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Numero do processo: 10783.720011/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 01 1/ 20 13 -2 6 Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO ADM DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora MG que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensações vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2007. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório da DRF/Vitória/ES (fl. 80), que não reconheceu o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007 e não homologou as compensações declaradas nas seguintes DCOMPs: 07768.16078.310708.1.3.038982, 00937.12802.260412.1.7.031621, 03817.14224.260412.1.7.032850, 06789.10509.080808.1.3.035657, 12840.64463.200808.1.3.030427, 25684.60449.150808.1.3.037438, 28228.87701.270808.1.3.034062 e 38868.33940.290808.1.3.032030. O referido Despacho Decisório se baseou no Parecer Seort nº 034/2013, assim ementado (fls. 78/79): Assunto: Compensação. Saldo negativo de CSLL. Ementa: Compensação utilizando saldo negativo de CSLL. Auto de infração para o mesmo período de apuração do crédito. Após a recomposição da base de cálculo da CSLL decorrente de glosa de despesas, apurouse contribuição a pagar, não havendo saldo negativo a ser compensado. Crédito inexistente. Compensação não homologada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade às fls. 87/131. Preliminarmente, pediu a nulidade do Despacho Decisório, “em razão da superficialidade da busca de informações necessárias para a sua adequada decisão, o que fere o princípio da verdade material”. Nesse sentido, alegou que as estimativas mensais e as retenções na fonte de CSLL, que compuseram o saldo negativo de 2007, não foram utilizadas para deduzir a contribuição lançada no auto de infração que consta do processo nº 15586.001638/201081. No mérito, trouxe documentação e aduziu argumentos a fim de afastar a glosa de despesas de hedge procedida no referido auto de infração. Além da nulidade do Despacho Decisório, a interessada pediu a homologação das compensações e a extinção dos débitos em cobrança. No caso de indeferimento dos pedidos anteriores, solicitou a suspensão do presente julgamento até que seja concluído o julgamento do processo nº 15586.001638/201081. Vindo os autos a esta DRJ, o processo foi baixado em diligência, conforme Despachos de nºs 36 e 113 – 1ª Turma da DRJ/JFA, ambos de 2013, a fim de que fosse verificada a procedência das retenções e das estimativas que compuseram o saldo negativo declarado para o anocalendário de 2007. Em atendimento às solicitações desta Turma de Julgamento, a DRF/Vitória/ES exarou os Despachos Seort nº 1.031/2013 (fls. 616/618) e nº 088/2014 (fls. 1.024/1.027). Em síntese, informou que do total de R$ 11.972.535,52 declarado pela interessada como Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 4 3 tendo sido antecipado a título de retenções na fonte e estimativas mensais de CSLL compensadas, somente R$ 7.764.706,90 foram confirmados. Isso porque parte das estimativas não tiveram suas compensações homologadas, bem como não foram encontradas DIRFs para as retenções de CSLL na fonte. Ademais, repisou que, “Levandose em consideração que auto de infração e saldo negativo são incompatíveis entre si, concluise que, para o período em questão, não há que se falar em saldo negativo de CSLL.” Com relação aos novos Despachos supracitados, a interessada voltou a se manifestar às fls. 624/629 e 1032/1039. Sobre as retenções na fonte, apresentou comprovantes anuais de retenção de contribuições, às fls. 1.103/1.112. Acerca das estimativas cujas compensações não foram homologadas, em resumo, argumentou que essas estimativas devem compor o saldo negativo de CSLL de 2007, sob pena de se realizar cobrança em duplicidade, pois tais estimativas já são objeto de processos específicos de cobrança. Para corroborar seus argumentos, invocou julgado do CARF e a SCI Cosit nº 18/2006. A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de nulidade do despacho decisório porque nele não identificou vício formal ou ocorrência de uma das hipóteses do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, bem como refutou as arguições de superficialidade de instrução probatória e ofensa ao princípio da verdade material, vez que a existência do lançamento formalizado nos autos do processo administrativo nº 15586.001638/201081 tornou irrelevante, para a autoridade a quo, avaliar se as antecipações de CSLL foram ali aproveitadas. No mérito, constatando o não aproveitamento das estimativas mensais e retenções de CSLL no lançamento formalizado nos autos do processo administrativo nº 15586.001638/201081, bem como que as DCOMP em litígio foram transmitidas antes da lavratura do auto de infração, e reportandose a decisão proferida em relação ao saldo negativo de IRPJ objeto do processo administrativo nº 10783.904544/201288 e à informação da autoridade local acerca da apuração original de base negativa pela contribuinte, a Turma Julgadora de 1ª instância concluiu que a contribuinte tinha direito ao crédito sobre valores de antecipações realizadas sob pena de enriquecimento sem causa do Estado. O crédito reconhecido foi integrado por retenções confirmadas de R$ 11.054,59, e estimativas parcialmente confirmadas no montante de R$ 7.764.706,90, estas de acordo com as informações prestadas em diligência à fl. 1205, correspondentes às compensações já homologadas que se destinaram a extinguir as estimativas do anocalendário 2007. O voto condutor da decisão recorrida firmou a necessidade de cobrança, pagamento e extinção dos débitos cuja compensação ainda não foi homologada para convalidação do saldo negativo, não bastando, para tanto, apenas a confissão do débito em DCOMP. Declarando a impossibilidade de sobrestamento do processo administrativo fiscal, a Turma Julgadora reconheceu à contribuinte crédito de R$ 7.775.761,49 para homologação das compensações até este limite. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/04/2014, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias contados da postagem dos documentos em sua caixa postal eletrônica em 15/04/2014 (fl. 1130), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/04/2014 (fls. 1132/1151). Preliminarmente a recorrente requereu a apreciação deste conjuntamente com o processo administrativo nº 15586.001638/201081, no qual foi formalizado lançamento de ofício da CSLL devida no anocalendário 2007 sem considerar as antecipações promovidas Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 5 4 pela contribuinte. Justificou seu pedido com vistas a evitar que a Recorrente possa ser lesada injustamente, o que pode ocorrer caso as compensações não sejam homologadas no presente processo e as antecipações não sejam abatidas da CSLL apurada no lançamento de ofício em referência. Fundamentou seu pedido na aplicação subsidiária do art. 105 do Código de Processo Civil. No mérito, apontou duplicidade de cobrança porque a não homologação integral das compensações em discussão nos presentes autos gerou a dupla cobrança dos débitos que se pretendeu compensar, pois tais estimativas de CSLL quitadas por meio de compensação, caso não sejam homologadas, serão objeto de cobrança nos seus respectivos processos de cobrança, já que a DCOMP constitui confissão irretratável de dívida, não obstante a cobrança dos débitos que se abriram a partir da negativa das compensações nestes autos. Defende que, "ganhando" ou "perdendo" naquele processo, a Recorrente terá direito ao aproveitamento desses valores de estimativas mensais de CSLL para formar o saldo negativo do anocalendário de 2007. Não há uma terceira saída! Cita julgado deste Conselho em favor de seu entendimento, reportase à Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, bem como a decisão de 1ª instância que, diversamente da decisão recorrida, entendeu que a Solução de Consulta não seria aplicável ao presente caso. Questiona o "requisito" criado pela DRJ de que as estimativas sejam passíveis de cobrança, observa que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, assim permanecendo até decisão final administrativa. Observa que a jurisprudência invocada na decisão recorrida diz respeito à impossibilidade de lançamento de ofício das estimativas depois de encerrado o anocalendário, circunstância distinta da presente, na qual os débitos foram confessados em DCOMP, e invoca a Solução de Consulta Interna COSIT nº 19/2011 que reconhece ter as estimativas fato gerador, base de cálculo e vencimentos próprios, hábeis à geração de indébito, e portanto, também de confissão. Argumenta inexistir dano ao Erário porque a cobrança decorrente das DCOMP que liquidaram as estimativas resultaria em acréscimos superiores àqueles eventualmente aplicáveis aos débitos aqui compensados em datas posteriores. Subsidiariamente faz breve relato do processo administrativo nº 15586.001638/201081, concluindo que acredita no êxito do Recurso Voluntário ali apresentado, tanto em virtude das preliminares quanto do mérito, tendo plena convicção que as despesas de hedge são dedutíveis. Pede, assim, que seja parcialmente reformada a decisão da DRJ, reconhecendo se a integralidade do crédito pleiteado. Os autos deste processo administrativos foram sorteados para relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, mas redistribuídos, em razão de conexão, para esta Conselheira, relatora do processo administrativo nº 15586.001638/201081 (fls. 1232/1236). Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O saldo negativo de CSLL utilizado na compensação não homologada, segundo a DCOMP de fls. 02/12, totalizaria R$ 11.972.535,52, sendo formado por retenções na fonte de R$ 11.054,59 e estimativas compensadas. A autoridade julgadora de 1ª instância afirmou comprovadas as retenções na fonte e parte das estimativas compensadas. Assim, a alegação da recorrente acerca do necessário reconhecimento das estimativas que, compensadas, seriam liquidadas mediante compensação ou pagamento ao final dos litígios correspondentes, poderia por fim à discussão presente nestes autos. Cumpre, portanto, preliminarmente apreciar esta alegação. De fato, caso homologada a compensação de estimativa que compõe o presente saldo negativo, a parcela correspondente estará aqui convalidada, impedindo a cobrança de débitos compensados até o limite do crédito comprovado. Já em se tornando definitiva a não homologação da compensação desta estimativa, somente o pagamento decorrente de sua cobrança lhe conferirá novamente a certeza retirada pelo anterior ato de nãohomologação. Por sua vez, uma vez restabelecida esta certeza acerca da antecipação que a interessada pretende aqui ver computada no saldo negativo em debate, este direito creditório será reconstituído para imputação aos débitos compensados, impedindo sua cobrança. Logo, somente o pagamento das estimativas compensadas, vinculadas ao crédito tratado no anterior processo administrativo abordado pela recorrente, seria exigível, não se verificando qualquer duplicidade em relação a exigência decorrente dos débitos aqui compensados. Já se o sujeito passivo optar não pagar o débito que venha a se tornar exigível naqueles autos, o crédito aqui utilizado não será confirmado e então apenas os débitos com ele compensados serão exigíveis. Por certo não poderá a autoridade administrativa proceder a ambas as cobranças simultaneamente, mas apenas sucessivamente, caso se mostre inviável prosseguir na primeira cobrança. Assim, é certo que uma vez adimplida a cobranças das estimativas, a glosa aqui em discussão seria sanada. Contudo, esta é apenas uma hipótese, que demanda confirmação para o crédito ser revestido de liquidez e certeza e se prestar a uma compensação extintiva. De fato, outras circunstâncias podem se verificar caso aquelas estimativas voltem a ser exigíveis, no caso de decisão desfavorável à compensação declarada para sua extinção. E neste ponto, é relevante esclarecer, ainda, que a Súmula CARF nº 82 (Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas) aborda a questão apenas com relação às estimativas não recolhidas, não cogitando de estimativas compensadas por meio de DCOMP que restem não homologadas. A Lei nº 9.430/96 é clara quanto às conseqüências em relação ao sujeito passivo que, obrigado, deixe de pagar as estimativas devidas: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 7 6 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] A redação estabelecida a partir da Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, segue a mesma linha: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 8 7 Nestes termos, o fato de o sujeito passivo declarar em DCTF débitos de estimativas de IRPJ e CSLL não é suficiente para autorizar a imediata inscrição em Dívida Ativa para efeito de cobrança executiva, na forma do art. 5o, §2o do Decretolei nº 2.124/84. Ao menos nos casos em que esta declaração é desacompanhada de qualquer forma de quitação do débito, a lei reprime a omissão do sujeito passivo com a aplicação de multa isolada, e não com a cobrança do débito de estimativa. Contudo, cabe ao intérprete definir se as conseqüências expressas na lei também se aplicam aos casos em que o sujeito passivo não se omite, mas sim promove a extinção da estimativa devida mediante a entrega de DCOMP, extinção esta que pode se tornar definitiva após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos fixado para análise da operação pela autoridade fiscal. E, neste ponto, cumpre destacar que a redação dada pela Lei nº 10.833/2003 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 (§§ 9o a 11), permitiu a interposição de manifestação de inconformidade e recurso voluntário contra o ato de nãohomologação, conferindo ao débito compensado suspensão da exigibilidade durante o contencioso administrativo, qualquer que seja sua natureza. Frente a tais circunstâncias, editado o ato de nãohomologação, a autoridade administrativa concede ao sujeito passivo a possibilidade de, espontaneamente, quitar o débito compensado, sem discutir administrativamente a compensação. Caso o sujeito passivo opte por atender a esta recomendação, convalida a utilização da estimativa no correspondente período de apuração, quer para formação de outro saldo negativo, quer para reduzir o tributo verificado no ajuste anual. Porém, se o sujeito passivo opta por interpor manifestação de inconformidade e o posterior recurso voluntário, o débito compensado passa a estar com a exigibilidade suspensa, sendo inaplicáveis as conseqüências estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em face daqueles que deixam de pagar as estimativas devidas. Eventualmente poderseia questionar qual providência seria adotada se o sujeito passivo, ao restar vencido em sua pretensão, não recolhesse as estimativas indevidamente compensadas. Poderseia argumentar que estas estimativas não seriam passíveis de cobrança executiva porque a lei assim não autoriza. Todavia, como demonstrado, a lei não aborda diretamente as providências que devem ser adotadas em face de estimativa indevidamente compensada, mormente quando sua exigibilidade é restabelecida em razão da definitividade do ato de nãohomologação de compensação. Assim, caberá à autoridade administrativa competente para agir em tais circunstâncias interpretar a lei e definir os procedimentos que serão adotados, e a indefinição presente neste momento, em que ainda não encerrado o litígio administrativo acerca da liquidação das estimativas por compensação, é incompatível com a certeza e liquidez necessárias para confirmação do direito creditório aqui em litígio. Rejeitase, assim, a alegação de que a possibilidade de futura cobrança das estimativas frente a uma decisão desfavorável autorize a convalidação do crédito aqui utilizado. Superada esta arguição, devese ter em conta outras peculiaridades do presente caso: a sua conexão com o litígio constituído nos autos do processo administrativo nº 15586.001638/201081, a ser apreciado nesta mesma sessão de julgamento, e a dependência existente entre o presente litígio e aqueles formados em razão da nãohomologação das Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.720011/201326 Resolução nº 1302000.427 S1C3T2 Fl. 9 8 compensação das estimativas que integram o saldo negativo de CSLL em debate nestes autos, descritos à fl. 1092 e acerca dos quais constatase que: · Compensação controlada no processo administrativo nº 10783.725558/201156, apenso ao processo administrativo nº 15586.720241/201173 já julgado com reconhecimento parcial do crédito questionado em recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional; · Compensação controlada no processo administrativo nº 10783.725557/201182 apenso ao processo administrativo nº 15586.720242/201118 já julgado com reconhecimento parcial do crédito questionado em recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional; · Compensação controlada no processo administrativo nº 10783.725575/201193 apenso ao processo administrativo nº 15586.720244/201115 já julgado com reconhecimento parcial do crédito questionado em recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional; · Compensação controlada no processo administrativo nº 10783.725557/201110 apenso ao processo administrativo nº 15586.720243/201162 já julgado com reconhecimento parcial do crédito questionado em recurso especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional; e · Compensação controlada no processo administrativo nº 15586.001916/200886 já julgado com reconhecimento parcial do crédito questionado em recurso especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Ocorre que além destas estimativas, há outras cuja compensação não homologada é controlada nos processos administrativos nº 10783.900632/201120 e 10783.900637/201152, que não foram localizados no Eprocesso, impedindo a identificação da situação atual do litígio acerca da compensação. Assim, antes de prosseguir na apreciação dos efeitos dos litígios em referência, o presente voto é no sentido de CONVERTER o presente julgamento em diligência, para que a autoridade local informe em quais processos se verifica a discussão administrativa das compensações das estimativas controladas nos processos de cobrança nº 10783.900632/2011 20 e 10783.900637/201152. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000479/00-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados
IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
Ementa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
LEI InP 9.779/99. ALIQUOTA ZERO, ISENTO E NÃO
TRIBUTÁVEL INDEFERIMENTO. R.ECONSMUIÇÃO
DA ESCRITA FISCAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO.
