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Numero do processo: 10983.912102/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 02 /2 00 9- 53 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ código 2362 – no valor de R$ 167.545,68, em 31 de maio de 2006, para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912102/200953 Acórdão n.º 1102000.537 S1C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912102/200953 Acórdão n.º 1102000.537 S1C1T2 Fl. 4 5 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000184/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO LEGAL.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
RECEITA BRUTA. ICMS. O ICMS integra a receita bruta, sendo excluído para fins de apuração da receita líquida.
MULTA QUALIFICADA.
A imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. A omissão de receita apurada tão-somente com base nos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte não autoriza a imposição da multa de 150%.
DECADÊNCIA.
O afastamento da multa qualificada e a existência de pagamentos atraem a norma do art. 150, § 4º, do CTN na verificação da ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao auto de infração decorrente ou reflexo a decisão relativa ao auto de infração matriz, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1103-000.673
Decisão: acordam os membros do colegiado NEGAR provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, e DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, também por maioria, para acolher a preliminar de decadência quanto ao crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 30/06/2004 e determinar a redução da
multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO LEGAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. RECEITA BRUTA. ICMS. O ICMS integra a receita bruta, sendo excluído para fins de apuração da receita líquida. MULTA QUALIFICADA. A imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. A omissão de receita apurada tão-somente com base nos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte não autoriza a imposição da multa de 150%. DECADÊNCIA. O afastamento da multa qualificada e a existência de pagamentos atraem a norma do art. 150, § 4º, do CTN na verificação da ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao auto de infração decorrente ou reflexo a decisão relativa ao auto de infração matriz, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
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Alimentos Ltda, José Paulo Cândido Júnior e Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO LEGAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. RECEITA BRUTA. ICMS. O ICMS integra a receita bruta, sendo excluído para fins de apuração da receita líquida. MULTA QUALIFICADA. A imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. A omissão de receita apurada tãosomente com base nos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte não autoriza a imposição da multa de 150%. DECADÊNCIA. O afastamento da multa qualificada e a existência de pagamentos atraem a norma do art. 150, § 4º, do CTN na verificação da ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao auto de infração decorrente ou reflexo a decisão relativa ao auto de infração matriz, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado NEGAR provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, e DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, também por maioria, para acolher a preliminar de decadência quanto ao crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 30/06/2004 e determinar a redução da multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O processo trata de recursos de ofício e voluntário contra o Acórdão nº 14 27.618/2010 (volume XIV/fls. 2.817), da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP. Os fatos motivadores da exigência tributária se encontram assim descritos no relatório da decisão recorrida: "No âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal n. 08.1.09.002009007331 (fl. 02), contra a empresa acima identificada, submetida à sistemática de tributação pela modalidade de lucro presumido, foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de ofício majorada, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 2629/2689). (...) Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2633/2655), o início do procedimento decorreu da discrepância entre o total de sua movimentação financeira, da ordem de R$32.703.583,22, em confronto com a receita declarada à administração tributária, no valor de R$2.944.935,72. Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 4 3 De posse dos livros fiscais e informações prestadas pela contribuinte, apurou se que a receita escriturada, relativa ao anocalendário de 2004, atingiu o montante de R$21.079.422,20, enquanto que o registro consignado em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) fora da ordem de R$2.944.935,72, conforme descrito anteriormente. Tal circunstância suscitou a imposição tributária baseada em omissão de receita, cuja capitulação legal, inclusive dos acessórios, encontrase detalhada nos termos que integram os autos de infração correspondentes. Por entender que houve evidente intuito de fraude, presente a figura da sonegação, capitulada no art. 71 da Lei n. 4.502, de 1964, a autoridade fiscal impôs multa qualificada de 150%, além de formalizar representação fiscal para fins penais, em vista de que considerou incidir, em tese, a tipificação penal prevista nos arts. 1º e 2º da Lei n. 8.137, de 1990, que define crimes contra a ordem tributária. A autoridade fiscal incluiu no pólo passivo os senhores José Paulo Cândido Júnior, CPF 057.057.43823 e Paulo César Barão Cândido, CPF272.771.43855, como sujeitos passivos solidários, em face de entender pela existência de interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores da obrigação tributária, materializado no fato de serem os administradores de fato da sociedade empresária. Os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária achamse acostados sob fls. 2629/2632." A contribuinte autuada e os responsabilizados impugnaram a exigência (fls. XIV/2.697, 2.708 e 2.724) A turma de primeira instância considerou procedente o crédito tributário e determinou a exclusão do responsabilizado Paulo César Barão Cândido do pólo passivo, assim resumindo o acórdão: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As questões sujeitas às mesmas regras adotadas para o lançamento do principal submetemse a idêntico entendimento adotado para este, em virtude da relação de causaeefeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 5 4 A multa de ofício qualificada, de 150%, será aplicada quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte adotou práticas que visaram impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. Nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a imputação da solidariedade tributária deve restar demonstrado o interesse comum da pessoa natural na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário." No seu recurso voluntário (fls. XV/2.858), Cajuru Ind. Com. Alimentos Ltda alegou preliminarmente decadência do direito de constituir o crédito tributário quanto aos fatos geradores de janeiro a junho de 2004. No mérito, defendeu a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo dos tributos lançados. A multa qualificada seria descabida em razão da ausência de intenção de fraude além de caracterizar confisco. Requereu diligência para que a autoridade fiscal esclarecesse “quais documentos basearam a quantificação do auto de infração, e se todos estes valores estavam devidamente escriturados nos livros fiscais da recorrente, a fim de demonstrar a ausência total de dolo, ensejador do agravamento da multa.” José Paulo Cândido Júnior também interpôs recurso voluntário, no qual, em linhas gerais, refutou a imputação de responsabilidade tributária (fls. XV/2.843). A DIPJ/2005 foi apresentada com apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro presumido (fls. 04). É o relatório. Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso de ofício foi interposto em razão da exclusão do responsabilizado Paulo César Barão Cândido do pólo passivo, muito embora o crédito tributário tenha sido integralmente mantido na decisão de primeira instância. A questão foi enfrentada no voto condutor do acórdão contestado nos seguintes termos: "Relativamente ao enquadramento do senhor Paulo César Barão Cândido como responsável, há que se observar que ele mantém relação de emprego com a contribuinte, ratificada pela cópia de sua Carteira de Trabalho que atesta a ligação mantida. O fato de apresentar ganho desproporcional em relação aos outros funcionários da sociedade empresária (fl. 2596) não desnatura o vínculo empregatício. Tampouco permite incluílo no pólo passivo em vista de que a responsabilidade tributária a que alude o art. 135 do CTN reclama a prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. No caso vertente não restou caracterizada a prática de qualquer dos atos contemplados no preceptivo legal. (...) Tenho comigo que a declaração do contador, descrita no item 7.2.3 'c' do Termo de Verificação Fiscal, embora seja um indício, por si só não é suficiente para caracterizar a sujeição passiva a que se refere o art. 135, III, do CTN, do senhor Paulo César Barão Cândido." Vêse que o contexto de fato foi inteiramente compreendido, aplicandose a adequada interpretação do art. 135 do CTN. A decisão deve ser prestigiada nesta parte. Os recursos voluntários são tempestivos e foram apresentados por partes legítimas, além de reunirem os demais pressupostos de admissibilidade. Devem, portanto, ser conhecidos. Inicialmente, registrese o descabimento do exame no âmbito do julgamento administrativo tributário de alegações relativas a supostas inconstitucionalidades de leis vigentes, matéria privativa do Poder Judiciário nos termos do art. 102 da Constituição da República, restando verificarse, tãosomente, a conformidade do ato de lançamento à legislação tributária aplicável. Esse é o entendimento consubstanciado em Súmula deste Conselho: Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 7 6 "Súmula Carf nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Omissão de receitas/diligência A autuada não contestou a quantificação da receita omitida indicada no auto de infração. Entretanto, requereu diligência para esclarecimento acerca da identificação dos documentos que basearam a apuração fiscal e escrituração dos valores nos seus livros fiscais. O item 7.1 do TVF – termo de verificação fiscal (fls. 2.638), que trata “da apuração da omissão de receitas”, contém detalhada descrição do levantamento fiscal realizado com o auxílio de diversas tabelas demonstrativas das receitas auferidas, indicando os valores extraídos do livro Diário e dos livros fiscais do ICMS, além do cotejo dessas receitas apuradas de ofício e dos valores informados na DIPJ/2005. A verificação requerida é desnecessária, tendo em vista que todos os elementos de prova caracterizadores da omissão de receitas identificada pela fiscalização estão nos autos. Exclusão ICMS/inconstitucionalidade O pedido para exclusão do ICMS da base de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins tem por fundamento suposta incompatibilidade entre os valores do tributo estadual e os conceitos de faturamento e receita. Ademais, na interpretação da contribuinte, a própria legislação das referidas contribuições sociais determinaria a exclusão do ICMS exigido por substituição tributária, procedimento que, “pela lógica do sistema”, se estenderia a todos os valores correspondentes ao ICMS. A tese da contribuinte não encontra amparo na legislação tributária. Por disposição expressa do art. 279 do RIR/1999 (art. 44 da Lei 4.506/1964 e art. 12 do DL 1.598/1977), a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, como ocorre com o IPI. O ICMS integra a receita bruta, sendo excluído para fins de apuração da receita líquida, conforme determina o art. 280 do referido Regulamento (art. 12, § 1º, do DL 1.598/1977). Como já mencionado acima, este órgão não detém competência para o exame de questões relativas a supostas inconstitucionalidades de lei tributária. Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 8 7 Multa qualificada/confisco A autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150% em razão da constatação de valores escriturados e não declarados, o que caracterizaria o evidente intuito de burlar o Fisco, além da “simulação quanto à constituição do quadro societário da empresa fiscalizada”, segundo descrição contida no item 9 do TVF. A alegação de confisco vai na trilha da inconstitucionalidade de lei, o que já se viu ser de exame descabido no âmbito do julgamento administrativo. A penalidade se encontra prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/1996, que prescreve: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)" A tipificação dos casos de sonegação, fraude ou conluio se encontra assim definida na Lei 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Para a contribuinte, houve mera divergência de interpretação da legislação tributária, não restando caracterizada a intenção dolosa. Não teria ocorrido modificação intencional das características essenciais do fato gerador de modo a diferir, reduzir ou evitar o Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 9 8 pagamento dos tributos devidos. Destacou a obtenção pelo Fisco de todos os elementos diretamente da sua escrituração contábil e fiscal, “em procedimento de fácil verificação”. A imposição da multa teria decorrido “unicamente da visita da Fiscalização ao seu estabelecimento”. De fato, conforme ratificado neste voto por ocasião do exame do requerimento para realização de diligência, toda a apuração da infração ocorreu com base na escrituração da contribuinte, sem o cômputo de quaisquer valores estranhos aos seus registros contábeis e fiscais. A pacífica e extensa jurisprudência administrativa acolhe a aplicação da multa qualificada exclusivamente nos casos de comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, segundo entendimento contido na Súmula Carf nº 14, assim enunciada: "Súmula Carf nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Pelo que se vê no caso concreto, tratase de omissão de receitas sem elementos adicionais de convencimento a respeito do "evidente intuito de fraude". Inexistem nos autos suficientes provas de expedientes utilizados pela contribuinte na intenção de “mascarar” a ocorrência do fato gerador. Ocorreu, efetivamente, mera caracterização de apuração tributária pelo contribuinte com incorreção e declaração (DIPJ) inexata, o que sujeita a contribuinte à exigência dos tributos devidos com a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 A declaração do Sr. Francisco Carlos dos Santos, contador da autuada, informada no item 7.2.3, “d”, do TVF, no sentido de existir recomendação da “assessoria jurídica” para redução do faturamento declarado, não veio acompanhada de provas que a corroborasse. As vinculações precisamente detalhadas no tópico 7.2 do TVF levaram a autoridade fiscal a identificar conluio entre sócios e simulação na constituição do quadro societário de Cajuru Ind. e Com. de Alimentos Ltda visando a “encobrir a continuidade das atividades da Gold Meat Comercial Distribuidora Ltda e a exploração da marca Gold Meat”. O alegado conluio, mesmo que houvesse restado provado, não concorreu para a omissão de receitas demonstrada pela fiscalização. Decadência O afastamento da multa qualificada e a comprovação da existência de pagamentos, conforme “dossiê integrado” (fls. 162/164), atraem a norma do art. 150, § 4º, do Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 10 9 CTN na verificação da ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Dessa forma, tendo em vista a ciência dos autos de infração pela contribuinte no dia 30/06/2009, deve ser afastado da exigência, em razão de decadência, o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 30/06/2004. Tributação reflexa Conforme relatado, o processo também abrange autos de infração do tipo reflexo. Neste caso, a decisão relativa ao auto de infração matriz (IRPJ) deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo (CSLL, PIS e Cofins), conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos – matriz e reflexo – estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Responsabilidade de José Paulo Cândido Júnior A responsabilidade de José Paulo Cândido Júnior está bem caracterizada no contexto de fato descrito no item 7.2.5 do TVF ("Conclusão acerca dos Reais Administradores da Empresa Fiscalizada"), devidamente corroborado pelas provas coletadas na ação fiscal, a exemplo da procuração com amplos poderes de gestão (fls. XIII2.575/2.576), inclusive movimentação de contas bancárias, e aquisição da sociedade empresária, "graciosamente, em troca das dívidas", conforme bem destacado na decisão recorrida. A decisão de primeira instância deve ser prestigiada neste aspecto. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento parcial ao recurso voluntário para (i) acolher a preliminar de decadência quanto ao crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 30/06/2004 e (ii) reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15956.000184/200932 Acórdão n.º 1103000.673 S1C1T3 Fl. 11 10 Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13056.000540/2007-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO.
Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3802-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 5 1 4 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13056.000540/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.499 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente AGRO LATINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 05 40 /2 00 7- 74 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 10 21.867, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre – RS, em que foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. A Recorrente formulou pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa, pleiteando o reconhecimento do crédito de COFINS nãocumulativo. No entanto após ação fiscal no processo em referência, o Delegado da Receita Federal glosou parte do crédito, sob o argumento de que os créditos apurados pela recorrente não estariam na legislação que rege a contribuição em comento. Dessa forma, foi reconhecido o crédito parcial da recorrente. Após o conhecimento da glosa parcial dos créditos mencionados, a Recorrente apresentou tempestivamente a sua Manifestação de inconformidade, ocasião em que esta alegou que a vedação ao aproveitamento de créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, assim como de despesas administrativas e comerciais que não se refiram diretamente à atividadefim do estabelecimento, veda o princípio da nãocumulatividade concebida na Constituição Federal através da Emenda Constitucional n° 42/2003 e viola, portanto, a disposição constitucional que regulamenta a matéria. Além disso, a Recorrente afirmou na sua Reclamação que as vedações de aproveitamento de crédito presentes nas Leis ordinárias que regulamentam as contribuições em questão são inválidas, ao passo que deveriam ser matéria de Lei Complementar, de acordo com o art. 146, III, “b”, da CRFB/88. Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela improcedência da impugnação, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de PIS e/ou PIS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000540/200774 Acórdão n.º 3802001.499 S3TE02 Fl. 6 3 Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e aduziu, ainda, que os gastos gerais de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual devem ser admitidos os créditos relativos aos mesmos. A recorrente argumentou, ainda, que as despesas com combustíveis são passíveis de reconhecimento de crédito, tendo em vista que foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a inconstitucionalidade das vedações presentes nas leis que regulamentam as contribuições em comento, tendo em vista que ferem o princípio da nãocumulatividade, bem como os limites aos créditos deveriam ser matéria de lei complementar; (b) os gastos de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal; e (c) as despesas com combustíveis foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa, e, por essa razão, tais despesas podem gerar crédito de COFINS. Compulsando os autos, verificase que os itens (b) e (c) não faziam parte dos argumentos de defesa presentes na Manifestação de Inconformidade. Tratase, portanto, de inovação de matéria defensiva na peça recursal no que diz respeito à conceituação dos gastos de fabricação como insumos e possibilidade de os gastos com combustíveis gerarem crédito de COFINS. Por essa razão, tais argumentos não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do Dec. 70.235/72, que diz em seu artigo 16, inc. III, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Além disso, o art. 17 do mesmo diploma arremata a impossibilidade de trazer matérias em instância superior que não tenham sido objeto da impugnação: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Frisese que não consta nos autos qualquer demonstração de que parte dos insumos adquiridos pela Recorrente venha a ser combustível, ou mesmo que se refira à atividade da empresa. Há apenas valores totalizados, que não permitem nem mesmo averiguar se se trata mesmo, e em que medida, de combustíveis ou outros insumos. No mais, a Recorrente argumenta que as vedações à concessão de crédito de PIS pelas despesas sob exame são inconstitucionais, pois são disciplinadas por leis ordinárias, enquanto há reserva de lei complementar, segundo o art. 146, inc. III, alínea “b”, da CRFB/88, e que elas ferem o princípio da nãocumulatividade à luz da EC 42/2003. No entanto, a esfera administrativa é incompetente para analisar a inconstitucionalidade de leis, pois esta é função jurisdicional que pode ser efetuada de maneira difusa ou concentrada. De maneira difusa, somente pelo voto da maioria absoluta dos membros de um Tribunal (organismo do Poder Judiciário) ou do seu órgão especial, a Lei será declarada inconstitucional, conforme o art. 97 da CRFB/88. De forma concentrada, a competência para apreciar e julgar a inconstitucionalidade da Lei através da propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art. 102, inc. I, “a” da Constituição Federal. Sendo assim, verificase a impossibilidade de conceder o crédito de PIS pelas despesas da Recorrente, pois, para isso, deverseia declarar inconstitucional a Lei que disciplina a contribuição, o que extrapola a competência da esfera administrativa. Nessa toada, o art. 62 da Portaria MF 256/09, Regimento Interno do CARF, veda expressamente que os seus conselheiros afastem a aplicabilidade de lei em função de inconstitucionalidade arguida pelo Recorrente, senão vejamos in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Diante de todos os argumentos aqui expostos, tenho que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela inovação de matéria de defesa em sede recursal e pela impossibilidade de se reconhecer a inconstitucionalidade de Lei em esfera administrativa. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000540/200774 Acórdão n.º 3802001.499 S3TE02 Fl. 7 5 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11516.000007/2001-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E
CERTO. COISA JULGADA.
