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Numero do processo: 10907.002247/2008-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/07/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 9303-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Relator
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator Designado .
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 22 47 /2 00 8- 76 Fl. 143DF CARF MF 2 Demes Brito Redator Designado . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Contesta a Fazenda Nacional o acatamento da denúncia espontânea para afastar penalidades que tenham por tipo o descumprimento de obrigação acessória não vinculada diretamente ao recolhimento de tributo. No caso dos autos, a Primeira Câmara desta Seção afastou a que é prevista pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. O recurso se assenta em dois acórdãos paradigmas (nºs 301120.343 e 3802 001.128), que, efetivamente, decidiram em sentido diametralmente oposto, sendo o segundo relativo à mesma multa e proferido após a edição da Lei 12.350. Ambos aduzem, basicamente, que o art. 138 do CTN não alcança infrações por descumprimento de obrigações acessórias consoante farta jurisprudência oriunda do STJ, inclusive já sumulada. Admitido, o recurso foi contraarrazoado no sentido da manutenção do julgado por seus próprios fundamentos. É o sucinto relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 144 3 Voto Vencido Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator No que tange à admissibilidade, entendo ter sido ela bem examinada no despacho que admitiu o recurso, na medida em que a segunda decisão examinou a mesma penalidade e afastou a pretendida denúncia espontânea. Não considero óbice ao conhecimento o fato de o acórdão não ter feito qualquer menção à Lei 12.350 ao menos no trecho reproduzido pela Fazenda Nacional em seu recurso mesmo tendo sido ele prolatado já na vigência desta última, esta que é, para mim, a condição para sua aceitação. Dele conheço, pois. A matéria, única, diz respeito à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea a infrações por descumprimento de prazo para prestação de informação de natureza aduaneira. Filiome à posição muito bem esposada pela Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, que reconhece a aplicabilidade do instituto, pedindo vênia para transcrever como minhas as considerações daquela i. conselheira1: Na sessão de julgamento em que foi votado o recurso voluntário interposto nestes autos, durante os debates que se sucederam à leitura do voto do Conselheiro relator, dele divergi, essencialmente, porque entendo ser aplicável ao caso, em deferência ao princípio da retroatividade benigna, a Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, e passo a expor as razões que conduziram meu voto divergente, que foi seguido pela maioria do colegiado. Inicialmente, registro que, com efeito, as razões de decidir tomadas do voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento para fundamentar o entendimento de que a infração de que cuidam estes autos não é passível de ser denunciada espontaneamente foram muito bem elaboradas, formando um todo lógico, porém, a meu ver, diante da orientação das normas gerais de direito tributário para a interpretação literal de legislação relativa a exclusão de crédito tributário, tais razões de decidir compõem um corpo lógico, mas inoponível em sede de julgamento que se processa diante da lei positivada. Por outras palavras, diante da literalidade do dispositivo legal invocado para sustentar o instituto da denúncia espontânea, a tese defendida de que a exclusão da penalidade só pode alcançar infração denunciável encontra obstáculos. O primeiro obstáculo está no incontestável fato de que a lei não estabeleceu o que seria ou a quais seriam as penalidades denunciáveis e não poderia, sem que se afete a segurança jurídica, estar a juízo do intérprete cada um com seus subjetivos critérios estabelecer quais seriam essas penalidades. 1 Processo 10830.720383/201005 Fl. 145DF CARF MF 4 Ao contrário, o que se percebe do texto legal é que a inovação trazida pela Lei nº 12.350, de 2010, veio ampliar o alcance do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para deixar fora do seu círculo de afetação apenas as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ou seja, intenta alcançar as penalidades de natureza tributária e também as de natureza administrativa, excetuando apenas a hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento. Assim, claro está que o dispositivo legal, por si só, possui caráter extensivo. Assim, por esse primeiro obstáculo, a meu ver, a muito bem defendida tese transcrita em seu voto pelo relator deste processo prestarseia a subsidiar o legislador na elaboração da lei, mas não a sustentar interpretação contrária à literalidade da lei posta, que é, pelos seus próprios termos, extensiva e, pelo princípio da legalidade que rege a atividade administrativa, de aplicação obrigatória. Ademais disso, divirjo do próprio mérito do arrazoado apresentado no voto vencido, porque não vislumbro harmonia entre o propósito da norma infringida, que é a obtenção de dados pertinentes ao comércio exterior do País, com vista ao controle aduaneiro e administrativo, e o entendimento de que a infração não seria denunciável baseado na conclusão de que a conduta comissiva (informar extemporaneamente a data do embarque) é que materializaria a infração punível com a penalidade pecuniária lançada nestes autos. Ora, essa conclusão apresenta ao menos duas inconsistências. A primeira é a decorrência lógica de que, enquanto não materializada a infração não se pode punir, pois ainda não se teria configurada a infração, tampouco o infrator, e a segunda é que a situação conduziria a contribuinte a optar por não prestar a informação, visto que não parece razoável que se espere que a contribuinte labore em prol da materialização de infração que lhe acarretará ônus financeiro. Assim, do entendimento defendido no voto vencido, inferese que, uma vez constatado que não se cumpriu o prazo para a informação da data do embarque, a fiscalização estaria impedida de instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa, impedimento este só possível de ser afastado pelo ato comissivo da contribuinte de prestar, a destempo, a informação a que está obrigada. Ou seja, a infração passaria a ser prestar a informação após o prazo estabelecido (ato comissivo) e não o mero deixar de informar no prazo estabelecido (ato omissivo). Notese que a transmutação da infração de ato omissivo para ato comissivo, não resiste à literalidade do enquadramento legal do lançamento em questão, cujos termos reproduzemse: (...) Ademais, a infração em questão, nos termos em que definida pelo art. 94 do Decretolei nº 37, de 1966, decorre mesmo de omissão da contribuinte que deixou de observar o prazo estabelecido em Instrução Normativa. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 145 5 Assim, por entender que, uma vez transcorrido o prazo normativo e persistindo a omissão da contribuinte quanto às informações que está obrigada a fornecer à administração aduaneira, a autoridade competente pode e deve instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa cominada pela lei, a menos que a contribuinte antecipese à fiscalização com o adimplemento da obrigação acessória, não há como acolher a tese defendida no voto vencido. Diante disso, o que de fato se constata aqui é a omissão também da fiscalização em averiguar o cumprimento dos prazos pela contribuinte que, antes do início de algum procedimento fiscal, prestou as informações requeridas, fazendo jus, portanto, à incidência do art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Dessas judiciosas considerações em nada discrepo. Esse tema foi também objeto de alentado e judicioso artigo2 de autoria do eminente especialista em direito aduaneiro e exmembro deste Conselho, o dr. Rodrigo Mineiro Fernandes, do qual extraio as seguintes esclarecedoras passagens. Começando pela distinção entre as obrigações aduaneiras e as tributárias: (...) 2.1. Obrigação aduaneira e obrigação tributáriaaduaneira O CTN define, em seu artigo 113, as obrigações tributárias como sendo principal ou acessória. Segundo sua definição, a obrigação tributária é aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Já a obrigação acessória é aquela prevista na legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A jurisprudência do STJ diferencia as obrigações acessórias vinculadas à incidência tributária daquelas sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, denominandoas de obrigações acessórias autônomas. Entretanto, tal análise referese exclusivamente ao regime jurídico tributário, no qual a obrigação tributáriaaduaneira, referente aos tributos incidentes nas operações aduaneiras, está inserida. Importanos, para o presente estudo, apreciarmos a questão do ponto estritamente aduaneiro: as obrigações aduaneiras. 2 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. A denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.25. São Paulo: IOB, 2015, p.925. Fl. 147DF CARF MF 6 Não encontramos a definição de obrigação aduaneira expressamente na normativa aduaneira brasileira, mas apenas a referência à obrigação tributária. Um conceito mais próximo de “obrigação aduaneira” é encontrado nas definições da Convenção de Quioto Revisada e também utilizada no Código Aduaneiro Comunitário (Europeu), no termo “formalidades aduaneiras”: conjunto das operações que devem ser executadas pelas pessoas interessadas e pelos serviços aduaneiros para cumprimento da legislação aduaneira. (...) Preferimos adotar a denominação de obrigação aduaneira, sem classificála como sendo principal ou acessória, visto que sua natureza sempre será vinculada ao bem jurídico protegido pelo Direito Aduaneiro, qual seja, o controle aduaneiro. Dessa forma, toda a obrigação aduaneira é principal e essencial ao devido controle aduaneiro previsto no art. 237 da Constituição Federal. Se a obrigação foi imposta pela autoridade aduaneira, ela estará sempre vinculada ao poder constitucionalmente outorgado à Aduana, sempre vinculada ao devido controle aduaneiro. Outra questão será a obrigação tributária, vinculada à arrecadação de tributos, essa sim classificada como principal ou acessória. O ponto chave para diferenciar as obrigações está na motivação de sua criação: enquanto as obrigações acessórias são instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos, as obrigações aduaneiras têm sua gênese ligada às medidas de controle das operações de comércio exterior, independentemente de fins tributários. Portanto, adotamos no presente estudo a seguinte denominação: (i) obrigação aduaneira, vinculada ao bem jurídico tributário tutelado pelo Direito Aduaneiro, o controle; (ii) obrigação tributáriaaduaneira principal, que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária; e (iii) obrigação tributária aduaneira acessória, que tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos A partir dessa diferenciação, demonstra o i. exconselheiro o alcance da alteração promovida pela Lei 12.350: (...) O legislador ampliou os efeitos da denúncia espontânea, incluindo as infrações aduaneiras decorrentes da violação do devido controle aduaneiro, independentemente de seu vínculo com a obrigação tributária principal. Não encontramos no texto legal qualquer limitador quanto à natureza da obrigação aduaneira infringida, exceto as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Destacamos, mais uma vez, que tanto as infrações por descumprimento de prazos ou aquelas por omissões na apresentação de algum documento previsto na normativa aduaneira, possuem o mesmo grau de lesividade: a violação do controle aduaneiro. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 146 7 Encontramos na exposição de motivos da Medida Provisória nº 497, de 27/07/2010, o real alcance da alteração processada pelo legislador: EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT Brasília, 23 de julho de 2010. 