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Numero do processo: 16327.721423/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008
Autos de Infração sob nº 37.360.960-4, nº 37.360.961-2 e nº 37.360.956-6
Consolidados em 10/12/2012
DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO DE NOVEMBRO DE 2007. EXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 99. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO.
Trata-se de matéria sumulada na Corte, compelindo a sua aplicação pelos seus membros e de acordo com RICARF 72.
No caso em tela há indicação no voto das fls. em que se encontram acostados os comprovantes de parte do pagamento. E, como a autuação foi consolidada em 10 de dezembro de 2012, aplicando-se os termos do artigo 150, § 4º do CTN, encontra-se decadente os lançamentos até novembro de 2007, inclusive, anteriores a dezembro de 2007.
PLANO DE PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. IRREGULAR.
A legislação de regência determina 'condicione sine qua non' a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes para regular o PLR. Em não compondo um representante do sindicado a comissão que discute o plano, em caso de formação de PLR, ele está agredindo a legislação, não podendo ser considerado, incidindo contribuição previdenciária os valores pagos a este título.
No caso em tela diz a Recorrente ser cumpridor da Lei 10.101/00, e que eventual ausência do sindicato na constituição dos seus PLRs não altera suas naturezas, já que ele optou pela forma de comissão para negociação de PLR os instrumentos que constam nos autos.
PLANO NOS LUCROS E RESULTADOS SEM PACTUAÇÃO PRÉVIA. IRREGULARIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS VALORES PAGOS A ESTE TÍTULO.
Consta nos autos que não se teve pactuação prévia dos PLRs em estudo, eis que a distribuição de lucros e resultados para pagamentos aos funcionários foram albergados aos planos distintos para cada funcionário, dado a sua especificidade laboral.
No caso em tela informa a Recorrente que ela optou por adotar uma política que considera que a participação de cada funcionário no PLR são auferidos no desempenho pessoal de suas funções e para isto criou a Ficha de Avaliação de Performance, onde ela foi estabelecida antes da data do pagamento da PLR, ou seja, cada funcionário agraciado com o beneficio tinha o conhecimento do seu dever a cumprir para fazer jus ao benefício.
Entretanto, isto não é possível para ter em valia o PLR porque a lei de regência, em seu artigo 2º diz que o PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo, podendo ser 1) instrumentos decorrentes de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições; ou 2) em a negociação não prosperando poderá ser utilizado a mediação e ou arbitragem.
IMUNIDADE EM PAGAMENTOS DE PLR
O pagamento de PLR, não é pelo fato de ser norma constitucional que garante ao contribuinte todo e qualquer pagamento de PLR. Há na Carta Maior a exigência de lei ordinária que regule a matéria. No caso a lei especifica, ou seja, Lei 10.101/00.
Havendo desrespeito a matéria da lei não há de ser considerado como válido o PLR da Recorrente, nos quesitos que feriram-na, como é o caso em tela.
DA AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO PRÉVIA / AFERIÇÃO DE LUCROS E RESULTADOS - REGRAS POSTERIORES
Não incorre em erro o lançamento que conclui que não houve pactuação prévia aos PLRs quando há nos autos comprovação que a para cada plano houve celebração de acordo posterior ao lucro e ao resultado.
No caso em tela temos que as peças frias dos autos nos mostram que os acordos de 2007 e 2008, ocorreram posteriormente a suas vigências), razão pela qual os valores pagos a título de PLR nos referidos anos, passaram a enquadrar o conceito de salário de contribuição (art.28 da Lei nº 8.212/91), com incidência das contribuições apuradas pela Fiscalização (Empresa, GILRAT e Terceiros). Sendo as seguintes datas de celebração: a) Plano Próprio de 2007 foi assinado em 28 de janeiro de 2008; e b) Plano Próprio de 2008 foi assinado em 02 de fevereiro de 2009.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Numero da decisão: 2301-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado:
I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir as contribuições exigidas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, pela regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, devido à ausência de participação sindical nos programas de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso, devido à celebração de programas de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ter ocorrido após o período para aferição dos lucros e resultados, nos termos do voto do Relator; d) em não conhecer do recurso, na questão do adicional, nos termos do voto do Relator; e) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator;
II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, quanto ao argumento de existência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Daniel Melo Mendes Bezerra, que votaram em negar provimento ao recurso, nesse argumento;
III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da ausência de fundamentação legal para aplicação da multa de ofício, nas exigências de obrigações principais, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Theodoro Vicente Agostinho e Manoel Coelho Arruda Júnior; b) em negar provimento ao recurso, por definir que está correto o procedimento do Fisco, na forma de cálculos das multas, tanto nas autuações por descumprimento de obrigações principais quanto acessórias, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Corre, Theodoro Vicente Agostinho e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico. Redator: Marcelo Oliveira.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização.
Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente e Redator), Wilson Antonio de Souza Correa (Relator), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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A legislação de regência determina 'condicione sine qua non' a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes para regular o PLR. Em não compondo um representante do sindicado a comissão que discute o plano, em caso de formação de PLR, ele está agredindo a legislação, não podendo ser considerado, incidindo contribuição previdenciária os valores pagos a este título. No caso em tela diz a Recorrente ser cumpridor da Lei 10.101/00, e que eventual ausência do sindicato na constituição dos seus PLRs não altera suas naturezas, já que ele optou pela forma de comissão para negociação de PLR os instrumentos que constam nos autos. PLANO NOS LUCROS E RESULTADOS SEM PACTUAÇÃO PRÉVIA. IRREGULARIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS VALORES PAGOS A ESTE TÍTULO. Consta nos autos que não se teve pactuação prévia dos PLRs em estudo, eis que a distribuição de lucros e resultados para pagamentos aos funcionários foram albergados aos planos distintos para cada funcionário, dado a sua especificidade laboral. No caso em tela informa a Recorrente que ela optou por adotar uma política que considera que a participação de cada funcionário no PLR são auferidos no desempenho pessoal de suas funções e para isto criou a Ficha de Avaliação de Performance, onde ela foi estabelecida antes da data do pagamento da PLR, ou seja, cada funcionário agraciado com o beneficio tinha o conhecimento do seu dever a cumprir para fazer jus ao benefício. Entretanto, isto não é possível para ter em valia o PLR porque a lei de regência, em seu artigo 2º diz que o PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo, podendo ser 1) instrumentos decorrentes de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições; ou 2) em a negociação não prosperando poderá ser utilizado a mediação e ou arbitragem. IMUNIDADE EM PAGAMENTOS DE PLR O pagamento de PLR, não é pelo fato de ser norma constitucional que garante ao contribuinte todo e qualquer pagamento de PLR. Há na Carta Maior a exigência de lei ordinária que regule a matéria. No caso a lei especifica, ou seja, Lei 10.101/00. Havendo desrespeito a matéria da lei não há de ser considerado como válido o PLR da Recorrente, nos quesitos que feriram-na, como é o caso em tela. DA AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO PRÉVIA / AFERIÇÃO DE LUCROS E RESULTADOS - REGRAS POSTERIORES Não incorre em erro o lançamento que conclui que não houve pactuação prévia aos PLRs quando há nos autos comprovação que a para cada plano houve celebração de acordo posterior ao lucro e ao resultado. No caso em tela temos que as peças frias dos autos nos mostram que os acordos de 2007 e 2008, ocorreram posteriormente a suas vigências), razão pela qual os valores pagos a título de PLR nos referidos anos, passaram a enquadrar o conceito de salário de contribuição (art.28 da Lei nº 8.212/91), com incidência das contribuições apuradas pela Fiscalização (Empresa, GILRAT e Terceiros). Sendo as seguintes datas de celebração: a) Plano Próprio de 2007 foi assinado em 28 de janeiro de 2008; e b) Plano Próprio de 2008 foi assinado em 02 de fevereiro de 2009. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 Autos de Infração sob nº 37.360.9604, nº 37.360.9612 e nº 37.360.9566 Consolidados em 10/12/2012 DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO DE NOVEMBRO DE 2007. EXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 99. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. Tratase de matéria sumulada na Corte, compelindo a sua aplicação pelos seus membros e de acordo com RICARF 72. No caso em tela há indicação no voto das fls. em que se encontram acostados os comprovantes de parte do pagamento. E, como a autuação foi consolidada em 10 de dezembro de 2012, aplicandose os termos do artigo 150, § 4º do CTN, encontrase decadente os lançamentos até novembro de 2007, inclusive, anteriores a dezembro de 2007. PLANO DE PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. IRREGULAR. A legislação de regência determina 'condicione sine qua non' a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes para regular o PLR. Em não compondo um representante do sindicado a comissão que discute o plano, em caso de formação de PLR, ele está agredindo a legislação, não podendo ser considerado, incidindo contribuição previdenciária os valores pagos a este título. No caso em tela diz a Recorrente ser cumpridor da Lei 10.101/00, e que eventual ausência do sindicato na constituição dos seus PLR’s não altera suas naturezas, já que ele optou pela forma de comissão para negociação de PLR os instrumentos que constam nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 23 /2 01 2- 66 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 PLANO NOS LUCROS E RESULTADOS SEM PACTUAÇÃO PRÉVIA. IRREGULARIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS VALORES PAGOS A ESTE TÍTULO. Consta nos autos que não se teve pactuação prévia dos PLR’s em estudo, eis que a distribuição de lucros e resultados para pagamentos aos funcionários foram albergados aos planos distintos para cada funcionário, dado a sua especificidade laboral. No caso em tela informa a Recorrente que ela optou por adotar uma política que considera que a participação de cada funcionário no PLR são auferidos no desempenho pessoal de suas funções e para isto criou a “Ficha de Avaliação de Performance’, onde ela foi estabelecida antes da data do pagamento da PLR, ou seja, cada funcionário agraciado com o beneficio tinha o conhecimento do seu dever a cumprir para fazer jus ao benefício. Entretanto, isto não é possível para ter em valia o PLR porque a lei de regência, em seu artigo 2º diz que o PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo, podendo ser 1) instrumentos decorrentes de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições; ou 2) em a negociação não prosperando poderá ser utilizado a mediação e ou arbitragem. IMUNIDADE EM PAGAMENTOS DE PLR O pagamento de PLR, não é pelo fato de ser norma constitucional que garante ao contribuinte todo e qualquer pagamento de PLR. Há na Carta Maior a exigência de lei ordinária que regule a matéria. No caso a lei especifica, ou seja, Lei 10.101/00. Havendo desrespeito a matéria da lei não há de ser considerado como válido o PLR da Recorrente, nos quesitos que feriramna, como é o caso em tela. DA AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO PRÉVIA / AFERIÇÃO DE LUCROS E RESULTADOS REGRAS POSTERIORES Não incorre em erro o lançamento que conclui que não houve pactuação prévia aos PLR’s quando há nos autos comprovação que a para cada plano houve celebração de acordo posterior ao lucro e ao resultado. No caso em tela temos que as peças frias dos autos nos mostram que os acordos de 2007 e 2008, ocorreram posteriormente a suas vigências), razão pela qual os valores pagos a título de PLR nos referidos anos, passaram a enquadrar o conceito de salário de contribuição (art.28 da Lei nº 8.212/91), com incidência das contribuições apuradas pela Fiscalização (Empresa, GILRAT e Terceiros). Sendo as seguintes datas de celebração: a) Plano Próprio de 2007 foi assinado em 28 de janeiro de 2008; e b) Plano Próprio de 2008 foi assinado em 02 de fevereiro de 2009. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 3 3 lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir as contribuições exigidas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, pela regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, devido à ausência de participação sindical nos programas de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso, devido à celebração de programas de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ter ocorrido após o período para aferição dos lucros e resultados, nos termos do voto do Relator; d) em não conhecer do recurso, na questão do adicional, nos termos do voto do Relator; e) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, quanto ao argumento de existência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Daniel Melo Mendes Bezerra, que votaram em negar provimento ao recurso, nesse argumento; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da ausência de fundamentação legal para aplicação da multa de ofício, nas exigências de obrigações principais, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Theodoro Vicente Agostinho e Manoel Coelho Arruda Júnior; b) em negar provimento ao recurso, por definir que está correto o procedimento do Fisco, na forma de cálculos das multas, tanto nas autuações por descumprimento de obrigações principais quanto acessórias, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Corre, Theodoro Vicente Agostinho e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico. Redator: Marcelo Oliveira. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente e Redator), Wilson Antonio de Souza Correa (Relator), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 4 5 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de três Autos de Infração lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário, sendo eles: DEBCAD sob nº 37.360.9604 – AIOP – referente às contribuições devidas à Seguridade Social, no que toca a parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR – Participação nos Lucros, conforme o art. 22, incisos I e II c/c o §1º, da Lei 8.212/91; DEBCAD sob nº 37.360.9612 – AIOP referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultado; DEBCAD nº 37.360.9566 AIOA (CFL 68) foi lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Dos levantamentos. Urge dizer que para os lançamentos dos créditos tributários foram utilizados os seguintes: Lev. PL – Participação Lucros, não declarado em GFIP, aplicação da legislação anterior a MP 449/2008, para as competências 03/07, 08/07, 09/07, 02/08,03/08 e 08/08;e Lev. PL1 – Participação Lucros, não declarados em GFIP, aplicação da legislação atual, a partir da MP 449/2008, para as competências 02/07, 10/07 e 11/08. Foram exigidas as documentações abaixo: 1. Plano próprio para o ano de 2007, assinado em 28/01/2008; 2. Plano próprio para o ano de 2008, assinado em 02/02/2009; 3. Plano próprio para o ano de 2009, assinado em 20/10/2009; 4. Folhas de Pagamento; 5. Avaliações de resultados individuais. A fiscalização determinou apresentação de documentos e ou esclarecimentos sobre a participação do sindicato, atas de eleição das comissões de empregados e atas de reuniões para negociação dos acordos de PLR, pois não foram apresentados os memórias de cálculo individuais vinculadas às metas individuais e respectivas avaliações. Isto tudo para o fim de esclarecer a participação do sindicato da categoria nos acordos, bem como entender através das atas de eleição das comissões de empregados e atas de reuniões dos acordos de PLR, a legalidade do acordo. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Em resposta o Recorrente não apresentou documentos, mas esclareceu que: "A implementação do programa para pagamento da PLR da aludida empresa BRAM é feita através de instrumento de Acordo para pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados negociado entre a empresa e seus empregados por meio de comissão escolhida pelas partes. No instrumento celebrado encontramse estabelecidos todos os termos e condições do programa, os mecanismos de aferição, (metas e objetivos), os critérios de determinação dos valores da participação, periodicidade de distribuição e vigência do instrumento." Nestas razões, concluiu a Fiscalização após os esclarecimentos que não houve participação do sindicato da categoria nas negociações, tampouco na finalização do instrumento de acordo entre empresa e empregados. DE mais a mais, segundo a fiscalização, corroborando com o fato de não existir atas de reuniões para negociação dos acordos, cristalino está o descumprimento do artigo do artigo 2°, inciso I, da lei 10.101/2000. Constatou, também, a Fiscalização que os programas de metas vinculados aos acordos coletivos para pagamento de PLR não foram pactuados previamente, desobedecendo ao artigo 2°, parágrafo 1º, Inciso II da Lei 10.101/2000, para os seguintes planos próprios: 1. Plano próprio para o ano de 2007, assinado em 28/01/2008; 2. Plano próprio para o ano de 2008, assinado em 02/02/2009;e 3. Plano próprio para o ano de 2009, assinado em 20/10/2009. Concluiu a Fiscalização que a Recorrente não cumpriu o estabelecido no art.2º, §1º da Lei nº 10.101/00, eis que os instrumentos apresentados não foram esclarecedores, pois, sobre eles há questões a serem esclarecidas sobre evolução global, alias, não entendeu o que seria evolução global positiva? Também, os instrumentos não demonstraram para Fiscalização quais foram os indicadores objetivos. Há, também o parágrafo primeiro da cláusula primeira do acordo, onde menciona a avaliação individual das metas previamente estabelecidas, entretanto, não cita sequer que metas seriam essas. E, no instrumento o parágrafo segundo da cláusula primeira faz menção a planilha de avaliação com descrição das metas, contudo, tal planilha não foi entregue. Desta forma, não foram considerados pela Fiscalização os PPR’s de 2007 e 2009, porque: 1. foram convalidados somente no ano seguinte; 2. não tinha regras claras e objetivas; 3. não houve participação do sindicato; 4. não houve estabelecimento de metas; 5. e, não houve avaliação cristalina. Aplicouse, segundo relatório, a multa mais benéfica ao Recorrente, sendo ela a do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Inconformado com o lançamento o Recorrente impugnou, mas não houve convencimento necessário para modificálo, eis que a DRJ manteveo na integra. Em 20 de junho de 2013 foi noticiada da decisão de piso e no dia 22 de julho aviou o presente remédio recursivo, com suas razões, cujas quais passam ser analisadas e decididas. É a síntese do necessário. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso de Ofício acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Esclareço que o dia 20 de julho, quando completaria o trintídio, caiu num sábado. Desta forma, de acordo com o Decreto 70.235/72, § único do artigo 5º, sendo dia sem expediente, transferese para o primeiro dia útil seguinte. ‘In verbis’: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, regular está a tempestividade. Passo para análise das razões. DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO DE NOVEMBRO DE 2007 Em sua peça recursiva alega a Recorrente que o lançamento efetuado no período de janeiro a novembro de 2007 está abarcado pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Defende que as contribuições previdenciárias lançadas são tributos que, por sua natureza, estão sujeitos ao lançamento por homologação. Alega ter comprovado parte do recolhimento, às fls. 155/159, impondo assim a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, estando decadente o período anterior a novembro de 2007. A decisão de piso não reconheceu a dita decadência, pois os comprovantes de recolhimento têm outra natureza para ela, não remetendo à aplicação do artigo 150 § 4º do CTN.. Tenho que o Recorrente é contribuinte geral, ou seja, de uma forma ou de outra ela contribui com a Previdência Social, ainda que seja de recolhimentos de exações de outras naturezas, e de outros fatos geradores, e, diferentemente da decisão de piso, penso que não há necessidade de ser ter recolhimento parcial de exações da mesma natureza ou do mesmo fato gerador para considerar o recolhimento em parte e aplicar o artigo 150, § 4º do CTN. Assim, se tivesse nos autos comprovante de recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração do empregado, relativo a parte patronal e ou empregado, a definira como recolhimento em parte e aplicarselheia o artigo 150, § 4º do CTN. Isto é, inclusive, determinação da Súmula CARF 99, ‘in verbis’: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Para este Julgador, tenho a plena convicção que há recolhimento em parte para a Previdência Social, por parte do Recorrente, conforme corrobora documentos de fls. 155/159. Nestas razões, vejo que há decadência a ser declarada, com aplicação da Súmula 99, combinada com o artigo 150, § 4º do CTN, antes transcrito. Assim, decadente está o período anterior a novembro de 2007, inclusive, anterior a dezembro de 2007. IMUNIDADE EM PAGAMENTOS DE PLR O Recorrente defende que há para ele a imunidade aos pagamentos realizado a título de PLR, por ser norma constitucional que garante ao contribuinte todo e qualquer pagamento de PLR. Como se não estivesse submisso à legislação especifica, ou seja, Lei 10.101/00. Historicamente, não olvidemos que a inserção no ordenamento jurídico pátrio da participação nos lucros surgiu com a Constituição Federal de 1946. No entanto, esse instituto ganhou alguma virtualidade com a transição democrática e o novo sindicalismo, culminando com a Constituição Federal de 1988. Nesse cenário, o artigo 7º, inciso XI determinou que a participação nos lucros ou resultados está desvinculada da remuneração conforme definido em lei. Como chamam os doutrinadores, temos que no espírito da lei há de considerar que esta norma foi instituída para o fim de melhorar a qualidade de relacionamento entre o capital e o trabalho, aumentado o poder de compra do trabalhador que põe seu ‘suor’ na empresa, contribuindo com seu sucesso, bem como para inibir o desvio do pagamento à Seguridade Social, ou seja, diminuir a fraude. Nesta Casa é quase que pacificado o entendimento de que o benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR têm natureza jurídica de imunidade, na medida em que o artigo 7º, inciso XI, da CF/88 desvincula a PLR da remuneração, configurando uma supressão da competência de tributar. Essa imunidade, porém, se restringe a contribuição previdenciária prevista no artigo 195 da CF/88. ‘In verbis’: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais.(GN) O Tribunal Excelsior adota o pensamento de que o artigo 7º, inciso XI da Constituição Federal de 1988 tem eficácia limitada, ou seja, o exercício da PLR depende de lei disciplinadora que defina o modo e os limites do Programa de PLR, para fins de incidência da contribuição previdenciária (AgReg no RE n° 505.597/RS no DJ em 5.9.2005). (GN) Nesta seara, não olvidemos, é que foi editada a Medida Provisória n° 794/94, por meio da qual a PLR passou a ser convencionada com os empregados, mediante a negociação coletiva. Com o imbróglio político nacional a MP em destaque foi reeditada por mais de 70 vezes até que em dezembro de 2000 foi criada a Lei n° 10.101 que dirime a questão. No âmbito previdenciário, a Lei n° 8.212/91 e o Decreto n° 3.048/99 estabeleceram que não serão considerados base de cálculo da contribuição previdenciária, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de PLR, quando feitos de acordo com a legislação específica. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 6 9 Em matéria de repercussão geral o Supremo exige o recolhimento da contribuição previdenciária sobre o pagamento da PLR entre a vigência da Constituição Federal de 1988 e a Medida Provisória n° 794/1994. Desta forma, com todo respeito à tese recursiva, mas ela não merece prosperar, pois a imunidade que trata o inciso XI do artigo 7º da Carta Maior exigi a estreita observância da norma que regula a matéria, ou seja, a Lei nº 10.101 de dezembro de 2000. Sem razão. DA OBSERVÂNCIA DE TODAS AS CONDIÇÕES DA LEI Nº 10.101/2000 PARA PAGAMENTO DE PLR – EVENTUAL NÃO PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO NÃO ALTERA A NATUREZA DA VERBA Em sintéticas e outras palavras, alega o Recorrente ser cumpridor da Lei 10.101/00, e que eventual ausência do sindicato na constituição dos seus PLR’s não altera suas naturezas, já que ele optou pela forma de comissão para negociação de PLR os instrumentos que constam nos autos. Ou sjea, em outras palavras, entende que poderia estabelecer as regras sem acompanhar e submeterse à vontade da lei. Como dito acima, esta Corte tem entendimento de ser imune às Contribuições Previdenciárias o pagamento de PLR, deste que socorrido as exigência da lei de regência. E, a lei de regência, Lei nº 10.101/2000, estabelece que na negociação do PLR o sindicato tenha atuação direta. Vejamos: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(GN) II convenção ou acordo coletivo. É bem verdade que não se vê na norma à obrigatoriedade ou não da participação nos lucros e resultados, principalmente porque a questão requer a análise dos dispositivos legais sobre a matéria. E, assim, como alhures dito, a Carta Maior, em seu artigo 7º, inciso XI, insere a Participação nos Lucros e Resultados como um direito dos trabalhadores. Entretanto, também, como alhures dito, esta norma não é autoaplicável, dependendo de outro diploma legal regulando a matéria. A de regência, ou seja, a Lei nº 10.101/2000 que regula a matéria, prevê em seu Artigo 2º, acima transcrito, que a Participação nos Lucros ou Resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante acordo ou convenção coletiva ou, ainda, por comissão escolhida entre as partes e integrada por representante indicado pelo sindicato da categoria. E, tenho que esta obrigatoriedade legal se tem porque a lei não prevê forma de cálculo de valores. Na verdade, a legislação não estabeleceu os parâmetros para a negociação, para o estabelecimento das metas ou para a aferição dos resultados, assim como nada prevê sobre quanto distribuir. E, frente esta omissão do texto legal, a empresa em negociação com os empregados e o sindicato, deverá definir os critérios da distribuição e a forma de apuração do ‘quantum’ devido. Servindo o sindicato como um fiscal, ou um promotor público administrativo, ou um juiz, enfim, um membro que possa estabelecer o equilíbrio entre o capital e o trabalho. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Por outro lado, como a lei de regência não prevê penalidades a ser aplicadas às empresas diante de seu descumprimento, para a empresa que não implantar a Participação nos Lucros e Resultados distorcido da sua finalidade o sindicato além de ser um representante de sua categoria é um fiscal da lei. Por outro lado, e neste diapasão, tenho que o primeiro passo que uma empresa deve adotar ao implantar a Participação nos Lucros e Resultados é a formulação da proposta da empresa, através da análise do que a organização pretende com a implantação de um Programa de Participação nos Lucros e Resultados, fazendo uma análise abrangente dos objetivos do negócio e das estratégias para alcançálo, antecipandose a possíveis reivindicações e questionamentos dos empregados. Esta proposta deve ser analisada pelo empregado, fiscalizada, como dito, pelo sindicato. E, confessado pelo Recorrente que não houve nem mesmo a análise dos empregados da proposta realizada, já que ela não foi negociada, tratada, discutida. Finalizo, portanto, que de acordo com a Lei 10.101/2000, o programa deve ser implantado mediante comissão formada por membros escolhidos pela empresa, pelos empregados e por um representante indicado pelo sindicato, o que não ocorreu, não havendo presença do sindicato e tão pouco a negociação dos empregados. Assim, é imprescindível a (1) participação do sindicato na implantação do programa e (2) a negociação com os empregados. Sem razão a Recorrente. DA AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO PRÉVIA / AFERIÇÃO DE LUCROS E RESULTADOS REGRAS POSTERIORES Segundo a Recorrente a DRJ e a Autoridade Fiscal incorreram em erro ao concluírem que não se teve pactuação prévia aos PLR’s, eis que a distribuição de lucros e resultados para pagamentos aos funcionários foram albergados aos planos distintos para cada funcionário, dado a sua especificidade laboral. Isto ocorre, prossegue, porque a presidência do Recorrente optou por adotar uma política que considera que a participação de cada funcionário no PLR são auferidos no desempenho pessoal de suas funções e para isto criou a “Ficha de Avaliação de Performance’, onde ela foi estabelecida antes da data do pagamento da PLR, ou seja, cada funcionário agraciado com o beneficio tinha o conhecimento do seu dever a cumprir para fazer jus ao benefício. Vamos à lei. Diz o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000: Artigo 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Nesta esteira, vejo que há necessidade de se ter no instrumento celebrado as regras claras e objetivas, ANTERIOR ao resultado auferido, onde ela deve fazer parte no início ou meio do programa, com o fim de acudir o artigo 4º do mesmo Diploma. ‘In verbis’: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 7 11 Art. 4o Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I mediação; II arbitragem de ofertas finais. Ora, no caso em tela o Recorrente não demonstrou que havia o conhecimento prévio das regras, por parte dos empregados, como manda a lei. Ao contrário, o que temos nos autos é a mera alegação da REcorrente que a data de assinatura dos Termos dos Acordos de PLR, não autoriza a Fiscalização a descaracterizar os pagamentos de PLR, pois a empresa tem, segundo ela, como política aguardar a consolidação da Convenção Coletiva do setor bancário. Mas não é só, eis que alega ainda que as fichas de avaliação de performance demonstram que as metas individuais para o direito a PLR foram sempre estabelecidas antes da data do pagamento e que os empregados participantes teriam o prévio conhecimento. Entretanto, também esta alegação não prospera, uma vez que todos os acordos (2007 e 2008) foram assinados posteriormente a suas vigências, o que contraria diretamente o art. 2º, §1º, II da Lei nº 10.101/00. As peças frias dos autos nos mostram que os acordos de 2007 e 2008, ocorreram posteriormente a suas vigências), razão pela qual os valores pagos a título de PLR nos referidos anos, passaram a enquadrar o conceito de salário de contribuição (art.28 da Lei nº 8.212/91), com incidência das contribuições apuradas pela Fiscalização (Empresa, GILRAT e Terceiros). 'Vide' data de assinatura dos acordos em testilhas: 1. Plano Próprio de 2007 foi assinado em 28 de janeiro de 2008; e Plano Próprio de 2008 foi assinado em 02 de fevereiro de 2009. Portanto, não há nenhuma imperfeição o lançamento realizado pela Fiscalização ao considerar os valores pagos a título de PLR nos anos de 2007 e 2008, como salário de contribuição (art. 28, I da Lei nº 8.212/91), uma vez que não cumpriu o estabelecido na legislação vigente (art.2º, §1º, II da Lei nº 10.101/00), não podendo, portanto, enquadrarse na hipótese legal prevista no §9, “j” do art.28 da Lei de Custeio.: Sem razão. DAS REGRAS CLARAS Compulsando os autos localizei termo denominado na tese defensiva como sendo “Ficha de Avaliação de Performance’ bem como as regras impostas no possível termo elaborado unilateralmente pelo Recorrente. E, nestes, ainda que estivessem acolhimento nos demais requisitos da lei de regência, vejo como impossível interpretar as possíveis regras claras. Isto porque, em primeiro lugar não apresentou à Fiscalização a planilha mencionada no § 2º da clausula 1ª, onde trata da ficha de avaliação de performance. E, quando apresentou na impugnação por amostragem, onde alega que é preenchida para cada empregado, conforme demonstrado no documento nº 04, ao contrário do que sustenta a empresa, não trazem qualquer das previsões contidas no referido parágrafo segundo abaixo transcrito, ou seja, não expõe claramente em que consiste as metas, os pesos, o valor final apurado da PLR, ou seja, não cumpriu o estabelecido da legislação (art. 2º, §1º da Lei nº 10.101/00). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 "Cláusula Primeira O presente acordo está vinculado à evolução global positiva do BRAM no exercício de 2008, apurada mediante indicadores objetivos e avaliação de resultado. (...) Parágrafo Segundo: A planilha de avaliação com as descrições das metas, dos pesos, do resultado do trabalho realizado e do valor final apurado a título de participação nos lucros ou resultados, a qual refletirá o resultado individual do empregado, será a este submetida para verificação desconformidade." Assim, neste aspecto também não há razão ao Recorrente. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO ADICIONAL DE 2,5% Quanto trata das súmulas do CARF o RICARF determina: CAPÍTULO V DAS SÚMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto a exigência do adicional de 2,5% deseja o Recorrente que esta casa se pronuncie quanto a inconstitucionalidade. E, quanto a ela, não olvidemos, é matéria sumulada pela Corte, onde à sua inteligência submetome: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nestas razões, acompanho a Súmula CARF nº 2, e não conheço do recurso neste quesito, porque não há pronunciamento da dita inconstitucionalidade, por ausência de competência, mantendo o lançamento na forma original. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. Alega a recorrente que a fiscalização aplicou, nas competências que menciona, a multa de ofício disposta no Art. 44, da Lei 9.430/1996. Para tanto, a fiscalização comparou a soma das multas por descumprimento de obrigação acessória com as multas por descumprimento de obrigação principal, na mesma competência, o que não consta da norma legal. Correto o ponto defendido pela recorrente. Não há na legislação norma que determine essa forma de cálculo, consistindo em uma interpretação interna do Fisco, o que ´pe vedado pela legislação. Assim, com a multa foi calculada erroneamente e como a recorrente não terá como se defender de nova fórmula que surja em decisões no PAF, voto por excluir a multa de ofício aplicada no lançamento 37.360.9612, por ausência de fundamentação legal. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 8 13 DA MULTA –NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – FALTA DE TIPICIDADE ENTRE A CONDUTA DESCRITA NA NORMA PUNITIVA E A CONDUTA IMPUTADA A RECORRENTE – FALTA DE MOTIVAÇÃO E VIOLAÇÃO À LEGALIDADE ESTRITA E Á TIPICIDADE FECHADA Como se verificou no lançamento as remunerações oriundas de PLR em desconformidade com a legislação de regência, onde há de incidir contribuições previdenciárias correspondentes, cujas quais não foram declaradas em GFIP, o que deságua no descumprimento da obrigação acessória prevista no Art.32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91, incidindo a multa, cuja qual foi objeto do AIOA DEBCAD 37.360.9566. Art. 32. A empresa é também obrigada a: I ... IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Nova redação dada pela Lei nº 11.941/2009) ..... § 5º (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008 e posteriormente pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009). RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. (...). Assim, como bem explicitou a própria Recorrente, vêse que a literalidade dos dispositivos legais acima mencionados não deixam dúvidas que os mesmos servem para inibir a sonegação de informação através da omissão, ainda que tenha deixado de informar e adicionar na base de cálculo das contribuições autuadas, valores que comprovadamente incidiam contribuições previdenciárias. Com a devida e imperiosa vênia, mas não comporta a argumentação de que o imaginar não compor a base de cálculo verbas que supostamente estavam abarcadas pela imunidade ou isenção, ainda que alguns assim o tem, não serve para justificar a não aplicação de multa, se comprovado a existência do fato gerador. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Sem razão o Recorrente porque a conduta descrita na norma enquadrase perfeitamente à praticada por ela ao deixar de lançar em GFIP fatores que implicam em gerir contribuição previdenciária. Correta a ação fiscal. MULTA MAIS BENÉFICA A Fiscalização aplicou a multa conforme a legislação vigente à época, artigo 32, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, e artigos 284, inciso II, e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, correspondendo a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, tendo sido observado o limite por competência em função do número de segurados da empresa, previsto no artigo 32, parágrafo 4º da Lei n.º 8.212/91, com atualização pela Portaria Interministerial MPS/MF n.º 2, de 06/01/2012, para as competências 03/2007, 08/2007, 09/2007,02/2008, 03/2008 e 08/2008. ‘In verbis’: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (..) § 5º (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008 e posteriormente pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Decreto 3.048/99 Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (....) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social Diz a Autoridade Lançadora que realizou a comparação entre as multas (vigente a época dos fatos geradores e a atual), prevalecendo para o auto de obrigação acessórias, nas competências autuadas a legislação anterior a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 9.241/09, conforme se constata na planilha de fls. 23/24. E, nestas razões a decisão de piso manteve o lançamento da forma original, porque entende que não procede a alegação defendente de que de que a multa deveria ter sido aplicada apenas em uma única competência, pois segundo seu entendimento inovador ao interpretar a legislação do caso Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 9 15 concreto (art.32, IV, §§ 3º e 5º da Lei nº 8.212/91), as infrações cometidas pela empresa seriam continuadas. Diz a Recorrente que em casos como o em tela, apenas uma natureza de multa deve ser aplica, sob o risco de, em assim não proceder, configurar aplicação de multa continuada mês a mês. Entretanto, ao que me parece, nenhum nem o outro estão corretos, eis que as normas gerais de direito tributário, onde está inserido a retroatividade da legislação mais benéfica ao contribuinte tem parâmetros, no caso em tela, pois trata de obrigação tributária acessória, resta diferentemente na sua interpretação. Diz a regra tributária da legislação mais benéfica, onde o artigo 106, II, C do Código Tributário Nacional determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. Sendo assim, mister que tenhamos em mente que enquanto não preclusa a oportunidade para a oposição algum remédio processual e ou se estes não tiverem transitado em julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96, desde que, como alhures dito, o ato não se encontre definitivamente julgado, como é o caso em tela. Este pensar, da mesma forma vêm se posicionando nossos Tribunais, in verbis’: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. DCTF. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO DA JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROVA PERICIAL INDEFERIDA. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. ART. 106, DO CTN. TAXA SELIC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETOLEI Nº 1.025/69. .... O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106, do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96 a fatos anteriores a 1997. ... (STJ, REsp 653645/SC, 2a T., Rel. Min. Eliana Calmon, D.J 21/11/2005)" Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO DEL 2.471/1988. ART. 106, II, "c", CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. 1. O ART. 106, do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobrevindo, no curso da execução fiscal, o DL 2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e, sendo possível a reestruturação do cálculo de liquidação, é possível a aplicação da lei mais benigna, sem ofensa aos princípios gerais do direito tributária. Na execução fiscal, as decisões finais correspondem as fases de arrematação, da adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra feita, com a extinção do processo, nos termos do art. 794, do CPC. (STJ, REsp 94511/PR, 1a T., Rel. Min. Demócrito Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)" Assim, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela que se encontra no artigo 32A da Lei 8.212/91. EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Quanto a alegação de que houve incidência de juros de mora sobre a multa no lançamento de ofício, penso que houve um equívoco da Recorrente, isto porque, como se pode observar às fls. 12/13 e 20/21 dos autos de infração, anexos “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, item 602, dispõem sobre a forma de “Cálculo dos juros” nos seguintes termos: “CÁLCULO DOS JUROS: Juros calculados sobre o valor originário, mediante a aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento) no mês subseqüente ao da competência; b) Taxa Média Mensal de Captação do Tesouro Nacional Relativa a Dívida Mobiliária Federal / Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos respectivos períodos; c) 1 % (um por cento) no mês do pagamento”. Assim, cristalino está que não houve incidência de juros sobre a multa, já que os juros foram calculados sobre os valores originários das contribuições lançadas. Nesse mesmo item, estão indicados os dispositivos legais que disciplinam esta matéria, lá transcrito os artigos 34, da Lei nnº 8.212/91, e os artigos 239, II, ‘a’, ‘b’ e ‘c’ e o 242, § 2º do Decreto 3.048/99. Ou seja, vendo a legislação supra não há previsão da cobrança de juros sobre a multa, deixando claro que os juros e a mulata serão sempre exigidos separadamente sobre o valor do principal atualizado. Mas, não olvidemos que a legislação autoriza a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, considerando a taxa Selic. A fundamentação para a futura cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício é fulcrada no Código Tributário Nacional (CTN), artigo 161, ‘in verbis’: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Bem como na Lei n.º 9.430/96: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 10 17 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Assim, sem razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de que seja reconhecida: i) a decadência com aplicação da Súmula CARF 99 e artigo 150, § 4º do CTN, estando decaídos os lançamentos até novembro de 2007, inclusive, anteriores a dezembro de 2007; ii) a necessidade e de exclusão da multa de ofício aplicada no lançamento 37.360.9612, por ausência de fundamentação legal ; e iii) aplicação do artigo 32A da Lei 8.212/91, por entender que ela é a regra mais benéfica para aplicação da multa, conforme determina o artigo 106, II, C do CTN. Mantendo as demais questões de conformidade com o lançamento e a decisão de piso. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator Designado. Devido a ausência de conselheiros titulares e pelo impedimento, inclusive técnico, de conselheiros suplentes elaborarem votos vencedores, designeime, na ocasião, redator do voto vencedor. Assim, com todo respeito ao relator, divirjo de suas conclusões quanto as questões abaixo. DAS REGRAS CLARAS Na leitura da motivação da fiscalização para definir que não havia, nos acordos entre empresa e segurado, regras claras de avaliação de metas, há a seguinte descrição, fls. 071: Portanto, esta fiscalização entende que o instrumento não deixa claro os seguintes pontos: O que seria evolução global positiva, tampouco quais seriam os indicadores objetivos; O parágrafo 1ª menciona avaliação individual de metas previamente estabelecidas, entretanto, além de sequer citar que metas seriam essas, o item 10.3 deste termo deixou esclarecido que não houve pactuação prévia; A planilha mencionada no artigo 2º não foi apresentada a esta fiscalização até o encerramento dos trabalhos. Primeiramente, minha posição pessoal é a de que a legislação determina que devem existir metas a serem atingidas, não cabendo à fiscalização a definição discricionária sobre a clareza do cálculo da meta. A legislação define que cabe ao sindicato ser o fiscal do direito dos trabalhadores, pois meta confusa pode ser flexibilizada, gerando perdas para os sindicalizados. No presente caso, inclusive, a fiscalização afirma que os acordos estão vinculados à evolução global positiva do banco, apurada mediante indicadores objetivos e avaliação de resultado e que há avaliação de resultado individual, com base no atingimento ou superação metas, fls. 069. Por fim, a acusação fiscal, acima, não constitui fundamento ra definir que não há regras claras, pois; Não há necessidade que o instrumento de acordo defina em seu corpo o termo evolução global positiva e detalhe os indicadores objetivos, cabendo ao Fisco solicitar o detalhamento dessas definições e, caso não existissem, aí sim desconsiderar o acordo; Novamente, o Fisco deveria solicitar a definição/esclarecimento sobre " avaliação individual de metas previamente estabelecidas" e, caso não existissem, aí sim desconsiderar o acordo; Não há na Lei, a obrigatoriedade de comprovação de atingimento de metas. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 11 19 Assim, pelo exposto, somadas às provas constantes do autos, verifico que os acordos para pagamento de PLR obedeceram a legislação no que tange ao regramento sobre regras. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. Quanto a qual multa, discordo de ausência de fundamento legal para aplicação, conforme realizado pelo Fisco. Há legislação que trata de alteração em regramentos de multas, Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 20 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.721423/201266 Acórdão n.º 2301004.361 S2C3T1 Fl. 12 21 Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 22 Portanto, correta a aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, pois o lançamento comparou a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício), limitando, seu teto, ao máximo presente na legislação atual, que é de setenta e cinco por cento. Conseqüentemente, divirjo do relator e nego proviemnto ao recurso neste ponto. MULTA MAIS BENÉFICA Por fim, quanto a forma de aplicação da multa, nas autuações por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP, também discordo do relator. Ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. Nesse sentido, devese, então, calcular a multa da presente autuação nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e utilizar esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, conforme realizado no lançamento. CONCLUSÃO Em razão do exposto, a) Voto pelo provimento parcial do recurso, no que tange a existência de regras claras para pagamento de PLR; b) Nego provimento ao recurso no que tange aos argumentos relativos à inexistência de fundamento legal e aplicação da retroatividade benéfica. Nos demais pontos, acompanho o relator. Marcelo Oliveira Redator designado. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10510.722926/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2014
ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO AO GILRAT. ENQUADRAMENTO EFETUADO PELO SUJEITO PASSIVO.
O enquadramento nos diversos graus de risco para os órgãos do poder público com CNPJ único deve ser efetuado em função da atividade que ocupe o maior número de segurados empregados, somente cabendo ao fisco rever o enquadramento efetuado pelo sujeito passivo quando consiga demonstrar a ocorrência de erro.
Para o período não decadente o enquadramento para fins de aplicação da alíquota da contribuição ao GILRAT efetuado pela empresa está em consonância com o entendimento do fisco.
FATOR DE ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO - FAP. DISCORDÂNCIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não detém competência para decidir sobre inconformismo do contribuinte acerca da definição do FAP especificado pelo Ministério da Previdência Social.
GLOSAS DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO DOS VALORES. MANUTENÇÃO DO VALOR LANÇADO.
Deve-se manter as glosas de compensação, uma vez que a recorrente não impugnou expressamente os valores glosados, limitando-se a apontar genericamente erros na apuração fiscal.
MULTA ISOLADA. OCORRÊNCIA DE FALSIDADE. CABIMENTO.
