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Numero do processo: 19515.006115/2008-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com a bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO.
No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. RESP 923.012/MG - decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30% foi negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação a matéria da multa na sucessão foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS/AMBEV (sucessora por incorporação de Cia. Brasileira de Bebidas) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com a bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. RESP 923.012/MG decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 61 15 /2 00 8- 00 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 667 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30% foi negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação a matéria da multa na sucessão foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte acima identificada, fundamentados atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Esses recursos buscam reverter o que restou decidido no Acórdão nº 1301 000.958, de 14/06/2012, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial a recurso voluntário anteriormente apresentado pela contribuinte, para fins de afastar a aplicação da multa de ofício na empresa sucessora/incorporadora. O acórdão acima referido foi assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LEI N° 8.981/95 – TRAVA 30%. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. A partir do anocalendário 1995, para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da Fl. 667DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 668 3 compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3º. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Em seu recurso especial, a PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à responsabilidade da incorporadora pela multa de oficio decorrente de débito tributário da pessoa jurídica sucedida. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: a e. câmara a quo reformou parcialmente a r. decisão de primeira instancia e cancelou o lançamento das multas de oficio, ao argumento de que o sucessor não responde pelas multas de natureza fiscal aplicadas em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida; entretanto, o entendimento do colegiado a quo diverge da jurisprudência desse Conselho e viola a lei, de modo que merece ser reformado; de plano, cumpre destacar, ainda, que o acórdão recorrido diverge, igualmente, da jurisprudência assentada do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que vincula as decisões do CARF, consoante a imposição do art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586/2010; o entendimento adotado pela c. câmara a quo diverge frontalmente do consubstanciado nos Acórdãos paradigmas nºs 10516.233 e CSRF/0202.396 (ementas transcritas); ao afastar a exigência da multa de oficio, o colegiado a quo limitouse a proceder à exegese literal do disposto no art. 132 do Código Tributário, dissociada das demais normas constantes no mesmo capítulo do CTN, principalmente do art. 129 do referido diploma legal; constituindose regra geral, o art. 129 deve ser aplicado a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores. Portanto, o artigo 132 do CTN deve ser interpretado como se referindo a "crédito tributário" (o que inclui a multa de oficio), e não apenas a "tributo", como ocorreria numa interpretação literal do art. 132; cumpre ressaltar, ainda, que não se desconhece que parte da doutrina — ressalvese, minoritária — entende que o art. 132 do CTN teria previsto a responsabilidade do sucessor apenas pelos créditos tributários, sentido estrito, devidos, pela pessoa jurídica Fl. 668DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 669 4 sucedida, e não pelas multas decorrentes de lançamento de oficio para exigir os tributos não pagos pelo sucedido; segundo essa corrente, a multa não seria transmissível em função do "princípio da personalização da pena", que prevê que "a punição não deve passar da pessoa do infrator". Assim, tal principio impediria que pessoas jurídicas sucessoras de sociedades incorporadas fossem responsabilizados por multas fiscais, decorrentes de atos das incorporadas; não é necessário esforço para se ver que os princípios oriundos de outras áreas do direito são inadequados para orientar a interpretação das normas que regem a sucessão entre pessoas jurídicas no âmbito do direito tributário. Isto resta claro ao se utilizar um principio de direito penal para tentar delimitar o sentido de uma norma, sobre sucessão tributaria; o princípio da personalização da pena se refere às penas intransmissíveis, dispostas nas leis penais, que são aquelas que possuem corno característica a "corporalidade", ou seja, tratam de punições corporais. As penas que incidem sobre o patrimônio, não são penas corporais. Desse modo, a contrario sensu, podem ser transmitidas a terceiros; a punição prevista pela lei tributária onera o patrimônio do contribuinte, que é composto de todos os seus direitos e obrigações. Este patrimônio é transmitido, mediante a incorporação ou fusão, cabendo ao sucessor o ônus de responder por tais obrigações; a doutrina majoritária subscreve o entendimento de que o sucessor é o responsável pelas multas devidas pelo sucedido, pois as multas, conforme o art. 113 do CTN, são obrigações tributárias; a tese da intransmissibilidade das multas fiscais pode dar oportunidade a inúmeras fraudes, pois as pessoas jurídicas poderiam se livrar das multas mediante simples incorporação da empresa sonegadora. Este é também o entendimento da Ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon, que afirmou, inclusive, estar acompanhada pela doutrina mais atual. Válido transcrever o entendimento da e. Ministra: (...) Contudo, mesmo doutrinariamente, na atualidade, sinalizase para prevalência da tese de que a responsabilidade dos sucessores estendese às multas, sejam elas moratórias ou punitivas, pelo fato de integrarem o passivo da empresa sucedida (...) (STJ, 2 Turma, Resp 32967/RS, rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 20/03/2000.) esse entendimento sempre prevaleceu na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (ementas transcritas); depois de reiterados julgamentos no sentido do que aqui se defende, o Superior Tribunal de Justiça ratificou a sua jurisprudência sob a sistemática dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), no julgamento do RESP N° 923.012/MG; tal entendimento deve ser adotado no julgamento do presente recurso, consoante o que prescreve o art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MP n° 586/2010; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 670 5 acrescentese que o Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente ao Fisco, aduzindo que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de fraude ao Fisco (Recurso Extraordinário n. 83.613/SP); não diverge desse entendimento a jurisprudência do CARF, conforme o Acórdão CSRF/0202.589 (ementa transcrita); ademais, devese considerar que a responsabilidade pelo pagamento da multa de oficio é objetiva (art. 136 do CTN), o que torna irrelevante eventual boafé da empresa sucessora no pagamento dos tributos lançados de oficio; a análise de caráter subjetivo, no que se refere a multa de oficio, está adstrita à sua qualificação por conduta fraudulenta, o que não se discute nestes autos; cabe lembrar ainda que o Código Civil, ao disciplinar a transformação das sociedades, visando evitar o enriquecimento sem causa, possui regra expressa quanto ao direito creditório, senão vejamos: Art. 1.115. A transformação não modificará nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores. Parágrafo Único. A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios que, no tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos anteriores à transformação, e somente a estes beneficiará. não bastasse, é de se lembrar que a Lei das Sociedades Anônimas dispõe em seu art. 227 que a incorporadora sucede a incorporada em todos os seus direitos e obrigações, não limitando a natureza jurídica das obrigações; destaquese que não existe nenhum dispositivo legal expresso que isente a incorporadora do pagamento da multa de oficio. E, em matéria de benefício fiscal, o CTN exige interpretação literal (art. 111); isto posto, não resta dúvida de que a empresa sucessora é responsável pelo pagamento de todo o crédito tributário devido pela sucedida, o que inclui tributo e multa, revelandose irrelevante a circunstância da exigência fiscal ter sido formalizada antes ou depois da incorporação; diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja dado provimento ao presente recurso, para que seja reformado o r. acórdão recorrido e restabelecida a exigência das multas de oficio. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 67/2014, de 30/04/2014, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Fl. 670DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 671 6 Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que o sucessor responde pela multa de natureza fiscal aplicada à empresa incorporada. De outra parte, o acórdão recorrido diverge dessa conclusão ao entender que a responsabilidade tributária do sucessor se limita ao tributo e não inclui a multa punitiva. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. [...] De acordo. Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE Em 13/01/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 27/01/2015 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: a própria Procuradoria em seu Recurso Especial, reconhece "que parte da doutrina ressalvese, minoritária entende que o art. 132 do CTN teria previsto a responsabilidade do sucessor apenas pelos créditos tributários, sentido estrito, devidos pela pessoa jurídica sucedida, e não pelas multas decorrentes de lançamento de oficio para exigir os tributos não pagos pelo sucedido". o art, 132 do CTN não deixa margem a dúvidas: responsabilidade por sucessão na incorporação está restrita aos tributos devidos pela incorporada sucedida; como bem salientou o r. acórdão, "desejasse o legislador que a responsabilidade em tela abrangesse as multas teria se utilizado da expressão 'obrigações tributárias', como, aliás, o fez nos artigos 134 e 135 do CTN, ou mesmo feito referência expressa ao termo multas"; tributo e multa possuem natureza jurídica inconfundíveis. Enquanto a obrigação de pagamento do primeiro decorre da prática de um ato previsto em lei (que não se confunde com sanção de ato ilícito), a segunda tem necessariamente como pressuposto a prática de ato ilícito (e necessariamente constituise sanção pela sua caracterização); a restrição imposta pelo artigo 132 do CTN tem razão de ser. A responsabilidade por infrações é personalíssima: somente aquele que as cometeu pode e deve ser punido. O sucessor por incorporação não pode ser penalizado por uma falha na qual não incidiu, sobretudo quando imputada por força da adoção de conduta dolosa, tal como se alega Fl. 671DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 672 7 estar presente na hipótese em exame, o que pressupõe a individualização singular da pena, passível de imputação apenas ao infrator. Essa a razão desse dispositivo, que adotou os exatos vocábulos que pretendia usar para transmitir sua determinação; cabe recordar, ainda, que a multa não tem finalidade arrecadatória, mas sim repressora de condutas contrárias aos interesses da sociedade e educativa, a fim de que tais condutas condenáveis não se repitam; o interesse da Administração, ao impor e cobrar uma multa, deve ser somente o de manutenção da ordem jurídica. Dessa forma, se o infrator não mais existe, não há mais como, por que e a quem punir; seguese daí que, na hipótese em exame, como as condutas imputadas teriam sido praticadas pela Companhia Brasileira de Bebidas, sociedade incorporada e sucedida pela ora Recorrente (Companhia de Bebidas das Américas AMBEV), esta jamais poderia ser apenada com multa em razão do eventual descumprimento da legislação fiscal pela primeira, em especial no caso em que imposta sob a acusação da prática de ato doloso; nesse sentido já se manifestou o CARF, admitindo a sucessão na penalidade somente quando o crédito tributário é constituído ainda em nome do sujeito passivo que cometeu a infração, o qual só depois é extinto por incorporação (ementas transcritas); nem se diga que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça seria condizente com a tese sustentada pela Fazenda Nacional. O raciocínio desenvolvido é improcedente por diferentes razões; primeiramente, com relação ao REsp. n. 923/012/MG, o voto condutor do acórdão citado aduz que a multa transferível ao sucessor é somente aquela que já integrava o passivo da pessoa jurídica incorporada e não aquela aplicada após o processo de incorporação; nesse sentido, inaplicável ao presente caso o referido precedente, visto que a situação fática e jurídica analisada são distintas; a Fazenda ainda traz trechos de doutrina de Sacha Calmon que lhe convém, contudo, deixa de apresentar as conclusões do autor, que são em sentido diametralmente oposto ao que pretende a Recorrente. O autor mencionado deixa clara a necessidade de haver uma linha de corte na responsabilidade da empresa sucessora; ademais, até alguns dos precedentes citados pela Fazenda Nacional são contrários ao seu entendimento e fixam que somente a multa aplicada antes da sucessão, ou seja, que já integravam o passivo da empresa sucedida, se incorporam ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor; em suma, verificase que a jurisprudência do STJ é tradicional no sentido de que a responsabilidade pelas multas punitivas só se transfere quanto aos tributos exigíveis ou suspensos, que já façam parte do passivo da empresa, quando do momento da incorporação; aliás, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o princípio da personalização da pena deve reger a responsabilidade tributária, na qual não se incluiu a multa punitiva (RE 90834/MG); Fl. 672DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 673 8 à vista do exposto, requerse seja desprovido o Recurso Especial da Fazenda e cancelada a multa de ofício. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Em seu recurso especial, a contribuinte também afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, mas nesse caso a divergência diz respeito à compensação de base negativa de CSLL realizada por empresa que foi extinta por incorporação. Para o processamento de seu recurso, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: em 31/05/2005, a Companhia Brasileira de Bebidas foi incorporada pela Recorrente, deixando assim de auferir lucros. Em razão da extinção da incorporada, a empresa incorporadora não poderia compensar com lucros futuros auferidos em exercícios posteriores os prejuízos fiscais e suas bases negativas de CSLL. Por conseguinte, houve a compensação integral com o lucro apurado até a data de incorporação, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95; o direito buscado pela Recorrente é confirmado por outros julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em casos iguais ao presente, nos quais, diferentemente da conclusão adotada no acórdão desafiado por meio do presente recurso, se admitiu a compensação de base negativa de CSLL sem levar em conta a trava 30%; enquanto acórdão recorrido acata a utilização de resultados negativos somente até o limite de 30% do lucro tributável em qualquer situação, inclusive nos casos de extinção da pessoa jurídica por incorporação (caso dos autos), os acórdãos paradigmas Acórdão CSRF n° 0104.258 e Acórdão nº 1103000.619, diferentemente, dispõem não haver a limitação legal nos casos de encerramento da empresa incorporada, vez que com a "morte" da pessoa jurídica o princípio da tributação pela periodicidade deixa de existir e, conseqüentemente, o impedimento de utilização integral do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa eventualmente existentes. a compensação de prejuízos fiscais superior a 30% não é vedada pela lei no caso de extinção da pessoa jurídica, tal como a avaliada no feito em questão. Conforme se verá adiante na exposição de motivos da própria Lei n° 9.065/95, assim como pelo exposto nos acórdãos paradigmáticos, a razão pela qual tal limite persiste é para assegurar uma tributação mínima, um "fluxo de arrecadação ". Uma vez que o ente é incorporado, esse motivo deixa de existir. Em outras palavras, a "trava" tornase inaplicável ao caso concreto, uma vez que não se subsume à hipótese e ao objetivo da lei; a posição adotada no acórdão atacado, a par de violar regras das Leis 8.981/95 e 9.065/95, que garantem o direito de utilização integral dos resultados negativos, está em contrariedade com as normas de interpretação do ordenamento jurídico pátrio; de fato, o art. 15 da Lei 9.065/95 não exprime uma norma de exceção, mas, ao contrário, estatui regra geral relativa à formação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo concedente e limitadora. Ocorre que essa norma deve ser vista na perspectiva das pessoas jurídicas em continuidade, contrariamente a daquelas em extinção, que não mais terão a oportunidade de compensar o saldo de prejuízos excedentes ao limite posto genericamente; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 674 9 nesse caso, não havendo vedação à compensação integral, estáse diante do chamado "silêncio eloqüente da lei". Ou seja, o silêncio da lei em um contexto de normas expressas a significar a existência de uma autorização para proceder da forma que não é expressamente vedada. Não se confunde com lacuna na lei, visto que essa é "falta de norma", enquanto o "silêncio eloqüente" é uma norma derivada da omissão consciente de inclusão de um comando proibitivo no texto legal; vejase que a lacuna, de um lado, exige a utilização de analogia (vedada nas compensações, exclusões e isenções do crédito tributário, em conformidade com arts. 170 e 111 do CTN), enquanto, de outro, o "silêncio" não comporta analogia, vez que significa a existência de norma inserida no "silêncio da lei" sob determinada situação que deveria estar abarcada expressamente por alguma norma. Tal situação já foi analisada e corroborada em situações análogas pelo STJ e STF (REsp nº 971.016/SC e RE nº 131.0138/SP); ainda, seria possível interpretar o comando legal de acordo com a "redução teleológica", que pressupõe a falta de norma plenamente adequada, ou melhor, há norma que não excluiu expressamente fato incompatível com seu próprio espírito (intenção). Ou seja, se o escopo da norma não tem relação com determinado fato, não há porque excluílo de seu âmbito de incidência o que se espera do aplicador é que nem se cogite a aplicação da norma sob outro escopo, não imaginado pelo legislador; conseqüentemente, poderia haver norma positiva e falta de norma de negação da aplicação da norma positiva em determinadas situações. Assim, existiriam "lacunas de interpretação" ou "falsas lacunas", de modo que para se verificar se há ou não uma regulamentação incompleta, fazse necessário verificar a intenção do legislador e/ou o espírito da lei. Por tal interpretação, concluise desde já que a intenção do legislador na Lei n. 9.065/65 não foi a de impedir a compensação da totalidade dos prejuízos; no que concerne ainda ao art. 15 da Lei n° 9.065/95, a falsa lacuna consiste na ausência de uma ordenação negativa quanto à hipótese de extinção da pessoa jurídica. Nada obstante, sua intenção está em conformidade com a intenção do legislador, que é a de compensação integral dos estoques de prejuízos fiscais ao longo do tempo. Em complemento, verificase a norma está em harmonia com o art. 33 do DecretoLei n. 2341/87 (RIR/99, art. 514), que veda a transferência de prejuízos para a sucessora. Ou seja, falta a restrição da aplicação da trava às situações de extinção das pessoas jurídicas, não havendo expressão que pudesse levar a entendimento contrário; como, notadamente, o espírito do art. 15 da Lei n° 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, mas apenas postergála, não há outra conclusão possível senão a de que é permitida a compensação integral dos estoques de prejuízo fiscal no caso de extinção da pessoa jurídica, e, ademais, também naquelas em que, em virtude da norma do referido art. 33, a limitação frustra qualquer outra possibilidade de compensação do excedente; nesse sentido, ao não prever as hipóteses de aproveitamento de prejuízos fiscais em caso de extinção da pessoa jurídica, notandose omissão do legislador no art. 15 da Lei n° 9.065/95, terseia presente uma falsa lacuna na lei, fazendose necessário seu preenchimento por método interpretativo, qual seja, o da redução teleológica. Afinal, devese dar tratamento desigual para situações desiguais; in casu, o das pessoas jurídicas que continuam a operar e aquelas que são extintas. Em outras palavras, a trava se aplicaria apenas às empresas que permanecem em atividade; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 675 10 a dicção legal revela o direito ao uso do estoque acumulado, até o seu esgotamento, limitandose apenas o percentual a ser adotado em cada exercício. A limitação de 30% serve somente para garantir ao Estado um fluxo de receitas mínimo ou satisfatório à sua manutenção. Isso inclusive está expresso na Exposição de Motivos de Medida Provisória n° 988/95, convertida na Lei n° 9.065/95: "Arts. 15 e 16 do Projeto: (...) A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo"; ao mesmo tempo, os artigos 514 do RIR/99 e 80 da IN 390/04 prescrevem que, nas hipóteses de fusão, cisão e incorporação, é vedado às sucessoras compensarem os prejuízos fiscais mantidos pelas sucedidas; assim, da análise conjunta das regras, verificase que, se os prejuízos fiscais e as bases negativas não forem integralmente compensados na data de extinção da empresa, não poderão ser aproveitados após a operação societária, em função da vedação imposta pelo artigo 514 do RIR/99 e 80 da IN 390/04. Logo, a admissão de que a trava de 30% é aplicável no momento de extinção da sociedade por incorporação, fusão e cisão, conduziria necessariamente à inobservância do quanto estabelecem as Leis 8.981/95 e 9.065/95, que garantem às sociedades o direito de utilização integral dos seus resultados negativos acumulados; daí, então, que a contradição entre as normas em exame é aparente, devendo prevalecer a interpretação que as compatibilize, qual seja, a de que o limite de 30% é inaplicável nas situações de fusão, cisão e incorporação de sociedades. Não se trata de analogia, vedada pelo direito tributário (CTN, art. 108), mas de interpretação sistemática das normas, com o propósito de compatibilizar o comando implícito do conjunto de prescrições sobre o tema, coerente até mesmo com a aplicação de uma interpretação literal à matéria, fundada no artigo 111 do CTN; não se trata de uma expectativa de direito à compensação de resultados negativos que veio a ser posteriormente modificada, mas do exercício de faculdade levando em consideração o que prescreve a integralidade do ordenamento em relação ao tema; não há como se entender que a incorporação implique a perda do direito à compensação, garantido até então à sucedida por incorporação. Como visto, a limitação vigente é apenas percentual e não temporal. Destarte, uma vez extinta a sociedade por incorporação, há de se resguardar e garantir o aproveitamento do seu prejuízo fiscal acumulado no balanço levantado por ocasião da incorporação, visto que, uma vez incorporada, esse aproveitamento está expressamente proibido pela incorporadora; o Superior Tribunal de Justiça considera a limitação anual à compensação resultados negativos legal unicamente porque não tolheu o direito ao aproveitamento integral dos valores registrados, mas apenas por escalonálos ao longo do prazo de duração da pessoa jurídica (Agr no REsp 516.849/CE, AgRg no REsp 1027320/SP e AgRg no REsp 944.427/SP); seguindo essa linha, esse E. Conselho de Recursos Fiscais, inclusive em decisões recentes, expôs entendimento de que a trava de 30% só faz sentido quando a empresa está em continuidade, vez que a manutenção do limite em caso de extinção, nada mais é do que obstar o aproveitamento do crédito e tributar o patrimônio da empresa e não a renda (Ac. 1103 001.093, Ac. 1103001.617 e Ac. 10195.872); Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 676 11 portanto, deve ser reformado o acórdão recorrido, aplicandose ao caso o entendimento firmado nos acórdãos paradigmáticos, com o conseqüente reconhecimento da improcedência da autuação. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho exarado em 24/07/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] A divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma é patente, pois pode ser comprovada do simples cotejo dos trechos acima transcritos, a qual reside em saber se a pessoa jurídica a ser incorporada está submetida a trava de compensação de prejuízos fiscais com relação a apuração das bases tributáveis do seu último período de existência. Uma vez que a recorrente demonstrou a divergência jurisprudencial que desafia a interposição de recurso especial, opino pela sua ADMISSIBILIDADE. [...] Tendo em vista que foi comprovada a divergência de entendimentos alegada, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 08/10/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 14/10/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos abaixo: diante da legislação reguladora do tema em questão, temos que o limite de 30% do lucro líquido ajustado para as compensações introduzido pela Lei nº 9.065/95 deve ser respeitado; o contribuinte pretender fazer valer uma interpretação por demais extensiva, no sentido de que, nos casos de incorporação, como a pessoa jurídica sucedida não tem mais continuidade, a limitação de 30% apenas serviria para tolher um direito de aproveitamento destes prejuízos. Neste esteio, com o encerramento da empresa sucedida e diante da impossibilidade de aproveitamento destes créditos pela sucessora, a trava de 30% não deveria ser aplicada; entretanto, este não pode ser o raciocínio a ser aplicado ao caso em questão, como bem já decidiu a CSRF, por criar hipótese de exceção não prevista em lei. A Lei nº 9.065/95 ao instituir o limite quantitativo para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, não fez qualquer exceção quanto às incorporações, estando tal redação até então vigente, motivo pelo qual deve ser observada em sua integralidade; não pode o intérprete conferir à lei uma interpretação aquém da realidade para criar hipótese de exceção à regra prevista, sob o pretexto de que tal regra, nos casos de incorporação, não poderia ser aplicada em razão da impossibilidade de aproveitamento posterior destes prejuízos pela empresa extinta; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 677 12 o argumento de que a aplicação da trava de 30% nestes casos ocasionaria o enriquecimento ilícito do Erário por estar impossibilitando a utilização de todo o prejuízo verificado pela empresa que não mais exercerá suas atividades não procede. Isso porque a compensação de prejuízos não pode ser considerada como direito subjetivo das empresas, mas sim como um benefício fiscal; o que a legislação pretendeu com a permissão de compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas não foi criar um direito subjetivo para o contribuinte, mas sim permitir que, em casos de apuração de prejuízos, a empresa não fosse obrigada a arcar com todo o déficit sozinho, até mesmo para fomentar as relações comerciais e impedir eventuais prejuízos irrecuperáveis que levassem ao encerramento de suas atividades; desta forma, a observância da limitação da trava dos 30% não limita um direito subjetivo da empresa, mas tão somente regula a forma como a compensação permitida pela legislação será exercida; estando plenamente em vigor a limitação dos 30% para a compensação, bem como por não existir nenhuma regra que a excepcione para os casos de incorporação, não se pode permitir a interpretação pretendida pelo recorrente, uma vez que exclui a aplicação de dispositivo legal plenamente em vigor e de observância cogente; a lei não traz qualquer exceção à regra de compensação de 30%, sendo temerário fazêlo o julgador, pois, ao agir assim, está limitando a plenitude da norma e entendendoa parcialmente inconstitucional, embora sem redução do texto; sobre o tema, forçoso colacionar ainda entendimento exposto por este Conselho (Acórdão nº 10193.438 ementa e voto transcritos); resta comprovada a necessidade de manutenção do acórdão recorrido, para o reconhecimento da trava dos 30% para compensação mesmo nos casos de incorporação, tanto de prejuízos fiscais no caso do IRPJ quanto de bases de cálculo negativas de CSLL; ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a FAZENDA NACIONAL seja desprovido o RECURSO ESPECIAL do contribuinte, mantendose incólume a decisão atacada por seus próprios fundamentos, bem como pelas razões acima apresentadas. É o relatório. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 678 13 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço dos recursos especiais, porque eles preenchem os requisitos de admissibilidade. A controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de CSLL por aplicação da chamada trava de 30% na compensação de base de cálculo negativa e também à exigência da correlata multa de ofício da empresa incorporadora, na condição de sucessora da empresa incorporada. No anocalendário 2005, a Cia. Brasileira de Bebidas foi incorporada pela empresa recorrente. Em razão desse evento societário, a empresa incorporada (e extinta) compensou integralmente a base negativa de CSLL com o lucro líquido ajustado apurado até a data da incorporação, sem a observância da "trava" de 30% prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95. Na ótica da Fiscalização, o excesso na compensação da base negativa acarretou uma redução indevida da base de cálculo da CSLL, o que resultou na lavratura de auto de infração para exigência da contribuição que deixou de ser apurada e recolhida. Além disso, também foi exigida da incorporadora (na condição de sucessora) a multa de ofício de 75% lançada conjuntamente com a CSLL. O lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar a aplicação da multa de ofício na empresa sucessora/incorporadora. O recurso especial da PGFN objetiva restabelecer a exigência da multa de ofício para a empresa sucessora/incorporadora. Já o recurso especial da contribuinte (sucessora por incorporação) pretende afastar o lançamento da própria CSLL, defendendo o direito da compensação integral das bases negativas acumuladas, sem o limite legal de 30%, por se tratar de empresa extinta por incorporação. O julgamento deve ser iniciado pelo recurso especial da contribuinte, porque ele trata da rubrica principal (o próprio tributo). É que só há sentido em examinar a questão da multa se a exigência da contribuição for mantida. Do contrário, a multa fica prejudicada pela sua relação de dependência com a CSLL. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 679 14 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE A contribuinte autuada argumenta que a empresa por ela incorporada poderia compensar integralmente a base negativa de CSLL com o lucro apurado até a data da incorporação, sem a observância da "trava" de 30% prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Ela sustenta suas razões em aspectos que abordam principalmente a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema (lá, como aqui, a recorrente era a contribuinte): Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 680 15 compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 681 16 Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 682 17 Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. [...] Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 683 18 caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei. Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 684 19 seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos. Também como fundamento deste voto, cito, na sequencia, o Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, decisão que retrata uma mudança de posicionamento no CARF, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO [...] Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: [...] Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 685 20 AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4. Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 686 21 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, coma a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. [...] Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. Vale também trazer à baila o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação sobre a compensação de prejuízos, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do tributo, conforme consta do voto vencedor que orientou aquela decisão: Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 687 22 Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima vênia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por Fl. 687DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 688 23 força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). [...] Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente. [...] Há ainda o Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que também trata com profundidade de vários aspectos suscitados pela contribuinte em seu recurso: Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado [...] Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos Fl. 688DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 689 24 atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993(com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Fl. 689DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 690 25 Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real).Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim,o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a“trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. ... [...] Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e Fl. 690DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 691 26 normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art.177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: [...] Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. [...] Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. [...] O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contra argumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não Fl. 691DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 692 27 transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repise se, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. [...] Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. [...] Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária. Os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida são corroborados pelas decisões acima referidas. O principal aspecto da polêmica em pauta, a meu ver, reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do tributo. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ou base negativa ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação da CSLL não se dá dessa forma. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 693 28 Com efeito, o que se tributa é o lucro (líquido ajustado) auferido em um determinado período de apuração, e não o lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE 344994, o Supremo Tribunal Federal STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal ou base negativa em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais acima transcritas (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de bases negativas futuras com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de bases negativas futuras. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal ou de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do tributo; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do tributo (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Multa de ofício e Common Law Relativamente à validade da multa de ofício, alega a recorrente haver deixado de observar o disposto no artigo 16 da Lei nº 9.065/95 em razão de entendimento consolidado pela jurisprudência administrativa definitiva (a exemplo do acórdão CSRF/0105.100, sessão de 19/10/2004). Explica que em tal situação deve ser adotado o disposto no artigo 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que assim estabelece: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) Ocorre que a Lei nº 4.502/64 expressamente regula o antigo imposto sobre o consumo, atualmente substituído, no âmbito federal, pelo imposto sobre produtos Fl. 693DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 694 29 industrializados – IPI. A Lei nº 4.502/64 se utilizou de uma antiga técnica legislativa que consistia em delimitar no art. 1º de qual imposto estava tratando e nos demais artigos utilizarse apenas do termo “imposto”. Percorrendo a Lei nº 4.502/64, observase o seguinte: o artigo 2º trata do fato gerador do imposto, os artigos 6 a 9 cuida das isenções do imposto, o artigo 32 ocupase do ônus da não transferência do imposto para a restituição, e o artigo 76 maneja a questão do common law administrativo para o imposto. Portanto, se eu ampliar o termo imposto do artigo 76 da Lei nº 4.502/64 para a contribuição social sobre o lucro líquido, por coerência eu teria que, por exemplo, estender as isenções dos artigos 6 a 9, o ônus do artigo 32, etc. Se eu andar por essa linha, as empresas que fabricam caixões, as empresas que fazem panelas, que produzem chapéus, que fabricam roupas de couro, as empresas que fazem material bélico para União, não pagarão mais CSLL. Conquanto a Lei nº 4.502/64 traga dispositivos de aplicação ampla, como os famosos artigos 71, 72 e 73, que tratam de sonegação, fraude e conluio, isso somente é possível porque a Lei nº 9.430/96 ... lhes faz expressa remissão, como se pode depreender do seu artigo 44, § 1º. (Acórdão nº 1201001.190, de 24/03/2015, fl. 855, relator Roberto Caparroz de Almeida). Logo, pela estrutura com que a Lei nº 4502/64 foi construída e porque o termo “imposto”, de que se vale o seu artigo 76, está destinado apenas para o IPI, então entendo que o stare decisis administrativo não tem efeito no âmbito do imposto de renda e nem da contribuição social sobre o lucro líquido. Ademais, em relação à CSLL acredito não haver muito espaço para essa investigação, pois contribuição social é um espécimen diferente de imposto, ambos integrantes do gênero tributo, mas com características diferenciadoras bem acentuadas. Concluise, portanto, que a multa de ofício exigida nos presentes autos, imposta com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não pode ser afastada pelo prescrito no art. 76 da Lei nº 4.502/64. Nestes termos, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Em seu recurso especial, a PGFN pretende restabelecer a exigência da multa de ofício, defendendo a possibilidade de sua aplicação na pessoa jurídica sucessora por incorporação. De início, cumpre esclarecer que estamos tratando da multa de ofício de 75%, por simples falta de recolhimento do tributo, e não da multa qualificada de 150%, prevista para os casos de sonegação e fraude. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do RESP n° 923.012/MG sob a sistemática dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), manifestou o seguinte entendimento sobre a matéria em pauta: EMENTA Fl. 694DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 695 30 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] VOTO [...] No tocante ao segundo ponto suscitado, qual seja, a responsabilidade da sucessora empresa incorporadora pela multa aplicada à empresa incorporada, impõese o conhecimento do recurso, ante o preenchimento dos requisitos de admissibilidade recursal. Deveras, a questão não é nova nesta Corte Superior, consoante dessumese dos seguintes precedentes: [...] Com efeito, não é outra a conclusão que desponta de uma interpretação conjunta dos dispositivos legais pertinentes, sitos na Seção II, do Código Tributário Nacional, que versa a Responsabilidade dos Sucessores, in verbis: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 696 31 [...] Deveras, conquanto os arts. 132 e 133 do CTN refiramse tãosomente aos tributos devidos pelos sucedidos, se interpretados tais dispositivos conjuntamente com o art. 129, chegase à conclusão de que a regra naqueles insculpida aplicase também aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição. Nesse segmento, temse que os "créditos tributários" mencionados no aludido art. 129, na ótica do legislador, compreendem não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias, consoante dessumese do art. 113, § 1º, do Codex Tributário, litteris: [...] Nesse sentido, Sacha Calmon Navarro leciona que, in verbis: [...] Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Primeiramente registro que a questão ora examinada sempre ganha relevância quando a autuação fiscal é realizada após o ato de incorporação (como aconteceu aqui), não havendo controvérsia sobre a responsabilização pela multa quando ela formalmente já faz parte do passivo da empresa a ser incorporada, ou seja, quando a autuação fiscal ocorre antes da incorporação. Digo isso porque é importante notar que a interpretação do STJ não faz qualquer distinção motivada por um confronto entre o momento da autuação fiscal e a data do evento societário. Ao contrário, ela leva em conta apenas a data do fato gerador, independentemente de o lançamento ter ocorrido antes ou depois do evento societário. De acordo com a ementa e o voto acima transcritos: no que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias; as normas de responsabilização aplicamse tanto aos créditos tributários definitivamente constituídos, quanto aos em curso de constituição; e a responsabilidade tributária do sucessor abrange também as multas (moratórias ou punitivas), desde que seu fato gerador (infração tributária) tenha ocorrido até a data da sucessão. Outro aspecto relevante é que o STJ reconhece a responsabilidade tributária do sucessor pelas multas, sem fazer qualquer ressalva quanto à existência de relação societária entre as empresas envolvidas (envolvimento dos mesmos administradores). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, ao proferir o Acórdão nº 9101001.967, na sessão de 19/08/2014, examinou essa mesma decisão do STJ, ocasião em que fiquei vencido pela interpretação que dela fiz, nos termos acima mencionados. O voto que orientou o referido Acórdão nº 9101001.967, com uma interpretação contrária àquela por mim manifestada, apresentou o seguinte entendimento em relação à decisão do STJ: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 697 32 Assim, temse que a posição do STJ não contraria o conteúdo do acórdão recorrido, pois caso o lançamento de crédito decorrente de fato gerador praticado pelo sucedido, seja efetuado após a extinção por incorporação, este não integrará o passivo adquirido pelo sucessor, razão pela qual sua responsabilidade fica afastada. Ocorre que após o processamento de embargos de declaração interpostos contra a referida decisão do STJ no RESP n° 923.012/MG, aquele tribunal afastou qualquer polêmica ou dúvida que poderia existir sobre o significado de seu posicionamento, conforme esclarece a própria ementa do julgamento dos embargos: EMENTA EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, [...] 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 698 33 embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. Vale também transcrever os fundamentos do voto que orientaram a rejeição dos embargos pelo STJ, em relação à questão da responsabilidade do sucessor pelas multas: VOTO [...] 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: [...] 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 9. Todos esses aspectos foram bem examinados no acórdão embargado, in verbis: [...] 11. Ante o exposto, rejeitamse os Embargos Declaratórios. O STJ, portanto, reconhece a responsabilidade tributária do sucessor pelas multas sem fazer qualquer ressalva quanto à existência de relação societária entre as empresas envolvidas (envolvimento dos mesmos administradores). Além disso, deixa bastante claro que essa responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 699 34 De acordo com o STJ, a leitura correta do Código Tributário Nacional CTN é a seguinte: no que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias; e a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos "créditos tributários" já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O que é importante perceber quanto ao tema da responsabilidade tributária dos sucessores, é que a referida decisão do STJ não faz distinção de tratamento entre o tributo e a multa que o acompanha. Tratandose de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, e considerando o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, tal posicionamento deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse contexto, não há como afastar a multa de ofício sob exame. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a exigência da multa de ofício para a empresa autuada, na condição de sucessora por incorporação. Em resumo, NEGO provimento ao recurso especial da contribuinte, e DOU provimento ao recurso especial da PGFN, nos termos acima mencionados. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 700 35 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na sessão de fevereiro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou os recursos especiais interpostos por COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS/AMBEV, sucessora por incorporação de COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS (doravante “contribuinte” ou “empresa incorporada”), e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) no processo n. 19515.006115/200800, tendo como objeto o acórdão n. 1301000.958 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 3 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LEI N° 8.981/95 – TRAVA 30%. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. A partir do anocalendário 1995, para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensaçaõ da base de cálculo negativa da contribuição social. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanca̧õ, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligen̂cia dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. No julgamento dos recursos especiais interpostos pela, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de bases negativas de CSL levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo cancelamento da autuação, os quais serão divididos em duas partes: 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável, considerada legítima pelo CARF à época dos fatos. 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. O núcleo do recurso especial ora em exame consiste em saber se, na hipótese de uma pessoa jurídica, submetida ao lucro real, apresentar lucros no exercício em que vier a ser extinta por incorporação (art. 227, § 3º, da Lei n. 6.404/64), poderá compensar integralmente, em sua última declaração de rendimentos, o seu saldo de bases negativas de CSL acumulado de exercícios anteriores, sem a “trava de 30%” que seria aplicável caso a sua existência fosse continuada (art. 16 da Lei nº 9.065/95). Para a melhor compreensão do tema, suponhase, por hipótese, que uma empresa inicie as suas atividades no “ano 1”, com o capital social integralizado pelos sócios de $4.000, Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 701 36 obtendo prejuízo no “ano 2” de $ 1.000, prejuízo no “ano 3” de $1.000 e lucro no “ano 4” de $3.000. O gráfico a seguir ilustra essa sequência de resultados: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Figura 01. Formação de prejuízos fisc a is seguida de período lucra vo. Nos anos “1”, “2” e “3”, naturalmente não haveria CSL a ser recolhida. Esse tributo, por sua vez, poderia incidir no “ano 4”, para a tributação dos resultados positivos obtidos. No entanto, para a apuração do referido resultado positivo, o contribuinte poderia considerar os resultados negativos obtidos nos exercícios anteriores, tendo em vista a necessária comunicação entre estes. Conforme a sistemática estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 9.065/95, no “ano 4” e também em todos os próximos exercícios em que obtivesse resultados positivos, para a apuração da CSL, o contribuinte poderia compensar até 30% de seus lucros com as bases negativas apuradas naqueles anos “1”, “2” e “3”. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Saldo de bases nega vas compensáveis em exercícios futuros (“ano 5”, “ano 6” etc) Compensação de bases nega vas Figura 02. “Trava de 30%”. Aplicação às empresas em con nua a vidade. Não há dúvida que legislador garantiu ao contribuinte o direito de compensar a totalidade de suas bases negativas de CSL, mas diluiu o seu exercício durante o tempo de atividade da empresa. A questão que se coloca no presente recurso especial consiste em saber como deve proceder o contribuinte quando não houver a aludida continuidade em suas atividades, especialmente em face de extinção por incorporação. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 702 37 Assim, no caso concreto ora em análise, a empresa incorporada possuía saldo de bases negativas de CSL acumulado de exercícios anteriores. No ano em que foi extinta em razão de incorporação (2005), havia obtido lucros e, em sua última declaração de rendimentos, os compensou com o aludido saldo. Diante da impossibilidade prosseguir compensando as bases negativas de CSL em exercícios futuros (pois, com a extinção, estes não existiriam), a contribuinte compreendeu inaplicável a “trava dos 30%”. A interpretação sustentada pelo contribuinte conduziria à tributação da renda, dos lucros obtidos durante o exercício de suas atividades, de tal forma que apenas o efetivo acréscimo patrimonial seria tributado pela CSL, deixando a salvo desses tributos aquilo que corresponderia efetivamente ao seu patrimônio (o que, de fato, não é hipótese de incidência da CSL). Com vistas ao exemplo exposto nas figuras “1”, “2” e “3”, acima, a interpretação sustentada pelo contribuinte pode ser representada da seguinte forma: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Compensação de prejuízos fisc a is sem a “trava de 30%” Lucro tributável Patrimônio inicial Figura 03. “Trava de 30%”. Interpretação do contribuinte. Por um lado, é muito diferente a interpretação adotada pelo i. agente fiscal na lavratura do AIIM, bem como pela PFN em sua manifestação perante esta CSRF. Por esta, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão, o contribuinte perderia até 70% do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), de tal forma que referidos tributos incidiriam sobre o patrimônio da empresa. É o que ilustra o gráfico a seguir: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 703 38 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Parcela do patrimônio tributada pela CSL. Compensação de bases nega vas com “trava de 30%" Figura 04. “Trava de 30%”. Interpretação da PFN. É importante sublinhar que o presente caso não trata de “incorporação às avessas” ou de compensação de prejuízos da empresa incorporada contra os lucros da empresa incorporadora, as quais são tuteladas pelos arts. 513 e 514 do RIR/99. No presente caso, o saldo de bases negativas de CSL, apurado pela empresa incorporada foi compensado com os lucros obtidos por ela, em sua última declaração de rendimentos entregues em função de sua extinção por incorporação. 1.1. A tributação dos “acréscimos patrimoniais” do contribuinte. Na Constituição brasileira, há expressa e detalhada repartição de competências tributárias entre os entes federados, a qual estabelece quais signos presuntivos de capacidade contributiva podem ser onerados privativamente por cada um dos entes federados. A “renda” e o “lucro”, no caso, podem ser tributados exclusivamente pela União. Saber o sentido de “renda” e “lucro” é, então, essencial para a boa aplicação das normas constitucionais de distribuição de competência tributária e das normas de incidência tributária em sentido estrito. Isso explica as constantes discussões ao seu respeito, especialmente em torno de teorias como da “renda como acréscimo patrimonial” e da “rendaproduto (ou “teoria fonte”). A teoria da renda como acréscimo patrimonial pode ser compreendida a partir do caso Antártica1, julgado pelo Supremo Tribunal Federal cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988, em que esteve em foco o conceito de “renda” presente no sistema 1 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDA CONCEITO. Lei n. 4.506, de 30.XI.64, art. 38, C.F./46, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. I. Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso. C.F., 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. II. Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64, que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre lucros distribuídos. III. R.E. conhecido e provido. (STF, RE 117887, Relator Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/1993, DJ 23041993) Fl. 703DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 704 39 tributário de 19642. Acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, houve unanimidade no Plenário do Tribunal quanto ao entendimento de que “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. Notese que, caso se adote um conceito de “renda” que a identifique como o produto (“teoria da rendaproduto” ou “teoria da fonte”), apenas o fruto, o produto dos bens de capital ou do trabalho poderiam ser considerados “renda”. Sob tal perspectiva, estaria excluído do conceito de renda quaisquer ganhos e perdas de capital obtidos pela alienação da fonte produtora da renda, já que, metaforicamente, a tributação alcançaria apenas os frutos da árvore, mas não a alienação da árvore em si.3 1.1.1. O papel da lei complementar para a definição de “renda” tributável. No atual sistema jurídico brasileiro, o debate sobre qual o conceito de renda tributável deve considerar que o art. 146 da Constituição Federal atribui à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais, especialmente sobre a definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados no texto constitucional. Assim, embora não haja delimitação expressa na Constituição quanto ao signo “renda” para fins tributários, o art. 43 do CTN veicula norma que permite que o legislador ordinário se valha ao menos de duas significações possíveis: (i) o inciso I, ao se referir à “renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, se aproxima da teoria da rendaproduto; (ii) o inciso II, ao se referir a “proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”, se aproxima da teoria da renda acréscimo patrimonial. Em ambos os casos, o conceito estabelecido pelo CTN exige que haja a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, a fim de que seja possível a tributação. O legislador complementar exige que haja a “aquisição de disponibilidade”, pouco importando ser ela “econômica” ou “jurídica”. O legislador ordinário deve eleger hipóteses de incidência do imposto de renda que estejam compreendidas nos referidos moldes estabelecidos pela Constituição e pelo CTN. 1.1.2. A decisão do legislador ordinário: a lógica da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL e a não tributação de situações que não geram acréscimo patrimonial. Independentemente das predileções doutrinarias quanto ao mais adequado conceito de “renda” e embora se possa argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza sistematicamente, como 2 Anterior ao atual Código Tributário Nacional. 3 Vide, sobre o tema: LANG, Joachim. The influence of tax principles on the taxation of income from capital, p. 1821; BELSUNCE, HORACIO GARCÍA. El concepto de rédito en la doctrina y en el derecho tributario. Depalma : Buenos Aires, 1967, p. 88 e seguintes. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 705 40 diretriz central para a tributação da renda, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, aplicável no caso, a base de cálculo adotada pelo legislador ordinário corresponde ao lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro líquido, no caso, será apurado com observância das disposições das leis comerciais. É o que prescreve o art. 247 do Decreto 3.000/99 (doravante “RIR/99”), que veicula o Regulamento do Imposto de Renda, com a sistematização de toda a legislação esparsa: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Por meio das “adições”, são incluídos à base de cálculo do tributo valores deduzidos na apuração contábil e que não são dedutíveis para fins fiscais, a exemplo de uma despesa indedutível de multa de trânsito. Com as “exclusões”, são excluídos da base de cálculo do tributo as receitas apuradas pela contabilidade que não sejam passíveis de tributação, a exemplo de dividendos isentos recebidos. Finalmente, pela “compensação”, o resultado tributável passível de tributação no período de apuração é diminuído pelos resultados negativos apurados em períodos anteriores. Especialmente em relação aos prejuízos fiscais, o RIR/99 reflete em seus arts. 519 e 510 das regras vigentes sobre a matéria: CAPÍTULO XIV COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Disposições Gerais Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Fl. 705DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 706 41 Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. A sistemática do lucro real, portanto, cristaliza a diretriz adotada pelo legislador ordinário de tributar os acréscimos patrimoniais, ainda que ajustes sejam realizados à apuração contábil. 1.2. A evolução legislativa a respeito da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) Na sistemática do lucro real, a compensação de prejuízos fiscais é elemento essencial da diretriz erigida pelo legislador para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A investigação da evolução legislativa sobre a matéria nos últimos 80 anos demonstra que o legislador ordinário jamais negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) ou de base negativa (CSL). Nos idos de 1947, a Lei n. 154 regulou a compensação de prejuízos fiscais, nos seguintes termos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá se deduzido, para compensação total ou parcial, no caso da inexistência de fundos de reserva ou lucros suspensos dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. A norma então estabelecida prescreveu que: i) o lucro apurado em um determinado exercício poderia ser integralmente compensado com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 3 anos para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 707 42 Em 1976, o DecretoLei n. 1.493 trouxe ligeira alteração na regulamentação da matéria, estendendo o prazo prescricional de aproveitamento dos prejuízos fiscais: Art. 12. O prejuízo verificado num exercício a partir do períodobase relativo ao exercício de 1977 poderá ser compensado total ou parcialmente, com os lucros contábeis apurados dentro dos 4 (quatro) exercícios subseqüentes. § 1º Entendese como prejuízo, para os fins de Imposto de Renda o verificado na apuração contábil da pessoa jurídica no períodobase, diminuído dos custos despesas operacionais e encargos não dedutíveis. § 2º Decorridos 4 (quatro) exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes de prejuízos porventura não compensados. A norma em questão vigorou no sistema jurídico brasileiro até 1995, alterou pouco a sistemática anterior, prescrevendo que: i) lucro apurado em um determinado exercício poderiam ser integralmente compensados com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 4 anos (e não mais 3 anos) para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Notese que, sob a égide da norma vigente até 1995, inexistia discussão quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos acumulados na última declaração de rendimentos da empresa extinta por incorporação. Afinal, a possibilidade de compensação integral, em um único período, era garantida inclusive às empresas em continuidade. Em 1987, o DecretoLei n. 2.341 regulou operações como as chamadas “incorporações às avessas” e situações específicas de aproveitamento de prejuízos fiscais em restruturações societárias, com a limitação, em especial, da compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora. Aludidas normas estão refletidas nos ars. 513 e 514 do RIR/99: Mudança de Controle Societário e de Ramo de Atividade Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Incorporação, Fusão e Cisão Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Em 1991, diante do novo cenário econômico e da sistemática então adotada de apuração mensal do IRPJ, a compensação de prejuízos fiscais foi objeto de nova regulação pela Lei n. 8.383/91: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 708 43 Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas deverão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. (…) § 7° O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. § 8° Para efeito de compensação, o prejuízo será corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária. A Lei n. 8.383/91, como se vê, manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas deixou de prescrever prazo de prescrição ao seu exercício. Mas, logo em 1992, foi enunciada a Lei n. 8.541, que também manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas estabeleceu prazo para o seu exercício: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. Finalmente, em 1995, foi editada a nova tutela à compensação de prejuízos fiscais, que permanece vigente até a atualidade e é aplicável ao presente caso. Sucedendo a 8.981/95, a Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veicula norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos em sua totalidade, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 709 44 Como se pode observar da evolução dos dispositivos legais que regulam a matéria nos últimos 80 anos, em nenhum momento o legislador negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu prejuízo fiscal. A ordenamento jurídico: Em alguns períodos da história, embora tenha estabelecido prazos ao exercício do direito, garantiu ao contribuinte o aproveitamento integral de prejuízos fiscais acumulados em ato único, inclusive (norma revogada); Vedou a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora, sem restringir de qualquer forma a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros (norma vigente); Garantiu ao contribuinte o aproveitamento da totalidade dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) acumulados de exercícios anteriores, mas diluiu o exercício desse direito no período de existência do contribuinte, sem prazo de prescrição (norma vigente). A Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veiculam norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos integralmente, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: 1.3. A “trava dos 30%”: norma de diferimento da compensação dos prejuízos fiscais A norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 regula a compensação de prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), sopesando os interesses de caixa da União com a diretriz central para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. Com vistas aos interesses de caixa da União, a norma postergou, adiou, diferiu o exercício do direito do contribuinte à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base negativa (CSL), de forma a manter um fluxo arrecadatório mais contínuo. Sob essa perspectiva, a sua explicação tem raízes mais no Direito financeiro e na necessidade de superávit nos orçamentos públicos anuais do que necessariamente no Direito tributário. Houvesse o legislador cumulado a “trava de 30%” a algum prazo de prescrição para a compensação dos prejuízos fiscais acumulados (por exemplo, 4 ou 5 anos), poderíamos ter, aí, um problema sistêmico. Ocorre que, nessa hipótese, o legislador poderia entrar em contradição com a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial. O diferimento em questão, contudo, não nega o direito do contribuinte ao aproveitamento da integralidade de seus prejuízos acumulados. Pelo contrário, ao afastar a limitação temporal ao seu aproveitamento, garantindo ao contribuinte valerse do tempo que Fl. 709DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 710 45 for necessário até esgotar todo o seu estoque de prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), o legislador ordinário justamente reconhece que o aludido saldo poderá ser esgotado em sua totalidade. O legislador ordinário prescreveu norma pela qual os prejuízos fiscais acumulados serão diluídos nos períodos de apuração em que o contribuinte apresentar lucros, indefinidamente, até que se esgote todo o seu saldo de prejuízos. O pressuposto de incidência da norma é, então, a continuidade da pessoa jurídica, pois somente assim o diferimento e o aproveitamento integral diluído no tempo seria possível. A exposição de motivos da medida provisória posteriormente convertida na Lei n. 9.065/95 é relevante para essa análise, in verbis: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n. 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje ‘vacatio legis’ em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. (negrito acrescido) Também é de grande relevância a análise desenvolvida pelo TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.4 em face da eludida exposição de motivos, in verbis: “O recurso à E.M. é um importante indício da chamada mens legis. De um lado, ali se evidencia o objetivo do legislador: limitar, quantitativamente, sem retirar o direito de compensar até integralmente num mesmo ano. O exercício do direito à compensacã̧o do prejuízo, pela E.M., é que sofre uma limitação quantitativa. Não o próprio direito. Tanto que, como não há limite temporal para esse exercício do direito, e se trata até expressamente de prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de um ano (1995), que poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados em anos anteriores (até 31 de dezembro de 1994), com lucros auferidos em anos subsequentes, a simples postergação, à evidência, abrese espaço para a consideraçaõ de um âmbito de inferência ilocutiva: não poder haver perda ou eliminação do direito à compensaçaõ. É a lei que estabelece a garantia da plena utilização do saldo de prejuízos. Tratase de significado indireto (ilocucã̧o), isto é, por meio de uma elocução (asserção do direito de compensar, com limite quantitativo) o legislador assevera algo expressamente. Mas mediante essa asserção também realiza uma ação que não chega a asseverar: sem limitaçaõ de tempo, a garantia de utilizaçaõ é plena”. (negrito acrescido) No entanto, diante da ausência de continuidade da pessoa jurídica, tornase jurídica e faticamente impossível a diluição dos prejuízos fiscais em exercícios, sendo lícito ao 4 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 711 46 contribuinte concentrar a sua compensação pelo término do diferimento. Nesse caso, o único limite aplicável à compensação de prejuízos fiscais acumulados, na hipótese de extinção da sociedade por incorporação, consiste nos lucros auferidos pela empresa no ano de sua extinção. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $2.000 venha a obter, no ano de sua extinção, lucro de $ 1.000, restaria um saldo de prejuízos acumulados de $1.000, que não poderia vir a ser aproveitado por mais ninguém, incluindose a incorporadora (DecretoLei n. 2.341/87, art. 33). Ocorre que, em termos gerais, dois fatores interferem na velocidade e na grandeza com que se dará o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado: Prosperidade do contribuinte: Quanto maiores forem os lucros líquidos obtidos pelo contribuinte, proporcionalmente maior será a fatia do prejuízo que poderá ser compensada. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $100 obtiver desempenho que lhe proporcione lucro líquido de $1.000 após adições e exclusões previstas na legislação, tenha ela perspectiva de continuidade ou não, poderá compensar em um único ato todo esse seu estoque de prejuízos. Vitalidade do contribuinte (ou continuidade da pessoa jurídica): A diluição dos prejuízos fiscais acumulados nos períodos de apuração futuros pressupõe que a vitalidade do contribuinte proporcione a continuidade de suas atividades (aliada à sua prosperidade, que lhe garantirá lucros passíveis de compensação). Conjugando tais fatores, a norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 poderá apresentar as seguintes consequências em variados cenários: baixa prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será consumido mais lentamente e até que os lucros gerados sejam suficientes para a sua compensação integral, sem limite temporal; elevada prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será rapidamente consumido em face dos lucros gerados; elevada prosperidade vs. extinção da entidade: o saldo de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta; baixa prosperidade vs. extinção da entidade: o estoque de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, Fl. 711DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 712 47 sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta, mas como não seriam suficientes para absorver todo o prejuízo de exercícios anteriores, haverá saldo residual não aproveitado. Para a solução do caso concreto, devemos verificar qual interpretação dos arts. 16 da Lei n. 9.065/95 – a do contribuinte ou a da PFN – melhor se amolda a esse arcabouço normativo. É forçoso reconhecer que a interpretação sustentada pelo contribuinte realmente se alinha à diretriz da tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A “Figura 03”, acima, evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade das atividades da empresa por conta de sua extinção por incorporação, deve haver o acerto final de contas, com a compensação do saldo de bases negativas (CSL) da incorporada contra os seus próprios lucros. Tal interpretação coincide com aquela adotada pelo e. STJ em uma série de julgados (vide no tópico “1.4”, abaixo). Assim, por exemplo, nos acórdãos do REsp 516849/CE, do AgRg no REsp 944.427/SP e do AgRg no REsp 516.849/CE, a Primeira Turma daquele Tribunal reconheceu como pressuposto de legitimidade da “trava dos 30%” exatamente a manutenção do direito do contribuinte à compensação da totalidade de seus prejuízos, ainda que o seu exercício seja diluído no tempo: o legislador “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada”. Na mesma linha, a Segunda Turma do e. STJ, em acórdãos como do REsp 993.975/SP e do REsp 1.132.256/SP, concluiu que a norma em questão “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN”, bem como que “a legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem” (grifamos). Nos termos adotados pelo e. STJ, ao diferir o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados (IRPJ) e da base negativa (CSL), o legislador estabeleceu um escalonamento, de forma que as empresas que apresentem continuidade – como ocorre em geral – devem observar a “trava dos 30%”. Coerentemente, esse percentual poderá ser superior na hipótese de não haver continuidade da pessoa jurídica, como se dá com a sua extinção por incorporação, fusão ou cisão. É digno de nota o voto da i. Min. Eliana Calmon, no REsp 993.975/SP, in verbis: “Pela legislação do imposto de renda, vigente até 30∕12∕94, era possível às empresas contribuintes compensar integralmente os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas apuradas e registradas no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), como previsto nos arts. 6º e 64 do DL nº 1.598∕77 e art. 12 da Lei 8.541∕92. Em 31∕12∕94, pela MP nº 812∕94, convertida na Lei nº 8.981∕95, limitouse a autorização da dedução do prejuízo compensável ao percentual de 30%, a partir de 1º de janeiro de 1995, conforme se observa dos arts. 42 e 58 do mencionado diploma legal. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 713 48 Apesar de limitada a dedução de prejuízos para o exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. O diferimento da dedução, a meu ver, não descaracterizou o crédito, tendo sido somente manipulado pelo fisco, segundo critérios de política econômica e fiscal arrecadatória. A limitação, que no meu ponto de vista, constitui em empréstimo compulsório, é aquela que obsta a devolução de um valor tomado do contribuinte injustamente, como ocorreu em relação à correção monetária das demonstrações financeiras, quando a Lei 8.200∕91, em reconhecendo a ilegalidade da correção estipulada no balanço de 1989, permitiu a devolução escalonada. Na hipótese dos autos, diferentemente, não tomou o fisco valor do contribuinte. O contribuinte é que teve frustrada uma expectativa de ganho com o desenvolvimento de sua atividade empresarial e suportou prejuízos, tendo direito de abater as perdas nos anos posteriores, dentro de um limite que não seja devastador para o fisco, que já contava com exações vindas da atividade empresarial. (...) Uma outra argumentação, comum nas ações onde é defendida a tese do direito à dedução integral dos prejuízos, é a de que foi vulnerado o art. 110 do CTN, eis que não poderia a Lei nº 8.981∕95 subverter o conceito de renda. Como visto no início deste voto, entretanto, não houve subversão alguma, porque não se olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que se tornou escalonado.” Por sua vez, a “Figura 04” acima evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade, com a extinção da pessoa jurídica por incorporação, a interpretação sustentada pela PFN conduziria à tributação do patrimônio e não da renda. Das duas interpretações apresentadas, apenas a sustentada pela PFN tem o condão de transformar a CSL em tributo incidente sobre a propriedade. Tudo isso à revelia de decisão do Congresso Nacional, pois o legislador ordinário não pode ser acusado de ter cerceado o direito do contribuinte ao aproveitamento da totalidade das bases negativas de CSL quando, na verdade, apenas diluiu o seu exercício no tempo de existência da pessoa jurídica. Esse também é o entendimento majoritário da doutrina. Destacase trecho do erudito estudo publicado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.5 sobre o tema, in verbis: “Assim, de um lado, a opção do legislador é garantir/autorizar a compensação de prejuízos à condição de uma limitação quantitativa (asserção expressa), manifestando um direito de compensar prejuízos, sem limitação temporal (asserção implícita). Promover esse bem (direito de compensar prejuízos até o seu limite total, sendo integral a dedução) constitui, de outro, o objetivo, cujo fundamento, que Schauer (ver acima) chama de justificação da regra, aponta para respeito à isonomia, na medida em 5 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 714 49 que se observa que uma periodicidade estanque, que terminaria por impedir a compensação de prejuízos anteriores com lucros posteriores, conduziria a um tratamento mais oneroso de determinados contribuintes (que praticassem atividades de maior risco, a exigir período maior de investimento até o surgimento de resultados positivos), o que violaria a igualdade. Aparece aqui aquela tensão (ver Schauer anteriormente citado) entre a regra (ao limite de 30%, prejuízos fiscais poderão ser compensados) e sua justificação (princípio da isonomia), que conduz, mediante teleologia, a novas generalizações. Isto é, ao teor da norma “é autorizado compensar prejuízos fiscais, desde que não ultrapasse o limite de 30%”, a generalização que a fundamenta (seu telos, seu objetivo: compensação de prejuízos até seu esgotamento total por exigen̂cia da isonomia) faz surgir significados indiretos, ali presentes em forma ilocutiva: a restrição quantitativa não deve implicar perda do direito de compensar prejuízos, até porque a ausência de restriçaõ temporal significa possibilidade de transferen̂cia para períodos posteriores até o seu esgotamento. Ou seja, partese da exigência de uma periodicidade estanque (até 30% no período) para uma nova generalização da regra por força da sua justificação: a periodicidade anual dos tributos não impede, ao contrário, autoriza a compensação de prejuízos acumulados, em períodos subsequentes. Pois bem, e dessa nova generalização (que atende, com base em isonomia, à diferença entre contribuintes) segue outra: o aproveitamento integral dos prejuízos, num único período, por sociedade incorporada, dada a impossibilidade de seu aproveitamento integral, diferido no tempo. Notese, na tensão regra/fundamento, passamos de uma generalização (direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo) para uma segunda (não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução) e dessa, para uma terceira (ressalvada a situação dos que de fato ou de direito estão impedidos ou impossibilitados de realizar o diferimento no tempo). Nos termos de Schauer, antes referidos, na segunda generalização temos uma sobreinclusão, na terceira, uma subinclusão, ambas dentro da mesma ratio legis.” (grifos do original) Na mesma linha, ao examinar a questão, IVES GANDRA DA SILVA MARTINS6 concluiu, in verbis: “a) não há lacuna na lei que limitou a 30% a compensação de prejuízos fiscais, pois apenas dedicada a empresas em funcionamento, como o STJ e a exposição de motivos das MPs e projetos de conversão em lei resultantes esclareceram; b) a lei objetivou, exclusivamente, distender, no tempo, o aproveitamento de prejuízo, MAS NÃO eliminálo, em havendo lucros; (...) A lei que permite a compensação do prejuízo determina QUE TODO O PREJUÍZO SERÁ COMPENSADO, DISTENDIDO NO TEMPO (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS DA LEI). A conclusão lógica é que se não há mais tempo para aproveitálo, em havendo lucros na extinção, a lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para que não haja tributação sobre um “não acréscimo patrimonial” vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150, inciso I, da Lei Suprema, que impõe o princípio da legalidade para a incidência tributária”. 6 SILVA MARTINS, Ives Gandra da. Incorporação de empresa com extinção da incorporada Possibilidade de aproveitamento do prejuízo além de 30%, acesso em: http://www.fiscosoft.com.br/a/4qc6/incorporacaodeempresacom extincaodaincorporadapossibilidadedeaproveitamentodoprejuizoalemde30ivesgandradasilvamartins Fl. 714DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 715 50 No presente voto, então, não se afastam os enunciados da Lei n. 9.065/95, bem como não se infirma a constitucionalidade7 de tais dispositivos no presente voto. Pelo contrário, aplicase ao caso concreto a norma prescrita pelo legislador ordinário, que encerra o ciclo de diferimento do direito à compensação das bases negativas de CSL com a extinção da pessoa jurídica. Interpretação diversa, tal qual a sustentada pela PFN, macularia a cobrança tributária de flagrante ilegalidade. 1.4. A jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário sobre o tema. O e. STF ainda não possui decisões a respeito do tema em análise. Não se pode confundir o presente caso com a discussão existente perante aquele Corte, afetada inclusive pelo rito da repercussão geral8, quanto à (in)constitucionalidade da “trava de 30%” em todos e quaisquer casos. Como foi dito, neste processo administrativo, inclusive por respeito ao RICARF9, assumese como legítima a “trava dos 30%” nos termos estabelecidos pelo legislador ordinário, o qual não prescreveu a sua aplicação às hipóteses de extinção da pessoa jurídica por incorporação, fusão ou cisão. Por sua vez, na linha da jurisprudência do e. STJ, a legalidade da “trava dos 30%” pressupõe a garantia ao contribuinte de que poderá aproveitar a totalidade dos seus prejuízos fiscais (IRPJ). No âmbito da 1a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 7 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicaçaõ ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” 8 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (STF, RE 591.340 RG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 09/10/2008) 9 RICARF, art. 62. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 716 51 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 25/05/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. MP 812/94. LEIS 8.981/95 E 9.065/95. LIMITAÇÃO DE 30%. LEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas oportunidades, manifestouse no sentido da legalidade da limitação de trinta por cento (30%) na compensação de prejuízos fiscais, sob o fundamento de que a Lei 8.981/95, que estabeleceu essa limitação, não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada. 2. É legal essa limitação, em relação à compensação de prejuízos fiscais verificados até o dia 31.12.1994, a partir do exercício de 1995, não havendo contrariedade ao princípio da anterioridade. 3. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 516.849/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 03/04/2006, p. 228) No âmbito da 2a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: Fl. 716DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 717 52 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC NÃO CARACTERIZADA – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981/95: LEGALIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981/95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 993.975/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 2. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 3. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 4. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 5. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 1.132.518/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário 232.0849, relator o Ministro Relator Ilmar Galvão, decidiu que Medida Provisória nº 812∕94, convertida na Lei 8.981∕95, foi publicada no dia 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro do exercício, encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano de 1994 tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a nãocirculação do Diário Oficial da União naquele dia. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 718 53 6. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. (STJ, REsp 1.132.256/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2009) No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 0105100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” Fl. 718DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 719 54 Destacamse as seguintes decisões das Turmas Ordinárias que se seguiram, boa parte por unanimidade de votos: IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão n. 10807456, de 2.7.2003, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. (Acórdão n. 10194515, de 17.3.2004, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — EMPRESAS EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A jurisprudência do Conselho que afasta a limitação só alcança a compensação feita na declaração final de extinção.” (Acórdão n. 10195856, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% – EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. (Acórdão n. 10195872, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão CSRF/0105.100, em Sessão de 19 de outubro de 2004, publicado no DOU de 28/02/2002). (Acórdão n. 10709.243, de 05.12.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) CSL — INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM PROCESSO DE EXTINÇÃO (REGIME DE LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA) — TRAVA. DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE — A denominada trava de 30% na compensação de prejuízos, que pressupõe o principio de continuidade da empresa, não Fl. 719DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 720 55 pode ser aplicada quando a sociedade se encontra em processo de extinção em razão do regime de liquidação ordinária em que se encontra. (Acórdão n. 10707.856, de 11.11.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, vez que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. (Acórdão n. 10709.447, de 13.8.2008, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – TRAVA – CISÃO – Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela do prejuízo proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30% do lucro líquido ajustado. (Acórdão n. 10196509, de 22.1.2008, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade). Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em fevereiro de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Permissa venia, conforme se procurou demonstrar, tal decisão destoa de todo o ordenamento jurídico. 1.5. Conclusão quanto ao mérito principal do recurso especial. O caso ora em análise envolve a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros, todos apurados antes do evento de extinção por incorporação, ocorrido em 2005. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 721 56 Pelo que foi exposto e em linha com meu voto proferido no julgamento do presente recurso especial, entendo que o ciclo de diferimento do direito à compensação de bases negativas de CSL, tal como prescrito pelo art. 16 da Lei n. 9.065/95 (“trava dos 30%”), encerrouse com a extinção da contribuinte pela incorporação realizada, não sendo legal a glosa levada a termo no AIIM. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável considerada legítima pelo CARF à época dos fatos. Por meio de memoriais, o contribuinte requer seja afastada a cobrança multa punitiva que lhe foi imposta pela compensação de seu saldo de bases negativas de CSL, sem a observância da “trava dos 30%”, em sua última declaração de rendimentos entregue em razão de sua extinção por incorporação, ocorrida em 2005. Alega que teria agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos, o que reclamaria a aplicação, inclusive, da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. A análise da questão demanda saber: Se há, no sistema jurídico brasileiro, proteção ao contribuinte que, de boafé, age de forma razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento; Se existente, qual seria a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose a possibilidade de cobrança do débito principal e das penalidades pecuniárias que o acompanham; Por fim, caso existente a referida proteção ao contribuinte, se o caso concreto se adequa às situações que reclamam a sua aplicação. 2.1. O sistema jurídico brasileiro protege o contribuinte que, de boafé, age de maneira razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento? Essa análise possivelmente representa um dos temas mais relevantes da teoria do Direito tributário, pois suscita posicionamentos relacionados à justiça e à sua efetiva concretização em um dado sistema jurídico, o que requer, para isso, igualdade, segurança jurídica e boafé nas relações entre fisco e contribuinte. KLAUS TIPKE10 oferece um bom ponto de partida para a compreensão do presente caso, in verbis: “As Constituições dos Estados de Direito não permitem que o Direito Positivo seja dissociado da Ética. Elas partem do pressuposto de que é possível reconhecer o que é 10 TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo : Melhoramentos, 2002, p. 21. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 722 57 justo e o que é injusto. A Constituição Brasileira declarase por ‘uma sociedade livre, justa e solidária’. A Constituição Alemã não contém qualquer declaração expressis verbis em favor da justiça, mas estatui – assim como a Constituição Brasileira – o direito fundamental à igualdade perante a lei. Tratamento isonômico como corolário da justiça pressupõe, porém, um critério adequado de comparação, um tertium comparationis orientado pela justiça. Contudo, é amplamente aceito que o princípio da igualdade seja um produto da justiça. Não existe um critério uniforme para todo o Direito. Muito mais correto é que cada ramo do Direito tenha seu próprio critério. Em outras palavras, deve ser decidido qual princípio ou qual critério é adequado para o particular ramo do Direito, tal como o Direito Tributário. Na Alemanha falase, portanto, em justiça adequada à matéria. O que é adequado à matéria depende da finalidade da regulamentação do particular ramo do Direito. O Direito Penal orientado pela culpabilidade mede a pena justa segundo o grau de culpa. Subvenções são medidas segundo a necessidade ou segundo um mérito especial. Por isso se fala em princípio da necessidade e principio de mérito. Para o Direito Tributário é amplamente reconhecido que este deve ser orientado pelo princípio da capacidade contributiva. Isso não vale, porém, para normas extrafiscais.” A justiça naturalmente também deverá ser observada na lei tributária que define infrações. Mas nessa seara há peculiaridades especiais, pois, como bem observa MARIA ÂNGELA L. PAULINO PADILHA11, “é preciso ter em mente que os interesses punitivos não se confundem com os interesses arrecadatórios do Estado, sob pena de desvirtuarse o sistema repressivo de seus propósitos”. E não se espera apenas que o legislador imprima justiça ao sistema jurídico, cabendo esse dever também ao aplicador do Direito. MORIS LEHNER12 constata que o “princípio fundamental da tributação justa” não deve ser observado apenas na edição das leis, mas também quando de sua aplicação, de forma que a interpretação da lei também deve ser orientada por esse “princípio normativo diretivo”. O Direito brasileiro não se furtou de tais constatações, o que se comprova pela análise do CTN, especialmente em seus arts. 100 e 112. O art. 112 do CTN se dirige diretamente aos aplicadores do Direito tributário, inclusive aos Conselheiros do CARF, pois trata da interpretação da legislação ordinária. O Legislador Complementar, imbuído da competência que lhe foi outorgada pelo art. 146 da CF/88, torna mandatório ao intérprete considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do fato” e a sua “punibilidade”. Em caso de “dúvida” que circunde os referidos fatores, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”. Eis a redação do dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão 11 PAULINO PADILHA, Maria Ângela Lopes. As Sanções no Direito Tributário. São Paulo : Noeses, 2015, p. XXIX. 12 LEHNER, Moris. Consideração econômica e tributação conforme a capacidade contributiva. Sobre a possibilidade de uma interpretação teleológica de normas com finalidades arrecadatórias. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; ZILVETI, Fernando Aurélio (coords.). Direito tributário: estudos em homenagem a Brandão Machado. São Paulo: Dialética, 2001, p. 1436. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 723 58 dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Parece claro que tal norma persegue a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé nas relações entre o fisco e o contribuinte. Entre outras variáveis fáticas alcançadas por essa norma, as condutas praticadas pelo contribuinte que apresentem dúvida razoável quanto à sua legitimidade devem ser escusadas de penalização. Tratase de norma de escusa de penalidade à conduta razoável, que no Direito penal encontra paralelo no consagrado “erro de proibição”. A pedra de toque para a sua aplicação é a aferição, pelo intérprete, da razoabilidade da conduta praticada pelo contribuinte, o que reclama por critérios para a outorga dessa proteção. A seleção de critérios para a identificação de condutas razoáveis, que imponham dúvida quanto à sua legitimidade capaz de amenizar ao máximo possível a aplicação de penalidades tributárias, não é tarefa das mais simples, como observa a doutrina. Nesse sentido, leciona LUÍS EDUARDO SCHOUERI13, in verbis: “À primeira vista, o dispositivo acima [CTN, art. 112] poderia ser visto como de difícil aplicação prática, ou pelo menos de difícil controle, já que seu pressuposto – a dúvida – carrega extremo grau de subjetividade. Aquilo que para um é duvidoso surge no espírito de outrem com clareza. Entretanto, a peculiaridade do processo brasileiro – tanto o administrativo quanto o judicial – em que preveem órgãos colegiados de julgamento, com sessões públicas, oferece um controle objetivo da dúvida. Não é incomum, com efeito, que decisões sejam tomadas em estreita maioria, ou até mesmo por voto de qualidade do presidente do presidente órgão julgador. Em tais casos, a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida”. Entre os critérios que podem ser adotados para aludida aferição, o caso concreto nos impõe decidir se é ou não fator relevante a constância de um determinado entendimento pela a administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento, acompanhada da adoção, pelo contribuinte, de conduta trilhada nessa mesma direção. As decisões do CARF, produzidas para o controle da legalidade dos lançamentos tributários, são públicas e influenciam a tomada de decisões do mais cauteloso dos contribuintes. De fato, o particular que, de boafé, se preocupar em ser diligente e cumprir com todos os seus deveres perante o fisco brasileiro, sem dúvida precisará contar com o auxílio de um consultor tributário (“compliance cost”), que terá como parte fundamental de seu trabalho verificar diligentemente como a administração fiscal, especialmente por seus órgãos decisórios, aplicam os enunciados legais que influenciam o caso sob a sua análise. Para bem localizar a questão, suponhase, por hipótese, que decisões reiteradas do CARF afirmem, de forma irrecorrível para variados contribuintes, que uma determinada 13 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 724 59 conduta seria plenamente legítima (“permitido”), como ilustrado na representação gráfica a seguir: Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 05. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. A representação gráfica suscita propositadamente situação de ausência de homogeneidade absoluta das decisões, exatamente para evidenciar que esta não é uma exigência para a aplicação do art. 112 do CTN. Para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável, o Legislador Complementar exige que exista “dúvida” (CTN, art. 112, caput), o que não é afastada simplesmente por uma decisão divergente (“não permitido”) de uma série constante de decisões em um mesmo sentido (“permitido”). Bem compreendidos, julgados de Turmas Ordinárias do CARF, que destoem de uma série constante de decisões, tem um papel fundamental no processo de estabilização do Direito tributário, em que o Tribunal administrativo, no âmbito de sua competência, esclarece à sociedade qual o seu entendimento quanto à legítima aplicação das normas tributárias: tais decisões divergentes (“não permitido”) ensejam a atuação da CSRF para a uniformização da jurisprudência administrativa. Diante de uma decisão da CSRF, a sociedade pode compreender com mais certeza quais condutas são (ou têm sido) legitimadas pela administração fiscal, como um aceno de segurança jurídica àqueles que seguirem o mesmo caminho. Nos moldes de nosso sistema jurídico, a decisão da CSRF apresenta elevada eloquência para a transmissão de mensagem à sociedade que, de boafé, poderá compreender como deverá agir para estar em conformidade com o entendimento da administração fiscal. Graficamente, em continuidade à ilustração acima, poderíamos ter a seguinte imagem como decorrência de uma decisão da CSRF: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 725 60 Permi do Permi do Permi do CSRF: PERMITIDO!!! Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 06. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Nesse seguir, independentemente de decisão divergente isolada (“outlines”), caso o contribuinte trilhe o mesmo caminho indicado por uma constância de decisões do CARF, confirmada por decisão ou decisões da CSRF, a sua conduta deve ao menos ser considerada razoável pela administração fiscal. Caso esse tribunal administrativo posteriormente altere o seu padrão de entendimento sobre o tema em questão, então será preciso reconhecer que haveria, ao menos, a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Essa questão foi analisada pelo CARF, por exemplo, em face da guinada de sua jurisprudência a respeito do planejamento tributário. Assim, no acórdão n. 10195.537, este Tribunal compreendeu que não seria legítimo punir o contribuinte que teria sido induzido, à época dos fatos, pela jurisprudência pretérita: PENALIDADE QUALIFICADA — INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE — ERRO DE PROIBIÇÃO — ARTIGO 112 DO CTN — SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI — Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso provido parcialmente. (Acórdão n. 10195.537, Processo n. 11065.001589/200467, sessão de 24/05/2006) A aludida norma também encontra reforço no art. 100 do CTN: Fl. 725DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 726 61 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Como se observa, o art. 100 do CTN deixa clara a necessidade de exclusão de penalidade pecuniária caso o contribuinte obedeça normas complementares consubstanciadas, por exemplo, em decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inciso II) ou, ainda, em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). É preciso compreender claramente a relação estabelecida entre os arts. 100 e 112 do CTN. Se, por um lado, o art. 112 deixa em aberto quais critérios podem ser utilizados para que o aplicador verifique se há a “dúvida” que lhe obriga a interpretar a penalidade da forma mais favorável ao acusado, por outro, o art. 100 do CTN não exclui das decisões administrativas colegiadas a serventia de se prestarem à aferição da referida “dúvida” e da razoabilidade da conduta adotada pelo contribuinte. Também é preciso observar que constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal pode ser compreendido como práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, abarcadas pelo art. 100, III, do CTN. Tais normas encontram fundamento de validade na Constituição Federal. Entre outras normas constitucionais que podem ser citadas, merece destaque a que prescreve a observância no “princípio da razoabilidade”, explicitado por REGINA HELENA COSTA14 do seguinte modo ao lecionar sobre “princípios gerais do direito sancionador”: “Merece referencia, outrossim, o princípio da razoabilidade. No direito brasileiro, a razoabilidade encontra fundamento expresso no art. 5o, LIV, CR, segundo o qual “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. A razoabilidade é medida em relação ao interesse público específico. A razoabilidade deve ser tomada como aquilo que a sociedade pode admitir como uma das soluções possíveis para o caso concreto; é o padrão social a respeito de certas condutas e, portanto, só pode ser aferida em função da realidade, de um contexto determinado. Pensamos, assim, que razoabilidade e proporcionalidade sejam termos fungíveis, a significar diretriz implícita fundamentada nas ideias de devido processo legal substantivo e de justiça, com vistas à proteção da arbitrariedade” 14 COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 305 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 727 62 Desse modo, os aplicadores do Direito tributário, entre eles os Conselheiros do CARF, possuem uma bússola prescrita pelo ordenamento jurídico para que, no caso de conduta razoável do contribuinte que suscite “dúvida” quanto à sua punibilidade, trilhem a interpretação mais favorável ao contribuinte. Não se pode deixar de observar que o art. 100, II, do CTN, erigiu “as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa” com status de normas complementares, desde que a lei lhes atribua “eficácia normativa”. Notese que o ordenamento atribui juridicidade às normas “gerais e abstratas”, “gerais e concretas”, “individuais e abstratas” ou “individuais e concretas”15. A todos esses enunciados prescritivos o sistema jurídico atribui “eficácia normativa”. E os acórdãos enunciados pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes, que compõem a série constante referida nas ilustrações acima, possuem “eficácia normativa”, de natureza individual e concreta. A atribuição de eficácia normativa individual e concreta às referidas decisões é suficiente para os propósitos da norma de escusa de penalidade à conduta razoável: evidenciar que outros contribuintes, mesmo que estranhos ao procedimento administrativo, poderiam ter justificáveis “dúvidas” sobre a vedação de uma conduta. Foi o que reconheceu o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, suscitado pelo contribuinte em sede de memoriais: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) Deve ser verificada a relevância ao presente recurso especial desse dispositivo suscitado pelo contribuinte. Analisadas as normas do CTN sobre a matéria, é possível avançar na análise do ciclo de positivação do Direito tributário para cogitar, por hipótese, três possíveis reações do legislador ordinário: i) regular, sem restringir, a fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável; ii) restringir ou mesmo proibir que a interpretação mais favorável ao contribuinte em 15 É o que leciona PAULO DE BARROS CARVALHO, in verbis: “Por fontes do direito havemos de compreender os focos ejetores de regras jurídicas, isto é, os órgãos habilitados pelo sistema para produzirem normas, numa organização escalonada, bem como a própria atividade desenvolvida por essas entidades, tendo em vista a criação de normas. O significado da expressão fontes de direito implica refletirmos sobre a circunstância de que regra jurídica alguma ingressa no sistema do direito positivo sem que seja introduzida por outra norma, que chamaremos, daqui avante, de “veículo introdutor de normas”. Isso já nos autoriza a falar em “normas introduzidas” e “normas introdutoras”. Pois bem, nos limites desta proposta, as fontes do direito serão os acontecimentos do mundo social, juridicizados por regras do sistema e credenciados para produzir normas jurídicas que introduzam no ordenamento outras normas, gerais e abstratas, gerais e concretas, individuais e abstratas ou individuais e concretas. Agora, tais ocorrências serão colhidas enquanto atos de enunciação, já que os enunciados consubstanciam as próprias normas. Tratase de um conceito sobremaneira relevante porque a validade de uma prescrição jurídica está legitimamente ligada à legitimidade do órgão que a expediu, bem como ao procedimento empregado na sua produção.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000.pg 45) Fl. 727DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 728 63 caso de dúvida na penalização de conduta razoável; iii) quedarse silente, tendo em vista que os aplicadores do Direito tributário já se encontram suficientemente tutelados sobre a questão. O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, como se vê, cuida da fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. O legislador ordinário requereu decisão da CSRF como requisito para a demonstração da razoabilidade da conduta do acusado capaz de evidenciar “dúvida” que lhe garanta a mais favorecida das interpretações e o afastamento de penalidades (“decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal”). Além disso, o legislador ordinário não exigiu qualquer constância de entendimento do Tribunal, valendose do singular (“decisão irrecorrível”) para fazer referência àquilo que serviria de escusa à aplicação de penalidade, enfatizando que o contribuinte não necessita ser parte do procedimento administrativo que deu origem à decisão paradigmático (“seja ou não parte o interessado”). Assim, perece correto compreender que a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, apresenta três espectros normativos. Primeiro, apenas declara a norma de escusa de penalidade à conduta razoável já prescrita pelo CTN, ao que se poderia chamar de meramente pedagógica ou didática16. Segundo, ao tornar prescindível a pluralidade das decisões de mesmo sentido, satisfazendose com uma única decisão irrecorrível da CSRF, o legislador ordinário tornou mais objetiva a aferição da “dúvida” que garante ao acusado a mais favorecida das interpretações. Por fim, ao exigir decisão irrecorrível da CSRF, o enunciado prescritivo por ser considera restritivo, pois tais condições não foram requeridas pelo legislador complementar. São controvertidas algumas questões sobre a eficácia da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Seria possível, por exemplo, questionar se haveria proporcionalidade na suposta distinção do legislador, em agraciar exclusivamente as relações jurídicotributárias atinentes ao IPI com uma norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Porque o legislador garantiria apenas em relação às relações em torno do IPI a aplicação de tal norma que, afinal, vivifica a segurança jurídica, a justiça fiscal e a boafé? No entanto, não me parece necessário enfrentar tais questionamentos, pois o presente caso seria igualmente solucionado com ou sem a aplicação direta da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Ocorre que, na hipótese da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ser aplicável apenas ao IPI e, assim, não poder ser suscitado aos casos envolvendo a CSL, o art. 112 do CTN possui eficácia suficiente para vincular o julgador. Se o legislador ordinário quedouse silente ao voltar as suas atenções à tributação sobre a renda, o seu silêncio transmite a mensagem eloquente de que a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé administrativa foram adequada e suficientemente 16 Há no sistema jurídico normas cuja função é meramente pedagógica, declaratória, didática. Tais normas não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repisar de forma mais clara e eficaz à sociedade algum mandamento já existente no ordenando jurídico. A importância de normas gerais e abstratas meramente pedagógicas pode estar relacionada com a necessidade de se lembrar aos aplicadores do Direito a sua cogência, de modo que, quanto menor a eficácia social das normas do sistema jurídico, mais pertinência pode vir a ter enunciados prescritivos meramente pedagógicos, didáticos. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 729 64 prestigiadas pelo CTN, não sendo necessário mais qualquer atividade legislativa para dar eficácia à norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Da mesma forma, não é aplicável ao caso concreto o Parecer Normativo COSIT n. 23, de 6 de setembro de 2013, que trata da força vinculante de um acórdão administrativo em relação a terceiros. Ocorre que, no caso concreto, não se trata simplesmente de aplicar, com força de norma complementar, o teor de um acórdão do CARF, emanado em relação a um terceiro, com a consequente exclusão de penalidades (CTN, art. 100, II). Tratase de reconhecer se há ou não a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN decorrente da constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal, que se aproxima mais da hipótese do art. 100, III, do CTN. 2.2. Qual a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose o débito principal das penalidades pecuniárias que o acompanham? Na análise da obrigação tributária objeto do presente processo administrativo, é preciso distinguir o crédito tributário da penalidade pecuniária (CTN, art. 113, §1º). Ocorre que a norma de escusa de penalidade à conduta razoável apenas tem eficácia sobre a penalidade pecuniária, sem afetar a cobrança do tributo (CTN, art. 3o). O art. 146 do CTN tutela os casos em que a administração fiscal altera o seu entendimento quanto à correta aplicação de uma norma de incidência tributária. Para os contribuintes que tiveram as suas condutas já fiscalizadas para averiguação de subsunção a uma norma tributária no período em que a administração mantinha, por exemplo, entendimento de não incidência, o referido dispositivo do CTN prescreve a inalterabilidade da situação jurídica estabelecida. Em relação aos exercícios ainda não fiscalizados, no entanto, a novel interpretação poderia ser legitimamente adotada, não havendo direito adquirido desse contribuinte à interpretação pretérita. Por sua vez, a ressalva “em relação a um mesmo sujeito passivo”, contida no art. 146 do CTN, não estende a terceiros a garantia de que serão observados, pela administração fiscal, idênticos critérios jurídicos para o lançamento do tributo. Assim, se duas empresas concorrentes forem fiscalizadas pela primeira vez, para a averiguação de fatos semelhantes, em um mesmo período, pelo mesmo agente fiscal, não há, a priori, garantia a nenhuma delas de que lhes seja aplicada homogênea interpretação jurídica. Da mesma forma, ainda que todos os concorrentes de uma empresa obtenham da administração fiscal um mesmo entendimento (não cobrança de um tributo, por exemplo), não poderia esse contribuinte, apenas por esse fundamento, exigir da administração fiscal não ser cobrado desse tributo. Ocorre que “as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, que por qualquer razão venham a ser alteradas, tem relevância para afastar penalidades, mas não afetam a cobrança do tributo em si (CTN, art. 100, III e parágrafo único). Fl. 729DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 730 65 Como se constata, o ordenamento jurídico proíbe que o fisco castigue, com penalidades pecuniárias, o contribuinte que agiu, à época dos fatos, em conformidade com a interpretação então mantida pela administração fiscal. Mas a proteção em exame não proíbe a administração fiscal de alterar o seu entendimento e realizar a cobrança de certo tributo dentro do prazo de 5 anos, contados conforme o art. 150 ou 173 do CTN. Assim, se aplicável ao presente caso, a norma de escusa de penalidade à conduta razoável afastaria apenas a cobrança da multa imposta no AIIM. 2.3. O caso concreto se adequa às situações que reclamam a proteção da norma de escusa de penalidade à conduta razoável? No presente caso, é preciso aferir se, em 2005, quando a conduta do contribuinte foi concretizada, haveria uma padrão nas decisões deste Tribunal administrativo que indicasse como legítimo o caminho então trilhado. Já se verificou, na análise do mérito do presente recurso especial (vide tópico “1.4”), a evolução da jurisprudência do CARF atinente à “trava dos 30%”. A representação gráfica abaixo ilustra a constância do entendimento mantido pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes quando o contribuinte, em face de sua extinção por incorporação, realizou a compensação de suas bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 731 66 Ac. 108‐06682, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐93438, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes CSRF, Ac. 01‐04258 Ac. 108‐07456, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2001 2002 2003 CSRF, Ac. 01‐05100 2004 Ac. 101‐94515, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95856, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2004 2006 Figura 06. Constância de decisões do CARF sobre a “trava dos 30%”. 2005 ANO DA EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO E COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO ACUMULADO Ac. 105‐15908, 5ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95872, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09243, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐96509, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐07.856, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09447, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2006 2007 2008 2009 2007 2008 CSRF, Ac. 9101‐00401 2016 JULGAMENTO DO CASO CONCRETO PELA CSRF: POR VOTO DE QUALIDADE, DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE (…) Como se observa, em 2005, o contribuinte estava imerso em um sistema jurídico no qual as decisões enunciadas pelo CARF, inclusive por sua CSRF, manifestavam com constância que, em face de extinção da pessoa jurídica por incorporação, seria legítima a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. A CSRF se manifestou sobre a matéria em 2002 e em 2004, considerando legítima tal conduta, sem destoar da imensa maioria dos acórdãos enunciados, por unanimidade de votos, pelas Turmas Ordinárias. É muito coerente a observação de ROBERTO DUQUE ESTRADA17 a respeito do cenário instaurado à época da conduta praticada pelo contribuinte (2005), in verbis: 17 ESTRADA, Roberto Duque. Não há segurança jurídica sem decisões estáveis, in CONJUR. Acesso em: http://www.conjur.com.br/2012nov21/consultortributarionaosegurancajuridicadecisoesestaveis Fl. 731DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 732 67 “Qualquer consultor em matéria tributária, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, quando indagado por clientes se uma pessoa jurídica, no período base de sua extinção, em virtude de cisão, fusão ou incorporação, poderia compensar integralmente o saldo de prejuízos fiscais acumulados, isto é, sem observar o limite de 30% de redução do lucro líquido, teria respondido afirmativamente à questão e classificado como muito remota a probabilidade de perda em eventual discussão administrativa. O consultor tributário fundamentaria sua resposta na jurisprudência consolidada da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), inaugurada pelo Acórdão CSRF/01 04.258, de 1o de dezembro de 2002, da relatoria do conselheiro Celso Alves Feitosa, assim ementado: (…)” Apenas a partir de 2009 (ou agosto de 2010, quando foi formalizado o acórdão n. 9101 00401, da CSRF) é possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão. Dessa forma, caso se compreendesse aplicável o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, para situações envolvendo a tributação do lucro (e não apenas IPI), então será forçoso concluir que há substrato fático para a sua incidência ao caso concreto: o dispositivo exige uma única decisão irrecorrível da CSRF para suscitar o afastamento de penalidade, mas o contribuinte possuía, à época dos fatos, dois acórdãos da CSRF que reconheciam a legitimidade de seu agir. Não obstante, ainda que por qualquer razão se considere inaplicável ao presente caso a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ainda assim deve ser reconhecida a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. No presente caso, o padrão da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte à época da conduta praticada pelo contribuinte, inclusive em face das decisões da CSRF, demonstra que os atos praticados apresentavam elevada razoabilidade e não seriam, a priori, considerados como sujeitos à punibilidade. Quando muito, haveria “dúvida” (CTN, art. 112, caput) quanto à sua “punibilidade” (CTN, art. 112, III). Tais normas do CTN, que tratam da interpretação da legislação ordinária, se dirigem diretamente aos agentes fiscais e aos julgadores (administrativos ou judiciais), não havendo discricionariedade quanto à sua obediência. Notese que a aferição da “dúvida”, no presente caso, se torna manifesta pelo próprio julgamento do presente recurso especial, ocorrido em 2016. Neste, houve empate entre os julgadores, pois 5 deles entenderam como legítima a conduta praticada pelo contribuinte, embora outros 5 tenham entendido pela ausência de permissivo expresso no sistema para a sua realização. Por voto de qualidade do i. Presidente da Turma, considerouse como não permitido o aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas sem a “trava dos 30%”. Assim, se em 2005, quando a conduta foi praticada, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte indicava para a legitimidade dos atos praticados pelo contribuinte, em 2016 apenas um voto, em meio a um colegiado composto por 10 julgadores, seria suficiente Fl. 732DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 733 68 para que a conduta em questão fosse considerada perfeitamente legítima. Nesse caso, como adverte a doutrina acima analisada, “a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida” 18. 2.4. Conclusões finais quanto à imposição de multa contra o contribuinte. Por todos os fundamentos expostos, entendo que deve ser afastada a imposição da multa imposta no AIIM contra o contribuinte. No presente no caso, seria coerente que o contribuinte conduzisse os seus atos em conformidade com o padrão estabelecido pela constância das decisões do CARF, especialmente diante das decisões da CSRF que apontavam para a mesma direção. Se duas interpretações seriam possíveis, mas o órgão máximo de julgamento da administração fiscal confirmou que uma deles seria a correta, é razoável esperar que o contribuinte trilhasse por esse caminho, não sendo legítimo ao Estado lhe penalizar por agir de tal maneira. Certa vez, REGIS FERNANDES DE OLIVEIRA19 asseverou que “O contribuinte não pode se convencer da justiça da tributação a que se vê submetido porque não encontra racionalidade na tributação nacional. Registrase grande imoralidade fiscal no país”. Se a constatação desse professor estiver minimamente correta, urge que os operadores do Direito, especialmente os agentes fiscais e os membros dos tribunais administrativos e judiciários, empenhem os seus maiores esforços para que a justiça fiscal, a segurança judicia e a boafé nas relações entre fisco e contribuinte façam parte da realidade brasileira. Se no Brasil o contribuinte pode ter a confiança de, hoje, pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica, então nossa nação já terá evoluído para um Estado democrático de Direito que garante a segurança jurídica aos seus administrados. Contudo, se um particular corre o risco de amanhã vir a ser punido por ter agido exatamente da forma como a administração fiscal, por seu órgão máximo de julgamento, afirmava ser legítima à época dos fatos, então ainda falhamos vergonhosamente em termos de justiça fiscal, segurança jurídica e boafé nas relações mantidas entre fisco e contribuinte. É como voto. 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. 19 OLIVEIRA, Regis Fernandes de. Contribuições sociais e desvio de finalidade. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; (coord.). Direito Tributário: Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. São Paulo: Quartier Latin, 2008. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006115/200800 Acórdão n.º 9101002.227 CSRFT1 Fl. 734 69 (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto Fl. 734DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 10882.723424/2013-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO - PEREMPÇÃO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado pelo devedor principal após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Não se conhece de recurso voluntário apresentado pelo devedor principal após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 34 24 /2 01 3- 44 Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório COMÉRCIO E INDÚSTRIA MULTIFORMAS LTDA e responsáveis tributários EMANUEL WOLFF e ANITA WOLFF, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 27/11/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 33.310.054,64. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Conforme o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 992/1010), em ação fiscal procedida na empresa acima identificada foram constatadas as seguintes irregularidades que culminaram na apuração de omissão de receita, conforme demonstrativo elaborado à fl. 1001: 1) OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS. A contribuinte não informou em DIPJ Receita Bruta, constatada em procedimento de diligências, realizadas durante trabalho de fiscalização relacionada à revenda de mercadorias, sendo constatada omissão de receita da atividade, nos meses de julho a dezembro de 2009 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º; Decreto nº 3000 RIR de 1999, art. 537). 2) OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA MENSAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. A contribuinte não informou em DIPJ, Receita Bruta constatada em diligências realizadas durante os trabalhos de fiscalização, relacionada à prestação de serviços, caracterizando omissão de receitas da atividade nos meses de janeiro a dezembro de 2009 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º; Decreto nº 3000 RIR de 1999, art. 537). 3) OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. OUTRAS RECEITAS DA ATIVIDADE. a) A contribuinte não informou, em DIPJ, Receita Bruta verificada nas Demonstrações de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativa aos meses de janeiro a dezembro de 2009, cuja atividade não pode ser identificada, caracterizando omissão de receitas. b) Não informou em DIPJ valores de Receita informada nas Guias de Informação e Apuração (GIA) apresentadas perante o fisco estadual, relativa aos meses de maio a dezembro de 2009, cuja atividade não pode ser identificada (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º; Decreto nº 3000 RIR de 1999, arts. 532 e 537). 4) OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A contribuinte foi intimada a apresentar os extratos bancários de todas as suas contas correntes e de poupança. Não sendo atendida a intimação pelo contribuinte considerado Inapto e que estava omisso de DIPJ, foram solicitadas às instituições financeiras a seguir relacionadas, mediante Requisição de Movimentação Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 4 3 Financeira (RMF) os extratos bancários das contas movimentadas pela contribuinte : Da análise da movimentação bancária, após terem sido consideradas as transferências de contas de mesma titularidade, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários e demais lançamentos que não constituem rendimento, chegouse à conclusão de que os depósitos bancários cuja origem deveria ser comprovada somam R$ 59.295.421,69. Os valores de receita apurados estão consolidados no demonstrativo de fl.1000 do TVF a seguir reproduzido: Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, foi apurada a receita mensal omitida pela fiscalizada no montante anual de R$ 79.389.617,16, conforme demonstrado no quadro acima reproduzido, constante do TVF à fl. 1001. Tendo em vista a falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal solicitados nas intimações, fato que impediu a determinação de Lucro Real, o Fisco arbitrou o lucro, utilizando os percentuais previstos na legislação tributária sobre a receita de venda de bens e de serviços. (Decreto nº 3000, de 1996, arts. 530, III, 532, 518, 519). Diante dessa constatação de omissão de receita, foram lavrados os Auto de Infração – AI (fls. 1011/1065) que exigem IRPJ e em decorrência a CSLL, PIS e Cofins, totalizando crédito tributário no montante de R$ 33.310.054,64, conforme abaixo discriminado: Tributo Valor do tributo Juros de Mora (validade até novembro 2013) Multa de ofício (225%) total IRPJ 5.877.376,42 2.296.705,11 13.224.096,95 21.398.178,48 CSLL 2.248.868,47 874.545,71 5.059.954,07 8.183.368,25 PIS 181.620,46 72.328,18 408.646,03 662.594,67 Cofins 840.376,12 334.690,85 1.890.846,27 3.065.913,24 Os lançamentos foram efetuados com base nas disposições legais constantes nos respectivos autos de infração e no TVF. Para efeito de lançamento de PIS e Cofins, foram levados em consideração os valores declarados em DCTF e as retenções efetuadas em nome da autuada. O mesmo procedimento foi aplicado para efeito do IRPJ, considerando os valores do IRRF, retidos em nome da autuada, declarados em Dirf (conforme quadros demonstrativos à fl.1005/1006). Foi aplicada a multa de ofício qualificada e agravada, no percentual de 225% ( Lei nº 9.430, de 1996, ar. 44, I e §§ 1º e 2º), tendo em vista que, mesmo intimada e re intimada acerca do andamento do procedimento fiscal, com ciência dos sócios em 09/02/2003, via postal, não foram atendidas as intimações lavradas pela fiscalização. Foram também lavrados mais 8 (oito) termos de solicitação de esclarecimentos direcionados aos endereços das oito filiais do sujeito passivo encontradas no cadastro do CNPJ, os quais, foram devolvidos por “mudança de endereço”, “endereço desconhecido”, “ numero inexiste” ou “ausência,”, após três tentativas de entrega. Contra os sócios EMANUEL WOLFF (CPF: 006.559.65874) e ANITA WOLFF (cpf: 053.539.04834) que constam da última alteração do quadro societário da Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 6 5 autuada, na situação de sócio e administrador, “assinando pela empresa”, foram lavrados Termo(s) de Sujeição Passiva Solidária (CTN art. 135, III). A empresa e o sócio EMANUEL WOLFF foram cientificados do lançamento e da responsabililização tributária, por meio de Edital Eletrônico (fls. 1076 e 1087) em 27/11/2013 e 13/12/2013, respectivamente. A sócia ANITA WOLFF foi cientificada dos lançamentos em 19/11/2013, via postal (AR fl. 1088). Foi também lavrado o Termo de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo Administrativo nº 108882.723792/201392). A autuada, representada por seu procurador Sr. Vagner Rumachella, apresentou impugnação (fls. 1110/1140), na qual refuta o lançamento, em suma, sob as seguintes alegações: Base de cálculo dos tributos Os dados coletados e considerados na autuação não correspondem às bases de cálculo definidas em lei, e tampouco podem ser consideradas para a apuração do montante do débitos sugerido, em razão da existência da documentação fiscal comprobatória das operações realizadas no ano calendário de 2009. A lavratura do auto de infração deuse pelo desencontro das intimações endereçadas ao contribuinte e aos seus administradores. Contudo a falta de apresentação dos documentos nos prazos estabelecidos pela autoridade fiscal não é suficiente para considerar definitivamente a existência dos créditos tributários apontados nos autos de infração. A empresa dispõe da documentação comprobatória das operações realizadas no anocalendário de 2009, e tem o direito de utilizálos para a correta apuração do quantum devido. O arbitramento do lucro somente pode ocorrer na real impossibilidade de apuração do lucro real. A base de cálculo pode ser revista na esfera judicial e a idoneidade dos documentos e consquentemente da apuração, pode ser demonstrada mediante perícia judicial. Havendo essa possibilidade na esfera judicial, não há razão para que esse procedimento não seja praticado na esfera administrativa. Inexistência de omissão na receita Como dito anteriormente, com base nas informações coletadas, optou o autuante por considerar o maior valor apurado em cada mês, dentre os efetivamente informados pelo contribuinte nos DACONs, nas informações prestadas nas GIAS, nas notas fiscais apresentadas pelos clientes da impugnante e na movimentação financeira da empresa, conforme justificado às fls. 1000 do Processo Administrativo. O auto de infração considera como receitas omitidas a totalidade de R$ 79.389.617,16, conforme demonstrativo de fl. 1001. Desse montante verificase que R$ 71.060.667,88 referemse aos valores informados nos Dacon(s) pela contribuinte e R$ 8.328.949,28 referemse a supostas omissões relativas à movimentação financeira da empresa. A soma desses valores resulta no total apontado pela fiscalização, razão pela qual os valores informados em GIA pelos tomadores dos serviços e pelos adquirentes de mercadorias em nada influenciam o resultado final. Inexiste portanto a diferença apontada no montante de 8.328.949,28, tratandose de erro decorrente do critério de apuração utilizado. O montante total apurado relativo à movimentação financeira é inferior ao montante de receitas informado pelo contribuinte, existindo diferenças apenas entre os meses do ano. O TVF informou, à fl. 997 do Processo Administrativo, que feita uma análise sobre os depósitos bancários e excluindo valores referentes a transferências entre contas Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 7 6 da própria pessoa jurídica, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários e demais lançamentos que não constituem rendimento, chegouse à conclusão que há R$ 59.295.421,69 de depósitos bancários cuja origem não pode ser comprovada (vide planilha anexa com o detalhamento destes depósitos, fl. 1001). Conforme se denota das notas fiscais juntadas por amostragem, verificase a existência de vendas faturadas em janeiro de 2009, que foram objeto de faturamento e efetivo recebimento nos meses seguintes, em fevereiro e março. As notas fiscais que se encontram em poder do representante legal da empresa deverão ser objeto de vistoria ou perícia para a comprovação do alegado, ressaltando trataremse de milhares de documentos cuja juntada é inviável no momento processual. Dessa forma protesta por realização de perícia. Desproporcionalidade da multa aplicada A sanção tributária, como qualquer outra sanção jurídica, possui a finalidade de desestimular o possível devedor de descumprir a obrigação tributária a que está sujeito. Não pode ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, constituindo ônus superior ao tributo. Não pode restringir o direito de propriedade, pois a Constituição Federal (CF) assegura a todos esse direito no seu art. 5º, XXII. Dessa forma é inconstitucional qualquer manifestação legal no sentido de reduzir o patrimônio do contribuinte. Além disso, o art. 150, IV da CF, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Decisões judiciais reconhecem o caráter confiscatório da multa de 75% e determinam a redução para 30% do imposto devido. Com maior rigor a multa de 225% aplicada no auto de infração ora impugnado. Não incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício. Tratase de questão analisada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf que reconhece a inexistência de previsão legal para aplicação de juros sobre a multa de ofício (Vide Acórdão nº 2202001.985 da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara) razão pela qual solicita que seja considerada tal circunstância, se ao final do julgamento da presente impugnação eventualmente se verificar a existência de tributos a serem recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional. Das provas No processo administrativo, em observância ao princípio da verdade material, a administração tributária no exercício de suas funcções tem o dever de provar a ocorrência do fato, do qual decorreu a aplicação do direito, com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, carreando para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, ou seja, deve ser considerado a relevância dos fatos em detrimento de quaisquer formalidades. O contribuinte tem o direito de fazer prova em sentido contrário, caso entenda que o resultado a que chegou o Fisco não condiz com a realidade ou afronta princípios constitucionais ou legais. Ao contribuinte cabe fazer as provas que julgar necessárias, e no caso presente, demonstrase indispensável a realização de prova pericial visando analisar os livros e documentos e as notas fiscais emitidas, e eventuais documentos contábeis considerados na apuração e confirmação dos valores devidos, recolhidos ou não. Justificase pela pouca definição das cópias extraídas das notas fiscais emitidas pelo contribuinte, anexadas por amostragem, prejudicando o direito de defesa da contribuinte. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 8 7 O PAF (Decreto nº 79.235, de 1972) prevê no art. 16 a realização de prova pericial. Assim indica o Sr. Helyer Rodrigues, (devidamente qualificado na peça impugnatória , Para tanto, formulou os seguintes quesitos: 1) Em relação aos meses de janeiro a dezembro de 2009, informe o Sr. Perito: a) os valores dos faturamentos e receitas auferidas pelo contribuinte; b) os valores das despesas incorridas pelo contribuinte; c) os valores das despesas não dedutiveis do imposto de renda; d) os demais valores de débitos e créditos que possam influenciar na apuração do lucro tributável pelo imposto de Renda e pela CSLL; e) os valores das despesas incorridas pelo contribuinte, passíveis de geração de créditos do PIS e da Cofins; 2) a existência de prejuízos acumulados que devam ser considerados para a redução do imposto de Renda e da CSLL, na apuração dos valores devidos relativos ao ano calendário 2009; 3) Com base nas informações acima, informe o Sr. Perito em quais meses verificouse a apuração de lucro tributável pelo Imposto de Renda e pela CSLL no ano calendário de 2009. 4) Informe o Sr. Perito os valores devidos a titulo de PIS e Cofins nos meses de janeiro a dezembro de 2009; 5) Informe o Sr. Perito os valores efetivamente pagos pelo contribuinte nos meses de janeiro a dezembro de 2009, relativos ao PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Não foram contestados pelos sócios, os Termo(s) de Sujeição Passiva Solidária. Para instrução processual a contribuinte apresentou cópias de notas fiscais de venda. É o essencial. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os depósitos em contacorrente da empresa, cujas operações que lhes deram origem não foram comprovadas, presumemse advindos de receitas omitidas, obtidas à margem da escrituração. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. A eventual posterior disponibilidade da documentação, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 9 8 Aplicase à tributação decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal relativo à omissão de receita, em face da estreita relação de causa e efeito. PEDIDO DE PERÍCIA NEGADO. Incabível a perícia quanto a questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos, da verificação de exigências legais ou de detalhes que não sejam a ela importantes. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, em caráter privativo, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, tem previsão legal. A contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª instância por meio e edital afixado em 20/08/2014 e desafixado em 04/09/2014 (fl. 1312). Os responsáveis tributários Emanuel Wolff e Anita Wolff foram cientificados da decisão, por via postal, em 26/08/2014 (fls. 1309/1310). Em 23/10/2014 a contribuinte e o responsável Emanuel Wolff apresentaram recurso voluntário conjunto, no qual reiteram as razões apresentadas em impugnação e pedem o cancelamento do débito fiscal (fls. 1314/1347). Em 30/10/2014 os autos foram encaminhados a este Conselho com o seguinte despacho (fl. 1350): SP solidário, Emanuel Wolff, tomou ciência em 26/08/2014 e PJ tomou ciência por Edital em 04/09/2014, apresentou Recurso Voluntário em 23/10/2014 intempestivamente, proponho encaminhamento a Gepaf/Secoj/Secex/Carf/MF/DF para prosseguimento. Em 09/12/2015 os autos foram sorteados para relatoria da Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Com a designação da Conselheira Relatora para a 1ª Turma da CSRF, os autos foram devolvidos para novo sorteio, em razão do qual restaram atribuídos para relatoria por esta Conselheira. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado no Termo de Verificação Fiscal, desde o início do procedimento fiscal constatouse que a contribuinte não mais se encontrava instalada em seu domicílio tributário (Rodovia Regis Bittencourt, s/n, altura km 270,5 Chácaras Marapuí Taboão da Serra/SP), sendo incerto e desconhecido seu endereço. A autoridade lançadora também intimou os sócios da pessoa jurídica a comparecer à DRF/Osasco para prestar esclarecimentos, porém as intimações não foram atendidas. Por fim, o fiscal autuante também dirigiu intimações por via postal a todos os endereços das filiais do sujeito passivo, mas nenhuma delas chegou ao destino. Frente a tais circunstâncias, a inscrição da empresa no CNPJ foi declarada inapta por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/Osasco nº 05/2013, e a ciência do lançamento foi promovida por edital. Considerando que à época da intimação referente à decisão de 1ª instância a contribuinte mantinha domicílio tributário no mesmo endereço indicado desde o início do procedimento fiscal (fl. 1307), a ciência da decisão foi promovida por edital, vez que evidenciada anteriormente a impossibilidade de intimação da contribuinte por via pessoal ou postal e declarada a inaptidão da inscrição da contribuinte perante o CNPJ, consoante exigido pelo Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.723424/201344 Acórdão n.º 1302001.867 S1C3T2 Fl. 11 10 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] (negrejouse) Em tais circunstâncias, a ciência ficta se verifica 15 (quinze) dias após a publicação do edital, na forma do art. 23, §2º, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005. Logo, afixado o edital em 20/08/2014, a ciência da contribuinte se efetivou em 04/09/2014. O Decreto nº 70.235/72 também estabelece que o prazo para recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de 1ª instância (art. 33), devendose ter em conta que, a teor do seu art. 5º, parágrafo único, os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Evidenciada a ciência da contribuinte em 04/09/2014 (quintafeira), o prazo para recurso voluntário tem sua contagem iniciada em 05/09/2014 (sextafeira) e finda em 06/10/2014 (segundafeira). Contudo, como visto, a peça de defesa foi apresentada em 23/10/2014, e sem qualquer justificativa para a intempestividade patente. Já com referência aos responsáveis tributários Emanuel Wolff e Anita Wolff, embora ambos tenham sido intimados na mesma data (26/08/2014), dado que residentes no mesmo endereço, deflagrandose o prazo recursal já em 27/08/2014, com termo final em 25/09/2014, apenas Emanuel Wolff se manifestou nos autos, e isto também em 23/10/2014, juntamente com a contribuinte autuada. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Todavia, restando intempestivo o recurso voluntário, a ausência de tal requisito de admissibilidade impede que o litígio se instaure, o que torna o órgão julgador incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas naquela petição. O presente voto, portanto, é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto em razão de sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10111.721893/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Trata o presente processo de Auto de Infração que constitui e exige a multa prevista no § 3° do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976 (conversão da pena de perdimento em multa). O auto de infração foi lavrado contra a empresa JILI COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA, ME e foram considerados responsáveis solidários: a empresa Ásia Importadora e Distribuidora Elétrica Ltda, CNPJ 04.929.144/000188; Chen Jianhai, CPF 226.510.92827, sócio da empresa JILI; Francisco Paulo de Almeida, CPF 357.906.01120 sócio administrador da empresa Jili; a empresa Vet Freight Comércio Internacional Ltda. ME, CNPJ: 03.810.340/000176. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 21 89 3/ 20 12 -7 9 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.721893/201279 Resolução nº 3401000.928 S3C4T1 Fl. 3 2 Segundo o auto de infração, a Inspetoria da RFB no Rio de Janeiro constatou que a empresa VET FREIGHT COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, CNPJ 03.810.340/000176, operava como importadora ocultando os verdadeiros e reais adquirentes das mercadorias importadas, entre outros, a empresa JILI COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA, ME. A Alfândega de Brasília encontrou essa situação da VET com relação também com à ASIA Importadora e Distribuidora Elétrica Ltda. Como se vê, a autoridade fiscal definiu que houve interposição fraudulenta. Intimados da autuação, impugnaram somente JILI Comércio Importação e Exportação de Material Elétrico Ltda,. a Ásia Importadora e Distribuidora Elétrica Ltda, e Francisco Paulo de Almeida. Decretando os julgadores de 1ºpiso a revelia dos outros autuados. A respeitável 11ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SP 1) consideraram improcedentes as impugnações e mantiveram o crédito tributário. O Acórdão n.º 16057.352, proferido em 28 de abril de 2014 ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de Apuração: 02/12/2009 a 17/11/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza crime contra a ordem tributária, sujeitando a importadora interposta à representação fiscal para fins penais além da penalidade previstas no art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76. NULIDADES. INOCORRÊNCIA Em sede de processo fiscal tributário, são nulos somente os atos e termos lavrados por agente incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Poderão ainda ser cominados com nulidade os lançamentos que contenham vícios formais relevantes à matéria deduzida na autuação. Referidas hipóteses, todavia, não estão presentes nos autos. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. A obtenção, por parte do Fisco Federal, de informações referentes à movimentação bancária do sujeito passivo, além de amparada legalmente, não constitui quebra de sigilo bancário. SOLIDARIEDADE Segundo a legislação do Comércio Exterior, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de sujeitos passivos solidários acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10111.721893/201279 Resolução nº 3401000.928 S3C4T1 Fl. 4 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília providenciou a intimação e ciência desses sujeitos passivos em maio de 2014 (fls. 940 a 949). E ela proferiu o despacho de encaminhamento deste processo ao CARF em 16/06/2014 (fls. 948), informando que estaria instruído com os recursos voluntários tempestivos da ASIA Importadora e da JILI Comércio. É o relatório. VOTO Antes de adentrarmos às preliminares, sinto ser meu dever confessar que não logrei encontrar os recursos voluntários noticiados. Mesmo imprimindo as páginas que compõem o processo, não consegui identificar os recursos. Por falta de opção para proceder á análise, rogo a este Colegiado seja este julgamento convertido em diligência para o processo retornar à unidade de jurisdição para informar a localização dos citados recursos e, se for o caso, instruir o processo com os exemplares originais. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira relator. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 12466.720558/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 28/11/2013 a 02/01/2014
CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07.
A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07.
VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS.
Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
Numero da decisão: 3201-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Este último apresentará declaração de voto.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/11/2013 a 02/01/2014 CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
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MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprovála diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Este último apresentará declaração de voto. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 05 58 /2 01 4- 21 Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.052 2 Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de auto de infração para cobrança de crédito tributário de R$ 212.133,90, referente a aplicação da multa de 10% sobre o valor aduaneiro das operações de importação amparadas pelas Declarações de Importação (DI) listadas as fls 48, por ter a MELTEX AOY cedido seu nome com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes. Informa a auditoria fiscal que: submeteu seis declarações de importação da MELTEX AOY ao procedimento especial de controle aduaneiro previsto na Instrução Normativa – IN RFB 1.169/11, durante o qual restou comprovada a ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias e conseqüentemente a cessão do nome da Meltex Ltda para o acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio internacional; a imensa maioria das confecções anteriormente nacionalizadas pela Meltex Ltda contendo a marca EMPÓRIO COLOMBO havia sido transferida para a ADM Comércio de Roupas Ltda, empresa vinculada à detentora do registro da marca juntamente ao INPI; a Meltex Ltda admitiu que parte das mercadorias das DIs 13/23560108, 13/23615077 e 13/23615085 realmente seria comercializada para a detentora do registro da marca EMPÓRIO COLOMBO junto ao INPI, mas alegou que uma parcela dos produtos seria vendida para empresas sem vinculo com aquela; foi constatado que parte dessas camisas somente foi revendida para empresas sem vínculo com a proprietária da marca em conseqüência de os produtos apresentarem defeito de fabricação e por esse motivo terem sido recusados pela encomendante das mercadorias, gerando inclusive a retirada das etiquetas originais e sua substituição. ainda foi constatado que as confecções de outras 19 Declarações de Importação desembaraçadas pela Meltex Ltda contendo confecções com a marca EMPÓRIO COLOMBO foram transferidas de forma rápida e integral para a ADM Comércio de Roupas Ltda; Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.053 3 há fortes evidências de ocultação do real comprador das confecções constantes das DIs 13/23560108, 13/23615077 e 13/23615085 e, por conseguinte, da cessão do nome do nome da Meltex Ltda para acobertar os reais intervenientes ou beneficiário dessas operações comerciais; analisando o histórico de importações realizadas pela ADM Comércio de Roupas Ltda desde o início do ano de 2009, foram identificadas centenas de DIs nas quais esta empresa foi informada como interveniente pelos respectivos importadores, ou seja, tendo sido indicada como real destinatária das mercadorias, sendo que nenhuma DI foi registrada nesse período como tratando de operação de importação realizada por conta; A ADM Comércio de Roupas Ltda é controlada pela Q1 Comercial de Roupas S/A, empresa que detêm 99,97 % das quotas do capital social daquela e é uma das titulares do registro da marca EMPÓRIO COLOMBO junto ao INPI; por tudo apresentado neste auto de infração, restou demonstrado que as operações de importação constantes das DIs nº 13/23560108, 13/23615077, 13/23615085, 14/00089249, 14/00089257 e 14/00089273 foram realizadas com a ocultação ADM Comércio de Roupas Ltda como encomendante predeterminada das mercadorias, infração praticada mediante a interposição fraudulenta ou simulada da Meltex Ltda entre a empresa ocultada e o Fisco; e foi efetuada a representação fiscal para fins penais, previstas na legislação em vigor. A MELTEX AOY pugna nos seguintes termos (fls. 942/986): Demonstra dados pelos quais pretende provar que possui solidez, infraestrutura comercial, financeira e logística no mercado de vestuário como representante e distribuidora de diversas marcas; Em relação ao caso em epígrafe, alega que todo o processo de desenvolvimento, aprovação de modelo, importação e comercialização correu por sua conta e risco, inexistindo qualquer influência da detentora da marca, muito menos encomenda, apresentando, para defender sua tese, os seguintes argumentos as fls. 944: 6. Seguindo sua linha de negócio, a Meltex formalizou Instrumento Particular de Licenciamento de Uso de Marca e no 12 Aditivo, firmados em 06 de maio de 2013 e em 09 de junho de 2013 ("Contrato de Licenciamento da Marca"), respectivamente, com a empresa Q1 Comercial de Roupas S.A., sociedade inscrita no CNPJ/MF sob o nº 09.044.235/000150, com sede na Rua Benjamin Constant, nº 77, sala 03, Bairro Sé, São Paulo, SP ("Q1"), titular dos direitos sobre o registro da marca "Empório Colombo" (fls. 419/425). Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.054 4 7. Segundo o Contrato de Licenciamento da Marca, a Meltex possui autorização para desenvolver qualquer produto com a marca "Empório Colombo". Assim, a Meltex desenvolve todo o produto (vide fls. 342/397), envia aos fabricantes chineses e, antes da aprovação, recebe uma amostra de cada produto (vide fls. 398/418). Somente após a definição dos modelos, quantidades e do recebimento das amostras enviadas pelos exportadores que a Meltex expõem estes produtos em showroom e envia representantes comerciais com mostruários aos clientes interessados. A Meltex apresenta contra argumentos aos expostos pela fiscalização no auto de infração, citando inclusive os documentos que serviram como prova na autuação, no sentido de defender sua tese de que não houve importação por encomenda e que todas as operações foram por sua conta e risco, logo não atuou em nome da “Empório Colombo”. Assim sendo, requer a MELTEX AOY, em preliminar, a nulidade do auto de infração, pois, segundo sua tese o lançamento teria sido efetuado: sem observância dos requisitos do art. 142 do CTN, ou seja, sem ocorrência do fato gerador e existência de matéria tributável; tendo como base operações amparadas por DI não nacionalizadas, pois existem mercadorias que foram submetidas ao regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro, logo não sofreram despacho para consumo; sem se provar que as importações não ocorreram por conta própria, ou seja, não há provas de que ocorreram por encomenda de terceiros; mesmo inexistindo dano ao erário; sem comprovação de fraude ou simulação nas operações de importação; baseado apenas em simples presunções por parte da fiscalização; sem observância ao princípio da verdade material; Resume assim, a MELTEX AOY, seus pedidos na pugna solicitando a anulação e insubsistência da autuação; Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/11/2013 a 02/01/2014 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.055 5 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento, arguindo que: [...] inexistindo prova inequívoca da encomenda prévia e dos benefícios que o suposto acobertamento traria às partes e dos prejuízos causados ao erário por isso, a obrigação tributária não está configurada e o lançamento tributário é nulo por descumprimento ao disposto no artigo 142 do CTN e por ausência de provas concretas e da devida motivação. Em atenção ao alegado, verificase que o presente lançamento atendeu a todos os requisitos formais, bem como não restou constatada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa da recorrente, inexistindo, assim, qualquer razão para a declaração de nulidade do lançamento. No tocante à ausência de provas, uma questão a ser dirimida é a de se saber se houve, no procedimento fiscal, comprovação material da infração. Para tanto, algumas considerações acerca de direito probatório, ou mais especificamente sobre como se chega à comprovação material de um dado fato, são necessárias. Na busca pela verdade material – princípio este informador do processo administrativo fiscal –, a comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização préestabelecida dos meios de prova, sendo perfeitamente regular o estabelecimento da convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem, desde Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.056 6 que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada; aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. O uso de indícios não pode ser confundido com a utilização de presunções legais. Diferem a presunção e o indício pela circunstância de que àquele o direito atribui, isoladamente, o vigor de um verdadeiro conformador de uma outra situação de fato que a lei presume, por uma aferição probabilística que ocorra no mais das vezes. Já o indício não tem esta estatura legal, uma vez que a ele, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, transfere a convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil. Fazse necessário ainda lembrar que no direito processual administrativo tributário é permitido, em princípio, todo meio de prova, uma vez que não há limitação expressa, ressaltando que predominam a prova documental, a pericial e a indiciária. Pois é exatamente a associação da primeira com a última que se permite concluir a respeito da correção e validade do lançamento. Desta forma, as provas indiretas – indícios e presunções simples – podem ser instrumentos coadjuvantes do convencimento da autoridade julgadora quando da apreciação do conjunto probatório do processo administrativo tributário. As presunções legais ou absolutas independem de prova, assim como a ficção jurídica. As presunções relativas admitem prova em contrário. As presunções simples devem reunir requisitos de absoluta lógica, coerência e certeza para lastrear a conclusão da prova da ocorrência do fato gerador de tributo. Alberto Xavier, em “Do lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, 2ª ed., 1998, pág. 133, ao tratar das presunções e da verdade material, assim se pronuncia: A questão está em saber se os métodos probatórios indiciários, aí aonde são autorizados a intervir, são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração Fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou a prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substituta) prevista na lei: só que a verdade material se obtém de modo direto e nos quadros de um modo indireto, fazendo intervir Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.057 7 ilações, presunções e juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Por fim, em se tratando especificamente da verificação de ocultação do real beneficiário de operação de importação, os atos praticados pelos contribuintes precisam ser analisados em conjunto, não sendo suficiente a constatação da validade formal do ato visto de forma isolada dos demais. Analisase o filme e não apenas a foto. Pois bem, a lide gira em torno da aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização afirma ter a empresa Meltex Ltda cedido seu nome à empresa ADM Comércio de Roupas Ltda para à importação de mercadorias, ocultando esta, real beneficiária das operações de comércio internacional, do Fisco. A recorrente, à seu turno, alega a licitude das operações realizadas, contestando a alegação de fraude. Delimitada a lide, inicio o julgamento com a transcrição do voto formalizado pelo conselheiro Winderley Morais Pereira no Acórdão nº 3201001.552, que aborda com maestria os temas controle aduaneiro e interposição fraudulenta, necessários para melhor compreensão da matéria: O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.058 8 momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.059 9 O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas. A primeira, de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e a segunda, a interposição fraudulenta de terceiros, que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada, presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 22 do Decreto Lei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/ 01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.060 10 situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. A procedência e legalidade da aplicação da multa de 10% na cessão de nome para terceiro nas operações importação. Além, da penas referentes ao perdimento da mercadoria, a interposição fraudulenta também gera a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." De acordo com este mandamento legal, a pessoa jurídica que cede o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros fica sujeita a multa de 10% do valor da operação. Questão reiteradamente discutida e questionada pela Recorrente é a alegação que a penalidade prevista no art. art. 33 da Lei nº 11.488/2007 afasta a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. " Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.061 11 mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1º A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2º Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3º A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº1.455/76 por esta nova multa. Pois bem, introduzido o tema, e delimitada a lide, que se concentra na verificação se, de fato, a empresa importadora Meltex Ltda atuou em nome da empresa ADM Comércio de Roupas Ltda, ocultando do Fisco tal situação, iniciase agora a análise dos documentos e fatos trazidos aos autos pelas partes. A fiscalização apresenta relatório fiscal com os seguintes apontamentos: 7 – DA OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E DA CESSÃO DE NOME As suspeitas da ocorrência de ocultação do real comprador das confecções constantes das Declarações de Importação objeto deste auto de infração surgiram da informação de que tais mercadorias tinham a marca EMPÓRIO COLOMBO, produtos cuja comercialização pelas lojas da Camisaria Colombo é de conhecimento público. Por meio de pesquisa realizada no sítio do INPI na rede mundial de computadores foi constatado que a marca EMPÓRIO COLOMBO para uso em vestuário está registrada em nome da Q1 Comercial de Roupas S/A, companhia integrante do grupo empresarial de que faz parte a Camisaria Colombo. A pedido da fiscalização tributária foi apresentado por esta importadora um contrato de licenciamento da marca, mas esse documento, além de estranhamente não prever qualquer remuneração pelo seu uso, tinha reconhecimento de firma notarial posterior ao registro da primeira DI objeto deste auto de infração. Em consulta realizada no Siscomex foi verificado que a Meltex Ltda já havia desembaraçado diversas outras Declarações de Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.062 12 Importação contendo produtos com a marca EMPÓRIO COLOMBO. E no SPED foi observado que uma grande quantidade das mercadorias que haviam sido nacionalizadas com essa marca tinha sido comercializada para a empresa ADM Comércio de Roupas Ltda, que também é vinculada à Camisaria Colombo. Em resposta a intimação formulada pela fiscalização aduaneira a Meltex Ltda negou que as mercadorias das Declarações de Importação nº 13/23560108, 13/23615077 e 13/23615085 tivessem sido encomendadas pela ADM Comércio de Roupas Ltda, mas reconheceu que parte dos produtos dessas DIs seria comercializada para esta empresa. A Meltex Ltda ainda alegou que comercializa as mercadorias com a marca EMPÓRIO COLOMBO para empresas sem vínculo com a proprietária dessa marca e apresentou notas fiscais com a finalidade de demonstrar essas vendas. Diante das evidências de ocultação do real comprador das mercadorias dessas DIs, as três foram submetidas ao procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN RFB 1169/11. Durante essa ação fiscal foi analisado o histórico de nacionalizações de confecções com a marca EMPÓRIO COLOMBO realizadas pela Meltex Ltda, tendo sido identificado um total de 21 declarações de importação desembaraçadas com tais produtos. Dessas DIs, 19 tiveram as suas confecções transferidas de forma integral para a ADM Comércio de Roupas Ltda e isso ocorreu rapidamente, ou seja, pouco depois do desembaraço das mercadorias por esta Alfândega. Restava esclarecer o que ocorreu com as confecções constantes das outras duas DIs, cujas camisas do tipo polo a Meltex Ltda alegou que, em parte, teriam sido comercializadas para empresas sem vínculo com a proprietária da marca EMPÓRIO COLOMBO. Em contato com empresas para as quais foram revendidas tais camisas foi obtida a informação de que estas não comercializavam produtos contendo marcas de lojas concorrentes e que as confecções adquiridas não tinham as etiquetas originalmente afixadas nos produtos. Por essa razão, foi necessária a realização de verificação física das mercadorias das Dis nº 13/23560108, 13/23615077 e 13/23615085 no recinto alfandegado em que estão armazenadas, nas quais foi constatada a afixação de quatro etiquetas contendo as marcas EMPÓRIO COLOMBO e COLOMBO. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.063 13 Também foi efetuada verificação das confecções nacionalizadas por meio das Declarações de Importação nº 13/17728060 e 13/19443992 que ainda restavam no depósito da Meltex Ltda, DIs das quais uma parcela das mercadorias teria sido revendida para empresas sem vínculos com a proprietária da marca EMPÓRIO COLOMBO. Nessa análise, constatouse que a parcela das confecções dessas duas DIs que não foi comercializada para a ADM Comércio de Roupas Ltda foi objeto de rejeição dessa empresa em razão de defeito de fabricação. Em consequência dessa rejeição, a Meltex Ltda efetuou a retirada das etiquetas contendo as marcas EMPÓRIO COLOMBO e COLOMBO e as substituiu por outra de uso desta importadora. Portanto, foi em decorrência desse defeito de fabricação que as camisas foram comercializadas para empresas sem vínculo com a proprietária da marca EMPÓRIO COLOMBO. Assim sendo, essas confecções foram comercializadas para essas empresas sem as etiquetas originalmente afixadas nas camisas e é evidente que essas vendas somente foram realizadas para estas destinatárias em consequência dos defeitos de fabricação constatados. Isso demonstra que tanto o contrato de licenciamento da marca EMPÓRIO COLOMBO quanto o aditivo apresentado posteriormente com a fixação do pagamento de royalties foram instrumentos para tentar dissimular a ocultação da ADM Comércio de Roupas Ltda como real compradora dos produtos e a cessão do nome da Meltex Ltda para acobertar aquela empresa e com esses artifícios dificultar a comprovação dessas infrações à legislação aduaneira. O contrato de licenciamento da marca tem data de reconhecimento das firmas dos sócios da detentora da marca EMPÓRIO COLOMBO posterior ao dia de registro da primeira DI objeto deste auto de infração. Somente em razão de questionamentos da fiscalização tributária em relação à falta da previsão de pagamento de royalties pela utilização dessa marca pela Meltex Ltda é que esta importadora apresentou um aditivo ao contrato de licenciamento prevendo tal remuneração. A constatação de que nenhuma das confecções importadas com a marca EMPÓRIO COLOMBO desembaraçadas pela RFB foi comercializada para empresa sem vínculo com a detentora da marca contendo as etiquetas originais, demonstra que tanto o contrato de licenciamento quanto o aditivo apenas tinham por finalidade tentar evitar que a fiscalização tributária descobrisse a ocorrência da ocultação do real comprador das mercadorias das DIs registradas como contendo operações de importação realizadas por conta própria pela Meltex Ltda e comprovasse a Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.064 14 cessão do nome da autuada para acobertar a ADM Comércio de Roupas Ltda. Durante o procedimento especial de controle aduaneiro das três primeiras DIs objeto deste auto de infração, foram registradas as Declarações de Importação nº 14/00089249, 14/00089257 e 14/00089273, também contendo confecções com a marca EMPÓRIO COLOMBO e cujas mercadorias foram entrepostadas. Os produtos dessas Declarações de Importação não foram nacionalizados imediatamente em razão da ação fiscal à qual foram submetidas as outras três DIs, mas ingressaram no território aduaneiro brasileiro com a mesma irregularidade destas, a ocultação da ADM Comércio de Roupas Ltda como encomendante predeterminada das mercadorias. A Meltex Ltda apresentou requerimento solicitando prazo para a realizar a sua vinculação à ADM Comércio de Roupas Ltda no Siscomex, mas além de não atender ao Termo de Intimação por meio do qual foi solicitado cópia dessas três Declarações de Importação e dos correspondentes instrutivos, tal pedido é descabido para regularizar a situação das mercadorias entrepostadas, pois foi formulado após a instauração do procedimento de fiscalização sobre tais produtos. Considerando as etiquetas existentes nas camisas contendo a marca EMPÓRIO COLOMBO e que confecções podem ser fabricadas com diferentes tipos de tecidos, modelos, desenhos, combinação de cores e variados tamanhos (P, M e G), não é aceitável que a Meltex Ltda tenha realizado a importação de mais de 1.000.000 de peças e as transferido para a ADM Comércio de Roupas Ltda com tanta rapidez sem que existisse uma encomenda prévia realizada por esta empresa, na qual todas as quantidades e especificações dos produtos estivessem acordadas entre as duas empresas. Por todos os elementos de prova apresentados, restou comprovado de forma inequívoca que a ADM Comércio de Roupas Ltda é a real compradora das mercadorias importadas com a marca EMPÓRIO COLOMBO constantes das Declarações de Importação objeto deste auto de infração e, por conseguinte, foi demonstrado que a Meltex Ltda cedeu seu nome com a finalidade acobertar aquela interveniente. A ADM Comércio de Roupas Ltda é encomendante predeterminada das camisas e foi ocultada nas Declarações de Importação registradas em nome da Meltex Ltda, descumprindo a legislação que instituiu e regulamentou a modalidade de importação por encomenda. A informação prestada à Receita Federal do Brasil de que se trata de operações de importação realizadas por conta própria pela Meltex Ltda implica em que a ocultação da real compradora das mercadorias ocorreu mediante fraude ou simulação. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.065 15 Foi constatado que outras importadoras brasileiras adquirem mercadorias no exterior destinadas à ADM Comércio de Roupas Ltda, mas agindo de forma diferente da Meltex Ltda e cumprindo as normas vigentes relacionadas à terceirização de importações, a real destinatária dos produtos é identificada nas respectivas DIs. Essas operações de importação realizadas por outras empresas demonstram que os responsáveis pela ADM Comércio de Roupas Ltda tem conhecimento da obrigatoriedade de sua identificação nas DIs cujas mercadorias são a essa empresa destinadas. A recorrente se defende alegando, basicamente, que todo o processo de desenvolvimento, aprovação do modelo, importação e comercialização correu por conta e risco única e exclusivamente da recorrente, inexistindo qualquer tipo de influência da detentora da marca, muito menos encomenda prévia. Afirma ainda que os produtos são importados com a marca "Empório Colombo" pois teve como objetivo produzir produtos que atendessem, principalmente, mas não exclusivamente, as necessidades das empresas do grupo detentor da marca, sua principal cliente Do exposto, resta incontroverso que a recorrente importou as mercadorias e as revendeu à empresa ADM Comércio de Roupas Ltda. Resta definir se as mercadorias foram previamente encomendadas pela empresa ADM Comércio de Roupas Ltda., fato que teria sido ocultado das autoridades fiscais e que configuraria a infração ora em comento, ou se inexistiria esta prévia destinação dos produtos. Pois bem, as evidências da ocultação do verdadeiro adquirente das mercadorias importadas saltam aos olhos. As roupas adquiridas do exterior apresentavam etiqueta da marca "Empório Colombo", o que já restringiu a sua venda para a empresa ADM Comércio de Roupas Ltda, proprietária da marca. As mercadorias importadas e que deram origem esta autuação foram, efetivamente, vendidas para a empresa ADM Comércio de Roupas Ltda. Quanto ao contrato de licenciamento de uso de marca, o mesmo não tem relação com as importações realizadas pela recorrente, tendo em vista que todos os artigos foram revendidos para a própria empresa detentora da marca. Os produtos revendidos a outras empresas, rejeitados por defeitos de fabricação e que não são objeto deste lançamento, tiveram as etiquetas extraídas e substituídas, o que os afasta do objeto do alegado contrato de licenciamento. Ora, é abusar da inteligência destes julgadores alegar "[...]que as importações fiscalizadas foram realizadas por conta e risco exclusivo da Recorrente, sem qualquer interferência, ou mesmo conhecimento, da empresa detentora da marca "Empório Colombo". Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.066 16 O negócio entre as empresas é evidente. Não se trata de importar mercadorias da marca "Empório Colombo" para futura revenda a compradores indeterminados. Desde antes da operação de importação o destinatário já está definido, informação esta que foi ocultada à RFB. Percebase que esta mesma operação de importação por encomenda é usualmente realizada pela empresa ADM Comércio de Roupas Ltda. junto a outras operadoras de comércio internacional. A recorrente, contudo, optou por realizar a importação por encomenda como se fosse uma importação por conta própria, caracterizando a infração ora em julgamento. Em relação à alegação de que parte das mercadorias importadas foram encaminhadas para entreposto aduaneiro, onde se encontravam quando foram objeto de pena de perdimento, o regime especial de entreposto aduaneiro na importação apenas permite a armazenagem de mercadoria estrangeira em local alfandegado de uso público, com suspensão do pagamento dos impostos incidentes na importação. A situação em comento, contudo, permanece inalterada, não modificando o fato de que as mercadorias foram importadas já com um destinatário definido, que não foi informado nos documentos aduaneiros. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Com respeito e admiração das colocações do nobre Conselheiro Relator, apresento e reproduzo entendimento divergente que foi acompanhado pela minoria dos Conselheiros em sessão, de forma a considerar procedente o Recurso Voluntário no mérito. O Auto de Infração de fls. 6 capitulou os fatos ocorridos em 24/02/2014 no tipo “Cessão do nome da pessoa jurídica com vistas do acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários” (com fundamento no Regulamento aduaneiro de 2009 e Lei 11281/06, Art. 11). A conclusão da fiscalização é a de que o contribuinte teria cedido seu nome para realização de operação de comércio exterior de terceiros, com a intenção de acobertar os reais intervenientes ou beneficiários nas operações de importação constantes nas DI juntadas aos autos. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.067 17 Tratase da DI destinada a nacionalização de camisas do tipo polo, fabricadas na China e exportada por empresa em Hong Kong. Esta DI foi formalizada como operação por conta própria do contribuinte, sem a declaração de adquirente ou encomendamte predeterminado de mercadorias. A fiscalização entendeu que teria sido uma operação por conta e ordem de terceiro pois havia nas mercadorias a utilização da marca Empório Colombo. O centro da lide gira em torno da premissa adotada pela fiscalização, de que as mercadorias deveriam ser comercializadas somente pela Camisaria Empório Colombo. Assim, a fiscalização juntou extrato de pesquisa do INPI para demonstrar que a marca da camisaria Colombo é registrada em nome da empresa Q1 Comercial de Roupas AS, que é empresa do grupo empresarial da camisaria colombo, o que até este momento da análise não comprova a ocorrência das normas capituladas. Comprova somente que o próprio grupo da Camisaria Empório Colombo tem registro da própria marca, o que é por demais óbvio. Mas em continuidade dos trabalhos, por conferência de notas fiscais, a fiscalização verificou que algumas das mercadorias seriam destinadas à empresa ADM Comércio de Roupas Ltda, empresa do grupo empresarial da Camisaria Empório Colombo. A partir desses indícios a fiscalização concluiu comprovada a ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias e cessão do nome do contribuinte para o grupo Camisaria Empório Colombo. Mas o contribuinte possui contrato de licenciamento da marca Empório Colombo anterior à fiscalização fls. 419/425, informou que efetua as compras por conta e risco e que vende as mercadorias no mercado, sem anterior encomenda. De fato, a fiscalização não provou a existência de encomenda. O contribuinte ainda alegou e comprovou que venderia as mesmas mercadorias para outras empresas por se tratarem de tendências mercadológicas da moda. Apresentou notas fiscais que confirmam a revenda de mercadorias para outras empresas (fls. 17 e 18 a exemplo). Assim como apresentou atas notariais em seus memoriais que confirmam o desembaraço de outras mercadorias e destinação diversa e desvinculada do grupo Empório Colombo em sua totalidade. A fiscalização chamou atenção para a troca de etiquetas das mercadorias nos casos das revendas para outras empresas, contudo, este ponto é um dos mais favoráveis às alegações apresentadas pelo contribuinte. Explicase. A fiscalização concluiu que não é compreensível que o contribuinte pudesse comercializar para outras empresas as mesmas mercadorias que comercializou para o grupo Empório Colombo. Mas a própria fiscalização verificou que o contribuinte comercializou as mesmas mercadorias com outras etiquetas – fls. 21. Havendo inclusive a revenda de mercadorias com defeito, reconhecida pela própria fiscalização, o que configura ainda mais as alegações de defesa do contribuinte, por se tratar de indício de que o contribuinte importa por conta e risco, tendo de revender as mercadorias que não atingem a qualidade esperada do grupo Empório Colombo e arcando com prejuízos decorrentes. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.068 18 Seria mais adequado considerar que se trata mesmo de importação por conta e ordem própria, conforme alegado em defesa, porque não configurada a ocultação do real comprador ou cessão do nome a terceiros. O contribuinte juntou em suas defesas os fatos e informações que comprovam sua total capacidade e recursos próprios para realizar as operações. Informou possuir contratos com outras marcas, da mesma forma como possui com o grupo Empório Colombo. Comprovou que há estudo de mercado próprio, produtos específicos para cada época do ano e desenvolvimento próprio do produto fls. 328, de forma que, por se tratar de tendência e moda, o risco é inerente às atividades, porque se não agradar o mercado não vendem, o que resulta em prejuízo. A ocultação também inexiste uma vez que as operações são claras e declaram todos os envolvidos. As marcas não são comercializadas exclusivamente na rede da Empório Colombo e o contribuinte, além do contrato, possui carta da detentora da marca que a autoriza a comercializar produtos com a marca empório colombo sem a autorização deles fls. 768/772. A cessão de nome de forma fraudulenta normalmente ocorre para proteger os bens e integridade dos reais adquirentes da persecução penal e fiscal resultantes de eventual dano ao erário ou ocorrência de crime, mas não foi o que ocorreu no presente caso. Verificase que diante dos indícios e provas apresentados pelo contribuinte, qualquer dificuldade na convicção de concluir que os fatos correspondem ao tipo elencado deveria decorrer, então, principalmente da análise entre o limite da autonomia privada e do conceito de simulação em sentido amplo, porque a simulação em sentido restrito está claro que não ocorreu. Não foi levantada a ilegalidade em atos de Planejamento Tributário, mas foi colocada em dúvida a formatação da operação comercial. Assim, para que a formatação das operações fosse considerada uma simulação com o objetivo de suprimir tributos, deveria haver a contradição entre o resultado econômico simulado e o resultado econômico efetivo, que não foi demonstrado pela fiscalização. Não há nos autos a demonstração do fim atípico, essencial para a subsunção dos fatos ao tipo. É importante considerar que a questão da simulação é somente alcançada mediante a cuidadosa interpretação sistemática de diversos dispositivos do CC/2002, o que denota a ausência de uma norma geral de antielisão no Brasil e não se confunde com uma norma antissimulação ou antievasão. Restando, portanto, ao presente caso, a análise da validade da estrutura jurídica adotada, que poderia ou não ser relevante diante do nascimento da obrigação tributária por lhe interessar apenas o conteúdo econômico dos fatos. Diante da ausência de provas por parte da fiscalização e presença de provas por parte do contribuinte, se considerarmos a presunção elencada no tipo legal, somente com a ausência de motivo extratributário é que se poderia compor o quadro de indícios para a qualificação do vício da simulação, e está mais do que comprovado a existência de motivos mercadológicos que justificam a estrutura das operações. Apresentase nesta declaração de voto entendimentos convergentes com a clássica formulação doutrinária fatovalornorma, que nas palavras do Ilustre Professor Doutor Ives Gandra Martins em “Uma Teoria do Tributo” (fls. 436), defende que “tal formulação somente teria sentido, na medida em que a valoração do fato seja feita em coerência com a lei Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA Processo nº 12466.720558/201421 Acórdão n.º 3201002.196 S3C2T1 Fl. 1.069 19 natural, não sendo suficiente apenas o ato de valorar, mas o do valorar corretamente, único caminho para a identificação entre o direito natural e o direito positivo”. Diante do exposto, a conclusão é a de que o contribuinte operou de forma legal e seguiu as exigências comerciais do mercado em que opera, o mercado da moda, desenvolvendo e importando mercadorias para o mercado Brasileiro de forma a representar diversas marcas e comercializar as mesmas mercadorias através de outras diversas marcas em diversas revendas no Brasil. Assumiu os riscos e contas da operação assim como não há nos autos a demonstração da fraude, simulação, cessão do nome a terceiro, ocultação do real adquirente ou dano ao erário, motivos pelos quais os fatos não correspondem ao tipo legal levantado no Auto de Infração e o Recurso Voluntário deve ser provido em sua integralidade. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA
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Numero do processo: 16561.720010/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Aplicação do artigo 62 do Regimento Interno do CARF.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
A multa de ofício somente não é aplicada quando a suspensão do crédito tributário ocorrer antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. ATENDIMENTO INSUFICIENTE.
Na falta de atendimento ou atendimento insuficiente às intimações fiscais, ainda que desnecessário o efetivo prejuízo à fiscalização (materialidade), como decidido no Acórdão nº 9202-003.673, de 09/12/2015, é necessário que se demonstre que a recusa foi intencional, dolosa e com fim específico, para que se configure a aplicação do agravamento. A impossibilidade material do contribuinte em cumprir a intimação da fiscalização, na forma estabelecida por essa, para apresentar documentos não autoriza o agravamento da multa de ofício.
JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. SÚMULA CARF Nº 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
Numero da decisão: 2202-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte relativa às remessas a título de prestação de serviços de telecomunicação internacional, por concomitância com ação judicial; na parte conhecida, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores de 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007, e rejeitar as demais preliminares; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Rosemary Figueiroa Augusto, que negaram provimento. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor na parte em que foi vencido o Relator.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Luiz Romano, OAB/DF nº 14.303
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Assinado digitalmente
MARCIO HENRIQUE SALES PARADA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideramse não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Aplicação do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. A multa de ofício somente não é aplicada quando a suspensão do crédito tributário ocorrer antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. ATENDIMENTO INSUFICIENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 10 /2 01 2- 91 Fl. 10727DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Na falta de atendimento ou atendimento insuficiente às intimações fiscais, ainda que desnecessário o efetivo prejuízo à fiscalização (materialidade), como decidido no Acórdão nº 9202003.673, de 09/12/2015, é necessário que se demonstre que a recusa foi intencional, dolosa e com fim específico, para que se configure a aplicação do agravamento. A impossibilidade material do contribuinte em cumprir a intimação da fiscalização, na forma estabelecida por essa, para apresentar documentos não autoriza o agravamento da multa de ofício. JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte relativa às remessas a título de prestação de serviços de telecomunicação internacional, por concomitância com ação judicial; na parte conhecida, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores de 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007, e rejeitar as demais preliminares; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Rosemary Figueiroa Augusto, que negaram provimento. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor na parte em que foi vencido o Relator. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Luiz Romano, OAB/DF nº 14.303 Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Assinado digitalmente MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Fl. 10728DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.728 3 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão nº 1669.580, da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1 , por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual resultou Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 9702/9717, do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no que tange a imputados fatos geradores do anocalendário de 2007. O crédito tributário apresentado no Lançamento, composto pelo tributo, multa proporcional e juros de mora (calculados até 01/2012), perfaz o total equivalente a R$ 70.004.211,78. Pelo TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 9692/9700 expõe a Autoridade Tributária, em síntese, no seguinte sentido: 1. CONSIDERAÇÕES SOBRE A FISCALIZAÇÃO DE IRRF Por determinação do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.85.002010002684, fiscalizamos a empresa supra identificada, no período de janeiro a dezembro de 2007, quanto ao IRRF e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Remessas ao Exterior. O presente Termo de Constatação referese apenas às situações observadas quanto à incidência e recolhimento do IRRF. A empresa é prestadora de serviços de telefonia fixa, móvel e internet, e subsidiária do Grupo Telecom Itália. O Termo de Início da Ação Fiscal foi lavrado em 13/01/2011 solicitando informações, em meio magnético, sobre as remessas efetuadas ao exterior, tais como datas, valores e recolhimento de tributos, beneficiários, número das invoices e dos contratos de câmbio, etc. Nesse Termo também foi solicitado que a empresa já mantivesse separada, na empresa, a documentação de suporte, tal como as Invoices, os Contratos de Câmbio e os Contratos Comerciais que deram origem às remessas. Foi solicitada prorrogação de mais 20 dias, deferida por esta fiscalização, e em 01/03/2011 a empresa entregou um CD contendo respostas ao solicitado. Verificamos que as remessas e respectivos valores de IRRF informados estavam aquém dos valores constantes nos dados de pagamentos (DARFs) da base de dados da Receita Federal. Foi lavrada nova Intimação n. 1, datada de 12/05/2011, solicitando à empresa que apresentasse nova planilha com as informações completas, contemplando TODAS as remessas ao exterior efetuadas no período, bem como solicitamos a apresentação dos documentos de suporte. Foi solicitado também que a empresa apresentasse informações sobre ações judiciais impetradas para discussão da matéria objeto da fiscalização. Fl. 10729DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Para atender à Intimação de 12/05/2011, que em resumo era equivalente ao próprio Termo de Início que não havia sido atendido a contento, ou seja, informações sobre os tributos incidentes sobre remessas ao exterior, a empresa foi solicitada diversas vezes a comparecer à DEMAC/SPO tendo em vista que as suas informações prestadas estavam sempre com erros ou com informações insuficientes. Dessa forma, a cada análise das informações esta fiscalização solicitava o comparecimento do representante lega1 da fiscalizada para tentar complementar as informações de maneira satisfatória, resultando nas seguintes reuniões com apresentações de informações/documentos pela empresa: • 03/06/2011 : 1 "CD" com comprovantes de solicitação em juízo de Certidões de Objeto e Pé de ações judiciais; e 1 "CD" com alguns contratos de câmbio. • 18/07/2011: 1 "CD" contendo as certidões judiciais de Objeto e Pé. • 22/07/2011: 1 "CD" com contratos de câmbio; 1 "CD" com a Planilha das Remessas, atualizada com novas informações; 1 "CD" com uma amostragem de contratos comerciais e algumas invoices; 1 "CD" com outros contratos de câmbio; j 1 "CD" com alguns contratos comerciais traduzidos. • 26/07/2011: 1 "CD" com a Planilha das Remessas, atualizada com novas informações; alguns contratos comerciais traduzidos. • 03/08/2011: 1 "CD" com contratos de câmbio; contratos comerciais; invoices e nova Planilha de Remessas, tudo com atualização das informações. • 17/08/2011 1 "CD" com contratos de câmbio; contratos comerciais; invoices, e as certidões de Objeto e Pé anteriormente apresentadas; e 1 "CD" com nova Planilha de Remessas, com outras atualizações das informações • 30/08/2011: 1 "CD" com todas as informações acima atualizadas, ou seja, contratos de câmbio; contratos comerciais; invoices; as certidões de Objeto e Pé anteriormente apresentadas; e nova Planilha de Remessas ao exterior. As últimas informações entregues em 30/08/2011, para atendimento da intimação lavrada em 12/05/2011, ainda estavam longe de terem atendido a solicitação fiscal, pois constatamos, dentre outros, os seguintes problemas: não foram informadas todas as Remessas feitas ao exterior; na planilha das Remessas faltava a indicação do número de vários contratos de câmbio; quanto aos contratos comerciais poucos foram os apresentados, a maioria em Fl. 10730DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.729 5 inglês e pouquíssimos com tradução simples; as informações sobre inúmeros Contratos de Câmbio, constantes na planilha elaborada pela empresa, muitas vezes não correspondiam ao que realmente constava nos Contratos de Câmbio; faltavam as informações sobre os recolhimentos de CIDE. Reiteramos as solicitações, formalizando a Intimação Fiscal de 30/09/2011, apontando as lacunas e os erros encontrados em todas as informações prestadas pela empresa e solicitando, novamente, correções de forma a obter informações precisas sobre as remessas efetuadas ao exterior no ano calendário de 2007, a documentação de suporte e informações sobre o IRRF e CIDE incidentes. Foram também solicitados os arquivos digitais previstos na IN SRF n. 86/2001. Em 30/09/2011, apresenta "CDs" contendo: • 2 CDs com informações relativas à IN 86/2001 • 1 CD relativo às remessas com: Contratos de Câmbio Invoices Contratos Comercias Traduzidos e em Inglês Planilha Fisco Geral, contendo informações sobre as remessas ao exterior Informações sobre os recolhimentos da CIDE Darfs de recolhimento da CIDE Novamente constatamos que as informações da empresa continham erros, imprecisões e falta de documentação e, em 17/11/2011, lavramos outra Intimação Fiscal solicitando ao contribuinte correções. A empresa apresentou novas informações em 28/11/2011 e complementou essas informações em 06/12/2011, todavia, mesmo com as últimas informações complementares da empresa estávamos ainda longe de ter informações precisas e acesso a grande parte da documentação de suporte relativa às operações de remessa ao exterior no ano calendário de 2007, prejudicando muito o andamento da ação fiscal, tendo sido necessário, inclusive, ir às Instituições Financeiras para conseguir mais informações sobre as remessas. Diante das informações incompletas apresentadas e com inúmeros erros, solicitamos ao Banco Central e a algumas Instituições Financeiras informações sobre remessas ao exterior realizadas pela TIM. Com este artifício conseguimos levantar mais alguns Contratos de Câmbio que não haviam sido informados pela empresa. 2. BASE DE CALCULO DO IRRF Quanto à base de cálculo do IRRF cabe observar o que dispõe o art. 725 do RIR/99: "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o Fl. 10731DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei n° 8.981, de 1995, art. 63, § 2°)." É certo, que da combinação dos artigos 682, inciso I, e 717, ambos do RIR/99, depreendese que nos casos ora examinados o fiscalizado, ao fazer os pagamentos a residentes ou domiciliados no exterior, revestiase da condição de responsável tributário pela retenção e recolhimento do IRRF. A despeito de os residentes ou domiciliados no exterior serem os contribuintes do imposto, ao fiscalizado competia reter e recolher tal tributo por eles devido. É indubitável, portanto, que o IRRF é elemento componente das importâncias pagas pelo fiscalizado àqueles beneficiários no exterior. O que significa a necessidade de reajustamento da base de cálculo. 3. AÇÕES JUDICIAIS Atendendo nossa intimação fiscal, a fiscalizada apresentou as seguintes medidas judiciais interpostas com questionamentos relativos ao IRRF e CIDE incidentes sobre remessas ao exterior: a) MANDADO DE SEGURANÇA 2008.61.00.0013031. Conforme consta da Certidão de Objeto e Pé emitida em 15 de junho de 2011, a empresa solicitou concessão de liminar para determinar que as autoridades impetradas se abstenham de promover atos de cobrança em relação à CIDERoyalties, nos termos do artigo 2º da Lei n. 10.168/2000, tendo sido indeferido o pedido nos seguintes termos: JULGO IMPROCEDENTE este mandamus com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil... b) MANDADO DE SEGURANÇA 00016371420114036100 Conforme se verifica na Certidão de Objeto e Pé emitida em 06 de junho de 2011, a empresa obteve provimento parcial do pedido de liminar, com a seguinte decisão do meritíssimo juiz de direito da 15ª Vara Federal, que decidiu o seguinte: Assim, defiro parcialmente a medida liminar pleiteada determinando à ilustre autoridade impetrada que se abstenha de exigir o IRRF e a CIDE nas remessas de recursos feitas pela impetrante às empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UTI), pela cessão de redes de telefonia que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação internacional, suspendendo a respectiva exigibilidade até decisão ulterior deste Juízo, nos termos do artigo 151, IV, do CTN, não estendendo os efeitos da presente decisão, quanto ao pedido de afastamento do IRRF à Telecon Itália, eis que o mesmo já foi devidamente apreciado nos autos do mandado de segurança n. 2009.61.00.0065266. MANDADO DE SEGURANÇA 2009.61.00.0065266 E o presente Mandado de Segurança, mencionado na decisão acima, obteve conforme se verifica na Certidão de Objeto e Pé emitida em 31 de maio de 2011, provimento do pedido de Fl. 10732DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.730 7 liminar, com a seguinte decisão do meritíssimo juiz de direito da 15ª Vara Federal, que : defere a medida liminar pleiteada determinando à ilustre autoridade impetrada que se abstenha de exigir o IRRF nas remessas de recursos feitas pela impetrante à Telecom Itália, em função da prestação de serviços de telecomunicações internacional, suspendendo a respectiva exigibilidade até decisão ulterior deste Juízo, nos termos do artigo 151, IV, do CTN. Há que observar, principalmente em relação ao Mandado de Segurança n. 00016371420114036100, que concede a liminar que suspende a exigibilidade do IRRF nas remessas ao exterior a título de serviços de ROAMING, que o pedido formulado pela autora é atemporal, conforme transcrevemos a seguir: Por todo o exposto, a impetrante vem requerer a V. Exa.: (i) a concessão da medida liminar inaudita altera parte, por estarem consubstanciados no presente caso ambos os seus pressupostos autorizadores, para determinar, na forma do artigo do art. 151, IV, do CTN, a supostamente incidentes sobre remessas ao exterior realizadas pela Impetrante em pagamento a empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicação (UIT), pela cessão de redes de telefonia de que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação, na medida em que tais operações gozam de isenção tributária, nos termos do artigo 45, item 6.1.3, do Tratado de Melbourne, devidamente incorporado ao ordenamento jurídico nacional (artigo 5, itens 215.1 e 216.2, da Constituição da UTI), afastando, assim, aplicação do disposto no artigo 685, inciso II, alínea "a", RIR/1999, no artigo 7º, da Lei n°9.779/1999, e no artigo 2º, § 2º, da Lei n° 10.168/2000, por manifesta violação ao disposto no artigo 84, inciso XIII, no artigo 49, inciso I, ambos da Constituição Federal, no artigo 1º, do Decreto Legislativo n° 67/1998, no artigo 1º, do decreto Presidencial n° 2.962/1999, no artigo 98, do Código Tributário Nacional, e artigo 27, e da Convenção de Viena (Decreto n° 7.030/2009), determinandose, ainda, que a Autoridade Impetrada deixe de praticar qualquer ato no sentido de exigir da Impetrante o pagamento de tais créditos tributários. Já o pedido final foi consignado da seguinte forma: (iv) ao final, seja julgado inteiramente procedente o pedido da presente ação mandamental, concedendose a segurança em caráter definitivo para reconhecer o direito líquido e certo da Impetrante ao não recolhimento IRRF e da CIDE, em virtude da realização de qualquer remessa ao exterior a empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT), que seja efetuada a título de pagamento pela cessão onerosa de meios de rede no tráfego sainte, haja vista que o Tratado Fl. 10733DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 de Melbourne assegura isenção de tributos às operações desta natureza, de modo que qualquer exigência nesse sentido representa afronta ao artigo 84, inciso XIII, e ao artigo 49, inciso I, ambos da Constituição Federal, ao artigo 1º, do Decreto Legislativo n° 67/1998, ao artigo 1º do Decreto Presidencial n° 2.962/1999, ao artigo 98, do Código Tributário Nacional, e ao artigo 27, da Convenção de Viena (Decreto n° 7.030/2009). Nenhum dos dois pedidos estabelece cortes temporais, tampouco a decisão judicial, conforme verificamos acima. Tratandose de Mandado de Segurança Preventivo, o contribuinte objetiva prevenir determinados atos de autoridade que, na linha do tempo, se põem à frente da impetração. Pelo que se descreve na petição inicial, o sujeito passivo ocupase em acautelar a tributação sobre remessas de numerários que estão no porvir da impetração e não aquelas que já tinham se aperfeiçoado, mas que ainda dependiam de ulterior ato de lançamento, como é o caso do período fiscalizado do ano calendário de 2007. Ao justificar a tempestividade do writ, esclarecendo o porquê do caráter preventivo da medida judicial, o contribuinte é claro ao situar o objeto da sua ação às "futuras remessas ao exterior". Transcrevo: O presente mandado de segurança é PREVENTIVO a iminente ato coator a ser praticado pela Autoridade Impetrada, no sentido de exigir da Impetrante o recolhimento de créditos tributários de IRRF e CIDE, supostamente incidentes sobre as futuras remessas ao exterior que a Impetrante realizará em contraprestação pela cessão de redes de telefonia de que se utiliza fora do território nacional, não tendo sequer se iniciado o prazo de 120 (cento e vinte) dias a que alude o art. 23, da Lei n° 12.016/2009, razão pela qual tal ação mandamental é manifestamente tempestiva. Ao justificar o periculum in mora, a TIM Celular é ainda mais clara: O periculum in mora também é evidente e está caracterizado pelo fato de que, nos próximos dias do mês de dezembro, a Impetrante realizará remessas ao exterior a título de contraprestação pela cessão onerosa de redes de empresas de telefonia no exterior, em especial as empresas antes referidas, conforme comprovam as anexas faturas. Os termos da petição inicial, portanto, bem informam que a ação mandamental está atrelada às remessas (e não aos lançamentos) posteriores à impetração. O artigo 293 do Código de Processo Civil (CPC) elucida que os "pedidos são interpretados restritivamente". No caso analisado, a interpretação restritiva se dá pela perspectiva do que foi narrado na petição inicial, sendo que, na causa de pedir, o contribuinte foi bastante explícito ao posicionar o dano jurídico à incidência de tributos nas remessas que seriam realizadas posteriormente à impetração. Fl. 10734DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.731 9 Assim concluise que os fatos geradores anteriores à decisão judicial referentes a créditos tributários constituídos ou não, são alheios ao objeto do writ, não impede o lançamento dos períodos correspondentes às remessas ao exterior já realizadas, notadamente o período de 2007. 4. INFORMAÇÕES JUNTADAS AO EPROCESSO (...) Tendo em vista a formalização de processo digital, os "papéis" e CDs abaixo relacionados, produzidos durante a fiscalização, foram digitalizados no formato PDF e anexados ao eprocesso: todos os Termos Fiscais lavrados; folha de rosto das informações apresentadas pela empresa; ações judiciais; a última Planilha Geral, contendo as informações sobre as remessas ao exterior, apresentada pela empresa em 30/08/2011; todos os Contratos de Câmbio apresentados pela empresa; todos os Contratos Comercias apresentados pela empresa; todas as invoices apresentadas pela empresa; Darfs de recolhimento da CIDE e IRRF; pagamentos de tributos constantes no banco de dados "SINAL" da Receita Federal; remessas ao exterior informadas pe o Banco Central e Instituições Financeiras. Os papéis originais, tais como Termos Fiscais lavrados, Informações da empresa, documentos enviados pelo Banco Central e Instituições Financeiras, bem como CDs originais produzidos pela fiscalização, empresa e Instituições Financeiras encontramse arquivados nesta Delegacia Especial de Maiores Contribuintes DEMAC/SPO. Observese que as versões anteriores da Planilha Geral apresentada pela empresa em 30/08/2011 não foram anexadas ao eprocesso uma vez que aquelas foram substituídas por esta última. No entanto, frisamos que todas as informações e CDs manuseados durante a fiscalização encontramse arquivados nesta DEMAC/SPO. 5. APURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO Para todas as remessas efetuadas ao exterior a empresa afirma em sua Planilha Geral ter feito o respectivo recolhimento do IRRF. Todavia, confrontados os valores apresentados na Planilha da empresa com os Darfs de recolhimento do Tributo e os valores de pagamento constante do banco de dados "SINAL", da Receita Federal, muitos desses alegados recolhimentos não puderam ser identificados. A própria representante da empresa em reunião com a auditorafiscal disse que tinham dificuldade em fazer a apropriação dos recolhimentos com as remessas efetuadas, uma vez que tais recolhimentos muitas vezes ocorreram de forma consolidada, abrangendo diversas remessas. Os cálculos do IRRF devido pela empresa e do IRRF a recolher, exigido no presente auto de infração, encontramse nos demonstrativos a seguir, todos juntados ao eprocesso em Fl. 10735DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 formato PDF e também gravados em CD, no formato excel, e entregues à fiscalizada, neste ato. 1. DEMONSTRATIVO I IRRF A RECOLHER CONTRATOS DE CÂMBIO EM ANEXO. Aqui foram relacionadas apenas as remessas para as quais verificouse recolhimento a menor ou o recolhimento de IRRF não pode ser identificado nos DARFs ou no SINAL. O IRRF calculado pelo Fisco foi reajustado na forma da lei, usando a fórmula: IRRF Calculado = (remessa em R$ / 0,85) * 0,10. Do IRRF calculado deduziuse o valor pago e a diferença está sendo exigida neste auto de infração. Os valores a recolher foram diariamente somados, totalizando um valor final exigível em cada um dos dias em que ocorreram as remessas, tendo em vista que a exigência do tributo se faz na própria data da remessa. 2. DEMONSTRATIVO II IRRF A RECOLHER CONTRATOS DE CÂMBIO NÃO ANEXADOS E COM NUMERAÇÃO INEXATA. Em sua última "Planilha Geral" entregue à fiscalização a TIM CELULAR relacionou diversas remessas efetuadas para as quais houve recolhimento do IRRF e alguns recolhimentos de CIDE. Apesar dos insistentes e inúmeros pedidos do Fisco para que fossem apresentados tais contratos, conforme se verifica nas diversas reuniões acima elencadas objetivando o saneamento das informações da empresa, para várias remessas ao exterior constantes da Planilha não foram informados os números dos contratos de câmbio e para outras verificouse que o número indicado pela empresa não correspondia ao Contrato de Câmbio anexado. No Demonstrativo II, a coluna com o número do Contrato de Câmbio reproduz o que consta na última Planilha Geral entregue pela empresa. Destas remessas foram anexadas as respectivas invoices. Para tais remessas relacionadas neste Demonstrativo II, a TIM CELULAR recolheu o IRRF e em alguns casos a CIDE. Usando a mesma metodologia do Demonstrativo I acima para correção da base de cálculo do tributo, esta fiscalização apurou e exige neste auto de infração o IRRF que deixou de ser recolhido ou foi feito o recolhimento a menor. Os valores apurados a recolher também foram totalizados diariamente. 3. DEMONSTRATIVO III CONSOLIDADO IRRF A RECOLHER Neste Demonstrativo III foram somados, diariamente, os valores apurados de IRRF a recolher constatados nos Demonstrativos I e II, chegandose ao valor final, exigido diariamente, neste auto de infração. 6. AGRAVAMENTO DA MULTA APLICADA Conforme se pode observar em toda a exposição acima, a presente fiscalização foi gravemente prejudicada pela falta de informação ou informações inconsistentes fornecidas pela empresa, além de falta apresentação de documentação tais como Fl. 10736DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.732 11 falta de apresentação de contratos de câmbio e falta de apresentação de contratos comerciais. Para tamanha confusão com informações erradas ou documentos não entregues os funcionários da TIM que atenderam a fiscalização alegaram que as informações dependem de setores diversos da empresa e que isto causa dificuldades de uniformização e conferência final. Além do que algumas das informações vêm do estabelecimento sito no Rio de Janeiro. Quanto aos contratos comerciais, além de terem sido apresentados poucos do universos de empresas contratadas, fomos informados que não é política da empresa traduzilos. O procedimento da empresa de não atender de forma satisfatória à fiscalização, postergando, confundindo com Planilhas incorretas ou deixando de apresentar documentação não é procedimento inédito da TIM CELULAR. O processo administrativo n° 18471.000778/200631, Acórdão n° 1221.809 da 8ª Turma da DRJ/RJOI, Sessão de 14 de novembro de 2008; e os processos administrativos de n. 16643.000083/201091 e 16643.000085/201081, são antecedentes que revelam um procedimento reiterado de não atendimento ao Fisco a contento, de modo a não apresentar no prazo informações corretas e documentação de suporte exigida. Isto posto, sobre os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidirá a multa de ofício agravada de 112,5%, em cumprimento ao disposto no § 2° do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: (...) O Lançamento foi impugnado (fls. 9724/9757), discorrendo e alegando a Interessada, em síntese, no seguinte sentido: (...) II. O AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO CONTRA A IMPUGNANTE 4. A Impugnante é conhecida empresa prestadora de serviços de telecomunicação, que no regular desenvolvimento de suas atividades, celebra diversos contratos com pessoas residentes ou domiciliadas no exterior para a prestação dos mais variados tipos de serviços, efetuando diversas remessas de recursos ao exterior para o pagamento de valores devidos em função desses contratos. 5. Não obstante tenha procedido com estrita observância à legislação tributária em vigor, a Impugnante teve contra si lavrado o auto de infração em referência, por meio do qual a D. Fiscalização exige IRF sobre diversas remessas feitas ao exterior, ao longo do exercício de 2007, sobre pagamentos realizados com base nesses contratos, além de multa de ofício, majorada para 112,5% do valor do tributo, na forma do artigo 44, § 20, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Fl. 10737DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 6. Nesse sentido, nas tabelas anexas à autuação fiscal, a D. Fiscalização identifica as remessas realizadas pela Impugnante sobre as quais o IRF não teria sido retido e recolhido e exige o tributo considerando a sua base de cálculo reajustada pelo fato de a fonte pagadora ter assumido o ônus do imposto, nos termos do artigo 725, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 ("RIR/1999"). 7. Como se infere da tabela em questão, uma boa parte dessas remessas foi feita pela Impugnante para pagamentos efetuados a empresas residentes e domiciliadas no exterior em remuneração pelo uso de sua infraestrutura de rede, que permite a transmissão internacional dos sinais de telecomunicação originados por seus clientes no Brasil ("tráfego sainte") (doc. 4 anteriormente citado). 8. Os pagamentos efetuados a esse título estão registrados na contabilidade fiscal da Impugnante sob as rubricas "ROAMING INTERNACIONAL", "SERV. DIVOUTCOMUNICAÇÕES" e "ALUGUEL DE LINKS", conforme reproduzido no quadro anexo à autuação, e correspondem à esmagadora maioria das operações sobre as quais se está exigindo o IRF no caso concreto. 9. Em outros casos, a autuação está exigindo IRF sobre pagamentos efetuados pela Impugnante a título de serviços técnicos profissionais, consultoria, licenciamento de software dentre outras remunerações identificadas sob as rubricas "SERV. DIVEXP/IMP SVSV OUTROS SERV TECPROF", "SERV. TÉCNICOS", "SERV.DIVEXP/IMP SVSV OUTROS SERV TECPROF. (TREINAMENTO)", "DIR.AUTORAIS S/PROG DE COMPUT (LICENÇA DE SOFTWARE)", "SERV.DrVEXP/IMP SVDIR. AUTORAIS S/PROG DE COMPUT", "LICENÇA DE SOFTWARE", "SOFTWARE", "ASSESSORIA JURÍDICA", "ALUGUEL DE LINKS", "SERV. SINALIZAÇÃO", etc. 10. No entanto, a Impugnante entende que a autuação em comento não merece prosperar, pelas razões abaixo indicadas, que serão melhor demonstradas adiante. 11. Em primeiro lugar, parte do crédito tributário exigido, relacionado a fatos geradores ocorridos até 31.1.2007, está fulminada pela decadência, nos termos do artigo 150, § 40 c/c 156, inciso V, do Código Tributário Nacional ("CTN"). 12. Em segundo lugar, o IRF não pode ser exigido sobre as remessas efetuadas pela Impugnante a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior a título de cessão onerosa de meios de redes de telefonia de que a Impugnante se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação (pagamentos efetuados sob as rubricas "ROAMING INTERNACIONAL", "SERV. DIVOUT COMUNICAÇÕES" e "ALUGUEL DE LINKS" no quadro demonstrativo anexo ao auto de infração). 13. Por um lado, a D. Fiscalização está impedida, por determinação judicial, de exigir o IRF sobre essas remessas, consoante decisões judiciais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança n°s 000163714.2011.4.036100 e 000652679.2009.4.03.6100, impetrados pela Impugnante. Fl. 10738DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.733 13 14. Por outro lado, ainda que se considere que essas decisões judiciais não se aplicam às remessas em questão, deve ser reconhecido que esses pagamentos efetuados a título de contraprestação de serviços internacionais de telecomunicação estão isentos de tributos, por força das disposições do Regulamento das Telecomunicações Internacionais "RTI" (aprovado pelo Tratado de Melbourne em 9.12.1988) e da Convenção e a Constituição da União Internacional das Telecomunicações "UIT" (aprovadas pelo Tratado de Genebra em 22.12.1992). 15. Como se isso não bastasse, a D. Fiscalização indicou em duplicidade algumas das remessas para o exterior realizadas pela Impugnante, apontando tais remessas nas duas planilhas que acompanharam o auto de infração — "CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO" e "C CÂMBIO NÃO APRESENTADO" (vide doc. 4 anteriormente mencionado), aumentando indevidamente o suposto valor devido a título de IRF. 16. Em terceiro lugar, ainda que pudesse desconsiderar todos os argumentos expostos anteriormente, o IRF exigido sobre grande parte das remessas mencionadas na autuação foi pago em tempo e modo próprios pela Impugnante, consoante será demonstrado adiante. 17. Em quarto lugar, ainda que se admitisse, apenas para fins de argumentação, a validade da cobrança dos tributos em questão, não poderia haver forma alguma a exigência de juros moratórios, no caso concreto, uma vez que a Impugnante está amparada por decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário em discussão. 18. Por fim, em quinto e último lugar, é completamente inaplicável a multa de ofício se o débito tributário está com a sua exigibilidade suspensa, tanto mais com a majoração do seu valor para 112,5%, se a Impugnante prestou todos os esclarecimentos solicitados pela D. Fiscalização e não há qualquer prova concreta e específica de que a Impugnante tenha deixado de cumprir esta obrigação, nem qualquer relação da multa com a matéria objeto da autuação. III. A DECADÊNCIA 19. Inicialmente, a Impugnante destaca que a parte do crédito tributário, relativa aos fatos geradores ocorridos até o dia 31.1.2007 foi alcançada pelo manto da decadência, eis que transcorridos mais de cinco anos entre a ocorrência dos supostos fatos geradores em discussão e a lavratura do auto de infração, estando o tributo em questão sujeito ao lançamento por homologação, nos termos ao artigo 150, caput e parágrafo 40, do CTN. 20. Nesses casos, transcorrido o prazo decadencial, há homologação tácita do valor pago e o crédito tributário não pode ser mais exigido. Confirase a esse respeito a orientação recentemente consolidada na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), em observância à Fl. 10739DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 pacificação do tema no Poder Judiciário na sistemática dos recursos representativos da controvérsia: O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173,1, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial n° 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).Recurso provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, reconhecendo que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado. (Processo n° 15983.000209/200628, Segunda Turma, Primeira Câmara, Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Julgado em 12.05.2011, Rel. Giovanni Christian Nunes Campos) 21. Frisese que, no caso concreto, houve diversos pagamentos do IRF apurado em relação ao mês de janeiro (doc. 5) ainda que em montante menor do que o considerado devido pela D. Fiscalização, não podendo ser invocado o artigo 173, I, do CTN, para fins da contagem do prazo decadencial, porque esse dispositivo só se aplica quando não houver pagamento do tributo. 22. Em suma, operouse a decadência com relação aos valores exigidos por conta dos supostos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2007 e, consequentemente, esses montantes devem ser excluídos da autuação. IV. A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INOBSERVÂNCIA DE DETERMINAÇÃO JUDICIAL Fl. 10740DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.734 15 23. Uma grande parte do crédito tributário exigido por meio do auto de infração, nomeadamente o IRF cobrado sobre o valor das remessas ao exterior feitas a título de "ROAMING INTERNACIONAL", "SERV. DIVOUTCuMUNICAÇÕES" e "ALUGUEL DE LINKS" (como indicado no auto de infração) está eivada de nulidade, uma vez que existe decisões judiciais determinando expressamente que a D. Fiscalização se abstenha de exigir o tributo sobre esses pagamentos. 24. Explicase melhor. Como ressaltado anteriormente, no regular exercício de suas atividades, a Impugnante efetua pagamentos a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior em pagamento pela cessão de redes de telecomunicação de que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação. 25. Por entender que essas remessas estão isentas de tributos por força das disposições dos tratados internacionais da RTI e da UIT, a Impugnante impetrou os Mandados de Segurança n°s 000163714.2011.4.036100 e 000652679.2009.4.03.6100 (docs. 6 e 7), com pedido de concessão de medida liminar, sendo o segundo deles relacionado apenas a um de seus maiores clientes (a Telecom Itália SPA). Confirase, por exemplo, o pedido realizado nos autos do Mandado de Segurança n° 0001637 14.2011.4.036100: Por todo o exposto, a impetrante vem requerer a V.Exa.: (i) a concessão da medida liminar inaudita altera parte, por estarem consubstanciados no presente caso ambos os seus pressupostos autorizadores, para determinar, na forma do artigo 151, IV, do CTN, a supostamente incidentes sobre remessas ao exterior realizadas pela Impetrante em pagamento a empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT), pela cessão de redes de telefonia de que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação, na medida em que tais operações gozam de isenção tributária, nos termos do artigo 45, item 6.1.3, do Tratado de Melbourne, devidamente incorporado ao ordenamento jurídico nacional (artigo 5, itens 215.1 e 216.2, da Constituição da UIT), afastando, assim, aplicação do disposto no artigo 685, inciso II, alínea "a", RIR/1999, no artigo 7º, da Lei n° 9.779/1999, e no artigo 20, § 2, da Lei n° 10.168/2000, por manifesta violação ao disposto no artigo 84, inciso XIII, no artigo 49, inciso I, ambos da Constituição Federal, no artigo 1º, do Decreto Legislativo n° 67/1998, no artigo 1º, do Decreto Presidencial n° 2.962/1999, no artigo 98, do Código Tributário Nacional, e artigo 27, e da Convenção de Viena (Decreto n° 7.030/2009), determinandose, ainda, que a Autoridade Impetrada deixe de praticar qualquer ato no sentido de exigir da Impetrante o pagamento de tais créditos tributários. 26. Ao final desse mesmo writ, a Impugnante expressamente requereu o seguinte: Fl. 10741DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 (iv) ao final, seja julgado inteiramente procedente o pedido da presente ação mandamental, concedendose a segurança em caráter definitivo para reconhecer o direito líquido e certo da Impetrante ao não recolhimento do IRRF e da CIDE, em virtude da realização de qualquer remessa ao exterior a empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT). que seja efetuada a título de pagamento pela cessão onerosa de meios de rede no tráfego sainte. haja vista que o Tratado de Melbourne assegura isenção de tributos às operações desta natureza, de modo que qualquer exigência nesse sentido representa afronta ao artigo 84, inciso XIII, e ao artigo 49, inciso I, ambos da Constituição Federal, ao artigo 1º, do Decreto Legislativo n° 67/1998, ao artigo 1º, do Decreto Presidencial n° 2.962/1999, ao artigo 98, do Código Tributário Nacional, e ao artigo 27, da Convenção de Viena (Decreto n° 7.030) 27. Por sua vez, nos autos do Mandado de Segurança n° 0006526 79.2009.4.03.6100, a Impugnante requereu expressamente a concessão de medida liminar, nos seguintes termos: À vista do exposto e com fundamento no art. 70, II, da Lei n° 1.533/51, a Impetrante requer seja deferida medida liminar para o fim de determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir o IRRF nas remessas de recursos feitas à Telecom Itália, em função da prestação de serviços de telecomunicação internacional, cuja exigibilidade se requer fique suspensa até o final julgamento do feito, nos termos do art. 151, IV, do CTN ou, quando menos, requer seja assegurado o direito de efetuar a retenção e/ou recolhimento do imposto sobre os valores efetivamente remetidos ao exterior, após realizadas as compensações. 28. Conforme expressamente reconhecido na autuação, as medidas liminares pleiteadas nos mandados de segurança acima referidos foram deferidas e a D. Fiscalização intimada para proceder da seguinte forma: Mandado de Segurança nº 000163714.2011.4.03.6100: Assim, defiro parcialmente a medida liminar pleiteada determinando à ilustre autoridade impetrada que se abstenha de exigir o IRRF e o CIDE nas remessas de recursos feitas pela impetrante às empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT), pela cessão de redes de telefonia que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação internacional, suspendendo a respectiva exigibilidade até decisão ulterior deste Juízo, nos termos do artigo 151, IV, do CTN, não estendendo os efeitos da presente decisão, quanto ao pedido de afastamento do IRRF à Telecom Itália, eis que o mesmo já foi devidamente apreciado nos autos do mandado de segurança n. 2009.61.00.0065266. Mandado de Segurança n° 000652679.2009.4.03.6100: (...) defere a medida liminar pleiteada determinando à ilustre autoridade impetrada que se abstenha de exigir o IRRF nas Fl. 10742DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.735 17 remessas de recursos feitas pela impetrante à Telecom Itália, em função da prestação de serviços de telecomunicações internacional, suspendendo a respectiva exigibilidade até decisão ulterior deste Juízo, nos termos do artigo 151, IV, do CTN. 29. Recentemente, foram, inclusive, proferidas sentenças nos autos do referidos mandados de segurança, confirmando as liminares anteriormente deferidas (doc. 7 anteriormente mencionado). 30. Não obstante, a D. Fiscalização, entendendo que os mandados de segurança e os efeitos das decisões liminares neles proferidas alcançariam apenas e tão somente créditos tributários referentes a pretensos fatos geradores relativos a remessas posteriores à impetração dos mandados de segurança, lavraram a autuação em referência exigindo IRF sobre essas remessas feitas ao exterior no ano de 2007, para remunerar a cessão onerosa de meios de redes de que a Impugnante se utiliza para a adequada prestação de serviços de telecomunicação. 31. No auto de infração, a D. Fiscalização alega que a Impugnante teria requerido as liminares e a concessão da segurança para alcançar apenas as remessas futuras realizadas e que as decisões judiciais deveriam ser interpretadas nesses estritos termos. 32. Com todas as vénias, nada mais absurdo e desvinculado dos pedidos judiciais e das decisões proferidas. Por meio da simples análise dos pedidos e das decisões judiciais acima transcritos se constata claramente que não há qualquer corte temporal no alcance dessas decisões, o que significa que, na prática, esses pedidos e decisões alcançam toda e qualquer remessa relativa a essa matéria. 