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5488913 #
Numero do processo: 11030.904401/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/2012­41  Acórdão n.º 3801­003.215  S3­TE01  Fl. 89          2 Antonio  Borges,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  e  Jacques  Mauricio  Ferreira  Veloso De Melo.  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/2012­41  Acórdão n.º 3801­003.215  S3­TE01  Fl. 90          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito  nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de  Cofins, relativo ao fato gerador de 31/05/2004.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte  emitiu  despacho  decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a  restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi  utilizado na quitação  integral de débito(s) do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido  cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em  20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com  os argumentos a seguir sintetizados.  Informa  que  pediu  a  restituição  dos  valores  pagos  a  maior  a  título  de  Cofins,  uma  vez  que  foram  pagos  sem  a  exclusão  do  ICMS da base de cálculo.  Traz  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudência  dos  tribunais  acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar  o  conceito  de  “ingresso”.  O  ICMS  seria  mero  ingresso  na  escrituração  contábil  das  empresas,  para  posterior  destinação  ao Fisco, terceiro titular de tais valores.  Cita  o  recurso  extraordinário  nº  240785,  que  se  encontra  em  fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios  constitucionais,  discorrendo  acerca  da  impossibilidade  de  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do PIS/Cofins,  visto  que  não  representa  riqueza  do  contribuinte,  não  fazendo  parte  da  receita ou do faturamento.  Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição,  tendo  em  vista  ser  inconstitucional  a  cobrança  do  PIS/Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS da base  de  cálculo,  e  que os  créditos  sejam  acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a  data da restituição/compensação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte  (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 31/05/2004  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/2012­41  Acórdão n.º 3801­003.215  S3­TE01  Fl. 91          4 EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes  cumulativo e não­cumulativo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  repisa  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/2012­41  Acórdão n.º 3801­003.215  S3­TE01  Fl. 92          5   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  em  DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os  créditos pleiteados  referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em  razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/2012­41  Acórdão n.º 3801­003.215  S3­TE01  Fl. 93          6 sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  sendo  calculado  “por  dentro”,  ou  seja,  o  montante  do  próprio  imposto  está  incluído  na  sua  base  de  cálculo,  nos  termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento,  que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa  disposição legal para tanto.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei  10.833,  de  2003,  para  aquelas  empresas  sujeitas  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das  referidas  contribuições,  estas passaram a  ter como  fato  gerador o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à  possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas  leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas  decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações  de exportação.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do  artigo 543­C do CPC, no  sentido de que o  ICMS  integra  sim a base de  cálculo do PIS  e da  COFINS,  através  de  decisão  monocrática  que  negou  seguimento  ao  recurso,  com  base  em  jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/2012­41  Acórdão n.º 3801­003.215  S3­TE01  Fl. 94          7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  presente  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI

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5468315 #
Numero do processo: 10580.720771/2009-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     2  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  EM  RAZÃO  DE  LEI  EM  SENTIDO  FORMAL  E  MATERIAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA  SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP.  Restando  incontroverso  que  a  fonte  obrigacional  do  pagamento  dos  rendimentos  objeto  do  lançamento  vergastado,  em  que  pese  a  referência  a  uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de  Lei  em  sentido  formal  e  material,  e  não  diretamente  de  uma  condenação  judicial, hipótese na qual dever­se­ia observar o regime estabelecido pelo art.  100  da  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil,  não  se  aplica  o  entendimento acima referido.  JUROS DE MORA.  Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal,  não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.  ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO  IMPOSTO SOBRE JUROS DE  MORA RECEBIDOS  PELO  CONTRIBUINTE,  SOBRE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS  TERMOS  DO  RIR  E  DA  LEI  N.  7.713/88.  IMPOSSIBILIDADE  DO  EXAME  DA  CONSTITUCIONALIDADE  DE  TAIS  DISPOSITIVOS  NO  PRESENTE  ADMINISTRATIVO  (ART.62  DO  REGIMENTO  DO  CARF)  E  AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.  É  de  se  rejeitar  a  alegação  de não­incidência  de  IRPF  sobre  juros  de mora  recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que  tais  verbas  possuem  caráter  tributário,  em  razão  de  disposições  expressas  contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais  vinculantes do CARF em sentido contrário.  MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.  Se  o  contribuinte,  induzido  pelas  informações  prestadas  por  sua  fonte  pagadora,  que  qualificara  de  forma  equivocada  os  rendimentos  por  ele  recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos  rendimentos  recebidos,  não deve  ser penalizado pela  aplicação da multa de  ofício.  Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do  voto do relator.  (assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello ­ Relator.  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/2009­33  Acórdão n.º 2802­002.778  S2­TE02  Fl. 130          3 EDITADO EM: 14/04/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte  Cardoso  (Presidente),  Jaci  de Assis  Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse  Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.  Relatório  Trata­se de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005  a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareça­se que  trata­se  de  rendimentos  recebidos  em  razão  da  Lei  estadual  baiana  de  número  8730/2003  e  dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte  de  Cruzeiro  Real  para  URV,  pagas  mensalmente  de  janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006.  Registre­se que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e  614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal.  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  38  e  ss.,  aos  seguintes fundamentos:  (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter  indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos;  (ii)  que  o  dever  de  retenção  do  tributo  era  da  fonte  pagadora  e  não  da  contribuinte;  (iii)  que  a  fonte  pagadora  levou  a  contribuinte,  pelo  demonstrativo  que  lhe  forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar  à mesma responsabilidade por tal fato;  (iv) que a  lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza  indenizatória  os  valores  de  que  aqui  se  trata  e,  se  nisso  há  alguma  impropriedade,  é  de  responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte;  (v)  cita  a  legislação  federal  e  requer,  caso  mantida  a  infração,  que  seja  exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata;  (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de  rendimentos  recebidos  a  destempo  acumuladamente  com os  rendimentos  correspondentes  ao  mês  trabalhado,  é  causa  de  nulidade  do  lançamento,  de  vez  que  deveria  ter  sido  aplicada  a  alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e  não o foram;  (vii)cita  a  jurisprudência  de  diversos  tribunais,  de  tribunais  superiores  e  do  Supremo Tribunal Federal;  (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF;  (ix)  que  trata­se  de  receitas  de  tributo  federal  que,  no  entanto,  devem  permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado  legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas;  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     4  (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar  em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF,  também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez;  (xi)  que  também  não  há  incidência  de  imposto  de  renda  sobre  juros  moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não  incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o  momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento;  (xii)  que  o  STF  fez  expedir  a  Resolução  n.245/2002  em  razão  da  qual  os  magistrados  federais  não  sofreram  a  incidência  do  IR  no  recebimento  de  verbas  de  idêntica  natureza,  havendo  violação  do  princípio  da  isonomia  na  tentativa  de  impor  tal  exação  aos  magistrados estaduais.  Em sessão  realizada em 16 de  fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Salvador,  a  turma  julgou  IMPROCEDENTE  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido,  fundamentando  que  os  argumentos  utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da  Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal.  Quanto  ao  art.  5º  da  Lei  Estadual  da  Bahia  nº  8.730,  de  2003,  que  dispõe  expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o  imposto  de  renda  é  regido  por  legislação  federal,  portanto,  tal  dispositivo  não  tem  qualquer  efeito  tributário.  Além  disso,  deve­se  observar  que  a  incidência  do  imposto  independe  da  denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas  tão  somente  as  previstas  em  lei  específica  que  conceda  a  isenção,  conforme previsto  no  art.  150, § 6º, da Constituição Federal.  Quanto  à  responsabilidade  da  fonte  pagadora  pela  retenção  do  IRRF,  o  Parecer  Normativo  SRF  nº  1,  de  24  de  setembro  de  2002,  dispõe  que  tal  responsabilidade  extingue­se na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a  falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência  do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora.  É  certo  que,  por  determinação  constitucional,  se  o Estado  da Bahia  tivesse  efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto,  tal retenção não  alteraria  a  obrigação  do  contribuinte  de  oferecer  a  integralidade  do  rendimento  bruto  à  tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao  imposto  de  renda  incidente  sobre  rendimentos  da  pessoa  física  (IRPF)  e  não  ao  IRRF  que  deixou  de  ser  retido  indevidamente  pelo  Estado  da  Bahia.  Portanto,  tanto  a  exigência  do  tributo,  quanto  o  julgamento  do  presente  lançamento  fiscal,  é  da  competência  exclusiva  da  União.  Quanto  à  alegação  de  que  não  caberia  a  imposição  de multa  de  ofício  em  razão do  impugnante ter agido de boa  fé, seguindo  informação prestada pela  fonte pagadora,  cabe  observar  que  a  aplicação  desta multa  no  percentual  de  75%  independe  da  intenção  do  agente,  conforme  estabelecido  no  art.  136,  do  CTN.  Não  se  trata  da  multa  qualificada  no  percentual  de  150%,  que  depende  da  ocorrência  de  evidente  intuito  de  fraude,  conforme  previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na  Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças  de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/2009­33  Acórdão n.º 2802­002.778  S2­TE02  Fl. 131          5 verbas  pagas  aos  Magistrados  do  Estadual  da  Bahia,  pois  isto  resultaria  na  concessão  de  isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de  isenção,  que  está  sujeita  a  interpretação  literal,  conforme  preconiza  o  art.  111,  inciso  II,  do  CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia.  O impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta  Administrativa  feita  pela  Presidente  do  Tribunal  de  Justiça  do  Estado  da  Bahia  teria  manifestado­se  pela  inaplicabilidade  da  multa  de  ofício,  em  razão  da  flagrante  boa­fé  dos  autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado­Geral da União, através da Nota  AGU/AV12/2007.  Entretanto,  a  citada  consulta  na  realidade  não  seguiu  o  rito  do  processo  administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter  meramente  informativo,  sem  qualquer  efeito  vinculante.  Da  mesma  forma,  a  Nota  Técnica  Cosit  nº  4,  de  29  de  abril  de  2009,  que  subsidiou  tal  informação,  não  vincula  o  presente  julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto  à Nota AGU/AV12/2007 mencionada  no  Parecer  PGFN/CAT/nº  179/2009,  que  conclui  pela  não  incidência  de  multa  no  imposto  devido  pelos  servidores  do  TRE  SP,  em  razão  de  recebimento  da  verba  referente  a  URV,  cabe  observar  que  se  trata  de  um  comando  de  abrangência  restrita,  e  não  uma  norma  de  caráter  abstrato  que  vincule  a  presente  Turma  de  Julgamento.  Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem  considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários  em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto  de  renda  em  sua  alíquota máxima,  bem como que  já  tinham  sido  aproveitadas  as  parcelas  a  deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação  direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com  base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão.  Intimado da supramencionada decisão  (fls.126),  interpôs  tempestivamente o  recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o  efeito  vinculante  da  resposta  à  consulta  feita  pela  Presidente  do  TJ/BA  ao  Ministério  da  Fazenda,  nos mesmos  termos  do  parecer  que  afirma vinculante,  acima mencionado,  exarado  pelo Advogado­Geral da União; que viola­se o princípio da economia processual no esforço de  manter  uma  exação,  a  multa,  que  será  fatalmente  desconstituída  pelo  Poder  Judiciário;  que  deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as  verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do  contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurar­se adequadamente suposto  imposto a pagar.  Em  sessão  de  julgamento  do  dia  28  de  setembro  de 2011,  determinou­se  o  sobrestamento  do  feito,  tendo  em  vista  o  previsto  no  art.  26­A,  §1º,  da  Portaria  256/09  e  à  Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso  Extraordinário 614406­RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que  ainda encontra­se pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria  que em tese se assemelha ao presente caso.   Com  a  edição  da  portaria MF  n°  545/2013,  foi  afastada  a  necessidade  de  sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado.  É o relatório.  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     6    Voto             Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator.  O Recurso  é  tempestivo  e  formalmente  regular,  razão  pela  qual  dele  tomo  conhecimento.  Preliminarmente,  não  assiste  razão  ao  Recorrente  em  sua  alegação  de  supressão de  instância, na medida em que o Acórdão examinou  todas as alegações de defesa  suscitadas em sua Impugnação.  Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido  sobrestado  por  conta  de  se  tratar  da  tributação  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  entendo  que  à  presente  hipótese  não  pode  ser  aplicado  o  entendimento  manifestado  pela  Primeira Seção do STJ ao  julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de  14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543­C do CPC.  Isto  porque  a  fonte  obrigacional  do  pagamento  dos  rendimentos  objeto  do  lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista  das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma  condenação judicial, hipótese na qual dever­se­ia observar o regime estabelecido pelo art. 100  da Constituição da República Federativa do Brasil.  Quanto  à  suposta  ilegitimidade  ativa  da União  para  a  exigência  do  tributo,  conforme exposto nas  razões de embargante,  a  tese  funda­se na disposição constitucional do  artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação  do  IRRF sobre  rendimentos pagos por estes Entes Federativos,  suas autarquias ou  fundações  públicas.  A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões,  assentando­se na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte  não  exclui  a  competência  da União  para  a  constituição  do  crédito  tributário  de  rendimentos  sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis:  “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à  respectiva retenção.”   A título de obiter dictum, diga­se que é natural que a repartição das receitas  tributárias haverá de ser observada, tratando­se de matéria relativa às relações financeiras entre  União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto.  No  mérito,  a  controvérsia  ora  apresentada  reside  na  caracterização  da  natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado  da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão  do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é  relevante citar que trata­se de  pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual  o  Recorrente  tenta  equivaler  à  verba  paga  aos  magistrados  federais  e  estendida  aos  Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/2009­33  Acórdão n.º 2802­002.778  S2­TE02  Fl. 132          7 de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  curvou­se  ao  entendimento  do  STF,  este  manifestado  em  expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta.  Destaco  que  a  verba  objeto  da  Resolução  STF  nº  245/2005  foi  o  abono  previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n°  10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou  estabelece que:  “Art.  6o  Aos  membros  do  Poder  Judiciário  é  concedido  um  abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro  de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional  que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente  à  diferença  entre  a  remuneração  mensal  atual  de  cada  magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor  a referida Emenda Constitucional.”  Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe:  “Art.  4º  ­  As  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor ­ URV,  objeto  das  Ações  Ordinárias  de  nº  613  e  614,  julgadas  procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês  a  mês,  de  1º  de  abril  de  1994  a  31  de  agosto  de  2001,  e  o  montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36  parcelas  iguais  e  consecutivas  para  pagamento  nos  meses  de  janeiro de 2004 a dezembro de 2006.  Art. 5º ­ São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o  art. 2º desta Lei.”  Com a devida vênia, não vislumbro  identidade nas verbas de que  tratam os  atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada.  A  legislação  federal  demonstra  apenas  que  o  subsídio  conhecido  como  “abono variável”  foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário  uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial.  Já  a  verba  percebida  pelo  Recorrente,  na  análise  dos  elementos  constantes  dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente,  sendo  certo  que  para  fins  de  Imposto  de  Renda  vige  o  princípio  de  impossibilidade  de  concessão  de  isenções  heterônomas,  razão  pela  qual  é  irrelevante,  para  fins  da  definição  da  natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora.  Pontue­se que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo  legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da  verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização refere­se à recomposição  de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter  ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade,  significou acréscimo  patrimonial.  Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável  foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     8  atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa  de oficio em decorrência de um erro escusável  induzido pela  interpretação errônea dada pela  fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 106­16801, 106­16360 e 196­00065,  cujos excertos são a seguir reproduzidos.  “(...) MULTA DE OFÍCIO ­ EXCLUSÃO ­ Deve ser excluída do  lançamento  a  multa  de  ofício  quando  o  contribuinte  agiu  de  acordo  com  orientação  emitida  pela  fonte  pagadora,  um  ente  estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por  ele  recebidos.  (...)”  (acórdão  106­16801,  de  06/03/2008,  da  6ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,relator  Conselheiro  Luiz Antonio de Paula)  “  (...)  MULTA  DE  OFICIO  ­  CONTRIBUINTE  INDUZIDO  A  ERRO  PELA  FONTE  PAGADORA  ­  Não  comporta  multa  de  oficio  o  lançamento  constituído  com  base  em  valores  espontaneamente  declarados  pelo  contribuinte  que,  induzido  pelas  informações  prestadas  pela  fonte  pagadora,  incorreu  em  erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.  (...)  (Acórdão  n°  106­16360,  sessão  de  23/01/2008,  relator  o  Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos)  “  (...)  MULTA  DE  OFÍCIO.  ERRO  ESCUSÁVEL.  Se  o  contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte  pagadora, um ente estatal que qualificara de  forma equivocada  os  rendimentos  por  ele  recebidos,  incorreu  em  erro  escusável  quanto  à  tributação  e  classificação  dos  rendimentos  recebidos,  não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)”  (acórdão nº 196­00065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do  1º Conselho de Contribuintes,  conselheiro(a)  relator(a) Valéria  Pestana Marques)  Ressalte­se, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na  exigência  substitutiva  da multa  de mora,  eis  que  ambas  possuem  o  caráter  de  penalidade,  e  neste  voto  se  reconhece  que  o  contribuinte  agiu  de  boa  fé,  não  podendo  lhe  ser  imputado  nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito  tributário natureza de pena.  Com relação aos  juros de mora, estes constituem mera atualização do valor  do tributo para assegurar­lhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata  de sanção e possui previsão legal de incidência.  Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência  de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é  de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão.  Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos  termos do art.55, XIV, do RIR.  Ressalte­se,  ainda,  que  a  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos  termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88.  Observe­se que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009,  veda  que  este  Conselho  deixe  de  aplicar  dispositivos  de  lei  ou  decreto,  ao  fundamento  de  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/2009­33  Acórdão n.º 2802­002.778  S2­TE02  Fl. 133          9 inconstitucionalidade,  salvo  quando  declarados  inconstitucionais  por  decisão  definitiva  do  Supremo Tribunal Federal.  Do  mesmo  modo,  a  jurisprudência  do  STF  e  do  STJ  em  matéria  infraconstitucional,  somente  vincula  os  julgamentos  do CARF,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos  termos do artigo 62­A do citado Regimento do CARF.  Neste  sentido,  é  relevante  destacar  que  o  Acórdão  proferido  no  Agravo  Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de  março  de  2012,  trata  do  alcance  do  decidido  em  sede  de  recurso  repetitivo  pelo  Acórdão  proferido no citado REsp n° 1.227.133.  Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do  precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133.  De fato, ao  apreciar o REsp n° 1.227.133,  inicialmente o voto vencedor do  Ministro  Cesar  Asfor  Rocha  reconhecia  a  não­incidência  do  IR  sobre  juros  moratórios,  de  forma ampla.  Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso  especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto  do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não­ incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato  de  trabalho,  o  que  levou  à  modificação  da  ementa  do  acórdão  por  ocasião  dos  referidos  embargos de declaração.  Portanto,  voto  pelo  parcial  provimento  do Recurso,  no  sentido  de  excluir  a  multa de ofício.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello.                                Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO

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5557011 #
Numero do processo: 11075.001320/2002-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 NULIDADE. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS - O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.”. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO   2 Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  visando  modificar  a  decisão  de  piso que manteve o lançamento referente aos fatos geradores de 01.07.1997 a 31.08.1997 por  meio  de  auto  de  infração  decorrente  de  auditoria  interna  em  DCTF  decorrente  de  processo  judicial não localizado.  A  discussão  inicia  com  o  fato  da  compensação  de  débito  da COFINS  com  crédito  tributário  oriundo  de  pagamento  a  maior  ou  indevido  de  FINSOCIAL,  cujo  direito  restou  reconhecido  judicialmente  por  meio  da  ação  ordinária,  a  qual  tomou  o  número  94.13.00512­5.  Em  impugnação  é  trazida  cópia  das  peças  processuais:  inicial,  sentença,  recursos. Diante  da  documentação  e  alegação  do  direito  usufruir  do  indébito  com  intuito  de  quitar  por  meio  de  compensação  débitos  administrados  pela  Receita  Federal,  a  Autoridade  Julgadora baixou o feito em diligência a DRF/URUGUAIANA/RS para que fosse verificado,  primeiro a existência do processo judicial, segundo a quantificação do crédito e averiguar se o  mesmo  suportava  a  compensação  pretendida,  elaborar  demonstrativo,  observar  o  art.  70  da  IN/RFB  nº  900/2008  e  por  derradeiro  verificar  a  possibilidade  de  efetivar  no  âmbito  da  competência  disposições  contidas  no  item  2.5  da  Nota  Técnica  CORAT/COFIS/COSIT  nº  32/2002.  Cumprindo  a  determinação  do  Acórdão,  sobreveio  o  parecer  do  agente  encarregado da diligência, fls. 170/171, junta prova da existência do processo judicial, elabora  cálculo do crédito, em síntese atende à risca as recomendações.   No  parecer  de  fls.  170/171  o  auditor  menciona  impossibilidade  de  compensação antes do trânsito em julgado, segundo a certidão extraída dos autos judicial isso  só ocorreu  em 24 de  setembro de 1997,  assim,  a compensação efetivada  relativa aos débitos  dos fatos geradores de 01.07.1997 a 31.07.1997 e 01.08.1997 a 31.08.1997, alinhado a isso o  fato a decisão mencionou que a compensação só dar­se­ia após liquidação de sentença, e, sendo  assim, não poderia ter sido efetivada. Acatou as demais compensações por tratar­se de débitos  apurados após o trânsito em julgado da decisão que reconheceu o direito do crédito tributário.  Ciente da decisão,  re­ratifica as  razões da  impugnação, aceita  tacitamente o  crédito  apontado  nos  demonstrativo,  inclusive  mencionando­o  como  saldo  suficiente  para  efetivar  as  compensações  pretendidas  demonstra  o  seu  inconformismo,  agora,  contra  à  exclusão dos débitos referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1997.  Ao  decidir  o  julgador  a  quo  reconhece  a  existência  do  processo  judicial  e  afirma por tratar­se decisão judicial deve ser cumprida à risca, e, diz também que é incabível  exigência de contribuição quando demonstrada correta a compensação do valor devido com os  valores pagos a maior ou indevidamente, reconhecidos pelo Poder Judiciário.  No  entanto,  a  procedência  é  parcial, mantido  em  parte  o  crédito  tributário,  especificamente, relativo ao período de apuração de 01.07.1997 a 31.08.1997.   Contra a procedência parcial da Impugnação, apresenta Recurso Voluntário,  buscando modificar o decidido, alegando existência de saldo credor suficiente à efetivação da  compensação dos débitos relativo ao período de apuração 01.07.1997 a 31.08.1997.  É o relatório.     Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11075.001320/2002­08  Acórdão n.º 3403­002.987  S3­C4T3  Fl. 6          3   Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator.  Presente  os pressupostos necessários  ao  conhecimento do  recurso,  portanto,  dele se toma conhecimento.  O ponto da discórdia motivador do lançamento é o fato do processo judicial  não ter sido localizado (proc. n/comprovado). É verdade que o contribuinte vinculou o crédito  ao  número  dos  autos  perante  o  Tribunal  Regional  Federal,  que  conheceu  da  Apelação  interposta  pela  União  Federal,  nº  950428799­9/RS,  e,  não  o  número  da  ação  ordinária,  94.13.00512­5.  O Julgador de Piso afastou o direito do contribuinte em extinguir os débitos  referentes aos apurados no período de 01.07.1997 a 31.08.1997 ao argumento da ausência do  transito em julgado da decisão e antes da liquidação. Daí em diante a discussão restringe­se a  impossibilidade motivada por ausência de atendimento ao disposto pela IN/RFB nº 900/2008.  A  Interessada  permaneceu  firme  em  sua  alegação  da  existência  de  saldo  credor suficiente a suportar as compensações efetivadas e reafirmando o seu direito quanto ao  indébito oriundo de pagamento a maior ou indevido em razão do aumento da alíquota para o  FINSOCIAL.  Há  o  reconhecimento  de  que  ação  judicial  foi  proposta.  A  motivação  do  lançamento contida no auto de infração é em razão da não localização do processo. A situação  dos  autos  apresenta  duas  questões  capazes  de  extinguir  o  feito. A primeira  é motivação  que  resultou no Acórdão recorrido e a segunda por tratar­se de débitos confessados em DCTF.  Essa  egrégia  Turma  sistematicamente  vem  reconhecendo  que  inexistindo  a  causa que tenha motivado o lançamento é questão de nulidade.   Existindo  mudança  do  fundamento  de  decidir  daquele  que  motivou  a  autuação  vislumbra  prejuízo  ao  contribuinte,  até porque  o  valor  exigido  já  foi  anteriormente  declarado, e, o Auto de Infração combatido foi  lavrado em razão da inexistência do processo  judicial informado na DCTF’s.  