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Numero do processo: 13955.000023/2002-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 55 .0 00 02 3/ 20 02 -5 7 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13955.000023/200257 Resolução nº 3201000.353 S3C2T1 Fl. 792 2 Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente reconheceu o ressarcimento do crédito presumido apurado pelo contribuinte no período em destaque. A manifestante alega que, conforme documentação juntada, comprovou as exportações, por intermédio de empresa comercial exportadora, dos produtos constantes nas notas fiscais: 009292, 009362, 002432, 000012, 000035, 000045, 000046 e 000115; a energia elétrica, por tratarse de produto intermediário indispensável ao funcionamento de equipamentos industriais e à obtenção do produto final (suco de laranja), não poderia ser glosada, sendo aceita na seara do ICMS (art. 33, II, da LC 87/96) e no âmbito do Conselho de Contribuintes; sendo que os atos normativos devem ser interpretados segundo o espírito da Lei n° 9.363/96, pelas mesmas razões anteriores o frete não pode ser retirado da apuração do beneficio; quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas ou de sociedades cooperativas, o conteúdo da referida lei, tendente à inclusão da totalidade das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem no cálculo do beneficio, não pode ser restringido por normas infralegais, ou seja, normas complementares das leis, conforme precedentes do Conselho de Contribuintes; a exclusão da aquisição de Óleo BPF é também indevida sendo o insumo uma fonte energética para o funcionamento da caldeira industrial, igualmente um produto intermediário (no laudo técnico juntado referente ao processo produtivo do suco de laranja concentrado congelado fica demonstrada a essencialidade do funcionamento da caldeira industrial para a fabricação do produto exportado), sendo que há pronunciamento de Conselho de Contribuintes favorável à inclusão de combustíveis na apuração; o ajuste do montante dos produtos acabados e semiacabados não vendidos é resultante das mencionadas exclusões e é impertinente; o pleito deve ser atualizado monetariamente para que sei am evitadas perdas imensuráveis, sendo o Conselho de Contribuintes favorável a isso; por fim, requer o deferimento do pedido de ressarcimento à vista da lisura dos procedimentos adotados pela interessada, assim como o endereçamento das intimações ao advogado desta. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 17/08/2011, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 1434.924 (fls. 718/731): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE ÓLEO COMBUSTÍVEL. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13955.000023/200257 Resolução nº 3201000.353 S3C2T1 Fl. 793 3 Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. CUSTOS DE FRETE. Para ser admitido no cômputo do beneficio fiscal, o frete deve compor o preço do insumo adquirido. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser computadas como receita de exportação os valores das notas fiscais de venda para exportação presentes em Despacho de Exportação, com registro no sistema de processamento de dados pertinente (SISCOMEX). INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. As intimações necessárias no curso do processo, por via postal, devem ser destinadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 16/09/2011, tendo protocolado seu recurso voluntário em 13/10/2011 (fls. 751/785), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 14/03/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972. O cerne da discussão consiste em saber se assiste razão à Recorrente quanto à pretensão de (i) considerar as notas fiscais apresentadas para efeito de apuração das receitas de exportação; (ii) incluir no cálculo do crédito presumido de IPI o custo de energia elétrica e óleo combustível para geração de energia térmica, os valores pagos na contratação de serviços de transporte, e os valores pagos para a aquisição de matériasprimas de sociedades cooperativas e de pessoas físicas; e (iii) atualizar o valor do saldo credor apurado a partir da aplicação da taxa Selic. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13955.000023/200257 Resolução nº 3201000.353 S3C2T1 Fl. 794 4 1 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A origem dessa discussão surgiu no Termo de Intimação Fiscal 116/2007, pois a Recorrente não apresentou os documentos solicitados para comprovar as exportações realizadas no período, bem como a efetiva saída dos produtos do estabelecimento produtor/vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem de empresa comercial exportadora adquirente. É o que se depreende do seguinte trecho do Despacho Decisório (fl. 584): 30. Por meio do Termo de Intimação Fiscal 166/2007, a empresa foi instada a apresentar comprovação das exportações realizadas no período, bem como da efetiva saída dos produtos do estabelecimento produtor/vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem de empresa comercial exportadora adquirente (itens 7 e 8 do TIF 166/2007 às fls. 442). 31. A interessada, porém, apenas apresenta os documentos de exportação via "trading company" referentes aos anoscalendário 2000 e 2001 (resposta da empresa à fl. 446), nada apresentando relativamente ao anocalendário 1998 sob análise. 32. A ausência de tais informações, não prestadas pela interessada, impede sua verificação e inviabiliza assim seu reconhecimento no cômputo das receitas de exportação para fins de determinação do presente crédito presumido de IPI. Já em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente juntou os comprovantes de exportação, requerendo a manutenção dos respectivos valores no cômputo geral das receitas de exportação (fls. 636, 665 a 687). Por outro lado, de acordo com a decisão recorrida, “a documentação juntada às fls. 665/688 não comprova que os produtos saíram do estabelecimento produtor/vendedor para embarque ou depósito por conta e ordem da empresa comercial exportadora”. (Grifos Originais) Compulsando os autos, percebese que, por ocasião de sua manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou notas fiscais próprias em que foi consignado o fim específico de exportação, memorando de exportação da empresa comercial exportadora, notas fiscais emitidas pela empresa comercial exportadora contra importadores no exterior, conhecimento de embarque, registros de exportação, comprovante de exportação, enfim, todo o arsenal de documentos referentes ao período de 1998 que demonstram que as mercadorias foram efetivamente exportadas. Nas notas fiscais emitidas pela Recorrente contra a empresa comercial exportadora, percebese que esta era a própria transportadora, de modo que os produtos saíram do estabelecimento produtor/vendedor e foram embarcadas diretamente. Aliás, é isso o que se depreende dos memorandos de exportação emitidos pela empresa comercial exportadora. Com base no exposto, é plausível o interesse da Recorrente. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13955.000023/200257 Resolução nº 3201000.353 S3C2T1 Fl. 795 5 2 ENERGIA ELÉTRICA E ÓLEO COMBUSTÍVEL A discussão que a Recorrente pretende trazer a este colegiado já está sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Dessa forma e considerando que a aplicação de súmulas do CARF é obrigatória por parte dos seus membros, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009 e alterações posteriores, é de se reconhecer o acerto da decisão recorrida. 3 FRETE DE INSUMOS A instância a quo entendeu que “a inclusão dos custos de transporte cobrados por empresas transportadoras para transportar os insumos adquiridos de fornecedores não pode ser ratificada, à luz da legislação de regência do beneficio”. Entretanto, a jurisprudência do CARF caminha em sentido contrário, havendo, inclusive, decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o assunto. Confirase: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. (Acórdão nº 9303001.402, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, Sessão de 04/04/2011) Em linha com essa jurisprudência, assiste razão à Recorrente nesse particular. 4 INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS A inclusão dos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas é matéria que já foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 993.164/MG). Em síntese, o STJ reconheceu que o crédito presumido de IPI deve ser calculado considerando os valores referentes a aquisições de cooperativas e pessoas físicas. Em razão do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a posição do STJ passou a nortear a jurisprudência administrativa. Nesse sentido, transcrevese abaixo a ementa de um julgamento recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno Fl. 795DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13955.000023/200257 Resolução nº 3201000.353 S3C2T1 Fl. 796 6 do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. (Acórdão nº 9303001.884, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, Sessão de 08/03/2012) Portanto, deve ser reconhecido o direito à Recorrente de incluir no cálculo do crédito presumido de IPI os valores relativos à aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas. 5 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC A atualização monetária do crédito presumido de IPI é matéria que também foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 1.035.847/RS). Em síntese, o STJ reconheceu que o crédito presumido de IPI deve ser atualizado monetariamente sempre que o seu aproveitamento for obstaculizado de forma injustificada pelo Fisco. Com base no Regimento Interno do CARF, a posição do STJ passou a nortear a jurisprudência administrativa, o que se depreende da ementa abaixo transcrita: TAXA SELIC. SÚMULA nº 411 STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acórdão nº 9303001.402, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, Sessão de 04/04/2011) Merece acolhida, pois, a pretensão da Recorrente no sentido de aplicar a taxa Selic para atualizar monetariamente o valor do crédito presumido de IPI reconhecido após todo o trâmite na esfera administrativa. Convém destacar, por oportuno, que o pedido de ressarcimento foi protocolizado pela Recorrente em 16/01/2002, ou seja, há mais de dez anos. 6 DILIGÊNCIA Embora boa parte do recurso voluntário já pudesse ser votado, o colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência para apurar fatos referentes à pretensão da Recorrente especificamente no tocante à glosa do crédito presumido referente à exportação. As questões ora colocadas para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá são as seguintes: (i) Comprovar a efetiva saída das mercadorias exportadas do estabelecimento produtor por meio da juntada das notas fiscais de simples remessa emitidas pelo estabelecimento produtor; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13955.000023/200257 Resolução nº 3201000.353 S3C2T1 Fl. 797 7 (ii) Comprovar a efetiva exportação por meio da juntada dos Registros de Exportação averbados. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à Recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 (trinta) dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à Procuradoria da Fazenda Nacional da perícia realizada. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 797DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 14090.002109/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO.
O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, permite a manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não modificando a regra que veda o creditamento no caso das aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, permite a manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não modificando a regra que veda o creditamento no caso das aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Improvido.
