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Numero do processo: 10860.721154/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
RELATÓRIO
O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP.
Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir:
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 03/06, lavrado em 05/07/2012, com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 21 15 4/ 20 12 -1 2 Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10860.721154/201212 Resolução nº 3201000.439 S3C2T1 Fl. 4.728 2 ciência da contribuinte em 06/07/2012, totalizando o crédito tributário de R$ 13.760.351,16. Segundo a descrição dos fatos de fl. 05 e o relatório fiscal de fls. 12/17, houve recolhimento a menor de IPI, no período de julho a dezembro de 2007, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 318/342, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: por contratar o frete nas vendas dos seus produtos, bem como computálo no preço de venda, faz jus ao crédito presumido de IPI instituído pelo art. 56 da MP nº 2.15835/2001; é incontroverso o fato de que a impugnante contratou a empresa prestadora do serviço de transporte dos produtos por ela vendidos; não podem ser exigidas importâncias correspondentes às saídas ocorridas entre os dias 1º e 5 de julho de 2007, em razão do decurso do prazo de cinco anos até a ciência do auto de infração; conseqüentemente, as glosas dos créditos presumidos decorrentes das notas fiscais emitidas nesse período, também não podem ser mais efetuadas, razão pela qual esperase a declaração de decadência para essas saídas; a legislação do IPI não obriga o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda; no caso de frete executado pela própria fabricante, e que é admitido pela MP nº 2.15835/2001, não haveria como destacar o frete; faz jus ao crédito presumido porque na formação do preço de venda dos produtos industrializados inclui as demais despesas incorridas pela empresa, entre as quais as despesas com frete; conforme demonstrativo, fica comprovado que o frete foi considerado no cálculo da margem de contribuição e, conseqüentemente, na fixação do preço de venda; a doutrina também sustenta que as despesas são consideradas pelas empresas na formação do preço de venda; em sua contabilidade gerencial, como contrapartida à receita de venda, escritura separadamente a parcela do frete que integrou o preço de venda; o auto de infração deve ser cancelado por falta de amparo legal, inclusive porque baseado em instrução normativa; contesta a futura aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10860.721154/201212 Resolução nº 3201000.439 S3C2T1 Fl. 4.729 3 requer a realização de diligência, com base no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de apurar a verdade dos fatos; apresenta os quesitos. Por fim, se as provas ofertadas não forem suficientes, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, a realização de diligência ou a prestação dos esclarecimentos que se fizerem necessários. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO n° 1438.746, de 26/09/2012, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Estando presente no auto a fundamentação legal, rejeitase a alegação de nulidade. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na MP nº 2.15835/2001, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. .O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. VOTO Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10860.721154/201212 Resolução nº 3201000.439 S3C2T1 Fl. 4.730 4 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), através do auto de infração, lavrado em 05/07/2012, com ciência da contribuinte em 06/07/2012, totalizando o crédito tributário de R$ 13.760.351,16. Segundo a descrição dos fatos e o relatório fiscal houve recolhimento a menor de IPI, no período de julho a dezembro de 2007, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.158 35/2001, por deixar de cumprir as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Não obstante o destaque na Nota Fiscal, que na formação de preço de venda dos produtos industrializados são considerados, além dos gastos classificados como custos, também os gastos com despesas comerciais, como despesas de vendas, como é o caso do frete, integram sim a fixação do preço de venda, é o que alega a recorrente. Apresenta documentos intitulados –Demonstrativos de margem de Contribuições acompanhado de documentos (Anexo 7), bem como apresentou “print” de tela do sistema “SAP” que comprova a segregação da receita em receita com venda do veículo e do frete que foi computado no preço de venda. Insiste que o gasto com frete na venda foi computado no preço do produto. Enfim, com base, em toda documentação acostada nos autos, sugiro que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora, avalie: a) se o frete foi considerado no cálculo da contribuição? b) Se o frete está inserido na formação do preço de venda? c) Sendo incluído no preço de venda, se o frete é contabilizado em conta contábil segregada de receita com venda do veículo? Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo. Ao contribuinte, informe se houve declaração (ou contrato de quem pratica o frete) e apresente planilha com os fretes diferenciados dos Estados (análise por parte da fiscalização, inclusive). Abram vistas para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10860.721154/201212 Resolução nº 3201000.439 S3C2T1 Fl. 4.731 5 Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914745/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 19/04/2010
IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS.
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 122 1 121 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.914745/200923 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.967 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria IPI DCOMP ELETRÔNICA Recorrente VALPLAST LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 19/04/2010 IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 47 45 /2 00 9- 23 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914745/200923 Acórdão n.º 3802001.967 S3TE02 Fl. 123 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 50 [emitido eletronicamente pelo SCC] que não homologou a DCOMP nº 36900.78527.141105.1.3.041025 transmitida pelo contribuinte retro identificado, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 98.360,98 [IPI, PA 10/2005, venc. 14/11/2005], tendo por lastro crédito originário de Pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 10/01/2001, de valor original igual a R$ 53.614,40, que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 98.360,98. Tudo isso cf. fls. 54/58. A motivação da nãohomologação foi a constatação da inexistência do crédito informado em razão da utilização integral do pagamento para quitação de débitos do contribuinte [IPI, PA 31/12/2000, valor R$ 53.614,40], não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 27/04/2010 (fl. 53), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2010 (fl. 02), por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em síntese: => em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório [arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96] “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”; => no mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento [estas, sim, base de cálculo do PIS e da Cofins] segundo seus conceitos jurídicos, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema; => finaliza o tópico retro mencionado nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; => pede, ao final, seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da nãocumulatividade e da base Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914745/200923 Acórdão n.º 3802001.967 S3TE02 Fl. 124 3 de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO”. A DRJ/JFA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do Fato Gerador: 10/01/2001 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço de venda], nele já está inserido, de modo que a expressão "valor da operação" deve ser compreendida com a sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual apresenta jurisprudência e argumentos contrários a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, asseverando que seriam aplicáveis também na inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914745/200923 Acórdão n.º 3802001.967 S3TE02 Fl. 125 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório também não são combatidos. O único ponto tratado no recurso é a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Incidência do IPI sobre o ICMS No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui sua própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914745/200923 Acórdão n.º 3802001.967 S3TE02 Fl. 126 5 (...)” A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” A Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” No julgamento do RE nº 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante de ICMS deve ser incluído na própria base de cálculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: “3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914745/200923 Acórdão n.º 3802001.967 S3TE02 Fl. 127 6 do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2º, I, e 8º, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de cálculo do IPI. A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a nãoincidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Sobre certeza e liquidez do crédito. Ainda que se entendesse que o ICMS deveria ser excluído da base de cálculo do IPI, no caso não se poderia dar provimento ao recurso. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de IPI. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914745/200923 Acórdão n.º 3802001.967 S3TE02 Fl. 128 7 Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Além disso, até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem eventual erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito, conforme. acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. E a 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento manifestou o mesmo entendimento no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale ao IPI sobre valores de ICMS. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11845.000227/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados
AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, sobre a suposta nulidade devido a exigüidade de prazo para apresentação de documentos, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da legitimidade da aferição, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Juliana Campos de Carvalho Cruz, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, sobre a suposta nulidade devido a exigüidade de prazo para apresentação de documentos, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 02 27 /2 00 9- 86 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da legitimidade da aferição, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Juliana Campos de Carvalho Cruz, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas a Terceiras Entidades, FNDE e INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 24), a empresa, apesar de intimada, não apresentou à fiscalização as Folhas de Pagamentos, Livros Diário e Razão, entre outros documentos solicitados, razão pela qual foi feita aferição indireta com base nas informações extraídas da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e notas fiscais de prestação de serviço apresentadas pelo contribuinte. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0344.400, da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 89), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 100), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, reitera que o prazo concedido para a entrega dos documentos, de 05 dias úteis, foi insuficiente para a providência de toda a documentação pertinente ao procedimento fiscal, sendo que a não prorrogação do prazo impediu que o contribuinte providenciasse os demais documentos a fim de impedir que se fizesse um auto substanciado em aferição indireta. Traz o entendimento dos Tribunais no sentido de que a aferição indireta só deve ser utilizada na impossibilidade de o contribuinte colaborar com o procedimento fiscal e estiver impossibilitada a descoberta direta da base real do tributo. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11845.000227/200986 Acórdão n.º 2301003.749 S2C3T1 Fl. 129 3 Alega que a decisão recorrida não levou em consideração a eficácia dos princípios da ampla defesa, ofendida por não ter sido concedido tempo suficiente para a comprovação dos documentos exigidos, da verdade real, já que o lançamento por arbitramento é excepcional, e da segurança jurídica, que foi semeada quando não se considerou a violação da ampla defesa. Reafirma que o Sr. Flávio, qualificado na função de diretor, não mais participa da administração da sociedade empresária, não persistindo qualquer vínculo do qual possa decorrer responsabilidade tributária. No mérito, ressalta que, apesar de os créditos retidos pela empresa tomadora de serviços e demonstrados no relatório de documentos apresentados terem sidos comprovados mediante cópia autenticadas e juntadas á impugnação, esse valor não foi deduzido do valor arbitrado pela autoridade fiscalizadora. Inova em relação à defesa apresentada, afirmando que as contribuições retidas sobre as notas fiscais da empresa prestadora devem ser compensadas integralmente, asseverando que, em que pese a recorrente ter sofrido retenção de R$166.492,30, da empresa prestadora Enerpeixe S/A, o DD apresentado nos Autos de Infração, que se encontram apensos, tem como aproveitamento apenas R$56.823,15. Alega, ainda de forma inovadora, que não restou demonstrado o movimento de recolhimento de recolhimento e deduções de todos os meses no decorrer dos dois anos fiscalizados, de forma que tornase bastante confuso e incerto a forma de arbitramento dos valores devidos e deduzidos, prejudicando o exercício da ampla defesa por parte da recorrente. Conclui que a juntada posterior da guia de pagamento de contribuição retificada por empresa contratante dos serviços deve ser objeto de apuração por este Conselho, juntamente com as demais provas necessárias para o esclarecimento das retenções, haja vista que o procedimento de aferição indireta prejudicou a recorrente. Traz planilha com os créditos apurados pelo auditor e os créditos deduzidos nas planilhas dos autos, para tentar demonstrar que a soma não condiz com o que a recorrente teve retido, mais a soma daquilo que foi recolhido pela empresa Assevera que o valor do crédito deduzido apresentado no Discriminativo dos 03 autos foi de R56.823,15, de forma que não apareceu no demonstrativo o aproveitamento do crédito retido e nem foi sintetizado de forma objetiva os créditos do código 2100, ficando difícil entender como foi aproveitado os seus créditos, sendo necessários mais esclarecimentos por parte do auditor, fazendose necessária até mesmo uma perícia contábil para verificação correta dos valores lançados. Finaliza requerendo a desconsideração do AI, tendo em vista que ficou demonstrado que a autuada não incidiu na conduta nele descrita. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega que o prazo concedido para a entrega dos documentos, de 05 dias úteis, foi insuficiente para a providência de toda a documentação pertinente ao procedimento fiscal, ferindo o direito a ampla defesa do contribuinte. Todavia, constatase que a recorrente foi inicialmente intimada a apresentar os documentos por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 26/11/2009, tendo sido cientificada da lavratura do AI em 28/12/2009. O art. 592, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do AI, estabelece que Art.592. (...) §I° O sujeito passivo deverá apresentar a documentação e as informações no prazo lixado pelo AFPS, que será de, no máximo, dez dias úteis, contados da data da ciência do respectivo TIAD. §2° A não apresentação dos documentos no prazo fixado no TIAD ensejará a lavratura do competente Auto de Infração, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades previstas em lei. Assim, a fiscalização observou o prazo previsto na legislação que trata da matéria. E, ao constatar que, após o prazo concedido para a apresentação de documentos, previsto na legislação, a empresa deixou de atender a solicitação contida no TIPF, a fiscalização lavrou o competente auto, arbitrando o débito, uma vez que sua atividade é vinculada aos ditames legais. Em relação ao entendimento de que houve impossibilidade de apresentação dos documentos, vale observar que a autuada poderia ter trazido, aos autos, a documentação solicitada pela fiscalização, comprovando, assim, suas alegações ou a improcedência dos valores lançados. Verificase, dos autos, que a autuada tomou ciência do AI em 28/12/2009, conforme AR de fls 56, e da decisão de primeira instância em 16/02/2012 Ou seja, a recorrente teve mais de dois anos para a juntada dos documentos que comprovassem a improcedência da autuação, ou a incorreção dos valores aferidos. Todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11845.000227/200986 Acórdão n.º 2301003.749 S2C3T1 Fl. 130 5 E ao deixar de apresentar a documentação solicitada por meio de TIPF, a recorrente não deu outra alternativa à fiscalização a não ser a de arbitrar o débito, considerando sua atividade vinculada. A autuada traz o entendimento dos Tribunais no sentido de que a aferição indireta só deve ser utilizada na impossibilidade de o contribuinte colaborar com o procedimento fiscal e estiver impossibilitada a descoberta direta da base real do tributo. Pois foi exatamente isso que ocorreu. Ao deixar de apresentar folhas de pagamento, livros contábeis, e demais documentos solicitados por meio do TIPF, a recorrente deixou de colaborar com o procedimento fiscal, impossibilitando a apuração do valor real da base de cálculo da contribuição. Assim, entendo que o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontra amparo legal nos dispositivos expostos nos relatórios que integram o AI. Com relação ao sócio Flávio Hegídio, conforme já devidamente esclarecido no acórdão recorrido, até a data da Ata da Assembléia Geral Extraordinária que delibera e aprova da retirada do acionista Flávio Hegídio dos Santos da sociedade, qual seja, 05/02/2007, o referido exdiretor deve constar da relação de vínculos. Como o presente AI se reporta às competências compreendidas entre 01/2005 a 12/2009, correto o procedimento da fiscalização em incluir o exdiretor no mencionado relatório, pois, à época da ocorrência do fato gerador ele ainda mantinha o vínculo com a empresa autuada . A recorrente inova em relação à defesa apresentada, afirmando que as contribuições retidas sobre as notas fiscais da empresa prestadora não foram compensadas integralmente, asseverando que, em que pese a recorrente ter sofrido retenção de R$166.492,30, da empresa prestadora Enerpeixe S/A, o DD apresentado nos Autos de Infração, que se encontram apensos, tem como aproveitamento apenas R$56.823,15. Alega, ainda de forma inovadora, que não restou demonstrado o movimento de recolhimento de recolhimento e deduções de todos os meses no decorrer dos dois anos fiscalizados. Todavia, todos esses argumentos na tentativa de demonstrar que não houve o aproveitamento de parte dos valores recolhidos não foram trazidos em sede de defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, constatase que a recorrente apenas alega, mas não comprova o alegado. E, ao contrário do que afirma, a fiscalização demonstrou, sim, nos relatórios DD, RDA, todos os recolhimentos efetuados nos códigos 2100 e 2630, bem como demonstrou, no relatório RADA, como foi apropriado cada recolhimento, ou seja, em qual instrumento de crédito foram aproveitados os recolhimentos efetuados pela recorrente ou pela prestadora de serviços no CNPJ da autuada. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, constatase que o débito foi lançado em observância aos normativos legais que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Os relatórios RDA eRADA discriminam, por competência, todos os recolhimentos efetuados pela recorrente, bem como a apropriação dos valores recolhidos. Nesse sentido, não há que se falar em prejuízo à ampla defesa do contribuinte, uma vez que os relatórios que integram o AI informam com clareza os motivos pelos quais o débito foi aferido indiretamente, tendo o agente autuante juntado, aos autos, extratos do IRPJ, de onde foram extraídas as bases de cálculo da contribuição lançada. A alegação de que a juntada posterior da guia de pagamento de contribuição retificada por empresa contratante dos serviços deve ser objeto de apuração por este Conselho é impertinente, já que a recorrente não juntou nenhum documento para análise por este Colegiado. E se o procedimento de aferição indireta prejudicou a recorrente, quem concorreu para tal fato foi a própria empresa autuada, que deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, como continuou não apresentando durante o curso do processo administrativo fiscal. A planilha elaborada pela recorrente apenas demonstra que os valores apropriados estão corretos e, ao contrário do que afirma, apareceu, sim, nos demonstrativos que integram o AI, o aproveitamento do crédito retido, conforme se constata da análise do RADA, que discrimina, por competência, a apropriação dos recolhimentos para cada instrumento de crédito, conforme a prioridade assinalada pela autoridade fiscal. Ademais, cumpre observar que é objeto do presente processo administrativo a contribuição devida a Terceiras Entidades. Se não houve apropriação de valores recolhidos a essa rubrica, significa que as GPS foram apropriadas nos lançamentos das contribuições dos segurados e da empresa/RAT. Portanto, entendo que todas as informações necessárias à ampla defesa da recorrente encontramse nos autos. Cumpre reiterar que todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental pela autuada, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando ainda que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que houve recolhimento não aproveitado para abatimento nos valores lançados. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11845.000227/200986 Acórdão n.º 2301003.749 S2C3T1 Fl. 131 7 Todavia, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Não foram juntados ao recurso outros elementos que comprovem a afirmação da recorrente. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia, pois limitouse a requerer a produção de prova pericial contábil. Portanto, entendo como não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos legais. Ademais, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado. Assim, indeferese o pedido para que seja realizada perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Ao aprofundar no estudo sobre a adoção do procedimento da aferição indireta conduzido pela fiscalização para chegar aos valores dos débitos, entendo ser esta questão relevante para o deslinde da discussão no âmbito administrativo. 2. Conforme consta do relato fiscal, para que os débitos fossem levantados a fiscalização considerou a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, extraídas do sistema da Receita Federal e notas fiscais. Contudo não nenhum detalhamento sobre quais valores teriam sido considerados e qual a fórmula adotada para se chegar às quantias apuradas, até porque dois tipos de documentos foram considerados: DIPJ e notas fiscais. 3. Além do mais, tratase, também, de apuração de diferenças de contribuições sociais, o que dificulta efetivamente o entendimento sobre as quantias levantadas. As dúvidas advêm devido ao relato mínimo exposto no documento fiscal, conforme abaixo transcrevo: “2. DO PERÍODO DA AÇÃO FISCAL O período de abrangência da ação fiscal é de 01/2005 a 1212006. Os salários de contribuição que serviram de base de cálculo para o lançamento das contribuições previdenciárias, constantes neste levantamento, foram apurados por aferição indireta, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — DIPJ, extraídas do sistema da Receita Federal do Brasil e notas fiscais de prestação de serviço apresentadas pelo contribuinte.” 4. No meu sentir, a adoção do método de aferição indireta, por ser ato extremo admitido somente quando a fiscalização não obtiver as informações e dados pela via direta, deve ser amplamente justificada e demonstrada a forma pela qual foram computadas as contribuições sociais, a fim de que, tanto o contribuinte, quanto as autoridades responsáveis pela análise do processo fiscal, possam verificar a aplicação correta da legislação previdenciária. 5. A Jurisprudência do CARF vem se consolidando nesse sentido: “De igual modo o lançamento de débito por arbitramento é medida que deve ser adotada pela fiscalização em situações extremas e, mesmo assim, é preciso que a autoridade teça em seu relatório a justificativa exata que motivou a adoção e o alcance do procedimento. O fato de o Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11845.000227/200986 Acórdão n.º 2301003.749 S2C3T1 Fl. 132 9 recorrente não ter entregue determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o ato extremado.” (acórdão 2301003.102 – 3ª Câmara – 1ª Turma – data do julgamento 16/10/2013) 6. A simples transferência do ônus para a empresa da entregue de documentos relacionados aos fatos geradores contraria o disposto no art. 142 do CTN, pois cabe ao fisco, de inicio, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. CONCLUSÃO 7. Feitas estas considerações, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Conselheiro Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 12268.000248/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - TERCEIROS - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB - AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO - DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE -NULIDADE -DIREITO AO CONTRADITÓRIO - NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - CORRELAÇÃO COM O PROCESSO PRINCIPAL 12.268.000247/2009-11.
