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Numero do processo: 13770.000790/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS. OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NÃO DEMONSTRADOS. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos se não evidenciada a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia ter-se pronunciado a turma.
Numero da decisão: 1302-001.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NÃO DEMONSTRADOS. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos se não evidenciada a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia terse pronunciado a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 07 90 /2 00 3- 13 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos por ARACRUZ CELULOSE S/A em face do acórdão nº 1302001.037, proferido por esta turma na sessão de 05/03/2013, no qual este colegiado decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ciência em 02/05/2013 (fls.788). Protocolização dos embargos em 07/05/2013. Alega a embargante existência de omissão e obscuridade. Segundo alega a embargante: a) há obscuridade, pois, para sustentar que a embargante teria deixado de oferecer à tributação rendimentos financeiros no valor de R$71.598.155,04 (embora tenha adicionado tal valor para a formação do saldo negativo) o acórdão considerou não apenas rendimentos financeiros do 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, mas também valores de 4º trimestre, que não compuseram os pedidos de compensação; b) a parcela dos rendimentos não inserida na base de cálculo do IRPJ foi reconhecida pelo regime de competência ao final de cada período de apuração; c) a disparidade entre o valor pretendido pela fiscalização e o efetivamente declarado decorre do fato de a Receita Federal ter avaliado individualmente cada período, desconsiderando as variações negativas, fato apontado no recurso voluntário e omitido no acórdão embargado; d) o rendimento isolado e bruto, para fins de IRRF, não tem relação com a efetiva base de cálculo do IRPJ, cuja base só considera as receitas líquidas, após ingresso no patrimônio do contribuinte. Pede, ao final, acolhimento dos embargos para o fim de sanarem as falhas do acórdão e, por conseqüência, que se reconheça o direito creditório da embargante. É o relatório. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.498 S1C3T2 Fl. 808 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os embargos são tempestivos, e em face da alegação de omissão e obscuridade, deles conheço. A alegação de obscuridade que afirma ter o acórdão embargado sustentado que a embargante teria deixado de oferecer à tributação rendimentos financeiros no valor de R$71.598.155,04 (embora tivesse adicionado tal valor para a formação do saldo negativo), e ao fazer isso ter considerado não apenas rendimentos financeiros do 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, mas também valores de 4º trimestre, que não compuseram os pedidos de compensação, conturba a linha de decisão tomada no decisum, que justamente fez referência aos rendimentos financeiros de R$71.598.155,04 porque tal valor já havia sido mencionado pela DRJ e atacado no recurso voluntário. O acórdão embargado faz menção expressa ao acórdão de primeiro grau, verbis: “A DRJ entendeu que o resultado do anocalendário de 2000 é superior àquele declarado pela recorrente em sua DIPJ, posto que concluiu que as receitas relativas às retenções de IRRF lançadas não foram levadas ao cômputo do resultado. Afirma o voto condutor do acórdão: 22. Através da Declaração de Compensação à fl. 02 e dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 43/105, verificase que o interessado pleiteia a restituição do saldo negativo de IRPJ, referente ao 1o., 2o. e 3o. trimestres do ano calendário 2000. 23. Analisando os dados da declaração de rendimentos do interessado (fls. 113/117), verificase a informação de que há saldo negativo de IRPJ nos 2o. e 3o. trimestres do ano calendário 2000, conforme tabela abaixo: Período 1º trim/2000 2º trim/2000 3º trim/2000 1 Lucro Real declarado 115.966.919,40 30.374.903,61 34.495.846,64 2 Compensação prejuízos 112.946.896,98 30.374.903,61 8.949.186,68 3 Lucro Real 3.020.022,42 25.546.659,96 4 IRPJ 453.003,36 3.831.998,99 5 Adicional 296.002,24 2.548.666,00 6 Total (IRPJ+adicional) 749.005,61 6.380.664,99 7 IRF declarado 58.106,86 8.764.903,47 7.266.097,09 8 Outras deduções 458.951,20 9 Total Dedução 517.058,06 8.764.903,47 7.266.097,09 10 IRPJ a pagar 231.947,55 (8.764.903,47) (885.432,10) Fl. 809DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Fonte: DIPJ fls. 113/117 24. Extraise dos valores da tabela acima, que o saldo negativo de IRPJ é oriundo do Imposto de Renda retido na fonte IRRF (linha 7 e 10). 25. Nesse sentindo, aos autos foram juntados às fls. 109/112, pelo interessado, comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica do anocalendário 2000. 26. Também foram acostadas aos autos, às fls. 435/437, consultas realizadas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, relativas à Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. 27. De acordo com a referida consulta é possível verificar que, no ano calendário 2000, os rendimentos financeiros, referentes ao IRRF que deu origem ao saldo negativo de IRPJ, totalizam R$ 240.989.760,19, conforme tabela a seguir: AC 2000 Banco GARANTIA Banco SAFRA jan/00 fev/00 75.443,14 mar/00 227.395,28 abr/00 16.951.024,67 4.442.169,78 mai/00 12.772.088,24 3.829.055,72 jun/00 3.994.307,97 jul/00 37.953,25 ago/00 9.086.451,05 14.017.048,78 set/00 13.365.042,72 out/00 68.095.266,28 18.737.862,40 nov/00 47.688.418,82 21.243.563,56 dez/00 6.426.668,53 Total ano R$ 154.668.692,20 R$ 86.321.067,99 Total rendimento financeiro R$ 240.989.760,19 Fonte: DIRF do SIEF. 28. Através do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, cujas cópias foram acostadas às fls. 120/160, constatase que o interessado registrou, no mesmo período, a título de receitas financeiras o montante de R$ 169.391.605,15. AC 2000 Receitas Financeiras Fls. 1o. Trim 21.442.257,86 122 2o. Trim 42.984.379,24 126 3o. Trim 48.144.570,83 130 4o. Trim 56.820.397,22 134 Total R$169.391.605,15 Fonte: LALUR 29. Desta forma, parte dos rendimentos (R$ 71.598.155,04), que deu origem ao IRRF, não compuseram a base de cálculo do IRPJ, o qual o interessado pleiteia por restituição. 30. Ademais, não há no processo documentos que comprovem que os rendimentos financeiros (R$ 240.989.760,19) que deram origem ao IRRF constantes na declaração de rendimentos, façam parte dos rendimentos escriturados no LALUR (R$ 169.391.605,15). 31. Tendo em vista que o IRRF só pode ser considerado na apuração do saldo do IRPJ a pagar, nos períodos de apuração em que os respectivos rendimentos Fl. 810DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.498 S1C3T2 Fl. 809 5 componham a base de cálculo do tributo, a referida constatação, isoladamente, permite o indeferimento da solicitação ora em análise.” A embargante, ora recorrente, calouse no recurso voluntário quanto a possível obscuridade do argumento levantado pela DRJ e adotado por este colegiado no julgamento do recurso voluntário. Na oportunidade, tão somente afirmou que o mencionado valor de R$71.598.155,04 já havia sido computado na base de cálculo do IRPJ (fls.568), verbis: Com efeito, seguindo essa linha de raciocínio, não há dúvidas de que a diferença de R$71.598.155,04 [...] apontada pela D. 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ01, já havia sido computada na base de cálculo do IRPJ. O acórdão embargado, após então mencionar o voto da DRJ em que a citação daquele valor ficou expressa, prosseguiu na análise do argumento da recorrente supracitado, concluindo ser ele improcedente. Vejamos: A recorrente refuta tal análise, posto que entende haver computado as receitas em anoscalendário anteriores. Segundo alega, a tributação de rendimentos de fundos de investimento passou a ser tributada mensalmente apenas após 1999, por força do art. 6º da MP 1.75313/98. Até então, vigia a prescrição do art. 699 do RIR/94, que prescrevia a tributação na fonte somente no resgate. Vejamos: MP 1.75313 Art. 6o A partir de 1o de janeiro de 1999, a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta e as imunes de que trata o art. 12 da Lei no 9.532, de 1997, nas aplicações em fundos de investimento, ocorrerá: I na data em que se completar cada período de carência para resgate de quotas com rendimento, no caso de fundos sujeitos a essa condição, ressalvado o disposto no inciso seguinte; II no último dia útil de cada trimestrecalendário, no caso de fundos com períodos de carência superior a noventa dias; III no último dia útil de cada mês, ou no resgate, se ocorrido em outra data, no caso de fundos sem prazo de carência. RIR/94 Art. 699. O imposto será retido pelo administrador do fundo de renda fixa na data do resgate (Lei n° 8.383/91, art. 21, § 3º). Assim, entende haver computado nos anoscalendário anteriores a 1999 o rendimento relativo às retenções efetuadas no ano calendário de 2000, apropriandoos por competência, posto que decorrentes de aplicações financeiras em fundos de investimento sem prazo de carência. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Todavia, tal argumentação não procede, posto que os rendimentos produzidos até 30/06/98 deveriam ter sido retidos pelo administrador do fundo em 1º/07/1998, conforme prescreve o §2º do art. 6º da MP 1.75313, supra referido, verbis: § 2o No caso de fundos sem prazo de carência para resgate de quotas com rendimento ou cujo prazo de carência seja superior a noventa dias, consideramse pagos ou creditados os rendimentos no dia 1o de julho de 1998. Isto em obediência ao próprio §3º do art. 21 da Lei nº 8.383/91 (reproduzido no art. 699 do RIR/94) que determinava a retenção na data do resgate. Assim, a retenção dos rendimentos auferidos até aquela data foi retida, até prova em contrário quanto a falha na conduta do administrador do fundo (questão que não foi ventilada pela recorrente), em 1º/07/1998, não restando, pois rendimentos já apropriados até esta data para serem absorvidos pela retenção declarada na declaração de rendimentos de 2000, devendo prevalecer a decisão adotada pelo colegiado a quo. Verificase de pronto, pois, que o acórdão embargado não adentrou ao mérito da elaboração do valor de R$71.598.155,04, tomandoo tão somente para o efeito de – a partir dele – construir a análise quanto ao argumento da recorrente de que já havia sido levado à tributação. Assim é desarrazoada a argüição de obscuridade, porquanto a formação de valor não é genuína, relativamente ao acórdão embargado, e para além disso, sua higidez não foi questionada no recurso voluntário. Além disso, não há falar, também em omissão quanto ao enfrentamento da matéria relativa à suposta tributação da parcela de R$71.598.155,04, pois, consoante acima reproduzido, o acórdão analisou a matéria, tendo chegado, entretanto, à conclusão de que ela não ocorreu, contrariamente ao quanto afirmado pela recorrente. Também a alegação de que a disparidade entre o valor pretendido pela fiscalização e o efetivamente declarado decorreria do fato de a Receita Federal ter avaliado individualmente cada período, desconsiderando as variações negativas não procede. Com efeito, o crédito foi considerado incerto pelo fato de que o contribuinte não provou ter levado à tributação as receitas sobre as quais declarou retenção na fonte. Consoante demonstrado no acórdão recorrido e também no acórdão da DRJ, os rendimentos com retenção na fonte, de acordo com as DIRF e comprovantes anuais de rendimentos pagos ou creditados no anocalendário de 2000 (fls.109/112 e 435/437) atingiram a cifra de R$240.989.760,19. Por outro lado, de acordo com o Lalur da embargante (fls.120/160), foram registradas receitas financeiras no montante de R$169.391.605,15, o que resulta numa diferença de R$71.598.155,04 de rendimentos que deram origem ao IRRF mas que não compuseram a base de cálculo do IRPJ. Além disso, também não há documentos no processo que demonstrem que os rendimentos financeiros (R$ 240.989.760,19) que deram origem ao IRRF constantes na declaração de rendimentos, façam parte dos rendimentos escriturados no LALUR (R$ 169.391.605,15). Vejase, assim, que já em totais os valores são incompatíveis, e