A  Turma  Julgadora  ao  reconhecer  existência  de  provimento  judicial,  confirmada  em  diligência,  cuidou  de  afastar  a  existência  do  motivo  que  dava  suporte  ao  lançamento  para  mantê­lo  sob  outro  fundamento,  qual  seja  a  necessidade  do  transito  em  julgado da decisão e a sua liquidação.  Expressamente  reconhecendo  a  inexistência  do  motivo  do  lançamento,  a  Administração, ao decidir, ignorou a motivação pela qual teria sido lavrado o auto de infração  para manter a exigência dos créditos tributários do período de 01.07.1997 a 31.08.1997.   Portanto, ao permitir que a recorrente fizesse prova da existência do processo  judicial,  assim  como,  do  indébito  que  pretendia  utilizar  em  compensação  de  débito,  não  há  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO   4 dúvida de que houve erro na motivação do  lançamento, posto que o processo  informado por  meio de DCTF’s existe.  Assim,  manter  o  lançamento  sob  pressupostos  outros  que  sequer  foram  cogitados  pela  autoridade  atuante,  corresponde  sim,  inovação  no  que  pertine  à  valoração  jurídica.   De modo que, a descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofende  o  art.  10,  inciso  III,  do  Decreto  número  70.235/72,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal, verbis:   “Art.  10”.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente;  Portanto,  ao  deixar  de  descrever  de  forma  correta  o  fato  que  ensejou  a  autuação,  o  Fisco  deixou,  também,  de  especificar  corretamente  a matéria  tributável,  de  cuja  essência se extrairia o motivo do lançamento.   Examinando  situação  semelhante  a  esta,  a  eminente  Conselheira  Maria  Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 202­17.721, de 25/05/2006):   “A  ausência  desses  elementos  ou”  de  algum  deles,  inquestionavelmente,  dá  causa  à  nulidade  do  lançamento  por  defeito  de  estrutura  e  não  apenas  por  um  vício  formal,  caracterizado, pela  inobservância de uma  formalidade exterior  ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato  jurídico.  É  lícito  concluir  que  as  investigações  intentadas no  sentido de  determinar,  aferir,  precisar  o  fato  que  se  pretendeu  tributar  anteriormente, revelam­se incompatíveis com os estreitos limites  dos  procedimentos  reservados  ao  saneamento  do  vício  formal.  Sob o pretexto de  corrigir o  vício  formal detectado no auto de  infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar  informações,  esclarecimentos,  documentos  etc.  tendentes  a  apurar  a  matéria  tributável.  Se  tais  providências  forem  necessárias,  significa  que  a  obrigação  tributária  não  estava  definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim,  de estrutura ou da essência do ato praticado.  Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelam­se os motivos  que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja  extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos  de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de  que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos  fatos  de  fl.  09  é  totalmente  deficiente  por  não  dizer  qual  é  a  natureza  da  inexatidão  e  por  remeter  o  leitor  para  um  demonstrativo (fls. 10 e 11) que  também nada diz a respeito. A  fiscalização deveria ter complementado a informação básica do  sistema com as peculiaridades do caso concreto. “E assim não  procedeu.”  A  jurisprudência  dos  Conselhos  de  Contribuintes  é  farta  em  decisões  nas  quais se decretou a nulidade do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos  formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou no art. 142 do CTN, bastando citar  aqui, a título de exemplo, as seguintes ementas:  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11075.001320/2002­08  Acórdão n.º 3403­002.987  S3­C4T3  Fl. 7          5 “NORMAS  PROCESSUAIS  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  NULIDADE  ­  AUSÊNCIA  DE  REQUISITOS  ESSENCIAIS  ­  O  ato  administrativo  deve  se  revestir  de  todas  as  formalidades  exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração  que  não  contiver  todos  os  requisitos  prescritos  como  obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão  106­10.087, de 15/04/1998).  “RECURSO "EX OFFICIO" – IRPJ – AUTO DE INFRAÇÃO –  ERRO NA ELABORAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE –  É nulo o lançamento em que a autoridade fiscal deixa de atender  os  requisitos  essenciais  à  sua  validade, mormente  o  artigo  10,  inciso  III  do  Decreto  nº  70.235/72.”  (Acórdão  107­07.740,  de  12/08/2004).  “NULIDADES. Anula­se o auto de  infração eivado de vício na  motivação.  Recurso  provido.”  (Acórdão  202­16.967,  de  28/03/2006).  DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF.  Além  do  que,  o  crédito  que  se  pretende  constituir  já  encontra  reconhecido  pela declaração do contribuinte por meio de DCTF.  Do  exposto,  voto  no  sentido  dar  provimento  ao  recurso  para  anular  o  lançamento por improcedência do auto de infração.   É como voto.  Domingos de Sá Filho                                        Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO

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Numero do processo: 10920.911151/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.911151/2012­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­003.348  –  1ª Turma Especial   Sessão de  24 de abril de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL  Recorrente  LOJAS HIRT LTDA EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do  PIS/COFINS, pois  esse valor  é parte  integrante do preço das mercadorias e  dos  serviços  prestados,  exceto  quando  referido  imposto  é  cobrado  pelo  vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto  tributário.  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao  recurso voluntário, nos  termos do relatório e do voto que  integram o presente  julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.     (assinatura digital)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 51 /2 01 2- 17 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 3          2   (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª.  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Belo  Horizonte  (DRJ/BHE),  referente  ao  processo  administrativo,  em  que  foi  julgada  improcedente  a  manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou  os autos:  O  presente  processo  trata  de Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório  nº  rastreamento  emitido  eletronicamente, referente ao PER/DCOMP.  O  PerDcomp  foi  transmitido  com  o  objetivo  de  pedir  a  restituição  de  crédito  de PIS/PASEP, Código  de Receita  8109,  no  valor  original  de,  decorrente  de  recolhimento  com  Darf  efetuado.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório,  a  partir  das  características  do  DARF  descrito  no  PerDcomp  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição.  Assim,  diante  da  inexistência  de  crédito,  a  restituição  foi  INDEFERIDA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 da Lei nº 5.172 de  25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN).  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  do  Despacho  Decisório,  o  interessado  apresenta  manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se  segue:  ­ que o PerDcomp refere­se a crédito decorrente de pagamento a  maior de PIS/Cofins, em razão da  inclusão do ICMS nas bases  de cálculos dessas contribuições;  ­  que  em  relação  à  base  de  cálculo  da  Cofins,  a  Lei  Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição,  dispõe  em  seu  art.  2º  "que  a  contribuição  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços  de qualquer natureza";  ­ que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar  07/70,  que  instituiu  a  cobrança  da contribuição dispõe  em  seu  art.  3º  que  o Fundo de Participação  será  constituído por duas  parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no  faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 5          4 PIS  e  a Cofins  passaram  a  ser  disciplinadas  pela  Lei  9718/98  que  dispõe  em  seu  art.  2º,  parágrafo  1º  que  "entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e  a  classificação  contábil  adotada  para  as  receitas";  que  a  Constituição  Federal  em  seu  art.  195,  I,  b,  dispõe  que  "A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  Estados,  DF  e  dos  Municípios  e  das  seguintes  contribuições  sociais:  I  –  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidente  sobre:  (...)  b)  a  receita  ou  o  faturamento”;  ­ que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder­ se­ia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a  receita  ou  o  faturamento,  não  possuindo  autorização  para  incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal  valor constitui ônus fiscal e não faturamento.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório.    Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de  inconformada  apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade.  Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu  a  DRJ/BHE  por  indeferir  a  solicitação,  ratificando  a  decisão  da  DRF  de  origem,  não  reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O  referido julgado contou com a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não  se  admite  a  restituição  de  crédito  que  não  se  comprova  existente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    A  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  postulando  a  reforma  da  decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do  ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo.  Em  sua  fundamentação,  fez  a  colação  de  trecho  do  voto  proferido  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  relator  do  RE  240.785­2/MG,  onde  ele  conclui  que  o  valor  correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na  base de cálculo do PIS e da COFINS.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 6          5 Por  fim,  refere  a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal  reconheceu a  repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso  fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo  62­A, § 1º, do Regimento Interno do CARF.  É o relatório.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 7          6   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Tanto  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  quanto  no  recurso  voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS  da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Primeiramente,  necessário  destacar  se  há  necessidade  ou  não  de  sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de  constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria,  medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos  em  trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º,  I, da Lei 9.718/1998, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF. (MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008)  Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão  de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do  relator. (QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)  Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de  ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª  QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)  Por  fim,  em  sessão  plenária  do  dia  25.03.2010,  o  Tribunal,  por  maioria,  resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e  oitenta)  dias,  a  eficácia da medida cautelar  anteriormente deferida.  (3ª QO­MC­ADC 18/DF,  rel. Min. Celso de Mello)   Deste modo, entende­se que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de  25.03.2010,  perdeu  a  eficácia  da medida  cautelar  anteriormente  deferida.  Assim,  entende­se  que não deve haver o sobrestamento da matéria.  Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62­A do Regimento Interno  do  CARF  que  faz  referência  a  contribuinte  no  presente  Recurso  Voluntário  (interposto  em  19/12/2013),  estava  inclusive  já  revogado  pela  Portaria MF  nº  545,  de  18  de  novembro  de  2013.  Cumpre  ressaltar  inclusive  que  a  presente  Turma  ao  apreciar  a  mesma  matéria  já  se  manifestou  no  sentido  de  não  sobrestar  o  processo.  Tal  decisão  ocorreu  por  unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/2010­71, de Relatoria do  Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o  acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido:    Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 8          7 “Acordam os membros do colegiado:  (I) Por unanimidade de  votos,  não  sobrestar  o  processo;  (II)  Por  unanimidade  votos,  negar  provimento  ao  recurso  em  relação  às  preliminares  de  cerceamento  de  defesa  e  de  que  o  crédito  tributário  já  sido  constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar  provimento  ao  recurso  em  relação  à  preliminar  de  vício  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF).  Vencidos  os  Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira  da  Silva Murgel  e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira  que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no  mérito, negar provimento ao recurso.” (grifou­se)    Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo.  Analisando  o  mérito,  verifica­se  que  a  recorrente  alega  que  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  promovida  pela  Lei  n°  9.718/98  violou  dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei  tributária.  Portanto,  pretendendo  a  contribuinte  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe:    SÚMULA Nº  2  do  CARF: O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Por  se  tratar  de  matéria  constitucional,  não  sendo  competência  deste  Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante  o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de  apuração:  01/09/2001  a  30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  Sendo  a  base  de  cálculo  da  Cofins  o  faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem,  deve  o  ICMS  integrá­la.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Aplicação  da  Súmula  CARF  nº  2.  Recurso  Voluntário  Negado.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos.  (Acórdão  n°  3302­ 000.745, julgado em 10/12/2010, grifou­se)    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano­calendário: 2005,  2006,  2007  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  são  incompetentes  para  apreciar  argüições  de  inconstitucionalidade  de  lei  regularmente  editada,  tarefa  privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 9          8 novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de  oficio  de  150%.  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.  EXCLUSÃO DO ISS E TPT.  IMPOSSIBILIDADE. Para  fins de  determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos  que podem ser  excluídos da  receita bruta  são o  IPI e o  ICMS,  quando  cobrados  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário.  (Acórdão  1102­ 000.519, julgado em 03/10/2011, grifou­se)    Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário,  em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF).  É  necessário  igualmente  analisar  o  mérito  do  recurso,  em  que  pese  as  considerações  acima  trazidas.  Apesar  de  entendimento  diverso  desse  relator,  o  pedido  do  contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ.  Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior  Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor:    STJ Súmula nº 68 ­ 15/12/1992 ­ DJ 04.02.1993  ICM ­ Base de Cálculo do PIS  A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do PIS.    Em  igual  sentido  o  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª.  Região  assim  tem  se  manifestado:  EMENTA:  PIS.  COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  INADMISSIBILIDADE.  Os  encargos  tributários  integram  a  receita  bruta  e  o  faturamento  da  empresa.  Seus  valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final  da  prestação  do  serviço.  Por  isso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  podendo  ser  excluídos  do  cálculo  do  PIS/COFINS,  que  têm,  justamente,  a  receita  bruta/faturamento  como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos  termos do  art.  3º,  §2º,  I,  da  Lei  9.718/98.  (TRF4,  AC  5008959­ 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria  de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013)    Deste modo, entende­se que os encargos tributários integram a receita bruta e  o  faturamento  da  empresa. Assim,  seus  valores  são  incluídos  no  preço  da mercadoria  ou  no  valor  final  da  prestação  do  serviço.  Diante  disso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/2012­17  Acórdão n.º 3801­003.348  S3­TE01  Fl. 10          9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita  bruta/faturamento como sua base de cálculo.  Assim,  incabível  a  exclusão  do  valor  devido  a  título  de  ICMS  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo  prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  Em  face  do  exposto,  encaminho  o  voto  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  É assim que voto.  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 10665.722091/2011-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH     2 Walter Adolfo Maresch – Presidente    Neudson Cavalcante Albuquerque ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Walter  Adolfo  Maresch,  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Victor  Humberto  da  Silva  Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.  Relatório  AVIVAR ALIMENTOS LTDA, pessoa  jurídica  já qualificada nestes  autos,  inconformada  com  a  decisão  proferida  pela  DRJ  Belo  Horizonte  (MG),  interpõe  recurso  voluntário  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  objetivando  a  reforma  da  decisão.  O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar, no valor  de R$ 25.413,10,  aplicada em  razão do atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de  Contribuições Sociais – DACON relativo a julho de 2007, que ocorreu apenas em 05/11/2009  (fl. 19).  O auto de infração foi emitido eletronicamente em 04/07/2011, o que implica  a data de intimação em 19/07/2011, conforme o art. 23, §2º,  III, b, do Decreto nº 70.235, de  1974. O  autuado  apresentou,  em  15/08/2011,  a  impugnação  de  fls.  2/8,  que  foi  considerada  tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que:  i) a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer  manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN;  ii) a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa  excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade;  iii) a taxa Selic não pode ser aplicada para a atualização dos tributos, ante a  natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização;  iv) é necessária a notificação do contribuinte antes da imposição de multa;  v) o valor que foi utilizado como base de cálculo da multa está incorreto.  A DRJ Belo Horizonte  (MG), por meio do acórdão nº 02­36.446, de 29 de  novembro de 2011(fls. 23), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão:  Assunto: Obrigações Acessórias  Ano­calendário: 2007  DACON ­ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA  A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições  Sociais ­ Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária  sujeita  o  contribuinte  à  incidência  da  multa  por  atraso  na  entrega.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722091/2011­39  Acórdão n.º 1803­002.076  S1­TE03  Fl. 82          3 Ciente dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal  (fl. 31), o  autuado apresentou recurso voluntário em 11/01/2012 (fls. 33/43), em que afirma que a decisão  de  primeira  instância  não  analisou  a  alegação  de  erro material  quando  do  cálculo  da multa  aplicada e que a simples análise do Dacon é suficiente para verificar que o valor lá informado é  zero e não de R$ 254.131,07, o que causou o erro da determinação do valor exigido. Ademais,  reafirma os argumentos apresentados na impugnação.  A presente Turma de Julgamento entendeu que a decisão recorrida deixou de  apreciar  a  alegação  de  erro material  no  cálculo  da multa  exigida  e  a  anulou,  para  que  outra  fosse  proferida  e  também  fossem  anexados  os  documentos  que  deram  suporte  à  decisão  atacada, conforme o Acórdão nº 1803­001.583, de 7 de novembro de 2012 (fls. 46/49).  Retornando o processo à DRJ Belo Horizonte (MG), está prolatou o Acórdão  nº 02­41.613, de 8 de janeiro de 2013 (fls. 56/60), em que afirma, in verbis:  Data  vênia,  não  houve  preterição  do  direito  de  defesa,  pois  os  documentos  que  deram  suporte  à  decisão  são  declarações  do  próprio  contribuinte.  Em  atendimento  ao  acórdão  do  CARF,  foram anexados ao processo: Dacon, fls. 55 e DCTF, fls. 54.  A informação do valor em DCTF presta­se apenas a confirmar o  valor da contribuição apurada no Dacon. No Dacon, os valores  são apurados. Na DCTF, confessados para posterior pagamento.  Por obvio que os valores devem ser iguais.  Quanto ao mais, repete os termos da decisão anulada.  Cientificado da novel decisão em 17/01/2013, o contribuinte volta à carga, no  bojo de novo recurso voluntário encontrado às  fls. 66/77, apresentado em 13/02/2013. Nesse  giro, o recorrente afirma que a nova decisão do julgador a quo não supre ou corrige a falha que  ensejou  a  anulação  da  primeira  decisão,  permanecendo  o  erro  material  na  formulação  da  exigência  e  o  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa.  Ademais,  repete  os  argumentos  já  apresentados na impugnação e no primeiro recurso voluntário.  É o relatório  Voto             Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator.  O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade,  sendo digno de conhecimento.  I. ERRO MATERIAL  O recorrente alega que existe um erro no cálculo do valor da multa exigida.  Afirma que o valor declarado no Dacon foi zero e é este que deve ser usado como base para o  cálculo da multa, não o valor utilizado no auto de infração, de R$ 254.131,07.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH     4 Todavia,  o  auto  de  infração  em  análise  diz  respeito  ao  Dacon  referente  a  julho de 2007 e a DRJ/Belo Horizonte fez juntar, às fls. 55, o referido Dacon, em que consta o  valor devido de R$ 254.131,07, a título de COFINS, declarado pelo contribuinte.   Por seu turno, o contribuinte, em nenhum momento desse processo, fez juntar  qualquer documento que comprovasse a sua afirmação quanto ao valor declarado.  Assim,  conforme  os  documentos  acostados  nos  autos,  o  valor  exigido  foi  calculado corretamente.  Portanto, o argumento do recorrente quanto ao suposto vício material carece  de fundamento fático.  II. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  O recorrente afirma que a nova decisão da DRJ/Belo Horizonte não supriu a  falta de  apreciação de  alegado  erro material,  ocorrido na  sua primeira decisão, o que  estaria  causando cerceamento do seu direito.  Entendo  de  forma  diversa,  pois  a  decisão  guerreada  nega  a  ocorrência  do  vício material quando afirma que o valor utilizado como base para o cálculo da multa é aquele  declarado  pelo  contribuinte,  tanto  no Dacon  em  tela  quanto  na  correspondente DCTF. Esses  documentos foram juntados pela DRJ/Belo Horizonte nas fls. 54 e 55.  Ademais,  a  questão  fática  em  tela  é  o  correto  valor  declarado  pelo  contribuinte  em  seu  Dacon  e,  quanto  a  isso,  o  debate  foi  exaurido  de  ambas  as  partes  e  demonstrada  a  corretude  do  lançamento,  não  se  vislumbrando  qualquer  prejuízo  para  a  possibilidade de argumentação do interessado.   Assim, afasta­se também essa preliminar.  III. ESPONTANEIDADE  O  contribuinte  entende  que  a  apresentação  espontânea  de  uma  obrigação  acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação de penalidade, consoante  art. 138 do CTN.  Todavia,  a  denúncia  espontânea  prevista  no  dispositivo  legal  supracitado  aplica­se somente em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não  sobre  obrigações  acessórias,  como  o  presente  caso  de  multa  pelo  atraso  na  entrega  de  declarações.  Esse  entendimento  foi  pacificado  na  presente  Corte  por  meio  da  Súmula  CARF nº 49, que tem o seguinte enunciado:  A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.  Também se afasta essa alegada excludente de ilicitude.  IV. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722091/2011­39  Acórdão n.º 1803­002.076  S1­TE03  Fl. 83          5 O recorrente afirma que a Constituição Federal veda o tributo com efeito de  confisco  e que  a multa  excessivamente onerosa  fere os princípios  da proporcionalidade  e da  equidade, o que tornaria inconstitucional a multa a ele aplicada.  O  recorrente  não  questiona  a  existência  de  previsão  legal  para  a  multa  aplicada. Portanto, ao afirmar a  inconstitucionalidade da multa está, na verdade, afirmando a  inconstitucionalidade  da  lei  que  a  prevê.  Todavia,  é  defeso  ao  colegiado  julgador  administrativo  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  por  força  do  artigo  26­A  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972.  Esse  entendimento  também  foi  pacificado  na  jurisprudência  administrativa,  por  meio  da  Súmula  CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado:  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  V. TAXA SELIC  O  recorrente  também  se  levanta  contra  a  aplicação  da  taxa  Selic  para  a  atualização  de  tributos,  considerando  a  natureza  dessa  taxa  e  a  ausência  de  lei  que  fixe  sua  utilização.  Todavia,  a  aplicação  da  taxa  Selic  para  o  cálculo  de  juros  sobre  créditos  tributários  tem  previsão  expressa  no  artigo  13  da  Lei  nº  9.065,  de  1995,  o  que  levou  este  Tribunal  Administrativo  a  pacificar  seu  entendimento  na  Súmula  CARF  nº  04,  que  tem  o  seguinte enunciado:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  VI. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA  Por  fim,  o  recorrente  propugna  pela  necessidade  de  notificação  prévia  do  contribuinte, como elemento preparatório da imposição de multa.  A  notificação  prévia  para  a  exigência  de  multa  por  atraso  na  entrega  de  declaração seria, no meu ver, antijurídica, na medida em que careceria de razoabilidade.   Conforme  as  normas  tributárias,  o  auto  de  infração  em  tela  é  gerado  eletronicamente  pelo  mesmo  software  que  gera  a  declaração,  no  exato  momento  de  sua  transmissão  à  Administração  Tributária.  Isso  é  possível  porque  o  atraso  é  infração  de  conhecimento  imediato,  no  momento  da  referida  transmissão.  Portanto,  não  há  motivo  suficiente  para  se  criar  um  procedimento  intermediário  de  notificação.  Também não  haveria  proveito algum para as partes, sob o aspecto jurídico, nem para a sociedade.  O  contribuinte  traz  elementos  retóricos  para  defender  a  sua  posição,  mas  deixa de apresentar qualquer fundamento legal para a sua tese. Por outro lado, a jurisprudência  também  pacificou  essa  questão,  no  sentido  de  afirmar  a  desnecessidade  dessa  notificação,  conforme a Súmula CARF nº 46, que tem o seguinte enunciado:   Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH     6 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos suficientes à constituição do crédito tributário.  Assim, também afasto esse argumento.  VII. CONCLUSÃO  Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário.    Neudson Cavalcante Albuquerque  (documento assinado digitalmente)                                    Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH

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Numero do processo: 10660.905886/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 161          1 160  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10660.905886/2011­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.048  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de abril de 2014  Matéria  PIS ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE  MOTORES DO BRASIL LTDA.)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002  INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não  infirmada com documentação hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 86 /2 01 1- 21 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/2011­21  Acórdão n.º 3803­006.048  S3­TE03  Fl. 162          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição  à  decisão  da  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição.  O  contribuinte  havia  transmitido  Pedido  de  Restituição  (PER)  referente  a  crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$  5.255,25.  Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a  restituição  pleiteada,  pelo  fato  de  que  o  pagamento  declarado  no  PER  já  havia  sido  integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da  restituição  pleiteada,  alegando  que  o  indébito  reclamado  decorria  do  reconhecimento  pelo  Supremo Tribunal Federal  (STF) da  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo  da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  Reportando­se  aos  princípios  da  verdade  material  e  da  moralidade  administrativa,  requereu  a  realização  de  diligências  e  perícias,  para  fins  de  se  confirmar  o  crédito pleiteado.  Junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos  societários  e  de  representação,  assim  como  cópias  do  despacho  decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada.  A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando  sua  decisão  (i)  na  inaplicabilidade,  no  presente  caso,  da  decisão  exarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  em  sede  de  recurso  extraordinário,  (ii)  na  incompetência  da  Administração  tributária para  se manifestar  sobre ofensa  a princípios  constitucionais,  (iii)  na  ausência  de  eficácia  normativa  da  doutrina  e  da  jurisprudência  administrativa  e  judicial  colacionadas  na  peça  recursal,  (iv)  na  ausência  de  nulidade  no  despacho  decisório  e  (v)  na  desnecessidade de realização de diligências e perícias.  Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso,  não  foram  trazidos  ao  processo,  quaisquer  elementos  que  viessem  a  comprovar  o  direito  alegado  e  mais,  a  legislação  tributária,  determina  que  juntamente  com  a  manifestação  de  inconformidade  devem  ser  apresentadas  as  provas  que  fundamentem  de  modo  concreto  e  veemente  a  discordância  da  contribuinte  do  entendimento  adotado  pela  administração,  precluindo seu direito de fazê­lo em outro momento processual”.  Cientificado  do  acórdão  da  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  em  7  de  novembro  de  2013,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  em  5  de  dezembro  do  mesmo  ano,  e  reiterou  seu  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  e  de  deferimento  integral  da  restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa.  Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria  ter  avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados  esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que  teve­se por configurado cerceamento do seu direito de defesa.  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/2011­21  Acórdão n.º 3803­006.048  S3­TE03  Fl. 163          3 Ressaltou,  também,  que  a  inobservância  da  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF  acerca  do  alargamento  da  base  de  cálculo  da  contribuição  promovido  pela  Lei  nº  9.718,  de  1998,  “representa  inegável  afronta  à Constituição  Federal  e  negativa  de  prestação  administrativa”.  Junto  ao  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos societários e de representação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido  pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a  outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG.  De  início,  registre­se  que,  para  se  apreciarem  pleitos  da  espécie,  não  basta  que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que  os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total  inviabilidade da apreciação do pedido.  Não  há  dúvidas  que  este  Colegiado,  por  força  do  contido  no  art.  62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  encontra­se  obrigado  a  reproduzir  decisões  definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral  (art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC),  mas  desde  que  comprovada,  com  documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo  apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional.  No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos  autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada,  documentos  esses  insuficientes  à  comprovação  do  indébito,  dado  que  desacompanhados  de  qualquer elemento da escrituração contábil­fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim,  consistentes em prova hábil e idônea.  Destaque­se que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira  instância  administrativa,  não  são  identificadas  as  outras  receitas,  além  do  faturamento,  que  teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal.  Para  decidir  acerca  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento,  em  razão  da  inconstitucionalidade do  art.  3º,  §  1º,  da Lei  nº  9.718,  de  1988,  este Colegiado  necessita,  além  de  conhecer  os  valores  envolvidos  nas  operações  mercantis,  como  o  faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na  contabilidade da pessoa jurídica.  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/2011­21  Acórdão n.º 3803­006.048  S3­TE03  Fl. 164          4 Em  processos  da  espécie  ao  ora  analisado,  a  falta  da  devida  instrução  dos  autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem,  dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de  efetiva  existência  do  direito  creditório  pleiteado,  isso  em  conformidade  com  os  princípios  constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação  da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37,  caput, da Constituição Federal de 1988.  Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da  verdade  dos  fatos  pelo  julgador  administrativo  vai  além  das  provas  trazidas  aos  autos  pelo  interessado, nos  casos da espécie ao ora analisado, a prova encontra­se  em poder do próprio  sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo  a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus  da prova.  Mesmo depois de  ter sido alertado pelo  julgador administrativo de primeira  instância  acerca  da  necessidade  de  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  crédito  pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância.  Bastaria  que  o  interessado  tivesse  trazido  aos  autos  cópias  da  escrituração  contábil­fiscal abrangendo o período sob análise, observando­se as formalidades exigidas pela  legislação  tributária,  para  que  se  tivesse  por  configurado  o  início  de  prova  requerido  para  justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado.  Uma  simples  planilha  elaborada  pelo  próprio  interessado  não  supre  a  necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados.  A  não  apresentação  de  provas  dos  fatos  apontados  encontra­se  em  total  desacordo com a disciplina do art. 16,  inciso  III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de  1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/2011­21  Acórdão n.º 3803­006.048  S3­TE03  Fl. 165          5 Em  conformidade  com  o  excerto  supra,  tem­se  que  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento,  devendo  prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  reconheceu  o  direito  creditório,  amparada  em  informações  declaradas  pelo  próprio  sujeito  passivo,  presentes  nos  sistemas  da  Receita  Federal,  informações  essas  não  infirmadas  com  documentação  hábil  e  idônea.  Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso, em razão da  ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 16349.000277/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. ALTERNATIVA DO JULGADOR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessárias ao julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA E CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando o processo suficientemente instruído com os documentos e informações necessárias para a formação da convicção dos julgadores e que permita a defesa das partes, tem-se por ausente o vício de nulidade por falta de produção de provas adicionais destinadas a contrapor os registros efetuados pelo sujeito passivo em sua contabilidade. NULIDADE. CARÊNCIA DE DOCUMENTOS E PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão recorrida e nem o despacho decisório em manifestação de inconformidade, que seja lavrado por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos, enquadramentos legais e motivação pertinente, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e eloquência, o seu direito de defesa. PIS E COFINS. BENS AQUIRIDOS PARA REVENDA E CONSUMIDOS NO ESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Procede a glosa de créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens adquiridos para revenda e não empregados como insumo no processo produtivo, quando revelar-se terem sido consumidos pelo estabelecimento empresarial. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. O valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei nº 10.833/2003, pois trata-se de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação. PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e a taxa de selagem de conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem de frente das operações de venda, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas ou de vendas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUTA ZERO COM SAÍDA SUBSEQUENTE PARCIALMENTE TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL. O inciso II, no §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, veda o desconto de crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente sujeitar-se à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, de modo que quando a operação subsequente for parcialmente tributada, deve ser permitido o direito ao desconto de créditos proporcionalmente às receitas de vendas sujeitas a incidência tributária, os quais podem ser mantidos nos termos do art. 17, da Lei nº 11.033/04. Glosa parcialmente mantida. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO DO CRÉDITO. PRODUTO EM FABRICAÇÃO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota relativa ao produto a ser produzido e das mercadorias a serem vendidas e não pelos insumos adquiridos, sendo que no caso de frigorífico que industrializa produtos para a alimentação humana, a alíquota aplicável é de 60% (sessenta por cento). PIS E COFINS. AGROINDÚSTRIA. COMPRAS COM SUSPENSÃO. CRÉDITO INTEGRAL. DESCABIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO. A condição de que fossem editados “termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF”, prevista no §2°, do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004, não impede a incidência da norma de suspensão de PIS e de COFINS, estando atendidas todas as condições legais. Havendo a suspensão, procede a glosa do crédito integral tomado pelo adquirente, mas preserva-se o direito ao cômputo do crédito presumido, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004. PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. INSUMOS. DESPESAS OPERACIONAIS. ATIVO IMOBILIZADO. PREÇO E TEMPO DE VIDA ÚTIL. PARÂMETROS PARA O DIREITO DE CRÉDITO. Nos termos do art. 30, da Lei n° 9.249/95 (art. 15, do Decreto-Lei 1.598/77 e art. 301, do Decreto n° 3.000/99 - RIR/99), o valor da aquisição de partes e peças de máquinas do setor produtivo da indústria, poderá ser deduzido diretamente como despesa operacional se não superior a R$326,01, ou o prazo de vida útil que não ultrapasse a um ano, concedendo o respectivo direito ao crédito na qualidade de insumo. Quando não atendidos pelo menos um desses parâmetros, o bem ou direito deverá ser registrado no ativo permanente, passando a ser depreciado à taxa legal aplicável ao bem ao qual a parte ou peça está vinculado, gerando crédito através dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3°, §1°, III, da Lei n° 10.833/2003, devendo ser recomposto o cálculo dos créditos objeto de ressarcimento. Recurso Provido em Parte. Crédito Parcialmente Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-002.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Resolvem os membros da 2ª TO/4ª CÂMARA, 1) por unanimidade, em: 1.1 - dar provimento quanto aos créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira, às situações em que a CFOP supostamente não seria de aquisição, aos serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres e quanto à alíquota para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; 1.2 - dar provimento parcial para admitir os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, quanto às aquisições de partes e peças e à aquisição de insumos de pessoa jurídica, nos termos do voto do relator; 1.3 ¿ negar provimento quanto aos serviços de vigilância, às despesas com energia elétrica e à CFOP 3556, nos termos do voto do relator. 2) por maioria, em dar provimento quanto aos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda sujeitos à alíquota zero. Vencidos os Conselheiros Mônica e Luiz Carlos Shimoyama. 3) por voto de qualidade, em negar provimento quanto aos créditos de frete de produto acabado entre os estabelecimentos da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, João Carlos Cassuli Junior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque e Silva. Designado o Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Resolvem os membros da 2ª TO/4ª CÂMARA, 1) por unanimidade, em: 1.1 - dar provimento quanto aos créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira, às situações em que a CFOP supostamente não seria de aquisição, aos serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres e quanto à alíquota para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; 1.2 - dar provimento parcial para admitir os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, quanto às aquisições de partes e peças e à aquisição de insumos de pessoa jurídica, nos termos do voto do relator; 1.3 ¿ negar provimento quanto aos serviços de vigilância, às despesas com energia elétrica e à CFOP 3556, nos termos do voto do relator. 2) por maioria, em dar provimento quanto aos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda sujeitos à alíquota zero. Vencidos os Conselheiros Mônica e Luiz Carlos Shimoyama. 3) por voto de qualidade, em negar provimento quanto aos créditos de frete de produto acabado entre os estabelecimentos da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, João Carlos Cassuli Junior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque e Silva. Designado o Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. ALTERNATIVA DO JULGADOR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessárias ao julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA E CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando o processo suficientemente instruído com os documentos e informações necessárias para a formação da convicção dos julgadores e que permita a defesa das partes, tem-se por ausente o vício de nulidade por falta de produção de provas adicionais destinadas a contrapor os registros efetuados pelo sujeito passivo em sua contabilidade. NULIDADE. CARÊNCIA DE DOCUMENTOS E PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão recorrida e nem o despacho decisório em manifestação de inconformidade, que seja lavrado por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos, enquadramentos legais e motivação pertinente, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e eloquência, o seu direito de defesa. PIS E COFINS. BENS AQUIRIDOS PARA REVENDA E CONSUMIDOS NO ESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Procede a glosa de créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens adquiridos para revenda e não empregados como insumo no processo produtivo, quando revelar-se terem sido consumidos pelo estabelecimento empresarial. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. O valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei nº 10.833/2003, pois trata-se de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação. PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e a taxa de selagem de conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem de frente das operações de venda, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas ou de vendas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUTA ZERO COM SAÍDA SUBSEQUENTE PARCIALMENTE TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL. O inciso II, no §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, veda o desconto de crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente sujeitar-se à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, de modo que quando a operação subsequente for parcialmente tributada, deve ser permitido o direito ao desconto de créditos proporcionalmente às receitas de vendas sujeitas a incidência tributária, os quais podem ser mantidos nos termos do art. 17, da Lei nº 11.033/04. Glosa parcialmente mantida. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO DO CRÉDITO. PRODUTO EM FABRICAÇÃO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota relativa ao produto a ser produzido e das mercadorias a serem vendidas e não pelos insumos adquiridos, sendo que no caso de frigorífico que industrializa produtos para a alimentação humana, a alíquota aplicável é de 60% (sessenta por cento). PIS E COFINS. AGROINDÚSTRIA. COMPRAS COM SUSPENSÃO. CRÉDITO INTEGRAL. DESCABIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO. A condição de que fossem editados “termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF”, prevista no §2°, do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004, não impede a incidência da norma de suspensão de PIS e de COFINS, estando atendidas todas as condições legais. Havendo a suspensão, procede a glosa do crédito integral tomado pelo adquirente, mas preserva-se o direito ao cômputo do crédito presumido, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004. PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. INSUMOS. DESPESAS OPERACIONAIS. ATIVO IMOBILIZADO. PREÇO E TEMPO DE VIDA ÚTIL. PARÂMETROS PARA O DIREITO DE CRÉDITO. Nos termos do art. 30, da Lei n° 9.249/95 (art. 15, do Decreto-Lei 1.598/77 e art. 301, do Decreto n° 3.000/99 - RIR/99), o valor da aquisição de partes e peças de máquinas do setor produtivo da indústria, poderá ser deduzido diretamente como despesa operacional se não superior a R$326,01, ou o prazo de vida útil que não ultrapasse a um ano, concedendo o respectivo direito ao crédito na qualidade de insumo. Quando não atendidos pelo menos um desses parâmetros, o bem ou direito deverá ser registrado no ativo permanente, passando a ser depreciado à taxa legal aplicável ao bem ao qual a parte ou peça está vinculado, gerando crédito através dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3°, §1°, III, da Lei n° 10.833/2003, devendo ser recomposto o cálculo dos créditos objeto de ressarcimento. Recurso Provido em Parte. Crédito Parcialmente Reconhecido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   2 Procede a glosa de créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens  adquiridos  para  revenda  e  não  empregados  como  insumo  no  processo  produtivo,  quando  revelar­se  terem  sido  consumidos  pelo  estabelecimento  empresarial.  CRÉDITO  SOBRE DISPÊNDIOS  PREVISTOS  NO ART.  3º,  II,  DA  LEI  10.833/2003. CONCEITO DE  INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA  E  DEPENDÊNCIA  COM  O  PROCESSO  DE  PRODUÇÃO  E  FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.  No  regime  de  apuração  não  cumulativa  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados  como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°,  II,  das  Leis  n°s  10.637/02  e  10.833/03),  está  condicionado  a  relação  de  pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação  do bem ou prestação de  serviços pelo  contribuinte,  analisada em cada  caso  em  concreto,  não  sendo  aplicável  o  conceito  restrito  das  IN’s  247/02  e  404/04,  que  equiparou  o  insumo  aos  produtos  intermediários  no  âmbito  do  IPI  e  nem  o  conceito  mais  elástico  de  despesa  necessária  previsto  para  o  IRPJ.  PIS  E  COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  FRETES  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DO  MESMO  CONTRIBUINTE.  AUSÊNCIA DE CRÉDITO.  O  valor  das  despesas  com  serviços  de  transporte  (fretes  e  carretos)  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se  enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs  10.637/2002  e  10.833/2003  e,  também,  não  estar  relacionada,  expressa  e  taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei nº 10.833/2003,  pois  trata­se de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de  fabricação.   PIS  E  COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO  SOBRE  SERVIÇOS  DE  ARMAZENAGEM.  SERVIÇOS  PORTUÁRIOS.  ABRANGÊNCIA E LIMITES.  Concedem  o  crédito  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS  os  serviços  de  armazenagem,  sendo  a  esta  inerentes  os  serviços  portuários  que  compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção,  movimentação  e  realocação,  deslocamentos  e  a  taxa  de  selagem  de  conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem  e  nem  de  frente  das  operações  de  venda,  os  serviços  de  capatazia,  taxa  de  liberação  de  BL,  despachantes  aduaneiros  nas  exportações,  os  quais  revestem­se da natureza de despesas administrativas ou de vendas.   PIS  E  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  LEIS  NºS  10.637/02,  10.833/03  E  11.033/04.  AQUISIÇÕES  DE  INSUMOS  SUJEITOS  A  ALÍQUTA  ZERO  COM  SAÍDA  SUBSEQUENTE  PARCIALMENTE  TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL.  O inciso II, no §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, veda o  desconto de crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das  contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente sujeitar­se  à  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  das  contribuições,  de  modo  que  quando  a  operação  subsequente  for  parcialmente  tributada,  deve  ser permitido o direito ao desconto de créditos proporcionalmente às receitas  Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.505          3 de vendas  sujeitas  a  incidência  tributária,  os quais podem ser mantidos nos  termos do art. 17, da Lei nº 11.033/04. Glosa parcialmente mantida.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  PIS  E  COFINS.  ALÍQUOTA  DE  PRESUNÇÃO DO CRÉDITO. PRODUTO EM FABRICAÇÃO.  O montante  de  crédito  presumido  é determinado pela  aplicação  da  alíquota  relativa ao produto a ser produzido e das mercadorias a serem vendidas e não  pelos insumos adquiridos, sendo que no caso de frigorífico que industrializa  produtos para a alimentação humana, a alíquota aplicável é de 60% (sessenta  por cento).   PIS  E  COFINS.  AGROINDÚSTRIA.  COMPRAS  COM  SUSPENSÃO.  CRÉDITO  INTEGRAL.  DESCABIMENTO.  DIREITO  AO  CRÉDITO  PRESUMIDO.  A condição de que  fossem editados  “termos  e  condições  estabelecidos pela  Secretaria da Receita Federal  ­ SRF”, prevista no §2°, do art. 9°, da Lei n°  10.925/2004,  não  impede  a  incidência  da  norma  de  suspensão  de  PIS  e  de  COFINS, estando atendidas todas as condições legais. Havendo a suspensão,  procede a glosa do crédito integral tomado pelo adquirente, mas preserva­se o  direito  ao  cômputo  do  crédito  presumido,  nos  termos  do  art.  8°,  da Lei  n°  10.925/2004.  PIS  E  COFINS.  AQUISIÇÃO  DE  PARTES  E  PEÇAS.  INSUMOS.  DESPESAS  OPERACIONAIS.  ATIVO  IMOBILIZADO.  PREÇO  E  TEMPO  DE  VIDA  ÚTIL.  PARÂMETROS  PARA  O  DIREITO  DE  CRÉDITO.  Nos termos do art. 30, da Lei n° 9.249/95 (art. 15, do Decreto­Lei 1.598/77 e  art. 301, do Decreto n° 3.000/99 ­ RIR/99), o valor da aquisição de partes e  peças  de  máquinas  do  setor  produtivo  da  indústria,  poderá  ser  deduzido  diretamente  como  despesa  operacional  se  não  superior  a  R$326,01,  ou  o  prazo  de  vida  útil  que  não  ultrapasse  a  um  ano,  concedendo  o  respectivo  direito ao crédito na qualidade de insumo. Quando não atendidos pelo menos  um  desses  parâmetros,  o  bem  ou  direito  deverá  ser  registrado  no  ativo  permanente, passando a ser depreciado à taxa legal aplicável ao bem ao qual  a  parte  ou  peça  está  vinculado,  gerando  crédito  através  dos  encargos  de  depreciação, nos termos do art. 3°, §1°, III, da Lei n° 10.833/2003, devendo  ser recomposto o cálculo dos créditos objeto de ressarcimento.  Recurso Provido em Parte.  Crédito Parcialmente Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, Resolvem os membros da 2ª TO/4ª  CÂMARA, 1) por unanimidade, em: 1.1 ­ dar provimento quanto aos créditos relativos a cabo  bisturi e pallets de madeira, às situações em que a CFOP supostamente não seria de aquisição,  aos serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres e quanto à  alíquota  para  cálculo  dos  créditos  presumidos  nas  atividades  agroindustriais;  1.2  ­  dar  provimento  parcial  para  admitir  os  créditos  dos  serviços  de  despachante  aduaneiro  na  Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   4 importação,  das  despesas  com  pesagem,  monitoramento,  desova,  inspeção,  movimentação  e  realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, quanto às aquisições de partes e  peças e à aquisição de insumos de pessoa jurídica, nos termos do voto do relator; 1.3 ¿ negar  provimento quanto aos serviços de vigilância, às despesas com energia elétrica e à CFOP 3556,  nos termos do voto do relator. 2) por maioria, em dar provimento quanto aos créditos relativos  à  aquisição  de  bens  utilizados  como  insumos  ou  para  revenda  sujeitos  à  alíquota  zero.  Vencidos  os  Conselheiros Mônica  e  Luiz  Carlos  Shimoyama.  3)  por  voto  de  qualidade,  em  negar provimento quanto aos créditos de frete de produto acabado entre os estabelecimentos da  contribuinte.  Vencidos  os  Conselheiros  Fernando  Luiz  da  Gama  Lobo  D'Eça,  João  Carlos  Cassuli  Junior  (Relator)  e  Francisco Maurício Rabelo  de Albuquerque  e  Silva. Designado  o  Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor.      (assinado digitalmente)  Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto     (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator    Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA  (Presidente),  FERNANDO  LUIZ  DA  GAMA  LOBO  D’EÇA,  MONICA  MONTEIRO  GARCIA  DE  LOS  RIOS  (SUPLENTE),  JOÃO  CARLOS  CASSULI  JUNIOR,  LUIZ  CARLOS  SHIMOYAMA  (SUPLENTE),  FRANCISCO  MAURICIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA,  a  fim  de  ser  realizada  a  presente  Sessão  Ordinária.  Ausentes,  justificadamente,  os  conselheiros  GILSON  MACEDO  ROSENBURG  FILHO  e  NAYRA  BASTOS MANATTA.  Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.506          5 Relatório  Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS não  cumulativa,  vinculados  à  receita  de  exportação,  no  valor  de  R$  16.764.116,11  (dezesseis  milhões setecentos e sessenta e quatro mil cento e dezesseis reais e onze centavos), relativos ao  1º trimestre do ano calendário de 2008.  Após ser iniciado pela DERAT/SPO, o processo passou a ser conduzido pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis em virtude da transferência da sede do  contribuinte, a qual, após deflagrar procedimentos de análise e coleta de dados e informações,  proferiu despacho decisório pelo qual  indeferiu o pleito, não homologando as declarações de  compensações vinculadas (fls. 3196/3235 – ne.).  Afirmou a autoridade fiscal que após análise do Pedido de Ressarcimento de  créditos  de  PIS/Pasep  e  de  COFINS,  foram  lavrados  os  despachos  decisórios,  objetos  de  análise  dos  créditos  do  sujeito  passivo  (processos  nº16349.000285/200924,  16349.000277/200988,  16349.000286/200979  e  16349.000278/200922)  bem  como  Auto  de  Infração,  por  meio  do  qual  foram  constituídos  créditos  tributários  relativos  a  valores  não  tributados  pelo  contribuinte  (processo  nº  11516.721199/2012­61,  abrangendo  os  1°  e  2°  Trimestres/2008).  Esclareceu  o  Despacho  Decisório  que  após  minuciosa  análise  dos  créditos  informados nos DACON, cotejados com notas fiscais e informações prestadas para formação  do cálculo dos créditos e, com base na legislação vigente à época, houve glosa das NF´s não  apresentadas na memória de cálculo ou que não se enquadravam nas hipóteses de creditamento,  indicando no relatório fiscal a listagem das mesmas. Com base no Despacho Decisório, houve  exclusão dos valores referentes à:  1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda (linha 01 da ficha  16A):  a) Aquisição de bens utilizados como  insumos e  sujeitos a alíquota zero de  PIS/Pasep e Cofins;  b) Aquisições de bens que não foram de fato revendidos, e sim consumidos  na empresa, tais como GUARANA ZERO e PEPSI TWIST LIGHT;  2.  Aquisição  no  Mercado  Interno  de  Bens  Utilizados  como  Insumos  (linha 02 da ficha 16A):  a)  Aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo,  conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404,  de 12 de março de 2004; cita "CABO BISTURI NR 4" e "pallet de madeira";  b)  Despesas  com  os  serviços  de  fretes  contratados  para  transferências  de  produtos acabados entre as unidades da empresa, constantes da memória de  cálculo sob a denominação "SERVIÇO FRETE E CARRETO";  Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   6 c) Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar créditos  a  descontar,  de  acordo  com  o  art.  3º,  §2º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003;   d) Notas  fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e  nem outra operação com direito a crédito;   e)  Notas  fiscais  que  representam  aquisições  de  pessoas  jurídicas  e  que  deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e COFINS, a  teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004;  3. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 16A Linha 03 – nos termos do  art. 8º, §4º,  inc.  I, alínea “b” da  Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de  março  de  2004,  havendo  glosa  dos  valores  das  aquisições  descritas  como  serviço  de  processamento  de  resíduos,  serviço  de  vigilância  ou  serviço  de  despachante aduaneiro;  4. Despesas de Energia Elétrica Ficha 16A – Linha 04 – foram glosadas as  diferenças positivas  entre os valores  informados na DACON e na memória  de cálculo;   5. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 16A  – Linha 07 – Houve glosa dos valores relativos a Serviço Portuário, e outros  que  não  se  enquadram  no  prescrito  pelo  art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  nº  10.833/2003;  6.  Créditos  Presumidos  Atividades  Agroindustriais  linha  25  – Alude  o  fato de que a maioria das incorreções é acerca da interpretação da legislação  sobre  aquisição  de  insumos  beneficiados  com  crédito  presumido,  havendo  apropriação de créditos à alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que  não se enquadram nas condições da legislação. Para as aquisições de insumos  que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem  no  inciso  II  (soja e derivados) ou no  inciso  III  (demais)  foram  apropriados  créditos  presumidos  de  3,8%  (50%  de  7,6%)  e  2,66%  (35%  de  7,6%),  respectivamente;  7.  Aquisição  no  Mercado  Externo  de  Bens  Utilizados  como  Insumos  linha 02 da ficha 16B   a)  Aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo,  conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404,  de  12  de  março  de  2004,  em  especial,  as  partes  de  máquinas  e  peças  de  reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do  aumento  do  tempo  de  vida  útil  do  bem  que  a  substituição  da  peça  proporciona;   b) Valores das  importações  cujos CFOP não  geram créditos  a descontar  de  PIS/Pasep e COFINS;  c) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de  PIS/Pasep e COFINS;  8.  Do  Recálculo  dos  Saldos  da  Ficha  25B  –  Informa  que  em  face  das  correções  feitas  nas  DACON,  e  consecutivamente  do  saldo  a  pagar  da  Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.507          7 COFINS não declarado em DCTF, se faz necessário o lançamento através do  auto de infração, que poderá analisar também as saídas tributárias não citadas  nesse  processo,  podendo  resultar  alterações  nos  valores.  Sendo  objeto  de  análise  do  processo  digital  nº  11516.721199/2012­61,  e  por  tratar­se  dos  mesmos fatos, deve ser movimentado e julgado em conjunto;  9. Do controle dos Saldos da Ficha 24 – Esclarece que em função dos autos  de infração relativos ao ano calendário de 2006 e 2007, os saldos iniciais da  linha "01. Saldo de Crédito de Meses Anteriores” foram zerados em todos os  tipos  de  crédito.  Salienta  que  por  conta  de  tais  glosas,  zerou­se  os  saldos  finais da linha 14.CRÉDITO REMANESCENTE, ficha 24, em todos os tipos  de crédito, à exceção do Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado  à Receita de Exportação no mês de março (R$ 422.350,15), que está sendo  totalmente aproveitado no auto de infração de que trata o citado processo nº  11516.721199/2012­61.   DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado do despacho decisório em 25/05/2012 (fls. 3248), o interessado  apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 3256/3412), alegando em  apertada síntese:  Preliminarmente:  Nulidade  do  despacho  decisório  por  violação  do  princípio  da motivação,  e  por consequência o cerceamento de defesa e violação do devido processo legal administrativo;  A  inconstitucionalidade das  leis que regem o regime não cumulativo para a  contribuição  de  PIS/Pasep  e  COFINS,  e  a  impossibilidade  da  restrição  de  créditos  pelo  legislador infraconstitucional;  A  ilegalidade  das  Instruções  Normativas  n°  247/2002  n°  404/2004  que  restringem  o  conceito  de  insumo  estabelecido  pelas  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003,  havendo glosas de insumos que seriam necessários e inerentes à atividade econômica do sujeito  passivo.  