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Numero do processo: 13656.900223/2010-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA.
É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA.
A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 9101-004.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 02 23 /2 01 0- 96 Fl. 371DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de PERDCOMP em 13/06/2008, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de 2006. O débito, identificado em PER/DCOMP, era de estimativa mensal quanto ao período de dezembro de 2007. A Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas homologou em parte as compensações (fls. 90). Após a apresentação de Manifestação de Inconformidade (fls. 97), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora manteve a decisão da DRF (fls. 219): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 225), ao qual a 3ª Turma Especial deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento (acórdão 1803 002.192, fls. 244). O acórdão restou assim ementado: Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 9101004.036 CSRFT1 Fl. 372 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 29/05/2014, que opôs embargos de declaração, rejeitados pela Presidente da Turma (fls. 271). Assim, os autos foram remetidos à Procuradoria em 09/07/2014, que interpôs recurso especial em 11/07/2014 (fls. 274). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à composição de saldo negativo por estimativas mensais compensadas, com processo administrativo em trâmite, apontando como paradigma os acórdão nº 1801 00.108 e 3301002.191. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura). A interpretação estampada no acórdão seria dissonante daquela que fundamentou os acórdãos nº 180100.108 (1ª Turma Especial) e 3301002.191 (3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), cujas ementas seguem, respectivamente, abaixo: (...) Conforme podemos aferir, as três decisões dizem respeito à mesma questão: o aproveitamento de estimativas para a apuração do saldo negativo pela simples declaração em DCOMP, posteriormente não homologada. No acórdão atacado, entendeuse que o contribuinte faria jus a esse aproveitamento para fins de apuração do saldo negativo apto a ser restituído/compensado; já, nos acórdãos paradigmas, o entendimento foi oposto. (...). Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II, do RICARF, e com base nas razões acima expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. Em 12/11/2015 o contribuinte foi intimado quanto ao recurso especial e despacho de admissibilidade (fls. 298), apresentando contrarrazões ao recurso em 26/11/2015 (fls. 300). Em síntese, pede não seja conhecido o recurso especial, no mérito pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. Subsidiariamente, pede o sobrestamento do processo. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF 4 Voto Preliminarmente, entendo por rejeitar a proposta de resolução suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Com efeito, o processo encontrase apto ao julgamento, sendo desnecessária a baixa suscitada. O recurso especial da Procuradoria foi fundado na divergência da interpretação com os paradigmas nº 180100.108 e 3301002.191. O contribuinte questiona o conhecimento do recurso, em síntese, porque “a Recorrente não demonstrou a divergência na de entendimentos à legislação aplicada, sequer mencionando os dispositivos legais que foram aplicados no v. acórdão recorrido.” Assim, analiso o conhecimento do recurso especial da Procuradoria. Primeiramente, consigno que a Procuradoria, em suas razões recursais, menciona dispositivos legais que entende relevantes para sustentar a reforma do acórdão recorrido. Nesse sentido, observo às fls. 282 referência aos artigos 156, II e 170, do Código Tributário Nacional, além dos artigos 73 e 74, da Lei nº 9.430/1996. Assim, cumprido o requisito regimental, razão pela qual rejeito o pedido de não conhecimento do recurso especial. Analiso, a seguir, os paradigmas que fundamentaram o recurso especial, para avaliar a similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, para conclusão a respeito do conhecimento. O acórdão 180100.108 foi analisado por este Colegiado no julgamento que resultou no acórdão nº 9101003835, do qual se extrai a ementa: Àquela ocasião, a maioria deste Colegiado entendeu por não conhecer o recurso especial da Procuradoria quanto ao citado acórdão paradigma 180100.108. Na presente oportunidade, reafirmo o entendimento manifestado à ocasião, apresentando voto para nova apreciação por esta Turma: O acórdão paradigma nº 180100.108 tem o seguinte contexto fático conforme relatório: A empresa em epígrafe interpôs, eletronicamente, Pedido de Restituição e Compensação de Tributos Federais — Per / Dcomp, conforme se verifica às fls. 01 a 07. O crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/03, relativa ao anocalendário de 2002 (apuração anual). A autoridade competente a apreciar a Per/Dcomp exarou o Despacho Decisório de fis. 77 a 80, não homologandoa, porque o referido saldo negativo espelhado na DIPJ/02, composto pelos supostos recolhimentos das estimativas mensais no ano, não restou confirmado como existente. Assim constatou aquela autoridade, da análise das DCTE — fls. 29/39: as estimativas mensais devidas à titulo de IRPJ, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março e abrilparcial estão vinculadas a outra Dcomp, relativa ao saldo negativo de 1RPJ, ano 2001, (processo n" 11020.000426/200564), cuja compensação não foi homologada, não podendo compor o saldo Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 9101004.036 CSRFT1 Fl. 373 5 negativo do ano de 2002; o valor remanescente da estimativa IRPJ relativa ao mês de abril está vinculado a processo judicial (2000..04.01.0810330) a estimativa 1RPJ de maio está paga; as demais (jun/jul/ago/set/out/nov/dez) foram vinculadas a outro processo judicial (87.0000544 4); estas compensações em DCTF, formalizadas no processo administrativo nu 11020.000037/200377, não podiam ter sido realizadas, pois o crédito estava sub judies.; os débitos (das estimativas) foram objeto de autuação fiscal formalizada no processo administrativo n° 11020.0030791200360, estando suspenso por medida judicial; os valores não podem compor o saldo negativo do 1RPJ, 2002. (grifamos) Diante desse contexto, decidiu a Turma prolatora deste acórdão paradigma (180100.108): Falta à contribuinte, no caso em tela, para ver seu direito atendido, condição sitie qua non para exercêlo. Necessariamente deveria ter aguardado a decisão definitiva dos processos administrativos nºs 11020.000037/200377 e 11020.000426/200564 para requerer qualquer medida de direito em relação aos créditos objetos destes processos. A meu ver, muito menos poderia ter informado em DCTF que os valores devidos a título de IRPJ estimados foram quitados com compensações ainda não homologadas. (...) E quanto à sorte dos demais processos administrativos, não importa para se dirimir a lide aqui proposta. Tendo resultado favorável à contribuinte, nas Dcomp não homologadas que refletem neste processo, poderá, após o reconhecimento administrativo, requerer a restituição dos créditos oportunamente ou compensálos com débitos vincendos. Sendo lhe desfavorável, não haverá prejuízo ao fisco no sentido de 'restituir' o que não foi pago, com seqüencial compensação incabível. Lembro que nos presentes autos tratamos de apresentação de PERDCOMP em 13/06/2008, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de 2006. Diante disso, decidiu o Colegiado a quo, conforme voto condutor: Constam das instruções para preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2006, exercício de 2007 (DIPJ 2007), devidamente aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 738, de 2 de maio de 2007, a seguinte orientação (destaque da transcrição): Linha 12A/16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Fl. 375DF CARF MF 6 Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Referida orientação normativa foi reiterada por meio de Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, assim ementada: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. (grifos originais) Notase que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão paradigma e recorrido. Com efeito, o acórdão paradigma nº 180100.108 trata de pedido de compensação apresentado com crédito originado por saldo negativo de 2001, tendo o contribuinte apresentado compensação das estimativas mensais de IRPJ. Nesse sentido, justificase o entendimento da Turma pela impossibilidade de reconhecimento do saldo negativo sem a homologação destas compensações. A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando da compensação na esfera federal, notadamente pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Essa distinção, inclusive, é notada na fundamentação do acórdão recorrido, acima reproduzida A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, destacandose a previsão do artigo 74, com a seguinte redação em 2001, quando apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (180100.108): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Posteriormente, houve substancial alteração deste dispositivo legal, notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis: Art. 74. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A distinção de tratamento de compensações (em 2001, para composição do saldo negativo pelo paradigma, e 2006, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 9101004.036 CSRFT1 Fl. 374 7 regramentos, tratados pela legislação federal. O acórdão paradigma desconsidera compensações em 2001 quando o regramento não atribuía efeitos de confissão de dívida relativamente às estimativas extintas por compensação , enquanto o acórdão recorrido manifestase pela confissão de dívida em 2006 e, assim, admite as estimativas no cômputo do crédito tributário (saldo negativo). O regramento é distinto e justifica a conclusão jurídica diversa adotada pelos Colegiados. Assim, concluo por não conhecer do recurso especial da Procuradoria quanto acórdão paradigma 180100.108. Passo à análise do segundo acórdão identificado como paradigma (nº 3301 002.191), que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO FINANCEIRO INDEFERIDO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. A compensação de crédito financeiro, em discussão administrativa, em outro processo, somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e liquidez do crédito financeiro naquele processo. O relatório do segundo acórdão paradigma (3301002.191) descreve os fatos então julgados: Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 25028.71510.121108.1.3.049526, às fls. 44/48, transmitida na data de 12/11/2008, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior do PIS não cumulativo, efetuado em 15/07/2005. A não homologação decorreu da inexistência do crédito financeiro declarado, tendo em vista que o valor constante do DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando saldo disponível para a compensação declarada, conforme Despacho Decisório às fls. 41, datado de 06/09/2010. (...) Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (106/124), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, que o crédito financeiro declarado decorre da indevida incidência de multa de mora, por parte da autoridade administrativa, na homologação parcial da compensação declarada na Dcomp 08853.38461.031007.1.7.041718, uma vez que não há que se falar em multa moratória naquela Fl. 377DF CARF MF 8 compensação, tendo em vista a ocorrência da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, pelo fato de ter retificado a respectiva DCTF e o valor da diferença apurada, compensado, mediante a transmissão de Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (3301002.191): A não homologação da Dcomp teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro declarado. Segundo o despacho decisório, o valor indicado no DARF foi integralmente utilizado para quitar débito do próprio PIS (6912) referente à competência de junho de 2005 e débito declarado na Dcomp nº 08853.38461.031007.1.7.041718. A recorrente alega que o crédito financeiro decorre da cobrança indevida de multa de mora sobre os débitos cuja compensação foi homologada, em parte, naquela Dcomp, acrescidos de multa de mora. Ora, a referida Dcomp foi objeto do processo administrativo nº 10680.724380/201001 que foi analisada e homologada, em parte, remanescendo um saldo devedor, no valor de R$42.513,69. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ. Contra a decisão da DRJ, interpôs recurso voluntário que já foi analisado e julgado por esta Primeira Turma Ordinária, cujos membros, por maioria de votos, lhe negaram provimento, nos termos do acórdão nº 3301002.002, datado de 21/08/2013. Também, contra este acórdão, interpôs recurso especial de divergência que se encontra pendente de julgamento neste CARF. A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp, em discussão, foi objeto do processo administrativo nº 10680.724380/201001, com decisão, em segunda instância, desfavorável à recorrente. Embora, em outros processos deste mesmo contribuinte, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 1.149.022, eu tenha reconhecido a ocorrência da denúncia espontânea, em casos semelhantes, para afastar a exigência da multa de mora sobre débitos compensados, mediante Dcomp transmitida em data anterior à da transmissão da DCTF retificadora, no presente caso, não há como aplicar tal decisão a débitos, objetos de outra Dcomp, cujo processo já foi julgado, em segunda instância, com decisão desfavorável à recorrente. No caso, de a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, a quem compete o julgamento do recurso especial de divergência interposto pela recorrente, lhe der provimento, será complementada a homologação da Dcomp e, se apurado saldo credor disponível, poderá ser Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 9101004.036 CSRFT1 Fl. 375 9 repetido/compensado, mediante a transmissão de novo Per/Dcomp. Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão O acórdão paradigma (3301002.191), portanto, trata de compensação que foi objeto de contencioso administrativo, no processo nº 10680.724380/201001. Como não está claro no acórdão acima se a compensação foi apresentada após a vigência da Lei nº 10/833, consultei o acórdão no processo 10680.724380/201001 (3301002.002), mencionado pelo acórdão paradigma e disponível no site do CARF. Extraise do acórdão 3301002.002: A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de PIS, código de receita 6912. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos meses de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006 Percebese, assim, que a compensação referida pelo segundo paradigma foi efetuada em 2006, portanto, quando vigente a Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003. Diante disso, entendo similares acórdão recorrido e paradigma nº 3301 002.002, eis que ambos tratam de reconhecimento de crédito em decorrência de compensação apresentada sob a vigente Lei nº 10.833, concluindo de forma distinta. Enquanto o acórdão recorrido reconhece saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida, o acórdão paradigma entende que “A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado” e, assim, dependeria do resultado no processo administrativo que analisasse tal declaração de compensação. Neste panorama, entendo pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria, reconhecendo a existência de divergência na interpretação da lei tributária quanto ao segundo paradigma (3301002.002). Passo ao exame do mérito. O saldo negativo de 2006 pleiteado pelo contribuinte é discutido no Processo Administrativo nº 13656.900016/201031. Este saldo negativo, por sua vez, decorre de compensação no processo 13652.000154/200591, com créditos de COFINS. Não consta dos presentes autos notícia de decisão final favorável nos citados processos. Além disso, consultando o sítio do CARF, verifico que o processo 13656.900016/201031, encontrase em tramitação, aguardando julgamento de recurso. A despeito da ausência de decisão definitiva favorável ao contribuinte no processo que discute a compensação de estimativa que originou o saldo negativo, esta deve compor o saldo, notadamente por constituir confissão de dívida. Nesse sentido, decidiu esta Turma em precedentes (v.g. acórdão 9101002.489). Fl. 379DF CARF MF 10 Recentemente, a maioria deste Colegiado reiterou o entendimento, conforme acórdão 9101003.891, do qual se transcreve a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 GLOSA DE CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Colacionase trecho do preciso voto vencedor, elaborado pelo Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, no acórdão 9101003.891: Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta à Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, a não homologação das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram a compor o saldo negativo do anobase e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização, DRJ e Turma Ordinária deste Conselho entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débitos liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. O § 2° do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/02, assim dispõe: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 9101004.036 CSRFT1 Fl. 376 11 “§ 2°A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” O texto legal é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como, aliás, não poderia deixar de ser, em face do art. 156 do CTN. Desta forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada (aquela que cumpre as formalidades legais) extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o Fisco poder desconsiderála no futuro. (...) A própria RFB, através da Coordenadoria de Tributos sobre a Renda, Patrimônio e Operações Financeiras (Cosit), editou a Solução de Consulta Interna nº 18/06, a qual determina que na hipótese de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP) relacionada a débito de estimativa mensal, o fato de tal compensação encontrarse em discussão administrativa ainda não julgada definitivamente não macula o crédito relativo ao saldo negativo apurado ao final do período base relativo a tal estimativa, conforme assim trecho destacado da ementa: “Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) Essa posição adotada pela Receita Federal corrobora o entendimento do Poder Judiciário sobre a manutenção do status de "extinção" dos débitos compensados até o julgamento definitivo do respectivo processo administrativo fiscal, nos termos dos parágrafos 2º, 9º, 10º e 11º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Além disso, não podemos esquecer que, na hipótese de despacho decisório que não homologa a compensação efetuada pelo contribuinte, temse a possibilidade de impugnação dessa decisão, o que dá início ao contencioso administrativo. Neste sentido, o art. 74 da Lei 9.430/96 prevê o direito do contribuinte Fl. 381DF CARF MF 12 de interpor, no prazo de 30 dias, manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que deixou de homologar a compensação. Caso o despacho decisório seja mantido pelo órgão julgador de primeira instância, existe, ainda, a possibilidade de interposição de Recurso Voluntário ao CARF e, posteriormente, ao CSRF (quando houver cabimento). E, conforme disposto nos §§ 7º a 10º do art. 74 da Lei 9.430/96, os recursos apresentados contra despacho decisório que não homologa a compensação têm efeito suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, III, do CTN. Assim, uma vez quitadas as estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação. (...) É certo, portanto, que não cabe a glosa do crédito referente à saldo negativo de CSLL baseada simplesmente na não homologação das compensações das estimativas do período, tendo em vista que eventual ausência de homologação de tais compensações em definitivo tem o condão de gerar a cobrança do valor indevidamente compensado em processo próprio, sem risco de dupla penalização do contribuinte. Adoto as razões dos acórdãos acima referidos, para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusão: Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902628/2015-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 28 /2 01 5- 88 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2484, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 236.273,46. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de CSLL a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902628/201588 Acórdão n.º 1301003.551 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902628/201588 Acórdão n.º 1301003.551 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13882.720010/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAÇA~O.