RESSARCIMENTO. LEI Ni 9363/96. CRÉDITO BÁSICO.
EFEITO REFLEXO.
Impossível a discussão da glosa de compensação
(ocorrida em processo de ressarcimento de crédito
base) ocasionada por decisão proferida em processo
administrativo diverso (que discute os créditos
decorrentes de insumos isentos, não tributáveis ou
alíquota zero), quando este último processo obteve
decisão contrária ao contribuinte em caráter
definitivo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.909
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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LA,pet Fls. 348 Sey'D Ge2bea IAIL: Sapo 91745 If" ). MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ••n 7,/ ? - kt PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13016.000479/00-11 Recurso n° 130.953 Voluntário curo Candi" Cca""" Matéria Ressarcimento de IPI "F-5 - no olmo Oficia l da l)faãO Acórdão n° 201-80.909 Rume. Sessão de 13 de fevereiro de 2008 Recorrente SCA INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA. Recorrida DRJ em Santa Maria - RS Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LEI InP 9.779/99. ALIQUOTA ZERO, ISENTO E NÃO TRIBUTÁVEL INDEFERIMENTO. R.ECONSMUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. LEI Ni 9363/96. CRÉDITO BÁSICO. EFEITO REFLEXO. Impossível a discussão da glosa de compensação (ocorrida em processo de ressarcimento de crédito base) ocasionada por decisão proferida em processo administrativo diverso (que discute os créditos decorrentes de insumos isentos, não tributáveis ou alíquota zero), quando este último processo obteve decisão contrária ao contribuinte em caráter definitivo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A/7)1/4k' egiji ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 13016.000479/00-11 iJ o CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.909 Brunia, 747 /O 7". 2 Fls. 349 Sgslo . rbSsa MaL: 2:, i%91745 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. OSE A MAR COELHOCO-ELHOCighliaeltr •MARQUES Presidente CL 4*/. -awcsg BIOLA SIANO KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Maurício Taveim e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. ME • SEGUNDO CONSELH O DE CONTRIBUINTES Processo ri? 13016.000479/00-11 CONFERE COP.' O ....1c0INAL CCOVCOI Acórdão n.• 201-80.909 Bras:Its, _4/J 1..).L Fls. 350 savio rbra Mat.: Siem 91745 Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI instituído pela Medida Provisória n2 948, de 23/03/1995, posteriormente convertida na Lei n 2 9.363/96, referente ao segundo trimestre do ano-calendário de 2000, conforme pedido de fl. 1, no valor de R$ 71.151,47. O pedido foi protocolado em 13/11/2000 e, cumulativamente, a recorrente solicitou a compensação do crédito pretendido com débitos próprios, conforme pedido de fl. 2. Para fim de comprovar seu direito ao crédito, a recorrente apresentou cópias das principais peças dos processos (Ação Ordinária n 2 89.0014010-8/96.04.04862-7 e Mandado de Segurança n2 1999.71.07.002750-0), por meio dos quais a recorrente discute a Lei n 2 9.779/99 e possibilidade de creditamento nas entradas de insumos tributados à alíquota zero, isentos e não tributadas. Ao analisar os documentos apresentados, é possível constatar que a Ação Ordinária ("AO" - fls. 35/49), primeiro remédio judicial utilizado pela contribuinte, consiste em ação DECLARATÓRIA e ANULATÓRIA, por meio da qual a recorrente requer: (i) a declaração, por sentença, do direito de se creditar da alíquota do IN nas operações em que os insumos foram adquiridos com isenção ou foram tributados à alíquota zero; e (ii) a posterior anulação de respectivo auto de infração (n2 13016.000025/89-27). Nesta ação a recorrente obteve decisões nas primeira e segunda instâncias favoráveis (fl. 60). Já o Mandado de Segurança ("MS" - fls. 76/95) foi impetrado com a intenção de viabilizar à recorrente o exercício imediato do seu direito à compensação dos créditos obtidos com as decisões favoráveis (AO acima citada), sem que com tal procedimento sofresse qualquer restrição por parte do Fisco; requereu, ainda, o acréscimo de correção monetária. Apesar de o objeto desta ação ser a compensação - o mérito estaria decidido na AO -, as decisões analisaram novamente a existência ou não do direito da recorrente, sendo certo que nesta ação - também a despeito da AO - a recorrente incluiu os créditos decorrentes de insumos não tributados. A liminar e a sentença foram indeferidas (fl. 109), mas o acórdão (fl. 114), proferido em 11/12/2000, reformou as decisões até então proferidas e deferiu o pedido da recorrente. Importa registrar que a União Federal apresentou Recurso Extraordinário, todavia, este foi recebido com efeito suspensivo, sendo mantida, portanto, a decisão do tribunal. A DRF em Caxias do Sul - RS elaborou Relatório de Verificação Fiscal de folhas 120 e 121, no qual propôs o indeferimento do pleito de ressarcimento, com base na argumentação de impossibilidade de aproveitamento dos créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado. Registrou, ainda, que, em vista da reconstituição da escrita fiscal, a integralidade do valor do crédito pleiteado teria sido compensado de oficio com débitos da recorrente. Necessário esclarecer que, conforme informado nos autos, a recomposição da escrita fiscal foi realizada em virtude de a Fiscalização ter desconsiderado a possibilidade de a recorrente poder creditar-se das entradas de insumos submetidos à alíquota zero, isenção ou não tributados. O Senhor Delegado da DRF em Caxias do Sul - RS acolheu a proposição e indeferiu o pleito, conforme Despacho Decisório de fl. 122, tendo indeferido o aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aplicação da Lei n 2 9.363/96, em vista da ausência de trânsito em julgado no processo que discute a Lei n2 9.779/99. li tPt.A" MF - SEGUNDO CONSELHO DE COWRIBUINTES Processo n.° 13016.000479/004 CONFERE COM O C. iz.:GiNPl.I CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.909 Brasília, 1.2c2,,cr. Fls. 351 Silvio arbosa Mal: Sàpe 91745 Em 16/04/2000 a recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade (fls. 131/141), apresentando sua irresignação contra o indeferimento de seu pedido nos seguintes termos: a) inicialmente, aponta um equivoco que entende tenha sido cometido na análise de seu pedido, na medida em que supõe que a DRF considerou que a origem do crédito em apreço é coincidente com a do crédito objeto do Processo Administrativo n 2 13016.000364/00- 08. Reitera que se tratam de objetos distintos; e b) adicionalmente, opõe contra o indeferimento de seu pleito de ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto na Lei n2 9.363/96, discorrendo sobre o Decreto n2 2.637/2001, as Instruções Normativas n2s 21/97, 33/99 e 38/97, e o art. 11 da Lei n2 9.779/99. Entende que seu direito é decorrência lógica da simples aplicação das normas legais e infra- legais e, por isso, não poderia ser indeferido. Por meio do Acórdão n2 4.236, proferido em 22/06/2005, fls. 257/260, a Delegacia da Receita Federal em Santa Maria - RS manteve o Despacho Decisório, nos termos da ementa abaixo transcrita: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPL Correto o Despacho Decisório que indeferiu o ressarcimento de crédito presumido totalmente absorvido na compensação do imposto incidente em operações internas. Solicitação Indeferida". A citada decisão reiterou o fato de que: (i) a recorrente teria se equivocado em realizar a compensação, uma vez que as decisões judiciais ainda não transitaram em julgado; (ii) a compensação de oficio foi corretamente realizada, uma vez que a escrita fiscal teve que ser refeita pela inexistência dos créditos pleiteados; (iii) realizada a compensação de oficio, não sobraram créditos a serem restituídos; (iv) não há qualquer relação entre o processo ora em análise - ressarcimento de crédito presumido de IPI - e o Processo n 2 13016.000364/00-08, no qual se pleiteia o ressarcimento de créditos básicos de IPI, razão pela qual a matéria não foi sequer conhecido. Aos 11/08/2005, indignada com a citada decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (i) a recorrente possui duas ações judiciais que lhe reconhecem o direito ao aproveitamento do crédito de 1H nas entradas isentas, sujeitas a alíquota zero e não tributadas; (ii) o crédito é escritural e, portanto, não se sujeita às limitações impostas pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional - CTN; e (iii) a decisão que julga procedente o mandado de segurança retroage até o momento de propositura da ação, razão pela qual a conta gráfica da empresa deve ser refeita. Em vista de os fatos apresentados estarem confusos e não permitirem a conclusão, este Erégio Colegiado entendeu por bem baixar os autos em diligência, a fim de que fosse esclarecida a razão pela qual o pedido de ressarcimento de IPI ora analisado refere-se a crédito básico e seu indeferimento está pautado na impossibilidade de utilização de crédito decorrente de entradas isentas, não tributadas ou tributadas à ali quota zero. 4aAY A1/4- MF SEGUNDO CONSELHO DE CON1RIBUNTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 13016.000479/00-11 CCO2JC01 Acórdão n.° 201-80.909 Brasifia, __74!V/_,/ Pis. 352 smoa /2_ toss Mat. —tape 91745 Em resposta à Resolução n2 201-00.692, foram prestadas informações às fls. 345 e 346, por meio das quais interpretei terem sido realizados os seguintes esclarecimentos: 1. o processo em análise (n2 13016.000479/00-11) tem como objetivo obter o ressarcimento de créditos básicos de IPI - Lei n2 9.363/96, sendo os débitos compensados com créditos desta natureza; 2. portanto, não há relação entre o objeto das ações judiciais - que embasaram o Acórdão da DRJ - e o pedido do processo administrativo; e 3. todavia, a glosa do crédito básico se deu em razão do fato de a Fiscalização não ter permitido a contribuinte utilizar o crédito decorrente da ação judicial (alíquota zero/NT/isento), pois tal ocorrência determinou a reconstituição da escrita fiscal da recorrente e a conseqüente realocação dos créditos com a glosa das compensações pleiteadas neste processo administrativo. Foram apresentadas as cópias dos pedidos de compensação, bem como da decisão proferida nos autos do Processo Administrativo n2 13016.000364/00-08, comprovando-se os termos da decisão. Ainda com a finalidade de viabilizar o julgamento da questão sob análise, diligenciei ao sitio da Fazenda Federal (www.comprot.fazenda.gov.br) para analisar o andamento do processo administrativo que pleiteava os créditos de IPI decorrentes da aplicação aos insumos de aliquota zero/NT/isentos; bem como ao site do Supremo Tribunal Federal (www.stf. gov.br) para analisar o andamento do processo judicial relativo ao mesmo assunto. É o Relatório. S 4 , • Processo n.° 13016.000479/00-11 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.909 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 353 ÁpfBrasilla. _ ....1 • _ISL.tirr -s.,,. . el -. " IMIL Sopa 91745 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMEDAS, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Após analisar detidamente os autos deste processo, e especialmente as informações obtidas em diligência e aquelas recentemente angariadas nos sites oficiais, entendo que a questão é mais fática do que de direito. Explico. A seguir passo à análise individual de cada tópico. Basicamente, o ocorrido foi que a recorrente não obteve êxito em seu pleito administrativo (112 13016.000364/00-08) de compensar débitos com os créditos decorrentes do êxito até então obtido nas decisões judiciais proferidas nos processos de Ação Ordinária n2 89.0014010-8/ 96.04.04862-7 e Mandado de Segurança n 2 1999.71.07.002750-0. Importa esclarecer que os processos judiciais discutem a existência de crédito quando da entrada de insumos isentos/NT/alíquota zero e possuíam (quando do aproveitamento do crédito até o presente momento) decisões favoráveis que, processualmente, eram imediatamente executáveis, posto que os recursos apresentados não possuíam efeito suspensivo (Recurso Extraordinário). Desta forma, defende a recorrente que realizou o aproveitamento em 2000 e com a guarida de decisões judiciais, portanto, licitamente. Já a Fiscalização - e a DRJ em sua decisão - entende que, mesmo que houvesse decisão judicial favorável e ainda que o aproveitamento tenha sido realizado antes de 2001, não é possível o aproveitamento, uma vez que não houve o trânsito em julgado do processo judicial. Desta forma, negou a compensação e o crédito pleiteado por meio do Processo n2 13016.000364/00-08 e, conseqüentemente, determinou a reconstituição da escrita fiscal da recorrente. Tal decisão, possivelmente, não foi objeto de recurso, pois o processo administrativo encontra-se arquivado e, portanto, tomou-se definitiva no âmbito administrativo. A questão que se coloca no presente processo administrativo refere-se ao reflexo ocasionado pela decisão proferida no Processo n2 13016.000364/00-08, que gerou a reconstrução da escrita fiscal. Tal reconstrução realocou, também, os créditos decorrentes da Lei n2 9.363/96, compensando-os com outros débitos. Logo, pelos esclarecimentos prestados na diligência realizada, constato que não se está discutindo a existência dos créditos, mas, sim, a forma do seu aproveitamento. Ao reconstruir a escrita fiscal, inviabilizou-se que a recorrente realizasse a compensação de seus créditos básicos da forma como pretendia, ocasionando a glosa da compensação pretendida por meio do processo administrativo ora analisado, qual seja, de n2 13016.000479/00-11. Claro está, portanto, que a glosa da compensação se deu por efeito reflexo da decisão administrativa proferida em outro processo administrativo. Parece-me claro, portanto, que a solucão para este caso está naquele, pois apenas o refazimento da escrituração contábil para o que era anteriormente à decisão proferida no Processo Administrativo n2'Wkds1/4,- 21/4 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUINTES CONFERE COMO ORtb i Nál.• • Processo n.• 13016.000479/00-11 CCO2/C01 Acórdão n.