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. (grifo nosso) O texto acima transcrito deixa claro o alcance da alteração legislativa processada: que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, mesmo aquelas vinculadas ao descumprimento da obrigação acessória, exceto as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento Ainda que imprecisa ao classificar as obrigações aduaneiras como sendo obrigações acessórias, a Exposição de Motivos da Medida Provisória deixa claro que o legislador não limitou o alcance da denúncia espontânea em matéria aduaneira, alcançando todas as penalidades pecuniárias. Entender de forma diversa é contrariar o objetivo pelo qual a lei foi editada. 4. CONCLUSÃO Os defensores da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea nas sanções aduaneiras, especialmente nas infrações que têm em seu tipo o elemento do descumprimento do prazo de prestação de informação ou de apresentação de documentos à Administração aduaneira, buscam fundamentos nos seguintes pontos: (i) na jurisprudência do STJ, no sentido de que a infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória autônoma, isto é, aquela sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo, constitui infração formal de natureza não tributária não alcançada pelo instituto da denúncia espontânea; e (ii) na incompatibilidade do instituto da denúncia espontânea com as infrações tributárias formais e as aduaneiras (que) têm na sua tipificação o elemento concernente ao descumprimento do Fl. 149DF CARF MF 8 prazo de prestação de informação ou de entrega de documentos, por impossibilidade material. Em sentido diverso, entendemos pela aplicabilidade da denúncia espontânea nas sanções aduaneiras, desde que atendidos os requisitos legais, com a expressa exceção legal das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Afastamos a aplicação da jurisprudência do STJ acerca das sanções aduaneiras pela constatação de que o entendimento daquele tribunal não é diretamente aplicável às infrações aduaneiras. A jurisprudência consolidada referese a não caracterização das infrações por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, como sendo infrações tributárias aptas a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Em nenhum momento aquele tribunal superior apreciou a aplicação do instituto previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, que trata das disposições específicas aduaneiras, no que se refere ao descumprimento de obrigação aduaneira, não caracterizada como obrigação tributária principal ou acessória. Conforme já exposto, entendo como inaplicável na denúncia espontânea para multas aduaneiras, de forma direta e irrestrita, a jurisprudência consolidada pelo STJ, bem como aquela reproduzida pelo CARF por meio da Súmula nº 49, que trata da inaplicabilidade dos efeitos da denúncia espontânea em relação às infrações tributárias caracterizadas pelo atraso na entrega de declaração. O outro argumento para a inaplicabilidade da denúncia espontânea nas sanções aduaneira também deve ser descartado. Independentemente da natureza da obrigação aduaneira infringida, caso o interveniente do comércio exterior espontaneamente antecipese à autoridade aduaneira e cesse o dano aduaneiro causado (violação ao controle), não estará sujeito à infração aduaneira, logicamente se não estiver sob procedimento fiscal, incluído o procedimento de despacho aduaneiro, até a fase do desembaraço. Não comungamos do entendimento de que a denúncia espontânea aduaneira não poderia ser aventada nas infrações por descumprimento de prazos, por impossibilidade lógica. Entendemos que, nas infrações aduaneiras, sempre o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro foi violado (controle aduaneiro), independentemente do tipo de infração. Mesmo naquelas infrações aparentemente de menor grau de lesividade, o controle aduaneiro é violado. Fazendo um paralelo com as infrações tributárias, mesmo o inadimplemento no recolhimento de tributos afronta a questão do descumprimento de prazos, atingindo também o bem jurídico tutelado pelo Direito Tributário. No caso tributário, é incontroverso que a denúncia espontânea alcança as infrações relativas ao descumprimento de prazo na arrecadação tributária. Em nenhum dos casos a denúncia espontânea tem o condão de desfazer ou paralisar o Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 147 9 fluxo inevitável do tempo, mas o legislador decidiu excluir a responsabilidade pela infração. Entendemos que apenas circunstância de ordem legal poderia impossibilitar a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, como foi feito para as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Constatase que o legislador não fez distinção por tipos de infrações aduaneiras e expressamente manifestouse quanto ao alcance da denúncia espontânea: todas penalidades pecuniárias, exceto as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Caso entendesse de forma contrária, o legislador teria inserido na norma a exceção à regra, da mesma forma que consta de dispositivo semelhante no Direito Aduaneiro Argentino3. No código aduaneiro argentino consta expressamente que a denúncia espontânea não é aplicável às infrações por descumprimento de prazo determinado. Entretanto, tal disposição não consta em nossas normas aduaneiras, por vontade do próprio legislador, conforme exposto na Exposição de Motivos da MP 497 acima transcrita. Dessa forma, entendemos que não há como restringir o alcance da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras a determinados tipos infracionais, por falta de previsão legal, com exceção da pena de perdimento, que a própria exposição de motivos do ato legal que introduziu a inovação é clara ao delimitar o alcance do dispositivo: todas as infrações de caráter administrativo, à exceção da pena de perdimento. Por concordar com todas essas considerações, voto pela manutenção da decisão, negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 151DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redador Designado Com a devida vênia, divirjo da Ilustre Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama, tocante a possibilidade da denuncia espontânea extemporânea a infrações por descumprimento de prazos para prestação de informações de natureza aduaneira. Quanto a esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração3. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 148 11 A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Fl. 153DF CARF MF 12 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 149 13 regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: Fl. 155DF CARF MF 14 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 150 15 última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Fl. 157DF CARF MF 16 O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 151 17 A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação Fl. 159DF CARF MF 18 de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 152 19 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Delimitase a discussão à possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar a exigência de multa administrativa pelo descumprimento de obrigação acessória, nos termos dos artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", ambos do Decretolei nº 37/2010, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. [...] Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...](grifouse) Nos termo da IN SRF nº 800/2007, o transportador deve prestar as informações à Secretaria da Receita Federal sobre veículo ou carga nele transportada antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto do País. A previsão está nos artigos 22 e 50, ambos da IN SRF nº 800/2007, na redação vigente à época, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: Fl. 161DF CARF MF 20 d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifouse) Da leitura dos dispositivos, depreendese que em não sendo prestadas pelo transportador as informações referentes ao veículo ou à carga nele transportada antes da atracação da embarcação em porto do País, aplicase a multa constante do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. No entanto, por força do princípio da retroatividade da norma mais benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, há de ser afastada a penalidade no caso pelo instituto da denúncia espontânea. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decretolei nº 37/66, dáse quando o Contribuinte informa à Administração as infrações por ele cometidas, antes de iniciado procedimento de fiscalização. Referido instituto jurídico beneficia o administrado pois acarreta a exclusão da penalidade correspondente à infração. Nesses termos é a redação do art. 102, §§ 1º e 2º do Decretolei nº 37/1966, conferida pela Lei nº 12.350/2010, prevendo a exclusão das penalidades pelo instituto da denúncia espontânea: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10907.002247/200876 Acórdão n.º 9303004.320 CSRFT3 Fl. 153 21 § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifouse) A Lei nº 12.350/2010, ao atribuir nova redação ao §2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/1966, tornou expressa a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para afastar as penalidades administrativas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Portanto, a denúncia espontânea pode ser aplicada para o afastamento de penalidades de natureza tributária e também de natureza administrativa, sendo excluídas dessas hipóteses as penalidades aplicáveis nos casos de mercadoria sujeita a pena de perdimento. A assertiva é reforçada pelo disposto nos itens 40 e 47 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 497/2010, convertida posteriormente na Lei nº 12.350/2010, in verbis: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. Pontuese que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento de que os efeitos da denúncia espontânea do art. 138 do CTN não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Além disso, dispõe a Súmula CARF nº 49 que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". No caso, o entendimento do STJ e a disposição contida na Súmula CARF nº 49 restam afastados pois: (a) a consolidação da jurisprudência ocorreu anteriormente à edição da Medida Provisória nº 497/2010, bem como não tratou especificamente da aplicação do art. 102 do Decretolei nº 37/66, que trata do descumprimento de obrigação aduaneira; (b) a Súmula CARF nº 49 afasta os efeitos da denúncia espontânea em relação às infrações tributárias em razão do atraso na entrega de declaração, não tendo relação com a legislação aduaneira; e Fl. 163DF CARF MF 22 (c) a nova redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei nº 12.350/2010, aplicável à hipótese dos autos em razão do princípio da retroatividade da norma mais benéfica (art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN), exclui expressamente a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900354/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/09/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 54 /2 01 4- 73 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13888.900354/201473 Acórdão n.º 3401003.725 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/09/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13888.900354/201473 Acórdão n.º 3401003.725 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13888.900354/201473 Acórdão n.º 3401003.725 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910883/2009-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.874
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 83 /2 00 9- 76 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11065.910883/200976 Acórdão n.º 9303004.874 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.169, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11065.910883/200976 Acórdão n.º 9303004.874 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11065.910883/200976 Acórdão n.º 9303004.874 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11065.910883/200976 Acórdão n.º 9303004.874 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000267/2009-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.019
