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Numero do processo: 10111.720445/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 16/08/2010
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 04 45 /2 01 4- 10 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 31/03/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de R$ 62.424,65 em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Foi constatada a prática de ocultação do sujeito passivo realizada pela empresa MERKATTO BRASIL, que ocultou em suas operações os nomes de diversas empresas, nos anos de 2009, 2010 e 2011. A empresa RBS, objeto desse auto de infração, foi uma das empresas que participou das importações fraudulentas como real adquirente. O nome da empresa RBS foi ocultado em uma declaração de importação registrada pela empresa importadora MERKATTO BRASIL LTDA. Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do Decreto Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 10111.720445/201410 Acórdão n.º 3201002.173 S3C2T1 Fl. 353 3 de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 09/04/2014 (fls. 253), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 07/05/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 255 à 268, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: RAZÕES PARA A REFORMA Basta uma análise perfunctória do auto de infração para se denotar que a Impugnante está sendo responsabilizada por ter adquirido mercadorias da empresa MERKATTO BRASIL, sob o argumento de que esta mesma empresa ocultou em suas operações de importação, os reais adquirentes. Ocorre que, a impugnante, somente agora está tomando ciência de eventual irregularidade na importação, na medida em que, adquiriu as mercadorias citadas no auto de infração (nota fiscal eletrônica n. 009) no mercado interno, desconhecendo eventuais irregularidades praticadas pela empresa MERKATTO. Ainda, da simples leitura do auto de infração, não existe nenhuma prova capaz de identificar qualquer contato comercial da impugnante com a empresa MERKATTO valendose a Receita Federal do Brasil de meras presunções para chegar à errônea conclusão de que houve pagamento prévio com a finalidade específica de uma importação. O fato está demonstrado por todos os documentos fiscais e contábeis, com a respectiva emissão da nota fiscal no mercado interno, inexistiu qualquer acordo prévio para importação de máquinas, sendo que a impugnante sequer consegue apresentar corretamente a sua defesa, na medida em que é impossível a realização de uma prova negativa. Tanto é verdade que a única assertiva existente no auto de infração é de que havia um ajuste prévio entre a MERKATTO e a impugnante e que a importação foi solicitada pela impugnante. Não há nos autos nenhum documento, nenhum email, nenhum comprovante testemunhal, enfim, nenhuma prova no sentido de que a impugnante anuiu com qualquer comportamento irregular da empresa MERKATTO. Em qualquer análise que se faça, inclusive por todo o conteúdo documental e probatório constante dos autos, impossível se chegar à conclusão de que a impugnante participou do referido processo de importação, tampouco de que encomendou referidos produtos. Ressaltase que não se cuida de qualquer defesa protelatória. Em verdade, somente está se exercitando o direito subjetivo constitucional, previsto no art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição Federal, qual seja: o princípio do devido processo legal. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 4 Junta textos da doutrina de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, VICENTE RÁO e JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELLO. Quer dizer que a lei exclui o arbítrio, retira a discricionariedade até então consentida e impõe peremptoriamente um julgamento vinculado, orientado pelo critério duplo de exigir dos agentes fiscais. O interesse público consiste em proteger os direitos individuais, especialmente a liberdade e a propriedade) e não afligir um contribuinte ou uma categoria de contribuintes. Em conclusão é em princípio vedado o recurso às presunções em direito tributário. Junta textos da doutrina de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. Em casos que tais, é o Poder Público quem deve provar a má fé de alguém. Calha referir, ademais, que sequer é admissível deduzila com base em mera suspeita. Suspeita não é prova. Nem mesmo se pode supor que o simples indício autorize concluir pela má fé. Indício não é prova; é elemento de suspeita. Prova é fator de convencimento. Corresponde ao fato ou concurso de fatos cuja existência ou relacionamento conduzem a uma convicção. O indício faz irromper uma dúvida e leva à suspeita. A prova dirime a dúvida e confirma a suspeita, por que desemboca na demonstração, que gera o convencimento. Assim, se a infração fiscal depender de uma ausência de boa fé por parte do contribuinte, o Fisco só pode apenálo se houver prova de má fé. Junta textos da jurisprudência: (Agravo de Instrumento n° 55.210 de S. Paulo, sendo relator o Min. Bilac Pinto DJU de 15.11.1972); Destarte, não basta a simples presunção aventada pela autoridade. E o que é mais grave: presunção de falsidade! É preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS de que as mercadorias exportadas destinavam à fraude fiscal, não se podendo, assim, agir por presunção lavrando auto de infração e, ainda, alegar falsidade. Estamos, indubitavelmente, diante de um caso em que a autoridade fiscalizadora buscou recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta ao impugnante, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal. Junta textos da doutrina de PAULO CELSO BONILHA. Em tais condições, deveria o Fisco, para considerar interposição fraudulenta, realizar, ou menos, prova contrária de prejuízo ao fisco. De outra parte, milita em favor do Impugnante, o princípio da boafé, pois não pode à Autoridade desconsiderála, presumindose a máfé, sem realizar prova cabal. Destarte, de plena aplicabilidade do princípio da boafé, não se podendo presumir a máfé. Não é por outra razão que o inciso IV, do art. 2o, da Lei Federal n. 9.874/99, exige, expressamente, da Administração Pública “atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé”. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 10111.720445/201410 Acórdão n.º 3201002.173 S3C2T1 Fl. 354 5 Junta textos da doutrina de JESÚS GONZÁLEZ PÉREZ, KARL LARENZ e GASTON JÈZE. Antigo aresto do Pretório Excelso já apontava para uma evolução quanto ao controle jurisdicional sobre a regularidade administrativa no entendimento de que “a apreciação de mérito interdita ao Judiciário é a que se relacione com a conveniência ou oportunidade da medida, não o merecimento por outros aspectos que possam configurar uma aplicação falsa, viciosa ou errônea da lei Em se tratando de simples pena, não comporta a aplicação de interesse comum, previsto no artigo 124 e 135 do CTN. Aliás, no caso, sequer seria aplicável as disposições legais citadas, mas sim, a multa prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007. DO PEDIDO. Em face do exposto, requer seja acolhida a presente impugnação, especialmente, julgando improcedente o lançamento tributário com relação à impugnante, inclusive cancelandose a pena de perdimento, tendo em vista sua insubsistência, como medida de legalidade e que prevaleça a verdade material, conforme documentos anexados aquisição no mercado interno." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/08/2010 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificadas da decisão, os sujeitos passivos solidários: Rayssa Barbieri Pascoal e Célio Barbieri Pascoal interpuseram em conjunto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignadas com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foram interpostos recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 10111.720445/201410 Acórdão n.º 3201002.173 S3C2T1 Fl. 355 7 Da operação de importação de máquina off set pela empresa Merkatto Brasil por conta e ordem da empresa RBS Gráfica e Editora Ltda. A lide gira em torno da exigência da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadoria importada por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora MERKATTO BRASIL teria realizado a operação em nome da empresa RBS, sendo as informações ocultadas dos controles legais pertinentes. As autuadas, em sua defesa, alegam que adquiriram a mercadoria no mercado interno e não tinham nenhum conhecimento da operação de importação. A Fiscalização Aduaneira fez um relato das operações da empresa MERKATTO, que atuava como empresa importadora por conta e ordem de diversas empresas, ocultando esta informação dos controles aduaneiros. (fl. 18) "Em resumo, tratase de prática de ocultação do sujeito passivo realizada pela empresa MERKATTO BRASIL, que ocultou em suas operações os nomes de diversas empresas, nos anos de 2009, 2010 e 2011. A empresa RBS, objeto desse auto de infração, foi uma das empresas que participou das importações fraudulentas como real adquirente. O nome da empresa RBS foi ocultado em uma declaração de importação registrada pela empresa importadora MERKATTO BRASIL LTDA." No caminho para esclarecer os fatos faço um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 8 Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 10111.720445/201410 Acórdão n.º 3201002.173 S3C2T1 Fl. 356 9 O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 10 Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Merkatto e o envolvimento da empresa RBS. A Fiscalização identificou, amparada informações e documentos fiscais, a relação das empresas Merkatto e RBS. O trabalho da auditoria da receita federal comprova de o modo de operação para ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. A seguir detalho informações extraídas do Auto de Infração, que ao meu sentir comprovam os fatos apurados pela Autoridade Autuante. Por meio de informações obtidas do sócio da empresa Merkatto é esclarecido a forma de operação da empresa e sua relação com os reais adquirentes das mercadorias, conforme consta do relatório fiscal que compõe o Auto de Infração aplicado a empresa Merkatto. (fl. 102) "O Sr, Elísio declarou que, na qualidade de único sócio administrador, atua de integral, gerindo administrativamente, operacionalmente e comercialmente a mesma. Desta maneira, controla a atuação em comércio exterior de Merkatto. Prosseguiu afirmando o que vai abaixo. "(...) que as importações de Merkatto surgem a partir da manifestação de um cliente interessado ema adquirir um determinado bem; que o declarante realiza então a pesquisa cadastral do cliente que se apresentou; os contatos com os exportadores são feitos então através do Sr. Elíseo, exceto a operação das lâmpadas e da Megha;(...)" O sócio declara expressamente que as importações de Merkatto surgem a partir de manifestação e desígnio externos, d cliente que deseja adquirir bem estrangeiro. A partir desta determinação, Merkatto inicia sua prestação de serviço, fazendo contato com exportadores e adotando as demais providências preparatórias. "(...) se for avançada liquidação antecipada de câmbio, o embarque fica condicionado a esta liquidação; o cliente fornece para Merkatto os meios para liquidar este câmbio; quando do registro da correspondente DI. Merkatto suporta os valores relativos aos tributos; na maioria das vezes Merkatto faz então a venda a vista, contra entrega, para os clientes; (...) Esclarecendo como são liquidados os valores envolvidos na importação, o sócio afirma que opera a partir de valores fornecidos pelo cliente, que transfere pra Merkatto os meios Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 10111.720445/201410 Acórdão n.º 3201002.173 S3C2T1 Fl. 357 11 para liquidar o câmbio. Uma vez registrada e desembaraçada a DI, Merkatto faz a venda a vista para o cliente que solicitou a importação. Este proceder encontra adequação típica à uma operação com interposição de pessoas, realizada por conta e ordem deste terceiro, que determina que Merkatto realize importação, e fornece os meios para a sua realização, sendo certo que para este terceiro deverá a carga ser destinada, assim que liberada. Merkatto assume a posição de prestadora de serviços, que age não por desígnio mas sob as ordens deste terceiro, o qual assume os riscos inerentes e detém o controle do que será importado, de quando haverá a importação e de como ela ocorrerá." No relatório fiscal que embasa o lançamento fiscal, detalha a operação realizada pela RBS. (fl. 19). "(...) DI 10/14068551 de 16/08/2010 Declaração de importação registrada na modalidade "consumo" que tinha por objeto máquina impressora offset usada, com valor total CIF de R$ 62.424,67 O contribuinte fez anexar o extrato da DI, fatura, conhecimento, nota fiscal e contrato de câmbio. A fatura e o conhecimento foram emitidos no nome de Merkatto. O contrato de câmbio, datado de 14/06/2010, foi liquidado antecipadamente, a partir de meios originados de RBS, nos termos transcritos abaixo, informados por Merkatto, com extratos bancários. O contribuinte apresentou a nota fiscal eletrônica 009, de saída, série 0, datada de 23/08/2010, referente à totalidade da mercadoria, que havia sido desembaraçada no dia 10/08/2010. A máquina foi vendida para RBS Gráf. e Edit. ltda. ME, CNPJ 09.622.692/000184. O fornecimento antecipado dos meios para liquidar câmbio e a coincidência de datas notas fiscais de entrada e de saída, com o repasse imediato da mercadoria, aponta para uma operação na qual havia um ajuste prévio entre as partes. A importação foi solicitada por RBS e, uma vez desembaraçada a carga, a mesma foi direcionada integral e imediatamente para o controlador da operação, que assumiu seus riscos. Se não houvesse ajuste prévio, e a assunção dos riscos do negócio fosse de Merkatto, esta teria de procurar cliente que se interessasse pela mercadoria, e muito provavelmente afastada estaria a entrega imediata das mercadorias, pela demora inerente à tal maneira de proceder." Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA 12 A Fiscalização identifica a participação da RBS e do empresa TRIMAF do mesmo grupo familiar a quem posteriormente foi comercializada a máquina importada. (fl. 20 e 21) "Do apresentado no Auto de Infração, fica clara e irrefutável a interposição fraudulenta arquitetada pelas duas empresas. Entretanto, alguns pontos merecem destaque. O contrato de câmbio nº 10/000860, liquidado antecipadamente pela RBS, é referente ao pagamento de duas importações registradas respectivamente pelas DI(s) de nº 10/14068551 e de nº 11/06770996. A impressora offset da primeira DI 10/1406855 1 foi repassada à empresa TRIMAF do mesmo grupo familiar da empresa RBS. Outro fato importante é que a empresa RBS revendeu a impressora objeto da importação da DI 10/14068551, objeto deste auto de infração, para empresa TRIMAF em 07/06/2011, menos de dois meses após a chegada da última importação em 13/04/2011, e antes do pedido de baixa do CNPJ, por parte da empresa em 12/09/2011. Levando em consideração que ambas as empresas possuem em seu quadro societário membros da família Barbiere, e ainda que a resposta do Termo de Início 161/2013 teve como remetente a empresa TRIMAF, podese concluir que as empresas RBS e TRIMAF possuem interesses comuns nas importações, e portanto devem ser solidários nas importações efetuadas (ponto que será melhor abordado no item 8 deste relatório). A Fiscalização intimou os Recorrentes a justificarem as transferências e o pagamento efetivo da máquina offset, entretanto as tentativas da auditoria se mostram infrutíferas, pois nenhum documentos que comprove o pagamento dos bens importados é apresentado. (fl. 21) "Como já foi dito neste relatório, como resposta ao Termo de Início da presente fiscalização, nos foram entregues extratos bancários da empresa RBS, onde não foi possível identificar as transferências relativas à compra da impressora offset objeto da DI 10/14068551. Sendo assim, preparamos a intimação nº 011/2014 (anexa ao presente processo), a qual solicitava que fossem apresentados os comprovantes de pagamento da compra da impressora mencionada no parágrafo anterior, ou se no caso de o pagamento não ter sido feito pela RBS, que fosse indicado por escrito quem fez o referido pagamento. Em resposta à intimação de nº 011/2014, ambos os sócios responderam (declarações anexas ao presente processo) que os recursos para o pagamento da nota fiscal de nº 009, de 23/08/2010, eram provenientes da própria empresa RBS, bem como de seu sócio majoritário, Célio Barbiere Pascoal Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA Processo nº 10111.720445/201410 Acórdão n.º 3201002.173 S3C2T1 Fl. 358 13 Os exemplos, aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas comprovam a existência de um esquema montado com objetivo de ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias. As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação da importação das empresas RBS e Merkatto, baseada em procedimento de auditoria, demonstra que a empresa Merkatto era uma prestadora de serviços que viabilizou a operação de importação da RBS, configurando uma operação por conta e ordem que foi ocultada dos controles aduaneiros. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos. Winderley Morais Pereira Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO S OUZA
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Numero do processo: 14041.000830/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que devem ser excluídos do lançamento os valores apurados até a competência 08/2002, inclusive, em razão da decadência, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO E EM GFIP Recorrente CRUZEIRO COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que devem ser excluídos do lançamento os valores apurados até a competência 08/2002, inclusive, em razão da decadência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 08 30 /2 00 7- 40 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14041.000830/200740 Acórdão n.º 2401004.184 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 25/09/2007 (fls. 01/02). Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 130/137), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, DEBCAD 37.119.6582, em nome da empresa em epígrafe, no valor de R$ 436.341,83, referente às contribuições destinadas a Seguridade Social a cargo da empresa, a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuição destinada aos terceiros(Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração para segurados que lhe prestaram serviço no período de 01/1999 a 03/2004. Os valores lançados foram apurados mediante o confronto dos valores declarados pelo contribuinte em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Folhas de Pagamento do 13° salário com os recolhimentos correspondentes efetuados pela empresa por GPS Guia da Previdência Social. O fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento de remunerações aos Segurados empregados e 'contribuintes individuais, apurados com base rias informações declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, obtidas por intermédio dos Sistemas Informatizados da Previdência Social. DA IMPUGNAÇÃO Conforme despacho de fls. 129, a notificada apresentou defesa tempestiva, às fls. 77/95 na qual alega, em apertada síntese que as contribuições devidas à Seguridade Social devem observar as regas do Código Tributário Nacional no que tange à decadência e prescrição, em face da inconstitucionalidade dos incisos I e II do artigo 45 da lei 8.212/91, sendo assim todas as contribuições lançadas relativas às competências anteriores a 08/2002 decaíram. Alega ser excessivo e desproporcional os juros aplicados, visto que não atende ao objetivo de refrear o atraso no pagamento. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Requer ante o exposto o cancelamento do débito previdenciário por estarem prescritos os lançamentos conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça que declarou inconstitucional os incisos I e II do art. 45, da Lei 8.212/91. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 142/153), no qual alega, em apertada síntese, que ocorreu a decadência dos valores apurados até competência 08/2002. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14041.000830/200740 Acórdão n.º 2401004.184 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que a autuação é improcedente em relação às competências anteriores a 09/2002, posto que estariam fulminadas pela decadência, requerendo a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/1999 a 03/2004 e foi efetuado em 25/09/2007, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 02). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento parcial da contribuição previdenciária, conforme Relatório Fiscal (fls. 67/72), Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 03/35), Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 36/40) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA (fls. 41/54). Esses documentos afirmam que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, a teor do enunciado da súmula 99 do CARF1, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, 1 Súmula 99 do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 14041.000830/200740 Acórdão n.º 2401004.184 S2C4T1 Fl. 5 7 para considerar que os valores apurados até a competência 08/2002, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluindose os valores apurados nas competências 01/1999 a 08/2002, inclusive, já que o lançamento fiscal referese ao período de 01/1999 a 03/2004 e as competências posteriores a 08/2002 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acatase parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 08/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, conforme alegações postuladas na peça recursal, não há outras questões a serem analisadas e mantémse o lançamento referente às competências 09/2002 a 03/2004. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos os valores apurados até a competência 08/2002, inclusive, em razão da decadência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13971.001062/00-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/01/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO.
Compõe o numerador e o denominador da fração utilizada para apuração da base de cálculo do incentivo a totalidade da receita de exportação de mercadorias nacionais, conforme definido na Portaria MF 38/97, dela não devendo ser excluídas quaisquer parcelas por não ter havido a industrialização do produto exportado. Tendo o RE fazendário se limitado a postular a reinclusão no denominador sem qualquer menção à inclusão no numerador, a ele cabe negar provimento.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC
Dispõe o art. 62-A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009:
Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINSITRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164:
12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010).
NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009.
Numero da decisão: 9303-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso da Fazenda, vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento também quanto à industrialização por encomenda, e por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez Lopez
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 505 1 504 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.001062/0040 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303003.460 – 3ª Turma Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrentes BUNGE ALIMENTOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/01/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. Compõe o numerador e o denominador da fração utilizada para apuração da base de cálculo do incentivo a totalidade da receita de exportação de mercadorias nacionais, conforme definido na Portaria MF 38/97, dela não devendo ser excluídas quaisquer parcelas por não ter havido a industrialização do produto exportado. Tendo o RE fazendário se limitado a postular a reinclusão no denominador sem qualquer menção à inclusão no numerador, a ele cabe negar provimento. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 10 62 /0 0- 40 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINSITRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso da Fazenda, vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento também quanto à industrialização por encomenda, e por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez Lopez Relatório O processo versa direito de crédito presumido de IPI da Lei 9.363/96 postulado em ressarcimento e apenas parcialmente deferido pela DRF competente. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 506 3 Apresentada manifestação de inconformidade, todas as glosas promovidas foram mantidas pela DRJ. Objeto de recurso voluntário, essa decisão foi modificada pela Terceira Câmara do então existente Segundo Conselho de Contribuintes, em acórdão (20311.806), de 27/02/2007, nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, em dar provimento em relação às aquisições de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Antônio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, em dar provimento quanto às aquisições das cooperativas. Os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Antônio Bezerra Neto votaram pelas conclusões (período de apuração posterior à revogação da isenção concedida às mesmas); III) por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à energia elétrica e combustíveis; IV) Por maioria de votos,, em dar provimento parcial quanto à industrialização por_encomendas apenas no que se refere às 'latas'.Vencido o Conselheiro Valdemar Ludvig (Relator) que dava provimento integral e os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Antônio Bezerra Neto que negavam provimento; V) por maioria de votos, em negar provimento quanto aos insumos aplicados em produtos finais N/T' (Soja em grão). Vencidos os Conselheiros Valdemar Ludvig (Relator) e Dalton César Cordeiro de Miranda que davam provimento;VI) por maioria de votos, ainda em relação às exportações de produtos in natura (NT), em dar provimento para exclusão das receitas de revenda de mercadoria para o exterior tanto para compor, na fórmula do.índice de cálculo do crédito presumido, as receitas de exportações quanto para compor a Receita operacional Bruta. Vencidos os Conselheiros Valdemar Ludvig (Relator) e Dalton César Cordeiro de Miranda que votavam pela inclusão das receitas de revenda de mercadorias para o exterior tanto para compor as receitas de exportações quanto para compor a receita operacional bruta em relação ao índice de cálculo do crédito presumido de IPI;VII) por unanimidade de votos, em negar provimento quanto aos demais insumos pleiteados; e VIII) por maioria de votos, em dar provimento quanto à atualização monetária (Selic), admitindoa a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Antônio Bezerra Neto, Odassi Guerzoni Filho e Emanuel Cárlos Dantas de Assis. Designada a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor em relação aos itens V e VI. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2007. Em 30/4/2008, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração em que apontou omissão sobre ponto a que se deveria referir o acórdão no tocante à matéria das aquisições de matérias primas efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas, especificamente, a ausência de comprovação do crédito a elas relativo. