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Numero do processo: 16327.000655/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar o presente processo à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Primeira Seção de Julgamento, para distribuição do feito ao I. Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Relator da Resolução nº 1402-00.001, de 27/07/2009, que determinou a realização de diligência).
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para as devidas providências.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e .Antonio Bezerra Neto.
Relatório
Trata o presente processo de análise de compensação realizada pela recorrente e não homologada parcialmente pela repartição de origem. Inconformada, houve apresentação de manifestação de inconformidade, que, por sua vez, foi indeferida, conforme documento de fl. 641.
Cientificada do indeferimento, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 416/453), acompanhada dos documentos de fls. 454/603. A DRJ São Paulo I, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão 16-10.019 - 10a Turma da DRJ/SPOI.
Às fls. 680, tempestivamente, a empresa apresenta recurso voluntário, onde repisa argumentos. Ao analisar o presente processo, em 27/07/2009, este CARF, por unanimidade, converteu o jugamento em diligência, por meio da Resolução nº 1402-00.001 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (Relator Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes), cuja parte dispositiva recebeu a seguinte redação, fls. 805:
[...] antes que nos pronunciemos sobre a homologação ou não da compensação realizada, se faz necessário que a autoridade fiscal verifique a verdade material dos fatos alegados, em especial dos créditos supostamente oriundos de tais comprovações de rendimentos. Não há como se avançar no julgamento da lide sem que tenhamos segurança acerca dos elementos de prova anexados pela recorrente.
Desta forma, voto no sentido de que seja o presente julgamento convertido em diligência à repartição de origem, com o propósito mencionado.
Em atendimento a esta determinação, a unidade de origem, em 15/12/2010, intimou a contribuinte a apresentar documentos, no prazo de 15 dias. Dentro do prazo que lhe foi consignado, a recorrente apresentou a manifestação de fls. 811-834, onde reapresenta a documentação que já instruiu seu recurso, bem como, para que não pairem dúvidas a respeito das retenções de IR, sofridas no ano-calendário de 2001", tece "breves considerações acerca das operações destacadas pelo CARF".
Respondendo ao quesito levantado pelo CARF, a autoridade diligenciante afirmou que não temos novos elementos a acrescentar, além daqueles levantados pela requerente e daqueles constantes da decisão da DRJ/SPOI no Acórdão n° 16-10.019 - 10a Turma. (fls. 835).
O interessado foi intimado do relatório de diligência (fls. 835), facultando-lhe o direito de se manifestar nos autos, no prazo de 10 dias. Novamente dentro do prazo que lhe foi consignado, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 838-841, onde reiterou os argumentos expostos em sua pela recursal, requerendo que seja dado provimento ao recurso voluntário, reconhecendo-se o Saldo Negativo de Imposto de Renda do exercício de 2001 no valor de R$ 1.455.526,55, com a consequente homologação integral da compensação efetuada e o arquivamento do processo administrativo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar o presente processo à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Primeira Seção de Julgamento, para distribuição do feito ao I. Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Relator da Resolução nº 140200.001, de 27/07/2009, que determinou a realização de diligência). Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para as devidas providências. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e .Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 65 5/ 20 03 -9 6 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.000655/200396 Resolução nº 1401000.183 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de análise de compensação realizada pela recorrente e não homologada parcialmente pela repartição de origem. Inconformada, houve apresentação de manifestação de inconformidade, que, por sua vez, foi indeferida, conforme documento de fl. 641. Cientificada do indeferimento, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 416/453), acompanhada dos documentos de fls. 454/603. A DRJ São Paulo I, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão 16 10.019 10a Turma da DRJ/SPOI. Às fls. 680, tempestivamente, a empresa apresenta recurso voluntário, onde repisa argumentos. Ao analisar o presente processo, em 27/07/2009, este CARF, por unanimidade, converteu o jugamento em diligência, por meio da Resolução nº 140200.001 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (Relator Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes), cuja parte dispositiva recebeu a seguinte redação, fls. 805: [...] antes que nos pronunciemos sobre a homologação ou não da compensação realizada, se faz necessário que a autoridade fiscal verifique a verdade material dos fatos alegados, em especial dos créditos supostamente oriundos de tais comprovações de rendimentos. Não há como se avançar no julgamento da lide sem que tenhamos segurança acerca dos elementos de prova anexados pela recorrente. Desta forma, voto no sentido de que seja o presente julgamento convertido em diligência à repartição de origem, com o propósito mencionado. Em atendimento a esta determinação, a unidade de origem, em 15/12/2010, intimou a contribuinte a apresentar documentos, no prazo de 15 dias. Dentro do prazo que lhe foi consignado, a recorrente apresentou a manifestação de fls. 811834, onde reapresenta a documentação que já instruiu seu recurso, bem como, para que não pairem dúvidas a respeito das retenções de IR, sofridas no anocalendário de 2001", tece "breves considerações acerca das operações destacadas pelo CARF". Respondendo ao quesito levantado pelo CARF, a autoridade diligenciante afirmou que “não temos novos elementos a acrescentar, além daqueles levantados pela requerente e daqueles constantes da decisão da DRJ/SPOI no Acórdão n° 1610.019 10a Turma.” (fls. 835). O interessado foi intimado do relatório de diligência (fls. 835), facultandolhe o direito de se manifestar nos autos, no prazo de 10 dias. Novamente dentro do prazo que lhe foi consignado, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 838841, onde reiterou os argumentos expostos em sua pela recursal, requerendo que seja dado provimento ao recurso voluntário, reconhecendose o Saldo Negativo de Imposto de Renda do exercício de 2001 no valor de R$ 1.455.526,55, com a consequente homologação integral da compensação efetuada e o arquivamento do processo administrativo. É o relatório. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.000655/200396 Resolução nº 1401000.183 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Diante do que foi relatado, proponho o encaminhamento do presente processo à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Primeira Seção de Julgamento, para distribuição do feito ao I. Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Relator da Resolução nº 1402 00.001, de 27/07/2009, que determinou a realização de diligência). É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722505/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. ABONOS DIVERSOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA .
A Convenção Coletiva de Trabalho é documento reconhecido pela Constituição da República e o que nela for estipulado deve ser respeitado entre as partes mas o conceito de salário-de-contribuição para o segurado empregado está contido no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De forma taxativa, as hipóteses de não incidência estão previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991.
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA TERCEIROS.
Incide contribuição social destinada a terceiras entidades, na mesma base de cálculo da contribuição previdenciária, sobre toda remuneração auferida pelo segurado, destinada a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
LANÇAMENTO. NULIDADE
Atendido os requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN e pelo artigo 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972) bem como presentes todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, facultando r o exercício do direito e da ampla defesa pelo contribuinte, não há que falar em nulidade a ser declarada.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e declarados em GFIP, aplica-se a multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, limitada a 75%, por ser mais benéfica
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário constituído pelo abono único. Em relação à multa, por maioria de votos decidiu-se por limitá-la 75%, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva, que aplicavam a regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991 com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Redigirá o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
JOÃO BELIINI JUNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
LUCIANA - Redator designado.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes e Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. ABONOS DIVERSOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA . A Convenção Coletiva de Trabalho é documento reconhecido pela Constituição da República e o que nela for estipulado deve ser respeitado entre as partes mas o conceito de salário-de-contribuição para o segurado empregado está contido no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De forma taxativa, as hipóteses de não incidência estão previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA TERCEIROS. Incide contribuição social destinada a terceiras entidades, na mesma base de cálculo da contribuição previdenciária, sobre toda remuneração auferida pelo segurado, destinada a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. LANÇAMENTO. NULIDADE Atendido os requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN e pelo artigo 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972) bem como presentes todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, facultando r o exercício do direito e da ampla defesa pelo contribuinte, não há que falar em nulidade a ser declarada. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e declarados em GFIP, aplica-se a multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, limitada a 75%, por ser mais benéfica Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário constituído pelo abono único. Em relação à multa, por maioria de votos decidiu-se por limitá-la 75%, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva, que aplicavam a regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991 com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Redigirá o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. JOÃO BELIINI JUNIOR - Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. LUCIANA - Redator designado. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes e Nathalia Correia Pompeu
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ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. ABONOS DIVERSOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA . A Convenção Coletiva de Trabalho é documento reconhecido pela Constituição da República e o que nela for estipulado deve ser respeitado entre as partes mas o conceito de saláriodecontribuição para o segurado empregado está contido no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De forma taxativa, as hipóteses de não incidência estão previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA TERCEIROS. Incide contribuição social destinada a terceiras entidades, na mesma base de cálculo da contribuição previdenciária, sobre toda remuneração auferida pelo segurado, destinada a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. LANÇAMENTO. NULIDADE Atendido os requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN e pelo artigo 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972) bem como presentes todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, facultando r o exercício do direito e da ampla defesa pelo contribuinte, não há que falar em nulidade a ser declarada. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e declarados em GFIP, aplicase a multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, limitada a 75%, por ser mais benéfica Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 25 05 /2 01 0- 61 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário constituído pelo abono único. Em relação à multa, por maioria de votos decidiuse por limitá la 75%, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva, que aplicavam a regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991 com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Redigirá o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. JOÃO BELIINI JUNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. LUCIANA Redator designado. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes e Nathalia Correia Pompeu Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301004.388 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório O crédito constituído neste lançamento fiscal, referese às contribuições devidas pela empresa à Outras Entidades e Fundos ( SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE ), que, conforme Relatório Fiscal às fls. 36/41, incidiram sobre os valores das remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados. O processo em comento é híbrido do processo principal de n°13603.722504/201017 em cujos autos discutiramse a procedência de incidência tributária sobre mesmas rubricas que deram base o lançamento ora em apreço. Assim reiterese que a autoridade autuante , assente no exame das folhas de pagamento e Respectivos resumos, constatou que a empresa não recolheu e não declarou em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as contribuições sociais relativas às seguintes parcelas integrantes da remuneração de seus empregados: Indenização CCT, Abono Convenção ColetivaRescisão e Abono único Convenção Coletiva.. O lançamento, consolidado em 06/10/2010, relativo ao período de 01/2007 a 12/2007, constituise no montante de R$ 3.151,47 (três mil cento e cinqüenta e um reais e quarenta e sete centavos). DA IMPUGNAÇÃO Em razão do encimado, com os mesmos argumentos trazidos no aludido auto principal, a impugnante interpôs a exordial deste, que na forma do Relatório a quo, li , compulsei com autos, e tendo corroborando o relatado, abaixo transcrevo a síntese das alegações colacionadas: "Nulidade do Auto de Infração, por exigir crédito previdenciário ilíquido e incerto, fundamentado em verbas que não trazem qualquer relação com a matéria tributável objeto da autuação, não podendo a constituição do crédito previdenciário optar por fatos geradores diversos, sob pena de impedir o contribuinte de verificar os montantes tributáveis, o “quantum” devido, caracterizando, tais omissões, cerceamento de defesa. Que ao descrever as verbas remuneratórias que ensejaram a autuação a Autoridade Lançadora transcreve cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho, onde são estipuladas verbas que guardam vaga correlação com as verbas mencionadas pela fiscalização. Que a impugnante não cometeu qualquer infração à legislação previdenciária ao não recolher e não declarar em GFIP as contribuições previdenciárias incidentes sobre Indenização CCT, Abono Convenção Coletiva Rescisão e Abono Único Convenção Coletiva, já que tais verbas têm natureza indenizatória e eventual que não guardam correspondência com a Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 contraprestação por serviços prestados, prevista no artigo 457 da CLT. Que nesse sentido é a Orientação Jurisprudencial nº 346 da SDI 1 do TST, que transcreve. Que o Abono Único Especial, objeto do suposto crédito previdenciário, substitui a Participação nos Lucros e Resultados, não possuindo caráter salarial, nos termos do art. 7º inciso XI da Constituição da República. Que não há razoabilidade na exação impugnada quando parte do pressuposto que verbas indenizatórias e eventuais devem ser tributadas, contrariando a própria legislação aplicável, no caso o Decreto 3.048/99, art. 214, § 9º, inciso V e art. 28, Inciso I, § 9º, alínea “e” da Lei 8.212/91. Também esta é a orientação contida em vasta jurisprudência do STJ, que reproduz. Quanto à contribuição devida sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais , a impugnante optou pelo pagamento da parcela conforme guia de recolhimento que anexa. Acrescenta que os fatos que deram origem ao lançamento não configuram dolo, fraude ou intenção de sonegação, razão por que devem ser canceladas as gravosas penalidades lançadas, que excedem, em muito, a capacidade contributiva da impugnante. Ao final , requer a produção de provas periciais, se necessárias, a declaração de nulidade procedimental ou a declaração de insubsistência e, no mérito, a declaração de improcedência do Auto de Infração.". DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.144, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE ( MG), em 02 de agosto de 2011, exarou o Acórdão n° 0237.732, mantendo os créditos tributários. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Reiterando em parte as alegações que fizera em primeira instância, a recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.157. É o Relatório Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301004.388 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DA ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Em razão do Relatado, diante do fato que a análise do aludido processo principal de n° 13603.722504/201017 irradia , em parte, o entendimento desenvolvido naquele, com as :ressalvas referentes à multa aplicada ao em comento, abaixo transcrevo os trechos que lhes são comuns para análise: "DA PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente reitera pedido de nulidade nos termos abaixo transcritos : "Nulidade do Auto de Infração, por exigir crédito previdenciário ilíquido e incerto, fundamentado em verbas que não trazem qualquer relação com a matéria tributável objeto da autuação, não podendo a constituição do crédito previdenciário optar por fatos geradores diversos, sob pena de impedir o contribuinte de verificar os montantes tributáveis, o “quantum” devido, caracterizando, tais omissões, cerceamento de defesa. Que ao descrever as verbas remuneratórias que ensejaram a autuação a Autoridade Lançadora transcreve cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho, onde são estipuladas verbas que guardam vaga correlação com as verbas mencionadas pela fiscalização" A sobredita tese foi enfrentada em instância a quo e tem minha companhia pelos argumentos abaixo esposados: "Relatório Fiscal, em conjunto com os anexos do Auto de Infração, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN e pelo artigo 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972), pois, descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizandoos como fatos geradores de contribuições previdenciárias e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, apto a possibilitar o exercício do direito de defesa pelo contribuinte, não havendo, pois, qualquer nulidade a ser declarada." NÃO DOU PROVIMENTO Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 DO MÉRITO Conforme o Relatório fiscal a empresa não recolheu e não declarou em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as contribuições previdenciárias incidentes sobre as indenização CCT, Abono Convenção ColetivaRescisão e Abono único Convenção Coletiva. e das contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais . O relatório a quo, registra que quanto à contribuição devida sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais a impugnante optou pelo pagamento da parcela conforme guia de recolhimento que anexa. Sobre as demais verbas a autuada reagiu e assevera que: " não cometeu qualquer infração à legislação previdenciária ao não recolher e não declarar em GFIP as contribuições previdenciárias incidentes sobre Indenização CCT, Abono Convenção Coletiva Rescisão e Abono Único Convenção Coletiva, já que tais verbas têm natureza indenizatória e eventual que não guardam correspondência com a contraprestação por serviços prestados, prevista no artigo 457 da CLT." Exposto o encimando, a questão de fundo emerge de modo que importa saber se os pagamentos aos segurados empregados com registro nas rubricas Abono de Férias, Indenização Especial e Abono Único, concedidas por força de Convenção Coletiva de Trabalho têm ou não previsão legal de não incidência. DAS VERBAS ESTIPULADAS EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO A Convenção Coletiva de Trabalho é documento reconhecido pela Constituição da República e o que nela for estipulado deve ser respeitado entre as partes. Entretanto, o conceito de saláriodecontribuição para o segurado empregado está contido no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De forma taxativa, as hipóteses de não incidência estão previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991. Os Acordos Trabalhistas, questão de fundo em apreço, trazidos pela impugnante não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas no sobredito § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991, constituindose assim verbas de natureza salarial. Portanto, NÃO DOU PROVIMENTO às alegações da Recorrente " DAS MULTAS No presente lançamento , embora híbrido e também oriundo de inadimplência das mesmas bases de obrigações do sobredito processo principal, no que concerne às multas a autoridade autuante não entrou em considerações de aspectos benignos e na forma do Relatório de Fundamentos Legais , no item 601 às fls. 8, registrou que a multa teve respaldo nos incisos I, II e III do art. 35 da Lei n. 8.212/91, preceito típico para mora por inadimplência de obrigação principal á época da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301004.388 S2C3T1 Fl. 5 7 Diante do que foi exposto, nas circunstâncias, por ser híbrido do multicitado processo principal, cabe tãosomente proceder o recálculo da multa aplicada na forma do motivos abaixo transcritos daquele voto: " DAS MULTAS O Relatório de Fundamentos Legais às fls 9, registra aplicação da multa com base no art. 35A com redação dada pela medido 449/2008 mais tarde convertida na Lei n 11.941/2009. Cumpre notar que o artigo 35A aplicado é superveniente aos fatos geradores que constituiramo crédito tributário para o período 01/2007 a 12/2007. Introduzido na Lei de regência n° 8.212/91 o sobredito artigo estabeleceu a modalidade de multa de ofício penalidade diferente da multa de mora prevista para a circunstância. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." Temse que á época dos fatos geradores vigia o art. 35, I, II e III com penalidade de juros de mora. No que concerne à questão em apreço, a autoridade autuante registra que penalizara a recorrente aplicandose princípio da retroatividade benigna. Entretanto, cumpre notar que introduziu procedimento não preceituado em lei na medida em que cumulou valores das multas aplicadas por omissão de informação em GFIP: "Considerando a alteração da legislação que trata da aplicação das multas de mora e das multas por infração à legislação previdenciária, em razão da ocorrência de falta de recolhimento de contribuição cumulada com omissão de informação em GFIP, e considerando, ainda, a possibilidade de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, a Autoridade Lançadora comparou as multas aplicadas conforme Relatório de Comparação de Multas às fls. 52 , sendo que para todo o período objeto do lançamento a multa mais benéfica foi Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 aquela prevista na legislação atualmente em vigor, lançandose nestes autos a multa conforme art. 35A da Lei 8.212/91, acrescentado pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009; " DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna está inserto nos termos do preceituado no art. 106, II, " c " do Código Tributário Nacional CTN ao determinar a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática , verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” O cálculo da multa deveria comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35, I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual deveria se basear o lançamento com o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso. Tendo presente o sobredito, entendo prevalente o preceituado no art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja , nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento:. "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (redação dada lei pela Lei n° 11.94, de 2009 ) " " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301004.388 S2C3T1 Fl. 6 9 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) " Diante do que foi exposto, cabe proceder o recálculo da multa aplicada. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa nos termos art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja , nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Voto Vencedor Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Redatora Designada. Multa O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301004.388 S2C3T1 Fl. 7 11 notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário que é o caso conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Assim, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. Entretanto, de acordo com o relatório fiscal, não há auto de infração de obrigação acessória lavrado com base em falta de declaração ou de declaração inexata dos fatos geradores tratados neste processo. Logo, nessa fase processual, a multa de 50%, vigente à época dos fatos geradores (art. 35, II, “d”, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99) é mais benéfica do que a multa atual de 75%. Todavia, como a legislação de regência prevê a progressão da multa em função das fases do processo, podendo chegar a 100%, a multa, no caso, deverá ser apurada no § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301004.388 S2C3T1 Fl. 8 13 momento do pagamento, devendo ser limitada ao percentual de 75%, nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008. Em relação às demais matérias do recurso, ratifico os fundamentos do voto do relator. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, excluir o crédito tributário constituído pelo abono único e limitar a multa ao percentual de 75%. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10540.000901/2010-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 09 01 /2 01 0- 28 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000901/201028 Acórdão n.º 9202003.856 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal, (AI) DEBCAD n° 37.297.1946, em desfavor do recorrente, que tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, (AI) DEBCAD n° 37.297.1954, por descumprimento de obrigação principal, em nome do órgão público em epígrafe, referente às competências 03/06 a 03/07, 05/07, 07/07 a 09/07, 11/07 a 13/07, 02/08 a 13/08, recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 394 do Processo n° 10540.000902/201072 (DEBCAD n° 37297.1962) conexo aos presentes autos, no valor atualizado de R$ 768.320,02 (setecentos e sessenta e oito mil, trezentos e vinte reais e dois centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. De acordo com os Relatórios do Auto de Infração, fls. 01/34, e dos Relatórios de fls. 01/95 do Processo n° 10540.000902/201072 (DEBCAD n° 37297.1962) conexo aos presentes autos, os valores que integram a presente autuação referemse às contribuições dos segurados empregados. Constam dos autos os seguintes levantamentos: LP LISTAGEM DE PAGAMENTO. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Contempla as competências que entraram no comparativo entre as multas aplicáveis antes e depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa anterior, por ser mais benéfica ao contribuinte; 2.2. LP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declarados em GFIP. Contempla as competências que entraram no comparativo entre as multas aplicáveis antes e depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual, por ser mais benéfica ao contribuinte. 2.3. LP2 LISTAGEM DE PAGAMENTO. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, em razão do vencimento ter ocorrido após a edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Em sessão plenária de 11/07/2012, foi negado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2302001.940 (fls. 172 a 187), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000901/201028 Acórdão n.º 9202003.856 CSRFT2 Fl. 4 5 Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional que interpôs, tempestivamente, em 23/08/2013, o Recurso Especial (fls. 188/195). Em seu recurso restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 196 a 199. O recorrente traz como alegações: · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. · A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. · Requer ao final seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendo se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. PRELIMINARES OA MÉRITO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que antes de adentrar as questões quanto ao mérito da contenda, existe uma questão prejudicial, que merece ser primeiramente enfrentada. Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou às fls. 613, requerimento de desistência, considerando ter o contribuinte requerido parcelamento do lançamento em questão, senão vejamos: "O Ente público solicita desistência irrevogável e irretratável de todas as modalidades de parcelamento, inclusive de suas autarquias e fundações, que contemplem débitos passíveis, total ou parcialmente, de inclusão no parcelamento da MP 589, de 2012." De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Frisese que ao aderir ao parcelamento e desistir do procedimento administrativo, renúnciando as alegações de direito, o parcelamento do débito será realizado tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário. CONCLUSÃO Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000901/201028 Acórdão n.º 9202003.856 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13982.000956/2003-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL CONTRA DECISÃO QUE ADOTOU ENTENDIMENTO DE SÚMULA. MULTA DA ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA.