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.909, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 67 /2 00 9- 58 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e Fl. 576DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 4 3 lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o Fl. 577DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 578DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 6 5 possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 7 6 de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 8 7 II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na Fl. 581DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, Fl. 582DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 10 9 mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 583DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 11 10 acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 12 11 àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das Fl. 585DF CARF MF Processo nº 12571.000267/200958 Acórdão n.º 9303005.019 CSRFT3 Fl. 13 12 contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 586DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.721716/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 21 71 6/ 20 14 -6 0 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 957 2 Trata o presente processo de revisão aduaneira com o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas importações de tapetes, conforme planilha apresentada no ANEXO I, efetuadas por TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, por encomenda de K & F COMERCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA, com exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.332.956,89, formalizado em autos de infração para exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e de multas de ofício, no percentual de 150%, previstas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007, além da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/35/2001. A ação fiscal teve o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas DI, listadas no ANEXO I, registradas entre 2009 e 2010 por TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ 01.135.153/000109, por encomenda da K & F, amparando a importação de produtos idênticos aos da DI nº 11/20888087 e a preços semelhantes. Conforme relata a fiscalização, os produtos importados pela TROP e pela K & F foram descritos como “TAPETE 80% LÃ E 20% ALGODAO, FEITO A MÃO, DE ORIGEM INDIANA”. O laudo técnico solicitado à ABIT pela Alfândega de Itajaí/SC para identificação das mercadorias quanto à composição (matériasprimas) foi aplicável ao procedimento fiscal enquanto novo laudo da ABIT apresentou os menores valores de cotações das matérias primas encontrados em publicações internacionais, referindose apenas ao custo das matérias primas necessárias para a fabricação dos produtos analisados. Comparando os preços em US$/Kg declarados nas DIs com o menor custo estimado da matériaprima no mês de registro da importação, conforme Tabela 03, verificase que quase todos os preços declarados são inferiores ao menor valor dentre os custos das matériasprimas no período. As faturas que instruíram as DIs objeto deste auto de infração, conforme ANEXO XII, são praticamente idênticas entre si considerando o layout, disposição do conteúdo, descrições e os preços dos produtos, mesmo sendo (supostamente) emitidas por exportadores diferentes. E são, surpreendentemente, quase idênticas à FATURA FALSA (ANEXO XII, pág. 1) que instruiu a DI nº 11/20888087, objeto do auto de infração lavrado pela Alfândega de Itajaí/SC. Tanto o importador como o encomendante, após terem sido intimados, em três oportunidades, a apresentarem as faturas comerciais consularizadas e os documentos comprobatórios das transações comerciais, não o fizeram. Regularmente intimada, a empresa TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA foi considerada revel, conforme termo lavrado pela repartição de origem. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 958 3 Também regularmente intimada, a empresa K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração apresentou impugnação aos autos de infração alegando, em síntese, que: houve preterição ao direito de defesa por não ter sido fornecida cópia da DI 10/20200504, utilizada como paradigma para fins de arbitramento, tampouco da respectiva fatura, impossibilitando que se possa avaliar a propriedade da DI para fins de valoração aduaneira e de lançamento tributário. consta no Relatório Fiscal que a DI 10/20200504 estaria no Anexo XIV, onde somente se encontra uma planilha confeccionada pela própria RFB, com as informações básicas da DI mas sem cópia, o que impossibilita seu direito à ampla defesa. na planilha apresentada não consta a quantidade de mercadorias, condições de pagamento, região da Índia em que o exportador está situado, etc. ocorreu violação ao princípio do devido processo legal, da ampla defesa e da tipicidade cerrada em razão de o AI não indicar claramente qual conduta ilícita teria supostamente sido cometido pelas empresas, inviabilizando o exercício do direito de defesa por não saber se teria sido fraude, conluio ou sonegação e em quais circunstâncias. os fiscais até tentaram justificar a presença do dolo justificando com falsidade documental, o que não restou satisfatório. deve ser reconhecida a nulidade com fulcro nos art. 10, IV, 59, II do Decreto 70235/72. pela não ocorrência do tipo previsto no art. 88, I e parágrafo único da MP 215835/01, uma vez que não comprovada a “fraude, conluio ou simulação”, houve contrariedade ao princípio da tipicidade cerrada, tendo a fiscalização se baseado em meros indícios e havendo enquadramento mais específico (art. 70, I, a da Lei 10833/03) já utilizado pela fiscalização para as mesmas empresas, o que caracteriza mudança de entendimento que é vedado pelo art. 146 do CTN. os agentes fiscais se valeram de meros indícios para caracterizar a fraude, o conluio ou a sonegação sendo que, na pior das hipóteses, os agentes fazendários deveriam utilizar enquadramento mais específico, que é o art. 70, I, a da Lei 10833/03. em caso de dúvida, deveria prevalecer a regra contida no art. 112 do CTN. houve nulidade do AI por conta da imprestabilidade e da ilegalidade dos laudos apresentados pela fiscalização em razão de suas incongruências latentes bem como a ilegalidade e improcedêncai das conclusões fiscais. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 959 4 nenhum dos laudos está relacionado diretamente com as mercadorias importadas através da nove DI objeto da fiscalização, sendo que o laudo emprestado havia sido feito com base em outros tapetes, adquiridos de outro exportador, em fiscalização por outra ALF e em outras épocas, não havendo identidade entre as mercadorias objeto do laudo e as mercadorias objeto da presente fiscalização. as DI objeto do processo possuem algumas diferenças elementares no tocante à origem das mercadorias ou da carga e no tipo de tapetes. nas nove DI existe a presença dos shaggs e kilims, tipos específicos de tapetes que não constavam na DI 11/20888087, objeto do laudo emprestado, e as mercadorias analisadas neste são provenientes de outra região da Índia. o custo presumido das matérias primas de outros tapetes não é um elemento confiável para apurar o valor em que os tapetes foram vendidos naquela importação específica. as mercadorias adquiridas eram saldo em estoque, o que foi explicado à fiscalização, sendo o simples fato de importação a preço atrativo não fazer prova da subvaloração aduaneira ou de subfaturamento. o laudo merceológico está revestido de incongruências, sendo a principal a DI paradigma contemplar tapetes de um modelo específico, Loomknotted, em tamanhos distintos dos importados. o arbitramento do preço das mercadorias para fins do lançamento foi ilegal por violação do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA bem como a imprestabilidade da DI 10/20200504, utilizada como paradigma para fins de arbitramento, havendo a fiscalização infringido os princípios da verdade material, da legalidade estrita, da razoabilidade e da proporcionalidade no tocante do mérito ao cálculo levado a cabo. a RFB deveria ter seguido a ordem estabelecida pelo AVA quanto ao arbitramento e, mesmo que considere o cálculo do valor de exportação, este deve se enquadrar, em tese, no art. 2o do AVA, o que não ocorreu. deveria ser observada a legalidade estrita quanto ao arbitramento nos art. 148 e 149 do CTN. as disposições do AVA/GATT prevalecem sobre outras eventualmente previstas na legislação interna. ainda que se diga que o cálculo dos fiscais é o mesmo do art. 2o do AVA, temse que os critérios específicos deste método não foram seguidos, mercadorias idênticas, em razão de que não se sabe a quantidade e o nível de comércio da DI 10/20200504 além de ser uma das importações objeto do AI oriunda da Alemanha, DI 09/10639420, país distinto daquele da DI paradigma, que é a Índia. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 960 5 a Receita Federal reconhece a observância da Decisão 6.1, conforme divulgado na IN SRF 318/2013. É o Relatório. Passo ao Voto. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1665.780, de 11/02/2015, proferida pelos membros da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Comprovado, por meio de documentação relativa à transação comercial, que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas, fica configurado o subfaturamento, sendo cabível a exigência das diferenças de impostos que deixaram de ser recolhidas, acrescidas dos juros de mora e das multas aplicáveis. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação do enquadramento legal específico no auto de infração, o qual é instruído ainda com as provas em que se baseia a exigência fiscal, resta infundada a arguição de cerceamento do direito de defesa. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicamse as multas qualificadas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre as diferenças de impostos, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. Pela prática de subfaturamento, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Como se verifica, inconformado, somente a empresa K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração LTDA (encomendante) apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados e pleiteia a reforma do decisum. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 961 6 É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário da empresa K & F COMERCIO dE TAPETES e ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA (encomendante) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de revisão aduaneira com o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas importações de tapetes, conforme planilha apresentada no ANEXO I, efetuadas por TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, por encomenda de K & F COMERCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA, com exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.332.956,89, formalizado em autos de infração para exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e de multas de ofício, no percentual de 150%, previstas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007, além da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/35/2001. Antes da análise de mérito, verificase que um dos sujeitos passivos não foi intimado da decisão de 1ª instância administrativa (acórdão de impugnação), precisamente a empresa TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, não obstante ter sido considerada revel, anteriormente, fato registrado na primeira instância. Tal procedimento é fundamental para lhes garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório, sem o qual o acórdão do CARF poderá ser considerado nulo por violar o disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, não obstante, observar, a solicitação de pedido de cópia dos autos, em 07/04/2015, à efl. 951pela TROP. Inclusive, tal entendimento, já se encontra sumulado, na Súmula de n° 71 do CARF, cuja observância é obrigatória para os membros do CARF: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Portanto, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja devidamente intimado do Acórdão de primeira instância, a empresa TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA. Realizada a diligência, o sujeito passivo poderá interpor seu recurso voluntário no prazo de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para atender ao solicitado acima e posterior devolução do processo a esta Turma para prosseguimento. (assinado digitalmente) Fl. 961DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 962 7 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 962DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001724/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72 (30 dias).
