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Numero do processo: 11831.002707/2001-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018.
Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
Numero da decisão: 2401-006.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess, que votou por anular o Despacho Decisório.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Matheus Soares Leite - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ISRAEL ISSER LEVIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess, que votou por anular o Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Matheus Soares Leite Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 27 07 /2 00 1- 83 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 398 2 de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório A bem da celeridade, aproveito o relatório do Acórdão n° 1121.532, de 18/08/2008, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I: O contribuinte acima identificado apresentou, em 20/10/2004, manifestação de inconformidade de fls. 230/246, discordando do Despacho Decisório exarado pela DERAT/São Paulo (fls. 224/227), do qual tomou ciência em 04/10/2004, que indeferiu o pedido de restituição do valor relativo ao imposto de renda na fonte referente a ganho de capital na alienação de participação societária, no valor total de R$ 1.409.923,73, pedido esse lastreado na alegação de que o interessado tinha o direito adquirido de não recolher o imposto na alienação de sua participação na empresa conferido pelo Decretolei nº 1.510/76. A decisão recorrida indeferiu o pedido de restituição considerando que a alienação da participação societária ocorreu sob a vigência da Lei nº 7.713/88, não tendo o contribuinte direito adquirido com base no Decretolei nº 1.510/76, mas sim mera expectativa de direito. Diante do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (290/306) e documentos (fls. 307/311), em síntese, alegando: a) Desde 1969, era detentor de ações do capital da Zorba Têxtil S/A (anteriormente denominada Indústrias Modasport S/A), inscrita no CNPJ nº 60.393.824/000109. Pelo contrato de compra e venda, de 12/06/2000, alienou a participação na Zorba, cujo preço total da aquisição foi fixado pelo montante equivalente a US$ 28.000.000,00. Para a venda da empresa, a compradora (SARA LEE) impôs a condição de que fosse constituída uma subsidiária com ativos e passivos da ZORBA, que a ZORBA alterasse sua denominação, que a participação na subsidiária fosse transferida para os sócios da ZORBA e que os sócios da ZORBA vendessem suas participações para a SARA LEE. Por conta da operação de ganho de capital, o Recorrente recolheu Imposto de Renda nos anos de 2000 e 2001. b) O recorrente tinha direito adquirido à nãoincidência do IRPF, prevista no Decretolei nº 1.510/75, art. 4º, “d”, considerando que a participação societária na ZORBA, eis que cumpriu o prazo de 5 anos antes da vigência da Lei nº 7.713/88. A Constituição e a Lei de Introdução ao Código Civil consagram o direito adquirido, bem como a doutrina. Não tinha mera “expectativa de direito”, como afirmado pelo Julgador. Isso porque, já preenchera os requisitos legais. O Julgador confundiu o tempo de Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 399 3 aquisição do direito do Recorrente com o de seu exercício, bem como “direito adquirido” e “direito consumado”. Logo, devese aplicar o art. 144, do CTN, harmoniosamente com o art. 5º, inciso XXXVI, da CF/88, e art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. A regra da nãoincidência do IR deve ser interpretada mediante interpretação sistemática do direito, por meio da integração dos métodos literal, histórico, lógico, teleológico e sistemático e por obediência ao Princípio da Legalidade (art. 150, I, CF). Houve perfeita subsunção do fato ao conceito da norma de nãoincidência do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na venda de participação societária. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais corroborando seu entendimento. Do Acórdão recorrido (fls. 313/320), em síntese, extraise: a) À época da ocorrência do fato gerador do imposto, o art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510, de 1976, já havia sido expressamente revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, cuja vigência ocorreu a partir de 01/01/1989. Assim, não merece guarida a tese do direito adquirido à isenção nos termos da alínea “d”, do art. 4º, do DecretoLei nº 1510/1976, mesmo tendo a alienação ocorrido já sob a vigência da Lei nº 7.713/1988. Como previsto no art. 175 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, a isenção é uma das causas de exclusão do crédito tributário, sua interpretação deve ser literal, conforme prevista no art. 111, também do CTN. Portanto, mesmo que o contribuinte possuísse as ações por mais de 5 anos no início da vigência da Lei n.º 7.713/1988, se ele não efetuou a alienação até esse momento, não ocorreu o fato gerador do IRPF sobre o ganho de capital, por lhe faltar um requisito essencial previsto pela Lei: a própria alienação. b) A isenção prevalece se prevista na lei vigente na época do acontecimento do fato tido como isento. Daí dizer que a lei isentiva, por princípio, não gera qualquer direito adquirido em prol do contribuinte. A isenção é usufruída enquanto vigente a lei concessiva. Revogada a lei isentiva, o tributo volta a ser exigível em relação aos fatos ocorridos posteriormente à revogação. O princípio geral é, pois, o da revogabilidade, que prevalece no direito brasileiro quanto à isenção. c) Os acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais invocados necessário destacar que só se aproveitam em relação aos autos nos quais foram proferidos. Intimado em 14/09/2009 (fls. 322), o contribuinte apresentou em 09/10/2009 (fls. 323) recurso voluntário (fls. 323/347) e documentos (fls. 348/395), em síntese, alegando: a) Tempestividade. Com fundamento no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, apresenta o recurso voluntário. b) Histórico. Reitera os fatos relativos à aquisição e alienação das participações societárias, destacando que a DRF e a DRJ não apresentaram qualquer questionamento quanto à situação fática exposta pelo contribuinte. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 400 4 c) Direito à restituição. Por força do o art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510, de 1976, o contribuinte faz jus à não incidência do imposto de renda. Por lapso, o legislador não ressalvou o direito adquirido para os que cumpriam as condições desse artigo ao tempo da entrada em vigor da Lei n° 7.713, de 1988. Isso porque, no caso em tela, a Constituição e a Lei de Introdução ao Código Civil consagram o direito adquirido, bem como a doutrina e a jurisprudência, inexistindo mera expectativa de direito e nem se podendo confundir aquisição com exercício do direito ou direito adquirido com direito consumado. Além disso, o art. 144 do CTN deve ser aplicado harmoniosamente com os arts. art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição, e 6º da Lei de Introdução ao Código Civil e a nãoincidência interpretada sistematicamente, conforme jurisprudência e em obediência ao princípio da legalidade. O acórdão recorrido trata indevidamente como isenção a não incidência. Logo, a Lei n° 7.713, de 1988, não cuidou de revogar uma isenção, mas de criar nova incidência (tributação originária), sendo absurda a aplicação do art. 178 do CTN. Os efeitos passados do Decretolei n° 1.510, de 1976, devem permanecer, tendo sido sua condição cumprida ao tempo de sua vigência, sendo inadmissível o raciocínio do acórdão recorrido. Destarte, por qualquer ângulo, deve ser reconhecido o direito adquirido. d) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do CARF amparam o entendimento do recorrente. e) Pedido. Requer o conhecimento e provimento ao recurso voluntário, garantindose a integral restituição dos valores postulados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 14/09/2009 (fls. 322) o recurso interposto em 09/10/2009 (fls. 323) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito. Não prospera a premissa do recorrente de que a restituição postulada se refere à alienação de participação societária na Zorba Têxtil S/A. A leitura do contrato de compra e venda (fls. 82/156) e de seu aditivo (fls 157/170) revela a alienação de quotas da empresa Apparelco Brasil Ltda, sociedade por quotas de responsabilidade limitada criada em 12 de junho de 2000 (fls 177/191). A própria Declaração de Ajuste Anual DAA do anocalendário de 2000 (fls. 62/81) atesta esse fato, tendo o recorrente especificado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital que o ganho de capital apurado se refere à venda das quotas da Apparelco Brasil Ltda, CNPJ n° 03.626.948/000157 (fls. 76 e 78), bem como feito constar em sua Declaração de Bens (fls. 68/70) que mantinha participação societária na Zorba Têxtil S/A, transformada em KL Administração e Participações Ltda e com redução do capital social. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 401 5 A Apparelco Brasil Ltda foi constituída em 12 de junho de 2000 (fls 177/191) com capital Social de R$ 100,00 tendo por sócios Zorba Têxtil S/A (96 quotas), Israel Isser Levin (1 quota), Henrique Kraccochansky (1 quota), David Kaleka (1 quota) e Gabriel Koch (1 quota). Zorba Têxtil S/A integralizou aumento de capital da Apparelco Brasil Ltda mediante conferência de estabelecimentos, marcas e demais direitos de propriedade intelectual de titularidade da Zorba, a resultar num aumento do capital social da Apparelco de R$ 100,00, não integralizado, para R$ 8.900.004,00, tendo Zorba 8.900.000 quotas e os quatro outros sócios uma quota cada (fls. 193/206). A seguir, Zorba Têxtil S/A foi transformada na KL Administração e Participações Ltda (fls. 207/235) e a KL em sua primeira alteração contratual teve seu capital social reduzido em R$ 8.900.000,00 pelo cancelamento de 8.900.000 quotas, tendo os quotistas da KL recebido em pagamento pelo cancelamento de suas quotas (liquidação do investimento) quotas da Apparelco Brasil Ltda (investimento diverso; aquisição de nova quota) totalmente subscritas e integralizadas com valor nominal de R$ 1,00, a totalizar R$ 8.900.000,00 (fls. 236/268). Por força da 3ª Alteração da Apparelco Brasil Ltda, o recorrente se retirou dessa sociedade transferindo suas quotas para Sara Lee Brasil Ltda (fls. 269/282). Diante dessas operações, as quotas que gozavam de isenção por força do direito adquirido advindo do DecretoLei n° 1.510, de 1976, nos estritos limites do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018 (a excluir ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, inclusive oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros), restaram canceladas ou permanecem em poder do contribuinte (quotas da KL Administração e Participações Ltda), tendo o recorrente alienado para a adquirente Sara Lee Brasil Ltda participações societárias diversas das mantidas junto à Zorba/KL e não abrigadas por direito adquirido (quotas da Apparelco Brasil Ltda). Para a legislação tributária, é irrelevante que a empresa compradora tenha exigido as operações em tela por não querer comprar a Zorba/KL, mas estabelecimentos, marcas e demais direitos de propriedade intelectual a serem abrigados em empresa diversa e a ser criada (Apparelco Brasil Ltda). Pelo exposto, impõese a manutenção do indeferimento do pedido de restituição fundado na alegação de isenção do art. 4°, d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, eis que inexiste, no caso concreto (alienação de quotas da empresa Apparelco Brasil Ltda), tal direito, devendo ser observado o pedido de restituição e sua causa de pedir. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. De ofício, o conselheiro Cleberson Alex Friess suscita que meu voto cristalizaria cerceamento ao direito de defesa havido no despacho decisório. Isso porque, o despacho decisório (fls. 281/286), considerando como alienadas em 01/08/2000 ações da Zorba Têxtil S/A adquiridas em 12/08/1969, limitouse a sustentar em face da data de alienação a incidência do regramento da Lei n° 7.713, de 1988, a não haver direito adquirido em relação ao art. 4°, d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, mas expectativa de direito, tendo o processo administrativo fiscal se desenvolvido a partir de motivação falha por inadequada aos fatos e a ela se limitado por ser suficiente, na visão da Receita Federal ao tempo do despacho decisório, para se indeferir o pedido. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 402 6 Discordo, pois os fatos foram apresentados e documentados pelo contribuinte em seu pedido de restituição (alterações estatutárias/sociais havidas na Zorba/KL, criação da Apparelco, contrato de compra e venda, DAA e Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital) e reiterados na manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório, a fundamentar a alegada caracterização do direito adquirido, bem como invocados nas razões recursais, estando abrangidos pelo ponto central da lide, ou seja, pela definição de haver ou não direito adquirido e o recurso voluntário possibilita o exame de todos os fatos, cabendo ao julgador a eles aplicar o direito a partir da livre apreciação motivada da prova, ainda que o Despacho Decisório e a decisão recorrida os tenham percebido de forma diversa e de modo a não esgotar todos os fundamentos do contribuinte. Logo, a evolução do capital social e a operacionalização da venda, a envolver o contribuinte, Zorba Têxtil S/A, KL Administração e Participações Ltda e Apparelco Brasil Ltda, podem e devem ser apreciadas pelo presente colegiado, sem se incorrer em cerceamento ao direito de defesa. Como bem destacado pela Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking, não se está a tratar de matéria nova ou de capítulo não impugnado, mas de analisar haver ou não o direito adquirido sustentado pelo contribuinte a luz dos fatos por ele apresentados, não havendo surpresa por parte do contribuinte em razão de o fato constitutivo do direito do contribuinte fazer parte da causa de pedir. Da tribuna, inclusive, o patrono do contribuinte reiterou que a forma de operacionalização da venda exigida pela compradora não descaracterizou o direito adquirido e acrescentou ter havido subrogação real como ocorreria na cisão, fusão ou incorporação, nos moldes do Parecer Normativo CST n° 39, de 1981. A descrição dos fatos empreendida pelo próprio contribuinte e a prova dos autos por ele apresentada não corroboram a alegação, eis que não houve mera substituição de participações societárias, na proporção das anteriormente possuídas, ocorrida em virtude de cisão, fusão ou incorporação, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro. No caso concreto, não houve persistência do vínculo societário com mero traspasse de patrimônio entre pessoas jurídicas, mas houve, reiterese, liquidação de investimento da pessoa física na Zorba e novo investimento por parte da pessoa física na Apparelco. Diante desse contexto, não vislumbro cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, eis que o contribuinte desde o pedido de restituição apresentou corretamente os fatos, lastreandoos nos documentos constantes dos autos, para fundamentar a caracterização do alegado direito adquirido, não havendo que se falar em surpresa na mera apreciação dos fatos invocados pelo contribuinte para sustentar o preenchimento do antecedente normativo do art. 4°, d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, estando em litígio justamente a caracterização ou não do direito adquirido. Destarte, entendo como cabível a apreciação do mérito e a conclusão de se negar provimento ao recurso voluntário nos termos já explicitados. Por fim, deixo consignado que, em relação à preliminar suscitada de ofício, os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andrea Viana Arrais Egypto acompanharam o entendimento do conselheiro Matheus Soares Leite no sentido de não haver cerceamento de defesa diante da lide deduzida nos autos (ou seja: a lide fixada pelo Despacho Decisório envolveria apenas questão de direito de haver ou não direito adquirido, tendo a fiscalização tomado conhecimento dos fatos e motivado no Despacho Decisório haver alienação em 01/08/2000 de participações societárias da Zorba Têxtil S/A adquiridas em 12/08/1969), não Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 403 7 sendo cabível, por ser equiparável ao lançamento de ofício, a anulação, a modificação ou o aperfeiçoamento do Despacho Decisório com o escopo de se corrigir falha na motivação. Isso posto, CONHEÇO DO RECURSO e, REJEITANDO a nulidade do despacho decisório suscitada de ofício pelo conselheiro Cleberson Alex Friess, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Matheus Soares Leite Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, na hipótese vertente, no tocante à isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias. É o que será feito a seguir. A começar, ao meu ver, as conclusões apontadas pelo Ilmo. Relator, em seu voto, extrapolam os limites da acusação fiscal, delineados pelo despacho decisório (fls. 283/286), que, em momento algum, questionou a operação societária de alienação da participação societária na Zorba Têxtil S/A. Cabe pontuar que todo despacho decisório é um ato administrativo, equiparável ao lançamento, não sendo cabível a mudança, pelo órgão julgador, da motivação originalmente externada, transbordando sua competência para além dos limites fixados na lide. Em outras palavras, não se afigura possível à autoridade julgadora alterar o fundamento do lançamento, mediante a adoção de um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146, do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Ademais, para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. No caso concreto, nem mesmo a decisão de primeira instância questionou a operação societária levada a efeito, não entrando no mérito da questão fática, mas apenas na controvérsia jurídica posta, qual seja, a existência ou não do direito adquirido à isenção. Nesse compasso, a análise que se fez presente no despacho decisório (fls. 283/286), centrouse, unicamente, na controvérsia jurídica da questão posta, por entender que não haveria que se falar em direito adquirido à isenção, mas sim em mera expectativa de direito. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 404 8 A fiscalização entendeu que o fato gerador do tributo seria a percepção dos ganhos de capital pela alienação da participação societária, de modo que tal fato teria ocorrido sob a vigência da Lei n° 7.713/88, o que teria o condão de concretizar a hipótese de incidência nela contida, sendo essa, inclusive, a única motivação posta para o indeferimento do pleito do contribuinte. Admitir que o julgador pudesse introduzir novos motivos, estranhos aos fixados originalmente, seria reconhecer a eternidade da lide, pois, a todo o momento, o contribuinte se colocaria diante de novas acusações, devendo apresentar, com isso, reiteradamente, justificativas para todas elas. Assim, como os fatos narrados pelo Relator eram conhecidos pela fiscalização tributária e nada foi omitido, não cabe inovar a acusação fiscal trazendo elementos estranhos à lide. A controvérsia dos autos, portanto, diz respeito unicamente ao direito à isenção (direito adquirido) e não aos fatos. E, sobre a matéria de direito, há remansosa jurisprudência a favor do pleito do Recorrente, tendo, inclusive, sido objeto do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25 de junho de 2018, aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (...)”. Dessa forma, entendo que deve ser admitida a procedência da alegação do Recorrente, vez que sua pretensão se amolda ao disposto no Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25 de junho de 2018. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Redator Designado Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13850.720195/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/1999
PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO
Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição.
Numero da decisão: 3301-005.733
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/1999 PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração em análise. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 01 95 /2 01 4- 52 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 3 2 O pagamento objeto do crédito representaria a diferença da alíquota da Cofins de 2% para 3%, já que o interessado teria decisão judicial definitiva parcialmente procedente em discussão da Lei nº 9.718/98, na qual o STF teria afastado apenas a ampliação da base de cálculo, mas declarado constitucional a majoração da alíquota. Finda a ação judicial, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem iniciou procedimento fiscal, para apurar as diferenças de Cofins não declaradas. Após o início da ação fiscal, o interessado recolheu a Cofins, acrescida apenas dos juros de mora, sem multa, alegando os benefícios da MP nº 303/2006 e espontaneidade. A autoridade fiscal que lavrou o auto de infração, rechaçou os benefícios da Medida Provisória, já que o contribuinte não teria cumprido com os requisitos legais exigidos na mesma. O auto de infração foi discutido administrativamente, sendo que o acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário na matéria conhecida e não conheceu do recurso quando à alegação dos pagamentos se beneficiarem da MP nº 303/2006. Interposto recurso especial pela Fazenda Nacional, em face de tal decisão, o CARF determinou o não reconhecimento do recurso. Finda a discussão administrativa, o contribuinte apresentou o presente Pedido de Restituição, pretendendo utilizar o montante pago após o início do procedimento de fiscalização que culminou na lavratura do auto de infração. O PER/Dcomp foi baixado para tratamento manual, em virtude de medida liminar proferida no processo judicial. No despacho decisório, a autoridade fiscal indeferiu o pedido. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, para argumentar que teria efetuado recolhimentos diversos de Cofins, correspondentes à diferença de 1%, em referência à majoração da alíquota da Cofins implementada pela Lei nº 9.718/98, pleiteando a anistia prevista na Medida Provisória nº 303/2003, quando já estava em procedimento de fiscalização. Alegou que apesar dos recolhimentos, as autoridades fiscais teriam constituído o auto de infração e declarado a impossibilidade do interessado se beneficiar do Refis III, de modo que teria sido exigida a parcela referente à majoração da alíquota em 1% dos débitos de Cofins incidentes entre abril de 1999 e dezembro de 2001, janeiro, março, abril, agosto e novembro de 2003. O manifestante afirmou que no auto de infração constaria que o contribuinte não teria cumprido com as exigências da MP nº 303/2006, pois a mesma exigiria que os débitos ainda não constituídos teriam que ser confessados de forma irretratável e irrevogável, enquanto que a parcela exigida através do auto não teria sido declarada em DCTF. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 4 3 O manifestante argumentou que as próprias autoridades fiscais teriam afirmado, expressamente, que os pagamentos, sendo considerados indevidos, poderiam ser objeto de pedido de restituição ou compensação, conforme relatório anexo ao auto de infração. Acrescentou que o referido auto de infração teria sido discutido administrativamente e que o CARF teria dado provimento ao recurso voluntário de autoria da empresa, para cancelar o auto de infração e reconhecer a decadência do direito do Fisco constituir os débitos de Cofins. Por conseqüência de tal entendimento, o contribuinte teria transmitido PER/Dcomps diversos, para se aproveitar do direito à restituição dos pagamentos efetuados. Emitido o despacho decisório, as autoridades fiscais teriam indeferido o pleito, por entenderem que não haveria pagamento indevido ou a maior, por ter recolhido a Cofins espontaneamente, pleiteando a anistia da MP nº 303/2006. O contribuinte afirmou que os pagamentos realizados seriam indevidos, pois inexistiriam débitos constituídos, mas que seu direito não seria decorrente do cancelamento do auto de infração, e sim, dos pagamentos efetuados no âmbito do Refis III e considerados inválidos pelas autoridades fiscais. Citou jurisprudência administrativa e judicial. O manifestante afirmou que existiriam duas formas de se constituir o crédito tributário: através de lançamento por procedimento fiscal ou através de lançamento por homologação. Como teria efetuado os pagamentos antes da constituição do auto de infração e como os débitos não teriam sido declarados em DCTF, em seu entendimento, os pagamentos seriam indevidos. O interessado reclamou ainda que teria ocorrido mudança de critério jurídico, em violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional, pois no auto de infração as autoridades fiscais teriam considerado os pagamentos como indevidos, por descumprimento do §2º do art. 1º da MP nº 303/2006; já no despacho decisório, as autoridades do Fisco teriam modificado o entendimento para declarar que o pagamento não seria indevido nem maior que o devido. O manifestante aduziu também que a mudança de critério no despacho decisório afrontaria o Princípio da Segurança Jurídica e o da vedação ao comportamento contraditório, sendo vedado às autoridades administrativas alterarem seus atos anteriores. O interessado requereu ainda a reunião e julgamento conjunto de processos que tratariam de matéria idêntica. Concluiu, para requerer o provimento integral de sua manifestação, o deferimento do pedido de restituição e, caso necessária, a juntada posterior de documentos. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14061.423. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, trazendo, essencialmente, os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3301005.727, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13850.720166/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3301005.727): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foi indeferido pedido de restituição de COFINS, cujo crédito foi originado de um pagamento de COFINS realizado em 14/09/06, no montante de R$ 784.160,59 (R$ 417.417,54, de principal, e R$ 366.743,05, de juros). No DARF, foi indicado que referiase ao período de apuração (PA) 30/04/99 (fl. 142). O PER foi transmitido em 09/09/11. Dos autos, cumpre destacar o seguinte: i) Em 05/04/05, iniciouse uma fiscalização, que deu origem ao processo de n° 13864000164/200701. O objetivo era o de cobrar diferenças de COFINS do período de abril de 1999 a novembro de 2003. ii) Os débitos em aberto nasceram das discussões acerca do alargamento da base de cálculo da COFINS e da majoração de 1% da alíquota da COFINS, promovidos pelos § 1° do art. 3° e art. 8° da Lei n° 9.718/98, cujas constitucionalidades a recorrente questionou em juízo, porém obteve êxito apenas com relação à primeira. iii) No dia em que foi efetuado o recolhimento (14/09/06) considerado pela recorrente como indevido, estava em curso a citada ação fiscal. E o auditor fiscal não o abateu do crédito tributário a ser lançado, iv) A auditoria fiscal terminou em 02/07/07, com a lavratura de auto de infração (fls. 27 a 45), no qual, sobre os valores confessados em DCTF, lançados de ofício e pago (objeto do presente processo), autoridade fiscal fez constar o seguinte (fls. 31 a 33): "(. . .) DA EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE Conforme Termo de Início de Ação Fiscal 71/200501 (fl. 200), o contribuinte encontravase sob fiscalização desde Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 6 5 05/04/2005, havendo sido informado que, de acordo com os MPF 08120002005000712 (fl. 1) e 08120002005 0007121 (fl. 2) conforme disposto no parágrafo 1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72, sua espontaneidade estava excluída em relação à COFINS do período de abril/1999 a dezembro/2004. DOS PAGAMENTOS ERRONEAMENTE EFETUADOS Em sua resposta entregue em 02/02/07 (fl. 548), o contribuinte informou que "a diferença da alíquota adotada (1%) foi integralmente recolhida, nos termos da MP 303/06". Intimado, através do Termo de Intimação Fiscal 71/200525 (fl. 557), o contribuinte apresentou (fl. 558 e 559) cópias dos DARF de folhas 560 a 617, para comprovação desse recolhimento. Como nesses DARF não constasse multa, o contribuinte foi intimado, através do Termo Fiscal de Constatação e de Intimação 71/200526 (fl. 620), a informar a base legal (artigos da MP 303/06) de que se valera para efetuar os recolhimentos em questão sem acréscimo de multa. Em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), o contribuinte informou que efetuara o pagamento dos valores de COFINS em questão sem computar a multa de mora uma vez que, no momento do pagamento à vista dos débitos em questão, ainda se encontrava amparado por provimento jurisdicional suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (Medida Cautelar n° 9511, incidental ao Mandado de Segurança n° 1999.61.03.0013261). Informou ainda que o período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 fora pago à vista, com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°). (. . .) Assim, conforme parágrafo 6° do artigo 9°, combinado com o parágrafo 1° do artigo 1°, da MP 303/06, o pagamento com redução de multa (de mora ou de ofício) e juros de mora aplicavase à totalidade dos débitos da pessoa jurídica, constituídos ou não. No caso de débitos não constituídos (parágrafo 2° do artigo 1°), deveria haver a confissão de forma irretratável e irrevogável (denúncia espontânea). No caso em tela, verificase nos DARF de folhas 560 a 617 que, conforme informado pelo contribuinte em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), ele efetuou, em 14/09/06, pagamentos do principal (que informou serem decorrentes da diferença de 1% na alíquota adotada) do período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°), qual seja, redução de trinta por cento sobre o valor consolidado dos juros de mora incorridos até o mês Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 7 6 do pagamento integral. Como, para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, o contribuinte não havia declarado essas diferenças em DCTF, o correspondente crédito tributário não se encontrava constituído. Assim, para gozar do benefício fiscal previsto na MP 303/06, o contribuinte precisaria fazer a denúncia espontânea da infração. Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas DCTF para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, DARIA MARGEM A QUE O CONTRIBUINTE, APÓS OCORRIDA A DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE LANÇAR, VIESSE A PEDIR A RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS, ALEGANDO PAGAMENTO SEM CAUSA. Assim, como o contribuinte não atendeu (e nem poderia atender, por não gozar de espontaneidade para tal) à forma especificada no parágrafo 2° do artigo 10 na MP 303/06 para efetuar o pagamento à vista dos débitos não constituídos, não podia gozar do benefício fiscal previsto na referida MP, com o que os pagamentos foram erroneamente efetuados. Aos pagamentos erroneamente efetuados aplicase a conclusão da Solução de Consulta Interna n° 11 da Cosit/SRF, de 18 de dezembro de 2002, a seguir transcrita: "Desta forma, concluise que pagamento erroneamente efetuado, antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. Deve ser lançado o crédito tributário total, sendo o pagamento efetuado utilizado para amortização do crédito tributário apurado, cobrandose eventual saldo remanescente." Citese também a respeito o seguinte acórdão da l a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "IRPJ PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ESPONTANEIDADE Quando o sujeito passivo recolhe o tributo após o início do procedimento fiscal e sem o restabelecimento da espontaneidade, cabe o lançamento do tributo, com a multa de lançamento de ofício e dos juros de mora, calculados até a data do efetivo recolhimento. Os tributos Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 8 7 e acréscimos recolhidos, sob ação fiscal e para a mesma finalidade, podem ser utilizados para a quitação do crédito tributário lançado. (Acórdão 10194354Sessão de 10/09/2003)." Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa PARA OS ANOSCALENDÁRIO DE 1999 (A PARTIR DE ABRIL), 2000 e 2001, CABE O LANÇAMENTO DE OFÍCIO ATRAVÉS DESTE AUTO DE INFRAÇÃO, PELO SEU VALOR INTEGRAL, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, A SEU CRITÉRIO, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)"(g.n.) v) A recorrente defendeuse do auto de infração, obtendo decisão parcialmente favorável, no âmbito do CARF, por meio do Acórdão n° 3402001.161, de 02/06/11. Foram cancelados os débitos de COFINS do período de abril de 1999 a dezembro de 2003, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário." Com efeito, os artigos 45 e 46, respectivamente, determinavam que eram de dez anos os prazos prescricionais e decadenciais das contribuições sociais. vi) No Despacho Decisório (fls. 364 a 367), consta que o PER foi indeferido, porque o pagamento de R$ 784.160,59, realizado em 14/09/06 e referente ao período de apuração de 04/99, estava vinculado ao débito de 04/99, lançado de ofício. Enfatizou, inclusive, que valor o apurado pela fiscalização era maior do que o pago. Portanto, não havia pagamento indevido. viii) A DRJ ratificou que o pagamento estava vinculado ao débito lançado de ofício. Que foi efetuado no curso da ação fiscal, referindose a tributo (COFINS) e período de apuração (no DARF, foi indicado que se referia a 04/99) objetos do lançamento. ix) A decisão de piso consignou ainda que o Ministro Gilmar Mendes, em sede do RE n° 550.8829/RS, modelara os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, no sentido de que tão somente seriam Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 9 8 passíveis de repetição os pagamentos objetos de pedidos de restituição ou compensação protocolizados até o dia anterior ao do julgamento, qual seja, 11/06/08. Como o PER foi transmitido em 09/09/11, não havia direito à restituição. Assiste razão à recorrente. Em 19/07/07, a fiscalização lavrou auto de infração (processo n° 13864.000164/200701), no qual consignou que o pagamento efetuado em 14/09/06 não fora admitido como vinculado ao período de apuração abril de 1999, em razão de não ter sido confessado em DCTF, e também de que já havia ação fiscal em curso, o que se constata por meio da leitura do trecho do auto de infração acima transcrito (fls. 31 a 33), do qual destaco o seguinte: "(. . .) Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas dctf para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, daria margem a que o contribuinte, após ocorrida a decadência do direito do fisco de lançar, viesse a pedir a restituição dos valores pagos, alegando pagamento sem causa. (. . .) Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, cabe o lançamento de ofício através deste auto de infração, pelo seu valor integral, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, a seu critério, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)" (g.n.) Confirmase tal informação, nas fls. 35 (auto de infração, "fato gerador abril de 1999") e 46 (planilha anexa ao auto de infração), que contêm o cálculo do valor a ser lançado de ofício para o mês de abril de 1999. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, o montante de R$ 784.160,59, pago em 14/09/06, a título de COFINS, referente ao período de apuração de 04/99, foi efetuado indevidamente e, portanto, é passível de restituição. Com efeito, verificase no excerto do auto de infração acima reproduzido que o próprio agente fiscal rotulou o pagamento efetuado como indevido. Ademais, não há que considerar o argumento da DRJ de que o STF não teria autorizado a repetição de tributos pagos sob a vigência dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, porém não reclamados. Tal argumento somente seria aplicável, caso o pagamento em questão tivesse sido vinculado ao valor lançado na DCTF ou de ofício, o que, como vimos, não foi o caso. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 502DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.907896/2011-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo redução do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, defere-se parcialmente o ressarcimento e se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3003-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo redução do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, defere-se parcialmente o ressarcimento e se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso até o limite do crédito reconhecido.