Não cabe recurso especial contra decisão que tenha adotado entendimento objeto de súmula. De acordo com a Súmula CARF nº105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO SOBRE VALORES CONFESSADOS NO PAES AO ABRIGO DA ESPONTANEIDADE. NÃO CABIMENTO.
Para fins de exclusão da espontaneidade, a indicação do tributo, do período e da matéria deve ser expressa, o que não ocorreu no presente caso (ADI SRF nº 05/2002). Além disso, os débitos de IRPJ em questão não foram apurados no contexto de um procedimento de "verificações obrigatórias", que consistiria no simples cotejamento entre os "valores de IRPJ" constantes da escrituração e os "valores de IRPJ" declarados. Não há como sustentar que a menção às "verificações obrigatórias" no MPF produziu o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte em relação a aspectos da "apuração" do IRPJ que vão muito além daquele tipo de procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão; por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento, vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego (Relatora), André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo- Relatora
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), Maria Tereza Martinez Lopes e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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MULTA DA ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA. Não cabe recurso especial contra decisão que tenha adotado entendimento objeto de súmula. De acordo com a Súmula CARF nº105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO SOBRE VALORES CONFESSADOS NO PAES AO ABRIGO DA ESPONTANEIDADE. NÃO CABIMENTO. Para fins de exclusão da espontaneidade, a indicação do tributo, do período e da matéria deve ser expressa, o que não ocorreu no presente caso (ADI SRF nº 05/2002). Além disso, os débitos de IRPJ em questão não foram apurados no contexto de um procedimento de "verificações obrigatórias", que consistiria no simples cotejamento entre os "valores de IRPJ" constantes da escrituração e os "valores de IRPJ" declarados. Não há como sustentar que a menção às "verificações obrigatórias" no MPF produziu o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte em relação a aspectos da "apuração" do IRPJ que vão muito além daquele tipo de procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão; por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento, vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 09 56 /2 00 3- 06 Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Relatora), André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), Maria Tereza Martinez Lopes e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL e COOPERATIVA A1 recorrem a este Colegiado, por meio dos recursos especiais, respectivamente às fls. 1.457/1.463 e 1.495/1.508, contra Acórdão nº 180300.258, fls. 1443/1450, de 25 de janeiro de 2010, que, na matéria objeto dos presentes recursos, recebeu a seguinte ementa: Ementa: PARCELAMENTO ESPECIAL. DÉBITOS RELATIVOS A PERÍODO SOB AÇÃO FISCAL. CONFISSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRENCIA — A Lei" n° 10.684, de 2003, ao possibilitar a confissão de débitos ainda não constituídos, não trouxe qualquer disposição capaz de tornar inaplicável, no caso, o disposto no parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em espontaneidade no caso em que a denúncia, representada pela confissão da divida, foi feita após o inicio do procedimento de fiscalização. IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. 0 bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13982.000956/200306 Acórdão n.º 9101002.224 CSRFT1 Fl. 2.490 3 Alega a Fazenda divergência jurisprudencial com o acórdão nº 10194.858, que recebeu a seguinte ementa na parte relativa à multa da estimativa: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. Argumenta a Fazenda que a multa de ofício foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, sobre a omissão de receitas relativas ao anocalendário de 2001; e que a multa isolada, atualmente fundamentada no art. 44, inciso II, alínea “b” da mesma lei, pela falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa e, que, portanto, seriam infrações distintas. Este recurso foi admitido por meio do Despacho nº 140000.167, de fls. 1.484/1485, havendo a contribuinte apresentado as Contrarrazões de fls. 1.555/1.560 aduzindo que os recolhimentos das parcelas mensais têm caráter meramente acessório, que é incabível a aplicação concomitante das duas penalidades, conforme jurisprudência colacionada. Já no recurso especial do Contribuinte, na parte em que foi admitido, foi alegada divergência jurisprudencial relativa à exigência de multa de ofício sobre os débitos que foram incluídos no PAES e trazido como paradigmas os acórdãos nº 10422.312, de 29/3/2007 e 10421.616, de 25/5/2006. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 140000.296, fls. 1.599/1.601, o que levou a Fazenda Nacional a se manifestar, apresentando as Contrarrazões de fls. 1.606/1.608, em que pondera que o contribuinte solicitou sua inclusão no PAES em 30/7/2003,quando já estava sob ação fiscal, de forma que não se operou, no caso, a denúncia espontânea, e traz jurisprudência para corroborar sua tese. É o relatório. Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo Analisando inicialmente o recurso da Fazenda Nacional, verifico que é tempestivo, mas que não pode ser conhecido em razão do disposto do art. 67, §3º, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, bem como já não o podia ao tempo do regimento anterior (art. 67, §2º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009). Versa tal recurso sobre a concomitância da exigência de multa isolada da estimativa com multa de ofício exigida sobre o tributo objeto de lançamento, e subsumese à Súmula CARF nº 105, que assim dispõe: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Isto porque o lançamento ocorreu em 2003, ainda na vigência da antiga redação da Lei nº 9.430/96, em que o enquadramento legal da multa da estimativa era justamente o art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, ou seja, antes da alteração promovida pela Lei nº 11.488, de 2007. Assim, busca a Fazenda reformar decisão que está de acordo com matéria objeto de Súmula deste Conselho. Quanto ao recurso do contribuinte, é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. No mérito, temse: a) O procedimento fiscal teve início no dia 3 de junho de 2003, conforme efl. 710; no termo, foi solicitado ao sujeito passivo, dentre outras informações, o livro de Apuração do Lucro Real, relativo ao período que depois foi objeto do lançamento. O MPF tratava de Cofins e Verificações Obrigatórios, ou seja, cotejamento entre os valores escriturados e declarados relativamente a todos os tributos administrados pela então SRF. b) o contribuinte optou pelo PAES, de que trata a Lei nº 10.684, de 2003, em 30 de julho de 2003; c) nesse parcelamento, confessou parcialmente os valores objeto do lançamento de ofício que deu origem a este processo, relativo aos anoscalendário de 2000 a 2002; d) em 12 de janeiro de 2004, o contribuinte tomou ciência do auto de infração. Ou seja, No caso em apreço estamos falando em auto de exigência do IRPJ. O sujeito passivo confessa os valores que estavam escriturados diferente do que declarou à Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13982.000956/200306 Acórdão n.º 9101002.224 CSRFT1 Fl. 2.491 5 RFB, mas o faz somente após saber que a Fiscalização estava de posse da sua escrituração e justamente em um procedimento que determinava fazer esse cotejamento. Ora, é jurisprudência pacífica deste Conselho que o Termo de Início de Ação Fiscal caracteriza o início do procedimento fiscal de que trata o art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, e, por conseguinte, tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo, consoante §1º do mencionado art. 7º. Se a espontaneidade está excluída já com o Termo de Início, descabe falar na denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN. Se a hipótese não é a da denúncia espontânea, deve ser observado o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 que, só poderia ser afastado, se a Lei do PAES trouxesse expressa disposição legal neste sentido, o que não ocorreu, como se pode verificar da leitura de seus dispositivos: Art. 1o Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas. § 1o O disposto neste artigo aplicase aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Dívida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2o Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável. Permitiu o legislador a confissão de débitos e sua constituição e ainda, o seu parcelamento. Contudo, tal lei precisa ser interpretada sistematicamente com todo o ordenamento jurídico vigente, de forma que, se o contribuinte estava sob procedimento fiscal quando aderiu ao parcelamento, aplicavamse as multas de ofício de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ainda que sobre esses débitos que passaram a ser confessados, haja vista que não há nenhum dispositivo legal que afaste a previsão normativa do art. 44 retromencionado. Logo, não se pode afastar a multa de ofício que incidiu sobre o crédito tributário que foi incluído em parcelamento, conforme já se tem decidido por esta turma da CSRF, a exemplo dos acórdãos nº 910100.694, de 31/10/2010, 920201.316, de 8/2/2011 e 9101001.541, de 21/11/2012. Neste sentido, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e NEGAR PROVIMENTO como ao Recurso Especial do Contribuinte. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto à negativa de provimento do recurso especial da Contribuinte. A controvérsia envolve o reconhecimento ou não da espontaneidade prevista no art. 138 do CTN, relativamente à exigência de IRPJ que é objeto dos presentes autos. De acordo com a relatora, o sujeito passivo confessou os valores de IRPJ que estavam escriturados diferente do que declarou à RFB, mas o fez somente após saber que a Fiscalização estava de posse da sua escrituração e justamente em um procedimento que determinava fazer esse cotejamento. O debate durante a sessão foi motivado pelo fato de o MPF que acompanhou o Termo de Início de Fiscalização tratar de COFINS e "verificações obrigatórias", sem fazer nenhuma menção expressa ao IRPJ (efls. 2 do vol I do eprocesso). A relatora pontuou que o Termo de Início de Fiscalização (efls. 155 do vol I do eprocesso) solicitou, dentre outros documentos, o Livro de Apuração do Lucro Real, e que o procedimento de "verificações obrigatórias" abrange o cotejamento entre os valores escriturados e declarados relativamente a todos os tributos administrados pela então SRF. Diante disso, entendeu que o Termo de Início de Fiscalização também afastou a espontaneidade em relação ao IRPJ. Algumas questões foram suscitadas. Primeiro, o MPF fazia referência expressa apenas à COFINS, e o foco do Termo de Início de Fiscalização era a verificação de receitas, de modo que não se podia afirmar que o contribuinte foi devidamente informado de que a fiscalização também abrangia o IRPJ. Por outro lado, o Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fl. 164 do mesmo volume) que tratou de averiguações bem mais específicas para o IRPJ somente foi emitido em 15/08/2003, depois de a contribuinte ter confessado os débitos. Além disso, esse segundo termo fez uma menção expressa à exclusão de espontaneidade, o que não seria necessário se o Termo de Início de Fiscalização realmente tivesse cumprido essa finalidade para o IRPJ. No intróito do próprio Termo de Verificação Fiscal (efls. 26 a 55 do mesmo volume) consta que: Em 03/06/2003, teve início procedimento com vistas a verificar a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias quanto à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, referentes aos períodos de apuração 01/2000 a 04/2003. Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13982.000956/200306 Acórdão n.