Numero da decisão: 1802-000.551
Decisão: Acordam os membro do colegiada, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos-dó—relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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S1-TE02 Fl. 1 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 13984.001724/2008-51 344.598 Voluntário 1802-00.551 — 2" Turma Especial 06 de julho de 2010 SIMPLES. Marcos Venicio Schmidt. 3a Turma/DRJ - Florianópolis/SC Assunto: SIMPLES PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. PEREMPÇÃO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72 (30 dias). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do colegiada, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos-dó—relatório e voto que integram o presente julgado. de Sousa, José Kichel, Gilberto infticiparam da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Baptista (Suplente Convocado), João Francisco Bianco. Processo n° 13984.001724/2008-51 Acórdão n.° 1802-00.551 81-TE02 Fl, 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima qualificado contra decisão proferida pela 3' Turma da DRJ de Florianópolis/SC. O processo em apreço se relaciona com a lavratura de Autos de Infração (fls.154 — 203), por meio dos quais se exige da recorrente os tributos apurados sob as regras do SIMPLES, correspondentes a fatos geradores ocorridos no ano calendário 2005. Por ocasião do lançamento, foi aplicada multa de oficio e conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 204 - 210), fora encaminhado Oficio DRF/Lages 563/2008 (fl. 69) ao 10 0 Batalhão de Engenharia de Construção para obter informações quanto aos pagamentos efetuados ao Recorrente, constatando-se que esse teria obtido rendimentos durante o ano de 2005 no valor total de R$ 657.619,66 os quais foram informados no SIAFI — Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal. Seguindo-se a fiscalização, por meio do Oficio 043 — St Fin (fl.71) o 100 Batalhão de Engenharia de Construção encaminhou relação dos pagamentos efetuados ao recorrente durante o ano de 2005 (fl.72) e cópias da Notas Fiscais e respectivas Ordens Bancárias (fls.73 - 156) demonstrando os pagamentos efetuados. Diante disso, constatou-se omissão de receitas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples — Ano Calendário 2005 entregue em 30/05/2006, já que o valor da Receita Bruta Total Informada na PJSI 2006 — SIMPLES nos meses de março, abril, junho, julho, agosto, novembro e dezembro de 2005 seria inferior à soma da venda de mercadorias e prestação de serviços apurada a partir notas fiscais encaminhadas pelo recorrente e pelo 10° Batalhão de Engenharia de Construção, conforme descrito acima. Ciente da autuação, o recorrente apresentou Impugnação (fls. 224 - 230) alegando preliminarmente, que a autuação tal como posta, seria ofensiva ao princípio do não confisco (fl. 225) eis que as exigências fiscais não podem redundar em confisco do patrimônio do particular, sob pena de afronta aos ditames previstos na Constituição Federal. No mérito, sustentou que diante da autuação, deveria ser desenquadrada do SIMPLES, ante a prática reiterada de infração à legislação tributária, e assim sendo, deveria Fiscalização, tê-la tratado como tributada pelo Lucro Presumido, de acordo com a aplicação de percentuais fixados no artigo 15 da Lei 9.249/95, que transcreve a fl.227. Afirmou ainda, que havendo o desenquadramento, o tratamento tributário na espécie será mais favorável ao contribuinte, não bastasse isso, considerando que à CSLL são aplicadas as mesmas normas do IRPJ, o efeito reflexo da alíquota aplicada a maior agrava ainda mais a tributação dita confiscatória. Ademais disso, afirmou que além de contrário ao princípio confiscatório, ante a expressa previsão legal como base de cálculo de 8% (venda mercadorias) e 16% e 32% (prestação de serviços), não poderia ser negado cumprimento igualmente ao princípio da tipicidade. Processo n° 13984.001724/2008-51 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.551 Fl. 3 Concluiu requerendo a anulação do ato fiscal que não possibilitou o desenquadramento da empresa, ou em caso contrário, fosse determinada tal providência para reduzir a aliquota do IRPJ e seus reflexos na CSLL, PIS, COFINS e INSS. A decisão recorrida está encartada às folhas 301 a 303 e estampa entendimento pela manutenção do lançamento de oficio. Cientificada em 02 de fevereiro de 2009 (fl. 308) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05 de março do mesmo ano, reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. onheço ,do Recurso Voluntário.Frente ao exposto, n Edwal Casoni de P s Junior Processo n° 13984.001724/2008-51 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.551 Fl. 4 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Sem embargo às considerações da recorrente, ao menos quanto ao mérito dessas, o presente Recurso Voluntário não pode ser conhecido, porquanto apresentado a destempo. Com efeito, assim entabula o artigo 33 do Decreto 70.235/72, in verbis: Artigo 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (meus os grifos e as supressões) Tal prazo, como cediço, conta-se nos termos do artigo 50 do já referido Decreto, que assim versa: Artigo 5°. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Observe-se que a recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 02 de fevereiro de 2009 (segunda-feira), conforme aviso de recebimento de folha 308, e protocolizou o recurso em 05 de março do mesmo ano (quinta-feira), conforme consta da primeira página de se recurso, daí porque, forçoso é considerá-lo perempto, posto que ultrapassada a data limite de sua interposição. 4
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720191/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.
O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR.
Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC, REsp 1.140.956/SP.
