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Numero do processo: 11030.904401/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 01 /2 01 2- 41 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/201241 Acórdão n.º 3801003.215 S3TE01 Fl. 89 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/201241 Acórdão n.º 3801003.215 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/05/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/201241 Acórdão n.º 3801003.215 S3TE01 Fl. 91 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/201241 Acórdão n.º 3801003.215 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/201241 Acórdão n.º 3801003.215 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904401/201241 Acórdão n.º 3801003.215 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10580.720771/2009-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 71 /2 00 9- 33 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Acórdão n.º 2802002.778 S2TE02 Fl. 130 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 38 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii)cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 16 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Acórdão n.º 2802002.778 S2TE02 Fl. 131 5 verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. O impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimado da supramencionada decisão (fls.126), interpôs tempestivamente o recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Acórdão n.º 2802002.778 S2TE02 Fl. 132 7 de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR. Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Acórdão n.º 2802002.778 S2TE02 Fl. 133 9 inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11075.001320/2002-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997
NULIDADE. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS - O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72..
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 NULIDADE. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.”. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 13 20 /2 00 2- 08 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento referente aos fatos geradores de 01.07.1997 a 31.08.1997 por meio de auto de infração decorrente de auditoria interna em DCTF decorrente de processo judicial não localizado. A discussão inicia com o fato da compensação de débito da COFINS com crédito tributário oriundo de pagamento a maior ou indevido de FINSOCIAL, cujo direito restou reconhecido judicialmente por meio da ação ordinária, a qual tomou o número 94.13.005125. Em impugnação é trazida cópia das peças processuais: inicial, sentença, recursos. Diante da documentação e alegação do direito usufruir do indébito com intuito de quitar por meio de compensação débitos administrados pela Receita Federal, a Autoridade Julgadora baixou o feito em diligência a DRF/URUGUAIANA/RS para que fosse verificado, primeiro a existência do processo judicial, segundo a quantificação do crédito e averiguar se o mesmo suportava a compensação pretendida, elaborar demonstrativo, observar o art. 70 da IN/RFB nº 900/2008 e por derradeiro verificar a possibilidade de efetivar no âmbito da competência disposições contidas no item 2.5 da Nota Técnica CORAT/COFIS/COSIT nº 32/2002. Cumprindo a determinação do Acórdão, sobreveio o parecer do agente encarregado da diligência, fls. 170/171, junta prova da existência do processo judicial, elabora cálculo do crédito, em síntese atende à risca as recomendações. No parecer de fls. 170/171 o auditor menciona impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado, segundo a certidão extraída dos autos judicial isso só ocorreu em 24 de setembro de 1997, assim, a compensação efetivada relativa aos débitos dos fatos geradores de 01.07.1997 a 31.07.1997 e 01.08.1997 a 31.08.1997, alinhado a isso o fato a decisão mencionou que a compensação só darseia após liquidação de sentença, e, sendo assim, não poderia ter sido efetivada. Acatou as demais compensações por tratarse de débitos apurados após o trânsito em julgado da decisão que reconheceu o direito do crédito tributário. Ciente da decisão, reratifica as razões da impugnação, aceita tacitamente o crédito apontado nos demonstrativo, inclusive mencionandoo como saldo suficiente para efetivar as compensações pretendidas demonstra o seu inconformismo, agora, contra à exclusão dos débitos referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1997. Ao decidir o julgador a quo reconhece a existência do processo judicial e afirma por tratarse decisão judicial deve ser cumprida à risca, e, diz também que é incabível exigência de contribuição quando demonstrada correta a compensação do valor devido com os valores pagos a maior ou indevidamente, reconhecidos pelo Poder Judiciário. No entanto, a procedência é parcial, mantido em parte o crédito tributário, especificamente, relativo ao período de apuração de 01.07.1997 a 31.08.1997. Contra a procedência parcial da Impugnação, apresenta Recurso Voluntário, buscando modificar o decidido, alegando existência de saldo credor suficiente à efetivação da compensação dos débitos relativo ao período de apuração 01.07.1997 a 31.08.1997. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11075.001320/200208 Acórdão n.º 3403002.987 S3C4T3 Fl. 6 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Presente os pressupostos necessários ao conhecimento do recurso, portanto, dele se toma conhecimento. O ponto da discórdia motivador do lançamento é o fato do processo judicial não ter sido localizado (proc. n/comprovado). É verdade que o contribuinte vinculou o crédito ao número dos autos perante o Tribunal Regional Federal, que conheceu da Apelação interposta pela União Federal, nº 9504287999/RS, e, não o número da ação ordinária, 94.13.005125. O Julgador de Piso afastou o direito do contribuinte em extinguir os débitos referentes aos apurados no período de 01.07.1997 a 31.08.1997 ao argumento da ausência do transito em julgado da decisão e antes da liquidação. Daí em diante a discussão restringese a impossibilidade motivada por ausência de atendimento ao disposto pela IN/RFB nº 900/2008. A Interessada permaneceu firme em sua alegação da existência de saldo credor suficiente a suportar as compensações efetivadas e reafirmando o seu direito quanto ao indébito oriundo de pagamento a maior ou indevido em razão do aumento da alíquota para o FINSOCIAL. Há o reconhecimento de que ação judicial foi proposta. A motivação do lançamento contida no auto de infração é em razão da não localização do processo. A situação dos autos apresenta duas questões capazes de extinguir o feito. A primeira é motivação que resultou no Acórdão recorrido e a segunda por tratarse de débitos confessados em DCTF. Essa egrégia Turma sistematicamente vem reconhecendo que inexistindo a causa que tenha motivado o lançamento é questão de nulidade. Existindo mudança do fundamento de decidir daquele que motivou a autuação vislumbra prejuízo ao contribuinte, até porque o valor exigido já foi anteriormente declarado, e, o Auto de Infração combatido foi lavrado em razão da inexistência do processo judicial informado na DCTF’s. A Turma Julgadora ao reconhecer existência de provimento judicial, confirmada em diligência, cuidou de afastar a existência do motivo que dava suporte ao lançamento para mantêlo sob outro fundamento, qual seja a necessidade do transito em julgado da decisão e a sua liquidação. Expressamente reconhecendo a inexistência do motivo do lançamento, a Administração, ao decidir, ignorou a motivação pela qual teria sido lavrado o auto de infração para manter a exigência dos créditos tributários do período de 01.07.1997 a 31.08.1997. Portanto, ao permitir que a recorrente fizesse prova da existência do processo judicial, assim como, do indébito que pretendia utilizar em compensação de débito, não há Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 dúvida de que houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo informado por meio de DCTF’s existe. Assim, manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram cogitados pela autoridade atuante, corresponde sim, inovação no que pertine à valoração jurídica. De modo que, a descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofende o art. 10, inciso III, do Decreto número 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: “Art. 10”. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente; Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): “A ausência desses elementos ou” de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos fatos de fl. 09 é totalmente deficiente por não dizer qual é a natureza da inexatidão e por remeter o leitor para um demonstrativo (fls. 10 e 11) que também nada diz a respeito. A fiscalização deveria ter complementado a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto. “E assim não procedeu.” A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões nas quais se decretou a nulidade do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou no art. 142 do CTN, bastando citar aqui, a título de exemplo, as seguintes ementas: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11075.001320/200208 Acórdão n.º 3403002.987 S3C4T3 Fl. 7 5 “NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10610.087, de 15/04/1998). “RECURSO "EX OFFICIO" – IRPJ – AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA ELABORAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE – É nulo o lançamento em que a autoridade fiscal deixa de atender os requisitos essenciais à sua validade, mormente o artigo 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10707.740, de 12/08/2004). “NULIDADES. Anulase o auto de infração eivado de vício na motivação. Recurso provido.” (Acórdão 20216.967, de 28/03/2006). DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Além do que, o crédito que se pretende constituir já encontra reconhecido pela declaração do contribuinte por meio de DCTF. Do exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso para anular o lançamento por improcedência do auto de infração. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911151/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 51 /2 01 2- 17 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911151/201217 Acórdão n.º 3801003.348 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10665.722091/2011-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA.
A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 91 /2 01 1- 39 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório AVIVAR ALIMENTOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar, no valor de R$ 25.413,10, aplicada em razão do atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON relativo a julho de 2007, que ocorreu apenas em 05/11/2009 (fl. 19). O auto de infração foi emitido eletronicamente em 04/07/2011, o que implica a data de intimação em 19/07/2011, conforme o art. 23, §2º, III, b, do Decreto nº 70.235, de 1974. O autuado apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 2/8, que foi considerada tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que: i) a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN; ii) a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade; iii) a taxa Selic não pode ser aplicada para a atualização dos tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização; iv) é necessária a notificação do contribuinte antes da imposição de multa; v) o valor que foi utilizado como base de cálculo da multa está incorreto. A DRJ Belo Horizonte (MG), por meio do acórdão nº 0236.446, de 29 de novembro de 2011(fls. 23), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722091/201139 Acórdão n.º 1803002.076 S1TE03 Fl. 82 3 Ciente dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 31), o autuado apresentou recurso voluntário em 11/01/2012 (fls. 33/43), em que afirma que a decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada e que a simples análise do Dacon é suficiente para verificar que o valor lá informado é zero e não de R$ 254.131,07, o que causou o erro da determinação do valor exigido. Ademais, reafirma os argumentos apresentados na impugnação. A presente Turma de Julgamento entendeu que a decisão recorrida deixou de apreciar a alegação de erro material no cálculo da multa exigida e a anulou, para que outra fosse proferida e também fossem anexados os documentos que deram suporte à decisão atacada, conforme o Acórdão nº 1803001.583, de 7 de novembro de 2012 (fls. 46/49). Retornando o processo à DRJ Belo Horizonte (MG), está prolatou o Acórdão nº 0241.613, de 8 de janeiro de 2013 (fls. 56/60), em que afirma, in verbis: Data vênia, não houve preterição do direito de defesa, pois os documentos que deram suporte à decisão são declarações do próprio contribuinte. Em atendimento ao acórdão do CARF, foram anexados ao processo: Dacon, fls. 55 e DCTF, fls. 54. A informação do valor em DCTF prestase apenas a confirmar o valor da contribuição apurada no Dacon. No Dacon, os valores são apurados. Na DCTF, confessados para posterior pagamento. Por obvio que os valores devem ser iguais. Quanto ao mais, repete os termos da decisão anulada. Cientificado da novel decisão em 17/01/2013, o contribuinte volta à carga, no bojo de novo recurso voluntário encontrado às fls. 66/77, apresentado em 13/02/2013. Nesse giro, o recorrente afirma que a nova decisão do julgador a quo não supre ou corrige a falha que ensejou a anulação da primeira decisão, permanecendo o erro material na formulação da exigência e o cerceamento do seu direito de defesa. Ademais, repete os argumentos já apresentados na impugnação e no primeiro recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. ERRO MATERIAL O recorrente alega que existe um erro no cálculo do valor da multa exigida. Afirma que o valor declarado no Dacon foi zero e é este que deve ser usado como base para o cálculo da multa, não o valor utilizado no auto de infração, de R$ 254.131,07. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Todavia, o auto de infração em análise diz respeito ao Dacon referente a julho de 2007 e a DRJ/Belo Horizonte fez juntar, às fls. 55, o referido Dacon, em que consta o valor devido de R$ 254.131,07, a título de COFINS, declarado pelo contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, em nenhum momento desse processo, fez juntar qualquer documento que comprovasse a sua afirmação quanto ao valor declarado. Assim, conforme os documentos acostados nos autos, o valor exigido foi calculado corretamente. Portanto, o argumento do recorrente quanto ao suposto vício material carece de fundamento fático. II. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente afirma que a nova decisão da DRJ/Belo Horizonte não supriu a falta de apreciação de alegado erro material, ocorrido na sua primeira decisão, o que estaria causando cerceamento do seu direito. Entendo de forma diversa, pois a decisão guerreada nega a ocorrência do vício material quando afirma que o valor utilizado como base para o cálculo da multa é aquele declarado pelo contribuinte, tanto no Dacon em tela quanto na correspondente DCTF. Esses documentos foram juntados pela DRJ/Belo Horizonte nas fls. 54 e 55. Ademais, a questão fática em tela é o correto valor declarado pelo contribuinte em seu Dacon e, quanto a isso, o debate foi exaurido de ambas as partes e demonstrada a corretude do lançamento, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a possibilidade de argumentação do interessado. Assim, afastase também essa preliminar. III. ESPONTANEIDADE O contribuinte entende que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação de penalidade, consoante art. 138 do CTN. Todavia, a denúncia espontânea prevista no dispositivo legal supracitado aplicase somente em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias, como o presente caso de multa pelo atraso na entrega de declarações. Esse entendimento foi pacificado na presente Corte por meio da Súmula CARF nº 49, que tem o seguinte enunciado: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Também se afasta essa alegada excludente de ilicitude. IV. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722091/201139 Acórdão n.º 1803002.076 S1TE03 Fl. 83 5 O recorrente afirma que a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e da equidade, o que tornaria inconstitucional a multa a ele aplicada. O recorrente não questiona a existência de previsão legal para a multa aplicada. Portanto, ao afirmar a inconstitucionalidade da multa está, na verdade, afirmando a inconstitucionalidade da lei que a prevê. Todavia, é defeso ao colegiado julgador administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse entendimento também foi pacificado na jurisprudência administrativa, por meio da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V. TAXA SELIC O recorrente também se levanta contra a aplicação da taxa Selic para a atualização de tributos, considerando a natureza dessa taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Todavia, a aplicação da taxa Selic para o cálculo de juros sobre créditos tributários tem previsão expressa no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, o que levou este Tribunal Administrativo a pacificar seu entendimento na Súmula CARF nº 04, que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VI. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA Por fim, o recorrente propugna pela necessidade de notificação prévia do contribuinte, como elemento preparatório da imposição de multa. A notificação prévia para a exigência de multa por atraso na entrega de declaração seria, no meu ver, antijurídica, na medida em que careceria de razoabilidade. Conforme as normas tributárias, o auto de infração em tela é gerado eletronicamente pelo mesmo software que gera a declaração, no exato momento de sua transmissão à Administração Tributária. Isso é possível porque o atraso é infração de conhecimento imediato, no momento da referida transmissão. Portanto, não há motivo suficiente para se criar um procedimento intermediário de notificação. Também não haveria proveito algum para as partes, sob o aspecto jurídico, nem para a sociedade. O contribuinte traz elementos retóricos para defender a sua posição, mas deixa de apresentar qualquer fundamento legal para a sua tese. Por outro lado, a jurisprudência também pacificou essa questão, no sentido de afirmar a desnecessidade dessa notificação, conforme a Súmula CARF nº 46, que tem o seguinte enunciado: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Assim, também afasto esse argumento. VII. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10660.905886/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 86 /2 01 1- 21 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/201121 Acórdão n.º 3803006.048 S3TE03 Fl. 162 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 5.255,25. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/201121 Acórdão n.º 3803006.048 S3TE03 Fl. 163 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/201121 Acórdão n.º 3803006.048 S3TE03 Fl. 164 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905886/201121 Acórdão n.º 3803006.048 S3TE03 Fl. 165 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000277/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. ALTERNATIVA DO JULGADOR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessárias ao julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa.
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA E CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando o processo suficientemente instruído com os documentos e informações necessárias para a formação da convicção dos julgadores e que permita a defesa das partes, tem-se por ausente o vício de nulidade por falta de produção de provas adicionais destinadas a contrapor os registros efetuados pelo sujeito passivo em sua contabilidade.
NULIDADE. CARÊNCIA DE DOCUMENTOS E PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade a decisão recorrida e nem o despacho decisório em manifestação de inconformidade, que seja lavrado por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos, enquadramentos legais e motivação pertinente, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e eloquência, o seu direito de defesa.
PIS E COFINS. BENS AQUIRIDOS PARA REVENDA E CONSUMIDOS NO ESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO.
Procede a glosa de créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens adquiridos para revenda e não empregados como insumo no processo produtivo, quando revelar-se terem sido consumidos pelo estabelecimento empresarial.
CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das INs 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ.
PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. O valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei nº 10.833/2003, pois trata-se de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação.
PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES.
Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e a taxa de selagem de conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem de frente das operações de venda, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas ou de vendas.
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUTA ZERO COM SAÍDA SUBSEQUENTE PARCIALMENTE TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL.
O inciso II, no §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, veda o desconto de crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente sujeitar-se à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, de modo que quando a operação subsequente for parcialmente tributada, deve ser permitido o direito ao desconto de créditos proporcionalmente às receitas de vendas sujeitas a incidência tributária, os quais podem ser mantidos nos termos do art. 17, da Lei nº 11.033/04. Glosa parcialmente mantida.
CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO DO CRÉDITO. PRODUTO EM FABRICAÇÃO.
O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota relativa ao produto a ser produzido e das mercadorias a serem vendidas e não pelos insumos adquiridos, sendo que no caso de frigorífico que industrializa produtos para a alimentação humana, a alíquota aplicável é de 60% (sessenta por cento).
PIS E COFINS. AGROINDÚSTRIA. COMPRAS COM SUSPENSÃO. CRÉDITO INTEGRAL. DESCABIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO.
