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Numero do processo: 10840.721628/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora.
Numero da decisão: 1201-001.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para eximir o sujeito passivo da exigência do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL correspondente à receita informada na DIPJ/2009 (item 0002 do auto de infração). Vencido o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado que afastava, também, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Incorre em omissão de receitas o sujeito passivo que deixa de oferecer à tributação as receitas registradas nas notas fiscais por ele emitidas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por dois anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 08028.859, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza CE. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 361 e ss.): O relato do presente processo ocorrerá conforme a ordem cronológica dos fatos. 31 de maio de 2012 Iniciase do Procedimento Fiscal, fls. 2/4 , MPF n° 08.1.09.002012006863, referente ao tributo IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo ao período de 01/01/2008 a 31/12/2009. Onde o contribuinte foi intimado a apresentar livros contábeis e fiscais, bem como Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e de Prestação de Serviços. O sujeito passivo da ação fiscal é a empresa LUCAS DANIEL ZANFRILLE – ME, CNPJ 05.822.442/000137, constituída em 15 de agosto de 2003, na cidade de Ribeirão Preto/SP, tendo como atividade econômica principal a de “comércio varejista especializado de equipamentos de telefonia e comunicação” (CNAE: 4752100), exercendo nos anos sob fiscalização opção pelo lucro presumido. A documentação solicitada deveria ser apresentada no prazo de 20 dias a contar do recebimento do Termo de Início de Procedimento Fiscal. 01 de junho de 2012 O Auditor da Receita Federal do Brasil (AFRFB) emite Termo de Constatação Fiscal (fls. 5/6), onde relata que compareceu ao endereço da fiscalizada, à RUA CLEMENTE FERREIRA, 870 JARDIM SÃO LUIZ, em Ribeirão Preto, conforme consta no banco de dados da Receita Federal do Brasil, onde fora informado que LUCAS DANIEL ZANFRILLE, responsável pela empresa, não morava mais naquela residência e que havia vendido a propriedade em março de 2012, segundo informações de uma vizinha e que não soube informar o seu paradeiro. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 4 3 O AFRFB continua relatando suas tentativas de localizar o contribuinte, da seguinte forma: No dia seguinte, 01 de junho de 2012, consultamos o sistema informatizado da RFB (HOD) com o intuito de descobrirmos o domicílio da Pessoa Física LUCAS DANIEL ZANFRILLE, CPF N° 290.757.20831. O sistema de cadastro (CPF) nos informou a Rua Raul Peixoto, 509 Jardim Califórnia, nesta cidade, como o seu domicílio tributável, doc. anexo. Comparecemos ao local e o porteiro do prédio nos informou que o Sr. Lucas havia se mudado no ano passado. Consultamos também, no mesmo sistema RFB, o endereço de sua mãe, Maria Aparecida Correa Zanfrille, CPF n° 275.183.98869, o qual nos informou a Rua Antonio Lago, 525 no Jardim Presidente Dutra, nesta cidade. Nos deslocamos até a residência e no local não havia ninguém, de forma que se tornaram improfícuas todas as tentativas de notificação pessoal do contribuinte, conforme preconiza o art. 23, parágrafo 1o, inciso II.e parágrafo 2o, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal). Considerando a impossibilidade de localizar a fiscalizada, o AFRFB providenciou a emissão e afixação de edital na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto (EDITAL N° 021/2012/DRF/POR/SEFIS – fl 9), sendo afixado em 01/06/2012 e desafixado em 11/07/2012. A data de ciência ocorreria depois de 15 dias da data de afixação do Edital, conforme disposto no o art. 23, § 1º, inciso II e § 2º, Inciso IV do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972 (Processo Administrativo Fiscal). 29 de junho de 2012 O AFRFB solicita ao seu Supervisor, fl 53, a emissão de MPF de Diligência vinculada ao MPF de Fiscalização nº 08.1.09.002012006863, para a empresa Claro S/A, a fim de confirmar dados referentes a pagamentos realizados à empresa LUCAS DANIEL ZANFRILLE, declarados em DIRF (AC 2008 e AC 2009). Na mesma data é emitido o Registro de Procedimento Fiscal – Diligência nº 08.1.09.002012009188, fl. 54, destinado à coleta de informações e documentos, junto à empresa Claro S/A com a finalidade de subsidiar o procedimento de fiscalização sob análise. 12 de julho de 2012 É emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 088/2012, fl. 55, onde a empresa Claro S/A é intimada a apresentar documentação relativa aos valores declarados em DIRF (AC 2008 e AC 2009), referentes ao contribuinte Lucas Daniel ZanfrilleME, tais como: cópia de notas fiscais, contrato de prestação de serviço, individualmente cada pagamento efetuado, descrição dos motivos que ensejaram tais pagamentos. Solicita ainda cópia da Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 5 4 escrituração contábil onde foram escriturados os pagamentos e planilha que contenha os pagamentos mensais, bem como os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte. 20 de julho de 2012 A Claro S/A atende ao Termo de Intimação Fiscal nº 088/2012, conforme fls. 57/174. A empresa apresenta a seguinte documentação: Anexo I (fls. 59/66)– Dados de seus representantes legais por procuração e contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Lucas Daniel ZanfrilleME. Anexo II (fls.96/148)Partidas Fornecedor Lucas Daniel Zanfrille, Notas Fiscais emitidas pelo fiscalizado de 15/12/2007 a 09/12/2008 e de 12/01/2009 a 03/11/2009. Anexo III (fls.149/154) Escrituração contábil pagamento. Anexo IV (155/157) – Planilha Pagamentos Lucas Daniel Zanfrille. 19 de setembro de 2012 É emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 129/2012, fl. 159, onde a empresa Claro S/A é intimada a apresentar as notas fiscais emitidas pelo prestador de serviços Lucas Daniel ZanfrilleME nos meses de novembro e dezembro de 2009. 27 de setembro de 2012 A empresa Claro S/A atende ao Termo de Intimação Fiscal nº 129/2012, conforme fls.161/174, onde anexa as Notas Fiscais emitidas pelo fiscalizado em 03/11/2009. 31 de julho de 2012 a 06 de maio de 2013 A partir desta data foram emitidos pelo AFRFB vários Editais com a finalidade de dar ciência ao fiscalizado sobre a continuidade do Procedimento Fiscal, em atendimento ao disposto no art. 7º, § 2º do Decreto nº 70.235/72, conforme se segue: (...) 03 de julho de 2013 É lavrado Auto de Infração (fls. 184/256) contra o sujeito passivo Lucas Daniel Zanfrille – ME pela omissão de receitas da atividade – RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL considerando que o contribuinte emitiu as Notas Fiscais para recebimento junto a empresa pagadora e não há créditos tributários declarados nas respectivas DCTFs, caracterizando omissão de receitas da atividade. Nesta mesma data é emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls.257/258), nos termos do disposto nos art 124 e 135 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 6 5 da Lei 5.172/66 (CTN), tendo como sujeito passivo solidário da obrigação tributária o contribuinte Lucas Daniel Zanfrille, CPF 290.757.20831. Desta data é também o Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 261/270), abordando os seguintes aspectos: Que o procedimento fiscal foi formalizado a partir da análise das DIRFs (Declaração de Imposto Retido na Fonte AC 2008 e AC 2009), fls. 49 a 52, transmitidas pela empresa Claro S/A, CNPJ nº 40.432.544/000147, onde consta a informação de remuneração dos serviços prestados pela empresa LUCAS DANIEL ZANFRILLE – ME. Feita a comparação entre as DIRFs da Claro e as declarações DIPJ e DCTF da empresa fiscalizada, contatouse uma enorme discrepância de valores, conforme abaixo: (...) O relatório segue discorrendo sobre todos os procedimentos adotados pela fiscalização já descritos no presente relatório. O Auditor conclui o relatório da seguinte forma: CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO Diante das PROVAS MATERIAIS, a fiscalização CONCLUI que a fiscalizada não ofereceu à tributação a totalidade 100% (cem por cento) das receitas auferidas de forma REITERADA durante todos os trimestres dos anos calendários de 2008 e 2009, conforme demonstrativo abaixo, com a INTENÇÃO DOLOSA de alimentar os sistemas de cobranças com valores zerados e assim não pagar tributos, SENDO AFASTADA A POSSIBILIDADE DA OMISSÃO TER OCORRIDO POR ERRO, POIS A CONDUTA DE OMISSÃO DE RECEITA FOI REITERADA E OBSERVADA PARA TODOS OS TRIMESTRES DOS ANOS CALENDÁRIOS FISCALIZADOS E CONFIRMADA PELA APRESENTAÇÃO DAS DIPJ´s e DCTF’s. O Auditor explica que, nos trimestres do AnoCalendário 2008, a fiscalizada apresentou DIPJ declarando valores de receita bruta no montante de R$ 10.001,01, igual para os seguintes meses: 03/2008, 06/2008, 09/2008 e 12/2008. Desta forma, na descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração, cálculo do IRPJ, fl. 187, estes valores foram enquadrados como RECEITAS DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL, com a multa aplicada de 75,00%, diferentemente do restante do auto (OMISSÕES DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL – fl. 186) em que foi aplicada a multa agravada de 150,00%. Tal procedimento foi utilizado também para cálculo da CSLL (fl.216), COFINS (fl.236) e PIS (fl.246). Baseado nos documentos recebidos da empresa Claro S/A, tomadora dos serviços da empresa autuada, o Auditor elaborou Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 7 6 planilhas de cálculos que demonstram os valores recebidos mensalmente e trimestralmente pela fiscalizada (fls. 175/177). Os demonstrativos consolidados dos créditos tributários do processo e de apurações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para o PIS/PASEP encontramse no Auto de Infração, constante nas fls. 184 a 256 do presente processo. Quanto à multa agravada de 150% aplicadas às OMISSÕES DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL (aquelas não declaradas e não escrituradas), o Auditor justifica, da seguinte forma: O CONJUNTO PROBATÓRIO TRAZIDO AOS AUTOS É SÓLIDO E SUFICIENTE PARA CONFIRMAR AS PRÁTICAS DOLOSAS DA FISCALIZADA, QUE QUIS O RESULTADO DE SONEGAR TRIBUTOS AO DEIXAR DE DECLARAR AS TOTALIDADES DAS RECEITAS AUFERIDAS NOS ANOS FISCALIZADOS, TENDO O PROPÓSITO DELIBERADO DE IMPEDIR OU RETARDAR O CONHECIMENTO POR PARTE DA FAZENDA PÚBLICA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES, MATERIALIZANDO AS HIPÓTESES PREVISTAS NOS ARTIGOS 71 E 72 DA LEI 4.502/64 E ENSEJANDO NO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO PARA 150%, NOS TERMOS DO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI 9.430/96. Baseado nos arts. 135, III e 137, I, do CTN e no fato de que nos anoscalendário fiscalizados, 2008 e 2009, a administração da sociedade foi exercida somente pelo responsável Sr. LUCAS DANIEL ZANFRILLE, a Autoridade Fiscal lavra, em nome da citada pessoa física, o Termo de Sujeição Passiva Solidária. Finalmente, considerou a Autoridade Fiscal que no curso da ação fiscal foram identificadas situações que, “em tese”, configuram os crimes definidos no art. 1º da Lei nº 8.137/90, tais como: supressão ou redução de tributos provenientes da prática reiterada de omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias, inserir elementos inexatos ou omitir rendimentos ou operações de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerar se do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública. Assim, a fiscalização representou ao Ministério Público Federal contra o Sr. Lucas Daniel Zanfrille, CPF n.º: 290.757.20831. A referida Representação Fiscal para Fins Penais encontrase no processo 15956.720247/201357, apensado ao presente processo. O crédito tributário apurado, com acréscimos legais, está abaixo discriminado: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Tendo em vista a constatação de que a fiscalizada não foi encontrada no domicílio fiscal constante no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) da Receita Federal do Brasil e a dificuldade já relatada de encontrar o seu responsável, a ciência do Auto de Infração foi dada por Edital. 04 de julho de 2013 Através do EDITAL Nº 047/2013/DRF/RPO/SEFIS, fl. 271, afixado em 04/07/2013, é dada a ciência ao contribuinte do Auto de Infração e do respectivo Termo de Encerramento da ação fiscal. Nesta mesma data, é emitido o EDITAL Nº 048/2013/DRF/RPO/SEFIS, fl. 272, afixado em 04/07/2013, no qual o contribuinte é cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 257/258), decorrente do Auto de Infração formalizado no presente processo fiscal. 09 de agosto de 2013 Considerando que foi constatada a alteração (recente) do endereço do responsável pela empresa, é emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 132/2013, fl. 273, onde o responsável legal é cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, do Auto de Infração e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Em conjunto com a intimação, é enviado ao contribuinte cópia eletrônica integral do processo nº 10840721.628/201337 em uma “mídia CD”, contendo todos os documentos anexados à presente ação fiscal até a data da lavratura do Auto. 13 de agosto de 2013 O contribuinte toma ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 132/2013, AR à fl 276. 03 de setembro de 2013 A autuado apresenta impugnação contra o Auto de Infração formalizado no presente processo. Os aspectos abordados e questionados pelo contribuinte, fls. 280/337, sempre baseados em doutrinas de renomados juristas e em Acórdãos do CARF, do STJ e do STF, dentre outros, seguem abaixo de forma resumida: Termo de Sujeição Passiva – Alegação do impugnante: Não há documentos que comprovem tal sujeição passiva. Das Intimações do Impugnante e da tempestividade da presente impugnação – Alegação do impugnante: Apenas em 13/02/2013 tomou ciência do presente processo através do Termo de Intimação Fiscal nº. 132/2013, portanto, só a partir desta data deve iniciarse a contagem do prazo para a apresentação da Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 9 8 impugnação. Considera ilegal e inconstitucional a intimação feita por Edital. Decadência: aplicação do art. 150 § 4° do CTN (aplicação ao PIS/COFINS/IRPJ/IRRF e CSLL) Alegação do impugnante: O Auto foi lavrado em julho/2013, o período de jan a ago/2008 foi atingido pela decadência. Decadência: Aplicação do artigo 173, I, do CTN lançamento com bases trimestrais (Aplicação ao IRPJ/IRRF e CSLL) Alegação do impugnante: Houve decadência do período de jan/2008 a jun/2008 em virtude de a empresa ter apurado suas receitas, no anocalendário de 2008, com bases trimestrais. A contagem da decadência é trimestral, o exercício seguinte é sempre o trimestre subsequente. No caso do regime de apuração trimestral para o IRPJ considerase ocorrido o fato gerador ao final de cada trimestre, sendo esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Decadência: Aplicação do artigo 173, I, do CTN lançamento (aplicação ao PIS/COFINS/IRPJ/IRRF e CSLL) – Alegação do impugnante: Para o PIS e para a COFINS, cuja apuração é mensal, o exercício seguinte seria o próximo mês, estando abrangidos pela decadência os períodos de janeiro de 2008 a julho de 2008 e para o IRPJ, IRRF e CSSL, o prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte (considerandose a improvável superação do fato de que no ano de 2008 a apuração era trimestral, nos exatos termos acima delineados) a nesse caso a decadência iniciaria no primeiro dia do exercício seguinte. Cerceamento de defesa. Devido processo legal administrativo – Alegação do impugnante: Utilizando como fundamentação o art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal, afirma que não lhe foi assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários, não havendo a apresentação de planilhas que discriminassem, um a um, os valores utilizados como omissão de receita. Não foi comprovado o ingresso dos valores na conta da empresa. Há processo judicial pelo não recebimento de receitas da prestação de serviços para a Claro (informa o nº do processo). É possível verificar a existência de cerceamento de defesa com violação ao devido processo legal, uma vez que o lançamento não descreve claramente as razões fáticas e jurídicas da exigência de suposta diferença de tributo. Omissão de receitas / presunção de omissão de receitas receitas não escrituradas – Alegação do impugnante: A autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato tributário. Não é preciso muito esforço para se aferir que todas as notas fiscais que interessarem ao presente caso, deveriam constar dos presentes autos, sob pena de imprestabilidade da prova e absurda presunção. Ainda Fl. 493DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 10 9 que assim não seja, também resta evidente a necessidade de realização de perícia. Não houve a efetiva comprovação no tocante aos extratos bancários, bem como relativamente à emissão de notas calçadas, uma vez que a fiscalização pautouse na escrita do próprio contribuinte. Omissão de receitas / receitas nãoescrituradas / e o conceito constitucional de renda Alegação do impugnante: Para a apuração de renda (no sentido do artigo 43 do CTN, como aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica), pesam preponderantemente o confronto entre entradas e despesas, ambas devidamente identificadas. No Relatório Fiscal integrante do Auto de Infração, o Sr. Fiscal autuante não disfarça o fato de ter se esquecido das despesas, pois, em nenhum momento, faz alusão a elas. Assim, como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, a que se reporta o artigo 43 do Código Tributário Nacional, deve ser efetiva, não há margem para manutenção do lançamento. Também requer a realização de prova pericial. Da tributação reflexa – Alegação do impugnante: Reconhecida a improcedência do lançamento sobre o IRPJ também serão indevidos os lançamento sobre o PIS, COFINS e CSLL. Presunção de omissão de receitas PIS/ COFINS/CSLL/INSS SIMPLES/ falta de previsão legal Alegação do impugnante: No presente caso, a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. A presunção, por falta de previsão legal, não pode ser estendida para a tributação do PIS, COFINS, CSLL e dos demais tributos. A presunção, para efeitos de apuração de eventual omissão de renda, é permitida apenas para apuração do imposto sobre a renda. Para comprovar a falta de previsão legal, cabe esclarecer que somente com o advento da Medida Provisória n. 449/2008, art. 24, criouse a discutível possibilidade de se tributar, mediante presunção, eventual omissão de receita, com base em depósito bancário, para as contribuições sociais. Portanto, de rigor a insubsistência do Auto de Infração lavrado quanto ao PIS, COFINS, CSLL e INSS, por falta de previsão legal para presunção de omissão de receitas. Do aumento da base de cálculo da COFINS e do PIS Alegação do impugnante: A partir do mês de competência janeiro de 1999, por força da edição das Leis 9.715/98 e 9.718/98, as receitas operacionais passaram a compor a base de cálculo da COFINS e do PIS. Os artigos 3º e 8º da Lei n° 9.718/98, não apenas modificaram a base de cálculo da COFINS, como também elevaram indevidamente a alíquota de 2% para 3%. Houve alteração da base de cálculo da contribuição (passando de faturamento para receita bruta), sem a necessária alteração do art. 195 da Constituição Federal por Emenda Constitucional. Apenas com a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 16/12/98, foi acrescentada a expressão “receita” como forma de custeio da Seguridade Social. A Fl. 494DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 11 10 emenda Constitucional nº 20, de 16/12/98, não tem força para convalidar o art. 3º da Lei nº 9.718/98. Deve ser reconhecido o direito da impugnante de recolher o Cofins cobrado nos moldes previstos na Lei Complementar 70/91. Caso seja necessário, desde já requerse a realização da competente perícia técnico contábil para a correta aferição dos valores devidos. Lei Complementar x Lei Ordinária Alegação do impugnante: O art. 8º da Lei n°. 9.718/98, elevou a alíquota da COFINS de 2% para 3%, em relação aos fatos geradores que viessem a ocorrer a partir de fevereiro de 1999. A alíquota de 2% estava prevista no art. 2º da Lei Complementar n°. 70, DOU de 31.12.91. Podese dizer que a elevação de alíquota não tem validade alguma, em face do princípio da hierarquia das leis, nos termos do art. 59 da Constituição Federal. Da indevida inclusão do ISS e do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS Alegação do impugnante: O Supremo Tribunal Federal manifestouse no sentido de que o ICMS e o ISS não podem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento das empresas (conforme previsão das Leis Complementares 07/70 e 70/91). Tal assertiva reside no fato de que o valor do ICMS apenas transita pelo caixa das empresas, o qual, uma vez arrecadado, haverá de ser repassado aos cofres dos Estados. Das disposições específicas ao PIS – Alegação do impugnante: Quanto ao mérito, o lançamento também não procede, uma vez que o Sr. Agente Fiscal tomou como base de cálculo o valor do mês anterior à ocorrência do fato gerador, desrespeitando, portanto, o comando do art. 6º, parágrafo único da Lei Complementar 7/70, que dispõe que a base de cálculo a ser adotada para os fatos geradores da contribuição ao PIS é o faturamento do sexto mês anterior. A Lei Complementar n° 7/70, determinou que as empresas comerciais e industriais (como é o caso da Impugnante) contribuíssem a tal programa mediante a aplicação da alíquota de 0,5% (posteriormente elevada para 0,75% pela Lei Complementar n° 17/73) sobre o faturamento verificado no sexto mês anterior ao mês da ocorrência do fato gerador, à vista do disposto no seu artigo 3o, alínea "b", e artigo 6o, parágrafo único. O fato gerador, que se materializa mensalmente, não se confunde com o conceito de base de cálculo. Com a edição da legislação superveniente à Lei Complementar instituidora do PIS, notadamente a Lei Federal n° 7.799/89, bem como os Decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88, os conceitos de fato gerador e base de cálculo, até então distintos, passaram a fundirse, daí a verdadeira confusão jurídica até hoje reinante. A Lei ordinária não pode alterar a base de cálculo do PIS, que é expressamente prevista por Lei Complementar, restando a matéria relativa a prazo de recolhimento e indexação da contribuição sujeita a regulamentação por Lei Ordinária. Dos juros Alegação do impugnante: A incidência da TAXA SELIC sobre o suposto débito apontado no auto também não Fl. 495DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 12 11 encontra respaldo jurídico. O caráter estritamente remuneratório da TAXA SELIC não permite sua utilização para qualquer outra finalidade que não seja remunerar o capital alheio, não se prestando para a indenização objetivada nos juros moratórios. Assim, também por este motivo, qualquer exigência de juros em descompasso com as disposições constantes do artigo 161 do CTN são totalmente improcedentes. Da multa confiscatória aplicada Alegação do impugnante: As multas aplicadas, no auto de infração, ofendem aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. Ao menos, há de se reduzir a multa de 150% para 75%, uma vez que não se justifica a aplicação de multa qualificada por força de omissão de receitas relativas aos depósitos bancários. Em momento algum há de se entender que o simples fato de se omitir receitas supostamente alegadas pelo fisco como tributáveis justifica a alegação de dolo e fraude, capaz de se impor uma multa de 150%. Em tais condições, forçosa, ao menos, a redução da multa imputada para o patamar de 75%, eis que: i) a simples omissão de receitas não justifica o agravamento; ii) não houve a capitulação e descrição da atividade dolosa; iii) o simples fato de prestar informações que não são acolhidas pelo Fisco não comporta o agravamento; iv) a tributação por força de extratos bancários não impõe o agravamento de multa. Da não incidência de juros sobre a multa Alegação do impugnante: Não existe previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5o, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Do pedido do impugnante Rechaçados os argumentos do Sr. Fiscal autuante, resta demonstrada a insubsistência do auto de infração ora impugnado, razão pelo qual requer a improcedência do lançamento de IRPJ e reflexos lavrados, por sua manifesta inconsistência fática e jurídica, especialmente no tocante à existência de nulidades, bem como, para que seja ao menos reduzida a multa, nos exatos termos acima solicitados. