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Numero do processo: 11555.001202/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso.
Numero da decisão: 2201-004.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 12 02 /2 00 9- 65 Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 11555.001202/200965 Acórdão n.º 2201004.479 S2C2T1 Fl. 1.307 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra DecisãoNotificação nº 26.401.4/0096/2006, (fls.1.203/1.211), que julgou improcedente a impugnação. O lançamento em questão encontrase fundamentado no Auto de Infração nº 35.649.3229 e foi resumido nos termos do relatório da decisão de piso: Tratase de Auto de Infração ao art. 32, inciso II da Lei 8.212/91, lavrado contra o Frigorífico Santa Elvira Ltda, por deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade e de forma discriminada os fatos geradores de contribuições previdenciárias verificados em Folhas de Pagamento relativas às competências de 01/2000 a 12/2000, conforme consta do Relatório Fiscal de fls.2021. (...) A responsabilidade solidária foi atribuída às empresas acima identificadas por comporem um grupo econômico de fato, com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A, pelos fatos descritos no Relatório de Grupo EconômicoRGE de fls.2350. Notificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação nos seguintes termos, conforme excerto do acórdão de primeira instância: Em 10.01.2006, apresentou impugnação tempestiva, alegando os seguintes fundamentos: Inexistência de Grupo econômico e entendimento equivocado da Fiscalização ao afirmar que as empresas Frigorífico Santa Elvira Ltda, Frigorífico Novo Estado S/A, Frigorífico Porto Ltda, Frigorífico Bonsucesso Ltda e Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda, caracterizam um grupo econômico, a partir de meras suposições sem embasamento firme, concreto e legal. Presunção ilegal da solidariedade face a ausência de provas de formação do Grupo Econômico. Inobservância dos limites estabelecidos no mandado de Procedimento Fiscal MPF, destacandose a devassa fiscal na empresa através de MPFcomplementar, a inaceitável verificação quanto às obrigações acessórias e a consequente lavratura dos Autos de Infrações, e; o equivocado entendimento para o fim de caracterizar o suposto grupo econômico. Violação ao Decreto nº 3.969, de 15.10.2001; Inobservância às formalidades do Relatório Fiscal previstas na instrução normativa MPS/SRP n 03, de 14.07.2005, ao Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 11555.001202/200965 Acórdão n.º 2201004.479 S2C2T1 Fl. 1.308 3 procederem as conclusões, sem fundamento concreto, tomando por base questões subjetivas, sem amparo em documentos ou outras provas; Improcedência das contribuições sociais aferidas com base nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela empresa Rondometal Ltda, tendo em vista a inexistência de obra de construção civil a cargo do Frigorífico Santa Elvira Ltda, fato também admitido pela fiscalização, ao deixar de expedir "ex officio" a matrícula CEI e ao deixar de autuar a empresa por não ter matriculado a obra perante o INSS. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração ao art. 32, inciso II da Lei 8.212/91, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; O Mandado de Procedimento Fiscal constitui ordem dirigida ao Auditor Fiscal para que fiscalize o cumprimento das contribuições previdenciárias e devidas aos terceiros(Decreto 3.969/2001). O grupo econômico responde solidariamente pelas obrigações previdenciárias(art.30, IX, da Lei 8.212/91); AUTUAÇÃO PROCEDENTE. Cientificado do acórdão de primeira instância em 07/06/2006 (fl.1.220), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.229/1.238), tempestivamente, em 16/06/2006, com as mesmas alegações da impugnação anteriormente julgada parcialmente improcedente. O recurso apresentado não foi recebido por ser considerado deserto, uma vez que não comprovou o depósito da garantia de instância prevista no §1º, do art. 126, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 10.684/03. Despacho da PGFN (fls. 1.289/1.290), determinou a inclusão dos responsáveis solidários (integrantes do grupo econômico) no sistema da dívida previdenciária. Manifestouse ainda acerca da inexistência de prescrição do crédito tributário, devido ao pedido de parcelamento que foi encerrado no dia 29/12/2011, data em que teve início o decurso de um novo prazo prescricional. Em nova manifestação (fls. 1.295/1.296), a PGFN determinou o prosseguimento e a análise do recurso anteriormente deserto, tendo em vista a inconstitucionalidade da garantia exigida pela Lei 8.213/91. É relatório. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11555.001202/200965 Acórdão n.º 2201004.479 S2C2T1 Fl. 1.309 4 Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Preliminarmente Da Renúncia ao Contencioso Administrativo O despacho exarado pela ProcuradoraChefe da Fazenda Nacional no Estado de Rondônia noticia que a recorrente aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, na data de 13 de outubro de 2009. Acrescenta o referido despacho que o pedido de parcelamento do crédito tributário configura confissão espontânea, o que implica na interrupção do prazo prescricional (art. 174, IV, do CTN). Em conclusão, assevera que a adesão ao parcelamento especial manteve o crédito com a sua exigibilidade suspensa até o cancelamento da conta que ocorreu em 29/12/2011, voltando a correr o prazo prescricional. Em novo despacho, a PGFN destaca que é necessário ressaltar que o STF emitiu a Súmula Vinculante n. 21 acerca do tema: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Prossegue aduzindo que é obrigatória a revisão de legalidade da inscrição em dívida, não restando outra alternativa à PFN/RO que não seja rever a legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa, para concluir pela necessidade de se cancelar a inscrição em DAU, devolvendo o PAF para o âmbito da administrativo, de forma a se concluir o julgamento do recurso a que se negou seguimento. Da narrativa supra, pode se concluir que a recorrente aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e não cumpriu com a obrigação pactuada, o que culminou com exaração do primeiro despacho, dando conta de que a execução fiscal poderia ter seu curso normal, já que o parcelamento resultou na interrupção do prazo prescricional. Todavia, a inscrição em dívida ativa foi cancelada por força da Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal e se determinou o retorno dos autos à Receita Federal do Brasil, que por sua vez determinou a remessa do PAF a este CARF para o julgamento do recurso. Ocorre que, não obstante a negativa do seguimento do recurso ser inconstitucional, em data posterior, a recorrente aderiu a parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009 e, de acordo com as regras estabelecidas na Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, desistiu de forma irrevogável do presente recurso, na forma abaixo: Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11555.001202/200965 Acórdão n.º 2201004.479 S2C2T1 Fl. 1.310 5 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) Considerando que a Súmula Vinculante nº 21 tem caráter ex tunc, a inscrição do presente crédito tributário não produziu qualquer efeito. Dessa forma, ao aderir ao parcelamento especial a recorrente renunciou expressamente ao presente processo administrativo fiscal. Diferentemente do âmbito judicial, em que o não cumprimento do parcelamento importa na continuidade da execução fiscal; na esfera administrativa, não há de se cogitar de retomada do PAF, uma vez que o crédito tributário já está definitivamente constituído pela desistência de forma irrevogável do recurso administrativo. Nesse sentido temse o artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.(destaquei). Observe que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre com a confissão da dívida que é externada através do pedido de parcelamento. O cumprimento do parcelamento é irrelevante para fins de confissão de dívida e de renúncia aos meios de impugnação administrativos e judiciais. Aplicandose a norma acima transcrita, no sentido do pedido parcelamento como desistência do contencioso administrativo, entendeu o CARF, através do acórdão 9303 005.182, relatado pelo Conselheiro Demes Brito e julgado no dia 18/05/2017: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11555.001202/200965 Acórdão n.º 2201004.479 S2C2T1 Fl. 1.311 6 modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. (destaquei). Conforme vastamente demonstrado, não resta saída diversa do não conhecimento do presente recurso por explícita renúncia ao contencioso administrativo por parte do sujeito passivo. Conclusão Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902383/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.402
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a recorrente requer a compensação de débito com crédito referente a pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, relativo ao período de apuração de 30/06/2010. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (i) houve pagamento a maior de IRPJ; (ii) procedeu à retificação da DCTF alterando o valor do débito declarado para o valor efetivamente devido e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 02 38 3/ 20 13 -8 8 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13609.902383/201388 Resolução nº 1201000.402 S1C2T1 Fl. 3 2 informado na DIPJ; (iii) as cópias da documentação anexadas comprovam o direito ao crédito do saldo não aproveitado e legitimam a compensação do débito. O processo foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da recorrente, em síntese, sob o fundamento de que não foram trazidos aos autos documentos comprobatórios da existência de pagamento indevido ou a maior que o devido e, a retificação da DCTF não dispensa a apresentação dessas provas. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de IRPJ referente ao mês de 30/06/2010; (ii) diante das provas trazidas aos autos (LALUR, balancete e balanço patrimonial referentes ao período e DIPJ) não há duvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.399, de 10.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13609.902382/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de 31/08/2010, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do período de apuração de 30/06/2010. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.399), adequandoa ao caso concreto: "5. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 6. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente, haja vista o tema ser alvo de súmula no âmbito desta Corte Administrativa, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação A questão controvertida é se há ou não prova de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ em agosto de 2010. 7. De acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, em caso de recolhimento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13609.902383/201388 Resolução nº 1201000.402 S1C2T1 Fl. 4 3 trata de débito declarado em DCTF não retificada ou retificada após a ciência do Despacho Decisório, cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo. 8. É certo que, o descumprimento da obrigação de retificar a DCTF ou a retificação em momento posterior ao Despacho Decisório não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela autoridade fiscal através da DIPJ e elementos da escrituração fiscal e contábil que corroborem o valor declarado/confessado. 