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRECALENDÁRIO. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo redução do saldo credor de IPI do trimestrecalendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, deferese parcialmente o ressarcimento e se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 78 96 /2 01 1- 12 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10783.907896/201112 Acórdão n.º 3003000.216 S3C0T3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Vitória (fl. 17), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito de IPI e homologou as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte apresentou PER/DCOMPs, no valor de R$ 31.878,24, referente ao saldo credor de IPI do 4º trimestre de 2007. A DRF em Vitória, deferiu parcialmente o pedido, reconhecendo o direito creditório de R$ 8.040,35, e exigindo os débitos não homologados: principal – R$ 18.357,24; multa – R$ 3.671,44; e juros – R$ 8.997,90. No site da Receita Federal, nas Informações Complementares da Análise de Crédito da PER/DCOMP em análise (nº 29816.21457.290408.1.1.011814) foi anexado Parecer Fiscal, no qual consta que foi lavrado auto de infração que resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Segundo o referido Parecer, o auto de infração de IPI é decorrente das seguintes irregularidades: foi glosado parte do crédito presumido de IPI, de que tratam as Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, em razão da exclusão, no cálculo, das receitas de exportação indireta, resultante de vendas para empresas comerciais exportadoras que não tiveram como destino o embarque para exportação ou depósito em recinto alfandegado, descumprindo a exigência contida no Regulamento do IPI no que diz respeito ao “fim específico de exportação”; além de ter recalculado o crédito presumido dos períodos, a fiscalização apurou e lançou o valor do IPI incidente nas vendas destinadas às comerciais exportadores, às quais não ficou caracterizado o “fim específico de exportação”, considerando Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10783.907896/201112 Acórdão n.º 3003000.216 S3C0T3 Fl. 4 3 as como vendas internas, sob a classificação fiscal 6802.23.00, sendo aplicada a alíquota de 5%. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10783.724924/201150. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/16, com as seguintes alegações: o auto de infração foi objeto de impugnação, que está pendente de julgamento na esfera administrativa; a suspensão da exigência fiscal, até o julgamento da referida impugnação, é medida que logicamente se impõe; requer a suspensão da exigência tributária de que trata o despacho decisório em referência, até o julgamento da impugnação apresentada ao auto de infração; contesta, no mérito, os motivos alegados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração. Por fim, requereu a suspensão da exigência fiscal até o julgamento da impugnação em que deverá ser declarada a insubsistência do procedimento fiscal, e ao final, a total homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestre calendário, em virtude de lançamento de imposto, deferese o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Quando a delegacia de origem já deferiu o valor correspondente ao saldo credor reconstituído, não resta saldo a ser deferido. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual reportase às razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade, pleiteando ainda a atualização monetária do crédito de IPI e, caso reste cobrado algum valor, a remissão dos débitos. É o Relatório. Voto Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10783.907896/201112 Acórdão n.º 3003000.216 S3C0T3 Fl. 5 4 Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento do saldo credor de IPI do 4º trimestre de 2007 foi parcialmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. O deferimento parcial se deu porque, em virtude da lavratura de auto de infração e reconstituição da escrita fiscal, houve redução do saldo credor a ser ressarcido. O referido auto de infração foi lavrado e formalizado no processo nº 10783.724924/201150, que foi julgado e integralmente mantido pela 1ª Instância. Atualmente o processo encontrase em fase recursal junto ao CARF. Quanto as razões de mérito apresentadas na manifestação de Inconformidade relativas ao auto de infração, não cabem ser analisadas no presente processo uma vez que estão sendo enfrentadas no processo próprio. Nos termos do artigo 170 do CTN1, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. Além do disposto no CTN, a compensação é regida pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 que permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10783.907896/201112 Acórdão n.º 3003000.216 S3C0T3 Fl. 6 5 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Entendo, portanto, que, mantido integralmente o lançamento e a decorrente reconstituição da escrita fiscal, e redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre calendário, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada, sendo correto o deferimento parcial do crédito pleiteado, e a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Em sendo assim o pleito não reveste de certeza e liquidez, não obstante, contestação administrativa do processo de auto de infração, nº 10783.724924/201150, que encontrase em fase recursal nesse Conselho. Quanto à questão relativa ao acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC ao ressarcimento dos créditos de IPI e remissão dos débitos alegados em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10783.907896/201112 Acórdão n.º 3003000.216 S3C0T3 Fl. 7 6 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. No caso em tela, a recorrente inovou em relação a questão relativa ao acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC ao ressarcimento dos créditos de IPI e à remissão dos débitos. A falta de questionamento da matéria em instâncias anteriores, impede a instância ad quem de conhecêla sob pena de se subverterem as regras que comandam os pleitos e confrontam a jurisprudência pertinente à matéria processual.. E em derradeiro, não há como acatar o pedido de suspensão do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo do auto de infração, tendo em vista, inexistência de previsão legal. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900611/2009-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ÔNUS DA PROVA. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
O artigo 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decreto-lei nº 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte.
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. TRATAMENTO MANUAL DE INFORMAÇÕES.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita contábil/fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Mera alteração da DCTF, desacompanhada de provas, não é suficiente para fundamentar a alteração da base de cálculo do tributo que confere origem ao direito creditório.
Numero da decisão: 9101-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator), Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator) e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O artigo 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decretolei nº 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. TRATAMENTO MANUAL DE INFORMAÇÕES. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita contábil/fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Mera alteração da DCTF, desacompanhada de provas, não é suficiente para fundamentar a alteração da base de cálculo do tributo que confere origem ao direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator), Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator) e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 06 11 /2 00 9- 26 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 230 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade (efls. 10 a 13) contra Despacho Decisório (efl. 7) que não homologou PER/DCOMP nº 24057.40384.241005.1.3.043411, em virtude de suposta inexistência de crédito decorrente de pagamento de CSLL, no valor de R$ 6.862,53. Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a contribuinte, em síntese, que: a) em 31.12.2004, recolheu CSLL (cód 2484), referente à competência novembro/2004, no valor de R$ 298.077,29, ocasionando um recolhimento a maior, no montante de R$ 6.003,96, pelos fatos descritos na sequência; b) apurou no ano de 2004 o CSLL com base no lucro real, cujas estimativas foram calculadas e pagas com base no balancete de suspensão/redução. Não obstante, constatou que a apuração de novembro/2004 continha inconsistências, que geraram o pagamento a maior da contribuição, conforme se observa na DIPJ original e retificadora, entregues, respectivamente, em Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 231 3 24.06.2005 e 21.05.2008, onde, em ambas, foi declarado o saldo a pagar de R$ 292.073,34 (fls. 24/27); c) a DCTF retificadora do 4º. trimestre de 2004, enviada em 31.03.2008, contém imperfeições quanto ao valor devido de CSLL do mês de novembro “dando a entender que no caso em questão o crédito já havia sido integralmente utilizado, não obstante tal fato não é verdadeiro haja vista que decorre de falha no preenchimento da DCTF”; e d) em 16.04.2009, foi enviada DCTF retificadora, para corrigir a imperfeição mencionada. Em 28 de janeiro de 2015, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1272.409 (efls. 64 a 66), que, por unanimidade de votos, manteve o despacho decisório proferido pela autoridade lançadora. Confirase a ementa de tal decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (efls. 69 a 85) reiterando seus argumentos e requerendo seja determinada a homologação das Declarações de Compensações vinculadas ao presente processo. O Acórdão nº 1302002.016 do CARF (efls. 94 a 99), em 25 de janeiro de 2017, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório alegado e homologar a compensação pleiteada até o valor do crédito reconhecido. Vejase a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS. Não há norma que vede a retificação de DCTF após proferido Despacho Decisório, pois não se pode entender que o contribuinte esteja sob fiscalização apenas porque tramita processo em que pleiteia restituição/compensação de tributos. Ato contínuo, interpôs a Fazenda Nacional, Recurso Especial (efls. 101 a 108) apontando divergência em relação à exigência da necessária comprovação do erro para o reconhecimento do direito creditório, sendo o ônus da prova do contribuinte. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 232 4 Para demonstrar a divergência, apresentou o seguinte Acórdão paradigma: Acórdão nº 3402002.696: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 Ementa: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. O despacho de admissibilidade (efls. 118 a 121) entendeu estar demonstrada a divergência levantada quanto à exigência da necessária comprovação do erro para o reconhecimento do direito creditório e deu seguimento ao recurso. Por sua vez, a Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls. 131 a 141) questionando o conhecimento, alegando que o acórdão paradigma não demonstra corretamente a divergência e que não houve o devido cotejo analítico entre a decisão recorrida. No mérito, alega que os documentos já acostados aos autos, são suficientes para a demonstração da legitimidade e correção, tanto da retificação da DCTF, quanto do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Relator Conhecimento Conforme o despacho de admissibilidade atestou (p. 118/121), o recurso especial da Procuradoria (p. 101/108) é tempestivo e atenderia aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 233 5 O contribuinte, contudo, contestou a admissibilidade do referido recurso especial em suas contrarrazões (p. 131/142), sob o argumento de que o acórdão paradigma não demonstra corretamente a divergência e que não houve o devido cotejo analítico entre o paradigma e a decisão recorrida. Vejamos se, de fato, há similitude fática entre o v. acórdão paradigma e o v. acórdão recorrido a justificar o conhecimento do recurso especial interposto pela Procuradoria por divergência. Constatouse que o v. acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que, mesmo depois de exarado despacho decisório que não homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte, seria possível retificar a DCTF na qual foi informado o valor devido pelo contribuinte a título de estimativa, no caso, em novembro/2004, uma vez que “não há norma que vede a retificação de DCTF após proferido Despacho Decisório, pois não se pode entender que o contribuinte esteja sob fiscalização apenas porque tramita processo em que pleiteia restituição/compensação de tributos”, reforçando que “vale também alertar que a alegação de que a retificação de declaração só seria cabível se fosse demonstrada previamente a existência de erro, (...), também não procede, pois ele só encontraria respaldo no art. 147, § 1º do CTN, o qual se aplica apenas à declaração que compõe a modalidade de lançamento tributário de que trata o art. 147 do CTN (lançamento por declaração)”. No entanto, não é só por essas razões que o Colegiado a quo entendeu cabível a retificação realizada pelo contribuinte. Ficou consignado no v. acórdão recorrido que “o Despacho Decisório não homologou a compensação porque entendeu que o DARF no valor de R$ 298.077,29 tinha servido para liquidar o débito da estimativa de novembro/2004 declarado em DCTF no mesmo valor”. Ou seja, no cotejo entre o valor do DARF e a sua alocação, feita via DCTF, a conclusão é que não haveria saldo de pagamento a maior que pudesse justificar a compensação pretendida. Esclarece adicionalmente o Colegiado a quo no v. acórdão recorrido: “se havia divergência entre a DIPJ e a DCTF, deveria ter, desde logo, (a DRF) intimado à contribuinte a se manifestar sobre a divergência. Assim não agindo a DRF, só restou à recorrente retificar sua DCTF após a ciência do despacho decisório, conduta que não encontra qualquer óbice no ordenamento jurídico”. Ou seja, se não houvesse a divergência entre o conteúdo da DCTF com o conteúdo da DIPJ, a decisão do Colegiado a quo seria diferente, possivelmente na direção dos votos vencidos, que entendiam pela necessidade de baixar os autos em diligência. O v. acórdão paradigma trazido à colação pela Procuradoria, no intuito de demonstrar divergência de entendimento em situações similares, embora traga posicionamento de que não seria possível a retificação da DCTF após a expedição de despacho decisório em face da declaração de compensação fundada em pagamento com DARF – “a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o Despacho Decisório”, não abarca a situação específica e concreta enfrentada pelo Colegiado a quo da existência de divergência entre a informação prestada em DCTF e a prestada em DIPJ. Há fortes razões para entender que a Turma responsável pelo acórdão paradigma poderia ter