tal incompatibilidade não resta demonstrada pelo embargante com provas documentais. Assim, Fl. 812DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.498 S1C3T2 Fl. 810 7 sequer há falar em variações negativas. Por outro lado, ainda que a embargante estiver se referindo a anoscalendário distintos, mesmo assim alegação de omissão ou obscuridade não procederia. Isto porque consoante menciona o acórdão embargado os rendimentos produzidos até 30/06/98 deveriam ter sido retidos pelo administrador do fundo em 1º/07/1998, conforme prescreve o §2º do art. 6º da MP 1.75313, supra referido, verbis: § 2o No caso de fundos sem prazo de carência para resgate de quotas com rendimento ou cujo prazo de carência seja superior a noventa dias, consideramse pagos ou creditados os rendimentos no dia 1o de julho de 1998. Isto em obediência ao próprio §3º do art. 21 da Lei nº 8.383/91 (reproduzido no art. 699 do RIR/94) que determinava a retenção na data do resgate. Assim, a retenção dos rendimentos auferidos até aquela data foi retida, até prova em contrário quanto a falha na conduta do administrador do fundo (questão que não foi ventilada pela recorrente), em 1º/07/1998, não restando, pois rendimentos já apropriados até esta data para serem absorvidos pela retenção declarada na declaração de rendimentos de 2000, devendo prevalecer a decisão adotada pelo colegiado a quo. Desta forma, consoante abordado pelo acórdão recorrido, mesmo nesta hipótese não há falar em variação negativa, sabendose que conforme prescrevia a MP 175313 os rendimentos produzidos até 30/06/98 haviam sido retidos pelo administrador do fundo. No que tange à alegação de que o rendimento isolado e bruto, para fins de IRRF, não tem relação com a efetiva base de cálculo do IRPJ, cuja base só considera as receitas líquidas, após ingresso no patrimônio do contribuinte, e que para isso devem ser levadas em conta as variações financeiras ativas e passivas, devese dizer que se trata de nova argüição de mérito, não ventilada no recurso voluntário, e visa meramente a rediscutir o mérito ali já decidido. De fato, na formação do saldo negativo de IRPJ, se vier a ser considerado o IRRF, também deve ser levado à conta das receitas aquelas que deram origem às retenções. Por outro lado, a alegação é genérica e não aponta os elementos que indicam porque a receita informada no Lalur dista daquela constante das DIRF e comprovantes anuais de rendimentos pagos ou creditados, na linha argumentativa adotada. Assim, voto para conhecer dos embargos e rejeitálos no mérito. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 813DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10730.904481/2009-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2002
CSLL. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente o conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 44 81 /2 00 9- 80 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Tratase do Despacho Decisório n° 831660892, de 20.04.2009 (fls.46), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em NiteróiRJ, que, sob o fundamento de que o darfcrédito fora integralmente utilizado na quitação de débitos do interessado, não homologou a seguinte compensação declarada: Quadro 1 CRÉDITO DECLARADO: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DÉBITO COMPENSADO Dcomp N° do Pgto. Receita código Apuração Arrecadação Valor Receita Apuração Vencto. Valor Principal 28745.50581.130606.1.3.04 0720 (fls.50/54) 3355703708 CSLL2484 28.02.2002 e 28.03.2002 14.442,56 CSLL 2484 Mai/2003 e 30.06.03 14.848,56 (1) (1) Mais multa e juros de mora. Enquadramento legal: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996. 2. Na Dcomp, a utilização do crédito foi informada assim: Quadro 2 (página 2 da Dcomp, às fls.51) Valor original do crédito inicial 14.442,56 Crédito original na data da transmissão 14.442,56 Selic acumulada 74,73% Crédito atualizado 25.235,49 Total dos débitos desta Dcomp 25.235,49 Total do crédito original utilizado nesta Dcomp 14.442,56 Saldo do crédito original 0,00 3. Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.3/4), o interessado alega que "houve de fato um pagamento indevido e um equívoco no preenchimento da DCTF, confessando indevidamente o débito". 4. Diz que "tratase de um darf de CSLL cujo código é 2484, referente ao período de 02/2002, no valor de R$ 14.442,56, se comparado a DCTF Retificadora com a DIPJ, veremos que este débito NÃO é de fato devido”. 5. Acrescenta que “ para a confirmação do alegado, juntamos à presente cópia da DCTF retificadora, cópia da DIPJ, cópia do Per/Dcomp e cópia do Darf”. 6. Pede "a homologação total do crédito para quitação total do débito na Per/Dcomp acima descrita, tendo em vista que o crédito é sem dúvida existente”. 7. Com a Manifestação de InconformidadeMI vieram os documentos de fls.3/45. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.63/96. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1237.619, de 31 de maio de 2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 228DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904481/200980 Acórdão n.º 1802002.262 S1TE02 Fl. 3 3 Anocalendário: 2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. As alegações desprovidas de provas não produzem efeitos em sede de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DCOMP. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não produz efeitos no julgamento do direito creditório alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CSLL. CÓDIGO 2484. ESTIMATIVAS MENSAIS. CRÉDITO UTILIZADO. DÉBITO NÃO ELIDIDO. Mantémse o Despacho Decisório se não provado que o débito que deu causa à não homologação da compensação era indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 17/11/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/12/2011, no qual alega que: discorda da decisão recorrida ao entender que o contribuinte deixou de juntar provas (escriturais e documentais) do direito alegado, pois o crédito existe, conforme pagamento indevido feito no valor de R$ 14.442,56, recolhido em 28/03/2002, que gerou um crédito a favor da requerente, como pode ser verificado na DIPJ 2003, Ficha 16, mês fevereiro/2002, como demonstrado na memória de cálculo do mês de fevereiro/2002, com valores retirados do balancete e do LALUR, não há que se falar em pagamento de CSLL, pois o resultado foi de “Base de Cálculo Negativa” no valor de R$ 76.309,27: Prejuízo Liquido (balancete) Adições Exclusões Compensação 30% Base Negativa da Csll ﴾76.309,27﴿ ﴾76.309,27﴿ a retificação da DCTF ocorrida após ciência do despacho decisório, foi feita para simples correção do erro de preenchimento. Desta forma, a retificação da DCTF em nada afetou o direito creditório, pois este sempre existiu, permanecendo intocável desde o pagamento indevido. o entendimento do julgador de que o crédito utilizado na Dcomp 28745.50581.130606.1.3.04 0720 (fls.50/54) tem origem no pagamento de Estimativa Mensal e que este só poderia ser restituído /compensado ao final do período de apuração, sob a forma de Saldo Negativo, com Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 fundamento na IN SRF 460/2004, é equivocado, uma vez que a Lei não faz restrição a compensação de estimativas mensais, assim como a IN RFB 900/2008 não traz mais esta restrição, cabendo ressaltar ainda, que já há decisão proferida em sede de julgamento, no âmbito da Receita Federal do Brasil, mantendo o entendimento de que os pagamentos de estimativas mensais são passíveis de compensações como modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido, conforme o Acórdão 12.39.032 4a Turma da DRJ/RJ1 de 27/07/2011. Finalmente a Recorrente requer seja acolhido o presente recurso para fim de ser HOMOLOGADO O CRÉDITO. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 28745.50581.130606.1.3.04 0720 (fls.50/54), transmitido em 13/06/2006, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de CSLL, código 2484, no valor de R$ R$ 14.442,56, período de apuração: 28/02/2002, arrecadação: 28/03/2002, com débito de CSLLestimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Mai/2003 e VENCIMENTO: 30/06/2003). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.13, emitido em 20/04/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Os fundamentos expendidos na decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1237.619, de 31 de maio de 2011, são, no essencial, os seguintes: ... 35 Temse, então, que as alegações do interessado, em sede deste processo administrativo fiscal, não podem produzir efeitos porque desacompanhadas das provas (escriturais e documentais) do direito alegado. 36 Mas, ainda que assim não fosse, o crédito alegado é concernente a pagamento de estimativa mensal, que, na forma da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004), não comporta restituição, e só pode ser restituí do/compensado ao final do período de apuração, porém, sob a forma de saldo negativo, senão vejamos: ... Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904481/200980 Acórdão n.º 1802002.262 S1TE02 Fl. 4 5 O fundamento para rejeitar a manifestação de inconformidade, no sentido de que, somente o saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário, não pode prosperar, pois, de fato, como bem argumentado pela Recorrente, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De sorte que, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Como visto, o segundo fundamento para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. A Turma julgadora de primeira instância apesar de indeferir o pleito da Recorrente, por falta de provas escriturais e documentais, faz as seguintes observações no voto condutor do Acórdão recorrido: ... 13 Pois bem. Relativamente ao anocalendário de 2002, o interessado entregou, nas datas abaixo, duas Declarações de Informações EconômicoFiscaisDIPJs, e, com relação ao primeiro trimestre, duas DCTFs: Quadro 3 DCTF (fls.70) DIPJ (fls.63) 14.05.2002 18.06.2003 26.05.2009 10.10.2006 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.904481/200980 Acórdão n.º 1802002.262 S1TE02 Fl. 5 7 14 O débito de acordo com o corpo do Despacho Decisório ao qual o darfcrédito foi alocado, foi confessado na DCTF entregue em 14.05.2002 e foi vinculado a pagamento de igual valor (fls.71/72). ... 37 Deve ser observado, por fim, à autoridade lançadora, para as providências que reputar cabíveis, que, em face do processamento da DCTF Retificadora entregue em 26.05.2009, passou a figurar "saldo", na consultaSief às fls.74. 38 Observese, também, para as providências revisionais que julgar cabíveis, que, nas consultasSief, às fls.89, os darfs arrecadados (CSLL2484), no primeiro trimestre somam R$ 38.701,74, e, os débitos (após DCTF Retificadora), R$ 11.238,09 (fls.90). ... É certo que a DCTF retificadora fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório, porém, a DIPJ/2003 retificadora fora apresentada antes da ciência do Despacho Decisório. Do despacho da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói (fl.13) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ/2003 em confronto com a DCTF. Conforme consignado acima, constam no voto condutor do acórdão recorrido observações para providências revisionais pela autoridade administrativa emitente do Despacho Decisório. Cabe a análise da DIPJ/2003 e DCTF(s), bem como os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2002, comprovados mediante escrituração contábil e fiscal, para se verificar se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 28/02/2002 é maior que o devido e ainda se não fora utilizado para compor o saldo negativo de 31/12/2002. Assim, afastado o óbice escorado no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, que também serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, e, para que não se alegue supressão de instância, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói/RJ) para análise do PERDCOMP em comento, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado à Recorrente para sua manifestação se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13629.001660/2007-57
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. ERRO.
A utilização de base de cálculo não prevista na legislação tributária, para a apuração do crédito tributário pretendido, torna o lançamento passível de anulação por vício material.