9. E, por mais que a DIPJ não constitua confissão de dívida, nem represente instrumento hábil para a exigência do crédito tributário nela informado (Súmula CARF nº 82), deve ser considerada instrumento probatório legítimo, juntamente com outros elementos, para fins de demonstrar a ocorrência de suposto erro no preenchimento de outras obrigações acessórias, como é o caso da DCTF. 10. Reforçando essas diretrizes, transcrevo as seguintes ementas: "COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF e em DIPJ, não retificadas, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo." (Processo nº 16327.901219/200921, Acórdão nº 1301 002.241, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 23.03.2017, Relator: Waldir Veiga Rocha) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13609.902383/201388 Resolução nº 1201000.402 S1C2T1 Fl. 5 4 Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência.” (Processo nº 10860.903213/200965, Acórdão nº 1301002.410, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 15.05.2017, Relator: José Eduardo Dornelas Souza) 11. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 12. A Recorrente apresentou três DCTF relativas a agosto de 2010: (i) a original, em 21/10/2010, (ii) a primeira retificadora, em 13/09/2011, e (iii) a segunda retificadora, em 06/09/2013 (ou seja, após a ciência do Despacho Decisório). Nas duas primeiras, foi informado débito de R$ 107.366,77. Na última, débito de R$ 65.525,58. 13. Foi confirmado o recolhimento de R$107.366,77, referente ao código 5993, período de apuração agosto de 2010, efetuado em 30/09/2010. 14. A Recorrente, em sua DIPJ/2011 (AC 2010), entregue em 30/06/2011, efetuou balancete de suspensão/redução em todos os meses do AC 2010, tendo informado débito de R$ 65.525,58 de IRPJ apurado por estimativa, em relação ao mês de agosto (fls. 22). 15. A partir da análise da Parte A do LALUR (fls. 105/113), no período de agosto de 2010, o lucro real foi exatamente de R$ 977.952,24, ou seja, a mesma base de cálculo informada na DIPJ/2011 (fls. 22). 16. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR1 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 17. Contudo, há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; 1 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13609.902383/201388 Resolução nº 1201000.402 S1C2T1 Fl. 6 5 c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; 18. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iii) se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; 19. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 20. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.901126/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 26 /2 01 4- 57 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.901126/201457 Acórdão n.º 1402003.110 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11040.901126/201457 Acórdão n.º 1402003.110 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11040.901126/201457 Acórdão n.º 1402003.110 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11040.901126/201457 Acórdão n.º 1402003.110 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11040.901126/201457 Acórdão n.º 1402003.110 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11040.901126/201457 Acórdão n.º 1402003.110 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.720069/2016-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 72 00 69 /2 01 6- 42 Fl. 56DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 15 a 19, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 29.443,64, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$8.097,00 acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 21 a 22, juntando documentos para supostamente evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte seriam suficientes em parte para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa apenas em relação a UNIMED de Araras (R$ 5.646,07). Tal glosa foi motivada pela não discriminação dos valores pagos por beneficiário, sendo que tal comprovação também não ocorreu por ocasião da defesa. Glosa mantida apenas em relação a esta despesa mpedica. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse tal glosa de despesa médica eis que comprovada e detalhada a despesa da Unimed em relação a si mesma. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13887.720069/201642 Acórdão n.º 2001000.437 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos detalhados dos pagamentos relativos a Unimed de modo a ratificar a existência das despesas. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou também estas despesas médicas referentes à Unimed, nos seguintes termos: “[...] No tocante as despesas médicas, nos termos do art. 8°, inciso II, alínea "a" da Lei n° 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. 7.1. Nesse mesmo sentido, o disposto nos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, bem como no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n. º 3.000, de 26 de março de 1999. 7.2. No caso em apreço, a contribuinte apresentou os documentos de fls.23/24, com intuito de comprovar os gastos declarados com despesas médicas em sua DAA. Em análise aos documentos apresentados, ao Dossiê Fiscal, bem como a matéria não impugnada, é possível concluir: Fl. 58DF CARF MF 4 a) UNIMED de Araras (R$ 5.646,07): a glosa foi motivada pela não discriminação dos valores pagos por beneficiário, sendo que tal comprovação também não ocorreu por ocasião da defesa. Neste caso, bastaria à interessada uma declaração de seu plano de saúde informando os beneficiários do plano. Ressaltese que o fato da contribuinte arcar com tais despesas, não basta para comprovar ser ela a única beneficiária. Glosa mantida. b) Wanessa Corte Honda: está questionando o valor total de R$ 22.970,00 referente a despesas médicas da própria declarante. A glosa foi motivada pelo fato de que os recibos apresentados, por ocasião da Intimação, e constantes do Dossiê Fiscal não cumprem os requisitos da legislação e “são claramente produto de emissão seriada”, fazendose necessária a comprovação do efetivo pagamento. 7.3. Ocorre que, no caso em apreço, não constam dos autos a comprovação da intimação oficial à contribuinte acerca da necessidade de comprovação do efetivo pagamento das deduções pleiteadas. Ademais a contribuinte trouxe em sede de impugnação declaração da profissional, que comprova, inclusive, a efetiva prestação do serviço, motivo pelo qual excluise a glosa efetuada no valor de R$ 22.970,00. 9. Mediante o acima exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, com apuração de imposto suplementar no valor de R$ 1.780,26, que será acrescido dos juros e multa cabíveis. Ressaltese que do montante apurado R$ 227,57 se refere à matéria não impugnada que foi transferida para o processo nº 13887.720075/201608. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas posto que não formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13887.720069/201642 Acórdão n.º 2001000.437 S2C0T1 Fl. 4 5 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação apresentada pela contribuinte, entendo que deve ser acatado o pedido para reformar a decisão a quo exonerado o crédito fiscal.. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas glosadas anteriormente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 60DF CARF MF 6 Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004915/2007-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo.
Numero da decisão: 2001-000.304
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.006482/2008-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO.
Notas fiscais ou recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO. Notas fiscais ou recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 82 /2 00 8- 58 Fl. 71DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.500,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2004. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas e de acordo com a exigência da legislação tributária, para usufruir da dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que para utilizar o benefício da dedução das despesas médicas na declaração de ajuste do imposto sobre a renda é indispensável à apresentação de documentação que atenda o exigido na legislação tributária, como segue: (...) Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 07/08, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2004, exercício 2005, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 11.927,85, sendo R$ 5.500,00 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 4.125,00 à multa de oficio e R$ 2.302,85 aos juros de mora (calculados até 30/05/2008). No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e' informado que foi efetuada a glosa do valor de R$ 20.000,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. A glosa referese ao profissional Antonio Terzis. (...) O artigo 8° da Lei n° 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos, determina: (...) O contribuinte, embora intimado, não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. A simples juntada dos recibos, alguns dos quais emitidos em finais de semana (janeiro, julho e Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.006482/200858 Acórdão n.º 2001000.363 S2C0T1 Fl. 72 3 outubro) e de uma declaração prestada pelo Dr. Antonio Terzis, que à época era colega de trabalho do contribuinte (ambos eram empregados da “Sociedade Campineira de Educação e Instrução” CNPJ n° 46.020.301/000188). Não é suficiente para comprovar a efetiva prestação dos serviços. Não foi trazida aos autos nenhuma comprovação dos pagamentos declarados. Em face de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇAO apresentada, devendo o crédito tributário lançado ser mantido integralmente. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 5.500,00, referente à glosa do valor das despesas médicas, mais multas e juros incidentes sobre o crédito tributário. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 73DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização no processo é que o Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda mediante apresentação de documentação simplificada e carente de informações mínimas que satisfaçam o convencimento do Fisco e injustificadamente não a complementou, permanecendo, portanto, em desacordo com os temos da legislação tributária. Além disso, apresentou comprovantes de despesas em nome de sua esposa que não consta na DAA como sua dependente. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.006482/200858 Acórdão n.º 2001000.363 S2C0T1 Fl. 73 5 É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. Assim, é de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação. Logo, seria legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil, da nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado e informações de identificação complementares, pois tais documentos devem guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento, desde que se refira a pessoa do Recorrente, referente à efetiva prestação de serviço, cuja comprovação é requerida legalmente com documento idôneo e em atendimento as especificações de exigências legais. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ se fundamenta na afirmativa de que as despesas médicas para serem deduzidas do imposto devem ter sido incorridas com o próprio declarante ou de seus dependentes legalmente comprovados, nos termos da legislação tributária, com prova do efetivo desembolso das despesas pagas ou com elementos que sustentem a veracidade das informações de prestação dos serviços. No caso presente, o Recorrente apresentou recibos em que figura como paciente a esposa do contribuinte que não consta em sua declaração de imposto sobre a renda. Pelo menos parte dos recibos apresentado como comprovação de sua declaração referese à Gisele Aparecida Patrocínio Bazi, que não é sua dependente para efeitos fiscais. Embora as oportunidades de comprovação das despesas pudessem estar à disposição do Recorrente, restou ausente qualquer tentativa consistente de comprovação, direta ou indiretamente, da ocorrência da despesa ou de seu pagamento. Assim que, no exame do processo consta o forte indício da não prestação dos serviços, com apresentação de cinco recibos em nome de Gisele Bazi no valor total de R$ 10.000,00, nos meses de junho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2004. Em nome do Fl. 75DF CARF MF 6 Recorrente constam cinco recibos no valor total de R$ 10.000,00, nos meses de janeiro, março, maio, julho e setembro de 2004, do mesmo profissional, como tratamento psicoterápico. Também a declaração do profissional, fl. 11 do processo, com data de 11/06/2008, faz referência ao nome da esposa do Recorrente, Sra. Gisele Aparecida do Patrocínio Bazi, embora não dependente para efeitos fiscais. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do acórdão vergastado com a mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724918/2016-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Os membros do colegiado resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 24 91 8/ 20 16 -4 3 Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.551 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 1778 a 1842), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ (fls. 1709 a 1741) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela Contribuinte (fls. 619 a 661 TVF fls. 536 a 556), acatando parte das alegações e comprovações da Impugnação apresentada (fls. 667 a 1594). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao anocalendário de 2012, acompanhadas de multa ofício (75%) e multas isoladas pela ausência de recolhimento de estimativas, lavrada em face da empresa COMPANHIA BRASILEIRA DE MULTIMIDIA, em razão desta ser sucessora da empresa Fiscalizada, BRASILLOG COMÉRCIO DE JORNAIS E REVISTAS LTDA, conforme esclarecido no início do TVF: 1. O presente Procedimento Fiscal dáse em cumprimento, inicialmente, ao Termo de Distribuição deProcedimento Fiscal – TDPF n º 0710800201400498, cujo Sujeito Passivo era BRASILLOG COMÉRCIO DEJORNAIS E REVISTAS LTDA., inscrito no CNPJ nº 08.545.291/000105. 1.1. A empresa BRASILLOG COMÉRCIO DE JORNAIS E REVISTAS LTDA. fora sucedida por COMPANHIABRASILEIRA DE MULTIMIDIA CBM, inscrita no CNPJ nº 04.216.634/000137, cujo TDPF é 0710.800201500019, na qual serão lançados os Tributos devidos pela Sucedida, apenas. (fl. 535) As acusações fiscais que sustentam as Autuações são de omissão de receitas, presumida com base em verificação de passivo com exigibilidade não comprovada, conforme previsto no art. 281, inciso III, do RIR/99, referente a obrigações de contrato de contacorrente entre a Contribuinte e a suas coligadas, bem como a de despesas financeiras não comprovadas. Assim foram relatadas as infrações e fundamentado o lançamento de ofício: PASSIVO FICTÍCIO – IRPJ e REFLEXOS 31. Conforme dito acima, a empresa fora Intimada e Reintimada, assim como dada a possibilidade de Complementar a Documentação referente a ORIGEM OU CAUSA Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.552 3 dos montantes escriturados no Passivo Exigível a Longo Prazo (Passivo Não Circulante Código da Conta 88 – PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO). 31.1. Apresentou Recibos onde ACÁCIA PARTICIPAÇÕES, por conta e ordem de COMPANHIA BRASILEIRA DE MULTIMIDIA, efetua pagamentos de despesas diversas desta BRASILLOG COMÉRICIO DE JORNAIS E REVISTAS LTDA. (Grifos Nossos) 32. O Termo de Intimação Fiscal nº 6 esclareceu que a manutenção no Passivo de Obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada autoriza presunção de omissão no registro de Receita, ressalvada ao Fiscalizado a prova de improcedência da presunção, nos termos do Artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/1999. 33. Intimada a empresa de forma reiterada, a mesma não logrou êxito em comprovar os montantes escriturados na Conta Contábil – 92 – EDITORA JB S/A, constante no Passivo Exigível a Longo Prazo, por não apresentar quaisquer elementos comprobatórios dos fatos Contábeis, objeto das Intimações Fiscais nº 4, 5 e 6, em questão. 34. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. 35. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. 36. Por se tratar de inversão do ônus da prova, remetese ao Contribuinte, portanto, o dever de comprovar a origem do passivo questionado, não cabendo à fiscalização descobrir quando e de onde vieram tais valores, pois se fora para a Fiscalização perquirir as origens destes valores, então a Presunção Legal não seria suficiente para o Lançamento Tributário, o que distorceria esse Instituto. 37. A título de exemplo, supondo o caso de 75 % (setenta e cinco por cento) do total do Passivo não comprovado tenha sido formado no Ano Calendário 2012, objeto deste Procedimento Fiscal e os outros 25 % (vinte e cinco por cento) de Anos Calendários anteriores, a Lei não dispõe que a Presunção de Passivo Não Comprovado só se aplica ao Passivo formado no ano corrente, está, portanto, implícito à tal Presunção Legal. 38. E assim, se os fatos contábeis não foram suficientes para comprovar a obrigação, porque o seriam suficientes para determinar com precisão a data do ingresso dos recursos no patrimônio da empresa. 39. Caso o Fiscalizado desejasse tal comprovação, apresentarseiam os Extratos Bancários concomitantemente com sua documentação de lastro, conforme objeto de reiteradas Intimações. Não há certeza das datas contabilizadas se não há a apresentação destes ingressos por Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.553 4 meio dos referidos Extratos, acompanhados de documentação de suporte. 40. Foram dadas oportunidades para o Fiscalizado COMPLEMENTAR a documentação, caso desejasse, preferindo este salientarse, repito. 41. Assim sendo e esgotados todos os prazos estabelecidos nos respectivos termos, o sujeito passivo não apresentou qualquer documentação comprobatória, hábil e idônea, da existência dos saldos e dos lançamentos contábeis efetuados nas contas do Passivo Exigível a Longo Prazo, caracterizando, de acordo com o inciso III do artigo 281 do RIR/99, Presunção de Omissão de Receita. 42. Em anexo a esse Relatório, elaborase, com base nos arquivos contábeis digitais obtidos do SPED, a apuração feita nas contas indicadas, correspondendo aos saldos das Contas à data de 01/01/2012 e de 31/12/2012, considerandose, diante do exposto, o saldo final de 2011 e/ou inicial de 2012. (fls. 542 a 544) (...) DESPESAS NÃO COMPROVADAS 48. Intimada a empresa, por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar: Contratos de Mútuo das Contas do Grupo EMPRÉSTIMOS E FINANCIMENTOS – 02.01.04 – Conta 02.01.04.01.01 – “Bic Banco mútuo Parc 10628191 (INEWS). 49. Em resposta, a empresa apresentou documentação (Cédula de Crédito Bancário) emitida em 07/07/2009. Em tal documento, não há nenhuma referência à Fiscalizada. 49.1. Os Partícipes da referida documentação são: 49.1.1. Banco Banco BIC; 49.1.2. Cliente INEWS COM. DE JORNASI VER. E PERIODICOS LTDA. 49.1.3. Cedente Fiduciante INEWS COM. DE JORNASI VER. E PERIODICOS LTDA. 49.1.4. Fiel Depositário – Ângela Maria Pereira Moreira. 50. No intuito de se dar mais uma oportunidade de a empresa elucidar os Fatos Contábeis em questão, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 15, nos seguintes termos: Apresentar documentação hábil e idônea acerca da Conta Contábil 807 – BIC BANCO MUTUO PARC 10628191 (INEWS) e 207 – DESPESAS FINANCEIRAS, conforme tabelas abaixo. Apresentar a aplicação dos recursos provenientes dos empréstimos obtidos, classificados no Passivo Circulante – Empréstimos e Financiamentos – Conta Contábil – 82. Aberta a Conta Contábil acima (807), no mês de janeiro de 2012. Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.554 5 Despesas Financeiras originadas pela Conta Contábil 807. 50.1. A título de amostragem, foi, dessa forma, analisada a Conta Contábil 807 – Bic Banco Mútuo (item 1.1). Em seguida, essa Conta foi examinada, especificamente, em 16 de janeiro de 2012, onde consta o montante de R$ 25.220,84 (Juros Acordo Bic Banco – item 1.2), e no item 1.3 do susomencionado TIF, foi apresentada a Conta 207 – Despesas Financeiras, onde no mesmo dia fora contabilizado o mesmo montante de R$ 25.220,84 com o mesmo histórico (Juros Acordo Bic Banco). 50.2. Em resposta, a empresa, mais uma vez, juntou xerocópia, sem qualquer assinatura, onde “encaminha” extrato de Contrato nº 00010628191, referente ao empréstimo Bic Banco. 50.2.1. Acontece que, como dito, o documento, além de ser xerocopiado, não tem nenhuma assinatura e não traz nenhum elemento que elucida os fatos indagados pela Fiscalização. 50.2.2. Tal documento não faz menção sequer à Fiscalizada, isto é, não comprova tais Despesas. 51. Expandindose a referida Conta Contábil e diante do não esclarecimento e após intimado por duas vezes, nesse objeto, foram adicionadas ao Lucro os Montantes escriturados na Conta Contábil – 207 – Despesas Financeiras. (fls. 554 e 555) Intimada do lançamento de ofício, a ora Recorrente apresentou regularmente Impugnação, questionando todas as matérias tratadas, alegando, em suma: Preliminarmente – Aplicação de Penalidade Isolada e Exigência de Crédito Tributário por meio de um Único Auto de Infração a) Conforme o artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, que determina que a aplicação de penalidade isolada e a exigência do crédito tributário sejam formalizados em autos de infração separados, distintos para cada tributo ou penalidade, ou seja, veda que em um mesmo auto de infração sejam lançados o tributo devido e a penalidade isolada; b) Tal vedação foi ignorada pelos respectivos autos de infração de IRPJ e de CSLL; Preliminarmente – Motivação Deficiente a) Embora se trate de lançamento fundamentado em presunção legal, devese lembrar que as presunções legais instituídas no interesse da fiscalização não a dispensam de produção de qualquer tipo de prova; b) Deve haver necessidade de prova do fato indiciário; c) Conforme se observa do Relatório Fiscal, a interessada, intimada a demonstrar documentalmente a origem e a causa de transações das quais decorrem obrigações perante as empresas ligadas Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Editora Rio S/A (atual denominação Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.555 6 da Editora JB) e Casa Brasil Empreendimentos Culturais e Editoriais Ltda., escrituradas em seu passivo, apresentou os anexos recibos, que atestam o recebimento, pela interessada, de valores provenientes das empresas Acácia Participações Ltda. e Alberta Empreendimentos Ltda. por conta e ordem das empresas CBM, Editora JB e Casa Brasil; d) O Fisco, sem realizar qualquer investigação relevante ou conclusiva, mesmo diante da prova da causa e da origem das obrigações, classificouas como “passivo fictício”, com fundamento na circunstância de que a impugnante não logrou apresentar documentos referentes