º 9101002.224 CSRFT1 Fl. 2.492 7 O Termo de Verificação Fiscal também faz menção ao procedimento de "verificações obrigatórias", como ocorreu com o MPF que acompanhou o Termo de Início de Fiscalização, mas não é razoável exigir que o contribuinte conheça normas internas da Receita Federal que delimitam a abrangências das verificações obrigatórias. Além do que a especificação de todos os tributos administrados pela Receita Federal é muito abrangente para o efeito pretendido. Nesse sentido, cabe mencionar ato da própria Receita Federal que disciplina o assunto: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de maio de 2002 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), e no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, declara, em caráter normativo, que: Art. 1º O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos, e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Art. 2º [...] Para fins de exclusão da espontaneidade, portanto, a indicação do tributo, do período e da matéria deve ser expressa, o que não ocorreu no presente caso. Finalmente, e isso é bastante relevante, cabe registrar que os débitos de IRPJ abrangidos neste debate não foram apurados no contexto de um procedimento de "verificações obrigatórias", que consistiria no mero cotejamento entre os "valores de IRPJ" constantes da escrituração e os "valores de IRPJ" declarados. Basta ver que somente para tratar da "apuração" dos valores de IRPJ, o Termo de Verificação Fiscal apresenta informações e desenvolve argumentos ao longo de 22 laudas (efls. 27 a 48 do mesmo vol. I do eprocesso). Uma transcrição parcial do TVF é suficiente para demonstrar os contornos que envolveram o lançamento do IRPJ: 1 INTRÓITO [...] 2 DA CARACTERIZAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A empresa fiscalizada se constitui em uma cooperativa singular que tem por objetivo precÍpuo a venda dos produtos que lhes foram entregues pelos associados, tendo iniciado suas atividades em 01/10/1999, sendo que a partir de 01/01/2000 incorporou a COOPERATIVA AGROPECUÁRIA SANTA LUCIA, CNPJ Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 86.246.931/000190, e a COOPERATIVA REGIONAL ARCO IRIS, CNPJ 83.408.658/000164, e a partir de 01/11/2003 incorporou a COOPERATIVA AGROPECUÁRIA ITAPIRANGA, CNPJ 84.375.849/000130. (Balanço referente à incorporação, cópia a Fls. 246 a 248) Supletivamente à atividade principal, consta em seu Estatuto, cópia a (Fls. 254 a 279), que a COOPERATIVA A1 poderá ainda exercer outras atividades voltadas para o seu quadro social. [...] 3 DA APURAÇÃO DO RESULTADO DA COOPERATIVA anos calendários 2000, 2001 e 2002. A COOPERATIVA A1, nos exercícios 2000, 2001, 2002 e 2003, adotou o regime de tributação com base no Lucro Real. Nos "Demonstrativos do Resultado do Período", transcritos no Livro Diário (cópia a Fls. 714 a 725, 796 a 808, 879 a 890, 962 a 968), a receita operacional bruta da COOPERATIVA A1, subdividise em: [...] As Deduções de Vendas (devoluções/impostos) são subdivididas em: [...] Visto que os demonstrativos da COOPERATIVA A1 segregam suas receitas, despesas e custos, em "associados" e "'não associados", por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 03, (Fls. 168), procurouse obter informações que permitissem estabelecer qual o critério que a fiscalizada utiliza para separar o ato cooperativo (associados) do ato não cooperativo (não associados). Em resposta, (Fls. 170 a 176), o contribuinte aduz que o controle do ato cooperativo assim se dá: [...] 4 DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL e FISCAL DA COOPERATIVA A1 anos calendários 2000, 2001 e 2002. Inicialmente, cabe salientar que "Demonstrativo do Resultado do Período", transcrito no Livro Diário do contribuinte, é por demais compilado para permitir que estes agentes fiscais alcancem o grau de perscrutação que a natureza da atividade da fiscalizada exige. Sendo assim, doravante, nos remeteremos aos "Demonstrativos do Resultado do Exercício Analítico", (Fls. 726 a 794, 809 a 877, 891 a 960, 969 a 999), os quais esmiúçam as informações contidas naquele. Consoante o Plano de Contas da COOPERATIVA A1, (cópia a Fls. 347 a 354), esta deveria contabilizar suas receitas, custos e despesas da seguinte forma: [...] Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13982.000956/200306 Acórdão n.º 9101002.224 CSRFT1 Fl. 2.493 9 5 DAS INCONSISTÊNCIAS APURADAS NA ESCRITURAÇÃO DA COOPERATIVA A1 anos calendários 2000, 2001 e 2002. Vale salientar desde logo que os lançamentos efetuados nos Livros Diários do contribuinte falecem de qualquer respeito aos princípios consagrados pela técnica contábil e pela legislação comercial e fiscal, se não vejamos. [...] 6 DO CONTROLE SOBRE O ATO COOPERADO NA ATIVIDADE SUPERMERCADO, LOJA AGROPECUÁRIA e POSTO DE COMBUSTÍVEL nos anos 2000, 2001 e 2002. Conforme alhures citado, o Plano de Contas da COOPERATIVA A prevê que as receitas das atividades de Supermercado, Loja Agropecuária e Posto de Combustível sejam escrituradas (Livro Razão) nas contas 03.01.01.01.01.01.01 e 03.01.01.01.01.01.11 (se vendas a cooperados) e 03.01.01.01.01.01.02 e 03.01.01.01.01.01.12 (se vendas a não cooperados). As despesas, deduções de vendas e custos inerentes a tais atividades estariam sendo "controlados" em registros auxiliares denominados "Demonstrativo do Resultado Econômico". (Fls. 1023 a 1263). [...] Por tudo isso, imprescindível se tornou um maior aprofundamento a cerca do procedimento adotado pelo fiscalizado, o que resultou na conclusão de que os controles adotados pela COOPERATIVA A1 na atividade Supermercado e Loja Agropecuária, com o fim de separar as vendas entre cooperados e não cooperados, e consubstanciada no "Livro de Venda Para Associados", "Demonstrativo de Resultado Econômico", "Demonstrativo do Resultado do Exercício Analítico", e "Demonstrativo do Resultado do Período", não representam a realidade fática apurada por estes Auditores Fiscais, conforme a seguir se exporá. [...] Disso, concluise que os demonstrativos elaborados pelo contribuinte merecem reparos naquilo que se refere a segregação entre vendas a cooperados e não cooperados. [...] Por tudo o exposto, não foi considerada a segregação entre vendas para associados e não associados apontada pelo contribuinte em seus registros auxiliares, (Livro Venda Para Associados), "Demonstrativo do Resultado Econômico", "Demonstrativo do Resultado do Período", e "Demonstrativo do Resultado do Exercício Analítico", pelas razões a seguir resumidas: (especialmente a letra "d".) Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 [...] 7 DA DESCONSIDERAÇA0 DAS OPERAÇÕES ENTRE A COOPERATIVA A1 e a COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE efetuadas entre 01/01/2000 a 15/06/2000. [...] Por tudo o exposto, esta fiscalização considerou que as operações efetuadas entre a COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE e a COOPERATIVA Al no período de 01/01/2000 a 15/06/2000, consubstanciamse em atos não cooperados. 8 DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PELA FISCALIZAÇÃO Em epítome, neste procedimento fiscal foram adotados os seguintes critérios: [...] 9 DA APURAÇÃO DO IRPJ A fim de verificarmos a regularidade no cumprimento das obrigações tributarias quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referentes aos períodos de apuração 01/2000 a 05/2003, (Verificações Obrigatórias), e frente a especificidade do ente fiscalizado, se fez necessário a elaboração de demonstrativos que revelassem os critérios utilizados, por esta fiscalização, na apuração da exação objeto do Auto de Infração de (Fls. 11 a 24). Sendo assim, passamos a esmiuçar tais demonstrativos: 9.1 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO ÍNDICE DE AQUISIÇÃO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS DE COOPERADOS (Fls. 56 a 59) Levando em consideração que a apuração do ato cooperativo, na atividade COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS, se dará conforme a entrada de tais produtos, este demonstrativo tem por escopo a apuração de um índice percentual o qual será aplicado nas receitas, despesas, custos e encargos da atividade COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. [...] 9.2 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO ÍNDICE DE VENDAS DE MERCADORIAS A COOPERADOS ATIVIDADE FABRICA DE RAÇÃO. (Fls. 61) Considerando que quanto à FÁBRICA DE RAÇÃO o controle do ato cooperado se dará pelo saída, a planilha em comento se presta a identificar qual o índice de vendas de produtos da FABRICA DE RAÇÃO a cooperados. Para tanto, foram considerados os seguintes dados. [...] [...] Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13982.000956/200306 Acórdão n.º 9101002.224 CSRFT1 Fl. 2.494 11 9.3 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO ÍNDICE DE VENDAS DE MERCADORIAS A COOPERADOS ATIVIDADE LOJA AGROPECUÁRIA. (Fls. 63) Na LOJA AGROPECUÁRIA o controle do ato cooperado se dará pelo saída, e a planilha em questão se presta a identificar qual o índice de vendas de mercadorias da LOJA AGROPECUÁRIA a cooperados. [...] 9.4 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO ÍNDICE DE VENDAS DE MERCADORIAS A COOPERADOS ATIVIDADE SUPERMERCADO. (Fls. 65). Considerando que quanto ao SUPERMERCADO o controle do ato cooperado se dará pelo saída, a planilha em tela tem por escopo apurar qual o índice de vendas de produtos do SUPERMERCADO a cooperados. Foram considerados os seguintes dados. [...] [...] As vendas para cooperados (linha 2) são aquelas constantes do relatório a (Fls. 676 a 712). Nas linhas 3 e 4 repetemse as informações das colunas antecedentes só que de forma cumulativa ate o mês considerado. As linhas 5 e 6 demonstram o índice de ato cooperativo, mensal e cumulativo, respectivamente. 9.5 APURAÇÃO DO RESULTADO DO ATO COOPERADO A fim de determinarmos efetivamente o resultado do ato cooperado na COOPERATIVA A1, visto que tal resultado constitui em exclusão do resultado liquido do exercício quando da apuração do Lucro Real, e considerando que a fiscalizada atua em diversas atividades cujos "graus de cooperativismo" variam de uma atividade para outra, resolvemos neste labor isolar cada uma das atividades exercidas pelo contribuinte (COMERCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS, LOJA AGROPECUÁRIA, FÁBRICA DE RAÇÃO, SUPERMERCADO, POSTO DE COMBUSTÍVEL) para, ao final, obtermos o resultado do ato cooperado de cada uma delas. Nestes Demonstrativos doravante utilizaremos as denominações constantes da NBC T 10 aprovada pela Resolução Conselho Federal de Contabilidade n° 920/01 a qual trata dos aspectos contábeis específicos das entidades Cooperativas. 9.5.1 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO RESULTADO ATO COOPERADO COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. (Fls. 67/70/73/76/79/82/85/ 88/91). Tal Demonstrativo tem por escopo a apuração do resultado do ato cooperado na atividade COMERCIALIZAÇÃO DE Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. Sendo assim, buscamos isolar as receitas, despesas e custos que fossem inerentes somente a esta atividade. As contas abaixo citadas fazem parte dos "Demonstrativos do Resultado do Exercício Analíticos", (Fls. 726 a 794, 809 a 877, 891 a 960, 969 a 999). Os "Demonstrativos do Resultado Econômico", das atividades LOJA AGROPECUÁRIA, SUPERMERCADO, POSTO DE COMBUSTÍVEL e FABRICA DE RAÇÃO, estão coligidos a (Fls. 1.023 a 1.263). 9.5.1.1 APURAÇÃO DOS INGRESSOS Do total de receitas com produtos agropecuários (linha 2), (conta 03.01.01.01.01.02) foi subtraÍda a receita da venda de ração (linha 3), (valor apurado no Demonstrativo do Resultado Econômico), visto que tal atividade será controlada a parte. [...] 9.5.1.2 APURAÇÃO DOS DISPÊNDIOS Do total das contas devolução de produtos agropecuários (03.01.01.01.02.02), imposto sobre produtos agropecuários (03.01.01.01.02.05) e custo do produto agropecuário vendido (03.01.01.02.02.01), foram subtraídos os valores referentes à atividade FABRICA DE RAÇÃO, visto que tal atividade será objeto de demonstrativo próprio. [...] 9.5.1.3 APURAÇÃO DO RESULTADO DO ATO COOPERADO (linha 43) É a diferença entre os totais de ingressos (linha 21) e dispêndios. (linha 42). 9.5.2 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO RESULTADO ATO COOPERADO FÁBRICA DE RAÇÃO, (Fls. 68/71/74/77/80/83/86/89/92), LOJA AGROPECUÁRIA (Fls. 69/72/75/78/81/84/87/90/93), e SUPERMERCADO, (Fls. 68/71/74/77/80/83/86/89/92). Como já mencionado alhures, o ato cooperado nestas atividades é controlado pela saída, ou seja, conforme as vendas para cooperados e não cooperados. A apuração do índice de ato cooperado nestas atividades foi objeto de explanação nos itens 9.2, 9.3 e 9.4 deste relatório. Para fins de apuração do resultado do ato cooperado nestas atividades foram considerados as receitas, despesas e custos, conforme constam dos "Demonstrativos de Resultado Econômico". (Fls. 1024 a 1093, 1095 a 1130, 1132 a 1203). [...] 9.5.3 DEMONSTRATIVO DA SOBRA OU PERDA DO EXERCÍCIO ATO COOPERADO COOPERATIVA A1. (Fls. 69/72/75/78/81/84/87/90/93) Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13982.000956/200306 Acórdão n.