Numero da decisão: 1402-002.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
( Assinado Digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(Assinado Digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC, REsp 1.140.956/SP.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-05-08T13:38:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-05-08T13:09:03Z; Last-Modified: 2017-05-08T13:38:14Z; dcterms:modified: 2017-05-08T13:38:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:dea19496-cabd-408b-9c18-f2ac6d6bb785; Last-Save-Date: 2017-05-08T13:38:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-05-08T13:38:14Z; meta:save-date: 2017-05-08T13:38:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-05-08T13:38:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-05-08T13:09:03Z; created: 2017-05-08T13:09:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2017-05-08T13:09:03Z; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-05-08T13:09:03Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 653 1 652 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720191/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.425 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2017 Matéria CSLL Recorrente BANCO SANTANDER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC, REsp 1.140.956/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. ( Assinado Digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 91 /2 01 3- 18 Fl. 672DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 654 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da Resolução proferida nos autos, que abaixo transcrevo: A questão sob julgamento diz respeito a auto de infração, lavrado em 27/02/2013, para a exigência de débitos de CSLL (fls. 355362). Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal “TVF”, de fls. 351/354, os débitos que foram objeto do auto de infração em análise estão com a exigibilidade suspensa devido ao depósito judicial de seu montante integral nos autos do mandado de segurança nº 2008.61.00.0141999. O referido mandado de segurança foi impetrado pela recorrente para que fosse reconhecido o seu direito de não proceder ao recolhimento da CSLL à alíquota majorada, de 9% para 15%, aplicável às instituições financeiras, conforme estabelecido pelo artigo 17 da Medida Provisória nº 413/08, convertida na Lei nº 11.727/08. O lançamento de ofício, no valor total de R$57.335.258,11, diz respeito aos depósitos judiciais realizados pela autuada em (i) 30/06/08, referente ao período de maio/08, no valor de R$7.684.842,20; e (ii) 31/01/11, referente ao período de dezembro/10, no valor de R$49.650.15,91. De acordo com a autoridade fiscal, o lançamento dos débitos com exigibilidade suspensa fezse necessário para prevenir os efeitos de uma possível decadência, caso o resultado da lide seja favorável à União. Ademais, a autoridade fiscal determinou que a autuada realizasse a retificação da sua DIPJ do ano calendário de 2010 (sic), com o objetivo de refletir a majoração de alíquota da CSLL das instituições financeiras, ocorrida a partir do mês de maio de 2008. Segundo a autoridade fiscal, a autuada considerou a alíquota de 9% da CSLL, em vez de ter sido utilizada a alíquota anual proporcional ao aumento de 9% para 15%, a partir do mês de maio de 2008, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 810/2008. A referida intimação consta do TVF na fl. 353. A integralidade dos débitos constituídos no auto de infração foi declarada em DCTF pela recorrente sob o código 2469 (CSLL – Entidades Financeiras – Estimativa Mensal), tendo sido informado que os débitos estariam com a sua exigibilidade suspensa, conforme o extrato de fls. 349/350. Impugnação Fl. 674DF CARF MF 4 A recorrente apresentou a impugnação de fls. 365393, em 28/03/2013, alegando que os créditos tributários objeto do auto de infração já teriam sido constituídos por depósito judicial integral, sendo desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da fiscalização. Aduz a recorrente que o STJ apreciou a matéria pelo rito do recurso repetitivo, previsto no art. 543C do CPC, no julgamento do Resp nº 1.140.956/SP, em que foi firmado o entendimento de que o depósito do crédito tributário impede a realização, pelo fisco, de atos de cobrança, os quais têm início com a lavratura do auto de infração. Assevera ainda a recorrente que o crédito tributário objeto do auto de infração padece dos requisitos de liquidez e certeza, uma vez que a fiscalização incorreu em equívoco ao lançar o crédito tributário da CSLL que foi depositado judicialmente a maior. Isso porque, quando da realização do depósito judicial, a Recorrente deixou de considerar no cômputo da base de cálculo da CSLL, referente ao ano calendário de 2010, os valores despendidos a título de inovação tecnológica, no valor de R$210.843.586,24, bem como não havia se apropriado da integralidade dos créditos de CSLL (saldos de base negativa anteriores a dezembro de 1998) previstos no artigo 8º da Medida Provisória nº 1.807/99, no valor de R$43.708.912,80. Assim, conforme demonstrado na planilha de fls. 376, o valor depositado judicialmente, objeto do auto de infração, deveria ser de R$40.794.985,28, e não R$49.794.985,28. A referida diferença teria sido levada ao conhecimento do fisco antes da lavratura do auto de infração, conforme alegado na impugnação (fl. 375). Argumenta a recorrente que o auto de infração carece de vício de motivação, tendo em vista que (i) os débitos impugnados já estavam declarados na DCTF do contribuinte; e (ii) não ser possível a cobrança de estimativas da CSLL após o encerramento do ano calendário. Segundo a recorrente, ainda que se considere que os valores lançados de ofício se referem aos ajustes anuais de 2008 e 2010, em valores coincidentes com as estimativas, haveria de se concluir pela nulidade do auto de infração, tendo em vista que a fiscalização não recompôs as bases de cálculo de CSLL efetivamente devidas em 31/12 de 2008 e 2010. Nesse aspecto, destaca a recorrente, exemplificativamente, que a autoridade fiscal desconsiderou os saldos negativos de CSLL relativos aos anoscalendário de 2008 e 2010. Em relação à determinação para que o contribuinte retificasse a DIPJ, referente ao ano calendário de 2010, a recorrente alega não ter vislumbrado a relação de causa e efeito entre o suposto erro cometido em relação ao cálculo da proporcionalidade da alíquota no ano calendário de 2008 e o reflexo, dessa suposta infração, no ajuste anual de 2010. Em relação à determinação do Fisco para que a contribuinte efetuasse alterações da alíquota da CSLL, apesar de, equivocadamente, a fiscalização ter indicado o ano 2010, compulsandose os autos resta evidente que as observações dizem respeito ao ano calendário de 2008, dado que o termo de verificação fiscal de fls.351/354 faz (i) menção expressa da Instrução Normativa da RFB nº 810/2008, cujo artigo 3º prevê a proporcionalidade na determinação da alíquota da CSLL, em função das receitas brutas mensais do ano calendário de 2008, (ii) reproduz valores informados na DIPJ 2009, anocalendário de 2008, Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 655 5 tais como a base de cálculo da CSLL de R$358.190.567,89, e a recuperação de crédito de CSLL de R$9.671.145,33 (fls.39). Por fim, a recorrente alega que a majoração de alíquota da CSLL deve ser afastada, por ofensa aos princípios da referibilidade, da irretroatividade e da anterioridade. Pleiteando, contudo, que, caso a DRJ entenda por não apreciar os argumentos expostos na impugnação, em razão da suposta renúncia à discussão administrativa, seja determinado o sobrestamento do presente processo administrativo, a fim de se evitar eventual decisão conflitante com a que será proferida na esfera judicial, nos termos do artigo 265, IV, a, do Código de Processo Civil. Acórdão da DRJ Primeiramente, a DRJ constatou a existência de “concomitância entre as razões levadas pela impugnante ao Poder Judiciário e aquelas trazidas ao presente processo administrativo, em particular no que concerne às alegadas ofensas aos princípios da referibilidade, irretroatividade e anterioridade, bem como aos artigos 195, §9º, e 246, da CF”. Dessa forma, por considerar que houve renúncia à instância administrativa, em relação a essa matéria impugnada, a DRJ limitouse ao enfrentamento das questões não submetidas ao poder judiciário. A decisão recorrida afastou, assim, o pedido de sobrestamento do presente processo administrativo, tendo em vista que o Decreto nº 70.235/1972 não determina a suspensão do trâmite do processo administrativo até o julgamento do processo judicial. Segundo a DRJ, diante do princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, é defeso à autoridade fiscal sobrestar o julgamento de qualquer processo na inexistência de impeditivo legal. Sustenta, ainda, a regular continuidade do processo administrativo com fundamento em diversas decisões do extinto Conselho de Contribuintes, exemplificadas pela ementa transcrita abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, ao processo judicial, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (princípio da oficialidade). Apenas a cobrança do débito deverá aguardar o pronunciamento judicial se demonstrada a ocorrência de uma das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário. (Acórdão 202.17272, sessão de 23/08/2006) Sobre a possibilidade de lançamento de ofício dos tributos com exigibilidade suspensa pelo depósito integral do crédito tributário, afirma a DRJ que “a propositura de ação judicial e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não têm o condão de impedir o Fisco de efetuar o lançamento de ofício, visto que essa atividade é vinculada e obrigatória, conforme disposto no art. 142 do CTN”. Nesse sentido, a DRJ cita o Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/93 e a Súmula nº 48 do CARF, para concluir que a suspensão da exigibilidade Fl. 676DF CARF MF 6 do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. Quanto ao recurso repetitivo do STJ, REsp nº 1.140.956/SP, a decisão recorrida admite ser entendimento pacífico do STJ que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade e veda a prática de atos de cobrança por parte da Administração Tributária. No entanto, afirma a DRJ que “o lançamento em tela foi efetuado tão somente para prevenir a decadência, protegendo assim o direito da Fazenda Pública, não se configurando como ato coercitivo para a exigência da contribuição”. O aludido entendimento, na perspectiva da DRJ, é reiterado pelo teor do disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430, que, ao dispor sobre a não incidência da multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do CTN, garantiria a possibilidade de lançamento de ofício dos tributos com a exigibilidade suspensa. Sobre as alegações da recorrente de que o auto de infração teve por objeto a cobrança de estimativa da CSLL após o encerramento do ano calendário, a DRJ reitera o fundamento apresentado pela fiscalização de que os créditos tributários constituídos dizem respeito ao ajuste anual, tendo em vista que “os valores suspensos judicialmente e informados nas estimativas de CSLL não poderiam ser deduzidos no ajuste anual e, portanto, resultaram em saldos a pagar de CSLL”. No que diz