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VEDAÇÃO AO CRÉDITO. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, permite a manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não modificando a regra que veda o creditamento no caso das aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 00 21 09 /2 00 8- 90 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ de Campo Grande (MS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte Mônaco Diesel Caminhões e Ônibus Ltda, ora Recorrente, relativamente ao pedido de ressarcimento de supostos créditos da Contribuição para a PIS/PASEP, apurados de acordo com a sistemática da nãocumulatividade, do anocalendário de 2007, decorrentes de aquisição de produtos classificados sob os códigos 87.01 a 87.06, da Tabela de Incidência do IPI, não sendo homologadas as compensações declaradas por meio de Dcomp, conforme sintetiza a ementa do v. acórdão, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. MERCADORIAS CLASSIFICADAS SOB OS CÓDIGOS 87.01 A 87.06. AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO. DIREITO A CRÉDITO. VEDAÇÃO. A aquisição, no mercado interno, de mercadorias classificadas nos códigos 87.01 a 87.06 não gera crédito para descontar do valor devido das contribuições da Cofins e do PIS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão recorrida também é fundamentada na Instrução Normativa SRF nº 594/2005, a qual veda o crédito quando da aquisição desses produtos no mercado interno. Cientificada em 21/11/2011 (AR fl. 337, do arquivo digitalizado), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 338 e seguintes, em 14/12/2011, onde reitera os argumentos constantes da manifestação exordial, aduzindo, em síntese que a decisão viola os princípios da legalidade e da hierarquia das leis, já que negou vigência ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Afirmou que as contribuições do PIS e da Cofins, com o advento das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, passaram a ser nãocumulativas para as empresas que apuram o Imposto de Renda com base no lucro real. Sobrevindo a Lei nº 10.865/2004, foi reduzida a zero a alíquota de máquinas e veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06, já que ficaram sujeitos à tributação monofásica. A receita oriunda da venda desses produtos, entretanto, por força do disposto na mesma lei, passou a sujeitarse à sistemática da nãocumulatividade. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14090.002109/200890 Acórdão n.º 3301001.601 S3C3T1 Fl. 371 3 Assim, o recolhimento das contribuições se dá em uma única etapa da cadeia produtiva, vale dizer, no caso os fabricantes ou importadores é que recolhem o valor dos tributos por toda a cadeia produtiva, de modo que, em relação aos comerciantes atacadistas e varejistas, a alíquota restou reduzida a zero, o que não significa, conforme se exporá a seguir, que esta operação não sofre tributação, ela somente é tributada a 0% (zero por cento). Ou seja, no que diz respeito às vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da T I P I fart. l o da Lei no 10.485). somente os produtores e importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias adquiridas no mercado interno. A par desse fato, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 teria autorizado os revendedores de máquinas e veículos classificados naqueles códigos a manter os créditos de PIS e de Cofins, mesmo nos casos de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Concluise que o citado artigo não criou novos créditos, como quer entender a Autoridade Fiscal, mas apenas permitiu a manutenção dos créditos já existentes. A possibilidade de ressarcimento desses créditos e de compensação com débitos de outros tributos foi dada pela Lei nº 11.116/2005. Ante o exposto, os contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação "monofásica" tem o direito ao desconto dos créditos em razão dos produtos adquiridos para revenda, nas mesmas condições dos contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação não monofásica. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e pela homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A questão central que se discute no presente processo é quanto ao disposto no art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, sobre as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em razão de não impedirem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, teria revogada as vedações contidas no inciso art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 3º, § 2º, II, ao direito de crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das aludias contribuições, nos seguintes termos: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifado) Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (grifado). Evidentemente que, a Lei nº 11.033, de 2004, quando dispõe que as vendas efetuadas, sem a incidência da Cofins e PIS/Pasep, o que não impede a manutenção do crédito pelo vendedor, no meu entender, não revogou a regra prevista na Lei nº 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, continuando não dando direito a crédito, as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das aludidas contribuições. A pergunta que surge então é, se as aquisições não sujeitas à incidência das Contribuições ao PIS/Pasep e Cofins não geram créditos, por que então a Lei nº 11.033, de 2004, veio dizer que essas vendas não impedem a manutenção desses créditos? Inicialmente, há que ter em mente as seguintes situações distintas, tratadas pelas referidas leis que dispõe sobre Cofins e PIS/Pasep na sistemática da nãocumulatividade (10.833/2003 e 10.637/2002), sobre a impossibilidade das aquisições de insumos não sujeitos ao pagamento das Contribuições PIS, inclusive no caso de isenção, enquanto a Lei nº 11.033, de 2004, dispõe sobre a possibilidade de manutenção dos créditos decorrentes das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins. Claro, que, no caso das vendas efetuadas sem a incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, nada tem a ver, com as aquisições sem a incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, as quais vedam o respectivo creditamento, logo, a despeito da Lei 11.033/2004, permitir a manutenção do crédito nas vendas efetuadas sem a incidência dessas contribuições não interfere no direito ao crédito, ou seja, na origem desses créditos que, continua vigorando de acordo com as regras das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14090.002109/200890 Acórdão n.º 3301001.601 S3C3T1 Fl. 372 5 Essa regra é mantida mesmo no caso do regime tributário de incentivo à modernização e ampliação da estrutura portuária, denominado Reporto (arts. 13 e seguintes da Lei nº 11.033/2004), visto que o art. 17 é um incentivo fiscal que alcança apenas os casos em que ocorreram aquisições de insumos com incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins. Logo, a decisão recorrida encontrase em perfeita sintonia com o entendimento firmado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, que permitiu, inclusive, a fruição do beneficio fiscal instituído pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, às empresas integrantes ao regime específico denominado “Reporto”, nos quais há incidência nas aquisições de insumos e não incidência nas vendas, não abrangendo as empresas comerciais distribuidoras ou atacadistas, in verbis: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 2. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1218561/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1219450/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011, DJe 15/03/2011) A par da alegação de que, através da Lei nº 10.865/2004, foi reduzida a zero a alíquota de máquinas e veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06, já que ficaram sujeitos à tributação monofásica, entretanto, por força do disposto na mesma lei, o fato dessas operações sujeitaremse à sistemática da nãocumulatividade, em nada altera a decisão recorrida, pois, conforme visto, é condição essencial para poder ter direito ao recebimento de crédito, que o suposto beneficiário tenha pago as contribuições na etapa anterior. Ademais, disto, no caso da alíquota zero, há vedação expressa nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, no sentido de impedir o creditamento relativo a essas operações. Por essas razões, há de prevalecer o entendimento de que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, se refere à manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não se referindo às aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins. Em face do exposto, voto no sentido e negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10120.904802/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.904802/200924 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801001.550 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria COFINS/PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente DATAREY SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 02 /2 00 9- 24 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 33903.48581.151205.1.3.048490, transmitida eletronicamente em 15/12/2005, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/3/2004 6912 2.997,02 15/4/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1581757241 2.997,02 DB: cód 6912 – PA 31/3/2004 2.997,02 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 52,18. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 22), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 3801001.550 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15504.724771/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
SOBRESTAMENTO NÃO DETERMINADO PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAR A MATÉRIA NO CARF. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI.
O procedimento de sobrestamento somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal - STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Nos termos do inciso IV do art. 22, da Lei n°8.212/91, a empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [ Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada no lançamento por descumprimento de obrigação principal a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 285 1 284 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.724771/201153 Recurso nº 952.110 Voluntário Acórdão nº 2301003.164 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 SOBRESTAMENTO NÃO DETERMINADO PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAR A MATÉRIA NO CARF. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O procedimento de sobrestamento somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nos termos do inciso IV do art. 22, da Lei n°8.212/91, a empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 47 71 /2 01 1- 53 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [ Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada no lançamento por descumprimento de obrigação principal a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS em face da decisão que considerou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento com relação ao descumprimento da obrigação acessória. (f. 12) 2. Conforme narra o relatório fiscal, foram analisados os contratos de prestação de serviços celebrados entre as partes, dos quais constatouse que: “Os contratos celebrados nº 6059 e 6071 têm como contratante a Associação Beneficente dos Militares das Forças Armadas e como contratada a Unimed – Belo Horizonte Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. Os contratos têm por objeto a cobertura de serviços de assistência médico hospitalar, de diagnóstico e terapia, com copartipação nas consultas, exames, terapias, procedimentos e nas internações hospitalares aos associados regularmente Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 286 3 inscritos pela contratante, conforme rol de procedimentos para os planos ambulatorial, hospitalar e obstetrícia editado pelo Ministério da Saúde, facultada a contratações dos Módulos Opcionais, sendo obrigatória a especificação de contratação de cada um deles, de conformidade com a Proposta de Admissão. A cobertura hospitalar compreende a internação clínica, inclusive a psiquiátrica ou cirúrgica, dentro dos recursos próprios ou contratados pela UNIMEDBH, conforme definido e listados no rol de procedimentos editado pelo Ministério da Saúde.” (ff. 13 e 14) 3. Também em consonância com a peça introdutória, o presente auto de infração referese ao descumprimento de obrigação acessória (GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias – f. 12). 4. A decisão colegiada de primeira instância restou ementada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. COOPERATIVA DE TRABALHO. A empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (233) 4. Buscando reverter o julgamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese: a) preliminarmente, que o recurso é tempestivo e deve ser conhecido, pois o contribuinte teve ciência da decisão denegatória em 04/05/2012 e protocolou suas razões em 25/05/2012; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 b) a inexistência de fatos geradores da contribuição previdenciária, assim não há possibilidade de cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória; c) que é sociedade civil de caráter assistencial, sem fins lucrativos e, portanto, é imune à tributação de seu patrimônio; c) não pode figurar como contribuinte, pois as contribuições pretendidas pelo Fisco são devidas apenas por empresas, excetuandose da hipótese de incidência as associações assistenciais; d) teve declarada a sua imunidade tributária pelo Governo do Estado de Minas Gerais quando recebeu o título de entidade de utilidade pública; e) o plano de saúde é uma mera promessa de assistência e não um serviço em si; que não possui a obrigação legal de recolher as contribuições sociais advindas de contrato de plano de saúde, pois somente intermediou para seus associados a utilização do plano de saúde; f) não possui obrigação legal de recolher as contribuições sócias advindas do contrato de plano de saúde que intermediou com seus associados; g) que não praticou os atos cooperados alegados pelo agente fiscalizador como sendo típicos de uma cooperativa, pois não possui caráter mercantil; h) por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da autuação impugnada. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO SOBRESTAMENTO DO FEITO 2. Depreendese do relatório fiscal que o lançamento fiscal se deu com base “nos pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho médico.” (f. 12) 3. Dessa forma, verificase que o débito levantado pelo fisco referese à contratação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho nos termos estabelecidos pelo artigo 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, que dispõe: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 287 5 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (incluído pela Lei n.º 9.876, de 1999)” (g.n.) 4. A matéria encontrase em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a repercussão geral do tema, ora em análise, em 03/02/2012, porém não determinou o sobrestamento do feito, verbis: “TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS. SUJEIÇÃO PASSIVA À CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PROPOSTA PELO RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA. ARTS. 146, III, C E 172, §2º DA CONSTITUIÇÃO. LC 84, ART. 1º, II. Tem repercussão geral o debate sobre a compatibilidade da inclusão, na base de cálculo de contribuição destinada ao custeio da seguridade social, dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cezar Peluso, Ayres Brito, Gilmar Mendes, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia.” (RE 597.315 RJ – Rio de Janeiro; Relator Ministro Joaquim Barbosa) 5. A análise da repercussão geral como prérequisito para a admissibilidade do recurso extraordinário frente ao Supremo foi incluída no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional n.º 45, de 2004, e regulada com alterações feitas ao Código de Processo Civil e no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 6. Da leitura dos dispositivos do CPC (art. 543B e parágrafos) que versam sobre o recurso extraordinário depreendese que, havendo a multiplicidade de processos que versem sobre o mesmo tema, sendo reconhecida a repercussão geral do assunto, caberá ao Tribunal de origem determinar o sobrestamento dos demais processos que tratem da mesma questão para evitar a divergência jurisprudencial. 7. E no mesmo sentido, buscando não prejudicar os contribuintes com decisões que posteriormente podem ser divergentes de acórdão do STF, o CARF, acrescentou a seu Regimento Interno o Artigo 62A, que diz em seu parágrafo primeiro: “Art. 62A. (...) §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recurso extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” 8. Além disso, o parágrafo único, do artigo 1º, da Portaria CARF nº 01, de 30 de janeiro de 2012, dispõe expressamente que “o procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. 9.Assim, como não houve a comprovação de determinação de sobrestamento do feito pelo Supremo, entendo que o julgamento da questão não encontrase prejudicada. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO 10. Insurgese o contribuinte no que se refere à suspensão da exigibilidade do crédito, tendo em vista a interposição de recurso. 11. Conforme prevê o inciso III, do artigo 151, do CTN a interposição de recurso, por si só já suspende a exigibilidade do crédito, dessa forma, a cobrança de tal crédito já se encontra suspensa até o final do processo, conforme informado na decisão de primeira instância. DA INEXISTÊNCIA DE ISENÇÃO 12. Aduz a recorrente que embora não possua Registro nem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecida pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) faz jus ao benefício, pois cumpre todos os demais requisitos previstos na Constituição Federal. 13. Ocorre que, conforme estabelece o § 7º, do artigo 195, da CF/88, “são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. 14. Dessa forma, verificase que para que uma entidade seja considerada isenta de contribuição para a seguridade social é necessário que ela atenda às exigências previstas em lei. 15. E a Lei que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social é a Lei nº 12.101/2009, a qual reza em seu artigo 3º: “Art. 3 A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos: (...)” 16. Assim, verificase que para uma entidade ser beneficiada com a isenção de contribuições para a seguridade social necessita fazer sua certificação junto ao órgão competente, em consonância com o que determina a lei. 17. Dessa forma, entendo que para que a contribuinte pudesse ser considerada isenta, deveria ter requerido sua certificação. Por esse motivo, mantenho a decisão recorrida neste ponto. DA EQUIPARAÇÃO A EMPRESA 18. Alega, ainda, o contribuinte que não pode ser equiparada a empresa para fins de tributação. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 288 7 19. Contudo, entendo que tal alegação não merece prosperar. Isso porque a Emenda Constitucional n.º 20/98 que alterou o artigo 195 da CF/88 dispôs que a seguridade social será financiada por intermédio das contribuições do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)” (g.n.) 20. E sobre o tema, o parágrafo único, do artigo 15, da Lei nº 8.212/91, dispõe que “equiparamse a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras”. 21. Dessa forma, verificase que as entidades e associações de qualquer natureza ou finalidade são equipadas, por força de lei, às empresas, não devendo prosperar as alegações da recorrente neste ponto. DA CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO 22. A decisão recorrida manteve o lançamento fiscal de débito em desfavor da empresa devido ao descumprimento de obrigações acessórias e por não recolher as contribuições devidas em decorrência da contratação de cooperativa de trabalho, conforme descrito abaixo: “1. Este procedimento fiscal é decorrente da ação fiscal (...) para auditoria básica nos pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho médio, relativamente ao período de 01/2008 até 12/2010. (...) 3. O auto de infração por descumprimento de obrigação principal (...), tem por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias não recolhidas no período de 01/2008 até 11/2008, conforme relacionado abaixo: 3.1. Foi constatado que tais pagamentos não foram declarados nas Guias de Recolhimento de Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e que não houve o recolhimento da contribuição previdenciária prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212, de 24/07/91 (...)”. (ff. 12 e 13) 23. Dessa forma, verificase que a controvérsia trazida nos autos se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos feitos pela recorrente na contratação de cooperativas de trabalho. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 24. E sobre a questão, aduz o contribuinte que “a contribuição previdenciária prevista pela Lei nº 8.212/91, art. 22, inc. IV, não encontra amparo na CF/88”. (f. 204) 25. Ocorre que, sobre a questão da constitucionalidade, este Conselho já sumulou a matéria firmando o entendimento de que: “SÚMULA N.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 26. Nos termos do que dispõe o artigo 22, caput, e inciso IV da Lei do Custeio Previdenciário, os lançamentos feitos, têm como contribuinte, a empesa que contrata serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).” (g.n.) 27. Assim, restando demonstrada a existência de previsão legal de incidência de contribuição previdenciária no caso concreto, entendo que houve o descumprimento do estabelecido no inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c com inciso IV, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 28. O artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/91, determina que: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97). (...) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97)” 29. E o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, estabelece que: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de Fl. 292DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 289 9 contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (Ver art. 258, § 3º, e art. 284)” 30. Assim, fica demonstrado que a notificação e o lançamento se deram estritamente com base na legislação previdenciária, sendo, portanto, devidos pela entidade, os valores lançados pelo fisco. 31. Nesse momento, peço vênia para trazer à baila ementas de decisões proferidas por este Conselho, sobre o tema em tela: “SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOSCOOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei n°8.212/91.” (Processo n.º 35273.0001091200615; Recurso Voluntário 150.988; Acórdão n° 240100.434; Sessão de 5 de junho de 2009; Relator: Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira) “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS. COOPERATIVAS. 1 Nos termos do inciso IV do art. 22, da Lei n°8.212/91, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus cooperados.” (Processo n.º 10283.004765/200728; Recurso Voluntário 160.982; Acórdão n.º 240100.40; Sessão de 5 de junho de 2009; Relator:Rogério de Lellis Pinto) “SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOSCOOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei n°8.212/91.” (Processo n.º 13603.001446/200799; Recurso Voluntário 160.306; Acórdão n.º 240100.394; Sessão de 4 de junho de 2009; Relator: Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira) 32. Pelo exposto, mantenho a autuação fiscal, por ter o contribuinte deixado de recolher contribuições previdenciárias no percentual de 15%, incidentes sobre as faturas ou notas ficais emitidas em decorrência de serviço prestados por intermédio das cooperativas de trabalho. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 DA MULTA APLICADA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 33. Dos autos, verificase que no presente caso que o contribuinte foi autuado pelo descumprimento do artigo 32, inciso IV – apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. E nesse ponto, entendo que o lançamento deve ser reformado. 34. Isso porque a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 35. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 290 11 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 36. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 37. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 38. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 39. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Fl. 295DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 40. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 41. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 42. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 291 13 43. Quanto à cobrança de multa em lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 44. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 32. Redação anterior do artigo 35: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 45. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 46. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 47. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15504.724771/201153 Acórdão n.º 2301003.164 S2C3T1 Fl. 292 15 Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 48. Razão pela qual entendo que deve ser aplicado ao cálculo da multa o artigo 32A, caso seja mais benéfico ao contribuinte. CONCLUSÃO 49. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar a redução da multa aplicada, conforme estabelece o artigo 32A da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11070.000893/2010-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTAS PESSOAS.