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 A esses embargos foram dados efeitos infringentes, determinando o acórdão 220100.044, prolatado já em 04 de março de 2009, a exclusão das aquisições contestadas devido à falta de comprovação. Dessa decisão ambas as partes recorreram. O recurso da Fazenda Nacional ataca três pontos: a) inclusão das despesas com industrialização por encomenda na base de cálculo. b) exclusão das receitas de exportação de produtos não submetidos a industrialização do denominador da fração que define a base de cálculo do incentivo, pretendendo o especial que apenas sejam elas subtraídas do numerador, como proposto pela fiscalização; c) adição da taxa selic ao valor a ser ressarcido, acumulada desde o ingresso do pedido; Quanto aos itens a e c, o recurso é por contrariedade à lei, tendo a peça de recurso apontado com precisão quais seriam os dispositivos legais contrariados, respectivamente, os arts. 1º e 2º da Lei 9.363/96, e o art. 39, § 4º da Lei 9.250/95. Já quanto ao item b, o recurso aponta divergência com a decisão consubstanciada no acórdão nº 20179.254, juntada como paradigma, na qual se aplicou exatamente a tese defendida pela Fazenda. O recurso foi, por isso, integralmente admitido, consoante despacho que consta à fls. 307 e ss. Após a prolação do segundo acórdão, ingressou a empresa com embargos de declaração, nos quais pretendeu a correção do que chamou de inexatidão material, pois a inexistência de questionamento quanto à aludida comprovação, como consignada no despacho decisório que denegou o pleito, não foi considerada pela decisão reclamada. Distribuído o aclaratório, foi o mesmo objeto de julgamento, através do acórdão 3403001.741, de 22/08/2012, que, embora reconhecendo a aparente procedência da reclamação do contribuinte, não constatou vício de omissão, obscuridade ou contradição passível de saneamento, mas, sim, erro de julgamento, motivo pelo qual rejeitou o embargo de declaração e apontou o recurso especial como peça apropriada a corrigir o pretenso defeito. Na decisão que o denegou, disse o relator: “Não se trata de obscuridade, pois o Acórdão que julgou os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional foi claro ao decidir no sentido de que o contribuinte não apresentou as notas fiscais para comprovar as aquisições. Não se trata de omissão e nem de omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, pois o entendimento está expresso no voto condutor do Acórdão. Tanto está expresso, que o contribuinte dele recorreu apresentando embargos de declaração e requerimento para saneamento de erro material. Não se trata de contradição, pois da premissa (falta de apresentação das notas fiscais), decorre logicamente a conclusão no sentido de que o direito não pode ser reconhecido. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 507 5 Também não se trata de erro ou inexatidão material. A inexatidão material a que alude o art. 66 do Regimento Interno se refere a qualquer equívoco manifesto existente na forma de expressão do julgamento e não no seu conteúdo. A correção de uma inexatidão material é insuscetível de alterar o conteúdo do julgado. O mesmo se diga dos erros de escrita ou de cálculo.” As decisões dissonantes foram comprovadas pela juntada de inteiro teor, conforme documentos de fls. 418/486. Ao examinar o recurso especial do contribuinte, assim concluí: O recurso especial é tempestivo e está devidamente instruído. A matéria controvertida foi objeto de debate na instância a quo, de modo que resta atendido o requisito do prequestionamento. Tocante à existência de divergência, em que pese a sua verificação, há uma ressalva a ser feita quanto à admissibilidade do recurso. Respeitante à “negativa”, nas palavras do recorrente, em sanear os vícios de declaração existentes no acórdão 220100.044 pelo aresto 3403001.741, não constato qualquer divergência entre julgados desta Casa, porquanto as decisões pretensamente dissidentes aduziram que o embargo de declaração tem cabimento quando efetivamente ocorrente omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada, sendo que o acórdão 3403001.741 demonstrou a sua inocorrência, como se extrai do seguinte excerto: (...) Portanto, os casos submetidos a julgamento não são análogos entre si, o que não permite a aferição da suposta divergência, como já decidido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF: “O reconhecimento do dissídio jurisprudencial requer que uma norma jurídica incidente sobre fatos semelhantes seja interpretada de forma diversa da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, a reclamar a uniformização da jurisprudência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (...)”1 Contudo, o descabimento do recurso neste ponto não importa em sua inadmissibilidade, haja vista que o ponto controverso assemelhase a uma questão preliminar que, se rejeitada, não implica, ipso facto, na rejeição do mérito da causa. Nesta senda, o acórdão que julgou o embargo de declaração interposto pelo contribuinte acentuou que as alegações deduzidas aparentavam procedência, uma vez que o fundamento para denegação inicial do pleito não foi a ausência de documentário, mas a inexistência do direito, sendo este o punctum saliens a ser decidido. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 Assim, abstraída, em princípio, a improcedência por insuficiência probatória, resta examinar a divergência concernente ao direito de aproveitamento das aquisições de pessoas físicas/cooperativas na apuração do crédito presumido de IPI, nos moldes da Lei nº 9.363/96. Cotejando os acórdãos recorrido e paradigmas, verificase, sem maiores indagações, a apontada dissensão, tendo estes últimos concluído, em oposição àquele, que as aquisições de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem de pessoas físicas e/ou cooperativas devem ser aceitas no cálculo do crédito presumido em referência. Pelo exposto, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL quanto ao aproveitamento de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96 em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Considerando o disposto no art. 70 do Regimento Interno do CARF, determino o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência deste despacho e, querendo, apresentação das contrarrazões. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara rjb Em contrarrazões, a Fazenda Nacional havia postulado, inicialmente, o não conhecimento do recurso em virtude de nãocomprovação da divergência com respeito ao reconhecimento de direito de ressarcimento de crédito não comprovado, este que teria sido o motivo da decisão de que se pretendeu recorrer. Por fim, em 01/3/2010, a empresa ingressou com petição em que comunica sua adesão ao REFIS 4, instituído pelos artigos 1 a 13 da Lei n° 11.941/2009 e, assim, afirma estar desistindo da discussão a respeito de determinados débitos que menciona e que, neste processo, pretendera compensar com o direito creditório ora discutido. Em tal petição, embora se diga que se renuncia a razões de direito em que se funda a postulação, como exige o ato legal, não há qualquer especificação acerca da matéria objeto de desistência. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como apontado, temos em mãos tumultuoso processo, cujos recursos requerem cuidadoso reexame, a começar pela sua admissibilidade. Inicioos pelo recurso fazendário. Conforme já registrado no relatório, ele está parcialmente lastreado na antiga disposição regimental vigente quando da prolação da decisão atacada que o admitia quando decisão nãounânime contrariasse, em tese, dispositivo legal. Embora essa disposição Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 508 7 regimental já não mais exista e nem mesmo existisse na data do ingresso do recurso, certo é que foi expressamente ressalvada nos Regimentos que lhe seguiram. Assim no atual, consta ela no art. 3º. Dito isso, registro que a jurisprudência deste Colegiado se firmou no sentido de que a admissibilidade de tal recurso exige que a Fazenda Nacional aponte com precisão qual a disposição legal que ela entende tenha sido contrariada pela decisão atacada, tarefa de que, muitas vezes, não se desincumbe a contento sua representação. Expus no relatório que não é o caso aqui, constando no recurso fazendário, expressamente, as disposições supostamente contrariadas. Ademais, a descrição da decisão prolatada demonstra que em ambas as matérias não houve unanimidade. Bem admitido, pois, o recurso quanto aos dois pontos. E igualmente quanto ao terceiro, lastreado na divergência interpretativa, dado que a decisão apontada como paradigma deu à mesma matéria tratamento absolutamente antagônico ao da recorrida e coincidente com a postulação fazendária. Diante do exposto, admito na íntegra o recurso e passo ao exame de suas alegações. A primeira matéria, como já indicado, diz respeito às despesas com a industrialização por encomenda das latas que acondicionam os produtos finais exportados. Ainda que sobre a matéria sejam lacônicos tanto a decisão recorrida 1 quanto mesmo o recurso voluntário2, entendo não assistir razão à Fazenda pelos motivos que seguem. Como se vê, é a própria defesa que dificulta o deferimento do seu pleito. Isso porque, tenho posicionamento já expresso em diversos outros julgados no sentido de que não é 1 Sobre a industrialização por encomenda de produto in natura (soja) e produção de lata, em que pese divergências dentre os membros desta Câmara, eu compactuo com as decisões deste Conselho favoráveis aos contribuintes como externada pelo Acórdão n° 20176229 de relatoria do ilustre Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer: "IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO À PIS E À COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante, agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e à COFINS previsto na Lei n" 9.363/96. " 2 "Data venia" o entendimento expendido pelo Sr. Fiscal, não cabe a glosa levada a efeito, notadamente porque no "documento comprobatório emitido pelo industrializador consta apenas o valor cobrado a título de serviços, sem mencionar nenhuma aplicação de materiais". É evidente o absurdo desta fundamentação, posto que é impossível descrever no correspondente documento fiscal a relação integral de todos os insumos utilizados pelo industrializador de soja e de latas no seu processo. A legislação não prevê tal exigência. Trazse à colação, por oportuno, acórdão do E. conselho de Contribuintes que trata do sistema utilizado pela Impugnante, que adquire todos os insumos necessários aos seus produtos a serem exportados e que, em situações isoladas, os remete para o processo de industrialização final em outro estabelecimento: (...) Como se conclui, há sim o direito de apontar os valores correspondentes a industrialização por terceiros nas suas aquisições para fins de cálculo do crédito presumido, os quais no presente caso estão suportados por documentos fiscais hábeis. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 mesmo motivo para sua denegação a razão apontada pela autoridade administrativa. Mas isso tampouco leva à conclusão de que sempre há tal possibilidade. Para seu deferimento, com efeito, necessário que o processo de industrialização externa se dê sobre material adquirido pelo exportador e que venha a compor, após tal operação, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem empregado naquele que é efetivamente exportado. Ou seja, após o retorno do produto mandado industrializar fora, sobre ele se processe, no estabelecimento exportador, alguma das operações definidas na legislação do IPI como produção, ainda que por meio de mero acondicionamento. Por isso, a ser verdade o que consta da defesa ("que adquire todos os insumos necessários aos seus produtos a serem exportados e que, em situações isoladas, os remete para o processo de industrialização final em outro estabelecimento"), caberia mesmo o seu indeferimento. Mas não parece ser este o caso, apesar da infeliz colocação na peça de defesa que foi apresentada ao Conselho de Contribuintes. Com efeito, não se tratando do produto final (soja), e sim das latas que o acondicionam, pareceme impossível não enquadrar a situação naquelas para as quais se aplica o seguinte entendimento meu3, que aqui reitero para negar provimento ao apelo fazendário: Incumbiume o i. Presidente da redação do acórdão no atinente à industrialização por encomenda, visto ter a maioria divergido do entendimento esposado pelo n. relator. Conforme se observa de seu voto, três são os fundamentos para que ele entenda que o valor pago pelo industrialexportador não pode ser computado na base de cálculo do benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96. Em primeiro lugar porque a interpretação daquela norma haveria de ser restritiva por envolver renúncia de receita fiscal. Ocorre que ele não explicita o comando legal que dá suporte à sua conclusão e, por isso, começo daí minha divergência. É que, a contrário senso, se lê no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Destarte, a se entender que essa seria sua fundamentação, necessário se faz enquadrar o benefício em tela como hipótese de suspensão ou de exclusão do crédito tributário, dado que não se trata nem de isenção de tributo nem de autorização para não cumprimento de obrigações acessórias. Não considero, no entanto, que os créditos presumidos em geral, e o da Lei 9.363 em particular, assim se possam definir. 3 expressas, entre outros, no processo nº 11065.001205/200163 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 509 9 Com efeito, o mesmo CTN que a todos nós vincula, estabelece as hipóteses de exclusão de crédito tributário em seu art. 175: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. E como a isenção já havia sido destacadamente mencionada no art. 111 entendo que os dois dispositivos lidos conjugadamente impõem a interpretação restritiva ou literal apenas à anistia, à suspensão de crédito tributário e à dispensa de obrigações acessórias. Não me parece que o crédito presumido se inclua em qualquer dessas situações. Assim, ainda que fosse necessário dar uma interpretação “ampliativa” ao comando inserto na Lei 9.363/96 considero que nada o impede. Sequer há tal necessidade, porém. É que o segundo fundamento do dr. Rodrigo é a premissa de que o valor aqui discutido não se enquadra como “valor de aquisição”, ou seja, decorrente de uma operação de compra e venda, como exigido pela Lei, mas sim de um pagamento por uma prestação de serviço. A essa premissa também não adiro. Em primeiro lugar porque a própria legislação do IPI, única ao que eu saiba que cuida da figura da industrialização por encomenda mediante a remessa de insumos por parte do encomendante, é clara em caracterizála como uma operação de “industrialização parcial” sujeita ao IPI. E dessa imposição não exclui nem mesmo os casos em que o executor da encomenda não agrega nenhum insumo por si adquirido. Isto é, mesmo nesta última hipótese, em que se poderia legitimamente pretender sua equiparação a mera prestação de serviço, a obrigação relativa ao IPI é mantida. E, no meu entender, ainda quando sujeita ao ISS. Deixemos por enquanto essa hipótese de lado, dado que é mister reconhecer não ser ela a regra. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. A opção não está, assim, vinculada ao aproveitamento de um possível benefício fiscal. Está ligada, isto sim, à racionalidade econômica. Em outras palavras, ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 10 tela, seja porque infreqüente, seja porque é mais barato realizá la fora. Posta essa diferente premissa, o fato é que o item em discussão (couro, no caso concreto) só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçado) após ter sido submetida a essa industrialização parcial adicional. Antes, matéria prima ainda não é. Essa conclusão, a meu ver, se impõe pela própria definição de matéria prima tantas vezes por nós repetida: item que é utilizado no processo produtivo e aí é integral e imediatamente consumido, incorporandose fisicamente ao item fabricado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. E, como já disse, mesmo a interpretação literal do texto normativo permite sua inclusão nesse caso. Deveras, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei 9.363: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 510 11 De todo modo, admitindo que na maior parte das vezes há mesmo outros itens compondo o “preço dos serviços prestados”, a restrição proposta pelo dr. Rodrigo, pareceme, não os alcançaria. De fato, quanto a eles, a meu sentir, não há como dizer que não ocorra uma operação comercial. A celeuma, pois, vêse restrita às despesas com mãodeobra. De fato, em outros processos ela vem expressa em votos da primeira instância e em relatórios de verificação fiscal elaborados pelas autoridades incumbidas dos trabalhos fiscais. E pode ser resumida assim: se o postulante houvesse internalizado a operação, não haveria crédito presumido sobre essa parcela. Por “analogia” (ou “isonomia” ou “justiça fiscal” ou qualquer coisa semelhante) também não deveria haver se ele a “externaliza”. Como já repeti, a validade do argumento tem como condições necessárias que 1) o postulante ao crédito presumido possa fazer internamente a operação; 2) o valor pago ao executor se resuma ao da mãodeobra empregada. Essa segunda condição só seria válida na ausência de qualquer capital. Do contrário, haverá, pelo menos, o “custo do capital” empregado, entendido como a sua depreciação mais lucro. Em outras palavras, apenas se fosse contratado algum(ns) trabalhador(es), sem qualquer equipamento, para “prestar o serviço”. Admitindo que isso fosse mesmo possível (e valesse a pena, do ponto de vista econômico) o argumento ganharia força pela nossa jurisprudência que limitava o incentivo às “aquisições realizadas a contribuintes dos tributos a ressarcir”. Desnecessário dizer que ela já não mais se sustenta em face das reiteradas decisões do STJ em sentido contrário. De modo que, aclarados devidamente os contornos da restrição cogitada pelo dr. Rodrigo, acredito que a questão somente se coloca se: 1) houver uma contratação apenas de “serviços” de industrialização e 2) ela se der junto a pessoas físicas que não empreguem qualquer insumo ou equipamento nessa prestação. Não é sequer necessário aqui adentrála: no presente processo (e acredito que em todos que venhamos a examinar) muito longe estamos dessa situação. Aqui se pagou a outra empresa para transformar couro cru em couro wet blue, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado. Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. E, por fim, não foi sequer questionado pela fiscalização que o couro wet blue recebido é empregado, como matériaprima, nos calçados fabricados. Essa é, em verdade, a única restrição que faço: dado que a lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 12 embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. De fato, já tivemos oportunidade de examinar caso em que a “fábrica” de calçados, de fábrica não tinha mais nada, “terceirizada” que fora toda a produção. Ela se limitava a exportar o produto pronto, assim recebido dos executores. Nessa hipótese, entendo eu, não há benefício algum. Mas aqui, ao contrário, a empresa emprega o couro beneficiado na efetiva fabricação dos calçados que exporta. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Não muda essa minha conclusão o terceiro argumento do n. relator. É ele o fato de a Lei 10.276 ter expressamente autorizado a inclusão dessa parcela que não consta expressamente da Lei 9.363. A conclusão foi: se a partir daí pode, é porque antes não podia. Com a devida vênia, entendo que as regras de hermenêutica consagradas não permitem essa ilação. De fato, não faz sentido (lógico) deduzir uma proibição em uma lei porque de outra tal proibição não conste. A não ser que a nova lei esteja regulando a mesma matéria. Como se sabe, a Lei 10.276 institui uma forma alternativa de cálculo do benefício, como reconhece o relator. Assim, dela tudo o que decorre é que na sistemática por ela introduzida, pode; nada se pode inferir quanto à outra modalidade de que ela não trata e cuja legislação cabe interpretar. Com essas considerações, manteve a maioria o deferimento da parcela que a douta PFN pretendia fosse excluída. E esse é o acórdão que me coube redigir. Como se vê, divirjo do posicionamento exposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarazões ao recurso especial, verbis: É falacioso o argumento segundo o qual se os produtos industrializados por encomenda são utilizados como insumos na fabricação de outros produtos, restaria justificada a sua inclusão no cálculo do crédito presumido, porquanto, à época da aquisição das matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem para remessa ao industrializador, estes valores já foram computados no custo de produção, sendo que a operação de industrialização por encomenda, em si, não enseja a agregação de tais insumos, como já dito. Assim, o industrializador cobra tãosomente pelos serviços prestados, de forma tal que não sendo este serviço uma espécie de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, sua admissão no cálculo do crédito presumido não pode ser aceita, sob pena de desvirtuamento do benefício fiscal. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 511 13 De fato, poderseia cogitar da afirmação da PFN se a industrialização por encomenda sempre ocorresse na forma por ela mencionada nos dois parágrafos de sua peça, isto é, se o executor da industrialização nunca agregasse qualquer insumo no processo realizado, provindo todos eles, sempre, do encomendante. Mas não é assim. Na maioria dos casos, o que o encomendante remete é, tãosomente, o item principal (aquele sobre o qual se dará a industrialização adicional, normalmente um beneficiamento) cabendo ao executor a agregação de tudo (ou grande parte) dos insumos necessários a tal operação, que ele executor, adquire. Nesse caso, no valor da operação há, sim , parcela que não se refere apenas a mãodeobra. Por fim, digase que nem mesmo a conclusão extraída pela PFN da informação produzida pela SRF em seu site (questão nº 723, inserida na publicação "Perguntas e Respostas do Programa de Imposto de Renda PIR 2001"), vênia máxima, procede: mesmo quando o executor nenhum insumo acresce em seu processo industrial, ainda assim a operação é industrialização para efeito do IPI e sobre ela incide sim o imposto, consoante as disposições dos arts. 3º e 4º da Lei 4.502/64 na forma reiteradamente interpretada nos diversos decretos que a regulamentaram. Note se que, em meu entender isso não é condição para deferir ou não o incentivo. E, como digo em meu voto, nem mesmo nesse caso é lícito concluir que o valor da operação apenas corresponde ao valor da mãodeobra empregada. Caracterizado, pois, que a industrialização se deu sobre insumo que vem a ser, depois, efetivamente empregado no processo produtivo do bem exportado, cabe, em meu entender, incluir o valor pago no cálculo do incentivo. Ocorre que essa perfeita caracterização quase nunca está presente nos autos, dado que, para a fiscalização, a inclusão nunca era possível e, para o postulante, sempre o era. Desse modo, nos julgamentos realizados na Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, onde essa posição prevalecia, normalmente convertíamos os julgamentos em diligência de modo a trazer essa informação aos autos. No âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no entanto, tem prevalecido o entendimento, já reiteradamente expresso pelo Presidente Cartaxo, de que não cabe baixar o processo novamente à instância preparadora para complementação de provas. Assim, o deferimento ou indeferimento para quem pense como eu depende de verificar, em cada caso, se há nos autos informação suficiente a esse convencimento. No presente, a simples leitura da ementa do acórdão recorrido leva à conclusão que sim. Com efeito, ali ficou expressamente consignado que: “...Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 14 presumido, porque não são aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem”. Vejase que essa ementa está em estrita concordância com o que vem declarando a postulante em todas as suas peças de defesa, afirmação que não foi contestada pela SRF: a industrialização por encomenda ocorre sobre o insumo que vem a ser utilizado no seu processo produtivo do produto final a ser exportado. Sobre o ponto, consta da manifestação de inconformidade (fl. 131): (...) A empresa/indústria não pode fabricar seu produto, sem serviços de energia elétrica ou sem o beneficiamento da matéria prima. A comprovação desses serviços se dá com a emissão da nota fiscal de serviço, que é por disposição legal a nota fiscal de venda desses fornecedores, isto é, o produto dessa venda é o serviço. Nesse sentido, citamos através das jurisprudências abaixo a posição do Conselho Federal de Contribuintes a respeito deste tema tão claro para a ora Manifestante: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para o efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e à COFINS previsto na Lei n o 9.363/96. Vejase, pois, que o contribuinte cita ementa de decisão que adotou exatamente a posição que defendo. Já do recuso voluntário (fl. 173) consta: Nesse mesmo sentido temse o entendimento a respeito dos Serviços de Industrialização. Eles devem ser incluídos do cálculo do IPI Presumido, pois, para se concluir a industrialização, em determinados casos é necessária à contratação de terceiros para o beneficiamento da matéria prima, que conseqüentemente se torna o produto final. Assim, percebese que não há um modo de desvincular essa industrialização do processo produtivo normal. E essas reiteradas afirmações não foram contestadas pela autoridade responsável pelas verificações que levaram ao indeferimento. Face à não contestação pela SRF e à impossibilidade de baixar o processo à unidade preparadora, tomei essa informação como procedente e deferi, neste caso, a inclusão do valor, acompanhado o n. relator, pelas conclusões. Registro que nesta mesma assentada neguei o direito quanto a essa inclusão, em recurso também da relatoria do dr. Rodrigo Miranda, porquanto da ementa deste último constava: ...O incentivo denominado “crédito presumido de IPI" somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 512 15 matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda, especialmente quando nas duas fases de irresignação a empresa não traz detalhes ou especifica no que consiste o seu processo de industrialização por encomenda, tratando o tema de forma genérica, de modo que não se sabe qual o tipo de material retorna desse processo, bem como de que forma o mesmo é utilizado no processo industrial Essa a declaração que me comprometi realizar. Por fim, repiso, apesar da má defesa destes autos, é possível extrair que a empresa adquire materiais que comporão as latas que constituirão as embalagens de seus produtos exportados. Não se trata de "industrialização final" realizada em outro estabelecimento, operação essa entendida como a própria industrialização do produto a ser exportado sobre o qual se postula o benefício. Quanto ao segundo ponto contestado pela Fazenda por contrariedade à lei, nomeadamente, a adição da Selic ao valor postulado, tampouco se lhe pode dar integral provimento dada a decisão proferida pelo STJ já na sistemática do art. 543C4 que a seguir reproduzo em observância à norma regimental que nos impõe sua mera reprodução5. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 4 RE 993.164, relator o Ministro Luiz Fux. 5 RICARF, Portaria 256/2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 16 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 513 17 Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 18 SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Resta observar, conclusivamente, que a aplicação do entendimento do STJ leva ao deferimento da Selic apenas sobre as parcelas inicialmente negadas pela DRF e revertidas por este Conselho, não se aplicando à totalidade do crédito postulado. Dado que isso não fica claro da decisão recorrida, o meu voto é pelo acolhimento parcial do recurso fazendário para deixar explícita tal restrição. O último ponto do recurso fazendário diz respeito à composição da fração a ser aplicada sobre a totalidade das aquisições de insumos de modo a determinar a base de cálculo do crédito presumido. Essa fração, como é sabido, compõese das receitas de exportação, no seu numerador, e da totalidade da receita operacional bruta (ROB), no denominador, consoante expressa disposição legal: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A fiscalização, aplicando os atos expedidos pela SRF, excluiu do numerador a parcela das receitas decorrentes de exportação de produtos que não foram submetidos, pelo exportador, a qualquer operação de industrialização. Já a decisão recorrida, acolhendo parcialmente o RV, determinou que também fosse ela excluída do denominador, tendo restado vencidos aqueles que entendiam devesse ela constar de ambos. O apelo fazendário é pelo retorno do cálculo feito pela autoridade fazendária. Entendo que ele não pode ser acolhido, porém. É que a legislação do crédito presumido dispôs, desde sua origem: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 514 19 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. É desnecessário dizer que lá, na legislação do IR, nenhuma restrição há para que se compute na ROB a parcela das exportações de produtos não submetidos a industrialização. Portanto, data máxima vênia, não consigo encontrar qualquer suporte legal para as decisões que, como no caso concreto, determinam a exclusão de alguma parcela da receita operacional bruta do denominador daquela fração. Já no que tange à possibilidade de inclusão ou não dessa parcela no numerador da fração receita de exportação é verdade que a Lei 9.363/96 não trouxe definição expressa do que fosse tal receita computável. Remeteu, porém, tal definição ao Ministro de Estado da Fazenda. Confirase: Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. No período de cuida este processo (terceiro trimestre de 2000), vigia a Portaria Ministerial 38, de 27 de fevereiro de 1997, que, regulando a matéria, disciplinou: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Nesses termos, e ainda que considere razoável a lógica dos atos expedidos pela SRF, também para eles não consigo divisar base legal: a lei autorizou o Ministro a definir o que seria receita de exportação, não o Secretário da Receita Federal. E o Ministro a ela não opôs qualquer restrição, devendo ela corresponder, pois, à integralidade do "produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 20 mercadorias nacionais", sem qualquer exclusão do que não seja objeto de industrialização no estabelecimento. Entendo, portanto, que de fato, andou mal a decisão recorrida ao determinar a exclusão também do denominador, embora tampouco estivesse correto o procedimento adotado pela fiscalização. Vale dizer que o recurso voluntário, após postular a não exclusão de qualquer parcela, pugnou, em caráter subsidiário, pela exclusão no denominador como feito na decisão, daí porque, também registra o acórdão o provimento do RV neste ponto. Já no seu RE, a Fazenda Nacional se limita a postular a reinclusão no denominador e, nem mesmo em caráter subsidiário, a inclusão em ambos os termos da fração, de sorte que a ele também não se pode dar provimento neste ponto. Em conclusão, é o meu voto pelo provimento parcial do recurso da Fazenda Nacional para determinar que a inclusão da Selic se dê exclusivamente sobre as parcelas objeto de resistência injustificada da Administração, entendidas como as glosas posteriormente revertidas pelo Conselho. O seu cálculo deve se iniciar, como dito na decisão, na data de protocolo do ressarcimento. Passo agora ao recurso especial do contribuinte. E ainda que tenha me posicionado pelo seu conhecimento, no exame de admissibilidade inaugural, revejo agora essa minha posição e proponho ao colegiado não seja ele admitido. Explicome. Ainda que a negativa do direito tenha sido afirmada em grau de embargos interpostos pela Fazenda Nacional, fato é que o motivo para sua denegação não foi a inexistência, em tese, do direito, mas a ausência de comprovação das aquisições que dariam ensejo ao crédito vindicado. Nesses termos, e diferentemente do que afirmei no despacho de admissibilidade, não se pode dividir sua análise em dois pontos estanques, primeiro o direito em si e depois a verificação de sua comprovação ou não. Também diferentemente do que lá consta, este segundo aspecto não constitui questão assemelhada a uma preliminar "(...) que, se rejeitada, não implica, ipso facto, na rejeição do mérito da causa" . Com efeito, tendo o colegiado recorrido negado o crédito sem qualquer pronunciamento acerca de sua validade em tese, qualquer pronunciamento desta instância superior sobre ele constituiria não uma pacificação de divergência mas pronunciamento revisor daquela decisão tal ocorre com as turmas ordinárias em relação à decisão da DRJ. Mas tendo entendimento firmado de que tal não é o papel desta instância. De fato, não constitui ela uma terceira instância apta a proceder ao exame de matéria não tratada na decisão recorrida. O papel da CSRF é, bem diferente, o de dirimir divergências interpretativas entre colegiados integrantes do Conselho. Para tanto, mister que tanto a decisão recorrida quanto a apresentada como paradigma tenham se pronunciado divergentemente sobre um dado aspecto da legislação tributária a elas afeto. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 9303003.460 CSRFT3 Fl. 515 21 Ora, na decisão recorrida (após os embargos) nada há, explicitamente, acerca do direito em tese ao crédito presumido nas aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Aliás, se das afirmações ali contidas alguma conclusão sobre isso se pode extrair é pelo seu cabimento, que somente não foi ratificado porque o contribuinte não teria comprovado as tais aquisições. Desse modo, a decisão se mostraria convergente com aquela trazida como paradigma, e não em divergência com ela. Tal posição é consolidada nos tribunais superiores pátrios, a exemplo do seguinte excerto6, oriundo do STJ: 1. A simples oposição de embargos de declaração, sem o efetivo debate, no tribunal de origem, acerca da matéria versada pelos dispositivos apontados pelo recorrente como malferidos, não supre a falta do requisito do prequestionamento, viabilizador da abertura da instância especial. 2. O recurso extraordinário é inadmissível quando não ventilada na decisão recorrida a questão federal suscitada, bem como quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos de declaração, não foi apreciada pelo tribunal a quo (cf. Súmulas 282/STF e 211/STJ). Na verdade, entendo que também quanto a esse ponto andou mal a defesa: é que lhe cumpriria embasar o seu recurso em um de dois inconformismos. Ou postulava a declaração de nulidade da decisão da terceira Câmara que, ao acolher os embargos, inovou os fundamentos da decisão da DRJ, ou trazia como paradigma uma decisão que, expressamente, houvesse deferido o crédito mesmo que não comprovado. Ademais, o conhecimento do recurso também se vê impedido pela petição de desistência apresentada. Assim entendo porque, embora ali não se expresse o alcance da desistência, nem se explicite quais as razões de direito objeto de renúncia, havendo no recurso apenas uma, somente sobre ela se pode estar a desistir. Com essas considerações, é o meu voto pelo não conhecimento do recurso da contribuinte. Esse o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator 6 AgRg no REsp 1100509 RS 2008/02375481, relator Minstro Luiz Fux Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 22 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 01/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 13154.720448/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. DECISÃO DEFINITIVA PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Apresentada a impugnação após o prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que fora feita a intimação ao sujeito passivo, regidos pelos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, deve ser reconhecida a sua intempestividade.
Ao julgar intempestiva a peça de impugnação, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DECISÃO DEFINITIVA PRIMEIRA INSTÂNCIA. Apresentada a impugnação após o prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que fora feita a intimação ao sujeito passivo, regidos pelos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, deve ser reconhecida a sua intempestividade. Ao julgar intempestiva a peça de impugnação, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 72 04 48 /2 01 3- 64 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 09/19, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2010, anocalendário de 2009, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 151/154), reproduzido a seguir: 1. Tratase de impugnação apresentada pelo(a) interessado(a) contra a Notificação de Lançamento de fls. 10 e seguintes, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2010, anocalendário de 2009, que implicou apuração de imposto suplementar (receita 2904), no valor de R$ 21.107,39, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais; e apuração de imposto de renda pessoa física (receita 0211), no valor de R$ 24.453,97, sujeito à multa de mora (20%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho, relativos à fonte pagadora Itiquira Prefeitura, no valor tributável de R$ 38.000,00; b) dedução indevida com dependentes, no valor tributável de R$ 10.382,40; c) dedução indevida com despesa de instrução, no valor tributável de R$ 6.923,94; d) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor tributável de R$ 31.200,00; e) dedução indevida de despesa médicas, no valor tributável de R$ 12.239,69; e f) compensação indevida de IRRF, relativo à fonte pagadora Itiquira Prefeitura, no valor tributável de R$ 31.460,62. 2. Em conseqüência do lançamento o interessado perdeu o direito ao saldo do imposto de renda a restituir informado na DIRPF revisada. 3. Cientificado(a) em 18/12/2012 (edital às fls. 129 e seguintes), o(a) interessado(a) apresentou impugnação intempestiva (fls. 2/3), em 13/08/2013), complementada pela petição de fls. 5/8, datada de 14/08/2013. Em suma, argui a preliminar de tempestividade; bem, como contesta o mérito do lançamento. A decisão de primeira instância não conheceu da impugnação, em razão de sua intempestividade, vazada na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade argüida.” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720448/201364 Acórdão n.º 2402005.202 S2C4T2 Fl. 3 3 Cientificado da decisão de primeira instância em 23/06/2014 (fls. 169), o interessado interpôs, em 23/07/2014, o recurso de fls. 160/176. Nas razões recursais aduz que apresentou a impugnação ao Fisco em 13/08/2013, conforme protocolo de Termo de Recepção de Requerimento n. 201040000015376, dentro do prazo de trinta dias da sua ciência da notificação do lançamento, bem como registra que no ano de 2012 houve mudança do seu domicílio fiscal. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Da análise da tempestividade da peça de impugnação O art. 23 do Decreto 70.235/1972 prevê que a intimação do lançamento fiscal ao sujeito passivo poderá ser realizada mediante via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo, e, caso resulte fracassado um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital, que foi a hipótese dos autos. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1oQuando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720448/201364 Acórdão n.º 2402005.202 S2C4T2 Fl. 4 5 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3oOs meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4oPara fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) (grifei) Da leitura dos dispositivos acima, constatase que não pode ser acatada a alegação de que, antes do comparecimento do Recorrente à Receita Federal, em 15/07/2013, não houve nenhuma comunicação do Fisco que diga respeito à sua declaração do IRPF Exercício de 2010 e, com isso, segundo a Recorrente, não existiria prova documental que confirme o recebimento da notificação do lançamento fiscal, pois, no caso dos autos, tratase de intimação por edital (fls. 129/135), cujo período de afixação foi de 01/11/2012 a 16/11/2012, reputandose intempestiva a impugnação formalizada em 13/08/2013, conforme protocolo de Termo de Recepção de Requerimento n. 201040000015376. No passo do contexto fático, observase que houve a tentativa da intimação por via postal (fl. 126), contudo, a correspondência contendo a notificação de lançamento de fls. 09/19 foi devolvida pelos correios, pelo motivo de “Mudouse”. O domicílio de intimação estava correto, pois ocorreu a intimação por via postal mediante AR enviado para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a saber: R Padre Anchieta, 1033, Vila Aurora, Rondonópolis/MT. No que tange à alegação de alteração do endereço, não será acatada tal argumento, pois o domicílio de eleição somente foi alterado após a entrega da DIRPF 2012, ocorrida em 27/04/2012, data posterior ao envio do AR de fls. 126 da notificação do lançamento do exercício de 2010, ocorrido em 23/02/2012, de modo que não se verifica vício algum na tentativa de intimação pela via postal no domicilio tributário eleito anteriormente pelo sujeito passivo. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Deve ser observado que o legislador não condicionou a frustração da tentativa de intimação postal ao motivo de devolução da correspondência pelos Correios, ou ao número de tentativa de entregas efetuada. Restando fracassada a intimação via postal, realizouse a publicação do Edital nº 00001/2012 (fls. 129/135), procedendose à ciência do lançamento suplementar efetuado para o anocalendário 2009, exercício 2010. O Edital nº 00001/2012 foi publicado em 16/11/2012 (sextafeira), considerandose feita a intimação quinze dias após essa data, nos termos do inciso IV do § 2° do art. 23 do Decreto 70.235/1972. O prazo para apresentação da impugnação teve início em 19/11/2012 (segundafeira) e se encerrou em 03/12/2012 (segunda feira). O Recorrente afirma que apresentou a impugnação em 13/08/2013, portanto, já teria transcorrido o prazo de trinta dias fixado para a impugnação da exigência e não se instaura a fase litigiosa pretendida pela peça de impugnação, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Decreto 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Diante desse quadro fático, impõese afirma a ocorrência da intempestividade da impugnação do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas na peça recursal de fls. 160/176. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10980.723147/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DE DECISÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado não houve inovação ou alteração dos fundamentos da autuação na decisão de primeira instância.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INSTRUMENTO PARTICULAR ANTEDATADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS JURÍDICOS.
Quando apurada a utilização de instrumento particular antedatado, com cessão de direitos, deve a Fazenda Pública desconsiderar os efeitos do ato e aplicar a legislação pertinente na data de ocorrência do efetivo fato jurídico adulterado, conforme provas e documentos trazidos aos autos.
GANHO DE CAPITAL. DEDUÇÃO DO CUSTO CONTÁBIL.