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 415 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 496DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 13 12 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega a recorrente ter havido cerceamento do direito de defesa uma vez que o lançamento tributário foi realizado com base em depósitos bancários, sem que fossem indicados pela fiscalização, um a um, o ingressos tidos como omissão de receitas. Não assiste razão à defesa. Primeiramente devese esclarecer que o lançamento tributário não foi efetuado com base em presunção de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, e sim por omissão de receita com base em prova direta, qual seja, as notasfiscais emitidas pela ora recorrente em razão da prestação de serviços à BCP S/A (fl. 99 e ss.), cuja respectiva receita não foi informada em DIPJ. A relação de depósitos efetuados pela BCP S/A (fls. 97/98) veio apenas corroborar a acusação de omissão de receitas. Ademais, a interessada impugnou a acusação fiscal e recorreu da decisão de primeiro grau em peças que ocupam nada menos do que 55 páginas, demonstrando assim haver bem compreendido as infrações que lhe foram imputadas. Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. 3) DA OMISSÃO DE RECEITAS O auditor acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária: a) omissão de receita, relativamente aos anos de 2008 e 2009, em razão de não haver informado nas respectivas DIPJs as receitas auferidas com prestação de serviços. Sobre os tributos assim exigidos impôs multa qualificada, pelo evidente intuito de fraude; b) omissão de receita, no ano de 2008, em virtude de haver informado receitas na DIPJ mas não declarado os tributos devidos em DCTF. Não houve qualificação da multa de ofício. Logo de início é preciso destacar que a infração descrita em no item “b”, acima, não pode ser qualificada como omissão de receita, uma vez que as receitas ali referidas foram informadas na DIPJ/2009, no montante de R$ 10.001,01 para cada um dos quatro trimestres de 2008. Em verdade, tratase de mera divergência entre o valor dos tributos informados na DIPJ e o valor informado em DCTF, conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal (vide o primeiro demonstrativo da fl. 262). E como na DCTF não se declara receitas, mas apenas os tributos devidos, não há que se falar em omissão de receitas relativamente a essa declaração. Ademais, conforme extratos contidos na decisão da DRJ de origem (fls. 376/377), os tributos decorrentes dessas receitas, apesar de não informados em DCTF, foram recolhidos. Isso posto, devese afastar integralmente a parcela do lançamento aludida no item “b”, retro. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 14 13 Quanto à infração mencionada no item “a”, está cabalmente comprovada a sua ocorrência. De fato, apesar de haver emitido notas fiscais de prestação de serviços em favor de BCP S/A, a contribuinte omitiu de suas DIPJs referentes aos anos de 2008 e 2009 a quase totalidade das respectivas receitas. Dizse a “quase totalidade” porque, como visto anteriormente, em relação ao ano de 2008 a contribuinte declarou na DIPJ haver auferido em cada trimestre receitas no montante de R$ 10.001,01. E não há nenhum elemento presente nos autos que autorize concluir que a receita declarada na DIPJ não seja fruto da prestação de serviços à BCP S/A. Quanto às receitas não informadas nas DIPJs é de se dizer que, ao contrário do alegado pela recorrente, a infração não decorre de presunção e sim de prova direta. De fato, o ilícito é diretamente verificado pelo simples cotejo entre: (i) o montante das receitas presentes nas notas fiscais emitidas pela própria contribuinte (vide NFs à fl. 99 e ss.), e; (ii) o montante das receitas oferecidas à tributação na DIPJ/2009 (fl. 12 e ss.) e na DIPJ/2010 (fl. 28 e ss.). Também não socorre à recorrente a alegação de que a autoridade fiscal não levou em consideração as despesas incorridas pela empresa, infringindo assim o conceito constitucional de renda. É que o lançamento levou em conta a forma de tributação eleita pela própria contribuinte, qual seja, o lucro presumido. E nessa sistemática as despesas são, sim, levadas em consideração no coeficiente de presunção que, no caso de prestação de serviços, é de 32%. Em outras palavras, supõemse que a contribuinte incorreu em custos e despesas equivalentes a 68% de suas receitas. Devese também rejeitar o argumento da recorrente segundo o qual inexiste previsão em lei para tributação reflexa do PIS, Cofins e CSLL a partir de omissão de receita apurada no lançamento do IRPJ. De fato, o art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95 prescreve o seguinte: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (...) 4) DA CONDUTA DOLOSA A questão acerca do dolo da contribuinte quanto à prática da omissão de receita na prestação de serviços à BCP S/A é pressuposto para o exame da qualificação da multa de ofício e da decadência. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 15 14 Pois bem, como visto no item anterior deste voto, restou cabalmente comprovada a omissão de receitas uma vez que o montante das receitas informadas nas DIPJs é inferior ao montante das receitas registradas nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas à BCP S/A, conforme demonstrativo abaixo: Período Receita Registrada nas NFs Receita Declarada nas DIPJs Diferença 1º Trim. 2008 376.531,33 10.001,01 366.530,32 2º Trim. 2008 327.717,00 10.001,01 317.715,99 3º Trim. 2008 684.174,00 10.001,01 674.172,99 4º Trim. 2008 486.410,00 10.001,01 476.408,99 Total de 2008 1.874.832,33 40.004,04 1.834.828,29 1º Trim. 2009 448.655,00 0,00 448.655,00 2º Trim. 2009 648.371,00 0,00 648.371,00 3º Trim. 2009 635.286,00 0,00 635.286,00 4º Trim. 2009 161.337,00 0,00 161.337,00 Total de 2009 1.893.649,00 0,00 1.893.649,00 Como se vê acima, relativamente ao ano de 2008 a contribuinte informou ao Fisco irrisórios 2,13% do total das receitas auferidas com a prestação de serviços. Em relação a 2009 a situação é ainda pior, já que a ora recorrente informou ao Fisco não haver auferido receita alguma. Ademais, tal conduta omissiva foi praticada em todos os trimestres dos anos de 2008 e 2009 (recorrência), e os valores omitidos são expressivos quando comparados aos valores declarados (relevância). Pelo acima exposto, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, que a conduta da contribuinte não foi fruto de mero erro contábil ou de negligência, mas sim de sua vontade livre e consciente de fraudar o Erário Público (dolo). 5) DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Alega a defesa terem sido alcançados pelo decurso do prazo decadencial os créditos tributários do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a agosto de 2008, haja vista que somente foi cientificada do auto de infração em agosto de 2013 (AR à fl. 276). Não assiste razão à recorrente. Como a infração foi fruto de conduta dolosa, a termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é aquele previsto no abaixo transcrito art. 173, I, do CTN, e não o aludido no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Por outro lado, ao contrário do alegado pela defesa, exercício seguinte é o ano civil seguinte, e não o mês ou o trimestre seguinte à ocorrência do fato gerador. De fato, a duração do “exercício” encontrase estabelecida no art. 34 da Lei nº 4.320/64, in verbis: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 16 15 Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. (...) Isso posto, para o fato gerador mensal mais antigo, qual seja, o mês de janeiro de 2008, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2009 e se encerraria em 31/12/2013. Entretanto o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo antes desta data, em 13/08/2013. 6) DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Como é cediço, este Colegiado não detém competência para apreciar argumento que tenha por base a inconstitucionalidade de lei, conforme disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Ressaltese que o acima exposto vale, inclusive, para as arguições indiretas de inconstitucionalidade de lei, como é o caso das alegações de ilegalidade de lei ordinária frente ao CTN, já que tais questões somente podem ser decididas frente ao disposto no art. 146, III, da Lei Maior. Dito isso, não serão aqui apreciadas as seguintes questões suscitadas pela defesa, haja vista questionarem direta ou indiretamente a constitucionalidade de lei: a) elevação da base de cálculo do PIS/Cofins; b) elevação da alíquota da Cofins por lei ordinária; c) inclusão do ISS e do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins; d) semestralidade do PIS, revogada pela Lei nº 9.715/98; e) cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic; f) multa confiscatória. 7) Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Afirma a recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Também aqui não assiste razão à defesa. Isso porque a multa de ofício é parte integrante do crédito tributário, sobre o qual incidem os juros de mora. É o que estabelece o art. 161 do CTN, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 17 16 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme de observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora essa decisão não possua efeito vinculante perante esse Conselho, é importante ressaltar que o STJ vem reiteradamente admitindo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em decisões proferidas por ambas as Turmas de sua Primeira Seção. Da mesma forma, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que é cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme acórdãos nos 910100.539, 9101001.474, 9101001.657, 9303002.399, 9303002.400 e 9101001.678. 8) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário para eximir o sujeito passivo da exigência do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL correspondente à receita informada na DIPJ/2009 (item 0002 do auto de infração). (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10840.721628/201337 Acórdão n.º 1201001.293 S1C2T1 Fl. 18 17 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16004.001451/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/03/2007
CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. DOLO OU FRAUDE. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de fraude fiscal, inicia-se a contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 150, § 4º e 173, inciso I, do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE DA DECISÃO DO STF. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA N.º 2/CARF.
A inconstitucionalidade do art. 25, incisos I e II, da Lei nº. 8.212/91, declarada pelo STF em sede de Recurso Extraordinário (RE 363852/MG) não se subsume ao crédito tributário impugnado no caso concreto, o qual se refere à matéria diversa (art. 22, da Lei nº. 8.212/91).
Doutro modo, conforme Súmula n.º 2/CARF, este conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. DOCUMENTAÇÃO ESPECIFICADA PELA AUTORIDADE FISCAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
Restando demonstrados todos os valores devidos imputados pelo fisco, ainda que em planilha anexa ao auto de infração, cabe ao contribuinte realizar a impugnação específica de cada rubrica, apontando, caso exista, inconsistências ou inexistência de documentação contábil que fundamente o lançamento.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, sendo este fator impeditivo à apreciação da matéria por este conselho, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972.
PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. OPORTUNIDADE DE DEFESA.
Não está a Autoridade fiscal proibida de conhecer dos fatos constituintes de fraude fiscal obtidos por meio de investigação realizada por outros órgãos do Estado, desde que resguardada a oportunidade de exercício do direito de defesa.
Não há violação dos princípios do contraditório e ampla defesa quando ao contribuinte for oferecida oportunidade de impugnar os fatos a ele imputados em processo Administrativo Fiscal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. ADMINISTRAÇÃO CENTRALIZADA. VIOLAÇÃO À LEI. FRAUDE FISCAL.
Caracterizada a existência de grupo econômico sob administração centralizada e com desempenho de atividades conjuntas na persecução de objetivo comum, é devida a responsabilização solidária das empresas que o compõem.
A responsabilização passiva solidária de pessoas físicas relativamente a débitos de pessoas jurídicas se dá em razão do papel de gerenciamento, administração ou gestão realizado em contexto de violação da lei, nos termos do art. 135, do CTN, caracterizando o interesse do administrador na situação constituinte do fato gerador do tributo, sendo necessária para garantir o recolhimento do tributo devido, o qual será cobrado daqueles que se beneficiaram do produto de sonegação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da Sra. LUCÉLIA APARECIDA NUNES LACERDA. II) Por unanimidade de votos, com relação aos demais recursos voluntários, rejeitar as preliminares e no mérito negar provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/03/2007 CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. DOLO OU FRAUDE. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Comprovada a ocorrência de fraude fiscal, iniciase a contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 150, § 4º e 173, inciso I, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE DA DECISÃO DO STF. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA N.º 2/CARF. A inconstitucionalidade do art. 25, incisos I e II, da Lei nº. 8.212/91, declarada pelo STF em sede de Recurso Extraordinário (RE 363852/MG) não se subsume ao crédito tributário impugnado no caso concreto, o qual se refere à matéria diversa (art. 22, da Lei nº. 8.212/91). Doutro modo, conforme Súmula n.º 2/CARF, este conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. DOCUMENTAÇÃO ESPECIFICADA PELA AUTORIDADE FISCAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. Restando demonstrados todos os valores devidos imputados pelo fisco, ainda que em planilha anexa ao auto de infração, cabe ao contribuinte realizar a impugnação específica de cada rubrica, apontando, caso exista, inconsistências ou inexistência de documentação contábil que fundamente o lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, sendo este fator impeditivo à apreciação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 14 51 /2 00 8- 20 Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.959 2 matéria por este conselho, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. OPORTUNIDADE DE DEFESA. Não está a Autoridade fiscal proibida de conhecer dos fatos constituintes de fraude fiscal obtidos por meio de investigação realizada por outros órgãos do Estado, desde que resguardada a oportunidade de exercício do direito de defesa. Não há violação dos princípios do contraditório e ampla defesa quando ao contribuinte for oferecida oportunidade de impugnar os fatos a ele imputados em processo Administrativo Fiscal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. ADMINISTRAÇÃO CENTRALIZADA. VIOLAÇÃO À LEI. FRAUDE FISCAL. Caracterizada a existência de grupo econômico sob administração centralizada e com desempenho de atividades conjuntas na persecução de objetivo comum, é devida a responsabilização solidária das empresas que o compõem. A responsabilização passiva solidária de pessoas físicas relativamente a débitos de pessoas jurídicas se dá em razão do papel de gerenciamento, administração ou gestão realizado em contexto de violação da lei, nos termos do art. 135, do CTN, caracterizando o interesse do administrador na situação constituinte do fato gerador do tributo, sendo necessária para garantir o recolhimento do tributo devido, o qual será cobrado daqueles que se beneficiaram do produto de sonegação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.960 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da Sra. LUCÉLIA APARECIDA NUNES LACERDA. II) Por unanimidade de votos, com relação aos demais recursos voluntários, rejeitar as preliminares e no mérito negar provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.961 4 Relatório 1. Tratase de auto de infração lavrado contra a COFERFRIGO ATC LTDA., referente à contribuição previdenciária devida pela empresa sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, nos termos do artigo 22, inciso III, da Lei n.º 8.212/91. 2. Ao negar provimento à impugnação do contribuinte, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/POR) proferiu decisão que restou ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/03/2007 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo, assegurandose o contraditório e a ampla defesa aos litigantes, só se podendo falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o principio da substância sobre a forma. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É devida a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.962 5 RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo auditorfiscal da RFB. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua previsão legal e à necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." 3. Em sede recursal, a matéria em análise já foi objeto de apreciação por este conselho, o qual editou Resolução determinando a conversão do julgamento em diligência para que fossem juntados aos autos os documentos probatórios da existência de grupo econômico de fato, com fins de apuração de existência de responsabilidade passiva solidária, os quais foram acostados aos autos sob o título “Relatório de grupo econômico”, composta pelos anexos I e II. 4. Por oportuno, passo a reproduzir parte do relatório elaborado por este conselho. “(...). Esclarece [a autoridade fiscal] que a ação foi desenvolvida por uma junta fiscal e teve início em 01/2005, tendo sido retomada, em 05/10/2006, por determinação judicial, uma vez que a Policia Federal desencadeou a operação denominada "GRANDES LAGOS”, procedendo buscas e apreensões de documentos em diversos locais, com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados pela organização, constituída de várias células ou núcleos, cujo objetivo era sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades relacionadas às áreas trabalhistas e previdenciárias. Observa que o crédito tributário em comento foi lançado em nome de Coferfrigo ATC Ltda. "E OUTROS", vez que, analisando a documentação apreendida pela Policia Federal, Receita Federal do Brasil e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificouse que a empresa Coferfrigo ATC Ltda., juntamente com outras pessoas jurídicas, formam um grupo econômico de fato. A seguir, sintetiza algumas informações a respeito das empresas integrantes do grupo e informa que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.963 6 No item 25 do Relatório Fiscal (fls. 181), o agente autuante informa que o Relatório do Grupo Econômico Anexos I e II será encaminhado em arquivo digital, de acordo com o artigo 663, parágrafos 1° e 2° da IN 3/2005, alterado pela IN 851/2008 e, no item 27, esclarece que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estão a disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Os sujeitos passivos Alfeu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda. e CM4 Participações Ltda., apresentaram defesa tempestiva em conjunto, e o Sr. João Pereira Fraga, espólio, representado por João Adson Fraga (inventariante), também impugnou o lançamento. Apesar de devidamente cientificadas, as demais empresas que, segundo entendimento da fiscalização, integram o grupo econômico de fato e, nessa condição, são responsáveis solidárias pelo débito, não apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1426.538, da 9ª Turma da DRJ/RPO (fls. 786), julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário. Inconformados com a decisão, os recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda. e CM4 Participações Ltda., considerados pela fiscalização como corresponsáveis pelo débito, apresentaram recurso tempestivo em conjunto (fls. 881), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reiteram que os Recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, foram considerados responsáveis solidários pelo débito tendo como única fundamentação para tanto um "Relatório da Polícia Federal", extraído de Inquérito Policial, sendo certo que a ação penal até a data de hoje não transitou em julgado. Entendem que o presente Auto de Infração é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como viola o principio da presunção de inocência, além do órgão autuador não ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que lhe competia. Defendem que a prova emprestada do Inquérito Policial presidido por Delegado da Policia Federal não é meio Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.964 7 licito para se fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes, uma vez que não foram observados os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório no processo onde ela foi produzida. Reafirmam que, no caso dos autos, o órgão autuador não fez prova licita alguma da responsabilidade dos Recorrentes, o que impõe a nulidade/inconsistência do auto de infração sobre a responsabilidade atribuída aos mesmos e discorre sobre o princípio da presunção da inocência, tentando demonstrar que apenas após o trânsito em julgado da ação criminal é que se poderia afirmar algo. Finalizam requerendo que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado nulo o AI. O recorrente Sr. João Pereira Fragaespólio, considerado corresponsável pelo débito, representado por João Adson Fraga (inventariante), apresentou recurso tempestivo (fls. 894) requerendo, inicialmente, que o Espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, falecido em 02/10/08, seja excluído da condição de passivo solidário. Traz o histórico da empresa COFERCARNES COMERCIAL FENANDOPOLOIS DE CARNES LTDA, da qual seu falecido pai e sua mãe eram sócios fundadores, desde sua constituição. Informa que, após separação judicial, sua mãe vendeu 50% do Capital Social da COFERCARNES para ALFEU MOZAQUADRO, que colocou essas quotas de capital social em nome da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual era o proprietário, e impôs que a planta do imóvel industrial fosse integralmente arrendada para uma filial da empresa COFERFRIGO ATC LTDA que, apesar de pertencer no papel a Valter Francisco Rodrigues Junior, havia fortes suspeitas de a mesma pertencer de fato ao Sr. ALFEU, uma vez que foi ele quem pessoalmente determinou o arrendamento das instalações do frigorífico Cofercarnes, entabulou o preço e as condições do arrendamento. Discorre sobre o temperamento do Sr. Alfeu e a sociedade, que durou apenas oito meses, concluindo que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela empresa COFERFRIGO ATC LTDA, da qual não fora sócio, por ter deixado esta empresa de arrecadar contribuições devidas no período de 01/12/2002 a 31/10/2006. Tenta demonstrar que inexiste qualquer relação mercantil ou comercial de seu pai com as empresas mencionadas no Processo e requer a exclusão de seu pai da responsabilidade solidária pelos débitos devidos pela Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.965 8 empresa COFERFRIGO, da qual não tinha o menor conhecimento e da qual não participava, por quaisquer de suas formas. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por falta de clareza, argumentando que as autoridades fiscais não indicaram a conta contábil ou outro elemento constante da escrituração contábil da COFERFRIGO das quais foram extraídas as importâncias oras lançadas, bem como não elencaram, nos autos, quais seriam as remunerações admitidas como base de cálculo das contribuições ou pagamentos que se sucedeu a esse título, denotando que não avaliou ou não se aprofundou suficientemente na natureza das rubricas, desconhecida do recorrente. Entende que houve cerceamento de defesa por terlhe sido entregue apenas um CDR, o que impediu o inventariante de manipular os documentos que o fisco julga supostamente representativas das operações praticadas pela Coferfrigo. Sustenta que o arbitramento e o termo de sujeição passiva solidária sobre as contribuições que o Fisco julga devidas pela COFERFRIGO ATC LTDA se deram apenas e estritamente por presunção. Assevera que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, exigindo dos solidários, no caso o espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, os tributos eventualmente devidos por aquela, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria. Informa que as empresas que, segundo o fisco, integram o grupo econômico Mozaquatro, declararam espontaneamente, nos prazos regulares, toda a movimentação fiscal e contábil em seus nomes, mediante entrega das DCTFs, nos respectivos anos calendário, bem como as Declarações de Rendas Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2002 a 2006, sendo que o fisco não poderia estender a responsabilidade pelo débito constituído em face da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, em razão de que tal prática não está autorizada pelo artigo 135, inciso III, do CTN. Argumenta que, não sendo JOÃO PEREIRA FRAGA diretor, gerente ou representante da COFERFRIGO ATC LTDA, não responde por ela, não podendo a cobrança por tais descumprimentos ser redirecionada para a pessoa física de seu pai, como solidário, por não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135, do CTN, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.966 9 Infere que não é possível, ao Fisco, atribuir a seu falecido pai a responsabilidade pela não retenção de contribuições previdenciárias que seriam de ordem da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., do denominado GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO, uma vez que, em nenhum momento, os fiscais autuantes lograram comprovar a existência do vinculo entre a citada empresa e a pessoa do Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal contra ele. Insurgese contra a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia limitada, que depende de lei ordinária para sua regulamentação e reitera que a empresa de seu pai estava paralisada no período entre 10/2004 a 10/2006, não podendo, portanto, responder pelos débitos previdenciários da empresa Coferfrigo, integrante, segundo o fisco, de um grupo econômico, com empresas instaladas em vários municípios e em outros Estados. Discorre sobre contrato de arrendamento mercantil para tentar demonstrar que o arrendador não responde pelos tributos devidos pela Arrendatária ou outras empresas das quais a Arrendatária seja signatária ou faça parte e conclui que, no caso em apreço, o Espólio de FRAGA, como arrendador, não possuía a obrigação de proceder a retenção ou arrecadar contribuições devidas pela empresa COFERFRIGO ATC. Insiste no entendimento de que ocorrera a decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o contribuinte entregou regularmente ao INSS as informações concernentes a todas contribuições previdenciárias relativas ao período fiscalizado, bem como sequer ocorreu indícios de fraude, dolo ou simulação comprovados. No mérito, reitera que seu pai nunca foi sócio, de fato ou de direito da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, bem como não restou provado, nos autos, que seu falecido pai, João Pereira Fraga, tivesse qualquer participação com as empresas do denominado "GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO”, e nem que seria solidariamente responsável pelos débitos supostamente devidos pelas empresas acima nos períodos mencionados, havendo, no caso, apenas presunções, ou seja, indícios sem comprovações. Entende que, no caso em tela, os fiscais autuantes promoveram o lançamento contra a empresa Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.967 10 COFERFRIGO ATC LTDA por ter deixado de arrecadar, no período de 12/2002 a 10/2006, contribuições de segurados, e quer atribuir, por presunção, a responsabilidade pela falta das retenções ao Espólio de Joao Pereira Fraga, alegando que no período de 15.10.04 a 14.10.05 teria arrendado a planta do seu estabelecimento frigorífico para a empresa COFERFRIGO ATC LTDA, como parte integrante do "Núcleo Mozaquatro" e que, assim o sendo, em decorrência do arrendamento, dele também é parte integrante. Informa que o Espólio tentou o acesso aos documentos que estão em poder da empresa COFERFRIGO e junto à fiscalização federal e estadual para promover a sua defesa, o que lhe foi negado, sob a alegação de que João Pereira Fraga ou o Espólio não fazem parte do quadro societário e há impedimento legal para o acesso, e chama atenção para o fato de que nem mesmo os fiscais autuantes tiveram total acesso a contabilidade da empresa envolvida. Discorre sobre o instituto da solidariedade e traz a doutrina para reforçar o entendimento de que o fisco não poderia incluir o espólio no polo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da Coferfrigo. Quanto à subrogação da compra de gado bovino, traz a decisão do STF no sentido de que os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nºs 8.540/92 e n° 9.528/97, é inconstitucional. Finaliza, requerendo, em obediência ao principio constitucional de celeridade e economia processual, a improcedência, de plano, da presente exigência fiscal e, pelas razões expostas, sejam acolhidas as preliminares levantadas para, ao final, decretar a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga na multa aplicada contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA. Lucélia Aparecida Nunes Lacerda, sócia do Frigorífico Mega Boi Ltda., que, segundo o fisco, é uma das empresas integrantes do grupo econômico, também apresentou recurso (fls. 960), alegando que nunca foi dona de empresa, que não sabia como era a operação da empresa e tampouco injetou dinheiro para ser sócia de empresa, sendo que recebia seu salário da empresa Frigorífico Lister Ltda., administrada pelo Sr. Ivo Chiodi de Jesus e, posteriormente, pela empresa Coferfrigo Atc Ltda. e Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.968 11 Friverde Industria de Alimentos Ltda. de Campina Verde, MG, que era administrada pelo Sr. Djalma Buzolin. Informa que nunca teve casa para morar, vive de aluguel e com um recurso financeiro de R$ 1.155,00 do INSS, que recebeu mais 14 cópias de processos da Receita Federal, leuos, mas não entendeu do assunto mencionado, que nem conhece várias empresas e pessoas mencionadas nos processos, mas somente as empresas e pessoas que trabalharam em Campina Verde — MG. Às fls. 971, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua procuradora, com fundamento no art. 48, §2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário”. 5. Cumprida a diligência e devidamente cientificados os sujeitos passivos, sem apresentação de novas alegações, retornaram os autos para análise deste conselho. É o relatório. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.969 12 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DOS PROCESSOS APENSADOS A ESTES AUTOS 2. Correm apensos diversos processos cujo fundo de direito será discutido no presente feito, havendo inclusive a apresentação de mesmo recurso voluntário por parte dos recorrentes em todos eles, razão pela qual este voto aproveitará aos processos 16004.001446/200817, 16004.001443/200883, 16004.001445/200872, 16004.001455/2008 16, 16004.001449/200851 e 16004.001450/200885. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA 3. Inicialmente, no que se refere à alegação do contribuinte de que as parcelas relativas a 12/2002 a 11/2003 estariam sujeitas a decadência, pois que antecedem o quinquênio anterior ao lançamento, a 9ª Turma DRJ/RPO entendeu pela não caracterização do instituto, em razão da inexistência de pagamento antecipado e constatação de fraude fiscal. Abaixo, trecho do acórdão da DRJ/RPO: “Não ocorrendo qualquer pagamento relativo à obrigação ou no caso de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, contase o mesmo prazo de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN.” 4. No caso em tela, em se tratando de contribuição previdenciária cujo lançamento se dá por homologação, disciplina o artigo 150, §4 do CTN: "§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." 5. Nessa perspectiva, observo que de fato não há qualquer prova do pagamento antecipado do tributo lançado, além de que restou caracterizada a fraude e simulação contra a Fazenda, razão pela qual a contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciase no exercício seguinte àquele em que a Fazenda poderia efetuar o lançamento, nos Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.970 13 termos do art. 173, inciso I, do CTN, daí porque, ainda que o presente feito tenha sido instaurado em 11/2008, a alegação de decadência do direito de cobrança dos valores relativos às competências de 12/2002 a 11/2003 não merece acolhida. DA INCONSTITUCIONALIDADE 6. Quanto à preliminar de inconstitucionalidade suscitada pelo recorrente João Pereira Fraga, o qual invoca jurisprudência do STF no RE 363852/MG, observo que o referido decisum não se aplica ao caso em análise, haja vista que o lançamento tributário ora impugnado trata da totalidade das contribuições sociais devidas pela empresa que sustenta atividade agroindustrial, nada tendo a ver com as contribuições específicas de que trata o art. 25, incisos I e II, da Lei nº. 8.212/91 (FUNRURAL), efetivamente declaradas inconstitucionais por aquela corte. 7. Assim, consta do relatório fiscal (fls. 160), o crédito tributário ora constituído "(...) referese contribuição social destinada à Seguridade Social, a cargo da empresa, disciplinada no artigo 22, Ill da Lei 8.212/91, incidente sobre os valores dos pagamentos efetuados a contribuintes individuais.", razão pela qual não há qualquer inconstitucionalidade declarada relativamente a tal dispositivo legal. 8. Ademais, conforme entendimento sumulado (Súmula n.º 02/CARF): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 9. Diante disso, resta prejudicada as alegações da recorrente quanto à inconstitucionalidade do lançamento. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO 10. No que se refere à preliminar suscitada por João Pereira Fraga, relativa à falta de especificação ou clareza das rubricas contábeis utilizadas pela autoridade fiscal para efetuar lançamento, cumpre ressaltar que a apuração dos valores devidos ao fisco foi realizada em se considerando a totalidade da receita bruta de faturamento da autuada, nos termos do art. 30, da Lei nº. 8.212/91, demonstrados em planilhas lastreadas em documentação anexada ao relatório fiscal, tais como notas fiscais, faturamentos, produto final da venda e comercialização, etc. 11. Nesta senda, não há o que se falar em falta de clareza do Relatório Fiscal, nem tampouco em cerceamento do direito de defesa pela não especificação dos elementos que compõem a base de cálculo do lançamento efetuado, uma vez que, demonstrados todos os valores utilizados pelo fisco em planilha anexa ao auto de infração, o contribuinte deve realizar a impugnação específica de cada rubrica, apontando, caso exista, qualquer inconsistência ou falta de documentação contábil que fundamente o lançamento. 12. No que se tange às alegações trazidas em sede de recurso voluntário interposto em conjunto por Alfeu Mozaquatro, Patrícia Mozaquatro, Marcelo Mozaquatro, Industrias Reunidas e CM4 Participações, suscitam os recorrentes a existência de nulidade dos autos de infração ora impugnados por serem ilegais e se utilizarem exclusivamente documentos Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.971 14 probatórios de inquérito policial, os quais não foram apreciados em processo judicial e submetidos ao crivo do contraditório e ampla defesa, razão pela qual seriam nulos. 13. Entretanto, muito embora a autoridade fiscal tenha se utilizado de informações fornecidas pela Polícia Federal, não há qualquer vedação legal para análise de fatos apurados por outros órgãos fiscalizadores, razão pela qual a Administração Publica não pode se omitir de apurar todas as situações constituintes do fato gerador, contemplando o interesse público e o princípio da verdade material. 14. A propósito do tema, manifestouse o STF: "PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento administrativo disciplinar, contra os mesmos servidores. Admissibilidade. Resposta afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF, e do art. 1º da Lei federal nº 9.296/96. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos. (STF InqQO: 2424 RJ , Relator: CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 25/04/2007, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe087 DIVULG 23082007 PUBLIC 24082007 DJ 2408 2007 PP00055 EMENT VOL0228601 PP00109). 15. Além disso, no que se refere à alegação de cerceamento de defesa, imperioso destacar que o contribuinte poderia e deveria promover impugnação dos fatos apurados pela autoridade fiscal no presente processo administrativo, daí porque, havendo possibilidade de impugnação das provas e fatos imputados ao contribuinte ao longo do processo fiscal, resta insubsistente a alegação de cerceamento de defesa. 16. Ressaltese ainda que, em se tratando de apuração de responsabilização passiva solidária, a autoridade fiscal deve utilizar documentos que atestem a existência de atividades conjuntas ou relações de prestações de serviço mútuo que comprovem a persecução de objeto comum por diversas pessoas jurídicas, constatandose, por conseguinte, a existência de grupo econômico de fato e, consequentemente, interesse comum, nos termos do artigo 135, do CTN. 17. No caso em tela, todos os documentos que fundamentam o lançamento tributário e a atribuição de responsabilidade passiva solidária estão devidamente descritos nos anexos I e II dos autos (relatório de grupo econômico), os quais foram entregues a cada uma das autuadas, juntamente com termo de sujeição passiva solidária (fls. 609/636), razão pela qual entendo que os autos de infração lavrados contra as recorrentes preenchem os requisitos elencados no art. 10, do Decreto nº. 70.235/72. DO MÉRITO Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.972 15 DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA 18. Superadas as questões preliminares relativas à validade e legalidade dos autos de infração, observo que, no mérito restante, nenhum dos contribuintes promoveu impugnação específica a qualquer dos valores ou rubricas discriminados nos autos de infração, restando caracterizada a preclusão. 19. Dessa forma, considerando a generalidade do recurso, que repetiu os mesmos termos contidos na impugnação, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. 20. Sobre o tema, trago jurisprudência deste Conselho: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao Conselho de Contribuintes apreciála (Decreto no 70.235/72, art. 17, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97). Processo nº. : 10280.004214/200280 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. Processo nº. 35464.002340/200604 MATÉRIA PRECLUSA – Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Processo nº. : 15374.004371/200189 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não contestada pelo sujeito passivo está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo tornase consolidado. Processo nº. : 11516.001652/2005 91 RECURSO VOLUNTÁRIO – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO – é preclusa a discussão em sede recursal de matéria para a qual não houve impugnação, tendo como efeito a constituição definitiva do crédito tributário no âmbito administrativo. Processo nº. : 10980.008007/200398 MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerase incontroversa a matéria objeto de recurso, quando não impugnada em primeiro grau. Processo nº. : 10540.000616/200388." Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.973 16 21. Resta, portanto, apenas a análise do conjunto probatório trazido aos autos, com fins de apuração de legitimidade e responsabilidade passiva solidária das empresas autuadas. LEGITIMIDADE PASSIVA. 22. Em análise à documentação trazida, observo que restou incontroverso a legitimidade passiva da principal autuada, COPERFRIGO ATC LTDA., no que se refere às contribuições previdenciárias e sociais devidas, apuradas entre 12/2002 e 06/2008. 23. Tal se dá porque, conforme apurado pela Receita Federal e em investigação da Polícia Federal, a empresa COFERFRIGO, por meio de seus administradores de fato, utilizouse de artifícios contáveis e fraudes fiscais, promovendo a criação de diversas pessoas jurídicas titularizadas por interpostas pessoas, as quais contribuíram para a consecução da atividade fim, fornecendo mão de obra, arrendando instalações e até mesmo exercendo a atividade extrativista agroindustrial, objetivando pura e simplesmente o não recolhimento do imposto devido. 24. Além disso, a principal autuada não ofereceu qualquer impugnação ao lançamento efetuado, restando caracterizada a revelia. Nos termos do art. 21, do Decreto nº 70.235, de 1972. 25. Apenas os autuados e João Pereira Fraga, Lucélia Aparecida Nunes, Alfeu Mozaquatro, Patrícia Mozaquatro, Marcelo Mozaquatro, Indústrias Reunidas Ltda. e CM4 Participações Ltda., ofereceram contestação ao lançamento, razão pela qual será analisada a responsabilidade solidária apenas em relação a eles. DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA PESSOA JURÍDICA 26. De fato, o instituto da responsabilidade solidária consta expressamente no art. 30 da Lei nº. 8.212/91, relativamente a empresas que compõem mesmo grupo econômico. 27. Por sua vez, quanto à necessidade de definição de grupo econômico, com fins de apuração de solidariedade passiva relativa a contribuições devidas à Seguridade social, temse que o conceito mais abrangente e adequado ao fim almejado encontrase estipulado na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, conforme o parágrafo 2º do artigo 2º, in verbis: “Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” 28. Nesse aspecto, a existência de grupo econômico deve ser demonstrada por meio das relações de fato ou de direito entre as empresas autuadas, de forma a configurar interesse comum na situação constituinte do fato gerador, bem como deve ser demonstrada a Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.974 17 existência de administração central ou preeminência de um grupo com poderes decisórios sobre os demais. 29. No presente caso, observase que as empresas recorrentes CM4 Participações e Indústrias Reunidas CMA, únicas empresas a apresentarem recurso voluntário, abrigavam o núcleo administrativo do grupo econômico, ou o centro decisório, tendo seu capital constituído pelo patrimônio da família Mozaquatro, a qual promovia e gerenciava o esquema de sonegação fiscal, conforme demonstram as documentações colhidas pelo fisco e as informações apuradas pela Polícia Federal. 30. Tais empresas, ostensivas do grupo Mozaquatro, participavam ativamente da atividade desempenhada pelo grupo econômico, tendo diversas instalações arrendadas a outras empresas do grupo, estas últimas constituídas por pessoas interpostas (laranjas), com fins de desempenhar a atividade agroindustrial fim e eximir as empresas arrendadoras da responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido. 31. Dessa forma, caracterizada a existência de atividade conjunta na persecução de objetivo comum, bem como havendo administração única, entendo que razão assiste à autoridade fiscal na atribuição de responsabilidade solidária às recorrentes. DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA PESSOAS FÍSICAS 32. Por sua vez, no que se refere à responsabilização solidária de pessoas físicas, disciplina o art. 135 do CTN: "São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." 33. A respeito do tema, o e. STF, ao analisar o artigo 135 do CTN, no RE nº 562.276/PR, estabelece que os gestores ou administradores das pessoas jurídicas somente serão pessoalmente responsabilizados se incorrerem em violação de contrato social, excedendo seus poderes de gestão, ou ainda quando na violação ou infração de lei. 34. Assim, verificase que, havendo comprovada pratica de atos em infração à lei tributária, claramente objetivando a fraude fiscal, caracterizada está à responsabilidade dos administradores das empresas do grupo econômico. 35. No caso em comento, tendo em vista suas peculiaridades, cabem considerações sobre o papel dos autuados pessoas físicas, haja vista se tratar de administradores e operados de do grupo econômico de fato. NÚCLEO MOZAQUATRO Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.975 18 36. Conforme relatório de grupo econômico (cf. fls. 3.881 do Vol. XXI, do Anexo II do PAF 16004.001445/200872), o grupo da família Mozaquatro foi gerenciador e beneficiário direto do esquema de fraude contra o fisco, sendo constituído por Alfeu Mozaquatro, principal líder e articulador do esquema, bem como por Marcelo Mozaquatro e Patrícia Mozaquatro, todos detentores de parte do capital social, ou ainda apenas administradores das empresas ostensivas do grupo, tais como CM4 Participações e Industrias Reunidas. 37. O papel de gerência foi evidenciado pelas investigações da Polícia Federal, bem como pela auditoria realizada pela Receita, na qual foram analisados extratos de movimentações bancárias, notas fiscais emitidas em nome de laranjas e entregues à família Mozaquatro para conferência e contabilidade, arquivos magnéticos em posse dos investigados, nos quais se evidenciava relatórios contábeis das diversas empresas do grupo econômico, inquérito policial que indicava o acesso dos participantes do grupo às contas bancárias das diversas empresas envolvidas no esquema, etc. 38. Assim, atuando como administradores e principais beneficiários das receitas obtidas pelo grupo econômico, bem como configurada a fraude fiscal em violação da lei tributária, caracterizada está a solidariedade passiva, nos termos dos artigos 135, inciso III e 116, parágrafo único, do Código tributário Nacional. JOAO PEREIRA FRAGA 39. Em sede de recurso voluntário, as alegações da defesa de João Pereira Fraga (espólio) se dão no sentido de que, diferentemente das outras empresas criadas com interpostas pessoas, a empresa COFERCARNES e seu sócio administrador João Pereira Fraga gozavam de autonomia em relação ao grupo econômico, afirmando que as relações entre o autuado solidário e o grupo Mozaquatro eram meramente contratuais, não prolongadas por mais de oito meses, havendo inclusive pedido extrajudicial destinado à COPERFRIGO para que esta desocupasse as instalações arrendadas pela COFERCARNES. 40. Entretanto, em análise ao conjunto probatório trazido aos autos (cf. fls. 4.086 do Vol. XXI, do Anexo II, do PAF 16004.001445/200872), observo que dentre a documentação apurada pela Receita Federal foram encontrados: a) notas fiscais das empresas do grupo Mozaquatro e das demais empresas que compunham o grupo econômico, nas quais foi constatada existência de assinatura de João Pereira Fraga; b) cheques em branco, assinados por sócios administradores das empresas do referido grupo econômico e entregues à pessoa de João Pereira Fraga; e por fim c) extratos de movimentações bancárias de contas do grupo econômico; bem como d) informações apuradas pela Polícia Federal evidenciando que o autuado tinha acesso a diversas contas bancárias das empresas do grupo econômico (cf. fls. 496 do relatório de grupo econômico, anexo I), evidenciando que João Pereira Fraga era de fato um dos gerenciadores do esquema de sonegação fiscal. 41. Dessa forma, é de se concluir que a autonomia exercida por João Pereira Fraga decorre de seu papel central na administração do esquema do grupo Mozaquatro, devendolhe ser atribuída a responsabilidade solidária. 42. Sob esse aspecto, as alegações de que o referido contribuinte não compunha os quadros societários das empresas participantes do grupo econômico e que, portanto, não poderia ser considerado responsável pelos débitos de uma pessoa jurídica que não lhe pertencia não merecem prosperar, haja vista que a responsabilização passiva solidária de Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001451/200820 Acórdão n.º 2402004.790 S2C4T2 Fl. 2.976 19 pessoas físicas relativamente a débitos de pessoas jurídicas se dá em razão do papel de gerenciamento e gestão realizado em contexto de violação da lei, o que caracteriza o interesse do administrador na situação constituinte do fato gerador do tributo, daí porque, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, é correta a imputação de responsabilidade passiva solidária a JOAO FRAGA, uma vez que figurava como beneficiário e administrador do grupo econômico em questão. 43. Concluindo no particular, a responsabilização de pessoa física decorrente da gerência exercida em contexto de fraude fiscal, ainda que administrador de fato, destinase a garantir o recolhimento do tributo devido, o qual será cobrado daqueles que se beneficiaram diretamente do produto de sonegação, agindo em conluio, conforme definição constante no art. 73 da Lei nº. 4.502/64. LUCÉLIA APARECIDA NUNES LACERDA 44. No que se refere ao recurso interposto por Lucélia Aparecida Nunes Lacerda (fls. 2916/2917), tida nominalmente como sócia administradora de uma das autuadas solidárias, observo que não há prova nos autos de sua participação efetiva no esquema de sonegação fiscal, nem tampouco há qualquer evidencia de sua condição de administradora de fato do grupo econômico ou qualquer atuação em excesso de poder ou infração à lei que possa ensejar sua responsabilização enquanto pessoa física, nos termos do art. 135 e incisos, do CTN, além de que não consta nos autos termo de sujeição passiva solidária, razão pela qual a recorrente não integra de fato o polo passivo da presente demanda, não havendo o que se falar em sua responsabilização pelo débito apurado. 45. Portanto, não conheço do recurso apresentado por Lucélia Aparecida Nunes Lacerda por falta de legitimidade passiva (ausência do termo de sujeição passiva, bem como do relatório de corresponsável). CONCLUSÃO 46. Por todo o exposto, não conheço do recurso interposto por Lucélia Aparecida Nunes Lacerda, conheço dos recursos apresentados pelos demais sujeitos passivos, para, no mérito, negarlhes provimento, mantendo o lançamento nos termos da decisão de primeira instância. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006857/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CSLL POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO.
Improcede a exigência de CSLL e seus consectários (multa proporcional e juros de mora) por utilização de crédito de terceiro na compensação se o crédito alegado era de titularidade de empresa incorporada pela contribuinte, antes de intentar a compensação.