Restando a comprovação fática de que houve a contratação de empregados por interposta pessoa, correto o enquadramento dos empregados na empresa a que estão materialmente vinculados.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RFB - COMPETÊNCIA - LEI 11.457/2007.
Cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa até a competência de 11/2008, limitando-a a 20% conforme artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, relator, e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Marcelo Magalhães Peixoto Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTAS PESSOAS. Restando a comprovação fática de que houve a contratação de empregados por interposta pessoa, correto o enquadramento dos empregados na empresa a que estão materialmente vinculados. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RFB - COMPETÊNCIA - LEI 11.457/2007. Cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN. Recurso Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTAS PESSOAS. Restando a comprovação fática de que houve a contratação de empregados por interposta pessoa, correto o enquadramento dos empregados na empresa a que estão materialmente vinculados. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RFB COMPETÊNCIA LEI 11.457/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 08 93 /2 01 0- 66 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa até a competência de 11/2008, limitandoa a 20% conforme artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, relator, e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Marcelo Magalhães Peixoto – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 700 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, Acórdão nº 1236.088 13ª Turma, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.276.7133, com ciência da Recorrente em 20.05.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR n º RO 713699072 BR às fls. 494 com valor consolidado de R$ 2.384.631,82. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 61 a 70, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração de contribuições da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 05/2005 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal, às fls.61 a 70, as contribuições incidem sobre o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais prestadores de serviço da empresa, bem como dos segurados empregados que trabalharam para a empresa através das empresas interpostas EDSON SCHAEFER (CNPJ 02.065.659/000151) e CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME (CNPJ 02.663.970/000100). As empresas interpostas também sofreram ações fiscais e os elementos apurados nestas fiscalizações apontaram tratarse de uma única empresa. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 642 a 655, em breve síntese dos fatos apurados na AuditoriaFiscal: (i) A pessoa física Edson Schaefer, sóciofundador da empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA, retirouse da sociedade em 1997 e iniciou as atividades da firma individual EDSON SCHAEFER ME, como optante pelo SIMPLES. De 03/2001 a 12/2008, Edson Schaefer trabalhou para a autuada no cargo de gerente administrativo, tendo sido declarado em GFIP sob a denominação de empregado. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 (ii) A pessoa física Cláudio Teixeira Candido titularizou firme indibidual de 1997 a 2008, figurando como empregado nas GFIP da empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA desde 03/2001. Em 09/2004 sua esposa, Cristina Schaefer Candido, tornouse sócia da empresa JOSCIL, exercendo a função de administradora. A partir de 2006, a empresa CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME optou pelo SIMPLES, mas exercia atividade de construção civil, vedada pela Lei 9.317/1996. (iii) Localização das empresas. A empresa CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME possui endereço de sede onde os fundos coincidem com a empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. A empresa EDSON SCHAEFER ME situase em frente à autuada, sendo que atualmente o espaço está sendo utilizado por esta última. Ambos os imóveis pertencem à JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. (iv) Foram constatadas despesas com energia elétrica e água nos anos de 2005 a 2008 contabilizadas na empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA, mas que se referiam ao endereço da então firma individual CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME ou ao endereço da antiga firma individual EDSON SCHAEFER ME. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 701 5 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 (v) A AuditoriaFiscal ao fazer perquirições acerca da cessão dos imóveis para terceiros sem cobrança de aluguel, concluiu que as empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME, na realidade, correspondem à própria empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. (vi) Empregados com contratos formalizados com as empresas empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME obtiveram reembolso de despesas de viagens contabilizadas na empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA em contas sob o título GÊNEROS ALIMENTÍCIOS e outras contas da empresa. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 702 7 (vii) O funcionário Odilon Pinheiro de Ávila figura como fiador de um contrato de locação celebrado entre a empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA e uma pessoa física. Neste contrato, em março de 2006, o sr. Odilon Pinheiro de Ávila é qualificado como supervisor de montagens da empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA e está declarado formalmente como empregado nas GFIPs da empresa EDSON SCHAEFER ME. (viii) Foi constatado o pagamento de despesa na conta contábil CURSOS/SEMINÁRIOS/PALESTRAS E OUTROS da empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA para Fl. 704DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 o funcionário Luiz Augusto Frisch, sendo que o funcionário também está empregado CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME. (ix) Em visita aos locais, foi constatado que as microempresas não possuíam parque industrial, sendo toda a industrialização desenvolvida nas dependências da empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA, além do que as empresas comercializavam equipamentos da marca JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA com a justificativa de que seria uma forma de valorização da marca. (x) A própria empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA efetuou empréstimos para as empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME com regularidade em todo o período fiscalizado, restando um saldo a seu favor de cerca de R$ 6 milhões, sem nuca ter havido contabilizado qualquer juro referente a tais empréstimos. Sendo que tais valores de empréstimo superam os faturamentos declarados da microempresas em questão. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 703 9 (xi) Em dezembro de 2008, as microempresas foram incorporadas pela empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. Anotese também que, em relação aos acréscimos legais, a AuditoriaFiscal demonstrou a utilização de um Quadro Comparativo de Multas, às fls. 57 a 60, aplicando a legislação mais benéfica ao contribuinte no período 05/2005 a 11/2008, período anterior à vigência da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 05/2005 a 12/2008. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 20.05.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR n º RO 713699072 BR às fls. 494. Contra a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, emitiu o Acórdão nº 1236.088 13ª Turma, fls. 246 a 252, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: Fl. 706DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008. SIMULAÇÃO NA CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS. Constatado pela fiscalização que a contratação de serviços ocorre de forma simulada, correto o enquadramento dos empregados na empresa a que estão materialmente vinculados. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS PROCESSUAIS.. A teor do art. 17 do Decreto nº70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.. MULTA CONFISCATÓRIA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É inadequada a postulação de matéria relativa à inconstitucionalidade na esfera administrativa, na forma prevista do art.. 26A do Decreto nº70.235, de 06/03/1972, acrescido pela Medida Provisória n º 449/20089, convertida na Lei 11.941/2009. TAXA SELIC.. É legítima a utilização da taxa SELIC, conforme o disposto no § 1º do art. 161, CTN c/c art. 34, caput, da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acorda o Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe (AI n º 37.276.7133), ACORDAM os membros Turma, , por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor principal de R$ 1.385.806,92, multa de ofício de R$ 373.432,94, e multa de mora nas competências 01 a 04/2007 e 07q2007 a 11/2008, acrescidos de juros a serem calculados na data da liquidação. Á ARF – Ijuí / RS para intimar para pagamento no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando o aduzido em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da violação de princípios constitucionais; (ii) As empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME eram optantes pelo SIMPLES NACIONAL à Fl. 707DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 704 11 época da autuação. As empresas foram desenquadradas de ofício pela fiscalização do INSS, sendo que a exclusão do SIMPLES deve ocorrer mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB, conforme o art. 15, § 3º, Lei 9.317/1996. Quando da incorporação das microempresas, elas não haviam sido excluídas do SIMPLES pela Receita Federal. (iii) A Fiscalização do INSS não tem competência para desconsiderar contratos de trabalho e muito menos para definir ou estabelecer o que seja vínculo empregatício ou relação de emprego/trabalho. Alude a dispositivos constitucionais e legais para mostrar ser competência da Justiça do Trabalho e do Ministério do Trabalho. (iv) Não houve a caracterização de interpostas empresas. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 686. É o Relatório. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 686. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, Acórdão nº 1236.088 13ª Turma, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.276.7133, com ciência da Recorrente em 20.05.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR n º RO 713699072 BR às fls. 494 com valor consolidado de R$ 2.384.631,82. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 61 a 70, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração de contribuições da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 05/2005 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal, às fls.61 a 70, as contribuições incidem sobre o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais prestadores de serviço da empresa, bem como dos segurados empregados que trabalharam para a empresa através das empresas interpostas EDSON SCHAEFER (CNPJ 02.065.659/000151) e CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME (CNPJ 02.663.970/000100). As empresas interpostas também sofreram ações fiscais e os elementos apurados nestas fiscalizações apontaram tratarse de uma única empresa. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 705 13 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.276.7133 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.276.7133) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); Fl. 710DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 b. DD Discriminativo do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; f. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. g. TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.276.7133, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 711DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 706 15 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Da violação de princípios constitucionais; Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 712DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO. (ii) As empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME eram optantes pelo SIMPLES NACIONAL à época da autuação. As empresas foram desenquadradas de ofício pela fiscalização do INSS, sendo que a exclusão do SIMPLES deve ocorrer mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB, conforme o art. 15, § 3º, Lei 9.317/1996. Quando da incorporação das microempresas, elas não haviam sido excluídas do SIMPLES pela Receita Federal. Analisemos. Resumidamente, a Recorrente alega que não houve o ato de ofício de exclusão do SIMPLES por autoridade competente da Receita Federal. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 61 a 70, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração de contribuições da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 05/2005 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal, às fls.61 a 70, as contribuições incidem sobre o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais prestadores de serviço da empresa, bem como dos segurados empregados que trabalharam para a empresa através das empresas interpostas EDSON SCHAEFER (CNPJ 02.065.659/000151) e CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME (CNPJ 02.663.970/000100). As empresas interpostas também sofreram ações fiscais e os elementos apurados nestas fiscalizações apontaram tratarse de uma única empresa. Ora, conforme já debatido em sede de decisão de primeira instância, não houve ato administrativo de exclusão do SIMPLES no processo administrativofiscal em apreço, sendo que tampouco se trata o presente processo de exclusão do SIMPLES. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 707 17 A AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei 11.457/2007 que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, e não a fiscalização do INSS conforme o alegado pela Recorrente, efetuou a desconsideração dos vínculos formalizados nas empresas EDSON SCHAEFER (CNPJ 02.065.659/000151) e CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME (CNPJ 02.663.970/000100) para fins de apuração das contribuições sociais previdenciárias dos empregados que trabalharam de fato para a empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. Ou seja, não se discute no presente processo qualquer ato administrativo de exclusão do SIMPLES das empresas EDSON SCHAEFER (CNPJ 02.065.659/000151) e CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME (CNPJ 02.663.970/000100. Diante do exposto, não prospera tal argumentação da Recorrente. (iv) Não houve a caracterização de interpostas empresas. Analisemos. A Recorrente alega que não foi devidamente caracterizada a relação de interposta pessoa para com a mesma. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 61 a 70, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração de contribuições da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 05/2005 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal, às fls.61 a 70, as contribuições incidem sobre o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais prestadores de serviço da empresa, bem como dos segurados empregados que trabalharam para a empresa através das empresas interpostas EDSON SCHAEFER (CNPJ 02.065.659/000151) e CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME (CNPJ 02.663.970/000100). As empresas interpostas também sofreram ações fiscais e os elementos apurados nestas fiscalizações apontaram tratarse de uma única empresa. Outrossim, o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 642 a 655, em breve síntese dos fatos apurados na AuditoriaFiscal: (i) A pessoa física Edson Schaefer, sóciofundador da empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA, retirouse da sociedade em 1997 e iniciou as atividades da firma individual EDSON SCHAEFER ME, como optante pelo SIMPLES. De 03/2001 a 12/2008, Edson Schaefer trabalhou para a autuada no cargo de gerente administrativo, tendo sido declarado em GFIP sob a denominação de empregado. (ii) A pessoa física Cláudio Teixeira Candido titularizou firme indibidual de 1997 a 2008, figurando como empregado nas GFIP da empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA desde 03/2001. Em 09/2004 sua esposa, Cristina Schaefer Fl. 714DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Candido, tornouse sócia da empresa JOSCIL, exercendo a função de administradora. A partir de 2006, a empresa CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME optou pelo SIMPLES, mas exercia atividade de construção civil, vedada pela Lei 9.317/1996. (iii) Localização das empresas. A empresa CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME possui endereço de sede onde os fundos coincidem com a empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. A empresa EDSON SCHAEFER ME situase em frente à autuada, sendo que atualmente o espaço está sendo utilizado por esta última. Ambos os imóveis pertencem à JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. (iv) Foram constatadas despesas com energia elétrica e água nos anos de 2005 a 2008 contabilizadas na empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA, mas que se referiam ao endereço da então firma individual CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME ou ao endereço da antiga firma individual EDSON SCHAEFER ME. (v) A AuditoriaFiscal ao fazer perquirições acerca da cessão dos imóveis para terceiros sem cobrança de aluguel, concluiu que as empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME, na realidade, correspondem à própria empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. (vi) Empregados com contratos formalizados com as empresas empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME obtiveram reembolso de despesas de viagens contabilizadas na empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA em contas sob o título GÊNEROS ALIMENTÍCIOS e outras contas da empresa. (vii) O funcionário Odilon Pinheiro de Ávila figura como fiador de um contrato de locação celebrado entre a empresa JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA e uma pessoa física. Neste contrato, em março de 2006, o sr. Odilon Pinheiro de Ávila é qualificado como supervisor de montagens da empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA e está declarado formalmente como empregado nas GFIPs da empresa EDSON SCHAEFER ME. (viii) Foi constatado o pagamento de despesa na conta contábil CURSOS/SEMINÁRIOS/PALESTRAS E OUTROS da empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA para o funcionário Luiz Augusto Frisch, sendo que o funcionário também está empregado CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME. (ix) Em visita aos locais, foi constatado que as microempresas não possuíam parque industrial, sendo toda a industrialização desenvolvida nas dependências da empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA, além do que as empresas comercializavam equipamentos da marca JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA com a justificativa de que seria uma forma de valorização da marca. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 708 19 (x) A própria empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA efetuou empréstimos para as empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME com regularidade em todo o período fiscalizado, restando um saldo a seu favor de cerca de R$ 6 milhões, sem nuca ter havido contabilizado qualquer juro referente a tais empréstimos. Sendo que tais valores de empréstimo superam os faturamentos declarados da microempresas em questão. (xi) Em dezembro de 2008, as microempresas foram incorporadas pela empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. Os elementos acima evidenciam faticamente a relação existente de contratação de empregados por interpostas pessoas, tais como: o compartilhamento de instalações e produção comum; o quadro societário das empresas apresentando, basicamente, os mesmos vínculos; as relações de vínculos empregatícios; relações entre a massa salarial das empresas e o faturamento; a transferência de empregados, os empréstimos sem cobrança de juros e liquidação regular; e a dependência econômicofinanceira das empresas. Considero então que a AuditoriaFiscal fez ampla prova fática nos autos de que, embora as empresas CLÁUDIO TEIXEIRA CANDIDO ME e EDSON SCHAEFER ME tenham sido formalmente constituídas, há uma única empresa como sendo a real empregadora em relação aos segurados empregados em questão, que é a empresa autuada JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA. Diante do exposto, não prospera tal argumentação da Recorrente. (iii) A Fiscalização do INSS não tem competência para desconsiderar contratos de trabalho e muito menos para definir ou estabelecer o que seja vínculo empregatício ou relação de emprego/trabalho. Alude a dispositivos constitucionais e legais para mostrar ser competência da Justiça do Trabalho e do Ministério do Trabalho. Analisemos. Não obstante as colocações feitas feita pela Recorrente, a argumentação central da Recorrente aponta indiretamente para a inconstitucionalidade de dispositivos legais em face do advento da EC 45/2004 que ampliou a competência da Justiça do Trabalho. Outrossim, já foi analisado no tópico (A) a questão da inconstitucionalidade. Ademais, frisese a competência da RFB em relação à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, nos termos da lei 11.457/2007; Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Fl. 716DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. Portanto, diante do exposto acima, não prospera tal argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as PRELIMINARES, e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 717DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 709 21 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Redator designado Durante o julgamento deste processo surgiu divergência com o posicionamento do relator na questão da aplicação da multa. Registro aqui a posição vencedora, com a qual compartilho. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 61 a 70, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração de contribuições da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 05/2005 a 12/2008, aplicandose a multa progressiva na forma original do art. 35 da Lei 8.212/91. Quanto a esta exigência, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 718DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.000893/201066 Acórdão n.º 2403001.755 S2C4T3 Fl. 710 23 Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento para determinar o recálculo da multa de mora, até a competência de 11/2008, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10983.901051/2008-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.273
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. DESNECESSIDADE. A falta de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF antes da realização da compensação, por si só, não pode constituir óbice à homologação do procedimento, desde que demonstrada a procedência do direito creditório requerido, haja vista a ausência de previsão legal ou normativa neste sentido. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Machado Vilhena Dias, OAB/MG nº 99.110. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 10 51 /2 00 8- 53Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de compensação não homologada referente a pagamento indevido de Cofins cujo direito creditório, segundo despacho decisório eletrônico, fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação aviada através do PER/DCOMP 29411.03536.310304.1.3.046063. Em manifestação de inconformidade o contribuinte informa que, devido à falta de retificação das DCTF no momento adequado, tivera suas compensações não homologadas sob o argumento de falta de crédito, mas que, todavia, já providenciara a correção em 30/05/2008, conforme demonstrativo confeccionado. A DRJ Florianópolis/SC reputou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que o contribuinte, por ocasião da efetivação da compensação, não dispunha de créditos líquidos e certos como determina o art. 170 do CTN, porquanto providenciara a retificação da DCTF após a apresentação da DCOMP sob vergasta, o que retiraria os atributos exigidos por aquele dispositivo legal, bem assim, que a conformação jurídica da existência do pagamento indevido somente se revelaria se a retificação fosse anterior à compensação. Em recurso voluntário o contribuinte protestou, preliminarmente, pela nulidade da decisão recorrida pela falta de análise da procedência do seu direito creditório, sustentando a ausência de motivação deste ato administrativo e a superficialidade com que tratou a questão, em desobediência aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99 e 59 do Decreto nº 70.235/72. No mérito, ratificou a existência de seu direito creditório, demonstrando a apuração correta da base de cálculo da exação e o valor pago indevidamente; alegou que houve mero erro de preenchimento da DCTF; asseverou que a decisão recorrida violou o princípio da verdade material, citando farta doutrina e jurisprudência a respaldar seus argumentos; por fim, defendeu a impossibilidade de se lhe exigir valores declarados incorretamente, como pretende a Administração Tributária, simplesmente porque preencheu erroneamente a DCTF. O contribuinte juntou cópia do documento de arrecadação e extratos do PERDCOMP e das DCTF apresentadas. Em outubro/2010 este colegiado converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 340300.115, para que se verificasse a procedência, aferição e quantificação do direito creditório vindicado, bem assim, a sua eventual utilização para quitação de outros tributos administrados pela RFB. Procedida a diligência requerida e devidamente cientificado o requerente, foram os autos devolvidos para prosseguimento. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10983.901051/200853 Acórdão n.º 3403001.818 S3C4T3 Fl. 5 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. A autoridade responsável pela realização da diligência afirma que o direito creditório pleiteado, no montante de R$ 1.713,00 (hum mil, setecentos e treze reais), teria se consubstanciado a partir da retificação da DCTF, a partir de 30/05/2008, na linha de raciocínio da decisão de primeiro grau. Entendem as autoridades recorridas que a retificação da DCTF, à luz do funcionamento do denominado Sistema de Controle de Crédito (SCC), seria condição inarredável para certeza e liquidez do direito creditório. Com o devido respeito, não compreendo a situação sob o mesmo prisma, por entender que a substância precede a forma, sob pena de se admitir, por exemplo, que o contribuinte que não dispõe de crédito algum, seja por ressarcimento, seja por restituição, mas desde que proceda à retificação da DCTF antes da compensação, passaria a ser detentor de direito líquido e certo perante a Administração Tributária e sua compensação seria homologada sem maiores questionamentos. Sob minha ótica, a certeza e a liquidez de um crédito se substancializam à vista da legislação pertinente e dos documentos que lhe conferem legitimidade e não pelo preenchimento de declarações, meras obrigações acessórias que são. Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Regulamentando a matéria, temse, por ocasião dos fatos aqui narrados, o art. 74 da Lei nº 9.430/96, o qual previa em seu caput que o sujeito passivo que apurasse crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderia utilizá lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Normatizando este procedimento compensatório, também à época dos fatos mencionados o PERDCOMP foi transmitido em 31/03/2004 , vigia a IN SRF 460/2004. Esquadrinhando aludido ato normativo não localizei dentre suas disposições nenhuma exigência que impunha ao contribuinte, detentor de um direito creditório qualquer e que desejasse utilizálo na compensação com outro tributo de sua sujeição, a necessidade de retificar a DCTF, onde informado o pagamento a maior ou indevido, para que fizesse jus à sua repetição. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A vinculação do reconhecimento à liquidez e certeza do crédito vindicado ao singelo ato de retificar uma declaração, como no caso, a DCTF, carece de qualquer respaldo, seja legal ou normativo, ou, pelo menos, se existente, não foi declinado em nenhuma das manifestações oficiais constantes deste processo. O despacho decisório, a decisão de primeira instância e mesmo o despacho de diligência não apontam dispositivo algum que embase a alegação consoante a qual a DCTF é condição sine qua nom para aferição da procedência do crédito do contribuinte e conseqüente higidez da compensação realizada. A diligência realizada não rechaça a existência do crédito do contribuinte, ao contrário, confirmao. Considerando que o mesmo procedimento asseverou que o valor em debate não foi utilizado de outra forma, forçoso reconhecer a improcedência da não homologação perpetrada pelo despacho decisório sob vergasta. Por derradeiro, respeitante às preliminares de nulidade arguidas, para que não transcorram em branco, em que pese não vislumbrálas, ao menos em exame perfunctório, sirvome do disposto no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/721, para desincumbirme de seu enfrentamento. Com estas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl 1 "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta." Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10380.723585/2010-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
O regime da não cumulatividade da COFINS admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS QUANDO DA VENDA, NO MERCADO INTERNO, DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. AUTORIZAÇÃO LEGAL SOMENTE A PARTIR DE 09/08/2004.
O saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, apurado na forma do artigo 3o da Lei no 10.833, de 2003, em virtude de vendas para o mercado interno de produtos sujeitos à alíquota zero, poderá ser aproveitado para compensação com débitos próprios ou para ressarcimento somente a partir de 09/08/2004.
Base legal: artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, c/c parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005.
Recurso a que se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dando-lhe, nessa parte, por maioria de votos, parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade da COFINS admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS QUANDO DA VENDA, NO MERCADO INTERNO, DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. AUTORIZAÇÃO LEGAL SOMENTE A PARTIR DE 09/08/2004. O saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado na forma do artigo 3o da Lei no 10.833, de 2003, em virtude de vendas para o mercado interno de produtos sujeitos à alíquota zero, poderá ser aproveitado para compensação com débitos próprios ou para ressarcimento somente a partir de 09/08/2004. Base legal: artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, c/c parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005. Recurso a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 35 85 /2 01 0- 46 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dandolhe, nessa parte, por maioria de votos, parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. Relatório O presente processo diz respeito a recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Fortaleza (fls. 298/301), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), no valor de R$ 110.771,02, relativo à COFINS nãocumulativa de competência do terceiro trimestre de 2004. O valor glosado pela unidade preparadora, portanto, o montante envolvido no presente litígio, é de R$ 87.789,63. A instância julgadora a quo assim descreve os fatos atinentes à presente lide: Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente à Cofins Não Cumulativa – Mercado Interno, referente ao 3º Trimestre de 2004, totalizando R$ 110.771,02, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de nº 26350.02273.260907.1.1.110030, fls. 03/05. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização local, fls. 55/57, por meio de Despacho Decisório, fl. 105, a DRF Fortaleza, reconheceu a título de crédito a quantia de R$ 22.981,39. O não reconhecimento integral do direito creditório postulado decorreu das glosas a seguir detalhadas: Vendas Merc. Interno com Alíquota Zero Despesas de Depreciação Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Total das Glosas Consideradas 26.579,40 21.838,66 39.371,57 87.789,63 · receitas de vendas no mercado interno sujeitas à alíquota zero – foram glosados créditos correspondentes às vendas efetuadas, no mês de julho de 2004, para o mercado interno posto que, a partir de 01/05/2004, as receitas de vendas de frutas no mercado local (capítulo 8 da TIPI) passaram a ser contempladas, no que tange ao Pis/Pasep e à Cofins, conforme estabelecido pelo art. 28, inc. III da Lei nº 10.865, de 2004, com a alíquota zero; tal glosa decorreu do fato de que somente a partir de 09/08/2004 haver sido autorizada a manutenção dos créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero (art. 16 c/c o art. 17, inc. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 199 3 III da Medida Provisória nº 206, de 06/08/2004, publicada no DOU em 09/08/2004); tendo presente que as receitas de vendas de frutas no mercado interno representaram 8,65% das receitas totais, esse percentual foi aplicado sobre o montante dos créditos apurados em julho/2004, de R$ 307.276,39, chegandose à glosa de R$ 26.579,40; · despesas de depreciação – foram glosados créditos correspondentes a despesas de depreciação, no valor de R$ 21.838,66, conforme planilha I do Relatório Fiscal, em relação às quais não houve a apresentação das notas fiscais que comprovassem a efetivação das aquisições dos bens do ativo fixo que dariam suporte às depreciações, indevidamente consideradas pela pessoa jurídica; · pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagens destinadas ao transporte – as glosas a esse título, conforme consta da planilha II do Relatório Fiscal, atingiram o valor de R$ 39.371,57, tendo sido efetivadas com base nos fundamentos especificados nos itens subsequentes. Foi afirmado pela autoridade fiscal responsável pelos procedimentos de diligência, efetivados para fins de apuração do direito creditório em questão, que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Ante a situação explanada, com base no disposto pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o inc. I do § 4º do art. 3º da IN SRF nº 404, de 2004, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade local que “somente dão direito ao crédito de Cofins as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do Cofins”. Conforme já explanado, no Despacho Decisório, fl. 105, a autoridade com competência para reconhecimento do crédito reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo reconhecimento seu parcial, no valor de R$ 22.981,39. A ciência deuse em 11/11/2010, fl. 107/110. Não satisfeita com o que foi decidido, em 30/11/2010 a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, 111/123, vazada nos termos a seguir relatados. [...] Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo não foram acatados pela primeira instância, tendo a mesma, como já dito, indeferido o pleito conforme ementa do Acórdão correspondente, abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinandose tãosomente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito ao crédito. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Somente a partir de 09 de agosto de 2004, com o advento da Medida Provisória nº 206, de 6 de agosto de 2004, convertida na Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, ficou estabelecido que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. Referentemente à primeira instância administrativa, inexiste previsão legal para a autorização da sustentação oral, durante a sessão de julgamento, por parte de representante legal do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 07/02/2012 (fls. 172), a interessada, em 01/03/2012 (fls. 174), apresentou o recurso voluntário de fls. 174/195, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, os quais, em síntese, abordam as questões na sequência relatadas: a) o acórdão recorrido procurou ratificar as glosas a partir do conceito de insumo objeto da IN 247/02; b) também não considerou os pallets, cantoneiras e demais produtos como matéria prima ou produto intermediário, tendo, para tanto, diferenciado “embalagem de apresentação” de “embalagem de transporte”, além de se alicerçar na legislação do IPI (artigo 4o da Lei no 4.502/64), a qual não poderia ser utilizada para fins da nãocumulatividade da COFINS, posto que enquanto, no IPI, o fato gerador é a industrialização, na COFINS o fato gerador decorre das receitas provenientes da produção da empresa; c) ressalta que sua atividade não se caracteriza como industrialização, mas produção de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento; d) a diferença entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte só faz sentido para fins de incidência do IPI, e não para fins de ressarcimento da COFINS; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 200 5 e) assevera que a legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos autoriza expressamente o creditamento decorrente de embalagens utilizadas na produção; f) quanto às embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados no processo produtivo), destaca sua imprescindibilidade para a conservação dos produtos exportados até sua chegada no porto de destino, ressaltando ainda que as mesmas não compõem o ativo imobilizado da empresa, uma vez que não retornam à empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes; g) uma vez que as embalagens são agregadas aos produtos que acondicionam, deveriam as mesmas, portanto, seguir o mesmo tratamento tributário do produto principal; h) cita soluções de consulta de Superintendências Regionais da Receita Federal, as quais, segundo entende, levariam ao entendimento de que as embalagens classificarseiam como produtos intermediários; i) assevera que a distinção entre “embalagem de apresentação” e “embalagem de transporte”, trazida no acórdão contestado, “é totalmente descabida, uma vez que o próprio Superior Tribunal de Justiça comunga com o entendimento do CARF quanto a extensão do conceito de insumo para fim (sic) de creditamento de PIS e COFINS”; j) a legislação do IPI não poderia ser utilizada para fins da não cumulatividade da COFINS, posto que enquanto no IPI o fato gerador é a industrialização, na COFINS o fato gerador decorre das receitas provenientes da produção da empresa; k) quanto às glosas decorrentes de depreciação, ressalta que, diferentemente do que foi asseverado na decisão de primeira instância, tal assunto fora contraditado, dada a inconformidade do contribuinte com a totalidade das glosas, como consta no item V, letra “b”, de sua contestação; e, l) já em relação aos créditos oriundos da receita de vendas no mercado interno (com alíquota zero – art. 28, III, da Lei 10.865/04), defende a existência do direito creditório mesmo antes da edição da MP 206/2004, uma vez que o artigo 16 da referida Medida Provisória seria elucidativo, tendo apenas clarificado direito anteriormente vigente. Por todo o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade dos créditos até o proferimento da decisão definitiva e reformada integralmente a decisão de primeira instância, com a consequente homologação das compensações vinculadas ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Das preliminares Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e apresentado por parte legítima. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. Porém, há que registrar que parte da matéria objeto das glosas dos créditos pleiteados não foi realmente contraditada. Isso ocorreu em relação às glosas decorrentes de depreciação, assim como em relação à informação divergente entre a DACON e à planilha apresentada pela empresa. Nesse sentido, contrariamente ao que alega a interessada, não vale apenas contestar de forma geral a totalidade das glosas, mas abordar fundamentadamente as razões de fato e de direito que entende, fundamentam seu recurso. Vale lembrar que o motivo da glosa correspondente à depreciação foi a não comprovação da referida despesa, portanto, matéria de fato, o que torna impossível qualquer exame diante da inexistência de apresentação de argumentos específicos da interessada inerentes ao problema. Portanto, impende seja aplicado ao caso o disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, conhecendose, consequentemente, do recurso, apenas no que diz respeito ao aduzido direito em relação às embalagens, assim como concernente às receitas pelas vendas no mercado interno. Mérito Como dito, o recurso se restringe a exame de questão de direito relacionada à possibilidade ou não de creditamento da COFINS segundo o regime da nãocumulatividade em relação a despesas com embalagens (pallets, cantoneiras, dentre outros), bem como relativamente à manutenção dos créditos pelas vendas realizadas no mercado interno. Do direito creditório relativamente às despesas com embalagens Sobre a primeira questão (aduzido direito creditório decorrente das despesas com “embalagens”), entendeu a instância recorrida que os gastos efetuados com a aquisição de pallets, cantoneiras e demais produtos que o contribuinte emprega para embalar e proteger as frutas comercializadas até o destino final não geram direito creditório, posto que referidos produtos são utilizados apenas para armazenagem, movimentação e transporte dos produtos, se agregando ao produto apenas depois de encerrado o ciclo produtivo. Com efeito, a legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003) autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para a questão em exame o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 201 7 A DRJ Fortaleza, ao examinar o problema, atribuiu a insumo o sentido do termo extraído da legislação do IPI. Esse, aliás, foi o alcance dado ao termo pela própria Receita Federal ao editar as Instruções Normativas nos 247, de 2002 (relativa ao PIS não cumulativo) – artigo 66 –, e 404, de 2004 (inerente à COFINS nãocumulativa) – artigo 8o. Essa questão já foi amplamente discutida neste colegiado, tendo esta Turma, em sessão realizada em outubro de 2012, pacificado o entendimento sobre o alcance do termo “insumo” para fins do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Nesse sentido, reproduzo trecho do voto do conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo no 16366.000288/200937 (acórdão no 3802001.418, de 23/10/2012), que, por sua vez, se reporta a voto do conselheiro Regis Xavier Holanda proferido em setembro de 2012 (acórdão nº 3802001.309). Aqui, adoto o entendimento dos i. colegas, abaixo reproduzido: A divergência de entendimento, a meu ver, decorre da utilização de regimes jurídicos distintos para definir o significado e alcance jurídicos do termo insumo, pois, enquanto a fiscalização adota como referência o regime jurídico próprio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Recorrente utiliza como referencial o regime jurídico da não cumulatividade que rege a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep. Assim, por utilizar um referencial jurídico estranho ao regime de cobrança da referida Contribuição, o entendimento esposado pela fiscalização, ao meu ver, discrepa do sentido e alcance jurídico do termo insumo, explicitado no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais). A questão foi analisada com brilhantismo pelo i. Conselheiro Regis Xavier Holanda no voto vista que serviu de fundamento para o Acórdão nº 3802001.309, proferido por esta Turma Especial, na Sessão de 26 de setembro de 2012, de extraio os trechos a seguir reproduzidos: A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo que apresenta contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva1. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima 1 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 202 9 vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa2. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos3. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 13053.000211/200672, em 09 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que – no caso dos bens não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como bem ressaltado pelo nobre Conselheiro, a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep tem como referencial de “incidência (fato 2 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 3 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional”. Com base nesse entendimento, é inevitável a conclusão no sentido de que, no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, todos os bens e serviços que compõem o custo de produção são considerados insumos habilitados a gerar crédito, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002. Corrobora ainda com o entendimento aqui esposado, o teor do art. 290, I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) Reforça o entendimento supra – no sentido de que não se pode dar ao conceito de insumo o sentido próprio da legislação do IPI – o fato de a legislação inerente ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS também prever creditamento em relação a insumos de serviços, o que, para o IPI, não faz nenhum sentido. Assim, o termo deverá ser tratado especificamente para as contribuições em tela, como já fartamente demonstrado no julgado cujo entendimento adotamos para dirimir a presente lide. No caso presente, em que a empresa exporta frutas frescas, é incontroverso que referido transporte necessite do adequado acondicionamento da mercadoria a fim de preservar sua integridade até a chegada no porto de destino. Com efeito, de acordo com o relatório fiscal, os pallets, as cantoneiras e os demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas são utilizados no processo como embalagens, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais de destino. Portanto, o gasto com tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadra no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, devendo, pois, ser computado na base de cálculo dos créditos da COFINS nãocumulativo. Do aduzido direito creditório sobre as vendas realizadas no mercado interno com alíquota zero A lide também envolve discussão acerca do reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativo sobre as vendas realizadas no mercado interno. Conforme relatado, as glosas decorreram do fato de as receitas de vendas de frutas terem passado a ser contempladas com a alíquota zero (em relação ao Pis/Pasep e à COFINS) a partir de 01/05/2004, mesmo quando destinadas ao mercado interno (artigo 28, inciso III, da Lei no 10.865/20044). O montante glosado foi obtido pela aplicação do percentual 4 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 203 11 correspondente às vendas de frutas no mercado interno sobre o somatório dos créditos no período, posto que, segundo a autoridade administrativa, somente a partir de 09/08/2004, por força dos artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/20045, é que passara a ser autorizada a manutenção dos créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero. Assim, o cálculo da glosa foi o seguinte: Receita de vendas no mercado interno x Créditos no período = Crédito glosado Receita total Em outras palavras, a autoridade administrativa entendeu que deveria ser glosada a parte do crédito proporcional às receitas de vendas no mercado interno (sujeitas à alíquota zero). É verdade que a legislação pertinente ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS (artigo 3o, § 2o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) faz algumas ressalvas concernentes ao direito de desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Assim, não dará direito a crédito, dentre outras hipóteses, as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição (vide artigo 3o, § 2o, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Vêse, pois, que o creditamento vedado pelo artigo 3o, § 2o, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 se dá em relação à aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições (PIS e COFINS). A condição impeditiva ao creditamento amarrada à saída, ou seja, à revenda de produtos ou sua utilização como insumo em produtos “sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”, no âmbito das vedações de que trata o inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ocorre somente quanto aos produtos isentos adquiridos. Porém, há ainda uma questão legal relevante que aponta para a inexistência de direito a socorrer a interessada. A autoridade administrativa entendeu que o direito ao creditamento em relação à aquisição de insumos utilizados nos produtos agrícolas comercializados somente teria passado a viger a partir de 09/08/2004, isso por força dos artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, que posteriormente foi convertida na Lei no 11.033, de 21/12/2004. Reproduzo os dispositivos da Medida Provisória no 206/04 acima referenciados: [...] III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e 5 Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 17. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] III na data de sua publicação [em 09/08/2004], nas demais hipóteses. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 17. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] III na data de sua publicação [em 09/08/2004], nas demais hipóteses. É correto o entendimento adotado pela autoridade fiscal, o qual é corroborado pelo parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, resultado da conversão da Medida Provisória no 227, de 06/12/2004. Com efeito, nos termos do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, o saldo credor da contribuição para o PIS/Pasep ou COFINS, apurado na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (além do saldo pela incidência das referidas contribuições sobre as importações) em virtude do disposto no artigo 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004 (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela – artigo 16 da Medida Provisória no 206/04) poderá também ser aproveitado da mesma forma que a prevista no artigo 5o da Lei 10.637/02 e artigo 6o da Lei 10.833/03, ou seja, mediante compensação com débitos próprios de outros tributos federais, ou ainda, ressarcimento em dinheiro, nos termos estabelecidos pelo comentado preceito legal. Tal direito, contudo, é limitado pelo parágrafo único do preceito em tela (artigo 16 da Lei no 11.116/05), segundo o qual, “relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004” (ou seja, início da vigência do artigo 16 da Medida Provisória no 206/04) até o último trimestrecalendário anterior ao da publicação da Lei mesma 11.116/05, é que a compensação ou o ressarcimento poderá ser efetuado. Para melhor clareza, reproduzo o dispositivo em tela: Lei nº 11.116, de 18/05/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifo nosso) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 204 13 Correto, portanto, o entendimento oficial, uma vez demonstrado que a autorização legal para a manutenção dos créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero somente passou a viger a partir de 09/08/2004. Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer do recurso apenas no que diz respeito ao aduzido direito em relação às embalagens, assim como concernente às receitas pelas vendas no mercado interno, dando parcial provimento ao mesmo para reconhecer o direito creditório somente em relação aos gastos da empresa com embalagens necessárias ao acondicionamento da mercadoria (pallets, cantoneiras, e demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas), posto que tais produtos se enquadram no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, devendo, pois, ser computados na base de cálculo dos créditos da COFINS segundo o regime da nãocumulatividade. Sala de Sessões, em 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 Declaração de Voto Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Conceito de insumos O regime de não cumulatividade na cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS encontra seus contornos normativos, em âmbito legal estrito, na Lei nº 10.637, de 2002, e na Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente. Inicialmente, restou definido pelo artigo 1º das referidas Leis que essas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e como base de cálculo o valor desse faturamento6. Já com o objetivo de delinear o regime de incidência nãocumulativa dessas contribuições, o artigo 3º dessas Leis previu um rol taxativo de créditos que podem ser descontados do valor do tributo inicialmente apurado. Vejamos7: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 6 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. ............................................................ 7 Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 205 15 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) .................................. Destaques apostos. Essa é, portanto, em linhas gerais, a arquitetura legal pensada para dar efetividade ao regime de incidência nãocumulativa das presentes contribuições: o estabelecimento de um rol taxativo de operações aptas a gerar créditos a serem descontados do valor determinado da contribuição. Dentre essas operações, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637 de 2002, bem como o correspondente preceito da Lei no 10.833/2003, prevêem o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Daí surge a necessidade de se definir, para fins de creditamento, o que são insumos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A previsão de tomada de créditos inserta no artigo 3º, II, pode ser assim quadripartida: a) bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; b) bens utilizados como insumo na prestação de serviços; c) serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; d) serviços utilizados como insumo na prestação de serviços. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 16 Neste ponto, muito controvérsia se estabeleceu no contencioso administrativo e judicial em relação, por enquanto, à situação relacionada à utilização de bens como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a). O nascedouro das discordâncias repousa principalmente na interpretação dada pela Receita Federal a esse dispositivo especialmente ao item a acima indicado através das Instruções Normativas nºs 247, de 2002, e 404, de 2004. Vejamos, e.g., o primeiro desses normativos: IN SRF Nº 247/02 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 206 17 que apresenta contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente – a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 18 não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva8. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa9. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos10. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 13053.000211/200672, em 09 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. 8 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. 9 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 10 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723585/201046 Acórdão n.º 3802001.430 S3TE02 Fl. 207 19 Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que – no caso dos bens – não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias. No caso presente, deseja a recorrente ver reconhecido direito creditório relativo a contribuição para o PIS relativamente a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior. De início, diante do sentido próprio a ser conferido ao conceito de insumo previsto pela legislação da contribuição para o PIS e da COFINS (art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003), extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, tenho que referidas despesas não se enquadram no referido conceito. Com efeito, as despesas com embalagens, no caso presente, foram feitas para utilização, não no processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, relacionada ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Dessa forma, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Portanto, não há previsão legal que admita as despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias para fins de creditamento da contribuição para o PIS e da COFINS uma vez que as mesmas não são aplicadas diretamente durante o processo de industrialização, tratandose, na verdade, de despesas agregadas em momento posterior à conclusão do processo produtivo, razão pela qual não se qualificam como insumo. Assim, pelo exposto, voto pelo integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10410.721302/2010-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO.
É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de 30 dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972.
Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto.
Numero da decisão: 1802-001.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por ter sido apresentado intempestivamente.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de 30 dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por ter sido apresentado intempestivamente. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de 30 dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por ter sido apresentado intempestivamente. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 13 02 /2 01 0- 27 Fl. 22840DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.841 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 22596/22602 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (fls. 22576/22581) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJSimples e reflexos (CSLLSimples, PIS Simples, CofinsSimples e Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples), quanto ao anocalendário 2006. Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJSimples, de 08/10/2010 (fls. 18567/18578), a imputação das seguintes infrações: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS. NÃO ESCRITURADAS Omissão de receitas caracterizadas pela existência de diferenças, apuradas mensalmente, entre as receitas decorrentes de comissões pagas por companhias aéreas, clientes do sujeito passivo, e os valores escriturados nos livros contábeis da empresa, ou oferecidos na declaração anual simplificada Simples. E uma vez que a descrição dos fatos afigurouse muito longa, o seu detalhamento foi remetido para o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração (...) Fundamento legal: Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3°, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96.; Art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. (...) 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de recolhimento de valores apurada à vista da majoração das receitas mensais apropriadas originalmente na PJSI 2007 SIMPLES, por omissão de receitas; cobrandose, portanto, mediante o presente lançamento de ofício, as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores Fl. 22841DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.842 3 declarados a menor, já que utilizadas pelo sujeito passivo alíquotas inferiores às efetivamente aplicáveis. (...) Enquadramento legal: Art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) Valor tributável da infração Omissão de Receitas, anocalendário 2006, R$ 1.633.764,35 (R$ 2.289.273,82 – R$ 655.509,47), conforme demonstrativos constantes dos autos de infração (fls. 18559/18600) e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal e Anexos I a XVII (fls. 18640/18658 e 18659/18666). O crédito tributário lançado de ofício (computada a multa qualificada de 150% sobre a infração Omisão de Receitas, multa de ofício de 75% sobre diferença de exações fiscais sobre a receita declarada e os juros de mora calculados até 30/09/2010) perfaz o montante de R$ 437.521,29, extraído do demonstrativo resumo (fl. 18567), assim especificado: Auto de Infração (R$) Principal Juros de Mora (calculados até 30/09/2010) Multa de Ofício Total IRPJSimples 10.516,60 4.620,26 15.564,29 30.701,15 PIS – Simples 7.732,11 3.390,72 11.440,59 22.563,42 CSLl – Simples 10.516,60 4.620,26 15.564,29 30.701,15 Cofins – Simples 31.181,87 13.706,50 46.154,16 91.042,63 Contrib. INSS – Simples 89.920,82 39.507,01 133.085,10 262.512,93 Total 437.521,29 A contribuinte tomou ciência dos autos de infração e do Termo de Encerramento Fiscal pessoalmente, por seu respresentante legal, em 19/10/2010; apresentou impugnação em 17/11/2010 (fls. 18671/18675), cujas razões, em síntese, foram assim consignadas no relatório da decisão a quo, in verbis: (...) 