• 201-80.909 Braslila, /1 rei O Fls. 354 seSr€no ;Yr bota mat: Eia. 91745 13016.000364/00-08 é que permitirá a compensação pretendida no Processo n2 13016.000479/00-11. Ocorre que a decisão proferida no Processo Administrativo n2 13016.000364/00- 08 é definitiva, o que significa que não enseja mais discussão. O fato de ter-se consolidado, na via administrativa, o impedimento à utilização do crédito tributário de IPI decorrente das entradas de insumos isentos/NT/aliquota zero, por conectivo lógico, inviabiliza o aproveitamento do crédito básico de In pela recorrente da forma que lhe aprouver. Importante registrar que não há, nos autos, discussão acerca dos critérios utilizados pela Fiscalização para a reconstituição da contabilidade da recorrente, ou mesmo do quantum a ser restituído. E nem há que se dizer que é possível utilizar-se a decisão proferida no âmbito judicial. O Recurso Extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional foi parcialmente provido, tendo sido deferido a utilização dos créditos decorrentes apenas das entradas de insumos isentos. E tal decisão ainda está pendente de recurso - Agravo Regimental. O impedimento que vejo em utilizar esta decisão não repousa no fato de que ainda não há trânsito em julgado. Nos termos de votos por mim proferidos em julgamentos anteriores, adoto o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça - STJ, que permite as compensações antes do trânsito em julgado desde que: (i) amparadas em decisões judiciais; e (ii) proferidas em processos anteriores à limitação trazida em 2001. Se fosse por esta razão, e inclusive por isso fui em busca das informações processuais nos sites oficiais, entendo que a compensação seria possível e que a reconstituição da escrita deveria ser refeita. Entretanto, esta discussão não se aplica para este caso, para este processo. É objeto do outro processo administrativo, o de n 2 13016.000364/00-08, onde não há mais possibilidade de discussão pela via administrativa. Entendo que, se for do interesse da recorrente, findo o processo judicial, será possível adentrar com ações próprias no Judiciário para garantir a reconstituição de sua escrita fiscal - observados os créditos de insumos isentos, se mantidos - e anular as demais decisões administrativas, mesmo que reflexas ao assunto. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente para o fim de manter a decisão de primeira instância administrativa, ainda que por outros fundamentos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. •11 4 4$ -aast - F • Is • CASS KERAM1DAS A.!, d " Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.900835/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-001.972
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não-cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confira-se: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não- cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10805.900835/2008-15 Acórdão n.º 3201-001.972 S3-C2T1 Fl. 2 3 compensação, conforme art. 147 do CTN, fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confira-se: Observe-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindo-se ao determinado na Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Contudo, a Turma enviá-los mais uma vez à unidade de origem, a fim de que a Recorrente fosse cientificada do Relatório Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débito seu com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o alegado crédito estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente, que, no entanto, em sua manifestação de inconformidade, sustentou que o pagamento a maior resultou do fato de a cooperativa ter recolhido a contribuição sob regime de apuração não cumulativo, quando deveria tê-la recolhido na sistemática cumulativa. A DRJ não acolheu as razões de defesa, ao fundamento de que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Assentou, ainda, que o erro de aplicação do regime de apuração não comprovaria o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de prová-lo. No recurso voluntário, a Recorrente juntou comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração, nos quais informados dados coincidentes com os inseridos na DCTF retificadora. Em face dos argumentos encartados na primeira Resolução (a segunda destinou-se apenas a cientificar a Recorrente do teor do Relatório Fiscal), a Turma baixou os autos em diligência, para que a unidade de origem certificasse o valor do crédito, com base na documentação existente nos autos, intimando a Recorrente a apresentar dados adicionais, se necessário. No Relatório Fiscal de fls. 172/176, a autoridade diligenciadora conclui que o valor original do indébito tributário que a Recorrente teria direito a requerer a restituição e/ou compensação com débitos tributários próprios é de R$ 2.921,73 (dois mil, novecentos e vinte e um reais e setenta e três centavos), o mesmo pleiteado no PER/DCOMP. Solucionado o litígio, portanto. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
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Numero do processo: 10675.000960/2001-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Não cabe a aplicação da taxa SELIC em relação a crédito admitido pela autoridade fiscal.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Não cabe a aplicação da taxa SELIC em relação a crédito admitido pela autoridade fiscal. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Não cabe a aplicação da taxa SELIC em relação a crédito admitido pela autoridade fiscal. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 09 60 /2 00 1- 80 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303003.532 CSRFT3 Fl. 441 2 termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 9303002.253 (fls. 304 a 309), de 8 de maio de 2013, proferida pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303003.532 CSRFT3 Fl. 442 3 Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Procurador Negado. O Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional visava retirar a incidência da taxa SELIC da base de cálculo do crédito presumido de IPI com ressarcimento de PIS/Cofins. Cabe destacar que o Contribuinte também interpôs Recurso Especial (fls. 249 a 257), mas o despacho (fls. 296 e 297) negou seu seguimento, inclusive confirmado por decisão do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sede de reexame de admissibilidade (fl. 298). Salientase que o presente Embargos de Declaração (fls. 313 e 314) foi proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em relação ao referido acórdão em 16 de junho de 2014 visando sanar omissão e por intermédio do Despacho de Admissibilidade s/n° (fls. 385 a 390), de 11 de setembro de 2015, deuse acolhimento. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator Os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional face ao Acórdão n° 9303002.253 é tempestivo. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303003.532 CSRFT3 Fl. 443 4 Conforme o art. 65 do Regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, repetido pelo art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão for obscuro, omisso ou contraditório no que tange a decisão e seus fundamentos, ou, como é alegado no caso em tela, for omisso ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) contados da ciência do acórdão. A omissão alegada pela Embargante diz respeito ao que tange à ausência de indicação, por parte do Colegiado, do ato de resistência ao aproveitamento do crédito pleiteado praticado pelo Fisco que ensejaria, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aplicação da taxa SELIC à hipótese. Conforme se observa na íntegra do referido Embargos de Declaração: A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Esta Eg. Turma resolveu manter a decisão que determinava a inciden̂cia da taxa Selic a partir da data de protocolização do pedido administrativo de ressarcimento de IPI, tendo em vista decisão do STJ sobre a matéria em sede de recurso repetitivo (RESP 1.035.847/RS). Todavia, analisando os presentes autos, percebese que não houve no caso sob exame o pressuposto que ensejou o julgado proferido pelo STJ. Isso porque não houve qualquer ato de oposicã̧o estatal à utilizacã̧o do crédito pleiteado pelo contribuinte. Destaquese que a Delegacia da Receita Federal de Joaca̧ba/SC reconheceu de pronto o direito creditório de R$ 33.136,68, conforme se extrai do despacho decisório de fl. 106/107. Não houve, pois, qualquer embaraço ao recebimento do cred́ito, tendo a Fazenda Nacional manifestadose favoravelmente ao contribuinte no primeiro momento em que lhe coube pronunciar se no processo. Sendo assim, inexistindo qualquer ato de oposição estatal ao ressarcimento do IPI no valor de R$ 33.136,68, entendese que, ao menos em relacã̧o a tal montante, não cabe a aplicacã̧o da Selic, tendo em vista o próprio pressuposto adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese que nos casos objeto de análise pelo STJ existia ato de oposicã̧o do Fisco, materializado por atos normativos da Receita, que impediam o aproveitamento do crédito pelo contribuinte, fato que o impelia a buscar o Judiciário para ver satisfeita sua pretensão. Vêse, pois, que foi justamente a resistência manifestada pelo Fisco que fundamentou a incidência Fl. 443DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303003.532 CSRFT3 Fl. 444 5 da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento de IPI analisados por aquele Tribunal. Tal ato de resisten̂cia estatal, todavia, não ocorreu na presente hipótese, salvo melhor juízo. Isso porque, conforme já explicitado, o direito creditório de R$ 33.136,68 foi reconhecido de pronto pela Delegacia da Receita Federal. Nesse contexto e considerando que o Colegiado não indicou qual seria o ato de resistência do Fisco ao aproveitamento do cred́ito pleiteado, fazse mister que se pronuncie para esclarecer qual é o ato de oposição estatal que justifica a aplicação da taxa Selic à hipótese, na linha do raciocínio desenvolvido pelo STJ. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a omissão apontada, a fim de que seja esclarecido qual foi o ato de oposicã̧o estatal que ensejou a aplicação da taxa Selic à hipótese. (Grifouse) E, caso o Colegiado conclua inexistir resistência do Fisco ao ressarcimento do crédito de IPI, requer sejam conferidos efeitos infringentes aos presentes embargos para reconhecer a inaplicabilidade da taxa Selic ao caso concreto, tudo em conformidade com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Nesses termos, pede deferimento. No Exame de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 385 a 390) o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais concluiu que: “(...) efetivamente, não se fez a necessária vinculação do caso concreto às hipóteses abrangidas pelo REsp em referência, pois não há qualquer menção a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito”. Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, em seus embargos por omissão, com efeitos infringentes, que na decisão embargada não foi indicado qual o ato de oposição estatal à utilização do crédito pleiteado pelo contribuinte visto que foi reconhecido de pronto o direito creditório no valor de R$ 33.136,68. Para melhor compreender o alegado citase trecho do Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fl. 162): O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 16 de dezembro de 1996, para ressarcir o valor da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins, incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao quarto trimestre de 2000, no valor de R$ 47.847,58, conforme Pedido de Ressarcimento da fl. 01, apresentado em 09 de maio de 2001. Consta, nas fs. 19 e 63, cópia de pedido de compensação. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303003.532 CSRFT3 Fl. 445 6 2. O pedido foi decidido pelo Despacho Decisório DRFIJOA n° 522, de 15 de agosto de 2006, da Delegacia da Receita Federal em Joaçaba – SC, fls. 106/107, com suporte na Informação Fiscal das fls. 100/105, com ciência do interessado em 05 de setembro de 2006, fl. 108, que indeferiu parcialmente o pedido, autorizando o ressarcimento no valor de R$ 33.136,68, e homologando parcialmente a compensação, pelos motivos relatados a seguir: 2.1 Foram excluídos do cálculo os valores correspondentes às aquisições de produtos adquiridos de pessoas físicas e de sociedades cooperativas, em razão de não serem contribuintes do PIS e da Cofins, em conformidade com o disposto nas Instruções Normativas SRF n °s. 23, de 13 de março de 1997, e 103, de 30 de dezembro de 1997. Como foi autorizado pelo Despacho Decisório n° 522 da Delegacia da Receita Federal em Joaçaba o ressarcimento no valor de R$ 33.136,68, homologando parcialmente a compensação, indica a Procuradoria da Fazenda Nacional que não houve oposição estatal ao ressarcimento deste valor, portanto, não se aplicaria a decisão do Superior Tribunal de Justiça por não existir, em relação a este montante, o pressuposto exigido para a aplicação da Taxa SELIC. A decisão embargada é silente neste aspecto, portanto, constatase a omissão. Em relação a aplicação da taxa SELIC é importante rever a decisão do STJ: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposicã̧o constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilizacã̧o do direito de crédito oriundo da aplicacã̧o do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lanca̧do pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303003.532 CSRFT3 Fl. 446 7 de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolucã̧o STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009). (grifouse). Neste sentido entendese que não cabe a aplicação da taxa SELIC em relação ao crédito admitido pela DRF/JOA pelo fato de não atender ao pressuposto adotado pelo Superior Tribunal de Justiça na decisão acima da necessidade de oposição estatal ao pleito do Contribuinte. Assim, com esses argumentos e de acordo com a legislação e jurisprudência aplicável, votase no sentido de acolher os embargos e conferir a eles efeitos infringentes. Valcir Gassen Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18471.001027/2006-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/10/2003 a
30/11/2003, 01/08/2004 a 31/08/2004, 31/03/2005 a 31/08/2005,
31/10/2005 a 28/02/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÉMIO DO PI. BASE DE
CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
Nos termos do § 1° do artigo 30 da Lei n° 9.718, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim
entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se
insere o valor da alienação do direito de fruição do crédito-
prêmio de IPI.
AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE.
RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CREDITO PRÊMIO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA
Nos termos do § 1° do artigo 1° da Lei n° 10.833, de 2003, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do crédito-prêmio de IPI.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PAsEP
Período de apuração: 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/05/2005 a
31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITA DO CREDITO-PRÊMIO DE IPI E RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO
DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÊMIO DO TI.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
Nos termos do § 1° do artigo P da Lei n° 10.637, de 2002, integra
a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta,
• assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as
quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de
fruição do crédito-prêmio de IPI.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/04/2003 a 28/02/2006
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 02. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
No caso, foi alegada ofensa ao princípio constitucional de
vedação ao confisco pelo fato da multa de oficio ter sido exigida
no percentual de 75%.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 203-13.315
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, por considerar como integrantes da base de cálculo das contribuições as receitas do crédito-prêmio de IPI e as receitas decorrentes de sua cessão, tanto no regime da cumulatividade quanto no da não-cumulatividade. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto á multa de ofício, em face aplicação da súmula n° 02 do Segundo Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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anomes_sessao_s : 200810
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/10/2003 a 30/11/2003, 01/08/2004 a 31/08/2004, 31/03/2005 a 31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÉMIO DO PI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Nos termos do § 1° do artigo 30 da Lei n° 9.718, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor da alienação do direito de fruição do crédito- prêmio de IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CREDITO PRÊMIO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA Nos termos do § 1° do artigo 1° da Lei n° 10.833, de 2003, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do crédito-prêmio de IPI. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PAsEP Período de apuração: 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/05/2005 a 31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITA DO CREDITO-PRÊMIO DE IPI E RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÊMIO DO TI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Nos termos do § 1° do artigo P da Lei n° 10.637, de 2002, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, • assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do crédito-prêmio de IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/2003 a 28/02/2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 02. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, foi alegada ofensa ao princípio constitucional de vedação ao confisco pelo fato da multa de oficio ter sido exigida no percentual de 75%. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, por considerar como integrantes da base de cálculo das contribuições as receitas do crédito-prêmio de IPI e as receitas decorrentes de sua cessão, tanto no regime da cumulatividade quanto no da não-cumulatividade. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto á multa de ofício, em face aplicação da súmula n° 02 do Segundo Conselho de Contribuintes.
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REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÉMIO DO PI. BASE DE • CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Nos termos do § 1° do artigo 30 da Lei n° 9.718, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor da alienação do direito de fruição do crédito- • prêmio de IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO- CUMULATIVIDADE. RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO DIREITO DE FRUIÇÃO DO CREDITO- PRÊMIO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA Nos termos do § 1° do artigo 1° da Lei n° 10.833, de 2003, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do crédito-prêmio de IPI. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PAsEP Período de apuração: 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/05/2005 a 31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DA NÃO- ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONfRIBUINTES CUMULATIVIDADE. RECEITA DO CREDITO-PRÊMIO DE CONFERE COM O ORIGINAL IPI E RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DO emita o9,6 1 1/ 1 (59 mos CAFS:le OINeira Met Steve 91650 • • Processo rr 18471.001027/2006-32 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.315 fls. 432 • DIREITO DE FRUIÇÃO DO CRÉDITO-PRÊMIO DO TI. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Nos termos do § 1° do artigo P da Lei n° 10.637, de 2002, integra a base de cálculo da contribuição o montante da receita bruta, • assim entendida a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais se insere o valor recebido pela alienação do direito de fruição do crédito-prêmio de IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/2003 a 28/02/2006 • INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 02. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, foi alegada ofensa ao princípio constitucional de • vedação ao confisco pelo fato da multa de oficio ter sido exigida no percentual de 75%. • Recurso Voluntário Negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, por considerar como integrantes da base de cálculo das contribuições as receitas do crédito-prêmio de IPI e as receitas decorrentes de sua cessão, tanto no regime da • cumulatividade quanto no da não-cumulatividade. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Mir ; e II) unani j t.f de votos, em negar provimento ao recurso quanto à multa de ofi • , em . da ap reçã da Súmula n° 02 do Segundo Conselho de Contribuintes. / LSON 't ACEDO ROSENBURG FILHO • Presid-nte DASSI GnUERZONI FIL • lator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, e José Adão Vitorino de Morais. •t-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL Brasftiaa/ / 619 2 Mate Comino de Oliveira Siape 911350 • °e c ~Nom rEs • wIF -SEGUNDO C • Processo n• 18471.001027/2006-32CCO2/CO3cot* Era COM O ORtGIRAL E Acórdão n ° 203-13.315 BraStlia Fls. 433 Marido C • 011vefra MO Sia 91850 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração cientificados pessoalmente à • autuada em 20/10/2006, lavrados, respectivamente, para a constituição de crédito tributário de R$ 2.744.481,88, relativo ao PIS/Pasep, e R$ 10.204.700,34 relativo à Cofins, nesses valores • incluídos juros de mora e a multa de oficio de 75%. Os períodos de apuração estão compreendidos no intervalo de abril de 2003 a fevereiro de 2006, não de forma consecutiva, • sendo que, para o PIS/Pasep, todos períodos se deram já sob a égide da Lei n° 10.637, de 2002 (regime da não-cumulatividade), e, para a Cofins, uma parte — abril a novembro de 2003 - sob a égide da Lei n°9.718, de 1998, e a restante — agosto de 2004 a fevereiro de 2006, sob o regime da não-cumulatividade. Segundo o autor do procedimento, o lançamento para ambos os casos decorreu da constatação de divergências apuradas entre o valor devido e o valor recolhido, em desfavor • do Fisco, por conta da não inclusão na base de cálculo de ambas as contribuições, de valores • relativos às receitas de alienação de crédito-prêmio do IPI (transferência de crédito a terceiros). • Impugnando os lançamentos, a autuada argumenta, em resumo, que a própria • Receita Federal não reconhece a existência do crédito-prêmio, um verdadeiro incentivo fiscal, senão por força de ordem judicial, como é o caso, mas, mesmo assim o inclui na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, o que considera uma incoerência; que, por ter como base o valor das exportações, na verdade o crédito-prêmio do IPI é uma receita de exportação, que, • como tal, está imune à incidência do PIS/Pasep e da Cofins; que as regras aplicáveis ao crédito- prêmio independem da forma como o mesmo será aproveitado, seja para o pagamento de tributos próprios, ou para compensação de tributos de terceiros, ou mesmo ressarcimento, sob • pena de tratamento antiisonômico; e, por fim, que a multa de oficio aplicada se mostra confiscatória. Para a impugnante, o crédito-prêmio do IPI, a exemplo do Crédito Presumido do IPI (Lei n° 9.363/96) é claramente uma forma da qual se valeu o Governo para ressarcir os tributos (aqui consideradas a própria Cofins e o PIS/Pasep) que foram cobrados internamente e que produzem repercussão econômica nos preços das exportações, a fim de corrigir distorções de mercado, e concomitantemente, estimular a exportação em face das importações, • neutralizando a competitividade e atendendo, em última análise, ao princípio da não- • cumulatividade do IPI. Entende ainda a impugnante que a transferência do crédito-prêmio do IPI para terceiros — com autorização judicial específica para tanto, ressalta, ainda não definitiva — não tem o efeito de transmutar a natureza jurídica do incentivo fiscal para uma receita financeira sujeita à incidência do PIS/Pasep e da Cotins, pois, caso contrário, a seu ver, restaria o entendimento de que o seu aproveitamento para compensação de tributos próprios não estaria submetido à tributação, em clara ofensa ao princípio da isonomia. Além disso, prossegue a impugnante, somente as receitas operacionais das empresas ó que podem sofrer a incidência do PIS/Pasep e da Cofins enquanto sob a égide da Lei n° 9.718/98, dentre as quais não se insere o crédito prêmio do IPI, seja qual for a forma de seu aproveitamento, a teor de julgamento do • STF! quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo trazida pelo § 1° d I RE 357.950. RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.084. 3 r) • I ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• CONFERE COMO ORIG1NAL ne9A ceg • Processo n° 18471.001027/2006-32 1 Braalka, CO02/CO3 Acórdão n.• 203-13.315Fls. 434 • Mad1de Curisiere OINeira Mat. SIape 91650 artigo 3° da referida Lei. Colaciona dois julgados desta Terceira Cárnara2 em que, à unanimidade de votos, prevaleceu o seu entendimento, ou seja, foi afastada a incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas de crédito-prêmio do IPI. Invoca os Pareceres Normativos CST n° 71, de 11/0211972, e CST n° 45, de 30/06/1976, para reafirmar que as receitas do crédito-prêmio de IPI são também consideradas como receitas de exportação e, portanto, imunes à Cotins e ao PIS/Pasep. Por fim, em relação a essa matéria — crédito-prêmio do IPI —, reafirma que não pode haver tratamento diferenciado para fins tributários para as várias formas de aproveitamento do crédito-prêmio do IP!, sob pena de ofensa ao principio da isonomia, e que obteve, por meio da via judiciaI 3, o reconhecimento do direito ao aproveitamento dos créditos, nos estritos termos autorizados pela IN SRF n°21/97. Concluindo sua peça impugnat6ria, insurge-se ainda a autuada contra a aplicação da multa de oficio de 75%, que considera confiscatória. A DRJ II do Rio de Janeiro/RJ, entretanto, manteve integralmente o lançamento, considerando que o crédito-prêmio de IPI está sim sujeito à incidência do PIS/Pasep e da Cofins e que o conceito de receita de exportação abrange apenas aquelas receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços para o exterior. Eis o resultado do referido julgamento: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins CRÉDITO-PREMIO DE IPL RECEITA TRIBUTÁVEL. O ressarcimento de crédito-prêmio de IPI configura-se receita, que não se encontra fora do campo de incidência da Cofins. A isenção prevista para a receita de exportação alcança estritamente aquela decorrente da venda de mercadorias ou serviços para o exterior, não podendo a essa ser agregada, por falta de amparo legal, a receita de crédito- prêmio de IN. DECISÕES DO STF. As decisões do STF em recursos extraordinários só têm efeitos entre as partes dos respectivos processos. DECISÕES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. As decisões dos Conselhos de Contribuintes não possuem eficácia normativa, em virtude da inexistência de lei que atribua tal efeito. INCONS7'ITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá-las. MULTA DE OFICIO. EFEITO DE CONFISCO. INAPLICÁVEL. A multa de oficio é uma penalidade pecuniária aplicada pela infraçlio cometida, não estando amparada pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu o legislador de utilizar tributo com efeito de confisco. Contribuição para o PIS/Pasep CRÉDITO-PRÉMIO DE IPL RECEITA TRIBUTÁVEL. O ressarcimento de crédito-prêmio de IPI configura-se receita, que não se encontra fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS. A isenção prevista para a receita de exportação alcança estritanzente aquela decorrente da venda de mercadorias ou serviços para o exterior, não podendo a essa ser agregada, por falta de amparo legal, a receita de crédito-prêmio de IPL DECISÕES DO STF. As decisões do 2 Acórdãos 203-09.763 e 203-09.780, de 15/09/2004. 3 Processo n°2000.0201061320-8, TRF r Região, ainda pendente de decisão definitiva, segundo consulta por çl;mim efetuada no sitio do TRF2* Região na Internet (www.trf2.gov.br ) tm 20/05/2008. 4 r) • Processo rt° 8471.001027/2006-32 CCO2/CO3 • ; Acórdão n.° 203-13.315 fls. 435 • STF em recursos extraordinários só têm efeitos entre as partes dos • respectivos processos. DECISÕES DOS CONSELHOS DE • CONTRIBUINTES. As decisões dos Conselhos de Contribuintes não possuem eficácia normativa, em virtude da inexistência de lei que atribua tal efeito. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. • As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá-las. MULTA DE OFICIO. EFEITO DE CONFISCO. INAPLICAVEL. A multa de •• oficio é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não estando amparada pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu o legislador de utilizar tributo com efeito de confisco. • Lançamento Procedente. • No Recurso voluntário, inicialmente, a Recorrente pede que seja procedida a imediata liberação dos bens descritos no arrolamento feito de oficio, em face da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.976-7 ajuizada pena Confederação Nacional da Indústria e considerada procedente pelo STF, bem como à orientação interna da Coordenação de Arrecadação da Receita Federal que fez anexar à fl. 421, no sentido de que não mais seja • exigido o arrolamento de bens para fins de seguimento de recurso voluntário. No mérito, propriamente dito, repisou as argumentações expendidas na impugnação, acrescentando-se-lhes que o fato de a ação judicial que lhe garantiu o direito ao aproveitamento do crédito-prêmio do IPI ainda não ter transitado em julgado reveste de precariedade as receitas dela decorrente, o que significa que poderá vir a ser obrigada a recolher os tributos que eventualmente tenha compensado. Assim, entende que o que chama de receitas provisórias geradas em virtude da decisão judicial ainda não transitada em julgado não sejam tributadas pelo PIS/Pasep e pela Cofins, a exemplo do que a própria Receita Federal reconhece para o IRPJ e CSLL, a teor do Ato Declaratório Interpretativo n° 25, de 24/12/2003, • reclamando, portanto, para o crédito-prêmio de IPI o tratamento de um tributo pago • indevidamente. Contesta o argumento da DRJ de que apenas o Poder Judiciário poderia afastar a aplicação de lei por argüição de inconstitucionalidade, na esteira de doutrina e jurisprudênci que colaciona. É o relatório. • ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFE, COM O ORIGINAL .21,// 59 . - Mate ca Oliveira Mut guiso 19) • Processo n° 18471.001027/2006-32 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI S CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.315 CONFERE COMO ORIGINAL n Fls. 436 • Brasília, iLd py • Marido Cursino de Onve1ra Mat. Slape 91650 VOTO Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 30/04/2007, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 29/05/2007. Preenchendo os • demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, deixo consignado que o pedido formulado pela Recorrente em • relação ao arrolamento de bens deve seguir a orientação contida no Ato Declaratório • Interpretativo RFB n° 09, de 05/06/2007, que no seu artigo 2° determina à autoridade administrativa que proceda ao cancelamento dos arrolamentos já efetuados. Não obstante não tenha sido carreado para o processo qualquer documento oficial, depreende-se das argumentações da Recorrente que dispõe de provimento judicial obtido junto à 3a Turma do Superior Tribunal Regional da r Região, ainda sem o trânsito em julgado, lhe reconhecendo o "direito ao aproveitamento dos créditos, nos exatos termos da Instrução Normativa SRF 21/97" 4. Tais créditos referem-se ao denominado "Crédito-Prêmio do IPI", instituído originalmente pelo Decreto Lei n° 491, de 1969, como forma de estimular as exportações brasileiras para o exterior. Dos demonstrativos de apuração das contribuições nos quais de baseou a fiscalização para a constituição do crédito tributário, registre-se, elaborados pela própria autuadas, consta, dentre as rubricas que formam o montante da base de cálculo, a que a contribuinte chamou de "Outras Receitas Crédito-Prêmio IPI". • No Termo de Verificação Fiscal 6 elaborado pelo fisco, consta que a autuação foi motivada pelo falta de recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins em razão de a autuada não ter incluído na base de cálculo as "receitas referentes a alienação de crédito-prêmio de IP I • (transferência de créditos a terceiros)" (sie). Ainda no corpo do referido Termo, talvez para • reforçar o seu entendimento, a autoridade fiscal inseriu, verbis: Não há, também, previsão legal quanto à ISENÇÃO das receitas de alienação de crédito-prémio do IPI a terceiros, uma vez (.). Vê-se, portanto, e de forma clara, que a autuação estaria a se referir e a se restringir, não ao valor do crédito-prêmio de IPI propriamente dito, mas ao valor obtido pela autuada com a alienação de tal direito a terceiros, o que lhe fora autorizado pelo Poder • Judiciário. • Entretanto, toda a argumentação da Recorrente foi posta no sentido de ver afastada a incidência das duas contribuições sobre o montante do Crédito-Prêmio de IPI, • embora, registre-se, deixa isso claro, tanto faz para ela a forma com que seja aproveitado o t referido crédito — se deduzido diretamente do IPI devido, se compensado com débitos próprios, (N4 Vide item V, da página 24 do Recurso Voluntário, à fl. 383. • 5 Vide fls. 49/118, para o PIS e 129/206, para a Cofins 6 Vide fis. 45 e 46. • 6 L/F-SEGUN(,O CONSELHO DE CONTRIBUINTES- CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n• 18471.001027/2006-32 Brasília, n9 6 f-Lli_i o! CCO2/CO3 Acórdão n.° 293-13.315 Fls. 437 Mara Cto de Oltvetra hAat. Siape 91650 ou se transferido a terceiros -, não poderia haver a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Dizendo isso com outras palavras, à autuada foi imputada a falta de recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins por não ter incluído na base de cálculo o valor da cessão de direito do crédito prêmio de IPI e a mesma se defendeu dessa imputação como se referisse o auto ao crédito- prêmio de IPI propriamente dito. E neste ponto, surge a minha primeira divergência com a Recorrente, já que ela não considera relevante distinguir os dois tipos acima relatados, quais sejam, os valores • relativos ao ressarcimento a título de Crédito-Prêmio de IPI e os valores recebidos por conta da transferência desse direito, mediante alienação onerosa, a terceiros. Para mim, tratam-se duas operações distintas e, como tal, distintamente devem ser consideradas pela contabilidade, encaixando-se em rubricas contábeis de nomenclatura distintas, quais sejam: • Receita do Crédito Prêmio de IPI, e • Receita com a Cessão de Direitos do Crédito Prêmio de 'PI. Como dito acima, os argumentos utilizados pela Recorrente em sua esmerada peça recursal foram, em resumo: a) incoerência da Receita Federal, vez que faz incidir a tributação sobre uma receita que considera não mais existir; b) tributação indevida de um incentivo fiscal; c) a receita de crédito-prêmio de IPI é, pela sua essência, uma receita de exportação e, como tal, imune à incidência das contribuições; d) a forma adotada para o • aproveitamento da receita de crédito-prêmio dè IPI não pode ter efeito diferenciado, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da isonomia; e) dever de apreciação de normas • inconstitucionais pelo Conselho de Contribuintes; f) ilegalidade do art. 2° da Lei n° 9.718/98 declarada pelo STJ e inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3° da Lei n°9.718/98; e g) caráter confiscatório da multa de oficio aplicada. a) incoerência da Receita Federal Lembre-se que a autuada aproveitou o crédito-prêmio de IPI por força de uma decisão judicial, e é justamente por conta disso que não há incoerência alguma em a Receita Federal fazer incidir o PIS/Pasep sobre tal valor, ainda que, conforme acertadamente disse a Recorrente, considere esse órgão que dito beneficio fiscal está extinto desde 30/06/1983, ou seja, no entender do fisco, não poderia a autuada dele se utilizar. Mas, já que dele se utilizou, considerando-o, inclusive, como "Outras Receitas Crédito-Prêmio IPI", havia mesmo que ser • tributado pelo PIS/Pasep, visto que, o mesmo, sob o regime da cumulatividade, tem como fato • gerador "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa • jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil7". Para a Cofins vale o mesmo raciocínio, já que, seja de acordo com o disposto no art. 30, § 1° da Lei n°9.718/98 (regime cumulativo), seja de acordo com o artigo 10 da Lei n° • 10.833/2003 (regime da não-cumulatividade), o conceito de faturamento é o mesmo • reproduzido no parágrafo anterior, no qual se inserem as tais "Outras Receitas Crédito-Prêmio • de 1PP'. Veja-se, por pertinente, que, nos termos do artigo 118 do Código Tributári Nacional, verbis: 7 Art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002. • MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONMIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo Fr 18471.00 1027/2006-32 I BrEci" ,—C212—i---11_, o2 CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.315 Fls. 438 Matilde Étn o de Obre Mal. Slape 91650 A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: 1. da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II. dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Nesse sentido, o julgamento da 3' Turma do TRF V Região, no AC 92.03056330-0/SP, verbis: A obrigação tributária subsiste independentemente da validade ou invalidade do ato (art.II8, 1 e H, do CTN). Nenhuma incoerência, há, portanto, na ação do fisco, lembrando que este tópico guarda referência apenas com a rubrica "Receita de Crédito-Prêmio de IPI". b) tributação indevida de um incentivo fiscal O argumento da Recorrente é o de que, sendo a natureza jurídica do crédito- prêmio de IPI a de um incentivo fiscal às exportações, mostra-se absurda a incidência de tributação sobre ele, e tal raciocínio vale para o caso de se pretender fazer incidir a tributação sobre o Crédito-Presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96. Entende a Recorrente que tais beneficios visaram ao ressarcimento de tributos e contribuições incidentes nas etapas anteriores e que a incidência de PIS/Pasep e de Cotins estaria a reduzir tal beneficio. É inegável que o crédito-prêmio de IPI caracteriza sim num estímulo financeiro para prestigiar o setor exportador, mas longe está de configurar uma devolução de um pagamento indevido, visto que nada a esse título foi recolhido pelas empresas exportadoras. Por outro lado, o reconhecimento à Recorrente por parte do Poder Judiciário do direito ao aproveitamento do crédito-prêmio de IPI propiciou-lhe a obtenção de um novo ativo, representado justamente por este direito de fruir — reduzir o montante do IPI devido, compensar com débitos próprios, pedir o seu ressarcimento em dinheiro, ou mesmo transferir a terceiros — para o qual a contrapartida é uma conta de receita. A alegada mitigação dos benefícios do beneficio fiscal em discussão, que estaria caracterizada no fato de que, em se submetendo à incidência da Cofins e ao PIS/Pasep um valor que, em tese, seria formado pela própria Cofins e pelo próprio PIS/Pasep pagos em etapas anteriores, realmente faz sentido, porém, não se esmerou o legislador em evitá-la, não cabendo ao intérprete da norma fazê-lo. Tanto assim é verdade que, conforme bem destacou a Recorrente, uma das razões da autuação é justamente a falta de previsão legal estabelecendo a não incidência sobre esse tipo de receita; ao contrário. Sim, porque, massima vénia, não se pode afastar do ressarcimento a título de crédito-prêmio de IPI a sua natureza de receita, a qual, se faz parte do lucro operacional ou não, não é relevante, já que o conceito de faturamento adotado pelo legislador é bastante abrangente, embora, reconheça-se, contestado. Aliás, um dos atos legais invocados pela Recorrente para auxiliá-la no tópico que será abordado logo abaixo (Receita de Crédito-Prêmio r- Receita de Exportação), qual seja, o Parecer Normativo CST n°71, de 10/02/1972, dispõe, em seu item 8 que a receita do crédito- prêmio de IPI, deveria integrar a receita bruta operacional, nos termos do artigo 157 do RI O, letra c, que continha as recuperações e devolução dos custos, deduções ou provisões. tár -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - CONFERE COM O ORIGINAL PrOCCSSO n° 18471.001027/2006-32 tirania. RPS L.11/ 02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.315 Eis. 439 Met. S1/111* 91650 Também nesse sentido, o Ato Declaratório Normativo n° 19, de 18/12/1981, estabeleceu, peremptoriamente, que o"crédito-prêmio do ICM e IPI decorrente da exportação incentivada, integra a receita bruta para o cálculo da receita líquida da pessoa jurídica". E, em assim o sendo, subsume-se, no presente caso, ao conceito de faturamento das Leis n's. 9.718/98, para a Cofins cumulativa e 10.833/2003, para a Cofins não cumulativa. Para o PIS/Pasep, o conceito da Lei n° 10.637/2002. • Aproveito este tópico para promover o enfrentamento de outra questão suscitada • pela Recorrente, qual seja, a de que o Ato Declaratório Interpretativo n° 25/2003, estaria a estender o tratamento nele contido às receitas do crédito-prêmio. Data vênia, a Recorrente se equivoca. O referido ADI diz, no seu artigo 2°, que não há incidência da Cofins e do PIS/Pasep sobre os valores recuperados a titulo de tributo pago indevidamente, e, com certeza o ressarcimento de crédito-prêmio de IPI, embora configure, como expresso no mandamento • legal que o criou, num ressarcimento de tributos pagos internamente, está bem longe de se igualar à figura de um pagamento indevido. • Ora, os tais tributos pagos internamente, nas etapas anteriores ao surgimento do ressarcimento do crédito-prêmio de IPI foram exigidos e recolhidos por força de normas legais inseridas no ordenamento jurídico, sem que sobre elas pairasse qualquer sombra de ilegalidade, o que os legitima de forma a impedir qualquer tentativa de repetição, exceto, evidentemente, nos casos de pagamentos a maior, em duplicidade etc. Assim, por não ser o ressarcimento de crédito-prêmio de IPI um indébito, há que se afastar a aplicação do referido Ato Declaratório Interpretativo n°25/2003. Este tópico, a exemplo do anterior, guarda referência apenas com a rubrica "Receita de Crédito-Prêmio de IPI". • c) receita de crédito-prêmio de IPI = receita de exportação x imunidade Pretende a Recorrente fazer prevalecer o entendimento de que, estando o surgimento do crédito-prêmio de IPI diretamente relacionado às exportações haveria de ser considerado também como uma receita de exportação. • Ora, embora esteja realmente o referido beneficio envolvido na idéia de exportação, não reflete uma receita de exportação propriamente dita, já que esta decorre do resultado de vendas de mercadorias e/ou produtos efetuadas a cliente localizado no exterior. • De outra parte, consoante bem ressalvou a DRJ em sua decisão, os atos legais • invocados pela Recorrente para fazer valer o entendimento de que as receitas de crédito-prêmio de IPI são, pela sua essência, receitas de exportação — para, em seguida, invocar a imunidade - . . aqui não se aplicam em face da especificidade e o direcionamento de cada um deles, senão • vejamos. • O Parecer Normativo CST n° 71/72 visou esclarecer temática relacionada ao abatimento do lucro tributável da parcela correspondente à exportação de manufaturados • previsto no artigo I°, do Decreto-Lei n° 1.158, de 16/03/1971, o qual, por sua vez, dispunha I MF.SEGUNDO CONSELHO DE CO~BUINTES CONFERE COM O ORIGINAL :2 Brasília, (1,9A 00/ Processo n° 18471.001027/2006-32 / / CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.315 Fls. 440 Madkle Guano de Caveira Mat Slape 91650 • sobre a isenção do Imposto de Renda, ou seja, somente para esse fim, de fato considerava • como uma receita de exportação as receitas de crédito-prêmio do IPI. O mesmo se diga em relação ao PN CST n° 15/75 e ao PN CST n° 45/76. Além disso, ainda que tivesse razão a Recorrente, sua pretensão de ver tais receitas de exportação ao abrigo da incidência do PIS/Pasep e da Cofins perde força a partir das edições da Medida Provisória n°2.158-35 e das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, • já que, para fins de não incidência do PIS/Pasep e da Cofins (regimes cumulativo e não cumulativo) o conceito de receita de exportação passa a corresponder a somente às receitas de exportação de mercadorias para o exterior g, o que afasta qualquer interpretação mais elástica, • conforme a que pretendeu a Recorrente para a receita do crédito-prêmio de IPI. • Este tópico, a exemplo dos anteriores, guarda referência apenas com a rubrica "Receita de Crédito-Prêmio de IPI". • d) aproveitamento do crédito -prêmio de IPI x bonomia. Como dito alhures, a Recorrente entende haver ofensa ao princípio constitucional da isonomia se se der tratamento diferenciado para fins tributários conforme a forma de aproveitamento do crédito-prêmio de IPI escolhida. Neste ponto, é bom trazer à baila quais são elas, consoante as regias contidas, desde o próprio Decreto-Lei n° 491/69, até a IN SRF n° 21/97, na qual, para este caso, determinou o Poder Judiciário devesse se ater a Recorrente: a) dedução do montante do IPI devido; b) compensação com débitos tributários próprios; c) ressarcimento em espécie; e d) transferência a terceiros para fins de compensação com débitos desses. • Supondo, por hipótese, que determinado contribuinte, obtendo autorização específica do Poder Judiciário, obtenha um aumento no seu patrimônio por conta do • reconhecimento ao aproveitamento do crédito-prêmio de IPI. O que ele fará? Deverá registrar em seu Ativo Circulante, numa rubrica, digamos, denominada "Crédito-Prêmio de IPI", o valor do beneficio, e, em contrapartida, numa conta de Resultado do Exercício, de Receitas Não Operacionais, digamos, denominada "Outras Receitas Crédito-Prêmio de IPI", o mesmo valor. • • Nesse momento, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de incidência para a exigência do PIS/Pasep e da Cofins, devendo as mesmas incidir sobre o valor do crédito- prêmio de IPI, e seja qual for .a forma de aproveitamento que ela fizer do beneficio, reduzindo o valor do IPI devido no mês, efetuando a compensação de débitos e/ou pedindo ressarcimento do saldo remanescente, a tributação já terá ocorrido como descrito anteriormente. Porém, caso a empresa, abrindo mão de seu beneficio próprio, seja porque não possui débitos de IPI, seja porque não possui débitos tributários a compensar, seja porque não pretende aguardar o trâmite administrativo de um pedido de ressarcimento, seja por qualquer • outra razão, enfim, transfira o referido crédito ou parte dele a terceiros de forma onerosa, estará incorrendo em outra forma de aumento de seu patrimônio, de nova riqueza, de novo encaixe de recursos financeiros ou de direitos de crédito, devendo registrar tal fato a débito de uma conta • ••do Ativo Circulante, conforme tenha se dado a paga, e a crédito de uma conta de Resultado do Exercício, de Receitas Não Operacionais, digamos, denominada "Receitas com a Venda de,/ Direitos de Crédito-Prêmio de IPI". • Art. 14, 11 e 1° da MI' 2.158-35/2001, art. 50,1 da Lei n° 10.637/2002 e art. 6°, Ida Lei n° 10.833/2003. rio I W-SEGUNDO CONSELHO DE CÔNTRIBUINTES CONFERE COM O ORIG1 Processo n° 18471.001027/2006-32 BresIlia,(3,9 1Ç/ / O 21 CO02JCO3 Ac6rdào n.