A condição de que fossem editados termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF, prevista no §2°, do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004, não impede a incidência da norma de suspensão de PIS e de COFINS, estando atendidas todas as condições legais. Havendo a suspensão, procede a glosa do crédito integral tomado pelo adquirente, mas preserva-se o direito ao cômputo do crédito presumido, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004.
PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. INSUMOS. DESPESAS OPERACIONAIS. ATIVO IMOBILIZADO. PREÇO E TEMPO DE VIDA ÚTIL. PARÂMETROS PARA O DIREITO DE CRÉDITO.
Nos termos do art. 30, da Lei n° 9.249/95 (art. 15, do Decreto-Lei 1.598/77 e art. 301, do Decreto n° 3.000/99 - RIR/99), o valor da aquisição de partes e peças de máquinas do setor produtivo da indústria, poderá ser deduzido diretamente como despesa operacional se não superior a R$326,01, ou o prazo de vida útil que não ultrapasse a um ano, concedendo o respectivo direito ao crédito na qualidade de insumo. Quando não atendidos pelo menos um desses parâmetros, o bem ou direito deverá ser registrado no ativo permanente, passando a ser depreciado à taxa legal aplicável ao bem ao qual a parte ou peça está vinculado, gerando crédito através dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3°, §1°, III, da Lei n° 10.833/2003, devendo ser recomposto o cálculo dos créditos objeto de ressarcimento.
Recurso Provido em Parte.
Crédito Parcialmente Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-002.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Resolvem os membros da 2ª TO/4ª CÂMARA, 1) por unanimidade, em: 1.1 - dar provimento quanto aos créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira, às situações em que a CFOP supostamente não seria de aquisição, aos serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres e quanto à alíquota para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; 1.2 - dar provimento parcial para admitir os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, quanto às aquisições de partes e peças e à aquisição de insumos de pessoa jurídica, nos termos do voto do relator; 1.3 ¿ negar provimento quanto aos serviços de vigilância, às despesas com energia elétrica e à CFOP 3556, nos termos do voto do relator. 2) por maioria, em dar provimento quanto aos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda sujeitos à alíquota zero. Vencidos os Conselheiros Mônica e Luiz Carlos Shimoyama. 3) por voto de qualidade, em negar provimento quanto aos créditos de frete de produto acabado entre os estabelecimentos da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, João Carlos Cassuli Junior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque e Silva. Designado o Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Não padece de nulidade a decisão recorrida e nem o despacho decisório em manifestação de inconformidade, que seja lavrado por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos, enquadramentos legais e motivação pertinente, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e eloquência, o seu direito de defesa. PIS E COFINS. BENS AQUIRIDOS PARA REVENDA E CONSUMIDOS NO ESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Procede a glosa de créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens adquiridos para revenda e não empregados como insumo no processo produtivo, quando revelar-se terem sido consumidos pelo estabelecimento empresarial. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das INs 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. O valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei nº 10.833/2003, pois trata-se de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação. PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e a taxa de selagem de conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem de frente das operações de venda, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas ou de vendas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUTA ZERO COM SAÍDA SUBSEQUENTE PARCIALMENTE TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL. 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O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota relativa ao produto a ser produzido e das mercadorias a serem vendidas e não pelos insumos adquiridos, sendo que no caso de frigorífico que industrializa produtos para a alimentação humana, a alíquota aplicável é de 60% (sessenta por cento). PIS E COFINS. AGROINDÚSTRIA. COMPRAS COM SUSPENSÃO. CRÉDITO INTEGRAL. DESCABIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO. A condição de que fossem editados termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF, prevista no §2°, do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004, não impede a incidência da norma de suspensão de PIS e de COFINS, estando atendidas todas as condições legais. Havendo a suspensão, procede a glosa do crédito integral tomado pelo adquirente, mas preserva-se o direito ao cômputo do crédito presumido, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004. PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. INSUMOS. DESPESAS OPERACIONAIS. ATIVO IMOBILIZADO. PREÇO E TEMPO DE VIDA ÚTIL. PARÂMETROS PARA O DIREITO DE CRÉDITO. Nos termos do art. 30, da Lei n° 9.249/95 (art. 15, do Decreto-Lei 1.598/77 e art. 301, do Decreto n° 3.000/99 - RIR/99), o valor da aquisição de partes e peças de máquinas do setor produtivo da indústria, poderá ser deduzido diretamente como despesa operacional se não superior a R$326,01, ou o prazo de vida útil que não ultrapasse a um ano, concedendo o respectivo direito ao crédito na qualidade de insumo. Quando não atendidos pelo menos um desses parâmetros, o bem ou direito deverá ser registrado no ativo permanente, passando a ser depreciado à taxa legal aplicável ao bem ao qual a parte ou peça está vinculado, gerando crédito através dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3°, §1°, III, da Lei n° 10.833/2003, devendo ser recomposto o cálculo dos créditos objeto de ressarcimento. Recurso Provido em Parte. Crédito Parcialmente Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.504 1 3.503 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000277/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.361 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente PERDIGÃO AGROINDÚSTRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. ALTERNATIVA DO JULGADOR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendêlas desnecessárias ao julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA E CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando o processo suficientemente instruído com os documentos e informações necessárias para a formação da convicção dos julgadores e que permita a defesa das partes, temse por ausente o vício de nulidade por falta de produção de provas adicionais destinadas a contrapor os registros efetuados pelo sujeito passivo em sua contabilidade. NULIDADE. CARÊNCIA DE DOCUMENTOS E PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão recorrida e nem o despacho decisório em manifestação de inconformidade, que seja lavrado por autoridade competente, contendo a descrição dos fatos, enquadramentos legais e motivação pertinente, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e eloquência, o seu direito de defesa. PIS E COFINS. BENS AQUIRIDOS PARA REVENDA E CONSUMIDOS NO ESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 77 /2 00 9- 88 Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 2 Procede a glosa de créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens adquiridos para revenda e não empregados como insumo no processo produtivo, quando revelarse terem sido consumidos pelo estabelecimento empresarial. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. O valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei nº 10.833/2003, pois tratase de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e a taxa de selagem de conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem de frente das operações de venda, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, os quais revestemse da natureza de despesas administrativas ou de vendas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUTA ZERO COM SAÍDA SUBSEQUENTE PARCIALMENTE TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL. O inciso II, no §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, veda o desconto de crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente sujeitarse à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, de modo que quando a operação subsequente for parcialmente tributada, deve ser permitido o direito ao desconto de créditos proporcionalmente às receitas Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.505 3 de vendas sujeitas a incidência tributária, os quais podem ser mantidos nos termos do art. 17, da Lei nº 11.033/04. Glosa parcialmente mantida. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO DO CRÉDITO. PRODUTO EM FABRICAÇÃO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota relativa ao produto a ser produzido e das mercadorias a serem vendidas e não pelos insumos adquiridos, sendo que no caso de frigorífico que industrializa produtos para a alimentação humana, a alíquota aplicável é de 60% (sessenta por cento). PIS E COFINS. AGROINDÚSTRIA. COMPRAS COM SUSPENSÃO. CRÉDITO INTEGRAL. DESCABIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO. A condição de que fossem editados “termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF”, prevista no §2°, do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004, não impede a incidência da norma de suspensão de PIS e de COFINS, estando atendidas todas as condições legais. Havendo a suspensão, procede a glosa do crédito integral tomado pelo adquirente, mas preservase o direito ao cômputo do crédito presumido, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004. PIS E COFINS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. INSUMOS. DESPESAS OPERACIONAIS. ATIVO IMOBILIZADO. PREÇO E TEMPO DE VIDA ÚTIL. PARÂMETROS PARA O DIREITO DE CRÉDITO. Nos termos do art. 30, da Lei n° 9.249/95 (art. 15, do DecretoLei 1.598/77 e art. 301, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99), o valor da aquisição de partes e peças de máquinas do setor produtivo da indústria, poderá ser deduzido diretamente como despesa operacional se não superior a R$326,01, ou o prazo de vida útil que não ultrapasse a um ano, concedendo o respectivo direito ao crédito na qualidade de insumo. Quando não atendidos pelo menos um desses parâmetros, o bem ou direito deverá ser registrado no ativo permanente, passando a ser depreciado à taxa legal aplicável ao bem ao qual a parte ou peça está vinculado, gerando crédito através dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3°, §1°, III, da Lei n° 10.833/2003, devendo ser recomposto o cálculo dos créditos objeto de ressarcimento. Recurso Provido em Parte. Crédito Parcialmente Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Resolvem os membros da 2ª TO/4ª CÂMARA, 1) por unanimidade, em: 1.1 dar provimento quanto aos créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira, às situações em que a CFOP supostamente não seria de aquisição, aos serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres e quanto à alíquota para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; 1.2 dar provimento parcial para admitir os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 4 importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, quanto às aquisições de partes e peças e à aquisição de insumos de pessoa jurídica, nos termos do voto do relator; 1.3 ¿ negar provimento quanto aos serviços de vigilância, às despesas com energia elétrica e à CFOP 3556, nos termos do voto do relator. 2) por maioria, em dar provimento quanto aos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda sujeitos à alíquota zero. Vencidos os Conselheiros Mônica e Luiz Carlos Shimoyama. 3) por voto de qualidade, em negar provimento quanto aos créditos de frete de produto acabado entre os estabelecimentos da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, João Carlos Cassuli Junior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque e Silva. Designado o Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.506 5 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS não cumulativa, vinculados à receita de exportação, no valor de R$ 16.764.116,11 (dezesseis milhões setecentos e sessenta e quatro mil cento e dezesseis reais e onze centavos), relativos ao 1º trimestre do ano calendário de 2008. Após ser iniciado pela DERAT/SPO, o processo passou a ser conduzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis em virtude da transferência da sede do contribuinte, a qual, após deflagrar procedimentos de análise e coleta de dados e informações, proferiu despacho decisório pelo qual indeferiu o pleito, não homologando as declarações de compensações vinculadas (fls. 3196/3235 – ne.). Afirmou a autoridade fiscal que após análise do Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e de COFINS, foram lavrados os despachos decisórios, objetos de análise dos créditos do sujeito passivo (processos nº16349.000285/200924, 16349.000277/200988, 16349.000286/200979 e 16349.000278/200922) bem como Auto de Infração, por meio do qual foram constituídos créditos tributários relativos a valores não tributados pelo contribuinte (processo nº 11516.721199/201261, abrangendo os 1° e 2° Trimestres/2008). Esclareceu o Despacho Decisório que após minuciosa análise dos créditos informados nos DACON, cotejados com notas fiscais e informações prestadas para formação do cálculo dos créditos e, com base na legislação vigente à época, houve glosa das NF´s não apresentadas na memória de cálculo ou que não se enquadravam nas hipóteses de creditamento, indicando no relatório fiscal a listagem das mesmas. Com base no Despacho Decisório, houve exclusão dos valores referentes à: 1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda (linha 01 da ficha 16A): a) Aquisição de bens utilizados como insumos e sujeitos a alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins; b) Aquisições de bens que não foram de fato revendidos, e sim consumidos na empresa, tais como GUARANA ZERO e PEPSI TWIST LIGHT; 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos (linha 02 da ficha 16A): a) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; cita "CABO BISTURI NR 4" e "pallet de madeira"; b) Despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre as unidades da empresa, constantes da memória de cálculo sob a denominação "SERVIÇO FRETE E CARRETO"; Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 6 c) Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; d) Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; e) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e COFINS, a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004; 3. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 16A Linha 03 – nos termos do art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, havendo glosa dos valores das aquisições descritas como serviço de processamento de resíduos, serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro; 4. Despesas de Energia Elétrica Ficha 16A – Linha 04 – foram glosadas as diferenças positivas entre os valores informados na DACON e na memória de cálculo; 5. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 16A – Linha 07 – Houve glosa dos valores relativos a Serviço Portuário, e outros que não se enquadram no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003; 6. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais linha 25 – Alude o fato de que a maioria das incorreções é acerca da interpretação da legislação sobre aquisição de insumos beneficiados com crédito presumido, havendo apropriação de créditos à alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Para as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) foram apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente; 7. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16B a) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; b) Valores das importações cujos CFOP não geram créditos a descontar de PIS/Pasep e COFINS; c) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep e COFINS; 8. Do Recálculo dos Saldos da Ficha 25B – Informa que em face das correções feitas nas DACON, e consecutivamente do saldo a pagar da Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.507 7 COFINS não declarado em DCTF, se faz necessário o lançamento através do auto de infração, que poderá analisar também as saídas tributárias não citadas nesse processo, podendo resultar alterações nos valores. Sendo objeto de análise do processo digital nº 11516.721199/201261, e por tratarse dos mesmos fatos, deve ser movimentado e julgado em conjunto; 9. Do controle dos Saldos da Ficha 24 – Esclarece que em função dos autos de infração relativos ao ano calendário de 2006 e 2007, os saldos iniciais da linha "01. Saldo de Crédito de Meses Anteriores” foram zerados em todos os tipos de crédito. Salienta que por conta de tais glosas, zerouse os saldos finais da linha 14.CRÉDITO REMANESCENTE, ficha 24, em todos os tipos de crédito, à exceção do Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação no mês de março (R$ 422.350,15), que está sendo totalmente aproveitado no auto de infração de que trata o citado processo nº 11516.721199/201261. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 25/05/2012 (fls. 3248), o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 3256/3412), alegando em apertada síntese: Preliminarmente: Nulidade do despacho decisório por violação do princípio da motivação, e por consequência o cerceamento de defesa e violação do devido processo legal administrativo; A inconstitucionalidade das leis que regem o regime não cumulativo para a contribuição de PIS/Pasep e COFINS, e a impossibilidade da restrição de créditos pelo legislador infraconstitucional; A ilegalidade das Instruções Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 que restringem o conceito de insumo estabelecido pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, havendo glosas de insumos que seriam necessários e inerentes à atividade econômica do sujeito passivo. Meritoriamente: Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda – rebate os argumentos utilizados pela autoridade fiscal, no sentido de que diante da não cumulatividade, do conceito de insumo o art. 17 da Lei nº 11.033/04, é possível manter os créditos nas aquisições dos bens por ela própria consumidos, entre eles o refrigerante, e dos insumos adquiridos a alíquota zero. Bens utilizados como insumos a. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo – Ressalta que a glosa foi efetuada de forma genérica. Cita como exemplos de insumos: os fios de poliéster e de algodão, fita sanitária, luvas, faca, suporte de faca, encosto de faca, cabo de bisturi, e outros materiais que classifica dentre “peças de reposição e serviços gerais”, “material de segurança”, “material para conservação e limpeza” e “material de embalagem e Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 8 etiquetas”, ainda defende ser legítimos os créditos dos pallets, bolsa térmica, caixa de proteção e afins. Especificamente sobre os pallets, baseiase no art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 para manter o crédito. Defende a legitimidade dos créditos oriundos da gasolina, por permitir o exercício da atividade econômica. b. Pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa – descreve os fretes praticados até o destinatário final, alegando ter direito ao crédito por ser necessário em várias etapas do processo de industrialização para auferimento de receita. c. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero – inicialmente destaca erro de classificação fiscal por parte do fisco nos produtos tributados como alíquota zero, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Segue defendendo a manutenção do crédito no tocante aos produtos agropecuários, mesmo que comercializados à alíquota zero com fulcro no art. 8º da Lei n. 10.925/2004. Elenca os produtos (vacinas, antibiótico, amoxicilina, dentre outros) para afirmar que são vinculados aos insumos, passíveis de ressarcimento. Finaliza argumentando que “a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório”. d. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito – apesar dos CFOPs das notas fiscais terem sido analisados de forma genérica, explica que pela noção de insumos já citada na manifestação de inconformidade, não há dúvidas sobre os créditos oriundos dos mesmos (faca, lâmina, mola, sensor de temperatura, martelo, rolamento, adesivo, gás GLP, disco de corte, peneira, entre outros). Discorre sobre a glosa de etiqueta para fatiados, sacolas big bag, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Transcreve determinações da ANVISA para demonstrar que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Debate o direto ao crédito das despesas com serviço de industrialização da ração feita por encomenda a outra pessoa jurídica, por se tratar de insumo destinado à alimentação de animais são matériaprima do produto industrializado. e. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e COFINS – Defende que o crédito integral deve ser mantido pelas aquisições ocorrerem mediante tributação de 9,25% (COFINS + PIS). Alega ser a Lei nº 10.925/2005 somente aplicável quando houver venda com suspensão de PIS e COFINS; Havendo aquisição de insumo sem a suspensão, sustenta que aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que, “podese concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Caso seus argumentos não sejam acatados, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido”. f. Serviços utilizados como insumos Ficha 16A e 16B Linha 03 – Defende a improcedência das glosas dos serviços não acolhidos como insumos, argumentando que “todos os bens e serviços adquiridos que tenham por finalidade a higiene, limpeza, desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.508 9 dos órgãos públicos de controle, devem ser considerados inerentes e essenciais à atividade econômica e, assim, qualificados como insumos.” Inclui como passíveis de ressarcimento os serviços de despacho aduaneiro. g. Importação de bens utilizados como insumos Ficha 16B Linha 02 – “A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que a Lei nº 10.865/2004, art. 15, ao disciplinar à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na importação de bens e serviços, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Alega que, assim sendo, há direito a crédito em relação às aquisições de peças e máquinas, bens que claramente a legislação permite reconhecer como insumo, já que estão vinculados à atividade produtiva da empresa. Alternativamente, defende que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, ‘ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)’”. Alega cerceamento de defesa e ausência de fundamentação dos bens glosados sobre operações de importações sobre o CFOP 3551, 3556 e 3949. Prossegue argumentando que há previsão legal que permite crédito de PIS e COFINS para a hipótese de aquisição de ativo imobilizado, salvo se usado (não sendo o presente caso); em relação aos demais itens glosados, a noção ampla de insumo permite o ressarcimento pleiteado. Energia Elétrica Ficha 16A – Linha 04 – Informa erro na memória de cálculo apresentada, solicitando a manutenção dos corretos valores informados na DACON. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 16A – Linha 07 – Afirma ser devido o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral. Créditos Presumidos das atividades agroindustriais – Ficha 16A – “Defende a manutenção do crédito referente a bens adquiridos a alíquota zero com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, inclusive em caso de revenda. Em relação aos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais, a contribuinte afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.” Multa e juros A recorrente contesta o lançamento dos juros calculados à taxa Selic que é de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. Alega ainda ser indevida a incidência de juros sobre a “multa exigida conjuntamente com a contribuição (tributo) supostamente devido”, por ausência de previsão legal e pelo caráter confiscatório. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 10 Por fim, requer a procedência da manifestação de inconformidade para que se reconheça a nulidade, ou improcedência do indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme razões expostas. Solicita a prova pericial para avaliação, especialmente, dos bens, produtos, serviços e materiais glosados pelo fisco. Requer ainda a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do caso. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, proferiu o Acórdão de nº. 0731.190, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2008 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da Legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de constitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANO CALENDÁRIO: 2008 Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.509 11 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos calculados a alíquota regular da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 12 É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inicialmente a DRJ salienta a minuciosa análise de notas fiscais e memórias de cálculo fornecidas pelo sujeito passivo, transcrevendo todas as averiguações realizadas para se chegar aos valores glosados e especificados individualmente pelo fisco, pelo que rejeita a preliminar de cerceamento de defesa, não havendo que se falar em ofensa aos princípios de motivação, ampla defesa, devido processo legal, e por fim, nulidade do despacho decisório. Quanto a inconstitucionalidade de leis, a ilegalidade das IN’s, e o conceito de insumo, ressalta que as autoridades fiscais estão obrigadas à observância da legislação tributária e que são incompetentes para arguições de inconstitucionalidades e ilegalidades de atos expressos em lei. Declara que a não cumulatividade do PIS e da COFINS está prevista em legislação ordinária, sendo enumerada de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas capazes de gerar crédito. Em relação ao ônus da prova no direito creditório, ressalva que é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do mesmo. Após tais considerações preliminares e gerais, aborda cada uma das glosas efetivadas pela autoridade fiscal e contestada pelo contribuinte, acatando integralmente os argumentos e fundamentos utilizados pelo Despacho Decisório, mantendo as exclusões de créditos já procedidas pela DRF/Florianópolis essencialmente sob os mesmos fundamentos, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. DO RECURSO Ciente em 28/06/2013, conforme AR de fls. 3418 (numeração eletrônica) do Acórdão nº. 0731.190, o contribuinte apresentou em 11/07/2013 Recurso Voluntário a este Conselho, postado via correio, repisando os argumentos utilizados quanto ao mérito em sede de manifestação de inconformidade, alegando, ainda, que: Foram delimitadas e contestadas todas as glosas, uma a uma, ao contrário do alegado pela autoridade julgadora. Houve nulidade no indeferimento do pedido de perícia, formulado segundo a legislação e resultando no cerceamento de defesa, e violação ao princípio da motivação, à luz Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.510 13 dos artigos 16, 17 e 28 do Decreto 70.235/72 e artigos 29 e 47 da lei 9.784/99. Salienta que o pedido de perícia tem por objetivo de esclarecer os aspectos técnicos de bens e serviços em face dos insumos utilizados no processo produtivo. Alega não haver justificativa de elementos fáticos e jurídicos que justificassem as glosas dos itens utilizados como créditos, mas que foi feita de forma exemplificativa (Havendo 2.000 folhas com 60 itens em cada todos glosados). Acrescenta as poucas notas fiscais apresentadas ao fisco e a disposição em apresentálas, ressalvando que o fato de ter sido elaborada planilha listando os itens glosados não cumpre o requisito de legalidade do ato administrativo, devendo ser expressa a motivação (fática e jurídica), explícita, clara ou congruente. Invoca decisão favorável do CARF e doutrinas neste mesmo sentido. Por fim, reitera os mesmos fundamentos de fato e de direito já alinhados em sua manifestação de inconformidade e requer o provimento do recurso voluntário. Ainda, se remanescentes dúvidas, que seja acatada a nulidade da decisão proferida ante aos inúmeros equívocos de fato e direito que a mesma possui e diante da negação de perícia, ou ainda, alternativamente, solicita seja determinada a realização de diligência para se comprovar o direito alegado. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até a folha 3491 (três mil, quatrocentos e noventa e um), estando apto para análise desta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 14 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Havendo matérias tanto relativas as preliminares de mérito quanto a es e, propriamente ditas, passo a análise de cada uma delas, separadamente. I PRELIMINARES: I.a)NULIDADE DA DECISÃO PELO INDEFERIMENTO DA PERÍCIA (OU PEDIDO “ALTERNATIVO” DE DILIGÊNCIA): A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter sido denegada a perícia solicitada. Alternativamente, a Recorrente alinha pedido alternativo, no sentido de suprir as supostas falhas no Despacho decisório, pela realização de diligência a ser designada por este Colegiado. As regras sobre nulidades, no Decreto nº 70.235/72, estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas, em princípio, se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.511 15 outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo artigo 60 por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. No caso vertente, a Recorrente pleiteou que fosse realizada perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Como a decisão da DRJ entendera prescindível a realização desta providência e que era ônus do contribuinte a produção da prova que entendia pertinente, houve por bem em indeferir sua realização. Diante desta negativa de produzir a prova requerida pela Requerente, esta então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, se entender que no processo constam todos os elementos necessários para a formação de sua convicção de julgador, conforme o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72 (PAF), a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Assim sendo, não cabe ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que a mesma se fundamentou na prescindibilidade da prova solicitada pela Recorrente, segundo a sua convicção da análise do caso em concreto, na sua ótica. E, nesse sentido, já adentrando no requerimento de produção de prova pericial ou de conversão do julgamento em diligência, do mesmo modo e pelos mesmos fundamentos adotados pela decisão recorrida, no caso em concreto igualmente se entende não seja o caso de renovar a instrução probatória nesses autos, eis que os elementos aqui já colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do julgamento em torno das matérias de direito que dos fatos que deles acorrem, pelo que igualmente se entende ser possível julgar o processo no estágio em que se encontra. Assim, de forma absolutamente sucinta, tenho que, em respeito às normas de regência do Processo Administrativo Fiscal (arts. 16, 18 e 28 do Decreto 70.235/72), a prova técnica pericial é elemento posto à disposição da Administração Pública – e também dos contribuintes, aplicável quando o processo careça de análise especializada da matéria, para que se tenha um resultado justo. Ademais, como também já assentou o E. STJ, analisando preceito do Codex Processual, aplicável supletivamente ao PAF, “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, competelhe rejeitar diligências que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual. (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 16 Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045/RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). Entendo, portanto, que as provas já constantes dos autos, assim como as matérias já em debate, permitem a formação da convicção necessária ao julgamento. Consequentemente, rejeito a preliminar de nulidade aventada. I.b)NULIDADE DO LANÇAMENTO/DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS E PROVAS No que se refere a esta preliminar, tenho que em verdade ela acaba por se confundir com a questão da perícia ou com o pedido de diligência, de modo que a conclusão segue o mesmo caminho, ou seja, entendo que não é o caso de nulidade do Despacho Decisório pelo indeferimento do ressarcimento dos créditos por ausência de produção de provas. E isto porque, os documentos ou provas que segundo a Recorrente estariam a cargo da Administração para infirmar os registros que foram informados pelo contribuinte nas DACON, na realidade poderiam ser contrapostos com provas que foram apresentadas por amostragem pela empresa, mas que foram analisadas por ambas as partes na fase de fiscalização. Aquelas provas e documentos que estariam no âmbito probatório do contribuinte para demonstrar que seus bens adquiridos para revenda, ou os insumos glosados tem esta ou aquela aplicabilidade no processo produtivo, o foram apresentados nos autos, ainda que por amostragem, ou então, estão no âmbito do conhecimento notório em face da reiteração dos julgamentos de questões similares a esta, que podem seguir o mesmo método que foi empregado pela própria Administração até este momento, partindo da análise dos itens que foram glosados pelo Despacho Decisório, que foram objeto de inconformidade, de decisão pela DRJ e do Recurso, compondo o objeto do litígio aqui apreciado. Entendo que encontramse nos autos os documentos e as informações necessárias para a formação da convicção dos julgadores e que permitem a ampla defesa, não sendo o caso de produção de provas adicionais destinadas a contrapor os registros efetuados pelo sujeito passivo em sua contabilidade, ou para ilustrar com exemplos as glosas efetivadas pela Administração. Assim, tenho que não seja o caso de decretarse a nulidade do processado por falta de documentos e provas a cargo da Administração, para dar guarida as afirmações contidas no Despacho Decisório e para fundamentar o indeferimento dos créditos. Com fundamento em tais razões, entendo que seja o caso de rejeitar a preliminar arguida pela Recorrente. I.c) PRELIMINAR: NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Novamente nos reportando às regras sobre nulidades, do já citado Decreto nº 70.235/72, dos arts. 59 a 61, temse que elas somente se caracterizariam quando efetivamente ausentes a questão da competência ou com preterição do direito de defesa. Ou ainda, cotejando referidos preceitos com os dispositivos dos arts. 10 e 11, do mesmo Decreto, igualmente ocorreria em se constatando ausência dos requisitos lá relacionados. Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.512 17 No entanto, a análise tanto do Despacho Decisório quanto da decisão proferida pela DRJ não são carentes de fundamentação ou motivação. Ao contrário, cuidam inclusive de esclarecer fatos que não são tratados, por vezes, com profundamente tanto pela autoridade fiscal assim como pela própria empresa. Deste modo, também não cabe falarse em cerceamento do direito de defesa, pois que a Recorrente defendeuse com eloquência sobre todos os fatos articulados tanto pelo Despacho decisório quanto pela Decisão da instância de piso. Tenho, portanto, que no caso em análise, não se verifica a ausência de motivação da decisão, assim como também não se verifica defesa genérica por parte da Recorrente ou mesmo cerceamento do direito de defesa, estando presentes nos autos os elementos suficientes para extrair os pressupostos de mérito para se compreender as questões postas em julgamento que permitem tanto o exercício do amplo direito de defesa da parte, quanto a formação da convicção dos julgadores, para que sobre cada uma das questões se posicionem. Assim, ausente à falta de motivação ou o cerceamento do direito de defesa, rejeito a preliminar de nulidade. II.NO MÉRITO II.1) Glosas de Créditos sobre Aquisição de Bens para REVENDA: a. Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep e COFINS; Neste item, a Administração glosou o crédito sob o fundamento de que a empresa adquiriu bens descrevendoos como sendo “para revenda”, os quais ingressaram no estabelecimento sob o pálio da “alíquota zero” de PIS/Pasep e COFINS. A Recorrente, por seu turno, afirma que tais bens, na realidade, foram utilizados como insumos pelo estabelecimento, e independentemente disto, foram revendidos juntamente com o produto final, devendo gerar o direito ao crédito, ainda que tenham sido adquiridos com à alíquota zero, pois que sustenta haver direito de manutenção de crédito, nos termos do art. 17, da Lei n° 11.033/2004. Considerando que há também outras glosas para as quais o direito aplicável passa pela mesma análise, esse tema será tratado, para todos os itens glosados, em tópico separado. b. Aquisições de bens que não foram de fato revendidos, e sim consumidos na empresa, tais como GUARANA ZERO e PEPSI TWIST LIGHT Quando a estes itens, a legislação de regência é clara em negar o direito ao crédito, consoante art. 3°, da Lei 10.833/2003, abaixo transcrito: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 18 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Considerando que os itens acima foram adquiridos “para revenda”, e não foram empregados como “insumo” no processo produtivo da Recorrente, temse que estão enquadrados no inciso I, do art. 3°, citado, tendo sido revelado que na realidade acabaram sendo consumidos pelo estabelecimento. Apenas se poderia cogitar de conceder o crédito em se superando a literalidade do preceito legal, o que somente seria obtido por órgãos julgadores do Poder Judiciário, já que ao CARF, nos termos da Súmula n° 2, não é dado pronunciar a inconstitucionalidade de lei ou preceito normativo. Assim, ausentes os pressupostos que permitiriam conceder o direito de crédito, merece ser mantida a glosa neste particular. II.2) Glosas de Créditos sobre Aquisição de Bens ou Serviços utilizados como INSUMOS Como se atesta da análise dos autos, uma das principais questões debatidas no processo diz respeito à interpretação e ao alcance da expressão “insumo”, contida no inciso II, do artigo 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, para as Contribuições ao PIS e à COFINS, respectivamente, e que muito tem rendido de debates na comunidade jurídica tributária e fiscal pátria nos últimos anos. Neste sentido, antes de adentrar nos itens que compuseram a glosa a título de insumo, no caso em concreto, é mister deixar firmadas as premissas que presidem o entendimento deste Relator acerca da interpretação do conceito de insumo, sendo o que passo a fazer. Inicialmente, é sabido que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 instituíram, para o PIS e a COFINS, um sistema de concessão e proibição de créditos expressamente mencionados, denominandoo de “nãocumulatividade”. Contudo, os contribuintes conheciam, até então, somente a sistemática de apuração nãocumulativa aplicável ao IPI e ao ICMS, para os quais o direito de crédito está relacionado ao pagamento (ou “incidência”) de tais tributos nas etapas anteriores de produção e circulação de bens, e, ainda, que estão balizados pela produção e circulação “física” de produtos ou mercadorias. Para melhor posicionar, convém destacar o dispositivo legal das leis citadas que em ambas estão no artigo 3º artigo, e que em seus incisos II, rezam especificamente haver direito ao crédito pela entrada de “... bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”. Ao assim dispor, considerando o grande número de produtos, bens e serviços utilizados pelos contribuintes na produção ou fabricação, nem tudo pôde ali ser contemplado. Ainda, as mesmas leis cometeram a grave omissão (sob o particular ponto de vista) de, ao se referirem aos “insumos” como concessores de crédito, não definiram ou especificaram o alcance de seu conceito. Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.513 19 É importante frisar que para fins tributários, o termo “insumo” nem sempre representa o mesmo universo de bens ou serviços, como se tem exemplificado na apuração do IPI e do Imposto sobre a Renda – para citar tais exemplos, por mais marcantes e frequentes. Enquanto no universo do primeiro o conceito de insumo está ligado aos bens “consumidos no processo produtivo” no do segundo, corresponde a “custos e despesas necessárias”. Assim, ao se referirem as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 ao direito de crédito relativo a insumos, sem lhes delimitar a extensão, trouxe consigo a dúvida se nesse conceito estarão incluídas as despesas que se demonstram necessárias, mas não representam entradas de bens ou serviços utilizados diretamente na produção, fabricação ou na comercialização dos produtos. Maior ainda a dificuldade de, ao elaborar uma “lista” de bens e serviços concedentes de crédito, discernir o que representa insumo para umas atividades e não para outras. O posicionamento da Receita Federal do Brasil, diante das dúvidas geradas, tem sido o de restringir a eficácia do sistema previsto como nãocumulativo para uma técnica de abatimento de créditos pontuais, sendo tal posicionamento externado através das Instruções Normativas n°s 247/02 e 404/04, que reconhecem como insumos concessivos de crédito somente aqueles bens ou serviços que são utilizados na fabricação ou produção dos bens tais como a matéria prima, produtos intermediários, as embalagens e “quaisquer outros bens que sofreram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado” (§ 4° do art. 8° da IN 404/04), ou seja, buscou aplicar ao PIS e à COFINS o conceito de insumos utilizado para o IPI, desde o Parecer CST n° 65/79, que definiu o conceito de “produto intermediário” para fins deste tributo que grava a industrialização. No entanto, em que pese referida regulamentação decorrer de competência outorgada pelas próprias Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, é assente que essa delegação de competência não permite às normas infralegais inovarem a ordem jurídica, mas apenas disciplinarem os procedimentos para o fiel cumprimento da lei (art. 84, IV, da CRFB1988). Ao pretenderem definir o alcance do conceito do que seja insumo, aplicando o mesmo raciocínio vigente para a disciplina do IPI, as citadas Instruções Normativas, no entendimento particular, olvidaram dos diversos aspectos vinculados a técnica da não cumulatividade, especialmente o fato de que as contribuições ao PIS e à COFINS gravam a “totalidade das receitas”, e não apenas produção e circulação de produtos/mercadorias, fisicamente considerados. E, ao partir dessa premissa por elas pressuposta (e não pela legislação) acabaram inovando a ordem jurídica, o que lhes é vedado. Nesta mesma linha temos o entendimento de José Antonio Minatel, ao pontuar que: ...essa técnica adotada para a neutralização da incidência daqueles impostos, que como se disse gravam a circulação de bens (aqui tomada em seu sentido lato,) não tem a mesma pertinência que a recomende Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 20 para ser introduzida no contexto da tributação da receita, por absoluta falta de afinidade entre os conteúdos do pressuposto material das diferentes realidades. 1 Na mesma linha de entendimento leciona Marco Aurélio Greco, destacando a impossibilidade de serem utilizados os conceitos do IPI na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos: (...) não há um dispositivo que, categoricamente, determine que “insumo” deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto (...) o regime de créditos existe atrelado à técnica da nãocumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. (...) no âmbito da não cumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 153, § 3°, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores... Por isso, insumo para fins de nãocumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o § 12 do art. 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. (...) No âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante que poderá, ou não, ser considerado “insumo”... no âmbito do PIS/COFINS a referência explícita é a “produção ou fabricação”, vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos.2 Com efeito, entendo que a pretensão das citadas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil está em desacordo com o comando normativo contido nos arts. 3º, das citadas Leis, pois que não se poderia vincular a não cumulatividade inerente as contribuições ao PIS e à COFINS, que gravam a receita bruta das empresas, ao pressuposto de que os dispêndios concessores de crédito fossem apenas aqueles ligados fisicamente ao processo produtivo, no sentido de entender como insumos apenas os itens que neles se desgastam. E isto porque, fundamentalmente inexiste previsão legal para tanto, sendo que a interpretação que se deve aplicar, em consonância com o comando do art. 109 do CTN, deve guardar relação de proporcionalidade com o fato jurídico gravado pelo tributo, no caso, a receita bruta, e não a produção ou circulação, fisicamente falando, de produtos ou mercadorias, estes sim, vinculados ao IPI e ICMS. É nesse sentido o entendimento contido no v. Acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, nos autos da Apelação Cível Nº 002904040.2008.404.7100/RS, em 14.07.2011, 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo, MP, 2005, p. 180. 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação de PIS e COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, jul/ago. 2008. Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.514 21 cuja Ementa, da lavra do Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik, contém a afirmação que segue: Não há paralelo entre o regime não cumulativo de IPI/ICMS e o de PIS/COFINS, justamente porque os fatos tributários que os originam são completamente distintos. O IPI e o ICMS incidem sobre as operações com produtos industrializados e a circulação de bens e serviços em inúmeras etapas da cadeia econômica; a não cumulatividade visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio da técnica de compensação de débitos com créditos. Já o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas, não havendo semelhança com a circulação característica de IPI e ICMS, em que existem várias operações em uma cadeia produtiva ou circulatória de bens e serviços. Assim, a técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá mediante redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens ou serviços objeto de faturamento em momento anterior. (Grifouse) Igualmente pertinentes são as ponderações feitas por Leandro Paulsen3, as quais, dada sua total aplicabilidade ao caso, transcrevese: Preliminarmente à análise da dita nãocumulativade das contribuições PIS/PASEP e COFINS, importa ter em consideração alguns aspectos: a) a nãocumulatividade do PIS e da COFINS surgiu por força de leis ordinárias, e a EC 42/03, ao acrescentar o § 12 ao art. 195 da Constituição, apenas a refere, sem estabelecer critérios a serem observados; b) a receita é fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar propriamente em ciclo ou cadeia econômica; c) a nãocumulatividade em tributo sobre a receita é uma ficção que, justamente por ter em conta a receita, induz uma amplitude maior que a da nãocumulatividade dos impostos sobre operações com produtos industrializados ou mesmo sobre a circulação de mercadorias. Neste sentido, são as lições de Marco Aurélio Greco, que chama atenção para a necessidade de ser interpretar os dispositivos da legislação específica tendo como referência, sempre e necessariamente, a base econômica que é objeto de tributação a receita , a racionalidade da sua incidência e a necessária coerência interna do seu regime jurídico: (...) como não há subjacente à noção de receita um ciclo econômico a ser considerado (posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa), os critérios para definir a dedutibilidade de valores devem ser construídos em função da realidade "receita" como figura atrelada subjetivamente ao contribuinte, isoladamente considerado. 3 PAULSEN, Leandro. Contribuições: custeio da seguridade social. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2007, p. 184185. Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 22 (...) enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de uma receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI. (Grifouse) Portanto, de início afastase a interpretação que está contida nas citadas Instruções Normativas, passando a perquirir as premissas que sustentam a técnica da não cumulatividade aplicável às contribuições ao PIS e à COFINS. Neste sentido, é preciso lembrar que ao tempo em que foram editadas as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, inexistia qualquer dispositivo constitucional dispondo sobre a não cumulatividade dessas contribuições. Somente a Emenda Constitucional nº 42/03, que introduziu o § 12, do art. 195 veio tratar do assunto. Contudo, não cuidou de estabelecer o modo e a forma dessa nãocumulatividade que deveria ser obedecida pelo PIS e pela COFINS. E após o advento da Emenda, nenhuma regulamentação àquela norma nova surgiu. Dessa forma, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve obedecer ao regramento estabelecido pelas normas infralegais, ao mesmo tempo em que estas mesmas leis não se prestam com reguladoras dos dispositivos constitucionais acrescentados pela EC 42/03. As leis em comento e mesmo a Emenda Constitucional (EC) n° 42/03, ao determinarem a aplicação do regime nãocumulativo às contribuições de PIS e COFINS, não foram capazes de criar um novo sistema de nãocumulatividade, razão pela qual se deveria, ao meu sentir, admitir créditos relativos a todas as operações anteriores e não apenas as relacionadas com determinados produtos, sob pena de se estar inaugurando outro instituto jurídico apartado da conhecida “nãocumulatividade”, desde que tais itens concorressem positivamente para a geração da receita bruta sobre a qual incidirá a tributação das contribuições, para que se tenha, portanto, o sentido da nãocumulatividade. No entanto, apesar de ter havido diversas decisões que alargaram o conceito de insumo, mesmo neste tribunal (por exemplo: Processo nº 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres; Processo nº 13974.000199/200361, Cons. Júlio César Alves Ramos; Processo n° 11020.001952/200622, Rel. Cons. Gilberto de Castro Moreira Junior, entre outros), e ainda, que questão absolutamente encontrase em aberto, a verdade é que a única certeza que se tem é que o conceito de insumo não é nem aquele “importado” e restrito do IPI, e nem tão amplo como aquele previsto para custo e despesa necessária prevista para o Imposto sobre a Renda. Embora com a ressalva de meu entendimento pessoal, decorrente de toda a gama de fundamentos jurídicos até aqui expostos, a verdade é que tem prevalecido o entendimento de que o direito ao crédito emerge da análise de cada caso em concreto, buscando a relação de pertinência do processo produtivo do sujeito passivo com o emprego do respectivo insumo naquele respectivo processo, para então, se perquirir de sua efetiva participação, decidindose pela concessão ou não do direito de crédito no caso concreto. Não há, portanto, um critério objetivo definido, mas há um critério que é a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem pelo contribuinte, sendo essa a premissa que, por hora, se aplicará neste voto, com as observações que, ponto a ponto e quando necessário, se fará observar. Assim sendo, partindo destes entendimentos e das premissas colocadas, revelase que a decisão recorrida glosou créditos mediante o emprego da interpretação contida Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.515 23 nas Instruções Normativas n°s. 247/02 e 404/04, que trazem para as contribuições ao PIS e COFINS o conceito de insumo (ou de “produto intermediário”) empregado para o IPI desde o Parecer CST n° 65/79, e, por tal razão, merecerá reparos a partir da análise dos itens em si, o que se fará também em tópicos, a partir dos “Títulos” extraídos do Relatório contido do Acórdão da DRJ, ora recorrido, como passa a expor: a) "CABO BISTURI NR 4" e "pallet de madeira", entre outros: Além do item pontualmente elencado, do relatório da decisão recorrida, ainda extraise que dentre os insumos que compuseram a glosa fiscal, estão contidos itens como os fios de poliéster e de algodão, que seriam utilizados na costura e embalagem dos bens produzidos e destinados a venda; fita sanitária, luvas, faca, suporte de faca, encosto de faca, além do “cabo de bisturi” em si, e congêneres, que seriam materiais peculiares a sua atividade de frigorífico e produtora de alimentos; e outros materiais classificados dentre “peças de reposição e serviços gerais” da produção, “material de segurança”, “material para conservação e limpeza” e “material de embalagem e etiquetas”, assim como também arrola itens como bolsa térmica, caixa de proteção e afins, dando destaque aos pallets, que são utilizados especialmente na armazenagem e movimentação de matérias primas e produtos em elaboração ou acabados, para garantir padrões de segurança e de higiene e limpeza, dentro de normas técnicas da ANVISA. Tais itens, a toda evidência, compõem o processo produtivo da Recorrente, estando diretamente empregados na produção ou fabricação de bens, sendo notória sua utilidade para cortar, costurar, embalar, sanitizar, movimentar com segurança e higiene, organizar para manter o asseio e o ritmo da produção, assim como, para organização da própria movimentação da produção, de modo que, no meu entendimento, enquadramse no conceito de insumo empregado pelo legislador ao prever o direito de crédito previsto no inciso II, do art. 3°, em questão, na acepção do processo de “fabricação”, que é mais amplo que a expressão “produção”, que acaba restringindo e reportandose aos conceitos de industrialização inerentes ao IPI, aqui inaplicáveis. Especificamente em relação aos pallets, por certo que cumprem a finalidade de movimentação indispensável para que a produção se desenvolva com organização e dentro de normas de segurança e limpeza, de modo que faz parte do processo de fabricação, assim como os serviços necessários que são empregados em sua manutenção e conservação, pois que por certo tais pallets acabam se desgastando pelo uso intensivo no processo empresarial, onerando o custo de produção. Esses pallets que são utilizados para a movimentação de produtos acabados, nos armazéns mantidos pela Recorrente, por certo que enquadramse no conceito de “armazenagem”, e, devem conceder o direito ao crédito por este permissivo legal, redundando na permissão do direito ao crédito, de modo que as glosas correspondentes não merecem prosperar. Com relação às “peças de reposição e serviços gerais” foi esclarecido trataremse de peças para máquinas e equipamentos, peça de manutenção, peças e serviços, torno, serviço de conserto de equipamentos, serviço de locação de guindaste, serviço de manutenção de máquinas, serviços em peças, serviços de instalação de equipamentos, todos, pela sua própria descrição e histórico, também inerentes ao processo de fabricação. Por sua vez, o “material de segurança” são produtos como avental, bota, inclusive “seteléguas”, botina, capacete, máscaras, meias, protetor auricular, creme protetor e protetor facial; o “material para conservação e limpeza”, são compostos como o desinfetante, Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 24 detergente, vassouras, serviço de lavanderia e armazenagem, sendo ainda glosados a este título, segundo a Recorrente, “material de embalagem e etiquetas”, que seriam caixas de papelão e etiquetas, empregados para identificar os produtos desde o curso do processo produtivo até estarem acabados, de modo a distinguilos e permitir a logística de movimentação, sem as quais seria caótico o processo produtivo em massa que é conduzido nos tempos modernos. Tenho, portanto, que todos esses itens são insumos empregados na produção ou fabricação dos bens ou serviços posteriormente vendidos pela Recorrente, e que concorrente decisivamente para a geração das receitas por ela auferidas, base de cálculo da contribuição à COFINS, e, portanto, garantem o direito ao desconto do crédito. Estão direta e intrinsicamente empregados na fabricação de bens a que se dedica a Recorrente, enquadrandose no conceito de insumo para os fins do art. 3°, II, em questão. Deve, portanto, ser afastada a glosa com relação a estes itens, recompondose os direitos de crédito e os reflexos nas apurações como um todo, inclusive em períodos contíguos que com este aqui analisado tenham referência, sempre que seja pertinente. b) Fretes contratados para transferências de produtos acabados entre as unidades da empresa: A questão dos fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa já gerou muitas discussões, embora aparentemente deveria ser de simples resolução, pois que se solucionaria pela simples aplicação da ciência contábil. Tenho que os serviços de frete na movimentação das matérias primas, produtos intermediários, dos produtos em elaboração, ou mesmo dos produtos acabados, entre as unidades produtivas, ou mesmo entre unidades produtivas e unidades comerciais de uma mesma pessoa jurídica, compõem ainda o custo dos produtos vendidos ou CPV, pois que até o momento em que são colocados no ponto de venda, disponível para serem adquiridos pelos seus compradores, não se pode tratar tais dispêndios como “despesas comerciais”. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques, dispondo, em seu itens 9 e 10, que: Mensuração de estoques 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos dos estoques 10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. (grifouse) Com efeito, o custo dos estoques das matériasprimas e produtos em elaboração englobam, sem sobra de dúvidas, os custos dos serviços de transportes de movimentações destes produtos no curso do processo produtivo. E por essa razão a Receita Federal tem garantido o direito ao crédito do frete incidente no transporte nas aquisições de insumos quando suportado pelo comprador. Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.516 25 Quanto aos estoques de “produtos acabados”, sua mensuração também deve levar em conta o custo do frete incorrido em sua movimentação, até que seja colocado no ponto de venda, de modo que os dispêndios incorridos na movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa, como forma de disponibilizar o produto no ponto de armazenagem (CD) ou mesmo no ponto de venda, se suportado pelo vendedor, deve conceder o direito ao crédito, pois que compõe ainda o custo de produção e ainda faz parte do “ciclo produtivo”, compondo o termo “fabricação” contido no inciso II, do art. 3°, das Leis 10.833/03, na acepção genérica. No caso em concreto há ainda uma particularidade que deve também ser levada em consideração, que é o fato de que os produtos fabricados pela Recorrente são perecíveis, e, portanto, as normas para o transporte entre os estabelecimentos são especiais, também rigorosamente disciplinadas pela ANVISA, conforme citado pela Recorrente que transcreveu em seu recurso a Portaria SVS/MS n° 326/2007, assim como a Resolução CISA/MA/MS n° 10, de 31 de julho de 1984, ambas prevendo rigorosas normas para a conservação durante as fases de transporte dos produtos acabados até os locais de distribuição ou venda. Tais normas denotam a necessidade de um cuidado e de controles especiais por parte da Recorrente, lhe ensejando responsabilidades se acaso descumpridas. Daí, por óbvio, a decisão empresarial de trazer para si esta gestão do transporte entre suas unidades, assumindo os custos pertinentes, os quais, em última análise, são repassados ao produto, servindo à incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, e, como se trata de não cumulatividade por certo que deve garantir o direito ao crédito. Assim, à toda semelhança que os fretes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, quando pagos pelo adquirente, concedem o direito ao crédito pelo fato de que compõem o custo do produto, e do mesmo modo, também dão direito ao desconto de crédito o gasto com fretes nas operações de venda, quando são “arcados” pelo vendedor; assim também o frete entre as unidades do mesmo contribuinte, seja de insumos (matériaprima, produtos intermediários, materiais de embalagens, ou mesmo de transportes de funcionários) seja de produtos acabados a serem colocados no ponto em condições de venda, deve gerar o direito ao crédito, pois que tais dispêndios ainda estão dentro do ciclo de “produção e fabricação” compondo esses custos, sendo que tolher esse direito de crédito significaria manter uma lacuna que deixaria um custo relevante na incidência cumulativa, nem lógica e nem juridicamente sustentável. Neste mesmo sentido, cumpre citar os seguintes precedentes desta Corte: FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos o dispêndio com frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados a venda, bem assim o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. (CARF – Acórdão 330100.423 3ª Seção – 3ª Câmara – 1ª Turma – DOU 18.01.2011) Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 26 COFINS EXPORTAÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS ACABADOS. DIREITO A CRÉDITO. LEI N° 10.833/2003, ART. 3°, INCS. II E IX. A norma introduzida pelo inc. IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, segundo a qual a armazenagem e o frete na operação de venda suportado pela vendedora de mercadorias geram créditos, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base nesses dois incisos, geram créditos, além do frete na operação de venda, para entrega das mercadorias vendidas aos seus adquirentes, os fretes entre estabelecimentos da própria empresa, desde que para o transporte de insumos, produtos acabados ou produtos já vendidos.” (CARF – Acórdão 340102.075 3ª Seção – 4ª Câmara – 1ª Turma – DOU 28.11.2012) Tenho, consequentemente, que o frete pago pelo fabricante a pessoa jurídica domiciliada no País, relativo ao transporte de insumos, produtos em elaboração ou produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa, compõe a fase de fabricação na acepção ampla do conceito de industrialização, devendo ser contabilizados no custo dos estoques, nos termos dos itens 9 e 10, do CPC n° 16 (aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009), de modo a gerar o direito ao desconto de créditos por atenderem ao conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3°, das Leis n° 10. 