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apresentação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12268.000248/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.265 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA, CUB, CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS Recorrente BRJ CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP TERCEIROS OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE NULIDADE DIREITO AO CONTRADITÓRIO NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS CORRELAÇÃO COM O PROCESSO PRINCIPAL 12.268.000247/200911. A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apresentação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 48 /2 00 9- 65 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000248/200965 Acórdão n.º 2401003.265 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob o n. 37.236.44121, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo de terceiros, apurada por aferição indireta proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, com base na Lei 8.212/91, artigo 33, §§ 4o e 6o, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 48 a 63. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 48 e seguintes é solidário ao sujeito passivo ora autuado a empresa Jozem Administração e Participações Ltda., que contratou a empresa BRJ Construções Civis Ltda. para executar obra de construção civil (empreitada global) do “Centro Comercial Zem”, matrícula CEI 50.018.75660/78. Consta ainda que: a) da análise da documentação apresentada a mãodeobra declarada em GFIP foi insuficiente para os serviços contratados; e b) a contabilidade da empresa não registra o movimento real da remuneração dos segurados empregados utilizados na execução da obra. Por isso, a remuneração da mãodeobra empregada foi aferida, com base na Lei 8.212/91, artigo 33, parágrafos, 3o, 4o e 6o, utilizandose os procedimentos previstos na Seção II do Capítulo IV da Instrução Normativa – IN SRP 3, de 14/7/2005. Consta que a obra de construção civil constituise de um edifício comercial, com área de 7.459 m2, foi matriculada sob o número CEI 50.018.75660/78, e executada no período de 07/2005 a 12/2006. Foi apresentado um único contrato de subempreitada para a execução da estrutura de concreto armado. O cálculo para determinação da mãodeobra arbitrada é apresentado no demonstrativo de fls. 70/71. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 06/07/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 07/07/2009. Inconformado com o AIOP, a notificada BRJ apresentou defesa, conforme fls. 135 a 154. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 752 a 753. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão deobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de construção. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 758 a 767, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Alega que foi equivocada e ilegal a desconsideração da contabilidade de empresa pelo Auditor Fiscal. Afirma ser esse procedimento extremo, inaplicável ao caso. Cita jurisprudência. 2. Argumenta que os defeitos apontados pela fiscalização baseiamse em suposições e conclusões equivocadas. Aduz que o § 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91 não autoriza a aferição indireta quando houver mera irregularidade nos registros contábeis da empresa, mas apenas quando a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. 3. Diz que a conclusão do fiscal desconsidera outros elementos influenciadores do efetivo dispêndio de mãodeobra, tais como o sistema construtivo, o gerenciamento eficiente, a experiência profissional e a capacidade instalada dos equipamentos. 4. Descreve o que estava previsto no contrato firmado com a Jozem, destacando que uma série de itens de acabamento não seriam executados. Entende que deve ter cometido uma falta ao nominar o contrato como sendo de “empreitada global”, quando, na verdade, foi parcial. Apenas as áreas comuns foram entregues acabadas. As lojas e salas foram entregues sem acabamentos no teto, piso e sem paredes divisórias. 5. Diz que a instalação elétrica iria apenas até um Quadro de Distribuição e sequer a parte hidráulica dos banheiros seria executada, ficando apenas os pontos de espera no local onde posteriormente seriam instalados os banheiros. Ao contrário do que supôs a fiscalização, a obra não foi concluída em meados de 2006 e está inacabada até os dias de hoje. 6. Para provar o alegado lavrou Ata Notarial onde se materializa vistoria constatando que até a presente data existe pavimento inacabado no edifício em questão. 7. Explica o serviço elétrico realizado e o do encanador. 8. Conclui que a execução parcial da obra é um dos elementos a justificar a proporção de mãodeobra empregada. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000248/200965 Acórdão n.º 2401003.265 S2C4T1 Fl. 4 5 9. Afirma que subcontratou a empresa EFG Instalações e Manutenções Elétricas Ltda. por R$ 45.000,00 para fazer as instalações elétricas e promoveu a retenção de 11% sobre o valor pago. Esse fato não foi considerado pelo Auditor Fiscal. 10. Diz que para a execução da estrutura em concreto armado subcontratou a empresa DLM Construções Ltda, no montante de R$ 215.115,00, sendo que foi utilizado concreto usinado, o que determina uma utilização menor de mãodeobra. 11. Alega que também foi terceirizado o serviço de pretensão das lajes, que foi realizado pela empresa Hayahi Tecnologia e Sistemas Ltda, tendo igualmente feito a retenção dos 11%, sendo que o fiscal não aceitou essa terceirização ao argumento de que o valor pago a empresa foi muito baixo. 12. Conclui que em relação a todas as subcontratações cumpriu com suas obrigações fiscais, pois reteve e recolheu os 11% sobre o valor das notas fiscais, sendo necessário considerar tais recolhimentos.A unidade da SRP apresentou contrarazões destacando não existirem fatos novos a serem apreciados. 13. Argumenta que foi fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que não foi encontrada qualquer irregularidade. Relata que o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ, mas nunca apenála com a desconsideração de sua contabilidade para fins de utilizar o método de aferição indireta para calcular as contribuições previdenciárias devidas. 14. Acrescenta que alguns dos materiais aplicados na obra foram faturados diretamente em favor da Jozem pelos respectivos fornecedores. 15. Aduz que a adoção de técnicas como utilização de lajes protendidas e concreto usinado exige menor volume de mãodeobra, fato que deve ser levado em consideração. O mesmo se aplica para a instalação de esquadrias metálicas e portas. 16. Alega que foram realizados serviços complementares, pois na primeira etapa da obra não incluía os acabamentos das lojas do piso térreo e das salas dos pavimentos superiores. Após a conclusão da primeira etapa da obra, à medida que a empresa Jozem locava os espaços, a BRJ foi novamente contratada para realizar os serviços de acabamento, inclusive, em algumas unidades, realizou serviços diretamente aos locatários. Nesta época, já havia sido dado baixa na matrícula CEI da obra, razão pela qual não havia GFIPs específicas da obra em relação a tais serviços complementares. Não obstante, toda a mãodeobra alocada para execução desses serviços foi de empregados registrados na BRJ, tendo inclusive os contratantes promovido a retenção de 11% relativo ao pagamento pelos serviços, e todos os funcionários utilizados na execução desses serviços constaram de GFIPs que contamplavam também pessoas alocadas em outras obras em situação semelhante. 17. Afirma que não há como considerar que a obra foi concluída anteriormente a estes serviços complementares e imprimir cobrança de eventuais diferenças de recolhimento por força de aplicação da aferição indireta. Da mesma forma não podem ser desconsiderados os recolhimentos feitos em período posterior. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 18. Insurgese contra a utilização do CUB como parâmetro para a autuação, pois a obra foi parcialmente executada e o CUB contempla o custo total da obra por metro quadrado. 19. Requer seja julgado insubsistente o auto de infração e a juntada de novos documentos, depoimentos testemunhais e prova pericial. 20. O responsável solidário apresentou defesa às fls. 742/762, que contém, em síntese: 21. Não concorda com a desconsideração da contabilidade da autuada. 22. Reafirma o argumento da autuada de que a obra foi entregue inacabada e diz que as particularidades da forma de execução dos serviços deveriam ter sido observadas pelo fiscal. 23. Argumenta que a verificação da insuficiência da mãodeobra deveria ter levado em consideração o fato do empreendimento não ter sido concluído em 06/2006, e deveriam ser computadas as remunerações declaradas para os períodos subsequentes. 24. Alega que o lançamento é nulo porque a fiscalização considerou como competência do fato gerador o mês de 05/2009, mas as obrigações foram devidas no curso da Argumenta que foi fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que não foi encontrada qualquer irregularidade. Relata que o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ, mas nunca apenála com a desconsideração de sua contabilidade para fins de utilizar o método de aferição indireta para calcular as contribuições previdenciárias devidas. 25. Acrescenta que alguns dos materiais aplicados na obra foram faturados diretamente em favor da Jozem pelos respectivos fornecedores. 26. Aduz que a adoção de técnicas como utilização de lajes protendidas e concreto usinado exige menor volume de mãodeobra, fato que deve ser levado em consideração. O mesmo se aplica para a instalação de esquadrias metálicas e portas. 27. Alega que foram realizados serviços complementares, pois na primeira etapa da obra não incluía os acabamentos das lojas do piso térreo e das salas dos pavimentos superiores. Após a conclusão da primeira etapa da obra, à medida que a empresa Jozem locava os espaços, a BRJ foi novamente contratada para realizar os serviços de acabamento, inclusive, em algumas unidades, realizou serviços diretamente aos locatários. Nesta época, já havia sido dado baixa na matrícula CEI da obra, razão pela qual não havia GFIPs específicas da obra em relação a tais serviços complementares. Não obstante, toda a mãodeobra alocada para execução desses serviços foi de empregados registrados na BRJ, tendo inclusive os contratantes promovido a retenção de 11% relativo ao pagamento pelos serviços, e todos os funcionários utilizados na execução desses serviços constaram de GFIPs que contamplavam também pessoas alocadas em outras obras em situação semelhante. 28. Afirma que não há como considerar que a obra foi concluída anteriormente a estes serviços complementares e imprimir cobrança de eventuais diferenças de recolhimento por força de aplicação da aferição indireta. Da mesma forma não podem ser desconsiderados os recolhimentos feitos em período posterior. 29. Insurgese contra a utilização do CUB como parâmetro para a autuação, pois a obra foi parcialmente executada e o CUB contempla o custo total da obra por metro quadrado. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000248/200965 Acórdão n.º 2401003.265 S2C4T1 Fl. 5 7 30. Requer seja julgado insubsistente o auto de infração e a juntada de novos documentos, depoimentos testemunhais e prova pericial. 31. O responsável solidário apresentou defesa às fls. 742/762, que contém, em síntese: 32. Não concorda com a desconsideração da contabilidade da autuada. 33. Reafirma o argumento da autuada de que a obra foi entregue inacabada e diz que as particularidades da forma de execução dos serviços deveriam ter sido observadas pelo fiscal. 34. Argumenta que a verificação da insuficiência da mãodeobra deveria ter levado em consideração o fato do empreendimento não ter sido concluído em 06/2006, e deveriam ser computadas as remunerações declaradas para os períodos subsequentes. 35. Alega que o lançamento é nulo porque a fiscalização considerou como competência do fato gerador o mês de 05/2009, mas as obrigações foram devidas no curso da Também não concorda com a multa imposta no percentual de 75%, aplicada de acordo com a legislação atualmente em vigor, quando o correto seria fazêlo na forma definida pela legislação aplicável à época de ocorrência O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento É o relatório. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 93. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto ao mérito o cerne da discussão do recorrente repousa na desconsideração da contabilidade e no fato de ao ser utilizado o Aviso de Regularização de Obra. e com conseqüente utilização do valor da mão de obra descrito pelo SINDUSCON, obtevese um valor muito superior de mão de obra do que a empregada nas obras. A empresa autuada apresentou recurso, onde apresenta os mesmos argumentos que constam no recurso do processo principal 12268.000247/200911, ao qual o presente processo está vinculado. Destaca o recorrente que a execução da obra deuse de forma parcial, tendo sido constatado por meio de laudo de vistoria, referida parcialidade e mais que o contrato, tipo nominalmente por empreitada global, na verdade deuse de forma parcial sem diversos acabamentos, muito menos serviços elétricos e hidráulicos foram realizados em sua totalidade, razão pela qual a mão de obra durante a obra nessas atividades foi mais baixa do que os padrões normais de edificação. Já o responsável solidária, além de lançar mão dos mesmos argumentos, quanto aos serviços executados, questiona a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, sem que se esgotasse a cobrança por parte da construtora, Frente aos diversos argumentos lançados pelo recorrente e pelo julgador de primeira instância entendo que a decisão recorrida não enfrentou os argumentos trazidos pelos impugnantes, de forma, que frente aos fatos ali rebatidos pudéssemos enfrentar de forma imparcial a questão. Cito trecho do recurso do recorrente, fls. 1265: O laudo de vistoria e a ata notarial descrevem os trabalhos desempenhados pela recorrente no que concerne a realização da obra, em que as áreas individuais do empreendimento foram entregues apenas com o contrapiso executado, sem paredes divisórias internas, inclusive dos banheiros que contavam apenas com as esperas para bacias sanitárias, pias etc. inexistia forro, inexistia pintura, piso, sendo que as unidades individualizadas foram entregues pendentes de diversos acabamentos para serem finalizados pela Josem. (...) Justificase dessa forma, a mão de obra constante das GFIPs e indicada pelo recorrente em sua escrituração contábil, haja vista que não foi responsável pela totalidade da obra, mas sim, pela sua parcialidade. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000248/200965 Acórdão n.