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Numero do processo: 10680.009278/2004-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998, 1999, 2000
Ementa:
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO - Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, na hipótese de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em consonância com o inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional - CTN.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC - As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109978-2).
EXCLUSÃO INDEVIDA DE RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão.
Numero da decisão: 9101-001.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, dar provimento à arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator) e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto quanto à preliminar o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à reversão de contingência passiva e dar provimento em parte, com retorno à câmara de origem, para exame das matérias não alcançadas pela decadência.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Ad Hoc - Designado para o Voto Vencido
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva (Relator), Plínio Rodrigues de Lima e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, na hipótese de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em consonância com o inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 92 78 /2 00 4- 26 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 3 2 âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). EXCLUSÃO INDEVIDA DE RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, dar provimento à arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator) e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto quanto à preliminar o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à reversão de contingência passiva e dar provimento em parte, com retorno à câmara de origem, para exame das matérias não alcançadas pela decadência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva (Relator), Plínio Rodrigues de Lima e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Fl. 819DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 03/11/2009 (fls. 523), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 04/11/2009, seu Recurso Especial (fls. 527/534), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10709.377, de 27/05/2008 (fls. 513/522) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto, em 02/08/2005, pelo contribuinte Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S/A (fls. 424/460). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), possibilidade excluída pelo atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, exceto para os casos previstos no art. 4º do atual RICARF. Consta dos autos, que contra o contribuinte, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S/A, foi lavrado, em 29/07/2004, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 07/14), com ciência, em 29/07/2004 (fls. 07) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 42.685.331,13, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo referente aos exercícios de 1998 a 2000, correspondentes aos anoscalendário de 1997 a 1999, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÃO INDEVIDA DE "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO": O contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real do anobase de 1998 no valor de R$ 45.050.281,37, em virtude da exclusão do valor referente a "Contribuição Social sobre o Lucro", exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um valor que está sendo revertido do ativo e não é uma efetiva despesa do contribuinte, tudo conforme explicado no item "4 Da escrituração do Ativo fiscal Diferido" do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19/29. Infração capitulada no DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 1°, 3° e 5. 2 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF 1990: O contribuinte produziu reduções indevidas do Lucro Real nos anosbase de 1997, 1998 e 1999, em virtude/de estar excluindo a diferença IPC/BTNF90 em desacordo com a legislação regente do tema (Lei 8.200/91, com alterações do art. 11 da Lei 8.682/93) e com o disposto na sentença exarada pelo Sr. Juiz da 12ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, que lhe permitiu excluir a diferença IPC/BTNF90 da Fl. 820DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 5 4 apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL de uma única vez no exercício de 1995, anobase 1994. Tudo conforme explicado no item "3 – Da ação judicial acerca da diferença IPC/BTNF 1990" do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19/29. Infração capitulada nos arts. 1° e 3°, da Lei n° 8.200, de 1991 com alterações do art. 11 da Lei 8.682, de 1993. 3 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÃO INDEVIDA DE "REVERSÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE CSLL TRIBUTADO EM 1997": O contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real do anobase de 1998 no Lucro Real do anobase de 1998 no valor de R$ 2.140.144,75, em virtude da exclusão do valor referente a "Reversão de Crédito Tributário de CSLL tributado: em 1997", exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um valor que está sendo/revertido do ativo e não é uma efetiva despesa do contribuinte, tudo conforme explicado no item "4 – Da escrituração do Ativo fiscal Diferido" do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19/29. Infração capitulada no DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, 3º e 5º. 4 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÃO INDEVIDA DE “RECEITA PELA REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA”: O contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real no anobase de 1999 no valor de R$ 10.968.459,45, em virtude da exclusão do valor referente a "Receita pela Reversão de Contingência Passiva", exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um valor que está sendo revertido do ativo e não uma efetiva despesa do contribuinte. Infração capitulada no DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 1º, 3° e 5º. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o conteúdo do Auto de Infração através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 29/07/2004 (fls. 19/29). Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 27/08/2004 (fls. 268/290, instruído pelos documentos de fls. 291/313) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, em 04/05/2005, decide julgar procedente em parte o lançamento, mantendo de forma parcial o crédito tributário lançado (fls. 356/419), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do períodobase somente os valores cuja dedução seja expressamente autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do períodobase; BM como os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, não sejam computados no lucro real; que, em qualquer hipótese, o saldo devedor da correção monetária complementar, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença IPC/BTNF poderá ser deduzido na determinação do lucro real em seis anos calendário, a partir de 1993, à razão de 25%, em 1993 e 15% ao ano, de 1994 a 1998; que a propositura pela contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas e impede à apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 6 5 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/07/2005, conforme Termo constante às fls. 420/423, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 02/08/2005, o seu Recurso Voluntário (fls. 424/460), instruído pelos documentos de fls. 461/488, o qual, ao ser apreciado pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10709.377, de 27/05/2008 (fls. 513/522), proferiu, por maioria de votos, a decisão de dar provimento parcial ao recurso, conforme se verifica de sua ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 11999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°., DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO FORMALIZADO APÓS A FLUÊNCIA DO LUSTRO DECADENCIAL. Formalizado o lançamento de oficio em 29/07/2004, não poderia a Receita Federal, validamente, constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 30/06/1997 e 31/12/1998. O fato de ter a Recorrente, apresentado declaração retificadora não interfere na contagem do prazo de decadência, prazo este que, diante de regra expressa (insculpida no art. 150, § 4º, do CTN), iniciase quando se reputa ocorrido o fato imponível. Os prazos de decadência não estão sujeitos a interrupção ou suspensão. EXCLUSÃO INDEVIDA DE “RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA”. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o 'mérito' do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que torna inócua a discussão administrativa. EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF 1990. É de se afastar imposição de dedução integral dos valores de Correção monetária IPC/BTNF no anocalendário de 1994 sendo obrigatória a observância do escalonamento previsto na Lei nº. 8.200/1991, que discriminou, em cada anocalendário, as deduções possíveis. (...) ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para fatos geradores até 31/12/98, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Marcos Vinicius Neder de Lima e Jayme Juarez Grotto e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a parcela referente a receita de reversão de contingência, vencidos os Conselheiros Luiz Martins Valero e Fl. 822DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 7 6 Marcos Vinicius Neder de Lima que excluíam também a diferença IPC/BTN do ano de 1990 e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplente Convocada) que excluía apenas a multa de ofício e por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 03/11/2009, conforme Termo constante às fls. 523, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (04/11/2009), o seu Recurso Especial de fls. 527/534, com amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), combinado com o art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que se insurge a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela então Sétima Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência dos fatos geradores ocorridos em 31/06/1997 e 31/12/1998, bem como excluiu da exigência a parcela referente a receita de reversão de contingência; que a e. Câmara quo aduziu que, aplicandose o art. 150, § , do CTN, haveria transcorrido o prazo decadencial de cinco anos para a lavratura do auto de infração. Assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração, haveria perimido o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, relativo ao fato gerador ocorrido até 31/12/1998. Entendeu que a entrega de declaração retificadora não teria o condão de interferir na contagem do prazo decadencial; que alegou, também, em relação às receitas de reversão de contingência passiva, não ser admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão; que de acordo com o art. 7º, I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais c/c o artigo 4° do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe ao Procurador da Fazenda Nacional, recurso especial de decisão não unânime que contrarie a lei ou a prova dos autos; que a questão posta nos autos, decidida por maioria de votos, vai frontalmente de encontro ao estabelecido no art. 173, inciso I, do CTN, bem como contraria o artigo 6°, §§ 1°, 3° e 5° do DecretoLei n° 1598/77; que, na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; que o entendimento jurisprudencial em que fundamenta o presente recurso, e que foi recente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que o contribuinte apresente a declaração, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4°; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 8 7 que é de se destacar que somente na data da entrega da declaração de rendimentos retificadora, o que se deu em 1999, foi que a Receita Federal tomou conhecimento das indevidas exclusões efetuadas pelo contribuinte na apuração do lucro real e da CSLL; que, logo, foi a partir de 01/01/2000 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) que começou a correr o prazo decadencial para a Fazenda efetuar o lançamento, não havendo, pois, que se falar em decadência da exação, devendo ser mantido o lançamento referente aos períodos de 1997 e 1998; que como bem assentou a decisão da DRJ, somente podem ser excluídos do lucro líquido do períodobase os valores cujas deduções sejam autorizada pela legislação e que não tenham sido computadas na apuração do lucrolíquido do períodobase ou, ainda, quaisquer receitas que não sejam computados no lucro real; que ao excluir valores referentes a receitas pela reversão de contingência passiva, o contribuinte reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL do período; sem base legal para tanto. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 056/2010, de 06/04/2010 (fls. 536/537), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 17/06/2010 (fls. 541), o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 02/07/2010, as contrarrazões de fls. 542/566, instruído pelos documentos de fls. 567/577, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que se constata que a Recorrente não traz nenhum julgado desta eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais para fundamentar o seu pleito recursal, provavelmente porque a jurisprudência desta eg. Câmara seja totalmente desfavorável à aplicação do art. 173, do CTN em casos como o dos presentes autos; que a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconhece que a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (31/12 do anobase); ademais, ainda que se pudesse discutir á aplicação do art. 173, I do CTN nos casos em que não houve pagamento, mas sim a Compensação (também entendida como forma de adimplemento da obrigação tributária), o referido dispositivo legal não poderia ser aplicado ao caso concreto; que, isso porque, conforme admitido pela própria Recorrente, o Recorrido apurou o imposto e efetuou a compensação dos valores apurados com saldo negativo de IRPJ, razão, pela qual não há que se falar em inadimplemento em relação ao pagamento destes tributos; que, assim, verificase que houve a extinção do Crédito tributário, na modalidade prevista no artigo 156, II, do CTN, razão pela qual não haveria que se falar, no presente caso, em ausência de adimplemento da obrigação tributária e, via, de conseqüência, em aplicação do art., 173, I do CTN; Fl. 824DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 9 8 que cumpre salientar que é regra geral de direito que o prazo de decadência não se suspende nem interrompe, e o CTN não traz qualquer previsão legal que permita a reabertura da contagem do prazo decadencial de cinco anos; quando ocorra retificação de declaração de tributos pelo contribuinte; que o Recorrido foi autuado pela exclusão, no cálculo do lucro real do ano calendário de 1999, da receita pela reversão de contingência passiva referente ao "FINSOCIAL", no valor de R$ 10.968.459,45. Tal exclusão, segundo o entendimento da fiscalização, não estaria autorizada pela legislação do Imposto de Renda; que a eg. Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu cancelar, o lançamento quanto à exclusão da reversão de reservas de contingência. Entendeu se, no acórdão recorrido, que “não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento da sua reversão; que, contudo, a Recorrente ignorou completamente o fato de que o procedimento adotado pelo Recorrido evitou a dupla tributação na medida em que ativo de PASEP foi tributado em duplicidade, tanto na sua constituição quanto na reversão; que, em sua peça impugnatória, o Recorrido confessou ter cometido um engano ao efetuar a referida exclusão, engano este que — frisese — não ocasionou qualquer efeito fiscal; tampouco redundou em prejuízo para o Fisco; que o ativo de PASEP foi tributado em duplicidade, tanto na sua constituição quanto na reversão. Por outro lado, o passivo referente ao FINSOCIAL também foi deduzido em duplicidade, tanto na sua constituição quanto na reversão; que notese que o procedimento adotado pelo Recorrido não ocasionou qualquer efeito fiscal, tampouco importou em prejuízo para o Fisco e que vedar tal procedimento consubstanciaria dupla tributação conforme ressaltado na decisão recorrida; que, assim, não há como, acolher a pretensão recursal, tendo em vista o firme entendimento deste eg. Conselho no sentido de afastar a exigência fiscal quando é evidente, como no presente caso, a ausência de prejuízo ao Fisco. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes Moura, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado na condição de Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Fl. 825DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 10 9 Informo que, na condição de Redator Ad Hoc, estritamente transcrevo as razões expostas pelo relator original da decisão. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do Conselheiro José Ricardo da Silva na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Destarte, adoto como base a minuta de acórdão inicialmente apresentada quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em janeiro de 2013, para formalizar o voto do relator. Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 03/11/2009 (fls. 523) e tendo protocolizado o presente apelo em 04/11/2009 (fls. 527/534), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 056/2010, de 06/04/2010 (fls. 536/537), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar que a Fazenda Nacional cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Procurador, já que demonstrou que a decisão foi nãounânime de Câmara, prolatada antes da edição do novo regimento e foi contrária à lei ou à evidência da prova. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório a Fazenda Nacional insurgese contra o acórdão proferido pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência dos fatos geradores ocorridos em 31/06/1997 e 31/12/1998, bem como excluiu da exigência a parcela referente a receita de reversão de contingência. Assim, a presente discussão diz respeito tãosomente no que se refere ao termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos considerados lançamento por homologação e a tributação sobre a receita de reversão de contingência. A discussão sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial tornou se pacifica, já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Dispôs o art.62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 11 10 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 827DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 12 11 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, Fl. 828DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 13 12 conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da Fl. 829DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 14 13 aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 830DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 15 14 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança de Imposto de Renda pessoa Jurídica ocorridos nos anoscalendário de 1997 e 1998, correspondente aos exercícios de 1998 e 1999, respectivamente. Os fatos geradores questionados ocorreram em 30/06/1997 e 31/12/1998. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 16 15 É importante observar , que no que diz respeito ao anocalendário de 1997, o direito de a Fazenda nacional constituir o crédito está decadente por ambas as teses adotadas pelo Superior Tribunal de Justiça. Ou seja, tanto faz se existe pagamento antecipado ou não, já que tanto pelo art. 150, § 4º como pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional o direito de constituir o crédito tributário já se exauriu. Pelo art. 150, § 4º, o prazo fatal ocorreu em 30/06/2002. Pelo art. 173, I, o prazo fatal ocorreu em 31/12/2003. A ciência do lançamento ocorreu 29/07/2004, posterior ao prazo fatal. No que diz respeito ao ano calendário de 1998, entendo que o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este Tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que não houve recolhimento antecipado de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, como restou consignado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica. Notase às fls. 41, que o ajuste pelo lucro real, no anocalendário de 1998, não houve nenhum recolhimento do imposto (apuração de IRPJ = zero). Necessário se observar, que apesar do contribuinte ter compensado base negativa de imposto de renda de pessoa jurídica, nada foi recolhido a título deste imposto. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/01/2000, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/1998. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que não houve pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2004, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 29/07/2004, não está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado para o anocalendário de 1998. Assim sendo, considero que em relação à exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sem pagamento antecipado, aplicase a regra geral de decadência enunciada no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, tendo a Fazenda o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para constituir o crédito tributário. No que diz respeito às receitas de reversão de contingência passiva, que a decisão recorrida entendeu não ser admissível que um crédito de natureza estritamente contábil Fl. 832DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 17 16 seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão é de observar que a acusação da autoridade fiscal lançadora foi no sentido de que o contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real no anobase de 1999 no valor de R$ 10.968.459,45, em virtude da exclusão do valor referente a "Receita pela Reversão de Contingência Passiva", exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um valor que está sendo revertido do ativo e não uma efetiva despesa do contribuinte. Infração capitulada no DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 1º , 3° e 5º. Da análise dos autos não restam dúvidas de que a exclusão de receitas de reversão de contingência passiva constituiu um passivo relativo ao FINSOCIAL, no valor de R$ 9.979.756,64, por ter sido autuado em 1991 pela falta do recolhimento dessa contribuição e junho de 1986 a março de 1990, tendo o referido passivo por contrapartida conta de despesa e o resultado tributário daquele ano. No anocalendário de 1996, atualizou monetariamente o passivo, lançando a despesa correspondente no resultado do exercício. Paralelamente à constituição do passivo do FINSOCIAL, constituiu o contribuinte um ativo referente ao PASEP, no valor de R$ 9.979.756,64, levando em conta a grande possibilidade de êxito em ação judicial que questionava tal contribuição (Ação Ordinária n°. 95.00.213842), na qua1 já havia obtido antecipação de tutela e posteriormente sentença favorável, sendo que o referido ativo teve por contrapartida conta de receita que compôs o resultado tributável do anocalendário de 1995. No anocalendário de 1999, o contribuinte reverteu o passivo correspondente ao FINSOCIAL (R$ 10.968.459,45, corrigido), com base em sentença favorável na ação judicial nº. 9610330, que questionava a exigência do tributo. Ao efetuar a reversão do passivo de FINSOCIAL em 1999, não deveria têlo excluído da base de cálculo da CSLL, posto que em sua constituição (1995 e 1996), ele foi considerado dedutível. Ao efetuar a reversão do ativo de PASEP, o contribuinte também não deveria têla adicionado na base de cálculo da CSLL de 1999, visto que a receita já havia sido tributada quando da sua constituição em 1995 e 1996, sendo portanto o ativo do PASEP tributado em duplicidade. Diante destes fatos, o contribuinte sustenta que o lançamento deveria ser desconstituído, diante da ausência de prejuízo para o fisco, que deveria, de oficio, proceder à compensação do valor tributado indevidamente a título de PASEP com aquele deduzido a título de FINSOCIAL, anulando o efeito fiscal. Assim, correto foi o procedimento do contribuinte, já que quando da constituição das aludidas reservas de contingência (que tiveram por objeto os valores dos créditos titularizados pelo contribuinte), os valores segregados foram oferecidos à tributação, procedendo a Recorrente ao recolhimento do IRPJ e da CSLL correspondente. I Ora, por força de determinação do Banco Central do Brasil (consubstanciada na Circular n°. 2.647/97), viuse o contribuinte obrigada a proceder à reversão das aludidas reservas de contingências e, diante da tributação prévia dos valores, excluiuos do resultado do exercício, sendo correta a afirmação lançada pelo contribuinte no recurso voluntário de que não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 18 17 Assim sendo, correta a decisão recorrida, não merecendo nenhum reparo nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nestas condições, entendo que se faz necessário adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial do Procurador para declarar que o anocalendário de 1998 não foi alcançado pelo prazo decadencial, determinando o retorno dos autos à Câmara recorrida para apreciação das demais matérias recursais relativo ao anocalendário de 1998. (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Adoto, como razões de decidir, o voto do eminente Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, por ocasião do Acórdão de no. 9101;00901, o que transcrevo, a seguir, in verbis: “(...) As questões colocadas à apreciação deste Colegiado dizem respeito ao dies a quo da contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário em face de tributo lançado por homologação, além do cabimento da aplicação de multa isolada decorrente da falta de recolhimento de tributo devido por estimativa, concomitante com a multa de ofício, temas esses recorrentes, porém ainda não pacificados neste forum. (...) Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de Fl. 834DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 19 18 apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 20 19 Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA Fl. 836DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 21 20 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 837DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 22 21 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Fl. 838DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 23 22 Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso Fl. 839DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101001.543 CSRFT1 Fl. 24 23 especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto. (destaques acrescidos) (...)” Diante do exposto, e da inexistência de pagamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com retorno à Câmara a quo para análise das demais questões. È como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 840DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18471.000226/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/11/2005 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PRESSUPOSTOS - LIMITES - OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra qualquer obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo não conhecimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado)
Embargos Rejeitados
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos os embargos foram conhecidos e rejeitados.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Alexandre Kern, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/11/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PRESSUPOSTOS - LIMITES - OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO - INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra qualquer obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo não conhecimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado) Embargos Rejeitados Sem Crédito em Litígio
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Não se vislumbra qualquer obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo não conhecimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado) Embargos Rejeitados Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos os embargos foram conhecidos e rejeitados. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 26 /2 00 8- 95 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Alexandre Kern, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pela d. PGFN, por suposta “obscuridade” no v. Acórdão nº 3402002.084 exarado pela C. 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) em sede de Recurso Voluntário de minha relatoria que, em sessão de 25/03/2014, por unanimidade de votos deu provimento ao recurso “para julgar improcedentes os lançamentos de PIS, da COFINS e respectivos Juros consubstanciados nos Autos de Infração inicialmente referenciados, e incidentes sobre as parcelas relativas às receitas decorrentes de ressarcimentos de créditosprêmio de IPI extemporâneos que, por não representarem entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, tal como pacificamente reconhecido pela Jurisprudência retro mencionada” (votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli e Silvia de Brito Oliveira sendo que o conselheiro João Carlos Cassuli apresentará declaração de voto), aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2005 a 31/12/2006 CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. AÇÃO RESCISÓRIA. Receita de créditoprêmio do IPI reconhecida por força de decisão judicial e posteriormente estornada em virtude de reconhecimento expresso do contribuinte quanto a procedência de ação rescisória e renúncia ao direito de crédito correspondente, não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/11/2005 a 3 1/12/2006 PAF CONCOMITÂNCIA INOCORRÊNCIA Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli e Silvia de Brito Oliveira. O Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.687 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro João Carlos Cassuli apresentará declaração de voto. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).” Entende a ora embargante que teria havido supostos “equívoco”, “omissão”, “obscuridade” e “contradição” no suposto “voto vencedor” do v. Acórdão embargado, de autoria do Cons. João Carlos Cassuli, nos seguintes pontos deduzidos nos declaratórios, tendo em vista que: a) incorreria “em equivoco ao afirmar que o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, pois em nenhum momento a exigibilidade do PIS e da Cofins esteve suspensa por força de decisão judicial”, vez que “o que ocorreu, de fato, foi um lançamento puro e simples, que exigiu os tributos sobre a receita da empresa, referente ao créditoprêmio do IPI reconhecido por decisão judicial transitada em julgado; b) segundo equivoco da Egrégia Turma estria “em afirmar que o TRF2º Regido expressamente conferiu efeitos retroativos (ex tunc) ao acórdão que rescindiu a decisão anterior”, vez que “os alegados efeitos ex tune na verdade, não existem, pois o acórdão dos embargos de declaração da Unido que esclarecia o ponto foi expressamente anulado pelo Egrégio Tribunal, sob a justificativa de que os efeitos (ex male) haviam sido declarados já no julgamento da ação rescisória, sendo que não foi interposto recurso quanto ã essa decisão, o que tornaria a questão preclusa”; c) “a terceira contradição do acórdão embargado” residiria “no fato de que o contribuinte estornou na sua contabilidade apenas os créditosprêmio de IPI após 4/10/1990; porém, a decisão foi pela exclusão total do crédito tributário referente ao PIS e a Cofins incidentes sobre a receita, não obstante o contribuinte ter mantido na contabilidade as receitas dos créditosprêmio do IPI de data anterior a 4/10/1990”, contradição esta que se tornaria “evidente pelo próprio pedido do contribuinte constante da petição de fls. 568/571, na qual informa o estorno e alega fato superveniente”; d) “por fim, o acórdão embargado” teria sido “omisso quanto à análise da competência da esfera administrativa para ‘interpretar’ os efeitos da decisão do Poder Judiciário que homologa o reconhecimento pelo contribuinte de procedência do pedido formulado na ação rescisória, omissão esta que se agravaria “ainda mais quando se constata que a decisão que homologou a renúncia da contribuinte quanto ao créditoprêmio do IPI foi a mesma que declarou a nulidade do acórdão que julgou os embargos de declaração da União que fixava efeitos retroativos a decisão da ação rescisória)”, donde não haveria “clareza, (...), quanto a extensão dos efeitos da decisão que homologa o reconhecimento da procedência do pedido pela contribuinte, ou seja, se ela abrange as compensações já homologadas pela Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Administração Tributária ou apenas aquelas ainda pendentes de análise, sendo que, nesse último caso, não há dúvidas que o créditopremio do IPI constituiria receita para fins de tributação”. Em razão desses fatos, a ora Embargante requer sejam conhecidos os Declaratórios “para sanar as omissões e contradições apontadas e, atribuindo aos aclaratórios efeitos infringentes, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte”. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos, razão pela qual deles conheço e, no mérito não merecem ser acolhidos. Inicialmente esclareçase que, ao contrário do que sustenta a ora embargante, inexiste na r. decisão ora embargada o suposto “voto vencedor” com base em cuja fundamentação deduz os declaratórios, vez que o v. Acórdão unanimemente acolheu as conclusões do Relator no sentido de “DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário,para julgar improcedentes os lançamentos de PIS, da COFINS e respectivos Juros consubstanciados nos Autos de Infração inicialmente referenciados, e incidentes sobre as parcelas relativas às receitas decorrentes de ressarcimentos de créditosprêmio de IPI extemporâneos que, por não representarem entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, tal como pacificamente reconhecido pela Jurisprudência retro mencionada”. Nesse sentido, a súmula do v. Acórdão ora embargado expressamente consigna que “votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli e Silvia de Brito Oliveira” sendo que “o conselheiro João Carlos Cassuli apresentará declaração de voto” na qual expressamente consignou as razões pelas quais acompanhou a referida conclusão, estas últimas objeto dos presentes Embargos. Notese que o próprio autos da “declaração de voto” reitera a unanimidade” da conclusão do v. Acórdão embargado quando ressalta que: “Em face do resultado do julgamento, que por unanimidade de votos, houve por bem em concluir pelo cancelamento dos lançamentos tributários constituídos em desfavor da Recorrente neste Processo Administrativo Tributário, mas que, parte dos Conselheiros entenderam por votar “pelas conclusões” do Ilustre Relator, coubeme a honrosa tarefa de exprimir as razões desta divergência de fundamentos, embora o resultado final seja o mesmo, no sentido de se exonerar o crédito tributário em questão.” Embora integrando o v. Acórdão ora embargado, os supostos “equívoco”, “omissão”, “obscuridade” e “contradição” eventualmente ocorridos na fundamentação expendida em “declaração de voto”, data vênia, por si só, não comprometem a conclusão Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.687 S3C4T2 Fl. 4 5 unânime do v. Acórdão no sentido “DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário,para julgar improcedentes os lançamentos de PIS, da COFINS e respectivos Juros consubstanciados nos Autos de Infração inicialmente referenciados, e incidentes sobre as parcelas relativas às receitas decorrentes de ressarcimentos de créditosprêmio de IPI extemporâneos que, por não representarem entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS”. Se não bastasse, verificase que os supostos vícios apontados na fundamentação da referia “declaração de voto” (cf. alíneas “a” a “d” do relatório), prendemse a fatos relativos a decisão judicial transitada em julgado, totalmente irrelevantes para o deslinde da presente lide, pois como expressamente consignou o Relator em seu voto, cujas conclusões foram unanimemente acolhidas: “... a questão relativa à prejudicial de concomitância foi bem afastada pela própria r. decisão recorrida, eis que o objeto da ação judicial (ressarcimento e compensação de créditoprêmio de IPI) em nada interfere com o objeto da presente ação fiscal que tem por objeto supostas exclusões indevidas das bases de cálculo de PIS e da COFINS no período excogitado”. (...) ... este é o caso dos autos onde se verifica que embora havendo decisão no Mandado de Segurança invocado pela d. Fiscalização, a mesma não versa sobre a exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento (acréscimos moratórios), que não forem objeto da sentença. Superada a questão da concomitância passo ao exame do mérito do recurso que se prende à legitimidade (ou não) de supostas exclusões indevidas das bases de cálculo de PIS e da COFINS no período excogitado. Nesse ponto, o recurso merece provimento, eis que a Jurisprudência desta Corte Administrativa tem reiteradamente proclamado que as parcelas relativas à recuperação de créditos de IPI e ICMS registrados extemporaneamente não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, e não portanto não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas” Mas ainda que assim não fosse, analisando a fundamentação expendida na referida “declaração de voto”, verificase seu d. Prolator à final reiterou a irrelevância da referida ação fiscal no caso, quando conclui que: “(...) Desta forma, ainda que não haja o trânsito em julgado da Ação Rescisória como um todo, quanto aos créditos que foram estornados, nos termos que a diligência acima constatou, é certo que não há nenhuma possibilidade de que futuramente o sujeito passivo possa vir a registrar idênticos créditos em sua Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 escrita, quando já decaído o direito da Fazenda constituir o crédito fiscal. Já há, efetivamente, pleno reconhecimento judicial que não há direito a crédito de exportações realizadas posteriormente a 04 de outubro de 1990. E, tendo havido o estorno dos créditos indevidamente registrados (digo “indevidamente” porque a Rescisória atribuiu efeitos “ab initio” à sentença rescindenda), falecendo de substrato material para sobre ele haver a incidência tributária. Assim sendo, nos termos da fundamentação acima declaradas, votouse pelo cancelamento do lançamento tributário, diante do estorno dos créditos em virtude de reconhecimento expresso do contribuinte quanto a procedência de ação rescisória e renúncia ao direito de crédito correspondente. É a declaração de voto.” Encontrandose devidamente fundamentado com expressa remissão à diligência fiscal e à irrelevância da ação judicial para o caso, inexiste qualquer “equívoco”, “omissão”, “obscuridade” e “contradição” a suprir no v. Acórdão embargado que pudesse comprometer sua fundamentação, pois na analise da questão tal como posta pela instância “a quo”, verificase que a fundamentação da referida “declaração de voto” fornece toda a fundamentação necessária para o exercício do direito de recorrer à superior instância para a reforma do julgado e delimitando claramente os termos da lide, sendo certo que como já assentou o E. STJ “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos.”. (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045 / RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). Assim, não se vislumra a existência de qualquer contradição, omissão ou obscuridade a sanar, em decisão que, na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pela reforma da r. decisão recorrida, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador, donde os Declaratórios apresentam caráter nitidamente infringente, razão pela qual nesta matéria devem ser rejeitados, tal como proclamado pela Jurisprudência Administrativa e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, quando não demonstrados os pressupostos do art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ante a inexistência de dúvida, contradição ou necessidade de suprir omissão constante do julgado recorrido. EMBARGOS DECLARATÓRIOS LIMITES Não pode ser conhecido o pedido do sujeito passivo na parte que, a pretexto de retificar o acórdão, pretende substituir a decisão recorrida por outra, com revisão do mérito do julgado. Embargos de declaração rejeitados.” (cf. Acórdão 10805339, Rec. nº 114572, Proc. nº 10935.000705/9628 , em sessão de 22/09/1998, Rel. Cons. Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho) Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.687 S3C4T2 Fl. 5 7 Isto voto no sentido de conhecer e negar provimento aos Embargos declaratórios. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2015 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10283.003216/2002-21
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1992 a 28/02/1996
Ementa:
PIS - DECADÊNCIA. Pleito de restituição formalizado anteriormente à edição da Lei Complementar nº118/2005 alcança fatos geradores ocorridos há dez anos. Art. 62-A do RICARF. Recurso provido.
