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Numero do processo: 11020.003966/2005-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se na data da ocorrência do fato gerador.
INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
Recurso Especial Provido do Contribuinte
Numero da decisão: 9101-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e João Carlos de Lima Junior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Participou do julgamento o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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DECADÊNCIA Recorrente MARCOPOLO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Recurso Especial Provido do Contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e João Carlos de Lima Junior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Participou do julgamento o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 66 /2 00 5- 08 Fl. 7144DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 3 2 Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Fl. 7145DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório A recorrente, irresignada com o decidido no acórdão nº 10517.083, apresentou recurso especial (fls. 6.686/6.724) para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sustenta a recorrente que a decisão sob exame teria divergido do entendimento manifestado por outras turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em relação a diversas matérias. Por meio do Despacho 191/2010, o Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção negou seguimento ao recurso especial apresentado pela recorrente. Posteriormente, o Despacho nº 191R/2010, da lavra do Presidente da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, confirmou o despacho anterior. Inconformada com o exame de admissibilidade do recurso, a recorrente ingressou com mandado de segurança (001142558.2011.4.01.3400) na Justiça Federal do Distrito Federal, no qual pleiteia o conhecimento do recurso especial. A recorrente obteve decisão favorável no sentido de determinar o conhecimento do recurso especial em relação à contagem do prazo decadencial para o lançamento do auto de infração. Em suas contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional, insiste na delimitação da discussão e sobre a necessidade de se analisar apenas a questão da decadência e não os demais aspectos da autuação, como por exemplo, fatos, provas e presunções relacionadas à simulação. É o que importa relatar. Fl. 7146DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator. O Recurso Especial do Contribuinte deve ser conhecimento quanto à decadência, quer por ser matéria de ordem pública, quer em face à decisão judicial cuja cópia consta dos autos que determinou a subida do recurso. Tratase de crédito tributário correspondente ao anocalendário de 1999, notificado à recorrente em 22/12/2005, sendo que em ocasião anterior, quando examinados os mesmos fatos, só que em relação a outro anocalendário, esta Turma entendeu pela inexistência de situação capaz de caracterizar a multa qualificada. O recurso especial é tempestivo e preenche os demais requisitos regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase do exame de questão relativa à decadência e ao direito do Fisco de lançar tributos. Daí porque o exame da questão merece maior cuidado do julgador tendo em vista que violaria a legalidade manter a cobrança de crédito tributário se o direito do Fisco já se encontrar definitivamente extinto e fulminado pela decadência, consoante prevê expressamente o artigo 156, V, do CTN. Como ensina o Prof. Eurico Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição são mecanismos para absorção de incertezas, são limites impostos pelo próprio ordenamento à positivação do direito (...). A decadência do direito do Fisco corresponde à perda da competência administrativa do Fisco para efetuar o ato de lançamento tributário (...). (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 4ª ed, 2011, p. 236). De início cumpre lembrar que mesmo na via especial, quando se tratar de questão de ordem pública prejudicial e de direito, em respeito ao princípio da legalidade, é necessário que o julgador, em qualquer instância, tribunal ou fase processual, proceda à análise dessa questão, até mesmo de ofício, caso não seja argüida pela parte. É como deve ser vista a apreciação relativa ao prazo decadencial tendo em vista que se trata de matéria ordem pública. Destacase, neste sentido, recentes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: “DECADÊNCIA. EXAME EX OFFICIO. GRAU DE JURISDIÇÃO. As matérias tratadas pelos incisos IV, V e VI do art. 267 do Código de Processo Civil (CPC) são de ordem pública e podem ser examinadas ex officio e a qualquer tempo ou grau de jurisdição. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma. Acórdão 920201.395. Julgado em 12/04/2011). ADE NULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO Fl. 7147DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 6 5 PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS. O Ato Declaratório que exclui o contribuinte do Simples, com base em existência de pendências perante a PGNF, sem especificar quais sejam, encontrase maculado de nulidade. Matéria, esta, de ordem pública, que pode ser conhecida de ofício em sede de julgamento de recurso especial. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Acórdão nº 9101 001.079. Julgado em 28/06/2011) No mesmo sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150, § 4º E 173 DO CTN). NULIDADE ABSOLUTA. CONHECIMENTO EX OFFICIO LIMITES DO RECURSO ESPECIAL. 1. O prequestionamento é exigência indispensável ao conhecimento do recurso especial, fora do qual não se pode reconhecer sequer as nulidades absolutas. 2. A mais recente posição doutrinária admite sejam reconhecidas nulidades absolutas ex officio, por ser matéria de ordem pública. Assim, se ultrapassado o juízo de conhecimento, por outros fundamentos, abrese a via do especial (Súmula 456/STF). 3. Hipótese em que se conheceu do recurso especial por violação do art. 161 do CTN, ensejando no seu julgamento o reconhecimento ex officio da decadência. 4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Hipótese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Crédito tributário fulminado pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. 7. O julgamento do recurso especial com observância às regras técnicas que lhe são inerentes não importa em negativa de prestação jurisdicional, supressão de instância ou contrariedade a qualquer dispositivo constitucional, inclusive aos princípios do devido processo legal, ampla defesa ou contraditório. Fl. 7148DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 7 6 8. Agravo regimental provido para prover em parte o recurso especial e reconhecer, de ofício, a decadência. (AgRg no AI nº 939.714. Relatora Min. Eliana Calmon. DJ: 12/02/2008).” Portanto, apesar de o caso examinado estar neste órgão julgador assegurado por medida judicial, nada obsta que, por dever de ofício e em cumprimento à legalidade, ele seja examinado para fins de apreciação da decadência, independentemente de haver medida judicial uma vez que a decadência é fator de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional. Ressaltese que a decadência é a matéria objeto do recurso especial e foi prequestionada desde o início pela recorrente. Daí porque, como bem colocado na citada decisão do STJ, AgRg no AI nº 939.714, Min. Eliana Calmon, estando o recurso especial submetido à apreciação do órgão julgador, a decadência deverá ser examinada em todos os seus aspectos para que possa identificar se ocorreu ou não a extinção do direito de Fisco de constituir o crédito tributário. Porém, o marco decadencial não é único, de acordo com a lei e a jurisprudência do STJ em recurso repetitivo, daí porque, somente se pode decidir a questão diante do caso concreto o que passa, necessariamente, pelo exame de aspectos, tais como: a) forma de lançamento: homologação ou não; b) existência ou não de pagamento; e c) ocorrência de fraude, dolo ou simulação; d) existência de medida preparatória para o lançamento. Neste sentido, é a opinião do Ministro Fux, no Recurso Repetitivo nº 973.733, quando leciona: “Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).” Ressaltese que, no presente julgamento, não se pretende rever os critérios da decisão já proferida, até porque não existe tal possibilidade nesta instância. Porém, em respeito à legalidade, por se tratar de hipótese de extinção de crédito tributário, somente haverá o crédito tributário se ele ainda não tiver sido alcançado pela decadência. Portanto, mesmo no restrito exame de qual o correto prazo decadencial a ser adotado para o caso, fazse necessário identificar qual a hipótese legal a ser aplicada aos fatos, para que se dê a correta aplicação do direito. Não se pode saber qual a regra jurídica aplicável para determinada situação, sem antes analisar os aspectos envolvidos que irão contextualizar a aplicação da regra abstrata ao caso concreto. Fl. 7149DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 8 7 No exame do presente caso, existe uma premissa inafastável que deverá ser observado pelo colegiado. É que, em 21/12/2010, foi editada a Portaria n. 586/2010, pela qual foi alterado o regimento interno desta Corte Administrativa para, entre outras providências, determinar que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (RI/CARF, art. 62A). Deste modo, os parâmetros sob os quais deverá decidir o colegiado, são aqueles colocados no Recurso Repetitivo do STJ nº 973.733. Assim, para que seja aplicada a lei que rege o prazo decadencial, em consonância com a jurisprudência, antes de se adotar uma posição é necessário que sejam examinadas questões cuja resposta irá se refletir na decisão a ser tomada, como a seguir se expõe as premissas sobre as quais se fundará o julgamento. a) Qual forma de lançamento do tributo? O Código Tributário Nacional não tratou, igualitariamente, dos marcos e das formas de fluência do prazo decadencial para todos os tributos. O art. 150, parágrafo 4º, por exemplo, prevê um marco decadencial específico para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sendo assim, para que se possa analisar adequadamente quais regras jurídicas aplicáveis ao caso, é fundamental o exame da forma de lançamento do tributo em questão. No caso, conforme pode ser observado no termo de verificação fiscal e demais documentos juntados aos autos, é inquestionável que os tributos estão sujeitos ao lançamento por homologação. Portanto, firmada a primeira questão de fato prejudicial ao exame da decadência, qual seja: os tributos estão sujeitos ao lançamento por homologação. b) Houve antecipação do pagamento? Após a constatação da hipótese de lançamento por homologação, surge a necessidade de verificação ou não da ocorrência de pagamento antecipado, ainda que parcial, no período objeto do auto de infração. Este Conselho tinha entendimento pacificado no sentido de que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da realização (ou não) de pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Contudo, tendo em vista o art 62A do RICARF, o decidido no Recurso Repetitivo, impõese, neste caso, a observância do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do Fl. 7150DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 9 8 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos de evidente intuito de fraude ou simulação e quando não há medida preparatória do lançamento em período anterior ao início da contagem do prazo decadencial. Com isso, para o correto exame da decadência no caso concreto, fazse necessário verificar se houve pagamento antecipado efetuado pela recorrente no período fiscalizado. Pois bem, a partir do exame do auto de infração e termo de verificação fiscal, assim como as declarações e Darf’s do período, verificase que o lançamento em apreço corresponde a diferenças de receitas já declaradas e pagas pela contribuinte. Desta feita, é incontroverso que a recorrente efetuou pagamento antecipado relativo às receitas declaradas e correspondentes ao período fiscalizado. Assim, firmada a segunda questão de fato prejudicial ao exame da decadência, qual seja: houve declaração e pagamento antecipado relativo ao período fiscalizado. c) Houve dolo, fraude ou simulação? Verificado que os tributos estão sujeito ao lançamento por homologação, assim como houve pagamento antecipado no período fiscalizado, restanos saber se, no caso, estão presentes as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Cumpre ressaltar que, ao contrário do afirmado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, o exame da ocorrência ou não de dolo, fraude ou simulação não está albergado pela preclusão. Na verdade, como bem destacou a conselheira Susy Gomes Hoffamn, na sua declaração de voto constante dos acórdãos que decidiram os demais processos relativos a esta mesma operação, no recurso especial não pode o colegiado “declinarse sobre o conjunto probatório presente nos autos, a fim de avaliálo e constatar se determinado fato encontrase ou não comprovado”, pois, segundo ela, a CSRF é “campo de discussão de questões jurídicas, de direito”. Porém, prossegue aquela ilustre conselheira, “Outro o cenário, contudo, em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face do narrado no acórdão recorrido, e nele tido por comprovado ou não, emite um juízo jurídico diverso daquele emitido pelo órgão a quo, mas desde que sobre as mesmas premissas fáticas. Neste caso, não se tem propriamente um reexame do material de conhecimento (dos fatos e provas), mas sim uma reavaliação jurídica daqueles fatos já explicitados no Acórdão recorrido.” Não se discute aqui o reexame das operações ou das provas que deram ensejo à autuação, mas apenas vai se identificar se na hipótese existe algum com dolo, fraude ou simulação. Tudo em estreita consonância com o também já decidido pelo STJ, como citado também pela Conselheira Susy Gomes Hoffamn: Fl. 7151DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 10 9 “PENAL. RECURSO ESPECIAL. ART. 168ª DO CÓDIGO PENAL. REEXAME E REVALORAÇÃO DE PROVAS. SÚMULA Nº 07/STJ. I A revaloração da prova ou de dados explicitamente admitidos e delineados no decisório recorrido não implica no vedado reexame do material de conhecimento (Precedentes). II Não se conhece de recurso especial que, para o seu objetivo, exige o reexame da quaestio facti (Súmula nº 7 STJ). Recurso não conhecido. (REsp 683702/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 01/03/2005, DJ 02/05/2005, p. 400)” Adentrando no caso, especificamente, inicialmente, é importante trazer a baila a observação da autoridade fiscal (fl. 20): “DELIMITAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE VENDA AO EXTERIOR SOB ANÁLISE 10. As operações de Venda ao Exterior objeto de nossas análises limitaramse às relacionadas na tabela por nós elaborada, denominada de PLANILHA DO FISCO (folhas 63 a 68). Esta informação foi gerada com base nas vendas registradas no período de janeiro de 1999 a dezembro de 1999, relacionadas com o planejamento já citado, oficialmente, informadas pelo contribuinte na tabela denominada de PLANILHA DO CONTRIBUINTE (folhas 69 a 78), a qual encontrase devidamente assinada pelos responsáveis legais da empresa. 11. Apesar de, nesta auditoria tributária, termos trabalhado apenas o ano de 1999, para evitar a decadência relativa aos fatos geradores decorrentes das operações, nos demais anos subseqüentes tais operações se repetem. A constituição do crédito tributário vinculado às operações ocorridas nestes anos será oportunamente realizada..” Ou seja, apesar de tratar cada período em um processo específico, a fiscalização entende que a infração ocorreu da mesma maneira uniforme para todos os períodos subseqüentes. Com isso, considerouse, no presente caso, uma hipótese de infração continuada que, por questões meramente administrativas, permitiu o desmembramento dos mesmos fatos em vários processos. A questão da existência ou não do dolo em relação à infração que foi considerada como continuada pela fiscalização, já foi objeto de exame e decisão deste Colegiado que, para os períodos subseqüentes, firmou posicionamento no sentido de inocorrência de dolo, fraude ou simulação nas operações praticadas pela Recorrente, conforme pode ser observado adiante: Fl. 7152DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 11 10 “INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF. Acórdão 910101.402. Sessão de 17/07/2012) INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF. Acórdão 910101.403. Sessão de 17/07/2012) INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF. Acórdão 910101.404. Sessão de 17/07/2012).” Vêse, assim, que este mesmo Colegiado já decidiu pela inexistência de dolo com relação a toda a operação uma vez que, repitase, todos os processos têm como base os mesmos fatos e provas, tendo havida uma mera divisão em processos diferentes por uma simples questão procedimental. No caso deste processo, igualmente a todos os demais e decorrente da mesma operação, imputase à recorrente uma suposta omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964. No entanto, em nenhum momento, houve a demonstração da evidente intenção fraudulenta da contribuinte como exige a lei. Fl. 7153DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 12 11 E mais, a partir do exame do conjunto probatório presente nos autos, o colegiado já chegou à conclusão e decidiu que a recorrente não impediu ou ocultou o conhecimento dos fatos para a fiscalização, pelo contrário, como afirmado pela própria autoridade fiscal, foi a partir das informações, documentos e declarações da empresa que foi possível se apurar os fatos autuados. Aliás, somente foi possível o exame detalhado da operação, por parte da fiscalização, porque a recorrente detinha todas as informações formalizadas em instrumentos públicos e particulares, bem como registros contábeis e financeiros colocados à disposição e que foram entregues ao Fisco. Ainda tomando emprestado as palavras da Conselheira Susy Gomes Hoffamann, “Pois bem, no presente caso, é de se fixar se a pretensão recursal da Fazenda envolve a revaloração jurídica da prova ou se demanda uma verdadeira reincursão no material probatório. Pareceme que, no caso, só é possível analisar o recurso sob a ótica da revaloração jurídica da prova, apesar de a pretensão da Recorrente ser o de uma verdadeira reincursão no material probatório.” “Não nos cabe, aqui, mergulhar na análise das provas constantes dos autos, pois que isto constituiria o indevido reexame probatório. Cabenos apenas considerar aqueles dados retratados no acórdão recorrido. Caso contrário, este órgão julgador estaria a analisar um eventual “julgamento errôneo da prova” (error facti judicando), o que, nos termos do acima exposto, não é cabível em sede de recurso especial.” No caso, salta aos olhos que não se está fazendo um reexame de provas ou examinando qualquer outra questão já decidida no acórdão recorrido, mas, este colegiado está procedendo ao exame material da questão objeto de recurso, ou seja, qual o início da contagem do prazo decadencial se de acordo com o art 150, § 4º, ou de acordo com o art 173 do CTN. Vale ressaltar que o colegiado para decidir examinando os elementos do processo considerou que estava comprovado a realização das operações e que não havia qualquer simulação ou fraude tendo em vista que, além da recorrente haver fornecido todos os elementos e entregues as declarações para a autoridade fiscal, ela obedeceu às leis que existem para alcançar planejamentos tributários como a lei dos preços de transferência e a tributação dos lucros do exterior com relação a operações entre coligadas e controladas. Por outro lado, ainda que se considere que a recorrente, in casu, teria planejado irregularmente suas operações, a partir do decidido nos demais processos, concluise que não se pode atribuir à contribuinte qualquer intuito doloso de evadir receitas tributárias, especialmente porque, como já mencionado, todas as operações questionadas sempre foram levadas ao conhecimento fiscal, por meio de declarações fiscais, demonstrações financeiras, registros aduaneiros, dentre outros documentos, e que por anos e anos jamais foram questionadas pelas autoridades fiscais. Então, se a conclusão é de que a operação foi feita às claras e não houve intuito doloso como neste processo, inclusive porque foram obedecidas todas as leis vigentes Fl. 7154DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 13 12 que existem para coibir planejamentos tributários, não é possível decidir de forma diversa para este caso do que foi decidido nos outros processos. Não se pode qualificar a mesma operação como um ato simulado, fraudulento e doloso, para fins de contagem do prazo decadencial em um processo e considerála como verdadeira e legítima em outros casos. Logo, não é possível considerar a existência de simulação, dolo ou fraude em vários períodos e considerar a conduta da recorrente como dolosa, para fins de aplicação do termo inicial para fluência do prazo decadencial. Sendo assim, sem necessidade de se examinar ou rever provas, apenas a partir da simples leitura os julgamentos deste Colegiado, ou seja, apenas a partir da materialidade jurídica que é questão de direito e, independentemente do exame do mérito das operações, não há como considerar a ocorrência de dolo fraude ou simulação na operação em comento, seja por ausência de provas da fraude, seja pelo forte conjunto probatório que indica a boafé da recorrente em declarar todos os fatos e prestar todas as informações cabíveis ao fisco. Portanto, resta firmada a terceira e última questão prejudicial ao exame da decadência, qual seja: no caso, como já decidido nos demais, não se pode dizer que houve conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. De tudo que aqui foi dito já se pode antecipar que não havendo dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar de acordo com o art 150, § 4º do CTN. Mas, por qualquer ótica que se analise o caso, ainda assim podese concluir que no caso, no momento do lançamento, já se encontra extinto o direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Como se demonstra a seguir. d) Existência de medida preparatória ao lançamento (parágrafo único do art. 173 do CTN) O Código Tributário Nacional, ao tratar dos marcos temporais para verificação da decadência, dispôs no parágrafo único do art. 173 que também haveria fluência do prazo decadencial após o transcurso do prazo de cinco anos da ciência, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 7155DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 14 13 Porém, apesar da truncada redação, o parágrafo único não constitui uma hipótese autônoma de regra decadencial, mas tão somente uma hipótese de antecipação dos prazos previstos nos incisos anteriores. Ou seja, ocorrendo a ciência, por parte do contribuinte, de medidas preparatórias indispensáveis à constituição do crédito tributário antes do início da fluência do prazo decadencial, o prazo deve ser antecipado. Destacase, neste sentido, o trecho do voto apresentado pelo ilustre conselheiro Dr. Marcos Aurélio Valadão no acórdão nº 9303002.179: “O parágrafo único do art. 173 do CTN deve ser interpretado no contexto do artigo e não como uma norma isolada. Assim, se em um caso concreto, antes do início do prazo a que se refere o inço I do art. 173 ocorrer uma notificação (e.g., ciência do MPF), o prazo, nesse caso mais favorável ao contribuinte, começa a correr da ciência e não do 1º dia do exercício seguinte (menos favorável ao contribuinte, pois resultaria em um prazo de decadência mais longo). O parágrafo único é uma exceção ao inciso I do art. 173 e não um dispositivo autônomo. Os dois marcos temporais do art. 173, expressos em seu inciso I e parágrafo único, não são isolados, mas concorrentes, i.e., o que acontecer primeiro, prevalece. Qualquer outra lógica interpretativa levaria a reconhecer a existência da interrupção do prazo decadencial, o que não é admissível no sistema do CTN.” Daí porque a verificação da existência ou não de medida preparatória é relevante para a correta identificação do prazo decadencial. Por outro lado, em função do disposto no Recurso Especial nº 973.733, cumpre estabelecer qual declaração, no âmbito da legislação tributária federal, possui os mesmos efeitos jurídicos de um ato preparatório ao lançamento, capaz de antecipar a fluência dos prazos decadenciais previstos no art. 173 do Código Tributário Nacional. Por tratar inteiramente da questão, pedese licença para transcrever parte do voto da ilustre Conselheira Dra. Maria Teresa Martinez Lopez, proferido no acórdão nº 9900 000.334 e acompanhado pelos membros do Pleno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Em se tratando da aplicação do artigo 173, o termo inicial da contagem (dies a quo) é distinto dependendo se há ou não medida preparatória para o lançamento. É o que se depreende do item 01 da ementa do Recurso Representativo de Controvérsia, no qual se afirma que o prazo decadencial conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: ‘nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito’ Fl. 7156DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 15 14 Ou seja, para a aplicação do dies a quo previsto no inciso I do artigo 173, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) é necessário que: (i) se trate de lançamento por homologação (obrigação de pagamento antecipado); (ii) inexistência de antecipação de pagamento; (iii) inexistência das figuras de: dolo, fraude ou simulação; e (iv) inexistência de declaração parcial prévia do débito (vale dizer, não há medida preparatória para o lançamento). Entendeseque declaração prévia é a declaração insuficiente (parcial), uma vez que, se a declaração fosse integral, estarseia enfrentado prazo prescricional e não prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Enquanto instrumento de constituição do crédito tributário, a declaração prévia parcial enquadrase no conceito de medida preparatória ao lançamento, constante no parágrafo único do artigo 173 e a que alude o Recurso Representativo de Controvérsia.” Logo, no âmbito da legislação tributária federal, as declarações que não possuem o condão de constituir o crédito tributário, como por exemplo, a DIPJ ou a despeito de constituir não foram preenchidas na sua integralidade (parcial), nos termos do parágrafo único do art. 173 do CTN, são hipóteses de antecipação do prazo decadencial, uma vez que, com a apresentação das mesmas o Fisco já toma conhecimento de elementos suficientes para fazer valer o seu legítimo direito de iniciar a fiscalização e o controle do cumprimento das obrigações tributárias por parte dos contribuintes. Salientese que, mesmo em momento anterior ao Recurso Representativo do Superior Tribunal de Justiça, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já havia pacificado o entendimento no sentido que a apresentação de declaração em período posterior ao fato gerador do tributo antecipa o início da fluência do prazo decadencial para o dia da entrega da declaração: “DECADÊNCIA IRPJ A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o inicio da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 1731 e § único do CTN). (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Acórdão CSRF/0105.751. Julgado em 03/12/2007) Fl. 7157DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 16 15 DECADÊNCIA IRPJ A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o inicio da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 1731 e § único do CTN). (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Acórdão CSRF/0105.689. Julgado em 12/06/2007).” Por isso, devese verificar, no caso concreto, a existência de qualquer fato que possa, em tese, antecipar a fluência do prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. Pois bem, compulsando os autos, verificase a existência de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, apresentada no dia 30/06/2000 (fls. 843920), bem como apresentou DCTF para o respectivo período. Analisadas as questões prejudiciais atinentes ao exame de qual o marco normativo adequado para o exame da decadência, passase a examinar o tema a luz das premissas traçadas. Em vista de referida regra regimental, impõese a observância in casu do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 7158DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 17 16 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC (2007/01769940), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184).” No que interessa ao presente julgamento, o acórdão acima, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, pacificou o seguinte entendimento, verbis: Fl. 7159DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 18 17 “(i) o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito;” Entendimento que, aliás, já foi pacificado pelo Plenário do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 150 do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Negado.