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Numero do processo: 10730.900937/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ementa:
ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE
COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 3402-001.480
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em anular a decisão da DRJ e todos os atos praticados posteriormente
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ementa: ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em anular a decisão da DRJ e todos os atos praticados posteriormente. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 3402001480 S3C4T2 Fl. 299 2 Relatório Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com a decisão, interpôs manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que parte de suas receitas derivam de contratos a preços pré determinados, firmados antes de 31/10/03, com FURNAS, com GERASUL/TRACTEBEL e com CERJ/AMPLA, todos aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano. Afirma que as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas à Cofins cumulativa (art. 10, Lei n° 10.833/03), mas equivocadamente foram declaradas como sujeitas à Cofins nãocumulativa. Ao perceber o equivoco, retificou sua contabilidade, mas esqueceu de retificar a DCTF. Fato que deu base ao indeferimento do pedido de restituição, uma vez que os valores recolhidos combinavam com os valores declarados em DCTF. Apresentou vários documentos no momento da interposição do recurso à Primeira Instância, dentre eles; o contrato com Furnas, o contrato com a GERASUL – TRACTEBEL, o contrato com CERJ/AMPLA e o Ofício nº 1431/2006SFF da ANEEL. A DRJ do Rio de Janeiro analisou cada contrato e constatou que nos períodos reclamados pelo recorrente já havia ocorrido reajuste de preço, fato que descaracterizou o preço como predeterminado. Nesta linha, por intermédio do Acórdão nº 1330628, de 06/08/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/10/2005 Preço Predeterminado. Subsistência. Até a primeira alteração. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei n° 10.833/03, depende do caráter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas.. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, requerendo, em síntese: a) Que seja declarada a nulidade da decisão da DRJ, pois a autoridade julgadora não apreciou todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, uma vez que ignorou a existência do Ofício nº 1431/2006 SFF/ANELL; Fl. 315DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 3402001480 S3C4T2 Fl. 300 3 b) Que, alternativamente, seja reformado o acórdão da instância a quo, para reconhecer que as receitas oriundas dos contratos com FURNAS, com GERASUL TRACTEBEL e com CERJAMPLA estavam sujeitas à apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo; e c) Que sejam homologadas as compensações declaradas nos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminarmente, o recorrente alega nulidade da decisão de primeira instância uma vez que houve omissão acerca de um fundamento jurídico apresentado na manifestação de inconformidade. Segundo sua queixa, o Colegiado deixou de analisar o conteúdo do Ofício nº 1431/2006SFF/ANELL e sua aplicabilidade no caso em discussão. A Agência Reguladora afirma no Ofício nº 1431/2006SFF/ANELL que os índices aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como os contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Notase que a informação extraída do Ofício é fundamental para o rumo da lide, explico: A Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho 2006, dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, in verbis: Do Âmbito de Aplicação Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas decorrentes dos tipos de contratos que especifica, quando firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Do Regime de Incidência Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não Fl. 316DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 3402001480 S3C4T2 Fl. 301 4 cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Pela simples leitura dos artigos supra, concluise que o teor do Ofício nº 1431/2006SFF/ANELL trata exatamente desta matéria. Fl. 317DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10730.900937/200932 Acórdão n.º 3402001480 S3C4T2 Fl. 302 5 Entendo que a DRJ/RJ não poderia se abster de analisar a aplicação deste Ofício ao caso concreto. Esse é um caso típico de omissão, sanável por intermédio de embargos de declaração. Consoante noção cediça, não existe previsão para embargos contra decisão proferida em primeira instância administrativa. A previsão de embargos de declaração no âmbito do processo administrativo nasce no Regimento Interno do CARF. Diante destes fatos, surge uma pergunta, como fica então o sujeito passivo que teve seu direito cerceado por uma decisão incompleta, decisão esta que se omitiu sobre ponto fundamental que poderia dar outro rumo a lide? Resposta simples, a omissão é um vício de atividade, de um error in procedendo, na medida em que o julgador desatende comando legal regulador de sua atuação à frente do processo. Esse defeito do pronunciamento do julgador traz em si um ultraje à sadia regra de correlação entre a demanda e sentença, que vincula os fundamentos da decisão e seu dispositivo à causa de pedir e aos pedidos formulados pela parte, respectivamente. A jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de anular a decisão citra petita para afastar o cerceamento do direito de defesa. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a aplicação do Ofício nº 1431/2006SFF/ANELL ao caso em questão. Em seguida ao novo acórdão, deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Sala das Sessões, em 01/09/2011 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 318DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por NAYRA BASTOS MA NATTA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000609/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP
com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores pagos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em
pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA.
OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada
decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.118
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, para excluir do cálculo da multa os valores pagos a título de vale transporte; e b) Por maioria de votos, para que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o
valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no AI da obrigação principal
correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava a regra do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores pagos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, para excluir do cálculo da multa os valores pagos a título de vale transporte; e b) Por maioria de votos, para que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no AI da obrigação principal correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava a regra do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores pagos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja Fl. 116DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, para excluir do cálculo da multa os valores pagos a título de vale transporte; e b) Por maioria de votos, para que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no AI da obrigação principal correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava a regra do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 2401002.118 S2C4T1 Fl. 116 3 Relatório LUPO SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão n° 1230.675/2010, às fls. 98/103, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 24/11/2008, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 527.053,80 (Quinhentos e vinte e sete mil e cinqüenta e três reais e oitenta centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal da Autuação, a contribuinte deixou de informar em GFIP as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim caracterizadas as verbas abaixo listadas, caracterizadas como salário de contribuição (salário indireto) pela autoridade lançadora nos autos do AI nº 37.205.3998 – Processo n° 18088.000603/200810: 1) ALU ALUGUEL LUIS CLAUDIO MARROCO período de 01 e 02, 04 a 07, 09, 10 e 12/2004 — aluguel imóvel pago para moradia de Luis Cláudio Marroco considerado salário de contribuição previdenciário; 2) SUL — ASSIST MEDICA SUL AMERICA — período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerado salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 3) AMD — ASSIST MED DlF CONTAB FOL PGTO período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerado salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 4) AME — ASSIST MED EMPREG período de 01 a 12/2004 concessão de assistência médica considerado salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 5) AMC — ASSIST MED CONTR INDIV período de 01 a 6 e 12/2004 concessão de assistência médica considerado salário de contribuição previdenciário referente a contribuintes individuais; 6) SVC — SEGURO DE VIDA CONTR INDV — período de 01 a 12/2004 concessão de seguro de vida em grupo considerado salário de contribuição previdenciário referente a contribuintes individuais; Fl. 118DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 7) SVE — SEGURO DE VIDA EMPREGADOS — período de 01 a 12/2004 concessão de seguro de vida em grupo considerado salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 8) VT — VALE TRANSPORTE — período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; 9) RPF — REPRES PESSOA FISICA — período de 04/2004 e 10/2004 — pagamento de valores a pessoas jurídicas ainda não constituídas; 10) D1C VIAGEM CONTA 30203010500012 — período de 07, 08 e 11/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; 11) D1E VIAGEM CONTA 30203010500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 12) D2C VIAGEM CONTA 30203020500012 — período de 02 a 07, 09 a 12/2004 reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; 13) D2E VIAGEM CONTA 30203020500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 14) D3E — VIAGEM CONTA 30103010500012 — período 01, 05 e 07 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 15) FLC — FLORIO CONFECCOES período de 02 a 12/2004 — pagamento de valores com Florio Confecções no histórico sem qualquer comprovante; 16) PRO PROMOTORAS 30203020900029 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de com atividade laboral não comprovadas; 17) PRE — PREMIO DEMONSTRADORAS período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com histórico prêmio demonstradoras; 18) CON — CONVENCAO 30203020900027 — período de 01, 06, 11 e 12/2004 valores dispendidos com contratação de pessoas físicas apropriados na conta contábil 30203020900027; 19) CIN CONTR INDV NAO DECLARADO — período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com contribuintes individuais apropriados na contabilidade; 20) DPJ — DESCONSIDERACAO PJ — período de 01 a 06 e 08 a 12/2004 — valores pagos a empregado mascarado em pessoa jurídica; 21) CSE — CONTR SEGURADO EMPREGADO — período de 01 a 11/2004 — montantes devidos das rubricas apuradas referentes a contribuição do segurado empregado; A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem reconhecer a insubsistência parcial do feito, excluindo do lançamento a rubrica Assistência Médica, com esteio na jurisprudência administrativa, no sentido de que a concessão de planos diferenciados entre os funcionários não desnatura tal verba, não se cogitando, portanto, na incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 2401002.118 S2C4T1 Fl. 117 5 Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 106/111, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Contrapõese ao presente lançamento, afirmando que a "a multa fiscal moratória constitui pena administrativa”, concluindo ter havido dupla tributação para um mesmo fato, em face das outras três autuações lavradas contra a contribuinte exigindo contribuições previdenciárias, inobstante a distinção entre obrigações acessória e principal. Pugna pela aplicação Lei nº 11.941/2009, a qual estipulou penalidade menos gravosa na constatação do descumprimento da obrigação acessória em comento, impondo seja recalculada a multa nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212/91, em observância à retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude de a contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, mais precisamente as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, caracterizadas como salário de contribuição (salário indireto) pela autoridade lançadora nos autos do AI nº 37.205.3998 – Processo n° 18088.000603/200810. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, por entender ter havido dupla penalidade (bin in idem) sobre um mesmo fato gerador, uma vez ter sido, igualmente, autuada em razão do descumprimento de obrigações acessórias. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora que a presente autuação teve amparo no fato de a contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, mais precisamente a totalidade das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, contrariando o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 121DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 2401002.118 S2C4T1 Fl. 118 7 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando no pretenso bis in idem suscitado pela autuada, mas, sim, autuações diversas para obrigações tributárias distintas. De outra banda, no que concerne ao mérito da demanda, conforme relatado alhures, os fatos geradores que, no entendimento da fiscalização, deixaram de ser informados pela contribuinte em GFIP´s foram incluídos/caracterizados no AI nº 37.205.3998 – Processo n° 18088.000603/200810. Ocorre que, incluído nessa mesma pauta de julgamento, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem dar parcial provimento ao recurso voluntário, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO Fl. 122DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual, quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores pagos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatando se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 2401002.118 S2C4T1 Fl. 119 9 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Dessa forma, no julgamento da presente autuação impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele Auto de Infração. Nesse sentido, tendo esta Egrégia Câmara entendido que os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais a título de ValeTransporte não se incluem na base de cálculo das contribuições previdenciárias, por se caracterizarem como verbas indenizatórias, na linha da jurisprudência dos Tribunais Superiores, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada neste julgamento. Dessa forma, impõese a decretação da insubsistência parcial da autuação, excluindo do cálculo da multa as importâncias pagas aos funcionários da recorrente a título de ValeTransporte, tendo em vista o nexo causal que vincula as duas autuações. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, conforme suscitado pela contribuinte, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: Fl. 124DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, com base no entendimento majoritário desta Colenda Turma, impende recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa nas autuações correlatas, por descumprimento da obrigação principal. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento os valores relativos ao ValeTransporte e recalcular a penalidade nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzindose os valores levantados a título de multa nas autuações correlatas, lavradas em razão do descumprimento de obrigação principal, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 125DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 15374.901851/2008-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.06.2000 a 30.06.2000
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.310
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº
13.841.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.06.2000 a 30.06.2000 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº 13.841. Antonio Carlos Atulim Presidente. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Inconformada com a r. decisão que deixou de homologar compensação, a empresa Telemar Norte Leste S/A, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, visando modificar o julgado que lhe teria sido desfavorável. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de Contribuição para PIS/PASEP, atinente ao período de apuração de 01.06.2000 a 30.06.2000, com débito da Contribuição para a COFINS. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Sustenta, em síntese, a recorrente, que merece reforma a r. decisão que indeferiu o direito de compensação pelas razões: 1) que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB; 2) na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível; 3) que no presente caso, a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação; 4) entendem não ser suficiente apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO) com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação; 5) o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP; 6) ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito; 7) um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. A Interessada prostetou por perícia, indicando o assistente técnico, o que foi rechaçado. Na fase recursal manteve as mesmas razões demonstradas em sua peça de inconformidade. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901851/200866 Acórdão n.º 3403001.310 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso sub examine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo do contribuinte, que é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores lançados em DCTF, DARF, compensação e parcelamento ultrapassam o valor do crédito declarado a favor da Fazenda. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a informação da base de cálculo se revela indispensável. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Assevera a recorrente que não basta o confronto entre a DCTF retificadora com a declaração de compensação, motivo pelo qual cabia a Interessada demonstrar a origem do crédito. “Entretanto, conforme demonstrado, não bastará apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO em 17.03.2006), com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP”. Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma a inexistência demonstração da base de cálculo que poderia ter levado o contribuinte a recolher valor superior ao devido, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende, em sendo assim, a sustentação de que trata de empresa de grande porte daí a dificuldade de reunir documentos em decorrência do prazo ser exíguo não pode servir de argumento capaz de convencer o julgador do direito pleiteado. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a demonstração da base de cálculo onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901851/200866 Acórdão n.º 3403001.310 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.912984/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às
agências de propaganda.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da
compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2002 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. 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Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 375 2 (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 376 3 Relatório Y&R PROPAGANDA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por maioria de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação veiculada na DCOMP nº 17966.65019.141003.1.3.048668. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no anocalendário de 2002. 2. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SÃO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” 3. A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 que a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; 3.2 que, nos termos da IN SRF nº 600/2005 (artigo 5°), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; 3.3 que no presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; 3.4 que nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; 3.5 que, em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; 3.6 que, pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; 3.7 que, como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 377 4 3.8 que, não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referemse àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor específico de IRRF recolhido sob o código 8045; 3.9 que, dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação à compensação pleiteada; 3.10 que o preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a título de saldo negativo de IRPJ; 3.11 que, ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; 3.12 que o processo administrativo tributário está sujeito às garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do princípio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; 3.13 que outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9°, § 1º do Decreto 70.235. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Não seria possível transmudar o pedido para saldo negativo do IRPJ, isso porque o reconhecimento desta alteração importaria grave irregularidade, pois, além de se burlar o instituto da decadência, estarseia suprimindo da Delegacia da Receita Federal em São Paulo atribuição regimental de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. • Destacou que por esta razão não foi analisado o mérito da existência ou não de crédito da requerente a título de saldo negativo de IRPJ. Não é o caso de se impedir o aproveitamento por parte da requerente de crédito que ela venha a possuir, bastando, para tanto, que a interessada formalize nova declaração que se sujeitará à análise da autoridade competente. Também, pelos mesmos motivos, não cabe a apensação deste processo a outros processos administrativos que tenham por objeto a compensação de débitos com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002. • Esclareceu que o caso em tela nem é hipótese de retificação da Per/Dcomp, uma vez que esse procedimento não é admitido após a ciência da decisão administrativa, em observância ao disposto no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, em vigor na data em que foi proferido o Despacho Decisório ora contestado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 378 5 Divergiu o julgador Eduardo Newman de Mattera Gomes que, ante o objeto social da interessada, e tendo em conta a sistemática de recolhimento do imposto de renda na fonte imposta às agências de propaganda e publicidade, entendeu ser possível compreenderse perfeitamente a incorreção cometida pelo contribuinte no preenchimento da DCOMP eletrônica sob análise, mormente tendo em conta o prejuízo fiscal informado na DIPJ. Frisou, ainda, a possibilidade de a autoridade administrativa retificar as informações erroneamente insertas em declarações apresentadas pelo contribuinte para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, citando doutrina neste sentido, ainda que impedida esteja a retificação pela contribuinte, depois da prolação do despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/12/2009 (fl. 361), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/12/2009 (fls. 362/371), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e pede que prevaleça na íntegra o voto vencido do I. Sr. Eduardo Newman de Mattera Gomes. Esclarece que, como agência de propaganda, está submetida ao regime específico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 123/92, recolhendo, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes), o imposto que, originariamente, seria por eles retido na fonte, recolhendoos através de um único DARF, sob código 8045, além de cumprir outras obrigações acessórias. Optando pela apuração anual do lucro real, levantou balancetes de suspensão mensais apurando prejuízo fiscal em todos os períodos, evidenciandose o excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representou R$ 448.957,61, declarado em DCTF e informado a seus clientes anunciantes como comprovado na manifestação de inconformidade. Afirma, assim, seu direito de compensar aquele indébito a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic (art. 5° da IN SRF n° 600/2005). Destaca, porém, que tendo em conta a identidade entre o valor do saldo negativo e dos recolhimentos de IRRF, optou, desavisadamente, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF, e não a saldo negativo de IRPJ. Discorda da decisão recorrida, pois não pretende inovar seu pedido de compensação, havendo apenas mero erro formal, que deve ser retificado de ofício. Nem há o que se falar em burlar o prazo de decadência, pois a DCOMP foi apresentada em 2003, dentro do prazo legal de prescrição. Destaca sua boafé ao requerer o apensamento de todos os processos administrativos nos quais discute o saldo negativo de 2002, para julgamento conjunto, como forma de não haver aproveitamento em duplicidade do crédito. Reafirma a imprescindibilidade deste apensamento também para evitar decisões conflitantes, bem como em observância ao art. 9o, §1o do Decreto nº 70.235/72, que permite a formalização de um único processo quando várias exigências dependerem dos mesmos elementos de prova. Invoca o princípio da verdade material, para que seja superado o mero erro formal ora em discussão, citando ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes neste sentido. Discorda da argumentação de que a análise do saldo negativo pela Delegacia de Julgamento suprimiria atribuição regimental da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, pois o art. 147, §2o do Código Tributário Nacional impõe à autoridade Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 379 6 administrativa a quem compete a revisão da declaração o dever de retificar os erros, mormente sendo a DCOMP instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Cita outras ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes e firma que cabe à Delegacia de Julgamento corrigir a omissão da Delegacia da Receita Federal que exerce jurisdição sobre seu domicílio fiscal, em proceder à mencionada revisão. Quando muito, poderia a Delegacia Regional de Julgamento determinar, nos termos do art. 29 do Decreto n° 70.235/72, as diligências necessárias para a comprovação do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ que ora se pleiteia, mas jamais o indeferimento da solicitação, por todas as alegações de fato e de direito já expostas. Pede, assim, que sejam apensados os processos por ela relacionados, que tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, e que da análise de seu recurso resulte a homologação das compensações efetuadas, requerendose eventual diligência, se necessária, para que a autoridade competente, a partir da documentação já anexa aos autos da manifestação de inconformidade apresentada, comprove de uma vez por todas a existência do crédito, tal como informado. Em 07/02/2011 o Presidente da 4a Câmara da 3a Seção do CARF acolheu proposta do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, em favor do encaminhamento dos autos à 1a Seção do CARF, tendo em conta que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado e, no caso, o crédito alegado é originário de suposto pagamento a maior de IRRF (antecipação de IRPJ) e/ou da existência de Saldo Negativo de IRPJ, cuja apreciação é de competência da Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º, c/c art. 2º, incisos I e III, do Regimento Interno do CARF. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 380 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O litígio presente nestes autos tem os mesmos contornos daquele verificado nos autos do processo administrativo nº 10880.912964/200691, motivo pelo qual as razões de decidir são as mesmas ali expressas e, a seguir, reproduzidas: Inicialmente no que tange ao pedido de apensação dos processos indicados pela recorrente, cumpre esclarecer que, embora desejável, a juntada não é essencial para solução do litígio presente nestes autos, e também não se mostra viável operacionalmente. De fato, a matéria restou tratada em diferentes processos em razão de iniciativa da contribuinte, que vislumbrou seu crédito formado a partir de cada recolhimento de IRRF, e assim individualizou sua compensação em diferentes DCOMP. Em conseqüência, os litígios daí decorrentes, sob a aparência de indébitos individuais, ingressaram neste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais e foram tratados de forma individualizada. É certo que houve um erro na atribuição da maior parte deles à 3a Seção de Julgamento, já corrigido com a sua redistribuição à 1a Seção de Julgamento e, em alguns casos, à 2a Seção de Julgamento, à qual cabe, em regra, o julgamento dos litígios envolvendo IRRF, salvo quando antecipação do IRPJ, circunstância que tem sido constatada na análise de cada litígio, e ensejado a redistribuição dos autos à 1a Seção de Julgamento. Assim, ao final, todos estes litígios possivelmente serão apreciados por esta 1a Seção de Julgamento. E, nesta análise, é perfeitamente possível apreciar, de forma individualizada, a defesa da interessada centrada, basicamente, na alegação de que tais créditos não corresponderiam a pagamentos indevidos aferidos a partir de recolhimentos isolados, mas sim a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Isto especialmente porque a apuração da contribuinte, no referido período, resultou em prejuízo fiscal, de modo que a soma dos indébitos individuais, veiculados nas DCOMP, corresponde ao indébito total alegado em recurso, a evidenciar que eventual provimento do recurso da interessada resultaria em idêntico benefício, tanto na análise global dos litígios, como na individualizada. Aliás, a própria recorrente reconhece este fato ao afirmar que como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ. Em verdade, o julgamento individualizado dos litígios possibilitaria, apenas, que decisões diferentes fossem adotadas em casos semelhantes. Todavia, tanto a Fazenda Nacional como a interessada dispõem de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais no caso de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (art. 37, §2o, inciso II do Decreto nº 70.235/72). Nem mesmo existe a aventada possibilidade de aproveitamento em duplicidade do crédito pois o reconhecimento deste, pela autoridade administrativa competente, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 381 8 dependeria da confirmação de sua disponibilidade no momento da apresentação da DCOMP. E, quanto ao disposto no art. 9o, §1o do Decreto nº 70.235/72, mesmo admitindose sua aplicação analógica no âmbito da compensação, não se pode aqui afirmar que as compensações individualizadas pela contribuinte dependam dos mesmos elementos de prova, na medida em que cada recolhimento se referiria a operações específicas, com reflexos próprios na apuração do lucro real e do saldo negativo. Demais disto, a nova redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005 deixa claro que a reunião de lançamentos nas circunstâncias ali previstas é uma possibilidade, e não um dever: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Por estas razões, indeferese o pedido de apensamento dos processos relacionados pela recorrente e declarase desnecessária sua reunião para julgamento conjunto. De toda sorte, durante o julgamento do presente processo, a Turma Julgadora concluiu que, independentemente da apreciação dos processos conexos que estavam em pauta, seria conveniente buscar a reunião dos demais processos para apreciação desta mesma Relatora, razão pela qual esforços serão feitos neste sentido. Além disso, concluiuse que seria recomendável a apensação ao menos dos seis processos que foram apresentados na mesma sessão de julgamento, de forma a garantir que eles tivessem o mesmo encaminhamento. No mérito, aduz a recorrente que, como agência de propaganda, está submetida ao regime específico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 123/92, recolhendo, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes), o imposto que, originariamente, seria por eles retido na fonte, recolhendoos através de um único DARF, sob código 8045. De fato, a legislação fixa uma sistemática peculiar de incidência de imposto na fonte nos casos de agências de propaganda: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99: Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º): I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; II por serviços de propaganda e publicidade. § 1º No caso do inciso II, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 382 9 pela comprovação da efetiva realização dos serviços (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, parágrafo único). § 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. Instrução Normativa SRF nº 123, de 1992: Art. 1º A base de cálculo do Imposto de Renda de que trata o art. 53, inciso II da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, é o valor das importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. Art. 2º Não integram a base de cálculo as importâncias repassadas pelas agências de propaganda a empresas de rádio, televisão, jornais, publicidade ao ar livre ("outdoor"), cinema e revistas, nem os descontos por antecipação de pagamento. Parágrafo único O anunciante e a agência de propaganda são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Art. 3º O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, até o décimo dia da quinzena subsequente à de ocorrência do fato gerador. § 1º A agência de propaganda efetuará o recolhimento do imposto utilizando um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, preenchido em duas vias, englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração. § 2º O valor do imposto será convertido em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no primeiro dia útil subsequente ao de ocorrência do fato gerador. § 3º O valor em cruzeiros do imposto a pagar será determinado mediante a multiplicação da sua quantidade em UFIR pelo valor da UFIR diária na data do pagamento. Art. 4º A agência de propaganda deverá fornecer ao anunciante, até o dia 15 de fevereiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. Parágrafo único As informações prestadas pela agência de propaganda deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda na fonte DIRF Anual do anunciante. Art. 5º A dedutibilidade, pelo anunciante, das despesas de propaganda, segundo o regime de competência, está sujeita às disposições do art. 247 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/80). Art. 6º A agência de propaganda deverá informar o valor do imposto na Declaração de Contribuintes e Tributos Federais DCTF. Art. 7º O Imposto de Renda na fonte poderá ser deduzido do imposto apurado mensalmente na forma do art. 38 da Lei nº 8.383, de 1991, assim como do imposto estimado em cada mês, caso a agência de propaganda tenha optado pela faculdade prevista nos arts. 39, 86 ou 87 da mesma lei. Art. 8º Esta Instrução Normativa aplicase aos fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1993. Nestes termos, a Lei nº 7.450/85, base legal do RIR/99, estabelece a incidência do imposto de renda no momento do pagamento, de uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por serviços de propaganda e publicidade. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 123/92 atribui à agência de propaganda, na condição de beneficiária, o recolhimento do imposto incidente sobre o pagamento ou crédito, por ordem e conta do anunciante. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 383 10 Ainda, a legislação impõe, à agência de propagada, o dever de fornecer ao anunciante documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que ele os discrimine em sua DIRF e disponha da prova necessária para a dedutibilidade da despesa de propaganda. Os dispositivos antes transcritos também exigem que a agência de propagada informe em DCTF o imposto incidente sobre o pagamento por ela recebido, e reconhecem o direito de a agência de propaganda deduzir este imposto de renda na fonte na apuração definitiva do imposto de renda incidente sobre o lucro (IRPJ). Admissível, portanto, neste contexto, que uma agência de propaganda se confunda, no preenchimento da DCOMP, quanto à natureza de seu crédito, e vislumbre indébitos em cada recolhimento de imposto incidente sobre os valores que lhes foram pagos ou creditados, ao invés de um saldo negativo consolidado, mormente se no anocalendário correspondente foi apurado prejuízo fiscal. Neste caso excepcional, distinto da generalidade dos casos nos quais as antecipações cabem a quem paga ou credita rendimentos, o imposto incidente na fonte foi recolhido pela própria beneficiária, de forma que ela dispunha dos DARF que representavam o indébito de imposto de renda naquele período, o que pode têla induzido a apontá los como origem do crédito utilizado em compensação. Cumpre, assim, confirmar se no presente caso concreto estão presentes os demais elementos caracterizadores da condição da recorrente como credora da Fazenda Nacional, no anocalendário 2002, a título de saldo negativo de IRPJ. Está provado nos autos que a contribuinte tem por objeto social: (a) a prestação dos serviços de propaganda, publicidade, marketing, comunicações, promoções, convenções e realização de eventos em geral; (b) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; (c) a prestação de serviços de assessoria e assistência pertinentes às atividades indicadas no item (a); e (d) a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia ou acionista (fl. 26). É inconteste, também, que houve recolhimento sob o código de receita 8045, destinado ao IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens); serviços de propaganda, e que tal recolhimento foi vinculado a débito de mesmo valor declarado em DCTF, motivo da não homologação da compensação. Porém, não há prova, nos autos, de que o recolhimento apontado na DCOMP corresponda, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda. Como acima indicado, o código de receita 8045 prestase, também, ao recolhimento de IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Contudo, a interessada afirma que os recolhimentos teriam esta natureza, e junta comprovantes apresentados a seus clientes anunciantes, além de DCTF, DARF e DIPJ, como evidências do excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representaria R$ 448.957,61. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatase que a contribuinte transmitiu as seguintes DCOMP eletrônicas (já excluídos os documentos retificados), apontando indébitos de IRRF no anocalendário 2002: DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 22305.98962.141003.1.3.040291 2.547,31 05/01/2002 10880.912964/200691 16845.17748.141003.1.3.045032 3.127,21 12/01/2002 10880.912991/200664 16872.02259.141003.1.3.044008 28.106,59 19/01/2002 10880.912990/200610 25926.81926.141003.1.3.045913 5.446,57 26/01/2002 10880.912989/200695 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 384 11 DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 04210.95184.141003.1.3.048068 18.432,77 02/02/2002 10880.912988/200641 37590.58144.141003.1.3.040831 3.833,05 09/02/2002 10880.912987/200604 12566.72466.141003.1.3.045410 7.429,94 16/02/2002 10880.912986/200651 22446.93141.141003.1.3.045550 19.724,64 23/02/2002 10880.912985/200615 22532.02564.141003.1.7.048434 109,28 23/02/2002 10880.912967/200625 17966.65019.141003.1.3.048668 7.433,51 02/03/2002 10880.912984/200662 08725.12760.141003.1.3.049105 7.433,51 02/03/2002 10880.912965/200636 03475.35811.201003.1.7.040837 3.778,86 09/03/2002 10880.912983/200618 27834.36530.141003.1.3.042217 3.824,04 16/03/2002 10880.912982/200673 36503.98360.141003.1.3.041021 21.937,09 23/03/2002 10880.912980/200684 15598.37698.141003.1.3.045089 5.721,01 30/03/2002 10880.912963/200647 07980.11161.141003.1.3.047103 7.891,72 06/04/2002 10880.912978/200613 28708.07251.141003.1.3.040867 6.841,68 13/04/2002 10880.912966/200681 12006.15388.201003.1.7.043070 10.148,83 20/04/2002 10880.912977/200661 27387.52252.141003.1.3.047050 12.844,76 27/04/2002 10880.912976/200616 13182.09862.141003.1.3.046947 6.389,16 04/05/2002 10880.912975/200671 09546.55746.141003.1.3.041211 8.472,63 11/05/2002 10880.912974/200627 07521.85698.201003.1.3.041223 20.772,15 18/05/2002 10880.912994/200606 42250.96509.141003.1.3.045520 3.068,08 25/05/2002 10880.912973/200682 20434.30143.141003.1.3.041001 19.340,42 01/06/2002 10880.912972/200638 08983.47705.141003.1.3.040136 3.719,34 08/06/2002 10880.912971/200693 07517.78787.201003.1.7.043595 11.721,31 15/06/2002 10880.912993/200653 32929.51569.141003.1.3.043086 6.666,43 22/06/2002 10880.912970/200649 15304.18822.141003.1.7.041323 10.501,23 29/06/2002 10880.912969/200614 01560.94152.141003.1.3.049141 12.597,86 06/07/2002 10880.912968/200670 23736.01015.211003.1.7.049006 6.458,94 13/07/2002 10880.912979/200650 Total 286.319,92 Obs: os itens em negrito correspondem aos processos distribuídos a esta Relatora Nesta consulta observase, também, que a contribuinte não transmitiu DCOMP ou Pedido de Restituição em formulário eletrônico para utilização de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Há documentos desta natureza apontando saldos negativos de IRPJ apurados nos exercícios de 1999, 2002, 2004 e 2007 a 2010 (correspondentes aos anoscalendário de 1998, 2001, 2003 e 2006 a 2009), mas nada vinculado ao exercício de 2003. A DIPJ apresentada para o anocalendário 2002, e processada sob nº 1011791, não traz qualquer informação na Ficha 12A, destinada ao Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, mas o cálculo das estimativas indicadas na Ficha 11 e a Demonstração do Lucro Real na Ficha 09A confirmam a alegação de que foi apurado prejuízo fiscal em todos os períodos daquele anocalendário. Em consulta ao sistema Eprocesso, constatase a existência de lançamento de ofício relativo ao IRPJ devido no anocalendário 2002, sob nº 19515.004275/200725, cujo demonstrativo de apuração evidencia que a determinação da base de cálculo do IRPJ resultou na conversão do prejuízo fiscal declarado na DIPJ em lucro, e sobre este foi apurado o tributo devido, sem qualquer dedução de antecipações daquele anocalendário (fl. 300 daqueles autos), procedimento coerente com a indisponibilidade destas antecipações já utilizadas em compensação desde 2003. De forma semelhante também procedeu a contribuinte, ao concordar parcialmente com a exigência, promovendo o recolhimento de IRPJ calculado sobre o valor das infrações não contestadas, reduzido pelo prejuízo fiscal informado na DIPJ, e sem qualquer dedução de antecipações daquele anocalendário (demonstrativo à fl. 438 daqueles autos). Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 385 12 A DIPJ traz, ainda, em sua Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, as seguintes informações relativas ao código de receita 8045: Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 00.074.569/000100 600,00 9,00 00.355.188/000190 1.037,19 15,56 00.366.449/000178 6.092,80 91,39 00.394.478/000224 470.034,73 7.050,60 00.396.253/000126 180.921,16 2.713,82 00.637.277/000120 17.368,11 260,52 00.811.990/000148 461.246,75 6.918,72 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 00.904.448/001101 2.943,88 44,16 01.294.481/000158 330.563,05 4.958,46 01.633.510/000169 50.000,00 750,00 01.764.411/000116 3.611,20 54,17 01.868.682/000111 105,00 1,58 02.015.014/000104 773,03 11,59 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 02.131.538/000160 116.849,19 1.752,73 02.183.757/000436 169.170,44 2.537,56 02.240.314/000197 337,12 5,05 02.245.323/000170 4.185,00 62,78 02.441.272/000152 3.091,37 46,37 02.719.250/000101 123.284,91 1.849,28 02.863.830/000178 37.886,32 568,32 03.459.453/000179 371,25 5,57 03.541.428/000130 3.307,48 49,61 03.687.592/000150 72.146,61 1.082,18 03.784.906/000132 160,50 2,41 03.898.955/000104 246,40 3,70 03.907.562/000101 13.445,00 201,68 03.988.598/000167 13.000,00 195,00 04.067.191/000160 47.108,32 706,62 07.196.033/0026,56 500,00 7,50 15.179.682/002243 571,20 8,57 16.640.849/000160 7.026,87 105,41 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 17.244.708/000190 137,21 2,06 17.397.076/000103 18.389,95 275,85 19.900.000/000176 746,00 11,19 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 386 13 Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 26.983.734/000121 301,80 4,53 29.341.120/000215 48,00 0,72 31.323.157/000181 475.090,79 7.126,37 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 32.215.014/000119 30.520,00 45,78 32.215.014/000208 1.747.390,85 26.210,91 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 33.066.234/000190 34.188,24 512,82 33.216.797/000118 110.593,10 1.658,90 33.252.156/000119 10.894.503,62 163.417,53 33.267.741/000192 16.431,04 246,48 33.300.914/000127 12.771,08 191,56 34.267.617/000190 22.591,04 338,87 40.377.293/000145 5.596,34 83,95 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 42.214.912/000311 467,34 7,01 43.830.074/000400 5.410,65 81,16 43.830.074/000834 14.260,00 216,90 43.915.172/000106 552,00 8,28 43.924.497/000147 48.230,40 723,46 45.039.237/000114 3.799.892,60 59.958,79 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 46.024.030/000805 106.273,20 1.594,09 46.070.868/001998 507.374,91 7.610,59 46.379.400/000150 647.798,31 9.717,02 46.566.444/000190 6.645,60 99,69 46.869.475/000110 971,19 14,57 49.362.411/000116 166.042,96 2.490,65 50.686.591/000170 3.644,00 54,66 54.313.564/000294 43,60 0,65 54.639.463/000127 21.361,82 320,43 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 56.324.114/000141 144.565,07 2.168,48 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 57.947.475/000298 35.627,83 534,42 58.183.401/000104 20.893,56 313,41 59.104.273/000129 174.703,29 2.620,59 60.434.065/000509 71.077,00 1.066,16 60.452.752/004960 39.614,20 594,21 60.509.239/000113 361.868,48 5.248,03 60.544.244/000167 5.890,00 88,36 60.628.369/000175 2.083.626,44 31.437,99 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 387 14 Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 60.749.397/000140 20.959,99 314,41 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 61.065.421/000195 8.268,30 124,02 61.067.377/000152 51.761,67 776,43 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 61.277.273/000172 48.349,84 725,25 61.533.949/000141 78.472,47 1.177,08 62.528.369/000129 696,96 10,45 66.970.229/000167 47.104,71 706,36 67.385.369/000130 55.286,78 829,30 68.153.956/000248 90.000,00 1.350,00 69.349.017/000155 32.500,00 487,50 71.613.400/000110 1.481,13 22,21 73.090.482/000191 38.132,85 572,00 75.775.460/000190 64,28 0,96 76.494.806/000145 46.288,43 694,33 77.070.332/000177 8.658,21 129,87 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 79.875.902/000121 940,49 14,12 80.430.317/000105 308,96 4,63 82.611.617/000108 4.664,41 69,97 82.645.029/000195 5.521,12 82,81 83.093.708/000161 963,18 14,45 83.358.697/000102 75,84 1,14 83.358.697/000366 56,88 0,85 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 87.156.337/000170 6.812,57 102,19 90.721.994/000128 1.526,40 22,90 91.043.687/000106 343,04 5,15 91.235.549/001273 63,20 0,95 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 91.903.989/000107 338,81 5,08 92.821.701/000100 814,15 12,22 92.821.701/000290 760,46 11,40 93.049.245/000275 332,64 4,99 96.201.124/000104 20,00 0,30 Totais 33.122.784,59 499.811,83 Conforme instruções de preenchimento da DIPJ, a referida ficha destinase às seguintes informações: FICHA 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte Nesta Ficha devem ser prestadas informações sobre todo o imposto de renda retido na fonte durante o período abrangido pela declaração, incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, independentemente de a empresa ter Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 388 15 apurado prejuízo fiscal ou imposto de renda devido menor que o retido na fonte durante o período. Para o preenchimento desta ficha o beneficiário que esteja compensando imposto de renda retido na fonte (IRRF) deverá observar as seguintes instruções: a) CNPJ da Fonte Pagadora e Nome Informar número de inscrição no CNPJ, inclusive dígitos de controle e o respectivo nome da pessoa jurídica responsável pela retenção e recolhimento do IRRF que estiver sendo compensado. b) Código da Receita Indicar, nesta linha, o código de receita utilizado para recolhimento do IRRF, conforme Tabela de Códigos da Arrecadação, disponível na Caixa de Combinação. c) Rendimento Bruto Informar o valor bruto do rendimento que originou a retenção. d) Imposto de Renda Retido na Fonte Informar o valor de todo o imposto de renda retido na fonte durante o período abrangido pela declaração, incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, independentemente de a empresa ter apurado prejuízo fiscal ou imposto de renda devido menor que o retido na fonte durante o período. Atenção: Não deve ser informado nessa linha o valor das retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos. Porém, mesmo destinandose esta ficha à informação do imposto de renda incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, notase, no conjunto de informações prestadas, a presença de diversos veículos de comunicação (emissoras de rádio e televisão, jornais, editoras de revistas) e prestadores de serviços associados a propaganda (publicidade, produções, promoções, comunicação, edição, gráfica), ao passo que a recorrente afirma que seu crédito decorreria de recolhimentos, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes). E, embora a contribuinte tenha apresentado comprovantes de imposto de renda recolhido em decorrência de serviços de propaganda e publicidade apontando tais prestadores de serviços também como anunciantes, não se pode negar que é incomum uma agência de propaganda receber rendimentos de veículos de comunicação, ou de empresas que prestam serviços associados a propaganda, aos quais normalmente faz pagamentos, em razão da veiculação de publicidade em favor de seus clientes. Assim, é razoável supor que o IRRF vinculado a estes veículos de comunicação, e aos prestadores de serviços associados a propagada, possa representar retenções promovidas pela interessada, incidentes sobre rendimentos do beneficiário do pagamento, e não próprios, as quais teriam, também, resultado em recolhimentos sob o código 8045. Tal constatação opera em desfavor da interessada, na medida em que, como antes mencionado, não há prova segura nos autos de que os DARF apontados nas DCOMP correspondam, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda, e não a IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Notase, inclusive, que os comprovantes de imposto de renda recolhido emitidos em favor destes veículos de comunicação e prestadores de serviços, juntados a estes autos, distinguemse dos demais por apresentarem, como base de cálculo do imposto retido, o mesmo valor do rendimento bruto, enquanto nos demais casos estes valores são sempre distintos, possivelmente em razão do disposto no §1o do art. 651 do RIR/99, que permite a dedução, da base de cálculo, das importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 389 16 Necessário, portanto, o aprofundamento da análise dos elementos apresentados pela recorrente, para confirmação dos indícios de sua condição de credora da Fazenda Nacional em decorrência da apuração de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002. O quadro abaixo evidencia quais operações informadas na DIPJ cujo comprovante de imposto de renda foi juntado pela contribuinte em sua defesa, e destaca, em negrito, aquelas nas quais a razão social da pessoa jurídica indicada como fonte pagadora, e a identidade entre a base de cálculo do imposto retido e o rendimento bruto estão presentes como indícios de que não se trate, ali, de imposto de renda recolhido sobre rendimentos auferidos pela interessada: Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 801.667,89 439,34 438,61 437,57 227 00.074.569/000100 600,00 9,00 6.600,00 221 00.355.188/000190 1.037,19 15,56 1.037,19 15,56 316 00.366.449/000178 6.092,80 91,39 6.092,80 91,39 266 00.394.478/000224 470.034,73 7.050,60 00.396.253/000126 180.921,16 2.713,82 180.921,16 2.713,82 260 00.637.277/000120 17.368,11 260,52 17.368,00 260,52 292 00.811.990/000148 461.246,75 6.918,72 461.246,75 91,35 554,26 5.379,70 289 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 67.780,00 7,50 6,60 6,60 211 00.904.448/001101 2.943,88 44,16 01.294.481/000158 330.563,05 4.958,46 330.563,05 216,67 288 01.633.510/000169 50.000,00 750,00 50.000,00 243 01.764.411/000116 3.611,20 54,17 3.611,20 322 01.868.682/000111 105,00 1,58 105,00 277 02.015.014/000104 773,03 11,59 773,03 1,89 307 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 4.595,50 22,25 3,04 209 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 132.203,44 97,13 8,16 13,24 230 02.131.538/000160 116.849,19 1.752,73 116.849,19 1.678,26 313 02.183.757/000436 169.170,44 2.537,56 169.170,44 278 02.240.314/000197 337,12 5,05 3.526,22 235 02.245.323/000170 4.185,00 62,78 02.441.272/000152 3.091,37 46,37 3.091,37 310 02.719.250/000101 123.284,91 1.849,28 123.284,91 252 02.863.830/000178 37.886,32 568,32 03.459.453/000179 371,25 5,57 371,25 269 03.541.428/000130 3.307,48 49,61 3.307,48 327 03.687.592/000150 72.146,61 1.082,18 03.784.906/000132 160,50 2,41 160,50 2,41 270 03.898.955/000104 246,40 3,70 246,70 3,70 321 03.907.562/000101 13.445,00 201,68 57.745,00 253 03.988.598/000167 13.000,00 195,00 13.000,00 13.000,00 242 04.067.191/000160 47.108,32 706,62 47.108,32 324 07.196.033/0026,56 500,00 7,50 5.500,00 248 15.179.682/002243 571,20 8,57 16.640.849/000160 7.026,87 105,41 7.026,87 26,71 303 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 20.460,00 27,90 247 17.244.708/000190 137,21 2,06 137,21 2,06 273 17.397.076/000103 18.389,95 275,85 18.389,95 249 19.900.000/000176 746,00 11,19 746,00 218 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 390 17 Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.594.628,64 7.537,62 4.070,01 2.394,92 208 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 64.203,37 151,80 222 26.983.734/000121 301,80 4,53 301,80 268 29.341.120/000215 48,00 0,72 48,00 0,72 285 31.323.157/000181 475.090,79 7.126,37 541.524,23 250 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 886.581,97 1.132,68 7,66 207 32.215.014/000119 30.520,00 45,78 11.256,05 228 32.215.014/000208 1.747.390,85 26.210,91 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 32.642,00 184,59 2,64 220 33.066.234/000190 34.188,24 512,82 34.188,24 126,71 299 33.216.797/000118 110.593,10 1.658,90 110.593,10 1.658,90 294 33.252.156/000119 10.894.503,62 163.417,53 10.894.503,62 20.155,78 14.769,59 14.435,73 263 33.267.741/000192 16.431,04 246,48 16.431,04 48,53 19,86 301 33.300.914/000127 12.771,08 191,56 12.771,08 47,50 300 34.267.617/000190 22.591,04 338,87 22.591,04 80,12 259 40.377.293/000145 5.596,34 83,95 5.596,34 83,95 311 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 607.547,03 663,05 28,76 32,65 229 42.214.912/000311 467,34 7,01 467,34 7,01 237 43.830.074/000400 5.410,65 81,16 5.410,65 267 43.830.074/000834 14.260,00 216,90 14.460,00 271 43.915.172/000106 552,00 8,28 552,00 8,28 287 43.924.497/000147 48.230,40 723,46 48.230,40 219,24 298 45.039.237/000114 3.799.892,60 59.958,79 3.997.254,01 78,62 10.553,76 3.261,79 262 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 1.084.268,66 197,14 21,08 3,78 213 46.024.030/000805 106.273,20 1.594,09 106.273,20 65,87 688,38 326 46.070.868/001998 507.374,91 7.610,59 46.379.400/000150 647.798,31 9.717,02 46.566.444/000190 6.645,60 99,69 6.645,60 22,12 29,48 296 46.869.475/000110 971,19 14,57 971,19 14,54 302 49.362.411/000116 166.042,96 2.490,65 166.042,96 271,68 503,67 112,40 264 50.686.591/000170 3.644,00 54,66 3.644,00 8,40 13,20 9,00 315 54.313.564/000294 43,60 0,65 43,60 0,65 286 54.639.463/000127 21.361,82 320,43 21.361,82 246 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 46.192,00 11,28 5,28 210 56.324.114/000141 144.565,07 2.168,48 144.565,07 1.241,74 325 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 42.093,50 227,46 233 57.947.475/000298 35.627,83 534,42 35.627,83 169,78 148,50 314 58.183.401/000104 20.893,56 313,41 20.893,56 71,90 19,83 308 59.104.273/000129 174.703,29 2.620,59 790.824,90 239 60.434.065/000509 71.077,00 1.066,16 71.077,00 251 60.452.752/004960 39.614,20 594,21 39.614,20 272,16 295 60.509.239/000113 361.868,48 5.248,03 361.868,48 1.194,68 265 60.544.244/000167 5.890,00 88,36 29.450,00 232 60.628.369/000175 2.083.626,44 31.437,99 2.155.610,19 1.344,61 736,84 261 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 13.819.586,02 4.728,30 877,90 1.747,54 217 60.749.397/000140 20.959,99 314,41 20.959,99 80,17 297 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 3.642.778,05 1.956,59 959,84 1.864,31 216 61.065.421/000195 8.268,30 124,02 15.531,30 255 61.067.377/000152 51.761,67 776,43 51.761,67 245 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 286.308,75 39,66 31,73 31,73 214 Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 391 18 Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 61.277.273/000172 48.349,84 725,25 48.349,84 256 61.533.949/000141 78.472,47 1.177,08 78.472,47 293 62.528.369/000129 696,96 10,45 696,96 309 66.970.229/000167 47.104,71 706,36 232.523,56 256 67.385.369/000130 55.286,78 829,30 55.286,78 110,74 318 68.153.956/000248 90.000,00 1.350,00 90.000,00 257 69.349.017/000155 32.500,00 487,50 71.613.400/000110 1.481,13 22,21 1.481,13 291 73.090.482/000191 38.132,85 572,00 38.132,85 56,40 197,40 226 75.775.460/000190 64,28 0,96 64,28 0,96 323 76.494.806/000145 46.288,43 694,33 46.288,43 694,33 279 77.070.332/000177 8.658,21 129,87 8.658,21 304 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 159.598,92 194,24 231 79.875.902/000121 940,49 14,12 940,49 284 80.430.317/000105 308,96 4,63 308,96 4,52 317 82.611.617/000108 4.664,41 69,97 4.664,41 47,12 282 82.645.029/000195 5.521,12 82,81 5.521,12 62,86 281 83.093.708/000161 963,18 14,45 963,18 9,41 312 83.358.697/000102 75,84 1,14 834,24 240 83.358.697/000366 56,88 0,85 625,68 241 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 14.829.893,98 4.193,40 2.499,40 1.248,92 215 87.156.337/000170 6.812,57 102,19 6.812,57 82,54 280 90.721.994/000128 1.526,40 22,90 1.526,40 8,50 306 91.043.687/000106 343,04 5,15 343,04 5,15 319 91.235.549/001273 63,20 0,95 695,20 0,95 238 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 138.477,54 38,44 43,38 12,80 212 91.903.989/000107 338,81 5,08 338,81 5,08 305 92.821.701/000100 814,15 12,22 814,15 6,64 276 92.821.701/000290 760,46 11,40 760,46 3,28 275 93.049.245/000275 332,64 4,99 332,64 4,99 290 96.201.124/000104 20,00 0,30 20,00 272 Por oportuno registrese que às fls. 219, 223, 224, 225, 234, 236, 244, 254, 274 e 283, a interessada juntou comprovantes de imposto recolhido pertinente a anunciantes que não foram indicados na DIPJ, sendo que alguns deles, inclusive, estão apontados como residentes no exterior. De toda sorte, mesmo desconsiderandose as informações relativas aos veículos de comunicação, e aos prestadores de serviços associados a propagada, bem como outros nos quais a razão social não permite aferir a atividade da empresa, mas apresentam rendimento bruto idêntico à base de cálculo do imposto, constatase que remanescem operações nas quais houve imposto recolhido informado para os meses de janeiro, fevereiro e março, aos quais se referem as compensações submetidas à análise desta Relatora: Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 392 19 Fonte Pagadora DIPJ Comprovante de imposto recolhido Rend.Bruto IRRF Rend.Bruto Jan. Fev. Mar. Fl 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 801.667,89 439,34 438,61 437,57 227 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 67.780,00 7,50 6,60 6,60 211 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 4.595,50 22,25 3,04 209 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 132.203,44 97,13 8,16 13,24 230 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 20.460,00 27,90 247 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.594.628,64 7.537,62 4.070,01 2.394,92 208 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 64.203,37 151,80 222 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 886.581,97 1.132,68 7,66 207 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 32.642,00 184,59 2,64 220 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 607.547,03 663,05 28,76 32,65 229 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 1.084.268,66 197,14 21,08 3,78 213 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 46.192,00 11,28 5,28 210 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 42.093,50 227,46 233 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 13.819.586,02 4.728,30 877,90 1.747,54 217 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 3.642.778,05 1.956,59 959,84 1.864,31 216 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 286.308,75 39,66 31,73 31,73 214 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 159.598,92 194,24 231 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 14.829.893,98 4.193,40 2.499,40 1.248,92 215 91.235.549/001273 63,20 0,95 695,20 0,95 238 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 138.477,54 38,44 43,38 12,80 212 Totais 8.824.629,63 132.372,43 21.431,93 9.160,20 8.057,34 Por sua vez, as DCOMP apresentadas para estes períodos de apuração, veiculam os seguintes créditos: DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 22305.98962.141003.1.3.040291 2.547,31 05/01/2002 10880.912964/200691 16845.17748.141003.1.3.045032 3.127,21 12/01/2002 10880.912991/200664 16872.02259.141003.1.3.044008 28.106,59 19/01/2002 10880.912990/200610 25926.81926.141003.1.3.045913 5.446,57 26/01/2002 10880.912989/200695 04210.95184.141003.1.3.048068 18.432,77 02/02/2002 10880.912988/200641 37590.58144.141003.1.3.040831 3.833,05 09/02/2002 10880.912987/200604 12566.72466.141003.1.3.045410 7.429,94 16/02/2002 10880.912986/200651 22446.93141.141003.1.3.045550 19.724,64 23/02/2002 10880.912985/200615 22532.02564.141003.1.7.048434 109,28 23/02/2002 10880.912967/200625 17966.65019.141003.1.3.048668 7.433,51 02/03/2002 10880.912984/200662 08725.12760.141003.1.3.049105 7.433,51 02/03/2002 