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Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 - SRRF09/Diana.
Numero da decisão: 3301-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 - SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindo-se da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de omissão no julgado recorrido, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos parcialmente acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão apontada, e, em consequência, acolher em parte o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, em razão da análise da Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos Declaratórios para que, considerando a análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, o Recurso Voluntário seja parcialmente provido, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 297DF CARF MF 2 Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 298 3 Relatório Por economia processual, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 243 e seguintes dos autos): Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Fl. 299DF CARF MF 4 Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 299 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. Ao analisar o caso, este Conselho entendeu, através do Acórdão nº 3301 002.117, por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, sob o fundamento de que, para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, seria necessário que o interessado comprovasse com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. O contribuinte, então, interpôs embargos declaratórios, através dos quais alega que a decisão recorrida teria incorrido nos seguintes vícios: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); Fl. 301DF CARF MF 6 (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES, a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Ato contínuo, em sessão realizada em 28/09/2016, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência, para que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana. Cumprida esta diligência, os autos retornaram a esta julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 300 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios opostos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Conforme relatado acima, foram três os fundamentos apresentados pelo embargante em seu recurso, quais sejam: (i) omissão/erro material diferentemente do que constou do relatório do acórdão vergastado, o recurso voluntário não teria apenas reiterado os argumentos constantes da sua impugnação e não teria tratado somente do debate a respeito dos CATALISADORES PU, pois aprofundaria o debate técnico mediante novos argumentos sobre a classificação adotada pela autoridade notificante tanto para os CATALISADORES PU como para os THINNERS e DILUENTES; (ii) omissão/erro material o relator teria deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão) e teria consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material); (iii) omissão quanto à classificação fiscal utilizada pela autoridade fiscal para os THINNERS e DILUENTES a decisão não teria enfrentado o argumento do contribuinte de arbitrariedade da presunção utilizada, a qual teria sido fundada em meras suposições, face à inexistência de laudo comprobatório de que os produtos foram fabricados com menos de 65% de solventes aromáticos. Quanto ao item (i), entendo que não assiste razão à Embargante. Isso porque, embora tenha a decisão recorrida mencionado que o recurso voluntário teria reiterado os termos da impugnação, o fato de a Recorrente ter trazido argumentos novos em seu recurso não leva à existência de omissão/erro material da decisão recorrida. O Julgador não precisa tratar necessariamente sobre todos os argumentos trazidos aos autos pelo contribuinte, bastando que fundamente a sua decisão em elementos suficientes à conclusão a que chegou em seu julgado. No que tange ao item (iii), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. Isso porque, verificase que a decisão recorrida não foi omissa neste ponto, tendo tratado sobre o tema, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da transcrição a seguir: Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Fl. 303DF CARF MF 8 Ou seja, entendeu o julgador naquela oportunidade que, para fazer jus à classificação que lhe atribuía alíquota de 0%, deveria o contribuinte comprovar que o produto preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento, e que o contribuinte não teria se desincumbido deste ônus. Não há que se falar, portanto, em omissão do julgado recorrido, mas em insurgência do contribuinte quanto ao seu conteúdo, o que não se pode admitir em sede de embargos declaratórios. Quanto ao item (ii), alega o contribuinte que teria havido omissão/erro material em razão de o relator ter deixado de analisar em seu voto a classificação fiscal dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente (omissão), tendo consignado que, conforme analisado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela Recorrente (erro material). Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Para que melhor se compreenda a discussão ora em debate, transcrevemse as passagens dos seguintes documentos constantes dos autos: (a) decisão da DRJ; (b) decisão do CARF; (c) embargos declaratórios opostos pelo contribuinte: Decisão da DRJ (fl. 209 dos autos) Ao querer atribuir validade ao lançamento somente após “parecer técnico”, a interessada deturpa integralmente o instituto. Curioso, que a própria interessada poderia ser mais diligente na classificação fiscal de seus produtos, inclusive utilizandose de perícias, ou de modo mais eficaz, de consulta fiscal, o que não fez. Ressaltese que a interessada não está obrigada a solicitar esclarecimentos prévios sobre eventual classificação fiscal de seus produtos, seja em consulta fiscal ou parecer técnico, sendo de sua exclusiva responsabilidade os atos de sua iniciativa, nos termos do artigo 20 e seu parágrafo único da Lei 4.502/64. Art . 20. O lançamento consistirá na descrição da operação que o originar e do produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser efetuado. Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. Nesse sentido, se comprovado pela autoridade fiscal que o contribuinte errou na classificação fiscal de seus produtos, legítima e necessária a reclassificação fiscal, em obediência às normas de tributação, ainda que essa reclassificação seja mais onerosa ao contribuinte, não configurando postura odiosa por parte do Ente tributante e sim obediência à legalidade. Acórdão nº 3301002.117 (fls. 246/247 dos autos) De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 301 9 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Grifos apostos). Embargos declaratórios (fls. 252/253) "Notese que em seu recurso voluntário a recorrente, primeiro, suscitou a necessidade de cancelamento do ato fiscal pela ocorrência de vício material insanável, pois, no que tange aos CATALISADORES PU, a autoridade notificante não aprofundou sua análise a cada tipo de produto industrializado pela recorrente, partindo da premissa de que existe apenas um tipo de CATALISADOR PU, e que, por isso, todos eles mereceriam ser indistintamente classificados sob a NCM 3824.90.32, o que ficou demonstrado ser um erro, principalmente, pela conclusão diversa a que chegou a própria Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, de 18 de maio de 2010, que foi trazida aos autos por ocasião do recurso voluntário, segundo a qual tais produtos deveriam se classificar nas NCM 3208.90.39 e 3911.90.29. Fl. 305DF CARF MF 10 Acontece que, laborando com omissão e também erro material, o acórdão deixou de analisar a classificação dos 20 tipos de CATALISADORES PU produzidos pela recorrente e consignou que, conforme afirmado pela decisão de primeira instância, não haveria sido formulada nenhuma consulta pela recorrente. Todavia, nesse ponto, o vício é grosseiro. A uma, porque a decisão de primeira instância em momento algum se referiu à existência ou inexistência de qualquer Solução de Consulta, pois este tema definitivamente não havia sido objeto da impugnação. A duas, porque não poderia ser mesmo objeto da impugnação qualquer Solução de Consulta, já que a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana é de 18.05.2010, enquanto a impugnação data da 16.11.2006. Portanto, é cronologicamente impossível ter havido o debate sobre a validade de Solução de Consulta na impugnação. Por isso é que a recorrente trouxe à baila, na íntegra, a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana quando do seu recurso voluntário. A três, porque, ao partir dessa premissa, o acórdão embargado deixou de se manifestar quanto ao vício da notificação fiscal por colidência com o resultado da Solução de Consulta e o efeito vinculante desta, suscitado com base no princípio da retroatividade benigna da lei tributária". Consoante se extrai da análise da decisão embargada, verificase que esta, de fato, incorreu em erro material ao dispor que "a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta". Isso porque, consoante apontou a Embargante, a indicação da solução de consulta que pretendia ver analisada (Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010) ocorreu apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, não tendo sido objeto da Impugnação apresentada em 2006 pelo contribuinte. Logo, entendo que a DRJ, ao dispor que não fora apresentada consulta por parte do contribuinte, o fez em sentido genérico, dispondo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar que a classificação fiscal realizada pelo mesmo havia se dado corretamente. Ou seja, não tratou a decisão da DRJ da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana de 18/05/2010. Contudo, uma vez apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário um argumento novo, atinente à existência da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, este Conselho deveria ter se pronunciado sobre o mesmo, tendo a decisão embargada incorrido em omissão/erro material ao não fazêlo. Até porque, à primeira vista, apresentavase relevante do argumento trazido à tona pelo contribuinte, qual seja, existência de Consulta Fiscal em que a própria Receita Federal teria concluído pela classificação fiscal de determinados produtos objeto da presente autuação nos NCMs 3208.90.39 e 3911.90.29. A importância dessa análise decorria ainda do argumento do contribuinte de que a referida empresa produziria 20 tipos diferentes de CATALISADORES PU, ao passo que a fiscalização teria considerado todos como sendo um só produto. A distinção entre os referidos CATALISADORES teria sido analisada na referida Solução de Consulta. Porém, embora o contribuinte tivesse alegado a existência da referida Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, tendo transcrito passagens da mesma em seu Recurso Voluntário, não havia juntado aos presentes autos o seu inteiro teor. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 302 11 Diante disso, a presente demanda foi convertida em diligência, no intuito de que fosse anexado aos presentes autos o inteiro teor da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, para que este Conselho pudesse analisar a sua extensão e aplicabilidade ao caso concreto ora analisado. Uma vez juntada a referida solução de consulta, podese verificar que esta teve como interessada a Farben S/A Indústria Química, teve por objeto o "endurecedor PU", vulgarmente denominado "catalisador PU", e concluiu que as mercadorias consultadas deveriam ser classificadas nos códigos 3208.90.39 (alíquota de 10%), produtos indicados na Tabela 1, e 3911.90.29 (alíquota de 5%), produtos indicados na tabela 2. Ocorre que, embora a decisão embargada tenha sido omissa quanto à apreciação da referida solução de consulta, a sua análise não socorre o contribuinte para fins de embasar a classificação fiscal adotada pelo mesmo. Isso porque, naquele documento, foram indicadas como corretas as seguintes classificações fiscais: 3208.90.39 e 3911.90.29. Acontece que o contribuinte adotou classificações fiscais distintas, consoante se extrai do esclarecimento prestado pelo mesmo (vide fl. 178 dos autos): Porém, embora a Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana não socorra o contribuinte em sua pretensão de justificar a classificação fiscal por ele adotada, serve para demonstrar que tampouco a classificação fiscal adotada pela fiscalização, considerando uma mesma classificação fiscal para todos os CATALISADORES PU de forma indistinta, estava correta. Notese que a solução de consulta analisou os seguintes produtos: De outro norte, extraise do auto de infração aqui combatido que foi objeto de fiscalização os seguintes produtos: Fl. 307DF CARF MF 12 Ou seja, é inconteste que há identidade entre certos produtos analisados. E, consoante destacou o contribuinte em seu Recurso Voluntário, a referida solução de consulta identificou a classificação correta de acordo com cada código do produto ali analisado (vide tabelas 1 e 2 às fls. 278/281). Sendo assim, entendo que a apresentação da referida solução de consulta faz prova em favor do contribuinte, no sentido de demonstrar, quanto a determinadas mercadorias, a classificação correta a ser considerada no caso concreto aqui analisado. E, uma vez identificada que a classificação correta era diversa da apontada pela fiscalização, há de ser reconhecida a improcedência do auto de infração quanto a tais mercadorias específicas. Nesse sentido, trazse à colação decisão desta turma julgadora: Acórdão: 3301003.147 Número do Processo: 10831.724290/201465 Data de Publicação: 02/05/2017 Contribuinte: PADTEC S/A Relator(a): LIZIANE ANGELOTTI MEIRA Ementa: Classificação Fiscal Período de apuração: 2006 a 2010 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Recurso Voluntário Provido Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Diante do acima exposto, entendo que deverão ser parcialmente acolhidos os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para fins de sanear a omissão apontada e, com base na análise da Solução de Consulta nº 117 SRRF09/Diana, concluir que o Recurso Voluntário deverá ser parcialmente provido, no sentido de determinar que os valores indicados no auto de infração sejam revistos, excluindose da autuação os valores relativos às mercadorias cuja classificação fiscal determinada pela fiscalização divirja da classificação fiscal apontada na referida Solução de Consulta. É como voto. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301003.657 S3C3T1 Fl. 303 13 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003506/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
Ementa:
REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO.
Conforme o disposto no Art. 54 do Decreto Lei 37/66, é de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder à revisão aduaneira das importações.
Numero da decisão: 3201-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D´amorim e Paulo Roberto Duarte Moreira. A Conselheira Mércia Helena Trajano D´amorim ficou de apresentar declaração de voto.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRAZO. Conforme o disposto no Art. 54 do Decreto Lei 37/66, é de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder à revisão aduaneira das importações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D´amorim e Paulo Roberto Duarte Moreira. A Conselheira Mércia Helena Trajano D´amorim ficou de apresentar declaração de voto. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 35 06 /2 00 1- 19 Fl. 535DF CARF MF 2 FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 432 em face da decisão de primeiro grau deste procedimento fiscal administrativo, da DRJ/CE de fls. 386 que considerou o lançamento procedente e manteve os autos de infração de II e IPI de fls. 08 e 13, respectivamente, sobre a "falta de recolhimento por perda de benefício", com multa e juros, em razão do contribuinte não ter observado os requisitos de entidade com fins filantrópicos. Como de costume desta Turma de julgamento, adotase e transcrevese o relatório da decisão de primeira instância para apreciação dos fatos e trâmite do presente procedimento administrativo fiscal, conforme segue: "Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre. Produtos Industrializados (IPI), fls. 06/10 e 11/17, respectivamente, para formalização. e cobrança do crédito tributário nele estipulado nos valores totais de R$ 2.345,85 e R$ 30.115,37, inclusive encargos legais. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 07/08 e 12/13 e no Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 18/37, foi, em síntese, a seguinte: Falta de Recolhimento por Perda do Benefício por Desqualificação do Importador: A presente ação fiscalfoi desenvolvida com o objetivo de verificar o cabimento de fiscal aplicado, bem como assegurar o controle da transferência dos bens importados ao amparo do art. 2o , inciso I, alínea "b", e 3o , inciso I da Lei n° 032/90, pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, inscrita no CNPJ sob o n° 60.833.910/0012 30, posteriormente desmembrada por cisão e recebida por adesão pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, inscrita no CNPJ sob o n° 76.726.884/007998. No curso da fiscalização constatamos que o benefício fiscal não era aplicável, pois o importador descumpriu os requisitos previstos na legislação pertinente para seu reconhecimento como entidade beneficente de assistência social e concessão do Atestado de Registro e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, conforme demonstramos no RELATÓRIO DE AUDITORIA em anexo, que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Sendo assim, cobramse os tributos devidos, apurados em face do não reconhecimento da isenção por desqualificação do importador, somados aos acréscimos legais devidos. ANO/DI/ADIÇAO Valor Tributável II Valor Tributável IPI Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 536 3 96/000228/001 R$ 0,00 R$ 330.786,27 96/453705/001 R$ 6.942,08 R$ 7.913,97 ENQUADRAMENTO LEGAL (II): Artigos Io, 77, inciso I, 80, inciso I, alínea "a", 83,86, 87, inciso 1,89, inciso II, 99, 100, 103, 111, 112, 129 a 138, 152,411 a 413, 416, 418, 455,456, 499, 500, incisos I e IV, 501, inciso III, 542, do RA, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Lei n° 4.917/65; Art. 150 da Lei n° 5.172/66; Arts. 20, inciso I, alínea "b" e 3o , inciso I da Lei n° 8.032/90; Art. Io , inciso IV da Lei n° 8.402/92; Arts. 3o , 9o , § 3o e art. 18 da Lei n° 8.742/93. Artigo 61, inciso II do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82; Decreto n° 97.410/88; Decreto n° 1.767/95; Arts. 2o . inciso IV, 3o , inciso VI, § Io e § 4o e art. 7o, § 2o do Decreto n° 2.536/98. Artigos 44 e 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 2° do Decretolei n° 2.472/88; e Art. 138, caput, do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 4o do Decretolei n° 2.472/88. Resolução CNAS n° 20/97 e 177/00. Parecer PGFN/CAT n° 735/95. Art. 4o , inciso I da Lei n° 8.218/91, combinado com o art. 44 inciso 1 da Lei n° 9.430/96. Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10/97. ENQUADRAMENTO LEGAL (IPI): Artigos Io , 15, 16, 17, 19, inciso I, 22, inciso I, 25, 29, inciso I, 54, 55, inciso I, alínea "a" e inciso 11,'alínea "a", 56, parágrafo único, inciso 11, 57, inciso IV, 59, 61, inciso II, 62, 63, inciso I, alínea "'a", 107, inciso I, 112, inciso I, 347 e 348, do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82. Lei n° 4.917/65; Art. 150 da Lei n° 5.172/66; Arts. 2o , inciso I, alínea "b" e 3o , inciso I da Lei n° 8.032/90; Art. Io , inciso IV da Lei n° 8.402/92; Arts. 3o , 9o , § 3o e art. 18 da Lei n° 8.742/93. Decreto n° 97.410/88; Decreto n° 1.767/95; Arts. 2o , inciso IV, 3o , inciso VI, § Io e § 4o e art. 7o , § 2o do Decreto n° 2.536/98. Artigos 44 e 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 2° do Decretolei n° 2.472/88; e Art. 138, caput, do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 4o do Decretolei n° 2.472/88. Resolução CNAS n° 20/97 e 177/00. Parecer PGFN/CAT n° 735/95. Art. 4o , inciso I da Lei n° 8.218/91, combinado com o art. 44 inciso I da Lei n° 9.430/96. Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10/97. O Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 18/37 está assim redigido: "INTRODUÇÃO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, com base no disposto nos artigos 134, 137, 138, 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05 de março de 1985, iniciamos, em 06 de setembro de 2001, procedimento de fiscalização aduaneira com o objetivo de verificar o cabimento de benefício fiscal aplicado, bem como assegurar o controle da transferência dos bens importados sob a égide da Lei n° 8.032/90 pela INSTITUIÇÃO Fl. 537DF CARF MF 4 ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica sob o n° 60.833.910/001230 e nome fantasia HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO. A ação fiscal foi desenvolvida para comprovar o fiel cumprimento das condições impostas pela legislação para a fruição do benefício fiscal pleiteado no momento do registro das Declarações de Importação, e, de fato usufruído pelo importador desde o desembaraço das mercadorias sem o recolhimento dos impostos normalmente incidentes nas operações de importação. Para tanto, foram analisadas as importações realizadas ao amparo da Lei n° 8.032/90 no período compreendido entre janeiro de 1996 e junho de 2001, levando em conta aspectos ligados ao despacho de importação propriamente dito e à qualificação do importador, conforme preconiza o art. 455 do Regulamento Aduaneiro. DAS IMPORTAÇÕES Dentro do período fiscalizado, e de acordo com os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, o importador promoveu a entrada de mercadorias de procedência estrangeira ao amparo da Lei n° 8.032/90 em duas oportunidades. Na primeira ocasião, por meio da Declaração de Importação n° 453.705, registrada em 28/02/1996 em São Paulo, o importador submeteu à despacho uma unidade da mercadoria por ele descrita como "UMA MESA CIRÚRGICA SHAMPAYNE 1500 SÉRIE RADIOP (FILIAL UNIVERSAL), COMPOSTO DE: UM SUPORTE DE LITOTOMIA DELUXE DIREITO/ESQUERDO, UMA UNIDADE PARA REDUÇÃO DE ANTEBRAÇO E DOIS SOQUETES CLARK", e classificoua no código tarifário 9402.90.10, pleiteando a isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados com base no disposto nos artigos 2°, inciso I, alínea "b", e 3o , inciso I, da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, e no artigo 1 o , inciso IV, da Lei n° 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Na data de ocorrência do fato geradór.do Imposto de Importação (data do registro da declaração de importação), a alíquota vigente da TEC, aprovada pelo Decreto n° 1.767/95, para a mercadoria informada era de 14% (catorze por cento). Já na data de ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados (data do desembaraço aduaneiro), a alíquota vigente da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 97.410/88, para a mercadoria informada era de 4% (quatro por cento). Posteriormente, por meio da Declaração de Importação n° 000.228, registrada em 29/11/1996 em Campo Grande, o importador submeteu a despacho uma unidade da mercadoria por ele descrita como "UM APARELHO DE RAIOSX, PRÓPRIO PARA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE CORPO INTEIRO, COMPLETO E DESMONTADO, MODELO SOMATOM AR.C, 220V, PARA USO EXCLUSIVO EM RADIODIAGNÓSTICO, ORIGINAL SIEMENS COMPOSTO DE: (...)", e classificoua no código tarifário 9022.12.00, pleiteando a isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados com base no disposto nos artigos 2o , inciso I, alínea "b", e 3o , inciso I, da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, e no artigo 1 o , inciso IV, da Lei n° 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 537 5 Na data de ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação (data do registro da declaração de importação), a alíquota vigente da TEC, aprovada pelo Decreto n° 1.767/95, para a mercadoria informada era de 0% (zero por cento). Já na data de ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados (data do desembaraço aduaneiro), a alíquota vigente