(Pleno CARF. Acórdão nº 9900000.271.Sessão de 07/12/2011) DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Constatada inexistência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Negado. (Pleno CARF. Acórdão nº 9900000.269.Sessão de 07/12/2011).” No caso, houve o recolhimento antecipado dos tributos devidos nas mesmas que são do mesmo tipo daqueles lançados nos autos de infração, IRPJ e CSLL, bem assim conforme tudo que já foi detalhado acima não há como considerar a existência de fraude, dolo ou simulação, o que reclama a aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Fl. 7160DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 19 18 Ademais, os tributos lançados são referentes ao anocalendário de 1999, cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/1999 e a ciência do lançamento de ofício ocorreu em 22/12/2005. Por outro lado, ainda que se considere a impossibilidade de aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, o crédito tributário, igualmente, encontrase fulminado pela decadência. Como visto, a recorrente apresentou DIPJ e DCTF após a ocorrência do fato gerador dos tributos em apreço, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse antecipado para o dia da entrega da respectiva declaração, nos termos do parágrafo único do art. 173, que, de fato, ocorreu em junho de 2000. Portanto, consideradas (i) as disposições Regimentais do CARF; (ii) a data de ocorrência do fato gerador do tributo; (iii) a data de ciência do lançamento; e (iv) a existência de recolhimento antecipado do tributo; (v) ausência de fraude, dolo ou simulação; (vi) existência de medida preparatória que antecipou a fluência do prazo decadencial, impõese reconhecer o decurso do prazo decadencial, seja em observância ao art. 150, § 4º, seja em cumprimento ao disposto no parágrafo único do art. 173, ambos do CTN. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial para, no mérito, darlhe provimento tão somente para reconhecer a decadência e, por conseguinte, a extinção do crédito tributário lançado no processo. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 7161DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 20 19 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva A profundidade dos debates quando da sessão de julgamento, o voto do ilustre relator Jorge Celso Freire da Silva analisando a questão sob os mais diversos aspectos, a divergência levantada pelo Conselheiro Marco Aurélio Pereira Valadão e as considerações dos demais integrantes do colegiado destacando os motivos pelos quais acompanhavam o relator, me conduzem a presente declaração de voto. No presente caso, analisando o mesmo tipo de operações comerciais, a autoridade fiscal lavrou autos de infrações distintos para cada anocalendário, imputando à recorrente a prática de dolo e exigindo tributos com multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), em todo o período fiscalizado. Apresentadas defesas, dois dos processos, inclusive este, foram julgados pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e os demais pela Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão que sucedeu o antigo Conselho de Contribuintes em suas atribuições. Quando do exame deste processo pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes aquele Colegiado, por maioria de votos, entendeu por manter a exigência do crédito tributário, inclusive com a multa qualificada. Apreciando os mesmos fatos, só que relacionados a outros anoscalendário, a Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, por unanimidade de votos, decidiu afastar a multa qualificada e, indo além, afastou a exigência do crédito tributário1. Inconformada com a decisão da Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção que afastou a multa qualificada, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, alegando divergência com a decisão proferida pela Quinta Câmara. Examinando o mérito do recurso especial de divergência interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, a Primeira Turma da CSRF firmou entendimento de que os fatos descritos nas autuações não caracterizavam a pratica de ato doloso, fraude ou simulação. Assim, manteve a decisão da Segunda Turma da Quarta Câmara que havia cancelado a exigência do crédito tributário. Se naqueles processo, tratando dos mesmos fatos, só que em anoscalendários distintos, a CSRF entendeu pela inexistência de multa qualificada, resta indagar como fica a situação deste processo onde foi negado seguimento ao recurso especial da contribuinte, em relação à multa qualificada? A resposta, ao meu sentir, exige reflexões, ainda que breves, quanto ao princípio da legalidade e da busca da verdade na constituição e na exigência de crédito tributário decorrente de lançamento de ofício. 1 O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que havia votado pela manutenção do lançamento quando do julgamento pela Quinta Câmara, melhor examinando a questão, no julgamento em relação aos outros anoscalendário, votou pelo cancelamento da exigência. Fl. 7162DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 21 20 I Do princípio da legalidade e busca da verdade na constituição e na exigência do crédito tributário decorrente de lançamento de ofício. Comparando as questões que envolvem o direito tributário com o direito penal verificase, no que diz respeito à legalidade e à verdade material, tanto na Constituição da República, quanto nos respectivos Códigos, que elas têm os mesmos alicerces jurídicos. Na Constituição, por exemplo, temse os artigos 5º, XXXIX2 e 150, I3, tratando, respectivamente, da legalidade em relação as questões penais e tributárias. Mas não é só. Quando se avalia a acusação fiscal tendo por norte o artigo 142 do CTN, verificase que ao efetuar o lançamento do crédito tributário a autoridade fiscal deve verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, o Código de Processo Penal em seu artigo 41, ao tratar da acusação, prevê que "a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificálo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas." Enquanto no processo civil, se não contestados, prevalecem os fatos alegados pelas partes, ou seja a verdade formal, no processo penal e no processo administrativo o julgador deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Desta forma, quem examina a questão tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. Isto explica, por exemplo, o dever da Administração Pública de anular seus próprios atos, quando constatado ilegalidade. Neste mesmo sentido, o Poder Judiciário, juízes e tribunais, em qualquer instância ou momento, ainda que não conhecendo do recurso interposto, têm competência para expedir habeas corpus de ofício sempre que constatar que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal (art. 654, § 2º do CPP) 4. Fixados tais pontos, há que trazer esta discussão para o direito tributário. Pode a Câmara Superior de Recursos Fiscais ou Turma Recursal, ainda que não conhecendo de recurso, ou diante de questão não alegada, em constatando ilegalidade, manifestarse de ofício para evitar que seja exigido crédito tributário em desconformidade com as normas aplicáveis à espécie?5 Em relação à controvérsia posta, conhecido o recurso, quanto à matéria de direito não há preclusão. Esta pode ser alegada e deve ser conhecida em qualquer instância, pois cabe acusado se defender dos fatos e ao julgador aplicar o direito que incide sobre os fatos. A dicção do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, dispondo que "considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante" deve ser 2 XXXIX não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; 3 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 4 § 2º. Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal 5 Nos termos do art. 145, III, combinado com o art. 149, IV, ambos do CTN, o lançamento pode ser alterado em virtude de erro ou omissão quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Fl. 7163DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 22 21 compreendida como impugnação à matéria de fato. Quanto ao direito aplicável aos fatos este é de observância obrigatória por todos, Administração e Contribuintes. Todavia, a matéria tornase mais complexa quando não se conhece do recurso e se constata ilegalidade na exigência do crédito tributário. Deve a Administração silenciar diante de sua própria ilegalidade para tirar proveito ou, em face ao princípio da moralidade e legalidade, indicados no artigo 37, da Constituição Federal, tem o dever proceder a correção de ofício, ainda que isto importe em cancelamento ou redução de credito tributário? Dado a necessidade de observância do princípio da moralidade e por questões éticos, entendendo ética como a parte da filosofia dedicada aos estudos dos valores morais e princípios ideais do comportamento humano perante a sociedade, penso que tanto a Administração quanto os Contribuintes, em constatando imprecisões relacionadas a exigência ou pagamento de crédito tributário devem satisfazêlo de ofício. Com estas considerações compreendo a afirmação do ilustre relator quando, em determinado ponto de seu voto, destaca que "ainda que se considere que a recorrente, in casu, teria planejado irregularmente suas operações, a partir do decidido nos demais processos, concluise que não se pode atribuir à contribuinte qualquer intuito doloso de evadir receitas tributárias, especialmente porque....". Na verdade, o relator, por questão ética, ao tomar conhecimento da decisão que reconheceu que a conduta da recorrente não foi dolosa trouxe esta notícia aos autos. Para o relator, o CARF como órgão que tem o dever de revisar lançamentos fiscais para evitar ilegalidades não pode silenciar diante da exigência de crédito que considere indevido. Nesta linha, examinada a questão de mérito e afastada a situação de multa qualificada, não seria possível julgar este feito atendose a questão formal, quando sabidamente a acusação de dolo, fraude e simulação resultaram afastadas. Em que pese os irrefutáveis fundamentos contidos no voto do relator, tenho que a solução pode ser dirimida de forma mais simples, aplicando o disposto no parágrafo único do artigo 173 do CTN, fundamentos estes que também integram o voto do relator. II Dos efeitos jurídicos da entrega da DIPJ Nos termos do artigo 43 da Lei nº 8.383, de 1991, as pessoas jurídicas deverão apresentar, em cada ano, declaração de ajuste anual consolidando os resultados mensais auferidos nos meses de janeiro a dezembro do ano anterior, nos seguintes prazos: I até o último dia útil do mês de março, as tributadas com bases no lucro presumido; II até o último dia útil do mês de abril, as tributadas com base no lucro real; III até o último dia útil do mês de junho, as demais. Atualmente, e no período fiscalizado, as declarações do imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas são recebidas e processadas por meio eletrônico. Assim, há que se avaliar qual o efeito jurídico do recebimento e processamento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ por parte da Receita Federal. Ao receber e processar a "Declaração do Imposto de Renda", em relação à atividade realizada pelo sujeito passivo, a autoridade fiscal pratica o primeiro ato que pode ter dois desdobramentos: Fl. 7164DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 23 22 a) em concordando com as informações prestadas do sujeito passivo a autoridade fiscal as homologa de forma expressa ou, em assim não procedendo, temse o início do prazo de cinco anos para homologação tácita. b) em não concordando com as informações prestadas pelo sujeito passivo, ao receber e processar a declaração tempestivamente entregue temse a primeira medida preparatória indispensável ao lançamento. O prazo fixado no artigo da Lei 8.883 de 1991, para entrega da declaração de ajuste anual é o momento até onde a Administração deve aguardar para, a partir desta data, verificar a prática de eventuais irregularidades relacionadas à apuração do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro do ano anterior. Se não for entregue a declaração em 30 de junho do anocalendário seguinte ao período fiscalizado e tampouco houver antecipação de pagamento, o marco inicial do prazo decadencial dáse na forma do artigo 173, I, isto é, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que o sujeito passivo entrega a Declaração o prazo previsto no artigo 173,I, à luz do parágrafo único deste mesmo artigo, antecipase para a data da entrega da declaração. Assim o é porque o processamento da Declaração se constitui em medida preparatória ao lançamento. Isto é, em discordando da declaração entregue abrese o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício. No caso concreto, conforme destacado pelo relator, em 30/06/2000 a recorrente entregou DIPJ e apresentou DCTF para o respectivo período. Com o processamento da DIPJ e da DCTF deuse início ao prazo decadencial de cinco anos que findou em 30/06/2005. Ocorre que a notificação do lançamento deuse em 22/12/2005, quando o crédito tributário em relação ao anocalendário de 1999, mesmo considerando a questão da multa qualificada, já se encontrava extinto pela decadência. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência do crédito tributário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7165DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 24 23 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Com a devida vênia ao Relator e àqueles que comungam do mesmo entendimento, não consigo vislumbrar na d. Sentença nos compungiu a (re)julgar a decadência deste caso, uma extrapolação para as questões de mérito que estão já assentadas em definitivo, na esfera administrativa, e consubstanciadas no teor do Acórdão 10517.083, ora recorrido. Se o M. Juiz quisesse nos impor a tarefa de rejulgar tudo novamente, teria anulado a decisão e não simplesmente determinado que fosse realizada a rediscussão da questão da decadência, o que se deve por uma incerteza na jurisprudência sobre o tema (que envolve questões da pagamento, não pagamento, solo, fraude, simulação, a data da descoberta do ilícito, etc). Assim, entendo que a sentença judicial não nos autoriza à rediscussão das circunstâncias da matéria fática e sua interpretação com relação aos outros aspectos do julgamento, i.e., se houve ou não dolo, fraude ou simulação, bem como a subsunção aos ditames legais aos fatos (o que resulta, por exemplo, em multa qualificada, como esta assentado no Acórdão 10517.083). Assim, no meu ponto de vista esta matéria já está assentada e, repito, a sentença judicial não nos autoriza a fazer novamente seu julgamento. Apenas para reforçar o argumento, vejase que sentença em seus fundamentos diz: “[...]Contudo, o importante é a análise dos fundamentos (de direito) de um julgado e de outro e o desfecho prático e real deles, que, na espécie, seria discrepante, a revelar a necessidade de se conhecer do recurso para a afastar a divergência do tema, repitase, de direito. Quanto aos demais temas e aspectos, nada a corrigir. Nas questões alusivas à qualificação da infração como omissão de receita, desconsideração do conjunto probatório sem plausibilidade/razoabilidade, simulação em operações de venda por trading do mesmo grupo e caracterização e multa agravada por evidente intuito de fraude e erro de proibição, o que se discute, no fundo, são fatos e provas/presunções relacionados à simulação.” E do dispositivo da sentença consta: “Diante do exposto, defiro em parte o pedido liminar apenas para determinar à autoridade impetrada, Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que em relação ao tema da contagem do prazo decadencial, conheça do recurso especial de divergência, propiciandose que, no mérito, seja julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se entender de direito.” Ora o mérito a que se refere o M; Juiz é o mérito da decadência, e não o mérito de toda questão em si, tanto que o deferimento foi em parte, e decidir de outro modo seria anular a decisão, para que tudo fosse reanalisado. Não, definitivamente não é o caso. Fl. 7166DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 25 24 Assim, estamos atrelados ao que está decido no Acórdão 10517.083, no que diz respeito à circunstâncias que afetam diretamente a contagem do prazo. Neste sentido, o Acórdão 10517.083 tem o seguinte entendimento: “EXPORTAÇÕES PARA PESSOAS VINCULADAS INEXISTÊNCIA. SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso vertente, em que a contribuinte construiu de forma artificiosa operações de exportação para empresas sediadas em países que adotam tratamento fiscal favorecido, o abandono da intermediação inexistente impõe a tributação das receitas omitidas, resultante da diferença entre o montante efetivamente pago pelo destinatário final e o apropriado contabilmente pela fornecedora do produto. ... MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso vertente, não há que se falar em erro de proibição, vez que os elementos carreados aos autos pela autoridade fiscal deixam fora de dúvida que a Recorrente tinha real consciência da ilicitude de sua conduta.” Ora, a existência de simulação (aspecto não mais sob julgamento, ainda que não se concorde com ele) implica a impossibilidade de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, e remete o caso ao art. 173, I, do CTN, inclusive por força de jurisprudência judicial assentada e também por força do Súmula CARF 72 que diz: “Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Aplicado ao caso concreto, implica em inexistência do transcurso do prazo decadencial, pelo que voto no sentido de manter a exigência, negando provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 7167DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 26 25 Declaração de Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann A razão de ser desta declaração de voto reside apenas no fato de registrar os debates finais que ocorreram no momento do julgamento deste processo. A questão a ser tratada aqui versa sobre a extensão e profundidade do Recurso Especial interposto pela Contribuinte no que tange à decadência e sobre o efeito traslativo do recurso. Pois bem. Como bem esclarecido pelo Eminente Relator, o conhecimento do Recurso Especial ora em análise ocorreu por meio de decisão judicial que determinou o conhecimento do Recurso no que se refere ao tema da decadência, determinando ao final da sentença que esta Turma da CSRF julgue como entender de direito. Assim, entendo que uma vez conhecido o Recurso no tema da decadência, foi dada a extensão do Recurso. Só se poderá julgar dentro do tema da decadência, mas neste tema, os julgadores têm a profundidade, ou seja, dentro do tema da decadência os julgadores podem julgar com a profundidade que entenderem, não ficando sujeitos aos fundamentos trazidos no Acórdão recorrido ou na decisão divergente trazida como paradigma. Podem e devem julgar de acordo com os fundamentos que entenderem o de direito e aplicáveis ao tema da decadência. E, esta extensão e profundidade estão claras no Código de Processo Civil, no artigo 515, nos seguintes termos: “Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3o Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. § 4o Constatando a ocorrência de nulidade sanável, o tribunal poderá determinar a realização ou renovação do ato processual, intimadas as partes; cumprida a diligência, sempre que possível prosseguirá o julgamento da apelação.” Portanto, entendo que dentro do tema da decadência, esta Turma tem a plena possibilidade de decidir se houve ou não a fraude, a fim de decidir sobre o cabimento ou não do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 7168DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 27 26 E, o tema da fraude, só pode ser discutido para fins de verificação da ocorrência da decadência, de tal modo, que esta Turma só pode decidir se houve a fraude, como alegado pela fiscalização e julgado pela Câmara recorrida, a fim de decidir se ocorreu a decadência. Enfim, dentro desta perspectiva é que o meu voto, no mesmos termos do julgado nos demais casos já citados pelo Relator, entendo que não há que se falar em fraude pela Recorrente, razão pela qual entendo que não cabe a aplicação do previsto no artigo 173 do CTN. Assim, voto pelo provimento do Recurso. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 7169DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO
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Numero do processo: 10410.000607/2007-04
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF
Confirmada a apresentação da DCTF intempestivamente, procedente é o auto de infração lavrado para a cobrança da multa pelo atraso na entrega da mesma.
Numero da decisão: 1802-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leao, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 06 07 /2 00 7- 04 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração impondo multa em face do atraso na entrega das Declarações de Créditos Tributários Federais (DCTF) relativo aos quatro trimestres do anocalendário de 2003. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/REC, através do Acórdão n° 11 35.584, constante às efls 44/45: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fl. 08, para exigência de multa no valor de R$ 9.455,46, por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referentes ao 1°/2°/3°/4° trimestres do anocalendário de 2003. A descrição dos fatos, o enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados no auto de infração. A contribuinte apresentou impugnação (fls 01/06), alegando, em síntese: a) Preliminarmente Nulidade (Reclamação com base no art. 151, III, do CTN, cumulando com pedido de nulidade art. 5°, LV, da CF/88), pelas seguintes razões: a.1) incidência do Bis In Idem Bi tributação: Da existência de "bins" in idem quanto a cobrança de contribuição social sobre o Lucro Liquido — CSLL Inconstitucionalidade 2 já havia realizado o pagamento dos impostos objetos da fiscalização; a.2) da inobservância ao art. 5° LV da CF/88: falta de ampla defesa no processo administrativo fiscal, inobservância do art. 5° LV da CF/88 — não teve oportunidade de se defender. Apresenta ementas do CARF sobre: 1) FALTA DE INSTRUÇÃO; 2) NÃO APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE PERÍCIA; b) Requer, por fim, além da alegações já mencionadas, que a Receita abstenhase de realizar cobrança e execução dos autos, concedendo a requerente à obrigação de não fazer quanto a pagamentos oriundos das penalidades constantes dos autos, determinando a emissão da CND o que importa relatar. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência do reclamo, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls 43): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Fl. 66DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.000607/200704 Acórdão n.º 1802002.057 S1TE02 Fl. 66 3 Confirmada a apresentação da DCTF intempestivamente, procedente é o auto de infração lavrado para a cobrança da multa pelo atraso na entrega da mesma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do Acórdão em 04/02/2013, mostrouse irresignada, pelo que interpôs Recurso Voluntário em 05/03/2013, constante às efls 54/61, aduzindo em apertada síntese pela prescrição para exigência do crédito tributário como preliminar e no mérito, pela ocorrência de bitributação enquanto consta cobrança de multas sobre um mesmo fato, do excesso na imposição que atinge 70% do valor de seu faturamento e da afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório por não reconhecimento da ilegalidade e inconstitucionalidade na imposição. É o relato do essencial. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, o contribuinte realizou entrega de obrigações acessórias fora dos prazos estabelecidos, ficando assim, sujeita às multas, conforme consta às efls. 11 que colaciono a seguir: Trimestre Prazo Final de Entrega Data de Entrega da Declaração Original N° Meses atraso Montante informado na DCTF (R$) 1 14/05/2004 28/07/2005 15 11.478,95 2 13/08/2004 28/07/2005 12 31.856,22 3 12/11/2004 28/07/2005 09 29.005,70 4 18/02/2005 28/07/2005 06 41.857,35 Assim, o crédito tributário calculado se deu da seguinte forma: 1° Trimestre 20% x R$ 11.478,95 = R$ 2.295,79 x 50% 1.147,89 2° Trimestre 20% x R$ 31.856,22 = R$ 6.371,24 x 50% 3.185,62 3° Trimestre 9 x 2% x 29.005,70 = 5.221,02 x 50% 2.610,51 4° Trimestre 5 x 2% x 41.857,35 = 5.022,88 x 50% 2.511,44 Valor da Multa a Pagar 9.455,46 A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, (Código Tributário Nacional CTN) dispõe acerca das obrigações acessórias o seguinte: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.000607/200704 Acórdão n.º 1802002.057 S1TE02 Fl. 67 5 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Como se observa, há previsão legal no sentido de que, “sua inobservância” (que podese entender como a não entrega ou a entrega fora dos prazos estabelecidos) acarreta imposição de “penalidade pecuniária”, ou, dito de forma simples, imposição de multa. Como se observa tanto da Impugnação como do Recurso Voluntário, o contribuinte não olvida que a entrega ocorreu efetivamente em atraso, não instaurando assim litígio nessa parte, aduzindo questões marginais à imposição que serão tratadas a seguir. Com relação à prescrição não se pode atestar como ocorrida, senão vejamos. O início da contagem do prazo prescricional respeita o tratado pelo art. 173, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Como se observa, o dispositivo legal dispõe que há um prazo legal de ‘5 (cinco) anos para a autoridade constituir o crédito tributário’ através do lançamento, determinando que ele é contado “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. No presente caso, portanto, o início da contagem do prazo prescricional para o lançamento da multa relativa aos trimestres 1, 2 e 3 do anocalendário de 2003, se deu em 01/01/2004 e no caso do trimestre 4 do anocalendário de 2003, se deu em 01/01/2005. Assim, o prazo fatal para que a autoridade fiscal realizasse lançamento do crédito tributário ocorreu respectivamente em 01/01/2009 para os trimestres 1, 2 e 3 do ano calendário de 2003 e em 01/01/2010 para o trimestre 4 do anocalendário de 2003. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Como se extrai dos autos, às efls 21 consta o rastreamento do objeto que tratou o Auto de Infração em apreço, evidenciando que o contribuinte foi intimado do lançamento em 04/01/2007. Portanto, não está prescrito o lançamento. Ressaltase que a constituição do crédito tributário ocorre com o lançamento, nos termos do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Além disso, com a expedição do Auto de Infração e a apresentação da Impugnação, houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme trata o mesmo diploma legal: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; [...] A suspensão da exigibilidade do crédito tributário tem dois reflexos principais de benefício ao contribuinte: o primeiro, lhe garante que não ocorra a execução fiscal com a consequente constrição de bens e direitos e o segundo, o direito de receber a Certidão de Débitos, nos termos do art. 205 e 206 do CTN. Por lógico, então, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário também suspende a contagem do prazo de que trata o art. 174 do CTN, senão o direito ao contraditório extrapolaria seu conceito para se tornar um benefício aos contribuintes, enquanto que recorrendo, estariam contando com tempo em seu favor para serem exonerados da imposição tributária. Assim, a prescrição de que trata o art. 174 ocorre quando a autoridade não intima do lançamento realizado o contribuinte nem promove a Execução Fiscal dos valores, dentro dos prazos legais. No caso, fica evidente que o lançamento foi realizado do qual o contribuinte tomou ciência em 04/01/2007, estando dentro do prazo legal estabelecido pelo Código Tributário Nacional, o que afasta a prescrição aduzida pelo Contribuinte. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.000607/200704 Acórdão n.º 1802002.057 S1TE02 Fl. 68 7 Nesta questão, ainda devese esclarecer que no processo administrativo não ocorre a denominada prescrição intercorrente de que trata o §4° do art. 40 da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, por força sumular: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Com relação à suposta bitributação, a mesma não se afere ao caso, pois são fatos geradores distintos, obrigações acessórias com períodos e vencimentos igualmente diferentes. Ademais, o contribuinte argumenta não ter sido respeitado os princípios da ampla defesa e do contraditório, o que desde logo é refutado, tendo em vista o pleno conhecimento dos fatos e completa dissolução do litígio através do presente processo administrativo fiscal. Com relação à hipótese de não poder conhecer as turmas julgadoras administrativas de ilegalidades e inconstitucionalidades suscitadas pelos administrados, é questão de competência e garantia do Estado Democrático de Direito. Em que pese a turma julgadora a quo já ter destacado a questão, atendendo à celeridade, destaco que a matéria já está sumulada por este Conselho, conforme a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, a questão de ilegalidade e inconstitucionalidade de uma norma só pode ser discutida no Poder Judiciário, que possui competência para apreciar essas questões. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904562/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 62 /2 01 2- 29 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904562/201229 Acórdão n.º 3803004.912 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904562/201229 Acórdão n.º 3803004.912 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904562/201229 Acórdão n.º 3803004.912 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10783.900034/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE SALDO CREDOR. RECONHECIMENTO DA EXTINÇÃO DO DÉBITO COMPENSADO POR CAUSA EXTERNA AO PROCESSO. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
É carente de interesse o contribuinte que interpõe recurso após o reconhecimento da extinção do débito fiscal compensado por causa externa ao processo de compensação.