33. É bem verdade que a Impugnante impetrou mandados de segurança de natureza preventiva. No entanto, o que a Impugnante visava prevenir nesses casos eram justamente autuações como a ora em discussão, isto é, atos coatores futuros, posteriores à impetração dos mandados de segurança, como o ora praticado pela D. Fiscalização, violando o direito líquido e certo da Impugnante de não recolher tributos sobre as remessas em questão. 34. Ao mencionar nos autos dos mandados de segurança, na justificativa apresentada para o seu caráter preventivo, que faria remessas futuras ao exterior para pagamento desse tipo de remuneração, a Impugnante pretendeu apenas exemplificar que essa era uma prática rotineira em sua atividade, até mesmo para justificar a existência de fumus bonis iuris e periculum in mora para a concessão da medida liminar. Mas, de forma alguma, essa é uma limitação temporal que pode ser estendida ao pedido formulado pela Impugnante. O pedido se dirige a todos os atos coatores futuros e não apenas aos fatos geradores futuros. 35. E a Impugnante entende que não há como se interpretar os pedidos formulados nos mandados de segurança com esse corte temporal por uma simples e singela razão: essa especificação Fl. 10743DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 temporal não consta do pedido nem da decisão judicial. Ora, não há como se interpretar, quer extensiva, quer restritivamente, o que não existe. 36. Aliás, a se interpretar os pedidos restritivamente, como pretende a D. Fiscalização, o que justamente não se pode fazer é inserir neles informações ou limitações adicionais que neles não estão contidas originalmente. 37. Na verdade, o que deve pautar a conduta da D. Fiscalização são as ordens judiciais contidas na parte dispositiva das decisões e estas são muito claras ao determinar que a autoridade coatora se abstenha de exigir o IRF e a CIDE nas remessas de recursos feitas às empresas domiciliadas em Países membros da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT), pela cessão de redes de telefonia que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação internacional, sem impor qualquer limite temporal. 38. Se as D. Autoridades Fazendárias entendem que essa ordem é mais ampla do que o pedido ou vai além do pedido o que não é verdade porque há o deferimento da medida liminar nos exatos termos requeridos então deveriam ter alegado a ocorrência de decisão extra ou ultra petita, nos termos dos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil, pelos meios processuais próprios, quais sejam, os recursos cabíveis nos processos judiciais em questão, o que não foi feito. 39. Assim, ao lavrar o presente Auto de Infração, a D. Fiscalização desrespeitou claramente o disposto no artigo 62 do Decreto n° 70.235/1972: (...) 40. A esse respeito, e de modo a dirimir quaisquer dúvidas em relação ao alcance da norma transcrita acima, vale conferir a interpretação dada pelo então denominado Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: EFEITOS DAS MEDIDAS JUDICIAIS LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA DECRETO N.° 70.235/1972 Art. 62, caput O contemplado no caput do art. 62 referese à situação em que o contribuinte se antecipa ao lançamento e ingressa com mandado de segurança, obtendo uma sentença liminar no sentido de obstar que se promova a ação de cobrança de um tributo que entenda indevida. Concedida a medida judicial, e até a resolução da questão, está vedada a instauração de procedimento fiscal quanto à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. 41. Corroborando esse entendimento, confirase ainda o entendimento da Primeira e Terceira Câmaras do E. Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF), que reconhecem a nulidade do Auto de Infração lavrado durante a vigência de medida judicial a tratar da matéria: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. 1. A empresa foi autuada em 21/12/90. Em 28/09/90 foi deferida liminar em mandado de segurança. O artigo 151, IV do CTN é taxativo quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Neste caso não poderia ser lavrado o Auto de Infração em data posterior à ordem judicial. Fl. 10744DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.736 19 2. Acatada preliminar suscitada pelo Procurador da Fazenda Nacional no sentido de ser declarada a nulidade do processo. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo, não será instaurado o processo fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a da suspensão (artigo 62 do Decreto n. 70.235, de 06/03/72) Auto de infração nulo. (Acórdão n° 30327436, Recurso n° 114742, TERCEIRA CÂMARA, Relatora DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA, em 24.9.92). 42. Diante disso, é patente a discrepância entre o procedimento adotado pela D. Fiscalização Federal e o disposto no artigo 62 do Decreto n° 70.235/1972, bem como é flagrante a nulidade do auto de infração lavrado, na medida em que a medida judicial concedida pelo Poder Judiciário suspende a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151, inciso V, do CTN), impedindo a lavratura de auto de infração. 43. Ora, a D. Autoridade Administrativa apenas tem competência para lavrar o Auto de Infração quando verificar a infração. Assim, não pode, em hipótese alguma, alterar a natureza do auto de infração (penalizar) tão somente para prevenir a decadência. Logo, na hipótese de ser concedida medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário previamente ao lançamento, certamente de "auto de infração" não deveria se tratar o ato emanado pela autoridade administrativa. V. A IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DE IRF (a) O Tratado de Melbourne e a Isenção de Tributos sobre as Remessas ao Exterior feitas para Remunerar a Cessão Onerosa de Meios de Rede de Telecomunicação 44. Na remota hipótese de Vossas Senhorias não acolherem a argumentação aduzida acima e entenderem que o crédito tributário exigido pelo auto de infração não é alcançado pelas decisões judiciais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança n°s 000163714.2011.4.03.6100 e 0006526 79.2009.4.03.6100 e não é objeto daqueles processos, a consequência inexorável é admitir que a Impugnante possa discutir nestes autos as razões de direito lá aduzidas, demonstrando a não incidência do IRF no caso concreto, com o afastamento da Súmula CARF n° 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial). 45. Diante desse cenário, a Impugnante passa a demonstrar os motivos pelos quais deve ser reconhecida a existência de tratado internacional válido e aplicável ao caso concreto, que concede isenção de tributos sobre as remessas em questão e deve Fl. 10745DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 prevalecer sobre as disposições da lei interna, de modo a afastar a incidência do IRF no caso concreto. 46. Nesse sentido, a Impugnante esclarece que o RTI, aprovado em 9.12.1988 pelo Tratado de Melbourne, estabelece os princípios gerais relacionados com a provisão e a operação dos serviços internacionais de telecomunicações oferecidos ao público, como também aos subjacentes meios de transporte das telecomunicações internacionais usados para prover estes serviços. 47. No que interessa ao presente caso, o RTI prevê, em seu artigo 6º, item 6.1.3, a não tributação das remessas efetuadas a título de pagamentos pela contraprestação de serviços internacionais de telecomunicações. Confirase: (...) 6.1.3 Sempre que a legislação nacional de um país prever a aplicação de um tributo sobre a tarifa de percepção, pelo provimento de serviços internacionais de telecomunicações, esse tributo somente se aplicará aos serviços internacionais de telecomunicações faturados a clientes desse país, a menos que seja acordado o contrário, para atender a circunstâncias especiais (...). 48. Como se pode verificar, a regra exonerativa do RTI busca desonerar os pagamentos efetuados pela Impugnante às operadoras estrangeiras detentoras dos meios de transmissão utilizados para a terminação dos serviços de telecomunicação iniciados no Brasil com destino ao exterior ("tráfego sainte"). 49. Sem essa regra exonerativa no Brasil, a Impugnante estaria impossibilitada de disponibilizar aos seus usuários, a preço acessível, serviços internacionais de telecomunicações. Esse, aliás, foi um dos principais objetivos da regra exonerativa: disponibilidade para o público dos serviços internacionais de telecomunicações. 50. A regra exonerativa mencionada acima foi incorporada ao ordenamento nacional quando da celebração do Tratado de Genebra, em 22.12.1992, que instituiu a Constituição e a Convenção da UIT, com a finalidade de facilitar as relações pacíficas, a cooperação internacional entre os povos e o desenvolvimento econômico e social, por meio do bom funcionamento das telecomunicações. 51. Destaquese, ainda, que o Tratado de Genebra foi devidamente incorporado ao ordenamento jurídico interno nos termos previstos na Constituição Federal de 1988 ("CF/1988"). Referido Tratado, como já mencionado anteriormente, foi celebrado e assinado pelo Brasil em 22.12.1992. Ato contínuo, após a devida análise e aprovação do Congresso Nacional, por intermédio do Decreto Legislativo n° 67/1998, o governo brasileiro houve por bem depositar o respectivo instrumento de ratificação em 19.10.1998. 52. Posteriormente, o Presidente da República, a fim de promulgar o Tratado de Genebra, publicar oficialmente o seu texto, além de tornálo eficaz, incorporandoo ao ordenamento jurídico brasileiro interno, expediu o Decreto Executivo n° 2.962/1999. Dessa forma, o Tratado de Genebra, do qual é parte integrante o RTI (aprovado pelo Tratado de Melbourne), Fl. 10746DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.737 21 obedeceu devidamente aos trâmites previstos nos artigos 49, inciso I, e 84, inciso VIII, ambos da CF/1988, sendo válido, portanto, em sua integralidade, dentro do ordenamento jurídico brasileiro. 53. Com efeito, o Tratado de Genebra é complementado pelo RTI (Tratado de Melbourne), cuja observância e fiel cumprimento por todos os países signatários, dentre os quais, o Brasil, é indispensável. Confirase a redação do artigo 4º do Tratado de Genebra: (...) Artigo 4 Instrumentos da União 1. Os instrumentos da União Internacional de Telecomunicações são: A presente Constituição da União Internacional de Telecomunicações A Convenção da União Internacional de Telecomunicações, e Os Regulamentos Administrativos. 2. A presente Constituição, cujas disposições de complementam com as da Convenção, é o instrumento fundamental da União. 3. As disposições da presente Constituição e da Convenção se complementam, ademais, com as dos Regulamentos Administrativos seguintes, que regulam o uso das telecomunicações e terão caráter VINCULATIVO para todos os Membros: Regulamento das Telecomunicações Internacionais. Regulamento de Radiocomunicações. 4 No caso de divergência entre uma disposição da presente Constituição e uma disposição da Convenção ou dos Regulamentos Administrativos, prevalecerá a primeira. No caso de divergência entre uma disposição da Convenção e uma disposição de um Regulamento Administrativo, prevalecerá a Convenção (...)". 54. Além do caráter vinculativo mencionado acima, o artigo 54 do Tratado de Genebra também menciona que os Regulamentos Administrativos são de cumprimento obrigatório pelos países que ratificarem, aceitarem, aprovarem ou aderirem aos termos do Tratado de Genebra, in verbis: (...) Artigo 54 Regulamentos Administrativos 1. Os Regulamentos Administrativos mencionados no artigo 4 da presente Constituição são instrumentos internacionais OBRIGATÓRIOS e estarão sujeitos às disposições desta última e da Convenção. Fl. 10747DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 2. A ratificação, aceitação ou aprovação da presente Constituição e da Convenção ou a adesão às mesmas, em razão dos artigos 52 e 53 da presente Constituição, inclui também o CONSENTIMENTO DE OBRIGARSE PELOS REGULAMENTOS ADMINISTRATIVOS, adotados pelas Conferências Mundiais competentes antes da data da assinatura da presente Constituição e da Convenção. Tal consentimento se entende como sujeição a toda reserva manifestada no momento da assinatura dos citados Regulamentos ou a qualquer revisão posterior aos mesmos, sempre e quando ele se mantenha no momento de depositar o correspondente instrumento de ratificação, de aceitação, de aprovação ou de adesão (...). 55. Diante do exposto, resta claro que não há como dissociar o RTI do Tratado de Genebra, na medida em que este último, ao instituir e aprovar a Constituição e a Convenção da UIT, houve por bem consolidar e incorporar em seu texto o RTI, com caráter vinculativo e obrigatório aos países signatários, absorvendo, portanto, a regra exonerativa do RTI que prevê a não tributação das remessas efetuadas a título de pagamento pela contraprestação de serviços internacionais de telecomunicações. 56. Em razão do princípio da boafé, balizador dos atos celebrados pelos Estados no campo do Direito Internacional, o Estado signatário de um tratado internacional não pode frustrar ou criar empecilhos à observância e aplicação desse tratado. Uma vez cumpridos os trâmites previstos na Constituição para a inserção da norma internacional no ordenamento jurídico interno — no caso do Brasil, com a assinatura, aprovação pelo Congresso Nacional, ratificação e promulgação pelo Presidente da República —, é vedado ao Estado criar quaisquer tipos de mecanismos que tenham por finalidade se eximir ao fiel cumprimento dessa norma. 57. Dessa forma, não podem os contribuintes que se enquadram nas hipóteses de isenção concedidas pelo RTI, por força do princípio constitucional da segurança das relações jurídicas (artigo 5ª, inciso XXXVI, da CF/88), serem prejudicados e sofrerem sanções pelas Autoridades Administrativas Federais pela fruição desse benefício fiscal. 58. Vale ressaltar que o artigo 98 do CTN dispõe que "os tratados e as convenções internacionais revogam, ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha". 59. Nessa esteira, a jurisprudência do CARF é remansosa no sentido de que as disposições de tratados internacionais em matéria tributária se sobrepõem às disposições da legislação interna, conforme decidido, dentre outros, no seguinte precedente: TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação à norma interna. Fl. 10748DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.738 23 Embora o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, o fato é que não se discutiu, naquela Corte, o art. 98 do CTN, que tem status de lei complementar, portanto de hierarquia superior à lei ordinária (O julgado que consagrou o entendimento de inexistência de hierarquia RE 80.004/SE tratava da Lei Uniforme sobre Letras de Câmbio e Notas Promissórias). Assim, ainda que se considere não ter, o tratado internacional, primazia hierárquica sobre a lei interna, em se tratando de norma tributária, essa primazia decorreria do art. 98 do CTN. Esse é o entendimento predominante na doutrina. E para aqueles que consideram que o art. 98 do CTN não pode estabelecer essa hierarquia, a questão vai se resolver pelo critério da especialidade, posto que o tratado, geralmente, é especial em relação à lei interna. (Acórdão n° 10195.802, proferido nos autos do Processo Administrativo n° 16327.000112/200531, pela Colenda Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni.) 60. No mesmo sentido, vale mencionar que a Intelig Telecomunicações S.A., empresa do mesmo grupo econômico da Impugnante, obteve decisão favorável do Tribunal Regional Federal da Segunda Região afastando a incidência do IRF sobre as remessas efetuadas ao exterior para o pagamento de roaming internacional por força das regras previstas no Tratado de Melbourne, a qual foi mantida pelo E. Superior Tribunal de Justiça nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONVENÇÃO DA UNIÃO INTERNACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (UIT) REGULAMENTO DE MELBOURNE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSTO DE RENDA. PROCESSO DE INCORPORAÇÃO AO DIREITO PÁTRIO. DECRETO LEGISLATIVO 67/1998. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALEGADA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. INCIDÊNCIA. 1. Cuidase, originariamente, de mandado de segurança objetivando garantir alegado direito líquido e certo da empresa autora de realizar remessas ao exterior, como prestação por cessão de redes de telefonia de que se utiliza fora do território nacional, sem a incidência de IR retido na fonte, como exigido pelo art. 685, II, "a", do Decreto 3.000/99, com fulcro na Convenção da União Internacional de Telecomunicações UIT (fl. 752). 2. O acórdão do TRF da 2ª Região, em síntese, decidiu: a) compete privativamente ao Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional, ao qual compete, exclusivamente, resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional (CF/88, arts. 84, VIII, e 49,I); Fl. 10749DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 b) a Constituição e a Convenção da União Internacional de Telecomunicações (UIT) foram incorporadas ao nosso ordenamento jurídico através do Decreto Legislativo n° 67, de 15.10.98, e do Decreto Presidencial n° 2.962, de 23.02.99; c) o Regulamento Administrativo de Melbourne, de 1988, é parte integrante da UIT, o qual prevê em seu art. 45, item 6.1.3, isenção tributária no caso de contraprestação pela cessão de redes de telefonia de que se utiliza fora do território nacional, para completar as ligações efetuadas do Brasil para o exterior, não se tratando de ajuste complementar; d) o CTN prevê a primazia dos tratados e convenções internacionais sobre a legislação tributária interna, nos termos do seu art. 98. 3 Temse que a matéria dos artigos 97, II, VI e 176, do Código Tributário Nacional, não foi debatida no acórdão recorrido, mesmo com a oposição de embargos de declaração. Incidência da Súmula 211 do STJ. 4. No que se refere à alegada violação do art. 1°, parágrafo único, do Decreto Legislativo 67/1998, relativa ao procedimento de incorporação em nosso direito interno da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT) e do Regulamento Administrativo de Melbourne, registrese que o acórdão proferido pelo TRF da 2a Região solucionou a questão com fundamento eminentemente constitucional, nos termos da interpretação dos artigos 49,1, 84, VIII, da CF. 5. Frisese que o recurso interposto pela Fazenda Nacional escorase na alegação de que o Regulamento de Melbourne, parte integrante da Convenção da União Internacional de Telecomunicações UIT, não teria força de lei porque não obedecido o procedimento constitucional previsto para sua incorporação no direito interno. 6. O fundamento constitucional assentado pelo acórdão recorrido, inclusive, corroborado pelas razões recursais desenvolvidas pela recorrente, afasta a possibilidade de revisão do julgado na via do recurso especial, por sua competência ser restrita à uniformização do direito infraconstitucional federal. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1104543/RJ, Rei. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 04.05.2010, DJe 10.05.2010) 61. Diante desse quadro e considerando a superioridade dos tratados internacionais, é imperioso concluir que não há no Brasil a obrigatoriedade do recolhimento do IRF sobre as remessas efetuadas a título de contraprestação de serviços internacionais de telecomunicações, por força da regra exonerativa prevista no RTI (aprovado pelo Tratado de Melbourne), incorporado ao Tratado de Genebra que, por sua vez, foi devidamente inserido no ordenamento jurídico brasileiro interno. (b) O Efetivo Recolhimento de IRF Não Reconhecido pela D. Fiscalização 62. Como ressaltado anteriormente, grande parte do crédito tributário exigido na presente autuação diz respeito aos valores de IRF reclamados sobre as remessas ao exterior feitas pela Impugnante para pagamento dos contratos de cessão onerosa de Fl. 10750DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.739 25 meios de rede de telecomunicação registrados sob as rubricas "ROAMING INTERNACIONAL" e "SERV. DIVOUT COMUNICAÇÕES", sobre as quais o IRF não pode ser cobrado pelos motivos expostos acima. 63. Ocorre que o auto de infração também abrange remessas efetuadas pela impugnante ao exterior para pagamento de outros contratos, em relação às quais a Impugnante recolheu o IRF, como será demonstrado adiante, o que torna inviável a exigência do tributo por meio da autuação em referência. Ressaltese que, em alguns casos, a Impugnante acabou efetuando o recolhimento do IRF até mesmo sobre as remessas feitas para pagamento de cessão onerosa de meios de rede de telecomunicações, motivo a mais para o cancelamento da cobrança pretendida pela D. Fiscalização. 64. No entanto, a D. Fiscalização desconsiderou os pagamentos efetuados pela Impugnante, sob o argumento de que a documentação apresentada no curso da fiscalização não estaria clara a esse respeito. 65. Como forma de demonstrar claramente a realização desses pagamentos, a Impugnante elaborou a anexa planilha (doc. 8), que vincula as remessas mencionadas nas planilhas anexas ao auto de infração aos respectivos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais ("DARFs"), que comprovam os pagamentos efetuados (doc. 9). 66. Apenas para facilitar o entendimento da sistemática da planilha ora apresentada, confirase, por exemplo, o trecho abaixo da planilha, que corresponde às linhas 3 a 9 do documento anexo: (...) 67. Pela simples comparação da tabela acima com a planilha elaborada pela D. fiscalização para embasar a autuação fiscal (doc. 4 anteriormente mencionado), notadamente as linhas 84 a 89 da "aba" "CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO", verificase que ambas tratam das mesmas operações de remessa ao exterior, que resultariam em um suposto IRF devido no montante de R$ 730,53, o qual a D. Fiscalização afirma não ter sido recolhido. 68. Nesse sentido, a Impugnante indicou, na última coluna de sua planilha, a exata localização do respectivo comprovante de pagamento nos documentos acostados a presente impugnação (doe. 9 anteriormente mencionado). No exemplo citado, o DARF que comprova o pagamento do IRF, inclusive em valor maior ao indicado pelo Fisco (R$ 1.400,71), se encontra na página 11 do documento "PAGTO_IR_0481" (doc. 9 anteriormente mencionado). 69. O mesmo raciocínio se estende a todas as outras linhas relativas aos outros pagamentos realizados pela Impugnante, o que impõe que os respectivos valores sejam excluídos da autuação. Fl. 10751DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 70. Vale mencionar que outros recolhimentos de IRF cobrados no auto de infração foram realizados, porém a Impugnante não teve condições de, no exíguo prazo para apresentação da presente defesa, localizar a totalidade desses pagamentos. Cumpre esclarecer que é de suma importância a determinação da conversão do julgamento em diligência, ocasião em que a Impugnante terá condições de demonstrar, de forma mais detida e com mais tempo, outros recolhimentos realizados. (c) Os Valores Cobrados em Duplicidade no Auto de Infração 71. Como se não bastasse o fato de ter cobrado valores já quitados pela Impugnante, a D. Fiscalização ainda indicou em duplicidade algumas das remessas para o exterior realizadas pela Impugnante, apontando tais remessas nas duas planilhas que acompanharam o auto de infração lavrado — "CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO" e "C CÂMBIO NÃO APRESENTADO" (vide doc. 4 anteriormente mencionado) —, o que aumentou indevidamente o suposto valor devido a título de IRF. 72. Confirase, abaixo, quadro que resume as remessas que o auto de infração pretendeu tributar em duplicidade: (...) 73. Em primeiro lugar, observese o Contrato de Câmbio n° 07000373, referente a remessa destinada à TELECOM ITÁLIA SPA, no valor total de R$ 1.391.293,42. Notese que o referido contrato consta na linha 112 da "aba" "CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO" da planilha elaborada pela D. Fiscalização (doc. 4 anteriormente mencionado). 74. Por sua vez, o mesmíssimo contrato aparece listado nas linhas de 4 a 8 da "aba" "C CÂMBIO NÃO APRESENTADO". Vale ressaltar que nessa "aba" o contrato está desmembrado em cinco linhas distintas, porém, a análise de suas informações, tais como "BENEFICIÁRIO/REMETENTE", "DOM. RECEBEDOR", "IRRF DEVIDO" e "IRRF VALOR A RECOLHER", faz com que facilmente se verifique a identidade entre elas, somando, ao final, os mesmos R$ 1.391.293,42. 75. O mesmo ocorre com o Contrato de Câmbio n° 07005942, relacionado a remessa efetuada à empresa PANNON GSM, no valor total de R$ 18.320,62. O referido contrato está listado na linha 513 da "aba" "CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO" da planilha elaborada pela D. Fiscalização (doc. 4 anteriormente mencionado), bem como na linha 486 da "aba" "C CÂMBIO NÃO APRESENTADO". 76. Por fim, ressaltese que o Contrato de Câmbio n° 07009939, que envolve remessa destinada à ER ITÁLIA S.R.L A SÓCIO ÚNICO, no valor total de R$ 41.708,25, aparece listado na linha 844 da "aba" referente aos contratos de câmbio apresentados e na linha 9 da "aba" referente aos contratos de câmbio não apresentados da planilha anexa ao auto de infração (vide doc. 4 anteriormente mencionado). 77. Portanto, resta comprovada a incorreção da planilha elaborada pela D. Fiscalização, na qual constam operações apontadas em duplicidade, o que aumenta indevidamente o valor da autuação, devendo tal equívoco ser sanado por V.Sas. VI. A INEXIGIBILIDADE DE JUROS DE MORA Fl. 10752DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.740 27 78. Na remota hipótese de ser mantida a exigência contida no auto de infração em referência, o que se admite apenas para argumentar, a Impugnante esclarece ser totalmente infundada a exigência de juros de mora na hipótese destes autos. 79. O artigo 161 do CTN prevê o acréscimo de juros de mora aos créditos não integralmente pagos no vencimento. Os juros de mora são, portanto, um ônus ao contribuinte que, pelo retardamento culposo da obrigação tributária, possui débito exigível pela Fazenda Pública. 80. Observese que, no caso concreto, a Impugnante não está em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais ora constituídas nestes autos, tendo em vista que encontrase amparada por decisões judiciais que suspendem a exigibilidade do crédito tributário em discussão no auto de infração, tendo, inclusive, pago o IRF sobre diversas remessas indicadas na atuação. 81. Cumpre reiterar que o direito à suspensão da exigibilidade do crédito tributário através da concessão de liminar em mandado de segurança encontrase expressamente previsto no artigo 151, inciso IV, do CTN. A virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário consiste fundamentalmente na descaracterização da mora, por não haver qualquer omissão do contribuinte quanto ao pagamento do tributo. Ora, se a mora é uma consequência da exigibilidade, não pode logicamente haver mora em relação a pretensões inexigíveis. 82. Nesse sentido, inclusive, vale ser citado o entendimento manifestado pelo Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INCABÍVEIS OS JUROS DE MORA EM FACE DE MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA Se o sujeito passivo obteve a medida liminar em mandado de segurança, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, antes de qualquer procedimento de ofício do sujeito ativo, não se caracteriza a mora, não só porque afastada a culpa (elemento objetivo), que aliada ao retardamento (elemento objetivo), constitui a mora; mas também porque, momentaneamente inexistente a exigibilidade, inexiste a possibilidade de incorrer em mora. (...). PIS. JUROS DE MORA. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Não há de ser aplicado juros de mora em relação a créditos tributários com a exigibilidade suspensa em virtude de depósito judicial do seu montante integral, cujo lançamento visa prevenir a decadência. (...) 83. Exatamente nesse sentido, cumpre mencionar que o artigo 161, §2°, do CTN, estabelece que o contribuinte que formular consulta aos órgãos da Receita Federal, antes do vencimento do tributo, poderá pagálo sem a incidência dos juros. Ora, se a própria legislação privilegia a boafé e a conduta do contribuinte que formular consulta dentro do prazo legal, e o desonera do pagamento de juros, com muito mais razão não Fl. 10753DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 incidem os juros de mora nos casos em que o contribuinte busca a tutela do Poder Judiciário, por entender como ilegal e inconstitucional determinada exigência fiscal. 84. Nessa linha de raciocínio, a Requerente transcreve, a seguir, trechos do Voto proferido pelo Ministro Djaci Falcão, do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 80.256SP, de 30.8.1974: (...) se, no caso de consulta, formulada dentro do prazo legal, não se aplicam juros de mora, por força de lei, enquanto aguardando decisão de autoridade superior, o dispositivo em questão com muito maior razão deve ser aplicado ao caso em exame, onde houve recurso para órgão superior judicial, ou seja, para o Egrégio Tribunal Federal de Recursos. O Mandado de Segurança, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de concessão de liminar (inciso III do art. 151 do CTN), tem e deve ter muito mais amplitude e força do que uma simples consulta, daí a razão da aplicabilidade do que foi dito acima(...). 85. Uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, o prazo de vencimento da obrigação é postergado até o momento em que a dívida venha a ser novamente exigível. Assim, sendo certo que o crédito tributário constituído pelo presente auto de infração encontrase com sua exigibilidade suspensa, e que só há que se falar em mora nas hipóteses em que há débito exigível, resta evidente que os juros de mora exigidos são totalmente infundados e devem ser cancelados. 86. Na pior das hipóteses, no que diz respeito às operações alcançadas pelos Mandados de Segurança n°s 0001637 14.2011.4.036100 e 000652679.2009.4.03.6100, deve ser excluída a fluência dos juros de mora a partir da data do deferimento das medidas liminares, em atenção ao artigo 60, § 2º, da Lei n° 9.430/1996. VII. A INAPLICABILIDADE DA MULTA E A ILEGALIDADE DE SEU AGRAVAMENTO 87. A despeito de toda a argumentação acima, que demonstra claramente a insubsistência do presente auto de infração, a Impugnante entende que é absolutamente ilegal a exigência da multa de ofício no caso concreto, tanto mais sua aplicação agravada, de um modo geral, sobre todas as remessas ao exterior objeto da autuação. 88. Por um lado, a multa não pode ser aplicada sobre a parcela do crédito tributário que está com a sua exigibilidade suspensa por força das decisões judiciais proferidas nos mandados de segurança em questão, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF n° 17: "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos TV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo". 89. Por outro lado, ainda que se admitisse a aplicação da multa de ofício, esta jamais poderia ser agravada para 112,5%, nos termos da Lei n° 9.430/1996, artigo 44, § 2º, inciso I (com a redação dada pelas Medidas Provisórias n° 303/2006 e 351/2007 ou pela Lei n° 11.488/2007, a depender da época dos Fl. 10754DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.741 29 fatos ocorridos). Na prática, o auto de infração está aplicando a multa agravada sobre o valor de todas as operações realizadas pela Impugnante, sem demonstrar efetiva, pontual e concretamente que esclarecimento deixou de ser prestado. 90. Na verdade, a D. Fiscalização entende que a ação fiscal teria sido "gravemente prejudicada pela falta de informação ou informações inconsistentes fornecidas pela empresa, além de falta (sic) apresentação de documentação, tais como falta de apresentação de contratos de câmbio e falta de apresentação de contratos comerciais". Em linhas gerais, a autuação reputa que foram apresentados contratos comerciais em inglês e que a Impugnante não atendeu "deforma satisfatória à fiscalização". A autuação é concluída com a menção a outros processos indicando que a D. Fiscalização não teria atendido o "Fisco a contento". 91. Com todas as vénias, a Impugnante destaca, como se depreende das planilhas em questão, que a documentação solicitada pela D. Fiscalização envolve não apenas alguns poucos documentos, mas milhares de contratos de câmbio e comerciais e documentos de arrecadação de inúmeras remessas realizadas pela Impugnante ao longo de todo um exercício. 92. A Impugnante se empenhou em cooperar com a D. Fiscalização e não deixou pura e simplesmente de atender o Fisco ou de prestar esclarecimentos, quando intimada, conforme pode ser facilmente percebido pelos diversos protocolos de atendimento à fiscalização anexados à presente defesa (doc. 10). Como se vê, ao contrário do alegado pela D. Fiscalização, a Impugnante fez o possível para entregar toda a documentação solicitada no menor tempo possível. 93. Ora, não há como se sustentar que a ação fiscal foi prejudicada pela falta de informações se a autuação, integralmente baseada nas informações da Impugnante, resultou em planilhas que identificam uma a uma as remessas realizadas e exige integralmente IRF e CIDE sobre cada uma delas. 94. Se houve alguém prejudicado por eventuais desencontros nas informações prestadas foi a Impugnante, tendo em vista que diversos valores por ela pagos não foram reconhecidos pela D. Fiscalização e estão sendo exigidos por meio da autuação em questão. 95. De toda forma, o fato é que o agravamento da penalidade nos termos do artigo 44 § 2°, inciso I, da Lei Federal n° 9.430/1996 depende da demonstração clara e precisa de que houve uma intimação para prestar esclarecimentos e que esses esclarecimentos não foram prestados. É essa a infração capitulada no dispositivo legal para agravamento da multa. 96. A simples e genérica observação de que não foram prestados esclarecimentos "a contento" e de que as informações não foram "satisfatórias", como mencionado na autuação, data máxima venia, não tem o condão de caracterizar a infração em questão, consoante iterativa jurisprudência administrativa que se verifica, dentre outros, pelo precedente abaixo: Fl. 10755DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 IRPJ e OUTROS EX.: 1996 AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Incabível o agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5%, quando o contribuinte não exibe à fiscalização os livros comerciais e fiscais que amparariam a tributação com base no lucro real e que foi motivo de arbitramento do lucro por parte da autoridade lançadora. O que justifica o agravamento da multa de oficio é o não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos , não a prestação de forma insatisfatória na apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais." (ACÓRDÃO 10808.183, i° Conselho de Contribuintes, 8a. Câmara, Relator: NELSON LÓSSO FILHO, DOU: 11.12.2006.) 97. Ademais, é necessário que se verifique uma relação de pertinência entre a informação que deixou de ser prestada, o prejuízo gerado ao Fisco e a base da multa agravada. Vale dizer, a penalidade agravada deve incidir apenas e tão somente sobre o valor do tributo que teve o seu lançamento prejudicado pela ausência do esclarecimento prestado, na linha da orientação jurisprudencial existente: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos , autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio, desde que a irregularidade apurada seja decorrente de matéria questionada na referida intimação, nos termos do artigo 44, parágrafo 20, da Lei n° 9.430, de 1996." (ACÓRDÃO 220100.573, CARF, 2a. Seção lª Turma da 2ª Câmara, Processo n° 10830.006621/200410.) 98. No caso concreto, a Impugnante entende que não houve qualquer relação entre a pretensa falta de apresentação de esclarecimentos e o tributo reclamado. 99. Mas, na hipótese de se entender que o agravamento da multa é cabível, a Impugnante ressalta que, quando muito, esse agravamento deveria incidir apenas e tão somente sobre o valor do tributo exigido na planilha relativa aos contratos de câmbio que supostamente não foram apresentados pela Impugnante, mas nunca sobre o valor total do tributo exigido sobre todas as operações mencionadas na autuação em questão. 100. Por fim, a Impugnante entende que as circunstâncias que legitimam o agravamento da multa devem ser pontual e especificamente demonstradas em cada caso, não cabendo à D. Fiscalização valerse de um inexistente quadro de bons ou maus antecedentes, tanto mais se não houve decisão final proferida em qualquer caso mantendo em última instância multa agravada contra a Impugnante. VIII. CONCLUSÃO E O PEDIDO 101. Por todo o exposto, a Impugnante tem por demonstrado que não merece prosperar a autuação por meio do qual se exige IRF e multa de ofício agravada a 112,5% sobre remessas ao exterior efetuadas no exercício de 2007. Fl. 10756DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.742 31 102. Em primeiro lugar, parte do crédito tributário exigido, relacionado a fatos geradores ocorridos até 31.1.2007, está fulminada pela decadência, nos termos do artigo 150, § 40 c/c 156, inciso V, do Código Tributário Nacional ("CTN"). 103. Em segundo lugar, o IRF não pode ser exigido sobre as remessas efetuadas pela Impugnante a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior a título de cessão onerosa de meios de redes de telefonia de que a Impugnante se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação (pagamentos efetuados sob as rubricas "ROAMING INTERNACIONAL" e "SERV. DIVOUT COMUNICAÇÕES" no quadro demonstrativo anexo ao auto de infração). 104. Por um lado, a D. Fiscalização está impedida, por determinação judicial, de exigir o IRF sobre essas remessas, consoante decisões judiciais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança n°s 000163714.2011.4.036100 e 000652679.2009.4.03.6100, impetrados pela Impugnante. 105. Por outro lado, ainda que se considere que essas decisões judiciais não se aplicam às remessas em questão, deve ser reconhecido que esses pagamentos efetuados a título de contraprestação de serviços internacionais de telecomunicação estão isentas de tributos, por força das disposições do Regulamento das Telecomunicações Internacionais "RTI" (aprovado pelo Tratado de Melbourne em 9.12.1988) e da Convenção e a Constituição da União Internacional das Telecomunicações "UIT" (aprovadas pelo Tratado de Genebra em 22.12.1992). 106. Como se isso não bastasse, a D. Fiscalização pretende tributar em duplicidade algumas das remessas para o exterior realizadas pela Impugnante, apontando tais remessas nas duas planilhas que acompanharam o auto de infração — "CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO" e "C CÂMBIO NÃO APRESENTADO" (vide doc. 4 anteriormente mencionado) —, aumentando indevidamente o suposto valor devido a título de IRF. 107. Em terceiro lugar, ainda que pudesse desconsiderar todos os argumentos expostos anteriormente, a Impugnante comprovou, com base em farta documentação, que o IRF exigido sobre as remessas mencionadas na autuação foi pago em tempo e modo próprios. 108. Em quarto lugar, ainda que se admitisse a validade da cobrança dos tributos em questão, não poderia haver de forma alguma a exigência de juros moratórios, no caso concreto, uma vez que a Impugnante está amparada por decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário em discussão. 109. Por fim, em quinto e último lugar, é completamente inaplicável a multa de ofício se o débito tributário está com a sua exigibilidade suspensa, tanto mais com a majoração do seu valor para 112,5%, se a Impugnante prestou todos os esclarecimentos solicitados pela D. Fiscalização e não há Fl. 10757DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 qualquer prova concreta e específica de que a Impugnante tenha deixado de cumprir esta obrigação, nem qualquer relação da multa com a matéria objeto da autuação. 110. Diante de todos esses argumentos, a Impugnante requer que seja anulado ou cancelado, no todo ou em parte, o crédito tributário exigido por meio do auto de infração em referência, inclusive com o cancelamento dos juros e da multa agravada aplicada. 111. Na oportunidade, a Impugnante desde já protesta pela produção de todas e quaisquer provas em direito admitidas, inclusive a realização das diligências e perícias necessárias para a comprovação dos fatos e direitos ora alegados, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.232/1972, indicando como seu assistente técnico o Sr. Carlos Alberto Escudeiro Borba, inscrito no CRC/SP (...) e indicando o anexo rol de quesitos, protestando desde já também pela apresentação de quesitos suplementares e elucidativos. Em fls. 9756/9757 segue o seguinte "ROL DE QUESITOS" apresentado pela Impugnante: 1. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico esclarecer exatamente o que está sendo reclamado no auto de infração em referência, indicando a metodologia utilizada para o cálculo do IRF e da multa aplicada. 2. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico descrever clara e detalhadamente a natureza das remessas ao exterior sobre as quais o tributo está sendo exigido. 3. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico indicar se o período de janeiro de 2007 é objeto da autuação em questão e se houve o pagamento de IRF relativo a esse mês. 4. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico indicar se há alguma limitação temporal expressa mencionada nas decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança n°s 0001637 14.2011.4.036100 e 000652679.2009.4.03.6100 que impeça que elas se apliquem ao crédito tributário relativo ao exercício de 2007. 5. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico analisar as planilhas e DARFs apresentados pela Impugnante, bem como eventuais documentos adicionais necessários, e verificar se houve o pagamento de valores de IRF sobre determinadas remessas ao exterior que estão sendo novamente exigidos por meio da autuação em questão. 6. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico esclarecer o motivo pela qual a multa agravada foi aplicada, explicitando se foi apontado de forma clara, pontual e expressa alguma intimação para prestar esclarecimentos que deixou de ser atendida pela Impugnante. 7. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico apontar sobre quais valores foi aplicada a multa agravada, indicando se existe clara relação de pertinência entre o esclarecimento alegadamente não prestado e o montante sobre o qual a multa incidiu. 8. Queiram o Sr. Perito e assistente técnico tecer qualquer comentário adicional que reputarem útil a respeito do assunto. Fl. 10758DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.743 33 Pelos Despacho de fls. 10480/10481 os autos foram baixados para saneamento relativo à representação processual e, conforme segue, diligência: (...) Examinando o mesmo processo, notase, ainda, que a Impugnante alega pagamentos de IRRF e diz: “Como forma de demonstrar claramente a realização desses pagamentos, a Impugnante elaborou a planilha anexa (doc. 8), que vincula as remessas mencionadas nas planilhas anexas ao auto de infração aos respectivos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais ("DARFs"), que comprovam os pagamentos efetuados” (fl. 9743). Outrossim, a Impugnante alega que algumas remessas foram indicadas em duplicidade pela Fiscalização, conforme expõe em fl. 9746 e seguintes da peça impugnatória. Paralelamente, observase que o Termo de Constatação Fiscal (fl. 9692 e seguintes) dá conta de três demonstrativos, sem indicar sua localização nos autos, a saber: “DEMONSTRATIVO I IRRF A RECOLHER CONTRATOS DE CÂMBIO EM ANEXO”, “DEMONSTRATIVO II IRRF A RECOLHER CONTRATOS DE CÂMBIO NÃO ANEXADOS E COM NUMERAÇÃO INEXATA” e “DEMONSTRATIVO III CONSOLIDADO IRRF A RECOLHER”. Assim, demandase que a Fiscalização certifique, conforme seja, a veracidade das vias/cópias de demonstrativos trazidas pela Impugnante (fl. 9810 e seguintes, fl. 9941 e seguintes e/ou eventuais outras), verifique os alegados pagamentos e duplicidades e proceda ao refazimento da apuração do IRRF, se couber. Se requer, igualmente, que a Fiscalização segregue as remessas de recursos feitas pela Contribuinte à “Telecom Italia S.p.A” (conforme a inicial do Mandado de Segurança 2009.61.00.0065266, fl. 9919), em função da prestação de serviços de telecomunicação internacional (“tráfego sainte”, conforme a mesma inicial, fl. 9919), apresentandoas em moldes similares aos demonstrativos aludidos no citado Termo de Constatação Fiscal. (...) Pelo TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA, de 27/10/2014 (fls. 10514/10516), a Autoridade Tributária faz exposição no seguinte sentido: DA VERACIDADE DOS DEMONSTRATIVOS Após comparação dos demonstrativos às fl. 9810 a 9845, com os constantes no dossiê arquivado nesta DEMAC, verificamos que realmente se trata dos demonstrativos entregues ao contribuinte no momento da ciência dos Autos. Já a planilha apresentada às folhas fl. 9941 a 9944 é o demonstrativo apresentado na impugnação pela empresa dos alegados pagamentos e duplicidades de cobrança. Fl. 10759DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 DOS PAGAMENTOS COMPROVADOS A empresa apresenta às fls. 9941 a 9944 demonstrativos relativos às planilhas “COM CC APRESENTADO”, com base nestes demonstrativos é possível verificar que houve pagamento de IRRF de parte das remessas listadas. Assim, foi feita a revisão da planilha, “CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO”, onde foram incluídos os valores pagos parcialmente, excluídas as remessas com comprovação total de pagamento e recalculado o valor a recolher. Comparandose dados de número de invoice ou contrato de câmbio, de valor em Moeda estrangeira e de data, verificamos também que houve duplicidade de cobrança na planilha “C CAMBIO NÃO APRESENTADO”. Desta forma, excluímos os valores que já estão sendo computados na planilha “COM CC APRESENTADO”. DAS REMESSAS PARA A TELECOM ITALIA S.P.A Conforme solicitado segregouse as remessas efetuadas à Telecom Italia SPA nas planilhas “CONT CÂMBIO APRES TelecomItalia” e “IRRF A REC RESUMOTelecomItalia”. Todas as planilhas fazem parte do arquivo ANEXO a este Termo – “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL”. CONCLUSÃO Após a análise os demonstrativos, conforme solicitado, verificou se a necessidade de recálculo dos valores da IRRF a recolher. O valor que antes era de R$ 26.722.466,03, passa a ser R$ 13.251.241,95, além de R$ 478.618,98 referente à Telecom italia SPA, conforme planilha resumo “IRRF A RECOLHER RESUMO” do arquivo “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL”. Acerca do TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA é apresentada, em 25/11/2014, a Manifestação de fls. 10521/10523 no seguinte sentido: 1. Considerando que a diligência reconheceu os pagamentos efetuados e as cobranças em duplicidade, reduzindo substancialmente o valor da autuação, a Requerente requer desde já que haja a exclusão integral desse valor da autuação, com a respectiva redução proporcional da multa aplicada e dos juros de mora incidentes sobre essa parte do crédito exigido. 2. Com relação à outra parte do crédito tributário, que foi mantida pela diligência, a Requerente se reporta à sua impugnação apresentada, notadamente na parte em que trata do descabimento da multa aplicada na autuação, considerando que o crédito tributário estava com a exigibilidade suspensa, em virtude da decisão liminar proferida em mandado de segurança. 3. A esse respeito, cabe ressaltar que o Termo de Conclusão de Diligência de fls. expressamente reconhece que as remessas de recursos feitas pela Requerente à "Telecom Itália S.p.A", a título de roaming, ocorreram sob a égide da medida liminar existente nos autos Mandado ie Segurança 2009.61.00.0065266. 4. Assim, se a própria diligência reconhece, de forma correta e pontual, os efeitos do mandado de segurança em questão, deve, Fl. 10760DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.744 35 por coerência, reconhecer os efeitos das medidas liminares existentes nos Mandados de Segurança n°s 0001637 14.2011.4.03.6100 e 000652679.2009.4.03.6100 (2009.61.00.0065266) para afastar a aplicação de penalidade no caso concreto, na esteira da Súmula 17 do CARF . 5. A Requerente esclarece que, no Processo Administrativo n° 19515.723063/201399, em que se discute a cobrança de CIDE incidente sobre as remessas realizadas para o exterior, a título de roaming internacional, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro reconheceu que a multa de ofício deveria ser afastada, por força da suspensão da exigibilidade do crédito por medida liminar nos mandados de segurança em referência. Confirase (doc. 1): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. LANÇAMENTO REALIZADO NA VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL. VIOLAÇÃO DA REGRA INSCRITA NO ART. 62 DO DECRETO N° 70.235/1972. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO REALIZADO NA VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe imposição de multa de ofício quando a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa por medida judicial. 6. Por todo o exposto, a Requerente ratifica os temos da sua impugnação de fls., apresentada em 1º.3.2012, e requer o cancelamento integral da autuação, notadamente da multa de ofício e dos juros de mora. Em suplementação, é apresentada, em 02/12/2014, a Manifestação de fls. 10543/10546 no seguinte sentido: 1. Ao analisar, de forma ainda mais detida, a planilha final da diligência que lhe foi enviada, comparando os valores exigidos no auto de infração objeto do processo administrativo em referência com os pagamentos efetuados, a Requerente localizou outros comprovantes de recolhimento e equívocos na referida planilha, não apontados anteriormente. 2. Por isso, em homenagem ao princípio da verdade material, e considerando que o processo ainda se encontra em fase de diligência, a Requerente entende que esses fatos/documentos devem ser considerados. 3. Com relação aos pagamentos não considerados na diligência, a Requerente traz aos autos o DARF anexo (doc. 1), que corresponde ao recolhimento do IRRF, no valor de R$ 369.803,62, relacionado às seguintes remessas ao exterior, indicadas na planilha da diligência (aba "Contrato de Câmbio Apresentado"): (...) 4. A Requerente destaca que, inclusive, fez a retenção do IRRF com base na alíquota de 25%, superior aos 15% do imposto exigido na autuação, consoante se verifica pela planilha Fl. 10761DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 36 demonstrativa abaixo reproduzida, a qual demonstra a composição do DARF apresentado. Confirase: (...) 5. Frisese que esse é apenas um dos pagamentos realizados e ora localizado pela Requerente, razão pela qual se mostra justificável a concessão de um prazo mais dilatado para que a Requerente possa concluir essa análise/diligência, sem prejuízo à sua defesa. Afinal, tratase de centenas de remessas efetuadas pela Requerente, há mais de sete anos. 6. Além disso, há um flagrante erro de cálculo aritmético na planilha de conclusão da diligência decorrente de um equívoco na multiplicação do valor da moeda estrangeira pela taxa de câmbio indicada na própria linha da planilha reproduzida abaixo: (...) 7. Conforme se extrai da tabela acima, ao se aplicar a cotação da moeda à época (R$ 2,1289) para a conversão do valor apontado em moeda estrangeira de US$ 312.800,00, obtémse o valor total de R$ 665.919,92, e não de R$ 1.302.162,97, como equivocadamente apontado pelas Autoridades Fiscais na planilha em questão. 8 Por consequência, deve haver uma redução no valor do IRRF devido para R$ 117.515,28, o que implica, na prática, em uma ausência de IRRF a recolher com relação a essa remessa, quando se desconta o valor já reconhecidamente pago pela Requerente. 9. Por todo o exposto e considerando a documentação e informações suplementares que estão sendo apresentadas, a Requerente requer que seja (i) considerado o pagamento de IRRF de R$ 369.803,62, não contemplado na diligência, excluindose da autuação a exigência do IRRF correspondente a essas remessas ao exterior; (ii) retificada a planilha, reparando se o erro de cálculo existente, com a consequente exclusão da exigência fiscal de R$ 104.024,41 relativo à remessa ao exterior correspondente; e (iii) concedido um prazo adicional de trinta dias para conclusão da diligência, nos termos do artigo 16, § 4º, alíneas "a"; "b" e "c" do Decreto n° 70.235/1972. Pelo TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA – 2, de 12/03/2015 (fls. 10561/10562), a Autoridade Tributária faz exposição no seguinte sentido: DOS PAGAMENTOS COMPROVADOS A empresa apresenta à fl. 10555, no arquivo “4 DOC 1 PLANILHA APURACAO IRRF – FINAL”, demonstrativos relativos às planilhas “COM CC APRESENTADO”. Com base nestes demonstrativos é possível verificar que houve pagamentos adicionais de IRRF de parte das remessas listadas. Todos os pagamentos alegados foram confirmados nos sistemas da SRF. Assim, foi feita nova revisão da planilha, “CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO”, onde foram incluídos os valores pagos parcialmente, excluídas as remessas com comprovação total de pagamento e recalculado o valor a recolher. DAS REMESSAS PARA A TELECOM ITALIA S.P.A Fl. 10762DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.745 37 Não houve alteração nas planilhas “CONT CÂMBIO APRES TelecomItalia” e “IRRF A REC RESUMOTelecomItalia”. Todas as planilhas fazem parte do arquivo ANEXO a este Termo – “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL reanalise”. CONCLUSÃO Após a análise os demonstrativos, conforme solicitado, verificou se a necessidade de recálculo dos valores da IRRF a recolher. O valor que antes era de R$ 13.251.241,95, passa a ser R$ 3.951.451,79, além de R$ 478.618,98 referente à Telecom Italia SPA, conforme planilha resumo “IRRF A RECOLHER RESUMO” do arquivo “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL reanalise”. (...) Acerca do TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA – 2 é apresentada, em 14/04/2015, a Manifestação de fls. 10568/10569 no seguinte sentido: 1. A Requerente destaca que o valor de R$ 478.618,98 de IRRF cobrado, relativo às remessas para a Telecom Itália S.p.A., indicado como devido na planilha do Fisco denominada “IRRF A RECOLHER RESUMO” no arquivo “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL reanalise”, já foi pago e também deve ser excluído da autuação. 2. Com efeito, o valor dessas remessas está identificado pela Requerente na planilha denominada “Análise IRRF 2007 – Fiscalização – 1º Semestre” (doc. 1) em que se demonstra, nas abas “Composição Abril 2007”, “Composição Maio 2007” e “Composição Junho 2007”, o valor do IRRF pago sobre as remessas efetuadas para a Telecom Italia S.p.A. destacadas em azul. 3. Notese que o IRRF sobre essas remessas foi recolhido utilizandose uma alíquota de 25%, superior até à própria alíquota exigida pelas Autoridades Fiscais na autuação em comento. 4. Como os pagamentos do IRRF sobre essas remessas foram reunidos em um mesmo DARF por mês, a Requerente esclarece que as remessas de IRRF à Telecom Itália S.p.A., referentes a 25.4.2007, 21.5.2007 e 25.6.2007, estão incluídas, respectivamente, nos DARFs anexos “Comprovante DARF 3.137.616,05 de 27_04_2007” (doc. 2), “Comprovante DARF 364.806,15 de 23_05_2007” (doc. 3) e “Comprovante DARF 612.766,84 de 27_06_2007” (doc. 4). 5. Frisese que essas planilhas e esses DARFs já foram apresentados nas manifestações anteriores da Requerente, mas, até o momento não foram considerados. 6. Considerando que o processo administrativo fiscal encontra se lastreado no princípio da verdade material e que a diligência em questão demandou um exame minucioso e detalhado de documentos, a Requerente reitera os termos de sua impugnação e manifestações anteriores e respeitosamente requer que os Fl. 10763DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 38 documentos em questão sejam acolhidos e considerados na diligência, com o cancelamento ou a redução da exigência fiscal em referência. Pelo TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA – 3, de 29/04/2015 (fls. 10575/10576), a Autoridade Tributária faz exposição no seguinte sentido: DOS PAGAMENTOS COMPROVADOS Não houve nova alteração da planilha “CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO”. DAS REMESSAS PARA A TELECOM ITALIA S.P.A A empresa reapresenta os DARFs e planilhas que comprovam que houve pagamento de IR referente às remessas efetuadas à Telecom Italia S.p.A (fls. 10570 a 10573). Foi feita a validação dos pagamentos no Sief e verificouse que eles não foram utilizados para outros débitos. Desta forma, as remessas de recursos feitas pela Contribuinte à “Telecom Italia S.p.A” inicialmente segregadas, conforme solicitado, foram excluídas por estarem integralmente pagas. Todas as planilhas fazem parte do arquivo ANEXO a este Termo – “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL – reanalise 2”. CONCLUSÃO Após a nova reanálise conforme solicitado, excluiuse o valor das remessas referentes à Telecom Italia S.p.A. Mantémse o valor de R$ 3.951.451,79, conforme planilha resumo “IRRF A RECOLHER RESUMO” do arquivo “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL – reanalise 2”. Acerca do TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA – 3 é apresentada, em 28/05/2015, a Manifestação de fl. 10582 no seguinte sentido: TIM CELULAR S.A., anteriormente qualificada, nos autos do processo administrativo em referência, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, em atendimento à última diligência realizada, reiterar os termos de sua impugnação e manifestações anteriores, pugnando pelo cancelamento integral da exigência fiscal em referência. Auto de Embaraço, lavrado pela Fiscalização em 30 de setembro de 2011, às fl. 10340. É o relatório. (destaques do original) A Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1 não conheceu da matéria discutida judicialmente, indeferiu a pretensão de perícia e deu parcial provimento à impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 1669.850, cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 NULIDADE.DESCABIMENTO. Fl. 10764DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.746 39 É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. DECADÊNCIA. DESCABIMENTO. É regular a constituição de crédito tributário cientificada ao sujeito passivo dentro do prazo de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN), no caso de tributo desprovido de qualquer pagamento. AÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A lavratura do Auto de Infração no curso de ação judicial está autorizada pela norma contida no art. 62 do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que a previsão de impedimento nele contida recai sobre a executoriedade da obrigação tributária, como evidenciado no parágrafo único do dispositivo (“Se a medida referirse à matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso exceto quanto aos atos executórios”). PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Descabe à instância julgadora administrativa pronunciarse sobre questão objeto de tutela judicial. AUTO DE INFRAÇÃO.DETERMINAÇÃO E EXIGÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. O Auto de Infração é instrumento competente para a determinação e exigência dos créditos tributários da União. MULTA DE OFÍCIO. Quanto o impugnante não dá notícias nos autos de suspensão da exigibilidade por ocasião do início da ação fiscal, descabe em sede de julgamento administrativo o afastamento da multa aplicada. MULTA DE OFÍCIO.AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, ficará sujeito à aplicação de multa agravada. ADAPTAÇÃO À COISA JULGADA. Tendo o sujeito passivo apelado à Justiça, cabe à Unidade jurisdicionante do contribuinte adaptar o crédito tributário à coisa julgada, fazendo os ajustes administrativos necessários ao fiel cumprimento das decisões judiciais aplicáveis. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. EXONERAÇÃO PARCIAL. Fl. 10765DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 40 Diante do resultado de diligência empreendida pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que examinou a documentação do contribuinte, assentando a inexistência de parte do crédito tributário exigido no auto de infração, cabe exonerar as parcelas que se constataram indevidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista a exoneração de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), houve recurso de ofício ao CARF, conforme art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72, e art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008. Cientificada da decisão em 23/07/2015, pela caixa postal do domicílio tributário eletrônico (fl. 10.655), a Contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 10.658/10.722, em 24/08/2015 segundafeira , no qual alega o seguinte, em suma: DA DECADÊNCIA: O crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/01/2007 foram alcançados pela decadência, uma vez transcorridos cinco anos entre sua ocorrência e a lavratura do auto de infração, estando o tributo em questão sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, caput e § 4º, do CTN; houve pagamentos de IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos em 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007 (doc. 6 da impugnação, anexa); ainda que não tivesse ocorrido pagamento em relação a esses fatos geradores específicos, o que se admite apenas para argumentar, houve pagamento do imposto de renda, e mais do que isso, de IRRF, no mês de janeiro de 2007; para se verificar a ocorrência da decadência, basta averiguar se houve algum pagamento do tributo no mês, e não em relação a cada fato gerador específico; como a ciência do auto de infração ocorreu em 31/01/2012, os valores referentes a fatos geradores anteriores a 31/01/2007 foram alcançados pela decadência. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INOBSERVÂNCIA DE DECISÃO JUDICIAL O lançamento do IRRF sobre o valor das remessas ao exterior feitas a título de "ROAMIMG INTERNACIONAL", "SERV. DIVOUTCOMUNICAÇÕES", e "ALUGUEL DE LINKS", está eivado de nulidade, pois há decisão judicial determinando expressamente que a Fiscalização se abstenha de exigir tributo sobre esses pagamentos; o lançamento foi feito sob a forma e com toda a fundamentação de um auto de infração, mas deveria ter sido feito sob a forma de nota de lançamento, em atendimento ao disposto no art. 62 do Decreto nº 70.235/72, ocasionando flagrante nulidade. Cita decisões do antigo Conselho de Contribuintes. DA IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DE IRRF Fl. 10766DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.747 41 1 Impossibilidade de cobrança de IRRF sobre as remessas relacionadas à remuneração da prestação do serviço internacional de telecomunicação a regra exonerativa do Tratado de Melbourne Na remota hipótese de não ser acolhida a tese da nulidade, a Recorrente reitera os motivos expostos no item V, (a), da Impugnação, que trata da aplicação do Tratado de Melbourne, para afastar a tributação do IRRF sobre remessas a título de serviço internacional de telecomunicação; essas remessas estão isentas de IRRF por força do art. 6º, item 6.1.3 e item 1.6 do Apêndice 1, todos do Regulamento das Telecomunicações Internacionais "RTI" aprovado pelo Tratado de Melbourne; 2 Impossibilidade de cobrança de IRRF sobre as remessas relacionadas à remuneração da prestação do serviço internacional de telecomunicação a regra do art. 7º dos Acordos Internacionais para Evitar a Dupla Tributação da Renda Ainda que o argumento acima não pudesse ser analisado, por estar sendo discutido no mandado de segurança ou por ser improcedente, o IRRF não poderia ser cobrado em virtude da existência de acordos internacionais para evitar a dupla tributação; esse argumento não foi objeto do mandado de segurança em questão e pode ser apreciado em sede de processo administrativo, não havendo concomitância nesse ponto; foram efetuadas remessas para os seguintes países com os quais o Brasil possui acordos para evitar a dupla tributação: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, China, Coréia, Dinamarca, Equador, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Países Baixos, Peru, Portugal, República Eslovaca, República Tcheca, Suécia e Ucrânia; como já decidiu o STJ, o art. 7º desses acordos internacionais para evitar a dupla tributação impede a cobrança do imposto de renda, inclusive do IRRF, no Brasil, sobre rendimentos pagos pela prestação de serviços, sem a transferência de tecnologia, por empresas não residentes no país e que não possuem aqui estabelecimento permanente; embora a Receita Federal, ao longo dos tempos, tenha sido contraditória no enquadramento da prestação de serviços por não residentes no artigo 7º desses acordos, recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu expressamente que não deve ser exigido o IRRF sobre serviços prestados por não residentes, sem transferência de tecnologia; não restam dúvidas de que o serviço internacional de telecomunicação deve ser qualificado como um serviço puro, sem transferência de tecnologia, devendo der enquadrado no art 7º dos acordos; deve ser rechaçada qualquer pretensão de qualificação do serviço de telecomunicação como royalty naqueles acordos internacionais que preveem um dispositivo específico sobre a tributação desses rendimentos. 3 Ilegalidade da exigência de IRRF sobre as remessas ao exterior para o pagamento de serviços técnicos e de licença de software Fl. 10767DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 42 a maior parte dessas remessas foi excluída da autuação pelo acórdão recorrido, tendo em vista a identificação do pagamento de IRRF no curso da diligência. No entanto, foi mantida a exigência sobre algumas remessas para remunerar serviços técnicos profissionais e licença de software; quanto às remessas para remunerar serviços técnicos profissionais, tratase de serviços prestados sem transferência de tecnologia e o art. 7º dos acordos internacionais impede a cobrança do IRRF sobre os rendimentos pagos por empresas residentes em países com os quais o Brasil possui esses acordos; com relação às licenças de software, a Solução de Consulta nº 406, de 25/11/2010, dispõe que não incide IRRF sobre os rendimentos pagos a esse título; embora a Recorrente esteja licenciada para utilizar esses softwares, a tecnologia é detida pelas empresas estrangeiras, que não a transferem, mas apenas autorizam seu uso para permitir o funcionamento dos aparelhos celulares no Brasil, como no caso do aparelho modelo Blackberry. DA INEXIGIBILIDADE DE JUROS DE MORA a Recorrente não está em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais, pois se encontra amparada por decisões judiciais que suspendem a exigibilidade de grande parte do crédito tributário em discussão; uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, o prazo de vencimento da obrigação é postergado até que a dívida venha ser novamente exigível. Portanto, não há débito exigível e, em consequência, não há mora; na pior das hipóteses, em relação às operações alcançadas pelo Mandado de Segurança nº 000163714.2011.4.03.6100, devem ser excluídos os juros de mora a partir do deferimento da medida liminar; cita jurisprudência. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA E A ILEGALIDADE DE SEU AGRAVAMENTO a multa não pode ser aplicada sobre a parcela do crédito tributário que está com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida no referido mandado de segurança, conforme entendimento da Súmula CARF nº 17; o acórdão recorrido é contraditório, posto que reconheceu expressamente a suspensão do crédito tributário, mas manteve a multa aplicada; ainda que se admitisse a aplicação da multa de ofício, o que se faz apenas para argumentar, a penalidade jamais poderia ser agravada para 112,5%, pois a Fiscalização não demonstrou efetiva, pontual e concretamente que esclarecimento deixou de ser prestado; a Recorrente empenhouse em cooperar com a Fiscalização, conforme os diversos protocolos de atendimento juntados aos autos (doc. 10 da Impugnação); não há como sustentar que a ação fiscal foi prejudicada pela falta de informações se a autuação foi integralmente baseada nas informações da Recorrente; Fl. 10768DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.748 43 na hipótese de se admitir o agravamento, esse deveria incidir apenas sobre o tributo exigido na planilha relativa aos contratos de câmbio que supostamente não foram apresentados pela Recorrente; Cita decisões do CARF. Ao final, requer o provimento do recurso para se anular ou se reformar o acórdão recorrido na parte que manteve o auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF , pelo qual se exige o recolhimento de R$ 26.722.466,06 de imposto, R$ 30.062.774,35 a título de multa de ofício de 112,5%, e R$ 13.218.971,37 de juros de mora, calculados até 01/2012, totalizando R$ 70.004.211,78, decorrente da infração "Imposto de Renda na Fonte Sobre Royalties e Pagamentos de Assistência Técnica de Residentes ou Domiciliados no Exterior", conforme Auto de Infração de fls. 9.702 a 9.717 e Termo de Constatação Fiscal de fls. 9.692 a 9.700. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) deu provimento parcial à impugnação, para exonerar R$ 22.771.014,26 de imposto e R$ 25.617.391,06 de multa de ofício. Tendo em vista que o total do crédito exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. A decisão da DRJ foi pela procedência parcial da impugnação, com a exoneração de um imposto total de R$ 22.771.014,26, conforme tabela de fls. 10.641/10.644, sob o argumento de que a diligência fiscal efetuada pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes em São Paulo DEMAC/SPO (relatório às fls. 10.575/10.576), concluiu pela procedência do lançamento somente em relação ao valor total de imposto de R$ 3.951.451,79. A DRJ justifica a diferença de 1 centavo do valor do IRRF calculado na diligência, em função da forma como foram tratadas as casas decimais dos valores envolvidos. Não merece reparo a decisão da DRJ nesse ponto. Conforme os relatórios de diligência fiscal de fls. 10.514/10.516, 10.561/10.562 e 10.575/10.576, devem ser excluídos do lançamento fiscal todas as remessas para as quais foram constatados pagamentos ou duplicidade de lançamento, assim como devem Fl. 10769DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 44 ser reduzidos os lançamentos onde houve pagamento parcial. Também merecem ser excluídas as remessas feitas à Telecom Italia S.p.A., por estarem integralmente pagas. No Termo de Conclusão de Diligência 3, de 29/04/2015 (fls. 10.575/10.576), a autoridade fiscal concluiu o seguinte: [...] DOS PAGAMENTOS COMPROVADOS Não houve nova alteração da planilha “CONTRATO DE CÂMBIO APRESENTADO”. DAS REMESSAS PARA A TELECOM ITALIA S.P.A A empresa reapresenta os DARFs e planilhas que comprovam que houve pagamento de IR referente às remessas efetuadas à Telecom Italia S.p.A (fls. 10570 a 10573). Foi feita a validação dos pagamentos no Sief e verificouse que eles não foram utilizados para outros débitos. Desta forma, as remessas de recursos feitas pela Contribuinte à “Telecom Italia S.p.A” inicialmente segregadas, conforme solicitado, foram excluídas por estarem integralmente pagas. Todas as planilhas fazem parte do arquivo ANEXO a este Termo – “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL – reanalise 2”. CONCLUSÃO Após a nova reanálise conforme solicitado, excluiuse o valor das remessas referentes à Telecom Italia S.p.A. Mantémse o valor de R$ 3.951.451,79, conforme planilha resumo “IRRF A RECOLHER RESUMO” do arquivo “PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL – reanalise 2”. (os destaques são do original) [...] A "PLANILHA APURAÇÃO IRRF FINAL – reanalise 2", referida na conclusão da diligência, foi juntada pelo Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável de fl. 10577 e discrimina todas as remessas que devem ser mantidas no lançamento, com o respectivo IRRF devido. Dessa forma, de acordo com o relatório de diligência fiscal, está correta a decisão de primeira instância que exonerou um total de imposto de R$ 22.771.014,26 e a correspondente multa de ofício de R$ 25.617.391,06, conforme tabela constante do acórdão de impugnação (fls. 10.641/10.644), devendo ser negado o Recurso de Ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso foi interposto tempestivamente. DOS LIMITES DA LIDE A Contribuinte ajuizou Mandado de Segurança (000163714.2011.4.03.6100 fls. 9.646/9.691), no qual requereu o seguinte (fls. 9.690/9.691): (iv) ao final, seja julgado inteiramente procedente o pedido da presente ação mandamental, concedendose a segurança em caráter definitivo para reconhecer o direito líquido e certo da Impetrante ao não recolhimento do IRRF e da CIDE, em virtude Fl. 10770DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.749 45 da realização de qualquer remessa ao exterior a empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT), que seja efetuada a título de pagamento pela cessão onerosa de meios de rede no tráfego sainte, haja vista que o Tratado de Melbourne assegura isenção de tributos às operações desta natureza, de modo que qualquer exigência nesse sentido representa afronta ao artigo 84, inciso XIII, e ao artigo 49, inciso I, ambos da Constituição Federal, ao artigo 1º, do Decreto Legislativo n° 67/1998, ao artigo 1º, do Decreto Presidencial n° 2.962/1999, ao artigo 98, do Código Tributário Nacional, e ao artigo 27, da Convenção de Viena (Decreto n° 7.030) No âmbito dessa ação judicial, foi concedida medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo ao IRRF sobre as remessas ao exterior, a título de prestação de serviços de telecomunicação internacional (tráfego sainte), conforme abaixo (fl. 9.646): Assim, defiro parcialmente a medida liminar pleiteada determinando à ilustre autoridade impetrada que se abstenha de exigir o IRRF e o CIDE nas remessas de recursos feitas pela impetrante às empresas domiciliadas em país membro da Convenção da União Internacional das Telecomunicações (UIT), pela cessão de redes de telefonia que se utiliza fora do território nacional para a adequada prestação de serviços de telecomunicação internacional, suspendendo a respectiva exigibilidade até decisão ulterior deste Juízo, nos termos do artigo 151, IV, do CTN, não estendendo os efeitos da presente decisão, quanto ao pedido de afastamento do IRRF à Telecom Itália, eis que o mesmo já foi devidamente apreciado nos autos do mandado de segurança n. 2009.61.00.0065266. Concluise que a discussão sobre a tributação incidente sobre as remessas a título de pagamento pela cessão onerosa de meios de rede no tráfego sainte foi submetida à apreciação do Poder Judiciário. Portanto, esta instância administrativa está impedida de examinála, conforme entendimento deste Conselho consolidado na Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A Contribuinte não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e administrativo. Em havendo coincidência de objetos nos dois processos, é de se afastar a competência dos órgãos administrativos para se pronunciarem sobre a questão. Assim, a propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou seja, desistência de eventual recurso interposto. Dessa forma, não deve ser conhecido o Recurso Voluntário nesse ponto. Fl. 10771DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 46 Em relação às remessas efetuadas à Telecom Italia, não resta mais controvérsia, posto que a autoridade fiscal, em diligência, apurou pagamentos efetuados que desoneraram o IRRF lançado sobre referidas remessas, conforme já reconheceu a DRJ, sos seguintes termos: Ademais, não remanesce neste autos questão controversa relativa à "Telecom Itália" na medida em que a Autoridade Fiscal, em diligência, apurou pagamentos efetuados que implicam em desoneração do IRRF lançado em relação às remessas efetuadas para essa sociedade ("as remessas de recursos feitas pela Contribuinte à “Telecom Italia S.p.A” inicialmente segregadas, conforme solicitado, foram excluídas por estarem integralmente pagas"; fl. 10575). Quanto às demais remessas, não vinculadas a ligações internacionais (tráfego sainte), não consta que tenha ocorrido ajuizamento de nenhuma ação, porém a Contribuinte não impugnou a sua tributação em razão de sua natureza. Como já constatado pela decisão de primeira instância, a Impugnação tratou apenas da questão da duplicação de certas remessas pela Fiscalização e a ocorrência de pagamentos pela Contribuinte, o que já foi apreciado no Recurso de Ofício. A seguir transcrevo trecho do voto condutor da decisão da DRJ sobre essa questão: Quanto a remessas não vinculadas a ligações internacionais, sem relação com a ação judicial (direito de imagem, "software", etc.), sua tributação em razão de sua natureza não é contestada na peça impugnatória. O que a Impugnante alega é a duplicada consideração de certas remessas por parte da Autoridade Lançadora (duplicidade) e a realização de pagamentos pela Empresa. A propósito, não se estabeleceu nestes autos ou no processo judicial, como consta, controvérsia acerca da natureza, limites e contornos dos valores registrados pela Empresa em "SERV. DIVOUTCOMUNICAÇÕES", "ALUGUEL DE LINKS" ou em qualquer outra rubrica ou conta específica da contabilidade ou das anotações da Companhia, sendo certo que uma tutela judicial alcança apenas as verbas nela referidas, mas nada nos autos indica e assegura quais especificas rubricas ou contas estão ou estavam protegidas. Assim, essa matéria encontrase fora do litígio e não serão apreciadas as alegações da Contribuinte em relação à aplicação dos tratados internacionais e da Solução de Consulta nº 406/2010, posto que a Contribuinte não a contestou expressamente no momento oportuno, ou seja, quando da apresentação da sua Impugnação ao lançamento. O artigo 17 do Decreto 70.235/72 (PAF) dispõe: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Nesse entendimento estão os seguintes julgados deste Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 10772DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.750 47 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme artigo 17, do PAF (Acórdão 2801003.924, Data de Publicação: 27/01/2015, Rel. Marcio Henrique Sales Parada). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. (Acórdão 2101002.658, Data de Publicação: 15/12/2014, Rel. Alexandre Naoki Nishioka). Assunto: CSSL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. (Acórdão 910100.540, Data de publicação: 29/06/2010, Rel. Leonardo de Andrade Couto). DA DECADÊNCIA A Recorrente alega a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até 31/01/2007, nos termos do art. 150, caput e § 4º, do CTN, pois a ciência do auto de infração se deu em 31/01/2012. Sustenta a Contribuinte que os DARFs juntados com a impugnação comprovam o pagamento de débitos relativos a 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007, e, ainda que não tivesse havido pagamento em relação a esses fatos geradores específicos, é fato incontroverso que houve pagamento de IRRF no mês de janeiro, tanto que diversos valores pagos foram excluídos do auto de infração na diligência efetuada. Defende que, para verificação da decadência, basta averiguar se houve algum pagamento do tributo no mês e não em relação a cada fato gerador específico. No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC , cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 10773DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 48 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRRF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Assim, para o deslinde da questão, tornase necessário primeiramente decidir se ocorreu pagamento antecipado do tributo ou alguma das hipóteses de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. No presente caso, não houve manifestação da autoridade lançadora sobre a existência de dolo, fraude ou simulação, o que permite concluir que não restou caracterizada a prática de tais condutas pela Contribuinte. Resta, então, para a análise da decadência, a verificação da ocorrência de pagamento antecipado do tributo. Somente então é que se pode Fl. 10774DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.751 49 analisar qual a forma do cômputo do prazo decadencial: se com base no art. 150, § 4º, ou 173, I, do CTN. O Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) enquadrase no denominado lançamento por homologação. Porém, diferentemente do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, cujo fato gerador consiste em um conjunto de fatos, circunstâncias ou acontecimentos globalmente considerados e cujo ciclo de formação se completa no período de um ano, chamado de fato gerador complexivo anual, no caso do IRRF incidente sobre remessas efetuadas a beneficiários situados no exterior, o fato gerador é instantâneo, ocorrendo na data do pagamento, crédito, entrega ou remessa dos rendimentos ao beneficiário, conforme o caso. Ressaltese que nos casos de IRRF, o pagamento não deve ser observado de forma genérica, mas sim especifica, ou seja, necessariamente deve se restringir à mesma espécie de retenção. No caso dos autos, tratase de IRRF incidente sobre remessas efetuadas a beneficiários situados no exterior, sob diversos códigos de recolhimento. A Recorrente alega a decadência em relação às seguintes remessas: Data da remessa Moeda Histórico Valor Valor em R$ IRRF devido 04/01/2007 USD Software 2.045.000,00 4.372.210,00 771.556,47 18/01/2007 EUR SERV.DIVEXP/IMP SVSV OUTROS SERV TECPROF. 18.585,84 51.235,59 9.041,57 18/01/2007 USD SERV.DIVEXP/IMP SVSV OUTROS SERV TECPROF. 443.411,42 945.353,15 166.827,03 25/01/2007 USD SERV TEC PROF 482.431,24 1.023.622,61 180.639,28 25/01/2007 USD SERV.DIVEXP/IMP SVDIR.AUTORAIS S/PROG DE COMPUT (LICENÇA DE SOFTWARE) 1.022.500,00 2.169.540,50 382.860,09 Observação: Os dados da tabela acima foram obtidos da planilha elaborada pela Fiscalização (fl. 10.577). Compulsando os autos, verificase que existem pagamentos no código DARF 0422 relativos aos fatos geradores ocorridos em 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007 (fls. 9.597/9.598, 9.230/9.245 e 9.848/9.866). Conforme se observa pelo sítio da Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIRF/Mafon2002/rendresexterior/Royalties PagAssistTec.htm), o código DARF 0422 corresponde a recolhimento de "Royalties e Pagamento de Assistência Técnica", mais especificamente relativo a: Fl. 10775DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 50 importâncias pagas, remetidas, creditadas, empregadas ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de: · pagamento de royalties para exploração de patentes de invenção, modelos, desenhos industriais, uso de marcas ou propagandas; · remuneração de serviços técnicos, de assistência técnica, de assistência administrativa e semelhantes; · direitos autorais, inclusive no caso de aquisição de programas de computador (software), para distribuição e comercialização no Brasil ou para uso próprio, sob a modalidade de cópia única, exceto películas cinematográficas Desse modo, tendo em vista a existência de pagamentos relativos aos fatos geradores em discussão, devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Como a ciência do auto de infração deuse em 31/01/2012, os lançamentos fiscais referentes aos fatos geradores ocorridos em 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007 foram alcançados pela decadência. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega a Recorrente que o lançamento do IRRF sobre o valor das remessas ao exterior feitas a título de "ROAMIMG INTERNACIONAL", "SERV. DIVOUT COMUNICAÇÕES", e "ALUGUEL DE LINKS", é nulo em virtude da existência de decisão judicial determinando expressamente que a Fiscalização se abstenha de exigir tributo sobre esses pagamentos. Defende a Recorrente que o lançamento foi feito sob a forma e com toda a fundamentação de um auto de infração, mas deveria ter sido feito sob a forma de nota de lançamento, conforme art. 62 do Decreto nº 70.235/72, o que ocasionou sua nulidade. Não assiste razão à Recorrente, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da sua lavratura. “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias.” Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Fl. 10776DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.752 51 Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Observase que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa. Ele apresentou Impugnação ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72 (PAF), tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas. Quanto à alegação da nulidade em face da decisão judicial, é importante ressaltar que a existência de decisão liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede a lavratura de auto de infração. O artigo 63 da Lei nº 9.430/96 dispõe: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (destaquei) Fl. 10777DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 52 É perfeitamente possível a lavratura de auto de infração, inclusive para prevenir a decadência, quando estiver suspensa a exigibilidade do tributo, e somente não caberá a multa de ofício caso a suspensão ocorra antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. A Súmula CARF nº 17 assim dispõe: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (destaquei) No caso em exame, constatase que a decisão liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário (Mandado de Segurança nº 000163714.2011.4.03.6100) somente ocorreu após o início do procedimento fiscal. Conforme Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 3/4, o procedimento fiscal teve início em 13/01/2011, com ciência pessoal, enquanto o mandado de segurança foi protocolado apenas em 02/02/2011 (fl. 9.660). Assim resta evidente que não há nenhuma nulidade no auto de infração, inclusive em relação à multa de ofício aplicada, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Sobre o argumento da Recorrente de que o lançamento deveria ter sido feito sob a forma de nota de lançamento, conforme art. 62 do Decreto nº 70.235/72, também não lhe assiste razão, uma vez que os instrumentos hábeis para a efetivação do lançamento de ofício são o auto de infração e a notificação de lançamento, de acordo com o estabelecido nos arts. 9º a 11 do Decreto nº 70.235/72. Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: [..] Observase que a diferença entre o auto de infração e a notificação de lançamento é que aquele é lavrado por servidor competente no local da verificação da falta e essa é expedida pelo órgão que administra o tributo. Dessa forma, não há nenhuma nulidade no auto de infração lavrado. DOS JUROS DE MORA Fl. 10778DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.753 53 Insurgese a Recorrente contra a exigência dos juros de mora, sob o argumento de que se encontra amparada por decisões judiciais que suspendem a exigibilidade de grande parte do crédito tributário em discussão e, assim, o prazo de vencimento da obrigação é postergado até que a dívida venha ser novamente exigível. Não consta dos autos que tenha havido depósito judicial no montante integral, razão pela qual devem ser mantidos os juros de mora incidentes sobre o imposto lançado. A exigência dos juros de mora é decorrente de expressa previsão legal, além do que tal acréscimo deve ser exigido independentemente do motivo da falta, nos termos do art. 161 do CTN, que só ressalva a hipótese de pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo para pagamento do crédito. CTN Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. É de se destacar que os juros de mora têm caráter compensatório e são exigidos pela não disponibilização do valor devido à Fazenda Pública. No presente caso, somente caberia a interrupção da fluência dos juros moratórios se tivesse sido efetuado o depósito integral do crédito tributário considerado devido. A Súmula CARF nº 5 assim dispõe: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Portanto, deve ser mantida a exigência dos juros de mora. DA MULTA DE OFÍCIO A Recorrente afirma que a multa não pode ser aplicada sobre a parcela do crédito tributário que está com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida no mandado de segurança, conforme entendimento da Súmula CARF nº 17. No entanto, conforme a Súmula CARF nº 17, abaixo, somente quando a suspensão do crédito tributário ocorrer antes do início de qualquer procedimento de ofício é que não é aplicada a multa de ofício. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 10779DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 54 Como já exposto acima, no item relativo à nulidade do auto de infração, o procedimento fiscal teve início em 13/01/2011 (fls. 3/4), enquanto o mandado de segurança somente foi protocolado em 02/02/2011 (fl. 9.660). Portanto, é perfeitamente cabível a aplicação da multa de ofício. Quanto ao agravamento da multa, a Recorrente aduz que a penalidade jamais poderia ser agravada para 112,5%, pois a Fiscalização não demonstrou efetiva, pontual e concretamente que esclarecimento deixou de ser prestado. Argumenta que não há como sustentar que a ação fiscal foi prejudicada pela falta de informações se a autuação foi integralmente baseada nas informações por ela prestadas. Sustenta que, na hipótese de se admitir o agravamento, esse deveria incidir apenas sobre o tributo exigido na planilha relativa aos contratos de câmbio que supostamente não foram apresentados. Verificase que a Fiscalização aplicou a penalidade em razão do não atendimento das intimações, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos. Assim justificou a autoridade fiscal, no Termo de Constatação Fiscal (fl. 9.692/9.700): Conforme se pode observar em toda a exposição acima, a presente fiscalização foi gravemente prejudicada pela falta de informação ou informações inconsistentes fornecidas pela empresa, além de falta apresentação de documentação tais como falta de apresentação de contratos de câmbio e falta de apresentação de contratos comerciais. Para tamanha confusão com informações erradas ou documentos não entregues os funcionários da TIM que atenderam a fiscalização alegaram que as informações dependem de setores diversos da empresa e que isto causa dificuldades de uniformização e conferência final. Além do que algumas das informações vêm do estabelecimento sito no Rio de Janeiro. Quanto aos contratos comerciais, além de terem sido apresentados poucos do universos de empresas contratadas, fomos informados que não é política da empresa traduzilos. O procedimento da empresa de não atender de forma satisfatória à fiscalização, postergando, confundindo com Planilhas incorretas ou deixando de apresentar documentação não é procedimento inédito da TIM CELULAR. O processo administrativo n° 18471.000778/200631, Acórdão n° 1221.809 da 8a. Turma da DRJ/RJOI, Sessão de 14 de novembro de 2008; e os processos administrativos de n. 16643.000083/201091 e 16643.000085/201081, são antecedentes que revelam um procedimento reiterado de não atendimento ao Fisco a contento, de modo a não apresentar no prazo informações corretas e documentação de suporte exigida. Isto posto, sobre os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidirá a multa de ofício agravada de 112,5%, em cumprimento ao disposto no § 2° do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: [...] Vale ressaltar que durante a ação fiscal foi lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização (fl. 10.340), pelo fato de a Contribuinte não ter atendido às intimações para prestar Fl. 10780DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.754 55 esclarecimentos e apresentar documentos, tais como contratos de câmbio, contratos comerciais e invoices relativos às remessas para o exterior. Entendo que a falta de atendimento de reiteradas solicitações e intimações da Fiscalização enseja o agravamento da penalidade aplicada, nos termos do art. 44, I, e § 2º, da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; A falta de atendimento às intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos, por si só, já constitui descumprimento ao dispositivo legal, o qual não ressalva a necessidade de demonstração de prejuízo à autuação fiscal. Nesse sentido temos a recente decisão unânime da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento. Recurso Especial do Procurador provido. (Acórdão nº 9202 003.673, de 09/12/2015, Rel. Maria Helena Cotta Cardozo) Ademais, obviamente houve prejuízo à ação fiscal, já que parte da documentação necessária à autuação teve de ser obtida mediante intimação a outros órgãos, como o Banco Central e algumas instituições financeiras, o que constitui ônus adicional ao trabalho fiscal, que não teria sido necessário caso a Contribuinte tivesse atendido às solicitações da autoridade tributária. Reforçando a demonstração da conduta da Recorrente nos autos, socorrome das conclusões da decisão de primeira instância, as quais também utilizo para embasar a manutenção da multa agravada, inclusive quanto ao argumento da Fiscalizada de que o Fl. 10781DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 56 agravamento deveria incidir apenas sobre o tributo relativo aos contratos de câmbio que supostamente não foram apresentados. Assim, peço vênia para a sua transcrição: Ocorre que a Contribuinte justamente deixou de atender plenamente à Fiscalização (inclusive foi lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização; fl. 10340). Assim é que, por exemplo, relata a Fiscalização que não foram informadas todas as Remessas feitas ao exterior, que na planilha das Remessas faltava a indicação do número de vários contratos de câmbio, que quanto aos contratos comerciais poucos foram os apresentados, a maioria em inglês e pouquíssimos com tradução simples, que as informações sobre inúmeros Contratos de Câmbio, constantes na planilha elaborada pela empresa, muitas vezes não correspondiam ao que realmente constava nos Contratos de Câmbio. Nesse sentido, não merece acolhida a alegação da Impugnante de que a multa agravada foi aplicada sobre o valor de todas as operações realizadas, sem que se demonstrasse efetiva, pontual e concretamente que esclarecimento deixou de ser prestado, posto que o posicionamento da Autuada durante o procedimento fiscal pesou sobre a condução dos trabalhos de auditoria como um todo, acrescentando esforços que não precisariam ser realizados se a Contribuinte atendesse plenamente às requisições fiscais. Dessa forma, constatandose que a conduta da Contribuinte amoldase à tipificação da penalidade agravada, deve ser mantido o agravamento feito pela autoridade fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de: a) NEGAR provimento ao Recurso de Ofício; b) Quanto ao Recurso Voluntário: NÃO CONHECER do recurso na parte relativa às remessas a título de prestação de serviços de telecomunicação internacional, por concomitância com ação judicial; na parte conhecida, ACOLHER a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores de 04/01/2007, 18/01/2007 e 25/01/2007; REJEITAR as demais preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Voto Vencedor Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, redator designado. Peço licença para divergir do muito bem traçado voto do ilustre Conselheiro relator, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, pontualmente em relação à questão da multa agravada aplicada, elevada ao percentual de 112,5%. Fl. 10782DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.755 57 Está clara nestes autos a extensa interlocução entre a fiscalização e a empresa. Inclusive, é de ser destacado que sem a participação da fiscalizada, pelo que está relatado, sequer se teria chegado ao lançamento, da forma como se chegou. Não é possível deixarse ao talante da Autoridade Fiscal o agravamento da multa com base na satisfação subjetiva da intimação, se está de acordo com suas expectativas ou não. Vejamos o que está transcrito no voto do Relator: Para tamanha confusão com informações erradas ou documentos não entregues os funcionários da TIM que atenderam a fiscalização alegaram que as informações dependem de setores diversos da empresa e que isto causa dificuldades de uniformização e conferência final. Além do que algumas das informações vêm do estabelecimento sito no Rio de Janeiro. Quanto aos contratos comerciais, além de terem sido apresentados poucos do universos de empresas contratadas, fomos informados que não é política da empresa traduzi los.(destaquei) A empresa prestou, enfim, informações, mas essas informações eram confusas, insuficientes, havia contratos não escritos em língua portuguesa. Mas a empresa não é obrigada a celebrar seus contratos em língua nacional, pode realizar operações no exterior e contratar em língua inglesa. Ela deixou de apresentar intencionalmente ou ela realmente não tinha? A empresa criou confusão para a fiscalização ou ela própria estava desorganizada e, submetida a uma auditoria, evidenciouse que sua documentação era deficiente e que a comunicação entre setores causava prejuízo à uniformização de informações? É de se levar em conta ainda o porte da empresa e sua capilaridade, que são notórios, no caso. Apesar da jurisprudência da CSRF deste CARF, citada, que assenta que o agravamento da multa independe da demonstração de prejuízo à fiscalização, entendo ser necessário demonstrar que o não atendimento foi doloso, intencional, com objetivo de inviabilizar o trabalho, ainda que não se tenha obtido o resultado pretendido. Transcrevo mais do voto do relator: Assim é que, por exemplo, relata a Fiscalização que não foram informadas todas as Remessas feitas ao exterior, que na planilha das Remessas faltava a indicação do número de vários contratos de câmbio, que quanto aos contratos comerciais poucos foram os apresentados, a maioria em inglês e pouquíssimos com tradução simples, que as informações sobre inúmeros Contratos de Câmbio, constantes na planilha elaborada pela empresa, muitas vezes não correspondiam ao que realmente constava nos Contratos de Câmbio.(destaquei) Vejamos que a empresa atendeu às intimações, preencheu planilhas e apresentou documentos. Estavam erradas, eram confusas, insuficientes? Mas, repito, todas essas deficiências apontadas pela fiscalização tinham a intenção de prejudicála ou confundila ou eram devidas a problemas de controle interno? Estavam disponíveis e não foram prestadas ou não foram prestadas corretamente porque havia desorganização ou mesmo inexistência da informação, compilada como queria a fiscalização? Fl. 10783DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 58 Enfim, compilar os dados, evidenciar deficiências e apontar irregularidades é trabalho da auditoria fiscal, entretanto com o objetivo específico para o cumprimento das obrigações tributárias. Apesar da recente orientação da 2ª Turma da CSRF, citada pelo nobre relator, era farta na jurisprudência deste CARF a necessidade de ser demonstrado o prejuízo à fiscalização, citese: "Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte". Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a. Seção 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130100.270 em 29.01.2010. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. 1º CC. / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10323.566 em 17.09.2008. Publicado no DOU: 20.01.2009. Mas, mesmo assim, ainda que desnecessário o efetivo prejuízo (materialidade) entendo necessário que se demonstre que a recusa foi intencional, dolosa e com fim específico (formalidade), para fins de configuração da aplicação do agravamento. Aliás, conforme se encontra em: IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A impossibilidade material do contribuinte em cumprir a intimação da fiscalização para apresentar documentos não autoriza o agravamento da multa de ofício. 1º CC. / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.675 em 17.04.2008. Publicado no DOU em: 06.11.2008. MULTA AGRAVADA Não deve ser aplicada a multa agravada de 112,5% se não fica demonstrada ação ou omissão do contribuinte com o objetivo de retardar ou impedir a atividade de fiscalização. CARF 1a. Seção 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 130200.302 em 21.05.2010. Publicado no DOU em: 24.01.2011. Dessa feita, analisando os fatos e o caso aqui em debate, entendo faltar a demonstração do elemento subjetivo, intencional, do contribuinte em frustrar a fiscalização ao apresentar dados insuficientes ou planilhas com deficiências de informação, planilhas essas que foram elaboradas com o fim específico da fiscalização tributária. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso, nessa parte, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%, desagravandoa. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 10784DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16561.720010/201291 Acórdão n.º 2202003.453 S2C2T2 Fl. 10.756 59 Fl. 10785DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.720309/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS.
A origem dos recursos no lançamento tributário sobre omissão de rendimentos em apuração por acréscimo patrimonial mensal deve ser suficientemente comprovada com provas da ocorrência do fato, sendo aceita a reunião de elementos disponíveis para que em conjunto convenção da verdade material objeto da discussão.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2301-004.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, não conhecer das questões referentes ao controle repressivo de constitucionalidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento para considerar comprovada a origem dos recursos em relação à alienação de ações ao Sr. Cândido Botelho Bracher; vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que davam provimento em maior extensão, para reconhecer o direito de aproveitamento do IRRF sobre o ganho de capital. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Galhardo, OAB/SP 109.717.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS. A origem dos recursos no lançamento tributário sobre omissão de rendimentos em apuração por acréscimo patrimonial mensal deve ser suficientemente comprovada com provas da ocorrência do fato, sendo aceita a reunião de elementos disponíveis para que em conjunto convenção da verdade material objeto da discussão. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (b) em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, não conhecer das questões referentes ao controle repressivo de constitucionalidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento para considerar comprovada a origem dos recursos em relação à alienação de ações ao Sr. Cândido Botelho Bracher; vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que davam provimento em maior extensão, para reconhecer o direito de aproveitamento do IRRF sobre o ganho de capital. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Galhardo, OAB/SP 109.717. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 09 /2 01 3- 71 Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.473 3 Relatório Tratamse de recursos voluntário e de ofício contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte auto de infração para constituição de crédito tributário de IRPF com multa de ofício em 75%, lançado em virtude de suposta omissão de rendimentos apurada em acréscimo patrimonial a descoberto APD, ou seja, excesso de aplicações sobre origens não comprovadas. O lançamento foi realizado em 21/02/2013. A decisão recorrida exclui do lançamento valor de aplicação em duplicidade. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 NULIDADE Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Sanáveis os erros de fato ocorridos no preenchimento das planilhas de fluxo financeiro. Para que recursos sejam considerados no fluxo financeiro, indispensável a comprovação dos mesmos segundo as regras jurídicas pertinentes. MULTA DE OFÍCIO. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. A aplicação de multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável, sempre, nos lançamentos de ofício, excetuada a hipótese de 150%, aplicável nos casos de evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO COM VALOR RECOLHIDO A MAIOR Para a restituição e ou compensação de imposto de renda pago indevidamente, ou maior que o devido, deve ser observado o procedimento formal estabelecido pela SRFB bem como devem ser respeitados os preceitos tributários aplicáveis. APRESENTAÇÃO DE PROVAS A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Devidamente intimado a esclarecer a divergência retrocitada o contribuinte alegou que foram alienadas 6.955.700 ações da BBA HE Participações, no valor de R$ 65.442.827,84, sendo que 2.683.731 ações no valor de R$ 19.946.119,00 foram alienadas para o Banco Itaú e 4.271.969 ações no valor de R$ 45.496.708,84 foram alienadas para o Sr. Candido Botelho Bracher. Para comprovar o alegado o contribuinte juntou cópia simples do Contrato de Compra e Venda de ações da BBA HE Participações firmado em 29/12/2008 junto ao Banco Itaú e indicou o depósito ocorrido em 29/2/2008, no valor de R$ 19.946.119,00, realizado pelo Banco Itaú junto a conta corrente 25859, agência 3789, de titularidade do contribuinte. Ainda, a contribuinte apresentou cópia simples de Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de ações da BB A HE Participações celebrado em 01/09/2005 entre o Sr. Candido Botelho Bracher e o contribuinte. Através do referido contrato o contribuinte se comprometia a vender ao Sr. Candido Botelho Bracher 3.499.225 ações da BBA HE Participações por R$ 23.871.712,95 (valor que deveria ser atualizado a partir da data de celebração do contrato avençado que poderia ocorrer a qualquer momento, porém limitado ao prazo de 31/03/2011. Da mesma forma, o contribuinte apresentou cópia simples de Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de ações da BBA HE Participações celebrado em 16/05/2008 entre o Sr. Candido Botelho Bracher e o contribuinte. Através do referido contrato o contribuinte se comprometia a vender ao Sr. Candido Botelho Bracher 772.744 ações da BBA HE Participações por R$ 8.357.690,00 (valor que deveria ser atualizado a partir da data de celebração do contrato pelo índice CDIOverCetip). A venda no caso se tornaria definitiva quando Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.474 5 do pagamento do valor avençado que poderia ocorrer a qualquer momento, porém limitado ao prazo de 31/03/2011. Por fim, o contribuinte indicou depósito ocorrido em 30/12/2008, no valor de R$ 45.496.708,84, realizado junto a conta corrente 347099, agência 3001, de titularidade do contribuinte, alegando que tal valor teria sido transferido de conta do Sr. Candido Botelho Bracher. Afim de aferirmos as alegações apresentadas pelo contribuinte, recorremos aos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e acessamos a Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2008 do Sr. Candido Botelho Bracher. Não verificamos qualquer menção de pagamento ao contribuinte do valor de R$ 45.496.708,84, seja no Quadro de Pagamentos e Doações Efetuados seja no campo discriminação da Declaração de Bens e Direitos. Ainda, o Sr. Candido Botelho Bracher informou que alienou a totalidade de suas ações da BBA HE Participações em 2008. Em Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital do ano calendário de , o Sr. Candido Botelho Bracher informou ter alienado ações da BBA HE Participações da seguinte forma: 350.638 ações, em 16/05/2008, sendo adquirente a própria BBA HE Participações e 13.552.614 "quotas", em 29/12/2008, sendo adquirente o Banco Itaú. Para que o Sr. Candido Botelho Brancher pudesse alienar a totalidade de suas ações ao Banco Itaú em 29/12/2008 ele teria que ter a titularidade das ações da BBA HE Participações na data da alienação, ou seja, em 29/12/2008. Nos termos dos hipotéticos instrumentos de promessa de compra e venda de ações apresentados à fiscalização a efetivação da venda das ações do contribuinte ao Sr. Candido Botelho Bracher, que concederia a este último a titularidade sobre as ações, somente ocorreria com o efetivo pagamento da importância firmada, o que, conforme afirmou o contribuinte, só ocorreu em 30/12/2008, momento este posterior à venda da totalidade de ações do Sr. Candido Botelho Bracher. Assim sendo, consideramos que os fatos alegados pelo contribuinte não foram devidamente comprovados através da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas é valores, pois: O Demonstrativo da Apuração de Ganhos de Capital apresentado pelo contribuinte informa a alienação de 6.955.700 ações da BBA HE Participações ao Banco Itaú, ocorrida em 29/12/2008, por R$ 65.442.827,87; Foi celebrado, em 29/12/2008, contrato de Contrato de Compra e Venda através do qual o contribuinte vendeu 2.683.731 ações da BBA HE Participações ao Banco Itaú por R$ 19.946.119,00; Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Em 29/12/2008 consta depósito no valor de R$ 19.946.119,00, realizado pelo Banco Itaú junto a conta corrente 25859, agência 3789, de titularidade do contribuinte; O depósito de R$ 45.496.708,84 ocorrido junto a conta corrente 347099, agência 3001, se deu em 30/12/2008 e não em 29/12/2008; Além disso o contribuinte não comprovou que o retrocitado depósito de R$ 45.496.708,84 tenha se originado de conta corrente de titularidade do Sr. Candido Botelho Bracher bem como não comprovou que o valor em questão tenha tido como origem as possíveis promessas de compra e venda de 3.499.225 e 772.744 ações de 01/09/2005 e 16/05/2008, respectivamente; Por fim, não consta na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2008 do Sr. Candido Botelho Bracher qualquer menção ao possível pagamento de R$ 45.496.708,84 realizado ao contribuinte e, ainda o Sr. Candido Botelho Bracher declarou ter vendido todas suas ações da BBA HE Participações em datas anteriores ao depósito de R$ 45.496.708,84 ocorrido em 30/12/2008. Dessa forma consideramos que durante o anocalendário de 2008 o contribuinte comprovou a alienação de 2.683.731 ações da BBA HE Participações ao Banco Itaú por R$ 19.946.119,00. Tal alienação foi discriminada na planilha "Recursos Originados de Alienação de Bens Móveis, Imóveis e Direitos". O valor em questão foi considerado como recurso conforme discriminado na planilha "Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira". O valor de R$ 45.496.708,84 foi desconsiderado pela fiscalização como oriundo de alienação de ações da BBA HE Participações, por falta de comprovação (grifo nosso) Como se vê, o valor principal lançado pela fiscalização se refere à suposta origem não comprovada e indicada pelo recorrente como alienação de ações no valor de R$ 45.496.708,84. Os documentos de prova, dentre os quais contratos de promessa de compra e venda de ações, comprovante de transferência bancária realizada pelo comprador das ações e DARFs de recolhimento do IRPF sobre o ganho de capital, não foram aceitos pela fiscalização pelos fundamentos acima relatados. Outra origem considerada não comprovada foi indicada pelo recorrente como resgate de aplicação financeira: De acordo com a D. Fiscalização, o Requerente não teria comprovado que houve o resgate de aplicações financeiras detidas junto ao Fundo Jatobá no anocalendário de 2008. Portal razão, a parcela de US$ 1.500.000,00 foi considerada como rendimento não oferecido a tributação naquele ano calendário. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera parcialmente as alegações trazidas na impugnação: Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.475 7 Da venda das ações da sociedade BBA HE. BBA HE Breve Histórico O Requerente é um dos fundadores do Banco BBACreditanstalt S.A. ("BBA"), que no anocalendário de 2002 teve parte de suas ações vendidas ao grupo Itaú, composto pelo Banco Itaú S.A. ("Itaú") e outras entidades. Após a referida aquisição, o BBA veio a se denominar Banco ItaúBBA S.A. ("Itaú BBA") e o Requerente passou a integrar o seu Conselho de Administração. Nesse contexto, a BBA HE havia sido inicialmente formada sob a denominação de BBACreditanstalt HE Participações S.A., como sociedade holding, destinada principalmente a participar do capital social do BBA e de outras sociedades, bem como a ser detida por Executivos e Diretores daquele banco, permitindo lhes, em determinados termos e condições, deter participação acionária indireta no próprio BBA. Posteriormente, a sociedade teve sua denominação social alterada apenas para BBA HE Participações S.A. ("BBA HE"), deixou de ter participação direta no BBA, passando a detêla por meio de outra sociedade holding, a BBA Participações S.A. ("BBA Participações"') e, como era também natural, veio ainda a admitir novos acionistas Executivos e Diretores do banco. Até a data de 21.12.2008, o Requerente era legítimo titular de 5.998.451 ações da BBA HE, que se encontravam devidamente registradas em sua Declaração de Bens e Direitos ao custo total de R$ 30.884.829,19 (doe. n° 5). Em 22.12.2008, em razão da capitalização de lucros acumulados e de reservas de lucros da BBA HE, no valor total de R$ 154.543.621,01 (doe. n° 6), o Requerente passou a ser titular de mais 957.249 ações daquela sociedade, adquiridas pelo custo de R$ 9.077.024,05. Assim, no que interessa ao presente caso, na data de 28.12.2008, o Requerente era legítimo titular de 6.955.700 ações da BBA HE, registradas pelo custo total de R$ 39.961.887,64. No entanto, ainda nas datas de 1.9.2005 e 16.5.2008, o Requerente havia celebrado dois Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda de Ações da BBA HE com o Sr. Candido Botelho Bracher ("Sr. Candido") (does. n° 7 e 8), por meio dos quais o Requerente se comprometia a vender, respectivamente, 3.499.225 e 772.744 ações da BBA HE para o segundo. De acordo com os referidos instrumentos, o preço de venda do primeiro lote de ações seria de R$ 23.871.712,95, e, de R$ 8.357.690,00, para o segundo, sendo que ambos os valores estariam sujeitos a atualizações conforme o índice "CDIOver Cetip". Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 De acordo com esses contratos, a venda das ações da HE poderia ser concretizada pelo comprador, Sr. Candido, a qualquer momento, desde que antes de 31.3.2011. Para tanto, as Cláusulas 1.2 de cada um dos instrumentos em questão estabeleciam que, para implementar as referidas compras de ações da BBA HE, bastaria ao comprador "realizar simples comunicado para o Promitente Vendedor [Requerente] acerca desse ato e, também, mediante o pagamento das AÇÕES, na forma ajustada adiante". Em dois momentos distintos (cláusulas 1.2 e 3), os Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda de Ações da BBA HE celebrados entre o Requerente e o Sr. Candido faziam referência ao fato de que a compra e venda efetiva das ações da BBA HE seriam implementadas apenas quando o comprador tivesse pago a totalidade do preço, com as correções neles acordadas. Esse ponto é importante, pois foi principalmente com base na data de pagamento do preço dessas aquisições de ações da BBA HE pelo Sr. Candido ao Requerente que a D. Fiscalização entendeu que estaria supostamente autorizada a desconsiderar toda a venda de ações feita pelo Requerente ao Sr. Candido em 29.12.2008, sob os dois instrumentos acima. Ao final do anocalendário de 2008, em meio à reestruturação pela qual passava o grupo Itaú, especialmente no contexto de fusão com o Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A ("Unibanco"), o Banco Itaú deveria comprar ações da BBA HE detidas por Diretores e Executivos, entre os quais o Requerente e o Sr. Candido. Do ponto de vista do Requerente, como visto, até 28.12.2008, este era ainda legítimo titular de 6.955.700 ações da BBA HE. No entanto, em razão dos dois Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda anteriormente celebrados com o Sr. Candido, acima mencionados, o Requerente optou por vender ao próprio Sr. Candido, em 29.12.2008, dois lotes de ações da BBA HE, a saber: (i) 3.499.225 ações; e (ii) 772.744 ações; compondo assim uma venda de 4.271.969 ações da BBA HE para o Sr. Candido, ao valor total de R$ 45.496.708,84. O pagamento dessas ações da BBA HE, pelo Sr. Candido ao Requerente, no valor de R$ 45.496.708,84 foi liquidado em 30.12.2008, por meio de Transferência Eletrônica Disponível ("TED") feita de conta corrente do Sr. Candido, mantida no Banco Itaú, Agência 3789, conta n° 026220, para o Requerente, em sua conta corrente mantida no Banco Itaú, Agência 3001, conta n° 347099, conforme demonstram os anexos comprovantes (does. n° 9 e 10). Ainda em 29.12.2008, o Requerente vendeu diretamente ao Banco Itaú, o restante de suas ações da BBA HE, totalizando 2.683.731 ações, ao valor total de R$ 19.946.119,00, nos termos do anexo Contrato de Compra e Venda de Ações da BBA HE Participações S.A. (doe. n° 11). Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.476 9 Portanto, o resumo de toda a situação acima é que, na data de 29.12.2008, o Requerente que até então era legítimo titular de 6.955.700 ações da BBA HE, alienou (a) 4.271.969 ações da BBA HE para o Sr. Candido, ao valor total de R$ 45.496.708,84, e (b) 2.683.731 ações, ao valor total de R$ 19.946.119,00. O valor total recebido pelo Requerente nessas operações foi de R$ 65.442.827,84. Todas essas transferências de ações foram efetuadas em 29.12.2008 e foram, nessa mesma data, devidamente escrituradas no livro de "Registro de Transferência de Ações Nominativas" da BBA HE (doe. n° 12), registrado perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo ("JUCESP") sob o n° 35.300.140/25, nos termos da legislação societária em vigor. Notese também que, em cumprimento à legislação fiscal aplicável, o Requerente apurou, em 29.12.2008, ganhos de capital tributáveis, no valor total de R$ 25.480.940,20 (R$ 65.442.827,84 R$ 39.961.887,64), que foram devidamente oferecidos à tributação pelo IRPF, conforme evidenciam o anexo Demonstrativo de Apuração de Ganhos de Capital (doe. n° 13) e o anexo Documento de Arrecadação de Receitas Federais ("DARF"). no valor de R$ 3.822.146,19 (doe. n° 14). Como se pode ver, nenhum valor tributável relativo a essas operações deixou de ser pago pelo Requerente, uma vez que todos os rendimentos por ele auferidos com a alienação total de suas ações da BBA HE foram tributados como ganhos de capital, nos termos da legislação fiscal em vigor. Não obstante, em que pesem às operações acima estarem amplamente suportadas por documentação hábil e idônea, e tendo sido devidamente submetidas a tributação pelo Requerente, a D. Fiscalização alega que todo o valor de R$ 45.496.708,84, recebido do Sr. Candido na venda de 4.271.969 ações da BBA HE, deve ser desconsiderado e tratado como um suposto rendimento sem origem do Requerente. Segundo se pode depreender do Termo de Verificação, as razões que lavaram a D. Fiscalização a esse equivocado entendimento seriam, sobretudo, as duas seguintes: a) de acordo com os Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda de Ações celebrados entre o Requerente e o Sr. Candido, a venda das ações da BBA HE seria concretizada com o efetivo pagamento do preço acordado, o qual teria ocorrido em 30.12.2008, e não em 29.12.2008; e b) o Sr. Candido, por sua vez, teria informado à D. Fiscalização que vendera a totalidade de suas ações da BBA HE ao Banco Itaú em 29.12.2008 de modo que, em 30.12.2008, quando, no entender da Fiscalização, a compra das ações da BBA HE do Requerente teria supostamente se concretizado, o Sr. Candido já não mais detinha nenhuma ação da BBA HE. Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Como se pode ver, a D. Fiscalização busca primeiramente ater se à mais estrita literalidade da redação dos Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda de Ações da BBA HE celebrados entre o Requerente e o Sr. Candido, segundo a qual a compra e venda das ações da BBA HE somente se implementaria com o efetivo pagamento do preço pelo Sr. Candido ao Requerente. Com isso, a D. Fiscalização pretende alegar que a compra e venda efetiva das ações da BBA HE não teria sido implementada em 29.12.2008 conforme efetivamente acordado entre as partes e conforme escriturado no Livro de livro de "Registro de Transferência de Ações Nominativas" da BBA HE na mesma data , mas apenas em 30.12.2008, quando se deu a liquidação do pagamento do preço pelo Sr. Candido ao Requerente, via TED em sua conta corrente, como acima demonstrado. Tratase de um evidente excesso cometido pela D. Fiscalização, que deve ser imediatamente corrigido por esta D. Autoridade Julgadora. Embora a literalidade desses instrumentos mencionasse que as compras e vendas das ações da BBA HE em questão seriam implementadas mediante "simples avisos" entre as partes e com o pagamento do preço, é evidente que fato de o pagamento ocorrido no dia seguinte ao fechamento da operação, em 30.12.2008, não tem o condão de desvirtuar toda a operação de compra e venda que foi acordada entre as partes no dia 29.12.2008. Como será visto nas razões de direito a seguir aduzidas, nos contratos de compra e venda de coisa móvel (ações) deve prevalecer o consenso entre as partes, ou seja, aquilo que foi entre elas pactuado. Assim, se o Requerente que é quem tinha todo o interesse em ser protegido pelas cláusulas contratuais exigindo o pagamento efetivo do preço, acima comentadas aceitou receber um "simples aviso", de forma verbal, do Sr. Candido, para com ele fechar o negócio na data de 29.12.2008 e receber o preço no dia seguinte, em 30.12.2008, é óbvio que não é dado à D. Fiscalização desconsiderar toda essa operação com base no mero fato de a liquidação desse pagamento ter ocorrido nesse dia seguinte. Ademais, nas ações da BBA HE que o Sr. Candido declara ter vendido ao Banco Itaú em 29.12.2008, estavam incluídas as ações que este havia comprado no mesmo dia do Requerente, embora estes tivessem acordado de forma verbal na data de 29.12.2008 que o pagamento seria liquidado no dia seguinte. Assim, longe de caracterizar qualquer "inconsistência", a informação prestada pelo Sr. Candido à D. Fiscalização apenas corresponde ao que efetivamente ocorreu no presente caso: em 29.12.2008, o Sr. Candido adquiriu do Requerente 4.271.969 ações da BBA HE, e, na mesma data, alienou a totalidade de suas ações da BBA HE, incluindo essas ações recém compradas do Requerente, ao Banco Itaú, de tal modo que, em 30.12.2008, o Sr. Candido não detinha mais ações daquela sociedade. Possivelmente também por essa razão o Sr. Candido não tenha informado em sua declaração de "Bens e Direitos" a aquisição Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.477 11 das 4.271.969 ações da BBA HE, ou seja, justamente porque essas ações foram compradas do Requerente e vendidas ao Banco Itaú no mesmo dia, em 29.12.2008 (doe. n° 15), embora o seu pagamento ao Requerente tenha sido feito no dia seguinte. Em todo caso, nessa operação também foram apurados ganhos de capital tributáveis pelo Sr. Candido, no valor de R$ 47.146.301,83 (doe. n° 16), devidamente oferecidos a tributação, conforme comprova o anexo DARF, no valor de R$ 7.072.032,60 (doe. n° 17). Ao final, vêse que todas as operações de venda de ações da BBA HE (i) pelo Requerente ao Sr. Candido; (ü) pelo Requerente ao Banco Itaú; e (üi) pelo Sr. Candido ao Banco Itaú foram devidamente submetidas à tributação pelo IRPF, nas pessoas do Requerente e do Sr. Candido e faziam parte de um contexto maior de venda de todas essas ações ao Banco Itaú. Apenas, em razão dos contratos anteriormente celebrados, o Requerente vendeu primeiramente parte de suas ações da BBA HE ao Sr. Candido, que então as vendeu ao Banco Itaú, mas tudo aconteceu no próprio dia 29.12.2008, independentemente de o pagamento do Sr. Candido ao Requerente ter sido autorizado a ser feito no dia seguinte, em 30.12.2008. Nada há, portanto, a desabonar qualquer aspecto das operações acima explicadas, pois o que se vê é que são claramente descabidas as alegações da D. Fiscalização para desconsiderar tais operações, de modo que os valores assim lançados nesta indevida exigência fiscal devem ser prontamente cancelados por este D. Órgão Julgador. Do resgate da aplicação financeira detida junto ao Fundo Jatobá. De acordo com a D. Fiscalização, o Requerente não teria comprovado que houve o resgate de aplicações financeiras detidas junto ao Fundo Jatobá no anocalendário de 2008. Portal razão, a parcela de US$ 1.500.000,00 foi considerada como rendimento não oferecido a tributação naquele ano calendário. Primeiramente, devese ressaltar o fato de que, conforme o anexo Aviso de Resgate enviado pelo Fundo Jatobá ao Requerente (doe. n° 18), em 14.8.2008 ocorreu a transferência do valor correspondente a US$ 1.500.000,00 para a Conta n° 1130546 ("Conta Monte Alegre"). Tal fato, por si só, já seria suficiente para comprovar a referida transferência, que acabou também sendo desconsiderada pela D. Fiscalização sem nenhum fundamento para tanto. O Requerente colaciona aos autos do presente processo administrativo os seguintes documentos: (i) "extrato conta corrente" do Fundo Jatobá (doe. n° 19), no qual consta ocorrência, em 14.8.2008, de uma transferência (débito) dessa conta, no valor de US$ 1.500.000,00, para a Conta Monte Alegre; e (ii) cópia autenticada do "extrato contacorrente" Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 relativo à Conta Monte Alegre, no mês de Agosto de 2008 (doe. n° 20), sendo que, na página 05 desse documento, consta expressamente o registro de uma transferência (crédito) para essa conta, no valor de US$ 1.500.000,00. Devese ainda destacar, com relação a esse ponto do Auto de Infração, que o Requerente foi de tal modo diligente no presente caso, que, quando do resgate das aplicações financeiras mantidas junto ao Fundo Jatobá, o Requerente verificou ainda a ocorrência de ganhos de capital, no valor de R$ 377.638.99 (doe. n° 21). que foram devidamente oferecidos a tributação, conforme evidencia o anexo PARF, no valor de R$ 63.007.17 (doe. n° 22). Esses valores pagos a título de ganhos de capital, aliás, sequer foram considerados pelas DD. Autoridades Fiscais no presente caso, e sequer chegaram a ser mencionados no Auto de Infração. Portanto, resta clara a improcedência da exigência consubstanciada no segundo item questionado pela D. Fiscalização no presente caso. E, considerando se tratar de uma questão eminentemente fática, temse plenamente demonstrada a necessidade de cancelamento dessa parcela do Auto de Infração por esse D. Órgão Julgador, já que comprovada a origem desses recursos com base em documentação hábil e idônea. ... VI. A INADEQUAÇÃO DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS. (a) A abusividade da multa de ofício aplicada. , o impugnante considera que houve exagero na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito em questão. Como se vê, o texto legal contido no CTN sobre a atividade de lançamento do crédito tributário pela autoridade administrativa deixa claro que, apenas se e quando for o caso, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, resta demonstrado que, ainda que a presente autuação pudesse ser considerada procedente, o que se admite para argumentar, a multa de 75% aplicada pela D. Fiscalização de configura desproporcional à suposta infração cometida pelo Requerente, devendo ser reduzida para um valor mais justo e adequado à sua conduta. (b) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa Ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, o Requerente, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, vem esclarecer o quanto segue. Ocorre, contudo, que o artigo 61 da Lei 9.430/96 utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas trata tão somente da incidência de juros sobre débitos Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.478 13 decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil. Dessa forma, resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. Em síntese, no mérito alega que a origem dos R$ 45.496.708,84 foi a alienação de ações da BBA HE ao Sr. Candido Botelho Bracher e dos US$ 1.500.000,00 foi o resgate de aplicações financeiras mantidas junto ao Fundo Jatobá. Outras questões suscitadas: compensação com os valores pagos a título de ganho de capital, caráter abusivo da multa de ofício e impossibilidade de incidência da taxa SELIC sobre a multa. O recurso de ofício tem por objeto um valor lançado em duplicidade pela fiscalização como aplicação de recursos: Ocorre que, nessa apuração, a D. Fiscalização computou em duplicidade um aporte de recursos feito pelo Requerente, no valor de R$ 11.533.493,00, junto ao Banco Votorantim. Conforme comprova o anexo "Extrato de Conta Investimento" (doc. n° 23), o referido aporte ocorreu em 1.8.2008. A D. Fiscalização, entretanto, considerou a parcela de R$ 11.533.493,00 como uma aplicação financeira realizada pelo Requerente tanto no mês de Agosto de 2008, quanto no mês de Dezembro do mesmo ano. É o Relatório. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. Recurso de ofício Com efeito, na planilha às fls. 3.172 foram lançados como eventos distintos na planilha de aplicações em fundos financeiros R$ 11.533.493,00, sendo que em 08/2008 como investimento CDB PRÉ Banco Votorantim e em 12/2008 como investimento em LCA também no Banco Votorantim. A fiscalização fez a exclusão do registro da aplicação em 12/2008, mantendo o de 08/2008. Ressaltase que no presente caso não se trata de dúvida e a correspondente escolha discricionária em arbitramento quanto ao mês que deveria prevalecer após a constatação do equívoco do registro em duplicidade na planilha de apuração das aplicações. Na impugnação ao lançamento o recorrente demonstrou que o aporte da aplicação ocorreu apenas no mês 08/2008, o que foi atendido pela fiscalização em diligência e decidido pela primeira instância. É um esclarecimento importante em razão de que origem de recursos mais próxima ao início do ano e uma aplicação mais para o final são mais favoráveis ao contribuinte, o que seria observado no caso de uma eventual escolha discricionária. Mas não é o que ocorreu. Por tudo, nego provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário Da venda das ações da sociedade BBA HE Aqui, a discussão é recursos R$ 45.496.708,84 que, segundo o recorrente, referemse a ganho de capital pela alienação de 4.271.969 da ações da BBA HE a Cândido Botelho Bracher. Está comprovado nos autos que o recorrente era titular de 6.955.700 ações da BBA HE. A fiscalização aceitou a comprovação da origem de recursos correspondente à alienação para o Banco Itaú de 2.683.731 ações pelo valor de R$ 19.946.119,00, como constou na Declaração de Ajuste do recorrente e desconsiderou a suposta alienação para o Sr. Cândido Botelho Bracher do saldo de 4.271.969 da ações. Os elementos de prova trazidos na impugnação foram: a) Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda de Ações (docs nºs 07 e 08); b) livro de "Registro de Transferência de Ações Nominativas" da BBA HE (docs nºs 12); c) extratos bancários do Requerente e do Sr. Candido (docs nºs 09 e 10); e Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.479 15 d) demonstrativos de apuração de ganhos de capital (docs nºs 11 e 12); A decisão recorrida manteve o mesmo entendimento da fiscalização sob os seguintes argumentos: a) de acordo com o instrumento de promessa de compra e venda das ações, o pagamento deveria ser realizado antecipadamente pelo Sr. Cândido para que ele obtivesse a titularidade das ações. Assim, ele não teria como, por sua vez, alienálas ao Banco Itaú em 29/12/2008 se o suposto pagamento pelas ações ocorreu em 30/12/2008. Na data da alienação ele ainda não detinha a propriedade da ações da BBA HE; b) o recorrente também não comprovado a vinculação do depósito de R$ 45.496.708,84 às promessas de compra e venda de 3.499.225 e 772.744 ações de 01/09/2005 e 16/05/2008, respectivamente, através dos “INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES DA BBA PARTICIPAÇÕES” (docs 7 e 8). Ele não teria apresentado elemento algum que faça essa comprovação. Acrescenta: Os aspectos acima mencionados são demasiadamente fortes para se aceitar a operação de alienação de 4.271.969 ações, a Cândido Botelho Bracher, em 29/12/2008, como requer o Impugnante, contudo, dependendo dos elementos adicionais que pudessem fazer prova das alegações trazidas na impugnação, poderseia aceitar o argumento de desvio no cumprimento do Instrumento Particular em razão de acordo entre as partes, entretanto, somente por meio de provas robustas que pudessem enfraquecer esta análise. c) O livro de "Registro de Transferência de Ações Nominativas" da BBA HE, fl. 3307, não comprovaria a alienação. Consta às fls. 3308 cópias de duas fichas denominadas “TERMO DE TRANSFERÊNCIA nº...”, mas não há registros detalhado do fato; Entendo que assiste razão ao recorrente. Houve plena comprovação da origem do recurso como proveniente da alienação da totalidade de suas ações. O fato de constar cláusula garantidora em benefício do promitente vendedor em receber o valor pactuado antecipadamente à transferência efetiva da titularidade não afasta a verdade material. Com efeito, houve pagamento por transferência bancária a débito do Sr. Cândido Botelho Bracher e a crédito do recorrente. A vinculação do valor transferido à operação de alienação de ações pode ser verificado nos dois instrumentos de promessa de compra e venda. Assim vejamos. No instrumento datado de 01/09/2005 pactuouse a promessa de compra e venda pelo valor ajustado de R$ 23.871.712,95 e no outro datado de 16/05/2008, o valor é de R$ 8.357.690,00, ambos com reajuste pelo índice CDIOverCetip. Em pesquisa realizada na Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos – CETIP (www.cetip.com.br) fiz a atualização dos dois valores acima considerando como data inicial o dia de realização da promessa de compra e venda, 01/09/2005 e 16/05/2008, respectivamente, em como data final o dia 29/12/2008, quando houve a alienação das ações pelo Sr. Cândido Botelho Bracher ao Banco Itaú S.A. Foram constatados como resultados: R$ 36.474.824,38 (fator 1,52795170 e taxa 52,80%) e R$ 9.021.884,40 (fator 1,07947105 e taxa 7,95%), respectivamente. A soma aritmética desses valores é: R$ 45.496.708,78, o que corresponde à transferência bancária. Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Quanto às fichas de registro das transferência de ações, ao contrário do afirmado, constato que eles detalham as duas alienações: 772.744 e 3.499.225 ações, fls. 3.455, totalizando as 4.271.969 ações. Por tudo, entendo demonstrada a origem dos recursos para que o valor correspondente seja excluído do lançamento. Resgate de aplicação financeira Nessa parte, o lançamento foi mantido pela decisão recorrida sob fundamento de que, embora comprovados os resgates, não há prova de que o recorrente seja o real beneficiário do valor de US$ 1.500.000,00 transferidos como resgate de aplicação pelo Fundo Jatobá a Conta Monte Alegre nº 1.130.546/2364781. O recorrente também demonstrou que fez o recolhimento do IRPF sobre um ganho de capital em aplicação financeira no valor de R$ 377.638,99, fls. 3326 e 3327; contudo alega que esse valor não foi considerado pela fiscalização para redução do imposto lançado. Segue a transcrição dos fundamentos: Da análise dos argumentos acima e, particularmente, dos documentos de fls. 3318 a 3324, verificase que, dos documentos constam registros de crédito de valores da JATOBÁ INVESTMENT FUND SPC a uma determinada conta com o título “MONTE ALEGRE”, contudo, não restou comprovada a relação do contribuinte em epígrafe e a conta “MONTE ALEGRE”. Em não havendo nexo entre o resgate e Fernão Carlos Botelho Bracher, não é possível aceitar tal valor como recurso do contribuinte em causa. Ainda, se houve o resgate, como sugere o Impugnante, houve, também, a aplicação de recursos, contudo, em momento algum o Impugnante faz essa correlação. Esclareçase que, ainda que a aplicação tenha ocorrido em outro ano que não 2008, a comprovação da aplicação deveria ser comprovada. Em acréscimo às provas juntadas na impugnação, trouxe aos autos em seu recurso voluntário declaração do Banco Itaú (Suisse) S.A com a intenção de demonstrar ser o beneficiário da Conta Monte Alegre nº 1.130.546/2364781, fls. 3452 e 3453. Contudo, verifico que embora faça referência à denominada Conta Monte Alegre, o número é diferente, nº 1011880. Dessa forma, desposo do mesmo entendimento da decisão recorrida de que nesse caso a prova da titularidade/beneficiário da Conta Monte Alegre nº 1.130.546/2364781 deveria ser precisamente demonstrada. Redução do apurado com o imposto recolhido sobre ganho de capital Como esta relator encaminha seu voto por excluir do lançamento o tributo e seus acréscimos relativos à alienação de ações da sociedade BBA HE e manter a parte relativa ao resgate de aplicações financeiras detidas junto ao Fundo Jatobá, o exame da possibilidade de dedução fica prejudicado. Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720309/201371 Acórdão n.º 2300004.410 S2C3T0 Fl. 3.480 17 É que este relator adotou o fundamento de que não houve comprovação vinculando o recolhimento sobre o ganho de capital trazido aos autos com resgate de aplicação financeira objeto do lançamento. Assim, embora discorde da decisão recorrida de que se trataria de compensação a ser realizada em processo próprio, eis que o recorrente requer tão somente um cálculo aritmético de subtração de seu recolhimento sobre ganho de capital do imposto apurado na operação, a questão é que não se consegue afirmar com certeza que os valores se referem à mesma operação. A natureza abusiva da multa aplicada e a incidência de juros SELIC Defende o recorrente que a multa aplicada é abusiva, o que caracteriza um confisco pela sua desproporcionalidade, e que não há previsão legal de que sobre ela incida juros SELIC na cobrança do crédito tributário. Quanto a primeira questão, entendo que sua análise adentra ao campo da hermenêutica constitucional e tem por efeito imediato afastar a aplicação de normas legais vigentes, o que é vedado pelo artigo 26A do Decreto n° 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em relação aos juros moratórios sobre a multa de ofício, busca o recorrente uma interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 mais literal, no sentido da necessidade de que a expressão "tributos e contribuições" contivesse também a multa para que houvesse a incidência dos juros moratórios: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, o tributo é devido desde a ocorrência dos fatos geradores e, portanto, é atualizado pelos juros moratórios. Na data do lançamento, a autoridade fiscal também constitui crédito corresponde a multa de ofício. Neste caso, o preceito violado foi a ausência de espontaneidade do contribuinte. E se deve considerar que nos termos dos artigos 113 e 115, mesmo as multas decorrentes de obrigações acessórias, ou seja, as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, convertemse e são tratadas como obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Tanto o tributo quanto a multa formam em seu conjunto o crédito tributário. A multa de ofício é aplicada no ato do lançamento e a partir de então não mais se torna relevante para fins de cobrança atribuirlhe tratamento diferente ao dispensado legalmente à parcela correspondente ao tributo propriamente dito. A partir da constituição, o que temos é um crédito tributário composto por duas partes: tributo atualizado até a data do lançamento e multa. A partir daí, a correção decorre de sua natureza financeira, não justificando o "congelamento" de quaisquer valor no natural decurso do tempo. A jurisprudência das turmas da CSRF deste CARF também vem sendo consolidada pela incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, conforme Acórdão 9101001.863 da primeira turma e Acórdão 9303002.400 da terceira turma. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para a exclusão do valor correspondente a alienação de ações ao Sr. Cândido Botelho Bracher. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16327.901619/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 19 /2 00 6- 94 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 165 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 166 3 b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de ofício as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. Ao julgar referida manifestação de inconformidade a 3ª Turma da DRJ/Campinas, proferiu o Acórdão nº 0528.810, de 17/05/2010, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 167 4 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário de efls. 127/132, acrescido dos documentos de efls. 136/141, apresentando os seguintes argumentos em síntese: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2º do CTN; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720017/200808 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. Em 14/02/2012, essa turma de julgamento, por meio da Resolução nº 3301 000.136, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 168 5 a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. Em atendimento à citada Resolução, a DEINF/SP, elaborou o relatório de diligência, efl. 145, concordando com os erros apontados no valor dos débitos a compensar, que seria ele de somente R$ 0,18. Quanto ao direito creditório de R$ 88.053,83 não havia como reconhecêlo em face da ausência de documentação de suporte. Cientificado do relatório da diligência o contribuinte apresentou a manifestação de efls. 150/151, na qual solicita: "que seja reconhecida a integralidade do crédito e o equívoco na informação sobre o débito a ser compensado, homologandose assim a compensação pleiteada, ou quando menos, caso não seja confirmada a existência do crédito, que seja efetuada a cobrança do débito no valor efetivamente devido no montante de R$ 0,18, conforme reconhecido pela Autoridade Fiscal". É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 169 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Esclareço aos conselheiros desta turma que na reunião anterior de março/2016, na Sessão de 17/03/2016, essa turma votou de forma unânime situação quase idêntica, do mesmo contribuinte, no processo nº 16327.901632/200643, cujo relator foi o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. Essa decisão converteuse no Acórdão nº 3301 002.909, no qual esta turma deu provimento parcial ao recurso voluntário. Assim com a devida licença do citado relator, utilizarei aquele voto como base do meu voto, alterandose somente os dados correspondentes às pequenas diferenças decorrentes de processos preparados distintamente. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (efl. 103), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do PER/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$ 257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$ 271.040,71, gerando uma insuficiência de R$ 13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$ 601,17, entendeu ser devedora de R$ 13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança, não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$ 271.040,71, além de multa e juros. A diligência realizada pela delegacia de origem analisou a questão sob duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda quanto a existência e disponibilidade de indébito. Assim, constatou: a) De fato, o PER/DCOMP nº 23408.89582.220503.1.3.041328 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 0,18, conforme demonstrativo de fls. 72. Esse é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada; b) Quanto ao alegado direito creditório de R$ 88.053,83, informado no demonstrativo de efls. 79, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 170 7 sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita Federal, conforme tela de efl. 144. A Recorrente pede o direito à restituição, sob o argumento que ocorreu erro no preenchimento da PER/DCOMP e da DCTF, sendo que as correções destes equívocos demonstrariam a procedência do crédito alegado. Os erros demonstrados afetam o crédito pleiteado, bem como o débito compensado. Considerando que a utilização da compensação é de iniciativa do contribuinte, comprovada a existência do indébito tributário o procedimento de compensação poderá ser homologado, mesmo que com divergências no preenchimento da PER/DCOMP, desde que seja clara e inequívoca a intenção da compensação pelo interessado. O que cabe ao julgador é se manifestar quanto à procedência do crédito alegado pela Recorrente, determinando a sua procedência e homologando a compensação ate o limite do crédito confirmado. Entendo que a decisão se dá a partir da análise das provas apresentadas e do poder de convencimento quanto às circunstâncias e existência do crédito alegado. Mesmo que em diversas situações possa ocorrer a existência de procedimentos inadequados e erros no preenchimento de declarações, entendo que a verdade material deva prevalecer. Isto é, sendo comprovado por meio de documentação hábil a existência do indébito tributário, este deve ser homologado. Portanto, partindo desta premissa a análise da procedência do crédito, percorre o caminho da identificação dos recolhimentos existentes e do correto valor devido para cada imposto. Comprovandose o recolhimento em valor superior ao devido, resta configurado a existência do direito a repetição do indébito. Consultando os autos, foi identificado que a comprovação do recolhimento a maior do IOF é feita a partir de uma planilha de cálculo, sem nenhuma outra comprovação da ocorrência do pagamento indevido. A Recorrente informa que buscou pagamentos a maior de períodos anteriores com a finalidade de compensar o valor, conforme consta do Recurso Voluntário. O que ficou explicitado no processo é que ao necessitar de créditos para compensar o débito apurado, a recorrente valeuse de créditos anteriores, entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos contábeis ou fiscais, tampouco foi declarado o motivo que ensejou estes pagamentos indevidos ou a maior. Ressaltese que aqui não se discutiu a procedência da retificação das declarações apresentadas. Entretanto, a diligência realizada considerou que a PER/DCOMP em tela é equivocada, como aqui transcrevo: De fato, a PER/DCOMP nº 23408.89582.220503.1.3.041328 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 0,18, conforme demonstrativo de fls. 72. Esse é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada; Considerando o que foi apurado na diligência, utilizouse a premissa de que todos os equívocos de preenchimento realmente ocorreram. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.901619/200694 Acórdão n.º 3301002.965 S3C3T1 Fl. 171 8 Entretanto, considerando os novos valores informados pela recorrente para a DCTF e a PER/DCOMP, não foram identificadas as provas necessárias a justificar o crédito declarado, mesmo constatandose os erros no preenchimento das suas declarações. Conclusão: Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o débito seja cobrado de acordo com os valores apurados em diligência. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721613/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 21 61 3/ 20 14 -5 9 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10166.721613/201459 Resolução nº 2402000.536 S2C4T2 Fl. 70 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.259,29, relativo ao anocalendário 2012. O lançamento foi decorrente da constatação de que a contribuinte, portadora de moléstia grave desde 22/10/2012, utilizouse indevidamente da isenção relativa à parcela isenta dos proventos de aposentadoria para declarantes com 65 anos ou mais, havendo sido, assim, considerado tributável o valor de R$ 14.685,18 recebido a título de parcela isenta do INSS. Houve o ajuste dos rendimentos tributáveis relativos à Fonte Pagadora Instituto GEIPREV (CNPJ 00.529.784/000140), vez que a contribuinte comprovou ser portadora de moléstia grave a partir de 22/10/2012. Irresignada, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 3/4), alegando que protocolou o processo 10166.728378/201365 em 27/9/2013 na qual solicitou a restituição de R$ 4.688,02 em razão de a impugnante ser portadora de moléstia grave que a isenta do IR, conforme laudo pericial expedido pelo INSSDF. Solicita também naquele processo o pagamento de parte do 13º salário, não calculado. Em razão de ser isenta do imposto de renda demanda a improcedência do lançamento fiscal; declarou rendimentos tributáveis da GEIPREV de R$ 61.059,87 e foi reduzido o valor de R$ 5.078,84, sendo considerado como rendimentos tributáveis da GEIPREV o valor de R$ 55.981,03. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 8/10/2014, defendendo que: .. é isenta por moléstia grave, e o valor cobrado está exatamente dentro do período de isenção compreendido pela moléstia grave, que foi deferido a partir de 22 de outubro de 2012, mas não está computado este período no total de janeiro a novembro de 2012, do demonstrativo da fl. 38 da intimação recorrida, visto que a isenção começa em outubro e no demonstrativo a tributação vai até o mês de novembro de 2012. Nesse sentido, pede a nulidade do lançamento e a devolução da importância de R$ 704,78 do imposto retido do seu 13º salário. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10166.721613/201459 Resolução nº 2402000.536 S2C4T2 Fl. 71 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento contestado versa, como explicado, sobre um suposto aproveitamento em duplicidade da isenção regrada pelo art. 6ª, inciso XV da Lei nº 7.713/1988 c/c o art. 8º, inciso I, § 1º da Lei nº 9.250/1995, ou seja, parcela isenta de proventos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão de declarantes de 65 anos ou mais. Como peculiaridade, temse que a contribuinte, na espécie, também faz jus, comprovadamente, à isenção do imposto de renda na condição de portadora de moléstia grave, a partir de outubro de 2012. A solução da controvérsia passa pelo exame dos comprovantes de rendimentos, ou ao menos das respectivas Dirfs, concernentes às duas fontes pagadoras envolvidas: o INSS, CNPJ nº 29.979.036/00140, e o Instituto Geiprev de Seguridade Social, CNPJ nº 00.529.784/000140. Com relação a esta último, foi juntada a respectiva Dirf, fls. 33/34. No entanto, no que tange ao INSS, não se encontram nos autos a tela da Dirf, tampouco quaisquer comprovantes de rendimentos. A contribuinte não colacionou documentos a respeito, e a fiscalização meramente se reportou aos valores informados por aquela na DIRPF/2013, para fins de efetuar o ajuste na base de cálculo do imposto de renda suplementar (fls. 9/14). Sem embargo, para a escorreita mensuração da materialidade dos fatos litigiosos, deve constar no processo documentação que discrimine os valores recebidos mensalmente pela contribuinte do INSS, tendo em vista que as hipóteses de incidência do benefício cambiaram no decorrer do anocalendário 2012, dado que a isenção por moléstia grave adveio somente a partir do mês de outubro. Ante o exposto, voto por CONVERTER o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem junte a Dirf entregue pelo INSS relativa ao anocalendário 2012 atinente à contribuinte, ou, caso isso não seja possível, que seja realizada diligência junto à referida para que apresente os comprovantes mensais de rendimentos recebidos do INSS no decorrer daquele ano, com o posterior retorno a esta Turma para continuação do julgamento. Ronnie Soares Anderson. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012215/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
NEGÓCIO JURÍDICO. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS.