entendimento diverso se estivesse na mesma situação enfrentada pelo Colegiado a quo. Vêse, desta forma, que a Procuradoria não trouxe à baila acórdão paradigma hábil para demonstrar divergência de entendimento de Turmas distintas do CARF, pois as Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 234 6 situações enfrentadas não são similares, descumprindo, assim, os requisitos de admissibilidade do recurso especial interposto. Desta forma, não conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria. Mérito Na hipótese de ser superada a questão pelo não conhecimento, passase à análise de mérito. Em síntese, a questão posta para análise e julgamento deste Colegiado é a possibilidade, ou não, de alterar o teor de um despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte mediante retificação de uma DCTF em momento posterior ao próprio despacho decisório, ressaltandose que a retificação da DCTF, por reduzir o valor originalmente apontado como devido pelo contribuinte, “gera crédito” em razão do DARF pago originalmente, no valor exato que foi declarado originalmente, terse tornado maior do que o valor apontado na retificadora. Ao ver deste Julgador, numa análise inicial e superficial, poderseia concluir que o contribuinte, de fato, não poderia fazer a retificação em momento posterior ao despacho decisório que lhe negou a homologação da compensação, uma vez que, até o momento em que o despacho foi exarado, o DARF pago seria do exato valor do débito informado pelo contribuinte em DCTF e, assim, com o alocação de todo o valor da DARF ao referido pagamento, não haveria qualquer saldo, ou pagamento indevido ou a maior, passível de compensação. Neste ponto, irretocável o despacho decisório. No entanto, com a DRJ mantendo o despacho decisório e o contribuinte tendo o direito de apresentar seu recurso voluntário dirigido ao CARF, o Colegiado a quo, através do v. acórdão recorrido, decidiu pela possibilidade da retificação, mas com uma ressalva que, no caso concreto, fez toda a diferença: já no momento em que o contribuinte apresentou sua declaração de compensação, em 24.10.2005, a DIPJ2005, entregue em 24.06.2005, trazia a informação de que a estimativa devida, para o mês de novembro/2004, era de R$ 292.073,34, valor diverso do informado em DCTF original, no importe de R$ 298.077,29, mesmo valor do DARF pago e apontado para fins de compensação da diferença, no importe de R$ 6.003,96. Desta forma, ainda que, posteriormente, a DCTF tenha sido retificada pelo contribuinte para reduzir o valor apontado como devido de R$ 298.077,29 para R$ 292.073,34, não se estava simplesmente fazendo uma redução de valor devido sem comprovação de erro; estavase ajustando a DCTF ao valor correto, já informado previamente em DIPJ e em data anterior à própria DCOMP objeto deste processo administrativo. Sob este específico aspecto, podese concluir que não se está diante de uma mera retificação extemporânea de DCTF para “gerar crédito” em DARF pago anteriormente, mas de uma retificação que faz a adequação da informação da DCTF aos dados consolidados na DIPJ apresentada pelo contribuinte em momento anterior à própria DCOMP. Tal fato, com a devida vênia, afasta a necessidade de prova de erro na informação original, nos moldes apontados no paradigma, tendo por fundamento o art. 147, § 1º, do CTN. Por fim, apenas para reforçar que o contribuinte teria, de uma forma ou de outra, direito de crédito, se não houvesse a compensação da diferença entre o valor pago com DARF, a título de estimativa em novembro/2004, diretamente via DCOMP, na forma realizada, Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 235 7 na DIPJ2005 seria apurado um saldo negativo de CSLL no exato montante do crédito compensado, pois haveria pagamento da estimativa no importe de R$ 298.077,29 em novembro/2004, mas com o ajuste do valor efetivamente devido na DIPJ – R$ 292.073,34, a CSLL a pagar seria menor e restaria o crédito em questão para fins de compensação, como saldo negativo de CSLL. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria, mantendo o v. acórdão recorrido por seus próprios fundamentos e pelos argumentos acima dispendidos. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto do I. relator, peço vênia para divergir sobre a admissibilidade e o mérito. Sobre a admissibilidade, entendo não haver reparos no despacho de exame de admissibilidade de efls. 118/121. Transcrevo excerto no qual se demonstra a divergência entre decisão recorrida e paradigma: O paradigma diz respeito a uma compensação não homologada, onde a contribuinte pleiteava na DCOMP a compensação de crédito de PIS com débitos de IRPJ e CSLL. O pedido foi indeferido, tendo em vista que o DARF apontado na declaração estava integralmente alocado ao débito do próprio PIS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, a contribuinte apresentou DCTF retificadora, onde alegou que o PIS foi liquidado em parte com o DARF indicado na DCOMP e em parte com créditos de IPI. A relatora do voto do paradigma destaca que a jurisprudência do CARF tem admitido a retificação extemporânea da DCTF, mas apenas quando o interessado prova o equívoco cometido. E, por fim, concluiu que não foi o que aconteceu naquele processo, pois a recorrente trouxe para os autos apenas a DCTF retificadora e não juntou qualquer outra prova. Transcrevemse os seguintes trechos do paradigma (efl.114): (...) Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 236 8 No caso em tela, no mesmo sentido do paradigma, o voto condutor considerou que não há qualquer vedação à retificação da DCTF após proferido o despacho decisório na DCOMP. Contudo, teve entendimento contrário no que diz respeito à necessidade de que a retificação estivesse atrelada à demonstração do erro, conforme trecho abaixo do acórdão a quo (efl.98): (...) Paradigma e recorrido partem de situações semelhantes, quais sejam, a retificação da DCTF posteriormente ao despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação através de DCOMP para justificar a existência de crédito; entretanto, possuem interpretação divergente no que concerne à necessidade de comprovação do erro que ensejou a retificação. Assim sendo, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 19991, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Passo ao exame do mérito. Discutese se a DCTF retificadora, encaminhada após a emissão do despacho decisório que apreciou o reconhecimento do direito creditório, seria, por si só, suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, ou se teria que estar lastreada por escrita contábil e fiscal e documentos probatórios para justificar a alteração da declaração com efeito de confissão de dívida. A princípio, cumpre esclarecer que os §§ 9º, 10 e 11, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19962, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decretolei nº 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. Ou seja, eventuais retificações em declarações, via de regra, devem ser acompanhadas de documentos de se mostram aptos a lastrear as modificações informadas. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 (...): ................................................................................................................. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 237 9 Uma vez apreciado e não satisfeito o pedido de reconhecimento de direito creditório, em razão de divergências entre informações do PER/DCOMP e da DCTF, entendeu a contribuinte ser suficiente a retificação da DCTF, que passou a espelhar o que foi informado na declaração de compensação. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse sentido, não basta a mera retificação da DCTF para que reste comprovada as alterações na apuração da base de cálculo do tributo que daria origem ao crédito pleiteado. A retificação da declaração deve estar lastreada por dados da escrita contábil e fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros. Aqui não se fala em mera formalidade, e tampouco na impossibilidade de se retificar a DCTF. Pelo contrário. As informações encaminhadas por DCTF, declaração com efeito de confissão de dívida, para serem retificadas, devem estar lastreadas por documentação probatória. Não basta simplesmente retificar a DCTF para se concretizar uma alteração na base de cálculo dos tributos. Há que se motivar, justificar, demonstrar com clareza as razões da alteração. Vale registrar que a DIPJ não tem natureza de confissão de dívida, sendo informativa. Portanto, a convergência deve estar entre as informações declaradas em PER/DCOMP e DCTF. A situação posta no caso concreto reforça, com didatismo, a necessidade de se lastrear a DCTF com documentação de suporte, no caso de retificação após emissão do despacho decisório. A contribuinte encaminhou oito declarações de DCTF, informando um valor "X", e somente na última e oitava DCTF, entregue após a ciência do despacho decisório, foi declarado o valor "X 1". A decisão da DRJ esclareceu à Contribuinte, com clareza, o motivo do indeferimento: 16 Nesse contexto de informações divergentes, caberia ao interessado, além de retificar a DCTF, acostar aos autos provas documentais (exemplo: livros contábeis, balancetes de suspensão/redução – cód 2484, etc.), a fim de comprovar o erro alegado, afastando dúvidas acerca da efetiva existência do direito creditório pleiteado. As provas necessárias à comprovação do erro alegado não foram acostadas aos autos. E, mesmo ciente da decisão, insistiu em não apresentar documentação que pudesse dar lastro à retificação. Mais uma vez reforço: não se fala em mera formalidade ou na impossibilidade de se retificar a DCTF. O que se evidencia é que, para retificar declaração com efeito de confissão de dívida, para alterar a base de cálculo do tributo que dá origem ao direito creditório, após a decisão administrativa que indeferiu o pedido com base em dados da declaração original, cabe a apresentação de documentação de suporte. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10909.900611/200926 Acórdão n.º 9101004.139 CSRFT1 Fl. 238 10 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.900082/2009-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado , por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado , por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado , por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 00 82 /2 00 9- 03 Fl. 119DF CARF MF 2 Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão 1242.630, de 5 de dezembro de 2011, da 7ª Turma da DRJ/DRJ I, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 28955.15935.150207.1.3.047110, em 15/02/2007, efls. 26, utilizandose do crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), código 2484, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês de dezembro do anocalendário de 2006 no valor de R$ 27.339,03 para compensação dos débitos ali confessados. O Despacho Decisório Eletrônico, efl. 7, concluiu pelo indeferimento do pedido nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 15.067,98 Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF n° 600/2005 e art. 74 da Lei n° 9.430/96 Irresignada a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, alegando que: A DCOMP deveria ser homologada pelo simples fato de que o crédito era suficiente para a compensação, sendo incorreto apenas a nomenclatura apontada para o crédito; Fl. 120DF CARF MF Processo nº 19740.900082/200903 Acórdão n.º 1003000.562 S1C0T3 Fl. 3 3 Tratase de mero erro de preenchimento, uma vez que os créditos decorrem do saldo negativo de CSLL; O erro ocorreu na transmissão, em 15/02/2008, quando já era possível verificarse o saldo negativo de CSLL e que o período de apuração da transmissão já permitia a utilização do crédito; Caso mantenha o entendimento que o crédito ainda deve se manter como pagamento indevido, o Conselho Superior de Recursos Fiscais entende que os valores pagos em montante excedente ao apurado a titulo de estimativa, nos termos da legislação vigente, podem ser compensados, a qualquer tempo, nos termos do que determina o artigo 165 do Código Tributário Nacional, por se caracterizar como indébito tributário. A Autoridade Fazendária dará prevalência a verdade material, e não a verdade formal, como é entendimento do Conselho de Contribuintes. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. INOVAÇÃO DO PEDIDO IMPOSSIBILIDADE Não tem cabimento alterar a natureza do crédito de pagamento indevido ou a maior para saldo negativo nesta instância de julgamento, por se tratar de inovação do pedido, sob pena de ferir o Princípio da Ampla Defesa e ao Contraditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão da DRJ/RJ I entendeu que se tratava de alteração da natureza do crédito de pagamento indevido para saldo negativo, portanto de inovação do pedido e não poderia ser julgado no contencioso administrativo, suprimindo uma instância de julgamento. Fl. 121DF CARF MF 4 Em relação ao alegado pela Recorrente quanto ao entendimento do CSRF sobre os valores pagos em montante excedente ao apurado a titulo de estimativa, a DRJ alega que sua decisões estariam vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas do CARF aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda e ao entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos (art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006). Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário contra a decisão proferida no acórdão combatido, reiterando que a compensação deve ser acolhida, por se tratar de um erro formal de preenchimento, e ainda que não tivesse sido, a jurisprudência do CARF é clara no sentido de que mesmo na vigência da IN 600 da SRF, o recolhimento a maior por estimativa em um mês já geraria o direito a compensação no mês seguinte. Apresentou decisões da quinta câmara da CSRF nas quais se admitiu a compensação/restituição de valores de estimativa recolhidos a maior que o devido a partir do mês seguinte ao recolhimento. Colacionou também a ementa do acórdão 10196829 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual se reconheceu que a verdade material deve prevalecer sobre o formal. Requer seja acolhido o recurso voluntário apresentado para que seja reformado o Acórdão da DRJ I e consequentemente seja homologada a compensação pretendida no PER/DCOMP nº 28955.15935.150207.1.3.047110. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Entendo que o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). Contudo, a reforma do acórdão a quo, não implica o reconhecimento implícito do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 19740.900082/200903 Acórdão n.º 1003000.562 S1C0T3 Fl. 4 5 Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Dessa forma, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720423/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS. OMISSÃO.
DILIGÊNCIA. Indefere-se a diligência considerada prescindível, vez que as provas juntadas aos autos foram analisadas e valoradas sem a necessidade de análise por perito.