637/2002 e 10.833/2003. Assim sendo, deve ser afastada a glosa com relação aos serviços de fretes e carretos pagos à pessoas jurídicas domiciliadas no País, destinados ao transporte entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, recompondose os direitos de crédito e os reflexos nas apurações como um todo, inclusive em períodos contíguos que com ele tenham referência, sempre que seja pertinente. c) Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar: Considerando que houveram glosas de aquisições diversas sob a rubrica de “insumos”, porém, sob o fundamento de que foram adquiridos bens sujeitos à alíquota zero, e que a Recorrente sustenta o direito de manutenção de crédito, nos termos do art. 17, da Lei n° 11.033/2004, esse tema será tratado, para todos os itens glosados, em tópico separado, sob o âmbito do “direito” aplicável. d) Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito Neste item, conforme se extrai do Relatório da decisão recorrida, o contribuinte contesta a glosa realizada pela Administração ao argumento de que a mesma “englobou”, de forma genérica e sem critério, diversos bens que não dariam direito ao crédito tendo em conta o CFOP da nota fiscal, mas que deveriam estar segregados para se justificar de modo adequado a glosa; cita como exemplo: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, adesivo, graxa, navalha, disco de corte, adesivo, gás glp, papel toalha, pão, soro de leite, vinagre, aroma de baunilha, farinha de tribo, peneira, extrato de tomate, tempero para carne, reagente, serviço de industrialização de ração, saco plástico, lamina, mola, bolsa térmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros.” Ainda mais adiante no relatório ainda cita como exemplo de glosa sob esse fundamento de CFOP que não representaria “insumo”, os seguintes itens: “faca, lâmina, mola, Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.517 27 sensor de temperatura, martelo, rolamento, adesivo, gás GLP, disco de corte, peneira, pão, vinagre, mola, bolsa faca, tempero para carne, graxa, navalha, termostato, pino, que alega que se caracterizam como insumos, uma vez que são equipamentos, ferramentas e materiais utilizados na atividade produtiva ou em máquinas com esta destinação.” Ainda, nesta rubrica, o Relatório da decisão recorrida ainda narra a inconformidade da Recorrente que “defende que são legítimos os créditos em relação aos lubrificantes, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. Contesta, ainda, a glosa de etiqueta para fatiados, sacolas big bag, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos.” (fls.3375 – ne.) Ao ser julgado o recurso do contribuinte neste particular, a DRJ/FNS houve por bem em manter as glosas ao fundamento, em síntese, de que “as descrições dos produtos adquiridos, ao contrário do que entende a contribuinte, não se mostram suficientes para infirma[r] a natureza dos produtos, atribuída pelo CFOP consignado na nota fiscal correspondente, ou, tampouco, para demonstrar, para além de quaisquer dúvidas, que se refiram a produtos utilizados como insumo.” Tenho, todavia, que aqui merece reforma a decisão prolatada, pois que todos os itens descritos acima, concedem, à toda evidência, o direito de crédito na condição de insumo, não sendo eventual imputação equivocada no CFOP que irá desnaturar a verdadeira natureza ou emprego do bem ou serviço em questão, não podendo sobreporse a forma à essência. E aqui não se aplica à vedação de tomada de crédito relativamente aos CFOP’s relativos a substituição tributária ou incidência monofásica, pois que uma vez utilizados como insumo no processo de produção ou fabricação de bens destinados a venda (como o caso de combustíveis, por exemplo), acabam sendo reintroduzidos na “cadeia” de produção ou circulação de bens, e como tal, interrompese as etapas subsequentes, presumidas de incidência antecipada ou concentrada, e passa a haver o direito ao desconto de créditos. Diferentemente darseia na hipótese de aquisição de bens para revenda, cuja vedação, aí sim e com razão, encontrase nas alíneas do inciso I, do art. 3°, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03. Quanto a combustíveis e lubrificantes (e aqui entram os lubrificantes e Gás, acima, assim como aqueles empregados nas empilhadeiras), inclusive o preceito do inciso II, do art. 3°, acima referenciado, é expresso em ressalvar o direito ao desconto de créditos, abstraindo das discussões que se poderia ter em torno do conceito de insumo, tomando a Lei, desde logo, como insumo indispensável ao processo de produção ou fabricação de bens para a atividade industrial, de modo que para estes casos, o direito já estava expresso na Lei, sem maiores necessidades de digressões a vinculação ao processo produtivo. Neste título também restou estampada a glosa relativa ao serviço de industrialização por encomenda de ração, a qual, sabidamente, compõe o custo de produção dos animais que são abatidos no frigorífico, e, portanto, formam a matériaprima da Recorrente, mas cabem brevíssimos esclarecimentos. A atividade de frigorífico de animais, em uma síntese muito simplória, poderia ser resumida na conversão de proteína vegetal, a partir dos insumos agrícolas como Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 28 soja e milho (contidos na ração industrializada que é ministrada aos animais em curtíssimo espaço de tempo), em proteína animal. Ou seja, convertemse os grãos em carne, sendo decisivo para esta transformação, que concorra a ração, cujos grãos representam mais que metade dos custos totais de produção (falase em mais que 70%!). Daí porque quando as “commodities” agrícolas sofrem alteração significativa de preço, pode desencadear o sucesso ou a “bancarrota” da atividade, pois que são dependentes da matériaprima, na sua maioria, o soja e o milho. Transportando esses conhecimentos que são públicos e notórios ao caso dos serviços de industrialização sob encomenda da ração a ser ministrada aos animais, podese compreender que tratase de uma etapa indispensável do processo produtivo, sem a qual não se obterá o produto final, que é a carne. Portanto, esse serviço é inerente ao processo produtivo, e, como tal, se enquadra perfeitamente no conceito de insumo e por certo que, se pago a pessoas jurídicas, deve gerar o direito ao crédito. Assim, abordados cada um dos temas acima, merece ser afastadas as glosas quanto aos CFOP’s ou aos itens acima citados, pois que preenchem o conceito de insumo (alguns inclusive são matériaprima ou material de embalagem) para os fins de conceder o direito ao desconto de crédito concedido pelo art. 3°, da legislação de regência, devendo ser recomposto o cálculo do crédito ressarciendo, inclusive repercutindo seus efeitos em períodos contíguos com os quais este tenha relação de pertinência. e) Serviços utilizados como insumos: Delimitação da controvérsia No caso em questão, extraise da decisão recorrida que a autoridade fiscal glosou as aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; foram glosados os valores das aquisições com descrições do tipo serviço de processamento de resíduos, serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro. Informa que cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “NF que não se enquadram no conceito de insumo ou serviço com direito a crédito”. Por sua vez, a Recorrente, em sua defesa “Menciona os serviços de: movimentação saída, montagem/desmontagem, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, processamento de resíduos, entre outros e defende que o direito ao crédito em razão dos valores glosados se referirem a serviços ‘totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da impugnante’”. Ao ser julgada a irresignação inicial pela instância de piso, a DRJ/FNS afirmou que: Ocorre, porém, que da listagem “NF que não se enquadram no conceito de insumo ou serviço com direito a crédito”, para linha 03 do Dacon, tendo em conta a descrição das operações, verificasse que a maior parte dos serviços claramente não consistem de insumo e em relação à outra parte dos serviços não há como afirmar que o sejam, pois somente pelas descrições não é possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da empresa. As operações registradas, além das mencionadas pela recorrente, têm consignadas as seguintes descrições: SERVICO MAODEOBRA, SERVICO CONSULTORIA TÉCNICA, SERVICO DE APLICACAO DE STRECH – PALLET, SERVICO LAVAGEM SECO, SERVICO CONSTRUCAO Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.518 29 CIVIL, SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, SERVIÇOS GERAIS, SERVIÇO VIGILÂNCIA, SERVIÇO REFORMA PALLETS PBR, SERVIÇO MONITORAMENTO, SERVIÇO MONTAGEM DE KITS, SERVIÇO RECUPERAÇÃO PONTEIRA H. TECH 4.0, SERVIÇO RECUP. DISCO MANCAL H. TECH 4.0, SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO, SERVIÇO TÉCNICO FUNILARIA / CHAPARIA, SERVIÇO DE CARGA E DESCARGA, SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS, PESAGEM CAMINHÃO, SERVIÇO MANUTENÇÃO EQUIP INFORMÁTICA, SERVIÇO CONSULTORIA TÉCNICA, DESJEJUM, REFEIÇÃO, CAFÉ PURO, SUCO, CAFÉ COM LEITE, OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO TRANSPORTE DE VEÍCULOS EM BALSA, SERVIÇO TÉCNICO MECÂNICO SERVIÇO IMOBILIZADO GERAL, SERVIÇO DIÁRIA, SERVIÇO KM RODADO, SERVIÇO TÉCNICO ELETRICIDADE, INSTALAÇÃO. Observese que não constam da referida listagem os serviços, mencionados pela recorrente de: despacho aduaneiro, processamento de resíduos e análise de água. Ocorre, porém, que foi o próprio despacho decisório, mencionado pela decisão recorrida, que fez a afirmação de que teriam sido glosados serviços com processamento de resíduos, despachante aduaneiro e serviços de vigilância (vide pg. 3402 – ne.), de modo que, embora efetivamente não seja possível se inferir o efetivo emprego dos serviços acima no processo de produção ou fabricação de bens destinados a venda, no “rol” acima elencado pela DRJ/FNS, quanto a esses três itens tenho que é possível ser julgado o direito aplicável aos fatos, a serem concretamente aferidos na liquidação deste julgado, pois que sobre eles se instaurou o litígio. Assim, delimito a análise dos três serviços acima, mantendo a glosa quanto a todos os demais serviços, por ausência de prova da inerência dos mesmos ao processo de produção e fabricação de bens destinados a venda pelo contribuinte. e.1)Serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres, utilizados como insumos Tratamse de serviços indispensáveis ao processo produtivo, sem os quais inclusive a própria atividade produtiva da Recorrente estaria em via de ser interditada pelos órgãos da vigilância sanitária e ainda pelos órgãos ambientais, pois que no caso em análise, tratase de empresa do segmento de alimentação humana. É certo que não se tem contato direto com o produto em fabricação, mas os resíduos, muitas vezes são até mesmo sobras dos produtos, como sangue, tripas, excrementos, e assim por diante, que precisam receber destinação adequada, sem o que, por certo, a fonte produtora das receitas, que é a razão de existir da Recorrente, estaria interrompida. Assim, deve ser afastada a glosa do crédito, a ser aferida pela autoridade preparadora ao ser executada esta decisão, quanto aos serviços de limpeza, processamento de resíduos e análise de águas. e.2)Serviço de vigilância Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 30 Neste sentido, tenho que a princípio se poderia traçar um paralelo entre a vigilância e a segurança, com a própria atividade empresarial, mas a vinculação ao processo produtivo ou ao de fabricação, ainda que na acepção genérica, demandaria prova técnica que pudesse afastar a generalidade que tal conceito enseja. Deste modo, este serviço, embora seja necessário e muitas vezes até indispensável, salvo prova em contrário, não guarda relação de pertinência ou inerência ao processo de fabricação dos bens destinados a venda, e, portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos. e.3)Serviço de despachante aduaneiro Neste sentido, entendo que os serviços de despachante aduaneiro merece conceder o direito ao crédito quando contratados pela Recorrente na condição de importadora de insumos, pois que, nesta hipótese, tais dispêndios compõem os custos do bem importado, onerando o custo do bem ou serviço em fabricação, o qual, subsequentemente, será vendido e submetido à tributação das contribuições ao PIS e à COFINS. Considerando que há incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no momento do desembaraço aduaneiro, o que, embora tratandose de tributo diversos, acabam impondo financeiramente o mesmo custo e concedem legalmente o direito ao crédito nas mesmas alíquotas de 7,6% (para a COFINS) e de 1,65% (para o PIS), deve compor a base de cálculo dos créditos os dispêndios com o despachante aduaneiro contratado para o assessoramento quanto às importações dos insumos, que assim forem reconhecidos, ao final deste processo. Quanto aos mesmos dispêndios, mas alocados às exportações, tenho que acabam não compondo mais os “custos” do processo produtivo ou de fabricação, não agregando mais o processo de mensuração dos estoques, e, consequentemente, entram nas despesas gerais, passando a conceder o crédito apenas se houvesse previsão expressa da Lei (nesta interpretação legal que atualmente está prevalecendo – com ressalva de meu entendimento pessoal). Assim, merece parcial retificação a glosa neste particular, para afastála quanto aos dispêndios com despachante aduaneiro nas operações de importações de insumos, a ser aferida pela autoridade preparadora ao ser executada esta decisão, na medida da viabilidade da respectiva prova. f) Despesas de Energia Elétrica: glosa das diferenças positivas entre os valores informados no DACON e na memória de cálculo Nesta glosa, a simples análise dos autos dá conta de que o contribuinte lançou na DACON valor de crédito a título de Energia Elétrica, superior àquele que apresentou ao longo da fiscalização nas chamadas memórias de cálculo, sendo que a Fiscalização, fiel à DACON em praticamente todo seu procedimento, nesse caso, entendeu que por ser o valor da memória de cálculo menor que aquele constante da DACON, aplicou este valor, deixando claro que a prova do valor da Energia Elétrica paga assiste ao contribuinte. Embora realmente tenha um aparente tratamento diferenciado entre as informações inseridas na DACON para fins de aceitabilidade dos créditos por parte da Administração, a verdade é que tenho que o direito ao crédito decorre das hipóteses de incidências respectivas, e não de um “Demonstrativo” ou de uma “obrigação acessória”. Ou Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.519 31 seja, não é a DACON que cria o crédito e não é a “memória de cálculo” que extingue uma obrigação. Não é porque o contribuinte lançou um direito a crédito na DACON que o possuirá, e não é porque deixou de lançar que deixará de possuir. É o direito material que faz emergir o direito subjetivo do contribuinte ao crédito em si, sendo as obrigações acessórias apenas os instrumentos criados pela Administração para facilitar o controle, a fiscalização e a arrecadação tributária. Evidentemente que essas normas devem ser cumpridas, mas não podem ser sobrepostas àquelas, de cunho substancial, como condicionante do próprio direito material. Quando muito de seu descumprimento poderá decorrer a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigações acessórias, mas não poderá tolher o próprio direito material que nasce da norma jurídica de caráter substancial, e não meramente de ordem “estrutural”. Por isso que temse defendido neste Tribunal a busca incessante da verdade material, investigando se houve o nascimento do crédito tributário ou do crédito fiscal, para cada caso, ainda que não esteja veiculado na linguagem das “obrigações acessórias”, pois que se tem privilegiado mais o direito substancial do que o adjetivo, mais o material do que o formal, sem que haja, evidentemente, desrespeito a qualquer deles. Voltando ao caso em concreto, o que se vê é que há discrepância que somente pode ser solucionada com a verificação dos comprovantes de pagamento das contas de Energia Elétrica, cotejandoas com as memórias de cálculo e com a DACON, sendo que quanto a esse fato, por certo que o ônus competia ao contribuinte trazêla, já que o crédito ressarciendo foi por ele pleiteado. No entanto, a Recorrente limitase em afirmar que a planilha de cálculo está errada, devendo ser preservado o valor do DACON, sem trazer cópia do documento de arrecadação, o que seria de fácil cumprimento, em atenção mesmo à busca da verdade material. Assim, à mingua de prova deste elemento, entendo deva ser mantida a glosa. g) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram também glosados valores de pagamentos relativos a "SERVIÇO PORTUÁRIO" e outros que não no entendimento da autoridade fiscal, se enquadrariam no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, sendo que consta dos esclarecimentos da Recorrente está contido que tais serviços consistem em: A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros; [...] Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. Analisando referida descrição, temse que a glosa procede parcialmente, devendo dela ser excluídas as despesas portuárias relativas a armazenagem, que por certo nela Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 32 estão compreendidas atividades como a pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de conteiners. Por outro lado, segundo minha convicção, não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem na de “frente nas operações de venda”, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, cujas glosas devem ser mantidas. Merece, assim, parcial retificação a glosa neste particular, a ser aferida pela autoridade preparadora ao ser executada esta decisão, na medida da viabilidade da respectiva prova. h)Operações de importação registradas com o CFOP 3551, 3556 e 3949: Inicialmente quanto ao CFOP 3551, que trata de bens importados destinados ao Ativo Permanente, serão tratados no tópico relativo à glosa dos créditos relativa a partes e peças e respectivos serviços de conservação e manutenção de máquinas. Quanto ao CFOP 3556 – Compra de material para uso ou consumo, em se tratando de insumo, comprovadamente realizada, o fora no tópico relativo a insumo, ainda que importado, mas de acordo com sua descrição e a relação de pertinência e relação de inerência ao processo produtivo ou de fabricação dos bens destinados a venda. Finalmente, quanto ao CFOP 3949 – Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, atinente a itens na listagem “02NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”; igualmente foi tratado o item pertinente, em que foram glosadas por ausência de comprovação, e diante da reiteração pura e simples havida no recurso, mantémse o indeferimento do crédito já decidido anteriormente. III.Glosa de Créditos sobre Aquisições de bens utilizados como Insumos (a) ou para Revenda (b) sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep e COFINS: Com relação a esta questão trazida no recurso, foram glosados créditos tomados com relação a aquisições de bens para revenda (a) assim como de insumos (b), ainda que sujeito a crédito presumido na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004 (c), que ingressaram no seu estabelecimento com alíquota zero, e que posteriormente, quando efetivamente vendidos, foram submetidos a tributação das contribuições. Para bem situar as questões a serem debatidas nessa temática, novamente cumpre extrair do bem elaborado relato do voto da decisão recorrida, os argumentos expendidos pela Recorrente: “A interessada, primeiro, alega que os diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas. Segundo, que, em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, sêmen suíno, entre outros), mesmo que comercializados à alíquota zero, o crédito há de ser mantido, ao menos, no sentido de outorgar aquele presumido previsto nas operações do art. 8º da Lei n. 10.925/200463. Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.520 33 Terceiro, que diversos produtos estão vinculados à noção de insumos (cita vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, calcário, entre outros) de sorte que resta totalmente viável a manutenção do crédito. Por fim, defende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Enfrentando cada um dos argumentos, tenho que assiste razão à DRJ/FNS quando não acata a irresignação do contribuinte quanto a supostos erros nas classificações fiscais adotadas pela autoridade fiscal, pois que a Recorrente não contrapôs o trabalho de alocação dos produtos aos fundamentos legais que reduziram a 0% as alíquotas dos produtos, limitandose em afirmar estar incorreta a classificação. Do mesmo modo, no tocante ao simples argumento de que tais bens são “insumos” e como tal devem conceder o direito ao crédito, entendo que não é suficiente para concedêlo, pois que no caso em concreto, não é a noção de insumo que o concederá, mas sim, o fato de se permitir o desconto do crédito e a sua manutenção sobre aquisições gravadas com alíquota zero que determinará o direito aplicável. Assim, resta enfrentar as aquisições de insumos gravados com alíquota zero, feitas junto a pessoas físicas, e no caso, entendo que assiste razão ao contribuinte na parte que entende cabível haver direito ao crédito presumido calculado na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, que assim está redigido: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (grifouse) Com efeito, esse crédito presumido é concedido justamente porque a legislação em questão (Lei n° 10.925/2004) concretizou um programa de redução a zero das alíquotas das contribuições ao PIS e à COFINS para o setor, sem que, no entanto, eliminasse por completo o custo de tais tributos em toda a cadeia produtiva até que chegasse ao produtor rural pessoa física, que, sabidamente, não pode creditarse de tais contribuições. Assim é que, quando adquirese insumos agrícolas do produtor rural pessoa física, há direito ao crédito presumido calculado na forma do art. 8°, suso mencionado. Há que distinguirse, ainda, a vedação ao desconto de crédito corrente, ordinário, previsto no art. 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, e cuja vedação está estampada no seu §2°, com o crédito presumido previsto no art. 8°, da Lei n° 10.925/2004. Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 34 Portanto, o art. 8°, mencionado, ao regular inteiramente a matéria do crédito presumido, anteriormente prevista nos §§10 e 11, do art. 3°, acima citado, acabou igualmente deixando de submeterse à restrição contida no seu §2° deste. Verificase, aliás, que a DRJ/FNS não concedeu o crédito fundamentalmente porque entendeu inviável proceder de ofício o ajuste da informação lançada “equivocadamente” pelo contribuinte na DACON, embora, aparentemente, não discordasse que seria de direito o crédito pertinente. Deste modo, quanto as aquisições feitas a pessoas físicas e glosadas ao fundamento de que se deram com alíquota zero, tenho que deve ser afastada a glosa, pela aplicação direta do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, devendo ser concedido o direito ao crédito presumido, quanto a aquisição de insumos. Já no tocante ao argumento da Recorrente, de que a vedação ao crédito sobre aquisições com alíquota zero, quando a operação subsequente é gravada com a incidência e cobrança das contribuições, por suposta afronta a não cumulatividade, tratase de uma questão muito tormentosa que de há muito vem tomando os estudos tributários relativos aos direito ao crédito, como forma de realizar, na prática, a regra da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS. Como tal, tenho que a questão merece uma análise mais aprofundada, como passo a discorrer. A glosa efetivada, assim como sua manutenção pela decisão recorrida, está fundada na vedação à tomada de crédito contida no inciso II, do §2º, do art. 3º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.865/04. A Recorrente sustenta que teria o direito a manter tais créditos das entradas, inclusive por ser aplicável o direito que emana do art. 17, da Lei n° 11.033/2004, assim redigido: “Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Tenho que o dispositivo acima transcrito (art. 17, da Lei nº 11.033/04), realmente permite que haja a manutenção dos créditos provenientes das aquisições de insumos, ou de mercadorias para revenda (ambas as hipóteses – indústria ou comércio), mesmo que a subsequente operação de venda, seja do produto acabado ou da mercadoria revendida, se opere sob o pálio da “suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Observo que aqui até mesmo a “não incidência” está amparada pelo direito à manutenção dos créditos vinculados a “essas operações”, e não apenas as operações sujeitas às contribuições, embora desoneradas. É quando se fala “a essas operações”, se está referindo tanto aos insumos empregados no fabrico de bens ou produtos (e aí abrange custos e encargos comuns como energia elétrica, depreciação, fretes e seguros nas operações de compras etc.) quanto às mercadorias para simples revenda. Porém, entendo que, para que haja o direito à “manutenção de crédito”, tem que haver direito ao próprio “desconto de crédito”. Dizendo de outro modo: manter o crédito pressupõe o direito de creditarse. Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.521 35 E a norma acima (art. 17, da Lei nº 11.033/04) trata de conferir o direito à manutenção do crédito, e não propriamente em disciplinar o “direito ao crédito”. Com efeito, tenho que o que cabe analisar é se há o “direito de crédito”, pois que se houver, aí sim caberá o direito de mantêlo, já que quanto a “manutenção dos créditos” o art. 17, da Lei nº 11.033/04 foi explícito em permitir, mesmo nas saídas desoneradas, e mesmo para o comércio. O direito ao desconto de crédito esse sim , está regulado pelos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, e, a partir do advento da Lei nº 10.865/04, tais créditos passaram a limitarse pela seguinte disposição: “§2º Não dará direito a crédito o valor: (…) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” E a interpretação (“norma jurídica”) que extraio do dispositivo supra é no sentido de que os bens adquiridos sem o pagamento das contribuições não ensejam direito ao crédito, quando a operação subsequente for igualmente desonerada das contribuições. Ou seja, se não houve a oneração pela contribuição na operação anterior, não se concede o crédito ao comprador na operação subsequente. Essa a regra geral que passou a vigorar a partir da Lei nº 10.865/04. Por outro lado, tenho que o dispositivo em questão também qualificou as hipóteses em que o crédito será permitido, mesmo quando adquiridos bens ou serviços sem pagamento das contribuições. Nesse caso, tenho que a Lei disciplinou que o crédito sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições será permitido quando as saídas subsequentes forem gravadas pelas contribuições. É a interpretação que “a contrario sensu” se extrai da literalidade do próprio dispositivo. Ou seja, não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Por outro lado, dará direito a crédito quando revendidos com incidência da contribuição. Esta é a leitura que desponta clara do dispositivo em questão. Ele não foi simplório em dizer que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, e “ponto final”. O preceito legal qualificou quais espécies de desoneração não dará direito ao crédito, e o fez pela natureza da operação subsequente, como sendo aquela desonerada na etapa subsequente. Portanto, se a natureza da operação subsequente for desonerada de tributação pela contribuição, não dará direito ao crédito. Por outro lado, se o insumo foi adquirido sem o pagamento da contribuição mas, utilizado como insumo ou revendido sob o pálio de uma operação subsequente cuja natureza for uma saída tributada, em homenagem à não cumulatividade (leiase: para que esse industrial/comerciante não “recolha” tributo pelas duas etapas da cadeia), devese permitir o crédito da aquisição. Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 36 Assim, tenho que seja perfeitamente possível (e adequado) conciliar as normas emanadas do inciso II, do §2º, do art. 3º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 (introduzido pela Lei nº 10.865/04) com aquela do art. 17, da Lei nº 11.033/04. E a interpretação que extraio destes dispositivos – e que entendo consectânea com a regra da não cumulatividade , é no sentido de que, se houve ônus da tributação na operação anterior haverá o crédito, ainda que a operação subsequente seja desonerada (conforme permissão de manutenção de crédito contida no art. 17, da Lei nº 11.033/04). Por outro lado, se não houve oneração tributária na aquisição de bens que serão igualmente vendidos sem oneração tributária, não se dará o crédito, que somente será concedido, a bem da não cumulatividade, se a saída subsequente for efetivamente gravada com o ônus tributário (é a interpretação que emana do inciso II, do §2º, do art. 3º, das Leis citadas). Em complemento da “cadeia” de produção, havendo saída onerada, ainda que a entrada seja desonerada, deve ser permitido o desconto do crédito das aquisições, pois que a vedação a tomada do crédito foi qualificada para a hipótese em que a operação subsequente também seja desonerada. O crédito daí originado (inciso II, do §2º, do art. 3º), poderá então ser mantido, segundo o art. 17, da Lei 11.033/04. Portanto, na cadeia de circulação de bens e serviços, para se evitar que uma etapa acabe arcando financeiramente pelo tributo devido por outra etapa, se criaram legalmente (arts. 3°, §2°, II das Leis 10.637/02 e 10.833/03 c/c 17, da Lei 11.033/04) os mecanismos de “concessão” e de “manutenção” dos créditos, de modo a permitir que se houver oneração, seja na aquisição seja na revenda, deverá existir o direito ao crédito. Se não houver a oneração nem na aquisição e nem na revenda, não se concederá o crédito. Essa técnica é da natureza da norma da não cumulatividade, pois que se assim não o for, transmudase o crédito em mero diferimento entre as etapas, sem produzir o efeito almejado de desonerar a cadeia produtiva. Por isso que se a etapa anterior é desonerada e a etapa subsequente também o for, não deverá haver o direito ao crédito, pois que nesse caso, se estará criando direito de crédito em detrimento do Estado arrecadador, prejudicando as receitas públicas. Tenho que esta seja a “justa medida” e o sentido de ser do instituto da não cumulatividade. E o caso da Recorrente é de aquisição de produtos de pessoas jurídicas (as aquisições de pessoas físicas, com crédito presumido do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, já foi abordado anteriormente), sujeitos a alíquota zero – que tem natureza jurídica de isenção, segundo o STF, com subsequentes vendas sujeitas, parcialmente, a incidência das contribuições, o que, segundo norma acima extraída, deve permitir o cômputo do crédito sobre as aquisições realizadas, na mesma proporção em que as operações de venda tenham se realizado com incidência tributária. E dizse nesta “proporção” porque sabidamente a Recorrente tem receitas sujeitas a incidência das contribuições (como afirmou), e outras não incidentes (exportação, por exemplo), podendo ter ainda receitas de vendas sujeitas a regimes diferenciados, monofásicos, e afins. Tenho, portanto, que a proporção das receitas de vendas que sujeitaremse a incidência da contribuição, deve gerar a base sobre a qual calcularseá o desconto do crédito, às alíquotas contidas nos arts. 2°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Desta técnica que emana do próprio §2º, II, do art. 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, cumulado com o art. 17, da Lei 11.033/2004, tenho que, automaticamente, estarseá vedando a tomada de créditos sobre aquisições desoneradas que estejam vinculadas a receitas de vendas que se operem sem a incidência tributária, e, consequentemente, a respectiva manutenção desses créditos que não se permitiu tomar. Ou seja, ao se aplicar a “proporcionalização” dos créditos pelas aquisições desoneradas em relação ao percentual das saídas oneradas, se estará vedando manter créditos que não se podem descontar. Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.522 37 Merece, portanto, ser parcialmente afastada a glosa e ser feito o recálculo do crédito nas aquisições de insumos sujeitos a alíquota zero ou desoneradas, na proporção das vendas sujeitas a incidência tributária, na forma contida na fundamentação supra. IV.Percentual da Alíquota para o Cálculo dos Créditos Presumidos nas Atividades Agroindustriais Outra questão que aqui se questiona, é em relação ao percentual a ser aplicado, relativo à alíquota para o cálculo do crédito presumido previsto no art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, sendo que o Despacho decisório entendeu que para as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I, do §3°, citado dispositivo, deve ser aplicado o percentual do inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais), conforme o caso, para os quais foram apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Por seu turno, a Recorrente sustenta que há equívoco de interpretação por parte da Autoridade fiscal, na medida em que o percentual correto que deve ser aplicado sobre as Notas Fiscais de aquisições, deve ser ditado pelo produto que está sendo industrializado, e não pelo insumo que está sendo adquirido. Assim, considerando que seus produtos, conforme o “caput”, do art. 8°, são destinados a alimentação humana, deve ser aplicada a alíquota de 60% sobre a aquisição do insumo, independentemente da espécie do insumo e de sua posição nos incisos do §3°, do art. 8°, pois que estes dizem respeito à base de cálculo, determinada pelo insumo adquirido, enquanto que o “caput” do preceito legal diz respeito à alíquota a ser aplicada, que é ditada pelo produto em fabricação. Neste sentido, discussões posicionamentos parte a parte, a verdade é que a questão acabou sendo recentemente pacificada com a edição da Lei n° 12.865, de 09 de outubro de 2013, que inseriu o §10, no art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, nos seguintes termos: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07. 14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 38 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: 1 do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Com efeito, constatase que a lei foi expressamente interpretativa, além do que, por estarmos diante de um ato ou fato não definitivamente julgado, que deixa de tratar o Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.523 39 procedimento do contribuinte de calcular o crédito presumido da agroindústria à alíquota de 60% ditado pelo produto final, como contrário a exigência de quaisquer ação ou omissão, aplicase, plenamente de forma retroativa, nos termos do art. 106, inciso I, e II, “b”, do CTN. Nestes termos, merece ser reformulado o cálculo do crédito presumido, para acatar o percentual da alíquota relativo ao produto em fabricação pela Recorrente, independentemente do insumo empregado, nos termos do §10, do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.865/2013. V.Glosas de Créditos sobre Aquisição de insumos junto a pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e COFINS, a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Direito ao crédito presumido. Neste item do Recurso, constatase que a Autoridade fiscal efetivou a glosa dos créditos provenientes de aquisições de insumos feitos pelo contribuinte junto à pessoas jurídicas, ao fundamento de que tais operações estariam sujeitas à suspensão da incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS, nos termos do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004 (na redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004), in verbis: Art. 9° A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do §1° do art. 8° desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do §1° do art. 8° desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8° desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do §1° do mencionado artigo. §1° O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6° e 7° do art. 8° desta Lei. §2° A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Sustenta a Recorrente que em face da previsão contida no §2° do preceito acima citado, a suspensão dependida de regulamentação a ser editada pela SRF, para apenas após isso vir a ser implementada e, considerando que seus fornecedores efetivamente tributaram pelo PIS e COFINS as vendas a ela efetivadas, teria direito ao crédito integral das contribuições, não sendo o caso de se lhe aplicar a glosa, pois que as operações efetivamente sujeitaramse ao pagamento dos tributos, estando fora do alcance da proibição legal. Sustenta, em sede alternativa, que na pior das hipóteses lhe deveria ser garantido o direito ao crédito Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 40 presumido, pois que legalmente garantido pela Lei, se acaso não for recomposta a glosa integral. A questão em tela encerra uma análise da aptidão que os “termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF” (previsto no §2°, do art. 9°, da Lei n° 10.925/2004 – na redação da Lei n° 11.051/2004), teriam para que a suspensão pudesse ser aplicada efetivamente. Ou seja, se tais normas a serem editadas pela Administração teriam o condão de interferir na incidência tributária ou ao revés, apenas teriam o condão de editar normas procedimentais para o controle, administração e fiscalização tributária. Ao meu sentir, as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal apenas poderiam criar deveres instrumentais ou formais no interesse do controle, fiscalização ou administração tributária, mas não poderiam criar, modificar ou extinguir quaisquer dos critérios da relação jurídica tributária, de modo que não seriam tais normas responsáveis por viabilizar (ou inviabilizar) a suspensão da incidência tributária veiculada pelo art. 9°, da Lei n° 10.925/2004. Nos termos do art. 84, IV, da CRFB1988, os atos do Poder Executivo servem ao fiel cumprimento da Lei, mas não podem inovar o ordenamento jurídico. Com esse entendimento, tenho que estando atendidas as condições para que as operações fossem suspensas da incidência de PIS e de COFINS, efetivamente assim elas ocorreram para os efeitos tributários, ainda que “financeiramente” as partes não tenham, eventualmente, previsto os seus impactos nos seus orçamentos comerciais. Acaso tivesse os fornecedores sido autuados por terem aplicado a suspensão e a Administração as estivesse exigindo o tributo, meu entendimento afastaria a exigência tributária, por óbvio. Neste sentido, tenho que agiu acertadamente a Administração ao proceder à glosa dos créditos tomados pela Recorrente à alíquota de 3,65% e 7,60%, para o PIS e à COFINS, respectivamente, pois que não se contesta nos autos que as operações preenchiam cumulativamente os requisitos dos incisos I, II e III, do art. 9°, em questão. Porém, tenho que a glosa