Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10930.904530/2012-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10930.904530/2012-23
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350204
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-004.880
nome_arquivo_s : Decisao_10930904530201223.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930904530201223_5350204.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5464908
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593074102272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904530/201223 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.880 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 30 /2 01 2- 23 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904530/201223 Acórdão n.º 3803004.880 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904530/201223 Acórdão n.º 3803004.880 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904530/201223 Acórdão n.º 3803004.880 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001561/2007-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.207
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado determinar realização de diligência, nos termos do voto do relator, a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem junte aos autos as RMF empregadas na fase de fiscalização e o(s) respectivo(s) relatório(s) circunstanciado(s), e que intime o contribuinte para que este, se assim desejar, manifeste-se, no prazo de trinta dias, sobre os elementos trazidos aos autos na fase de diligência.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10865.001561/2007-94
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331917
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-000.207
nome_arquivo_s : Decisao_10865001561200794.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10865001561200794_5331917.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado determinar realização de diligência, nos termos do voto do relator, a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem junte aos autos as RMF empregadas na fase de fiscalização e o(s) respectivo(s) relatório(s) circunstanciado(s), e que intime o contribuinte para que este, se assim desejar, manifeste-se, no prazo de trinta dias, sobre os elementos trazidos aos autos na fase de diligência. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5349404
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593081442304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 371 1 370 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001561/200794 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.207 – 2ª Turma Especial Data 18 de fevereiro de 2014 Assunto Realização de diligência Recorrente VANDIR BOSCO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado determinar realização de diligência, nos termos do voto do relator, a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem junte aos autos as RMF empregadas na fase de fiscalização e o(s) respectivo(s) relatório(s) circunstanciado(s), e que intime o contribuinte para que este, se assim desejar, manifestese, no prazo de trinta dias, sobre os elementos trazidos aos autos na fase de diligência. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de apuração de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O Termo de Verificação fiscal consta às fls. 9 e ss. Em síntese, a impugnação fundamentouse na violação ao princípio da legalidade e ao sigilo bancário, cerceamento do direito de defesa por ausência de intimação para comprovar origem dos depósitos de forma discriminada, ausência de comprovação de acréscimo patrimonial, desconsideração das movimentações de bens e direitos constantes da declaração de ajuste anual, violação ao princípio da capacidade contributiva, não aproveitamento dos recurso de um mês para justificar os depósitos do mês seguinte, alegouse que os recursos de alugueres de sua excônjuge eram administrados pelo recorrente e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 56 1/ 20 07 -9 4 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.001561/200794 Resolução nº 2802000.207 S2TE02 Fl. 372 2 depositados em sua conta, que realizou diversas alienações de bens cujos recursos depositou em parte em suas contas bancárias. A impugnação foi indeferida, em síntese, por haver previsão legal de omissão de receita, por ter sido o lançamento feito de acordo como o art. 42 da Lei 9.430/1996, por não terem as alegações sido acompanhadas de comprovação e por não haver relação entre os valores depositados e aqueles relativos ao contrato de aluguel. Ciência da decisão em 29/09/2009. Recurso voluntário interposto em 29/10/2009 com as seguintes alegações: 1. as requisições de movimentação financeira foram emitidas em desacordo com o art. 2º do Decreto 3.724/2001 por não especificarem a necessidade de obtenção dos extratos bancários e não ter sido apurada qualquer das hipóteses que autorizavam a referida requisição, o que torna nulo o lançamento; 2. por ser lei ordinária a lei 9.430/1996 não pode estabelecer critérios para o lançamento, contrariando a previsão do art. 142 do CTN de que é dever da autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, que no caso é estabelecido pelo art. 43 do CTN, uma vez que depósitos bancários não são renda nem acréscimo patrimonial, indica decisões judiciais; e 3. há de ser estabelecida a tributação da forma mais benéfica ao contribuinte (art. 112 do CTN), pois os contratos anexos demonstram a natureza e titularidade dos alugueres e dos recurso decorrentes de vendas de veículos e imóveis. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802.000.087, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relato do essencial. O recorrente sustenta que: “as Requisições de Movimentação Financeira realizadas não especificam as razões da necessidade de obtenção dos extratos de movimentação bancária, prescindindo a ordem administrativa do necessário requisito legal, afrontando assim, o princípio do devido processo legal e da vinculação dos atos administrativos.” O emprego das RMF é fato incontroverso. O Decreto 3.724/2001, com a redação dada pelo Decreto 6.104, de 30/04/2007, O §8o do art. 4º do Decreto 3.724/2001 dispõe que: A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. De outro giro, o §5º desse mesmo artigo estabelece que: A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.001561/200794 Resolução nº 2802000.207 S2TE02 Fl. 373 3 Embora a expedição da RMF presuma que o exame dos dados bancários era imprescindível, o juízo de valor acerca do imprescindível exame baseouse, em tese, em relatório circunstanciado que não foi juntado aos autos. A presunção estatuída pelo referido Decreto não dispensa que sejam juntados aos autos as RMF e o relatório circunstanciado respectivo, cuja falta impede ao órgão julgador aferir se assiste razão ao recorrente em alegar que as RMF não especificaram as razões da necessidade de análise dos dados bancários, e se, dessa forma, teria sido violado o devido processo legal e o dever de vinculação dos atos administrativos. Esta é uma questão que deve ser saneada por meio de diligência, antes que se adentre no mérito propriamente dito. Dessa forma, voto para que seja realizada diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem junte aos autos as RMF empregadas na fase de fiscalização e o(s) respectivo(s) relatório(s) circunstanciado(s), e que intime o contribuinte para que este, se assim desejar, manifestese, no prazo de trinta dias, sobre os elementos trazidos aos autos na fase de diligência. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720052/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA PROVA. CRITÉRIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
A autoridade julgadora tem liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e decidir a lide de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, ressalvados as hipóteses irradiadoras de efeitos vinculantes previstas na Lei Maior e em leis específicas.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social, ausente o benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX da Lei nº 8.212/91.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2302-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício para afastar a declaração de nulidade proferida pela DRJ/CTA, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que sejam devidamente apreciadas as questões de mérito suscitadas pelos Sujeitos Passivos em sede de impugnação administrativa.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA PROVA. CRITÉRIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. A autoridade julgadora tem liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e decidir a lide de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, ressalvados as hipóteses irradiadoras de efeitos vinculantes previstas na Lei Maior e em leis específicas. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social, ausente o benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. Recurso de Ofício Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11634.720052/2011-27
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5341615
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.107
nome_arquivo_s : Decisao_11634720052201127.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11634720052201127_5341615.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício para afastar a declaração de nulidade proferida pela DRJ/CTA, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que sejam devidamente apreciadas as questões de mérito suscitadas pelos Sujeitos Passivos em sede de impugnação administrativa. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5404933
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593108705280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 9.343 1 9.342 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720052/201127 Recurso nº 003.107 De Ofício Acórdão nº 2302003.107 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente HAKME INDUSTRIA E COMERCIO DE ROUPAS LTDA E OUTRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA PROVA. CRITÉRIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. A autoridade julgadora tem liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e decidir a lide de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, ressalvados as hipóteses irradiadoras de efeitos vinculantes previstas na Lei Maior e em leis específicas. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 52 /2 01 1- 27 Fl. 9343DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social, ausente o benefício de ordem, nos termos do art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício para afastar a declaração de nulidade proferida pela DRJ/CTA, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que sejam devidamente apreciadas as questões de mérito suscitadas pelos Sujeitos Passivos em sede de impugnação administrativa. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 9344DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.344 3 Relatório Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008. Data da lavratura dos Autos de Infração: 28/06/2011. Data da Ciência dos Autos de Infração: 30/06/2011. Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância por esta proferida que declarou nulo o lançamento tributário aviado nos Autos de Infração nº 37.214.5892 e 37.272.9231, de 28 de junho de 2011. Entendeu a DRJ em Curitiba/PR que o lançamento em debate encontravase eivado de vícios formais consistentes na imprecisão na descrição dos fatos e na qualificação do sujeito passivo, requisitos formais do lançamento conforme art. 10 do Decreto n° 70.235/72, o que representavam hipótese de nulidade, por efetiva preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto n° 70.235/72. O processo originário COMPROT n° 11634.720052/201127 foi inicialmente constituído pelos Autos de Infração n° 37.214.5892, 37.214.5906, 37.272.9223 e 37.272.9231, formalizados em face da empresa HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, doravante HAKME. Os AIOP 37.214.5906 e 37.272.9223 foram formalizados, também, em face de responsável solidária VEST HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, doravante VEST HAKME), Nessa prumada, por força do Despacho n° 5, de 05 de abril de 2012, da 5ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 9298/9299, o processo originário acima referido houvese por desmembrado em dois Processos Administrativos Fiscais distintos, a saber: a) PAF n° 11634.720052/201127: Tem por objeto o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.272.9231, referente às contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos – terceiros, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória n° 37.214.5892, CFL 68, relativo à multa decorrente da apresentação de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ambos lavrados em desfavor da empresa HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA; b) PAF nº 10930.723290/201268: resultante do desmembramento do PAF originário 11634.720052/201127. Tem por objeto os Autos de Infração de Obrigação Principal n° 37.214.5906 e n° 37.272.9223, que formalizam o lançamento tributário de contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (AIOP n° Fl. 9345DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 37.214.5906) e as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados (AIOP n° 37.272.9223), ambos lavrados em desfavor das empresas HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA e VEST HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, por solidariedade passiva tributária decorrente da constatação de grupo econômico de fato, com a emissão dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Portanto, a contar do desmembramento do processo originário n° 11634.720052/201127, levado a efeito pelo Despacho n° 5, de 05 de abril de 2012, da 5ª Turma da DRJ/CTA, o presente Processo Administrativo Fiscal passa a ter por objeto, unicamente, o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.272.9231, referente às contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos e o Auto de Infração de Obrigação Acessória n° 37.214.5892, CFL 68, relativo à multa decorrente da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ambos lavrados em desfavor da empresa Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda, inexistindo qualquer imputação de solidariedade à empresa Vest Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda. De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 76/129, a Autuada procedeu à constituição das empresas NKF, FAMI, TADI e HPD, todas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, com patrimônio irrisório (R$ 5.500,00 em conjunto), para o abrigo da mão de obra por ela utilizada na execução das atividades inerentes ao seu objeto social. As empresas Hakme e Vest Hakme apresentaram impugnação conjunta a fls. 3884/3926, subscrita por advogados constituídos por ambas as empresas, atacando igualmente todos os Autos de Infração acima indicados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para que o órgão preparador procedesse ao desmembramento do processo originário PAF n° 11634.720052/201127, neste sendo mantido o crédito tributário constituído pelos autos de infração n° 37.214.5892 e 37.272.9231, ora em julgamento, e sendo transferidos para o Processo Administrativo Fiscal nº 10930.723290/201268 os Autos de Infração nº 37.214.590 6 e 37.272.9223, conforme Despacho n° 5 5ª Turma da DRJ/CTA, de 05 de abril de 2012, a fls. 9298/9299. Devidamente cientificada do teor do Despacho e do desmembramento acima referidos, nos termos do Comunicado nº 974/2012 a fl. 9304, as empresas Hakme e Vest Hakme apresentaram manifestação conjunta a fls. 9307/9310. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 0639.219 – 5ª Turma da DRJ/CPR, a fls. 9317/9332, julgando nulo o lançamento aviado nos Autos de Infração nº 37.214.5892 e 37.272.9231, por vício formal, com fulcro no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, recorrendo de ofício de sua decisão. Houvese por constatado no Acórdão nº 0639.876 – 5ª Turma da DRJ/CPR, todavia, erro de inexatidão material decorrente de lapso manifesto e erro de escrita. Assim, com espeque no art. 32 do Decreto nº 70.235/72 e art. 21, §1° da Portaria MF nº 341/2011, a Fl. 9346DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.345 5 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 0639.876 – 5ª Turma da DRJ/CPR, a fls. 9334/9336, ratificando o dispositivo sintético do Acórdão nº 0639.219 – 5ª Turma da DRJ/CPR, para que refletisse o dispositivo analítico e o especificado na Ata da Sessão de Julgamento de 15 de fevereiro de 2013. O Autuado Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda foi intimado da decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância em 15/05/2013, conforme Comunicado nº 185/2013 e Avisos de Recebimento a fls. 9338 e 9339, respectivamente. Decorrido o prazo normativo, o Sujeito Passivo não se manifestou nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 9347DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DO LANÇAMENTO O presente processo tem por objeto o lançamento tributário de contribuições previdenciárias formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.272.9231, referente às contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos – terceiros, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória n° 37.214.5892, CFL 68, relativo à multa decorrente da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ambos lavrados em desfavor da empresa fiscalizada Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda. A Fiscalização apurou que a Autuada procedeu à constituição das empresas NKF, FAMI, TADI e HPD, todas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, com patrimônio irrisório (R$ 5.500,00 em conjunto), para o abrigo da mão de obra por ela utilizada na execução das atividades inerentes ao seu objeto social, com redução de encargos previdenciários e fiscais, uma vez que tais empresa prestadoras foram constituídas com o intuito exclusivo de a Autuada não recolher integralmente as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social (parcela patronal e terceiros outras entidades), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. Consoante demonstração aviada nos tópicos que se vos seguem, a Fiscalização demonstrou a presença ostensiva e determinante de todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregados entre a Autuada e os trabalhadores formalmente registrados nas interpostas pessoas – empresas prestadoras de serviço, bem como a existência de grupo econômico de fato composto pelas empresas Hackme, Vest Hackme, NKF, FAMI, TADI e HPD, circunstância que deságua na responsabilidade solidária de todas as empresas do grupo pelo adimplemento das contribuições previdenciárias ora lançadas, nos termos do art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. 2.1. DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR Revelase oportuno salientar ab initio que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Fl. 9348DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.346 7 Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Cabe enfatizar que o Direito Processual Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o sistema da persuasão racional do juiz, também designado como sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 9349DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. 2.2. DA CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e Fl. 9350DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.347 9 permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, Fl. 9351DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O Relatório Fiscal a fls. 76/129 e o conjunto probatório coligido aos autos é abundante nessa caracterização: · As empresas NKF CONFECÇÕES LTDA, FAMI CONFECÇÕES LTDA, TADI CONFECÇÕES LTDA e HPD CONFECÇÕES LTDA, doravante denominadas Prestadoras), foram todas constituídas em abril/2006, com um capital social que, juntas, alcançam a cifra de R$ 5.500,00; Fl. 9352DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.348 11 · Em março/2006, antes da constituição das Prestadoras, as Autuadas Hakme e Vest Hakme mantinham registrados em seu quadro de pessoal, em conjunto, quase 890 segurados empregados, lotados principalmente no setor de produção; · Nos três meses seguintes, o contrato de trabalho de 95% dos trabalhadores das Autuadas (Hakme e Vest Hakme) foram transferidos para as empresas NKF, FAMI, TADI e HPD, empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, utilizadas para contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários; · Em julho/2006, o quadro de funcionário caiu para 40 funcionários, no total, sem reflexos na produção; · As mesmas datas de admissão dos segurados empregados nas empresas HAKME e VEST HAKME foram mantidas nas Prestadoras, conforme se verifica nas GFIP dessas empresas; · O quadro societário das Prestadoras é constituído por exsegurados empregados e suas respectivas esposas, ou ainda, por parentes dos sócios das empresas HAKME e VEST HAKME; · As Prestadoras operam nas mesmas dependências físicas das Autuadas, não possuem ativo imobilizado, máquinas, equipamentos, utensílios, móveis ou veículos necessários à execução de suas atividades empresariais; · As Prestadoras foram constituídas com atividade semelhante a das Autuadas, e prestam serviços exclusivamente para as empresas HAKME e VEST HAKME; · Nos processos trabalhistas interpostos contra as Prestadoras, em sua grande maioria, figurava no polo passivo da lide como RECLAMADAS, juntamente com as Prestadoras, a empresa HAKME ou a VEST HAME ou ambas; · O próprio sócioadministrador da HPD CONFECÇÕES LTDA, Sivaldo José Nunes Porto, intimado mediante TIF a apresentar documentos, apresentou uma carta endereçada à Receita Federal do Brasil alegando que não poderia atender à intimação, pois NÃO era o verdadeiro proprietário da empresa, mas, sim, o Sr. ELIE YOUSSEF HAKME. Informou ser mero empregado do grupo empresarial comandado por ELIE YOUSSEF HAKME, e foi obrigado a integrar a pessoa jurídica HPD CONFECÇÕES LTDA sob pena de perder o emprego; · Posteriormente, Sivaldo José Nunes Porto ajuizou reclamatória trabalhista (autos 08860200901809007) alegando fraude na constituição da empresa HPD CONFECÇÕES LTDA; Fl. 9353DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 · O Sr. ELIE YOUSSEF HAKME é o verdadeiro proprietário das demais empresas (TADI CONFECÇÕES LTDA, FAMI CONFECÇÕES LTDA e NKF CONFECÇÕES LTDA), sendo sócio oculto, pois elas se encontram em nome dos filhos, da esposa e de uma sobrinha. Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais apontem no sentido que os trabalhadores em foco figurem como segurados empregados das empresas HPD, FAMI, TADI e NKF, as condições reais em que os serviços foram efetivamente prestados por esses obreiros subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado das empresas autuadas (HAKME e VEST HAKME) estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica dessa categoria de segurado obrigatório do RGPS. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços aos Autuados, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa fiscalizada. Registrese que os contratos são firmados com cláusulas de prorrogação automática, sendo alguns, inclusive, assinados por prazo indeterminado. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada empregado permaneça na execução do serviço para o qual foi contratado. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado, Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física, como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar. Fl. 9354DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.349 13 Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação pela Arquidiocese do Rio de Janeiro de renomado escritor, v.g. o Paulo Coelho, para a elaboração de uma compilação dos pronunciamentos do Papa Francisco em sua visita ao Brasil na Jornada Mundial da Juventude, mesmo aqui presente estará a subordinação jurídica, eis que a aludida Compilação deverá atender aos objetivos e interesses do Contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por este especificado, sob pena de não se celebrar o liame jurídico. Dessarte, caso o citado escritor, sob o pálio de suposta autonomia funcional plena e de ausência de subordinação, resolva unilateralmente focar o seu trabalho nos pronunciamentos da Dercy Gonçalves, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente do descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. A subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando e quanto do serviço será executado, além do poder de dispensa do trabalhador. Todos trabalham, efetivamente, objetivando atingir as metas determinadas pela Contratante, ordenados pelas normas da empresa. A remuneração foi apurada diretamente dos lançamentos registrados nas GFIP das interpostas empresas. A pessoalidade, por derradeiro, se revela inconteste na medida em que os trabalhadores, inicialmente contratados pelos sujeitos passivos em foco, foram, de uma só tacada, transferidos para as interpostas pessoas. Tal transferência circunscreveuse, tão somente, à vinculação formal do trabalhador à nova empresa contratante – interposta pessoa , sem irradiar efeitos na materialidade da prestação laboral, na medida em que o trabalhador continuou a realizar, sem solução de continuidade, suas mesmas tarefas, subordinados às mesmas ordens e pessoas, sob a mesma remuneração, no mesmo lugar de trabalho, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação, circunstância que revela o caráter intuitu personae dos serviços prestados pelos trabalhadores em foco. Fl. 9355DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 A evidência da simulação se revela incontestável na medida em que, ao se realizar a transferência formal de empregador, as mesmas datas de admissão dos segurados empregados nas empresas HAKME e VEST HAKME foram mantidas nas empresas prestadoras de serviços interpostas pessoas , conforme apurado pela fiscalização nas GFIP dessas empresas. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da condição de segurado empregados existente entre a empresa autuada e as pessoas físicas contratualmente vinculadas às interpostas pessoas em realce, contingência que deságua na inafastável submissão das Autuadas e desses trabalhadores, na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em destaque e as empresas autuadas. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista das Autuadas. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e as Autuadas. No caso em tela, observase que empresas foram criadas adrede visando a abrigar formalmente os operários das Autuadas, sob os benefícios do regime tributário garantido pelo SIMPLES, trabalhadores estes que permaneceram com suas atividades inalteradas, vinculados materialmente ao mesmo empregador e subordinados substancialmente aos mesmos mandantes. Sob o olhar realístico da primazia da realidade dos fatos sobre a forma dos atos, tais obreiros se apresentam como segurados empregados das empresas autuadas, e não das interpostas pessoas propositalmente constituídas para o registro formal dos contratos de trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo empregatício do obreiro diretamente com o tomador dos serviços, eis que o verdadeiro empregador. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços Fl. 9356DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.350 15 especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). Como visto, a fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) No caso ora em foco, a lei ordinária nº 8.212/91 qualifica como segurado empregado a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor Fl. 9357DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 empregado, e como segurado contribuinte individual, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). (...) O mesmo Diploma Legal acima invocado estabelece obrigações tributárias principal e acessórias às empresas, decorrentes da prestação de serviços que lhe forem fornecidos por segurados empregados e por segurados contribuintes individuais, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). Fl. 9358DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.351 17 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). No que pertine a procedimentos e competências, o art. 33 da Lei de Custeio da Seguridade Social outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 9359DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 §4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Ainda em relação a procedimentos, o art. 37 da lei ordinária ora em realce estatui o poder/dever da fiscalização de lavrar ex officio a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sempre que constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Fl. 9360DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.352 19 Versando também sobre procedimentos, o inciso IX do art. 30 do Pergaminho Previdenciário determina a identificação e o lançamento do crédito tributário constituído, em desfavor das empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, em razão da responsabilidade solidária nele prevista. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Não se deve olvidar que inexiste impedimento para que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser segurado empregado em relação uma determinada entidade e segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que deságua, como consequência inafastável, na observância compulsória das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que os Sujeitos Passivos se utilizaram de formas irregulares de contratação de profissionais para se esquivar dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. 2.3. DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 9361DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse viés, com fundamento de validade nos dispositivos constitucional e legal revisitados, o legislador ordinário honrou dispor no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que as empresas integrantes de grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias inseridas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Nesse sentido, assim dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Fl. 9362DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.353 21 Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. A caracterização do grupo econômico legal decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (grifos nossos) Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico de fato, também denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 9363DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, §2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98). GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) Fl. 9364DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.354 23 O grupo econômico de fato se caracteriza, portanto, pela reunião de várias pessoas, físicas ou jurídicas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio formalmente distintos e próprios, que combinam efetivamente recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou para participar de atividades ou empreendimentos comuns, conforme assim preconizado no inciso I do art. 124 do CTN. No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124 do CTN, assentado que a expressão interesse comum utilizada pelo legislador acomoda um conceito jurídico indeterminado, mostrase alvissareiro procedermos a uma exegese mais atenta do texto legal de molde a se determinar o real conteúdo e o alcance da norma in abstrato. Autores de nomeada de há muito prelecionam que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. A respeito do tema, o eminente Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. Na mesma linha de raciocínio segue o escólio de Rubens Gomes de Sousa sobre a matéria, em sua renomada obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação". O entendimento acima esposado não se atrita com o magistério do mestre Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006, p.165), que preleciona: “... o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica” Fl. 9365DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 No caso vertente, os fatos concretos e documentos que caracterizam o Grupo Econômico de Fato ora em debate encontramse descritos, de maneira bem detalhada, nos relatórios e demais documentos que integram presente Auto de Infração, cujos fatos mais relevantes resumimos a seguir: · A HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA possui em seu quadro societário o Sr. ELIE YOUSSEF HAKME, CPF 323.363.149 91, investido na função de administrador da sociedade. Este sócio também pertence ao quadro societário da empresa VEST HAKME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA, onde é, igualmente, investido na função de administrador; · As empresas autuadas Hakme e Vest Hakme têm a mesma localização, funcionando num grande galpão (prédio), com a administração do Sr. Elie Youssef Hakme; · As empresas NKF Confecções Ltda, FAMI Confecções Ltda, TADI Confecções Ltda e HPD Confecções Ltda foram todas constituídas em abril/2006, com um capital social que, juntas, alcançam a cifra de R$ 5.500,00; · Em março/2006, antes da constituição das Prestadoras, as Autuadas Hakme e Vest Hakme mantinham registrados em seu quadro de pessoal, em conjunto, quase 890 segurados empregados, lotados principalmente no setor de produção; · Nos três meses seguintes, o contrato de trabalho de 95% dos trabalhadores das Autuadas (Hakme e Vest Hakme) foram transferidos para as empresas NKF, FAMI, TADI e HPD, empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, utilizadas para contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários; · Em julho/2006, o quadro de funcionário caiu para 40 funcionários, no total, sem reflexos na produção; · As mesmas datas de admissão dos segurados empregados nas empresas HAKME e VEST HAKME foram mantidas nas Prestadoras, conforme se verifica nas GFIP dessas empresas; · O quadro societário das Prestadoras é constituído por exsegurados empregados e suas respectivas esposas, ou ainda, por parentes dos sócios das empresas HAKME e VEST HAKME, mantendose, assim, indiretamente, a subordinação aos dirigentes das empresas principais. · Em visitas efetuadas aos endereços das Prestadoras, a Fiscalização constatou que as empresas HPD e TADI não funcionam no endereço descrito em seus Contratos Constitutivos Já as empresas FAMI e NKF funcionam no mesmo local e mesmo prédio que as empresas HAKME e VEST HAKME, apesar de possuírem endereços diferentes. · O telefone informado nas GFIP das empresas HPD e TADI é o mesmo (3326240), enquanto que o telefone informado nas GFIP das empresas Fl. 9366DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.355 25 TADI, FAMI e NKF é o mesmo das empresas HAKME e VEST HAKME (33393300); · As Prestadoras operam nas mesmas dependências físicas das Autuadas, não possuem ativo imobilizado, máquinas, equipamentos, utensílios, móveis ou veículos necessários à execução de suas atividades empresariais; · As Prestadoras foram constituídas com atividade semelhante a das Autuadas, e prestam serviços exclusivamente para as empresas HAKME e VEST HAKME; · A produção das Empresas Prestadoras era voltada exclusivamente para as empresas HAKME e VEST HAKME; · A responsável pela transmissão das GFIP das empresas FAMI e NKF é a Sra. Adriana Regina Sola Garcia, que é, também, a pessoa responsável pela transmissão das GFIP das empresas HAKME e VEST HAKME. A Sra. Adriana Regina é lotada como funcionária da empresa NKF CONFECÇÕES LTDA; · O responsável pela transmissão das GFIP das empresas HDP e TADI é o Sr. Sivaldo José Nunes Porto, sócioAdministrador da empresa HPD CONFECÇÕES LTDA; · O contador das Empresas FAMI CONFECÇÕES LTDA e NKF CONFECÇÕES LTDA, Sr. Irineu Bezerra de Melo, CPF 466.228.45972, é também o Contador das empresas HAKME e VEST HAKME; · Nos processos trabalhistas interpostos contra as Prestadoras, em sua grande maioria, figurava no polo passivo da lide como RECLAMADAS, juntamente com as Prestadoras, a empresa HAKME ou a VEST HAME ou ambas; · A equipe de advogados que defende as empresas HAKME e VEST HAKME é a mesma que defende as EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS nos processos trabalhistas; · O próprio sócioadministrador da HPD CONFECÇÕES LTDA, Sivaldo José Nunes Porto, intimado mediante TIF a apresentar documentos, apresentou uma carta endereçada à Receita Federal do Brasil alegando que não poderia atender à intimação, pois NÃO era o verdadeiro proprietário da empresa, mas, sim, o Sr. ELIE YOUSSEF HAKME. Informou ser mero empregado do grupo empresarial comandado por ELIE YOUSSEF HAKME, e foi obrigado a integrar a pessoa jurídica HPD CONFECÇÕES LTDA sob pena de perder o emprego; · O Sr. ELIE YOUSSEF HAKME é o verdadeiro proprietário das demais empresas (TADI CONFECÇÕES LTDA, FAMI CONFECÇÕES LTDA e Fl. 9367DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 NKF CONFECÇÕES LTDA), sendo sócio oculto, pois elas se encontram em nome dos filhos, da esposa e de uma sobrinha; · As testemunhas em todos os contratos sociais das Prestadoras são funcionários da Vest Hakme ou da Hakme; · O imóvel onde passou a funcionar a empresa da HPD CONFECÇÕES LTDA pertence ao Sr. ELIE YOUSSEF HAKME. A produção de roupas era voltada exclusivamente para as empresas HAKME e VEST HAKME; · Todas as despesas da pessoa jurídica HPD CONFECÇÕES LTDA eram pagas pelo Sr. ELIE YOUSSEF HAKME; · Eventuais ações trabalhistas promovidas contra a empresa HPD CONFECÇÕES LTDA eram pagas pelo Sr. ELIE YOUSSEF HAKME; · O departamento jurídico da HAKME e da VEST HAKME é que fazia as defesas e advocacia preventiva da empresa HPD CONFECÇÕES LTDA; · Em 04/04/2009 o Sr. ELIE YOUSSEF HAKME promoveu a transferência da empresa HPD CONFECÇÕES LTDA de volta para a estrutura da Rodovia Carlos João Strass, onde funcionam todas as empresas do grupo HAKME, fechando o estabelecimento da Rua Amapá; · O Sr. ELIE YOUSSEF HAKME transferiu novamente todos os funcionários da empresa HPD CONFECÇÕES LTDA para a HAKME e para a VEST HAKME em 02/05/2009, e deixou o Sr. SIVALDO sem função, até que em 15/05/2009 demitiuo definitivamente; · Posteriormente, Sivaldo José Nunes Porto ajuizou reclamatória trabalhista (autos 08860200901809007) alegando fraude na constituição da empresa HPD CONFECÇÕES LTDA; · O valor do aluguel no importe de R$ 1.000,00 (mil reais) pago pela HPD CONFECÇÕES LTDA à HAKME é irrisório por um imóvel de 581,25 m2, com 88 cadeiras, 93 banquetas, 90 cavaletes e 12 mesas de revisão, para uma empresa que empregaria mais de 200 empregados; · O contrato de locação de máquinas e equipamentos firmados pela HPD com a empresa HAKME, no valor de R$ 1.100,00 (mil e cem reais), para 64 máquinas, é igualmente irrisório. Ou seja, cada máquina teria sido alugada por um preço médio de R$ 17,18 (dezessete reais e dezoito centavos); · O contrato de locação de máquinas e equipamentos firmados pela HPD com a empresa VEST HAKME, no valor de R$ 900,00 (novecentos reais) para 63 máquinas, é também irrisório. Ou seja, um preço médio R$ 14,28 (quatorze reais e vinte e oito centavos) por unidade; A prova dos autos não deixa dúvidas de que as diversas empresas do grupo tinham como sócios pessoas que não tinham sequer condições financeiras para tanto, tampouco Fl. 9368DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.356 27 conhecimento técnico para administrálas. Eram, na realidade, pessoas colocadas a frente das empresas, com o objetivo de manter seus verdadeiros donos no anonimato. Também as empresas criadas para figurar como contribuintes de direito, concentrando a responsabilidade tributária direta por toda a sorte de fatos geradores de contribuições previdenciárias, foram constituídas com capital social irrisório (R$ 5.500,00 no total geral), se comparado com o volume de operações do grupo, de maneira que qualquer eventual execução fiscal resultaria improfícua, como murros n’água, ante a ausência total de patrimônio próprio. Ademais, todas as empresas Prestadoras houveramse por constituídas como optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, visando a se aproveitar do tratamento tributário diferenciado e, assim, abrigar toda a mão de obra utilizada na área operacional do grupo. As provas dos autos não dão margem a dúvidas de que as empresas Prestadoras houveramse por constituídas com o propósito único de abrigar a mãodeobra necessária ao desenvolvimento das atividades da Autuada Hakme, sendo que todos os recursos e insumos eram fornecidos pelas empresas tomadoras dos serviços, as efetivas consumidoras da mão de obra em questão. Pretendeuse, com esse procedimento, conforme inferiu a fiscalização, elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal, exação essa que, a partir de então, seria de responsabilidade de empresas optantes pelo SIMPLES, cujos valores não incidem sobre a folha de pagamentos. Somase a isso o fato de os autuados serem defendidos pelo mesmo Patrono e as defesas administrativas e demais manifestações nos autos haverem sido interpostas em conjunto, num mesmo instrumento, circunstância que de per se já denota a efetiva e real existência de uma unidade de comando e de desígnios. Tais condições conduzem, inexoravelmente, à caracterização de grupo econômico de fato, eis que tais empresas – Autuadas e Prestadoras , embora atuando horizontalmente, no mesmo plano, e sem interdependência jurídica, participam todas do mesmo empreendimento, comandadas por um mesmo grupo de pessoas, com base na organização comum da atividade econômica e na fruição dos mesmos meios de produção. As provas constantes dos autos são eloquentes, precisas e convergentes. Eloquentes, porque revelam, de maneira detalhada, todo o mecanismo arquitetado pelos seus idealizadores para a consecução dos fins pretendidos, consubstanciados no proveito das pessoas ora arroladas, em detrimento da arrecadação tributária; Precisas, porque delas avulta, de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial das empresa HAKME e VEST HAKME na condução das operações representativas de fatos geradores de contribuições previdenciárias e na direção das empresas interpostas, como seus verdadeiros donos e controladores, acobertados por “laranjas”; e são convergentes porque todas as provas documentais, depoimentos e indícios conduzem a essa mesma ilação. Do exame da documentação coligida aos autos pela fiscalização, ante todos os elementos de prova então presentes, avulta existir entre as empresas autuadas e as demais empresas prestadoras não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico, haja vista que todas as empresas arroladas pela fiscalização envidaram Fl. 9369DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 esforços significativos na atividade empresarial comum do grupo, e na realização da situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste lançamento, de onde se extrai a solidariedade entre eles, por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN. Nessas circunstâncias, são solidárias as pessoas que realizaram conjuntamente a situação que constitui o fato gerador, ou as que, em comum com outras pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 2.4. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 9370DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.357 29 II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No que pertine às contribuições previdenciárias, a matéria em realce tem sua disciplina estruturada no art. 30 da Lei nº 8.212/91, cujo inciso IX confere as condições de contorno específicas à solidariedade tributária das empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, pelas obrigações tributárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a existência de grupo econômico de fato, nos termos abrigados no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c.c. inciso II do art. 124 do CTN, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre as empresas integrantes do grupo econômico, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face de qualquer das empresas do grupo, em face das empresas controladoras do grupo, ou, ainda, em desfavor de todas as empresas em foco, indistintamente, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveitam os demais. Merece ser enaltecido que a mera constatação da existência de grupo econômico não implica que o lançamento tenha que ser formalizado, obrigatoriamente, em face de todas as empresas do grupo. Fl. 9371DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 O instituto da responsabilidade solidária apenas confere ao Credor o direito potestativo de formalizar a cobrança do seu crédito em desfavor de um único devedor solidário, de um grupo de devedores solidários ou de todos os devedores solidários, indistintamente, ao seu inteiro alvedrio. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, que detém a discricionariedade para indicar qual ou quais os devedores solidários irão figurar no polo passivo da relação jurídicotributária, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante de tal panorama, inexiste qualquer irregularidade no fato de a Fiscalização ter lavrado os Autos de Infração nº 37.214.5892 e 37.272.9231 tão somente em desfavor da empresa Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda, não possuindo este Colegiado competência para sindicar as razões de conveniência e oportunidade de tal eleição. Assim, inexistindo qualquer viés de ilegalidade no ato administrativo praticado pela Fiscalização, porquanto o devedor indicado a figurar no polo passivo do lançamento configurase como a empresamãe do grupo econômico em exame, não possui o Julgador competência para interferir no mérito do ato. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito, que não estejam previstas em lei. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse o lançamento primeiramente em face do contribuinte e, subsidiariamente, em face do devedor solidário, configurarseia como um contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento Fl. 9372DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.358 31 representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124, Parágrafo Único do CTN, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os co obrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. Fl. 9373DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. Pintado nessas cores o quadro fático e jurídico em questão, concluiu a fiscalização, com acerto, que a situação assim retratada caracterizavase grupo econômico de fato, em razão da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das contribuições previdenciárias patronais em destaque. Assim, diante da inexistência de benefício de ordem, e considerando que as empresas Prestadoras NKF, FAMI, TADI e HPD possuíam patrimônio irrisório (R$ 5.500,00 em conjunto) para satisfazer a sede Fl. 9374DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.359 33 do crédito tributário em realce, a Fiscalização Previdenciária, no exercício da prerrogativa privativa que lhe é assegurada pela art. 142 do CTN, formalizou o lançamento em desfavor da empresa fiscalizada – Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda. 3. DO RECURSO DE OFÍCIO Entendeu a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR que o lançamento em debate encontravase eivado de vícios formais consistentes na imprecisão na descrição dos fatos e na qualificação do sujeito passivo, o que representavam hipótese de nulidade, por efetiva preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto n° 70.235/72. Não vislumbramos, todavia, a presença de tais vícios. 3.1. DA IMPRECISÃO DOS FATOS GERADORES Inexiste, no caso, qualquer imprecisão na descrição dos fatos geradores. O Relatório Fiscal a fls. 76/129 descreve, detalhadamente, toda a dinâmica e o mecanismo utilizado pela Autuada para contratar trabalhadores, com redução de encargos trabalhistas e previdenciários, mediante a criação de interpostas pessoas, todas optantes do Simples Nacional, constituídas em nome de exempregados e suas respectivas esposas, ou ainda, por parentes dos sócios da Autuada. Para tais empresas interpostas, a Autuada promoveu a transferência de mais de 90% de seus empregados, sem tal ocorrência representasse qualquer solução de continuidade nos serviços por eles prestados. O Relatório Fiscal e o conjunto probatório acostado aos autos são pródigos em demonstrar a efetiva existência de grupo econômico de fato e da presença ostensiva e determinante de todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado entre a Autuada e os trabalhadores formalmente registrados nas empresas interpostas integrante do Grupo Econômico de Fato em realce. Firmada a convicção a respeito do vínculo de segurado empregado entre a Autuada e os segurados em tela, a matéria tributável houvese por apurada, diretamente, a partir das remunerações desses trabalhadores declaradas nas GFIP das empresas prestadoras de serviços NKF, FAMI, TADI e HPD, integrantes do grupo econômico em apreço. Sendo o lançamento tributário constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, estes devem ser compulsados em seu conjunto, de cuja sinergia emergirão as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. Dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo do lançamento há que ser interpretado e digerido com o olhar clínico que o seu propósito finalístico assim demanda. Os Documentos Fiscais suso referidos informam de maneira clara e precisa a matéria tributável e as bases de cálculo da exação em apreço, assim como os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora na condução da ação fiscal. Informam igualmente os Fl. 9375DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 documentos analisados e os fatos geradores apurados, as bases de cálculo e as alíquotas correspondentes a cada uma das contribuições sociais ora lançadas, destacando, ainda, os valores de dedução legal considerados, assim como os códigos de levantamento associados. Conforme exigência legal, o vertente Processo Administrativo Fiscal encontrase instruído com os Autos de Infração mediante os quais se formalizou o crédito tributário ora em constituição, ornados com todas as formalidades legais, a qualificação do Autuado por razão social, CNPJ e endereço comercial, o valor do crédito tributário pelo valor atualizado e seus acréscimos legais (juros e multa moratórios), a data e hora de lavratura do lançamento, bem como o nome, o cargo, a assinatura e o número de matrícula da autoridade fiscal notificante, além do endereço do órgão responsável pelo recebimento de defesa administrativa em face do lançamento em questão. Em complemento, o relatório intitulado Instruções para o Contribuinte IPC informa ao sujeito passivo o prazo de impugnação, os documentos necessários e as instruções para o oferecimento de contestação aos termos do lançamento, depósito facultativo e/ou pagamento da exigência fiscal. Informa igualmente os percentuais de multa de mora e respectivos valores absolutos, os quais, nos termos da lei, são fixados em função do estágio processual em que se encontra o Processo Administrativo Fiscal na ocasião do pagamento. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo de Débito, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, os eventuais valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra o presente lançamento e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa Autuada. O Relatório de Lançamentos relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental. Ele registra de forma discriminada por estabelecimento, competência e levantamento, dentre outras informações, a natureza jurídica e O VALOR DA REMUNERAÇÃO MENSAL DE CADA SEGURADO EMPREGADO, NOMINALMENTE IDENTIFICADO, beirando à galhofa a alegação da DRJ/CTA de que há imprecisão na descrição dos fatos geradores. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, o qual se houve por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os Fl. 9376DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.360 35 dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao Autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação. Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito, por vezes, se revela amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. No pertine ao Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.214.5892, o Relatório Fiscal descreve, detalhadamente a conduta praticada pelo Autuado representativa de violação à obrigação acessória instituída na Lei de Custeio da Seguridade Social, bem como sua subsunção à conduta típica prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. O Relatório Fiscal de Aplicação da multa expõe a memória de cálculo conduzida pela Autoridade Fiscal, em cada competência, no seu mister de cálculo da multa a ser aplicada ao Infrator. A Folha de Rosto do Auto de Infração nº 37.214.5892 assinala o número do Documento Fiscal de constituição do crédito tributário, a qualificação completa e o endereço fiscal do Autuado, o valor absoluto da penalidade pecuniária efetivamente aplicada ao sujeito passivo, a data, hora e o local da lavratura do Auto de Infração, a descrição sumária da infração, o dispositivo legal infringido e o dispositivo legal de graduação da multa, bem como a assinatura do auditor fiscal autuante, com a fiel indicação de seu cargo e o número de matrícula, assim como a indicação dos relatórios fiscais que integram o lançamento em formalização. A folha de rosto do Auto de Infração nº 37.214.5892 em conjunto com o IPC Instruções para o Contribuinte contêm a determinação da exigência fiscal e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, tudo em perfeita sintonia com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso, o vertente processo encontrase devidamente instruído com cópias dos documentos comprobatórios e demais elementos de prova que dão esteio fático ao lançamento que ora se opera. Fl. 9377DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Como visto, verificase que o lançamento em relevo foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o Agente Autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, os fatos geradores da exação, as destinações de cada tributo, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expõe todos os elementos que motivaram a lavratura dos mencionados Autos de Infração, bem como os elementos de convicção que amparam os procedimentos adotados no curso da ação fiscal. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF, TIF, TCCPF e TEPF, dentre outros, havendo sido os Sujeitos Passivos cientificados de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Autuado. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de imprecisão na descrição dos fatos geradores e de cerceamento de defesa erguidas pela DRJ/CTA. 3.2. DA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Inexiste, igualmente, qualquer vício na qualificação do Sujeito Passivo. Conforme demonstrado nos tópicos que a este antecedem, a Fiscalização demonstrou a efetiva existência de Grupo Econômico de Fato e a consequente responsabilidade solidária entre todas as empresas dele integrantes pelo adimplemento das obrigações tributárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, nos termos assentados no art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. Reiterese que a mera constatação da existência de grupo econômico e a consequente solidariedade tributária das empresas dele integrantes não implica que o lançamento tenha que ser formalizado, obrigatoriamente, em face de todas as pessoas jurídicas que constituem o grupo econômico. Repisese que o instituto da responsabilidade tributária solidária apenas confere ao Credor – o Fisco o direito potestativo de formalizar o lançamento das contribuições previdenciárias em desfavor de um único devedor solidário, de um grupo de devedores solidários ou de todos os devedores solidários em conjunto. A eleição da pessoa jurídica devedora solidária a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da Autoridade Fiscal, que detém a discricionariedade para indicar qual ou quais os devedores solidários irão figurar no polo passivo da relação jurídico tributária, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do CTN. No caso em apreço, o Grupo Econômico de Fato apurado pela Fiscalização é constituído pelas pessoas jurídicas Hackme, Vest Hackme, NKF, FAMI, TADI e HPD, todas estas responsáveis solidárias pelas obrigações tributárias estabelecidas na Lei nº 8.212/91. Fl. 9378DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.720052/201127 Acórdão n.