º 9101002.224 CSRFT1 Fl. 2.495 13 Nesta planilha são consolidados os resultados dos atos cooperativos das diversas atividades (linha 80, linha 81, linha 82, linha 83) desenvolvidas pela COOPERATIVA A1. Considerando que tais resultados representam a sobra (lucro) ou a perda (prejuízo), exclusivamente do ato cooperado, tais resultados foram somados entre si, resultando assim, (linha 84), na sobra (lucro) ou perda (prejuízo) total da COOPERATIVA A1, relativamente ao ato cooperado. Se o resultado da linha 84 for positivo, [...] [...] Sendo assim, se para fins de apuração do resultado do exercício o contribuinte em sua escrituração o fez de forma global, para bem ajustar tal procedimento ao que determina a legislação aplicável, então mister se faz a adoção das seguintes providências: a) O resultado negativo do ato cooperativo (perda) será adicionado ao Resultado do Exercício para fins de Apuração do Lucro Real. b) O resultado positivo do ato cooperativo (sobra) será excluído do Resultado do Exercício para fins de apuração do Lucro Real. [...] A simples leitura dos tópicos contidos no TVF deixa bem evidente que os débitos de IRPJ abrangidos neste debate não foram apurados no contexto de um procedimento de "verificações obrigatórias", que consistiria no mero cotejamento entre os "valores de IRPJ" constantes da escrituração e os "valores de IRPJ" declarados pela contribuinte. Não há como sustentar que a menção às "verificações obrigatórias" no MPF produziu o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte em relação a aspectos da "apuração" do IRPJ que vão muito além daquele tipo de procedimento fiscal. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720587/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/198 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado que os rendimentos decorrem de proventos de aposentadoria, bem como ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/198 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 05 87 /2 01 3- 18 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720587/201318 Acórdão n.º 2402005.204 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 04/08, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2010, anocalendário de 2009, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 38/41), reproduzido a seguir: “Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte em epígrafe, referente ao anocalendário de 2009, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 04 a 08, como resultado de DIRPF/2010 retificadora, que resultou redução de imposto a restituir já restituído de R$ 1.821,79. A Notificação de Lançamento é resultado de Declaração de Ajuste Anual Retificadora, que tinha por objetivo obter o reconhecimento de seu direito à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de pensão, por ser portador de moléstia grave. O contribuinte tomando conhecimento do lançamento apresenta impugnação de fls. 02 e 03, alegando, resumidamente, que é pensionista e portadora de moléstia grave, fazendo jus, portanto, à isenção de imposto de renda.” A decisão de primeira instância (fls. 54/58) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 21/02/2014 (fls. 59/60), o interessado interpôs, em 21/03/2014, o recurso de fls. 67/70. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os rendimentos percebidos da aposentadoria são isentos do imposto de renda em razão de ser portador de neoplasia maligna do cólon. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720587/201318 Acórdão n.º 2402005.204 S2C4T2 Fl. 4 5 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei 9.250/1995). Nos termos da peça recursal, a controvérsia cingese apenas à comprovação de ser o Recorrente portador de moléstia grave, no caso em tela neoplasia maligna de cólon, assim definida nos termos da lei. O Recorrente carreou ao recurso ora examinado documentos que apontam ser portador de neoplasia maligna de cólon (CID C18.7), desde de 07/11/2008, conforme laudo oficial do Ministério da Defesa – Exército Brasileiro e do Hospital Geral de Juiz de Fora/MG (fls. 71/72). O lançamento fiscal referese ao anocalendário 2009 (ano de ocorrência do fato gerador), período posterior ao reconhecimento da moléstia grave. No mesmo caminhar, a fonte pagadora informa que os rendimentos brutos decorrem de proventos de aposentadoria (fls. 16/17). Por sua vez, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, devendo ser excluídos os valores apurados pelo Fisco. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 12448.728441/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 28.823,81.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Recurso Voluntário Provido.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 28.823,81. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 84 41 /2 01 1- 61 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.728441/201161 Acórdão n.º 2202003.401 S2C2T2 Fl. 92 2 Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 38 e ss.), complementandoo ao final: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2009, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 4 a 8, em que foi apurada dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 28.823,81. Em função dessa alteração, foi apurado imposto suplementar de R$ 5.226,45, acrescido de multa de ofício e juros de mora, perfazendo o crédito total de R$ 9.729,02. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 4 a 8 em 18/05/2011 (fl. 44), o Contribuinte, por intermédio de sua procuradora (fls. 9 a 17) apresentou a impugnação de fls. 2 e 3 em 16/06/2011, apresentando os documentos comprobatórios de fls. 18 a 21. Foi solicitada prioridade no julgamento em função de o Contribuinte alegar possuir moléstia grave, nos termos da documentação de fls. 29 a 36. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a Autoridade Julgadora de 1ª instância considerou improcedente a impugnação apresentada porque, em resumo, os demonstrativos e declarações de reembolso de despesas médicohospitalares de fls. 18 a 21 não identificam os beneficiários dos atendimentos discriminados, não sendo possível determinar se correspondem a despesas com tratamento do próprio Interessado ou de outros beneficiários do plano de saúde. Ressaltou ainda que o Contribuinte não declarou dependentes para fins de imposto de renda, só podendo, em função disso, abater despesas médicas com seu próprio tratamento. Concluiu que não sendo possível precisar se as despesas médicas relacionadas correspondem a pagamentos para o tratamento do próprio Contribuinte, confirmavase a glosa. Cientificada dessa decisão em 25/03/2014 (AR na folha 47), a viúva Maria Alice Galdeano de Albuquerque Mello (fl. 16), representando o marido falecido em 12/04/2013 (fl. 56) apresentou recurso voluntário em 17/04/2014 (protocolo na fl. 52). Em sede de recurso, diz que todas as despesas estavam registradas em nome de seu marido e que todos os recibos foram regularmente apresentados à fiscalização, cujos valores correspondem aos valores dos demonstrativos do plano de saúde. PEDE que a documentação seja revista e acatada, cancelandose a exigência fiscal. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.728441/201161 Acórdão n.º 2202003.401 S2C2T2 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado. Não localizo nos autos que a viúva tenha sido designada formalmente inventariante. Observo no texto de seu recurso, aliás, que apesar de se qualificar como "inventariante" ela diz que o falecido não deixou nenhum bem a inventariar. Entretanto, considerando as certidões de casamento e óbito que constam dos autos e dentro da formalidade mitigada do processo administrativo, considerando ainda a documentação apresentada e a solução de mérito a ser adotada, entendo que deva ser conhecido o recurso, observando os ensinamentos de Hely Lopes Meirelles: "... o princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formar rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular. Bastam as formalidades estritamente necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental. Garrido Falla lembra, com oportunidade, que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que por defeito de forma não se rejeitem atos de defesa e recursos mal qualificados."( Meirelles, Hely Lopes – Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros Editores, 20ª edição, pág. 754) O contribuinte teve sua declaração revista pela autoridade competente sendo lhe exigida a comprovação de despesas médicas declaradas, que foram em parte glosadas sob o motivo de não ser possível identificar o beneficiários dos serviços. No caso particular, o contribuinte tinha um plano de saúde Bradesco, que lhe ressarcia as despesas médicas após o pagamento e apresentação dos recibos/notas, conforme demonstrativos anexados a estes autos. Ocorre que tal plano de saúde tinha não só o contribuinte, mas também outros dois beneficiários e, analisando o demonstrativo de ressarcimento e os recibos, a Autoridade Fiscal concluiu que em alguns não era possível identificar o paciente efetivo. Ao motivar a manutenção da glosa, a DRJ disse que declarações de reembolso de despesas médicohospitalares de fls. 18 a 21 não identificam os beneficiários dos atendimentos discriminados. Entretanto, observando os documentos, divirjo de seu entendimento. Podese observar nas folhas 18 e 20, nos campos "segurado", "paciente" e "beneficiário" o nome de EDUARDO MELLO. Não bastante, os documentos acostados às folhas 63 a 83 comprovam que o mesmo contribuinte enfrentou sérios problemas de saúde, no ano em questão, sendo internado em diversos períodos, o que justifica sua elevada despesa com médicos e afins. Conferese, nessas folhas, recibos das despesas médicas que correspondem à listagem do plano de saúde, que as ressarciu parcialmente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.728441/201161 Acórdão n.º 2202003.401 S2C2T2 Fl. 94 4 Por fim, todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Na Notificação de Lançamento (fl. 06), o motivo da glosa fora apenas que não era possível identificar o beneficiário dos serviços médicos. Se o problema é a falta de indicação do beneficiário do tratamento, citese a Solução de Consulta Interna (SCI) da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 23, de 30 de agosto de 2013: Solução de Consulta Interna nº 23 Cosit Data 30 de agosto de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.(sublinhei) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas glosadas pela Notificação de Lançamento, no valor de R$ 28.823,81. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.003523/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas específicas de tributação, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
