. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.248.8676 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 75 11 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 76 13 que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 (i) Da não incidência das contribuições previdenciárias objeto do lançamento fiscal no caso concreto. (ii) Interpretação do artigo 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991 conforme a Constituição federal de 1988. Analisemos os tópicos (i) e (ii) conjuntamente. Em relação a toda argumentação da Recorrente que transborde para análise de inconstitucionalidade de normas ou de interpretações, estas já foram analisadas no tópico (A). Em relação à questionamentos que envolvam a regularidade do lançamento, estes já foram analisados no tópico (B). Por outro lado, a questão central da argumentação da Recorrente é a incidência ou não de contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas aos dependentes de empregados. Vejamos. A redação à época dos fatos geradores do art. 28, §9°, alínea t, Lei 8.212/1991, ou seja sem a redação dada pela Lei 12.513/2011, dispõe que não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21, da Lei 9.394/1996, bem como a cursos de capacitação e qualificação profissionais desde que não utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). No Relatório Fiscal, às fls. 01 a 35, há a comprovação de que a Recorrente concedeu bolsas de estudos a dependentes de empregados: 2.1. BEE – BOLSAS A FILHOS DE EMPREGADOS. Este levantamento foi elaborado com base nas planilhas fornecidas pela empresa e destinase à apuração das contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedida na forma de bolsas de estudo a filhos de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto integral na mensalidade escolar de filhos de empregados da empresa Desta forma, considero correto o lançamento efetuado pela AuditoriaFiscal posto que a concessão de bolsas de estudos para dependentes de empregados integra o salário Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.726774/200981 Acórdão n.º 2403001.709 S2C4T3 Fl. 77 15 de contribuição, posto não se enquadrar na hipótese de não incidência de contribuição social previdenciária conforme disposição expressa da redação do art. 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11065.003746/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/06/2004 a 15/07/2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação que regula a compensação é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ, materializada na data da transmissão da declaração de compensação (DCOMP). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. VEDAÇÃO LEGAL. É legalmente vedada (art. 74 da a Lei no 9.430(1996) a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros.
Numero da decisão: 3403-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 15/06/2004 a 15/07/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação que regula a compensação é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ, materializada na data da transmissão da declaração de compensação (DCOMP). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. VEDAÇÃO LEGAL. É legalmente vedada (art. 74 da a Lei no 9.430(1996) a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros.
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação que regula a compensação é a vigente à data do “encontro de contas” entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ, materializada na data da transmissão da declaração de compensação (DCOMP). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. VEDAÇÃO LEGAL. É legalmente vedada (art. 74 da a Lei no 9.430/1996) a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 37 46 /2 00 8- 01 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre declarações de compensação (DCOMP) com utilização de créditos decorrentes de Ação Judicial (no 2002.04.02.0034061 execução de precatório por terceiro empresa Pedrasul Construtora LTDA, CNPJ no 89.724.504/000168), tendo ocorrido reconhecimento judicial do crédito em ação impetrada pelo terceiro, com trânsito em julgado em 18/06/2001. As 2 DCOMP apresentadas (transmitidas em 15/6/2004, e 15/7/2004, e reproduzidas, respectivamente, às fls. 3 a 5, e 6 a 8) indicam ser o crédito decorrente de ação judicial (no 8700027308) que visou à recuperação de importâncias pagas a maior de IR e PIS, no exercício de 1983. O crédito decorrente da ação judicial (R$ 119.048,51) é utilizado para compensação com COFINS não cumulativa referente a mai/2004 (R$ 60.835,39), e a jun/2004 (R$ 58.475,74). A analisar as DCOMP, à luz da documentação apresentada pela recorrente (cópias das peças processuais judiciais às fls. 15 a 