Ao declarar na GFIP créditos relativos a competências que sabia não possuir saldos a compensar, além de superavaliar o valor dos créditos com a utilização de índices de correção superiores aos legalmente previstos, o contribuinte se sujeita à multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.( 8.212/1991.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2014
PEDIDO DE PERÍCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2014
APURAÇÃO DE DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
Nos lançamentos em que se apura diferenças entre as contribuições devidas e os recolhimentos efetuados, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência para a competência 06/2009 (AI n.° 51.064.933-5), a teor do § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como crédito no AI n.° 51.064.934-3 a diferença de contribuição ao GILRAT de R$ 23.345,83 (competência 06/2009), abatendo-se também este valor da base de cálculo da multa isolada aplicada no AI n.° 51.064.935-1.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO. GLOSAS DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA Recorrente MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DO SOCORRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2014 ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO AO GILRAT. ENQUADRAMENTO EFETUADO PELO SUJEITO PASSIVO. O enquadramento nos diversos graus de risco para os órgãos do poder público com CNPJ único deve ser efetuado em função da atividade que ocupe o maior número de segurados empregados, somente cabendo ao fisco rever o enquadramento efetuado pelo sujeito passivo quando consiga demonstrar a ocorrência de erro. Para o período não decadente o enquadramento para fins de aplicação da alíquota da contribuição ao GILRAT efetuado pela empresa está em consonância com o entendimento do fisco. FATOR DE ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. DISCORDÂNCIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não detém competência para decidir sobre inconformismo do contribuinte acerca da definição do FAP especificado pelo Ministério da Previdência Social. GLOSAS DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO DOS VALORES. MANUTENÇÃO DO VALOR LANÇADO. Devese manter as glosas de compensação, uma vez que a recorrente não impugnou expressamente os valores glosados, limitandose a apontar genericamente erros na apuração fiscal. MULTA ISOLADA. OCORRÊNCIA DE FALSIDADE. CABIMENTO. Ao declarar na GFIP créditos relativos a competências que sabia não possuir saldos a compensar, além de superavaliar o valor dos créditos com a utilização de índices de correção superiores aos legalmente previstos, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 26 /2 01 4- 67 Fl. 18497DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 contribuinte se sujeita à multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.° 8.212/1991. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2014 PEDIDO DE PERÍCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2014 APURAÇÃO DE DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Nos lançamentos em que se apura diferenças entre as contribuições devidas e os recolhimentos efetuados, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência para a competência 06/2009 (AI n.° 51.064.9335), a teor do § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como crédito no AI n.° 51.064.9343 a diferença de contribuição ao GILRAT de R$ 23.345,83 (competência 06/2009), abatendose também este valor da base de cálculo da multa isolada aplicada no AI n.° 51.064.9351. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 18498DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.498 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração AI que integram o presente processo. São três os lançamentos: a) AI n.° 51.064.9335: exigência de diferenças da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), que foi declarada com alíquota a menor; b) AI n.° 51.064.9343: exigências de contribuições decorrentes de glosas de compensações indevidas; e c) AI n.° 51.064.9351: multa isolada decorrente de declaração de compensação na GFIP com falsidade. Segundo o relatório fiscal, fls. 30/35, o Município de Nossa Senhora do Socorro foi intimado a esclarecer a origem das compensações declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP nas competências de 09/2013 a 03/2014. Em atendimento à intimação foram apresentadas folhas de pagamento e registros contábeis, além da justificativa de que os créditos decorreram de recuperação de créditos de recolhimento a maior da contribuição GILRAT. A Prefeitura em sua resposta teria se referido ao Fator Acidentário de Prevenção, o qual reduziu a alíquota GILRAT em conformidade com a legislação de regência. Foram acostadas duas tabelas, uma demonstrando as compensações declaradas na GFIP até 03/2014 e a segunda tratando da atualização dos valores. Segundo o fisco os índices utilizados na atualização dos créditos estariam em total descompasso com a previsão contida no § 4.° do art. 89 da Lei n.° 8.212/1991, o que gerou um valor bem superior ao que o Município poderia ter direito. Mencionase ainda que a Prefeitura esclareceu que a origem de seus créditos foi o fato de considerar a alíquota GILRAT 1%, além de haver declarado valores que não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias, a exemplo do terço constitucional de férias e do saláriomaternidade. Acerca da apuração da diferença de contribuição ao GILRAT, o fisco esclareceu: a) a Prefeitura informou na competência 06/2009 a alíquota GILRAT de 1%, quando o correto seria 2%, não tendo juntado qualquer documento que justificasse a redução; Fl. 18499DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 b) nas GFIP das competências 08/2010 a 09/2011; 11/2011 a 13/2012 e 01/2013 a 06/2014, embora tenha informado a alíquota GILRAT de 2%, foi informado o FAP de 0,5000, quando o correto seria 1,7500 para 2010; 0,8565 para 2011; 0,9508 para 2013 e 1,068 para 2014. Também não houve justificativa para a divergência entre os valores considerados e aqueles calculados pelo Ministério da Previdência Social MPS. Essas diferenças foram apuradas no "levantamento FA". Para dar suporte a essa apuração foram juntados o Anexo I, que indica as GFIP que foram examinadas pelo fisco, e o Anexo II, que indica as diferenças entre as contribuições calculadas conforme a declaração da GFIP e aquelas apuradas levandose em conta os valores de GILRAT/FAP atribuídos pelo MPS ao sujeito passivo. As glosas de compensação foram abrigadas no "levantamento GC", sobre o qual a autoridade lançadora fez as seguintes considerações: a) a alíquota GILRAT para a Prefeitura é de 2% e o FAP atribuído pelo MPS foi de 1,7500 para o exercício de 2010, considerandose que os recolhimentos foram efetuados com base em índices menores que os previstos na legislação, não há créditos relativos a este exercício a serem compensados; b) para as competências de 06 a 10/2012, o Município não recolheu integralmente as contribuições declaradas, tendo efetuado parcelamento das diferenças, o qual ainda se encontra em manutenção, não se podendo falar em créditos originários dessas competências, além de que o FAP declarado foi 1,4800, o qual não foi retificado por estar em consonância com a definição do MPS; c) conforme demonstrado no Anexo III, para as competências 06/2009 e de 08/2009 a 08/2013, a Prefeitura recolheu valores menores que os devidos; d) conclui, que as compensações efetuadas nas competências 09/2013 a 06/2014 são irregulares, merecendo a glosa. Acerca do AI referente à aplicação de multa isolada por falsidade na declaração de compensação, o fisco mencionou que: a) ao informar que detinha créditos oriundos das competências 06 a 10/2012, sem, no entanto, haver recolhido integralmente as contribuições a autuada incorreu em falsidade; b) para o período de 06/2009 e de 08/2010 a 08/2013, exceto para algumas competências de 2012, os valores recolhidos são menores que os devidos, além de terem sido reajustados por índices que não encontram amparo na legislação, o que também comprova a ocorrência de declaração falsa de créditos; c) não compõem a multa isolada os valores que decorreram de utilização de FAP maior que o especificado pelo MPS, todavia, esses valores não foram aproveitados nas competências em que foram declarados, pelo fato de haver débitos em competências anteriores. Cientificado do lançamento em 17/09/2014, o sujeito passivo impugnou as exigências com a peça de fls. 985/1.016. A DRJ declarou improcedente a impugnação e manteve integralmente as exigências. Fl. 18500DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.499 5 Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso de fls. 16.305/16.333, no qual, após protestar pela sua tempestividade e relatar o principais aspectos do processo, alegou em síntese que: a) o Município recorrente desenvolve atividade burocrática com maior número de servidores lotados na área de educação, na qual o grau de risco é considerado leve, conforme comprova mediante o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO; b) considerando que sua atividade preponderante tem grau de risco leve, a alíquota GILRAT é de 1%, nos termos da legislação previdenciária; c) o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa e deve ser efetuado mensalmente, de acordo com sua atividade preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base no CNAE e constante do Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, cujos dados foram reproduzidos também na Instrução Normativa IN RFB n.° 971/2009; d) não há necessária vinculação entre a atividade principal do órgão público, a qual define o código CNAE para fins de inscrição no CNPJ e a atividade preponderante, utilizada para definir o enquadramento no grau de risco e que tem por fim apurar a alíquota utilizada no cálculo da contribuição para o GILRAT; e) a informação na GFIP do CNAE 84116/00 Administração Pública em Geral foi efetuada por descuido e a própria RFB orientou a recorrente a retificar o código CNAE para 85139/00, conforme a sua atividade preponderante; f) apresenta decisões de Tribunais Regionais Federais que abonariam a sua tese; g) não se sustenta a tese do fisco de que o enquadramento do ente público no grau de risco deve ter fundamento em decisão administrativa ou judicial, posto que o benefício do Fator Acidentário de Prevenção FAP é concedido aos empregadores que investem em segurança do trabalho; h) a Prefeitura autuada valeuse de instrumentos legais para redução do FAP, seguindo rigorosamente os ditames da Resolução n.° 1.316/2010, com contratação de pessoal especializado para redução dos acidentes de trabalho; i) apresenta decisões do Superior Tribunal de Justiça STJ que, segundo o seu entendimento, fixa para os entes públicos a alíquota GILRAT no grau de risco mínino; j) a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, curvandose à jurisprudência pacífica dos Tribunais Superiores, editou o Parecer PFN/CRJ n.° 2.120/2011, no qual determinase a não apresentação de contestação/recurso de decisões que manifestem o entendimento trazido no recurso; k) o Município de Nossa Senhora do Socorro realizou a contratação de empresa técnica na área de segurança do trabalho para elaborar laudos que atestam o baixo índice de acidentes no trabalho, bem como de aposentadoria por invalidez no período em Fl. 18501DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 questão, além de haver investido recursos em melhoria da segurança de seus servidores. Tais medidas, incontestavelmente, serviram também para redução da alíquota GILRAT; l) traz à colação precedentes do TRF 5.ª Região, as quais dariam guarida a sua tese; m) a determinação do FAP em 0,5 está em perfeita consonância com a Resolução MPS/CNPS n.° 1.316/2010, posto que foram elaborados os laudos técnicos PPRA, PCMSO e LTCAT, além de haver a recorrente declarado que: i) não houve emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho CAT; ii) não houve admissão ou demissão em níveis vedados por lei; iii) não houve acidentes ou mortes acidentais; iv) não houve aposentadorias especiais e v) houve investimento em prevenção contra acidentes de trabalho; n) ao contrário do que afirma a decisão guerreada, é competência sim do auditor fiscal enfrentar o mérito do cálculo do FAP, pois se assim tivesse procedido verificaria que o sujeito passivo atendeu a todos os requisitos da legislação para usufruir da redução da alíquota da contribuição sob enfoque; o) se a autoridade lançadora tivesse analisado os documentos comprobatórios dos pagamentos e parcelamentos realizados teria chegado à conclusão de que haveria sim créditos a serem compensados; p) o STJ em decisão adotada no rito dos recursos repetitivos deu a interpretação ao art. 170A do CTN de que inexiste a exigência de trânsito em julgado da decisão judicial para que o contribuinte possa efetuar compensação com créditos a que tem direito. Essa decisão deve obrigatoriamente ser seguida pelas turmas do CARF; r) a multa isolada no patamar de 150% dos valores compensados, além de confiscatória, é indevida, haja vista que o fisco não demonstrou a existência de dolo ou falsidade na informação prestada via GFIP; s) deve ser anulada a decisão da DRJ, de modo que se realize a perícia requerida na impugnação, sob pena de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa; t) apresenta dois julgados do CARF, onde os julgamentos foram convertidos em diligência para que o fisco verificasse qual a atividade preponderante da empresa. Ao final requereu: a) o cancelamento dos lançamentos das glosas; b) o cancelamento da multa isolada; e c) a realização de perícia. É o relatório. Fl. 18502DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.500 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão recorrida deuse em 27/03/2015 (fl. 16.303), tendo o recurso sido apresentado em 24/04/2015 (fl. 16.305), portanto, dentro do trintídio legal. Por atender também ao requisito de legitimidade, merece conhecimento. Nulidade da decisão recorrida O sujeito passivo afirma que a decisão a quo é nula, uma vez que, ao indeferir o pedido de realização de perícia técnica, teria prejudicado o seu direito de defesa. Adianto que não concordo com tal assertiva. Acerca da realização de diligências e perícias, o Decreto n.° 70.235/1972 assim dispõe: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)" É cediço que no processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. É o que dispõe o art. 29 do mesmo Decreto: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 18503DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de novas dilações probatórias caso as ache necessárias. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de realização de perícias ou diligências se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. No caso sob comento, tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados são suficientes para a solução da lide. O relatório fiscal e seus anexos trazem todos os elementos necessários à compreensão dos lançamentos, os quais em confronto com a documentação acostada à defesa e ao recurso permitem ao órgão de julgamento adotar a solução que lhe pareça mais conforme com o direito aplicável. De todo o exposto, deve ser indeferido o pedido para realização de perícia técnica, concluindose que tal medida em absoluto representa atropelo aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, motivo pelo qual encaminho por afastar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Decadência Embora não alegada no recurso, devemos enfrentar de ofício a questão da perda do direito do fisco de constituir o crédito tributário em razão do transcurso do prazo de cinco anos previsto no CTN. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Fl. 18504DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.501 9 As turmas do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que o próprio fisco assevera que no AI n.° 51.064.9335 referese a diferenças da contribuição para custeio dos benefícios acidentários, cuja a alíquota havia sido declarada a menor. Assim, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência para este auto, o que me leva a encaminhar pela declaração de decadência para a competência 06/2009, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 17/09/2014. Para os demais AI não há o que se falar em decadência, posto que em ambos a competência mais antiga é 09/2013. Contribuição GILRAT alíquota Da leitura da Lei n.º 8.212/1991, verificase que as alíquotas da contribuição ao GILRAT encontramse definidas em seu texto, como se pode ver: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 18505DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 (...) As atividades econômicas preponderantes e os correspondentes graus de risco encontramse enumeradas no Anexo V doRPS O enquadramento para definição da alíquota da contribuição em questão deve ser efetuado pelo próprio sujeito passivo, cabendo ao fisco adotar as medidas cabíveis em caso de erro. É isso que se extrai dos seguintes dispositivos do RPS: "Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) §5oÉ de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007)." O Município autuado insurgese contra o enquadramento promovido pela autoridade lançadora, que teria fixado o grau de risco como médio, quando o correto seria grau leve, posto que a maioria de seus servidores estariam alocados no setor de educação. Assim, sendo sua atividade preponderante geradora de um risco leve, a alíquota correta da contribuição ao GILRAT seria 1% e não os 2% estabelecidos pela fiscalização. Observo que a empresa tem razão apenas em parte, posto que no relatório fiscal, consta que apenas para a competência 06/2009 o ente público se enquadrou na alíquota de 1%, para o período restante a alíquota declarada na GFIP foi 2%, sendo que a diferença de contribuição apurada deveuse à informação incorreta quanto ao FAP. Considerandose que não foi contestada a afirmação do fisco de que dentre as competências lançadas apenas em 06/2006 a Prefeitura se enquadrou na alíquota de 1%, devemos nos centrar apenas nesta competência para verificação acerca do possível crédito a Fl. 18506DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.502 11 favor da autuada decorrente da diferença de alíquota, uma vez que o débito foi excluído pela decadência. Ao tratar do enquadramento nos correspondentes graus de risco a Instrução Normativa RFB n.° 971/2009, na redação dada pela IN RFB n.° 1.080/2010, assim dispôs: "Art. 72 (...) § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: a) a empresa com 1 (um) estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e com mais de 1 (uma) atividade econômica deverá apurar a atividade preponderante em cada estabelecimento, na forma da alínea “b”, exceto com relação às obras de construção civil, para as quais será observado o inciso III deste parágrafo. d) os órgãos da Administração Pública Direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarse ão na respectiva atividade, observado o disposto no § 9º; e (...) § 9º Na hipótese de um órgão da Administração Pública Direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do § 1º." Dos dispositivos acima é correto se concluir que no caso da recorrente que possui apenas um CNPJ e várias atividades devese definir como atividade preponderante aquela que tiver o maior número de segurados. Esse enquadramento somente poderá ser revisto pelo fisco, caso este demonstre que o sujeito passivo tenha errado na definição da atividade preponderante. De acordo com essas regras, que estão em sintonia com a jurisprudência dominante, não é o CNAE geral dos órgãos públicos que irá definir o enquadramento nos graus de risco, mas a atividade com maior número de segurados. Fl. 18507DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Considerandose que a autoridade lançadora não apresentou nenhum levantamento de atividade preponderante capaz de alterar o enquadramento feito pela empresa, tenho que concordar com o sujeito passivo que na competência 06/2009 deve ser considerado o grau de risco leve, com alíquota de 1%, reconhecendose como crédito do contribuinte a diferença em relação à contribuição calculada à alíquota de 2%. Tendo adotado este entendimento, encaminho também no sentido de que não se deve atender o pedido do sujeito passivo para conversão do julgamento em diligência para verificação da sua atividade preponderante, haja vista que essa questão se encontra suficientemente enfrentada com base nos elementos constantes no processo. Fator Acidentário de Prevenção FAP O Fator Acidentário de Prevenção é um multiplicador variável num intervalo contínuo de 0,5000 a 2,0000, a ser aplicado à respectiva alíquota da contribuição GILRAT, que pode ser reduzida pela metade ou duplicada de acordo com as ocorrências acidentárias em cada empresa. O FAP tem por objetivo criar um ajuste à alíquota para GILRAT, através de um tratamento estatístico da gravidade, frequência e custo dos acidentes relativos às empresas. Assim o FAP incentiva a melhoria das condições de trabalho e da saúde do trabalhador estimulando as empresas a implementarem políticas mais efetivas de saúde e segurança no trabalho para reduzir a acidentalidade. A Resolução MPS/CNPS n.° 1.316/2010 normatiza quais são as fontes de dados para os cálculos dos índices de frequência, de gravidade, de custo e do FAP por empresa e suas respectivas fórmulas. Grosso modo, o MPS efetua o cálculo do FAP levando em conta os acidentes de trabalho ocorridos; a concessão de benefícios acidentários para os empregados da empresa; os dados populacionais empregatícios e a expectativa de vida dos segurados. Anualmente o fator é calculado a partir das informações e cadastros lidos em data específica, com utilização dos dados de dois anos imediatamente anteriores ao ano de processamento. O Ministério da Previdência Social MPS publica anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades EconômicasCNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAESubclasse. Os números apresentados pelo MPS poderão ser contestados perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. No caso em apreço, verificase que parte das diferenças de contribuição foi provocada pela a utilização pelo Município de um valor do FAP inferior aquele estabelecido pelo MPS. Diante das divergências o fisco intimou o ente a apresentar comprovação de que teria contestado o valor do FAP que lhe fora atribuído, todavia, não houve a apresentação de qualquer documento nesse sentido. Fl. 18508DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.503 13 Para comprovar o seu acerto no utilização do FAP de 0,5000 a recorrente apresentou demonstrativos de condições ambientais (PPRA, LTCAT e PCMSO) relativos ao ano de 2015. Esses laudos, no entanto, não tem o condão de alterar os valores de FAP calculados para períodos anteriores, tampouco, o processo administrativo fiscal é o foro próprio para se travar discussão acerca do FAP divulgado pelo MPS. Nos termos do § 2.° do art. 202B do RPS das decisões proferidas pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional acerca de contestação do FAP, caberá recurso, no prazo de trinta dias da intimação da decisão, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. Ressaltese que este processo administrativo tem efeito suspensivo. Verificase, portanto, que não é da competência do CARF decidir sobre questões vinculadas ao cálculo do FAP. Assim, em razão do sujeito passivo não haver apresentado comprovação de que estaria discutindo o cálculo do FAP na instância apropriada, não há como se considerar a existência de contenda administrativa sobre essa questão. Glosas de compensação A Prefeitura efetuou nas competências de 09/2013 a 06/2014 compensações, estas relativas a supostos créditos oriundos das competências 06/2009 e 08/2010 a 08/2013. Apreciando a tabela de fl. 65, observase que no período dos alegados créditos, embora haja saldos em favor da autuada em algumas competências, na totalização geral os débitos são superiores em cerca de R$ 6,5 milhões. O Município tenta justificar a existência de valores a compensar alegando que deixaram de ser computadas guias de recolhimento, descontos no FPM e parcelamentos, todavia, não apresenta especificamente nem na defesa, tampouco no recurso, nenhum valor que pudesse alterar o levantamento fiscal, limitandose a mencionar que a tabela mereceria reparos. Para mim, o sujeito passivo teria toda a possibilidade de se contrapor à apuração fiscal, com a apresentação de uma tabela com os créditos e débitos e juntada, nem que fosse por amostragem, dos documentos que lhe dariam suporte. A falta da impugnação específica de valores nos impede de conhecer as supostas falhas do fisco na elaboração de seu levantamento, deixandonos tranquilos para concordar com o que ficou decidido na primeira instância. Outro argumento lançado contra o levantamento das glosas é o de que a interpretação que o STJ dá para o art. 170A do CTN é que não existe obrigatoriedade de se ter o trânsito em julgado da sentença que reconhece os créditos, para que tenha início o procedimento de compensação. Este argumento, com todas as vênias, não tem qualquer interferência na lide sob apreciação. É que todo o procedimento compensatório deuse por iniciativa do sujeito passivo, não havendo qualquer medida judicial que lhe amparasse. Sobre essa questão, inclusive, a Prefeitura foi intimada a se manifestar, não tendo mencionado a existência de qualquer decisão do Judiciário em seu favor. Fl. 18509DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Multa isolada A multa isolada foi imposta com fundamento no que dispõe o § 10 do art. 89 da Lei n.° 8.212/1991, assim redigido: " Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." O dispositivo é muito claro ao determinar que havendo compensação indevida, o contribuinte está sujeito a esta penalidade, desde que fique comprovada falsidade na declaração por ele prestada. Nesse sentido, o fisco somente está autorizado a aplicar a penalidade no patamar de 150% do valor do débito indevidamente compensado quando reste cabalmente comprovado que houve falsidade na declaração de GFIP, no que se refere ao campo destinado a informar a compensação. Para justificar a imposição da multa isolada o fisco alegou que foram informados créditos em competências onde não havia saldos em favor do contribuinte, além de que os índices utilizados para atualização dos valores não estariam em conformidade com aqueles legalmente previstos, o que teria superavaliado o saldo a compensar. Para o sujeito passivo, o legislador somente autoriza a aplicação da multa isolada quando reste comprovado o dolo, haja vista que já há uma multa moratória a ser aplicada sobre as compensações indevidas. Nesse sentido, se não fosse necessária a demonstração da conduta dolosa, toda declaração de compensação que não fosse homologada pela Fazenda daria margem para imposição desta penalidade tão gravosa. No seu entender, essa interpretação não pode ser aceita e a multa isolada não pode prescindir da demonstração do dolo. De fato, somente para as competências, onde efetivamente ficou demonstrada a ocorrência de falsidade, ou seja onde foram inseridos como créditos valores que a Prefeitura sabia não possuir é que cabe a imposição da multa isolada. Vejo que o fisco atuou no sentido de evitar que fossem incluídos na base de cálculo desta multa créditos verificados nas competências de 06/2009 e 08/2010 a 08/2013 e Fl. 18510DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10510.722926/201467 Acórdão n.º 2402005.185 S2C4T2 Fl. 18.504 15 cuja compensação não foi homologada por haver débitos no período que os superava. Assim, esses valores, que o fisco chamou de "créditos potenciais", foram corrigidos pelos índices oficiais e abatidos da base de cálculo da multa isolada, a qual contemplou apenas as compensações efetuadas nas competências em que os valores recolhidos eram menores que os valores devidos e as quantias artificialmente geradas mediante utilização de índices de correção superiores aqueles legalmente previstos. Não poderia esquecer de reduzir da multa isolada o crédito reconhecido na competência 06/2009, conforme análise feita acima acerca da revisão de enquadramento do grau de risco efetuada pelo fisco nesta competência. Quanto aos demais valores concordo com o fisco, posto que a inserção de compensações decorrentes de competências em que o valor recolhido foi inferior ao devido e utilização de índices de correção superiores aos legais gera de fato a inclusão de informação falsa na GFIP, subsumindose ao comando do § 10 do art. 89 da Lei n.° 8.212/1991. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ, por reconhecer a decadência para a competência 06/2009 (AI n.° 51.064.9335) e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como crédito no AI n.° 51.064.9343 a diferença de contribuição ao GILRAT de R$ 23.345,83 (competência 06/2009), abatendose também este valor da base de cálculo da multa isolada aplicada no AI n.° 51.064.9351. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 18511DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11522.000371/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS.
