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Numero do processo: 10580.721419/2008-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa “dedução” dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 19 /2 00 8- 34 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1524.312, às efls. 31/32: A interessada transmitiu PER/DCOMP eletrônico visando compensar valor recolhido mediante DARF do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples com débitos de outros tributos e contribuições, sob o argumento de que à época do recolhimento, já estava excluída da sistemática do Simples. A DRF/Salvador emitiu Despacho Decisório reconhecendo o direito creditório mas homologando parcialmente a compensação declarada, em face da aplicação ao presente caso do art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, que prevê a incidência de acréscimos legais ao débito cuja compensação pretendeu a interessada. Desta forma, restou configurado excesso de compensação, sendo determinada a sua cobrança imediata, nos termos do art. 48, II da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, ressaltandose que a manifestação de inconformidade porventura apresentada não suspenderia a exigibilidade do crédito tributário. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando ser equivocada a aplicação de multas e acréscimos moratórios aos valores originais devidos, requerendo, ao final, a homologação da compensação declarada. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve a homologação apenas parcial da compensação pretendida, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/09/2006 COMPENSAÇÃO. DATA DA VALORAÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA DE MORA. A data de valoração, para fins da efetivação das compensações declaradas à Receita Federal a partir de 28 de maio de 2003, é a data da transmissão da declaração de compensação, e os débitos Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 5 4 sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, se naquela data já estiverem vencidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, que foi postada para a ciência em 28/09/2010 (efls. 33), a Contribuinte apresentou em 20/10/2010 o recurso voluntário de efls. 34/35, alegando: que a compensação foi parcialmente homologada porque a Receita Federal equivocadamente entendeu que não teriam sido computados (pela Contribuinte) os valores referentes a multas e acréscimos moratórios; que não tem cabimento tal interpretação, pois todos os PER/DCOMP foram tempestivamente apresentados, mês a mês, e são eles que representam a quitação tempestiva dos tributos em referência; que não há razão para cobrança das multas e acréscimos moratórios, e que por isso não podem ser cobrados os pequenos saldos apontados pela Receita Federal; que a compensação deve ser integralmente homologada, com a extinção definitiva dos créditos tributários compensados. Este é o Relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declaração de compensação por ela apresentada em 04/09/2006. O pretendido encontro de contas abrange crédito decorrente de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/05/2002 no código 6106, referente ao período de apuração PA abril/2002, no valor de R$ 3.131,60, que foi utilizado para quitar, por compensação, débito de IRPJ do 2º trimestre de 2002, informado com código relativo ao regime do lucro presumido (2089), e débito de COFINS de abril/2002, informado com o código 2172. O valor original do crédito corresponde exatamente à soma dos débitos (levando em conta apenas a rubrica principal, sem acréscimos legais). Com o PER/DCOMP sob exame, a Contribuinte busca o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que ela foi excluída do Simples, para a quitação de débitos de IRPJ e COFINS apurados em razão da exclusão do Simples. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório de efls. 13 a 16, reconheceu o direito creditório, mas concluiu que ele era insuficiente para quitar integralmente os débitos objeto do PER/DCOMP, remanescendo saldo devedor a ser exigido da Contribuinte. Esse valor residual de débito surgiu em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data de apresentação do PER/DCOMP – juros selic sobre o crédito, e juros selic e multa de mora sobre os débitos vencidos. A Delegacia de Julgamento, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a homologação apenas parcial da compensação, entendendo que de fato caberia a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos, até a data de apresentação do PER/DCOMP, porque eles já estavam vencidos nesta data. Na presente fase recursal, a Contribuinte novamente se insurge contra o cômputo dos referidos acréscimos legais. A Lei nº 10.637/2002 implementou grandes mudanças no art. 74 da Lei 9.430/1996, redefinindo todo a configuração jurídica da compensação tributária na esfera federal. Desde então, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal passou a extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e em razão disso o momento para o encontro de contas passou a ser a data do envio da declaração de compensação (PER/DCOMP). Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 7 6 Desse modo, se na data de apresentação do PER/DCOMP o débito objeto da compensação já estiver vencido, sobre ele, regra geral, devem incidir os acréscimos moratórios. Entretanto, a situação sob exame merece ser analisada com mais detalhe. Já mencionamos que a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do regime de tributação simplificada, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos apurados de acordo com o regime de tributação adotado em substituição ao Simples. Esse é o contexto da presente compensação. Ocorre que esse encontro de contas, quando abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período de apuração, pode se dar até mesmo de ofício, mediante simples “dedução” matemática, independentemente de apresentação de declaração de “compensação” (PER/DCOMP) por parte dos contribuintes. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, COFINS e CPP, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado para a quitação de débito de mesma natureza (mesmo tributo e PA), que decorreu da mudança do regime de tributação, nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP. O encontro de contas objeto do presente processo abrange débito de IRPJ do 2º trimestre de 2002 e débito de COFINS de abril/2002, com os valores originais de R$ 1.731,40 e R$ 1.400,20, respectivamente. O crédito decorre de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/05/2002 no código 6106, referente ao período de apuração PA abril/2002, no valor de R$ 3.131,60. O PER/DCOMP esclarece que o pagamento do Simples correspondeu ao coeficiente de 5,40% sobre a receita bruta mensal, e de acordo com o art. 23, II, “a”, da Lei 9.317/1996, esse coeficiente era composto pelas seguintes parcelas: 1 – 0,13%, relativo ao IRPJ; 2 – 0,13%, relativo ao PIS/PASEP; 3 – 1%, relativo à CSLL; 4 – 2%, relativos à COFINS; e Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 8 7 5 – 2,14%, relativos à Contribuição Patronal Previdenciária – CPP. A divisão acima mencionada evidencia a seguinte participação de cada tributo em relação ao pagamento efetuado: PA Tributo Participação Participação relativa no pagamento IRPJ 2,41% 75,47 PIS/PASEP 2,41% 75,47 Abril CSLL 18,52% 579,97 de 2002 COFINS 37,03% 1.159,63 CPP 39,63% 1.241,06 100,00% 3.131,60 Mencionamos que a Delegacia de origem já reconheceu integralmente o crédito, aproveitando o pagamento no valor de R$ 3.131,60 para a quitação dos débitos indicados pela Contribuinte, e que em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data da apresentação do PER/DCOMP, remanesceu saldo de débito. Ocorre que uma parte do referido encontro de contas envolve crédito e débito do mesmo tributo e período de apuração, tanto para a COFINS/abr/2002 quanto para o IRPJ, porque o segundo trimestre de 2002 (PA do débito de IRPJ) abrange o mês de abril/2002 (PA do crédito), o que implica dizer que uma parte dos débitos relacionados no PER/DCOMP já estava quitada antes mesmo da apresentação deste, em função do pagamento realizado no regime de tributação simplificada. Desse modo, antes de qualquer imputação para efeito de cômputo de acréscimos legais sobre créditos e débitos até a data de apresentação do PER/DCOMP, deveriam ter sido “deduzidos” dos débitos de IRPJ (R$ 1.731,40) e de COFINS/abr/2002 (R$ 1.400,20), objetos do presente processo, os valores de R$ 75,47 e R$ 1.159,63, que representam, respectivamente, os montantes destes tributos que já haviam sido pagos pela Contribuinte antes mesmo da apresentação do PER/DCOMP. Somente após realizada essa “dedução” do valor já pago, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Desse modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o cômputo de acréscimos legais sobre a parcela dos débitos que já se encontrava quitada pelo pagamento com o código 6106, nos montantes acima destacados. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721419/200834 Acórdão n.º 1802002.075 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.720691/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do auto de infração de obrigação principal, vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 91 /2 01 0- 11 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do auto de infração de obrigação principal, vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 555 3 Relatório Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 Data de lavratura do Auto de Infração: 02/02/2010 Data da ciência do Auto de Infração: 04/02/2010 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Salvador/BA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.201.9200, consistente em contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre parcela remuneratória distribuída pela empresa a seus segurados empregados a título de PLR, pagas, porém, em desconformidade com a lei de regência, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 240/246. De acordo com a Resenha Fiscal, o Contribuinte apresentou convenção coletiva de trabalho realizada entre o SERTEB – Sindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/BA Sindicato dos Trabalhadores em rádio, TV e Publicidade da Bahia, relativa aos anos de 2005, 2007 e 2008, na qual se verificou a previsão de pagamento de PLR aos funcionários (cláusula 9ª). A empresa também apresentou os regulamentos para o pagamento da PLR nos anos de 2005 a 2008, todos assinados no dia primeiro de janeiro de cada ano, porém, protocolizados no SINTERP apenas em 03/03/2009, data posterior ao início do procedimento fiscal. Apurou a Fiscalização que os regulamentos não estabeleciam, de forma clara e objetiva, as metas a serem atingidas nem as regras de aferição da PLR. Nos acordos de 2007 e 2008, por exemplo, os regulamentos estabeleceram como meta a geração de caixa operacional. Entretanto, não conceitua o que seria “gerar caixa operacional”, não explicita como cada setor da empresa deve contribuir para o alcance desta meta. Não define o que seria “gerar caixa operacional” para os setores de execução, recursos humanos ou administração; Quais valores deveriam ser atingidos; Quais seriam os mecanismos para aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado? Concluiu a Fiscalização que o pagamento da PLR ocorreu em desacordo com o que determina a Lei nº 10.101/2000, razão pela qual, em relação aos valores pagos sob o rótulo de PLR, se reconheceu a natureza jurídica de parcela remuneratória, incidindo sobre ela as contribuições previdenciárias ora lançadas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 387/402. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1531.422 6ª Turma da DRJ/SDR, a fls. 489/496, julgando improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo e mantendo o crédito tributário em sua integralidade, Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/05/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 498. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 501/615, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que os valores pagos a título de PLR são imunes de tributação, tendo a Constituição Federal blindado esses valores da interferência legislativa, impedindo que o legislador compreendaos como fato imponível da contribuição previdenciária; · Que a PLR paga pelo Recorrente, referente ao período de 2005 a 2008, cumpriu em todos os aspectos os requisitos exigidos pela lei específica; · Que deve ser revisto o regime jurídico relativo à penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício; Ao fim, requer o Recorrente a declaração de insubsistência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 556 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 06/05/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 05/06/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA PLR Alega o Recorrente que os valores pagos a título de PLR são imunes à tributação, tendo a Constituição Federal blindado esses valores da interferência legislativa, impedindo que o legislador compreendaos como fato imponível da contribuição previdenciária. Aduz que a PLR paga pelo Recorrente, referente ao período de 2005 a 2008, cumpriu em todos os aspectos os requisitos exigidos pela lei específica; Sem razão. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 557 7 jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 558 9 Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 00053007520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 559 11 Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 560 13 x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas préestabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que com isso haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 561 15 de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP nº 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma Fl. 568DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitarseá às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, a qual definirá o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições Fl. 569DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 562 17 previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em Fl. 570DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue se como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 571DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 563 19 Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Serão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que, para se assentar a salvo da tributação previdenciária, deve a verba paga a título de participação nos lucros e resultados atender aos seguintes requisitos: · Resultar de negociação prévia formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais nos quais deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; · O instrumento formal resultante do acordo em realce deverá arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e Fl. 572DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/00 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos Fl. 573DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 564 21 trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No caso atual, a Fiscalização constatou que os Acordos para Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa, referentes aos anos de 2005 a 2008, todos assinados no dia primeiro de janeiro de cada ano, só foram protocolizados no SINTERP em 03/03/2009, conforme cópia a fls. 237/292, ou seja, após o período de apuração e cumprimento de metas, e, além disso, em data posterior ao início do procedimento fiscal, 26/02/2009, consoante TIPF a fls. 35/36. Por outro viés, mas trigo de outra safra, sob a luz que emana do art. 111 do CTN, revelase condição imprescindível para a subsunção do caso in concreto à norma de não incidência tributária em ribalta que no instrumento decorrente da negociação entre patrões e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, e, principalmente, que os pagamentos a título de PLR sejam realizados nos termos das regras acordadas entre as partes. No caso em apreço, apurou a Fiscalização haverem sido efetuados pagamentos a título de PLR que não atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/2000, conforme explicitado no Relatório Fiscal, uma vez que os Acordos para Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa não estabeleciam, de forma clara e objetiva, as metas a serem atingidas tampouco as regras de aferição da PLR. Senão, vejamos: PLR – exercício 2005. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2005, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2005. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 28 de fevereiro de 2007. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. PLR – exercício 2006. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2006, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2006. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 29 de fevereiro de 2008. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. Como visto, nas cláusulas dos Acordos Coletivos acima reproduzidos inexiste qualquer parâmetro de referência, o mínimo que seja, que represente uma meta, um objetivo, um resultado a ser atingido pela empresa para que o trabalhador, a contar de então, passe a fazer jus aos lucros/resultados da empresa. Também não informam como se dará a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderá, no mínimo, a cinquenta por cento do saláriobase do trabalhador. Assim, o trabalhador não possui qualquer mecanismo objetivo apto a lhe informar e assegurar e terá ou não direito à participação nos resultados; qual será o resultado econômico de tal participação; Como se dará a apuração e a mensuração de tal resultado; o que ele trabalhador já realizou e o que ainda necessita produzir para auferir o direito subjetivo aos resultados da empresa; etc. etc. Omissão total. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que o trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, não há diferença. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Notese que nos exercícios de 2007 e 2008, os acordos passaram a estabelecer como meta a geração de caixa operacional. Entretanto, o acordo não define o se considera como “geração de caixa operacional”, não explicita como cada setor da empresa deve contribuir para o alcance desta meta. Não define o que seria “geração de caixa operacional” para os setores de execução, recursos humanos ou administração; Quais valores deveriam ser atingidos ? NADA !!! Os acordos são silentes e totalmente omissos, violando a exigência legal prevista no art. 2º da Lei nº 10.101/2000. PLR – exercício 2007. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2007, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2007, desde que atingidas as metas EBITDA da empresa (geração de caixa operacional).. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 565 23 Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 28 de fevereiro de 2010. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. PLR – exercício 2008. “Resolvem as partes celebrar o presente instrumento que se regerá pelas cláusulas e condições seguintes: Cláusula 1ª A TV BAHIA pagará a seus empregados, participação nos resultados referentes ao ano de 2008, garantindo a cada empregado uma participação mínima correspondente a 50% do valor do seu respectivo salário base Dezembro/2008, desde que atingidas as metas EBITDA da empresa (geração de caixa operacional).. Parágrafo 1º Tal participação será proporcional ao período trabalhado no curso do referido ano e será pago nos moldes previstos no parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000, até o dia 28 de fevereiro de 2009. Cláusula 2ª A participação nos resultados acima referida será distribuída nos termos do parágrafo 2º, inciso II do artigo 2º, da referida lei. Cláusula 3ª – Fica facultado à TV BAHIA conceder participação diferenciada nos resultados àqueles empregados que exerçam cargos de confiança”. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Conforme demonstrado, além de os acordos coletivos serem totalmente despidos das indispensáveis regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos dos empregados na participação dos lucros da empresa, tais instrumentos são, ainda, totalmente omissos sobre as regras adjetivas, não especificando, nem ao menos, quais seriam os mecanismos para aferição do quanto do acordado houve se por efetivamente cumprido. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Tais acordos, portanto, não se prestam como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, muito menos como elemento de incentivo à produtividade, como assim exige o art. 1º da Lei nº 10.101/2000, uma vez que, para receber tal benefício, basta que o trabalhador tenha trabalhado na empresa, ou seja, realize pura e simplesmente aquilo que dele se espera em razão unicamente do contrato de trabalho. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Tais verbas ostentam, portanto, natureza plenamente remuneratória, porquanto são devidas única e exclusivamente em razão do esforço ordinário do trabalhador inicialmente previsto no contrato de trabalho, inexistindo qualquer evidência de parcela que tenha sido resultante da motivação e comprometimento do empregado na busca por melhores resultados empresariais, de maior eficiência na utilização dos fatores de produção, de redução de prazos ou de incremento de qualidade da produção, etc. O conteúdo das cláusulas previstas nos Acordos para Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados não contemplam os objetivos colimados pelo art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Citese, ainda, que o §2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000 veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, Fl. 577DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 566 25 competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Compulsando os autos, todavia, verificamos que no ano de 2005 foram pagas verbas a título de PLR nas competências fevereiro, abril, maio, junho, julho, setembro, outubro, novembro e dezembro. No exercício de 2006, registramos pagamentos a esse título nas competências janeiro, fevereiro, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro. Em 2007, há registros de pagamento nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, agosto, setembro e novembro. Por fim, em 2008 forma pagas importâncias sob o rótulo de PLR em janeiro, fevereiro, março, abril, maio, julho, agosto, setembro e dezembro. Avulta das constatações colhidas pela Fiscalização que as verbas distribuídas a segurados empregados do Recorrente a título de PLR não foram pagas de acordo com a Lei nº 10.101/2000, como assim exige a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que: a) O plano de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa não são dotados de qualquer instrumento de integração entre o capital e o trabalho, tampouco de incentivo à produtividade; b) Os acordos coletivos não continham regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos dos empregados na participação dos lucros, tampouco regras adjetivas, máxime acerca dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; c) Os instrumentos de acordo celebrados não foram arquivados na entidade sindical dos trabalhadores; d) Foram efetuados pagamentos de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, e mais de duas vezes no mesmo ano civil. Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. É através do referido acordo, previamente celebrado e protocolizado no Sindicato da categoria, que o trabalhador terá ciência do que precisa fazer, como precisa fazer, quanto e quando precisa fazer, e como ele será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese de não incidência tributária prevista Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Para ser considerada participação nos resultados, o trabalhador tem que obter o seu quinhão de PLR associado a sua participação produtiva no resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral ordinária contida no contrato de trabalho, pois este última terá, obviamente, natureza salarial. Os critérios para aquisição do direito subjetivo à PLR tem que constar expresso, com regras claras e objetivas, no instrumento de negociação e, obviamente, ser pago na periodicidade prevista no Diploma Legal. Nesse contexto, havendo sido efetuados pagamentos a título de PLR em desacordo com as condições de contorno estabelecidas na Lei nº 10.101/2000, imperioso então o reconhecimento de que tais rubricas não se ajustam à hipótese de não incidência tributária previstas na alínea ‘j’ do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, permanecendo contidas no conceito jurídico de Salário de Contribuição – base de incidência das contribuições previdenciárias. O que exclui, de fato, a incidência do tributo em foco é a integral subsunção do fato in concreto à hipótese de não incidência taxativamente prevista na lei, in casu, a alínea ‘j’ do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, que reza explicitamente que não integrará o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, digase, a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Se as regras elencadas na lei específica não forem observadas integral e cumulativamente, escapa o citado pagamento da hipótese de não incidência legal em destaque, configurandose a importância paga a tal título como Salário de Contribuição para todos os fins e efeitos. No caso vertente, avulta que o pagamento de valores sob o rótulo de PLR em desconformidade com as regras estabelecidas em lei não contemplou a efetiva integração dos empregados na definição das metas e resultados com vistas ao aumento da produtividade geral da empresa, tampouco viabilizou aferições de desempenho e acompanhamento na consecução do direito de cada trabalhador. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Em consequência, tais valores deveriam ter sido declarados como integrantes do Salário de Contribuição nas GFIP correspondentes. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 567 27 2.2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pondera o Recorrente que deve ser revisto o regime jurídico relativo à penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício;. Com certeza. Para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das Fl. 580DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 581DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 568 29 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.9200, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro/2005 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em Fl. 582DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91. ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 583DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 569 31 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, diga se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 570 33 Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função Fl. 587DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.720691/201011 Acórdão n.º 2302003.130 S2C3T2 Fl. 571 35 da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, e que o período de apuração é de fevereiro/2005 a dezembro/2008, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, até a competência novembro/2008, inclusive; e de acordo com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, exclusivamente na competência dezembro/2008, Fl. 588DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 em atenção ao princípio tempus regit actum, observado em qualquer caso o limite máximo de 75%, por força do preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN. E dessa forma houvese por aplicada a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o vertente lançamento de ofício, inexistindo aresta a serem aparadas. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10314.725106/2012-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
Sendo a prova trazida na autuação, permitindo a defesa, não há nulidade processual. A insuficiência probatória não se relaciona à nulidade, mas a eventual insubsistência da autuação.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto-Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
Numero da decisão: 3403-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários apresentados. Sustentou pela Honda Automóveis do Brasil LTDA o Dr. Pedro Lunardelli, OAB/SP no 106.769, e pela Fazenda Nacional o Dr. Frederico Souza Barroso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Paulo Eduardo Mansin, OAB/SP no 272.179, advogado da responsável solidária Clarion do Brasil LTDA.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Sendo a prova trazida na autuação, permitindo a defesa, não há nulidade processual. A insuficiência probatória não se relaciona à nulidade, mas a eventual insubsistência da autuação. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto-Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2273; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.856 1 1.855 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.725106/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.842 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria AIADUANA Recorrente HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Sendo a prova trazida na autuação, permitindo a defesa, não há nulidade processual. A insuficiência probatória não se relaciona à nulidade, mas a eventual insubsistência da autuação. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 DecretoLei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários apresentados. Sustentou pela Honda Automóveis do Brasil LTDA o Dr. Pedro Lunardelli, OAB/SP no 106.769, e pela Fazenda Nacional o Dr. Frederico Souza Barroso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Paulo Eduardo Mansin, OAB/SP no 272.179, advogado da responsável solidária Clarion do Brasil LTDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 51 06 /2 01 2- 81 Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 981), lavrado em 07/08/2012 (com ciências em 15/08/2012 fl. 212, e em 14/08/2012 fl. 214), para aplicação de multa de 100% do valor aduaneiro (total de R$ 66.292.633,28) pela impossibilidade de apreensão de mercadoria sujeita a perdimento, em função da detecção de interposição fraudulenta (para importações de 11/09/2007 a 24/08/2011). Na autuação, narrase que: (a) durante procedimento especial de fiscalização com base na Instrução Normativa SRF no 228/2002, foi verificado que a empresa CLARION DO BRASIL LTDA, CNPJ no 03.697.329/000141 (incluída como responsável solidária na autuação, em função do disposto no inciso VI do art. 95 do DecretoLei no 37/1966) ocultou a HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA em operações de comércio exterior, restando comprovado que os produtos importados pela CLARION são fruto de encomenda (a CLARION realiza suas importações a partir de programa de compras estabelecido pela HONDA, conforme contratos prévios às importações, para o abastecimento de peças fls. 99 a 112, e conforme questionário respondido pela CLARION fls. 113 a 115), tendo a ocultante (CLARION) sido autuada para aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007; (b) a CLARION informava nas declarações de importação que se tratavam de importações diretas, quando na verdade eram importações por encomenda da HONDA (detalhamento das declarações de importação às fls. 57 a 79); (c) as mercadorias importadas, sobre as quais recairia o perdimento, não foram apresentadas pela HONDA, quando solicitado pela fiscalização, cabendo a aplicação da multa substitutiva do perdimento (§ 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976); e (d) nos cálculos para aplicação da multa, foram utilizados os valores declarados nas respectivas importações. A empresa CLARION, em sua impugnação (fls. 227 a 271), alega, em síntese, que: (a) é uma empresa de origem japonesa, fundada na década de 40, com mais de 30 unidades espalhadas pelos 5 continentes do globo, que reúnem mais de 10.000 funcionários, e com situação financeira sólida; (b) a principal atividade produtora da empresa não é no Brasil, sendo que a CLARION dos países produtores exporta para a CLARION do Brasil (como se vê em 100% das operações autuadas); (c) no Brasil, a CLARION opera desde 2000, como importadora dos produtos da CLARION fabricados no exterior e como industrial, adequando os produtos importados aos modelos de automóveis fabricados pelos clientes (com maquinário próprio para isso), que são, basicamente, as grandes montadoras (RENAULT, FIAT, MAZDA, VOLKSWAGEN, PEUGEOT CITROEN, LAND ROVER, GM, SUBARU, MITSUBISHI 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.725106/201281 Acórdão n.º 3403002.842 S3C4T3 Fl. 1.857 3 MOTORS, HONDA, PORSCHE, SUZUKI, FORD, NISSAN, KIA, HYUNDAI, AUDI, entre outras) e estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som; (d) a fiscalização “foi asustadoramente simplista e genérica”, pautada exclusivamente em contrato de fornecimento entre a impugnante e outras autuadas (HONDA E MITSUBISHI), não existindo produção de prova em relação ao processo produtivo realizado pela CLARION antes da venda às montadoras, o que preteriu direito de defesa, gerando nulidade da autuação; (e) as importações da CLARION são na modalidade “direta” e não “por encomenda”, tendo em conta que a empresa pratica todos os atos de comércio internacional com independência, sendo a única responsável pela fase comercial, logística de transporte, desembaraço, pagamento de tributos, arcando com a contabilização, e, ainda, realiza operação industrial nos bens que vende à montadora (o que descaracteriza a existência de “revenda”); (f) o contrato foi equivocadamente interpretado pela fiscalização, pois é um contrato de fornecimento, e não para importação (no contrato consta inclusive que a CLARION presta serviços de garantia dos bens fornecidos); (g) a CLARION industrializa os bens importados (mediante beneficiamento, montagem e acondicionamento), de acordo com a necessidade de cada cliente; cf. laudos técnicos de fls. 367 a 431, 432 a 445, e 446 a 461), beneficiandose da suspensão do IPI nos termos do art. 5o da Lei no 9.826/1999, do art. 29 da Lei no 10.637/2002 e do art. 6o da IN SRF no 296/2003 (aplicável somente às operações “diretas”), e recolhendo Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação em alíquotas superiores, por se tratar de fabricante de autopeças (anexando algumas telas de declarações de importação para comprovar o alegado); e (h) a fiscalização não logrou se desincumbir de seu ônus probatório, por não demonstrar qual a vantagem obtida com a suposta fraude, ou qual a fraude, a simulação, ou a ocultação, ou mesmo que houve dano ao Erário. Por fim, solicita a conversão em diligência, para que seja verificado mediante laudo técnico o processo produtivo da empresa. A empresa HONDA, em sua impugnação (fls. 1091 a 1127), sustenta, basicamente, que: (a) tem por objeto mormente a importação, fabricação e comercialização de automóveis da marca Honda, bem como de suas partes e peças; (b) os dispositivos citados na autuação se referem a fraude, simulação e sonegação, situações que não restaram comprovadas nos autos (que centraramse somente no contrato celebrado com a CLARION e em parte de questionário por tal empresa respondido); (c) não há no processo qualquer documento a respeito dos trabalhos do procedimento especial de fiscalização encerrado, no qual o fisco conclui pela cessão de nome; (d) tomou ciência do referido procedimento quando foi intimada a entregar as mercadorias para aplicação de perdimento; (e) não há “revenda”, pois os bens são industrializados no país, pela CLARION, antes da venda à HONDA, conforme se depreende do próprio contrato referido pelo fisco na autuação, e da Folha de Inspeção (como detalhamento de cada etapa do processo fabril), que anexa (fls. 1266 a 1283); (f) não há qualquer quebra na cadeia do IPI; e (g) a empresa é cumpridora exemplar de suas obrigações fiscais, o que lhe garante o atributo de “Linha Azul”, e a habilitação no regime de RECOF. No julgamento de primeira instância, em 27/03/2013 (fls. 1476 a 1522), acordase, por maioria, que o estabelecimento contratual de um programa de fornecimento contínuo de mercadorias, configurase a importação por encomenda, e que a não observância dos preceitos estabelecidos na legislação para tal modalidade de importação implica interposição fraudulenta de terceiros, apenada com o perdimento, sendo que o fato de os produtos serem beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pelo importador não descaracteriza essa situação. Acrescenta ainda que: (a) “o propósito da ação fiscal não foi o de apurar qualquer incidência tributária”, mas o de verificar se houve irregularidade aos controles aduaneiros em operações de comércio exterior; e (b) “quem não pode vender seus Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 produtos livremente, por força contratual, não pode se intitular importador comum e fazer declarações às alfândegas como se fosse, de fato, o dono do negócio”. Cientificada da decisão da DRJ em 11/04/2013 (cf. AR de fl. 1583), a CLARION apresenta Recurso Voluntário em 08/05/2013 (fls. 1584 a 1622), basicamente reiterando a argumentação exposta em sede de impugnação. A empresa HONDA, por sua vez, cientificada da decisão de piso em 11/04/2013 (cf. AR de fl. 1582), interpõe Recurso Voluntário em 10/05/2013 (fls. 1625 a 1687), também reiterando, em síntese, as disposições da peça inicial de defesa, acrescentando considerações sobre os elementos apontados pela DRJ que seriam aptos à demonstração da ocorrência de simulação ou fraude (existência de simulação, de situação oculta ou fraudulenta a acobertar, de divergência intencional entre a vontade íntima e a declaração negocial externada, e de intenção em ludibriar a fiscalização para obter vantagem ou burlar controles aduaneiros fls. 1639 a 1646), e que ainda que houvesse importação por encomenda, a não indicação das declarações do encomendante não torna a operação fraudulenta, cabendo, no caso, apenas multa por incorreção na declaração de importação (fls. 1647 a 1650). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos interpostos pelas empresas CLARION DO BRASIL LTDA e HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento, cabendo destacar que, pela identidade de argumentos, serão conjuntamente analisados neste voto. Há que se verificar, de início, a conduta irregular imputada pela autuação. Da preliminar de nulidade A parte inicial da autuação é teórica, sem tecer qualquer consideração sobre o caso concreto, explicandose o que é e o que se busca (frutos) em uma ocultação do real adquirente, com simulação/falsidade ideológica, e dispondo sobre dano ao Erário, modalidades de importações e habilitação para operar no comércio exterior (fls. 22 a 41). Na parte intitulada “Da motivação da Ação Fiscal” (fls. 41 a 49), a fiscalização explica que durante procedimento especial efetuado na empresa CLARION, constatou que esta cedeu seu nome à HONDA para a realização de operações de comércio exterior, acobertandoa. Eis a conduta irregular imputada, capitulada no art. 23, V, c/c §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.725106/201281 Acórdão n.º 3403002.842 S3C4T3 Fl. 1.858 5 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” (grifos nossos) Afirma a fiscalização que durante o citado procedimento especial: “ficou comprovado que os produtos importados pela CLARION para a HONDA são fruto de encomenda, tendo em vista a existência de contratos de fornecimento com programação, realizada anteriormente às importações, para o abastecimento de peças. Além disso, os produtos destinados às montadoras são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro e são sempre vendidos para a sua montagem na linha de produção. Existe ainda cláusula específica no contrato de que os mesmo (sic) não podem ser vendidos a terceiros sem autorização da HONDA”. (grifos no original) Como provas do alegado, a fiscalização transcreve excertos do contrato entre a HONDA e a CLARION, e questionário enviado à empresa CLARION, com respostas a sete perguntas. E seguese a conclusão: “Portanto, mediante análise dos contratos com as montadoras e das respostas apresentadas pela empresa, concluise que a CLARION DO BRASIL, mesmo sabendo que só poderia cumprir suas obrigações contratuais por meio da importação de empresas coligadas localizadas no exterior, optou por não registrar essas operações de importação como sendo por encomenda”. A partir da conclusão reproduzida, a fiscalização autua a empresa CLARION com multa por acobertamento (em procedimento diverso), e intima a empresa HONDA a apresentar as mercadorias importadas, para apreensão e aplicação da pena de perdimento (conforme se narra na parte 5 da autuação fls. 49 a 51). Diante da não apresentação, aplica a ambas a multa substitutiva do perdimento, discutida no presente processo. Há que se rechaçar assim, preliminarmente, a nulidade suscitada, por não ter a autuação detalhado a descrição do fato e dos dispositivos legais aplicáveis. Restam claras a descrição dos fatos e a imputação, assim como as provas trazidas pela fiscalização em relação ao que alega. Se a prova é insuficiente (como parece pleitear a defesa), não se caminharia no terreno da nulidade, mas da eventual insubsistência. Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Das provas Ao tempo em que se afasta a nulidade, há que acordar com as recorrentes quando afirmam que a autuação fulcrase somente no contrato e na resposta ao questionário, não constando do presente processo nenhuma consideração em relação ao processo produtivo da empresa, ou efetiva diligência realizada a seu(s) estabelecimento(s). A única parte da autuação que trata de matéria probatória é a intitulada “Da motivação da Ação Fiscal” (fls. 41 a 49). Em tal tópico, não se questiona a capacidade financeira e operacional da CLARION (nem que não tenha sido ela a efetiva pagadora das importações, o que já descarta a presunção estabelecida no § 2o do art. 23 DecretoLei no 1.455/1976), e não se discute o valor aduaneiro das operações (que é acatado pelo fisco na autuação, sem questionamento ao vínculo entre as empresas importadora e exportadora), nem eventual ausência de recolhimento de tributos. Limitase o autuante a afirmar que “este tipo de infração pode ser usado como artifício para afastar obrigações tributárias principais e acessórias já citadas anteriormente”, e que interfere na avaliação de risco da operação, prejudicando a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior. Sobre a interferência na avaliação de risco, parece não guardar muita coerência lógica com o caso concreto, visto que a empresa tida como ocultada (HONDA) apresenta menor grau de risco que a tida como ocultante (CLARION), por estar habilitada à Linha Azul despacho aduaneiro expresso, que garante preferência de canal verde e tempos mais céleres para o despacho. Aliás, as empresas habilitadas à Linha Azul o são exatamente por se identificar em suas operações reduzido grau de risco. Mais sentido faria se a HONDA utilizasse os benefícios da Linha Azul para tornar mais céleres importações de empresas não habilitadas (em que pese, no RECOF, regime ao qual a HONDA é habilitada, isso ser possível, podendo o fornecedor da montadora obter as vantagens do regime sem ser habilitado, desde que autorizado pela montadora, cf. art. 59 da Lei no 10.833/2003 e Instrução Normativa RFB no 1.291/2012). Em relação ao dano ao Erário (e sua relação muitas vezes confusa com falta de recolhimento de tributos), há que se aparar arestas tanto na argumentação expendida na autuação quanto na levantada em sede recursal. A aplicação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, não demanda demonstração de qual tenha sido o dano ao Erário. Uma leitura sistemática do referido art. 23 (aqui já transcrito) afasta o equívoco, pois é cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.725106/201281 Acórdão n.º 3403002.842 S3C4T3 Fl. 1.859 7 “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido tem acordado unanimemente esta turma.2 Passemos, então, ao conjunto probatório apresentado, inicialmente analisando as cláusulas do contrato celebrado entre a CLARION e a HONDA, cabendo destacar que a íntegra do contrato (com suas 31 cláusulas) consta às fls. 99 a 112. Cabe, já de início, destacar que o contrato traz a logomarca da HONDA no cabeçalho da primeira folha, e guarda características de contratopadrão para compra de peças e/ou insumos pela montadora, visto que os campos referentes à HONDA estão prépreenchidos e os da outra contratante (CLARION) são manuscritos. E a leitura do contrato não deixa dúvidas de que a HONDA (designada como COMPRADORA) estabelece requisitos para o fornecimento de peças e insumos para veículos pela VENDEDORA (no caso, a CLARION). São no contrato disciplinados temas como preço, entrega, embalagem e transporte, avaliação, faturamento e cobrança, especificações, garantias, confidencialidade, exclusividade, prazo e rescisão, e jurisdição. A autuação fundase em 7 cláusulas do contrato: “CLÁUSULA 6.1 A entrega das Peças ou Insumos, quando ocorrer continuidade do fornecimento, será estabelecida pela PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS, que a COMPRADORA emitirá compradora emitirá automaticamente e consecutivamente, na medida de suas necessidade de suprimento. CLÁUSULA 6.2 A PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS estabelece as quantidades consideradas como encomenda, firme ou previsão estimada, e os prazo e/ou datas de entrega, condições essas que fazem parte integrante da ORDEM DE COMPRA. CLÁUSULA 9.1 A fabricação e controles necessários das peças ficam vinculados às especificações e instruções entregues pela COMPRADORA, na ocasião da confirmação e envio da ORDEM DE COMPRA. CLÁUSULA 9.3 A VENDEDORA deverá entregar as Peças ou Insumos estabelecidos na ORDEM DE COMPRA e/ou na 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013. Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 PROGRAMAÇÃO DE COMPRAS, somente após a aprovação, em documento próprio da COMPRADORA, autorizando a fabricação do lote de produção. CLÁUSULA 12.1 As Peças ou Insumos entregues à COMPRADORA pela VENDEDORA, deverão estar de acordo com cada um ou mais dos seguintes elementos: desenhos, especificações, normas de qualidade ou quaisquer outras normas e informações similares a serem designadas pela COMPRADORA (doravante referidos coletivamente como “Especificações”). CLÁUSULA 13.2 No caso de alterações nas especificações efetuadas pela COMPRADORA, as Peças ou Insumos anteriormente produzidas pela VENDEDORA e cobertas pelo PROGRAMA DE COMPRAS, deverão ser absorvidos pela COMPRADORA. CLÁUSULA 20.1 A VENDEDORA não deverá vender ou transferir a terceiros, nem fazer uso das peças que entrem em qualquer das categorias seguintes, por qualquer que seja o motivo, a menos que aprovado de outras maneira, por escrito, pela COMPRADORA. I) As Peças fabricadas de acordo com as especificações fornecidas pela compradora; ou II) As Peças marcadas com denominações comerciais ou marca registrada da COMPRADORA, ou que estão embrulhadas ou contidas em tais embalagens, pacotes ou recipientes marcados com quaisquer das denominações comerciais ou marca registrada da COMPRADORA.” A partir de tais cláusulas, o fisco afirma que “fica claro que os produtos vendidos pela CLARION DO BRASIL à HONDA são resultado de prévio acordo (encomenda)”, e que “o termo ‘encomenda’, inclusive, consta expressamente dos contratos” (referindose à Cláusula 6.2). Complementa concluindo que “quem não pode vender seus produtos livremente, como a CLARION DO BRASIL não pode se intitular importador comum e fazer declarações às alfândegas como se fosse, de fato, o dono do negócio”. Em sede recursal, argumentase que o contrato foi equivocadamente interpretado pela fiscalização, pois é um contrato de fornecimento, e não para importação (no contrato consta inclusive que a CLARION presta serviços de garantia dos bens fornecidos). É de se destacar que nesse aspecto assiste razão às recorrentes, pois a presença da palavra “encomenda”, no contrato, não parece ter sido inserida para fazer referência à “importação por encomenda”, mas a fornecimento sob encomenda (aliás, sequer há menção a importação no contrato). A HONDA contratou a CLARION para fornecerlhe mormente equipamentos de som automotivo segundo as especificações que estabeleceu, adequadas a seus veículos, sendo, pelo contrato, aparentemente irrelevante se tais aparelhos são ou não importados. Diante do modelo/padrão de contrato, não se crê que sejam diferentes as contratações com outros fornecedores da empresa (assim como não se crê que sejam diferentes as contratações de fornecimento desse e de outros fornecedores a outras montadoras). Em síntese, nada no contrato que sugira necessariamente a intenção de que alguém importe Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.725106/201281 Acórdão n.º 3403002.842 S3C4T3 Fl. 1.860 9 mercadorias no exterior sob encomenda da montadora, e/ou a oculte, mediante fraude ou simulação. Em sede recursal, sustentase que a CLARION importa aparelhos de som automotivos, entre outros, promove operações de industrialização, adequando tais aparelhos às especificações das montadoras (e de cada modelo de veículo), testa os equipamentos (alguns inclusive com apoio de equipamento externo, pois são aparelhos sem visor LCD, tendo em vista que os visores estarão centralizados no painel do carro ao qual serão acoplados), e depois os vende às montadoras, não podendo se falar aí que houve propriamente uma “revenda”, mas sim uma “venda”, pois o produto vendido não mais se encontra no estado em que foi importado, por ter passado por processo de industrialização. A fiscalização, ao agregar como prova o contrato e as respostas aos questionário, entendeuos suficientes, e parece não ter se preocupado em verificar se havia um processo industrial, sustentandose na autuação que a CLARION “importa produtos produzidos (sic) principalmente pela fábrica do México e revendendoos principalmente para as grandes montadoras de automóveis, como HONDA e MITSUBISH (sic), além de estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som”. Tal afirmação parece incongruente com a cláusula contratual 9.1, trazida na autuação, que dispõe que “a fabricação e os controles necessários das peças ficam vinculados às especificações e instruções entregues” pela HONDA, ou com a garantia de qualidade (cláusula 14, inclusive com a realização de testes em cada fase do processamento e fabricação 14.4). A documentação anexada desde a fase de impugnação (com laudos incluindo etapa a etapa de produção, acompanhados de fotos, explicações detalhadas de procedimentos, e de registros contábeis que atestam ter havido suspensão de IPI para operação de industrialização pela CLARION, no Brasil) torna inequívoca a existência de processo industrial, pela CLARION, após as importações, e antes do fornecimento do produto final à HONDA. A existência de processo industrial é inclusive acatada pelo julgador de piso, que, no entanto, a desconsidera, sob o seguinte argumento: “Os pareceres conclusivos apresentados para os diversos produtos importados já demonstram que são realizados processos industriais. (...) O fato de haver agregação física nas mercadorias objeto da autuação é irrelevante para descaracterizar a modalidade ‘importação por encomenda’. A empresa HONDA a (sic) responsável tanto pela importação, quanto pelo destino final do produto importado. A bem dizer os produtos eram beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pela CLARION DO BRASIL também por força de contrato, com a finalidade de atender a demanda da HONDA. A submissão dos bens importados a um processo de industrialização não descaracteriza o fato de ser uma importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante previamente determinado, face a legislação aplicável.” Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Adiciona o julgador de piso que “a dar azo à argumentação apresentada, seria muito simples e corriqueiro conseguir burlar toda construção legal de mais de uma década para a constituição de controles aduaneiros rigorosos em relação à pessoa jurídica importadora/exportadora no mercado nacional”, citando como exemplo uma operação em que o importador adquire o bem e o acondiciona em nova caixa, com sua etiqueta, “industrializando” os bens importados. Há que se aclarar que não é recomendável apreciar um comando normativo a partir de conjecturas sobre sua burla, assim como soaria extremado apresentar exemplos em que o grau de industrialização tornasse bizarro chamar a operação seguinte de “revenda”. É exatamente esse o papel da fiscalização: investigar, diligenciar, apurar, a ponto de desenquadrar o processo tido como “industrial”, mas que era somente de “maquiagem”. É preciso apurar qual é a sistemática utilizada nas contratações pelas montadoras, contextualizar os contratos, com leitura isenta. Lendo as mesmas normas sobre importação por encomenda relacionadas pelo autuante, não nos parece que palavra “revenda” possa ser empregada para uma venda de bem diverso daquele que foi importado, ou do bem importado após processo de industrialização, como sustenta o julgador de piso (que discorda da afirmação de que só há “revenda” se a mercadoria ainda estiver no estado em que foi importada). Endossese ainda que a matéria sequer é discutida na autuação, que toma a operação como “revenda” ao sequer averiguar se houve industrialização (ainda que o contrato e as respostas ao questionário para isso apontassem), e emprega indistintamente os termos “venda” (v.g. fl. 42) e “revenda” (v.g. fl. 43). Imaginar que o legislador, ao tratar de importação por encomenda, usou o termo “revenda” para abarcar também a “venda” não nos parece adequado, além de constituir alargamento do conteúdo da expressão para fins de penalização. Mas bastaria a fiscalização investigar o caso, eventualmente comprovando que de fato até a industrialização se tratava de uma simulação, para descaracterizar a operação, que seria uma efetiva “revenda”, disfarçada de “venda”. Repitase, sem embargo, que não foi essa a atitude tomada no presente processo, restando deficiente o arsenal probatório da fiscalização nesse sentido. A própria cláusula de exclusividade, que veda a revenda (ali também tratada com atecnia terminológica), largamente utilizada na autuação, foi lida de forma parcial, à luz do contrato de fornecimento. Lendo o texto da cláusula, percebese que nada impede a venda a terceiro de uma peça antes (ou fora) do atendimento das especificações (recordese que várias das especificações são cumpridas no País, durante o processo de industrialização pela CLARION), desde que não esteja marcada pela HONDA. A cláusula não ampara a “teoria do domínio do fato”, sustentada também com exclusividade no julgamento de piso (e sequer ventilada na autuação). O questionário, elaborado pela fiscalização, e que consiste nas seguintes perguntas efetuadas à CLARION, já adicionadas das respostas (excertos dos textos de fls. 45 a 47), constitui a segunda (e última fonte probatória indicada na autuação): “1) Descrever detalhadamente como funcionam as operações de importação da Clarion, especialmente as de peças automotivas destinadas as (sic) montadoras de veículos. Resposta: (...) Periodicidade: Os pedidos (plano de embarque) são realizados através (sic) de uma planilha Excel revisada semanalmente (toda sextafeira) e enviado por email para a pessoa responsável pela programação na fábrica. Essas revisões Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.725106/201281 Acórdão n.º 3403002.842 S3C4T3 Fl. 1.861 11 periódicas e em um curto espaço de tempo se deve (sic) a oscilação de pedidos das montadoras). Desembaraço: todas as importações da Clarion são removidas (DTA) para um entreposto na cidade de Suzano (CRAGEA). Lá a importação é registrada através (sic) da DI e é liberada para entrega na Clarion em São Paulo. 2) Além das montadoras, a quem se destinam as mercadorias importadas pela Clarion? Resposta: Além das montadoras, alguns modelos de produtos são comercializados no setor de peças e acessórios (P&A) das próprias montadoras, aquelas que preferem que os produtos sejam montados por decisão dos seus clientes não na (sic) linha de produção. 3) As peças importadas para as montadoras são específicas para cada linha de automóvel ou são genéricas e podem ser utilizadas em qualquer veículo? As montadoras definem as especificações de cada produto que deseja (sic) adquirir? Resposta: Em relação às montadoras todos os produtos são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro que obedecem uma série de requisitos mínimos para serem homologados pelas mesmas (sic). Quanto ao mercado P&A esses produtos são mais genéricos e podem ser utilizados em quaisquer veículos. 4) Os produtos vendidos às montadoras destinamse à linha de produção de veículos novos ou ao mercado de reposição? Resposta: Em relação às montadoras, sempre vendidos para sua montagem na linha de produção. 5) Como são estabelecidos os preços dos produtos finais? Resposta: Seguem o critério de: custo do produto descarregado no Brasil adicionandose custos de produção, custos fixos, mais a margem de lucro desejada e os impostos, conhecido como ‘gross up’. 6) Como são feitos os pedidos de compras das montadoras à Clarion? Há alguma antecedência mínima ou existe um planejamento mensal com tipos e quantidades de mercadorias a serem entregues? Resposta: Forecast: Periodicamente (mensalmente ou bimestralmente) a montadora envia por email uma planilha com Excel com o Plano de Suprimentos (para o ano todo) com as alterações e variações realizadas no planejamento. Pedidos firmes são realizados semanalmente através (sic) de EDI (Electronic Data Interchange) Portal que facilita a troca (através sic de uma rede de dados) de documentos EDI entre parceiros comerciais. Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 (...) 7) Quando são efetuados os pagamentos dos produtos vendidos pela Clarion? Há algum adiantamento? Resposta: Por termos 90% de nossas compras centralizadas nas empresas ELECTRONICA CLARION SA DE CV e CLARION TOKYO CO, todos os pagamentos obedecem aos prazos de 120 (cento e vinte) dias e 90 (noventa) dias, respectivamente, sem a prática de adiantamentos.” (grifos no original) Lendo as respostas da empresa CLARION às perguntas elaboradas pelo fisco, parece que as partes estavam preocupadas com coisas distintas. Vejase a pergunta 7, na qual o fisco parecia querer saber se as montadoras (v.g. HONDA) adiantavam recursos para as importações da CLARION. A empresa interpretou que a pergunta se referia aos pagamentos que ela (CLARION DO BRASIL) efetuava às empresas CLARION estrangeiras, sequer mencionando a montadora. Inconclusiva, assim, a resposta, a demandar aprofundamento, para o correto enquadramento de eventual autuação. As perguntas 1 a 4, e 6, buscam aprofundar o que já derivava do contrato de fornecimento, vinculando as operações de fornecimento a importações. De fato, a CLARION recebia pedidos das montadoras (contrato de fornecimento) e importava peças, desembaraçandoas ela própria, em seu nome, levandoas para seu estabelecimento. Como se depreende da resposta à pergunta 5, em seu estabelecimento havia processo industrial (caso contrário, não haveria que se falar em custos de produção). E, conforme resta documentado no presente processo, após o processo industrial a mercadoria era vendida à HONDA (ou a outras montadoras). Novamente a resposta demandaria aprofundamento, não efetuado pela fiscalização. Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. Em suma, a autuação é extremamente feliz ao expor todo o histórico das construções legislativas visando a dificultar/coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas, mas não logra êxito em encaixar em tal arcabouço o caso concreto que analisa, e peca por não compreender a dimensão do ônus probatório que lhe incumbe, acomodandose em interpretar excertos (ainda assim de forma incompleta/descontextualizada) de contrato de fornecimento e de questionário enviado a uma das autuadas. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 DecretoLei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários apresentados, sendo improcedente a autuação. Rosaldo Trevisan Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.725106/201281 Acórdão n.º 3403002.842 S3C4T3 Fl. 1.862 13 Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11516.006013/2008-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF.
Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.
O pedido de restituição do valor que se alega ter sido pago indevidamente não pode ser processado somente na fase recursal, deveria ter sido feito em pedido específico e sujeito ao respectivo prazo legal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para desconstituir o lançamento quanto à parte em litígio, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543C do Código de Processo Civil CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 60 13 /2 00 8- 64 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. O pedido de restituição do valor que se alega ter sido pago indevidamente não pode ser processado somente na fase recursal, deveria ter sido feito em pedido específico e sujeito ao respectivo prazo legal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para desconstituir o lançamento quanto à parte em litígio, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial em menor extensão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, por ter sido apurada omissão dos seguintes rendimentos: a) R$144.085,02 recebidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista (RT2574/1999); b) R$14.983,05 recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social; Ao impugnar o contribuinte alegou que dentre os valores recebidos no processo 2574/1999, os valores referentes a FGTS, aviso prévio indenizado e férias com 1/3 vencidas e também as proporcionais, referentes à despedida sem justa causa são rendimentos isentos, o que soma R$19.324,20 e, da mesma forma, os juros de mora no montante de R$55.727,99, devendo ser atualizados até a liberação do alvará (06/10/2005). Requereu também o aproveitamento de R$6.000,00 já pago. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Acórdão n.º 2802002.831 S2TE02 Fl. 98 3 A Delegacia de julgamento declarou não impugnada a omissão de rendimentos da Fundação Sistel de Seguridade Social e indeferiu a impugnação informando que os juros de mora são tributáveis e que os rendimentos tributáveis oferecidos à tributação foram inferiores aos que deveriam ser informado após a exclusão dos rendimentos isentos. Informou ainda que o pagamento de R$6.000,00 já foi alocado pela autoridade preparadora. Ciência em 13/02/2012. A peça recursal foi apresentada em 13/03/2012 sob a argumentação de que: 1. os rendimentos tributáveis não podem ser considerado como R$144.085,02 (fls. 03) pois há as verbas isentas (férias, abono pecuniário, adicional, aviso prévio, etc), sustenta que o inciso XX do art. 39 do RIR1999 excede o poder regulamentar, devendo ser confrontado com o inciso V do art. 6º da Lei 7.713/1988; 2. inaplicável a multa de ofício por ausência de infração; 3. havendo verbas isentas, os juros de mora correspondentes também são isentos; e 4. o pagamento de R$6.000,00 efetuado voluntariamente foi indevido e deve ser devolvido corrigido. Requereu prioridade de tramitação do processo com amparo no Estatuto do Idoso. Com base na análise da notificação de lançamento e do acórdão recorrido corroborado pelas planilhas de fls. 10 em diante, esta Turma Julgadora concluir se tratar de discussão unicamente sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, consequentemente, o julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.160, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Já tendo sido admitido o recurso, passase a examinar o mérito: a tributação dos rendimentos obtidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista, ali incluídas – segundo alegação do recorrente férias, abono pecuniário, adicional, aviso prévio e juros de mora. Da natureza tributária de férias, abono pecuniário, adicionais de férias, aviso prévio e juros de mora Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 As peças da Reclamatória Trabalhista nº 2574/1999 juntadas às fls. 10 em diante demonstram que a ação foi ajuizada no contexto de rescisão de contrato de trabalho. O contexto de rescisão contratual implica no reconhecimento de natureza não tributável dos juros de mora, pois deve ser observado o quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012, que possui a seguinte ementa: Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA.PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho,em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS,Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Acórdão n.º 2802002.831 S2TE02 Fl. 99 5 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. . O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item "3", subsistindo a isenção decorrente do item "4" exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n.8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda;Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta)= Incide imposto de renda;Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda;Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90);Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. No mesmo sentido: REsp 1234377/RS, julgado em 04/06/2013, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, Data do Julgamento 28/05/2013, AgRg no AREsp 18626/RS, Data do Julgamento 28/05/2013 e EDcl no AgRg no REsp 1221039/RS, julgado em 28/05/2013. Os juros de mora não podem compor a base de cálculo do imposto, ponto em que está incorreto o lançamento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Das demais verbas Os documentos de fls. 12 e 25 demonstram que as demais verbas foram “diferenças de horas extras e reflexos” e “integração de diárias acima de 50% e reflexos”. Não há comprovação de que parcela dos rendimentos sejam aviso prévio ou férias não gozadas e respectivos abonos e adicionais. Portanto, não há outras verbas não tributáveis além dos juros de mora. Do recebimento acumulado As peças da Reclamatória Trabalhista nº 2574/1999 (fls. 10 e seguintes) demonstram também que os rendimentos referemse ao período de maio de 1994 a fevereiro de 1999 e que foram recebidos no ano de 2005. Esse é o ponto que levou ao sobrestamento do feito e que agora passa a ser objeto de análise. Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre o tema em outros julgados, como o foram os acórdãos nº 280200.476 e 280200.477, de 22 de setembro de 2010 e 280200.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes. Em um primeiro momento fundamentei meus votos a partir das seguintes premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema; e c) publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global", mencionando os seguintes julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com isso a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) suspendeu a eficácia do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010. A mudança da posição do STF ocorreu no AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, (RE614232 e RE 614406) em que se enfrentou questão provocada pelo fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento de valores acumulados sobre o total dos rendimentos. Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no §1º do art.62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Acórdão n.º 2802002.831 S2TE02 Fl. 100 7 Todavia, essa norma regimental foi revogada e os julgamentos devem prosseguir seu curso novamente. Até o momento não há uma decisão final do STF nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Acórdão n.º 2802002.831 S2TE02 Fl. 101 9 a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE 614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. Destarte, o referido entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas ao casos de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Acórdão n.º 2802002.831 S2TE02 Fl. 102 11 DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Neste caso concreto, os rendimentos referemse ao período de maio de 1994 a fevereiro de 1999 e foram recebidos no ano de 2005 em razão de condenação trabalhista, deve se, portanto, aplicar a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Por fim, o pedido de restituição do valor que se alega ter sido pago de imposto – e para fins de prova foi juntada cópia de DARF às fs. 05 – não pode ser processado somente na fase recursal, deveria ter sido feito em pedido específico e sujeito ao respectivo prazo legal. Sem razão o recorrente nesse ponto do recurso voluntário. Não é demais ressaltar que a omissão de rendimentos da Fundação Sistel de Seguridade Social não compõe o litígio. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.006013/200864 Acórdão n.º 2802002.831 S2TE02 Fl. 103 13 Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para desconstituir o lançamento quanto à parte em litígio. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.003283/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
DECADÊNCIA. FATOS ALCANÇADOS.
Nos exatos termos do disposto no art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.
ÁGIO. REGISTRO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Em conformidade com o §3ºdo art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), o registro de ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. No caso vertente, em que a contribuinte fiscalizada trouxe ao processo documento representativo de avaliação do Grupo econômico o qual integra, à evidência, não se pode considerar atendida a exigência contida na norma referenciada.
PROVISÃO. REVERSÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. IMPROCEDÊNCIA.
Para que seja admitida a exclusão do lucro líquido do valor correspondente à reversão de provisão anteriormente constituída, é necessário que seja aportado ao processo documento comprobatório de que, no momento da sua constituição, a contrapartida do valor provisionado ou foi devidamente adicionado ao lucro líquido na determinação do lucro real ou não transitou por conta de resultado. No caso vertente, além de não restar comprovada qualquer das hipóteses autorizadoras da exclusão, a autuada sequer contraditou o argumento da autoridade julgadora de primeiro grau de que a receita em questão não foi incluída na apuração do lucro líquido.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
Numero da decisão: 1301-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à dedutibilidade da despesa com amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias suscitadas, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (relator) que entendeu que na execução da decisão deveria ser exigida juros de mora de 1% sobre a multa de ofício aplicada. Designado para redigir o voto vencedor quanto a essa matéria o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas..