da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 97.410/88, para a mercadoria informada era de 4% (quatro por cento). DA ENTIDADE De acordo com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, realizada em 11 de dezembro de 1996, "tendo em vista o grande desenvolvimento alcançado pelas atividades mantidas na área de sua jurisdição, a INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL tem encontrado entraves ao controle administrativo e operacional em área tão extensa, e, sobretudo devido a reorganização da estrutura organizacional da Igreja Adventista do 7o Dia, no Brasil, ocorrida em 1985, mediante a qual os estabelecimentos da entidade religiosa localizados nos Estados de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina ficaram subordinados à CORPORAÇÃO DA UNIÃO SUL BRASILEIRA DA IGREJA ADVENTISTA DO 7o DIA (CUSB), tornouse aconselhável proceder se à reestruturação na jurisdição e na área de atuação também das INSTITUIÇÕES, para que os serviços assistenciais, educacionais e filantrópicos possam manter seu estágio atual de desenvolvimento e prestação de serviços à comunidade." Em conseqüência, a mesma Assembléia Geral Extraordinária citada no parágrafo anterior deliberou "cindirse a INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, com amparo na legislação atual, procedendo se por desmembramento das Regiões Administrativas, dos estabelecimentos, do patrimônio, dos objetivos e obrigações ativas e passivas, bem como das atividades serviços localizados nos Estados de Maio Grosso do Sul e de Santa Catarina, que abrangem respectivamente os estabelecimentos relacionados no Anexo V no qual consta o Hospital Adventista do Pênfigo, CNPJ n° 60.833.910/0012 30], extensivos a todas as atividades, quer de atendimento à saúde, educação ou assistência social, para incorporálas integralmente, com a totalidade de seus ativos, passivos, direitos e obrigações, financeiras, contábeis, fiscais, tributárias, do pessoal e demais poderes de gestão, inclusive os de sucessão de todo o seu pessoal administrativo e de serviços à INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, sucessora da Associação Paranaense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, inscrita no CGC/MF sob n° 76.726.884/000128, (...), a partir de 01 de janeiro de 1997". Da mesma forma, de acordo com a Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 11 de dezembro de 1996, a INSTITUIÇÃO ADVENTISTA PARANAENSE DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, deliberou proceder alteração de sua razão social para INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO Fl. 539DF CARF MF 6 E ASSISTÊNCIA SOCIAL, além de "receber por adesão e incorporar como Regiões Administrativas, estabelecimentos, institutos, órgãos e objetivos da INSTITUIÇÃO, receber os bens patrimoniais, móveis e imóveis correspondentes a estes estabelecimentos e objetivos, assumindo o ativo, o passivo, os bens registrados ou não nos Livros Diários, Auxiliares regularmente formalizados, a responsabilidade por sucessão legal e plena, dos encargos decorrentes do vínculo empregatício, fundiários e previdenciários referentes aos obreiros e funcionários que prestam serviços nos estabelecimentos recebidos da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, com amparo na legislação atual, havendo sido procedido por desmembramento do patrimônio, dos objetivos e obrigações ativas e passivas, (...), bem como das atividades, serviços e estabelecimentos localizados nos Estados de Mato Grosso do Sul, de Santa Catarina e do HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO, (...), extensivos a todas as atividades, quer de atendimento à saúde, educação ou assistência social, para incorporálas integralmente, com a totalidade de seus ativos, passivos, direitos e obrigações, resultados financeiros, contábeis, tributários, do pessoal e demais poderes de gestão, inclusive os de sucessão de todo o seu pessoal administrativo e de serviços, a partir de 01 de janeiro de 1997." Em resumo, podemos afirmar que o HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO, localizado na Av. Dr. Gunter Hans, 5.885 em Campo Grande/MS, é o nome fantasia da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 60.833.910/001230, entidade promotora das importações fiscalizadas, até então mantida pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 60.833.910/000187. A partir de 1997, a entidade foi desmembrada por cisão e recebida por adesão pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/000128, a quem ficou vinculado o HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO, que passou a denominarse INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/007998, sendo esta, conforme consta no art. 47 de seu Estatuto Social transcrito abaixo, a responsável pelas obrigações tributárias da primeira. No entanto, por omissão de seus representantes, verificase que no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, a primeira continua com situação de "ativa não regular', tendo apresentado as declarações de IRPJ regularmente como imune. "Art. 47. São delegados à Diretoria, à Comissão Diretiva da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL e aos procuradores por esta especialmente constituídos, todos os poderes de gestão e administração, de forma ilimitada, para consolidação dos registros e documentos em todos os órgãos públicos, cartórios em geral, organismos estatais, ofíciais, particulares, bancários, enfim, todos os locais onde se fizer necessário, quer sejam obrigados ou não, para a efetiva convalidação, averbação, ou registro da cisão e desmembramento e o recebimento por adesão e incorporação, inclusive averbações das transferências patrimoniais, relativamente aos estabelecimentos anteriormente abrigados na INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 538 7 EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL localizados nos Estados de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina (...)". Isto posto, passemos a ressaltar alguns aspectos relevantes do Estatuto Social da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/0079 98, atual razão social do Hospital Adventista do Pênfigo, para o objetivo desta fiscalização. A INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL foi fundada na cidade de Curitiba, em 25 de janeiro de 1940, sob a denominação de ASSOCIAÇÃO DOS ADVENTISTAS DO 7o DIA NO PARANÁ E SANTA CATARINA. Em 1946 teve seu nome alterado para ASSOCIAÇÃO PARANÁ SANTA CATARINA DA IGREJA ADVENTISTA DO 7° DIA e em 1956 adotou a denominação de ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DA IGREJA ADVENTISTA DO 7o DIA. Em fevereiro de 1996 foi adotado o nome de INSTITUIÇÃO ADVENTISTA PARANAENSE DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, que foi alterado por ocasião da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 11 de dezembro de 1996, para a denominação atual de INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. Segundo seu Estatuto, a INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL é entidade declarada de Utilidade Pública pelo Decreto n° 60.545/67 do Governo Federal, é registrada e possui certificado como entidade de fins filantrópicos no Conselho Nacional de Assistência Social, tendo jurisdição sobre o território que abrange os Estados do Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, e qualquer outro que lhe seja posteriormente designado por sua mantenedora, a União Sul Brasileira da Igreja Adventista do 7o Dia. O art. 7° do referido estatuto, que transcrevemos abaixo, trata dos objetivos da INSTITUIÇÃO: "Art 7°. A INSTITUIÇÃO é uma entidade de fins assistenciais, educacionais, filantrópicos e culturais, tendo por objetivos: / . . . // propiciar em seu âmbito de ação e dentro de suas possibilidades e disponibilidade de recursos, assistência social, médicohospitalar, e educacional, gratuitas, às pessoas necessitadas; (...) IX... § 1o O cumprimento dos objetivos se fará, além de outras instrumentalidades apropriadas, através: a ) . . . b) de estabelecimentos descentralizados, tais como institutos, clínicas médicas e de proteção da saúde, hospital, centros e clínicas de vida saudável. Fl. 541DF CARF MF 8 §2°..." O art. 11 determina que "a INSTITUIÇÃO não tem fins lucrativos, não remunera e não concede vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, aos membros de sua Diretoria, Comissão Diretiva, Superintendências e Comissões Consultivas pelo exercício específico da atividade estatutária, aos instituidores, benfeitores ou equivalentes, bem assim, não distribui^résultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio, sob nenhuma forma ou pretexto, mas todas as suas rendas, bens e propriedades serão utilizadas e empregadas no País, no sentido de atingir os seus objetivos educacionais, assistenciais, filantrópicos e culturais". Já o art. 16 estabelece que "são órgãos de assistência da INSTITUIÇÃO os constantes deste capítulo, além de outros que vierem a ser criados pela Comissão Diretiva, mediante os quais ela procurará servir à coletividade e ser fator de integração, estímulo e motivação social, bem como cooperar com os poderes públicos constituídos". E em seu Parágrafo único prossegue: "A INSTITUIÇÃO obrigase a oferecer, no mínimo, serviços gratuitos, dentro das proporções estabelecidas pela legislação pertinente". Dentre os órgãos de assistência da INSTITUIÇÃO citados pelo art. 16, incluise o Hospital Adventista do Pênfigo/MS (art. 21, Inciso V), cujas normas gerais do Pronto Socorro, de acordo com o Regimento Interno do hospital, restringem as internações assistenciais (gratuitas) para os casos de Pênfigo Foliáceo, no setor de Dermatologia. DO OBJETO Conforme comentamos anteriormente, a presente fiscalização teve por objetivo a formação de convicção quanto ao atendimento das condições estabelecidas pela legislação para o proveito do beneficio fiscal concedido à entidade fiscalizada. O importador, instituição de assistência social sem fins lucrativos, além de imune aos impostos sobre a renda, serviços e patrimônio, conforme dispõe o artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, goza, em tese, de isenção do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, prevista nos artigos 2°, inciso I, alínea "b", e 3o , inciso I, da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, e no artigo V, inciso IV, da Lei n° 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Tratase da espécie de benefício fiscal definida no Livro II, Título III, Capítulo III, do Regulamento Aduaneiro (RA) como ISENÇÃO OU REDUÇÃO VINCULADA À QUALIDADE DO IMPORTADOR. Neste tipo de isenção é oferecida dispensa dos impostos incidentes por ocasião do despacho aduaneiro para determinados importadores. No entanto, de acordo com o que determinam os arts. 134 a 136 do Regulamento Aduaneiro, abaixo transcritos, o interessado deve fazer prova do preenchimento das condições e requisitos necessários para a outorga da isenção ou redução. Isto não gera, todavia, direito adquirido, podendo o crédito tributário ser exigido a qualquer tempo, enquanto não decair o direito da Fazenda de constituílo. "Art. 134 A isenção ou redução do imposto será efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade fiscal, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 539 9 § 1o O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, podendo ser revogado de ofício. § 2° A isenção ou redução poderá ser requerida na própria Declaração de Importação. §3°... §4°... Art. 135 Na hipótese de não ser concedido o benefício fiscal pretendido, será exigido o crédito tributário correspondente. Art. 136 As disposições deste Capítulo aplicamse, no que couber, a toda e qualquer importação beneficiada com isenção ou redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário." O artigo 152 do RA estabelece algumas condições para o reconhecimento da isenção, condições estas relacionadas aos objetivos institucionais da entidade e à adequação dos bens importados à realização destes objetivos. Transcrevendo o teor do artigo supracitado: "Art. 1520 reconhecimento da isenção prevista no inciso III do artigo 149 é condicionado à observância dos seguintes requisitos pelas instituições educacionais e de assistência social: a) não distribuírem qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas de lucro ou participação no seu resultado; b) aplicarem integralmente, no País, os seus recursos, na manutenção dos seus objetivos institucionais; c) manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão; d) a natureza, qualidade e quantidade dos bens corresponderem às finalidades para as quais estes forem importados; e) estarem as finalidades a que se refere a alínea "d" deste artigo enquadradas nos objetivos institucionais das citadas entidades, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. § 1°... §2°..." Outro aspecto que se encontra definido no texto legal, revelado a partir do artigo 137 do Regulamento Aduaneiro, abaixo transcrito, é a preocupação com a transferência de propriedade ou uso dos bens. "Art. 137 Quando a isenção ou redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou uso dos bens, a qualquentítulo, obriga ao prévio pagamento do imposto. Parágrafo único O disposto neste artigo não se aplica aos bens transferidos a qualquer titulo: Fl. 543DF CARF MF 10 I a pessoa ou entidade que goze de igual tratamento tributário, mediante prévia decisão da autoridade fiscal; II..." É de fundamental importância teceremsé estas considerações preliminares sobre o benefício fiscal previsto na Lei n° 8.032/90, identificandose claramente sua natureza e alcance, para que, a partir daí, se possa examinar a natureza, extensão e condições para o reconhecimento da isenção. Em resumo, a isenção prevista na Lei n° 8.032/90 pode ser amplamente utilizada pelas entidades consideradas como de assistência social ou de educação, bastando que os bens importados, pela sua natureza, qualidade e quantidade, destinemse às atividades enquadradas nos objetivos institucionais destas entidades, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos, que estas entidades cumpram os ditames estabelecidos na legislação pertinente para serem consideradas como de assistência social ou de educação e que a propriedade ou uso destes bens não seja transferida à pessoa estranha ao motivo isencional. Convencidos de que, salvo melhor juízo, é esta a interpretação que deve ser dada ao assunto em exposição, tendo por base as condições e conceitos firmados na legislação em vigor, procedemos à investigação quanto a permanência em poder do importador dos bens importados por meio da Lei n° 8.032/90, além de verificarmos a qualificação do importador para fruição do benefício fiscal. Para tanto, conduzimos este procedimento de forma a obtermos elementos capazes de permitirnos a tomada de decisão sobre o objeto em foco, de maneira sistemática e organizada, como descreveremos mais adiante. DA ASSISTÊNCIA SOCIAL Para o gozo do beneficio previsto na Lei n° 8.032/90, o § 1o do art. 152 do Regulamento Aduaneiro determina que quando se tratar de material médicohospitalar, compete ao Ministério da Saúde informar à autoridade fiscal se a natureza, a qualidade e a quantidade dos bens correspondem às finalidades para as quais foram importados. Nos demais casos, essa competência é atribuída ao Ministério da Educação e Cultura. Prescinde de maiores comentários a competência do Ministério da Educação e Cultura para as importações promovidas por Instituições Educacionais. No entanto, é conveniente esclarecerse o porquê dessa competência nos casos de importações promovidas por Instituições de Assistência Social. O exame e a deliberação do pedido de manifestação sobre a natureza de produtos importados tem por base a Lei n° 4.917/65, que atribuiu competência ao Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, para manifestarse sobre a isenção dos impostos incidentes sobre a importação de mercadorias destinadas à Instituições que se dediquem à assistência social. Porém, com o advento da Lei n° 8.742/93, o Conselho Nacional de Assistência Social CNAS do Ministério da Previdência e Assistência Social assumiu as atividades e competências do extinto Conselho Nacional de Serviço Social, conforme preconiza o art. 33 da norma Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 540 11 citada, tornandose o órgão responsável por normatizar as ações e regular a prestação de serviços de natureza pública e privada no campo da assistência social. Ainda de acordo com o art. 3o da Lei n° 8.742/93 que dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências, "consideramse entidades e organizações de assistência social aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos por esta lei, bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos." O art. 9o estabelece que o funcionamento das entidades e organizações de assistência social depende de prévia inscrição no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social, ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, e determina, em seu § 3o , que essa inscrição é condição essencial para o encaminhamento de pedido de registro e de certificado de entidades de fins filantrópicos junto ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). A concessão do atestado de registro e certificado de entidades de fins filantrópicos é, segundo o art. 18 do mesmo diploma legal, competência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). O Decreto n° 2.536/98 veio para estabelecer as condições necessárias para a concessão do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos a que se refere o inciso IV do art. 18 da Lei n° 8.472/93. Abaixo, transcrevemos alguns artigos que são de interesse para o foco desta fiscalização. "Art. 2° Considerase entidade beneficente de assistência social, para os fins deste Decreto, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de: (...) IV promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde; (•••)" "Art. 3o Faz jus ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos a entidade beneficente de assistência social que demonstre, nos três anos anteriores ao requerimento, cumulativamente: (...) VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída; § 1° O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos somente será fornecido a entidade cuja prestação de serviços gratuitos seja permanente e sem qualquer discriminação de clientela, de acordo com o Fl. 545DF CARF MF 12 plano de trabalho de assistência social apresentado e aprovado pelo CMS. (...) § 4o O disposto no inciso VI não se aplica à entidade da área de saúde a qual, em substituição àquele requisito, deverá comprovar, anualmente, percentual de atendimentos decorrentes de convênio firmado com o Sistema Único de Saúde SUS igual ou superior a sessenta por cento do total de sua capacidade instalada." "Art. 7° Compete ao CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, observando as disposições deste Decreto e de legislação específica, bem como cancelar, a qualquer tempo, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, se verificado o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2° e 3°. (...) § 2° Qualquer Conselheiro do CNAS, os órgãos específicos dos Ministérios da Justiça e da Previdência e Assistência Social, o INSS, a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou o Ministério Público poderão representar àquele Conselho sobre o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2° e 3°, indicando os fatos, com suas circunstâncias, o fundamento legal e as provas ou, quando foro caso, a indicação de onde estas possam ser obtidas, sendo observado o seguinte procedimento: (•••)" É importante ressaltar que a Resolução CNAS n° 177/00, baseada no Decreto n° 2.536/98 e no Decreto n° 3.504/00, determinou, no § 5o do art. 3o que no caso de não ter sido atingido o percentual exigido no § 4o (§ 4o do art. 3o do Decreto n° 2.536/98) do mesmo artigo, poderão ser considerados para complementação daquele percentual, outros serviços prestados com recursos próprios da entidade, desde que apresentados através de oficio do gestor local do SUS. Em outras palavras, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos que cumprir, entre outros, os requisitos estabelecidos nas normas acima citadas, será considerada entidade beneficente de assistência social, gozando dos benefícios fiscais previstos na legislação pertinente. Ressaltamos, entretanto, que a Resolução CNAS n° 20/97, que dispõe sobre a manifestação do Conselho Nacional de Assistência Social sobre a natureza de produtos importados com isenção dos impostos incidentes sobre a importação de mercadorias destinadas à Instituições que se dediquem à assistência social, estabelece, em seu art. 2o , que o CNAS somente emitirá parecer em favor da entidade mantenedora, dotada de personalidade jurídica própria. Mais adiante, acrescenta que toda documentação instrutiva do pedido deverá constar em nome da entidade mantenedora que poderá repassar, a seus estabelecimentos mantidos, os bens importados com beneficio fiscal. Esse repasse vem de encontro ao estabelecido pelo art. 137 do Regulamento Aduaneiro. Como já dissemos, quando a isenção ou redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 541 13 propriedade ou uso dos bens, a qualquer título, obriga ao prévio pagamento do imposto, a não ser que a pessoa ou entidade goze de igual tratamento tributário e mediante prévia decisão da autoridade fiscal (art. 137, Parágrafo único, inciso I do RA). Anteriormente, expusemos o desmembramento por cisão da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 60.833.910/0012 30, e sua recepção e de seu patrimônio por adesão pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/000128, caracterizando a transferência de propriedade ou uso dos bens sem manifestação da autoridade fiscal. Entretanto, considerando que tratase da mesma Instituição, que, por razões administrativas efetuou a alteração, gerando uma nova inscrição no CNPJ sob o n° 76.726.884/007998 e que os bens importados permanecem sob a guarda do Hospital Adventista do Pênfigo, não há maiores conseqüências, pois, em tese, ambas gozam de igual tratamento tributário. Todavia, sendo a manifestação do CNAS emitida apenas em favor da entidade mantenedora, é dever da autoridade fiscal verificar se a entidade mantida, verdadeira beneficiária da renúncia fiscal, também cumpre os requisitos estabelecidos na legislação. No presente caso, sendo a entidade mantida da área de saúde, esta deve comprovar, anualmente, percentual de atendimentos decorrentes de convênio firmado com o Sistema único de Saúde SUS igual ou superior a sessenta por cento do total de sua capacidade instalada. DA FISCALIZAÇÃO Iniciamos a ação fiscal em 06/06/2001, dando ciência do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0140100 2001 00175 6, emitido em nome da entidade que realizou as importações, a INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 60.833.910/001230, ao atual representante legal do importador, Sr. Ivã Batista de Souza, CPF n° 302.303.30991, Coordenador Administrativo, nomeado e constituído procurador da INSTITUIÇÃO em 15/02/2001, por meio de mandato válido até 28/02/2006. É importante ressaltar que, posteriormente, em virtude das mudanças administrativas da entidade, foi emitido um novo Mandado de Procedimento Fiscal, de n° 0140100 2001 451 8, desta vez em nome da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/0079 98, atual razão social do Hospital Adventista do Pênfigo. Na mesma data, o importador foi intimado a apresentar à fiscalização: cartão do CNPJ, estatuto social, alterações e ata da última assembléia; certificado de entidade de fins filantrópicos do CNAS; as declarações de importação anteriormente citadas e respectivos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e declaração indicando os usuários dos equipamentos importados, acompanhada dos registros de controle de sua utilização. Nessa intimação, foi também exigido do importador que franqueasse, imediatamente, o acesso da fiscalização ao local onde se encontravam os equipamentos importados. Fl. 547DF CARF MF 14 Prontamente atendida, a fiscalização foi conduzida pelo Sr. Eduardo Antônio Xavão Luares, CPF n° 511.863.73172, Supervisor de Materiais, aos locais