Numero da decisão: 1201-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.O Conselheiro João Thomé acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 05/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Ester Marques Lins de Souza.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Improcede a exigência de CSLL e seus consectários (multa proporcional e juros de mora) por utilização de crédito de terceiro na compensação se o crédito alegado era de titularidade de empresa incorporada pela contribuinte, antes de intentar a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.O Conselheiro João Thomé acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 05/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Ester Marques Lins de Souza. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 68 57 /2 00 7- 85 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 A recorrente teve lavrado contra si auto de infração relativo à CSLL do mês de dezembro de 1999, por ter supostamente compensado indevidamente o valor do tributo com crédito que não lhe pertencia. Do Campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do Auto de Infração, denotase que o recorrente “solicitou a compensação na Declaração de Compensação apresentada em 29/05/2006” (cópias fls.), no processo nº 10980005479/200631. Verificouse que para o referido mês de 12/99, o contribuinte informou estimativa devida (CSLL2372), em sua DIPJ/2000, entretanto, “não confessou (o débito) até a DCTF retificadora apresentada em 25/05/06 (sétima retificadora), nem nas posteriores conforme consulta declaração DCTF (fls.)”. Tendo em vista a decisão constante do Despacho Decisório DRF/CTA, de 12/09/2006 (cópia fls.) em considerar não declarada a compensação dos débitos constantes na DCOMP, aplicase o disposto no art. 31, parágrafo 3° da IN/SRF n. 600/2006. ” A autoridade fiscal efetuou o lançamento tendo como base a decisão do processo de compensação nº 10980005479/200631, onde a autoridade competente aduziu que o crédito que a impugnante pretendia compensar com seu débito seria de terceiro e não havia qualquer prova de sua cessão. O processo informado como aquele em que o crédito se achava em análise, o 10768.002438/200491, supostamente não pertencia ao recorrente, conforme se comprova à fls. 22, mas pertencia a GBE Gás e Energia Ltda, CNPJ 01.924.655/000119, e encontravase em tramitação na DIORT/DERAT/RJ. Assim, na forma do disposto no art. 31, § 3° da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) 600/2005, e subsidiariamente na forma do disposto no art. 74, parágrafo 12, inciso II, alínea `a' da Lei 9.430/1996 e do artigo 18, parágrafo 4° da mesma IN/SRF, a autoridade fiscal glosou a compensação pretendida pela impugnante e constituiu o crédito tributário ora impugnado, somando ao seu valor principal, juros equivalentes à Taxa SELIC e multa de ofício no importe de 75% (setenta e cinco por cento). Impugnação Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.006857/200785 Acórdão n.º 1201001.224 S1C2T1 Fl. 3 3 No entanto, nas razões de sua impugnação o ora recorrente alegou que o crédito que fora tido como de GBE Gás e Energia Ltda, base da compensação, é, na verdade, do recorrente, uma vez que INCORPOROU a GBE Gás e Enerqia Ltda., sendo que, pelas regras do direito empresarial, encampou a esfera de seus direitos e deveres. Incorporou ao seu ativo os créditos que a GBE Gás e Energia Ltda detinha frente a autoridade fiscal e alega que tinha todo o direito de compensálos na forma do artigo 74 da Lei 9.430/96 frente ao seu credor (Receita Federal). Alega que demonstrou o interesse na incorporação, elaborouse o protocolo de justificação e, posteriormente, efetivouse a alteração contratual, a qual foi registrada na Junta Comercial do Estado do Paraná JUCEPAR sob nº 20054191815 da sessão do dia 26/12/2005, de acordo com os documentos juntados na impugnação Logo após, providenciou a informação da incorporação a Secretaria da Receita Federal, tanto que, de acordo com o extrato de INFORMAÇÃO DE APOIO PARA EMISSÃO DE CERTIDÃO, obtida em 20/06/2007, consta que a empresa foi baixada em 28/10/2005 pelo motivo de INCORPORAÇÃO, pelo CNPJ do adquirente 76.189.406/000126, documento também acostado aos autos. Argui a recorrente que a autoridade fiscal, ao analisar o pedido de compensação formulado, não se apercebeu da informação que a ora recorrente colocou no pedido de compensação, campo informações, qual seja: “PAGAMENTO A MAIOR DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA NO ANO DE 1999. CRÉDITO ORIUNDO SUCEDIDA ATRAVÉS DE INCORPORAÇÃO EM 31/10/2005. SUCEDIDA: GBE GÁS E ENERGIA L TDA. CNPJ 01. 924. 655/ 0001 19. ” Noticia a recorrente que o pedido de compensação foi feito em maio/2006 e a incorporação da GBE em outubro do ano anterior. Já o despacho que considerou não declarada a compensação pretendida é datado de 12 de setembro de 2006 (fl. 24 do processo nº 10980.005479/200631), quase um ano após a incorporação da credora (GBE GÁS E ENERGIA LTDA) pela ora recorrente (CONDOR SUPER CENTER LTDA). Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 Por todo o exposto alega a recorrente que, tendo em vista os documentos juntados aos autos, resta demonstrada mais uma vez a incorporação da credora GBE GÁS E ENERGIA LTDA pela impugnante CONDOR SUPER CENIER LTDA, tendo sido a sociedade incorporada baixada na Secretaria da Receita Federal em data de 28/10/2005, o lançamento fiscal ora impugnado deve ser revisto e julgado improcedente, visto que o crédito que dava supedâneo à compensação, na data de sua efetivação, era da impugnante e não de terceiro, sendo perfeitamente compensável. De outro lado, pleiteia, subsidiariamente, a aplicação do que dispõe o art. 138 e art 156, inciso II, ambos CTN, para que, caso não seja julgado improcedente o lançamento pelos motivos expostos o que se admite somente argumentando não seja aplicada qualquer multa sobre o valor do débito principal. Acórdão nº 24.934 1ªTurma da DRJ/CTA Fora proferido, então, o acórdão nº 24.934 1ªTurma da DRJ/CTA. Concluiuse que, existente ou não o crédito, o que não se analisa no presente voto, não se trata de crédito de terceiro, e sim de crédito da própria impugnante, uma vez que pertenceria ao patrimônio que fora regularmente por ela incorporado antes da apresentação da Declaração de Compensação. Tendo em vista a inconsistência do único motivo determinante da imposição CSLL e de seus acessórios (multa e juros de mora), fora imposto o reconhecimento da procedência da impugnação e o cancelamento da exigência. Em razão do exposto, votouse pela procedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, e o cancelamento integral do lançamento. Recurso de Ofício Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.006857/200785 Acórdão n.º 1201001.224 S1C2T1 Fl. 4 5 Assim, em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 003, de 3 de janeiro de 2008, os autos foram remetidos a este E. CARF para julgamento do Recurso de Ofício, razão pela qual o feito se encontra na pauta de julgamentos dessa C. Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recorrente comprovou devidamente que o despacho que considerou não declarada a compensação pretendida é datado de 12 de setembro de 2006, enquanto a baixa da incorporação (da empresa GBE Gás e Enerqia Ltda.), perante a Secretaria da Receita Federal ocorrera anteriormente, na data de 28/10/2005. Ademais, o recorrente efetivou a alteração contratual, a qual foi registrada na Junta Comercial do Estado do Paraná JUCEPAR sob nº 20054191815 da sessão do dia 26/12/2005. O indeferimento do fisco deuse no seguinte sentido: “O crédito, portanto, é de terceiro. Nesta hipótese, a utilização do programa PER/DCOMP, nos termos do art. 26, § 1°, da lN SRF n° 600/2005, não era possível.” Ora, resta patente que a Fiscalização, para todos os efeitos, já tinha conhecimento, ou deveria ter, à época do pedido de compensação, da incorporação da empresa que supostamente detinha os créditos pleiteados, pelo recorrente, que, de fato e de direito era a detentora dos créditos fiscais. Deste modo, o pedido de compensação não poderia ter sido indeferido sob a alegação dos créditos requeridos serem de terceiro. Com a incorporação há a transferência direitos e deveres e, sob o enfoque contábil, “há uma união dos ativos das sociedades Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 6 participantes da operação com a consequente assunção do passivo da incorporada, que deixará de existir. ” Neste sentido é dominante o entendimento no CARF: IRPJ. INCORPORAÇÃO. CRÉDITOS DA INCORPORADA. COMPENSAÇAO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos da incorporada para a incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O registro da Junta Comercial é mera formalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estes possam questionálo nas hipóteses legalmente previstas. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do registro para efeitos fiscais. (Acórdão nº 1102001.206 – 1ª Câmara /2ª Turma Ordinária – Sessão de 24 de Setembro de 2014) CISÃO PARCIAL SEGUIDA DE INCORPORAÇÃO. CRÉDITOS FISCAIS. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO. Os créditos fiscais, nos casos de cisão parcial seguida de incorporação, absorvidos pela empresa incorporadora podem ser por ela aproveitados para compensação, descabendo cogitar de cessão de créditos ou de compensação com créditos de terceiros. PER/DCOMP. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO RELATIVO AOS PAGAMENTOS A MAIOR DE IRPJ DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado de pagamentos a maior IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.006857/200785 Acórdão n.º 1201001.224 S1C2T1 Fl. 5 7 superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. (Acórdão nº 1801001.238 – 1ª Turma Especial – Sessão de 07 de Novembro de 2012) O acórdão recorrido aponta diretamente para o mesmo entendimento e não poderia ser diferente. O recorrente escancarou a total possibilidade e legalidade de seu pedido de compensação, que havia sendo indeferido por total desinteligência de informações quando a Fiscalização não percebeu a incorporação pelo recorrente de empresa alvo do pedido. Neste passo, adoto, como se meus fossem, os fundamentos da decisão de primeira instância: “O que se conclui, portanto, é que existente ou não o crédito, 0 que não se analisa no presente voto não se trata de crédito de terceiro, e sim de crédito da própria impugnante, uma vez que pertenceria ao patrimônio que fora regularmente por ela incorporado antes da apresentação da Declaração de Compensação. Tendo em vista a inconsistência do único motivo determinante da imposição CSLL e de seus acessórios (multa e juros de mora), impõese o reconhecimento da procedência da impugnação e o cancelamento da exigência. ” Portanto os créditos realmente pertencem, conforme as provas e alegações expostas nos autos, ao recorrente, de forma que deve ser julgado improcedente o lançamento fiscal lastreado no indeferimento de pedido de compensação, sob a alegação de créditos de terceiro. O Auto de Infração fora fundamentado considerando não declarada a compensação dos débitos constantes na DCOMP, aplicandose o disposto no art.31, parágrafo 3º, da IN SRF nº 600/2006. Restou comprovado que fora devidamente declarada a compensação, de forma que o lançamento fiscal não merece prosperar. Conclusão Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 8 É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 10735.720074/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
SOCIEDADE COOPERATIVA. SUJEIÇÃO.
As sociedades cooperativas estão sujeitas ao pagamento do PIS sobre o faturamento mensal, assim entendido, a receita bruta operacional de prestação de serviços, independentemente de decorrerem de atos cooperativos ou não, com as exclusões expressamente elencadas na legislação de regência dessa contribuição.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98
As operadoras de planos de assistência a saúde, inclusive cooperativas, podem deduzir na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as deduções previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, valores estes que já foram considerados no lançamento fiscal, conforme verificado em diligência realizada por determinação do CARF.
RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS.
Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Eduarda acompanhou pelas conclusões.
Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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SUJEIÇÃO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao pagamento da Cofins sobre o faturamento mensal, assim entendido, a receita bruta operacional de prestação de serviços, independentemente de decorrerem de atos cooperativos ou não, com as exclusões expressamente elencadas na legislação de regência dessa contribuição. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98 As operadoras de planos de assistência a saúde, inclusive cooperativas, podem deduzir na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as deduções previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, valores estes que já foram considerados no lançamento fiscal, conforme verificado em diligência realizada por determinação do CARF. RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 SOCIEDADE COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao pagamento do PIS sobre o faturamento mensal, assim entendido, a receita bruta operacional de prestação de serviços, independentemente de decorrerem de atos cooperativos ou não, com as exclusões expressamente elencadas na legislação de regência dessa contribuição. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 74 /2 01 1- 96 Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.526 2 As operadoras de planos de assistência a saúde, inclusive cooperativas, podem deduzir na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as deduções previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, valores estes que já foram considerados no lançamento fiscal, conforme verificado em diligência realizada por determinação do CARF. RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Eduarda acompanhou pelas conclusões. Andrada Márcio Canuto Natal – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.527 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento adoto o relatório elaborado pela DRJ/Rio de Janeiro I, abaixo transcrito: 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte Unimed Petrópolis Cooperativa de Trabalho Médico, pertinente à falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade (COFINS) de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, conforme elementos acostados às fls. 4043 a 4059, no valor de R$ 10.015.064,43, incluindo principal e juros de mora calculados até 30/12/2010. 2. Às fls. 4027 a 4042, consta o Auto de Infração pertinente à falta de recolhimento da Contribuição para o Pis de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, no valor de R$ 1.721.519,64, incluindo principal e juros de mora calculados até 30/12/2010. 2. Na Descrição dos Fatos dos respectivos lançamentos, a Autoridade Fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que o valor foi apurado de acordo com o contido no Termo de Verificação Fiscal. 3. No Termo de Verificação Fiscal às fls 3981 a 3989, consta que: 3.1 Os lançamentos referemse às diferenças de Pis faturamento e Cofins não declaradas. 3.2 O contribuinte declarou e recolheu a Contribuição para o Pis sobre a folha de pagamentos, entretanto não recolheu qualquer valor a título de Pis faturamento, bem como nenhum valor foi declarado ou recolhido a título de Cofins. 3.3 Os primeiros demonstrativos das bases, elaborados pela fiscalizada, não atendiam aos termos da intimação. Isto porque cada demonstrativo limitavase a indicar, a cada mês, o total das receitas e, a seguir, um valor bastante elevado a título de "exclusões admitidas às sociedades cooperativas". Não foi informada a natureza das exclusões consideradas, nem tampouco as rubricas contábeis correspondentes. As exclusões computadas representavam valores elevados, que quase absorviam as receitas auferidas em cada mês. Em contato telefônico, foi obtida a informação de que os valores das exclusões eram resultado de um cálculo de rateio. 3.4 A empresa utilizou, na apuração das bases de PIS/COFINS, metodologia inteiramente diversa daquela prevista na legislação aplicável. Os valores denominados "exclusões permitidas às sociedades cooperativas", nos demonstrativos da contribuinte, nada mais são que as receitas que esta atribuiu a atos cooperativos (principais e auxiliares). A contribuinte calculou o PIS FATURAMENTO apenas com base nas demais receitas, isto é, aquelas atribuídas a atos não cooperativos. 3.5 Nos anos 2006 e 2007, a contabilidade da UNIMED PETRÓPOLIS não segregava as receitas e despesas entre atos cooperativos principais, cooperativos auxiliares e não cooperativos; o critério adotado pela empresa foi o de rateio, utilizandose a proporção das despesas com pagamentos a médicos cooperados, hospitais, clínicas, laboratórios e médicos não cooperados (despesas dos grupos 41, 43 e 44). Este critério é demonstrado nas denominadas Planilhas de Cálculo dos Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.528 4 Rateios. As referidas planilhas demonstram que a contribuinte classificou as despesas da seguinte maneira: . Ato Cooperativo Principal (ACP) pagamentos a médicos cooperados e demais despesas diretas; . Ato Cooperativo Auxiliar (ACA) pagamentos a hospitais, laboratórios e clínicas; . Ato Não Cooperativo (ANC) pagamentos a médicos não cooperados. 3.6 Com base nesta classificação, apuravase o percentual de cada categoria no total dos pagamentos do mês. Em seguida, os percentuais apurados eram aplicados ao total das receitas, chegandose, assim, aos valores de receitas com atos cooperados e não cooperados considerados pela contribuinte. 3.7 No ano de 2008, adotouse o Plano de Contas Padrão da ANS, com a contabilização já segmentada entre atos cooperativos principais, auxiliares e não cooperativos. 3.8 A sistemática adotada não tem relação com a legislação aplicável, no período fiscalizado. O PIS FATURAMENTO e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas, permitidas exclusões e deduções expressamente previstas em lei. 3.9 Lavrouse o Termo de Intimação 5 (ciência em 04/10/2010), solicitando a apresentação de demonstrativo que identificasse os valores efetivamente passíveis de exclusão ou dedução, nos termos da lei. O Termo relacionou as exclusões e deduções admitidas, a fim de que a contribuinte indicasse aquelas a que teria direito, em cada período de apuração, com a correspondente rubrica contábil. 3.10 Em resposta, a fiscalizada apresentou planilha denominada "Pagamento dos Eventos". Esta planilha relaciona os eventos pagos pela cooperativa a cada mês, bem como os valores recebidos pela cooperativa em ressarcimento, por intercâmbio (coresponsabilidade). Estes são os dados necessários para apurar a dedução prevista na Lei 9.718/98, art. 3º, § 9°, III: "§ 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: III – o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades." 3.11 Conferindo a planilha "Pagamento dos Eventos" com balancetes e Razões, verificouse que a contribuinte considerou, como eventos efetivamente pagos, em cada período, os valores lançados a débito das contas de Passivo que registram os eventos a pagar: produção a pagar de hospitais, laboratórios e serviços, médicos cooperados e nãocooperados (2.2.1.1.1.1.11 a 2.2.1.1.1.1.23). Como valores ressarcidos, foram considerados os lançamentos a crédito da conta de Ativo que registra os Intercâmbios a Receber (1.2.3.7.3.1.11.1.1.1.01). 3.12 Foram analisados os Razões das contas em questão, e verificouse a adequação do critério adotado pela contribuinte. Os débitos efetuados contra as Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.529 5 contas de Produção a Pagar/Eventos a Liquidar (Passivo) correspondem, quase exclusivamente, ao pagamento das referidas obrigações. De forma semelhante, os créditos efetuados contra a conta de Intercâmbio a Receber (Ativo) correspondem, quase inteiramente, a ressarcimentos recebidos, no contexto de coresponsabilidade. As eventuais diferenças correspondem a glosas de pouca expressão, no contexto dos valores movimentados. 3.13 Os balancetes contábeis permitiram identificar outros valores passíveis de exclusão/dedução, na forma da lei. Passouse, então, a reconstituir as bases de cálculo de PIS e COFINS do período fiscalizado, apurando os valores de PIS FATURAMENTO e COFINS devidos, conforme demonstrativos das bases de cálculo mensais, partes integrantes deste auto. Verificando que a fiscalizada declarou valores de PIS, nas DCTF de JAN/2006 a DEZ/2008, bem como efetuou os correspondentes recolhimentos, embora sob o código 8301 (PIS FOLHA), elaborou se demonstrativo de apuração das diferenças de PIS FATURAMENTO devidas e não declaradas, o qual também é parte integrante deste auto de infração. Estas diferenças são objeto de lançamento de ofício. Quanto à COFINS, a fiscalizada não declarou valores em DCTF, razão pela qual os valores devidos são integralmente lançados de ofício. 4. Às fls. 4177 a 4282, foram anexadas as impugnações aos lançamentos. Nestas o contribuinte alega, em síntese, que: 4.1 A autuação não tem o menor suporte jurídico, pois a COFINS não incide sobre a atuação da Requerente, pois esta se enquadra na disposição contida no art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº 70/91, cuja vigência é incontestável em face das manifestações jurisprudenciais. 4.2 A Medida Provisória nº 1858/99 (que revogou o referido inciso I, do art. 6º), no seu artigo 15, determina que serão excluídos da base de cálculo das cooperativas os valores que a Unimed recebe em nome dos associados, o que torna essas parcelas (denominadas de ingressos, ou seja, receitas em nome de terceiros) não incidentes do tributo. 4.3 Como cooperativa singular, atua exclusivamente no repasse aos seus associados (cooperados) das quantias recebidas dos usuários inerentes à sua atividade objeto (planos de saúde). 4.4 Não foi considerada, também, a circunstância sucessiva que determinaria a redução da base de cálculo, em face do objeto econômico da impugnante (operadora de planos de saúde classificada de acordo com a Lei n. 9.656/98). Ou seja, mesmo que considerada como da cooperativa, a base de cálculo do tributo seria reduzida, pois a mesma MP acima indicada determina que, do faturamento, sejam excluídos o custo dos serviços assistenciais prestados aos pacientes (usuários dos planos de saúde). Nesse sentido é o artigo 2°, § 8º, da Medida Provisória n. 1.858/99, que altera o artigo 3º, § 9º, III, da Lei n. 9.718/98. 4.5 A auditoria fiscal não levou em consideração os créditos da Requerente relativos à indevida retenção do tributo na fonte (pelas empresas contratantes), conforme comprovam os documentos inclusos. 4.6 Deve ser decretada a nulidade dos lançamentos, exonerando a Unimed da absurda quantia que lhe está sendo cobrada. 4.7 Não incidência tributária sobre a produção dos cooperados, pois é uma sociedade cooperativa, do ramo de trabalho, estando classificada como cooperativa Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.530 6 singular, conforme dispõe o art. 6º, inciso I, da Lei n. 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas). Atua como "operadora de planos de saúde", estando inscrita na Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS. 4.8 As Unimeds, enquadradas como cooperativas de trabalho, não têm fins lucrativos e não possuem receita de sua atividade operacional, pois agem sempre em nome dos médicos cooperados. 4.9 Não existe incidência tributária sobre a sua atuação econômica, pois os tributos recaem exclusivamente sobre os médicos (sócios cooperados). 4.10 A Medida Provisória 1858/99, depois de várias reedições, transformada na Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogou a não incidência (tratada como isenção) contida no inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, mas esta revogação foi considerada inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça (Resp. 2002/00819215, Rel. Min. Luiz Fux). 4.11 Sem entrar no mérito da inconstitucionalidade da revogação do inciso I, do artigo 6º, da LC 70/91, o art. 15 da MP que hoje vigora, reduz a base de cálculo do COFINS e do PIS das sociedades cooperativas, dispondo que estas "poderão excluir da base de cálculo" desses tributos "os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa", compreendendo como produto evidentemente a atividade dos sócios cooperados (art. 15, inciso I, da MP 1858/99). 4.12 Ainda que opere com planos de saúde, é uma cooperativa, cuja tributação segue a regra prevista no artigo 15, inciso I, da Medida Provisória n. 1.858/99. Entretanto, mesmo considerada como operadora de planos de saúde, os tributos federais (PIS/COFINS) não incidiriam sobre a totalidade da arrecadação da impugnante, tendo em vista a regra contida no artigo 2º, § 8º, da Medida Provisória 1858/99, que alterou a redação do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Segundo esta regra, as operadoras de planos de saúde poderão deduzir da base de cálculo desses tributos, além de outras parcelas, o valor relativo ao custo dos serviços (indenização correspondente aos eventos ocorridos). A disposição é clara e não permite tergiversações: "§ 9º. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II – a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III – o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades". 4.13 A base de cálculo da contribuição nunca seria o valor recebido pela Unimed das contratações realizadas em nome de seus sócios, pelo enquadramento da Requerente como "operadora de planos de saúde". A regra que trata da base reduzida das operadoras não foi considerada pela auditoria fiscal. 4.14 Como o faturamento da Requerente é realizado em nome de seus sócios, não ocorre a implicação tributária ora questionada, razão pela qual a cobrança objeto da autuação é absolutamente indevida e não poderá prosperar. 4.15 As cooperativas de trabalho não são titulares da receita decorrente da sua atividade objeto, pois esta (contratos de planos de saúde) é realizada pelos médicos cooperados (a Unimed apenas os representa nas contratações), obviamente não estão enquadradas na circunstância hipotética que dá origem à implicação tributária estabelecida na regra da COFINS. Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.531 7 4.16 Se não possui receita da sua atividade objeto, pois os recebimentos são realizados para os associados (médicos cooperados), o tributo objeto da autuação é indevido. 4.17 A Requerente, como cooperativa de trabalho (acima de se enquadrar como operadora nas atividades legalmente abrangidas pela Lei n. 9.656/98), está abrangida pela não incidência definida no art. 15, da Medida Provisória nº 2.15835, especificamente pelo "caput" do artigo e pelo seu inciso I, pelos quais se conclui que a atividade econômica realizada pela cooperativa em nome dos seus sócios não está incluída na sua receita bruta ou faturamento, para os fins dos artigos 2º e 3º, da Lei n. 9.718/98. 4.18 Não incidência dos tributos federais nos mais recentes pronunciamentos dos tribunais federais e do Superior Tribunal de Justiça. 4.19 Os ingressos recebidos em nome dos cooperativos devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS e do PIS, visto que não são legalmente considerados como receita da sociedade. 4.20 A autuação não pode prosperar, devendo ser anulada por ato do Órgão Julgador de Primeira Instância dessa Delegacia. 5. Ao final, requer, com o provimento da impugnação, que o Órgão Julgador se digne decretar que não incide a COFINS/PIS e os valores provenientes da atuação dos sócios da Impugnante, reconhecendo que a atividade desta consiste em organizar as atividades que envolvam os interesses dos médicos cooperados sua área de atuação, estabelecida no Estatuto Social. A DRF/Rio de Janeiro I, ao julgar a referida impugnação proferiu acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. INCIDÊNCIA. Incide a Cofins sobre a receita bruta auferida pela Cooperativa, deduzidas as exclusões admitidas na legislação em vigência. DEDUÇÕES PREVISTAS EM MEDIDA PROVISÓRIA As deduções da base de cálculo da contribuição previstas na Medida Provisória 2.15835/2001 não se aplicam às cooperativas prestadoras de serviços médicos. RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. INCIDÊNCIA. Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.532 8 Incide a Contribuição para o Pis sobre a receita bruta auferida pela Cooperativa, deduzidas as exclusões admitidas na legislação em vigência. DEDUÇÕES PREVISTAS EM MEDIDA PROVISÓRIA As deduções da base de cálculo da contribuição previstas na Medida Provisória 2.15835/2001 não se aplicam às cooperativas prestadoras de serviços médicos. RETENÇÃO NA FONTE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referido julgamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repete basicamente as mesmas teses trazidas na impugnação e que podem assim ser resumidas: a) que diferentemente de uma sociedade mercantil a expectativa da cooperativa é o serviço prestado aos cooperados e não o lucro e, sendo assim, não pode haver incidência tributária para atos cooperados; b) cita os artigos 43 e 44 do CTN que tratam da incidência do IRPJ para concluir “... tendo em vista as entidades cooperativas serem, pela previsão da lei de regência, sociedades sem fins lucrativos – uma vez criadas, única e exclusivamente, para fins sociais – e considerando a base de cálculo do imposto de renda levar em conta a obtenção de lucro, logo elas não estão sujeitas ao recolhimento desse imposto incidente sobre a renda, bem como de seus reflexos, traduzidos estes nas tributações pertinentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, COFINS E PIS”; c) defende que as cooperativas não têm receita ou faturamento, base imponível do PIS e da Cofins, pois à luz da Lei nº 5.764/71, art. 79, parágrafo único, o ato cooperativo não implica “operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, de forma a não motivar a produção de receita ou de faturamento para a cooperativa”; d) faz todo um estudo legislativo, doutrinário e jurisprudencial, para demonstrar o conceito de ato cooperativo. Que numa visão dinâmica, a sociedade cooperativa realiza os ‘negóciosfim’ e os ‘negóciosmeio’, sendo os primeiros relativos àquelas operações para as quais a cooperativa foi criada e os segundos seriam os negócios auxiliares, ou seja, são aqueles necessários para a ocorrência dos negóciosfim. Não seriam as práticas principais, entretanto imprescindíveis para que essas se realizem. Neste sentido defende que os atos com não cooperados, como os serviços de laboratórios, clínicas e hospitais inseremse nos chamados negóciosmeio pois não podem ser apartados dos serviços prestados pelos cooperados e, portanto não seria legítimo a classificação destes serviços como atos não cooperativos; Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.533 9 e) que a receita federal “persiste na autuação dessas entidades sob o fundamento de que, resultante dessas transações, terseia um ato, na verdade, não cooperativo, por consubstanciarse em atividade ‘estranha’ à finalidade da cooperativa. Um arrematado despropósito”; f) que “não é dado ao fisco, visando, única e exclusivamente, à imposição fiscal, descaracterizar a natureza jurídica das entidades cooperativas utilizandose do próprio documento de autuação – até porque seu objeto é legalmente definido pelo art. 142, do CTN – sem, para tanto, instaurar o devido processo legal administrativo”. Ao fazer desta forma não é oportunizado ao contribuinte a prática do seu direito de contraditório e ampla defesa insculpido no art. 5º, LV da Constituição Federal; g) alega inconstitucionalidade formal da Medida Provisória nº 18586/1999, atual MP nº 2.15835/2001, já que revogou a isenção da Cofins prevista na LC nº 70/91. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que esta revogação fere o princípio da hierarquia das leis; h) volta a alegar a inconstitucionalidade formal da MP nº 1858/99 e reedições, desta vez por violar o art. 246 da CF, pelo qual “é vedada a adoção de Medida Provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de Emenda Constitucional promulgada a partir de 1995”; i) que a auditoria fiscal desconsiderou os créditos da impugnante relativo às retenções do tributo na fonte, conforme provam os documentos inclusos. A PGFN apresentou Contrarazões ao recurso voluntário que, após repassar a legislação de alcance da tributação do PIS e da Cofins e a jurisprudência sobre o assunto, defende a manutenção integral das autuações diante das seguintes conclusões: i) após a MP 1.8589/99, atual MP nº 2.15835/01, a tributação incide sobre atos cooperados e não cooperados, com as exclusões legais gerais das pessoas jurídicas, das cooperativas e das operadoras de planos de saúde (regime cumulativo); ii) Como a receita da Unimed Petrópolis decorre da comercialização de planos de saúde, o que configura faturamento, por ser prestação de serviço, bem como considerando que a comercialização de planos de saúde se caracteriza como ato de mercancia (RESp 237348), deve ser mantida a autuação, tendo em vista se tratar de faturamento. Este processo foi colocado em julgamento em sessão do dia 29/01/2014, oportunidade em que foi editada a Resolução CARF nº 3301000186, a qual determinou a realização de diligência com o seguinte fim, abaixo transcrito: "Sendo assim, resguardando os interesses da Fazenda Nacional, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora faça os ajustes ao lançamento tributário, considerando a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98 incluído pelo art. 19 da Lei nº 12.873, de 25/10/2013. Do resultado dos ajustes apresentar relatório circunstanciado ao recorrente, abrindolhe prazo legal para manifestação se assim lhe convier." Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.534 10 Como visto, a turma julgadora entendeu que com a edição do art. 19 da Lei nº 12.873/2013, parte do lançamento poderia ser afetado em face do novo entendimento a respeito do que seria os eventos ocorridos de que trata o inc. III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em atendimento ao determinado na citada Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência, fls. 4505/4511, o qual teve a seguinte conclusão, abaixo transcrita: (...) Analisando os demonstrativos e demais documentos que integram o auto de infração, concluímos que o lançamento de ofício está em perfeita consonância com a nova interpretação, representada pelo art. 3º, § 9º, III e § 9ºA. As bases de cálculo elaboradas pela Fiscalização, que serviram de base ao lançamento ora recorrido, contemplaram as deduções calculadas pela empresa, deduções estas que correspondiam, por seu turno, à totalidade dos eventos efetivamente pagos, menos os valores ressarcidos por coresponsabilidade. Vale dizer, foram contemplados os custos decorrentes de assistência prestada tanto a clientes da própria operadora como a clientes de outras operadoras, por coresponsabilidade. Concluímos, portanto, que não há ajustes a efetuar no lançamento de ofício, como decorrência da nova redação do art. 3º da Lei 9.718/98, dada pelo art. 19 da Lei 12.873/2013. (...) O contribuinte foi cientificado deste relatório em 10/03/2015 e não apresentou qualquer manifestação no prazo regulamentar. É o relatório. Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.535 11 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. De plano afasto a alegação do contribuinte de que a fiscalização não considerou nos autos de infração do PIS e da Cofins os valores destes tributos retidos na fonte. O contribuinte fez esta alegação em sua impugnação, sendo que a DRJ a indeferiu afirmando que o sujeito passivo não apresentou qualquer prova desta alegação. Repete o mesmo argumento em seu recurso voluntário e, novamente, não traz qualquer elemento de prova a este respeito. Portanto, por total insuficiência de provas, há que ser indeferido esta pretensão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, o contribuinte foi autuado por falta de declaração e recolhimento do PIS e da Cofins incidentes sobre o seu faturamento mensal, deixando claro que esta incidência independe “de a receita decorrer de venda de produtos ou serviços fornecidos por/para associados ou por terceiros nãoassociados, pois a tributação alcança a totalidade das receitas auferidas, com as exclusões/deduções permitidas em lei”. Esclarece ainda que as bases legais da tributação são os art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, com redação dada pela Medida Provisória 2.15835/2001 e Decreto nº 4.524/2002. Da leitura do auto de infração não se encontra uma linha sequer na qual a autuação tente desclassificar as atividades da contribuinte como sendo de cooperativa. Não se preocupa em nenhum momento em estabelecer diferenciações entre atos cooperativos e não cooperativos. Este assunto foi levantado somente pelo contribuinte em sua impugnação e de certa forma impregnou o processo deste assunto. Mas como deixou claro o fiscal autuante, a tributação do PIS e da Cofins das cooperativas de trabalho médico independe de o faturamento ser decorrente de ato cooperativo ou não cooperativo. Em verdade o contribuinte ao inaugurar esta discriminação entre atos cooperativos e não cooperativos, tem a intenção de que, se considerarmos todos os seus atos como cooperativos nos estritos termos do parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764/71, pelo qual o ato cooperativo não implica “operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria”, implicaria em reconhecimento de que estes atos não seriam operações mercantis e portanto não se enquadrariam como receita ou faturamento e, por conseqüência, fora do campo da incidência tributária. O principal ingresso de recursos das cooperativas de trabalho médico, inclusive da recorrente, é resultado da venda de planos de saúde a terceiros não cooperados. Indubitável tratarse de uma operação de cunho mercantil inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados em forma de cooperativas médicas. Por esta razão até a Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.536 12 edição da MP nº 1.8586/99, estas operações eram isentas da Cofins por força do inc. I do art. 6º da LC nº 70/91. E por legislação diversa a incidência do PIS davase somente sobre a folha de salários. Por um raciocínio direto só podem ser isentos de tributação uma operação que está no campo da incidência tributária e, por força da lei isentiva, não ocorre a tributação. Veja o disposto na LC nº 70/91: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 24.8.2001) Assim, forçoso concluir que, sem entrar no mérito se são atos cooperativos ou não, estão no campo da incidência tributária do PIS e da Cofins. A base legal da tributação imposta pelos autos de infração são os art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, transcritos abaixo: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III (Revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.537 13 IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.(incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001)” Neste sentido converge várias decisões do CARF, entre elas as abaixo transcritas em recentes julgados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2006 a 31/12/2010 COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO COOPERATIVO AUXILIAR. DESPESA. FALTA DE PERTINÊNCIA COM O FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. Ato cooperativo é aquele especificamente praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. A contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, não configura ato cooperativo. Ainda que conceituado como ato cooperativo auxiliar, não configura ato cooperativo em sentido estrito, por não se tratar de ato praticado entre a cooperativa e o médico cooperado. O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere ao ingresso de recursos na entidade e não à saída de recursos. COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, I, II e III, DA LEI 9.718/98. CORESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.538 14 As deduções da base de cálculo previstas em relação às operadoras de planos de saúde também se aplicam às cooperativas de serviço médico que desenvolvem esta mesma atividade. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. (Acórdão nº 3403001.986, de 20/03/2013, relator Conselheiro Ivan Alegretti – 3ª TO/4ª Câmara/3ª Seção do CARF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. SEGREGAÇÃO DE RECEITAS. A falta de segregação das receitas decorrentes de atos cooperativos e não cooperativos, para apuração do crédito tributário lançado e exigido, não constitui motivo de nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2002 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO No julgamento do Resp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 173, I, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adotase para o presente julgamento, aquela decisão, afastando a suscitada decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 SOCIEDADE COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao pagamento da Cofins sobre o faturamento mensal, assim entendido, a receita bruta operacional de prestação de serviços, independentemente de decorrerem de atos cooperativos ou não, com as exclusões expressamente elencadas na legislação de regência dessa contribuição. (...) (Acórdão nº 330101.555, de 17/07/2012, Relator Conselheiro José Adão Vitorino de Morais – 1ª TO/3ª Câmara/3ª Seção do CARF) Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.539 15 As alegações de inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.8586 e suas reedições não podem ser apreciadas por este colegiado em face da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, para sacramentar o assunto, houve o julgamento do Recurso Extraordinário nº 599.362RJ, que estava sujeito a repercussão geral, no qual o STF deu entendimento expresso a respeito da possibilidade de tributação dos atos cooperativos, pelo PIS e pela Cofins. Transcrevese abaixo a sua ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.540 16 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração.(Destaquei) Resta portanto analisar se o contribuinte tem razão ao reclamar que a fiscalização, ao apurar a base de cálculo do PIS e da Cofins, deveria ter excluído o custo dos serviços assistenciais prestados aos usuários dos planos de saúde. O contribuinte afirma que este direito está previsto no art. 15, inc. I da MP nº 2.158/2001, antiga MP 1.8587/99, in verbis: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10735.720074/201196 Acórdão n.º 3301002.870 S3C3T1 Fl. 4.541 17 V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. (...) De uma simples leitura do dispositivo constatase que as deduções dos incisos I a V são direcionadas para as cooperativas de produção, pois dispõe sobre comercialização de produtos e não de serviços. As deduções permitidas para as sociedades cooperativas de serviços médicos são as previstas no art. 3º da Lei nº 9.718/98, acima transcrito. Estas deduções já foram reconhecidas pela fiscalização na lavratura do auto de infração conforme está amplamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Quanto à diligência realizada foi constatado que não há qualquer alteração a fazer no lançamento em face da edição do art. 19 da Lei nº 12.873/2013, sendo que o contribuinte foi regularmente cientificado do resultado da diligência e nada mais alegou em sua defesa. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 18470.722590/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
Ementa:
PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedidos de diligência e perícia formulados pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade dos procedimentos, há que se indeferir os pedidos correspondentes. Ademais, nos termos da lei processual em vigor, o pedido de perícia sem formulação de quesitos e sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional do seu perito, é considerado como não formulado.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
Restando exaustivamente comprovado nos autos que autoridade fiscal envidou esforços para, com base na documentação reiteradamente requisitada ao contribuinte, aferir o lucro real declarado, não logrando êxito em virtude dos incipientes elementos postos à sua disposição, o arbitramento do lucro constitui o único meio capaz de permitir a apuração da base tributável.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. DISPONIBILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS VEICULADA EM SEDE DE DEFESA. AUSÊNCIA DE EFEITOS.
Nos termos da súmula CARF nº 59, a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao procedimento fiscalizatório, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após reiteradas intimações, deixaram de ser exibidos.
Numero da decisão: 1301-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Bruno Minoru Takii OAB/SP nº 205.549.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 Ementa: PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedidos de diligência e perícia formulados pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade dos procedimentos, há que se indeferir os pedidos correspondentes. Ademais, nos termos da lei processual em vigor, o pedido de perícia sem formulação de quesitos e sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional do seu perito, é considerado como não formulado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Restando exaustivamente comprovado nos autos que autoridade fiscal envidou esforços para, com base na documentação reiteradamente requisitada ao contribuinte, aferir o lucro real declarado, não logrando êxito em virtude dos incipientes elementos postos à sua disposição, o arbitramento do lucro constitui o único meio capaz de permitir a apuração da base tributável. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DISPONIBILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS VEICULADA EM SEDE DE DEFESA. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Nos termos da súmula CARF nº 59, a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao procedimento fiscalizatório, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após reiteradas intimações, deixaram de ser exibidos.
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IMPROCEDÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedidos de diligência e perícia formulados pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade dos procedimentos, há que se indeferir os pedidos correspondentes. Ademais, nos termos da lei processual em vigor, o pedido de perícia sem formulação de quesitos e sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional do seu perito, é considerado como não formulado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. Restando exaustivamente comprovado nos autos que autoridade fiscal envidou esforços para, com base na documentação reiteradamente requisitada ao contribuinte, aferir o lucro real declarado, não logrando êxito em virtude dos incipientes elementos postos à sua disposição, o arbitramento do lucro constitui o único meio capaz de permitir a apuração da base tributável. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DISPONIBILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS VEICULADA EM SEDE DE DEFESA. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Nos termos da súmula CARF nº 59, a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao procedimento fiscalizatório, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após reiteradas intimações, deixaram de ser exibidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 25 90 /2 01 3- 87 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 768 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Bruno Minoru Takii OAB/SP nº 205.549. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 768DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 769 3 Relatório VECHIO EMPÓRIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano calendário de 2009, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte fiscalizada em sede de impugnação, reproduzo fragmentos do relatório constante na decisão de primeira instância. [...] 2. Dos fatos. 3. Conforme Termo de Constatação de fls. 619/626, o interessado foi intimado em 16/01/2012 a apresentar, entre outros documentos, os livros Diário, Razão e LALUR relativos ao anocalendário de 2009. 4. Em resposta, apenas requereu prorrogação de prazo. Reintimado em 23/02/2012, solicitou nova prorrogação, pois estaria sofrendo “adequação contábil deste período para posterior desenvolvimento na ora matriz”. 5. Em 22/03/2012, o interessado foi cientificado de que a fiscalização iria utilizar a versão dos livros fiscais transmitidos à Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB via Sistema Público de Escrituração DigitalSPED. Foi também intimado a discriminar e comprovar diversas despesas informadas de forma global na ficha 05 A da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2010, anocalendário de 2009. 6. Os parcos documentos exibidos não apresentavam os requisitos legais de dedutibilidade. O interessado foi então intimado a apresentar os livros de Registro de Entradas, Saídas, de Inventário e a disponibilizar as notas fiscais ou documentos equivalentes que embasaram a apuração trimestral do custo da mercadoria vendida consignado na DIPJ/2010. 7. Com exceção do livro de Inventário, todos os demais livros foram exibidos. O interessado alegou a possibilidade de extravio. A apuração do custo é realizada trimestralmente, por meio de inventário periódico. 8. A pedido da fiscalização, o interessado elaborou planilha onde relacionou as notas fiscais de entrada de valores superiores a R$ 10.000,00. Dos 346 (trezentos e quarenta e seis) registros somente apresentou arquivo PDF de aproximadamente 240 (duzentos e quarenta). 9. Da autuação. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 770 4 10. Ante a ausência do livro de Inventário e a não apresentação integral dos documentos solicitados, a fiscalização se viu impossibilitada de constatar a veracidade do custo das mercadorias vendidas consignado na DIPJ. Aliado ao fato de que não foi possível também comprovar o real montante de despesas operacionais suportada pelo interessado, concluiu que a apuração do lucro real ficou impossibilitada. 11. Tendo em vista estes fatos, levou a efeito o arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, inciso III, do RIR/1999, sendo considerados, para efeito de cálculo da receita bruta conhecida, as receitas brutas trimestrais constantes do SPED, também declaradas na DIPJ/2010. 12. Em decorrência, foi ainda lavrado o auto de infração de CSLL. 13. Da impugnação. 14. Cientificado da exigência em 26.03.2013, o interessado apresentou em 25.04.2013 a impugnação de fls.653/664, acompanhada dos documentos de fls. 665/667, alegando, em síntese, que: erro de fato nas informações transmitidas no SPED. No que tange às receitas efetivas, o erro foi na ordem de quase R$ 15.000.000,00; o erro pode ser facilmente constatado em diligência específica e baseada em sua realidade fiscal, contábil e financeira; detectou os erros e procedeu à correção de sua contabilidade, seus livros Razão e Diário, e o lucro real que é a sua modalidade de apuração do lucro. O SPED será imediatamente corrigido; no balanço anexado aos autos é possível verificar qual seria o lucro real efetivo e correto do anocalendário de 2009; todos os lançamentos e documentos que compõem os números do balanço anexado, inclusive extratos de movimentação financeira, estão à disposição da RFB para exame e plena constatação do manifesto erro que foi cometido quando da transmissão do SPED; não pode subsistir lançamento na modalidade de arbitramento quando o lucro real pode ser apurado; em momento algum se recusou a apresentar livros ou documentos para a fiscalização. Ficou impossibilitada de atender diante do erro de fato que veio a constatar; mesmo que houvesse a falta de comparecimento e apresentação dos documentos e livros, o que não é o caso, ainda assim o Conselho de Contribuintes tem afastado o lançamento do lucro arbitrado conforme decisões citadas em seu arrazoado. A já referida 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 58.007, de 29 de julho de 2013, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DILIGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 771 5 A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. RECEITA BRUTA. É cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida quando o contribuinte, intimado reiteradas vezes, deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil, cuja posterior disponibilização não invalida a autuação, uma vez que não há arbitramento condicional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos reflexos aplicase a mesma decisão do principal. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 694/706, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. Cumpre destacar que foram juntadas aos autos, às fls. 724/736 e 752/764 cópias de idêntico teor ao do recurso voluntário de fls. 694/706. É o Relatório Fl. 771DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 772 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano calendário de 2009, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Aprecio os argumentos trazidos pela autuada em sede de recurso voluntário. Alega a Recorrente que constatou que as informações transmitidas via escrituração digital (SPED) continham erro de fato, provocado por mudança de contadores e do estabelecimento matriz para a cidade do Rio de Janeiro. Afirma que o erro pode ser facilmente contatado por meio de diligência e que não pode ser penalizada em virtude de erro inequívoco. Diz que corrigiu a sua escrituração contábil (Diário e Razão) e que a apuração pelo lucro real pode e deve ser realizada. Argumenta que "todos os lançamentos e documentos que compõe os números do balanço ora anexado, inclusive extratos de movimentação financeira, estão a disposição da Receita Federal para exame e plena constatação do manifesto erro que foi cometido quando da transmissão do SPED que deu origem e suporte para a autuação fiscal ora impugnada". Sustenta que o lançamento tributário não pode ser amparado em erro e valores que estão divorciados da realidade. Argumenta que o lucro arbitrado é exceção e somente pode ser utilizado quando não for possível apurar o lucro real. Afirma que jamais se recusou a apresentar livros e documentos para a Fiscalização. Alega que os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784, de 1999, "inequivocamente mostram a ilegalidade da não concessão de produção de provas no processo administrativo". Ao final, requer, caso não seja deferida a diligência solicitada, a produção de prova pericial para fins de apuração do seu lucro real efetivo. Em conformidade com o TERMO DE CONSTATAÇÃO ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO (fls. 619/626), o arbitramento do lucro teve por suporte os seguintes elementos: i) em 16/01/2012, a contribuinte foi intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais relativos ao ano de 2009, especialmente Diário, Razão e LALUR; ii) em resposta datada de 07/02/2012, alegando que o prazo era insuficiente para o atendimento integral da intimação, requereu concessão de prazo suplementar de sessenta dias; iii) em 23/02/2012, a Fiscalização, informando que não poderia conceder prorrogação por prazo tão longo, reintimou a contribuinte a apresentar a documentação solicitada; iv) em 12/03/2012, a contribuinte apresentou novo pedido de prorrogação, requerendo um prazo suplementar de quarenta dias para apresentar os documentos; Fl. 772DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 773 7 v) diante do fato de que haviam transcorridos sessenta e seis dias sem que a contribuinte apresentasse a documentação requisitada, a Fiscalização, em 22/03/2012, cientificou a contribuinte que utilizaria a versão dos livros transmitidas por meio do sistema de escrituração digital (SPED), intimando, nesta mesma ocasião, que ela apresentasse planilha discriminando detalhadamente os valores totalizados nos seguintes itens da declaração apresentada à Receita Federal: prestação de serviços; despesas com veículos e conservação de bens e instalações. e outras despesas operacionais, que representavam as despesas operacionais com valores mais expressivos registrados na referida declaração; vi) a planilha acima referenciada, não foi, em nenhum momento, apresentada; vii) analisando a escrituração digital, a Fiscalização selecionou as despesas operacionais com maior expressão e, em 22/03/2012, intimou a contribuinte a apresentar a documentação comprobatória correspondente (de um total de despesas operacionais de R$ 19.800.000,00, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação comprobatória de gastos no montante de R$12.100.000,00, correspondentes a 61% do referido total); viii) transcorridos cerca de noventa dias, a contribuinte apresentou, sem qualquer documento de encaminhamento, uma pequena quantidade de notas fiscais, pouco representativas das despesas auditadas; ix) em 06/07/2012, a Fiscalização reintimou a contribuinte a apresentar a documentação requisitada, momento em que comunicou que os documentos até então apresentados eram pouco representativos dos valores alocados nas contas de despesa analisadas; x) transcorrido o prazo para atendimento da reintimação acima referenciada sem que a contribuinte apresentasse qualquer documento, a Fiscalização lavrou Termo de Constatação consignando que ela, a fiscalizada, permanecia intimada a apresentar as planilhas anteriormente requeridas; xi) do total de R$ 12.100.000,00 de despesas operacionais, para o qual a contribuinte foi intimada a apresentar a documentação comprobatória correspondente, só foram apresentados documentos referentes a R$ 683.000,00 (5,6%), e, ainda assim, que não atendiam aos requisitos para serem considerados hábeis e idôneos à comprovação dos dispêndios correspondentes; xii) a própria contribuinte informou que a escrituração digital poderia não estar correta; xiii) a contribuinte também foi intimada, via o Termo de Constatação antes referenciado, a apresentar os Livros Registro de Entradas, de Saídas e de Inventário, e as notas fiscais (ou documentos equivalentes) que serviram de suporte para a apuração do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV); xiv) em atendimento às solicitações acima, a contribuinte apresentou algumas poucas notas fiscais, pouco representativas do total submetido a exame, e, depois de reintimada, apresentou os Livros Registro de Entradas, de Saídas, e de Apuração do ICMS, mas não disponibilizou o Livro Registro de Inventário; Fl. 773DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 774 8 xv) considerada a forma globalizada como os registros contábeis eram feitos na apuração do CMV e o fato de esta apuração ser feita, trimestralmente, com base em inventário periódico, a contribuinte foi cientificada, em 30/10/2012, acerca da necessidade de que as notas fiscais e o Livro Registro de Inventário fossem disponibilizados para fins de aferição do custo; xvi) em 22/11/2012, a contribuinte apresentou uma planilha com a relação das notas fiscais requisitadas, informando que tais documentos encontravamse em poder do escritório de contabilidade, e, relativamente ao Livro Registro de Inventário, simplesmente silenciou; xvii) intimada a apresentar cópia das notas fiscais relacionadas na planilha e reintimada a apresentar o Livro Registro de Inventário, a contribuinte apresentou algo em torno de duzentos e quarenta notas fiscais, de um total de trezentos e quarenta e seis, e, quanto ao Livro Registro de Inventário, suscitando a possibilidade de ele ter sido extraviado, nada apresentou; xviii) impossibilitada de aferir o custo das mercadorias vendidas e de auditar, com base em amostra representativa, as despesas operacionais, restou inviabilizada a aferição do lucro real, não restando outra alternativa senão o arbitramento do lucro. Em suma, o que temos é o seguinte: a contribuinte registrou valores expressivos a título de CUSTOS e DESPESAS OPERACIONAIS; relativamente às despesas operacionais, apresentou documentação comprobatória ínfima (algo em torno de 5,6% do total requisitado); no que diz respeito aos custos, embora tenha utilizado inventário periódico, não apresentou o Livro Registro de Inventário e, quantos às notas fiscais, disponibilizou tão somente parte dos documentos; impossibilitada de aferir o custo das mercadorias vendidas e de auditar, com base em amostra representativa, as despesas operacionais, a Fiscalização não dispôs de meios para aferir o lucro real, motivo pelo qual arbitrou o lucro. Em sede de defesa, é relevante registrar, a contribuinte não contradita os fundamentos declinados pela autoridade autuante para promover o arbitramento. Na verdade, corroborando o que a Fiscalização já havia afirmado, informa que a sua escrituração digital continha equívocos e que sua contabilidade, supostamente corrigida, encontrase à disposição para que seja auditada. É importante registrar que a Recorrente limitouse a anexar à impugnação cópia de um BALANÇO PATRIMONIAL. Ao recurso voluntário, nada juntou. Assim, não obstante faça a referência a equívoco e erro de fato, a Recorrente não aportou ao processo um único elemento capaz de indicar a origem e a natureza de tais ocorrências e muito menos que possibilitasse demonstrar a correção da apuração do lucro real. Não obstante, ainda que assim fosse, isto é, se a contribuinte tivesse reunido em sede defesa documentos que demonstrasse que a apuração do lucro real era possível, a tributação pelo lucro arbitrado haveria de ser mantida. Isto porque a questão acerca da apresentação de documentos em fase posterior ao procedimento de fiscalização que redundou em arbitramento do lucro, já foi pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com efeito, nos termos da súmula CARF nº 59, de observância obrigatória por parte dos membros deste Colegiado, "a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e Fl. 774DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 775 9 documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal". Absolutamente improcedentes, portanto, os pedidos da Recorrente para que seja realizada diligência ou perícia, vez que tais procedimentos, à luz da súmula CARF nº 59, não resultarão na decretação da invalidade do arbitramento promovido pela Fiscalização. A contribuinte fala em equívoco, erro de fato, que, se relacionados às receitas contempladas pela escrituração digital, até poderiam impactar o arbitramento efetuado pelas autoridades fiscais, eis que este, o arbitramento, tomou por base a receita conhecida e constante da referida escrituração digital, porém, nenhum elemento foi aportado ao processo no sentido de indicar a origem e a natureza desse equívoco ou erro de fato. De fato, o arbitramento do lucro é uma excepcionalidade, como sustenta a Recorrente. Contudo, no presente caso, penso que as autoridades autuantes lograram êxito em comprovar o esforço que foi feito para respeitar o regime de tributação adotado pela Recorrente, bem como para demonstrar que, diante da incipiente documentação (comprovação de despesas, notas fiscais de entrada e saída e Livro Registro de Inventário), não era possível aferir o lucro real declarado. A Recorrente argumenta que não se recusou a apresentar livros e documentos à Fiscalização, e nem há acusação nesse sentido. O que há, e isso a meu ver é indubitável, é plena demonstração que a documentação apresentada não possibilitou a aferição do lucro real. Ademais, como já dito, a própria contribuinte afirmou, no curso da ação fiscal, que a sua escrituração digital poderia estar incorreta, entretanto, não apresentou, naquela ocasião, elementos capazes de apontar os erros ou equívocos supostamente cometidos. No que diz respeito às disposições dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784, de 1999, cabe anotar que referido ato legal tem aplicação subsidiária, eis que o procedimento administrativo fiscal é regido, em âmbito federal, por norma específica (Decreto nº 70.235, de 1972). De qualquer forma, não é de prova que estamos tratando, mas, sim, de apresentação de livros de escrituração obrigatória e respectiva documentação de suporte. Embora absolutamente imprópria a referência a disposições que tratam de prova. não custa ressaltar que, nos termos do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", circunstâncias não vislumbradas no presente caso. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 775DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18470.722590/201387 Acórdão n.º 1301001.881 S1C3T1 Fl. 776 10 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10980.905021/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
PER/DCOMP. PRAZO DECADENCIAL PARA APRESENTAÇÃO.