CRÉDITO EXCEDENTE DO SUJEITO PASSIVO. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUÇÃO OU RESSARCIMENTO ESPECÍFICO. ART. 35 DA IN RFB Nº 900/2008.
Nos termos do art. 35 da IN RFB nº 900/2008, o crédito do sujeito passivo não utilizado no processo de compensação pode ser restituído ou ressarcido mediante a apresentação dos pedidos correspondentes. Vedação à transmutação de pedido de compensação em restituição ou ressarcimento.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1102-000.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não CONHECER do recurso voluntário por ausência de interesse recursal
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos De Lima (Presidente à época), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Joao Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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COMPENSAÇÃO DE SALDO CREDOR. RECONHECIMENTO DA EXTINÇÃO DO DÉBITO COMPENSADO POR CAUSA EXTERNA AO PROCESSO. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. É carente de interesse o contribuinte que interpõe recurso após o reconhecimento da extinção do débito fiscal compensado por causa externa ao processo de compensação. CRÉDITO EXCEDENTE DO SUJEITO PASSIVO. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUÇÃO OU RESSARCIMENTO ESPECÍFICO. ART. 35 DA IN RFB Nº 900/2008. Nos termos do art. 35 da IN RFB nº 900/2008, o crédito do sujeito passivo não utilizado no processo de compensação pode ser restituído ou ressarcido mediante a apresentação dos pedidos correspondentes. Vedação à transmutação de pedido de compensação em restituição ou ressarcimento. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não CONHECER do recurso voluntário por ausência de interesse recursal (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 00 34 /2 00 8- 55 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos De Lima (Presidente à época), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Joao Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ1) assim ementado, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/08/2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REJEIÇÃO. Rejeitase a preliminar de nulidade quando suscitada pela pessoa jurídica com base em matéria de mérito e na medida em que não se verifica no conteúdo do Despacho Decisório emitido a inobservância de qualquer dos requisitos previstos no CTN e no Decreto nº 70.235/1972, indispensáveis para a sua formalização, passíveis de ensejar a sua nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/08/2011 LUCRO REAL ANUAL. COMPENSAÇÃO / RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO DE IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS, ORIUNDO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, PLEITEADO NO CURSO DA AÇÃO JUDICIAL. DIREITO CREDITÓRIO NÂO RECONHECIDO. DÉBITO COMPENSADO JÁ EXTINTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Créditos de IRRF incidente sobre operações de swap, oriundos de depósitos judiciais, somente podem ser pleiteados após o trânsito em julgado da sentença judicial e desde que observados os requisitos previstos na Instrução Normativa SRF nº 900/2008 (arts. 70 e 71). Se o débito compensado no PER/DCOMP já se encontra extinto, tornase insubsistente a compensação nele Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 4 3 declarada, o que resulta no cancelamento do PER/DCOMP e da cobrança determinada pelo Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Relatório I) Do PER/DCOMP Em 15/12/2004, a interessada transmitiu o PER/DCOMP nº 16075.02788.151204.1.3.024609 (fls. 234/238) para declarar a compensação de débito da COFINS (cód. 2172), período de apuração novembro/2004, totalizando R$ 1.778.000,00, com o crédito de R$ 968.379,77, oriundo do saldo negativo de IRPJ do exercício 1999. 2. Da análise do referido documento, emergiu o Despacho Decisório de fls.11, emitido em 07/03/2008 pelo Sr. Delegado da DRF/VitóriaES, que não homologou a compensação de débito declarada pela interessada por considerar extinto o direito de utilização do saldo negativo do exercício 1999, em virtude do decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a de apuração do saldo negativo. 3. Inconformada com a decisão, interpôs a interessada, em 28/03/2008, manifestação de inconformidade a esta DRJ, para requerer a retificação da informação por ela própria prestada no PER/DCOMP com relação ao exercício fiscal. Nesse sentido, solicitou que fosse considerado o exercício correto de 2000, e não o de 1999, pelo fato de o saldo negativo pleiteado corresponder ao IRRF recolhido nos meses de abril, maio e junho/1999. 4. O Acórdão nº 1232810, de 18/08/2010 (fls. 248/262), proferido por esta Turma de Julgamento, do qual fui o relator, conheceu da manifestação de inconformidade interposta, acatando, por maioria de votos, a alegação preliminar de erro material cometido no preenchimento do PER/DCOMP, determinando a retificação do período de apuração do crédito pleiteado, de exercício 1999 para exercício 2000, e afastando a preliminar de decadência em que se fundamentou o Despacho Decisório. Em decorrência, retornaram os autos à DRF/Vitória ES para análise do mérito da compensação pleiteada pela interessada, considerando, desta feita, que o saldo negativo pleiteado no PER/DCOMP referese ao exercício 2000. 5. Em decorrência, o Sr. Delegado da DRF/VitóriaES proferiu novo Despacho Decisório, em 30/08/2011 (fls. 322), com base no Parecer Seort nº 1392/2011 (fls. 317/321), que ora passo a relatar. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 5 4 II) Do Despacho Decisório 6. O mencionado Parecer Seort apresenta, em síntese, a seguinte fundamentação: 6.1. o PER/DCOMP, originalmente apresentado em 15/12/2004, foi retificado em 18/08/2010, data de emissão do Acórdão nº 1232810; 6.2. nesse sentido, é importante transcrever os arts. 80 e 81 da IN RFB nº 900/2008: IN RFB nº 900/2008 Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 81. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 36, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. 6.3. o § 2º do art. 37 mencionado na Instrução Normativa corresponde ao § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, que estabelece o prazo de cinco anos, contado da data de entrega da declaração de compensação, para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo; 6.4. no prazo legal de 5 (cinco) anos a Administração não homologou a declaração de compensação original, contudo, tal declaração restou retificada em 18/10/2010 pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, em decorrência do pedido formulado pela interessada em sua manifestação de inconformidade apresentada em 28/03/2008; 6.5. em face dessa retificação, iniciouse em 18/10/2010 o prazo de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 para análise do PER/DCOMP; 6.6. no PER/DCOMP retificador a interessada pretende compensar saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1999, no valor original de R$ 998.379,77, com débito da COFINS do mês de novembro/2004; 6.7. afastada a decadência do direito creditório pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, deve ser verificada a regularidade da apuração do imposto devido em 31/12/1999, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado; 6.8. compulsando a DIPJ/2000 anual retificadora (fls. 138/183), verificase na Ficha 13A (“Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real”) que a interessada não apurou imposto de renda no período, correspondendo o saldo negativo à dedução do Imposto Retido na Fonte – IRRF (fls. 151); Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 6 5 6.9. entretanto, em procedimento de auditoria interna da DIPJ/2000, a apuração do imposto de renda em 31/12/1999 restou revisada, devido à constituição do imposto devido no montante de R$ 1.637.567,22 nos autos do processo nº 11543.005745/200214 (fls. 267/274); 6.10. o resultado positivo apurado no período (lucro real) decorreu da conduta da interessada de compensar integralmente prejuízos fiscais de exercícios anteriores sem a observância do limite de compensação correspondente a 30% do lucro líquido (art. 15 da Lei nº 9.065/1995) e de não realizar a parcela mínima do lucro inflacionário (art. 449, do RIR/1999); 6.11. apreciando a impugnação apresentada em face do lançamento fiscal, a DRJ exonerou a parcela do imposto correspondente à tributação do lucro inflacionário; 6.12. submetidos os autos a julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a interessada formulou pedido de desistência do recurso interposto e de renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda o referido processo nº 11543.005745/200214, com vistas à consolidação do imposto constituído no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, tornando definitivo o lançamento do imposto de renda devido em 31/12/1999, no valor de R$ 1.241.632,68 (fls. 267/305), conforme processo administrativo de cobrança nº 10783.900075/200841, apenso ao presente processo; 6.13. depreendese, pois, que o sujeito passivo não dispõe de direito líquido e certo à restituição de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1999; 6.14. conforme expressamente previsto no art. 2º, § 4º, c/c o art. 6º da Lei nº 9.430/1996, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar em 31 de dezembro ou do saldo negativo a restituir, a pessoa jurídica deve deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; 6.15. desse modo, a pessoa jurídica que sofrer retenção na fonte sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto deverá utilizar as retenções na dedução do IRPJ devido ao término do período de apuração em que ocorreu a retenção; 6.16. somente é passível de restituição ou de utilização em declaração de compensação o saldo credor resultante do confronto entre o imposto devido e as parcelas dedutíveis discriminadas no § 4º do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, dentre as quais o IRRF; 6.17. no presente caso, do confronto entre o imposto de renda definitivamente constituído no processo administrativo nº 11543.005745/200214, correspondente ao fato gerador 31/12/1999, e os valores de retenção na fonte indicados na Ficha 13A da DIPJ/2000 verificase a não apuração de saldo negativo Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 7 6 de IRPJ em 31/12/1999; 6.18. portanto, não há crédito a ser reconhecido e, por conseguinte, a declaração de compensação retificadora, resultante da retificação promovida no PER/DCOMP nº 16075.02788.151204.1.3.024609 pelo Acórdão nº 1232810 da 4ª Turma, deve ser considerada não homologada; 6.19. diante do exposto e das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, é de se propor o não reconhecimento do direito creditório a favor da interessada, a título de saldo negativo de IRPJ em 31/12/1999, e a não homologação da compensação declarada no mencionado PER/DCOMP, retificada de ofício; 6.20. o Despacho Decisório de fls. 322 ratifica os termos do Parecer Seort. III) Da manifestação de inconformidade 7. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 29/09/2011 (AR, fls.327), interpôs a interessada, em 26/10/2011, a manifestação de inconformidade de fls.328/346, instruída com os documentos de fls. 347/435, alegando, em síntese, que: 7.1. a análise realizada pela autoridade fazendária prolatora do Parecer Seort atevese, exclusivamente, a uma das hipóteses retificadoras do PER/DCOMP, qual seja, a da liquidez e certeza do montante do crédito pleiteado; 7.2. ocorre que, independentemente do saldo negativo de IRPJ a ser apurado após as retificações, também restou devidamente esclarecido e comprovado, através das respectivas DACON e DCTF que já constam destes autos, ora reapresentadas, a ausência de débitos da COFINS relativamente ao ano calendário de 2004; 7.3. isto porque, a extinção da contribuição deuse através de compensações com créditos nãocumulativos da referida contribuição correspondente aos meses de fevereiro a dezembro/2004 ou mediante compensação através de procedimento específico, que é o caso da COFINS apurada no mês de janeiro/2004, compensada nos autos do processo nº 11543.001336/200419; 7.4. assim, ainda que não seja apurado qualquer direito creditório em seu favor, inexiste qualquer valor passível de cobrança, visto que o débito da COFINS comprovadamente inexiste; 7.5. antes de adentrar nas questões de mérito, suscita preliminar de nulidade da decisão recorrida, em razão de falhas/omissões nela contidas, cujos vícios maculam o julgado administrativo, tornandoo nulo e sem efeitos; 7.6. tal posicionamento se explica em face do não pronunciamento da autoridade prolatora do Parecer Seort sobre a relevante ausência de débitos de COFINS no ano calendário Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 8 7 de 2004, efetivamente recolhidos, e cujos créditos tributários já se encontram extintos na forma do artigo 156, inciso II, do CTN; 7.7. logo, a decisão recorrida não atendeu o princípio da boa administração previsto no art. 37 da Constituição Federal e no art. 2º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, porquanto é dever da Administração Pública a observância das formalidades essenciais com vistas à garantia dos direitos dos administrados (parágrafo único, incisos VIII e X); 7.8. o mesmo entendimento é mantido por doutrinadores e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdãos nº 10708148/2005 e 20601162/2008); 7.9. diante das falhas ocorridas, requer, preliminarmente, seja declarada a nulidade da decisão, proferida em desacordo com os princípios e normas que regem o Direito Tributário, sob pena de restar caracterizado o cerceamento de seu direito de defesa; 7.10. no mérito, encontrase completamente equivocada a argumentação adotada na decisão, visto que no lançamento fiscal objeto do processo nº 11543.005745/200214 foi apurado o IRPJ devido para o ano calendário de 1999, sendo levado em consideração, apenas, o limite de 30% estabelecido pelo art. 15 da Lei nº 9.065/1995, bem como a parcela do lucro inflacionário a ser realizado (posteriormente exonerada pela DRJ), sem, no entanto, terem sido considerados naquela exação os legítimos créditos de IRRF pleiteados nestes autos; 7.11. a tese suscitada na decisão recorrida somente teria alguma pertinência se acaso no lançamento fiscal formalizado no processo nº 11543.005745/200214 a Fiscalização ao menos houvesse considerado os referidos créditos de IRRF, o que sequer foi cogitado naquele lançamento, conforme se observa da cópia do auto de infração; 7.12. os recolhimentos do IRRF, que deram origem ao direito creditório pleiteado, podem ser comprovados nestes autos e se referem a valores depositados judicialmente na ação nº 99.00075854, sob o código 7431, que instruíram sua manifestação de inconformidade inicial datada de 28/03/2008, a saber: Data Instituição CNPJ Valor (R$) Fls. 01/04/1999 Banco Barclays e Galícia S/A 61.146.577/000109 176.015,68 42 10/05/1999 Banco ABC Brasil S/A 28.195.667/000106 171.034,55 44 17/05/1999 Banco ABC Brasil S/A 28.195.667/000106 158.953,50 46 30/07/1999 Banco ABC Brasil S/A 28.195.667/000106 462.376,04 48 Total: /////////////////////////////////////////////// 968.379,77 /////// 7.13. reiterese que, o direito creditório ora pleiteado advém da conversão em renda desses valores depositados judicialmente a título de IRRF, totalizando a importância de R$ 968.379,77, que atualizada pela taxa SELIC até a data da apresentação do presente pedido de compensação/restituição, passou a Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 9 8 corresponder ao montante de R$ 1.778.000,00, ou seja, exatamente o valor informado no PER/DCOMP sob análise; 7.14. tendo em vista que o documentário fiscal/contábil apresentado comprova o montante do IRRF relativo aos períodos de apuração abril, maio e julho do ano calendário de 1999, a decisão deverá ser reformada, uma vez presentes nos autos todos os elementos que legitimam o direito creditório auferido; 7.15. não obstante a preliminar de nulidade suscitada, merece ser ressaltado o erro material cometido no preenchimento do PER/DCOMP que deu origem ao presente processo administrativo nº 10783.900034/200855; 7.16. isto porque, os débitos da COFINS apurados no ano calendário de 2004 foram efetivamente objeto das competentes compensações com créditos nãocumulativos da referida contribuição com relação aos meses de fevereiro a dezembro/2004 ou compensados através de procedimento específico, como foi o caso da COFINS apurada em janeiro/2004, compensada através do processo administrativo nº 11543.001336/200419; 7.17. no tocante ao mês de novembro/2004, esclarece que efetuou regularmente as compensações desta contribuição com créditos nãocumulativos da própria contribuição, conforme devidamente informado através das competentes DCTF e DACON do período; 7.18. tal matéria também deveria ter sido apreciada pela autoridade prolatora do Parecer Seort nº 1.392/2011, conforme expressa determinação contida no Acórdão nº DRJ/RJ1 nº 1232810, o que não se efetivou, visto que está sendo exigido da interessada valor que já fora arrecadado aos cofres públicos mediante regulares compensações; 7.19. a cobrança de crédito comprovadamente inexistente corresponde a ato administrativo não apenas eivado de ilegalidade, mas que também afronta o princípio da moralidade pública insculpido no art. 37 da Constituição Federal; 7.20. a análise da documentação apresentada mostrará que, ainda que inexistam créditos a serem compensados, o que se cogita apenas como argumento, mesmo assim inexistem débitos, de vez que, em relação ao ano calendário de 2004 não há qualquer resíduo de COFINS a ser compensado, consubstanciando hipótese de extinção prevista no art. 156, inciso II, do CTN; 7.21. uma vez sanado o erro material de preenchimento do PER/DCOMP, que ora requer, restará afastada a exigência da COFINS, procedimento esse a ser adotado em respeito à verdade material dos fatos; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 10 9 7.22. sobre o tema, a Receita Federal há muito já demonstra seu entendimento, manifestado no Parecer COSIT nº 38/2003, no sentido de que, diante da ocorrência de erros de preenchimento de declarações deve prevalecer a verdade material: Parecer COSIT nº 38/2003 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: REVISÃO DE OFÍCIO DE LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE DECLARAÇÃO. DISPENSA TOTAL OU PARCIAL DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO EXTINTO. INEXISTÊNCIA DE PRAZO. Inexiste prazo para que a autoridade administrativa reveja de ofício o lançamento ou retifique de ofício a declaração do sujeito passivo a fim de eximilo total ou parcialmente de crédito tributário não extinto. 7.23. por todo o exposto, requer, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, o cancelamento da exigência fiscal, em razão da documentação apresentada comprovar a ausência de débitos passíveis de cobrança após as retificações dos créditos informados no PER/DCOMP; 7.24. em caráter de urgência, solicita a imediata suspensão de qualquer eventual procedimento de cobrança relativo aos valores objeto da compensação não acolhida pela autoridade fazendária, nos termos do inciso III, do art. 151, do CTN, bem como em respeito ao disposto no parágrafo 5º, do art. 66, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. 8. É o Relatório.” O acórdão acima ementado (a) rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pela Contribuinte por alegado cerceamento do direito de defesa; (b) não reconheceu o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 16075.02788.151204.1.3.024609; (c) não homologou a compensação do débito da COFINS (cód. 2172), período de apuração novembro/2004, declarada no referido PER/DCOMP, em face da extinção do débito; e (d) determinou o cancelamento do PER/DCOMP e da cobrança do débito objeto do processo nº 10783.900075/200841, determinada pelo Despacho Decisório de fls. 322, sob os seguintes fundamentos: a) a peça recursal da Contribuinte evidencia o pleno conhecimento dos fatos que justificaram o indeferimento do pleito de compensação, conforme Parecer SEORT nº 1392/2011 (fls.317/321); b) embora o auto de infração objeto do Processo nº 11543.005745/200214, fls. 356/365 não tenha considerado o IRRF na apuração do período e o contribuinte não tenha pleiteado seu crédito em outro PER/DCOMP, referido crédito ainda se encontrava sub judice nos autos da ação proposta quando da transmissão do PER/DCOMP nº 16075.02788.151204.1.3.024609, em 2004. Destarte, “pairando dúvida se era devido ou não o recolhimento do IRRF, não seria possível assegurar, na data da transmissão do referido PER/DCOMP, a liquidez e certeza Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 11 10 do crédito, conforme exigência prevista no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN)”. (...) “somente após o trânsito em julgado da sentença judicial, em março/2007, que converteu em renda da União os depósitos judiciais efetuados, é que a interessada poderia pleitear o crédito correspondente”, devendose submeter ao regime de habilitação prévia do crédito, nos termos do artigos 70 e 71 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30/12/2008” c) Quanto ao débito objeto de compensação, o débito de COFINS de novembro/2004 decorrente de compensações efetuadas com créditos no âmbito do regime nãocumulativo, conforme comprovam informações contidas no Sistema SIEFWeb (fls.451/457). Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitera a legitimidade e reconhecimento de seu direito creditório decorrente do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2000, no valor de R$ 968.379,77. Alega, em síntese que: (i) a decisão recorrida confundiu o saldo negativo de IRPJ pleiteado nestes autos com o ressarcimento de IRRF depositado judicialmente na Ação Ordinária nº 99.00075854, sendo este apenas um dos componentes na formação do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ; (ii) tratandose, portanto, de créditos distintos, é inaplicável as disposições dos artigos 70 e 71 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008 ao caso em tela, principalmente pela impossibilidade de retroação da referida norma em relação à PER/DCOMP apresentada pela Recorrente em 29.11.2004; (iii) houve reconhecimento da extinção do débito objeto desta compensação. Pede ao final o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e reconhecer seu direito ao ressarcimento do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Embora seja tempestivo e interposto por parte legítima, o recurso voluntário não merece ser reconhecido por ausência de interesse recursal. Conforme se depreende do relato acima, nada obstante tenha rejeitado a homologação da compensação formulada pela Contribuinte, o acórdão recorrido reconheceu a extinção do débito objeto deste mesmo pedido de compensação por causa distinta e superveniente (retificação de DCTF, DACON e nova apuração pelo regime nãocumulativo), verbis: 26. Em 15/12/2004, a interessada declarou a compensação do débito da COFINS (cód. 2172), período de apuração novembro/2004, no montante de R$ 1.778.000,00, por meio do PER/DCOMP nº 16075.02788.151204.1.3.024609 (fls. 234/238). Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 12 11 27. Após, em 14/09/2006, informou na DCTF retificadora/cancelada nº 1000.000.2006.1720476243, a existência desse débito, nos valores de R$ 177.795,11 e R$ 1.723.546,13, totalizando R$ 1.901.341,24, e sua compensação por meio dos processos administrativos nº 11543.000298/200550 e 11543.002648/200431, respectivamente, conforme consta no Sistema SIEFWeb (fls. 444/448). 