° 203-13.315 Fls. 441 Met. Step. 91650 E, nesse momento, terá restado caracterizada a ocorrência de uma nova hipótese • de incidência para a exigência do PIS/Pasep e da Cofins, devendo a mesma incidir sobre o valor da transação, que pode ter sido com ágio, deságio, ou pelo "valor de face" daquele direito alienado. Eis, portanto, porque não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia, já que a empresa, por opção própria, terá preferido trocar um ativo (crédito-prémio de IPI) por outro (dinheiro, títulos de crédito, bens etc.), recebendo uma paga por isso e é essa paga que • haverá de ser tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Assim, ressalvadas as observações feitas no início de meu voto, já que o auto de • infração fala em receitas relativas à alienação de crédito-prémio de IPI, e a Recorrente se defende, além disso, também da tributação das receitas de crédito-prêmio de IPI, há que se manter intocável o lançamento, tenha ele abrangido a primeira, a segunda, ou ambas as operações aqui referenciadas. e) apreciação de normas inconstitucionais pelo Conselho de Contribuintes A partir da edição da Súmula n° 02, aprovada na Sessão Plenária de 18 de Setembro de 2007, publicada no DOU de 26/09/2007, Seção I, pág. 28, o assunto restou pacificado no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme se vê em seu enunciado, transcrito abaixo: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. • f) inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo A Recorrente invoca os recentes julgamentos do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, de sorte que por faturamento só pode ser entendido o produto da venda das mercadorias e de serviços, conceito este que afasta a inclusão, na base de cálculo, das receitas do crédito-prêmio e das receitas com a venda do crédito-prêmio a terceiros. A prevalecer tal entendimento, não há dúvida que a Recorrente estará com a razão. Entretanto, cabe lembrar que, para o presente julgamento, deve-se levar em conta que somente a Cotins, relativamente aos períodos de apuração de 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/10/2003 a 30/11/2003, seria afetada, ainda assim para o caso de decidirem em favor da contribuinte a maioria deste Colegiado, visto que, de fato, o fundamento legal utilizado pela autuação foi o dispositivo contestado pela decisão do STF. O mesmo não ocorre para o restante da autuação, seja para o PIS/Pasep (períodos de 30/04/2003 a 31/08/2003, 31/05/2005 a 31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006), . seja para a Cotins (períodos de 01/08/2004 a 31/08/2004, 31/03/2005a 31/08/2005, 31/10/2005 a 28/02/2006), visto que o fundamento para a autuação, como visto acima, parte da premissa de que o conceito de faturamento envolve todas as receitas da empresa que não somente as de venda de mercadorias e de serviços, dentre as quais, portanto, estão incluídas as recei as do crédito-prêmio e as receitas com a venda do crédito-prêmio a terceiros. ii Processo n'" 18471.001027/2006-32 CCO2/CO3 .1' • Acórdão n.° 203-13.315 Fls. 442 Mas, mesmo para o período da autuação que esteve sob a égide do dispositivo tido como inconstitucional, entendo que, no momento, não se pode invocar tal • inconstitucionalidade porque a mesma foi decretada pelo STF na via incidental (Recursos • Extraordinários M's 357.950, 358.273 e 390.840 relator, para estes três publicados no DJ de • 15/08/2006, p. 25, o Min. Marco Aurélio, e 346.084, relator para este último, publicado em 01/09/2006, o Mim limar Gaivão) e, ao menos até agora, não sobreveio Resolução do Senado nem ato do Poder Executivo, afastando com efeitos erga omnes o citado dispositivo legal. • Como tal inconstitucionalidade foi declarada na via incidental, cujos efeitos não são erga omnes, até que sobrevenha ato do Secretário da Receita Federal ou do Procurador- Geral da Fazenda Nacional cancelando tais lançamentos, conforme autorizado pelo art. 4° do •• Decreto n° 2.346/97, descabe a este órgão julgado administrativo considerar tal inconstitucionalidade. Outra alternativa, a evitar prejuízos para os cofres financeiros públicos e demora para os contribuintes, é a edição de súmula vinculante por parte do STF, nos termos da recente Lei n°11.417, de 19/12/2006. Assim, voto por afastar mais esse argumento da Recorrente, guardando referência este tópico com as duas modalidades de receita acima explicitadas. g) caráter confiscatório da multa de oficio aplicada Para este tópico também vale a aplicação da Súmula n° 02, acima reproduzida, visto que os argumentos da recorrente versam sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais utilizados pela autuação para a aplicação da multa de oficio de 75%, e o enfrentamento de tal matéria é defeso a este Colegiado. - De se manter, portanto, a multa de oficio de 75%. Conclusão Em face do exposto, nego rovimento ao recurso. Sala das Sessões, em O de outubro de 2008 DASSI GUERZONI FIL O 31.41 4GUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Beastsla,b_j_11_, Maide CninoltrOitmma MM. Slape 91650 12 Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.000752/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA.DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Despesa dedutível é aquela necessária a percepção do rendimento. Apenas a partir da Lei nº 12.350, de 20/12/2010, com a introdução do parágrafo 2º do artigo 12 A, na Lei 7713/1988, há previsão para deduzir as despesas com honorários advocatícios, de forma proporcional entre as rubricas constantes da decisão judicial.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2201-002.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em exercício.
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ,
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA.DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Despesa dedutível é aquela necessária a percepção do rendimento. Apenas a partir da Lei nº 12.350, de 20/12/2010, com a introdução do parágrafo 2º do artigo 12 A, na Lei 7713/1988, há previsão para deduzir as despesas com honorários advocatícios, de forma proporcional entre as rubricas constantes da decisão judicial. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em exercício. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 27/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 07 52 /2 00 9- 39 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 2 FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Stavros Tseimazides que se insurge contra acórdão nº 1648.012 de 26 de junho de 2013, da 17ª Turma da DRJ São Paulo, fls.52 a 58, que julgou parcialmente procedente o lançamento que exigia o imposto de Renda de Pessoa Física referente à parcela do custo com honorários advocatícios, no dizer do fisco deduzido indevidamente, porque incidente sobre parcela de rendimentos isentos e/ou não tributáveis. Nos termos do relatório do acórdão recorrido, ora adotado por bem definir o litígio, temse que: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a notificação de lançamento de fls. 6/9, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anocalendário de 2005, em que foi constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 7, da qual consta a seguinte complementação: “Do valor bruto da ação (R$ 388.620,69) foram excluídas as parcelas isentas, relativas ao aviso prévio, FGTS+multa40% (R$45.169,80), uma vez que férias, mesmo indenizadas, são tributáveis. Os honorários advocatícios pagos foram proporcionalizados, sendo dedutivel apenas a parcela correspondente ao rendimento tributável (88,38%). Assim, foram deduzidos dos rendimentos tributáveis da ação de R$ 343.450,89 (R$ 388.620,69R$45.169,80) o valor de R$ 78.680,30, resultando em R$ 264.770,59 a tributar.” Cientificado do lançamento por via postal em 13/04/2009 (fl. 14), o interessado apresentou a impugnação de fls. 2/4 em 29/04/2009, em que aduz as razões a seguir sintetizadas: • Em decorrência de ação judicial, recebeu R$ 388.620,69, do qual consta em petição do juiz que R$ 52.852,41 correspondem a parcela isenta. • O valor pago a título de imposto de renda foi de R$ 91.870,92. • O valor pago a título de honorários advocatícios foi de R$ 89.025,00, 30% do total da ação. • A declaração foi feita de acordo com a orientação de advogados e do plantão da Receita Federal. • Diante do exposto, não concorda com a afirmação de que omitiu rendimentos nem com a proporcionalização dos honorários advocatícios, pois não tem nenhuma relação com a parcela isenta. • Solicita a restituição total da sua declaração de 2006, em complemento ao já depositado.Foram juntadas aos autos cópias Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10845.000752/200939 Acórdão n.º 2201002.840 S2C2T1 Fl. 82 3 dos documentos que embasaram os trabalhos da fiscalização (“dossiê”), às fls. 16/43 Cientificada do acórdão em 29/07/2013, AR de fls. 75, interpôs, tempestivamente suas razões de recurso às fls.62/63, onde, em síntese, argumenta que: “1 a petição do juiz é realmente das partes, porém o juiz Roberto Vieira de Almeida Rezende, assina e despacha em 10/03/2005, a citada petição devolvendoa aos autos de carga , como CONCLUSOS. Portanto é uma petição do juiz porque tem o aval dele; 2 – não há nenhuma lei que fale de proporcionalização de rendimentos tributáveis. Eu não consigo enxergar o porque proporcionalizar o valor pago ao advogado. Foi pago ao advogado R$ 89.025,00 e esse valor pode ser abatido dos rendimentos tributáveis integralmente, conforme lei 7713/1988. Mesmo considerando a Lei 12350 de 20/12/2010, que acresce o item 12ª, não dá na minha ótica o entendimento de proporcionalidade na dedução. Também devese lembrar que a lei a Lei 12350 de 20/12/2010, não se aplica ao caso, pois estamos tratando do imposto do ano calendário de 2005. Outra consideração é que a Receita não perde nada, pois o valor pago ao advogado foi tributado integralmente na pessoa física ou jurídica do advogado.De outra forma a Receita estaria tributando em duplicata sobre o mesmo valor, pois de mim estaria ressarcindo em parte e do advogado tributando sobre o total.” Às fls. 78 a autoridade preparadora atesta a tempestividade do recurso e o encaminha ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Às fls. 80, por sorteio, recebos os autos. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Como visto, tratase de exigência do Imposto de Renda de Pessoas Físicas decorrente de suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente , em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 18.027,31. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 4 O recorrente recebeu R$ 388.620,69 de valor bruto da ação. A fiscalização entendeu que o percentual tributável foi de 88,38% deste valor sendo o restante referente às parcelas isentas e não tributáveis. O enquadramento legal se fez nos artigos 1º ao 3º e §§ da Lei 7713/1988; art.1º a 3º da Lei 8134/90 ; art 1º e 15 da Lei 10451/2002; art 43 do RIR/1999, Decreto 3000/1999. A decisão de primeiro grau se louvou na interpretação integrativa para manter a exigência, visto que não havia dispositivo legal expresso que dispusesse sobre a exigência na forma que foi posta no lançamento. Tanto é que invocou o artigo 12 A da lei 7713/1988, onde, de fato, há a disposição legal para fazer a proporcionalidade pretendida na exigência, de forma expressa, quando assim dispôs, no parágrafo 2º do citado artigo 12A: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria,pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,quando correspondentes a anoscalendáriosanteriores ao do recebimento, serãotributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamentoou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Contudo, tal dispositivo só foi introduzido através do artigo 44 da Lei 12.350 de 20/12/2010., por isto entendo que à época do lançamento não havia base legal para a exigência, tanto que a propria decisão assim menciona: "Com a Lei nº 12.350, de 20/12/2010, a Lei nº 7.713/1988 passou a vigorar acrescida do seguinte art. 12A." Isto mostra que à época dos fatos, ano calendário de 2005, não havia dispositivo legal que amparasse a proporcionalidade de dedução das despesas, fato só consumado em 20/12/2010, conforme anteriormente mencionado. Entendo que manter a exigência não atende às disposições do Código Tributário Nacional ,Lei 5172 de 1966, comandos do artigo artigo 97 e parágrafo primeito do inciso II, onde está expresso o princípio da Legalidade e assim determina: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10845.000752/200939 Acórdão n.º 2201002.840 S2C2T1 Fl. 83 5 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e (...) § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Como no ordenamento pátrio só admite a a lei retroagir para beneficiar, entendo que esta cobrança não prospera, notivo pelo qual dou provimento ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Relatora Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10280.722325/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. ACESSO PELA RFB. POSSIBILIDADE.