Numero da decisão: 1801-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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BASE DE CÁLCULO. ERRO. A utilização de base de cálculo não prevista na legislação tributária, para a apuração do crédito tributário pretendido, torna o lançamento passível de anulação por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 16 60 /2 00 7- 57 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.001660/200757 Acórdão n.º 1801002.023 S1TE01 Fl. 1.079 2 Relatório IRMÃOS RAMOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0918.569 (fl. 290), pela DRJ Juiz de Fora, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2005, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (150%) TOTAL FLS. IRPJ 133.990,23 28.593,51 200.985,34 363.569,08 204 PIS/PASEP 9.692,34 2.208,22 14.538,51 26.439,07 209 CSLL 48.749,18 10.403,07 73.123,77 132.276,02 214 COFINS 44.643,60 10.171,28 66.965,40 121.780,28 219 Conforme o relato contido no Termo de Verificação Fiscal (fl. 226), os autos de infração foram lavrados em razão da constatação de omissão de receitas, revelada pela comparação entre os valores declarados na DIPJ/2006 e os valores constantes dos livros contábeis e fiscais do autuado. Transcrevese parte do referido termo, destacandose o método de apuração adotado: Esta fiscalização, entretanto, com base em informações colhidas nos Livros Saída, fls. 10/40 e 74/87, tabela fl. 190; de Apuração de ICMS, fls. 41/71 e 88/101; Livro RAZÃO, fls. 124/142; Livro Diário, fls. 143/147; e o Livro de Apuração do Lucro Real, fls. 148/149; da fiscalizada, que foram requeridos e auditados no curso do procedimento fiscal, apurou que os valores das receitas auferidos eram superiores àqueles declarados na DIPJ nº ND 0746927, conforme demonstram os assentamentos constantes desses livros, e discriminado nas tabelas de fls. 190/201. Assim, através do Termo de Intimação Fiscal n° 002, fl. 151, a empresa foi intima a justificar estas diferenças. Em resposta, prestou esclarecimento às fl. 152, informando quanto ao requisitado que os livros contábeis: Razão, Diário e Lalur, foram confeccionados na ocasião desta fiscalização e que reconhece a real receita conforme demonstrado no Termo de Intimação Fiscal n° 002; esclarecendo, outrossim, "...que não houve omissão e sim um erro na informação da escrita, sendo este corrigido nesta": apresentando na ocasião extrato do Razão, somente com as contas de receitas, fls. 114/123. Consoante tabelas elaboradas pela fiscalização apurouse, por meio do Livro RAZÃO, fls. 124/142, uma receita líquida anual de R$15.717.208,70, acrescentando ainda os valores percebidos a título de BONIFICAÇÕES, no importe de R$233.750,97, perfazendo o montante de R$15.950.959,67; e registrouse em sua DIPJ a receita de R$12.009.464,30, fls. 163/166, planilha, fl. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.001660/200757 Acórdão n.º 1801002.023 S1TE01 Fl. 1.080 3 193 , em que apurouse uma aparente omissão de receitas tributáveis na ordem de R$3.941.495,37. Ocorre que a fiscalizada quando respondeu ao Termo de Intimação Fiscal n° 002, e concordou com os valores apurados de sua receita tributável anual, e apresentou na oportunidade seus Livros Razão, Diário e Lalur; porém estes vieram com valores corrigidos também nas contas: vendas canceladas, impostos e contribuições sobre as vendas, custo de mercadorias vendidas, despesas operacionais ( administrativas, tributárias e financeiras), que levou a novas auditorias na busca efetiva do lucro real da azienda. Assim, em face aos registros contidos na contabilidade da fiscalizada não estar dentro do que preconiza a norma contábil e legal, tendo em vista que não procedeu a apuração do Lucro Real por trimestre, forma que esta obrigada; foi necessário auditar todos os custos da fiscalizada, buscando apropriálos por trimestre na competência a que pertencem, na busca do seu Lucro Real, para ser submetido à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, estas duas últimas uma tributação reflexa decorrente da omissão de rendimentos apurada. Buscando os custos da entidade no Livro Razão, tivemos contas que puderam ser auditadas e planilhadas mensalmente, conforme planilhas anexas, fls. 190/196, como as contas de Bonificações recebidas, receitas da matriz e filiais, energia elétrica, ICMS s/ compras, ICMS s/ vendas, despesas com a Cofins, Pis e devolução de mercadorias; porém as despesas operacionais e o custo das mercadorias vendidas, estavam anualizadas no Razão da fiscalizada, e seu Livro de Apuração do Lucro Real, também está anualizado seu resultado, impondo a aplicação do critério de proporcionalidade na distribuição ,das diferenças apuradas no cotejo entre o declarado na DIPJ e o registrado anualmente no Razão, esta diferença foi rateada Iinearmente pelos quatro trimestres do anocalendário de 2005, e após, somados aos valores declarados pela fiscalizada em sua DIPJ do explicitamente planilhado nas anexa tabelas ao auto de infração, principalmente as tabelas de fls. 197 e 199. Com base nas reais receitas e a correção das despesas e custos da fiscalizada procedemos a apuração do Lucro Real desta azienda, conforme tabela de fl. 201, sendo apurado o lucro tributável no quarto trimestre do anocalendário de 2005. Observase na apuração do resultado desta fiscalização que foram obtidos prejuízos nos primeiro e segundo trimestres, compensados com lucro obtido nos terceiro e quarto trimestres, restando para este último o valor imponível de R$587.415,89, linearmente distribuído pelos meses de outubro, novembro e dezembro, no valor cada, de R$195.805,29, para fins de apurar a contribuições para o PIS e a COFINS, reflexa Face ao exposto, estão sendo levados ã tributação os valores correspondentes a essas diferenças, em cada período de apuração, consideradas não comprovadas, mediante a lavratura Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.001660/200757 Acórdão n.º 1801002.023 S1TE01 Fl. 1.081 4 do competente Auto de Infração do Imposto do IRPJ. Estas diferenças encontramse explicitadas nas anexas tabelas de fls. 200/201, e correspondem aos valores dos débitos que foram confessadas pela empresa no TERMO DE RESPOSTA à fl. 152, bem como registrado em seu Livro Diário em sua fl. 0156, nestes autos à fl. 144, em que a própria fiscalizada apura o lucro real de R$357.504,21; com idêntica apuração no Livro Lalur, fl. 149. Esta apuração obtida, somada a diferença de valor do custo de mercadorias vendidas corrigido, uma vez que a fiscalizada deduz a este título o valor de R$11.025.674,98, sendo que apurouse nesta auditoria seu valor real de, (com base na fórmula para apuração deste custo, que preconiza somar o estoque inicial registrado no Razão (R$325.602,85) fls. 125 e 127, mais as compras do período (R$11.168.445,81) fl. 199, menos o valor do estoque final (R$698.285,39) fl. 133; resultando o custo de R$10.795.763,27, acarretando uma diferença de R$229.911,71, no cotejo entre o valor utilizado na Apuração do Resultado no Livro Diário, o registrado no Livro Lalur e o valor obtido de seu Livro Razão, valore estes somados: R$357.504,21, mais a diferença da apuração do Custo de Mercadoria Vendida, R$229.911,71, perfaz exatamente o Lucro Real apurado para o anocalendário fiscalizado, no importe de R$587.419,92, subtraído indevidamente do lucro real da fiscalizada. A multa de ofício foi qualificada (150%) em razão de alegada reiteração da conduta de omissão. Inconformado, o autuado apresentou a impugnação de fl. 235, em que sustenta que não houve o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício e que o método de apuração adotado pela autoridade fiscal prejudicou o autuado, pois teria deixado de considerar custos incorridos na produção. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, afastando a qualificação da multa de ofício e mantendo as demais exigências, ementando assim a sua decisão: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. Apurado pela Fiscalização resultado tributável em conformidade com os valores contidos na escrituração do contribuinte, e de se manter o lançamento, mormente se a interessada não comprova a existência de outras despesas não escrituradas. MULTA QUALIFICADA A comprovação da prática dolosa é necessária para caracterização da multa qualificada no montante de I50% do imposto devido. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.001660/200757 Acórdão n.º 1801002.023 S1TE01 Fl. 1.082 5 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS E CSLL. A solução dada ao litígio principal. relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Cientificado dessa decisão em 16/02/2008, por meio de remessa postal (fl. 298), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 305), em 13/03/2008, em que repisa o argumento de erro no método de apuração utilizado, já apresentado em sua impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O único argumento de defesa do recorrente é um alegado erro no método de apuração dos tributos exigidos. Assim, é mister revisitar o caminho adotado pela fiscalização. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 226), o contribuinte estava submetido à tributação pelo lucro real trimestral, mas sua contabilidade e seus livros fiscais, já corrigidos em razão de intimação fiscal, estavam seguindo a lógica da apuração anual. Diante desse fato, a autoridade autuante entendeu por ratear, de forma linear, os valores anuais entre os quatro trimestres que o compõem, conforme os seguintes termos (fl. 227) Buscando os custos da entidade no Livro Razão, tivemos contas que puderam ser auditadas e planilhadas mensalmente, conforme planilhas anexas, fls. 190/196, como as contas de Bonificações recebidas, receitas da matriz e filiais, energia elétrica, ICMS s/ compras, ICMS s/ vendas, despesas com a Cofins, Pis e devolução de mercadorias; porém as despesas operacionais e o custo das mercadorias vendidas, estavam anualizadas no Razão da fiscalizada, e seu Livro de Apuração do Lucro Real, também está anualizado seu resultado, impondo a aplicação do critério de proporcionalidade na distribuição ,das diferenças apuradas no cotejo entre o declarado na DIPJ e o registrado anualmente no Razão, esta diferença foi rateada linearmente pelos quatro trimestres do anocalendário de 2005, e após, somados aos valores declarados pela fiscalizada em sua DIPJ do explicitamente planilhado nas anexa tabelas ao auto de infração, principalmente as tabelas de fls. 197 e 199. (Destaquei) De acordo com o artigo 247 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado por adições, exclusões ou compensações autorizadas. Já o artigo 248 do mesmo regulamento define lucro líquido do período como a soma algébrica do lucro operacional, dos Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.001660/200757 Acórdão n.º 1801002.023 S1TE01 Fl. 1.083 6 resultados não operacionais e das participações, devendo ser observados os preceitos da lei comercial. Por sua vez, o artigo 187, §1º, da Lei nº 6.404, de 1996, determina que o resultado do exercício é composto pelas receitas e rendimentos ganhos no período e pelos custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Assim, no cômputo da base de cálculo dos tributos, deve ser respeitado o princípio da competência, positivado nas regras normativas acima citadas. Não havendo possibilidade de realizar a regular apuração do lucro real, o artigo 530 do RIR autoriza o arbitramento do lucro que, quando conhecida a receita bruta, se dá conforme o artigo 532 do mesmo regulamento: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). O procedimento adotado pela fiscalização, ao ratear linearmente o montante anual das despesas pelos quatro trimestres do ano, afronta o princípio da competência, configurando um meio de arbitramento não autorizado na legislação tributária. Assim, verificase um erro material na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que é razão suficiente para reconhecer a nulidade dos respectivos autos de infração. Os lançamentos de PIS e Cofins devem seguir a mesma sorte, uma vez que a autoridade fiscal adotou a mesma base de cálculo utilizada nos lançamentos de IRPJ e CSLL trimestrais, realizando o rateio linear desse valor pelos três meses que o compõem, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 228): Observase na apuração do resultado desta fiscalização que foram obtidos prejuízos nos primeiro e segundo trimestres, compensados com lucro obtido nos terceiro e quarto trimestres, restando para este último o valor imponível de R$587.415,89, linearmente distribuído pelos meses de outubro, novembro e dezembro, no valor cada, de R$195.805,29, para fins de apurar a contribuições para o PIS e a COFINS, reflexa. (destaquei) Assim, ao utilizar como base de cálculo do PIS e da Cofins o valor do rateio linear do lucro real trimestral arbitrado, o autuante viola o artigo 2º da Lei nº 9.718, de 27/11/98, o qual determina o valor do faturamento (receita bruta) como base de calculo dessas contribuições. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a nulidade dos lançamentos realizados, em razão de vício material. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13629.001660/200757 Acórdão n.º 1801002.023 S1TE01 Fl. 1.084 7 (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13896.722635/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL COM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO REGISTRADO PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). CONTAGEM A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 173, I, DO CTN.
Considerando não ter sido registrado pagamentos, ainda que parciais, mesmo que não tendo ocorrido circunstâncias capazes de caracterizar dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser contato a partir do primeiro dia do exercício seguinte, consoante entendimento pacificado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos termos do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos autos do RE Nº973.733/SC, em sede de recursos repetitivos, o qual deve ser reproduzido por este colendo CARF, por força do disposto no art. 62-A do RICARF.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Mantém-se o crédito tributário apurado em função das receitas omitidas, uma vez que não foi infirmada a prova de sua omissão.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE AÇÕES PRATICADAS PELOS SÓCIOS TENDENTES À OMISSÃO E SONEGAÇÃO FISCAL.
Mantem-se a responsabilidade dos sócios da pessoa jurídica quando comprovado nos autos que os mesmos praticaram uma série de atos deliberadamente para a prática da omissão e sonegação fiscal, estando caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN).
OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150 % (cento e cinquenta por cento) quando se comprova de maneira inequívoca a conduta dolosa do sujeito passivo.