onde encontravamse os equipamentos. Em conseqüência, lavramos Termo de Constatação atestando que o equipamento importado por meio da Dl n° 228 de 29/11/1996 aparelho de raio X próprio para tomografia computadorizada de corpo inteiro encontrase em funcionamento no Setor de Radiologia do Hospital Adventista do Pênfigo. Já o equipamento importado por meio da Dl n° 453.705 de 28/02/1.996 mesa para operação cirúrgica encontrase em funcionamento na Sala EZE do Centro Cirúrgico do mesmo hospital. Ressalvadas as considerações feitas anteriormente a respeito do desmembramento por cisão da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 60.833.910/001230, e sua recepção por adesão pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/000128, o importador apresentou, em 12/09/2001, os seguintes documentos: cópia do cartão do CNPJ da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/007998, estatuto social da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128; cópia da ata da reunião da comissão diretiva da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128, datada de 15/05/2001, cópia da ata da assembléia geral extraordinária da Instituição Adventista Paranaense de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128, datada de 11/12/1996; cópia das declarações de importação n° 228 de 29/11/1996 e n° 4u"3\705, de 28/02/1996, e respectivos documentos instrutivos; cópia do certificado de entidade de fins filantrópicos da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128, com validade até 31/12/2000; cópia do cartão de protocolo de renovação do certificado de entidade de fins filantrópicos da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128; cópia do atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social da Instituição Adventista Paranaense de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128; cópia do atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social da União Sul Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia, CNPJ n° 60.833.910/000187; oficio n° 034/2001dir, de 12/09/2001, da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/0079 98, e documentos anexos. Dentre os documentos apresentados, destacase o anexo do oficio n° 034/2001dir, de 12/09/2001, que contém dados extraídos dos livros de registro e utilização do tomógrafo. Nesses registros, observase que no período de 1997 à 2000, de um total 1.793 atendimentos realizados Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 542 15 utilizandose o equipamento, apenas um destinouse a paciente do SUS Sistema único de Saúde. Todos os 1.792 atendimentos restantes foram a pacientes particulares ou conveniados. Quanto à mesa cirúrgica, o importador declarou não possuir registro individualizado de utilização dos equipamentos, porém colocou à disposição da fiscalização o livro de registro de controle do centro cirúrgico, afirmando que, nesse local, são atendidos convênios, pacientes particulares e pessoas carentes da comunidade. Assim, em 09/10/2001, o importador foi novamente intimado para que apresentasse o documento de nomeação e constituição do Sr. Ivã Batista de Souza como representante legal da INSTITUIÇÃO e uma declaração indicando o número de atendimentos efetuados no centro cirúrgico, discriminando o tipo de atendimento (pacientes carentes, conveniados, particulares, etc). Atendendo à intimação por meio do oficio no 0035/01dir de 22/10/2001, o importador forneceunos um Relatório de Cirurgias Realizadas no Hospital Adventista do Pênfigo no período de 1996 a 2001 (19/10/2001). Nesse documento, observamos que, de um total de 8.267 cirurgias, nenhuma foi realizada ao amparo do SUS Sistema único de Saúde. Tendo em vista o previsto no art. 3o , § 4o do Decreto n° 2.536/98 e o fato de o certificado de entidade de fins filantrópicos da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128, com validade para o ano 2001 ainda não ter sido emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, em 25/10/2001, o importador foi intimado pela terceira vez para apresentação dos balancetes e relatórios de atividades assistenciais relativos aos anos de 1996 a 2001, entre outros documentos que, no entender da fiscalização, eram importantes para formação da convicção quanto à qualificação do importador para fruição do benefício fiscal previsto na Lei n° 8.032/90. Atendendo à solicitação, o importador apresentou os documentos abaixo relacionados: cópia da ata da assembléia geral extraordinária da Instituição Adventista Central Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 60.831910/000187, datada de 11/12/1996; cópia do registro patrimonial dos bens importados; cópia do certificado de entidade de fins filantrópicos da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128, com validade até 31/12/2000; cópia do cartão de protocolo de renovação do certificado de entidaae^ae fins filantrópicos da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, CNPJ n° 76.726.884/000128; cópia do Regimento Interno do Hospital Adventista do Pênfigo; cópia dos capítulos referentes à Assistência à Saúde dos Relatórios Circunstanciados de Atividades dos anos de 1996 a 2000, da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social; Fl. 549DF CARF MF 16 cópia dos Balancetes do Hospital Adventista do Pênfigo, de 1996 a 2001; cópia do Balanço do Hospital Adventista do Pênfigo de 1996 e Balanços Denominacionais Internos, de 1997 a 2000; cópia do resumo do Relatório de Atividades do Hospital Adventista do Pênfigo, de 1996 a setembro de 2001. Como já foi explanado, segundo o art. 2o , inciso IV do Decreto n° 2.536/98, para ser considerada entidade beneficente de assistência social, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, deve promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde. De posse dos balancetes apresentados, notase a preocupação da INSTITUIÇÃO em cumprir o disposto no art. 3o , inciso VI do Decreto n° 2.536/98, isto é, aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída. No entanto, conforme exposto anteriormente, a legislação que regula o reconhecimento das entidades beneficentes como sendo de assistência social e rege a concessão do atestado de registro e certificado de entidades de fins filantrópicos determina, para as entidades da área de saúde, um percentual mínimo de atendimentos decorrentes de convênio firmado com o Sistema Único de Saúde SUS, igual ou superior a sessenta por cento do total de sua capacidade instalada (art. 3o , § 4o do Decreto n° 2.536/98). Acrescentese que, em qualquer momento da fiscalização, o importador teve a faculdade de se manifestar, inclusive, quanto a complementação desse percentual por outros serviços prestados com recursos próprios da entidade, desde que apresentados através de oficio do gestor local do SUS, conforme estabelece o § 5o do art. 3o da Resolução CNAS n° 177/00. Por conseguinte, tendo em mãos o Relatório de Atividades do Hospital Adventista do Pênfigo, cujos dados são compatíveis com as informações existentes nos capítulos referentes à Assistência à Saúde dos Relatórios Circunstanciados de Atividades da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, comparamos, ano a ano, na tabela abaixo, o total de atendimentos assistenciais e particulares. 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Atendimentos assistenciais 5.522 2.657 2.168 1.823 5.613 3.246 Atendimentos particulares 108.994 123.333 124.924 136.293 160.872 137.867 Total de Atendimentos 114.516 125.990 127.092 138.116 166.485 141.113 (Assistenciais/Total) % 4,82 2,11 1,70 1,32 3,37 2,30 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 543 17 Analisando os dados expostos na tabela acima, combinandoos com os balancetes e com os relatórios de utilização individualizada dos equipamentos importados, verificase que a receita do Hospital Adventista do Pênfigo originase, basicamente, dos serviços prestados a particulares e convênios, em especial ao Plano Garantia de Saúde, CNPJ n° 76.726.884/008021, também este vinculado à entidade mantenedora, representando mais de 95% dos atendimentos prestados pelo hospital. DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Antes de prosseguirmos, convém recorrer à lição de José Washington Coelho, a respeito da natureza e do fundamento jurídicos da isenção (Código Tributário Nacional Interpretado, Rio de Janeiro: Edições Correio da Manhã, 1968, págs. 178 a 179): "(...) O objetivo do Estado não é tributar, mas sim, promover o interesse público. Para tanto, exercita os poderes que lhe são outorgados pela Constituição, inclusive o tributário. Tal exercício pode ser positivo ou negativo, isto é, tributar ou isentar, de acordo com os ditames do interesse público. Quando isenta não há, pois, renúncia, propriamente ao exercício de qualquer poder ou faculdade constitucional. Fiel aos princípios dessa orientação doutrinária, o Código [Tributário Nacional] situou a isenção como forma de exclusão do crédito, o que pressupõe a ocorrência da obrigação, que só é atingida em seus efeitos." O Estado, portanto, ao isentar as entidades de assistência social, o faz em função do interesse público, uma vez que tais entidades exercerão as atividades que lhes são próprias, prestando assistência social e médicohospitalar ao cidadão, sem distinção de clientela. Em outras palavras, a fim de promover o interesse público, o Estado, muitas vezes, exerce negativamente seu poder de tributar, isentando determinados contribuintes do ônus tributário, para que estes, em contrapartida, forneçam à sociedade aquilo que o Estado não se mostra capaz de fornecer. No caso concreto, além de, em seu próprio estatuto a INSTITUIÇÃO obrigarse a oferecer, no mínimo, serviços gratuitos, dentro das proporções estabelecidas pela legislação pertinente, ao pleitear a isenção prevista na Lei n° 8.032/90 para a importação de material médicohospitalar destinado à assistência social, a Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, assumiu o compromisso para com a sociedade de cumprir o estabelecido na legislação, isto é, fornecer um percentual mínimo de atendimentos decorrentes de convênio firmado com o Sistema único de Saúde SUS, igual ou superior a sessenta por cento do total de sua capacidade instalada. Com percentuais de atendimentos assistenciais variando entre 1,32% a 4,82% do total de atendimentos realizados no Hospital Adventista do Pênfigo no período de 1996 a 2001, a Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, desqualificase como entidade beneficente de assistência social, descumprindo seu próprio Fl. 551DF CARF MF 18 estatuto, não honrando seu compromisso com a sociedade e deixando de cumprir requisito essencial à fruição do beneficio fiscal requerido, que, como já dissemos, vinculase à qualidade do importador. De todo o exposto anteriormente e à luz da legislação pertinente, verificase que o interesse público não foi atingido, cabendo ao Estado efetuar o lançamento do crédito tributário devido pelo descumprimento dos requisitos e condições para fruição da isenção. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Os prazos de extinção (decadência) do direito de constituir crédito tributário referente ao Imposto de Importação e ao IPI, no caso concreto, achamse disciplinados, respectivamente, no art. 138, caput, do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1.966, com a redação que lhe deu o art. 4o do Decretolei n° 2.472, de 1o de setembro de 1988 (doravante designado apenas "art. 138, caput, do Decretolei n° 37, de 1966), quanto ao Imposto de Importação, e no art. 61, II, do Regulamento do IPI (CTN, art. 173, I), aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/82), em vigor na época, quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo este prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado." Tendo por base a Decisão DRJ/POA n° 267 de 22 de março de 2001, com pequenas adaptações ao caso em análise, demonstraremos a tese acima referida, sendo de fundamental importância termos em vista que foram aplicados nos despachos aduaneiros os benefícios de isenção do Imposto de Importação e do IPI. A seguir, transcrevemos os dispositivos antes referidos, na ordem em que foram mencionados: "Art. 138 O direito de exigir o tributo [Imposto de Importação] extinguese em 5 (cinco) anos, a Contardo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado." "Art. 61 — 0 direito de constituir o crédito tributário [relativo ao IPI] extinguese após cinco anos, contados: I da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo, se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei n° 5.172/66, art. 150, § 4°); II do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento (Lei n° 5.172/66, art. 173, I); III da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (Lei n° 5.172/66, art. 173, II). Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 544 19 notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei n° 5.172/66, art. 173, § único)." Com efeito e antes de mais nada devese consignar que a legislação relativa aos tributos federais exigíveis no despacho aduaneiro de importação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento daqueles tributos, sem prévio exame da autoridade administrativa, motivo pelo qual o lançamento desses tributos, nesse contexto, ocorre na modalidade de que trata o art. 150 do Código Tributário Nacional, ali designada lançamento por homologação (Parecer PGFN/CAT n° 735, de 20 de julho de 1995, relativamente ao Imposto de Importação; arts. 55 e 56 do RIPI/82, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados). Todavia, devese ter em vista que, para se subsumir um caso concreto na sistemática do lançamento por homologação, é indispensável que o sujeito passivo tenha, de fato, exercido a atividade a que alude o caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, que o sujeito passivo tenha efetivamente antecipado o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. De acordo com a parte final do caput do art. 150 do CTN, uma vez antecipado o pagamento, o lançamento, nesse caso, se opera pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da antecipação efetuada expressamente a homologa. É evidente, portanto, que não há lançamento por ocasião do pagamento antecipado. O lançamento ocorre no momento da homologação do pagamento antecipado. Com respeito aos tributos de que se trata, é na declaração de importação que o interessado pleiteia a aplicação de isenção do Imposto de Importação e/ou do IPI, conforme o caso (art. 134, § 2o , do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985), sendo que isso de fato ocorreu quanto às Dl's n° 453.705 de 28/02/1996 e 228 de 29/11/1996. Tendo sido requerida isenção nos despachos de que se trata, é certo que inexistiu antecipação de pagamento relativamente aos tributos abrangidos por esse beneficio e, conseqüentemente, não se pode subsumir o caso concreto assim configurado na sistemática própria do lançamento por homologação, porquanto não há atividade exercida pelo sujeito passivo, suscetível de homologação na forma concebida pelo art. 150 do CTN. Portanto, se não houve antecipação de pagamento, fica descartada a incidência do inc. I do art. 61 do RIPI/82, que somente se aplica quando tenha ocorrido a antecipação comentada. Na falta de pagamento antecipado, tampouco é aplicável o parágrafo único do art. 138 do Decretolei n° 37, de 1966, que somente se aplica nos casos de exigência de diferença do Imposto de Importação, o que não se verifica. No caso concreto, tratase de procedimento de conclusão do despacho aduaneiro, de que trata o art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966, com a Fl. 553DF CARF MF 20 redação que lhe deu o art. 2° do Decretolei n° 2.472, de 1.988 (doravante designado apenas "art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966"), transcrito conforme segue: "Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decretolei." (sublinhado na transcrição). Disso decorre, a propósito, ser legítimo o reexame do despacho, com vistas a apurar a regularidade da isenção aplicada. À vista disso, impõe se apenas solucionar a questão relativa a prazos, existente entre o art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966, e os arts. 138, caput, do mesmo Decretolei n° 37, de 1966, e 61, II, do RIPI/82, conforme será explicitado a seguir. De acordo com o art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966, a apuração da regularidade do cabimento da isenção deveria ter sido processada no prazo de cinco anos, contado do registro de cada uma das Dl's objeto desta fiscalização. Nesses termos, o direito de processar tal apuração teria sido extinto no dia 28/02/2001, relativamente à Dl n° 453.705, e no dia 28/11/2001, relativamente à Dl n° 228. Contudo, segundo o art. 138, caput, do Decretolei n° 37, de 1966, e o art. 61, II, do RIPI/82, o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário relativo ao Imposto de Importação e ao IPI, respectivamente (vale lembrar, não tendo havido antecipação de pagamento), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (ou seguinte àquele em que o sujeito passivo poderia ter tomado a iniciativa do lançamento, no caso do IPI, o que dá no mesmo). De acordo com esses dispositivos (art. 138, caput, do Decretolei n° 37, de 1966, e art. 61, II, do RIPI/82), considerando que não se pode cogitar lançamento sob qualquer modalidade dos tributos exigíveis na importação antes do competente registro da Dl e que, relativamente ao caso concreto, as Dl's n° 453.705 e 228 foram registradas em 1996, o termo inicial do prazo de decadência do direito de constituir o respectivo crédito tributário ocorreu em 01/01/1997, estendendose até 01/01/2002. Devese considerar, sobretudo, que o art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966, trata da conclusão do despacho aduaneiro, procedimento administrativo obrigatório em relação a toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do Imposto de Importação (e do IPI), conforme estabelecido no art. 44 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação que lhe deu o art. 2° do Decretolei n° 2.472, de 1988. Os dispositivos pertinentes à obrigatoriedade de realização do despacho aduaneiro constituem, assim, regras de aplicação geral no âmbito das importações. Nesse contexto, as normas que dispõem exclusivamente sobre o procedimento administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são normas específica , porque foram feitas para as situações nas quais a importação é sujeita ao pagamento de tributos. É o caso do Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 545 21 art. 138, caput, do Decretolei n° 37, de 1966 e do art. 61, II, do RIPI/82. O art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966 se limita a utilizar a expressão "benefício fiscal, sem fazer distinção que é necessária, como se verá a seguir, para fins de decadência entre as respectivas espécies desse gênero: isenção e redução. Se é caso de isenção, não houve antecipação de pagamento do imposto no despacho aduaneiro. Por outro lado, se é caso de redução, pode, ou não, ter havido antecipação, dependendo do percentual de redução aplicado. Mas essa distinção passou despercebida na atual redação do art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966. Foi, entretanto, minuciosamente considerada, conforme a redação vigente do art. 138 desse mesmo diploma, quanto ao Imposto de Importação, e conforme o teor do art. 61 do RIPI/82, com respeito ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Dessa forma, ficaram estabelecidas formas diferentes de contagem do prazo para constituição do crédito tributário, as quais levam em conta a existência, ou não, de antecipação de pagamento, aliás, em absoluta consonância com a^isjprfíática adotada pelo Código Tributário Nacional, em seus arts. 150 e 173, como não poderia deixar de ser. Assim, tendo em vista a especificidade dos arts. 138 do Decretolei n° 37, de 1966 e 61 do RIPI/82, os prazos de extinção do direito de constituir crédito tributário referente ao Imposto de Importação e ao IPI, no caso concreto, achamse disciplinados, respectivamente, no art. 138, caput, do Decretolei n° 37, de 1966 e no art. 61, II, do RIPI, de 1982 (CTN, art. 173, I). DAS PENALIDADES APLICÁVEIS No que se refere às penalidades aplicáveis, devese levar em conta o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10, de 16 de janeiro de 1997, que assentou o seguinte entendimento: "(...) não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação." (sublinhado na transcrição) Fl. 555DF CARF MF 22 O caso concreto envolveu solicitação, no despacho aduaneiro, de isenção do Imposto de Importação e do IPI, considerada posteriormente incabível pela fiscalização aduaneira, não tendo sido verificada a prática de declaração inexata, nem a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte do interessado. É incabível, portanto, a exigência da multa de 75% do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, de que trata o art. 4o , I, da Lei n° 8.218, de 1991, combinado com o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, em razão da falta de pagamento, o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, exigidos em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor (multa de mora e juros de mora), a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados. CONCLUSÃO Sendo assim, apurada a irregularidade na fruição do benefício fiscal aplicado por ocasião do despacho aduaneiro de importação, lançamse o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados apurados, somados aos acréscimos legais devidos. E, de acordo com o estabelecido no § 2° do art. 7o do Decreto n° 2.536/98, formulamos representação ao Conselho Nacional de Assistência Social sobre o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2o e 3o do mesmo decreto." Inconformado com a autuação acima descrita, cuja ciência ocorreu em 18/12/2001 (Aviso de Recepção às fls. 302), o contribuinte, através de seu representante legal, em 16/01/2002, apresenta impugnação (fls. 311/322), alegando o seguinte: "INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, pessoa jurídica de direito privado, Entidade Beneficente de Assistência Social, de objetivos assistenciais, educacionais e de saúde, não lucrativos, com seu vigente Estatuto Social registrado no Cartório do Registro das Pessoas Jurídicas de Curitiba, PR, inscrita no CNPJ/MF sob n° 76.726.884/000128, com sede social localizada na Rua João Carlos de Souza Castro, n° 562, no bairro Guabirotuba, em Curitiba, PR, CEP 81520290, neste ato representada por seu PROCURADOR, quem a esta subscreve, Sr. IVÃ BATISTA DE SOUIZA, brasileiro, casado, contador, portador da Cédula de Identidade com RG n° 1.611.2720 (SSPPR) e inscrito no CPF/MF sob n° 302.303,30991, domiciliado em Campo Grande, MS, nos termos do Mandato Público de Procuração lavrado no Cartório Distrital de Uberaba, em Curitiba, PR, no Livro 147P e Folhas 132/133v VEM, nos termos do Art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93 oferecer, TEMPESTIVAMENTE, IMPUGNAÇÃO contra o lançamento tributário consubstanciado no AUTO DE INFRAÇÃO epigrafado, relativo a IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO e IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS, pretensamente devidos em 28/02/1996 e 28/11/1996, do qual tomou ciência em 18/12/2001, pelas razões de fato e de direito que passa a expor. I DAS PRELIMINARES: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 546 23 A IMPUGNANTE, profundamente inconformada com a injustiça e a_ ilegalidade praticadas através do presente auto de infração, apresenta as preliminares de DECADÊNCIA e de ILEGALIDADE, razões para a sumária ANULAÇÃO do Auto de Infração e ARQUIVAMENTO do respectivo processo, o que REQUER a IMPUGNANTE, de imediato, como a seguir aduzidas: A) DA DECADÊNCIA 1. A IMPUGNANTE, através de sua antecessora, entidade membro e parte integrante da IMPUGNANTE, embora com personalidade jurídica própria e independente, o que será demonstrado no curso desta impugnação, procedeu a importação de bens, que passaram a integrar o seu patrimônio, através das Dl 96/453705, registrada na IRF São Paulo em 28/02/1996 e Dl 96/000228, registrada na DRF Campo Grande em 28/11/1996, desembaraçada em 02/12/1996, cujos processos foram de imediato HOMOLOGADOS por despachos reconhecedores do direito à importação sem o ônus tributário pelas autoridades competentes para sua liberação, sob o manto da ISENÇÃO TRIBUTÁRIA, estando, no momento do presente auto de infração, nos termos do art. 173, da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional com exigibilidade impossibilitada pela DECADÊNCIA qüinqüenal, que ocorreram, improrrogavelmente em 28/02/2001 e 28/11/2001, respectivamente. O auto de infração impositivo chegou ao conhecimento da IMPUGNANTE em 28/12/2001, portanto já decaído o direito da SRF/DRF em Campo Grande de exigilo, conforme Declarações de Importação anexas (ver carimbo e assinatura na terceira folha da Dl 96/453.705 de 28/02/96 e carimbo e assinatura no verso da primeira folha da Dl 96/000.228 de 29/11/96). Observase das declarações das importações anexas que houve homologação dos pedidos de isenção de impostos, na Dl 96/453705, em São Paulo, no dia 29/02/1996, e na Dl 96/000228, em Campo Grande, no dia 29/11/1996, Destarte, por analogia dos dispositivos contidos nos artigos 898 e 899 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, a decadência ocorre após cinco anos, "contados da ocorrência do fato gerador". O fato gerador, consoante o art. 19 do CTN, é a entrada do produto estrangeiro no território nacional. Evidentemente que os fatos geradores, no presente caso, coincidem com as Declarações de Importação acostadas aos autos. Portanto, aplicandose a legislação citada (Decreto n° 3.000), temos que os prazos de decadência ocorreram em 28/02/2001 e 28/11/2001, respectivamente. 