66), a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo entendeu, com base no Parecer DRF/NHO/SECAT no 67/2009 (fls. 67 a 70) ser ilegítima a compensação dos débitos da recorrente com com os créditos do terceiro, em função do disposto no art. 74 da Lei no 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei no 10.637/2002), que restringe a compensação a débitos próprios. Cientificada da decisão em 17/3/2009 (AR às fls. 81), a recorrente apresenta em 15/4/2009 (fls. 82 a 99, com documentos anexos às fls. 100 a 173) Manifestação de Inconformidade, sustentando que: (a) adquiriu créditos advindos do processo no 8700027308, reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado; (b) os créditos adquiridos foram transferidos ao patrimônio da recorrente (cessionária), que passou a ser o sujeito ativo da relação processual (por decorrência, os créditos não são mais de terceiros); (c) houve o cancelamento do precatório (sem recurso interposto pela União) e a sua conversão em renda para a União Federal, a qual, portanto, já recebeu os valores, não podendo cobrar novamente o tributo da recorrente; (d) a cessão de créditos foi avalizada pelo Poder Judiciário, e os valores já estão de posse da União Federal; e (e) a legislação vigente à época do crédito (que não fazia restrição à compensação com créditos adquiridos por cessão) é que deve incidir para fins de autorização da compensação. A Manifestação de Inconformidade foi apreciada em 30/8/2011, pela DRJ/Porto Alegre (fls. 175 a 177), que concluiu, em síntese, que: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.003746/200801 Acórdão n.º 3403001.746 S3C4T3 Fl. 220 3 (a) a compensação tributária é regida pela legislação vigente no momento do encontro de contas (no caso, transmissão das DCOMP), conforme assentado pelo STJ, e não pela vigente no momento do pagamento; (b) na decisão da ação originária do crédito, foi concedido o direito à impetrante (Pedrasul Construtora LTDA, CNPJ no 89.724.504/000168) de repetir o valor, não de compensar com outros tributos, muito menos débitos de terceiros; (c) o sujeito passivo, de acordo com a Lei no 9.430/1996, deve apurar o crédito e utilizálo na compensação de débitos próprios, e, conforme fartamente demonstado nos autos, a recorrente não apurou o crédito; e (d) a IN SRF no 210/2002, vigente à época da apresentação das DCOMP, já vedava expressamente, em seu art. 30, a compensação com créditos de terceiros, vedação mantida na legislação posterior. Cientificada da decisão de primeira instância (AR às fls. 189, com data de recebimento indicada como 7/10/2011), a autuada posta em 3/11/2011 seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 192 a 213), reiterando a argumentação exposta nas peças recursais anteriores, e adicionando que a Emenda Consitucional no 62/2009 convalidou todas as compensações já efetudas pelos credores (originários ou cessionários) com débitos vencidos até 31/10/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente contencioso trata basicamente: (a) da aplicação das leis tributárias no tempo, especificamente no caso de compensação; e (b) da possibilidade (ou impossibilidade) de compensação utilizandose de precatório decorrente de crédito tributário apurado por empresa diversa da recorrente. A seguir, são analisados estes dois tópicos essenciais à solução do litígio apresentado no presente processo. Da aplicação das leis tributárias no tempo, no caso de compensação Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 O STJ já definiu a questão da aplicação no tempo da legislação sobre compensação, na sistemática dos recursos repetitivos, ao analisar a possibilidade de superveniência de regra restritiva à compensação (especificamente a do art. 170A do CTN): “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” 1 (grifos nossos) Aliás, o Ministro relator do processo aproveita o voto para esclarecer o que alguns vinham interpretando como mudança de entendimento da corte no que se refere à aplicação temporal dos critérios para compensação. Por isso, vale transcrever abaixo significativo excerto do voto do relator em tal processo: “É certo que o suporte fático que dá ensejo à compensação tributária é a efetiva existência de débitos e créditos recíprocos entre o contribuinte e a Fazenda, a significar que, inexistindo um desses pilares, não nasce o direito de compensar. Daí a acertada conclusão de que a lei que regula a compensação é a vigente à data do "encontro de contas", entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ (v.g.: EResp 977.083, 1ª Seção, Min. Castro Meira, DJe 10.05.10; EDcl no Resp 1126369, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJe de 22.06.10; AgRg no REsp 1089940, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJe de 04/05/09). É importante não confundir esse entendimento com o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção, a partir do Eresp 488.452 (Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 07.06.04), precedente que, às vezes, é interpretado como tendo afirmado que a lei aplicável à compensação é a da data da propositura da ação. Não foi isso o que lá se decidiu, até porque, para promover a compensação tributária, não se exige o ajuizamento de ação. O que se decidiu, na oportunidade, após ficar historiada a evolução legislativa ocorrida nos anos anteriores tratando da matéria de compensação tributária, foi, conforme registrou a ementa, simplesmente que: "6. É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a 1 REsp 1.164.452MG, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, julgado em 25.ago.2010. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.003746/200801 Acórdão n.º 3403001.746 S3C4T3 Fl. 221 5 outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias". Em outras palavras, o que se disse é que não se poderia julgar aquela causa, então em fase de embargos infringentes, à luz do direito superveniente à propositura da demanda. De modo algum se negou a tese de que a lei aplicável à compensação é a vigente à data do encontro de contas. Pelo contrário, tal tese foi, na oportunidade, explicitamente afirmada no item 4 do voto que proferi como relator. Mais: embora julgando improcedente o pedido, ficou expressamente consignada a possibilidade da realização da compensação à luz das normas (que não as da data da propositura da ação) vigentes quando da efetiva realização da compensação (ou seja, do encontro de contas). Assim, improcedente a argumentação da recorrente no sentido da aplicabilidade da legislação vigente à época do recolhimento indevido ou a maior. Ademais, endossese o posicionamento do julgador a quo no sentido de que “se fôssemos adotar a data de apuração do crédito, em 1983, boa parte da legislação citada pela própria empresa a fundamentar a compensação pleiteada não existiria”. Da impossibilidade de compensação com crédito de terceiro Ao tempo das declarações de compensação apresentadas, a matéria era basicamente disciplinada pelo art. 74 da a Lei no 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei no 10.637/2002), transcrito abaixo, e pela Instrução Normativa SRF no 210/2002, cujo art. 30 também se reproduz abaixo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.”(grifos nossos) “Art. 30. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação a que se refere o caput não se aplica ao débito consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, bem assim aos pedidos de compensação formalizados perante a SRF até 7 de abril de 2000.”(grifos nossos) Não há como interpretar, a partir da leitura dos textos acima, que a recorrente tenha o direito à compensação, pois não foi ela quem apurou crédito (e sim um terceiro, a empresa Pedrasul Construtora LTDA, CNPJ no 89.724.504/000168). Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 O legislador expressamente vedou a compensação com créditos de terceiros. E tal vedação tem acolhida na jurisprudência do STJ: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. RECURSO DE INCONFORMIDADE. ART. 74, §11, DA LEI 9.430/96. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 151, III, DO CTN. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. I Os artigos 151, III, do CTN e 74, § 11, da Lei nº 9.430/96, que determinam a suspensão da exigibilidade tributária quando houver manifestação de inconformidade do contribuinte, não se aplicam na hipótese de utilização de créditos tributários de terceiros, haja vista que as leis reguladoras do processo tributário não autorizam tal aproveitamento. Precedentes: REsp nº 653.553/MG, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 13.09.2007 e REsp nº 677.874/PR, Rel. Min. ELIANA CALMON , DJ de 24.04.2006. II "O art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, redação da Lei n. 10.037, de 2002, determina que os créditos apurados perante a Secretaria de Receita Federal só poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios e não de terceiros". (REsp nº 939.651/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 27.02.2008). III O artigo 170 do CTN está plasmado no sentido de somente admitir que se proceda ao encontro de contas entre créditos fiscais com créditos do próprio sujeito passivo, não fazendo qualquer alusão à possibilidade do aproveitamento de créditos de terceiros na compensação tributária.” 