Configura omissão de receitas a comprovação de pagamentos a fornecedores realizados à margem da contabilidade da empresa.
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
A existência de recursos sem a adequada comprovação da origem e do efetivo ingresso do numerário autoriza a presunção da utilização de valores mantidos à margem da contabilidade, o que caracteriza omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGISTRO DE RECEITAS EM CFOP INDEVIDO.
Devem ser tributadas as saídas de mercadorias com CFOP indevido, mormente quando utilizados códigos de operações não tributáveis.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO.
Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada.
MULTA AGRAVADA DE 225%. CABIMENTO.
A existência de intimação específica para prestar esclarecimentos e a comprovação de embaraço à fiscalização enseja a aplicação da multa agravada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE.
A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Configura omissão de receitas a comprovação de pagamentos a fornecedores realizados à margem da contabilidade da empresa. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. A existência de recursos sem a adequada comprovação da origem e do efetivo ingresso do numerário autoriza a presunção da utilização de valores mantidos à margem da contabilidade, o que caracteriza omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. REGISTRO DE RECEITAS EM CFOP INDEVIDO. Devem ser tributadas as saídas de mercadorias com CFOP indevido, mormente quando utilizados códigos de operações não tributáveis. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. MULTA AGRAVADA DE 225%. CABIMENTO. A existência de intimação específica para prestar esclarecimentos e a comprovação de embaraço à fiscalização enseja a aplicação da multa agravada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
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E EXP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Configura omissão de receitas a comprovação de pagamentos a fornecedores realizados à margem da contabilidade da empresa. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. A existência de recursos sem a adequada comprovação da origem e do efetivo ingresso do numerário autoriza a presunção da utilização de valores mantidos à margem da contabilidade, o que caracteriza omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. REGISTRO DE RECEITAS EM CFOP INDEVIDO. Devem ser tributadas as saídas de mercadorias com CFOP indevido, mormente quando utilizados códigos de operações não tributáveis. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. MULTA AGRAVADA DE 225%. CABIMENTO. A existência de intimação específica para prestar esclarecimentos e a comprovação de embaraço à fiscalização enseja a aplicação da multa agravada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 03 71 /2 00 7- 01 Fl. 23355DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 3 2 A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum. Relatório Os autos em debate percorreram um longo percurso até retornarem a este Conselho, de sorte que aproveitamos, pela clareza, excertos do relatório da decisão de primeira instância (fls. 23.254 e seguintes): I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 28.02.2007). (...) II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS Fl. 23356DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 4 3 pagamentos não escriturados; ausência de contabilização de notas fiscais de saída; suprimento de numerário, cuja origem e a efetiva entrega dos recursos não foram comprovados, e classificação indevida de CFOP e redução do valor a tributar. III DA IMPUGNAÇÃO A interessada foi cientificada dos autos de infração no dia 27 de março de 2007 (fl. 198). No dia 26 de abril de 2007 foi apresentada impugnação (fls. 283 a 312), cujo teor, em suma foi: OMISSÃO DE PAGAMENTOS 1) A impugnante alega que não efetivou os pagamentos a que se referem as notas fiscais emitidas em seu nome. Neste particular, é do conhecimento geral que outras empresas utilizamse do nome de terceiros para aproveitar cadastro de empresas com prestígio e, assim, beneficiarse de incentivos concedidos pela SUFRAMA; 2) Ressaltese que várias das mercadorias acobertadas pelas notas fiscais preenchidas com o nome da impugnante nem sequer são comercializadas pela impugnante; 3) Não há qualquer prova de que as mercadorias tenham sido entregues à impugnante; 4) A fiscalização tem o dever de comprovar o que consta na peça acusatória. Neste particular, não existe no nosso ordenamento jurídico previsão legal exonerando a comprovação cabal das infrações suscitadas pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITA 5) Em relação à parte da exação que trata de omissão de receita decorrente do não oferecimento à tributação de receitas classificadas como não decorrentes de vendas, a impugnante alega que nenhum valor deixou de ser oferecido à tributação, razão pela qual a imputação é improcedente; 6) Com efeito, a impugnante procedeu à venda de produtos com destino à Bolívia e os ofereceu à tributação normalmente. Entretanto, dias depois, esses clientes solicitaram nova nota fiscal que lhes desse amparo para providenciar a exportação por meio de Nota Fiscal Série MI; 7) Assim, como as vendas já haviam sido oferecidas à tributação, e para evitar a duplicidade de tributação, os novos documentos fiscais foram classificados como sendo saídas que não representavam vendas; 8) Requer um prazo de vinte dias para apresentar as provas da emissão dos cupons e das notas fiscais indicando os nomes do compradores. Fl. 23357DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 5 4 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO 9) A fiscalização desconsiderou alguns empréstimos nos anos calendário de 2003 e 2004 alegando que não havia provas dessas operações. Entretanto, os recursos efetivamente existiram e, por isso, requer um prazo de 20 dias para juntar os comprovantes. MULTA ABUSIVA 10) A fiscalização alega que a impugnante agiu com evidente intuito de fraude, por isso agravou e qualificou a multa de ofício para 225%. Entretanto, não há nos autos a prova do evidente intuito de fraude, apenas presunções; 11) No que se refere especificamente ao agravamento da penalidade, não há motivo para a imposição porque a impugnante atendeu a fiscalização dentro do prazo possível. Além disso, não há prova de que a impugnante deixou de atender a qualquer intimação. O fato de a impugnante ter respondido as intimações em desacordo com o solicitado pela fiscalização, por si só, não se constitui motivo para o agravamento. JUROS 12) A utilização da taxa SELIC a título de juros é inconstitucional por ofender o Princípio da Legalidade Tributária. A respeito do assunto, o STJ já se manifestou em harmonia com o alegado pela impugnante, conforme reprodução de julgado na peça impugnatória. IV DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA (fls. 375 do Volume 3) Esta Turma de Julgamento, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n° 019.191, de 06 de setembro de 2007, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A confirmação da efetivação de pagamentos a fornecedores com recursos, mantidos à margem da contabilidade autoriza a presunção legal de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. O ingresso de recursos sem a comprovação da operação caracteriza a presunção legal de omissão de receita, mormente quando, na fase litigiosa, o sujeito passivo deixa de apresentar as provas que alega ter. OMISSÃO DE RECEITA. SAÍDAS NÃO REGISTRADAS. A confirmação da saída de produtos mediante a emissão de notas fiscais não escrituradas constituise em omissão de receita, Fl. 23358DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 6 5 sujeitandose o infrator à cobrança do tributo e contribuições sociais acrescidos das penalidades correspondentes. MULTA AGRAVADA Aplicável a multa de oficio agravada uma vez configuradas as circunstâncias previstas no art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Cabível o agravamento da multa, quando comprovado nos autos que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária utilizandose de meios que caracterizam evidente intuito defraude. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua inconstitucionalidade. V DO RECURSO VOLUNTÁRIO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS COM PEDIDO DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU (fls. 393 do Volume 3). Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 393/427, por meio do qual alega, de início, nulidade da decisão de primeiro grau em razão de suposto cerceamento do direito de defesa. Argumenta a Recorrente que, após interpor impugnação, juntou documentos e requereu diligência, mas que, contudo, ao receber a citada documentação, a Delegacia da Receita Federal em Rio Branco não a juntou ao processo. Adita que os julgadores de primeira instância não devem ter tomado conhecimento de correspondência (email) do servidor que detinha a citada documentação, vez que não existe relato acerca do fato na decisão proferida. No que denominou "razões de mérito", a contribuinte renova os argumentos apresentados na peça impugnatória. VI DO VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR, DIRECIONADO À NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU EM RAZÃO DE SUPOSTO CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA (fls. 443 do Volume 3). Irresignada com a decisão prolatada em primeiro grau, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. Que, após interpor impugnação, juntou documentos e requereu diligência, mas que, contudo, ao receber a citada documentação, a Delegacia da Receita Federal em Rio Branco não a juntou ao processo. Adita que os julgadores de primeira instância não devem ter tomado conhecimento de correspondência do servidor Fl. 23359DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 7 6 que detinha a citada documentação, vez que não existe relato acerca do fato na decisão proferida. Creio que tais argumentos mereçam ser acolhidos. O pedido de nulidade é fundamentado na alegação de que restaria comprovado que a emissão de notas com CFOP que não representavam vendas foi feita para evitar duplicidade de tributação, vez que as operações correspondentes já haviam sido lastreadas em cupons fiscais. Na fase impugnatória a contribuinte requereu prazo de vinte dias para juntar a documentação (cópias dos cupons fiscais e das notas fiscais) que, segundo alegou, seria capaz de comprovar as suas alegações. A impugnação foi apresentada em 02 de maio de 2007. A decisão de primeira instância foi proferida em sessão realizada em 06 de setembro de 2007. As fls. 389, identificase correspondência, datada de 06 de agosto de 2007, mantida entre servidor da Delegacia da Receita Federal em Rio Branco e servidor da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por meio da qual o primeiro noticia a existência requerimento da contribuinte no sentido de que fossem anexados à impugnação determinados documentos acomodados em caixas de papelão. A Recorrente juntou ao recurso voluntário cópia da petição (fls. 428/429), cabendo notar que, ali, ela também requereu perícia, motivo pelo qual apresentou quesitos e indicou perito. A Recorrente juntou, ainda, cópias dos Avisos de Recebimento relativos a essa documentação. Conforme se observa às fls. 431/434, a referida documentação foi recepcionada pela Delegacia da Receita Federal em Rio Branco no dia 28 de junho de 2007, antes, portanto, da sessão de julgamento em primeira instância. No que tange especificamente a essa matéria, o voto condutor da decisão de primeiro grau consignou: 13. Para comprovar o alegado, a impugnante demandou a concessão de prazo adicional de 20 dias após a apresentação da peça impugnatória. Entretanto, a peça impugnatória foi postada nos Correios no dia 26 de março de 2007 e já se passaram mais de 150 dias sem que a impugnante apresentasse as provas que alega ter. Assim, permanecem os motivos da autuação. Vêse assim que, como alegado pela Recorrente, a autoridade julgadora, ao que tudo indica, sequer tomou conhecimento da documentação entregue pela Recorrente à Delegacia da Receita Federal em Rio Branco. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de anular a decisão prolatada em primeira instância, para que a Fl. 23360DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 8 7 documentação protocolada pela Recorrente seja apreciada, proferindose, a partir daí, nova decisão. (grifamos) VII DA INFRAÇÃO OBJETO DA NULIDADE DA DECISÃO EM 1A INSTÂNCIA A infração objeto da nulidade foi a classificação indevida de CFOP e redução do valor a tributar. Assim descreve a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração, a respeito da infração supramencionada (fls. 163, 164 e 2002 do volume 2): 2 Análise da Documentação 2.1 Livro de Registro de Entradas, de Saída e de Apuração de ICMS Foram entregues os livros dos anos 2003 e 2004 em meio físico e 2002, 2003 e 2004 em meio magnético. Por amostragem, fizemos uma conferência entre dados constantes dos dois meios e concluímos que não existe divergência entre eles. Do confronto entre os livros citados e o arquivo físico das notas fiscais, elaboramos as Planilhas I, II e III, onde comparamos as receitas declaradas em função dos códigos CFOP. Com base na Tabela I e comparando com o arquivo físico das notas fiscais (anexo VI) fls. 223, detectamos que algumas receitas foram omitidas, utilizandose do artifício de registrála em códigos CFOP indevidos com intuito de omitir receitas da empresa. (grifouse) VIII DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA INFRAÇÃO E A APRESENTADA PELA DEFESA Compulsando os autos verificamos as seguintes documentações relacionadas à Infração objeto da nulidade: 1 Tabela CFPO utilizada pela Empresa ( fl. 168 Volume 02); 2 Planilhas I, II e III Apuração da Omissões de receitas ( fls. 169/181 Volume 02); 3 DIPJ's dos anos calendários de 2002 a 2004 fls. 02 a 192 do anexo I; 4 Cópias dos Livros de Saídas( meio magnético) da Matriz, referente aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004 (fls. 38, 92, 154 do anexo IV); 5 Cópias dos Livros de Saídas (papel) da Matriz, referente aos anos calendários de 2003 e 2004 (fls. 52 e 105 do anexo V); 6 Cópias dos Livros de Saídas (meio magnético) da filial Epitaciolândia, referente aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004 (fls. 38, 92, 154 do anexo IV); Fl. 23361DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 9 8 7 Cópias dos Livros de Saídas ( meio magnético) da Filial Bosque, referente aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004 (fls. 164, 189 e 209 do Anexo VI); 8 Cópias do Livro de Saídas ( papel ) da filial Bosque, referente ao anocalendário 2003 (fls. 03 do anexo V); 9 Cópias do Livro Apuração de ICMS (papel) da Filial Bosque, referente ao ano calendário de 2004. Ademais, o contribuinte anexou os seguintes documentos: 10 Pedido de Perícia e juntada de documentos fiscais que, supostamente comprovam as suas alegações e ralações de notas fiscais do período de 01/2002 a 12/2004 (fls. 454 a 482 do volume 03); 11 Cópias de Notas Fiscais e Cupons Fiscais (fls. 484 a 18.418 Volumes 02 a 92). OUTRAS CONSIDERAÇÕES 1 Não Constam, no presente Processo, cópias do livro de saídas do anocalendário 2002, da Filial Epitaciolândia, e cópias dos Livros de Apuração de ICMS da MATRIZ, e da FILIAL Epitaciolândia, para os anos calendários objetos do lançamento, e dos anos 2002 e 2003 da FILIAL Bosque. Livros estes, mencionados no Item VI 2.1, que respaldaram o lançamento fiscal. 2 Em primeira análise, verificase que a receitas declaradas consideradas pela Fiscalização (Planilhas II e III) para os meses Fevereiro de 2003, Julho de 2004, Agosto de 2004, Setembro de 2004 e Outubro de 2004), estão divergentes das receitas informadas nas DIPJ ( fl. 86, 158, 181, 159, 182, 160, 183, 161 e 184 do anexo I); X DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA DAS PROVIDÊNCIAS Destarte, propõese a realização de diligência, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), modificado pela Lei n° 8.748, de 1993, e do artigo 10 da Portaria MF n° 58, de 2006, para as seguintes providências: a) Encaminhar estes autos à Delegacia de Rio Branco/AC, para prestar as seguintes informações e anexar documentos documentos: a.1) Fazer Demonstrativo, em que constem os CFOP, em que foram constatadas as omissões de receitas, e as respectivas notas fiscais a eles vinculados, mês a mês; a.2) Em função da documentação apresenta pela Impugnante (de fls. 484 a 18.418 dos volumes 03 a 92), informar consubstanciadamente, se as mesmas comprovam as alegações do contribuinte para esta infração analisada; Fl. 23362DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 10 9 a.3) Fazer Planilha, informando os valores lançados e exonerados, mês a mês, em relação à análise do itens a.1 e a.2; a.4) Manifestar em relação ao ítem VIII 2, do Relatório acima; a.5) Anexar as documentações mencionadas no Item VIII1, do Relatório supramencionado; b) Dar ciência ao contribuinte do resultado da diligência; c) Conceder ao impugnante o prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse sobre o resultado da diligência; d) Com o relatório acima referido e, se for o caso, com a manifestação do sujeito passivo, encaminhar o presente processo a esta DRJ para prosseguimento do julgamento administrativo. No intuito de aperfeiçoar a análise, não é excessivo reforçar orientação para que sejam observados os seguintes procedimentos de caráter geral, quando e no que couber: a) Incluir nas intimações que vierem a ser expedidas em razão da diligência, observação no sentido de que as informações prestadas deverão ser apresentadas por escrito, inclusive as razões de eventual não atendimento, ainda que parcial; b) Lavrar despacho de juntada quando da anexação de documentos ao processo; c) Caso sejam juntados documentos ao processo, sem que estejam no original, autenticar as cópias conforme estabelece o parágrafo único do art. 5° do Decreto n. 83.936, de 1979. XI DO RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DA DILIGÊNCIA Tratase de Diligência na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), modificado pela Lei n. 8.748, de 1993, e do artigo 10 da Portaria MF n. 58, de 2006, para as seguintes providências: Fazer Demonstrativo, em que constem os CFOP, em que foram constatadas as omissões de receitas, e as respectivas notas fiscais a eles vinculados, mês a mês; Em função da documentação apresentada pela Impugnante (de fls. 484 a 18.418 dos volumes 03 a 92), informar consubstanciadamente, se as mesmas comprovam as alegações do contribuinte para esta infração analisada; Fazer Planilha, informando os valores lançados e exonerados, mês a mês, em relação à análise dos itens 1 e 2; Manifestarse em relação as receitas declaradas pela Fiscalização para os meses de fevereiro de 2003, julho de 2004, agosto de 2004, setembro de 2004 e outubro de 2004 por Fl. 23363DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 11 10 estarem as mesmas divergentes das receitas informadas em DIPJ; Anexar cópia do Livro Registro de Saídas do ano calendário 2002, da filial Epitaciolândia e as cópias dos Livros Registro de Apuração do ICMS da Matriz e da Filial Epitaciolândia para os anos de 2002, 2003 e 2004 e da Filial Bosque para os anos de 2002 e 2003. Dar ciência ao contribuinte do resultado da Diligência; Conceder ao impugnante prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse sobre o resultado da Diligência; Com o relatório acima referido e, se for o caso, com a manifestação do sujeito passivo, encaminhar o presente processo para a DRJ/Belém para prosseguimento do julgamento administrativo. Conforme solicitado pela DRJ/Belém no item 1, foram confeccionadas Planilhas, as quais seguem anexas a este processo, constando todos CFOP, com as respectivas notas fiscais a eles vinculados mês a mês, sendo nomeadas da seguinte forma: MATRIZ_LRS_2002: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2002 da Matriz; MATRIZ_LRS_2003: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2003 da Matriz; MATRIZ_LRS_2004: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2004 da Matriz; FILIAL_LRS_2002: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2002 da Filial Bosque; FILIAL_LRS_2003: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2003 da Filial Bosque; FILIAL_LRS_2004: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2004 da Filial Bosque; EPITACOLANDIALRS 2003: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2003 da Filial Epitaciolândia; EPITACOLANDIALRS 2004: Saídas por CFOP referentes ao ano de 2004 da Filial Epitaciolândia. A DRJ/Belém, no item 2, solicitou que fosse informado consubstanciadamente se as alegações do contribuinte eram comprovadas pela documentação apresentada pelo mesmo, sendo que, da análise por amostragem dos documentos apresentados, verificouse que, as saídas realizadas com cupons fiscais também tiveram notas fiscais emitidas, tendo sido registradas em mais de um CFOP em seus livros. Fl. 23364DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 12 11 No entanto, conforme informado nas observações finais das PLANILHAS I, II e III, essas duplicidades foram consideradas, não tendo sido lançadas como omissão de receitas, ou seja, as vendas realizadas com cupons fiscais foram registradas nos CFOP 5102 e 6102, para algumas dessas vendas foram emitidas notas fiscais nos CFOP 5929 e 6929, no entanto, os valores destes foram tratados como exclusões, não tendo sido considerados receitas na hora da apuração da base de cálculo. Embora no caso anterior a alegação do contribuinte não tenha sido confirmada, ocorreram erros na apuração da base de cálculo nos casos a seguir enumerados: Não foram excluídas as saídas da Matriz registradas no CFOP 5909, com valor total de R$ 45.740,17, do mês de fevereiro do ano de 2002, embora tais saídas tenham sido citadas no item 7 das observações da PLANILHA I, não foram computadas nas exclusões devidas, sendo comprovado na folha 202 do processo onde se vê o Valor Tributável de R$ 94.139,34, quando o valor correto seria R$ 48.399,17. Não foram excluídas as saídas da Filial 0003 registradas no CFOP 5152, com valor total de R$ 59.482,15, do mês de novembro do ano de 2002, embora tais saídas tenham sido citadas no item 3 das observações da PLANILHA I, não foram computadas nas exclusões devidas, sendo comprovado na folha 202 do processo onde se vê o Valor Tributável de R$ 145.958,68, quando o valor correto seria R$ 86.476,53. 