Já tendo o Poder Judiciário se pronunciado sobre o valor recolhido a maior pelo contribuinte, com a concordância da União, deve a administração pública proceder conforme lá decidido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.255
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o ConseLHeiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COISA JULGADA. Já tendo o Poder Judiciário se pronunciado sobre o valor recolhido a maior pelo contribuinte, com a concordância da União, deve a administração pública proceder conforme lá decidido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / i a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conse , eiro Ricardo Paulo Rosa. • 0 JUDITH 15 • MARAL ARCONDES ARMA, DO - Presidentelí, - 1 LUCIANO LOPES D • i M "PA MORAES - Re ator Participaram, ainda, e e e resente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 Processo n° 11516.000007/2001-27 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00255 Fl. 333 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata-se de Pedido de Restituição (fl. 01) formalizado em 26/12/2000, motivado pela inconstitucionalidade do Finsocial (fração excedente à alíquota de 0,5%), períodos de apuração de novembro de 1989 a março de 1992, tendo o direito ao crédito sido reconhecido em processo judicial interposto pela interessada (cópias fls. 19 a 28), para compensação com tributos próprios da contribuinte, conforme Pedido de Compensação à fl. 02 e Declarações de Compensação de fls. 122 a 161. Das ações judiciais — Direito Creditó rio A contribuinte ingressou com ação ordinária (autos n° 91.0011102-3) objetivando repetir indébito relativo ao Finsocial, pugnando pela declaração da inexigibilidade do pagamento da exação em alíquota superior a 0,5% (meio por cento), no que foi atendida, conforme cópia de sentença fls. 19 a 21. Houve apelação da União Federal, tendo sido confirmada a decisão de primeiro grau, junto ao Tribunal Regional Federal da 4" Região — TRF/4a (fls. 22 a 25). O acórdão transitou em julgado em 17/05/1995. Posteriormente, a contribuinte interpôs Ação Declaratória de Inexigibilidade de Tributo (n° 94.0002695-1), principal à Ação Cautelar n° 93.0009140-9, requerendo a declaração de inexistência legal de obrigação de pagar os aumentos efetuados à alíquota original do Finsocial — Decreto n° 1.940/82, a partir da edição da Lei n° 7.689/88. A sentença foi favorável à requerente e, junto ao TRF/4 a, em julgado de 08/04/97, foi confirmada a decisão de primeiro grau e definidos os critérios de atualização monetária dos valores a serem restituídos, para compensação com débitos vencidos ou vincendos. O acórdão transitou em julgado em 03/06/1997. Em relação à ação ordinária de repetição de indébito, a execução de sentença foi requerida apenas em face das custas judiciais e dos honorários advocatícios, arbitrados em 10% (dez por cento) do valor da condenação, eis que a exeqüente entendeu que somente estes valores restariam a executar (fl. 30), haja vista a compensação do indébito já ter sido efetivada com tributo de mesmo gênero e espécie, em obediência à liminar concedida na Ação Cautelar n°941526-7 (cópia da sentença fls. 58 a 60). Do Despacho Decisório (fls. 243 a 248) A autoridade Fiscal, a partir da constatação de que a contribuinte teve reconhecido judicialmente o direito ao crédito )"""n.— 2 Processo n° 11516.000007/2001-27 SI-C2TI Acórdão n." 3201-00255 Fl. 334 de Finsocial, e considerando que a execução de sentença limitou-se às custas judiciais e aos honorários advocatícios, procedeu à verificação do crédito disponível para compensação com débitos tributários próprios da interessada. Para o levantamento das bases de cálculo do Finsocial foram utilizadas as informações prestadas pela interessada, consignadas nas planilhas de fls. 65 a 100, para o período de apuração de setembro de 1989 a dezembro de 1990, e informações das Declarações de Rendimentos apresentadas (lis. 162 e 163), para o períodos-base de 1991 e 1992. Os valores mensalmente pagos a maior foram obtidos a partir da aplicação da alíquota de 0,5% (meio por cento) às bases de cálculo. Após a confirmação, junto aos Sistemas da Receita Federal, dos pagamentos informados nos Documentos de Arrecadação de Receita Federais — Daif apresentados, foi realizada a vincula ção dos pagamentos a título de Finsocial com débitos da mesma exação, sendo os créditos remanescentes vinculados a débitos de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cotins, considerando os índices de atualização monetária determinados pela Justiça e demais normas de legislação tributária acerca da matéria. Foram homologadas as compensações declaradas até o período de apuração de dezembro de 2002, e parcialmente homologada a compensação do período de apuração de janeiro de 2003. Em razão da insuficiência de créditos disponíveis, restaram não- homologadas compensações declaradas dos períodos de apuração de janeiro (parcial) a agosto de 2003. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a homologação parcial das compensações declaradas, a contribuinte apresentou, em 23/06/2006, petição denominada "impugnação", fls. 259 a 271, ora recebida como manifestação de inconformidade, em obediência ao princípio da fungibilidade. Na petição apresentada, alega a contribuinte, em síntese, que: a matéria, nos termos da decisão lançada no processo judicial n° 91.0011102-3, da 6' Vara Federal da Circunscrição de Florianópolis, já foi totalmente esgotada, em virtude do trânsito em julgado ocorrido em 17/05/1995; tampouco cabe rediscutir o "quantum debeatur" apurado em liquidação de sentença, eis que a União Federal deixou de se insurgir no momento processual oportuno, aceitando-os tacitamente; o valor da condenação, consignado nos autos do processo judicial, equivalente, em maio de 1996, a R$ 3.116.539,04 (três milhões, cento e dezesseis mil, quinhentos e trinta e nove reais e quatro centavos), em nada se comunica com outros alcançados em outras demandas judiciais e foi devidamente apurado na Contadoria Judicial, atendidos os termos da parte dispositiva daquela decisão judicial; 0L 3 Processo n° 11516.000007/2001-27 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00255 Fl. 335 ascendendo os autos à instância superior, por provocação da Fazenda Nacional, restou decidido pela 2° Turma do TRF da 4' Região, à unanimidade, negar provimento ao recurso de apelação e à remessa oficial; com o trânsito em julgado, foram os autos remetidos à origem, determinando-se a competente liquidação de sentença, onde restou apurado um saldo credor, em favor da requerente, no montante acima referido, que foi tacitamente reconhecido pela União, eis que devidamente citada e intimada, pessoalmente, não manifestou qualquer objeção aos valores; a concordância tácita sobre os cálculos (preclusão), em decisão levada à coisa julgada material (há mais de dez anos), contempla em imunização contra qualquer iniciativa das partes em rediscutir a matéria, para os efeitos do art. 5 0, inciso XXXVI, da Constituição Federal; nos termos do art. 467 do Código de Processo Civil — CPC, a coisa julgada material é a eficácia que torna imutável e indiscutível a sentença não mais sujeita a recurso; cita precedentes judiciais acerca do tema; a partir da decisão judicial transitada em julgado e da conseqüente liquidação de sentença, anteriormente referidos, deve o correspondente valor ser corrigido nos exatos ditames da decisão judicial, e não nos termos do aplicativo JTSJ; partindo-se do ensejo condenatório, poderia a interessada perfilar-se em direção à execução de sentença, na forma dos arts. 730 e 731 do CPC, ou utilizar-se da compensação de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, tendo optado por esta segunda hipótese; o demonstrativo de débitos emitido pela SRF não está a espelhar, em absoluto, os ditames da sentença transitada em julgado, seja em valores, datas, remuneração etc, revelando-se em tentativa de alterar ou modificar a coisa julgada material, contrariando o que estatui o art. 5°, inciso XXXVI, da CF; discorre sobre o princípio da legalidade e cita precedente judicial e decisões administrativas de segundo grau. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS n°9.463, de 16/03/2007, fls. 284/290: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. PRESSUPOSTO NECESSÁRIO. A restituição de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, para compensação com débitos tributários próprios do contribuinte, requer a existência de crédito líquido e certo, e a OL\ 4 Processo n° 11516.000007/2001-27 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00255 Fl. 336 apuração deste crédito feita pelo próprio contribuinte, unilateralmente, sujeita-se à verificação por parte da Fazenda Pública, ante a inexistência de valores homologados judicialmente, ainda que o direito ao crédito tenha sido reconhecido pelo Poder Judiciário; é que o direito ao crédito não se confunde com o valor do crédito propriamente dito. Solicitação Indeferida. Às fls. 296 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 297/328, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 5 Processo n° 11516.000007/2001-27 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00255 Fl. 337 VOO Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como verificamos dos autos, trata-se de Pedido de Restituição (fl. 01) formalizado em 26/12/2000, motivado pela inconstitucionalidade do Finsocial (fração excedente à aliquota de 0,5%), períodos de apuração de novembro de 1989 a março de 1992, tendo o direito ao crédito sido reconhecido em processo judicial interposto pela recorrente (cópias fls. 19 a 28), para compensação com tributos próprios da contribuinte, conforme Pedido de Compensação à fl. 02 e Declarações de Compensação de fls. 122 a 161. A autoridade administrativa negou provimento ao pedido sob fundamento de que as decisões judiciais proferidas determinam a necessidade de liquidação de sentença para apurar o valor devido, o que não teria ocorrido no caso em tela, a saber, fls. 289: Por oportuno, impende ressaltar que apesar de a contribuinte ter obtido êxito nas ações judiciais que interpôs, não houve liquidação de valores, eis que as decisões tão-somente lhe asseguraram o direito ao crédito dos valores pagos a maior, a título de Finsocial, que deveriam ser atualizados conforme critérios definidos judicialmente. Significa dizer que os indébitos foram unilateralmente apurados e compensados pela contribuinte, o que não confere liquidez ao crédito tributário pleiteado. Não se perca de vista que, como já dito, a execução de sentença restringiu-se apenas às custas judiciais e aos honorários advocatícios. Entendo que não deva ser mantida a decisão recorrida, isto porque efetivamente o Poder Judiciário já se manifestou sobre o valor da repetição do indébito, com cálculo realizado pela Contadoria Judicial e aceito, tacitamente, pela União, que não recorreu do cálculo dos honorários advocatícios. Explico. As decisões judiciais condenaram a União em honorários advocaticios apurados sobre o valor da condenação, qual seja, o valor que a recorrente pagou a maior de FINSOCIAL. Fato seguinte, o Juiz da causa determinou o envio dos autos à contadoria para apurar o valor pago a maior a titulo de FINSOCIAL, o qual foi feito. O Ministério Público Federal inclusive, ao se manifestar sobre os cálculos, verificou que estes haviam sido realizados a menor, motivo pelo qual foram ajustados. Não há noticia dos autos de que a União tenha se insurgido contra os cálculos. Pelo contrário, da análise do andamento processual no sitio do TRF da 4 a Regiã , se verifica não ter ocorrido qualquer impugnação aos cálculos apresentados. 