Meritoriamente:  Bens  Adquiridos  no  Mercado  Interno  para  Revenda  –  rebate  os  argumentos utilizados pela autoridade fiscal, no sentido de que diante da não cumulatividade,  do  conceito  de  insumo  o  art.  17  da  Lei  nº  11.033/04,  é  possível  manter  os  créditos  nas  aquisições  dos  bens  por  ela  própria  consumidos,  entre  eles  o  refrigerante,  e  dos  insumos  adquiridos a alíquota zero.  Bens utilizados como insumos   a.  Aquisições  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  –  Ressalta que a glosa foi efetuada de forma genérica. Cita como exemplos de insumos: os  fios  de poliéster e de algodão, fita sanitária, luvas, faca, suporte de faca, encosto de faca, cabo de  bisturi,  e  outros  materiais  que  classifica  dentre  “peças  de  reposição  e  serviços  gerais”,  “material de segurança”, “material para conservação e  limpeza” e “material de embalagem e  Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   8 etiquetas”, ainda defende ser legítimos os créditos dos pallets, bolsa térmica, caixa de proteção  e  afins.  Especificamente  sobre  os  pallets,  baseia­se  no  art.  3º,  inciso  IX,  das  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003  para  manter  o  crédito.  Defende  a  legitimidade  dos  créditos  oriundos da gasolina, por permitir o exercício da atividade econômica.   b. Pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre as  unidades  da  empresa  –  descreve  os  fretes  praticados  até  o  destinatário  final,  alegando  ter  direito  ao  crédito  por  ser  necessário  em  várias  etapas  do  processo  de  industrialização  para  auferimento de receita.  c. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero – inicialmente destaca erro de  classificação fiscal por parte do fisco nos produtos tributados como alíquota zero, nos termos  do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Segue defendendo a manutenção do crédito no  tocante aos  produtos agropecuários, mesmo que comercializados à alíquota zero com fulcro no art. 8º da  Lei n. 10.925/2004. Elenca os produtos (vacinas, antibiótico, amoxicilina, dentre outros) para  afirmar  que  são  vinculados  aos  insumos,  passíveis  de  ressarcimento.  Finaliza  argumentando  que “a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação  na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva,  além de tornar o tributo confiscatório”.  d. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra  operação com direito a crédito – apesar dos CFOPs das notas fiscais terem sido analisados de  forma  genérica,  explica  que  pela  noção  de  insumos  já  citada  na  manifestação  de  inconformidade, não há dúvidas sobre os créditos oriundos dos mesmos  (faca,  lâmina, mola,  sensor de temperatura, martelo, rolamento, adesivo, gás GLP, disco de corte, peneira, entre  outros).    Discorre  sobre  a  glosa  de  etiqueta  para  fatiados,  sacolas  big  bag,  adesivo  perdigão,  folha  plástica  incolor,  saco  plástico,  bolsa  térmica,  entre  outros.  Transcreve  determinações da ANVISA para demonstrar que na atividade de produção de alimentos não se  pode  reconhecer  como  embalagem  apta  a  gerar  crédito  somente  aquela  de  apresentação  ao  consumidor final.  Debate  o  direto  ao  crédito  das  despesas  com  serviço  de  industrialização  da  ração  feita  por  encomenda  a  outra  pessoa  jurídica,  por  se  tratar  de  insumo  destinado  à  alimentação de animais são matéria­prima do produto industrializado.  e.  Notas  fiscais  que  representam  aquisições  de  pessoas  jurídicas,  que  deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e COFINS – Defende que  o crédito integral deve ser mantido pelas aquisições ocorrerem mediante  tributação de 9,25%  (COFINS + PIS). Alega ser a Lei nº 10.925/2005 somente aplicável quando houver venda com  suspensão  de  PIS  e  COFINS; Havendo  aquisição  de  insumo  sem  a  suspensão,  sustenta  que  aplica­se o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que, “pode­se concluir da  redação  descrita  pela  IN  SRF  nº  660/2006  e  a  posterior  alteração  dada  pela  IN  RFB  nº  977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia  de  procedimentos  formais  (declaração).  Caso  seus  argumentos  não  sejam  acatados,  a  interessada pugna que  se  reconheça  procedência  parcial  do  crédito, mediante  aplicação do  percentual do crédito presumido”.  f. Serviços utilizados como insumos Ficha 16A e 16B Linha 03 – Defende  a  improcedência  das  glosas  dos  serviços  não  acolhidos  como  insumos,  argumentando  que  “todos  os  bens  e  serviços  adquiridos  que  tenham  por  finalidade  a  higiene,  limpeza,  desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação  Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.508          9 dos  órgãos  públicos  de  controle,  devem  ser  considerados  inerentes  e  essenciais  à  atividade  econômica e, assim, qualificados como  insumos.”  Inclui  como passíveis de  ressarcimento os  serviços de despacho aduaneiro.  g. Importação de bens utilizados como insumos Ficha 16B Linha 02 – “A  recorrente  contesta  as  glosas  das  aquisições  no  mercado  externo  alegando  que  há  que  se  reconhecer  a viabilidade  do  crédito  em  tais  operações,  por  expressa previsão  legal,  uma vez  que a Lei nº 10.865/2004, art. 15, ao disciplinar à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e  da  Cofins  na  importação  de  bens  e  serviços,  permitiu  o  emprego  de  tais  créditos  para  abatimento  das  contribuições  previstas  nas  Leis  nº  10.637/2002  (PIS)  e  nº  10.833/2003  (Cofins).  Alega  que,  assim  sendo,  há  direito  a  crédito  em  relação  às  aquisições  de  peças  e  máquinas,  bens  que  claramente  a  legislação  permite  reconhecer  como  insumo,  já  que  estão  vinculados à atividade produtiva da empresa. Alternativamente, defende que, caso se entenda  se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, ‘ao menos, há de se considerar  o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)’”.  Alega cerceamento de defesa e ausência de fundamentação dos bens glosados  sobre operações de importações sobre o CFOP 3551, 3556 e 3949.  Prossegue argumentando que há previsão legal que permite crédito de PIS e  COFINS  para  a  hipótese  de  aquisição  de  ativo  imobilizado,  salvo  se  usado  (não  sendo  o  presente  caso);  em  relação  aos  demais  itens  glosados,  a  noção  ampla  de  insumo  permite  o  ressarcimento pleiteado.  Energia Elétrica  ­  Ficha  16A  – Linha  04  –  Informa  erro  na memória  de  cálculo apresentada, solicitando a manutenção dos corretos valores informados na DACON.  Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda ­ Ficha 16A –  Linha 07 – Afirma ser devido o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido  com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; o  frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral.  Créditos  Presumidos  das  atividades  agroindustriais  –  Ficha  16A  –  “Defende a manutenção do crédito referente a bens adquiridos a alíquota zero com fundamento  no  art.  17  da  Lei  nº  11.033/2004,  inclusive  em  caso  de  revenda.  Em  relação  aos  Créditos  Presumidos  das  atividades  agroindustriais,  a  contribuinte  afirma  que  a  Lei  nº  10.925/94,  no  artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo  do  crédito  presumido  às  pessoas  jurídicas  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal,  destinadas  à  alimentação  humana  e  classificadas  nos  capítulos  e  códigos  que  indica,  não  vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de  produto  que  é  produzido  com  o  bem  adquirido.  Assim,  defende  a  legitimidade  do  crédito  presumido  apurado  no  percentual  de  60% da  alíquota,  em  relação  aos  insumos  destinados  à  fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2  a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras  ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.”  Multa e  juros  ­ A recorrente  contesta o  lançamento dos  juros calculados à  taxa Selic  que  é  de  1%  (um  por  cento)  ao mês,  nos  termos  do  artigo  161,  §  1º,  do Código  Tributário  Nacional.  Alega  ainda  ser  indevida  a  incidência  de  juros  sobre  a  “multa  exigida  conjuntamente  com  a  contribuição  (tributo)  supostamente  devido”,  por  ausência  de  previsão  legal e pelo caráter confiscatório.  Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   10 Por fim, requer a procedência da manifestação de inconformidade para que se  reconheça  a  nulidade,  ou  improcedência  do  indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento,  conforme  razões  expostas.  Solicita  a  prova  pericial  para  avaliação,  especialmente,  dos  bens,  produtos,  serviços  e  materiais  glosados  pelo  fisco.  Requer  ainda  a  juntada  posterior  de  documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do caso.  DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA   Em  análise  e  atenção  aos  pontos  suscitados  pela  interessada  na  defesa  apresentada,  a  Quarta  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis/SC, proferiu o Acórdão de nº. 07­31.190, nos seguintes termos:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  ANO CALENDÁRIO: 2008  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  Legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  constitucionalidade  e  ilegalidade de atos legais regularmente editados.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE  É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a  existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição  ou ressarcimento e compensação.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA.  ÔNUS DO CONTRIBUINTE.  Nos  processos  administrativos  referentes  reconhecimento  de  direito creditório, deve o contribuinte, em sede de manifestação  de  inconformidade,  provar  o  teor  das  alegações  que  contrapõe  aos  argumentos  postos  pela  autoridade  fiscal  para  não  reconhecer,  ou  reconhecer  apenas  parcialmente  o  direito  pretendido.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  APURAÇÃO  DO  CRÉDITO. DACON  A  apuração  dos  créditos  das  Contribuições  para  o  PIS  e  da  Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio  do  Dacon,  não  cabendo  a  autoridade  tributária,  em  sede  do  contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de  cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou  incorretamente informados neste demonstrativo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  ANO CALENDÁRIO: 2008  Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.509          11 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES  DE CREDITAMENTO.  As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de  apuração  da Cofins  são  somente  as  previstas  na  legislação  de  regência,  dado  que  esta  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis  de  creditamento,  não  estando  suas  apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade  na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade  como custo operacional.  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO  DE INSUMO.  No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados  como  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  valores:  os  combustíveis  e  lubrificantes,  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  de  sua  aplicação  direta  na  prestação  de  serviços  ou  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  venda;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda.  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO  DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO.  Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a  créditos calculados a alíquota regular da Cofins não cumulativa  sobre as aquisições de pessoas físicas.  COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO  DE  BENS  NÃO  SUJEITOS  AO  PAGAMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO.  Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a  créditos  da Cofins  não cumulativa  sobre  as  aquisições  de  bens  ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.  COFINS.  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS  COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO.  No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com  serviços  de  frete  somente  geram  crédito  quando:  o  serviço  consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma  operação  de  venda,  tendo  as  despesas  sido  arcadas  pelo  vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação  de  aquisição  de  insumo,  tendo  as  despesas  sido  arcadas  pelo  adquirente.  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  SUSPENSÃO  DA  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO.  REQUISITOS  ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.  Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   12 É  obrigatória  a  suspensão  estabelecida  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/2004  na  operação de  venda dos  produtos  a  que  este  se  refere,  quando o adquirente  seja pessoa  jurídica  tributada com  base  no  lucro  real,  exerça  atividade  agroindustrial  e  utilize  o  produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de  produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº  660/2006.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  ATIVIDADE  AGROINDUSTRIAL.  CRÉDITO PRESUMIDO.  No âmbito do  regime não cumulativo  da Cofins,  a  natureza do  bem  produzido  pela  empresa  que  desenvolva  atividade  agroindustrial  é  considerada  para  fins  de  aferir  seu  direito  ao  aproveitamento  do  crédito  presumido,  já  no  cálculo  do  crédito  deve  ser  observada  a  alíquota  conforme  a  natureza  do  insumo  adquirido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inicialmente a DRJ salienta a minuciosa análise de notas fiscais e memórias  de cálculo fornecidas pelo sujeito passivo, transcrevendo todas as averiguações realizadas para  se chegar  aos valores glosados e especificados  individualmente pelo  fisco, pelo que  rejeita  a  preliminar  de  cerceamento  de  defesa,  não  havendo que  se  falar  em ofensa  aos  princípios  de  motivação, ampla defesa, devido processo legal, e por fim, nulidade do despacho decisório.  Quanto a inconstitucionalidade de leis, a ilegalidade das IN’s, e o conceito  de  insumo,  ressalta  que  as  autoridades  fiscais  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária e que são  incompetentes para  arguições de  inconstitucionalidades e  ilegalidades de  atos expressos em lei. Declara que a não cumulatividade do PIS e da COFINS está prevista em  legislação  ordinária,  sendo  enumerada  de  forma  exaustiva,  os  custos,  encargos  e  despesas  capazes de gerar crédito.  Em  relação  ao  ônus  da  prova  no  direito  creditório,  ressalva  que  é  atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do mesmo.  Após  tais  considerações  preliminares  e  gerais,  aborda  cada  uma  das  glosas  efetivadas  pela  autoridade  fiscal  e  contestada  pelo  contribuinte,  acatando  integralmente  os  argumentos  e  fundamentos  utilizados  pelo  Despacho  Decisório,  mantendo  as  exclusões  de  créditos  já  procedidas  pela  DRF/Florianópolis  essencialmente  sob  os  mesmos  fundamentos,  julgando improcedente a manifestação de inconformidade.  DO RECURSO  Ciente em 28/06/2013, conforme AR de fls. 3418 (numeração eletrônica) do  Acórdão  nº.  07­31.190,  o  contribuinte  apresentou  em  11/07/2013 Recurso Voluntário  a  este  Conselho, postado via correio, repisando os argumentos utilizados quanto ao mérito em sede de  manifestação de inconformidade, alegando, ainda, que:  Foram delimitadas e contestadas todas as glosas, uma a uma, ao contrário do  alegado pela autoridade julgadora.  Houve nulidade no indeferimento do pedido de perícia, formulado segundo a  legislação e resultando no cerceamento de defesa, e violação ao princípio da motivação, à luz  Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.510          13 dos artigos 16, 17 e 28 do Decreto 70.235/72 e artigos 29 e 47 da lei 9.784/99. Salienta que o  pedido de perícia  tem por objetivo de esclarecer os  aspectos  técnicos de bens  e  serviços  em  face dos insumos utilizados no processo produtivo.  Alega  não  haver  justificativa  de  elementos  fáticos  e  jurídicos  que  justificassem  as  glosas  dos  itens  utilizados  como  créditos,  mas  que  foi  feita  de  forma  exemplificativa (Havendo 2.000 folhas com 60 itens em cada ­ todos glosados).   Acrescenta  as  poucas  notas  fiscais  apresentadas  ao  fisco  e  a  disposição  em  apresentá­las, ressalvando que o fato de ter sido elaborada planilha listando os itens glosados  não cumpre o requisito de legalidade do ato administrativo, devendo ser expressa a motivação  (fática  e  jurídica),  explícita,  clara  ou  congruente.  Invoca  decisão  favorável  do  CARF  e  doutrinas neste mesmo sentido.   Por fim, reitera os mesmos fundamentos de fato e de direito já alinhados em  sua manifestação de  inconformidade e  requer o  provimento do  recurso voluntário. Ainda,  se  remanescentes  dúvidas,  que  seja  acatada  a  nulidade  da  decisão  proferida  ante  aos  inúmeros  equívocos  de  fato  e  direito  que  a  mesma  possui  e  diante  da  negação  de  perícia,  ou  ainda,  alternativamente,  solicita  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  se  comprovar  o  direito alegado.  DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  este  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até a folha  3491  (três  mil,  quatrocentos  e  noventa  e  um),  estando  apto  para  análise  desta  2ª  Turma  Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF.  É o relatório.  Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   14 Voto Vencido  Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator.  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestividade,  portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente.  Havendo matérias tanto relativas as preliminares de mérito quanto a es  e, propriamente ditas, passo a análise de cada uma delas, separadamente.  I ­ PRELIMINARES:  I.a)NULIDADE  DA  DECISÃO  PELO  INDEFERIMENTO  DA  PERÍCIA (OU PEDIDO “ALTERNATIVO” DE DILIGÊNCIA):  A  primeira  questão  a  ser  analisada  diz  respeito  à  nulidade  da  decisão  recorrida  alegada  pelo  fato  de  ter  sido  denegada  a  perícia  solicitada.  Alternativamente,  a  Recorrente  alinha  pedido  alternativo,  no  sentido  de  suprir  as  supostas  falhas  no  Despacho  decisório, pela realização de diligência a ser designada por este Colegiado.  As  regras  sobre  nulidades,  no  Decreto  nº  70.235/72,  estão  contidas  basicamente em três artigos, a saber:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §2º.  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta.   Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Art.  61. A nulidade  será declarada pela autoridade competente  para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  Depreende­se  que  as  nulidades  absolutas,  em princípio,  se  cingem aos  atos  com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De  Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.511          15 outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo ­ artigo 60 ­ por medida de  economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado.  No  caso  vertente,  a  Recorrente  pleiteou  que  fosse  realizada  perícia,  formulando  quesitos  e  indicando  assistente  técnico.  Como  a  decisão  da  DRJ  entendera  prescindível a realização desta providência e que era ônus do contribuinte a produção da prova  que entendia pertinente, houve por bem em indeferir sua realização.  Diante  desta  negativa  de  produzir  a  prova  requerida  pela  Requerente,  esta  então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada  haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa.  Ocorre  que  o  deferimento  de  perícia  solicitada  pela  contribuinte  é  ato  discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferi­la por considerá­la desnecessária ou  prescindível,  se  entender  que  no  processo  constam  todos  os  elementos  necessários  para  a  formação de sua convicção de julgador, conforme o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72  (PAF), a seguir transcrito:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferido  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação  dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93).  Assim sendo, não cabe ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que  a mesma se fundamentou na prescindibilidade da prova solicitada pela Recorrente, segundo a  sua convicção da análise do caso em concreto, na sua ótica.  E,  nesse  sentido,  já  adentrando  no  requerimento  de  produção  de  prova  pericial  ou  de  conversão  do  julgamento  em  diligência,  do  mesmo  modo  e  pelos  mesmos  fundamentos adotados pela decisão recorrida, no caso em concreto igualmente se entende não  seja  o  caso  de  renovar  a  instrução  probatória  nesses  autos,  eis  que  os  elementos  aqui  já  colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do  julgamento  em  torno  das  matérias  de  direito  que  dos  fatos  que  deles  acorrem,  pelo  que  igualmente se entende ser possível julgar o processo no estágio em que se encontra.  Assim, de forma absolutamente sucinta, tenho que, em respeito às normas de  regência do Processo Administrativo Fiscal (arts. 16, 18 e 28 do Decreto 70.235/72), a prova  técnica  pericial  é  elemento  posto  à  disposição  da  Administração  Pública  –  e  também  dos  contribuintes, aplicável quando o processo careça de análise especializada da matéria, para que  se tenha um resultado justo.  Ademais, como também já assentou o E. STJ, analisando preceito do Codex  Processual,  aplicável  supletivamente  ao PAF,  “o  artigo 131 do CPC consagra o princípio da  persuasão racional, habilitando o magistrado a valer­se do seu convencimento, à luz dos fatos,  provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao  caso  concreto,  constantes  dos  autos.  Nada  obstante,  compete­lhe  rejeitar  diligências  que  delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da  celeridade  processual.  (cf.  REsp  886.695/MG,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari  Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   16 Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no  REsp 896045/RN, Reg. nº 2006/0229086­1, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX,  Publ. in DJU de15/10/2008).  Entendo,  portanto,  que  as  provas  já  constantes  dos  autos,  assim  como  as  matérias já em debate, permitem a formação da convicção necessária ao julgamento.  Consequentemente, rejeito a preliminar de nulidade aventada.  I.b)NULIDADE  DO  LANÇAMENTO/DESPACHO  DECISÓRIO  POR  AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS E PROVAS  No que  se  refere  a  esta  preliminar,  tenho  que  em verdade  ela  acaba  por  se  confundir com a questão da perícia ou com o pedido de diligência, de modo que a conclusão  segue o mesmo caminho, ou seja, entendo que não é o caso de nulidade do Despacho Decisório  pelo indeferimento do ressarcimento dos créditos por ausência de produção de provas.  E isto porque, os documentos ou provas que segundo a Recorrente estariam a  cargo da Administração para infirmar os registros que foram informados pelo contribuinte nas  DACON,  na  realidade  poderiam  ser  contrapostos  com  provas  que  foram  apresentadas  por  amostragem  pela  empresa,  mas  que  foram  analisadas  por  ambas  as  partes  na  fase  de  fiscalização.   Aquelas  provas  e  documentos  que  estariam  no  âmbito  probatório  do  contribuinte para demonstrar que seus bens adquiridos para revenda, ou os  insumos glosados  tem esta ou aquela aplicabilidade no processo produtivo, o foram apresentados nos autos, ainda  que por amostragem, ou então, estão no âmbito do conhecimento notório em face da reiteração  dos  julgamentos  de  questões  similares  a  esta,  que  podem  seguir  o  mesmo  método  que  foi  empregado  pela  própria  Administração  até  este  momento,  partindo  da  análise  dos  itens  que  foram glosados pelo Despacho Decisório, que foram objeto de inconformidade, de decisão pela  DRJ e do Recurso, compondo o objeto do litígio aqui apreciado.  Entendo  que  encontram­se  nos  autos  os  documentos  e  as  informações  necessárias para a formação da convicção dos julgadores e que permitem a ampla defesa, não  sendo o  caso de produção de provas  adicionais destinadas a contrapor os  registros  efetuados  pelo sujeito passivo em sua contabilidade, ou para ilustrar com exemplos as glosas efetivadas  pela Administração.  Assim, tenho que não seja o caso de decretar­se a nulidade do processado por  falta  de  documentos  e  provas  a  cargo  da  Administração,  para  dar  guarida  as  afirmações  contidas no Despacho Decisório e para fundamentar o indeferimento dos créditos.  Com  fundamento  em  tais  razões,  entendo  que  seja  o  caso  de  rejeitar  a  preliminar arguida pela Recorrente.  I.c) PRELIMINAR: NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO  E POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  Novamente nos reportando às regras sobre nulidades, do já citado Decreto nº  70.235/72, dos arts. 59 a 61, tem­se que elas somente se caracterizariam quando efetivamente  ausentes a questão da competência ou com preterição do direito de defesa. Ou ainda, cotejando  referidos  preceitos  com  os  dispositivos  dos  arts.  10  e  11,  do  mesmo  Decreto,  igualmente  ocorreria em se constatando ausência dos requisitos lá relacionados.  Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.512          17 No  entanto,  a  análise  tanto  do  Despacho  Decisório  quanto  da  decisão  proferida  pela DRJ  não  são  carentes  de  fundamentação  ou motivação. Ao  contrário,  cuidam  inclusive  de  esclarecer  fatos  que  não  são  tratados,  por vezes,  com profundamente  tanto  pela  autoridade fiscal assim como pela própria empresa. Deste modo, também não cabe falar­se em  cerceamento  do  direito  de  defesa,  pois  que  a  Recorrente  defendeu­se  com  eloquência  sobre  todos os  fatos articulados  tanto pelo Despacho decisório quanto pela Decisão da instância de  piso.  Tenho,  portanto,  que  no  caso  em  análise,  não  se  verifica  a  ausência  de  motivação  da  decisão,  assim  como  também  não  se  verifica  defesa  genérica  por  parte  da  Recorrente  ou  mesmo  cerceamento  do  direito  de  defesa,  estando  presentes  nos  autos  os  elementos suficientes para extrair os pressupostos de mérito para se compreender as questões  postas  em  julgamento  que  permitem  tanto  o  exercício  do  amplo  direito  de  defesa  da  parte,  quanto  a  formação  da  convicção  dos  julgadores,  para  que  sobre  cada  uma  das  questões  se  posicionem.  Assim, ausente à falta de motivação ou o cerceamento do direito de defesa,  rejeito a preliminar de nulidade.  II.NO MÉRITO  II.1) Glosas de Créditos sobre Aquisição de Bens para REVENDA:  a. Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero  de PIS/Pasep e COFINS;  Neste  item,  a  Administração  glosou  o  crédito  sob  o  fundamento  de  que  a  empresa  adquiriu  bens  descrevendo­os  como  sendo  “para  revenda”,  os  quais  ingressaram no  estabelecimento sob o pálio da “alíquota zero” de PIS/Pasep e COFINS.  A  Recorrente,  por  seu  turno,  afirma  que  tais  bens,  na  realidade,  foram  utilizados como  insumos pelo estabelecimento, e  independentemente disto,  foram revendidos  juntamente  com  o  produto  final,  devendo  gerar  o  direito  ao  crédito,  ainda  que  tenham  sido  adquiridos com à alíquota zero, pois que sustenta haver direito de manutenção de crédito, nos  termos do art. 17, da Lei n° 11.033/2004.  Considerando que há também outras glosas para as quais o direito aplicável  passa  pela  mesma  análise,  esse  tema  será  tratado,  para  todos  os  itens  glosados,  em  tópico  separado.  b.  Aquisições  de  bens  que  não  foram  de  fato  revendidos,  e  sim  consumidos na empresa, tais como GUARANA ZERO e PEPSI TWIST  LIGHT  Quando a estes  itens, a  legislação de regência é clara em negar o direito ao  crédito, consoante art. 3°, da Lei 10.833/2003, abaixo transcrito:  Art.  3° Do valor  apurado na  forma do  art.  2°  a  pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (...)  Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   18 II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  Considerando  que  os  itens  acima  foram  adquiridos  “para  revenda”,  e  não  foram  empregados  como  “insumo”  no  processo  produtivo  da  Recorrente,  tem­se  que  estão  enquadrados  no  inciso  I,  do  art.  3°,  citado,  tendo  sido  revelado  que  na  realidade  acabaram  sendo consumidos pelo estabelecimento.   Apenas  se  poderia  cogitar  de  conceder  o  crédito  em  se  superando  a  literalidade  do  preceito  legal,  o  que  somente  seria  obtido  por  órgãos  julgadores  do  Poder  Judiciário,  já  que  ao  CARF,  nos  termos  da  Súmula  n°  2,  não  é  dado  pronunciar  a  inconstitucionalidade de lei ou preceito normativo.  Assim,  ausentes  os  pressupostos  que  permitiriam  conceder  o  direito  de  crédito, merece ser mantida a glosa neste particular.  II.2) Glosas de Créditos sobre Aquisição de Bens ou Serviços utilizados  como INSUMOS  Como se atesta da análise dos autos, uma das principais questões debatidas  no processo diz respeito à interpretação e ao alcance da expressão “insumo”, contida no inciso  II,  do  artigo  3°,  das Leis  n°s.  10.637/2002  e  10.833/2003,  para  as Contribuições  ao PIS  e  à  COFINS,  respectivamente,  e  que  muito  tem  rendido  de  debates  na  comunidade  jurídica  tributária e fiscal pátria nos últimos anos.  Neste sentido, antes de adentrar nos itens que compuseram a glosa a título de  insumo,  no  caso  em  concreto,  é  mister  deixar  firmadas  as  premissas  que  presidem  o  entendimento deste Relator acerca da interpretação do conceito de insumo, sendo o que passo a  fazer.  Inicialmente, é sabido que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 instituíram, para  o  PIS  e  a  COFINS,  um  sistema  de  concessão  e  proibição  de  créditos  expressamente  mencionados, denominando­o de “não­cumulatividade”. Contudo, os contribuintes conheciam,  até então, somente a sistemática de apuração não­cumulativa aplicável ao IPI e ao ICMS, para  os quais o direito de crédito está relacionado ao pagamento  (ou “incidência”) de tais  tributos  nas  etapas  anteriores  de  produção  e  circulação  de  bens,  e,  ainda,  que  estão  balizados  pela  produção e circulação “física” de produtos ou mercadorias.  Para melhor posicionar, convém destacar o dispositivo legal das leis citadas  que em ambas estão no artigo 3º artigo, e que em seus incisos II, rezam especificamente haver  direito ao crédito pela entrada de “... bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de  serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”.  Ao assim dispor, considerando o grande número de produtos, bens e serviços  utilizados pelos contribuintes na produção ou fabricação, nem tudo pôde ali ser contemplado.  Ainda, as mesmas leis cometeram a grave omissão (sob o particular ponto de vista) de, ao se  referirem  aos  “insumos”  como  concessores  de  crédito,  não  definiram  ou  especificaram  o  alcance de seu conceito.  Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.513          19 É importante  frisar que para  fins  tributários, o  termo “insumo” nem sempre  representa o mesmo universo de bens ou serviços, como se tem exemplificado na apuração do  IPI e do  Imposto sobre a Renda – para citar  tais exemplos, por mais marcantes e  frequentes.  