A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13882.720016/2015-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13882.720016/201591, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 00 10 /2 01 5- 13 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de pedido de restituição transmitido pelo contribuinte em epígrafe com vistas a reaver o valor da multa de mora incidente sobre débitos Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, objeto de declaração espontânea do contribuinte, anteriormente às atividades fiscalizatórias da Receita Federal, e compensado através de PER/DCOMP. A DRF em Taubaté indeferiu o pedido sob o argumento de ser inaplicável a denúncia espontânea quando o sujeito passivo extingue o débito confessado mediante apresentação de declaração de compensação. Cientificado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo o reconhecimento do crédito referente ao montante que afirma ter recolhido a título de multa moratória, mediante DCOMP, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e antes da entrega da DCTF retificadora, e que a compensação deveria ser equiparada ao pagamento para fins da caracterização da denúncia espontânea. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, razão pela qual o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões aduzidas inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator . O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.691, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13882.720016/2015 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº:1301003.691): Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O mérito da discussão deste processo diz respeito a dois pontos: a) a concomitância entre denúncia e quitação, para fins do art. 138 do CTN; b) os efeitos da denúncia espontânea sobre as multas de mora; c) a possibilidade da compensação ser utilizada para quitação do tributo, após a denúncia da infração; Sobre os dois primeiros pontos, friso que já me manifestei sobre eles no Processo nº 10860.901695/201567, razão pela qual reproduzo abaixo minhas considerações. O art. 138 do Código Tributário Nacional determina: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Analiticamente, verificase que o parágrafo único estabelece uma condição de impossibilidade absoluta para a denúncia espontânea: o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Essa premissa se encontra fora de discussão, no presente caso, por não haver qualquer questionamento sobre isso. Desse modo, passando ao caput, verificase que o dispositivo exige: i) a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do ii) pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Há, claramente, uma dupla exigência, devendo o contribuinte realizar ato próprio para constituir juridicamente diria Paulo de Barros Carvalho, em linguagem competente , perante a fiscalização, o crédito tributário no montante correto, acompanhado do seu pagamento integral. Não basta, portanto, que haja apenas o pagamento, ou apenas denúncia da infração através da retificação da DCTF, é preciso que ambos estejam presentes antes que se inicie qualquer procedimento fiscalizatório da infração, para que se verifiquem os efeitos do art. 138 do CTN. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 5 4 O REsp nº 1.149.022/SP, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo, analisou a hipótese em que o contribuinte, verificando a declaração e pagamento parcial do débito tributário, retifica sua DCTF e, noticiando a diferença a maior, paga concomitantemente o tributo devido. O presente caso, entretanto, traz a situação inversa: o contribuinte declarou e pagou parcialmente o tributo, e constatou que pagara a menor, recolhendo a diferença, e apenas posteriormente retificando a sua declaração. Aduz o Ministro Luís Fux que: a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. É que se o contribuinte não efetuasse a retificação, o fisco não poderia executálo sem antes proceder à constituição do crédito tributário atinente à parte não declarada, razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN No seu entender, o cerne do benefício é dispensar a fiscalização de verificar a infração e proceder o lançamento de ofício para posterior cobrança do montante recolhido a menor. Podemos afirmar, entretanto, que não há como se aplicar de forma direta o precedente mencionado à questão da concomitância da retificação e do pagamento integral, visto se tratarem de situações fáticas distintas, impedindo a adequação do precedente, cuja compreensão deve sempre se dar sob uma perspectiva analógicoproblemática, e não lógicosubsuntiva. A DRJ, ao analisar o caso, prosseguiu pela seguinte linha de raciocínio: Existe uma dissintonia entre o momento do pagamento sobre o qual a contribuinte alega possuir crédito e a datas em que o tributo foi declarado, todas elas posteriores ao pagamento. Diante dessa situação, não se poderia afirmar que o pagamento, quando efetivado, seria relativo a tributo devido, uma vez que sequer havia sido confirmado definitivamente o valor do tributo. Invocou, pois, o argumento da concomitância, com fundamento no Recurso Especial supramencionado e no Ato Declaratório PGFN 8/11, que reitera o trecho já citado anteriormente. Pois bem, parecenos equivocado o entendimento perfilhado pela instância a quo, o qual impacta necessariamente na inteligência do art. 138 do CTN. Em primeiro lugar, é preciso consignar o CTN estabelece uma distinção entre a obrigação tributária e o crédito tributário, ao dispor, em seus arts. 113, §1º e 139, verbis: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O vínculo entre o Estado e o Contribuinte, relativo ao pagamento do tributo, nasce da ocorrência do fato gerador, e não do lançamento. O lançamento tem efeitos constitutivos em relação ao crédito tributário, mas declaratórios em relação à obrigação decorrente do fato gerador, estabelecendo marco de exigibilidade do tributo devido, à partir de sua quantificação. Desse modo, não nos parece adequado concluir que o pagamento efetuado após a realização do fato gerador, mas antes da constituição do crédito tributário (seja pelo contribuinte, seja pela fiscalização), não seja considerado como pagamento devido. É devido, justamente pela existência de obrigação tributária cujo objeto é o seu pagamento, posto que inexigível enquanto pendente de acertamento definitivo. A denúncia a que se refere o art. 138 do CTN é o ato de retificar a declaração de tributos, constituindo o crédito tributário no valor correto. O escopo do dispositivo é premiar aquele que denuncia a infração, poupando esforços da burocracia fiscal, e paga o tributo com juros, evitando custosos procedimentos de cobrança exigese, pois, que uma vez retificado crédito, se verifique a sua extinção pelo pagamento. Nos casos em que há a retificação, mas não há o pagamento, na esteira de diversos precedentes da 1ª Seção do STJ, realmente não há que se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, pela necessidade do Fisco de perseguir a satisfação do crédito tributário. No presente caso, entretanto, em que o pagamento foi feito anteriormente à retificação, o mesmo é feito em relação à obrigação tributária existente por decorrência do fato gerador e fica na pendência de sua conferência com o crédito tributário constituído. Após a retificação da DCTF, pode a autoridade fiscal constatar se o pagamento efetuado corresponde ao crédito constituído, apurando à partir daí a correção ou não do pagamento antecipado, bem como eventual crédito sobressalente, passível de compensação ou restituição, como no presente caso. No momento da retificação, portanto, podese dizer que eram existentes, de forma concomitante, os dois elementos necessários para a configuração da denúncia espontânea, haja vista que nesta data não havia nenhum procedimento fiscalizatório em curso. Situação absolutamente distinta seria se, entre a data do pagamento e a retificação, tivesse o Fisco iniciado qualquer Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 7 6 medida de apuração da infração, hipótese em que nos parece que não caberia mais o benefício da denúncia espontânea. Configurada a ocorrência da denúncia espontânea no presente caso, cabe aplicar o REsp 1.149.022/SP no tocante à abrangência do benefício às multas moratórias, como dispõe em sua ementa: Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Nesse ponto, há similitude entre o caso decidendo e o precedente invocado, justificando a sua observância. Cabe agora enfrentar a questão da eficácia da compensação tributária, para fins de aplicação do art. 138 do CTN. O tema da possibilidade de compensar o tributo objeto de retificação das declarações do contribuinte é tormentoso no âmbito do CARF, não faltando manifestações em ambos os sentidos. No âmbito da infralegal, a Receita Federal do Brasil exarou, em 2012. a Nota Técnica Cosit nº 1/2012, reconhecendo que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia configurar denúncia espontânea. Tal entendimento pautavase no fato de a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação serem formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação tributária. Aduziu a RFB, na ocasião: 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como conseqüência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 8 7 a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; b) se o contribuinte declara o débito na DCTF, e efetua a compensação posteriormente por meio da Dcomp, a situação é semelhante à dos tributos declarados, mas pagos a destempo (subitem 9.1), requerendo, em conseqüência, o mesmo tratamento ali previsto ou seja, a incidência da multa de mora. Esse entendimento foi reformado pela Nota Técnica Cosit nº 19/2012, cujo conteúdo, além de cancelar a nota anterior, determinando que não se considera ocorrida denúncia espontânea quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de DCOMP. Tratase de um dispositivo que, desde a sua gênese, se relaciona à reparação de um mal, feita pelo próprio agente infrator. Aliomar Baleeiro já apontava, há muito, que essa disposição equiparase ao art. 13 do Código Penal Brasileiro, que estabelecia o arrependimento voluntário e eficaz do agente delitivo, imputandolhe sanção apenas pelos atos já praticados1. Mutatis mutandis, o art. 138 vem justamente estabelecer uma sanção premial para o contribuinte que, ciente de infração por ele realizada e que permanece desconhecida pela fiscalização tributária, espontaneamente comparece para satisfazer o interesse do Erário. Uma investigação histórica acerca de seu escopo é essencial para a correta compreensão do dispositivo, mormente em razão do mesmo ter sido elucidado de forma expressa nos trabalhos da comissão de elaboração do Código Tributário Nacional, sob a batuta de Rubens Gomes de Sousa, constituindo a exposição de motivos dessa lei2: Por último, o art. 174 abre exceção ao princípio da objetividade, admitindo a exclusão da responsabilidade penal nos casos de denúncia espontânea da infração e sua concomitante REPARAÇÃO. A regra, que vem do art. 289 do Anteprojeto, já é consagrada pelo direito vigente (Consolidação das Leis do Impôsto de Consumo, Decreto nº 26.149 de 1949, art. 200), rejeitada em consequência a sugestão supressiva 1.048, prejudicadas as de ns. 23, 200, 221, 379, 419 e 799 por não ter sido aproveitado o restante do citado art. 289, e ainda as de ns. 46, 49, 231 e 234 por falta de objeto, visto que objetivam exatamente o que no art. 174 se dispõe. 1 BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro, 11ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p.764. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA. Trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional. Rio de Janeiro, 1954, p.245. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 9 8 49. (A) Idem. (B) Acrescentar dispositivo novo com a seguinte redação: "Nenhuma penalidade será aplicada ao contribuinte que, em qualquer tempo, antes de instaurado o processo fiscal, apresentarse espontâneamente à Repartição fiscal competente para REGULARIZAR a sua situação para com o fisco". (C) Omissa; (D) Prejudicada3. Como se vê, o dispositivo sempre teve em vistas a reparação do dano causado pela infração, é dizer ,o atendimento ao interesse do Erário, que se encontra satisfeito através de qualquer dos meios de extinção do crédito tributário, com o suficiente adimplemento da exação. Visa, pois, a regularização do contribuinte que espontaneamente comparece à repartição para quitar o tributo devido esse é o real conteúdo normativo do art. 138 do CTN. Os principais argumentos suscitados em sentido contrário dizem respeito: i) ao fato da compensação e o pagamento serem arrolados no art. 156 do CTN como formas de extinção do crédito tributário; e ii) à circunstância do pagamento extinguir o crédito a partir do momento em que realizado, enquanto a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, a depender da homologação da compensação. Além disso, fazse referência também a recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgInt no REsp 1.568.857, em julgamento realizado em 16/05/2017. Em relação ao primeiro argumento, de que o CTN foi taxativo na distinção entre pagamento e compensação, como formas de extinção do crédito tributário, tratase de um ponto que, data vênia, é apenas parcialmente correto. Na verdade, a despeito da cientificidade empregada na elaboração do CTN, a referida distinção semântica entre os termos "pagamento" e "compensação" é utilizada (ainda sem muito rigor) apenas em uma parte específica da legislação, no Capítulo IV do Título III, correspondente ao intervalo entre os arts. 156 e 174. No restante do CTN, a expressão "pagamento" é utilizada de forma indiscriminada, como sinônimo de adimplemento. Estender a distinção do trecho apontado acima para o restante do Código implicaria em situações absolutamente canhestras e sem qualquer sentido técnico. Vejamos alguns exemplos: Art. 36. Ressalvado o disposto no artigo seguinte, o imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos no artigo anterior: I quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento de capital nela subscrito; 3 Idem, ibidem, p. 417. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 10 9 O referido artigo trata da não incidência do ITBI nos casos em que o imóvel é incorporado ao capital social de uma empresa, em subscrição de ações. O dispositivo fala em pagamento, mas a operação de alienação não é propriamente isto, mas sim uma permuta, na qual se aliena o bem imóvel, recebendo em troca o valor dele em ações/quotas no patrimônio da empresa. art. 82 (...) § 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivo cálculo. Este dispositivo se refere ao lançamento de contribuição de melhoria, determinando que no ato administrativo deverá ser informado o prazo para pagamento. Se considerada a distinção entre pagamento e os demais métodos de extinção do crédito tributário, estarseia concluindo que a única forma de se quitar dívida da referida contribuição seria através do pagamento em sentido estrito. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Novamente, o termo pagamento é utilizado no sentido de inadimplemento do tributo, abarcando todas as formas de extinção. Art. 108. (...) § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Novamente o dispositivo estabelece que a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação tributária não pode ser afastado através de um juízo de equidade. A invocação da distinção mencionada anteriormente geraria o resultado absurdo de que a equidade não poderia dispensar o pagamento do tributo, mas poderia obstar a compensação de ofício, nos casos cabíveis legalmente, o que não faz sentido. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Esse dispositivo talvez seja o mais representativo da erronia da interpretação dada pela DRJ ao art. 138 do CTN. Caso levada Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 11 10 às últimas consequências, teríamos que convir que qualquer meio de adimplemento da obrigação, que não seja o pagamento, não teria efeitos extintivos, já que o objeto da prestação seria um dar específico (pagamento). O dispositivo claramente utiliza a expressão "pagamento" no sentido de adimplemento este sim, a obrigação do contribuinte, após a realização do fato gerador. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; Novamente, a expressão é utilizada como sinônimo de "adimplemento". Caso contrário, adotando de forma extrema a distinção entre "pagamento" e "compensação", poderíamos argumentar contrario sensu que as convenções particulares relativas à responsabilidade pela compensação do tributo, ou pela dação de bens em pagamento, poderiam ser opostas à Fazenda Pública, o que é, novamente, um absurdo técnico. No art. 125, nova situação esdrúxula: teríamos que aceitar, à luz da referida distinção, que no caso de um dos coobrigados compensar ou realizar dação de bem, para extinguir o tributo que deve solidariamente, essa prestação não aproveita aos demais, que continuariam devedores da integralidade do crédito tributário. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mais uma vez: aplicada a distinção em questão, seríamos obrigados a reconhecer que nos casos de lançamento por homologação, o contribuinte não poderia compensar o tributo por ele constituído, pois a lei exigiria a antecipação de pagamento essa leitura, obviamente, contrasta com diversos outros dispositivos legais e se constitui em rotundo absurdo, haja Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 12 11 vista ser absolutamente cediça a transmissão de DCOMPs para a extinção de créditos tributários constituídos pelo próprio contribuinte. E mais, mesmo entre os arts. 157 a 164 do CTN verificamos hipóteses em que a expressão "pagamento" é utilizada no sentido de "adimplemento": Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Contrario sensu o prazo de vencimento não se aplicaria nos casos em que o contribuinte opte por adimplir a obrigação através de compensação? Mesmo no artigo 164, que versa sobre a ação de consignação em pagamento, o seu §2º chama essa medida, hipótese de extinção prevista no art. 156, VIII do CTN, de pagamento: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: § 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobrase o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Na senda percorrida pela DRJ, chegaríamos a uma situação esdrúxula: o sujeito procedeu à denúncia espontânea de infração, e ao tentar recolher o valor aos cofres públicos encontrou resistência do órgão arrecadador. Para superar a mora accipiendi, utilizase da ação de consignação em pagamento (que, na literalidade do art. 156, é meio distinto do pagamento), e deposita o valor em juízo. Julgada procedente a ação, a RFB poderia lhe cobrar a multa moratória, pois a extinção se deu através de ação de consignação, e não através de pagamento. Por fim, uma última menção que nos parece definitiva: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: O dispositivo menciona expressamente "modalidade do seu pagamento", reconhecendo que o "pagamento" aí é utilizado como gênero de modalidades de extinção do crédito tributário, e não como o pagamento em moeda corrente. Ou alguém diria que Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 13 12 o sujeito não tem direito à restituição do valor de bem imóvel dado para a extinção do tributo devido? A menção dos dispositivos é longa, mas não exaustiva, e tem a função de demonstrar que a expressão "pagamento" não é utilizada em um sentido estrito no CTN. Pelo contrário, ela é reiteradamente utilizada no sentido de "adimplemento", sentido este que é compatível com diversas formas distintas de extinção do crédito tributário, e igualmente adequado a uma leitura originalista, genética, do art. 138 do CTN, que se refere expressamente à reparação do dano, e não ao pagamento do tributo independente da forma de extinção, se por pagamento ou por compensação, o Erário será atendido. Desse modo, considerada a distinção entre pagamento e os demais meios de adimplemento do crédito tributo, o CTN seria conduzido a regras absolutamente desprovidas de lógica. Como já dissera, há muito, Carlos Maximiliano, em sua clássica obra sobre Hermenêutica Jurídica, "Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências , vá ter a conclusões inconsistentes ou impossíveis." 4 Passando ao segundo argumento, de que pagamento extinguiria o crédito instantaneamente, enquanto a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, temos que o mesmo também não procede. De pronto, a premissa assumida, de que o pagamento extingue o crédito tributário instantaneamente, se revela equivocada. Basta rememorar que no caso de pagamento por cheque, o crédito só é considerado extinto com o resgate deste pelo sacado, nos termos do art. 162, §2º do CTN, e no caso de pagamento através de estampilha, o próprio CTN frisa, no art. 162, §3º, que a inutilização dele só terá efeito extintivo após a homologação expressa ou tácita da autoridade administrativa. E mesmo em relação ao pagamento em moeda, dentro da sistemática do art. 150 do CTN, por cerca de 50 anos se considerou que o mesmo não possuía eficácia extintiva, ficando sempre condicionado à homologação do ente fiscalizador, situação esta que foi modificada apenas com o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que no exercício de uma "interpretação autêntica", cuja retroação foi rechaçada pelo Recurso Extraordinário nº 566.621, cuja ementa é expressa: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A 4 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1990, p. 166. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 14 13 LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.(RE 566.621, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, Repercussão Geral). É dizer, o precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal reconheceu expressamente que antes da LC nº 118/2005, o pagamento feito na sistemática do lançamento por homologação não tinha natureza extintiva, ficando condicionado à homologação posterior. A premissa assumida contraria diametralmente o conteúdo normativo do CTN préLC 118/2005, para estabelecer uma distinção que, originalmente, nunca existiu naquela legislação. Nessa linha, mais um absurdo: teríamos que concordar que o prazo para o pedido de restituição do tributo seria de 5 anos contados do adimplemento, no caso de pagamento em moeda corrente, mas 10 anos nos casos em que o adimplemento se deu de outro modo, retomando a "tese do cinco mais cinco" para os casos em que a extinção não tenha se dado através de pagamento em sentido estrito. Voltando os olhos à compensação, o art. 170 determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A exigência de homologação do pedido de compensação para a extinção do crédito não advém do CTN, mas de determinação expressa da legislação federal, mormente os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, e essa exigência nada mais é do que uma garantia do Erário, para evitar que o contribuinte utilize créditos inexistentes para quitar tributos devidos. Mas a forma que essa garantia é realizada não é estabelecida de forma alguma pelo CTN pelo contrário, cabe ao ente tributante regulamentála. E tampouco a exigência de garantias é um privilégio da compensação: o art. 162, §1º determina que a legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o pagamento por cheque ou vale postal. Ora, seria plenamente possível que o ente tributante criasse uma lei exigindo que os pagamentos por cheque ou vale postal ficassem sujeitos à homologação da autoridade, submetendose a regime similar ao da compensação, sem que qualquer pessoa contestasse a sua natureza de "pagamento". No sentido oposto, também seria plenamente possível (e tem se tornado uma realidade, com os fast tracks de aproveitamento de créditos) que o legislador estabelecesse um sistema de validação prévio do crédito ou do contribuinte (como nos programas de Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 15 14 discriminações positivas) que dispensasse a homologação posterior da compensação efetuada sem que qualquer pessoa ousasse defender que agora deveria se chamar "pagamento". Esse argumento se baseia no art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, que diz: Art. 74. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Caso não existisse o referido dispositivo, em lei ordinária federal, o alcance do art. 138 do CTN, que tem natureza de lei complementar e alcance de norma geral, seria ampliado por conta disso? Certamente que não. O raciocínio inverso deixa claro que o estabelecimento de condições e garantias à compensação não afeta o conteúdo das regras estabelecidas pelo CTN, especialmente aquela relativa à denúncia espontânea. Como se vê, o critério da sujeição a homologação é absolutamente frágil, não encontrando respaldo no CTN e decorrente de uma compreensão equivocada das garantias que são atribuídas ao crédito tributário. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça mencionado, temos que, de fato, há um entendimento preponderante em favor da tese encampada pela decisão a quo, no sentido de que a compensação não poderia gerar os efeitos da denúncia espontânea. Como explica Thais de Laurentiis, a ratio decidendi dos acórdãos baseiase exclusivamente no fato de a extinção do crédito tributário por meio de compensação estar sujeita à condição resolutória de sua homologação, conforme determina o art. 74, §2º da Lei nº 9.430/965, adotando a tese já suficientemente rechaçada anteriormente. Aduz essa Conselheira, no seu voto vencedor no Acórdão nº 3402003.486, que em razão do próprio conceito de compensação tributária, qual seja, sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco, até o limite que se equivalerem (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, com o único diferencial de que tal pagamento ocorre simultaneamente com a 5 LAURENTIIS, Thais de. Compensação Tributária e Denúncia Espontânea: Uma análise crítica da jurisprudência do STJ. In Estudos de direito processual e tributário e em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Placido, 2018, p.1161. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 16 15 restituição ou ressarcimento de tributos, de modo que tal encontro de contas se anulam mutuamente. Vejamos, por exemplo, o precedente firmado no REsp 1.122.131/SC, de relatoria do Min. Napoleão Nunes, no qual se reconhece que a compensação é espécie de pagamento: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9º. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9º., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2. O art. 9º. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1o. e 8o., a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4. Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 17 16 qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. 5. Ainda que não se considerasse que a compensação configura, na hipótese específica destes autos, uma modalidade de pagamento da dívida tributária, ganha relevo o fato de a compensação ter sido realizada de ofício, pois demonstra que o Fisco suprimiu até mesmo a possibilidade de o contribuinte, depois de receber o valor que lhe era devido, resolver aderir à forma favorecida de pagamento, prevista no art. 9o. da MP 303/06. 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7. Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido. (REsp 1122131/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/06/2016) E por fim, no âmbito do CARF, podese apontar pronunciamentos recentes favoráveis, no âmbito das Câmaras Superiores, ao pedido do contribuinte, a exemplo do Acórdão CSRF nº 9101003.559, julgado em Abril de 2018, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, cujo fundamento é expresso neste trecho: Nesse rumo, o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação. Isso porque a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme previsto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, informada a compensação, o crédito tributário se extingue, desde logo, exceto se o Fisco não o homologar. Ademais, o próprio CTN prevê, no art. 156, II, que a compensação extingue o crédito tributário, não havendo razão para não equiparála a pagamento. No mesmo sentido, digno de nota é o Acórdão CSRF nº 9101 003.688, de relatoria do Conselheiro Luís Flávio Neto, e julgado em Agosto de 2018, no qual aduziu: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13882.720010/201513 Acórdão n.º 1301003.693 S1C3T1 Fl. 18 17 De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. (...) Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretacã̧o ampliativa ou restritiva, mas de reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Não há que se falar, por conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN. Desse modo, verificamos que há essa orientação prevalente no âmbito da CSRF, na linha por nós aduzida. Conclusão Ante o exposto, votamos por dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à DRF para analisar o crédito pleiteado. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900810/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE.