º 2401003.265 S2C4T1 Fl. 6 9 (...) A empresa comprovou a realização parcial da obra, a terceirização de diversos serviços, conforme narrado (instalações elétricas, esquadrias, colocação de concreto armado, protensão de lajes dentre outros) bem como que para o trabalho desempenhado – execução parcial – não seriam necessários mais funcionários que s contratados e que efetivamente laboraram no local. O nível de acabamento que se vê das fotos integrantes da ata notarial e do laudo de vistoria espelham o que de fato foi executado em cada um dos pavimentos relativamente à primeira etapa das obras, findada em junho 2006, em relação a qual se obteve a matrícula CEI específica e que é objeto do presente AI. Necessário esclarecer acerca do concreto usinado que toda a concretagem terceirizada, sendo que as formas, armaduras e o lançamento do concreto foram realizado pela subcontratada DLM Construções Ltda, fato comprovado pela apresentação do respectivo contrato, acostado a impugnação, o que evidencia a menor necessidade de mão de obra própria da BRJ durante a obra Curioso, ainda que muito embora, todos esses argumentos relativos à terceirização de epatas da obra (concretagem, esquadrias, instalações elétricas, laje protendida dentre outros) tenham sido lançados pela BRJ, não houve manifestação acerca dessa particularidade no acordão, reconhecendo apenas, cegamente, que a obra foi concluída em junho de 2006 pela recorrente em sua totalidade. (...) O acordão declara que a retenção de 11% realizada referente às subempreiteiras contratadas sobre o valor da nota fiscal não altera o lançamento, sendo que apenas poderia ser considerada a mão de obra empregada se houvessem sido emitidas GFIPs específicas com vinculação inequívoca à obra. Todavia, não procede, data vênia, o arrazoado eis que as GFIPs apresentadas eram sim específicas, consoante se comprovou no documento 15 anexado à impugnação, razão pela qual a retenção realizada a razão de 11% não pode deixar de ser considerada na hipótese de manutenção do auto de infração. Considerando todos esses argumentos trazidos pelo recorrente, necessário apreciar o enfrentamento da questão pela autoridade julgadora, tendo em vista que o próprio recorrente alega a superficialidade das alegações. Ressaltese que o Termo de Intimação lavrado por Auditor Fiscal do Trabalho, onde constou que existiam na obra 27 trabalhadores na competência 08/05, diverge das GFIPs apresentadas, onde constam 17 trabalhadores. Tal fato foi reconhecido pela autuada em sua defesa ao dizer que “o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ”. Portanto, inegável a utilização de mãodeobra não declarada e que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados utilizados na execução da obra. Constatouse também a falta de lançamento de pagamento de remuneração a profissionais utilizados nos serviços que Fl. 789DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 demandem mãodeobra especializada, tais como instalador hidráulico, eletricista e vidraceiro. Observouse o indício da impossibilidade de execução da obra, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou em folhas de pagamento específicas para a obra, referentes à mãodeobra própria ou à terceirizada. A IN SRP 03/05, vigente à época do lançamento, dispõe que: Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. [...]§ 2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da emissão do ARO referente ao CUB obtido para o mês anterior. § 3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: [...]III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Art. 443. A Remuneração da Mãodeobra Total RMT despendida na obra será calculada mediante a aplicação dos percentuais abaixo definidos na proporção 10 do escalonamento por área, sobre o CGO obtido na forma do art. 442, e somando os resultados obtidos em cada etapa: I nos primeiros 100 m2, será aplicado o percentual de quatro por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e dois por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); II acima de 100 m2 e até 200 m2, será aplicado o percentual de oito por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e cinco por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); III acima de 200 m2 e até 300 m2, será aplicado o percentual de quatorze por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e onze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); IV acima de 300 m2, será aplicado o percentual de vinte por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e quinze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista). Art. 445. Caso haja recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a este recolhimento será atualizada até a data de emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b" do inciso II, todos do art. 495, e deduzida da RMT, apurada na forma do art. 443 Art. 446. A remuneração relativa à mãodeobra própria, inclusive ao décimoterceiro salário, cujas correspondentes contribuições foram recolhidas com vinculação inequívoca à Fl. 790DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000248/200965 Acórdão n.º 2401003.265 S2C4T1 Fl. 7 11 obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 445, considerandose: (grifo nosso) Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: [...]III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Art. 451. A remuneração apurada de acordo com os arts. 446 a 448, será deduzida da RMT, definida no art. 443, e, havendo diferença, sobre ela serão exigidas as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a outras entidades ou fundos, observado o disposto no art. 452. Art. 453. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Sendo assim, o auditor fiscal autuante, calculou a mãodeobra a regularizar de acordo com os fatos narrados e o comando da IN SRP 03/05, vigente à época do lançamento. As empresas insistem na tese de que a obra foi parcial, entretanto, consta nos autos atestado de conclusão fornecido pela Prefeitura Municipal de Pinhais, informando que a obra encontrase concluída. Além disso, não foi apresentada Anotação de Responsabilidade Técnica – ART indicando o percentual da obra que foi concluído, o que autorizaria a aferição por obra inacabada. Portanto, correto o procedimento fiscal. Quanto às subempreiteiras contratadas, o fato de ter sido promovida a retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal não tem o condão de alterar o lançamento. Apenas poderia ser considerada a mãodeobra empregada caso as contratadas tivessem emitido GFIPs específicas, com vinculação inequívoca à obra. O mesmo raciocínio se aplica para a mãode obra contratada no período posterior a 06/06, pois referida mãode obra não foi declarada em GFIPs específicas, com vinculação inequívoca a obra. O uso do concreto usinado foi considerado pela fiscalização. Portanto, conforme devidamente explicado no Relatório Fiscal e na Informação Fiscal, por haver inegável utilização de mãode obra não declarada e que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados utilizados na execução da obra, correto o lançamento apurado por aferição indireta. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A responsabilidade solidária ora verificada decorre do contrato de empreitada total, e tem como subsídio legal o CTN, art. 124, incisos I e II, e a Lei 8.212/91, art. 30, inciso VI, sendo descabido o argumento da responsável solidária (Jozem) de que deve ser esgotada a cobrança em face da construtora, pois não se aplica ao caso o benefício de ordem. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável. O procedimento adotado pela fiscalização está de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09, que dispõe sobre a aplicação de multa após a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Diante das alterações da legislação previdenciária, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09, o valor da multa aplicada deverá ser verificado e revisto, se for o caso, por ocasião do pagamento. Analisando a decisão proferida, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente em relação aos laudos apresentados, que determinam a suposta parcialidade da execução, nem tampouco Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, no presente caso, não identifico a análise pontual da questão dos laudos apresentados (que concluíram a parcial conclusão da obra, nem tampouco a questão das retenções apresentadas com GFIP específica, ou mesmo as alegações tanto do contratante, como do contratado de que após a competência descrita no lançamento, continuaram sendo executadas obras por meio de contratação de terceiros que não foram consideradas na base de cálculo, questões no entender dessa relatora imprescindíveis a verificação da mão de obra empregada e que afetam diretamente a insuficiência de mão de obra declarada que consubstanciou o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000115/2005-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 9101-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (suplente), Meigan Sack Rodrigues (suplente).
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (suplente), Meigan Sack Rodrigues (suplente).
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 15 /2 00 5- 81 Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (suplente), Meigan Sack Rodrigues (suplente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN (fls. 1.297 e seguintes), com base no artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RICARF/2009, aprovado pela Portaria n.° 256/2009, contra o Acórdão nº 110100.001, sessão de 11/03/2009. Extraise do voto condutor da decisão recorrida o seguinte trecho (fls. 1.282): [...], conforme se verifica nos autos do presente processo, o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 15/04/2005, para exigir o PIS com fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999 a dezembro de 2003, o que denota que os créditos tributários apurados até o mês de março de 2000, já se encontravam alcançados pela decadência, ex vi do disposto no art. 150, §4° do CTN. [...]. Sendo assim, acolho a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte, declarando extintos os créditos com fatos geradores ocorridos anteriormente a março de 2000, inclusive, nos termos do art. 150, §4° e 156, V, ambos do CTN. Aduz a recorrente que (fls. 1.299): (...). 7. Depreendese claramente dos documentos de fls. 886/887 que o contribuinte não pagou o tributo devido nestes autos. (...). 10. Na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema. 11. O entendimento jurisprudencial em que fundamenta o presente recurso, e que foi recente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. É o que se depreende do Informativo nº 250 do STJ: (...). Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000115/200581 Acórdão n.º 9101001.830 CSRFT1 Fl. 5 3 Nas suas contrarrazões, a recorrida aduz que a questão levantada pela recorrente com relação à inexistência antecipada de pelo menos parte do tributo devido importa na apreciação de provas, não sendo essa análise própria para ser trazida em sede de recurso especial de divergência, pugnando, assim, pelo seu não conhecimento. Aduz ainda que, na hipótese de o mesmo ser conhecido, os ditos pagamentos antecipados realmente ocorreram, conforme o que consta no Relatório de fls. 1129 a 1151, elaborado pela própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento: (...). 2.14 Chegouse às bases de cálculo definitivas, conforme planilhas de fls. 809 a 869. (...) Foram também considerados recolhimentos efetuados em DARF — código 4574, extraídos do sistema SINAL (fl. 95 a 102). Deste foram utilizados apenas os saldos eventualmente disponíveis após a quitação da contribuição já declarada ou já exigida em processo administrativo, conforme demonstrativo de vinculação às fls. 871 a 874. (fls. 1.366/1.367) É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. O recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Mister ressaltar que o lançamento de oficio em causa, relativo ao PIS, com fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999 a dezembro de 2003 e cientificado ao contribuinte 15/04/2005, decorre de fiscalização do IRPJ, estando o seu julgamento, dessa forma, na competência desta 1ª SJ. Extraise do relatório que a questão a ser analisada diz respeito tãosomente à decadência do referido lançamento de ofício, porquanto entendeu a decisão recorrida que ao caso aplicarseia a contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN, enquanto que a recorrente pugna pela contagem desse prazo ser efetuado com base no art. 173, inciso I, do mesmo Código, baseada no fato de que não teria havido o pagamento antecipado da Contribuição, mesmo que parcial. Também extraise do relatório que a recorrida, em suas contrarrazões (fls. 1.266/1.367), demonstrou que pagamentos antecipados houveram, consoante referência feita aos mesmos pela própria decisão de primeiro grau, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, no acórdão DRJ/RJOII Nº 9.396, de 18/05/2005 (fls. 1.126 e seguintes), nos termos já transcritos no relatório e que se encontram disponíveis para eventual verificação, às fls. 1.222 e 1.223 dos presentes autos. Sendo assim, entendo que não assiste razão à recorrente, porquanto a jurisprudência administrativa a respeito é uníssona, no sentido de que, em havendo pagamento antecipado do tributo, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial regerseá pelo Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 dispositivo do sobredito art. 150, § 4º, do CTN, sendo esse o fundamento que deu suporte à decisão recorrida. E nem poderia ser diferente, haja vista a decisão proferida pela Segunda Turma do STJ no julgamento, por exemplo, dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos, de aplicação obrigatória pelo CARF, em face do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, DOU de 22/12/2010, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por essas razões, nego provimento ao recurso especial interposto pela representação fazendária. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902561/2011-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 60 1 59 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.902561/201108 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.638 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente MONDAY COMERCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 25 61 /2 01 1- 08 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902561/201108 Acórdão n.º 3801002.638 S3TE01 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902561/201108 Acórdão n.º 3801002.638 S3TE01 Fl. 62 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 29506.81193.131006.1.2.047113 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 3.400,26, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 13.048,20, recolhido em 15/02/2002. Em 03/01/2012 (Rastreamento nº 015079435) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de janeiro02, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 14/02/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902561/201108 Acórdão n.º 3801002.638 S3TE01 Fl. 63 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902561/201108 Acórdão n.º 3801002.638 S3TE01 Fl. 64 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902561/201108 Acórdão n.º 3801002.638 S3TE01 Fl. 65 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902561/201108 Acórdão n.º 3801002.638 S3TE01 Fl. 66 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.721485/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
RECURSO DE OFÍCIO
DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. NORMAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE DO LUCRO TRIBUTÁVEL. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE.
Sendo necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, os custos ou despesas efetivamente suportados, devem ser considerados dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável.
RECURSO VOLUNTÁRIO
DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE.
Para a glosa das despesas, quando sejam normais ou usuais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, isto é, quando guardem estreito relacionamento com a atividade explorada e com a manutenção da fonte produtora, é indispensável que a investigação da veracidade e legitimidade, não só seja exaustiva, como fique comprovada nos autos a sua efetivação. Tendo faltado o necessário aprofundamento da ação fiscal, é de concluir-se pela validade da documentação apresentada para justificar a insubsistência das glosas efetuadas. Assim sendo, necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, as despesas efetivamente suportadas, devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 RECURSO DE OFÍCIO DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. NORMAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE DO LUCRO TRIBUTÁVEL. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, os custos ou despesas efetivamente suportados, devem ser considerados dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE. Para a glosa das despesas, quando sejam normais ou usuais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, isto é, quando guardem estreito relacionamento com a atividade explorada e com a manutenção da fonte produtora, é indispensável que a investigação da veracidade e legitimidade, não só seja exaustiva, como fique comprovada nos autos a sua efetivação. Tendo faltado o necessário aprofundamento da ação fiscal, é de concluir-se pela validade da documentação apresentada para justificar a insubsistência das glosas efetuadas. Assim sendo, necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, as despesas efetivamente suportadas, devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido.