28. Na DCTF retificadora/cancelada seguinte, de nº 1000.000.2007.1790460993, entregue em 14/06/2007 antes da ciência do Despacho Decisório inicial, ocorrida em 28/03/2008 (AR, fls. 233), a interessada não mais declara o débito da COFINS, período de apuração novembro/2004, o mesmo ocorrendo na DCTF retificadora/ativa nº 1000.000.2009.1720519178, transmitida em 30/10/2009 (fls. 449/450). 29. Em consonância com estas duas últimas DCTF transmitidas, a interessada apresentou, em 01/09/2007, o DACON retificador – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – às fls. 366/435, também antes da ciência do Despacho Decisório inicial, por meio do qual informa inexistir débito da COFINS no período de apuração novembro/2004, devido a compensações efetuadas com créditos oriundos da incidência não cumulativa. 30. Pesquisando no Sistema SIEFWeb (fls. 451/457), verifico que o referido débito da COFINS encontrase efetivamente extinto, conforme alegado pela interessada, tendo sido objeto de cobrança por meio do processo administrativo nº 10783.501178/200661. 31. Em decorrência, uma vez extinto o débito da COFINS informado no PER/DCOMP, não há que se falar em compensação, por falta de objeto.” A extinção do débito cuja compensação era pretendida, ainda que por motivo diferente daquele defendido neste processo, retira da Contribuinte interesse em obter declaração sobre a homologação (ou não) desta compensação, já que o efeito desta (homologação) já foi obtido, qual seja: a extinção da dívida e o cancelamento da cobrança administrativa. Relevese, por fim, que, ainda que assim pretendesse, a transmutação de declaração de compensação em pedido de restituição/ressarcimento para ulterior aproveitamento não é admitida pela legislação, ante a necessidade de apresentação de pedido de restituição ou de ressarcimento específico para eventuais créditos não absorvidos pelos débitos com eles confrontados, conforme dispõe o art. 35 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30.12.2008, verbis: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10783.900034/200855 Acórdão n.º 1102000.846 S1C1T2 Fl. 13 12 ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por ausência de interesse recursal. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 13133.000047/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2005/601435168352075, lavrada em 16/07/2007 (fls. 29/32), contra a contribuinte acima qualificada, em decorrência de Omissão de Rendimentos, relativo ao Exercício 2005, que exige crédito tributário no valor de R$ 13.893,17, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 16/07/2007. O contribuinte apresentou SRL que restou indeferida (fl. 33), mantendose o lançamento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 33 .0 00 04 7/ 20 08 -7 5 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13133.000047/200875 Resolução nº 2102000.180 S2C1T2 Fl. 84 2 Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 30, que o Fisco confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para a contribuinte, constatou omissão de rendimentos no valor de R$ 41.250,00, recebidos de Organismo Internacional – Instituto Bras. do Meio Ambien. e dos Rec. Nat. Renováveis, CNPJ nº 03.659.166/000102. Cientificada da exigência tributária na data de 16/10/2007 (fl. 21), e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou impugnação em 14/11/2007 (fls. 01/14), acompanhada dos documentos de fls. 15/19, alegando, em suma, que: a) que era funcionária do Organismo Internacional, com o qual mantinha vínculo empregatício e, de acordo com as leis internas e as convenções e tratados internacionais promulgados pelo Brasil, os rendimentos auferidos eram isentos e não tributáveis. b) não houve omissão, e requer a extinção do lançamento, por ausência de legitimidade passiva da impugnante e de interesse de agir da Receita Federal. c) que os rendimentos auferidos foram informados na DIRPF/2005 como isentos e nãotributáveis em respeito à legislação vigente e à jurisprudência do Conselho de Contribuintes. d) transcreve, em seu auxílio textos legais e doutrinários e jurisprudência administrativa e judicial. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos do voto transcritos abaixo: “[...] a contribuinte não goza de isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos, devido ao fato de ser técnica contratada residente no País e não funcionária do Organismo Internacional. Assim, o fato de haver informado os rendimentos pagos pelo PNUD como isentos e não tributáveis na DIRPF/2005 não a exime do cometimento da infração, sujeitandoa ao lançamento de ofício. Não bastasse o disposto na legislação interna e nos tratados e convênios internacionais, recentemente foi editada a Portaria MF n° 383, de 12/07/2010, publicada no DOU de 14/07/2010, atribuindo efeito vinculante à Súmula CARF n° 39 em relação à administração tributária federal. A Súmula CARF n° 39 é transcrita a seguir: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. [...]No caso em análise, a contribuinte era residente no País à época do fato gerador e prestava serviços com vínculo contratual ao Organismo Internacional, por conseguinte, concluise que os Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13133.000047/200875 Resolução nº 2102000.180 S2C1T2 Fl. 85 3 rendimentos recebidos no valor de R$ 41.250,00 não gozavam de isenção do Imposto de Renda, por falta de previsão legal, e estavam sujeitos à tributação na DIRPF/2005. [...]”A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0342.009 da 6ª Turma da DRJ/BSB em 04/08/2011. Sobreveio Recurso Voluntário em 05/09/2011 (fls. 78/79), desacompanhado de documentos. Em síntese, a Recorrente arguiu que: “A recorrente foi contratada por organismo internacional PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para execução de tarefas que estão previstas no Termo de Referência, cujo contrato de consultoria padrão foi renovado inúmeras vezes, por aditivos. Ao longo de todo o tempo, realizou trabalhos e serviços pela qual foi contratada. De forma efetiva e continuada, resta demonstrado o vínculo empregatício do contribuinte com o Organismo Internacional. Ante o exposto, fica comprovada a necessidade de extinção do lançamento suplementar, tendo em vista o que segue: Não houve omissão da Recorrente, uma vez que declarou seus rendimentos percebidos do PNUD como Isento/Não – tributáveis em respeito à legislação vigente e há decisões do Conselho de Contribuintes que, por unanimidade, deu provimento a recursos impetrados por diversos Impugnantes sobre questões análogas nos exercícios de 1994 e 1995 e outros tantos.” Requer a improcedência do lançamento suplementar, declarando a incidência da isenção nos rendimentos auferidos pela Recorrente por seu contrato de serviços com o Organismo Internacional, cancelando se a exigência fiscal. É o relatório. Passo a decidir. Voto O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72 motivo pelo qual merece ser conhecido. O cerne da controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre os rendimentos de trabalho recebidos por técnicos residentes no Brasil em decorrência de contrato celebrado com Organismo Internacional (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – PNUD CNPJ nº 03.659.166/000102), para o exercício de atividades no âmbito de projeto de interesse da referida Agência Internacional. Observo, de início, que a matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13133.000047/200875 Resolução nº 2102000.180 S2C1T2 Fl. 86 4 edição da Súmula CARF nº 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF nº 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Contudo, a 1ª Seção do STJ, em recente julgado submetido ao rito do art. 543C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF nº 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543 C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Examinando a divergência de entendimentos, tenho para mim que o deslinde da presente controvérsia depende da análise do Contrato de Serviço firmado entre a autuada e o Organismo Internacional (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis PNUD), que não consta dos autos, já que o STJ entendeu que os "peritos de assistência técnica" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13133.000047/200875 Resolução nº 2102000.180 S2C1T2 Fl. 87 5 Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, também estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a interessada seja intimada a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativos ao Anocalendário 2004, Exercício 2005, com a fonte pagadora (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis PNUD CNPJ nº 03.659.166/000102), esclarecendo o cargo/função ocupado pela recorrente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11516.003123/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 03 12 3/ 20 03 -6 0 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente processo retorna de diligência requerida por esta Turma Ordinária por meio da Resolução nº 110100.014, assim relatada: BANCO DO BRASIL S A (sucessor de BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA S/A BESC), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, que por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório de 19/12/2006, contido nas fls. 117 e 118, proferido pelo Delegado da Receita Federal em FlorianópolisSC, com base na Informação Fiscal de fls. 110 a 116, por meio do qual foi parcialmente atendido o pleito da interessada, tendo em vista a Homologação das DCOMP de fls. 1, 2 e 6, a Homologação Parcial da DCOMP de fl. 7 e a Não Homologação da DCOMP nº 34162.78422.070104.1.3.040890, de fls. 98 a 102, tendo em vista o reconhecimento do direito creditório na importância de R$2.684.745,96, restando não comprovadas os créditos relativos às compensações indicadas na DIPJ como “outras” no valor de R$132.061,77. Consta na Informação Fiscal (fls. 112 e 113): Conforme a DIPJ, o saldo negativo apurado no ajuste anual decorre do excesso das estimativas mensais sobre o imposto devido no anocalendário. As estimativas mensais por sua vez foram quitadas parte com recolhimentos em DARF, parte por compensação com saldo negativo de período anterior, conforme já mencionado, e ainda uma parte por intermédio de outras compensações. No mês de setembro foi informado na DIPJ que parte da estimativa foi quitada com outras compensações (fls. 72, Linha 09 da Ficha 29). Com o intuito de elucidar qual o crédito usado nessa compensação, de R$132.061,77, indicada como “outras”, foi emitida a Intimação SAORT nº 2006.294 (fls. 85 e 87), solicitando ao contribuinte que esclarecesse o tipo e origem do crédito usado. O contribuinte informou que o valor indicado como “outras compensações” é relativo a retenções na fonte, e deveria ter sido incluído na Linha 04 da Ficha 29, mas foi indicado equivocadamente na Linha 09. O contribuinte, entretanto, não apresentou comprovantes de rendimentos para corroborar a dedução com retenções na fonte. Além disso, as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos contêm valores de retenções (R$6.412,73, fl. 94) bem inferiores ao utilizado como dedução na DIPJ (R$132.061,77, fl. 72). Os valores retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos somente podem ser compensados na declaração quando o contribuinte possui comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O contribuinte não apresentou os comprovantes de rendimentos referentes à retenção na fonte do anocalendário e as DIRF não conferem com o valor utilizado pelo contribuinte, que sequer foi informado na linha relativa as retenções na fonte. Assim, não será considerada a dedução indicada na DIPJ como “outras compensações”, no valor de R$132.061,77. Das alegações da Impugnante Argumentos contidos nas fls. 162 e 163 e provas nas fls. 168 a 194: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 4 3 A documentação encaminhada em anexo a esta manifestação tem por objetivo demonstrar que os valores compensados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras. Uma análise aprofundada do assunto revela que o cruzamento entre as declarações não foi consistente em virtude de divergências entre os anoscalendário informados pelas fontes pagadoras nas DIRF e os anoscalendário informados pelo BESC, na condição de beneficiário dos pagamentos, nas DIPJ e DCOMP. Acreditamos que esses equívocos no preenchimento das declarações, quer por parte das fontes pagadoras, quer por parte do beneficiário dos pagamentos, não deveriam ser um impedimento à compensação dos valores retidos, tendo em vista que os mesmos foram recolhidos aos cofres do tesouro. Além disso, visto que as compensações em questão abrangem imposto retidos no decorrer de um longo período (1998 a 2004), não foi possível encontrar todos os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, quer em virtude de extravio, quer por não terem sido entregues pelas fontes pagadoras. No entanto, a fim de comprovar os pagamentos e as retenções realizadas, estamos encaminhando documentos extraídos de sistemas oficiais externos, recibos emitidos pelo BESC, e outros documentos que assegurem que os pagamentos e respectivas retenções realmente ocorreram. Além disso, recorremos ao auxílio de planilhas que demonstrem os argumentos e cálculos a que fazemos referência. Segue um resumo dos argumentos relacionados a cada processo: Processo 11516.003123/200360 (CSLL/1998) INSS: O valor de R$132.061,77, apresentado na linha 09 da Ficha 29 da DIPJ (outras compensações), relativo a retenções na fonte não foi homologado. No entanto, como provam os documentos anexados, só o INSS reteve R$ 458.728,88 (4,15%), sendo R$110.537,08 (1%) referente à CSLL. É possível que o INSS tenha declarado alguns desses valores em 1997. Documentos anexados: De 01 a 26. A Turma Julgadora acompanhou o voto do relator que entendeu insuficientes os documentos apresentados apresentando as seguintes justificativas: A interessada argumenta que as fontes pagadoras, INSS e Icatu Hartford Capitalização S/A, teriam promovido a retenção na fonte da CSLL, como se vê pela transcrição da peça de impugnação e pelos documentos que a instruem. Tal alegação está em desacordo com as informações contidas nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil. A interessada alega que o INSS teria promovido a retenção de R$110.537,08 no anocalendário 1998, podendo ser que parte desses valores tenham sido declarados no anocalendário 1997. Todavia, não se verifica entre as fontes pagadoras listadas no Resumo das Retenções dos anoscalendário 1997 e 1998, contidos nas fls. 198 e 103, retenções vinculadas ao CNPJ nº 29.979.036/0001 40, pertencente à citada autarquia. Quanto aos recolhimentos promovidos por Icatu Hartford Capitalização S/A, CNPJ nº 74.267.170/000173, em ambos os períodos (DIRF fl.103 e 198), só há registros relativos ao código 8045 IRRF Demais Rendimentos. Os documentos que instruem a impugnação, relativos ao INSS, comprovam apenas a prestação de serviços feita pela interessada, mas não retenções, havendo apenas valores manuscritos à margem dos campos dos recibos de pagamento. Também os ofícios do INSS de fls. 169 e 170 nada comprovam, pois são referentes a valores relativos ao ano calendário 1997, e o documento interno do INSS de fl. 192 também é insuficiente para comprovar qualquer retenção. Acrescentese não ter sido apresentado nenhum DARF. Já o Comprovante de Rendimentos Pagos, de fl. 193, emitido por Icatu Hartford Capitalização S/A, embora seja o único que atende as exigências legais, registra apenas retenções do IRRF sob os códigos 1708 e 8045. Reportouse aos comprovantes de retenção na fonte por órgãos públicos, previstos no art. 942 do RIR/99 e às exigências previstas no âmbito do IRRF, também aplicáveis à Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 5 4 CSLL. Concluiu, assim, a contribuinte estava obrigada a manter a guarda de tais comprovantes, e assim não o fazendo, impossível se tornou o acolhimento de seu pleito. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/09/2008 (fl. 209), a incorporadora da contribuinte – Banco do Brasil S/A – interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/10/2008 (fls. 210/216). Descreve a contratação firmada com o Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, em razão da qual este se comprometeu a pagar os serviços prestados mediante apresentação pelo Besc de documentação comprovando os serviços. O pagamento era realizado mediante retenção na fonte dos tributos de que trata a Instrução Normativa Conjunta n° 01 e 02 e o líquido creditado na conta de Reserva Bancária do Besc. Junta cópia do contrato e dos Termos Aditivos relativos aos serviços prestados de 1997 a 1999. Consigna que o INSS não atendeu às inúmeras solicitações de fornecimento dos comprovantes de retenção, e esclarece ter firmado recibos de prestação de serviços, reconhecidos por aquela Autarquia, conforme documentos que junta. Apresenta, ainda, declarações das retenções firmadas em ofícios do INSS, esclarecendo divergências ali constantes, e ressaltando que eles já haviam sido apresentados com a manifestação de inconformidade. Ressalta que sempre foi remunerado pela Autarquia do INSS pelo valor líquido, restando demonstrado na documentação juntada a existência dos créditos considerados pela contribuinte. Em seu entendimento, seu direito líquido e certo não pode mais ser prejudicado pelo não cumprimento de obrigação legal por parte do INSS em não fornecer os comprovantes à pessoa jurídica beneficiária. A divergência existente deverá ser solucionada mediante a troca de informações entre o Fisco e o INSS. Totaliza em R$ 611.683,75 as retenções verificadas de 1997 a 1999, das quais R$ 234.137,50 foram declarados pelo INSS, sendo certa a existência dos créditos utilizados em compensação. Pede, assim, na forma da legislação de regência, a compensação total da DCOMP nº 34162.78422.070104.1.3.040890, de forma a reconhecer a homologação do valor de R$ 132.061,77 constante da ficha 29 da DIPJ/1999 do Contribuinte. Analisando o litígio, esta Relatora assim consignou no voto condutor da Resolução nº 110100.014: A contribuinte apresentou Declarações de Compensação – DCOMP para utilizar saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998 no valor de R$ 1.082.715,52, bem como pagamento indevido de estimativa relativa a dezembro/98 no valor original de R$ 1.732.422,17. Verificando que o pagamento de estimativa era devido, pois correspondia a débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa computou aquele valor na formação do saldo negativo de CSLL e assim, analisando a composição deste, reconheceu parcialmente o valor pleiteado, como abaixo demonstrado: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 6 5 Valores Pleiteados Valores Reconhecidos CSLL apurada 2.780.996,08 2.780.996,08 07/98 (761.472,76) 07/98 (761.472,76) 08/98 (730.630,99) 08/98 (730.630,99) Estimativas Compensadas 09/98 (81.672,09) 09/98 (81.672,09) Outras Compensações 09/98 (132.061,77) 09/98 09/98 (591.230,73) 09/98 (591.230,73) 10/98 (849.894,61) 10/98 (849.894,61) 11/98 (718.418,69) 11/98 (718.418,69) Estimativas Pagas 12/98 (1.732.422,17) Saldo Negativo Total (1.084.385,56) (2.684.745,96) Comp. s/ DCOMP 09/99 1.670,03 09/99 1.649,24 Saldo Negativo utilizado (1.082.715,53) PGIM 12/98 (1.732.422,17) Crédito total (2.815.137,70) (2.683.096,72) A parcela de R$ 132.061,77, correspondente a estimativa compensada em setembro/98, não foi considerada nos cálculos em razão da seguinte motivação: Os valores retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos somente podem ser compensados na declaração quando o contribuinte possui comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O contribuinte não apresentou os comprovantes de rendimentos referentes à retenção na fonte do anocalendário e as DIRF não conferem com o valor utilizado pelo contribuinte, que sequer foi informado na linha relativa as retenções na fonte. Assim, não será considerada a dedução indicada na DIPJ como "outras compensações", no valor de R$ 132.061,77. Em recurso voluntário, a contribuinte questiona seu direito à compensação de valores retidos na fonte pelo Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS. Discorda da decisão recorrida que rejeitou tal dedução ante a ausência do comprovante de retenção e em razão da ineficácia dos demais documentos apresentados com a manifestação de inconformidade. Naquela ocasião, a contribuinte apresentou demonstrativo das tarifas pagas pelo INSS – Exercício 1998, do qual constava a contabilização em 1998 de retenções de IRPJ (R$ 265.288,99) e CSLL (R$ 110.537,08) verificadas sobre os valores dos serviços prestados àquela Autarquia de janeiro/97 a setembro/98 (fl. 168). Na seqüência, ofício emitido pela Coordenação Geral de Finanças/Divisão de Controle Financeiro do INSS, em 17/02/98, informa as retenções verificadas em 1997, em valores próximos daqueles apontados no demonstrativo anterior (fl. 169). Ainda, outro ofício datado de 06/08/97 relaciona retenções mensais de dezembro/96 a junho/97 (fl. 170). Os serviços prestados ao INSS consistiriam em arrecadação de contribuições e pagamento de benefícios, relacionados em recibos emitidos pela recorrente de janeiro a dezembro/97, e possivelmente apresentados à mencionada Divisão de Controle Financeiro do INSS conforme protocolo neles apostos (fls. 171/192). As deduções de IRPJ e CSLL sobre estes valores estão consignadas de forma manuscrita nestes documentos. Em recurso voluntário, a contribuinte atualizou o demonstrativo das tarifas pagas pelo INSS, fazendo ali constar também informações de retenções de Contribuição ao PASEP, e alterando os valores totais de retenção a título de IRPJ (R$ 267.804,45) e Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 7 6 CSLL (R$ 111.585,19). Acrescentou, ainda, demonstrativo das retenções relativas aos serviços de outubro/98 a fevereiro/99, no valor total de R$ 35.808,48 a título de CSLL (fl. 263). Observase também que, neste segundo momento da defesa, a recorrente apresenta, junto a alguns dos recibos por ela emitidos, outros aparentemente emitidos pelo INSS, denominados remuneração geral detalhada, seguidos de discriminativo de recibo, nos quais há indicação dos valores retidos sobre os serviços de arrecadação e de pagamento de benefícios, mas todos pertinentes a 1999. A recorrente ainda juntou cópia de contrato firmado com o INSS em 01/03/97, com vigência de 24 meses (fls. 230/240), do qual se extrai: CLÁUSULA VIII Pela execução dos serviços de arrecadação o INSS pagará ao BANCO, por unidade de documento, a partir de 01/03/97, os seguintes preços: a) R$1,92 (um real e noventa e dois centavos), para GRPS em meio magnético e GRPS3 e resíduo de GRPS, com prestação de contas em meio magnético; e b) R$1,84 (um real e oitenta e quatro centavos), para carnê do contribuições individuaisGRCI e resíduo de GRCI, com prestação de contas em meio magnético. c) R$ 1,41 (um real e quarenta e um centavos), para carnê de contribuições individuaisGRCI, com prestação de contas em papel, até que se cumpra o estabelecido no Parágrafo Terceiro desta Cláusula. [...] CLÁUSULA IX – O valor arrecadado será transferido ao INSS, no primeiro dia útil após o seu recolhimento, pela Agencia Centralizadora Nacional do BANCO, mediante apresentação do documento de crédito à conta nº 193.8037, mantida pelo INSS no BANCO DO BRASIL S/A, Agencia CentralBrasilia DF. PARÁGRAFO PRIMEIRO O produto da arrecadação diária poderá permanecer com o BANCO, pelo prazo máximo de dois dias úteis a partir da data do seu recolhimento, hipótese em que o BANCO ficará obrigado a remunerar o INSS, do dia útil seguinte ao da arrecadação até o efetivo repasse, com base na variação da "Taxa Referencial de Títulos FederaisRemuneração". PARÁGRAFO SEGUNDO O resultado da remuneração a que se refere o parágrafo primeiro será recolhido ao INSS em