Quando a DCOMP é apresentada pelo contribuinte após o decurso do período de cinco anos contados do momento em que surgiu o direito creditório, já ocorrera a decadência do direito de o contribuinte efetuar a compensação do valor do saldo negativo, na forma do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN, Lei nº 5.172/66).
Numero da decisão: 1402-001.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a inexistência da prescrição do direito de solicitar a restituição/compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade de origem para que seja prolatado despacho decisório complementar com apreciação do mérito do pedido retomando-se o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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PRAZO DECADENCIAL PARA APRESENTAÇÃO. Quando a DCOMP é apresentada pelo contribuinte após o decurso do período de cinco anos contados do momento em que surgiu o direito creditório, já ocorrera a decadência do direito de o contribuinte efetuar a compensação do valor do saldo negativo, na forma do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN, Lei nº 5.172/66). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a inexistência da prescrição do direito de solicitar a restituição/compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade de origem para que seja prolatado despacho decisório complementar com apreciação do mérito do pedido retomandose o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 50 21 /2 00 8- 46 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.905021/200846 Acórdão n.º 1402001.995 S1C4T2 Fl. 91 2 AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.905021/200846 Acórdão n.º 1402001.995 S1C4T2 Fl. 92 3 Relatório RENAULT DO BRASIL S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O presente processo referese a despacho decisório emitido por processamento eletrônico, em que é nãohomologada a compensação declarada por meio da DCOMP nº 23250.97305.040804.1.3.025186. A fundamentação da decisão do referido despacho decisório constituise do seguinte, em síntese: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data da transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998. Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 04/08/2004. (...) O contribuinte foi cientificado do despacho em 01/08/2008. Em 29/08/2008, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que se insurge contra o decidido no despacho, alegando o segue, em síntese. O procedimento do contribuinte é correto, pois o prazo fixado para a entrega da DIPJ foi inicialmente de 30/09/1999 (IN SRF 100/99) e posteriormente prorrogado para 29/10/1999 (IN SRF 118/99), data esta que inicia a contagem do prazo decadencial. Ao final, requer seja homologada a compensação realizada. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06 29.692 (fls. 2730) de 16/12/2010, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 PER/DCOMP. PRAZO DECADENCIAL PARA APRESENTAÇÃO. Quando a DCOMP é apresentada pelo contribuinte após o decurso do período de cinco anos contados do momento em que surgiu o direito creditório, já ocorrera a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.905021/200846 Acórdão n.º 1402001.995 S1C4T2 Fl. 93 4 decadência do direito de o contribuinte efetuar a compensação do valor do saldo negativo, na forma do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN, Lei nº 5.172/66).” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/01/2011 (A.R. de fl. 33) a interessada interpôs recurso voluntário em 21/02/2011 (fls. 3446) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.905021/200846 Acórdão n.º 1402001.995 S1C4T2 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Assim se pronunciou a decisão recorrida: "... O legislador ordinário, mediante a Lei nº 9.430/1996, estabeleceu que a partir do anocalendário de 1997 o imposto de renda das pessoas jurídicas seria determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro e facultou ao contribuinte sujeito ao lucro real a opção de efetuar pagamentos mensais do imposto, calculado com base em estimativas, a título de antecipações e, a apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Também previu o tratamento a ser dado ao saldo negativo do imposto porventura apurado no encerramento do período, nos termos de seu artigo 6º: Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §3º O prazo a que se refere o inciso I do §1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. A Secretaria da Receita Federal, em harmonia com a legislação, ao elaborar o manual para preenchimento da declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 1998 (Majur/1999), destinado às pessoas jurídicas, também fez explicitar a mesma orientação em seu item 8.1.12.2, II, b: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.905021/200846 Acórdão n.º 1402001.995 S1C4T2 Fl. 95 6 8.1.12.2 – Imposto de Renda Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada Mensalmente ou com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução I) Pagamentos Mensais (...) II) Saldo do Imposto Apurado em 31 de dezembro de 1998 (ajuste anual): O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro de 1998: a) Será pago em quota única até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente. O saldo do imposto será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir de 1º de fevereiro de 1999 até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês do pagamento; b) compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril de 1999, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. [grifei] Verificase que o dispositivo realçado, que também é a base legal invocada pelo próprio contribuinte, distingue claramente as hipóteses relativas a (a) compensação e (b) restituição. A restituição apenas pode ser requerida após a entrega da declaração; já a compensação, esta pode ser feita a partir do mês de abril, não precisando aguardar o prazo de entrega da declaração. Logo, equivocase o contribuinte em sua manifestação, confundindo o termo inicial da compensação com o da restituição. Assim, o prazo decadencial do art. 168 do CTN iniciase, no caso, na data em que acontece o vencimento do prazo para pagamento do imposto a ser pago a partir do mês de abril. Logo, já havia transcorrido prazo superior a cinco anos quando houve a entrega da DCOMP em tela, em 04/08/2004, tendo acontecido a decadência, pois. ..." Entendo de forma diversa da apresentada na decisão recorrida, acima transcrita. Tenho que ao caso se aplica a discussão da tese dos 5+5, a seguir apresentada. Em Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos – ao declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validou a chamada “tese 5+5” do STJ, mas apenas para os procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005, ou seja, antes da vigência da referida LC nº 118/2005, publicada em 9 de fevereiro de 2005. O entendimento manifestado foi no sentido de que o prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.905021/200846 Acórdão n.º 1402001.995 S1C4T2 Fl. 96 7 estabelecido na LC nº 118/2005, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Assim, ao mesmo tempo em que foi reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, considerouse válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso aqui examinado, a entrega da DCOMP em tela se deu em 04/08/2004, portanto antes de 09/06/2005, e nessa data não estava prescrito o alegado direito creditório por se enquadrar na tese dos 5+5 acima apresentada. Pelo exposto, Voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a inexistência da prescrição do direito de solicitar a restituição/compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade de origem para que seja prolatado despacho decisório complementar com apreciação do mérito do pedido, retomandose o rito processual a partir daí (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15165.720686/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 06/01/2009 a 25/06/2013
RECURSO DE OFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM 8473.30.92.
Tela de cristal líquido (LCD) com tecnologia TFT (thin-film transistor), mesmo com câmera, microfone, antena para redes sem fio, dobradiças de fixação e cabos de dados e de alimentação incorporados, montada em gabinete plástico, própria para máquinas automáticas para processamento de dados portáteis (notebooks), classifica-se no código 8473.30.92 da NCM/TEC.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. TUTELA ANTECIPADA CONCEDIDA ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.
Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, no qual o contribuinte obteve tutela antecipada para manter a classificação do "Dispositivo de Cristal Líquido (LCD)" na posição 9013, até o advento da Resolução CAMEX nº 84/2010, exclui-se a multa de ofício e suspende-se a exigibilidade do crédito tributário, até que sobrevenha o desfecho da ação judicial.
NULIDADE.
Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade.
DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS.
Indefere-se os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide.
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício sobre os tributos lançados de ofício em relação às declarações de importação registradas até 08/12/2010, declarando-se suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado até esta data, com base no art. 151, V, do CTN, até que sobrevenha o desfecho do processo judicial. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário se aplica à multa por erro de classificação fiscal em relação às DI registradas até 08/12/2010. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 06/01/2009 a 25/06/2013 RECURSO DE OFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM 8473.30.92. Tela de cristal líquido (LCD) com tecnologia TFT (thin-film transistor), mesmo com câmera, microfone, antena para redes sem fio, dobradiças de fixação e cabos de dados e de alimentação incorporados, montada em gabinete plástico, própria para máquinas automáticas para processamento de dados portáteis (notebooks), classifica-se no código 8473.30.92 da NCM/TEC. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. TUTELA ANTECIPADA CONCEDIDA ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, no qual o contribuinte obteve tutela antecipada para manter a classificação do "Dispositivo de Cristal Líquido (LCD)" na posição 9013, até o advento da Resolução CAMEX nº 84/2010, exclui-se a multa de ofício e suspende-se a exigibilidade do crédito tributário, até que sobrevenha o desfecho da ação judicial. NULIDADE. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Indefere-se os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM 8473.30.92. Tela de cristal líquido (LCD) com tecnologia TFT (thinfilm transistor), mesmo com câmera, microfone, antena para redes sem fio, dobradiças de fixação e cabos de dados e de alimentação incorporados, montada em gabinete plástico, própria para máquinas automáticas para processamento de dados portáteis (notebooks), classificase no código 8473.30.92 da NCM/TEC. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. TUTELA ANTECIPADA CONCEDIDA ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, no qual o contribuinte obteve tutela antecipada para manter a classificação do "Dispositivo de Cristal Líquido (LCD)" na posição 9013, até o advento da Resolução CAMEX nº 84/2010, excluise a multa de ofício e suspendese a exigibilidade do crédito tributário, até que sobrevenha o desfecho da ação judicial. NULIDADE. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeitase a alegação de nulidade. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Indeferese os pedidos de diligência e de perícia, por se tratarem de providências prescindíveis para o julgamento da lide. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 06 86 /2 01 4- 57 Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício sobre os tributos lançados de ofício em relação às declarações de importação registradas até 08/12/2010, declarandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado até esta data, com base no art. 151, V, do CTN, até que sobrevenha o desfecho do processo judicial. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário se aplica à multa por erro de classificação fiscal em relação às DI registradas até 08/12/2010. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 04/04/2014 (fl. 2927), lavrados em decorrência de revisão aduaneira, para exigir os tributos incidentes sobre as importações efetuadas no período compreendido entre 05/01/2009 e 25/06/2015. Foi lançada também a multa por classificação fiscal incorreta na DI. Segundo o termo de verificação (fls. 2889/2919), o contribuinte importou: a) "telas de LCD" classificadas na NCM 9013.8010, quando a classificação correta deveria ocorrer no código NCM 8529.9020; e b) "telas para notebooks" classificadas na NCM 8473.3092, quando o correto seria classificálas no código NCM 8473.3099. Para sustentar a revisão aduaneira, a fiscalização alegou erro de fato nas descrições dos produtos, pois as mercadorias descritas incorretamente como "dispositivos de cristal líquido" possuem configuração muito mais complexa do que a descrita nas Notas Explicativas à posição 9013, uma vez que se tratam de dispositivos eletrônicos, compostos de uma matriz de transistores de filme fino de silício (elemento ativo), tampas frontal e traseira, dispositivo de retroiluminação (backlight) e placas destinadas ao acionamento (placa inversora) e controle lógico (driver). No caso em análise, tais telas são destinadas à fabricação de monitores de vídeo ou notebooks. Essas telas de visualização (módulos LCDTFT) reconhecidas como exclusiva ou principalmente destinadas a monitores da posição 8528, enquadramse no código 8529.90.20 da NCM/TEC, conforme preconizado pela Solução de Consulta Coana nº 4, de 24 de novembro de 2010, cuja interessada é a Eletros – Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos, da qual a contribuinte é associada. Relativamente às telas para notebooks, a classificação adotada pelo contribuinte no código 8473.3092, correspondente a "telas (diplays) para máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis", somente poderia ser adotada se tais produtos fossem apresentados isoladamente. No caso dos produtos que estão sendo reclassificados, eles foram Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15165.720686/201457 Acórdão n.º 3402002.903 S3C4T2 Fl. 3 3 montados com diversos componentes (carcaça plástica, estrutura de fixação, altofalantes e câmera de vídeo), tratandose, na verdade, de "outras partes e acessórios das máquinas da posição 8471", classificadas no código NCM 8473.3099. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Nulidade do procedimento fiscal por vício no MPF e nulidade dos autos de infração por vício na motivação; 2) No que tange à revisão do código 9013.8010, alegou nulidade do lançamento, pois, no máximo, a fiscalização poderia ter efetuado o lançamento para prevenir a decadência, uma vez que a empresa possui provimento judicial expedido na ação 0059075 67.2012.4.01.3400, da 15ª Vara Federal de Brasília, que lhe garante o direito de manter a classificação dos produtos no código 9013.8010 até o advento da Resolução CAMEX nº 84, de 08/12/2010; 3) Quanto às telas para notebooks, considera correta a classificação que vinha adotando no código 8473.3092, pois nessas telas estão reunidos vários elementos destinados a funcionar em conjunto e, conforme a Nota 3 da Seção XVI, a classificação deve ser efetuada com base na função essencial. Como a função essencial desempenhada pelo produto é a visualização das informações na tela do notebook, a classificação ocorre na posição por ela pretendida, que é muito mais específica do que a posição residual pretendida pelo fisco; 4) as reclassificações pretendidas pelo fisco caracterizam mudança de critério jurídico, que não podem ser introduzidas com efeitos retroativos; houve usurpação de competência para mudar o texto da NCM; houve ofensa à segurança jurídica; existe prática reiterada da administração e incerteza no entendimento administrativo, o que reclama a aplicação do art. 112 do CTN; 5) impugnou os consectários do lançamento de ofício, bem como a multa por erro de classificação, em virtude do preceituado no art. 100 do CTN e em atendimento ao princípio do nãoconfisco. 6) requereu que fosse declarada a validade e a eficácia no que tange à classificação fiscal 9013.8010, que está vinculada à ação judicial; declarada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com base no art. 150, III, do CTN; o deferimento de prova pericial; o acolhimento das preliminares e das razões de mérito. Por meio do Acórdão nº 35.124, de 02/07/2014, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis deu provimento parcial à impugnação, para manter a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, quanto às telas para notebooks no código 8473.30.92, excluindo mais de 90% do crédito tributário lançado. Houve recurso de ofício nesta parte. No mais, a DRJ rejeitou as preliminares de nulidade. Considerou não impugnada parte da exigência. Indeferiu os pedidos de produção de novas provas e de perícia, por considerar a instrução processual satisfatória. Considerou que os desembaraços anteriores nos quais foi utilizada determinada classificação fiscal não rendem ensejo à alegação de mudança de critério jurídico ou de prática reiterada. Decidiu que o objeto da ação judicial é diverso do objeto deste processo administrativo, pois o produto mencionado na petição inicial é diferente do que foi reclassificado pela fiscalização do código 9013.8010 para a 8529.9020. A DRJ manteve a classificação da telas de LCD no código 8529.9020, tal como decidido pela Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 COANA e pela Resolução CAMEX nº 43/2006. Foram mantidas as multas por falta de recolhimento e de 1% sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta da mercadoria. Regularmente notificado, da decisão de primeira instância por meio de sua abertura no portal ecac em 06/08/2014 (fl. 4483), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/09/2014, alegando, em síntese, que a decisão recorrida denota desrespeito à sentença judicial e à antecipação da tutela obtidas, que suspenderam os efeitos de qualquer interpretação contrária à aplicação do código 9013.8010. A fiscalização e a DRJ desrespeitaram a ordem judicial, pois o Judiciário determinou que antes da entrada em vigor da Resolução CAMEX 84/2010 o contribuinte tem o direito de enquadrar o componente dispositivo de cristal líquido LCD no código 9013.8010. Com tal abuso as autoridades fiscais estão sujeitas ao crime de prevaricação. A multa de ofício deve ser excluída deste lançamento no período abrangido pela decisão judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. O objeto do recurso de ofício é a decretação da improcedência da reclassificaçao fiscal das telas para notebook do código 8473.3092 (contribuinte) para o 8473.3099 (fiscalização). Não merece nenhum reparo a decisão da DRJ nesta parte em que julgou improcedente o código adotado pela fiscalização. É incontroverso nos autos que as telas para notebooks, ou módulo LCDTFT para notebook, são conjuntos montados com diversos componentes, como carcaça plástica, estrutura de fixação, altofalantes, antenas de "wireless" e "webcam", conforme documentos de fls. 247 e seguintes. Em outras palavras, tratase daquela peça que vivemos olhando para ela enquanto digitamos no notebook, conforme a figura a seguir copiada da fl. 247: Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15165.720686/201457 Acórdão n.º 3402002.903 S3C4T2 Fl. 4 5 As Notas 3 e 5 da Seção XVI estabelecem o seguinte: 3.Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. (...) 5.Para a aplicação destas Notas, a denominação “máquinas” compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. Parece evidente que a característica essencial da máquina acima visualizada é servir para visualizar as informações que estão sendo digitadas, ou informações obtidas a partir de arquivos que se encontram no disco rígido do equipamento. Sendo assim, por aplicação da RGI1, combinada com a Nota 3 da Seção XVI, esses produtos devem ser classificados no código 8473.3092 "Telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis", tal como fez o contribuinte por ocasião dos despachos. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para manter a decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. No que tange ao recurso voluntário, houve pedido de declaração de nulidade e de produção de novas provas. Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Não existe no processo vício algum que renda ensejo à nulidade total dos lançamentos, pois não se verificou nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, não há motivo algum para a produção de novas provas ou realização de perícia, pois a instrução dos autos é satisfatória, o que torna essas providências prescindíveis (arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72). Verificase que a insurgência da defesa se resumiu ao fato de a DRJ não ter reconhecido a concomitância com a ação judicial e contra o entendimento firmado de que o processo judicial não se refere aos mesmos produtos que foram reclassificados pela fiscalização. Desde a impugnação a defesa vem insistindo que a questão está sub judice e que a exigência da multa de ofício é indevida, a teor do que dispõe o art. 63 da Lei nº 9.430/96. Vejamos o que aconteceu na ação judicial. Na fl. 4411 verificase que o pedido de antecipação da tutela foi deferido pelo juízo monocrático em 06 de maio de 2013 nos seguintes termos: O termo de início de ação fiscal está datado de 15/12/2013 (fl. 03). Sendo assim, está satisfeito requisito estabelecido no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96, pois a medida judicial foi concedida cerca de sete meses antes do início do procedimento fiscal. Não se olvide que a concessão de tutela antecipada é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevista no art. 151, V, do CTN. Resta agora verificar se o objeto do processo judicial é o mesmo deste processo administrativo. A DRJ entendeu que o produto "Dispositivo de Cristal Líquido (LCD)" descrito na petição inicial da ação judicial não é o mesmo que foi descrito nas declarações de importação, pois se ambos possuíssem a mesma descrição contida na ação judicial, o contribuinte não precisaria ter ingressado em juízo, pois a própria fiscalização entende que o dispositivo simples de LCD se enquadra na posição 9013. O produto descrito pela fiscalização, além do dispositivo de cristal líquido, possui outros elementos incorporados, como dispositivos de retroiluminação (backlight) e Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15165.720686/201457 Acórdão n.º 3402002.903 S3C4T2 Fl. 5 7 placas destinadas ao acionamento (placa inversora) e ao controle lógico do dispositivo (driver). E isso teria sido omitido na petição inicial, tendo o juízo sido induzido a erro pelo autor da ação. Analisando o conteúdo da petição inicial (fls. 4367 e ss.) verificase que realmente o autor não primou pela descrição do produto e que o juiz ficou satisfeito com o que ali estava contido, tanto que considerou a causa madura para ser julgada no estado em que se encontrava. Ainda na petição inicial, verificase que o autor fez menção expressa à Resolução CAMEX nº 84, de 08/12/2010 e à Solução de Divergência COANA nº 4. de 24/11/2010, por meio da qual foi solucionada a consulta coletiva que determinou a classificação dos dispositivos de cristal líquido no código pretendido pela fiscalização. Na parte dispositiva da concessão da tutela antecipada, o juiz disse com todas as letras que a União estava impedida de exigir alíquotas diversas das estabelecidas para o código 9013.8010, em relação ao "Dispositivo de Cristal Líquido" (LCD), até a data da entrada em vigência da Resolução CAMEX nº 84, de 08/12/2010. Sendo assim, embora a descrição do Dispositivo de Cristal Líquido (LCD) não tenha sido primorosa por parte do autor da ação, houve vinculação desse produto à Solução de Divergência COANA nº 4 de 2010 e à Resolução CAMEX nº 84/2010, as quais, ao mesmo tempo, constituem fundamentos para a exigência formulada nestes autos de infração e fundamentos da tutela antecipada obtida pelo contribuinte. Ainda que se admita que o autor da ação tenha descrito o produto com omissões de forma deliberada para induzir o juiz a lhe conceder a medida judicial com o resultado que desejava, as alegações contidas no acórdão da DRJ deveriam ter integrado o recurso cabível na esfera judicial, seja embargos de declaração, seja a própria apelação, para que a Fazenda Nacional tentasse reverter a decisão judicial na mesma esfera em que foi proferida. Não há como deixar de observar a parte dispositiva da decisão judicial, tecendo críticas à forma como os argumentos foram apresentados na inicial ou sobre como o juiz deveria ter encarado o conjunto probatório carreado à ação judicial, como fez a DRJ. O que se tem é que a fiscalização fez a revisão aduaneira com base em erro de fato, mas o contribuinte conseguiu convencer o juízo que a Administração queria mudar a classificação de forma retroativa aplicando a Resolução CAMEX nº 84/2010. Quem tinha que argumentar e tentar convencer o juízo de que o problema residia nas características efetivas dos produtos e não na aplicação retroativa de normas, era a Procuradoria da Fazenda Nacional. Não se pode fazer isso fora do processo judicial. Considerando o quanto disposto na decisão judicial; considerando que a Resolução CAMEX nº 84, de 08/12/2010 foi publicada no Diário Oficial de 09/12/2010; e que seu art. 5º estabelece a vigência a partir da data da publicação, não resta outra alternativa a este colegiado a não ser excluir a multa de ofício sobre os tributos lançados de ofício em relação às declarações de importação registradas até 08/12/2010, declarandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado até esta data, com base no art. 151, V, do CTN, até que sobrevenha o desfecho do processo judicial. Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário alcança também a multa por erro de classificação. Se o contribuinte sagrarse vencedor na ação judicial não se poderá manter a acusação de que houve erro de classificação fiscal anteriormente a 09/12/2010. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721894/2013-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite-se o creditamento no que concerne a dispêndios com vale-refeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal.