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas
Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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FATOS ALCANÇADOS. Nos exatos termos do disposto no art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ÁGIO. REGISTRO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Em conformidade com o §3ºdo art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), o registro de ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. No caso vertente, em que a contribuinte fiscalizada trouxe ao processo documento representativo de avaliação do Grupo econômico o qual integra, à evidência, não se pode considerar atendida a exigência contida na norma referenciada. PROVISÃO. REVERSÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. IMPROCEDÊNCIA. Para que seja admitida a exclusão do lucro líquido do valor correspondente à reversão de provisão anteriormente constituída, é necessário que seja aportado ao processo documento comprobatório de que, no momento da sua constituição, a contrapartida do valor provisionado ou foi devidamente adicionado ao lucro líquido na determinação do lucro real ou não transitou por conta de resultado. No caso vertente, além de não restar comprovada qualquer das hipóteses autorizadoras da exclusão, a autuada sequer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 83 /2 00 9- 16 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.148 2 contraditou o argumento da autoridade julgadora de primeiro grau de que a receita em questão não foi incluída na apuração do lucro líquido. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à dedutibilidade da despesa com amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias suscitadas, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (relator) que entendeu que na execução da decisão deveria ser exigida juros de mora de 1% sobre a multa de ofício aplicada. Designado para redigir o voto vencedor quanto a essa matéria o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.149 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) exclusão indevida do lucro líquido, na determinação do lucro real, de “provisão para pessoal”, no montante de R$ 1.009.086,69; ii) exclusão indevida do lucro líquido, na determinação do lucro real, de “proteção do valor econômico”, no montante de R$ 6.850.925,08; e iii) despesa indedutível de R$ 3.529.264,44, apropriada como referente à amortização de ágio. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 151/187), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que iria efetuar o pagamento do IRPJ e da CSLL referentes à exclusão da provisão para pessoal no valor de R$ 1.009.086,69; que, no ano de 1998, parcela majoritária do seu capital foi adquirido pelo Grupo Omnicom, multinacional da área publicitária, e que referida aquisição se deu por intermédio de empresa holding (DM9 Holdings Inc.) constituída para esta finalidade; que, posteriormente, em 28.12.2001, a DM9 Holdings capitalizou a empresa Marman do Brasil Ltda. com as quotas por ela detidas na empresa DM9 DDB Publicidade Ltda. (antiga denominação da impugnante), e para tanto elaborou laudo de avaliação do investimento mantido na DM9 DDB sob a perspectiva de sua rentabilidade futura, tendo a integralização do capital da Marman ocorrido pelo valor de R$ 154.325.000,00; que, nos termos do artigo 385 do RIR/99, a Marman desdobrou o custo de aquisição do novo investimento, de modo que o montante de R$ 22.692.582,00 representava o patrimônio líquido das quotas integralizadas e R$ 131.632.418,00 o valor do ágio apurado na aquisição do investimento integralizado; que, em 20.03.2002, a Marman foi incorporada por ela, e, em atendimento à Instrução CVM nº 319/99, constituiu provisão na empresa incorporada no montante relativo à diferença entre o valor do ágio e o benefício fiscal decorrente da sua amortização, redutora da conta em que o ágio foi registrado (66% de R$ 131.632.418,00, ou seja, R$ 86.877.395,88); que a incorporadora registrou o valor líquido (ágio menos provisão, ou seja, R$ 44.755.022,12) em contrapartida da conta de reserva especial de ágio na incorporação, e passou a reverter a provisão anteriormente citada para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.150 4 que, a partir de 2003, passou a amortizar o ágio, revertendo proporcionalmente a provisão realizada em cumprimento à Instrução CVM nº 319/99, nos termos do artigo 386 do RIR/99. que, sob a roupagem de glosa da amortização do ágio, o agente fiscal na realidade estaria questionando a própria existência do ágio, apurado em 2001, há muito ultrapassado o prazo decadencial para tanto, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; que, ao reportarse no Termo de Verificação Fiscal à contabilização do ágio e seu fundamento econômico, a Fiscalização ataca o próprio ágio escriturado e não qualquer vício específico relativo à amortização realizada no ano de 2005, quando não pode mais fazê lo; que o ágio glosado tem fundamento na rentabilidade futura do investimento capitalizado na empresa Marman do Brasil Ltda., nos termos do laudo de avaliação elaborado à época por empresa de auditoria, cuja cópia aporta aos autos, juntamente com cópias dos atos societários e dos livros contábeis e fiscais que demonstram que as regras relativas à contabilização do ágio amortizado foram cumpridas; que, relativamente à glosa da exclusão realizada no valor de R$ 6.850.925,09, referente à provisão para proteção do valor econômico do investimento adquirido com ágio, nos termos do artigo 6º da Instrução CVM nº 319/99, explica que se trata de procedimento para evitar que a amortização do ágio diminua a distribuição dos dividendos, prejudicando os acionistas, como fica claro na Nota Explicativa à Instrução CVM 349/2001; que, sendo referida provisão despesa indedutível, no momento de sua constituição já foi ela adicionada, de modo que no momento de sua reversão proporcional à amortização do ágio não há outro tratamento a ser dado a não ser a exclusão. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 1638.155, de 26 de abril de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE. Para que seja dedutível a despesa com amortização do ágio na aquisição de investimento, fundamentado em expectativa de rendimentos futuros, é necessário que os motivos econômicos que serviram de fundamento ao reconhecimento e a apuração do valor do ágio estejam formalizados e embasados em estudo técnico, que deverá ser obrigatoriamente arquivado como comprovante da escrituração. Não se pode aceitar laudo elaborado para avaliação de todo o Grupo Econômico, quando as operações que deram causa ao ágio e à sua amortização tiveram como objeto apenas uma das empresas do grupo. PROVISÃO PARA PRESERVAÇÃO DE DIVIDENDOS. REVERSÃO. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A contabilização da provisão prevista no artigo 6º da Instrução CVM nº 319/1999, alterada pela Instrução CVM nº 349/2001, bem como a sua reversão, devem ter efeitos tributários neutros. Para que seja permitido que a reversão da Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.151 5 provisão seja excluída na apuração do lucro real, é necessário que a receita correspondente tenha sido incluída na apuração do lucro líquido. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. REFLEXO EM PERÍODOS FUTUROS. DECADÊNCIA. A decadência não atinge a possibilidade de o Fisco contestar o valor e a legitimidade do ágio na aquisição de investimento, que terá reflexo na base de cálculo do tributo em momento posterior, quando de sua amortização, ainda que decorridos mais de 5 anos do registro do ágio na contabilidade do contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A incidência da taxa SELIC amparase no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que não pode ser afastado pelo julgador administrativo com base em alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, a teor do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO DE CSLL. Aplicase ao lançamento de CSLL as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos. Irresignada, a contribuinte apresenta o recurso voluntário de fls. 1.010/1.058, em que renova os argumentos expendidos na peça impugnatória, quais sejam: caducidade do direito de efetuar os lançamentos tributários, não sendo possível, assim, o questionamento de meros efeitos decorrentes de fatos consumados no passado; o ágio amortizado tem fundamento econômico e foram observadas todas as regras da legislação em vigor; improcedência da glosa da exclusão da provisão para proteção do valor econômico do investimento. Sustenta, ainda, a contribuinte, ser ilegal a exigência de juros sobre a multa lançada. É o Relatório. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.152 6 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 93/94, foram as seguintes as infrações apuradas pela Fiscalização: i) provisão indedutível, no montante de R$ 1.009.086,69 (bônus performance fornecedores); ii) exclusão do lucro líquido no valor de R$ 6.850.925,08 (PROTEÇÃO DO VALOR ECONÔMICO), que, segundo a Fiscalização, a contribuinte teria alegado tratarse de ágio na aquisição de investimento da empresa MARNAN DO BRASIL LTDA.; iii) despesa de amortização de ágio, no montante de R$ 3.529.264,44, considerada indedutível pela Fiscalização, em virtude da ausência de indicação do seu fundamento. A infração apontada no item “i” acima foi reconhecida pela fiscalizada, não tendo sido objeto de contestação. Relativamente às demais infrações, esclarece a Recorrente: 1. que, no ano de 1998, parcela majoritária do seu capital social (98,21%) havia sido adquirida pelo Grupo Omnicom, por intermédio de empresa holding constituída para esta finalidade (DM9 HOLDINGS INC.); 2. que, em 28 de dezembro de 2001, a DM9 HOLDINGS INC. capitalizou a empresa MARNAM DO BRASIL LTDA. com quotas por ela detidas na DM9 DDB PUBLICIDADE LTDA. (a fiscalizada), elaborando, na ocasião, laudo de avaliação do investimento mantido na DM9 DDB PUBLICIDADE LTDA. sob a perspectiva de sua rentabilidade futura, tendo a integralização do capital da MARNAM DO BRASIL ocorrido pelo valor de R$ 154.325.000,00; 3. que, ao efetuar o seu balanço de abertura, e nos termos do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda, a MARNAM desdobrou o custo de aquisição do novo investimento de modo que, dos R$ 154.325.000,00 integralizados ao seu capital, o montante de R$ 22.692.582,00 representava o valor de patrimônio líquido das quotas integralizadas e R$ 131.632.418,00, o valor do ágio apurado na aquisição do investimento integralizado; 4. que em 20 de março de 2002, a MARNAM DO BRASIL foi por ela incorporada, momento em que, em atendimento à Instrução CVM nº 319/99, adotouse os seguintes procedimentos: a) foi constituída provisão na empresa incorporada no montante relativo à diferença entre o valor do ágio e o beneficio fiscal decorrente da sua amortização, redutora da Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.153 7 conta em que o ágio foi registrado (66% de 131.632.418,00, ou seja, realizou a provisão de R$ 86.877.395,88); b) ela, como incorporadora: b.1) registrou o valor líquido (ágio menos provisão, ou seja, R$ 44.755.022,12) em contrapartida da conta de reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio liquido; b.2) passou a reverter a provisão referida na letra "a" acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e b.3) passou a apresentar, para fins de divulgação das suas demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante; 5. que, em razão desta incorporação, e não tendo apurado lucro em 2002, a partir do ano de 2003, em todos os anos passou a amortizar referido ágio revertendo proporcionalmente a provisão realizada em cumprimento à Instrução CVM 319/99, nos termos do artigo 386 do RIR/99, conforme sempre constou de suas DIPJs; 6. que é esse ágio que vem sendo amortizado por ela desde o ano de 2003 com a reversão proporcional da provisão constituída em atendimento às normas da CVM, que foi objeto da glosa realizada pela fiscalização, originando os lançamentos de IRPJ e CSLL. Apreciando as razões de defesa trazidas em sede de impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância decidiu pela procedência dos lançamentos tributários. Aprecio, pois, os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário. DECADÊNCIA Alega a Recorrente que, sob a roupagem de “glosa da amortização do ágio”, a Fiscalização questiona, na verdade, a própria existência do ágio, quando há muito ultrapassado o prazo decadencial para tanto, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional. Diz que as amortizações por ela realizadas e as exclusões decorrentes da reversão proporcional da provisão efetuada em razão dessas amortizações são mero efeito do ágio apurado e contabilizado em 2001, e cuja amortização vem sendo regularmente deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL desde 2003. Afirma que o que sustenta não é que o prazo decadencial tem sua fluência iniciada com o mero registro do ágio, mas justamente com o início de sua dedução, o que no caso concreto ocorreu em 2003. Pelo que se pode depreender, a tese da Recorrente é a seguinte: se, em determinado ano, realizo um conjunto de operações e, dois anos depois, passo a apropriar no resultado fiscal os efeitos decorrentes dessas operações, ainda que tais efeitos perdurem, por exemplo, por cinco ou dez anos, a contagem do prazo decadencial para que a autoridade administrativa tributária possa apreciar os referidos efeitos contase a partir do momento em que eles foram apropriados no resultado fiscal, isto é, na hipótese aqui versada, dois anos após a realização das operações. A meu ver, não merece acolhimento o argumento esposado pela Recorrente. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.154 8 Com efeito, admitir a tese esposada pela Recorrente, significaria, por exemplo, ter de aceitar que um determinado contribuinte, por meio de um conjunto de atos fraudulentos, artificializasse a criação de uma despesa e, transcorridos um ou dois anos da realização de tais atos, passasse a deduzir tal despesa das bases de cálculos dos tributos devidos, sem que nenhuma providência pudesse a autoridade fiscal adotar, caso o início da referida dedução se desse em período já alcançado pela decadência. Para uma melhor compreensão, vejamos o exemplo abaixo, conforme ordem cronológica dos fatos: 2001 – ATOS FRAUDULENTOS/DESPESA ARTIFICIALIZADA 2003 – INÍCIO DA DEDUÇÃO DA DESPESA ARTIFICIALIZADA 2010 – TÉRMINO DA DEDUÇÃO De acordo com a tese da Recorrente, em 2009, ano em que a autoridade fiscal, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, poderia revisar os atos praticados relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 31 de dezembro de 2004, já não mais seria possível glosar as despesas apropriadas a partir de 2004, pois a contagem do prazo decadencial deve levar em conta o início do registro (indevido) da referida despesa, qual seja, 2003. Com o devido respeito, a pretensão é absurda. Mais absurda ainda seria pretender que a contagem do prazo decadencial se desse a partir da data em que os atos fraudulentos foram praticados. À evidência, a autoridade fiscal, no prazo não alcançado pela caducidade, tem o legítimo direito de exigir do fiscalizado que ele apresente os documentos que serviram de lastro para toda e qualquer operação que tenha afetado a determinação da base de cálculo do tributo submetido ao processo de averiguação. Não é outra a interpretação que se pode extrair da norma estampada no art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido. Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Embora eu entenda que, ainda que a norma acima não houvesse sido editada, a autoridade fiscal não estaria impedida de exigir do contribuinte fiscalizado a apresentação de documentos que afetaram fatos geradores não alcançados pela decadência, a norma acima explicitada foi editada exatamente para afastar de vez a tese defendida pela Recorrente. Com o devido respeito aos entendimentos declinados nos precedentes jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, julgar em sentido diverso, além de possibilitar a perpetuação dos efeitos tributários dos mais variados planejamentos ilícitos, significa decidir de forma contrária à lei, o que é expressamente vedado aos membros deste Colegiado fazer, conforme art. 62 do Anexo II do Regimento Interno. Rejeito, pois, a preliminar de decadência argüida. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.155 9 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Argumenta a Recorrente que, como fazem prova os documentos anexos à impugnação, o ágio glosado tem fundamento na rentabilidade futura do investimento capitalizado na empresa MARNAN DO BRASIL LTDA. Diz que a única objeção trazida pela decisão recorrida deixou de considerar a estrutura do Grupo DM9 DDB na época da capitalização da MARNAN pela DMP HOLDINGS, em que ela controlava com 99,99% do capital tanto a DM9 DDB PRODUÇÕES quanto a OMNI ESTÚDIO. Afirma que esta mesma informação está registrada na ficha 44 da DIPJ/2003 (fls. 386). Sustenta, ainda, que não procede a alegação constante na decisão recorrida de que o Laudo de Avaliação não permite diferenciar o valor da DM9 DDB PUBLICIDADE, pois o ANEXO I (Demonstração de Resultados Projetados) segrega perfeitamente as três sociedades, estabelecendo resultado projetado de R$ 113.511.000,00 de lucro para a DM9 DDB PUBLICIDADE, R$ 96.971.000,00 para a DM9 DDB PRODUÇÕES e R$ 34.150.000,00 para a OMNI ESTÚDIO. Considerada a descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, a acusação que pesa sobre a contribuinte é a de que, por não ter comprovado o fundamento econômico que deu origem ao ágio, a despesa lançada deve ser considerada indedutível, vez que, em conformidade com o art. 391 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), as contrapartidas da amortização do ágio não são computadas na determinação do lucro real. Assim, ainda que outras investigações pudessem ter sido efetuadas com o intuito de reunir aos autos elementos capazes de conduzir à conclusão de que o ágio apropriado pela Recorrente não poderia ser deduzido, no caso vertente a discussão centrase, única e exclusivamente, na acusação de que não restou comprovado o fundamento econômico que serviu de suporte para o registro do ágio. Cabe destacar, também, que, pelo que se depreende dos documentos colacionados ao processo, no curso da ação fiscal a contribuinte não apresentou à autoridade responsável pelo procedimento os esclarecimentos e os documentos na forma como fez por ocasião da interposição de sua peça impugnatória, o que, neste particular, justificou a lavratura do auto de infração. De acordo com a documentação juntada pela Recorrente por ocasião da interposição da peça impugnatória, a empresa MARNAM DO BRASIL LTDA., foi constituída, como já relatado, em 03 de setembro de 2001, com capital social de R$ 200,00, e tinha como sócios o Sr. WAGNER MARTINS SUDÁRIO e a Sra. SILVÂNIA SERRA DE MELO (fls. 212/215). Em 28 de dezembro de 2001, foi promovida alteração do contrato social da MARNAM DO BRASIL LTDA. por meio da qual os sócios WAGNER MARTINS SUDÁRIO e SILVÂNIA SERRA DE MELO retiraramse da sociedade (fls. 216/221). As quotas da referida sociedade foram transferidas para a DM9 HOLDINGS, INC. e para o Sr. VALTER EDUARDO CALAMITA. O capital social, que era de R$ 200,00, passou, em virtude de aumento de capital subscrito e integralizado pela DM9 HOLDINGS, para R$ 139.922.200,00. Referido aumento de capital foi efetuado mediante a conferência da totalidade das quotas que a DM9 HOLDINGS detinha na DM9 DDB PUBLICIDADE (a Recorrente). Em 06 de fevereiro de 2002, por meio de uma segunda alteração contratual, os novos sócios da MARNAM DO BRASIL (DM9 HOLDINGS e VALTER EDUARDO CALAMITA), alegando equívoco, decidiram retificar o aumento de capital anteriormente Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.156 10 promovido de R$ 139.922.000,00 para R$ 154.325.000,00 (fls. 223/227). Conforme item 7 do referido instrumento de alteração contratual, o valor de R$ 154.325.000,00 foi apurado por meio de LAUDO que tomou por base o balanço contábil da Recorrente. Em 28 de março de 2002, por meio de nova alteração contratual da MARNAM DO BRASIL, o Sr. VALTER EDUARDO CALAMITA transferiu sua única quota para a DM9 HOLDINGS, sendo na ocasião aprovado o PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE MOTIVOS DE INCORPORAÇÃO entre a MARNAM DO BRASIL, como INCORPORADA, e a Recorrente, como INCORPORADORA (fls. 228/231). Notese, portanto, que, salvo melhor juízo, a “aquisição” da empresa MARNAM DO BRASIL LTDA. se deu por meio de pagamento aos seus antigos sócios (WAGNER MARTINS SUDÁRIO e SILVÂNIA SERRA DE MELO) do valor correspondente a suas quotas, qual seja, R$ 200,00, conforme expressamente descrito nos itens 2 e 4 do documento de fls. 216/221. Passo seguinte, uma das adquirentes, a DM9 HOLDINGS, decidiu aumentar o capital social da MARNAM com a totalidade das quotas que ela detinha na ora Recorrente. A discussão, portanto, acerca do “custo de aquisição” passível de desdobramento nos termos das disposições do art. 385 do RIR/99, deveria ter sido o foco a ser perseguido pela Fiscalização, pois, como esclarecido pela própria contribuinte, a aquisição do capital da Recorrente pelo Grupo Omincom se deu no ano de 1998, e, como demonstrado, a aquisição da MARNAM DO BRASIL foi efetuada por meio do pagamento do valor correspondente às quotas pertencentes aos seus antigos sócios (WAGNER MARTINS SUDÁRIO e SILVÂNIA SERRA DE MELO), qual seja, R$ 200,00. Contudo, a ação fiscal não foi direcionada nesse sentido, mas, sim, no de questionar o documento que serviu de suporte para a avaliação das quotas da Recorrente que foram utilizadas pela DM9 HOLDINGS no aumento de capital feito na MARNAM DO BRASIL. Às fls. 239/299, identificase o documento denominado RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA, que, pelo que se pode depreender, representa o documento que não foi apresentado no curso da Fiscalização, justificando, assim, a