6 Processo n° 11516.000007/2001-27 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00255 Fl. 338 Havendo concordância da União com o valor executado de honorários, calculados pelo Poder Judiciário sobre os valores pagos a maior pela recorrente a título de FINSOCIAL, não há motivo para se debater na via administrativa o mesmo assunto, sob pena de violação da coisa julgada. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Devem os autos reto . à Delegacia da Receita Federal de origem, onde devem ser analisadas as demais cir. stâncias do pedido de restituição/compensação formulado pela Recorrente, caso aplicáv s ao caso. Sala das Sessões, em 1 • de julho de 2009. , .4. LUCIANO LOP wiif AL EIDA MORAES - R - ator i 1 7
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Numero do processo: 13888.003947/2007-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 1/01/2001 a 31/03/2007.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a 10/2002, inclusive.
ARBITRAMENTO.AFERIÇÃO INDIRETA.
A não apresentação da escrita contábil, ou sua apresentação deficiente,
justifica a aferição indireta consoante art. 33 da lei 8.212/91.
Não trazidos elementos que justificassem a desconsideração dos exercícios
2004, 2006 e 2007, não há que se falar em aferição indireta, nesse período.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 10/2002, inclusive e excluir da presente notificação os valores referentes às competências 01 a 12/2004 e 01/2006 a 03/2007.
Nome do relator: Oseas Coimbra Junior
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DEL MANUTENCAO ELETRICA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 1/01/2001 a 31/03/2007. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a 10/2002, inclusive. ARBITRAMENTO.AFERIÇÃO INDIRETA. A não apresentação da escrita contábil, ou sua apresentação deficiente, justifica a aferição indireta consoante art. 33 da lei 8.212/91. Não trazidos elementos que justificassem a desconsideração dos exercícios 2004, 2006 e 2007, não há que se falar em aferição indireta, nesse período. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 10/2002, inclusive e excluir da presente notificação os valores referentes às competências 01 a 12/2004 e 01/2006 a 03/2007. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Osmar Pereira Costa. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições apuradas em aferição indireta. A DecisãoNotificação – fls 288 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte: • O presente processo de lançamento fiscal é cópia fiel da NFLD n° 37.122.0009, lançada em 21/11/2007, com a finalidade de constituir suposto crédito relativo às contribuições previdenciárias, correspondente à diferença de contribuição da empresa, SAT/RAT, salário educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, referente ao período 01/2001 à 04/2007, no valor originário de R$ 108.255,22 (cento e oito mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e vinte e dois centavos). Portanto, configurado o bis in iden do lançamento fiscal e sua absoluta nulidade, razão pela qual requer seja anulada o presente lançamento. • O relatório fiscal, de forma concisa, descreve o procedimento de apuração de contribuições previdenciárias por aferição indireta, isto é, recusou os documentos apresentados e sobre o faturamento da Impugnante aferiu como supostamente devidas fossem contribuições, sem contudo justificar tal postura, tendo inclusive deixado de deduzir recolhimentos efetivados por terceiros, especialmente os serviços prestados pela empresa E.J. RECURSOS HUMANOS LTDA. Conforme cópias das GPS em anexo referente ao período de 01/2001 à 03/2007. • Decadência do período de 01/2001 à 11/2002 • A constituição do crédito previdenciário por aferição indireta deuse sem as justificativas insertas na lei, neste sentido caracterizase o cerceamento ao direito da ampla defesa. • Deveria o Auditor Fiscal, ante aos princípios da legalidade, descrever com clareza a infração cometida e fundamentar juridicamente a base imponível de forma precisa, possibilitando com sua identificação o exercício da ampla defesa na esfera administrativa. • A Notificada terceirizou parcialmente seus serviços por intermédio da empresa E. J. RECURSOS HUMANOS LTDA devidamente autorizada pelo artigo 31 da Lei 8.212191, para tanto, apresenta os recolhimentos de todo o período fiscalizado conforme documentos em anexo. Ainda que admitida fosse a aferição indireta, esta não poderia Fl. 338DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 4 4 deixar de deduzir todos os recolhimentos vinculados aos referidos contratos de prestação de serviços, inclusive subcontratações conforme descrito e arrolado em anexo. • A terceirização obedeceu todas as exigências legais, não constando do lançamento quaisquer elementos suficientes às sua descaracterização. Acrescese ainda que as justificativas sobre a não contabilização parcial do livro diário não pode dar suporte a quaisquer aferições, vez que, a Recorrente encontrase dispensada de escrituração contábil, face opção pelo lucro presumido conforme fotocópia da DIPJ em anexo. • Requer a exclusão dos diretores indicados requerentes na presente impugnação, por irregularidade na notificação dos mesmos e declarada a nulidade do presente lançamento de débito. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 6 6 Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Aplicase então a regra do art 173, onde o relatório RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS não registrar pagamentos parciais e o art. 150 §4º quando houver registro. Assim sendo, como o prefalado relatório, acostado às fls 34 e ss apresenta recolhimentos no período, aplicandose o art. 150 §4º, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 10/2002, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 21/11/2007. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. DA EXCLUSÃO DOS SÓCIOS DOS RELATÓRIOS REPLEG E VÍNCULOS Os relatórios REPLEG Relatório de Representantes Legais e VÍNCULOS RELAÇÃO DE VÍNCULOS trazem os responsáveis pela administração da empresa, com sua respectiva qualificação e período de atuação. Os referidos relatórios foram lavrados em consonância com a legislação vigente, não tendo que se falar em retificação dos mesmos. Acrescentese que a presença nos referidos relatórios não implica em automática sanção, pois apenas sintetizam informações que constam dos registros públicos de Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 7 7 constituição da própria empresa, disponíveis a qualquer cidadão. A responsabilidade pelos débitos apurados, até o presente momento, é somente da empresa autuada. DA AFERIÇÃO DO DÉBITO O presente débito foi aferido indiretamente em razão de diversas irregularidades apontadas no relatório fiscal de fls 74 e ss. O referido relatório afirma que a atividade predominante da empresa é prestação de serviços com cessão de mão de obra, sendo que somente contou com empregados registrados, conforme anotações no Livro de Registro de Empregados n ° 01, no período de 16/08/2000 a 17/11/2000, de 15/05/2002 a 28/08/2002 e a partir de 04/2003. Não houve apresentação de Contabilidade de 02/08/2000 a 31/12/2000. Nos livros referentes ao exercício 2001 e 2002 não há registros de pagamentos a empregados. No período de 01/01/2001 a 31/12/2002 empresa utilizou quase que, exclusivamente, trabalhadores temporários. Nos Livros Diários e Razão de 01/01/2001 a 31/12/2002, foi verificado que não constam contabilizadas diversas Notas Fiscais e as enumera. Houve a permanente contratação de trabalhadores temporários conforme Contrato de Prestação de Serviços e/ou GFIP com o código de FPAS 655 referente a Prestadoras de Serviços: Quarter Serviços Ltda — CNPJ 01.680.462/000160, Visão Campinas Assessoria e Recursos Humanos — CNPJ 73.078.115/000253, E J Recursos Humanos Ltda — CNPJ 02.328.325/000123 e Padrão Recursos Humanos e Terceirização Ltda CNPJ 07.041.745/000148 , em desacordo com a Lei n ° 6.019/74, pois não atendia necessidade transitória de substituição de seu pessoal, uma vez que não existia pessoal regular e permanente, também não se tratava de acréscimo extraordinário de serviços, de acordo com o exame da contabilidade referente 2001 e 2002 e embora tenha, a empresa contado, regularmente, com o concurso de empregados, a partir da competência 04/2003, a media de empregados fora de 03 (três) até a competência 02/2005, girando em torno de 06 (seis) de 03/2005 a 04/2007, porém, continuou a empresa a se utilizar da mão de obra de temporários, conforme Demonstrativo Receita Venda de Serviços X Mão de Obra. Na contabilidade referente aos anos de 2001 a 2003 e 2005 – fls 77, foram constatadas algumas incorreções tais como: Notas Fiscais contabilizadas com valores e/ou informações divergentes e Notas Fiscais não contabilizadas e aponta as mesmas. Dos fatos narrados, tenho como justificada a aferição indireta realizada referente a 2001 a 2003 e 2005, sendo que a base de cálculo esta devidamente descrita no item 13 do referido relatório. Em relação aos anos 2004, 2006 e 2007, não vislumbro elementos suficientes a desconsiderar a escrita contábil apresentada, devendo os lançamentos referentes a esses exercícios ser desconsiderados da presente notificação. In casu, não demonstrado o devido recolhimento em razão da mão de obra locada, a autoridade fiscal poderia, se fosse o caso, aferir diretamente os valores devidos observandose as notas fiscais dos serviços de mão de obra contratados temporariamente e aplicando a alíquota devida de 11%. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.003947/200761 Acórdão n.