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo relator do processo paradigma, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.900746/2008-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo relator do processo paradigma, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.900746/2008-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.900810/200801 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302003.296 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria Compensação Estimativas Recorrente Dismel Comércio e Serviços Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo relator do processo paradigma, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.900746/200851, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 08 10 /2 00 8- 01 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10580.900810/200801 Acórdão n.º 1302003.296 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte Dismel Comércio e Serviços Ltda., ora Recorrente, em face de despacho decisório que não homologou pedido de compensação administrativa, , na qual foi indicado como direito creditório pagamento a maior de estimativas de CSLL referente ao período de apuração de 02/2004. Como se depreende do voto do acórdão recorrido, "o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação de recolhimentos a maior de estimativas mensais de CSLL". Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte demonstrou que teria recolhido indevidamente crédito de CSLL, ante a apuração a menor de CSLL a pagar. A apuração do valor devido, via DIPJ, e o recolhimento foram devidamente comprovados através da documentação acostada aos autos, notadamente o DARF. Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o argumento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa deve compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição, como pretendido. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em conseqüência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Ajuste Anual. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a restituição de crédito tributário por pagamento a maior se ausentes a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, a Recorrente apresentou simples e direto Recurso Voluntário, no qual requer o reconhecimento do seu direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação apresentada. Este é o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10580.900810/200801 Acórdão n.º 1302003.296 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.293, de 12/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.900746/2008 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.293): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 26/03/2010 (fl. 39), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 26/04/2010 (fl. 40), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ. DA POSSIBILIDADE DE SE VER RESTITUÍDO OS PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR RELATIVOS ÀS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ. Como demonstrado no relatório acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pretendida pelo contribuinte, uma vez que os créditos teriam sido "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte, por sua vez, demonstrou que houve o recolhimento a maior das estimativas apuradas em DIPJ e que, por isso, estava caracterizado o indébito tributário, passível de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), contudo, inovando na análise do direito creditório invocado pelo contribuinte, fundamentou o seu voto com o argumento de que o "recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em conseqüência, Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10580.900810/200801 Acórdão n.º 1302003.296 S1C3T2 Fl. 5 4 passível de restituição e compensação é o saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Ajuste Anual". Com esse entendimento, entendeu, aquela DRJ, que a Manifestação de Inconformidade do contribuinte deveria ser julgada como improcedente. Entretanto, é fato que aquele acórdão inovou completamente na discussão, deixando de analisar o direito creditório do contribuinte, nos termos invocados pelo Despacho Decisório e que foram contrapostos, inclusive via documentação, pelo Recorrente. Assim, de ofício, reconhecese a nulidade do acórdão proferido pela DRJ de Salvador, devendo os autos retornarem à instância a quo, para nova análise do direito creditório do contribuinte e se este é passível de liquidar os débitos, nos termos do pedido de compensação apresentado. Devese ressaltar, ainda, que a douta DRJ de Salvador proferiu voto indeferindo o pleito do contribuinte, como mencionado, sob o argumento de que o crédito, para ser restituível, "deverá estar consolidado na apuração anual efetivada na declaração de rendimentos na forma de saldo negativo". Assim, como houve pedido de restituição, entendeu, aquela Delegacia de Julgamento, que o pleito do Recorrente deveria ser indeferido. Contudo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu diversos julgados em sentido diametralmente oposto ao que foi colocado no acórdão recorrido, sendo a discussão encerrada com a edição da súmula CARF nº 84, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Assim, o entendimento exarado pela DRJ não pode prevalecer, devendo o direito creditório ser analisado nos limites do que já restou consolidado pelo CARF e externado através da súmula acima citada. Por todo exposto, votase por DECLARAR A NULIDADE do acórdão proferido pela DRJ de Salvador (BA), determinandose o retorno dos autos para que a instância a quo profira novo julgamento, com a análise do direito creditório do contribuinte, com base no entendimento de que é possível, para fins de restituição e compensação, caracterizar como indébito o pagamento indevido ou a maior, pelo contribuinte, das estimativas." Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.900810/200801 Acórdão n.º 1302003.296 S1C3T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo relator do processo paradigma, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000090/2010-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Integram o salário-de-contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio-alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets).
Numero da decisão: 9202-007.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílioalimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 00 90 /2 01 0- 96 Fl. 529DF CARF MF 2 Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15868.000090/201096 37.232.0988 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 15868.000091/201031 37.232.0996 (Emp.) Obrig. Principal Parcelamento 15868.000092/201085 37.232.1003 (Seg. e C.I.) Obrig. Principal Recurso Especial 15868.000093/201020 37.232.1011 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Especial 15868.000094/201074 37.232.1020 (AI 77) Obrig. Acessória Dívida Ativa No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.232.0988, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de AuxílioAlimentação sem inscrição no PAT. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 436 a 439), integra também o lançamento a contribuição incidente sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada. Em sessão plenária de 19/06/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.617 (fls. 479 a 483), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A inconstitucionalidade de lei e de violação a princípios constitucionais são demandas cuja competência de julgamento é do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir a verba valealimentação paga em tickets aos segurados empregados." O processo foi encaminhado à PGFN em 27/07/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 484) e, em 06/08/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 485 a 495 (Despacho de Encaminhamento de fls. 496), com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a incidência das Contribuições Previdenciárias sobre a parcela correspondente a Auxílio Alimentação pago em pecúnia, em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 15868.000090/201096 Acórdão n.º 9202007.502 CSRFT2 Fl. 530 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/07/2016 (fls. 498 a 503). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: de acordo com o previsto no art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; desse modo, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, porém existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991; de fato, conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976; portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito in natura e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos do art. 3º, da Lei nº 6.321, de 1976; nesse sentido, para fins de beneficiarse da não incidência da Contribuição Previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação, aprovado pelo Ministério do Trabalho mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo Contribuinte; ademais, ainda que o Contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deve ser observado é que o auxilioalimentação seja pago in natura, de acordo com a expressa disposição do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, e 3º, da Lei nº 6.321, de 1976; verificase, portanto, que a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I; dessarte, ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212, de 1991, o que vai de encontro com a legislação tributária; assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia; Fl. 531DF CARF MF 4 caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga in natura não integra o saláriodecontribuição; convém registrar que a Lei n° 10.243, de 2001, alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica; o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes e estas estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91, conforme demonstrado; a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal: conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 11/08/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 506), o Contribuinte ofereceu, em 26/08/2016 (carimbo de fls. 508), as Contrarrazões de fls. 508 a 512, contendo os seguintes argumentos: é de se destacar que a decisão, ora guerreada, além de apresentar o entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de matéria correlata, também apresenta despacho do Ministro de Estado da Fazenda, entendendo pela não incidência da contribuição previdenciária no auxílioalimentação; o Recurso Especial da Fazenda Nacional não possui o condão de macular o julgamento em destaque, já que não se conforma com a decisão, porém não apresenta fatos novos para sua modificação; ao contrário, apresenta alguns julgados isolados, sem data de publicação, o que torna impossível comprovar se referidos entendimentos são recentes ou de datas passadas; por tudo isso, deve ser mantida a decisão que determinou a exclusão da incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílioalimentação, com a eliminação do lançamento. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15868.000090/201096 Acórdão n.º 9202007.502 CSRFT2 Fl. 531 5 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Esclareçase que o RICARF, em seu art. 67, § 9º, faculta ao Recorrente a possibilidade de substituir a juntada do inteiro teor dos julgados paradigmas pela transcrição da respectiva ementa na peça recursal. Ademais, o número dos acórdãos paradigmas, especificados nos Recursos Especiais, permite às partes a consulta do inteiro teor desses julgados, inclusive a data em que foram proferidos, disponíveis que estão no sítio do CARF na Internet. Tratase do Debcad 37.232.0988, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de auxílioalimentação sem inscrição no PAT. A matéria suscitada no Recurso Especial é a incidência das Contribuições Previdenciárias sobre a parcela correspondente a AuxílioAlimentação pago em pecúnia, em desacordo com o PAT. Sobre o tema, o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, assim dispõe: "Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela 'in natura' recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; " Ademais, o Decreto nº 05, de 1991, que regulamentou a Lei nº 6.321, de 1976, assim define o fornecimento de alimentação: "Art. 4° Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto nº 2.101, de 1996)" No presente caso, conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 436 a 439), o AuxílioAlimentação era fornecido em pecúnia, por meio de ticket, e a empresa não comprovou sua inscrição em PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. No que tange a eventuais decisões judiciais em sentido contrário, estas não vinculam o CARF. Assim, constatase que o AuxílioAlimentação ora tratado não satisfaz a nenhuma das modalidades legais que autorizariam sua exclusão do saláriodecontribuição. Fl. 533DF CARF MF 6 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento . (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003902/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/04/2008 a 31/07/2008
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando preclusa sua alegação em recurso voluntário.
REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO ART. 146 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, não constitui alteração do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, tendo em vista a existência de previsão legal e a inexistência de lançamento tributário por ocasião do despacho aduaneiro.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTUCHO DE TONER PARA MÁQUINAS EXCLUSIVAMENTE IMPRESSORAS
Os cartuchos de toner que são exclusivamente destinados a máquina apenas impressora (ou seja, que não fazem a função de copiar documentos já impressos) classificam-se no código 8443.99.29.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTUCHO DE TONER PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS (IMPRESSORAS E COPIADORAS)
Os cartuchos de toner destinados a máquinas multifuncionais (que desempenham função de impressora e copiadora) classificam-se no código 8443.99.39.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS MAGNÉTICAS. NÃO GRAVADAS. EM CARTUCHOS
As fitas magnéticas, não gravadas, em cartuchos, classificam-se no código 8523.29.29.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 3302-006.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/04/2008 a 31/07/2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando preclusa sua alegação em recurso voluntário. REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO ART. 146 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, não constitui alteração do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, tendo em vista a existência de previsão legal e a inexistência de lançamento tributário por ocasião do despacho aduaneiro. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTUCHO DE TONER PARA MÁQUINAS EXCLUSIVAMENTE IMPRESSORAS Os cartuchos de toner que são exclusivamente destinados a máquina apenas impressora (ou seja, que não fazem a função de copiar documentos já impressos) classificam-se no código 8443.99.29. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTUCHO DE TONER PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS (IMPRESSORAS E COPIADORAS) Os cartuchos de toner destinados a máquinas multifuncionais (que desempenham função de impressora e copiadora) classificam-se no código 8443.99.39. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS MAGNÉTICAS. NÃO GRAVADAS. EM CARTUCHOS As fitas magnéticas, não gravadas, em cartuchos, classificam-se no código 8523.29.29. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
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NÃO CONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando preclusa sua alegação em recurso voluntário. REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO ART. 146 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, não constitui alteração do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, tendo em vista a existência de previsão legal e a inexistência de lançamento tributário por ocasião do despacho aduaneiro. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTUCHO DE TONER PARA MÁQUINAS EXCLUSIVAMENTE IMPRESSORAS Os cartuchos de toner que são exclusivamente destinados a máquina apenas impressora (ou seja, que não fazem a função de copiar documentos já impressos) classificamse no código 8443.99.29. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARTUCHO DE TONER PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS (IMPRESSORAS E COPIADORAS) Os cartuchos de toner destinados a máquinas multifuncionais (que desempenham função de impressora e copiadora) classificamse no código 8443.99.39. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS MAGNÉTICAS. NÃO GRAVADAS. EM CARTUCHOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 39 02 /2 00 8- 35 Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 620 2 As fitas magnéticas, não gravadas, em cartuchos, classificamse no código 8523.29.29. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário referente ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, PIS/Pasep Importação. CofinsImportação e multa regulamentar, por erros de classificação fiscal de cartucho de toner, de ceras para impressão, de fitas magnéticas em cartuchos e de fitas de limpeza, apurados em revisão aduaneira de importações realizadas por AC COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA EPP (atual ASCENSUS TRADING & LOGÍSTICA LTDA) e por conta e ordem de PREMIUM MATERIAIS PARA ESCRITÓRIO LTDA no período de 28/04/2008 a 31/07/2008, conforme planilhas de efls. 215/ 323. Em impugnação, a solidária ASCENSUS alegou a impossibilidade de efetuar a revisão aduaneira por homologação expressa no desembaraço aduaneiro; refutou a reclassificação de cartucho de impressão, pugnando pelo código adotado nas DIs, ou, ao menos, a aplicação da Solução de Consulta nº 61/2007; refutou a reclassificação de cartucho para armazenamento, alegando que adotou a classificação dada pela Solução de Divergência nº 14/2007; exclusão da multa de ofício de 75%, em razão de que somente deve ser aplicada no caso de falta de pagamento ou pagamento a destempo, mas não no caso de pagamento equivocado a menor e aplicação dos ADNs nº 10/97 e 12/97, subsidirariamente, a redução da multa de 75% para 20%, por aplicação do artigo 61, §2º da Lei nº 9.430/1996. Já a solidária PREMIUM, em impugnação pugnou pela impossibilidade de se efetuar a revisão aduaneira, refutou as reclassificações de cartucho de toner, fita magnética, ceras de impressão, fitas de limpeza, bem como a exclusão da multa de ofício e da multa regulamentar por erro de classificação fiscal. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 621 3 A Segunda Turma da DRJ em Florianópolis julgou a impugnação procedente em parte, exonerando os lançamentos relativos às fitas para limpeza, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/04/2008 a 01/08/2008 REVISÃO ADUANEIRA. A Fazenda Nacional tem o direito de efetuar a revisão aduaneira no período de 5 (cinco) anos a contar do registro da Declaração de Importação. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento dos impostos na data prevista na forma da legislação de regência, objeto de lançamento fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada, a solidária ASCENSUS interpôs recurso voluntário, aduzindo as razões, a seguir, sintetizadas: 1. A impossibilidade de revisão do lançamento; 2. A ausência de prova técnica para definir se toner é espécie do gênero tinta, uma vez que o único laudo técnico acostado afirma que toner é tinta; 3. A correta classificação dos cartuchos para impressão nos códigos 8473.5035 e 8443.99.27, refutando a classificação adotada pela fiscalização; 4. A correta classificação das fitas magnéticas para processamento de dados no código 8523.29.21, por se tratar de fitas magnéticas de largura não superior a 4 mm, nos termos da Solução de Divergência COANA nº 14/2007 e não no código 8523.29.29, com descrição de "outras", adotado pela fiscalização; 5. Inaplicabilidade das multas de ofício de 75% e de 1%, por ofensa à razoabilidade e proporcionalidade, em razão da ausência de máfé, por aplicação do ADI nº 13/2002, por proibição de cumulação de penalidades sobre uma única conduta; Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 622 4 6. A exclusão das multas por aplicação do artigo 100 do CTN; 7. A redução da multa de ofício ao percentual de 20%, de acordo com o artgio 61, §2º da Lei nº 9.430/1996 e do artigo 112 do CTN. Em despacho de 06/08/2014, os autos retornaram à origem para que fosse providenciada a ciência da responsável PREMIUM MATERIAIS PARA ESCRITÓRIO LTDA, a qual ocorreu em 06/06/2018, não tendo havido a interposição de recurso voluntário. Na forma regimental, o recurso foi redistribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase que a solidária PREMIUM não apresentou recurso voluntário, de modo que o julgamento será realizado em face ao recurso voluntário interposto pela ASCENSUS. Ressaltase, ainda, que a matéria relativa à contestação da multa regulamentar de 1% por erro de classificação fiscal, prevista no artigo 84 da MP nº 2.15835/2001, não foi deduzida na impugnação apresentada pela ASCENSUS, revelandose preclusa sua alegação em sede de recurso voluntário, a teor do artigo 171 do Decreto nº 70.235/1972. Destarte, deixo de conhecer as alegações concernentes à aplicação da referida multa. Preliminarmente, a recorrente pugnou pela homologação expressa das classificações fiscais, por ocasião do desembaraço aduaneiro, a teor do artigo 150 do CTN, sendo vedada a revisão do lançamento, nos termos do artigo 149 do referido código. Alegou que a acusação é de erro de direito, o que, conforme decisão do STJ, não permite a reclassificação fiscal aduaneira. Com devido respeito aos argumentos em contrário, não compartilho com a interpretação de que o artigo 146 do CTN se aplique à revisão aduaneira. É que a condição inserta no artigo 146 implica em um prévio lançamento tributário, o que entendo não ocorrer no despacho aduaneiro. O artigo 146 dispõe que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução Os tributos recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro configuram antecipação de pagamento, na modalidade do lançamento por homologação. Entender que a 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 623 5 conferência aduaneira e o conseqüente desembaraço da mercadoria configurariam lançamento tributário implica dizer que houve homologação expressa do lançamento previsto no artigo 150 do CTN (lançamento por homologação), o que de fato não resta configurado no despacho aduaneiro. O despacho aduaneiro é um procedimento de fiscalização, previsto no regulamento aduaneiro RIPI/2002, art. 482 e no Decreto 70.235, de 1972, art. 7º, inciso III, no qual a conferência é um procedimento interno. Por outro lado, a revisão aduaneira é prevista no Decretolei nº 37, de 1966, art. 54 e no Decreto nº 4.543, de 2002, art. 570, com a finalidade de verificar a regularidade do pagamento dos tributos, a aplicação de benefícios fiscais e a exatidão das informações prestadas na Declaração de Importação. O Código Tributário Nacional imprime suporte a este procedimento em vista do disposto no art. 149, incisos I, IV e V ao tratar do lançamento de ofício: Decretolei nº 37, de 1966: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei Decreto nº 4.543, de 2002: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine ... IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 624 6 Entender que o assentimento das informações prestadas pelo contribuinte implica em homologação expressa do lançamento significa esvaziar o procedimento de revisão aduaneira e o conteúdo dos artigos 54 do Decretolei nº 37, de 1966 e o artigo 570 do Regulamento Aduaneiro, representando um contrassenso ao dinamismo que se deseja nas relações comerciais internacionais. A possibilidade da revisão aduaneira agiliza o despacho aduaneiro, permitindo o desembaraço aduaneiro pelo canal verde, na grande maioria dos casos. Admitir que o despacho aduaneiro configure lançamento é incompatível com a necessidade de incremento e dinamização do comércio exterior, pois que levaria as autoridades fiscais a proceder exames minuciosos, inviabilizando o objetivo de agilizar os processos de comércio exterior. No sentido de que a revisão aduaneira não consiste em alteração de critério jurídico, citamse precedentes do CARF e do extinto Conselho de Contribuintes: Acórdão nº 310200.798, cuja ementa transcrevo em parte: REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Acórdão 30131.524: REVISÃO ADUANEIRA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IPI. Não constitui modificação do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, a revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, tendo em vista a existência de previsão legal de revisão aduaneira. No mesmo sentido, o recente Acórdão CSRF nº 9303007.469: ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, não representa nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 625 7 desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Passo ao mérito. Reclassificação dos cartuchos para impressão A recorrente classificou tais cartuchos ora na posição 8473.50.35 e 8443.99.27, ao passo que a fiscalização os reclassificou ora para 8443.99.29, quando destinados a impressoras simples (sem a função de copiar), ora para 8443.99.39, quando destinados a multifuncionais (impressora e copiadora). No mérito, afirma que toner é uma tinta e a classificação nos referidos códigos estaria de acordo com as RGI 2. "a" e 3. "a", por ser posição mais específica em relação aos códigos 8443.99.29 "outras" e 8443.99.39 "outras", adotados pela fiscalização. Já a afirmação da autoridade fiscal de que toner não é tinta careceria de laudo pericial, uma vez que o laudo técnico apresentado às efls. 466 , que afirma ser o cartucho de toner um cartucho de tinta, além de a Solução de Consulta nº 61/2007 classificar os cartuchos de tinta para impressoras a laser coloridas, utilizado para fornecer toner, no código 8443.99.27. Adentrando ao tema, a classificação de mercadorias é efetuada pela aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGISH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2º do Decreto nº 766/1993, bem assim como das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC) e da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI), abaixo transcritas, conforme artigo 162 do Decreto nº 4.544/2002, também reproduzido nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 2.367/1998: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos 2 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 626 8 termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 627 9 b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. As posições em questão estão no capítulo 84, Seção XVI. As notas 1 e 2 da Seção XVI dispõem que: Notas. 1. A presente Seção não compreende: [...] 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 628 10 posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. A nota 1 exclui expressamente os itens que não são classificáveis na Seção XVI, cuja relação não abrange os produtos aqui classificados. Já a nota 2, "b", explicita que as partes que se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), exceto as consideradas na alínea "a", classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17. Por sua vez, a nota 3 dispõe que as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções classificamse na função principal. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 629 11 A nota explicativa das Considerações Gerais da Seção XVI VI. MÁQUINAS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS; COMBINAÇÕES DE MÁQUINAS (Nota 3 da Seção) esclarece que: Geralmente uma máquina concebida para executar várias funções diferentes classificase segundo a principal função que a caracteriza. Máquinas com funções múltiplas são, por exemplo, as máquinas ferramentas para trabalhar metais utilizando ferramentas intercambiáveis que lhes permitam executar diversas operações (por exemplo, fresagem, mandrilagem, brunição). Nos casos em que não é possível determinar a função principal e na ausência de disposições em contrário estipuladas no texto da Nota 3 da Seção XVI, aplicase a Regra Geral Interpretativa 3 c); é o que ocorre, por exemplo, a máquinas com funções múltiplas suscetíveis de se incluírem indiferentemente em várias das posições 84.25 a 84.30, em várias das posições 84.58 a 84.63 ou ainda em várias das posições 84.69 a 84.72. Existem ainda combinações de máquinas constituídas pela associação, formando um único corpo, de várias máquinas ou aparelhos de espécies diferentes, exercendo, sucessiva ou simultaneamente, funções distintas e geralmente complementares, incluídas em diferentes posições da Seção XVI. Este é o caso das máquinas impressoras que incorporem, a título acessório, uma máquina para dobragem do papel (posição 84.43); de máquinas para fabricação de caixas de cartão combinadas com uma máquina auxiliar para imprimir sobre estas dizeres ou desenhos (posição 84.41); de fornos industriais equipados de aparelhos de elevação ou movimentação (posições 84.17 ou 85.14); de máquinas de fabricar cigarros contendo dispositivos acessórios para embalar (posição 84.78). Para efeito da aplicação das disposições acima, consideramse como formando um único corpo as máquinas de espécies diferentes que se incorporem umas às outras ou montadas umas sobre as outras, bem como as máquinas montadas sobre uma base, armação ou suporte comuns, ou dispostas em um invólucro comum. Os diferentes elementos só podem ser considerados como formando um único corpo quando concebidos para serem fixados, em caráter permanente, uns aos outros, ou ao elemento comum (base, armação invólucro, etc.). Excluemse, então, os conjuntos constituídos a título provisório ou montagens que não sejam normalmente concebidas como uma combinação de máquinas. Assim, em regra, as partes destinadas exclusivamente ou principalmente para máquinas dos Capítulos 84 e 85 classificamse nas posições correspondentes às máquinas. Já as máquinas com múltiplas funções, classificam na posição de sua função principal, ou não sendo possível determinar a função principal, pela aplicase a RGI nº 3, "c", ou seja, na posição Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 630 12 situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Assim, a primeira distinção a ser feita é quanto a posição correta, se 8473 ou 8443. A fiscalização afirmou que os cartuchos de impressão são utilizados em impressoras simples e em multifuncionais (impressoras e copiadoras), o que não foi contestado pela recorrente. Transcrevemse abaixo as referidas posições para identificar as máquinas a que correspondem: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.1 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42: 8443.3 Outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si 8443.9 Partes e acessórios: 8469.00 Máquinas de escrever, exceto as impressoras da posição 84.43; máquinas de tratamento de textos. 84.70 Máquinas de calcular e máquinas de bolso que permitam gravar, reproduzir e visualizar informações, com função de cálculo incorporada; máquinas de contabilidade, máquinas de franquear, de emitir bilhetes e máquinas semelhantes, com dispositivo de cálculo incorporado; caixas registradoras. 84.71 Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições. 84.72 Outras máquinas e aparelhos de escritório (por exemplo, duplicadores hectográficos ou a estêncil, máquinas para imprimir endereços, distribuidores automáticos de papelmoeda, máquinas para selecionar, contar ou empacotar moedas, máquinas para apontar lápis, perfuradores ou grampeadores). 84.73 Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. 8473.50.35 Cartuchos de tintas Pelo texto das posições, é fácil identificar que as impressoras e impressoras/copiadoras se classificam nas posição 8443 e seus cartuchos para impressão na subposição 8443.9 partes e acessórios, descartando, de plano, o código 8473.50.35, utilizado pela recorrente, que se destina às máquinas de escrever, calculadoras, processamento de dados etc. A nota explicativa da posição 8443 confirma a classificação das máquinas na posição 8443, explicitando os tipos que correspondem às máquinas a cujos cartuchos foram destinados, especialmente as referidas nos itens A e D: II. OUTRAS IMPRESSORAS, APARELHOS DE COPIAR E APARELHOS DE TELECOPIAR (FAX), MESMO COMBINADOS ENTRE SI Este grupo abrange: A) As impressoras. Incluemse neste grupo os aparelhos para a impressão de textos, caracteres ou imagens em suportes de impressão, exceto Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 631 13 os descritos na Parte I, acima. Estes aparelhos aceitam dados de diferentes fontes (por exemplo, máquinas automáticas para processamento de dados, escâneres planos de escritório, redes). A maioria destes aparelhos incorpora uma memória para armazenar tais dados. Os produtos desta posição podem criar caracteres ou imagens por meio de laser, de jato de tinta, de uma matriz de pontos ou pelo processo de impressão térmica. Os dois tipos de impressoras mais comuns são: 1) As impressoras eletrostáticas, que utilizam um processo que envolve cargas eletrostáticas, tinta em pó (tôner) e luz. Utilizase uma fonte de luz (por exemplo, um laser ou um diodo eletroluminescente) para neutralizar as cargas elétricas em pontos específicos em uma superfície fotocondutora carregada positivamente (habitualmente um tambor) deixando uma réplica, carregada positivamente, da imagem. O toner carregado negativamente é atraído pela força eletrostática para a superfície fotocondutora, reproduzindo a imagem original. O toner é transferido por efeito eletrostático para o suporte de impressão, que tem uma carga positiva claramente mais forte do que a da superfície fotocondutora, e a imagem é depois formada no suporte de impressão por aplicação de pressão e calor. 2) As impressoras de jato de tinta. Estas máquinas depositam gotas de tinta num suporte de impressão a fim de criar uma imagem. Incluemse neste grupo as impressoras apresentadas separadamente para serem incorporadas em ou ligadas a outros produtos da Nomenclatura (por exemplo, as impressoras de bilhetes das caixas registradoras da posição 84.70). B) As máquinas de copiar. Incluemse neste grupo os aparelhos para a produção de cópias de documentos originais, tais como: 1) As copiadoras digitais, nas quais o documento original é escaneado e uma superfície fotossensível (por exemplo, um dispositivo de carga acoplada (CCD) ou uma superfície de fotodíodos) converte a imagem óptica em sinais elétricos digitais que são armazenados em uma memória. O órgão impressor opera da mesma maneira que as impressoras descritas na Parte II A) da presente Nota Explicativa, e depois utiliza os dados armazenados para produzir o número requerido de cópias. O documento original necessita de ser escaneado somente uma vez para produzir múltiplas cópias, na medida em que a representação digital da imagem está armazenada na memória. A Parte D) abaixo descreve os aparelhos deste tipo que podem ser ligados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 632 14 2) Os aparelhos de fotocópia, nos quais a imagem óptica do documento original deve ser projetada na superfície fotossensível, para cada cópia produzida. Os aparelhos mais comuns deste tipo são: a) Os aparelhos eletrostáticos de fotocópia que podem funcionar quer por reprodução direta da imagem do original sobre a cópia (processo direto), quer por reprodução da imagem do original sobre a cópia por meio de um suporte intermediário (processo indireto). No processo direto, a imagem óptica é projetada num suporte (geralmente de papel) recoberto de uma camada de óxido de zinco ou de antraceno, por exemplo, carregado de eletricidade estática. Depois de revelada por intermédio de um pó corante, a imagem é fixada no suporte por tratamento térmico. No processo indireto, a imagem óptica é projetada sobre um tambor (ou uma placa) recoberto de selênio ou de uma outra matéria semicondutora carregada de eletricidade estática; depois de revelada por intermédio de um pó corante, a imagem é transportada, sob o efeito de um campo eletrostático, para um papel comum onde é fixada por tratamento térmico. b) Os aparelhos que utilizam suportes de emulsão química, nos quais a superfície fotossensível é constituída por uma emulsão, em geral, de sais de prata ou de compostos diazóicos (neste último caso, a exposição efetuase por meio de uma luz rica em raios ultravioletas). Os processos de revelação ou de copiagem variam conforme a natureza da emulsão e o tipo de aparelho (reveladores líquidos ou secos, calor, vapor de amoníaco, técnica de transferência, etc.). Incluemse também neste grupo os aparelhos de fotocópia por contacto e os aparelhos de termocópia. C) Os telecopiadores (fax). Os telecopiadores (ou fax) servem para a transmissão ou recepção de textos ou de gráficos pela rede de telecomunicações e para a impressão de uma reprodução de textos ou de gráficos, originais. A Parte D) abaixo descreve estes aparelhos quando são capazes de efetuar a função de cópia. D) As combinações de impressoras, de copiadoras ou de telecopiadores (fax). As máquinas que desempenhem pelo menos duas das funções de impressão, de cópia ou de transmissão por telecópia denominamse normalmente máquinas multifuncionais. Estas máquinas são capazes de serem ligadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede. O critério “capazes de serem ligados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede” está definido em Nota Explicativa de subposição, abaixo. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 633 15 Corroborando a classificação na subposição 8443.99, transcrevo o trecho do Anexo Único da IN RFB nº 873/2008, que aprovou a tradução dos Pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), repetidos nas IN RFB nº 1.459/2014 e 1.747/2017: 8443.99 2. Cartuchos com ou sem toner, constituídos por cilindro de cartão, terminado em cada extremidade por dispositivo de plástico, que comporta, em uma das extremidades, um eixo para conduzir o movimento de um fio dobrado, de metal comum, e, na outra extremidade, rodas dentadas permitindo inverter o sentido da rotação desse fio. O fio, três seções do qual estão encerradas em um tubo de plástico, gira no interior do cartucho para evitar a aglomeração do toner. Os cartuchos comportam fenda longitudinal pela qual o toner pode escaparse sob a influência de uma atração eletrostática. São concebidos para serem introduzidos em máquinas fotocopiadoras e são substituídos quando vazios. 3. Cartuchos com ou sem toner, constituídos por cilindro de cartão, terminado em cada extremidade por uma peça de plástico; em uma das extremidades, a peça suporta um fio dobrado, de metal comum, e, na outra extremidade, serve para conduzir a rotação desse fio. O fio, duas seções do qual estão encerradas em um tubo de plástico, gira no interior do cartucho para evitar a aglomeração do toner. Os cartuchos comportam fenda longitudinal pela qual o toner pode escaparse sob a influência de uma atração eletrostática. São concebidos para ser introduzidos em máquinas fotocopiadoras e são substituídos quando vazios. Definido que os cartuchos se classificam na subposição 8443.99, resta identificar os códigos corretos, se 8443.99.27, 8443.99.29 ou 8443.99.39. Tais códigos possuíam, à época, os seguintes textos: 8443.99 Outros 8443.99.1 De telecopiadores (fax) 8443.99.11 Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos montados 8443.99.12 Mecanismos de impressão por sistema térmico ou a “laser”, para telecopiadores (fax) 8443.99.13 Bastidores e armações 8443.99.19 Outras 8443.99.2 De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.21 Mecanismos completos de impressoras matriciais (por pontos) ou de impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”), a jato de tinta, montados 8443.99.22 Mecanismos completos de impressoras a “laser”, LED (Diodos Emissores de Luz) ou LCS (Sistema de Cristal Líquido), montados 8443.99.23 Martelo de impressão e bancos de martelos 8443.99.24 Cabeças de impressão, exceto as térmicas ou as de jato de tinta 8443.99.25 Cabeças de impressão térmicas ou de jato de tinta, mesmo com depósito de tinta incorporado 8443.99.26 Cintas de caracteres 8443.99.27 Cartuchos de tinta 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 634 16 8443.99.31 Cilindros recobertos de matéria semicondutora fotoelétrica de selênio ou suas ligas, para os aparelhos de fotocópia eletrostático por processo indireto 8443.99.39 Outras Para tanto, socorrome dos fundamentos esposados pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, no Acórdão nº 3202001.627, cujo teor adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/11/2008 a 05/11/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de tinta e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. Excerto: "O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi exaustivamente discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 635 17 As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 636 18 outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 637 19 Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii.obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls.43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturados e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma canetarelógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 638 20 da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. [...] Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 639 21 apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia." Portanto, os cartuchos de impressão para máquinas que desempenham funções de impressora e copiadora (8443.31) devem ser classificados no código 8443.99.39, por aplicação das RGI 1 e 3.c, independentemente da discussão sobre ser cartucho de toner ou de tinta. Por sua vez, os cartuchos de impressão para máquinas exclusivamente impressoras devem ser classificados na subitem 8443.99.2, cujos textos são: 8443.99.2 De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.21 Mecanismos completos de impressoras matriciais (por pontos) ou de impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”), a jato de tinta, montados 8443.99.22 Mecanismos completos de impressoras a “laser”, LED (Diodos Emissores de Luz) ou LCS (Sistema de Cristal Líquido), montados 8443.99.23 Martelo de impressão e bancos de martelos 8443.99.24 Cabeças de impressão, exceto as térmicas ou as de jato de tinta 8443.99.25 Cabeças de impressão térmicas ou de jato de tinta, mesmo com depósito de tinta incorporado 8443.99.26 Cintas de caracteres 8443.99.27 Cartuchos de tinta 8443.99.29 Outros Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 640 22 Os códigos possíveis seriam 8443.99.27 ou 8443.99.29. A discussão neste ponto gira em torno da definição de toner. Para a fiscalização, toner é classificado na posição 37.07 e não na posição 32.15. Seguem os textos: 32.15 Tintas de impressão, tintas de escrever ou de desenhar e outras tintas, mesmo concentradas ou no estado sólido. 