MULTA AGRAVADA. POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. IMPROCEDÊNCIA (Súmula CARF nº 96):
Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL - PIS - COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Numero da decisão: 1101-001.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, 1) por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 4) por unanimidade de votos, foi DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL COM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO REGISTRADO PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). CONTAGEM A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 173, I, DO CTN. Considerando não ter sido registrado pagamentos, ainda que parciais, mesmo que não tendo ocorrido circunstâncias capazes de caracterizar dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser contato a partir do primeiro dia do exercício seguinte, consoante entendimento pacificado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos autos do RE Nº973.733/SC, em sede de recursos repetitivos, o qual deve ser reproduzido por este colendo CARF, por força do disposto no art. 62A do RICARF. OMISSÃO DE RECEITAS. Mantémse o crédito tributário apurado em função das receitas omitidas, uma vez que não foi infirmada a prova de sua omissão. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE AÇÕES PRATICADAS PELOS SÓCIOS TENDENTES À OMISSÃO E SONEGAÇÃO FISCAL. Mantemse a responsabilidade dos sócios da pessoa jurídica quando comprovado nos autos que os mesmos praticaram uma série de atos deliberadamente para a prática da omissão e sonegação fiscal, estando caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 26 35 /2 01 1- 37 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 286 2 infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150 % (cento e cinquenta por cento) quando se comprova de maneira inequívoca a conduta dolosa do sujeito passivo. MULTA AGRAVADA. POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. IMPROCEDÊNCIA (Súmula CARF nº 96): Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL PIS COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, 1) por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 4) por unanimidade de votos, foi DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 287 3 Relatório Tratase de recurso em face decisão que julgou improcedente a impugnação aos autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, CSLL, Cofins e PIS do anocalendário 2006, arbitrado em razão de divergência entre a receita declarada na DIPJ e a receita apurada pelo fisco na GIA/ICMS/SP, lavradas contra a pessoa física em referência, na qualidade de responsável tributário pela extinta empresa Michel Merheje Importadora e Exportadora Ltda., de CNPJ 07.386.380/000193, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando a Fiscalização deixa de encaminhar à autuada os documentos por esta elaborados que fundamentam as autuações se tais documentos são juntados aos autos do processo administrativo e não são obstadas as vistas em repartição da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, é ônus da impugnante demonstrar que o procedimento fiscal incorreu em efetivo prejuízo ao exercício da ampla defesa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A dissolução irregular da sociedade não comunicada ao Fisco e a entrega de DIPJ com valores zerados indicadora de ausência de atividade no período anterior à assinatura do distrato social, quando a Fiscalização comprova por Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) o contrário, são condutas que se subsumem à figura típica da sonegação imputada pela Fiscalização, justificando a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO NO PRAZO MARCADO. Mantémse a majoração da penalidade em 50% nos casos em que o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para os impostos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação será o disciplinado no artigo 173 do Código Tributário Nacional quando for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou inexistirem pagamentos antecipados dos tributos exigidos. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 288 4 LUCRO ARBITRADO. Mantémse a forma de tributação pelo lucro arbitrado adotada pelo Fisco se o sujeito passivo não lhe apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais solicitados diversas vezes pela Fiscalização durante a ação fiscal. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA DECLARADA NA DIPJ E A RECEITA APURADA PELO FISCO NA COMPARAÇÃO COM AS GIA/ICMS/SP. Caracterizase como prova direta da infração a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo nas DIPJ, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual de São Paulo, quando do preenchimento das Guias de Informação e Apuração (GIA) do ICMS paulista, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal, sendo lícita a obtenção de tal prova por meio de celebração de convênio de cooperação fiscal entre as Fazendas Públicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. PEDIDO POR JUNTADA DE PROVAS. Indeferese o pedido para juntada de provas após o oferecimento da impugnação, em observância ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Deve ser indeferido o pedido por realização de perícia quando não foram juntados aos autos documentos que demandem a análise de profissional especializado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conta ainda do relatório do acórdão recorrido o seguinte: Em resposta, esclareceu o procurador da pessoa jurídica que a empresa estava com suas atividades paralisadas desde 04/2006 e que o seu contador não havia sido localizado. Diz ter encaminhado o Livro Registro de Entradas, o Livro Registro de Saídas, o Livro Registro de Apuração de ICMS e Contrato Social Consolidado, nas condições em que se encontravam. Registra a Fiscalização, no item 1.6, de seu Termo, que, em 04/08/2010, o sujeito passivo apresentou Livro de Registro de Entradas n. 1, Livro de Registro de Saídas n. 1 e Livro de Apuração do ICMS n. 1, em branco, sem registros de quaisquer operações de compras ou vendas de mercadorias. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 289 5 Em 24/10/2011, o responsável Michel Merheje Filho foi pessoalmente intimado a apresentar, em meio digital, a folha de pagamento e a contabilidade referente ao ano calendário 2006 bem como cópia do balanço patrimonial encerrado em 31/07/2006. O mesmo alerta sobre a possibilidade de arbitramento do lucro em caso de não atendimento da intimação foi registrado. Na continuação, em 10/11/2011, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001, a fls. 64, por meio do qual foi registrado que a empresa fiscalizada não havia sido localizada, que os seus sócios haviam sido intimados a regularizar a situação cadastral da pessoa jurídica e que, em 04/05/2011 foi apresentado o instrumento de Distrato Social, arquivado na Junta Comercial em 18/06/2006. Entendeu, assim, a Autoridade Fiscal que “restou configurado que os sócios MICHEL MERHEJE FILHO, CPF 433.045.91834 e, MICHEL YAMIN MERHEJE, CPF 192.357.21806 incorreram na hipótese de dissolução "irregular" com intuito de se livrarem do passivo fiscal por infrações tributárias cometidas pela pessoa jurídica e respondem pessoal e ilimitadamente pela divida resultante do ato praticado com infração à lei” e que “os fatos acima descritos caracterizam a conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1º e art. 2º da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)”. Que os livros e documentos solicitados não foram apresentados e que o Livro de Registro de Entradas, o Livro de Registro de Saídas e o Livro de Apuração do ICMS não registram quaisquer operações de compras ou vendas de mercadorias. Assevera o Agente do Fisco que os livros em branco não implicam a inexistência de faturamento e que as informações prestadas pela própria fiscalizada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo em Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) indicam que, nos meses de janeiro e de fevereiro de 2006, foram realizadas vendas no montante de R$ 4.818.945,26. Assim, segundo a Autoridade Fiscal, o arquivamento do distrato social na Junta Comercial sem a quitação das dívidas fiscais e sem a comunicação do encerramento das atividades à RFB implica dissolução irregular, configurando infração à Lei e resultando na responsabilização dos sócios, consoante o disposto no inciso III do artigo 135 do CTN. Analisando o voto condutor do acórdão recorrido, consta que foi mantida a multa qualificada agravada, em razão de que a Contribuinte, ora Recorrente havia transmitido, em 03/12/2009, à Secretaria da Receita Federal uma DIPJ totalmente zerada, sem qualquer indicação de atividade tributável, a fls. 16/37, em absoluta contradição com as GIA entregues ao Fisco Estadual em 17/02/2006 e 20/03/2006 (fls. 40/41). Mesmo ciente de que, nos meses de janeiro e fevereiro de 2006, declarou vendas no montante de R$ 4.818.945,26, comunicou, deliberadamente, ao Fisco Federal que nenhuma atividade ocorrera. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 290 6 A conduta de omitir fatos geradores ao Fisco não para aí. Ao elaborar o Distrato Social em 11 de agosto de 2006, expressamente, declarou, na cláusula 4ª, que a sociedade não possuía qualquer débito pendente: A prestação de declarações que não correspondem à realidade, a tentativa de não chamar a atenção sobre o término das atividades e a falta de colaboração durante a ação fiscal não deixam dúvidas de que a fiscalizada incidiu nas condutas previstas no artigo 71 supra transcrito, o que leva à exigência da multa qualificada de 150%. Sobre a multa de ofício qualificada, a jurisprudência do CARF é firme na sua manutenção em situações que se assemelham às verificadas nos presentes autos: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150 % (cento e cinquenta por cento) quando se comprova de maneira inequívoca a conduta dolosa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão nº 3801001.761, de 19/03/2013) Quanto ao agravamento da multa, seus pressupostos estão prescritos no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996: No mesmo sentido, o CARF: MULTA AGRAVADA. Aplicase a multa agravada, mediante o aumento de metade da multa de ofício aplicada, ao contribuinte que deixa de atender sucessivas intimações da Autoridade Fiscalizadora, ignorando por completo a fiscalização a que está sendo submetido. (Acórdão nº 1401000.882, de 07/11/2012) A ausência de lavratura de “Auto de Infração – Multa Regulamentar” em nada macula a multa exigida. Consta também que a formalização de Termo de Embaraço à Fiscalização não é identificado na legislação como condição para aplicação da multa agravada. Demonstrado, nos autos, que o contribuinte deixou de atender, no prazo marcado, intimações para prestar esclarecimentos que lhe foram dirigidas, resta evidenciada a subsunção dos fatos a norma que estabelece a majoração da penalidade em 50%. Esclareça, ainda, que a aplicação da multa agravada e sua manutenção no presente voto não contraria a Súmula CARF nº 25, pois não se trata, nestes autos, de presunção de omissão de receita, mas, como visto, há prova direta de sua ocorrência. Muitas foram as condutas realizadas com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos geradores, como já explicado. Em relação à decadência, afirma que a norma tributária geral que trata do prazo decadencial, qual seja, o artigo 173 do CTN, pois, tendo os fatos geradores ocorrido em janeiro e em fevereiro de 2006, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, o Fisco poderia constituir o crédito tributário até 31/12/2011, pois, em 01/01/2012, seu direito estaria decaído. Assim, considerando que a impugnante foi cientificada das autuações em 17/11/2011, consoante os Avisos de Recebimento (AR) de fls. 98/99, confirmados no despacho de fls. 100, o crédito tributário exigido não está extinto por decurso do prazo decadencial. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 291 7 Neste tópico relativo ao arbitramento, a impugnante argumenta que “a aplicação do arbitramento de lucros pela fiscalização da Receita Federal do Brasil deve ser feita na impossibilidade de aceitar ou de apurar o Lucro Real da pessoa jurídica. Por ser considerada de medida extrema, só deve ser utilizado quando tiverem sido esgotadas as possibilidades de apuração do Lucro Real”. Ora, a situação reportada pelo Auditor Fiscal se subsume perfeitamente à hipótese de arbitramento do lucro insculpida no inciso III do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda. Restou mais do que evidenciado que a fiscalizada não apresentou à Fiscalização os “livros e documentos da escrituração comercial e fiscal”, não obstante tenha sido reiteradamente intimada para tanto. Uma vez que a fiscalizada havia entregado ao Fisco Estadual informações acerca de suas atividades econômicas nas GIA de fls. 39/41, viabilizouse o arbitramento do lucro com base em declarações da própria impugnante. Adotado este procedimento, as autuações se revestem de tamanha plausibilidade e força que se torna virtualmente impossível aceitarse a tese de improcedência delas. Ademais disso, em relação ao ônus da prova, é correta a tese da autuada de que compete ao Fisco provar a existência material e fática dos pressupostos do lançamento. Também está correto que não pode ser transferido à contribuinte o ônus de apresentar prova negativa. Todavia, no caso tratado nos autos, nenhuma irregularidade foi cometida. A comprovação do fato gerador por GIA, dadas as circunstâncias observadas no caso concreto, é legítima, sendo perfeitamente exigíveis as autuações lavradas. No mesmo sentido o CARF, que já decidiu pela procedência de utilização, pelo Fisco Federal, de informações dadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, quando a fiscalizada não prestou os esclarecimentos solicitados: OMISSÃO DE RECEITAS. É legítima a caracterização da omissão de receitas apurada com base nos valores constantes nas Guias Informativas Mensais de ICMS (GIAM) fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, em relação às quais a Recorrente foi previamente cientificado aprestar esclarecimentos. PROVA. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal. (Acórdão nº 1801000.518, de 29/03/2011) Ao final da impugnação, requereu a interessada “provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, documentos, inclusive perícias, diligências, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e, as que mais se fizerem necessárias”. Indeferido o pedido de juntada de provas, em observância ao disposto nos §§ 4º e 5º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1.972. No tocante à tributação reflexa, não apresentou a Impugnante razões de defesa específicas distintas daquelas já apreciadas e afastadas. Assim tratandose de exigências Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 292 8 decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, mantémse a mesma orientação decisória. A Recorrente foi cientificada em 18/10/2013 (AR fls. 280), tendo interposto o recurso voluntário de fls. 226 e seguintes, em 11/09/2013, onde, em síntese, reitera os argumentos constantes de sua impugnação, requerendo, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, pois, de acordo com o “Termo de Ciência por Decurso de Prazo” (fls. 224), a decisão recorrida foi disponibilizada em sua Caixa Postal em 05/08/2013, considerandose cientificada em 20/08/2013, pelo decurso do prazo de 15 (quinze) dias a contar da respectiva disponibilização através do módulo eCAC, tendo sido o recurso voluntário interposto em 11/09/2013 (fls. 226), dentro portanto, do trintídio legal, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado tratase de autos de infração de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), relativamente ao primeiro trimestre de 2006 (30/03/2006), constituídos por arbitramento em razão do responsável solidário da empresa não ter apresentado à Fiscalização os “livros e documentos da escrituração comercial e fiscal”, não obstante tenha sido reiteradamente intimada para tanto, bem como pelo fato de que a mesma havia entregue ao Fisco Estadual informações acerca de suas atividades econômicas nas GIA de fls. 39/41, o que viabilizouse o arbitramento do lucro com base em declarações da própria Contribuinte, ensejando a adoção da responsabilidade solidária do sócio gerente da empresa, na qualidade de responsável por incorrerem na hipótese de “dissolução irregular da sociedade”, cujo distrato social ocorreu em 18/06/2006, arquivado na Junta Comercial, conforme sintetizou o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 64: Entendeu, assim, a Autoridade Fiscal que “restou configurado que os sócios MICHEL MERHEJE FILHO, CPF 433.045.91834 e, MICHEL YAMIN MERHEJE, CPF 192.357.21806 incorreram na hipótese de dissolução "irregular" com intuito de se livrarem do passivo fiscal por infrações tributárias cometidas pela pessoa jurídica e respondem pessoal e ilimitadamente pela divida resultante do ato praticado com infração à lei” e que “os fatos acima descritos caracterizam a conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1º e art. 2º da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 293 9 termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)”. Igualmente foi mantida a multa isolada qualificada (150%), agravada em 50% (totalizando 225%), pelo fato do contribuinte não ter atendido, no prazo regularmente estabelecido, e prestado os esclarecimentos solicitados. Analiso, inicialmente, a preliminar de decadência suscitada no recurso, independentemente da comprovação dos agravantes previstos nos art. 71 e 72, da Lei nº 4.502/64, existência de dolo, fraude ou conluio, o prazo decadencial deveria ser contado a partir do exercício seguinte às ocorrências dos respectivos fatos geradores, porquanto, conforme bem frisou o v. voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: “Ora, a situação reportada pelo Auditor Fiscal se subsume perfeitamente à hipótese de arbitramento do lucro insculpida no inciso III do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º).” Isto porque, em se tratando de fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2006, poderiam ser exigidos no mesmo anocalendário, deslocandose a contagem do prazo decadencial da data do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), para o art. 173, I, do mesmo diploma legal, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como quando não houver sido constatado pagamentos ainda que parciais dos tributos devidos, como ocorreu no caso, conforme determina o recurso repetitivo RE Nº973.733/SC, e art. 62A do RICARF. Logo, uma vez que os Autos de Infração foram constituídos em 11/11/2011, remetido por AR, cientificado à Recorrente em 17/11/2011 (AR – fls. 98), relativamente aos fatos geradores apurados no primeiro trimestre de 2006 (30/03/2006), ainda não havia operado a decadência, visto que iniciada a contagem em 1º de janeiro de 2007, culminando em 1º de janeiro de 2012, assim deve ser afastada a preliminar de decadência. Em relação ao mérito, entretanto, igualmente não assiste razão à Recorrente, porquanto está perfeitamente caracterizada a omissão de receita decorrente da divergência de informações constante das informações prestadas à Fazenda Estadual de São Paulo, através das Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) divergente daquelas declaradas nas DIPJ, conforme permite concluir a própria jurisprudência deste colendo CARF citada pela decisão recorrida, nos seguintes termos: OMISSÃO DE RECEITAS. É legítima a caracterização da omissão de receitas apurada com base nos valores constantes nas Guias Informativas Mensais de ICMS (GIAM) fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, em relação às quais a Recorrente foi previamente cientificado aprestar esclarecimentos. PROVA. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 294 10 são suficientes para ilidir a motivação fiscal. (Acórdão nº 1801000.518, de 29/03/2011) (grifado). Assim, correta a decisão recorrida quando apura o quanto devido através do arbitramento levado a efeito pela Fiscalização e mantido pela decisão recorrida, utilizandose para tanto as próprias informações contidas no Livro de Saídas e GIAs – Guia de Informação de ICMS, especialmente porque a Recorrente não logrou afastar a presunção de veracidade dessas informações, com fulcro nos arts. 518, 519, 528, 529, 530 e 53ª, do Decreto nº 3000/99 (RIR/99), conforme restou esclarecido nos itens 5.2 e 5.3 de fls. 92: Logo, correta a decisão recorrida quanto à multa qualificada (150%), pois, não há como afastar a conduta dolosa da Recorrente. Assiste, porém, razão à Recorrente quanto ao agravamento da multa qualificada, porquanto, o agravamento da multa se deu por falta de atendimento à solicitação de informações endereçada à Recorrente, pessoa jurídica, as quais não foram prestadas, em primeiro momento pelo fato da mesma já ter sido desconstituída, o que por si só seria suficiente para afastar o agravamento da multa qualificada, a teor da Súmula CARF nº 96, visto que a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica o agravamento da multa de ofício, quando esta omissão tenha motivado o arbitramento dos lucros, como ocorreu no caso, in verbis: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Por fim, no que tange à responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica pelo fato da omissão de receita e pela dissolução irregular da empresa, considero sem razão a Recorrente, pois, não se trata aqui de mero inadimplemento de tributação, pois, houve uma série de ações engendradas que não há como afastar a imputação de responsabilidade solidária dos sócios da Recorrente, Sr. MICHEL MERHEJE FILHO, CPF 433.045.91834 e, Sr. MICHEL YAMIN MERHEJE, CPF 192.357.21806, vez que mantida inclusive a multa qualificada, estando assim presente o elemento subjetivo tendente a alcançar os resultados esperados. Por fim, quanto à tributação decorrente (CSLL, PIS e COFINS), não houve qualquer argumentação ou prova relevante além daquelas já apresentadas na impugnação. Assim, tratandose de exigências decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, mantémse a mesma orientação decisória. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 13896.722635/201137 Acórdão n.º 1101001.159 S1‐C1T1 Fl. 295 11 Em face do exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, a fim de afastar a preliminar de decadência, manter a exigência apurada com base no arbitramento em decorrência da omissão de receita, manter a multa qualificada (150%) e afastar a multa agravada (50%), com fundamento da Súmula CARF nº 96, e por fim, manter a responsabilidade solidária dos sócios. Sala das Sessões, em 30 de julho de 2014 Documento assinado digitalmente Antônio Lisboa Cardoso Fl. 295DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 11080.919002/2012-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 02 /2 01 2- 90 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.919002/201290 Acórdão n.º 3802002.455 S3TE02 Fl. 125 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 75 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/09/2013 (fls. 72), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 75). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.919002/201290 Acórdão n.º 3802002.455 S3TE02 Fl. 126 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.919002/201290 Acórdão n.º 3802002.455 S3TE02 Fl. 127 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900142/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO-PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Fábia Regina Freitas (Relatora).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora). Ausente momentaneamente a conselheira Maria Teresa Martinez López.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO-PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Fábia Regina Freitas (Relatora). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas - Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas - Relatora. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora). Ausente momentaneamente a conselheira Maria Teresa Martinez López.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOPRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Fábia Regina Freitas (Relatora). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 42 /2 01 0- 45 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 e Fábia Regina Freitas (Relatora). Ausente momentaneamente a conselheira Maria Teresa Martinez López. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Belém (fls. 121/126) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte (fls. 15/34) em face de despacho decisório de fls. 12/13 que julgou parcialmente procedente o pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. O pedido de ressarcimento e declarações de compensação, no caso concreto, tem origem no crédito presumido de IPI relativo ao 2º. trimestre de 2007, que, segundo a DRF de Teresina e a DRJ de Belém, são objeto de PERDCOMPS autuadas sob os ns. 02930.06194.291007.1.1.012490 (R$ 44.315,64), 40922.70093.291007.1.3.014020 (R$ 23.111,51) e 05588.61740.250408.1.3.011708 (R$ 21.204,13). A DRF/Teresina/PI, embasandose na documentação apresentada pelo próprio contribuinte, elaborou cálculo do crédito pleiteado e homologouo parcialmente. Nesse contexto, concluiu a Delegacia de origem que o valor do crédito presumido atinente ao 2º. Trimestre de 2007 atingiu a monta de R$ 1.328,31. Nesse passo, concluiu por homologar parcialmente as compensações efetuadas até o montante indicado. Segundo a fiscalização, a razão para a homologação apenas do referido valor teria sido a exclusão das receitas de exportação de produtos nãotributados (NT) da base de cálculo do crédito presumido de IPI. A DRJ, examinando a manifestação interposta, houve por bem desprovêla em acórdão de fls. 121/126, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 REVISÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivado de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de convivência ou oportunidade , respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, apreciação judicial. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900142/201045 Acórdão n.º 3301002.021 S3C3T1 Fl. 380 3 É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 90/106 por meio do qual contesta o referido Acórdão, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com as provas acostadas nos autos e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. As matérias postas à apreciação por esta Turma cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, rechaçado pela DRJ e ao direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, pleiteado pelo contribuinte. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, utilizome, no que pertinente à hipótese desses autos, a trecho do voto prolatado pela Cons. Judith da Amaral Marcondes Armando, no julgamento do PA nº 10680.006963/200158, in verbis: “Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, permitome aproveitar parte de voto por mim proferido anteriormente, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º parágrafo único diz: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarse á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PIS/PASEP/COFINS que Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900142/201045 Acórdão n.º 3301002.021 S3C3T1 Fl. 381 5 oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciarse. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matérias primas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado. Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900142/201045 Acórdão n.º 3301002.021 S3C3T1 Fl. 382 7 tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI”. Diante das razões acima expostas, com as quais comungo integralmente e, destacando ainda mais o fato de que a implementação desse incentivo é a de fomentar a atividade econômica exportadora, entendo que, em se tratando de produto exportado fora da incidência do IPI, como o NT, deve ser reconhecido o direito ao benefício e, portanto, ao crédito pleiteado desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. TAXA SELIC No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, em vista do que determinado pelo disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), admito a aplicação da taxa SELIC ao crédito que se pretende ver compensado/restituído a partir do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição junto à Administração Tributária. Nesse sentido o entendimento do Eg. STJ, por ocasião do Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010, verbis: Com efeito, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural, (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 10358471RS, ReI. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELlC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 11501881SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Com base nestes fatos, admito a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI. Conclusão Na esteira do exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2013 Fábia Regina Freitas. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Discordo da Ilustre Relatora apenas quanto ao direito de a recorrente aproveitar créditos presumidos do IPI sobre os custos com beneficiamento de produtos classificados na TIPI como NT. O benefício fiscal denominado “crédito presumido do IPI”, a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, insumos e materiais intermediários utilizados em produtos industrializados e exportados, foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, e, posteriormente, por meio da MP nº 2.2022, de 23/08/2001, convertida na Lei nº 10.276, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo. No presente caso, a recorrente reclama ressarcimento apurado nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que assim dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Posteriormente, foi editada a IN SRF nº 69, de 06/08/2001, que regulamentou a aplicação desse dispositivo, assim dispondo: “Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins.” Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito presumido do IPI contempla apenas e tão somente a pessoa jurídica produtora e exportadora, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900142/201045 Acórdão n.º 3301002.021 S3C3T1 Fl. 383 9 de produtos industrializados por ela e exportados para o exterior diretamente e/ ou via empresa comercial exportadora. Os produtos nãotributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam como produtos industrializados e não fazem jus ao crédito presumido do IPI. Portanto, considerando que a recorrente não industrializa produtos e não é contribuinte do IPI, não tem direito ao crédito presumido deste imposto. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10715.006592/2010-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/04/2008
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação.
Numero da decisão: 3803-006.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 65 92 /2 01 0- 51 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 3803006.280 S3TE03 Fl. 208 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 25.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a cinco embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarques de exportação fora do prazo legal de 2 (dois) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo voo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DE). Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Posteriormente, o contribuinte arguiu a ocorrência de direito superveniente, estipulando o prazo de sete dias para a inserção dos dados de embarque no Siscomex. A DRJ Florianópolis/SC julgou procedente em parte a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2008 RETROATIVIDADE BENIGNA Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 3803006.280 S3TE03 Fl. 209 3 Aplicase retroativamente a norma legal que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Destacou o julgador administrativo que a IN RFB n.º 1.096/2010 alargara para sete dias o prazo para a prestação das informações de embarque, em razão do que afastaramse as parcelas da multa exigidas com base no prazo de dois dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (retroatividade benigna), sendo mantido o crédito tributário de R$ 5.000,00. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 16/08/2012, o contribuinte interpôs, no dia 13 de setembro do mesmo ano, Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo acrescentada a alegação de que a penalidade deveria ser afastada com base na denúncia espontânea da infração. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de acórdãos administrativos sobre a matéria e de ofício do Serpro, datado de 11/11/2011, informando sobre as indisponibilidades ocorridas no sistema Siscomex durante o ano 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertido nos autos parte do auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas a embarques de mercadorias para o exterior, transportadas por via aérea, no ano de 2008. Em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. No que se refere aos argumentos e elementos de prova trazidos apenas em grau de recurso, devese destacar que o ofício do Serpro é relativo às indisponibilidades ocorridas no sistema Siscomex durante o ano 2004, enquanto que os fatos autuados ocorreram Fl. 209DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 3803006.280 S3TE03 Fl. 210 4 em 2007, e os dispositivos da Lei nº 5.025, de 1966, nada trazem que possa comprometer o lançamento de ofício. Contudo, um dos argumentos trazidos pelo Recorrente no recurso mostrase cabível no presente julgamento. Tratase da aplicação da denúncia espontânea, considerando que as informações registradas intempestivamente pelo Recorrente ocorreram antes de qualquer medida da fiscalização relacionada à alegada infração. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas a embarques de mercadorias informadas em Declarações de Exportação (DE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 3803006.280 S3TE03 Fl. 211 5 Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória destes autos. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após as datas dos voos, ou seja, após o desembaraço das mercadorias e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 3803006.280 S3TE03 Fl. 212 6 Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 3803006.280 S3TE03 Fl. 213 7 c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos voos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. No caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11080.013193/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO IPI, NA ESCRITA FISCAL. CRÉDITO ILÍQUIDO.ILEGITIMIDADE.
É ilegítima a compensação de débitos do IPI, na escrita fiscal desse imposto, com crédito-prêmio definitivamente reconhecido em juízo, por ter sido apurado que essa compensação ocorreu antes do trânsito em julgado da respectiva liquidação da sentença.
RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES.
0 estabelecimento incorporador de outro é responsável pelo IPI e acréscimos, inclusive multas, devidos até a data da incorporação, pelo estabelecimento incorporado.
DECADÊNCIA.
Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos.
Recursos de Oficio e Voluntário negados.