autuação. Do referido documento, cabe destacar os seguintes aspectos: a) existe indicação de que foi emitido pela empresa PADRÃO CONSULTORIA S/C LTDA., porém, não contém uma única assinatura; b) o documento é dirigido à empresa ERNST & YOUNG; c) nos exatos termos ali consignados, o “relatório apresenta o resultado da avaliação econômicofinanceira de 100% do negócio do Grupo DM9 DDB”, que é composto pelas empresas DM9 DDB PUBLICIDADE LTDA., DM9 DDB PRODUÇÕES LTDA. e OMNI ESTÚDIO LTDA.; d) o objetivo do trabalho foi o de estimar o “JUSTO VALOR de 100% do negócio do Grupo DM9 DDB, considerando aspectos tangíveis e intangíveis que suportem a tomada de decisão de sua diretoria”, isto é, além de objetivar apresentar uma estimativa do JUSTO VALOR do GRUPO DM9, não existe qualquer indicação de que referido “relatório” Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.157 11 objetivava mensurar a rentabilidade futura da Recorrente para fins de desdobramento do “custo” do aumento de capital promovido na empresa MARNAM DO BRASIL; e) o próprio documento assinala que a “avaliação foi elaborada com a finalidade específica definida no objetivo do trabalho e o uso para outra finalidade, para data base diferente da especificada ou extração parcial de dados sem o texto completo, não apresenta confiabilidade.”; f) como não poderia ser diferente, sendo o Relatório relativo ao GRUPO DM9 DDB, os dados que serviram de suporte para o estudo ali realizado (fontes de receita; número de funcionários; carteira de clientes; resultados auferidos; etc.) dizem respeito ao conjunto de empresas, e não à Recorrente, isoladamente; g) diante da significativa relação existente entre os serviços prestados pelas empresas que integram o GRUPO DM9 DDB (OMNI e DM9 DDB PRODUÇÕES: serviços técnicos de produção, matérias e filmes publicitários; e DM9 DDB PUBLICIDADE: veiculação), uma avaliação conjunta do Grupo possivelmente produzirá resultado absolutamente distinto caso citada avaliação fosse efetuada para cada uma das empresas, isoladamente; h) como expressamente consignado no Relatório, o montante utilizado pela DM9 HOLDINGS como representativo das quotas da autuada (R$ 154.325.000,00) referese ao “valor de de 100% do negócio do Grupo DM9 DDB”. Penso, pois, que ainda que se desconsidere as circunstâncias em que o valor representativo do aumento de capital promovido pela DM9 HOLDINGS na MARNAM DO BRASIL foi considerado “custo de aquisição” para fins do disposto no art. 385 do RIR/99, procedimento com o qual não concordo, efetivamente o documento de fls. 239/299 não se presta para atender a exigência estabelecida no parágrafo terceiro do dispositivo em referência, que determina que o registro de ágio deve ser baseado em demonstração. Com a devida permissão, ainda que seja possível extrair das denominadas DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS PROJETADOS o lucro esperado para cada uma das empresas integrantes do GRUPO, o resultado consignado no documento apresentado pela Recorrente decorre, como já dito, da avaliação conjunta dos dados referentes às três empresas, revelandose, assim, inservível para o fim pretendido pela autuada. Com relação às DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS PROJETADOS, chama atenção o fato de que, para os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, os resultados esperados sejam absolutamente idênticos. Ademais, os resultados esperados ali registrados (R$ 113.511.000,00 para a Recorrente; R$ 106.871.000,00 para PRODUÇÕES, e não R$ 96.971.000,00 como assinalado na peça recursal; e R$ 33.950.000,00 para a OMNI), além de, como já dito, derivarem de uma avaliação conjunta das empresas, não autoriza o registro de R$ 154.325.000,00 como valor representativo das quotas da Recorrente. Irrelevante, a meu ver, o fato de a Recorrente controlar, à época da ocorrência dos fatos, 99,99% do capital tanto da DM9 DDB PRODUÇÕES quanto da OMNI ESTÚDIO, pois, embora os lucros eventualmente auferidos pelas controladas sejam refletidos, via equivalência patrimonial, no patrimônio da controladora, eles não serão nela tributados, eis que já objeto de tributação nas investidas. Nessa circunstância, a amortização antecipada do ágio Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.158 12 deixa de vir acompanhada da tributação incidente sobre os resultados positivos esperados, eliminandose, assim, a neutralidade fiscal. Por fim, destaco que, no que diz respeito à CSLL, inexiste previsão legal para procederse a amortização de ágio na respectiva base de cálculo, eis que, nos exatos termos do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, abaixo reproduzido, tal faculdade referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; ... Sou, pois, pela manutenção da glosa promovida pela Fiscalização. PROVISÃO PARA PROTEÇÃO DO VALOR ECONÔMICO DO INVESTIMENTO Esclarece a Recorrente que a provisão em questão foi constituída em razão do ágio contabilizado, a partir da incorporação da empresa MARNAM DO BRASIL LTDA., em atendimento à determinação da Instrução CVM 319/99. Diz que, tratandose referida provisão de uma despesa indedutível, no momento de sua constituição já foi ela adicionada (o que não teria sido questionado pela Fiscalização ou pela decisão recorrida), de modo que no momento de sua reversão proporcional à amortização do ágio não há outro tratamento a ser dado que não a exclusão, sob pena de se afetar indevidamente o resultado tributável, anulandose a dedução do ágio amortizado. O raciocínio declinado pela Recorrente está correto. Se, de fato, no momento da sua constituição, a provisão teve como contrapartida conta de resultado e foi devidamente adicionada ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não há de se falar em tributação por ocasião da reversão. A questão, portanto, cingese à demonstração de que, no momento da constituição da provisão, a despesa correspondente foi devidamente adicionada, sendo irrelevante para o seu enfrentamento o fato de a Fiscalização ou a decisão recorrida não ter apreciado tal aspecto. Compulsando os autos, não identifico comprovação do alegado pela Recorrente, isto é, não localizo documento contábil ou extracontábil confirmando que, no momento da sua constituição, a provisão, por ser indedutível, foi devidamente adicionada ao lucro líquido na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.159 13 Aditese que a decisão recorrida, de fato, como alega a Recorrente, não traz questionamento acerca da comprovação da adição da provisão por ocasião da sua constituição, mas, por outro lado, consigna argumento ainda mais grave, que não foi contraditado pela peça recursal, qual seja, a de que a receita objeto de reversão sequer foi considerada no lucro líquido, não havendo, assim, de se falar em exclusão. Cumpre destacar que, por ocasião do julgamento, representante da Recorrente, devidamente habilitado, prestou esclarecimentos e apresentou documentos no sentido de demonstrar que o montante correspondente à provisão em questão integrava o total do ágio objeto de amortização, isto é, do valor de R$ 10.380.189,52 relativo ao ágio, R$ 3.529.264,49 foram apropriados contabilmente como despesa não operacional, e R$ 6.850.925,08 extracontabilmente, representando este último valor da provisão questionada pela Fiscalização. A argumentação em referência, em que pese o momento impróprio de sua apresentação, não traduz efeito de qualquer natureza na apreciação aqui esposada, eis que, se, de fato, o valor corresponde ao ágio, em razão dos motivos antes expostos, sua indedutibilidade deve ser mantida. Sou, assim, pela manutenção da glosa. ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA LANÇADA Sustenta a Recorrente que não existe base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício. No que diz respeito a tal questão, em que pese a existência manifestações em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.160 14 dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.161 15 trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO unicamente para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.162 16 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos em 2005. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.163 17 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003283/200916 Acórdão n.º 1301001.298 S1C3T1 Fl. 1.164 18 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por WILSON FERNANDES GU IMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15504.016611/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro, que votaram pelo provimento do recurso para anular o lançamento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso quanto à multa que foi aplicada na forma do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96)
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro, que votaram pelo provimento do recurso para anular o lançamento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso quanto à multa que foi aplicada na forma do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96) Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Arlindo da Costa e Silva Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro, que votaram pelo provimento do recurso para anular o lançamento. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso quanto à multa que foi aplicada na forma do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96) Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 66 11 /2 00 9- 12 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 577 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela EMPRESA DE TRANSPORTE E TRÂNSITO DE B.H. S/A – BHTRANS contra a decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito previdenciário (AIOP n°37.229.8621). O lançamento está a cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2004 a 13/2005, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no montante de R$ 2.200.583,16 (dois milhões duzentos mil quinhentos e oitenta e três reais e dezesseis centavos). De acordo com Relatório Fiscal (fls. 103/172): a) A empresa efetuou os recolhimentos em 2005 considerando a alíquota de 1% (um por cento) para a parcela correspondente ao SAT/RAT. No entanto, a partir de junho de 2007 passou a recolher com base no percentual de 2% (dois por cento); b) Nas GFIPS entregues, referentes ao exercício 2005, a empresa declarou usar o código FPAS 612 (Empresa de Transporte Rodoviário e de Transporte de Valores). No cadastro previdenciário a empresa encontravase classificada no FPAS 5150 (Geral Comércio/Serv. Saúde/Proces. Dados/Prof. Liberais). No CNAE estava registrada no código nº 75132 (regulação da atividade econômica – sujeita a alíquota de 1%). Já no CNPJ, consta o Código e Descrição da Atividade Econômica Principal nº 84.11.600 — Administração Pública em Geral que vincula a alíquota SAT/RAT em 2%; c) Segundo o auditor, não seria possível o enquadramento da BHTRANS no FPAS 582 (Órgãos Públicos), pois constituída sob a forma de Sociedade de Economia Mista, caracterizada pela intervenção do Estado no domínio econômico. Logo, sujeita ao regime privado; d) De acordo com o Estatuto, a BHTRANS foi instituída para ser uma empresa que planeja, organiza e administra todos os aspectos e serviços relacionados com o trânsito viário de Belo Horizonte, com autorização para que também execute e opere, diretamente ou através de prepostos, serviços de transporte coletivo. Utilizase da concessão pública para fazer executar os serviços de transporte coletivo através de empresas privadas; e) Para efetuar o correto enquadramento das atividades da empresa, inclusive quanto ao grau de incidência de incapacidade laborativa resultante dos riscos ambientais do trabalho e seu financiamento, o Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 Auditor Fiscal analisou a distribuição de cargos, conforme folha de pagamento da empresa em 2005, verificando que o quadro de cargos aponta para uma empresa focada nas funções de administração e fiscalização. De um total aproximado de 1.000 empregados foram identificados apenas três motoristas e onze mecânicos, evidenciando não se tratar de empresa que opera diretamente com o transporte coletivo, portanto não poderia estar enquadrada no FPAS 612, devendo enquadrarse no FPAS 515, utilizado para as classificações vinculadas à prestação de serviços; f) No tocante ao enquadramento no CNAE, a fiscalização estabeleceu que o correto seria a classificação 63.215 (Atividades Auxiliares aos Transportes Terrestres), sujeita à alíquota 3%, o que ensejaria lançamento da contribuição previdenciária correspondente a diferença apurada, de 2%; g) Inicialmente, o período fiscalizado abrangeu as competências 01/2005 a 13/2005. Posteriormente, foi ampliado para os exercícios 01/2004 a 13/2005. Os créditos previdenciários apurados foram subdivididos nos seguintes levantamentos: a) L 44 = 01/2004 alteração SAT antes MP 449 Diferença de alíquota apurada por reenquadramento da empresa no CNAE Multa mais benéfica antes MP 449 competência 01/2004; b) L 45 = 02/2004 a 13/2004 alteração SAT após MP 449 Diferença de alíquota apurada por reenquadramento da empresa no CNAE Multa mais benéfica após MP 449 período 02/2004 a 13/2004; c) L 54 = 01/2005 a 13/2005 alteração SAT antes MP 449 Diferença de alíquota apurada por reenquadramento da empresa no CNAE Multa mais benéfica após MP 449 competência 01/2005 a 13/2005. O sujeito passivo foi intimado do lançamento (fls. 173). Na oportunidade, apresentou Impugnação (fls. 177/250), protocolada, tempestivamente, alegando: a) Inicialmente, requereu que todas as intimações inerentes ao presente feito fossem encaminhadas para o endereço do seu advogado e procurador, José Carlos Lopes Motta, na Rua João Lúcio Brandão, n° 137 Bairro Prado Belo Horizonte/MG; b) Após um breve relato sobre a autuação, a Impugnante, em sede preliminar, alegou que não poderia haver aplicação cumulativa de multa de mora com a multa de oficio pela obrigação principal. Transcreveu vários julgados demonstrando ser incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio e de multa isolada; c) No mérito, alegou que não codificou sua atividade de forma incorreta; Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 578 5 d) Argumentou que a fiscalização, mesmo reconhecendo que a atividade exercida pela Impugnante não estaria enquadrada como "transporte", propôs a nova codificação neste grupo, ao argumento que a nova codificação do CNAE (versão 2.0), liberada a partir de janeiro de 2008, identificou em suas subdivisões exatamente atividade exercida pela Impugnante, de gestão e controle de trânsito; e) Afirmou que a proposição fiscal incorreu, de plano, em dois sofismas intransponíveis: retroatividade, pois se a versão de CNAE 2.0 foi liberada a partir de janeiro de 2008, não poderia ser aplicada a fatos ocorridos em 2004 e 2005, o que esbarraria no artigo 105 do CTN; Espécie tomada como gênero, pois as atividades descritas no grupo 522 dizem respeito tãosomente àquelas exercidas em relação a gestão e controle de trânsito de veículos empregados aos transportes de táxi, guincho, entrega de gás, etc. (doc. 03) e não do trâsito e tráfego em geral; f) Aduziu que a própria autuação reconheceu que a atividade exercida pela Impugnante não se enquadraria como transporte e que dentre os mil empregados, apenas 15 teriam relação com tal atividade; g) Informou que a atividade principal da Impugnante, que emprega a maioria dos funcionários dedicados à atividadefim, é de fiscalização de trânsito, gerenciamento e gestão de tráfego e operação do trânsito e tráfego em geral, notoriamente em relação ao "poder de Policia"; h) Afirmou que o transporte, trânsito e tráfego, são atividades distintas, que não poderiam ser confundidas nem tomadas como sinônimo. Sendo assim, não poderia a legislação tributária redefinir conceitos adotados implícita ou expressamente pela Constituição, nos termos do artigo 110 do CTN; i) Que de um total de 1.071 empregados, 559 ocupam as atividadesfim. Destes, 340 se dedicam exclusivamente ao trânsito e tráfego (61%) e 219 à fiscalização do transporte de passageiros (39%). Os demais se dedicam ao planejamento (32), ao atendimento e à informação (146), desenvolvimento e implantação de projetos (140), administração e finanças (144) e presidência (50); j) Que de acordo com a legislação, o enquadramento se faz pela atividade preponderante, assim entendida aquela que ocupa maior número de empregados, no caso, a fiscalização de trânsito (função decorrente do "poder de policia" de trânsito do Estado, conferida ao Município pelo CNT e, este por delegação à impugnante); k) Ressaltou que a classificação da atividade proposta não decorre de nenhuma consulta à Comissão Nacional de Classificação CONCLA, ou perícia, mas de mera opinião do agente fiscalizador, o que denota a total insubsistência do dissenso; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 l) Alegou que não tem como defender risco grave para uma atividade que praticamente não apresenta acidentes e nenhum óbito por motivo profissional nos últimos anos, não há pagamento de pensão por morte, aposentadorias por invalidez, nem de auxilio acidente ou auxilio doença (de cunho profissional); m) Requereu prova pericial nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, na redação da Lei n° 8.748/93. Indicou perito e provas; n) Ressaltou que a Impugnante dedicase a função pública e foi constituída com patrimônio público, sendo injustificável a aplicação de penalidades abusivas. Em seu entender, prevalecendo tais exigências, resultaria em confisco e violação indireta da imunidade recíproca consagrada no artigo 150, inciso VI, alínea "a" da CF; o) Ao final, requereu a declaração de insubsistência e, no mérito, de improcedência do lançamento. À fl. 251, o contribuinte foi intimado para apresentar cópia da identidade dos procuradores com assinaturas semelhantes a que consta na Impugnação para a devida instrução do processo. A intimação foi atendida conforme documentos acostados em fls. 253/254. Em decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0231.545 (fls.258/269), por unanimidade de votos, foi mantido o crédito tributário, pelas seguintes razões: a) A multa aplicada estaria fundamentada na legislação de regência e observou o valor mais benéfico; b) Caberia ao Auditor Fiscal rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, observada a sua atividade econômica preponderante, em conformidade com os critérios determinados pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; c) Irrelevante a realização de perícia quando os fatos provados são suficientes para decidir o ato impugnado. Intimado do acórdão (fl. 547), interpôs Recurso Voluntário (fls. 550/556). Em suas razões, suscitou: a) Quanto à realização de perícia, afirmou ser um imperativo de ordem processual e justiça, sem a qual o lançamento não reuniria condições de prosperar; b) Que houve a dupla penalização sobre o mesmo fato, tendo em vista a confusão estabelecida entre “multa isolada” e “por descumprimento de obrigação acessória”; Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 579 7 c) Quanto ao mérito, a confusão estabelecida entre tráfego ou trânsito com transporte (esse o grupo do CNAE formado pela fiscalização) denota a total fragilidade da proposição fiscal; d) A Recorrente não exerce a atividade de “transporte” não podendo ser enquadrada num subgrupo (espécie) dessa rubrica (gênero); e) Que a regulamentação da circulação viária de uma cidade não é atividade ligada ao transporte, mas ao “exercício de poder de polícia”, sendo a atividade nitidamente pública. Vale dizer, a empresa é uma sociedade de direito privado que exerce, por concessão, delegação ou permissão, a função pública a qual se equipara; f) Que o indeferimento do pedido de intimação direta ao advogado viola prerrogativas profissionais, conforme art. 7º, VI, “c” e XV do Estatuto da OAB; g) Ao final, pleiteou o cancelamento da cobrança das diferenças de (GIL) SAT/RAT constantes do Auto de Infração n.º 37.229.8621 e, por conseguinte, a improcedência do auto. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. I DO REENQUADRAMENTO PERCENTUAL SAT/RAT: Afirma a Recorrente que sua atividade fim está vinculada à atividade de fiscalização de trânsito, controle de tráfego, atividade ligada ao “exercício de poder de polícia”. Dos 1.071 funcionários, 559 estão relacionados à atividade fim da empresa, sendo que destes, 340 estão relacionados à atividade de trânsito, 219 à fiscalização de transporte. O restante, 32 na área de planejamento, 146 no atendimento ao público, 140 na área de administração de finanças e 50 na Presidência. Desse modo, não poderia responder pela diferença do percentual de 2% correspondente ao enquadramento feito pela Receita Federal (considerando que a empresa exerce a atividadefim de transporte). Dispõe o art. 7º, inciso XXVIII, da CF/88 que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador, vejamos: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; " (grifo nosso) O seguro contra acidentes de trabalho foi instituído como contribuição previdenciária, encontrando disciplina normativa na Lei n° 8.212/91: "Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 580 9 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave." O art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, por sua vez, regulamentou o dispositivo, in verbis: "Art. 202 A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. ... § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. ... § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3o e 5o. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007)." Fl. 584DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 Conforme norma acima, o auto enquadramento será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE (Anexo V do RPS/99). Na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento ocorrerá pela atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos (art. 202, §3º do RPS). No caso em tela, o auditor afirmou que de um total aproximado de 1.000 empregados foram identificados apenas três motoristas e onze mecânicos, evidenciando não se tratar de empresa que opera diretamente o transporte coletivo, portanto não poderia ser enquadrada no FPAS 612, devendo enquadrarse no FPAS 515 o qual é utilizado para as classificações vinculadas à prestação de serviços. Já em relação ao enquadramento no CNAE, a fiscalização estabeleceu que a classificação correta seria n. 63.215 Atividades Auxiliares aos Transportes Terrestres, sujeita à alíquota 3%. Por causa disso, lavrou o presente auto de infração exigindo o pagamento da contribuição previdenciária correspondente a diferença de 2% correspondente ao reenquadramento realizado pela Receita Federal, já que a Recorrente recolhia com base no percentual de 1%. Conforme notas explicativas do CONCLA (Comissão Nacional de Classificação), a classificação nº 63215 compreende: atividades de operação de terminais rodoviários e ferroviários; atividades de concessionárias de operação de pontes, túneis e rodovias; a cobrança de pedágios em pontes, túneis e rodovias; exploração de edifíciosgaragens e parques de estacionamento; exploração de centrais e chamadas e reservas de táxis; serviços de guardavolumes em terminais rodoviários; serviços de translado de passageiros; outras atividades auxiliares dos transportes terrestres, não especificadas anteriormente, vide: Topo da Estrutura... | Nova Pesquisa... CNAE Hierarquia Seção: I TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E COMUNICAÇOES Divisão: 63 ATIVIDADES ANEXAS E AUXILIARES DO TRANSPORTE E AGENCIAS DE VIAGEM Grupo: 632 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES Classe: 63215 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES TERRESTRES Lista de Atividades... Esta classe contém as seguintes subclasses: 63215/01 TERMINAIS RODOVIARIOS E FERROVIARIOS 63215/02 OPERAÇAO DE PONTES, TUNEIS E RODOVIAS 63215/03 EXPLORAÇAO DE ESTACIONAMENTO PARA VEICULOS 63215/04 CENTRAIS DE CHAMADAS E RESERVA DE TAXIS 63215/99 OUTRAS ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES TERRESTRES Notas Explicativas: Esta classe compreende: As atividades de operaçao de terminais rodoviários e ferroviários A cobrança de pedágios em rodovias A exploraçao de edifíciosgaragens e parques de estacionamento para veículos por curta duraçao A exploraçao de centrais de chamadas e reserva de táxis Esta classe compreende também: Fl. 585DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 581 11 Os serviços de guardavolumes em terminais rodoviários Os serviços de translado de passageiros Esta classe não compreende: O serviço de guincho (reboque) (50.20) Ocorre que o próprio agente previdenciário constata que diante do número de empregados que a empresa possui e dos cargos que cada um ocupa, restou evidenciado não operar a Recorrente com serviço de transporte. Aliás, ele mesmo ressalva que a empresa possui apenas três motoristas e onze mecânicos. Neste contexto, ao meu ver, não poderia a empresa ser reenquadrada no CNAE nº 63.215, atividades auxiliares de transportes terrestres, sujeita a alíquota de 3% (fls. 107). Não é menos importante salientar que para demonstrar a legalidade da autuação, o auditor se baseia em uma reclassificação ocorrida em 2008, posterior ao período fiscalizado. O reenquadramento deve ser realizado com base no maior número de empregados em determinado setor e durante aquele período fiscalizado. Alteração posterior, não induz modificação do enquadramento realizado em período anterior. Vide (fls. 107): "....para demonstrar o acerto da reclassificação descrita no item anterior, a nova classificação CNAE 2.0, liberada a partir de janeiro de 2008, trouxe dentro da classificação "522Atividades Auxiliares dos Transportes Terrestres", as atividades "Gerenciamento de Trânsito, Trafego; Serviços de Gestão de Transito, Tráfego; Serviços de Gestão e Operação de Tráfego", que descrevem perfeitamente as atividades da BHTRANS." É certo que os códigos cadastrados pela empresa denota uma certa fragilidade. Enquanto na GFIP é informado o FPAS 612 (Empresa de transporte rodoviário e transporte coletivo); no cadastro previdenciário, o FPAS 5150 (Geral comércio/serviço saúde/profissionais liberais) e no CNAE o nº 75132 (regulação de atividade econômica). Todavia, o reenquadramento da empresa, no período aqui questionado, ainda que seja um direito conferido à administração pública enquanto órgão fiscalizador, deve obedecer ao disposto no art. 202, §3º do RPS. Certa de que a BHTRANS, no período de 2004 a 2005, possuía uma ocupação maior de empregados no setor de fiscalização de trânsito, fato este constatado pelo próprio auditor (fls. 106), não vislumbro como aceitar a cobrança da diferença do percentual de 2% em decorrência da reclassificação proposta nos presentes autos (baseada no serviço de transportes). Portanto, reputo nulo o lançamento. Por todo o exposto: CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para DARLHE PROVIMENTO no sentido de ANULAR O LANÇAMENTO, por vício material, extinguindo o crédito tributário. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de Fevereiro de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 586DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 Voto Vencedor Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pela Ilustre Relatora relativo ao enquadramento da atividade preponderante da empresa autuada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. DO ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA NA CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES ECONÔMICAS CNAE. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 582 13 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Registrese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 583 15 IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder Executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 584 17 Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 585 19 qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. De molde a espancar qualquer dúvida, o §3º do transcrito art. 202 esclarece que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. De outro canto, os §§ 5º e 6º do já citado art. 202 do RPS, estipula ser da responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo hoje à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB revêlo a qualquer tempo. Nesse cenário, verificado erro no auto enquadramento, caberá à RFB adotar as medidas necessárias à sua correção, orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. O auto enquadramento será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, conforme estatuído no §3º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. O critério é por demais simples e pueril. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Ultrapassados tais prolegômenos, nos concentrando na identificação do código CNAE aplicado à espécie, colhemos dos Termos que amoldam o Estatuto da BHTRANS que tal empresa tem por objeto a organização, direção, coordenação, execução, Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 delegação, planejamento operacional e controle da prestação dos serviços públicos relativos a transporte coletivo e individual de passageiros, trânsito e sistema viário municipal, incumbindolhe, especialmente: I. Participar do planejamento municipal e metropolitano, contribuindo nas atividades de planejamento de transportes, trânsito e sistema viário; II. Promover a integração física, operacional e tarifaria entre as diversas modalidades de transportes; III. Decidir sobre a conveniência da instalação ou ampliação dos empreendimentos de impacto referentes a transporte e trânsito; IV. Implantar e gerir programas que envolvam a geração de receitas para o sistema, inclusive: a) Emissão e comercialização de bilhetes e vales de transporte público; b) Estacionamento rotativo pago; c) Exploração de publicidade em qualquer elemento do sistema; V. Implantar, administrar, operar, fiscalizar e policiar os sistemas de transporte e trânsito municipais; VI. Aplicar, na sua área de competência, sanções aos atos ilícitos de trânsito e proceder à sua arrecadação; Na sequência da atividade de enquadramento, apuramos no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em sua redação de berço, que as atividades relativas ao transporte terrestre em geral eram classificadas na CNAE na Seção I TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E COMUNICAÇÕES, Divisão 63 ATIVIDADES ANEXAS E AUXILIARES DO TRANSPORTE E AGÊNCIAS DE VIAGEM; Grupo 63.2 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES; Classe 63.215 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES TERRESTRES, estando associado a tal atividade econômica o grau de risco grave, implicando, pois, na fixação de alíquota para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em 3%. Ocorre, todavia, que a partir de 12 de fevereiro de 2007, passou a viger o Decreto nº 6.042/2007, que introduziu substanciais modificações no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, tendo por fundamento de validade as disposições estampadas no §3º do art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social, reformulando de maneira significativa o enquadramento de diversas atividades econômicas e os correspondentes graus de risco ambiental do trabalho, passando a estatuir que as atividades relacionadas à televisão aberta, a televisão por assinatura e a programadoras encontravamse enquadradas no grupo CNAE 602, estando associado a tais atividades o grau de risco de acidente de trabalho grave, implicando, pois, na fixação de alíquota para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em 3%, conforme consignado no quadro abaixo. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 586 21 DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA SAT I TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E COMUNICAÇÕES 60 TRANSPORTE TERRESTRE 60.1 TRANSPORTE FERROVIÁRIO INTERURBANO 60.100 TRANSPORTE FERROVIÁRIO INTERURBANO 3 60.2 OUTROS TRANSPORTES TERRESTRES 60.216 TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE PASSAGEIROS, URBANO 3 60.224 TRANSPORTE METROVIÁRIO 3 60.232 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS, REGULAR, URBANO 60.240 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS, REGULAR, NÃO 3 3 URBANO 3 60.259 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS, NÃO REGULAR 3 60.267 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS EM GERAL 3 60.275 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PRODUTOS PERIGOSOS 3 60.283 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE MUDANÇAS 3 60.291 TRANSPORTE REGULAR EM BONDES, FUNICULARES, TELEFÉRICOS OU TRENS PRÓPRIOS PARA EXPLORAÇÃO DE PONTOS TURÍSTICOS 3 60.3 TRANSPORTE DUTOVIÁRIO 60.305 TRANSPORTE DUTOVIÁRIO 3 61 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO 61.1 TRANSPORTE MARÍTIMO DE CABOTAGEM E LONGO CURSO 61.115 TRANSPORTE MARÍTIMO DE CABOTAGEM 3 61.123 TRANSPORTE MARÍTIMO DE LONGO CURSO 3 61.2 OUTROS TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS 61.212 TRANSPORTE POR NAVEGAÇÃO INTERIOR DE PASSAGEIROS 3 61.220 TRANSPORTE POR NAVEGAÇÃO INTERIOR DE CARGA 3 61.239 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO URBANO 3 62 TRANSPORTE AÉREO 62.1 TRANSPORTE AÉREO, REGULAR 62.103 TRANSPORTE AÉREO, REGULAR 2 62.2 TRANSPORTE AÉREO, NÃO REGULAR 62.200 TRANSPORTE AÉREO, NÃO REGULAR 2 62.3 TRANSPORTE ESPACIAL 62.308 TRANSPORTE ESPACIAL 63 ATIVIDADES ANEXAS E AUXILIARES DO TRANSPORTE E AGÊNCIAS DE VIAGEM Fl. 596DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 22 63.1 MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE CARGAS 63.118 CARGA E DESCARGA 3 63.126 ARMAZENAMENTO E DEPÓSITOS DE CARGAS 3 63.2 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES 63.215 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES TERRESTRES 3 63.223 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS 3 63.231 ATIVIDADES AUXILIARES AOS TRANSPORTES AÉREOS 3 Entendo não proceder a alegação da empresa quanto ao enquadramento no CNAE 75.132 Regulação de Atividade Econômica. Tal código CNAE é vinculado à Seção L ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL, Divisão 75 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL; Grupo 75.1 ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO E DA POLÍTICA ECONÔMICA E SOCIAL; Classe 75.132 REGULAÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS, atividade típica de Estado, e que não guarda qualquer relação com objeto social da Autuada. Esta seção compreende as atividades que, por sua natureza, são normalmente realizadas pela Administração Pública e, como tal, são atividades essencialmente não empresariais, compreendendo a administração pública geral (o executivo, o legislativo, a administração tributária, etc., nas três esferas de governo) e a regulamentação e fiscalização das atividades na área social e da vida econômica do país (grupo 75.1); as atividades de defesa, justiça, relações exteriores, etc. (grupo 75.2); e a gestão do sistema de seguridade social obrigatória (grupo 75.3). A natureza jurídica não é em si mesma um fator determinante para a classificação de uma unidade nesta seção, e sim o fato de exercer atividade que, por sua natureza especifica, é de prerrogativa do Estado. Assim algumas instituições públicas que exercem atividades compreendidas em outras categorias da CNAE são classificadas nas classes correspondentes aos serviços prestados, e não na divisão 75, como é o caso das atividades de ensino e de saúde, que, mesmo quando exercidas pelo Estado, são classificadas nas divisões correspondentes (80 e 85), Os órgãos de regulamentação, controle ou coordenação destas atividades, no entanto, são classificados na divisão 75. O grupo 75.1 compreende a administração pública em geral, isto é, de caráter executivo, legislativo e financeiro, em todos os níveis do governo, e a supervisão no campo da vida social e econômica. Este grupo não compreende os serviços coletivos prestados pela administração pública, tais como: relações exteriores, defesa, justiça, segurança, ordem pública e defesa civil. A classe CNAE 75.132, por seu turno, compreende a regulamentação e fiscalização de questões relativas ao exercício de atividades econômicas em diversas áreas, como agricultura, recursos energéticos e minerais, infraestrutura, uso do solo, transporte terrestre, aquático e aéreo, comunicações, serviços de alimentação e alojamento, turismo, comércio varejista e atacadista, etc.; a regulamentação e fiscalização do mercado de trabalho; a promoção de incentivos a diferentes setores econômicos; a definição de políticas de desenvolvimento regionais ou setoriais; a definição de políticas de preservação e proteção do Fl. 597DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15504.016611/200912 Acórdão n.º 2302002.996 S2C3T2 Fl. 587 23 meio ambiente; as atividades de órgãos públicos em áreas técnicas específicas (regulação do direito de patentes, fiscalização de pesos e medidas, registro de empresas, licença de veículos, etc. A classe CNAE 75.132 compreende, também, as atividades das agências reguladoras. Corretos, portanto, o enquadramento e a alíquota da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho consignados pela Fiscalização. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, no que pertine ao enquadramento da atividade preponderante da Recorrente na Classificação Nacional de Atividades Econômicas. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO C RUZ, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000347/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/05/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL.
A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.078
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 47 /2 00 8- 46 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16095.000347/200846 Acórdão n.º 2803003.078 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16095.000347/200846 Acórdão n.º 2803003.078 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou livros contábeis (Diário e Razão) em desacordo com as formalidades legais exigidas, situação que constitui infração ao disposto nos §§ 2º e 3º do art. 33 da lei nº 8.212/91 c/c os arts 232 e 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 18 de novembro de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/05/2008 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LIVROS CONTÁBEIS. FORMALIDADES LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social em desacordo com as formalidades legais. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O recorrente, em 02.07.2008 tomou ciência da Autuação, a qual lhe imputou multa no valor de R$12.548,77. A aplicação da aludida multa, referese ao fato de a empresa não ter apresentado os Livros Auxiliares, conforme se observa das razões do Auto de Infração. O contribuinte apresentou impugnação alegando que cumprimento do item 2.1.5.1, da Resolução nº 563/83, do CFC, ou seja, a escrituração resumida ou sintética da empresa pode ser feita com valores totais que não excedam as operações de um mês, desde que haja escrituração analítica lançadas em registros auxiliares. Na situação da empresa contribuinte ora recorrente, assim que ela recebe a Nota Fiscal de Serviço prestado pelo consultor, imediatamente efetua o pagamento da nota. Tal operação é lançada diretamente na conta resultado “consultores”, não envolvendo qualquer conta patrimonial do passivo, assim, não há necessidade de a empresa manter o Livro de Duplicatas a Pagar, tampouco os Livros Auxiliares que lhe foram exigidos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16095.000347/200846 Acórdão n.º 2803003.078 S2TE03 Fl. 5 4 Consequentemente, o lançamento do crédito tributário, plasmado no referido Auto de Infração em comento, deve sêlo anulado. No entanto, não obstante as razões acima, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Campinas/SP, por unanimidade de votos, considerou procedente o Auto de Infração, cujo posicionamento para tanto, em suma, foi de que os Livros contábeis (Diário e Razão) se encontram em desacordo com a Resolução CFC nº 563/83 e artigo 1.184, do Código Civil. Ao Fiscal foram apresentados todos os comprovantes dos pagamentos, ou seja, o contribuinte cumpriu com o que lhe foi pedido, de maneira que não há como ter infringido o art. 33 da lei nº 8.212/91. O Livro Diário da empresa cumpre com todas as exigências legais, pois é encadernado com folhas numeradas, contendo a data da abertura e de encerramento, devidamente submetido à autenticação do órgão competente. A multa de ser relevada em face dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e legalidade no âmbito administrativo. O contribuinte é réu primário, pois nunca foi autuado, como também não concorreu com nenhuma circunstância agravante. Em face do exposto e do que restou provado, roga o contribuinte seja anulado o lançamento tributário, representado pelo auto de infração, e, consequentemente, requer seja arquivado o respectivo processo administrativo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16095.000347/200846 Acórdão n.º 2803003.078 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Auto de Infração em discussão decorre de descumprimento de obrigação acessória por parte do contribuinte. O descumprimento se deu a partir do momento em que a fiscalização constatou que a empresa mantinha seus livros contábeis (Diário e Razão) em desacordo com a Resolução CFC nº 563/83 e também em relação ao art. 1.184 do CC, tendo em vista que tais livros não atendem às formalidades legais exigidas, situação que afronta os § § 2] e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 c/c os artigos 232 e 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme se pode observar, a empresa efetivamente infringiu os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo de penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, apesar de regularmente intimada, a empresa feriu as disposições contidas no art. 33, §§ 2º e 3º, da lei nº 8.212/91 c/c/ os artigos 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16095.000347/200846 Acórdão n.º 2803003.078 S2TE03 Fl. 7 6 Como é do conhecimento geral, a responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Assim, não resta qualquer dúvida de que o lançamento, bem como a decisão de primeira instância administrativa foi pautado em conformidade com as determinações contidas na legislação tributária, em especial aquelas previstas no art. 142 do CTN. Ademais, não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Na situação vertente, não há dúvida da ocorrência do fato imponível, tendo em vista que o recorrente não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização; tampouco há dúvida quanto ao dispositivo legal a ser aplicado, no caso, o art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991. A apresentação de documentos de forma deficiente ou a sua não apresentação é motivo para a fiscalização efetivar o lançamento. Nestes autos, independentemente de as verbas terem ou não natureza tributária, a recorrente é obrigada a apresentar a documentação requisitada pela fiscalização. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16095.000347/200846 Acórdão n.º 2803003.078 S2TE03 Fl. 8 7 A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei nº 8.212/91 está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando, pois, totalmente válida e devendo ser obedecida pelas autoridades administrativas. No que diz respeito à aplicação da multa, a regra utilizada pela autoridade administrativa está prevista no ordenamento jurídico pátrio, conforme se pode observar da capitulação descrita no acórdão recorrido, não havendo, portanto, espaço para discussão de inconstitucionalidade da norma. Por último, a autuação objeto do presente recurso foi executada de acordo com os preceitos legais atinentes à matéria e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo ser mantido na sua integralidade, tendo em vista que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10865.000743/2006-67
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado.
Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado do IRPF do exercício de 2001, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Embargos de Declaração Acolhidos sem Efeitos Infringentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 2801-01.922, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar que rejeitavam os embargos de declaração.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado do IRPF do exercício de 2001, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Embargos de Declaração Acolhidos sem Efeitos Infringentes. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 07 43 /2 00 6- 67 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000743/200667 Acórdão n.º 2801003.516 S2TE01 Fl. 273 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 280101.922, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar que rejeitavam os embargos de declaração. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão n 2801 01.922, cujo resultado de julgamento foi: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do voto do Relator. Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, às fls 265/268, alegando que o acórdão embargado incidiu em omissão em sua fundamentação, uma vez que não se pronunciou sobre a existência de pagamento nem tampouco sobre a incidência do art.173, I, do CTN. Aduz que se consolidou na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, 4 do CTN é aplicada tãosomente naquelas competências onde houve pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Ressalta que tal entendimento já se encontra pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o qual, por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos, assentou a matéria. Requer, assim, seja sanada a omissão apontada, acolhendo e emprestando efeitos modificativos aos presentes embargos de declaração, especialmente para esclarecer se houve ou não pagamento antecipado. O Regimento Interno do CARF, no seu artigo 65 prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000743/200667 Acórdão n.º 2801003.516 S2TE01 Fl. 274 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Quanto à falta de manifestação expressa acerca da existência de pagamento e sobre a incidência do art. 173, I, do CTN, é forçoso reconhecer que não há qualquer menção no acórdão recorrido em relação à regra de contagem do prazo decadencial à luz do RESP 9737.33/SC julgado no rito dos recursos repetitivos, sendo que os julgadores deste Colegiado estão obrigados a reproduzir as decisões do STJ no rito dos recursos repetitivos a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF n 586/2010. Assim, considerando que foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma, os embargos de declaração foram admitidos para submeter o recurso voluntário a nova apreciação pelo Colegiado. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Transcrevese abaixo o voto condutor do acórdão embargado: Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado com arrimo no art. 42 da Lei nº 9.430/96, objetivando promover a cobrança de débito de IRPF em decorrência da suposta omissão de receitas, apurada em razão de valores depositados na conta corrente da Recorrente, com origem não comprovada, no anocalendário de 2000. A notificação da Recorrente para ciência do presente Auto de Infração, por sua vez, deuse em 04/04/2006. Nesse sentido, em sede de preliminar ao Recurso Voluntário, a Recorrente alega a decadência quanto ao direito do Fisco promover a cobrança do crédito tributário, o que lhe assiste razão. Afinal, como já reconhecido por esse E. Conselho de Contribuintes, o fato gerador do Imposto de Renda, complexivo, findase no último dia do anocalendário em que apurada a renda ou verificada a infração, devendo ser considerada essa data como termo a quo para apuração e contagem de eventual prazo decadencial. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000743/200667 Acórdão n.º 2801003.516 S2TE01 Fl. 275 4 Isso porque o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, como tal, seu prazo de decadência deve observar o art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. De acordo com tal dispositivo, portanto, o Fisco teria o prazo de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador, para cobrar eventual diferença do tributo. Ou seja, como o fato gerador do ano de 2000 deuse em 31 de dezembro de 2000, o Fisco teria o prazo até 31 de dezembro de 2005 para notificar o contribuinte do lançamento do tributo. Como o Recorrente só foi cientificado do presente Auto de Infração em 2006, resta clara a decadência do direito de ser lançado o débito de 2000, acarretando em sua extinção. Resumindo: tendo ocorrido o fato gerador da presente hipótese em 2000, o termo inicial do prazo decadencial iniciouse em 2001, de modo que a notificação quanto à lavratura do auto de infração deveria ter ocorrido até o final do anocalendário de 2005. Tendo em vista que a Recorrente somente foi notificada de sua lavratura em abril de 2006, ressoa clara a decadência quanto ao direito da União Federal promover a cobrança do crédito tributário apurado no anocalendário de 2000. Logo, diante do exposto, acolho a preliminar de decadência e dou provimento ao Recurso Voluntário. Considerando que os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ no rito dos recursos repetitivos a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, é necessário, no caso, apreciar a questão relativa à regra de contagem do prazo decadencial à luz do RESP 9737.33/SC. O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000743/200667 Acórdão n.º 2801003.516 S2TE01 Fl. 276 5 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000743/200667 Acórdão n.º 2801003.516 S2TE01 Fl. 277 6 No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado no ano calendário 2000, conforme consta da cópia da DIRPF/2001 (fls. 18/19). Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/2000. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração somente em 04/04/2006 (fl. 178), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 280101.922, sem alteração do resultado do julgamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10120.000684/2003-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmada a liquidação das estimativas em razão de direito creditório apurado em período anterior e reconhecido em outro processo administrativo, admite-se sua inclusão na composição do saldo negativo.
RETENÇÕES. FONTE PAGADORA LIGADA À BENEFICIÁRIA. Confirmada a declaração em DCTF do imposto retido pela fonte pagadora e a sua inicial compensação, substituída pela quitação mediante pagamento com benefícios de anistia, admite-se a retenção na composição do saldo negativo.
RETENÇÕES. ÓRGÃOS PÚBLICOS. Os atos normativos dispensam a assinatura do responsável pela fonte pagadora nos informes de rendimento, e seu valor probatório só pode ser rejeitado frente a demonstração de irregularidades, mormente se o comprovante de retenção é acompanhado de ofício expedido pelo órgão público correspondente.
Numero da decisão: 1101-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. Declarou-se impedido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmada a liquidação das estimativas em razão de direito creditório apurado em período anterior e reconhecido em outro processo administrativo, admitese sua inclusão na composição do saldo negativo. RETENÇÕES. FONTE PAGADORA LIGADA À BENEFICIÁRIA. Confirmada a declaração em DCTF do imposto retido pela fonte pagadora e a sua inicial compensação, substituída pela quitação mediante pagamento com benefícios de anistia, admitese a retenção na composição do saldo negativo. RETENÇÕES. ÓRGÃOS PÚBLICOS. Os atos normativos dispensam a assinatura do responsável pela fonte pagadora nos informes de rendimento, e seu valor probatório só pode ser rejeitado frente a demonstração de irregularidades, mormente se o comprovante de retenção é acompanhado de ofício expedido pelo órgão público correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 06 84 /2 00 3- 98 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. Declarouse impedido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A (sucessor de Banco BEG S/A), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente compensações declaradas com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Em 11/02/2003 a interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP para utilização da parcela de R$ 46.458,21 do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, no valor original de R$ 1.752.659,08, destinandoa à quitação de débito vencido em 28/02/2002 (fls. 01/02). Segundo documento de fls. 56/57, o crédito também foi utilizado para liquidação de outros débitos compensados, com vencimentos de 28/02/2002 a 30/12/2003, mas sem apresentação de DCOMP. Analisando a composição do direito creditório, a autoridade fiscal não confirmou a quitação das estimativas que teriam sido compensadas com saldo negativo de período anterior, dada a ausência de informação em DCTF e a vinculação a crédito destinado a outros débitos, bem como admitiu parcialmente as provas das retenções de imposto sofridas no anocalendário. Reconheceu, assim, saldo negativo no valor de R$ 65.657,97, imputado aos débitos que admitiu compensados com tal crédito, excluindo e ajustando seus valores em razão do que informado pelo sujeito passivo em DCTF, e asseverando que: Conforme demonstrado, a contribuinte possui um saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 65.657,97. Consolidandose os débitos constantes da "Declaração de Compensação" de fl. 1 com aqueles relacionados nas fls. 56/57, devidamente ajustados às DCTF de fls. 78/124 e 126, resulta que a interessada pretendeu compensar, com o indébito tributário alegado, obrigações tributárias no montante originário de R$ 1.828.294,61. Entretanto, pelos demonstrativos de fls. 128/130, concluise que o saldo negativo do IRPJ, no montante reconhecido, foi suficiente para compensar apenas o débito identificado na folha no 1 dos autos, e parte do débito compensado na DCTF de fl. 78. Considerouse desnecessário o exaustivo arrolamento, na fl. 129, de todos os demais débitos de que cuida os autos. A conclusão do despacho decisório confirma que a compensação de fl. 01/02, no valor original de R$ 56.458,21, foi homologada, assim como parte do débito de IRPJ apurado em junho/2002, no valor de R$ 1.280.277,76, do qual restou liquidada a parcela de R$ 11.585,46. No mais, afirmou devidos os demais tributos declarados como compensados em DCTF, no valor total de R$ 1.760.250,94. (fls. 141/146). A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 04/05/2009, sendo lhe facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DF), quanto à apuração do crédito, nos termos do artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 600, de 28.12.2005, e informandolhe que não Fl. 814DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 5 4 cabe a referida manifestação quanto à glosa das vinculações dos débitos, em DCTF, por falta de previsão legal, devendo prosseguir na cobrança. Manifestando sua inconformidade, a interessada alegou que as estimativas mensais foram compensadas, em verdade, com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2000, e apresentou provas das demais retenções glosadas pela autoridade fiscal. A Turma Julgadora rejeitou suas alegações porque a compensação de estimativas não foi informada em DCTF e os comprovantes de retenção na fonte não estavam revestidos das formalidades exigidas pela Receita Federal. Às fls. 253/257 consta decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.35.00.0162662, conferindo suspensão da exigibilidade aos débitos compensados enquanto não sobrevir pronunciamento final na esfera administrativa acerca da manifestação de inconformidade interposta nestes autos. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/03/2010 (fl. 269), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/04/2010 (fls. 280/289), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, reafirmando o erro no preenchimento da DCTF relativamente liquidação, por compensação, das estimativas que compõe o saldo negativo, bem como defendendo a regularidade da prova apresentada acerca das retenções sofridas, e requerendo diligência para confirmação do que alegado. Em 21/02/2011 a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto propôs a conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência (Resolução nº 110200.027), sob as seguintes justificativas (fls. 317/319): O erro no preenchimento de DCTF não tem o condão de afastar em definitivo o direito ao crédito decorrente do recolhimento de estimativas para apuração do saldo negativo do exercício, contudo é necessário a comprovação inequívoca da quitação das estimativas, o que apenas poderia ser feito através de análise do processo administrativo n .° 10120.901813/200618. Por outro lado, a glosa do IRRF decorrente da ausência de assinatura do Ofício do INSS trazido fls. 230/231 e 312/313 e da não comprovação do recolhimento do imposto pela BEG Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (fl. 315) demonstram ser possível que tais tributos tenham sido recolhidos. Em homenagem ao princípio da verdade material e em decorrência de indícios que tornam possível terem sido quitadas as estimativas que compõem o saldo negativo a ser compensado e terem sido retidos e recolhidos o IRRF, proponho a conversão do feito em diligência a fim de que autoridade fiscal averigue a veracidade de tais informações. Depois de intimar a contribuinte a apresentar documentos que permitam averiguar a veracidade das informações correspondentes às retenções alegadas, a autoridade fiscal consignou que (fls. 660/737): − Com relação as compensações das estimativas de abril e maio de 2001, informamos que o processo administrativo nº 10120.901813/200618, que trata de tais compensações, encontrase na 2ª Turma Especial, da 2ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento de Recurso Voluntário; Fl. 815DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 6 5 − Com relação as Retenções efetuadas pelo INSS, intimado, o interessado não apresentou novos documentos, tendo, entretanto, apresentado a argumentação de fls. 666 a 669; − Com relação as Retenções efetuadas pela BEG DTVM, intimado, o interessado não apresentou novos documentos, tendo, entretanto, apresentado a argumentação de fls. 663 a 665. Ainda que tenha trazido aos autos documentos suficientes para convalidar os valores de IRRF, como esgrime em sua argumentação, o interessado não logrou comprovar o oferecimento à tributação das referidas receitas de serviços prestados ao INSS, bem como dos rendimentos de juros sobre o capital próprio pagos pela BEG DTVM. Cientificada, a interessada aduziu que a nãohomologação das compensações de estimativas resultou de uma interpretação equivocada da legislação de regência, e alegou inovação de fundamento jurídico para manter o indeferimento do indébito, de modo que, uma vez atendida a intimação para demonstração das retenções, como reconhecido pela autoridade fiscal, e tendo em conta as demais alegações veiculadas em recurso voluntário, deve ser validado seu crédito (fls. 739/796). Segundo o despacho de fls. 811, os autos teriam sido movimentados para a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto em 12/12/2012. Todavia, como a referida Conselheira não mais integra o CARF, promoveuse novo sorteio para relatoria do recurso voluntário aqui interposto. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O direito creditório em discussão nestes autos não foi veiculado em pedido de restituição e, na parte em que utilizado em Declaração de Compensação – DCOMP, esta restou integralmente homologada. As demais compensações não admitidas pela autoridade fiscal foram informadas, apenas, em DCTF, dado tratarse de crédito e débito de mesma espécie, confrontados antes da edição da Medida Provisória nº 66/2002 que, alterando o art. 74 da Lei nº 9.430/96, impôs a apresentação de DCOMP para todas as compensações, alcançando inclusive aquelas antes autorizadas pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 e formalizadas, apenas, na escrituração fiscal do sujeito passivo. Por tais razões, seria incabível a manifestação de inconformidade facultada pela autoridade fiscal no despacho decisório. Vejase, inclusive, que o art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005, citando como fundamento para tanto, não permite esta interpretação: Art. 48. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. [...] (negrejouse) Nestes termos, a manifestação de inconformidade está prevista, apenas, contra a nãohomologação da compensação e este ato, por sua vez, somente tem lugar em face de DCOMP extintiva do crédito tributário enquanto não implementada a condição resolutória desta extinção por meio do ato de nãohomologação: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1 º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV , ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2 º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Art. 47. A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 8 7 [...] (negrejouse) As compensações entre tributos de mesma espécie, formalizadas na escrituração do sujeito passivo, quando não confirmadas, somente suscitam litígio administrativo se objeto de lançamento de ofício. Nos casos em que os débitos estão declarados e não necessitam de lançamento de ofício para sua cobrança, inexiste previsão legal autorizando sua discussão administrativa e atribuindo a este Conselho a competência para apreciar recurso voluntário eventualmente interposto. Contudo, embora a autoridade fiscal tenha facultado ao sujeito passivo o direito de apresentar manifestação de inconformidade, sendo esta interposta e dirigida a Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação, os débitos não satisfeitos pelo direito creditório reconhecido foram submetidos a cobrança, em razão da qual a contribuinte impetrou junto à Seção Judiciária da Justiça Federal em Goiás o Mandado de Segurança nº 2009.35.00.0162662, obtendo liminar na qual a manifestação de inconformidade aqui interposta foi enquadrada no art. 74, §§ 9o a 11 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003 (fls. 252/257). Consulta às informações processuais da Justiça Federal em Goiás indica que em 04/03/2011 foi proferida sentença concedendo em parte a segurança para, convalidando em parte os efeitos da medida liminar, determinar que a autoridade receba a manifestação de inconformidade em relação à compensação realizada por meio da DCTF nº 100.2002.61049898, retificada pelas DCTFs nºs 100.2005.41965947 e 100.2005.91823891, com suspensão de exigibilidade do débito correspondente. Os autos das apelações interpostas pelas partes contra tal sentença, recebidas no efeito devolutivo conforme despacho de 08/06/2011, aguardam apreciação no TRF/1a Região. Nestes termos, ainda que a sentença tenha confirmado apenas parcialmente a liminar, na medida em que o direito creditório é uno porque proveniente da apuração do IRPJ no anocalendário 2001, não há como cindilo, de modo que a decisão judicial ainda atribui a este Conselho a competência para apreciação do recurso voluntário interposto contra a decisão de 1a instância que manteve o reconhecimento parcial do correspondente direito creditório, na forma do art. 74, §§ 9o a 11 da Lei nº 9.430/96. A contribuinte informou em DIPJ, no anocalendário 2001, a apuração de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.752.659,08 composto pelas parcelas de R$ 113.129,30 a título de IRRF, R$ 115.934,08 a título de retenções por órgãos públicos e R$ 1.523.595,70 representado por estimativas mensais. Tais estimativas, segundo a mesma DIPJ, foram apuradas nos meses de abril/2001 (R$ 680.415,64) e maio/2001 (R$ 843.180,06), sendo parcialmente reduzidas por deduções de IRRF e retenções de órgãos públicos (R$ 2.408,29 e R$ 1.016,57 em abril/2001, e R$ 1.924,69 e R$ 1.190,67 em maio/2001), restando saldos a pagar de R$ 676.990,78 em abril/2001 e R$ 840.064,70 em maio/2001. Durante o procedimento fiscal, a contribuinte informou que estes saldos a pagar de estimativas não foram recolhidos, mas sim compensados com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1999. Contudo, referido crédito tratado nos autos do processo administrativo nº 10120.000481/0051, não estava vinculado àqueles débitos. Assim sendo, e considerando também que a compensação alegada não foi informada em DCTF, a autoridade fiscal excluiu aquelas parcelas da composição do saldo negativo, observando que a ausência da Fl. 818DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 9 8 declaração da compensação em DCTF não poderia ser suprida porque ela era o instrumento hábil a permitir que a Receita Federal do Brasil exercesse o necessário controle sobre as compensações tributárias. Relativamente ao IRRF, a autoridade fiscal: · Rejeitou comprovantes de retenção emitidos por pessoa jurídica do mesmo grupo empresarial da interessada porque não apresentada a DIRF correspondente; · Rejeitou comprovante de retenção de fl. 54 porque sem assinatura e sem confirmação em DIRF; Admitiu, assim, comprovadas retenções no valor total de R$ 51.862,32, relacionando à fl. 137 as correspondentes fontes pagadoras e os valores por elas retidos. Relativamente às retenções por órgão público, admitiu comprovada apenas a parcela retida pela própria Receita Federal, em razão do comprovante de retenção apresentado, e destacou a parcela de R$ 13.795,65 como passível de dedução no ajuste anual do IRPJ. A Turma Julgadora de 1a instância não admitiu as justificativas da interessada porque a compensação de estimativas não foi informada em DCTF e os comprovantes de retenção não estavam revestidos das formalidades exigidas pela Receita Federal. Em recurso voluntário, a contribuinte indicou que as estimativas foram compensadas com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000, e que a matéria é tratada nos autos do processo administrativo nº 10120.901813/200618. Como bem consignado na Resolução nº 110200.027, o erro no preenchimento de DCTF não tem o condão de afastar em definitivo o direito ao crédito decorrente do recolhimento de estimativas para apuração do saldo negativo