Recurso do qual se conhece em parte para negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3301-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUMENTOS ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE RESSARCIMENTO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO NA FORMA ELETRÔNICA. LEGITIMIDADE. Ressalvadas as exceções previstas na norma que regulamenta o assunto, a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento e de restituição por via eletrônica é legítima, e está alicerçada no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALEREFEIÇÃO OU VALEALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 94 /2 01 3- 42 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 162 2 No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite se o creditamento no que concerne a dispêndios com valerefeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal. Recurso do qual se conhece em parte para negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 127/132 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, mantendo, consequentemente, o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento que inaugurou o processo. O pleito diz respeito a pedido de ressarcimento de COFINS em formulário em papel, no valor de R$ 18.678,00, apurado nos anoscalendários de 2008 a 2012. Irresignada com o indeferimento do pedido a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou em síntese: a) que ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins/PIS seguindo o conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, calculado sobre os custos incorridos com alimentação do trabalhador nos termos do art. 369 do RIR (Decreto 3000/1999); Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 163 3 b) que a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins sobre valerefeição e valetransporte está prevista literalmente no inciso X do art. 3º da Lei 10.833/2003; c) que teria legítimo direito ao crédito sobre os custos operacionais (e não sobre as atividades administrativas); d) que as instruções normativas que exigem o uso do Programa PER/Dcomp para pedir restituição/ressarcimento são ilegais porque contrariam normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica; e, e) que a aplicação da multa de 50% sobre o valor do crédito pleiteado é ilegal, pois os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 ofendem e não observam os princípios legais estipulados pela Lei 9.784/1999, que regulam e norteiam o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. Requereu, por fim, o reconhecimento do direito aos créditos solicitados e o afastamento da multa de 50%. Não obstante os argumentos aduzidos pela reclamante, a manifestação de inconformidade não foi acolhida pela instância a quo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. CONDIÇÕES. O pedido de ressarcimento, utilizandose de formulário, só pode ser feito observandose as condições estabelecidas nos parágrafos 2º ao 5º do art. 113 da IN RFB nº 1.300/2012. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVA. VALEALIMENTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A alimentação do trabalhador não é aplicada ou consumida na prestação de serviços, não podendo ser considerada insumo para fins de creditamento de Cofins. Além disso não há previsão legal para o desconto de crédito incidente sobre esse tipo de despesa (custo). EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O parágrafo 15 do art. 74 da Lei 9.430/1996 estabelece que será aplicada multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 164 4 Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a inconstitucionalidade/ ilegalidade das leis e normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da referida decisão em 1º/10/2014 (fls. 134), a interessada, em 29/10/2014 (fls. 136), apresentou o recurso voluntário de fls. 136/158, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pelo cancelamento da multa isolada em vista da revogação do § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 656, de 2014. Diante do exposto, requer seja afastada a aplicação da multa de 50% sobre o direito creditório pleiteado, bem como seja considerada válida a utilização dos formulários da IN RFB nº 1.300/2012, afastandose a utilização exclusiva do pedido de ressarcimento via eletrônica. É o relatório. Voto Do conhecimento em parte recurso O recurso é tempestivo e formalizado por parte legítima. Não obstante, só poderá ser conhecido em parte em vista da renúncia parcial à instância administrativa, conforme demonstraremos a seguir. Conforme relatado, diante do indeferimento do pedido de restituição / ressarcimento foi aplicada a multa capitulada no § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/10, cuja redação era no seguinte sentido: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. O preceito em tela foi explicitamente revogado pelo artigo 4º, inciso II, da Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015. Mas a discussão quanto à legitimidade da multa em questão foi levada ao Poder Judiciário, como informa a PGFN mediante ofício de fls. 124. De fato, nos termos do citado ofício, o sujeito passivo formalizou ação judicial questionando exatamente a exigência da multa em evidência. Aludido processo foi autuado sob o nº 201383.2014.4.01.3502 na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Anápolis. A formalização de pleito junto ao Poder Judiciário representa renúncia à instância administrativa, não podendo esta se manifestar sobre assunto já demandado na via judicial, em vista do princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Essa questão, inclusive, já está pacificada no âmbito do CARF, cuja Súmula no 1 estabelece o seguinte: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 165 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se pode, pois, conhecer do pedido de exoneração da multa de ofício, em vista da renúncia à presente instância administrativa pela propositura de ação judicial onde o mesmo direito é discutido. Conhecese, portanto, do pleito, exclusivamente quanto à suposta validade do pedido de restituição / ressarcimento em formulário de papel, bem como no que concerne ao direito de creditamento no regime de nãocumulatividade da COFINS. Do pedido de ressarcimento em dissonância com as normas editadas pela Receita Federal O sujeito passivo alega que a instrução normativa que exige o uso do Programa PER/DCOMP para a solicitação de restituição ou de ressarcimento seria ilegal, uma vez que contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca teriam condicionado o direito à utilização da via eletrônica. Vejamos como a questão é tratada pela instrução normativa RFB nº 1.300, de 2012, questionada pelo sujeito passivo: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] Art. 46. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41. § 1º Também será considerada não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação. [...] Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. [...] Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 166 6 Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. § 6º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. (grifos nossos) Pelo exposto, constatase que a IN RFB nº 1.300, de 2012, de fato, exigia a apresentação do pedido de compensação do sujeito passivo por via eletrônica mediante o uso do programa PER/DCOMP. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, o pleito da interessada se enquadra dentre aqueles cujo uso do programa PER/DCOMP é obrigatório, razão pela qual a não utilização da via eletrônica, ou seja, a opção pela apresentação de pleito com o uso de formulário, configura, na norma infra legal, hipótese de indeferimento sumário do pedido de compensação (artigo 111 da IN RFB nº 1.300/2012). Diante disso, a recorrente questiona a legalidade da reportada instrução normativa. Segundo entende, a norma em comento contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica. Não obstante, entendo que a instrução normativa em comento está, sim, devidamente respaldada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que reproduzo abaixo nas suas partes mais relevantes para o exame da questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 167 7 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, o § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 dá competência à Receita Federal para que a mesma discipline o rito procedimental do pedido de compensação de que trata o preceito em comento, ou seja, todo o artigo 74. Portanto, o legislador ordinário conferiu à administração tributária competência para a definição de condições e de regras destinadas a possibilitar o exame dos pleitos de compensação, de restituição e de ressarcimento, dentre os quais a exigência de apresentação eletrônica da maior parte desses pedidos, sem cuja exigência restaria impossível para o fisco a análise de tão exacerbado número de informações. Diante do exposto, e considerando que as exigências contidas na IN RFB nº 1.300/2012, aqui comentadas, estão alicerçadas pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, correto o entendimento da unidade de origem quando, fundamentada no artigo 111 da citada instrução normativa, indeferiu sumariamente o pedido de restituição / ressarcimento indevidamente apresentado em formulário de papel, já que a questão se subsume à obrigatoriedade de utilização do programa PER/DCOMP. Da inexistência de direito ao creditamento da COFINS Ainda que o caso não fosse de indeferimento sumário do pedido de restituição / ressarcimento, cumpre destacar, subsidiariamente, que a legislação que trata do regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS não dá direito ao creditamento em que se funda o sujeito passivo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 168 8 A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A discussão a respeito do alcance do conceito de insumo é acirrada e, de fato, há os que defendem que tal conceito deveria acompanhar a definição de custos e despesas nos termos da legislação do Imposto de Renda, tese encampada pela interessada, mas que entendemos não encontra respaldo legal. Com efeito, para Marco Aurélio Greco1, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da não cumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS2, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. 1 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721894/201342 Acórdão n.º 3301002.731 S3C3T1 Fl. 169 9 Afastase, pois, a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade adotado pela legislação do Imposto de Renda. Especificamente no que concerne a valerefeição ou a valealimentação, o artigo 3º, inciso X, restringe a possibilidade de creditamento em relação a aludidas rubricas exclusivamente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. É o que está explicitado no preceito em comento, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Não é esse, porém, o caso da interessada, que se dedica ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários (conforme seu cadastro junto ao CNPJ). Por conseguinte, e ainda que o pleito não se enquadrasse em hipótese de indeferimento sumário, resta evidente que não haveria como se reconhecer direito ao crédito pleiteado por falta de alicerce legal para tanto. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para conhecer em parte do recurso interposto pelo sujeito passivo, negandolhe, no entanto, provimento. Sala de Sessões, em 25 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 15165.720092/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 15/07/2009 a 25/05/2010
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966).
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL.
A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966.
Numero da decisão: 3401-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa "ERGONOFLEX" e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários interpostos.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 15/07/2009 a 25/05/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966). RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa "ERGONOFLEX" e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários interpostos. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966). RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa "ERGONOFLEX" e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários interpostos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 00 92 /2 01 1- 01 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 5 a 71, com ciência à empresa em 05/10/2011 (fl. 496), para exigência de multa substitutiva do perdimento (no valor de R$ 824.557,00), com fundamento no art. 23, V, e §§ 1o a 3o, do DecretoLei no 1.455/1976. No relatório fiscal de fls. 8 a 44, narra a fiscalização que: (a) em procedimento especial de controle aduaneiro instaurado em maio de 2010 em face da empresa “ERGONOFLEX COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA”, com base na Instrução Normativa SRF no 228/2002, tendo em vista indícios de irregularidades relativas à origem dos recursos empregados em suas atividades (US$ 643.243,58 em importações, com cerca de R$ 450 mil pago em tributos), pela aparente falta de capacidade financeira de seus sócios, constatou ter havido “interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior”; (b) os recursos para a realização das operações, principalmente o fechamento de câmbio, eram transferidos por meio de contas bancárias da empresa “DENAL MAX”, com quadro societário composto por “laranjas” (pessoas sem capacidade financeira), mas controlada de fato por FRANKLIN MENDES FREIBERGER e ARNALDO SIMÕES JÚNIOR (que são relacionados como responsáveis solidários na autuação, e são sócios da empresa “ERGONOFLEX”); (c) a empresa “DENAL MAX” também foi submetida a procedimento especial de controle aduaneiro, tendo em vista operações realizadas após a saída do sócio “ARNALDO” (em 19/01/2009), tendo sido declarada “INAPTA” em 02/05/2011; (d) em diligência na empresa “ERGONOFLEX”, a fiscalização encontrou o sócio “FRANKLIN”, que declarou que a empresa adquiriu mercadorias importadas por meio de outras empresas (“DENAL MAX”, “PRIME”, “FM FREIBERGER”, “PRIDE”, “STAR TRADE”, “MAXMOBILE” e “REPERTRICH”), sendo todas as negociações efetuadas por ele, e que os valores para pagamento de tributos, câmbio e demais despesas de importação eram depositados diretamente nas contas das empresas importadoras; (e) cientificado do início do procedimento, o sócio foi intimado (em 01/06/2010) a comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários às operações de comércio exterior realizadas pela “ERGONOFLEX”; (f) a “ERGONOFLEX” foi constituída em 19/01/2009 e tem no quadro societário “ARNALDO” (com 60% das cotas) e “FRANKLIN” (40%), com capital social de R$ 60 mil (integralizado “em espécie”, conforme consta no contrato social), tendo sido habilitada a operar no comércio exterior em 01/07/2009, inicialmente na modalidade simplificada (até US$ 150 mil por semestre); (g) ao solicitar alteração de modalidade de habilitação, a empresa a obteve (em 22/12/2009, com limite semestral de US$ 724.364,00), 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 568DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 568 3 apresentando contrato de empréstimo firmado em 27/11/2009, no qual o sócio “ARNALDO” transferiu de sua conta para a da empresa o valor de R$ 500 mil; (h) de 15/07/2009 a 16/06/2010 a empresa registrou 21 declarações de importação (DI), em montante total de US$ 643.243,58 (tabela com detalhamento das DI às fls. 24/25); (i) em análise das declarações de imposto de renda pessoa física (DIRPF) do sócio “FRANKLIN”, verificase que seus rendimentos anuais foram de R$ 33.400,00 (em 2010), de R$ 23.975,00 (em 2009) e de R$ 16.800,00 (em 2008), sendo a totalidade dos rendimentos de 2008 e 2009, e parte dos rendimentos de 2010 declarados como recebidos de pessoas físicas, e que seu patrimônio, que em 2008 não continha nenhum bem declarado, em 2009 chegou a R$ 62.000,00, e em 2010, a R$ 153.000,00 (com dívidas no valor de R$ 63.000,00); (j) em análise das declarações de imposto de renda pessoa física (DIRPF) do sócio “ARNALDO”, verificase que seus rendimentos anuais (de cerca de R$ 400 mil de 2006 a 2010) são absolutamente incompatíveis com sua evolução patrimonial (de cerca de R$ 900 mil), não havendo origem para o valor que foi “emprestado” à “ERGONOFLEX”; (k) a empresa não registra em sua contabilidade a conta “bancos” (apesar de possuir duas contas bancárias, uma aberta em 30/04/2009, e outra em 25/01/2010), sendo os lançamentos contábeis dos R$ 60 mil de integralização inicial e de R$ 550 mil (quantia registrada como “empréstimo de sócio” na conta “caixa geral”; (l) a conta “caixa geral” não possuía lastro financeiro para efetuar os pagamentos na ordem cronológica em que foram realizados, sendo a movimentação financeira da empresa (demonstração do fluxo às fls. 29 a 34, com depósitos da empresa “DENAL MAX” e de outras às vésperas das importações) totalmente diversa da registrada na contabilidade, que, por consequência, não é “digna de confiança”; (m) não tendo sido apresentados documentos hábeis sequer à identificação da origem dos montantes relativos à integralização do capital social e do citado empréstimo (que foi antecedido de depósitos na conta de “ARNALDO” pela empresa “DENAL MAX” e “PRIME MÓBILE”), concluise que a origem dos recursos utilizados para financiar as operações da empresa não é da empresa nem de seus sócios, mas de terceiros estranhos à sociedade; (n) “ARNALDO” e “FRANKLIN”, sócios da “ERGONOFLEX”, são comprovadamente responsáveis pela movimentação das contas bancárias em nome da “DENAL MAX” e foram os principais beneficiados no esquema, que se utilizou de empresas de fachada (todas financiadas pela “DENAL MAX”, que não conseguiu comprovar a origem dos recursos utilizados para tal financiamento, e igualmente declaradas “INAPTAS”) para realizar operações de seu interesse, sendo que ambos eram responsáveis por determinar os procedimentos para realização das operações; e (o) como conclusão do procedimento fiscal, verificouse a não comprovação descrita no § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 em relação a 15 DI da empresa (relacionadas às fls. 38/39), aplicandose a multa substitutiva do perdimento em função da revenda das mercadorias, e representouse ainda para fins de inaptidão do CNPJ da empresa “ERGONOFLEX”. A empresa “ERGONOFLEX” não apresenta impugnação (termo de revelia à fl. 544). Os responsáveis solidários “ARNALDO” (cientificado da autuação em 27/09/2011 fl. 497) e “FRANKLIN” (ciência em 28/09/2011 fl. 498) apresentam impugnação conjunta em 26/10/2011 (fls. 499 a 510), alegando, em síntese, que: (a) se a contabilidade da empresa é imprestável, ela não pode fazer prova em favor do fisco; (b) as provas de existência de recursos de terceiros cessam após os relatos das primeiras DI da empresa, não restando comprovado que houve reiteração do modus operandi nas operações subsequentes, tendo a fiscalização comprovado que em 4 dos 15 contratos de câmbio fechados houve pagamento com recursos de terceiro, operando presunção em relação aos demais; (c) o mútuo de R$ 500 mil está comprovado por transferência bancária, o que não pode ser afastado sob o singelo argumento de que o sócio “ARNALDO” não dispunha dessa importância, e recebeu depósito da empresa “DENAL MAX” (da qual também era sócio), em uma operação de distribuição de lucros, o Fl. 569DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 que implica o afastamento de todas as penalidades em períodos subsequentes a 2009; e (d) não houve menção à responsabilização pessoal dos sócios, nos moldes preconizados pelo Código Tributário Nacional (CTN), existindo tão somente atribuição de responsabilidade solidária com base nos art. 121 e 124 do CTN, sendo que todos os dispositivos colacionados (arts. 104, 106, 673 e 674 do Regulamento Aduaneiro) tratam de responsabilidade solidária do importador, adquirente e encomendante, e não de responsabilidade pessoal dos sócios da empresa, pelo que se impõe a exclusão dos sócios do polo passivo. Em 07/05/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 524 a 532), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que: (a) a responsabilidade imputada não é só amparada no art. 124 do CTN, mas no art. 95 do DecretoLei no 37/1966, sendo cabível a aplicação deste dispositivo a qualquer pessoa (física ou jurídica) que concorra para a prática da infração ou dela se beneficie; (b) a auditoria comprovou que a empresa “DENAL MAX” foi declarada “INAPTA”, assim como outras utilizadas nas importações que atendiam aos interesses de “ARNALDO” e “FRANKLIN” (sendo a negociação e o pagamento por eles operacionalizado), e sendo as contas bancárias da “DENAL MAX” movimentadas por “ARNALDO”, que também emitia as notas de entrada e saída, e registrava operações mesmo sem pertencer mais formalmente no quadro societário da empresa; e (c) no mérito, a autuação foi motivada pela não comprovação da origem, da disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior realizadas pela empresa, e efetivamente não houve a comprovação (sendo insuficiente inclusive o “mútuo” apresentado, que sequer é lastreado pelos recursos do sócio que efetua o empréstimo, sendo ainda inaplicáveis os argumentos referentes à contabilidade, que não foi utilizada a favor do fisco, mas por ele na busca da identificação da origem dos recursos), aplicandose a presunção legal estabelecida no art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976. Cientificados os sujeitos passivos do acórdão da DRJ (“ARNALDO” em 18/07/2014 fl. 543; e “FRANKLIN”, na mesma data fl. 542), estes apresentam o recurso voluntário de fls. 545 a 565 (em 07/08/2014), em conjunto com a empresa “ERGONOFLEX”, alegando que houve equívoco de qualificação no preâmbulo da impugnação em relação à empresa “ERGONOFLEX”, o que implicou a conclusão equivocada de que esta teria sido revel (havendo excerto da impugnação que comprovaria ser a empresa também uma impugnante, aliado à existência de poderes aos advogados para a defesa administrativa). No mais, são reiterados os argumentos expostos na impugnação em relação à contabilidade, à necessidade de demonstração individualizada (e não por presunção/”arrasto”), ao “mútuo” em favor da empresa “ERGONOFLEX”, e a responsabilidade dos sócios “ARNALDO” e “FRANKLIN” (agregando jurisprudência). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos apresentados pelos sócios “ARNALDO” e “FRANKLIN” preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Em relação ao recurso apresentado pela empresa “ERGONOFLEX”, fazse necessária análise inicial de admissibilidade, tarefa que se empreende a seguir. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 569 5 Do recurso apresentado pela empresa “ERGONOFLEX” Alegase na peça recursal conjunta que houve equívoco de qualificação no preâmbulo da impugnação, omitindose a empresa “ERGONOFLEX”, o que implicou a conclusão equivocada de que esta teria sido revel. E, para comprovar o alegado, colacionase excerto da peça impugnatória, afirmandose ainda que o patrono possuía poderes para representar os três sujeitos passivos da autuação. Nos termos do recurso voluntário (fl. 547): Na sequência da peça recursal propugnase pela relativização da formalidade do processo administrativo, e pela busca da verdade real, afirmando que o não recebimento do recurso apresentado pela empresa “ERGONOFLEX” constituiria cerceamento de defesa. Lendo a impugnação, que basicamente difere do recurso voluntário apenas no tópico aqui tratado, percebese que a redação da peça assim inicia (fl. 500): Fl. 571DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Mas no tópico inicial da exposição dos fatos (fl. 501, itens 1 e 3) efetivamente parece brotar a falha do patrono na qualificação dos impugnantes, pois sugerese que a empresa também o seria: Há inclusive excertos em que parece ser somente a empresa a impugnante, como os de fls. 503 (item 12) e 504 (itens 20 e 21): Existem, entretanto, tópicos em que parece ser a impugnação exclusiva dos sócios, como os de fls. 506 (item 28) e 507 (itens 34 e 36), e o pedido final, à fl. 510 (item 44): Fl. 572DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 570 7 Diante da confusão levada a cabo pela defesa, e da mais pura convicção de que a DRJ analisou todos os argumentos constantes da impugnação, inclusive os itens 12, 20 e 21 aqui citados, nos quais parece ser a empresa a impugnar, não se veria óbice em considerar que a peça impugnatória abarcava também a empresa “ERGONOFLEX”. Ademais, tendo a empresa sido cientificada em 05/10/2011 (fl. 496), tempestiva seria a impugnação se apresentada conjuntamente em 26/10/2011 (em que pese a peça impugnatória assinada pelos advogados conter ao final a data de 15/06/2011, obviamente incorreta, porque antecede não só as procurações, mas a própria autuação). Quanto ao poder de representação, é inegável que existia à época. Junto com a impugnação há duas procurações aos mesmos advogados (fls. 511 e 513), respectivamente, com os seguintes outorgantes: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Vejase ainda que esta última procuração outorga poderes para representação da empresa “ERGONOFLEX” especificamente nos autos deste processo (fl. 513): A única discussão a travar para a recepção da “impugnação” da “ERGONOFLEX”, assim, seria em face do inciso II do art. 16 do Decreto no 70.235/1972, que exige expressamente que a impugnação mencione a qualificação do impugnante. E tal qualificação, de forma completa, não resta ausente só no preâmbulo da impugnação, mas na totalidade da peça. No entanto, tendo em vista o contexto aqui apresentado (menções expressas na própria impugnação de que a empresa era impugnante, aliadas à tempestividade e à existência e anexação à impugnação de instrumento de outorga de poderes específico), entendo que resta suprida a exigência do inciso II do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. Entender de forma diversa, em cega leitura da lei, implicaria a própria anulação da autuação de ofício, pois ela também, por lapso, deixa de observar exigência prevista no Decreto no 70.235/1972 (art. 10, II): a inserção da data e hora da lavratura (vejase à fl. 3 que tais campos restam em branco na autuação). Fl. 574DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 571 9 Tanto uma como outra omissões não ensejam, a nosso ver, consequências irreversíveis. A da empresa resta suprida pelos elementos aqui citados. E a da fiscalização pela autenticação e pela assinatura digital no processo eletrônico formalizado, efetuadas em data e hora certas pela autuante, tendo ainda posteriormente operado ciência aos sujeitos passivos. Pelo exposto, entendo que diante das excepcionalíssimas circunstâncias presentes nestes autos, é de se conhecer e analisar o recurso voluntário apresentado pela empresa “ERGONOFLEX”, em conjunto com os demais sujeitos passivos da autuação. Ademais, reiterese que a DRJ (ainda que houvesse relatado, como aqui fizemos, que houve termo de revelia em relação à empresa “ERGONOFLEX”), apreciou todos os argumentos expressos na impugnação, inclusive aqueles que versariam mais especificamente em relação à empresa, e que o recurso voluntário não acrescenta (afora o presente tema) nenhum tópico novo ao debate. Como a DRJ analisou, além da questão referente à responsabilidade solidária (fls. 527 a 529), mais afeta aos impugnantes “ARNALDO” e “FRANKLIN”, também o próprio mérito da autuação (fls. 530 a 532), que nitidamente abarca a empresa “ERGONOFLEX”, não se operou supressão de instância. Seria absolutamente inócuo retornar os autos à instância de piso para que a DRJ julgasse impugnação que efetivamente já julgou. Entendo, destarte, cabível a apreciação imediata da matéria por este colegiado em relação a todos os sujeitos passivos. Da matéria não questionada É preciso recordar o pedido efetuado na impugnação (fl. 510), e reproduzido no recurso voluntário (fl. 565): “seja afastada a pena de perdimento aplicada a todas as operações posteriores a novembro de 2009”. Tal pedido denota desistência parcial de discussão da matéria autuada (declarações de importação DI registradas de 15/07/2009 a 25/05/2010). Perceba que entre as 15 DI objeto da autuação há 5 (fl. 38) que são anteriores a novembro de 2009. E tal desistência é consistente com os itens 27 e 28 da peça recursal (fl. 551), que equivalem aos itens 14 e 15 da impugnação (fl. 503): Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Assim, assumese como incontroversa a autuação em relação às 5 DI abaixo relacionadas, registradas antes de novembro de 2009: Passase, a seguir, a analisar as matérias que restam controversas: a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos e a responsabilização dos sujeitos “ARNALDO” e “FRANKLIN”. Da interposição presumida Compulsando os autos, percebese que a defesa parece ser equivocadamente calcada em infração diversa da que de fato é imputada na autuação. Para desde já afastar eventuais dúvidas em relação à infração imputada, incumbe transcrever a conclusão do relatório fiscal, parte integrante da autuação (fl. 38): E vejase o que diz o citado art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (na redação à época vigente), tendo em vista a destacada Medida Provisória no 66, convertida na Lei no 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 572 11 que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (grifos nossos) E a mesma Medida Provisória no 66, convertida na Lei no 10.637/2002, em seu art. 27, estabelece que: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” E os arts. 77 a 81 (aí compreendidos os arts. 106 e 674 do Regulamento Aduaneiro, invocados na autuação) da Medida Provisória no 2.15835/2001, por seu turno, dispõem que: “Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 32. (...) (...) Parágrafo único.É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: “V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art.80. A Secretaria da Receita Federal poderá: (...) Art.81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” (grifo nosso) Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Assim, das referidas normas (mormente da disposição legal expressa constante do § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976) deriva inequivocamente que a simples ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior já enseja o perdimento (ou a consequente multa substitutiva, na impossibilidade de concretização do perdimento). Tratase de presunção legal, que só poderia ser afastada caso efetivamente fosse feita a prova da origem/disponibilidade/transferência. É recorrente no CARF, e assentada na turma de origem, a distinção entre a interposição presumida e a comprovada: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. (...) (Acórdão no 3403002.894, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 27.mar.2014) (grifo nosso) Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 573 13 O presente processo trata de interposição presumida (a própria abertura de processo de inaptidão, ao invés da multa por acobertamento, endossa o aqui exposto, à luz dos julgados mencionados). Assim, não incumbe ao fisco a prova individualizada de transferências bancárias ou de quem efetivamente estivesse financiando as operações. Basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior para que seja aplicável a penalidade. Assim, são irrelevantes as alegações de defesa no sentido de que apenas havia sido comprovada a interposição em relação a cinco declarações (a menos que nestas declarações se estivesse pleiteando o reenquadramento da interposição presumida para a comprovada, o que não parece ser o caso, pois deveria, em tal caso, ser indicada a pessoa efetivamente ocultada). E são igualmente irrelevantes as alegações de que o fisco utiliza a contabilidade da empresa em seu desfavor, embora isso de fato não ocorra, tendo o fisco utilizado a contabilidade exatamente na busca (sem sucesso) pela origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, como já esclareceu o julgador de piso (fl. 531/532): Ou seja, a auditoria concluiu que a contabilidade da empresa não é fidedigna, porque não reflete e nem registra as operações da forma como de fato elas aconteceram e porque toda a movimentação bancária da empresa se encontra à margem da contabilidade. E fez isto, não para se utilizar da contabilidade para “provar” alguma coisa a seu favor, mas para elucidar de que envidou esforços no sentido de descobrir a origem oculta dos recursos empregados no comércio exterior, situação que competia a empresa demonstrar, sem, contudo, lograr êxito. Portanto, sequer seria necessária a apresentação dos fatos contábeis, como posto, para a demonstração da ocorrência do fato gerador em espécie, para a qual uma simples intimação não atendida com os esclarecimentos pertinentes seria suficiente para ensejar a presunção legal. Ademais, a fiscalização observou que os tributos recolhidos no registro das DI em nome da ERGONOFLEX não foram debitados diretamente em contas bancárias da empresa, conforme extratos bancários e pelo próprio extrato das DI, porém, foram debitados diretamente da conta corrente da comissária responsável pelos despachos aduaneiros (COMPASS SOUTH AMERICA), sem que se verificasse quaisquer transferências para as contas dos despachantes aduaneiros, compatíveis com os valores pagos no registro das DI. Por todo o exposto, verifico que são inaplicáveis os argumentos dos impugnantes acerca de temas relacionados à contabilidade da Ergonoflex e de que não haveria provas da ocorrência da infração tipificada a partir de novembro/2009, sendo inegável a ocorrência de interposição fraudulenta em operações de importação, pela não comprovação da origem, da Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. (grifo nosso) No presente processo, resta fartamente demonstrado pelo fisco que a empresa sequer tinha recursos para o pagamento em ordem cronológica de suas operações de importação e que seus sócios não possuíam patrimônio sequer para os aportes de integralização de capital ou financiamento das importações. E a defesa não apresenta refutações a tais constatações do fisco (que são o elemento fulcral da autuação por interposição presumida). O mais próximo que a defesa chega disso é ao alegar (itens 20 a 23 da impugnação fls. 504/505, e itens 47 a 50 do recurso voluntário fls. 555/556) que a partir de novembro de 2009 estaria lastreada por empréstimo do sócio “ARNALDO”: Sobre o tema, a fiscalização já esclarecia que a simples alegação de empréstimo pelo sócio, ainda que acompanhada da transferência bancária, não lastreia a operação se o sócio, por sua vez, não conseguir comprovar que efetivamente detinha a quantia depositada (ao invés de simplesmente estar acobertando terceiro). É nítido que o empréstimo só desloca a investigação para etapa antecedente, no sentido de verificar qual a origem dos R$ 500 mil emprestados pelo sócio (origem esta que não é comprovada, é incompatível com a declaração de imposto de renda de “ARNALDO”, e nem poderia ser comprovada com sucessivos outros empréstimos, sem que o elo final fosse capaz de, por si, financiar a operação). Em síntese, os recursos para financiar as operações de comércio exterior devem provir de alguma pessoa que os possua efetivamente. Ademais, detenhamonos nas alegações de defesa, no sentido de que os R$ 500 mil do sócio “ARNALDO” proviriam do fato de este ser sócio da “DENAL MAX” (“outra empresa de sua titularidade”), que efetuou simples distribuição de lucros. Ocorre que “ARNALDO” já não era sócio da “DENAL MAX” desde o início de 2009 (tendo sido o Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 574 15 empréstimo efetuado em novembro de 2009). Recordese que a empresa “DENAL MAX” foi declarada “INAPTA” e que os sócios que a adquiriram, sucedendo “ARNALDO” no início de 2009, são pessoas sem capacidade econômica (“laranjas”), e que jamais foram localizadas. Assim, permanece ausente a comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, sendo aplicável a penalidade expressamente prevista no art. 23, V e § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, em função da presunção presente no § 2o do mesmo artigo, não afastada a contento pela defesa. Da responsabilidade de “ARNALDO” e “FRANKLIN” Nesse tópico, novamente parece a defesa operar em relação a imputação diversa da efetuada na autuação. No relatório fiscal, fazse a imputação com base nos arts. 104, I; 106, III; 673; e 674, I e V, e parágrafo único do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009). Os arts. 104, I e 106, III do Regulamento Aduaneiro (todos simples reprodução de suas matrizes legais) são referentes ao imposto de importação, matéria não tratada no presente processo. É certo que na hipótese narrada nos autos seria devido o imposto de importação (cf. art. 1o, § 4o, III do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003), e que seriam aplicáveis tais dispositivos sobre responsabilidade solidária, caso houvesse sido lançado o crédito tributário em relação ao imposto. Mas não o foi (ao menos no presente processo). Os autos aqui analisados não tratam de tributos, mas de multa por cometimento de infração aduaneira, que tem por objetivo substituir a pena de perdimento. Não está em discussão, por consequência, matéria tributária. Daí a menção, na autuação, aos arts. 673 (que conceitua infração) e 674 do Regulamento Aduaneiro. Vejase o que dispõe o art. 674, nos excertos citados pelo fisco no relatório fiscal integrante da autuação (fls. 40/41): Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 A responsabilidade em matéria de infrações aduaneiras não é regulada pelo Código Tributário Nacional, mas pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966 (base legal do art. 674 do Regulamento Aduaneiro). E já no inciso I, estabelece a norma de ordem legal que respondem pela infração conjunta ou isoladamente quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Apesar de as considerações de defesa calcadas no Código Tributário Nacional (sobre responsabilidade tributária e sobre responsabilidade pessoal) serem pouco pertinentes ao caso em análise, que trata de infração aduaneira, temse que tanto na seara tributária quanto na aduaneira, o simples fato de as pessoas físicas serem sócias de empresa é insuficiente para imputarlhes responsabilidade por infrações. Como exposto, o art. 95 do DecretoLei no 37/1966 exige, para responsabilização, que a pessoa concorra para a prática da infração ou dela se beneficie. E neste aspecto, resta amplamente comprovada a participação tanto de “ARNALDO” quanto de “FRANKLIN”, na operacionalização e no controle das importações, na movimentação financeira (inclusive das empresas de “fachada” posteriormente declaradas “INAPTAS”), e na ocultação de terceiro (ainda não identificado precisamente, visto que as pessoas autuadas sequer demonstraram ter capacidade econômica para realizar as importações que de fato realizaram). Somamos a isso os elementos já apontados no relatório fiscal, e que levaram o julgador de piso a afirmar (fl. 529) que: Durante as investigações efetuadas, apurouse, conforme amplamente descrito no Relatório Fiscal do processo no 15165.720091/201159, que Franklin e Arnaldo eram responsáveis em determinar todos os procedimentos para a realização das diversas operações de importação, desde quais mercadorias seriam compradas até quando e como deveriam ser embarcadas, ao pagamento dos fornecedores no exterior e custeio das despesas relacionadas ao despacho aduaneiro, bem como qual empresa efetuaria o registro da declaração de importação. E ainda, determinavam a quem seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída pelas empresas intervenientes utilizadas até que a mercadoria fosse colocada à disposição de seus clientes. Foi apurado que era a partir das contas bancárias da empresa DENAL MAX que todos os recursos eram transferidos às diversas empresas que realizavam operações de comércio exterior, sendo que a origem lícita destes recursos nunca foi comprovada perante a fiscalização. Todas estas transferências patrimoniais eram feitas à margem de qualquer controle contábil ou de qualquer outra formalidade, quer seja por parte da provedora de recursos quanto das empresas que os recebiam. Portanto, é inegável que os reais interessados nas operações são FRANKLIN FREIBERGER e ARNALDO SIMÕES JUNIOR, os quais se beneficiaram das vantagens obtidas através dos artifícios fraudulentos utilizados, devendo ser responsabilizados pela infração constatada. (grifo nosso) No entanto, entendemos, pelos próprios elementos colacionados, aliados aos expressos pela DRJ, que a imputação não se deve somente a terem “ARNALDO” e Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15165.720092/201101 Acórdão n.º 3401003.094 S3C4T1 Fl. 575 17 “FRANKLIN” sido beneficiados, mas também a terem ambos concorrido para a prática infracional. De qualquer modo, os elementos probatórios presentes na autuação são suficientes para manutenção da imputação da penalidade referida no art. 95 do DecretoLei no 37/1966, e não são afastados pela defesa, que se concentra em disposições tributárias, invocando doutrina tributária, enquanto o caso concreto em análise trata de infração aduaneira. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial para conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa "ERGONOFLEX" e, no mérito, em negar provimento a todos os recursos voluntários interpostos. Rosaldo Trevisan Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11080.724012/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2009
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
Incidem contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelas cooperativas aos contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2402-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2009 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado. Incidem contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelas cooperativas aos contribuintes individuais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RECEBIMENTO DE REMUNERAÇÃO. VINCULAÇÃO AO RGPS NA CATEGORIA DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Os integrantes dos Conselhos Administrativo e Fiscal das cooperativas, quando recebem remuneração, filiamse ao Regime Geral de Previdência Social RGPS na categoria de contribuinte individual. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelas cooperativas aos contribuintes individuais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2009 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 40 12 /2 01 1- 68 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.724012/201168 Acórdão n.º 2402004.975 S2C4T2 Fl. 427 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 45.004 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração AI: a) AI n.º 37.314.5640: exigência da contribuição previdenciária patronal incidente sobre o valor da remuneração de segurados contribuintes individuais, membros dos Conselhos de Administração e Fiscal da autuada; b) AI n.º 37.314.5632: aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente na conduta da empresa de apresentar após 04/12/2008, declarações em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, com informações omissas, nas competências 03/2007, 05/2007 e 11/2008, as quais se referem aos fatos geradores tratados no item "a". Segundo o relato do fisco os elementos que serviram de base para a sua apuração foram folhas de pagamento, DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e a escrita contábil da Cooperativa. A multa para os fatos geradores ocorridos até 04/12/2008, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 27/12/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância. Foi afastada a suscitada nulidade, por entender a DRJ que o relato do fisco e os anexos colacionados apresentaram todos os elementos necessários ao perfeito entendimento da exigência fiscal, além de que a fundamentação legal mencionada abarca perfeitamente a situação fática narrada. O acórdão da DRJ ressaltou que, embora se tenha decisão anterior da mesma Delegacia de Julgamento contrária à incidência de contribuições sobre fatos geradores idênticos, não há dispositivo legal prevendo que as decisões posteriores mantenham o mesmo entendimento. Os membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal da cooperativa foram considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, uma vez que receberam remuneração pelo exercício do cargo, assim se justificou a procedência dos lançamentos, com base na Lei n.º 8.212/1991, no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 e nas Instruções Normativas IN SRP n.º 03/2005 e IN RFB n.º 971/2009. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Por fim, concluiu o órgão a quo que, sendo procedentes as contribuições lançadas, fora legítima a imposição de multa por descumprimento da obrigação de informar os fatos geradores correspondentes na GFIP. Inconformada com a decisão, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os pontos abaixo. Afirma que é uma cooperativa, onde apenas os membros eleitos para cargo de direção se enquadram na condição de segurados obrigatórios, sendo que para esses recolheu as contribuições devidas conforme documentos colacionados. Nem os membros do Conselho de Administração, e muito menos os integrantes do Conselho Fiscal, assumem funções de dirigir a entidade, como se pode ver dos seus estatutos. Assim, por força do que dispões a alínea "f" do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, essas pessoas não são consideradas segurados da Previdência Social. A obrigação tributária não pode ser criada por legislação infralegal, portanto, é inválida a fundamentação das lavraturas com esteio em regras previstas apenas em instruções normativas. Sustenta que a atividade desenvolvida pelos integrantes dos Conselhos de Administração e Fiscal são habituais, não havendo como serem enquadrados na alínea "g" do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991. Esse entendimento inclusive foi adotado em decisão de outra turma da mesma DRJ, onde foram declaradas improcedentes as contribuições incidentes sobre fatos geradores de mesma natureza. Apresenta ainda decisão judicial que abonaria a sua tese de não incidência de contribuição sobre a remuneração paga aos membros dos conselhos citados. Ao final, requereu a declaração de improcedência do feito. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.724012/201168 Acórdão n.º 2402004.975 S2C4T2 Fl. 428 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Enquadramento previdenciário dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal Sobre a única questão da lide, que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados pelas cooperativas aos membros de seus Conselhos Administrativo e Fiscal, iniciamos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao beneficiário. Não há dúvida que os valores pagos aos conselheiros é uma forma de remunerálos pelos serviços prestados às cooperativas, por esse motivo a Lei n.º 8.212/1991 trata essas pessoas como segurados obrigatórios da Previdência Social, como se pode ver dos dispositivos abaixo: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Art.12.São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99): (...) g) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio corista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99). (...) O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, trata da questão nos seguintes termos: Art. 9° São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Inciso e alíneas com redação dada pelo Decreto n°3.265, de 29/11/99) (...) i)o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) Verificase que a vinculação à Previdência Social na categoria de segurado contribuinte individuaL decorre do recebimento de remuneração em razão da prestação de serviço, que indubitavelmente ocorre tanto com os membros da Diretoria, quanto aqueles que integram os Conselhos de Administração e Fiscal. Acerca dessa matéria há recentes decisões do Egrégio STJ que manifestam o entendimento quanto à incidência de contribuições sobre os valores pagos pelas cooperativas a essas pessoas. Vou transcrever dois precedentes: Ementa:TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVAS. CÉDULA DE PRESENÇA. MEMBROS DO CONSELHO FISCAL E DE ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.724012/201168 Acórdão n.º 2402004.975 S2C4T2 Fl. 429 7 Sobre os valores pagos a membros de Conselhos de Administração e de Conselhos Fiscais de sociedades cooperativas, ainda que apenas a título de comparecimento às respectivas reuniões, incide contribuição previdenciária. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 330.711 RJ, publicado em 09/10/2103) Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO.ENTIDADES COOPERATIVAS. MEMBROS DOS CONSELHOS DE ADMINISTRAÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 12, v, "f", E 22 DA LEI 8.212/1991. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou que "as cédulas de presença que são pagas pelas cooperativas aos membros de conselho de administração ou conselho fiscal representam retribuição pelo trabalho prestado. Válida a incidência de contribuições sobre esses valores (art. 12, V, eg, Lei 8.212/1991. (...) 4. Sobre a remuneração paga aos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal, inclusive de entidades cooperativas, incide contribuição previdenciária. Precedente do STJ: AgRg no REsp 1.117.023/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 19/08/2010. 5. Com efeito, tal categoria de pessoa física que recebe remuneração pelos serviços prestados à cooperativa ou sociedade anônima incluise no conceito de contribuinte individual (art. 12, V, "f", da Lei 8.212/1991), cuja interpretação não pode ser feita apenas literalmente, sob pena de ofensa ao princípio da solidariedade da Seguridade Social. 6. Agravo Regimental não provido... (AgRg no AREsp 566.132 MG, publicado em 09/12/2104) Verificase, portanto, que o entendimento do fisco, corroborado pela DRJ, está em perfeita sintonia com os ditames legais e com a jurisprudência dominante no STJ, não havendo razões para alteração na decisão recorrida quanto a esse ponto. O fato de haver outra decisão de primeira instância adotando tese contrária àquela encampada no acórdão recorrido não serve de justificativa para alterar o lançamento, posto que a decisão mencionada como paradigma é precária, posto que passível de revisão pela segunda instância, além de não ter força vinculante, conforme a legislação processual tributária federal. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Uma vez que os membros dos Conselhos Administrativo e Fiscal são segurados obrigatórios da Previdência Social, a remunerações que lhes foram pagas pela recorrente deveriam obrigatoriamente ter sido declaradas na GFIP. A omissão quanto a esse dever instrumental justifica a imposição da multa constante do AI n.º 37.314.5632. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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