conta própria, mencionada no "caput” desta cláusula, no mesmo dia da transferência dos recursos que deram origem à remuneração. [...] CLÁUSULA XI O pagamento de benefícios será realizado pelo BANCO, por formulários ou meios magnéticos, com base nas informações individualizadas por beneficiários a serem remetidas pelo INSS através da Empresa de Processamentos de Dados da Previdência SocialDATAPREV, ficando o BANCO, responsável pela fiel execução do Pagamento. [...] CLÁUSULA XII Pela execução dos serviços de pagamento e processamento de beneficias, o INSS pagará ao BANCO, por unidade de documento, a partir de 01/03/97, os seguintes preços: a) R$ 1,56 (um real e cinqüenta e seis centavos), por beneficios incluídos em meio magnético e pagos através de Cartão Magnético de Benefícios ou Crédito Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 8 7 em ContaCorrente, que permita ao aposentado/pensionista acesso para saque em todas as agências do Banco, em qualquer localidade do Pais; b) R$ 1,42 (um real e quarenta e dois centavos), por beneficias incluídos em meio magnético e pagos através de Cartão Magnético de Benefícios ou Crédito em ContaCorrente, com acesso para saques restrito à agência de domicilio bancário do beneficiário, e demais modalidades de pagamentos de benefícios efetuados pelas denominadas Agencias Pioneiras; e c) R$ 0,71 (setenta e um centavos), por benefícios incluídos em meio magnético e pagos através da emissão de recibos, e demais modalidades de pagamentos de benefícios, não incluídos em meio magnético. CLÁUSULA XIII Os valores correspondentes aos preços de que tratam as cláusulas VIII e XII, serão pagos pelo INSS até o 10o (décimo) dia útil do mês subsequente ao mês da prestação do serviço, desde que o BANCO entregue, nos prazos estabelecidos os documentos e as fitas magnéticas de prestação de contas de arrecadação e beneficios, conforme estabelecido na Cláusula XVIII deste instrumento, e ainda com a apresentação mensal dos seguinte documentos: a) Nota Fiscal/Fatura ou documento equivalente, em, 02 (duas) vias, discriminando o valor correspondente à prestação dos serviços. As retenções a que se referem a Instrução Normativa Conjunta n° 01, de 09/01/97, publicada no DOU nº 10, de 15/01/97, Seção I, pág, 1761, da Secretária da Receita Federal e da IN nº 02, de 29/01/97, publicada no DOU n° 21, de 30/01/97, Seção I, pág. 1761 a 1763, serão processadas pelo INSS e informado ao BANCO, através da Coordenação Geral de Finanças, e b) Cópia da Guia de Recolhimento da Previdência SocialGRPS e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS do contratado, devidamente quitadas, relativa ao mês da última competência vencida. Termo Aditivo de 02/05/98 alterou, a partir de maio/98, o preço pela execução dos serviços de pagamento e processamento de benefícios (fls. 242/244). Destas disposições contratuais concluise que a contribuinte, ao prestar serviços ao INSS, creditava em favor deste a arrecadação recebida no dia anterior, bem como executava pagamentos por ordem daquela Autarquia. Ao final do mês, entregues os documentos e fitas magnéticas de prestação de contas, bem como a nota fiscal dos serviços prestados (ou documento equivalente), o INSS lhe promovia o pagamento correspondente até o 10o dia útil subsequente, obrigandose a processar as retenções e informálas ao BANCO, através da Coordenação Geral de Finanças. E, à vista dos documentos juntados a estes autos, constatase que os documentos equivalentes à nota fiscal de serviços emitidos pelo BESC foram os recibos de serviços prestados, protocolados junto à Divisão de Controle Financeiro do INSS, a qual integra a mencionada Coordenação Geral de Finanças. A partir daí, a recorrente assevera que a retenção era promovida e o líquido creditado na conta de Reserva Bancária do Besc. Assim, as anotações manuscritas das retenções foram registradas pela própria recorrente, mediante estimativa do valor que seria retido, em razão dos serviços prestados, ou após a retenção ter efetivamente ocorrido. Vejase que o art. 64 da Lei no 9.430/96, de fato, exigia do INSS a retenção de impostos e contribuições quando do pagamento por estes serviços prestados: Art.64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade socialCOFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 9 8 §1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. §2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. §3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. §4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. §5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. §6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. §7º O valor da contribuição para a seguridade socialCOFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. §8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. E a Instrução Normativa Conjunta SRF/STN/SFC no 4/97 deixa claro que tais retenções se verificavam, inclusive, sobre a prestação de serviços bancários: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias e fundações federais reterão, na fonte, o imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ, bem assim a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, a contribuição para a seguridade social COFINS e a contribuição para o PIS/PASEP sobre os pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor que estiver sendo pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art.15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. § 1º O percentual a ser aplicado sobre o valor a ser pago corresponderá à espécie de bem fornecido ou de serviço prestado, conforme estabelecido em contrato. § 2º Caso o pagamento se refira a contratos distintos de uma mesma pessoa jurídica pelo fornecimento de bens e de serviços com percentuais diferenciados, aplicarseá o percentual correspondente a cada fornecimento contratado. [...] Anexo I Tabela de Retenção Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 10 9 ALÍQUOTAS IR CSL COFINS PIS/ PASEP NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO (01) (02) (03) (04) (05) PERCEN TUAL A SER APLI CADO (06) CÓDIGO DE RECOLHI MENTO (07) [...] serviços prestados por bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, socieda des corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência aberta. 2,40 1 0 0,75 4,15 6188 É certo que o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 3.000/99, assim dispõe acerca das retenções de imposto de renda na fonte, assemelhadas ás retenções de CSLL aqui em debate: Art 815. As pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 64). [...] Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Contudo, ainda que a contribuinte não disponha dos comprovantes de retenção que, a teor do acima exposto, a Autarquia Federal deveria ter lhe fornecido, é razoável crer que a retenção efetivamente ocorreu e, desta forma, admitir sua prova por outros meios. Nas condições expressas nos contratos apresentados, esperado seria que a contribuinte contabilizasse as receitas decorrentes dos serviços prestados em contrapartida a um direito em face do INSS e, ao receber o valor líquido da retenção, além do débito em disponibilidades, constituísse os novos direitos decorrentes daquela retenção (tributos a recuperar), ambos em contrapartida à baixa do direito de crédito em face do INSS. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 11 10 Ante as demais evidências presentes nestes autos, acerca dos serviços prestados pela recorrente, a demonstração daquele fluxo contábil, juntamente com os recibos de serviços prestados e a prova do crédito do valor líquido pela contratante, seriam evidências suficientes de que a retenção em debate efetivamente ocorreu. Por sua vez, as demais autoridades administrativa e julgadora que apreciaram a matéria, exigindo a apresentação dos correspondentes comprovantes de retenção, não cogitaram de provas substitutivas. De outro lado, no Anexo 05 ao recurso voluntário a contribuinte apenas traz indícios desta contabilização, consignando a data do registro contábil do valor a receber ou recebido, bem como a data do registro da retenção, em sua maioria em 24/08/98, relativamente aos serviços prestados até junho/98; a partir dos rendimentos de agosto/98, as retenções são contabilizadas na mesma data do valor a receber ou recebido, mas já em outubro/98 vêse o registro apenas em 08/01/99, a indicar um provável atraso na prestação de contas pelo BESC ou no pagamento dos serviços pelo INSS (fls. 262/263). Vejase, ainda, que nos ofícios juntados às fls. 305/306, o INSS presta informação de retenções de 1997, ressalvando que os valores informados correspondem ao mês em que foram retidos e repassados ao Tesouro Nacional e não ao mês da prestação dos serviços. A contribuinte, por sua vez, associa estes valores aos recibos de serviços prestados da seguinte forma: INSS Demonstrativo do Contribuinte Mês Retenção PA Serviços Dedução Retenção Fevereiro 18.768,61 01/97 452.256,10 18.768,63 Março 36.817,35 02/97 434.279,95 18.022,62 Abril 19.288,38 03/97 484.902,42 20.123,45 Maio 19.901,88 04/97 486.226,60 20.178,40 Junho 19.849,69 05/97 478.305,86 19.849,69 Julho 20.037,75 06/97 482.837,56 20.037,76 Agosto 20.402,22 07/97 491.620,03 20.402,23 Setembro 21.237,00 08/97 481.244,73 19.971,66 Outubro 19.070,29 09/97 492.582,53 (1.374,75) 20.499,23 Novembro 19.233,86 10/97 481.541,80 (1.089,93) 20.029,22 Dezembro 19.530,47 11/97 482.077,20 (1.164,66) 20.054,54 Os documentos apresentados para 1999 evidenciam que freqüentemente existiam distorções entre a remuneração esperada pelo BESC e aquela reconhecida pelo INSS. Além do preço dos serviços prestados, valores a título de multa, dedução e inclusão eram considerados antes da apuração da remuneração devida, e sobre esta a retenção era calculada (fl. 296/309). Todavia, como se vê abaixo, as diferenças são imateriais: Mês BESC INSS Retenção 03/99 517.157,48 517.153,58 36.459,33 04/99 512.519,64 512.514,34 36.132,26 06/99 518.118,87 518.118,87 36.527,38 Frente a este contexto, há evidências de que a contribuinte, de fato, prestou serviços ao INSS, em valores próximos aos consignados nos recibos juntados a estes autos, e, em tais condições, eram esperadas retenções na fonte na forma do art. 64 da Lei nº 9.430/96. Assim, é mais razoável supor que a Autarquia Federal tenha promovido a retenção e, apenas, descumprido as obrigações acessórias de fornecer comprovantes de retenção e prestar a correspondente informação em DIRF. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 12 11 Tais retenções, por sua vez, poderiam ser inferidas a partir do valor dos serviços que teriam sido prestados, bem como da demonstração dos valores líquidos contabilizados em razão do direito daí decorrente. Todavia, há nos autos apenas indicações de como teria procedido a contribuinte, sendo necessário confirmar, junto à sua escrituração contábil, o efetivo reconhecimento da receita de serviços prestados ao INSS, bem como o seu recebimento líquido das retenções exigidas por lei. Recordese, outrossim, que as retenções passíveis de dedução na apuração de estimativas do IRPJ, e assim também da CSLL, são aquelas decorrentes de receitas incluídas na base de cálculo que ensejou a apuração do tributo a ser por elas reduzidos, na forma da Lei no 9.430/96 c/c a Lei no 8.981/95: Lei no 9.430/96 Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Lei no 8.981/95 Art. 34. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado no mês, o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente (arts. 28 ou 29), bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, ValeTransporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual, Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 13 12 observados os limites e prazos previstos na legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano calendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (negrejouse) Necessário, portanto, diligenciar junto à contribuinte para verificar quais valores, correspondentes a serviços prestados até setembro/98, e assim incluídos no balancete de suspensão/redução que resultou na apuração da estimativa daquele mês (fl. 72), deixaram de ser recebidos por conta das retenções exigidas pelo art. 64 da Lei nº 9.430/96, ainda que tais retenções tenham sido efetuadas posteriormente àquela apuração. Antes porém, é relevante registrar a possibilidade de outra interpretação acerca dos dispositivos mencionados, no sentido de que a dedução das retenções na fonte deve ser admitida no período em que efetuadas, se provada a inclusão das receitas correspondentes na determinação do lucro tributável daquele, ou de outro período de apuração, em observância às regras aplicáveis ao reconhecimento contábil da receita. Nesta segunda visão, as retenções efetivadas de janeiro a setembro/98 poderiam ter sido utilizadas para liquidação da CSLL apurada no balancete de redução de setembro/98, desde que as receitas das quais elas decorreram tivessem sido regularmente oferecidas à tributação, mesmo em outro período de apuração. Por tais razões, voto por CONVERTER EM DILIGÊNCIA o presente julgamento, para que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, tendo em conta os demonstrativos de fls. 262/263, confirme, junto à sua escrituração: a) os registros contábeis e documentação comprobatória das receitas auferidas e oferecidas à tributação até setembro/98, em razão de serviços prestados ao INSS, bem como o seu posterior recebimento pelo valor líquido, de forma a determinar os valores efetivamente retidos em razão das receitas auferidas até setembro/98, para deles destacar a parcela correspondente à CSLL; b) os registros contábeis e documentação comprobatória das retenções na fonte promovidas pelo INSS de janeiro a setembro/98, evidenciadas pela contabilização do recebimento líquido dos serviços prestados nestes ou em outros períodos, bem como a Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 14 13 comprovação da inclusão das receitas que ensejaram tais recebimentos na base de cálculo da CSLL dos períodos de apuração pertinentes. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado das providências adotadas, evidenciandose as retenções confirmadas e as receitas oferecidas à tributação em ambas as hipóteses citadas, disto cientificandose a contribuinte, com reabertura do prazo do 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A autoridade fiscal responsável pela diligência intimou a sucessora da contribuinte a comprovar o que exigido nos dois tópicos finais da Resolução nº 110100.014, acima transcritos (fl. 322) e, depois de requerer cópia deste processo administrativo (fl. 325), a intimada requereu e obteve prorrogações de prazo para atendimento à requisição fiscal (fl. 330 e 336). Na seqüência, consta Demonstrativo das Tarifas pagas pelo INSS – 1997/1998 (fls. 332/333) e posterior resposta da intimada, apresentando os registros contábeis das receitas auferidas do INSS e oferecidas à tributação dos meses de Janeiro até dezembro de 1997, conforme tabela, que totaliza em R$ 235.912,59 as retenções sofridas. Nova reprodução do Demonstrativo das Tarifas pagas pelo INSS – 1997/1998 é acompanhada de reprodução do Livro Razão com lançamentos de 01/01/97 a 31/12/97 (fls. 344/374). Ao final, a autoridade fiscal responsável pela diligência relata os procedimentos realizados e conclui que: 4. Dá análise da documentação apresentada pelo contribuinte, confirmase o recebimento dos registros contábeis do período, destacados pelo próprio os valores em amarelo (fls. 352, 354, 356, 358, 360, 362, 364, 366, 367, 369, 371 e 373) segundo resumido em tabela a fl. 342 da resposta, para os valores líquidos dos meses de janeiro a dezembro de 1997. 5. Ressaltamse os lançamentos a crédito de R$ 14.866,02 (fl.358), de R$ 39.985,85 (fl. 360) e R$ 77,32 (fl. 364) não incluídos como receita líquida para os meses de abril, maio e julho respectivamente (fls. 126.381, 119.226 e 137.033 em ordem do razão). Cientificada, a sucessora da contribuinte não se manifestou, e os autos foram devolvidos a este Conselho. (fls. 375/377). Em razão de sorteio, os autos foram distribuídos ao Conselheiro Marciel Eder Costa, que os devolveu para distribuição a esta Turma Ordinária, em razão do disposto no art. 49, §7o do Anexo II do RICARF (fls. 757/762 do processo digitalizado) Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 15 14 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, a homologação parcial da compensação decorreu da não comprovação dos valores consignados na composição do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1998 sob a rubrica “outras” compensações, no valor de R$ 132.061,77. Deste montante, a interessada vinculou a parcela de R$ 110.537,08 a retenções de CSLL promovidas pelo INSS, e somente em relação a ela circunscreveuse a argumentação tecida em recurso voluntário. Inicialmente, assim demonstrou a composição de referida parcela, às fls. 168: Durante a diligência, as deduções promovidas pelo INSS por ocasião do pagamento dos serviços prestados foram alteradas, bem como o cálculo da CSLL retida, que assim acabou tendo seu total elevado para R$ 111.585,19, conforme demonstrado à fl. 332: Fl. 776DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 16 15 De toda sorte, as retenções permaneceram vinculadas a receitas que teriam sido auferidas de janeiro/97 a setembro/98, mas recebidas de janeiro/98 a outubro/98, com o conseqüente registro (possivelmente contábil) da retenção de 24/08/98 a 15/10/98. Diante deste semelhante contexto verificado por ocasião da expedição da Resolução nº 110100.014, esta Relatora requereu que fosse confirmado junto à escrituração da interessada os os registros contábeis e documentação comprobatória das receitas auferidas e oferecidas à tributação até setembro/98, em razão de serviços prestados ao INSS, bem como o seu posterior recebimento pelo valor líquido, de forma a determinar os valores efetivamente retidos em razão das receitas auferidas até setembro/98, para deles destacar a parcela correspondente à CSLL. Subsidiariamente requereuse a identificação, apenas, das retenções promovidas de janeiro a setembro/98, com vistas a subsidiar outro direcionamento decisório mais restritivo quanto à admissibilidade de tais deduções. Contudo, como relatado, a interessada apenas demonstrou o registro contábil das receitas auferidas de janeiro a dezembro/97, assim enunciadas na petição de fl. 342: Fl. 777DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 17 16 Constatase nos registros apresentados que as receitas antes vinculadas a períodos de apuração a partir de janeiro/97, em verdade, estão contabilizadas a partir de fevereiro/97, mas somente mediante demonstração do creditamento do valor líquido recebido em lançamentos do Livro Razão na conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS”, e ainda com divergência de valores nos meses de abril, maio e junho/97, como apontado pela autoridade fiscal responsável pela diligência. Supondose que a conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS” prestese ao registro de receitas auferidas em tais operações, a dúvida apresentada por ocasião da Resolução nº 110100.014 não está solucionada. Como ali consignado, buscavase uma prova substitutiva das retenções sofridas pela interessada em razão de serviços prestados ao INSS, a qual estaria expressa em sua contabilidade, a evidenciar quais montantes deixaram de ser recebidos por conta das retenções exigidas pelo art. 64 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, a prova apresentada demonstra o registro das receitas pelo valor líquido que teria sido recebido, o que infirma a existência de retenções. Isto porque, as receitas de prestação de serviço devem ser registradas por seu valor bruto, e apenas o direito de crédito em favor do tomador do serviço é minorado pelas retenções que serão praticadas. O direito de crédito, inclusive, pode ser contabilizado a débito pelo valor bruto da receita a ser recebida, e a retenção registrada apenas por ocasião do recebimento deste crédito já reduzido pela retenção. Em tais condições, o ativo correspondente ao recebimento será debitado pelo valor líquido recebido, e um outro direito surgirá pelo débito da retenção sofrida, correspondente à antecipação de tributo que poderá ser deduzida na sua apuração final. No presente caso, se a contribuinte registrou as receitas decorrentes dos serviços prestados pelo valor líquido a ser recebido, sua contabilidade não evidenciará as retenções sofridas, pois no momento do recebimento do direito este será baixado pelo valor líquido recebido, sem a possibilidade de contrapartida constitutiva do direito representado pela antecipação do tributo. E isto em razão de a receita ter sido contabilizada por valor inferior ao bruto auferido. Conseqüência disto é não só a redução do lucro apurado no período, como também a impossibilidade de aferir se as retenções pertinentes a receitas auferidas antes do anocalendário 1998 foram, eventualmente, utilizadas em deduções anteriores. Necessário, portanto, não só identificar a natureza da conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS”, como também a prática contábil adotada pela contribuinte para registro completo das operações resultantes dos serviços prestados ao INSS. Oportuno registrar, porém, que em procedimento fiscal desenvolvido em paralelo para verificação das retenções sofridas pela mesma contribuinte no âmbito do imposto de renda (processo administrativo nº 11516.003199/200395), a autoridade fiscal responsável constatou e demonstrou que a contabilização das receitas na mesma conta em referência foi realizada pelo seu valor bruto, de modo que o direito também reconhecido pelo valor bruto foi liquidado em contrapartida a disponibilidades e a conta representativa de imposto a recuperar. Incompreensível, portanto, a razão de, no presente caso, a conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS” apresentar registros equivalentes aos valores que a contribuinte, em seus demonstrativos, aponta ser o líquido recebido do INSS. Por tais razões, o presente voto é no sentido de, novamente, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o presente julgamento, para que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, tendo em conta os demonstrativos de fls. 262/263 e aqueles agora apresentados às Fl. 778DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.003123/200360 Resolução nº 1101000.120 S1C1T1 Fl. 18 17 fls. 332 e 342, confirme, junto à sua escrituração os registros contábeis e documentação comprobatória das receitas auferidas e oferecidas à tributação até setembro/98, em razão de serviços prestados ao INSS, bem como o seu posterior recebimento pelo valor líquido, de forma a determinar os valores efetivamente retidos em razão das receitas auferidas até setembro/98, para deles destacar a parcela correspondente à CSLL. Significa dizer que a contribuinte deverá demonstrar os lançamentos contábeis promovidos por ocasião da prestação dos serviços ao INSS e de seu recebimento, apresentando os registros correspondentes no Livro Razão e esclarecendo a natureza das contas contábeis envolvidas, para assim identificar a origem das retenções de CSLL no valor de R$ 110.537,08 deduzidas em sua apuração no balancete de suspensão/redução de setembro/98. Ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado dos procedimentos desenvolvidos e decorrentes conclusões, disto cientificando a interessada com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 779DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10920.002435/2007-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 12/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento, configura-se a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.