Numero da decisão: 1402-003.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMBARGOS. OMISSÃO. DILIGÊNCIA. Indefere-se a diligência considerada prescindível, vez que as provas juntadas aos autos foram analisadas e valoradas sem a necessidade de análise por perito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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Embargante ARCELORMITTAL SUL FLUMINENSE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS. OMISSÃO. DILIGÊNCIA. Indeferese a diligência considerada prescindível, vez que as provas juntadas aos autos foram analisadas e valoradas sem a necessidade de análise por perito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 23 /2 01 1- 19 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.865 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Tratase o presente de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte em epígrafe, em face do Acórdão nº 1402003.350, por meio do qual o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O r. acórdão embargado restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos. AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja, na apuração de lucro líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência. Os ajustes decorrentes desse procedimento somente podem implicar em alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetemse à tributação os valores dos prejuízos fiscais, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetemse à tributação os valores das bases de cálculo negativas, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.865 S1C4T2 Fl. 4 3 Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. A Embargante apresentou embargos para questionar dois pontos: 1) omissão quanto à farta comprovação documental da origem dos saldos de PF e BN de CSLL utilizados na DIPJ de 2007, atrelados ao resultado do Processo Administrativo nº 19515.001075/200630; e 2) omissão quanto ao pedido formulado no Recurso Voluntário de conversão do feito em diligência, o que, pela relevância da controvérsia instaurada na sessão representa uma flagrante violação ao princípio da verdade material. Os embargos foram admitidos tão somete em relação ao item 2 acima. É o relatório. Voto (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) Os Embargos são tempestivos e interposto por parte competente, posto que os admito. No mérito entendo que não assiste razão à embargante. Isto porque, cumpre me esclarecer inicialmente, o voto de qualidade se deu em relação à aplicação da chamada trava dos 30%. Naquela oportunidade prevaleceu o voto de lavra do i. Conselheiro Evandro Correa Dias que restou assim redigido: ...verificase que o presente auto de infração tratase de compensação de prejuízos inexistentes, e não de excesso em relação ao limite legal de 30%, referido nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, a fiscalização comparou os saldos acumulados de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL em 01/01/2006 constantes do sistema SAPLI da Secretaria da Receita Federal do Brasil com os montantes declarados na DIPJ/2007 – anocalendário de 2006, e constatou que o interessado compensou montantes de prejuízos fiscais e de bases negativa de CSLL em valores superiores ao que dispunha, conforme reprodução a seguir. (...) Ressaltase o fato incontroverso da recorrente não ter atualizado o LALUR com os devidos ajustes e retificações decorrentes de todos os eventos Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.865 S1C4T2 Fl. 5 4 supervenientes que possam dar causa a alterações nos prejuízos fiscais controlados, inclusive, decorrentes de mutações provocadas por autuações fiscais. O que vai de encontro ao previsto nos Artigos 260 e 262 do RIR/99: (...) Os argumentos e documentos trazidos pela Recorrente não trouxeram fatos novos que comprovassem a procedência dos créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL alegadas no recurso. Notase divergências na elaboração da tabela pelo interessado e falta de comprovação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL. Por esses motivos devem ser mantidos os lançamentos realizados. Nessa toada, verificase, portanto, que esta e. Câmara analisou e valorou as provas apresentadas pela Recorrente ao longo do Processo Administrativo, conforme bem observado pelo sr. Presidente quando do exame de admissibilidade dos presentes Embargos. Não há espaço, em meu entendimento, “ensejar a análise por um perito expert em contabilidade (...) para que seja elaborado laudo definitivo sobre a apuração dos créditos glosados”. Nessa linha, entendo desnecessária a diligência requerida, aplicando à espécie a inteligência do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Assim decidimos ao julgarmos os autos do processo administrativo nº 10120.011386/200919, acórdão nº 1402003.008, relator Conselheiro Evandro Correa Dias, j. 11/04/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art., 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.865 S1C4T2 Fl. 6 5 Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. Estas as razões, portanto, para acolher os embargos sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora ad hoc Fl. 729DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.915918/2009-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP, pelo sujeito passivo, somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, que são instrumentos previstos para que os contribuintes questionem a não-homologação de uma compensação (no sentido de revertê-la), não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas.
Numero da decisão: 9101-004.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP, pelo sujeito passivo, somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, que são instrumentos previstos para que os contribuintes questionem a nãohomologação de uma compensação (no sentido de revertêla), não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Daniel Ribeiro Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 59 18 /2 00 9- 43 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 3 2 (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto a duas matérias, que podem ser assim sintetizadas: 1 possibilidade de cancelamento de PERDCOMP, mesmo após a promulgação de Despacho Decisório que indeferiu a compensação; e 2 possibilidade de compensações de indébitos de estimativas. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à matéria constante do item "1" acima indicado. Houve negativa de seguimento para a matéria tratada no item "2", conforme o despacho exarado em 03/11/2015 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento de parte do recurso foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 04/11/2015. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1801002.191, de 25/11/2014, por meio do qual a 1ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, entendeu que não competia ao órgão julgador a retificação ou cancelamento de PER/DCOMP, que a competência para isso seria da unidade de jurisdição da contribuinte, por meio de recurso inominado ou revisão de ofício. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 4 3 Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não compete ao órgão julgador a retificação ou cancelamento das declarações entregues pelos contribuintes. A competência é da unidade de jurisdição, por meio de recurso inominado ou revisão de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: DO ACÓRDÃO RECORRIDO tratase de Processo Administrativo instaurado com desígnio de discutir a legitimidade do aproveitamento dos créditos fiscais representados pela DCOMP n° 21824.10066.290906.1.3.045379, por meio da qual a empresa Recorrente objetivou compensar os montantes indevidamente recolhidos, a título de estimativa mensal, na competência de 06/2006; acontece que, após a transmissão do mencionado pedido de compensação, a Recorrente observou que os valores porventura recolhidos de maneira indevida não precisariam, necessariamente, ser compensados por meio de PER/DCOMP, cabendo a suspensão ou redução dos pagamentos subsequentes, na forma do artigo 35 da Lei n° 8.981/95; contudo, não obstante a Recorrente ter recolhido sua estimativa mensal em importância superior àquela efetivamente devida durante a competência em epígrafe, a Secretaria da Receita Federal do Brasil entendeu, de maneira equivocada, pela não homologação da referida compensação, tampouco considerou a informação acerca da equivocada apresentação da DCOMP; para tanto, a autoridade fiscal argumentou que, depois de proferida decisão administrativa, não poderia o contribuinte retificar as suas declarações vinculadas à compensação, mesmo que o intuito seja retificar informações que impeçam eventual aproveitamento dos créditos; além disso, fazendo referência ao possível aproveitamento de crédito fiscal proveniente de recolhimento por estimativa, sustentouse que "não há como rever o Despacho Decisório questionado, uma vez que na vigência da IN n° 600, de 2005, o procedimento pretendido pelo contribuinte estava expressamente vedado"; Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 5 4 dessa forma, diante da equivocada conclusão consagrada pela Delegacia de Julgamento competente, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, ao qual se negou provimento integralmente, conforme decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; segundo se depreende do acórdão recorrido, a E. Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento negou provimento ao recurso, mantendo in totum o entendimento consagrado em Primeira Instância; porém, tal como se pode observar da jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consolidada pelas demais turmas julgadoras, conforme será devidamente demonstrado, o entendimento consagrado pelo acórdão recorrido não merece prosperar; DO POSSÍVEL CANCELAMENTO DA PER/DCOMP conforme foi esclarecido, após a apresentação da DCOMP em comento, a Recorrente tomou conhecimento de que não era preciso solicitar a compensação da importância recolhida indevidamente, eis que é possível suspender e/ou reduzir os recolhimentos subsequentes, tal como disposto no artigo 35 da Lei n° 8.981/95, abaixo transcrito: [...]; neste contexto, diante da equivocada não homologação de seu pedido de compensação, a Recorrente apresentou Impugnação e posterior Recurso Voluntário informando que a mencionada DCOMP tinha perdido seu objeto e, por conseguinte, pugnando pelo cancelamento da mesma; porém, a Primeira Turma Especial negou provimento ao citado recurso, sob equivocada alegação de que o cancelamento de DCOMP deveria ser direcionado, exclusivamente, à Delegacia da Receita Federal do Brasil competente pela respectiva jurisdição; acontece que, contrariando o entendimento consagrado por meio do acórdão recorrido, este C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, em reiteradas oportunidades, no sentido de ser cabível o cancelamento do PER/DCOMP no âmbito de Recurso Voluntário; conforme se observa da louvável conclusão apresentada através do Recurso Voluntário n° 10855.900758/200816 (Acórdão nº 1102001.272), outras Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhecem a possibilidade de se cancelar o débito informado em PER/DCOMP apresentada de maneira equivocada pelo sujeito passivo, conforme o seguinte julgado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 2003. COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido. em outras palavras, segundo orientação jurisprudencial do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mostrase plenamente possível que o Conselheiro determine o cancelamento do PER/DCOMP e, portanto, do débito declarado, quando Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 6 5 apresentado Pedido de Compensação de maneira equivocada pelo contribuinte, não representando prejuízo ao Fisco; apresentase importante ressaltar que, tal como igualmente acontece in casu, o acórdão paradigma (Doc. 03) versa acerca da possibilidade de cancelamento de PER/DCOMP apresentado de maneira desnecessária pelo contribuinte, seja porque o débito já estava adimplido ou porque não exigível; neste contexto, mostrase imperioso elaborar quadro analítico com o escopo de demonstrar que existe similitude fática entre os citados acórdãos, eis que a matéria debatida no v. acórdão paradigma se assemelha, nos mínimos detalhes, à presente controvérsia, conforme quadro abaixo: [...]; corroborando o exposto acima, cumpre transcrever parte do voto proferido pelo Relator do acórdão paradigma, in verbis: [...]; assim sendo, diante dos esclarecimentos apresentadas acima, apresentase incontestável que os acórdãos recorrido e paradigma possuem similitude fática que suficientemente justifica o conhecimento e o provimento do Recurso Especial em referência; dessa forma, reiterandose integralmente os termos do Recurso Voluntário, a Recorrente esclarece que, diante da suspensão e/ou redução dos recolhimentos relacionados com as competências fiscais seguintes, não existem débitos a serem compensados e, por conseguinte, não existem créditos a serem aproveitados, sendo equivocada a referida DCOMP; ressaltese que a inexistência de saldo de crédito se deve ao fato de que a importância excedente foi utilizada na dedução do tributo devido nas competências posteriores, conforme autoriza o referido artigo 35 da Lei n° 8.981/95, fato que está devidamente comprovado nos presentes autos; pelo exposto, considerando que a jurisprudência do próprio E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhece a possibilidade de cancelamento do PER/DCOMP em sede de Recurso Voluntário, sendo que o pedido de compensação apresentado pela Recorrente se mostra inócuo, eis que não existem débitos a serem adimplidos, resta incontestável que o v. acórdão recorrido merece ser integralmente reformado. Já foi mencionado que na fase do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte só foi dado seguimento ao recurso para a primeira divergência alegada, que trata da possibilidade de cancelamento de PER/DCOMP, mesmo após a promulgação de Despacho Decisório que indeferiu a compensação. O reconhecimento da divergência jurisprudencial em relação a essa matéria foi assim fundamentado: 1ª Divergência: possibilidade de cancelamento de PERDCOMP, mesmo após a promulgação de Despacho Decisório que indeferiu a compensação anteriormente pleiteada. [...] Vêse que a comparação entre as decisões estabelece a divergência argüida. Enquanto que no caso do acórdão recorrido a Turma considerou Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 7 6 que, além de não ser possível o cancelamento do PERDCOMP após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu a compensação, as Turmas do CARF não seriam competentes para apreciar tais solicitações. Já, no caso do paradigma, a Turma se considerou competente para apreciar pedido de cancelamento de PER/DCOMP, como também atendeu o pedido da defesa nesse sentido, mesmo após a ciência de Despacho Decisório. Assim, neste ponto, ao Recurso Especial deverá ser dado seguimento. Em 05/01/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial da contribuinte, e em 11/01/2016, o referido órgão apresentou tempestivamente peça de contrarrazões, com os seguintes argumentos: DOS FUNDAMENTOS PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO a Lei nº 9.430/1996 determina: Art. 74 [...]; sobre o Pedido de Cancelamento da Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (Grifos nossos) sobre o tema, segue a jurisprudência do CARF: [...]; portanto, concluise que há previsão legal para o cancelamento de PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte. No entanto, para preencher as condições legais, a apresentação desse pedido deve ocorrer antes da decisão administrativa sobre a homologação; esta lógica do sistema também vem disposta no art. 77 da Instrução Normativa n° 900, de 30 de dezembro de 2008: “o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador”; no presente caso, o contribuinte retificou as declarações após a intimação do despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Ainda, o pedido de cancelamento do PER/DCOMP foi requerido à DRJ em sede de manifestação de inconformidade; Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 8 7 além disso, como esclarece o acórdão recorrido, “Além da sua extemporaneidade, o pedido de cancelamento do PER/DCOMP foi requerido à autoridade que não possui competência para analisálo e deferilo”; dessa forma, deve ser negado provimento ao Recurso Especial da contribuinte. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo traz controvérsia sobre PER/DCOMP (declaração de compensação) transmitido em 29/09/2006, por meio do qual a contribuinte pretendeu compensar débito de IRPJ/Estimativa relativo ao mês de agosto/2006 com crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior de IRPJ/Estimativa referente ao mês de junho/2006, no valor original de R$ 447.536,83 (efls. 13/18). A Delegacia de origem não homologou a compensação, entendendo que o crédito decorrente de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL desse mesmo período. Desde a manifestação de inconformidade, a contribuinte vem requerendo o cancelamento do PER/DCOMP, com a alegação de que houve erro no preenchimento da DIPJ; de que ela considerou, erroneamente, uma exclusão de receita no mês de Junho/2006, quando essa exclusão deveria ter sido efetuada em Agosto/2006 (o pagamento de junho estaria correto, e não haveria o débito de agosto que foi objeto de compensação); e de que a declaração de compensação sequer era necessária, face o disposto no art. 35 da Lei nº 8.981/95 (porque se trata compensação entre estimativas do mesmo tributo e no mesmo ano). Quanto a isso, a decisão de primeira instância administrativa assinalou que, após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade competente, é vedado o cancelamento da declaração de compensação e que, ainda que fosse possível, isso deveria ter sido requerido à DRF de jurisdição do contribuinte, como determina o art. 295, XI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº. 587/2010, já que a DRJ não possui competência para tanto. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) manteve esse mesmo entendimento. E com seu recurso especial, a contribuinte insiste na tese da possibilidade de cancelamento de PER/DCOMP pelos órgãos julgadores. Realmente, a análise de pedido de cancelamento de PER/DCOMP está no âmbito de competência da unidade local de jurisdição do sujeito passivo. No que diz respeito à cobrança do débito decorrente da não homologação do PER/DCOMP, compete à unidade de origem verificar em concreto a existência do erro de fato argüido pela contribuinte, bem como adotar as providências que o caso venha a requerer. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 10 9 Sobre a questão da competência legal para cancelamento de PER/DCOMP, cabe registrar que o foco do processo de compensação é o encontro de contas. E se já houve negativa (indeferimento, não aceitação, cancelamento) desse encontro de contas (sem que haja uma controvérsia quanto a essa parte dispositiva da decisão administrativa), não cabe dar continuidade ao processo para que se modifique apenas o fundamento da decisão denegatória (em vez de ser cancelada pela inexistência/inviabilidade do crédito, a compensação passaria a ser cancelada pela inexistência do débito). É necessário perceber que a contribuinte pretendeu seguir com o processo não para defender a regularidade da compensação, visando sua homologação, e sim para conseguir o cancelamento do débito que ela mesma apurou e informou ao Fisco, e isso está além dos limites do rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972. Com efeito, o referido decreto prevê o processamento de litígios referentes a créditos tributários constituídos mediante lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento. Tratase daqueles créditos tributários constituídos de ofício pelas autoridades fiscais. Não desconheço que a Lei 9.430/1996, em seu art. 74, §11, prevê a aplicação do rito processual do Decreto nº 70.235/1972 aos processos de compensação tributária, mas isso se aplica àqueles casos em que a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação (art. 74, §9º, da mesma lei), pretendendo revertêla, o que, conforme já mencionado, não ocorre aqui. O Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para cancelar débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para cancelar débitos informados em DCTF. Isso não significa, de forma nenhuma, defender a cobrança de tributo indevido, fruto de erro material da contribuinte, com violação do princípio da verdade material, etc. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. E uma eventual determinação feita pela DRJ ou pelo CARF para que a Delegacia de origem reexaminasse o PER/DCOMP incorreria exatamente nesse problema. É o caso de indagar: se a contribuinte não ficasse satisfeita com o posicionamento da DRF em relação ao cancelamento do débito confessado, ela poderia voltar ao CARF para questionar isso, uma vez que o reexame teria sido determinado por este órgão? É esse o contexto que inspira as regras contidas na IN SRF nº 600/2005 (vigente à época do envio do PER/DCOMP): Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação [...] Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 11 10 Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. [...] Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. O cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP, pelo sujeito passivo, somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. Depois de proferido o despacho decisório pela Delegacia de origem negando o encontro de contas, a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, que são instrumentos previstos para que os contribuintes questionem a nãohomologação de uma compensação (no sentido de revertêla), não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Em síntese, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em NEGARLHE provimento. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.915918/200943 Acórdão n.º 9101004.191 CSRFT1 Fl. 12 11 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908249/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
RELATÓRIO.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO. Tratase de procedimento de PER/DCOMP, não homologado, em que a Manifestante realizou a compensação de crédito, decorrente de pagamento indevido e a maior da contribuição ao PIS/PASEP (Código 6912; PA 31.01.2010), no valor original de R$ 255,92, com débito de IRPJ (código 236201; PA set./2011; vencimento em 31.10.2011).; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 24 9/ 20 12 -1 1 Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13888.908249/201211 Resolução nº 3001000.208 S3C0T1 Fl. 3 2 Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 104/108), verbis. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41035145 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 04763.39037.261011.1.3.044031. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$255,92, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/02/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13888.908249/201211 Resolução nº 3001000.208 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido em 12 de novembro de 2014 (fls. 114), a empresa ingressou com Recurso Voluntário em 24.11.2014 (fls. 120/130), instruído com centena de documentos (fls. 131/785), reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON, posto que pagou R$ 34.706,24 e o valor devido era de R$ 26.462,12, gerando um montante pago a maior da ordem de R$ 8.244,12, como se comprova com exame da DACON do mês de abril de 2008; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13888.908249/201211 Resolução nº 3001000.208 S3C0T1 Fl. 5 4 obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Em 03 de dezembro de 2014, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 789). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima transcrita, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13888.908249/201211 Resolução nº 3001000.208 S3C0T1 Fl. 6 5 existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Fl. 753DF CARF MF Processo nº 13888.908249/201211 Resolução nº 3001000.208 S3C0T1 Fl. 7 6 Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13888.908249/201211 Resolução nº 3001000.208 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 755DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004211/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB.
O atraso na entrega da DIMOB, por pessoa jurídica legalmente obrigada, enseja a aplicação de penalidade. Contudo, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001, o valor da penalidade aplicada pelo atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica, deve ser reduzido para R$1.500,00 por mês calendário ou fração.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-003.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor da multa aplicada para R$1.500,00, por mês calendário ou fração, conforme disposto no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, , Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. O atraso na entrega da DIMOB, por pessoa jurídica legalmente obrigada, enseja a aplicação de penalidade. Contudo, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001, o valor da penalidade aplicada pelo atraso na entrega da DIMOB pela pessoa jurídica, deve ser reduzido para R$1.500,00 por mês calendário ou fração. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor da multa aplicada para R$1.500,00, por mês calendário ou fração, conforme disposto no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 42 11 /2 00 7- 63 Fl. 80DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, , Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.004211/200763 Acórdão n.º 1401003.400 S1C4T1 Fl. 80 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão n. 06 25.130 3' Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, manteve a autuação referente à multa por atraso na entrega da DIMOB do ano calendário de 2006. Trata o processo de Notificação de Lançamento, mediante a qual é exigido R$ 5.000,00, decorrente de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, relativa ao anocalendário de 2006, tendo como enquadramento legal o art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, e art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Cientificada da exigência fiscal, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01/05, em 18/04/2007, considerada tempestiva pela unidade de origem, argumentando que completou a Dimob antes mesmo da data do termo final para entrega enviandoa via email, entretanto, no envio virtual do documento, recebeu a mensagem de que a operação não estava sendo completada devido a "arquivo corrompido". A partir dai, dirigiuse à Receita Federal com o disquete do arquivo que acusou o mesmo problema, sendo informado por um funcionário que o problema decorreu da utilização de acentuação e hífen no preenchimento da Dimob. Dessa forma, diz que refez a declaração, a fim de eliminar esses elementos característicos da língua portuguesa, sem, no entanto, conseguir entregar no prazo. Por isso, considera injusta a multa aplicada, já que havia respeitado o prazo de entrega, porém não conseguiu enviar a declaração porque o programa da Receita Federal não aceitava a utilização de acentuação e outros elementos da língua portuguesa, que, salienta, não tinha ciência desse aspecto do programa. Apreciados os argumentos da impugnação, o lançamento foi mantido conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. ERRO DURANTE A TRANSMISSÃO. Uma vez que o preenchimento da declaração e a sua transmissão é de responsabilidade exclusiva dos contribuintes, a ocorrência de erro durante a transmissão da Dimob, impedindo a completa transmissão de dados Secretaria da Receita Federal, não configura a entrega da declaração e o possível cancelamento da multa por atraso Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o resultado do julgamento, interpôs Recurso Voluntário, clamando pela observância ao princípio da razoabilidade e a prova de que a Imobiliária Puppi Fl. 82DF CARF MF 4 Ltda. nunca teve a intenção de descumprir a Lei ou causar prejuízo, requerse a Vossa Senhoria a anulação ou cancelamento do lançamento da multa aplicada, por ser medida injusta. É o breve relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso de Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Conforme demonstrado no relatório, a Recorrente, em suas razões recursais, se insurgiu contra o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, do ano calendário de 2006. Em Recurso Voluntário, o contribuinte repetiu os argumentos da impuganção, razão pela qual, por economia processual, e em atenção ao §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas, em relação aos argumentos já enfrentados pela DRJ. Na Receita Federal, quando da entrega do disquete com arquivo da DIMOB, foi.verificada novamente corrupção de arquivo. Visto isso, o representante da Imobiliária foi encaminhado, após ter falado com diversos funcionários, para falar com o Sr. Marcos, funcionário do SERPRO, a fim de se localizar o problema que estava gerando o arquivo corrompido. O problema detectado foi a utilização de acentuação e hífen no preenchimento da DIMOB, alertamos que não havia nenhuma informação no preenchimento da DIMOB, comunicando para não utilizar acentuação e hífens, levando a empresa a erro. Dessa maneira a Imobiliária teve que refazer a DIMOB a fim de eliminar esses elementos característicos da lingua portuguesa, sem, no entanto, conseguir refazer a tempo de cumprir novamente o prazo do dia 28/02/2007, pois já estávamos no final da manhã do dia 28 e, portanto, não havia mais tempo hábil para se refazer o preenchimento e conferência, conseguindo entregar somente na data de 02/03/2007 (a imobiliária passou o final de semana refazendo a declaração, pois demanda tempo de digitação e conferência). Ato continuo, a Imobiliária foi notificada a pagar multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pelo atraso na entrega da declaração. O que de maneira alguma se configura medida justa, se considerado e lembrado que a impugnante havia respeitado o prazo para entrega, porém não conseguiu fazêlo porque o programa da utilizado gela Receita Federal não aceitava a utilização de acentuação e outros elementos próprios da Língua Portuguesa. Notese, ainda, que a Imobiliária não tinha ciência desse aspecto do programa, não sendo passível a exigência de que tivesse conhecimento dele, portanto não se conforma justa a notificação para pagamento de multa se o atraso se deu por motivos alheios à conduta da Imobiliária Puppi Ltda., que por diversas vezes esteve na sede da Receita Federal em Curitiba tentando resolver o problema, inclusive tentando entregar a DIMOB em disquete e também impressa o que não foi acolhido pela Receita Federal. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.004211/200763 Acórdão n.º 1401003.400 S1C4T1 Fl. 81 5 Contudo desde a impugnação não trouxe nenhum elemento probatório que demonstrasse essa informação, de modo que tal alegação não foi acolhida, tendo a DRJ a afastado sob os seguintes argumentos: Primeiramente, vale ressaltar que, ainda que tenha havido o preenchimento da declaração antes do prazo final de entrega, como menciona a interessada, somente pode ser considerada a declaração entregue, de fato, após a completa transmissão dos dados ã Secretaria da Receita Federal, por meio de programa especifico, onde é gerado automaticamente o Recibo de Entrega da Declaração. No que se refere aos problemas encontrados no envio da declaração via internet, ainda que sejam decorrentes de utilização de caracteres e sinais da língua portuguesa não aceitos pelo programa gerador, como menciona a interessada, não há como eximir a exigência que lhe foi imposta, uma vez que a responsabilidade pelo preenchimento dos dados e envio é do contribuinte. Assim é que, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, tratandose de legislação tributária, abstraise da intenção do agente c da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, na definição de responsabilidade. Fato é que o que se tem desde a impugnação, no que se refere às dificuldades do contribuinte na entrega da DIMOB como descrito nas suas razões recursais é apenas o esclarecimento de fls. 07, mas que fora elaborado em 09/03/2007 e recebido pela Receita em 14/03/2007, mas após a incidência da multa conforme notificação de fls. 08, indicando que a Declaração fora entregue somente em 02/03/2007, ou seja, após dois dias do prazo final em 28/02/2007. Portanto na falta de melhores elementos de prova que evidenciem a impossibilidade relatada pelo contribuinte na entrega da declaração, não vejo como acolher seus argumentos. Contudo, todavia, entendo possível a redução do valor da multa aplicada, e razão do surgimento de legislação posterior mais benéfica à contribuinte. Examinando a matéria, verificase que a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), instituída pela Instrução Normativa SRF nº 304/2003 com o objetivo de coletar dados relativos à comercialização e locação de imóveis. Assim sendo, a DIMOB, portanto, deve ser apresentada obrigatória pelas pessoas jurídicas e equiparadas que: (a) comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; (b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; (c) que realizarem sublocação de imóveis, e, (d) ainda aquelas que foram constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. Posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 1.115/2010 regulou a questão nos seguintes termos: Fl. 84DF CARF MF 6 Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento. [...] Art. 3º A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 1º Para a apresentação da Dimob referente aos fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital, exceto para as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). § 2º O recibo de entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Art. 4º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II 5% (cinco por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem, por termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.004211/200763 Acórdão n.º 1401003.400 S1C4T1 Fl. 82 7 Contudo, a respeito, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, até 27.12.2012, com alterações introduzidas pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 e pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, passou assim a determinar: Art. 57 O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$500,00 (quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$100,00 (cem reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013)(...) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013. a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III Fl. 86DF CARF MF 8 deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4º Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013). Após a exposição da legislação de regência, cabe ressaltar que, no tocante à penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do CTN). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. [...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.004211/200763 Acórdão n.º 1401003.400 S1C4T1 Fl. 83 9 [...] Desta forma, a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do ano calendário de 2006, que deveria ser entregue, pela Recorrente, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente, o foi, de acordo com documento de fls., fora do prazo regulamentar, cabe a aplicação de penalidade tributária De fato, a legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a DIMOB foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. Todavia, em razão do princípio da retroatividade benigna, explicado alhures, bem como pelo disposto no Parecer Normativo Cosit nº 3/13, o valor da multa de ofício isolada aplicada deve ser reduzido para R$1.500,00, por mês calendário ou fração, tendo em vista o teor do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Por outro lado, a Recorrente questiona a constitucionalidade da multa aplicada sob o argumento de sua instituição teria desrespeitado princípios previstos em nossa Carta Magna. Contudo, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para reduzir o valor da multa aplicada para R$1.500,00, por mês calendário ou fração, conforme disposto no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.934182/2009-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 41 82 /2 00 9- 34 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório EletrônicoDDE da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, emitido em 10/12/2009, fl. 238, que reconheceu em parte o direito creditório a ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI, referente ao terceiro trimestre de 2004, pleiteado através do PER/DCOMP nº 32062.05196.300306.1.3.013595. Do crédito solicitado em ressarcimento/compensação de R$ 176.683,11, foi reconhecido o valor de R$ 148.912,18, correspondente ao menor saldo credor do período posterior ao trimestre a que se refere o pedido, tendo sido exigido do contribuinte o valor principal de R$ 19.480,68, correspondente aos débitos indevidamente compensados. O deferimento parcial do pedido decorre da constatação da utilização parcial na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a apresentação do PER/DCOMP. O contribuinte, inconformado com o Despacho Decisório em referência, apresentou em 21/01/2010, manifestação de inconformidade tempestiva, fls. 02/09 considerando a ciência do Despacho Decisório em 22/12/2009, fl. 53. Alega incorreção na apuração do menor saldo credor do período posterior ao trimestre a que se refere o pedido. Elabora demonstrativo do período de 01/2003 a 02/2006, com os valores que entende devidos, fls. 04/05, onde consta como menor saldo credor do período o valor de R$ 176.683,11. Entende incorreto o valor do menor saldo credor do período posterior ao trimestre a que se refere o pedido, correspondente a R$ 148.912,18 apurado no DDE. Alega não haver sido considerado o crédito que teria direito no total de R$ 26.754,88, do período anterior a julho de 2004. Insurgese contra as glosas de R$ 93,85, R$ 733,75 e R$ 188,45, relativas a janeiro, fevereiro e março de 2005, respectivamente. Destaca que a autoridade fiscal não detalhou nem justificou suficientemente essas glosas, impedindo a sua defesa, assim como o recolhimento do débito, pois desconhece a base da cobrança. Requer seja anulado o despacho decisório e reconhecido integralmente o crédito postulado pela manifestante ou demonstrado pela autoridade fiscal, de maneira clara, a origem do débito. Aduz ter ocorrido cerceamento de defesa na medida que não consta indicativo de como e onde foi obtido o saldo credor inicial de R$ 268.836,61, do Demonstrativo de Apuração de Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 4 3 Saldo Credor Ressarcível. Afirma ter elaborado seus pedidos de ressarcimento a partir do saldo credor de R$ 295.591,49, oriundo do segundo trimestre de 2004, o qual decorre da diferença entre o saldo credor em 30/06/2004 de R$ 844.542,50 e a soma dos PER/DCOMP de R$ 548.951,01. Alega desconhecer a origem da diferença dos créditos de R$ 26.754,88, que, juntamente com as glosas do primeiro trimestre de 2005, totalizam R$ 27.770,93, não considerados no despacho decisório, não havendo como contestálo. Afirma que a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa JurídicaDIPJ do anocalendário de 2004, confirma que o saldo credor de IPI em 30/06/2004 era exatamente o valor de R$ 844.542,50 e que as compensações no total de R$ 548.951,01, encontramse comprovadas através das cópias de seis PER/DCOMP em anexo, sendo o correto a ser considerado como saldo credor do trimestre o valor de R$ 295.591,49. Quanto às glosas do primeiro trimestre de 2005, afirma não realizar operações de aquisição de produtos tributadas pelo IPI que não lhe dão direito a crédito. Requer a reforma da decisão e a conseqüente homologação dos créditos, conforme pedido de compensação, nos termos do artigo 156 do Código Tributário Nacional, de modo que seja extinto o débito e afastados os juros e a multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da manifestação de inconformidade. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. PROVAS. A simples alegação de incorreção nos valores apurados, sem especificar as razões de inconformidade e desacompanhada de provas, não é suficiente para alterar o despacho decisório. NULIDADE. Não configura o cerceamento do direito de defesa quando os valores apurados no Despacho Decisório tiveram por base as informações dos PER/DCOMP elaborados e transmitidos pelo próprio contribuinte, sem a Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 5 4 correspondente comprovação dos valores por ele considerados. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual, na essência, repisa as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 3º trimestre de 2004 foi parcialmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. Conforme informação fiscal, a parte glosada decorre da constatação da utilização parcial na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a apresentação do PER/DCOMP. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação vinculada a Pedido de Ressarcimento de IPI, conforme disposto nas normas regulamentadoras. As compensações foram homologadas parcialmente, segundo o despacho decisório inicial, pois constatouse a utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 6 5 A fundamentação da homologação parcial da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório foi insuficiente, a compensação foi parcialmente homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Conforme relatado na decisão recorrida, o sistema informatizado, ao apurar o saldo credor inicial para o primeiro período de apuração do trimestre a que se refere o pedido, tomou por base as informações prestadas pelo próprio contribuinte nos diversos PER/DCOMP por ele informados, cujo valor conforme legenda, corresponde: “Para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores.” A recorrente alega que o saldo credor em 30/06/2004 era de R$ 844.542,50, que subtraído dos valores informados nos PERDCOMP, R$ 548.951,01, resultaria num montante de R$ 295.591,49, sendo o correto a ser considerado como saldo credor do trimestre. Discorda ainda, de forma genérica, das glosas do primeiro trimestre de 2005. Embora a análise do crédito do contribuinte seja feita de forma eletrônica, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório e demonstrativos anexos, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Ademais, não há que se cogitar em nulidade do despacho decisório: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa: lembrando que a recorrente, mesmo após a decisão de primeira instância, mantevese inerte com relação à produção de argumentos e provas que pudessem refutar a apuração do direito creditório apresentada nos demonstrativos integrantes do despacho decisório. Igualmente não vislumbro a omissão aventada na decisão recorrida uma vez que o julgador não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida, bastando apenas que indique os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11080.934182/200934 Acórdão n.º 3003000.220 S3C0T3 Fl. 7 6 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes, além das declarações sob sua responsabilidade, que pudessem comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Os demonstrativos colacionados pela recorrente com os valores que entende devidos não vieram acompanhados da documentação contábil e fiscal apta a comprovar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. A cópia de parte do Livro de Apuração do IPI, de junho de 2004, trazendo apenas o resumo das saídas de mercadorias neste mês e ao final da página a menção ao crédito de R$ 844.542,50, decorrente da dedução do débito de R$ 236.827,58 do crédito total de R$ 1.081.370,08, não comprova a origem de tais valores. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 269DF CARF MF
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