Numero da decisão: 9900-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Pleito de restituição formalizado anteriormente à edição da Lei Complementar nº118/2005 alcança fatos geradores ocorridos há dez anos. Art. 62A do RICARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 32 16 /2 00 2- 21 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (VicePresidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Relatório Em Recurso Extraordinário, fls. 340/351, admitido pelo Despacho nº 7100.00.033 proferido pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 404/405), datado de 05.05.2014, insurge a contribuinte contra o Acórdão 0203.806 (fls. 284/286)), que negou provimento ao seu Recurso Especial. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 28/02/1996 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, para pedidos de restituição da contribuição ao PIS recolhida a maior com base nos Decretos Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e devida com base na Lei Complementar n° 7/70, contase a partir da data do ato que definitivamente reconheceu ao contribuinte o direito à restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 09/10/95, extinguindose, portanto, em 10/10/2000. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Contra o julgado acima colacionado, interpôs a Contribuinte Recurso Extraordinário com fulcro no art. 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.003216/200221 Acórdão n.º 9900000.965 CSRFPL Fl. 416 3 Recursos Fiscais. Para tanto, utiliza como paradigma os Acórdãos 930301.747, 930301753, os quais julga fundamentarem seu apelo. Defende que o prazo prescricional para pleitear a restituição ou compensação de tributo recolhido a maior ou indevidamente com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 é de cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos mais cinco anos da homologação tácita (tese dos 5+5), consoante decisão já pacificada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 566.621, de relatoria da Min. Ellen Gracie, que inclusive já vem sendo observado pelo CARF por força do art. 62A do RICARF. Requer o provimento do Recurso Extraordinário e o deferimento integral dos PER/DCOMPs realizados em decorrência deste crédito. A Fazenda Nacional tomou conhecimento do Recurso Extraordinário da contribuinte, contudo, preferiu não se manifestar (fl. 407). É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade dele tomo conhecimento. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a título de PIS, pagos na forma do exigido pelos Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi formulado em 09.04.2002 para os período de apuração correspondente a 04/1192 a 02/1996. Assim sendo o período buscado no pedido de restituição está compreendido no prazo de dez anos correspondente a cinco anos de decadência para homologação do lançamento acrescidos de cinco anos de prescrição para a propositura do pleito que se deu anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, na conformidade do adotado pelo Poder Judiciário a exemplo do Resp 1.002.932SP da Relatoria do Ministro Luiz Fux. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento a este Recurso Extraordinário. Sala das Sessões, 9 de dezembro de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA – Relator. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10840.002677/2001-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1996 a 31/03/2001
Ementa:
COFINS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO. INOBSERVÂNCIA. INCIDÊNCIA DA COFINS. Cabe a Cooperativa a identificação de suas receitas, haja vista o benefício fiscal conferido no artigo 87 da Lei nº 5.764/71, especialmente, às receitas típicas, isto é, provenientes de atos cooperados. Caso o contribuinte não promova a contabilização em separado de suas operações de forma a possibilitar a inequívoca identificação e quantificação de receitas relativas a atos cooperativos porventura realizados, sujeitam-se tais receitas à incidência da COFINS.
ATOS NÃO-COOPERATIVOS. Considera-se atos não cooperativos os contratos de plano de saúde e aqueles praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltar-lhes requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocial, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: NANCI GAMA
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CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO. INOBSERVÂNCIA. INCIDÊNCIA DA COFINS. “Cabe a Cooperativa a identificação de suas receitas, haja vista o benefício fiscal conferido no artigo 87 da Lei nº 5.764/71, especialmente, às receitas típicas, isto é, provenientes de atos cooperados. Caso o contribuinte não promova a contabilização em separado de suas operações de forma a possibilitar a inequívoca identificação e quantificação de receitas relativas a atos cooperativos porventura realizados, sujeitamse tais receitas à incidência da COFINS. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. Considerase atos não cooperativos os contratos de plano de saúde e aqueles praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltar lhes requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocial, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos.” Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 26 77 /2 00 1- 33 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002677/200133 Acórdão n.º 9303003.269 CSRFT3 Fl. 636 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em face do Acórdão 20214.840 proferido pela extinta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário para manter a exigência da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela respectiva Cooperativa Médica, nos termos sintetizados na seguinte ementa: “COFINS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO. INOBSERVÂNCIA. INCIDÊNCIA DA COFINS. Caso o contribuinte não promova a contabilização em separado de suas operações de forma a possibilitar a inequívoca identificação e quantificação de receitas relativas a atos cooperativos porventura realizados, sujeitamse tais receitas à incidência da COFINS. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. Considerase atos não cooperativos os contratos de plano de saúde e aqueles praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltarlhes requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocial, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos. Recurso Negado.” Inconformado com referida decisão, o contribuinte interpôs o seu recurso especial sustentando que a fiscalização, ao tributar a totalidade de suas receitas, descaracterizoua como cooperativa de trabalho, o que não pode prevalecer, citando a seu favor, e como entendimento divergente a sustentar o seu recurso, os seguintes acórdãos, cujas ementas encontramse assim redigidas: “IRPJ/CSL/COFINS/PISSOCIEDADES COOPERATIVAS – COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS – A prática, mesmo habitual, de atos não cooperativos diferentes daqueles previstos nos artigos 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71 não autoriza a descaracterização da sociedade cooperativa. A Secretaria da Receita Federal não tem competência para fiscalizar o cumprimento, pelas sociedades cooperativas, das norma próprias desse tipo societário, com o fim de descaracterizála. Não prevalece o lançamento fundado exclusivamente na descaracterização da cooperativa.” (Processo nº 11065.002401/9753) "COOPERATIVA DE SERVIÇO MÉDICOS DESCARACTERIZAÇÃO Não cabe aos agentes da Receita Federal a descaracterização da sociedade cooperativa, para, a Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002677/200133 Acórdão n.º 9303003.269 CSRFT3 Fl. 637 3 partir daí, tributar todo seu resultado, se resta claro que a sociedade também praticou atos cooperados, abrigados pela não incidência do imposto de renda.” (Processo nº 10435.001798/0042) "IRPJ ATOS NÃO COOPERADOS TRIBUTAÇÃO – A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, podese lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos". Com base nas ementas acima, segundo o contribuinte, “a decisão recorrida contrariou os julgados acima transcritos, na medida em que descaracterizou a Recorrente como cooperativa e tributou a totalidade de sua receita, como se não houvesse a prática de algum ato cooperativo”. Aponta ainda que, mesmo que fosse devido o tributo, a apuração do montante a ser tributado deveria ser mensurada pela fiscalização, e não pela Recorrente, de acordo como entendimento consignado no acórdão do Processo nº 10435.0011798/0042, segundo o qual: "IRPJ ATOS NÃO COOPERADOS – TRIBUTAÇÃO A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre o resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, podese lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos.” Aponta que a decisão acima afronta o entendimento do acórdão recorrido da lavra da Conselheira Nayra Bastos Manatta, que assim expôs em seu voto: "Incumbiria à sociedade cooperativa a competente escrituração de suas contas, de modo a possibilitar a perfeita identificação daquilo que decorre de atos cooperativos ou não. Consequentemente, não atendendo ao requisito da segregação de receitas, custos e despesas, impossibilitando o inequívoco reconhecimento por parte do Fisco da prática de atos cooperativo a acepção da lei, sujeitarseia a sociedade à incidência fiscal sobre a totalidade das receitas auferidas, uma vez que não se pode usufruir de benefício fiscal por mera presenção de prática de atos privilegiados.” O recurso especial foi admitido conforme o seguinte despacho: “De acordo com a Informação de fls. 596/598, que aprovo, dou seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo quanto à tributação da totalidade das receitas auferidas pela empresa, alcançando atos cooperativos e não cooperativos, na hipótese de inexistência de segregação das operações realizadas. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002677/200133 Acórdão n.º 9303003.269 CSRFT3 Fl. 638 4 Encaminhese o processo à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para apresentação de contrarazões ao recurso especial, nos termos do § 1 do artigo 34 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Anexo II), aprovado pela Portaria MF 55, de 16.03.1998.” Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, eis que presentes os requisitos para sua admissibilidade. A questão em exame cingese ao fato da totalidade das receitas da Recorrente terem sido objeto de autuação fiscal em matéria de Cofins, em razão da mesma não segregar as receitas provenientes de atos cooperados com as de não cooperados, não obstante a existência das últimas e portanto sujeitas a tributação. Com efeito, vale transcrever trechos do recurso especial do contribuinte em exame, onde o mesmo sustenta a sua irresignação com o acórdão recorrido, nos seguintes termos: “Segundo o Auto de Infração, a Recorrente, ao contratar serviços de credenciados, dentre eles Clínicas de Fisioterapia, Laboratórios, Psicólogos, etc., praticou atos não cooperativos, e por conseqüência, incidiu nas tributações de COFINS, PIS, Imposto de Renda e Contribuição Social de Lucro Real. Além disso, o Sr. Fiscal entendeu que, como a escrituração da Recorrente não segrega as receitas e despesas segundo sua origem (atos cooperados e não cooperativos), tornase impossível a determinação das importâncias alcançadas pela não incidência tributária, motivo pelo qual, estabeleceu que a tributação objeto do referido Auto deve incidir sobre a totalidade das receitas. Portanto, a fiscalização descaracterizou a Recorrente como Cooperativa e, afastando a não incidência dos tributos aplicou Auto de Infração, determinando os respectivos recolhimentos sobre a totalidade das receitas, envolvendo atos cooperativos e não cooperativos, como se fosse uma sociedade mercantil e não cooperativa de trabalho, tendo a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes negado provimento ao Recurso interposto pela Recorrente. Esta é a síntese dos fatos e dos autos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002677/200133 Acórdão n.º 9303003.269 CSRFT3 Fl. 639 5 Contudo, referida decisão não pode ser mantida, devendo ser reformada por esta Colenda Câmara. A decisão recorrida contrariou o posicionamento já pacificado pelos Conselhos de Contribuintes, em especial, os julgamentos dos processos abaixo relacionados, onde se demonstra o dissídio. Manteve a decisão recorrida, a descaracterização da cooperativa, fundamentando que a mesma não segregou as receitas relativas aos Atos Cooperativos e não Cooperativos, de maneira que, a tributação deve alcançar toda receita da Recorrente.” Cita julgados, cuja ementa já se encontra transcritas no relatório e continua: “(...) os Auditores Fiscais não poderiam ter descaracterizado a Recorrente e tributado a integralidade de suas receitas. Ainda que devido qualquer tributo, apenas a título de argumentação, deveriam os Auditores Fiscais terem, a partir da contabilidade mantida pela Recorrente, determinado a parcela efetivamente sujeita a tributação. Contudo, assim não o fizeram, porque entenderam mais cômodo descaracterizar a cooperativa e tributar a integralidade de suas receitas, onde, para uma cooperativa que atua em uma pequena cidade interiorana, com cerca de 50.000 habitantes, chegaram a um Auto de Infração exorbitante, no montante total aproximado de R$ 2.000.000,00, o que é lamentável. Assim, a decisão recorrida contrariou os julgados acima transcritos, na medida em que descaracterizou a Recorrente como cooperativa e tributou a totalidade de sua receita, como se não houvesse a prática de algum ato cooperativo. O segundo aspecto é que, mesmo que fosse devido qualquer tributo, o que também se admite apenas como argumentação, à apuração do montante, a ser tributado deve ser feita pela Fiscalização, e não pela Recorrente. O julgado supra mencionado, ocorrido nos autos do processo número 10435.0011798/0042, assim determina: ‘IRPJ ATOS NÃO COOPERADOS – TRIBUTAÇÃO. A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre o resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser o identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, podese lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos.’ Concluise assim que, entendendo que a Recorrente deveria ser tributada, os Srs. Auditores Fiscais deveriam, como já frisado pela decisão proferida no processo no. 104350011798/0042, já transcrita, ter apurado a base de cálculo, lançando mão de Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002677/200133 Acórdão n.º 9303003.269 CSRFT3 Fl. 640 6 critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos. Em resumo, claramente demonstrado o dissídio jurisprudencial, entre o julgado destes autos e vários outros acima mencionados, sendo de rigor o processamento do presente Recurso Especial, com seu total provimento, posto que, irregular a descaracterização da Recorrente como cooperativa e a tributação de toda sua receita. Assim, requer a esta Colenda Câmara seja processado e acolhido o presente Recurso, para o fim de dar provimento, reformando a decisão recorrida, declarando a insubsistência da autuação, com o cancelamento da multa e os conseqüentes lançamentos, arquivandose o processo, por ser medida de cristalina Justiça.” Como se pode perceber, no recurso especial em exame não se discute o conceito de ato cooperado ou não, mas somente a insubsistência do lançamento, em razão da descaracterização da cooperativa em reflexo ao fato de sua receita ter sido tributada em sua integralidade, e que a não segregação das receitas por parte do contribuinte impunha a fiscalização o dever de apurar a base de cálculo e aplicar, se necessário, o critério da proporcionalidade. Não hesitaria acolher as razões do Recorrente se o mesmo não tivesse no decorrer do procedimento fiscal negado veementemente a prática de atos não cooperados e, por conseguinte, defendido a não segregação de suas receitas. Como fundamentado no acórdão recorrido, caberia à Recorrente a identificação de suas receitas, haja vista o benefício fiscal conferido as Cooperativas, conforme determinado no artigo 87 da Lei nº 5.764/71, especialmente, às receitas típicas, isto é, provenientes de atos cooperados. Não entendo também, por conseguinte, que no caso em exame houve descaracterização da Recorrente como cooperativa, notadamente em vista dos procedimentos, intimações, dirigidas a Recorrente ao longo do levantamento fiscal. É de fácil compreensão, ao examinar o atos antecedentes a lavratura do auto de infração, que a não segregação das receitas, aliada aos esclarecimentos prestados pela Recorrente, no sentido de que toda a sua receita advinha de atos cooperados, e que motivou a autuação sobre a integralidade da receita, e não por não entendêla como cooperativa. Não se nega a necessidade de eventual prática de atos ditos não cooperados para atendimento do objetivo de própria cooperativa, mas o que se verifica e que nem todos são isentos de tributação. Ante o exposto, voto por conhecer o recurso especial e no mérito por negar lhe provimento, É como voto. Nanci Gama Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10875.907955/2009-09