respeito aos equívocos cometidos pela recorrente, na apuração do quantum devido no depósito judicial, que, por não terem sido considerados pela autoridade fiscal no lançamento de ofício, causariam a nulidade do auto de infração, entendeu a DRJ que a recorrente não comprovou o alegado e, portanto, seria incabível a arguição de nulidade do auto de infração pela ausência dos requisitos de liquidez e certeza do crédito tributário constituído. No mesmo sentido, assevera a DRJ que “não assiste razão ao pleito da impugnante de que o Fisco deveria considerar eventuais saldos negativos da CSLL, em função da ausência de previsão legal”. Ademais, a decisão recorrida reconhece ter havido erro na intimação que determinou a retificação da DIPJ do ano calendário de 2010 (fl. 353). Segundo a DRJ, está evidente que as observações da fiscalização dizem respeito ao ano calendário de 2008, visto que “o termo de verificação fiscal de fls.351/354 faz (i) tanto menção expressa à Instrução Normativa RFB nº 810/2008, cujo artigo 3º prevê a proporcionalidade na determinação da alíquota da CSLL, em função das receitas brutas mensais do anocalendário de 2008, (ii) como também reproduz valores informados na DIPJ 2009, anocalendário de 2008, tais como a base de cálculo de CSLL, R$358.190.567,89, e a recuperação de crédito de CSLL, R$9.671.145,33 (fls.39)”. Recurso Voluntário (fls. 479524) O recurso interposto pela recorrente destaca que a autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração, reconheceu que o crédito tributário objeto do presente processo administrativo está com a sua exigibilidade suspensa em razão de depósito integral realizado nos autos do mandado de segurança nº 2008.61.00.0141999. Segundo a recorrente, a segurança requerida no referido mandado de segurança foi denegada por acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da Terceira Região, em 24/03/2011, razão pela qual foi interposto recurso extraordinário ao STF, o qual, conforme extrato Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 656 7 juntado aos autos, aguarda o exame de admissibilidade pelo referido Tribunal (fls. 545551). Reiterou, novamente, a recorrente, que o crédito tributário objeto do auto de infração já está constituído, sendo desnecessária e indevida a lavratura do auto de infração. Mais especificamente, a recorrente rebateu a fundamentação da decisão recorrida de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não tem o condão de impedir o Fisco de efetuar o lançamento de ofício, alegando que o depósito do montante integral dos tributos aperfeiçoa verdadeira hipótese de lançamento por homologação, capaz de constituir o crédito tributário. Tais alegações foram fundamentadas na doutrina de Hugo de Brito Machado e em decisões do STJ, transcritas nas fls. 483486. Nesse sentido, o recurso aduz que o contribuinte, ao realizar o depósito integral, “realiza todas as atividades que caracterizam o lançamento, quais sejam (i) calcula o valor do tributo; (ii) efetua o pagamento, ou no caso de tal cobrança não ser devida; (iii) substitui o “pagamento antecipado” pelo depósito judicial em montante integral.” Na interpretação dada pelo contribuinte ao artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, “a Fazenda Nacional, por sua vez, ao aceitar como integral o depósito realizado pelo contribuinte, para fins de suspensão de exigibilidade do crédito, anuiu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal”. Ademais, foi afirmado no recurso que a “tese fiscal” sustentada pela DRJ, de que a regra estabelecida no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 autorizaria expressamente o lançamento de ofício nas hipóteses em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre de decisão judicial, não se aplica aos casos em que há prévia constituição do crédito tributário. Entende a recorrente que, ao realizar o depósito judicial de determinado tributo, o contribuinte realiza as condutas previstas no artigo 142 do CTN e, portanto, a realização do lançamento de ofício “tornase despicienda, eis que todas as atividades que seriam implementadas pela lavratura do auto de infração já o foram previamente realizadas pelo próprio contribuinte”. No que diz respeito ao entendimento firmado pelo STJ, no julgamento do REsp 1.140.956/SP, mencionado na impugnação, a recorrente reitera o teor do artigo 62A do Regime Interno do CARF, que determina a necessidade de reprodução pelos conselheiros do CARF do entendimento firmado pelo STJ, nas decisões proferidas sob o rito dos recursos repetitivos. Ainda, alega a recorrente que a lavratura do auto de infração não teve finalidade alguma, tendo em vista que, caso a recorrente não obtenha êxito na demanda judicial, os depósitos judiciais serão convertidos em renda da União, extinguindose, assim, o crédito tributário. A questão do vício do auto de infração pela iliquidez e incerteza dos créditos tributários constituídos pela fiscalização também foi retomada, mediante a demonstração de que, ao contrário do que restou consignado no acórdão da DRJ, já haviam sido juntadas provas aos autos de que o montante depositado em juízo excedeu o real valor controvertido. Fl. 678DF CARF MF 8 Ademais, o recurso voluntário sustenta não ter havido renúncia à esfera administrativa, reproduzindo os argumentos da impugnação sobre a inconstitucionalidade da majoração da alíquota da CSLL devida pelas instituições financeiras. Registra a recorrente, enfim, que a DRJ não enfrentou a questão da intimação constante do TVF (fl. 352), cujo teor determina a retificação da DIPJ da recorrente, referente ao ano calendário de 2010, para que seja refletida a majoração da alíquota da CSLL. Em seguida, foi proferida Resolução, onde no voto do D. Relator, restou consignado que o Resp 1.140.965/SP não trata da situação específica dos autos, eis que a jurisprudência da Corte Superior trata da impossibilidade de ajuizamento de execução fiscal quando tiver ocorrido, em momento anterior, o depósito judicial do montante integral do débito exequendo. Da mesma forma, afastou a alegação de que o deposito do montante integral impediria a lavratura do Auto de Infração, por entender que o artigo 142 do CTN, aduz ser ato privativo da autoridade fiscal. Quanto a possível interpretação dada pelo STJ, no sentido de que o depósito integral supriria o ato administrativo de lançamento, e também apesar de ser esta uma interpretação que reconhecidamente privilegia o princípio da praticabilidade e eficiência, entendeu que ela encontra resistência no Código Tributário Nacional, que elege o agente administrativo como sujeito soberano do ato de lançamento (artigos 142, 147, 149 e 150). Afastou também a alegação de que as declarações em DCTF tenham o condão de constituir o crédito tributário, devido a confissão de dívida da contribuinte e, por isso, dispensam qualquer ato de lançamento da fiscalização, nos termos da Súmula 436 do STJ. Assim, entendo que a decisão recorrida não merece reparos quanto à possibilidade de lançamento para prevenir a decadência dos créditos tributários com exigibilidade suspensa, por força de depósito integral em mandado de segurança. Em relação as alegações relativas ao montante devido, a Turma, por unanimidade, decidiu converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Da apuração do montante devido Como decorrência lógica da conclusão alcançada, pela possibilidade (e necessidade) jurídica do lançamento sob análise, compete à autoridade fiscal efetivamente apurar o montante do tributo devido (art. 142 do CTN), mediante a recomposição do lucro real, nos termos do artigo 219 do RIR/99, e não simplesmente realizar o lançamento com base nos valores que foram depositados em juízo. Nesse aspecto, apesar de a recorrente ter informado à fiscalização sobre a existência de erro no cálculo de uma dedução (fls. 552/554), não houve sequer menção no TVF sobre o motivo pelo qual estes créditos não teriam sido considerados no lançamento. Alega a recorrente que, no preenchimento da sua DIPJ AC 2010, houve um erro no cálculo da dedução prevista no artigo 8º da Medida Provisória nº 1.807/97, onde se considerou a compensação de 30% da CSLL calculada à alíquota de 9%, sendo que, nos termos da legislação Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 657 9 vigente, diante da majoração da alíquota questionada judicialmente pela recorrente, a dedução poderia ser calculada à alíquota de 15%, o que manteria a coerência na apuração do tributo por meio da utilização dos mesmos critérios na quantificação dos débitos e créditos do contribuinte. Sobre o assunto, a decisão recorrida consignou que a recorrente não teria comprovado a ocorrência de erro nos valores depositados judicialmente (fl. 473), por não ter demonstrado a existência de valores de créditos de CSLL. Ao meu ver, de fato não foram juntados aos autos os elementos necessários para concluir sobre a existência de tais créditos, contudo, tanto o agente fiscal como a DRJ poderiam ter tido acesso, por meio dos sistemas da Receita Federal, às informações sobre os saldos de base negativa de CSLL e adições temporárias informados pelo contribuinte em suas DIPJ. Diante do princípio da verdade material, da tutela à constituição do crédito tributário líquido e certo e da conclusão lógica alcançada acima, não entendo razoável desconsiderar as alegações do contribuinte por mero juízo de conveniência, uma vez que obrigações acessórias preenchidas pela recorrente permitiriam ao fisco concluir pela procedência dos créditos. Ademais, apesar de o TVF discorrer que o lançamento de estimativas não poderia ser feito após o final do anocalendário, e que na realidade deveria ter sido realizado o lançamento com base no ajuste anual de CSLL, no auto de infração constatase que se tomou como base de cálculo dos lançamentos de ofício precisamente o valor declarado a título de estimativa referente a maio de 2008 e dezembro de 2010 (fls. 357 e 358, respectivamente). Desse modo, resta evidenciada uma divergência entre a fundamentação do TVF e a base de cálculo apresentada na atuação fiscal. Diante desse cenário, é pertinente que tal dúvida seja esclarecida por meio da juntada, pela unidade de origem da Receita Federal, de memória de cálculo do ajuste anual da CSLL dos anos calendário de 2008 e 2010, explicitando a apuração realizada pelo agente fiscal e, pela contribuinte, dos documentos que comprovam o valor da referida dedução. Conclusão Em face das razões acima expostas, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Receita Federal do Brasil: a) Apresente relatório circunstanciado contendo memória de cálculo do ajuste anual da CSLL dos anos calendário de 2008 e 2010, explicitando a apuração realizada pelo agente fiscal; e b) Intime o contribuinte para: i. comprovar documentalmente o valor da dedução alegadamente devida nos termos do artigo 8º da Medida Provisória nº 1.807/97; e ii. apresentar manifestação limitada ao resultado da diligência, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.754/11, findo o qual os autos devem ser devolvidos ao CARF para julgamento. Fl. 680DF CARF MF 10 Em seguida, conforme determinado na Resolução, a Recorrente foi intimada do Termo de Início de Diligência Fiscal (fl.576), solicitando a explicação e apresentação de alguns documentos, conforme abaixo. 