3 Não foram excluídas as saídas da Filial 0003 registradas no CFOP 5152, com valor total de R$ 160.569,75, do mês de novembro do ano de 2004, embora tais saídas tenham sido citadas no item 1 das observações da PLANILHA III, não foram computadas nas exclusões devidas, sendo comprovado na folha 203 do processo onde se vê o Valor Tributável de R$ 201.395,31, quando o valor correto seria R$ 40.825,56. A planilha solicitada no Item 3 das providências a serem adotadas na diligência segue abaixo: Mês/ano lançamento Valor lançado Valor Exonerado Valor Corrigido Justificativa Fevereiro/2002 R$ 94.139,34 R$ 45.740,17 R$ 48.399,17 Conforme item 1 Novembro/2002 R$ 145.958,68 R$ 59.482,15 R$ 86.476,53 Conforme item 2 Novembro/2004 R$ 201.395,31 R$ 160.569,75 R$ 40.825,56 Conforme item 3 No item 4 foram solicitados esclarecimentos sobre as divergências entre as receitas declaradas consideradas nas PLANILHAS II e III para os meses de fevereiro de 2003, julho de 2004, agosto de 2004, setembro de 2004 e outubro de 2004, Fl. 23365DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 13 12 constantes nas folhas de n° 169 a 186 do processo, e as constantes nas DIPJ do anexo 1. Foi constatado que as receitas consideradas como declaradas pela fiscalização foram as que constam nas DACON do contribuinte. No item 5 foi solicitado que fosse anexada cópia do Livro Registro de Saídas do ano calendário 2002, da filial Epitaciolândia e as cópias dos Livros Registro de Apuração do ICMS da Matriz e da Filial Epitaciolândia para os anos de 2002, 2003 e 2004 e da Filial Bosque para os anos de 2002 e 2003, sendo que as cópias foram anexadas no eprocesso conforme solicitado. Nos itens 6 e 7 foi solicitado que o resultado da diligência fosse informado ao contribuinte, sendo dado o prazo de 30 dias para que o mesmo se manifestasse. No dia 28/05/2013 foi emitido o termo Ciência de Resultado de Diligência, do qual o contribuinte tomou ciência no dia 31/05/2013 através do Aviso de Recebimento sz299835940br. Passado o prazo e não tendo o contribuinte se manifestado, entendemos que o mesmo concordou com o resultado encontrado no procedimento de Diligência. Sendo assim, encaminho este Relatório de Diligência para que o mesmo seja enviado a DRJ/Belém e seja dado prosseguimento ao julgamento do processo. Em sessão de 05 de setembro de 2013 a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Belém emitiu nova decisão, na qual por unanimidade considerou procedente em parte a impugnação, ao acatar as informações e cálculos formulados na diligência. Com a ciência da decisão, o Contribuinte interpôs outro Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos anteriores e pugnou, ainda, pela nulidade do acórdão, por cerceamento de defesa, consubstanciado na negativa de perícia. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A recorrente, em preliminar, clama pela nulidade do acórdão de primeira instância, que teria cerceado seu direito de defesa ao negar a realização de perícia, posto que a diligência efetuada pelas autoridades fiscais não teria abordado temas que seriam do seu Fl. 23366DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 14 13 interesse e necessários para provar as alegações relativas à omissão de receitas escrituradas e não tributadas. É certo que o presente processo se arrasta, há anos, especialmente por questões relacionadas à apreciação de documentos. Assim, é inegável que a partir da decisão anterior deste Conselho houve a revisão de todos os lançamentos, mediante diligência realizada pela Delegacia de Rio Branco, que considerou todas as informações trazidas pelo interessado, que também teve, como demonstrado no relatório, diversas oportunidades para se manifestar. Portanto, no que tange à nulidade aduzida, de que houve cerceamento de defesa em razão do indeferimento de perícia, entendo que, nesse sentido, não merece reparos a decisão recorrida, pois é cediço que a perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido, conforme autoriza o artigo 18, do Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 8.748/93: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifamos) Quanto ao mérito, aduz a interessada que, conquanto apareça como compradora nos documentos fiscais acostados aos autos, não efetuou os pagamentos relativos às operações, sob o inusitado argumento de que é sabido que na região em que atua várias empresas se utilizam do nome de outras, por não possuírem prestígio e certidões capazes de permitir os benefícios concedidos pela SUFRAMA. Acaso fosse verídica, a conduta, por si só, revelarseia fraudulenta, pois implicaria a conhecida figura da interposição de terceiros, com implicações para além da mera tributação por omissão de receitas. Todavia, a questão fática foi apreciada pela decisão de primeira instância, que constatou: A respeito da titularidade dos pagamentos atribuídos à impugnante, nos anexos VIII, IX e X constam as informações fornecidas pelas empresas que venderam bens à impugnante para revenda. Junto com os documentos fiscais de venda (notas fiscais), os fornecedores da impugnante confirmaram as datas dos respectivos pagamentos pelos produtos. Algumas empresas anexaram inclusive cópia do boleto em nome da impugnante e outras até mesmo cópia do extrato bancário comprovando o pagamento. Neste particular, a título de exemplo, citamse algumas provas que compõem os anexos VIII, IX e X: folha 80, anexo X (cópia de extrato bancário), folhas 76 a 79, anexo X (duplicatas e extratos bancários), folha Fl. 23367DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 15 14 164, anexo VIII (comprovantes do efetivo recebimento das cargas pela impugnante). Não merece reparos a decisão recorrida, pois os Anexos VII, IX e X realmente comprovam que a empresa efetuou os pagamentos, assim como os fornecedores confirmaram que enviaram os produtos para o seu endereço e receberam o preço avençado. Não se aplica, ainda, a tese de que caberia ao fisco a comprovação dos fatos, até porque os documentos são suficientes para confirmar a omissão de receitas e, nas hipóteses de presunção, ocorre a inversão do ônus probatório, que fica a cargo do contribuinte. Em relação à omissão de receitas por incorreta classificação do CFOP e ao argumento da interessada, de que teria havido tributação em duplicidade, convém destacar que a questão foi objeto de diligência pelas autoridades, que chegaram às seguintes conclusões: A DRJ/Belém, no item 2, solicitou que fosse informado consubstanciadamente se as alegações do contribuinte eram comprovadas pela documentação apresentada pelo mesmo, sendo que, da análise por amostragem dos documentos apresentados, verificouse que, as saídas realizadas com cupons fiscais também tiveram notas fiscais emitidas, tendo sido registradas em mais de um CFOP em seus livros. No entanto, conforme informado nas observações finais das PLANILHAS I, II e III, essas duplicidades foram consideradas, não tendo sido lançadas como omissão de receitas, ou seja, as vendas realizadas com cupons fiscais foram registradas nos CFOP 5102 e 6102, para algumas dessas vendas foram emitidas notas fiscais nos CFOP 5929 e 6929, no entanto, os valores destes foram tratados como exclusões, não tendo sido considerados receitas na hora da apuração da base de cálculo. Embora no caso anterior a alegação do contribuinte não tenha sido confirmada, ocorreram erros na apuração da base de cálculo nos casos a seguir enumerados: Não foram excluídas as saídas da Matriz registradas no CFOP 5909, com valor total de R$ 45.740,17, do mês de fevereiro do ano de 2002, embora tais saídas tenham sido citadas no item 7 das observações da PLANILHA I, não foram computadas nas exclusões devidas, sendo comprovado na folha 202 do processo onde se vê o Valor Tributável de R$ 94.139,34, quando o valor correto seria R$ 48.399,17. Não foram excluídas as saídas da Filial 0003 registradas no CFOP 5152, com valor total de R$ 59.482,15, do mês de novembro do ano de 2002, embora tais saídas tenham sido citadas no item 3 das observações da PLANILHA I, não foram computadas nas exclusões devidas, sendo comprovado na folha 202 do processo onde se vê o Valor Tributável de R$ 145.958,68, quando o valor correto R$ 86.476,53. 3 Não foram excluídas as saídas da Filial 0003 registradas no CFOP 5152, com valor total de R$ 160.569,75, do mês de novembro do ano de 2004, embora tais saídas tenham sido Fl. 23368DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 16 15 citadas no item 1 das observações da PLANILHA III, não foram computadas nas exclusões devidas, sendo comprovado na folha 203 do processo onde se vê o Valor Tributável de R$ 201.395,31, quando o valor correto seria R$ 40.825,56. Não procedem, portanto, os argumentos trazidos pela Recorrente, que contrariam as provas e as análises formuladas nos autos, que acolho integralmente, até porque os valores incorretos foram exonerados pela decisão de primeira instância, que deu provimento parcial ao pleito da empresa. Como não houve qualquer inovação fática ou documental entendo que não assiste razão à Recorrente. Acerca da infração relativa ao suprimento de numerário, aduz o contribuinte, apenas, que os empréstimos efetivamente ocorreram. Conforme já destacado na decisão recorrida, não foram apresentados quaisquer documentos capazes de afastar a infração ou comprovar a pretensão da interessada, razão pela qual mantenho os lançamentos efetuados. Também de maneira sucinta, pugna o contribuinte pela redução das multas aplicadas, cujo percentual básico de 75% foi agravado e qualificado. Entende que não há fundamento para as acusações de dolo e fraude. Sabese que o dolo revelase pelo animus, ou seja, a vontade deliberada de obter determinado resultado, o que, na seara tributária, implica prejuízo ao erário. No caso dos autos percebese que houve a prática reiterada de elidir tributos, durante os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, consubstanciada na falta de registro das compras, que corresponde a pagamentos não declarados no período. Considero, na esteira de outras decisões já adotadas, que a recorrência sistemática, o número de omissões e os montantes envolvidos permitem concluir que o dolo foi evidente, o que enseja a qualificação da infração, conforme previsto no artigo 44 da Lei n. 9.430/96. Já em relação ao agravamento, a previsão consta do § 2º, alínea “a”, do art. 44, da Lei n.º 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art. 44. (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; (...) Penso que para a aplicação do percentual agravado deva existir intimação específica para o contribuinte prestar esclarecimentos, com a apresentação minudente de todos os pontos controversos. Fl. 23369DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11522.000371/200701 Acórdão n.º 1201001.458 S1C2T1 Fl. 17 16 No caso dos autos podemos perceber que existe termo específico (Termo de Solicitação de Esclarecimentos, fls. 101), em que a fiscalização solicita informações e esclarecimentos sobre documentos detalhadamente indicados, o que revela diligência e cuidado na formulação dos quesitos. Somese a isso a demonstração de que grande parte dos documentos não foi apresentada à fiscalização (o que somente ocorreu quando da impugnação, como visto) e podemos concluir que efetivamente ocorreu embaraço aos trabalhos e não atendimento às intimações, com a consequente incidência da hipótese legal. Não houve, no Recurso definitivo, questionamento relativo à SELIC (matéria sumulada neste Conselho), razão pela qual deve ser mantida a sua cobrança, assim como a tributação reflexa de CSLL, PIS e COFINS, pela relação de causa e efeito com os fatos que ensejaram a autuação do Imposto de Renda. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 23370DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10314.005188/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3201-002.105
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Houve sustentação pela recorrente.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento (parcial) para o fatos geradores ocorridos antes da data de 22/07/1999, aplicase a esse período de apuração a regra do art. 150 do CTN. CRÉDITO EXONERADO. Não há retoques na decisão de primeira instância, por conta das dúvidas terem sido sanadas em nível de diligência efetuada pela própria DRJ, com base no Parecer Técnico do Instituto de Pesquisas TecnológicasIPT. Recurso de ofício a que se nega provimento. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação, quando da hipótese, em que ocorre a reclassificação fiscal e a mesma não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Recurso voluntário a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Houve sustentação pela recorrente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 51 88 /2 00 4- 34 Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “A fiscalização da IRF/São Paulo autuou a empresa acima qualificada por considerar que a mesma classificou de forma incorreta os roteadores, switches, firewalls e Servidores de Acesso Remoto, importados mediante as DI´s listadas às folhas 05 a 23. A autuação baseouse exclusivamente nas informações presentes nas soluções de consulta, em nome de outra empresa, cujas cópias encontramse às folhas 509 a 762. Tais consultas determinavam a posição correta que deveria ser adotada pela consulente para os produtos cujos modelos encontramse listados às folhas 04 e 05. Assim, a fiscalização entendeu que a interessada não classificou corretamente os produtos importados, por trataremse de produtos da mesma marca e modelo daqueles analisados nas consultas. Foi então lavrado o auto de infração às folhas 01 a 465 e cobradas as diferenças do II, IPI, seus juros de mora e as multas dos artigos 44 e 45 da lei 9.430/96, do artigo 526, II, do decreto 91.030/85 e a multa prevista no artigo 84, I, da MP 2.158/2001. Em sua impugnação, às folhas 789 a 842, a interessada alega, em suma, que: 1 – todos os roteadores digitais importados possuem velocidade superior a 4 Mbits; Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.005188/200434 Acórdão n.º 3201002.105 S3C2T1 Fl. 2.264 3 2 – não são cabíveis as multas dos artigos 44, I, da lei 9.430/96 e 526, II, do decreto 91.030/85, em razão do que dispõem o ADN COSIT 10/97 e o ADN COSIT 12/97; 3 – o direito de cobrar os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores anteriores à data de 21/07/1999 está decaído; 4 – a simples leitura das soluções de consulta não permite concluir quais as razões de fato e de direito que levaram os pareceristas a recomendar as classificações fiscais informadas no auto de infração. A inadequação fática e jurídica da motivação do auto de infração resulta em cerceamento do direito de defesa da interessada; 5 – as DI´s 01/12521651, 01/11243143 e 01/03059908 já foram objeto de outros autos de infração e devem ser excluídas da presente autuação; 6 – as multas aplicadas na DI 01/1251651 não possuem o valor correto. O IPI, juros e multa calculados na DI 01/11243133 também estão incorretos; 7 – as DI´s 01/12440031, 01/12440040 e 01/12477733 foram classificadas na posição pretendida pelo fisco; 8 – todos os roteadores importados contém Interface serial Ethernet que permite que o roteador opere à velocidade de no mínimo10 Mbits; 9 – além disso, grande parte dos roteadores importados são dotados de outras interfaces seriais que permitem o trabalho à velocidade acima de 4 Mbits, como por exemplo, a interface WIC1T, WIC2T, ESCON e ATM; 10 os equipamentos considerados como Switches pela fiscalização, na verdade, tratamse de aparelhos para comutação e devem ser classificados na posição 8517.30. Tal equipamento não pode ser classificado na posição 8471, como quer a fiscalização, pois não são máquinas automáticas para processamento de dados. Estas devem ter capacidade de rodar um software aplicativo, o que os equipamentos importados não têm. 11 – a mercadoria considerada Servidor de Acesso Remoto foi analisada à época do desembaraço e foi concluído que se tratava de um equipamento que faz a conversão de protocolo TCP/IP para IPX/SPX. Assim, é infundada a reclassificação injustificada do equipamento para outra posição que não a 8471.80.13; 12 – o Firewall é descrito como um roteador no site do fabricante, mas sua função principal é proporcionar segurança e autenticação a uma rede de trabalho impedindo acessos externos indesejados ou maliciosos. Como não há posição específica para Firewall a impugnante classificouos na subposição genérica dos equipamentos mais semelhantes; 13 – as classificações adotadas pela interessada são, em geral, mais específicas que as do Fisco; Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 14 – nos termos do parágrafo único do artigo 100 do CTN, as mudanças de entendimento do Fisco não podem ensejar a aplicação de multa na interessada. No caso dos roteadores digitais AS5300, daqueles equipados com interface serial ATM, dos switches e dos gateways, há manifestações fiscais contrárias às consultas citadas; 15 – a taxa SELIC não se aplica para efeito de cômputo dos juros de mora; 16 – protesta por perícia nos equipamentos em questão, indicando quesitos e o perito. Esta DRJ baixou o processo em diligência para que fossem analisados todos os equipamentos importados ou sua documentação técnica e respondidos os quesitos propostos pela DRJ e pela interessada conforme Resolução às folhas 1167 a 1169. Em resposta foi realizado pelo IPT o Parecer Técnico 12.822301 (folhas 1.299 a 1.402) e seus anexos, onde o IPT identifica cada produto importado, explica as diferenças entre tais produtos e responde os quesitos suscitados na Resolução. Intimada a manifestarse sobre o Parecer Técnico a interessada apresentou resposta às folhas 1.406 a 1.427, alegando, em suma, que: 1 – nos termos do Parecer Técnico do IPT, todos os roteadores analisados apresentam velocidade superior a 4 Mbits, em razão de possuírem interface serial Ethernet; 2 – até o roteador modelo Cisco 3640 referido na DI 00/04018502, que o INT sugere ter velocidade inferior a 4 Mbits, possui duas portas E1 de 2 Mbits cada, o que resulta em uma velocidade total de 4 Mbits; 3 – entende que os aparelhos da família Catalyst são aparelhos de comutação (switching) e devem ser classificados como aparelhos de comutação da posição 8517.30, repetindo o que já foi argumentado em sua impugnação; 4 – o IPT é claro em diferenciar Switches de máquinas automáticas para processamento de dados; 5 – quanto ao SAR, o IPT também atesta que a interessada não importou tal equipamento e confirmou que o equipamento em questão se trata de um “gateway”; 6 – o próprio IPT entende que os Firewalls têm função de roteamento. Assim, a interessada entende que os Firewalls se assemelham muito mais a roteadores do que às máquinas de processamento de dados; 7 – reafirma o entendimento de que as multas dos artigos 526, II, do RA e 44, I, da lei 9.430/96 são indevidas em razão da correta descrição das mercadorias importadas.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1722.220, de 26/12/2007, proferida pelos membros da 2ª Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.005188/200434 Acórdão n.º 3201002.105 S3C2T1 Fl. 2.265 5 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 08/01/1999 a 02/12/2002 DECADÊNCIA.Incabível a exigência de crédito tributário cuja decadência já tenha ocorrido. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Roteadores digitais que atingem a velocidade serial de 4 Mbits/s ou mais, ainda que acompanhados de módulos ou interfaces, conforme disposto em laudo técnico, classificamse na posição 8517.30.62. Os demais que não atingem tal velocidade classificamse na posição 8517.30.69. Equipamentos identificados como LAN SWITCHES devem ser classificados na posição 8471.80.19 por trataremse de unidades de máquinas automáticas para processamento de dados. Impossível sua classificação na posição 8517.30 em razão de não serem utilizados em telefonia ou telegrafia, e sim, em redes locais de computadores. A classificação correta para os equipamentos denominados Firewalls é na posição 8471.80.19 por trataremse de unidades de máquinas automáticas para processamento de dados. Os ADN´s COSIT 10/97 e 12/97 determinam a não aplicação das multas ali elencadas nos casos em que as mercadorias estiverem corretamente descritas e com todos os elementos necessários a sua identificação. Lançamento Procedente em Parte. O julgamento foi procedente em parte, tendo em vista, decadência para os fatos geradores ocorridos antes da data de 22/07/1999 (em 22/07/2004 ocorreu a ciência do Auto de Infração), bem como excluir valores, conforme quadro à fl. 1482, tendo em vista diligência da própria DRJ para sanar dúvidas, conforme Parecer Técnico do Instituto de Pesquisas TecnológicasIPT. Da decisão, a DRJ recorreu de ofício, tendo em vista limite de alçada, do crédito tributário exonerado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória, em relação ao remanescente do crédito tributário (parte não exonerada). Através da Resolução de n° 310200.048, de 17/06/2009, foi baixado em diligência por conta da necessidade de alguns esclarecimentos, por este Conselho. Em 30/09/2014, o recorrente optou por quitar parte do débito objeto do recurso voluntário com os benefícios da lei de n° 11.941/09 (parcelamento), logo, solicitou desistência parcial do recurso voluntário, conforme pleito às efls.1805/1806 ; e conclui que Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 resta para julgamentodébitos exonerados pela primeira instância (recurso de ofício) e a matéria sobre a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações, ou seja, multa por falta de licença de importação, prevista no art. 526, inc. II do RA/1985, quando da reclassificação fiscal, em sede de recurso voluntário. Foi transferido para o processo de n° 15771.720956/201562 o crédito tributário, conforme efls. 21622170, objeto da desistência. O processo foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3201 000550, de 08/12/2015, desta turma do CARF, para constatar a necessidade de qual tipo de controle administrativo para os produtos que estão em discussão (necessidade de licenciamento. Houve o atendimento da demanda acima, às efls 2252 a 2254 (resposta da diligência). O contribuinte solicitou cópia dos autos. O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. Foram distribuídos memoriais, ratificando que resta em discussão (em sede de recurso voluntário), a exigência da multa por infração ao controle das importações prevista no art. 526, inc. II do RA/1985. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A DRJ/São Paulo recorre de ofício. Assim como o presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O litígio referese à reclassificação fiscal dos produtos importados, tais como roteadores digitais, switches, firewall e serviços de acesso remoto, ocorridos, em relação aos fatos geradores dos anos de 1999 a 2002, acrescidos de multa de ofício, de 30% por infração ao controle das importações e de 1% sobre o valor aduaneiro. No entanto, como já comentado no relatório, o contribuinte entrou com o pleito de parcelamento, através do benefícios da lei de n° 11.941/09 e quita, dessa forma, parte dos débitos, logo desistindo parcialmente do recurso voluntário. Restam, portanto, para julgamento, em sede de recurso de ofícioos débitos exonerados pela DRJ (parte que decaiu e parte resultado da diligência junto ao IPT) e no recurso voluntário, a matéria sobre a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações, prevista no art. 526, inc. II do Regulamento Aduaneiro/1985. Visualizese, conforme quadro abaixo, de acordo com a folha 1482: Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.005188/200434 Acórdão n.º 3201002.105 S3C2T1 Fl. 2.266 7 Exigido Mantido Exonerado I.I. R$ 5.185.759,30 R$ 2.349.894,53 R$ 2.835.864,77 Juros de Mora I.I. R$ 3.265.845,75 R$ 1.411.283,62 R$ 1.854.562,13 Multa de Ofício I.I. R$ 3.889.319,48 R$ 1.752.558,80 R$ 2.136.760,68 I.P.I. R$ 427.477,25 R$ 149.583,01 R$ 277.894,24 Juros de Mora I.P.I. R$ 294.919,19 R$ 96.659,18 R$ 198.260,01 Multa de Ofício I.P.I. R$ 320.607,94 R$ 110.461,48 R$ 210.146,46 Multa art. 526, II, RA R$ 8.737.167,23 R$ 3.339.614,54 R$ 5.397.552,69 Multa art 84, MP 2.15835 R$ 954.395,69 R$ 14.143,48 R$ 940.252,21 Total R$ 23.075.491,83 R$ 9.224.198,64 R$ 13.851.293,19 Recurso de Ofício Inicialmente passase a análise do recurso de ofício, tendo em vista crédito exonerado. Ressaltese que não há retoques na decisão de primeira instância, por conta das dúvidas terem sido sanadas em nível de diligência efetuada pela própria. A DRJ de São Paulo baixou o processo em diligência para que fossem analisados todos os equipamentos importados ou a documentação técnica e respondidos os 14 quesitos propostos pela mesma e pela interessada conforme Resolução às folhas 1167 a 1169. Foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT o Parecer Técnico 12.822301 (folhas 1.299 a 1.402) e seus anexos, onde o IPT identifica cada produto importado, explica as diferenças entre tais produtos e responde os quesitos suscitados na Resolução acima mencionada. Passemos aos fatos exonerados: 1) Observase que houve incidência de tributos sobre o mesmo fato gerador, conforme trecho do voto da decisão de primeira instância: A interessada afirma que os créditos tributários decorrentes das DI´s 01/12521651, 01/11243143 e 01/03059908 já haviam sido lançados anteriormente pelo Fisco, resultando em duplicidade de lançamento. Como se vê às folhas 871 a 935, são corretas as alegações da interessada à medida que as três DI´s supra mencionadas foram objeto de autuação na ALF/Aeroporto Internacional de São Paulo e na ALF/Aeroporto Internacional de Viracopos, relativas aos equipamentos listados nas mesmas adições e em datas anteriores aos equipamentos listados na presente autuação. Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 8 É ampla a jurisprudência no sentido de que não se aceita a dupla incidência de tributo sobre o mesmo fato gerador. Assim, considero improcedentes os lançamentos decorrentes da reclassificação dos produtos listados nas DI´s 01/12521651, 01/11243143 e 01/03059908. Endossase a afirmativa acima, excluindo o respectivo crédito tributário, tendo em vista incidência de tributos sobre o mesmo fato gerador. 2) Excetuase a multa prevista no art. 84, da MP 2.1582001 das DI´s 01/12440031, 01/12440040 e 01/12477733, tendo em vista o contribuinte ter realizado a classificação correta, no entanto houve falta de recolhimento, pois indicouse a alíquota à base de 2% e na realidade, a correta alíquota é de 15%, resultado uma diferença de tributos. De acordo com a seguinte explicação abaixo: A interessada também aponta que as DI´s 01/12440031, 01/12440040 e 01/12477733, foram erroneamente incluídas na autuação porque os equipamentos ali importados foram classificados conforme pretende o fisco. Quando se analisa as cópias das DI´s em questão (folhas 936 a 951), percebese nitidamente que as adições mencionadas no auto de infração tratam de roteadores e foram classificadas na posição 8517.30.69, exatamente como pretende o fisco, no entanto a alíquota utilizada para o cálculo do IPI foi de 2% enquanto a alíquota correta seria de 15%. Percebese que o auto de infração nada exige a título de II, à exceção da DI 01/12477733 em que houve falta de recolhimento. Para todas as DI´s foi exigido o IPI devido, seus acréscimos legais e a multa por falta de recolhimento. Mantenho o lançamento no caso destas DI´s exceto pela a cobrança da multa prevista no artigo 84, I, da MP 2.1582001, em virtude do contribuinte ter indicado a correta posição fiscal para a mercadoria. Também, endossase a afirmativa acima, excluindo o respectivo crédito tributário referente à multa prevista no art. 84, da MP 2.1582001 das DI´s 01/12440031, 01/12440040 e 01/12477733. 3) Quanto aos roteadores, um dos motivos cruciais da DRJ ter baixado o processo em diligência para que o IPT verificasse detalhadamente a composição de cada um dos equipamentos importados e determinasse a velocidade que cada conjunto (roteador + eventual interface ou módulo) a que poderia atingir, para fins de decisão da classificação fiscal, onde se observa toda a explicação e conclusão: Foi elaborada a planilha às folhas 1.363 a 1.375. Nesta planilha o INT aponta cada equipamento importado e quantas interfaces o acompanham, discriminando a velocidade (taxa de transmissão) de cada um destes conjuntos. Desta forma, resta claro que as interfaces Ethernet, apesar de utilizarem transmissão do sinal serial, são consideradas interfaces de rede e não devem ser confundidas com o conceito básico de interface serial conforme supra transcrito. Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.005188/200434 Acórdão n.º 3201002.105 S3C2T1 Fl. 2.267 9 Assim, todos os roteadores listados no Anexo A do laudo técnico, cuja velocidade da interface serial atinja 4 Mbits/s ou mais, exceto aqueles considerados interfaces de rede, foram considerados como corretamente classificados na posição 8517.30.62 e o lançamento relativo a estes equipamentos foi considerado improcedente. Também, endossase a afirmativa acima, excluindo o respectivo crédito tributário para os roteadores listados no Anexo A do laudo técnico, cuja velocidade da interface serial atinja 4 Mbits/s ou mais, exceto aqueles considerados interfaces de rede que estão corretamente classificados. 4) Quanto aos Servidores de Acesso Remoto, percebese que o laudo técnico foi taxativo em informar que nenhum dos equipamentos importados se trata de servidor de acesso remoto, verificase, pois: Segue informando (folhas 1.354 e 1.358) que a única referência a serviço de acesso remoto aparece nas funções dos roteadores CISCO 2600, no entanto, informa que a funcionalidade predominante nesses aparelhos é o roteamento. Além disso, o laudo técnico inclui os equipamentos AS 5300 e AS 5400 no Anexo A, identificandoos como roteadores (DI´s 00/00416244, 00/07722626 e 02/01633994). Desta forma, ainda que importados equipamentos de mesma marca e modelo que aqueles objeto de solução de consulta, não foi possível comprovar que os equipamentos importados possuíam as características daqueles descritos na consulta. Por não trataremse de servidores de acesso remoto, conforme taxativamente alegou o laudo do IPT, não é correta a reclassificação dos equipamentos em questão para a posição tarifária que os abriga. Dessa forma, excluise o crédito tributário referente à reclassificação desses equipamentos, por não se tratarem de servidores de acesso remoto. 5) Quanto às multas indicadas, verificase que, sempre que a mercadoria importada estiver corretamente descrita e contendo todos os elementos necessários à sua identificação, desde que não haja dolo ou máfé, sobre tal mercadoria não pode ser aplicada a multa em questão. Ratifico o decidido pela decisão de primeira instância, quando afirma que nos casos das DI´s que ampararam a importação das partes e peças e que nos termos do ADN COSIT 10/1997, torna improcedente a aplicação das multas decorrentes. Já com relação aos Firewalls, a recorrente assim os descreveu: “equipamento para segurança/proteção de redes corporativas, unidade modelo CISCO PIX Firewall 525”. Percebese que todos os elementos necessários para sua identificação encontramse presentes. A mesma informou trataremse de Firewalls e ressaltou que os equipamentos seriam utilizados em redes corporativas. Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 10 Logo, por estar corretamente descrito e com todas as informações necessárias para sua correta identificação, é improcedente a aplicação da multa em questão, com base no ADN COSIT 10/97, nos casos dos equipamentos Firewall. Quanto à multa por falta de licenciamento, ou seja, a multa prevista no artigo 526, II, do Decreto 91.030/85 também deve ser exonerada no caso dos Firewalls e partes e peças dos Switches, aplicandose o ADN COSIT 12/97. Em sendo assim, não há reparo a decisão de primeira instância. Por todo o exposto, não há como discordar da exclusão dos valores apontados, resultado da diligência junto ao IPT., logo, nego provimento ao recurso de ofício. 6) E por derradeiro, quanto a questão da decadência A decadência do direito de efetuar o lançamento é tratada nos arts. 150 e 173 do CTN. O primeiro deles assim prescreve: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal norma, ao estabelecer o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, reduziu o limite de atuação do Fisco, estabelecido, de forma genérica, também pelo Código Tributário Nacional, no dispositivo abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.005188/200434 Acórdão n.º 3201002.105 S3C2T1 Fl. 2.268 11 Verificase que, ao estabelecer um prazo mais curto para a constituição do crédito tributário, o legislador pressupôs pagamento prévio, o qual daria ao Fisco conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte. Assim, a antecipação do pagamento é condição essencial para haver homologação. Esse é o fato positivo que, uma vez conhecido da administração tributária, move a autoridade a iniciar os eventuais procedimentos a fim de aferir a satisfação da obrigação principal. Concluise, portanto, que apenas sujeitamse às normas aplicáveis ao pagamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. No caso, houve parcial pagamento, portanto, o prazo decadencial passa a ser regido pelas disposições do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Essa matéria sujeita ao recurso de ofício resumese a questão já sumulada, inclusive, guardadas as proporções, ou seja, regese a decadência pelo prazo do artigo 150, § 4º do CTN , por conta de pagamento, mesmo que parcial. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Portanto, como o período de apuração compreende 08/01/1999 a 02/12/2002; a ciência do lançamento deuse em 22/07/2004, logo, todo e qualquer fato gerador ocorrido anteriormente à data de 22/07/1999, não pode ser alvo de qualquer cobrança administrativa por parte da União em razão de estar decaído seu direito de fazêla. Portanto, negase provimento ao recurso de ofício nesta parte. Recurso Voluntário Como relatado, resta em sede de recurso voluntário, a análise sobre a multa do art. 526, inc. II do RA/85. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente, motivo do pedido da diligência solicitada. A fiscalização respondeu dessa forma, através da diligência solicitada: NCM 8471.80.19 Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 12 A NCM 8471.80.19 foi suprimida de acordo com a alteração da Nomenclatura dada pela Resolução CAMEX nº 43, de 22 de dezembro de 2006. Portanto, não é possível a consulta no Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações do site da Receita Federal. O único Tratamento específico para essa NCM encontrado foi o tratamento Tributário de alíquotas ad valorem de 4% do Imposto de Importação incidentes sobre os EX 701 e 702, conforme Resolução CAMEX nº 06, de 22 de março de 2001. NCM 8473.30.49 Conforme pesquisa realizada no Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações do site da Receita Federal (Figura 1), os tratamentos administrativos encontrados foram: 1) MATERIAL USADO Se mercadoria for usada, sujeita à anuência do MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIA E COMERCIO EXTERIOR 2) DESTAQUE DE MERCADORIA Se o destaque de NCM for igual a 555 (PRODUTO AMPARADO INCISO V ART.4 DEC.5171/04.), mercadoria sujeita à anuência do MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIA E COMERCIO EXTERIOR NCM 8517.30.69 A NCM 8517.30.69 foi suprimida de acordo com a alteração da Nomenclatura dada pela Resolução CAMEX nº 43, de 22 de dezembro de 2006. Portanto, não é possível a consulta no Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações do site da Receita Federal. O único Tratamento específico para essa NCM encontrado foi o tratamento Tributário de alíquotas ad valorem de quatro por cento do Imposto de Importação incidentes sobre os EX 701 e 702, conforme Resolução CAMEX nº 06, de 22 de março de 2001. Então, observase que as mercadorias classificadas sob os códigos NCM 8471.80.19 e 8517.30.69 possuíam tratamento tributário administrativo específico unicamente em relação à alíquota do IIImposto de Importação (EX), portanto, não tem que se falar em sujeição ao licenciamento prévio e não automático. E, por fim, quanto às mercadorias classificadas no código NCM 8473.30.49, as hipóteses trazidas que ensejam a prévia anuência do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior não se aplicam ao caso, pois não se trata de "material usado”. Da mesma forma, as importações foram realizadas entre1999 e 2002, portanto, antes do Decreto nº 5.171, de 06/08/2004, que deu origem ao “destaque igual a 555”, logo esse destaque não é aplicável ao caso concreto. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.005188/200434 Acórdão n.º 3201002.105 S3C2T1 Fl. 2.269 13 Então, a Portaria SECEX n° 21/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador, preceituava que: Art. 7° O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. [...] Art. 8° Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. [...] Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Pelo exposto, averiguase que a matéria diz respeito, tão somente, à divergência quanto à sua classificação fiscal, e considerando que a recorrente efetuou as respectivas importações devidamente autorizadas, sem licenciamento prévio e não automático, não há que se aplicar a multa, originalmente capitulada no artigo 526, inciso II, do RegulamentoAduaneiro de 1985, vigente à época do fato gerador. Em assim sendo, descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Na mesma linha de entendimento, cabe destacar a ementa do acórdão CSRF 930301.567, de 06/07/2011, de relatoria de Henrique Pinheiro Torres, que comungo do mesmo juízo, nos termos abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/05/1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE O prosseguimento do recurso especial de divergência pressupõe a demonstração de dissídio jurisprudencial acerca da matéria recorrida, mediante indicação e apresentação de cópia da decisão divergente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/05/1999 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 14 Recurso Especial do Contribuinte Parcialmente Conhecido e, na Parte Conhecida, Provido. Conclusão Logo, com a reclassificação fiscal, as mercadorias não estavam sujeitas ao licenciamento prévio e não automático, descabendo a aplicação da multa ao controle das importações (art. 526, inc. II do RA/85). Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15504.723825/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
O Laudo Oficial juntado aos autos demonstra que o recorrente é portador de moléstia grave prevista na legislação vigente, fazendo jus a isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O Laudo Oficial juntado aos autos demonstra que o recorrente é portador de moléstia grave prevista na legislação vigente, fazendo jus a isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 38 25 /2 01 4- 14 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, nos termos do relatório e voto. Maria Cleci Coti Martins Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 15504.723825/201414 Acórdão n.º 2401004.369 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 31/03/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2013, AnoCalendário 2012, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 118.958,14 (cento e dezoito mil, novecentos e cinquenta oito reais e quatorze reais), recebidos pelo titular. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pelo contribuinte, foi juntado aos autos Laudo Pericial emitido pela junta médica da Polícia Militar do Estado de Minas Gerias (fls. 9), dispondo que o contribuinte é portador de Glaucoma. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos em razão do reconhecimento da sua incapacidade por Laudo Médico de Órgão Oficial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “da PMMG, não se fez constar nos campos próprios a denominação de doença utilizada pelo legislador e aduzida na impugnação: “CEGUEIRA”. No caso em concreto, o laudo só informa ser o interessado portador de glaucoma, deixando de relacionar, nos campos próprios, esse mal à suposta cegueira, que seria uma das moléstias descritas na legislação. O documento para efeito de comprovar a doença deve expressar de forma indubitável que o paciente é portador da doença que lhe geraria a isenção pleiteada, o que não contém aquele laudo..” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que o acórdão recorrido não se atendou ao CID indicado no Laudo Pericial. O atestado constatou que o recorrente é portador de doença Glaucoma CID H40.1 + H54.1 (cegueira em um olho e visão subnormal em outro), desde janeiro de 1999, fazendo jus a isenção. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 16/07/2014, conforme AR às fls. 31, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 13/08/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis no valor de no valor de R$ 118.958,14 (cento e dezoito mil, novecentos e cinquenta oito reais e quatorze reais), recebidos de Pessoa Jurídica indevidamente declarados como isentos ou não tributáveis, em razão da inexistência de comprovação da moléstia grave, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 19 de dezembro de 2004, determinam: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 15504.723825/201414 Acórdão n.º 2401004.369 S2C4T1 Fl. 4 5 Nesse sentido, o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia grave fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Confirase: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia grave e natureza específica do rendimento, qual sejam, provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Inexistindo dúvida acerca da natureza específica do rendimento, provenientes de aposentadoria, fazse necessário a análise acerca da moléstia grave que acomete o recorrente. Verificase que o cerne da controvérsia em questão é a possibilidade de isenção do Imposto de Renda do contribuinte portado de Glaucoma CID H40.1 + H54.1. Atenta aos argumentos trazidos em sede de Recurso Voluntário verificouse que no atestado apresentado existe a indicação de dois CIDs distintos, quais sejam: CID H40.1 + H54.1, conforme ressaltado na irresignação do contribuinte. Em vasta pesquisa foi possível confirmar que o CID H 54.1 tratase de Cegueira em um olho e visão subnormal em outro, conforme afirmado pelo Recorrente na peça recursal. Nesse tocante, importante ressaltar, que a jurisprudência desse egrégio Conselho encontrase pacificada no sentido de que a cegueira monocular é suficiente para concessão da isenção. Recordese: “RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo”. (Acórdão nº 2201003.016, processo nº 11853.720278/201496, Relator(a) CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, j. em 10/03/2016) “RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, o que implica reconhecer o direito ao benefício isentivo àquele acometido de cegueira parcial." (Acórdão nº 2202003.195, processo nº 13854.720298/201482, Relator(a) JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, j. em 18/02/2016) Assim, não resta dúvida sobre o direito do recorrente a isenção, pois os proventos são decorrentes de aposentadoria e o Laudo Oficial acostado aos autos demonstra que o recorrente esta acometido de moléstia grave previstas nos incisos XIV e XXI, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 19 de dezembro de 2004. Por todo o exposto, em razão da documentação anexada comprovar que o recorrente é portador de moléstia grave e seus rendimentos são oriundos de aposentadoria, faz jus a isenção prevista no artigo 6ª da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003780/2009-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/07/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.733
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/07/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 37 80 /2 00 9- 06 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 188 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3102001.988. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 189 3 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 190 4 induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 191 5 Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 192 6 declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 193 7 destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 194 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 195 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 196 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 197 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 9303003.733 CSRF‐T3 Fl. 198 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10735.001696/00-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1995 a 31/12/1995
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESSEMELHANÇA DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. INOCORRÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se conhece do Recurso Especial de Divergência quando não demonstrada a divergência de interpretação da legislação tributária regimentalmente exigida para fins de sua interposição, dada a dessemelhança das situações fáticas controvertidas no acórdão recorrido e nos paradigmas.