2. Não obstante isso, sob um segundo aspecto, a legislação específica sobre o imposto de importação é ainda clara, em outro sentido. Dispõem os artigos 44 e 54 do DecretoLeí n° 37, de 18/11/1966 o seguinte: "Art. 44 Toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento." (Artigo com redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988). Fl. 557DF CARF MF 24 "Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decretolei." (Artigo com redação dada pelo Decreto lei\&/2.472, de 01/09/1988). grifo nosso. No entanto, afrontando os dispositivos legais supra citados, vêse que a suposta "apuração da regularidade do benefício fiscal aplicado" extrapolou o prazo legal de cinco anos. Quanto à Dl 96/453705, registrada na IRF São Paulo em 28/02/1996, o prazo para a apuração extinguiuse no dia 28/02/2001, mas somente em 11/12/2001 fezse o encerramento, com a intimação do contribuinte em 18/12/2001, o que enseja decadência do direito de tal apuração. Quanto à Dl 96/000228, registrada na DRF Campo Grande em 28/11/1996, desembaraçada em 02/12/1996, o prazo para a apuração extinguiuse no dia 28/11/2001, mas somente em 11/12/2001 fezse o encerramento, com a intimação do contribuinte em 18/12/2001, o que também enseja decadência do direito de tal apuração. Apuração esta que, s. m. j . , por se tratar de um lançamento misto, nos termos da classificação de RUY BARBOSA NOGUEIRA (in "Curso de Direito Tributário", Editora Saraiva 1989, pág. 234), a sua revisão deveria ter suporte em algum dos incisos do Art. 149 do CTN, cujas previsões são taxativas e não exemplificativas, para o lançamento de oficio, o que não ocorreu. O Agente autuante, em seu relatório, no último parágrafo da página 16 e o primeiro da página 17, tenta enquadrar a situação tributária ocorrida na homologação da isenção como sendo a homologação feita sob recolhimento de imposto antecipado, baseado no art. 150 do CTN, o que na verdade não ocorreu no caso em exame, pois, os Agentes Arrecadadores (Delegados da Receita Federal) homologaram por decisão através de carimbo e assinatura, ratificando a isenção requerida, embora se tratasse, na verdade, de uma entidade que possui o direito constitucional à exoneração tributária de qualquer imposto em decorrência da imunidade insculpida no artigo 150, inciso VI, alínea "c", c/c o § 4o do mesmo artigo da Constituição Federal, independentemente de prérequisitos. Não se trata de aplicar o art. 150 do CTN, porque não temos aí um lançamento por homologação, mas o misto, conforme já dito na classificação do ilustre RUY BARBOSA NOGUEIRA. A homologação efetuada encerra a discussão entre fisco e contribuinte, a não ser que este pretenda rever o lançamento (art. 149 do CTN), para receber a diferença do tributo ou sua integralidade em caso de beneficio fiscal. Assim é que, a homologação do pedido de isenção foi o último ato tributário, equivalendo ao pagamento para efeitos do que dispõe o parágrafo único do art. 138, do DecretoLei n° 37/66, e esse diz o seguinte: "Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado." Ora, se assim o é, a homologação do pedido da isenção como último ato, equivalendo ao pagamento, o prazo deve ser contado daquelas homologações. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 547 25 De fato, homologados os pedidos de isenção contidos nas Dls, conforme já está exaustivamente explicado, temos que qualquer alteração nesse "status quo" somente se daria por revisão de oficio, ao teor do artigo 149 do CTN (sequer citado pela fiscalização). É importante frisar aqui, por repetição, que nos termos do parágrafo único do citado artigo "a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública", no entanto, seguindose de forma obrigatória a norma específica (DecretoLei n° 37/66, art. 54), o prazo para todo o processamento desta revisão é de cinco anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 do referido Decretolei. Diante disso, muito embora tenha se iniciado a revisão enquanto ainda não extinto o direito da Fazenda Pública, o período de revisão não poderia ter ultrapassado o dia 28/11/2001, data da extinção do direito de exigibilidade e/ou revisão. B) DA ILEGALIDADE EM RAZÃO DA IMUNIDADE A IMPUGNANTE, por força da alínea "b" do Inciso IV e § 4o do Art. 150 da Constituição da República Federativa da Brasil, está amparada pela IMUNIDADE TRIBUTÁRIA, que lhe garante a vedação da imposição ao pagamento de impostos, seja qual for a sua natureza, estando, portanto, fora do alcance da exigibilidade do pagamento de Imposto de Importação ou do Imposto sobre Produtos Industrializados, ainda mais que tais importações foram de bens que passaram a compor seu patrimônio, assim como foram claramente encontrados e identificados pelo agente autuante. A Impugnante atende ao disposto no Art. 14 da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional, recepcionada como Lei Complementar pela atual Constituição Federal através § 5o do Art. 34 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em atendimento ao disposto no inciso III do Art. 146 da Carta Magna. Ainda assim, possui todos os diversos títulos e registros requeridos por outras legislações, especialmente, mas não exclusivamente, o Art. 55 da Lei n° 8.212/91, que se encontra com exigibilidade suspensa em razão da LIMINAR concedida em AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE sob a apreciação do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, para comprovação de sua qualificação, como igualmente será demonstrado no curso desta impugnação. C) DA ILEGALIDADE PELA APLICAÇÃO DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR O AUTO DE INFRAÇÃO foi baseado em legislação superveniente à data da importação, contrariando o PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA insculpida na alínea "a" do inciso III do Art. 150 da Constituição Federal, que determina: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Ill cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que houver instituído ou aumentado; (...)" Fl. 559DF CARF MF 26 O AUTO DE INFRAÇÃO fundamentouse, inclusive, na Lei n° 9.532/97, Decreto n° 2.536/98, Resolução CNAS n° 177/00 e Ato Declaratório (Normativo COSIT n° 10/97), para demonstrar as qualificações da entidade como Beneficente de Assistência Social. Esta legislação alterou (por analogia) aumentou a legislação contemporânea à data das referidas importações. NO MÉRITO II DESCRIÇÃO DOS FATOS SOB A ÓTICA DO AGENTE AUTUANTE: O Auditor Fiscal, Sr. Luis Felipe do A. Montesso, Matrícula n° 65.058, lavrou o presente Auto de Infração contra o Estabelecimento Filial da Impugnante, em resumo alegando que: a) em relação ao IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO: houve 'FALTA DE RECOLHIMENTO POR PERDA DO BENEFÍCIO POR DESQUALIFICAÇÃO DO IMPORTADOR", alegando haver constatado que "o benefício fiscal não era aplicável, pois o importador descumpriu os requisitos previstos na legislação pertinente para seu reconhecimento como entidade beneficente de assistência social e concessão do Atestado de Registro e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos pelo Conselho Nacional de Assistência Social," ..."não reconhecimento da isenção por desqualificação do importador,".... b) em relação ao IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS: houve "FALTA DE RECOLHIMENTO POR PERDA DO BENEFÍCIO POR DESQUALIFICAÇÃO DO IMPORTADOR", constatando que "o benefício fiscal não era aplicável, pois o importador descumpriu os requisitos previstos na legislação pertinente para seu reconhecimento como entidade beneficente de assistência social e concessão do Atestado de Registro e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos pelo Conselho Nacional de Assistência Social," ... "não reconhecimento da isenção por desqualificação do importador,".... III DOS FATOS E DO DIREITO: Como ficou clara e definida a pretensão do agente autuante, a IMPUGNANTE teria perdido o benefício por ter se desqualificado como importador possuidor do direito ao gozo isencional, oportuno. O AUTO DE INFRAÇÃO foi lavrado contra o ESTABELECIMENTO CNPJ/MF n° 76.726.884/007998 quando deveria ter sido emitido contra a IMPUGNANTE, a pessoa jurídica e não o estabelecimento filial, com CNPJ/MF no 76.726.884/000187, de quem poderia ter sido exigidos os documentos legais próprios para a sua efetiva caracterização ou não como ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, documentos não obrigatórios à um ESTABELECIMENTO FILIAL. A bem da verdade, a IMPUGNANTE não importou seus bens por usufruir algum benefício isencional, no sentido de ISENÇÃO tributária, como foi procedido no processo de importação e ali colocado. A IMPUGNANTE é entidade IMUNE DE IMPOSTOS, nos termos da alínea "b" do inciso IV, combinado com o § 4o do Art. 150 da Constituição Federal, e, portanto, não necessita do "favor isentivo" da obrigatoriedade do pagamento de impostos para importar bens que Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 548 27 farão parte de seu patrimônio, seja qual for sua exigibilidade, servindo tanto em relação a seus bens patrimoniais quanto a seus serviços e suas rendas, sempre que empregados em seus objetivos e fins. O agente autuante consignou em seu relatório, que constatou a presença, utilização e operacionalidade dos referidos bens importados, nas dependências do estabelecimento filial da IMPUGNANTE, Hospital Adventista do Pênfigo, localizado na Av. Gunter Hans, n° 5.885, no Bairro Tarumã, em Campo Grande, MS, do que lavrou TERMO DE CONSTATAÇÃO, Fls. 0071/0072 do processo, como era de se esperar. Mesmo assim, o agente entendeu ainda que a IMPUGNANTE perdera sua qualidade de ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, por haver transferido tais bens, quando o próprio agente autuante reputa desconsiderável tal fato, em seu relatório. Engano total. Na verdade o agente autuante investiuse das atribuições que são da competência do AUDITOR do MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL, para fiscalizar o direito ou não à manutenção do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, que é atribuição exclusiva do CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, nos termos do Art. 7o do Decreto n° 2.536/98, chegando mesmo a julgala inábil para conservar o benefício isentivo, o que somente poderia ocorrer após decisão cancelatória do MPAS/CNAS, transitada em julgado. Ainda mais, exigiu do ESTABELECIMENTO Hospital Adventista do Pênfigo documentos que somente à sede da entidade, no caso a IMPUGNANTE tem a obrigação de possuir e/ou apresentar. Se isso não bastasse, o agente autuante tentou confundir e dar tratamento ao estabelecimento Hospital Adventista do Pênfigo a personalidade jurídica de entidade autônoma, tratandoa como se autônoma fosse. A IMPUGNANTE anexa, para comprovação de sua qualidade de ENTIDADE IMUNE, nos termos da Constituição federal, os seguintes documentos e registros: a) Cartão de Identificação de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas; b) Estatuto Social devidamente registrado; c) Atestado de Registro com Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social; d) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social; e) Cópia reprográfica autenticada do protocolo do encaminhamento do Relatório de Atividades do triénio 1997, 1998, 1999 ao Conselho Nacional de Assistência Social, ainda sob apreciação daquele conselho, o que prorroga a validade de seu Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social nos termos do § 2° do Art. 3o do Decreto n° 2.536/98; Fl. 561DF CARF MF 28 f) Declaração expedida pelo CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL sobre a situação da IMPUGNANTE de Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; g) Certificado de Registro no Conselho Municipal de Assistência Social, de sua sede, Município de Curitiba, PR, como determinado no inciso II do Art. 3o do Decreto n° 2.536/98 e RESOLUÇÃO n° 177/00 MPAS/CNAS, inciso II do Art. 30; h) Certidão de Declaração de Utilidade Pública Federal; i) Certidão Cartorária da Declaração de Utilidade Pública Municipal de Curitiba; j) Balanço Patrimonial da IMPUGNANTE, referente ao último exercício contábil publicado; I) Recibo Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de Entidade IMUNE OU ISENTA, referente ao último exercício contábil apresentado; m) Laudo Pericial de Auditores Independentes, referente ao último exercício contábil. Tais documentos, atuais, sempre fizeram parte da documentação da IMPUGNANTE, desde muito antes da data das referidas importações, mantendoos até a presente data, o que lhe assegura o direito à IMUNIDADE TRIBUTÁRIA CONSTITUCIONAL. Os mesmos documentos instruíram os processos de importações e levaram as Autoridades Fiscais apreciadoras a procederem com segurança o despacho reconhecedor da não obrigatoriedade ao pagamento dos referidos impostos, por não serem devidos naquele_ então, como não seriam igualmente devidos hoje, além de já se encontrarem afastados pela DECADÊNCIA, diante da homologação dada pelo referido despacho e a data de sua efetiva exigibilidade suspensa. IV DA CONTESTAÇÃO AO RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL: 1 As importações foram realizadas sob a égide do Decretolei n° 1.726/79, Decretolei n° 91.030/85, da Lei n° 8.032/90 e da Lei n° 8.402/92, que regulamentavam a matéria no momento das importações, ou seja, MOMENTO DO FATO GERADOR e da obrigação tributária, e sua respectiva imposição. Diante de tal legislação, a entidade atendeu aos pressupostos exigidos pela norma, do que as autoridades competentes, os Delegados da Receita Federal, exararam despachos homologatórios conferindo a ISENÇÃO de tais tributos nas importações, em virtude da ENTIDADE haver comprovado que cumpre os requisitos para a IMUNIDADE TRIBUTÁRIA CONSTITUCIONAL, embora o processo tenha sido requerido sob a terminologia de ISENÇÃO. 2 Como bem definiu o agente autuante, em seu relatório, no início dos textos dos parágrafos segundo e quarto, à página "2", a obrigação tributária ocorre no momento da importação, literis "Na data da ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação (data do registro Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 549 29 da declaração de importação) o mesmo procedimento para o Imposto sobra a Renda na Importação, que por sua vez é a mesma data para o cumprimento da obrigação do recolhimento do tributo, quando devido, ou se isentados pela autoridade arrecadadora, no caso o Delegado da Receita Federal, que poderá, como de fato o fez, homologar sua ISENÇÃO através do despacho saneador e autorizativo, o que no caso ocorreu nos dias 29/02/96 para a importação 96/453705, conforme despacho exarado no ANEXO I, e 29/11/96, para a importação 96/000228, conforme despacho exarado no verso da DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. 3 As importações se deram através de entidades CONGÊNERES e COLIGADAS, mantidas igualmente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, que procedeu a uma reestruturação em sua divisão territorial, realizando uma CISÃO e DESMEMBRAMENTO de estabelecimentos de uma entidade para serem recebidos por ADESÃO e INCORPORAÇÃO na outra entidade, como previstos na legislação civil e societária, com assunção, na qualidade de sucessora, de todos os encargos, direitos e deveres relativos às atividades e objetivos, ativos e passivos recebidos, o que jamais poderá ser confundido como TRANSFERÊNCIA DE BEM IMPORTADO SOB EXONERAÇÃO FISCAL E/OU TRIBUTÁRIA, sem prévia autorização fiscal, como reconhece o agente autuante em seu relatório. Sobre este fato, assim se manifestou o agente autuante no último parágrafo da página 10 e continuidade na página 11 de seu relatório:" Anteriormente, expusemos o desmembramento por cisão da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA COSIAL, CNPJ n° 60.833.910/0012/30 ( na verdade é 60.833.910/000187), e sua recepção <Tde seu patrimônio por adesão pela INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/000128, caracterizando a transferência de propriedade ou uso dos bens sem manifestação da autoridade fiscal. Entretanto, considerando que tratase da mesma Instituição, que por razão administrativa efetuou a alteração, gerando uma nova inscrição no CNPJ sob o n° 76.726.884/007998 e que os bens importados permanecem sob guarda do Hospital Adventista do Pênfigo, não há maiores conseqüências, pois, em tese, ambas gozam de igual tratamento tributário". 4 A IMPUGNANTE, assim como a INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, anteriormente denominada de UNIÃO SUL BRASILEIRA DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA são igualmente ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, como demonstram os documentos anexados pela IMPUGNANTE e os anexados pela IACBEAS, como a seguir, e que dão testemunho de que ambas ainda gozam da IMUNIDADE TRIBUTÁRIA CONSTITUCIONAL, nos termos da alínea "c" do inciso VI do Art. 150: a) Cartão de Identificação de Inscrição Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; Fl. 563DF CARF MF 30 b) Estatuto Social vigente, devidamente registrado; c) Atestado de Registro como Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS; d) Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, hoje Entidade Beneficente de Assistência Social, emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS; e) Cópia reprográfica do Cartão Protocolo do Requerimento de Renovação do CEBAS junto ao MPAS/CNAS, o que garante a prorrogação do último CEBAS até deliberação do CNAS, nos termos do § 2o do Art. 3o do Decreto n° 2.536/98; f) Declaração emitida pelo CNAS sobre a situação atual da Entidade em relação a seu Registro e CEBAS; g) Certificado emitido pela Prefeitura Municipal de Artur Nogueira SP, local da sede da Entidade, sobre o Registro da Entidade no Conselho Municipal de Assistência Social CMAS; h) Certidão emitida pela Coordenação de Títulos e Qualificação, da Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, sobre a manutenção da Outorga do Título de Utilidade Pública Federal; i) Certidão emitida pela Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, sobre a manutenção da Outorga do Título de Utilidade Pública Estadual; j) Cópia reprográfica autenticada da Lei n° 2.554/99 do Município de Artur Nogueira SP, que declarou a Utilidade Pública Municipal à Entidade; I) Balanço Patrimonial do último exercício social encerrado em 31/12/2000, onde apresenta na segunda página o total dos serviços gratuitos dispensados pela Entidade no ano de 2000, cujo valor cobre os 20% sobre a Receita Operacional Bruta, como exigidos pela legislação vigente; m) Cópia reprográfica autenticada do Recibo de Entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, referente a Entidades Imunes ou Isentas, correspondente ao exercício de 2000; e n) Cópia reprográfica autenticada do Parecer da Auditoria Independente MOREIRA E ASSOCIADOS AUDITORES, sobre os registros contábeis e o Balanço Patrimonial e Demonstrativos de Receitas e Despesas do exercício de 2000. Qualquer que for a Entidade a ser considerada, inclusive e especialmente a IMPUGNANTE, como demonstrado, possuía e possui, ainda, IMUNIDADE TRIBUTÁRIA CONSTITUCIONAL, portanto estão protegidas da imposição dos requeridos impostos. 5 A IMUNIDADE é uma vedação constitucional que independe da homologação ou do reconhecimento da autoridade tributária. É um direito inerente à pessoa jurídica que possua as qualidades necessárias, como acima demonstrado. Entretanto, no caso vertente, houve uma importação com exoneração tributária homologada pela autoridade Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 550 31 arrecadadora, ou seja, o Delegado da Receita Federal, como já acima demonstrado. 6 0 fiscal autuante cometeu um grave erro de entendimento sobre a qualidade do Hospital Adventista do Pênfigo, desejando erroneamente darlhe a personalidade jurídica que não possui, quando afirma, na última linha da página 3 de seu Relatório e continuando na página 4, que " .... o HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO, que passou a denominarse INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/0079 98...." e no terceiro parágrafo da mesma página 4 acrescentou equivocadamente, do Estatuto Social da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, CNPJ n° 76.726.884/007998, atual razão social do Hospital Adventista do Pênfigo,...." Tal é seu descuido, que não observou que o Hospital Adventista do Pênfigo sempre foi e ainda é um ESTABELECIMENTO FILIAL da Entidade INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL o que facilmente poderia ser concluído apenas e tão somente observando sua inscrição no CNPJ pois possui a numeração 0079 após a barra da raiz, o que não ocorre com a Entidade, pois sua sede ou matriz sempre possui a numeração 0001, por ser esta a inscrição inicial e base para sua identificação como pessoa jurídica. 7 Se não bastasse a confusão acima, o agente autuante exigiu do ESTABELECIMENTO Hospital Adventista do Pênfigo documentos tais como, Balanço Patrimonial e Demonstrativos de Receitas e Despesas, Relatório de Atividades Assistenciais, Regimento Interno (na tentativa de equiparálo a Estatuto Social), dentre outros, que são documentos emitidos exclusivamente pela Entidade, através de sua sede social e nunca por estabelecimentos isolados, conforme determinam as normas contábeis e assistenciais vigentes. Inclusive procedeu a cálculo de percentual de 20% de suas receitas operacionais, quando no parágrafo segundo da página 13 quer aplicar ao ESTABELECIMENTO o § 4o do Art. 3o do Decreto n° 2.536/98 que estabelece obrigatoriedade a ENTIDADES DA ÁREA DE SAÚDE, e não a ESTABELECIMENTO de uma ENTIDADE MISTA, como é o caso da IMPUGNANTE, ENTIDADE ASSISTENCIAL E EDUCACIONAL. E por ai o agente continua sua exposição confusa e indefinida. 