Em conformidade com o Código Tributário Nacional, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados, sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento.
IMPOSTO DE RENDA. REGIME ANUAL. FATO GERADOR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto mensal, determinado sobre base de cálculo estimada, deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal de decadência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
NULIDADE. FUNDAMENTOS. INEXISTÊNCIA.
Ausentes os fundamentos apontados como propulsores da nulidade do lançamento, há que se rejeitar os argumentos de defesa.
JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. NEGÓCIO SUBMETIDO À CONDIÇÃO SUSPENSIVA. APROPRIAÇÃO NO RESULTADO. MOMENTO.
Os juros e a atualização monetária contratados, incidentes sob condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando implementada a condição.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. AJUSTE AO LUCRO LÍQUIDO NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os ajustes ao lucro líquido na determinação do lucro da exploração, base de cálculo dos incentivos de redução e isenção do imposto, limitam-se aos itens expressamente previstos na lei, não sendo enquadrado entre estes as adições decorrentes de glosas de despesas indedutíveis promovidas em procedimento de ofício.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
Amoldam-se a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontram-se suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
Numero da decisão: 1301-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 Ementa: NEGÓCIO JURÍDICO. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Em conformidade com o Código Tributário Nacional, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados, sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento. IMPOSTO DE RENDA. REGIME ANUAL. FATO GERADOR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto mensal, determinado sobre base de cálculo estimada, deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal de decadência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. NULIDADE. FUNDAMENTOS. INEXISTÊNCIA. Ausentes os fundamentos apontados como propulsores da nulidade do lançamento, há que se rejeitar os argumentos de defesa. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. NEGÓCIO SUBMETIDO À CONDIÇÃO SUSPENSIVA. APROPRIAÇÃO NO RESULTADO. MOMENTO. Os juros e a atualização monetária contratados, incidentes sob condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando implementada a condição. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. AJUSTE AO LUCRO LÍQUIDO NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os ajustes ao lucro líquido na determinação do lucro da exploração, base de cálculo dos incentivos de redução e isenção do imposto, limitam-se aos itens expressamente previstos na lei, não sendo enquadrado entre estes as adições decorrentes de glosas de despesas indedutíveis promovidas em procedimento de ofício. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. Amoldam-se a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontram-se suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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CONDIÇÃO SUSPENSIVA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Em conformidade com o Código Tributário Nacional, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados, sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento. IMPOSTO DE RENDA. REGIME ANUAL. FATO GERADOR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto mensal, determinado sobre base de cálculo estimada, deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo qüinqüenal de decadência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. NULIDADE. FUNDAMENTOS. INEXISTÊNCIA. Ausentes os fundamentos apontados como propulsores da nulidade do lançamento, há que se rejeitar os argumentos de defesa. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. NEGÓCIO SUBMETIDO À CONDIÇÃO SUSPENSIVA. APROPRIAÇÃO NO RESULTADO. MOMENTO. Os juros e a atualização monetária contratados, incidentes sob condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da base AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 22 15 /2 00 5- 12 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 654 2 de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando implementada a condição. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. AJUSTE AO LUCRO LÍQUIDO NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os ajustes ao lucro líquido na determinação do lucro da exploração, base de cálculo dos incentivos de redução e isenção do imposto, limitamse aos itens expressamente previstos na lei, não sendo enquadrado entre estes as adições decorrentes de glosas de despesas indedutíveis promovidas em procedimento de ofício. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. Amoldamse a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontramse suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 655 3 Relatório RIGESA DO NORDESTE S/A, já devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. A referida Turma Julgadora, de igual modo, por ter exonerado crédito tributário em montante superior ao seu limite alçada, impetrou recurso de ofício. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever a matéria tributária apurada e as razões aportadas ao processo por meio de peça impugnatória. Em face da contribuinte acima identificada foram efetuados lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referentes ao anocalendário 2000, no valor total de R$ 2.316.195,04, já computados os juros moratórios e a multa de oficio de 75% (fis 3/25). 2. Segundo a peça vestibular e a descrição detalhada das circunstâncias que motivaram a presente autuação, contida no Termo de Constatação (TC) de fls. 17/23 ... a exigência decorreu da constatação dos seguintes fatos verificados no aludido período de apuração: a) Despesas Indedutíveis Provisões Indedutíveis Juros de Mora e Correção Monetária sob Condição Suspensiva falta de adição ao resultado contábil, na determinação do lucro real, de valor provisionado a título de juros moratórios previstos em contrato firmado com o Banco do Estado do Ceará (BEC), cuja incidência se daria sob condição suspensiva, conforme detalhamento constante do TC anexo (ADI SRF n.° 22/2003); b) Recuperação ou Devolução de Custos/Deduções Omissão Recuperação de Despesas de ICMS Omissão falta de contabilização de valores decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Ceará, mediante operação de financiamento de ICMS, cujo agente financeiro é o BEC; referidos valores têm a natureza de recuperação de despesas e, desse modo, deveriam compor o resultado tributável pelo imposto de renda, conforme discorrido no TC. ... 4. Além dos lançamentos reflexos, a exigência da CSLL incluiu ainda a infração denominada “Redução Indevida do Lucro Líquido Provisões não Dedutíveis Tributos ou Contribuições com Exigibilidade Suspensa”, cujos valores foram adicionados à base de cálculo da contribuição declarada no anocalendário de 2000, com fundamento no artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; no artigo 19, da Lei n° 9.249, de 1995; no artigo 1°, da Lei n° 9.316, de 1996; no artigo 28, da Lei n° 9.430, de 1996; e no artigo 6°, da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 656 4 5. Inconformada com os lançamentos, dos quais foi cientificada em 22.12.2005, a interessada, por intermédio de seus procuradores (fls 386), apresentou, em 23.01.2006, a impugnação de fls 341/365, instruída com os documentos de fls. 366/457, em que traz as alegações sintetizadas abaixo: (i) houve a consumação do prazo decadencial de direito de efetuar o lançamento em relação aos meses de janeiro a novembro de 2000, tendo em vista haver transcorrido mais de cinco anos dos correspondentes fatos geradores (art. 150, § 4.°, c/c an. 156, inc. V, do CTN); (ii) é ilegal da incidência do IRPJ e da CSLL sobre o ICMS diferido (75% do ICMS devido), já que o incentivo fiscal concedido pelo Estado do Ceará se constitui recuperação de despesas a ser contabilizada não no mês do recolhimento do ICMS, mas no 36.° mês contado do vencimento do imposto, quando o perdão de parcela do valor financiado (75%*75% do ICMS devido) efetivamente se realiza, ante o regular pagamento de 25% do valor financiado (condição suspensiva, princípio da prudência ou do conservadorismo, Acórdão CSRF n.° 0104.762); (iii) a contribuinte reconheceu o perdão, na contabilidade e no cômputo das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, naquele 36.° mês, razão pela qual a manutenção da exigência determinaria a ocorrência do temível bis in idem; (iv) são legais as deduções nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos juros de mora e da correção monetária incidentes sobre o financiamento de parte do ICMS (arts. 177 e 187, § 1.°, da Lei 6.404/76; arts 247, § 2.°, e 248 do RIR/99; PN CST n.° 58/77); (v) a contribuinte reverteu posteriormente a provisão dos juros e da correção monetária na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (fls 423/457); (vi) assistelhe o direito à isenção total do imposto de renda e respectivo adicional calculado com base no lucro da exploração (art. 546 do RIR/99), de modo que a pretensa omissão de receita decorrente da recuperação de custos seria também acrescida à base de cálculo do incentivo, não surtindo efeito o valor exigido a título de imposto; (vii) são dedutíveis da base de cálculo da CSLL os tributos com exigibilidade suspensa, de acordo com o inc. I do art. 13 da Lei n.° 9.249/95; (viii) a descrição dos fatos do auto de infração da CSLL não faz referência a essa contribuição, mas ao IRPJ, aí residindo vício de nulidade no lançamento da contribuição, ante os princípios da tipicidade, devido processo legal, ampla defesa, e a regra do art. 10, inc. III, do Decreto n.° 70.235/72; (ix) o lançamento não menciona a previsão legal para o cômputo da correção monetária provisionada (incidente sobre as parcelas do financiamento do ICMS) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; (x) a multa de 75% não prevalece porque, primeiro, os valores da dívida perdoada foram oferecidos à tributação juntamente com o estorno dos juros e correção monetária; segundo, a penalidade é abusiva, violando o principio da moralidade e os objetivos fundamentais da República Brasileira; e, terceiro, as regras do Código de Defesa do Consumidor (CDC) são aplicáveis às relações tributárias; (xi) a taxa Selic é incabível, já que não instituída por lei. 6. Ante a informação, trazida apenas com a impugnação, de que a contribuinte já teria reconhecido a receita e revertida a despesa objeto da autuação, o então julgador propôs a conversão do julgamento em diligência, para que, “à vista dos documentos de fls. 415 a 457, e da escrituração da Autuada, a Fiscalização verifique a procedência da alegação da defesa de que os valores arrolados na autuação a titulo de recuperação de custo/despesa, assim como, de glosa de despesas provisionadas (juros moratórios e correção monetária), compuseram, efetivamente, os resultados contábil e fiscal apurados e declarados no anocalendário de 2003”. 7. Retomaram os autos para julgamento, sem que o contribuinte, regularmente notificado, tenha se manifestado acerca do Relatório de Diligência Fiscal (fls 470/476). Fl. 723DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 657 5 A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 08 16.218, de 16 de setembro de 2009, pela procedência parcial das lançamentos tributários. O referido julgado foi assim ementado: DECADÊNCIA. TERMO A QUO. IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR. 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do imposto de renda apurado com base no lucro real anual ocorre no dia 31 de dezembro. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CNT); todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. IRPJ. INCENTIVOS. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. OPERAÇÕES DE MÚTUO. ADI SRF N.° 22/2003. O ADI SRF n.° 22/2003 não disciplina os efeitos fiscais da renúncia parcial do valor principal relativo à financiamento do ICMS concedido pelo Poder Público às pessoas jurídicas, mas apenas da renúncia dos juros e correção monetária. IRPJ. INCENTIVOS. FINANCIAMENTO DE MÚTUO. RENÚNCIA PARCIAL DO ICM DEVIDO. OPERAÇÕES DE MÚTUO. RENÚNCIA PARCIAL DO PRINCIPAL. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. RECEITA OPERACIONAL. RECONHECIMENTO NO IMPLEMENTO DA CONDIÇÃO. Os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes na renúncia parcial do valor emprestado, submetida à condição suspensiva, devem ser oferecidos à tributação no período em que implementada a condição, a título de receita operacional. IRPJ. ISENÇÃO. DESPESA INDEDIJTÍVEL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção referese ao imposto e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em função de despesas indedutíveis ou de receitas omitidas, porque tais parcelas adicionadas ao lucro líquido para determinação do lucro real não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. DEDUTIBILIDADE. Os juros e a correção monetária previstos nos contratos, mas incidentes sob condição suspensiva, são despesas que dependem de evento futuro e incerto. Por serem despesas não incorridas, enquanto não implementada a condição, não podem ser apropriadas na apuração do resultado do período. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Selic, decorre de expressa disposição legal. POSTERGAÇÃO DE TRIBUTO. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 658 6 Caracteriza a hipótese de postergação de tributo, quando se exigem os juros e multa de mora pelo postergamento, o reconhecimento espontâneo da receita postecipada ou da despesa antecipada que tenha resultado em efetivo pagamento. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. Atentando para a ordem numérica dos percentuais considerados confiscatórios pela Corte Suprema, não é possível concluir que o percentual de 75% sobre o tributo devido seja também confiscatório. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa não constituem despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme regra do art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95. CSLL. TRIBUTAÇAO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Irresignada com a manutenção de parte dos lançamentos, a fiscalizada interpôs o recurso voluntário de fls. 605/647, em que, em apertada síntese, renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 659 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida a lide de exigências relativas a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2000, formalizadas em virtude da imputação das seguintes infrações: i) PROVISÕES INDEDUTÍVEIS ausência de adição, na determinação do lucro real, de provisão relativa a juros previstos em contrato de financiamento: matéria tributável = R$ 193.727,66; ii) RECUPERAÇÃO DE DESPESAS ausência de contabilização em conta de resultado de valores decorrentes de incentivos fiscais: matéria tributável = R$ 2.467.819,82; e iii) PROVISÕES INDEDUTÍVEIS (CSLL) ausência de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da contribuição, de valores correspondentes a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa: matéria tributável = R$ 924.759,36. Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO Com o intuito de possibilitar uma adequada compreensão acerca da matéria que deu causa à impetração do recurso, bem como dos fundamentos que serviram de suporte ao cancelamento do crédito constituído, transcrevo fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância. [...] 12. Segundo registra o Termo de Constatação às fls 17/23, o Estado do Ceará concedeu à Rigesa, mediante operações de crédito do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FNI, recursos destinados à formação do seu capital de giro, cujos valores de referência correspondem a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do ICMS devido mensalmente. 13. Cada parcela do empréstimo é liquidada de uma só vez até o último mês do vencimento, que se dá ao término do período de carência de 36 (trinta e seis) meses contados do desembolso efetuado. Até a data do vencimento, o valor do pagamento corresponde a 25% (vinte e cinco por cento) do montante desembolsado, sem a incidência de correção monetária ou juros moratórios. Somente em caso de pagamento após o respectivo vencimento de uma ou mais parcelas desembolsadas (e apenas neste caso), a contribuinte está obrigada a amortizar 100% (cem por cento) do montante desembolsado devidamente corrigido monetariamente, desde a data do desembolso até a da liquidação, com base na variação integral, acumulada no período, da Taxa Referencial (TR) ou outro indexador que vier a substituílo, além Fl. 726DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 660 8 de juros moratórios de 12% (doze por cento) ao ano, incide desde a data do desembolso até a da efetiva liquidação das parcelas em atraso. 14. Tal como descrita, a autoridade fiscal divisa que referida operação implica auferimento periódico de uma vantagem financeira, correspondente aos valores que a contribuinte deixa de desembolsar. Ademais, a destinação dos recursos assim obtidos fica inteiramente na esfera de conveniência da própria empresa que os aplica como melhor lhe aprouver. As vantagens financeiras advindas da operação sob exame não possuem a natureza de receitas, uma vez que não constituem transferência de recursos de fora da empresa para esta, como ocorre, por exemplo, quando a empresa realiza uma venda, obtém um desconto bancário etc. As vantagens financeiras advindas da operação sob comento têm a natureza de recuperações de despesas, mais precisamente de recuperação da despesa do ICMS incidente nas vendas efetuadas. 15. A autoridade fiscal interpretou o Ato Declaratório Interpretativo n° SRF nº 22, de 29 de outubro de 2003, DOU 31.10.2003, no sentido de que os valores mensalmente desembolsados pelo Banco do Estado do Ceará S/A (BEC) devem ser contabilizados a débito da conta de obrigação (ICMS a Recolher), tendo por contrapartida dois créditos: um crédito em conta de resultado no mês de obtenção do financiamento (Recuperação de Despesa), pelo valor correspondente à redução da despesa do ICMS sobre Vendas, ou seja, 75% (setenta e cinco por cento) do valor periodicamente desembolsado pelo BEC e, por conseguinte, não desembolsado pela contribuinte; e outro crédito, correspondente aos 25% (vinte e cinco por cento) restantes, em conta de obrigação do grupo do exigível a longo prazo (financiamento a longo prazo). 16. Diversamente do acima exposto, a contribuinte, ao longo do ano calendário 2000, contabilizou todos os valores periodicamente desembolsados pelo BEC a crédito de conta de obrigação pertencente ao exigível a longo prazo (Financiamento do ICMS221.0606), deixando, assim, de reconhecer, em conta de resultado, as parcelas desses valores correspondentes à recuperação de despesa de ICMS que obteve em decorrência da operação. ... 2 Incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores referentes ao incentivo fiscal (ICMS diferido) 25. A autuada obteve financiamento no valor de 75% do ICMS recolhido (os 25% do imposto são pagos com recursos próprios, e os outros 75% são pagos com recursos do financiamento), com a possibilidade do perdão de 75% do montante financiado, desde que viesse a pagar os 25% ao final dos 36 meses subseqüentes ao mês de recolhimento do imposto sendolhe dispensados inclusive dos encargos remuneratórios do financiamento (juros e correção). Porém, caso não cumprisse essa condição, deveria arcar com o total do valor financiado, mediante execução da garantia fidejussória (nota promissória emitida na concessão do financiamento). 2.1 CRITÉRIO TEMPORAL DO FATO GERADOR 26. O grande debate que aqui se trava tenciona identificar a forma como o perdão deve integrar o cômputo das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse mister, vale notar que o valor correspondente à renúncia poderá assumir três qualificações jurídicas, quando se examina a sua repercussão na definição dos aspectos do fato gerador e do crédito tributário do IRPJ, a saber: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 661 9 (i) Dedução indevida de gastos incorridos com o ICMS, se a condição para a obtenção do perdão for considerada resolutóría; nessa hipótese, o beneficio obtido deverá implicar redução de despesa ou custo, a ser contabilizada no mês em que incorrido o ICMS; (ii) Recuperação de custo ou despesa, se a condição para a obtenção do perdão for considerada resolutória; nessa hipótese, o benefício obtido deverá ser computado em conta de resultado no mês em que obtido o financiamento, a título de receita operacional (recuperação de despesa no mês seguinte); (iii) Recuperação de custo ou despesa, se a condição para a obtenção do perdão for considerada suspensiva; nesse caso, terseá a sua natureza de receita operacional, a ser contabilizada no 36.° mês subsequente ao vencimento do ICMS utilizado para o cálculo do empréstimo. 27. Nos lançamentos documentados nos autos n.° 10380.016589/200850, a autoridade lançadora considerou configurada a primeira hipótese, ou seja, redução do custo ou despesa no mês em que incorrida a despesa com ICMS, dando, assim, aplicação estrita ao que previsto no ADI SRF n.° 22/2003, procedimento esse considerado acertado por este Órgão de julgamento (Acórdão DRJ/FOR n.° O8 15.971, de 13 agosto de 2009). No entanto a mesma Tuma de julgamento, acompanhando a Declaração de Voto (infra) do julgador Neudson Cavalcante, passa a adotar o entendimento segundo o qual o ADI não disciplina os efeitos fiscais da renúncia parcial do valor principal relativo a financiamento do ICMS concedido pelo Poder Público às pessoas jurídicas, mas apenas da renúncia dos juros e correção monetária. Vale observar que esse entendimento vem repercutir diretamente no julgamento deste caso, já que semelhante ao outro em todos os aspectos considerados relevantes. ... 35. Do quanto expendido, e uma vez afastada a pertinência do ADI para regular a espécie, estáse a divisar a existência de erro temporal na aplicação da norma de incidência tributária (inobservância, portanto, do principio da prudência e ofensa ao regime de competência) e na qualificação da infração fiscal formalizada, de modo a irremediavelmente viciar o lançamento nessa parte. 36. Em verdade, vislumbro aplicação distorcida da norma jurídica tributária em, pelo menos, dois de seus critérios: o material (qualificação da conduta da contribuinte que teria violado o direito subjetivo de crédito da Fazenda Pública) e o temporal (o momento correto de se reconhecer violado referido direito). ... 38. A erronia na qualificação da matéria tributável é evidente (critério material). Com efeito, a conduta da contribuinte deveria ter sido identificada como, no máximo, postergação do pagamento do tributo, já que ela sustenta o reconhecimento da recuperação de custo ou despesa no 36º mês. 39. Por sua vez, o equívoco na concretização do critério temporal está demonstrado na Declaração de Voto, feita pelo julgador Neudson Cavalcante. Vale dizer, o oferecimento à tributação do perdão obtido sobre a parcela principal do empréstimo deve se dar no 36º mês de obtenção do financiamento, e não neste mês. Com suporte em tais fundamentos, a autoridade julgadora de primeira instância exonerou a Recorrente do crédito tributário relativo à infração RECUPERAÇÃO DE Fl. 728DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 662 10 DESPESAS ausência de contabilização em conta de resultado de valores decorrentes de incentivos fiscais. Penso que o decidido na instância a quo não seja merecedor de qualquer reparo, pois me parece indiscutível que a recuperação de despesa decorrente do benefício fiscal instituído pelo ente estadual, estava submetida à condição suspensiva, de modo que a contribuinte somente se obrigava a computar os efeitos fiscais decorrentes do benefício a partir do momento em que referida condição fosse implementada, no caso, a partir do 36º mês contados do desembolso. Como bem assinala o ato decisório de primeiro grau, ao emprestar à condição em referência natureza resolutória, a autoridade fiscal maculou tanto o aspecto material da hipótese de incidência, eis que, no máximo, poderseia estar diante de postergação de pagamento de tributo, como o seu aspecto temporal, visto que o momento da ocorrência do fato gerador, se fosse o caso, darseia a partir do 36º mês do desembolso. Alinhome também ao entendimento de que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 2003, abaixo transcrito, no que tange aos efeitos fiscais, disciplinou, apenas, o tratamento a ser dispensado aos juros e correção monetária nos financiamentos de ICMS concedidos pelo Poder Público. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto nos arts. 374, 377 e 443 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR, de 1999), e o que consta do processo nº 10768.028583/9801, declara: Art. 1º Os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamento de impostos, em que os juros e a atualização monetária, previstos contratualmente, incidem sob condição suspensiva, não configuram subvenções para investimento, nem subvenções correntes para custeio. Parágrafo único. Os incentivos de que trata o caput configuram reduções de custos ou despesas, não se aplicando o disposto no art. 443 do RIR, de 1999. Art. 2º Os juros e a atualização monetária contratados, incidentes sob condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando implementada a condição. Nego, pois, provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Anoto, de início, que as alegações da Recorrente acerca da imputação de ausência de contabilização em conta de resultado de valores decorrentes de incentivos fiscais não serão apreciadas, haja vista o fato do presente pronunciamento estar sendo direcionado no sentido de cancelar a referida infração, por meio do improvimento do recurso de ofício. DECADÊNCIA Fl. 729DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 663 11 Alega a Recorrente que os fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2000 foram alcançados pela decadência. Equivocase a Recorrente em seus argumentos. Sendo ela optante pela apuração do LUCRO REAL ANUAL, o fato gerador do IRPJ e da CSLL considerase ocorrido em 31 de dezembro, nos termos do disposto no § 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, descabendo, pois, falar em fato gerador mensal. Assim, considerando que os lançamentos tributários foram efetivados em 22 de dezembro de 2005, não se pode falar em caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários, vez que, por força do disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a data limite para tanto seria 31 de dezembro de 2005. VÍCIO DE FORMA E NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE CORRETA DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO. ILEGAL ACRÉSCIMO DA CORREÇÃO MONETÁRIA NAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Sustenta a Recorrente que "no lançamento da exigência da CSLL em nenhum momento existe referência à CSLL". Na mesma linha, alega que estão sendo cobrados valores tidos como correção monetária, sem que a capitulação legal não faça menção a isto. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL e do TERMO DE CONSTATAÇÃO que integra as autuações, demonstram que o alegado pela Recorrente não procede. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL O contribuinte deixou de adicionar ao resultado contábil, para fins de apuração do lucro real, o valor abaixo discriminado, decorrente de provisão de juros moratórios previstos em contrato de financiamento do ICMS firmado pela empresa e o Banco do Estado do Ceará S/A (BEC). A incidência do suprareferido encargo, conforme previsto no contrato, está sob condição suspensiva e, deste modo, a provisão dele decorrente deve compor o resultado tributável pelo Imposto de Renda, conforme detalhado no Termo de Constatação anexo e parte integrante do presente auto de infração. (GRIFEI) Deste modo procedese ao presente lançamento de ofício para formalização da exigência do crédito tributário correspondente. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL O contribuinte deixou de contabilizar em conta de resultado os valores abaixo discriminados, decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado do Ceará, mediante operação de financiamento do ICMS, cujo agente financeiro é o Banco do Estado do Ceará, o que ocasionou a redução indevida do lucro real. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 664 12 Os referidos valores têm a natureza de recuperação de despesa e, deste modo, deveriam compor o resultado tributável pelo Imposto de Renda, conforme detalhado no Termo de Constatação, anexo e parte integrante do presente auto de infração. Deste modo procedese ao presente lançamento de ofício para formalização da exigência do Crédito tributário correspondente. 002 CSLL REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA A contribuinte provisionou valores referentes a tributos e contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa por medida judicial. Todavia, tais valores não foram adicionados ao lucro contábil para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), conforme detalhado no Termo de Constatação, anexo e parte integrante do presente auto de infração, razão porque procedese ao presente lançamento de ofício para formalização da exigência do correspondente crédito tributário (GRIFEI) TERMO DE CONSTATAÇÃO (fls. 17/23) [...] V.7) Verificouse, ainda, que a empresa em 31/12/1999, efetuou a provisão dos encargos (correção monetária e juros moratórios) previstos sob condição suspensiva nos instrumentos supraanalisados. Por outro lado, a referida provisão não foi adicionada ao resultado do exercício para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ressaltese, ainda, que esta provisão foi estornada no anocalendário 2000, e que não houve saldo a pagar CSLL apurado na correspondente DIPJ/2001 V.8) em relação às provisões suprareferidas, no anocalendário 2000, verificouse que a empresa contabilizou, a partir de ago/2000, uma série de provisões de encargos (correção monetária e juros moratórios) e de reversões destas provisões relativas aos instrumentos supracitados. Tal procedimento restou por reduzir o resultado do exercício pelo montante de R$193.727,66, que ficou registrado na conta Juros Passivos (409.00O6) e não foi adicionado ao resultado do exercício para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL É importante registrar que a eventual incorreção ou deficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal, por si sós, não representam elementos suficientes à decretação da nulidade do lançamento. No caso, o elemento essencial à adoção da medida é a constatação, fora de qualquer dúvida, da ocorrência de cerceamento do direito de defesa, o que, a meu juízo, não ficou caracterizado na presente situação. O fato de a autoridade autuante, ao descrever a falta de recolhimento de CSLL no auto de infração correspondente à referida exação, fazer referência ao imposto de renda, a meu ver, não macula o lançamento, pois, como já dito, isto não comprometeu a compreensão da infração que estava sendo imputada na citada peça acusatória. LEGALIDADE DA DEDUÇÃO DOS JUROS E DA CORREÇÃO MONETÁRIA Fl. 731DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 665 13 Alega a Recorrente que, embora o desembolso pudesse ter ocorrido posteriormente, em obediência ao regime de competência, os juros e a correção monetária foram reconhecidos como despesas mensais. Diz que, em momento posterior, esses juros e correção monetária foram revertidos, isto é, foram oferecidos à tributação, de modo que, mantida a exigência, ficará caracterizada a duplicidade de incidência. Primeiramente, noto uma certa contradição por parte da Recorrente. Com efeito, ao discorrer sobre os valores dos incentivos que a Fiscalização entendeu que deveriam ser tributados como recuperação de despesa, a Recorrente assinalou: Oportuno destacar que a incerteza sobre o direito ou não do perdão da dívida (75% dos 75%) somente seria desfeita no momento imediatamente após ao adimplemento contratual, o que motivaria, de certo, o reconhecimento do direito ao referido perdão, e conseqüentemente, o incremento das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Ou seja, para contestar a tributação da recuperação da despesa, sustenta que isso só poderia ocorrer "após o adimplemento contratual", mas, na apropriação dos juros de mora e da correção monetária, encargos intrinsecamente associados a esta mesma recuperação de despesa, defende que deveria ser observado o regime de competência, desconsiderandose, assim, a condição suspensiva a que estava submetido o negócio jurídico. À evidência, não se pode concordar com tal entendimento. Aproveito, aqui, o pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância, que, amparado no já citado ADI nº 22, de 2003, registrou: [...] 57. Nas razões de fundo, acompanho o teor do ADI, ao preceituar que os juros e a atualização monetária contratados, incidentes “sob condição suspensiva, serão considerados despesas no lucro real e na base de cálculo da CSLL, quando implementada a condição. Assim, não seria cabível a dedutibilidade do mero provisionamento dessa despesa, que é incerta. 58. Conforme consta do Contrato de Mútuo e Aditivo (fls 69/77 Cláusula Quarta), os incentivos foram concedidos mediante condições. Somente havendo o inadimplemento de determinadas cláusulas por parte da beneficiária é que os encargos (juros e correção monetária) se tornariam exigíveis. Os encargos, então, também incidem sob condição suspensiva. Estáse diante de despesas condicionadas à ocorrência de evento futuro e incerto: o inadimplemento de obrigações por parte da beneficiária. Tais despesas não são pagas nem incorridas enquanto não implementada a condição, vedada, por conseqüência, sua dedutibilidade na apuração do resultado do período, bem como indisponível para o beneficiário do correspondente rendimento, por consistir em meras expectativas: de obrigação, para a interessada; e de direito, para o agente financeiro. Tal entendimento já foi exarado no PN CST nº 07, de 1976, que versa especificamente sobre a matéria (ao contrário do PN CST n.° 58/77). O referido Parecer está assim ementado: Custos, Despesas Operacionais e Encargos Despesas cuja realização pende de evento futuro não podem ser consideradas incorridas, nem exigíveis os correspondentes rendimentos enquanto juridicamente indisponíveis para o beneficiário. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 666 14 No que diz respeito à alegação da Recorrente de que os valores registrados a título de provisão foram, posteriormente, oferecidos à tributação, cumpre assinalar que a documentação trazida por ocasião da apresentação da impugnação para comprovar tal fato foi devidamente apreciada pelo ato decisório recorrido, conforme transcrição abaixo. [...] 62. Subsidíariamente, a contribuinte sustenta que os valores registrados a título de provisão foram posteriormente revertidos, ou seja, oferecidos à tributação, conforme documentos comprobatórios juntados à impugnação, constantes das fls 423/457. 63. A documentação apresentada não evidenciava a alegada reversão, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência. Realizada a investigação, essa foi a conclusão do seu relatório: Não consta dos elementos supra referidos que os valores arrolados nos autos de infração a título de glosa de despesas provisionadas (juros moratórios e correção monetária) tenham sido revertidos no anocalendário 2002 (valor constante do processo l0380012.214/200578) e no anocalendário 2003 (valor constante do processo l0380012.215/2005~l2) 64. Do relatório fora notificada a contribuinte, que se quedou inerte (fl 553). (GRIFEI) Não merecem acolhimento, portanto, os argumentos expendidos pela Recorrente em sua peça de defesa. ISENÇÃO COM BASE NO LUCRO DA EXPLORAÇÃO Alega a Recorrente que tem isenção total do Imposto de Renda e respectivo adicional com base no lucro da exploração, de modo que, caso a RECUPERAÇÃO DE CUSTO seja levada em consideração para apuração do lucro líquido, necessariamente tal valor deverá ser levado a efeito na apuração do lucro da exploração, e, diante da isenção total, o imposto não pode ser exigido. Aqui, de igual modo, acolho o decidido em primeira instância, que, ao amparo do disposto no Parecer Normativo CST nº 13/80, concluiu que, "quando do procedimento fiscal resultar glosa de custos ou despesas indedutíveis, aumentando, por consequência, o lucro líquido do exercício, não haverá o aumento correspondente no lucro da exploração". O posicionamento consagra o entendimento de que os ajustes ao lucro líquido na determinação do lucro da exploração, base de cálculo dos incentivos de redução e isenção do imposto, limitamse aos itens expressamente previstos na lei. Adito que, como integrante do Colegiado, enfrentei a matéria em debate por ocasião da prolação do acórdão nº 1050673, de 07 de novembro de 2007, também referenciado pela decisão de primeira instância, em que o Ilustre Conselheiro Irineu Bianchi, em seu voto, assinalou: As constatações do fisco, como antes mencionado, caracterizam infrações e não podem ter o mesmo tratamento fiscal dispensado aos valores necessários e inerentes à atividade incentivada. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 667 15 No referido julgado, restou ementado: IRPJ ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO As adições ao lucro liquido para determinação do lucro real não afetam a composição do lucro da exploração, senão quando tal ajuste seja expressamente previsto na legislação. ISENÇÃO ALCANCE DO BENEFÍCIO A isenção referese ao imposto e adicionais não restituiveis incidentes sobre o lucro da exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em função de custos/despesas indedutiveis ou de receitas omitidas, porque tais parcelas adicionadas ao lucro liquido para determinação do lucro real não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação. TRIBUTOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Sustenta a Recorrente que, tratandose de obrigação legal, que não se confunde com provisão, os tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa são dedutíveis da base de cálculo da CSLL. Com o devido respeito às posições em sentido contrário, não encontro reparo a ser feito na fundamentação reproduzida no Termo de Constatação no sentido de que os tributos e contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa assumem o caráter de provisão, haja vista o fato de essa exigibilidade depender de resultado incerto. Alinhome, aqui, ao entendimento esposado pela Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo, reproduzido nos autos do processo administrativo nº 19740.000234/200887, no sentido de que: 1. não obstante o disposto nos arts. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, e 28 da Lei nº 9.430, de 1996, que estenderam à CSLL as normas de apuração e de cálculo do IRPJ, a base de cálculo da contribuição em referência continua regida pelo art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, e legislação posterior; 2. não se pode aplicar à CSLL, de forma automática, as adições e exclusões previstas para o imposto de renda pessoa jurídica; 3. a restrição prevista no parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, que impede a dedução, na determinação do lucro real, dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa, não pode servir de único fundamento para a não aceitação dessa mesma dedução na apuração da base de cálculo da contribuição; 4. não obstante, a letra “c” do parágrafo 1º do art. 2º da Lei nº 7.689/88, na redação que lhe foi dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, dispõe que, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o resultado do períodobase será ajustado pela adição do valor das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real; 5. o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, ressalvando as que expressamente nomina, veda, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, a dedução de qualquer provisão; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 668 16 6. os tributos e contribuições que se encontram com a sua exigibilidade suspensa têm natureza de provisão, eis que revelam obrigação incerta, dependente de evento futuro; e 7. os valores deduzidos na apuração do resultado do exercício a título de tributos ou contribuições com exigibilidade suspensa, observado o regime de competência, devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. A questão, como se vê, não diz respeito exatamente à aplicação de disposição legal própria do imposto de renda à contribuição social sobre o lucro líquido, mas, sim, de identificação, a partir da interpretação da disposição expressa, da natureza da obrigação revelada pelos tributos e contribuições que se encontram com a exigibilidade suspensa, se provisão, eis que incerta e dependente de manifestação futura acerca da sua própria existência, ou despesa incorrida. Penso que a única razão capaz de impedir a dedução dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa reside exatamente no fato de a lei ter concebido que, neste caso, os valores registrados contabilmente refletem verdadeiras provisões. A meu ver, suspensa a exigibilidade por força de mandamento legal, a obrigação perde o atributo de certeza, ficando dependente de pronunciamento futuro, seja judicial, seja da própria Administração. Destaco que o lançamento tributário contestado tomou por base as disposições do art. 2º da Lei nº 7.689/88 e do art. 13 da Lei nº 9.249/95, não se apoiando, pois, no preconizado pelo art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995. Reproduzo, por pertinente, fragmentos do pronunciamento do ilustre jurista Ricardo Mariz de Oliveira, transcrito nos autos do processo administrativo nº 16327.000171/200690 (acórdão nº 10196.423), acerca da questão que ora se aprecia. "(...) Se o contribuinte contesta um tributo lançado, (...) também não reconhece a existência da obrigação, seja por considerar inconstitucional a lei que a prevê, seja por considerar que o lançamento não está de acordo com lei válida e, portanto, está em desacordo com o art. 142 do CTN, perdendo, destarte, a presunção de legalidade. Por conseguinte, a presunção de validade do ato administrativo de lançamento não é suficiente para justificar a despesa. Em qualquer caso, é impossível ao contribuinte alegar em processo a inexistência da relação jurídica tributária, mas na contabilidade registrar a existência da mesma relação jurídica tributária, e com isso pretender diminuir o seu lucro. (...) Ora, se o contribuinte intenta qualquer ação ou procedimento administrativo, pelo qual declara não reconhecer a existência da relação jurídica tributária, não pode singelamente contabilizar a despesa que pressupõe exatamente o reconhecimento da relação jurídica tributária. (...) Fl. 735DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 669 17 A contabilização em despesa, pura e simplesmente, além de incorreta e incoerente, seria insincera, contrária ao princípio da verdade material da contabilidade. Assim, no caso de obrigação tributária, não é suficiente que ocorra o fato gerador, ou que a autoridade fiscal declare em lançamento que houve sua ocorrência. Quando o contribuinte se rebela contra a exigência tributária, não está admitindo que fato gerador válido tenha ocorrido, caso em que falha a incidência da regra de reconhecimento da despesa, porque esta não está na posição de ser definitiva e incondicionalmente devida. Neste caso, tão somente pelo regime de competência, o contribuinte não poderia opor ao fisco a pretensão de deduzir uma despesa que ele próprio sustenta ser uma despesa da qual não é devedor. Tal pretensão seria contraditória e conflitante com o sistema, o qual, repitase, requer a abertura de uma reserva ou de uma provisão na contabilidade, e trata esta conta como fiscalmente indedutível. E nenhuma lógica existe na atitude do contribuinte, de dizer que não deve o tributo quando vierem lhe cobrar, mas dizer na contabilidade que o deve, assim como na declaração de rendimentos para deduzilo fiscalmente. Num primeiro momento ele opõe ao fisco suas razões para não reconhecer o débito, e num momento seguinte, que deveria ser conseqüente, ele, inconseqüentemente, opõe ao fisco o direito de deduzir o tributo, que só existe se este for devido. (...) Assim, se o contribuinte não reconhece o débito não deve registrálo pura e simplesmente como uma despesa a pagar, como o faria em circunstâncias normais. O que ele deve fazer é registrar o risco em reserva ou provisão, que é indedutivel. (...) O essencial, portanto, dentro dos preceitos relativos ao chamado "regime de competência", é que a dúvida lançada sobre o débito redunda em reserva ou provisão indedutível, e não em conta de despesa devida e a pagar, correspondente à despesa fiscalmente dedutível. O períodobase para a dedutibilidade, no caso, passa a ser aquele em que transitar em julgado decisão contrária à pretensão do contribuinte, quando não mais haverá risco de perder a demanda (causa da provisão ou reserva) e haverá a perda definitiva da despesa (dedução da despesa, a débito da provisão ou da reserva). (...) É, portanto, a atitude do contribuinte, de não reconhecer a despesa e de submetêla ao poder jurisdicional, que requer adequado e consistente registro contábil, com o conseqüente trato legal. (...)" Fl. 736DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.012215/200512 Acórdão n.º 1301002.000 S1C3T1 Fl. 670 18 MULTA DE OFÍCIO Argumenta a Recorrente que a multa de ofício deve ser afastada, vez que a regra do art. 138 do CTN deve ser aplicada em razão do fato de que os valores objeto de incentivo fiscal, bem como os juros e a correção monetária, foram oferecidos à tributação. Adita que, ainda que assim não seja, a multa no patamar de 75% viola o princípio da moralidade administrativa, já que é extorsiva e desproporcional. Como já visto, o crédito tributário decorrente dos valores objeto de incentivo fiscal estão sendo cancelados e, relativamente aos juros e à correção monetária, a contribuinte não aportou ao processo documentos comprobatórios do oferecimento à tributação dos valores correspondentes. Portanto, sendo a situação distinta da contemplada na peça recursal, descabe qualquer apreciação acerca da incidência, ou não, da norma estampada no art. 138 do CTN. No que diz respeito às demais alegações, cabe apenas esclarecer que, nos termos da súmula nº 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". TAXA SELIC Alega a Recorrente que a TAXA SELIC não pode ser aplicada, eis que não foi criada por lei para fins tributários. De igual forma, a questão da utilização da TAXA SELIC na aplicação dos juros moratórios já foi pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula CARF nº 4, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com suporte nas razões antes expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 737DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721501/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF.
Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF).
MULTA ISOLADA-RESSARCIMENTO. MULTA ISOLADA-COMPENSAÇÃO. OBJETOS DISTINTOS. REVOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO PELO JULGADOR.
A multa isolada de 50% prevista no § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996, "sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido" tem objeto distinto daquela criada com a sua revogação, e hoje presente no § 17 do mesmo art. 74, aplicada "sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". A aplicação da multa prevista no § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996 em período anterior à sua revogação, pelo indeferimento de ressarcimento, não pode ter, simplesmente, seu fundamento alterado, no julgamento, adaptando-a ao novo enquadramento do § 17.