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ELETROMECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 55 /2 00 9- 09 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Campinas: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório já fora integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, confessado em DCTF. Notificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o direito creditório aproveitado referese à contribuição paga sobre o ICMS levado à base de cálculo da contribuição. Argui que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Por se tratar de mero ingresso financeiro que será posteriormente destinado ao Fisco Estadual, o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. Lembra que o alargamento da base de cálculo da contribuição nos termos de §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1988, foi repelido pelo Supremo Tribunal Federal e que o mesmo Tribunal vem decidindo contra a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais. Postula, por fim, a atualização monetária do direito creditório. Analisando o pleito, a DRJ em Campinas entendeu por bem não reconhecer o direito creditório, nos seguintes termos: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e do montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 5 4 para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Em face da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade, e juntando, aos autos, toda documentação contábil que comprova a inclusão, na base de cálculo da contribuição em tela, do ICMS incidente em suas operações. Esses os fatos. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como exposto alhures, tratase de contribuinte que pleiteia o aproveitamento de direito creditório decorrente da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, o que teria, assim, resultado em recolhimento indevido a maior de tais contribuições. Tal discussão não é nova. Fulcrase no fato de que o artigo 195 da Constituição Federal elegeu como hipótese de incidência dessas duas Contribuições, inicialmente, o seu faturamento bruto, e, posteriormente, os ingressos de receitas (operacionais ou não operacionais), sendo que tais conceitos sempre estiveram ligados às riquezas próprias que se incorporam ao patrimônio do contribuinte. Nesse passo, o ICMS, tributo de competência dos EstadosMembros e do Distrito Federal, não pode integrar o faturamento ou a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, pois estes são apenas instrumentos de arrecadação (o ICMS é tributo indireto; o valor destacado na Nota Fiscal correspondente é integralmente repassado ao Estado). Nada obstante, inexiste na legislação sobre a matéria qualquer previsão que autorize a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Porém, reportandose ao preceito do artigo 110 do CTN, no sentido de que os conceitos e institutos utilizados pela CF/88 devem, sempre, ser interpretados conforme o seu sentido técnico; notadamente no caso daqueles oriundos do direito privado, ou seja, o seu sentido deve, sempre, seguir o que lhe empresta a própria norma do direito privado.Portanto, a fonte de custeio "receita bruta" significa que as Contribuições serão calculadas sobre valores que devem ingressar no patrimônio do contribuinte, agregandolhe riqueza. Destarte, característica essencial para a conceituação de receita é que deve haver o ingresso de importância que integra, como riqueza nova, o patrimônio do contribuinte, o qual adquire sua titularidade. A receita gera, portanto, efeito no patrimônio do contribuinte, de sorte a representar riqueza por ele auferida. Nesse passo, o simples registro na contabilidade da empresa da entrada de determinada importância, não a transforma em receita. Assim, as importâncias destacadas pelo contribuinte a título de ICMS nas respectivas notas fiscais/faturas não ingressam em seu patrimônio, já que perfazem valores constitucionalmente dirigidos aos entes tributantes competentes, sendo objeto de escrituração contábil para posterior destinação aos cofres públicos estaduais, não estando apto, pois, a integrar o aspecto material e quantitativo da Contribuição para o PIS e da COFINS. Esta é a conclusão do respeitadíssimo Professor Roque Antônio Carrazza sobre o tema. Confirase: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 7 6 “(...) a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS leva ao inaceitável entendimento de que os sujeitos passivos destes tributos “faturam ICMS”. A toda evidência, eles não fazem isto. Enquanto o ICMS circula por suas contabilidades, eles apenas obtêm ingressos de caixa, que não lhes pertencem, isto é, não se incorporam a seus patrimônios, até porque destinados aos cofres públicos estaduais ou do Distrito Federal”. (CARRAZZA, Roque Antônio. ICMS. 15ª edição, revista ampliada, até a EC 67/2011, e de acordo com a Lei Complementar 87/1196, com suas ulteriores modificações. São Paulo: Malheiros, 2001. Pág. 636) Portanto, consistindo o ICMS em valor de titularidade do Estadomembro e não do contribuinte, não se enquadra no conceito de faturamento ou receita, já que ausente a característica de ingresso definitivo a incrementar o patrimônio da Recorrente, motivo pelo qual não deve ser incluído na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Imperioso destacar que a tese sustentada pela Recorrente chegou ao colendo Supremo Tribunal Federal em novembro de 1998, por meio do Recurso Extraordinário nº 240.785. Iniciado o julgamento em 1999, durante o trâmite do recurso, foram computados 6 votos favoráveis aos contribuintes e 1 contrário. Finalmente, no dia 08 de outubro de 2014, concluiuse o julgamento do referido RE 240.785, tendo os Ministros, por maioria, dado provimento ao recurso do contribuinte, garantindo a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Vale ressaltar trecho do voto do Min. Relator Marco Aurélio: “Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional, revelador da incidência sobre o faturamento. Este decorre, em si, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por tal motivo, o que percebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo.” Ainda que a mencionada decisão tenha efeito apenas entre as partes litigantes, é cediço que a jurisprudência pátria adotou o critério técnicojurídico para interpretar os preceitos constitucionais em matéria tributária, privilegiando os conceitos impostos pela CF/88 segundo os institutos de direito privado. Assim, de acordo com o mencionado julgado proferido pela Corte Suprema, a melhor interpretação da norma que rege a incidência do PIS e da COFINS deve ser realizada em conformidade com a Constituição, devendose interpretala de modo a não admitir, na base de cálculo de tais contribuições, a inclusão do ICMS. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 8 7 O próprio Superior Tribunal de Justiça, que já possuía Súmula em sentido contrário, curvouse à interpretação da norma tributária conforme a Constituição, tendo a sua Primeira Turma, em decisão proferida no Ag no REsp 593.627, seguido a orientação da Suprema Corte, e determinado a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse diapasão, não se trata de afastar normas do PIS e da COFINS por suposta inconstitucionalidade, mas de compreender a real natureza do conceito "legal" de receita, de faturamento e do ICMS, tomando como norte a literalidade que deriva do art. 110 do CTN. Dessa forma, seguindo a orientação da Suprema Corte, entendo por bem que a melhor interpretação a ser conferida à legislação que rege o PIS e a COFINS é aquela que interpreta o conceito de receita de forma a não admitir, em sua composição, os valores relativos ao ICMS. Por essas razões, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório da Recorrente. Considerando a documentação contábil fiscal apresentada nos autos, determino que o direito creditório deve observar os limites ora consignados, ou seja, deve cuidar para se limitar ao equivalente à parcela relativa à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição em comento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. Relatora, ouso dela discordar. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907955/200909 Acórdão n.º 3801005.251 S3TE01 Fl. 10 9 Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Quanto a mencionada decisão proferida no RE nº 240.7852/MG, conforme lembrou a Relatora o seu efeito se dá apenas entre as partes litigantes, inexistindo decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, que obriguem a sua reprodução pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF nos termos do caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Assim, não comprovado o direito creditório pleiteado, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.008992/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9303-003.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos (Substituta convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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CEARENSE DE CIMENTO PORTLAND ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado por falta de amparo fático o auto de infração que toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos (Substituta convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 89 92 /2 00 2- 91 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 126 a 147) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 100 a 104) que, por unanimidade de votos, anulou o processo ab initio. O lançamento consubstanciado no auto de infração eletrônico de fls. 25 a 29 diz respeito a crédito tributário relativo à Cofins, referente ao período de apuração de 01/05/1998 a 31/12/1998, sob o fundamento de haver a empresa declarado na DCTF compensação sem Darf, com a seguinte descrição: "Comp s/ DARFreten órg públ PJU" cujo processo judicial não foi comprovado. A contribuinte contestou o lançamento por meio de impugnação apresentada em 08/07/2002, tendo posteriormente, em 13/10/2004, apresentado adendo à mesma identificando o processo judicial em que se arrimou para realizar a compensação, alegando a existência, à época, de liminar em mandado de segurança nos autos de nº 98.00091432. Informou, ainda, que em 06/11/2003 sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal TRF 5 Região, na referida ação, transitou em julgado, consoante Certidão de Objeto e Pé de fls. 63/64. A sentença reconheceu o direito da impetrante em promover a compensação dos créditos do PIS, atualizados monetariamente inclusive com expurgos, com débitos da Cofins, CSLL e o próprio PIS. O lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, decisão esta revista pela Colenda Turma a quo, que decidiu pela nulidade do auto de infração. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 Ementa: COMPENSAÇÃO DE PIS COM COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. Os créditos a favor do contribuinte, e respectiva compensação, que tenham sido reconhecidos e autorizados judicialmente só são passíveis de lançamento de ofício se no procedimento fiscal, visando a sua expressa homologação, restar comprovado que a compensação não foi realizada em data anterior ao início do referido procedimento ou que os créditos são insuficientes para extinguir os débitos fiscais apurados. Cientificado da decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração ao Acórdão nº 202 18.179, que foram rejeitados. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.008992/200291 Acórdão n.º 9303003.226 CSRFT3 Fl. 241 3 Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, ao qual, consoante despacho do presidente da câmara Recorrida, foi negado seguimento. Em reexame da admissibilidade, o Presidente da Câmara da Superior de Recursos Fiscais entendeu restar configurada a divergência quanto a matéria, qual seja a nulidade do auto de infração lavrado em face de compensação autorizada em decisão judicial. Afirma que: [...] no acórdão citado como paradigma, 20312.427, a matéria enfrentada foi exatamente a mesma, qual seja, lavratura de auto de infração com base em informações prestadas em DCTF, em razão dc a fiscalização não ter encontrado o processo judicial alegado pelo contribuinte, mas que, posteriormente, foi comprovado. Todavia, no paradigma, a decisão foi justamente por manter a exigência, por entender não ter existido qualquer vício no lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico que promoveu a constituição de crédito tributário de Cofins em relação a fatos geradores ocorridos entre maio e dezembro de 1998. A contribuinte informou em DCTF ter procedido com a compensação destes débitos com créditos decorrentes do processo judicial nº 98.00091432. O auto de infração informa que os créditos não foram confirmados, indicando, de forma genérica, a ocorrência de “Proc jud não comprovado”. Do exposto, constatase que a autuação tem por única motivação a não comprovação da ação judicial nº 98.00091432, informada pela recorrente em sua DCTF. Observase, contudo, que a recorrente trouxe aos autos provas de que, efetivamente, ingressou junto ao Poder Judiciário com a ação judicial nº 98.00091432, comprovando, portanto, a existência da ação. Desta forma, mostrase incorreto o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Como consequência, em não tendo sido constatada a situação que fundamenta o presente lançamento, o mesmo deve ser cancelado, exonerando o crédito tributário nele exigido. Neste mesmo sentido, precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como a decisão cuja ementa se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ” e “proc inexist no Profisc”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. (Ac. 9303 001.700, 3ª Turma, sessão de 05/10/11, relator Rodrigo Cardozo Miranda) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. Joel Miyazaki Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002029/2004-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõe-se a glosa dos valores. A contrário senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas.
MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES
Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõe-se o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos.
DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE.
Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados.
COLHEITA
Os serviços necessários à colheita da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte.
COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO.
O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação.
DESPESAS ADUANEIRAS.
A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor não admite extensão para além dessas duas hipóteses. Assim, não são passíveis de gerar credito os gastos inerentes ao despacho de exportação ou despesas portuárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.970
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar os créditos decorrentes de despesas com mão-de-obra terceirizada, empregada na extração de madeira e devidamente documentada em nota fiscal idônea
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõe-se a glosa dos valores. A contrário senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas. MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõe-se o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos. DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE. Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados. COLHEITA Os serviços necessários à colheita da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO. O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação. DESPESAS ADUANEIRAS. A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor não admite extensão para além dessas duas hipóteses. Assim, não são passíveis de gerar credito os gastos inerentes ao despacho de exportação ou despesas portuárias. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 287 1 286 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002029/200446 Recurso nº 507.007 Voluntário Acórdão nº 310200.970 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de abril de 2011 Matéria Cofins Compensação Recorrente JN TIMBER EXPORTACAO E IMPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõese a glosa dos valores. A contrário senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas. MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõese o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos. DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE. Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados. COLHEITA Os serviços necessários à colheita da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO. O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação. DESPESAS ADUANEIRAS. A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor não admite extensão para além dessas duas hipóteses. Assim, não são passíveis de gerar credito os gastos inerentes ao despacho de exportação ou despesas portuárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar os créditos decorrentes de despesas com mãodeobra terceirizada, empregada na extração de madeira e devidamente documentada em nota fiscal idônea (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em desfavor do Acórdão 10 21.130 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme consta do relatório de verificação às fls. 112 a 115, a Autoridade Fiscal, após análise da escrita do sujeito passivo e dos comprovantes apresentados, rejeitou os créditos baseados nas seguintes aquisições: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002029/200446 Acórdão n.º 310200.970 S3C1T2 Fl. 288 3 a) a) Gasolina, óleo diesel e lubrificantes diversos: face à não segregação entre o consumo atrelado ao processo produtivo e aquele destinado transporte de empregados e diretores a serviço; b) Partes e peças diversas, glosadas com base nos seguintes fundamentos: Representariam itens que não se incorporariam ao processo produtivo (rolamentos, retentores, arruelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, dentre outros); Representariam itens sujeitos a desgaste por ação direta, mas que não poderiam ser considerados em face da ausência de segregação entre o processo produtivo objeto do presente processo e outras atividades desempenhadas pela recorrente (construção civil); Parte dos documentos que respaldariam esses créditos estariam ilegíveis e, consequentemente, não permitiriam a identificação dos itens adquiridos ou representariam nota fiscal de venda a consumidor, que não trazem em seus elementos a exata identificação do adquirente; Referemse a aquisições de pessoas físicas, incapazes de gerar crédito em face da vedação expressa do § 3º do art. 3º, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; c) Despesas “aduaneiras” (armazenagem, serviços extraordinários de despacho de madeira, consolidação de contêineres, despesas “infraport” e de operações portuárias, taxas de liberação de BL, despachos e THC, bem como recepção e expedição de madeira). Aduz a autoridade fiscal que a legislação de regência não admite o creditamento calculado sobre tais despesas, com exceção da armazenagem suportada pelo vendedor (art. 3°, IX da Lei n° 10.833, de 2003) e, ainda assim, se não disser respeito a produtos exportados por empresa comercial exportadora (§ 4°, do art. 6° da Lei n° 10.833, de 2003). Sustenta, por outro lado, que, a partir do cotejamento dos Códigos Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) lançados nas notas fiscais de aquisição, seria possível apurar que o estabelecimento matriz da Recorrente, além da sua filial situada em Itajaí atuaram preponderantemente como empresa comercial exportadora. Assim, não foram admitidos os créditos escorados em notas fiscais de despesas de armazenagem emitidas contra a matriz, bem assim as despesas portuárias lançadas na contabilidade daquele mesmo estabelecimento e, finalmente, os valores referentes a aluguel lançado em conta de despesa da filial Itajaí. d) Ausência de comprovação da vinculação dos serviços ao processo produtivo Serviços contabilizados nos CFOP relativos à aquisição de serviços de industrialização por encomenda e “outros serviços” foram alvo de glosa em razão dos seguintes fundamentos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Ausência de identificação do serviço prestado (nota fiscal nº 8, expedida por Miguel Tramontin); Impossibilidade de verificação da efetiva prestação dos serviços, em face dos instrumentos contratuais não se encontrarem registrados em cartório de títulos e documentos; Ausência de “pertinência com a situação fática”. Segundo a Autoridade Fiscal, os contratos diriam respeito à “serviço temporário” e a contribuinte atestaria que não contratara trabalhadores temporários, nem teria conhecimento da sua contratação pelas pessoas jurídicas responsáveis pela execução dos serviços. Ausência de comprovantes do recebimento dos produtos provenientes da prestação de serviços ou de ordens de serviço: Segundo consta do Relatório Fiscal, a Contribuinte teria informado que, após a emissão da nota fiscal, as anotações relativas às toras extraídas, os registros relativos ao seu recebimento eram descartados e que, por tal motivo, não mais possuiria tais comprovantes em seus arquivos; Consignouse, ainda, que os documentos relativos ao serviço de extração de madeira não informam a quantidade extraída, razão pela qual não seria possível aferir a efetiva prestação de serviço e a consequente destinação comercial da madeira. Impossibilidade de segregação dos custos associados à extração de madeiras daqueles associados à manutenção de florestas e a reflorestamento: Na medida em que os primeiros dispêndios poderiam ser computados como insumos e os últimos deveriam ser alvo de contabilização no Ativo Imobilizado, na conta “reflorestamento” ou na conta "benfeitorias em propriedades de terceiros”. Consta do Relatório Fiscal a informação de que, segundo a Contribuinte as operações de “roçadas” representariam entre 15 e 20% do total; Falha documental: Os documentos emitidos por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antonio Pereira e Cia Ltda. não preencheriam formalidades extrínsecas, uma vez que não conteriam a inscrição “Nota Fiscal”. No que se refere aos documentos expedidos pela pessoa jurídica Manoel Antônio Pereira e Cia, foi ainda anotada a ausência do número de inscrição no CNPJ. Devidamente intimado, compareceu a Contribuinte ao processo para, em sede de Manifestação de Inconformidade, contestar as glosas nos seguintes termos: a) Combustíveis e lubrificantes: Diferentemente do alegado, a resposta apresentada em 13 de outubro de 2008 informara o destino dos combustíveis, mas suas razões teriam sido ignoradas. Elenca as máquinas utilizadas, seu emprego no processo produtivo, bem assim o tipo de combustível e lubrificante relativo a cada uma delas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002029/200446 Acórdão n.º 310200.970 S3C1T2 Fl. 289 5 Questiona, ademais, a glosa integral em razão de que os insumos utilizados nos veículos de transporte seriam mínimos, se comparados com os efetivamente utilizados no processo produtivo. b) Partes e peças: As partes e peças seriam insumos para fins de apuração do crédito de PIS/Cofins. As instruções normativas que embasaram a ação fiscal seriam manifestamente ilegais, pois impõem restrições não previstas em lei, que permitiria o desconto de créditos atrelados a bens e serviços que desempenhariam o papel de insumo. Sustenta que o conceito de insumo, para efeito de apuração de crédito de IPI é diferente daquele aplicável ao PIS e à Cofins, atrelado à totalidade das receitas auferidas que, para serem obtidas, exigiriam a assunção de custos e despesas. Cita doutrina que respaldaria tal pretensão. Assim, as partes e peças glosadas (rolamentos, retentores, arruelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, pregos), seriam itens obrigatórios e essenciais, para a consecução de sua atividade e, consequentemente, não poderiam ser considerados como dissociados da atividade produtiva. Tece considerações acerca da desoneração do processo produtivo perseguida pela não cumulatividade. c) Despesas aduaneiras: Assim como o item anterior, as despesas aduaneiras (serviços extraordinários de despacho de madeira, consolidação de contêineres, despesas infraport e de operações portuárias, reembolso de uso telefônico, taxas de liberação de BL, despachos e THC, bem como recepção e expedição de madeira) comporiam o custo da madeira exportada e, como tal deveriam ser consideradas para efeito de creditamento. d) Serviços não comprovadamente utilizados no processo produtivo: Segundo se extrairia do contrato social da contribuinte seu objeto social seria o reflorestamento, o manejo de florestas, o beneficiamento de madeira, a indústria e comércio, a importação e exportação de madeiras. Consequentemente, seria insubsistente o raciocínio de que roçadas, plantio, extração de toras não estariam atrelados ao processo produtivo. Antes de serrar a madeira seria necessário extraíla, arrastála e empilhála. Antes disso, seria necessária a realização de roçadas para abrir caminho na floresta. Questiona, ainda, o que denominou formalismo excessivo empregado na análise dos contratos. A contribuinte contratou prestadores de serviços, conforme se extrai das notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos apresentados. Discorda do fato de que a ausência da inscrição “nota fiscal” nos documentos expedidos por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antônio Pereira e Cia lhes retiram a validade, na medida em que as mesmas trariam no bojo a descrição dos serviços e o destaque do tributo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Tal falha, no se sentir meramente formal, deveria ser imputada à gráfica que os imprimiu. Ressalvadas as hipóteses de conluio e fraude, que não se verificariam no presente, a glosa das despesas representaria violação ao princípio da não cumulatividade. Por outro lado, a contribuinte seria terceira de boafé e, como tal não poderia ser penalizada pela falta de terceiro. Finalmente, a exigência de comprovação de recebimento dos produtos seria fruto do desconhecimento das atividades da contribuinte. Reitera que a conferência dos serviços é realizada na floresta e, após tal conferência, emitida a correspondente nota fiscal, bem assim que o não arquivamento dos controles internos não torna o serviço inexistente. Questiona, finalmente, a emissão de extrato de débito em nome de pessoa jurídica diversa da detentora dos créditos litigiosos. Após a regular ciência do acórdão recorrido, comparece a Contribuinte ao processo para, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi suscitada preliminar. Antes de adentrar na análise dos elementos carreados ao processo, entendo pertinente esclarecer a opinião deste relator no sentido de que o conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos, não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico e naquele, o da pertinência. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa inerente à atividade econômica. Em relação a esse aspecto, precisos são os comandos do art. 3º, II, tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, na versão que vigia à época da apuração das contribuições: II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; Por outro lado, no que se refere às despesas associadas à logística, as hipóteses de creditamento encontramse elencados no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002029/200446 Acórdão n.º 310200.970 S3C1T2 Fl. 290 7 Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, bem assim às benfeitorias em bens de terceiros, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas do PIS e da Cofins sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º1 Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito do PIS e da Cofins os bens e serviços utilizados no processo de fabricação, as despesas de armazenagem e frete atreladas às vendas e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Por outro lado, justamente em razão de que não se poderia apropriar toda e qualquer despesa como insumo, é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o dispêndio, permitindo que se afira natureza do bem o serviço e, principalmente, o seu emprego. Igualmente importante, finalmente, é destacar a vedação expressa no § 3º, I e II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 1. Combustíveis e Lubrificantes Pedindo vênia ao Recorrente, não vejo como reconhecer os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes. Evidentemente, tal convicção não tem qualquer relação com a natureza das despesas, textualmente contempladas no já transcrito inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Como já mencionado, não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor ou quantitativo efetivamente empregados nas máquinas que compõem o processo produtivo da Recorrente e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade. 2. Partes e Peças Sabidamente, por força do § 2º do art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 19992, bens com duração superior a um ano ou 1 § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; 2 § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 partes e peças passíveis de incorporação a bens daquela natureza, que não se desgastem no período de um ano, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e depreciados ou amortizados no período de sua vida útil. Devido a tal regra, não há como considerar insumos partes e peças que tenham se incorporado aos bens que compõem o ativo imobilizado. Da mesma forma, se não é possível segregar a utilização dos bens, entre as atividades atreladas à extração e beneficiamento de madeira e as demais atividades exercidas pela Recorrente, não há como considerar os dispêndios com insumos passíveis de utilização em mais de uma atividade. Igualmente descabido é o crédito fundado em aquisições de serviços prestados por pessoas físicas. Corretas, portanto, as glosas relativas ao presente item. 3 Despesas Associadas à Logística (Aduaneiras) Como já destacado anteriormente, afora as despesas diretamente ligadas ao processo produtivo, há ainda previsão para que se gere crédito a partir de fretes e armazenagem. Evidentemente, essa possibilidade não pode ser ampliada com o fim de admitir a geração de créditos a partir de todas as despesas atrelada à logística da mercadoria produzida e exportada. Ou seja, despesas com despacho aduaneiro, movimentação da mercadoria e outras que não se enquadrem no conceito de frete e armazenagem, de fato, não geram crédito Ademais, sabidamente, como já destacado, o art. 6º, caput e §§ 1º e 4º da Lei nº 10.833, de 20033 e o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.637, de 20024, não admitem que a pessoa jurídica que adquira mercadoria na qualidade de comercial exportadora se credite dos valores incorridos nas operações. Corretas, portanto, as glosas relativas a esse grupo de despesas. 4 Outros Serviços cuja Vinculação ao Processo Produtivo Não Restaria Comprovada 3 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. 4 § 2º No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002029/200446 Acórdão n.º 310200.970 S3C1T2 Fl. 291 9 Algumas das glosas referentes ao presente grupo estão atreladas à falha na descrição dos serviços, e, pelos fundamentos já expendidos anteriormente, devem ser mantidas. Sem a descrição dos serviços, não há como reconhecêlos. Por outro lado, sem a devida segregação, não há como acatar os pagamentos que englobam extração, beneficiamentos e replantio de floresta, na medida em que estes últimos devem ser incorporados ao valor desses bens do ativo e exauridos juntamente com os mesmos. Ou seja, os beneficiamentos (roçadas), o plantio e as demais benfeitorias passiveis de amortização não são insumos, para efeito do cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. Penso igualmente que os documentos que não preenchem os requisitos formais mínimos, como o número de inscrição no CNPJ e a inscrição “nota fiscal”, igualmente não merecem ser considerados. Entretanto, estou convicto de que a ausência de controle do quantitativo extraído e de registro do contrato em cartório, por si, sejam motivos suficientes para que não se acatem as despesas com extração de madeira. Em primeiro lugar, como é cediço, regra geral, a averbação no correspondente Cartório de Registro de Títulos e Documentos tem como função primordial a garantia da publicidade do ato, não representando, portanto, condição para sua validade. Em segundo, não concordo que a ausência de quantificação da madeira extraída, arrastada e empilhada inviabilize a aceitação das despesas, na medida em que, se cotejados os valores pagos e os estipulados nos contratos, facilmente se chegaria ao quantitativo extraído. Até porque, o crédito litigioso não decorre da aquisição de determinada quantidade de madeira extraída, mas o valor do serviço contratado. Finalmente, não consigo divisar na aparente incongruência na resposta à intimação o efeito assumido no relatório fiscal. Com efeito, o sujeito passivo efetivamente negou que tenha contratado trabalhadores temporários e alegou desconhecimento da sua contratação, mas isso longe está de reduzir o poder probante do contrato. De fato, analisando as notas fiscais às fls. 89 e 90, emitidas pela pessoa jurídica Florestal Caraúno, percebese que o valor descontado a título de Contribuição corresponde ao percentual fixado no art. 31 da Lei nº 8.212, de 19915, o que demonstra que, pelo menos para o executor do serviço, estavase diante de locação de mãodeobra, nos termos da Lei nº 6.019 de 1974. Concluise, assim, que há uma divergência de interpretação acerca do enquadramento da relação contratual ou que simplesmente o sujeito passivo entendeu que esse fato lhe seria prejudicial. 5 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Penso, entretanto, que quaisquer dessas duas hipóteses longe estão de influenciar a relação se subsunção do fato a norma, até porque, no que se refere à solução do presente litígio, pouco importa a modalidade contratual empregada. Não custa destacar, nesse aspecto, que a vedação aos créditos decorrentes de pagamento de mãodeobra diz respeito exclusivamente aos pagamentos realizados a pessoas físicas, ex vi do § 2º, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Nesse aspecto, trazse à colação a orientação sedimentada na Solução de Consulta nº 30, de 26 de janeiro de 2010, da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 9ª Região (original não destacado): As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP. Ante ao exposto, considero suficientemente comprovadas as despesas descritas nas notas fiscais de fls. 89 e 90. 5 Aviso de Cobrança O órgão julgador de piso já se manifestou acerca da alegação de falha na expedição do aviso de cobrança, em nome de pessoa jurídica que não integra a lide, determinando a correção de tal falha, que torna prescindível a manifestação deste colegiado acerca da matéria. 6 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para acatar exclusivamente os créditos sobre os valores relativos a despesas com extração de madeira documentadas nas notas fiscais às fls. 89 e 90. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11080.918950/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 50 /2 01 2- 16 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918950/201216 Acórdão n.º 3801005.133 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001353/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ILEGITIMIDADE DE PARTE NÃO DEMONSTRADA.