2 (grifos nossos) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. (...). COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. CRÉDITO DE TERCEIRO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. CESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual pedido de compensação ou declaração de compensação com fundamento em legislação revogada ou superveniente. 3. Com o advento da Lei 10.637/02, passouse a utilizar a data da transmissão da declaração de compensação (PER/DCOMP), já que "[a] compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação" (art. 74, § 2º, da Lei 9.430/96). 4. No caso, buscase compensar crédito de terceiro, referente ao benefício fiscal do créditoprêmio de IPI. Incidência das alíneas "a" e "b" do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96, incluídas pela Lei 11.051, de 2004. 2 REsp 106.8830 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, unânime, julgado em 12.ago.2008. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.003746/200801 Acórdão n.º 3403001.746 S3C4T3 Fl. 222 7 5. "A compensação de crédito tributário só pode ser feita pela empresa que obteve a sua certificação judicial. Impossível a sua utilização por terceiro, em conseqüência de negócio jurídico de cessão celebrado. O art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, redação da Lei n. 10.037, de 2002, determina que os créditos apurados perante a Secretaria de Receita Federal só poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios e não de terceiros" (REsp 939.651/RS, Rel. Min. José Delgado, DJU 27.02.08).” (grifos nossos) 3 A acolhida se estende a esta Corte Administrativa, destacandose os seguintes julgados recentes: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/02/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. DÉBITOS PRÓPRIOS CRÉDITOS DE TERCEIROS. VEDAÇÃO É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. (...). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido” 4 (grifos nossos) “(...) COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS OBJETO DE CESSÃO. MANTIDA NATUREZA DE TERCEIRA. IMPOSSIBILIDADE DE USO NOS PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. Os créditos referentes a obrigações tributárias oriundas de fatos geradores praticados por sujeito distinto daquele que os adquiriu por meio de cessão, por continuarem sendo de terceiros, não podem ser utilizados nos procedimentos de compensação tributária. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. Deve haver identidade subjetiva entre o contribuinte que deu causa ao fato gerador originário da obrigação tributário e aquele que pleiteia a compensação junto ao Fisco. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda expressamente a utilização de créditos de terceiros. (...)”. (grifos nossos) 5 Improcedente, assim, nesse aspecto, a compensação pleiteada. Por derradeiro, cabe analisar questão trazida aos autos no Recurso Voluntário, no sentido de que o art. 6o da Emenda Consitucional no 62/2009 teria convalidado todas as compensações já efetudas pelos credores (originários ou cessionários) com débitos vencidos até 31/10/2009. Vejase inicialmente o que dispõe o referido artigo: 3 REsp 112.1045RS, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, unânime, julgado em 6.out.2009. No mesmo sentido: STJ, REsp 993.925RS, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, julgado em 5.ago.2010); e STJ, AgRg no REsp 103.2091PR, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 24.mar.2009. 4 Acórdão 3803002.301, Terceira Turma Especial, Terceira Se~ção, Rel. Cons. João Alfredo Eduão Ferreira, Sessão de 24,jan.2012. 5 Acórdão 2301002.517, Terceira Câmara, Segunda Seção, Rel. Cons. Leonardo Henrique Pires Lopes, unânime em relação ao excerto, Sessão de 18.jan.2012. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 “Art. 6º Ficam também convalidadas todas as compensações de precatórios com tributos vencidos até 31 de outubro de 2009 da entidade devedora, efetuadas na forma do disposto no § 2º do art. 78 do ADCT, realizadas antes da promulgação desta Emenda Constitucional”. (grifo nosso) Observese, agora, o conteúdo do referido art. 78 do ADCT: “Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, de 2000) (...) § 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, de 2000)” (grifos nossos) A simples leitura conjunta dos dispositivos leva ao inequívoco entendimento de que não se está a tratar da situação narrada nestes autos. Vejase, v.g., que não consta no presente processo informação de que eventual prestação anual referente a precatórios tenha deixado de ser liquidada. Assim, de acordo com a legislação vigente à época da solicitação, não se pode autorizar a compensação pleiteada. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10882.001726/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 72 6/ 20 03 -9 6 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 112 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 47 a 49, integrado pelos demonstrativos de fls. 44 a 46, pelo qual se exige a importância de R$29.781,71, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anoscalendário 1998 e 2000. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 39 a 43, no qual o autuante esclarece que: · a ação fiscal foi instaurada por meio do Termo de Início de Fiscalização, cientificado ao contribuinte em 21/12/2002, por meio do qual foi solicitado esclarecimentos acerca da aquisição de ações integrantes da carteira do Fundo de Investimentos do Nordeste FINOR, no total de R$9.067.016,02, das empresa Vicunha Nordeste S/A e Eliane Azulejos de MG S/A; · atendendo à intimação fiscal, o contribuinte: · alega que houve erro na quantidade de ações adquiridas da Vicunha Nordeste S/A, uma vez que, no leilão do dia 17/07/98, o Banco do Nordeste S/A informou 18.000.000 de ações adquiridas em seu nome, quando na realidade foram apenas 1.898.000 ações, equívoco posteriormente confirmado pela instituição financeira; · quanto às demais negociações, referentes às aquisições da Vicunha Nordeste S/A e da Eliane Azulejos de MG S/A, confirmou o total informado pelo Banco do Nordeste S/A; · esclareceu que as ações dessas empresas foram compradas com quotas do FINOR adquiridas da empresa ATRIUM CORRETORA, mediante empréstimo com juros e indexado ao preço médio de mercado das quotas FINOR na data da liquidação do mútuo; · não se manifestou sobre o fato de não constar na declaração do Imposto de Renda dos anos calendários de 1998 a 2002 as referidas ações e as dívidas contraídas para adquirilas; · também não foi explicado por que não foram declarados os lucros auferidos na venda dessas ações após a liquidação dos empréstimos. · analisando a documentação apresentada pelo fiscalizado, o autuante concluiu que: (a) das três aquisições de ações da Vicunha Nordeste S/A, as duas primeiras operações não teriam sido realizados por meio do contrato de mútuo firmado com a empresa ATRIUM porque as notas de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 113 3 corretagem estão em nome do contribuinte e consta do referido contrato que o mutuário poderia adquirilas para posterior ressarcimento, caracterizandose aquisição com recursos próprios; (b) não foi esclarecido porque não foi oferecido à tributação o valor do lucro apurado na venda das ações, ocorrida em agosto de 2000; e (c) no caso das ações da ELIANE AZULEJOS, foi aceito o contrato de empréstimo de quotas FINOR, firmado em 04/08/2000 e liquidado em 21/08/2000, apurandose prejuízo neste operação, conforme quadro de fl. 41; · dessa forma, foram apuradas as seguintes infrações: · acréscimo patrimonial a descoberto, apurado no anocalendário 1998, no montante de R$65.470,28, correspondente à soma dos valores despendidos nas duas primeiros operações, diante da falta de comprovação da origem dos recursos utilizados para a compra das ações; · omissão de ganho de capital, na venda das ações da Vicunha Nordeste S/A, no montante de R$160.973,98, auferido em agosto de 2000. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 56 e 57, instruída com os documentos de fls. 58 a 72, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 76 a 78): Cientificado do lançamento em foco, em 10/06/2003, conforme fl. 47, o interessado apresentou, em 10/07/2003, a impugnação de fls. 56/57, alegando, em síntese, que: 1) Todas as aquisições foram feitas através de quotas do fundo FINOR, originárias do Contrato de Mútuo, feito com a Atrium Corretora; conforme consta no item 2.6 do Termo de Constatação Fiscal, onde fica claro que todo numerário e quotas do FINOR, no montante de 162.228.264,00 de quotas utilizadas, foram originárias do Contrato de Mútuo que previa um limite máximo de 200.000.000,00 quotas rara conclusão da operação. 2) Não existe a aquisição de quotas FINOR feitas à vista sem financiamento e sim todas através do mesmo Contrato de Mútuo. 3) Utilizando o mesmo critério para apuração do imposto devido usado no Auto de Infração, o imposto real devido é o seguinte: Movimentação AQUISIÇÃO Data da aquisição Preço por mil quotas Quotas FINOR utilizadas Quant. ações compradas Valor da aquisição Juros conf. contrato 17/07/98 0,65 46.009,985,00 0,64 9.500.000,00 Subtotal 55.509.985,00 1.898.000,00 36.083,59 16.160,03 24/07/98 0,55 25.633.103,00 0,58 26.205.977,00 Subtotal 51.839.080,00 1.500.000,00 29.386,69 13.160,82 20/08/98 0,58 54.878.049,00 1.500.000,00 35.121,95 15.729,36 Total 162.227.114,00 4.898.000,00 100.592,23 45.050,21 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 114 4 VENDA Data da venda Quantidade de Ações vendidas Valor da venda em Reais 15/08/00 18.000,00 1.197,35 17/08/00 1.698.000,00 