10880.912965/200636 03475.35811.201003.1.7.040837 3.778,86 09/03/2002 10880.912983/200618 27834.36530.141003.1.3.042217 3.824,04 16/03/2002 10880.912982/200673 36503.98360.141003.1.3.041021 21.937,09 23/03/2002 10880.912980/200684 15598.37698.141003.1.3.045089 5.721,01 30/03/2002 10880.912963/200647 Portanto, embora o exame preliminar das provas existentes nestes autos não permita concluir pela existência integral dos indébitos utilizados pela interessada em compensação, há evidências suficientes de que houve erro no preenchimento da DCOMP, confirmando a alegação de que a contribuinte pretendeu, em verdade, valerse de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2002, e não de recolhimentos indevidos de IRRF, promovidos naquele anocalendário. Opera ainda, em favor da contribuinte, a constatação de que todas as DCOMP em análise por esta Relatora foram apresentadas em 14/10/2003, após o encerramento do anocalendário 2002, e indicam a aplicação, ao crédito, de taxa de juros em percentual inferior ao que seria admitido sobre o indébito se correspondente a saldo Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 393 20 negativo apurado em 31/12/2002. De fato, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 3/2000, os saldos negativos de IRPJ e CSLL são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, correspondente, no período de janeiro a outubro de 2003, a 17,81%, ao passo que a contribuinte adotou, nas DCOMP sob análise, taxas que variaram entre 5,93% e 12,2%. Quanto à admissibilidade da retificação do conteúdo da DCOMP no curso do contencioso administrativo, adotase aqui as razões expressas pelo I. Julgador Eduardo Newman de Mattera Gomes que, ausente na sessão de julgamento da 2a Turma da DRJ/São PauloI na qual foi apreciado o presente processo, assim declarou seu voto, em favor da contribuinte, na decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 10880.912965/200636: Neste ponto, é importante ressaltarse que entendo que as informações erroneamente insertas em declarações apresentadas pelo contribuinte para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, inclusive as prestadas em DCOMP, são passíveis de retificação por parte do Fisco, desde que evidenciado o erro cometido pelo declarante, em decorrência do princípio da estrita legalidade tributária e da aplicação analógica da norma veiculada no art. 147, §2º, do CTN, sendo relevante transcrevermos as seguintes lições tecidas por Leandro Paulsen na obra “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência”, 10ª edição, Livraria do Advogado, p. 996: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originalmente prestada, considere as retificações. Isso toma absoluta relevância na medida em que é reconhecido ao Fisco o direito de inscrever em dívida ativa créditos formalizados mediante declaração do próprio contribuinte, conforme se vê em nota ao art. 201 do CTN. Declaração retificada. Efeitos quanto à futura inscrição e sobre inscrição já realizada. Distinção. Retificada a declarações pelo contribuinte – DCTF, DIRPJ etc , não pode mais o Fisco proceder à inscrição em dívida dos valores apontados na declaração originária, pois esta já não mais persiste. Contudo, efetuada a inscrição de declaração do contribuinte, não se torna insubsistente pela simples retificação posterior pelo contribuinte. No caso, impende que este demonstre perante o Fisco o erro na declaração originária. Aplicase ao caso, por analogia, o art. 147, §1º, do CTN. A perda do prazo para retificação “ad nutum” do contribuinte não impede que o contribuinte peticione administrativamente ou ajuíze ação para afastar os efeitos do equívoco. O §1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária quando já notificado do lançamento (lançamento por declaração) ou, por analogia, quando já inscrita a declaração em dívida ativa (tributos sujeitos a lançamento por homologação em que prestada declaração e não pago o tributo). Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído o seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 394 21 CTN. Poderá, também, ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos e, até mesmo, buscando, a restituição de indébitos. “EXECUÇÃO FISCAL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. ART. 147, §1º, DO CTN. RETIFICAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Embora seja vedado ao contribuinte a retificação da declaração após a notificação do lançamento (art. 147, §1º, do CTN), isso não impede que ele demande a sua nulidade, demonstrando que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação, uma vez que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso XXXV, assegura que a lei não eximirá o Judiciário de apreciar lesão à direito, bem como a exigência tributária é baseada no princípio da legalidade. 2. Reconhecida pela própria Receita Federal a inexistência de débito, cabível a manutenção da sentença que determinou a extinção da execução (...) (TRF4, 2ª T., AC 2005.04.01.0017924, Rel. Dirceu de Almeida Soares, publicado em 30/03/2005)” Logo, como entendo que a autoridade administrativa deve retificar de ofício a declaração prestada com erro pelo sujeito passivo (aplicação analógica da norma veiculada no art. 147, §2º, do CTN), e em função dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do informalismo moderado que rege o processo administrativo (Lei nº. 9.784/99, art. 2º parágrafo único, inciso IX), entendo que deve ser considerado que o contribuinte buscou veicular na DCOMP encartada nos autos o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Frisese, por relevância, que a vedação do contribuinte retificar a DCOMP eletrônica a partir da data da prolação do DespachoDecisório (art. 57 da IN SRF nº. 600/2005) certamente não impede a retificação de ofício prevista no art. 147, §2º, do CTN. De fato, entendese que a proibição da retificação por iniciativa do contribuinte a partir da decisão administrativa prolata pela DERAT/SPO busca apenas evitar que inovações (matérias não contidas expressa ou implicitamente na inaugural DCOMP) causem óbice ao regular trâmite processual ou se constituam em tentativas de burlar os prazos prescricionais previstos para a restituição / compensação de direitos creditórios. Contudo, entendo que não se pode defender que devem ser perenizados erros cometidos pelo contribuinte, principalmente nos casos em que é evidente a intenção do sujeito passivo quando veiculou o seu direito creditório. Ressaltese, neste ponto, que, em decorrência da interpretação das normas administrativas ter por “norte” o atendimento ao interesse público (Lei nº. 9.784/99, art. 2º parágrafo único, inciso XI), entendo que fere tal mister a grave conseqüência decorrente do não reconhecimento do erro sob análise (perda do direito creditório pelo contribuinte, vez que, na data de ciência do DespachoDecisório – 20/05/2008, já se encontrava prescrito o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002), com o conseqüente enriquecimento estatal relativo a tributo nãodevido, se confirmada a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Por todo o exposto, cabe aqui afastar a nãohomologação da compensação, que teve por referência a indicação equivocada pelo sujeito passivo, em DCOMP, de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior verificado em DARF, e não de saldo negativo. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, mas sob sua real natureza de saldo negativo. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão – impossibilidade de compensação de indébito cujo DARF estava alocado a débito nos sistemas informatizados da Receita Federal – é insuficiente para concluir pela integridade da Fl. 22DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 395 22 formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram prejudicadas pela informação equivocada da natureza do indébito pela interessada. Superado este obstáculo, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, a apuração de IRPJ nos mesmos termos expressos em sua DIPJ e a efetiva natureza de antecipação do recolhimento apontado na DCOMP, demonstrando a disponibilidade do indébito daí resultante, mediante prova de que não se valeu dele em outras compensações com ou sem pedido, de forma que o crédito assim confirmado possa ser confrontado com os débitos compensados e verificada a sua suficiência para extinção destes. Registrese, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, providenciandose a apensação dos processos apreciados nesta sessão (nº 10880.912964/200691, 10880.912965/200636, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/2006 41 e 10880.912987/200604) antes de seu retorno à origem. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 23DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 396 23 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO. Conforme o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a declaração de compensação se submete ao exame da Receita Federal (expresso, ou tácito por decurso de prazo). Além disso, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência a própria Receita para disciplinar a compensação prevista no artigo. Portanto, as declarações de compensação devem considerar as regras administrativas postas pela Receita, no que tange ao direito material, que sujaz à declaração. Assim, devem obedecer à forma determinada de declarar o exercício do direito de compensação. Por isso, não basta que materialmente o contribuinte tenha direito a restituição ou a compensação, é preciso que ele siga corretamente a formalidade imposta pela Receita. Se uma declaração de compensação não atende a forma, a administração não homologará a compensação declarada e o contribuinte deve fazer uma nova declaração, se quiser aproveitar seu crédito. Se a Receita não homologa uma determinada declaração de compensação, o faz em razão do seu conteúdo. Neste caso, se a única alegação de defesa do contribuinte é de que sua declaração não retratou exatamente o direito que tem, esta alegação consiste em admitir que violou a forma imposta legalmente e em pretender desobedecer às consequencias legais à violação das formalidades. Conforme relatório, o contribuinte declarou a compensação de forma errada. Ou seja, o modo como formalizou o seu pedido não corresponde àquele que se infere de sua defesa. Em resumo, no caso em julgamento, o contribuinte não logrou infirmar as razões da decisão da DRF/DRJ e insistiu em uma declaração errada, sem retificar a declaração, discutindo sua negativa no presente processo administrativo. Se o contribuinte não conseguiria retificar sua declaração, pois para a adequação do pedido seria preciso alterar a natureza do crédito informado na Dcomp original, isso apenas confirma que a declaração do contribuinte estava errada, na medida em que não retratava o direito declarado. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912984/200662 Acórdão n.º 110100.593 S1C1T1 Fl. 397 24 De qualquer modo, se não é possível ao contribuinte retificar sua declaração, por vedação da legislação posta pela Receita, então ele deve acatar a negativa da compensação originalmente declarada e, se quiser, deve apresentar uma nova Dcomp, nos termos da legislação. Se disso resulta algum ônus financerio para o contribuinte (por exemplo, os encargos moratórios do débito erroneamente declarados compensados na declaração original), isso decorre de seu próprio erro. Não cabe à Administração evitar prejuízo ao contribuinte que agiu em desacordo com a legislação. A Administração não pode abrir mão das formalidades legalmente estabelecidas pelo Fisco. Tais formalidades decorrem da legislação, são postas em razão da racionalização administração tributária, e com base em competência legal. Frisese ainda que o contribuinte teve longo tempo e muitas oportunidades para se adequar a legislação. Ele teve um despacho contrário ao seu pedido e inclusive um acórdão da DRJ, onde toda a situação ficou clara. Se ele prefere insistir no erro na esperança de que a Administração, no curso do processo administrativo, decida favoravelmente ao seu pleito, ele deve arcar com o ônus de ver seu direito de repetir decaído, além daquele ônus decorrente de seu erro na declaração de compensação. Noutro giro, a busca do direito material deve respeitar as formas estabelecidas na legislação aplicável. Neste aspecto, destaquese a importância que o sistema jurídico dá às formalidades, como garantidoras do próprio direito material. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 35301.006442/2007-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO A DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO A. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Aco s membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recur Elias Sampaio Freire — elator e Presidente-Substituto EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Presidente-Substituto), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). 1 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 205- 00.664, proferido pela antiga Quinta Camara do 2° CC em 03/06/2008 (fls. 479/488), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade h Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 495/509), nos termos do art. 7°, inciso I c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O acórdão recorrido, por maioria de votos, acatou a preliminar de domicilio tributário para anulação do lançamento. Segue abaixo sua ementa: DOMICiLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado." A recorrente afirma que o acórdão proferido merece ser reformado, pois contraria a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2° do CTN; arts. 9°, §2°, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto n°70.235/72; e, ainda, arts. 2°, IX e 22, da Lei n° 9.784/99. No seu entender contraria também a prova dos autos, no ponto em que interpreta equivocadamente a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2 Regido. Explica que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do auto de infração sob a argumentação de que a autoridade fiscal não demonstrou os motivos que ensejaram a recusa do domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo, ou ainda, que a decisão final do TRF determina a anulação dos autos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Entende que a decisão recorrida, ao anular o presente procedimento fiscal diante de decisão do TRF que declarou que o domicilio fiscal da pessoa jurídica era aquele constante da alteração do contrato social, partiu de premissa equivocada, pois atribuiu ao acórdão em comento um efeito constitutivo de anulação que ele não tem. Desse modo, violou o teor da decisão judicial, prova coligida nos autos. Em seguida, aduz que, se foram confirmadas as razões para a desconsideração do domicilio eleito pela contribuinte, ao anular a autuação a decisão atacada afronta o art. 127, §2° do CTN. Pondera que, ã luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da autuação, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. In casu, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, muito embora este no fosse lotado no suposto domicilio fiscal da contribuinte. Nesse contexto, o acórdão recorrido viola o art. 9°, §2° do PAF. Alega que, da leitura detida do auto de infração, bem como do Relatório Fiscal e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que tudo está em plena confoimidade com o que estabelece os arts. 10, 11, 59, 60 e 61 do Decreto n°70235/72 e a Lei n° 8212/91. Processo n° 35301.006442/2007-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.438 Fl. 2 Em sua opinião, a descrição pormenorizada dos fatos e dos fundamentos legais que sustentam a autuação estão precisamente explicitados nos termos do procedimento fiscal. Assim, todos os elementos essenciais ao ato praticado estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Sustenta que o contribuinte em momento algum demonstrou de forma concreta e efetiva o prejuízo advindo da desconsideração do domicilio tributário. Na verdade, teria demonstrado ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa o débito. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostra-se incabível a declaração de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos da Informação e Decisão de fls. 524/530, negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 534/539, a PGFN interpôs agravo em face da Decisão acima descrita. Nos termos do Despacho n° 2401-123/2009 (fls. 541/543), que reexaminou a admissibilidade do recurso interposto, deu-se seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 0 contribuinte ofereceu contra-razões ás fls. 552/583. Inicialmente afirma que, nos termos do art. 70, §3° do Regimento Interno, o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo o procedimento fiscal. Não deve ser admitido também porque as provas dos autos comprovam a nulidade de todo o procedimento fiscal, viciado desde sua origem. Entende que a legislação tributária estabelece que a recusa ao domicilio deve ser justificada, o que não ocorreu no presente caso. Ressalta que o domicilio da empresa, desde 1995, é sua sede em Rio das Flores. A declaração judicial citada pela recorrente, que confirma tal fato, produz reflexos em relação a uma fiscalização levada a efeito em local diverso do declarado. Explica que se a Fiscalização, embora ciente do local correto a fiscalizar, optou por efetivar o ato fiscal fora do domicilio da empresa e, se ela, empresa, não está obrigada a apresentá-los em local diverso do seu centralizador, não há como se aplicar a aferição indireta. Eis o vicio da fiscalização, em sua opinião. Ressalta que não foi demonstrado qualquer empecilho para a ocorrência fiscal, tanto assim que outros Órgãos Municipais, Estaduais e Federais procedem normalmente 3 as suas fiscalizações. A empresa apontou o equivoco dos fiscais e indicou o endereço correto para a diligencia fiscal, informação desprezada pelo Fisco. Assim, não se justifica a recusa do domicilio fiscal da recorrida. Pondera que o cerceamento de defesa se deu pela ausência de acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, com a prestação de informações e apresentação de documentos necessários a conferência da regularidade fiscal da empresa. Ao final, requer que não seja admitido o Recurso Especial interposto pela Unido e, caso assim não entenda, que seja negado provimento ao mesmo, mantendo-se a decisão que anulou o lançamento em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior h. 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. 0 recurso é tempestivo e examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.022430-0 da Sétima Tutina do Tribunal Regional Federal da 2a Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Trata-se de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMA TICA LTDA enz ataque à sentença proferida pelo MM. Juizo da 19° Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: A1ONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial.(ljuiza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de c)k Processo n°35301.006442/2007-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.438 Fl. 3 que o domicilio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido a fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizá-la na sua filial, situada na Rua Sao José, n° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindo-lhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Dai o pedido. (..) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares no 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICILIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, § 2°, DO CTIV. I — Da leitura do caput do artigo 127 do C7'N verifica-se que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicilio tributário, ex vi do inciso H, o local de sua sede. If — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O § 2° do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. 111 —Recurso provido." Laillz Como se vê, no presente caso há decisão judicial com tránsito em j.71-g- o que define o domicilio tributário do contribuinte. 5 Pelo o, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias Sampaio Freire As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 6941695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtem a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado dar-lhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIA' RIO — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderá-lo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informa cães de GFIP com a verificação fisica não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não cornprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdão CARE n° 2401-01.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina eiro e Silva Vieira) 6
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720092/2006-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL.
GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000.
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO.
Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE.
O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve
preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido.
ITR PLANO
DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO
Para fins de apuração do ITR, considera-se como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada.
Numero da decisão: 2102-001.575
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de 249,9 hectares como de preservação permanente
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. ITR PLANO DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO Para fins de apuração do ITR, considera-se como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. ITR PLANO DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO Para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de 249,9 hectares como de preservação permanente. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 28/09/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/05 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2004, relativamente ao imóvel denominado “Fazenda Céu Aberto”, localizado no Município de Aripuanã MT. De acordo com os esclarecimentos constantes do Auto, o lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de preservação permanente, reserva legal e de exploração extrativa no imóvel, e ainda do arbitramento do VTN declarado para o imóvel. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 04): 2004 Declarado Considerado no lançamento Área de Preservação Permanente 249,9 0,0 Reserva Legal 26.999,0 0,0 VTN 1.482.448,00 4.746.093,74 Exploração Extrativa 6.497,9 0,0 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 210201.575 S2C1T2 Fl. 347 3 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a Impugnação de fls. 11/32, por meio da qual alegou que encontrara um ADA apresentado ao Ibama no ano de 2000, e que uma área de reserva legal de 14.374,5 estaria lá declarada, bem como uma área utilizada com manejo de 8.125,0 hectares; mas que ainda que não o tivesse apresentado, teria o direito à dedução desta área na apuração do ITR, em face do entendimento jurisprudencial a respeito. Alegou ainda que o imóvel tinha área de preservação permanente, a qual, apesar de não ter sido declarada efetivamente existia e deveria ser reconhecida (de 2.541,0 hectares). Alegou ainda que a área de exploração extrativa estaria devidamente averbada à margem do Registro de Imóveis. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Campo Grande decidiram pela parcial manutenção do lançamento, acolhendo, como comprovadas as seguintes áreas, verbis: No entanto, com base no ADA de 2000, à fl. 35, é possível afastar a tributação do ITR somente com relação à áreas de reserva legal no valor de 14.374,5 ha, para o exercício de 2004.(...) Como este mesmo ADA não contemplava a área de preservação permanente que a contribuinte alegara possuir em sua propriedade, não foi acolhida a pretensão de deduzir esta área do ITR devido. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 94/110, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sua Impugnação, requerendo, em síntese, que: a) fosse reconhecida a área de reserva legal de 27.999,8925 hectares; b) fosse reconhecida a área de preservação permanente de 3.002,8155 hectares; c) fosse acolhido o laudo de avaliação trazido aos autos, o qual atestava ser o VTN do imóvel de R$ 45,06 por hectare; e d) fosse reconhecido que a área de exploração extrativa do imóvel estava em época de descanso, e por isso não vinha sendo explorada. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 24.07.2008, como atesta o AR de fls. 92. O Recurso Voluntário foi interposto em 25.08.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento efetuado para a exigência de ITR relativo ao Exercício 2004 em razão da glosa das áreas de preservação permanente, reserva Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 legal e exploração extrativa, além de arbitramento do VTN atribuído ao imóvel pela Recorrente. Antes de entrar no mérito de cada uma destas glosas, é necessário analisar a alegação da Recorrente de que não seria obrigatória a prévia apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para a fruição da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. A lei nº. 9.393/96, em seu art. 10, § 1º exclui da área a ser tributada as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. (...). Já a Lei nº 10.165/2000 determinou que art. 17O da Lei nº 6.938/81 passasse a vigorar com a seguinte redação: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) "§ 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama." (NR) "§ 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais)." (NR) "§ 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei." (NR) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 210201.575 S2C1T2 Fl. 348 5 "§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis."(NR) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Desde então, esta obrigação consta inclusive do Decreto nº 4.382/02, que versa sobre a exigência do ITR, que assim dispõe: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...) No caso em exame, os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram em 2004, quando a referida norma já estava em vigor, razão pela qual a apresentação do ADA seria uma condição para que o Recorrente pudesse se beneficiar da redução desta área da base de cálculo do ITR. Por certo que a apresentação do ADA não é a única condição para que tais deduções sejam aceitas, mas é uma condição que se impõe. Assim, há que se analisar não só se o contribuinte apresentou o referido documento ao Ibama, mas também se preenche de fato os requisitos da lei para se beneficiar das deduções da base de cálculo do ITR. Quanto à área de preservação permanente, a Recorrente declarou originalmente na DITR 2004 que esta seria de 249,9 hectares. Trouxe, em sede de Impugnação, cópia de ADA apresentado no ano de 2000, do qual também não constava a referida área. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 6 Em sede de Recurso, a Recorrente pretende que seja considerada uma área total de 3.002,8155 hectares de preservação permanente. Anexou ao seu recurso um outro ADA, apresentado ao Ibama em 20.03.2001 (fls. 214), e do qual constava como sendo esta a área de preservação permanente em sua propriedade. Afirma que a existência destas áreas é corroborada pelo Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais anexado ao recurso e também com base na LAU. O referido laudo foi acostado aos autos às fls. 111/120, e dele consta que a área de preservação permanente seria de 3.002,8155, a mesma que consta do ADA apresentado em 2001. Considerandose que a lei não estabelece um prazo para a apresentação do ADA ao Ibama, e considerando que a glosa desta área se deveu exclusivamente à falta de ADA que a comprovasse, deve ser acolhida a área de preservação permanente (já que constante do ADA apresentado em 2001). Porém, deve esta ser acolhida no limite daquilo que foi declarado pela própria Recorrente, por ter sido este o objeto da glosa aqui em exame (249,9 hectares). Por isso, deve ser considerada como comprovada a existência da área de preservação permanente de 249,9 hectares. No que diz respeito à glosa da área declarada pela Recorrente como sendo de reserva legal, o lançamento a desconsiderou por completo, reduzindoa de 22.999,2 para zero. O que motivou o lançamento, à época, foi a falta de apresentação do ADA tempestivamente protocolado no Ibama, a despeito da Recorrente ter demonstrado que 50% de sua propriedade teria sido averbada como Reserva Legal à margem do Registro de Imóveis. Em sede de Impugnação, a Recorrente trouxe aos autos o ADA, apresentado ao Ibama em 23.03.2000, e no qual foi declarada uma área de 14.374,5 hectares como sendo de reserva legal. Com a apresentação do referido Ato, a decisão de primeira instancia reputou como comprovada a área de reserva legal de 14.374,5 hectares. No Recurso Voluntário, a Recorrente insiste que a totalidade da área declarada como sendo de reserva legal (22.999,2 hectares) deverá ser reconhecida, por existir de fato (devese ressaltar que a área total da reserva legal então existente seria de 27.999,8925, superior ao montante originalmente declarado). Além disso, trouxe um ADA apresentado em 20.03.2001 (fls. 143), do qual consta uma área de reserva legal de 26.999,8. Aqui, da mesma forma que ocorreu em relação à área de preservação permanente, a área declarada pela própria Recorrente como sendo de reserva legal no ano de 2000 (ADA originalmente apresentado) foi de 14.374,5. No ano seguinte (2001), a área foi majorada para 26.999,0 hectares, valor este que a Recorrente pretende seja reconhecido. Com a apresentação deste novo ADA, teria sido suprida uma exigência legal para que a Recorrente pudesse excluir a referida área da tributação pelo ITR. No entanto, a exemplo do que foi dito em relação à área de preservação permanente, a apresentação do ADA não é o único requisito para que possa a Recorrente se beneficiar da exclusão da referida área quando da apuração do ITR devido. Caberia a ela ter trazido provas mais robustas no sentido da existência da referida área e de sua real extensão. Devese destacar que o valor constante da DITR 2004 não Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 210201.575 S2C1T2 Fl. 349 7 é o mesmo declarado no primeiro ou no segundo ADA apresentados, e também não é o mesmo que a Recorrente pretende ver reconhecido em suas razões de recurso. Sendo assim, deve ser mantida a glosa da área declarada pela Recorrente como sendo de reserva legal. Outro item do inconformismo da Recorrente diz respeito ao arbitramento do VTN de seu imóvel, com base nos dados do SIPT. Neste aspecto, o lançamento decorreu da falta de apresentação de provas quanto à correção do VTN declarado, o qual foi alterado de 1.482.448,00 para 4.746.093,74 – o que implicou em majoração significativa do hectare declarado pelo Recorrente (de R$ 43,92 para R$ 140,62). Pois bem, nos casos em que a autoridade fiscal discorda do valor do VTN declarado por um determinado contribuinte, existe previsão legal específica para que o arbitramento ocorra – tratase do art. 14 da Lei nº 9.393/96, que assim determina: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (grifamos) Tal sistema (SIPT), por seu turno, foi instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, que assim dispôs: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 8 terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Segundo as informações constantes da Notificação de Lançamento, foi assim que se deu a apuração do valor do VTN para fins de lançamento do ITR no caso que aqui se examina. Nos termos da legislação supra citada, vêse que na falta de outro parâmetro para aferir o valor do imóvel da Recorrente – e entendendo que não mereciam fé os valores por ela declarados em DITR, seria lícita a utilização do SIPT. Este sistema (SIPT) foi criado justamente para balizar o arbitramento a ser efetuado em casos como o que ora se analisa. Desde que obedecidos os critérios mencionados na lei e na IN acima transcritas, abrese – com a Impugnação ao lançamento – a chance para o contribuinte se defender, ocasião em que serão rebatidos os critérios utilizados pela autoridade fiscal, de forma a comprovar (se for o caso) que o arbitramento estava equivocado, e que o valor declarado em DITR seria merecedor de fé. No caso dos autos, a Recorrente afirma que o valor tomado pela fiscalização não poderia prevalecer porque o Estado o Mato Grosso não dispunha do SIPT por falta de informações completas para sua apuração. Em sede de Recurso Voluntário, traz também aos autos uma novo laudo, o qual não havia ainda sido apresentado. Este laudo aponta como VTN médio por hectare para o imóvel em questão o valor de R$ 45,06. No entanto, os parâmetros utilizados pelo engenheiro signatário do laudo são valores de terra nua vigentes em diversos municípios, e não só Aripuanã, sendo a maior parte deles decorrentes de declaração de um mesmo corretor de imóveis. Além disso, tais valores (salvo um deles que foi objeto de efetiva negociação no ano de 2004, e outro relativo a 2002) correspondem a dados obtidos em agosto de 2008 – data da elaboração do laudo – e por isso não podem ser tomados como parâmetro para valorar o VTN da propriedade da Recorrente no ano de 2004 (objeto do lançamento). Assim, não merece acolhida o VTN constante do referido laudo. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 210201.575 S2C1T2 Fl. 350 9 Por fim, há que se analisar a parcela do lançamento que se refere à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa. Neste ponto, o lançamento se deu pela falta de apresentação de documentação que comprovasse a existência do plano e o cumprimento de seu cronograma. Em sua defesa, o Recorrente alega, desde a Impugnação, que estaria devidamente averbado nas matrículas do seu imóvel que a área era de utilização extrativa, mediante autorização do Ibama. A decisão recorrida, porém, manteve o lançamento pelos mesmos fundamentos expostos no Auto de Infração, sob a alegação de que a Recorrente não demonstrara a existência do plano de manejo e nem as autorizações do Ibama ou o cronograma de suas atividades. Já em sede de Recurso, a Recorrente afirma que a área de exploração extrativa estaria em descanso, e deveria por isso mesmo ser reconhecida. A área de exploração extrativa importa para o cálculo do ITR por afetar diretamente a apuração do grau de utilização do imóvel. As regras para sua caracterização estão inseridas no art. 10 da Lei nº 9.393/96, que assim dispõe: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Como se vê, para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 10 No caso em exame, a Recorrente afirma que as averbações no Registro de Imóveis comprovariam a efetividade da existência do plano de manejo, bem como o seu cumprimento. No entanto, as averbações em questão somente servem para demonstrar que a área deverá ser objeto de exploração mediante plano de manejo, mas não servem para atestar a existência deste plano, e muito menos o cumprimento de seu cronograma. Não há, nos autos, cópia do referido plano e nem dos termos de responsabilidade de floresta manejada, documentos estes que poderiam facilmente ter sido trazidos aos autos. Sendo assim, entendo que a Recorrente deixou de comprovar a efetividade do plano de manejo, bem como de seu cumprimento, nos termos que constam de sua DITR. Tal prova caberia certamente à ela, maior interessada na desconstituição do lançamento em exame. Não o tendo feito, não há como acolher suas alegações, devendo esta parcela do lançamento também ser mantida por seus próprios fundamentos. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para reconhecer a existência da área de preservação permanente de 249,9 hectares. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 11610.002339/2001-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples.
Ano-calendário: 2000
EMENTA: ADE NULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS.
O Ato Declaratório que exclui o contribuinte do Simples, com base em existência de pendências perante a PGNF, sem especificar quais sejam, encontra-se maculado de nulidade. Matéria, esta, de ordem pública, que pode ser conhecida de ofício em sede de julgamento de recurso especial.