º 2302003.107 S2C3T2 Fl. 9.361 37 Nesse contexto, ostentando as empresa Hackme, Vest Hackme, NKF, FAMI, TADI e HPD legitimidade para figurar no polo passivo da relação jurídicotributária em destaque, a Fiscalização poderia, consoante seu íntimo juízo de conveniência e oportunidade, promover o lançamento em desfavor de uma única, de algumas ou de todas as empresas acima indicadas, sem que tal eleição represente qualquer vício na formalização do lançamento. No presente episódio, a Autoridade Lançadora formalizou o lançamento diretamente em face da empresa na qual se houveram por desenvolvidos todos os procedimentos formais de Fiscalização. Nessa esteira, considerando a existência de Grupo Econômico de Fato, considerando a responsabilidade tributária solidária das empresas integrantes desse grupo, considerando a inexistência do benefício de ordem, e considerando que a empresa Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda tem legitimidade para figurar no polo passivo da presente relação jurídicotributária, não vislumbramos a existência de qualquer irregularidade a amparar a alegação da DRJ/CTA de vício na qualificação do Sujeito Passivo. Conforme demonstrado, não procede a conclusão da DRJ/CTA de que não haveria coerência interna ao Relatório Fiscal, marcado por contradições e omissões: A uma, porque não específica quais seriam tais contradições/omissões, apenas divaga sobre quem poderia figurar no polo passivo da relação tributária em relevo. A duas, porque não existe imputação de relação de emprego, mas, sim, caracterização da relação de segurado empregado, com fulcro no princípio da primazia da realidade sobre a forma. A três, porque uma vez constatada a existência de grupo econômico formado pelas pessoas jurídicas Hakme, Vest Hakme, NKF, FAMI, TADI e HPD, e, por consequência, a solidariedade entre tais empresas, a competência para a eleição de qual ou quais devedores solidários irão figurar no polo passivo é privativa e discricionária da Autoridade Lançadora, fugindo à DRJ/CTA a competência para interferir no mérito do ato administrativo Também se mostra à calva de fundamento a alegação da DRJ/CTA a respeito da suposta “incompatibilidade do Relatório Fiscal com a forma de lavratura dos quatro Autos de Infração e com a contraditória formalização dos quatro Autos de Infração em um único processo administrativo fiscal.” A uma, porque, uma vez mais, não aponta que incompatibilidade seria essa. A duas, porque inexiste óbice a que um mesmo Processo Administrativo Fiscal seja constituído por diversos lançamentos tributários, podendo estes se referir a Autos de Infração de Obrigação Acessória ou a Autos de Infração de Obrigação Principal, ou a ambos em conjunto. A três, porque foi a própria 5ª Turma da DRJ/CTA quem determinou o desmembramento do PAF originário n° 11634.720052/201127, conforme Despacho n° 5, de 05 de abril de 2012. A quatro, porque o julgamento da DRJ/CTA, no presente caso, deve aterse às questões atávicas ao Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.272.9231, referente às Fl. 9379DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, bem como ao Auto de Infração de Obrigação Acessória n° 37.214.5892, CFL 68, relativo à multa decorrente da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ambos lavrados em desfavor da empresa Hakme Indústria e Comércio de Roupas Ltda, isoladamente. Se nos antolha, portanto, que o vertente Processo Administrativo Fiscal encontrase perfeitamente instruído e apto a consolidar a convicção da Autoridade Julgadora. Não se lobriga, pois, qualquer irregularidade formal ou material que pudesse configurar hipótese de preterição ao direito de defesa do Autuado. Quanto ao exame da decadência, não há arestas a serem reparadas na decisão de 1ª Instância, eis que a DRJ/CTA fez incidir com precisão o preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas nos Autos de Infração em apreço, os quais não demandam reparos, devendo ser afastada de pronto a declaração de nulidade proferida indevidamente pela DRJ/CTA. Nesse contexto, considerando que a DRJ/CTA, ao declarar a nulidade do lançamento, deixou de apreciar as questões de mérito suscitadas pelo Impugnante, há o consenso deste Colegiado em determinar o retorno dos autos ao Órgão Julgador a quo, para que este as aprecie devidamente, de molde a se evitar qualquer espécie de supressão de instância. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso de ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para, afastando a declaração de nulidade proferida pela DRJ/CTA, determinar o retorno dos autos a essa mesma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que sejam devidamente apreciadas as questões de mérito suscitadas pelos Sujeitos Passivos em sede de impugnação administrativa. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 9380DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 16707.000888/2002-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1988 a 30/09/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Numero da decisão: 3402-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1988 a 30/09/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16707.000888/2002-33
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5342941
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.354
nome_arquivo_s : Decisao_16707000888200233.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16707000888200233_5342941.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5413968
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593130725376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 692 1 691 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.000888/200233 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.354 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria PASEP Embargante CAERN COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1988 a 30/09/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 08 88 /2 00 2- 33 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 693DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 16707.000888/200233 Acórdão n.º 3402002.354 S3C4T2 Fl. 693 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 652/664) opostos pelo sujeito passivo, por supostos “erro de fato” e omissão no v. Acórdão nº 3402001.759, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 633/641, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de minha relatoria que, em sessão de 26/06/2012, por unanimidade votos, negou provimento ao recurso, sendo os respectivos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa, súmula e conclusão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1988 a 30/09/1995 PASEP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DO CRÉDITO. A compensação tributária, regulada pelo art. 170, do CTN, exige que haja pagamento indevido ou a maior de tributo, mas também que traz como requisitos que o crédito seja objeto de prova de sua liquidez, certeza exigibilidade. À míngua de prova da existência, suficiência e legitimidade dos créditos, correta a decisão da Administração que indefere a compensação pleiteada pelo sujeito passivo. PASEP. APURAÇÃO DO MONTANTE DO CRÉDITO EM PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA. PARCELAMENTO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO ENTRE CRÉDITOS E DÉBITOS. CABIMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Sendo os créditos objeto de verificação fiscal em que se constata que o contribuinte efetuou confissão de dívida e requereu parcelamento do crédito tributário, é possível que haja a compensação de ofício dos débitos em aberto do parcelamento com os pagamentos efetivados quanto a esse mesmo parcelamento, contandose o prazo decadencial a partir da confissão de dívida e não dos períodos de apuração dos débitos insertos no parcelamento. PASEP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS FUNDADOS EM DECISÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INDEFERIMENTO. Fundandose os créditos em pagamentos indevidos ou a maior reconhecidos por decisão administrativa e por decisão judicial (coisa julgada), as quais não reconhecem o direito aos expurgos inflacionários, não se mostra viável computálos no cálculo, pois a Administração está adstrita às decisões proferidas no caso em concreto. Entende a Embargante que a decisão embargada contém “erro de fato” quando para justificar a compensação de oficio considerou que houve confissão de dívida Fl. 694DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 quando a ora Embargante supostamente inseriu débitos em parcelamento e que isto teria o condão de interromper a decadência, sendo que jamais houve inclusão de tais débitos em parcelamento. A Embargante ainda entende que houve “omissão” quando não se considerou alguns pagamentos realizados através de DARF’s sob a justificativa de que em sede de Recurso Voluntário não pôde comprovar esses referidos pagamentos, sendo que, em caso de dúvida deveria ter sido convertido o julgamento em diligencia. Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam acolhidos os embargos, para o fim de que, seja sanada a omissão e o erro de fato arguidos, determinando a paralisação de quaisquer procedimentos de cobrança, bem como para constar como débito suspenso nos sistemas da RFB, requer ainda que se reconheça o erro de fato e a omissão relatados. Por fim, requer, sinteticamente, a reforma integral do Acórdão embargado. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 16707.000888/200233 Acórdão n.º 3402002.354 S3C4T2 Fl. 694 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos, devendo ser conhecido do recurso. Entendo que as omissões apontadas pela Embargante não se materializaram no caso concreto, pois que restou claro na decisão embargada, que as provas que se encontram acostadas nos autos, deixam claro que a Administração efetivamente considerou todos os pagamentos e parcelamentos que teve acesso, e que puderam ser efetivamente confirmados tanto pelo sistema quando pela análise documental, sendo dever da Embargante comprovar que não o foram, ou que existiriam outros pagamentos, documentalmente identificáveis e hábeis, o que não o fez. Desde a sua manifestação de inconformidade a Embargante alegou haverem pagamentos de DARF’s que abrangeriam as competências de janeiro de 1988 a abril de 1994, porém, em todas as oportunidades que teve para trazer prova do direito creditório relativamente aos pagamentos em DARF’s que afirma ter efetuado, nada comprovou, inclusive em diligencia realizada após a apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto à afirmação de que a compensação de ofício com saldo de parcelamento que a Embargante afirma que não teria aderido, tenho que esta afirmação colide com a prova dos autos, especialmente a própria peça inaugural do Pedido de Restituição, em que a própria Embargante requereu que fossem os créditos restituiendos, compensados com saldo devedor de parcelamento, havendo ainda prova de que houveram referidos ajustes efetivados junto à Administração, não logrando a Embargante o êxito de demonstrar quais os pagamentos teriam sido feitos sob o pálio de parcelamentos, e quais através de DARF’s supostamente não considerados. O que se vê, portanto, é que a Embargante está buscando rediscutir o mérito e remanejar a prova dos autos, em sede de Embargos de Declaração, o que apenas seria possível apenas tivesse havido erro material, o que não se mostra ter ocorrido no caso em concreto. Não havendo omissão, tampouco obscuridade, contradição ou erro material, não há como acolher os Embargos de Declaração, ainda mais com efeitos modificativos, como sugeriria a Embargante pelas falhas que aponta teriam havido no julgamento, as quais, repita se, não restaram materializadas. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
score : 1.0
Numero do processo: 18470.731952/2011-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18470.731952/2011-69
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5336439
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-000.469
nome_arquivo_s : Decisao_18470731952201169.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 18470731952201169_5336439.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5378021