Numero da decisão: 9303-004.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que o conhecia.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que o conhecia. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESSEMELHANÇA DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. INOCORRÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se conhece do Recurso Especial de Divergência quando não demonstrada a divergência de interpretação da legislação tributária regimentalmente exigida para fins de sua interposição, dada a dessemelhança das situações fáticas controvertidas no acórdão recorrido e nos paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que o conhecia. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator e Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 16 96 /0 0- 42 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10735.001696/0042 Acórdão n.º 9303004.199 CSRFT3 Fl. 802 2 de Julgamento do CARF, que dera provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração relativo à Cofins, em razão do fato de que o contribuinte havia aderido a programa de parcelamento (Programa de Recuperação Fiscal Refis Lei n° 9.964/2000), englobando os valores controvertidos nestes autos, anteriormente à constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício. De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, após o início da ação fiscal, mas antes da lavratura do auto de infração, o contribuinte aderira ao Refis com o intuito de efetuar o pagamento da Cofins devida no anocalendário de 1995, de forma atualizada e sobre as bases majoradas, cumulada com multa de oficio à razão de 75% e juros mediante aplicação da taxa do Selic. Segundo o redator designado do referido voto, "o fato de estar em curso ação fiscal, que legalmente retira a espontaneidade do sujeito passivo (art. 138, do CTN), não impediu que o sujeito passivo realizasse a confissão de dívida veiculando o parcelamento, e, acertadamente, declarandose devedor da penalidade pecuniária de 75%, a título de multa de ofício, ao invés de 20% meramente moratória", ressaltandose "que o pedido de parcelamento importa em confissão de dívida e enseja a constituição do crédito tributário para todos os efeitos, nos termos do art. 33, § 7º da Lei 8.212/91 e alterações" (fl. 593, que corresponde à fl. 754 do processo digitalizado). Ainda de acordo com o mesmo voto, "sendo o Parcelamento uma forma de confissão de dívida, em que o sujeito passivo procede a constituição válida do crédito tributário em favor da Administração, tal e qual se dá nos "autolançamentos" objeto de DCTF, GIA, DFIP, em que a Lei atribua o efeito de "confissão de dívida", é certo que enquanto o contribuinte esteja quitando regularmente o parcelamento assumido, a constituição posterior, via Auto de Infração, constitui em duplicidade de lançamento, devendo ser cancelado aquele que era desnecessário, no caso o segundo." (fl. 594, que corresponde à fl. 756 do processo digitalizado) A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no recurso especial ao qual o Presidente da Câmara deu seguimento, pleiteia a reforma do acórdão recorrido, arguindo, com base no § 2º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente1, que o parcelamento realizado pelo contribuinte implica em desistência do seu recurso administrativo, acarretando o seu não conhecimento, uma vez que referida conduta indica a concordância do sujeito passivo com a exigência fiscal. Cientificado do recurso especial da PGFN, o contribuinte, tempestivamente, apresenta contrarrazões e requer o não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, em razão da inexistência de divergência jurisprudencial ou pela falta de impugnação dos fundamentos decisórios, considerando a impossibilidade de se lançarem de ofício os mesmos valores inseridos em programa de parcelamento. Destacou o contribuinte que, nos acórdãos paradigmas indicados pela PGFN, controverteuse sobre a adesão a programa de parcelamento no curso do processo administrativo fiscal, o que, inexoravelmente, implicava em desistência do enfrentamento do 1 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10735.001696/0042 Acórdão n.º 9303004.199 CSRFT3 Fl. 803 3 lançamento de ofício, enquanto que, nestes autos, a adesão ao Refis se dera quando não havia qualquer procedimento administrativo instaurado, pois sequer havia sido lavrado auto de infração. Nesse sentido, ainda de acordo com o contribuinte, tendo havido confissão de dívida por meio da adesão ao parcelamento, englobando a contribuição, os juros e a multa de ofício, constituiuse o crédito tributário, não se justificando o lançamento de ofício em momento posterior para a mesma finalidade. Além disso, argui o contribuinte que a PGFN não atacou o fundamento da decisão recorrida referente ao caráter de confissão de dívida da adesão ao parcelamento, fundamento esse que também não fora enfrentado nos acórdãos indicados como paradigmas. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme acima relatado, controvertese, nesta instância, sobre o lançamento de ofício realizado em momento posterior à adesão do sujeito passivo a programa de parcelamento (Refis Lei n° 9.964/2000), englobando os valores lançados (inclusive a multa de ofício de 75%), considerandose a perda de espontaneidade em face da ciência anterior do início da ação fiscal. Para análise da matéria, mister se torna verificar a sua disciplina na legislação de regência, o que se faz na sequência. De acordo com art. 3º, inciso I, da Lei nº 9.964/2000, que instituiu o programa de parcelamento ao qual o contribuinte aderiu, a opção pelo Refis sujeitava a pessoa jurídica à confissão irrevogável e irretratável dos débitos fiscais por ela indicados. Eis o teor do referido dispositivo: Art. 3o A opção pelo Refis sujeita a pessoa jurídica a: I – confissão irrevogável e irretratável dos débitos referidos no art. 2o; (...) Art. 5º (...) § 1o A exclusão da pessoa jurídica do Refis implicará exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e ainda não pago e automática execução da garantia prestada, restabelecendose, em relação ao montante não pago, os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. (g. n.) Fl. 803DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10735.001696/0042 Acórdão n.º 9303004.199 CSRFT3 Fl. 804 4 Conforme se verifica dos dispositivos legais supra, ao aderir ao programa de parcelamento, a pessoa jurídica confessava de forma irrevogável e irrefutável os débitos declarados, situação essa que remanescia mesmo após eventual exclusão do programa. No âmbito da legislação processual administrativa, o art. 78, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (que corresponde ao mesmo artigo do atual RICARF, este aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), assim dispõe: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (g. n.) Conforme se verifica do caput do art. 78 supra, a regra nele insculpida se refere aos recursos em tramitação, independentemente da fase processual em que se encontrem, devendo o § 2º, que trata da desistência do recurso em razão do parcelamento e/ou da confissão de dívida, ser interpretado em consonância com o comando contido no caput, uma vez que os parágrafos de um artigo constituemse em subdivisões do assunto tratado no caput, dado que este é o centro orbital do artigo. Dessa forma, o pedido de parcelamento e/ou a confissão irretratável de dívida de que cuida o § 2º supra, em decorrência dos quais se tem por configurada a desistência do recurso, são aqueles formulados durante a fase processual administrativa, quando eventuais recursos já se encontram em tramitação, situação essa não condizente com os presentes autos, pois aqui, conforme acima apontado, houve a adesão ao parcelamento, incluindo os mesmos valores que vieram a ser objeto do lançamento de ofício (inclusive da multa de ofício), antes da lavratura do auto de infração. O fato de a adesão ao parcelamento ter se dado após o início da ação fiscal não desfigura esse quadro, pois, quando do lançamento de ofício, o crédito tributário respectivo já se encontrava constituído por meio da confissão irrevogável e irretratável dos respectivos débitos, inclusive, repitase, da multa de ofício de 75%. Não se pode perder de vista que o procedimento de apuração do crédito tributário, ou seja, a fase investigativa que precede o lançamento de ofício, não se insere na fase processual administrativa propriamente dita, conforme se extrai do art. 14 do Decreto nº 70.235/1972 (que disciplina o processo administrativo fiscal), segundo o qual a fase litigiosa do procedimento fiscal, ou seja, a sua fase processual, se instaura com a impugnação2, e é essa fase que se encontra regida pelo RICARF, não se referindo as regras do Regimento a atos praticados anteriormente à instauração do litígio administrativo. 2 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10735.001696/0042 Acórdão n.º 9303004.199 CSRFT3 Fl. 805 5 Nesse contexto, concluise que a situação fática destes autos não se amolda ao regramento supra referenciado, pois não se refere à desistência de um eventual recurso em tramitação na fase processual administrativa. No recurso especial, a Fazenda Nacional indica como paradigmas dois acórdãos prolatados por turmas distintas deste CARF, mas versando sobre situações fáticas distintas da presente nestes autos. Diante do teor das ementas dos paradigmas transcritas no recurso especial, bem como de partes dos respectivos votos condutores referenciados nas contrarrazões, constatase que, tanto no paradigma nº 10512.959, de 19/10/1999, quanto no paradigma nº 180300.160, de 26/08/2009, houve desistência do recurso voluntário mas em razão da adesão a parcelamento efetivada durante a tramitação do processo administrativo, situação fática essa diversa da presente nestes autos. Considerando as disposições do art. 67 do Anexo II do RICARF, que delimitam os pressupostos à interposição do recurso especial de divergência, é possível verificar que, tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, conforme ocorre no presente caso, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação divergente da legislação, decorrendo elas, em verdade, de situações fáticas dessemelhantes, não havendo que se falar em divergência jurisprudencial. Dessa forma, voto por não conhecer do Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, em razão da falta de demonstração da divergência jurisprudencial regimentalmente exigida, dada a dessemelhança das situações fáticas controvertidas no acórdão recorrido e nos paradigmas É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 805DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722523/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA DE MELLO MONTEIRO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 25 23 /2 01 4- 77 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10183.722523/201477 Acórdão n.º 2401004.391 S2C4T1 Fl. 79 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1269.520 (fls. 52/54): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DESPESAS MÉDICAS DEDUTÍVEIS. PRÓPRIAS. DEPENDENTES. Em regra, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto são exclusivamente as próprias dos contribuintes e as de seus dependentes, assim informados na respectiva declaração de ajuste anual. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Uma vez não comprovado com documentos hábeis que a contribuinte era a única beneficiária do plano de saúde, embora tenha sido expressamente intimada a fazêlo no decorrer do procedimento fiscal, e tendo em vista o elevado valor mensal descontado em folha de pagamento e a ausência de dependente em sua declaração de rendimentos, há de se manter a infração de dedução indevida de despesas médicas. Impugnação Improcedente 2. Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/074866815824548, relativa ao anocalendário 2012, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 26.823,45 (fls. 41/46). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 7/5/2014, às fls. 47, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4). 4. Intimada em 18/11/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 57/59, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 16/12/2014 (fls. 61/62). Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10183.722523/201477 Acórdão n.º 2401004.391 S2C4T1 Fl. 80 3 4.1 Reafirma a recorrente que os pagamentos relativos ao seguro saúde nº 76397 0000 0007 1012, incluídos na DAA/2013, anocalendário 2012, no valor de R$ 26.823,45, são referentes a Maria de Mello Monteiro da Silva. 4.2 Com o propósito de comprovar tal alegação, trouxe à colação uma declaração fornecida pela Sul América Companhia de Seguro Saúde, a qual elucida, em seu ponto de vista, que a única beneficiária do plano de saúde é a contribuinte. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10183.722523/201477 Acórdão n.º 2401004.391 S2C4T1 Fl. 81 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) 7. A acusação fiscal justificou a glosa dos pagamentos informados na DAA/2013, anocalendário 2012, por falta de comprovação das despesas médicas, nos termos abaixo transcritos, "in verbis" (fls. 44): "Em relação ao plano de saúde SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A, o documento juntado não foi emitido pela operadora do plano de saúde e não foi confirmado via dmed." Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10183.722523/201477 Acórdão n.º 2401004.391 S2C4T1 Fl. 82 5 8. Na impugnação, a contribuinte alegou que não conseguiu obter o comprovante diretamente da Sul América Seguro Saúde S/A, apresentando apenas declaração emitida pela fonte pagadora dos rendimentos, e cópias de contracheques. 8.1 Tendo em conta os valores elevados de descontos mensais em folha de pagamento a título de pagamento do plano de saúde e que a declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte ao Fisco, relativa ao anocalendário 2012, não continha informação sobre dependentes, para efeito do imposto sobre a renda, houve a manutenção da glosa pela decisão de piso. 8.2 Segundo o colegiado "a quo", a documentação acostada aos autos não se revelava suficiente para demonstrar que o montante total das despesas médicas referiase, exclusivamente, à própria contribuinte. 9. Na fase recursal do contencioso administrativo, a recorrente trouxe ao processo uma declaração do plano de saúde, contendo informações para efeitos do imposto sobre a renda, anocalendário 2012 (fls. 71). 9.1 Desde o primeiro momento, a contribuinte vem alegando ser a única beneficiária do plano de saúde. Do extrato emitido pela Sul América Seguro Saúde S/A, relativo ao seguro saúde nº 76397 0000 0007 1012, consta tão somente a informação do titular, não se fazendo qualquer alusão a eventuais outros participantes. 10. Como salientado pela decisão de piso, os valores pagos mensalmente são altos, ou, na minha visão, não são valores baixos, pois variáveis entre R$ 2.000,00 a 2.500,00, o que poderia significar pagamentos relacionados a dependentes da contribuinte junto ao referido plano de saúde. 10.1 Nos casos decorrentes de glosa das despesas médicas pela fiscalização devido à falta de apresentação da documentação comprobatória, como ora se cuida, é lícito ao julgador solicitar elementos adicionais para firmar sua convicção sobre os fatos alegados, sem que a exigência na fase do contencioso administrativo caracterize uma inovação na motivação do lançamento. 10.2 Certamente, a apólice e/ou contrato estabelecido com o plano de saúde reforçaria o convencimento do julgador sobre a questão controvertida, identificandose pontos convergentes e/ou divergentes, até porque a recorrente sustenta que o tipo de plano escolhido, aliado à idade do beneficiário, justifica o valor mensal. 11. Por outro lado, não é desconhecido do cidadão comum que os planos de saúde no país, relativamente a beneficiários na faixa etária a partir de 60 (sessenta) anos, se apresentam com valores elevados, muitas vezes até abusivos. 11.1 Na hipótese em apreço, tratase de uma senhora nascida no ano de 1950 e, portanto, com 62 (sessenta e dois) anos de idade na época dos pagamentos realizados para o plano de saúde (fls. 36). Daí porque o montante de R$ 2.000,00/2.500,00, tendo em vista a experiência do cotidiano deste julgador, não me parece flagrantemente exagerado ou desproporcional. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10183.722523/201477 Acórdão n.º 2401004.391 S2C4T1 Fl. 83 6 12. Assim, em minha avaliação, inexistem outros beneficiários do plano de saúde, como afirmado pela contribuinte, senão o titular do plano, ora recorrente. 13. Bem se sabe que os extratos para fins de imposto sobre a renda são emitidos, via de regra, pelas empresas de saúde contendo em seu corpo, discriminadamente, a lista dos respectivos beneficiários. 13.1 Logo, a meu ver, cogitar a existência de outros beneficiários, sem indícios plausíveis de irregularidades, resulta certamente em suposições indevidas e prejudiciais à própria empresa de saúde, o que não se coaduna com o princípio geral de direito, aceito universalmente, que a boafé deve ser presumida, ao passo que a máfé provada pelo interessado. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer as deduções a título de despesas médicas no importe de R$ 26.823,45, tornando insubsistente a alteração efetuada na declaração da contribuinte relativa à DAA/2013, anocalendário de 2012. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10980.726891/2011-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA EM PARTE.
Tratando o recurso especial de duas ou mais matérias, o mesmo só deve ser conhecido na parte em que devidamente comprovada a divergência jurisprudencial, requisito indispensável ao processamento do apelo.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. COMPETÊNCIA DO CARF.
A manifestação acerca da natureza do vício que ensejou a nulidade do auto de infração, se formal ou material, é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial conhecido em parte e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 9303-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento, determinando o retorno dos autos ao órgão julgador "a quo" para se manifestar sobre a natureza do vício de nulidade.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA EM PARTE. Tratando o recurso especial de duas ou mais matérias, o mesmo só deve ser conhecido na parte em que devidamente comprovada a divergência jurisprudencial, requisito indispensável ao processamento do apelo. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. COMPETÊNCIA DO CARF. A manifestação acerca da natureza do vício que ensejou a nulidade do auto de infração, se formal ou material, é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial conhecido em parte e, na parte conhecida, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento, determinando o retorno dos autos ao órgão julgador "a quo" para se manifestar sobre a natureza do vício de nulidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 68 91 /2 01 1- 56 Fl. 95655DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.656 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3403002.566 (fls. 95.535 a 95.549) proferido pela 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 24/10/2013, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e não conhecer do recurso de ofício, por unanimidade, para decretar a nulidade do lançamento por ausência de demonstração da matéria tributável, o que implicaria cerceamento do direito de defesa, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. É ônus da autoridade lançadora a demonstração da matéria tributável, por meio de demonstrativos claros e precisos, sob pena de decretação da nulidade do lançamento quando a sua falta implica cerceamento do direito de defesa. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado Na data de 16/01/2012, a Contribuinte foi cientificada da lavratura de Auto de Infração (fls. 93.372 a 93.457) para exigência de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) referente ao período de janeiro/2007 a dezembro/2008. O lançamento decorre de irregularidades apuradas pela Fiscalização da DRF/CTA no estabelecimento industrial da Bayonne Cosméticos Ltda, descritas no relatório do acórdão recorrido: [...] a) creditamento indevido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio contribuinte, com CFOP 1.926 – Lançamento efetuado a título de reclassificação de mercadoria Fl. 95656DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.657 3 decorrente de formação de kit ou de sua desagregação, no valor de R$ 2.485.368,95; b) falta de escrituração de débito, no valor de R$ 377.032,19, constatada a partir do cotejo do imposto destacado nas notas fiscais de saída com os débitos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI; c) falta de declaração, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF respectiva, de débitos do imposto no valor de R$ 79.722,86, referentes mês de janeiro de 2008, escriturados no Livro RAIPI; d) lançamento a menor do imposto por erro de classificação fiscal na saída os seguintes produtos: [...] e) lançamento a menor do imposto por erro de alíquota na saída os seguintes produtos: [...] e) saída de produtos sem emissão da nota fiscal correspondente, caracterizada pela emissão de nota fiscal de saída com CFOP 5926 lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de perda industrial, ao arrepio das normas que regulam a matéria: [...] f) saídas de produtos do estabelecimento industrial com notas fiscais sem lançamento do IPI, em descumprimento das condições que ensejaram a suspensão do imposto: i. para o estabelecimento filial de Rota Azul Transportes Ltda. – CNPJ05.252.092/000382 (depósito fechado), consolidadas nas planilhas “AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul produtos.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul óleos.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul condicionador.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul deocolônia. xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul sabonetes líquidos.xls" e "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul sabonetes não líquidos; ii. Para o estabelecimento matriz de Rota Azul Transportes Ltda. – CNPJ 05.252.092/000310 (atividade: prestação de serviços de transporte de carga), consolidadas nas planilhas “Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul condicionador tonalizante.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul condicionador.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul deocolônia.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul óleos.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul produtos.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul sabonete liquido.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul sabonete não liquido.xls”; iii. para o armazém geral de São José Cargo Ltda. – CNPJ 02.277.097/000100, consolidadas nas planilhas “Al CFOP 5905 Remessa São José Cargo deocolônias.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa São José Cargo sabonetes não líquido.xls". Fl. 95657DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.658 4 A impugnação apresentada pela Contribuinte, face à autuação, foi julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da DRJ/RPO, em decisão formalizada no Acórdão nº 1439.386, de 28/11/2012, para cancelar o lançamento referente às infrações dos itens "004 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR; 005 IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO, e; 006 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO do Auto de Infração". Como resultado do julgamento da impugnação, foi exonerada parte do crédito tributário, sendo R$2.407.264,42 (dois milhões, quatrocentos e sete mil, duzentos e sessenta e quatro reais e quarenta e dois centavos) a título de imposto e R$1.805.448,32 (um milhão, oitocentos e cinco mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e dois centavos) referente à multa de ofício. Foram interpostos os respectivos recurso voluntário (fls. 95.353 a 95.407) e de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. As razões do Sujeito Passivo expostas no apelo voluntário foram assim sintetizadas na decisão ora recorrida: [...] A recorrente infirma o procedimento fiscal que, tal como apresentado, não teria atendido às condições e requisitos formais impostos pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, não tendo demonstrado de forma precisa a materialidade da imposição e o cálculo do montante do imposto devido, razão pela qual o lançamento deve ser considerado nulo para todos os fins de direito. Para a defesa, boa parte dos valores foi lançada por amostragem, de modo arbitrário, sem suporte em planilhas, laudos de classificação de mercadorias ou em memórias de cálculo, e sem qualquer especificação ou individualização das operações efetivamente glosadas, impedindo o pleno exercício do direito de ampla defesa por parte do contribuinte. Acusa o lançamento de basearse apenas em indícios e presunções subjetivas, o que teria sido inclusive corroborado pelo voto condutor da decisão recorrida, quando declinou que os lançamentos se deram em virtude de conjunto "indiciário. O procedimento, que conta com mais de 95 mil páginas, contaria com várias planilhas desconexas entre si, que não demonstram como se chegou no resultado do lançamento e tão pouco possibilitam analisar o valor autuado. A recorrente exemplifica a acusação, citando os valores constantes das fls. 93.375 até 93.400, que não apresentariam correlação com os documentos fiscais e livros apresentados pelo contribuinte, tampouco estariam referenciados com as demais planilhas e cálculos auxiliares apresentados no processo, o que elimina qualquer possibilidade de revisão ou mesmo a conferência de ditos valores (que, aparentemente correspondem à base de cálculo para o lançamento do tributo e penalidades). O grande volume de documentos e planilhas anexadas pelo Agente Fiscal no procedimento, as mesmas não estão organizadas de forma lógica, não sendo apresentados dados cruzados e referências capazes de possibilitar a interpretação dos dados. Algumas das dezenas de planilhas apresentadas chegam a apresentar mais de dez mil Fl. 95658DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.659 5 páginas, sem qualquer índice ou organização entre as mesmas. Não se encontra demonstradas, por exemplo, de forma individualizada para cada operação, o cálculo da alíquota, da penalidade e da diferença tributária verificada, nem tampouco resta evidenciado que foram considerados para o cálculo do lançamento, os créditos do imposto no período (conforme artigo 25 da Lei 4.502/1964 e 200, IV do RIPI/2002). A um só tempo, o lançamento teria descumprido os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, o art. 142 do CTN, pois não restou consignada a apresentação de cálculo referenciado de forma individualizada a cada operação de remessa que fora desconsiderada/glosada pela Autoridade Fiscal, nem informado, com precisão, os critérios para cálculo e composição do montante lançado. O procedimento ainda mereceria decretação de sua nulidade formal pela falta de comunicação formal à recorrente do encerramento do mandado de procedimento fiscal, causando grande surpresa a forma e o montante do crédito constituído. No mérito, os argumentos recursais foram assim sintetizados pelo próprio recorrente (fls. 95.405 a 95.407): ITEM 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL/VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL (DEMAIS CASOS) Deve ser anulado o presente auto de infração por violação ao artigo 9º, e do inciso III, do artigo 10, do Decreto 70.235/72; ainda, ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional e artigo 2º da Lei 9.784/99; Quanto ao mérito, acolher as razões de recurso e consequentemente acarretar a improcedência do lançamento em relação aos subitens 3.2.2.3 a 3.2.2.3.3 (fls. 93555 a 93593) do documento denominado "Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal", face à violação ao artigo 2º, parágrafo único e incisos VI e IX, e artigo 22, todos da Lei 9.874/99; insuficiência dos indícios utilizados pela agente fiscal para embasar sua simples presunção, ineficazes para manter a lavratura do lançamento fiscal; ocorrência efetiva das operações de remessa de mercadorias para armazém geral e efetivo retorno das mercadorias para remetente; observância, pela empresa recorrente, dos dispositivos legais aplicáveis aos descartes conforme artigo 65, da Lei nº 6.360/76 (Vigilância Sanitária), inciso XVIII, do artigo 10, da Lei 6.437/77 e arts. 4º e 5º da lei estadual 12.493/99 (IAP) e Decreto Regulamentador n. 6.674/2002, art. 16 e 17; ITEM 002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DE SUSPENSÃO PELO REMETENTE DO PRODUTO Deve ser anulado o presente auto de infração por violação ao artigo 10, do Decreto 70.235/72; ainda, ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional; Fl. 95659DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.660 6 Quanto ao mérito, acolher as razões de recurso e consequentemente acarretar a improcedência do lançamento em relação ao subitem 3.2.2.3.4 do documento denominado 'Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal’, face a insuficiência dos indícios utilizados pela agente fiscal para embasar sua mera presunção; apresentação das notas que demonstram que as operações se derem ao amparo do artigo 42, inciso III do RIPI; que as notas fiscais de remessa para armazém geral observaram todos os requisitos legais consignados no artigo 482 do RIPI; ITEM 003 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Deve ser anulado o presente auto de infração por violação ao artigo 10, do Decreto 70.235/72; ainda, ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional; Quanto ao mérito, acolher as razões de recurso e consequentemente acarretar a improcedência do lançamento em relação às reclassificações fiscais adotadas que ensejaram a presente lavratura, face a descaracterização dos indícios utilizados pela agente fiscal para embasar sua presunção; apresentação de laudos técnicos que comprovam o acerto do procedimento da recorrente; ausência de observação aos preceitos esculpidos no art. 2º. da Lei n. 9.784/99, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; improcedência do presente lançamento por ausência de liquidez e certeza do crédito tributário, vez que a cobrança oriunda das reclassificações fiscais se baseia na exigência de IPI na sua integralidade, sem levar em consideração os valores já pagos pela empresa e não abatidos, de forma a considerar apenas as diferenças a serem tributadas; além disso, o excesso de exação estendeuse à aplicação da multa incidente sobre a integralidade do IPI apurado, medida que representa enriquecimento ilícito por parte do ente arrecadador. [...] Sobreveio julgamento dos recursos voluntário e de ofício consubstanciado no Acórdão nº 3403002.566 (fls. 95.535 a 95.549), proferido pela 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 24/10/2013, dando provimento ao recurso voluntário e não conhecendo do recurso de ofício, por unanimidade de votos, para decretar a nulidade do auto de infração em razão do cerceamento do direito de defesa e exonerar integralmente o crédito tributário lançado pela Fiscalização. Interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (fls. 95.552 a 95.556), alegando omissão no julgado por não ter sido especificado se o vício que nulificou o lançamento era de ordem formal ou material, os mesmos foram rejeitados por meio do despacho nº 3403R000.320, de 20/02/2014 (fls. 95.559 a 95.562). Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 95.564 a 95.578), com base em divergência jurisprudencial, alegando, em síntese, estarse diante de vício de ordem formal, por estar centrado em questão documental e procedimental, Fl. 95660DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.661 7 podendo haver novo lançamento fiscal, nos termos do art. 173, inciso II do Código Tributário Nacional CTN. Aduz que em se tratando de erro na apuração da matéria tributável, deve ser promovida a retificação do lançamento, conforme constou do acórdão paradigma nº 103 20451. Ainda, discorre sobre a caracterização do vício formal, visando demonstrar também inexistir vício material, e ressaltando a natureza formal dos requisitos do auto de infração consistentes, dentre outros previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, na descrição do fato e na determinação da exigência. Ao final, requer: (a) a conversão do julgamento em diligência, ou, subsidiariamente, (b) a declaração de nulidade por vício de ordem formal, para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173, inciso II do CTN. O recurso especial foi admitido por meio do despacho nº 340000.232, de 07/10/2014 (fls. 95.580 a 95.582), sob o fundamento de ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente quanto à tipificação do vício causador da nulidade do lançamento. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 95.587 a 95.604) requerendo a improcedência do apelo especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora Admissibilidade O recurso especial da Fazenda Nacional foi interposto tempestivamente, restando analisarse os demais requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujos termos foram reproduzidos no art. 67, do Anexo II, do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. No recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, além da tempestividade, deve restar demonstrada a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente e haver a indicação de paradigmas. Além disso, do confronto do acórdão recorrido e do paradigma necessário emergir a efetiva demonstração da divergência jurisprudencial suscitada. Fl. 95661DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.662 8 Da análise destes autos, verificase que o apelo especial interposto pela Fazenda Nacional suscita divergência quanto: (a) à falta de especificação da natureza do vício que deu ensejo à nulidade do lançamento, se formal ou material, sustentando em sua defesa tratarse de vício formal; (b) a necessidade de manifestação expressa a esse respeito no acórdão recorrido e (c) a possibilidade de correção do erro na matéria tributável mediante a realização de diligência fiscal. Aponta como paradigmas os acórdãos 10320.451, 10420.731 e 3102001.748, cujas ementas são transcritas no corpo da fundamentação da peça recursal. Como restou consignado no despacho de admissibilidade do recurso especial, aferirse a divergência jurisprudencial nos casos que envolvem a nulidade de lançamento traz suas dificuldades, tendo em vista que os vícios que maculam o lançamento, em regra, decorrem de situações fáticas próprias e diferentes entre si. Diante da dúvida quanto ao preenchimento do requisito de interpretação divergente, na ocasião, decidiuse por admitir o apelo especial da Fazenda Nacional para manifestação do órgão julgador a que dirigido, no caso, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pertinente ao exame da comprovação de divergência de interpretação a transcrição dos fundamentos do acórdão recorrido para acolher a preliminar arguida pela Contribuinte, resultando na declaração de nulidade do lançamento, in verbis: [...] Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Conforme relatado, a recorrente queixase de ter sido cerceado em seu direito de defesa. Enquanto impugnante, o autuado já havia arguido a nulidade do auto de infração, bradando que teria ficado impossibilitado de revisar ou de conferir os valores levantados pela fiscalização: os documentos e planilhas não foram organizados de forma lógica; não houve a individualização por operação (cálculo da alíquota, da penalidade e da diferença apurada, ou consideração de créditos existentes na escrita), ou seja, foi violado o disposto no PAF, art. 10 (não foram informados com precisão os critérios para cálculo e composição do montante lançado), e, além disso, faltariam os requisitos do CTN, art. 142. A decisão recorrida superou a arguição sob a fundamentação de que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos adequadamente e permitiram à impugnante uma defesa cabal quanto às irregularidades a ela imputadas, conforme demonstraria a própria “exuberância da peça impugnatória”, a qual combateu criteriosamente todos os pontos da autuação fiscal. Compulsando os autos, depareime com o TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL às fls. 93.692 a 93.836 (TDFEAF). Ao longo de suas 145 folhas, percebese o árduo trabalho de pesquisa e o esforço do agente fiscal em bem descrever as infrações constatadas, articulando, a partir das provas manipuladas, diferentes possibilidades de capitulação legal. Penso que foi justamente a riqueza desse termo de descrição dos fatos que permitiu ao autuado defenderse das irregularidades que lhe foram imputadas, a ponto de cancelaremse os lançamentos referentes a três das seis infrações detectadas. A exuberância da peça impugnatória na verdade reflete a qualidade do referido Termo. Fl. 95662DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.663 9 Ademais, ao contrário do que alega a recorrente, as operações estão individualizadas, haja vista as diversas planilhas que instruem os autos. O ofício da Fiscalização, no entanto, não se resume a relatar infrações percebidas. Há um trabalho prévio de auditoria – mais importante, não tenho dúvidas – que deve ficar bem documentado nos autos, com vistas à determinação da matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido, iter indispensável do procedimento administrativo de constituição de crédito tributário. Conforme relatado, o TDFEAF descreve diversas infrações, que podem ser assim sintetizadas: a) creditamento indevido b) falta de escrituração de débitos c) erro de classificação fiscal d) falta de lançamento de débitos e) descumprimento de condições que ensejaram a suspensão do imposto Para documentar essas infrações, o TDFEAF reportase a planilhas que consolidariam a matéria tributável. São as seguintes as planilhas referidas: [...] Compulsando os autos digitais, no intuito de localizar as planilhas referidas no TDFEAF, depareime com 57 imagens nominadas genericamente como “Planilha de cálculo” ou “Documentos diversos – outros”. Tocou então visualizálas para saber o que continham. Constatei tratarse de relatórios extraídos do sistema de auditoria “Contágil”, empregado pela Fiscalização da SRF. Na tabela abaixo, reproduzo o nome da imagem no processo digital, o título da planilha e as folhas do processo digital em que se inserem: [...] Percebese liminarmente que nenhuma das planilhas referidas no TDFEAF encontrase nos autos. [...] Concluindo pela impossibilidade de aferição da matéria tributável apurada pela Fiscalização, vime então tentado a propor a meus pares a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição fiscal de origem para saneamento das falhas de organização do processo, afinal, as infrações foram muito bem descritas e apontavam para um conjunto indiciário consistente. Proporia as seguintes providências: a) reorganização das imagens do processo digital, nomeandoas de acordo com o que elas efetivamente contêm (por exemplo, as cópias do Livro Registro de Saídas, fls. 39.038 a 93.370, fossem batizadas de Livro Registro de Saídas e não Documentos diversos – outros; da mesma forma, que se nomeasse a cópia do Livro RAIPI das fls. 38.853 a 38.855 como tal, e não como Documentos comprobatórios); Fl. 95663DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.664 10 b) anexação das imagens segundo um critério lógico e consistente (a menos que fique bem explicitado o motivo, não há sentido, por exemplo, para inserir cópia do Livro Registro de Saídas, fls. 37.481 a 37.483, entre duas imagens de planilhas com levantamento de notas fiscais representativas de infrações); c) anexação somente de documentos que sejam pertinentes à autuação, fazendo referência a eles nos termo de verificação fiscal (por exemplo, às fls. 4.020 a 4.050, sob o título Documentos comprobatórios, há cópias de diversas notas fiscais, sem referência no TDFEAF, de sorte que não se sabe o que efetivamente comprovam); d) refazimento das planilhas de cálculo dos valores lançados de ofício, empregando um aplicativo que propicie relatórios mais amigáveis (Access, Excell etc.) de modo que cada registro caiba em somente uma folha, com os cabeçalhos das colunas claramente identificados incluindo somente os campo essenciais para conferência do lançamento, e com nome de campo de fácil entendimento; incluir só o código de produto, com a descrição do produto em uma tabela anexa etc., e com totalização do imposto a lançar em cada mês; e) elaboração de informação fazendo a correlação entre cada item do TDFEAF e os números das folhas do processo onde foram anexadas as planilhas originais, bem como as planilhas elaboradas na diligência, acima, de modo a tornar a conferência menos demorada, explicando também a finalidade de cada planilha; f) Elaborar demonstrativo, resumindo os valores a lançar em cada período de apuração, oriundos de cada infração. Saneado nesses termos, pareceume que o processo, ao menos no que diz respeito ao lançamento por erro de classificação, poderia ser aproveitado, bastando que se confirmasse que os dados de cada nota foram corretamente relacionados em demonstrativos mais claros e concisos, tudo em nome do princípio da salvabilidade do processo (art. 250 do Código de Processo Civil – CPC Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973). Afinal, “ a moderna interpretação das regras do processo civil deve tender, na medida do possível, para o aproveitamento dos atos praticados e para a solução justa do mérito das controvérsias. Os óbices processuais não podem ser invocados livremente, mas apenas nas hipóteses em que seu acolhimento se faz necessário para a proteção de direitos fundamentais da parte, como o devido processo legal, a paridade de armas ou a ampla defesa. (...)" (REsp 746.524/SC, DJ de 16.03.2009). No entanto, analisando a necessidade de outras providências, à luz dos ajustes no lançamento promovidos pelo julgamento de primeira instância, que ensejou recurso de ofício, bem assim dos argumentos do recurso voluntário, concluí que a realização de uma diligência com esse fim, à essa altura do andamento do processo, implicaria novo prejuízo à defesa, que teria suprimida uma instância na apreciação desses documentos aportados os autos na fase recursal. E o retrocesso à fase inicial do processo equivaleria a novo lançamento, o que não se admite. Nesse contexto de desorganização dos autos, de ininteligibilidade da prova das infrações, de obstáculos intransponíveis e mesmo de falta de documentos essenciais para a determinação da matéria tributável, não obstante a qualidade do relatório fiscal que acompanha o Auto de Infração Fl. 95664DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.665 11 ter permitido ao sujeito passivo perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, há de se reconhecer a procedência da arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Conclusões Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. [...] (grifouse) Ficam evidenciadas as razões postas no acórdão recorrido resultantes na decretação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa da Contribuinte, assim sintetizadas: (a) impossibilidade de aferição da matéria tributável pela falta de documentos essenciais nos autos para a sua determinação, bem como pela ininteligibilidade da prova das infrações; e (b) a inviabilidade de realização de diligência naquele momento processual, pois acarretaria novo prejuízo à defesa com a supressão de uma instância recursal na apreciação de documentos, além de implicar no retorno à fase inicial do processo, equivalente a novo lançamento, o que seria inadmissível. Embora se reconheça a dificuldade inicial de aferição da existência de comprovação da divergência jurisprudencial, a partir do cotejo entre o acórdão recorrido e as ementas dos acórdãos paradigmas colacionadas no apelo especial pela Fazenda Nacional, concluise que o mesmo não deve ter seguimento. Com relação à realização de diligência fiscal, temse no caso dos autos a negativa de sua realização por ter entendido o julgador acarretar novo prejuízo à defesa. Já no acórdão paradigma nº 10320451 foi consignado ser dever da autoridade julgadora sanar equívocos na determinação da matéria tributável previamente apontados em diligência fiscal, não tendo sido aqui discutida a pertinência ou não da realização da referida diligência, in verbis: Acórdão nº 10320451 “Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de oficio negado.” Fl. 95665DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.666 12 Ainda, constatase da ementa do acórdão paradigma ter sido efetuada pela autoridade julgadora de primeira instância a diligência para sanar erros na determinação da matéria tributável, restando afastado eventual prejuízo à defesa pela supressão de uma instância de julgamento, como ocorre no presente caso. Tratamse, portanto, de situações fáticas distintas, sendo imprestável o paradigma apontado para comprovação da divergência jurisprudencial quanto à hipótese de conversão de diligência para retificação do lançamento. Concernente aos acórdãos paradigma nºs 3102001.748 e 10420.731, trazidos para demonstrar a divergência relativa à competência do CARF para se pronunciar sobre a classificação da nulidade e à caracterização do vício de identificação da matéria tributável como sendo de ordem formal, temse que os mesmos cumprem a finalidade de comprovar o dissídio jurisprudencial, in verbis: Acórdão nº 3102001.748 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 Embargos de Declaração. Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Acórdão recorrido não especificou a natureza do vício que ocasionou a nulidade. Caracterizada a Omissão para anular o lançamento por vício material. Embargos Acolhidos em parte. Acórdão nº 10420.731 NORMAS PROCESSUAIS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando o procedimento fiscal autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL DESCRIÇÃO DOS FATOS LOCAL DA LAVRATURA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 95666DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.667 13 CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n°. 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento Mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Nesse ponto, o cerne da discussão travada no recurso especial da Fazenda Nacional está na competência do CARF para se pronunciar sobre a natureza do vício e a caracterização do referido vício como de ordem formal, não havendo contestação quanto ao fato de ter ocorrido ou não a nulidade, cuja existência é ponto pacífico no processo. Portanto, Fl. 95667DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.668 14 almeja a Recorrente ver declarado o vício formal, possibilitando a realização de um novo lançamento, conforme art. 173, inciso II do CTN. Da leitura das ementas dos acórdãos juntados como paradigma depreendese tratarem do tema do vício a ensejar a nulidade do processo e da necessidade do CARF pronunciarse sobre a natureza do mesmo. No acórdão nº 3102001.748 está consignado caber ao CARF especificar a natureza do vício causador da nulidade, restando comprovada a divergência jurisprudencial no ponto. Quanto à caracterização do vício como sendo de ordem formal, não restou comprovada a divergência jurisprudencial. Embora no acórdão nº 3102001.748 esteja consignado caber ao CARF especificar a natureza do vício causador da nulidade, o mesmo conclui pela existência de vício material, o que é diametralmente oposto à pretensão da Fazenda Nacional neste apelo de ver caracterizado o vício formal. Por sua vez, o acórdão nº 10420.731 consigna a inexistência do cerceamento de defesa e, por conseguinte, de nulidade, quando mesmo diante das deficiências do procedimento fiscal o Contribuinte apresenta defesa substanciosa, demonstrando conhecer plenamente as acusações a ele imputadas. Portanto, distante o resultado do paradigma daquele pretendido por meio do recurso ora em julgamento, a saber, a caracterização do vício como de ordem formal, não havendo discussão quanto à efetiva existência de cerceamento de defesa e de nulidade no lançamento. Diante dessas considerações, por estar preenchido o requisito de admissibilidade no que tange à comprovação da divergência jurisprudencial no que tange à competência do CARF para se manifestar sobre a natureza da nulidade, dáse seguimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito Transposta a questão da admissibilidade para que tenha prosseguimento parcial o recurso especial da Fazenda Nacional, necessário adentrarse ao exame do mérito da demanda, consubstanciado na necessidade ou não de manifestação expressa do julgador quanto à natureza do vício ensejador da nulidade. No que concerne à competência do CARF para pronunciamento acerca da classificação da nulidade, temse que as decisões proferidas pelos Conselheiros no âmbito do processo administrativo fiscal devem indicar precisamente os fundamentos do seu convencimento, obrigatoriedade essa que se estende para a classificação do vício de nulidade, se de ordem formal ou material, possibilitando às partes o conhecimento das razões de decidir e determinando, inclusive, a pertinência/utilidade de interposição de recurso eventualmente cabível. Fl. 95668DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.669 15 Nessa esteira, o cerne da pretensão posta no recurso especial da Fazenda Nacional está em ver declarada a existência de vício de ordem formal, dando ensejo à realização de novo lançamento fiscal nos termos do art. 173, inciso II do CTN. A relevância de se distinguir se o vício que maculou o lançamento é de ordem formal ou material está no fato de o Código Tributário Nacional CTN prolongar o prazo de decadência para que seja constituído o crédito tributário quando se reconhece a existência do vício formal, conforme inteligência do seu art. 173, inciso II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifouse) No caso vertente, portanto, impende ao julgador manifestarse sobre a natureza do vício que deu ensejo à declaração de nulidade da autuação, se formal ou material, em razão das diferentes e importantes consequências dele decorrentes. E tal providência deve ser adotada pelo Colegiado "a quo", sob pena de supressão de uma instância de julgamento. Por conseguinte, impõese o retorno dos autos ao Colegiado "a quo" para o mesmo manifestarse sobre a natureza do vício de nulidade que maculou o auto de infração. Diante do exposto, o recurso especial é conhecido em parte e, na parte conhecida, dáse provimento, determinando o retorno dos autos ao órgão julgador "a quo" para se manifestar sobre a natureza do vício de nulidade. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 95669DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 9303003.851 CSRFT3 Fl. 95.670 16 Fl. 95670DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por VANESSA MARINI CEC CONELLO
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Numero do processo: 10880.994680/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação oral a Dra. Maria Andréia F. dos Santos, OAB/SP nº 154.065.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação oral a Dra. Maria Andréia F. dos Santos, OAB/SP nº 154.065. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 94 68 0/ 20 11 -7 2 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10880.994680/201172 Resolução nº 1301000.343 S1C3T1 Fl. 574 2 Relatório COMPANHIA PAULISTA DE PARCERIAS CPP, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que, por maioria de votos, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, o qual por bem descrever o ocorrido, dele ora me valho: Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas por meio das quais a interessada pleiteou compensar débitos próprios com saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2007, relativa ao ano calendário de 2006 – SNIRPJ/AC/2006. O valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito foi igual a R$ 18.839.362,07, tendo sido reconhecido pela autoridade administrativa como disponível, tão somente o valor de R$ 4.931.580,84, conforme despacho decisório de fl. 26 (reimpressão à fl. 63), pelo que restaram compensações não homologadas. Tendo tomado ciência da decisão em 20/12/2011, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03) protocolo de 18/01/2012 encaminhada pela autoridade preparadora a esta Delegacia de Julgamento para análise, conforme despacho de fl. 62. A alegação, essencialmente, é que o valor de IR retido na fonte declarado na DIPJ está de acordo com o informe de rendimento enviado pelo Banco Nossa Caixa e o relatório de fontes pagadoras extraído pelo certificado digital do site da Receita Federal do Brasil. O contribuinte anexou informe de rendimento, Ficha 12 A da DIPJ/2007 – AC/2006 – e copia do PER/Dcomp 42198.78823.160107.1.3.024695, retificado em 28/03/2008 pelo PER/Dcomp nº 42338.43881.280308.1.7.02.028495. A 4ª Turma da DRJ/SP1, nos termos do acórdão nº 1643.589, julgou o lançamento procedente para os fins de não homologar as compensações pleiteadas. Cientificado da decisão da DRJ/SP1 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e CAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações.em 06/11/2013, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2013, onde repisa os mesmo argumentos aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10880.994680/201172 Resolução nº 1301000.343 S1C3T1 Fl. 575 3 VOTO Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator DA PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e dele conheço, pois entendo que a conversão do processo físico para processo eletrônico deveria ter sido devidamente comunicada à recorrente nos termos do disposto no parágrafo 3º do artigo 1º da Portaria SRF 259/06. No caso dos presentes autos, a recorrente foi intimada pessoalmente da lavratura do Despacho Decisório n° 013579518, que deu origem a este Processo Administrativo, tendo oferecido tempestivamente manifestação de inconformidade. Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ para processamento e julgamento da referida manifestação de inconformidade, sobreveio o acórdão da DRJ/SPO1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade oferecida pela ora recorrente, mantendose assim a decisão de não homologação. Ocorre que estes autos, originalmente em papel, foram convertidos para o meio digital, sem que a Receita Federal observasse a exigência contida no parágrafo 3º do artigo 1º da Portaria SRF 259/06, o qual exige a prévia indicação ao sujeito passivo dos processos submetidos ao regime de processo digital (eprocesso). Assim dispõe o referido artigo 1° da Portaria SRF 259/06, verbis: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (eprocesso). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Por constar de forma expressa na Portaria que tratou do processo digital, entendo que é direito do contribuinte lhe ter indicado, de forma expressa e clara, os processos que estão ou serão processados de forma digital, sob pena de nulidade. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10880.994680/201172 Resolução nº 1301000.343 S1C3T1 Fl. 576 4 No presente caso, fica patente que a recorrente não foi cientificada de que estes autos haviam sido digitalizados, em flagrante desobediência aos preceitos da Portaria SRF 259/06. Tal omissão, configura, no presente caso, nulidade de todo e qualquer ato processual realizado por meio eletrônico, especialmente o de intimação, por caracterizarse como ofensa ao princípio do direito de defesa. Nesse sentido, há duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, as quais dizem que pode anular seus atos, quando este encontraremse eivados de vícios, a saber: Súmula 346: A Administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.] Penso que tais súmulas resolvem e pacificam a questão, principalmente diante do fato de que não foi o contribuinte devidamente informado de que seus processo, que originalmente tramitava em papel, passou a ter sua tramitação em formato digital. Com base no acima exposto, entendo como nula a citação efetuada pela Receita Federal via eCAC. Ainda que assim não fosse, apenas como argumento adicional, há que se observar que encontrase às fls. 524, Despacho de Encaminhamento, da DIORDERAT/SP, nos seguintes termos: Tendo em vista a apresentação de recurso voluntário tempestivo (fls.104/522), contrário ao Acórdão DRJ/SP1 Nº 1643.589 de 7 de fevereiro de 2012, proponho o envio do presente ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS para apreciação e análise. DATA DE EMISSÃO : 20/03/2014 Portanto, a própria Receita Federal, através de Despacho de sua lavra, reconheceu a tempestividade do recurso do contribuinte, razão pela qual entendo que o mesmo deva ser conhecido por ser tempestivo.O recurso é tempestivo e dele conheço. DO MÉRITO Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas por meio das quais a interessada pleiteou compensar débitos próprios com saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2007, relativa ao ano calendário de 2006. Através do Despacho Decisório de fl. 26, a DERAT/SP reconheceu parcialmente o saldo negativo, pelo que homologou parcialmente as compensações declaradas. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10880.994680/201172 Resolução nº 1301000.343 S1C3T1 Fl. 577 5 O reconhecimento parcial do crédito deveuse ao fato de que o saldo negativo foi composto por Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, que apesar de confirmadas por Informe de Rendimentos da fonte pagadora, não logrou o contribuinte comprovar que as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação. Contudo, alega o interessado tratarse de empresa controlada pelo Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria da Fazenda. Caracterizase como sociedade de economia mista, sujeita ao regime jurídico de direito privado, constituída sob a forma de sociedade por ações. Quando de sua constituição, a companhia recebeu, a título de integralização do capital social subscrito pelo Estado, valor da ordem de R$ 650.000.000,00 (seiscentos e cinqüenta milhões de reais). Esses recursos foram mantidos como disponibilidades financeiras da interessada e aplicados junto ao Banco do Brasil em Certificados de Depósitos Bancários CDB, o que gerou receitas financeiras nos anos de 2004 e 2006. Ao longo de 2006, foram utilizados parte significativa destes recursos, valendo se para tanto de resgates dos respectivos CDB. Esses resgates geraram vultuosos valores de IRRF em 2006, o que à seu turno ocasionou a geração do saldo negativo objeto desta lide. Por fim, alega a interessada ser optante pelo regime de apuração e pagamento do Imposto de Renda conhecido como Lucro Real e, portanto, as receitas financeiras vinham sendo reconhecidas na contabilidade pelo regime de competência, enquanto o IRRF é apurado e recolhido pelo regime de caixa, ou seja, apenas no resgate das aplicações. Assim, diante da verossimilhança das alegações, entendo que seria o caso de baixar os autos em diligência, a fim de se verificar se de fato as receitas relativas aos CDBs foram devidamente contabilizadas nos exercícios anteriores. Diante do exposto, a Unidade Preparadora deverá consultar os sistemas de processamento de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, examinar a escrita contábil e fiscal da interessada e, ao final, responder aos seguintes quesitos e/ou adotar as seguintes providências: 1. Nos anoscalendário 2004, 2005, foram contabilizadas, a crédito de conta de resultado, as receitas financeiras sobre os CDBs que foram resgatados em 2006? 2. Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, essas receitas foram adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real? 3. Faça acostar aos autos cópia integral da DIPJ 2005 e 2006. 4. Faça acostar aos autos documentos comprobatórios das respostas aos quesitos ou confirme que os documentos trazidos aos autos em sede do Recurso Voluntário são cópias fieis dos documentos contábeis do contribuinte (cópias de livros Razão, LALUR, entre outros documentos). 5. Manifestese sobre outros pontos que considerar relevantes, acerca dos quesitos formulados. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10880.994680/201172 Resolução nº 1301000.343 S1C3T1 Fl. 578 6 O resultado da diligência deverá ser objeto de relatório conclusivo, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, facultandolhe, se assim desejar, manifestarse nos autos sobre as conclusões da diligência, no prazo de trinta dias. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento. Sala de Sessões, 07 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Fl. 578DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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