3215.1 Tintas de impressão: 3215.11.00 Pretas 0 3215.19.00 Outras 0 3215.90.00 Outras 37.07 Preparações químicas para usos fotográficos, exceto vernizes, colas, adesivos e preparações semelhantes; produtos não misturados, quer dosados tendo em vista usos fotográficos, quer acondicionados para venda a retalho para esses mesmos usos e prontos para utilização. 3707.10.00 Emulsões para sensibilização de superfícies 15 3707.90 Outros 3707.90.10 Fixadores 15 3707.90.2 Reveladores 3707.90.21 À base de negro de fumo ou de um corante e resinas termoplásticas, para a reprodução de documentos por processo eletrostático 15 3707.90.29 Outros 15 3707.90.30 Compostos diazóicos fotossensíveis para preparação de emulsões 15 3707.90.90 Outros 15 Para a recorrente, toner é uma tinta em pó, conforme afirmado pelo laudo técnico de efls.465/467, elaborado pelo Analista de Tecnologia da Informação do Núcleo de Processamento de Dados da Universidade Federal de Santa Catarina, que, analisando o cartucho Laserjet Marca Hewlett Packard Q2612A, assim informou: Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 641 23 Por sua vez, a fiscalização esclareceu: "Elucidase: a) toner é um produto usado em fotografia (incluindose o processo eletrostático) e se inclui na posição 37.07 quando apresentado em recipientes que não são cartuchos com componentes elétricos ou mecânicos, tais como sacos, garrafas etc. b) tinta em pó (referida na posição 32.15) é aquela a que vai ser adicionada um solvente (água ou outro) para uso posterior. Tinta sempre se aplica em estado liquido (ou pastoso) e o pigmento fica na superfície após a volatização do solvente. A palavra "tinta" é usada INDEVIDAMENTE para referirse a produtos que se aplicam por fusão (derretimento), como os que contém polímeros plásticos. c) toner e revelador não são tinta. Eles agem por processo de aquecimento (fusão) dos polímeros plásticos que contam em sua composição; d) as impressoras, mesmo as destinadas a máquinas de processamento de dados, a presentadas separadamente, não são classificadas na posição 84.71. Todas elas classficamse na posição 84.43; e) a posição 84.43, desde 1º de janeiro de 2007, passou a abranger todas as impressoras, copiadoras, aparelhos de fax, que, antigamente, eram classificados nas posições 84.71, 85.17 ou 90.09; f) a classificação de cartuchos do tipo que apresentam elementos elétricos ou mecânicos e que são montados no interior de impressoras ou copiadoras, contendo tinta, toner ou outros produtos de impressão, são classificados como PARTES da máquina a que se destinam; Corroborando a tese fiscal, a Solução de Divergência nº 15/2010 analisou a definição de toner, classificandoo na posição 37.07, com os seguintes fundamentos: 13. Neste contexto, a Nota 2 do Capítulo 37 determina que naquele Capítulo “o termo fotográfico qualifica o processo pelo qual imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação da luz ou de outras formas de radiação, sobre superfícies fotossensíveis”. Por sua vez, a posição 37.07 compreende as “Preparações químicas para usos fotográficos, exceto vernizes, colas, adesivos e preparações semelhantes; produtos não misturados, quer dosados tendo em vista usos fotográficos, quer acondicionados para venda a retalho para esses mesmos usos e prontos para utilização”. ”(grifouse) 14. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435/92, DOU 28/01/1992 e atualizadas pela IN/SRF nº 157/2002, DOU 01/07/2002, e posteriores, que constituem elementos subsidiários Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 642 24 de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições da Nomenclatura, referentes a posição 37.07, esclarecem que “essa posição compreende os produtos do gênero dos que se utilizam para obtenção direta de imagens fotográficas, os quais podem se apresentar puros ou sob a forma de misturas (preparações) de dois ou mais produtos que se destinem a usos fotográficos”. 15. Das disposições precedentes, é possível concluirse que o processo de sensibilização do cilindro de superfície fotossensível e de sua revelação pela deposição de toner em tal cilindro é um processo fotográfico, nos termos da Nomenclatura. Corroborando tal assertiva, fazse referência novamente as NESH da posição 37.07 que, elencando os produtos abrangidos pela posição, cita as emulsões para sensibilização de superfícies, fixadores, produtos de viragem, reforçadores, bem como os reveladores, destinados a tornar visíveis as imagens fotográficas latentes, incluindo expressamente neste grupo os reveladores utilizados para a reprodução de documentos por processo eletrostático. 16. Por sua vez, impressoras a laser são equipamentos cujo processo de funcionamento é semelhante ao utilizado na reprodução eletrostática. Um cilindro de metal, fotossensível, apresenta variações de resistividade provocadas pela luz que incide nele, mudando sua polarização. Após a polarização, um outro cilindro repleto de “toner”, por processo eletrostático, transfere este produto para o cilindro metálico, revelando a imagem latente do que se vai imprimir. A etapa seguinte é feita por meio de um fusor aquecido que derrete o “toner” que está no cilindro, fundindoo com o papel. 17. Por sua vez, a Posição 32.15, pretendida pelo consulente, abriga as “tintas de impressão”, que, segundo as NESH daquela posição, são: “preparações de consistência mais ou menos gorda ou pastosa, que se obtêm misturandose um pigmento preto ou colorido, finamente triturado, com um excipiente. (...) O excipiente é constituído, por exemplo, por resinas naturais ou polímeros sintéticos, dispersos em óleos ou dissolvidos em solventes e uma pequena quantidade de aditivos destinados a darlhe as propriedades funcionais desejadas”. E acrescentam: “Estas tintas apresentamse geralmente líquidas ou em pastas. Contudo, esta posição abrange não só as tintas concentradas ainda líquidas, mas também as tintas sólidas (em pó, pastilhas, tabletes, bastões, etc.), suscetíveis de se utilizarem como tais por simples dissolução ou dispersão”.(grifouse) 18. Como se vê, a posição 32.15, que inclui as tintas de impressão, pretendida pela consulente, mostrase, pelas razões aqui expostas, inadequada ao enquadramento do produto em estudo. Em que pese a analogia funcional com tinta, qual seja a propriedade em conferir cor ao documento impresso ou reproduzido bem como sua denominação coloquial por vezes usada de “tinta em pó”, o produto em tela não se reveste das características necessárias (composição e solubilidade) para Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 643 25 denominarse “tinta de impressão”, nos termos da Nomenclatura. 19. Desta forma, inferese que o produto sob análise, por se tratar de uma preparação química para usos fotográficos, se enquadra na posição 37.07. 20. A RGI/SH nº 6 dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas. Não se tratando de emulsão para sensibilização de superfícies (subposição 3707.10), a subposição aplicável é a residual 3707.90 – “Outros”. 21. Por seu turno, a RGC/NCM nº 1 estabelece que as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente. 22. A subposição 3707.90 encontrase subdividida nos seguintes itens: 3707.90 Outros 3707.90.10 Fixadores 3707.90.2 Reveladores 3707.90.30 Compostos diazóicos fotossensíveis para preparação de emulsões 3707.90.90 Outros 23. O que se coloca em questão, agora, é se o produto em tela pode ser considerado um “revelador” do item 3707.90.2. O Interessado entende que não, visto que, em seu entendimento, o “revelador” seria um produto destinado a ser usado em conjunto com o “toner” no processo de revelação eletrostática. Todavia, este conceito, por vezes usado comercialmente, não é aquele utilizado pela Nomenclatura, nos termos das NESH da posição 32.15 – citadas pelo próprio consulente em sua petição inicial: Esta posição não compreende: a) Os reveladores constituídos por um toner (mistura de negro de carbono e de resinas termoplásticas) misturado a um veículo (grãos de areia envolvidos em etilcelulose) e utilizados em fotocopiadoras (posição 37.07). 24. Como se vê, de acordo com as Nesh, o “toner” faz parte do “revelador”, não sendo um componente que trabalha em conjunto com este último, conforme afirma o Interessado. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 644 26 25. Ocorre que o “revelador”, quando da invenção do método de revelação eletrostático, era composto sempre por dois elementos (chamado sistema de revelação “duplo componente”: o “toner” propriamente dito (negro de fumo e resinas termoplásticas) e um veículo (ou “carrier”), que pode ser composto de diversas matérias, como grãos de areia, limalha de ferro, e outras, magnéticas ou não, tendo por função tanto “carregar” eletricamente o “toner” quanto transportálo até o cilindro fotocondutor. 26. Este “carrier”, cujas partículas normalmente tem dez vezes o tamanho da partícula do toner, por vezes, comercialmente, é denominado “revelador”, conceito inclusive utilizada pelo consulente em sua petição. Todavia, conforme se viu, tal definição não subsiste na Nomenclatura. 27. Como uma evolução do sistema “duplo componente” surgiu o sistema de revelação “monocomponente”, hoje amplamente utilizado especialmente em impressoras a laser, que consiste em um único componente, que basicamente é um “toner” já com elementos agregados que tornam desnecessária a utilização de outro componente. Normalmente, este tipo de “toner” já tem características magnéticas, sendo assim não precisam de um outro componente (ou seja, o “carrier”) para “carregálo”. Desta forma, apenas um único produto (o toner “monocomponente”) faz as vezes do conjunto “toner mais “carrier””, utilizado no sistema de revelação de “duplo componente” e, portanto, se caracteriza como um “revelador”, visto que tem por função fazer aparecer a imagem latente no cilindro fotossensível – exatamente a mesma função do conjunto “toner mais carrier” utilizado no sistema de “duplo componente”. 28. Como se vê pelos catálogos obtidos na rede mundial de computadores e anexados ao presente processo, o produto em pauta se encaixa à perfeição nesta definição: é um composto à base de negro de fumo, resinas termoplásticas (copolímero acrílico de estireno) e óxido de ferro (este último responsável pelas características magnéticas do produto), e é destinado à revelação eletrostática “monocomponente”. 29. Desta forma, o produto se classifica no item 3707.90.2, “Reveladores”. No âmbito deste item, o mesmo se classifica no subitem 3707.90.21, “À base de negro de fumo ou de um corante e resinas termoplásticas, para a reprodução de documentos por processo eletrostático”, visto que se trata da caracterização perfeita do produto. 30. Observese ainda, reforçando tal entendimento, que o Ditame Mercosul nº 27/98, internalizado pelo Ato Declaratório Coana nº 95/98 já havia classificado no mesmo código o seguinte produto: Ditame Mercosul nº 95/98 Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 645 27 Reveladores à base de negro de fumo e copolímero acrílico estireno, mesmo com ferrite de zinco, para reprodução de documentos por processo eletrostático 3707.90.21 31. Registrese, por último, que as informações acerca do funcionamento de impressoras a laser e copiadoras eletrostáticas foram obtidas através do livro “Handbook of Imaging Materials”, editado nos EUA por Arthur S. Diamond e David S. Weiss, além de diversos sítios da rede mundial de computadores, em especial o “Projeto de Instrumentação de Ensino F809 Estudo do Funcionamento de uma Máquina Fotocopiadora”, de autoria do acadêmico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rogério Boucault Palhares, sob a orientação do Prof. José Joaquin Lunazzi, e o caderno técnico “Reformatação”, parte do Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos (2001), de autoria de Sherelyn Ogden, entre outros, disponíveis nos seguintes endereços eletrônicos no dia 19 de novembro de 2010: http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F8 95/F809/F809_sem2_2002/995108_Rog%E9rioPalhares_maq_f otocopiadora.pdf http://www.arqsp.org.br/cpba/pdf_cadtec/44_47.pdf Tal conclusão também constou da Solução de Divergência nº 7/2011, que assim foi ementada: Assunto: Classificação de Mercadorias Reforma a Solução de Consulta SRRF/9ªRF/Diana nº 436, de 06 de dezembro de 2007. Mercadoria “Toner preto em pó, constituído à base de corante (negro de fumo) e resinas termoplásticas, contendo óxido de ferro, utilizado no enchimento de cartuchos próprios para impressoras a laser” classificase no código 3707.90.21 da Tarifa Externa Comum vigente. Salientase que esta definição de toner já foi enfrentada por esta turma, em outra composição, mediante o Acórdão nº 3302002.837, de 28/01/2015, de lavra da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, cuja ementa e fundamento, transcrevo abaixo e adoto como razão de decidir: TONER. NOME COMERCIAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL VINCULADA À ESSÊNCIA DO PRODUTO. O produto conhecido comercialmente como TONER, com as características do presente processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 3707.90.21. Não se classifica produto apenas lendo os títulos da Seção, Capítulo e Subcapítulo, estes são apenas indicativos. É preciso analisar a composição do produto que se pretende classificar. Excerto: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 646 28 "A despeito da tendência natural de classificar um produto comercialmente denominado como “Toner” como “Tintas para Impressão”, é cediço que a Regra no 1 de Classificação determina que “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos tem apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes.” Neste aspecto, não se classifica produto apenas lendo os títulos da Seção, Capítulo e Subcapítulo, estes são apenas indicativos. É preciso analisar a composição do produto que se pretende classificar. Após analisar a discussão travada nos autos, percebo que a divergência está pautada, especificamente, na interpretação das Notas Explicativas. Segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado a Posição 3215 compreende: “A) Tintas de impressão. São preparações de consistência mais ou menos gorda ou pastosa, que se obtêm misturandose um pigmento preto ou colorido, finamente triturado, com um excipiente. O pigmento utilizado que é geralmente o negro de carbono para as tintas de impressão pretas, pode ser orgânico ou inorgânico para tintas coloridas. O excipiente é constituído, por exemplo, por resinas naturais ou polímeros sintéticos, dispersos em óleos ou dissolvidos em solventes e uma pequena quantidade de aditivos destinados a darlhe as propriedades funcionais desejadas”. E acrescentam: “Estas tintas apresentamse geralmente líquidas ou em pastas. Contudo, esta posição abrange não só as tintas concentradas ainda líquidas, mas também as tintas sólidas (em pó, pastilhas, tabletes, bastões, etc.), suscetíveis de se utilizarem como tais por simples dissolução ou dispersão”. destaquei Enquanto as Notas Explicativas da Posição 37.07 diz: “essa posição compreende os produtos do gênero dos que se utilizam para obtenção direta de imagens fotográficas, os quais podem se apresentar puros ou sob a forma de misturas (preparações) de dois ou mais produtos que se destinem a usos fotográficos”. A questão é que, de acordo com o procedimento de impressão apresentado pela Recorrente e constatado pela fiscalização e autoridades administrativas quando da análise da mencionada Solução de Divergência, ao produto importado pela Recorrente não é adicionado nenhum componente na intenção de se promover à sua “dissolução” ou “dispersão”. O pó negro importado pela Recorrente é utilizado de forma direta para a Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 647 29 reprodução que se pretende, sendo aplicado após ter sido aquecido, conforme esclarecido na decisão recorrida: “Por sua vez, impressoras a laser são equipamentos cujo processo de funcionamento é semelhante ao utilizado na reprodução eletrostática. Um cilindro de metal, fotossensível, apresenta variações de resistividade provocadas pela luz que incide nele, mudando sua polarização. Após a polarização, um outro cilindro repleto de “toner”, por processo eletrostático, transfere este produto para o cilindro metálico, revelando a imagem latente do que se vai imprimir. A etapa seguinte é feita por meio de um fusor aquecido que derrete o “toner” que está no cilindro, fundindoo com o papel.” destacamos . Não há, neste caso, a dissolução ou dispersão do pó do Toner. Ademais, conforme bem lembrado pela decisão recorrida, a posição 37.07. referese expressamente ao processo eletrostático similar aquele utilizado pelas impressões a laser, verbis: “Corroborando tal assertiva, fazse referência novamente as NESH da posição 37.07 que, elencando os produtos abrangidos pela posição, cita as emulsões para sensibilização de superfícies, fixadores, produtos de viragem, reforçadores, bem como os reveladores, destinados a tornar visíveis as imagens fotográficas latentes, incluindo expressamente neste grupo os reveladores utilizados para a reprodução de documentos por processo eletrostático.” destaquei Atualmente, ainda é possível encontrar dentre as Notas NESH a seguinte Nota Excludente: “3215 Esta posição não compreende: a) Os reveladores constituídos por um toner (mistura de negro de carbono e de resinas termoplasmáticas) misturado a um veículo (grãos de areia envolvidos em etilcelulose) e utilizados em fotocopiadoras (posição 37.07) destaquei Ante o exposto, com razão a fiscalização em relação à classificação fiscal do produto importado pela Recorrente. No mesmo sentido, o Acórdão nº 3402005.244: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TONER. NCM 3707.90.21. O produto conhecido comercialmente como toner com as características do presente processo encontra correta classificação fiscal no código NCM 3707.90.21. Somente as tintas sólidas que sejam suscetíveis de se utilizarem como tais por simples dissolução ou dispersão podem ser incluídas na posição 3215, o que não é o caso dos autos. A posição 3215 não abrange os reveladores constituídos por um toner (mistura de negro de carbono e de resinas termoplasmáticas) misturado a um veículo (grãos de areia envolvidos em etilcelulose) e utilizados em fotocopiadoras (posição 37.07). Destarte, o toner não se classifica como tinta para impressão, nos termos das notas do Sistema Harmonizado, pois não se promove a sua dissolução ou dispersão, Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 648 30 característica das tintas, de acordo com as NESH da posição 32.15. Consequentemente, o cartucho de toner não pode ser considerado na posição 8443.99.27, como cartucho de tinta, mas na posição 8443.99.29 Outras. Quanto à orientação dada pela Solução de Consulta nº 61/2007 (efl. 469), destacase que não há informação sobre o consulente, donde inferese que não se trata da recorrente, não se lhe aplicando seus efeitos, conforme artigo 14 da IN RFB nº 740/2007. No que se refere à ausência de laudo pericial para suportar a definição de que toner não é tinta, vêse que referida conclusão foi obtida a partir das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonziado, das definições contidas nos textos das posições e notas de seção e capítulos e das notas explicativas do Sistema Harmonizado, ou seja, típica atividade de classificação de mercadorias, não considerada aspecto técnico a demandar laudo pericial, nos termos do §1º3 do artigo 30 do Decreto nº 70.235/1972. Ressaltase que a atividade de classificação fiscal é de competência da RFB, a teor do revogado Decreto nº 3.366/2000 (e nos que se sucederam), cujo artigo 7º do Anexo I dispunha: Art. 7º À Secretaria da Receita Federal compete:: [...] XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias, inclusive representando o país em reuniões internacionais sobre a matéria; Assim, as conclusões obtidas pelo perito não são aspectos técnicos de área de competência a serem adotados, mas efetiva classificação fiscal, atividade inserta na competência da RFB e do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, razão pela qual este julgador não está adstrito à conclusão tomada pelo perito. Concluo que as reclassificações promovidas pela fiscalização estão corretas. Reclassificação de ceras de impressão Quanto à reclassificação de ceras para impressão do código 8443.99.27 para 3215.11.00 ou 3215.19.00 (efl. 221), a recorrente não efetuou qualquer contestação quanto à decisão da DRJ, que assim expôs suas razões: "Quanto às ceras de impressão, a importadora utilizouse da classificação fiscal no mesmo código NCM 8443.99.27, já visto, alegando tratarse de cartucho de impressão de tinta sólida, enquanto que a reclassificação procedida pelo fisco foi nos códigos NCM 3215.11.00 (cor preta) e 3215.19.00 (ceras de outras cores): 3 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 649 31 32.15 Tintas de impressão, tintas de escrever ou de desenhar e outras tintas, mesmo concentradas ou no estado sólido. 