º 280301.548 S2TE03 Fl. 8 8 Sobre a afirmação de que terceiriza seus serviços para a empresa E.J. RECURSOS HUMANOS LTDA, e não foram consideradas GPS desta empresa, não há comprovação alguma do fato, pois a recorrente apenas anexa guias código 2100, da empresa EJ (fls 206 a 277), o que apenas demonstra que esta empresa efetivou recolhimentos de sua própria folha de pagamento, e mais nada. Caso a recorrente tivesse efetuados recolhimentos em razão da retenção obrigatória em contratos de mãodeobra temporária, deveria ter trazido as respectivas guias com código de recolhimento 2631, apresentado os contratos pertinentes e comprovado os registros contábeis das mesmas, o que não foi feito. Sobre a concomitância de lançamento em razão da lavratura da NFLD n° 37.122.0009, não há como avaliar o que afirmado pela recorrente, pois a mesma anexou apenas o relatório fiscal respectivo, não juntando os demais relatórios que fazem parte da NFLD n° 37.122.0009, onde constam as rubricas apuradas. Tal NFLD não consta do Termo de Encerramento lavrado – fls 72, a demonstrar que este documento não foi exportado aos sistemas da Receita Federal, na presente ação fiscal. Finalmente, com a opção pelo lucro presumido a empresa tem a obrigação de apresentação do livro caixa, podendo também apresentar o livro Diário, como realizado. Assim procedendo, os registros contábeis constantes no Livro Diário são suficientes a embasar a autuação fiscal e a aferição realizada, posto que extraídos de legítima escrita fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 10/2002, inclusive e excluir da presente notificação os valores referentes às competências 01 a 12/2004 e 01/2006 a 03/2007. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 16004.001053/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de reduzir o montante do imposto devido.
MULTA AGRAVADA
O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de reduzir o montante do imposto devido. MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 53 /2 00 9- 94 Fl. 9216DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 9217DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 2202002.327 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ALFEU CROZATO MOZAQUATRO, foi lavrado, em 18/12/2009, o Auto de Infração de fls. 9045 a 9073 e 9077 a 9143 (sendo as folhas 9066 a 9073 e 9077 a 9143 correspondentes ao Termo de Verificação Fiscal) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005, 2006 e 2007 (anos calendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 852.314,28, dos quais R$ 285.619,83 correspondem a imposto, R$ 451.058,53, a multa proporcional, e R$ 115.635,92, a juros de mora, calculados até 30/11/2009 (fl. 9045). Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 9066 a 9073 e 9077 a 9143) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 9047 a 9056), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NO ANO CALENDÁRIO 2005 Omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoa jurídica no ano calendário 2005, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Calculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA NO ANOCALENDÁRIO 2004 Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados no anocalendário 2004 em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras em conjunto com seu cônjuge, em relação aos quais o sujeito passivo e seu cônjuge, regularmente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPóSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA NOS ANOSCALENDÁRIO 2005 E 2006 Omissão de rendimentos do sujeito passivo e de seus dependentes caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ções) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, Fl. 9218DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DE PESSOA FÍSICA NO ANO CALENDÁRIO 2004 – CONTA CONJUNTA Omissão de rendimento recebido de pessoa física no ano calendário 2004 em conta corrente mantida em conjunto com seu cônjuge, apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA NOS ANOS CALENDÁRIO 2005 E 2006 Omissão de rendimentos recebidos nos anos calendário 2005 e 2006 das empresas COFERFRIGO ATC LTDA., CNPJ 04.352.222/000104, FRIVERDE INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 06.215.383/000100, e INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA., CNPJ 89.633.945/000154, apurados conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos de RAFAEL BUZOLIN MOZAQUATRO, CPF 330.108.02862, filho e dependente do sujeito passivo, recebidos da pessoa jurídica COFERFRIGO ATC LTDA., CNPJ 04.352.222/000104, apurados conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOAS JURÍDICAS NO ANO CALENDÁRIO 2005 Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no ano calendário 2005, apurados conforme TERMO DE VERIDICAÇA0 FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NO ANO CALENDÁRIO 2004 CONTAS CONJUNTAS Omissão de rendimentos recebidos no ano calendário 2004 da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., CNPJ 04.352.222/000104, em conta bancária mantida em conjunto com seu cônjuge, apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus Demonstrativos em Anexo ao presente Auto de Infração, sendo parte integrante do mesmo. O enquadramento legal das infrações encontra se às fls. 9048 a 9056. O enquadramento legal dos acréscimos legais encontra se às fls. 9064 e 9065. Fl. 9219DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 2202002.327 S2C2T2 Fl. 4 5 Cientificado do Auto de Infração em 23/12/2009 (fl. 9145), o contribuinte apresentou, em 21/01/2010, a impugnação de fls. 9150 a 9166, na qual requer, em síntese, seja julgado improcedente o Auto de Infração quanto ao seu mérito, pois: não aceita a aplicação da presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (apresenta doutrina e jurisprudência em apoio a suas teses, em especial a Súmula 182 do extinto TFR e decisões nela baseadas); que não há prova de dolo que permita a qualificação da multa no patamar de 150%, que, também, seria incompatível com o uso de presunção legal; que a multa de ofício no patamar de 225% possui caráter confiscatório, sendo, portanto, inconstitucional, ante a vedação de confisco inscrita na Constituição Federal. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Mantém se a majoração de rendimentos tributáveis, recebidos de pessoas jurídicas, pelo interessado e por dependente, no montante confirmado pelos documentos acostados aos autos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Mantém se a majoração de rendimentos tributáveis, recebidos de pessoa física, no montante confirmado pelos documentos acostados aos autos. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA (225%). A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração ou duplicação e o agravamento da multa de ofício, consubstanciadas pela tentativa de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto e pela falta de qualquer resposta às intimações, é de se manter a multa de ofício, duplicada e agravada, de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). Impugnação Improcedente Fl. 9220DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes aspectos no final de seu recurso. que seja declarado improcedente o auto de infração no tocante a base de cálculo de rendimentos, estribada tão somente em depósitos bancários e créditos bancários; que seja cancelado a qualificação da multa de ofício, efetuada ao arrepio das condições impostas pela lei para sua aplicação. do caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório. Fl. 9221DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 2202002.327 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores Fl. 9222DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Das Provas Apresentadas É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 9223DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 2202002.327 S2C2T2 Fl. 6 9 A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Multa Qualificada Consoante relatado no Termo de Descrição dos Fatos ás fls. 8857, a aplicação da multa qualificada para os valores apurados no tópico VI.5 — CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM FRAUDULENTA (TABELAS 10 e 12 acima) decorreu da constatação de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da lei 4.502, de 1964 (sonegação, fraude e conluio), considerando os fatos descritos acima. Essa multa qualificada está prevista no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei no 11.488, de 2007. Resumidamente, o evidente intuito de fraude foi constatado em diversas práticas do fiscalizado, tais como: Recebimento de valores em suas contas bancárias provenientes da COFERFRIGO e da FRI VERDE, empresas "paralelas" do Grupo Mozaquatro em nome de "laranjas", para os quais o fiscalizado e as mesmas empresas não comprovaram a existência de operações ou negócios regulares que justificassem tais recebimentos; Recebimento de valores depositados em contas bancárias de RAFAEL, filho e dependente do fiscalizado, provenientes de conta bancária da COFERFRIGO mantida à margem de sua contabilidade, para os quais o fiscalizado também não comprovou a existência de operações ou negócios regulares que justificassem tais depósitos. Portanto, tendo em vista as fraudes perpetradas pelo fiscalizado, conforme exaustivamente demonstrado no Termo de Descrição dos Fatos, visando eximirse do pagamento dos tributos devidos, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a aplicação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, §1º, da Lei n° 9.430 de 1996. Deste modo é de se manter a multa qualificada. Da Multa Agravada Constatase que o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos é uma das hipóteses previstas para a incidência da multa de oficio na sua forma agravada. Segundo o Termo de verificação fiscal o recorrente não atendeu alguns Termos. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a não apresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta tem como consequência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Ao não atender o pedido de esclarecimentos, fez com que a autoridade fiscal presumisse que tivessem sido omitidos rendimentos. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de oficio ser desagravado. Importante deixar claro que no auto se entende indevido o agravamento da multa de ofício, entretanto a qualificação julgouse oportuna. Fl. 9224DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 Da Multa Confiscatória No que toca a suposta natureza inconstitucional da multa, e eventuais efeitos confiscatórios.. Citese,ainda, a súmula n 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 9225DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10580.725147/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 10/09/2009
BASE DE CALCULO. COMPROVAÇÃO DA CORREÇÃO DO ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL.