8 0 agente autuante declara que " Em conseqüência, lavramos o Termo de Constatação atestando que o equipamento importado por meio da Dl n° 228 de 29/11/1996 aparelho de raio X próprio para tomografia computadorizada e corpo inteiro encontrase em funcionamento no Setor de Radiologia do Hospital Adventista do Pênfigo. Já o equipamento importado por meio da Dl n° 435.705 de 28/02/1996 mesa para operação cirúrgica encontrase em funcionamento da Sala EZE do Centro Cirúrgico do mesmo hospital." Ora, como era de esperar, os equipamentos importados se encontram em poder do importador original (seu estabelecimento, parte de seu corpo como pessoa jurídica), embora tenha havido mudanças tanto em sua razão social como por incorporação societária advinda de cisão de entidade congênere, imune, do mesmo "grupo econômico". Fl. 565DF CARF MF 32 9 O agente autuante dedicou páginas tentando provarque a Entidade não possui, no momento, a qualidade exigida para manter a ISENÇÃO, que seria a IMUNIDADE tributária, tecendo comentários de matéria que não é da sua competência, inclusive dando interpretações divorciadas da legislação tributária e assistencial, chegando mesmo a proceder a cálculos de percentuais à página 13, como se este cálculo fosse obrigatório a estabelecimento e não a Entidade como um todo indivisível de seus estabelecimentos. Esta era sua intenção, quando desejou, infrutífera e inocentemente dar ao Hospital Adventista do Pênfigo o status de Pessoa Jurídica ou Entidade Assistencial Independente da Instituição Adventista Sul Brasileira de Educação e Assistência Social, chegando ao absurdo quando declara a IMPUGNANTE desmerecedora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, como se fossa da sua competência, passando por cima da autoridade do Conselho Nacional de Assistência Social, órgão do Ministério da Previdência e Assistência Social, não do Ministério daFazenda. Ainda que assim fosse, somente após o cancelamento do Registro e/ou do Certificado, por parte do CNAS é que poderia produzir os efeitos erroneamente desejados por antecipação pelo agente autuante e não por antecipação baseada em sua interpretação pessoal e divorciada da legislação pertinente vigente, por faltarlhe competência para decretálo. Impõese, pois, seja procedida imediata revisão na posição tomada por essa conceituada DRF em Campo Grande, para que seja imediatamente CANCELADO O AUTO DE INFRAÇÃO EPIGRAFADO e ARQUIVADO O SEU RESPECTIVO PROCESSO, como medida da mais lídima JUSTIÇA E EQÜIDADE. V DO PEDIDO: De todo o exposto, a IMPUGNANTE REQUER o RECEBIMENTO, o PROCESSAMENTO e o PROVIMENTO da presente IMPUGNAÇÃO, com apreciação às suas PRELIMINARES e seu DIREITO com anulação do respectivo Auto de Infração, tendo em vista sua nulidade, como prova de Justiça. REQUER seja oportunizado à IMPUGNANTE a utilização de qualquer meio e/ou forma de prova admitida no procedimento administrativo, sem abrir mão de qualquer outro que seja necessário e/ou oportuno em procedimento judiciário competente. REQUER, ainda, que as intimações dos autos praticadas neste feito sejam realizadas em nome do seu representante legal identificado na introdução, no endereço de seu estabelecimento filial em Campo Grande, Hospital Adventista do Pênfigo, localizado na Av. Günter Hans, n° 5.885, no Bairro Tarimã, em Campo Grande, MS, CEP 79.076900." A Ementa deste acórdão recorrido de primeira instância foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 ISENÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IPI. DECADÊNCIA. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 551 33 Tendo sido aplicado, no despacho aduaneiro, o benefício de isenção, relativamente ao Imposto de Importação e ao IPI, a extinção do direito de constituir crédito tributário referente a esses impostos ocorre em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DAS INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. A imunidade tributária das instituições de assistência social sem fins lucrativos não é absoluta, pois ela não abrange as rendas e os serviços relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou seja, compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais dessas entidades. Assim, tais organizações não são imunes às exigências do II e IPI vinculado, quando procederem a importações que não se enquadrem nos casos acima expostos podendo, entretanto, serem isentas desses impostos, caso cumpram as condições legais exigidas. Daí a necessidade de se analisar ambos os aspectos, quais sejam o da imunidade e o da isenção para se f\ exigir tributos dessas entidades. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 1996 REVISÃO ADUANEIRA. AUTORIDADE FISCAL. DEVER DE OFÍCIO. No curso do procedimento de revisão, constatado que o contribuinte agiu em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deverá exigir, por meio do lançamento, o tributo que deixou de ser pago, acrescidos das penalidades cabíveis. REVISÃO DE OFÍCIO. Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu poder/dever, deve proceder a revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da declaração de importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. ISENÇÃO Os bens importados por instituições de educação ou de assistência social poderão gozar de isenção do Imposto sobre a Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos do art. 2o, inciso I "b", da Lei n° 8.032/1990, desde que atendidas as condições previstas na legislação complementar. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Fl. 567DF CARF MF 34 Anocalendário: 1996 IPI NA IMPORTAÇÃO. A isenção do IPI vinculado se aplica nos termos, limites e condições aplicáveis para efeito de isenção do imposto de importação, assim mutatis mutandis as normas postas no Regulamento Aduaneiro a respeito da exigência do II, em caso de perda de isenção, se aplicam ao IPI. Não havendo impugnação específica relativamente a esse imposto, as mesmas fundamentações postas no julgamento do II aplicamse mutatis mutandis ao lançamento do IPI. Lançamento Procedente." Este Conselho recebeu o Recurso Voluntário e converteu o julgamento em diligência em fls. 478 para que o Conselho Nacional de Assistência Social CNAS fosse intimado e prestasse informações com relação à existência dos certificados e registro do contribuinte como entidade filantrópica. O contribuinte acabou sendo intimado no lugar do CNAS e juntou parte das informações em fls. 480, contudo, este Conselho novamente converteu e reiterou a diligência em fls. 513, sendo que esta foi cumprida conforme fls. 522. O processo digital foi distribuído e pautado conforme regimento interno deste conselho. Processo relatado. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Analisado o processo, é possível concluir que o centro da lide envolve a cobrança de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados em razão do contribuinte não ter direito ao benefício da isenção prevista para entidades beneficentes e filantrópicas conforme a seguinte legislação: Lei 8032/90, Art. 2.º, I, b e 3.º, I; Lei 4.917/65; Decreto 2.536/98, Art. 3.º e seguintes. O fato principal que parece ter motivado o lançamento foi a constatação de que a entidade não comprovou o número de atendimentos suficientes ao SUS, previsto em lei como um dos requisitos para a consideração da utilização do benefício fiscal do contribuinte como entidade beneficente/filantrópica. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 552 35 Verificase, realmente, que em nenhum momento o contribuinte comprovou o número de atendimentos suficientes ao SUS, seja da empresa matriz ou da entidade autuada (CNPJ 76.726.884/007998 INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRAS. DE EDUC. E ASSIST. SOCIAL Nome Fantasia: HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO vide fls. 08 e seguintes). Inclusive, de acordo com os documentos juntados em fls. 480 e 522 (resultados da diligência), não há registro ou certificado que permita o contribuinte autuado, seja filial ou não (pessoa jurídica autônoma), a operar como entidade filantrópica para fins de incidência do benefício da isenção utilizado para o não pagamento dos Impostos de Importação e dos Impostos sobre Produtos Industrializados das mercadorias importadas (materiais e produtos hospitalares). Os registros e certificados juntados que indicam a autorização do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, para o contribuinte atuar como entidade passível do benefício fiscal, foram proferidos em favor de outra pessoa jurídica que não a autuada (76.726.884/000128). Assim, por mais que seja entidade do mesmo "grupo" e diante da ausência da comprovação da autorização para utilização do benefício e dos descumprimento de metas de atendimentos do SUS, certamente o contribuinte deveria ter realizado o recolhimento dos Impostos de Importação e dos Impostos sobre os Produtos Industrializados decorrentes das importações das mercadorias, porque diante do que tudo indica, o contribuinte utilizou as mercadorias nas atividades que gerariam resultado financeiro e não nas atividades puramente filantrópicas. Mas a autoridade fiscal procedeu o lançamento sobre sujeito passivo que não guarda similitude com os fatos (CNPJ 76.726.884/007998 INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL BRAS. DE EDUC. E ASSIST. SOCIAL Nome Fantasia: HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO vide fls. 08 e seguintes). A entidade autuada não foi a pessoa jurídica que importou as mercadorias conforme fls. 93 a 313 (Invoice, Declarações de Importação e Registros de Transporte) e as alterações societárias de cisão e incorporação são posteriores à importação das mercadorias conforme fls. 21 e 87 e seguintes, pois ocorreram somente em Dezembro de 1996. Logo, a autoridade fiscal deveria ter lavrado o auto de infração em face da pessoa jurídica que importou as mercadorias e realmente utilizou do benefício da isenção, a de CNPJ 60.833.910/001230 . Contudo, apesar destas breves considerações formais e de mérito, conforme alegado pelo contribuinte, é importante observar a disposição expressa no Art. 54 do Decreto Lei 37 de 1966, vigente à época dos fatos, conforme transcrito a seguir: "Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)." Fl. 569DF CARF MF 36 Dessa forma, diante da atividade vinculada em que atua esta corte administrativa de recursos fiscais, assim como diante de inúmeros precedentes deste Conselho (3401003.111, 3201002.191 a exemplo), não há como não reconhecer a decadência do prazo da autoridade para ter realizado a revisão aduaneira e, sequer ter lavrado os autos de infração. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder à revisão aduaneira das importações. Logo, se tratando de forma clássica de um lançamento por meio da revisão aduaneira de mercadorias importadas pelo contribuinte, fica evidente a subsunção dos fatos e datas à norma. Tratandose das datas, a DI 96/453705 foi registrada em 28/02/1996 e DI 96/000228, registrada em 28/11/1996 (vide fls. 330 e seguintes e 390), sendo que o auto de infração chegou ao conhecimento do contribuinte em 28/12/2001 (vide fls. 08 e seguintes), após os cinco anos em que o poder público poderia ter autuado o contribuinte. Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 54 do DL 37/66, no Art. 113 e 142 do CTN, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência para anular o lançamento e exonerar os créditos tributários, multas e juros. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Declaração de Voto Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim Inicialmente, cabe tecer alguns esclarecimentos sobre o termo inicial da decadência, em relação aos tributos aduaneiros, ao caso, não considero sendo a data do registro da DI, quando não houver antecipação de pagamento; onde fui vencida no julgamento, conjuntamente com o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Feitas as considerações acima, versa o processo de exigência de Imposto de ImportaçãoII e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescidos dos encargos legais (multa de mora e juros de mora ); tendo em vista irregularidade apurada na fruição do beneficio fiscal aplicado por ocasião do despacho aduaneiro de importação e da falta de pagamento. No caso, o importador, instituição de assistência social sem fins lucrativos, além de imune aos impostos sobre a renda, serviços e patrimônio, conforme dispõe o artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, goza, em tese, de isenção do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, prevista nos artigos 2°, inciso I, alínea "b", e 3° , inciso I, da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, e no artigo V, inciso IV, da Lei n° 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Tratase da espécie de benefício fiscal definida no Livro II, Título III, Capítulo III, do Regulamento Aduaneiro (RA/1985, vigente à época; ) como isenção ou redução vinculada à qualidade do importador. No entanto, para este tipo de Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 553 37 isenção há preenchimento de condições e requisitos necessários para a outorga da isenção ou redução. Registrese que a legislação relativa aos tributos federais exigíveis no despacho aduaneiro de importação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento dos tributos, sem prévio exame da autoridade administrativa, motivo pelo qual o lançamento desses tributos, nesse contexto, ocorre na modalidade de que trata o art. 150 do Código Tributário Nacional, ali designada lançamento por homologação. A respeito do tema, o instituto da decadência no comércio exterior para aplicação dos tributos e penalidades na área aduaneira é regulado através do DecretoLei nº 37/1966, que trata da matéria em seus artigos 138 a 141, in verbis: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco)anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar se á o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art.140 Prescreve em 5 (cinco) anos, a contar de sua constituição definitiva, a cobrança do crédito tributário. Art.141 O prazo a que se refere o artigo anterior não corre: I enquanto o processo de cobrança depender de exigência a ser satisfeita pelo contribuinte; II até que a autoridade aduaneira seja diretamente informada pelo Juízo de Direito, Tribunal ou órgão do Ministério Público, da revogação de ordem ou decisão judicial que haja suspenso, anulado ou modificado exigência, inclusive no caso de sobrestamento do processo. Em relação ao IPI, estava disciplinado, à época, no art. 61 do Decreto de n° 87.981/82 (RIPI/1982): Art. 61. O direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei nº 5.172/66, art. 150, § 4); II – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento (Lei nº 5.172/66, art. 173, I); III – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (Lei nº 5.172/66, art. 173, II). Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente Fl. 571DF CARF MF 38 com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172/66, art. 173, parágrafo único). Ratificando o disposto do artigo 139 acima transcrito, relativamente ao direito de impor penalidade do IPI, o artigo 78 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, já previa a mesma hipótese, nos termos abaixo: Art . 78. O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. § 1º O prazo estabelecido neste artigo interrompese por qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao impôsto que tenham deixado de pagar ou à infração que haja cometido, recomeçado a correr a partir da data em que êste procedimento se tenha verificado. § 2º Não corre o prazo enquanto o processo de cobrança estiver pendente de decisão, inclusive nos casos de processos fiscais instaurados, ainda em fase de preparo ou de julgamento. § 3º A interrupção do prazo mencionado no parágrafo primeiro só poderá ocorrer uma vez. As regras sobre decadência (dispostas no Capítulo III, Seção I) referentes ao imposto de importaçãoII (e contribuições na importação) foram incorporadas ao Regulamento Aduaneiro/2002 aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, em seus artigos nº 668 a 669, in verbis: “Art.668. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (Decretolei nº 37, de 1966, art. 138, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 4º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003): Ido primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado;; ou IIda data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1° O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei no 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2° Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (Decretolei no 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o). Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 554 39 § 3° O direito de exigir a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins extinguese após dez anos contados (Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 45): (Incluído pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003)(revogado pela pelo art. 13 da lei Complementar n° 128, de 19/12/2008) (Súmula Vinculante de n° 8 do Supremo Tribunal Federal tornou inconstitucional o art. 45 da Lei de n° 8.212/91) I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; ou (Incluído pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento do crédito anteriormente efetuado. (Incluído pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Atualmente os artigos acima estão regidos pelos art. 752 a 753 do Regulamento Aduaneiro/2009 ﴾Capítulo III, Seção I), aprovado pelo Decreto de n° 6.759/2009, transcritos abaixo: Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o). § 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e Fl. 573DF CARF MF 40 II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). Reportandose, pois, à CFConstituição Federal/88, precisamente no art.146, inciso III, alínea b, que determina que é de competência da lei complementar estabelecer regras gerais sobre decadência e prescrição tributárias. Logo, transcrevese o art. 146: Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será opcional para o contribuinte; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) II poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 555 41 IV a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Art. 146A. Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual objetivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Como é sabido, o prazo decadencial tratase de norma geral, matéria de lei complementar. Por sua vez, o CTNCódigo Tributário Nacional tem status de lei complementar e precisamente nos arts 173 e 150 disciplinam esses prazos. Então, a decadência tributária no que se refere à contagem de seu prazo inicial, possui duas regras principais, quais sejam, a do § 4º do artigo 150 e a do artigo 173, inciso I. O art. 173 do CTNCódigo Tributário Nacional, dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Bem como o art. 150, 4º, do mesmo CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 575DF CARF MF 42 Pois bem, em relação ao prazo para constituição do crédito tributário, estar reservado à lei complementar, como visto acima; percebo que o DecretoLei de n° 37/66 e Lei de n° 4.502/64 serem anteriores à Constituição Federal; então, para este caso, entendo, terem sido recepcionados como tallei complementar; logo, devem ser observados, no entanto, não deve ser afastada a aplicação da regra geral do CTN. Ou seja, a legislação aduaneira dispõe como regra, nos lançamentos por homologação, seu prazo decadencial tem início na data do fato gerador, ou seja, na data do o registro da Declaração de ImportaçãoDI (em regra). Então, de acordo com o art. 669 do RA/02 e art. 753 do RA/09, o direito de impor penalidade extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Portanto, fica preciso e definido o termo inicial da contagem do prazo decadencial para imposição da penalidade. A revisão aduaneira, por sua vez, está conceituada no art. 54 do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, regulamentado pelos artigos 455 do RA/85 (Decreto de n° 91.030/85), 570 do RA/02 e atualmente pelo 638 do RA/09, abaixo transcritos, in verbis: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto Lei. Art. 455 Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado (Decretolei nº 37/66, art. 54). Logo, em consonância com disposto no art. 54 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, prevê expressamente a possibilidade de realização, após o desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, do procedimento de revisão das informações tributárias e outra natureza, prestadas pelo importador na DI que serviu de base para o processamento do despacho aduaneiro. Assim, a norma do art. 54 do DecretoLei 37/66 (revisão aduaneira) tão somente aduz ser o registro da DIDeclaração de Importação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, não havendo incompatibilidade com o CTN, mas sim complementaridade. Caso haja antecipação de pagamento, aplicase o art. 150 , § 4º, do CTN, ou seja, a decadência iniciase do registro da DI e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo, ou antecipação do imposto. Portanto, no caso concreto, considerandose que não houve antecipação do Imposto de Importação, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10140.003506/200119 Acórdão n.º 3201002.756 S3C2T1 Fl. 556 43 Assim, tendo em vista a especificidade dos arts. 138 do Decretolei n° 37/66 e 61 do RIPI/82, os prazos de extinção do direito de constituir crédito tributário referente ao Imposto de Importação e ao IPI, no caso concreto, achamse disciplinados, respectivamente, no art. 138, caput, do Decretolei n2 37, de 1966 e no art. 61, inciso II, do RIPI, de 1982 (CTN, artigo 173, inciso I). Portanto, a preliminar de decadência deve ser rejeitada. Ressalvo, no entanto, que há bastante divergência na jurisprudência do CARF, pois existem decisões com contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, assim como aplicação da contagem, a partir do primeiro dia seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, sendo que tal discrepância reside em se considerar como regra geral um dos dispositivos legais e como regra específica a outra. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Fl. 577DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904975/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/12/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/12/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 75 /2 01 2- 34 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904975/201234 Acórdão n.º 3301003.533 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.989. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10865.904975/201234 Acórdão n.º 3301003.533 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.904975/201234 Acórdão n.º 3301003.533 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.904975/201234 Acórdão n.º 3301003.533 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.904975/201234 Acórdão n.º 3301003.533 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.904975/201234 Acórdão n.º 3301003.533 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903795/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 95 /2 01 1- 28 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16327.903795/201128 Acórdão n.º 1301002.366 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000151/2005-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 51 /2 00 5- 36 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13204.000151/200536 Acórdão n.º 9303004.771 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403002.043, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 (...) CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra o direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13204.000151/200536 Acórdão n.º 9303004.771 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13204.000151/200536 Acórdão n.º 9303004.771 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13204.000151/200536 Acórdão n.º 9303004.771 CSRFT3 Fl. 6 5 Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13204.000151/200536 Acórdão n.º 9303004.771 CSRFT3 Fl. 7 6 Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: (...) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13204.000151/200536 Acórdão n.º 9303004.771 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso destes autos, deixouse de transcrever a parte do voto do paradigma que apreciou o segundo tema (variações cambiais), por tratarse de questão não travada no presente processo, cujo litígio, como relatado, restringese ao direito de crédito das contribuições sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses serviços foi reconhecido, no presente processo deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720654/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ABATIMENTO NEGOCIAL. LIQUIDAÇÃO DEFINITIVA DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO. VALORES IRRECUPERÁVEIS. EXAUSTÃO PATRIMONIAL. TRANSAÇÃO. EXTINÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR MEDIANTE CONCESSÕES MÚTUAS.