Recurso especial do Contribuinte não conhecido e da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9202-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do Contribuinte. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões, no recurso da Fazenda Nacional, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 25/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento, configurase a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Recurso especial do Contribuinte não conhecido e da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do Contribuinte. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões, no recurso da Fazenda Nacional, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 35 /2 00 7- 45 Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 25/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata o presente processo, de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, com a multa prevista no art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. A Contribuinte não informou à Previdência Social, por meio de GFIP, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências de janeiro de 1999 a outubro de 2006. Em sessão plenária de 18/01/2012, foi julgado o Recurso Voluntário 257.896, prolatandose o Acórdão 230201.541 (fls. 1.299 a 1.305), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 9202003.038 CSRFT2 Fl. 14 3 A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” A decisão foi assim resumida: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi concedido provimento parcial ao recurso. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência parcial da decadência. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela relativa à assistência médica.” Cientificada do acórdão em 28/02/2012 (fls. 1.306), a Fazenda Nacional interpôs, em 1º/03/2012 (fls. 1.308), o Recurso Especial de fls. 1.307 a 1.347, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a aplicação da penalidade. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2300 145/2012, de 07/03/2012 (fls. 1.350/1.351). O apelo contém os seguintes argumentos, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 quantificação para penalidades diferentes , decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP n° 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei n° 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei n° 8.212/91 (multa isolada). com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigos 32A e 35A, ambos da Lei n° 8.212/91; tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8 .212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20%. Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP n° 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que remete a aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96; a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição no caso de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei n°8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91; essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais (NFLDs 35.834.4492 e 35.834.4506, fl. 26) em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei n° 9.430/96); Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 9202003.038 CSRFT2 Fl. 15 5 nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja admitido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido no ponto em que este determinou a aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, e determinandose seja adotada a tese referendada nos acórdãos paradigmas, no sentido de que se verifique, na fase de execução do julgado, qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada); ou aquela prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Cientificados do acórdão, do recurso da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 27/03/2012, os Contribuintes Gidion S/A Transporte e Turismo, Bogotur Transporte e Turismo Ltda e Viação Verdes Mares Ltda. interpuseram, em 11/04/2012, o Recurso Especial de fls. 1.370 a 1.399, visando rediscutir a decadência e, na mesma data, ofereceram ContraRazões ao recurso da Fazenda Nacional (fls. 1.363 a 1.369). As ContraRazões contêm os seguintes argumentos, em resumo: cumpre salientar que à época da referida notificação, o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, obedecia a sistemática traçada no § 4º do mesmo artigo, concomitantemente com o artigo 35, II, da referida lei; com o advento da MP nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterouse a forma de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória; neste sentido, continuouse traçando duas hipóteses de cálculo de multas diferentes, agora disciplinadas pelo artigo 32A e 35A da Lei nº 8.212/91; no entanto, a referida lei é clara ao direcionar para o cálculo do artigo 32A, os casos em que o contribuinte deixar de apresentar a declaração de que trata o artigo IV do caput do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, enquanto que para o artigo 35A devem ser direcionados os casos em que houver lançamento de oficio relativo às as contribuições referidas no artigo 35 da referida lei; ora, o fato de “deixar de declarar valores em GFIP”, é conduta distinta da “deixar de recolher contribuições”; neste sentido, muito bem arrazoou o D. Relator, nas razões de voto do acórdão ora combatido pela Recorrente; no mesmo sentido também já se manifestou a Câmara Superior: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/09/2003 Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega em atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do § 5º do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Acórdão nº 920201.674 – 2ª Turma. Sessão de 26/07/2011 Câmara Superior de Recursos Fiscais. como muito bem concluiu o r. Conselheiro no voto vencedor do acórdão desta emérita Câmara Especial, “... Posição contrária, com aplicação do artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, citado no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, poderia, salvo melhor juízo, implicar em retroatividade prejudicial ao contribuinte”;. desta forma, não merecem prosperar as razões de apelo da Fazenda Nacional no que se refere a aplicação da multa mais benéfica, comparandose pelas duas multas anteriores, devendo ser mantido o cálculo da multa, apenas pela regra do artigo 32A, da Lei nº 8.212/91. Ao final, os Contribuintes pedem que se negue provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, confirmandose o acórdão recorrido, no que se refere a aplicação da multa mais benéfica: artigo 32A, da Lei nº 8.212/91. Ao Recurso Especial, interposto pelos Contribuintes, foi dado seguimento, conforme o Despacho 2300210/2012, de 08/05/2012 (fls. 1.402). O apelo contém os seguintes argumentos, em síntese: conforme se depreende do voto do acórdão ora combatido, o próprio Conselheiro Relator afirma que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, e por isso, em regra devem observar o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, entretanto entendeu que, em se tratando de lançamento de oficio, devese observar a regra prevista no art. 173 do CTN; ora, salvo melhor juízo, razão não lhe assiste, já que, conforme demonstrado em ambas as divergências juntadas, e muitos outros julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em havendo recolhimento parcial da contribuição previdenciária, a regra a ser utilizada é a do art. 150, § 4º, do CTN; ressaltase que as contribuições previdenciárias lançadas se referem a valores que foram somados aos salários de empregados e dirigente, o que por si só, demonstra que as ora Recorrentes já haviam efetuado pagamento parcial da referida contribuição; ante o exposto, entendem as ora Recorrentes que deve ser observado na presente autuação, para cômputo da decadência e prescrição, a regra determinada no art. 150, § 4º, logo as competências anteriores a junho de 2002 estão fulminadas pela decadência e prescrição. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 9202003.038 CSRFT2 Fl. 16 7 Ao final, os Contribuintes pedem que o recurso seja recebido e acatado, reformandose a decisão recorrida, ou determinandose o seu retorno para o devido conhecimento e julgamento do mérito em questão, restando reconhecido o direito de aplicar, para cômputo da decadência e prescrição, a regra determinada no art. 150, § 4º, do CTN. Cientificada do recurso do Contribuinte em 22/05/2012, a Fazenda Nacional ofereceu, em 31/05/2012, as ContraRazões de fls. 1.405 a 1.416, contendo os seguintes argumentos, em síntese: Preliminar para fundamentar a divergência jurisprudencial de exigência regimental, o contribuinte apresenta os Acórdãos 280300.554 e 20601.792, porém estes não configuram paradigma, pois tratam de situações diversas da discutida nos presentes autos: enquanto o acórdão recorrido aborda o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, os precedentes invocados tratam de lançamento de contribuições previdenciárias pelo descumpri mento da obrigação principal; para a devida configuração de divergência quanto à aplicação da norma legal no caso de contagem do prazo decadencial, o recorrente deveria ter suscitado julgado que tratasse da mesma hipótese versada neste processo; ao colacionar precedentes que enfocam situação distinta da abordada no acórdão recorrido, o contribuinte não logra nenhum êxito em demonstrar o dissídio jurisprudencial exigido para fins de admissibilidade recursal; sendo assim, o Recursal Especial não merece ser conhecido, por claro descumprimento das normas regimentais de regência. Mérito a decadência consubstanciase em fenômeno jurídico que gera a corrosão de determinado direito em razão da inércia do seu titular em exercêlo no prazo legalmente devido, impedindo a perpetuação de situações jurídicas de sujeição, com vistas a salvaguardar o postulado da segurança jurídica; em sede tributária, a decadência atine à extinção do direito de o Fisco promover a constituição do credito tributário, mediante lançamento, ante a inobservância do prazo legal para a consecução deste ato (cita doutrina de Paulo de Barros Carvalho); o Código Tributário Nacional disciplina a contagem do prazo decadencial, no que fixa distinções em consonância com a natureza do lançamento do tributo; no lançamento de oficio, a Fazenda Pública tem o prazo de um lustro para promover o lançamento, contado na forma prescrita no art. 173, I, do CTN; de outra parte, no tocante aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que há atuação do contribuinte no cálculo e pagamento antecipado do tributo devido sem prévio exame da autoridade administrativa, o interstício de cinco anos tem sua contagem de modo diferenciado, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 notase que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, o marco inicial para a contagem do curso decadencial, em regra, é a data da ocorrência do fato gerador, ressalvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; contudo, ainda no terreno dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é preciso ter em mente duas situações factíveis, que operam reflexos diversos em relação à contagem do prazo decadencial; a primeira é aquela em que o contribuinte efetua o pagamento a menor tempestivamente, devendo as diferenças ser lançadas nos cinco anos seguintes contados da ocorrência do fato gerador, conforme reza o art. 150, § 4º; uma segunda possibilidade ocorre quando o contribuinte não promove nenhum pagamento, caso em que o lançamento de oficio deve ocorrer no quinquênio seguinte, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser constituído o crédito, nos termos do art. 173, I, do CTN; essa conclusão decorre da singela razão de que, ante a ausência total de pagamento por parte do contribuinte, não haveria o que a Administração homologar, pois a homologação não pode atuar sobre o nada; nessa circunstância, imperativo o lançamento de oficio dos montantes devidos na forma do art. 149 do CTN, e não por homologação, o que atrai inexoravelmente a incidência da regra estampada no art. 173, I, do CTN; essa distinção encontrase absolutamente sedimentada na doutrina e jurisprudência pátrias, não havendo nenhum questionamento quanto às premissas aqui postas (cita doutrina de Luciano Amaro); o extinto Tribunal Federal de Recursos já manifestava essa concepção no Enunciado nº 219 da sua Súmula, segundo o qual “Não havendo antecipação de pagamento, o direito de constituir o crédito previdenciário extinguese decorridos cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que ocorreu o fato gerador”; no Superior Tribunal de Justiça esse pensamento também está sedimentado e não mais dá azo a quaisquer questionamentos; o entendimento acima sedimentado e agora pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça não deixa espaços para outras divagações ou interpretações senão a amplamente exposta e defendida pela Fazenda Pública; ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie; depreendese dessa análise que, a despeito de o tributo sob cobrança encontrarse sujeito a lançamento por homologação, o aspecto crucial para determinar qual o regramento a prevalecer na contagem do prazo decadencial diz respeito à existência ou não de antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo; se houver pagamento parcial, vale o comando do art. 150, § 4º, do CTN; caso contrário, incide a regra do art. 173, I. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 9202003.038 CSRFT2 Fl. 17 9 fixadas essas balizas, cumpre voltar a atenção para o caso concreto, que cuida de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação tributária acessória por parte do contribuinte, gerando a aplicação de multa; de plano, na rota do raciocínio até aqui desenvolvido, não é difícil concluir que a situação em apreço, no tocante ao curso do interim decadencial, há de ser disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4°, pela simples razão de que é impossível conceber a existência de pagamento antecipado por parte do contribuinte em tal caso; com efeito, se o credito tributário decorre de penalidade infligida ao sujeito passivo porque descumpriu dever instrumental (fazer ou nãofazer determinada prestação) a que estava obrigado, entremostrase óbvia a inviabilidade da ocorrência de qualquer pagamento antecipado de sua parte, já que a quantia devida encontra sua origem no ato emanado da autoridade fiscal, em lançamento de oficio; neste ponto, importa esclarecer que a obrigação acessória tem por objeto “prestações positivas ou negativas” determinadas no “interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, segundo disciplina o art. 113 do CTN, de modo que a possibilidade de promover algum pagamento surge somente depois da conversão da obrigação acessória em principal, em relação à penalidade pecuniária; ou seja, no que tange as multas derivadas da inobservância de obrigações acessórias, tendo em conta a inviabilidade de antecipação de pagamento, o único regime jurídico que afigura compatível quanto ao cômputo do período decadencial é aquele previsto no art. 173, I, do CTN; tal conclusão é a única que se apresenta lógica e coerente com os comandos normativos de regência; sobre o assunto, convém a leitura de parte do voto do Conselheiro Tarásio Campelo Borges, em acórdão proferido pela então 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho de Contribuintes, que retrata o quanto aqui defendido: “No mérito, a decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar por força do disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal de 1988, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4º, e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Na situação fática que se apresenta, não há se falar em pagamento antecipado de tributo: o objeto do lançamento litigioso é uma penalidade. Assim, afasto o artigo 150, § 4º, para considerar pertinente ao caso concreto a regra do artigo 173." (Acórdão nº 30334.322, 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, Sessão de 23/05/2007) a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está repleta de decisões exaradas no mesmo sentido: “Ementa Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO. Consiste em infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de informar mensalmente ao INSS por intermédio da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 DECADÊNCIA – ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (Nº Recurso 245.835 Número do Processo 10945.003749/2007 87 Turma 6ª Câmara Data da Sessão 05/02/2009 Relator(a) Ana Maria Bandeira – Nº Acórdão 20601878) Ementa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 12/05/1999 a 20/11/2002 DECADÊNCIA – ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Período de apuração: 12/05/1999 a 20/11/2002 (...) (Nº Recurso 249095 Número do Processo 35067.003411/200661 Turma 6ª Câmara Data da Sessão 04/11/2008 Relator(a) Ana Maria Bandeira N° Acórdão 20601499) Número do Recurso: 150637. Câmara: SEXTA CÂMARA Número do Processo: 11176.000142/200766. Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO. Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Recorrente: HOSPITAL E MATERNIDADE ENGENHEIRO BELTRÃO LTDA. Recorrida/Interessado: DRJCURITIBA/PR. Data da Sessão: 04/12/2008 14:00:00. Relator: Ana Maria Bandeira. Decisão: ACÓRDÃO 20601725. Resultado: DPU DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, declarouse a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Inteiro Teor do Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 9202003.038 CSRFT2 Fl. 18 11 Acórdão. Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 01/08/1995. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, 1, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido.” com essas considerações, apresentase cristalina a inexorável aplicabilidade do art. 173, I, do CTN, no caso em tela, para fins da contagem do prazo decadencial relativo ao crédito tributário afeto à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o Recurso Especial do Contribuinte não seja admitido e, caso assim não seja, que no mérito lhe seja negado provimento. Em 30/01/2014, quando já havia sido publicada a pauta de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais para o mês de fevereiro de 2014, com a inclusão do presente processo, foi solicitada a juntada de documentos, ainda pendente, já que não há possibilidade de levar a cabo tal procedimento enquanto o recurso se encontra em julgamento. Entretanto, os documentos cuja juntada encontrase pendente são passíveis de visualização pelo Sistema eprocesso, e nesse passo constatase que se trata de Requerimento de Desistência do Recurso Especial, protocolado em 29/01/2014 e dirigido ao Sr. Presidente da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, tendo em vista a adesão ao Parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, reaberto ao final de 2013, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15/10/2013. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de Recursos Especiais, interpostos pela Fazenda Nacional e pelos Contribuintes Gidion S/A Transporte e Turismo, Bogotur Transporte e Turismo Ltda e Viação Verdes Mares Ltda. O primeiro aborda o mérito (multa por descumprimento de obrigação acessória) e o segundo enfoca questão preliminar (ampliação da decadência). Preliminarmente, há que ser considerado o Requerimento de Desistência do Recurso Especial dos Contribuintes, tendo em vista a adesão ao Parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, protocolado em 29/01/2014 e ainda pendente de juntada aos autos. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, assim estabelece: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” Destarte, verificase que o pedido de parcelamento, por si só, já importa a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, ainda que não houvesse um requerimento formal nesse sentido, razão pela qual não há óbice à apreciação das questões tratadas no processo, sem necessidade de retirada de pauta para a efetivação da juntada de documentos que se encontra pendente. Diante do exposto, preliminarmente, não conheço dos Recursos Especiais interpostos pelos Contribuintes Gidion S/A Transporte e Turismo, Bogotur Transporte e Turismo Ltda e Viação Verdes Mares Ltda., que visavam a ampliação da decadência, tendo em vista a adesão ao Parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, reaberto ao final de 2013, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15/10/2013. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, que trata da multa por descumprimento de obrigação acessória, doulhe provimento, para considerar definitiva a exigência, tendo em vista o § 3º, do artigo 78, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009 e alterações posteriores. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.002435/200745 Acórdão n.º 9202003.038 CSRFT2 Fl. 19 13 Em síntese, não conheço dos Recursos Especiais interpostos pelos Contribuintes e dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, lembrando que a Secretaria da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve efetuar a juntada de documentos, que se encontra pendente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10510.722939/2011-93
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007,2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández (relator) que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Recorrente PAULO ANDRADE MESSIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007,2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández (relator) que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 39 /2 01 1- 93 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, para exigência de imposto, no valor de R$ 138.693,32, juntamente com multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, e multa exigida isoladamente, no valor de R$ 473,49. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado. Foi lançada, ainda, multa isolada pela falta de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), apurada nos meses de 2007 e 2008. Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente em parte para manter o imposto suplementar no valor de R$ 99.350,06, exonerando o valor de R$ 39.343,26, juntamente com os acréscimos legais correspondentes e exigir em processo separado o crédito tributário relativo à multa isolada, no valor de R$ 473,49, que não foi contestada. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário (fls. 150/), alegando em pequena síntese: a) nulidade da decisão recorrida por falta de análise da natureza dos rendimentos tributados com sendo provenientes da atividade empresarial, e) impossibilidade de tributação de rendimentos provenientes de “jogo do bicho” (ilícito), como rendimentos de pessoa física, em razão dos princípios da isonomia, razoabilidade, abstenção da ilicitude e pecúnia “non olet”. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB pelas instituições financeiras (fl. 23), realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas no ano calendário de 2006, 2007 e 2008, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Os extratos bancários foram apresentados diretamente pela instituição bancária, mediante RMF (fl. 23). Constatada a omissão de rendimentos foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10510.722939/201193 Acórdão n.º 2802002.768 S2TE02 Fl. 120 3 De início, suscito preliminar de nulidade do lançamento por vício material na colheita das informações bancárias sem prévia ordem judicial, em violação ao já decidido pelo STF. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a Constituição aos enunciados legais relacionados, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para o acesso ao sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) O Supremo Tribunal Federal, portanto, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Em verdade, a Corte Suprema adotou técnica hermenêutica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de interpretação específica, de modo a tornar os enunciados legais analisados compatíveis com a Constituição. Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídico dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da “interpretação conforme” para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição, quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF já se pronunciou no mesmo sentido. 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10510.722939/201193 Acórdão n.º 2802002.768 S2TE02 Fl. 121 5 A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das informações obtidas junto às instituições financeiras por meio do acesso aos dados bancários sem prévia autorização judicial ou do titular das contas bancárias. Por fim, decisão do TRF da 3ª Região, tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que o lançamento não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido e interpretado pelo STF. Vencido quanto à preliminar suscitada, passo a analisar o mérito do recurso interposto. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 As razões do recurso, em pequena síntese, alegam: a) nulidade da decisão recorrida por falta de análise da natureza dos rendimentos tributados com sendo provenientes da atividade empresarial, e; b) impossibilidade de tributação de rendimentos provenientes de “jogo do bicho” (ilícito), como rendimentos de pessoa física, em razão dos princípios da isonomia, razoabilidade, abstenção da ilicitude e pecúnia “non olet”. De plano, afasto a alegação de nulidade por ausência de fundamentação por falta de análise da natureza dos rendimentos tributados com sendo provenientes da atividade empresarial, diante da expressa abordagem do tema pela DRJ, a seguir: O impugnante alega que exerce atividade de natureza empresarial, e que portanto, os tributos a serem exigidos são os próprios da pessoa jurídica, e não os da pessoa física. Contudo, não traz provas de que os depósitos bancários objeto do lançamento fiscal se referem a fluxo financeiro de sua atividade empresarial. O fato de ter sido indiciado por explorar atividade ilegal do jogo do bicho não comprova por si só que os depósitos em questão tenham se originado de tal atividade. O ônus da prova da origem dos depósitos é do titular da conta bancária, e não tendo este carreado provas aos autos do que alega, mantémse a tributação na pessoa física do autuado. A alegação no sentido da prova da origem dos recursos provenientes de “atividade empresarial ilícita” (jogo do bicho), em face da instauração de Inquérito Policial contra o recorrente, não se sustenta. Não se busca a origem dos recursos, mas sim, a justificação individualizada dos depósitos, prova esta não realizada durante o trâmite processual. Em seguida, discorre sobre princípios constitucionais (isonomia e razoabilidade), que em nada socorrem ao recorrente na tentativa de cancelar o crédito tributário ou de justificar os depósitos de forma individualizada. Pelo contrário, apenas justificam a sua tributação, se corretamente interpretados. Do mesmo modo, a alegação no sentido da possibilidade de tributação de atividade ilícita não pode ser utilizado como justificativa para o cancelamento da exigência. Pelo contrário, autoriza a sua tributação na pessoa física do autuado, dada a ausência de comprovação e vinculação dos depósitos com atividade empresarial lícita empreendida. Aliás, se assim fosse, todo e qualquer crime ou contravenção, se praticado de forma organizada, justificaria a aplicação do regime tributário próprio das pessoas jurídicas, em evidente distorção das normas de direito privado que regem a constituição e existência destas no ordenamento, em especial aquelas relacionadas à função social das sociedades empresárias. Logo, a solução do mérito requer apreciar sobretudo as provas trazidas pelo recorrente, uma vez que para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos fundamentada no art. 42 da Lei 9.430/1996, exigese que o recorrente comprove documentalmente a origem de cada depósito. Não se trata de o contribuinte comprovar o exercício de atividade econômica lícita. É necessário trazer documentação hábil e idônea que comprove a natureza dos recursos empregados em cada depósito. Precedentes: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10510.722939/201193 Acórdão n.º 2802002.768 S2TE02 Fl. 122 7 Exercício: 1998 (...) IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos.Recurso parcialmente provido.(acórdão nº 10423276, de 2562008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 (...) Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.(...)Recurso voluntário parcialmente provido.(acórdão nº 10616977, de 2662008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: (...)IMPOSTO DE RENDA – TRIBUTAÇÃO Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COTITULARIDADE NO ANO AUTUADO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CADA DEPÓSITO, INDIVIDUALIZADAMENTE Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. No tocante à presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. Ausente a comprovação de cotitularidade na conta de depósito, afastase as conseqüências dessa realidade. Recurso voluntário provido parcialmente.(acórdão nº 106 17092, de 8102008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 Ementa: (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Recurso negado.(Acórdão 280201.012, de 24/08/2011, 2ª Turma Especial, Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Desta forma, a análise do mérito prescinde de averiguar a licitude da atividade que o contribuinte alega exercer. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10510.722939/201193 Acórdão n.º 2802002.768 S2TE02 Fl. 123 9 Não se identifica vinculação entre os documentos apresentados pelo contribuinte e os depósitos efetuados em suas contas correntes. Destacase que o recorrente em momento algum se esforçou em fazer essa comprovação, como afirma expressamente em sua defesa. Não há, portanto, comprovação da origem dos depósitos, portanto, prejudicadas as demais alegações do recorrente. Diante do exposto, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002689/2008-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Hipótese em que as condições estão atendidas conforme documentos trazidos aos autos pelo recorrente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina. Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Hipótese em que as condições estão atendidas conforme documentos trazidos aos autos pelo recorrente. Recurso Voluntário Provido.