1 Informar, e se for o caso comprovar, o motivo da retificação de DIPJ do ano calendário de 2010 com a utilização da alíquota de 9% para o cálculo da CSLL, em meio digital; 2 Conforme solicitação do CARF, comprovar documentalmente o valor da dedução alegadamente devida nos termos do artigo 8 da Medida Provisória 1.807/97, em meio digital. A Recorrente apresentou resposta e documentos, de fls. 577/591. Em relação ao item 1 (fls.577/581), a Recorrente informou o seguinte: [....] Em relação ao item 2 (fls. 582/591), se manifestou da seguinte forma: Juntou cópia da parte B do LALUR AC 2011 e planilha nomeado Controle CT CS 18%. Ato contínuo, foi proferido Relatório Fiscal de fls. 593/596, com a seguinte manifestação da Fiscalização: Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 658 11 Fl. 682DF CARF MF 12 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 659 13 Fl. 684DF CARF MF 14 A Recorrente apresentou manifestação da diligência reiterando os argumentos postos no Recurso Voluntário e juntou documentos que já constavam nos autos, as fls. 604/646. É o relatório. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 660 15 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e trata de outras matérias que não estão albergas pelo mandado de segurança, motivo pelo qual dele conheço. A espinha dorsal do processo, cingese na possibilidade de a fiscalização poder lançar de ofício, para prevenir a decadência, créditos relativos a CSLL que estão com exigibilidade suspensa, devido a depositado do montante integral nos autos do mandado de segurança nº 2008.61.00.0141999. Ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício (lançamento/lavratura do AI), a Recorrente fez o deposito do montante integral no mandado de segurança e os declarou em DCTF. (fls. 349/350). Insta esclarecer, que a própria autoridade lançadora confirma a existência do depósito do montante integral no valor dos créditos exigidos neste Auto de Infração. Assim, não resta dúvida nos autos quanto a regularidade ou comprovação do depósito do montante integral. Sendo assim, entendo que o v. acórdão a quo, não deve prosperar. Vejamos. O lançamento de ofício de débitos com exigibilidade suspensa, somente é autorizado pelo art. 63, da Lei n.º 9.430/96 nas hipóteses de suspensão mediante a concessão de medida liminar em mandado de segurança e concessão de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ações. (incisos IV e V do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Para deixar claro, vejamos a redação do artigo 63: Débitos com Exigibilidade Suspensa: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Fl. 686DF CARF MF 16 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002)" (grifei) Ou seja, dentro das hipóteses indicadas no dispositivo acima, que permitem o lançamento de ofício/lavratura do auto de infração sem a multa, a suspensão da exigibilidade do crédito por meio de depósito do montante integral, prevista no inciso II, do artigo 151 do CTN, não está incluída. Para deixar mais claro, seguindo minha linha de raciocínio, entendo que as únicas autorizações legais para que a Fiscalização lavre Auto de Infração sem multa de ofício, exigindo tributos com exigibilidade suspensa, são as previstas nos dois incisos indicados no caput do artigo 63, acima colacionado. Sendo assim, a hipótese dos autos, que trata de depósito do montante integral para suspender a exigibilidade (art. 151, II, do CTN) dos créditos de CSLL, lançados de ofício para prevenir a decadência, não se enquadra na previsão legal que autoriza a Fiscalização a lavrar Auto de Infração, sem exigência de multa. Nesse sentido, atestase a inexistência de fundamento legal para o presente Auto de Infração, carecendolhe de requisito essencial de validade na forma do art. 10, IV, do Decreto n.º 70.235/72 e do art. 39, IV, do Decreto n.º 7.574/2011, devendo ser cancelada a exigência fiscal ora em combate. Insta mencionar que, essa ausência de fundamento legal para o lançamento de ofício nos casos de depósito judicial, não prejudica de qualquer forma o Erário, isso porque, como reconhecido de forma pacífica pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o depósito do montante integral de tributo, sujeito ao lançamento por homologação, constitui o crédito tributário, equivalendose a um lançamento (confissão de dívida/lançamento de ofício). É o que se depreende do julgado do Superior Tribunal de Justiça STJ, cuja ementa colaciono abaixo: "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida.Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido." (STJ, Recurso Especial n.º 1.216.466/RS, Rel. Des. Conv. Diva Malerbi, Segunda Turma, DJe 04/12/2014 grifei) O depósito do montante integral em sede judicial, além de afastar os acréscimos, não permiti a execução judicial e assegura a suspensão da exigibilidade do crédito, sendo medida inibidora das ações possíveis de serem manuseadas pelas Fazendas Publicas, eis que quando verificado o êxito do contribuinte, impõe a devolução total do montante, bem como, os acréscimos decorrente do tempo; ao contrário, constatado o fracasso, cabe transformálo em renda na extinção do crédito tributário, previsão legal prevista no art. 43, § 1º, da Lei do Processo Administrativo, Decreto nº 70.235/72. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 661 17 O próprio CTN, no inciso VI, do art. 156, que prevê as modalidades de extinção do crédito tributário, determina que o depósito do montante integral seja convertido em renda para a União, caso o interessado não obtenha êxito na demanda judicial, configurando em verdadeiro lançamento por homologação, tornando, assim, desnecessário o lançamento de ofício pela autoridade fiscal em relação às importâncias depositadas. Para por fim a discussão, na mesma linha de raciocínio adotada neste voto, o STJ analisou o tema sob a égide do então art. 543C do CPC (“recurso repetitivo”), cujo entendimento pode ser visto na parte da ementa que nos interessa, que reproduzo abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. [...] 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. [...] (REsp 1.140.956/SP, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 24/11/2010, DJe 03/12/2010) Transportando o entendimento da ementa acima descrita para o caso do processo em epígrafe, conforme descrito na acusação fiscal, o depósito do montante integral do crédito albergado pelo Auto de Infração, foi feito nos autos do mandado de segurança antes do lançamento de ofício ou da propositura da Execução Fiscal. Portanto, no caso concreto, se a própria autoridade fiscal autuante concluiu que havia depósito do montante integral, e o STJ pacificou o entendimento de que o lançamento estaria impedido em tal hipótese, há de se cancelar integralmente a presente exigência. Esta matéria já foi analisada por este C. Turma, onde restou decidido que o deposito do montante integral equivale a confissão de dívida, sendo desnecessário o lançamento de ofício, como foi feito nos presentes autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Fl. 688DF CARF MF 18 Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. Desta forma, fazendo um paralelo dos entendimentos acima colacionados, concluída a discussão judicial e não tendo o contribuinte logrado êxito, os valores depositados são integralmente convertidos em renda da União Federal, conforme determinado pelo art. 1º, § 3º, III, da Lei n.º 9.703/19982, como hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, VI, do CTN), não sendo necessário o presente lançamento de ofício, eis que o crédito já foi devidamente constituído pelo depósito do montante integral. Na minha opinião, este é o entendimento que melhor se enquadra com a jurisprudência do STJ. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento para cancelar totalmente o Auto de Infração em epígrafe. (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 689DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.720783/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 20 78 3/ 20 14 -2 7 Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório MPM TRANSPORTES EIRELI EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0737.061/2015, às fls. 1.232/1.256, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, lavrado em 22/05/2014, referente a obrigações acessórias, correspondentes a declaração inexata na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) como optante pelo Simples, embora não optante, em relação ao período de 01/2010 a 12/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 07/86, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: 1) AI DEBCAD nº 51.041.9950: onde são exigidas as contribuições devidas as terceiras entidades (SalárioEducação, Incra, Sest/Senat e Sebrae), no período de 01/01/2010 a 31/12/2013, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, perfazendo o total de R$ 1.565.405,86, consolidado em 22/05/2014. No referido AI, foi aplicada multa na forma qualificada e agravada, porquanto, conforme relato da autoridade fiscal, em síntese, a Autuada empregou as seguintes práticas com o objetivo de não recolher/reduzir tributos (item 7 do REFISC): a) Não emitiu Documentos Fiscais no período que envolve as competências de 01/2010 a 08/2012, situação esta que já vinha sendo praticada desde a sua constituição, ocorrida em 09/07/2007; b) Emitiu Documentos Fiscais de forma parcial no período que envolve as competências de 09/2012 a 12/2013; c) Opção indevida ao SIMPLES Nacional, em GFIP, sem estar de fato vinculado a este Sistema. Situação esta ocorrida no ano de 2010, masque também já a vinha sendo praticada desde a sua constituição, ocorrida em 09/07/2007. d) Optou, a partir de 01/01/2011, ao SIMPLES Nacional mesmo estando em Débito para com a Previdência; e) Optou, a partir de 01/01/2011, ao SIMPLES Nacional mesmo estando em Débito para com Entes da Federação. 2) AI DEBCAD nº 51.041.9941: referente ao descumprimento de obrigação tributária acessória. lavrado, nos termos do relatório fiscal, em razão do sujeito passivo acima identificado ter descumprido obrigação acessória prevista no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, ao deixar de apresentar à Fiscalização, ou apresentar de maneira deficiente, os documentos listados no Refisc. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autuação consubstanciada no lançamento em epígrafe decorre de Representação Administrativa – Processo Administrativo n° 10920.720526/201495, em que a contribuinte fora excluída do regime de tributação do SIMPLES, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/JOI n° 11, de Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 4 3 01/04/2014. Ressalta, ainda, que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES se operam a partir de 01/01/2011. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 1.299/1.319, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, contrapõese preliminarmente suscitando a nulidade da decisão a quo, por entender que houve cerceamento de defesa, na medida em que seus pedidos de diligência não foram atendidos, acarretando o cerceamento de defesa, renovando o pedido nesta oportunidade. Ainda em caráter preliminar, pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender que o julgador recorrido incorreu em omissões e/ou contradições ao proferir o decisum, estando, portanto, eivado de vícios que maculam sua validade, razão pela qual é de se emitir novo Acórdão na boa e devida forma. Em relação ao mérito, argumenta haver a identificação de todos os registros de recebimentos à títulos de adiantamentos, sendo estes recursos aplicados para a manutenção da própria empresa no tocante ao pagamento da folha de salários, conforme identificado e constatado pelo próprio auditor fiscal. Afirma que desde sua constituição fez a adesão pelo Simples Nacional e sempre teve o intuito de permanecer neste regime tributário, tendo sido excluída de maneira absolutamente arbitrária pela Fazenda Nacional, em que pese manter permanentemente sua escrituração contábil de forma hábil e regular. Em defesa de sua pretensão, transcreve a legislação de regência quanto ao Simples Nacional, repudiando da mesma forma quanto ao efeito retroativo de sua exclusão, pois invoca tratarse de direito adquirido, colacionando jurisprudência e ensinamentos doutrinários sobre o assunto. Opõese, igualmente, à aplicabilidade da multa qualificada, sobretudo diante da ausência da efetiva comprovação do dolo, fraude ou simulação. No mesmo sentido, aponta descabida a aplicação da multa isolada e agravada, invocando o principio do não confisco, da proporcionalidade, moralidade e razoabilidade, arrolando decisões do STF e STJ amparando suas razões. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o lançamento inscrito no auto de infração sob análise decorre de procedimento de exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, consubstanciado no processo administrativo n° 10920.720526/201495, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/JOI n° 11, de 01/04/2014, operando efeitos a partir de 01/01/2011. Em que pese a autoridade julgadora de primeira instância haver reconhecido o nexo causal do presente lançamento com o processo que trata da exclusão do SIMPLES, achou por bem dar seguimento ao feito, inferindo que: “[...] Consoante se infere dos autos, parte da exigência contida no AI DEBCAD nº 51.041.9950, de contribuições devidas as Terceiras Entidades exigidas para as competências compreendidas no período de 01/2011 a 12/2013 (inclusive 13 salário), decorreu do fato da empresa ter sido excluída do Simples Nacional mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n.º 11, datado de 01/04/2014, com efeitos retroativos a 01/01/2011. Com relação as exigências de contribuições lançadas nas competências 01/2010 a 12/2011 (inclusive 13º salário), a motivação para o lançamento reside no fato de a empresa ter informado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) como optante pelo Simples, sem de fato encontrarse incluída no referido sistema simplificado de tributação Os lançamentos das contribuições devidas as Terceiras Entidades, que deixaram de ser recolhidas em face da declaração indevida na GFIP como optante pelo Simples Nacional no período de 01/2010 a 12/2011 (inclusive 13/2013), e por força da exclusão retroativa mediante o ADE, foram ora constituídas no DEBCAD nº 51.041.9950, no levantamento F1 – FP não declarada em GFIP SE. Com efeito, uma vez promovida a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional, procederseá, se for o caso, a lavratura de auto de infração para a exigência do crédito tributário devido, independentemente do julgamento de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão, uma vez Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 6 5 que inexiste previsão legal de efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada contra a exclusão. Em que pese parte das contribuições exigidas no presente lançamento decorrerem da exclusão retroativa da impugnante do Simples Nacional, a sede própria para análise de tais argumentações é o processo administrativo relativo à exclusão do sistema diferenciado de tributação de nº 10920.720526/2014 95 (em apenso), onde a empresa apresentou manifestação de inconformidade contemplando as mesmas razões ora interpostas. Cabe ressaltar, por oportuno, que o julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela sociedade ora impugnante contra o ADE teve como resultado, conforme se infere da leitura do Acórdão nº 0737.059, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que consta às fls. 870895 do referido processo, a manutenção do referido ato de exclusão. [...]” Extraise daí inexistir dúvida de que o Auto de Infração sob análise encontrase atrelados ao resultado final a ser levado a efeito nos autos do processo de exclusão do SIMPLES, em evidente prejudicial do exame da demanda, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Neste sentido, somente após a decisão administrativa definitiva exarada em face da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 10920.720526/201495, é que se poderá adentrar a análise da regularidade deste feito. Dessa forma, existindo referido processo de exclusão do SIMPLES, esse, por guardar íntima relação de causa e efeito com a autuação sub examine, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Ocorre que, o processo n° 10920.720526/201495, igualmente, fora distribuído para relatoria deste Conselheiro. No entanto, conforme se extrai do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, mais especificamente no Anexo II, art. 2º, inciso V, a competência para julgamento de processos pertinentes ao regime de tributação do SIMPLES é da 1º Seção de Julgamento, motivo pelo qual em relação ao processo sobre esta matéria foi declinada a competência para a Seção competente, impondo, assim, o sobrestamento deste feito até seja proferida decisão definitiva nos autos daquele processo. Assim, ao contrário do entendimento encampado pelo julgador de primeira instância, em face do caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente o Auto de Infração em epígrafe, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente venham para apreciação por esse Colegiado após o trânsito em julgado do processo n° 10920.720526/201495, onde se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento – SIMPLES. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, até que seja Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 7 6 proferida decisão definitiva nos autos do processo n° 10920.720526/201495, devendo estes autos ser encaminhados para a DRF de origem para as providências cabíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 1330DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.000513/2002-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.097
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 325 a 3451) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.826, de 17 de julho de 2012 (fls. 313 a 318), com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 05 13 /2 00 2- 33 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 9303005.097 CSRFT3 Fl. 431 2 Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão recorrido está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INCABÍVEL. O indeferimento do pedido de diligência ou de perícia não configura cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, sendo incabível a decretação da nulidade da decisão recorrida. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Em resumo, a decisão deu provimento parcial do recurso voluntário para que fossem considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor de IPI do período. No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita dissídio jurisprudencial quanto à subsunção ao conceito de insumos esposado pela legislação do IPI de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo. No mérito, argúi a nulidade da decisão, por afronta ao sistema de distribuição do ônus probatório adotado no Processo Administrativo Fiscal, ao determinar diligência para a produção de prova que tocaria à parte produzir. No mérito, contesta a subsunção no conceito de insumo das partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo, haja vista fazerem parte do Ativo Permanente. Lembra que o art. 82 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 RIPI/82, cuja redação foi reproduzida pelo art. 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de Junho de 1998 RIPI/98, dispõe que se inclui entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles bens que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 9303005.097 CSRFT3 Fl. 432 3 permanente, o que corroboraria a conclusão de que é incabível o ressarcimento dos valores pagos em partes e peças de máquinas ou equipamentos. Por meio do Despacho s/nº 4ª Câmara, de 27 de julho de 2011 (fls. 375 a 377), o Presidente da 4ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 408 a 418). O interessado impugnou a admissibilidade do pleito por ausência de divergência. No mérito, em síntese, repetindo os fundamentos da decisão recorrida, argumenta que o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação, atestado em laudo técnico do I.N.T., autoriza o creditamento do imposto na entrada desses bens. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão recorrido, em 28/06/2013 (cfe. Termo de Intimação pessoal do Procurador, fl. 319). O apelo formulado em 01/07/2013 (cfe. RM nº 14837, fl. 373) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma. Nada obstante, compulsando os acórdãos paragonados, pareceme impossível estabelecer base de comparação para a dedução do dissídio suscitado. Observese que o Acórdão nº 20180.424 (fl. 349) debruçouse sobre pedido de ressarcimento, formulado por estabelecimento industrial têxtil, de créditos básicos tomados sobre a entrada de componentes entendidos pela Fiscalização como formadores de peças e partes de máquinas, que não tinham contato direto com o produto fabricado, quais sejam: (i) os produtos químicos control, optisperse, inhibitor, percol, sidertex AE, praestol e zetag; (ii) os cartões jacquard; (iii) as correias e esteiras de transporte. O Acórdão nº 20311.519 (fl. 363), por sua vez, também analisando pleito de indústria têxtil, indeferiu a tomada de créditos básicos nas entradas de (i) Vibatex FPT (cola utilizada para fixar tapetes sobre os quais são colocadas as máquinas de estamparia); (ii) Esmalte poliuretano (verniz para acabamento de quadros para estamparia); (iii) Lockthome (verniz para acabamento de quadros para estamparia) e (iv) outras peças departes e peças de máquinas, inclusive correias, que não entravam em contato direto com o produto em fabricação. A decisão recorrida analisou caso de insumos (fls. 316 e 317) empregados na fabricação de carbeto de silício e de óxido de alumínio, que, embora não se integravam ao produto final, segundo laudo técnico, sofriam desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 9303005.097 CSRFT3 Fl. 433 4 E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, o Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Portanto, voto pelo não conhecimento do apelo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720025/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.898
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBOVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 25 /2 01 0- 33 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.442. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 153DF CARF MF
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