113.424,71 18/08/00 3.182.000,00 200.539,37 Total 4.898.000,00 315.161,43 4) O resumo das 162.227.114,00 quotas é conforme demonstrado: Valor de aquisição R$ 100.592,23 Valor de mercado na data da venda (R$ 1,33/1000 quotas) R$ 215.762,06 Juros pagos nos termos do Contrato de Mútuo R$ 45.050,21 Total atualizado na data da recompra R$ 260.812,27 Valor total das vendas R$ 315.161,43 Ganho Líquido R$ 54.349,16 5) Apresenta comparativo entre valores constantes no auto de infração e valores conforma acima comprovados: Tipo de Infração Vencimento do fato gerador Valor tributável do auto Valor tributável real Imposto cobrado no auto Imposto devido real Patrimônio a descoberto 30/04/99 65.470,28 0,00 13.684,32 0,00 Omissão de ganho variável 29/09/00 160.973,98 54.349,16 16.097,39 5.434,92 Total 226.444,26 54.349,16 29.781,71 5.434,92 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1735.500 (fls. 75 a 84), de 08/10/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 2000 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Sendo o acréscimo patrimonial a descoberto uma presunção legal do tipo juris tantum, a infração imputada só pode ser elidida com a comprovação da origem de recursos. GANHO DE RENDA VARIÁVEL Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 115 5 Nos mercados de renda variável, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva. entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição. Apurada a omissão de ganhos no mercado de renda variável, aplicável a exigência de ofício do tributo devido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 01/03/2010 (vide AR de fl. 87), o contribuinte interpôs, em 30/03/2010, tempestivamente, o recurso de fls. 89 a 93, acompanhada dos documentos de fls. 94 a 103, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 94), no qual apresenta as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. Reitera que todas as operações de compra de ações da Vicunha Nordeste S/A, que caracterizaram a variação patrimonial a descoberto no montante de R$ 65.470,28 (soma dos valores despendidos em operações de aquisição realizadas em 17/07/1998 e 24/07/1998, tiveram as suas liquidações financeiras realizadas através da transferência de quotas pela de CI CERTIFICADOS DE INVESTIMENTOS do FINOR FUNDO DE INVESTIMENTO DO NORDESTE, executado de acordo com as regras e procedimentos definidos pelo BNB — BANCO DO NORDESTE DO BRASIL. 2. Todas as quotas de CIFINOR foram oriundas do contrato de mútuo firmado em 03/07/1998 entre o contribuinte e a empresa Atrium Participações Ltda. Aduz que as duas primeiras aquisições, conforme as Notas de Corretagem emitidas em nome do contribuinte, não foram liquidadas financeiramente com recursos próprios, e sim, com recursos da MUTUANTE — Atrium Participações Ltda., conforme Cláusula 1ª, parágrafo único, do referido contrato de mútuo (ANEXO II), prevendo que “A MUTUANTE, não possuindo Quotas do FINOR em número suficiente, nas datas solicitadas pelo MUTUÁRIO, autorizará a compra no mercado, pelo MUTUÁRIO, reembolsandolhe o valor correspondente na data da liquidação financeira da aquisição” (fl. 91). 3. Ressalta que para estas operações, executadas em nome do contribuinte, foi encaminhada à Atrium Corretora, Carta Compromisso de Liquidação Financeira (ANEXO III) da aquisição, firmada pela MUTUANTE do mútuo de quotas FINOR, que teria recebido, os seguintes valores (fl. 92): • RECIBO em 24.07.1998 — R$ 36.083,89 (ANEXO IV) — Para liquidação da NC N.° 005375 — aquisição de 25.510.000 quotas FINOR PN (ANEXO V); • RECIBO em 30.07.1998 — R$ 14.141,42 (ANEXO VI) — Para liquidação da NC n.° 005410 — aquisição de 25.633.103 quotas FINOR PN (ANEXO VII); e, • RECIBO em 31.07.1998 — R$ 15.245,27 (ANEXO VIII — Para liquidação da NC n.° 005423 — aquisição de 26.205.977 quotas FINOR PN (ANEXO IX). 4. Sustenta que todas as Notas de Corretagem emitidas no mercado de capitais, quando da compra de ações, oriundas de incentivo fiscais ou não, são consideradas operações Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 116 6 efetuadas no mercado a vista, diferindo apenas na forma e condições aceitas para liquidação financeira, utilizandose de uma moeda de troca, os CIFINOR. 5. Por fim, entende que o ganho líquido decorrente de renda variável demonstrado, no valor de R$54.349,16 é o correto, após a dedução do valor da alienação, o valor de mercado das quotas em agosto de 2000, no valor de R$215.762,06 e os encargos pagos de acordo com o Instrumento Particular de Mútuo de Quotas FINOR no valor de R$45.050,21, considerando que todas as aquisições foram realizadas conforme o Instrumento Particular de Mútuo de Quotas FINOR, firmado em 03/07/1998. 