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Hipótese em que as condições estão atendidas conforme documentos trazidos aos autos pelo recorrente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 89 /2 00 8- 89 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11516.002689/200889 Acórdão n.º 2801003.424 S2TE01 Fl. 44 2 Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina. Ventrilho. Relatório Adoto como Relatório, que complemento ao final, aquele elaborado pela Autoridade julgadora de 1ª instância, que bem resume os fatos: Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 4 a 7, na qual se exige o pagamento da importância de R$ 5.663,49, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora devidos à época do pagamento, referente ao ano calendário 2005, exercício 2006. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 6, verificase que a autuação decorre da omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 29.001,87. Às fls. 1 e 2, consta impugnação apresentada pelo contribuinte, na qual alega que é isento do imposto de renda sobre os proventos oriundos de sua aposentadoria, face o diagnóstico da patologia denominada doença de Parkinson, situação esta já comunicada à Secretaria da Receita Federal, Unidade de Foz do Iguaçu (PR) por meio da Declaração Para Isenção do Imposto de Renda – Lei nº 7.713/88, anexa. Na descrição dos fatos da Notificação de Lançamento, consignou a autoridade fiscal que constatou a omissão de rendimentos do trabalho, sujeitos à tabela progressiva, recebidos pelo titular da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social, pelo valor de R$ 29.001,87. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação que foi conhecida e tratada pela Autoridade julgadora a quo, em resumo, nos seguintes termos: “(...) para o contribuinte portador de moléstia considerada grave ter direito à isenção, são necessárias duas condições concomitantes. Uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. No caso dos autos, observo que o contribuinte, embora tenha apresentado à fl. 3 a Declaração para Isenção do Imposto de Renda Lei 7.713/88, na qual a Previdência Social concluiu ser portador da patologia G20 Doença de Parkinson, doença que faz parte das enfermidades listadas no inciso XIV, art. 6o da Lei no 7.713/1988, não comprovou nos autos que o rendimento recebido do INSS no ano calendário 2006, objeto da autuação, é oriundo de aposentadoria ou pensão.(destaquei) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11516.002689/200889 Acórdão n.º 2801003.424 S2TE01 Fl. 45 3 Portanto, diante da insuficiência das provas apresentadas pelo contribuinte para comprovar que faz jus à isenção por moléstia grave, deve ser mantido o presente lançamento. Assim, sendo, deuse o julgamento, na esteira do Voto do Relator, para considerar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido. Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 15/02/2012, conforme AR na fl. 24, e apresentou recurso voluntário em 24/02/2012, conforme fl. 25. Em sede de recurso, repisa as mesmas razões expendidas à 1ª instância, porém anexa novos documentos, dos quais trataremos a seguir, no Voto. Isso posto, requer o Recorrente que seja determinada a “anulação” da Notificação de Lançamento e a juntada de documentos comprobatórios da sua situação de saúde e documento emitido pelo INSS que comprova que a renda era proveniente de aposentadoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHINI, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os Fl. 45DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11516.002689/200889 Acórdão n.º 2801003.424 S2TE01 Fl. 46 4 rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Assim, rendimentos que não sejam proventos de aposentadoria, como os de natureza salarial, ainda que recebidos no momento em o que o beneficiário já se encontre aposentado, por motivo de invalidez, não são isentos do imposto de renda. É de ser observada a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”.(grifei) Dessa feita, não estando demonstrado nos autos que os rendimentos debatidos eram provenientes de aposentadoria, mesmo porque após o laudo que atestou a doença o contribuinte continuou a exercer atividades profissionais remuneradas, como se observa no Fl. 46DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11516.002689/200889 Acórdão n.º 2801003.424 S2TE01 Fl. 47 5 próprio documento e na sua DIRPF, o julgamento de 1ª instância consignou, acertadamente, que faltava essa comprovação. Contudo, juntamente com o recurso, o contribuinte apresenta a Carta de Concessão de Aposentadoria, com data de 06/10/1996, emitida pelo INSS. Na folha 28 consta a “declaração para isenção do Imposto de Renda”, com o protocolo do INSS, atestando a doença (Parkinson), com data de início em 2002, com o carimbo do médico perito, documento aliás já aceito pela DRJ, que apenas fundamentou a negativa do provimento na falta da comprovação de que se tratavam de rendimentos da aposentadoria. Não obstante, na folha 29, consta a Certidão de Aposentadoria e na folha 30 o comprovante de rendimentos relativo ao ano calendário de 2005, com a identificação da natureza dos rendimentos – aposentadoria por tempo de serviço – e o exato valor de R$ 29.001,87, aqui em discussão. CONCLUSÕES. Pelas razões aqui expendidas, entendo que estejam comprovadamente atendidas as condições para a isenção e VOTO por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 47DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10218.000494/2011-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO. REGRA APLICÁVEL. ART.150, §4º, DO CTN.
Constatada a ocorrência de recolhimentos durante o ano-calendário, que, inclusive, reduziram as bases de cálculo relacionadas a determinada infração, com relação à qual a fiscalização não imputou ao contribuinte conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, aplica-se a regra estatuída no art.150, §4º, do CTN na contagem do prazo decadencial.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Comprovados nos autos os fatos arrolados pela fiscalização, que levaram à responsabilização tributária solidária, deve ser mantida com lastro em disposições do Código Tributário Nacional, devidamente mencionadas nos respectivos Termos de Sujeição Passiva.
Numero da decisão: 1103-000.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em acolher a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores até agosto/2006 submetidos à multa de 75%, por maioria, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, que a rejeitou, e, no mérito, negar provimento aos recursos, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, com origem comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas. SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO NO ANOCALENDÁRIO EM QUE EXCEDIDO O LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO. EFEITOS. Apenas a partir do anocalendário em que o montante de receitas exceda o limite legal para a permanência no regime simplificado é que a pessoa jurídica sujeitase, após regular exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas. EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO PERANTE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Conforme art.197, II, do Código Tributário Nacional, as instituições financeiras obrigamse a prestar à autoridade administrativa informações bancárias de seus correntistas, quando devidamente intimadas pelo Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 04 94 /2 01 1- 00 Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.238 2 Quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, as autoridades fiscais podem examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, sendo tais exames considerados indispensáveis (Lei Complementar nº 105/01, art. 6º). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO. REGRA APLICÁVEL. ART.150, §4º, DO CTN. Constatada a ocorrência de recolhimentos durante o anocalendário, que, inclusive, reduziram as bases de cálculo relacionadas a determinada infração, com relação à qual a fiscalização não imputou ao contribuinte conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, aplicase a regra estatuída no art.150, §4º, do CTN na contagem do prazo decadencial. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovados nos autos os fatos arrolados pela fiscalização, que levaram à responsabilização tributária solidária, deve ser mantida com lastro em disposições do Código Tributário Nacional, devidamente mencionadas nos respectivos Termos de Sujeição Passiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em acolher a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores até agosto/2006 submetidos à multa de 75%, por maioria, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, que a rejeitou, e, no mérito, negar provimento aos recursos, por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.239 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária (anocalendário 2006), apurados sob o regime simplificado, com incidência de multa de ofício (percentuais de 75% e 150%) e juros de mora, decorrentes da constatação de omissão de receitas e insuficiência de recolhimentos (fls.343/4181). A ciência do contribuinte ocorreu em 6/9/11 (fl.1.938). A fiscalização ainda lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.334/342) em face de Barbosa de Sousa e Rodrigues Ltda, CNPJ nº 84.144.583/000114, Vitória Supermercados Ltda, CNPJ nº 06.233.255/000180, e Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza, CPF nº 793.702.33768, todos devidamente cientificados também em 6/9/11 (fls.1.939/1.941). No Termo de Verificação Fiscal (TVF) (fls.314/333), consignouse: embora tenha optado pelo Simples, declarando receita bruta anual de R$1.173.043,22, o contribuinte movimentou em instituições financeiras o montante de R$7.029.878,58, não tendo apresentado resposta à intimação para comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores superiores a um mil reais, creditados em contas correntes mantidas perante o Banco do Brasil S.A, CEF e Banco Bradesco S.A; não obstante o seu desligamento da sociedade em 27/8/01, a Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza, permaneceu na administração da sociedade, conforme procuração obtida perante o Cartório de 1º Ofício Neuza Maria Santis Seminotti; Gilberto Alves e Daniela de Souza Sena protocolizaram denúncia na Polícia Federal, afirmando que, sob a direção da Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza, a sociedade Barbosa de Souza e Rodrigues Ltda (SUPERMERCADO ALVORADA), efetuou vendas via cartão de crédito, cujas receitas foram destinadas a outras pessoas jurídicas, dentre as quais a atual SULPAMAR LTDA – EPP; perante a Delegacia de Polícia Federal em Marabá (PA), a Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza declarou, por exemplo, que era a administradora do Supermercado Alvorada; que a utilização de outras sociedades era necessária em razão das contas da Barbosa de Souza e Rodrigues Ltda estarem bloqueadas judicialmente; que havia confusão contábil das sociedades RODRIGUES & ALHO LTDA, LANCHONETE FOLHA 27, PADARIA NORTESUL, ICL LTDA e LORENZONI E SOUZA; que utilizou recursos de uma sociedade para subsidiar a movimentação de outras; e que apenas estaria em funcionamento a VITÓRIA SUPERMERCADO, uma ampliação da LANCHONETE FOLHA 27; análises de processos trabalhistas demonstrariam a íntima relação entre as sociedades que compõem o grupo econômico; no caso da SULPAMAR LTDA – EPP, a Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza utilizouse de interpostas pessoas, do Sr. Roberto de Araújo Rodrigues e Rosinélia do Socorro 1 A indicação das páginas neste acórdão referese à numeração estabelecida pelo sistema eprocesso. Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.240 4 Alho de Souza, funcionários da BARBOSA DE SOUZA & RODRIGUES LTDA (atual REDE de SUPERMERCADOS VALOR); Barbosa de Souza e Rodrigues Ltda e Vitória Supermercados Ltda, “...tendo em vista a manifesta formação de grupo econômico entre as empresas com confusão contábil entre elas, onde os débitos e créditos se misturavam”, foram arroladas como sujeitos passivos solidários, nos termos do art.124, I, do Código Tributário Nacional (CTN); em razão dos fatos narrados no TVF, restou caracterizado o evidente intuito de fraude, sendo a qualificação, quanto à omissão de receitas, fundamentada no art.44 da Lei nº 9.430/96 c/c art.71 da Lei nº 4.502/64. A Segunda Turma da DRJ – Belém (PA) considerou procedentes os lançamentos e a lavratura dos termos de responsabilidade tributária, conforme acórdão de fls.2.055/2.075, que recebeu a seguinte ementa: RESPONSÁVEIS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O CTN, através do art. 124, I, permite alcançar o verdadeiro sujeito, contribuinte de fato, dissimulado através de prática fraudulenta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ciência do contribuinte ocorreu por edital em 12/7/12 (fl.2.082), enquanto a dos responsáveis tributários, via postal em 22/6/12 (fls.2.083/2.085). O contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 20/7/12 (fls.2.086/2.105), alegando, em síntese: seria ilegal a existência de um único voto proferido em primeira instância, em face de impugnações não idênticas, apresentadas pelo contribuinte e responsáveis tributários; nos termos do art.529 do RIR/99, o auto de infração deveria ter sido lavrado com base no lucro arbitrado trimestral, não sob a sistemática do Simples federal mensal; não poderia a fiscalização, sendo cabível o arbitramento do lucro, exigir imposto de renda mensalmente; as provas teriam sido obtidas ilegalmente, pois a fiscalização não obteve autorização judicial para se valer dos depoimentos e informações colhidas na Polícia Federal, no Ministério Público Federal e perante instituições bancárias; não poderia ter sido incluída como responsável solidária, pois, além de não ter agido com dolo ou máfé, excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto, não faz parte do quadro societário, tampouco atuaria à frente da sociedade autuada. Além disso, a fiscalização deixara de individualizar a sua conduta, deixando de comprovar que obtivera vantagem financeira quanto aos depósitos bancários. Na responsabilização solidária, prevista no art.124, Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.241 5 I, do CTN, não bastaria as sociedades participarem de um mesmo grupo econômico, sendo indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador. Ao tomar ciência, pelo contribuinte, da lavratura dos autos de infração em um prazo próximo à data final para a apresentação da impugnação, teve o seu direito de defesa cerceado; os valores não comprovados referirseiam ao anocalendário 2005, de forma que os créditos tributários deveriam ser extintos por decadência; restaria caracterizado cerceamento ao direito de defesa, pois os documentos encontravamse em poder da Secretaria de Fazenda do Estado do Pará, sendo que a fiscalização, mesmo ciente de tal fato, deixou de solicitálos àquele órgão; a multa aplicada no percentual de 150% seria confiscatória, devendo incidir a Súmula CARF nº 14. A não contabilização dos depósitos bancários pressupõe omissão de receitas, mas não constituiria elemento suficiente para caracterizar dolo, fraude ou simulação, necessários à qualificação da multa; teria havido aplicação em duplicidade das multas de ofício, pois “...estando evidente que se houve a lavratura do auto de infração com toda a movimentação financeira da empresa, logicamente a diferença do tributo não recolhido consta dessa movimentação financeira e automaticamente já foi objeto de aplicação de multa no percentual de 150%”; a fiscalização deveria ter excluído da base de cálculo os valores declarados; a autuação com base no art.42 da Lei nº 9.430/96 não dispensaria a comprovação, pela fiscalização, do benefício do autuado, do aumento patrimonial, não sendo os depósitos hábeis para comprovar a sua capacidade contributiva. As operadoras de cartões de crédito, responsáveis por diversos depósitos, deveriam ter sido intimadas para prestar esclarecimentos; não teria havido descrição dos fatos nos lançamentos de PIS, Cofins, CSLL e Contribuições Previdenciárias, o que levaria à nulidade dos mesmos. Também em 20/7/12 os responsáveis tributários apresentaram recursos voluntários (fls.2.113/2.132, 2.141/2.160, 2.162/2.181), na essência com as mesmas razões alinhavadas no recurso do contribuinte. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos. DAS PRELIMINARES Inicialmente, quanto ao argumento defensivo, de que deveria a fiscalização ter arbitrado o lucro, em vez de exigir os tributos com base no regime de tributação simplificado (Simples federal), não obstante ter sido veiculado como preliminar, com o mérito se confunde e será tratado como tal. Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.242 6 Da nulidade do acórdão de primeira instância Contestam os Recorrentes que seria ilegal a Segunda Turma da DRJ – Belém (PA) ter proferido, à vista de impugnações não idênticas, um único acórdão. É importante ressaltar que o rito do processo administrativo tributário federal não impõe que sejam proferidos tantos acórdãos quantas forem as impugnações. Essencial é que as razões de defesa do contribuinte e dos responsáveis tributários, como no caso dos autos, sejam apreciadas pela Turma julgadora, ainda que em um documento único, que albergue as particularidades inerentes às defesas. Ao dispor sobre a competência para o julgamento, o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, não contempla a tese dos Recorrentes. Vejamos: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I – em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. De igual forma, reza o Decreto nº 7.574, de 29/9/11: Art.61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso I; Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o). Parágrafo único. A competência de que trata o caput inclui, dentre outros, o julgamento de: I impugnação a auto de infração e notificação de lançamento (Decreto no 70.235, de 1972, art. 14); II manifestação de inconformidade do sujeito passivo em processos administrativos relativos a compensação, restituição e ressarcimento de tributos, inclusive créditos de Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI (Lei no 8.748, de 1993, art. 3o, inciso II; Lei no 9.019, de 1995, art. 7o, §1o e §5o); e III impugnação ao ato declaratório de suspensão de imunidade e isenção (Lei no 9.430, de 1996, art. 32, §10). Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.243 7 Conforme se depreende deste mesmo Decreto nº 7.574/11, em regra deve haver um único acórdão, que, além de conter relatório resumido do processo, deve referirse “...a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (art.65). Conforme ressalvado no início do respectivo voto condutor do acórdão a quo, como o teor das impugnações era praticamente idêntico, confeccionouse “...um só voto para todas, com o destaque do que as diferenciar”. Com tal proceder, à luz dos dispositivos normativos regentes, não se incorreu em qualquer ilegalidade, não podendo ser acolhida a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, mormente porque neste se analisaram as questões controvertidas, elaborado didaticamente por itens (Fase Inquisitiva, Fiscalização Estadual, Lucro Arbitrado, Denúncia, Quebra de Sigilo Bancário, Solidariedade, Multa Agravada, Cerceamento do Direito de Defesa, Decadência e Depósitos Bancários). Do cerceamento ao direito de defesa prazo para a impugnação dos lançamentos Conforme relatório supra, o contribuinte e responsáveis tributários foram cientificados dos autos de infração em 6/9/11, conforme Avisos de Recebimento (AR) de fls.1.938/1.941. De acordo com o Decreto nº 70.235/72, a impugnação deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contado “...da data em que for feita a intimação da exigência”, ou seja, da ciência dos lançamentos tributários (art.15). Na espécie, tal lapso temporal foi integralmente aproveitado pelo contribuinte e responsáveis tributários, pois as impugnações foram protocolizadas em 5/10/11 (fls.1.943, 1.967, 1.998 e 2.033). Contribuinte e responsáveis tributários tomaram conhecimento dos autos de infração, como atestam os AR, tendo apresentado as respectivas defesas no prazo legal de trinta dias. Assim, não se sustentam as alegações de falta de ciência ou de ciência “...em uma data próxima do final do prazo para protocolizar a defesa”, razão pela qual não se acolhe tal preliminar de nulidade por suposto cerceamento a direito de defesa. Do cerceamento ao direito de defesa – retenção de documentos pela SEFAZ/PA Acerca da alegação de que documentos teriam sido retidos pela Secretaria de Fazenda do Estado do Pará (PA), o que teria inviabilizado a apresentação à fiscalização federal, os Recorrentes assim a fundamentaram: “Os documentos da empresa autuada encontravamse em poder da Secretaria da Fazenda do Estado do Pará – SEFA, e a autuada comunicou esse fato à Receita Federal do Brasil, inclusive através do requerimento de fls.267 do PAF, e forneceu o nº da fiscalização cadastrada na SEFA/PA sob o nº 0320113700000230, sendo que em nenhum momento a fiscalização da RFB empreendeu esforços para solicitar à SEFA/PA cópia da documentação apresentada, ou sequer aguardou a conclusão da análise da SEFA/PA. Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.244 8 O requerimento de fls.267 também informou que o auditor estadual responsável pela fiscalização encontravase de férias, e só retornaria no prazo de 30 (trinta) dias. A empresa autuada, também apresentou o requerimento de solicitação de devolução dos documentos entregues aquela secretaria estadual, conforme documento de fls.268 (requerimento de devolução) e documento de fls.269 (recibo de protocolo da SEFA/PA). Também foi apresentada a ordem de serviço e termo de início da fiscalização da SEFA/PA, comprovando que os documentos realmente estavam retidos nesta secretaria, e por essa razão está mais que comprovado o cerceamento de defesa”. Ainda que fixada a premissa de que, como se alega, documentos supostamente essenciais, suficientes para infirmarem as autuações, estariam, à época da auditoria fiscal, em posse do Fisco estadual, a verdade é que mais de um ano após tal comunicação (14/7/11), os Recorrentes não comprovaram que tal situação persistia quando da protocolização dos recursos voluntários (20/7/12). Vale lembrar que é da defesa o ônus de comprovar que a documentação relativa à origem dos valores creditados em contas correntes estaria em poder da Secretaria de Fazenda do Estado do Pará, conforme preveem os artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: ..... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). À míngua de comprovação dos fatos alegados, não se acolhe tal preliminar. Da ilicitude das provas Quanto às informações bancárias obtidas pela fiscalização para subsidiar os lançamentos, não há se falar em ilegalidade, conforme bem destacado na decisão decorrida: 12. A respeito da aventada impossibilidade de quebra do sigilo bancário, a Receita Federal, por intermédio de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente das instituições financeiras informações bancários do sujeito passivo sem que isso caracterize quebra do sigilo bancário. O fornecimento desses dados está previsto em lei. Nos termos do inciso II do art. 197 do Código Nacional Tributário (CTN), as entidades financeiras estão obrigadas a fornecer ao fisco as informações solicitadas: Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.245 9 Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; 13 Colimese que o sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e de seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham acesso no estrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199 do CTN, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime (art. 198 do CTN; art. 325 do Código Penal CP). As informações coletadas podem ou não caracterizarse como fato gerador de tributo, cujo lançamento poderá depender de processo de lançamento de ofício (Arts. 844 e 926 do RIR/99). 14. A LC 105/01, dispõe em seu art. 6º, verbis: As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” Vêse, portanto, haver vigentes dispositivos legais que autorizam o Fisco federal a requerer diretamente das instituições bancárias dados de seus correntistas. Ademais, no caso concreto, foi o próprio contribuinte quem disponibilizou os extratos bancários, como acentuado no Termo de Verificação Fiscal: “[...] 6) Em 08/06/2009, vencido o prazo, o contribuinte apresentou recibo da DSPJ, Livros, registro de entradas, de saídas e de apuração do ICMS, Atos constitutivos e alterações. Adicionalmente, foi entregue Extratos de contas bancárias(contas correntes e contas poupança) e de aplicações financeiras mantidas pela empresa (matriz e filiais) junto a instituições financeiras durante o período fiscalizado, em meio papel, que formam os Anexos I a IV deste processo”. (destaquei) Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.246 10 Por tais razões, escorreita foi a conduta da fiscalização tributária. Sobre os depoimentos e informações colhidos pela Polícia Federal e Ministério Público, constatase que cópias do Inquérito Policial nº 016/2009 foram encaminhados à DRF – Marabá (PA) pela Procuradoria da República em Marabá (PA), conforme Ofício GAB I/PRM/MBA/PA nº 963/2010, de 27/9/10 (fl.139), para que fosse verificado o interesse em se instaurar procedimento fiscal “...contra a empresa SOCIEDADE COMERCIAL BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA, nome fantasia ‘SUPERMERCADOS ALVORADA, CNPJMF 84.144.583/000114”. Nesse contexto, é relevante destacar que as declarações prestadas pela Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza perante a Delegacia de Polícia Federal em Marabá (PA) (fls.168/169) não foram essenciais à constatação da infração tributária, decorrente de falta de comprovação da origem dos depósitos bancários em contas correntes da Sulpamar Ltda – EPP. Além do mais, tal pessoa física prestou declarações ao agente fazendário no curso do procedimento fiscal (fls.286/287), que, em conjunto com vários outros elementos (autos de reclamações trabalhistas devidamente disponibilizados por ordem judicial; informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais; relatos de pessoas físicas; informações de Cartórios), contribuíram na formação da convicção da autoridade autuante. Em outras palavras, sem o depoimento a autuação sustentarseia da mesma forma. A propósito, no TVF anotouse: “19) No dia 13/07/2011 compareceu a esta DRF a Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Sousa. Ao informála de que ela é Responsável Solidária no procedimento que corre em desfavor da empresa Sulpamar ela prestou os seguintes esclarecimentos (fls 262 a 264), praticamente os mesmos prestados à DPF” (destaquei) Sendo assim, não tendo os autos de infração, bem como os Termos de Sujeição Passiva, sido lastreados nas informações colhidas no aludido inquérito policial, não há se falar em provas obtidas por meio ilícito, razão pela qual não se acolhe tal preliminar. Da não descrição dos fatos – lançamentos de CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária No concernente aos autos de infração de CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária, afirmam os Recorrentes: “[...] não encontramos qualquer vestígio de descrição dos fatos que os originaram, nem no corpo do próprio auto, nem no indigitado TVF – Termo de Verificação Fiscal. Somente o que se vê é a inscrição ‘Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo’, local onde também não é encontrada descrição para tais infrações.” É cediço que sem a descrição dos fatos, requisito obrigatório do auto de infração (art.10, III, do Decreto nº 70.235/72), a defesa do autuado resta irremediavelmente prejudicada. Porém, no caso concreto, a fiscalização descreveu com minúcias os fatos que levaram a concluir pela autuação com base na presunção de omissão de receitas, bem como acerca da inclusão dos responsáveis tributários. Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.247 11 No TVF, explicitouse que os depósitos sem comprovação da origem também serviram de base de cálculo para a apuração dos créditos tributários de CSLL, PIS, Cofins e Contribuições Previdenciárias. In verbis: “[...] A falta de manifestação que se traduz na não comprovação dos lançamentos levados ao conhecimento do fiscalizado se caracterizam como Omissão de Receita, conforme prevê o art. 42 da Lei 9.430/96, devendo ser tributados pelo valor nominal dos lançamentos, tendo como data do fato gerador a data dos créditos na conta do fiscalizado ou sua liberação, quando em cheque. Os valores não comprovados, aglutinados no ano disposto na tabela abaixo, referentes ao anocalendário 2005, serviram de base cálculo para a aplicação do percentual de determinação do valor a ser recolhido na modalidade SIMPLES. O valor a ser recolhido engloba os seguintes tributos: Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido; Contribuição para os Programas de Integração Social e Formação do Patrimônio do Servidor Público; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social; Contribuição para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam o art. 22 da Lei 8.212/91 e a Lei Complementar 84/96.” Por sua vez, no corpo de cada um daqueles lançamentos, reafirmouse que os valores foram apurados conforme TVF. Da mesma forma, da leitura dos autos de infração e respectivo TVF, notase que os créditos tributários sobre os quais foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) foram apurados com base nas receitas declaradas na DSPJ – Simples. Por tais razões, não procede a afirmação de ausência de descrição dos fatos nos autos de infração de CSLL, PIS, Cofins e Contribuições Previdenciárias, de sorte que não se acolhe tal preliminar de nulidade. Da decadência Apesar de no TVF a autoridade fazendária afirmar, como visto no item anterior, que os valores comprovados referirseiam ao anocalendário 2005, na realidade os créditos tributários são relativos ao anocalendário 2006, como se constata nos autos de infração, extratos bancários (Anexos I a IV), intimações fiscais e Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (fls.15/32). A apreciação da matéria deve ser realizada considerandose as duas infrações distintamente. Quanto à primeira infração (“Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não Escriturados”), a multa de ofício foi aplicada no percentual qualificado de 150%, essencialmente em decorrência da constatação de fraude, confirmada neste julgamento, conforme se verá adiante. Em tal hipótese, conforme exceção contemplada na parte final do Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.248 12 art.150, §4º, do CTN, não se aplica a regra de contagem nele contemplada, mas a regra geral do art.173, I, do mesmo codex: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Levandose em conta o fato gerador mais remoto (31/01/2006), o lançamento, constatada a fraude relacionada a determinada infração, poderia ter sido realizado até 31/12/11, de forma que, com a ciência dos autos de infração em 6/9/11, não havia transcorrido o prazo decadencial. Acerca da Infração 002 (“Insuficiência de Recolhimentos”), o desfecho é diferente. Conforme “Demonstrativo de Apuração do Valores Não Recolhidos” (fls.348/354), o contribuinte efetivou recolhimentos durante o anocalendário 2006, que contribuíram para a redução das bases de cálculo mensais apuradas, não tendo a fiscalização imputadolhe qualquer conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. Neste caso, a Administração Tributária apenas poderia ter constituído os respectivos créditos tributários no prazo de 5 (cinco) anos contado da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art.150, §4º, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, considerando que a ciência dos autos de infração ocorreu em 6/9/11, é de rigor reconhecer a decadência quanto aos fato geradores ocorridos até 31/08/06, unicamente quanto aos créditos tributários objeto da Infração 002, sobre os quais incidiu a multa de ofício no percentual de 75%. DO MÉRITO A omissão de receitas constatada pela fiscalização assentouse na presunção legal prevista no art.42 da Lei nº 9.430, de 27/12/96: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.249 13 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tendo sido, em mais de uma oportunidade, regularmente intimado a comprovar a origem de alguns depósitos bancários, o contribuinte permaneceu inerte, de sorte que não restou alternativa à autoridade fazendária senão considerálos, com base no dispositivo acima transcrito, como receitas omitidas e proceder às autuações. Para afastar tal presunção legal, bastaria que os Recorrentes apresentassem a documentação relacionada à origem dos depósitos bancários. O ônus da prova, em tais situações, invertese, não se cogitando, por conseguinte, sobre a necessidade de a fiscalização comprovar real aumento patrimonial ou mesmo a capacidade contributiva do contribuinte. Cabe lembrar, que a jurisprudência do CARF é firme no sentido da plena aceitação da tributação a partir de depósitos bancários, conforme os seguinte enunciados de súmula: Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.250 14 Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. É insuficiente a alegação de que operadoras de cartões de crédito teriam sido responsáveis pela efetivação de alguns depósitos, sendo necessária a respectiva comprovação, como exigem os já mencionados artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Como visto, o ônus da prova é do autuado, não da fiscalização, de modo que não há razão para que tais instituições financeiras sejam intimadas, como pleiteiam os Recorrentes. Ao fazer tal afirmação relacionada à origem dos depósitos bancários, na realidade reforçam a tese de que os recursos caracterizavamse realmente como receitas. Quanto ao regime de tributação empregado, os Recorrentes entendem que deveria a fiscalização ter arbitrado o lucro com base no art.530 do RIR/99, não podendo o auto de infração de IRPJ subsistir, até mesmo porque realizado em bases mensais. Apesar de o montante da receita anual considerada (R$ 8.190.222,24) superar o limite legal para a permanência no Simples federal no anocalendário 2006 (art.9º, I e II, c/c art.13, II, “a”, da Lei nº 9.317, de 5/12/96), de acordo com o mesmo diploma legislativo, a exclusão apenas produziria efeito a partir do anocalendário subsequente. Vejamos: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ..... IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Assim, apenas a partir do anocalendário posterior àquele em que o limite anual de receitas foi ultrapassado, é que se pode falar na incidência das normas de tributação aplicáveis aos não optantes. O art.16 da Lei nº 9.317/96 era expresso a respeito: “A pessoa Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.251 15 jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Tendo o limite de receitas auferidas sido ultrapassado em 2006, é de rigor a tributação sob o regime simplificado naquele anocalendário. Irrelevante, portanto, para o aperfeiçoamento das autuações, a exclusão formal, de ofício, mediante ato declaratório da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Apenas para as autuações relacionados com o anocalendário 2007 e seguintes é que tal procedimento mostrase indispensável. Logo, sem razão os Recorrentes quando sustentam a necessidade do arbitramento do lucro. A respeito da qualificação da multa de ofício, dispôs a fiscalização: “[...] 22.1) A omissão de receita se enquadra no conceito de sonegação fiscal previsto no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, que assim dispõe: Lei n° 4.502/64: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. ..... Por todos os fatos acima, detectada a infração cometida de omissão de receita, aplicamos a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, duplicada conforme §1° do art. 44 da mesma lei, ou seja, 150% sobre as diferenças apuradas, pelo evidente intuito de fraude.” Por sua vez, os Recorrentes alegam que a apresentação de diversos documentos à fiscalização, inclusive extratos bancários, impossibilitariam a qualificação da multa de ofício, e que seria aplicável a Súmula CARF nº 14, conforme alguns julgados. Pois bem. No anocalendário 2006 vigia a seguinte redação do art.44 da Lei nº 9.430/96, que exigia a caracterização do evidente intuito de fraude. Vejamos: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.252 16 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (destaquei) A infração, reiterese, decorreu da omissão de receitas presumida em razão da não comprovação da origem de depósitos bancários. Os demais fatos narrados pela fiscalização, extraídos de esclarecimentos prestados por pessoas físicas perante a fiscalização ou nos autos de reclamações trabalhistas, de informações prestadas por cartórios e do Cadastro Nacional de Informações Sociais servem, na realidade, não apenas para caracterizar a responsabilidade tributária de algumas pessoas, mas para justificar a qualificação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), não se podendo falar em “simples apuração de omissão de receitas” e conseqüente aplicação do Enunciado nº 14 da Súmula de jurisprudência dominante no CARF. A decisão recorrida, bem equacionou a controvérsia, razão pela qual aqui se adotam as respectivas razões de decidir, in verbis: “[...] A multa sobre os tributos resultantes das receitas omitidas foi agravada (150%), conforme §1° do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, por, entre outros motivos, ter sido constatado que a autuada foi constituída por meio de interpostas pessoas, ou seja, Roberto de Araújo Rodrigues e Rosicléia do Socorro Alho de Sousa, sócios da empresa SULPAMAR LTDA.EPP, na qual o mandatário e responsável solidário (procuração à fl.89) seria a senhora Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Sousa, CPF n. 793.702.33768. De acordo com o CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS não há registro de que Roberto de Araújo Rodrigues exerceu, no Ano Calendário de 2006, as funções de gerente da empresa SULPAMAR LTDA EPP; e Rosicléia do Socorro Alho de Sousa foi, no período de 10/02/2005 a 28/04/2008, empregada da empresa NORTE SUL COMÉRCIO DE PRODUTOS DE PADARIA LTDA., CNPJ 06.233.568/000139, que de acordo com a senhora ISABEL CRISTINA LORENZONI BARBOSA DE SOUSA, pertencia ao seu marido falecido. Considerando o relato de outros sócios, por exemplo Sr. Josimar Batista da Silva (fls 170 e 173), a interposição de pessoas é uma prática rotineira dos autuados. 28. Foi Também constatada a formação de grupo econômico entre as empresas (Vitória Supermercados Ltda. (nome fantasia: REDE SUPERMERCADOS VALOR), CNPJ 06.233.255/0001 80, Barbosa de Sousa e Rodrigues Ltda., CNPJ 84.144.583/000114) com confusão contábil entre elas, onde os débitos e créditos se misturavam no intuito de sonegação fiscal (artigo 71 da Lei n° 4.502/64 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, duplicada conforme §1° do art. 44 da mesma lei). A infração Insuficiência de recolhimentos foi acompanhada de multa de 75%. 29. A confusão patrimonial entre as empresas foi confirmada pela proprietária de fato, sra ISABEL CRISTINA LORENZONI BARBOSA DE SOUZA, ouvida pela Receita Federal (Termo fls 262 a 264), após o recebimento naquela DRF/MBA do OFÍCIO Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.253 17 GABl/PRM/MBA/PA/ n° 963/2010, encaminhando cópias das folhas n° 04 a 31 e 75 a 77 e 84 a 86, do Inquérito Policial n° 016/2009/DPF/ MBA/PA (Processo n° 2009.39.01.0001754) que relata denúncia sobre o fato. Procedeuse também ao exame de processos trabalhistas (Anexos V e VI) tramitando (aram) nas 1º e 2ª Varas do Trabalho de Marabá – nos quais se constatou a acusação de que as empresas citadas permutavam rotineiramente funcionários e formavam grupo econômico com o intuito de fraude fiscal, aparecendo nos processos como litisconsortes representados pelos mesmos prepostos e advogados. 30. As condutas descritas adotadas pelos sujeitos passivos demonstram o ânimo de fraude e/ou sonegação, pois, a empresa foi regularmente constituída, mas, com aquele propósito, manteve movimentação financeira à margem da escrituração, valeuse de Interposta Pessoa e omitiu receitas de sua contabilidade na ordem de 500% das efetivamente escrituradas. 31. Presentes, pois, os pressupostos de agravamento da multa (150% sobre os tributos resultantes das receitas omitidas), tendose em vista a evidente intenção de sonegação de tributos com a utilização de interposta pessoa e a desproporção entre as receitas declaradas e as omitidas. Sobre a diferença de tributos lançada, resultante das novas alíquotas aplicadas nas receitas declaradas, advindas do fato do acumulado de receitas ser maior que o informado pelo contribuinte, a multa aplicada deve ser de 75% (como aplicado), conforme o art. 44, I, da lei 9.430/96. Observar que a multa ou é de 75% ou de 150%, dependendo se a receita foi declarada ou não. Não há a aplicação somada das duas. Importante aduzir que não cabe a esta instância administrativa adentrar na discussão sobre juízo de constitucionalidade e sim aplicar a lei.” Ao contrário do alegado nos recursos voluntários, a ausência de escrituração dos depósitos bancários não foi o único fato que conduziu à qualificação da multa de ofício. Sobre a alegação de duplicidade de aplicação de multa de ofício, igualmente não pode ser acolhida. Vale repisar que a qualificação incidiu sobre os créditos tributários constituídos a partir das receitas consideradas omitidas por presunção legal, sendo que relativamente às declaradas em DIPJ, objeto da Infração 002 dos autos de infração (Insuficiência de Recolhimento), aplicouse a multa de 75%. Mantémse, por conseguinte, a qualificação da multa de ofício, como lançada. Da responsabilidade tributária Conforme relatado, os responsáveis tributários sustentam, em síntese, que não teriam agido com dolo ou máfé, excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto, de maneira que não poderiam ser responsabilizados, até mesmo porque não compuseram o quadro societário, tampouco atuaram à frente da sociedade autuada. Ademais, a fiscalização deixara de individualizar as suas condutas e comprovar que obtiveram vantagem financeira quanto aos depósitos bancários. Argumentam, ainda, que na responsabilização solidária prevista no art.124, I, do CTN, não bastaria identificar que as sociedades participariam de um Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.254 18 mesmo grupo econômico, sendo indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador. A) Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Sousa De acordo com o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 (fls.334/335), a Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Sousa valeuse de interpostas pessoas na constituição do contribuinte, tendo atuado como sua administradora, com poderes outorgados em procuração. A responsabilidade tributária foi fundamentada nos artigos 124, I, e 135, II e III, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; ..... Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ..... II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme Termo de Verificação Fiscal, é irrefutável a responsabilidade tributária, no mínimo com base na caracterização de infração à lei e a contrato social, considerando que de fato exerceu a administração do contribuinte, valendose de interpostas pessoas para a constituição do seu quadro societário. Os seguintes fatos formam um acervo probatório convergente em tal sentido: procuração pública em que RODRIGUES & ALHO LTDA – EPP (uma das antigas denominações do contribuinte), representado por Roberto de Araújo Rodrigues e Rosinélia do Socorro Alho de Souza, conferiu, em 23/7/05, à Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza amplos poderes, de forma irrevogável e irretratável para, em conjunto ou separadamente (fls.89/90): “[...] administrar todos os negócios e interesses do outorgante, podendo emitir e endossar títulos, movimentar conta corrente em qualquer estabelecimento bancário podendo abrir e encerrar contas correntes e poupanças, inclusive já existente, emitir, aceitar, autorizar o protesto de títulos, fazer empréstimo e descontos bancários verificar saldos, emitir, endossar e descontar cheques e retirar talões de cheques, fazer TED, conceder novos prazos, assinar contrato de locação, estipulando clausulas rescindir, alterar, promover, contratos, despejos, executar inquilinos e fiadores, comprar e vender mercadorias ligadas ao ramo de negócio dos outorgantes, arrendar, ceder créditos hereditários, adquirir títulos, ações, debêntures, letras de câmbio ou imobiliário, estipular e convencionar preços, formas de pagamentos, juros, prazos, multas e demais cláusulas e condições, transmitir e receber posse jus, domínio e Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.255 19 ação assumir compromissos e obrigações, pagar, receber, representálos junto a quaisquer sociedade anônima, limitadas ou firma individual, das quais a mesma faça ou venha fazer parte, exercendo todos os direitos e funções a outorgante atribuídos pêlos respectivos contratos, Departamentos de Trânsito DETRAN, cia seguradoras, cia de Telecomunicações, notadamente junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social INSS, SECTAM, IBAMA, SEFA JUCEPA, assinar o que necessário relativamente ao FGTS, aceitar ou não proposta de concordata, assim como requerer falência, conceder prazos para prorrogações; fazer e assinar contratos de financiamentos, assinar escritura, hipotecar, venda ou por qualquer forma alienar e gravar bens móveis, imóveis e veículos da empresa supra citada, assinar Títulos ou Cédulas de Créditos, admitir empregados fixando seus salários e dispensálos; assinar Carteira de Trabalho e Previdência Social, abertura de novas empresas e filiais, e dar baixa, assinar recibos, dar e receber quitação, fazer e assinar declarações, requerimentos e petições, aceitar, concordar, discordar, requerer, provocar, exigir, transigir, transacionar, negociar, dando garantia a financiamentos;representála perante repartições públicas Federais, Estaduais e Municipais, Cartórios e Autarquias, Sociedade de Economia Mista Particulares, Ministério da Fazenda, Receita Federal, Receita Estadual, Junta Comercial do Estado do Pará, EBCT, e onde mais preciso e, praticar todos os atos necessários ao bom e fiel cumprimento do presente mandato.” (destaquei) de acordo com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS)2, o Sr. Roberto de Araújo Rodrigues, sócio formal do contribuinte à época, está afastado de atividades profissionais desde 27/10/04, não constando que tenha exercido as funções de gerente da SULPAMAR LTDA – EPP; de acordo com informações extraídas do CNIS, a Sra. Rosinélia do Socorro Alho de Souza, sócia minoritária do contribuinte à época, era, em 2006, empregada da NORTE SUL COMÉRCIO DE PRODUTOS DE PADARIA LTDA, que, conforme declarações prestadas pela Sra. Isabel Cristina, pertencia a seu falecido marido; conforme Declaração de Rendimentos (DIRPF) da Sra. Rosinélia do Socorro Alho de Souza, no anocalendário 2006 informou rendimentos provenientes apenas da NORTE SUL COMÉRCIO DE PRODUTOS DE PADARIA LTDA; um dos atuais sócios do contribuinte, Sr. Josimar Batista da Silva, relatou que consta do quadro societário a pedido da Sra. Isabel Cristina; que não atuou na gerência e que exercia a função de motorista, sendo atualmente vigilante da REDE VALOR, de propriedade da Sra. Isabel Cristina (fl.173); o Sr. Reginaldo da Silva Lima afirmou que consta como um dos sócios do contribuinte desde 2008, juntamente com o Sr. Josimar Batista da Silva, tendo prestado serviços como segurança, por conta própria e sem vínculo empregatício à REDE DE SUPERMERCADOS VALOR, tendo adquirido a sociedade com recursos advindos de herança (fl.277); 2 "O CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais é a base de dados nacional que contém informações cadastrais de trabalhadores empregados e contribuintes individuais, empregadores, vínculos empregatícios e remunerações" (informação disponível em http://www.dataprev.gov.br/cnis/cnis.html, consulta em 14/1/14). Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.256 20 a Sra. Isabel Cristina informou à DRF – Marabá (PA) (fls.286/287) ser a administradora da REDE DE SUPERMERCADOS VALOR desde fevereiro de 2005, cujos sócios seriam seus filhos André Barbosa de Sousa Filho e Mariana Lorenzoni Barbosa de Sousa; que a SULPAMAR LTDA – EPP foi aberta em seu nome pelo Sr. André Barbosa e que pertencia ao grupo econômico; que os sócios da SULPAMAR LTDA – EPP (Roberto Rodrigues e Rosinélia Alho) eram funcionários da BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES (atual REDE DE SUPERMERCADOS VALOR); e que os atuais sócios exerceriam a função de vigilante. Como bem concluiu a fiscalização, causa estranheza a outorga de poderes tão extensos, a ponto de se perder totalmente o controle da sociedade, situação que se justifica “...quando aquele que recebe a procuração é o dono de fato da empresa e as pessoas sócias no Contrato Social da empresa são interpostas pessoas, popularmente conhecidas como ‘laranjas’ ou ‘testas de ferro’”. De igual forma, ao tratar da situação da Sra. Rosinélia do Socorro Alho de Souza, pontuou não ser “...razoável que alguém que tem uma empresa largue a na mão de seu sócio e vá trabalhar como empregado de uma outra empresa, que exerce o mesmo ramo de atividade (compra e venda de alimentos)”. Mantémse, por tais razões, a responsabilidade tributária da Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Sousa. B) Barbosa de Souza e Rodrigues Ltda De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 02 (fls.337/338), a fiscalização consignou a manifesta confusão contábil entre o contribuinte e a BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA, “...onde os débitos e créditos se misturavam”, tendo fundamentado a responsabilidade tributária no art.124, I, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Não obstante a abertura semântica que a expressão “interesse comum” encerra, a utilização de contas bancárias em nome do contribuinte e única escrituração, mas, como se apurou, que serviam para movimentar recursos e registrar transações também em nome de outras duas pessoas jurídicas, caracteriza a situação albergada pelo art.124, I, do CTN, vez que as autuações tomaram por base exatamente o montante das receitas escrituradas/declaradas, bem como os depósitos bancários nas contas mantidas em nome do contribuinte. Ao contrário do que afirma o Recorrente, o interesse comum resta configurado, exatamente em auferir receitas que seriam comuns ao contribuinte e à BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA, e em se empregar uma escrituração única, sem qualquer menção à titularidade das receitas. Destaquese, nesse contexto, a declaração prestada pela Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza à DRF – Marabá (PA), no sentido de que a BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA, CNPJ nº 84.144.583/000114, em razão do bloqueio de suas contas bancárias, passou a receber seus créditos por meio de outras sociedades do grupo econômico, dentre as quais a SULPAMAR LTDA – EPP (fls.286/287). Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.257 21 Acrescentese que para fins da responsabilidade tributária em tela, é irrelevante a configuração do dolo ou da máfé, bem como compor quadro societário ou ter poderes de administração, requisito este inerente à hipótese do art.135 do CTN. De igual sorte, não aproveita ao Recorrente a afirmação de que não teria realizado qualquer depósito nas contas bancárias do contribuinte, pois verificouse que aquelas recebiam também receitas da BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA. Mantémse, portanto, a responsabilidade tributária da BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA. C) Vitória Supermercados Ltda De acordo com o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 03 (fls.340/341), a fiscalização consignou a manifesta confusão contábil entre o contribuinte e a VITÓRIA SUPERMERCADOS LTDA, “...onde os débitos e créditos se misturavam”, tendo também fundamentado a responsabilidade tributária no art.124, I, do CTN: É possível extrair das informações prestadas pela Sra. Isabel Cristina Lorenzoni Barbosa de Souza à DRF – Marabá (PA) que, tendo mencionado a LANCHONETE DA FOLHA 27, a confusão contábil também envolvia a pessoa jurídica VITÓRIA SUPERMERCADOS LTDA. De acordo com depoimento prestado pela mesma pessoa física na Polícia Federal, a VITÓRIA SUPERMERCADOS LTDA consistiria em ampliação do objeto da LANCHONETE FOLHA 27 e que “...utilizava a arrecadação das demais empresas para pagar os débitos da BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES”. A reforçar a tese da fiscalização, mencionese que a VITÓRIA SUPERMERCADOS LTDA compunha o mesmo grupo econômico formado também pelo contribuinte, como também atesta a Reclamação Trabalhista nº 00737200910708008, em que o Sr. Farismar Bezerra Pereira afirma ter sido contratado pela VITÓRIA SUPERMERCADOS LTDA, porém registrado pela SULPAMAR LTDA – EPP, que funcionariam no mesmo endereço (item 11.3.7). Situação semelhante, só que envolvendo transferência de empregados, constatase das Reclamações Trabalhistas nº 001932010117085 e 01144200910708009, movidas por Romário Mendes Pereira e Andreca Nunes de Oliveira Paulo (itens 11.3.5 e 11.3.9 do TVF). Mantémse a responsabilidade tributária de VITÓRIA SUPERMERCADOS LTDA. Dada a semelhança com o recurso voluntário interposto por BARBOSA DE SOUZA E RODRIGUES LTDA, afastamse as demais alegações do Recorrente com base nos mesmos fundamentos apresentados quando da análise da responsabilidade daquela sociedade (item anterior). Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência apenas quanto aos fatos geradores até agosto/2006, submetidos à multa de 75% (Infração 002), e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos recursos. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10218.000494/201100 Acórdão n.º 1103000.992 S1C1T3 Fl. 2.258 22 Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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