Numero da decisão: 3401-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual): deu-se provimento, por maioria, para admitir o creditamento, inclusive para itens não especificamente contestados pelo recorrente, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Robson José Bayerl, que limitavam aos itens especificamente questionados, e Fenelon Moscoso de Almeida, que negava provimento, designado o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira para redigir o voto vencedor; b) Pallets e caixas: negou-se provimento por unanimidade, o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões; c) Materiais e equipamentos - deu-se parcial provimento, por unanimidade, para admitir o creditamento em relação a detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e sobre óleo diesel, gás GLP e lenha e serviços relacionados à sua aquisição; d) Serviços realizados por operador logístico - negou-se provimento, por unanimidade; e) Materiais e serviços e limpeza - deu-se provimento, por unanimidade, para admitir o creditamento em relação a dedetização, limpeza geral, desinfecção, despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%; os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida acompanharam pelas conclusões; f) Outros itens - deu-se parcial provimento, por unanimidade, para admitir crédito de materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hw-corrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm") e pipetas para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"); g) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo: deu-se parcial provimento, por unanimidade, para admitir o crédito quanto aos bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais; h) Aquisições efetuadas junto a pessoas físicas: Negou-se provimento, por unanimidade, os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Robson José Bayerl, acompanharam apenas em relação à carência probatória; i) Serviços de fretes e transferência de produtos: negou-se provimento, por unanimidade, nos termos do voto; j) Aquisições de bens sujeitos a alíquota zero: negou-se provimento, por unanimidade; k) Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumo nem operação com direito a crédito: negou-se provimento, por unanimidade; l) Notas fiscais que representam aquisições de insumos que deveriam ter ocorrido com suspensão: negou-se provimento, por unanimidade; m) Valores não comprovados na memória de cálculo: negou-se provimento, por unanimidade; n) Despesas de energia elétrica: deu-se provimento, por maioria, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl. Designado o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira para redigir o voto vencedor. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira apresentará declaração de voto; o) Despesas de aluguéis de prédios: deu-se provimento, por unanimidade, para admitir o crédito referente ao arrendamento de granja avícola pago a pessoa jurídica; p) Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos: negou-se provimento, por maioria, os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, acompanharam pelas conclusões, por carência probatória, vencidos os conselheiros Waltamir Barreiros e Robson José Bayerl, que admitiam o crédito em relação aos caminhões-guindastes; q) Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: negou-se provimento, por unanimidade; r) Bens do Ativo Imobilizado: negou-se provimento, por unanimidade; s) Crédito presumido estabelecido pelo art. 8o da Lei no 10.925/2004: Deu-se provimento parcial, por unanimidade, nos termos do voto; t) Créditos presumidos de ICMS: Negou-se provimento, por maioria, vencido o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; u) Penalidades: Deu-se parcial provimento, por unanimidade, nos termos do voto.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(sucessora de SADIA S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para uma empresa agroindustrial, constituem insumos: (a) indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual) por imposição do Poder Público, por razões de ordem sanitária, de segurança, regulatória, entre outras, tais como: uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, e mangotes de proteção dos braços, assim como em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação desses bens; (b) detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e óleo diesel, gás GLP e lenha, e serviços relacionados a sua aquisição; (c) materiais e serviços e limpeza obrigatórios, por imposição do Poder Público, por razões de ordem sanitária, de segurança, regulatória, entre outras, tais como: dedetização, limpeza geral, desinfecção, despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%; (d) materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm"); (e) pipeta para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"); e (f) bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 15 01 /2 01 4- 43 Fl. 5315DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 2 O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS. Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a "energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica", no caso do Consumidor Livre, devemse entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3o, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3o, inciso III, da no 10.833/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: (a) indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual) por imposição do Poder Público, por razões de ordem sanitária, de segurança, regulatória, entre outras, tais como: uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, e mangotes de proteção dos braços, assim como em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação desses bens; (b) detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e óleo diesel, gás GLP e lenha, e serviços relacionados a sua aquisição; (c) materiais e serviços e limpeza obrigatórios, por imposição do Poder Público, por razões de ordem sanitária, de segurança, regulatória, entre outras, tais como: dedetização, limpeza geral, desinfecção, despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%; (d) materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hw corrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm"); (e) pipeta para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"); e (f) bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS. Fl. 5316DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.316 3 Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a "energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica", no caso do Consumidor Livre, devemse entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3o, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3o, inciso III, da no 10.833/2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF). MULTA ISOLADARESSARCIMENTO. MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO. OBJETOS DISTINTOS. REVOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO PELO JULGADOR. A multa isolada de 50% prevista no § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996, "sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido" tem objeto distinto daquela criada com a sua revogação, e hoje presente no § 17 do mesmo art. 74, aplicada "sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". A aplicação da multa Fl. 5317DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 4 prevista no § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996 em período anterior à sua revogação, pelo indeferimento de ressarcimento, não pode ter, simplesmente, seu fundamento alterado, no julgamento, adaptandoa ao novo enquadramento do § 17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual): deuse provimento, por maioria, para admitir o creditamento, inclusive para itens não especificamente contestados pelo recorrente, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Robson José Bayerl, que limitavam aos itens especificamente questionados, e Fenelon Moscoso de Almeida, que negava provimento, designado o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira para redigir o voto vencedor; b) Pallets e caixas: negouse provimento por unanimidade, o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões; c) Materiais e equipamentos deuse parcial provimento, por unanimidade, para admitir o creditamento em relação a detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e sobre óleo diesel, gás GLP e lenha e serviços relacionados à sua aquisição; d) Serviços realizados por operador logístico negouse provimento, por unanimidade; e) Materiais e serviços e limpeza deuse provimento, por unanimidade, para admitir o creditamento em relação a dedetização, limpeza geral, desinfecção, despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%; os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida acompanharam pelas conclusões; f) Outros itens deuse parcial provimento, por unanimidade, para admitir crédito de materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm") e pipetas para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"); g) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo: deuse parcial provimento, por unanimidade, para admitir o crédito quanto aos bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais; h) Aquisições efetuadas junto a pessoas físicas: Negouse provimento, por unanimidade, os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Robson José Bayerl, acompanharam apenas em relação à carência probatória; i) Serviços de fretes e transferência de produtos: negouse provimento, por unanimidade, nos termos do voto; j) Aquisições de bens sujeitos a alíquota zero: negouse provimento, por unanimidade; k) Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumo nem operação com direito a crédito: negouse provimento, por unanimidade; l) Notas fiscais que representam aquisições de insumos que deveriam ter ocorrido com suspensão: negouse provimento, por unanimidade; m) Valores não comprovados na memória de cálculo: negouse provimento, por unanimidade; n) Despesas de energia elétrica: deuse provimento, por maioria, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl. Designado o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira para redigir o voto vencedor. O conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira apresentará declaração de voto; o) Despesas de aluguéis de prédios: deuse provimento, por unanimidade, para admitir o crédito referente ao arrendamento de granja avícola pago a pessoa jurídica; p) Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos: negouse provimento, por maioria, os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, acompanharam pelas conclusões, por carência probatória, vencidos os conselheiros Waltamir Barreiros e Robson José Bayerl, que admitiam o crédito em relação aos caminhõesguindastes; q) Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: negouse provimento, por unanimidade; r) Bens do Ativo Imobilizado: negouse provimento, por unanimidade; s) Crédito presumido estabelecido pelo art. 8o da Lei no 10.925/2004: Deuse Fl. 5318DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.317 5 provimento parcial, por unanimidade, nos termos do voto; t) Créditos presumidos de ICMS: Negouse provimento, por maioria, vencido o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; u) Penalidades: Deuse parcial provimento, por unanimidade, nos termos do voto. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente, em juízo inicial, sobre autos de infração, lavrados em 05/06/2014 (fls. 3049 a 3058, e 3059 a 3070)1 para exigência, respectivamente, de COFINS (crédito total original de R$ 73.445.153,18) e de Contribuição para o PIS/PASEP (crédito total original de R$ 15.945.324,25), ambas referentes ao terceiro trimestre de 2009, por falta de recolhimento, detalhada em Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF de fls. 3037 a 3048, a fiscalização narra basicamente que: (a) a fiscalização deriva de PER/DCOMP apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010, sendo que o presente processo é relativo ao período de julho a setembro de 2009, e abrange os processos de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP (no 10925.902585/201278) e da COFINS (no 10925.902584/201223) referentes ao período, assim como os correspondentes processos relativos à aplicação de multa isolada (no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407); e (b) em decorrência das glosas efetuadas nos dois processos relativos às análises de PER/DCOMP (detalhadas em tabela, neste relatório, para fins didáticos, após a decisão da DRJ), e da não inclusão na base de cálculo das contribuições de valores relativos a crédito presumido de ICMS, foi efetuado o lançamento de que trata o presente processo. E todos os quatro processos citados (os dois referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensação de cada contribuição e os dois referentes a multas isoladas) estão apensados ao presente processo, cada qual com despachos decisórios e autos de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 5319DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 6 infração, manifestações de inconformidade e impugnações, decisões da DRJ e recursos voluntários específicos, conforme tabela abaixo: processo assunto DD/AI MI/Impugnação Decisão DRJ RV 10925.902585/201278 Contribuição para o PIS/PASEP 3trim.2009 DD às fls. 2898/2899, com base na Informação Fiscal de fls. 2856 a 2987 MI às fls. 2908 a 3005 (argumentação no mesmo sentido da externada no presente processo) Acórdão n. 0735.856, de 22/10/2014 (fls. 4494 a 4555) fls. 4560 a 4673 (argumentaç ão no mesmo sentido da externada no presente processo) 10925.902584/201223 COFINS 3trim.2009 DD às fls. 3000/3002, com base na Informação Fiscal de fls. 2958 a 2999 MI às fls. 3018 a 3116 (argumentação no mesmo sentido da externada no presente processo) Acórdão n. 0735.855, de 22/10/2014 (fls. 4525 a 4586) fls. 4591 a 4703 (argumentaç ão no mesmo sentido da externada no presente processo) 11516.721499/201411 Multa isolada (Contribuição para o PIS/PASEP) 3trim.2009 (relativa a uma DCOMP, de final 8119) AI às fls. 229 a 233, com base no Relatório Fiscal de fls. 234 a 236 Impugnação às fls. 242 a 270 (argumentação no sentido de que houve boa fé, não cabendo penalização pelo exercício regular de direito, de que a multa isolada não pode ser cumulada com a multa de mora, e não pode ser aplicada antes do término da discussão administrativa, de que houve ofensa à razoabilidade e à proporcionalidade, e de que não incidem juros sobre a multa isolada. Acórdão n. 0735.859, de 22/10/2014 (fls. 445 a 448) fls. 456 a 490, acrescentan do demanda pela retroatividad e benigna, em função da Medida Provisória n. 656/2014. 11516.721500/201407 Multa isolada (COFINS) 3trim.2009 AI às fls. 167 a 171, com base no Relatório Fiscal de fls. 172 a 175 Impugnação às fls. 181 a 210 (argumentação no mesmo sentido do processo administrativo n. 11516.721499/201411) Acórdão n. 0735.860, de 22/10/2014 (fls. 391 a 394) fls. 403 a 437 a 490 (argumentaç ão no mesmo sentido do processo administrati vo n. 11516.7214 99/201411) Assim, percebese, em verdade, estáse aqui a tratar de cinco processos: o presente e mais os quatro apensados. No presente processo, a impugnação de fls. 3077 a 3198, interposta em 08/07/2014, a empresa demandou a apreciação em conjunto dos cinco processos, porque foram as glosas existentes nos processos administrativos no 10925.902585/201278 (Contribuição Fl. 5320DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.318 7 para o PIS/PASEP) e da no 10925.902584/201223 (COFINS) que ensejaram as duas autuações para aplicação e multa isolada (em relação a DCOMP transmitidas após a vigência da Lei no 12.249/2010) e o lançamento levado a cabo no presente processo. Assim, o que restasse decidido nos autos de um processo administrativo teria efeitos diretos nos demais em discussão, evitandose que sejam proferidas decisões distintas acerca dos mesmos fatos e da mesma questão jurídica. Na impugnação, a empresa alega, preliminarmente, que houve superficialidade no trabalho fiscal, em ofensa ao princípio da verdade material, havendo, inclusive, glosas em função da "natureza das contas", sem análise do processo produtivo, e glosas de ativo imobilizado lacônicas, sob entendimento de que certas máquinas e equipamentos seriam, em verdade, edificações e benfeitorias, ou mesmo material de construção. No mérito, após descrever sua atividade, no ramo alimentício, e os processos produtivos de cárneos, especialmente frangos e suínos (fls. 3087 a 3098), a empresa trata da sistemática nãocumulativa das contribuições e do conceito de "insumos" correspondente ("todo gasto pertinente, inerente e relevante ao processo de prestação de serviços ou de produção de um bem ou produto"), atrelado à "essencialidade" do bem no processo produtivo, como asseveram diversas decisões no âmbito do CARF, não sendo legítimas as restrições efetuadas pela Instrução Normativa SRF no 404/2004. E argumenta ainda que a simples incorreção no preenchimento (preenchimento em linha errada do DACON) não podem obstar o direito ao crédito. Em relação aos itens especificamente glosados, a linha de defesa (fls. 3109 a 3171 da impugnação) será sintetizada, para melhor visualização, na tabela apresentada, neste relatório, ao final da decisão da DRJ. Por fim, no que se refere aos créditos presumidos de ICMS, sustenta a recorrente (fls. 3172 a 3184) que não constituem receita, por não significarem aumento efetivo no patrimônio líquido da empresa, mas sim recuperação de custos (subvenção de custeio), citando precedentes administrativos e judiciais. No que se refere às multas, ainda, alega a empresa impossibilidade de sucessão (na incorporação de SADIA S.A. por BRF S.A.) na responsabilidade por infrações, com fulcro no artigo 132 do Código Tributário Nacional (CTN), defendendo que a empresa incorporadora só responde pelas multas da incorporada se o lançamento foi efetuado antes da incorporação, também fazendo menção a jurisprudência administrativa. E requer, subsidiariamente, a realização de perícia, para esclarecimentos adicionais julgados necessários sobre o processo produtivo, e de diligência, para que a autoridade fiscal promova esclarecimentos em relação a determinadas glosas. A apensação dos quatro processos mencionados se deu em 22/09/2014, antes do julgamento de piso, conforme termos de fls. 4773 a 4776.´ A própria DRJ informa, à fl. 4794, que os quatro processos restantes "foram recebidos apensados e assim seguirão", e que todos foram "analisados em conjunto pelo mesmo julgador" e "julgados pela mesma turma de julgamento", atendendo ao pleito da empresa. Em 22/10/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (Acórdão no 07 35.854 fls. 4778 a 4845), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) o ônus probatório para reconhecimento de direito de crédito do contribuinte é deste, que deve adicionar ao pedido os documentos comprobatórios da liquidez e da certeza do crédito postulado, e a verdade material não se presta a afastar tal ônus; (b) o DACON é o instrumento mediante o qual a empresa informa ao fisco a regular apuração das contribuições e dos créditos correspondentes, entre outros, devendo tal demonstrativo ser corrigido em tempo hábil no caso de erros, a fim de assegurar a análise do correto pedido, dentro da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a regularidade do crédito declarado ao fisco; (c) o procedimento fiscal, no caso, foi realizado Fl. 5321DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 8 regularmente, assegurando a ampla defesa, oferecendo à empresa todas as condições de demonstrar e comprovar o direito de crédito, e tomou em conta os documentos apresentados e as declarações do contribuinte; (d) há que se indeferir os pedidos de diligência e perícia, que não se prestam a produção de provas, mas a esclarecimentos de dúvidas pontuais, inexistentes no caso; (e) sobre o conceito de "insumo" para as contribuições, não pode a DRJ se opor a ato vigente da RFB, como as Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2004, não estando tal colegiado vinculado por decisões administrativas e judiciais, salvo no caso de previsão normativa expressa; (f) as subvenções para custeio integram a receita bruta operacional, conforme art. 44 da Lei no 4.506/1964, não havendo amparo legal para sua exclusão da base de cálculo das contribuições; e (g) a responsabilidade dos sucessores se estende às penalidades pecuniárias que já integravam o passivo da empresa sucedida, quando da sucessão, e, no caso, incorporada e incorporadora já se encontravam sob controle comum antes do ato sucessório (a sucedida era subsidiária integral da sucessora), sendo cabível a penalidade, e já tendo o CARF sumulado a matéria (Súmula no 47). Em relação às glosas, em espécie, cabe aqui sintetizar, na tabela a seguir, tanto as razões de glosa apontadas pela fiscalização quanto as razões de defesa trazidas pela empresa, com a respectiva análise da DRJ: Glosas efetuadas Razões de Defesa Julgamento DRJ Linhas 02 e 03 Bens e serviços utilizados como insumo: (i) aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo (fls. 2941 e 2942, 2949, 3003, e 3010 a 3011): especificados nas planilhas "NI Documentos não representam aquisição de insumos", v.g., pallets, luvas, avental (adotouse o conceito estabelecido no inciso I do § 4o do art. 8o da IN SRF no 404/2004); (ii) aquisições de bens e serviços que não geram crédito na linha 2 e nem na linha 3, pois não representam a aquisição de insumos, mas por se tratarem de gastos para manutenção predial, aquisições de Linhas 02 e 03 Bens e serviços utilizados como insumo: (i) aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo (fls. 3111 a 3130): com base no conceito de "insumos" atrelado à essencialidade no processo produtivo, defendese em relação aos itens que considera mais relevantes: indumentária e bens de uso obrigatório, pallets e caixas, e determinados materiais e equipamentos (lâmpadas, reatores, lubrificantes, fusíveis, inibidores de corrosão, anticongelantes e correias e rolamentos, entre outros). Sustenta ainda que os serviços realizados por "operador logístico" e transportes internos são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas pela empresa, tornando possível efetuar as vendas, e que materiais de serviço e limpeza devem gerar igualmente créditos, pois atendem a regras de entidades reguladoras; (ii) aquisições de bens e serviços que não geram crédito na linha 2 e nem na linha 3, pois não representam a aquisição de insumos, mas por se tratarem de gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados Linhas 02 e 03 Bens e serviços utilizados como insumo: (i) aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo (fls. 4808 a 4811): a partir das descrições dos bens, e tomando como aplicáveis as normas infralegais, ou os bens listados nas glosas não consistem em insumo ou não há como afirmar que o sejam, por carência probatória a cargo da postulante. (ii) aquisições de bens e serviços que não geram crédito na linha 2 e nem na linha 3, pois não representam a aquisição de insumos, mas por se tratarem de gastos para manutenção predial, Fl. 5322DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.319 9 bens contabilizados no ativo imobilizado, e aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros (fls. 2942, 2949, 3003 e 3011): notas fiscais contabilizadas, v.g., nas contas "3432114GFTEQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL, 3434443GVT MONITORAMENTO DE CONTAINER ME, 3839036 DESP.INCORR.TRANSFERENCIAS BENS ENTRE UNIDADES, e 3432211–GFTCONSERV.MANUT. PREDIALSERVICOS", especificadas na planilha "NICTB Documentos cuja contabilização indica não se tratar de insumos" (sic); (iii) aquisições efetuadas junto a pessoas físicas (fls. 2942, 2950, 3004 e 3012): notas fiscais especificadas na planilha "PF Aquisições de pessoas físicas", sem direito a crédito; (iv) serviço de fretes de transferência de produtos (fls. 2942 a 2944, e 3004 a 3005): sem direito a crédito, por serem fretes de produtos acabados entre unidades da empresa (ainda que tenha a empresa, sem especificação, indicado que se tratavam também de produtos semi acabados notas fiscais especificadas na planilha "FT Documentos contabilizados em conta de frete de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa"; (v) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero (fls. 2944, 2950, 3005 e 3006, e 3011): sem direito a crédito, de acordo com o art. 3o, § 2o das leis de regência notas fiscais especificadas na planilha "Alíquota ZERO Bens sujeitos à alíquota zero de PIS/COFINS"; (vi) notas fiscais cujo Cfop não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a no ativo imobilizado, e aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros (fls. 3130 a 3133): a glosa baseada no título das contas foi superficial e generalizada, sendo que a conta 3432114 se refere a indumentária, a conta 3434443 trata de monitoramento de contêineres, inerentes aos serviços de armazenagem, imprescindíveis, a conta 3839036 trata de transferência de bens entre unidades produtivas, e a conta 3433030 se refere a bens e serviços para análise de qualidade incolumidade dos produtos, exigida por norma; (iii) aquisições efetuadas junto a pessoas físicas (fls. 3134 a 3137): os bens são necessários ao processo produtivo, e poderia ser reconhecido ao menos o crédito presumido, como em casos análogos; (iv) serviço de fretes de transferência de produtos (fls.. 3138 a 3142): o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa, e imprescindível ao processo produtivo, sendo uma parcela do frete destinado à venda; (v) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero (fls. 3143 a 3147): os bens aos quais se aplica a alíquota zero estão, como as isenções, dentro do universo de incidência das contribuições, sendo aptos a gerar créditos; (vi) notas fiscais cujo Cfop não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito (fl. 3147 a 3149): mais uma vez a glosa foi superficial, sem aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, e aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros (fls. 4811 a 4813): a glosa deve ser mantida em face da apuração de que efetivamente havia bens que não eram utilizados como insumos nas referidas contas, e as informações prestadas pela empresa foram insuficientes para comprovar o direito ao crédito; (iii) aquisições efetuadas junto a pessoas físicas (fl. 4813): a glosa decorre de disposição legal expressa (inciso I do § 3o do art. 3o das leis de regência), e não é permitido à autoridade julgadora conceder crédito (presumido) diverso do pleiteado (básico); (iv) serviço de fretes de transferência de produtos (fls. 4813 a 4817): intimada a esclarecer se o frete tratava de produtos acabados, como verificado nos balancetes, esta informou que se tratava de transferências de matériaprima, produtos semi acabados e acabados, mas sem fazer prova de que tais fretes ensejavam o crédito; (v) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero (fls. 4817 e 4818): a glosa também decorre de vedação legal expressa, que impede a tomada de crédito em relação a bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, o que abarca os casos de alíquota zero e substituição tributária, nos quais não há pagamento; (vi) notas fiscais cujo Cfop não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito (fl. 4818): as Fl. 5323DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 10 crédito (fls. 2944, 2950, 3006 e 3011): especificadas na planilha "CFOP indica operação sem direito a crédito"; (vii) notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (fl. 2944 a 2948, e 3006 a 3010): aquisições, v.g., de suínos, milho e boi, sujeitas ao tratamento previsto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 (suspensão), sendo que eventual pagamento efetuado foi indevido, não gerando direito a crédito glosas especificadas na planilha "Suspensão Operações que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/COFINS"; (viii) valores não comprovados na memória de cálculo (fls. 2965 e 3026): havendo divergência entre o somatório das notas fiscais de insumos listadas na memória de cálculo entregue pela empresa ao fisco e o informado em DACON, foram glosados os créditos informados em DACON e não comprovados por meio da memória de cálculo. verificação efetiva de utilização das mercadorias (v.g., lubrificantes), no processo produtivo; (vii) notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (fls. 3149 a 3153): os insumos adquiridos não se submetem às hipóteses de suspensão previstas na Lei no 10.925/2004, não sendo obrigatória a suspensão, à época, cabendo, ainda, subsidiariamente, o reconhecimento de crédito presumido; (viii) valores não comprovados na memória de cálculo (fls. 3153 a 3154): as divergências se devem ao fato de que a planilha encaminhada ao fisco continha valores incorretos, tendo sido agora refeita, figurando em anexo; glosas foram efetuadas com base nas informações prestadas pela própria empresa, que não demonstrou o direito ao crédito nas operações; (vii) notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (fls. 4819 a 4823): a suspensão é obrigatória, por força do art. 9o da Lei no 10.925/2004, e os insumos se submetem ao teor da referida lei, conforme informações prestadas pela própria empresa; (viii) valores não comprovados na memória de cálculo (fls. 4823 e 4824): a memória de cálculo enviada ao fisco durante o procedimento de apuração continha os registros das notas fiscais de todas as operações de entrada incluídas como ensejadoras de crédito, sendo que a nova planilha anexada, por si, não comprova direito a crédito; Linha 04 Despesas de energia elétrica (fls. 2951 a 2953, e 3012 a 3015): valores relativos a serviços de gerenciamento de energia elétrica, e a tarifas de aquisição de energia elétrica TUSD (Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição), especificados na planilha "NF Glosadas Energia Elétrica"; Linha 04 Despesas de energia elétrica (fl. 3154 a 3156): assim como o gerenciamento de energia elétrica, as tarifas de acesso e uso de sistemas são indispensáveis ao processo produtivo, pois em sua ausência não é possível ter acesso a energia elétrica; Linha 04 Despesas de energia elétrica (fl. 4824): pela própria explicação da defesa, vêse que os itens glosados não tratam de energia consumida, nem consistem em insumos; Linha 05 Despesas de aluguéis de prédios (fls. 2954, e 3015 a 3016): aluguéis pagos a pessoa física e arrendamento de granja avícola, especificados na planilha "NF Glosadas Aluguéis de Imóveis"; Linha 05 Despesas de aluguéis de prédios (fl. 3157 a 3158): sendo a atividade da empresa agroindustrial, a locação de granja deve ensejar crédito, diretamente, ou, subsidiariamente, como insumo; Linha 05 Despesas de aluguéis de prédios (fl. 4825): a hipótese de tomada de crédito legalmente prevista se refere a aluguéis de prédios, e não a arrendamentos , como o referente à granja, que também não constitui insumo; Linha 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos (fls. 2954 a 2955, e 3016 a 3017): aluguéis de veículos, e de software, especificados na planilha "NF Glosadas Aluguéis de Linha 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos (fls. 3159 a 3162): os veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras "máquinas" (v.g., caminhões com guindaste acoplado), e os demais Linha 06 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos (fls. 4825 a 4833): a tomada de créditos sobre aluguéis de veículos não encontra amparo legal, e a legislação expressamente distingue Fl. 5324DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.320 11 Maq e Equip"; veículos são utilizados para transporte de animais e materiais essenciais ao processo produtivo, ou vendedores, no caso de veículos de passeio; máquinas de veículos; Linha 07 Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (fls. 2955 a 2956, e 3017): fretes pagos a pessoa física, especificados na planilha "NF Glosadas Fretes"; Linha 07 Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (fl. 3162 a 3163): os fretes glosados se caracterizam como insumos; Linha 07 Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (fl. 4833): a glosa decorre de expressa previsão legal (inciso I do § 3o do art. 3o das leis de regência); Linha 10 Bens do Ativo Imobilizado (com base no valor de aquisição ou de construção) (fls. 2956 a 2959, 3018 a 3021): não tendo sido atendida a intimação para apresentar documentos, a análise foi feita à luz das planilhas inicialmente apresentadas, glosandose as aquisições que se referem a edificações e benfeitorias, para as quais se reconheceu depreciação de 300 meses (v.g., "Fabr. Linguiças Duque", tijolo, telha e cimento); e Linha 10 Bens do Ativo Imobilizado (com base no valor de aquisição ou de construção) (fls. 3163 a 3165): as despesas glosadas foram efetivamente com máquinas e equipamentos, acostando aos autos nova planilha; e Linha 10 Bens do Ativo Imobilizado (com base no valor de aquisição ou de construção) (fls. 4833 a 4835): o direito de crédito não restou comprovado, nem com a nova planilha apresentada; e Linha 26 Crédito Presumido da Agroindústria (fls. 2959 a 2964, e 3021 a 3026): a empresa apropriou créditos à alíquota incorreta, e para insumos que não se enquadram no art. 8o da Lei no 10.925/2004, quando deveria ter utilizado a alíquota prevista no inciso I do § 3o de tal artigo, e somente para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações dos códigos 15.17 e 15.18. Foram ainda glosados os créditos presumidos nas operações de revenda. Glosas detalhadas na planilha "Crédito Presumido detalhe.ods". Linha 26 Crédito Presumido da Agroindústria (fls. 3165 a 3171): as aquisições (de "milho em grão", "farelo de trigo", soja em grãos", "pinto de um dia" e "frangocorte para abate") correspondem a insumos, e a alíquota é aplicada em função do produto, e não do insumo, como reconheceu o CARF e a legislação posterior. Linha 26 Crédito Presumido da Agroindústria (fls. 4835 a 4841): em relação a notas fiscais de aquisições sem direito a crédito presumido, a glosa deve ser mantida por carência probatória por parte da postulante; no que se refere às alíquotas aplicáveis no cálculo do crédito, o cálculo deve ser em função do insumo adquirido; e no que tange à pretensão de alteração de entendimento em função de retroatividade benigna de comando legal posterior, há impossibilidade de alteração em sede de julgamento administrativo. Cientificada do acórdão da DRJ em 07/11/2014 (conforme termo de fl. 4848), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 18/11/2013 (fls. 4853 a 4996), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação (sobre necessidade de apreciação conjunta dos cinco processos correlatos; superficialidade no trabalho fiscal, em ofensa ao princípio da verdade material; conceito de "insumos" para as contribuições nãocumulativas, atrelado à "essencialidade" do bem no processo produtivo; efeitos de simples incorreções no preenchimento de DACON, glosas em espécie, créditos presumidos de ICMS, impossibilidade de sucessão na responsabilidade por multas, e demanda por diligência e perícia), acrescentando que: (a) a DRJ não analisou profundamente a aplicação dos bens no processo produtivo, Fl. 5325DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 12 ignorando os esclarecimentos prestados e documentos anexados pela empresa, mantendo a superficialidade adotada pela fiscalização; (b) a DRJ incorreu em equívoco no que se refere a fretes de insumos e produtos acabados Linhas 02 e 03 (iv); (c) o entendimento sobre a alíquota a ser aplicada em relação ao crédito presumido da agroindústria deve respeitar o texto da lei, e não da norma infralegal suscitada pela DRJ; e (d) a recorrente e a SADIA S.A. não estavam sob controle comum nem faziam parte do mesmo "grupo econômico" até 19/08/2009, não se podendo imputar a penalidade sobre a totalidade dos fatos geradores ocorridos (de julho a setembro de 2009), mesmo com fundamento na Súmula CARF no 47, cabendo ainda destacar a aplicação do REsp no 923.012/MG, apreciado na sistemática dos recursos repetitivos. É o relatório. Fl. 5326DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.321 13 Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sintetizamos os temas contenciosos em 6 tópicos, destacados a seguir no voto: (1) demanda pela apreciação conjunta dos cinco processos correlatos; (2) preliminares (sobre o trabalho fiscal, o ônus probatório e a verdade material); (3) conceito de "insumos na legislação que rege as contribuições"; (4) glosas em espécie; (5) créditos presumidos de ICMS; e (6) penalidades. Tendo em vista que este relator foi vencido no que se refere a indumentária e itens de uso obrigatório e a despesas de energia elétrica, ambos os temas presentes no item (4), em relação a tais temas remetese ao voto vencedor, redigido pelo Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, ao final, cabendo, em relação a despesas com energia elétrica, mencionar ainda a existência de declaração de voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, em complemento. 1. Da demanda pela apreciação conjunta dos cinco processos correlatos A primeira decisão a tomar no presente processo, da qual depende toda a sequência do julgamento, é sobre o pedido da recorrente para apreciação conjunta dos cinco processos, este e os apensados, de no 10925.902585/201278 (referente a ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP), no 10925.902584/201223 (ressarcimento de COFINS), no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407 (ambos referentes a multas isoladas). Tendo em vista que todos os processos citados estão apensados ao presente, não vemos óbice em efetuar a análise conjunta. Já tivemos a oportunidade de relatar, em setembro de 2013, nove processos com escopo idêntico, e que estavam separados. Na ocasião, foi proferido um acórdão para cada processo (Acórdãos no 3403002.469 a 477), mas todos foram apreciados na mesma sessão, em 24 de setembro de 2013. A DRJ parece ter adotado, no julgamento de piso dos cinco processos aqui tratados, raciocínio idêntico, apreciandoos todos em 22/10/2014, e proferindo Acórdãos diferentes para cada processo apensado (Acórdãos no 0735.854 a 856, e no 859 a 860), o que chamou a atenção da própria recorrente (fl. 4862/4863): Fl. 5327DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 14 Entendemos que, pelo fato de estarem apensados os processos, no presente caso, viabilizase a apreciação de seu teor (indiscutivelmente fundado na mesma fiscalização, dos mesmos períodos) no bojo deste processo principal, alastrandose os efeitos aos demais processos (apensados), exatamente como demandou a empresa em sua defesa inicial (fl. 3080): Assim, será aqui efetuada a apreciação das glosas efetuadas pela fiscalização, que ensejaram negativa de crédito nos processos administrativos no 10925.902585/201278 e no 10925.902584/201223, e demais temas que ocasionaram a lavratura da autuação presente neste processo principal e nos dois apensados, referentes a multa isolada (no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407). Ao final, no tópico 7 ("Das conclusões"), esclarecese a forma de alastrar os efeitos da decisão aqui proferida aos processos apensados. 2. Das questões preliminares A recorrente alega, preliminarmente, que o trabalho fiscal foi superficial, em ofensa ao princípio da verdade material, havendo, inclusive, glosas em função da "natureza das contas", sem análise do processo produtivo, e glosas lacônicas, sob entendimento de que certas máquinas e equipamentos seriam, em verdade, edificações e benfeitorias, ou mesmo material de construção. E acrescenta que também o julgador de piso atuou de forma superficial, sem análise da aplicação dos bens no processo produtivo. Daí a demanda por diligência e perícia, ao final das peças de defesa, para que se aprofunde a análise sobre a pertinência dos bens e serviços ao processo produtivo. Há que se destacar, contudo, já de início, que todos os processos aqui analisados derivam de PER/DCOMP apresentados pela SADIA S.A. (incorporada pela BRF S.A. recorrente), com demanda de direito creditório. E que o ônus probatório em processos desta natureza é da postulante ao crédito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos Fl. 5328DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.322 15 previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. Deveria a empresa ter carreado aos autos documentação que detalhasse o seu direito ao crédito, pois não se pode, em nome da verdade material, promover uma dilação probatória ad infinitum, com conversões em diligência ou demandas de perícia para que a recorrente apresente detalhamentos ou documentos que já deveria ter apresentado desde o início do processo (ou mesmo durante o procedimento de fiscalização). Daí a importância do disposto no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Assim, entendemos incabível a solicitação de diligência para que alguém ateste informações que a própria recorrente já poderia ter juntado ao processo desde o início do contencioso (ou melhor, inclusive antes do contencioso). Destacamos que, mesmo diante da falta de acordo entre fisco e contribuinte sobre a delimitação do conceito de insumo, seria incabível a diligência ou perícia para que a recorrente agora atestasse que os bens e serviços glosados se enquadram no conceito de insumo por ela adotado ao longo do processo (menos restritivo que o adotado pelo fisco), pois tal comprovação obviamente já deveria ter sido feita a esta altura do contencioso pela demandante do crédito, detentora do ônus probatório de seu direito (e entendemos que o foi, no presente processo, em relação a diversos itens, como se demonstrará nos tópicos referentes a glosas em espécie). Mas, em relação a vários itens glosados, a empresa sequer faz prova de que o insumo está enquadrado no conceito que adota, e, em relação a temas como "Ativo Imobilizado" (linha 10 do DACON), pouco colabora para que se possa identificar detalhadamente seus registros. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 2 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 5329DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 16 E, no que se refere à acusação de que houve glosas lacônicas, sob entendimento de que certas máquinas e equipamentos seriam, em verdade, edificações e benfeitorias, ou mesmo material de construção, entendemos que faltou a recorrente com seu dever de colaboração. Compulsando os autos, percebese que a fiscalização tomou como base dos trabalhos as próprias declarações e demonstrativos apresentados pela empresa SADIA S.A., intimandoa a apresentar detalhamentos, arquivos digitais e documentos adicionais em 13/08/2012 (fls. 661 a 665). A empresa solicitou, em 23/08/2012, prorrogação de 90 dias para atendimento da intimação (fl. 702), apresentando arquivos em 16/11/2012 (fls. 703/704 e seguintes). Com a incorporação da empresa pela BRF S.A., a fiscalização passa à jurisdição da DRF/Florianópolis, que intima a empresa, em 12/09/2013, a apresentar os documentos/arquivos relacionados às fls. 2597 a 2603 (em relação a trimestre diverso do aqui analisado), sendo a intimação respondida em 02/10/2013. Após análise das informações recebidas pela fiscalização em atendimento às intimações, é lavrado o termo de constatação e de intimação fiscal de fls. 2623 a 2630, que trata dos PER/DCOMP apresentados pela SADIA S.A., demandando créditos em relação aos trimestres de 2009. Especificamente em relação ao terceiro trimestre, a fiscalização afirma (fls. 2624/2625) que: E demanda a fiscalização, entre outros, documentos referentes às informações prestadas nas linhas 10 e 11 do DACON. A empresa solicita, em 24/03/2014, prazo adicional de 20 dias para atendimento, sendo acolhido o pedido pela fiscalização (fl. 2641). E, em 08/04/2013, informa que já havia apresentado planilhas que contemplavam as rubricas "Máquinas 1", "Máquinas 2", "Máquinas 3" e "Máquinas importadas", e os "Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias" (no documento de fls. 2648 a 2652). Ou seja, mantémse a informação carente de detalhamento. Não há, assim, glosa lacônica ou ofensa à verdade material pelo fisco, mas sim glosa efetuada a partir dos elementos fornecidos pela empresa, e dos esclarecimentos prestados em relação a intimação que buscava exatamente a verificação da verdade material. Fl. 5330DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.323 17 No que se refere à afirmação de que houve glosas em função da "natureza das contas", sem análise do processo produtivo, entendemos que não está de acordo com o que se vê nos autos. As glosas que abarcaram contas, como destacou a DRJ (fls. 4799/4800) foram precedidas de trabalho fiscal para verificar se os itens se amoldavam ao conceito de insumos adotado pela fiscalização. Assim, não encontramos no trabalho fiscal, nem na decisão da DRJ, a superficialidade descrita pela recorrente em sua defesa. Nos pontos em que o trabalho fiscal (e a DRJ) não submergiram na análise de necessidade de item ao processo produtivo, o fizeram simplesmente por adotar conceito de insumo diferente do defendido pela recorrente. E, como afirmamos ao rechaçar os pedidos de perícia e diligência, havendo discordância da recorrente em relação ao conceito de insumos adotado, ela deve carrear aos autos provas de que cada item se amolda ao conceito de insumos que ela defende ser o correto, e não desejar que o fisco refaça a fiscalização com base em seus critérios. A diligência e a perícia se prestam apenas a esclarecimento de dúvidas surgidas na análise de itens específicos, à luz do conceito de insumos adotado, e não ao verdadeiro refazimento do trabalho fiscal. Assim, entendemos ausentes as nulidades preliminarmente apontadas pela recorrente, cabendo ainda esclarecimentos em relação a dois temas que se fazem presente no presente contencioso: as alterações de demandas e demandas subsidiárias no curso do processo e a existência de jurisprudência administrativa e judicial a respeito dos temas tratados. Sobre as alterações de demandas e demandas subsidiárias feitas durante o contencioso, incumbe destacar que ocasionariam, nesta fase processual, supressão de instância, pois o pedido de crédito foi apresentado e analisado à vista dos elementos e documentos referidos nas informações que precederam os despachos decisórios e o julgamento de piso. O novo pedido, ou pedido subsidiário, assim, deve seguir o rito referente a todos os pedidos de ressarcimento ou compensação, sendo apresentado à unidade de jurisdição da RFB, dentro das regras e dos prazos que regem a matéria. Não ignora, assim, a DRJ, os documentos apresentados durante o contencioso, mas apenas identifica que se referem a pedido diverso, e igualmente carente de comprovação. A respeito da apresentação, pela recorrente, de jurisprudência administrativa e judicial, esclarecese que os precedentes, assim como os usados neste voto, buscam ilustrar e endossar a argumentação externada, e não exercem força vinculante sobre a decisão, à exceção dos julgados aos quais a legislação expressamente atribua tal força (por exemplo, referentes a Súmulas do CARF e à sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil hoje vigente). Prestados tais esclarecimentos, e afastadas as nulidades preliminarmente apontadas, passase a delimitar o conceito de insumos para as contribuições, aplicandoo ao caso em análise, à vista dos elementos constantes do processo. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições Como exposto em reiterados julgados deste CARF, o termo "insumo" é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em Fl. 5331DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 18 consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se concluir que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo este CARF, inclusive em processos da recorrente e de sua incorporada: “NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdãos 3403003.550 e 551, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação ao conceito, sessão de 24.fev.2015) (na mesma linha os Acórdãos no 3403002.469 a 477) A recorrente é empresa dedicada à atividade agroindustrial. Não há dúvida, por exemplo, de que constituem insumos os grãos utilizados na alimentação dos frangos ("certeza positiva"), assim como é óbvio que a tinta das impressoras destinadas ao escritório da empresa e as cestas de natal entregues aos funcionários ao final do ano não constituem insumos ("certeza negativa"). Mas, entre a chamada "certeza positiva" e "certeza negativa" existe uma Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.324 19 ampla zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ3), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitem um enquadramento mais preciso. Isto posto, incumbe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. 4. Das glosas em espécie As glosas em espécie podem ser sintetizadas em 14 itens: (1) aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo; (2) aquisições de bens e serviços que não geram crédito por não representarem a aquisição de insumos; (3) aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; (4) serviço de fretes de transferência de produtos; (5) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; (6) notas fiscais cujo Cfop não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito; (7) notas fiscais que representam aquisições de insumos que deveriam ter ocorrido com suspensão; (8) valores não comprovados na memória de cálculo; (9) despesas de energia elétrica; (10) despesas de aluguéis de prédios; (11) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; (12) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda; (13) bens do Ativo Imobilizado; e (14) crédito presumido da agroindústria. Tomando em conta que a defesa em relação aos oito itens iniciais, todos referentes a bens e serviços utilizados como insumos (Linhas 02 e 03 do DACON) foi feita de forma a contemplar em um mesmo argumento tanto bens quanto serviços, a análise aqui empreendida também o fará, seja pela simetria do raciocínio em relação às referidas linhas do DACON, seja pela similaridade de argumentos empregados nas própria glosas. 4.1. Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo Afirma a fiscalização que os bens e serviços especificados nas planilhas "NI Documentos não representam aquisição de insumos", v.g., pallets, luvas, avental não se enquadram no conceito de insumos previsto no inciso I do § 4o do art. 8o da IN SRF no 404/2004. A recorrente, com base no conceito de "insumos" atrelado à essencialidade no processo produtivo, defendese em relação aos itens que considera mais relevantes: indumentária e bens de uso obrigatório, pallets e caixas, e determinados materiais e equipamentos (lâmpadas, reatores, lubrificantes, fusíveis, inibidores de corrosão, anticongelantes e correias e rolamentos, entre outros). Sustenta ainda que os serviços realizados por "operador logístico" e transportes internos são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas pela empresa, tornando possível efetuar as vendas, e que materiais de serviço e limpeza devem gerar igualmente créditos, pois atendem a regras de entidades reguladoras. 3 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 20 4.1.1. Indumentária e itens de uso obrigatório No que se refere à indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual), por certo, tais bens não são consumidos diretamente na produção do bem destinado a venda, no conceito de insumo albergado pela fiscalização (e pela DRJ). Cabe indagar, contudo, se são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, na definição aqui adotada. Da relação de glosas da planilha "NI Documentos não representam aquisição de insumos", a recorrente destaca uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, mangotes (de proteção dos braços), e serviços de locação de uniformes e lavanderia para a limpeza de tais itens. E defende que tais custos são necessários em razão de normas emanadas pelos órgãos reguladores (v.g., Ministério do Trabalho e Emprego, Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, e Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, vinculado ao Ministério da Agricultura e Abastecimento). E cita jurisprudência do CARF (Acórdãos no 3302002.027, no 9303002.391, no 9303001.740, e no 210200.107). A análise jurisprudencial manifesta, claramente, que o tema é bastante controverso, neste CARF, o que culmina em frequente análise do tema pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), corte administrativa que objetiva uniformizar as divergências entre turmas do CARF. E é por uma decisão da CSRF, citada pela recorrente (Acórdão no 9303 001.740) que iniciamos a análise: "COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3o LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da COFINS não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo." (grifo nosso) Tal decisão foi proferida na sessão 09/11/2011, em análise de Recurso Especial do Procurador, por maioria, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. E, de lá para cá, a matéria tem sido recorrentemente decidida no mesmo sentido pela CSRF, inclusive com acompanhamento de alguns conselheiros que figuraram originalmente como vencidos. Apontese o outro precedente da CSRF trazido pela recorrente, com decisão unânime: "NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carne sé insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito de PIS/Cofins." (Acórdão no 9303002.391, Rel. Cons. Maria Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.325 21 Tereza Martínez López, unânime, com a participação dos Cons. Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo, sessão de 15.ago.2013) (grifo nosso) Vejamse ainda as decisões mais recentes sobre o tema, na mesma Câmara Superior de Recursos Fiscais: 4 "NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na industria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins." (Acórdão no 9303002.819, Rel. Cons. Nanci Gama, maioria, vencidos os Cons. Júlio César Alves Ramos, Joel Miyazaki e Marcos Aurélio Pereira Valadão, sessão de 23.jan.2014) (grifo nosso) "COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3o LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da COFINS não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo." (Acórdãos no 9303003.193 a 195, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, maioria, vencido apenas o Cons. Júlio César Alves Ramos, tendo participado do julgamento o Cons. Joel Miyazaki e o Cons. Otacílio Dantas Cartaxo, sessão de 26.nov.2014) (grifo nosso) Nestes últimos acórdãos colacionados (no 9303003.193 a 195), cabe destacar que o relator, sobre a matéria aqui em análise (indumentária), limitouse a reproduzir, em sua motivação, o voto proferido pela relatora do Acórdão no 9303001.740: "No caso específico do presente processo, começaremos pelo recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Usarei como razões de decidir, em relação a indumentária, o voto condutor do acórdão 9303.01.740, de 9 de novembro de 2011, proferido pela conselheira Nanci Gama, e acompanhado por este relator." (excerto no voto do relator nos Acórdãos no 9303003.193 a 195, no qual motiva a decisão em relação a indumentária)(grifo nosso) Vejase, assim, que a matéria tem recebido tratamento da CSRF, por maioria ou de forma unânime, no sentido de que a obrigatoriedade de uso de indumentária e itens de segurança faz com que estes sejam imprescindíveis ao processo produtivo, e à consequente obtenção do produto final. 4 Busca efetuada no sítio web do CARF, com a palavrachave "indumentária". Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 22 Ao analisarmos o tema, inicialmente, em setembro de 2013, em processos em que a incorporada constava como recorrente (Acórdãos no 3403002.469 a 477), entendemos que os itens relacionados poderiam até ter relação indireta com a produção (seja pela exigência sanitária, ou por poder sua ausência afetar a qualidade do produto final, ou a segurança dos funcionários), mas que não seriam necessários à obtenção do produto final. E nisso fomos unanimemente acompanhados pela turma, que divergiu somente no que se referia a lavagem de uniformes, tendo sido designado para o voto vencedor o Conselheiro Ivan Allegretti, que assim se manifestou: "Divirjo do Conselheiro Relator em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários da empresa produtora de gêneros alimentícios. Entendo que tais serviços também devem ser considerados como elementos integrantes da atividade produtiva, tendo em vista que o ato de produzir também exige a manutenção das condições de higiene necessárias ao manuseio dos alimentos. A atividade produtiva, em seu sentido completo, envolve a manutenção sanitária do ambiente no qual acontece a produção, em condições compatíveis com as necessárias para os bens produzidos (no caso, alimentos). Assim, preservase o ambiente de produção livre de fatores de contaminação, que colocariam em risco a segurança alimentar dos consumidores. Entendo, por isso, que também deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários das empresas de gêneros alimentícios." Em análise mais recente do tema, em fevereiro de 2015, relativa a processos em que figura a mesma recorrente (Acórdãos no 3403003.550 e 551), mantivemos o entendimento em relação a indumentária e itens de uso obrigatório (que já não gozaram de acompanhamento unânime, havendo dois votos divergentes, dos conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Domingos de Sá Filho), mas acabamos por reconhecer o crédito em relação a limpeza, desinfecção e higienização, em virtude de evolução do entendimento anterior, tomando em conta as discussões travadas na votação: "Alega a recorrente que os materiais de limpeza, desinfecção e higienização se prestam à manutenção das condições exigidas pela legislação no processo produtivo. Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. E, em relação às despesas com higienização, matéria na qual fui vencido nos processos anteriormente julgados por esta Terceira Turma, revejo meu posicionamento, acordando com o colegiado que efetivamente sem a higienização também dificilmente se chegaria ao produto final fabricado pela empresa. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza, desinfecção e higienização." No caso aqui em análise, temos novamente a oportunidade de refletir sobre o tema, à luz da jurisprudência contrária ao entendimento que anteriormente expusemos, e que só Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.326 23 vai se avantajando, já gozando, inclusive, de precedente unânime na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Um dos principais argumentos que implicitamente norteou nosso raciocínio nos acórdãos anteriormente exarados foi o inciso X do artigo 3o das leis de regência (no 10.637/2002 e no 10.833/2003), inserido pela Lei no 11.898/2009, permitindo o desconto de créditos a despesas com: "valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Se tais itens, obrigatórios por força de legislação específica, já estivessem inseridos no inciso II, como insumos, o acréscimo do inciso X pela novel disposição legal seria desnecessário ou redundante. Ademais, a inserção do inciso X teria, em verdade, operado como restrição, na medida em que o desconto de crédito em relação a despesas com uniformes passou a ser possível somente a empresas prestadoras de serviço de limpeza. No entanto, não nos parece que tenha sido esse o escopo da norma, e é difícil saber, ao certo, a natureza e a própria origem da inserção.5 Assim, mitigando o argumento referente ao inciso X do artigo 3o das leis de regência, pela inconclusividade em relação a seu escopo, é coerente entender que a ausência da indumentária e dos itens de uso obrigatório efetivamente inviabilizam a obtenção do produto final, na agroindústria. Portanto, tais bens se enquadram no conceito de insumos albergado no item 3 deste voto, da mesma forma que a turma de julgamento, neste CARF, concluiu em relação à lavagem de uniformes (inicialmente sem minha adesão, e, posteriormente, de forma unânime). Aliás, se a preocupação com a higiene/limpeza restou manifesta naqueles julgamentos, parecenos ainda mais importante contemplar a preocupação com segurança. Cabe esclarecer que não se está aqui a tratar de simples uniformes, destinados a identificação dos funcionários e da empresa, mas de indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual), determinado por normas específicas. Assim, não se chega ao produto final (em realidade, sequer se pode produzir) sem o uso de tais itens, que constituem, em um melhor juízo, insumos. Nesse sentido, e adequando posicionamento anterior em relação ao tema, diante do melhor detalhamento do estudo, entendo como passíveis de desconto de créditos a indumentária e os itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual) mencionados expressamente na defesa, cabendo a reversão da glosa em relação a tais bens (especificamente: uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, e mangotes de 5 Até se tentou buscar a origem da inserção deste inciso X, para aclarar seu efetivo escopo. A Lei n. 11.898/2009, que inseriu o inciso, deriva do Projeto de Lei (PL) n. 2.105/2007, que tratava do RTU (Regime de Tributação Unificada), e sequer dispunha originalmente sobre as leis de regência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Tal projeto de lei foi apresentado ao plenário da Câmara dos Deputados em 25/09/2007, uma semana depois de Medida Provisória de idêntico teor ao PL ter sido revogada (MP n. 380/2007, revogada pela MP n. 391/2007, publicada em 18/09/2007, e convertida na Lei n. 11.580/2007). Após tramitar por diversas comissões, o PL n. 2.105/2007 é juntado ao PL n. 1.179/2007. E a inserção do inciso X ao artigo 3o das leis de regência se dá em 13/03/2008, na votação em plenário (apesar de não constar tal proposta em nenhuma das 33 emendas parlamentares apresentadas). Assim, resta aparentemente enigmática a origem da inserção do inciso X, inviabilizando que prossigamos na análise. Os dados aqui obtidos constam do sítio web da Câmara dos Deputados. Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 24 proteção dos braços), assim como em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação desses bens. 4.1.2. Pallets e Caixas No que se refere à pallets e caixas, a glosa é motivada predominantemente no conceito de insumos adotado pela fiscalização. E será reavaliada, diante da maior amplitude do conceito albergada neste voto, conforme se detalhou no tópico 3. Sobre tais itens, sustenta a recorrente que os pallets se destinam a viabilizar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento da empresa, e evitar o contato com a superfície, citando precedentes do CARF, afirmando que o mesmo ocorre em relação às caixas plásticas, que são utilizadas para separar as partes dos cárneos e transportar e armazenar produtos dentro e fora das plantas da empresa (conforme fotos anexas à impugnação documento 10). Os pallets, como destacado nos julgamentos anteriores, em processos da empresa (ou de sua incorporada), são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente nos nove processos citados (Acórdãos no 3403002.469 a 477) da incorporada, e nos dois da recorrente (Acórdãos no 3403003.550 e 551), mantémse a glosa em relação aos pallets. E o raciocínio externado em relação a pallets se aplica ainda aos demais bens considerados como insumos pela recorrente e que constituem, na verdade, aquisições destinadas ao ativo imobilizado. Não se pode admitir o crédito integral em relação a tais bens, por absoluta carência de amparo normativo. E avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso), como esclarecido ao final do tópico 2 deste voto. No que tange às caixas, percebese ainda, pela planilha "NI Documentos não representam aquisição de insumos", que foram glosados diversos tipos (inclusive caixas para arquivo morto): CAIXA ABS C/01 FURO 30,5MM 42/01 BLINDEX Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.327 25 CAIXA MONTAGEM SALIENTE IP65 TIPO I 1M CAIXA PARA DUAS BOTOEIRAS I2M CAIXA BOT 110MM 2 PVC SOBREP 76MM 68MM CAIXA BOT 110MM 2 PVC SOBREP 76MM 68MM CAIXA BOT 53 1 TERMOPLAST SOBREP 68 106 CAIXA ARQUIVO MORTO BRANCO CAIXA PLAST VM 600MM 400MM 246MM CAIXA BOT 53 1 TERMOPLAST SOBREP 68 106 CAIXA BOT 53 1 TERMOPLAST SOBREP 68 106 CAIXA PLAST VM 600MM 400MM 246MM CAIXA PLAST BR 350X355X710MM E, em sua defesa, a empresa simplesmente alega que as caixas se destinam ao processo produtivo, e que as fotos anexas à impugnação o comprovariam. Entretanto, as duas fotos trazidas como documento 10 da impugnação (fls. 3590/3591) não logram êxito em comprovar a utilização de qualquer dos modelos que foram objeto da glosa, porque simplesmente não são identificadas. Assim, além da questão referente ao ativo imobilizado, há ainda carência probatória por parte da postulante. Assim, mantémse a glosa em relação a pallets e caixas. 4.1.3. Materiais e equipamentos Novamente, em relação a tais itens, a glosa deriva do conceito de insumos adotado pela fiscalização, e será reavaliada, diante da maior amplitude para o conceito albergada neste voto, conforme se detalhou no tópico 3. A empresa questiona especificamente as glosas em relação a lâmpadas (utilizadas nas encubadoras de ovos), reatores (limitando a corrente nas lâmpadas), detergentes, lubrificantes (que, assim como graxas e óleos, são imprescindíveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos, evitando atrito e desgaste), fusíveis (impedindo sobrecarga), inibidores de corrosão (para retardar o processo corrosivo nas tubulações e caldeiras), anticongelantes (para congelar e manter temperatura), correias (para efetuar a tração em diversas máquinas usadas no processo produtivo), rolamentos (para estabilizar o desempenho das peças estruturais das máquinas), mangueiras (condutoras de água para resfriamento de motores e bombas, e remoção de "sujidades"), estatores (para bombas), discos (para máquinas de corte), combustíveis (para as máquinas, como óleo diesel, gasolina, gás GLP e lenha), conectores, gaxetas, retentores, correntes, válvulas, arruelas, rebites, porcas e parafusos. Em relação a lâmpadas (com descrição genérica, que impede sua vinculação inequívoca ao emprego nas incubadoras), reatores, fusíveis, correias, rolamentos, mangueiras, estatores, discos, conectores, gaxetas, retentores, correntes, válvulas, arruelas, rebites, porcas e parafusos, há que se repetir a argumentação empreendida em relação a pallets, no subtópico 4.1.2, de que a ativação impossibilita o creditamento integral, não se podendo nesta etapa do contencioso avaliar pedido alternativo, sob pena de supressão de instância. Como destacamos nos Acórdãos no 3403002.469 a 477, comungamos do entendimento externado em voto Fl. 5339DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 26 vencedor pelo Conselheiro Alexandre Kern, no qual se tratava de antenas, baterias, carregadores de baterias/pilhas, fontes de alimentação, ferramentas de corte e colheita, e ferramentas para manutenção de máquinas e equipamentos: “[...] há de se reconhecer que os bens e serviços em questão, ou são bens incluídos no Ativo Permanente, ou neles são aplicados, seja como serviço, seja como partes ou peças de reposição. Portanto, os gastos com tais itens escapam do conceito de insumo e não geram crédito das contribuições sociais não cumulativas”. (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, Rel. Cons. Ivan Alegretti, qualidade, sessão de 25.jun.2013) E, apesar de o julgamento mencionado acima se dar por voto de qualidade, os nove acórdãos proferidos (no 3403002.469 a 477) foram unânimes em relação à matéria, que tratava, em relação à incorporada, de hidrômetro, correia, cabos, navalha, mangueira, lixa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada e válvula (sendo vários itens presentes também neste contencioso). Assim, deve ser mantida a glosa em relação a tais bens. No entanto, seguindo a mesma linha adotada naqueles nove acórdãos, deve ser afastada a glosa em relação a detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão e anticongelantes, que, apesar de não se enquadrarem no conceito de insumo adotado pela fiscalização (próximo ao que deriva da legislação do IPI), claramente se inserem naquele explicitado no tópico 3 deste voto, por serem necessários à obtenção do produto final, embora não o integrem diretamente, nem com ele tenham contato físico. Sobre os combustíveis, e ainda à luz do conceito de insumos adotado a partir do exposto no tópico 3 deste voto, entendemos que deve ser afastada a glosa em relação a aquisição de óleo diesel, gás GLP e lenha, e serviços relacionados a sua aquisição, mantendo se a glosa em relação a gasolina, por ter sido genericamente identificada como "gasolina comum", não permitindo a devida vinculação ao processo produtivo, havendo carência probatória por parte da postulante ao crédito. Pelo exposto, deve ser afastada, neste subtópico, a glosa em relação a detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e sobre óleo diesel, gás GLP e lenha, e serviços relacionados a sua aquisição. 4.1.4. Serviços realizados por "operador logístico" Apesar de o título deste item da defesa não encontrar subdivisão correspondente específica nas glosas fiscais, tratase nele de serviços realizados por "operador logístico" e transportes internos, sustentando que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas pela empresa, tornando possível efetuar as vendas. No entanto, restam ao desamparo de detalhamento pela defesa as menções a glosas na planilha "NI Documentos não representam aquisição de insumos" sobre os tais "serviços realizados por operador logístico", descritos como "movimentação de mercadorias da recorrente, tais como carga, descarga e movimentação saída" (fl. 4909). A recorrente se preocupou em trazer jurisprudência sobre a matéria, mas não em vincular especificamente as Fl. 5340DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.328 27 operações glosadas a tais precedentes, comprovando, por exemplo, que as operações glosadas se referem especificamente a despesas de fretes de vendas, como alega à fl. 4912. Assim, mais uma vez não se desincumbiu a postulante ao crédito do ônus de provar seu direito. Pelo exposto, deve ser mantida a glosa. 4.1.5. Materiais e Serviços de Limpeza Novamente, em relação atais itens, a glosa deriva do conceito de insumos adotado pela fiscalização, e será reavaliada, diante da maior amplitude para o conceito albergada neste voto, conforme se detalhou no tópico 3. A recorrente entende que os materiais de serviço e limpeza (dedetização, limpeza geral, desinfecção, e despesas com detergentes, sabonetes digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%) devem gerar créditos, pois são usados nas unidades produtivas para atender aos níveis de higiene nas máquinas, equipamentos e pisos do estabelecimento industrial da recorrente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades reguladoras. Sobre materiais e serviços de limpeza, endossamos que, diante do conceito exposto no tópico 3 deste voto, aliado ao que afirmamos no subtópico 4.1.1, tratamse de insumos na legislação que rege as contribuições, devendo ser afastadas as glosas. Pelo exposto, deve ser afastada a glosa em relação aos materiais e serviços e limpeza expressamente referidos na defesa (dedetização, limpeza geral, desinfecção, e despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%). 4.1.6. Outros itens A planilha "NI Documentos não representam aquisição de insumos" contém elevado número de linhas (mais precisamente, 11.244 linhas), e vários dos itens mencionados nos subtópicos 4.1.1. a 4.1.5 (v.g., equipamento de proteção individual) encontramse ainda na planilha "NICTB Documentos cuja contabilização indica não se tratar de insumos". A análise que aqui efetuamos, nos subtópicos 4.1.1. a 4.1.5, por certo abarca os bens e serviços tratados, sendo irrelevante em que planilha de glosa se encontrem. Diante do elevado número de glosas, a empresa sequer apresenta defesa em relação a determinados itens, como "cadeados", "encadernações com capas", "instalação de ramal telefônico", "serviço de motoboy", entre outros, que são considerados aqui como incontroversos. Ao tratar de "outros itens", a defesa questiona as glosas especificamente em relação a: "pipeta descart insemin porcas foam tip" (que consiste em pipeta utilizada na inseminação artificial das porcas), materiais de embalagem (tais como "capa rolo com 7000hw corrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm"), indispensáveis à embalagem, evitando risco de contaminação. Na planilha "NICTB Documentos cuja contabilização indica não se tratar de insumos", questiona a recorrente as glosas de: sorgo e milho (grãos utilizados na produção de rações), e antioxidantes (na planilha referente a "CFOP"), empregados Fl. 5341DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 28 diretamente nos produtos alimentares, para impedir oxidação e perecimento. Questiona, por fim, a glosa de locação de empilhadeiras, que a empresa, por equívoco, deixou de escriturar na linha 6 do DACON. Sobre as despesas com locação de empilhadeiras, repetese aqui o esclarecimento já trazido ao final do tópico 2 deste voto, e endossado no subtópico 4.1.2, de que avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso). Assim, deve ser mantida a glosa. Em relação às embalagens, entendemos, mantendo a posição externada nos Acórdãos no 3403002.469 a 477, que realmente são necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo, pelo que se deve assegurar o direito ao crédito. A defesa menciona exemplificativamente dois tipos de embalagem ("capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm"), explicitando para que são usadas no processo produtivo. Assim, restam ao desamparo de explicações específicas os demais tipos de embalagens, aos quais não se pode reconhecer o direito de crédito, diante da ausência, por parte da postulante, de comprovação da vinculação ao processo produtivo. E também as pipetas relacionadas na defesa, a nosso ver, são enquadradas no conceito de insumo neste voto explicitado (no tópico 3). Sobre a planilha "NICTB Documentos cuja contabilização indica não se tratar de insumos", não encontramos as citadas glosas de sorgo e milho, nem de antioxidantes, em busca no arquivo (Excel) correspondente, o que impossibilita a análise da matéria, não logrando a defesa de detalhar especificamente a quais glosas se está a referir. Assim, entre os itens questionados pela defesa, entendemos que deve ser afastada a glosa em relação a materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm") e a pipetas para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"). 4.2. Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo Afirma a fiscalização que não se enquadram no conceito de insumo os itens amparados nas notas fiscais contabilizadas, v.g., nas contas "3432114GFTEQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL, 3434443GVT MONITORAMENTO DE CONTAINER ME, 3839036DESP.INCORR.TRANSFERENCIAS BENS ENTRE UNIDADES, e 3432211– GFTCONSERV.MANUT.PREDIALSERVICOS", especificadas na planilha "NICTB Documentos cuja contabilização indica não se tratar de insumos". E a empresa, em sua defesa, alega que a glosa foi superficial e generalizada, baseada no título das contas, sendo que a conta 3432114 se refere a indumentária, a conta 3434443 trata de monitoramento de contêineres, inerentes aos serviços de armazenagem, imprescindíveis, a conta 3839036 trata de transferência de bens entre unidades produtivas, e a conta 3433030 se refere a bens e serviços para análise de qualidade / incolumidade dos produtos, exigida por norma. Sobre o fato de tal glosa não ser calcada superficialmente só no nome das contas, já tratamos no tópico 2 deste voto. E sobre indumentária e equipamento de proteção Fl. 5342DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.329 29 individual, já dispusemos no subtópico 4.1.1. Passase, assim, a analisar as glosas em relação a contas sobre as quais se defende a recorrente. Verificandose a planilha "NICTB Documentos cuja contabilização indica não se tratar de insumos", percebese que a conta glosada ("3432114GFTEQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL") não trata somente de indumentária e equipamento de proteção individual, mas também de despesas descritas simplesmente como "fretes", sem especificação, entre outros. O mesmo ocorre em relação à conta "3839036 DESP.INCORR.TRANSFERENCIAS BENS ENTRE UNIDADES", na qual também simplesmente se registram "fretes". As despesas com fretes não geram créditos indistintamente, mas apenas em alguns casos, previstos nas leis de regência. Assim, deveria a recorrente ter carreado aos autos desde o início do procedimento fiscal a comprovação de que se enquadra em uma das situações ensejadoras do crédito, detalhando os fretes e documentando o detalhamento. Assim, por não se desincumbir a postulante de seu ônus probatório, devem ser afastadas somente as glosas referentes a indumentária e equipamento de proteção individual, às quais nos referimos no subtópico 4.1.1. Em relação às contas "3434443GVT MONITORAMENTO DE CONTAINER ME" e "3438066GVTESTIVA S/VENDA ME", as glosas também devem ser mantidas em razão da descrição genérica, desacompanhada de detalhamento por parte da empresa que possibilite o enquadramento específico nas leis de regência, ou de documentação que ateste a explicação dada nas peças de defesa. Por fim, em relação à conta "3433030GFTANALISE DE PRODUÇÃO EM LABORATÓRIO PRÓPRIO", há que se reconhecer que as despesas com bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais efetivamente apresentam o caráter de insumo, no caso de agroindústria. Isso porque não se vê como uma análise ou exame laboratorial possa ser dissociada do processo produtivo, no caso. No entanto, nessa mesma conta "3433030" há despesas genericamente descritas como "fretes", sem detalhamento, e ainda despesas descritas genericamente como "serviços de correio", "despesas com correio", "locação de veículo", também desacompanhadas de detalhamento que permita atestar o direito ao crédito. Nestes casos, ausente o direito por carência probatória a cargo da postulante. Pelo exposto, deve ser afastada a glosa em relação a bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais, além do já disposto no item 4.1.1. 