6. Pede, ainda, que o resultado desta manifestação seja encaminhada à Sergio Miyamoto, à Rua Benedito Lapin 90, Itaim Bibi São Paulo/SP CEP. 04532040. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 01, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio numerado até à fl. 110 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 117 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, importa delimitar o litígio submetido a apreciação desde Colegiado. Conforme relatado o contribuinte se insurge contra o acréscimo patrimonial a descoberto, apurado no anocalendário 1998, e concorda com parte da omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, no montante de R$54.349,16. A questão central a ser analisada e que influencia nas duas infrações consubstanciadas no presente Auto de Infração, consiste no fato de a fiscalização ter considerado que as operações de compra de ações da Vicunha Nordeste S/A, de 17/07/1998 e 24/07/1998, não teriam respaldo no contrato de mútuo firmado com a empresa Atrium Participações Ltda. (fls. 19 e 20), porque as notas de corretagem estariam em nome do contribuinte e consta do referido contrato que o mutuário poderia adquirilas para posterior ressarcimento, caracterizandose aquisição com recursos próprios. Examinandose o Instrumento Particular de Mútuo de Quotas FINOR (fls. 19 e 20), é certo que, de acordo com a Cláusula 1ª, parágrafo único, “A MUTUANTE. não possuindo quotas do FINOR em número suficiente, nas datas solicitadas pelo MUTUÁRIO, autorizará a compra no mercado, pelo MUTUÁRIO, reembolsandolhe o valor correspondente na data da liquidação financeira da aquisição” (grifei), o que não permite concluir, por si só, que as ações teriam sido adquiridas com recursos próprios. Em sede de recurso, o contribuinte anexa carta da Atrium Participações Ltda. (fl. 97) autorizando a Atrium Corretora a liquidar aquisições de quotas CIFINOR, adquiridas em nome do contribuinte durante o mês de julho de 1998, até os seguintes limites: 110.000.000 quotas, valor total de R$77.000,00 e preço unitário médio de R$0,70. Junta também três recibos (fls. 98, 100 e 102), firmados pelo próprio contribuinte, acusando o recebimento de três cheques da Atrium Participações Ltda., no valor total de R$65.470,28, para liquidação de três notas de corretagem no mês de julho de 1998. Embora o documento firmado pelo próprio interessado não seja suficiente para afastar a exigência que lhe foi imposta, entendo que, considerandose demais elementos que compõem os autos, existe a possibilidade das operações tributadas terem sido realizados por meio do contrato de mútuo firmado entre o contribuinte a Atrium Participações Ltda. Dessa forma, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora diligencie junto à Atrium Participções Ltda para que verifique na escrituração contábil da empresa se os valores correspondentes as operações de compra de ações em nome do contribuinte, no valor total de R$65.470,28, realizadas no mês de julho de 1998, foram ou não por ela liquidadas por meio dos cheques indicados nos recebidos anexados às fls. 98, 100 e 102, elaborando relatório conclusivo e juntando cópia dos documentos que entender necessários. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10882.001726/200396 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.429 S2C2T2 Fl. 118 8 Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho de Contribuintes, a recorrente deve ser cientificada do relatório elaborado pela fiscalização para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10875.903846/2010-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 85 1 84 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.903846/201048 Recurso nº 942.171 Voluntário Acórdão nº 3802001.411 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente 4A COMERCIAL ELÉTRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 38 46 /2 01 0- 48 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 41): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903846/201048 Acórdão n.º 3802001.411 S3TE02 Fl. 86 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 5773, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 52) e o protocolo do recurso, em 08/03/2012 (fls.57). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 48). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 28). Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903846/201048 Acórdão n.º 3802001.411 S3TE02 Fl. 87 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) No presente caso, o Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 59). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903846/201048 Acórdão n.º 3802001.411 S3TE02 Fl. 88 7 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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