Numero da decisão: 3302-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 08/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Déroulde, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO IPI, NA ESCRITA FISCAL. CRÉDITO ILÍQUIDO.ILEGITIMIDADE. É ilegítima a compensação de débitos do IPI, na escrita fiscal desse imposto, com crédito-prêmio definitivamente reconhecido em juízo, por ter sido apurado que essa compensação ocorreu antes do trânsito em julgado da respectiva liquidação da sentença. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. 0 estabelecimento incorporador de outro é responsável pelo IPI e acréscimos, inclusive multas, devidos até a data da incorporação, pelo estabelecimento incorporado. DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos. Recursos de Oficio e Voluntário negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 08/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Déroulde, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2087; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T3 Fl. 447 1 446 S3C3T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.013193/200717 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3303002.681 – 3ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria IPI Recorrentes ARACRUZ CELULOSE SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO IPI, NA ESCRITA FISCAL. CRÉDITO ILÍQUIDO.ILEGITIMIDADE. É ilegítima a compensação de débitos do IPI, na escrita fiscal desse imposto, com créditoprêmio definitivamente reconhecido em juízo, por ter sido apurado que essa compensação ocorreu antes do trânsito em julgado da respectiva liquidação da sentença. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. 0 estabelecimento incorporador de outro é responsável pelo IPI e acréscimos, inclusive multas, devidos até a data da incorporação, pelo estabelecimento incorporado. DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos. Recursos de Oficio e Voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 31 93 /2 00 7- 17 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 08/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Déroulde, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: 0 estabelecimento industrial acima referido foi autuado, para exigência do IPI (não declarado), no valor de R$ 5.223.223,28, acrescido de juros de mora e da multa de 75%, por falta de recolhimento do citado imposto, perfazendo a soma de R$ 13.418.994,92, na data da lavratura do Auto de Infração, das fls. 3 a 7 (vol. 1) e anexos. As razões da autuação se acham expostas no Termo de Verificação Fiscal, das fls. 8 a 19 (vol. 1), e vêm resumidas na seqüência. Foi constatado o aproveitamento indevido do créditoprêmio do IPI, instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, cabível, na época, pela exportação de produtos industrializados, exportação que, no caso, teria sido realizada no período de 15 de dezembro de 1989 a 5 de outubro de 1990. Esse aproveitamento ocorreu mediante escrituração no livro Registro de Apuração do IPI, do segundo decêndio de março de 2002, ao terceiro decêndio de abril de 2003, a titulo de "Crédito do imposto — 005 — Outros créditos — IPI Processo Nº. 95000122279400175361", conforme reprodução do citado livro, nas fls.148 a 191 (vol. 1). A fiscalização do IPI apurou que o créditoprêmio foi efetivamente reconhecido para Riocell S/A, posteriormente incorporada por Aracruz Celulose S/A, no julgamento conjunto da Ação Ordinária Declaratória nº 95.00012227 e da Ação Cautelar n° 94.0017536 1, ambas com trânsito em julgado em 28 de fevereiro de 1997, mas o aproveitamento desse beneficio foi considerado indevido, pela auditoria fiscal, porque, embora o créditoprêmio fosse certo, pelo reconhecimento definitivo, em juízo, esse direito carecia de liquidez, por ocasião do aproveitamento referido no item precedente, liquidez que veio a ser adquirida com o trânsito em julgado da respectiva Fl. 461DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 448 3 liquidação da sentença, fato que ocorreu em 22 de fevereiro de 2006, depois do aproveitamento em causa, que, assim, foi considerado ilegítimo, justificando a glosa dos respectivos valores e o lançamento de oficio dos saldos devedores do IPI, decorrentes da glosa. As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: arts 170 e 173, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); arts. 109, 111 e parágrafo único, 114, caput e parágrafo único, 183, IV, e 185, III, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998; e arts. 122, 124, 127, caput e parágrafo único, 199, 200, IV, e 202, III, do Decreto n2 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002). Esse enquadramento sujeitou o interessado a multa de oficio de 75%, por falta de recolhimento, de acordo com o art. 80, I, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 30, da Lei if 9.430, de 1996. Cientificado da autuação em 30 de novembro de 2007, segundo consta na fl. 3 (vol. 1), o sujeito passivo impugnou tempestivamente a exigência, em 26 de dezembro de 2007, por meio do arrazoado das fls. 203 a 232 (vol. 2), firmado por seu advogado, com mandato nas fls. 233 e 234 (vol. 2), e instruído com os documentos das fls. 235 a 357 (vol. 2), alegando, em síntese, o que vem relatado na seqüência. Inicialmente, alega ilegitimidade passiva, dizendo que, embora o lançamento haja sido formalizado contra Aracruz S/A, a empresa Klabin S/A, atual denominação de Riocell S/A, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o n° 89.637.490/000145, é a verdadeira titular dos direitos e obrigações decorrentes da Ação Ordinária nº 95.00012227, que tramita na 2 Vara Federal Tributária de Porto Alegre, especialmente no que se refere as compensações do crédito lá reconhecido, com os débitos aqui exigidos, razão pela qual é totalmente descabida a presente autuação, direcionada contra o ora impugnante, a qual deve ser declarada nula. Ainda que restasse alguma responsabilidade do impugnante, quanto aos pretensos débitos, essa responsabilidade seria meramente subsidiária, a luz do que prescreve o art. 133, II, do Código Tributário Nacional. Em seguida, o impugnante alega decadência do direito de constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2002, porque a ciência da autuação se deu em 30 de novembro de 2007, extinguindo, pelo decurso do tempo, os valores exigidos, referentes a fatos ocorridos há mais de cinco anos, contados dessa última data. Quanto ao mérito, o impugnante alega ser impertinente, no caso concreto, a aplicação do art. 170 do Código Tributário Fl. 462DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Nacional. Argumenta que, uma vez reconhecido definitivamente por decisão judicial o direito ao créditoprêmio do IPI, a utilização dos valores correspondentes não pode ser obstada, nem limitada, por quem está obrigado ao cumprimento da carga condenatória da decisão judicial. Invoca a Instrução Normativa SRF d 21, de 10 de março de 1997. Na seqüência, o interessado discorre sobre minúcias do instituto da coisa julgada, citando legislação e doutrina que entende aplicáveis ao caso. Em seguida, a defesa não concorda com a imposição da multa de 75% do IPI, por falta de recolhimento desse imposto, e dos juros de mora. Quanto â multa, entende que esse acréscimo é descabido, porque o impugnante não deve responder, no caso, por multa alguma, além do que é exagerado o percentual adotado para cálculo da referida penalidade, que seria admitido apenas nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação; do contrário, seria penalizar igualmente contribuintes que tenham cometido infrações desiguais, sem o dolo, descartando a eventual alegação de que, no caso, não se deve perquirir sobre a intenção do contribuinte, fundamentando a sua discordância nos arts. 132, 133 136 e 137 do CTN e na jurisprudência. Por Ultimo, o interessado pede o acolhimento da sua impugnação, para que seja declarada nula ou julgada improcedente a ação fiscal, tendo em vista que o direito ao crédito premio do IPI está albergado pelos efeitos da coisa julgada. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem considerar o lançamento parcialmente procedente, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO IPI, NA ESCRITA FISCAL. CRÉDITO ILÍQUIDO.ILEGITIMIDADE. É ilegítima a compensação de débitos do IPI, na escrita fiscal desse imposto, com créditoprêmio definitivamente reconhecido em juízo, por ter sido apurado que essa compensação ocorreu antes do trânsito em julgado da respectiva liquidação da sentença. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. 0 estabelecimento incorporador de outro é responsável pelo IPI e acréscimos, inclusive multas, devidos até a data da incorporação, pelo estabelecimento incorporado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. 0 crédito tributário não integralmente pago no vencimento, por qualquer motivo, é acrescido de juros de mora, calculados pela Taxa Selic. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 449 5 DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos. Lançamento Procedente em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados impugnação apresentada. Tendo em vista o cancelamento de parte do crédito lançado, foi também proposto o Recurso de Ofício pela autoridade julgadora. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Os presentes Recurso de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos exigidos pela legislação e deles tomo conhecimento. São os seguintes pontos a serem analisados: (i) ilegitimidade passiva; (ii) decadência do lançamento em relação as competências anteriores a novembro de 2002 (RECURSO DE OFÍCIO). (iii) liquidez e certeza dos créditos compensados; (iv) responsabilidade pela multa nos casos de sucessão. (i) ilegitimidade passiva A decisão recorrida assim analisou esta preliminar: De acordo com os arts. 487, IV, do RIPI, de 1998, e 518, IV, do RIPI, de 2002, são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica. Pois bem. A irregularidade em discussão (aproveitamento indevido de crédito prêmio do IPI) foi praticada no estabelecimento de Klabin S/A, localizado na Rua São Geraldo, 1800, Bairro Ermo, em Guaíba/RS, estabelecimento cujas atividades foram absorvidas pelo estabelecimento incorporador de Aracruz Celulose S/A, já existente em Guaíba, localizado na Rua São Geraldo, 1800 @arte), tendo sido alterado o endereço desse Ultimo, após a incorporação, para Rua São Geraldo, 1800, tudo conforme Deliberação n' 5 da Assembléia Geral Extraordinária dos acionistas de Aracruz Celulose S/A, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 realizada no dia 7 de janeiro de 2004, cuja Ata se acha reproduzida nas fls. 79 a 81 (vol. 1). Conseqüentemente, na condição de estabelecimento incorporador, o estabelecimento fiscalizado, Aracruz Celulose S/A, CNPJ n' 42.157.511/003934, localizado na Rua São Geraldo, 1800, Bairro Ermo, em Guaíba/RS, sucedeu o estabelecimento infrator, em todos os direitos e obrigações, respondendo, assim, pela prática da irregularidade apurada, em face do disposto nos arts. 129 e 132 do Código Tributário Nacional. Essa matéria será retomada adiante, neste voto, por ocasião do exame das razões de defesa apresentadas contra a imposição de penalidade. Da Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 07/01/2004, juntada às fls. 79 destaco: 4. Aprovados que foram o PROTOCOLO e o Laudo, foi aprovada a INCORPORAÇÃO, sem emissão de ações da incorporadora, extinguindose as ações de emissão da RIOCELL e, como conseqüência, o investimento da ARACRUZ correspondente A sua participação no capital social da RIOCELL, sucedendolhe a ARACRUZ em todos os direitos e obrigações, consoante prescrição contida na parte final do caput do artigo 227 pela Lei n° 6.404 de 15.12.1976, conforme alterada. 5. Em conseqüência da INCORPORAÇÃO, as atividades até então desenvolvidas pela filial da RIOCELL (CNPJ/MF no 05.148.712/000257) não sofrerão solução de continuidade e serão absorvidas pelo estabelecimento da ARACRUZ já existente em Guaíba, localizada A Rua São Geraldo , no 1800 (parte), inscrito no CNPJ/MF sob n° 42.157.5111003934 e na Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (CGC/TE) sob n° 058/0112438, alterandose o endereço desta filial para Rua São Geraldo n° 1800. No mesmo sentido, as atividades conduzidas pela filial da R1OCELL localizada na cidade de Rio Grande/RS (CNPJ/MF no 05.148.712/000338), também não sofrerão solução de continuidade, devendo ser absorvidas pela filial da ARACRUZ situada na Avenida Honório Bicalho, s/n°, Portão 4, Armazém B2, Porto Anovo, em Rio Grande (RS), inscrito no CNPJ/MF sob n° 42.157.511/004078. Muito embora este tema tenha gerado muitas discussões no passado, observo que o tema foi julgado recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça, no efeito do art. 543 C do CPC, tendo a corte superior se manifestado no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC. BRASIL TELECOM. INCORPORAÇÃO DA TELESC. EXTINÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA INCORPORADA. DIREITOS E OBRIGAÇÕES TRANSMITIDOS À INCORPORADORA. BRASIL TELECOM TORNOUSE SUBSTITUTA, POR INCORPORAÇÃO, DA TELESC. LEGITIMIDADE PASSIVA RECONHECIDA. CONSOLIDAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA SOBRE A COMPLEMENTAÇÃO DE AÇÕES DECORRENTE DE CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 450 7 1. Para fins do art. 543C do CPC: 1.1. A sucessão, por incorporação, de empresas, determina a extinção da personalidade jurídica da incorporada, com a transmissão de seus direitos e obrigações à incorporadora. 1.2. Legitimidade passiva da Brasil Telecom S/A para responder pelos atos praticados pela Telesc, quanto a credores cujo título não tiver sido constituído até o ato de incorporação, independentemente de se referir a obrigações anteriores, ante a sucessão empresarial. 2. Situação análoga à apreciada pela Segunda Seção desta Corte no julgamento de recurso repetitivo atinente à sucessão da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) pela Brasil Telecom (REsp. 1.034.255/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, 2ª Seção, j. 28/04/2010, DJe 11/05/2010). 3. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Diante da jurisprudência acima citada, devo observar o que determina o art. 62 A do Regimento Interno do CARF, que aduz: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, improcedente a alegação de ilegitimidade passiva. (ii) A decadência do lançamento em relação às competências anteriores a novembro de 2002. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, o crédito tributário lançado foi parcialmente reformado no âmbito da DRJ, por que esta entendeu que, em relação a algumas competências, teria ocorrido a decadência. A decisão recorrida assim ementou seu entendimento sobre a decadência: DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos. Via de regra, o CTN estabelece que o lançamento tributário deve observar o art. 173 do Código Tributário Nacional, que determina: Fl. 466DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Referida regra, no entanto, comporta exceções para os casos em que os tributos estão sujeitos ao pagamento através do regime de homologação, como é o caso das imposto discutidos nestes autos. Nestes casos, aplicável o prazo estabelecido pela redação do art. 150 do Código Tributário, senão vejamos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifouse) Neste ponto, destaco que a despeito da posição pessoal deste relator de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação aplicase o art. 150 § 4º do CTN, independente de ter havido pagamento, é certo que a questão também restou decidida pelo STJ, no rito do art. 543 C, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 467DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 451 9 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 Ou seja, para os casos em que houve recolhimento aplicase o art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional, e nos casos e que não houve recolhimento devese aplicar o art. 173 do CTN. Diante da jurisprudência acima citada, deve ser observado o que determina o art. 62 A do Regimento Interno do CARF, que aduz: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A decisão recorrida entendeu que, no caso concreto, houveram diversos pagamentos, assim consideradas as deduções de débitos do IPI a partir de créditos válidos e devidamente escriturados no livro de apuração de IPI. Deixou de considerar como pagamentos as deduções efetuadas relativas ao primeiro decêndio de novembro de 2002 posto que lastreadas em créditos indevidos ("005 Outros créditos — IPI Processo IF 95000122279400175361”) O Regulamento do IPI assim regula o tema: RIPI/2002 “Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II – o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III – a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Assim, na parte cancelada pela decadência, correta a decisão proferida que mantenho pelos seus próprios fundamentos, julgando improcedente o Recurso de Ofício proposto. No tocante a parcela mantida (1º decênio de 11/2002) a decisão recorrida entendeu que os créditos utilizados não poderiam ser admitidos afastando assim a previsão do art. 124, parágrafo único, inciso III acima citado. De fato, como veremos a seguir, tendo em vista a ausência de trânsito em julgado da liquidação de sentença proposta em 1997, o aproveitamento de créditos em 11/2002 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 452 11 não estava autorizado, restando aplicável a restrição imposta pelo dispositivo legal supra citado. (iii) liquidez e certeza dos créditos compensados Verifico que a questão central no presente processo diz respeito ao não reconhecimento da liquidez e certeza dos créditos utilizados nas compensações efetuadas. Conforme se depreende da sentença prolatada no âmbito do processo judicial, a empresa Riocell, posteriormente incorporada pela Recorrente, ajuizou ação judicial cuja parte dispositiva da sentença assim consignou: Isso posto JULGO PROCEDENTE as ações, e declaro o direito da Autora de auferir os estímulos fiscais (créditoprêmio do IPI) decorrentes de exportações de produtos industrializados realizadas de 15.12.89 a 05.10.90, e condeno a Ré a aceitar o crédito dos referidos valores nos livros fiscais do IPI, devidamente corrigidos, aplicados juros de mora desde a propositura da ação. Condeno, ainda, a ré ao pagamento de custas e honorários advocatícios que fixo em 12% sobre o valor das causas". Esta sentença foi submetida ao Tribunal Regional da 4ª Região que manteve a decisão proferida, e assim decidiu: Este Tribunal, ao apreciar a Argüição de Inconstitucionalidade na AC n° 90.04.111760/PR, decidiu não só pela inconstitucionalidade da autorização dada ao Ministro da Fazenda pelo precitado dispositivo, como também pela do inc. I, do art. 3°, do DecretoLei n° 1.894/81, para suspender, alimentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais concedidos pelos arts. 1° e 5°, do Decreto Lei n° 491/69 (RTRF/4a R n° 10/40). A correção monetária, a ser computada da data da lesão, obedecerá aos índices a serem determinados em liquidação de sentença, como julgado na instância "a quo" Os juros de mora devem fluir do trânsito em julgado (Súmula n° 31), à taxa de 1% ao mês (CTN, arts. 161, § 1° e 167, § único), eis que a nãoutilização dos créditos foi devida a ato da ora apelante, ora reputado ilegítimo. Em face do exposto, dou parcial provimento à remessa "ex officio", que tenho por feita, apenas para alterar o "dies a quo" do curso dos juros moratórios. A decisão acima transcrita transitou em julgado em 14/02/1997, conforme consta da certidão de fls. 113. Por fim, destaco que aos créditos foram lançados no livro de apuração de IPI nas competências 11/03/2002 a 30/04/2003. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 12 Decisão recorrida entendeu que, diante da menção expressa tanto da sentença quanto do Acórdão proferido pelo TRF 4ª, o crédito não possuía liquidez e certeza posto que dependeria de liquidação de sentença. Isto porque a decisão proferida pelo Tribunal Regional expressamente determinou que a apuração do crédito se daria por liquidação de sentença(A correção monetária, a ser computada da data da lesão, obedecerá aos índices a serem determinados em liquidação de sentença, como julgado na instância "a quo") Ressalto que a Recorrente deu inicio a liquidação da sentença em 29/07/1997 e da petição inicial convém destacar: Em 28.02.97, conforme certidão de fls. 111112, sobreveio o trânsito em julgado da decisão, restando definitivamente decidida a lide favoravelmente à autora. Todavia, declarada a existência do direito, apenas parte do provimento jurisdicional inicialmente pretendido foi atendido. Definida a existência do direito resta ainda quantificar o êxito obtido pelo autor no feito, eis que expressamente restou diferido tal mister pela sentença, como alhures já referido —fl. 89 , para liquidação a ser proposta pela parte posteriormente ao seu trânsito em julgado. 5. Ante a patente necessidade de se liquidar a sentença para que definitivamente restem fixados os critérios que levarão ao valor exato dos créditos a que tem direito a autora, imperioso tecer algumas considerações acerca das modificações ocorridas na matéria com o advento da Lei 8.898, de 29.6.94, para demonstrar o cabimento da liquidação por (...) 9. Com efeito, para que se possa calcular na forma prevista no Código de Processo Civil, artigo 604, é necessário que estejam a mão todos os elementos para a efetivação da operação aritmética no momento em que oferecida a inicial executória; havendo necessidade de serem levantados e ponderados elementos embasadores do cálculo, bem como determinados fatores a serem aplicados para a sua elaboração, o que se terá será a necessidade de elaboração de conta, procedimento mais complexo, incabível nos estreitos lindes no necessariamente célere e objetivo artigo 604, e s6 realizável em sede de liquidação de sentença. 10. As discussões acerca de conversão de moeda estrangeira em moeda corrente nacional — discussões acerca da data a ser considerada na conversão, da cotação a ser utilizada, etc., a necessidade de conferência dos valores em moeda estrangeira nas guias de exportação e eventual necessidade de análise de documentos outros a serem confrontados com tais guias, tais como os conhecimentos de embarque, bem como a análise e aplicação das normas que disciplinavam a verificação do valor dos créditos em cada caso, desaguam na incontestável conclusão de que o procedimento que se impõe no caso para a verificação Fl. 471DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 453 13 do "quantum" devido à autora é a liquidação por arbitramento, conforme prevê o artigo 606 do CPC, em seu inciso II. Reforça tal entendimento o fato de que os valores que deverão embasar os cálculos estão inseridos em guias de exportação que deverão passar 40 pelo crivo do contraditório para que se elevem 6. condição de legitimas fornecedoras de valores idôneos para figurarem como componentes do valor total final entendido como devido. Considerese ainda a necessidade de se estabelecer a forma de se proceder ao calculo de atualização monetária ante aplicação de inúmeros índices de correção e expurgos a considerar no caso e de aplicação de juros moratórios. Flagrante, pois, a configuração, na espécie, de quadro a ensejar muito mais do que meros cálculos aritméticos. Tal liquidação de sentença somente transitou em julgado em 02 de junho de 2006. Como se viu da própria inicial de liquidação de sentença, à época das compensações no livro do IPI, a própria Recorrente reconhecia que o credito não gozava de liquidez e certezado, motivo pelo qual está correta a decisão recorrida. (iv) responsabilidade pela multa nos casos de sucessão Cabe analisar também a possibilidade de aplicação da multa de oficio imputada no presente caso. A Recorrente alega que a partir da leitura conjunta dos art. 132 e 133 do CTN restaria afastada a imposição de multa nos casos de incorporação, fusão e sucessão. De fato, conforme jurisprudência administrativa colacionada pelo Recorrente durante certo período, o antigo Conselho de Contribuintes possuía decisões que afastavam a imposição de multas tributárias aos sucessores. Porém, a partir do julgamento do Resp. nº julgado no efetivo repetitivo do art. 543 C do Código de Processo civil este entendimento deixou de ser possível, ao menos no âmbito administrativo. Isto porque, decidiu o STJ que “a responsabilidade tributária dos sucessores estendese às multas impostas ao sucedido, seja de natureza moratória ou punitiva, pois integram o patrimônio jurídicomaterial da sociedade empresarial sucedida” Referida decisão recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA Fl. 472DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 14 PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Diante da jurisprudência acima citada, deve ser observado o que determina o art. 62 A do Regimento Interno do CARF, devendo tal decisão ser obrigatoriamente reproduzida nos julgamentos deste órgão colegiado. Por fim, ainda em relação a multa aplicada, insurgese em relação ao percentual aplicado de 75%. Quanto ao percentual da multa aplicada, não merece reparos a decisão recorrida posto que esta se encontra prevista em lei em pleno vigor, sendo vedado, como já dito, ao julgador administrativo afastala por ilegalidade ou inconstitucionalidade. (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.) Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Oficio e Voluntário nos termos do voto proferido. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 473DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 3303002.681 S3C3T3 Fl. 454 15 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10670.000797/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
MATÉRIA ESTRANHA À EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de conhecer do recurso nas matérias suscitadas em recurso mas estranhas à exigência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1402-001.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte em que contém matéria estranha aos autos e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NÃO CONHECIMENTO. Deixase de conhecer do recurso nas matérias suscitadas em recurso mas estranhas à exigência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte em que contém matéria estranha aos autos e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 07 97 /2 00 8- 71 Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10670.000797/200871 Acórdão n.º 1402001.618 S1C4T2 Fl. 1.684 2 Relatório Tratase de autos de infração para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e Programa de Integração Social – PIS. O contribuinte foi excluído do Simples Federal por supostamente ser resultante da cisão da empresa “Cerâmica Salinas Ltda” (vedação contida no art. 9º, inciso XVII, da Lei 9.317, de 1996). Os efeitos da exclusão retroagiram a 01/01/2002, tendo como base legal o art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, uma vez que a referida cisão ocorreu durante o anocalendário de 2001. A discussão sobre a correição de tal procedimento foi tratada no bojo dos autos nº 10670.001222/200612, restando no presente processo a lide sobre a constituição do crédito tributário resultante da adoção de outra forma de tributação. Além da incorreção na opção pelo Simples, constatouse ainda omissão de receitas. Em razão de inúmeros vícios apresentados na escrituração do contribuinte, além da ausência de livros obrigatórios para apuração do lucro real (livro registro de inventário e Lalur), a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento de lucros, apurando o IRPJ e a CSLL com base no lucro arbitrado e, por decorrência, as contribuições para o PIS e para a Cofins com base na sistemática cumulativa de apuração. Aplicouse multa qualificada de 150% (art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e da lavratura dos autos de infração), sob a justificativa de ocorrência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964). O interessado apresentou sua impugnação questionando a legalidade da exclusão do SIMPLES, afirmando que “deve ser aplicada a legislação vigente à época dos fatos”, qual seja, o inciso II do art. 15 da Lei 9.732/1998, em seu texto original, não podendo, portanto, o Fisco utilizarse da IN 608/2006. Alega que a exclusão do Simples não poderia ter sido realizada retroativamente, o que levaria ao cancelamento integral da exação. Aduziu ainda que a SELIC “não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios, uma vez que possui indisfarçável natureza financeira...” Por fim, combate a aplicação de multa regulamentar “tendo em vista que não houve descumprimento de obrigação acessória”, tecendo ainda comentários sobre possível efeito confiscatório de tal penalidade. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação. Em resumo, assim decidiu: Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10670.000797/200871 Acórdão n.º 1402001.618 S1C4T2 Fl. 1.685 3 a discussão sobre exclusão do Simples foi travada no âmbito de outro processo administrativo, e, tendo sido mantidos os efeitos do ato declaratório, não há como se rediscutir a correição do procedimento nos presentes autos; a aplicação da taxa Selic é legal, sendo alvo, inclusive, de Súmula no âmbito do CARF; não tendo havido de ataque a omissão de receitas e o arbitramento de lucros levados a efeito pela Fiscalização, tais exigências foram consideradas definitivas; deixouse de analisar a questão da aplicação das penalidades regulamentares em razão de as mesmas não comporem o processo em análise, tendo sido formalizadas em autos distintos. O interessado foi cientificado da decisão (fl. 1.656) e apresentou recurso voluntário às fls. 1.6571681. Reproduziu os argumentos utilizados em sua impugnação, acrescentando somente que: (i) a multa de ofício, o arbitramento de lucros e a omissão de receitas foram alvo de ataque em sua impugnação como consequência mediata da irresignação quanto à pretensa exclusão indevida do Simples; (ii) a multa regulamentar compõe a presente lide, devendo ser exonerada. É o relatório. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10670.000797/200871 Acórdão n.º 1402001.618 S1C4T2 Fl. 1.686 4 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade. Contudo, deve ser conhecido parcialmente em razão de abordar temas estranhos à exigência. O cerne do recurso do contribuinte é sua inconformidade com a exclusão do Simples Federal. Contudo, conforme bem asseverou a decisão recorrida, tal procedimento foi analisado no âmbito do processo n° 10670.001222/200612, sendo mantidos os efeitos do ato declaratório de exclusão, conforme acórdão nº 19.976, datado de 24/07/2008, assim ementado: “EXCLUSÃO DO SIMPLES. É vedado optar pelo Simples empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, de conformidade com artigo 9º, inciso XVII da Lei 9317/96. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O efeito da exclusão das pessoas jurídicas que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001 darseá a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Em consulta ao andamento processual de tal lide, constatase que não houve a interposição de recurso voluntário, tornandose definitiva a decisão sobre a exclusão do Simples Federal. Desse modo, não há como rediscutir nos presentes autos supostas irregularidades no procedimento adotado pelo Fisco acerca da exclusão do Simples Federal a que foi submetido o interessado. Nesse ponto, deixase de conhecer o recurso. A respeito da infração referente a omissão de receitas, do arbitramento do lucro e da multa qualificada, tais temas não foram, de forma direta, alvo de impugnação ou recurso voluntário. Somente se restasse frutífero o questionamento quanto à exclusão do Simples tais exigências e procedimentos restariam também cancelados. No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10670.000797/200871 Acórdão n.º 1402001.618 S1C4T2 Fl. 1.687 5 Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. No que tange à suposta exigência de multa regulamentar, basta se observar à fl. 8 dos autos que, no presente processo, não se exige qualquer penalidade regulamentar. Conforme esclarecido pela decisão recorrida, a exigência de tais penalidades deuse em processos distintos, a saber: 10670.000794/200838 e 10670.000796/200827. Portanto, em relação ao tema, deixase de conhecer do recurso por ser matéria estranha ao feito. CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer do recurso quanto às matéria estranhas ao feito, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.005231/98-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de Julgamento- DRJ se pronuncie sobre o recurso (manifestação de inconformidade) acostado aos autos do processo apenso (10830.005928/2003-12).