Enquanto no universo do primeiro o conceito de insumo está ligado aos bens “consumidos no  processo produtivo” no do segundo, corresponde a “custos e despesas necessárias”.  Assim, ao se referirem as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 ao direito de crédito  relativo a  insumos, sem  lhes delimitar a extensão,  trouxe consigo a dúvida se nesse conceito  estarão incluídas as despesas que se demonstram necessárias, mas não representam entradas de  bens  ou  serviços  utilizados  diretamente  na  produção,  fabricação  ou  na  comercialização  dos  produtos. Maior ainda a dificuldade de, ao elaborar uma “lista” de bens e serviços concedentes  de crédito, discernir o que representa insumo para umas atividades e não para outras.   O posicionamento da Receita Federal do Brasil, diante das dúvidas geradas,  tem sido o de restringir a eficácia do sistema previsto como não­cumulativo para uma técnica  de abatimento de créditos pontuais, sendo tal posicionamento externado através das Instruções  Normativas  n°s  247/02  e  404/04,  que  reconhecem  como  insumos  concessivos  de  crédito  somente aqueles bens ou serviços que são utilizados na fabricação ou produção dos bens tais  como a matéria prima, produtos  intermediários,  as  embalagens  e  “quaisquer outros bens que  sofreram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas no ativo imobilizado” (§ 4° do art. 8° da IN 404/04), ou seja, buscou aplicar ao PIS e  à  COFINS  o  conceito  de  insumos  utilizado  para  o  IPI,  desde  o  Parecer  CST  n°  65/79,  que  definiu  o  conceito  de  “produto  intermediário”  para  fins  deste  tributo  que  grava  a  industrialização.  No  entanto,  em  que  pese  referida  regulamentação  decorrer  de  competência  outorgada  pelas  próprias  Leis  nºs.  10.637/02  e  10.833/03,  é  assente  que  essa  delegação  de  competência  não  permite  às  normas  infralegais  inovarem  a  ordem  jurídica,  mas  apenas  disciplinarem os procedimentos para o  fiel  cumprimento da  lei  (art. 84,  IV, da CRFB­1988).  Ao  pretenderem  definir  o  alcance  do  conceito  do  que  seja  insumo,  aplicando  o  mesmo  raciocínio vigente para a disciplina do IPI, as citadas Instruções Normativas, no entendimento  particular,  olvidaram  dos  diversos  aspectos  vinculados  a  técnica  da  não  cumulatividade,  especialmente  o  fato  de  que  as  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS  gravam  a  “totalidade  das  receitas”,  e  não  apenas  produção  e  circulação  de  produtos/mercadorias,  fisicamente  considerados. E, ao partir dessa premissa por elas pressuposta (e não pela legislação) acabaram  inovando a ordem jurídica, o que lhes é vedado.  Nesta  mesma  linha  temos  o  entendimento  de  José  Antonio  Minatel,  ao  pontuar que:  ...essa  técnica  adotada  para  a  neutralização  da  incidência  daqueles  impostos, que como se disse gravam a circulação de bens (aqui tomada  em  seu  sentido  lato,)  não  tem  a  mesma  pertinência  que  a  recomende  Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   20 para  ser  introduzida no contexto da  tributação da  receita, por absoluta  falta  de  afinidade  entre  os  conteúdos  do  pressuposto  material  das  diferentes realidades. 1  Na mesma linha de entendimento leciona Marco Aurélio Greco, destacando a  impossibilidade de serem utilizados os conceitos do IPI na apuração do PIS e da COFINS não  cumulativos:  (...)  não  há  um  dispositivo  que,  categoricamente,  determine  que  “insumo” deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação  daquele  imposto  (...) o  regime de créditos existe atrelado à  técnica da  não­cumulatividade que, em se  tratando de PIS/COFINS não encontra  na  Constituição  perfil  idêntico  ao  do  IPI.  (...)  no  âmbito  da  não­ cumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 153, § 3°, II) restringe o crédito ao  valor do  imposto cobrado nas operações anteriores... Por  isso,  insumo  para  fins  de  não­cumulatividade  de  IPI  é  conceito  de  âmbito  restrito,  por  alcançar,  fundamentalmente,  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem.  Por  outro  lado,  nas  contribuições,  o  §  12  do  art.  195  da CF  não  fixa  parâmetros para o desenho da não­cumulatividade o que permite às Leis  mencionadas adotarem a  técnica de mandar calcular o  crédito  sobre o  valor  dos  dispêndios  feitos  com  a  aquisição  de  bens  e  também  de  serviços  tributados,  mas  não  restringe  o  crédito  ao montante  cobrado  anteriormente.  (...) No âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto  físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante que  poderá, ou não, ser considerado “insumo”... no âmbito do PIS/COFINS  a  referência  explícita  é  a  “produção  ou  fabricação”,  vale  dizer  às  ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a  partir  deste  referencial  deverá  ser  identificado  o  universo  de  bens  e  serviços reputados seus respectivos insumos.2  Com  efeito,  entendo  que  a  pretensão  das  citadas  Instruções  Normativas  editadas pela Receita Federal do Brasil está em desacordo com o comando normativo contido  nos arts. 3º, das citadas Leis, pois que não se poderia vincular a não cumulatividade inerente as  contribuições ao PIS e à COFINS, que gravam a receita bruta das empresas, ao pressuposto de  que  os  dispêndios  concessores  de  crédito  fossem  apenas  aqueles  ligados  fisicamente  ao  processo  produtivo,  no  sentido  de  entender  como  insumos  apenas  os  itens  que  neles  se  desgastam.  E  isto  porque,  fundamentalmente  inexiste  previsão  legal  para  tanto,  sendo  que a interpretação que se deve aplicar, em consonância com o comando do art. 109 do CTN,  deve guardar relação de proporcionalidade com o fato jurídico gravado pelo tributo, no caso, a  receita bruta, e não a produção ou circulação, fisicamente falando, de produtos ou mercadorias,  estes sim, vinculados ao IPI e ICMS.  É nesse sentido o entendimento contido no v. Acórdão proferido pelo TRF da  4ª  Região,  nos  autos  da  Apelação  Cível  Nº  0029040­40.2008.404.7100/RS,  em  14.07.2011,                                                              1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo,  MP, 2005, p. 180.  2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação de PIS e COFINS. Revista Fórum de Direito  Tributário, v. 34, jul/ago. 2008.  Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.514          21 cuja Ementa, da lavra do Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik, contém a afirmação que  segue:  Não  há  paralelo  entre  o  regime  não  cumulativo  de  IPI/ICMS  e  o  de  PIS/COFINS,  justamente  porque  os  fatos  tributários  que  os  originam  são  completamente  distintos.  O  IPI  e  o  ICMS  incidem  sobre  as  operações  com  produtos  industrializados  e  a  circulação  de  bens  e  serviços  em  inúmeras  etapas  da  cadeia  econômica;  a  não  cumulatividade  visa  evitar o  efeito  cascata da  tributação,  por meio da  técnica de compensação de débitos com créditos. Já o PIS e a COFINS  incidem  sobre  a  totalidade  das  receitas  auferidas,  não  havendo  semelhança  com  a  circulação  característica  de  IPI  e  ICMS,  em  que  existem  várias  operações  em  uma  cadeia  produtiva  ou  circulatória  de  bens  e  serviços.  Assim,  a  técnica  empregada  para  concretizar  a  não  cumulatividade de PIS e COFINS  se dá mediante  redução da base de  cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram  recolhidas  sobre bens ou serviços objeto de  faturamento em momento  anterior. ­ (Grifou­se)  Igualmente  pertinentes  são  as  ponderações  feitas  por  Leandro  Paulsen3,  as  quais, dada sua total aplicabilidade ao caso, transcreve­se:  Preliminarmente  à  análise  da  dita  não­cumulativade  das  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS,  importa  ter  em  consideração alguns aspectos:   a) a não­cumulatividade do PIS e da COFINS surgiu por  força  de leis ordinárias, e a EC 42/03, ao acrescentar o § 12 ao art.  195 da Constituição, apenas a refere, sem estabelecer critérios a  serem observados;   b)  a  receita  é  fenômeno  que  diz  respeito  a  cada  contribuinte  individualmente  considerado,  não  havendo  que  se  falar  propriamente em ciclo ou cadeia econômica;   c) a não­cumulatividade em tributo sobre a receita é uma ficção  que, justamente por ter em conta a receita, induz uma amplitude  maior  que  a  da  não­cumulatividade  dos  impostos  sobre  operações  com  produtos  industrializados  ou  mesmo  sobre  a  circulação de mercadorias.   Neste sentido, são as lições de Marco Aurélio Greco, que chama  atenção para a necessidade de ser interpretar os dispositivos da  legislação  específica  tendo  como  referência,  sempre  e  necessariamente, a base econômica que é objeto de tributação ­  a  receita  ­,  a  racionalidade  da  sua  incidência  e  a  necessária  coerência interna do seu regime jurídico:  (...)  como  não  há  ­  subjacente  à  noção  de  receita  ­  um  ciclo  econômico a ser considerado (posto ser fenômeno ligado a uma  única  pessoa),  os  critérios  para  definir  a  dedutibilidade  de  valores devem ser construídos em função da realidade "receita"  como  figura  atrelada  subjetivamente  ao  contribuinte,  isoladamente considerado.                                                               3  PAULSEN,  Leandro. Contribuições:  custeio  da  seguridade  social. Porto Alegre,  Livraria  do  Advogado, 2007, p. 184­185.  Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   22 (...)  enquanto  o  processo  formativo  de  um  produto  aponta  no  sentido  de  eventos  de  caráter  físico  a  ele  relativos,  o  processo  formativo  de  uma  receita  aponta  na  direção  de  todos  os  elementos  (físicos ou  funcionais)  relevantes para  sua obtenção.  Vale  dizer,  o  universo  de  elementos  captáveis  pela  não­ cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por  exemplo, do IPI. (Grifou­se)  Portanto,  de  início  afasta­se  a  interpretação  que  está  contida  nas  citadas  Instruções  Normativas,  passando  a  perquirir  as  premissas  que  sustentam  a  técnica  da  não  cumulatividade aplicável às contribuições ao PIS e à COFINS.  Neste sentido, é preciso lembrar que ao tempo em que foram editadas as Leis  nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  inexistia qualquer dispositivo constitucional dispondo sobre a  não  cumulatividade  dessas  contribuições.  Somente  a  Emenda  Constitucional  nº  42/03,  que  introduziu  o  §  12,  do  art.  195  veio  tratar  do  assunto. Contudo,  não  cuidou  de  estabelecer  o  modo e a forma dessa não­cumulatividade que deveria ser obedecida pelo PIS e pela COFINS.  E  após  o  advento  da  Emenda,  nenhuma  regulamentação  àquela  norma  nova  surgiu.  Dessa  forma, a não­cumulatividade do PIS e da COFINS deve obedecer ao regramento estabelecido  pelas  normas  infralegais,  ao  mesmo  tempo  em  que  estas  mesmas  leis  não  se  prestam  com  reguladoras dos dispositivos constitucionais acrescentados pela EC 42/03.  As  leis  em  comento  e mesmo  a  Emenda Constitucional  (EC)  n°  42/03,  ao  determinarem a aplicação do regime não­cumulativo às contribuições de PIS e COFINS, não  foram capazes de criar um novo sistema de não­cumulatividade, razão pela qual se deveria, ao  meu  sentir,  admitir  créditos  relativos  a  todas  as  operações  anteriores  e  não  apenas  as  relacionadas  com  determinados  produtos,  sob  pena  de  se  estar  inaugurando  outro  instituto  jurídico  apartado  da  conhecida  “não­cumulatividade”,  desde  que  tais  itens  concorressem  positivamente  para  a  geração  da  receita  bruta  sobre  a  qual  incidirá  a  tributação  das  contribuições, para que se tenha, portanto, o sentido da não­cumulatividade.  No entanto, apesar de ter havido diversas decisões que alargaram o conceito  de insumo, mesmo neste tribunal (por exemplo: Processo nº 11065.101271/2006­47, Rel. Cons.  Henrique  Pinheiro  Torres;  Processo  nº  13974.000199/2003­61,  Cons.  Júlio  César  Alves  Ramos;  Processo  n°  11020.001952/2006­22,  Rel.  Cons.  Gilberto  de  Castro  Moreira  Junior,  entre  outros),  e  ainda,  que  questão  absolutamente  encontra­se  em  aberto,  a  verdade  é  que  a  única certeza que se tem é que o conceito de insumo não é nem aquele “importado” e restrito  do IPI, e nem tão amplo como aquele previsto para custo e despesa necessária prevista para o  Imposto sobre a Renda.  Embora com a  ressalva de meu entendimento pessoal, decorrente de  toda a  gama  de  fundamentos  jurídicos  até  aqui  expostos,  a  verdade  é  que  tem  prevalecido  o  entendimento  de  que  o  direito  ao  crédito  emerge  da  análise  de  cada  caso  em  concreto,  buscando a relação de pertinência do processo produtivo do sujeito passivo com o emprego do  respectivo  insumo  naquele  respectivo  processo,  para  então,  se  perquirir  de  sua  efetiva  participação, decidindo­se pela concessão ou não do direito de crédito no caso concreto.   Não há, portanto, um critério objetivo definido, mas há um critério que  é a  relação  de  pertinência  e  dependência  do  insumo  ao  processo  produtivo  ou  de  fabricação  do  bem  pelo  contribuinte,  sendo  essa  a  premissa  que,  por  hora,  se  aplicará  neste  voto,  com  as  observações que, ponto a ponto e quando necessário, se fará observar.  Assim  sendo,  partindo  destes  entendimentos  e  das  premissas  colocadas,  revela­se que a decisão recorrida glosou créditos mediante o emprego da interpretação contida  Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.515          23 nas  Instruções Normativas  n°s.  247/02  e  404/04,  que  trazem  para  as  contribuições  ao  PIS  e  COFINS o conceito de insumo (ou de “produto intermediário”) empregado para o IPI desde o  Parecer CST n° 65/79, e, por tal razão, merecerá reparos a partir da análise dos itens em si, o  que  se  fará  também  em  tópicos,  a  partir  dos  “Títulos”  extraídos  do  Relatório  contido  do  Acórdão da DRJ, ora recorrido, como passa a expor:  a) "CABO BISTURI NR 4" e "pallet de madeira", entre outros:  Além do item pontualmente elencado, do relatório da decisão recorrida, ainda  extrai­se que dentre os insumos que compuseram a glosa fiscal, estão contidos itens como os  fios  de  poliéster  e  de  algodão,  que  seriam  utilizados  na  costura  e  embalagem  dos  bens  produzidos e destinados  a venda;  fita  sanitária,  luvas,  faca,  suporte de faca,  encosto de  faca,  além do “cabo de bisturi” em si, e congêneres, que seriam materiais peculiares a sua atividade  de  frigorífico  e  produtora  de  alimentos;  e  outros  materiais  classificados  dentre  “peças  de  reposição e serviços gerais” da produção, “material de segurança”, “material para conservação  e limpeza” e “material de embalagem e etiquetas”, assim como também arrola itens como bolsa  térmica, caixa de proteção e afins, dando destaque aos pallets, que são utilizados especialmente  na armazenagem e movimentação de matérias primas e produtos em elaboração ou acabados,  para  garantir  padrões  de  segurança  e  de  higiene  e  limpeza,  dentro  de  normas  técnicas  da  ANVISA.  Tais  itens,  a  toda evidência,  compõem o processo produtivo da Recorrente,  estando  diretamente  empregados  na  produção  ou  fabricação  de  bens,  sendo  notória  sua  utilidade  para  cortar,  costurar,  embalar,  sanitizar,  movimentar  com  segurança  e  higiene,  organizar para manter o asseio e o ritmo da produção, assim como, para organização da própria  movimentação da produção, de modo que, no meu entendimento, enquadram­se no conceito de  insumo empregado pelo legislador ao prever o direito de crédito previsto no inciso II, do art.  3°,  em questão,  na acepção do processo de “fabricação”, que é mais  amplo que a  expressão  “produção”, que acaba restringindo e reportando­se aos conceitos de industrialização inerentes  ao IPI, aqui inaplicáveis.  Especificamente em relação aos pallets, por certo que cumprem a finalidade  de movimentação indispensável para que a produção se desenvolva com organização e dentro  de normas de  segurança  e  limpeza, de modo que  faz parte do processo  de  fabricação,  assim  como os serviços necessários que são empregados em sua manutenção e conservação, pois que  por  certo  tais  pallets  acabam  se  desgastando  pelo  uso  intensivo  no  processo  empresarial,  onerando  o  custo  de  produção.  Esses  pallets  que  são  utilizados  para  a  movimentação  de  produtos  acabados,  nos  armazéns mantidos  pela Recorrente,  por  certo  que  enquadram­se  no  conceito de “armazenagem”, e, devem conceder o direito ao crédito por este permissivo legal,  redundando  na  permissão  do  direito  ao  crédito,  de modo  que  as  glosas  correspondentes  não  merecem prosperar.  Com  relação  às  “peças  de  reposição  e  serviços  gerais”  foi  esclarecido  tratarem­se  de  peças  para máquinas  e  equipamentos,  peça  de manutenção,  peças  e  serviços,  torno,  serviço  de  conserto  de  equipamentos,  serviço  de  locação  de  guindaste,  serviço  de  manutenção de máquinas,  serviços  em peças,  serviços de  instalação de  equipamentos,  todos,  pela sua própria descrição e histórico, também inerentes ao processo de fabricação.  Por  sua  vez,  o “material  de  segurança”  são  produtos  como  avental,  bota,  inclusive “sete­léguas”, botina, capacete, máscaras, meias, protetor auricular, creme protetor e  protetor facial; o “material para conservação e limpeza”, são compostos como o desinfetante,  Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   24 detergente, vassouras, serviço de lavanderia e armazenagem, sendo ainda glosados a este título,  segundo  a Recorrente,  “material  de embalagem e  etiquetas”,  que seriam caixas de papelão  e  etiquetas,  empregados  para  identificar  os  produtos  desde  o  curso  do  processo  produtivo  até  estarem  acabados,  de  modo  a  distingui­los  e  permitir  a  logística  de  movimentação,  sem  as  quais seria caótico o processo produtivo em massa que é conduzido nos tempos modernos.  Tenho, portanto, que todos esses itens são insumos empregados na produção  ou fabricação dos bens ou serviços posteriormente vendidos pela Recorrente, e que concorrente  decisivamente para a geração das receitas por ela auferidas, base de cálculo da contribuição à  COFINS, e, portanto, garantem o direito ao desconto do crédito. Estão direta e intrinsicamente  empregados na fabricação de bens a que se dedica a Recorrente, enquadrando­se no conceito  de insumo para os fins do art. 3°, II, em questão.  Deve, portanto, ser afastada a glosa com relação a estes itens, recompondo­se  os  direitos  de  crédito  e  os  reflexos  nas  apurações  como  um  todo,  inclusive  em  períodos  contíguos que com este aqui analisado tenham referência, sempre que seja pertinente.  b) Fretes contratados para transferências de produtos acabados entre as  unidades da empresa:  A questão dos fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa já gerou  muitas  discussões,  embora  aparentemente  deveria  ser  de  simples  resolução,  pois  que  se  solucionaria pela simples aplicação da ciência contábil.  Tenho  que  os  serviços  de  frete  na  movimentação  das  matérias  primas,  produtos intermediários, dos produtos em elaboração, ou mesmo dos produtos acabados, entre  as  unidades  produtivas,  ou mesmo  entre  unidades  produtivas  e  unidades  comerciais  de  uma  mesma pessoa jurídica, compõem ainda o custo dos produtos vendidos ou CPV, pois que até o  momento  em  que  são  colocados  no  ponto  de  venda,  disponível  para  serem  adquiridos  pelos  seus compradores, não se pode tratar tais dispêndios como “despesas comerciais”.  O Comitê  de  Pronunciamentos  Contábeis  emitiu  o  pronunciamento  técnico  CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº  575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques, dispondo, em seu itens  9 e 10, que:  Mensuração de estoques  9.  Os  estoques  objeto  deste  Pronunciamento  devem  ser  mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido,  dos dois o menor.  Custos dos estoques  10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de  aquisição  e  de  transformação,  bem  como  outros  custos  incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização  atuais. (grifou­se)   Com  efeito,  o  custo  dos  estoques  das  matérias­primas  e  produtos  em  elaboração  englobam,  sem  sobra  de  dúvidas,  os  custos  dos  serviços  de  transportes  de  movimentações  destes  produtos  no  curso  do  processo  produtivo.  E  por  essa  razão  a Receita  Federal  tem  garantido o direito  ao  crédito do  frete  incidente no  transporte nas  aquisições de  insumos quando suportado pelo comprador.   Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.516          25 Quanto aos estoques de “produtos acabados”, sua mensuração também deve  levar em conta o custo do frete incorrido em sua movimentação, até que seja colocado no ponto  de venda, de modo que os dispêndios incorridos na movimentação dos produtos acabados entre  estabelecimentos de uma mesma empresa, como forma de disponibilizar o produto no ponto de  armazenagem (CD) ou mesmo no ponto de venda, se suportado pelo vendedor, deve conceder  o direito  ao  crédito,  pois  que compõe ainda o  custo de produção e  ainda  faz parte do  “ciclo  produtivo”,  compondo  o  termo  “fabricação”  contido  no  inciso  II,  do  art.  3°,  das  Leis  10.833/03, na acepção genérica.  No  caso  em  concreto  há  ainda  uma  particularidade  que  deve  também  ser  levada  em  consideração,  que  é  o  fato  de  que  os  produtos  fabricados  pela  Recorrente  são  perecíveis,  e,  portanto,  as  normas  para  o  transporte  entre  os  estabelecimentos  são  especiais,  também  rigorosamente  disciplinadas  pela  ANVISA,  conforme  citado  pela  Recorrente  que  transcreveu  em  seu  recurso  a  Portaria  SVS/MS  n°  326/2007,  assim  como  a  Resolução  CISA/MA/MS  n°  10,  de  31  de  julho  de  1984,  ambas  prevendo  rigorosas  normas  para  a  conservação durante as fases de transporte dos produtos acabados até os locais de distribuição  ou venda. Tais normas denotam a necessidade de um cuidado e de controles especiais por parte  da Recorrente, lhe ensejando responsabilidades se acaso descumpridas.   Daí,  por  óbvio,  a  decisão  empresarial  de  trazer  para  si  esta  gestão  do  transporte  entre  suas unidades,  assumindo os  custos pertinentes,  os quais,  em última análise,  são  repassados  ao  produto,  servindo  à  incidência  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS,  e,  como se trata de não cumulatividade por certo que deve garantir o direito ao crédito.   Assim,  à  toda  semelhança  que  os  fretes  nas  aquisições  de matérias­primas,  produtos intermediários e materiais de embalagens, quando pagos pelo adquirente, concedem o  direito ao crédito pelo fato de que compõem o custo do produto, e do mesmo modo, também  dão  direito  ao  desconto  de  crédito  o  gasto  com  fretes  nas  operações  de  venda,  quando  são  “arcados” pelo vendedor; assim também o frete entre as unidades do mesmo contribuinte, seja  de  insumos  (matéria­prima,  produtos  intermediários, materiais  de  embalagens,  ou mesmo de  transportes  de  funcionários)  seja  de  produtos  acabados  a  serem  colocados  no  ponto  em  condições de venda, deve gerar o direito ao crédito, pois que tais dispêndios ainda estão dentro  do ciclo de “produção e  fabricação” compondo esses custos, sendo que tolher esse direito de  crédito  significaria  manter  uma  lacuna  que  deixaria  um  custo  relevante  na  incidência  cumulativa, nem lógica e nem juridicamente sustentável.  Neste mesmo sentido, cumpre citar os seguintes precedentes desta Corte:  FRETE.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  CUSTO  DE  PRODUÇÃO.  Gera  direito  a  créditos  do  PIS  e  da  Cofins  não­cumulativos  o  dispêndio  com  frete  pago  pelo  adquirente  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  para  transportar  bens  adquiridos  para  serem  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  a  venda,  bem  assim  o  transporte  de  bens  entre  os  estabelecimentos  industriais  da  pessoa  jurídica,  desde  que  estejam  estes  em  fase  de  industrialização,  vez  que  compõe  o  custo  do  bem.  (CARF  –  Acórdão  3301­00.423  ­  3ª  Seção  –  3ª  Câmara – 1ª Turma – DOU 18.01.2011)  Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   26 COFINS  EXPORTAÇÃO.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  TRANSPORTE  DE  INSUMOS  E  PRODUTOS  ACABADOS.  DIREITO A CRÉDITO. LEI N° 10.833/2003, ART. 3°, INCS. II E  IX.  A  norma  introduzida  pelo  inc.  IX  do  art.  3°  da  Lei  n°  10.833/2003,  segundo  a  qual  a  armazenagem  e  o  frete  na  operação  de  venda  suportado  pela  vendedora  de  mercadorias  geram créditos,  é  ampliativa  em  relação  aos  créditos  previstos  no inc. II do mesmo artigo. Com base nesses dois incisos, geram  créditos, além do frete na operação de venda, para entrega das  mercadorias  vendidas  aos  seus  adquirentes,  os  fretes  entre  estabelecimentos  da  própria  empresa,  desde  que  para  o  transporte  de  insumos,  produtos  acabados  ou  produtos  já  vendidos.”  (CARF  –  Acórdão  3401­02.075  ­  3ª  Seção  –  4ª  Câmara – 1ª Turma – DOU 28.11.2012)  Tenho, consequentemente, que o frete pago pelo fabricante a pessoa jurídica  domiciliada no País,  relativo  ao  transporte  de  insumos,  produtos  em  elaboração  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  de  uma  mesma  empresa,  compõe  a  fase  de  fabricação  na  acepção  ampla  do  conceito  de  industrialização,  devendo  ser  contabilizados  no  custo  dos  estoques,  nos  termos  dos  itens  9  e  10,  do  CPC  n°  16  (aprovado  pela  Deliberação  CVM  nº  575/2009),  de modo  a  gerar  o  direito  ao  desconto  de  créditos  por  atenderem ao  conceito  de  insumo previsto no inciso II, do art. 3°, das Leis n° 10. 637/2002 e 10.833/2003.  Assim sendo, deve ser afastada a glosa com relação aos serviços de fretes e  carretos  pagos  à  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  destinados  ao  transporte  entre  estabelecimentos  do mesmo  contribuinte,  recompondo­se os  direitos  de  crédito  e os  reflexos  nas apurações como um todo, inclusive em períodos contíguos que com ele tenham referência,  sempre que seja pertinente.  c)  Aquisições  de  bens  sujeitos  à  alíquota  zero,  que  não  podem  gerar  crédito a descontar:  Considerando que houveram glosas de aquisições diversas  sob a  rubrica de  “insumos”, porém, sob o fundamento de que foram adquiridos bens sujeitos à alíquota zero, e  que a Recorrente sustenta o direito de manutenção de crédito, nos termos do art. 17, da Lei n°  11.033/2004, esse  tema será  tratado, para todos os  itens glosados, em tópico separado, sob o  âmbito do “direito” aplicável.  d)  Notas  fiscais  cujo  CFOP  não  representa  operação  de  aquisição  de  bens e nem outra operação com direito a crédito  Neste  item,  conforme  se  extrai  do  Relatório  da  decisão  recorrida,  o  contribuinte  contesta  a  glosa  realizada  pela  Administração  ao  argumento  de  que  a  mesma  “englobou”, de forma genérica e sem critério, diversos bens que não dariam direito ao crédito  tendo em conta o CFOP da nota fiscal, mas que deveriam estar segregados para se justificar de  modo adequado a glosa; cita como exemplo: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão,  folha plástica incolor, adesivo, graxa, navalha, disco de corte, adesivo, gás glp, papel toalha,  pão,  soro de  leite,  vinagre, aroma de baunilha,  farinha de  tribo, peneira, extrato de  tomate,  tempero  para  carne,  reagente,  serviço  de  industrialização  de  ração,  saco  plástico,  lamina,  mola,  bolsa  térmica,  mola,  pino,  rolamento,  faca,  sensor  de  temperatura,  martelo,  entre  outros.”  Ainda  mais  adiante  no  relatório  ainda  cita  como  exemplo  de  glosa  sob  esse  fundamento de CFOP que não representaria “insumo”, os seguintes itens: “faca, lâmina, mola,  Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.517          27 sensor  de  temperatura, martelo,  rolamento,  adesivo,  gás GLP,  disco  de  corte,  peneira,  pão,  vinagre, mola,  bolsa  faca,  tempero  para  carne,  graxa,  navalha,  termostato,  pino,  que  alega  que se caracterizam como  insumos, uma vez que são equipamentos,  ferramentas e materiais  utilizados na atividade produtiva ou em máquinas com esta destinação.”  Ainda,  nesta  rubrica,  o  Relatório  da  decisão  recorrida  ainda  narra  a  inconformidade  da  Recorrente  que  “defende  que  são  legítimos  os  créditos  em  relação  aos  lubrificantes,  correia,  gás  refrigerante,  mangueira,  lixa,  graxa,  anel,  bobina,  botão,  chave,  disco, disjuntor,  eixo,  fita  isolante,  fusível,  lâmpada,  reator,  resistência,  retentor,  rolamento,  sensor,  tomada, válvula. Contesta,  ainda, a glosa de etiqueta para  fatiados,  sacolas big bag,  adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que  alguns  itens  chegam  a  incorporar  o  produto  final,  como  etiquetas  para  fatiados,  adesivo  perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos.” (fls.3375 – ne.)  Ao ser julgado o recurso do contribuinte neste particular, a DRJ/FNS houve  por bem em manter as glosas ao fundamento, em síntese, de que “as descrições dos produtos  adquiridos,  ao  contrário  do  que  entende  a  contribuinte,  não  se  mostram  suficientes  para  infirma[r]  a  natureza  dos  produtos,  atribuída  pelo  CFOP  consignado  na  nota  fiscal  correspondente,  ou,  tampouco,  para  demonstrar,  para  além  de  quaisquer  dúvidas,  que  se  refiram a produtos utilizados como insumo.”  Tenho, todavia, que aqui merece reforma a decisão prolatada, pois que todos  os  itens  descritos  acima,  concedem,  à  toda  evidência,  o  direito  de  crédito  na  condição  de  insumo, não sendo eventual  imputação equivocada no CFOP que  irá desnaturar a verdadeira  natureza  ou  emprego  do  bem  ou  serviço  em  questão,  não  podendo  sobrepor­se  a  forma  à  essência.  E  aqui  não  se  aplica  à  vedação  de  tomada  de  crédito  relativamente  aos  CFOP’s  relativos  a  substituição  tributária  ou  incidência  monofásica,  pois  que  uma  vez  utilizados  como  insumo no  processo  de  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  a  venda  (como  o  caso  de  combustíveis,  por  exemplo),  acabam  sendo  reintroduzidos  na  “cadeia”  de  produção ou circulação de bens, e como tal, interrompe­se as etapas subsequentes, presumidas  de  incidência  antecipada  ou  concentrada,  e  passa  a  haver  o  direito  ao  desconto  de  créditos.  Diferentemente dar­se­ia na hipótese de aquisição de bens para revenda, cuja vedação, aí sim e  com razão, encontra­se nas alíneas do inciso I, do art. 3°, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03.  Quanto a combustíveis e lubrificantes (e aqui entram os lubrificantes e Gás,  acima, assim como aqueles empregados nas empilhadeiras),  inclusive o preceito do  inciso  II,  do  art.  3°,  acima  referenciado,  é  expresso  em  ressalvar  o  direito  ao  desconto  de  créditos,  abstraindo das discussões que se poderia ter em torno do conceito de insumo, tomando a Lei,  desde logo, como insumo indispensável ao processo de produção ou fabricação de bens para a  atividade  industrial,  de modo  que  para  estes  casos,  o  direito  já  estava  expresso  na Lei,  sem  maiores necessidades de digressões a vinculação ao processo produtivo.  