do exercício, contudo é necessário a comprovação inequívoca da quitação das estimativas, o que apenas poderia ser feito através de análise do processo administrativo n° 10120.901813/200618. Em resposta à diligência requerida neste sentido, a autoridade fiscal informou que o processo administrativo nº 10120.901813/200618, encontrase na 2ª Turma Especial, da 2ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento de Recurso Voluntário. Porém, em memoriais apresentados a esta Conselheira a contribuinte noticiou que as estimativas em questão haviam sido homologadas por crédito reconhecido naqueles autos. E, de fato, em exame aos seus autos digitalizados, confirmase que o despacho decisório ali expedido reconheceu à contribuinte direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 no valor original de R$ 1.433.915,85, e acolhendo a afirmação da contribuinte de que o teria compensado com as estimativas de IRPJ devidas em abril e maio/2001, imputou aquele crédito aos correspondentes débitos de R$ 676.990,78 e R$ 840.064,70, liquidandoos integralmente (fls. 153/155 e 173/173 do processo administrativo nº 10120.901813/200618), como consignado no dispositivo final da decisão: No uso das atribuições previstas no artigo 243, II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30/04/2007 e com base no artigo 57 da IN/SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, nos termos do relatório e fundamentação acima, Fl. 819DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 10 9 D E C I D O a) RECONHECER o crédito a favor da pessoa jurídica BANCO BEG S/A, CNPJ n° 01.540.541/000175, referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2000, exercício de 2001, no valor original de R$ 1.433.915,85 (Um milhão, quatrocentos e trinta e três mil, novecentos e quinze reais e oitenta e cinco centavos); b) HOMOLOGAR as compensações, efetivadas pela contribuinte com o indébito tributário reconhecido na alínea "a", até seu limite devidamente atualizado pelos juros SELIC, dos débitos a seguir identificados, transcritos da declaração firmada pelo sujeito passivo na fl. 144, débitos estes controlados por intermédio do presente processo, após serem cadastrados no sistema Profisc: Assim, tais valores devem ser integrados ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, em discussão nestes autos. Quanto às retenções na fonte, a recorrente invocou o princípio da verdade material, observou que o prazo para retificação das DIRF já havia expirado, e asseverou que a retenção de R$ 109.328,22 promovida pelo INSS está provada nos autos (fls. 312/314, nas quais consta o correspondente informe de rendimentos, acompanhado de ofício expedido em 05/06/2002, totalizando a retenção sob código 6188 em R$ 345.533,14, seguida de demonstrativo que atribui ao IRPJ a parcela de R$ 109.328,22). Mencionou que a retenção no valor de R$ 57.678,01 impõe retificação de ofício porque não constou dos informes fiscais entregues pelo Contribuinte, agora juntando o informe de rendimento emitido por BEG – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A (fl. 315). Por fim, informou que ainda busca a comprovação de retenções promovidas por Cibrasec Cia. Brasileira de Securitização, mas observa que o Fisco pode verificálas por meio da DIRF. Na Resolução nº 110200.027 a Conselheira Relatora Silvana Rescigno Guerra Barreto consignou que: Por outro lado, a glosa do IRRF decorrente da ausência de assinatura do Ofício do INSS trazido fls. 230/231 e 312/313 e da não comprovação do recolhimento do imposto pela BEG Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (fl. 315) demonstram ser possível que tais tributos tenham sido recolhidos Em homenagem ao princípio da verdade material e em decorrência de indícios que tornam possível terem sido quitadas as estimativas que compõem o saldo negativo a ser compensado e terem sido retidos e recolhidos o IRRF, proponho a conversão do feito em diligência a fim de que autoridade fiscal averigue a veracidade de tais informações. A autoridade fiscal encarregada da diligência intimou a contribuinte a apresentar documentos que permitam averiguar a veracidade das informações constantes dos dois documentos antes referidos (fl. 660). Fl. 820DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 11 10 Em resposta (fls. 661/733), a contribuinte afirmou a suficiência do informe de rendimentos emitido por BEG Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, invocando o Parecer Normativo nº 01/2002 acerca da responsabilidade da fonte pagadora acerca dos valores retidos e não recolhidos. De toda sorte, juntou a demonstração da declaração em DCTF e do recolhimento dos valores retidos pela fonte pagadora. Quanto às retenções sofridas em razão de serviços prestados ao INSS, observou que a Instrução Normativa RFB nº 119/2000 dispensa a assinatura ou chancela mecânica da fonte pagadora nos informes de rendimento, e que nenhuma obrigação neste sentido foi estabelecida na Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23/2001. Em caso de dúvida, cumpriria ao Fisco exigir do INSS a confirmação da veracidade acerca dos documentos apresentados pela interessada, invocando, neste sentido, o disposto no art. 29 do Decreto nº 7.574/2011. Ao devolver os autos a este Conselho, a autoridade fiscal consignou que a contribuinte não apresentara novos documentos, e acrescentou que ainda que tenha trazido aos autos documentos suficientes para convalidar os valores de IRRF, como esgrime em sua argumentação, o interessado não logrou comprovar o oferecimento à tributação das referidas receitas de serviços prestados ao INSS, bem como dos rendimentos de juros sobre o capital próprio pagos pela BEG DTVM (fls. 736/737). Cientificada, a interessada anotou que pouco precisa ser dito quanto ao desacerto das conclusões da fiscalização no atendimento à diligência, pois restou confirmado que o fundamento jurídico que havia sido utilizado pela DRJ para indeferir as compensações não se sustenta. Isso porque a DIORT foi preclara em afirmar que o contribuinte comprovou as retenções de IRRF. No mais, pede que seja desconsiderada a inovação de fundamento jurídico apresentada para manter o indeferimento. Quanto à retenção de R$ 57.658,01, promovida por BEG Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, importa inicialmente observar que foram, sim, juntados elementos novos aos autos, correspondentes à declaração, em DCTF, pela fonte pagadora, do imposto retido em razão do pagamento de juros sobre o capital próprio à interessada. O documento de fl. 726 indica que o débito teria sido liquidado mediante compensação tratada no processo administrativo nº 10120.000486/0074, e os documentos subseqüentes evidenciam o correspondente pedido de compensação e petição da contribuinte acerca da quitação deste e de outros débitos em 30/09/2002 com benefícios de anistia (fls. 727/730). Assim, não subsistem dúvidas quanto à retenção sofrida pela interessada. Com referência à retenção de R$ 109.328,22, promovida pelo INSS, a contribuinte bem expõe que a legislação não exige a assinatura no comprovante de retenção e, desde antes ele já havia sido acompanhado de Ofício expedido por aquela entidade. Por sua vez, tratandose de instituição financeira, a contribuinte necessariamente presta serviços de arrecadação tributária ao INSS, bem como à Receita Federal, e o demonstrativo de fl. 733, também antes já apresentado, evidencia que o mesmo cálculo foi aplicado para determinação da retenção de imposto de renda passível de dedução na apuração do ajuste anual do ano calendário 2001. Assim, à semelhança das retenções promovidas pela Receita Federal, as retenções promovidas pelo INSS também devem ser admitidas se nada nos autos pode infirmá las. E, quanto à comprovação de que os rendimentos correspondentes a ambas as retenções foram oferecidos à tributação, tratase de matéria já superada pela autoridade fiscal Fl. 821DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 12 11 que primeiro analisou o indébito, na medida em que outras retenções de mesma natureza foram admitidas sem qualquer confrontação com os correspondentes rendimentos oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Diante de tais circunstâncias, a confirmação da retenção de R$ 57.658,01 é suficiente, apenas, para confirmar outra parcela da retenção originalmente indicada no ajuste anual, no valor total de R$ 113.129,30, e não alcança quaisquer parcelas deduzidas na apuração de estimativas. Já a confirmação da retenção de R$ 109.328,22 enseja a confirmação integral das retenções indicadas no ajuste anual e na apuração de estimativas. Em resumo, restam confirmadas as seguintes parcelas que integram o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2001: AC 2001 DIPJ Desp. Decisório CARF IRPJ devido IRRF 113.129,30 51.862,32 109.520,33 Ret.Org.Públicos 115.934,08 13.795,65 115.934,08 Estimativa Abril: IRRF 2.408,29 Ret.Org.Públicos 1.016,57 1.016,57 Compensação 676.990,78 676.990,78 Estimativa Maio: IRRF 1.924,69 Ret.Org.Públicos 1.190,67 1.190,67 Compensação 840.064,70 840.064,70 Saldo Negativo 1.752.659,08 65.657,97 1.744.717,13 Recordese, por fim, que a contribuinte alegou que ainda buscava comprovação de retenções promovidas por Cibrasec Cia. Brasileira de Securitização, mas pretendeu ser dispensada do ônus probatório que a lei lhe impõe asseverado que o Fisco poderia confirmar as retenções por meio de DIRF. Como demonstrado pela autoridade fiscal, a dedução está condicionada à apresentação dos comprovantes de retenção, e eventualmente podese admitir que a contribuinte apresente elementos substitutivos extraídos de sua escrituração, o que não se verificou no presente caso. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para elevar o direito creditório reconhecido à contribuinte de R$ 65.657,97 para R$ 1.744.717,13, e determinar sua imputação às compensações por ela promovidas. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 822DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10120.000684/200398 Acórdão n.º 1101001.095 S1C1T1 Fl. 13 12 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10480.000744/00-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
RELATÓRIO
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 00 74 4/ 00 -3 2 Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000744/0032 Resolução nº 3301000.183 S3C3T1 Fl. 11 2 RELATÓRIO Por economia processual e por bem descrever os fatos até aquele momento, adoto o relatório elaborado pela DRJ/RecifePE, abaixo transcrito. A contribuinte formalizou Pedido de fl. 50, onde requer seja reconhecido seu direito de crédito no valor de R$ 43.136,65, em vista de recolhimento a maior da contribuição para o PIS, com referência aos períodos de apuração julho de 1988 a julho de 1990, novembro de 1990 a julho de 1992 e dezembro de 1992 (matriz) e julho de 1988 a julho de 1992 e dezembro de 1992 (filial), inclusive, juntamente com correção monetária e juros equivalentes à taxa SELIC, conforme planilhas anexadas às fls. 80/91. Cumulativamente, requer compensação dos créditos pleiteados com débitos relacionados as fls. 01/05, 510 e 517, 549, 556 e 561. A contribuinte, em cumprimento aos termos da Intimação SESIT n° 09/2000 (fl. 96), fez anexar aos autos a seguinte documentação: cópia de Mandado de Segurança Preventivo impetrado em litisconsortis junto à 10ª Vara Federal PE processo n° 92.00103103 (fls. 97/118), onde requer seja declarada a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/1988 e 2.449/1988; cópias de Livros Registro de Apuração do ICM relativos aos estabelecimentos matriz (fls. 119/378) e filial (fls. 379/490). Por meio do Despacho Decisório n° 252/2000 (fls. 524/528), o Chefe do Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal em Recife indeferiu o pleito da contribuinte. De acordo com a análise constante do citado Despacho, os artigos 1º a 3° da Lei nº 7.691/1988 e diplomas legais posteriores, todos relacionados às fls. 525/528, alteraram o vencimento da contribuição previsto inicialmente pelo artigo 6°, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/1970, de conformidade com entendimento contido no Parecer PGFN/CAT n° 437, de 19/03/1999. Assim considerado, e a partir dos valores de faturamento levantados com base nos livros de apuração de ICMS apresentados pela contribuinte, períodos de apuração 07/1988 a 12/1992, foram apurados os valores mensais de PIS devidos consoante Lei Complementar n° 7/1970 e imputados os pagamentos realizados, do que resultou o Demonstrativo de Débitos Remanescentes (fl. 509). Em vista de ter a contribuinte recolhido a contribuição para o PIS em montante inferior ao que determina a Lei Complementar n° 07/1970, conclui a autoridade administrativa pela ausência de crédito a compensar. Inconformada com os termos do Despacho Decisório n° 252/2000, a contribuinte se manifesta às fls. 578 a 585 como segue. Inicialmente, afirma que, diante da declaração de inconstitucionalidade do tributo em comento por parte do Poder Judiciário, impetrou Mandado de Segurança n° 99.20740 com o objetivo de ver assegurado seu direito liquido e certo de compensar valores recolhidos indevidamente ou a maior que o devido a titulo de PIS exigido de acordo com a sistemática prevista nos Decretoslei nº 2.445/1988 e 2.449/1988 com impostos e contribuições vencidos e/ou vincendos. Segundo a contribuinte, o Juiz concedeu em parte a compensação pleiteada no sentido de que a mesma fosse feita entre tributos da mesma espécie e destinação orçamentária (artigo 66, § 10 da Lei n° 8.383/1991), devendo ser aplicada aos créditos a correção monetária desde a data de cada recolhimento indevido, nos mesmos índices previstos para atualização dos créditos da União. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000744/0032 Resolução nº 3301000.183 S3C3T1 Fl. 12 3 No mérito, argumenta que o artigo 6°, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/1970 não trata de vencimento da contribuição para o PIS, mas sim da base de cálculo da contribuição, qual seja o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, que se manteve até a edição da Medida Provisória n° 1.212/1995 e suas reedições, do que resultou a Lei n° 9.715/1998, segundo a qual, a contribuição corresponde a 0,65% da receita bruta do mês anterior. Nesse sentido, reproduz partes do julgamento pelo STJ do Recurso Especial n° 240.938/RS, tendo por Relator o Ministro José Delgado (fls. 580/582) e do julgamento pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes através do Acórdão n° 10705.089 nos autos do processo n° 10935.001645/9391 (fls. 583/585). Diante do que expõe, requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, sejalhe reconhecido o direito a efetuar a compensação entre o crédito oriundo do pagamento indevido efetuado a titulo de PIS, no montante de R$ 43.136,65, com débitos referentes a quaisquer tributos devidos à Secretaria da Receita Federal. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade proferindo Acórdão cuja ementa está abaixo transcrita. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1988 a 31/07/1992, 01/12/1992 a 31/12/1992 Ementa: PIS — PRAZO DE VENCIMENTO — o prazo de vencimento do PIS é o estabelecido em lei vigente à época de ocorrência do fato gerador da contribuição. PIS — BASE DE CALCULO — A base de cálculo do PIS é o faturamento do mês a que se refere a contribuição. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS — ALCANCE — As decisões administrativas e judiciais vinculam apenas as partes intervenientes nos respectivos processos, observados os limites da lide. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual repete basicamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade focando na inconstitucionalidade dos Decretos Leis nº 2445 e 2449/88 e que o art. 6º, parágrafo único da LC nº 7/70 estabelecia a regra da semestralidade da apuração do PIS que não foi adotada pelo acórdão recorrido. Em seu recurso voluntário que está datado de 17/06/2004, o contribuinte efetua a juntada dos seguintes documentos relativos ao Mandado de Segurança nº 99.00020740; Sentença de primeiro grau de jurisdição que foi proferida nos seguintes termos: ...POSTO ISTO, CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA no sentido de reconhecer o direito do Impetrante de realizar a compensação de seu crédito decorrente do recolhimento da contribuição social Para o PIS efetuado tão só nos moldes dos DecretosLei 2445 e 2449/88, declarados inconstitucionais pelo STF com tributos da mesma espécie e destinação orçamentária (art.66, §1°, da Lei n° 8.383/91), resguardandose o direito do Impetrado de fiscalizar a compensação requerida, homologandoa, se procedida com acerto, ou, caso contrário, contraditando a exatidão dos cálculos apresentados, e impedir qualquer exigência em relação às exações não recolhidas com base nos dispositivos legais citados. Aos valores a serem compensados deverá ser aplicada correção monetária desde a data do recolhimento indevido, aplicandose os mesmos índices previstos para atualização dos créditos da Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000744/0032 Resolução nº 3301000.183 S3C3T1 Fl. 13 4 União. Compensemse entre si as custas processuais, ante a sucumbência recíproca... Acórdão proferido em apelação de mandado de segurança pelo TRF/5ª Região, assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS. DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. COMPENSAÇÃO. LEI 8.383/91, ART. 66. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO. JUROS DE MORA, INCABIMENTO. AGRAVO RETIDO NÃO CONHECIDO Consoante expressa disposição do art. 523, § 40 do CPC, in fine, as decisões posteriores à sentença são impugnáveis mediante a interposição do agravo retido, salvo na hipótese de inadmissão da apelação, quando cabível será a interposição do agravo de instrumento. Agravo retido da Fazenda Nacional não conhecido. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificouse no sentido de admitir a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS com base nos DecretosLeis n.° 2.445/88 e 2.449/88 apenas com parcelas do próprio PIS (EREsp. 97658/CE, 1ª Seção, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, j. em 28.04.1999, DJ de 21.02.2000). Na compensação prevista na Lei 8.383/91, "a correção monetária farseá com a aplicação dos índices referentes aos expurgos inflacionários do Governo, atendendo à seguinte forma; mês de janeiro de 1989, índice de 42,72%; no período de março de 1990 a janeiro de 1991, o IPC; a partir da promulgação da Lei n.° 8.117/91, vigora o INPC; a partir de janeiro e 1992, a UFIR, na forma preconizada pela Lei n.° 8.383/91" (Resp n.° 198618/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, j. em 11/03/1999, DJU de 21.06.1999). A partir da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, aplicarseá a Taxa Selic, que tem caráter compensatório (ERESP 162.914PR), excluídas, contudo, outras incidências a título de correção monetária, sob pena de bis in idem. Os juros de mora são devidos pelo atraso culposo no cumprimento da obrigação. Contudo, não há que se falar em mora da Fazenda Pública na compensação da Lei n.° 8.383/91, que se dá por iniciativa do sujeito passivo interessado, cabendo ao Fisco tãosomente a posterior homologação. Apelação das impetrantes provida em parte. Remessa oficial improvida. Acórdão dos Embargos de Declaração apresentados pelo contribuinte que foram acolhidos sem efeitos infringentes; Cópia da Petição do Recurso Especial apresentado ao STJ, com cópia da publicação de sua admissão com demonstração da posição atualizada extraída junto ao site do STJ. Posteriormente os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao analisar o recurso voluntário, proferiram a Resolução nº 20200.970, de 21/02/2006, convertendo o julgamento em diligência para que a repartição de origem intimasse o recorrente a fornecer cópias integrais dos dois processos judiciais (Mandados de Segurança nº 92.00103103 e 99.00020740). Apesar de intimado a apresentar cópias integrais dos dois processos judiciais, a recorrente apresentou em relação ao Mandado de Segurança nº 92.00103103 a cópia da Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000744/0032 Resolução nº 3301000.183 S3C3T1 Fl. 14 5 sentença proferida em primeira instância pela Justiça Federal (Seção Judiciária de Pernambuco) por meio da qual concedeu a segurança apenas para que a impetrante não seja compelida a recolher o PIS de acordo com a sistemática introduzida pelos DecretosLeis nº 2445 e 2449/88, declarados inconstitucionais. Esta sentença foi proferida em 21/09/1993, estando sujeita a duplo grau de jurisdição. Em relação ao Mandado de Segurança nº 99.00020740 também só apresentou a cópia da sentença de primeiro grau de jurisdição, nada acrescentando ao presente processo a realização da diligência. É o relatório. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000744/0032 Resolução nº 3301000.183 S3C3T1 Fl. 15 6 VOTO Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, por isto dele tomo conhecimento. Observese que o ponto de divergência do contribuinte em relação ao Acórdão recorrido, resumese ao critério de cálculo dos valores devidos a título de PIS com base no art. 6º, parágrafo único da Lei Complementar nº 7/70. Esta questão encontrase pacificada no âmbito do CARF por meio da súmula nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Considerando que nos cálculos efetuados pela autoridade preparadora esta regra não foi observada, entendo ser oportuno que o presente julgamento seja convertido em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências: 1) verificar se os valores recolhidos do PIS pelo contribuinte foram feitos a maior, considerando a regra da semestralidade prevista na Súmula Carf nº 15, acima transcrita; 2) elaborar planilha demonstrando a apuração destes valores eventualmente pagos a maior e se são suficientes para cobrir os tributos que se pretende compensar por meio do presente processo; 3) cientificar o contribuinte do resultado da diligência, oportunizandolhe prazo para manifestação se assim lhe convier; e 4) após tomadas estas providências devolver o presente ao CARF para conclusão do julgamento. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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