SÚMULA CARF Nº 38. DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva (suplente convocado), Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. ÔNUS DA PROVA. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas de tributação, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. SÚMULA CARF Nº 38. DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 23 /2 00 9- 82 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 176 2 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva (suplente convocado), Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 177 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário, interposto por LUIS DUILIO DE OLIVEIRA MARTINS, em face do acórdão nº 1749.318, proferido pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2, na sessão de 22 de março de 2011, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. 2. A decisão acima citada reportase ao lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 73/77, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 108.873,68. 3. Em procedimento fiscalizatório apurouse que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 68/72. 4. Cientificado do lançamento, o contribuinte, em 01/10/2009, apresentou Impugnação, onde além de outros pontos, alegou, em síntese, que "A fiscalização não se cuidou de demonstrar a origem dos valores por terceiros, mesmo após a indicação do impugnante de tais ocorrências e que não houve renda, pois os valores que circularam na conta corrente pertence a outros contribuintes (clientes, esposa e sogra)." 5. A 11ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2 ao analisar a impugnação (fls. 81/100), por unanimidade de votos, decidiu por julgála parcialmente procedente, haja vista que o contribuinte comprovou apenas parte das origens dos depósitos feitos em sua conta bancária. 6. Devidamente cientificado da decisão a quo, em 17/02/2012 (fl. 150), para demonstrar seu inconformismo com o decidido pela autoridade de origem, o recorrente interpôs recurso voluntário, em 13/03/2012 (fls. 151/167), onde, em síntese, argumenta que: a) "no dia 08.02.2012, no julgamento em 1ª. Instância administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a autoridade fazendária CANCELOU PARTE DO SEU LANÇAMENTO, efetuando em seu lugar novo lançamento fiscal, (...) sobre um fato gerador ocorrido no exercício de 2005", e assim entende como tendo sido alcançado pela decadência a exigência do crédito tributária; b) a autoridade julgadora não reconheceu os elementos de prova de que as referidas contas bancárias do recorrente eram compartilhadas a sua utilização pela sua esposa (Sandra Andrea Smith), sogra (Gradeia Nelida Comastrí de Smith) e seus clientes, considerando que o recorrente é advogado trabalhista, não sendo exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 que a comprovação seja feita de forma individualizada; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 178 4 c) os créditos bancários, considerados como omitidos, derivam de disponibilidade econômica e financeira de terceiros devidamente comprovada, o que compete à autoridade fiscal conferirlhe o tratamento tributário individualizado aos terceiros envolvidos, sob pena de erro na identificação do sujeito passivo e na apuração da matéria tributável, conducentes à nulidade do lançamento fiscal; d) comprovada a origem dos valores (Declarações juntadas às fIs. 107 e seguintes, compete ao Fisco investigar se na origem desses valores foram efetivamente tributados e exigir o imposto correspondente da Sra Sandra e Sra Gracielda que os receberam, tendo em vista a natureza subsidiária do artigo 42 da Lei n. 9.430/1996; e) o lançamento é nulo porque o imposto foi apurado, equivocadamente, considerando os depósitos bancários de todo o exercício de 2005, de forma cumulativa, gerando a aplicação da alíquota de 27,5%, conforme Tabela progressiva, e não a alíquota correspondente ao valor mensal depositado, sem observar a diferença de alíquotas, conforme critérios previstos no §4º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96; f) o lançamento é nulo porque a fiscalização se serviu de um mecanismo que já não possui suporte de validade jurídica, e nem possuía na época da Fiscalização que daria condição de tributar o contribuinte por meio de informações bancárias advindas da incidência de CPMF; g) não é possível cumularse a cobrança de multa e de juros moratórios, porque ofende o parágrafo 3°, do art 192 da Carta Magna, e, se constitui bis in idem, totalmente defeso constitucionalmente. h) por fim, que se declare a insubsistência do lançamento. 7. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 179 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. PRELIMINARES 2. O caso em questão cuida de autuação fiscal lavrada para a exigência do imposto sobre a renda da pessoa física, relativamente ao anocalendário de 2005, decorrente de omissão de rendimentos, representados por depósitos bancários, cujas origens não foram comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte. 3. Preliminarmente, o recorrente pugna pela incidência da decadência para os valores exigidos, em relação a todo o período do lançamento, argumentando para tanto que no dia 08.02.2012, no julgamento em 1ª. Instância administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a autoridade fazendária CANCELOU PARTE DO SEU LANÇAMENTO, efetuando em seu lugar novo lançamento fiscal, (...) sobre um fato gerador ocorrido no exercício de 2005". 4. Equivocadamente, o que pretende o contribuinte é a inexigibilidade do tributo em face da extinção do direito da Fazenda Pública em efetuar o lançamento do tributo devido e não pago, tendo 08/02/2012 como data do respectivo ato administrativo, ou seja a data em que o autuado tomou conhecimento do resultado de sua impugnação em primeira instância. 5. Feitas essas observações iniciais, cabe destacar que não procede à alegação de que no julgamento de primeira instância teria ocorrido, mesmo que parcialmente, o cancelamento do lançamento original (fls. 73/77) e em seu lugar, tendo a autoridade administrativa julgadora feito novo lançamento, como quer deixar transparecer o recorrente, o que passo a analisar na sequência. 6. Vejase que o lançamento, dentre outros procedimentos a serem observados pelo agente administrativo competente, ele é feito com observância ao que estabelece o art. 142 do CTN, in verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 180 6 7. Do regulado pelo CTN, chamo atenção para o disposto no parágrafo único, que deixa cristalino no sentido de que a atividade administrativa aplicável e necessária ao lançamento é plenamente vinculada. Sem maiores especulações doutrinárias, se justifica tal vinculação porque a Administração Pública, no exercício de suas funções, age através de atividades discricionárias e atividades vinculadas. Resumidamente, na primeira utilizase a administração de parcela de seu poder político, enquanto nas atividades vinculadas age dentro dos limites em que a lei estabeleça. É a lei que vai fixar os motivos e o modo de agir. 8. Dentro do contexto a quem compete o lançamento, com fulcro no art. 142 anteriormente transcrito, inferese que a constituição do crédito tributário, de competência da autoridade administrativa, circunscreve a atividade tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade aplicável, atividades estas estranhas, a meu ver, a pessoa do julgador, razão pela qual não há que se falar em novo lançamento, quando do julgamento do feito, seja ela pela manutenção total ou alteração parcial do ato administrativo submetido a sua análise. 9. Sob o ponto de vista do processo administrativo fiscal, a competência para julgamento em primeira e segunda instância estão previstas no art. 25 do Dec. nº 70235/72 que assim dispõe: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial 10. Adicionalmente, registro que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento tem competência para julgar processos administrativos nos quais tenham sido instaurado, tempestivamente, o contraditório, de forma que, a estas, sob pena de nulidade do ato, não cabe usurparem a atividade de lançamento, não podendo o julgador fazer as vezes de lançador ou vice versa, salvo quando a lei assim autorizar. 11. No presente caso, na época em que foi proferida a decisão a quo vigia a regra de que a apreciação do processo administrativo era oportunamente feita por órgãos de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 181 7 natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal, significando com isto que os julgamentos eram realizados em turma formada por mais de uma pessoa, as quais, embora se tratam exclusivamente de auditores fiscais, regimentalmente, quando investidas na função de julgador lhes cabia, em síntese, o exame e decisão do contencioso a eles submetido, atividade esta que lhe é reservada, inclusive, nos termos da alínea "b", do inciso I, do art. 6º da Lei nº 10.593/2002 que dispõe sobre a carreira de Auditoria da Receita Federal ARF, verbbis: "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) (...). b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência)" 12. Do dispositivo anteriormente transcrito entendo que no caso em análise, das atividades de julgamento até então realizadas repercutiu tãosomente na base do imposto exigido, mantendo intacto os motivos e fundamentos do lançamento, não tendo ocorrido seu refazimento. Nem poderia ser diferente disto, pois, sob o ângulo da formação e validade do ato administrativo, importante frisar que são elementos do atofato administrativo os fatos jurídicos protocolares que influem positivamente em sua conformação jurídica: (i) o agente público competente, (ii) o motivo do ato, (iii) o procedimento previsto normativamente e (iv) a publicidade. Sob esse aspecto, por exemplo, não teria o julgador competência para fazer um novo lançamento. 13. Apenas para argumentar e por entender como importante para o aclaramento deste ponto, observo que o lançamento feito pela autoridade competente e objeto de impugnação em primeira instância administrativa instaurase a fase litigiosa do procedimento, cabendo ao julgador não a função de lançar e sim de apreciar as razões da resistência do contribuinte, podendo ou não acolher total, ou em parte, as argumentações com vistas às provas e os fundamentos apresentados. Isto visto de outra forma significa dizer que da apreciação do feito pelo julgador a quo poderá resultar na extinção total ou em parte do crédito tributário exigido, sem que com isto implique, em regra, num novo lançamento pela autoridade lançadora. 14. Feitas essas abordagens com relação ao lançamento, reiterese o recorrente argumenta que, tendo sido feito um novo lançamento fiscal, em 08/02/2012, considerando que os fatos geradores ocorreram nas datas dos depósitos bancários feitos em 2005, o direito da Fazenda Pública lançar encontrase fulminado pela decadência. 15. Ocorre que, tal afirmativa não se sustenta, primeiro porque não houve um novo lançamento, conforme anteriormente demonstrado, e, no caso sob análise o fato gerador do IRPF sobre os rendimentos omitidos se verificou em 31/12/2005, como pode ser visto a seguir. 16. No que tange o momento de ocorrência do fato gerador do IRPF, a sua forma complexa de apuração e como regra geral para fixação de seu aspecto temporal, é ponto Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 182 8 sobre o qual já não há mais discussão, pois foi objeto da Súmula CARF nº 38, de aplicação obrigatória por este colegiado, verbis: "O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. 17. No que se refere à decadência e o critério de contagem do termo inicial, está assente na doutrina e na jurisprudência do STJ que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorrer, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Ou seja, conforme decidiu a referida Corte Judicial, no RESp 973.733 SC, em julgado de 12/08/2009 que teve como Relator o Min. Luiz Fux, extraise que a regra do art. 150, § 4º, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. 18. Assim, do até aqui apontado, entendo que no presente caso da decisão a quo não resultou o cancelamento do lançamento inicialmente feito pela autoridade administrativa, com a consequente feitura de um novo lançamento, em 08/12/2012, razão pela qual não há que se falar em extinção do crédito tributário do IRPF, relativo ao ano calendário 2005, e, por isto, neste ponto, afasto a pretensão do recorrente. MÉRITO DA TITULARIDADE DAS CONTAS E COMPROVAÇÃO DAS ORIGENS DOS RECURSOS REFERENTES AOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS 19. O recorrente, assim com fez na impugnação, insiste que a autoridade julgadora a quo não acolheu as provas então ofertadas quanto às origens dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, não levando em conta os argumentos de que tais eram utilizadas por sua esposa (Sandra Andrea Smith) e sua sogra (Graciela Nelida Comastrí de Smith), bem como era utilizada para ali transitar valores pertencentes a seus clientes tomadores de serviços de advocacia, considerando que o recorrente é advogado trabalhista, e, por esses motivos não é necessário que a comprovação dos depósito seja feita de forma individualizada, não se aplicando o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. 20. No caso, as pessoas que movimentaram as contas bancárias, cujos depósitos foram entendidos como sendo omissão de rendimento do contribuinte, não são titulares ou parte no contrato de contas depósitos firmados com as instituições mencionadas nos autos, cabendo único e exclusivamente ao autuada, na forma como determina o art. 42 da Lei nº 9.430/96, comprovar com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos alí depositados, verbis: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 183 9 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." 