Neste  título  também  restou  estampada  a  glosa  relativa  ao  serviço  de  industrialização  por  encomenda  de  ração,  a  qual,  sabidamente,  compõe  o  custo  de  produção  dos  animais  que  são  abatidos  no  frigorífico,  e,  portanto,  formam  a  matéria­prima  da  Recorrente, mas cabem brevíssimos esclarecimentos.  A  atividade  de  frigorífico  de  animais,  em  uma  síntese  muito  simplória,  poderia  ser  resumida  na  conversão  de  proteína  vegetal,  a  partir  dos  insumos  agrícolas  como  Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   28 soja  e milho  (contidos  na  ração  industrializada  que  é ministrada  aos  animais  em  curtíssimo  espaço  de  tempo),  em  proteína  animal.  Ou  seja,  convertem­se  os  grãos  em  carne,  sendo  decisivo  para  esta  transformação,  que  concorra  a  ração,  cujos  grãos  representam  mais  que  metade  dos  custos  totais  de  produção  (fala­se  em  mais  que  70%!).  Daí  porque  quando  as  “commodities” agrícolas sofrem alteração significativa de preço, pode desencadear o sucesso  ou a “bancarrota” da atividade, pois que são dependentes da matéria­prima, na sua maioria, o  soja e o milho.   Transportando esses conhecimentos que são públicos e notórios ao caso dos  serviços  de  industrialização  sob  encomenda  da  ração  a  ser ministrada  aos  animais,  pode­se  compreender que trata­se de uma etapa indispensável do processo produtivo, sem a qual não se  obterá o produto final, que é a carne. Portanto, esse serviço é inerente ao processo produtivo, e,  como tal, se enquadra perfeitamente no conceito de insumo e por certo que, se pago a pessoas  jurídicas, deve gerar o direito ao crédito.  Assim, abordados cada um dos temas acima, merece ser afastadas as glosas  quanto  aos  CFOP’s  ou  aos  itens  acima  citados,  pois  que  preenchem  o  conceito  de  insumo  (alguns  inclusive  são  matéria­prima  ou material  de  embalagem)  para  os  fins  de  conceder  o  direito ao desconto de crédito concedido pelo  art. 3°, da  legislação de  regência, devendo ser  recomposto o cálculo do crédito ressarciendo, inclusive repercutindo seus efeitos em períodos  contíguos com os quais este tenha relação de pertinência.   e) Serviços utilizados como insumos: Delimitação da controvérsia  No caso  em questão,  extrai­se  da decisão  recorrida  que  a  autoridade  fiscal  glosou as aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do  o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004;  foram glosados os valores das aquisições com descrições do tipo serviço de processamento de  resíduos,  serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro.  Informa que cada uma  das  notas  fiscais  glosadas  está  especificada  na  listagem  “NF  que  não  se  enquadram  no  conceito de insumo ou serviço com direito a crédito”.  Por  sua  vez,  a  Recorrente,  em  sua  defesa  “Menciona  os  serviços  de:  movimentação  saída,  montagem/desmontagem,  limpeza,  recuperação  frio,  carregamento  de  aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro,  inspeção sanitária, análise da água,  processamento  de  resíduos,  entre  outros  e  defende  que  o  direito  ao  crédito  em  razão  dos  valores  glosados  se  referirem  a  serviços  ‘totalmente  essenciais  e  inerentes  à  atividade  produtiva e econômica da impugnante’”.  Ao  ser  julgada  a  irresignação  inicial  pela  instância  de  piso,  a  DRJ/FNS  afirmou que:  Ocorre,  porém,  que  da  listagem “NF que  não  se  enquadram no  conceito de insumo ou serviço com direito a crédito”, para linha  03  do  Dacon,  tendo  em  conta  a  descrição  das  operações,  verificasse  que  a  maior  parte  dos  serviços  claramente  não  consistem de insumo e em relação à outra parte dos serviços não  há como afirmar que o sejam, pois somente pelas descrições não  é  possível  identificar  sua  real  natureza  e  aplicação  dentro  da  empresa. As  operações  registradas,  além  das mencionadas  pela  recorrente,  têm  consignadas  as  seguintes  descrições:  SERVICO  MAODEOBRA,  SERVICO  CONSULTORIA  TÉCNICA,  SERVICO  DE  APLICACAO  DE  STRECH  –  PALLET,  SERVICO  LAVAGEM  SECO,  SERVICO  CONSTRUCAO  Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.518          29 CIVIL,  SERVIÇO  LIMPEZA  GERAL  EM  INSTALAÇÕES,  SERVIÇOS  GERAIS,  SERVIÇO  VIGILÂNCIA,  SERVIÇO  REFORMA PALLETS  PBR,  SERVIÇO MONITORAMENTO,  SERVIÇO  MONTAGEM  DE  KITS,  SERVIÇO  RECUPERAÇÃO  PONTEIRA  H.  TECH  4.0,  SERVIÇO  RECUP.  DISCO  MANCAL  H.  TECH  4.0,  SERVIÇO  EXTRAORDINÁRIO,  SERVIÇO  TÉCNICO  FUNILARIA  /  CHAPARIA,  SERVIÇO  DE  CARGA  E  DESCARGA,  SERVIÇO  TRANSPORTE  FUNCIONÁRIOS,  PESAGEM  CAMINHÃO,  SERVIÇO  MANUTENÇÃO  EQUIP  INFORMÁTICA,  SERVIÇO  CONSULTORIA  TÉCNICA,  DESJEJUM,  REFEIÇÃO,  CAFÉ  PURO,  SUCO,  CAFÉ  COM  LEITE,  OUTROS  SERVIÇOS,  SERVIÇO  TRANSPORTE  DE  VEÍCULOS  EM  BALSA,  SERVIÇO  TÉCNICO  MECÂNICO  SERVIÇO  IMOBILIZADO  GERAL,  SERVIÇO  DIÁRIA,  SERVIÇO  KM  RODADO,  SERVIÇO  TÉCNICO  ELETRICIDADE, INSTALAÇÃO.  Observe­se  que  não  constam  da  referida  listagem  os  serviços,  mencionados  pela  recorrente  de:  despacho  aduaneiro,  processamento de resíduos e análise de água.  Ocorre,  porém,  que  foi  o  próprio  despacho  decisório,  mencionado  pela  decisão recorrida, que fez a afirmação de que teriam sido glosados serviços com processamento  de resíduos, despachante aduaneiro e serviços de vigilância (vide pg. 3402 – ne.), de modo que,  embora  efetivamente  não  seja  possível  se  inferir  o  efetivo  emprego  dos  serviços  acima  no  processo de produção ou fabricação de bens destinados a venda, no “rol” acima elencado pela  DRJ/FNS,  quanto  a  esses  três  itens  tenho  que  é  possível  ser  julgado  o  direito  aplicável  aos  fatos,  a  serem  concretamente  aferidos  na  liquidação  deste  julgado,  pois  que  sobre  eles  se  instaurou o litígio.  Assim, delimito a análise dos três serviços acima, mantendo a glosa quanto a  todos  os  demais  serviços,  por  ausência  de  prova  da  inerência  dos  mesmos  ao  processo  de  produção e fabricação de bens destinados a venda pelo contribuinte.  e.1)Serviços  de  limpeza,  processamento  de  resíduos,  análise  de  água  e  congêneres, utilizados como insumos  Tratam­se  de  serviços  indispensáveis  ao  processo  produtivo,  sem  os  quais  inclusive  a  própria  atividade  produtiva da Recorrente  estaria  em via de  ser  interditada  pelos  órgãos da vigilância  sanitária  e  ainda pelos órgãos  ambientais,  pois que  no  caso  em análise,  trata­se de empresa do segmento de alimentação humana.  É certo que não se tem contato direto com o produto em fabricação, mas os  resíduos, muitas vezes são até mesmo sobras dos produtos, como sangue, tripas, excrementos, e  assim  por  diante,  que  precisam  receber  destinação  adequada,  sem  o  que,  por  certo,  a  fonte  produtora das receitas, que é a razão de existir da Recorrente, estaria interrompida.  Assim,  deve  ser  afastada  a  glosa  do  crédito,  a  ser  aferida  pela  autoridade  preparadora ao ser executada esta decisão, quanto aos serviços de limpeza, processamento de  resíduos e análise de águas.  e.2)Serviço de vigilância  Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   30 Neste  sentido,  tenho  que  a  princípio  se  poderia  traçar  um  paralelo  entre  a  vigilância e a  segurança, com a própria atividade empresarial, mas a vinculação ao processo  produtivo ou ao de fabricação, ainda que na acepção genérica, demandaria prova técnica que  pudesse afastar a generalidade que tal conceito enseja.  Deste  modo,  este  serviço,  embora  seja  necessário  e  muitas  vezes  até  indispensável,  salvo  prova  em  contrário,  não  guarda  relação  de  pertinência  ou  inerência  ao  processo de fabricação dos bens destinados a venda, e, portanto, deve ser mantida a glosa dos  créditos.  e.3)Serviço de despachante aduaneiro  Neste  sentido,  entendo  que  os  serviços  de  despachante  aduaneiro  merece  conceder o direito ao crédito quando contratados pela Recorrente na condição de importadora  de  insumos, pois que, nesta hipótese,  tais dispêndios compõem os custos do bem  importado,  onerando o custo do bem ou serviço em fabricação, o qual, subsequentemente, será vendido e  submetido à tributação das contribuições ao PIS e à COFINS.  Considerando  que  há  incidência  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS  no  momento  do  desembaraço  aduaneiro,  o  que,  embora  tratando­se de  tributo  diversos,  acabam  impondo  financeiramente  o  mesmo  custo  e  concedem  legalmente  o  direito  ao  crédito  nas  mesmas alíquotas de 7,6% (para a COFINS) e de 1,65% (para o PIS), deve compor a base de  cálculo  dos  créditos  os  dispêndios  com  o  despachante  aduaneiro  contratado  para  o  assessoramento  quanto  às  importações  dos  insumos,  que  assim  forem  reconhecidos,  ao  final  deste processo.  Quanto  aos  mesmos  dispêndios,  mas  alocados  às  exportações,  tenho  que  acabam  não  compondo  mais  os  “custos”  do  processo  produtivo  ou  de  fabricação,  não  agregando  mais  o  processo  de  mensuração  dos  estoques,  e,  consequentemente,  entram  nas  despesas  gerais,  passando a conceder o  crédito  apenas  se houvesse previsão  expressa da Lei  (nesta  interpretação  legal  que  atualmente  está  prevalecendo  –  com  ressalva  de  meu  entendimento pessoal).  Assim,  merece  parcial  retificação  a  glosa  neste  particular,  para  afastá­la  quanto aos dispêndios com despachante aduaneiro nas operações de importações de insumos, a  ser aferida pela autoridade preparadora ao ser executada esta decisão, na medida da viabilidade  da respectiva prova.  f) Despesas de Energia Elétrica: glosa das diferenças positivas  entre os  valores informados no DACON e na memória de cálculo  Nesta glosa, a simples análise dos autos dá conta de que o contribuinte lançou  na DACON valor  de  crédito  a  título  de Energia Elétrica,  superior  àquele  que  apresentou  ao  longo  da  fiscalização  nas  chamadas  memórias  de  cálculo,  sendo  que  a  Fiscalização,  fiel  à  DACON em praticamente todo seu procedimento, nesse caso, entendeu que por ser o valor da  memória de cálculo menor que aquele constante da DACON, aplicou este valor, deixando claro  que a prova do valor da Energia Elétrica paga assiste ao contribuinte.  Embora  realmente  tenha  um  aparente  tratamento  diferenciado  entre  as  informações  inseridas  na  DACON  para  fins  de  aceitabilidade  dos  créditos  por  parte  da  Administração,  a  verdade  é  que  tenho  que  o  direito  ao  crédito  decorre  das  hipóteses  de  incidências  respectivas,  e  não  de  um “Demonstrativo” ou  de  uma  “obrigação  acessória”. Ou  Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.519          31 seja,  não  é  a DACON que cria o  crédito  e não  é  a  “memória de  cálculo” que  extingue uma  obrigação.  Não é porque o  contribuinte  lançou um direito  a  crédito na DACON que o  possuirá, e não é porque deixou de lançar que deixará de possuir. É o direito material que faz  emergir  o  direito  subjetivo  do  contribuinte  ao  crédito  em  si,  sendo  as  obrigações  acessórias  apenas os instrumentos criados pela Administração para facilitar o controle, a fiscalização e a  arrecadação tributária. Evidentemente que essas normas devem ser cumpridas, mas não podem  ser sobrepostas àquelas, de cunho substancial, como condicionante do próprio direito material.  Quando  muito  de  seu  descumprimento  poderá  decorrer  a  aplicação  de  penalidade  pelo  descumprimento de obrigações acessórias, mas não poderá tolher o próprio direito material que  nasce da norma jurídica de caráter substancial, e não meramente de ordem “estrutural”.  Por isso que tem­se defendido neste Tribunal a busca incessante da verdade  material,  investigando  se  houve  o  nascimento  do  crédito  tributário  ou  do  crédito  fiscal,  para  cada caso, ainda que não esteja veiculado na linguagem das “obrigações acessórias”, pois que  se  tem  privilegiado mais  o  direito  substancial  do  que  o  adjetivo, mais  o  material  do  que  o  formal, sem que haja, evidentemente, desrespeito a qualquer deles.  Voltando ao caso em concreto, o que se vê é que há discrepância que somente  pode ser solucionada com a verificação dos comprovantes de pagamento das contas de Energia  Elétrica, cotejando­as com as memórias de cálculo e com a DACON, sendo que quanto a esse  fato, por certo que o ônus competia ao contribuinte trazê­la,  já que o crédito ressarciendo foi  por ele pleiteado.   No entanto, a Recorrente limita­se em afirmar que a planilha de cálculo está  errada,  devendo  ser  preservado  o  valor  do  DACON,  sem  trazer  cópia  do  documento  de  arrecadação, o que seria de fácil cumprimento, em atenção mesmo à busca da verdade material.  Assim, à mingua de prova deste elemento, entendo deva ser mantida a glosa.  g) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda   Foram  também  glosados  valores  de  pagamentos  relativos  a  "SERVIÇO  PORTUÁRIO"  e  outros  que  não  no  entendimento  da  autoridade  fiscal,  se  enquadrariam  no  prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, sendo que consta dos esclarecimentos  da Recorrente está contido que tais serviços consistem em:  A  armazenagem  compreende  todas  as  despesas  e  gastos  vinculados  a  ela,  entre  elas  energia  elétrica,  monitoramento,  pesagem,  desova,  manutenção,  inspeção,  movimentação  e  realocação,  deslocamentos,  taxa  de  selagem  de  contêineres,  capatazia,  taxa  de  liberação  de  BL,  serviços portuários, entre outros;  [...]  Além  disso,  podemos  reconhecer  nas  despesas  portuárias,  além  da  natureza de  despesa  ligada  à  armazenagem,  também  à  continuidade  do  frete  na  venda, especificamente, aquele destinado à exportação.  Analisando  referida  descrição,  tem­se  que  a  glosa  procede  parcialmente,  devendo dela ser excluídas as despesas portuárias relativas a armazenagem, que por certo nela  Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   32 estão  compreendidas  atividades  como  a  pesagem,  monitoramento,  desova,  inspeção,  movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de conteiners.   Por outro lado, segundo minha convicção, não estão abrangidos no conceito  de armazenagem e nem na de “frente nas operações de venda”, os serviços de capatazia, taxa  de  liberação  de  BL,  despachantes  aduaneiros  nas  exportações,  cujas  glosas  devem  ser  mantidas.  Merece, assim, parcial retificação a glosa neste particular, a ser aferida pela  autoridade preparadora ao ser executada esta decisão, na medida da viabilidade da respectiva  prova.  h)Operações de importação registradas com o CFOP 3551, 3556 e 3949:  Inicialmente quanto ao CFOP 3551, que trata de bens importados destinados  ao Ativo Permanente, serão tratados no tópico relativo à glosa dos créditos relativa a partes e  peças e respectivos serviços de conservação e manutenção de máquinas.  Quanto  ao CFOP 3556 – Compra de material  para uso ou  consumo,  em se  tratando de insumo, comprovadamente realizada, o fora no tópico relativo a insumo, ainda que  importado, mas de acordo com sua descrição e a relação de pertinência e relação de inerência  ao processo produtivo ou de fabricação dos bens destinados a venda.  Finalmente,  quanto  ao  CFOP  3949  –  Outra  entrada  de  mercadoria  ou  prestação de serviço não especificada, atinente a itens na listagem “02NF Glosadas Operações  sem direito a credito (CFOP)”; igualmente foi tratado o item pertinente, em que foram glosadas  por  ausência  de  comprovação,  e  diante  da  reiteração  pura  e  simples  havida  no  recurso,  mantém­se o indeferimento do crédito já decidido anteriormente.  III.Glosa de Créditos sobre Aquisições de bens utilizados como Insumos  (a) ou para Revenda (b) sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep e COFINS:  Com  relação  a  esta  questão  trazida  no  recurso,  foram  glosados  créditos  tomados com relação a aquisições de bens para revenda (a) assim como de insumos (b), ainda  que sujeito a crédito presumido na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004 (c), que ingressaram  no  seu  estabelecimento  com  alíquota  zero,  e  que  posteriormente,  quando  efetivamente  vendidos, foram submetidos a tributação das contribuições.  Para  bem  situar  as  questões  a  serem  debatidas  nessa  temática,  novamente  cumpre  extrair  do  bem  elaborado  relato  do  voto  da  decisão  recorrida,  os  argumentos  expendidos pela Recorrente:  “A  interessada,  primeiro,  alega  que  os  diversos  produtos  descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes  da Lei nº 10.925/2004, art. 1º, não se tipificam nas classificações  fiscais descritas.  Segundo,  que,  em  se  tratando  de  aquisição  de  produtos  agropecuários  (por exemplo, pinto de 1 dia, sêmen suíno, entre  outros),  mesmo  que  comercializados  à  alíquota  zero,  o  crédito  há  de  ser  mantido,  ao  menos,  no  sentido  de  outorgar  aquele  presumido  previsto  nas  operações  do  art.  8º  da  Lei  n.  10.925/200463.  Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.520          33 Terceiro,  que  diversos  produtos  estão  vinculados  à  noção  de  insumos  (cita  vacinas,  antibióticos,  amoxilina,  ivermectina,  calcário,  entre  outros)  de  sorte  que  resta  totalmente  viável  a  manutenção do crédito.  Por  fim,  defende  que  a  exclusão  de  créditos  na  hipótese  de  aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação  posterior,  viola  o  princípio  da  não  cumulatividade  e  da  capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório.  Enfrentando  cada  um  dos  argumentos,  tenho  que  assiste  razão  à  DRJ/FNS  quando  não  acata  a  irresignação  do  contribuinte  quanto  a  supostos  erros  nas  classificações  fiscais  adotadas  pela  autoridade  fiscal,  pois  que  a  Recorrente  não  contrapôs  o  trabalho  de  alocação dos produtos aos fundamentos legais que reduziram a 0% as alíquotas dos produtos,  limitando­se em afirmar estar incorreta a classificação. Do mesmo modo, no tocante ao simples  argumento  de  que  tais  bens  são  “insumos”  e  como  tal  devem  conceder  o  direito  ao  crédito,  entendo que não é suficiente para concedê­lo, pois que no caso em concreto, não é a noção de  insumo  que  o  concederá,  mas  sim,  o  fato  de  se  permitir  o  desconto  do  crédito  e  a  sua  manutenção sobre aquisições gravadas com alíquota zero que determinará o direito aplicável.  Assim, resta enfrentar as aquisições de insumos gravados com alíquota zero,  feitas junto a pessoas físicas, e no caso, entendo que assiste razão ao contribuinte na parte que  entende  cabível  haver  direito  ao  crédito  presumido  calculado  na  forma do  art.  8°,  da Lei  n°  10.925/2004, que assim está redigido:  Art.  8°  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da Cofins,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido,  calculado  sobre  o  valor  dos  bens  referidos  no  inciso  II  do  caput  do  art.  3o  das  Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de  cooperado pessoa física. (grifou­se)  Com  efeito,  esse  crédito  presumido  é  concedido  justamente  porque  a  legislação em questão  (Lei n° 10.925/2004) concretizou um programa de redução a zero das  alíquotas das contribuições ao PIS e à COFINS para o setor, sem que, no entanto, eliminasse  por completo o custo de tais tributos em toda a cadeia produtiva até que chegasse ao produtor  rural pessoa física, que, sabidamente, não pode creditar­se de tais contribuições. Assim é que,  quando  adquire­se  insumos  agrícolas  do  produtor  rural  pessoa  física,  há  direito  ao  crédito  presumido calculado na forma do art. 8°, suso mencionado.  Há  que  distinguir­se,  ainda,  a  vedação  ao  desconto  de  crédito  corrente,  ordinário,  previsto  no  art.  3°,  das Leis  n°s.  10.637/2002  e  10.833/2003,  e  cuja  vedação  está  estampada  no  seu  §2°,  com o  crédito  presumido previsto  no  art.  8°,  da Lei  n°  10.925/2004.  Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   34 Portanto,  o  art.  8°,  mencionado,  ao  regular  inteiramente  a  matéria  do  crédito  presumido,  anteriormente prevista nos §§10 e 11, do art. 3°, acima citado, acabou igualmente deixando de  submeter­se à restrição contida no seu §2° deste.  Verifica­se, aliás, que a DRJ/FNS não concedeu o crédito fundamentalmente  porque  entendeu  inviável  proceder  de  ofício  o  ajuste  da  informação  lançada  “equivocadamente” pelo contribuinte na DACON, embora, aparentemente, não discordasse que  seria de direito o crédito pertinente.  Deste  modo,  quanto  as  aquisições  feitas  a  pessoas  físicas  e  glosadas  ao  fundamento  de  que  se  deram  com  alíquota  zero,  tenho  que  deve  ser  afastada  a  glosa,  pela  aplicação direta do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, devendo ser concedido o direito ao crédito  presumido, quanto a aquisição de insumos.  Já no tocante ao argumento da Recorrente, de que a vedação ao crédito sobre  aquisições com alíquota zero, quando a operação subsequente é gravada com a incidência e  cobrança  das  contribuições,  por  suposta  afronta  a  não  cumulatividade,  trata­se  de  uma  questão muito  tormentosa que de há muito vem  tomando os  estudos  tributários  relativos  aos  direito ao crédito, como forma de realizar, na prática, a regra da não cumulatividade aplicável  ao PIS e à COFINS.   Como tal, tenho que a questão merece uma análise mais aprofundada, como  passo a discorrer.  A glosa  efetivada,  assim como  sua manutenção  pela decisão  recorrida,  está  fundada na vedação à tomada de crédito contida no inciso II, do §2º, do art. 3º, das Leis nºs.  10.637/02 e 10.833/03, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.865/04.  A Recorrente sustenta que teria o direito a manter tais créditos das entradas,  inclusive  por  ser  aplicável  o  direito  que  emana  do  art.  17,  da  Lei  n°  11.033/2004,  assim  redigido:  “Art. 17 ­ As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota  zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.”  Tenho  que  o  dispositivo  acima  transcrito  (art.  17,  da  Lei  nº  11.033/04),  realmente permite que haja a manutenção dos créditos provenientes das aquisições de insumos,  ou de mercadorias para  revenda  (ambas  as hipóteses –  indústria ou comércio), mesmo que  a  subsequente operação de venda, seja do produto acabado ou da mercadoria revendida, se opere  sob o pálio da “suspensão,  isenção, alíquota zero ou não  incidência da Contribuição para o  PIS/PASEP e  da COFINS”. Observo  que  aqui  até mesmo  a  “não  incidência”  está  amparada  pelo  direito  à  manutenção  dos  créditos  vinculados  a  “essas  operações”,  e  não  apenas  as  operações sujeitas às contribuições, embora desoneradas. É quando se fala “a essas operações”,  se está referindo tanto aos insumos empregados no fabrico de bens ou produtos (e aí abrange  custos e encargos comuns como energia elétrica, depreciação, fretes e seguros nas operações de  compras etc.) quanto às mercadorias para simples revenda.  Porém, entendo que, para que haja o direito à “manutenção de crédito”, tem  que haver direito ao próprio “desconto de crédito”. Dizendo de outro modo: manter o crédito  pressupõe o direito de creditar­se.  Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.521          35 E a norma acima (art. 17, da Lei nº 11.033/04)  trata de conferir o direito à  manutenção do crédito, e não propriamente em disciplinar o “direito ao crédito”. Com efeito,  tenho que o que cabe analisar é se há o “direito de crédito”, pois que se houver, aí sim caberá o  direito de mantê­lo, já que quanto a “manutenção dos créditos” o art. 17, da Lei nº 11.033/04  foi explícito em permitir, mesmo nas saídas desoneradas, e mesmo para o comércio.  O direito ao desconto de crédito ­ esse sim ­, está regulado pelos arts. 3º, das  Leis  nºs.  10.637/02  e  10.833/03,  e,  a  partir  do  advento  da  Lei  nº  10.865/04,  tais  créditos  passaram a limitar­se pela seguinte disposição:  “§2º Não dará direito a crédito o valor:  (…)  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição.”  E  a  interpretação  (“norma  jurídica”)  que  extraio  do  dispositivo  supra  é  no  sentido de que os bens adquiridos sem o pagamento das contribuições não ensejam direito ao  crédito, quando a operação subsequente for igualmente desonerada das contribuições. Ou seja,  se não houve a oneração pela contribuição na operação anterior, não se concede o crédito ao  comprador na operação subsequente. Essa a regra geral que passou a vigorar a partir da Lei nº  10.865/04.  Por  outro  lado,  tenho  que  o  dispositivo  em  questão  também  qualificou  as  hipóteses em que o crédito será permitido, mesmo quando adquiridos bens ou serviços sem  pagamento das contribuições. Nesse caso, tenho que a Lei disciplinou que o crédito sobre as  aquisições  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  das  contribuições  será  permitido  quando  as  saídas  subsequentes  forem gravadas pelas  contribuições. É  a  interpretação que  “a  contrario sensu” se extrai da literalidade do próprio dispositivo.  Ou seja, não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços  não sujeitos ao pagamento da contribuição quando revendidos ou utilizados como insumo em  produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.  Por outro lado, dará direito a crédito quando revendidos com incidência da contribuição.   Esta  é  a  leitura  que  desponta  clara  do  dispositivo  em  questão.  Ele  não  foi  simplório em dizer que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  e  “ponto  final”.  O  preceito  legal  qualificou  quais  espécies  de  desoneração  não  dará  direito  ao  crédito,  e  o  fez  pela  natureza  da  operação  subsequente, como sendo aquela desonerada na etapa subsequente. Portanto, se a natureza da  operação  subsequente  for  desonerada  de  tributação  pela  contribuição,  não  dará  direito  ao  crédito.  Por outro lado, se o insumo foi adquirido sem o pagamento da contribuição  mas, utilizado  como  insumo  ou  revendido  sob  o  pálio  de  uma  operação  subsequente  cuja  natureza for uma saída tributada, em homenagem à não cumulatividade (leia­se: para que esse  industrial/comerciante  não  “recolha”  tributo  pelas  duas  etapas  da  cadeia),  deve­se permitir  o  crédito da aquisição.  Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   36 Assim,  tenho  que  seja  perfeitamente  possível  (e  adequado)  conciliar  as  normas  emanadas  do  inciso  II,  do  §2º,  do  art.  3º,  das  Leis  nºs.  10.637/02  e  10.833/03  (introduzido  pela  Lei  nº  10.865/04)  com  aquela  do  art.  17,  da  Lei  nº  11.033/04.  E  a  interpretação que extraio destes dispositivos – e que entendo consectânea com a regra da não  cumulatividade ­, é no sentido de que, se houve ônus da tributação na operação anterior haverá  o  crédito,  ainda  que  a  operação  subsequente  seja  desonerada  (conforme  permissão  de  manutenção de crédito contida no art. 17, da Lei nº 11.033/04). Por outro lado, se não houve  oneração  tributária  na  aquisição  de  bens  que  serão  igualmente  vendidos  sem  oneração  tributária, não se dará o crédito, que somente será concedido, a bem da não cumulatividade, se  a  saída  subsequente  for  efetivamente  gravada  com  o  ônus  tributário  (é  a  interpretação  que  emana  do  inciso  II,  do  §2º,  do  art.  3º,  das  Leis  citadas).  Em  complemento  da  “cadeia”  de  produção, havendo saída onerada, ainda que  a entrada seja desonerada, deve ser permitido o  desconto do crédito das aquisições, pois que a vedação a tomada do crédito foi qualificada para  a hipótese em que a operação subsequente  também seja desonerada. O crédito daí originado  (inciso II, do §2º, do art. 3º), poderá então ser mantido, segundo o art. 17, da Lei 11.033/04.  Portanto, na cadeia de circulação de bens e serviços, para se evitar que uma  etapa acabe arcando financeiramente pelo tributo devido por outra etapa, se criaram legalmente  (arts. 3°, §2°,  II das Leis 10.637/02 e 10.833/03 c/c 17, da Lei 11.033/04) os mecanismos de  “concessão” e de “manutenção” dos créditos, de modo a permitir que se houver oneração, seja  na aquisição seja na revenda, deverá existir o direito ao crédito. Se não houver a oneração nem  na  aquisição  e  nem  na  revenda,  não  se  concederá  o  crédito.  Essa  técnica  é  da  natureza  da  norma da não cumulatividade, pois que se  assim não o  for,  transmuda­se o crédito em mero  diferimento entre as etapas, sem produzir o efeito almejado de desonerar a cadeia produtiva.   Por isso que se a etapa anterior é desonerada e a etapa subsequente também o  for,  não  deverá  haver  o  direito  ao  crédito,  pois  que  nesse  caso,  se  estará  criando  direito  de  crédito em detrimento do Estado arrecadador, prejudicando as receitas públicas. Tenho que esta  seja a “justa medida” e o sentido de ser do instituto da não cumulatividade.  E o  caso da Recorrente  é de  aquisição de produtos de pessoas  jurídicas  (as  aquisições de pessoas físicas, com crédito presumido do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, já foi  abordado  anteriormente),  sujeitos  a  alíquota  zero  –  que  tem  natureza  jurídica  de  isenção,  segundo  o  STF,  com  subsequentes  vendas  sujeitas,  parcialmente,  a  incidência  das  contribuições, o que, segundo norma acima extraída, deve permitir o cômputo do crédito sobre  as  aquisições  realizadas,  na  mesma  proporção  em  que  as  operações  de  venda  tenham  se  realizado com incidência tributária.   E  diz­se  nesta  “proporção”  porque  sabidamente  a  Recorrente  tem  receitas  sujeitas a incidência das contribuições (como afirmou), e outras não incidentes (exportação, por  exemplo), podendo ter ainda receitas de vendas sujeitas a regimes diferenciados, monofásicos,  e afins. Tenho, portanto, que a proporção das receitas de vendas que sujeitarem­se a incidência  da contribuição, deve gerar a base sobre a qual calcular­se­á o desconto do crédito, às alíquotas  contidas nos arts. 2°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003.   Desta  técnica  que  emana  do  próprio  §2º,  II,  do  art.  3°,  das  Leis  n°s.  10.637/2002  e  10.833/2003,  cumulado  com  o  art.  17,  da  Lei  11.033/2004,  tenho  que,  automaticamente,  estar­se­á vedando  a  tomada  de  créditos  sobre  aquisições  desoneradas  que  estejam  vinculadas  a  receitas  de  vendas  que  se  operem  sem  a  incidência  tributária,  e,  consequentemente,  a  respectiva  manutenção  desses  créditos  que  não  se  permitiu  tomar.  Ou  seja, ao se aplicar a “proporcionalização” dos créditos pelas aquisições desoneradas em relação  ao  percentual  das  saídas  oneradas,  se  estará  vedando  manter  créditos  que  não  se  podem  descontar.  Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.522          37 Merece, portanto, ser parcialmente afastada a glosa e ser feito o recálculo do  crédito nas  aquisições de  insumos  sujeitos  a  alíquota zero ou desoneradas,  na proporção das  vendas sujeitas a incidência tributária, na forma contida na fundamentação supra.  IV.Percentual da Alíquota para o Cálculo dos Créditos Presumidos nas  Atividades Agroindustriais  Outra  questão  que  aqui  se  questiona,  é  em  relação  ao  percentual  a  ser  aplicado, relativo à alíquota para o cálculo do crédito presumido previsto no art. 8°, da Lei n°  10.925/2004, sendo que o Despacho decisório entendeu que para as aquisições de insumos que  não  se  classifiquem  nos  capítulos  e  posições  citados  no  inciso  I,  do  §3°,  citado  dispositivo,  deve  ser  aplicado  o  percentual  do  inciso  II  (soja  e  derivados)  ou  no  inciso  III  (demais),  conforme o caso, para os quais foram apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%)  e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente.  