Os abatimentos negociais concedidos por instituições financeiras, em liquidações definitivas de operações de crédito, em situações em que não se espera o recebimento dos descontos concedidos, bem assim, em hipóteses de exaustão patrimonial dos devedores, não devem ser tributados, por não representarem renda ou receita para o banco.
Numero da decisão: 1302-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Souza,
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ABATIMENTO NEGOCIAL. LIQUIDAÇÃO DEFINITIVA DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO. VALORES IRRECUPERÁVEIS. EXAUSTÃO PATRIMONIAL. TRANSAÇÃO. EXTINÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR MEDIANTE CONCESSÕES MÚTUAS. Os abatimentos negociais concedidos por instituições financeiras, em liquidações definitivas de operações de crédito, em situações em que não se espera o recebimento dos descontos concedidos, bem assim, em hipóteses de exaustão patrimonial dos devedores, não devem ser tributados, por não representarem renda ou receita para o banco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Souza, (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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DEDUTIBILIDADE. Recorrente BANCO BRADESCO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ABATIMENTO NEGOCIAL. LIQUIDAÇÃO DEFINITIVA DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO. VALORES IRRECUPERÁVEIS. EXAUSTÃO PATRIMONIAL. TRANSAÇÃO. EXTINÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR MEDIANTE CONCESSÕES MÚTUAS. Os abatimentos negociais concedidos por instituições financeiras, em liquidações definitivas de operações de crédito, em situações em que não se espera o recebimento dos descontos concedidos, bem assim, em hipóteses de exaustão patrimonial dos devedores, não devem ser tributados, por não representarem renda ou receita para o banco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Souza, (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 54 /2 01 2- 52 Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão nº 1644.956, de 20/03/2013 da 10ª Turma da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a seguir exposto. Os autos se referem a despesas relativas a abatimentos concedidos em negociações de operações de crédito. A recorrente apresentou, em 30/01/2014 (fl. 489), pedido de desistência em relação aos valores abaixo indicado, informando que os quitou, com base nos benefícios da Lei nº 11.941/2009, inc. I, § 3º, do art. 1º, cujo prazo de adesão foi reaberto pelo art. 17 da Lei nº 12.865/2013 (juntou os respectivos Darfs): Tributo Período Apuração Vr. Infração Vr. Déb. Quitado (Desistência) IRPJ 31/12/2007 R$12.620.211,49 R$3.155.052,95 CSLL 31/12/2007 R$12.620.211,49 R$795.073,39 Verificamos que o referido valor de infração (R$12.620.211,49), está indicado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal TVF nº 2 (fls. 92/101). Tal valor corresponde ao total dos citados descontos concedidos em negociações de operações de crédito, conforme quadro analítico a seguir transcrito (contabilizados na rubrica 8.1.9.52.10.8 56510078 Acordos Homologados Judicialmente): Dessa forma remanesceu em litígio somente os valores e infrações indicados no TVF nº 1 (fls. 81/90), que totaliza R$235.616.614,30, sobre os quais a Fiscalização concluiu que deveriam ser adicionados à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, devidos no encerramento de 2007. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 4 3 Na forma registrada no TVF nº 1, portanto, a recorrente considerou como Despesas Operacionais, o valor de R$3.197.393.156,93 na rubrica OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, inserta na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ 2008. Entre outras parcelas componentes deste montante está a de R$255.062.847,85 que aparece como saldo final total da conta 8.1.9.52.10.8, intitulada DESPESAS COM DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÃO OPERAÇÕES DE CRÉDITO: CONTA CONTÁBIL COSIF lo. SEMESTRE 2o. SEMESTRE ANO CALENDÁRIO 2007 Prejuízo com Operações de Crédito 8.1.9.52.10.85651 R$ 108.578.648,58 R$ 116.879.571,24 R$225.458.219,82 Prejuízo Baixa Operações Descontos a Menor 8.1.9.52.10.85691 R$ 1.595.168,64 R$ 1.460.271,89 R$ 3.055.440,53 Perdas com Financiamentos habitacionais 8.1.9.52.10.85692 R$ 13.602.164,99 R$ 12.947.022,51 R$ 26.549.187,50 TOTAIS R$123.775.982,21 R$131.286.865,64 R$ 255.062.847,85 A recorrente foi intimada (07/11/2011) a prestar esclarecimentos a respeito de tais despesas. A Fiscalização concluiu que as informações não foram suficientes para demonstrar que se tratavam de despesas dedutíveis. Nova intimação foi realizada (02/12/2011), na qual foi requisitado à recorrente: a) esclarecimentos detalhados da natureza dos prejuízos e das perdas, registrados nas contas contábeis; b) informar se os valores ali registrados foram total ou parcialmente adicionados ao Lucro Líquido para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL e "se foram considerados na soma de R$2.827.873.341,08, a qual o Banco Bradesco SA informou na linha 38 da ficha 9B da DIPJ/2008 a título de "PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO"; 1 , c) informar se dentre os valores contabilizados constavam perdas decorrentes de acordos homologados por sentença judicial, cópias das sentenças respectivas e comprovação das adições ao lucro líquido para fins de apuração de IRPJ é CSLL nos anoscalendário de suas ocorrências; Em 06.03.2012 a recorrente apresentou a relação dos valores registrados na conta COSIF 8.1.9.52.108 subconta 5651, totalizando R$212.810.890,35. Na oportunidade solicitou prazo para complementar o atendimento no que se referia à parcela de R$12.647.323.84, também contabilizada nesta subconta. Esclareceu, ainda: "Com relação aos valores registrados contabilmente nas contas COSIF COSIF 8.1.9,52.108 subconta 5691 e 5692, correspondem aos descontos concedidos em renegociações de crédito, os quais: Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 5 4 Foram considerados dedutíveis para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL; ' Não foram considerados na soma de R$2.827.873.341,08, informada na linha 38 da Ficha 09B DIPJ/2008, AC 2007, a título de "Perdas com Operações de Crédito". Na ótica da Fiscalização a resposta apresentada pela recorrente não elucidou por completo a questão inquirida. Assim, objetivando o esclarecer definitivamente o tema, em 14.03.2012 foi lavrado TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL, do qual abaixo transcrevemos o seguinte trecho: A) Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte nesta resposta, constatamos ausência de pronunciamento em relação aos itens que numeramos especificamos a seguir: C1 Intimado a apresentar esclarecimentos detalhados acerca da natureza dos prejuízos e das perdas, registradas nas 3 (três) contas contábeis acima listadas, quais sejam COSIF 8.1.9.52.108, subconta 5651; COSIF 8.1.9.52.108, subconta 5691; COSIF 8.1.9.52.108, subconta 5692, o BANCO BRADESCO informou: "Com relação aos valores registrados contabilmente nas contas COSIF 8.1.9.52.10 8, sub contas 5691 e 5692, correspondem aos descontos concedidos em renegociações de crédito, os quais:" Pois bem, neste item, a resposta apresentada pelo intimado é insuficiente para elucidar a natureza da despesa registrada, sendo silente quanto aos motivos que levaram a renegociação destes créditos, em que condições foram realizadas e quais fatores foram determinantes para que a instituição financeira desistisse de cobrar parte dos valores devidos pelos clientes; Ainda neste tópico o Banco não se pronunciou acerca dos valores registrados sob a rubrica COSIF 8.1.9.52.108, subconta 5651. C2 Nos itens terceiro e quarto da intimação, foi solicitado ao BANCO BRADESCO informar se dentre os valores contabilizados nas rubricas constavam perdas decorrentes de acordos homologados por sentença judicial e a apresentação de documentação correspondente; Nos que se refere a estes pontos não foi apresentada nenhuma resposta. Desta forma, considerando o que acima foi relatado fica o BANCO . BRADESCO SA neste ato intimado a apresentar no prazo de 10 (dez) dias contados da ciência deste os esclarecimentos, elementos e documentos que complementem os apresentados na sua correspondência datada de 06 de março de 2012. Em atendimento ao termo acima reproduzido, o recorrente apresentou em 17.04.2012 resposta com as seguintes argumentações: "Em atendimento a esta intimação, informamos que os aos arquivos encaminhados no atendimento de 05/03/2012, estamos / complementando com informações adicionais, que têm por objetivo esclarecer os motivos e quais as condições em que foram realizadas as renegociações". "Assim, estamos encaminhando arquivos, analíticos em meio magnético com informações adicionais constantes do arquivo entregue em 05/03/2012". Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 6 5 Finalmente, o recorrente apresentou quadro demonstrativo dos valores registrados na conta 8.1.9.52.10.8 5651, totalizado por subconta interna, especificando as características das operações de crédito que originaram os descontos concedidos. Os dados ali imputados indicam resumidamente: Valor contábil Desconto concedido Operação com Garantia Real R$252.233.614,67 R$26.273.943,64 Operação sem Garantia Real R$4.482.109.140,78 R$186.518.973,18 Total do desconto . R$212.792.916,82 Apresentou seis planilhas analíticas que discriminaram por rubrica contábil, os valores apontados no quadro: Garantia Faixa de valor Valor contábil Desconto concedido Real Até R$5mil R$ 63.092.044,90 R$10.267.277,19 Real Entre R$5mil e R$30 mil R$ 57.155.799,85 R$4.908.108,48 Real Superiora R$30 mil R$ 131.996.769,92 R$11.098.557,97 S/GAR. Até R$5mil R$ 451.400.964,48 R$ 59.721.359,44 S/GAR. Entre R$5mil e R$30 mil R$ 220.702.978,98 R$19.857.334,10 S/GAR. Superior a R$30 mil R$ 3.810.005.197,32 R$ 106.940.279,65 Total R$212.792.916,83 Sobre a natureza do dispêndio registrado, prestou os seguintes esclarecimentos: "Com relação a política de concessão de descontos concedidos, esclarecemos o quanto segue: "Os descontos concedidos nas renegociações de crédito de um modo geral somente são aplicáveis nas parcelas vencidas, mantendose neste caso, as condições originais estabelecidas nos contratos, ou seja, prazos, taxas de encargos e garantias". "Nas renegociações de créditos, quando são concedidos novos prazos, taxas de encargos e valor das parcelas são emitidos novos contratos em substituição aos contratos originais (novação da dívida)". "Os descontos são concedidos tanto para contratos registrados no ativo contas de empréstimo e financiamento, como os contratos baixados contabilmente para lucros e perdas em atendimento às normas do Banco Central do Brasil". No quadro abaixo apresentamos os resumos dos valores dos descontos decorrentes dos acordos judiciais: Operação Valor contábil Desconto Concedido Com garantia até R$5 mil R$1.189.513,33 R$252.859,76 Com garantia > R$5 mil < R$30mil R$479.347,98 R$152.660,94 Com garantia >R$30mil R$800.594,45 R$179.088,37 Sem garantia até R$5 mil , R$5.800.834,30 R$1.712.533,22 Sem garantia > R$5 mil < R$30mil R$4.818.486,10 R$1.133.059,10 Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 7 6 Sem garantia >R$30mil R$33.838.990,91 R$16.016.032,26 TOTAL DESC ACORDO.JUDICIAL • R$19.446.233,65 A Fiscalização concluiu que todos os valores estariam inseridos no conceito comercial de "descontos concedidos", pelo credor original ao devedor, em operações de créditos. Destacou que esse seria o pressuposto fundamental no deslinde da questão. Analisou que seria correto considerar os descontos concedidos, como despesa operacional nos termos do art.2 99 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506. de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506. de 1964, art. 47, § 1$). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506. de 1964. art. 47, § 2º). A Fiscalização concluiu que a interpretação adotada pela recorrente afrontaria o estabelecido na legislação fiscal; que a edição da Lei n° 9.430/96 teria estabelecido um novo sistema jurídico, especializado, para a dedução das perdas .nos recebimentos de créditos. Constariam estas regras dos arts. 9º a 12 daquele diploma legal. Ressaltou que tais disposições legais autorizariam a dedução das perdas em créditos, quando o Poder Judiciário prolatasse sentença de insolvência do devedor. A autorização estaria contida no inciso primeiro do artigo 9°, apartada de outras situações especificadas nos incisos e parágrafos seguintes do mesmo artigo. Estaria tratandose de perda efetiva ou perda permanente. No entanto, interpretou que, enquanto não consumada a perda efetiva, a lei somente teria autorizado, nos incisos II a IV do mesmo artigo 9º. a tomada de deduções temporárias para situações de inadimplência nos créditos operacionais. Estas deduções temporárias exigem o atendimento de condições materiais e temporais já na norma previstas. Caso o crédito não fosse recebido nos cinco anos seguintes ao seu vencimento a dedução temporária tornaria, assim, definitiva, conforme regência do artigo 10° da lei. Enfim, a dedutibilidade só se confirmaria pela permanência das condições impostas pela lei durante cinco anos. Ocorrendo a renúncia de qualquer parcela neste espaço temporal seria impossível a dedução. No caso dos autos, pretende a fiscalizada ver homologada sua conduta sob o argumento de que os casos concretos ocorridos não se ajustariam ao disposto na Lei n° 9.430/96. Verificouse que, o recorrente, ao informar os valores em sua DIPJ, apartouos daqueles que seriam originários das Perdas em Operação de Crédito e que Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 8 7 constam da linha 38 da ficha 9B da sua declaração. Ao inverso, optou a instituição por caracterizálos como "outras despesas operacionais", compondo o saldo informado na linha 30 da Ficha 05 da DIPJ 2.008. A Fiscalização concluiu que, a distinção adotada não pode prosperar frente ao ordenamento. A pretensão do recorrente está embasada nos efeitos econômicos dos eventos e não nos efeitos jurídicos dos fatos materiais. Quando uma instituição financeira concede desconto e toma dele dedutibilidade, estaria operando fora do sistema jurídico próprio. Irrelevante no caso ser a concessão de desconto prática usual e normal das instituições financeiras visto que os conceitos de usual e normal estão presentes na regra geral, mas não se apresentariam na regra específica. Ressaltou que, a lei especial alcançaria todos os casos envolvendo a relação jurídica credor/devedor. Não se vislumbraria qualquer distinção no sistema posto. Existindo os elementos básicos (credor, devedor, crédito e perda), na situação jurídica concreta, há de se aplicar a disciplina especialmente concebida para tal finalidade. As denominações comerciais descontos, prêmios de adimplência ou performance, entre outros seriam irrelevantes na valoração dos fatos. Em direção as suas conclusões, a Fiscalização afirmou que, as manifestações escritas apresentadas pelo recorrente, bem como o fato de os eventos terem sido apropriados em contas de despesas, sem nenhum ajuste de ordem fiscal, revelariam que a fiscalizada passou ao largo do que estabelece a Lei n° 9.430/96. Tal conduta só seria possível de gerar a pretendida dedutibilidade se estivessem frente às situações concretas de insolvência do devedor, devidamente sentenciadas pelo Poder Judiciário. Como reforço de sua interpretação, assentou que esta matéria já teria sido objeto de pronunciamento das autoridades administrativas quando da Decisão n° 100 da DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da Oitava Região Fiscal São Paulo Processo n° 10882.000326/98 de onde extraiu o contido no item 9: "O aludido § 1° do art. 10 da Lei 9.430/96 é taxativo ao estabelecer que se ocorrer a desistência antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, haverá o estorno ou a adição ao lucro ; líquido de perda registrada. E as regras legais estabelecem que para haver o registro como perda, nos casos que específica, há que serem mantidos os procedimentos judiciais ( §1°, inc. II, letra "c" inciso II do art. 9º da Lei n° 9.430/96)". "Assim se não forem mantidos os procedimentos judiciais para o recebimento do crédito ou se houver desistência antes de decorridos os cinco anos do vencimento do crédito, haverá estorno ou a adição ao lucro liquido, da perda registrada." Por fim, registrou que, exceção feita aos descontos concedidos nos acordos homologados judicialmente, todos os demais seriam considerados pela Fiscalização como não dedutíveis na apuração do lucro tributável do anocalendário 2007. Citou decisões desfavoráveis ao recorrente proferidas pelo Tribunal Regional Federal, em mandados de segurança, cujo objeto coincide com os abatimentos negociais, em questão. Por sua vez, a DRF e a DRJ mantiveram o mesmo entendimento da Fiscalização, de que não se enquadraria nas disposições do art. 299 do RIR/99, como despesas dedutíveis, os descontos concedidos pela recorrente para liquidar em definitivo, sem perspectiva de recebimento futuro, operações de crédito inadimplidas. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 9 8 A recorrente foi intimada do acórdão recorrido, em 03/04/2013 (fl. 374). Interpôs Recurso Voluntário, em 03/05/2013 (fl. 414). Em suas razões de recurso o recorrente apresentou os fundamentos com base nos quais sustenta que os descontos concedidos como forma de viabilizar liquidações de operações não poderiam ser considerados atos de liberalidade, os quais serão analisados no voto a seguir. Citou julgamentos do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e a contribuinte está devidamente representada. Conheço do recurso. À vista da desistência do litígio, em relação ao TVF nº 2 e da ratificação das razões de recurso, relativas ao TVF nº 1, passamos à análise questões postas pelo recorrente. O TVF nº 1 (fls. 81/90), totaliza R$235.616.614,30, sobre os quais a Fiscalização concluiu que deveriam ser adicionados à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, devidos no encerramento de 2007. Delimitandose, assim, a matéria a ser apreciada, transcrevo os pontos específicos registrados na ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não cabe alegar a nulidade do lançamento quanto o auto de infração encontrase formalizado com observância dos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA AnoCalendario: 2007 DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO TRATAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS. O disciplinamento estabelecido pela Lei nº 9.430´/96 assume um caráter de norma especial em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário. Aos descontos concedidos em renegociação de créditos, são aplicáveis as normas específicas dos arts. 9° a 12 da Lei nº 9.430/96, e as normas gerais do art. 299 do RIR/99. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INDEDUTIBILIDADE. NORMA APLICÁVEL Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 10 9 Os descontos concedidos após o vencimento dos títulos, em operações de renegociação de créditos, constituem perdas cuja dedutibilidade deve observar as condições previstas na Lei nº 9.430/90. À autoridade administrativa cabe cumprir determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ACORDOS HOMOLOGADOS JUDICIALMENTE. A pessoa Jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os documentos e papéis que comprovem a escrituração das perdas registradas em decorrência de acordos homologadas judicialmente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. AnoCalendario: 2007 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido quanto à infração que. além de implicar o lançamento de IRPJ. implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSSL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Preliminar de Nulidade do Auto de Infração Necessidade de Recomposição do Lucro Tributável O recorrente alega que o fiscal teria se limitado a exigir diretamente IRPJ e CSLL sobre as despesas glosadas; que deveria ter apurado a nova base de cálculo. Seria necessário recompor o lucro real e o lucro líquido do período; apurar os novos valores devidos a titulo de IRPJ e de CSLL e confrontálos com os valores efetivamente recolhidos pelo recorrente, de modo a exigir somente dos tributos eventualmente recolhidos a menor. Ressalta que as alegações da DRJ seriam genéricas e que não teriam sido analisadas as analisadas as razões de recurso. Tais alegações foram apresentadas, principalmente, pelo fato de o recorrente sustentar que, em 2007, haveria tributos pagos a maior e que, por conseguinte, deveriam ter sido computados para efeito da exigência constante do referido auto de infração. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 11 10 Analisandose os fundamentos dessa preliminar, verificase que o recorrente referiuse aos valores discutidos nos processos que mencionou ter havido pedidos de sobrestamento para o julgamento destes autos. Os referidos valores pagos a maior foram objeto de Pedidos de Restituição/Compensação PerDcomp, os quais, independentemente de não haverem sido computados na exigência em questão, estão sendo devidamente analisados em autos específicos. Sobretudo, verificase que a pertinência de computar os alegados créditos de pagamento a maior e os exatos valores que poderiam ser considerados parecem se ajustar às questões de mérito do presente caso, de modo que não há como acolher tais alegações como preliminar passível de determinar a nulidade do lançamento contido no TVF nº 1, em questão. Nesse sentido, voto por rejeitar a preliminar. No Mérito O recorrente sustenta que, as perdas definitivas glosadas seriam decorrentes de descontos em operações de crédito. A concessão de descontos seriam a única de reaver ao menos parte do seu crédito. Tais créditos já teriam sido integralmente oferecidos à tributação, anteriormente, por força do regime de competência. Nesse contexto, sustente que os descontos são despesas necessárias, usuais e normais, em conformidade com as disposições do art. 299 do RIR/99. De outro modo, a DRJ ratificou o entendimento da DRF no sentido de que "havendo norma especifica sobre determinada matéria, há de se aplicar estas regras. E no presente caso, as condições de dedutibilidade para as Perdas nos Recebimentos de Créditos encontramse dispostas nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/96", verbis: "(...) No caso concreto, o disciplinamenlo estabelecido pelos artigos 9º a 12 da Lei n° 9.430/96 assume um caráter de norma especial, em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário. Sendo assim, correta a tipificação dada pela fiscalização ao caso concreto, uma vez que, por intermédio do critério da especialidade, concluise que ao caso em tela se aplicam as normas específicas da Lei n° 9.430/96, e não as normas gerais do art. 299 do RIR/99. Portanto, tendo os descontos sido oferecidos para viabilizar o recebimento de dívidas vencidas em operações de crédito, sua dedutibilidade como despesa operacional, para fins fiscais, deve obedecer a normalização específica da matéria. Além disso, interpretandose conjuntamente os artigos 9º e 10 da Lei n° 9.430/96, verificase a distinção entre perdas de caráter: ........................................................................................................................... Destarte, a afirmação do impugnante de que suas perdas seriam definitivas não encontra guarida." O acórdão recorrido, portanto, afasta a possibilidade de o recorrente, instituição financeira, deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, valores que contabilizou como outras despesas operacionais, relativos a abatimentos concedidos Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 12 11 em liquidação definitiva de operações de crédito, em relação aos quais chegou a conclusão que não seria possível recebêlos. Em contrapartida, a recorrente sustenta que, todos os valores registrados como perdas na renegociação de dívidas representam receitas que, de fato, não existiram, ou seja, valores registrados como receitas, tributados pelo IRPJ e pela CSLL e que não foram pagos pelos tomadores. Defende que, o fato de não ter recebido os valores anteriormente registrados como receitas, conferelhe o direito de registrar tais perdas, sob pena de passar a pagar IRPJ e CSLL sobre não renda. Reforça dizendo que, se a premissa para a dedutibilidade das perdas nos termos dos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/96 é que o credor continue cobrando, administrativa ou judicialmente o valor correspondente, sustentar que aquelas condições são aplicáveis inclusive às perdas já definitivamente incorridas, ou seja, a créditos já baixados que não podem mais ser cobrados porque deles se deu quitação ao devedor, implicaria a criação de uma condição impossível de dedutibilidade que aí sim resultaria em manifesta ilegalidade/inconstitucionalidade (que não ocorre no caso, posto que os dispositivos legais invocados pelo fiscal não se aplicam às perdas definitivas como já decidido pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Conclui o recorrente alegando que estaria evidenciada a improcedência das exigências em questão, pois a glosa integral desses valores, além de contrariar os artigos 153. III e 195, inc. I da Constituição Federal e os artigos 43 e 44 do CTN, que prevêem de forma clara que a matéria tributável é a renda ou o lucro do período, conceitos de direito privado utilizados expressamente pela Constituição Federal e que não poderiam ser alterados pela legislação tributária, nos termos do que dispõe o artigo 110 do CTN, fere ainda o princípio da capacidade contributiva previsto no artigo 145, parágrafo 1° da Constituição Federal de 1988, em virtude do fato que estaria havendo tributação de valores que de fato o recorrente jamais percebeu. À vista das razões de recurso e dos fundamentos do acórdão recorrido, passo à seguinte análise. A dedutibilidade de descontos concedidos para recebimento de créditos foi analisada no Acórdão 10195.469, de 26 de abril de 2006. No voto condutor a Relatora demonstra que a dedutibilidade dos descontos concedidos não se subordina às regras do art. 9º da Lei nº 9.430/96, uma vez que os descontos são perdas definitivas, e o art. 9° da Lei n° 9.430/96 trata de perdas provisórias, isto é, da possibilidade de deduzir perdas ainda não ocorridas. Conforme a seguir colacionado: Acórdão n°101 95.469, de 26 de abril de 2006: O julgador de primeira instância (....) manteve a glosa ao fundamento de que. para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. E notório que para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 13 12 expressivos, não representa liberalidade, caracterizandose como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei nº 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída previsão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei nº 9.430/96. que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definimos ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8º e 9º do art. 43 da Lei nº 8.981/95 e do art. 9º da Lei nº 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí os créditos já liquidados (perdas definitivas). De jato. o § 7° do artigo 43 da Lei nº 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para superálas, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O § 8° do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1° do art 9° da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definimos, mas que, em certas circunstancias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas. Registrouse que, ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional face ao acórdão acima mencionado foi negado provimento. Dessa forma, entendo que para este item da autuação, não pode permanecer a glosa lançada pela fiscalização. Nesse sentido, fica prejudicada a análise quanto à incidência de juros sobre multa que, diante da conclusão acima, fica afastada. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16327.720654/201252 Acórdão n.º 1302002.132 S1C3T2 Fl. 14 13 Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900378/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 78 /2 01 4- 22 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900378/201422 Acórdão n.º 3401003.741 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900378/201422 Acórdão n.º 3401003.741 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900378/201422 Acórdão n.º 3401003.741 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726479/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 26 47 9/ 20 13 -6 1 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 12448.726479/201361 Resolução nº 2301000.656 S2C3T1 Fl. 83 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal efetuado para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de glosa do valor declarado como retenção na fonte e das deduções a título de previdência privada e cota patronal do empregador doméstico. No caso, o recorrente declara retenção correspondente ao valor depositado judicialmente. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa (Solução de Consulta Interna Cosit n.º 9, de 18 de março de 2013). DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. AJUSTE. Em virtude do ajuste feito de ofício pela autoridade lançadora nos rendimentos tributáveis declarados e, conseqüentemente, no imposto devido, devem também ser ajustadas as deduções de previdência privada e de contribuição patronal para os limites estabelecidos em lei. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados ... Em virtude do ajuste feito de ofício pela autoridade lançadora nos rendimentos tributáveis declarados e, consequentemente, no imposto devido, devem também ser ajustadas as deduções de previdência privada e de contribuição patronal para os limites estabelecidos em lei. O que a Notificação de Lançamento fez foi apenas adequar, respectivamente, estas deduções aos limites de 12% dos rendimentos tributáveis e ao imposto devido apurado no ajuste anual de fl. 10. Assim, devem ser mantidas as glosas de R$ 5.942,96 a título de dedução indevida de previdência privada e de R$ 866,60 de contribuição patronal. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 12448.726479/201361 Resolução nº 2301000.656 S2C3T1 Fl. 84 3 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação. Informa que cometeu equívoco ao informar como aporte em previdência privada quando na verdade se trata da retenção de sua contribuição oficial ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Rio Previdência. Junta aos autos comprovante do órgão. Também traz aos autos suposto comprovante de que a dedução é relativa a sua contribuição patronal na condição de empregador doméstico. Esta turma converteu o julgamento em diligência para esclarecimentos, com posterior direito de manifestação do recorrente: Como se constata às fls. 10 e 11, a fiscalização entendeu que não foram comprovadas as despesas com previdência privada e nem com as contribuições patronais da previdência social da empregada doméstica. Acontece que o recorrente traz aos autos documentos que podem ser suficientes para a comprovação do alegado, fls. 59 e s. Outra questão é que na impugnação o recorrente afirmara se tratar de previdência privada, embora tenha juntado documento referente a previdência oficial, fls. 02, e que o valor correto seria R$ 6.158,43. E quanto a contribuição relativa a empregada doméstica, vieram aos autos extrato detalhado de valores recolhidos. Assim, entendo oportuno que a fiscalização se pronuncie sobre eles antes da decisão nessa instância. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. Em resposta a fiscalização informa que: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI O comprovante apresentado pelo contribuinte indica tratarse de despesa com Previdência Oficial e não Previdência Privada, por este motivo a dedução não foi considerada. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL O contribuinte demonstrou o pagamento da contribuição previdenciária do empregado do doméstico, mas não comprova o vínculo empregatício (não foi apresentada carteira de trabalho), por este motivo a dedução não foi considerada. É o Relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 12448.726479/201361 Resolução nº 2301000.656 S2C3T1 Fl. 85 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Com o despacho às fls. 80 entendo que a dúvida fora esclarecida; no entanto, os autos foram remetidos diretamente a este CARF sem que fosse aberto prazo ao recorrente para manifestação, conforme parte final da resolução às fls. 71: Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. Com o atual Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16/03/2015 ficou mais evidenciada a necessidade de se oportunizar o direito de manifestação para todos os interessados sobre matéria de fato ou direito suscitada por uma das partes e que possa fazer parte dos fundamentos da decisão: Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. ... Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. ... Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Na dúvida quanto a necessidade de contraditório sobre toda e qualquer informação trazidas aos autos por uma das partes, a regra acima veio a esclarecer também no âmbito do processo administrativo a aplicação do artigo 12, inciso II do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, considerando o presente caso em que a informação trazida em diligência é justamente sobre um fato relevante para o deslinde da questão que envolve o direito de dedução, entendo que o recorrente tem direito de manifestação. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 12448.726479/201361 Resolução nº 2301000.656 S2C3T1 Fl. 86 5 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o resultado da diligência. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000022/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
LUCROS NO EXTERIOR. PERÍODO DE 1996 A 2001. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. ADI 2.588. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP 2.158-35/2001.
Com a decretação da inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35/2001, a tributação do IRPJ dos lucros auferidos no exterior no período de 1996 a 2001 não pode recair sobre a data da disponibilização determinada pela norma declarada inconstitucional, qual seja, 31/12/2002.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCROS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO VALOR QUE EXCEDE AO LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR.
A variação cambial de investimentos no exterior não pode fazer parte da base de cálculo do lucro no exterior, pois segue as regras da variação cambial interna. A tributação somente se justifica caso a variação cambial esteja embutida no valor do lucro líquido da empresa controlada e desde que não ultrapasse tal lucro.
CSLL. REFLEXO DO IRPJ.
Aplica-se à CSLL a mesma decisão adotada para o IRPJ, quando sua tributação decorre dos mesmos elementos do referido imposto.
Numero da decisão: 1401-001.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em superar as alegações de nulidade, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 LUCROS NO EXTERIOR. PERÍODO DE 1996 A 2001. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. ADI 2.588. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP 2.158-35/2001. Com a decretação da inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35/2001, a tributação do IRPJ dos lucros auferidos no exterior no período de 1996 a 2001 não pode recair sobre a data da disponibilização determinada pela norma declarada inconstitucional, qual seja, 31/12/2002. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCROS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO VALOR QUE EXCEDE AO LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. A variação cambial de investimentos no exterior não pode fazer parte da base de cálculo do lucro no exterior, pois segue as regras da variação cambial interna. A tributação somente se justifica caso a variação cambial esteja embutida no valor do lucro líquido da empresa controlada e desde que não ultrapasse tal lucro. CSLL. REFLEXO DO IRPJ. Aplica-se à CSLL a mesma decisão adotada para o IRPJ, quando sua tributação decorre dos mesmos elementos do referido imposto.