Numero da decisão: 9101-001.079
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a)s o(a) Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Alberto Pinto de Souza Júnior.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Anocalendário: 2000 EMENTA: ADE NULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS. O Ato Declaratório que exclui o contribuinte do Simples, com base em existência de pendências perante a PGNF, sem especificar quais sejam, encontrase maculado de nulidade. Matéria, esta, de ordem pública, que pode ser conhecida de ofício em sede de julgamento de recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a)s o(a) Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Alberto Pinto de Souza Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 228DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002339/200178 Acórdão n.º 9101001.079 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em violação à legislação tributária. O contribuinte foi excluído do Simples O contribuinte apresentou impugnação (fls.01/05). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS JUNTO À PGFN E AO INSS. Há que ser considerada procedente a exclusão de oficio do Simples, formalizada por meio de ato declaratório, tendo em vista que, à época, restou comprovada a existência de débito inscrito na Dívida Ativa da União. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto, da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Descabe a alegação de ocorrência de cerceamento do direito de defesa quando a impugnação apresentada pela contribuinte enfrenta as infrações a ela imputadas. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002339/200178 Acórdão n.º 9101001.079 CSRFT1 Fl. 3 3 Solicitação Indeferida O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 96/103). O julgamento foi convertido em diligência (fls. 122/130). A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 167/181) deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS REGULARIZAÇÃO A regularização fiscal tributária perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e INSS dos débitos em aberto afasta a hipótese de exclusão do Simples prevista no inciso XV do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Entendeuse, no voto vencedor, que: “Como se verifica dos presentes autos, a recorrente não foi admitida no SIMPLES porque possuía débitos em aberto junto à PGFN e INSS. A recorrente comprovou durante o processo o parcelamento dos referidos débitos, fato comprovado com base na diligência realizada. Devese ter em mente que o processo de inclusão retroativa do SIMPLES se submete às normas do rito processual do Decreto 70.235/72, forte no § 6°, do art. 8° da Lei 9.31//96, acrescido pela Lei 10.833/03. No momento em que a recorrente apresentou sua impugnação contra a negativa de inclusão no SIMPLES, restou suspensa sua a decisão recorrida, forte no inciso III do art. 151 do CTN. Se no decorrer do processo administrativo a recorrente tomase regular novamente, afastando o motivo da negativa de sua inclusão, correta é a sua manutenção na sistemática do SIMPLES” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 186/192). Argumentou, em primeiro lugar, que, quando da edição do ADE de exclusão do Simples, o contribuinte possuía efetivamente débitos inscritos perante a PGFN. Narrou que: Fl. 230DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002339/200178 Acórdão n.º 9101001.079 CSRFT1 Fl. 4 4 “Conforme os documentos de fls. 49/50, a adesão ao parcelamento da Lei 10.684/03 ocorreu apenas em 25/08/2003, e não em 15/08/2001, como alega o contribuinte, portanto, bem posterior à edição do ADE. O que ocorreu em 15/08/2001 foi o pedido de parcelamento de um débito previdenciário, como se constata à fl. 52 dos autos, que nada tem que ver com o REFIS. Ademais, a Lei 10.684/2003 apenas permitiu que as pessoas excluídas ou impedidas de ingressar no SIMPLES pudessem optar pelo REFIS II e não permitiu que as pessoas integrantes do SIMPLES pudessem parcelar débitos, como pretende a recorrente.” Expôs que: “Assim, a situação pode ser resumida nas seguintes palavras o contribuinte foi excluído do SIMPLES por ter débitos pendentes na PGFN na época da edição do ADE. Após, já excluído do SIMPLES, o mesmo solicitou o parcelamento dos débitos. Assim, o ADE é perfeitamente válido por configurar a hipótese descrita no art. 9°, inciso XV, da Lei 9.317/96. Ao se beneficiar do parcelamento estipulado pela Lei 10.684/2003, foi possibilitado ao contribuinte retornar ao SIMPLES, desde que preenchidos os demais requisitos e que tenha exercido a opção até o Ultimo dia útil de 2003, com efeitos a partir de 1° de janeiro, o que foi feito pela empresa, nos moldes do processo apensado aos presentes autos. Ora, a empresa tinha débitos perante a PGFN e, por isso, foi excluída do SIMPLES, não podendo agora o julgador administrativo relevar esse fato em virtude de um parcelamento feito a posteriori. A empresa somente se tornou regular para ingressar no SIMPLES novamente a partir de 2004, nos moldes da Lei 10.864/2003, sendo o ADE perfeitamente válido no caso concreto.” Finalmente, defendeu a regularidade da motivação da exclusão da empresa do Simples, consistente em existência de “Pendências da empresa ou sócio junto à PGFN”. O contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 199/202). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Fl. 231DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002339/200178 Acórdão n.º 9101001.079 CSRFT1 Fl. 5 5 O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, uma vez que a recorrente baseouse na violação, por parte da decisão recorrida, à legislação tributária, discorrendo nesse sentido. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à análise do mérito recursal. O acórdão recorrido foi proferido no sentido de que a regularização fiscal do contribuinte, posto que posterior à exclusão, torna esta sem efeito. A recorrente defendeu que tal entendimento não se sustenta, tendo em vista que, quando da exclusão, o contribuinte enquadravase numa das circunstâncias impeditivas da opção pelo Simples: pendência da empresa ou sócio junto à PGFN. Ad argumentandum tantum, a recorrente sustentou a higidez da motivação do ADE. E é justamente neste ponto que focarei minha análise. Não obstante o objeto específico do presente recurso especial, relativo à eficácia da regularização superveniente da situação fiscal do contribuinte, de início ensejadora da sua exclusão do Simples, tenho que, compulsando os autos, o processo encontrase maculado por nulidade desde a edição do próprio Ato Declaratório Executivo (comunicado de exclusão), constante de fls. 32. Com efeito, referido documento, datado de outubro de 2000, apresenta como fundamentação para a exclusão a existência de “pendências da empresa e/ou sócios junto ao INSS; pendências da empresa e/ou empresa junto à PGFN”. A nulidade de um ato que tal encontrase já pacificada no âmbito do CARF, conforme o enunciado n° 22 da sua súmula jurisprudencial: Súmula CARF n° 22: E nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Nos autos, é de se ter, consta, às fls. 35/36, extrato da relação de processos no sistema Dívida Ativa. Este documento, contudo, foi emitido em 10/04/2001, não se integrando ao ato de exclusão, e, portanto, não podendo sanar a sua nulidade. Veja que a nulidade do ADE constituise, indubitavelmente, em matéria de ordem pública, passível, pois, de conhecimento por parte desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que de ofício. Com efeito, tratase, tal possibilidade, de manifestação do efeito translativo dos recursos, o qual, por definição, consubstancia a possibilidade de o tribunal conhecer, de ofício, de matéria de ordem pública. E nulidade é matéria de ordem pública. Neste caso, é irrelevante que a matéria tenha sido préquestionada perante o órgão julgador a quo, bastando, nos termos do entendimento adotado pelo STJ, que se transponha positivamente o juízo de admissibilidade do recurso especial. Superado o juízo de admissibilidade, o órgão julgador pode conhecer de matéria de ordem pública de ofício, ainda que não alegada pela parte. Vejase neste sentido os seguintes julgado: Fl. 232DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002339/200178 Acórdão n.º 9101001.079 CSRFT1 Fl. 6 6 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CERTEZA E LIQUIDEZ DAS CDAS. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356/STF. 1. A Corte de origem, com base no contexto fáticoprobatório dos autos, entendeu que as certidões em que se funda a ação executiva encontramse incólumes. Incidência da Súmula 7/STJ. 2. É inadmissível o recurso especial quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada, e não provocada a questão por meio de embargos de declaração. Incidência, por analogia, das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 3. A hodierna jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que as matérias de ordem pública podem ser analisadas em sede de recurso especial, quando ultrapassado o conhecimento, à luz do efeito translativo dos recursos. O que não é o caso dos autos. Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1382247/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/04/2011, DJe 26/04/2011) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATOS DE AUXILIARES DE JUSTIÇA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. INCONFORMAÇÃO COM A TESE ADOTADA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexistindo qualquer das hipóteses do art. 535 do CPC, não merecem acolhimento os embargos de declaração com nítido caráter infringente. Precedentes. 2. A tese adstrita ao acórdão embargado versa sobre a impossibilidade jurídica do pedido: a causa petendi é inviável frente ao ordenamento jurídico brasileiro, em razão da impossibilidade de anulação de atos de auxiliares de justiça por meio de Ação Anulatória. 3. É suficiente à extinção da ação, de ofício, nos termos do art. 267, § 3º, do Código Processual, a manifesta impossibilidade jurídica do pedido uma vez que, nos termos desse diploma legal, a possibilidade jurídica apresentase como uma das condições da ação (art. 267, VI, do CPC). 4. "Quando eventual nulidade processual ou falta de condição da ação ou de pressuposto processual impede, a toda evidência, o regular processamento da causa, cabe ao tribunal, mesmo de ofício, conhecer da matéria, nos termos previstos no art. 267, § 3º e no art. 301, § 4º do CPC, reconhecendose o efeito translativo como inerente também ao recurso especial. Inteligência da Súmula 456 do STF e do art. 257 do RISTJ." Fl. 233DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002339/200178 Acórdão n.º 9101001.079 CSRFT1 Fl. 7 7 (EDcl no REsp 993.364/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 10.2.2009, DJe 25.3.2009). 5. É de se ver que, uma vez não ultrapassado sequer os requisitos essenciais à cognição do mérito da questão jurídica jungida ao apelo especial, não cabe falar em omissão dessa mesma quaestio juris. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1197027/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/04/2011, DJe 15/04/2011) Por todo o exposto, com fundamento no enunciado n° 22 da súmula do CARF, declaro a nulidade ab initio do presente processo administrativo. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2011.28 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 234DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.003151/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO EXTRAÍDA DA CONTABILIDADE DA EMPRESA. CONTA CONTÁBIL TÍPICA DE REGISTRO DE REMUNERAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA EMPRESA DA EXISTÊNCIA DE PARCELAS NÃO REMUNERATÓRIAS. INOCORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO.
A composição da base de cálculo da apuração a partir de lançamentos contábeis efetuados em contas típicas de registro de remuneração não representa arbitramento, mormente quando a empresa fiscalizada não consegue demonstrar que na referida conta eram também registradas parcelas não remuneratórias.
AJUDA DE CUSTO. MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente não é tributada a verba denominada a ajuda de custo, disponibilizada para fazer frente à despesas de mudança de local de trabalho, quando o sujeito passivo comprova a efetiva transferência do empregado e que a verba foi fornecida em parcela única e com esse propósito.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS IRREGULARMENTE.
Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participação nos Lucros e
Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício,
devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a
desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência,
que devem ficar de fora da tributação.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
DECLARAÇÃO EM GFIP. EXCLUSÃO DO CRÉDITO RELATIVO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE.
O fato da empresa, após o início da ação fiscal, haver declarado fatos
geradores de contribuição previdenciária na GFIP não a dispensa da
obrigação de recolher o tributo devido.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA
TRIBUTÁVEL. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NOS ESCLARECIMENTOS AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra deficiência de informações ao contribuinte, quando as
peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao
pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido
das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito
de defesa do sujeito passivo.
REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil
para a solução da lide.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e
baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações
do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios
consistentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.141
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; e III) no mérito, pelo provimento parcial do recurso, para que se exclua da
apuração as competências 01 e 07/2004 do levantamento PLR PARTICIPAÇÃO LUCROS.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO EXTRAÍDA DA CONTABILIDADE DA EMPRESA. CONTA CONTÁBIL TÍPICA DE REGISTRO DE REMUNERAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA EMPRESA DA EXISTÊNCIA DE PARCELAS NÃO REMUNERATÓRIAS. INOCORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO. A composição da base de cálculo da apuração a partir de lançamentos contábeis efetuados em contas típicas de registro de remuneração não representa arbitramento, mormente quando a empresa fiscalizada não consegue demonstrar que na referida conta eram também registradas parcelas não remuneratórias. AJUDA DE CUSTO. MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Somente não é tributada a verba denominada a ajuda de custo, disponibilizada para fazer frente à despesas de mudança de local de trabalho, quando o sujeito passivo comprova a efetiva transferência do empregado e que a verba foi fornecida em parcela única e com esse propósito. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS IRREGULARMENTE. Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participação nos Lucros e Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício, devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência, que devem ficar de fora da tributação. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECLARAÇÃO EM GFIP. EXCLUSÃO DO CRÉDITO RELATIVO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. O fato da empresa, após o início da ação fiscal, haver declarado fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP não a dispensa da obrigação de recolher o tributo devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NOS ESCLARECIMENTOS AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra deficiência de informações ao contribuinte, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; e III) no mérito, pelo provimento parcial do recurso, para que se exclua da apuração as competências 01 e 07/2004 do levantamento PLR PARTICIPAÇÃO LUCROS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 65 1 64 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.003151/200890 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.141 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TELEFÔNICA DATA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO EXTRAÍDA DA CONTABILIDADE DA EMPRESA. CONTA CONTÁBIL TÍPICA DE REGISTRO DE REMUNERAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA EMPRESA DA EXISTÊNCIA DE PARCELAS NÃO REMUNERATÓRIAS. INOCORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO. A composição da base de cálculo da apuração a partir de lançamentos contábeis efetuados em contas típicas de registro de remuneração não representa arbitramento, mormente quando a empresa fiscalizada não consegue demonstrar que na referida conta eram também registradas parcelas não remuneratórias. AJUDA DE CUSTO. MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIA LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Somente não é tributada a verba denominada a ajuda de custo, disponibilizada para fazer frente à despesas de mudança de local de trabalho, quando o sujeito passivo comprova a efetiva transferência do empregado e que a verba foi fornecida em parcela única e com esse propósito. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS IRREGULARMENTE. Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participação nos Lucros e Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício, devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência, que devem ficar de fora da tributação. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECLARAÇÃO EM GFIP. EXCLUSÃO DO CRÉDITO RELATIVO À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. O fato da empresa, após o início da ação fiscal, haver declarado fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP não a dispensa da obrigação de recolher o tributo devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NOS ESCLARECIMENTOS AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra deficiência de informações ao contribuinte, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; e III) no mérito, pelo provimento parcial do recurso, para que se exclua da apuração as competências 01 e 07/2004 do levantamento PLR PARTICIPAÇÃO LUCROS. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003151/200890 Acórdão n.º 240102.141 S2C4T1 Fl. 66 3 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.160.0260, no qual são exigidas contribuições patronais para a Seguridade Social para outras entidades e fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 44/56, esses foram os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento: a) remunerações de segurados empregados declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP após o início da ação fiscal; b) remunerações de segurados empregados não declaradas em GFIP; c) parcela relativa à participação nos lucros, paga em desconformidade com a lei de regência; d) remunerações pagas a contribuintes individuais, constantes em folha de pagamento e/ou escrita contábil e não declaradas em GFIP. Conclui o Fisco que os valores lançados no presente AI referemse a remunerações não declaradas em GFIP ou declaradas após o início da ação fiscal. A seguir, o Auditor Fiscal informa os critérios que foram utilizados para apropriação dos recolhimentos efetuados pela empresa, tanto para as contribuições declaradas na GFIP antes, como para aquelas informadas após o início do procedimento fiscal. Salientase também que foram detectados segurados empregados informados em folha de pagamento e não declarados em GFIP e situações em que o saláriodecontribuição lançado em folha era superior aquele informado na GFIP. Asseverase ainda que foi constatada a presença de segurados contribuintes individuais em folha, mas não declarados na guia informativa. A Auditoria acrescenta que a empresa não ofereceu à tributação à rubrica “960 – Ajuda de Custo Eventual” a qual foi paga com habitualidade e em valores reajustáveis na mesma proporção dos salários. Tal parcela foi incluída na apuração. Foi detectado o pagamento de despesas com educação a empregados, sobre as quais a empresa não prestou esclarecimentos. Há ainda uma conta contábil indicativa de pagamento de despesas de educação vinculadas à gratificação sobre vendas. Informase também que os menores aprendizes deixaram de ser informados na GFIP relativa à competência 13/2004. Destacase ainda a existência de valores divergentes entre a folha de pagamento e a contabilidade no que se refere ao pagamento de expatriados e honorários aos dirigentes e membros de conselhos empresariais. O Fisco sustenta que foram apresentados Recibos de Pagamento a Autônomos – RPA não incluídos em folha de pagamento. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003151/200890 Acórdão n.