Por  seu  turno,  a  Recorrente  sustenta  que  há  equívoco  de  interpretação  por  parte da Autoridade fiscal, na medida em que o percentual correto que deve ser aplicado sobre  as Notas Fiscais de aquisições, deve ser ditado pelo produto que está sendo industrializado, e  não pelo insumo que está sendo adquirido. Assim, considerando que seus produtos, conforme o  “caput”, do art. 8°, são destinados a alimentação humana, deve ser aplicada a alíquota de 60%  sobre a aquisição do  insumo,  independentemente da espécie do  insumo e de sua posição nos  incisos do §3°, do art. 8°, pois que estes dizem respeito à base de  cálculo, determinada pelo  insumo  adquirido,  enquanto  que  o  “caput”  do  preceito  legal  diz  respeito  à  alíquota  a  ser  aplicada, que é ditada pelo produto em fabricação.  Neste  sentido,  discussões  posicionamentos  parte  a parte,  a  verdade  é  que  a  questão  acabou  sendo  recentemente  pacificada  com  a  edição  da  Lei  n°  12.865,  de  09  de  outubro de 2013, que inseriu o §10, no art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, nos seguintes termos:  Art.  8°  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.  14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens  referidos no  inciso  II  do caput do art.  3º  das Leis n's  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004)  §  1°  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos  Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   38 da Nomenclatura Comum do Mercosul  (NCM);  (Redação dada  pela Lei nº 12.865, de 2013)  II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  n°11.051, de 2004).  § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4°  do  art.  3°  das  Leis  n's  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  §  3° O montante  do  crédito  a  que  se  referem o  caput  e  o  §  1°  deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor  das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:  I ­ 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17e 15.18; e  II  ­  50%  (cinqüenta  por  cento) daquela  prevista  no art.  2°  das  Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de  dezembro  de  2003,  para  a  soja  e  seus  derivados  classificados  nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela  Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007)  III  ­ 35%  (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2°  das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29  de  dezembro  de  2003,  para  os  demais  produtos.  (Renumerado  pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007)  § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  1­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;  II  ­ de crédito  em  relação às  receitas de vendas  efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e  o  §  1º  deste  artigo,  o  valor  das  aquisições  não  poderá  ser  superior  ao  que  vier  a  ser  fixado,  por  espécie  de  bem,  pela  Secretaria da Receita Federal.  § 10. Para efeito de  interpretação do inciso I do § 3º, o direito  ao  crédito  na  alíquota  de  60%  (sessenta  por  cento)  abrange  todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído  pela Lei nº 12.865, de 2013)  Com  efeito,  constata­se  que  a  lei  foi  expressamente  interpretativa,  além  do  que, por estarmos diante de um ato ou fato não definitivamente julgado, que deixa de tratar o  Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.523          39 procedimento  do  contribuinte  de  calcular  o  crédito  presumido da  agroindústria  à  alíquota  de  60%  ditado  pelo  produto  final,  como  contrário  a  exigência  de  quaisquer  ação  ou  omissão,  aplica­se, plenamente de forma retroativa, nos termos do art. 106, inciso I, e II, “b”, do CTN.  Nestes termos, merece ser reformulado o cálculo do crédito presumido, para  acatar  o  percentual  da  alíquota  relativo  ao  produto  em  fabricação  pela  Recorrente,  independentemente  do  insumo  empregado,  nos  termos  do  §10,  do  art.  8°,  da  Lei  n°  10.925/2004, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.865/2013.  V.Glosas  de  Créditos  sobre  Aquisição  de  insumos  junto  a  pessoas  jurídicas  e  que  deveriam  ter  ocorrido  com  suspensão  obrigatória  de  PIS/Pasep e COFINS, a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004.  Direito ao crédito presumido.  Neste item do Recurso, constata­se que a Autoridade fiscal efetivou a glosa  dos  créditos  provenientes  de  aquisições  de  insumos  feitos  pelo  contribuinte  junto  à  pessoas  jurídicas, ao fundamento de que tais operações estariam sujeitas à suspensão da incidência das  Contribuições ao PIS e à COFINS, nos termos do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004 (na redação  dada pela Lei nº 11.051, de 2004), in verbis:  Art.  9°  A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins fica suspensa no caso de venda:  I ­ de produtos de que trata o inciso I do §1° do art. 8° desta Lei,  quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado  inciso;  II  ­  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada no inciso II do §1° do art. 8° desta Lei; e   III  ­  de  insumos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8°  desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do §1° do  mencionado artigo.  §1° O disposto neste artigo:  I  ­ aplica­se  somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa  jurídica tributada com base no lucro real; e   II  ­  não se aplica nas vendas  efetuadas pelas pessoas  jurídicas  de que tratam os §§ 6° e 7° do art. 8° desta Lei.  §2° A suspensão de que trata este artigo aplicar­se­á nos termos  e  condições  estabelecidos pela  Secretaria  da Receita Federal  ­  SRF.  Sustenta  a Recorrente  que  em  face  da  previsão  contida  no  §2°  do  preceito  acima citado, a suspensão dependida de  regulamentação a  ser  editada pela SRF, para  apenas  após  isso  vir  a  ser  implementada  e,  considerando  que  seus  fornecedores  efetivamente  tributaram pelo PIS e COFINS as vendas a ela efetivadas, teria direito ao crédito integral das  contribuições, não sendo o caso de se lhe aplicar a glosa, pois que as operações efetivamente  sujeitaram­se ao pagamento dos tributos, estando fora do alcance da proibição legal. Sustenta,  em  sede  alternativa,  que  na  pior  das  hipóteses  lhe  deveria  ser  garantido  o  direito  ao  crédito  Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   40 presumido,  pois  que  legalmente  garantido  pela  Lei,  se  acaso  não  for  recomposta  a  glosa  integral.   A questão em tela encerra uma análise da aptidão que os “termos e condições  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF” (previsto no §2°, do art. 9°, da Lei n°  10.925/2004 –  na  redação  da Lei  n°  11.051/2004),  teriam para  que  a  suspensão  pudesse  ser  aplicada efetivamente. Ou seja,  se  tais normas a serem editadas pela Administração  teriam o  condão  de  interferir  na  incidência  tributária  ou  ao  revés,  apenas  teriam  o  condão  de  editar  normas procedimentais para o controle, administração e fiscalização tributária.  Ao meu sentir, as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal  apenas poderiam criar deveres instrumentais ou formais no interesse do controle, fiscalização  ou  administração  tributária,  mas  não  poderiam  criar,  modificar  ou  extinguir  quaisquer  dos  critérios da  relação  jurídica  tributária, de modo que não seriam  tais normas  responsáveis por  viabilizar (ou inviabilizar) a suspensão da incidência tributária veiculada pelo art. 9°, da Lei n°  10.925/2004. Nos termos do art. 84, IV, da CRFB­1988, os atos do Poder Executivo servem ao  fiel cumprimento da Lei, mas não podem inovar o ordenamento jurídico.  Com esse entendimento,  tenho que estando atendidas as condições para que  as  operações  fossem  suspensas  da  incidência  de  PIS  e  de COFINS,  efetivamente  assim  elas  ocorreram  para  os  efeitos  tributários,  ainda  que  “financeiramente”  as  partes  não  tenham,  eventualmente,  previsto  os  seus  impactos  nos  seus  orçamentos  comerciais. Acaso  tivesse  os  fornecedores  sido  autuados  por  terem  aplicado  a  suspensão  e  a  Administração  as  estivesse  exigindo o tributo, meu entendimento afastaria a exigência tributária, por óbvio.  Neste sentido,  tenho que agiu acertadamente a Administração ao proceder à  glosa  dos  créditos  tomados  pela  Recorrente  à  alíquota  de  3,65%  e  7,60%,  para  o  PIS  e  à  COFINS,  respectivamente,  pois  que  não  se  contesta  nos  autos  que  as  operações  preenchiam  cumulativamente os requisitos dos incisos I, II e III, do art. 9°, em questão.  Porém,  tenho  que  a  glosa  não  poderia  ser  integral,  pois  que  o  crédito  presumido  era  um  direito  da  Recorrente,  decorrente  justamente  do  mecanismo  que  estava  sendo regulado pela própria Lei n° 10.925/2004. Basta cotejar os preceitos legais em questão  (arts.  8°  e 9º,  citados).  Portanto,  deveria  ter  sido  glosado  apenas  o  excedente  em  relação  ao  crédito  presumido  que  a  Recorrente  fazia  jus  em  tais  aquisições,  pois  as  mesmas  estão  amparadas pelo §1°, do art. 8°, da mesma Lei n° 10.925/2004, in verbis:  Art.  8°  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  [...]  poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido,  calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput  do  art.  3º  das  Leis  n°s  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física  ou  recebidos  de  cooperado  pessoa  física.  (Redação  dada  pela  Lei n°11.051, de 2004)  §  1°  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos  Fl. 3544DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.524          41 da Nomenclatura Comum do Mercosul  (NCM);  (Redação dada  pela Lei nº 12.865, de 2013)  II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  n°11.051, de 2004).  Esse direito, aliás, ficou expresso no próprio voto da DRJ, objeto do Recurso,  quando estampou o seguinte:   A recorrente, alternativamente, solicitou que fosse reconhecido a  procedência  parcial  do  crédito,  mediante  aplicação  do  percentual do crédito presumido. No entanto, não há como ora  acolher esse pleito, dado o firmado no item 4 deste voto.  Por  sua  vez,  o  item  4,  a  que  se  reporta  o  excerto  da  DRJ,  afirma  que  a  instância  de  piso  apenas  analisou  o  direito  ao  crédito  que  estivesse  informado  na  “linha  correta”  da  DACON.  Em  tal  tópico  do  acórdão  recorrido,  extrai­se  esse  entendimento  no  sentido  de  que  tal  decisão  adotou  como  premissa  que  “no  presente  feito,  somente  será  analisada  a  procedência  dos  créditos  cujas  bases  de  cálculo  tenham  sido  corretamente  informadas  em  Dacon”.  Ou  seja,  aqui  a  DRJ  entendeu  que  haveria  o  direito,  mas  não  o  concedeu porque não estava informado na linha incorreta da DACON.  Todavia, considerando meu entendimento de que não é a DACON que cria o  crédito  (como  já  mencionado  quando  aqui  neste  voto  analisei  o  crédito  referente  à  Energia  Elétrica),  mas  sim  o  crédito  nasce  na  “relação  jurídica  de  direito  ao  crédito”,  por  sua  vez  decorrente da operação comercial de aquisição realizada e do respectivo enquadramento legal  pertinente,  tenho  que  a  recomposição  do  cálculo  do  crédito,  que  decorrerá  do  cumprimento  deste julgado, comporta perfeitamente o cálculo do crédito presumido das aquisições feitas nas  operações que se deram com “suspensão”, nos termos do art. 9°.   E isto porque tenho que este fato retrata um direito da Recorrente de que tais  operações  lhe concedessem o crédito presumido, nos  termos dos art. 8°, §1°, e 9°, ambos da  Lei n° 10/925/2004.  Com efeito, merece parcial provimento o recurso voluntário nesse particular,  para reconstituir parcialmente a glosa, até o limite do crédito presumido, nos termos do art. 8°,  da Lei n° 10.925/2004, inclusive no tocante ao percentual da alíquota conforme definido nesse  julgado, e também produzindo efeitos nos períodos contíguos a este, se for o caso.  VI.Glosas de Créditos  sobre aquisição de partes  e peças, que deveriam  ter sido ativadas. Direito ao crédito via depreciação.  Com relação a esta glosa efetivada pela Administração, sustenta a Recorrente  que possui o direito ao desconto do crédito em face de que  tais partes e peças atenderem ao  conceito  genérico  de  insumo,  e,  como  tal,  devem  lhe  garantir  o  direito  ao  crédito  das  contribuições  ao  PIS  e  COFINS,  ou,  no  mínimo,  deveria  lhe  conceder  o  crédito  através  da  depreciação.  Aqui  encontram­se  arrolados,  ainda,  glosas  relativas  a  peças  para  máquinas  e  equipamentos,  peça  de  manutenção,  peças  e  serviços,  torno,  serviço  de  conserto  de  Fl. 3545DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   42 equipamentos, serviço de manutenção de máquinas, serviços em peças, serviços de instalação  de  equipamentos. Abrange  também  aqueles  itens  importados  (CFOP  3551),  e  que  afirma­se  estarem inseridos neste grupo de bens que deveriam ter sido imobilizados.  Por  sua  vez,  a  decisão  recorrida,  embora  reconheça  que  referidos  itens  concederiam o  direito  ao  crédito  através  dos  encargos  de depreciação,  deixou  de  reconhecer  referido direito sob o fundamento de que não poderia conceder direitos de créditos que foram  incorretamente informados na DACON, e, como o contribuinte informou como insumos, e não  como depreciação, não poderia alterar citado registro.  No caso em concreto tenho que o tratamento a ser dado à partes e peças deve  seguir ao regramento ditado pelo art. 15, do Decreto­Lei n° 1.598/77, pelo art. 30, da Lei n°  9.249/95, a saber:  Decreto­Lei n° 1.598/77  Despesas Operacionais   Art. 15 ­ O custo de aquisição de bens do ativo permanente não  poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem  adquirido  tiver  valor  unitário  não  superior  a  Cr$3.000,00  ou  prazo de vida útil que não ultrapasse um ano.  Lei n° 9.249/95  Art. 30. Os valores constantes da legislação tributária, expressos  em quantidade de UFIR, serão convertidos em Reais pelo valor  da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996.  Conforme determinado pelo art. 301, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), temos  o seguinte:  Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não  poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem  adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e  seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não  ultrapasse um ano (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº  8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e  Lei nº 9.249, de 1995, art. 30).  Assim  sendo,  tem­se  como  acertado  o  posicionamento  da  Recorrente  em  lançar  como  despesa  operacional  o  valor  relativo  às  aquisições  de  partes  e  peças  quando  o  tempo de vida útil das mesmas for inferior a 01 ano, ou que o seu valor unitário seja inferior a  R$326,61 centavos.  Considerando que não há prova atestando o tempo de vida útil das referidas  partes  e  peças,  ou  mesmo  o  seu  uso  intensivo  ou  a  existência  de  ato  normativo  específico  excepcionando o  tratamento  como “despesa operacional” para  tais  itens  (como ocorre,  p.ex.,  como  lâminas  e  facas  na  indústria  calçadista),  aquelas  que  tiverem  o  preço  de  aquisição  superior a R$326,61, deverão ser levados ao imobilizado, em subconta relativa ao bem a que  estiverem  vinculadas,  para  que  sejam  depreciados,  e,  consequentemente,  as  taxas  de  depreciações  pertinentes  devem  ser  revertidas  em  créditos  no  trimestre  em  questão,  já  que  nestes autos será recomposto o cálculo dos créditos ressarciendos.   É o direito que assiste ao contribuinte e que emana do art. 3°, §1°, inciso III,  da  Lei  n°  10.833/2003,  e  seguindo  aquela  premissa  anteriormente  firmada,  de  que  o  crédito  Fl. 3546DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.525          43 emana  da  operação  concreta  havida  no  “mundo  fenomênico”,  dos  fatos,  e  não  daquilo  que  tenha sido vertido na linguagem contida da DACON a qual, embora necessária, não cria nem  extingue a relação jurídica tributária e nem a relação jurídica de direito ao crédito, sob o prisma  do direito material.  Desta forma, merece parcial provimento o recurso, para reconhecer o direito  ao cômputo de créditos sobre as partes e peças como despesa operacional quando o preço de  aquisição for inferior a R$326,61, e quando em valor superior, deve ser recomposto o cálculo  através dos pertinentes encargos de depreciação, até o limite legal de tais taxas para o período  de  apuração  em  questão,  a  ser  aferida  pela  autoridade  preparadora  ao  ser  executada  esta  decisão, na medida da viabilidade da respectiva prova.  VII. Dispositivo:  Ante  todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso,  para  afastar  parcialmente  as  glosas,  nos  termos  da  fundamentação  exposta,  inclusive  para  determinar  o  refazimento  dos  cálculos  dos  créditos  ressarciendos  e  para  que  repercutam nos  períodos  contíguos  naquilo  que  com  este  período  (1o  Trimestre/2008)  tenham  relação  de  pertinência.  É como voto.   (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator.  Fl. 3547DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   44 Voto Vencedor  Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama, Redator Designado.  O  ilustre Relator  votou  no  sentido  de DAR PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário para afastar parcialmente as glosas, nos termos da fundamentação exposta,  inclusive  no  item  b)  Fretes  contratados  para  transferências  de  produtos  acabados  entre  as  unidades da empresa.  Não é o nosso entendimento.  Em relação a esse ponto, com a devida vênia do ilustre Relator, a meu ver, a  melhor  interpretação está com o órgão de  julgamento de primeiro grau, que manteve a glosa  dos referidos créditos com base no argumento de que as despesas com fretes contratados para o  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  não  integravam o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda.  Por outro lado, a recorrente alegou que a fiscalização também desconsiderou  o frete na transferência entre estabelecimentos sob a alegação de serem “produtos acabados”,  com base em presunção vinculada ao fato de que a transferência se deu entre estabelecimentos  da recorrente.  Conclui  a  recorrente  que  os  fretes  entre  seus  estabelecimentos  compõe  o  processo de industrialização e econômico da atividade que exerce, inclusive, em decorrência de  legislações  de  órgãos  públicos,  resta  indubitável  a  ilação  de  que  os  créditos  são  legítimos,  principalmente,  quando  a  fiscalização  presumiu  a  inexistência  deste  pelo  simples  fato  de  constar, por amostragem, que ocorrem entre estabelecimentos da empresa. Em tais condições, é  de rigor a improcedência da glosa e, por conseguinte, o presente lançamento, reformando­se a  r. Decisão recorrida.  Ora, quanto ao fato de que a glosa decorreu da presunção de que as despesas  de frete se tratava de produto acabado, a análise das operações da empresa se deu a partir dos  seus registros contábeis. A teor do relato fiscal, foram glosadas as despesas com os serviços de  fretes  constantes  da  memória  de  cálculo  fornecida  pela  fiscalizada  sob  a  denominação  SERVIÇO  FRETE  E  CARRETO  os  quais  foram  escriturados  pela  empresa  em  contas  que  refletem despesas  com vendas,  especificamente  referente  ao  transporte de produtos  acabados  entre  filiais:  conta  0501  ­ DESPESAS COM VENDAS,  subcontas  n.°  0000510580  –  “Frete  Transf.Prod.Acabados (UP p/Filiais)”, e n.° 0000510581 – “Frete Transf.Prod.Acabados (Entre  Filiais)”.   A  autoridade  fiscal  relata  que  cada  um  dos  conhecimentos  glosados  está  especificado  na  listagem  “Fretes  de  transferência  de  produtos  acabados  entre  as  unidades  da  empresa”.  Isto  posto,  no  meu  entendimento,  a  própria  descrição  de  cada  conta,  evidencia  a  natureza  das  operações  lá  escrituradas,  razão  pela  qual  não  poderiam  ser  tidas  como despesas vinculadas a operações de aquisição de insumo. Logo, não caberia a autoridade  fiscal comprovar que as despesas escrituradas pela própria empresa como despesas de vendas  de  fato  consistem  deste  tipo  de  operação.  Em  se  tratando  de  direito  de  crédito  que  a  contribuinte pretende ter reconhecido, caberia a ela, o ônus de provar que os valores registrados  Fl. 3548DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.526          45 como despesas  com vendas  consistem,  em verdade,  de  despesas  de  transportes  vinculados  a  operações de aquisições de insumo. Não é o caso.  Na questão de direito, a recorrente alega que os fretes entre estabelecimentos  da  recorrente  compõe  o  processo  de  industrialização  e  econômico  da  atividade  que  exerce,  inclusive, em decorrência de legislações de órgãos públicos, resta indubitável a ilação de que  os créditos são legítimos.  Com isso, a controvérsia cinge­se ao conceito de insumo, isto é, se a despesa  de  frete  de  produto  acabado  entre  as  unidades  da  empresa  estaria  abrangido  no  conceito  de  insumo previsto no inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins).  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o (Contribuição Não­ Cumulativa)  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados em relação a:  (...)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes  ,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  Tipi;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); (grifos nossos)  Com relação a esta empresa, como se trata de estabelecimento industrial, são  considerados  insumos  apenas  às  aquisições  de  bens  e  serviços  utilizados  no  processo  de  produção ou fabricação de bens ou produtos de venda da recorrente.  Com  isso,  ficam  excluídos  do  referido  conceito  os  custos  e  as  despesas  realizadas  após  a  conclusão  do  processo  de  fabricação  ou  produção.  Para  reforçar  este  raciocínio temos a Solução de Divergência nº 12/2008 e 25/2008, que citamos abaixo:  1.  O  transporte  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de  um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica  não  gera  direito  a  crédito  a  ser  descontado  da  contribuição  sujeita a incidência não­cumulativa. (grifos nossos)  Em decorrência dessa conclusão,  tem­se que apenas os custos e as despesas  realizadas  após  a  conclusão  do  processo  de  fabricação,  expressa  e  taxativamente  (numerus  clausus),  relacionadas  nos  incisos  III  a  X  da  Lei  nº  10.833,  de  2003  (Cofins),  a  seguir  transcritos, permitem a apropriação dos créditos a serem descontados da contribuição sujeita a  incidência não­cumulativa.  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (Regulamento)  III ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica;  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 3549DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA   46 IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à  venda ou na  prestação  de  serviços;  (Redação dada pela Lei  nº  11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;  VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009) (grifos nossos)  Da análise do comando legal acima, constatamos que apenas as despesas com  fretes nas operações de venda foi contemplada com a permissão de apropriação de crédito.  Portanto, por  falta de previsão  legal,  ficam excluídas as despesas com frete  relativas ao transporte dos produtos acabados realizado entre o estabelecimento industrial e o  estabelecimento distribuidor, operação que não se enquadra no conceito de operação de vendas.  Ex positis, quanto ao  tópico: “b) Fretes contratados para  transferências de  produtos acabados entre as unidades da empresa”, voto no sentido de negar PROVIMENTO  ao RECURSO VOLUNTÁRIO em relação à glosa dos créditos calculados  sobre o valor das  despesas  com  serviços  de  transporte  (fretes  e  carretos)  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos do mesmo contribuinte por não se enquadrar no conceito de insumo previsto  no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs: 10.637/2002 (PIS/PASEP); e, 10.833/2003 (COFINS) e,  também, não estar relacionada nos custos e despesas realizadas após a conclusão do processo  de fabricação, expressa e taxativamente (numerus clausus) relacionadas nos incisos III a X da  Lei  nº  10.833,  de  2003  (COFINS),  em  especial,  o  inciso  IX,  que  contempla  apenas  as  “despesas de fretes na operação de vendas”, portanto, faltando a previsão legal.  Sala das Sessões, em 25 de março de 2014.  LUIZ CARLOS SHIMOYAMA              Fl. 3550DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/2009­88  Acórdão n.º 3402­002.361  S3­C4T2  Fl. 3.527          47     Fl. 3551DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA

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Numero do processo: 10510.003063/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/06/2006 DENÜNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
Numero da decisão: 1802-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 37          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente  a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte.  Inicialmente  o Despacho Decisório  n°  410  ­ DRF/AJU,  de  18  de  junho  de  2010  (fls.  75/80),  homologou  apenas  parcialmente  a  compensação  objeto  da  Declaração  de  Compensação (fl. 19), na qual a interessada requer a compensação de débito de estimativa do  IRPJ do período de setembro de 2004 com crédito relativo a antecipações do IRPJ do exercício  de 1998 (ano­calendário de 1997), no valor original de R$ 21.023,20, o qual, atualizado até a  data da compensação, representaria um montante de R$ 48.752,80 (fl. 58).  O  citado  Despacho  Decisório  apresenta  os  seguintes  fundamentos:  ­  embora  a  interessada  tenha  informado,  na  declaração  de  compensação  de  fl.  19  que  o  direito  creditório  decorre  de  pagamentos de estimativas do IRPJ do ano­calendário de 1997,  parceladas  através  do  Processo  n°  10510.200023/2003­77,  a  análise  será  focada  na  existência  ou  não  de  saldo  negativo  de  IRPJ  do  exercício  de  1998,  pois  as  estimativas,  por  representarem antecipações, só podem gerar saldo negativo caso  superem  o  imposto  devido  no  ajuste  do  período  de  apuração,  assim como ocorre com o imposto de renda na fonte e as demais  deduções do imposto devido;  ­  a  demonstração  do  saldo  negativo,  constante  da  ficha  08  da  DIPJ/1998, apresenta a seguinte situação:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL  1. ALÍQUOTA DE 15%   121.637,08  2. ADICIONAL   57.091,38  DEDUÇÕES  06. (­) VALE­TRANSPORTE   4.227,51  15 (­) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE   1.957,79  17. (­) IMPOSTO DE RENDA POR ESTIMATIVA   214.059,64  18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR   ­ 41.516,48  ­ a presente análise se limitará aos valores de retenção na fonte  e aos pagamentos do IR por estimativa;  ­  no  tocante  as  retenções  na  fonte,  em  conformidade  com  os  extratos  das  DIRF  em  que  a  interessada  aparece  como  beneficiária  dos  rendimentos  (fl.  71),  tem­se  a  confirmação  do  montante declarado;  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 38          3 ­  em  relação  as  estimativas,  não  obstante  a  interessada  ter  levado ao ajuste anual o total dos valores apurados na ficha 09  da DIPJ/1998,  seguindo  as  instruções  de  preenchimento  de  tal  declaração  (fl.  72),  o  valor  efetivamente  pago  montou  em  R$142.835,82,  sendo  R$138.742,12  mediante  recolhimento  em  DARF  e  R$  4.093,70  através  de  compensação  com  saldo  negativo de períodos anteriores.  Do  demonstrativo  apresentado  à  fl.  77,  nota­se  que  as  estimativas efetivamente pagas se limitaram ao imposto apurado  à aliquota de 15%, desconsiderando­se os valores relativos aos  adicionais devidos;  ­  considerando­se  o  exposto,  a  recomposição  da  ficha  08  da  DIPJ/1998 apresenta a seguinte situação:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL  1. A ALÍQUOTA DE 15%   121.637,08  2. ADICIONAL   57.091,38  DEDUÇÕES  06. (­) VALE­TRANSPORTE   4.227,51  15 (­) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE   1.957,79  17. (­) IMPOSTO DE RENDA POR ESTIMATIVA   142.835,82  18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR   29.707,34  ­ como o saldo do  imposto de renda a pagar, de R$ 29.707,34,  foi  liquidado por meio do recolhimento constante do extrato de  fl.  69,  mostra­se  evidente  que  as  estimativas  pagas  através  do  Processo n° 10510.200023/2003­77 estão excedendo o saldo do  imposto a pagar apurado no ajuste anual do ano­calendário de  1997, restando configurado o direito da interessada à restituição  dos valores originais das estimativas parceladas, no total de R$  21.023,20,  conforme  extratos  de  fls.  61/63,  não  como  pagamentos indevidos, mas como saldo negativo;  ­ o saldo negativo ora reconhecido não se encontra consignado  na  DIPJ/1998  em  razão  de  os  pagamentos  correspondentes  terem  sido  realizados  no  período  de  23/04/2003  a  31/03/2008,  quando a citada declaração já não podia ser mais retificada, em  função do transcurso do prazo prescricional;  ­  embora  tenha  havido  o  reconhecimento  integral  do  direito  creditório apresentado na DCOMP, este se mostrou insuficiente  para  liquidar o  débito  compensado,  em  razão  de  a  interessada  ter  feito  o  encontro  de  contas  tomando  por  base  a  data  de  vencimento do débito, e não a data da entrega da declaração de  compensação,  segundo  estabelecia  o  art.  28  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  600,  de  28/12/2005,  regra  esta  mantida  no  art. 36 da Instrução Normativa Receita Federal do Brasil n° 900,  de 30/12/2008;  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 39          4 ­  em  função de  todo o  exposto,  foi homologada parcialmente a  compensação pleiteada, remanescendo para cobrança um saldo  devedor no valor original de R$12.367,49.  Cientificada  do  Despacho  Decisório  em  30/06/2010  (fl.  83),  a  interessada  apresentou, em 30/07/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 84/94), acompanhada dos  documentos de (fls. 95/112), com as seguintes alegações, em síntese:  BREVE RELATO DOS FATOS:  •  a  autoridade  fiscal  proferiu  despacho  decisório  deferindo  parcialmente  o  pedido  de  compensação  sob  análise  e  homologando  apenas  parte  das  compensações  declaradas,  apesar  de  inexistirem  quaisquer  divergências  entre  o  valor  informado no PER/DCOMP e o valor informado na DIPJ;  •  o  motivo  do  indeferimento  foi  o  fato  de  a  requerente  haver  parcelado  parte  dos  valores  devidos  a  titulo  de  estimativa  de  IRPJ,  conforme  extratos  anexados  (fls.  61/63),  apesar  de  o  aludido parcelamento encontrar­se integralmente quitado;  DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS DE ANTECIPAÇÕES:  • de acordo com a ficha 8 da DIPJ/1998, a sociedade apurou no  ano­calendário de 1997 imposto sobre o lucro real no montante  de  R$178.728,46  e  realizou  recolhimentos  de  antecipações  no  montante  de  R$214.059,64,  o  que  enseja  o  ressarcimento  ou  a  compensação  dos  valores  remanescentes,  em  relação  ao  IRPJ  devido  na  declaração  de  ajuste  anual,  no  montante  de  R$41.516,48;  •  o  próprio  julgador  em  seu  parecer  declara  que  a  requerente  possui  crédito  relativamente  ao  ano  de  1997,  oriundo  do  recolhimento  por  estimativa,  bem  como  que  referido  crédito  encontra­se consolidado na apuração  feita na DIPJ (transcreve  trecho do despacho decisório);  • como a requerente vinha calculando as antecipações tendo por  base o percentual de 15%, sem o adicional de 10%, a principio  não  poderia  aproveitar  essas  diferenças  na  compensação  com  períodos posteriores, no entanto, ao ser notificado da existência  da  aludida  diferença,  sequer  impugnou  a  notificação,  reconhecendo a procedência das parcelas de adicional do IRPJ  incidentes  sobre  as  antecipações  de  1997,  e  procedeu  ao  seu  parcelamento,  que  foi  integralmente  quitado.  