3. No prazo legal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 18671/18675, por meio da qual aduz, depois de relatar os fatos: 3.1. As agências de viagens sofrem retenção do Imposto Sobre Serviços – ISS na fonte (art. 49, XII, da Lei n.º 4.486, de 1996). Assim, todas as emissões de notas fiscais são meramente escriturações, já que as companhias aéreas fazem as retenções. Tal explicação serve para demonstrar que não existem motivos para a empresa sonegar, já que, com as retenções do ISS, o pagamento de outros impostos seria de valor mínimo; Fl. 22842DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.843 4 3.2. A AEROTURISMO é uma empresa que tem como foco centralizar a consolidação. Consolidadora é uma empresa que repassa bilhetes aéreos para outras empresas menores sem crédito com as companhias aéreas. As empresas que não têm crédito, através de um sistema instalado em suas agências, fazem a emissão de passagens aéreas. Para realizar esse trabalho, a AEROTURISMO cobra um percentual de comissão que varia de 2 a 3% sobre o valor do bilhete (exemplo à fl. 18673); 3.3. As companhias aéreas afirmam terem repassado um total de R$ 2.155.777,00 a título de comissão para a AEROTURISMO. No esclarecimento prestado à fiscalização, emitiramse três relatórios. Como não houve muito tempo, foi feita uma busca das notas fiscais emitidas pelas agências de viagens “e tiramos um relatório, o outro de somente de quem não encontramos as notas fiscais, além de um cancelamentos e reembolsos” (sic); 3.4. No período da autuação, conforme demonstrado em CD (“comissão repassada agências que encontramos nota fiscal”), foram repassados às agências R$ 182.505,00, valor que foi considerado pela fiscalização. Noutro relatório também enviado em CD (“comissão repassada agências falta encontrar nota fiscal”), consignouse ter repassado R$ 998.535,00, valor não considerado pela fiscalização, talvez por excesso de cautela. Se houve o entendimento de que a AEROTURISMO é responsável apenas pela comissão efetivamente recebida, o que entendeu a fiscalização quando juntadas as notas fiscais emitidas pelas agências que consolidam com a AEROTURISMO, o mesmo entendimento deve prosperar quanto às agências que não emitiram notas fiscais. Ficou claro, a partir das faturas emitidas contras as agências de turismo, que a AEROTURISMO não ficou com o total das comissões pagas pelas companhias aéreas (traz exemplos sobre os valores das comissões que teria recebido em três vendas de passagens efetuadas por agências de viagens, os quais estariam acompanhados de faturas emitidas contra as agências, nas quais constariam as faturas da International Air Transport Association IATA, “bastando confrontar como o nosso relatório contábil com as entradas desse cliente”); 3.5. Ao que tudo indica, não existem dúvidas da fiscalização quanto ao que foi exposto. O problema é que, por cautela, não aceitou as faturas em virtude de inexistir aceite. Não se considerou a contabilidade, na qual escriturado o fato de que as agências pagaram as faturas. Como poderiam ser frias se as agências pagaram à AEROTURISMO? 3.6. Na contabilidade, tanto existem as saídas (pagamentos das comissões) – momento em que é gerada a fatura –, quanto existem as entradas (créditos bancários e recibos) dos pagamentos realizados pelas agências para a AEROTURISMO. Para que não restem dúvidas, foram reemitidas todas as faturas e obtidas as assinaturas dos consolidados, os quais declararam que todas as faturas foram emitidas contra a sua ordem e que não existem divergências; Fl. 22843DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.844 5 3.7. A fiscalização não fez referência aos bilhetes que foram cancelados e reembolsados, apesar de emitido relatório referente aos estornos de comissão/venda cancelada, no montante de R$ 314.000,00. (...) A 4ª Turma da DRJ/Belém, por sua vez enfrentando o mérito do litígio, decidiu pela manutenção integral do crédito tributário, julgando improcedente a impugnação, cuja ementa do Acórdão transcrevo a seguir (fls.22576), in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. REMUNERAÇÃO NA INTERMEDIAÇÃO DE PASSAGENS AÉREAS. A inclusão parcial da receita auferida na intermediação de vendas de passagens aéreas caracteriza omissão de receita. RECEITA BRUTA. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS/REPASSADOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de intermediação de vendas de passagens aéreas, quando os serviços são prestados por conta e exclusiva responsabilidade de agência de viagens e turismo que executa a função de “consolidadora” a totalidade dos valores recebidos das companhias aéreas a título de comissões e incentivos integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e das contribuições, não tendo amparo legal, na tributação pelo Simples, a dedução dos valores pagos/repassados a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela impugnante, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 22844DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.845 6 Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 09/01/2012 – segundafeira (fl. 22589), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/02/2012 (terça feira) fls. 22596/22602, juntando, ainda, os documentos de fls. 22603/22828, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Tempestividade do recurso: que embora notificada em 09/01/2012, só teve acesso ao processo na data de 30/01/2012 (fl. 22590), motivo pelo qual pediu a devolução do prazo em 30/01/2012 (fl. 22593), data essa que deve ser utilizada como marco inicial para contagem do prazo para apresentação do recurso; que, portanto, sendo a data final dia 29/02/2012, deve ser considerado tempestivo o recurso protocolado dia 27/02/2012; 2) – Prescrição do crédito declarado, confessado, em DCTF: (obs: nesse tópico do recurso a recorrente discorre acerca do instituto da prescrição tributária, em relação a débitos confessados em DCTF; porém, os débitos confessados em DCTF não são objeto do lançamento fiscal. Os autos de infração tratam de diferenças de crédito tributário do IRPJ Simples e reflexos, anocalendário 2006, apuradas e lançadas em face da infração omissão de receitas); 3) – Omissão de receitas: comissão sobre vendas: que é uma empresa consolidadora, centralizadora de vendas de passagens aéreas, recebendo 10% (dez por cento) de comissão das companhias áereas (7% pela venda +3% pela consolidação); que consolidadora é uma empresa que repassa bilhetes aéreos para outras empresas menores que não têm crédito, contrato direto, com as companhias aéreas para venda de passagens aéreas; que, assim, as agências de viagens, que não têm crédito com as companhias aéreas, solicitam a emissão de passagens aéreas à consolidadora (repasse de bilhetes de passagens aéreas); que, nesse caso, a consolidadora recebe a comissão cheia de 10%, mas repassa 7% para agência de viagem, ficando com 2 a 3%, apenas pelo trabalho de consolidação; que, reiterando as razões já apresentadas na primeira instância de julgamento, discorda do valor da omissão de receitas apurada pelo fisco quanto ao ano calendário 2006; que, diversamente da fiscalização, encontrou diferença de receitas tão somente no valor de R$ 331.070,00, conforme demonstrativo a seguir: (+) Receita de comissões .......................................R$ 2.155.777,00; () NF emitidas pela Aeroturismo...........................R$ 329.601,00; () Comissão agência – repasse (falta NF).............R$ 998.601,00; () Comissão Agência emitiram NF........................R$ 182.505,00; () Comissão Agências de fora (repasse) ................R$ 31.237,00; () Extorno de Comissão .........................................R$ 314.000,00; Diferença de valores apurados..................... ........R$ 331.070,00. Fl. 22845DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.846 7 que, ademais, essa diferença de R$ 331.070,00 referese a descontos dados nas licitações; que todas as vendas feitas para Órgãos Públicos foram dados descontos quanto à comissão, ou seja, ganhou uma comissão bem menor que a "dita companhia aérea informa que ganhamos"; que, entretanto, só guarda, conserva, documentos por 05 (cinco) anos; que já foram todos destruídos, não tendo portanto como provar o alegado acima, servindo apenas dos Editais mais recentes; quanto ao valor da comissão repassada de R$ 998.535,00 (não foram juntadas notas fiscais), porém a recorrente pediu prazo de trinta dias para apresentação das respectivas notas fiscais; que espera seja analisado com cautela todo o exposto, pois, caso não seja revertido o entendimento da decisão recorrida, com certeza será mais uma empresa a fechar as partas, por não suportar os encargos tributários, os quais, no caso, não foram sonegados. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 22846DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.847 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator É facultado ao contribuinte apresentar recurso voluntário contra a decisão desfavorável de 1ª instância de julgamento, no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão, nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A recorrente tomou ciência da decisão a quo em 09/01/2012 – segundafeira (fl. 22589) e apresentou o Recurso Voluntário em 27/02/2012 – terçafeira (fls. 22596/22602), juntando, ainda, os documentos de fls. 22603/22828. O prazo fatal, para apresentação tempestiva do recurso, expirou em 08/02/2012; porém, a contribuinte apresentou o recurso somente em 27/02/2012, ou seja, com 19 (dezenove) dias de atraso. Portanto, o recurso foi apresentado fora do prazo legal, além do trintídio legal. Recurso tardio ou serôdio. Não obstante, a recorrente argumentou que, no dia 30/01/2012, perante a DRF/Maceió, protocolara pedido de devolução do prazo para apresentação do recurso voluntário. Compulsando os autos, realmente consta petição protocolada em 30/01/2012 pleiteando a devolução de prazo para apresentação de recurso, com a seguinte exposição de motivos (fl. 22.593), in verbis: (...) AEROTURISMO AGENCIA DE VIAGENS LTDA, com endereço na rua Barão de Penedo, 61, Centro, CNPJ 12.386.124/000136, por seu diretor abaixo firmado, vem REQUERER A DEVOLUÇÃO DO PRAZO DE 30 DIAS PARA RECURSAR PERANTE O CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelos fatos e fundamentos que passo a expor:. Fomos intimados no dia 06 de janeiro de 2011. Ao tomar ciência, nós dirigimos a Receita Federal para pegar os documento que tínhamos dado entrada. Fomos informados por uma funcionária que a pessoa responsável por esses documentos só estaria presente na próxima semana. No dia 16 de janeiro, nós dirigimos novamente à Receita. Porém, só tivemos acesso aos documentos que tinham sido usado como defesa em nossa contestação. Fomos informado que teríamos Fl. 22847DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.848 9 que entrar com pedido para ter acesso ao processo e que teríamos que levar 3 ( três) CDS para copia, pois o processo era grande. Comparecemos no dia 26 janeiro, no setor SACAT, entregamos os CDS para cópia. Fomos informado pela Sra. Elen, que o sistema estava lento e, que devido ao processo ser volumoso, demoraria muito, talvez mais de uma semana. Informamos ainda que até a presente data, não tivemos acesso as cópias integrais, sendo este o motivo do pedido para que seja devolvido o prazo. (...) Além dessa petição, consta petição de solicitação de cópia dos autos do processo em 27/01/2012, fornecida, providenciada, em 30/01/2012 (fl.22590). Diversamente do alegado pela contribuingte, inexiste prova, nos autos, de que a recorrente, antes dessa data, tivesse realmente procurado a Repartição Fiscal para extrair cópia integral dos autos do processo. Não há previsão legal para devolução de prazo para apresentação de recurso voluntário, neste caso. As razões citadas pela contribuinte no seu pleito, transcrito acima, também não justificam a perda de prazo para apresentação, tempestiva, do recurso voluntário, pois a fiscalização: a) quando do encerramento do procedimento fiscal, repassou ao sujeito passivo cópia de todos os documentos que obteve junto a outras empresas do setor e que serviram, foram utilizados, para lastrear a lavaratura dos autos de infração; b) quando do encerramento do procedimento de fiscalização, procedeu à devolução dos livros e documentos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte; c) quando da ciência dos autos de infração do IRPJSimples e reflexos, forneceu à contribuinte os originais, respectivas vias, dos autos de infração, do termo de verificação fiscal e de todos os anexos que fazem parte do lançamento fiscal; Ainda, a contribuinte, desde o término do procedimento fiscal, tem a posse plena dos originais de todos os livros e documentos de sua escritutração contábil, cujas cópias foram juntados aos autos pela fiscalização e tem, também, cópia de todos os documentos juntados aos autos pela fiscalização obtidos das empresas do setor, pertinentes ou relacionados com os fatos apurados e objeto dos autos. Logo, a contribuinte, desde a ciência dos autos de infração, está de posse de todos esses documentos que embasaram o lançamento fiscal, com os quais defendeuse na primeira instância, quando da apresentação da respectiva impugnação na DRJ (instância a quo). No período entre a apresentação da impugnação com juntada de documentos pela impugnante e o prazo tempestivo para apresentação do recurso nesta instância recursal, Fl. 22848DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.721302/201027 Acórdão n.º 1802001.278 S1TE02 Fl. 22.849 10 não houve a juntada de outros elementos de prova aos autos pela fiscalização que pudessem justificar imprescindível acesso aos autos e devolução de prazo para apresentação de recurso. Como demonstrado, nada há a justificar a perda de prazo pela contribuinte para apresentação, tempestiva, do recurso voluntário. Nada há nos autos, por conseguinte, quanto a documento relativo ao lançamento fiscal, que já não estivesse de posse do sujeito passivo, quando da ciência da decisão a quo. A alegação da contribuinte, sem prova, de que não teve acesso aos autos do processo, no prazo para apresentação do recurso voluntário, não passa de mero pretexto engenhoso, monobra ou chicana jurídica inadmitida na legislação processual, implicando tentativa frustrada, malograda, de ampliação ou de extensão do prazo recursal. Sendo assim, não tem cabimento algum, nem plausibilidade jurídica, a alegação da contribuinte de que não teve acesso a documentos ou peças do processo, para fazer o recurso contra a decisão a quo. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por ser perempto. Por tudo que foi exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso, por ter sido apresentado intempestivamente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 22849DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 13971.901605/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