Comprovado que o arbitramento da base de cálculo do lançamento se deu de forma correta deve ser mantido o lançamento e afastada a nulidade por vicio material quando de sua constituição.
Recurso dado Provimento.
Numero da decisão: 3102-001.799
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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COMPROVAÇÃO DA CORREÇÃO DO ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL. Comprovado que o arbitramento da base de cálculo do lançamento se deu de forma correta deve ser mantido o lançamento e afastada a nulidade por vicio material quando de sua constituição. Recurso dado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 01/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Kanamaro, Álvaro Almeida Filho, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Winderley Morais Pereira. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 2 Relatório Tratase de recurso de ofício visando a reforma do acórdão nº 0818.532 da 2ª Turma da DRJ/FOR, que exonerou o crédito tributário lançando ao considerar nulo o lançamento por vício material. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: O presente processo trata de Notificação de Lançamento relacionada à exigência do Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP) e multa proporcional ao valor do Imposto de Importação; apurados em procedimento de Vistoria Aduaneira, totalizando, quando de sua lavratura, um crédito tributário no valor de R$ 2.926.636,63. DO LANÇAMENTO A Autoridade Fiscal, quando da descrição dos fatos que levaram à lavratura do Auto de Infração em apreço, elaborou Relatório de Auditoria Fiscal afirmando, em síntese, que: • em 12/08/2009 a Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Salvador apreendeu carga de procedência estrangeira (269.100 óculos de sol e 8.250 quadros diversos), originária da China, devido a constatação pela Auditoria Fiscal da RFB da tentativa de se promover a entrada clandestina (descaminho) de mercadoria estrangeira sob falsa declaração de conteúdo; • as mercadorias se encontravam no contêiner n.° KI IJU8407073, estando consignadas à empresa Lascan Brasil Comercial Ltda ME, CNP.1 n° 64.645.674/000126. Ao serem desembarcadas no Porto de Salvador e permaneceram armazenadas dentro do citado contêiner, que foi depositado no recinto alfandegado da empresa TECON Salvador; • "Após verificação física efetivada pela AuditoriaFiscal da RFB do Porto de Salvador, na presença de representante do Depositário, e a constatação da falsidade na declaração do conteúdo da carga, as mercadorias foram recolocadas no contêiner n.° KHJU8407073, o qual recebeu o lacre da RFB n.° A039641, permanecendo armazenado no TECON Salvador, tendo sido lavrado o Termo de Abertura de Volumes n° 02/2009 (doc.02). Dos dados colhidos no CE Mercante n° 100905090368706, verificase que a carga contida no contêiner n° KHJU8407073 foi descrita como ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica; cubos, pastilhas c artigos semelhantes, com código de posição NCM 6907." (Destaques no original); • em 20/08/2009, foi realizada urna retirada de amostra dos óculos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para se proceder a realização de Perícia Técnica pela ABIOTICA Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos, no Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.725147/200922 Acórdão n.º 3102001.802 S3C1T2 Fl. 3 3 intuito de verificar a possibilidade de se tratar de contrafação. Na ocasião, foi lavrado o Termo de Retirada de Amostra n° 001/2009, bem assim foi colocado o novo lacre da RFB (n° A001272); • em 02/09/2009, a AuditoriaFiscal da Alfândega do Porto de Salvador dirigiuse ao recinto alfandegado (TECON) para ratificar a contagem das mercadorias, com fito de promover a formalização do Termo de Apreensão e Guarda Fiscal. Na ocasião, estando acompanhada de preposto daquele recinto, constatou o rompimento do lacre RFB n° A001272 e o desaparecimento de quase a totalidade da mercadoria apreendida, conforme teor do Termo de Ocorrências na Conferencia Física de Mercadorias Apreendidas; • a responsabilidade pelo extravio de carga em recinto alfandegado encontrase disciplinada no Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro RA), nos termos dos seguintes artigos: Art. 660. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 655 (DecretoLei rr 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 662. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem como por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Art. 663. As entidades da administração pública indireta e as empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, quando depositários ou transportadores, respondem por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem como por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Art. 664. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 660, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1º. Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2º As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. • por se tratar de Recinto Alfandegado, o TECON submetese às regras do art. 663 próximo passado, o qual atribui a Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 4 responsabilidade por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia ao depositário; • "Inferese do documento intitulado Protocolo de Entrega (doc. 05), expedido pela (sic) Recinto Alfandegado Intermaritima, que o conteiner n° KHJU8407073 seria armazenado naquele terminal. A obrigação do armazenamento da carga pátio pelo TECON, quando a Autoridade Aduaneira por motivo justificável determine a verificação do conteúdo, está disciplinada no art. 71, §2°, da IN SRF n° 248/2002: Art. 71. 0 prazo de permanência de carga em área pátio é de vinte e quatro horas contadas, nos dias úteis, a partir da chegada da carga nessa área. § 1 Excedido esse prazo e não registrada e desembaraçada a declaração de transito, a carga será armazenada. ,sç 2° Havendo motivo que o justifique, a fiscalização aduaneira poderá determinar o armazenamento da carga que se encontre no pátio ou verificar o seu conteúdo. §. 3° 0 prazo estabelecido neste artigo será de quarenta e oito horas nos portos alfandegados • no intuito de formalizar o procedimento de Vistoria Aduaneira, foi lavrado Termo de Vistoria (doc.06) que, frente ás provas existentes (doc. 02, 03, 04, 06 e 07), concluiu pela responsabilidade do depositário no tocante ao extravio de 238.500 unidades de óculos de sol da marca AOLISE, cabendo ressaltar que durante a apuração que envolveu a carga contida no contêiner n° KHJU8407073, o depositário não alegou qualquer excludente quanto à sua responsabilidade; • todo o procedimento anterior de apuração da fraude de falsidade na declaração do conteúdo da carga do contêiner mencionado foi acompanhado por representante do depositário, conforme se verifica nos Termo de Abertura de Volumes n° 02/2009 e Termo de Retirada de Amostra; • a constatação do extravio da carga sob responsabilidade do TECON contou com a presença de um representante seu, conforme consta no Termo de Ocorrências na Conferencia Física de Mercadorias Apreendidas, lavrado cm 02/09/2009 (fl. 37), o que denota a fragilidade dos controles e segurança naquele terminal de cargas; • os fatos geradores dos tributos aqui lançados encontram se dispostos nos artigos 72 (II), 238 (IPI), c 252 (PIS Importação e COFINSImportação) do Regulamento Aduaneiro; • "... a carga extraviada era constituída de óculos de sol, identificada pela marca AOLISE, classificada na NCM Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.725147/200922 Acórdão n.º 3102001.802 S3C1T2 Fl. 4 5 9004.10.00, com alíquota de 20% (II) e 15% (IPI), 1,65% (PISImportação) e 7,60% (COFINSImportação)"; • verificandose que a conduta de importar óculos tentando passálos por ladrilhos configura fraude, nos termos do artigo 72 da Lei n° 4.502/64; e em obediência ao artigo 86, inciso I do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), fazse necessária a determinação do preço da mercadoria por meio de arbitramento; • após infrutíferas tentativas de se encontrar importações de mercadorias da mesma natureza e marca, para subsidiar o arbitramento, realizouse pesquisa na internet onde se encontrou o valor de US$ 10,99 para os óculos da marca AOLISE no sitio eletrônico www.sunshineblocker.com ; • demonstrando a razoabilidade do valor de US$ 10,99 que aqui se utilizará como base para o arbitramento, trazse A colação a Resolução n° 44/2007 da Câmara de Comércio Exterior, que estabelece a aplicação do direito antidumping sobre o valor de armações de óculos importados com valores igual ou inferior a US$10,00, indicando ser este o valor mínimo aceitável para importações brasileiras de armações de óculos: RESOLUÇÃO No 44, DE 04 DE OUTUBRO DE 2007. 0 PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 5º do Decreto nº. 4.732, de 10 de junho de 2003, com andamento no que dispõe o inciso XV do art. 2o do mesmo diploma legal e tendo em vista o que consta nos autos do Processo MDIC/SECEX 52000.012438/200638, RESOLVE, ad referendum do Conselho: Art. 1º Aplicar direito antidumping definitivo, por um prazo de até 5 anos, nas importações brasileiras de armações de óculos, com ou sem lentes corretoras, classificadas nos itens 9003.11.00, 9003.19.10, 9003.19.90, 9004.90.10 e 9004.90.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma especifica de USS270,56/kg(duzentos e setenta dólares estadunidenses e cinqüenta e seis centavos por quilograma), limitado às armações de óculos coin preço CIF igual ou inferior a USS10,00 (dez dólares estadunidenses) por pega. Art. 2º Tornar públicos os fatos que justificaram esta decisão, conforme o Anexo a esta Resolução. Art. 3º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. • em virtude de se haver configurado o extravio quando da vistoria aduaneira, aplicase também a multa de 50% incidente sobre o Imposto de Importação prevista no inciso III do art. 702 do RA. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 6 DA IMPUGNAÇÃO Em 18 de setembro de 2009, o sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, vindo a apresentar Impugnação no dia 25 do mesmo mês (fl. 64/89), na qual, além de trazer partes do Relatório da Notificação, alegou, em síntese, que: • por o processo em questão tratarse de um Processo Administrativo Fiscal, deve ser regulado pelas disposições do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e suas alterações. Esse, em seu artigo 10 indica a si mesmo como a norma aplicável à exigência dos créditos tributários da União. Sendo patente que o presente processo trata de determinação e exigência de um crédito tributário da União, não há dúvidas de que ele se rege pelo diploma legal mencionado; • nesse caso, indevido é o prazo de 5 dias dado para impugnação, ainda mais quando estabelecido pelo disposto no art. 703 do Decreto 4.543/02, diploma inteiramente revogado. E ainda que este Decreto, ilegalmente, insista em estabelecer prazo distinto daquele, não poderá a respectiva disposição ser levada em consideração em virtude do patamar de lei delegada a que o Decreto n° 70.235/72 foi alçado; • estando o procedimento adotado em dissonância com a lei, eiva de vicio os lançamentos ora impugnados, por caracterizar indubitável violação ao direito A ampla defesa garantido ao sujeito passivo; • em virtude da complexidade dos fatos que ensejaram os lançamentos ora impugnados, fica claro ser insuficiente o prazo de 5 dias fixados pela Autoridade Lançadora para a realização de "... pesquisas, diligências, buscas de evidências, fatos e documentos que possam ensejar a sua correta e necessária defesa". Por isso, requer, já, que lhe seja concedido o prazo que lhe é de direito, qual seja, de 30 dias, para a apresentação de sua Impugnação, em obediência ao disposto no art. 15, do Decreto n° 70.237/72. Destaquese que o não atendimento desse pleito implicará na decretação de nulidade, por vicio formal, dos procedimentos realizados a partir dos respectivos lançamentos, conforme prevê a legislação de regência; • adentrando ao mérito, há que se perceber que o fundamento para o presente lançamento é, na espécie, a ocorrência de FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. Acontece que a Impugnante em nada se relaciona a essa conduta, até porque não contribuiu com a promoção da importação em questão. Na verdade, quem deve responder por essa fraude, em principio, é a empresa importadora da mercadoria, a qual, estranhamente, não foi convocada a participar da apuração dos fatos; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.725147/200922 Acórdão n.º 3102001.802 S3C1T2 Fl. 5 7 • sequer há como se certificar que a mercadoria em questão é estrangeira ou original, tendo em vista que não foi trazido aos autos o laudo da perícia realizada com esse intuito, cerceando o amplo direito de defesa da Impugnante; • é descabida a cobrança de tributos em virtude de se tratar de ato ilícito, para a qual não havia qualquer expectativa de recebimento de tributos, sendo aplicável apenas a pena de perdimento, independentemente das demais sanções cabíveis ao responsável pela fraude na importação, que não é a Impugnante; • o CTN é claro ao afirmar em seu art. 3º que os tributos não podem constituir sanção de ato ilícito, do que se infere a inexistência do fato gerador em análise; • mesmo o furto da mercadoria sob a responsabilidade da ora impugnante (culpa in vigilando), fato ainda não comprovado, não permite cobrar os tributos em questão, posto que não ocorridos os respectivos fatos geradores; • na verdade, a multa é que representa urna penalidade pecuniária por sanção de ato ilícito e, no caso, a lmpugnante não praticou qualquer ato nesta linha; • "Sofre a Notificada, com certeza, efeitos da ação de gangues, bandidos, de criminosos organizados (verdadeiras organizações internacionais, comramificação em várias áreas, com veicula a imprensa falida (sic) e escrita, sendo de notório conhecimento do público e das autoridades brasileiras) etc, que se aproveitam da precária atuação das autoridades governamentais, que não conseguem repelir ou afastar a ação desses meliantes, como seria de se esperar, em função dos expressivos valores de tributos arrecadados dos seus contribuintes, como é também o caso da Impugnante."; • "Quando muito seria aplicável à Impugnante uma penalidade, por outras infrações não definidas na legislação, pelo furto da mercadoria irregularmente entrada no território nacional, caso comprovada a sua culpa pelo extravio, fato ainda não definitivamente apurado."; (Destaques no original) • todas as exigências estão relacionadas corn o fato gerador do Imposto de Importação e por isso devem ser canceladas, tendo em vista que existiu importação da mercadoria inicialmente encontrada no interior do container; não tendo ocorrido, conseqüentemente, o fato gerador das respectivas obrigações tributárias, penalidades e contribuições"; • no caso, a mercadoria extraviada sequer consta como tendo sido importada, deixando de satisfazer um dos requisitos estabelecidos no § 2° do art. 10 do DecretoLei n° 37/66: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 8 Art.1° O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988) (...) § 2° Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarse6 entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2° pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988) • em se tratando de mercadoria extraviada (faltante, furtada), só será considerada sua entrada no território nacional, para efeito de ocorrência do fato gerador, quando constar como tendo sido importada; • não cabe considerar como tendo sido importada uma mercadoria sujeita à pena de perdimento por encontrarse envolvida em pratica qualificada pela fiscalização como dano ao erário (fraude na importação), sendo impossível, portanto, que se vislumbre o fato gerador do Imposto de Importação. E por estarem a ele relacionadas, restam também prejudicadas as exigências da multa de 50%, da COFINS e do PIS/PASEP; • Apenas em relação ao IPI temse fato gerador distinto (desembaraço aduaneiro da mercadoria) para o qual, no entanto, se aplica o mesmo raciocínio, em virtude do disposto no § 1º do art. 238 do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro RA): Art. 238. 0 fato gerador do imposto, na importação, é o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei n°4.502, de 1964, art. 22, inciso I). § l'Para efeito do disposto no caput, considerase ocorrido o desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como importada e cujo extravio ou avaria tenha sido apurado pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação (Lei n 2 4.502, de 1964, art. 22, §32, com a redação dada pela Lei n2 10.833, de 2003, art. 80). (Destaques na impugnação) • "Não se pode, no caso, sequer se cogitar de desembaraço aduaneiro, posto que, em se tratando de mercadoria irregularmente entrada em território nacional, não constando como tendo sido importada, jamais estaria sujeita a despacho aduaneiro. ; (Destaques na impugnação) • a responsabilidade pelo extravio da mercadoria ainda está sendo apurada pelo Departamento de Policia Federal, por meio do IPL 1127/2009SR/BA. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.725147/200922 Acórdão n.º 3102001.802 S3C1T2 Fl. 6 9 Assim, caso se entenda cabível a Notificação, o que se comenta mas não se admite, solicitase que o julgamento fique sobrestado até o conhecimento do resultado final do desse IPL, tendo em vista que o mesmo poderá apontar tanto a autoria do ilícito verificado quanto o paradeiro das mercadorias extraviadas; • em relação à apuração do valor aduaneiro tomado como base para fixação do valor tributável utilizado, constatase que a mercadoria sequer foi devida e corretamente identificada (faltam os necessários exames periciais); • 'Não encontra a lmpugnante, nos documentos que lhe foram fornecidos até o presente momento não teve acesso ao inteiro teor dos autos, inclusive pelo exíguo prazo para apresentação desta Impugnação qualquer evidencia (sic) de que tenha sido efetivamente realizada perícia da amostra coletada da mercadoria, não podendo, deste modo, manifestarse, com exatidão, sobre os valores apurados (arbitrados), pela fiscalização autuante."; • não restou comprovada a qualidade da mercadoria apontada, não se podendo atestar, que os óculos fossem de um único modelo, ou que só exista um modelo da referida marca, ou ainda que os modelos extraviados possam receber o preço apurado e arbitrado por meio do sitio eletrônico de buscas google; • "Além disto, não restou comprovado se são produtos autênticos e licenciados da AOLISE, ou se são produto de falsificação, o que se constitui em mais ilícito que impede também qualquer tributação."; • ante o exposto, protestase pela produção e apresentação de provas, a qualquer tempo, confiandose no acolhimento das razões ora apresentadas para considerar a total improcedência da ação fiscal, como exemplar aplicação da justiça. Em 26/11/2009 o sujeito passivo requereu (fl. 90) a juntada aos autos das cópias dos documentos de RG e CPF de seu Diretor Executivo, subscritor da peça defensória, da Ata de Eleição da Diretoria e do Estatuto Social da Empresa. Após analisar a impugnação, decidiu a 2ª Turma da DRJ/FOR, por exonera o crédito tributário, ao observar a nulidade por vício material, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/09/2009 ANÁLISE DE LEGALIDADE Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 10 DE ATO NORMATIVO. TAREFA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. Compete privativamente ao Poder Judiciário proceder à análise da legalidade de ato normativo vigente no ordenamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/09/2009 INQUÉRITO POLICIAL EM ANDAMENTO. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILI DADE. O Inquérito Policial, ainda que relacionado à ação fiscal, não tem o condão de sobrestar o julgamento dos créditos a esta relacionados, devendo ambos seguirem seus cursos normais, de forma independente, até o desfecho final. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/09/2009 PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demonstrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. BASE DE CALCULO. NÃO COMPROVAÇÃO DA CORREÇÃO DO ARBITRAMENTO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. A falta de comprovação de que o arbitramento da base de cálculo do lançamento se deu de forma correta implica na nulidade deste por ocorrência de vicio material quando de sua constituição. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Como houve a exclusão total do crédito tributário, resta analisar as razões da decisão recorrida, ao eximir a recorrente do recolhimento do crédito em análise. Ora, foi constatado o extravio de carga, a qual estaria sob custódia da recorrida, sendo lavrado o respectivo auto de infração visando a exigência do IPI, II, PIS – Importação e Cofins – Importação, acrescido da multa de 50%(cinquenta por cento), nos termos do art. 702 do Regulamento Aduaneiro. Ressaltese, que restou configurada a fraude na importação ao observar que a carga informando quando da importação foi de ladrilhos cerâmicos, enquanto foram localizados óculos de sol. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.725147/200922 Acórdão n.º 3102001.802 S3C1T2 Fl. 7 11 A autoridade autuante ao realizar o arbitramento do valor aduaneiro da mercadoria, para assim calcular o montante devido de tributo, realizou pesquisas através da internet, e segundo a decisão recorrida, não teria analisado as normas definas no art. 88 da MP nº 2.158/2001, as quais definem os parâmetros utilizados para a valoração, vejamos: Art.88.No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do prego efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto n" 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o principio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Observando a norma acima, vê que para arbitrar preço de mercadoria, por a fiscalização utilizar como parâmetro: a) o preço da exportação para o pais; b) o preço do mercado internacional, constatado através de cotação em bolsa de mercadoria e ou em publicação especializada c) através de laudo expedido por entidade ou técnico especializado; e d) e o preço com base nos dados do pais de importação. Como não foi possível identificar a base de cálculo através de pesquisa do sistema informatizados da Receita Federal, foram realizadas pesquisas na internet, obtendose um valor de US$ 10,99 para cada um dos óculos, ressaltese que de acordo com a resolução nº 44/2007 da Câmara de Comércio Exterior, ficou definido, por um prazo de 05(cinco) anos, a aplicação do direito antidumping, para importações brasileiras de armações de óculos, limitando o preço em US$ 10,00, vêse portanto, que quando do lançamento, o preço do óculo não poderia ser inferior a US$ 10,00, o que demonstra que o preço utilizado se encontra dentro dos parâmetros. Mesmo assim, de acordo com a pesquisa realizada(fls. 56/58), compravase assim adequação do valor arbitrado. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento ao Recurso de Ofício, reformando a decisão recorrida, para manter o lançamento do crédito tributário. Sala de sessões 20 de março de 2013. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 12 (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.725147/200922 Acórdão n.º 3102001.802 S3C1T2 Fl. 8 13 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Numero do processo: 10580.725869/2009-87
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.391,73 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas De Mello - Relator.
EDITADO EM: 24/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.391,73 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas De Mello - Relator. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente).
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 69 /2 00 9- 87 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.391,73 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas De Mello Relator. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente). Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. DRJ, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 112.909,80, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725869/200987 Acórdão n.º 2802001.150 S2TE02 Fl. 240 3 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725869/200987 Acórdão n.º 2802001.150 S2TE02 Fl. 241 5 m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia;” Ato contínuo, em sessão de 17/03/2010, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1523.020, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a) as diferenças reconhecidas através da Lei Complementar da Bahia n.º 20, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 3º Lei Complementar da Bahia n.º 20, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Membros do Ministério Público Estadual, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i) inaplicável o artigo 100 do CTN ao caso, haja vista que os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo e nem a autoridade administrativa emitente teria competência para versar sobre a matéria em comento. Regularmente intimado (fl. 138), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 140/226), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal, a fim de que seja cancelado o débito fiscal, alegando (i) natureza indenizatória da URV; (ii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária; (iii) reconhecimento da verba indenizatória da URV na esfera estadual, considerando ter havido tal entendimento na esfera federal, ao Membros do Ministério Público; (iv) da incorreção das alíquotas utilizadas pela Autoridade Fiscal; (v) inobservância de deduções aplicáveis; (vi) responsabilidade da fonte pagadora e não do contribuinte; (vii) exclusão da multa de ofício e dos juros de mora; a fim de ser cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725869/200987 Acórdão n.º 2802001.150 S2TE02 Fl. 242 7 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõe: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725869/200987 Acórdão n.º 2802001.150 S2TE02 Fl. 243 9 Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS que, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membro s deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.391,73 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11686.000090/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 09 0/ 20 08 -5 9 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2006 a 31/12/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação da Cofins não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para a Cofins devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno, referente ao 4º trimestre de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 6 5 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 430DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no inciso I, do § 1º, do art. 4º da IN SRF nº 660/2006. Além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 9 8 Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pela IN SRF nº 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000090/200859 Resolução nº 3302000.330 S3C3T2 Fl. 10 9 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000832/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO
FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ARRECADAR,
MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS
SEGURADOS.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante
desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.331
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000832/201015 Acórdão n.º 240301.331 S2C4T3 Fl. 71 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CONDOMÍNIO OPERACIONAL DO MINAS SUL SHOPPING contra Acórdão nº 0937.576 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Juiz de Fora MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.273.2488, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.410,79. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 59 – por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais, no período fiscalizado. Foram juntados, por amostragem (Anexo I e II) os recibos de pagamento de segurados sem os respectivos descontos e tela do contacorrente da empresa, extraída do sistema informatizado da RFB, sem o recolhimento correspondente (Anexo III). Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 08, houve infração ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa aplicada está capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373, cujos valores foram atualizados pela Portaria Interministerial (Ministério da Previdência Social e Ministério da Fazenda) n° 350 de 30.12.09. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes e atenuantes previstas no Decreto no 3.048/1999. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 10 a 11, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0611200.2010.00161. A Recorrente teve ciência deste AIOA em 27.11.2010, conforme Aviso de recebimento – AR nº SR392390492BR. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04, é de 09/2006 a 12/2009. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0937.576 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Juiz de Fora MG, conforme Ementa a seguir: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009 DEBCAD 37.273.2488 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. FALTA DE DESCONTO. Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário,, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Pagamentos a autônomos. Argui serem indevidas as contribuições apuradas sobre os pagamentos de autônomos, por não estarem os serviços por eles prestados relacionados no rol exaustivo da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. Citando os artigos 144, 145 e 147 da referida IN, afirma que os serviços contratados são considerados de empreitada, o que afasta a necessidade de retenção da contribuição e caracteriza ausência de fato gerador do lançamento. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000832/201015 Acórdão n.º 240301.331 S2C4T3 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação da RFB: Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIPF –Termo de Início do Procedimento Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEPF –Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. DO MÉRITO Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12963.000832/201015 Acórdão n.º 240301.331 S2C4T3 Fl. 73 7 (i) Pagamentos a autônomos. Argui serem indevidas as contribuições apuradas sobre os pagamentos de autônomos, por não estarem os serviços por eles prestados relacionados no rol exaustivo da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. Citando os artigos 144, 145 e 147 da referida IN, afirma que os serviços contratados são considerados de empreitada, o que afasta a necessidade de retenção da contribuição e caracteriza ausência de fato gerador do lançamento. Analisemos. Conforme o já ressaltado pela decisão de primeira instância no AIOP nº 37.273.2500 conexo a este presente AIOA, às fls. 215, não se trata o AIOP de lançamento de crédito previdenciário relativo a serviços prestados sujeitos à retenção nos termos dos art. 144 e 145 da IN SRP nº 3, de 2005. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente às contribuições parte da empresa, devidas e não recolhidas à Seguridade Social incidentes sobre valores pagos/creditados a segurados empregados e contribuintes individuais, além das destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Desta forma, o AIOP lavrado se refere a contribuição social previdenciária prevista no art. 22, III, Lei 8.212/1991, segundo o qual a contribuição a cargo da empresa é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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