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn , Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn , Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, apresentado em 08/09/1998 (fls. 1/4), relativo à parcela recolhida acima da alíquota de meio por cento, referente ao período de apuração de setembro/1989 a março/1992 (fls. 17/32). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 05 23 1/ 98 -1 3 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.005231/9813 Resolução nº 3802000.217 S3TE02 Fl. 301 2 A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fl. 97), sob a alegação de que o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no exercício do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n.º 96, de 26 de novembro de 1999. A contribuinte impugnou o despacho decisório em 12/01/2001 (fls. 99/104), alegando, em síntese, que o prazo para pedir a restituição seria de dez anos e o pedido deveria ser apreciado sob a égide do Parecer Cosit nº 58, de 1998, em vigor quando de sua formalização. Esta DRJ Campinas, por meio do Acórdão nº 34, de 28/09/2001 (fls. 108/117), indeferiu o pedido, sob a fundamentação de que o direito a pleitear restituição de indébito tributário extinguese no prazo de cinco anos a contar dos pagamentos. Por sua vez, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acolheu o recurso da interessada, afirmando que o pedido foi protocolizado na vigência do Parecer Cosit nº 58, de 1998, e dentro dos cinco anos seguintes à edição da Medida Provisória nº 1.110, de 31 de agosto de 1995, razão pela qual acordaram em afastar a decadência, retornando os autos a esta DRJ, para que fossem analisadas as demais questões (fls. 139/148). A 5ª Turma de Julgamento desta DRJ decidiu, então, por meio do Acórdão nº10.188, de 03/08/2005, que, afastada pelo Conselho de Contribuintes a questão da decadência, caberia à autoridade jurisdicionante do domicílio da contribuinte prosseguir na análise do pedido, encaminhando novamente o processo à DRF. A DRF em Campinas, por meio do despacho decisório de fls. 190/194, datado de 25/07/2007, considerou que o pleito da interessada dizia respeito tãosomente ao reconhecimento do direito creditório: 10. Preliminarmente, cumpre observar que não foram listados débitos nos dois pedidos de compensação apresentados pela contribuinte, fls. 5 e 79, ela apenas informou compensação, em DCTF, vide fls. 134/137 e 155/164, do crédito postulado através destes autos com débitos da Cofins entre os períodos de apuração de julho a dezembro de 1998. Tal procedimento adotado, compensação sem petição administrativa, não encontrava respaldo na legislação compensatória vigente na época, pois era necessário que os sujeitos passivos interessados em proceder à compensação de créditos da contribuição para o Finsocial com débitos da Cofins o fizessem respeitando os ditames impostos pela IN SRF nº 21/97, mediante requerimento, já que não se tratavam de contribuições da mesma espécie. (...) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.005231/9813 Resolução nº 3802000.217 S3TE02 Fl. 302 3 12. Conforme visto acima, necessário que a interessada apresentasse pedido de compensação perfeitamente preenchido para que houvesse a possibilidade de compensar a contribuição para o Finsocial com a Cofins, já que a pretensão compensatória objeto dos autos se deu após a publicação da IN SRF nº 32/97, DOU de 10/04/1997. 13. E indevidas as compensações informadas, como exposto, os respectivos débitos foram objeto de lançamento de ofício, segundo a previsão legal vigente na época, passando a ser controlados através do processo administrativo nº 10830.005928/200312. Ao final, a DRF reconheceu parcialmente o direito creditório no montante de R$45.288,53, atualizado até 31/07/2007. Cientificada do despacho decisório em 02/08/2007 (fl. 198), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 03/09/2007 (fls. 199/205), na qual alega que: a autoridade administrativa desconsiderou equivocadamente a compensação alegando que os débitos que se pretendia compensar não haviam sido discriminados nos pedidos de compensação. Como poderia indicar o que ainda não existia, o recorrente não tinha a época débitos para com a Receita Federal, tinha apenas e tão somente créditos a serem compensados, por isso, informou que compensaria com débitos futuros, vincendos, o que realmente fez e indicou nas DCTFs mensais; a DCTF tem como fundamento legal o art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, e tem natureza de confissão de dívida, formalizando o crédito tributário e conferindo ao Fisco um instrumento hábil para a imediata inscrição em Dívida Ativa;há uma inversão de valores, sob a ótica do débito, fazse prevalecer a forma sobre a essência, todos os valores compensados foram devidamente informados em DCTF e, nesse ponto, é possível sua cobrança imediata, caso houvesse uma compensação indevida, mas sob a ótica do crédito prevalece o disposto em Instrução Normativa, in casu a IN SRF 21/97 com as alterações procedidas pela IN SRF 73/97, através do chamado pedido de compensação, que nem obrigação acessória é. Assim, para a cobrança de eventual compensação indevida utilizase a DCTF, mas, por outro lado, para se homologar a compensação exigese o denominado “pedido de compensação”, sendo que sua ausência é utilizada para fundamentar o afastamento da compensação e considerar apenas pedido de restituição, mesmo que tenha sido indicado, inicialmente, que a compensação se efetuaria com débitos vincendos. Embora seja esse o entendimento do Fisco, a recorrente entende que preencheu todos os requisitos exigidos pela IN SRF 21/97 com as alterações procedidas pela IN SRF 73/97. Ao final, a interessada pede: a reforma do Despacho Decisório proferido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/CampinasSP, que reconheceu apenas parcialmente o pedido de restituição e, como Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.005231/9813 Resolução nº 3802000.217 S3TE02 Fl. 303 4 conseqüência, parcialmente o direito creditório, desconsiderando as compensações efetuadas via DCTF; uma vez reformada a Decisão supracitada, pleiteiase a homologação da compensação efetivada legalmente através das DCTFs com a conseqüente extinção do crédito tributário, nos termos do inciso II, do art. 156, do Código Tributário Nacional.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CPS no 0521.975, de 20/05/2008, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP,às fls. 260/262, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Compensação. DCTF. Não Apreciação. Não existindo nos autos pedidos de compensação ou declarações de compensação vinculadas ao direito creditório, descabe apreciar compensações que apenas tenham sido informadas pelo contribuinte em DCTFs. Solicitação Indeferida.” Como ressaltado no relatório, através do acórdão deste Conselho de n°302 36.644 de 27/01/2005, da lavra da relatora Elizabeth Echieregatto, foi afastada a decadência e determinava o retorno dos autos à DRJ para se pronunciar sobre as demais questões. Logo, o acórdão de 1ª instância mencionado acima, foi no sentido de indeferir a solicitação, tendo em vista, não existir previsão legal para homologação de compensação apenas informada em DCTF. Todavia, o mesmo acórdão, argumenta que como o processo administrativo não tratava das compensações efetuadas, mas tãosomente do direito creditório e não houve manifestação contra os cálculos efetuados pela DRF, que resultou no reconhecimento do direito creditório de R$ 45.288,53, não havendo, pois, litígio quanto a esse aspecto. Assim sendo, o voto foi para ratificar a decisão da DRF, reconhecendo em parte o direito creditório no montante de R$ 45.288,53, valores atualizados até 31/07/2007. Regularmente cientificado do Acórdão proferido (AR em 03/07/2008), o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário(em 04/08/2008), no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Numa primeira análise dessa nova questão pelo CARF, este, através da resolução nº 310200.042, de 21/05/2009, proferida pela 2a Turma Ordinária / 1a Câmara / 3a Seção (fls. 273/277), converteu o julgamento em diligência para que fossem acostados aos autos o processo nº 10830.005928/200312, no qual foram lançados de ofício as “compensações” realizadas via DCTF. Através do despacho de fls. 280 a DRF Campinas informou que aludido processo já se encontrava neste CARF desde 14/05/2009. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.005231/9813 Resolução nº 3802000.217 S3TE02 Fl. 304 5 Em consulta aos autos do processo nº 10830.005928/200312, vêse que às fls. 14/23 do aludido processo está acostado o auto de infração nº 0007458, que corresponde a lançamento eletrônico para exigência de débitos declarados nas DCTF do terceiro e do quarto trimestres de 1998, no valor total (principal) de R$ 19.807,55 (conf. fls. 20 e 22), acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Do referido lançamento o sujeito passivo foi cientificado em 07/07/2003, conforme AR de fls. 73. Este, pois, o relato dos fatos envolvendo os litígios em exame. O processo digitalizado foi redistribuído a esta Conselheira. VOTO Numa primeira análise, quanto à legitimidade do lançamento, antes de nos debruçarmos sobre o mérito, é necessário examinar se, à época em que foi constituído o lançamento, ainda subsistia o direito de a Fazenda Pública fazêlo. Tal exame se faz necessário por envolver questão de ordem pública, qual seja, a decadência. O caso presente envolve a exigência da COFINS de competência do período de julho a dezembro de 1998. Segundo o demonstrativo dos créditos tributários não confirmados (fls. 18/19 do processo nº 10830.005928/200312), em todos os meses correspondentes não houve nenhum recolhimento confirmado. Conforme já ressaltado, o litígio objeto do processo nº 10830.005928/2003 12 (processo acostado) envolve a exigência da COFINS de competência do período de julho a dezembro de 1998. Já o lançamento foi formalizado em 07/07/2003 (ciência do auto de infração – fls. 73). Considerando que não houve nenhum recolhimento confirmado, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado (regra do artigo 173, inciso I, do CTN), de sorte que o lançamento foi formalizado ainda dentro do prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Releva destacar que nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, os débitos declarados em DCTF vinculados a créditos não comprovados ou indevidos deveriam ser objeto de lançamento de oficio: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, na época da ocorrência dos eventos, somente o saldo a pagar declarado em DCTF – ou seja, aquele declarado como devido, não vinculado a nenhum crédito – era objeto de confissão de dívida. Portanto, as diferenças apuradas deveriam ser objeto de lançamento de oficio. Do afastamento da multa de ofício Quanto à exigência da multa de ofício, transcrevo, abaixo, o disposto no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.005231/9813 Resolução nº 3802000.217 S3TE02 Fl. 305 6 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009). Como se vê, o lançamento da multa de ofício foi dispensado pelo citado preceito legal. Assim, a exclusão da aludida multa se impõe, por se tratar de matéria de ordem pública, devendo referida penalidade, por conseguinte, ser afastada, consoante interpretação da CoordenaçãoGeral de Tributação na Solução de Consulta Interna n° 3, de 08 de janeiro de 2004: No julgamento de processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n° 2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundadas nas hipóteses versadas no caput desse artigo. Ressaltese que as questões acima traçadas em relação à legitimidade do lançamento e à exigência da multa de ofício só fazem sentido em relação ao processo nº 10830.005928200312, correspondente ao lançamento dos débitos declarados em DCTF. Em conclusão, diante de tudo o que foi acima exposto, entendo que a lide requer sejam adotados as seguintes providências: em relação ao recurso objeto do processo nº 10830.005231/9813 (processo em pauta), sugiro que o recurso não deverá ser conhecido e fique sob efeito suspensivo; já que as compensações são objeto do processo nº 10830.005928/200312, onde as compensações informadas em DCTF não foram aceitas, o que redundou no lançamento de ofício; e, em relação ao processo nº 10830.005928/200312 (lançamento de ofício dos débitos declarados em DCTF/processo apenso a este), muito embora o mesmo não esteja em pauta, mas já proferindo meu entendimento sobre o mesmo dada sua conexão com o de nº 10830.005231/9813, considerando que o sujeito passivo, em 05/08/2003 (fls. 01), apresentou tempestiva impugnação (fls. 01/13 – processo nº 10830.005928/200312) – já que a ciência do auto de infração nº 0007458 (fls. 14/23) se deu em 07/07/2003 (fls. 73) – e que não há nos autos de nenhum dos processos nenhuma manifestação da DRJ sobre o recurso em tela, entendo que os mesmos deverão ser devolvidos para a primeira instância a fim de que esta se manifeste sobre a contenda à luz dos documentos acostados pelo sujeito passivo. Assim sendo, decido, converter o julgamento em diligência para que (processo referente ao AI de nº 10830.005928/200312), a primeira instância (DRJ) se manifeste sobre a contenda à luz dos documentos acostados pelo sujeito passivo e rito processual, daí subseqüente. E o da pauta prossiga junto ao outro, mas com efeito suspensivo. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.005231/9813 Resolução nº 3802000.217 S3TE02 Fl. 306 7 .Após diligência solicitada, retornem os autos para apreciação deste Conselho. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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