º 240102.141 S2C4T1 Fl. 67 5 Afirmase ainda que foram efetuados pagamentos a título de participação nos lucros em periodicidade superior aquela prevista na lei de regência, por isso todas as parcelas pagas sob essa rubrica foram consideradas saláriodecontribuição. O processo de que tratamos foi apensado os AI n.º 37.060.0243 (processo n.º 13896.003148/200876), fato que também ocorreu com o de n.º 37.060.0251 (processo n.º 13896.003149/200811), relativos aos mesmos fatos geradores e que incluem, respectivamente, as contribuições patronais para a Seguridade Social e a contribuição dos segurados contribuintes individuais (para os levantamentos (HON, RPA e CNG). A empresa apresentou impugnação para os três AI, tendo a DRJ em Campinas exarado o acórdão n.º 0526.221, no qual ficou decidido pela procedência parcial do AI n.º 37.060.0243 (patronal Seguridade Social) e do AI que ora se julga e pela procedência total do AI n.º 37.060.0251 (contribuição dos segurados contribuintes individuais). No julgamento foi afastada a cobrança de contribuição sobre as despesas de educação que a empresa demonstrou terem sido integralmente suportadas pelos empregados, que restituíram os valores adiantados pela recorrente. Foram apresentados os recursos voluntários contra os três AI, nos quais a empresa, em apertada síntese, alegou que: a) o AI não foi confeccionado em consonância com as prescrições legais, por isso é necessária a sua anulação; b) não foi posta no lançamento a devida e correta fundamentação legal, mormente quando se deixou de indicar a base normativa que possibilita a apuração fiscal por arbitramento, a qual foi utilizada para calcular a contribuição incidente sobre a conta contábil denominada “Expatriados”; c) apurouse contribuições sobre valores lançados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, os quais dizem respeito a pagamento de aluguéis a pessoas físicas, que, fora de dúvida, não têm natureza de salário; d) a “Ajuda de Custo Eventual” foi repassada aos empregados a título de reembolso por despesas de representação e não foi paga com habitualidade; e) a inexistência de habitualidade se verifica pelo fato dos pagamentos da “Ajuda de Custo Eventual” terem sido feitos somente no momento da rescisão do contrato de trabalho dos empregados Mauricio Doria de Camargo, Pedro Caminha Montenegro, Maria Ines Teixeira Yamamoto e Francisco Jose Manso; f) os valores extraídos da conta contábil “Gratificação Sobre Vendas” não podem ser tributados, postos que os mesmos não são salários, mas prêmios atrelados ao desempenho de alguns gerentes, que atingiram as metas estabelecidas por planos de incentivo da empresa; g) corrigiu a infração relativa à falta de inclusão dos menores aprendizes na GFIP, por esse motivo, as contribuições correspondentes a esses pagamentos devem ser excluídas do crédito; Fl. 70DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 h) os valores da conta “Honorários” dizem respeito a pagamentos efetuados aos conselheiros e diretores da recorrente pela empresa Telecomunicações de São Paulo S.A. – TELESP, além do mais resta comprovado pela documentação acostada que essa rubrica não é composta apenas do pagamento de remunerações; i) as contribuições incidentes sobre os pagamentos feitos aos contribuintes individuais Hércio Rodrigues e Marcos Duarte da Silva foram integralmente quitadas, conforme comprovantes acostados; j) não efetuou o pagamento de PLR, no ano de 2004, em três parcelas como afirma o Fisco. Os repasses nos meses de janeiro e julho foram efetuados conforme manda a legislação, todavia, o pagamento efetuado em março contemplou apenas os empregados transferidos da empresa Katalyx Transportation do Brasil Ltda., no mês de setembro de 2003. Esse pagamento é independente do acordo de PLR feito entre a recorrente e seus trabalhadores e não pode desnaturálo; k) regularizou as falhas administrativas decorrentes de falta de informações na GFIP, assim, não pode subsistir a presente apuração fiscal, posto que lastreada em diferenças entre os valores constantes em folha de pagamento e aqueles declarados em GFIP; l) a Taxa SELIC não pode ser utilizada para fins tributários. Ao final pede: a) o reconhecimento das preliminares com nulificação do AI; b) o reconhecimento da improcedência do AI; c) caso não se entenda pela exclusão total das parcelas pagas a título de PLR, que se tribute apenas a parcela paga em março; d) a realização de diligência para comprovar a correção das falhas apontadas. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003151/200890 Acórdão n.º 240102.141 S2C4T1 Fl. 68 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da nulidade dos AI Em seus recursos, a empresa alega que os AI são nulos em razão da falta de exposição clara das circunstâncias que deram ensejo à lavratura, além de que na apuração das contribuições sobre a parcela denominada “Expatriados”, efetuada mediante arbitramento, o Fisco não fez constar a fundamentação jurídica que desse guarida a esse procedimento excepcional. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito, verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a constatação da ocorrência do fato gerador. Sobre essa faceta do lançamento, ao me deparar com os relatos da Auditoria, pude constatar que os mesmos apontam que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais. Na seqüência, indicam expressamente as evidências que culminaram com a conclusão acerca da concretização das hipóteses de incidência tributária. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de remuneração por serviços prestados à empresa, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente a escrita contábil, as GFIP e as folhas de pagamento. Nesse sentido, vejo que os AI e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo às exigências fiscais, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar à reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 As bases de cálculo também se encontram bem apresentadas, tanto nas diversas planilhas colacionadas, quanto nos Relatórios de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura dos Discriminativos Analíticos do Débitos – DAD. Vejase que o Fisco indicou a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Os relatórios Fundamentos Legais do Débito trazem a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição dos créditos previdenciários. A ausência de citação do fundamento legal do arbitramento, enfatizada pela empresa para a apuração sobre a parcela denominada “Expatriados”, é tese que não merece acatamento. Vejamos. A Auditoria, deparandose com a conta contábil “0031089590 – Expatriados”, solicitou da empresa a documentação que deu suporte aos registros contábeis nessa rubrica (ver intimação de fls. 85/88). Todavia, o sujeito passivo deixou de cumprir com seu dever de colaborar com o Fisco, o que motivou a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Afirma o Agente do Fisco que a empresa disponibilizou apenas uma relação dos beneficiários do pagamento, constando os nomes de Alejandro Martinez Rosillo e Diego Leopardo Cárdenas Von A. Beyeren. Da análise desses dados, chegouse à conclusão de que os valores constates na referida conta de despesa não coincidiam com as remunerações lançadas em folha de pagamento. A empresa bem que poderia ter apresentado documentação que indicasse que na conta contábil sobre referência havia valores não integrantes do saláriodecontribuição, mas a sua atitude de inércia diante da investigação fiscal não lhe permite agora questionar a incidência de contribuições sobre a rubrica “Expatriados”, mormente, quando continua a não acostar provas que indicassem que houve exigência de tributos sobre parcelas não remuneratórias. Assim, considerandose que o Fisco extraiu a base de cálculo da apuração sobre a parcela em questão diretamente da contabilidade da recorrente, a qual não demonstrou que ali havia desembolsos não abrangidos pelo campo de incidência previdenciária, não enxergo na espécie a ocorrência de arbitramento das contribuições. Por esse motivo, não há o que se falar em deficiência de fundamentação legal no lançamento, uma vez que a conta contábil sob enfoque tipicamente abriga parcelas remuneratórias. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito, não indica como as supostas omissões acarretaram prejuízo ao seu direito de defesa. Foi feliz o órgão a quo quando assinalou que os termos da defesa permitem inferir que o sujeito passivo teve plena compreensão de todos os passos seguidos pelo Fisco para a confecção do lançamento, não se verificando pontos obscuros no relato fiscal que tenham arranhado o inteligibilidade do procedimento. Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo aparente ou implícito para o administrado. Não há nulidade sem prejuízo. É desnecessário, do ponto de vista prático, anularse ou decretarse a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. A doutrina tem chamado de princípio da transcendência àquele originário da regra segundo a qual, para que a nulidade seja declarada, é necessária a produção de prejuízo. Do contrário, não se deve declarar a nulidade. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003151/200890 Acórdão n.º 240102.141 S2C4T1 Fl. 69 9 Assim, por entender que o Fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em provas convincentes, afasto essas preliminares. Pagamento de aluguéis O argumento de que o Fisco incluiu na base de cálculo valores pagos a título de aluguéis, os quais teriam sido obtidos da DIRF não se coaduna com os dados do processos. Nos AI em questão não houve apuração com base na citada declaração, mas em folhas de pagamento, GFIP e contabilidade. Ajuda de Custo Eventual Alega a recorrente que os valores relativos à rubrica “Ajuda de Custo Eventual” não poderiam ser tributadas, posto que correspondem a reembolso de despesas de representação pagas a alguns empregados, em parcela única, portanto, sem habitualidade. Não devo concordar com essa assertiva. Conforme assinalou a própria defendente, fato corroborado pelos autos, esse pagamento deuse por ocasião da rescisão do contrato de trabalho dos empregados Mauricio Doria de Camargo, Pedro Caminha Montenegro, Maria Inês Teixeira Yamamoto e Francisco José Manso. Assim, denotase tratar de verba rescisória que não guarda relação com reembolso de despesas feitas para o trabalho, como quer fazer crer a recorrente. Vejo que nenhum comprovante da despesa supostamente feita pelos segurados foi acostada com a defesa ou com o recurso. Além de que, da conta contábil de onde foram extraídos os referidos pagamentos, “Conta: 0031012990 Outros Salários e Adicionais”, não foram exibidos os documentos que deram origem aos lançamentos, fato que nos leva a concluir que o Fisco acertou quando apurou as contribuições sobre esses valores. A recorrente ainda suscita ainda a alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 para justificar a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica, todavia, não demonstrou que os segurados envolvidos foram transferidos de local de trabalho, tampouco que as verbas foram disponibilizadas para indenizar despesas com transferência. Diante das evidências apontadas, entendo que deve ser mantida a exigência quanto à verba “Ajuda de Custo Eventual”. Gratificação Sobre Vendas Apontou o Fisco pagamentos de despesas de educação como forma de premiar os segurados Ciro Alegro, Cláudia Novaes Ferreira e Fátima Campos. Tais pagamentos, segundo a Auditoria, teriam sido detectados mediante análise de faturas emitidas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. A recorrente asseverou que tais despesas não tinham caráter salarial, por esse motivo não poderiam compor a base de cálculo das contribuições. Sobre a tributação desses desembolsos posso dizer que os mesmos não constam do presente lançamento, até porque todo o levantamento DED – Despesas com Educação foi excluído do crédito no julgamento de primeira instância. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Nesse sentido, essa alegação recursal perdeu o objeto. Menores aprendizes O Fisco menciona no seu relatório o item de apuração denominado “FMA – FOPAG Menor Aprendiz”, o qual englobaria os valores não declarados em GFIP para a competência 13/2004 (13.º Salário), relativos aos pagamentos efetuados aos menores aprendizes. Analisando o Discriminativo Analítico de Débito – DAD não localizei o citado item de apuração, portanto, tais parcelas não foram incluídas na apuração fiscal, motivo pelo qual deixo de me pronunciar sobre as alegações recursais sobre a matéria. Honorários A recorrente alega que no ano de 2004, os pagamentos efetuados aos seus conselheiros e diretores foram suportados pela empresa Telecomunicações de São Paulo S. A. – TELESP, sendo que a contribuição previdenciária foi efetuada no CNPJ da empregadora (a autuada). Em adição, afirma que os valores lançados na conta “Honorários” não se referem apenas ao pagamento de remunerações, mas a outras parcelas de caráter não remuneratório. Para comprovar a alegação, afirma ter juntado documento que atestaria a composição dos valores registrados na contabilidade. Sustenta ainda que as contribuições incidentes sobre as parcelas remuneratórias foram quitadas, conforme documentos acostados. Inicialmente, cabe ponderar que a Planilha de fl. 450 nada esclarece quanto à origem dos valores apurados. Na verdade, tratase de demonstrativo desacompanhado dos documentos que foram solicitados durante a ação fiscal e que poderiam elucidar a natureza dos valores lançados na conta contábil “Honorários”. A empresa, mesmo não tendo atendido a intimação do Fisco, o que deu ensejo à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, poderia ter, durante o contencioso, apresentado os documentos que pudessem dar guarida a sua tese de que parte dos valores constantes na referida conta contábil não seriam suscetíveis de tributação. Somente a planilha mencionada, para mim, não é suficiente a comprovar o que a empresa articula, mesmo porque a base de cálculo apurada pelo Fisco mediante análise contábil, no valor de R$ 4.017.573,75 é bastante próxima do valore informado na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica na ficha correspondente a Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração, que totalizou R$ 4.037.373,75. As guias de pagamento acostadas às fls. 452/463, que a recorrente alega quitar as contribuições relativas a pagamentos efetuados a autônomos, foram todas consideradas na apuração do crédito, conforme atesta o Relatório de Documentos Apresentados – RDA. Assim, não procede o inconformismo da empresa quanto à falta de cômputo das referidas guias na apuração fiscal. Participação nos Lucros e Resultados De acordo com o Fisco, o pagamento de PLR descumpriu um dos requisitos exigidos pela Lei n.º 10.101/2000, qual seja, aquele previsto no § 2.º do art. 3.º, verbis: Fl. 75DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003151/200890 Acórdão n.º 240102.141 S2C4T1 Fl. 70 11 Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) A empresa, por sua vez, aduziu que as parcelas pagas em janeiro e julho foram efetuados em consonância com o plano de PLR 2003/2004, porém, os valores repassados em março dizem respeito a pagamento estranho ao referido plano, a qual abrangeu apenas os empregados que, em setembro de 2003, foram transferidos da empresa Katalyx Transportation do Brasil Ltda. Analisemos o Acordo Coletivo de Trabalho colacionado às fls. 224/227, especificamente na parte que trata da periodicidade do PLR: 3.ª — PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS , AS _ EMPRESAS ,efetuarão o pagamento da PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, da seguinte forma: PARÁGRAFO PRIMEIRO Em Fevereiro de 2004; pagarão aos empregados o valor correspondente'à Participação dos Lucros, referente ao exercício de 2003, mediante _atingimento de metas corporativas e das estabelecidas por equipes, conforme regras estabelecidas em acordo especifico. PARÁGRAFO SEGUNDO — No mês de Julho de 2.004, pagarão a cada empregado, uma parcela correspondente ao somatório, de ate 130% (cento e trinta por cento) de seu salário nominal e da vantagem pessoal, a titulo de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS, referente ao exercido de 2004, condicionado ao atingimento das metas corporativas e das estabelecidas por equipe. PARÁGRAFO TERCEIRO Os critérios de aferição de metas e avaliação de desempenho serão definidos em conjunto com a entidade sindical. Vêse então que a previsão de pagamentos é de duas vezes por ano, em semestres distintos, portanto, em consonância com a norma de regência. Concluo, então, que o pagamento efetuado no mês de março não faz parte do acordo de PLR referido, portanto sobre essa parcela devem incidir as contribuições. A meu ver, todavia, devem ficar de fora da apuração fiscal as quantias pagas em conformidade com o plano de PLR, uma vez que o próprio Fisco reconheceu que a única desconformidade do pagamento dessa rubrica foi a parcela disponibilizada no mês de março de 2004. Nesse sentido, sou forçado a concluir que o fato de ter havido o pagamento de uma parcela não contemplada no plano de PLR, mesmo que sob essa rubrica, não desnatura as Fl. 76DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 demais parcelas pagas em conformidade com a norma específica. Diferentemente seria se o próprio plano já contivesse dispositivo garantindo o pagamento da PLR em periodicidade não permitida legalmente. Diante dessas considerações, devem ser excluídas do levantamento PLR – PARTICIPAÇÃO LUCROS E RESULTADOS as competências 01 e 07/2004. Da correção das GFIP O Fisco em seu relato reconheceu que a empresa declarou em GFIP parte dos fatos geradores constatados durante a Auditoria, alguns desses valores inclusive foram informados após o início do procedimento fiscal. Todavia, os processos em questão não visam penalizar o contribuinte pelo descumprimento de obrigação acessória, mas apurar as contribuições devidas, isso para os fatos geradores não declarados na GFIP e aqueles declarados após o início da ação fiscal. Nesse sentido, o fato da empresa haver regularizado parte das remunerações que havia omitido na guia informativa não afasta a obrigação de recolher o tributo devido. O raciocínio da recorrente, de que a declaração supriria a falta de pagamento das contribuições, não se coaduna com as disposições do Código Tributário Nacional. É que no seu texto está bem nítida a distinção entre a obrigação tributária principal, que consiste no adimplemento do dever de pagar o tributo e a obrigação tributária acessória, vinculada às prestações positivas e negativas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos e cuja desobediência dá ensejo à aplicação de penalidade pecuniária. Eis as disposições do referido Codex sobre o tema: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Portanto, não há de se confundir a exigência das contribuições que o sujeito passivo deixou de recolher com a penalidade pelo descumprimento de declarar os fatos geradores de contribuição na GFIP. Deixo de acolher, assim, o argumento de suscitado pela recorrente de que a regularização das informações na GFIP afastariam a exigência das contribuições devidas. Taxa de Juros Fl. 77DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003151/200890 Acórdão n.º 240102.141 S2C4T1 Fl. 71 13 Quanto a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, em consonância com a jurisprudência sedimentada do CARF, afasto a alegação de ilegalidade na aplicação da taxa SELIC. Pedido de Diligência Fiscal e juntada de documentos Quanto ao pedido de novas dilações probatórias, mediante a realização de Diligência Fiscal, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Não tenho como deixar de reconhecer que o relato do Fisco e os documentos colacionados permitem uma análise consistente da lide tributária, sendo descabido o pedido para realização de Diligência Fiscal. Do mesmo modo também não há de se acatar o pedido para a juntada de novos documentos, eis que os elementos presentes nos autos já permitem que se chegue a uma conclusão segura sobre o destino dos lançamentos. Além de que esse não é o momento próprio para a produção de prova documental pelo contribuinte, visto que o § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 estabelece que esta prerrogativa processual preclui após o prazo para impugnar. Conclusão Diante das ponderações acima, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso, para que se exclua da lavratura a competência 01 e 07/2004 do levantamento PLR – PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 78DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Fl. 79DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003790/2002-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 06/08/2002
PERFUME (EXTRATO) OU ÁGUADECOLÔNIA.
Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águas-de-colônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das águasdecolônia
independe dos valores absolutos da concentração da composição
aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.516
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águasde colônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das águasde colônia independe dos valores absolutos da concentração da composição aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martìnez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 629DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo dos artigos 7°, inciso II, e 15, parágrafo 2° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais c/c artigo 56, inciso II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes em face do Acórdão nº 30134.076, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/08/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. TIPI. PERFUMES (EXTRATOS). As mercadorias referidas como 'perfumes" ("extratos') no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom nº 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequarse ao disposto no Decreto n. 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração superior a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 15% em se tratando de fato gerador ocorrido na vigência da Nota Coana nº 253/2002, há que se considerar os produtos como "Perfumes" ("extratos') e incorreta a classificação adotada pela importadora, própria para águas decolônia. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A matéria litigiosa diz respeito à classificação de mercadorias importadas pela ora recorrente, por ela classificadas no código NCM 3303.00.20, específico para as águas decolônia, enquanto que a fiscalização entende correto o código NCM 3303.00.10, próprio para os perfumes (extratos). Sob entendimento de terem sido cumpridos as condições de admissibilidade do recurso foi dado seguimento, conforme Despacho nº 3100.010, de 19 de março de 2010. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.003790/200267 Acórdão n.º 930301.516 CSRFT3 Fl. 570 3 Às fls. 528/532 contrarrazões da Fazenda Nacional. Em síntese, pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso interposto preenche os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Insurgese a Recorrente contra o r. acórdão proferido pela então e. Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 380), que, por maioria de votos, negou provimento ao manter a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão da suposta classificação incorreta da mercadoria importada (perfumes, no entender da recorrente). No mérito, é matéria litigiosa a classificação de mercadorias importadas pela ora recorrente, por ela classificadas no código NCM 3303.00.20, específico para as águasde colônia, enquanto que a fiscalização entende correto o código NCM 3303.00.10, próprio para os perfumes (extratos). A Fazenda Nacional fundamenta sua exigência em dois pressupostos: (a) em laudos técnicos (de fls. 17 a 20 emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angeram) que indicam o teor de substâncias odoríferas compreendido entre 10,9% e 18,2% (valores encontrados por diferença); e (b) no enunciado das alíneas “a” e “b” do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, que estabelece em 10% o limite máximo da concentração da composição aromática das águas de colônia e considera extratos os produtos de concentração aromática superior àquela. A recorrente vem se defendendo na alegação de que, em síntese: O laudo concluiu que o produto importado é um extrato, mediante a apuração da quantidade de substâncias odoríferas por diferença, por meio de cálculo aritmético, sob a premissa de que todos os componentes que não correspondem à água ou ao álcool seriam considerados substância odorífera; entretanto, não restou comprovado que o percentual apurado por diferença seja composto somente de essências; A técnica utilizada é falha, pois desconsidera as outras substâncias que compõem os produtos em tela (além do etanol, da água e das substâncias odoríferas), bem como as variações que podem ocorrer no percentual de álcool em virtude de mudanças de temperatura na execução dos testes; Notese que não foi mencionado o modelo de cromatógrafo utilizado nas análises. Também as "referências bibliográficas" (que não foram especificadas no laudo), indicam considerarse "perfume" a solução hidroalcoólica contendo de 10 a 25% de essências, e "águadecolônia" a que contém de 2 a 6%, sem Fl. 631DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 explicitar o que seriam os produtos que contêm de 6 a 10% de essências. Ressaltese, ainda, a contradição existente entre o Auto de Infração, que cita norma da ANVISA, enquanto o laudo se baseia na aludida "bibliografia"; Entendo assistir razão à recorrente eis que no entender desta Conselheira, o Decreto 79.094, de 1977, específico para o registro no sistema de vigilância sanitária, não se presta para o fim pretendido pela fiscalização. Nessa norma, perfume é gênero com cinco espécies: extrato é a primeira das espécies; águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares são os sinônimos da segunda espécie. A Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, sobre esse aspecto, também se manifestou conforme excertos retirados do Acórdão nº 30239.163, a seguir reproduzidos: A fiscalização aduaneira tem optado por adotar o Decreto nº 79.094, de 1977, que em seu art. 49, inciso II, alínea “a” estabelece que são extratos as fragrâncias cuja concentração varia de um mínimo de 10% até 30% e águas de colônia águas perfumadas, loções e similares, as diluições até 10%. No meu entender essa atuação é a menos indicada para o caso. (O Decreto Regulamenta a Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, que submete a sistema de vigilância sanitária os medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneamento e outros.). E mais: De fato, a classificação tarifária internacional não menciona percentuais de extrato, essência ou misturas odoríferas para determinar o enquadramento das fragrâncias. E nem o faz a nomenclatura Comum do Mercosul. Consultandose as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, concernentes à posição 3303, que abriga os “Perfumes e Águas de Colônia”, encontramos o que se segue: “A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido [compreendendo os bastões (“sticks”)], e as águas de colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contém ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, água de colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 3301, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais baixa concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado do álcool empregado.” (grifos do original) Fl. 632DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.003790/200267 Acórdão n.º 930301.516 CSRFT3 Fl. 571 5 Pela transcrição acima, verificase que as NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que poderia vir a diferenciar os “perfumes propriamente ditos” das “águas de colônia”, apenas informando que as “águas de colônia” apresentam mais fraca concentração de óleos essenciais e um título geralmente menos elevado do álcool nelas empregado. Consultandose a NCM – Nomenclatura Comum do MERCOSUL 1, também não existe qualquer especificação que venha a permitir a distinção entre tais produtos, mesmo com a criação dos itens e subitens correspondentes, (...): (...) O Sistema Harmonizado foi desenvolvido pela Organização Mundial de Aduanas como nomenclatura internacional de produtos comercializados em quantidades economicamente significativas visando, entre outros propósitos, possibilitar a confecção de estatísticas internacionais de comércio, constituir base para a aplicação de regras de origem, monitoramento de mercadorias controladas, elaboração de mecanismos de defesa comercial. É mantido sob constante revisão para que possa estar adaptado às mudanças tecnológicas e aos padrões comerciais. Pela orientação contida no Sistema Harmonizado entendo que os perfumes caracterizamse pela concentração elevada da substância odorífera, geralmente oleosa, diferentemente das águas de colônia, águas de perfume, águas de cheiro, que são menos concentradas. A Tarifa Externa Comum (TEC) dispõe de forma diversa: na posição 3303, sem desdobramento em subposições de primeiro nem de segundo nível, estão os perfumes e as águasdecolônia; enquanto no item 10 estão os perfumes, sinônimos de extratos; e no item 20 as águasdecolônia. Vale lembrar que na estrutura do Sistema Harmonizado (SH) o gênero está indicado nas posições, o subgênero nas subposições e as espécies das mercadorias são identificadas pelos itens ou subitens. Nenhuma nota de seção ou de capítulo trata do tema. Fazendose uso subsidiário das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para distinguir os perfumes (extratos) das águasdecolônia temse que: 33.03 PERFUMES E ÁGUASDECOLÔNIA. A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 As águasdecolônia (por exemplo, águadecolônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. [sublinhado do relator deste recurso voluntário] A Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN também defendeu esse posicionamento ao enfrentar a mesma matéria. Vejase excertos externados no Acórdão nº 301 34.076 Ocorre que, ao entender desta Conselheira, não há que se classificar o produto em perfume ou água de colônia de acordo com o percentual de substituição odorífera, pois as regras NESH não fizeram esta distinção, ademais, mundialmente, a distinção entre águas de colônia e perfumes não é feita pelo percentual de substituição odorífera e o órgão nacional competente para analisar, para fins de registro do produto, também não adota tal classificação. E, além disto, a conclusão do laudo é discutível em vista do método utilizado Cumpre salientar que as Notas Explicativas do Sistema Integrado não fazem nenhuma referência ao teor de substâncias odoríferas que um produto deve conter para ser classificado como perfume ou como água de colônia, conforme abaixo transcrito: "33.03 — Perfumes e águas de colônia A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks), e as águas de colônia cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes, propriamente ditos, também chamados de extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águas de colônia que não devem confundirse com as águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 3301, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado". A rega supra transcrita em momento algum versa sobre os limites de concentração aromática que devem ser adotados pela Fiscalização a fim de determinar a distinção entre águas de colônia e extrato. Portanto, está claro para esta Conselheira que a forma de distinção entre águas de colônia e perfume é comparativa, dentro da mesma linhagem do produto, dada a impossibilidade de ser indicado um percentual parâmetro para fazer tal distinção em todos os casos. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.003790/200267 Acórdão n.º 930301.516 CSRFT3 Fl. 572 7 Por outro giro é indiscutível que a ANVISA classificou o produto, para fins de licença em ÁGUAS DE COLÔNIA, afastando, assim, a previsão do estabelecido pelo inciso II do art. 49 do Decreto n°. 79.094/77. E, notese, que consoante meu entendimento não há que se aplicar este Decreto ao presente caso, posto que as regras de classificação fiscal, como acima apontado, não fazem qualquer menção a ele ou a forma de classificação de acordo com o percentual de substância odorífera. Aplicar tal decreto à classificação fiscal é extrapolar os limites das NESH. E, além do mais, não há como concordar com o entendimento expresso na Nota Coana/Cotac/Dinom n°. 2006/00344, de 13 de dezembro de 2006 (que reformou a Nota Coana/Cotac/Dinom n°. 253, de 2002), classificando no código 3303.00.10 da NCM "mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% (dez por cento)" e classificando no código 3303.00.20 "mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática, em concentração inferior ou igual a 10% (dez por cento), em álcool de diversas graduações". Na mesma linha de pensamento é o entendimento de TARÁSIO CAMPELO BORGES, externado no Acórdão nº 30333.697, cuja ementa está assim reproduzida: Ementa: Classificação de mercadoria. Perfume (extrato) ou águadecolônia. Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águasdecolônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das águasdecolônia independe dos valores absolutos da concentração da composição aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia. Recurso voluntário provido. Consta do voto do Acórdão nº 30333.697, acima citado, os seguintes excertos: Portanto, para a classificação fiscal desses produtos, entendo irrelevantes os valores absolutos da concentração da composição aromática de cada um deles e conseqüentemente equivocados os fundamentos da denúncia fiscal. No meu sentir, é o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia, fato sequer noticiado nos autos deste processo administrativo. No mesmo entendimento, penso ser irrelevante os valores absolutos da concentração da composição aromática apurados pela fiscalização. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 CONCLUSÃO: Com essas considerações, VOTO no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 636DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16045.000258/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2005
CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO REMUNERAÇÃO.
ALIMENTAÇÃO SEM PAT PARCELA PATRONAL DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS.
No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” e “f”do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: “c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos
da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 e lei 7418/85`
A empresa não comprovou sua inscrição no PAT, passando os valores a constituírem salário de contribuição.
Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.
O pagamento de vale transporte em dinheiro desnatura sua essência, estando em desacordo com a legislação pertinente, passando a integrar o conceito de salário de contribuição.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.002
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ALIMENTAÇÃO SEM PAT PARCELA PATRONAL DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” e “f”do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: “c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 e lei 7418/85` A empresa não comprovou sua inscrição no PAT, passando os valores a constituírem salário de contribuição. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. O pagamento de vale transporte em dinheiro desnatura sua essência, estando em desacordo com a legislação pertinente, passando a integrar o conceito de salário de contribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” Fl. 443DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 444DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000258/200976 Acórdão n.º 240102.002 S2C4T1 Fl. 443 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.193.9062, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os pagamentos feitos À TÍTULO DE AUX. ALIMENTAÇÃO (01/2005 a 12/2005) de empresa não inscrita no PAT E VALE TRANSPORTE em pecúnia e de passes em desacordo com a lei 7418/1985. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 25/08/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 87 a 107. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 408 a 411, englobando os DEBCAD; 37.193.9062, 37.193.9070 e 37.193.9089, subdivididos em obrigação patronal, contribuição do segurado e terceiros. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 417 a 440 , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Primeiramente, cumpre ressaltar que os benefícios disponibilizados aos trabalhadores (alimentação/cesta básica), fato gerador desta, apenas e tão somente foram instituídos consoante os termos do avençado, em especial no que tange à condição do liame não caracterizador do salário "stricto sensu", única forma a viabilizar fossem os empregados favorecidos, ao passo que uma vez descaracterizado o cunho meramente liberal do benefício, resta a impossibilidade de que lhe seja estendida a condição de salário in natura. Na esteira desse pensamento, concluímos que, se a Auditora fiscal lavradora do auto de infração ora atacado, não apresentar o fato jurídico tributário, relacionandoo, por meio de provas irrefutáveis, ao evento verificado no mundo fenomênico, se terá por nulo o ato pela falta de um de seus pressupostos, que é a correlação lógica entre o fato e a norma infringida (nexo), ônus que cabe privativamente ao agente fiscal, não podendo este, repassar ao contribuinte tal Obrigação, muito menos penalizalo por isso. Reiterase, ainda, que a Autoridade deixou de observar "o Principio da PRIMAZIA DA REALIDADE, que norteia todas as relações trabalhistas, assim como, o Principio que impõe, nestes casos, a obrigatoriedade da interpretação mais favorável à empresa concedente". Relativamente a instrumento normativo, devese observar que quando este fixa uma obrigação de fazer (v.g., fornecer determinadas prestações in natura ou utilidades) e ocorre inadimplência, ela se transforma em obrigação de dar, ou seja, pagar indenização equivalente à prestação que não foi fornecida, deixando clara a verdadeira índole da verba. Fl. 445DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Assim, Frisese, não há salárioutilidade ou in natura nos casos em que a norma — legal ou convencional — explicitamente reconhecer que a utilidade não será considerada salário, nem para efeito legal, nem para efeito contratual. Os Acordos Coletivos possibilitam à Empresa cumprir a determinação através de outras alternativas, por vezes menos onerosas, como se dá no caso vertente, em que a recorrente não se furtou de cumprir a determinação de fornecer alimentação, porém, o faz através de terceiros, refeições que são fornecidas a preço bem inferior. Frisese ainda, que muito embora a empresa autuada não faça parte do PAT (Programa Alimentação do Trabalhador), as empresas por ela contratadas para fornecer as refeições e as cestas básicas, fazem parte do referido programa, conforme documentos anexos. outro vértice, no que tange ao Vale Transporte, vale salientar que a contribuição previdenciária não deve incidir sobre o valor pago a este titulo, pois esta verba tem caráter indenizatório, não existindo proibição legal de que o auxilio seja dado em dinheiro diretamente aos trabalhadores, nos termos do art. 458 da CLT. A auditora fiscal, em sua investida contra a impugnante, aplicou, a seu bel prazer, multas aleatórias, e sem respaldo legal, conforme supra demonstrado, chamando a nossa atenção pela sua exorbitância. Improcede também, os juros e correções, pois ausente o principal não há que se falar em acessório.. Requer, ao final, seja declarada nula as sanções impostas, ou ainda se apreciar o mérito decidir pela improcedência. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 446DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000258/200976 Acórdão n.º 240102.002 S2C4T1 Fl. 444 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 442. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação das bases de cálculo no documento DAD, não lhe confiro razão. Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições dos pagamentos feitos aos segurados. Ademais, o relatório fiscal da infração descreve de forma detalhada, como foi realizado o lançamento, indicando inclusive sobre qual base foram apuradas as contribuições. Quanto a desobediência ao princípio da Primazia da Realizada, entendo que equivocado encon5rase o argumento do recorrente, considerando que foram considerados pela autoridade fiscal, não só os documentos apresentados, como também os fatos encontrados durante o procedimento, contudo a legislação previdenciária é clara quanto ao conceito de salário de contribuição. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito Fl. 447DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 DO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados á título de auxílio alimentação sem PAT e vale transporte em pecúnia. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Contudo, apesar de todo o arrazoado da recorrente não há como lhe conferir razão. Conforme citado no seu próprio recurso, no que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: “c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976” A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Portanto, enquanto a empresa não efetuar a apresentação do documento hábil, ao qual se refere o decreto encimado, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Fl. 448DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000258/200976 Acórdão n.º 240102.002 S2C4T1 Fl. 445 7 A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios, assumi o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, á que pago em desacordo com as respectivas leis. Não há de se argumentar que existia previsão em acordos ou convenções coletivas de trabalho, posto que esses instrumentos de negociação coletiva são válidos para normatizar direitos trabalhistas e não os reflexos desses nas parcelas que compõem a base de cálculo de contribuições. Da mesma, forma, não é válido o argumento de que apesar de não estar escrito no PAT, as empresas contratadas cumprem as regras. Assim, deve persistir o lançamento. O pagamento de vale transporte em dinheiro desnatura sua essência, estando em desacordo com a legislação pertinente, passando a integrar o conceito de salário de contribuição. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na Fl. 449DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de auxílio alimentação e vale transporte em desacordo com a lei, não representam alguma espécie de ganho para seus empregados. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 450DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000258/200976 Acórdão n.º 240102.002 S2C4T1 Fl. 446 9 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 451DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 452DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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