A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontra-se pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.804
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade em virtude de prova ilícita, vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre (Relator). No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: Carlos César Quadros Pierre
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ACESSO PELA RFB. POSSIBILIDADE. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade em virtude de prova ilícita, vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre (Relator). No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 23 25 /2 00 9- 48 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 267 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/BEL (Fls. 243), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo sobre impugnação de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, conforme Auto de Infração, datado de 19.08.2009, no valor originário de R$ 133.109,52 que com acréscimos legais somou a quantia de R$ 283.736,25, fls 213 a 220, com ciência via postal, na data de 25.08.2009, conforme “AR”, fl nº 224. 2. A infringência descrita foi “Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada”, no período de janeiro a dezembro de 2005, no valor de R$ 496.660,80, conforme descrito na fl 217. 3. O sujeito passivo requereu e obteve cópia do processo, de acordo com os documentos de fls 221 e 222. 4. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação protocolada na data de 24.09.2009, através de seu bastante procurador, conforme Instrumento de Procuração, fl nº 235, com as seguintes argumentações em seu favor, em resumo, fls nº 228 a 234: a) Que em 2005, atuava como servidor público, recebendo exclusivamente da Prefeitura de Viseu e emprestou sua conta corrente bancária ao seu pai, Sr. Luiz Alfredo Amim Fernandes – CPF nº 067.542.10206, para receber parte de honorários nas prestações de serviços como engenheiro e empresário sócio da empresa FERNANDES FILHO CONSTRUTORA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ nº 05.330.048/000110; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 268 3 b) Que como se vê dos termos da presente Autuação, o Auditor Fiscal considerou os depósitos como renda consumida, quando os valores pertencem ao pai do impugnante e receitas de sua empresa; c) Que os valores foram recebidos das seguintes empresas e pessoa física: ASPAM – COMÉRCIO INDÚSTRIA E SERVIÇOS LTDA; W. ABDON AVANTE – CONSTRUTORA E COMÉRCIO LTDA; ENGENHEIRO ARMANDO DO CARMO FIGUEIREDO; d) Que dos contribuintes acima, apenas o Engenheiro Armando do Carmo Figueiredo – portador do CPF nº 024.107.61991, depositou os valores em sua conta corrente; e) Que na conta corrente do impugnante foram alocados tão somente os valores pertinentes ao recebimento de honorários de seu pai e receita da empresa Fernandes Filho Construtora Ltda, pagos pelo Sr. Armando parceladamente até a quitação, que se estendeu durante o anocalendário de 2005; f) Que para comprovar a boafé do impugnante e a origem dos valores apresentou Declaração de seu pai responsável pelos valores depositados, que justifica as origens dos depósitos; g) Que, portanto, há provas materiais de que os valores depositados em sua conta corrente não foram renda consumida e cujo fato gerador nasceu com a prestação de serviços de seu pai e venda de materiais e equipamentos não do impugnante, que apenas emprestou sua conta bancária; h) Fez citação doutrinária, e que os indícios, por si só, deveriam provocar apenas uma atividade fiscalizatória extremamente rigorosa, mas não a conclusão de existência de renda omitida; i) Fez transcrição de Ementa em Decisão emanada do Conselho de Contribuintes em processos dos quais não fez parte; j) Que o fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimassem a manutenção da presunção embasando a dita omissão de rendimentos, que o impugnante deu explicações e comprova com a “Declaração” que os valores foram honorários de seu pai e receita da empresa Fernandes Filho Construtora e Comércio Ltda, na qual o impugnante é sócio investidor e seu pai sócio ostensivo, que jamais prestou serviços que desse causa ao montante encontrado em sua conta corrente; k) Que se o processo fiscal homenageia o princípio da verdade material, que a prova apresentada e o peso da veracidade comprobatória dos fatos alegados e se necessário abrir diligência junto ao Sr. Luiz Alfredo Amim Fernandes, para comprovar a veracidade, que o impugnante não pode ser penalizado, por valores que não produziu o fato gerador. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 269 4 5. Para comprovar suas alegações juntou unicamente uma Declaração assinada pelo Sr. Luis Alfredo Amim Fernandes, declarando que autorizou depósitos na conta corrente do impugnante, no valor de R$ 517.300,80, fl nº 236. 6. No desenvolvimento dos trabalhos a Delegacia de Origem realizou os seguintes procedimentos: a) Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 22.07.2008, encaminhado para o endereço Av. Almirante Wandenkolk, 770 – Umarizal, que foi devolvido pelos Correios, fls 89 a 92; b) Novo Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 14.08.2008, desta feita encaminhado para o endereço Rua Veiga Cabral, nº 708 – Cidade Velha, fls 95 a 97; c) Termo de Reintimação Fiscal, datado de 30.09.2008, encaminhado para o endereço Rua Veiga Cabral, nº 708 – Cidade Velha, fls 99 e 100; d) Concessão de prorrogação de prazo de 20 (vinte) dias, contados a partir de 23.10.2008, requerida pelo impugnante para apresentação dos extratos bancários, fl 102; e) Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira, na data de 11.07.2008, fls nº 104 e 106; f) Requisição de Movimentação Financeira – Banco do Brasil S/A, fls 107 a 110; g) Requisição de Movimentação Financeira ao Banco do Estado do Pará S/A, fls 111 a 113; h) Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, fls 114 a 116; i) Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos, datado de 23.03.2009, para comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos constantes bnos extratos bancários, bem como prestar justificativas referentes aos elementos e valores especificados nas planilhas “DEPÓSITOS/CRÉDITOS A COMPROVAR A ORIGEM DOS RECURSOS, anexas, referente ao anocalendário de 2005, fls 194 a 198, com ciência via postal, na data de 31.03.2009, conforme “AR”, fl. 199; j) Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos REINTIMAÇÃO, datado de 13.04.2009, para comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos constantes bnos extratos bancários, bem como prestar justificativas referentes aos elementos e valores especificados nas planilhas “DEPÓSITOS/CRÉDITOS A COMPROVAR A ORIGEM DOS RECURSOS, anexas, referente ao anocalendário de 2005, fls 201 a 205, com ciência via postal, na data de 20.04.2009, conforme “AR”, fl. 206; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 270 5 k) Relatório Fiscal, datado de 16.08.2009, fls 210 a 212; l) Auto de Infração, datado de 19.08.2008, fls 213 a 220. 7. O Banco do Brasil S/A, encaminhou cópia dos extratos bancários de caderneta de poupança e C/Corrente, através de correspondência datada de 02.02.2009, fls 117 a 175 e o Banco do Estado do Pará S/A, através de correspondência datada de 26.01.2009, fls 179 a 184. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar a Impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100 do CTN. DOUTRINA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Doutrinadores. Cientificado em 24/01/2012 (Fls. 258), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/02/2012 (fls. 256 a 257), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação e acrescentando: (...) 2 Embora requerida diligência que deveria ser realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, para efeito de comprovar as argumentações apresentadas, de que os valores creditados em sua conta corrente no anocalendário de 2005, decorrentes de recebimentos de valores que pertenciam à empresa FERNANDES FILHO CONSTRUTORA LTDA CNPJ n° 05.330.048/000110, prestados nos períodos de 2003 e 2004, ou seja, anteriores ao período fiscalizado, e que somente foram recebidos no ano de 2005, esta não foi realizada, como se os Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 271 6 extratos bancários fossem suficientes como entende a fiscalização, para indicar a obtenção de rendas, o que de certo modo representa cerceamento ao direito de defesa do impugnante. 3 Seria impossível o impugnante dispor dos recursos que foram depositados se não fossem recebimentos das empresas conforme perfeitamente descritos na impugnação inicial ora ratificada. 4 Desse modo, requer seja reanalisada a impugnação inicial apresentada e reformada a decisão emanada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, no sentido de ser considerado indevido o crédito tributário lançado, por ser de justiça. Em 17 de setembro de 2013, (Fls. 261 a 263) aprouve aos membros do Colegiado da egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou à pauta de julgamento, sendo distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Compulsando os autos (docs de páginas 104 e seguintes), também observo que a fiscalização, com base no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, requisitou de instituições bancárias os extratos bancários do contribuinte. Do exposto, peço vênia para adotar integralmente o ensinamento do Conselheiro Rafael Pandolfo. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF, instrumento administrativo que teria como objetivo dar Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 272 7 eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 273 8 Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 274 9 (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 275 10 americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que a infração omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em suas contas correntes, mantidas em instituições financeira, em relação aos quais, quando regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, deve ser excluída, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF). Caso vencido na preliminar acima argüida, passo a analisar o mérito da questão. Quanto ao mérito, o Recorente limitase a repetir seus argumentos da impugnação, no sentido de que emprestava as suas contas bancárias para o seu pai; sendo os valores depositados em sua conta por seu pai, o real proprietário destes ditos valores. Por oportuno, ressalto que as matérias relativas a autuação com base apenas em presunção de renda dos depósitos bancários, já encontrase pacificada no ambito do CARF; com a plicação da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselheiro: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No que pertine a alegação do Recorrente de que emprestava as contas bancárias para o seu pai, penso que não há como acatar tal argumento. Da análise do recurso e impugnação apresentados pelo contribuinte, notase que os mesmos não são acompanhados de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização. O contribuinte apresenta tão somente uma declaração do seu pai, na qual o signatário afirma que foi ele e seus clientes que depositaram na conta do impugnante os valores. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 276 11 É notória a ausência de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos depósitos bancários identificados na conta corrente do contribuinte, sendo improfícua a mera descrição pelo impugnante, de uma suposta operação de empréstimo das contas bancárias. A declaração juntada pelo impugnante é insuficiente para comprovar de modo inequívoco, a origem dos depósitos questionados pela fiscalização. Os depósitos bancários enumerados no Relatório Fiscal pertencem as contas bancárias de titularidade do impugnante, fato não questionado pelo mesmo. Assim não há que se cogitar a existência de erro na identificação do sujeito passivo no lançamento. Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por fim, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por acolher a preliminar de nulidade em virtude de prova ilícita, e, caso vencido, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado Em que pese o substancioso voto do Ilustre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, permitome discordar da matéria suscitada em preliminar de julgamento, pelo motivo exposto abaixo. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a Autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 277 12 ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 278 13 mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 279 14 patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10280.722325/200948 Acórdão n.º 2201002.804 S2C2T1 Fl. 280 15 Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento do STJ em sede de recurso repetitivo é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse cenário, sou pelo indeferimento da preliminar relativa à utilização de dados bancários pela RFB mediante a utilização de RMF. No mérito, acompanho o Ilustre Relator. Assinado Digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15578.000207/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos em 31/10/2013 pelo sujeito passivo em epígrafe, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno deste Colegiado, contra o acórdão nº 120100.738, da lavra desta Turma, que encontrase assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2006 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional “deva” circunscreverse àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 20 7/ 20 07 -0 0 Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Resolução nº 1201000.203 S1C2T1 Fl. 3 2 proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulála, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide. Alega a embargante que a Turma teria incorrido em omissão/contradição ao deixar de examinar os efeitos da coisa julgada sobre as despesas de depreciação, amortização e baixa de ativos nos anos posteriores a 1989 (fl. 1570 e ss.). Em 04/12/2015 a embargante juntou aos autos documento com informação sobre "situação jurídica superveniente", nos seguintes termos (fl. 1943 e ss.): (...) Ocorre que, posteriormente à oposição dos referidos Embargos Declaratórios, nos autos da liquidação de sentença da Ação Ordinária n.º 95.00087464, ainda em trâmite perante a 13.ª Vara Federal do Distrito Federal, foi proferida decisão definitiva que afeta diretamente a análise dos referidos Embargos Declaratórios por esta Turma julgadora. Em breve relato, a Fazenda Nacional, ao ser intimada naquele processo sobre a destinação dos depósitos judiciais efetuados pela ora Requerente, argumentou que, segundo seu entendimento, todo o montante depositado deveria ser convertido em renda da União, pois o fato de a Embargante ter apurado saldo credor de correção monetária de balanço em 1989 faria, supostamente, com que a empresa tivesse obtido provimento judicial diverso daquele formulado no pedido da Ação Ordinária (documento n.º 1). Esse é o mesmo fundamento que embasa as autuações que originaram os processos administrativos em epígrafe, no que se refere à glosa do "Plano verão". Ao apreciar esse pleito da Fazenda Nacional, o Juízo da liquidação de sentença confirmou os termos e o alcance da decisão transitada em julgado defendidos pela Requerente durante todo o trâmite dos processos administrativos (documento n. 2), nos seguintes termos: Ora, se a pretensão, como visto, versa sobre a dedução da base de cálculo do IR e da CSLL das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, em relação à diferença do expurgo de janeiro/89, pretender a aplicação do ajuste em rubricas diversas dos demonstrativos financeiros, implica violação da coisa julgada. (...) Devese, pois, considerar as lindes do pedido para a correta interpretação do trânsito em julgado, de modo a entender que a recomposição do ativo permanente, apenas, não desrespeita as decisões favoráveis à autora. Contra essa decisão a Fazenda Nacional interpôs o Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000 (documento n.º 3), alegando o mesmo que se alega nos processos administrativos em epígrafe: que os índices de correção monetária reconhecidos nos autos Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Resolução nº 1201000.203 S1C2T1 Fl. 4 3 de origem (42,72 % + 10,14%) deveriam incidir sobre a totalidade das demonstrações financeiras da ora Requerente, o que geraria IR e CSLL a recolher, e não a recuperar. Contudo, o referido Agravo de Instrumento foi desprovido pelo TRF1 (documento nº. 4), em decisão transitada em julgado. Conforme se infere dos andamentos processuais (documento n. 5), os autos do Agravo de Instrumento foram baixados à origem em 03/09/2015. Na decisão, o Desembargador Novéli Vilanova assim entendeu: A pretensão da União/executada subverte a coisa julgada material e transforma a agravada/autora de vitoriosa em vencida! A sentença exequenda declarou o direito de a autora deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, decorrentes da diferença do expurgo do IPC/89 de janeiro e fevereiro de 1989. O TRF/1ª Região apenas reduziu o índice de 70,28% para 42,72% para janeiro/1989. E o STJ deferiu o índice de 10,14% para fevereiro/1989. Toda a confusão aconteceu porque na parcial reforma da sentença, o TRF, em vez de se referir às despesas de depreciação, amortização e baixa, tratou de demonstrações financeiras/balanço. Destacamos. (...) Portanto, devem ser imediatamente reconhecidos por esta Colenda Turma os efeitos da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, não apenas por constituir fato novo nos termos da alínea b do § 4° do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, mas por representar interpretação autêntica (já que emanada do próprio Poder Judiciário) do comando judicial transitado em julgado nos autos da Ação Ordinária n.