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593162182656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 7.028 1 7.027 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.731952/201169 Recurso nº 18.470.731952201169Voluntário Resolução nº 3403000.542 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 27 de março de 2014 Assunto IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório O estabelecimento filial 02.808.708/004862 de COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, localizado no Rio de Janeiro – RJ, teve lavrado contra si o Auto de Infração de fls. 6.556 a 6.564 para determinação e exigência de crédito tributário de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 105.098.979,69. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 124 a 140, foram apuradas as seguintes infrações à legislação do imposto: a) Creditamento básico indevido nas entradas de produtos acabados, sujeitos ao regime de tributação monofásico, estabelecido pela Lei nº 7.798 de 10 de julho de 1989, recebidos por transferência de filial e/ou adquiridos de outros estabelecimentos com o imposto destacado nas notas fiscais e destinados à comercialização. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 31 95 2/ 20 11 -6 9 Fl. 7028DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18470.731952/201169 Resolução nº 3403000.542 S3C4T3 Fl. 7.029 2 b) Creditamento incentivado indevido nas aquisições de produtos destinados à industrialização, oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), efetuadas junto a Arosuco Aromas e Sucos (concentrados Soda Limonada Antárctica, Soda Limonada Antárctica Diet, Sukita, Sukita Uva e Tônica Antárctica, além de rolha metálica), PepsiCola Industrial da Amazônia (concentrados PepsiCola, PepsiCola Light, PepsiCola Twist, PepsiCola Twist Light), Crown Tampas da Amazônia, com a isenção prevista no inciso II do art. 69 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, que não enseja direito ao referido crédito, passivo de aproveitamento apenas quando das aquisições de produtos elaborados por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, saídos com a isenção prevista no art. 82, inciso III, do RIPI/2002, na forma preconizada pelo art. 175 do mesmo Regulamento. c) Falta de lançamento do imposto nas saídas de bens de produção (filme contrátil liso, KIT H2OH LIMÃO, KIT PEPSI COLA PT3 e KIT PEPSI COLA TWIST). Impugnado o feito, fls. 2807 a 2837, a autuada alegou, em síntese: a) Que é nulo o procedimento pela utilização de prova tomada de empréstimo de outra ação fiscal, sem submetêla ao contraditório da ora autuada a glosa de créditos deve ser revertida porque a Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA aprovou o projeto apresentado por PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. e reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no artigo 6° do Decretolei nº 1.435, de 1975, fundamento legal dos artigos 82, III, e 175 do RIPI/2002, sendo vedado à Fiscalização desqualificar o certificado emitido pela SUFRAMA alternativa e sucessivamente, que se deve reconhecer o direito da autuada ao crédito do IPI, por força do tratamento tributário diferenciado preconizado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (vigente até 2023, conforme art. 92 do ADCT) b) mesmo que fosse vedado o registro do crédito em função de as mercadorias sujeitaremse ao regime monofásico do IPI, jamais poderia haver o lançamento de ofício do tributo, pois o mesmo foi, ao final, recolhido pela autuada antes do início do procedimento de fiscalização, havendo, quando muito, pagamento a destempo do IPI, fato que não justifica a glosa dos créditos apropriados e a consequente exigência do mesmo tributo outrora já liquidado. A impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/JFA. O Acórdão nº 0940.930, de 13 de julho de 2012, fls. 6963 a 6972, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Fl. 7029DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18470.731952/201169 Resolução nº 3403000.542 S3C4T3 Fl. 7.030 3 Período de apuração: 10/01/2007 a 31/12/2009 INSUMO DESONERADO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as entradas isentas que se derem com fundamento no inciso III, do art. 82, do Decreto nº 4.544/02, irão garantir o direito ao crédito incentivado instituído pelo DecretoLei nº 1.435/75, conforme disposição expressa do art. 175, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002). INSUMO DESONERADO. DIREITO AO CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo que não seja onerado pelo imposto, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados. CRÉDITO INDEVIDO. CORREÇÃO DA ESCRITA. A anulação do creditamento indevido se opera pelo estorno do referido crédito e não com o destaque, também indevido, do IPI nas saídas dos produtos entrados para posterior comercialização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. 6979 a 7002, após síntese dos fatos relacionados com a lide, diz concordar com a exigência decorrente da falta de lançamento do imposto nas saídas de bens de produção (filme contrátil liso, KIT H2OH LIMÃO, KIT PEPSICOLA PT3 e KIT PEPSICOLA TWIST). Nada obstante, retoma a arguição de nulidade do lançamento pela indevida adoção, por empréstimo, de conclusão firmada em fiscalização em outro estabelecimento da Recorrente. No mérito, volta a insistir no reconhecimento do direito ao crédito em relação aos insumos que o fornecedor e a SUFRAMA atestam serem produzidos a partir de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica. Afirma ainda que a PepsiCola Indústria da Amazônia Ltda. teria atestado que as mercadorias fornecidas à Recorrente fazem jus ao benefício previsto no art. 82, inc. III, do RIPI/2002, o qual admite que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos. Tal afirmação é corroborada pela SUFRAMA, órgão ao qual foi atribuída a competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, na medida em que o projeto da PepsiCola tem fundamento no art. 6° do Decretolei nº 1.435, de 1975, no qual se fundamentam os arts. 82, III, e 175 do RIPI/2002. Além disso, a própria SUFRAMA esclareceu, em resposta a consulta formulada pela PespsiCola, que o estabelecimento industrial incentivado deve estar localizado na Amazônia Ocidental, porém, os insumos agrícolas ou vegetais por ele utilizados podem ser provenientes de qualquer parte da Amazônia Legal, que é mais ampla do que a Amazônia Ocidental. Ainda, por força do art. 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI Fl. 7030DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18470.731952/201169 Resolução nº 3403000.542 S3C4T3 Fl. 7.031 4 desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil, o que torna improcedente a exação fiscal. Por fim, rechaça a imputação de falta de recolhimento de IPI em decorrência da apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias. Quando muito, a Fiscalização poderia ter exigido juros de mora e multa de ofício isolados por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem). Pede provimento. Em sessão de 23 de julho de 2013, o julgamento do feito foi sobrestado em face das disposições dos §§ 1° e 2° do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF. Com a revogação dos referidos dispositivos, operada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, o processo retornou à pauta de julgamento desta 3ª TO. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 6979 a 7002 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJDRJ/JFA3ª Turma nº 0940.930, de 13 de julho de 2012. Conforme relatado, controvertese, entre outras matérias, o creditamento do IPI na entrada de produtos acabados, destinados a revenda. A Fiscalização constatou que o estabelecimento autuado creditouse do imposto destacado nas notas fiscais de entrada de bebidas (cervejas e refrigerantes) prontas para o consumo, sujeitas à tributação monofásica do IPI na etapa anterior, com fundamento no artigo 4o da Lei nº 7.798, de 1989 (até 31.12.2008) e nos artigos 58A, 58B, 58J e 58U da Lei nº 10.833, de 2003 (a partir de 01.01.2009). Ainda no curso da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a esclarecer o seu procedimento e explicou (resposta à Intimação nº 4, fls. 114 e 115) que, costumeiramente, debitavase do imposto creditado na saída dos mesmos produtos em alienação a terceiros. Tal tergiversação repetiuse na impugnação e, agora, no recurso voluntário. O recorrente jamais o refutou, o creditamento nessas condições é irregular. Bebidas prontas, que não sofreram qualquer etapa de industrialização no estabelecimento recebedor, não se caracterizam como insumo. Na ausência de qualquer disposição legal que autorize sua apropriação, a Fiscalização procedeu corretamente ao glosar os créditos. Fl. 7031DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18470.731952/201169 Resolução nº 3403000.542 S3C4T3 Fl. 7.032 5 A objeção recursal, oposta já durante o procedimento, é no sentido de que essa apropriação indevida de crédito não provocou falta de recolhimento, na medida em que o imposto foi ulteriormente pago na saída das mercadorias. A decisão recorrida, procedentemente, rechaçou com veemência a possibilidade de anulação do creditamento indevido pela via do destaque, também indevido, do IPI nas saídas dos produtos entrados para posterior comercialização. Ademais, ainda a propósito dessa alegação recursal, a Fiscalização obtemperou que, quando esses produtos são transferidos da filial Campo Grande (autuada) para outros estabelecimentos da mesma firma, saem com suspensão do IPI, ilustrando sua afirmação com o demonstrativo "Transferência para Outros Estabelecimentos", anexo 3, fls. 210 a 6.529. Constatase que essas transferências com suspensão são até mesmo em volume superior ao dos produtos recebidos em transferência! Confirase: ANO TOTAL PRODUTOS RECEBIDOS DE OUTRAS FILIAIS P/ TRANSFERÊNCIAS TOTAL PRODUTOS ENVIADOS PARA OUTRAS FILIAIS P/ TRANSFERÊNCIAS 2007 R$ 57.028.021,85 R$ 329.438.910,13 2008 R$ 51.875.602,38 R$ 305.819.685,85 2009 R$ 52.601.081,71 R$ 373.116.070,87 O volume das saídas com suspensão, aproximadamente seis vezes maior do que o de entradas creditadas, escancara a falta de recolhimento do imposto, no período de apuração em que ocorreu a saída, provocada pelo creditamento indevido e lança por terra o argumento de que houve mera postergação do cumprimento da obrigação principal. Esse volume de saídas com suspensão atesta também que as saídas para outras filiais envolveram não somente os produtos recebidos em transferência de outros estabelecimentos da mesma firma, mas também mercadorias adquiridas de terceiros e produção própria do estabelecimento. Diante dessas constatações, o acolhimento da alegação de que, em havendo saídas tributadas desses produtos, o presente lançamento configuraria bis in idem, , depende de prova cabal, a ser produzida no momento processual adequado segundo o sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal1. O Fisco (TVF, fls. 127) atestou a impossibilitado de segregar, por produto acabado recebido para comercialização, os que foram comercializados, com eventual destaque do imposto, ainda que irregular, dos que foram objeto de transferência com suspensão do IPI. Justificou assim a manutenção, na reconstituição da escrita fiscal (Demonstrativo, fls. 6.787 a 6.795), dos débitos decorrentes do eventual destaque de imposto nas notas fiscais de saída, a que se refere a objeção recursal. A 3ª Turma da DRJ/JFA, por sua vez, considerou que o impugnante não se desincumbiu do ônus processual de comprovar o alegado, pois não teria aportado aos autos “... um único documento fiscal que pudesse comprovar o que alega e querendo repassar para o fisco um ônus que é seu – o de provar o seu argumento de defesa.” (fls. 6.972). Rechaço, neste ponto, a insinuação recursal de que a 3ª Turma da DRJ/JFA não analisou os documentos que instruem a impugnação. Não só os analisou como também julgou os insuficientes para o fim a que se propunham. Não se cogita tampouco de transferir ao julgador a quo a incumbência de realização de diligências para a complementação de 1 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 7032DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18470.731952/201169 Resolução nº 3403000.542 S3C4T3 Fl. 7.033 6 documentos que não lograram comprovar as alegações da impugnação. É cediço, as diligências não se prestam a suprir deficiência probatória das partes, como tem reiteradamente decidido esta Turma: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos n. 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) É de se reconhecer, no entanto, que este CARF, nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, nos casos em que há ao menos um início de prova de exigência de tributo indevido ou de não ocorrência de situação tributável, tem aprofundado a análise de argumentos de defesa sem que constem dos autos a categórica comprovação de sua procedência, invocandose o princípio da verdade material. A propósito, James Marins2 coteja o dever de colaboração do sujeito passivo com o dever de investigação da Administração Tributária: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” Compulsando o conjunto de documentos que instruem a peça de impugnação, referidos como Doc. 5 (Relatório de Aquisições de Produtos para Revenda com Evidência de Saídas Tributadas pelo IPI – Anos 2007, 2008 e 2009 , e Resumo das Saídas do IPI por Código Fiscal de Operação CFOP, Amostragem de Notas Fiscais de Revenda de Produtos, Anos 2007, 2008 e 2009, fls. 6934 a 6954), verifico que se trata, efetivamente, de planilhas da lavra do próprio contribuinte, inábeis para a comprovação do alegado, haja vista não se fazerem acompanhar das notas fiscais de saída em que houve o incorreto destaque de imposto, nem da escrituração fiscal necessária e indispensável para a segregação das saídas de produção própria das mercadorias adquiridas para revenda (e.g. livro modelo 3), não obstante já constar dos autos uma cópia do livro RAIPI, anexada pela própria Fiscalização, fls. 6.645 a 6.786. Não consta dos autos cópia da intimação nº 4. Tampouco logrei encontrar nos autos prova de que o Fisco tenha ao menos tentado identificar os débitos indevidamente 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 7033DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 18470.731952/201169 Resolução nº 3403000.542 S3C4T3 Fl. 7.034 7 lançados no livro RAIPI, na esteira do que declarou o contribuinte em reposta à intimação nº 4. Pareceme que a questão merece aprofundamento, para que se descarte definitivamente a possibilidade de se estar a exigir crédito tributário indevido. Nesse sentido, proponho que se converta o presente julgamento em diligência à autoridade lançadora, para que lá se tomem as seguintes providências: a) intimese o autuado a fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos; sem a necessária conciliação entre os registros contábeisfiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados; c) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; d) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação, e; e) devolvase o processo para esta 3ª TO/3ª C/3ª S/CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de sessões, em 27 de março de 2014 Fl. 7034DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720158/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. Ademais, incabível eventual manifestação sobre matéria não suscitada no Recurso Voluntário.
ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL.
Para que se proceda a exclusão da base de cálculo do ITR de áreas de interesse ambiental, as mesmas deverão ser declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente.
ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
A obrigatoriedade de apresentação do ADA, como condição para o gozo da redução do ITR no caso de área de preservação permanente, teve vigência a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 17-0 da Lei nº 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei nº 10.165/2000.
Numero da decisão: 2201-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-01.444, de 18/01/2012, manter a decisão original de negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. Ademais, incabível eventual manifestação sobre matéria não suscitada no Recurso Voluntário. ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. Para que se proceda a exclusão da base de cálculo do ITR de áreas de interesse ambiental, as mesmas deverão ser declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente. ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade de apresentação do ADA, como condição para o gozo da redução do ITR no caso de área de preservação permanente, teve vigência a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 17-0 da Lei nº 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei nº 10.165/2000.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10240.720158/2007-13
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5332229
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.320
nome_arquivo_s : Decisao_10240720158200713.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10240720158200713_5332229.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-01.444, de 18/01/2012, manter a decisão original de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5349509
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593183154176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1942; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.720158/200713 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201002.320 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria ITR Embargante EMPRESA RURAL DO GUAPORÉ LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. Ademais, incabível eventual manifestação sobre matéria não suscitada no Recurso Voluntário. ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. Para que se proceda a exclusão da base de cálculo do ITR de áreas de interesse ambiental, as mesmas deverão ser declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente. ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade de apresentação do ADA, como condição para o gozo da redução do ITR no caso de área de preservação permanente, teve vigência a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei nº 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei nº 10.165/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 220101.444, de 18/01/2012, manter a decisão original de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 58 /2 00 7- 13 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Cientificada do Acórdão nº 220101.444 de 18/01/2012 (fls. 145/150pdf), em 09/04/2012 (AR de fl. 154pdf), a contribuinte opôs Recurso Especial em 16/04/2012 (fls. 155/167), contra o Acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Contudo, conforme despacho da Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o documento intitulado Recurso Especial foi recepcionado como Embargos de Declaração, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Transcrevese o Despacho de Encaminhamento (fl. 186): DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Conforme o princípio da fungibilidade dos recursos, tendo o Contribuinte protocolado, no prazo de cinco dias, documento que, embora chamado de Recurso Especial, contém alegação de omissão no acórdão do CARF, recepciono a peça processual como Embargos de Declaração e, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, encaminho ao Ilustre Conselheiro Relator, Eduardo Tadeu Farah, para emitir o respectivo parecer. DATA DE EMISSÃO : 20/09/2013 MARIA HELENA COTTA CARDOZO Pois bem, em sua peça processual, recepcionada como Embargos de Declaração, fls.155/167, alega a contribuinte, essencialmente, que: O acórdão ora recorrido não pode prosperar, pois desconsiderou o fato do imóvel estar integralmente inserido em área de interesse ecológico, nos termos da lei estadual, ignorando a certidão da SEDAMRO, que certifica que o imóvel esta inserido em área de interesse ecológico. (...) Importa destacar, que como foi demonstrado no recurso apresentado, o imóvel de fato é isento de imposto por estar encravado em área de interesse ecológico conforme ficará demonstrado no presente recurso. (...) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.720158/200713 Acórdão n.º 2201002.320 S2C2T1 Fl. 3 3 A Alegação da Fazenda Nacional que para isenção das áreas de interesse ecológico "áreas de preservação e de utilização limitada", necessita a apresentação da ADA, não merece acolhida, pois não havia lei para sustentar tal exigência. (...) Ressalte se que o contribuinte só está obrigado a fazer ou deixar de faze alguma coisa em virtude de lei. Jamais o poder público poderá obrigar o contribuinte a fazer algo não estabelecido em lei. (...) Destacase por ser objetivo e relevante, que não havia previsão legal para apresentação do Ato Declaratório Ambiental, portanto, não poderá ser majorado o ITR, do imóvel da impugnante por esse motivo, sob pena de estar sendo violado o princípio da estrita legalidade tributária. Ressaltese que a Empresa, apresentou sua declaração de ITR, com base na lei 9.393/96, substituta da Lei 8.847/97 já revogada, que estabelece isenção ITR, para os imóveis que se encontram localizados em áreas declaradas de interesse ecológico. (...) Portanto, não tem amparo legal os argumentos do procurado, no sentido de exigir ADA, pois não havia lei para tanto. Compulsandose o Acórdão Embargado, fls. 145/150pdf, verificase que a matéria suscitada no Recurso Voluntário, fls. 116/129, não foi enfrentada pelo Colegiado. Isso posto, a presidência da Câmara acolheu os Embargos para sanar a omissão, relativamente à falta de manifestação sobre as áreas preservacionistas. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos são tempestivos e reúnem os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a peça apresentada como Recurso Especial deve ser conhecida como Embargos de Declaração, pois o voto condutor do Acórdão embargado foi omisso, uma vez que se manifestou sobre matéria que não foi suscitada no Recurso Voluntário. Por outro lado, quanto à única matéria suscitada no apelo, não houve manifestação no acórdão embargado. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Em seu Recurso reafirma a recorrente que o imóvel rural "Gleba Campinas", cadastrado na RFB, sob o n° 3.844.3520, está encravado em área de interesse ecológico, assim declarada por Lei Complementar n° 52/91, do Estado de Rondônia, lei que instituiu o Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado. Assim, assevera a suplicante que os imóveis que se encontram localizados em áreas declaradas de interesse ecológico estão isentos do ITR. Por fim, afirma que não há amparo legal para exigência do ADA. De pronto, cumpre esclarecer que o objeto do lançamento foi o arbitramento do VTN declarado de R$ 582.804,00 para R$ 3.814.560,10, com base no SIPT, conforme demonstrativo de fl. 41. Ressaltese que por lapso constou no relatório que a contribuinte reiterou no Recurso Voluntário os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, entretanto, no Recurso Voluntário a recorrente não teceu qualquer comentário sobre o VTN. Registrese, ainda, que o voto condutor do acórdão embargado consignou à fl. 150 que “... a contribuinte em seu Recurso Voluntário não se insurge contra o arbitramento do VTN perpetrado pela autoridade fiscal”. Pois bem, quanto à alegação de que o imóvel está inserido em uma área de interesse ecológico, conforme declaração da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental — SEDAM, fl. 36, cumpre deixar assentado que a existência de uma área declarada de interesse ecológico não é suficiente, por si só, para determinar a exclusão dessa área para fins de apuração da base tributável do ITR. As propriedades privadas inseridas em uma área de interesse ecológico podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições impostas pelo órgão ambiental gestor. Daí decorre a necessidade do reconhecimento específico do poder público, ou seja, em que zona ecológica e econômica se insere a propriedade (ou frações desta). Portanto, é necessária a expedição de ato específico do Poder Público declarando a área ambiental do imóvel em particular, na forma da alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei 9.393/1996, o que não ocorreu no presente caso. Sobre a exigência relativa ao Ato Declaratório Ambiental, impende registrar que o art. 17O da Lei nº 10.165/2000 tornou obrigatória a apresentação do ADA, para fins de redução do valor a pagar do ITR. Vejase: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10240.720158/200713 Acórdão n.º 2201002.320 S2C2T1 Fl. 4 5 Do exposto, verificase que para a exclusão da tributação sobre as áreas preservacionistas, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Portanto, apenas depois de cumprida a obrigação legal prévia, qual seja, a entrega do ADA, é que o contribuinte poderá se beneficiar da isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. No caso dos autos, a contribuinte protocolou em 17 de fevereiro de 2005 no IBAMA/RO, o ADA informando a área total de 34.119,5 ha, contemplando uma área de preservação permanente de apenas 10.235,0 ha, além de uma área de interesse ecológico de 22.324,5 ha (aceita pela fiscalização), portanto, o Ato Declaratório Ambiental entregue pela recorrente não abrange o restante das áreas do imóvel. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 220101.444, de 18 de janeiro de 2012, manter a decisão original, enfrentando a única matéria que efetivamente constou no Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 194DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003880/2007-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO AO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA.
Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão.