não poderia ser integral, pois que o crédito presumido era um direito da Recorrente, decorrente justamente do mecanismo que estava sendo regulado pela própria Lei n° 10.925/2004. Basta cotejar os preceitos legais em questão (arts. 8° e 9º, citados). Portanto, deveria ter sido glosado apenas o excedente em relação ao crédito presumido que a Recorrente fazia jus em tais aquisições, pois as mesmas estão amparadas pelo §1°, do art. 8°, da mesma Lei n° 10.925/2004, in verbis: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...] poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos Fl. 3544DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.524 41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). Esse direito, aliás, ficou expresso no próprio voto da DRJ, objeto do Recurso, quando estampou o seguinte: A recorrente, alternativamente, solicitou que fosse reconhecido a procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. No entanto, não há como ora acolher esse pleito, dado o firmado no item 4 deste voto. Por sua vez, o item 4, a que se reporta o excerto da DRJ, afirma que a instância de piso apenas analisou o direito ao crédito que estivesse informado na “linha correta” da DACON. Em tal tópico do acórdão recorrido, extraise esse entendimento no sentido de que tal decisão adotou como premissa que “no presente feito, somente será analisada a procedência dos créditos cujas bases de cálculo tenham sido corretamente informadas em Dacon”. Ou seja, aqui a DRJ entendeu que haveria o direito, mas não o concedeu porque não estava informado na linha incorreta da DACON. Todavia, considerando meu entendimento de que não é a DACON que cria o crédito (como já mencionado quando aqui neste voto analisei o crédito referente à Energia Elétrica), mas sim o crédito nasce na “relação jurídica de direito ao crédito”, por sua vez decorrente da operação comercial de aquisição realizada e do respectivo enquadramento legal pertinente, tenho que a recomposição do cálculo do crédito, que decorrerá do cumprimento deste julgado, comporta perfeitamente o cálculo do crédito presumido das aquisições feitas nas operações que se deram com “suspensão”, nos termos do art. 9°. E isto porque tenho que este fato retrata um direito da Recorrente de que tais operações lhe concedessem o crédito presumido, nos termos dos art. 8°, §1°, e 9°, ambos da Lei n° 10/925/2004. Com efeito, merece parcial provimento o recurso voluntário nesse particular, para reconstituir parcialmente a glosa, até o limite do crédito presumido, nos termos do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, inclusive no tocante ao percentual da alíquota conforme definido nesse julgado, e também produzindo efeitos nos períodos contíguos a este, se for o caso. VI.Glosas de Créditos sobre aquisição de partes e peças, que deveriam ter sido ativadas. Direito ao crédito via depreciação. Com relação a esta glosa efetivada pela Administração, sustenta a Recorrente que possui o direito ao desconto do crédito em face de que tais partes e peças atenderem ao conceito genérico de insumo, e, como tal, devem lhe garantir o direito ao crédito das contribuições ao PIS e COFINS, ou, no mínimo, deveria lhe conceder o crédito através da depreciação. Aqui encontramse arrolados, ainda, glosas relativas a peças para máquinas e equipamentos, peça de manutenção, peças e serviços, torno, serviço de conserto de Fl. 3545DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 42 equipamentos, serviço de manutenção de máquinas, serviços em peças, serviços de instalação de equipamentos. Abrange também aqueles itens importados (CFOP 3551), e que afirmase estarem inseridos neste grupo de bens que deveriam ter sido imobilizados. Por sua vez, a decisão recorrida, embora reconheça que referidos itens concederiam o direito ao crédito através dos encargos de depreciação, deixou de reconhecer referido direito sob o fundamento de que não poderia conceder direitos de créditos que foram incorretamente informados na DACON, e, como o contribuinte informou como insumos, e não como depreciação, não poderia alterar citado registro. No caso em concreto tenho que o tratamento a ser dado à partes e peças deve seguir ao regramento ditado pelo art. 15, do DecretoLei n° 1.598/77, pelo art. 30, da Lei n° 9.249/95, a saber: DecretoLei n° 1.598/77 Despesas Operacionais Art. 15 O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a Cr$3.000,00 ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. Lei n° 9.249/95 Art. 30. Os valores constantes da legislação tributária, expressos em quantidade de UFIR, serão convertidos em Reais pelo valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996. Conforme determinado pelo art. 301, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), temos o seguinte: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Assim sendo, temse como acertado o posicionamento da Recorrente em lançar como despesa operacional o valor relativo às aquisições de partes e peças quando o tempo de vida útil das mesmas for inferior a 01 ano, ou que o seu valor unitário seja inferior a R$326,61 centavos. Considerando que não há prova atestando o tempo de vida útil das referidas partes e peças, ou mesmo o seu uso intensivo ou a existência de ato normativo específico excepcionando o tratamento como “despesa operacional” para tais itens (como ocorre, p.ex., como lâminas e facas na indústria calçadista), aquelas que tiverem o preço de aquisição superior a R$326,61, deverão ser levados ao imobilizado, em subconta relativa ao bem a que estiverem vinculadas, para que sejam depreciados, e, consequentemente, as taxas de depreciações pertinentes devem ser revertidas em créditos no trimestre em questão, já que nestes autos será recomposto o cálculo dos créditos ressarciendos. É o direito que assiste ao contribuinte e que emana do art. 3°, §1°, inciso III, da Lei n° 10.833/2003, e seguindo aquela premissa anteriormente firmada, de que o crédito Fl. 3546DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.525 43 emana da operação concreta havida no “mundo fenomênico”, dos fatos, e não daquilo que tenha sido vertido na linguagem contida da DACON a qual, embora necessária, não cria nem extingue a relação jurídica tributária e nem a relação jurídica de direito ao crédito, sob o prisma do direito material. Desta forma, merece parcial provimento o recurso, para reconhecer o direito ao cômputo de créditos sobre as partes e peças como despesa operacional quando o preço de aquisição for inferior a R$326,61, e quando em valor superior, deve ser recomposto o cálculo através dos pertinentes encargos de depreciação, até o limite legal de tais taxas para o período de apuração em questão, a ser aferida pela autoridade preparadora ao ser executada esta decisão, na medida da viabilidade da respectiva prova. VII. Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para afastar parcialmente as glosas, nos termos da fundamentação exposta, inclusive para determinar o refazimento dos cálculos dos créditos ressarciendos e para que repercutam nos períodos contíguos naquilo que com este período (1o Trimestre/2008) tenham relação de pertinência. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 3547DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 44 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama, Redator Designado. O ilustre Relator votou no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar parcialmente as glosas, nos termos da fundamentação exposta, inclusive no item b) Fretes contratados para transferências de produtos acabados entre as unidades da empresa. Não é o nosso entendimento. Em relação a esse ponto, com a devida vênia do ilustre Relator, a meu ver, a melhor interpretação está com o órgão de julgamento de primeiro grau, que manteve a glosa dos referidos créditos com base no argumento de que as despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não integravam o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda. Por outro lado, a recorrente alegou que a fiscalização também desconsiderou o frete na transferência entre estabelecimentos sob a alegação de serem “produtos acabados”, com base em presunção vinculada ao fato de que a transferência se deu entre estabelecimentos da recorrente. Conclui a recorrente que os fretes entre seus estabelecimentos compõe o processo de industrialização e econômico da atividade que exerce, inclusive, em decorrência de legislações de órgãos públicos, resta indubitável a ilação de que os créditos são legítimos, principalmente, quando a fiscalização presumiu a inexistência deste pelo simples fato de constar, por amostragem, que ocorrem entre estabelecimentos da empresa. Em tais condições, é de rigor a improcedência da glosa e, por conseguinte, o presente lançamento, reformandose a r. Decisão recorrida. Ora, quanto ao fato de que a glosa decorreu da presunção de que as despesas de frete se tratava de produto acabado, a análise das operações da empresa se deu a partir dos seus registros contábeis. A teor do relato fiscal, foram glosadas as despesas com os serviços de fretes constantes da memória de cálculo fornecida pela fiscalizada sob a denominação SERVIÇO FRETE E CARRETO os quais foram escriturados pela empresa em contas que refletem despesas com vendas, especificamente referente ao transporte de produtos acabados entre filiais: conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, subcontas n.° 0000510580 – “Frete Transf.Prod.Acabados (UP p/Filiais)”, e n.° 0000510581 – “Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)”. A autoridade fiscal relata que cada um dos conhecimentos glosados está especificado na listagem “Fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa”. Isto posto, no meu entendimento, a própria descrição de cada conta, evidencia a natureza das operações lá escrituradas, razão pela qual não poderiam ser tidas como despesas vinculadas a operações de aquisição de insumo. Logo, não caberia a autoridade fiscal comprovar que as despesas escrituradas pela própria empresa como despesas de vendas de fato consistem deste tipo de operação. Em se tratando de direito de crédito que a contribuinte pretende ter reconhecido, caberia a ela, o ônus de provar que os valores registrados Fl. 3548DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.526 45 como despesas com vendas consistem, em verdade, de despesas de transportes vinculados a operações de aquisições de insumo. Não é o caso. Na questão de direito, a recorrente alega que os fretes entre estabelecimentos da recorrente compõe o processo de industrialização e econômico da atividade que exerce, inclusive, em decorrência de legislações de órgãos públicos, resta indubitável a ilação de que os créditos são legítimos. Com isso, a controvérsia cingese ao conceito de insumo, isto é, se a despesa de frete de produto acabado entre as unidades da empresa estaria abrangido no conceito de insumo previsto no inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o (Contribuição Não Cumulativa) a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes , exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); (grifos nossos) Com relação a esta empresa, como se trata de estabelecimento industrial, são considerados insumos apenas às aquisições de bens e serviços utilizados no processo de produção ou fabricação de bens ou produtos de venda da recorrente. Com isso, ficam excluídos do referido conceito os custos e as despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação ou produção. Para reforçar este raciocínio temos a Solução de Divergência nº 12/2008 e 25/2008, que citamos abaixo: 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição sujeita a incidência nãocumulativa. (grifos nossos) Em decorrência dessa conclusão, temse que apenas os custos e as despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação, expressa e taxativamente (numerus clausus), relacionadas nos incisos III a X da Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), a seguir transcritos, permitem a apropriação dos créditos a serem descontados da contribuição sujeita a incidência nãocumulativa. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3549DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA 46 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifos nossos) Da análise do comando legal acima, constatamos que apenas as despesas com fretes nas operações de venda foi contemplada com a permissão de apropriação de crédito. Portanto, por falta de previsão legal, ficam excluídas as despesas com frete relativas ao transporte dos produtos acabados realizado entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor, operação que não se enquadra no conceito de operação de vendas. Ex positis, quanto ao tópico: “b) Fretes contratados para transferências de produtos acabados entre as unidades da empresa”, voto no sentido de negar PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO em relação à glosa dos créditos calculados sobre o valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, das Leis nºs: 10.637/2002 (PIS/PASEP); e, 10.833/2003 (COFINS) e, também, não estar relacionada nos custos e despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação, expressa e taxativamente (numerus clausus) relacionadas nos incisos III a X da Lei nº 10.833, de 2003 (COFINS), em especial, o inciso IX, que contempla apenas as “despesas de fretes na operação de vendas”, portanto, faltando a previsão legal. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014. LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Fl. 3550DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Processo nº 16349.000277/200988 Acórdão n.º 3402002.361 S3C4T2 Fl. 3.527 47 Fl. 3551DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por LUIZ CARLOS SHIMOYAMA
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Numero do processo: 10510.003063/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/06/2006
DENÜNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
Numero da decisão: 1802-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/06/2006 DENÜNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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NÃO CONFIGURAÇÃO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 30 63 /2 00 6- 15 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente o Despacho Decisório n° 410 DRF/AJU, de 18 de junho de 2010 (fls. 75/80), homologou apenas parcialmente a compensação objeto da Declaração de Compensação (fl. 19), na qual a interessada requer a compensação de débito de estimativa do IRPJ do período de setembro de 2004 com crédito relativo a antecipações do IRPJ do exercício de 1998 (anocalendário de 1997), no valor original de R$ 21.023,20, o qual, atualizado até a data da compensação, representaria um montante de R$ 48.752,80 (fl. 58). O citado Despacho Decisório apresenta os seguintes fundamentos: embora a interessada tenha informado, na declaração de compensação de fl. 19 que o direito creditório decorre de pagamentos de estimativas do IRPJ do anocalendário de 1997, parceladas através do Processo n° 10510.200023/200377, a análise será focada na existência ou não de saldo negativo de IRPJ do exercício de 1998, pois as estimativas, por representarem antecipações, só podem gerar saldo negativo caso superem o imposto devido no ajuste do período de apuração, assim como ocorre com o imposto de renda na fonte e as demais deduções do imposto devido; a demonstração do saldo negativo, constante da ficha 08 da DIPJ/1998, apresenta a seguinte situação: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 1. ALÍQUOTA DE 15% 121.637,08 2. ADICIONAL 57.091,38 DEDUÇÕES 06. () VALETRANSPORTE 4.227,51 15 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 1.957,79 17. () IMPOSTO DE RENDA POR ESTIMATIVA 214.059,64 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 41.516,48 a presente análise se limitará aos valores de retenção na fonte e aos pagamentos do IR por estimativa; no tocante as retenções na fonte, em conformidade com os extratos das DIRF em que a interessada aparece como beneficiária dos rendimentos (fl. 71), temse a confirmação do montante declarado; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 38 3 em relação as estimativas, não obstante a interessada ter levado ao ajuste anual o total dos valores apurados na ficha 09 da DIPJ/1998, seguindo as instruções de preenchimento de tal declaração (fl. 72), o valor efetivamente pago montou em R$142.835,82, sendo R$138.742,12 mediante recolhimento em DARF e R$ 4.093,70 através de compensação com saldo negativo de períodos anteriores. Do demonstrativo apresentado à fl. 77, notase que as estimativas efetivamente pagas se limitaram ao imposto apurado à aliquota de 15%, desconsiderandose os valores relativos aos adicionais devidos; considerandose o exposto, a recomposição da ficha 08 da DIPJ/1998 apresenta a seguinte situação: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 1. A ALÍQUOTA DE 15% 121.637,08 2. ADICIONAL 57.091,38 DEDUÇÕES 06. () VALETRANSPORTE 4.227,51 15 () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 1.957,79 17. () IMPOSTO DE RENDA POR ESTIMATIVA 142.835,82 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 29.707,34 como o saldo do imposto de renda a pagar, de R$ 29.707,34, foi liquidado por meio do recolhimento constante do extrato de fl. 69, mostrase evidente que as estimativas pagas através do Processo n° 10510.200023/200377 estão excedendo o saldo do imposto a pagar apurado no ajuste anual do anocalendário de 1997, restando configurado o direito da interessada à restituição dos valores originais das estimativas parceladas, no total de R$ 21.023,20, conforme extratos de fls. 61/63, não como pagamentos indevidos, mas como saldo negativo; o saldo negativo ora reconhecido não se encontra consignado na DIPJ/1998 em razão de os pagamentos correspondentes terem sido realizados no período de 23/04/2003 a 31/03/2008, quando a citada declaração já não podia ser mais retificada, em função do transcurso do prazo prescricional; embora tenha havido o reconhecimento integral do direito creditório apresentado na DCOMP, este se mostrou insuficiente para liquidar o débito compensado, em razão de a interessada ter feito o encontro de contas tomando por base a data de vencimento do débito, e não a data da entrega da declaração de compensação, segundo estabelecia o art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, regra esta mantida no art. 36 da Instrução Normativa Receita Federal do Brasil n° 900, de 30/12/2008; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 39 4 em função de todo o exposto, foi homologada parcialmente a compensação pleiteada, remanescendo para cobrança um saldo devedor no valor original de R$12.367,49. Cientificada do Despacho Decisório em 30/06/2010 (fl. 83), a interessada apresentou, em 30/07/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 84/94), acompanhada dos documentos de (fls. 95/112), com as seguintes alegações, em síntese: BREVE RELATO DOS FATOS: • a autoridade fiscal proferiu despacho decisório deferindo parcialmente o pedido de compensação sob análise e homologando apenas parte das compensações declaradas, apesar de inexistirem quaisquer divergências entre o valor informado no PER/DCOMP e o valor informado na DIPJ; • o motivo do indeferimento foi o fato de a requerente haver parcelado parte dos valores devidos a titulo de estimativa de IRPJ, conforme extratos anexados (fls. 61/63), apesar de o aludido parcelamento encontrarse integralmente quitado; DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS DE ANTECIPAÇÕES: • de acordo com a ficha 8 da DIPJ/1998, a sociedade apurou no anocalendário de 1997 imposto sobre o lucro real no montante de R$178.728,46 e realizou recolhimentos de antecipações no montante de R$214.059,64, o que enseja o ressarcimento ou a compensação dos valores remanescentes, em relação ao IRPJ devido na declaração de ajuste anual, no montante de R$41.516,48; • o próprio julgador em seu parecer declara que a requerente possui crédito relativamente ao ano de 1997, oriundo do recolhimento por estimativa, bem como que referido crédito encontrase consolidado na apuração feita na DIPJ (transcreve trecho do despacho decisório); • como a requerente vinha calculando as antecipações tendo por base o percentual de 15%, sem o adicional de 10%, a principio não poderia aproveitar essas diferenças na compensação com períodos posteriores, no entanto, ao ser notificado da existência da aludida diferença, sequer impugnou a notificação, reconhecendo a procedência das parcelas de adicional do IRPJ incidentes sobre as antecipações de 1997, e procedeu ao seu parcelamento, que foi integralmente quitado. Assim, a contribuinte mantém o direito de compensar/restituir tais valores; • o valor da diferença de estimativa, apesar de haver sido parcelado, deverá ser aceito por este órgão administrativo, dado que o aludido parcelamento foi integralmente quitado, pois, segundo o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes, compete exclusivamente à unidade de origem da RFB verificar e calcular os valores a serem compensados e os já compensados (transcreve ementas); Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 40 5 • a Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, em seu art. 26, caput, combinado com o art. 74, dispõe que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizá lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele órgão, não havendo razão para que seus pedidos sejam indeferidos; • o pedido de ressarcimento e os pedidos de compensação, é de suma importância salientar, foram realizados dentro do prazo de cinco anos, na forma prescrita pelo art. 174, c/c os arts. 165, I, e 168, II, do CTN; DA REALIZAÇÃO DA PERÍCIA CONTÁBIL IMPORTÂNCIA PARA O DESLINDE DA QUESTÃO: • o direito à prova, também aplicável aos processos tramitados na esfera administrativa, revela uma proteção à parte litigante, na medida em que disponibiliza a oportunidade de demonstrar que os fatos alegados pela requerente são verossímeis e devem ser considerados para elidir a cobrança tributária, não se podendo admitir que, em um processo administrativo cujo objeto da controvérsia seja uma compensação de créditos e débitos, não seja realizada a prova pericial, assegurando à empresa o devido tramite do processo legal, assim como preceitua o art. 5º, LV, da Constituição Federal; • assim, para que seja conferido A. requerente a plena defesa que lhe outorga a constituição (art. 5º, LV), requer a realização de perícia contábil, em que reste patente a existência de crédito tributário relativo a saldo negativo de imposto de renda. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, formalizada após a data de vencimento dos débitos correspondentes, estes sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 41 6 Ainda irresignada com a decisão, da qual tomou ciência em 20/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/02/2011, onde repisa as argumentações oriundas da manifestação de conformidade acrescida de novos argumentos Esta Turma, em 10 de julho de 2013 resolveu por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência para que a DRF de Aracajú, juntasse a DCTF original e eventuais retificações do débito de IRPJ, competência de setembro/2004. Em cumprimento a diligência a DRF de Aracaju juntou as DCTF’s solicitadas e apresentou o resumo a seguir transcrito: IRPJ – Setembro de 2004 DCTF nº Data Valor 100.000.020.041.790.000.000 04.11.04 100.000.020.041.750.000.000 26.11.04 77.103,53 100.000.020.051.760.000.000 22.07.05 54.788,19 100.000.020.061.750.000.000 20.01.06 54.788,19 100.000.020.061.770.000.000 08.11.06 54.788,19 Os autos voltaram para julgamento. Este é o Relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 42 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente a Requerente reitera seu pedido para que seja realizada prova contábil. Embora a prova pericial esteja prevista no Processo Administrativo Fiscal (PAF), e constantemente concedida, mesmo que no Recurso Voluntário, no presente caso apresentase desnecessária, eis que o crédito apontado foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, tendo se dado a homologação da compensação parcial em função do momento em que foi formalizado o pedido. No mérito tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ em Salvador (BA) que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação do débito tributário informado na declaração de compensação objeto do presente processo. A DRF reconheceu integralmente o direito creditório apresentado na DCOMP, no entanto, alegou que tal crédito seria insuficiente para compensar o débito em questão. A Recorrente, alega, basicamente, que o motivo do indeferimento foi o fato de a requerente haver parcelado valores devidos a título de estimativa, apesar de tal parcelamento encontrarse integralmente quitado. A despeito da alegação da Recorrente, o despacho decisório aponta a razão da homologação apenas parcial da compensação pleiteada, como se depreende da leitura de sua conclusão (fl. 78): “Convém registrar que, embora tenha havido o reconhecimento integral do direito creditório apresentado na DCOMP, este se mostrou insuficiente para liquidar o débito compensado, em razão de o interessado ter feito o encontro de contas tomando por base a data de vencimento do débito e não a data de entrega da declaração de compensação, segundo estabelecia o art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, regra esta mantida no art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008. Assim, o crédito apontado na DCOMP objeto deste processo não foi questionado pela autoridade administrativa que, ao contrário, reconheceuo integralmente, no montante original de R$ 21.023,20, crédito este oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado na declaração de ajuste do exercício de 1998, com fato gerador em 31/12/1997, e, conseqüentemente, com atualização moratória a partir de janeiro de 1998, na forma solicitada pela Recorrente. Reza o ato normativo citado no despacho decisório: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 43 8 “Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. 1° A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.” Já os citados arts. 52 e 53 rezam o seguinte: “Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) Art. 53. Os valores sujeitos a restituição, apurados em declaração de rendimentos, bem como os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 1° de janeiro de 1996, quantificados em Unidade Fiscal de Referência (Ufir), deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da Ufir vigente em 1° de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287. § 1° O valor resultante da conversão referida no caput constituirá a base de cálculo dos juros de que trata o art. 52. § 2º O imposto a restituir, apurado em declaração de rendimentos, que tenha sido colocado a disposição do sujeito passivo anteriormente a 1° de janeiro de 1996, deverá ter o seu valor devidamente convertido em reais, nos termos do caput, não se sujeitando à incidência dos juros previstos no art. 52. Nesta lide a Recorrente possuía um saldo de IRPJ, relativo ao ajuste do exercício de 1998, passível de restituição, no montante de R$ 21.023,20, o qual, com os acréscimos moratórios, calculados de jan/1998 até out/2004, mês em que se deu o vencimento do débito que pretendia compensar, montou em R$ 48.752,80. Esse saldo seria suficiente para compensar os débitos pleiteados, caso a Recorrente houvesse protocolado sua Declaração de Compensação até a data de vencimento dos débitos apresentados, como assim não o fez, foi instaurada a presente lide. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 44 9 Mesmo após o vencimento a Contribuinte não considerou no encontro de contas o acréscimo da multa moratória sobre os débitos, entendo estar desobrigada desta rubrica por força do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Assim, em síntese, de um lado a Recorrente entende que deve ter sua compensação homologada, eis que entende que não deve incidir a multa moratória por conta do instituto da denúncia espontânea, prescrito no CTN, art. 138. Por outro lado a DRF de Aracajú e a DRJ em Salvador entenderam que a DCOMP protocolada após o vencimento do tributo enseja o acréscimo da multa moratória, tornando o saldo do crédito insuficiente. Pelo resumo das DCTF’s apresentadas chegamos as seguintes informações: IRPJ – Setembro de 2004 DCTF nº Data Valor 100.000.020.041.790.000.000 04.11.04 0,00 100.000.020.041.750.000.000 26.11.04 77.103,53 100.000.020.051.760.000.000 22.07.05 54.788,19 100.000.020.061.750.000.000 20.01.06 54.788,19 100.000.020.061.770.000.000 08.11.06 54.788,19 Com base nas informações prestadas, parece claro que a DCTF foi apresentada antes da compensação dos valores em questão, não sendo aplicado o benefício da denúncia espontânea. Tendo em vista que a Declaração de Compensação foi protocolizada em 06/11/2006 e a DCTF que confessou a dívida data de 26/11/2004. Sendo assim, cito a Súmula do STJ nº 360, de 27/08/2008, senão vejamos: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003063/200615 Acórdão n.º 1802002.211 S1TE02 Fl. 45 10 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13881.000105/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.191
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência em razão da matéria, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência em razão da matéria, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Rodrigo da Costa Possas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência em razão da matéria, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Rodrigo da Costa Possas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .0 00 10 5/ 20 02 -1 1 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/200211 Resolução nº 3301000.191 S3C3T1 Fl. 646 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos até aquele momento processual, adoto o relatório da 2ª Turma da DRJ/Campinas, abaixo transcrito: Tratase de pedido de restituição de fls. 01, protocolizado em 23/04/2002, solicitando o reconhecimento de créditos no total atualizado no valor de R$143.526,53, referente a recolhimentos efetuados no período de 03/03/1994 a 05/08/1997 (DARF às fls. 16/107), consolidados nas planilhas de fls. 108/121 como originários de multas de mora (art. 138 do CTN), excesso de IRRF, de diferenças de UFIR, e disponibilidade no sistema da Receita Federal, vinculados aos códigos de receita 0561, 0588, 1097, 1708, 8045 e 8109, visando a compensação futura de débitos. Em 10/05/2002 foi juntado à fl. 508 o pedido de restituição no valor total de R$141.842,69, acompanhado da justificativa da peticionária de fl. 509 solicitando a substituição do pedido anterior que apresentava incorreção na somatória do indébito pleiteado. A solicitação da contribuinte foi indeferida pela SAORT da DRF Taubaté/SP por meio do despacho decisório de 17/11/2006, fls. 523/526, de acordo com a ementa a seguir reproduzida: Assunto: RESTITUIÇÃO Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Apenas teria direito à restituição total ou parcial de qual for a modalidade do seu pagamento, aquele contribuinte que fosse detentor do pretenso crédito, o que não é o caso dos autos. Consoante Ato Declaratório SRF nº 96/99, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. O Sincor é um sistema operacional das unidades da Secretaria da Receita Federal que permite controlar a situação fiscal dos contribuintes. A existência de valores disponíveis no Sincor pode decorrer de diversas causas tais como, pagamento indevido, preenchimento de Darf utilizando códigos equivocados, erro no preenchimento de declarações e até falha do programa, razão pela qual é impossível à Administração promover qualquer restituição com base nos dados desse sistema. PEDIDO NÃO CONHECIDO. Tendo tomado ciência da decisão em 12/12/2006 (AR à fl. 527verso), a contribuinte, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (procuração à fl. 554), em 28/12/2006 apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 528/553, onde alega, em síntese, as razões de defesa adiante consignadas. A decisão emanada pela SAORT encontrase em perfeita contramão legal, pois a competência para decidir em primeira instância é desta Delegacia especializada em julgamento, pelo que requer a nulidade da decisão proferida nos autos. Além disso, o julgador deve buscar a verdade material e aplicar o Código Tributário Nacional de forma consentânea com o art. 37 da Constituição Federal e as demais leis ordinárias, Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/200211 Resolução nº 3301000.191 S3C3T1 Fl. 647 3 sob pena de responder pelo crime de excesso de exação, previsto no artigo 316 do Código Penal. No que se refere à prescrição do direito apontada pela autoridade administrativa, inicialmente afirma ser ilegal o artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, quando interpretada mediante a luz de nosso ordenamento jurídico. Transcreve decisão do STJ afirmando não caber ao Executivo e Legislativo interpretar normas legais, frustrando a tentativa do governo federal em afastar a tese dos 10 anos de forma retroativa. Acentua a manifestante que a competência para lançar é PRIVATIVA da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, de sorte que jamais se poderia admitir o surgimento do crédito tributário sem o correspondente lançamento. Dessa forma, para se cogitar a hipótese de extinção de crédito, primeiro já que se constituir o referido crédito por meio do lançamento, para, em seguida, após o nascimento do crédito, falarse em extinção do mesmo. Ressalta que somente a homologação constitui verdadeiro evento ensejador da extinção do crédito tributário, não cabendo nessa modalidade de tributo a extinção do crédito tributário pelo simples pagamento, vez que ao contribuinte não é dado o dever poder de lançamento. Com referência à legitimidade da impetrante para pleitear o indébito em análise, a manifestante esclarece que apesar das empresas em questão terem coexistido, no momento da interposição do presente pedido de restituição a filial IOCHPE MAXION S/A, inscrita sob o CNPJ nº 61.156.113/003603 já estava extinta, conforme certidão de baixa em 21/09/1998, tendo a peticionária legitimidade para requerer os créditos de sua filial já extinta. Quanto à formalização do pedido afirma estar devidamente apoiada nas Leis n.º8.383/91 e n.º 9.032/95, no Decreto 2.318/95 e na Instrução Normativa n.º 21/1997, que admitem a compensação de quaisquer tributos ou contribuições, ainda que não sejam da mesma espécie, nem tenham a mesma destinação constitucional, sob a administração da Secretaria da Receita Federal. Reforça que na hipótese de o contribuinte ter pago tributos a maior ou indevido, tem garantido seu direito à repetição do respectivo indébito, desde o momento do recolhimento indevido, independente da comprovação de sua liquidez e certeza (CTN art. 170), fato que não pode ser amesquinhado pela lei ou em decorrência de interpretação que a ela venha a ser dada. As razões para reforma do despacho decisório encontram apoio na afirmativa da própria administração que confirma: os recolhimentos foram efetuados e confirmados. Tese consistente e superior àquela defendida pela agente fiscal de que é necessária a demonstração inequívoca do crédito a repetir. Ora, quando a Administração constata insuficiência ou falta de pagamento no seu sistema de contacorrente Sincor, emite lançamento suplementar como se fosse cobrança amigável. Entretanto, quando seus arquivos acusam que a contribuinte efetuou recolhimento indevido ou maior, a Fazenda calase, deixando de cumprir o disposto no art. 37 da Constituição. Frisa que foi à própria Administração quem efetuou os lançamentos no citado sistema, cuja declaração torna clara a situação impositiva do quantum devido à contribuinte. As informações contidas nos bancos de dados têm para a Administração o mesmo peso que a contabilidade tem para a contribuinte. Caso fosse necessário, deveria Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/200211 Resolução nº 3301000.191 S3C3T1 Fl. 648 4 o fisco realizar diligências, na busca do controle da legalidade de seus atos, pois, no caso em exame, a produção da prova do ônus competia a Receita, visto que o pedido encontrase respaldado em sua própria afirmativa. Admitindose que os respectivos valores decorram de pagamento indevidos face ao instituto da denúncia espontânea, já que vários recolhimentos de multa e juros relativos a tributos pagos fora do prazo encontramse disponibilizados, é de se concluir que a Receita Federal reconhece a supremacia do CTN sobre a Lei n.º 9.430, de 1996, como já fez o Poder Judiciário. A reclamante registra que as Leis n.º 8.383, de 1991 e n.º 8.541, de 1992 adotaram a conversão em UFIR dos créditos tributários para atualização monetária dos tributos em momentos distintos, sendo que a existência de pagamentos em valor maior que o devido se justifica em erro na aplicação dos dispositivos no momento do recolhimento. Diante o exposto, a recorrente espera que seja admitida a presente defesa e reformada a decisão do Delegado da Receita Federal de Taubaté/SP. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRJ/Campinas proferiu o Acórdão nº 0521.874, de 12/05/2008, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/01/1992 a 05/08/1997 RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear a restituição de imposto e contribuições extingue se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data em que realizado o pagamento indevido ou a maior que o devido. RESTITUIÇÃO. MOTIVAÇÃO E ELEMENTOS PROBATÓRIOS. Improcedente o pedido de restituição que carece de motivos e de elementos probatórios que, de forma individualizada, explicitem e comprovem a origem dos valores pleiteados, demonstrando a existência de pagamentos indevidos ou maiores que o devido. RESTITUIÇÃO. SISTEMAS INFORMATIZADOS. DA RFB. VALORES DISPONÍVEIS. A existência de valores disponíveis em sistemas da Receita Federal pode decorrer de erro de apuração do tributo devido pela contribuinte, pagamento indevido, preenchimento de DARF utilizando códigos equivocados, erro no preenchimento de declarações, falta de entrega de declarações etc., razão pela qual é incabível a Administração promover qualquer restituição com base nos dados desse sistema. Solicitação indeferida Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário acostado às fls. 600/617 (fls. 1210/1244 do eprocesso), por meio do qual pede que seja deferido o seu pedido de restituição e homologação das compensações apresentadas. É o relatório do que interessa. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/200211 Resolução nº 3301000.191 S3C3T1 Fl. 649 5 VOTO O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto deve ser conhecido. Conforme relatado o contribuinte pediu restituição dos seguintes tributos: 0561 IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado; 0588 IRRF – Rendimento do Trabalho sem Vínculo Empregatício; 1708 IRRF – Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica; 8045 IRRF – Outros Rendimentos; 1097 IPI – Máquinas, Aparelhos e Material de Transporte; e 8109 PIS – Faturamento. Assim dispõe o art. 7º do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, inclui se na competência da Segunda Seção. § 3° Na hipótese do § 1°, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; II Da Segunda Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da Terceira Seção; III Da Terceira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado unicamente de competência dessa Seção. Por sua vez o art. 3º do mesmo anexo II, assim dispõe: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13881.000105/200211 Resolução nº 3301000.191 S3C3T1 Fl. 650 6 (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); (...) Assim, por tratar de discussão que envolve o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em respeito ao disposto no artigo 7º, § 3º, inc. I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22/06/2009, devolvo os presentes autos para distribuição à Segunda Seção de Julgamento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918346/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 46 /2 01 2- 81 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/201281 Acórdão n.º 3801003.493 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/201281 Acórdão n.º 3801003.493 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/201281 Acórdão n.º 3801003.493 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/201281 Acórdão n.º 3801003.493 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918346/201281 Acórdão n.º 3801003.493 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 09/0 7/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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