º 95.00087464, em sentido diametralmente oposto àquele defendido no acórdão embargado. (...) Em 06/01/2016 os autos foram encaminhados à representação da PGFN junto a este Conselho para fins de exame e manifestação sobre o documento juntado pelo recorrente (fl. 1973). Em resposta, a PGFN afirmou, ao final, o seguinte (fl. 1975 e ss.): Cabe destacar, aliás, que a decisão do STJ foi no mesmo sentido da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região. Logo, ainda que em sede de liquidação, não poderia haver alteração dos termos do que já foi decidido em decisão transitada em julgado, ainda mais de uma decisão ratificada pelo STJ. Observase que o caso não trata de mera correção de inexatidões materiais. Ad argumentandum tantum, se algum equívoco ocorreu na decisão do TRF da 1ª Região, no sentido de se referir a demonstrações financeiras/balanço no lugar de despesas de depreciação, amortização Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Resolução nº 1201000.203 S1C2T1 Fl. 5 4 e baixa, caberia ao contribuinte, como interessado, valerse dos instrumentos adequados para sanar tal vício. Certo ou errado, decisão infra ou extra petita, o fato é que o trânsito em julgado da decisão ocorreu nos termos já propugnados pela DRJ de origem, bem como pelo acórdão ora embargado. Dessa maneira, não existe fundamento que ampare a pretensão do interessado. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Pois bem, ao que parece houve um desencontro entre o que foi pedido por este Relator no despacho de fl. 1973, e a resposta da representação da PGFN junto a este Conselho. De fato, solicitouse que a PGFN se manifestasse sobre a "situação superveniente" informada pela embargante, qual seja, a decisão transitada em julgado no TRF da 1ª Região nos autos do agravo de instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a qual interpretou o conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ no âmbito do processo 95.00.087464 (nº na origem), assentando o direito da exequente (ora recorrente) em deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos índices de 42,72% para janeiro de 1989 e 10,14% para fevereiro de 1989, ao invés do direto de corrigir as demonstrações financeiras com base nos mesmo índices, tal como constava da decisão do STJ. Ora, a interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ foi (ao lado da questão sobre o beneficio de redução do IRPJ com base no lucro da exploração) exatamente o que ensejou a não homologação, por inexistência de direito creditório, das DCOMPs transmitidas pela interessada (fl. 863 e ss. numeração digital). A autoridade local entendeu que a referida decisão passada em julgado no STJ dava direito à contribuinte de promover a correção monetária das demonstrações financeiras pelos índices acima mencionados, enquanto a interessada entendia que a mesma decisão lhe dava o direito de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos mesmos índices. A DRJ de origem acolheu o entendimento da autoridade fiscal (fl. 1166 e ss. numeração digital), e, da mesma forma, também esta Turma (fl. 1515 e ss.). Se, após a oposição dos presentes embargos a interessada noticia que o TRF da 1ª Região promoveu interpretação do julgado do STJ em sentido diverso daquele que lhe emprestou os órgãos administrativos acima referidos, a meu juízo tal situação deve, em princípio, ser reconhecida por este Conselho. Digo "em princípio" pois a decisão do TRF da 1ª Região se deu em agravo de instrumento (processo 004332773.2013.4.01.0000) onde se discutia o levantamento de depósitos judiciais e, ademais, não está claro que contra esta decisão não mais caiba recurso por parte da Fazenda Nacional. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000207/200700 Resolução nº 1201000.203 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesse sentido, entendo que a PGFN deve pronunciarse objetivamente sobre a "situação jurídica superveniente", alegada pela embargante, e seus efeitos sobre o presente processo administrativo (vide informação à fl. 1943 e ss.). Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que a autoridade tributária de jurisdição do sujeito passivo: a) junte aos autos cópia da decisão do TRF da 1ª Região nos autos do agravo de instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000; b) oficie a representação da PGFN junto a este Conselho a informar se a decisão acima referida é definitiva, bem como a se manifestar sobre seus efeitos sobre o presente processo administrativo; c) intime a embargante a se pronunciar sobre a manifestação da PGFN no prazo de 20 dias de sua ciência; d) após, encaminhe a este Conselho os presentes autos, bem como os autos dos processos conexos nos 15578.000206/200757, 15578.000406/200718 e 15578.000407/2007 54 para prosseguimento do feito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001197/2010-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/06/2006, 29/06/2006
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/06/2006, 29/06/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/06/2006, 29/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 11 97 /2 01 0- 81 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 305 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.353, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 306 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 307 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 308 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 309 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 310 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 311 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 9303003.746 CSRFT3 Fl. 312 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 312DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 36192.001221/2006-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
DECISÃO COM AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
É inválida a decisão que deixa de demonstrar os dados numéricos resultantes da análise do relator, que consistiram no fundamento principal para indeferimento do pleito do contribuinte, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2301-004.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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OUTRAS SITUAÇÕES Recorrente MS SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECISÃO COM AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de demonstrar os dados numéricos resultantes da análise do relator, que consistiram no fundamento principal para indeferimento do pleito do contribuinte, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 19 2. 00 12 21 /2 00 6- 36 Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 1529.811 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador, f. 16591664, com ciência ao sujeito passivo em 21/06/2012, fls. 1665, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório nº 0713/2011, da Equipe de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/SDR), que indeferiu pedido de restituição da empresa, fls. 417418. O pleito da interessada e os pontos controvertidos do processo foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto aqui: Tratase de pedido de restituição formulado pela empresa acima identificada, a qual considera que o valor da retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 incidente sobre notas fiscais de prestação de serviços emitidas em 01/2004 e de 03/2004 a 12/2005 é superior ao valor da contribuição previdenciária devida sobre a folha de pagamento destas competências. O processo foi formalizado em 14/03/2006. Instruem o processo o Requerimento de Restituição da Retenção (RRR) de fl. 3, referente ao período de 01/2004 e de 03/2004 a 12/2004; além do RRR de fl. 163, referente ao período de 01/2005 a 12/2005. De acordo com o Despacho Decisório n° 0713/2011 (fls. 417/418), da Equipe de Reembolso e Restituição Previdenciária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/SDR), já que o processo não foi corretamente instruído, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relacionados na Intimação SEORT/DRF/SDR n° 408/2011 (fl. 356). A decisão fundamentase no art. 65 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008. A forma da intimação (via postal) foi justificada com base no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. Consta no mencionado Despacho Decisório de fls. 417/418 que, até aquela data (11/07/2011), a empresa não apresentara a documentação listada na respectiva intimação, fato que impediu a tomada de decisão a respeito do direito creditório, já que os documentos solicitados eram imprescindíveis para tanto. Assim, amparado no que dispõe o artigo 65 da IN n° RFB 900/2008, indeferiuse o pedido de restituição. A interessada foi cientificada do indeferimento de seu pedido por meio postal (Aviso de Recebimento AR datado de 28/07/2011, fl. 419). Inconformada, apresentou a Manifestação de Inconformidade às fls. 436/439, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela (DRF/SDR), para que seja autorizada a restituição da contribuição previdenciária pleiteada, alegando, em resumo, o seguinte: Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 36192.001221/200636 Acórdão n.º 2301004.528 S2C3T1 Fl. 1.676 3 Que o prazo de 20 dias, oferecido na intimação, foi muito curto para a apresentação dos documentos referentes ao período de 2004 e 2005; que, no ato da apresentação da impugnação, toda a documentação solicitada foi anexada ao processo para análise; que, de fato, no período para o qual solicita a restituição do crédito, a empresa não compensou os valores retidos, ou seja, as contribuições previdenciárias do período foram recolhidas em sua integralidade; que a boafé e os bons antecedentes da empresa devem ser levados em conta quando da análise do pedido de restituição ora discutido; que, frente à ocorrência de mudanças céleres e complexas nas normas que regem as relações das empresas com a Previdência Social, os contribuintes tornamse involuntária e sistematicamente susceptíveis a falhas. Por fim, requer que se acolha e dê provimento ao seu recurso, julgando nula ou totalmente improcedente a decisão de indeferimento. Pede, também, que o processo de restituição seja analisado a partir da documentação apresentada por ocasião da protocolização do recurso ora apreciado, sendolhe reconhecido o direito creditório. A DRJ negou o pedido da interessada, com base no fundamento de que não foi apresentada toda a documentação necessária à comprovação do direito creditório. Em 18/07/2012, a interessada interpôs recurso voluntário, fls. 16671668, solicitando o reconhecimento do seu direito creditório, alegando, em síntese, que apresentou toda a documentação solicitada, relativa às retenções realizadas nas competências 01/2004, 03/2004 a 12/2004 e 01/2005 a 12/2005, sendo que as GFIPs demonstram que não houve compensação dos valores retidos em competências subseqüentes e as notas fiscais e GPS comprovam o destaque da retenção na nota fiscal e o recolhimento da contribuição retida. É o relatório. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Acórdão Recorrido. Ausência de Motivação Extraise dos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido que o indeferimento do pedido de restituição se deu pela ausência de prova do direito, uma vez que a recorrente deixou de comprovar, de modo eficaz, que não efetuou a compensação dos valores aqui pleiteados. Foi consignado, no voto condutor, que a recorrente realizou a compensação de supostos créditos com seus débitos apurados nas competências 06/2007, 09/2008, 03, 10, 11, 12 e 13/2009, 02, 04, 06, 07 e 13/2010, conforme informado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), embora os supostos créditos da recorrente, utilizados na compensação, não tenham sido corretamente identificados nas GFIPs, conforme excerto do voto condutor, abaixo transcrito: Analisandose a documentação apresentada pelo contribuinte juntamente com a sua Manifestação de Inconformidade ora apreciada, notase que foram apresentadas cópias das GFIP retificadas (Código 150) referentes ao período que é objeto do pedido de restituição, isto é, 01/2004, 03/2004 a 12/2004 e 01/2005 a 12/2005. Também foi apresentada a Declaração de que as importâncias requeridas não foram pleiteadas por via judicial nem compensadas (fl. 448). No entanto, restaram pendentes as GFIP retificadoras, código 150, das competências 06/2007, 09/2008, 03, 10, 11, 12 e 13/2009, 02, 04, 06, 07 e 13/2010. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB), confirmase que apenas foram retificadas, em data posterior à ciência da intimação, as GFIP das competências 06/2010 e 13/2010. Nestas, os valores de compensação informados nas GFIP originais simplesmente desapareceram. Para as demais competências, vale dizer, confirmouse a ausência de informação da origem dos créditos compensados (período inicial e período final). De acordo com o voto condutor, a recorrente deixou de identificar, na GFIP, a competência de origem dos créditos compensados no período de 06/2007, 09/2008, 03, 10, 11, 12 e 13/2009, 02, 04, 06, 07 e 13/2010, o que não foi saneado mesmo após ela ter sido intimada a fazêlo, fls. 356: Com fulcro no artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e no art. 40 da Lei n° 9.784/99, fica intimado o contribuinte, acima identificado, a apresentar a seguinte documentação, para que se possa concluir a análise do pedido em referência, que trata de restituição de retenção sofrida nas competências 01/2004 e 03/2004 a 12/2005 : ... Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 36192.001221/200636 Acórdão n.º 2301004.528 S2C3T1 Fl. 1.677 5 GFIP 150 retificadora para as competências 06/2007, 09/2008, 03, 10, 11, 12 e 13/2009, 02, 04, 06, 07 e 13/2010, com a informação da origem dos créditos compensados (período inicial e período final), atentando para o fato de que a compensação se origina de um saldo de retenção de competência anterior. Há competências em que foi informado como origem do crédito compensado a própria competência. Deverá ser apresentada planilha com detalhamento das compensações efetuadas; Concluiuse, no acórdão recorrido, que, ao deixar de sanar todas as GFIPs, a recorrente deixou de comprovar que não compensou os valores objeto do pedido de restituição. No voto condutor foi ressaltado que, após consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB), verificouse que a recorrente excluiu a informação de compensação nas GFIP´s das competências 06/2010 e 13/2010, todavia, deixou se de esclarecer o motivo pelo qual a retificação dessas GFIP´s não foi considerada eficaz como prova da inexistência da compensação. Também deixouse de consignar nos autos as informações relevantes consultadas nos sistemas informatizados, notadamente, o valor compensado no período de 06/2007, 09/2008, 03, 10, 11, 12 e 13/2009, 02, 04, 06, 07 e 13/2010, e se remanescem créditos do contribuinte passíveis de serem restituídos. Em suma, o órgão julgador de primeira instância embasou sua análise nas informações disponíveis nos sistemas informatizados da RFB, de modo que os dados quantitativos obtidos pelo órgão julgador, assim como o resultado dessa análise, devem ser demonstrados nos autos, sob pena de inviabilizar a análise do processo e a defesa do contribuinte. Em suma, o acórdão recorrido deixou de demonstrar os dados numéricos que embasaram o indeferimento do pleito da recorrente, portanto, padece de ausência de motivação, defeito que fere o art. 93, IX, da CF/88, e compromete a sua validade por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório e ao duplo grau de jurisdição. O Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inciso II, confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. A falta de motivação leva à anulação da decisão para que outra seja proferida em seu lugar. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Conclusão Com base no exposto, voto por anular o Acórdão n.º 1529.811 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador, cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão suprindo as omissões apontadas. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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