à relação jurídica entre as empresas que disponibilizaram recursos (Acácia e Alberta) e as empresas ligadas credoras das obrigações (CBM, Editora JB e Casa Brasil), por meio do qual os recursos foram disponibilizados à impugnante, no intuito de suprir a deficiência da motivação do lançamento pretendido por meio da imposição à impugnante do descabido ônus da prova da existência das relações jurídicas que não integram e que sequer são relevantes para a configuração da exigibilidade das obrigações em questão; e) O Fisco desconsiderou a existência dos adiantamentos para futuro aumento de capital contabilizados e do contrato de contacorrente apresentado, sem que houvesse qualquer indício relevante que justificasse duvidar da validade destes contratos, contrariando o entendimento da jurisprudência; f) Do ponto de vista dos requisitos formais os autos de infração são nulos, haja vista que, ao deixarem de oferecer qualquer prova do fato que os fundamenta (inexigibilidade das obrigações), violaram o princípio constitucional da motivação e ofenderam a literal disposição do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972; g) Deve haver respaldo no Princípio da Verdade Material; h) No caso das presunções deve haver aplicação do artigo 112 do CTN (aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte); Do Mérito Comprovação Documental da Exigibilidade das Obrigações a) A interessada esclareceu ao fisco que a maior parte do passivo perante a CBM corresponde a Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital realizados por essa empresa, tal como registrado na contabilidade; b) Sobre essa conta a legislação não estabelece qualquer requisito formal para a validade deste negócio jurídico, sequer sendo necessária a celebração do contrato escrito, valendo, então, a contabilidade; c) Anexou ainda a interessada, ao longo da fiscalização, o contrato de contacorrente firmado entre ela e empresas do grupo, entre as quais a CBM, a Editora JB e a Casa Brasil, credoras das obrigações, cuja existência foi questionada pela fiscalização, esclarecendo, dessa forma, que as referidas obrigações são decorrentes da disponibilização de recursos financeiros à impugnante através de operações realizadas ao abrigo do contrato de contacorrente; Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.556 7 d) Vejase que o passivo da impugnante perante a CBM se divide entre aquele originado dos Futuros Aumentos de Capital e o decorrente do contrato de contacorrente; e) Anexou ainda para fortalecer a prova da origem das obrigações os recibos das referidas transações, que registram o recebimento dos recursos de Acácia Participações Ltda. e Alberta Empreendimentos Ltda. por conta e ordem de CBM, Editora JB e Casa Brasil; f) Apresenta novos recibos e uma amostra significativa dos comprovantes bancários das transações pertinentes; g) É abusiva e arbitrária a exigência de apresentação de documentos relativos a relações jurídicas travadas por terceiros, a qual a impugnante é alheia, uma vez que extrapola o escopo da fiscalização que resultou na lavratura das autuações impugnadas, que abrange apenas a impugnante e considerando que os termos dessas eventuais relações jurídicas entre Acácia/Alberta e CBM, Editora JB e Casa Brasil em nada interferem na obrigação da impugnante de reconhecimento do passivo, cumprida com suporte em documentação hábil e em observância às normas aplicáveis; h) Os documentos apresentados estão dentro da aceitação das normas contábeis norteadoras, sendo hábeis e suficientes para a demonstração da disponibilização de recursos por CBM, Editora JB e Casa Brasil à impugnante, de acordo com os usos e costumes; i) Não foi apontado vício que desconsiderasse os negócios jurídicos realizados, tendo sido ilegalmente presumida a inexigibilidade das obrigações destes decorrentes, com vistas a fundamentar a presunção de omissão de receita; Erro no aspecto temporal do lançamento: Tributação de passivo não comprovado em momento posterior à sua formação a) A partir da constatação de que foi tributado como receita omitida o saldo inicial das contas que registram os passivos no momento inicial do período de apuração, não resta dúvida quanto ao fato de que foi presumida, em face da “insatisfatória” comprovação das obrigações a omissão de receitas em anocalendário posterior àquele em que o lançamento contábil das obrigações foi efetuado; b) As autuações desrespeitam o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário de forma a ofender o entendimento unânime na jurisprudência do CARF, segundo o qual a aplicação da presunção legal em exame deve vir acompanhada da prova de que o passivo não comprovado teria se formado no período de apuração autuado; c) Houve, então, erro no aspecto temporal do lançamento correspondente à tributação de passivos não comprovados em momento posterior à sua formação, o que é facilmente verificável diante do saldo inicial das contas relativas aos passivos no exercício social fiscalizado, do qual decorre a improcedência dos autos de infração impugnados; Comprovação Documental das Despesas Glosadas a) Foram glosadas todas as despesas financeiras escrituradas na conta contábil 207, que Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.557 8 abrangia tanto os juros de empréstimo tomado junto ao Banco Bic pela empresa INEWS Comércio de Jornais Revistas e Periódicos Ltda., posteriormente incorporada pela Brasillog, quanto encargos moratórios de obrigações tributárias e juros de parcelamento de tributos; b) Nesse sentido, cabe observar a anexa planilha demonstrativa dos encargos moratórios de obrigações tributárias e juros de parcelamento de tributos incorridos no período, que comprova a efetividade de parte das despesas registradas na conta 207 e glosadas pelo Fisco, acompanhada dos DARFs anexos relativos a estas despesas; c) Quanto aos juros do empréstimo tomado junto ao Banco BIC, considerado não comprovado pelo Fisco, cumpre apresentar a cédula de crédito bancário e o anexo extrato de contrato, bem como planilha e comprovantes de pagamentos das parcelas que comprovam de forma inquestionável a contratação do empréstimo em questão e a efetividade das despesas financeiras deste decorrentes incorridas ao longo do período objeto das autuações impugnadas; Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL a) Os montantes de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL de períodos anteriores registrados na apuração da impugnante são superiores aos valores considerados para compensação pelos autos de infração impugnados, conforme a planilha anexa; b) Dessa forma, na remota possibilidade de que se conclua haver algum valor a lançar a desfavor da impugnante, impõese que sejam reconhecidos e compensados os montantes de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL de períodos anteriores registrados na planilha anexa; Aplicação Concomitante de Multa de Ofício e Multa Isolada de Estimativa a) A cumulação das penalidades é absolutamente indevida, haja vista que as duas condutas (falta de recolhimento na antecipação e no ajuste), embora distintas, estão materialmente ligadas, já que o cálculo do valor estimado repercute na apuração do ajuste ao final do período; b) Dessa forma, o dever de antecipar só existe antes do encerramento do período de apuração, de forma que somente até este momento é que seu descumprimento pode ser alcançado pela penalização. Após o encerramento do período, existe somente o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste, sendo punível apenas o descumprimento desta obrigação; c) A aplicação das duas multas penaliza duplamente o contribuinte; PIS/COFINS – Aplicação das Alíquotas do Regime NãoCumulativo a) Praticamente todas as receitas da impugnante estão sujeitas à sistemática cumulativa; b) Ainda que se admita a indevida presunção de omissão de receitas, devese ao menos reconhecer a necessidade de aplicação das alíquotas de 0,65% e 3%, próprias do regime cumulativo (edição e Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.558 9 comercialização de jornais e periódicos), pois as principais atividades desempenhadas pela impugnante estão sujeitas ao referido regime; Requer, por fim, a conversão do julgamento em diligência, para que se verifique a exatidão dos fatos alegados na impugnação, em especial para que se apure que as obrigações, cuja suposta inexigibilidade fundamenta as autuações impugnadas foi registrada no passivo em momento anterior ao período fiscalizado, já abrangido pela decadência, bem como, se for o caso, que a atividade preponderante da impugnante esteja sujeira ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. (Relatório DRJ fls. 1717 a 1722) Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO, que julgou parcialmente procedente o lançamento, acatando as alegações da defesa oposta quanto a incongruência temporal, reconhecendo a impossibilidade de se incluir na base de cálculo do lançamento valores escriturados no passivo anteriormente ao anocalendário de 2012, assim como entendeu procedente a comprovação da efetiva ocorrência de parte das despesas glosadas. Confirase a ementa daquele Julgado a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais. REUNIÃO DE AUTOS DE INFRAÇÃO EM UM MESMO PROCESSO. POSSIBILIDADE. ARTIGO 9º, §1º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. O §1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 autoriza expressamente a reunião em um mesmo processo de autos de infração e notificações de lançamento formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Mais que isso, a formalização do auto de infração de IRPJ com a penalidade isolada proveniente dos mesmos elementos de prova faz com que se ratifique inexistir qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. O ato diligencial tem por característica o desvendar da verdade, não podendo ser usado como instrumento procrastinatório que desse amparo tanto ao fisco quanto ao interessado no adiamento da produção da prova a que deveriam produzir. A simples juntada de documentos no processo não tem o condão de desencadear processo de diligência, que tem seu escopo direcionado para a elucidação dos fatos, buscando a verdade material. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.559 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÕES INCOMPROVADAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Os valores lançados de ofício, sustentados no fato de que constam no passivo obrigações não comprovadas, deverão ser mantidos no caso de o sujeito passivo, a quem incumbe o ônus de afastar a imputação, através deelementos probantes concretos e incontestes, deixar de fazê lo de forma afastar “in totum” a presunção legal invocada pelo fisco. MULTA PROPORCIONAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA COM MULTA ISOLADA. Nada impede seja exigido concomitantemente com a multa de ofício a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, já que a interessada à época, em face das infrações constatadas, deixou de recolher os respectivos valores, conduta, portanto, típica, subsumida à norma legal constante no artigo 44, inciso II, alínea b da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pelo contribuinte regularmente intimado para tal. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. No caso de omissão de receitas por presunção legal, em sendo impossível determinar qual, especificamente, teria sido a receita omitida, devem ser aplicadas as alíquotas tal qual o instrumento de lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pelo contribuinte regularmente intimado para tal. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. No caso de omissão de receitas por presunção legal, em sendo impossível determinar qual, especificamente, teria sido a receita omitida, incabível se torna aplicar as alíquotas cumulativas conforme as respectivas atividades. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do valor do cancelamento procedido, ficou registrado em tal r. decisório a interposição de Recurso de Ofício. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.560 11 Não houve a apresentação de razões por parte da Fazenda Nacional. Diante de tal revés parcial, a Contribuinte apresentou Recursos Voluntário (fls. 1778 a 1842), em suma, reiterando suas alegações de defesa já trazidas nos autos, bem como apontando, especificamente, as razões de reforma do v. Acórdão recorrido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.561 12 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Recurso de Ofício atende às hipóteses de cabimento trazidas na Portaria MF nº 63/2017. Recurso Voluntário Preliminarmente, a Recorrente alega que do art. 9 do Decreto nº 70.235/72 poderia se extrair regra que exigiria que a multa isolada, aplicada pela falta de recolhimento de estimativas, e o lançamento de ofício principal, referente ao tributo sob exigência, deveriam ser formalizados e processados em processos administrativos distintos. Afirma que a junção da multa isolada com a exigência do tributo devido, como feito na autuação objeto deste feito administrativo, trazem prejuízos ao pleno exercício da defesa, além de não atenderem aos requisitos formais estabelecidos pela legislação em vigor, o que ensejaria a nulidade do lançamento de ofício. Esclarecendo, inclusive para evitar dúvidas e indução a erro dos membros desse N. Colegiado, não se questiona nesse tópico a cumulação de multa isolada com a multa de ofício. Quanto à existência de suposta vedação de se formalizar e processar tal penalidade autônoma e a exigência do tributo, não assiste razão à Recorrente. A dicção do art. 9 do Decreto nº 70.235/721 não carrega tal exigência condicionante da validade das Autuações lavradas pelo Fisco. Dentro da lógica interpretativa 1 Art. 9 A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.562 13 apresentada pela Contribuinte, defendese sob pena de nulidade que a multa de ofício também deve ser processada de forma apartada ao tributo constituído, o que reforça a improcedência de tal argumento. Uma vez que as penalidades e a exigência do principal decorrem precisamente da mesma investigação fiscalizatória, das mesmas constatações e provas colhidas pela Autoridade fiscal, apresentandose a subsunção dos mesmo fatos e circunstâncias aos dispositivos legais que fundamentam tanto a exação como a sanção em comento, correta e justificada a formalização conjunta. Atualmente, tal procedimento é notoriamente comum e regular no contencioso administrativo federal. Inclusive, a reunião de imposições ao contribuinte arrimadas em conjunto fáticoprobatório idêntico garante coerência e higidez jurisdicional, prevenindo anacronismos nos julgamentos das mesmas matérias. Nesse sentido, em caso em que a multa isolada fora formalizada em expediente distinto e autônomo àquele que trazia a exigência do tributo supostamente inadimplido, está C. 2ª Turma Ordinária entendeu pela necessidade reunião dos processos, considerando a relação de prejudicialidade entre as causas. Confirase o Acórdão nº 1402002.825, de relatoria deste mesmo Conselheiro, publicado em 27/02/2018: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA CSLL. ALTERAÇÃO BASE DE CÁLCULO. INFRAÇÃO PRINCIPAL DDL. OBJETO DE OUTRO FEITO. CONEXÃO. PREJUDICIALIDADE. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO EM MESMA INSTÂNCIA. REUNIÃO PROCESSUAL.O Auto de Infração referente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, exclusivamente constatado em razão de lançamento de ofício fundamentado em outra infração que deu ensejo à alteração das bases de cálculo do período correspondente, não deve ser processado e julgado de forma autônoma e desvinculada da Autuação principal. Se formalizadas tais exigências em processos diferentes, tendo em vista que a fundamentação para a aplicação da multa isolada em questão depende prévia e diretamente da procedência da infração principal que motivou a alteração das bases de cálculo, existe clara relação de conexão por prejudicialidade entre os feitos. lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.563 14 Sob pena de anacronismo jurisdicional e incongruência lógica, quando cancelado o lançamento de ofício principal deve ser aplicado à exigência da multa isolada o mesmo desfecho, na mesma instância de julgamento, assim como promovida a reunião dos processos, sendo medida de higidez e racionalidade processual. Posto isso, afastase tal alegação preliminar de nulidade. Ainda, alega a Recorrente nulidade o próprio v. Acórdão da DRJ a quo, por supostamente ter deixado de apreciar parte da matéria alegada em Impugnação. Nesse sentido, afirmase que as Autoridades Julgadoras não enfrentaram a preliminar de “motivação deficiente”, levantada pela Recorrente em sua Impugnação. Tal omissão, sem a menor dúvida, causaria a nulidade do v. Acórdão recorrido, tendo em vista que a DRJ deveria enfrentar todos os argumentos expostos pela Recorrente em sua impugnação. Primeiro, devese esclarecer que o convencimento motivado é livre, desde que devidamente fundamentado, muitas vezes culminando na superação e no prejuízo do confronto de determinados pontos alegados pelo reconhecimento de procedência de outros, referentes à mesma matéria, considerada individualmente sob uma ótica processual. Assim, analisando os termos do v. Acórdão, observase que este, objetiva e expressamente, decidiu sobre o tema e registrou seu entendimento pela plena regularidade e validade das Autuações, na forma como lavradas: Alega a interessada que seu direito de defesa foi cerceado, em face de o fisco utilizarse de pressupostos subjetivos para imputarlhe a infração, não fundamentando quais seriam efetivamente as bases da autuação. (...) Cumpre ressaltar que o ato de lançamento, quanto aos aspectos formais, encontrase correto, já que o fisco no bojo dos autos de infração trouxe todos os dispositivos legais infringidos e no relatório fiscal as razões pelas quais entendeu ter havido a infração. (...) Nestas condições, devem ser REJEITADAS as argüições de nulidade suscitadas pela interessada no presente lançamento. (fls. 1723 a 1725) Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.564 15 Posto isso, deve ser afastada tal alegação de nulidade do v. Acórdão. Registrese aqui que a Recorrente traz a mesma alegação ao conhecimento dessa C. Turma. Analisando seus argumentos, há de concordar plenamente com o v. Acórdão da DRJ, nos termos de seus fundamentos. Está claro no TVF e nos Autos de Infração a matéria tributada, a sua quantificação, os sujeitos passivos, os fatos e as condutas infracionais imputadas à Contribuinte, bem como os dispositivos legais aplicáveis. Comprovando o alegado e já afastando a verificação da ocorrência de qualquer cerceamento de direito postulatório, a Contribuinte foi capaz de apresentar defesas extensas, munidas de documentação probatória, combatendo todo o conteúdo acusatório do lançamento de ofício, inclusive sendo cancelada grande monta da exação pela Instância anterior. A procedência jurídica dos fundamentos utilizados pela Fiscalização nas Autuações não se confunde com a sua validade, à luz do art. 142 do CTN. Nessa esteira, se a Fiscalização supostamente não observou ou considerou fatos e documentos contrários à presunção aplicada, a análise do conteúdo probatório destes, em favor do direito do contribuinte, faz parte do julgamento meritório de procedência da exação, em ambiente contencioso. Diante disso, afastase, igualmente, essa alegação de nulidade do lançamento de ofício. Sobre a necessidade de realização de diligência, relata a Recorrente que tal pedido foi rejeitado no v. Acórdão, inclusive sob argumento de prescindibilidade e impossibilidade de produção de novas provas para o julgamento da lide. Contudo, entende que a própria exclusão parcial do crédito tributário, lá promovida, demandaria a realização de diligência para a sua devida apuração. Confirase a afirmação da Parte: ao agir dessa maneira, a DRJ extrapolou a sua competência, o que permite a Recorrente afirmar que o acórdão proferido no presente caso deve ser reformado. Logo, permitindose a conversão em julgamento para se analisar a questão da parte afastada do crédito tributário, assim como da demais partes que esse Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.565 16 Conselho Administrativo irá determinar a revisão, em razão das provas carreadas aos presentes autos. Não assiste razão à Recorrente. O art. 182 do Decreto nº 70.235/72 preconiza que está sujeita ao entendimento e juízo de necessidade do Julgador a determinação ou não de realização de diligência, não havendo em se falar de extrapolamento. Em relação ao cancelamento parcial das exigência, foram, clara e largamente, demonstrados os cálculos da monta afastada pelo I. Relator em seu voto, tampouco havendo previsão normativa objetiva de realização de diligência nesse caso. Se a Contribuinte discorda dos cálculos de qualquer objeto dos autos, deveria manifestarse, demonstrando e comprovando tal incorreção seja no apelo imediatamente cabível à decisão que lhes implementou ou até por petitório próprio. Assim, concluíse que não houve qualquer vício ou lapso em não ter sido anteriormente determinada a realização de diligência. Adentrando o mérito do lançamento de ofício, como relatado, o cerne acusatório se baseia na constatação pela Fiscalização de inexigibilidade das obrigações lançadas no passivo, fundamento para a presunção de omissão de receitas, com base no art. 281, inciso III do RIR/99. Deve terse claro aqui que a Fiscalização deuse em face da empresa sucedida pela Recorrente, BRASILLOG COMÉRCIO DE JORNAIS E REVISTAS LTDA, sendo todos os fatos, constatações e apurações referentes a este contribuinte. Como se observa, a infração em tela, propriamente dita, é de omissão de receitas, a qual legalmente se presume quando verificadas pela Fiscalização a ocorrência das suas hipóteses legais, devidamente demonstradas e comprovadas no lançamento de ofício. Por sua vez, o fundamento de tal infração presumida, in casu, é a manutenção de obrigações no passivo cuja exigibilidade não seja comprovada. 