21. O dispositivo anteriormente transcrito, deixa claro que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 22. Referida norma presuntiva tratase de uma presunção iuris tantum, o que significa dizer que ela pode ser contraditada pelo contribuinte, bastando comprovar a origem dos recursos e a eventual tributação pretérita, se for o caso. 23. Para este relator, no caso em análise, com vistas ao alcance do pretendido pelo recorrente, ou seja em ver comprovada a origem dos recursos omitidos como sendo não só de terceiros mas também a causa que lhe deram o recebimento, teria que ter ele apresentado documento hábil e idônea, assim considerado aquele que não seja por ele mesmo produzido e suficiente para a comprovação da origem e causa do pagamento feito ao verdadeiro titular dos recursos documento pertinente fato originário que gerou a obrigação de pagar, por exemplo. 24. Explicando melhor essa afirmativa e apenas para compreensão do que viria a ser documentação hábil e idônea, citese como exemplo o depósito bancário em que se alegue a venda de um veículo. Nesse caso não bastaria a declaração do comprador dizendo que o mesmo fez um depósito na conta do autuado e que o ato decorre de compra e venda de um veículo. Nessa mesma situação, em matéria de prova aceitável, seria diferente quando se junte na hipótese a declaração do órgão público de trânsito (DETRAN) atestando a realização da operação ou cópia válida do documento que comprove a transferência de propriedade (DUT) desse mesmo veículo. 25. Entende o recorrente que comprovou a origem dos valores depositados e considerados rendimentos omissos, conforme, segundo ele, as declarações juntadas às fIs. 107 e seguintes, e, face dessas comprovações seria de competência do Fisco investigar se na origem desses valores foram efetivamente tributados e exigir o imposto correspondente da Sra Sandra e Sra Gracielda que os receberam, tendo em vista a natureza subsidiária do artigo 42 da Lei n. 9.430/1996. 26. Ocorre que, reiterese, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, em realidade introduziu no Sistema Jurídico regra presuntiva que pode ser contraditada pelo contribuinte, e, por se tratar de presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Assim, nesse ponto, razão não tem o recorrente de que tais comprovações ficaria a cargo do Fisco. 27. No presente caso, em relação aos depósitos feitos por sua esposa e sogra, o recorrente limitouse a juntar declarações por elas firmadas de que fizeram uso das contas de depósitos do contribuinte, insuficientes, portanto, para que se diga que tais valores não tem origem em rendimentos omitidos pelo contribuinte. 28. Assim, não só em relação a esses depósitos feitos pela esposa e sogra do recorrente, mas também no que tange aos demais depósitos que não foram adequadamente Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 184 10 comprovados as suas origens, estou em linha com o decidido pelo julgador de primeira instância, e, por com ele concordar, transcrevo parte do voto oportunamente exarado: "(...) Quanto ao documento de fls. 107, este é apenas uma declaração de Graciela Nelida Comastri de Smith, que utilizou as contas correntes em nome do contribuinte junto as instituições bancárias Bradesco e Unibanco para circulação de valores, entretanto não traz comprovação nenhuma que efetuou depósitos bancários na conta do contribuinte, apenas alegou. Portanto, as alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Acrescente se que, conforme preceitua o art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos que fundamentem os argumentos de defesa. Portanto, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Quanto aos documentos trazidos na defesa de fls. 108 a 118 destaco a cópia do depósito judicial trabalhista, fls. 114, efetuado na conta judicial do Banco do Brasil, agência 42088, no valor de R$ 82.890,96, em 21/11/2005, onde se ressalta que o valor será acrescido de juros e correção monetária. Confrontando com a cópia do extrato bancário da conta corrente 00726613, agência 14354 pertencente ao contribuinte, constatase um depósito via TED, em 01/12/2005, originário do Banco do Brasil no valor de R$ 83.887,85, o qual inferese com a mudança do mês foi atualizado com juros e correção, conforme consta expresso no documento. Corroborando a minha convicção de que este depósito efetuado e levantado pela fiscalização tratase de um depósito judicial trabalhista, o contribuinte trouxe a cópia do recibo de pagamento e a cópia do cheque no valor de R$ 66.855,45, fls. 115 a 118, emitidos da conta do contribuinte para o pagamento do mesmo autor da reclamação trabalhista, portanto o contribuinte fez prova da origem do depósito no valor de R$ 83.887,85. Quanto aos documentos as fls. 108 a 112, verificase que trata de uma reclamação trabalhista a qual envolveu valores depositados na conta do contribuinte no montante de R$ 8.990,65 em 13/06/2005 e um pagamento para a autora da reclamação no valor de R$ 6.259,29 em 15/06/2005, portanto o contribuinte comprovou o depósito bancário no valor de R$ 8.990,65. Em resumo o contribuinte fez prova de um montante de depósitos bancários de R$ 92.878,50." Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 185 11 29. Desta feita, nenhum reparo merece quanto à manutenção parcial do valor do lançado pela autoridade administrativa, haja vista que apenas parte dos valores depositados em conta de titularidade do recorrente teve suas origens comprovadas para fins fiscais. DA ALÍQUOTA APLICADA 30. Argumenta o recorrente que o imposto foi apurado, equivocadamente, considerando os depósitos bancários de todo o exercício de 2005, de forma cumulativa, gerando a aplicação da alíquota de 27,5% conforme Tabela progressiva, e não a alíquota correspondente ao valor mensal depositado, sem observar a diferença de alíquotas, conforme critérios previstos no §4º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96; 31. Como já apontado anteriormente, no item 16 do voto, para o efeito de apuração do IRPF, considerase como ocorrido o fato gerador da exação em 31 de dezembro de cada anocalendário, regra consolidada na Súmula CARF nº 38, de observação obrigatória pelos conselheiros desta Corte Administrativa. 32. Vejase que, como regra geral verificase que o IRPF tem sua apuração em 31 de dezembro do anocalendário, por conseguinte, no caso em análise, o contribuinte tem 31/12/2005 como a data estabelecida na legislação para apuração do imposto por ele naquele período devido porque é nesse data em que se verifica a hipótese de incidência da referida exação. 33. Dito isto, inferese como correta a aplicação da alíquota do IRPF aplicada pela autoridade administrativa lançadora, razão pela qual deixo de acolher a pretensão do recorrente para que seja o imposto calculado, com observância da tabela mensal. DA AUSÊNCIA DE SUPORTE PARA VALIDAÇÃO DA AUTUAÇÃO POR TER UTILIZADO DADOS DA CPMF 34. O recorrente advoga como sendo o lançamento nulo porque a fiscalização se serviu de um mecanismo que já não possui suporte de validade jurídica, e nem possuía na época da Fiscalização que daria condição de tributar o contribuinte por meio de informações bancárias advindas da incidência de CPMF. 35. Essa alegação não subsiste nem deve ser acolhida. Isto porque independentemente de estar ou não em vigor as normas relativas a CPMF, as informações correspondentes aos rendimentos omitidos, quais sejam: os depósitos sem comprovação de origem, constam de extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, conforme ja consignado na decisão proferida em primeira instância, cujo trecho constante às fls. 141 transcrevo: " (...). Quanto a alegação do contribuinte que o levantamento foi efetuado numa presunção de renda e que não poderia se valer do mecanismo da CPMF para o levantamento, estas alegações não prosperam, por dois motivos: O primeiro, que em 23/07/2008 o contribuinte entregou para a fiscalização conforme o protocolo, fls. 10 a 12 os extratos bancários da c/c 72661, ag. 01435 Banco Bradesco e o extrato Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 186 12 da c/c 1088582, ag. 463 Unibanco, e que a partir destes foram levantados os depósitos não comprovados. Segundo, o lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento legal o artigo 42 da lei 9.430 de 1996. Tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos." 36. Ainda, em relação ao uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, inclusive com aplicação retroativa das normas pertinentes, observo que esta Corte Administrativa, por meio da Súmula CARF nº 35, assim pacifica: Súmula CARF nº 35: "O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente". 37. Isto posto, rejeito as alegações do recorrente no sentido de que seria nulo o lançamento pelo fato de ter se utilizado de informações bancárias advindas da incidência de CPMF, quando, na verdade, tais informações constam em extratos fornecidos pelo próprio contribuinte. DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS MORATÓRIOS CUMULATIVAMENTE 38. O recorrente também se insurge contra a cobrança cumulativa da multa e de juros moratórios, porque, segundo ele, ofende o parágrafo 3°, do art 192 da Carta Magna, e, se constitui bis in idem, totalmente defeso constitucionalmente. 39. No entanto, no caso do inadimplemento da obrigação tributária haverá incidência de juros e multa moratória, conforme estabelece a legislação. Ou seja, verificada a inadimplência, exigese a multa de ofício, a qual é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, não podendo o agente administrativo deixar aplicála. No que tange aos juros, este também deve ser exigido, tendo sido inclusive objeto da Súmula CARF 4, de observação obrigatória por todos os conselheiros desta Corte Administrativa, verbis: "SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. 40. Ainda, tendo em vista que a cobrança de multa e juros moratórios decorrem de lei, não cabe a este conselheiro afastálas porque equivaleria dizer que não valeriam constitucionalmente os textos normativos que lhes dão sustentação, sendo que a análise de suas validades encontrase vedada, conforme já sumulado por meio da Súmula CARF nº 2 que dispõe: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 19515.003523/200982 Acórdão n.º 2402005.308 S2C4T2 Fl. 187 13 "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 41. Assim, neste ponto, não tem razão o contribuinte porque as exigibilidades de juros e multa moratória decorrem de lei, a qual só o Poder Judiciário poderá apreciar se ela ofende ou não o parágrafo 3°, do art 192 da Carta Magna. 42. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito negar provimento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000122/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Livia De Carli Germano e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Livia De Carli Germano e Aurora Tomazini Carvalho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Livia De Carli Germano e Aurora Tomazini Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 12 2/ 20 09 -4 8 Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 10341035: Relatório Tratase de “Pedido de Restituição” de Saldo Negativo de IRPJ apurado no AC de 2002, no valor de R$ 18.679.454,31 e as DCOMP’s apresentadas mediante a utilização do crédito pleiteado. Despacho Decisório da DRF 2. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório emitido pela DRF São Paulo/SP, anexado às fls. 131 a 138 do processo, que, em síntese, assim se manifestou: 2.1 Ao analisar o crédito pleiteado pelo contribuinte, constatou que o saldo negativo alegado é resultado, basicamente, do imposto de renda retido na fonte e do imposto mensal pago por estimativa, que foram deduzidos do imposto de renda devido. 2.2. Verificando as DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras constatouse a existência de rendimentos de R$ 117.563.084,14, para um IRF no valor de R$ 23.512.616,17, correspondentes a receitas dos códigos 3426 e 6800. 2.2.1 Observando as informações da DIPJ AC 2002 apresentada pelo contribuinte à RFB, constatase que o interessado não ofereceu à tributação montante compatível com o rendimento bruto declarado pelas fontes pagadoras em DIRF. Neste contexto, calculou proporcionalmente à receita oferecida à tributação o IRF dedutível do imposto apurado no período: R$ 15.667.640,23. 2.3 Considerando o IRF acima apurado, foi recalculado o IRPJ do período, encontrandose um IRPJ a pagar no valor de R$ 12.306.886,61, valor reconhecido como restituível ou passível de compensação das DCOMP’s em análise neste processo. 2.4 O extrato do processo às fls. 141 a 146 indica que o crédito reconhecido foi suficiente para extinguir a totalidade das compensações declaradas pelo contribuinte nas DCOMPs am análise neste processo, restando ainda saldo de crédito a ser restituído em espécie. 