4.3. Aquisições efetuadas junto a pessoas físicas Não demanda maior esforço a visualização, no texto dos incisos I e II do art. 3o das leis de regência, que é vedado o desconto de crédito em relação a pagamentos efetuados a pessoas físicas. "§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País;" (grifo nosso) Fl. 5343DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 30 E o expresso comando legal vigente não pode ser administrativamente afastado, nem em nome de princípios constitucionais, como assenta a Súmula CARF no 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, expressamente vedado na lei o direito ao crédito. Em relação ao pedido alternativo efetuado, de crédito presumido, endossese o já esclarecido ao final do tópico 2 e repetido nos subtópicos 4.1.2 e 4.1.6, de que avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso), ensejando supressão de instância. Como destacamos nos Acórdãos no 3403003.550 e 551: "O pedido alternativo e inovador, além de contradizer a escrituração e a declaração da empresa prestada ao fisco, e o pedido de ressarcimento que motiva o despacho decisório (peça cuja ciência inaugura este contencioso), demandaria análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecidos no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação." Ademais, resta carente de prova o direito de crédito, nos moldes destacados no item 2 deste voto, visto que a empresa entende que as aquisições de pessoas físicas geram créditos pelo simples fato de serem relacionadas à geração de receitas, citando precedentes sem a devida vinculação ao caso em análise, não demonstrando que a situação analisada se enquadra na legislação que suscita. Portanto, deve ser mantida a glosa. 4.4. Serviços de fretes e transferência de produtos A fiscalização, ao identificar grande quantidade de fretes contabilizados na conta "1555057 ESTQFRETE TRANSFERÊNCIA ENTRE PLANTA", intimou a empresa a detalhar seu conteúdo, assim como das contas "1555413 ESTQFRETE TRANSF.ENTRE PLANTAS OUTROS" e na conta "1555286 ESTQ FRETE POR TRANSFERENCIA NOTA ZT", tendo a empresa informado, de forma sintética, para as três contas, que: “Nesta conta são registrados os fretes sobre transferências de matériaprima, produto semi acabado, produto acabado entre as unidades do grupo. Este valor é registrado nos materiais." Percebase a clara motivação da glosa (fls. 2943/2944 e 3005): "Sendo assim, apresentando de forma sintética e sem qualquer diferenciação a utilização das contas, não logrou comprovar que os fretes contabilizados na conta 1555057 ESTQFRETE TRANSFERENCIA ENTRE PLANTA cujos créditos pretendeu apurar na linha 2, referemse a operações com direito a credito. Não há hipótese legal de creditamento na transferência de produtos acabados entre unidades da própria contribuinte. Assim, a contribuinte deveria ter demonstrado que teria escriturado nesta conta contábil fretes de insumos ou de Fl. 5344DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.330 31 produtos em elaboração para que tais despesas se subsumissem às hipóteses legais de creditamento de PIS e COFINS." E a recorrente, ao invés de se defender da motivação externada para a glosa, simplesmente sustenta que cabe o direito a crédito na transferência de bens em fase de industrialização (o que é uma obviedade), mas peca em comprovar que era isso que ocorria de fato nos fretes que contabilizou, inclusive dentro da conta 11500 ("produtos acabados"). Assim, há total ausência de pertinência entre o acórdão colacionado pela recorrente à fl. 4929 e a imputação fiscal efetuada na glosa: Para que se compreenda que o excerto transcrito não guarda pertinência com a motivação da glosa, nem neste processo, nem naquele que ensejou o Acórdão no 3403 002.469, transcrevase o excerto do voto condutor em tal julgamento: "Foram glosados fretes: (a) entre estabelecimentos da própria empresa; (b) de transporte urbano de pessoas; (c) de transporte de combustível (material não ligado diretamente à atividade fim da empresa); (d) de transportes em geral, sem indicação precisa; (e) de transportes que não se referem a fretes de compra; e (f) referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada (NF 58802). A recorrente sustenta que todos os fretes geram crédito por serem essenciais à atividade econômica, e por isso não fez segregação (pelo que solicitaria diligência a fim de segregar os fretes entre estabelecimentos da empresa, solicitando ainda diligência em relação ao frete glosado em relação à NF 28802, não localizada pela empresa, mas registrada em sua contabilidade). A explicação que a recorrente traz no recurso voluntário sobre seu processo produtivo, e sobre as diversas etapas levadas a cabo em diferentes estabelecimentos (existindo um verdadeiro frete entre estabelecimentos do ciclo produtivo), aliada ao posicionamento externado sobre fretes no Acórdão no 3403 001.556, de relatoria do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (unânime, na sessão de 25.abr.2012), apresentamse suficientes a que se considere como legítimos a gerar créditos os fretes tratados ao início deste tópico pelas letras “a”, “c”, e “e”. Fl. 5345DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 32 Em relação aos fretes de transporte urbano de pessoas (“b”), entendese que é indiscutível a glosa, pela pouca relação direta com o processo produtivo. Igualmente incontestável, a nosso ver, a glosa em relação aos itens “d” (transportes em geral, sem indicação precisa) e “f” (referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada, ou detalhada, inclusive em sede de recurso voluntário), visto que a recorrente (sem qualquer auxílio do fisco, ou de perito) poderia, durante o contencioso, ter apresentado o detalhamento dos fretes (que, destaquese, refletem documentos que estão sob sua guarda). Como aqui já exposto, a diligência/perícia não se presta a suprir deficiência probatória. Assim, é de se afastar a glosa para fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra. Por outro lado, mantémse a glosa em relação a fretes de transporte urbano de pessoas; de transportes em geral, sem indicação precisa; e referentes à nota fiscal requisitada e não apresentada (NF 58802)." (grifo nosso) Sobre o citado Acórdão no 3403001.556, a simples transcrição da ementa deixa clara a hipótese em que o frete entre estabelecimentos da mesma empresa pode ensejar desconto de créditos: "PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis n o 10.637/02 e 10.833/03." (grifo nosso) Assim, a glosa fiscal efetuada no presente processo não contradiz o entendimento do Acórdão no 3403002.469. Pelo contrário, só vem a confirmálo. Ademais, a situação que se encontra no presente processo é bastante similar àquela com a qual nos defrontamos nos dois processos anteriormente analisados da mesma empresa (Acórdãos no 3403003.550 e 551): "São glosados os fretes de transferência de produtos entre unidades da empresa (em conta relacionada a produtos acabados). E narra o fisco que oportunizou à empresa detalhar se se tratavam de fretes de matériasprimas, produtos intermediários ou produtos acabados. E a empresa não logrou comprovar que os fretes glosados se tratavam de operações com direito a crédito. Assim, a glosa é por carência probatória. Em sua defesa, a empresa alega que os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em relação a custos com armazenagem. Contudo, não detalha nem comprova a quais vendas se referem os fretes. Fl. 5346DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.331 33 Persiste, assim, a carência probatória ensejadora da glosa, que deve ser mantida." Percebese, então, que a defesa, além de não contrapor os argumentos que fundamentaram a glosa, continua a não se desincumbir de seu ônus de comprovar o direito de crédito demandado. Por fim, a acusação da defesa de que a DRJ incorreu em equívoco no que se refere a fretes de insumos e produtos acabados Linhas 02 e 03, em excerto transcrito, não afasta nem a motivação da glosa, aqui externada claramente, nem a conclusão da DRJ de que persiste a falta de comprovação. Deve, assim, ser mantida a glosa. 4.5. Aquisições de bens sujeitos a alíquota zero Também aqui a glosa se deve a disposição legal expressa: o art. 3o, § 2o das leis de regência: "§ 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifo nosso) A recorrente alega que os bens aos quais se aplica a alíquota zero estão, como as isenções, dentro do universo de incidência das contribuições, sendo aptos a gerar créditos. Mas é desafiante como uma aventura ler isso no comando legal acima, que, reiterese, não pode ser afastado pelo CARF sob alegação de inconstitucionalidade (conforme Súmula CARF no 2). E o passaporte para a aventura hermenêutica reside na confusão/mescla entre pagamento e incidência, presente no recurso voluntário (fl. 4932): E a confusão se torna maior no pleito alternativo, que mescla tratamento de alíquota zero com tratamento de isenção, tentando acessar o direito ao crédito por analogia, o que não encontra guarida no Direito Tributário. Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 34 Não merece prosperar tal raciocínio, como já expusemos nos onze processos da recorrente (e sua incorporada) que tivemos a oportunidade de relatar (Acórdãos no 3403 002.469 a 477 e Acórdãos no 3403003.550 e 551), sendo sempre o voto unanimemente acolhido pela turma. Deve, destarte, ser mantida a glosa. 4.6. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumo nem operação com direito a crédito As glosas relacionadas na planilha "CFOP indica operação sem direito a crédito" se referem, entre outros itens, a diversos alimentos para microondas (v.g., pão de queijo congelado, hot pocket Xpicanha para microondas, pizza sabor quatro queijos, massa de sonho, quibe, lasanha a bolonhesa), que a nosso ver residem no que chamamos, no item 3 deste voto, de "zona de certeza negativa". Não nos parece imaginável a hipótese de que tais bens tenham sido utilizados no processo produtivo. A defesa reitera a tese de que a fiscalização (assim como a análise da DRJ) foi superficial, tema que já discutimos no tópico 2 deste voto. E afirma ainda que diversos itens são pertencentes ao processo produtivo da empresa (como gás GLP, óleo diesel, lubrificante, antioxidante, arruela, e graxa). Indica ainda os tipos de CFOP glosados (fl. 4937): E, na sequência, sustenta a recorrente que não há dúvidas de que há o recolhimento das contribuições no regime de substituição tributária, sendo a única diferença o fato de tal recolhimento ser concentrado, acrescentando ainda que "o simples equívoco cometido pela recorrente na classificação do CFOP não poder ser utilizado pelas autoridades fiscais como justificativa para glosar os créditos". Parece, assim, titubear a defesa, entre a afirmação de que efetivamente a aquisição foi com substituição tributária e a afirmação de que houve erro na indicação do CFOP. Por mais que careçam de prova as duas frentes de defesa, estando distante a nota fiscal apresentada na peça recursal de suprir tal deficiência a cargo da postulante, esclarecese que ambas culminam na manutenção da glosa, seja por expressa vedação legal, referida no subtópico 4.5 deste voto, seja por impossibilidade de, nesta etapa processual, promover demanda de crédito diversa, ocasionado supressão de instância, como esclarecido ao final do tópico 2 e repetido nos subtópicos 4.1.2, 4.1.6, e 4.3. Pelo exposto, deve ser mantida a glosa. Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.332 35 4.7. Notas fiscais que representam aquisições de insumos que deveriam ter ocorrido com suspensão A fiscalização narra que houve aquisições, v.g., de suínos, milho e boi, sujeitas ao tratamento previsto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 (suspensão), sendo que eventual pagamento efetuado foi indevido, não gerando direito a crédito glosas especificadas na planilha "Suspensão Operações que deveriam ter ocorrido com suspensão". A recorrente, por sua vez, alega que os insumos adquiridos não se submetem às hipóteses de suspensão previstas na Lei no 10.925/2004, não sendo obrigatória a suspensão, à época (mas só posteriormente, com o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009), cabendo, ainda, subsidiariamente, o reconhecimento de crédito presumido. O tema é idêntico ao que analisamos nos onze processos da recorrente (e sua incorporada Acórdãos no 3403002.469 a 477 e Acórdãos no 3403003.550 e 551), todos com acolhida unânime da turma: "De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa." (voto condutor nos Acórdãos no 3403002.469 a 477) (grifo nosso) "Aliás, em diversos julgados recentes (e unânimes) desta Terceira Turma, inclusive com a formação atual do colegiado, concluise que a suspensão é aplicada bem antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009: “SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.” (Acórdão no 3403003.507, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 15.out.2014) Não há, assim, o direito de aproveitamento do crédito em relação à operação, diante das disposições normativas vigentes." (voto condutor nos Acórdãos no 3403003.550 e 551) (grifo nosso) Assim, pelos mesmos fundamentos, mantemos a glosa. E, sobre o pleito alternativo, não são carreadas aos autos provas que permitam o enquadramento pleiteado. Fl. 5349DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 36 4.8. Valores não comprovados na memória de cálculo Diante de divergência entre o somatório das notas fiscais de insumos listadas na memória de cálculo entregue pela empresa ao fisco e o informado em DACON, foram glosados os créditos informados em DACON e não comprovados por meio da memória de cálculo. Em sua defesa, a recorrente afirma que as divergências se devem ao fato de que a planilha encaminhada ao fisco continha valores incorretos, tendo sido agora refeita, e encaminhada em anexo. Aqui há que se endossar o posicionamento da DRJ, combinandoos com os esclarecimentos que prestamos ao final do tópico 2 deste voto, pois a memória de cálculo apresentada à época foi tomada em conta, demandandose os documentos comprobatórios correspondentes, e não pode agora, finalizada a fiscalização e já na instância final do contencioso, alterar a empresa sua memória de cálculo, ao desamparo de qualquer documento comprobatório. O que está a pleitear a empresa, em realidade, é uma nova fiscalização, à luz da nova planilha que apresenta, desacompanhada de elementos probatórios. E o contencioso administrativo não comporta tal procedimento, havendo forma e prazo para alteração das informações prestadas ao fisco, sob pena de a empresa, sucessivas vezes, em sucessivos contenciosos sobre o mesmo tema, retornar periodicamente o processo à etapa de fiscalização. Não merece acolhida, assim, o argumento de que a planilha, ou os documentos adicionalmente acostados, comprovam o direito de crédito, pelo que deve ser mantida a glosa. 4.9. Despesas de energia elétrica A glosa em relação a despesas com energia elétrica se refere a valores relativos a serviços de gerenciamento de energia elétrica, e a tarifas de aquisição de energia elétrica TUSD (Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição), especificados na planilha "NF Glosadas Energia Elétrica". A recorrente alega que como o gerenciamento de energia elétrica, as tarifas de acesso e uso de sistemas são indispensáveis ao processo produtivo, pois em sua ausência não é possível ter acesso a energia elétrica. Ou seja, reclassifica para o inciso II (referente a "insumos") as despesas que declarou como inseridas em dispositivos específicos referentes a energia elétrica nas leis de regência ("energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica"). A simples análise das glosas já permite atestar sem sombra de dúvida de que não se está, no caso, a tratar de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, e isso é endossado na peça recursal (fl. 4947): Fl. 5350DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.333 37 E, além de não comungarmos do entendimento de que tais serviços de gerenciamento e tais tarifas sejam insumos, há que se destacar que o crédito não foi pleiteado sob tal fundamento, mas de que se tratava de "despesas com energia elétrica" consumida nos estabelecimentos da empresa, remetendo a todas as considerações que já externamos neste voto sobre a alteração do pedido nesta etapa processual. De qualquer sorte, bastaria um dos fundamentos acima para a manutenção da glosa, que resta, assim, hígida. 4.10. Despesas de aluguéis de prédios No que se refere a despesas com aluguéis de prédios, a glosa abarca aluguéis pagos a pessoa física e arrendamento de granja avícola, especificados na planilha "NF Glosadas Aluguéis de Imóveis". A recorrente restringese à questão do arrendamento de granja avícola, defendendo que, diante da atividade da empresa (agroindustrial), a principal "área" que poderia locar é justamente uma granja, devendo ser reconhecido o crédito à luz do princípio da não cumulatividade, sendo essencial a sua atividade e equiparado a aluguel de prédios. Apresenta ainda argumento subsidiário no sentido de que seja o arrendamento considerado um insumo. A previsão para desconto de crédito, no inciso IV do artigo 3o das leis de regência das contribuições, é para "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". E o termo "prédio", por certo, abarca qualquer construção, como as granjas avícolas. Vejase, a título ilustrativo, que a Lei no 10.833/2003 traz o termo "prédio" por três vezes (nos arts. 3o, IV; 4o, caput; e 10, XXVI): "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" (grifo nosso) "Art. 4o A pessoa jurídica que adquirir imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado a venda, utilizará o crédito referente aos custos vinculados à unidade construída ou em construção, a ser Fl. 5351DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 38 descontado na forma do art. 3o, somente a partir da efetivação da venda." (grifo nosso) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XXVI as receitas relativas às atividades de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda, quando decorrentes de contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003;" (grifo nosso) Das transcrições se pode concluir que o legislador que tratou das contribuições não atribuiu sinonímia aos termos "imóvel" e "prédio", entendendo que o termo "prédio" se refere a uma unidade imobiliária na qual haja construção. E as granjas referidas pela recorrente apresentam construções. Parece ter dado o fisco acepção mais restrita ao termo "prédio" do que aquela constante na própria lei de regência, atrelando sua acepção ao linguajar leigo/atécnico. Também caminha no sentido de restringir o conteúdo da lei a interpretação fiscal de que o aluguel referido no inciso IV do artigo 3o das leis de regência não abarcaria o arrendamento. Vejase que quando o legislador desejou excluir o arrendamento da acepção ele expressamente o fez, no § 26 do mesmo artigo 3o da Lei no 10.833/2003, que trata especificamente dos incisos V e VI (e não do inciso IV, aqui em análise). Deve, então, ser afastada a glosa em relação a arrendamento de granja avícola pago a pessoa jurídica. 4.11. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos As despesas glosadas, em relação ao tema tratado neste subtópico, são referentes a aluguéis de veículos e de software, especificados na planilha "NF Glosadas Aluguéis de Maq e Equip". Em sua defesa, a recorrente alega que os veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras "máquinas" (v.g., caminhões com guindaste acoplado), e os demais veículos são utilizados para transporte de animais e materiais essenciais ao processo produtivo, ou vendedores, no caso de veículos de passeio, silenciando sobre o aluguéis de software. Assim, na única matéria questionada, parece novamente a recorrente se socorrer de analogia, para afirmar que veículos são "verdadeiras máquinas". Ocorre que a legislação que rege as contribuições distingue claramente veículos de máquinas, tendo a DRJ destacado diversos exemplos de dispositivos normativos em que se percebe que quando o legislador deseja contemplar veículos, ele o faz expressamente. Fl. 5352DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.334 39 Vejase, a título exemplificativo, o texto do art. 2o, § 1o, III da Lei no 10.637/2002, que rege a Contribuição para o PIS/PASEP (já se destacando que há comando idêntico na Lei no 10.833/2003, que disciplina a COFINS): "Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados (...)" (grifo nosso) Mas o dispositivo em análise neste subtópico é o inciso IV do artigo 3o das leis de regência, que trata de "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa", nada dispondo sobre veículos, nem aqueles que a recorrente afirma serem "verdadeiras máquinas", porque possuem recursos acoplados, nem os simples veículos de passeio utilizados pelos vendedores, aos quais a recorrente também dedica tópico de sua defesa, sustentando que são essenciais ao processo produtivo. Pelo exposto, deve ser mantida a glosa, por absoluta falta de amparo legal para o desconto de crédito nas operações em discussão. Ademais, a argumentação genérica da defesa não logra carrear aos autos provas da adequação ao dispositivo normativo no qual se enquadra o direito de crédito demandado. 4.12. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda Em relação a despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, o fisco efetua glosa de valores pagos a pessoa física, especificados na planilha "NF Glosadas Fretes". E a recorrente, ainda que reconheça que os montantes foram pagos a pessoas físicas, defende que as operações geram direito a crédito, na qualidade de "insumos". Mais uma vez a glosa tem por fundamento disposição expressa de lei (art. 3o, § 3o, I das leis de regência), que não pode ser afastada por este tribunal administrativo, como esclarece a Súmula CARF no 2. Clara, então, a correção da glosa efetuada, que deve ser mantida. 4.13. Bens do Ativo Imobilizado No que se refere a desconto de créditos sobre bens do Ativo Imobilizado, com base no valor de aquisição ou construção, a fiscalização, diante do não atendimento de intimação para apresentar documentos, analisa o tema à luz das planilhas inicialmente Fl. 5353DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 40 apresentadas, glosando as despesas relativas a edificações e benfeitorias para as quais se reconheceu depreciação de 300 meses (v.g., "Fabr. Linguiças Duque", tijolo, telha e cimento). A empresa sustenta que as despesas glosadas se referiram efetivamente a máquinas e equipamentos, e não a despesas com edificações e benfeitorias (como entendeu o fisco) acostando aos autos nova planilha, afirmando que apresentou documento com toda a descrição e todos os itens correspondentes a máquinas e equipamentos depreciados à razão de 1/48, informando dados do fornecedor, nota fiscal, descrição, utilização, valor e crédito apropriado. E reclama do fato de ter a DRJ afirmado que não restou comprovado o direito de crédito, ignorado a documentação anexada. Como narra a fiscalização, a recorrente, em atendimento às intimações efetuadas no curso do procedimento fiscal, apresentou duas memórias de cálculo (uma para julho e outra para agosto e setembro), contendo cinco planilhas: "Máquinas 1", "Máquinas 2", "Máquinas 3", "Máquinas Importadas" e "Resumo Créditos", sempre utilizando a taxa de depreciação de 1/48. E, ao analisar as planilhas apresentadas, a fiscalização percebeu que não atenderam à intimação (transcrita no tópico 2 deste voto), pois não continham descrição detalhada de cada máquina, equipamento ou edificação relacionado, aparentando trataremse de edificações no caso da planilha "Máquinas 1" e ficando completamente indefinido no caso da planilha "Máquinas 3", por não conter descrição alguma do bem depreciado. Para esclarecer a questão, a fiscalização intimou novamente a empresa a detalhar a memória de cálculo, estabelecendo as informações de que necessitava para a análise do crédito: "(...) apresentar nova memória de cálculo contendo, entre outros, os seguintes elementos: fornecedor (nome e CNPJ), data de aquisição do bem (no caso de construções deve ser informada a data de conclusão da obra), número da nota fiscal, descrição detalhada de cada bem que está sendo depreciado, valor de aquisição ou construção, base de cálculo, valor já depreciado e apropriado em períodos anteriores (se houver), informando qual foi o critério de depreciação utilizado e a legislação aplicável." Após diversos pedidos de prorrogação, a empresa simplesmente responde (fls. 2648 a 2650) que já apresentou as planilhas, não adicionando informação alguma para atendimento do demandado pela fiscalização. Nesse contexto, tendo em vista o exposto no tópico 2 deste voto, sobre o ônus probatório em processos do gênero, é flagrantemente incabível o reconhecimento de direito de crédito que não reste comprovado, tendo sido correta a providência adotada pelo fisco, diante da ausência de colaboração (como exposto, uma das faces da "verdade material", a cargo do contribuinte) por parte da recorrente. E, diante do fato de o comando legal (§ 14 do art. 3o da Lei no 10.833/2003, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP, combinado com o art. 15, II da mesma lei, que estende o tratamento à COFINS) estabelecer que a taxa de depreciação de 1/48 se aplica às aquisições de "máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado", não se destina tal disposição a "edificações e benfeitorias". Observandose as planilhas de fls. 2699 a 2798, percebese facilmente que apesar de a recorrente ter prestado informações pouco detalhadas, por centro de custo, a fiscalização não efetuou glosas totais, reconhecendo os valores que conseguiu comprovar em confronto com os demais documentos e declarações da empresa analisados. Vejase, entretanto, que a planilha de fls. 2804 a 2808 traz essencialmente aquisições de tijolos, telhas, pedra brita, tinta, cimento, argamassa e areia, que, no entender da fiscalização (e a nosso ver também) não Fl. 5354DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.335 41 constituem "máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado", mas sim bens destinados a "edificações e benfeitorias". A fiscalização aceita todos os itens da planilha "Máquinas Importadas", encontrando os seguintes problemas nas planilhas "Máquinas 1", "Máquinas 2", "Máquinas 3": "A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”, apresentada pelo contribuinte, relacionou itens relativos a edificações e benfeitorias de seu ativo imobilizado (Fab Óleo Soja Toledo, Fabr. Linguiças Duque, GJ Matr Fgo Prod CV, entre outros) e que foram depreciadas em 48 meses para fins de crédito de PIS e COFINS. Nesses casos, foram apuradas as diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte (em 48 meses) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998 (prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias) e foram glosadas as diferenças. A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”, apresentada pelo contribuinte, relacionou diversos outros bens, máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado e depreciados em 48 meses. Nesta planilha foram identificados diversos itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias (TIJOLO FURADO 6 FUROS, Telha P.P. G. 0,5 7800mm Ral 9003, CIMENTO CP II 32, entre outros) e que também foram depreciados pelo contribuinte à razão de 1/48 avos para cada mês, em desacordo com a legislação. As diferenças em relação à depreciação normal de 300 meses para estes itens foram glosadas. Os demais itens que não se referem a material de construção foram aceitos na proporção de 1/48 avos de depreciação, conforme apresentado pela contribuinte. Já, a planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”, apresentada pelo contribuinte, relacionou diversos itens de seu ativo imobilizado também depreciados em 48 meses. Porém, nessa planilha não há nenhuma descrição ou identificação dos bens que estão sendo depreciados à razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) por mês, de modo que todos os valores de depreciação, relacionados a esses itens não identificados, foram glosados, por impossibilidade de análise, devido ao descumprimento da citada intimação." Assim, a irregularidade encontrada nas planilhas "Máquinas 1" e "Máquinas 2" é a inclusão indevida de itens relativos a "edificações e benfeitorias", enquanto o problema verificado na planilha 3 é simplesmente de falta de detalhamento (carência probatória a cargo do postulante ao crédito). Sobre os bens referidos na planilha "Máquinas 2" (v.g., tijolos, telha, cimento), não se alcança o que sustenta a recorrente ao afirmar simplesmente que se referem "efetivamente ... a máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo", pois notoriamente tais bens não o são. E sobre os créditos das demais planilhas em que houve glosa, poderia a recorrente ter detalhado especificamente a rubrica glosada, de modo a demonstrar que efetivamente se refere a máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Mas a Fl. 5355DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 42 empresa permanece inerte em seu dever de colaboração, incidindo na carência probatória que implica o não reconhecimento do direito de crédito. Sobre a alegação de que a empresa teria, em sua impugnação, esclarecido que diversos itens classificados pela fiscalização como despesas com "edificações e benfeitorias", em verdade, referemse a despesa com "máquinas e equipamentos" (documento 19 da Impugnação), e a DRJ teria ignorado, convém transcrever esclarecedor excerto da decisão de piso sobre o tema (fl. 4834): "Nas planilhas com as memória de cálculo do crédito, Máquinas 1 e Máquinas 2, a interessada trouxe a depreciação dos centros de custos e não propriamente dos bens individualizados que estariam contabilizados nesses centros de custos. Tais planilhas não contemplam informações sobre os bens depreciados, tanto que a interessada foi intimada a apresentar nova memória de cálculo contendo entre outros, os seguintes elementos: fornecedor (nome e CNPJ), data de aquisição do bem, número da nota fiscal, descrição detalhada de cada bem que está sendo depreciado, valor de aquisição ou construção, base de cálculo, valor já depreciado e apropriado em períodos anteriores, informando qual foi o critério de depreciação utilizado e a legislação aplicável. Atendidos os prazos de prorrogação pedidos pela interessada, esta não atendeu ao solicitado pela fiscalização, que decidiu sobre o crédito a partir das informações de que dispunha. Já a planilha Doc. 19, não indica a que centro de custo cada bem listado pertenceria e nem traz qualquer outra informação capaz de vinculálos a algum bem dentre aqueles cujos valores foram glosados. Ou seja: a partir da planilha Doc. 19 não há como identificar dentre os valores nela listados quais são os que constam das planilhas Máquinas 1 e Máquinas 2, que foram glosados e que consistiriam dos tais diversos itens mencionados pela interessada, como sendo máquinas e equipamentos. Tampouco, tal planilha pode ser acolhida como prova dos montantes inseridos na linha 10 do Dacon, haja vista não consistir de um documento comprobatório desses valores, mas simplesmente de uma listagem de operações que a interessada alega que devem integrar a base de cálculo do crédito." (grifo nosso) Ou seja, a recorrente tenta imputar sua deficiência em se desincumbir do ônus probatório a suposta superficialidade da análise empreendida pela DRJ. Vejase que a recorrente não carreou durante o procedimento fiscal, e nem no curso do contencioso, qualquer detalhamento das rubricas especificamente glosadas que permitisse atestar o direito ao crédito. Deve, portanto, ser mantida a glosa. 4.14. Crédito Presumido da Agroindústria As irregularidades detectadas pela fiscalização na dedução de crédito presumido prevista no art. 8o da Lei no 10.925/2004 se referem à alíquota aplicada (que deve ser em função do insumo, e não do produto obtido), ao enquadramento dos insumos (que Fl. 5356DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.336 43 devem ser classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, ou serem misturas ou preparações dos códigos 15.17 e 15.18), e à existência de revenda (devendo os bens ser destinados a industrialização). A recorrente, por seu turno, sustenta que os itens glosados (v.g., "milho em grão", "farelo de trigo", soja em grãos", "pinto de um dia" e "frangocorte para abate") são insumos, e que a alíquota é aplicada em função do produto, e não do insumo, como reconheceu o CARF e a legislação posterior. Argumenta ainda que o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 não tece qualquer exigência quanto à necessidade de a industrialização ser realizada pelo próprio contribuinte ou mediante encomenda. É preciso, preliminarmente, esclarecer que o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. E, no § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 5357DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 44 dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (a Lei no 11.488/2007 incluiu um inciso, com alíquota de 50%, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI) (grifo e atualização nossos) Da leitura do texto da lei já se percebe que o fisco promoveu interpretação equivocada de alguns de seus dispositivos, como se percebe no seguinte excerto das Informações Fiscais (fls. 2961 e 3022): "Apesar de a contribuinte ter preenchido apenas a linha 26, a maioria das incorreções apresentadas é relativa à interpretação da legislação com relação à aquisição de insumos beneficiados com crédito presumido, onde a empresa apropriou créditos à alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, acima transcrito e apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. As aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Todos os animais vivos listados nas planilhas abaixo são classificados no capítulo 01 da NCM, milho e sorgo no capítulo 10, soja no capítulo 12 e os demais itens também não atendem às condições para creditamento pela alíquota de 4,56%." (grifo nosso) A fiscalização está a confundir os comandos da lei que se dirigem a insumos e os que se referem a produtos. A lei não traz restrições de crédito ou determinação de alíquotas em função dos insumos, mas sim em função dos produtos obtidos a partir de tais insumos. Como o texto da lei traz o valor dos insumos na base de cálculo, e as alíquotas dos produtos obtidos a partir destes como multiplicador, realmente causou estranheza, inicialmente, seu teor. E é preciso reconhecer que a má redação realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi empreendida nos onze processos da empresa e de sua incorporada que tivemos a oportunidade de relatar, sempre com acolhida unânime da turma (Acórdãos no 3403002.469 a 477 e Acórdãos no 3403003.550 e 551). Naquelas ocasiões, remeti ao raciocínio empreendido no voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que resultou, unanimemente, no do Acórdão no 3403002.281: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do Fl. 5358DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.337 45 “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) Excerto do voto condutor:“Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através (sic) do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Fl. 5359DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 46 Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitando se, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. (...)” (grifo nosso) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente em todos os processos citados, aqui se reconhece que a fiscalização adotou interpretação equivocada do teor do artigo 8o da Lei no 10.925/2004, aplicando a insumos atributos que, pela dicção da lei, referemse a produtos. Fl. 5360DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.338 47 A endossar o entendimento aqui externado, destaquese que a Lei no 12.865, de 09/10/2013, acrescentou (art. 33) o seguinte § 10 ao art. 8o da Lei no 10.925/2004, de natureza obviamente declaratória/interpretativa: “§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Nada mais cristalino, agora. Não trata a lei, assim, exatamente, de retroatividade benigna, mas simplesmente da correta interpretação do dispositivo legal anteriormente (mal) redigido. O comando é de lei interpretativa, e, por certo, deve ser aplicado pela Administração, inclusive pelo julgador de piso. Mas, por outro lado, assiste plena razão à DRJ quando mantém as glosas referentes a operações de "compra para comercialização" (CFOP 1102 e 2102), "compra para comercialização originada de encomenda para recebimento futuro" (CFOP 1117) e "devolução de compra para comercialização" (CFOP 5202 e 6202). Isso porque o art. 8o da Lei no 10.925/2004 não se presta à simples revenda, ou comercialização, mas a industrialização dos insumos para obtenção do produto final, o que não pode ser ignorado, e está presente na leitura integral e contextualizada do dispositivo legal, aqui efetuada. Assim, incorretas as glosas de insumos apenas por que suas classificações não estão presentes no texto dos incisos do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, eis que o texto de tais incisos está a se referir aos produtos obtidos, e não aos insumos. Entretanto, corretas as glosas de insumos (quaisquer que sejam) que não se destinam a processo industrial. E, derradeiramente, deve ser reconhecido o crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída, e não do insumo que aplica para obtêlo. 5. Dos créditos presumidos de ICMS Na apuração da base de cálculo das contribuições, verifica a fiscalização que não houve inclusão dos valores relativos a crédito presumido de ICMS. Em sua defesa, a recorrente sustenta que tais valores não constituem receita, por não significarem aumento efetivo no patrimônio líquido da empresa, mas sim recuperação de custos (subvenção de custeio), citando precedentes administrativos e judiciais. Assim, temse como incontroverso, nos autos que se está a tratar sobre subvenção de custeio. E as subvenções para custeio, por expressa disposição legal, constituem receita bruta operacional (e, portanto, "receita"), como se percebe no art. 44 da Lei no 4.506/1964: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: Fl. 5361DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 48 I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” (grifo nosso) E, nesse sentido, são as subvenções de custeio inequivocamente tributadas pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS, conforme art. 1o das leis de regência (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). Tal comando legal é relevante para afastar, desde já, ao menos neste tribunal administrativo, por força da multicitada Súmula CARF no 2, o entendimento de que as subvenções não constituem receitas, porque isso equivaleria a afastar comando legal vigente. E adicionese, no que se refere à sistemática da não cumulatividade adotada para as contribuições em análise, regida pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que a incidência é sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Assim, resta claro, segundo a legislação diretamente aplicável ao caso, que o crédito presumido de ICMS em análise no presente processo, que constitui subvenção de custeio, deve integrar a base de cálculo das contribuições. Pertinente, assim, a glosa. No entanto, há ainda questão adicional a analisar, em função da alegação da recorrente de que o STF, em caso análogo, de reconhecida repercussão geral (RE no 606.107/RS), teria afastado a incidência das contribuições sobre cessão de créditos de ICMS a terceiros, sob o argumento de que somente será receita o elemento novo e positivo integrado ao patrimônio líquido, e não a receita decorrente da recuperação de ônus econômico advindo do ICMS. Entre os precedentes colacionados na peça recursal, este é o único que teria o condão de vincular o julgador administrativo, e, portanto, merece análise, empreendida a seguir. A decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria, foi proferida em 22/05/2013 (com publicação em 25/11/2013), e o pleno da corte julgou o RE no 606.107/RS, acordando, por maioria de votos (vencido o Min. Dias Toffoli), que: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. Fl. 5362DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.339 49 II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá Fl. 5363DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 50 transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 2511 2013) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado ainda em dezembro de 2013. Assim, suas conclusões devem ser reproduzidas neste julgamento administrativo. Mas não se vê em tal precedente nenhuma conclusão sobre a matéria aqui discutida: inclusão na base de cálculo das contribuições de valores referentes a créditos presumidos de ICMS que constituam subvenção de custeio. A conclusão externada pela suprema corte é tão somente de que é "inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS". E é tal conclusão que deve ser reproduzida por este tribunal, e não eventuais premissas ou discussões tangenciadas na votação da suprema corte. Assim, nenhuma influência direta tem a questão decidida no RE no 606.107/RS sobre o tema tratado no presente contencioso. Deve, portanto, diante do exposto, ser mantida a glosa. 6. Das penalidades Em relação a penalidades, há dois temas contenciosos, um geral, diretamente relacionado ao presente processo, sobre a responsabilidade da sucessora (BRF S.A.) por multas da incorporada (SADIA S.A.), e outro específico, referente à possibilidade de aplicação de retroatividade benigna em relação às multas isoladas aplicadas em dois processos apensados (no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407). Sobre a primeira questão, referente à sucessão, defende a recorrente que é incabível a responsabilização da sucessora por incorporação, com fulcro no artigo 132 do CTN, sustentando que a empresa incorporadora só responde pelas multas da incorporada se o lançamento foi efetuado antes da incorporação. Fl. 5364DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.340 51 Assim dispõe o art. 132 do CTN (que, como destaca a recorrente, não versa explicitamente sobre multas): "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual." Afirma a recorrente que, sendo a responsabilidade tributária matéria que demanda edição de lei complementar, não poderia lei ordinária posterior dispor sobre multa, no caso. E endossa seu argumento com precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do ano de 2003 (Acórdão no 0104.406). A DRJ, mesmo acordando com o argumentobase da recorrente (de impossibilidade de responsabilidade em relação a multa imposta após a sucessão, em decorrência de infração cometida pela sucedida antes deste evento, diante do art. 132 do CTN), destaca que a exegese não pode prevalecer quando incorporada e incorporadora já se encontravam sob controle comum antes do ato sucessório, conforme estabelece a Súmula CARF no 47: "Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". E, no caso em análise, destaca a DRJ a seguinte cronologia: (a) a infração que deu causa aos lançamentos foi a dedução indevida de créditos no terceiro trimestre de 2009, e tal dedução se deu por meio dos DACON apresentados pela SADIA S.A., e transmitidos em 14/04/2011; (b) os PER/DCOMP analisados foram transmitidos em 03/05/2011; (c) a recorrente (BRF S.A.) incorporou ao seu patrimônio em 19/08/2009 a totalidade das ações ordinárias e preferenciais emitidas pela SADIA S.A., cabendo ressaltar o "fato inconteste de que a empresa sucedida era subsidiária integral da sucessora, se não à época da ocorrência dos fatos geradores das contribuições das quais foram descontados os créditos, certamente o era à data dos atos que deram causa à sanção aplicada". Assim, não haveria propriamente responsabilidade por sucessão, no caso, porque (fl. 4844): "(...) configurado o controle comum das empresas sucedida/controlada e sucessora/controladora à data das infrações, resta inequivocamente afastada a ideia de que se aplicaria aqui a regra segundo a qual a penalidade não poderia passar para a pessoa do sucessor. É que, na medida em que se constata que a impugnante era controladora integral da sucedida à data da infração, não há como dizer, tecnicamente, que há um “sucedido/infrator”e um “sucessor/não infrator” Fl. 5365DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 52 distinto. O que há, e isto sim, é a conjunção das figuras do sucedido e do sucessor em um único controle, fazendo com que o tomador de decisões no passado, seja o tomador de decisões de hoje; à época das infrações, portanto, as empresas já se encontravam sob controle comum, separadas apenas pela ficção jurídica (e ficções jurídicas, como se sabe, não são vocacionadas a afastar a realidade dos fatos, irrestritamente)." Aliás, a tese já era encampada no próprio relatório fiscal da autuação, inclusive com menção à Súmula CARF no 47 (fl. 3037/3038): "A empresa SADIA S.A. 20.730.099/000194, subsidiária integral da BRF S.A., consulta ao sistema CNPJ na folha 653 e seguintes, foi incorporada pela BRF S.A. (fls. 668 e seguintes), nova denominação social de BRF – BRASIL FOODS S.A., 01.838.723/0001 27 cuja sede está localizada no município de Itajaí – SC na rua Jorge Tzachel, nº 475. A incorporação foi oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A. realizada em 31 de dezembro de 2012 (fls. 677 e seguintes), registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013. Na ata da assembléia realizada pela SADIA S.A. (fl. 677), consta que: “...foi aprovada a incorporação da Companhia pela BRF – Brasil Foods, com a sua consequente extinção de pleno direto, sendo sucedido a título universal, nos termos da lei, em todos os seus direitos e obrigações pela BRF – Brasil Foods S.A. Passando o acervo patrimonial da Companhia para o patrimônio da BRF – Brasil Foods S.A. O estabelecimento sede, bem como as filiais da Companhia continuarão operando como filiais da BRF – Brasil Foods S.A., ...”; em outro trecho temos que: “... Cumpre consignar que a incorporação ora aprovada não conferirá direito de retirada tendo em vista que 100% (cem por cento) das ações de emissão da SADIA são de titularidade da BRF. ...” (destacamos). Em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e, no caso em tela, é aplicável a Súmula CARF no 47." Resta saber, assim, se o teor da referida súmula guarda pertinência com a questão analisada no caso concreto. A Súmula CARF no 47 deriva de cinco precedentes posteriores à jurisprudência da CSRF colacionada pela recorrente, e a leitura do primeiro destes precedentes já revela a origem da tese: "Em resumo, quando da lavratura do auto de infração (21/12/2005), os .. controladores da empresa eram os mesmos do período em que ocorreram as infrações. O principal argumento quanto à impossibilidade de se cobrar da sucessora multa por infrações fiscais cometidas pela sucedida tem como base o fato de não se poder imputar àquela responsabilidade por fatos que lhe seriam desconhecidos ou, ainda que conhecidos, completamente alheios a sua vontade. Nenhuma dessas excludentes aplicase no caso em tela. Tratandose de Fl. 5366DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.341 53 pessoas jurídicas administradas pelas mesmas pessoas, podese dizer que as infrações cometidas na sucedida, implicando na multa de oficio, foram praticadas sob a égide dos responsáveis perante a sucessora. Sob esse prisma, entendo que deva prevalecer a cobrança da multa de oficio." (sic) (Acórdão no 10323.033, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto, unânime em relação ao tema, sessão de 24.mai.2007) (grifo nosso) No caso em análise, é incontroverso que, em 19/08/2009, a recorrente (BRF S.A.) e a SADIA S.A integravam um mesmo grupo econômico, como se percebe do próprio recurso voluntário (fl. 4991): O fato de a recorrente agregar aos autos documentação (fls. 5301 a 5309) e reconhecimento de que, a partir de 19/08/2009, ela e a incorporada passaram a efetivamente integrar um mesmo grupo econômico, a nosso ver, torna evidente a aplicação da Súmula CARF no 47 ao caso. E não se vê na Súmula CARF no 47 a restrição temporal necessariamente vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, como demanda a recorrente. Tal vinculação ao "fato gerador" se encontra em outro precedente, também trazido no recurso voluntário da empresa: o REsp no 923.012/MG, decidido pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, vinculando o julgamento do CARF: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. (...) 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL Fl. 5367DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 54 MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) (...)" (STJ, REsp no 923.012/MG, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, julg. 09.jun.2010) (grifo nosso) Defende a recorrente que o entendimento externado pelo STJ é de que a responsabilidade da sucessora é restrita às multas já integrantes do patrimônio da sucedida, no momento da sucessão ou quando já se encontravam em discussão (suspensas), o que não se veria nos presentes autos, lavrados em 06/2014 contra a sucessora, informando ter se dado a sucessão em 08/2009 (confundindo a data com aquela admitida como referente ao "controle comum", com "identidade de grupo econômico"). Assim, segundo a defesa, o entendimento do STJ seria divergente do externado na Súmula CARF no 47, e sobre ele deveria prevalecer. Em primeiro lugar, é preciso ler com atenção o que restou decidido no REsp no 923.012/MG, porque a conclusão, a nosso ver, é distinta da que traz a recorrente, que colaciona somente o item 2 do acórdão, quando o cerne da questão se encontra no item 1, aqui igualmente transcrito. E o item 1 deixa extremamente claro que a responsabilidade tributária do sucessor abrange também as multas, que acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu "fato gerador" tenha ocorrido até a data da sucessão. E, no presente caso, indubitavelmente, o fato gerador das multas ocorreu antes da data da sucessão, que foi oficializada em dezembro de 2012. Para que se tenha claro o que restou decidido no REsp no 923.012/MG, é conveniente recordar que de tal julgamento se originou a Súmula no 554/STJ: "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão". (grifo nosso) Assim, enquanto o teor do REsp no 923.012/MG, com acórdão proferido em 09/10/2010, e com trânsito em julgado em 04/06/2013, e da Súmula no 554/STJ, revelam que a responsabilidade tributária do sucessor abrange também as multas, desde que seu "fato gerador" tenha ocorrido até a data da sucessão, a Súmula CARF no 47, aprovada na sessão de 29/11/2010, estabelece o cabimento da multa à sucessora por infração cometida pela sucedida, Fl. 5368DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.342 55 desde que ambas estivessem sob controle comum ou pertencessem ao mesmo grupo econômico. Não há, assim, necessária contradição entre as conclusões.6 É preciso também recordar que o REsp no 923.012/MG foi objeto de embargos de declaração, tendo restado ainda mais claro o teor da decisão em abril de 2013: "EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa." (STJ, EDclREsp no 923.012/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, unânime, julg. 10.abr.2013) (grifo nosso) No voto do relator, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, percebese nitidamente a total irrelevância da data da lavratura da autuação, sendo o critério adotado unicamente a comparação entre data de sucessão e "fato gerador": "6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que 6 Há, inclusive, precedente do CARF invicando e aplicando conjuntamente tanto o REsp n.923.012/MG quanto a Súmula CARF n. 47 (Acórdão n. 1302001.687, Rel. Cons. Waldir Veiga Rocha, unânime em relação ao tema, sessão de 24.mar.2015). Fl. 5369DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 56 esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa." (grifo nosso) Assim, a presente autuação, lavrada para exigência de tributos e multas em relação a fatos geradores que indiscutivelmente antecedem a sucessão, atende plenamente ao estabelecido no REsp no 923.012/MG. Pelo exposto, devem ser mantidas as multas de ofício aplicadas. Mas, ainda em matéria de penalidades, há questão discutida nos dois processos apensados (no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407), referente a multas isoladas (aplicadas "em decorrência de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido", com base no § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996, acrescentado pela Lei no 12.249/2010). As multas foram aplicada exclusivamente às transmissões posteriores à vigência da Lei no 12.249/2010. A previsão do § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996 era para aplicação de "multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido". Ocorre que o referido § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996 foi expressamente revogado pelo inciso I do art. 56 da Medida Provisória no 656, de 07/10/2014 (vigente ao tempo da decisão da DRJ nos dois processos apensados, aqui referidos), que criou nova penalidade, em redação dada ao § 17 do art. 74 da Lei no 9.430/1996: "Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". A mudança resta bem explicada na Exposição de Motivos que acompanha a Medida Provisória: "11. A presente proposta de Medida Provisória também visa revogar a aplicação da multa isolada (§§15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A jurisprudência judicial é quase unânime em afastar essa multa sob o argumento de que sua aplicação fere o direto constitucional de petição. 12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, fazse necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13. A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. Fl. 5370DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.343 57 15. E a ressalva contida no §17 de que essa multa não se aplica no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo é porque para esta hipótese existe previsão específica de aplicação de multa isolada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2013." (grifo nosso) A Medida Provisória no 656/2014 acabou convertida na Lei no 13.097, de 19/01/2015, que acrescentou efetivamente a multa do § 17 do art. 74 da Lei no 9.430/1996, mas deixou de revogar o § 15, por ter sido vetado pela presidência o dispositivo revogador. A revogação, foi, então, novamente inserida na Medida Provisória no 668, de 30/01/2015, que acabou convertida na Lei no 13.137, de 19/06/2015. Assim, hoje, está o referido § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996 expressamente revogado pelo inciso II do art. 27 da Lei no 13.137, de 19/06/2015. Como se vê, tem a multa do § 17 conteúdo diverso daquela revogada, originalmente presente no § 15, e que não pode ser adaptada para retroagir a autuação anterior à sua vigência. Ou seja, a aplicação da multa prevista no § 15 do art. 74 da Lei no 9.430/1996 em período anterior à sua revogação, pelo indeferimento de ressarcimento, não pode ter, simplesmente, seu fundamento alterado, no julgamento, adaptandoa ao novo enquadramento do § 17. Assim, devem ser afastadas as multas isoladas aplicadas nos processos apensados de no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407, visto que sua matriz legal não mais se encontra vigente. 7. Das conclusões Em síntese, diante do conceito de insumos adotado pelo colegiado, e explicitado no voto, aliado à análise do caso, entendese que devem ser afastadas as glosas em relação a: (a) indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual): uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, e mangotes de proteção dos braços, assim como em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação desses bens; (b) detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e sobre aquisição de óleo diesel, gás GLP e lenha, e serviços relacionados a sua aquisição; (c) materiais e serviços e limpeza: dedetização, limpeza geral, desinfecção, despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%; (d) materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm"); (e) pipeta para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"); e (f) bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais. Deve ainda ser afastada a glosa referente a arrendamento de granja avícola pago a pessoa jurídica, pela equivocada acepção terminológica adotada pelo fisco em relação às leis de regência das contribuições. No que se refere ao crédito presumido estabelecido pelo art. 8o da Lei no 10.925/2004, devem ser afastadas as glosas motivadas exclusivamente pelo fato de a classificação do insumo não estar presente no texto dos incisos do § 3o, eis que o texto de tais Fl. 5371DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 58 incisos está a se referir aos produtos obtidos, e não aos insumos, devendo ainda ser reconhecido o crédito presumido com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída, e não do insumo que aplica para obtêlo. E, no que se refere às penalidades aplicadas, devem ser afastadas as multas isoladas aplicadas nos processos apensados de no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407, visto que sua matriz legal não mais se encontra vigente. A decisão aqui acordada aplicase imediatamente a todos os processos apensados, sem necessidade de que sejam proferidos acórdãos específicos, exatamente como demandado nos autos, e tendo em conta a economia processual e a celeridade. Assim, os reflexos das glosas afastadas na presente decisão devem ser estendidos a todos os processos apensados, repercutindo nos montantes a ressarcir/compensar, e lançados, inclusive nas multas decorrentes. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar as glosas em relação a: (a) indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual): uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, e mangotes de proteção dos braços, assim como em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação desses bens; (b) detergentes, lubrificantes, graxas, óleos, inibidores de corrosão, anticongelantes, e sobre óleo diesel, gás GLP e lenha, e serviços relacionados a sua aquisição; (c) materiais e serviços e limpeza: dedetização, limpeza geral, desinfecção, despesas com detergentes, sabonetes, digluconato de clorexidina, clorexidina e econazol 10%; (d) materiais de embalagem ("capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.isopor 95x60x3mm"); (e) pipeta para inseminação de porcas ("pipeta descart insemin porcas foam tip"); (f) bens e serviços referentes a análises e exames laboratoriais; e (g) arrendamento de granja avícola pago a pessoa jurídica. No que se refere ao crédito presumido estabelecido pelo art. 8o da Lei no 10.925/2004, devem ser afastadas as glosas motivadas exclusivamente pelo fato de a classificação do insumo não estar presente no texto dos incisos do § 3o, eis que o texto de tais incisos está a se referir aos produtos obtidos, e não aos insumos, devendo ainda ser reconhecido o crédito presumido com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída, e não do insumo que aplica para obtêlo. E, no que tange às penalidades aplicadas, devem ser afastadas as multas isoladas aplicadas nos processos apensados de no 11516.721499/201411 e no 11516.721500/201407, visto que sua matriz legal não mais se encontra vigente. Rosaldo Trevisan Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.344 59 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Redator Designado Peço vênia para divergir do ilustre Relator relativamente aos itens "4.1.1. Indumentária e itens de uso obrigatório" e "4.9. Despesas de energia elétrica". Com relação ao primeiro item, após detalhada análise da evolução jurisprudencial do tema no CARF e das discussões acerca da norma que estaria contida no inciso X do artigo 3o das leis de regência (no 10.637/2002 e no 10.833/2003), concluiu o i. Relator pela possibilidade de desconto de créditos em relação às aquisições de indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual), assim como em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação desses bens. Entretanto, o i. Relator limitou a possibilidade de desconto de crédito àqueles bens expressamente mencionados na defesa, a saber, uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, e mangotes de proteção dos braços. Quanto à extensão do direito de crédito no caso concreto, divirjo no i. Relator, por entender que o contribuinte, em sua defesa, impugnou a totalidade dos valores relativos a "indumentária e itens de uso obrigatório (equipamento de proteção individual)" e "serviços de limpeza/higienização e locação desses bens" que foram glosados pela fiscalização, não havendo aqui que se falar em preclusão (artigo 17, Decreto no 70.235/1972), de modo que o deferimento no direito de crédito não pode ficar restrito apenas aos itens mencionados na defesa, a meu ver, a título exemplificativo. Dessa maneira, voto no sentido de reconhecer o direito de desconto de crédito e, consequentemente, afastar a glosa realizada, não apenas em relação aos bens expressamente mencionados na defesa, mas também em relação aos demais itens de indumentária e de uso obrigatório constantes em planilha e impugnados pelo contribuinte na sua defesa, desde que o uso de tais itens na produção seja obrigatório, por imposição do Poder Público, por razões de ordem sanitária, de segurança, regulatória, entre outras, condição esta que deverá ser aferida pela autoridade fiscal de origem, quando da liquidação desta decisão, ficando também reconhecido, por decorrência, o direito de desconto de crédito em relação aos serviços de limpeza/higienização e locação dos bens em referência. No que se refere ao segundo item, "4.9. Despesas de energia elétrica", o i. Relator manteve a glosa de valores a título de serviços de gerenciamento de energia elétrica, tarifas de aquisição de energia elétrica TUSD (Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição), sob o entendimento de que tais despesas não se qualificariam como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa (artigo Fl. 5373DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 60 3o, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3o, inciso III, da no 10.833/2003) nem como insumos (artigo 3o, inciso II, das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). No entanto, acredito que a glosa deve ser afastada, pelos motivos a seguir. Na década de 90, o Setor Elétrico Brasileiro, formado exclusivamente por empresas estatais, passou por uma grave crise por falta de recursos financeiros, o que colocou em risco os planos de expansão do sistema nacional e, em consequência, o próprio fornecimento de energia elétrica, tendo em vista que a oferta não conseguia acompanhar o ritmo de aumento do mercado, impulsionado pelo crescimento da própria economia. Para contornar tal problema, além de medidas como realização de um ajuste patrimonial nas concessionárias e privatizações do capital social de empresas geradoras e distribuidoras de energia elétrica, desenvolveuse um novo marco regulatório para o Setor Elétrico. Nesse contexto, destacamos a edição da Lei no 9.074/1995, que em seus artigos 15 e 16 estabeleceu as regras para que os consumidores com demanda de energia elétrica igual ou superior a 3.000 kW, atendidos em tensões iguais ou superiores a 69 kV, denominados "Consumidores Livres", pudessem contratar a compra de energia elétrica diretamente de um Produtor Independente integrante do Sistema Interligado Nacional ("SIN"), pagando o preço livremente pactuado em um mercado competitivo.7 Para viabilizar essa modalidade de comercialização de energia elétrica, a referida lei determinou o livre acesso aos sistemas de transmissão e distribuição. Posteriormente, foi publicada a Lei no 9.648, de 1998, que em seu art. 9o, parágrafo único8 atribuiu à Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL") a competência para regular as tarifas de acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica. Observo ainda que, atualmente, as unidades consumidoras com demanda entre 500 kW e 3.000 kW, atendidas em qualquer tensão, também podem escolher seus fornecedores, mas a escolha está restrita à chamada energia de fontes incentivadas (Pequenas Centrais Hidrelétricas ("PCH´s"), Usinas de Biomassa, Usinas Eólicas e Sistemas de 7 Lei nº 9074/95: Art. 15. Respeitados os contratos de fornecimento vigentes, a prorrogação das atuais e as novas concessões serão feitas sem exclusividade de fornecimento de energia elétrica a consumidores com carga igual ou maior que 10.000 kW, atendidos em tensão igual ou superior a 69 kV, que podem optar por contratar seu fornecimento, no todo ou em parte, com produtor independente de energia elétrica. (...) § 2o Decorridos cinco anos da publicação desta Lei, os consumidores com carga igual ou superior a 3.000 kW, atendidos em tensão igual ou superior a 69 kV, poderão optar pela compra de energia elétrica a qualquer concessionário, permissionário ou autorizado de energia elétrica do mesmo sistema interligado. (...) § 6º É assegurado aos fornecedores e respectivos consumidores livre acesso aos sistemas de distribuição e transmissão de concessionário e permissionário de serviço público, mediante ressarcimento do custo de transporte envolvido, calculado com base em critérios fixados pelo poder concedente. Art. 16. É de livre escolha dos novos consumidores, cuja carga seja igual ou maior que 3.000 kW, atendidos em qualquer tensão, o fornecedor com quem contratará sua compra de energia elétrica. 8 Lei nº 9.648: Art. 9º Para todos os efeitos legais, a compra e venda de energia elétrica entre concessionários ou autorizados, deve ser contratada separadamente do acesso e uso dos sistemas de transmissão e distribuição. Parágrafo único. Cabe à ANEEL regular as tarifas e estabelecer as condições gerais de contratação do acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica por concessionário, permissionário e autorizado, bem como pelos consumidores de que tratam os arts. 15 e 16 da Lei no 9.074, de 1995. Fl. 5374DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.345 61 Cogeração Qualificada), nos termos do art. 26, § 5o da Lei no 9.427, de 1996, com a alteração introduzida pela Lei no 13.097, de 2015. Com isso, em virtude de tais alterações, os consumidores que se qualificam na categoria de "Consumidor Livre", a exemplo da Recorrente, podem escolher seus fornecedores de energia elétrica no Ambiente de Contratação Livre ("ACL"), permanecendo, neste caso, conectados nas distribuidoras que anteriormente lhes forneciam a energia elétrica na categoria de "Consumidor Cativo". Neste caso, o Consumidor Livre deve firmar: a) Contrato de Compra de Energia no Ambiente de Contratação Livre ("CCEAL") com seu novo fornecedor (Produtor Independente de Energia Elétrica ou Agente Comercializador); e b) Contrato de Uso do Sistema de Distribuição ("CUSD"), entre outros, com a distribuidora em cujo sistema a unidade consumidora esteja conectada. Ao novo fornecedor, será pago o preço livremente pactuado, enquanto à concessionária distribuidora será paga a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição ("TUSD"), definida pela ANEEL, ambos com base no consumo medido pela distribuidora. Desta forma, a partir da escolha de um novo fornecedor, o Consumidor Livre continuará recebendo a mesma energia elétrica que antes recebia do SIN, cujo consumo mensal continuará sendo medido pela distribuidora onde se encontra conectado. Ocorre que, ao contrário do que ocorre com os consumidores cativos, cujos contratos são firmados apenas com as concessionárias distribuidoras e, por conseguinte, a TUSD está incluída na própria tarifa de energia elétrica, os consumidores livres possuem contratos tanto com as concessionárias distribuidoras (CUSD) quanto com os agentes fornecedores da energia elétrica (CCEAL), ambos objeto de notas fiscais com incidência de ICMS pelas alíquotas específicas de energia elétrica. E aqui devese fazer uma observação. Aos olhos do Estado, a relação existente entre um consumidor livre como a Recorrente, de um lado, e distribuidora e fornecedor de energia elétrica, de outro, continua sendo a compra e venda de energia elétrica. Tanto é assim que, no presente caso, enquanto a cobrança da TUSD é suportada por nota fiscal/conta de energia emitida com o Código de Operações e Prestações (CFOP) 5.253 ("Venda de energia elétrica para estabelecimento industrial"), com incidência de ICMS, a Recorrente, consumidor livre, registra a nota fiscal/conta de energia em seu Livro de Entrada com o CFOP 1.252 ("Compra de energia elétrica por estabelecimento industrial"), como pode ser verificado na planilha anexada aos autos (fls. 2664 a 2675). Como se verifica, o uso do sistema de distribuição remunerado pela TUSD e a aquisição de energia elétrica de agentes produtores/comercializadores são operações indissociáveis. Nesta modalidade, sem um não existe o outro, ou seja, a aquisição de energia elétrica pelo Consumidor Livre depende da ação de ambos os agentes, o que, a nosso ver, permite dizer que a aquisição de energia elétrica é uma operação resultante e só existe em razão da junção de ambas as operações, de modo que os valores pagos a título de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Fl. 5375DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 62 Diante disso, pensamos que a possibilidade de o consumidor de grande porte escolher o seu fornecedor e com ele negociar diretamente um preço mais competitivo que decorre da independência nas fases de geração, transmissão e distribuição permitidas com as alterações legislativas em questão , não modifica a operação de aquisição de energia elétrica nem deve acarretar modificações de ordem tributária. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a "energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica", no caso do Consumidor Livre, devemse entender incluídos os custos com a TUSD. Ante o exposto, voto no sentido de deferir o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, ora recorrente, no item em questão, reconhecendo o direito de desconto de crédito em relação aos gastos com TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3o, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3o, inciso III, da no 10.833/2003. É como voto. Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 5376DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.346 63 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Despesas de Energia Elétrica, TUSD e CUSD: Sobre esta matéria, com a máxima vênia das teses expostas, com brilho, pelo Relator, em seu voto, e pelo Redator designado, no seu voto vencedor, ouso deles divergir, cada um em ponto distinto, como vou expor mui resumidamente a seguir. Pedi oportunidade para registrar meu entendimento a respeito desse tópico sob a forma de declaração de voto. Animame a expectativa de poder participar dos diálogos que concorrem para que este Tribunal proponha um posicionamento interpretativo, dotado de natureza jurisprudencial, para pacificar essa matéria. Por definição legal, a TUSD (tarifa de uso dos sistemas de distribuição ) é um encargo, com base em lei (§ 6o do art. 15 da Lei no 9.074/1995), do setor elétrico que incide sobre o consumo daquele que está conectado aos sistemas elétricos das concessionárias de distribuição. Lei n. 9.074, de 1995 Seção III Das Opções de Compra de Energia Elétrica por parte dos Consumidores Art. 15. Respeitados os contratos de fornecimento vigentes, a prorrogação das atuais e as novas concessões serão feitas sem exclusividade de fornecimento de energia elétrica a consumidores com carga igual ou maior que 10.000 kW, atendidos em tensão igual ou superior a 69 kV, que podem optar por contratar seu fornecimento, no todo ou em parte, com produtor independente de energia elétrica. § 1o Decorridos três anos da publicação desta Lei, os consumidores referidos neste artigo poderão estender sua opção de compra a qualquer concessionário, permissionário ou autorizado de energia elétrica do sistema interligado. (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) § 2o Decorridos cinco anos da publicação desta Lei, os consumidores com carga igual ou superior a 3.000 kW, atendidos em tensão igual ou superior a 69 kV, poderão optar pela compra de energia elétrica a qualquer concessionário, permissionário ou autorizado de energia elétrica do mesmo sistema interligado. § 3o Após oito anos da publicação desta Lei, o poder concedente poderá diminuir os limites de carga e tensão estabelecidos neste e no art. 16. § 4o Os consumidores que não tiverem cláusulas de tempo determinado em seus contratos de fornecimento só poderão exercer a opção de que trata este artigo de acordo com prazos, formas e condições fixados em regulamentação específica, sendo que nenhum prazo poderá exceder a 36 (trinta e seis) meses, contado a partir da data de manifestação formal à concessionária, à permissionária ou à autorizada de distribuição que os atenda. (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) § 5o O exercício da opção pelo consumidor não poderá resultar em aumento tarifário para os consumidores remanescentes da concessionária de serviços Fl. 5377DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL 64 públicos de energia elétrica que haja perdido mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) § 6o É assegurado aos fornecedores e respectivos consumidores livre acesso aos sistemas de distribuição e transmissão de concessionário e permissionário de serviço público, mediante ressarcimento do custo de transporte envolvido, calculado com base em critérios fixados pelo poder concedente. § 7o O consumidor que exercer a opção prevista neste artigo e no art. 16 desta Lei deverá garantir o atendimento à totalidade de sua carga, mediante contratação, com um ou mais fornecedores, sujeito a penalidade pelo descumprimento dessa obrigação, observado o disposto no art. 3o, inciso X, da Lei no 9.427, de 26 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) § 8o Os consumidores que exercerem a opção prevista neste artigo e no art. 16 desta Lei poderão retornar à condição de consumidor atendido mediante tarifa regulada, garantida a continuidade da prestação dos serviços, nos termos da lei e da regulamentação, desde que informem à concessionária, à permissionária ou à autorizada de distribuição local, com antecedência mínima de 5 (cinco) anos. (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) § 9o Os prazos definidos nos §§ 4o e 8o deste artigo poderão ser reduzidos, a critério da concessionária, da permissionária ou da autorizada de distribuição local. (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) § 10. Até 31 de dezembro de 2009, respeitados os contratos vigentes, será facultada aos consumidores que pretendam utilizar, em suas unidades industriais, energia elétrica produzida por geração própria, em regime de autoprodução ou produção independente, a redução da demanda e da energia contratadas ou a substituição dos contratos de fornecimento por contratos de uso dos sistemas elétricos, mediante notificação à concessionária de distribuição ou geração, com antecedência mínima de 180 (cento e oitenta) dias. (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Art. 16. É de livre escolha dos novos consumidores, cuja carga seja igual ou maior que 3.000 kW, atendidos em qualquer tensão, o fornecedor com quem contratará sua compra de energia elétrica. E o CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição) se refere a um valor cobrado daquele que está conectado aos sistemas elétricos pelos serviços de gerenciamento da distribuição da energia elétrica. Esse valor tem base no contrato firmado entre o consumidor e a distribuidora. O TUSD tem sua origem em disposição de lei, e o CUSD tem sua origem em relação contratual. Ambos tratam do uso da rede, um como custo da rede (que a distribuidora cobra, recebe e redistribui ou repassa), outro como remuneração da distribuidora pela prestação de serviço ao consumidor final. Creio que o voto vencedor adota a perspectiva de que TUSD e CUSD compõem as despesas de energia elétrica, aliás perspectiva esposada por operadoras da área, como se pode ver pela simples consulta à rede mundial de computadores (internet). E sendo assim essas despesas mereceriam o mesmo tratamento das despesas de energia elétrica, como previstos pela legislação que disciplinam as contribuições sociais aqui em discussão. Creio que o voto vencido, de lavra do relator, diverge de que possam ser consideradas parte das despesas de energia elétrica e merecerem o tratamento reservadas a esse tipo de despesa. Além disso, o voto do relator não os consideram como referentes a serviços indispensáveis ao processo produtivo, passíveis de serem categorizados como insumos. Adicionalmente, ele considera que mesmo que assim o fossem, a decisão das instâncias Fl. 5378DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.096 S3C4T1 Fl. 5.347 65 anteriores deveriam ser mantidas por que o contribuinte se apoiou em fundamento diferente do que disciplina insumos, não podendo ser alterado nessa fase do contraditório. Distanciome do voto vencedor por entender que a tarifa TUSD e o preço CUSD constituem gastos necessários para se receber os serviços de distribuição e obtenção da energia elétrica. Eles não têm a mesma natureza que o próprio consumo da energia elétrica, mas estão a ele vinculados como serviço que antecede o consumo qual seja: o acesso e a distribuição da energia. Sendo assim, eles se referem a serviços necessários ao processo produtivo. Nesse ângulo, divergindo do voto vencido, entendo que eles merecem o tratamento reservado na legislação em comento para os gastos com insumos. E a qualidade da verdade material que caracteriza as operações referentes a esses gastos superaria o fato de o contribuinte ter solicitado o reconhecimento com outro fundamento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 5379DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 07/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por RO BSON JOSE BAYERL
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