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PERÍODO DE 1996 A 2001. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. ADI 2.588. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP 2.15835/2001. Com a decretação da inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.15835/2001, a tributação do IRPJ dos lucros auferidos no exterior no período de 1996 a 2001 não pode recair sobre a data da disponibilização determinada pela norma declarada inconstitucional, qual seja, 31/12/2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO VALOR QUE EXCEDE AO LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. A variação cambial de investimentos no exterior não pode fazer parte da base de cálculo do lucro no exterior, pois segue as regras da variação cambial interna. A tributação somente se justifica caso a variação cambial esteja embutida no valor do lucro líquido da empresa controlada e desde que não ultrapasse tal lucro. CSLL. REFLEXO DO IRPJ. Aplicase à CSLL a mesma decisão adotada para o IRPJ, quando sua tributação decorre dos mesmos elementos do referido imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 22 /2 00 6- 58 Fl. 895DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em superar as alegações de nulidade, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de votar a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (DRJ/SPO I), que, por meio do Acórdão 1620.439, de 16 de fevereiro de 2009, manteve a autuação fiscal. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário 2002, decorrentes de apuração de lucros no exterior, auferidos por empresa controlada, no período compreendido entre 1996 a 2001 e no próprio período de 2002. Por bem delineado, reproduzo o relatório constante no Acórdão da DRJ/SPO I: (início de transcrição do relatório do acórdão da DRJ/SPO I) Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.71.00 2005000509 e prorrogações (fls.01) a Fiscalização apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 429 a 442): A fiscalizada possui 58,54% de participação na empresa Sanix Trading Corporation S.A, localizada no Uruguai, cujos lucros apurados desde o ano calendário de 1996 ate o anocalendário de 2003, foram objeto de análise por parte do Auditor Fiscal. Os lucros apurados na empresa Sanix no período de 01/01/1996 a 31/12/2001, somam US$ 5.223.243,53. Esse valor foi convertido para reais em 31/12/2002 e, calculando a percentagem de participação empresa, chegouse ao valor de R$ 10.801.278,49, correspondente ao valor dos lucros acumulados, em Reais, do período de 1996 a 2001 que deixaram de ser oferecidos à tributação pela empresa. Relativamente ao anocalendário 2002, o valor do lucro devido somou R$ 2.791.266,59, já considerada a percentagem de participação da empresa. Desse valor foi descontado o valor de R$ 2.170.911,70, relativo ao valor do lucro já declarado Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 890 3 pela empresa na DIPJ 2003/ anobase 2002, restando a ser tributado o valor de R$ 620.354,89 Quanto ao anocalendário 2003, a empresa já havia oferecido à tributação, como lucro auferido no exterior, valor superior ao calculado pelo auditor, não sendo exigido, portanto qualquer valor relativo a esse anocalendário. Finalmente, os valores do resultado positivo de equivalência patrimonial são inferiores aos valores dos lucros apurados a serem adicionados à base tributária para o lançamento do auto e foram considerados, portanto nos valores dos lucros apurados. Desse modo, em 13/11/2006 foram lavrados os seguintes autos de infração: : Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ,(fls. 415 a 419), no valor de R$ 6.824.711,46, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/10/2006. Embasamento legal : artigos 25, e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/1995; artigo 16 da Lei nº 9.430/96; artigos 249, inciso II, e 394, do RIR/99; artigo 3º da Lei nº 9.959/2000; artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, vigente nos termos do artigo 2º da Ementa Constitucional nº32 de 11/09/2001; artigo 43 da Lei Complementar 101/200, modificado pela LC nº 104/2001. Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL (fls. 422 a 423), no valor de R$ 133.443,88, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/10/2006. Embasamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 6º da MP nº 1.858/99 e reedições. Cientificada do lançamento efetuado em 27/11/2006, conforme ciência da contribuinte no próprio Auto de Infração (fls. 415 e 422) a contribuinte apresentou, em 26/12/2006, impugnação de fls. 445 a 463, na qual expõe suas razoes contra o lançamento efetuado, apresentada a seguir em apertada síntese: Em preliminar Alega que no momento da lavratura do auto de infração o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF estava expirado, invalidando a autuação feita e tornando os autos nulos. Alega que o Auditor Fiscal não notificou a contribuinte de qualquer prorrogação efetuada, entendendo ser dever fiscal notificar por escrito a prorrogação do MPF, alegando que mesmo que o MPF tenha sido prorrogado nos sistemas da Receita Federal, os atos administrativos sé têm validade se os interessados forem notificados. Cita decisões do Conselho de Contribuintes que embasariam sua tese. Alega que o MPF só teria autorizado a investigação por parte do Fisco do IRPJ do período entre janeiro de 2001 e dezembro de 2003 e, mesmo assim, a Fiscalização investigou também a CSLL, devendo essa autuação ser desconsiderada por ausência de cumprimento dos requisitos formais necessários. Alega que o Auditor Fiscal não teve a menor preocupação em demonstrar como chegou a valor do lucro acumulado, pela controlada no exterior, durante o período de 1996 a 2001, preferindo trilhar caminho mais cômodo atribuindo um valor único para esse período e inda exigindo multas juros e correção monetária, sem atentar para legislação vigente. Fl. 897DF CARF MF 4 Alega que houve evidente cerceamento de defesa na medida em que não sabe como o sr. Fiscal chegou ao montante de US$ 5.223.243,53, que a Fiscalização reputa como sendo o total de lucros apurados durante os anoscalendário de 1996 a 2001. Alega que não logrou qualquer êxito em sua tentativa de adivinhar a origem desse valor , nem mesmo mediante a soma dos resultados apurados por sua controlada no exterior em cada um dos exercícios. Alega que se a Autoridade Fiscal houvesse atentado aos fatos, veria que a empresa ofereceu os lucros do exterior à tributação, conforme previsto na legislação vigente. Alega que de acordo com as planilhas feitas com base nas Declarações de Informações Econômico Fiscal, bastaria o Auditor Fiscal cumprir com suas obrigações, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, para concluir que a impugnante nada deve a Fazenda Nacional. Em vista do exposto, considerando o evidente cerceamento de defesa , impõe se de imediato o cancelamento integral das exigências e, caso ainda paire alguma dúvida, requer desde logo a realização de diligência, para confirmação do que alega a impugnante. No mérito Faz breve histórico da legislação sobre a tributação em bases universais. Alega que o lucro auferido no exterior, em dólares, deve ser convertido em moeda nacional na data das demonstrações financeiras conforme determina o art. 25 §4º da Lei nº 9.249/1995 e que isso não foi respeitado pelo Auditor fiscal que converteu o valor do lucro pela cotação do dólar da venda do dia 31 de dezembro de 2002. Alega que outro equívoco praticado pelo Auditor Fiscal se refere à variação cambial que o Auditor Fiscal pretendeu tributar além dos lucros. Alega que a Lei nº 9.249/95 é clara em determinar que apenas os lucros auferidos no exterior são tributáveis, entendendo que outros resultados como a equivalência patrimonial não devem ser tributados. Discorre sobre a variação patrimonial citando a Lei das S.A, o DecretoLei nº 1598/1977, citando ainda a conversão da MP nº 232, cujo artigo 9º, que autorizaria a tributação da variação cambial, foi revogado antes mesmo de começar a surtir efeitos, como defesa de sua tese que apenas os lucros poderiam ser tributados, alegando que não há dispositivo legal autorizando a tributação da variação cambial. Cita ainda decisões proferidas, em processos de consulta, pelas SRRF a respeito do assunto e que corroborariam o que alega. Alega que o investimento na empresa controlada no exterior, Sanix, foi feito em dólares americano, e por esse motivo sofre a influência da variação cambial do dólar, apresentando tabela em que demonstraria os valores correspondentes aos lucros no exterior sem a variação cambial. Alega que a variação cambial foi calculada conforme as normas do IBRACON que trata do assunto e que foi aprovado pela instrução CVM nº 243/96. Alega que ofereceu a tributação, conforme consta nas DIPJ apresentadas, o valor total de R$ 4.522.551,47, relativo aos lucros auferidos pela Sanix, nos períodos de 1996 a 2001, 2002 e 2003. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 891 5 Apresenta tabela que discrimina os valores por anocalendário, e acredita que demonstrou com clareza o oferecimento integral dos lucros auferidos no exterior, de acordo com a legislação vigente. Alega que a Fiscalização, no entanto, preferiu tributar o valor total do resultado do exercício, ignorando que as chamadas diferenças de cotização não são tributáveis por corresponderem a variação cambial do período. Em virtude dessa ilegalidade, alega que o auto de infração deve ser integralmente cancelado. Por fim, requer que o auto de infração seja declarado nulo em virtude das razoes apresentadas em preliminar e, se assim não for, requer que, no mérito a impugnação seja julgada procedente, anulandose a autuação fiscal em questão. Protesta ainda provar o alegado por todos os meios de prova admitidos no Direito, sem exceção e colocandose a inteira disposição da Fiscalização. (término de transcrição do relatório do acórdão da DRJ/SPO I) A 5ª Turma da DRJ/SPO I, por meio do Acórdão 1620.439, de 16 de fevereiro de 2009 manteve o lançamento fiscal, que assim restou ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Os lucros auferidos por empresas coligadas e filiais no EXTERIOR, no período compreendido entre 1996 a 2001, devem ser considerados disponibilizados em 31/12/02, data em que deveria ocorrer a conversão dos lucros para a moeda nacional. PEDIDO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. DE PERÍCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido genérico de juntada de todas as provas em direito admitidas. CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente. Lançamento Procedente Cientificada do Acórdão da DRJ/SPO I em 18/03/2009 (cf. AR de efl. 835), a empresa apresentou tempestivamente em 16/04/2009 Recurso Voluntário a este CARF (efls. 844 a 869), apresentando os mesmos argumentados da impugnação: Preliminarmente 1) MPF sem notificação formal dos atos O artigo 13 (em especial o § 2º) da Portaria Secretaria da Receita Federal nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, não exclui, em nenhum momento, a obrigação de se notificar o contribuinte do referido ato. Pelo contrário, criou a necessidade de entrega, ao Fl. 899DF CARF MF 6 contribuinte, de documento especifico para tanto (Anexo 6 mencionado no § 2º), dever ao qual não se pode negar vigência e observância. Vale dizer, a despeito de inúmeras prorrogações registradas no sistema, não foi dado, em nenhum momento, ciência formal da continuação dos trabalhos, expediente necessário em caso de prorrogação do MPF. 2) CSLL apurada e lançada sem constar no MPF A tributação reflexa da CSLL não teve indicação da base legal 3) Difícil identificação do cálculo efetuado pela fiscalização A fiscalização considerou um único valor para o período de 1996 a 2001, cerceando a defesa. A empresa alega não saber como o fiscal chegou ao montante de U$ 5,223,243.53. Que bastaria a autoridade fiscal seguir o que estava na DIRPJ, que concluiria que todo o lucro apurado no exterior foi efetivamente tributado. Solicitou o imediato cancelamento da autuação por cerceamento de defesa. Caso paire alguma dúvida, solicita que seja o processo baixado em diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pois, ao contrário do que aduziu a DRJ, não há nenhum óbice na legislação que impeça a diligência. Mérito Alega que possui 58,4% do investimento na Sanix, empresa sediada no Uruguai, e que tal investimento foi feito em dólares americanos. Assim, a equivalência patrimonial reconhecida pela recorrente sofre variação do dólar, sendo portanto composta por lucros e variação cambial. Segundo a recorrente, a fiscalização basicamente discordou da empresa em dois pontos: (i) a data em que foram convertidos os lucros contabilizados pela Sanix entre 1996 e 2001, por ter considerado a taxa do dólar de 31/12/2002 para a conversão dos lucros apurados no período de 1996 a 2001; e (ii) a ausência de oferecimento à tributação, no Brasil, da variação cambial do investimento no exterior. Da conversão do lucro do exterior para Reais Quanto ao primeiro ponto, a alegação é de que a fiscalização deveria aplicar o disposto no artigo 25, § 4º da Lei 9.249/1995, em acordo com a dicção do art. 143 do CTN. E segue com seus argumentos: Ao contrário do que sustenta o v. acórdão da Delegacia de Julgamento, os dispositivos legais posteriores a esta lei, embora tenham promovido a alteração quanto à ocorrência do fato gerador, não mudaram a data de conversão dos lucros. Assim, o fiscal, em vez de calcular o valor com a taxa do dólar para venda na data de cada demonstração financeira do período de 1996 a 2001, calculou com a taxa do dólar para compra na data da disponibilização dos lucros, qual seja, em 31/12/2002, ignorando norma que determina a conversão de moeda estrangeira para a moeda nacional. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 892 7 Da (não) tributação da variação cambial do investimento no exterior A recorrente apresenta as seguintes razões quanto à tributação da variação cambial: Com efeito, na quantificação dos lucros do exterior tributáveis no Brasil, o Sr. Fiscal ignorou os efeitos da variação cambial, reforçando a nulidade do lançamento por erro na apuração da matéria tributável. Como resultado, equivocadamente o Fisco pretendeu tributar além dos lucros, a variação cambial incorrida sobre o valor do investimento no exterior. Em continuidade, a recorrente alega que o lucro tributado pela Unipac foi bem próximo do lucro apurado pela Sanix, ocorrendo apenas pequenas divergências quanto à cotação do dólar utilizada para fins do cálculo da variação cambial, como, por exemplo, ao fato de a dataparâmetro não ser dia útil, e, também, quanto ao número de casas decimais constante do cálculo. Por fim, ad argumentandum, pede que se considere o recolhimento a maior de IRPJ sobre lucros no exterior no anocalendário de 2003 para reduzir a autuação aqui discutida, caso esta turma entenda que o auto de infração mereça prosperar. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Antes de adentrar nos argumentos da recorrente, convém mencionar que a redação do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 estabelecia tratamento aos lucros apurados entre 1996 e 2001. Assim, a autoridade lançadora pautouse no referido comando legal para considerar a disponibilidade dos lucros auferidos no exterior até 31 de dezembro de 2001, pela recorrente, na data de 31 de dezembro de 2002. Vejase a redação: Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Fl. 901DF CARF MF 8 Ocorre que a constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 foi submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588 (ADI 2.588). E, mesmo que a recorrente não tenha pleiteado pela inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, a matéria decidida pelo Supremo gera efeito vinculante a este Conselho, razão pela qual deve ser reconhecida de ofício. Sem muitas delongas, no resultado da referida ADI, a Suprema Corte decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, conforme se pode observar de trecho do Acórdão do STF: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 893 9 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. (sublinhei) Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da cláusula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (sublinhei) Desta forma, como a fiscalização tributou o período de 1996 a 2001 com base no dispositivo legal decretado, posteriormente, inconstitucional, devese aplicar a decisão da ADI 2588 ao presente caso, no que proponho afastar o lançamento referente aos anos calendário de 1996 a 2001, restando somente a análise da tributação dos lucros no exterior apurados no anocalendário 2002. Nessa trilha, os argumentos da recorrente que se referem ao período de 1996 a 2001, restam prejudicados, a saber: (i) a necessidade de autorização de MPF para período anterior a 2001; (ii) a demonstração da composição do lucro acumulado no período de 1996 a 2001; (iii) verificação da data de conversão da moeda estrangeira, para fins de cálculo do IRPJ no período de 1996 a 2001. Preliminarmente 1) MPF sem notificação formal dos atos A recorrente argumenta que a fiscalização deixou de cientificála sobre a prorrogação do MPF. Em razão disso, pede pela nulidade da autuação por cerceamento de defesa. Não entendo que tenha razão a recorrente. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento formal de controle interno e a ciência de sua renovação se dá por acesso aos sistemas da RFB. Fl. 903DF CARF MF 10 Como bem frisou a decisão de piso, repito suas razões de decidir quanto a este ponto: Já a Portaria SRF n.º 3.007/2001 (bem como alguns dos atos legais que a alteraram posteriormente, como tais a Portaria SRF n.º 1.432/2003, Portaria SRF n.º 1.468/2003 e Portaria SRF nº 6.087/2005), simplificaram bastante o procedimento de prorrogação. Primeiro, deixou de ser exigida a emissão de um novo MPF (o MPFC), emitido em papel, com a assinatura da autoridade outorgante etc. Com efeito, as prorrogações passaram a ser feitas “por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet” (parágrafo 1.º do artigo 13 da Portaria SRF n.º 3.007/2001, com a redação dada pela Portaria SRF n.º 1.468/2003). É de se ressaltar que tal simplificação do procedimento de comunicação não traz qualquer prejuízo para o contribuinte, não havendo emissão de um novo MPF para a formalização da prorrogação (mas mera ampliação do prazo via registro eletrônico), o código do procedimento fiscal indicado no MPF que abriu a ação fiscal, e que dá acesso, na internet, aos dados relativos ao MPF e suas prorrogações, permanece o mesmo até o final de todo o procedimento de ofício. Ou seja, ao início da ação fiscal o contribuinte é formalmente cientificado do MPF, recebendo o código para verificação na internet, como se pode ver no item 3 do quadro de “Ciência do Contribuinte Responsável” (fls.01). A partir daí, tudo o que ocorrer em termos de modificação deste MPF será acessível na internet, por meio deste mesmo e único código. Haveria prejuízo para o contribuinte se a prorrogação do MPF não pudesse ser checada em termos de sua regularidade formal, em face de que a ela estaria associada um novo documento ou uma informação inacessível pelo código inicialmente fornecido, mas isto hoje já não mais ocorre É diante deste quadro que se há de ter por improcedente a reclamação da contribuinte. Como se vê à fls. 638, o MPF emitido em 03/03/2005, com prazo para execução da ação fiscal definido para 01/07/2005, foi prorrogado por nove vezes. Com isto, o procedimento de ofício teve seu prazo de execução estendido, primeiro, para 30/08/2005; depois mensalmente até 23/12/2006. Como a ciência dos autos de infração deuse em 27/11/2006 (fls. 415 e 176422), temse, assim, que a primeira alegação da contribuinte, a de que o documento que autorizava o procedimento fiscal teria perdido a validade antes do lançamento tributário, fica cabalmente refutada. Além disso, a perda da espontaneidade pode ser praticada com qualquer ato que demonstre a continuidade do procedimento fiscal, não necessitando ser uma intimação fiscal. Basta que a autoridade fiscal firme sua assinatura em algum documento em que a empresa é cientificada para que a espontaneidade seja afastada. A recorrente também questiona que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não permitia à autoridade fiscal a análise da CSLL do período objeto da fiscalização. Assim, não estaria amparada a efetuar o lançamento da CSLL nos períodos alcançados pelo MPF. Também entendo que não cabe razão à recorrente. O lançamento da CSLL neste processo é reflexo do lançamento do IRPJ, por se tratar de infrações originadas nos mesmos elementos de prova, como se pode extrair do art. 8º da Portaria RFB 3.014/2011, nos seguintes termos: Fl. 904DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 894 11 "Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF." Assim, afasto o argumento da recorrente. Além disso, não vejo presente nenhuma hipótese de nulidade material ou formal do referido lançamento tributário, conforme ditam, respectivamente, os artigos 59 e 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula Desta forma, afasto o pedido de nulidade do lançamento fiscal. MÉRITO Como visto, resta somente a análise da tributação dos lucros auferidos no próprio anocalendário de 2002. A fiscalização efetuou o lançamento fiscal considerando a base tributável de R$ 620.354,89, conforme tabela abaixo: Fl. 905DF CARF MF 12 Ocorre que a fiscalização considerou para o cálculo do lucro que deveria ser tributado o período de 09/2001 a 12/2002, ou seja: U$ 976,306.91 (09/2001 a 08/2002) + U$ 373,483.78 (09/2002 a 12/2002), conforme telas abaixo. A meu ver, deveria considerar somente o período de 01 a 12/2002, o que não ocorreu. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 895 13 Ainda, o auditor informou que o valor da equivalência patrimonial não foi inserido no lançamento fiscal por ser menor que o valor do lucro auferido no exterior. Entretanto, observo que a variação cambial existente no período de 2002 foi maior que a própria equivalência patrimonial, o que fez com que a empresa apurasse prejuízo no ano de 2002. Repare na tabela abaixo que o valor de equivalência patrimonial decorrente da participação da recorrente na Sanix é maior que o valor do lucro disponibilizado à recorrente no anocalendário de 2002. Observo mais uma vez que o período de 1996 a 2001 não está mais contemplado na lide. Fl. 907DF CARF MF 14 Fl. 908DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 896 15 E mais, há uma incongruência no lançamento fiscal. Como visto acima, a fiscalização efetuou autuação no valor de R$ 10.801.278,49 para o ano de 1996 a 2001 e de R$ 620.354,89 do próprio ano de 2002. No ano de 2002, o montante lançado decorre da equação: 2.791.266,59 2.170.911,70. Entretanto, como visto na tabela apresentada pela recorrente, verificase que o valor de 2.170.911,70 não corresponde somente ao lucro/prejuízo do ano de 2002, mas de todo o período entre 1996 a 2001 (disponibilizado em 2002) e do próprio período de 2002. Ademais, o lucro apurado no ano de 2002 é negativo, uma vez que a variação cambial (9.159.291,22) é maior do que a equivalência patrimonial (7.854 512,13): Fl. 909DF CARF MF 16 (1) Equivalência patrimonial registrada nos mapas de apuração da Jacto e da Unipac somadas (Doc. 02) (2) "Diferencia de cotzacion" registrada no "Estado de Situacion Patrimonial" (balanço) da Sanix (Doc. 03), levantado em 31 de agosto de cada ano e levantados em reais Nos anos de 2002 e 2003 a variação cambial foi calculada na forma do quadro constante do parágrafo seguinte. (3) correspondente à equivalência patrimonial menos a variação cambial Vejase abaixo a tabela que demonstra a apuração do lucro negativo no ano de 2002: Como posso verificar, a fiscalização, além de ter se equivocado no cálculo do período do ano de 2002, por ter entendido que todo o lucro informado na DIPJ era somente do ano de 2002, considerou para apuração do lucro de 2002 a variação cambial existente no período em questão. Veja que o lucro de U$ 976,306.92 referente ao período de 01/09/2001 a 31/08/2002 é o somatório do valor de U$ 1,364,877.69 (diferencia de cotización = variação cambial) e o prejuízo de (U$ 388,570.77). Assim, resta claro que a fiscalização considerou no lançamento fiscal o valor da variação cambial. Quanto à variação cambial, entendo que não deve fazer parte do lucro do exterior a ser tributado. A variação cambial, no caso da recorrente, decorre da variação da moeda estrangeira em relação à moeda nacional no período correspondente à apuração do IRPJ e da CSLL, e deve seguir o tratamento dado à equivalência patrimonial. A 1ª Turma da CSRF do CARF, por meio do Acórdão nº 9101002.294, de 05 de abril de 2016, firmou entendimento nesse sentido, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 910DF CARF MF Processo nº 16561.000022/200658 Acórdão n.º 1401001.909 S1C4T1 Fl. 897 17 ART. 7º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 213, DE 2002. ALCANCE. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL DE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. O alcance da disposição contida no art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, restringese aos lucros auferidos no exterior, não tratando da variação cambial de investimentos no exterior. Desta forma, deve ser afastado o lançamento de R$ 620.354,89, pois não corresponde a lucro apurado no exterior no próprio ano de 2002. Quanto ao pedido de afastamento da tributação do ano de 2002, por ter a empresa recolhido valor a maior de IRPJ de lucros no exterior no 2003, tenho que tal pretensão restou prejudicada, tendo em vista a proposta de dar provimento ao recurso voluntário. CSLL Por decorrer do mesmos elementos fáticos que ensejaram a tributação do IRPJ, devese afastar a tributação da CSLL, aplicandose a mesma decisão quanto ao referido imposto. Conclusão Diante do exposto, voto por SUPERAR as alegações de nulidade, e, no mérito, voto por DAR provimento ao recurso voluntário, conforme as razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 911DF CARF MF 18 Fl. 912DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904992/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 18/04/2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904992/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.548 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 18/04/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 92 /2 01 2- 71 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10865.904992/201271 Acórdão n.º 3301003.548 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06044.004. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10865.904992/201271 Acórdão n.º 3301003.548 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10865.904992/201271 Acórdão n.º 3301003.548 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904992/201271 Acórdão n.º 3301003.548 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904992/201271 Acórdão n.º 3301003.548 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10865.904992/201271 Acórdão n.º 3301003.548 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 150DF CARF MF
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