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NORMAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE DO LUCRO TRIBUTÁVEL. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, os custos ou despesas efetivamente suportados, devem ser considerados dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE. Para a glosa das despesas, quando sejam normais ou usuais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, isto é, quando guardem estreito relacionamento com a atividade explorada e com a manutenção da fonte produtora, é indispensável que a investigação da veracidade e legitimidade, não só seja exaustiva, como fique comprovada nos autos a sua efetivação. Tendo faltado o necessário aprofundamento da ação fiscal, é de concluirse pela validade da documentação apresentada para justificar a insubsistência das glosas efetuadas. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório O Presidente da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, recorre de ofício, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão prolatada de fls. 948/958, que considerou procedente, em parte, a impugnação interposta pela contribuinte, para declarar parcialmente insubsistente o crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de fls. 431/448. Por outro lado, GVT HOLDING S/A., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 03.420.904/0001 64 , com domicílio fiscal na cidade de Curitiba – Estado do Paraná, na Rua. Lourenço Pinto, nº 299 – Bairro Centro, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 948/958, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 966/979. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, em 12/03/2012, os Auto de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.431/448), com ciência por AR, em 16/03/2012 (fl. 606), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 30.402.486,35 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição, referente aos exercícios de 2008 a 2011, correspondente aos anoscalendário de 2007 a 2010, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS. Glosa de despesa não comprovada, debitadas na conta 31910111 (Gastos com captação) em 28/02/2007, às fls. 43 do Livro Razão n° 10, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Diligencia Fiscal e Enceramento Parcial da Ação Fiscal, que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Infração capitada nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 264, 299 e 300, do RIR/99. 2 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado, tendo em vista a reversão do prejuízo após o lançamento da infração constatada no anocalendário de 2007, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Diligencia Fiscal e Enceramento Parcial da Ação Fiscal. Infração capitada nos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Encerramento da Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Diligencia Fiscal e Enceramento Parcial da Ação Fiscal (fls. 587/599), entre outros, os seguintes aspectos: que, em 09 de agosto de 2011, o contribuinte foi intimado a esclarecer os valores debitados na conta 31910111 (GASTOS COM CAPTAÇÃO), às fls. 43/44 do Razão nº 10, na seguinte forma: (a) – 28/02/2007 – Despesas de comissões de oferta primária = R$ 49.075.267,47 e – 28/02/2007 – Despesas com comissões de oferta suplementar = R$ 7.319.416,58; que na resposta ao Termo de Intimação Fiscal em epígrafe, recebida em 19 de agosto de 2011, o contribuinte esclarece que os valores referemse a despesas com a emissão de ações da companhia; apresentado o Contrato de Prestação de Serviços de Escrituração de Ações, firmado com o Banco Itaú S.A. e o extrato bancário do Banco Itaú, conta corrente 373190, afirmando que foi depositado nesta conta o valor líquido da emissão primária de ações; que, foi lavrado em 27 de setembro de 2011 o Termo de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte, através do item 1, a esclarecer a origem dos valores, baseada nos documentos apresentados na Resposta com data de 19 de agosto de 2011; que, em resposta, datada em 16 de novembro de 2011, o contribuinte esclarece que os valores em questão referese à despesas de comissão pela venda das ações conforme Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Primária de Ações Ordinárias de Emissão da GVT (Holding) S.A e de escrituração de ações conforme Contrato de Prestação de Serviços de Escrituração de Ações, firmado com o Banco: a) de acordo, com o extrato bancário apresentado pela GVT (Holding) S/A, em 19/08/2011, referente a Conta 373190, Agência 0548, a entidade recebeu em sua conta bancária os montantes de R$ 884.547.992,53, no dia 22/02/2007 e R$ 133.080.583,43, no dia 27/02/2007. Tais valores foram recebidos pelas vendas das ações, descontados os valores pagos a título de comissão aos coordenadores e demais envolvidos na operação; b) a liquidação das operações realizadas na BOVESPA ocorreu três dias úteis após a data da negociação, sendo que a entrega e o pagamento das ações foram realizados por intermédio de câmara de compensação independente, a CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. A CBLC é contraparte central garantidora das operações realizadas na BOVESPA, realizando a compensação multilateral tanto para as obrigações financeiras quanto para as movimentações de títulos. Para a realização do procedimento sob a sua responsabilidade a CBLC cobrou 0,035% incidente sobre o valor de liquidação de ações, tal como o disposto na Cláusula 2 do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre GVT (Holding) S/A e Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, em 14/02/2007; c) as comissões pagas pela coordenação, colocação e garantia de firme liquidação foram negociadas no Contrato de Coordenação, Subscrição e Colocação de Ações Ordinárias de Emissão da GVT (Holding) S/A, Cláusula 10, no qual é informada a maneira de distribuição da remuneração de 4%; d) além disso, o montante creditado na conta da GVT (Holding) S/A, encontrase líquido da CPMF incidente na operação que antecederam o depósito ao percentual aplicável à época de 0,38%; e) foi ainda acordado no Contrato de Coordenação, Subscrição e Colocação de Ações Ordinárias de Emissão da GVT (Holding) S/A, Cláusula 10 o pagamento aos Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 4 5 Coordenadores uma remuneração de incentivo de 0,75% a ser aplicada sobre o Produto da Colocação das Ações (Lotes Inicial e Suplementar – Valor Obtido com a Venda de Ações); que com base na resposta do contribuinte e no Contrato de Prestação de Serviços de Escrituração de Ações, firmado com o Itaú banco, apresentado em 19 de agosto de 2011, o qual faz menção na cláusula 2 – Objeto do Contrato, que o Itaú banco prestará os serviços de ações escriturais e de agente emissor de certificados; na cláusula 5 – Remuneração, que pelos serviços prestados a cliente pagará ao Itaú banco a quantia, em moeda corrente, discriminada no Anexo I; no item 4 do anexo I, que mensalmente o Itaú banco fará levantamento do serviço executado e remeterá fatura para o cliente, cujo pagamento deverá ser feito até o dia 10 do mês seguinte ao da prestação do serviço; e da data do extrato bancário em que foram feitos os depósitos (22/02/2007 – R$ 884.547.992,53 e R$ 133.080.583,42); foi lavrado o Termo de Reiteração e Intimação Fiscal com data de 08 de dezembro de 2011 para que o contribuinte apresentasse os documentos hábeis e idôneos referente aos lançamentos realizados em 27 de fevereiro de 2007 nos valores de R$ 49.075.267,47 e R$ 7.319.416,58; que, portanto, pela falta de apresentação dos documentos hábeis e idôneos, que comprovassem os valores de R$ 49.075.267,47 (quarenta e nove milhões setenta e cinco mil duzentos e sessenta e sete reais e quarenta e sete centavos) e de R$ 7.319.416,58 (sete milhões trezentos e dezenove mil quatrocentos e dezesseis reais e cinqüenta e oito centavos); que totalizam R$ 56.394.684,05 (cinqüenta e seis milhões trezentos e noventa e quatro mil seiscentos e oitenta e quatro reais e cinco centavos), debitados na conta 31910111 (gatos com captação), às fls. 43/44 do Razão n° 10, foram glosados por infração ao disposto nos artigos 249, inciso I, 251 e Parágrafo Único, 264, 299 e 300 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, ficando o Lucro Real após a compensação de prejuízo Fiscal no anocalendário de 2007 no montante de R$ 2.623.731,39 (dois milhões seiscentos e vinte e três mil setecentos e trinta e um reais e trinta e nove centavos). Em sua peça impugnatória de fls. 608/623, apresentada, tempestivamente, em 19/04/2012, a contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que são legítimas as despesas ora glosadas pela fiscalização. A impugnante possui e apresenta nesse momento os documentos hábeis e idôneos a comprovar as despesas tidas com o pagamento de comissões às instituições financeiras responsáveis por realizar a oferta primária e suplementar de ações da companhia no mercado financeiros; que sucessivamente, desarrazoada e equivocada penalidade cominada pela Receita Federal, uma vez que inquestionável o seu efeito confiscatório. Ora, não é necessário expressivo esforço para concluir que multas aplicadas, correspondentes a 75% do imposto supostamente devido, transcendem os limites da razoabilidade; que, no que diz respeito as indevidas glosa dos valores referentes às despesas de comissão de oferta primaria e suplementar suportadas pela Impugnante. Da existência de documentação apta a comprovar a ocorrência de tais despesas, é de se dizer, que os custos suportados pela impugnante, a título de pagamentos a instituições financeiras referentes à comissão pela coordenação, colocação e garantia de firme liquidação de Ações Ordinárias de Emissão da empresa, são totalmente dedutíveis do cálculo do Lucro Real, como, aliás, restou incontroverso no Termo de Verificação e Encerramento da Diligência Fiscal que deu origem ao auto de infração ora impugnado; Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, dessa maneira, conforme já aduzido anteriormente, o único fato que motivou a Receita Federal a glosar os valores relativos a tais despesas foi a não apresentação dos documentos que pudessem comprovar os pagamentos efetuados pela empresa Impugnante, não obstante a todo o exposto por esta quando da Resposta aos Termos de Intimação Fiscal exarados pela Receita Federal em 19.08.2011, 27.09.2011 e 12.01.2012; que, em verdade, a operação realizada é bastante simples e pode ser assim sintetizada, a despeito de detalhamentos informados anteriormente: a empresa ora impugnante firmou contrato com o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A e Banco UBS Pactual S/A (doc. nº 04) para que estes exercessem a função de coordenação – sendo o primeiro contratado o coordenador líder – da emissão de ações ordinárias e suplementares da mesma; que, dessa maneira, as instituições financeiras contratadas e aquelas subcontratadas receberiam uma remuneração líquida à base de 4,75% (aplicada sobre o produto entre (i) a quantidade total de ações originais (52.000.000) efetivamente colocadas, somadas às ações suplementares efetivamente exercidas (7.800.000) e (ii) o preço por ação (Produto da Colocação das Ações), ao valor de R$ 18,00 cada; que foi exatamente o que foi feito. O simples cotejo entre os valores glosados e aqueles postos no quadro abaixo referentes aos valores destinados às sociedades contratadas – comprovado, em quase sua integralidade, através dos recibos anexos; que insta frisar apenas que a irrisória diferença de valores verificada é proveniente de mero arredondamento de valores, em razão de casas decimais nos percentuais de comissão previstos no contrato, não tendo o condão de macular em nada a comprovação dos pagamentos realizados pela empresa ora impugnante; que, ademais, alguns dos recibos de valores a título de comissão não foram localizados. Esses, apesar de representarem um número individual significativo, representam menos de 1% do valor total das despesas glosadas. Nesse sentido, haja vista a comprovação de mais de 99% das despesas, ante o princípio da razoabilidade, ou mesmo por considerar os recibos apresentados enquanto amostragem muito próxima ao universo requer a Impugnante a validação da totalidade das despesas; que, destarte, tendo sido cabalmente demonstrado inclusive por meio documental, conforme exigido pela fiscalização – a existência dos valores erroneamente glosados, os mesmos devem ser levados em consideração na apuração do Lucro Real da empresa no anocalendário 2007, o que, conseqüentemente, ensejará no reconhecimento do prejuízo fiscal por ela compensado nos anocalendário de 2008, 2009 e 2010; que, no que diz respeito a natureza desproporcional e confiscatório da multa aplicada pela fiscalização, é de se dizer, que a multa exigida pelo fisco in casu perfaz o percentual de 75% do crédito supostamente tomado indevidamente, verificandose descabidamente abusiva. Observe que o valor original de IRPJ exigido é de R$ 11.339.168,95, enquanto o valor original da multa alcança R$ 8.504.376.69; que, a penalidade imposta pelo suposto descumprimento da obrigação possui caráter meramente sancionatório. Logo, é injustificável a pretensão fiscal de receber valor que alcança 3/4 do crédito apurado, a título de sanção. Ora, se a multa sancionatória há de servir para induzir comportamentos, não se pode olvidar que sua qualificação deve se dar na Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 5 7 exata medida do comportamento almejado, não podendo ser totalmente abusiva. Flagrante, portanto, a natureza confiscatória da multa aplicada; que é importante ressaltar recente acórdão do c. STF que reafirma a aplicação do princípio do nãoconfisco às multas e limita as multas fiscais ao máximo de 30% do débito do tributo. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR concluíram pela procedência parcial da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que acrescenta (fls. 592) que, posteriormente, em 08/12/2011, foi lavrado o Termo de Reiteração e Intimação Fiscal para que a contribuinte apresentasse os documentos hábeis e idôneos referentes àqueles lançamentos, tendo a autuada prestado esclarecimentos, mas não apresentando qualquer documento comprobatório dos valores escriturados; que à míngua de questionamentos outros, o contraditório instaurouse apenas com relação à efetividade dos pagamentos, atestada pelos comprovantes respectivos, razão pela qual a análise se restringirá a esse ponto, que também compreende a idoneidade dos documentos apresentados para comprovarem os lançamentos escriturados, seja quanto aos seus aspectos formais, com ênfase para a existência de assinaturas dos alegados emitentes, seja quanto à sua conformidade com a sua causa jurídica, ou seja, a existência de obrigação previamente assumida; que iniciando a análise, registro que o Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Primária de Ações Ordinárias de Emissão da GVT (Holding) S.A., acostado às fls. 117/301 previu o pagamento de encargos da espécie, conforme se vê às fls. 151, verbis: Valor (R$) % em Relação ao Valor Comissões e Taxa: Comissão de Coordenação............................... 7.488.000,00 0,80% Comissão de Colocação................................... 22.464.000,00 2,40% Comissão de Garantia Firme de Liquidação.. 7.488.000,00 0,80% Comissão de Incentivo.................................... ..7.020.000,00 0,75% Total de Comissões.......................................... 44.460.000,00 4,75% Despesas de Registro ........................................... 248.610,00 0,00 Outras Despesas (1)........................................ 12.106.240,00 1,2% Total................................................................ 56.814.850,00 6,00% (1) Custos estimados com advogados, consultores, auditores, gráfica, publicidade da Oferta, e outras obrigações com terceiros decorrentes da Oferta. que destaco que o prospecto existente nestes autos não discrepa do documento similar constante no sítio da BMF, conforme reprodução que juntei aos autos, colhida na página http://www.bmfbovespa.com.br/ptbr/ mercados/download/GVTProspectoDefinitivo01032007. pdf. Entendo, portanto, que a informação deve ser considerada confiável; que antes de proceder à análise individual dos documentos comprobatórios colacionados às fls. 748/766, registro que a impugnante trouxe aos autos cópia do Contrato de Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Coordenação, Subscrição e Colocação de Ações Ordinárias de Emissão de GVT (HOLDING) S.A. (fls. 689/746), que disciplina os pagamentos questionados nestes autos e constituem sua causa jurídica; que a remuneração relativa à emissão primária (item 10.1.I), constatase, portanto, que a impugnante obrigouse a pagar uma remuneração base no importe de R$ 37.440.000,00, correspondente à aplicação do percentual de 4% sobre o valor das ações – emissão primária ( R$ 936.000.000,00), distribuída nos seguintes termos: BENEFICIÁRIOS DAS COMISSÕES Comissões e Taxa VALOR TOTAL DAS COMISSÕES Credit Suisse Líder UBS PACTUAL Contratados Comissão de Coordenação 7.488.000,00 4.492.800,00 2.995.200,00 Comissão de Colocação 22.464.000,00 11.034.316,80 7.489.497,60 3.940.185,60 Prêmio de Garantia Firme de Liquidação 7.488.000,00 4.492.800,00 2.995.200,00 Total de Comissões 37.440.000,00 20.019.916,80 13.479.897,60 3.940.185,60 que a remuneração relativa ao lote suplementar (item 10.1.II), portanto, a impugnante obrigouse pagar uma remuneração base no importe de R$ 5.616.000,00, correspondente a 4% sobre o valor das ações suplementares colocadas,a ser dividido apenas entre os coordenadores Líder e UBS Pactual ( 60% e 40%), excluindo, portanto, os Coordenadores Contratados, resultando nos seguintes valores: BENEFICIÁRIOS DAS COMISSÕES Comissões e Taxa VALOR TOTAL DAS COMISSÕES Credit Suisse Líder UBS PACTUAL Contratados Comissão de Coordenação 2.246.400,00 1.347.840,00 898.560,00 Comissão de Colocação 3.369.600,00 2.021.760,00 1.347.840,00 Nihil Prêmio de Garantia Firme de Liquidação 0,00 0,00 0,00 Total de Comissões 5.616.000,00 3.369.600,00 2.246.400.00 Nihil que a remuneração de incentivo (item 10.2), resulta, portanto, que além das parcelas da ‘remuneração básica’, a impugnante obrigouse a pagar – apenas aos dois coordenadores principais uma remuneração de incentivo de 0,75% sobre o produto da colocação de todas as ações (lote primário e lote suplementar), resultando, portanto, na importância de R$ 8.073.000,00 (R$ 1.076.400.000,00 X 0,75% = R$ 8.073.000,00), dividida da seguinte forma: Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 6 9 BENEFICIÁRIO VALOR Credite Suisse (Líder – 60%) 4.843.800,00 UBS Pactual (Coordenador – 40%) 3.229.200,00 TOTAL 8.073.000,00 que, cumpre destacar que, nos termos gizados na subcláusula 10.4 (fls. 703), além da Remuneração ora referida, nenhuma outra remuneração será contratada ou paga pela Companhia aos Coordenadores. Temse portanto que, a teor do contrato, as remunerações devidas aos coordenadores totalizam: Credit Suisse – Líder (60%) = R$ 28.233.316,80; Pactual (40%) = R$ 18.955.497,60; e contratados = R$ 3.940.185,60; que passando à análise individual dos documentos, vejo os seguintes recibos do Banco Credit Suisse (Brasil) S/A, CNPJ nº 33.987.793/000133 – com exclusão do recibo de fls. 750, pelas razões declinadas alhures, totalizando R$ 31.442.535,02; que esses recibos mesmo existentes e presumivelmente assinados por quem de direito não merecem ser integralmente acatados, uma vez que excedem o total da remuneração contratada com o banco Coordenador Líder (Credite Suisse). Assim, o valor a ser considerado como pagamento regularmente comprovado – por encontrar causa jurídica no contrato firmado – é R$ 28.233.316,80, valor previsto no contrato; que também volto os olhos para as declarações de fls. 751 e 766, não assinadas, redigidas em laudas encimadas por logomarca do Banco BTG Pactual S.A, CNPJ nº 30.306.294/000145, no valor total de R$ 20.557.887,03: Valor Serviços Fls. 17.671.947,17 Comissões oferta de ações – Lote principal da GVT (HOLDING) S.A. 751 2.885.939,86 Comissões oferta de ações – Lote suplementar da GVT (HOLDING) S.A. 766 20.557.887,03 TOTAL que esses dois os comprovantes são absolutamente inidôneos a alguma comprovação jurídica, posto não ostentarem qualquer assinatura. Por consequência, mesmo existindo previsão de que o banco Coordenador BTG Pactual S.A. receberia remuneração no importe total de R$ 18.955.497,60, conforme demonstrado, a glosa relativa a eventuais pagamentos feitos a esse beneficiário deve ser mantida integralmente, em face da não apresentação de comprovantes idôneos relativos aos pagamentos que supostamente lhe foram feitos; que com respeito a esses demais recibos apresentados, entendo que merecem ser acatados, mas apenas até a importância de R$ 3.940.185,60, que corresponde à remuneração máxima devida a essas entidades a título de colocação das ações, calculada nos termos da subcláusula 10.1.b; que esclareço que o recibo de fls. 750, emitido em nome de Credit Suisse (Brasil) S.A. CTVM, no importe de R$ 179.577,76, foi considerado como pagamento a Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Coordenador Contratado, e não como comissão do Banco Credit Suisse, tendo em vista que a pessoa jurídica Credit Suisse (Brasil) S.A. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários foi incluída expressamente como Coordenador Contratado, como se vê às fls. 124, 145 e 159. Em assim sendo, o valor que afirma ter recebido deve ser considerado como receita sua, e não como do Coordenador Líder, Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A; que, também merece registro que a impugnante listou às fls. 619/620 vários outros alegados pagamentos que teria feito a “instituições financeiras subcontratadas”, cujos recibos abstevese de apresentar. Com respeito a esses alegados pagamentos, cumpre esclarecer que não encontram condições de serem acatados por duas razões: primeiro, porque excedem o valor que, pelo contrato, a impugnante pagaria aos terceiros (pessoas que não sejam os coordenadores principais). É de se entender, portanto, que tais pagamentos teriam sido suportados pelos coordenadores principais, com recursos próprios, para fazerem jus à comissão contratada e já demonstrada anteriormente. E segundo, pela ausência dos comprovantes respectivos, que constitui empecilho absoluto, conforme exposto por ocasião da análise das comissões do Banco PACTUAL; que, resumindo, dada a existência de comprovantes que suportam as despesas pagas, a glosa deve ser considerada improcedente nos seguintes valores: VALORES DOS PAGAMENTOS A SEREM CONSIDERADOS DEDUTÍVEIS BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A 28.233.316,80 OUTROS PARTICIPANTES 3.940.185,60 TOTAL 32.173.502,40 que procede, portanto, a glosa relativa aos valores excedentes, no montante de R$ 24.221.181,65. Por consequência, devem ser feitos os ajustes correspondentes no estoque de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL, com as cabíveis repercussões nos anoscalendário posteriores, conforme demonstrativos do SAPLI que junto aos autos; que, assim sendo, os valores lançados sofrem as alterações seguintes: TRIBUTO PERÍODO LANÇANDO MANTIDO EXONERADO IRPJ 2007 631.932,83 0,00 631.932,83 IRPJ 2008 2.587.638,85 0,00 2.587.638,85 IRPJ 2009 5.018.301,05 218.602,15 4.799.698,90 IRPJ 2010 3.101.296,22 3.101.296,22 0,00 CSLL 2007 236.135,82 0,00 236.135,82 CSLL 2008 931.549,98 0,00 931.549,98 CSLL 2009 1.806.588,37 78.591,02 1.727.997,35 CSLL 2010 1.116.466,64 1.116.466,64 0,00 TOTAL 15.429.909,76 4.514.956,03 10.914.953,73 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 7 11 que, em face do exposto, com respeito apenas aos valores originais dos tributos lançados, voto por manter a importância de R$ 4.514.956,03, e por exonerar a importância de R$ 10.914.953,73, conforme demonstrado acima; que com respeito aos argumentos vertidos sob o título “3.2 Sucessivamente: da natureza desproporcional e confiscatória da multa aplicada pelo fisco”, cumpre apenas deixar claro que a este Colegiado falece competência para afastar a aplicação de norma legal vigente, ainda que se refira a multa que eventualmente se mostre, aos olhos dos sujeitos passivos, desproporcional e de caráter confiscatório. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS SEM COMPROVANTES E/OU EM MONTANTES SUPERIORES AOS VALORES CONTRATADOS. A escrituração contábil deve ser elaborada com base em documentos idôneos que comprovem os fatos registrados, obrigandose a entidade a manter em boa ordem a documentação contábil. Por tal razão, não se consideram dedutíveis despesas sem os comprovantes respectivos, ou cujos comprovantes registrem pagamentos em montantes superiores aos previstos nos contratos com base nos quais os pagamentos teriam sido realizados. PRETENSÃO DE QUE A DRJ AFASTE OU REDUZA MULTA POR ALEGADA NATUREZA DESPROPORCIONAL E CONFISCATÓRIA. Às DRJ não foi deferida competência para apreciar a legislação e, eventualmente, afastar ou reduzir multas em virtude de suposta natureza desproporcional e/ou confiscatória. DECORRÊNCIA. Aplicamse aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que restar decidido a respeito do lançamento matriz. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Deste ato, a Presidência da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 375, de 2001. Da mesma forma, após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/09/2012, conforme Termos constantes à fl. 965, e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em tempo hábil (22/10/2012), o recurso voluntário de fls. 966/979, instruído pelos documentos de fls. 980/1066, no qual demonstra irresignação contra a parte da Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 decisão mantida, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que o Recorrente foi autuado pela fiscalização federal sob a alegação de ter omitido o pagamento de CSLL e de IRPJ, referentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, em razão de compensação supostamente indevida de prejuízo fiscal apurado, decorrente da reversão do prejuízo apurado no anocalendário de 2007; que, conforme confirmado pela própria DRJ de Curitiba no acórdão ora objurgado, verificase do Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Diligência Fiscal – que deu origem à referida exigência – que a única justificativa dada pela Fiscalização para glosar os aludidos valores foi a falta de apresentação de documentação, por parte da empresa ora Recorrente, que comprovasse as já mencionadas despesas; que, dessa maneira, em sede de impugnação ao auto de infração a ora Recorrente apresentou os documentos hábeis e idôneos a comprovar as despesas tidas com o pagamento de comissões às instituições financeiras responsáveis por realizar a oferta primária e suplementar de ações da companhia no mercado financeiro; que a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – PR considerou improcedente a glosa de R$ 32.173.502,40, tendo em vista ter considerado comprovados os pagamentos feitos ao Banco de Investimento Credit Suisse (Brasil) S/A, no valor de R$ 28.233.316,80, e a outros participantes da realização de oferta primária e suplementar de ações da companhia, no valor de R$ 3.940.185,60; que, por outro lado, entretanto, considerou procedente a glosa do restante dos valores, no montante de R$ 24.221.181,65, pelas seguintes razões: a) – Em relação ao montante pago ao banco Coordenador Líder (Credit Suisse), limitou os valores reconhecidos ao supostamente previsto no contrato firmado entre este e a empresa ora Recorrente; b) No que tange aos pagamentos realizados ao Banco BTG Pactual S/A, desconsiderou todos os valores, tendo em vista que as declarações juntadas aos autos aptas a comprovar tais pagamentos não estavam assinadas e, portanto, os considerou como inidôneas; c) Quanto aos valores pagos a “outros participantes”, reconheceu apenas a quantia supostamente correspondente à remuneração máxima devida a essas entidades a título de colocação das ações nos termos do contrato firmado; d) Ademais, afirmou que constituiria empecilho absoluto confirmar pagamentos cujos recibos não foram apresentados. que ocorre que nem mesmo a importância residual de R$ 4.514.956,03 – decorrente da glosa de despesas no valor de R$ 24.221.181,65 – é devida pela empresa ora recorrente; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 8 13 que em relação ao montante pago ao Banco Coordenador Líder (Credit Suisse): do necessário reconhecimento da totalidade dos valores quitados pela ora Recorrente como pagamentos regularmente comprovados (despesas). Da necessária aplicação de grossup dos tributos aos valores contratados, é de se dizer, que os valores constantes nos recibos que comprovam os pagamentos realizados pela ora Recorrente ao Banco Credit Suisse não ultrapassaram aqueles previstos no contrato firmado entre ambos. O que ocorreu, na realidade, foi que o montante consubstanciado em tais recibos englobava, além do valor líquido contratado, os tributos concernentes à transação a serem recolhidos posteriormente pelo banco. Em outras palavras, houve o chamado Gross up do valor líquido devido; que no próprio contrato tão invocado pelo acórdão ora recorrido há disposição expressa que responsabiliza a ora Recorrente por efetuar o pagamento de todos os tributos atinentes à operação; que é incontroverso nos autos que o pagamento realizado pela ora Recorrente se deu no montante de R$ 31.442.535,02. Dessa maneira, de acordo com o princípio da verdade material, é totalmente inaceitável que tal valor seja sumariamente desconsiderado pelo simples fato de que se destoasse daquele que consta no contrato; que em relação ao montante pago ao Banco BTG Pactual S.A: da apresentação das declarações devidamente assinadas. Do necessário reconhecimento da totalidade dos valores quitados pela ora Recorrente como pagamento regularmente comprovado (despesas). Da aplicação do método do gross up aos valores contratados. Do princípio da verdade material, é de se dizer, que segundo a DRJ de Curitiba, não seria possível considerar as declarações que comprovam os pagamentos realizados ao Banco BTG Pactual, tendo em vista que não estariam assinados. Dessa maneira, tais comprovantes seriam “absolutamente inidôneos a alguma comprova jurídica”; que a ora recorrente, não se desincumbindo do mister que lhe foi posto, requereu à instituição financeira que lhe fornecesse nova via das declarações devidamente assinadas, pedido que foi prontamente atendido. Outrossim, seguem anexas as duas declarações anteriormente consideradas inidôneas devidamente assinadas (doc. nº 5), o que dispensa maiores elucubrações acerca do tema; que superada a questão da idoneidade das declarações, finda qualquer controvérsia acerca da improcedência da glosa de R$ 18.955.497,60, referente aio valor estipulado no contrato firmado entre a ora Recorrente e o Banco BTG Pactual S/A; que conforme se afere das declarações juntadas ao presente recurso voluntário e consoante reconhecido pela própria DRJ de Curitiba/PR, o valor total efetivamente pago perfaz o montante de R$ 20.557.887,03; que a diferença entre os valores apontados – R$ 1.602.389,43 – decorre, assim como acontece no caso do Banco Credit Suisse, pelo fato de a ora Recorrente ter aplicado o gross up sobre o valor líquido constante do contrato firmado (vide doc. n°04,cit.). Tendo em vista a larga exposição quanto ao tema no tópico anterior, dispensados também maiores comentários no que tange a este ponto, fazendose imperioso que a gloda deste último valor também seja considerada improcedente; que em relação ao montante pago aos “ outros participantes”: do necessário reconhecimento da totalidade dos valores quitados pela ora Recorrente como pagamento Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 regularmente comprovado (despesas). Da aplicação do método do gross up aos valores contratados. Do princípio da verdade material. Da impossibilidade de apresentação de todos os comprovantes de pagamento. Da aplicação do princípio da razoabilidade, é de se dizer, que no que tange à glosa dos valores repassados pela empresa ora Recorrente a diversas empresas subcontratadas, denominadas “outros participantes” pela DRJ de Curitiba, apenas o montante de R$ 3.940.185,60 foi considerado improcedente; que ocorre que novamente desconsiderouse o Gross up realizados pela ora Recorrente sobre os valores líquidos contratualmente devidos àquelas instituições financeiras e afins. Dessa maneira, conforme amplamente já demonstrado no presente recurso voluntário e n planilha anexa (doc. nº 04), no mínimo os valores reconhecidamente pagos, que totalizam R$ 4.008.580,20, devem ser tidos como regularmente comprovados, ou seja, a glosa realizada sobre os mesmos deve ser considerada improcedente; que quanto aos pagamentos cujos recibos não foram apresentados e, por isso, foram desconsiderados, cumpre salientar a dificuldade da empresa em obter tal documentação, porquanto se trata de inúmeras contratadas. Ocorre que, em observância ao principio da razoabilidade – porquanto apresentados 99% dos comprovantes dos pagamentos realizados – fazse imperioso que os valores que foram pagos, porém não demonstrados por meio de declaração das contratadas, também sejam aceitos; que dessa maneira deve ser considerada improcedente a glosa sobre o valor total de R$ 4.340.643,98, valor total pago aos outros participantes; que no que diz respeito a improcedência da glosa dos valores relativos às despesas de registro e outras despesas suportadas pela ora Recorrente referentes às operações de oferta de ações sub examine, é de se dizer, que, por fim, é imperioso chamar atenção ao fato de que a DRJ de Curitiba ignorou as despesas de registro e outras despesas incluídas no Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Primaria de Ações Ordinárias de Emissão da GVT (Holding) S.A, acostado aos autos às folhas 117 – 301 e inclusive utilizado pela DRJ de Curitiba/PR como suporte para amparar as razões da decisão ora atacada; quanto às despesas de registro, a ora recorrente anexa ao presente recurso voluntário (doc. nº 6) os respectivos comprovantes de quitação, pelo que pugna pelo reconhecimento da improcedência da glosa dos valores correspondentes, no total de R$ 248.610,00; que quanto às outras despesas, por sua vez, observase a partir da própria figura colacionada acima que se trata de “custos estimados com advogados, consultores, auditores, gráfica, publicidade de oferta e outras obrigações com terceiros decorrentes da Oferta”, o que impossibilita à ora Recorrente que apresente a comprovação de todos os gastos; que, não obstante, é certo que a própria DRJ de Curitiba/PR baseou sua decisão no aludido prospecto, o que, per se, já tem o condão de demonstrar a idoneidade das informações ali contidas. De qualquer maneira, a fim de demonstrar a veracidade da assertiva retro e a boafé da ora Recorrente, segue em anexo ao presente recurso voluntário, por amostragem, alguns dos comprovantes de pagamentos dessas despesas (doc. nº 07), que merecem ter sua glosa considerada improcedente, totalizando R$ 12.106.240,00; que sucessivamente da natureza desproporcional e confiscatória da multa aplicada pelo fisco, ou seja, a multa exigida pelo fisco in casu perfaz o percentual de 75% do crédito supostamente tomado indevidamente, verificandose descabidamente abusiva. Observe que o valor original de IRPJ exigido é de R$ 11.339.168,95, enquanto o valor original da multa Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 9 15 alcançada R$ 8.504.376,69. No caso da CSLL, o valor original exigido é de R$ 4.090.740,81, enquanto o valor original da multa perfaz o montante de R$ 3.068.055,59; que, portanto, caso algum valor inda seja considerado devido pela ora Recorrente no presente caso, ad argumentandum, a aplicação de multa desproporcional, de caráter confiscatório, não merece guarida ou, pelo menos, enseja sua substancial redução. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator = QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO = O presente recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos observase que o Termo de Verificação e Encerramento da Diligência Fiscal e Encerramento Parcial da Ação Fiscal relata (fls. 587) que a contribuinte fora intimada a esclarecer os seguintes valores debitados na conta 31910111 (GASTOS COM CAPTAÇÃO), lançados às fls. 4.344 do seu Livro Razão nº 10: (a) 28/02/2007 – Despesas de comissões de oferta primária R$ 49.075.267,47 e (b) 28/02/2007 – Despesas com comissões de oferta suplementar R$ 7.319.416,58. Acrescenta (fls. 592) que, posteriormente, em 08/12/2011, foi lavrado o Termo de Reiteração e Intimação Fiscal para que a contribuinte apresentasse os documentos hábeis e idôneos referentes àqueles lançamentos, tendo a autuada prestado esclarecimentos, mas não apresentando qualquer documento comprobatório dos valores escriturados. Contudo, observase que esse vem a ser o único motivo da autuação, conforme resta claramente demonstrado no seguinte excerto (fls. 596), verbis: Portanto, pela falta de apresentação dos documentos hábeis e idôneos que comprovassem os valores (...) que totalizam R$ 56.394.684,05 (...) debitados na conta 31910111 (GASTOS COM CAPTAÇÃO), às fls. 43/44 do Razão nº 10, foram glosados por infração ao disposto nos artigos. Observase, ainda, que à míngua de questionamentos outros, o contraditório instaurouse apenas com relação à efetividade dos pagamentos, atestada pelos comprovantes respectivos, razão pela qual a análise se restringirá a esse ponto, que também compreende a idoneidade dos documentos apresentados para comprovarem os lançamentos escriturados, seja quanto aos seus aspectos formais, com ênfase para a existência de assinaturas dos alegados emitentes, seja quanto à sua conformidade com a sua causa jurídica, ou seja, a existência de obrigação previamente assumida. Nesta linha de pensamento o Colegiado em Primeira Instância decidiu tomar conhecimento da impugnação por apresentação tempestiva para, no mérito deferila, em parte, determinando a exoneração da base de cálculo das exigências a importância de R$ 10.914.953,73, sob o argumento de que para a glosa das despesas, quando sejam normais ou usuais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, isto é, quando guardem estreito relacionamento com a atividade explorada e com a manutenção da fonte produtora, é indispensável que a investigação da veracidade e legitimidade, não só seja exaustiva, como fique comprovada nos autos a sua efetivação. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 10 17 Assim sendo, necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, as despesas efetivamente suportadas, devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. Do reexame necessário, verifico que deve ser confirmada a exoneração processada pelos membros da decisão recorrida, não merecendo reparos a sua decisão, visto que assentada em interpretação da legislação tributária perfeitamente aplicável à hipótese submetida à sua apreciação. Ora, vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. É de se ressaltar, que todos os encargos necessários à atividade da empresa e à sua manutenção, que não fazem parte do custo, classificamse como despesas operacionais. Para apuração do lucro operacional deduzse das receitas, além dos custos, as despesas administrativas, despesas com vendas, despesas financeiras e demais despesas operacionais. A dedutibilidade de despesas e custos está condicionada a que os mesmos sejam operacionais, isto é, “necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora”. Não deve o Fisco, portanto, desconsiderar as despesas que atendam às condições de operacionalidade que se caracterizam pela necessidade e pertinência com a atividade empresarial desenvolvida pela recorrente. De acordo o regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) são despesas operacionais e encargos: Art. 299. São despesas operacionais as despesas não computas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Ora, fica evidente da análise do dispositivo supra transcrito que para que uma despesa seja considerada dedutível, para fins de Imposto de Renda da pessoa Jurídica, que ela não pode ser custo e tem que ser necessária à atividade da empresa e usual ou normal do tipo de operação desempenhada. Tais regramentos são claros e suficientes para que uma pessoa jurídica saiba exatamente que despesas pode deduzir. Afinal, cada empresa tem pleno domínio das despesas necessárias e usuais a sua atividade. No entanto, existem casos, como o do presente, que a fiscalização se apegou a supostas indeterminações e/ou subjetividade para tornar a base de cálculo do IRPJ e CSLL maior do que ela tem que ser, impediu que a Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 contribuinte de excluir despesas claramente dedutíveis tendo em vista a atividade produtiva desempenhada. Por outro lado, observase que mesmo com todo esforço administrativo, doutrinário e jurisprudencial, os questionamentos e discussões sobre o assunto se mantêm até hoje. Ainda mais com a constante e intensa diversificação da atividade produtiva das empresas que cada vez incorrem nas diferentes despesas para dar conta do seu funcionamento. No entanto, independentemente das situações se faz necessário que a fiscalização leve em consideração a diretriz objetiva da legislação do IRPJ e o funcionamento de tal imposto com base nos parâmetros constitucionais, e não as possíveis acepções que o termo despesas necessárias e usuais possa vir a ter nos mais variados contextos. Assim sendo e considerando que todos os elementos de prova que compõe a presente lide foram objeto de cuidadoso exame por parte da autoridade julgadora de Primeira Instância e que a mesma deu correta solução à demanda, aplicando a legislação de regência à época da ocorrência do fato gerador, fazendo prevalecer à justiça tributária, VOTO pelo conhecimento do presente recurso de ofício, e, no mérito, NEGO provimento. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 11 19 = QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO = O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise preliminar dos autos se verifica, que o presente processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 431/439) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 440/448), mediante os quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 30.402.486,35, incluindo juros moratórios calculados até 29/02/2012, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo acostado às fls. 02. A infração imputada à autuada, no valor acumulado de R$ 56.394.684,05, se encontra descrita no auto de infração nos seguintes termos: Glosa de despesa não comprovada, debitadas na conta 31910111 (GASTOS COM CAPTAÇÃO) em 28/02/2007, às fls. 43 do Livro Razão nº 10, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Diligência Fiscal e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Aludida glosa implicou a feitura de lançamento relativo a reversão de prejuízos fiscais cuja compensação nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 se revelou indevida pela inexistência de prejuízos suficientes, vertida nos seguintes termos: Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado, tendo em vista a reversão do prejuízo após o lançamento da infração constatada no anocalendário de 2007, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Diligência Fiscal e Encerramento Parcial da Ação Fiscal. Para apreciar adequadamente o mérito da disputa contida nestes autos, se faz observar, que o Termo de Verificação e Encerramento da Diligência Fiscal e Encerramento Parcial da Ação Fiscal relata (fls. 587) que a contribuinte fora intimada a esclarecer os seguintes valores debitados na conta 31910111 (GASTOS COM CAPTAÇÃO), lançados às fls. 43/44 do seu Livro Razão nº 10: 28/02/2007 – Despesas de comissões de oferta primária R$ 49.075.267,47 28/02/2007 – Despesas com comissões de oferta suplementar R$ 7.319.416,58 Posteriormente, em 08/12/2011, foi lavrado o Termo de Reiteração e Intimação Fiscal para que a contribuinte apresentasse os documentos hábeis e idôneos referentes àqueles lançamentos, tendo a autuada prestado esclarecimentos, mas não apresentando qualquer documento comprobatório dos valores escriturados. Esse, portanto, vem a ser o único motivo da autuação, conforme é possível se constatar do seguinte excerto (fls. 596), verbis: Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Portanto, pela falta de apresentação dos documentos hábeis e idôneos, que comprovassem os valores de R$ 49.075.267,47 ( quarenta e nove milhões setenta e cinco mil duzentos e sessenta e sete reais e quarenta e sete centavos) e de R$ 7.319.416,58 ( sete milhões trezentos e dezenove mil quatrocentos e dezesseis reais e cinqüenta e oito centavos); que totalizam R$ 56.394.684,05 ( cinqüenta e seis milhões trezentos e noventa e quatro mil seiscentos e oitenta e quatro reais e cinco centavos), debitados na conta 31910111 ( gatos com captação), às fls. 43/44 do Razão n° 10, foram glosados por infração ao disposto nos artigos 249, inciso I, 251 e Parágrafo Único, 264, 299 e 300 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, ficando o Lucro Real após a compensação de prejuízo Fiscal no ano calendário de 2007 no montante de R$ 2.623.731,39 ( dois milhões seiscentos e vinte e três mil setecentos e trinta e um reais e trinta e nove centavos). À míngua de questionamentos outros, o contraditório instaurouse apenas com relação à efetividade dos pagamentos, atestada pelos comprovantes respectivos. Observase, que a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – PR considerou improcedente a glosa de R$ 32.173.502,40, tendo em vista ter considerado comprovados os pagamentos feitos ao Banco de Investimento Credit Suisse (Brasil) S/A, no valor de R$ 28.233.316,80, e a outros participantes da realização de oferta primária e suplementar de ações da companhia, no valor de R$ 3.940.185,60. Observase, ainda, da análise dos autos, que a decisão recorrida considerou procedente a glosa do restante dos valores, no montante de R$ 24.221.181,65, pelas seguintes razões: a) Em relação ao montante pago ao banco Coordenador Líder (Credit Suisse), limitou os valores reconhecidos ao supostamente previsto no contrato firmado entre este e a empresa ora Recorrente; b) No que tange aos pagamentos realizados ao Banco BTG Pactual S/A, desconsiderou todos os valores, tendo em vista que as declarações juntadas aos autos aptas a comprovar tais pagamentos não estavam assinadas e, portanto, os considerou como inidôneas; c) Quanto aos valores pagos a “outros participantes”, reconheceu apenas a quantia supostamente correspondente à remuneração máxima devida a essas entidades a título de colocação das ações nos termos do contrato firmado; d) Ademais, afirmou que constituiria empecilho absoluto confirmar pagamentos cujos recibos não foram apresentados. É certo que a lei exige que as despesas sejam registradas na escrituração contábil, devendo ser devidamente identificadas, quer sob os aspectos formais (notas fiscais, recibos, etc. ) quer sob os aspectos intrínsecos ( identificação da operação , efetividade da prestação do serviço). Da análise das razões e da documentação apresentada pela recorrente (fls. 980/1066), entendo que a mesma consegue comprovar a afetiva prestação e necessidade daqueles serviços para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Da mesma forma, consegue comprovar, de forma inquestionável, a efetividade da Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 12 21 prestação daqueles serviços, bem como a sua vinculação com a fonte produtora de rendimentos. Analisada a documentação acostada aos presentes autos, podese concluir que: a) que em relação ao montante pago ao Banco Coordenador Líder (Credit Suisse) é incontroverso nos autos que o pagamento realizado pela Recorrente se deu no montante de R$ 31.442.535,02; b) que em relação ao montante pago ao Banco BTG Pactual S.A a recorrente fornecesse novas vias das declarações devidamente assinadas. Assim, superada a questão da idoneidade das declarações, finda qualquer controvérsia acerca da improcedência da glosa de R$ 18.955.497,60, referente ao valor estipulado no contrato firmado entre a Recorrente e o Banco BTG Pactual S/A; c que em relação ao montante pago aos “outros participantes” no montante de R$ 3.940.185,60 (considerado improcedente pela DRJ), em razão da não apresentação dos recibos é de se acolher as razões da recorrente em observância ao principio da razoabilidade – porquanto apresentados 99% dos comprovantes dos pagamentos realizados – fazse imperioso que os valores que foram pagos, porém não demonstrados por meio de declaração das contratadas, também sejam aceitos; d que em relação às despesas de registro, a recorrente anexa os respectivos comprovantes de quitação, no total de R$ 248.610,00; e que quanto às outras despesas, “custos estimados com advogados, consultores, auditores, gráfica, publicidade de oferta e outras obrigações com terceiros decorrentes da Oferta”, é de se observar, que a fim de demonstrar a veracidade dos fatos a recorrente anexa ao presente recurso voluntário, por amostragem, alguns dos comprovantes de pagamentos dessas despesas (doc. nº 07), que merecem ter sua glosa considerada improcedente, totalizando R$ 12.106.240,00. É de se ressaltar, que todos os encargos necessários à atividade da empresa e à sua manutenção, que não fazem parte do custo, classificamse como despesas operacionais. Para apuração do lucro operacional deduzse das receitas, além dos custos, as despesas administrativas, despesas com vendas, despesas financeiras e demais despesas operacionais. A dedutibilidade de despesas e custos está condicionada a que os mesmos sejam operacionais, isto é, “necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora”. Não deve o Fisco, portanto, desconsiderar as despesas que atendam às condições de operacionalidade que se caracterizam pela necessidade e pertinência com a atividade empresarial desenvolvida pela recorrente. De acordo o regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) são despesas operacionais e encargos: Art. 299. São despesas operacionais as despesas não computas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fica evidente da análise do dispositivo supra transcrito que para que uma despesa seja considerada dedutível, para fins de Imposto de Renda da pessoa Jurídica, que ela não pode ser custo e tem que ser necessária à atividade da empresa e usual ou normal do tipo de operação desempenhada. Tais regramentos são claros e suficientes para que uma pessoa jurídica saiba exatamente que despesas pode deduzir. Afinal, cada empresa tem pleno domínio das despesas necessárias e usuais a sua atividade. No entanto, existem casos, como o do presente, que a fiscalização se apegou a supostas indeterminações e/ou subjetividade para tornar a base de cálculo do IRPJ e CSLL maior do que ela tem que ser, impediu que a contribuinte de excluir despesas claramente dedutíveis tendo em vista a atividade produtiva desempenhada. Por outro lado, observase que mesmo com todo esforço administrativo, doutrinário e jurisprudencial, os questionamentos e discussões sobre o assunto se mantêm até hoje. Ainda mais com a constante e intensa diversificação da atividade produtiva das empresas que cada vez incorrem nas diferentes despesas para dar conta do seu funcionamento. No entanto, independentemente das situações se faz necessário que a fiscalização leve em consideração a diretriz objetiva da legislação do IRPJ e o funcionamento de tal imposto com base nos parâmetros constitucionais, e não as possíveis acepções que o termo despesas necessárias e usuais possa vir a ter nos mais variados contextos. É de se ressaltar, da mesma forma, que por períodobase competente entende se aquele em que a despesa ocorreu juridicamente, ou seja, ela passou a ser devida legal ou contratualmente. Este requisito determina, portanto, que a despesa seja reconhecida na contabilidade da empresa no momento em que ocorreu independentemente de já ter sido efetivamente paga ou não. Não há dúvidas de que além da escrituração, é imprescindível, para fins de dedutibilidade, que a pessoa jurídica comprove que a despesa realmente ocorreu e que ela se refere a uma atividade necessária e usual da empresa. No entanto, constatase, que no presente caso, a fiscalização criou critérios específicos, o que acabou ocasionando que os documentos comprobatórios aceitos ficaram exclusivamente atrelados aos critérios que a autoridade fiscal criou. A maior parte da jurisprudência por sua vez, menciona apenas que a comprovação dever ser feita através de “documentação hábil e idônea”. Ora, a legislação que trata sobre o IRPJ, em especial a Lei nº 4.506, de 1964 – que serviu de base para o disposto no art. 299 do RIR/1999 em si, é clara e inequívoca ao determinar que as despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e usuais no tipo de operações da empresa. Não existe nesses diplomas legais qualquer tipo de enumeração, listagem, exemplificação de quais despesas podem ser consideradas necessárias. Ou seja, em última análise, não há restrições pré determinadas relacionadas à especificidades das despesas na qual cada pessoa jurídica possa vir a incorrer. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 13 23 No presente caso observase, que as assertivas feitas pela autoridade fiscal lançadora invadem o campo da denominada "Teoria do Ato Anormal de Gestão", pela qual não é atribuição do fisco emitir qualquer juízo de valor a propósito da qualidade ou dos resultados da gestão financeira ou empresarial empregada pela empresa. Tal atribuição, por outro lado, compete aos sócios ou acionistas, os quais, em razão dos investimentos realizados, têm interesse nos resultados alcançados pelo empreendimento, e, de conseqüência, podem questionar os atos de gestão praticados pelos dirigentes. Ao fisco, ainda que seu interesse também esteja voltado para o desempenho positivo do empreendimento, vez que quanto maior o lucro maior será o valor do tributo devido, é defeso questionar os denominados atos de gestão, principalmente quando não há como julgar se tais atos visam mais o interesse pessoal dos administradores que os do empreendimento As despesas operacionais como sendo aquelas: "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora." A necessidade diz respeito a despesas pagas ou simplesmente incorridas, desde que concorram "para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa". Evidentemente, que tal definição afasta de plano qualquer gasto cuja realização não se vincule à própria empresa, pois mesmo que por ela assumidas não podem ser apropriadas como despesas operacionais, por não necessárias. No tocante à condição de usualidade ou normalidade, o que se apresenta como relevante é a natureza ou o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica, e não a freqüência com que tal gasto se apresenta dentro de certo período de tempo. Deve ser registrado, por relevante, que a Fiscalização não colocou qualquer dúvida quanto à ocorrência das despesas, e a glosa resultou tão somente com relação à efetividade dos pagamentos, atestada pelos comprovantes respectivos. A recorrente acostou aos autos extensa documentação com a finalidade de comprovar as despesas glosadas, consistente em cópias de documentos com a finalidade de demonstrar a consistência do procedimento dos pagamentos, sendo certo que a autoridade julgadora de primeira instância acolheu a maioria. Por outro lado, verificase que as despesas questionadas eram oriundas de pessoas jurídicas legalmente constituídas. Assim, no caso, de dúvidas sobre a autenticidade dos documentos ou sobre a efetividade dos serviços e dos pagamentos, a questão não poderia ficar adstrita mera suspeita, insuficiente para legitimar lançamento tributário, que estaria calcado, assim, em simples presunção, procedimento repudiado pela doutrina e jurisprudências tributárias Também entendo que, no caso, as despesas guardam relacionamento com o tipo de transações, operações ou atividades exploradas e com a manutenção da fonte produtora, isto é, tratase de despesa normal ou usual no tipo de transações, operações ou atividades da empresa Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 Assim, na ausência de maior aprofundamento da ação fiscal, concluo pela validade da documentação apresentada para justificar a insubsistência das glosas efetuadas, entendimento adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se constata no Acórdão nº CSRF/0105.767, de 04/12/2007, verbis: CSLL — TRIBUTAÇÃO DECORRENTE — (AC. CSRF/01 05.672) PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA — GLOSA TOTAL DO SALDO — OFENSA AO ART. 142 DO CTN — IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A teor do disposto no art. 142 do CTN, o ônus de provar que despesas contabilizadas pela recorrente não seriam dedutíveis é da autoridade administrativa, não sendo admissível, como assim vem decidindo o Colegiado, sem maiores análises, a glosa em bloco de contas de custos e/ou despesas, especialmente, como é o caso dos autos, de contas representativas de despesas que, por definição, são de natureza operacional e que estão entre as de maior vulto em instituição financeira. A falta de aprofundamento da ação fiscal, somada, ainda, a outros equívocos verificados ao longo dos trabalhos, apontados desde a fase vestibular pelo recorrente, denota a fragilidade do lançamento devendo ser aplicável à espécie, pois, o art. 112, II, do CTN. Não provido o Recurso do PFN em relação ao IRPJ, e tendo a CSLL a mesma base factual,aplicase o decidido naquele pela intima relação de causa e efeito que os une. Recurso especial negado. No que diz respeito a tributação decorrente da Contribuição Social sobre o Lucro líquido, é de se dizer, que como se infere do relato, a exigência decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.721485/201288 Acórdão n.º 1402001.466 S1C4T2 Fl. 14 25 Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 14751.001615/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004
REMISSÃO. LEI N° 11.941/09. INAPLICABILIDADE.