2 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.566 17 Tais elementos distintos da exação possuem relação direta, de causa e consequência. Certamente, a presunção de omissão de receitas inverte o ônus da prova da sua não ocorrência em face do contribuinte. Contudo, a premissa e a motivação da Autuação, considerada como ato administrativo, são a constatação, a demonstração e a devida comprovação pela Autoridade Fiscal de que tais obrigações lançadas no passivo da Empresa não possuíam exigibilidade. Inclusive, tal fundamento é o único elemento concreto dessa imputação feita à Contribuinte, do qual a procedência da exigência fiscal correspondente depende. Caso contrário, tal presunção (frisese, plenamente lícita e adequada, dentro do corolário de praticabilidade tributária que viabiliza o trabalho de fiscalização) poderia ter aplicação automática e desmotivada, simplesmente exigindo do contribuinte, período de apuração após período de apuração dos tributos, a prova cabal de que não omitiu receitas. Desse modo, o contribuinte autuado pode combater tal modalidade infração tanto diretamente, em relação aos fundamentos do lançamento de ofício, como também com a efetiva demonstração de não ocorrência da omissão de receitas, devendo o Julgador observar ambos aspectos em sua decisão, quando presentes. A Recorrente defendese alegando que tais valores lançados no passivo referem se a empréstimos, circulados entre as empresas do mesmo Grupo ("CBM", "Editora JB" e "Casa Brasil"), mediante a celebração de contratos de abertura de contacorrente, e a Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFACs. Em relação ao fundamento da constatação fiscal, conforme precisamente consta do TVF, durante a fiscalização, a Contribuinte apresentou Contrato de Conta Corrente firmado coletivamente entre as empresas do conglomerado, quais sejam: DOCAS INVESTIMENTO S.A.; SPORT & LAZER IV CENTENÁRIO; EDITORA PEIXES S.A.; EDITORA JB S.A.; JB COMERCIAL S.A.; Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.567 18 BRASILLOG COMÉRCIO DE JORNAIS E REVISTAS LTDA.; CASA BRASIL EMPREENDIMENTOS CULTURAIS E EDITORIAIS LTDA.; COMPANHIA BRASILEIRA DE MULTIMÍDIA. (fls. 537) A Fiscalização não questiona propriamente a existência e eficácia jurídica do pacto, mas aponta para insuficiências probantes deste documento para relacionarse aos valores registrados nas suas contas patrimoniais, comparandoo a notas explicativas de suas movimentações financeiras: 9. O referido Contrato de ContaCorrente dispõe, preliminarmente: Considerando que as Partes são membros de um grupo econômico, do qual DOCAS é a holding, e, como forma de obter maior eficiência e racionalidade no uso de seus recursos financeiros, sobretudo diante (1) dos possíveis descasamentos de fluxos de caixa de cada uma das Partes, (2) das restrições de captação de recursos de cada uma das Partes e (3) da impossibilidade de previsão de todos e quaisquer eventos que possam exigir de qualquer das Partes o suprimento urgente de exigência financeira, resolveram formalizar o sistema de ContaCorrente de créditos e débitos comuns (Sistema de Conta Corrente). 10. No item 08 do referido Contrato de ContaCorrente, consta que: “Nenhuma das transações realizadas na forma deste contrato será considerada com empréstimo, mútuo, adiantamento, antecipação e/ou pagamento de lucros ou dividendos, financiamento, ou investimento de qualquer natureza, para nenhum fim de fato e de direito”. (Grifos nossos) 11. O item “c”, deste item 08, continua: “Todos os valores creditados no Sistema de ContaCorrente serão realizados sem qualquer espécie de juros, encargos, taxas, tributos, contribuições, Gross up, reajustes, atualizações, correções monetárias, devolução do saldo apurado em evento de Liquidação, que será sempre realizado em forma de reembolso, pelo valor nominal e histórico”; (Grifos Nossos) 12. De maneira diversa, rezam as Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, em seu item 6 – Partes Relacionadas: A Companhia e suas controladas, coligadas e outras partes relacionadas celebram contratos de mútuo a fim de que necessidades de caixa sejam supridas imediatamente. Essas contratações estão condicionadas às disponibilidades de recursos e ao não comprometimento do fluxo de caixa da mutuante. Referidos contratos de mútuo são firmados em conformidade com taxas acordadas entre as partes. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.568 19 13. Urge salientar que as Notas Explicativas (de âmbito externo à empresa) rezam acerca da “Celebração de Mútuo e Fixação de taxas acordadas”, enquanto que o referido Contrato de ContaCorrente (entre empresas) tem um modus operandis distinto. (fls. 538) E mais adiante, após intimar a Contribuinte para fornecer elementos que respaldassem tais obrigações, foram apresentados recibos (acostados às fls. 197 a 491), os quais entendeu a Autoridade Fiscal serem alheios ao Instrumento privado firmado: 23. Em resposta, a empresa junta Recibos cujo teor remetenos a pagamentos efetuados por ACÁCIA PARTICIPAÇÕES LTDA. por Conta e Ordem de COMPANHIA BRASILEIRA DE MULTIMÍDIA, sem, contudo, esclarecer acerca dos questionamentos efetuados pela Fiscalização. ACÁCIA não é signatária do Contrato de ContaCorrente apresentado. (fls. 540). Posto isso, fica claro que houve investigação satisfatória por parte do Fisco, inclusive acatando a plausibilidade jurídica dos valores colhidos, efetivamente, relacionaremse a trânsito financeiro pactuado dentro do Grupo empresarial, mas concluindo que este contrato, isoladamente, não fazia prova de exigibilidade do passivo escriturado, vez que desvinculado das demais provas apresentadas (recibos de recebimentos). Analisando agora tal Contrato de Conta Corrente (fls. 103 a 108 e acostado novamente às fls. 828 a 833), temse que, de fato, o instrumento foi regularmente celebrado e firmado, considerando tratarse de figura de Direito Contratual não solene, não sujeita a registro público para produzir efeitos, inclusive perante o Fisco. Em relação à ponderação feita pela Autoridade Fiscal no TVF, de que haveria incongruência e ausência de identidade entre tal Convenção com mútuos mencionados nos demonstrativos fiscais, devese apontar aqui que os contratos de crédito entre companhias e a efetiva circulação de valores bastam para configurar negócio de empréstimo entre as partes, inclusive para fins tributários, como muitas vezes é acatado na verificação da incidência do IOF. Porém, realmente, não existe naquele Instrumento a previsão de juros ou quaisquer taxas, como observado pelo Fisco. Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.569 20 Duas características de tal Instrumento particular devem ser observadas: 1) este foi celebrado de forma coletiva e geral entre todas as empresas do Grupo e 2) não há a previsão de um valor de crédito específico, ou mesmo máximo, estipulado entre as partes do negócio. As previsões lá contidas são muito genéricas e abstratas para que, direta e isoladamente, possam respaldar a exigibilidade de lançamentos específicos de obrigações no passivo, apenas expressando manifestação de que tais companhias mantinham e continuarão mantendo uma dinâmica de contacorrente entre si, atribuindo um prazo máximo de 5 anos para a sua liquidação. Ainda que tal Contrato possua validade plena e força probante, especificamente nesse caso, são necessários outros elementos para confirmar a ocorrência e o aperfeiçoamento individual das obrigações, supostamente oriundas daquela convenção. Em suas defesas, a ora Recorrente afirma que os recibos referentes a tais transações e comprovantes bancários dariam o acréscimo probatório e o suporte necessário para o reconhecimento da exigibilidade das obrigações questionadas no lançamento de ofício (vide fls. 834 a 1461). Verificando tais documentos, concluise que, tanto os recibos, como as transações bancárias, registram a como pagador/debitada empresas que não participaram do Contrato de Contra Corrente (ALBERTA EMPRENDIMENTOS LTDA e ACÁCIA PARTICIPAÇÕES LTDA), conforme também detectado pela Fiscalização e pela DRJ a quo. Sobre tal fato, em Recurso Voluntário, a Contribuinte alega que tais operações foram efetuadas por conta e ordem, fato este que estaria também registrado nos recibos. Acrescenta que é absolutamente arbitrária e abusiva a exigência de apresentação de documentos relativos a relações jurídicas travadas entre terceiros, às quais a Recorrente é alheia, uma vez que extrapola o escopo da fiscalização que resultou na lavratura das Autuações impugnadas, que abrangia apenas a Sociedade então fiscalizada (Brasillog Comércio de Jornais e Revistas Ltda.), devendo se considerar que os termos dessas outras relações jurídicas em nada interferem no reconhecimento do passivo da Recorrente, que conta com suporte em documentação hábil, efetuado em observância às normas aplicáveis. Não procedem tais afirmações. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.570 21 A partir do momento que as operações bancárias acusam pessoa diversa daquelas constantes no Instrumento particular de contacorrente, tendo apenas a BRASILLOG COMÉRCIO DE JORNAIS E REVISTAS LTDA como beneficiária (e em alguns documentos terceiros, digase), simplesmente, não é possível estabelecer correlação destas transferências de numerário com a dinâmica de conta corrente expressa em tal documento. Ainda que fosse possível a Recorrente demonstrar e comprovar a razão para que outra pessoa, alheia ao Contrato firmado, figure em tal operações (suposto adimplemento por conta e ordem), atevese a declarar que esta prova não lhe caberia, vez que referente a relações jurídicas travadas por terceiros. Desse modo, não há outro suporte probante que complemente o teor do Contrato de Conta Corrente, para que possa, satisfatoriamente, vincular as obrigações lá, suposta e potencialmente, previstas aos valores especificamente lançados nas conta do passivo, atinentes às empresa do Grupo, colhidos no lançamento. Posto isso, mantémse tal constatação fiscal do lançamento de ofício. Em relação aos AFACs, a Recorrente alega, inicialmente, que a legislação não estabelece qualquer requisito formal para a validade deste negócio jurídico, sequer sendo necessária a celebração de contrato escrito. Reforça tal afirmação com julgado do E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região que corrobora tal entendimento. Esclarece que tais Adiantamentos foram referentes a uma posterior incorporação da Editora PEIXES, depois adquirida pela própria Recorrente. Após tais argumentos, noticia e acostas aos autos cópia do Termo de Verificação Fiscal do Processo Administrativo nº 12448.729.679/201618, fruto de fiscalização sofrida pela Recorrente, sob o qual tramita Auto de Infração de IOF, especificamente referente ao ano calendário de 2012, colhendo valores referentes a supostos AFACs e mencionando no seus fundamentos a existência de um Contrato de ContaCorrente entre as empresas do Grupo. Confirase trechos de tal documento: AFAC da CBM para aumento de capital da BRASILLOG COM. JORNAIS REVISTALTDA. Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.571 22 Segundo a contabilidade da fiscalizada os créditos concedidos a Brasillog aumentou consideravelmente passando do saldo de R$ 47.862.267,81 em 31/12/2011 para R$ 75.282.921,85 em 31/12/2012. Em resposta as nossas Intimações Fiscal o contribuinte apresentou como prova de que os créditos concedidos em 2012 foram utilizados para aumento de capital uma Ata de Reunião de Sócios Quotistas da Brasillog Com. Jornais e Revistas Ltda, realizada em 18/10/2013, em que referida Sociedade foi incorporada pela Editora Peixes S/A e Protocolo e Justificação de Incorporação do Acervo Líquido Total da BRASILLOG pela Editora Peixes. O capital social da INCORPORADA, totalmente subscrito e integralizado é de R$ 15.926.548,00 (total do capital da Brasillog). Analisando o Razão da conta Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) da Brasillog constatamos que em 31/10/2013 os créditos concedidos montavam R$ 89.991.106,82 e foram transferidos para a conta (AFAC) da Editora Peixes. Concluindo a análise verificamos que os saldos dos créditos de 2012, não foram utilizados para aumento de capital da Incorporada (Brasillog), até a extinção desta, ocorrida em outubro de 2013. A movimentação da conta (AFAC) e as alterações contratuais da BRASILLOG deixaram claro que as operações dos créditos em referência, no final de 2012 no valor de R$ 75.282.921,85 cedidos pela fiscalizada a título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) para a BRASILLOG não pode prosperar, porque não ficou comprovado a utilização deste crédito para aumento de capital da BRASILLOG. Portanto, não sustentando a natureza de AFAC, restam apenas operações de crédito mediante conta corrente com empresa ligada, que compõe a base de cálculo do IOF. (...) (fls. 1817 a 1837) Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.572 23 Como se observa, boa parte do documento é ilegível. Contudo, levando em conta a presunção de boafé processual das partes litigantes, podese inequivocamente concluir da análise do conteúdo compreensível (inclusive colacionado pela Recorrente às fls. 1794 a 1795), que: 1) tratase de lançamento de IOF, em face da Recorrente (sucessora); 2) o objeto de fiscalização foram suas contas, referentes ao ano calendário de 2012; 3) colhendo os AFACs registrados entre as empresas coligadas e 4) apurandose e reconhecendo a existência de Contrato de Conta Corrente intragrupo. Nas consultas efetuadas por este Conselheiro ao Comprot e ao sítio eletrônico deste E. CARF3, confirmase a existência de tal expediente, seu objeto (IOF), estando o contencioso em fase recursal, sob competência da C. 3ª Seção. Ora, como antes vastamente expendido, o que ficou carente para a prova do direito alegado da Contribuinte, e o afastamento da presunção de omissão de receitas, foi a materialidade das suas obrigações e demonstração de sua efetiva ocorrência, compatível com os registros lançados no passivo. Ainda que os comprovantes bancários trazidos não tenham prestado para tal comprovação, mantendo a conclusão de inexigibilidade das obrigações, as conclusões e acusações do Auditor Fiscal dessa outra exigência apontam em sentido diametralmente oposto e contrário, reconhecendo a efetiva materialidade de tais transações e ocorrência financeira, a ponto de dar margem a obrigações de IOF (com base em valores muito próximos aos colhidos para a presente exação). Estando o presente lançamento alicerçado em tipo presuntivo de infração tributária, a lavratura de exação que depende da materialidade das obrigações aparentemente as mesmas que aqui, neste feito, foram consideradas como inexigíveis (ou fictícias) já afeta diretamente a resolução da causa . Um dos requisitos para o lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN é a verificação e comprovação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, empregando o Legislador o termo fato gerador no sentido de fato concreto (sachverhalt). 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.573 24 Por outro lado, a presunção de omissão de receitas é iuris tantum, relativa, devendo ser afastada quando há prova da ocorrência de fato ou conduta que contrariam o conteúdo ficcional que esta veicula. Como se observa, tratando agora hipoteticamente a identidade dos objetos factuais das exigências, o requisito de validade da Autuação de IOF é precisamente o mesmo elemento que afastaria a presunção de omissão de receitas no presente lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Não pode prevalecer a coexistência de atos administrativos, emanados do mesmo Órgão da Administração Pública (e, aqui, da mesma Delegacia da Receita Federal), em que, em um deles, presumese a infração, pois constatada inexigibilidade de uma obrigação e, no outro, afirmase e constatase que, não só existia tal obrigação, como ocorreram as operações correspondentes, de forma tão evidente e concreta, que materializou hipótese de incidência de outro tributo. Naturalmente, se confirmado tal cenário, a figura presuntiva não poderia mais prevalecer. Eis aqui uma clara incidência do instituto nemo potest venire contra factum proprium, que rege todos os atos da Administração Pública, não podendo haver comportamento contraditório ou desleal. Sobre a exigência de IOF sobre AFACS, para ilustrar o entendimento da Fazenda Nacional sobre o tema, expresso naquele outro lançamento, confirase o Acórdão nº 3401004.365, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Robson José Bayerl, publicado em 19 de fevereiro de 2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTUROS AUMENTOS DE CAPITAL AFAC. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuros aumentos de capitais (AFAC) entre pessoas jurídicas interligadas, para que não configurem operações de crédito, devem ser precedidos de compromisso formal irrevogável, firmado por ambas as partes, que os recursos se destinam exclusivamente a aumento de capital e que esta integralização ocorra até a primeira Assembléia Geral Extraordinária (AGE) ou alteração contratual, após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora, além, Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 12448.724918/201643 Resolução nº 1402000.572 S1C4T2 Fl. 1.574 25 é claro, que os lançamento contábeis reflitam esta opção das entidades. Caso contrário, inobservadas essas condições, deve a entrega ou disponibilização de recursos financeiros caracterizar operação de crédito e sujeitarse à incidência do IOF. Recurso voluntário negado. Assim, havendo agora comprovação da existência de tal exação de IOF (considerando a presunção de legitimidade dos Atos da Administração Pública tributária), entende este Conselheiro ser necessária a comprovação cabal de identidade entre os fatos jurídicos colhidos na presente Autuação e naquela outra de IOF, sua quantificação, precisando e confirmando a sua coincidência já suportada por fortes indícios acostados aos autos. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização, considerando o teor do Parecer COSIT nº 02/2018: 1) acoste aos presentes autos cópias integrais do Processo Administrativo nº 12448.729.679/201618; 2) analise, comparativamente, as Autuações (a presente e aquela de IOF), visando confirmar a existência de identidade (coincidência) entre os fatos colhidos no presente lançamento de ofício, referentes aos registros contábeis nas contas do passivo descritas no TVF, com as transações e transferências que, no Processo Administrativo nº 12448.729.679/201618, foram apontadas como fatos geradores do IOF exigido; 3) Elaborar Relatório conclusivo, detalhado e fundamentado, demonstrando e explicando se existe identidade total, parcial ou nenhuma entre os fatos, obrigações e transação colhidas em ambos os lançamentos de ofício. 4) Deverá ser dada ciência à Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1886DF CARF MF
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Numero do processo: 35226.001835/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
O recurso voluntário apresentado, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Não podendo ser conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 16/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 RECURSO VOLUNTÁRIO RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. O recurso voluntário apresentado, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Não podendo ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora EDITADO EM: 16/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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NÃO CONHECIDO. O recurso voluntário apresentado, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Não podendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 16/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 18 35 /2 00 6- 11 Fl. 1297DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias parte segurados incidentes sobre a remuneração de segurados comissionados que constaram das folhas de pagamento Lotação 11 Assessores Especiais cujos salários de contribuição foram declarados em GFIP. O lançamento abrangeu o período de 13º salário de 2001 e agosto a outubro de 2004. Após encerramento da fiscalização e antes da ciência do contribuinte foi verificada a existência de pagamento, sendo o débito retificado para a exclusão das competências 08 a 10/2004, conforme Despacho Decisório nº 16.401.4/0021/2005 (efls. 120/124). Assim o valor do crédito constituído, consolidado em 28/10/2005, passou de R$ 4.522,62 para R$ 79,06. Apresentada impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ em Fortaleza nos termos do Acórdão nº 0812.957 (efls. 1256/1266), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001,01/08/2004 a 31/10/2004 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). SERVIDORES PÚBLICOS EXCLUSIVAMENTE COMISSIONADOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO DESCONTADAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA EMPRESA. FATO SUPERVENIENTE. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. REABERTURA DO PRAZO EXORDIAL. ADITAMENTO À DEFESA. REABILITAÇÃO DE PETIÇÃO INTEMPESTIVA. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Os ocupantes de cargos exclusivamente comissionados são segurados do regime geral de previdência social, na categoria de empregados. O desconto das contribuições devidas pelos segurados empregados é responsabilidade tributária da empresa. Fatos comprovados após o encerramento da ação fiscal ensejam revisão de oficio do crédito tributário. A confecção de relatório fiscal complementar enseja reabertura de prazo inaugural. A apresentação de aditamento à defesa torna hábil defesa dantes declarada intempestiva. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a realização de diligência considerada prescindível. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 35226.001835/200611 Acórdão n.º 2301005.241 S2C3T1 Fl. 1.298 3 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demonstrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. Lançamento Procedente Cientificada da decisão de 1ª instância em 12/03/2008, conforme AR à efl. 1274, apresentou Recurso Voluntário (efls. 1280/1286), protocolado em 14/04/2008, alegando em síntese: a) nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, pela falta de indicação precisa de quais trabalhadores estariam, sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social; b) subsidiariamente, a necessidade de realização de diligências perante os Institutos próprios de Previdência do Município de Teresina, do Estado do Piauí e da União para verificar se os servidores que foram considerados como sendo segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência estão, ou estiveram durante o período fiscalizado, vinculados a regimes próprios de previdência. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora TEMPESTIVIDADE Analisando os autos e conforme relatado acima, a ciência do acórdão da DRJ ocorreu no dia 12/03/2008 (efl. 1274) e o recurso voluntário foi protocolado no dia 14/04/2008, conforme documentos de efls. 1278 e 1281. O prazo para interposição do recurso voluntário do contribuinte é de 30 dias da ciência da decisão de 1ª instância, nos termos do artigo 33 do decreto nº 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ultrapassado este prazo, o recurso é considerado intempestivo. Verificase que da data da ciência da decisão de 1ª instância até a protocolização do recurso voluntário pelo contribuinte transcorreram 33 dias, contrariando o disposto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Consta dos autos despacho de intempestividade às efls. 1292. Assim, não preenchendo os requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário não pode ser conhecido. Fl. 1299DF CARF MF 4 É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.720382/2017-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA. RENDIMENTOS DO TRABALHO.