Não procedem as preliminares de nulidade quando perfeitamente identificado o sujeito passivo da obrigação tributária, quantificada a base de cálculo dos tributos e adotado o regime de tributação previsto em lei.
A parte autuada é legítima, pois fora demonstrado nos autos que as receitas omitidas pertenciam à autuada.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza omissão de receitas as vendas acobertadas com documentos fiscais de terceiros, mas que, de fato, referem-se a operações próprias da autuada, mantidas à margem da tributação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO REGULAR.
Diante do fato de o sujeito passivo não apresentar escrituração regular, mesmo reiteradamente intimado a providenciá-la, deve ser adotado o regime de arbitramento do lucro para apuração dos tributos devidos.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeu-se de artifício doloso, materializado na prática de infrações tributárias visando sonegação fiscal.
PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação decorrente de irregularidade descrita e analisada no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dada a relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento aos lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-001.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André de Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André de Almeida Blanco.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ILEGITIMIDADE DE PARTE NÃO DEMONSTRADA. Não procedem as preliminares de nulidade quando perfeitamente identificado o sujeito passivo da obrigação tributária, quantificada a base de cálculo dos tributos e adotado o regime de tributação previsto em lei. A parte autuada é legítima, pois fora demonstrado nos autos que as receitas omitidas pertenciam à autuada. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receitas as vendas acobertadas com documentos fiscais de terceiros, mas que, de fato, referemse a operações próprias da autuada, mantidas à margem da tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. Diante do fato de o sujeito passivo não apresentar escrituração regular, mesmo reiteradamente intimado a providenciála, deve ser adotado o regime de arbitramento do lucro para apuração dos tributos devidos. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática de infrações tributárias visando sonegação fiscal. PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação decorrente de irregularidade descrita e analisada no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento aos lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 13 53 /2 00 8- 92 Fl. 4625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André de Almeida Blanco. Relatório Tratase de auto de infração que cobra da contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins dos períodosbase de 2003 a 2005, em razão de exclusão da empresa do Simples Nacional por meio de Ato Declaratório Executivo nº 35/2007, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003, em razão da contribuinte ter supostamente ultrapassado os limites de receita no ano de 2002. Diante disso, a fiscalização excluiu a empresa do Simples e exigiu os tributos com base em arbitramento. O fundamento da exigência é a omissão de receita. Vejamos o que constou no Relatório da DRJ sobre que descreve os fatos: Conforme Termo de Constatação Fiscal .de fls. 172/208, em decorrência da operação denominada "Grandes Lagos", ficou constatado que á empresa fiscalizada se utilizava de notas fiscais "frias", emitidas pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e pela, Coferfrigo ATC Ltda, com o objetivo de ocultar o seu real faturamento e eximir os titulares de fato do pagamento de tributos, ou seja, utilizava documentos fiscais "frios" cm a finalidade de acobertar operações próprias com documento fiscal de terceiros e, com 'isso, transferir a responsabilidade pelos tributos a empresas "noteiras" (abertas em nome .;de latanjas) sem qualquer patrimônio ou condições financeiras para honrar o pagamento dos tributos devidos. Fl. 4626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 3 3 Optante pelo Simples nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, o sujeito passivo foi autuado em procedimento fiscal anterior relativamente ao anocalendário de 2002, período em que foi apurada receita bruta acumulada superior a R$ 1.200.000,00, fato que motivou sua exclusão do Simples com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2003. No curso do procedimento que decorreram as autuações em análise e em razão da sua exclusão do Simples, o sujeito passivo foi intimado a apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, bem como toda escrituração contábil e fiscal daquele período, sendo alertado de que a não apresentação dos documentos solicitados implicaria no arbitramento do lucro da empresa. Alegando que havia impugnado o auto de infração relativo ao anocalendário de 2002 e também sua exclusão do Simples, o sujeito passivo solicitou o sobrestamento do procedimento fiscal referente aos anoscalendário de 2003 a 2005 até decisão administrativa final acerca da exclusão do Simples e do 'auto de infração relativo ao anocalendário de 2002, haja vista seu direito ao contraditório e à ampla defesa, salientando, ainda, que toda documentação contábil já se encontrava em poder da fiscalização, uma vez que os únicos livros a que estava obrigado era o Livro Caixa, tendo em vista sua condição de optante pelo Simples. De acordo com o relatório fiscal, mesmo a empresa tendo. Reiteradas oportunidades para providenciar sua regular escrituração, de forma a permitir a apuração do lucro por modalidade diferente do critério arbitrado, não houve qualquer providência neste sentido, não restando outra alternativa às autoridades fiscais que não fosse o arbitramento do lucro da empresa nos períodos fiscalizados, tendo por base o valor das notas fiscais de "simples remessa" escrituradas no Livro Registro de Saídas, em razão de as mesmas simularem prestação de serviços do Frigorífico Auriflama Ltda. à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e à Coferfrigo ATC Ltda, mas que, na verdade, consistiam operações de vendas que eram acobertadas por notas fiscais frias das empresas noteiras. Esta conclusão das autoridades fiscais de que as transações acobertadas por notas fiscais emitidas pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e pela Coferfrigo ATC Ltda., eram, na verdade, vendas do Frigorífico Auriflama Ltda., decorre do fato de os valores ingressados nas contascorrentes do próprio Frigorífico Auriflama Ltda., bem como em nome de Dirce Alves Ferreira e Coferfrigo ATC Ltda.(contas estas em nome de terceiros movimentadas mediante autorga de procurações ao Sr. Emerson Martins da Silva, sócio é majoritário do Frigorífico Auriflama Ltda., e também à sua esposa, Sra. Nice Mara Ivo Médice) apresentarem movimentação financeira praticamente igual ao faturamento do Frigorífico Auriflama Ltda., calculado com base nas notas Fl. 4627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 fiscais de "simples remessa", registrados no Livro Registro de Saídas. Diante destes fatos e de que a conduta do sujeito passivo em se utilizar de empresas de fachada para ocultar o seu real faturamento caracteriza evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública, foram lavrados os competentes autos de infração para lançamento e exigência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, com aplicação de multa de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 8.614.001,73, conforme resumido à fl. 266, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Devidamente impugnado o lançamento fiscal, a contribuinte alegou: Descrevendo em breve resumo os fatos narrados nas peças da autuação e trazendo sua versão sobre as mesmas ocorrências, alegou, em sede de preliminar, a ilegitimidade de parte, em razão de lhe ter sido imputado crédito tributário calculado sobre receitas obtidas pelas empresas Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e Coferfrigo ATC Ltda. Afirmou que a desconsideração das pessoas jurídicas reais detentoras das receitas apuradas Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e Coferfrigo ATC Ltda. , para tributar por via reflexa a impugnante, carece de razão jurídica e, também, de ação judicial necessária para anular o ato jurídico que atribuiu à empresa autuada a titularidade das contas bancárias examinadas e das notas fiscais emitidas por aquelas empresas. Invocando disposições do Código Civil, anterior e atual, acerca da descaracterização do ato simulado, afirmou que não se pode ignorar os reais titulares das contas bancárias examinadas, assim como dos proprietários das receitas que originaram os lançamentos tributários, ainda mais quando ausente a sentença anulatória do vinculo jurídico entre os recursos movimentados e os titulares indicados nas contas correntes investigadas. No seu entendimento, desconsiderar o ato jurídico perfeito, sem qualquer decisão judicial, e tributar um terceiro, no caso o Frigorífico Auriflama Ltda., como se fossem dele as receitas oriundas das vendas de carne e seus derivados, configura ilegalidade e inconstitucionalidade, sendo flagrante a ilegitimidade de parte da impugnante. Alegou inexistência de fato gerador, uma vez que, ao impor à impugnante tributação reflexa de terceiros, por fatos geradores de outras pessoas jurídicas, as autoridades fiscais inovaram no mundo jurídico, ferindo princípios que vão desde o princípio da legalidade, passando pela tipicidade fechada até o princípio da segurança jurídica. Afirmou que os sócios da impugnante apenas possuíam procurações para representar a empresa Coferfrigo ATC Ltda., cabendo a ela a titularidade dos recursos movimentados nas suas contascorrentes, haja vista os procuradores agirem em nome da empresa outorgante, havendo, inclusive, prova da prestação de serviços àquela empresa, fato que afasta indícios de simulação ou fraude. Fl. 4628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 4 5 Questionou, também, a utilização dos valores apurados no livro de saídas de pessoas jurídicas distintas da impugnante, sem qualquer decisão judicial declarando tal responsabilidade, o que torna o procedimento ilegal, pois o seu real faturamento é resultado da prestação de serviços, cujos registros constam de seu Livro Caixa que, mesmo retido pelos AuditoresFiscais, foi desconsiderado para fins de apuração do faturamento da impugnante, o que fere disposições contidas no art. 18 da Lei n°9.317, de 1996, combinado com o art. 2°, § 2° e art. 7°, § 1°, alínea "a", do mesmo diploma legal. Invocou, ainda, vício material no lançamento tributário e arbitramento do lucro, porquanto houve desconsideração de sua condição de optante pelo Simples, mesmo estando o ato de exclusão em fase de contencioso administrativo, assim como se encontra em discussão os valores apurados no procedimento que determinou o excesso de receita bruta e ensejou a expedição do ato declaratório de exclusão do Simples. Afirmou que a exclusão baseada em receita bruta apurada em procedimento administrativo passível de recurso, sem constituição definitiva, constitui ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, do devido processo legal e da segurança jurídica, o que torna nulo o lançamento efetuado com base em regime de tributação diferente daquele optado pela empresa e do qual não se encontra definitivamente excluído. Discorreu longamente sobre princípios atinentes à norma anti elisão, quer sob a ótica de princípios constitucionais, quer sobre a aplicabilidade de texto legal carente de norma regulamentadora, para concluir que é vedado ao Fisco utilizar subjetivismo no lançamento tributário e que somente seria possível tributar receita bruta pertencente a outras pessoas jurídicas se houvesse decisão judicial declarando simulação ou fraude com intuito de omissão de receitas, ou ainda, declarando nulo ato jurídico, ou mesmo em caso de existência de norma regulamentadora, em razão de as disposições do art. 116 do CTN tratarse de norma de eficácia contida, o que impede sua aplicabilidade, sem sentença de mérito já evidenciada. • Refutou a imputação de ilícito de simulação/fraude, por entender que, para caracterização de tais condutas, fazse necessária a desconsideração de ato jurídico por sentença de mérito. Alegou, também, que a multa aplicada, no percentual de 150%, tem natureza confiscatória, o que é vedado constitucionalmente. Ao final, solicitou seja declarada a nulidade dos autos de infração em face da ilegitimidade de parte, da inocorrência de fato gerador e por vício quanto ao regime de tributação adotado nos lançamentos tributários ou sejam considerados improcedentes os autos de infração em razão de autuação com base em receita bruta de terceiros, sem a necessária decisão judicial declarando a existência de simulação, fraude ou a nulidade de ato jurídico. Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 Requereu, também, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa aplicada e que seja autorizada a produção de todos os meios de provas em direito admitidos, bem como a juntada de novos documentos, inclusive requerendo a intimação dos signatários para sustentação oral. Por fim, requereu que todas as publicações e intimações sejam feitas em nome dos advogados que subscrevem a peça impugnatória, em endereço que mencionou. A DRJ manteve integralmente o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receitas as vendas acobertadas com documentos fiscais de terceiros, mas que, de fato, referemse a operações próprias da autuada, mantidas à margem da tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. Diante do fato de o sujeito passivo não apresentar escrituração regular, mesmo reiteradamente intimado a providenciála, deve ser adotado o regime de arbitramento do lucro para apuração dos tributos devidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática de infrações tributárias visando sonegação fiscal. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. O princípio constitucional da vedação ao confisco é inextensível às penalidades, descabendo ao julgador administrativo reexaminar o juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Fl. 4630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 5 7 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as preliminares de nulidade quando perfeitamente identificado o sujeito passivo da obrigação tributária, quantificada a base de cálculo dos tributos e adotado o regime de tributação previsto em lei, e, ainda, quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação decorrente de irregularidade descrita e analisada no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento aos lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Em síntese, a DRJ entendeu: No presente processo administrativo, constatouse que o Frigorífico Auriflama Ltda. movimentava recursos financeiros decorrentes de seus negócios em contas bancárias mantidas em nome de terceiros, a fim de evitar eventual responsabilização ao frigorífico pelos tributos devidos. Não se trata, portanto, da hipótese de que trata o art. 116, parágrafo único, do CTN. O Sr. Emerson Martins da Silva, juntamente com sua esposa Nilce Maria Ivo Médice e o cunhado Carlos José Médice, atuaram dolosamente ao movimentar recursos do Frigorífico Auriflama em contascorrentes de terceiros, conforme ficou comprovado nos presentes autos, com a finalidade de eximirse dos tributos decorrentes de suas receitas. Notese que o CTN, nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação, faz expressa referência a essas ocorrências, como nos casos dos arts. 149, VII, 150, § 4º, 154, parágrafo único, 155, I e 180, I. A situação contemplada no presente processo administrativo, portanto, não requer a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Desta forma, resta prejudicada, também, a alegação de nulidade pela inocorrência do fato gerador e irregularidade na base de cálculo dos tributos apurados. Conforme exaustivamente comprovado, os recursos movimentados nas contas correntes da Cofergrigo ATC Ltda. e em nome de Dirce Alves Ferreira pertencem, de fato, ao Frigorífico Auriflama Ltda. e são decorrentes de seus negócios com o abate de gado e comercio de carnes e seus derivados. Os pagamentos com recursos dessas contas efetuados à empresa noteira e fornecedores, assim como em benefício próprio do Sr. Emerson Martins da Silva e sua esposa Nilce Maria Ivo Médice, comprovam que o verdadeiro titular desses recursos era a o Frigorífico Auriflama Ltda. Por outro lado, o Livro Caixa da empresa se revelou imprestável para apuração de receitas da autuada, por conter vícios Fl. 4631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 insanáveis de escrituração e desnuda a prática de fraudes cometidas pela empresa, na medida em que não registra nem os lançamentos bancários de contacorrente mantida em nome próprio junto ao Banco baú S/A. Desta maneira, há qualquer ilegalidade em desconsiderar os registros efetuados no Livro Caixa da empresa, uma vez que não revelam o faturamento obtido pela empresa nos períodos fiscalizados. De acordo com o excelente trabalho de investigação fiscal, as operações de vendas efetuadas pelo Frigorífico Auriflama Ltda. eram acobertadas por documentos fiscais de simples remessa para as empresas noteiras e daí travestidas de vendas dessas empresas mediante notas fiscais frias. Desta forma, os valores resultantes das vendas realizadas, de fato, pelo Frigorífico Auriflama Ltda., são resultados das notas fiscais de simples remessa, que, inclusive, constam registradas em seu Livro de Registro de Saídas. Esta é a receita da atividade da empresa autuada e base de cálculo dos tributos apurados. Com relação ao regime de tributação adotado pela fiscalização, há que se considerar as razões jurídicas para tal medida. Excluída do Simples por ultrapassar o limite de receita bruta admitida por esse sistema simplificado, relativamente ao ano calendário de 2002, a partir do ano seguinte a empresa não podia mais se submeter à escrituração simplificada. Diante deste fato e da necessidade de constituição de crédito tributário decorrente de infrações apuradas a partir do ano calendário de 2003, as autoridades fiscais teriam que apurar os tributos de acordo com regime de tributação aplicável às empresas não optantes pelo Simples. Com este objetivo, a empresa foi reiteradamente intimada a providenciar sua regular escrituração, de forma a permitir a apuração do lucro por modalidade diferente do critério arbitrado, mas não houve qualquer providência neste sentido, não restando outra alternativa às autoridades fiscais que não fosse o arbitramento do lucro da empresa nos períodos fiscalizados, tendo por base o valor das notas fiscais de "simples remessa" escrituradas no Livro Registro de Saídas, em razão de as mesmas simularem prestação de serviços do Frigorífico Auriflama Ltda. à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e à Coferfrigo ATC Ltda, mas que, na verdade, consistiam operações de vendas que eram acobertadas por notas fiscais frias das empresas noteiras. Desta forma, com base no art. 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda — RIR 1999 (Decreto n° 3.000, de 1999), o arbitramento do lucro da empresa foi adotado como última medida para apuração dos tributos devidos, já que não havia qualquer escrituração contábil que permitisse a apuração de tributos por outro regime de tributação. Intimada da decisão da DRJ em 12/08/2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/09/2009, alegando os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação, embora com outra roupagem lingüística. Este é o relatório! Fl. 4632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à alegada ilegitimidade de parte, entendo que os esforços semânticos da Recorrente não prosperam, visto que os indícios trazidos pela fiscalização denotam que a autuada e seus sócios eram os reais proprietários de valores movimentados em nomes de empresas de fachadas abertas. Vejamos o que consta do Relatório Fiscal, fulcrado em documentos trazidos nos anexos desse processo: 4 DAS EMPRESAS DE FACHADA UTILIZADAS PELO FRIGORÍFICO 4.1 DA COFERFRIGO Esta empresa, só para lembrar, foi utilizada pelo Frigorífico Auriflama para emitir notas fiscais e para receber os recursos em 2002, 2003 e 2004. Os recursos foram movimentados em contascorrentes abertas nos Bancos Itaú e Bradesco de Auriflama, em nome da empresa de fachada (COFERFRIGO) e gerenciadas pelo Sr. Emerson, uma vez que as procurações foram outorgadas para a esposa do Sr. Emerson e para o próprio Sr. Emerson. Vamos reproduzir abaixo, uma parte do Relatório da Policia Federal que trata do assunto, informando que a transcrição completa das ligações telefônicas não serão descritas neste Termo. O objetivo da transcrição de parte deste documento é de levar ao conhecimento de todos os usuários deste processo administrativo a finalidade da empresa "Coferfrigo", a saber: 1.1.1. Coferfrigo ATC Ltda. Valter Francisco Rodrigues Júnior é o principal "laranja" da organização criminosa encabeçada por Alfeu Crozato Moza quatro, constando na Receita Federal como sócioadministrador de quatro empresas: Coferfrigo ATC Ltda., desde 23.03.2001, com 99% de participação, Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda., desde 11.03.1997, com 99% de participação, CCO Comércio de Carnes do Centro Oeste Ltda. desde 09.06.2000, com 50% de participação, e Valba Transportes e Logística Ltda. desde 11.07.2005, com 90% de participação. O diálogo abaixo, entre Valter Francisco Rodrigues Júnior e Álvaro Antônio Miranda, evidencia que ambos os interlocutores são laranjas" da quadrilha. Álvaro telefona para comunicar a Valter que Djalma Buzolin, administrador da empresa Friverde e cunhado de Alfeu Crozato Moza quatro, pretende comprar um frigorifico. Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 Álvaro diz que Djalma Buzolin "tá tomando as providências" para adquirir o frigorifico. Valter comenta que "ele tem que tomar as providências, né Alvinho, se não tomar, que deu, a casa dele cai, não é minha não, a minha já está no chão". Isso deixa claro que Valter Francisco Rodrigues Júnior é um "testade ferro" do grupo, pois, quando se refere que sua "casa já está no chão", certamente faz referência aos vários problemas que tem com o fisco por emprestar seu nome à quadrilha. O diálogo comprova que: a) Djalma Buzolin participa da criação das empresas em nome dos testas de ferro da quadrilha; b) ambos os interlocutores, Álvaro Antônio Miranda e Valer Francisco Rodrigues Júnior têm emprestado conscientemente seus nomes à organização criminosa para a constituição de empresas utilizadas na engrenagem de sonegação fiscal; c) ambos os "laranjas", Álvaro e Valter, têm consciência de que precisam proteger seus patrões para que estes lhes dêem suporte quando forem investigados. Comprovando sua ligação com o Grupo Mozaquatro, no diálogo abaixo, Valter Francisco Rodrigues Júnior menciona encontros com Alfeu e Fraga (Alfeu Crozato Mozaquatro e João Pereira Fraga). No diálogo abaixo, Jéferson César Gonçalves Resende, um dos "gerentes" da organização criminosa que são responsáveis pela Coferfrigo, telefona ao banco Bradesco e conversa com Adilson, funcionário da agência onde a empresa mantém conta corrente. Jéferson comenta que a conta principal da empresa no banco "estourou em cem conto" (R$ 100 mil) e sua intenção é que o banco cubra o rombo na conta. Mais adiante, Jéferson diz a Adilson que comentou sobre o problema com Fraga (João Pereira Fraga), o que mostra que este acompanha de perto as finanças da empresa. Como o Sr. João Pereira Fraga foi citado como integrante desta "quadrilha" que integrava a Coferfrigo, abaixo reproduziremos uma parte do testemunho dado por ele à Fiscais da Receita Federal de São José do Rio Preto, na Policia Federal de Jales SP. Cópia integral deste depoimento também comporá o anexo "outros documentos" deste processo administrativo (fls 09 a 12). No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, compareceu na 1 Delegacia da Polícia Federal em Jales/SP o declarante, Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, CPF 887.851.65891. Perguntado disse o seguinte: O declarante informa que a empresa COFERFRIGO iniciou as suas atividades na Av. Expedicionários Brasileiros n. 139, na cidade de Fernandópolis, logo depois que o empresário Alfeu Mozaquatro arrematou o frigorífico Vale do Rio Grande, que era situado no mesmo endereço. Esclarece, entretanto, que antes da Coferfrigo atuar no referido local, ali atuava a empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Ltda, de propriedade de Valder Antônio Alves, vulgo "Macaúba", que era uma empresa constituída para vender notas Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 7 11 fiscais, com o intuito de acobertar as operações de abate e comércio de carnes. Afirma que na época a São Luiz fornecia notas exclusivamente para Alfeu Mozaquatro. Inclusive, foi o sr. Alfeu que foi ao Posto Fiscal da Secretaria de Fazenda para providenciar a abertura da São Luiz. Posteriormente, o sr. Alfeu Mozaquatro chegou à conclusão de que comprar as notas fiscais da São Luiz era muito caro, pois pagava R$2,00 (dois reais) por cabeça de gado. Assim, resolveu abrir a Coferfrigo para substituir a São Luiz e trouxe o sóciolaranja da São Luiz, de nome Valter Francisco da Silva, o "valtinho", para ser sócio laranja da Coferfrigo. Com isso, Alfeu economizou, pois gastava cerca de R$30.000,00 (trinta mil reais) com o pagamento das notas fiscais, e passou a gastar R$4.000,00 (quatro mil reais), que era o pagamento dos laranjas da Coferfrigo. E tinha outra vantagem, já que abatia para outras pessoas (taxistas), fornecendo (vendendo) as notas fiscais, cobrando ele, Alfeu, R$2,00 (dois reais) por cabeça de gado. Vários taxistas abatiam gado na Coferfrigo, entre eles, Marcotúlio Nilsen Viola, Émerson Aparecido Mouco (proprietário do Frigorifico Auriflama), Alberto Pedro da Silva Filho, vulgo "Beto Beleza" (poucos abates, no início), Edilberto Sartin, Clóvis Viola, Silmar Serafim, Donizete Cavalotti, "Zé Branco, David, Sebastião Giacheto Ferreira, Ari Vetorazzo, Adinaldo Amadeu Sobrinho, Humberto Zanin, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari também usaram as notas da Coferfrigo,no início. Alguns taxistas tinham procuração da Coferfrigo para movimentar contas bancárias. Cada taxista movimentava uma conta específica, por procuração. Outros taxistas, que não tinham procuração, movimentavam constas bancárias em seu próprio nome. Ou seja, as contas bancárias próprias da • Coferfrigo não se misturavam com as dos taxistas. O declarante também tinha procuração para movimentar contas bancárias da Coferfrigo, mas para compras de gado próprias da empresa. Quem autorizava a outorga de procurações era o sr. Alfeu. Também o grupo dos Altomari tinha procuração da Coferfrigo, mas para movimentar contas da própria empresa, quando atuavam nela. Esclarece, ainda, que a Coferfrigo não realizava abates para outras empresas, somente para taxistas e para ela própria. Este depoimento esclarece em grande parte o funcionamento do "esquema". No caso do Frigorífico Auriflama, no período em que abateu gado utilizando as notas fiscais da Coferfrigo, o movimento bancário se deu através de procuração, da mesma forma que foi dita no depoimento acima. Grifamos o texto que fala do Frigorífico Auriflama. Além das provas e dos relatos acima mencionados, a fiscalização foi além e apresentou provas contundentes da relação entre a autuada e a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo. Vejamos: Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 De posse da planilha contendo o valor total de todas as vendas efetuadas com a utilização do código "6" (Frigorífico Auriflama) da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo, nos foi possível elaborarmos intimações para a comprovação das transações comerciais e possíveis identificações de destinatários dos depósitos. O objetivo era identificar se os valores constantes da planilha, que foram atribuídos ao Frigorífico Auriflama eram, indubitavelmente, de propriedade do Frigorífico Auriflama. Desta forma, intimamos diversas empresas a nos apresentar (obviamente, é uma amostragem) os comprovantes de pagamentos realizados. A seguir relatamos de forma resumida as respostas obtidas. A) ACÁCIA COMÉRCIO DE CARNES (Fls. 02 do anexo "Clientes"). Empresa sediada em São Paulo foi instada a se manifestar acerca de uma planilha que constava apenas o nome dela como destinatária de produtos que teriam saído do Frigorífico Auriflama Ltda. Pedimos o comprovante de apenas um pagamento para que não acumulássemos papéis desnecessários. A