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OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 16 05 /2 01 1- 45 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901605/201145 Acórdão n.º 3202000.617 S3C2T2 Fl. 185 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos contra o Acórdão n.º 3202 000.558, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, em face da seguinte e obscuridade apontada: a) Referida decisão não mencionou, expressamente, qual o dispositivo de lei que assim determina a limitação do crédito ao menor saldo credor apurado no período; Transcrevo, a seguir, a ementa do Acórdão nº 3202000.555 objeto dos presentes embargos: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ANÁLISE DE TODA A ARGUMENTAÇÃO. Não implica em cerceamento de defesa decisão que adota fundamentação suficiente para o deslinde da controvérsia, revelandose desnecessário à instância de piso rebater cada um dos argumentos declinados pelo Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO DE TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO A partir de 01/01/1999, o pedido de ressarcimento ou compensação de IPI, efetuado por PER/DCOMP, deve ser requerido em relação aos créditos escriturados no trimestre referencia. O saldo credor passível de ressarcimento de cada trimestre calendário deve ser pleiteado em PER/DCOMP próprio. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. SALDO CREDOR DE IPI. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 preconiza seja compensado o saldo credor de IPI com débitos do imposto, admitindo o ressarcimento dos créditos que não puderem ser compensados com débitos do próprio imposto. O referido artigo determina ainda seja formalizado o pedido de ressarcimento em períodos trimestrais. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÕES SUCESSIVAS. MENOR SALDO CREDOR. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901605/201145 Acórdão n.º 3202000.617 S3C2T2 Fl. 186 Tendo o contribuinte formado saldo credor de IPI no intervalo de 2003 a 2006 e tendo registrado saldo devedor do imposto em alguns períodos, de modo a diminuir seu crédito, o saldo credor remanescente correspondente ao menor saldo credor do imposto verificado em sua escrita fiscal é o que deverá ser selecionado para ressarcimento, e não o saldo credor formado a cada trimestrecalendário. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DOS PERÍODOS ANTERIORES AO TRIMESTRE REFERENCIA, PARA QUE SEJA RECONHECIDO O DIREITO PLEITEADO. Os créditos de períodos anteriores não interferem na análise do direito creditório em exame, pois os trimestrescalendários são independentes e os créditos anteriores não maculam os créditos anteriores. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.” É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual deles tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. Outrossim, embora entenda suficientes os fundamentos apontados na decisão, o que, de plano, levaria à rejeição dos embargos, filiome à corrente prestigia a máxima efetividade das garantias individuais, premissa que demove o exame das questões formuladas pela Embargante. Logo, por tal motivo, conheço dos embargos e passo ao exame das questões formuladas. Supostas Obscuridades A Embargante aponta obscuridade do acórdão embargado pelo fato dessa decisão não mencionar expressamente qual seria o dispositivo de lei que determina a limitação do crédito ao menor saldo credor do período. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901605/201145 Acórdão n.º 3202000.617 S3C2T2 Fl. 187 O fundamento legal perseguido pela Embargante e que respaldou a conclusão do acórdão embargado de que a Embargante faria jus apenas ao menor saldo credor do período encontrase plasmado no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. A fim de disciplinar a compensação tributária e o ressarcimento de IPI in tela, a Secretaria da Receita Federal (SRF) baixou a Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 (norma vigente ao tempo das compensações da Embargante, sucessivamente alterada posteriormente) que disciplinou o ressarcimento de IPI. O artigo 14 da referida norma assim dispunha: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1o Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I – créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei no 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1o da Portaria MF no 134, de 18 de fevereiro de 1992; e Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901605/201145 Acórdão n.º 3202000.617 S3C2T2 Fl. 188 III – créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF no 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2o Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. (...) Como visto, tratase de simples equação aritmética: total de créditos do período menos total de débitos, a diferença entre créditos e débitos é o valor passível de ressarcimento, daí falarse em menor saldo credor, indicador, ademais, s.m.j., medido pelo programa gerador de PER/DCOMP e que ali e na própria declaração podem ser verificados. Assim, para fins de apuração do valor do IPI que deve ser ressarcido, devese considerar o menor saldo credor verificado no trimestrecalendário, pois essa importância já se encontra líquida de compensações que a lei determina sejam efetuadas. Desse modo, demonstrandose nas fls. 2829 e 119120 dos autos que o saldo credor foi compensado nos períodos em que a Embargante apresentou débitos maiores que seus créditos, o saldo credor que pode ser objeto de ressarcimento é o menor saldo credor apurado no período. Portanto, não existe qualquer obscuridade a ser aclarada, na medida em que o fundamento legal retrocitado, bem assim a inteligência daquela regra, está plasmado na decisão embargada. Em face do exposto, conheço dos embargos e os rejeito pelas razões acima aduzidas. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901605/201145 Acórdão n.º 3202000.617 S3C2T2 Fl. 189 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001468/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea que atendam os requisitos legais.
RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS INEXISTENTE.
O Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte emitido pela Fonte pagadora é documento hábil e idôneo a comprovar o rendimento auferido. Não havendo prova em contrário a informação nele contida e na qual se baseou o contribuinte deve ser admitida como correta.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a omissão de receitas referente à fonte pagadora AMC Serviços Educacionais, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea que atendam os requisitos legais. RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS INEXISTENTE. O Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte emitido pela Fonte pagadora é documento hábil e idôneo a comprovar o rendimento auferido. Não havendo prova em contrário a informação nele contida e na qual se baseou o contribuinte deve ser admitida como correta. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a omissão de receitas referente à fonte pagadora AMC Serviços Educacionais, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea que atendam os requisitos legais. RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS INEXISTENTE. O Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte emitido pela Fonte pagadora é documento hábil e idôneo a comprovar o rendimento auferido. Não havendo prova em contrário a informação nele contida e na qual se baseou o contribuinte deve ser admitida como correta. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a omissão de receitas referente à fonte pagadora AMC Serviços Educacionais, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 14 68 /2 00 9- 56 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2006 , anocalendário 2005, em virtude de apuração de omissão de rendimentos de duas fontes pagadoras e glosa de deduções de dependentes, instrução e despesas médicas, por falta de atendimento à intimação. Não foi impugnada a omissão de rendimentos referente à SANED Companhia de Saneamento de Diadema (R$6.349,33). Na primeira instância foi mantido o lançamento de omissão referente à fonte pagadora AMC Serviços Educacionais comprovados por DIRF e GFIP, pois o contribuinte não trouxe documentação que pusesse em dúvidas as informações apresentadas pela fonte pagadora. Também foi restabelecida a dedução de dependentes e de instrução (não foram aceitas despesas de alimentação e material escolar por falta de previsão legal). As despesas médicas foram acatadas no valor de R$6.532,44, uma vez que não foram admitidas: a) por não terem sido pleiteadas na DIRPF: Centro Clínico Médico (fls. 50), Pharmapele Delivery (fls. 51) e Drª Juliana Álvares Ernani de Andrade (fls. 51). b) por ser indedutível: Pharmapele Delivery (adicionalmente à razão indicada no item anterior) c) pela falta do endereço do emitente: Dr. Marcos Antônio Pereira Cardoso (fls. 52/53) e FMM serviços Médicos (fls. 55). Ciência do acórdão em 09/02/2011 e interposição de recurso voluntário em 09/03/2011. O recurso, em síntese, amparase na alegação de que a falta do endereço é mera formalidade, pois foi indicado o CPF/CNPJ, é possível retificar a declaração para incluir deduções, uma vez que o lançamento somente é definitivo após o acórdão, e há erro no rendimento atribuído como pago ao recorrente pela fonte pagadora AMC, pois o recorrente recebeu somente R$4.290,15 e não R$4.569,89, não sendo suficiente a fundamentação de que não há porque duvidar da confiabilidade dos dados inseridos na DIRF e na GFIP. É o relatório. Voto Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.001468/200956 Acórdão n.º 2802001.877 S2TE02 Fl. 103 3 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio está limitado a parte das despesas médicas (recibos de fls. 50 a 55) e à omissão de rendimentos da fonte pagadora AMC (R$279,74). Quanto à omissão de rendimentos, não obstante as razões que fundamentaram o acórdão recorrido para considerar ausência de dúvida sobre a confiabilidade dos valores informados pela fonte pagadora em DIRF e GFIP, deve prevalecer que o documento hábil e idôneo para comprovar os rendimentos pagos e a retenção na fonte é o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Retido na Fonte emitido pela Fonte pagadora, que foi apresentado pelo contribuinte (fls. 56). Não constou no acórdão recorrido qualquer menção a este documento, entretanto, o fato de nele constar o valor que o contribuinte alega ter recebido e diferente daquele consignado em DIRF é suficiente para opor dúvida razoável à informação na qual se baseou o lançamento. Aliado a isto, a premissa de que o lançamento utilizouse de dados da DIRF original –como consignado no acórdão recorrido – em nada afasta o valor probante do comprovante de rendimentos apresentado. Assiste razão ao recorrente em ver excluída a omissão de rendimentos referente à fonte pagadora AMC Serviços Educacionais. Das despesas médicas O momento de pleitear as deduções é na entrega da Declaração de Ajuste Anual, de maneira que são indedutíveis despesas pleiteadas na fase do contencioso administrativo. É na Declaração de Ajuste Anual que o contribuinte exerce seu direito a deduzir despesas, sujeitandose desta forma ao dever de comprovar à fiscalização quando intimado para tanto. Nesse sentido são os acórdãos unânimes desta Turma Julgadora cujas ementas são transcritas abaixo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: IRPF. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. Não havendo, na fase impugnatória, questionamento acerca da glosa da dedução com despesa de instrução,na fase recursal, essa matéria encontrase preclusa. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, somente se restabelece a espontaneidade se, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 trascorridos mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que dê prosseguimento ao procedimento fiscal. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a apresentação de declarações retificadoras é um ato ineficaz. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea e incluídas na Declaração de Ajuste Anual apresentada à Administração Tributária e que serviu de base à autuação fiscal, sendo descabida a inclusão de deduções por meio de declarações retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal e quando cessado os efeitos da espontaneidade. Recurso negado.(Acórdão 280200.819, de 12/05/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ADMISSÃO NA FASE RECURSAL. Tendo a glosa sido impugnada, a busca da verdade material e o princípio do formalismo moderado autorizam admitir a prova da dedução declarada no ajuste anual, ainda que na fase recursal, ausentes razões significativas para sua não aceitação. IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase recursal. IRPF. DEDUÇÕES. Em relação aos dependentes e demais deduções declaradas no Ajuste Anual, uma vez comprovada com documentação hábil e idônea os requisitos de sua dedutibilidade, cabe afastar a glosa. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 280201.425, de 12/03/2012) Também são indedutíveis despesas com medicamentos adquiridos em farmácia por não estarem contempladas por lei (art. 80 do RIR 1999). Correto, portanto, o acórdão recorrido ao não admitir a dedução das despesas referentes ao Centro Clínico Médico (fls. 50), Pharmapele Delivery (fls. 51) e Drª Juliana Álvares Ernani de Andrade (fls. 51). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.001468/200956 Acórdão n.º 2802001.877 S2TE02 Fl. 104 5 A dedução de despesas médicas está condicionada a comprovação por meio de documentos que atendam os requisitos legais estampados no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda –RIR1999. Neste caso concreto, na fase de fiscalização o contribuinte não atendeu à intimação para comprovar as despesas, somente na fase de impugnação trouxe recibos aos quais o órgão julgador objetou a falta de endereço. O ônus da prova é do contribuinte, tratase de prova de simples produção que o contribuinte não produziu. Correta, portanto, a decisão de primeira instância que não admitiu a dedução cuja prova se buscou fazer com recibos sem a indicação do endereço do emitente, referentes as seguintes despesas declaradas: Dr. Marcos Antônio Pereira Cardoso (fls. 52/53) e FMM serviços Médicos (fls. 55). Portanto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a omissão de receitas referente à fonte pagadora AMC Serviços Educacionais. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.001468/200956 Acórdão n.º 2802001.877 S2TE02 Fl. 105 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 25 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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