2.4.1 Ao verificar os cadastros da RFB, constatouse a existência de débitos do contribuinte, sujeitos à compensação exoffício quando da restituição do valor reconhecido pela DRF. Intimado a manifestarse acerca do assunto, o contribuinte discorda de parte dos débitos apresentados pela DRF, concordando apenas com a compensação ex ofício de débito no valor de R$ 24,08. 3. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11/11/2009, conforme AR à fl. 148. Inconformado com o decidido pela DRF, o contribuinte apresentou em 11/12/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 188 a 191,onde, em síntese, argumenta 3.1 A compensação Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000122/200948 Resolução nº 1401000.376 S1C4T1 Fl. 4 3 efetuada e não homologada deverá permanecer com a exigibilidade suspensa até a apreciação final desta manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. 3.2 Menciona a apresentação dos comprovantes de retenção e IRF deduzido na DIPJ, nos termos do art. 943 do RIR, de 1999. Esclarece ainda que “as apropriações dos rendimentos sobre aplicações financeiras poderiam ter sido identificadas nos próprios registros contábeis, através da verificação dos livros Diário e Razão, caso a recorrente houvesse sido intimada para esclarecer os fatos, no entanto, para que a Recorrente possa demonstrar o alegado, pede vênia para juntar posteriormente planilha demonstrativa e cópias dos livros Razão e Diário, o que não faz agora por se tratarem de fatos passados há vários anos, requerendo pesquisas em arquivos antigos, o que não foi possível completar nos 30 dias de que dispúnhamos”. 3.3 Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão recorrida, além de propugnar pela juntada posterior de documentos. 4. Aos 27 de outubro de 2010 foram apresentados os documentos anexados às fls. 229 a 1031. 5 Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl. 1032). A 3ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 1033: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do PER/DCOMP o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. IRRF COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000122/200948 Resolução nº 1401000.376 S1C4T1 Fl. 5 4 Acórdão em 24/12/2013 (v. fls. 1041) e apresentou em 10/01/2014 o recurso voluntário de fls. 10981108, requerendo a anulação do Acórdão proferido pela DRJ/BHE, determinando o retorno dos autos para a realização de novo julgamento, com a efetiva análise dos documentos apresentados pela recorrente. No mérito, reiterou os argumentos de defesa apresentados na fase processual antecedente, relativos à inequívoca existência de crédito de IRRF passível de restituição. É o relatório. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000122/200948 Resolução nº 1401000.376 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, o colegiado julgador a quo indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, por dois motivos: a) a recorrente teria apresentado os documentos que comprovariam o seu direito de crédito fora do prazo, razão pela qual tais documentos não foram analisados em 1ª instância administrativa; b) a recorrente não comprovou, em sua manifestação de inconformidade, que ofereceu à tributação as receitas correspondentes às retenções na fonte relativas aos resgates de aplicação de renda fixa. No entender da recorrente, os documentos apresentados após o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade devem ser apreciados quando do julgamento administrativo, em obediência ao princípio da verdade material. Neste sentido, mencionou doutrina de James Marins, no sentido de que “a busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração Tributária, no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais”. Sobre o tema, afirmou a recorrente, fls. 1101: […] por se tratar de receita oriunda de aplicação de renda fixa, a RECORRENTE reconhece tais receitas de acordo com o regime de competência, enquanto o IRRF é declarado de acordo com o regime de caixa. Assim, é natural que as receitas declaradas na DIPJ 2003 não coincidam com o montante de IRRF desse período, já que estas foram declaradas ao longo dos exercícios anteriores (de 1998 a 2002). […]Ora, a ausência da análise das provas acostadas aos autos, em manifesta afronta ao princípio da verdade material, levou à errônea conclusão de que a RECORRENTE não teria oferecido à tributação a totalidade das receitas tributadas pelo IRRF por suas fontes pagadoras, não possuindo, assim, direito ao crédito no montante de R$ 18.679.454,31. Assim, deve ser o acórdão recorrido anulado, determinandose o retorno dos autos à DRJ para que esta proceda à devida análise dos documentos apresentados pela RECORRENTE no momento do novo julgamento. O trecho abaixo, extraído da decisão de piso (fls. 1138) demonstra que o colegiado julgador a quo efetivamente se recusou a analisar a documentação juntada aos autos após a manifestação de inconformidade (grifado): 12.1. É bom lembrar que os documentos comprobatórios da legitimidade do crédito pleiteado já deveriam estar de posse do contribuinte desde a apresentação da PER/DCOMP ao fisco; neste contexto, a manifestaçao de inconformidade tempestivamente apresentada já deveria estar acompanhada destes documentos. 13. Assim sendo, o litígio desse processo foi instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade tempestiva. Os Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000122/200948 Resolução nº 1401000.376 S1C4T1 Fl. 7 6 documentos apresentados posteriormente, quando já ultrapassados os 30 dias expressamente previstos em lei não podem ser conhecidos uma vez que em desacordo com o determinado pela legislação vigente. 14. Desta feita, não serão apreciados os documentos apresentados pelo contribuinte aos 27/10/2010. No caso específico dos autos, é muito plausível a alegação da recorrente, no sentido de que o reconhecimento das receitas de aplicações financeiras seja reconhecida pelo regime de competência e que o IRRF seja declarado pelo regime de caixa. Também é muito plausível que os documentos trazidos aos autos pela contribuinte, após a apresentação de sua manifestação de inconformidade, seja suficiente para comprovar a sua alegação acerca do oferecimento à tributação das receitas de renda fixa, ao longo dos exercícios anteriores (de 1998 a 2002). Da mesma forma, é muito plausível a justificativa da recorrente para a demora na juntada dessa documentação, apresentada por ocasião de sua manifestação de inconformidade, verbis: […] as apropriações dos rendimentos sobre aplicações financeiras poderiam ter sido identificadas nos próprios registros contábeis, através da verificação dos livros Dário e Razão, caso a recorrente houvesse sido intimada para esclarecer os fatos, no entanto, para que a Recorrente possa demonstrar o alegado, pede vênia para juntar posteriormente planilha demonstrativa e cópias dos livros Razão e Diário, o que não faz agora por se tratarem de fatos passados há vários anos, requerendo pesquisas em arquivos antigos, o que não foi possível completar nos 30 dias de que dispúnhamos. Assim sendo, considero recomendável a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade diligenciante analise todos os documentos trazidos aos autos pela contribuinte, após o prazo para manifestação de inconformidade. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, determinando que a autoridade diligenciante analise todos os documentos trazidos aos autos pela contribuinte, após o prazo para manifestação de inconformidade. Após, deve a autoridade diligenciante elaborar relatório conclusivo, dando ciência à contribuinte e facultandolhe nova manifestação, no prazo de 20 dias. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000124/2004-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas in existentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas in existentes de fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas in existentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 01 24 /2 00 4- 77 Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o COFINS do período de apuração 1° trimestre de 2004, no valor de R$ 1.165.566,31. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei)., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 418.209,83. Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000124/200477 Acórdão n.º 3401003.037 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2854DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2855DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000124/200477 Acórdão n.º 3401003.037 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 418.209,83 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.152 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.152 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2856DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2857DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000124/200477 Acórdão n.º 3401003.037 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2858DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2859DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000124/200477 Acórdão n.º 3401003.037 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2860DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2861DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000124/200477 Acórdão n.º 3401003.037 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2862DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 19515.002015/2002-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Especial do Procurador Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 9303-003.328
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Procurador Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 15 /2 00 2- 19 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto por considerar que o prazo para a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo à COFINS é de cinco anos contados a partir do fato gerador, afastando o disposto no art. 45 da Lei 8212/91. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência alegando que a decisão proferida é contrária à lei ao deixar de aplicar, no caso de não haver antecipação de pagamento, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o disposto no artigo 173 inciso I do CTN mesmo diploma legal, já que o artigo 150 parágrafo 4º do CTN aplicase aos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação quando o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento do tributo devido. Em não havendo antecipação de pagamento não se pode falar em lançamento por homologação, razão pela qual o início do prazo decadencial é aquele previsto no artigo 173 inciso I do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido exigido. É o Relatório. Voto O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 19515.002015/200219 Acórdão n.º 9303003.328 CSRFT3 Fl. 252 3 A interessada, em 09/01/2003, foi cientificada via Auto de Infração da exigência da Cofins, referente ao período de apuração janeiro de 1997 a dezembro de 1998, "em decorrência da apuração de divergência entre os valores escriturados e aqueles declarados e ou pagos" (fl. 98). O acórdão recorrido considerou decaído o lançamento no período de janeiro de 1997 a 9 de janeiro de 1998, vez que efetuado após cinco anos da data do fato gerador, em que pese não ter havido pagamento nos meses objeto do lançamento. A PGFN pugna pela aplicação do art. 173, I do CTN, ante a inexistência de pagamentos. Já o sujeito passivo baseia toda a sua argumentação na tese jurídica de aplicação do art. 150, §4º do mesmo código, indepentemente de se haver ou não pagamento. Em nenhum momento contesta a ausência de pagamento. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 4 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 19515.002015/200219 Acórdão n.º 9303003.328 CSRFT3 Fl. 253 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Como o lançamento se refere aos períodos de apuração 01/01/1997 a 31/12/1998, e o sujeito passivo foi cientificado 09/01/2003, via Auto de Infração, da exigência da Cofins, estará decaído somente o período anterior a dezembro de 1997 (janeiro de 1997 a novembro de 1997). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 6 Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso interposto pela PGFN, sem retorno, visto que o mérito já foi julgado para o restante do período não decaído. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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