Incide IRPF sobre os rendimentos do trabalho, inclusive quando recebidos por portador de moléstia grave. Súmula CARF nº 63.
Numero da decisão: 2002-000.093
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA. RENDIMENTOS DO TRABALHO. Incide IRPF sobre os rendimentos do trabalho, inclusive quando recebidos por portador de moléstia grave. Súmula CARF nº 63.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA. RENDIMENTOS DO TRABALHO. Incide IRPF sobre os rendimentos do trabalho, inclusive quando recebidos por portador de moléstia grave. Súmula CARF nº 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 72 03 82 /2 01 7- 71 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13886.720382/201771 Acórdão n.º 2002000.093 S2C0T2 Fl. 65 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 36): Rubrica Valor em reais Imposto 3.155,80 Multa de ofício 2.366,85 Juros de mora 759,91 Total à época 6.282,56 A fiscalização identificou omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 12.894,00, conforme informação prestada em Dirf1 pela fonte pagadora Condomínio Residencial Giovana (fl. 37). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 4, 8 e 14) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 06/03/2017 (fl. 41) e protocolou sua peça no dia 03/04/2017 (fl. 3), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação, o contribuinte, em síntese, alega que (fl. 3 e ss): é portador de neoplasia maligna do reto, CID 20, com diagnóstico em 04/05/2009 e esta doença está enquadrada na relação das doenças graves excludentes do imposto de renda, conforme art. 6º, XIV da Lei 7.713/00, Decreto 3.000/99 e jurisprudência citada; a cobrança do auto de infração deve ser declarada nula, pois o requerente não deve pagar a referida cobrança e, tão pouco, deveria ter pago qualquer imposto de renda de pessoa física, desde 2009; anexa notificação de lançamento, CNH do requerente, diagnóstico da doença 2009, laudo pericial, declaração médica, declaração para isenção Unimed, resposta isenção Funcesp, protocolo isenção INSS; não é parte ou substituído processual em ação judicial que discuta a matéria tratada na notificação de lançamento, e pede prioridade na análise da impugnação com base no art. 69A, I da Lei 9.784/99. Por fim, requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do lançamento. 1 Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13886.720382/201771 Acórdão n.º 2002000.093 S2C0T2 Fl. 66 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: cópia da notificação de lançamento (fl. 9 e ss); documento de identidade do contribuinte (fl. 14); tela com informações aposentadoria INSS (fl. 15); email Funcesp informando isenção a partir de mar/2017 (fl. 16); requerimento de isenção de imposto de renda doenças graves INSS (fl. 17); laudo pericial (fl. 18); declaração médica (fl. 19); atestado médico (fl. 20); exame do Instituto de Anatomia Patológica (fl. 21 e ss); Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação improcedente, porque a isenção em pauta abrange tãosomente os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não sendo aplicável aos rendimentos do trabalho, apontados como omitidos na notificação (fl. 48). Dessa forma, o lançamento deveria ser mantido, independentemente da análise quanto à comprovação da moléstia grave, uma vez que os rendimentos lançados não se amoldam à isenção pretendida (fl. 49). Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 59) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 12/07/2017 (fl. 53) e protocolou sua peça no dia 10/08/2017 (fl. 54 e 56), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que é isento do imposto de renda pessoa física desde 2009, com o advento da doença maligna e repete os argumentos já exarados na impugnação (fl. 56 e ss). Por fim pede a nulidade e cancelamento do lançamento. 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13886.720382/201771 Acórdão n.º 2002000.093 S2C0T2 Fl. 67 4 Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam tãosomente o documento de identidade do contribuinte (fl. 60). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito A isenção de IRPF por moléstia grave abrange tãosomente os proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. É o que preceitua o art. 6º, XIV e XXI da Lei 7.713/88 e a Súmula Carf nº 63 nos seguintes termos: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em tela, os valores lançados referemse a rendimentos do trabalho (R$ 12.894,00 declarado pela fonte pagadora Condomínio Residencial Giovana fl. 37). O portador de moléstia grave não tem direito à isenção de IRPF sobre rendimentos do trabalho, mas tãosomente sobre os rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Dessa forma, a análise da questão da doença não se aplica ao caso em tela, pois não foi este o ponto que deu origem ao lançamento e sim o fato de tratarse de rendimentos do trabalho. Como as alegações do contribuinte tratam somente da comprovação da doença e nada contestam quanto a natureza dos rendimentos lançados, é incontroverso nos autos que tratase de rendimentos do trabalho, sobre os quais incide imposto de renda. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722447/2016-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento.
Numero da decisão: 2001-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 24 47 /2 01 6- 61 Fl. 80DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. Contudo, o Recurso é intempestivo. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte o valor de R$ 2.342,56, a título de imposto de renda pessoa física, acrescido da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, como se aqueles acostados não estivessem a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: (...) O tema da dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10183.722447/201661 Acórdão n.º 2001000.196 S2C0T1 Fl. 81 3 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Por sua vez, o “caput” do art. 73, do RIR/1999 estabelece que: “Art 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, §3'). " Ressaltese que havendo questionamento da autoridade fiscal, torna se necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento/desembolso correspondente, não bastando, para utilizar as deduções com despesas médicas, a apresentação de simples recibos ou declarações. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovar e justificar as deduções, o que significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. (...) Assim, é necessário que os documentos comprobatórios das despesas médicas demonstrem detalhadamente quem são as pessoas que receberam o tratamento de saúde a descrição dos serviços prestados, para que seja possível identificar se estão enquadrados naqueles previstos no citado artigo 8º, e a comprovação do efetivo desembolso, para que se verifique se o pagamento ocorreu dentro do ano calendário correspondente. No mais, é regra geral no Direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caberá a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para a contribuinte, transfere para a impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos Fl. 82DF CARF MF 4 efetuados, não bastando a disponibilidade de simples recibos ou declaração dos profissionais que teriam supostamente prestado os serviços. As deduções submetemse a duas condições objetivas: efetividade da prestação do serviço e onerosidade. A ausência de um desses requisitos impede a fruição do benefício fiscal. (...) Desta forma, não foi juntado as autos a comprovação do efetivo desembolso do montante pago a Rafael Martins Guine, cópia dos cheques nominais, comprovantes de transferência bancária ou, se pagamento efetuado em espécie, declaração do banco com os saques correspondentes e as informações complementares acerca das vinculações entre os saques realizados e valores pagos (memória de cálculo, planilhas, etc.), ou, ainda, em qualquer caso, por outro meio de prova legalmente admitido, por exemplo, receituários médicos, fatura hospitalar, exames realizados, etc. O interessado na fase impugnatória limitouse a apresentar recibos de fls. 12 (80 sessões) a 14 sem data de pagamento do montante, nem do endereço do profissional. Também foi apresentada declaração de fl.15, assinada (sem firma reconhecida) em 16 de maio de 2016 que não contém o endereço profissional nem a quem foram prestados os serviços de fisioterapia. Ressaltese que o recibo de fl.12 menciona 80 sessões de fisioterapia no Mês de julho de 2014. Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10183.722447/201661 Acórdão n.º 2001000.196 S2C0T1 Fl. 82 5 (...) (...) Fl. 84DF CARF MF 6 (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do recurso já havia transcorrido na data em que foi protocolada a entrega do Recurso Voluntário. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Além disso, os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo. De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de trinta dias, nos seguintes termos: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10183.722447/201661 Acórdão n.º 2001000.196 S2C0T1 Fl. 83 7 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acórdão vergastado, como segue: Acórdão da DRJ: 19.09.2016 AR – Aviso de Recebimento – despachado nos Correios: 28.09.2016. AR – Aviso de Recebimento – ciência do contribuinte: 30.09.2016. Protocolo do Recurso Voluntário: 04.10.2016. (fl. 50). Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 86DF CARF MF
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