empresa confirmou as transações comerciais e apresentou um comprovante de depósito que foi solicitado no valor de R$ 8.800,00, feito no dia 25/11/2005 na contacorrente 22.2544, agência 0227, do Banco Itaú S/A, de AuriflamaSP, em nome do Frigorífico Auriflama (fls. 11 do mesmo anexo). A empresa apresentou também cópia da Nota Fiscal remetida pelo Frigorífico que consta como emitente a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO e como código identificado (ao final da página e ao centro) o número "6" que foi atribuído ao Frigorífico Auriflama (fls.13 do mesmo anexo). Comentário da Fiscalização: A alegação dos responsáveis pelo Frigorífico Auriflama em diversas respostas dadas aos questionamentos desta fiscalização de que é um "prestador de serviços" não pode prosperar, tendo em vista que os valores dos recebimentos de vendas realizadas foram depositados em suas próprias contascorrentes bancárias; B) BB DISTRIBUIDORA DE CARNES (Fls. 16 do anexo "Clientes") . Empresa também sediada em São Paulo. Respondeu que o contato com o Frigorífico era o Sr. Emerson (fls. 26 do mesmo anexo); Apresentou cópia do pedido 2551, em que aparece o Sr. Emerson como contato no Frigorífico (fls. 34 do mesmo anexo); Apresentou carta de Autorização de depósito, assinada por Ana Paula Torchetti, funcionária do Frigorífico Auriflama naquela época (fls. 42 do mesmo anexo); Informou as contas em que foram depositados os pagamentos (fl. 26 do mesmo anexo); Listou os valores pagos (fls. 27 do mesmo anexo); Apresentou comprovantes de pagamentos (fls. 35, 36, 38, 44, 45, 49, 52 e 53 do mesmo anexo); Apresentou notas fiscais (fls. 40, 43, 48, 50 e 56 do mesmo anexo). Comentário da Fiscalização: Mais uma empresa que apresenta uma vasta documentação, desde a nota emitida pela Distribuidora, com o código "6", passa por cópia de autorização para depósito em contacorrente de outra empresa e termina com os depósitos efetuados na contacorrente do Frigorífico Auriflama ou de sua Sócia, a Sra. Dirce Alves Ferreira. Veja que a contacorrente 6.196, do Banco Bradesco de Auriflama, em nome da Sra. Dirce Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 8 13 foi usada única e exclusivamente para movimentar recursos do Frigorífico Auriflama. Os documentos destes bancos e de outros comporão o anexo "Documentos Bancários ". A Sra. Ana Paula Torchetti, citada no início da carta, foi funcionária registrada do Frigorífico Auriflama, conforme consta do documento extraído da GFIP (Fl. 113 do anexo "Outros Documentos"); C)COMERCIAL DE ALIMENTOS FÁTIMA (fls. 58 do anexo "clientes"). Confirmou as transações e apresentou documentos comprovando depósitos na contacorrente da Sra. Dirce Maria dos Reis (fls 65 do mesmo anexo). Entre as folhas 66 e 158 do anexo "clientes" há inúmeros documentos idênticos aos itens anteriores com as comprovações de depósitos em contas do Frigorífico Auriflama. CAETANO PINA & CIA. LTDA (fls. 299 do anexo "clientes"). Tratase de uma empresa muito organizada, sediada na cidade de GuararapesSP, com algumas filiais. Respondeu que o contato era com o Sr. Emerson ou com o Sr. Aislan (fls 317 do mesmo anexo); Citou, inclusive, o telefone em que eram feitos os contatos com o Sr. Emerson e o Sr. Aislan (fls. 317 do mesmo anexo); Que o transporte de mercadorias era feito por caminhão de responsabilidade do vendedor (fls. 318 do mesmo anexo); Os pagamentos eram efetuados diretamente ao motorista do caminhão (fls. 318); Que todos os cheques eram nominais à Distribuidora (fls. 318); Apresentou cópias de notas fiscais e cópias de cheques microfilmados para confirmar o que foi indicado (fls. 320 a 466). Comentário da Fiscalização: Os cheques nominais à Distribuidora, coincidentemente, foram depositados na praça de Auriflama, em contas do Frigorifico Auriflama; Há muitos depoimentos atestando a relação do Frigorífico Auriflama com a Coferfrigo ATC Ltda"., conforme se pode observar do item 6.2 do Relatório Fiscal. Com base nos elementos acima descritos, entendo que são suficientes para entender que a autuada era detentora dos valores movimentados em conta de terceiros, como bem descrito, analisado e identificado pela fiscalização, não havendo erro quanto ao sujeito passivo, muito menos em relação aos períodosbase, pois as provas e evidências atribuem a movimentação de valores nos períodos de 2003 a 2005. E diante desse cenário e das provas e evidências trazidas acima, não há que se falar em inexistência de fato jurídico tributário ou mesmo qualquer nulidade do lançamento fiscal por falta se subsunção dos fatos à norma de omissão de receita. O livro caixa da empresa, conforme se pode observar, contém vícios insanáveis de escrituração de demonstram a existência de fraude, portanto, o arbitramento foi medida correta pois a empresa não apresentou escrituração regular. Basta verificar a escrituração dos anos de 2003 a 2005 e o extrato bancário do Itaú em nome da autuada para constatar que as operações descritas no extrato bancário não foram lançadas no livro caixa da empresa. Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 Ademais, a empresa que alega ser prestadora de serviços apenas apresentou um único contrato de prestação de serviços, sendo que esse contrato se refere ao ano de 2006. Esse contrato fora realizado entre o Frigorífico Auriflama e a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo. Ademais, a fiscalização juntou ainda como prova um livro titulado como conta correntes (fls. 23 a 59 do anexo) que demonstra o controle dos cheques emitidos pelo Frigorífico Auriflama junto ao Banco Itaú S/A, conta corrente 22.2544. Vejamos o que consta desse documento: No Dia 15/11/0005, foi emitido um cheque de número 004047, no valor de R$ 4.000,00 com o seguinte histórico "distr. SP (macaúba)"; No dia 30/11/2005, cheque número 004719, no valor de R$ 1.617,50, com o histórico "distribuidora"; No dia 22/12/2005, cheque número 004720, no valor de R$ 4.000,00 com o histórico "distribuidora"; Sem contar pagamentos efetuados para diversos fornecedores, circularizados, e para colaboradores do Frigorífico, como a Sra. Nilce (esposa do Sr. Emerson, procuradora em diversas ocasiões), cheque número 005144 e o Sr. Aislan, cheque 005157. Colocamos estes exemplos para comprovar, mais uma vez, que não foi realizada nenhum tipo de prestação de serviços por parte do frigorífico para a , Distribuidora, muito pelo contrário, quem prestou o serviço foi a Distribuidora que forneceu notas e recebeu por isto. Tudo está muito claro e comprovado. Diante disso, não haveria outra conclusão à fiscalização senão realizar o lançamento de ofício, considerandose como faturamento do Frigorífico Auriflama os valores constantes das notas fiscais emitidas pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e COFERFRIGO, que tiveram o objetivo de esconder o verdadeiro contribuinte (Frigorífico Auriflama). Para espancar qualquer dúvida da relação entre essas empresas, podemos citar documentos apreendidos no Frigorífico Auriflama pela Polícia Federal: Abaixo reproduzimos alguns itens deste auto, cuja cópia integral compõe o anexo "outros documentos" (fls. 06 a 08 ): Item 08 — Um carimbo com a inscrição coma inscrição "Distrib. De Carnes e Derivados São Paulo Ltda"; Item 08.1 Uma folha carimbada com o referido carimbo; Comentário do analista: Demonstra o vinculo entre a empresa investigada e a Distribuidora São Paulo. Item 11 — Uma pasta amarela com etiqueta na capa com inscrição "Acerto Distribuidora São Paulo"; Item 11.1 Dezessete folhas de fax, da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Lida para o Frigorifico Auriflama Ltda, contendo relação da data de emissão, n° da nota fiscal, código (remessa para abate), valor e cliente (Frigorifico Auriflama), encontradas dentro de aludida pasta; Comentário do analista: Este demonstra que a empresa investigada era "cliente" da Distribuidora São Paulo, a qual Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10820.001353/200892 Acórdão n.º 1201001.154 S1C2T1 Fl. 9 15 recebia, conforme contas à caneta e cópias de cheques anexados, a quantia de R$ 4,00 por cabeça de gado abatido com emissão de nota fiscal de remessa para abate no Frigorífico investigado em nome da Distribuidora São Paulo". Por estes documentos apreendidos, que fazem parte do inquérito da Polícia Federal, já dá para se inferir pelo envolvimento do Frigorífico Auriflama com o grupo de "noteiros", assim chamado pela Polícia Federal, pois se tratava de empresas criadas apenas com a finalidade de fornecer notas fiscais para que os Frigoríficos pudessem "esconder" seu faturamento, mediante, é claro, um pagamento no valor de R$ 4,00 (conforme consta do inquérito da Policia Federal) por cabeça de gado abatida no Frigorífico Auriflama. Vejam que este artifício está demonstrado, pelo próprio contribuinte, digase de passagem, através de lançamentos efetuados no Livro "contascorrentes", uma espécie de controle informal, já citado aqui, e que foi apreendido pela Polícia Federal em 05/10/2006, no endereço do escritório do Frigorífico Auriflama Ltda (documento de apreensão — fls. 02 a 05 do anexo "outros documentos"). Como já vimos, o Sr. Emerson Martins da Silva, proprietário do Frigorífico Auriflama, insiste em dizer que o Frigorífico é um "prestador de serviços" para as empresas que compravam o gado e vendiam a carne industrializada e seus subprodutos, no entanto, a nossa conclusão, bem como do próprio inquérito da Polícia Federal, difere da alegação do contribuinte fiscalizado. Na realidade, quem prestava o serviço (fornecer notas fiscais mediante um pagamento certo) era o chamado grupo de "noteiros", que no caso desta fiscalização é a COFERFRIGO E A DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO. Convenhamos, o Frigorífico Auriflama não apresenta nenhuma prova documental daquilo que alega. O gado era abatido ali. Os fornecedores procuravam as pessoas vinculadas ao Frigorífico Auriflama para vender o seu gado. Os clientes procuravam o Frigorífico Auriflama para comprar carne industrializada e remetia os pagamentos para as contascorrentes em nome do Frigorífico Auriflama ou em nome da Sra Dirce (sócia e Tia) ou em nome da COFERFRIGO, esta com procuração para a Sra. Nilce (esposa do Sr. Emerson). Por fim, quanto aos argumentos trazidos no Recurso quanto à violação de princípios como a legalidade, igualdade, tipicidade, capacidade contributiva, não há qualquer violação nos lançamentos desses princípios, visto que conforme descrito no lançamento fiscal a fiscalização apenas fez seu papel, identificou valores movimentados em contas de terceiros pertencentes à autuada e imputou como receita omitida tais valores à autuada. Por fim, quanto à confiscatoriedade da multa de 150%, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, prescreve a referida penalidade, não sendo de competência desse E. Tribunal afastar lei por critério de inconstitucionalidade, conforme descreve a Súmula 2 do CARF. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, NEGOLHE provimento. Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 É como voto! Rafael Correia Fuso Relator Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 10814.006071/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 21/09/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.006071/200518 Recurso nº 870.050 Voluntário Acórdão nº 3102001.009 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de maio de 2011 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESTITUIÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/09/2000 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/08994093, em 21/09/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 613,63 (seiscentos e treze reais e sessenta e três centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 22286.01355.101005.1.3.044442, cujo extrato está anexado às fls. 155/156 dos autos, transmitida em 10/10/2005. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 21/09/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/08994093, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 03/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 613,63 (seiscentos e treze reais e sessenta e três centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006071/200518 Acórdão n.º 3102001.009 S3C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 20 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou, inicialmente, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 73/75). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 73/75) – Despacho Decisório IRF/SPO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN/SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei inº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivo subjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 110/114– Despacho Decisório IRF/SPO nº 044/2009, de 13 de março de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado pronunciamento da DIANA/SRRF08 , de 14 / 04 / 2009 (fls. 115/116), cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. ......................................................... Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4º do artigo da IN SRF 680/2006, acima transcrito.” (grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte , nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006071/200518 Acórdão n.º 3102001.009 S3C1T2 Fl. 3 5 Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 119/121) – Despacho Decisório IRF/SPO nº 99/09, de 24 / 08 / 2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER / DCOMP nº 22286.01355.101005.1.3.044442, cujo extrato encontrase anexado às 155/156 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 43/2010,de 18 de janeiro de 2010 (fls. 160/162). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 124/137 – 164/179, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 124/137 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório nãoreconhecido, o que implica na nãohomologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CND’s POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006071/200518 Acórdão n.º 3102001.009 S3C1T2 Fl. 4 7 condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69) 3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006071/200518 Acórdão n.º 3102001.009 S3C1T2 Fl. 5 9 anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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