O artigo 14 da Lei n° 11.941/09 estabelece a remissão apenas para débitos que, em 31 de dezembro de 2007, estivessem vencidos há 5 (cinco) anos ou mais. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da referida remissão, pois a legislação exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissões ou contendo informações inexatas, incompletas ou incompletas relativas a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 69, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004 REMISSÃO. LEI N° 11.941/09. INAPLICABILIDADE. O artigo 14 da Lei n° 11.941/09 estabelece a remissão apenas para débitos que, em 31 de dezembro de 2007, estivessem vencidos há 5 (cinco) anos ou mais. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da referida remissão, pois a legislação exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissões ou contendo informações inexatas, incompletas ou incompletas relativas a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 6º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 69, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 16 15 /2 00 8- 31 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001615/200831 Acórdão n.º 2302002.954 S2C3T2 Fl. 81 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário lançado (fls. 67/71). Adotamos o relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 75/76), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI) para a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, no período de 02/2004 a 07/2004, conforme registrado na Descrição Sumária (f. 1) e no Relatório Fiscal da Infração (f.08). Pela infração foi emitido o presente AI DEBCAD n2 37.108.183 1, no valor de R$ 376,44 que, no protocolo do Ministério da Fazenda, recebeu numeração 14751.001615/200831, conforme consta no cabeçalho deste acórdão. No Relatório Fiscal (f 8), registrouse que o Autuado informou incorretamente nas GFIPs os valores retidos por serviços prestados, conforme planilha anexa (fls. 11/28). 0 Autuado foi cientificado do lançamento débito, pessoalmente (f. 1) em 30/09/2008. Não tendo conhecimento da impugnação, foi emitido Termo de Revelia em 11/11/2008 (f. 35). Posteriormente, esclareceuse (f. 48) que a empresa apresentou impugnação em 30/10/2008, contudo, a peça de defesa somente foi adunada aos autos em 21/11/2008, quando já havia sido emitido o Termo de Revelia. Por essa razão foi comandado o evento "Apresentação de Impugnação Tempestiva", sendo o processo encaminhado para julgamento. Na sucinta peça de defesa (f 37), informa a defendente que o equivoco nas GFIP já foi corrigido, requerendo a exclusão dos valores devidos. Acompanhando a petição, juntou cópias do documento de identidade do sócio gerente (f. 38) e de alguns anexos do Auto de Infração (fls. 39/46). 0 feito foi convertido em diligência (fls. 49/50), para a Fiscalização verificar a necessidade de rever o valor da multa, em razão da edição da Medida Provisória n° 449/2008, em Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 atendimento ao principio de aplicação da norma mais benéfica em matéria de penalidade. Em resposta (fls. 52/55), o Fisco apresentou novo cálculo da multa. Eis, em resumo, o que ha para relatar. (...) (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente em parte para relevar R$ 125,48 referentes à multa das competências 02/2004 e 04/2004, por terem sido atendidos os requisitos então exigidos no § 1° do art. 291 do RPS, ficando mantido o crédito tributário lançado nas demais competências, que totaliza R$ 250,96. A recorrente, ciente da decisão, apresentou, tempestivamente, o recurso de fls. 75/77, no qual alega, em síntese, que o feito principal está “remido” por ter valor inferior a R$ 10.000,00 (art. 14 da Lei n° 11.941/2009), de sorte que não há mais que se falar em reflexos de multa, como é o caso do Auto de Infração de que tratam os autos. Ademais, com os benefícios de anistia de multa, juros de mora e encargos legais, o presente também estaria remido porque inferior ao limite máximo para a remissão legal. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001615/200831 Acórdão n.º 2302002.954 S2C3T2 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Remissão. Lei 11.941/2009. Alega a recorrente que o feito principal está “remido” por ter valor inferior a R$ 10.000,00 (art. 14 da Lei n° 11.941/2009), de sorte que não há mais que se falar em reflexos de multa, como é o caso do Auto de Infração de que tratam os autos. A recorrente indica o processo n° 14751.01612/200805 como principal, mas tal processo é constituído de outro Auto de Infração de obrigação acessória, pelo fato de a empresa não ter prestado esclarecimentos à fiscalização (CFL 35). Portanto, não há que se falar em acessoriedade entre os débitos. Também assevera que, com os benefícios de anistia de multa, juros de mora e encargos legais, o presente processo também estaria remido porque inferior ao limite máximo para a remissão legal. Vejamos. Assim dispõe o artigo 14 da Lei n° 11.941/2009: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1° O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) (destaques nossos) Como visto, foram remitidos débitos que, em 31 de dezembro de 2007, estivessem vencidos há 5 (cinco) anos ou mais, o que não é o caso dos autos. Não fosse isso, a análise ainda assim mostrariase inviável em sede de recurso voluntário, pois a remissão pressupõe a consolidação de todos os débitos do sujeito passivo para fins de verificar se foi respeitado o limite de R$ 10.000,00 (dez mil reais), sendo que o recurso em pauta trata apenas do reexame da decisão recorrida, onde há apenas parte do débito, não sua totalidade. Na forma do §1° do dispositivo supratranscrito, tal análise deve ser feita pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Destarte, a remissão referida no artigo 14 da Lei n° 11.941/2009 em nada interfere no presente julgamento. Multa. Retroatividade Benigna. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. Consta do Relatório Fiscal de fls. 53/55 que foi procedida a comparação das multas, sendo que “a legislação anterior é mais benéfica ao contribuinte em todas as competências”. Ocorre que a autoridade fiscal, a fim de apurar a multa mais benéfica, fez um somatório da multa moratória de vinte e quatro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais as multas pelo descumprimento da obrigação acessória (CFL´s 68 e 69) e comparouas com a multa de ofício de 75% da novel legislação mais a multa de obrigação acessória hoje prevista no artigo 32A, I, da Lei n° 8.212/91. Ou seja, misturou a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Sabese que, uma vez apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ao deixar de informar fatos geradores dados não relacionados a fatos geradores, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 6º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001615/200831 Acórdão n.º 2302002.954 S2C3T2 Fl. 83 7 informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse, sendo que a apresentação do documento com dados não imprecisos sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92 da Lei n° 8.212/91, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º do artigo 32 da Lei n° 8.212/91. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais as multas pelo descumprimento da obrigação acessória (CFL´s 68 e 69) e comparouas com a multa de ofício Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa nos Autos de Infração de obrigação acessória, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescentese que a lei, ao tipificar essas infrações em dispositivos distintos, denota estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14751.001615/200831 Acórdão n.º 2302002.954 S2C3T2 Fl. 84 9 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º e § 6°, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 13807.005193/00-25
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1990 a 31/07/1994
PIS. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Decadência. Restituição/Compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade da LC 118/2005. Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do PIS, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 30/05/2000 visando a restituição dos valores de PIS relativos aos fatos geradores compreendidos entre abril de 1990 e julho de 1994, entendo que o direito do contribuinte decaiu apenas para o período de abril de 1990, eis que anterior a 30/05/1990.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.797
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar decaído o direito à repetição de indébito relativo ao mês de abril de 1990.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar decaído o direito à repetição de indébito relativo ao mês de abril de 1990. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1990 a 31/07/1994 PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do PIS, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 30/05/2000 visando a restituição dos valores de PIS relativos aos fatos geradores compreendidos entre abril de 1990 e julho de 1994, entendo que o direito do contribuinte decaiu apenas para o período de abril de 1990, eis que anterior a 30/05/1990. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 51 93 /0 0- 25 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar decaído o direito à repetição de indébito relativo ao mês de abril de 1990. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 56, inciso II do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 7º, incisos I e II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria nº 147/2007, em face ao acórdão de nº 20219.325, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para entender que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS pagos na sistemática dos DecretosLeis n.os 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pela Resolução do Senado Federal de nº 49/95, deve ser contado a partir da publicação de aludida Resolução, bem como reconheceu a semestralidade da base de cálculo do PIS, conforme ementa a seguir: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O direito à repetição do indébito subsiste até o decurso do prazo de cinco anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal, nos casos de declaração de inconstitucionalidade, proferida pelo STF no controle difuso de constitucionalidade. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Súmula nº 11 do Segundo Conselho de Contribuintes. Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando, em síntese, que, ao contrário do entendido pelo acórdão a quo, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir da data da extinção do crédito tributário, conforme dispõem os artigos 165, inciso I e 168, caput e inciso I, ambos do CTN, o que, inclusive, foi dirimido com a publicação da Lei Complementar nº 118/2005, a qual, a seu ver, se trataria de uma norma de caráter interpretativo que deveria ser aplicada a fatos pretéritos a teor do que dispõe o artigo 106, inciso I do CTN. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13807.005193/0025 Acórdão n.º 9303001.797 CSRFT3 Fl. 152 3 Dessa forma, entendeu a Fazenda Nacional que na data em que o contribuinte pleiteou sua restituição, ou seja, em 30/05/2000, o seu direito de restituir os créditos tributários de PIS recolhidos entre abril de 1990 e julho de 1994 já teria sido atingido pela decadência. Em despacho de fls. 126/127, o i. Presidente da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contra razões às fls. 130/137 requerendo fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, a meu ver, reúne os pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição dos créditos de PIS recolhidos sob a sistemática dos DecretosLei n.os 2.445/88 e 2.449/88. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo decadencial deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual declarou aludidos DecretosLeis como inconstitucionais, ou seja, a partir de 10/10/1995. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário, conforme determinaria a literalidade dos artigos 165 e 168 do CTN, os quais, inclusive, teriam sido expressamente interpretados pela Lei Complementar 118/2005, a qual, exatamente por ter caráter interpretativo, deveria ser aplicada retroativamente aos períodos objeto do pedido de restituição in casu. A relevância de aludida controvérsia é nítida tendo em vista que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição no dia 30/05/2000 e os créditos de PIS objeto de referido pedido se referem a fatos geradores ocorridos nos períodos compreendidos entre abril de 1990 e julho de 1994. Considerando que segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA 4 aludida Lei Complementar se tratou de lei nova e não de lei interpretativa, cabendo a sua aplicação tão somente a partir de 09/06/2005, ou seja, apenas a partir da vacacio legis de 120 dias somada à data da sua publicação dada em 09/02/2005. Entendeu aludida decisão, ainda, que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deveria ser de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, §4º c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I do CTN, conforme se tratava do entendimento do STJ respaldado no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 13807.005193/0025 Acórdão n.º 9303001.797 CSRFT3 Fl. 153 5 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, em que pese o entendimento pessoal dessa Relatora acerca da inaplicabilidade da tese dos 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150,§4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN), cumulandose num prazo de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, mister se faz, por força do atual Regimento Interno do CARF, que a mesma a reproduza integralmente, tendo em vista que se tratou do objeto de decisão repetitiva do Superior Tribunal de Justiça e que o PIS se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação. Sendo certo que o contribuinte protocolou seus pedidos de restituição/compensação no dia 30/05/2000, e que os fatos geradores ocorreram entre abril de 1990 e julho de 1994, entendo que apenas restouse decaído o direito do contribuinte de pleitear restituição dos valores de PIS relativos ao período de abril de 1990, eis que anteriores a 30/05/1990. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento apenas para reconhecer decaído o direito do contribuinte de pleitear a restituição dos valores de PIS relativos ao período de abril de 1990, eis que anteriores a 30/05/1990. Nanci Gama Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.930336/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. CÔMPUTO DA RECEITA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo.