Numero da decisão: 1802-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO AO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11610.003880/2007-99
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5339417
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.112
nome_arquivo_s : Decisao_11610003880200799.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 11610003880200799_5339417.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5392261
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593230340096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.003880/200799 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.112 – 2ª Turma Especial Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente CARLOS MARINS PRODUÇÕES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO AO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 38 80 /2 00 7- 99 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.003880/200799 Acórdão n.º 1802002.112 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Trata o presente processo de exclusão do Simples a partir de 1º/01/2002, em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n° 478.605, expedido em 07/08/2003 com efeitos retroativos, que considerou a prática de atividade econômica vedada relacionada ao CNAEFiscal 9211899 (outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeos). Por economia processual passo a adotar o relatório da DRJ em São Paulo, in verbis: “Trata o presente processo, formalizado em 03/05/2007, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n° 478.605, tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ) relacionada ao CNAEFiscal 9211899 (Outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeos), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 22/08/2000 (a interessada optou pelo regime simplificado na data de sua constituição, em 09/04/1997 fls. 9 e 38). 2. A fundamentação legal foi amparada nos artigos 9º, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3º , da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 250, de 26/11/2002. 3. Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 4. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fl. 22), inicialmente a interessada apresentou, em 19/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS fl. 14), com a alegação de que a empresa executa trabalhos acessórios de produção de filmes e vídeos, conforme seu objeto social, e não o filme ou vídeo final, que é de responsabilidade de produtora. 5. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado cm 05/04/2007, nos seguintes e exatos termos (fl. 26): EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação são incapazes de demonstrar que a CNAE informada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica não correspondia à atividade mencionada nos estatutos sociais/exercida, atividade esta que indicava vedação à opção pelo Simples. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.003880/200799 Acórdão n.º 1802002.112 S1TE02 Fl. 38 3 6. Cientificada do indeferimento em 19/04/2007 (fl. 27 verso), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho denegatorio em 03/05/2007 (razões à fl. 1 e anexos às fls. 2 a 13). Alega, em síntese, que: 6.1. A contribuinte nunca exerceu a atividade de produtor de espetáculos, nem mesmo possui estúdio, pois sua atividade cingese a serviços fotográficos, "eram serviços externos, prestados diretamente dentro das empresas." 6.2. Somente em 01/01/2005 a empresa passou a prestar atividade impeditiva ao Simples, com entrega de Declarações e recolhimentos no regime do Lucro Presumido. 6.3. A defendente requer a inclusão na sistemática simplificada no período de 09/04/1997 (data de opção ao Simples) a 31/12/2004, período em que operou com atividade permitida ao regime em questão, e sua exclusão a partir de 01/01/2005. 6.4. A anuência por parte da RFB em relação à opção pelo Simples não ensejaria a exclusão com efeitos retroativos, tendo em vista que a recorrente vem cumprindo com as exigências da Lei n° 9.317/1996 desde a opção ao regime simplificado. A DRJ de São Paulo em 22 de dezembro de 2010 julgou improcedente a manifestação de inconformidade consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PRODUTOR DE FILMES. VEDAÇÃO Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo Simples até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio” Inconformada com essa decisão a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 58 e 59, onde alega em apartada síntese que: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.003880/200799 Acórdão n.º 1802002.112 S1TE02 Fl. 39 4 a) sua atividade compreendia a prestação de serviços fotográficos para as empresas, embora o seu CNAE apresentasse atividade relacionada com produção de filmes e fitas de vídeo; b) por não existir informações relevantes para demonstrar a real atividade exercida pela Autoracontribuinte, a decisão sobre a sua exclusão do Simples foi mantida; c) que o presente processo administrativo, perdeu seu objeto principal, ou seja, a reinclusão no sistema do Simples Nacional, eis que foi dado baixa da empresa no CNPJ/MF em 15/08/2007. Este é o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.003880/200799 Acórdão n.º 1802002.112 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme informado tratase de processo onde a Recorrente através de uma manifestação de inconformidade buscou anular a decisão DERAT/SPO nº 478.605 que a excluiu do SIMPLES. A Declaração de Firma Individual da Recorrente, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 09/04/1997, tendo como titular o publicitário Carlos Marin (CPF 032.299.96852), consigna que a empresa tem por objeto social comércio, distribuição de fitas para vídeo, produção de filmes e películas cinematográficas de curta ou longa metragem (fl. 19). A Lei n° 9.317/1996 em seu art. 9º , inciso XIII assim prevê: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida; (Grifos acrescentados) Nesse sentido já se manifestou o Conselho de Contribuintes através do Acórdão n° 30132.532, prolatado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 23/02/2006: SIMPLES. EXCLUSÃO. VEDAÇÃO À OPÇÃO. PRODUÇÃO DE FILMES. A pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinemalográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11610.003880/200799 Acórdão n.º 1802002.112 S1TE02 Fl. 41 6 Apesar de ter firmado essa declaração e alegar que nunca praticou quaisquer das atividades vedadas ao SIMPLES, não trouxe qualquer prova que fundamentasse o fato de que não praticava essas atividades, seja através de contratos de prestação de serviços, notas fiscais ou qualquer outro instrumento. Vale ressaltar que nesse caso não se trata de prova impossível ou que dependesse de terceiros, mas cabível a própria contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o ato administrativo que excluiu a empresa do SIMPLES com efeitos retroativos a 01/01/2002. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910033/2011-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.910033/2011-04
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5345248
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.412
nome_arquivo_s : Decisao_10882910033201104.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10882910033201104_5345248.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5430939
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593242923008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.910033/201104 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.412 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS/PASEP Recorrente BENSPAR S A (INCORPORADA POR YARA BRASIL FERTILIZANTES S. A. CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 33 /2 01 1- 04 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de PIS/PASEP, relativo ao período de apuração julho de 2001, no valor de R$ 813,56. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910033/201104 Acórdão n.º 3803005.412 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910033/201104 Acórdão n.º 3803005.412 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000087/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.440
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em anular a decisão de primeira instância.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15983.000087/2008-31
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348041
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-000.440
nome_arquivo_s : Decisao_15983000087200831.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 15983000087200831_5348041.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em anular a decisão de primeira instância. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5455902
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593248165888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 3.454 1 3.453 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000087/200831 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.440 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente EXECUTIVA TRANSPORTES URBANSO S/A e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em anular a decisão de primeira instância. MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda e Wilson Antonio de Souza Corrêa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 00 08 7/ 20 08 -3 1 Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.000087/200831 Resolução nº 2301000.440 S2C3T1 Fl. 3.455 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal Previdenciária — AIOP lavrada contra a Recorrente, e se refere a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT). Os créditos tributários foram apurados a partir de informações constantes nos sistemas informatizados da Previdência Social, provenientes de declarações da própria Recorrente, prestadas em conformidade com os dados da sua folha de pagamentos, através de GFIP — Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Entendeu a Fiscalização a existência de um "grupo de empresas", formada por 35 empresas, sob direção, controle e administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, onde a empresa Áurea seria a gestora ou mentora comandante. Junta a Fiscalização alteração contratual, onde uma empresa retirouse da sociedade de uma sociedade, permanecendo na empresa outra empresa como única cotista até a recomposição da pluralidade de sócios e, ato contínuo, houve deliberação de transformação do tipo jurídico da sociedade, de sociedade limitada para sociedade por ações, com a sócia remanescente, como acionista única, a totalidade das ações ordinárias emitidas. Segundo a Fiscalização houve entrada e saída de sócios de uma mesma família nas empresas, bem como alteração de endereço de uma das empresas. As diligências empreendidas pela Fiscalização da RFB na Junta Comercial do Estado de São Paulo levaram à constatação de que a alteração societária da empresa Executiva referente à transformação do tipo jurídico para o de "sociedade por ações" foi averbada naquele órgão de registro sem que houvesse a observância da determinação legal insculpida no artigo 47, inciso I, alínea "d" da Lei 8.212/91, que exige prova de Certidão Negativa de Débitos Previdenciários para proceder tal averbação. Constatada a irregularidade deste procedimento, a Procuradoria da JUCESP, conforme comunicado no Oficio OF/GP/N°431/2007 de 16.11.2007, solicitou a revisão do referido ato, visando o cancelamento do mesmo. Em diligencia efetuada junto ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Santos, cujo quadro associativo é formado na maioria por trabalhadores que foram empregados da empresa Executiva e/ou que hoje são da Viação Piracicabana, a Fiscalização foi informada que a Executiva atuou como permissionária do serviço público por cerca de 10 anos, operando com exclusividade as linhas do transporte coletivo no Município de Santos, até que, em meados de 2006, a titularidade dos referidos serviços foi transferida para a Viação Piracicabana, que teria assumido, ao menos nas homologações e acordos promovidos pelo Sindicato (inclusive em Comissão de Conciliação Prévia coordenada pelo mesmo), as responsabilidades de natureza trabalhista relativas ao período de sua antecessora. Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.000087/200831 Resolução nº 2301000.440 S2C3T1 Fl. 3.456 3 Corroboram essas informações os dados obtidos junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho CAGED e ao Cadastro Nacional de Informações Sociais, que registram a transferência, entre 04/2006 a 07/2006, da totalidade dos empregados que estavam lotadas nos estabelecimentos onde funcionavam as bases operacionais da empresa nas cidades de Santos e Praia Grande filiais de CNPJ 0004 e 0005 respectivamente para a Viação Piracicabana, sem solução da continuidade de seus contratos de trabalho. Encontrase as fls. 96/103 quadro discriminativo com as empresas identificadas como integrantes do Grupo Econômico Áurea do qual faz parte a empresa auditada, sendo que os dados nela contidos foram obtidos a partir da situação cadastral das mesmas na Receita Federal e da Junta Comercial do Estado de São Paulo. Noticiadas do lançamento, apressaramse em impugnar, com suas razões, cujas quais foram parcialmente procedente, tão somente para determinar parte do lançamento decadente. A DRJ considerou que, face ao lançamento realizado em 27/12/2007, diante de novel legislação, quanto a decadência, os créditos relativos as competências do ano 2000 e 2001 encontramse decaídos, por qualquer das regras, e, face a recolhimento parcial, então aplicandoselhe o 150, §4° do C'TN, encontramse decaídos as competências de 2002, até novembro, sendo que de dezembro de 2002 em diante não se encontram fulminadas pela decadência. Tempestivamente aviaram seus Recursos Voluntários, onde, argúem: i) nulidade do título em questão, por conta de emissão do mesmo antes da constituição do crédito previdenciário; ii) da inexistência "ab ovo" da Relação Jurídica Tributária; iii) dos princípios que vinculam o processo administrativo previdenciário; iv) dos vícios e nulidades do oficio e das notificação fiscal de lançamento de débito, v) incidentes de nulidade absoluta violação dos artigos 10, e 59, do Decreto no. 70.235/1972; vi) nulidade do pressuposto de existência e validade do procedimento fiscal Portaria da RFB 4.066, de 02 de Maio de 2007; vii) erro na sujeição passiva do devedor principal da obrigação tributária; viii) ausência de elementos lastreados como existentes nos autos GFIP'S; É a síntese do necessário. Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.000087/200831 Resolução nº 2301000.440 S2C3T1 Fl. 3.457 4 VOTO Conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa Relator Os presentes Recursos Voluntário acodem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, deles conheço. Senhor Presidente, antes de adentrarmos no mérito da questão, urge dizer que o presente processo retorne à instância ‘a quo’, para que esta recorra de ofício, eis que a decisão de piso considerou procedente em parte a impugnação, donde do crédito decaiu mais de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). “Ex vi” Portaria MF n° 03 de 03 de janeiro de 2008. Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA , no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 , e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 , com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007 , resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. GUIDO MANTEGA Assim, os autos do processo deverão retornar à DRJ de origem para que esta providencie o recurso de ofício e intime os contribuintes envolvidos para que estes apresentem contraminuta de recurso de ofício, se desejarem, em seguida, venham os autos para julgamento de ambos os recursos (ofício e os voluntários) para este julgador. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, converto em diligência para instância ‘a quo’, para que esta providencie o Recurso de Ofício, eis que do julgamento houve procedência em parte da impugnação, donde do crédito previdenciário decaiu mais de R$ 1.000.000,00 ( um milhão de reais), impondo o imperioso recurso de ofício. Após, encaminhe aos Contribuintes para que providenciem a contraminuta do recurso de ofício, se desejarem, em seguida retorne os autos para este Conselheiro para analise e novo julgamento. Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.000087/200831 Resolução nº 2301000.440 S2C3T1 Fl. 3.458 5 (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Corrêa Relator Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.912968/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13839.912968/2009-16
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348074
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.729
nome_arquivo_s : Decisao_13839912968200916.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 13839912968200916_5348074.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5457268
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593320517632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 246 1 245 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.912968/200916 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.729 – 1ª Turma Especial Data 24 de abril de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 96 8/ 20 09 -1 6 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 247 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 20/09/2006 a 20/09/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 248 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 249 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 20/09/2006, no valor histórico de R$ 80.080,38, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo de PISImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PISImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 250 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 251 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 252 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 253 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912968/200916 Resolução nº 3801000.729 S3TE01 Fl. 254 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