3215.1 Tintas de impressão: 3215.11.00 Pretas 3215.19.00 Outras 3215.90.00 Outras As ceras de impressão, aqui referidas, são originadas de uma nova tecnologia de impressão, na qual não se utiliza cartuchos, devendo ser, de pronto, considerada inadequada a classificação eleita pelo contribuinte na NCM 8443.99.27 Cartuchos de tinta. Como dito, a cera não usa cartucho, sendo ela própria, em forma de pequeno bastão sólido, que se encaixa na impressora que usa este tipo de tecnologia. O derretimento da cera é que torna efetivo o processo de impressão. Às fls. 112/128, foram anexadas especificações deste produto, tratado como bastões de cera para impressora ou “solid ink”, bem como as impressoras compatíveis e seu funcionamento. Em pesquisas na internet, verificase que a Xerox, empresa que utiliza esta tecnologia de impressão com cera, em termos de significação, equipara os termos “tinta sólida”, utilizados em Portugal, ou mesmo “solid ink”, utilizados em países de língua inglesa, com os termos “cera sólida”, utilizados no Brasil. Assim sendo, correta a classificação eleita pelo fisco, nos códigos NCM 3215.11.00 (cor preta) e 3215.19.00 (ceras de outras cores), pelos seus próprios textos, uma vez que se trata de tinta para impressão em estado sólido, preta e outras, utilizando se das 1ª e 6ªRGI." Desse modo, esta decisão tornouse definitiva, conforme artigo 424 do Decreto 70.235/1972. Reclassificação das fitas magnéticas para processamento de dados A fiscalização reclassificou os produtos da posição 8523.29.21 para o código 8523.29.29. A recorrente defendeu que sua posição se refere às fitas magnéticas não superiores a 4mm, é mais específica e segue a orientação da Solução de Divergência COANA nº 14/2007. A fiscalização fundamentou a autuação nos seguintes termos: "Tratamse de fitas magnéticas, EM CARTUCHOS, para processamento de dados digitais de classificação fiscal 8523.29.29. No "Relatório das fitas magnéticas não gravadas para processamento de dados digitais", fl. 1 de 1, anexoa este Auto de Infração, demonstrase todas as importações relacionadas a estes produtos, constatandose na coluna "NCM DI", que o próprio contribuinte adota, por vezes, o código TECNCM 4 Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofíci Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 650 32 8523.29.21 (erroneamente) e por outras o código TECNCM 8523.29.29 (corretamente)." Os textos das posições são: 85.23 Discos, fitas, dispositivos de armazenamento nãovolátil de dados à base de semicondutores, “cartões inteligentes” (“smart cards”) e outros suportes para gravação de som ou para gravações semelhantes, mesmo gravados, incluídos as matrizes e moldes galvânicos para fabricação de discos, exceto os produtos do Capítulo 37. 8523.2 Suportes magnéticos: 8523.21 Cartões com tarja magnética 8523.21.10 Não gravados 8523.21.20 Gravados 8523.29 Outros 8523.29.1 Discos magnéticos 8523.29.11 Dos tipos utilizados em unidades de discos rígidos 8523.29.19 Outros 8523.29.2 Fitas magnéticas, não gravadas 8523.29.21 De largura não superior a 4mm, em cassetes 8523.29.22 De largura superior a 4mm mas inferior ou igual a 6,5mm 8523.29.23 De largura superior a 6,5mm mas inferior ou igual a 50,8mm (2”), em rolos ou carretéis 8523.29.24 De largura superior a 6,5mm, em cassetes para gravação de vídeo 8523.29.29 Outras 8523.29.3 Fitas magnéticas, gravadas 8523.29.31 Para reprodução de fenômenos diferentes do som ou da imagem 8523.29.32 De largura não superior a 4mm, em cartuchos ou cassetes, exceto as do subitem 8523.29.31 Ex 01 Gravadas com matéria didática Ex 02 Para gravação simultânea de imagem e som, próprias para televisão (vídeotape), gravadas com matéria de natureza científica ou educativa 8523.29.33 De largura superior a 6,5mm, exceto as do subitem 8523.29.31 Ex 01 Gravadas com matéria didática, em cartuchos ou cassetes Ex 02 Para gravação simultânea de imagem e som, próprias para televisão (vídeotape), gravadas com matéria de natureza científica ou educativa, em cartuchos, cassetes e semelhantes 8523.29.39 Outras Ex 01 Gravadas com matéria didática, apresentadas em artefatos semelhantes a cartuchos ou cassetes Ex 02 Gravadas com matéria didática, em cartuchos ou cassetes Ex 03 Para gravação simultânea de imagem e som, próprias para televisão (vídeotape), gravadas com matéria de natureza científica ou educativa, apresentadas em artefatos semelhantes a cartuchos ou cassetes 8523.29.90 Outros 8523.40 Suportes ópticos 8523.40.1 Não gravados 8523.40.11 Discos para sistema de leitura por raios “laser” com possibilidade de serem gravados uma única vez 8523.40.19 Outros 8523.40.2 Gravados 8523.40.21 Para reprodução apenas do som 8523.40.22 Para reprodução de fenômenos diferentes do som ou da imagem 8523.40.29 Outros 8523.5 Suportes semicondutores: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 651 33 8523.51.00 Dispositivos de armazenamento nãovolátil de dados à base de semicondutores 8523.52.00 Cartões inteligentes (“smart cards”) 8523.59 Outros 8523.59.10 Cartões e etiquetas de acionamento por aproximação 8523.59.90 Outros 8523.80.00 Outros Pelas posições adotadas, tratamse de fitas magnéticas não gravadas. A fiscalização afirma que são fitas magnéticas em cartuchos, fato não contestado pela recorrente, que apenas diz que são de largura não superior a 4mm. De fato, os produtos reclassificados possuem a descrição de 4mm ou cartucho, sem a especificação de largura (efl. 263). Observando a subposição 8523.29 verificase que as fitas magnéticas em cassetes são distintas das fitas magnéticas em cartuchos: 8523.29.3 Fitas magnéticas, gravadas 8523.29.31 Para reprodução de fenômenos diferentes do som ou da imagem 8523.29.32 De largura não superior a 4mm, em cartuchos ou cassetes, exceto as do subitem 8523.29.31 Ex 01 Gravadas com matéria didática Ex 02 Para gravação simultânea de imagem e som, próprias para televisão (vídeotape), gravadas com matéria de natureza científica ou educativa 8523.29.33 De largura superior a 6,5mm, exceto as do subitem 8523.29.31 Ex 01 Gravadas com matéria didática, em cartuchos ou cassetes Ex 02 Para gravação simultânea de imagem e som, próprias para televisão (vídeotape), gravadas com matéria de natureza científica ou educativa, em cartuchos, cassetes e semelhantes 8523.29.39 Outras Ex 01 Gravadas com matéria didática, apresentadas em artefatos semelhantes a cartuchos ou cassetes Ex 02 Gravadas com matéria didática, em cartuchos ou cassetes Ex 03 Para gravação simultânea de imagem e som, próprias para televisão (vídeotape), gravadas com matéria de natureza científica ou educativa, apresentadas em artefatos semelhantes a cartuchos ou cassetes O código 8523.29.21 utilizado pela recorrente é para fitas magnéticas, não gravadas, não superior a 4 mmm, mas em cassetes e não em cartuchos, que somente é cabível no código residual 8523.29.29 Outras. Portanto, correta a reclassificação fiscal. No que se refere à Solução de Divergência nº 14/2007, sem razão a recorrente, pois o produto objeto da referida solução era fita magnética com largura de 4mm, apresentadas em cassetes e não em cartuchos, como as aqui analisadas: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COANA N° 14, DE 24 DE OUTUBRO DE 2007 DOU 26.10.2007 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Reforma da Solução de Consulta SRRF/ T RF/Diana n° 50, de 9 de fevereiro de 2007. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 652 34 Mercadorias: Fitas magnéticas para armazenamento de dados com largura de 4mm, apresentadas em cassetes, modelos DG90P, DGD120P, DGD125P, DGD150P e DGDAT72, marca registrada SONY, modelo IBMCertified 4mm Data Cartridges, marca registrada IBM, e modelos DDS90, DDS2 120, DDS3 125, DDS4 150 e DAT72, marca registrada IMATION, classificamse no código 8523.29.21 daNCM. Inaplicabilidade das multas Neste tópico, reitero que não houve contestação, em impugnação, por parte da recorrente quanto à multa regulamentar de 1% por erro de classificação fiscal, prevista no artigo 84 da MP nº 2.15835/2001, abaixo transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (Vide) I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Assim, não conheço das alegações concernentes a tal multa. Quanto à multa de 75% aplicada com base no artigo 725, I do Decreto 6.759/2009 (matriz legal sendo o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996), a recorrente alegou que não agiu de máfé, que a multa carece de razoabilidade e desproporcionalidade e que o ADI nº 13/2002 deveria ser aplicado, exonerando a referida penalidade. Pois bem, a multa referida no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 vinculase à inobservância da obrigação principal, relativa à falta de pagamento ou recolhimento, integral ou parcial. Vinculase ao tributo exigido no lançamento de ofício, sendo, portanto, a situação verificada nos presentes autos e expressamente definida no art. 44, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1425 do CTN: 5 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 653 35 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Destacase, ainda, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária, salvo disposição em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do artigo 136 do CTN. Assim, não há que se perquirir máfé ou intenção por parte da recorrente. Aliás, se constatada tal situação, a multa aplicável seria a de 150%, prevista no §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e não a aplicada de 75%, prevista em seu inciso I. A recorrente alegou, ainda, a necessidade de afastamento da multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, por ter a mercadoria sido corretamente descrita na Declaração de Importação e não ter havido máfé quanto ao erro de classificação fiscal, em respeito ao ADI nº 13/2002, cujo conteúdo transcrevo: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, declara: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. Sem razão a recorrente, pois o ADI nº 13/2002 dispõe sobre a não aplicação da referida multa nos casos de solicitação de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, bem assim a indicação indevida de destaque ex, situações que não foram aqui tratadas. A presente autuação decorreu de classificação fiscal incorreta (códigos incorretos e não apenas indicação indevida de ex tarifário), não abarcada pelo ADI nº 13/2002, atualmente revogado pelo ADI nº 6/2018. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 654 36 Também não é caso de aplicação da multa moratória prevista no caput do art. 616 da Lei nº 9430, pois que incidente sobre os débitos decorrentes de tributos não pagos nos prazos de vencimento estabelecidos na legislação, mas apurado espontaneamente pelo contribuinte e não em lançamento de ofício. Quanto à possibilidade de cumulação de penalidades previstas no artigo 84 da MP nº 2.15835/2001 e do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, o próprio artigo 84, em seu §2º, tratou de estipular a possibilidade jurídica de sua cumulação: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (Vide) [...] § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Por fim, quanto à exclusão da multa por observância de práticas reiteradas pelas autoridades fiscais, conforme inciso III do artigo 100 do CTN, a recorrente não demonstra quais foram as práticas reiteradas perpetradas pelas autoridades fiscais. Por certo, não podem ser as soluções de consulta, já que não foram apresentadas soluções que vinculassem a Administração ao entendimento da recorrente (o que, se existisse, não apenas excluiria as penalidades, mas a própria tributação), mas, ao contrário, a autuação foi lastreada em Solução de Consulta SRRF/9º RF/DIANA nº 126/2007, de 26/03/2007, contrária ao entendimento da recorrente e anteriores aos fatos geradores, proferida pela Superintendência da 9º Região Fiscal, que jurisdiciona a DRF/Joinville, unidade administrativa a qual estão vinculadas as autoridades fiscais e a própria recorrente. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 6 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10920.003902/200835 Acórdão n.º 3302006.431 S3C3T2 Fl. 655 37 Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000359/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REABERTURA DO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A retificação do pedido de compensação formulada pelo contribuinte tem o condão de reabrir o início do prazo para a Fazenda Pública analisar o requerimento e homologar ou não a compensação pleiteada.
TRAVA 30% - CISÃO, INCORPORAÇÃO OU FUSÃO.
No caso de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, por ausência de previsão legal, não há que se falar em inaplicabilidade da trava de 30% para o aproveitamento de base cálculo negativa pela sucedida.
Numero da decisão: 1302-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência (homologação tácita) e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REABERTURA DO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A retificação do pedido de compensação formulada pelo contribuinte tem o condão de reabrir o início do prazo para a Fazenda Pública analisar o requerimento e homologar ou não a compensação pleiteada. TRAVA 30% - CISÃO, INCORPORAÇÃO OU FUSÃO. No caso de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, por ausência de previsão legal, não há que se falar em inaplicabilidade da trava de 30% para o aproveitamento de base cálculo negativa pela sucedida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência (homologação tácita) e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REABERTURA DO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A retificação do pedido de compensação formulada pelo contribuinte tem o condão de reabrir o início do prazo para a Fazenda Pública analisar o requerimento e homologar ou não a compensação pleiteada. TRAVA 30% CISÃO, INCORPORAÇÃO OU FUSÃO. No caso de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, por ausência de previsão legal, não há que se falar em inaplicabilidade da trava de 30% para o aproveitamento de base cálculo negativa pela sucedida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência (homologação tácita) e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 03 59 /2 00 9- 29 Fl. 422DF CARF MF 2 Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende utilizar Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (SNCSLL) referente ao ano calendário (AC) 2004, no valor de R$6.071.396,33, com débitos próprios. Contudo, o direito creditório não foi reconhecido pela fiscalização, uma vez que esta, em síntese, recalculou a base de cálculo negativa do contribuinte para efeitos de apuração da SNCSLL, reduzindo aquele saldo, por não concordar com o aproveitamento além da "trava dos 30%", estabelecida pelo do artigo 15 da Lei nº 9.065/92. O caminho percorrido pela fiscalização foi assim resumido pela decisão da DRJ (transcrição sem os quadros com os valores): 4.5. O SNCSLL declarado na DIPJ (ND 1271966) do exercício de 2005 (AC 2004) foi de R$6.071.396,32, conforme linha 48 da ficha 17, com cópia à fl. 22. 4.6. Conforme representação fiscal formalizada no PA nº 19515.004414/200982, apenso ao presente processo, a ação fiscal consubstanciada no PA nº 19515.004273/200906 glosou parcialmente a dedução a titulo de “Base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores Atividade” (linha 17/34; DIPJ AC 2004; fl. 22), declarada pelo valor de R$142.285.177,27. 4.7. Dessa forma, após a ação fiscal, o valor considerado como base de cálculo negativa para efeito de apuração do SNCSLL passa a ser o validado pela fiscalização (vide fls. 23 e 24), qual seja, R$70.932.302,31. 4.8. Ademais, analisando a ficha 17 (cálculo da CSLL, fl. 22), verificouse que o saldo negativo alegado pela contribuinte é resultado também da dedução do valor de R$14.545.421,07 a titulo de “CSLL mensal paga por estimativa”, linha 17/41 da DIPJ/2005, fl. 22. 4.9. Com base nas informações extraídas nos sistemas Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, fls. 25 a 146, validamos os seguintes valores (em Real): (...) 4.10. Dessa forma, por falta de liquidez e certeza, as parcelas das estimativas de janeiro e março que tiveram suas compensações não homologadas não foram validadas, devendo ser considerado apenas o valor de R$13.536.138,29 como dedução do imposto devido a título de CSLL mensal paga por estimativa. (...) 4.12. Portanto, para o AC 2004 não existe SNCSLL, pois o valor declarado de R$6.071.396,33 como saldo negativo após as Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 423 3 alterações supracitadas passou a ser um saldo a pagar de CSLL no valor R$1.359.645,20. 4.13. Cabe ressaltar que os créditos tributários referentes às diferenças apuradas serão cobrados no PA nº 19515.004273/2009 06 e nos processos de cobrança relacionados as DCOMP não homologadas (39141.10408.281204.1.7.037679; 16848.12105.281204.1.3.043666; 07285.34344.281204.1.3.047546; 36356.36296.281204.1.3.045661; 18787.61735.281204.1.7.032427). Conclusão 4.14. Feitas essas considerações, proponho que não se homologue a compensação declarada na DCOMP de n° 41417.25003.160307.1.7.033528. 4.15. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas na DCOMP de nº 41417.25003.160307.1.7.033528, nos termos do disposto no § 22 do art. 34 da IN SRF nº 900/08. O Recorrente, ao ser intimado do despacho decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual requereu (i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, (ii) o reconhecimento da Decadência e/ou prescrição do direito de cobrar os débitos objeto da DCOMP; e (iii) o reconhecimento do crédito pleiteado na PerdComp, tendo em vista, em síntese, o "direito de utilizar o valor de base negativa correspondente à parcela do PL extinta na cisão parcial, não estando, inclusive, obrigada a respeitar o limite de 30% do LLA estabelecido na legislação". Em decisão proferida, contudo, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP) entendeu por bem julgar como improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. Não foi apurado crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente à CSLL, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 424DF CARF MF 4 O Recorrente, não concordando com a decisão proferida, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade, exceto o ponto em que requeria o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, em 31/01/2013 (fl. 375), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 14/02/2013 (comprovante de fl. 376), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA DECADÊNCIA Em sede preliminar, o Recorrente alega que, tendo em vista o transcurso de mais de 05 anos, contados da transmissão do pedido de compensação originária (20/07/05) e do despacho decisório (26/07/2010) que não homologou o crédito e, por consequencia, indeferiu a compensação, esta teria sido homologada tacitamente, por decadência. Alega, ainda, que a retificação formulada em 16/03/07, por não ter alterado substancialmente o pedido de compensação, não teria o condão de renovar o início do prazo decadencial. Aduz, neste sentido, que a retificadora não alterou os débitos e, com relação aos créditos, estes foram apenas detalhados, nos termos exigidos pela intimação enviada pela Receita Federal do Brasil. A DRJ de São Paulo, que proferiu o acórdão recorrido, entendeu, contudo, após citar os normativos da Receita Federal que regulam os processos de compensação, que a retificação teria o condão de reabrir o prazo para análise do pedido de compensação, iniciando se o prazo decadencial da data em que a retificadora foi enviada. Confirase o entendimento exposto naquele acórdão: 11.1.5. Portanto, os excertos acima deixam claro que o dies a quo para contagem do prazo de cinco anos previsto na legislação é o da DCOMP retificadora, ou seja, em 16/03/2007. Como a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 26/07/2010, não ocorreu nem a decadência nem a prescrição alegadas. De se notar que não há qualquer vinculação ao teor da retificadora, mas apenas a sua admissão.". Em síntese, neste ponto, o que se discute é a consequência da retificação do pedido de compensação, ou seja, se, ao ser formulada a retificação do pedido original de Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 424 5 compensação, se renovaria o prazo para a Fazenda Pública analisar e homologar (ou não) o pleito do contribuinte. Como se depreende das Instruções Normativa que regulavam o processo administrativo à época da transmissão do pedido de compensação (IN SRF nº 460/2004, IN SRF nº 600/2005, IN SRF nº 900/08, IN 1.300/12), como na atualmente vigente (IN SRF nº 1.717/17), não há dúvidas: o pedido de retificação altera a data de início da contagem do prazo para que a autoridade administrativa analise o pedido de compensação, notadamente o direito creditório invocado pelo contribuinte. Como exemplo, citase, apenas o disposto no IN SRF nº 900/08, que estava vigente à época em que foi proferido o Despacho Decisório (ressaltase que as demais IN's tem dispositivo no mesmo sentido do que o hora transcrito): Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. (destacouse) Em que pese o contribuinte alegar em seu arrazoado que "a DCOMP retificadora transmitida pela Recorrente em março de 2007 não alterou em absolutamente nada as informações sobre os débitos compensados, limitandose a efetuar ajustes pontuais na DCOMP original, relativos ao detalhamento do crédito que compôs o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2004", à época da transmissão da retificadora (e atualmente também) não havia dúvidas de que a apresentação da retificação reabriria o prazo para análise pela Administração Fazendária. Assim, se o contribuinte não quisesse, de alguma forma, "alongar" o prazo de análise, deveria ter a ciência de que sua retificação iria reabrir o prazo para a Receita Federal do Brasil analisar o pedido de compensação, como expressamente previsto na norma que regulava o processo de compensação à época. Não se pode perder de vista, ainda, que as hipóteses de retificação da compensação são bastante restritas, como se verifica da leitura dos artigos 78 e 79 da já citada IN 900/08. Confirase: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida Fl. 426DF CARF MF 6 na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. (destacouse) Desta forma, já sendo restritas as hipóteses de retificação, caem por terra os argumentos do Recorrente de não alterou significativamente o pedido de compensação, a ensejar na reabertura do prazo de análise. É que, qualquer pedido de alteração substancial no PerDcomp não seria possível. As alterações, reiterese, são restritas e, se feitas, tem o condão de renovar o prazo de análise do pedido por parte da Receita Federal do Brasil. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm inúmeros precedentes no sentido de que a retificação alterar o data de início para contagem do prazo decadencial. Vejase ementa de julgados recentes proferidos pelo CARF: Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioPeríodo de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.A decadência do direito do fisco impede a prática lançamento tributário, mas não impede a instauração de procedimento fiscal e, tampouco, a glosa de créditos indevidos, ainda que tenham sido lançados na escrita fiscal há mais de cinco anos. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.Nos casos em que há transmissão de PER/DCOMP retificador, o prazo de decadência para o fisco homologar ou não a compensação começa a correr da data da retificação. (...) Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 425 7 (Processo nº 10880.939130/200976 Acórdão: 3402005.342 Sessão de 20/06/2018). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. REINICIO DE CONTAGEM DO PRAZO. Na hipótese de apresentação de pedidos de compensação retificadores, os pedidos de compensação originais não conferem homologação tácita, vez que a data de início do prazo decadencial previsto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passa a ser a data da apresentação dos pedidos retificadores.IRRF. COMPENSAÇÃO COM ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO NÃO FORMALIZADA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese em que o contribuinte se limita a informar mera intenção de incluir as retenções sofridas para pagamento das estimativas na apuração do saldo de IRPJ a pagar, sem apresentar documentação hábil a comprovar que tal utilização foi de fato efetivada ou que tal crédito não havia sido utilizado em outro processo, resta impossibilitado o reconhecimento do direito ao correspondente crédito de saldo negativo de IRPJ. (Processo nº 10768.009503/200111 Acórdão: 1201001.639 Sessão de 10/04/2017). Assim, REJEITASE a preliminar de decadência arguida no Recurso Voluntário. DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, no presente processo, discutese direito creditório indicado em pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende utilizar Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (SNCSLL) referente ao ano calendário (AC) 2004, no valor de R$6.071.396,33, para quitar débitos próprios. Contudo, o direito creditório não foi reconhecido pela fiscalização, uma vez que esta, em síntese, recalculou a base de cálculo negativa do contribuinte para efeitos de apuração da SNCSLL, reduzindo aquele saldo, por não concordar com o aproveitamento além da "trava dos 30%", estabelecida pelo do artigo 15 da Lei nº 9.065/92. O caminho percorrido pela fiscalização foi assim resumido pela decisão da DRJ (transcrição sem os quadros com os valores): 4.5. O SNCSLL declarado na DIPJ (ND 1271966) do exercício de 2005 (AC 2004) foi de R$6.071.396,32, conforme linha 48 da ficha 17, com cópia à fl. 22. Fl. 428DF CARF MF 8 4.6. Conforme representação fiscal formalizada no PA nº 19515.004414/200982, apenso ao presente processo, a ação fiscal consubstanciada no PA nº 19515.004273/200906 glosou parcialmente a dedução a titulo de “Base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores Atividade” (linha 17/34; DIPJ AC 2004; fl. 22), declarada pelo valor de R$142.285.177,27. 4.7. Dessa forma, após a ação fiscal, o valor considerado como base de cálculo negativa para efeito de apuração do SNCSLL passa a ser o validado pela fiscalização (vide fls. 23 e 24), qual seja, R$70.932.302,31. 4.8. Ademais, analisando a ficha 17 (cálculo da CSLL, fl. 22), verificouse que o saldo negativo alegado pela contribuinte é resultado também da dedução do valor de R$14.545.421,07 a titulo de “CSLL mensal paga por estimativa”, linha 17/41 da DIPJ/2005, fl. 22. 4.9. Com base nas informações extraídas nos sistemas Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, fls. 25 a 146, validamos os seguintes valores (em Real): (...) 4.10. Dessa forma, por falta de liquidez e certeza, as parcelas das estimativas de janeiro e março que tiveram suas compensações não homologadas não foram validadas, devendo ser considerado apenas o valor de R$13.536.138,29 como dedução do imposto devido a título de CSLL mensal paga por estimativa. (...) 4.12. Portanto, para o AC 2004 não existe SNCSLL, pois o valor declarado de R$6.071.396,33 como saldo negativo após as alterações supracitadas passou a ser um saldo a pagar de CSLL no valor R$1.359.645,20. 4.13. Cabe ressaltar que os créditos tributários referentes às diferenças apuradas serão cobrados no PA nº 19515.004273/200906 e nos processos de cobrança relacionados as DCOMP não homologadas (39141.10408.281204.1.7.037679; 16848.12105.281204.1.3.043666; 07285.34344.281204.1.3.047546; 36356.36296.281204.1.3.045661; 18787.61735.281204.1.7.032427). Conclusão 4.14. Feitas essas considerações, proponho que não se homologue a compensação declarada na DCOMP de n° 41417.25003.160307.1.7.033528. 4.15. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas na DCOMP de nº 41417.25003.160307.1.7.033528, nos termos do disposto no § 22 do art. 34 da IN SRF nº 900/08. Ocorre que, como não foi reconhecida a possibilidade de aproveitamento integral daquela BCN, gerouse um crédito a pagar, que está sendo cobrado no PA 19515.004273/200906. Vejase trecho do acórdão neste sentido: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 426 9 4.12. Portanto, para o AC 2004 não existe SNCSLL, pois o valor declarado de R$6.071.396,33 como saldo negativo após as alterações supracitadas passou a ser um saldo apagar de CSLL no valor R$1.359.645,20. 4.13. Cabe ressaltar que os créditos tributários referentes às diferenças apuradas serão cobrados no PA nº 19515.004273/200906 e nos processos de cobrança relacionados as DCOMP não homologadas (39141.10408.281204.1.7.037679;16848.12105.281204.1.3.0436 66;07285.34344.281204.1.3.047546;36356.36296.281204.1.3.04 5661;18787.61735.281204.1.7.032427). (destacouse) Assim, como o processo nº 19515.004273/200906 era claramente prejudicial ao julgamento do presente processo e a decisão proferida lá iria impactar na decisão do presente processo, este relator, via despacho proferido, requereu a distribuição do processo em questão para a sua relatoria para julgamento em conjunto. Por coerência ao que restou decido nos autos nº 19515.004273/200906 (julgado na mesma assentada), nos termos do entendimento deste relator, deverseia reconhecer o direito creditório do contribuinte, uma vez que entendese como válida a compensação com o aproveitamento além da "trava dos 30%", estabelecida pelo do artigo 15 da Lei nº 9.065/92. Contudo, o voto deste relator restou vencido, por maioria, quando do julgamento do aludido processo (autos nº 19515.004273/200906), sendo designado para redigir o voto vencedor naqueles autos o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. Assim, ressalvando, mais uma vez, a posição em contrário deste relator, o entendimento que prevaleceu no colegiado deve ser aplicado no presente caso, uma vez que as discussões são idênticas, o que impõe a transcrição literal do voto vencedor no autos de nº 19515.004273/200906 no presente processo, in verbis: "Rogério Aparecido Gil Redator designado. Com o devido respeito ao entendimento e aos fundamentos apresentados pelo i. Conselheiro Relator, não há amparo legal para a compensação integral de prejuízos fiscais e bases negativas nos eventos de cisão (ainda que parcial, como ocorre no presente caso), incorporação ou de encerramento de atividades. Observase que, a Lei n.º 8.981, de 20/01/1995 (art. 58) e a Lei n.º 9.065, de 20/06/1995 (art. 16), ao fixar o limite máximo de 30% para a compensação de bases de cálculo negativa, não contemplou a possibilidade de sua compensação integral quando realizados os eventos de incorporação, fusão ou cisão. Com a devida venia transcrevese a seguir: Lei n° 8.981, de 1995: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo Fl. 430DF CARF MF 10 negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei n° 9.065, de 1995: Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Notese que, não há a exceção alegada pela recorrente, de que em razão da cisão parcial, as respectivas bases negativas poderiam ser integralmente aproveitadas. E o fato de não haver expressa vedação legal (Lei n.º 8.981/1995, art. 58 e Lei n.º 9.065/1995, art. 16), também não autoriza a pretendida compensação integral. É importante que sejam atendidos os estritos comandos na norma cogente. Pois, da mesma forma que não encontramos neste caso autorização para a não observância da referida Trava de 30%, haverá situações nas quais também não deveremos encontrar razão para a cobrança de tributos, sem que haja expressa previsão legal. Assim, de lado a lado, não há lugar para interpretações extensivas. Sabemos que, a tese sustentada pela recorrente já foi acolhida pelo CARF. Vale citar o Acórdão n° 0105.100, de 19/10/2004, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que o limite de utilização de 30% não seria aplicado nos casos de extinção de pessoa jurídica: IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. LIMITE DE 30%. EMPRESA INCORPORADA. À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Não obstante, a mesma 1ª Turma da CSRF, reformou seu entendimento, convergindo com as conclusões externadas nos debates e decisões a respeito, proferidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dessa forma, proferiuse o Acórdão n° 9101 00.401, de 02/10/2009, publicado em 02/01/2011: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que Fl. 431DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 427 11 permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Esse entendimento também foi ratificado pela CSRF, no Acórdão n° 9101001.33: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão n° 9101001.337, 1a Turma/CSRF, sessão de 26 de abril de 2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) Em pesquisa na jurisprudência disponível no sítio do CARF, observamos que prevalece o entendimento de que evento de cisão, incorporação ou fusão não têm a condão de descaracterizar a trava dos 30% de aproveitamento dos prejuízos fiscais, como se verifica nas ementas a seguir: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO DE 30%. EXERCÍCIO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima desse limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (1a Câmara/2a Turma Ordinária/Primeira Seção, 09/04/2014, Ac. 1102001.081, Relator José Evande Carvalho Araújo) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. (1a Turma Ordinária/3a Câmara/Primeira Seção, 14/03/2012, Ac. 130100.822, Relator Edwa Casoni de Paula Fernandes Jr.) Fl. 432DF CARF MF 12 IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÃO de 30% APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS N°s 8.981 e 9.065 de 1995. (SUMULA N° 3 DO 1° CC). A partir do ano calendário de 1995, o lucro liquido ajustado e a base de cálculo positiva da CSLL poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anoscalendário subseqüentes (arts. 42 e parágrafo único e 58, da Lei nº 8981/95, arts. 15 e 16 da Lei n. ° 9.065/95). A partir de 01 de Janeiro de 1.997, por força do artigo 60 da Lei n° 9.430/96, as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para realização de seu ativo e pagamento do passivo. (2a Turma Ordinária/4a Câmara/Primeira Seção, 10/03/2010, Ac. 140200.118, Relator Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Com base em tais fundamentos, concluo que não há como acolher as razões expostas pela recorrente. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Há de se ressaltar, ainda, que saldo negativo invocado pela Recorrente em seu pedido de compensação compõese também de estimativas compensadas, cujo direito creditório só foi reconhecido para aqueles pedido de compensação que foram efetivamente homologados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, neste ponto, a compensação das estimativas caracterizase como confissão de dívida e, caso não seja dado provimento aos apelos nos processos administrativos em que se discutem aquelas compensações, o contribuinte será intimado para efetuar o pagamento daqueles valores confessados. Se não fizer o pagamento espontaneamente, irá ser ajuizada execução fiscal por parte da PGFN, uma vez que, no caso de confissão de dívida, não é necessário a instauração de processo administrativo de cobrança. Assim, a glosa daquelas estimativas do saldo negativo implicaria em cobrança em duplicidade. É que, de fato, o §6º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, caracteriza como confissão de dívida o débito declarado em pedido de compensação sendo, inclusive, prescindível a instauração de processo administrativo de cobrança em caso de não pagamento espontâneo dos valores por parte do contribuinte. Ou seja, uma vez confessada a dívida e não paga, o débito será encaminhado à PGFN para a devida inscrição em dívida ativa e ajuizamento da Execução Fiscal em face do contribuinte, nos termos dos parágrafos 7º e 8º da mencionado artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Transcrevese abaixo a literalidade dos dispositivos legais citados: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 428 13 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por outro lado, ao proceder a glosa do saldo negativo do IRPJ daqueles valores das estimativas confessados, estará caracterizada a cobrança em duplicidade, uma vez que o contribuinte, como mencionado, será cobrado dos valores das estimativas e, ainda, não poderá incluir estes mesmos valores na composição do seu saldo negativo. Assim, não há dúvidas de que os valores das estimativas, declaradas e confessadas via pedido de compensação, estão aptos a compor o saldo negativo. E os processos administrativos em que se discute as compensações das estimativas em nada influenciarão na composição do saldo negativo. Independentemente do resultado daqueles processos (em que se discute as compensações das estimativas), o saldo negativo não será alterado. Se houver provimento ao apelo do contribuinte, o pagamento do valor será confirmado e, por consequência, será considerado na composição do saldo negativo. Se não houver êxito no processo administrativo, o contribuinte será cobrado, uma vez que confessou a dívida da estimativa, e, também por consequência, o saldo negativo não será afetado, já que ele se compõe, em parte, das estimativas. Pensar de forma diversa, ou seja, que o contribuinte poderá não pagar o débito da estimativa e, assim, se valer de um crédito inexistente, é trabalhar hipoteticamente, o que não se pode admitir no âmbito do direito. Se o contribuinte não pagar o débito, será executado, com todos os ônus inerentes à execução fiscal, inclusive ter seu patrimônio expropriado de forma forçada (bloqueio de bens e de contas bancárias, por exemplo). O que não se pode admitir é a cobrança em duplicidade do mesmo valor: das estimativas e da glosa destas (redução) do saldo negativo. Não se pode perder de vista que a própria Receita Federal do Brasil admite que, uma vez confessados os valores das estimativas, via Dcomp, caberá a cobrança destes valores, sem afetar a composição do saldo negativo. O trecho da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18/06 é neste norte. Confirase: Fl. 434DF CARF MF 14 Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para os fins de cálculo e cobrança de multa isoladas pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União. Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. O entendimento exarado pela Receita Federal do Brasil vai ao encontro do que restou consignado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, o qual admite a cobrança dos valores decorrentes de compensações não homologadas. Eis as conclusões do referido parecer: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já proferiu diversos julgados na linha aqui exposta. Neste sentido, vejase as seguintes ementas: Número do Processo 10880.902887/201129 Nº Acórdão 1201001.548 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16306.000359/200929 Acórdão n.º 1302003.274 S1C3T2 Fl. 429 15 duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.IRRF. GLOSA EM DESPACHO DECISORIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a hipótese em que todas as informações necessárias para o seu exercício foram asseguradas e disponibilizadas ao contribuinte.SALDO NEGATIVO. EFETIVO PAGAMENTO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP. COMPENSAÇÃO.Comprovado que o contribuinte efetivamente recolheu estimativa mensal de IRPJ, e que esta somente foi utilizada como dedução na apuração anual do IRPJ sobre o lucro real sob julgamento, resta assegurado ao contribuinte o direito à utilização do respectivo saldo negativo, ultrapassando se o mero equívoco no preenchimento da DCOMP. Número do Processo 13884.721654/201428 Nº Acórdão 1201001.649 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 (...) .COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo.Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal.A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Portanto, deve ser reconhecido o direito creditório da integralidade das estimativas que compõe o saldo negativo, inclusive aquelas que foram pagas via pedido de compensação, mesmo que estes tenham sido não homologados ou homologados parcialmente pela Receita Federal do Brasil. Por todo exposto no mérito do presente processo, DÁSE PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Recorrente, reconhecendose apenas as estimativas compensadas na formação do saldo negativo. (assinado digitalmente) Fl. 436DF CARF MF 16 Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 437DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.909883/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 98 83 /2 01 2- 29 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11065.909883/201229 Acórdão n.º 3302006.443 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DComp), em razão do transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre a data da arrecadação e a data da transmissão da DComp. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo o seguinte: a) o prazo para se pleitear a restituição do crédito extinguese a partir da data da transmissão da declaração de compensação, sendo equivocado o entendimento de que a extinção do crédito em tributo sujeito ao lançamento por homologação ocorre a partir do pagamento antecipado; b) o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já apreciou a questão (REsp 1.002.932/SP), concluindo que o prazo para se pleitear a restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da Lei Complementar nº 118/2005 segue a tese dos cinco mais cinco anos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10045.722, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito de se pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou de utilizar o indébito para fins de compensação decai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando que o termo inicial para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito fosse a data de entrega da DCTF retificadora, em conformidade com o decidido no REsp 1.002.932/SP, julgado na sistemática de recursos repetitivos. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.909883/201229 Acórdão n.º 3302006.443 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.436, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11065.909876/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.436): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide se restringe ao termo inicial para repetição do indébito tributário. A recorrente pleiteia que o termo inicial seja contado a partir da entrega de DCTF retificadora, a qual teria constituído o crédito cujo extinção por pagamento seria indevida. A matéria foi pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do § 2º1 do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11065.909883/201229 Acórdão n.º 3302006.443 S3C3T2 Fl. 5 4 estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11065.909883/201229 Acórdão n.º 3302006.443 S3C3T2 Fl. 6 5 HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11065.909883/201229 Acórdão n.º 3302006.443 S3C3T2 Fl. 7 6 privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados após 09/06/2005, como é o caso dos presentes autos (DCOMP entregue em 29/11/2010), devese considerar a extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado, no caso 15/02/2005, sendo este o termo inicial para contagem do prazo prescricional de cinco anos e não no momento de entrega de DCTF retificadora. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, no presente processo, a DComp foi transmitida em 29/11/2010, após, portanto 09/06/2005, tendo o pagamento sido antecipado em 14/05/2004, termo inicial para a contagem do prazo prescricional de cinco anos. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903417/2010-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.537