Assim,  a  contribuinte  mantém  o  direito  de  compensar/restituir  tais  valores;  •  o  valor  da  diferença  de  estimativa,  apesar  de  haver  sido  parcelado, deverá ser aceito por este órgão administrativo, dado  que  o  aludido  parcelamento  foi  integralmente  quitado,  pois,  segundo o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes,  compete exclusivamente à unidade de origem da RFB verificar e  calcular os  valores a  serem compensados  e os  já  compensados  (transcreve ementas);  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 40          5 •  a  Instrução Normativa  SRF n°  600,  de  2005,  em  seu  art.  26,  caput, combinado com o art. 74, dispõe que o sujeito passivo que  apurar  crédito  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizá­ lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  ou  contribuições  administrados  por  aquele  órgão,  não  havendo razão para que seus pedidos sejam indeferidos;  • o pedido de ressarcimento e os pedidos de compensação, é de  suma importância salientar, foram realizados dentro do prazo de  cinco anos, na forma prescrita pelo art. 174, c/c os arts. 165, I, e  168, II, do CTN;  DA REALIZAÇÃO DA PERÍCIA CONTÁBIL  ­  IMPORTÂNCIA  PARA O DESLINDE DA QUESTÃO:  • o direito à prova,  também aplicável aos processos  tramitados  na esfera administrativa, revela uma proteção à parte  litigante,  na medida  em  que  disponibiliza  a  oportunidade  de  demonstrar  que os  fatos alegados pela  requerente  são verossímeis  e devem  ser  considerados  para  elidir  a  cobrança  tributária,  não  se  podendo admitir que, em um processo administrativo cujo objeto  da  controvérsia  seja  uma  compensação  de  créditos  e  débitos,  não  seja  realizada  a  prova  pericial,  assegurando  à  empresa  o  devido tramite do processo legal, assim como preceitua o art. 5º,  LV, da Constituição Federal;  •  assim,  para  que  seja  conferido  A.  requerente  a  plena  defesa  que lhe outorga a constituição (art. 5º, LV), requer a realização  de perícia contábil, em que reste patente a existência de crédito  tributário relativo a saldo negativo de imposto de renda.  A  DRJ  de  Salvador  (BA)  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 1998  COMPENSAÇÃO.  ACRÉSCIMOS  LEGAIS.  INCIDÊNCIA.  Na  compensação  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  formalizada  após  a  data  de  vencimento  dos  débitos  correspondentes,  estes  sofrerão  a  incidência  de  acréscimos  legais,  na  forma  da  legislação  de  regência,  até a data da entrega da Declaração de Compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”    Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 41          6 Ainda  irresignada  com  a  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  20/01/2011,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  10/02/2011,  onde  repisa  as  argumentações  oriundas da manifestação de conformidade acrescida de novos argumentos  Esta  Turma,  em  10  de  julho  de  2013  resolveu  por  unanimidade  de  votos  converter o julgamento em diligência para que a DRF de Aracajú, juntasse a DCTF original e  eventuais retificações do débito de IRPJ, competência de setembro/2004.  Em  cumprimento  a  diligência  a  DRF  de  Aracaju  juntou  as  DCTF’s  solicitadas e apresentou o resumo a seguir transcrito:    IRPJ – Setembro de 2004        DCTF nº  Data  Valor  100.000.020.041.790.000.000  04.11.04   ­   100.000.020.041.750.000.000  26.11.04   77.103,53   100.000.020.051.760.000.000  22.07.05   54.788,19   100.000.020.061.750.000.000  20.01.06   54.788,19   100.000.020.061.770.000.000  08.11.06   54.788,19     Os autos voltaram para julgamento.  Este é o Relatório.  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 42          7   Voto             Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator.  O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento.  Inicialmente  a  Requerente  reitera  seu  pedido  para  que  seja  realizada  prova  contábil. Embora a prova pericial esteja prevista no Processo Administrativo Fiscal  (PAF), e  constantemente concedida, mesmo que no Recurso Voluntário, no presente caso apresenta­se  desnecessária,  eis  que  o  crédito  apontado  foi  integralmente  reconhecido  pela  autoridade  administrativa, tendo se dado a homologação da compensação parcial em função do momento  em que foi formalizado o pedido.  No mérito trata­se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ em Salvador  (BA) que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade da  contribuinte, mantendo o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação do  débito tributário informado na declaração de compensação objeto do presente processo.   A  DRF  reconheceu  integralmente  o  direito  creditório  apresentado  na  DCOMP,  no  entanto,  alegou  que  tal  crédito  seria  insuficiente  para  compensar  o  débito  em  questão.  A Recorrente, alega, basicamente, que o motivo do indeferimento foi o fato  de  a  requerente  haver  parcelado  valores  devidos  a  título  de  estimativa,  apesar  de  tal  parcelamento  encontrar­se  integralmente  quitado.  A  despeito  da  alegação  da  Recorrente,  o  despacho decisório aponta a razão da homologação apenas parcial da compensação pleiteada,  como se depreende da leitura de sua conclusão (fl. 78):  “Convém registrar que, embora tenha havido o reconhecimento  integral  do  direito  creditório  apresentado  na DCOMP,  este  se  mostrou  insuficiente  para  liquidar  o  débito  compensado,  em  razão  de  o  interessado  ter  feito  o  encontro  de  contas  tomando  por base a data de vencimento do débito e não a data de entrega  da declaração de compensação, segundo estabelecia o art. 28 da  Instrução  Normativa  SRF  n°  600,  de  28/12/2005,  regra  esta  mantida  no  art.  36  da  Instrução  Normativa  RFB  n°  900,  de  30/12/2008.  Assim,  o  crédito  apontado  na  DCOMP  objeto  deste  processo  não  foi  questionado pela autoridade administrativa que, ao contrário,  reconheceu­o  integralmente, no  montante original de R$ 21.023,20, crédito este oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado na  declaração  de  ajuste  do  exercício  de  1998,  com  fato  gerador  em  31/12/1997,  e,  conseqüentemente, com atualização moratória a partir de janeiro de 1998, na forma solicitada  pela Recorrente.   Reza o ato normativo citado no despacho decisório:  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 43          8 “Art.  28.  Na  compensação  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  os  créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os  débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da  legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de  Compensação.  1°  A  compensação  total  ou  parcial  de  tributo  ou  contribuição  administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na  mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.”  Já os citados arts. 52 e 53 rezam o seguinte:  “Art.  52.  O  crédito  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrados pela SRF, passível  de  restituição,  será  restituído  ou  compensado  com  o  acréscimo  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros  de 1% (um por cento) no mês em que:  I ­ a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo;  II ­ houver a entrega da Declaração de Compensação;  (...)  Art.  53.  Os  valores  sujeitos  a  restituição,  apurados  em  declaração de rendimentos, bem como os créditos decorrentes de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  passíveis  de  compensação  ou  restituição,  apurados  anteriormente  a  1°  de  janeiro  de  1996,  quantificados  em Unidade Fiscal  de Referência  (Ufir),  deverão  ser convertidos em Reais, com base no valor da Ufir vigente em  1° de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287.  §  1°  O  valor  resultante  da  conversão  referida  no  caput  constituirá a base de cálculo dos juros de que trata o art. 52.  §  2º  O  imposto  a  restituir,  apurado  em  declaração  de  rendimentos,  que  tenha  sido  colocado  a  disposição  do  sujeito  passivo anteriormente a 1° de janeiro de 1996, deverá ter o seu  valor devidamente convertido em reais, nos termos do caput, não  se sujeitando à incidência dos juros previstos no art. 52.    Nesta  lide  a  Recorrente  possuía  um  saldo  de  IRPJ,  relativo  ao  ajuste  do  exercício  de  1998,  passível  de  restituição,  no  montante  de  R$  21.023,20,  o  qual,  com  os  acréscimos moratórios, calculados de jan/1998 até out/2004, mês em que se deu o vencimento  do débito que pretendia compensar, montou em R$ 48.752,80.  Esse  saldo  seria  suficiente  para  compensar  os  débitos  pleiteados,  caso  a  Recorrente houvesse  protocolado  sua Declaração  de Compensação  até  a  data  de vencimento  dos débitos apresentados, como assim não o fez, foi instaurada a presente lide.  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 44          9 Mesmo  após  o  vencimento  a  Contribuinte  não  considerou  no  encontro  de  contas  o  acréscimo  da  multa  moratória  sobre  os  débitos,  entendo  estar  desobrigada  desta  rubrica por força do art. 138 do Código Tributário Nacional ­ CTN:   “Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.”  Assim,  em  síntese,  de  um  lado  a  Recorrente  entende  que  deve  ter  sua  compensação homologada, eis que entende que não deve incidir a multa moratória por conta do  instituto da denúncia espontânea, prescrito no CTN, art. 138. Por outro lado a DRF de Aracajú  e  a DRJ  em Salvador  entenderam que  a DCOMP protocolada  após  o  vencimento  do  tributo  enseja o acréscimo da multa moratória, tornando o saldo do crédito insuficiente.  Pelo resumo das DCTF’s apresentadas chegamos as seguintes informações:    IRPJ – Setembro de 2004        DCTF nº  Data  Valor  100.000.020.041.790.000.000  04.11.04   0,00   100.000.020.041.750.000.000  26.11.04   77.103,53   100.000.020.051.760.000.000  22.07.05   54.788,19   100.000.020.061.750.000.000  20.01.06   54.788,19   100.000.020.061.770.000.000  08.11.06   54.788,19     Com  base  nas  informações  prestadas,  parece  claro  que  a  DCTF  foi  apresentada antes da compensação dos valores em questão, não sendo aplicado o benefício da  denúncia espontânea. Tendo em vista que a Declaração de Compensação foi protocolizada em  06/11/2006 e a DCTF que confessou a dívida data de 26/11/2004.  Sendo assim, cito a Súmula do STJ nº 360, de 27/08/2008, senão vejamos:  “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regularmente  declarados, mas pagos a destempo.”  Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão               Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/2006­15  Acórdão n.º 1802­002.211  S1­TE02  Fl. 45          10                   Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA

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5508097 #
Numero do processo: 13881.000105/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.191
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência em razão da matéria, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Rodrigo da Costa Possas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 645          1 644  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13881.000105/2002­11  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­000.191  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de março de 2014  Assunto  Pedido de Restituição  Recorrente  MAXION COMPONENTES INDUSTRIAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da  competência  em  razão  da  matéria,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  presente  julgado.  Rodrigo da Costa Possas ­ Presidente.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas,  Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia  Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .0 00 10 5/ 20 02 -1 1 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/2002­11  Resolução nº  3301­000.191  S3­C3T1  Fl. 646          2 RELATÓRIO  Por bem descrever os fatos até aquele momento processual, adoto o relatório da  2ª Turma da DRJ/Campinas, abaixo transcrito:  Trata­se  de  pedido  de  restituição  de  fls.  01,  protocolizado  em  23/04/2002,  solicitando o reconhecimento de créditos no total atualizado no valor de R$143.526,53,  referente a recolhimentos efetuados no período de 03/03/1994 a 05/08/1997 (DARF às  fls. 16/107), consolidados nas planilhas de fls. 108/121 como originários de multas de  mora (art. 138 do CTN), excesso de IRRF, de diferenças de UFIR, e disponibilidade no  sistema da Receita Federal, vinculados aos códigos de receita 0561, 0588, 1097, 1708,  8045 e 8109, visando a compensação futura de débitos.  Em  10/05/2002  foi  juntado  à  fl.  508  o  pedido  de  restituição  no  valor  total  de  R$141.842,69,  acompanhado  da  justificativa  da  peticionária  de  fl.  509  solicitando  a  substituição  do  pedido  anterior  que  apresentava  incorreção  na  somatória  do  indébito  pleiteado.  A solicitação da contribuinte foi indeferida pela SAORT da DRF Taubaté/SP por  meio  do  despacho  decisório  de  17/11/2006,  fls.  523/526,  de  acordo  com  a  ementa  a  seguir reproduzida:  Assunto: RESTITUIÇÃO Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Apenas  teria direito à restituição total ou parcial de qual  for a modalidade do seu pagamento,  aquele contribuinte que fosse detentor do pretenso crédito, o que não é o caso dos autos.  Consoante Ato Declaratório SRF nº 96/99, o direito de o contribuinte pleitear a  restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue­se após o transcurso  do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos  sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade.  O Sincor é um sistema operacional das unidades da Secretaria da Receita Federal  que permite controlar a situação fiscal dos contribuintes.  A existência de valores disponíveis no Sincor pode decorrer de diversas causas  tais  como,  pagamento  indevido,  preenchimento  de  Darf  utilizando  códigos  equivocados, erro no preenchimento de declarações e até falha do programa, razão pela  qual é  impossível à Administração promover qualquer restituição com base nos dados  desse sistema.  PEDIDO NÃO CONHECIDO.  Tendo  tomado  ciência  da  decisão  em  12/12/2006  (AR  à  fl.  527­verso),  a  contribuinte,  por  intermédio  de  seu  advogado  e  bastante  procurador  (procuração  à  fl.  554),  em  28/12/2006  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  528/553,  onde alega, em síntese, as razões de defesa adiante consignadas.  A decisão emanada pela SAORT encontra­se em perfeita contra­mão legal, pois a  competência  para  decidir  em  primeira  instância  é  desta  Delegacia  especializada  em  julgamento, pelo que requer a nulidade da decisão proferida nos autos. Além disso, o  julgador  deve  buscar  a  verdade  material  e  aplicar  o  Código  Tributário  Nacional  de  forma consentânea com o art. 37 da Constituição Federal e as demais leis ordinárias,  Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/2002­11  Resolução nº  3301­000.191  S3­C3T1  Fl. 647          3 sob  pena  de  responder  pelo  crime  de  excesso  de  exação,  previsto  no  artigo  316  do  Código Penal.  No que se refere à prescrição do direito apontada pela autoridade administrativa,  inicialmente afirma ser ilegal o artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005,  quando interpretada mediante a luz de nosso ordenamento jurídico. Transcreve decisão  do  STJ  afirmando  não  caber  ao  Executivo  e  Legislativo  interpretar  normas  legais,  frustrando  a  tentativa  do  governo  federal  em  afastar  a  tese  dos  10  anos  de  forma  retroativa.  Acentua  a  manifestante  que  a  competência  para  lançar  é  PRIVATIVA  da  ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, de  sorte que  jamais  se poderia  admitir  o  surgimento  do crédito tributário sem o correspondente lançamento. Dessa forma, para se cogitar a  hipótese de extinção de crédito, primeiro já que se constituir o referido crédito por meio  do lançamento, para, em seguida, após o nascimento do crédito, falar­se em extinção do  mesmo.  Ressalta  que  somente  a  homologação  constitui  verdadeiro  evento  ensejador  da  extinção do crédito tributário, não cabendo nessa modalidade de tributo a extinção do  crédito tributário pelo simples pagamento, vez que ao contribuinte não é dado o dever­ poder de lançamento.  Com referência à legitimidade da impetrante para pleitear o indébito em análise,  a  manifestante  esclarece  que  apesar  das  empresas  em  questão  terem  coexistido,  no  momento da interposição do presente pedido de restituição a filial IOCHPE MAXION  S/A, inscrita sob o CNPJ nº 61.156.113/0036­03 já estava extinta, conforme certidão de  baixa em 21/09/1998, tendo a peticionária legitimidade para requerer os créditos de sua  filial já extinta.  Quanto  à  formalização  do  pedido  afirma  estar  devidamente  apoiada  nas  Leis  n.º8.383/91 e n.º 9.032/95, no Decreto 2.318/95 e na Instrução Normativa n.º 21/1997,  que  admitem  a  compensação  de  quaisquer  tributos  ou  contribuições,  ainda  que  não  sejam  da  mesma  espécie,  nem  tenham  a  mesma  destinação  constitucional,  sob  a  administração da Secretaria da Receita Federal.  Reforça que na hipótese de o contribuinte ter pago tributos a maior ou indevido,  tem  garantido  seu  direito  à  repetição  do  respectivo  indébito,  desde  o  momento  do  recolhimento indevido,  independente da comprovação de sua liquidez e certeza (CTN  art.  170),  fato  que  não  pode  ser  amesquinhado  pela  lei  ou  em  decorrência  de  interpretação que a ela venha a ser dada.   As razões para reforma do despacho decisório encontram apoio na afirmativa da  própria administração que confirma: os recolhimentos foram efetuados e confirmados.  Tese  consistente  e  superior  àquela defendida pela  agente  fiscal  de que  é necessária  a  demonstração inequívoca do crédito a repetir.  Ora, quando a Administração constata insuficiência ou falta de pagamento no seu  sistema  de  conta­corrente  Sincor,  emite  lançamento  suplementar  como  se  fosse  cobrança amigável. Entretanto, quando seus arquivos acusam que a contribuinte efetuou  recolhimento indevido ou maior, a Fazenda cala­se, deixando de cumprir o disposto no  art. 37 da Constituição.  Frisa  que  foi  à  própria Administração  quem  efetuou  os  lançamentos  no  citado  sistema,  cuja  declaração  torna  clara  a  situação  impositiva  do  quantum  devido  à  contribuinte. As informações contidas nos bancos de dados têm para a Administração o  mesmo peso que a contabilidade tem para a contribuinte. Caso fosse necessário, deveria  Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/2002­11  Resolução nº  3301­000.191  S3­C3T1  Fl. 648          4 o  fisco  realizar  diligências,  na  busca  do  controle da  legalidade  de  seus  atos,  pois,  no  caso em exame, a produção da prova do ônus competia a Receita, visto que o pedido  encontra­se respaldado em sua própria afirmativa.  Admitindo­se que os respectivos valores decorram de pagamento indevidos face  ao  instituto  da  denúncia  espontânea,  já  que  vários  recolhimentos  de  multa  e  juros  relativos a tributos pagos fora do prazo encontram­se disponibilizados, é de se concluir  que a Receita Federal reconhece a supremacia do CTN sobre a Lei n.º 9.430, de 1996,  como já fez o Poder Judiciário.  A  reclamante  registra  que  as  Leis  n.º  8.383,  de  1991  e  n.º  8.541,  de  1992  adotaram a conversão em UFIR dos créditos tributários para atualização monetária dos  tributos em momentos distintos, sendo que a existência de pagamentos em valor maior  que  o  devido  se  justifica  em  erro  na  aplicação  dos  dispositivos  no  momento  do  recolhimento.  Diante  o  exposto,  a  recorrente  espera  que  seja  admitida  a  presente  defesa  e  reformada a decisão do Delegado da Receita Federal de Taubaté/SP.  Ao  analisar  referida  manifestação  de  inconformidade  a  2ª  Turma  da  DRJ/Campinas proferiu o Acórdão nº 05­21.874, de 12/05/2008, assim ementado:  Assunto: Normas Gerais  de Direito Tributário Período  de  apuração:  07/01/1992 a 05/08/1997 RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO.  O direito de pleitear a restituição de imposto e contribuições extingue­ se  com  o  decurso  do  prazo  de  cinco  anos  contados  da  data  em  que  realizado o pagamento indevido ou a maior que o devido.  RESTITUIÇÃO. MOTIVAÇÃO E ELEMENTOS PROBATÓRIOS.  Improcedente  o  pedido  de  restituição  que  carece  de  motivos  e  de  elementos  probatórios  que,  de  forma  individualizada,  explicitem  e  comprovem  a  origem  dos  valores  pleiteados,  demonstrando  a  existência de pagamentos indevidos ou maiores que o devido.  RESTITUIÇÃO. SISTEMAS INFORMATIZADOS. DA RFB. VALORES  DISPONÍVEIS.  A  existência  de  valores  disponíveis  em  sistemas  da  Receita  Federal  pode decorrer de erro de apuração do tributo devido pela contribuinte,  pagamento  indevido,  preenchimento  de  DARF  utilizando  códigos  equivocados,  erro  no  preenchimento  de  declarações,  falta  de  entrega  de  declarações  etc.,  razão  pela  qual  é  incabível  a  Administração  promover qualquer restituição com base nos dados desse sistema.  Solicitação indeferida  Não  concordando  com  referida  decisão,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário acostado às fls. 600/617 (fls. 1210/1244 do e­processo), por meio do qual pede que  seja deferido o seu pedido de restituição e homologação das compensações apresentadas.  É o relatório do que interessa.    Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/2002­11  Resolução nº  3301­000.191  S3­C3T1  Fl. 649          5 VOTO  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  legais  de  admissibilidade, por isto deve ser conhecido.  Conforme relatado o contribuinte pediu restituição dos seguintes tributos:  ­ 0561 IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado;  ­ 0588 IRRF – Rendimento do Trabalho sem Vínculo Empregatício;  ­ 1708 IRRF – Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica;  ­ 8045 IRRF – Outros Rendimentos;  ­ 1097 IPI – Máquinas, Aparelhos e Material de Transporte; e  ­ 8109 PIS – Faturamento.  Assim dispõe o art. 7º do anexo  II do Regimento  Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009:  Art. 7° Incluem­se na competência das Seções os recursos  interpostos  em  processos  administrativos  de  compensação,  ressarcimento,  restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de  imunidade tributária.  §  1°  A  competência  para  o  julgamento  de  recurso  em  processo  administrativo  de  compensação  é  definida  pelo  crédito  alegado,  inclusive  quando  houver  lançamento  de  crédito  tributário  de matéria  que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção.  §  2°  Os  recursos  interpostos  em  processos  administrativos  de  cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária,  dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, inclui­ se na competência da Segunda Seção.  § 3° Na hipótese do § 1°, quando o crédito alegado envolver mais de  um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para  julgamento será:   I ­ Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de  competência dessa Seção e das demais;   II ­ Da Segunda Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de  competência dessa Seção e da Terceira Seção;   III  ­  Da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  se  envolver  crédito  alegado  unicamente de competência dessa Seção.  Por sua vez o art. 3º do mesmo anexo II, assim dispõe:  Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e  julgar recursos de ofício e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância  que  versem  sobre  aplicação da legislação de:  Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/2002­11  Resolução nº  3301­000.191  S3­C3T1  Fl. 650          6 (...)  II ­ Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF);  (...)  Assim, por tratar de discussão que envolve o Imposto de Renda Retido na Fonte  (IRRF), em respeito ao disposto no artigo 7º, § 3º, inc. I, do Anexo II do Regimento Interno do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256  de  22/06/2009,  devolvo  os  presentes  autos  para  distribuição  à  Segunda  Seção  de  Julgamento  desse  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais – CARF.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator  Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS

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Numero do processo: 11080.918346/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.918346/2012­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­003.493  –  1ª Turma Especial   Sessão de  28 de maio de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Recorrente  ELIPSE SOFTWARE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010  DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.  Havendo  prova  suficiente  nos  autos  para  comprovar  o  direito  à  restituição,  devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem  ao princípio da verdade material.  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.  Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº  11.941, em seu artigo 79, inciso XII.  Recurso Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.     (assinatura digital)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinatura digital)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 46 /2 01 2- 81 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/2012­81  Acórdão n.º 3801­003.493  S3­TE01  Fl. 3          2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/2012­81  Acórdão n.º 3801­003.493  S3­TE01  Fl. 4          3    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª.  Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte,  sendo  indeferida a restituição pleiteada.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim relatou os fatos:    “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade  contra  Despacho Decisório  emitido  eletronicamente  pela  DRF  de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela  empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência  de valores de indébito.  Inconformada, insurge­se alegando que foi solicitada restituição  da  contribuição  porque  houve  a  tributação  sobre  receitas  financeiras,  conforme  declarado  em  DACON,  na  ficha  demais  receitas  e  na  ficha  contribuição  a  pagar,  refletindo  na  DCTF  mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos  financeiros do período.  Estas  receitas  financeiras  não  seriam  componentes  da  base  de  cálculo  da  contribuição  (PIS  ou  Cofins)  cumulativa,  pois  o  art.79,  inciso  XII  da  Lei  11.941,  de  27/05/2009,  com  efeito  a  partir de sua publicação, excluiu­as do conceito de faturamento  (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da  contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.”    A manifestação  de  inconformidade,  embora  denominada  de  “impugnação”,  foi  conhecida  pela  DRJ  de  origem,  sendo  julgada  improcedente.  O  acórdão  da  DRJ/POA  possui a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS.  A comprovação de  liquidez e certeza do crédito solicitado, nos  termos  do  art.165  e  170  do  Código  Tributário  Nacional,  é  obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar,  de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina  o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil.  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/2012­81  Acórdão n.º 3801­003.493  S3­TE01  Fl. 5          4   Inconformada com a  improcedência da  impugnação, a contribuinte interpôs,  recurso  a  qual  denominou  de  “Impugnação”,  onde  em  suas  razões,  requer  seja  concedido  o  pedido de  restituição. Apresenta  junto com o  recurso os  seguintes documentos para provar o  seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período.  É o sucinto relatório.  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/2012­81  Acórdão n.º 3801­003.493  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    O  recurso voluntário,  embora denominado pela  recorrente de “impugnação”  foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade.  Portanto, dele conheço, aplicando­se ao caso o princípio da fungibilidade recursal.    A  recorrente  alega  suas  razões  já  expostas  na  manifestação  de  inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais  sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período.    Analisando­se  os  documentos  juntados,  verifica­se  na  DACON  do  período  que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao  considerado  como  “receita  financeira  (aplicações  financeiras)”,  conforme  Demonstrativo  de  cálculo da COFINS.    Ainda,  ao  realizar  a  análise  dos  rendimentos  obtidos  pela  recorrente  no  período,  através  dos  extratos  de movimentação  bancária  anexados  aos  autos,  verifica­se  que  aqueles  são  idênticos  ao  declarados  na  DACON  e  no  Demonstrativo  de  cálculo,  havendo  portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que  somadas coincidem com o valor a restituir.    Assim,  tem­se  que  a  recorrente  traz  prova  suficiente  para  comprovar  o  seu  direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados  em  recurso  voluntário  devem  ser  recebidos  como  prova  do  alegado,  inclusive  conforme  determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.     Necessário  ainda  destacar  que  o  pedido  de  restituição  elaborado  pela  contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal,  quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º  da  Lei  9.718,  sendo  possível,  consoante  restou  decidido  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (Acórdão  9303­002.763,  3ª.  Turma,  sessão  de  21  de  janeiro  de  2014),  sua  aplicação  pelas autoridades  julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela  decisão do STF, consoante disposição do art. 26­A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/2012­81  Acórdão n.º 3801­003.493  S3­TE01  Fl. 7          6 26 da Lei 11.941. Registra­se ainda que a norma  tida como inconstitucional pelo STF já  foi,  inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.    É  importante  consignar  que  compete  a  autoridade  administrativa,  com base  na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.     Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pela interessada para  reconhecer o direito à  restituição dos pagamentos a maior da  contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da  Lei nº 9.718/1998.    É assim que voto.    Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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