Numero da decisão: 1801-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. CÔMPUTO DA RECEITA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
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ÔNUS DA PROVA. CÔMPUTO DA RECEITA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 03 36 /2 00 9- 97 Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.642 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 16992.88796.310807.1.7.039924 em 31.08.2007, fls. 4659, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$778.274,93 do anocalendário de 2006 apurado pelo lucro real anual para fins de compensação dos débitos confessados nos Per/DComp nºs 16992.88796.310807.1.7.039924, 23523.47110.310807.1.3.030094, 40579.68257.280907.1.3.032749, 31948.55103.200907.1.3.032936, 36814.07265.201107.1.3.033806 e 24158.06229.200109.1.7.030206, fl. 17. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 17, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$778.234,93. Valor do saldo negativo informado na.DIPJ: R$582.879,54 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 16992.88796.310807.1.7.039924, 23523.47110.310807.1.3.030094, 40579.68257.280907.1.3.032749, 31948.55103.200907.1.3.032936, 36814.07265.201107.1.3.033806, 24158.06229.200109.1.7.030206. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0103, argumentando: A SRFB, portanto, analisando a DIPJ apresentada em 2007, relativa ao ano base de 2006, concluiu que os créditos declarados nas PER/DCOMP’s mencionadas foi superior àqueles discriminados na DIPJ, o que, inicialmente, sugeriria que a Recorrente efetuou compensações equivocadas. Não é isso o que ocorreu de fato. Na verdade, a CSLL/2007 (anobase 2006) não contemplou todos os créditos relativos a saldo negativo do ano de 2006, pois a Recorrente ainda não dispunha de todos os comprovantes anuais de retenção de seus clientes. Em resumo: não são as PER/DCOMP’s que estão equivocadas ao pleitear o crédito de R$778.274,93, que está correto mas, antes, a DIPJ/2007 (anobase 2006), que aponta o saldo negativo de R$582.879,54 é que está incompleta e, portanto, incorreta, o que fica evidente a partir dos comprovantes e demais documentos que a Recorrente ora traz ao conhecimento desta DRJ. [...] Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.643 3 Portanto, é a presente Manifestação de Inconformidade para se demonstrar a fidedignidade das declarações apresentadas em DCOMP, solicitandose que sejam juntados ao processo os comprovantes de retenção de CSLL e as notas fiscais de serviço anexas, emitidas em 2006, para a prova da legitimidade do crédito nos casos de clientes que não enviaram os comprovantes anuais de retenção e que, após análise pelo órgão competente, seja reformado o Despacho Decisório acima mencionado, declarandose nula a exigência apontada, bem como a inexistência de quaisquer débitos relativamente às compensações que são objeto do presente PTA. [...] Assim, a mera análise documental de contraste da DIPJ/2007, da PER/DCOMP mencionada, com os comprovantes e notas fiscais anexos, já é suficiente para apurar a verdade dos fatos, vez que ficará claro que nem todos os valores retidos, discriminados nos comprovantes anuais das fontes pagadoras e notas fiscais anexos, foram declarados na DIPJ/2007. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Portanto, caso os comprovantes e notas fiscais anexos não bastem para o convencimento do I. Julgador quanto à legitimidade das compensações efetuadas em PER/DCOMP, a Recorrente solicita, caso o I. Delegado da SRFB entenda necessário, a produção de prova pericial contábil, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, ou de nova prova documental, para que fique definitivamente comprovado que os créditos compensados em PER/DCOMP são legítimos e, portanto, deve ser invalidada a exigência fiscal em referência. Termos em que, Pedese deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0234.112, de 23.08.2011, fls. 489498: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” em que foi reconhecido o valor de R$736.926,34 de CSLL retida na fonte para fins de redução do CSLL devida no anocalendário de 2006. Consta no Voto condutor Nestas condições, deverão ser apropriadas as retenções na fonte de CSLL no valor total de R$736.926,34, que corresponde aos valores indicados na Ficha 54 da DIPJ 2007, confirmados, na falta do comprovante de retenção, pelas Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras, além de serem compatíveis com o montante de receitas indicado na Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral. Diante disso, deve ser reconhecido o saldo negativo de CSLL referente ao período anual encerrado em 31/12/2006, assim apurado (valores expressos em R$): DIPJ 2007 (com base nas Fichas 16, 17 e 54) Voto TOTAL DA CSLL 195.395,39 195.395,39 () CSLL retida na fonte 973.565,32 736.926,34 (=)CSLL A PAGAR (778.169,93) (541.530,95) Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.644 4 Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Verificado erro de fato no preenchimento da DIPJ e da Dcomp com demonstrativo de crédito, deve ser reconhecido o direito creditório pertinente ao saldo negativo de CSLL apurado com base nas informações da DIPJ correspondente, corroboradas pelo processamento da Dirf apresentada pelas fontes pagadoras. Notificada em 20.01.2012, fl. 510, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.02.2012, fls. 528526, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Diz que os atos administrativos são nulos, por cerceamento do direito de defesa. Acrescenta que a [...] Pela análise do acórdão recorrido, notese que o entendimento da [turma julgadora de primeira instância] resultou do confronto de informações da DIPJ apresentada pela Recorrente com as DIRF’s emitidas pelas fontes pagadoras, enquanto as notas fiscais acostadas aos autos do presente processo administrativo foram desconsideradas. [...] Ocorrem que, além da Recorrente ter informado que as fontes pagadoras não cumpriram várias obrigações fiscais, pois elas deixaram de fornecer os comprovantes anuais de retenção e as DIRF’s para [a Recorrente], a [turma julgadora de primeira instância] reconheceu que a Recorrente cometeu equívocos de fato no cumprimento das declarações fiscais atinentes ao crédito pretendido. [...] Portanto, diante dos fatos acima e considerados que o saldo negativo é apurado com base nos registros contábeis da empresa, que são baseados em vários documentos como as notas fiscais e [extratos bancários], a análise destas é providência essencial para se chegar à verdade material, ou seja, para se apurar o real valor dos créditos da contribuinte [Instrução Normativa nº SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004]. [...] Importante destacar ainda que, assim como as notas fiscais, a DIPJ e as DIRF’s também são documentos emitidos unilateralmente e de possível retificação, portanto tal argumento não é hábil para sustentar a recusa da autoridade fiscal em analisar aqueles documentos. Conclui Pelo exposto, a Recorrente requer seja [cassada a decisão turma julgadora de primeira instância] tendo em vista o cerceamento de defesa [...] e, com efeito, [seja determinada que proferida] nova decisão, com base em todos os documentos que instruem o presente processo administrativo. [...] Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.645 5 Na eventualidade do pedido acima não prevalecer, diante das notas fiscais e da Ficha 54 da DIPJ apresentadas pela Recorrente, esta requer que seja reformado o r. acórdão recorrido e, assim, seja reconhecido a totalidade dos créditos pretendidos e, com efeito, seja homologada integralmente a compensação em destaque. [...] Por fim, a Recorrente requer a juntada dos documentos anexos, já constantes dos autos, que se referem apenas à parcela controversa dos créditos pretendidos para melhor elucidação dos fatos. P. deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.206, de 11.04.2013, fls. 15031510, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: I) instruir os autos com a DIPJ retificadora do anocalendário de 2006, se for o caso, e as Per/DComp nºs 16992.88796.310807.1.7.039924, 16992.88796.310807.1.7.039924, 23523.47110.310807.1.3.030094, 40579.68257.280907.1.3.032749, 31948.55103.200907.1.3.032936, 36814.07265.201107.1.3.033806 e 24158.06229.200109.1.7.030206 arroladas no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 17; II) intimar para apresentação do comprovante de retenção tendo como beneficiária a Recorrente emitido pelas seguintes fontes pagadoras para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário de 2006 em relação aos códigos de arrecadação 5952 e 5987: (a) Cadam S/A, CNPJ 04.788.980/000190; (b) Gerdau Açominas S/A, CNPJ 17.227.422/000105; (c) Paul Wurth do Brasil Ltda, CNPJ 19.813.492/000162; (d) CST Companhia Siderúrgica de Tubarão, CNPJ 27.251.974/000102; (e) Acesita S/A, CNPJ 33.390.170/000189; (f) Companhia Vale do Rio Doce S/A, CNPJ 33.592.510/000154; (g) TSA Tecnologia de Sistemas de Automação Ltda, CNPJ 41.857.780/0001 78; (h) Anglo Gold Ashanti Mineração Ltda, CNPJ 42.138.891/000197; (i) Votorantim Siderurgia S/A, CNPJ 60.892.403/000114; e (j) Companhia Níquel Tocantins, CNPJ 61.594.065/000105. III) intimar a Recorrente as cópias dos registros contábeis onde estão descriminados os valores os rendimentos brutos e de CSLL retida na fonte, em conformidade inclusive com a escrituração no Livro Razão e no Livro Diário, em relação às fontes pagadoras discriminadas, que comprovem o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.646 6 Foi elaborada a Informação Fiscal, fls. 16271630, da qual a Recorrente foi regularmente notificada, fl. 1638 e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A matéria devolvida para reexame nessa segunda instância de julgamento referese ao valor de R$236.743,98 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2006. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Mediante a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.206, de 11.04.2013, fls. 15031510, foi realizada diligência em privilégio ao princípio da verdade material. Para tanto, foi elaborada a Informação Fiscal, fls. 16271630, da qual a Recorrente foi regularmente notificada, fl. 1638 e permaneceu silente. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.647 7 Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 4. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza5. Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 5 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.648 8 que integraram a base de cálculo correspondente6. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período7. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referentes aos códigos de arrecadação nºs 5952 – retenção conjunta de contribuições na prestação serviço de pessoa jurídica a outra pessoa jurídica (art. 30, art. 31 e, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa SRF n 459, de 18 de outubro de 2004 a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 4,65%, da qual 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP). 5987 – retenção de CSLL na prestação serviço de pessoa jurídica a outra pessoa jurídica (art. 30, art. 31 e, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa SRF n 459, de 18 de outubro de 2004 a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 1,0%). 6190 – retenção conjunta na prestação de serviço por pessoa jurídica a órgão público (art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e a Tabela de Retenção constante no Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 e Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012 a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 9,45%, da qual 4,80% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP). Tem cabimento analisar os demais aspectos da situação fática. Está registrado no Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0234.112, de 23.08.2011, fls. 489498: 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.649 9 Diante dos parâmetros acima explicitados, o levantamento das retenções na fonte de CSLL pode ser demonstrado conforme se segue (valores expressos em R$): Quadro I FONTE PAGADORA CÓDIGO DCOMP DIPJ 2007 FICHA VR. 01.172.656/000154 5952 18.495,81 18.495,81 18.495,81 01.417.222/000177 5952 689,40 689,40 689,40 01.564.402/000181 5952 4.584,79 5.170,33 5.170,34 01.580.746/000184 5952 1.112,58 556,29 556,29 01.731.616/000103 5952 4.380,74 4.380,74 4.380,74 04.788.980/000190 5987 6.924,01 6.924,01 406,79 05.053.020/000144 5952 16.482,53 16.482,53 16.482,53 05.848.387/000154 5952 47.851,90 47.851,90 47.851,90 05.849.380/000157 5952 8.751,49 8.751,49 8.751,49 06.030.747/000179 5952 18.467,02 18.467,02 06.981.180/000116 5952 415,42 415,42 415,42 07.358.761/000169 5952 9.140,88 9.140,88 9.140,88 07.557.381/000153 5952 4.355,06 4.355,06 4.355,06 07.699.082/000153 5952 7.460,43 7.460,43 7.460,43 15.144.306/000199 5952 1.837,77 1.837,77 1.837,77 16.628.281/000161 5987 5.350,87 5.350,87 5.350,87 17.170.150/000146 5952 37.015,81 37.015,81 37.015,81 17.227.422/000105 5952 9.567,84 26.542,02 9.567,84 17.251.026/000105 5952 903,99 903,99 903,99 17.469.701/000177 5952 3.226,80 3.226,80 3.226,80 17.500.224/000165 5952 77,90 77,90 18.499.616/000114 5952 21.887,18 21.887,18 21.887,18 19.791.268/000117 5952 3.229,22 3.229,22 19.813.492/000162 5952 520,09 0,00 27.063.874/000144 5952 1.042,36 1.042,36 1.042,36 27.240.092/000133 5952 4.780,10 4.780,10 4.780,10 27.251.842/000172 5952 21.854,13 21.854,13 21.849,42 27.251.974/000102 5952 94.384,39 98.946,62 94.384,39 33.000.167/000101 6190 16.922,89 16.922,89 16.922,89 33.390.170/000189 5952 5.946,43 5.946,43 33.417.445/000120 5987 11.169,09 11.169,09 11.169,09 33.592.510/000154 5952 302.742,39 359.175,83 33.931.494/000187 5952 2.419,00 2.419,00 2.419,00 33.931.510/000131 5987 13.946,87 13.946,87 13.946,87 39.332.234/000171 5952 124,60 124,60 124,60 40.164.964/000190 5952 13.739,33 18.985,78 18.985,78 41.857.780/000178 5952 2.798,80 0,00 42.138.891/000197 5952 31.490,43 31.490,43 26.320,89 42.357.483/000126 6190 240,80 240,80 240,80 42.416.651/000107 5952 36.369,22 36.369,22 36.369,22 42.463.174/000130 5952 9.581,91 9.581,91 9.581,91 47.898.135/000180 5952 301,18 301,18 Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.650 10 57.334.237/000126 5952 2.775,70 2.775,70 60.863.404/000130 5952 1.085,69 1.085,69 1.085,69 60.892.403/000114 5952 62.688,30 62.583,65 61.142.766/000103 5952 1.530,23 1.530,23 61.522.512/000102 5952 414,61 414,61 61.594.065/000105 5952 19.241,79 10.846,66 TOTAL 778.274,93 973.565,32 736.926,34 Consta na Informação Fiscal, fls. 16271630: A atualização de dados junto ao sistema DIRF possibilitou a localização de algumas das retenções. Considerando o resultado da análise acima, procedemos à intimação dos seguintes estabelecimentos: 27.251.974/000102 (CST Companhia Siderúrgica Tubarão), 33.390.170/000189 (Acesita S.A), 33.592.510/000154 (Companhia Vale do Rio Doce SA.) e 42.138.891/000197 (Anglo Gold Ashanti Mineração Ltda.). Os valores apurados segundo os comprovantes apresentados pelas fontes pagadoras intimadas são apresentados a seguir em quadro comparativo com os valores das retenções em DCOMP e em DIRF: FONTE PAGADORA VLR. DCOMP VLR. DIRF VLR. INTIM. FONTE 27.251.974/000102 94.384,39 21.849,42 94.384,39 33.390.170/000189 5.946,43 4.332,43 5.295,62 33.592.510/000154 302.742,39 168.234,21 150.284,46 42.138.891/000197 31.490,43 26.320,89 45.306,67 III. Tributação da receita bruta: Dada a extensão da documentação contábil a ser exigida da contribuinte, entendemos que tal análise seria objeto para uma fiscalização, o que não constitui atribuição deste Serviço. O Sistema de Controle de Créditos SCC, quando da emissão de despachos decisórios eletrônicos, confronta as receitas pelo seu total. Assim também procedemos, cotejando os valores da receita bruta de serviços informada pelas fontes pagadoras em DIRF, com aquela declarada pela Recorrente na DIPJ Exercício 2007, linha 04 da Ficha 6A: Estabelecimento 5952 5987 6190 TOTAL 16.593.410/000123 65.694.117,63 4.266.640,54 1.718.099,31 71.678.857,48 16.593.410/000395 651.729,00 651.729,00 16.593.410/000476 322.922,22 322.922,22 16.593.410/000557 27.909,37 27.909,37 16.593.410/000638 2.408.334,94 2.408.334,94 Total Receita de Serviços (DIRF) 68.453.284,16 4.918.369,54 1.718.099,31 75.089.753,01 Total Receita de Serviços (DIPJ) 99.603.806,24 Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.651 11 Cotejando os valores já considerados como corretos a título de retenção na fonte de CSLL no Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0234.112, de 23.08.2011, fls. 489498e aqueles indicados na Informação Fiscal, 16271630, temse: da fonte pagadora CST Companhia Siderúrgica Tubarão, CNPJ 27.251.974/000102, código nº 5952, o valor de R$94.384,39 já foi apropriado na decisão de primeira instância; da fonte pagadora Acesita S/A, CNPJ 33.390.170/000189, código nº 5952, o valor de R$5.295,62 não foi apropriado na decisão de primeira instância; da fonte pagadora Companhia Vale do Rio Doce S/A, CNPJ 33.592.510/000154, código nº 5952, o valor de R$150.284,46 não foi apropriado na decisão de primeira instância; da fonte pagadora Anglo Gold Ashanti Mineração Ltda, CNPJ 42.138.891/000197, código nº 5952, o valor de R$45.306,67 do qual já foi apropriado na decisão de primeira instância o valor de R$26.320,89, verificandose uma diferença de R$18.985,78. Temse expressamente no art. 170 do Código Tributário Nacional que o direito creditório passível de reconhecimento pela Fazenda Pública deve ser líquido e certo. Essas condições cumulativas não estão corroboradas pelos documentos trazidos aos autos. O Erário envidou esforços na busca da verdade material em relação aos demais valores que compõem o direito creditório pleiteado nos Per/DComp. Diferentemente do entendimento da Recorrente, as notas fiscais juntadas aos autos, entretanto, não se constituem comprovação hábil para evidenciar inequivocamente o direito creditório requerido. Assim, deve ser reconhecido o valor de R$174.565,85 (R$5.295,62 + R$150.284,46 + R$18.985,78) a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2006. A dedução esclarecida pela defendente, então, está evidenciada somente em parte. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o valor de R$174.565,85 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2006 para fins de homologação da compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.930336/200997 Acórdão n.º 1801001.808 S1TE01 Fl. 1.652 12 Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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