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 34 17 /2 01 0- 08 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 81 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 64/65) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 52/56), proferida em sessão de 07 de outubro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1241.287, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/08/2010 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 19299.01852.140706.1.3.042443 (efls. 18/22), transmitido em 14/07/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM OUTRO PER/DCOMP. DUPLICIDADE. Comprovado que o crédito em questão foi integralmente utilizado em outro per/dcomp, não restando valor disponível, não se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de DCOMP n.º 19299.01852.140706.1.3.042443 (fls. 18/22) não homologada por meio do despacho decisório (fl. 04) em virtude da impossibilidade de confirmar a procedência do crédito original informado pois a declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente não foi apresentada. A DCOMP informa crédito relativo a pagamento indevido, arrecadado em 10/06/2002, sob o código 6106, no valor de R$ 4.018,10, Período de Apuração: 31/05/2002. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 82 3 A interessada foi cientificada em 16/08/2010 (fl. 23) e apresentou manifestação de inconformidade em 27/08/2010 (fls. 02/03) alegando que: apresenta manifestação de inconformidade contra o indeferimento da dcomp nº 41023.56546.240706.1.3.040043; que não transmitiu a dcomp n.º 19299.01852.140706.1.3.042443, citada no despacho decisório, e que tal declaração de compensação não foi localizada pelo atendimento da RFB; que foi excluída do Simples por meio do ato declaratório executivo DRF/VIT n.º 422180, de 07/08/2003, com efeitos desde 01/01/2002; que a Declaração PJ Simples apresentada foi cancelada após a exclusão; que recalculou seus tributos, apresentou a DIPJ com base no Lucro Presumido e solicitou a compensação de tais tributos com o Simples recolhido indevidamente. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 4.018,10, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, não foi possível confirmar a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, pois a declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente não foi apresentada à Receita Federal, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/05/2002 6106 R$ 4.018,10 10/06/2002 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/08/2010 Principal: R$ 6.898,68 Multa: R$ 1.379,72 Juros: R$ 7.844,51 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Verificase que a interessada pleiteou o mesmo crédito por meio das DCOMPs n.º 13671.83986.130706.1.3.044630, n.º 19299.01852.140706.1.3.042443 e n.º 41023.56546.240706.1.3.040043. A dcomp n.º 41023.56546.240706.1.3.040043 está pendente de análise, portanto, não cabe apresentação de manifestação de inconformidade, uma vez que não houve análise pela unidade de origem (DRF Vitória). A dcomp n.º 19299.01852.140706.1.3.042443 é o objeto deste processo e não cabe a alegação de que não foi transmitida, nem localizada, já que consta cópia da mesma (fls. 18/22) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 83 4 acostada no presente processo e discrimina os dados do mesmo DARF pleiteado anteriormente pela interessada. Quanto a dcomp n.º 13671.83986.130706.1.3.044630, o crédito já foi reconhecido por meio do acórdão n.º 1232.776 de 18/08/2010 (fls. 47/51). Desta forma, não há crédito disponível visto que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na DCOMP 13671.83986.130706.1.3.044630. No recurso voluntário (efls. 64/65), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que o PER/DCOMP deve ser cancelado e afirma que os débitos que estão sendo cobrados em sua totalidade não correspondem ao apurado e declarados nas respectivas obrigações acessórias, bem como encontramse pagos ou compensados. Diz que não apresentou o PER/DCOMP em questão, pois os débitos informados já foram liquidados de forma distinta. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 84 5 Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 4.018,10. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 28/11/2011, efls. 58 e 63, e protocolo recursal em 22/12/2011, efl. 64), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição, aliás, em regra, a análise do crédito é o objeto da lide, da análise da inconformidade; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte aponta em confissão e indica para ser objeto da quitação via compensação. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 85 6 No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, não reconhecendo a existência de crédito líquido e certo, não reconhecendo o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, não tinha como ser aferido, deixando de se apresentar de forma líquida e certa, pois a obrigação acessória não havia sido cumprida e cuidandose de sistema eletrônico a confrontação da liquidez e certeza passaria pelos cruzamentos de dados armazenados digitalmente. De toda sorte, a DRJ bem analisou toda a contenda destacando que a recorrente vindicou o direito creditório objeto desta lide (PER/DCOMP n.º 19299.01852.140706.1.3.042443) em outros PER/DCOMP's, a saber: n.º 13671.83986.130706.1.3.044630 e n.º 41023.56546.240706.1.3.040043. Aliás, constatou a primeira instância que no PER/DCOMP n.º 13671.83986.130706.1.3.044630 o crédito já foi reconhecido por meio do acórdão n.º 1232.776, de 18/08/2010 (fls. 47/51). Lá foi reconhecido o direito de compensar os pagamentos indevidos realizados na sistemática do SIMPLES com débitos relativos a apuração pelo lucro presumido, sendo que, após o procedimento compensatório, não remanesceu créditos. Logo, não há crédito para o PER/DCOMP desta lide, vez que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado. Não havendo saldo disponível, então assiste razão ao indeferimento da compensação, eis que não se reconhece o direito creditório, não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Por outro lado, numa análise mais criteriosa e expansiva da defesa observase que o recorrente alega que o PER/DCOMP objeto destes autos não teria sido transmitido, nem localizado. Deveras, o contribuinte vem alegar que o PER/DCOMP objeto dos autos deve ser cancelado e afirma que os débitos que estão sendo cobrados em sua totalidade não correspondem ao apurado e declarado nas respectivas obrigações acessórias, bem como encontramse pagos ou compensados. Sustenta, inclusive, que não teria apresentado o PER/DCOMP em questão, pois os débitos informados já teriam sido liquidados de forma distinta. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente quanto a afirmativa de que não apresentou o PER/DCOMP objeto desta lide, uma vez que o mesmo consta anexado neste processo e, em regra, decorre de transmissão do sujeito passivo ou de seu procurador ou preposto, inclusive constando os dados decorrentes da transmissão eletrônica (efls. 18/22). Aliás, quanto a negativa de autoria da transmissão do PER/DCOMP, o recorrente, a despeito de suas alegações, não apresenta quaisquer provas para comprovar seu arrazoado, não apresenta o mínimo de elementos para uma eventual possibilidade de reconhecimento do alegado. Sequer afirma, sob as penas da lei, que não foi o autor do PER/DCOMP; não apresenta protocolo de eventual processo administrativo próprio para apuração do suposto fato; não junta eventual boletim de ocorrência de suposto delito, denunciando a suposta infração penal por uso indevido de seu nome por terceiros na apresentação do PER/DCOMP. Desta feita, não há como considerar as afirmativas da defesa, desprovidas de elementos mínimos de verossimilhança. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 86 7 Em realidade, consoante se lê no recurso voluntário, o sujeito passivo não controverte quanto a improcedência do pedido de crédito, portanto é, inclusive, incontroverso a inexistência do direito creditório. O que pretende, efetivamente, o sujeito passivo é atacar os débitos confessados, indicados para extinção por meio da compensação, os quais não foram compensados por inexistir o direito creditório. Em outras palavras, o ponto de inconformismo do contribuinte, em última análise, é a pretensão de cancelar o PER/DCOMP ou os efeitos jurídicos da DCOMP, pretendese negar a existência dos débitos confessados ou, alternativamente, objetiva que se reconheça que os mesmos já estão extintos ou que não houve a confissão, caso ocorra o cancelamento com retorno ao status quo ante. Pois bem, mesmo assim, não prospera o inconformismo do sujeito passivo, não lhe assistindo razão. Não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Vejase. Não existe erro in procedendo ou erro in iudicando no julgamento de primeira instância, de modo que não se pode falar em reforma do julgado. Deve ser ressaltado que, mesmo que fosse possível efetuar o cancelamento da declaração de compensação após seu julgamento, não existe permissão para tal em sede recursal, pois eventual pedido neste viés deveria ter sido direcionado à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) da jurisdição do contribuinte cuja autoridade é competente para apreciar pedido de cancelamento de declaração, conforme previsão normativa contida no art. 295, inciso XI, do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.º 587, de 21 de dezembro de 2010, já que a matéria referente a cancelamento de declaração de compensação não está na esfera de competência das autoridades julgadoras recursais. Importante frisar que o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por inexistência do direito creditório. Vale dizer, os débitos que constam confessados na DCOMP, pelo próprio contribuinte, não são o objeto do mérito a analisar. A indicação dos débitos ocorreu de modo unilateral pelo próprio contribuinte, sendo ato próprio de sua responsabilidade, impondo a legislação força de confissão de dívida (Lei 9.430, art. 74, § 6.º). Se referidos débitos já foram extintos, por quaisquer que sejam os meios e formas em que ocorreu eventual extinção, hipótese em que seria uma duplicidade exigi los na DCOMP objeto destes autos, a qual teve a compensação negada, se eventualmente puder se falar que ocorreu erro de fato na confissão deles por ocasião da transmissão da referida declaração pelo contribuinte, a solução não passa por este caderno processual, mas sim por postulação diretamente na unidade de origem, por força de competência própria. Explico. Para evitar eventual indébito, com recolhimento em duplicidade do mesmo tributo, caso o débito confessado na DCOMP já tenha sido extinto, tendo sido um "equívoco" indicálo na DCOMP, deverá o sujeito passivo postular a confirmação da inexistência do débito ou, na realidade, a extinção dele, em petição própria, encaminhada para a autoridade administrativa na origem (DRF), requerendo o cancelamento de ofício da cobrança a fim de obstar uma dupla exigência tributante ou uma exigência indevida, afinal o procedimento justificase pelas próprias características da obrigação tributária e pelo princípio da verdade material, pois o tributo somente é devido se houver plena subsunção Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 87 8 entre o fato que se observa na realidade e aquela hipótese prevista pelo legislador e na exata medida de sua mensuração. Eventual erro de fato, com o apontamento em DCOMP de débito extinto ou que se extinguiu no tempo após transmissão da declaração, trazendo duplicidade de exigência neste momento, caso seja compelido a pagar o débito confessado em DCOMP, deve ser objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III), por força de competência própria não outorgada ao juízo recursal, requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício de crédito tributário constituído e de declaração(ões) apresentada(s) pelo sujeito passivo. Cumprirá à unidade de origem, se for o caso, verificar se o crédito tributário reconhecido e confessado no PER/DCOMP já foi objeto de pagamento ou extinto por outros meios legais de extinção do crédito tributário (do débito do contribuinte), evitandose uma duplicidade de exigência tributante de uma mesma situação. Adotarseá, para cada cenário, os procedimentos administrativos pertinentes, sendo certo que um só fato gerador não poderá resultar em duas exações. Em suma, carece, em regra, este Colegiado de competência para dizer o direito relativo ao pronunciamento sobre o débito indicado unilateralmente pelo contribuinte para a compensação. O objeto do julgamento é exercer o controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por base no não reconhecimento da parcela do direito creditório vindicado. A regra não é focar no débito, mas no direito creditório postulado. Devese analisar se há erro in procedendo ou erro in iudicando no não reconhecimento do direito creditório. Eis a temática em litigiosidade. Por conseguinte, o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por inexistência do direito creditório. A competência recursal outorgada para este Colegiado decorre da inconformidade relativa a não homologação da compensação. Vale dizer, o interesse recursal do contribuinte, que abre a via recursal e outorga competência para este Colegiado, é quanto a não homologação. Seria contraditório o sujeito passivo buscar exatamente confirmar a não homologação da compensação, já que não se compensa um débito que em hipótese não existiria. Este entendimento, aliás, já foi deliberado anteriormente no CARF, a teor da seguinte passagem no Acórdão n.º 1402002.151: Antes de apreciar as razões de defesa, importa ressaltar a natureza do pedido de compensação, como o presente. O que se analisa em processos desse tipo é, fundamentalmente, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. A autoridade julgadora não se pronuncia sobre o(s) débito(s) que está(ão) sendo quitado(s) mediante compensação, mas sim se o crédito suscitado pelo demandante está demonstrado, total ou parcialmente. Essa é a lide. Ainda que a cobrança do débito seja uma conseqüência natural da compensação não homologada, é procedimento a cargo da Unidade Local da RFB e não se confunde com a matéria aqui sob exame. Em outras palavras, qualquer argumento que se relacione com a cobrança dos débitos não homologados deve ser direcionado à autoridade responsável pela execução da decisão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10783.903417/201008 Acórdão n.º 1002000.537 S1C0T2 Fl. 88 9 Destaco e reafirmo que, na forma explanada em linhas pretéritas, a lide, em regra, não diz respeito ao débito, buscandose no litígio apurar a certeza e liquidez do direito creditório vindicado, o que não restou demonstrado e só por isso não ocorreu a homologação da compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação por não reconhecer o crédito, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de supostos erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.009074/2003-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
RETIFICADORA
O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.528
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Marcelo Baeta Ippólito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Brasília que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de declaração de compensação (fl. 1), na qual a contribuinte acima identificada, compensa pretenso crédito de IRRF incidente sobre Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Cód. 1708), no valor de R$ 1.708,20, como débito de Cofins apurado em junho/2003, no mesmo valor. Para subsidiar o seu pedido à empresa juntou a este processo cópia do Razão Analítico das retenções efetuadas no anocalendário 2003 (fl. 2). A autoridade administrativa no despacho decisório (fls. 17/19), após examinar a questão, resolveu não homologar a declaração de compensação por considerar indevida a compensação direta do IRRF com tributos ou contribuições de espécies diferentes. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 10/04/2007 (fl. 22 v). Inconformada apresentou em 07/05/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 23 a 24), na qual, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: a decisão proferida no despacho decisório está equivocada, porque o pedido não trata de compensação de imposto de renda retido na fonte, mas sim de saldo negativo de imposto de renda retido por pessoas jurídicas nos anoscalendários 1999 a 2002, compensado neste processo e demonstrado no Per/Dcomp pelo que não há se falar em antecipação; o saldo negativo compensado está informado na pág. 20, 4º trimestre, linhas 12 e 18 da DIPJ/2002, e o total de impostos e contribuições a recuperar na página 50 linha 10, na qual consta às contribuições retidas por pessoas jurídicas, que compõe o saldo negativo, e houve falha no preenchimento da declaração de compensação ao não marcar o item de saldo negativo de IRPJ e CSLL e também no preenchimento da DIPJ/2002, mas tais falhas já foram corrigidas, conforme cópias anexadas da DIPJ retificada; do Balanço de 2002 e do Razão Analítico de 1999 a 2003 da conta IRRF a recuperar e anexo geral para todos os processos de cópias das Notas Fiscais onde ocorreram as retenções do IRRF, que visam provar o saldo na conta do ativo "Impostos e Contribuições a Recuperar", no valor de R$ 15.888,87 e sua evolução em 2003, e caso essa Secretaria entenda que os documentos apresentados não se mostram suficientes para provar o alegado, está ao inteiro dispor para apresentar o que for solicitado. Se ainda assim persistir dúvidas, requer diligência para verificar "in loco" os documentos fiscais que comprovam de forma inequívoca a verdade do que ora requer. Por derradeiro, requer a reconsideração do despacho decisório, para homologar a referida compensação, eis que a mesma foi regularmente efetuada, conforme se pode constatar na análise dos documentos, ora anexados. A DRJ decidiu: “O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.” Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009074/200323 Acórdão n.º 110300.528 S1C1T3 Fl. 2 3 A contribuinte recorreu: DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ O Livro Diário e o Razão demonstram claramente que os valores relativos ao Imposto de Renda Retido Na FonteIRRF, incidentes sobre as Notas Fiscais emitidas pela empresa, e identificadas uma a uma, tiveram seus saldos superiores ao imposto de renda devido, passando de um para outro exercício, o que caracteriza a existência de Saldo Negativo do IRPJ, senão vejamos: Da composição do saldo da conta contábil 128536 — IRRF A RECUPERAR: Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/1999 R$ 15.589,77; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2000 R$ 16.914,47; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2001 R$ 17.908,26; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2002 R$ 15.888,87 Na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício de 2003 —página 20, Ficha 12A, 40 trimestre, linha 13 e linha 18, encontrase a informação do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.888,87; Ainda nessa mesma DIPJ — balanço patrimonial — página 50, Ficha 38A, linha 10, encontrase o valor dos impostos e contribuições a recuperar no total de R$ 18.244,21, onde está contido o valor de R$ 15.888,87 relativo ao saldo do IRPJ a recuperar. O prazo para o contribuinte efetuar a retificação das declarações é o mesmo prazo previsto no §4° do art. 150 do CTN, qual seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, dentro deste prazo legal, constatado o erro material no preenchimento, perfeitamente válida é a retificação. O mero erro material não altera o direito do contribuinte, pois, como demonstramos anteriormente, não se pode admitir que um erro material na informação dada em uma obrigação acessória seja o suficiente para configurar a existência de um crédito tributário. É certo que somente após constatar os equívocos cometidos é que o recorrente teve a oportunidade de proceder a correção dos erros de preenchimento da DIPJ e do PERD/COMP. Anexa jurisprudência. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A questão fulcral para o deslinde da pendência é o reconhecimento ou não do pretenso crédito de IRRF, bem como a sua compensação com débito de Cofins, apurado no mês de junho de 2003. A legislação tributária estabelece que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor pago ou retido na fonte na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período (IN SRF nº 600, de 2005, art. 10). A recorrente afirma que com a retificadora, os créditos seriam de saldo negativo. Do Acórdão da DRJ transcrevo: “A recorrente argumenta que o crédito pleiteado não se refere ao IRRF, mas sim saldo negativo de imposto. Para provar tal alegação junta ao processo cópia de DIPJ retificadora; Per/Dcomp retificadora, e cópias do Balança Patrimonial, Demonstração do resultado do Exercício e de folha do Razão Analítico; contudo, nesses documentos a manifestante não prova a existência do saldo negativo reclamado. Registrese, por oportuno, que esses documentos não servem de provas para comprovar o saldo negativo alegado: primeiro, porque as declarações retificadoras (DIPJ e Per/Dcomp) foram apresentadas, após a ciência do despacho decisório, e segundo, porque nos demonstrativos e balanço patrimonial consta apenas à existência de suposto crédito a recuperar, não fazendo qualquer referência a saldo negativo de imposto.” De fato, a legislação de regência Instrução Normativa n°. 376/2003, art. 6°determina: "Art. 6 O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.2, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7 2 e 82" Assim, como vemos, a retificadora aqui apresentada foi a destempo, pois, foi 04/05/2007 enquanto o despacho decisório foi em 10/04/2007, portanto, as informações nela Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009074/200323 Acórdão n.º 110300.528 S1C1T3 Fl. 3 5 contidas não podem ser consideradas. Quanto à documentação acostada pela recorrente, só há provas da retenção, não há provas do saldo negativo. Ademais, a recorrente fazia sim compensação de fonte, não se tratando de erro de fato. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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