O ganho de capital a ser computado na determinação do lucro real corresponde ao valor da alienação do bem, mediante cessão de direitos, deduzido do seu custo contábil.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE DE DECISÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado não houve inovação ou alteração dos fundamentos da autuação na decisão de primeira instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTRUMENTO PARTICULAR ANTEDATADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS JURÍDICOS. Quando apurada a utilização de instrumento particular antedatado, com cessão de direitos, deve a Fazenda Pública desconsiderar os efeitos do ato e aplicar a legislação pertinente na data de ocorrência do efetivo fato jurídico adulterado, conforme provas e documentos trazidos aos autos. GANHO DE CAPITAL. DEDUÇÃO DO CUSTO CONTÁBIL. O ganho de capital a ser computado na determinação do lucro real corresponde ao valor da alienação do bem, mediante cessão de direitos, deduzido do seu custo contábil. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 31 47 /2 01 1- 08 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra a empresa em epígrafe e relativos a ganho de capital não oferecido à tributação. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Auto de Infração de IRPJ 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 003/008) exige o recolhimento de R$ 1.998.000,00 a título de imposto e R$ 1.498.500,00 de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, além dos acréscimos legais. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), decorre da falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação de investimentos avaliados pelo custo de aquisição – cessão de direitos da Parcela Contingente do contrato de arrendamento firmado com a ALL América Latina Logística Intermodal –, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 15/17, com infração Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 4 3 ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 248 e 249, II, 251, 418 e 425 do RIR do 1999: 14/08/2007.......................................................... R$ 8.000.000,00 Auto de Infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 009/013) exige o recolhimento de R$ 720.000,00 a título de contribuição e R$ 540.000,00 de multa de lançamento de ofício de 75%, além dos acréscimos legais. 5. O lançamento decorre da mesma infração que deu causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 1517, com infração ao disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990), art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995), art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Impugnação 6. Regularmente intimada em 30/06/2011, a interessada, por intermédio de seu representante legal (G.A.Hauer & Advogados Associados e Esmanhotto & Advogados Associados, mandato às fl. 173), apresentou a impugnação de fls. 168/172, instruída com os documentos de fls.177/198, cujo teor é sintetizado a seguir: a) alega, em caráter preliminar, que o relatório fiscal omite que fora lançado contra a impugnante crédito previdenciário e multa isolada sobre um pagamento no valor de R$ 96.000.000,00 ao sócio Wilson Ferro de Lara; ainda que se admitisse verdadeiros os fatos alegados nos autos pela autoridade fiscal, a ocorrência de uma despesa operacional de tamanho vulto certamente geraria inexistência de lucro no referido anocalendário; b) que o lançamento fiscal é atividade vinculada (art. 142 do CTN) e a autoridade autuante deve provar de forma inequívoca a ocorrência do fato gerador; que nada justifica o fato de a fiscalização não ter levado em consideração uma despesa operacional (pagamento de pro labore) que ela própria entende ter ocorrido; c) que nem neste auto de infração e nem no que considerou a distribuição de lucros acumulados um pagamento de pro labore, a autoridade autuante conseguiu demonstrar de forma clara e segura a ocorrência de qualquer fato gerador de tributo algum; que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.249, de 1995, não foi respeitado no cálculo do adicional de imposto de renda, assim como deveria ter sido observada a existência do prejuízo fiscal no ano anterior; Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 5 4 d) aduz que todo o discurso de considerar simulada a data da cessão, que realmente ocorre no anocalendário de 2004, serve apenas para confundir a impugnante e os Órgãos Judicantes, pois desconsiderar a data efetivamente ocorrida apenas porque a notificação do devedor se deu em data bem posterior é mostrar desconhecimento de princípios basilares do Direito Civil; e) a uma porque não é requisito de forma deste negócio jurídico o instrumento público ou o reconhecimento de firmas; a duas porque a notificação do devedor, data tomada como a da realização da cessão (fl. 16), também não é requisito de validade da mesma, mas sim da sua oponibilidade ao devedor, consoante assevera unanimemente a doutrina sobre o tema, como se depreende das lições de Maria Helena Diniz; f) que é perfeitamente possível que a notificação do devedor somente ocorra no momento do cumprimento da obrigação, sendo até dispensável, nos casos em que o devedor não discute sua eficácia; que no anocalendário de 2004 a receita decorrente do direito à Parcela Contingente de Arrendamento foi devidamente tributada; g) que, se a autoridade autuante afirma ter havido simulação, seria seu dever funcional qualificar a multa; que o art. 167 do Código Civil referese à simulação, em que pese o artigo seguinte dizer que caberia ao Juiz pronunciála, mas isso é detalhe; h) ao final requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de reconhecer a improcedência do crédito fiscal objeto do auto de infração ora combatido; protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, assim como pela prestação de esclarecimentos que se fizerem necessários. Em sessão de 6 de setembro de 2011, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo R$ 1.514.273,17 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e R$ 545.138,34 de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, além das correspondentes multas de ofício de 75% e dos acréscimos legais. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, acrescidos à tese de que a decisão de 1a instância teria inovado o lançamento. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Em sessão de 08 de outubro de 2013, esta Turma, sob relatoria do Conselheiro Rafael Fuso, resolveu converter o julgamento em diligência, para esclarecer dúvida quanto ao momento de ocorrência do fato gerador, conforme trechos a seguir transcritos: Contudo, não podemos fechar os olhos à busca da verdade material, que em razão da juntada das páginas do livro diário e do livro razão informando a cessão dos direitos creditórios às Fl. 707DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 6 5 pessoas físicas do Sr. Wilson de Lara e da Sra. Rosângela Lara, traz indícios de que os registros da operação na autuada ocorreram em janeiro de 2004, e essa prova é importante para a definição do momento do fato gerador, sendo que será apreciada com as demais provas produzidas nos autos. Essa dúvida foi rebatida pela DRJ, porém não me convenceu, pois entendo que o órgão julgador de primeira instância, para evitar qualquer dúvida quanto à operação, poderia ter baixado os autos em diligência. Preferiu reproduzir o entendimento da fiscalização, o que no meu modo de ver não é válido sob o ponto de vista de existir indícios/provas dos registros da operação na contabilidade da autuada. (...) Não tenho dúvidas em razão da investigação feita pela fiscalização e pela DRJ de que no ano de 2004 nenhum imposto sobre a renda foi pago pela autuada no ano de 2004 a título de cessão de direitos: (...) A despeito disso, para a formação da minha convicção quanto ao momento do fato gerador, entendo pela necessidade da baixa em diligência dos autos, para que a fiscalização intime o contribuinte a juntar ou apresentar ao agente fiscal cópia dos termos de abertura e de encerramento do Livro Diário e Razão no qual foram escriturados os lançamentos da cessão do direito de crédito em 2004 às pessoas físicas do Sr. Wilson, devidamente autenticados no órgão competente do Registro do Comércio (art. 258, § 4o do RIR de 1999), bem como poderá trazer aos autos outras provas que demonstram os registros da operação e o momento do fato gerador. Com o cumprimento da diligência pela autoridade fiscal, os autos retornaram ao CARF e foram sorteados para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como relatado, os pontos controvertidos para o deslinde deste processo são os seguintes: Fl. 708DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 7 6 a) Houve inovação no lançamento pela decisão da DRJ? b) Qual a data a ser considerada como de ocorrência do fato gerador, à luz dos fatos e documentos colacionados? Em relação ao primeiro ponto, aduz a Recorrente que sofreu várias autuações, formalizadas em outros processos, e que naqueles feitos o entendimento da autoridade fiscal teria sido diferente: Neste sentido, no processo n° 10166.722877/201187 (doc. 01), com a finalidade de justificar a equivocada acusação de que o sócio Wilson Ferro de Lara teria omitido rendimento, afirmou, desconsiderando uma mera atualização de ativos, que a Recorrente pagou a título de pro labore ao Recorrente, a quantia de R$ 96.000.000,00 (noventa e seis milhões de Reais), sendo R$ 38 milhões em 30/11/2007 e R$ 58 milhões em 30/12/2007, ignorando sua real natureza de lucros acumulados. Na narrativa dos fatos (fls. 12/21 do processo em anexo, doc. 01), a fiscalização construiu um cenário propício à conclusão predeterminada e especulativa de que inexistiriam lucros a distribuir pela Recorrente, para então considerar, sem nenhum fundamento legal, todos os lucros distribuídos no ano calendário de 2007 como um pro labore, cuja inequívoca natureza é a de ser uma remuneração pela prestação de serviços sem vinculo empregatício. (...) Ora, com a finalidade de impingir IRPF à pessoa física do sócio, não havia lucros acumulados a distribuir, mas para fins de apuração de uma suposta receita tributável no mesmo ano calendário (Ganho de Capital) a autoridade autuante considerou válida a atualização dos valores das obrigações da Eletrobrás e simplesmente tributou o referido ganho como se o mesmo pudesse ter uma tributação exclusiva! Para demonstrar esta impropriedade, é de se pontuar que a simples alegação da Recorrente de que a autoridade autuante desconsiderou, como de fato foi feito, o tal pagamento que ela própria qualificou de "remuneração do sócio que trabalha efetivamente pela empresa e, por corresponder ao salário de um administrador contratado, é considerado despesa administrativa", somente pode ser superada pelo Acórdão recorrido através de uma inovação nos fundamentos jurídicos do lançamento. Isto porque a autoridade julgadora entendeu por avaliar a natureza de uma despesa de forma diversa da que o fez a autoridade autuante na mesma ação fiscal... Apesar dos argumentos de defesa, a análise da decisão de primeira instância nos leva a concluir de forma diversa. Com efeito, sobre essa questão o acórdão assim se manifestou: Fl. 709DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 8 7 A impugnante também alegou que sofreu autuação de IRRF nos autos do processo nº 10980.723201/201115, no qual a distribuição de lucros no montante de R$ 96.000.000,00 no ano calendário de 2007 para o sócio Wilson Ferro de Lara foi considerada pela autoridade fiscal como rendimentos de pro labore, razão qual a ocorrência de uma despesa operacional de tal vulto certamente geraria inexistência de lucro nesse ano calendário. No entanto, cabe destacar que, além de o artigo 299 do RIR de 1999 dispor que somente são necessárias as despesas pagas ou incorridas para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, atendidos também os critérios da usualidade e normalidade no tipo de transação, operação ou atividades desenvolvidas pela empresa, o inciso I do parágrafo único do artigo 357 do mesmo regulamento determina que são indedutíveis na determinação do lucro real as retiradas escrituradas que não correspondam à remuneração mensal fixa por prestação de serviços. Logo, sendo totalmente atípicas e desproporcionais e por não corresponderem à remuneração mensal fixa por prestação de serviços, não há como se acatar a dedutibilidade das retiradas de R$ 38.000.000,00 em 30/11/2007 e R$ 58.000.000,00 em 31/12/2007 de pro labore efetuadas pelo sócio Wilson Ferro de Lara. No que se refere à parcela isenta de R$ 20.000,00 por mês para cálculo do adicional do IRPJ, tal parcela já foi utilizada no cálculo do imposto apurado na DIPJ 2008. Dessa forma, voto por manter a exigência sobre o ganho de capital de R$ 6.057.092,65 apurado na cessão de direitos ocorrida em 14/08/2007. (grifamos) Entendo que a decisão ao norte não merece reparos. Não há dúvida de que as vultosas retiradas mencionadas, de R$ 38 milhões e R$ 58 milhões, realizadas em meses consecutivos e de forma contemporânea aos fatos que ensejaram o lançamento de ganho de capital como se demonstrará mais adiante revelam absoluta arbitrariedade da empresa em favor do seu titular e não podem ser entendidas como decorrentes de remuneração fixa pela prestação de serviços. Adequado, portanto, o posicionamento da DRJ, que as entendeu como não necessárias e não usuais, o que acarreta sua indedutibilidade, nos termos dos artigos 299 e 357, I do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 710DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 9 8 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º) e Art.357. Serão dedutíveis na determinação do lucro real as remunerações dos sócios, diretores ou administradores, titular de empresa individual e conselheiros fiscais e consultivos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alíneas "b"e"d"): I as retiradas não debitadas em custos ou despesas operacionais, ou contas subsidiárias, e as que, mesmo escrituradas nessas contas, não correspondam à remuneração mensal fixa por prestação de serviços. Constatase que não houve inovação do lançamento nem tampouco aperfeiçoamento, mas apenas manifestação quanto à qualificação jurídica das rubricas, o que em nada altera ou macula as autuações efetuadas. Destaquese, por oportuno, que o julgador, ao decidir, não está obrigado a seguir todos os fundamentos de fato e de direito trazidos à discussão, podendo conferir aos fatos qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. Nesse sentido o entendimento dos Tribunais Superiores: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS PELA TERCEIRA VEZ NA AÇÃO RESCISÓRIA. COFINS. LEGITIMIDADE DA REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO PELA LEI 9.430/96. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO QUANTO A ARGUMENTOS CONCERNENTES AO NÃO CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA. VÍCIO NÃO EVIDENCIADO. ACLARATÓRIOS PROTELATÓRIOS. MULTA PROCESSUAL MANTIDA. 1. Terceiros aclaratórios pelos quais a contribuinte insiste em asseverar que o acórdão impugnado continua omisso no que tange à alegação de que não caberia o ajuizamento da presente ação rescisória, porquanto, na data da sua propositura, ainda estava em vigor a Súmula 276/STJ e o STF não havia reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96. 2. É cediço que o julgador, desde que fundamente suficientemente sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações das partes, a aterse aos fundamentos por elas apresentados nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal sorte que a insatisfação quanto ao deslinde da causa não oportuniza a oposição de embargos de declaração. No caso concreto, importa repetir que o acórdão embargado, respaldado na jurisprudência do STJ, afastou o enunciado 343/STF e admitiu a ação rescisória Fl. 711DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 10 9 por entender que o acórdão rescindendo apreciou equivocadamente matéria de índole constitucional. 3. Os argumentos ventilados pela embargante não dizem respeito a vício de integração do julgado, mas a esforço meramente infringente tendente a respaldar tese que não foi acolhida, o que não é admitido na via dos aclaratórios. Ainda assim, caso a embargante entenda que não foi prestada a jurisdição, caberá a ela intentar a anulação do julgado mediante a interposição de recurso próprio. 4. A presente ação rescisória foi julgada em 14/4/2010 e até o momento a entrega da efetiva prestação jurisdicional vem sendo retardada pela parte sucumbente em razão de repetidos embargos de declaração pelos quais ela busca, tão somente, a modificação do resultado que lhe foi desfavorável. A constatação do caráter protelatório dos aclaratórios justifica a manutenção da multa processual de 1% sobre o valor da causa (art. 538, parágrafo único, do CPC). 5. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl nos EDcl nos EDcl na AR 3788 PE 2007/01440842, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 02/03/2011). Também não prospera o argumento de que teria havido inovação em função dos cálculos efetuados pela decisão de piso, até porque a recomposição dos valores, justamente em razão do deferimento parcial dos pleitos formulados pelo Contribuinte é medida legítima e favorável ao contribuinte. Pareceme óbvio que o provimento parcial exige do julgador de primeira instância a adoção das providências necessárias para a identificação dos créditos mantidos, a fim de lhes conferir a necessária liquidez exigida pela legislação. Não se cuidou, por certo, de inovar o lançamento, mas sim de explicitar, mediante cálculos específicos, a natureza dos créditos tributários mantidos. Aliás, convém ressaltar que todos os fatos considerados, bem assim a matéria tributável a eles inerente foram exatamente os mesmos da autuação original, com os devidos ajustes, feitos especificamente para excluir os valores que aquela instância reconheceu indevidos e que foram objeto de Recurso de Ofício. Assim, a conduta adotada pela Delegacia, sobre ser legal, pareceme perfeitamente correta e pertinente, de modo que fica afastada qualquer nulidade quanto aos procedimentos adotados naquela instância. Em relação ao segundo ponto controvertido, que foi, inclusive, objeto da diligência solicitada por esta Turma, convém esclarecer que havia dúvida quanto ao momento do fato gerador relativo ao ganho de capital, vale dizer, se deve este ser considerado quando dos supostos registros contábeis, em janeiro de 2004, ou apenas em 2007, como afirmou a fiscalização, entendimento que foi corroborado em primeira instância. Ressaltese, de plano, que é incontroverso que não houve, em 2004, qualquer pagamento de tributos relativo à cessão dos direitos em debate. A cronologia dos fatos foi bem narrada pela decisão de primeira instância, nos seguintes termos (deixamos de transcrever os termos contratuais, em homenagem à Fl. 712DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 11 10 concisão, que podem ser encontrados nos autos e especificamente no corpo do acórdão recorrido, às fls. 361/377): Em 23/07/2001 a Delara Brasil Ltda. firmou um Contrato de Arrendamento de Ativos e Outras Avenças (fls. 1844) com a ALL – América Latina Logística Intermodal Ltda. e a ALL – América Latina Logística S/A (controladora da ALL Intermodal e solidariamente responsável pelo pagamento do arrendamento), por meio do qual arrendou, pelo prazo de 5 anos (Cláusula Terceira), bens e direitos de sua propriedade (Cláusula Segunda). O preço total do arrendamento era composto pelas seguintes parcelas (Cláusula Quarta): i) pagamento de R$ 17.400.000.00; ii) dação em pagamento de 3.650.420.397 novas ações da ALL – América Latina Logística S/A (ALL Holding); iii) pagamento de débitos de financiamentos FINAME contratados pela Delara; iv) Parcela Contingente do Arrendamento, composta por um pagamento de R$ 5.000.000,00 e pela dação em pagamento de 372.514.902 novas ações da ALL Holding. (...) Consta do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Direitos de fls. 98/99, datado de 28/01/2004, que Delara Brasil Ltda. cedeu e transferiu ao sócio Wilson Ferro de Lara, pelo valor de R$ 8.000.000,00, em caráter irrevogável e irretratável, todos os direitos decorrentes do estabelecido pelo subitem 4.2.1.(ii) do contrato de arrendamento celebrado em 23/07/2001, correspondente à dação em pagamento de 372.514.902 novas ações a serem emitidas, a um preço de emissão de R$ 5,21565 por lote de 1000 ações, pela ALL América Latina Logística S/A. Em 31 de julho de 2006 foi assinado o Sexto Aditamento ao Contrato de Arrendamento de Ativos e Outras Avenças (fls. 8687), por meio do qual as partes concordaram com a prorrogação até 31/07/2007 do prazo para cumprimento da obrigação de dação em pagamento de ações da ALL Holding prevista no subitem 4.2.1.(ii) do contrato de arrendamento: (...) No Sétimo Aditamento ao Contrato de Arrendamento de Ativos e Outras Avenças (fls. 88/89), firmado em 31 de julho de 2007, foi estabelecida nova prorrogação até 31/07/2008: (...) A Delara Brasil Ltda comunicou a ALL – América Latina Logística S/A, por meio de ofício datado de 09/08/2007, que cedeu a Wilson Ferro de Lara o direito de recebimento das 372.514.902 ações a serem emitidas pela ALL Intermodal (fl. 97). Em 17 de dezembro de 2007 foi assinado o Oitavo Aditamento ao Contrato de Arrendamento de Ativos e Outras Avenças (fls. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 12 11 90/92), que estabeleceu que a obrigação relativa à Parcela Contingente do Arrendamento, correspondente à dação em pagamento de 372.514.902 novas ações a serem emitidas pela ALL Holding, seria cumprida mediante a entrega de 3.725.160 Units (certificados de depósito de ações) representativas de 3.725.160 ações ordinárias e 14.900.640 ações preferenciais de emissão da ALL Holding: (...) Ressaltese que constou do item V desse oitavo aditamento que no dia 14 de agosto de 2007 a Delara notificou a ALL Holding informando que havia cedido e transferido para Wilson Ferro de Lara o direito de recebimento das ações da ALL Holding previsto no subitem 4.2.1.(ii) do contrato de arrendamento celebrado em 23/07/2001. Em 31 de março de 2008 foi firmado o Instrumento Particular de Quitação Parcial de Obrigações do Contrato de Arrendamento de Ativos e Outras Avenças (fls. 93/94), por meio do qual a Delara Brasil Ltda., Wilson Ferro de Lara e Rosângela Gaspar Lara dão à ALL Holding e à ALL Intermodal a mais ampla, geral e irrestrita quitação em relação à obrigação constante do subitem 4.2.1.(ii) do Contrato de Arrendamento, devidamente cumprida pela entrega de 3.725.160 Units: (...) Nessa mesma data, a ALL – América Latina Logística S/A, na condição de cedente, emitiu Solicitação de Transferência de Valores Mobiliários à Link S/A CCTVM para transferência ao cessionário Wilson Ferro de Lara de 3.725.160 Units, no valor de R$ 65.935.332,00 (fl. 95). Tendo sido atingidas as metas de EBITDA combinado projetado para os anos de 2001, 2002 ou 2003 previstas nos itens 4.1.D, 4.2. 4.3. 4.4 e 4.5 do contrato de arrendamento firmado em 23/07/2001, informação não contestada pela autoridade fiscal, a Delara Brasil fez jus às 372.514.902 novas ações a serem emitidas pela ALL Holding previstas na Parcela Contingente do Arrendamento (subitem 4.2.1.(ii)). Assim, o lançamento fiscal decorre da falta de contabilização do ganho de capital de R$ 8.000.000,00 apurado pela Delara Brasil, em 14/08/2007, na operação de cessão ao sócio Wilson Ferro de Lara do direito de recebimento da Parcela Contingente do Arrendamento. Em sua defesa, a contribuinte alega que a receita de R$ 8.000.000,00, decorrente da cessão do direito sobre a parcela do arrendamento teria sido contabilizada nos livros Razão e Diário, em 2004, e devidamente tributada naquele período. A decisão da DRJ, na esteira da acusação fiscal, entendeu que houve simulação na operação, de sorte que o instrumento particular celebrado foi antedatado, para fazer constar o anocalendário de 2004, período que já teria sido atingido pela decadência. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 13 12 Nesse contexto, entendeu que se deve tomar a data de 14 de agosto de 2007 como a da efetiva cessão da Parcela Contingente do Arrendamento, com base nos seguintes argumentos (grifaremos): Contudo, não há como se atestar a contabilização dessa receita no anocalendário de 2004 em face de a impugnante não haver apresentado cópia dos termos de abertura e de encerramento do Livro Diário no qual foi escriturado tal lançamento, devidamente autenticado no órgão competente do Registro do Comércio (art. 258, § 4º do RIR de 1999), mormente considerando não haver registro público do instrumento particular de cessão e transferência de direitos de fls. 98/99, também datado de 28/01/2004, e nem sequer reconhecimento de firmas de seus signatários para confirmar a data aposta nesse documento. Acrescentese que a DIPJ 2005 original (ND 1142235), apresentada em 30/06/2005 (fls. 201/248), foi entregue com seus valores totalmente zerados, enquanto na DIPJ 2005 retificadora (ND 1363365), apresentada em 30/11/2007 (fls. 249/320), após a notificação em 14/08/2007 da cessão de direitos efetuada (fls. 90/92), foi informado R$ 23.977.693,21 de receita de serviços prestados (nela possivelmente incluída a receita de R$ 8.000.000,00 pela cessão de direitos) e R$ 9.674,52 de receita de alienação de bens/direitos do ativo permanente, mas o lucro líquido de R$ 18.479.567,02 apurado em 31/12/2004 na Ficha 06A (Demonstração do Resultado, à fl. 254) foi integralmente anulado mediante exclusão de R$ 18.477.893,61 na linha 38 (Outras Exclusões) e R$ 1.673,41 na linha 28 (Lucros Divid. Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição) da Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real, à fl. 255), ou seja, imposto de renda algum foi pago no anocalendário de 2004. O direito à Parcela Contingente do Arrendamento deveria também ter sido informado na declaração de ajuste anual do cessionário Wilson Ferro de Lara, mas não consta da declaração de bens e direitos das DIRPFs originais dos exercícios de 2005 (fls. 321/322), 2006 (fls. 325/326) e 2007 (fls. 329/330) desse sócio, entregues em, respectivamente, 29/04/2005, 28/04/2006 e 27/04/2007. Somente em 20/09/2007, quando Wilson Ferro de Lara apresentou as declarações retificadoras dos exercícios de 2005 (323/324), 2006 (327/328) e 2007 (331/332), foi declarada a existência do direito de R$ 8.000.000,00, cujo valor, além de outros ajustes, foi justificado mediante acréscimo nas correspondentes declarações de dívidas e ônus reais. Nos Sexto e Sétimos Aditamentos ao Contrato de Arrendamento, firmados em 31/07/2006 (fls. 86/87) e 31/07/2007 (fls. 88/89), a ALL Holding, a ALL Intermodal e a Delara Brasil, além dos sócios desta, Wilson Ferro de Lara e Rosângela Gaspar Lara, concordaram em prorrogar o vencimento da Parcela Contingente para 31/07/2007 e 31/07/2008, respectivamente, sem fazer menção alguma à cessão de direitos efetuada para Wilson Ferro de Lara. Ademais, caso fosse realmente válido o Fl. 715DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 14 13 instrumento particular de cessão e transferência de direitos datado de 28/01/2004 (fls. 98/99), a Delara Brasil não poderia mais ter concordado em 31/07/2006 e 31/07/2007 com a prorrogação do prazo para cumprimento da obrigação de dação de ações da ALL Holding em face de não mais ser à época detentora de tal direito. Logo, diante da inexistência de prova de que a cessão de direitos da Parcela Contingente do Arrendamento realmente ocorreu em 28/01/2004, período já alcançado pela decadência, são fortes os indícios de que a cessão de direitos naquela data foi simulada. Conquanto os argumentos e fatos trazidos pela DRJ me pareçam suficientemente sólidos e robustos, no sentido de convergir a operação para o anocalendário de 2007, ainda assim fazse necessário analisar as conclusões da diligência proposta por esta Turma, que solicitou a verificação dos livros e documentos apresentados pela Recorrente. Nesse contexto, a autoridade diligenciante analisou os documentos de fls. 660 e seguintes e concluiu: Em 14/01/2015, dando início ao procedimento fiscal de diligência 09101002014013340, foi enviado o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 1 (fls. 645 a 646) ao contribuinte, onde foram requisitados Livro Diário, devidamente autenticado na Junta Comercial do Paraná, e Livro Razão, nos quais foram escriturados os lançamentos da cessão do direito de crédito de DELARA BRASIL LTDA para WILSON FERRO DE LARA em 28/01/2004, no valor de R$ 8.000.000,00, bem como outras provas que demonstrem os registros da operação e o momento do fato gerador, tal como solicitado na Resolução do CARF. Com a resposta (fls. 647 a 666) entregue em 29/01/2015, analisei a questão suscitada pelo Órgão Julgador. O Livro Diário nº 212, referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004, está devidamente encapado e foi registrado em 03/12/2007 na Junta Comercial do Paraná, sob o Termo de Autenticação 07/1738215. O Livro Razão nº 212, referente ao mesmo período, não foi autenticado, em virtude de não haver obrigatoriedade. Às fls. 660 a 666 do processo, foram digitalizadas as páginas onde aparece o lançamento envolvido. A escrituração contábil confirma tudo o que está escrito no Relatório Fiscal. O registro do Livro Diário ocorreu apenas em 03/12/2007, posteriormente ao fato gerador ocorrido em agosto de 2007. Não há nenhum documento atestando que a cessão de direitos tenha ocorrido em 2004. Na Demonstração do Resultado do Exercício em 31/12/2004 (fl. 667), não houve reconhecimento de IRPJ nem CSLL durante o ano inteiro de 2004. Nenhum recolhimento (DARF) também ocorreu de IRPJ ou CSLL para os períodos de apuração entre 01/01/2004 e 31/12/2007, conforme se vê na relação juntada às fls. 668 e 669. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 15 14 Assim sendo, concluo que não há nenhuma prova de que a cessão de direitos tenha ocorrido em 28/01/2004 e que todos os indícios convergem para a ocorrência do fato gerador em agosto de 2007. (grifamos) Resta evidente, em meu sentir, que a data a ser considerada para a operação seja realmente agosto de 2007, em prejuízo da data alegada pela Recorrente, que não logrou êxito em comprovála como legítima. Aplicase, à espécie, o disposto no artigo 167 do Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1oHaverá simulação nos negócios jurídicos quando: (...) III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. (grifamos) Correto, portanto, o entendimento da Delegacia de Julgamento, que manteve parcialmente os valores autuados. Descabe, ainda, o argumento formulado pela defesa, no sentido de que a fiscalização teria promovido uma "tributação exclusiva" ou "sem demonstração da existência de lucro", maculandoo por completo. Notase, a partir da DIPJ do Contribuinte relativa ao anocalendário de 2007 (fls. 338), que houve lucro de R$ 2.869.467,57 no período. Correta, portanto, a adição feita pela fiscalização ao resultado do exercício, com o fundamento constante do Auto de Infração (fls. 3 e ss.). Quanto ao Recurso de Ofício, percebese que a decisão de primeira instância reconheceu, ao contrário da fiscalização, que do valor total da operação (R$ 8.000.000,00) deve ser descontado, como custo contábil, o montante relativo à receita de arrendamento (R$ 1.942.907,35 = 372.514.902 ações x R$ 5,21565 por lote de 1000 ações), que teve como contrapartida a conta de ativo que controlava as ações recebidas da ALL: É fato concreto que a Delara Brasil Ltda. cedeu e transferiu R$ 8.000.000,00 ao sócio Wilson Ferro de Lara, em caráter irrevogável e irretratável, todos os direitos decorrentes do estabelecido pelo subitem 4.2.1.(ii) do contrato de arrendamento celebrado em 23/07/2001, cujo valor foi levado a débito da conta nº 1.2.01.01001– WILSON FERRO DE LARA (fl. 198) para ser acrescido ao saldo devedor desse sócio. A autoridade fiscal considerou, então, que o fato gerador do imposto de renda ocorreu em 14/08/2007 e tomou por base de cálculo o valor de R$ 8.000.000,00 da cessão de direitos, sem nenhum abatimento, porquanto entendeu não haver nenhum custo de aquisição para a Delara Brasil. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.723147/201108 Acórdão n.º 1201001.434 S1C2T1 Fl. 16 15 No entanto, cabe salientar que a Delara Brasil somente fez jus à Parcela Contingente prevista no subitem 4.2.1.(ii) em face do atingimento de metas EBITDA combinado projetado para os anos de 2001, 2002 ou 2003 previstas nos itens 4.1.D, 4.2. 4.3. 4.4 e 4.5 do contrato de arrendamento. Assim, o direito ao recebimento das novas ações da ALL Holding constitui receita de arrendamento, cujo valor pode ser mensurado com base nas disposições do próprio item 4.2.1.(ii) do contrato de arrendamento, no qual consta que as 372.514.902 novas ações seriam emitidas pela ALL Holding a um preço correspondente a 60% do seu valor patrimonial em 31/05/2001, isto é R$ 5,21565 por lote de 1000 ações. Portanto, a Delara Brasil auferiu uma receita de arrendamento de R$ 1.942.907,35, cuja contrapartida em conta de ativo representativa do direito às ações da ALL Holding representa o custo contábil a ser deduzido na determinação do ganho de capital em análise, o que resulta no valor tributável de R$ 6.057.092,65. (grifamos) O entendimento pareceme correto e não merece reparos. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento, assim como CONHEÇO do Recurso de Ofício para também NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000915/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
DECADÊNCIA
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR
Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros;
A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO
Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
ABONO ÚNICO
De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária
Numero da decisão: 2202-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
EDITADO EM: 16/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária
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DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 15 /2 01 0- 52 Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 16/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada Relatório Adoto, no que diz respeito, o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo : Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP (DEBCAD 37.296.6063) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, onde foram lançados valores referentes às contribuições sociais devidas a terceira entidade, no caso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, incidentes sobre as remunerações pagas, no período de 01/2005 a 12/2006, aos seus segurados empregados, a titulo de Participação no Lucros ou Resultados PLR, de Vale Transporte VT, e do denominado Abono Único, em desacordo com as legislações pertinentes. 1.1. Conforme verificase nos autos, em especial no Relatório do AIOP (fls. 46/81), a Fiscalização constatou, mediante exame das informações da empresa contidas na sua contabilidade, na sua Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.225 3 folha de pagamentos e nos documentos relativos ao Plano de PLR, que seus empregados receberam, nas competências citadas no item 1 acima: valores pagos, por conta de PLR, em desacordo com as condições estabelecidas na Lei 10.101/2000 para abrigá los da incidência das contribuições previdenciárias; montantes em dinheiro, a título de Vale Transporte, em afronta à legislação pertinente; e valores a propósito de Abono Único, desprovidos das condições excludentes da incidência tributária. Ausente o recolhimento tempestivo das contribuições correspondentes a tais verbas, igualmente não declaradas pela Impugnante na sua Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, procedeu a Agente Fiscal ao seu lançamento de oficio no presente AIOP. 1.2. Informa ainda a AuditoraFiscal autuante ter aplicado na ação fiscal o princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (nãodeclaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de oficio de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009 dessa comparação, resultou, na ação fiscal, a aplicação das multas previstas na legislação de regência em 03, 10 e 12/2005 e 02, 03 e 12/2006, tendo prevalecido a multa de oficio de 75% nas demais competências do período citado no item 1 acima. Para as contribuições devidas a Outras Entidades (“Terceiros”), como as do presente AIOP, tal comparação é desnecessária, já que não há previsão da multa por descumprimento da obrigação acessória, aplicandose, em todas as competências, a multa de mora prevista na legislação de regência, sempre menos severa que a multa de oficio da norma superveniente. 1.3. Importa o crédito no valor de R$ 170.638,07 (cento e setenta mil, seiscentos e trinta e oito reais e sete centavos), consolidado em 10/08/2010. 1.4. Conforme informado às fls. 94, em 18/08/2010 o presente processo foi apensado ao de n° l6327.0009l2/201019. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada contestou 0 lançamento através do instrumento de fls. 95/150, alegando em síntese que: Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF 2.1. para exigir o recolhimento das contribuições previdenciárias de 2005, a AuditoraFiscal autuante examinou acordos próprios e convenções coletivas de PLR celebrados em 2004, que ensejaram os pagamentos realizados em 2005, sendo Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF a autorizava a fiscalizar documentos somente a partir de 01/2005, maculando a atuação fiscal como um todo; além disso, a lavratura do presente AIOP ocorreu após o prazo de validade do MPF, invalidando a autuação; Da decadência 2.2. com a edição recente da Súmula Vinculante n° 8, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, de modo que, tendo a autuação fiscal sido lavrada em 08/2010, foi alcançado pela decadência o periodo anterior a 07/2005, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, já que houve o recolhimento antecipado de contribuições previdenciárias no periodo autuado; Da hipótese de incidência da contribuição previdenciária 2.3. a delimitação do campo de incidência das contribuições previdenciárias não se vincula à presença, ou não, de determinada verba no rol de hipóteses de isenção do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, mas sim à verificação da subsunção de determinado fato àquele descrito na hipótese de incidência tributária, que exige a presença da retributividade (contraprestação ao trabalho executado) c/ou da habitualidade, conforme se depreende da análise dos artigos 195, I, “a” e 201, § 11 da Constituição Federal CF, e do art. 22, I da já citada Lei 8.212/91; Da Participação no Lucros ou Resultados PLR 2.4. nas negociações de PLR envolvendo categorias com grande quantidade de empregados, estes, representados pelos respectivos sindicatos, anseiam e pleiteiam a distribuição de valores fixos, estipulados em convenções coletivas (participação indireta na geração do lucro), enquanto os acordos próprios de cada empresa prevêem o rateio conforme o cargo e função de cada trabalhador (participação direta na geração do lucro); os instrumentos de negociação aplicados nos anos fiscalizados eram muito semelhantes aos acordados em anos anteriores, não representando nenhuma novidade aos trabalhadores; as negociações com sindicatos de categorias expressivas são complexas e perduram por longos períodos durante o ano, com diversos trâmites burocráticos, conduzindo à assinatura das respectivas convenções, via de regra, nas épocas finais do ano, o que não significa que seus termos não tenham sido previamente negociados entre as partes; 2.5. a PLR, formalizada em acordos e convenções, não integra a remuneração dos trabalhadores, porque atrelase ao atingimento (sic) de metas empresariais, sem cara, ter contraprestativo (ao contrario do salário), com natureza de fomento a integração entre capital e trabalho, não recebendo, por isso, a incidência de contribuição previdenciária;não há, portanto, motivo para a Agente Fiscal ter desconsiderado a forma adotada para ospagamentos de PLR aos empregados, imputandolhes a natureza verba salarial sujeita à tributação previdenciária; Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.226 5 2.6. devese considerar que a Convenção Coletiva de Trabalho CCT dos bancários envolve dezenas de sindicatos e federações, com realidades díspares entre os segmentos de negócios abrangidos em todo o Brasil, em longo processo negocial, finalizado antes da subscrição do documento; não há, portanto, que se falar em invalidação da CCT, cujo reconhecimento está consignado na própria CF, em razão de sua assinatura ao final das negociações, pois ao longo destas seus termos foram previamente acordados entre as partes, que deles tinham, conseqüentemente, pleno conhecimento, conforme exige a Lei 10.101/2000, sendo irrelevante, nesse aspecto, a data de subscrição da CCT; 2.7. ante a abrangência das CCTS dos bancários, o único critério possível de ser nelas inserido como meta em um acordo de PLR é a lucratividade do setor econômico, dependendo exclusivamente do seu percentual o valor a ser distribuído; a Lei 10.101/2000 impõe tãosomente a fixação dos direitos substantivos e não das metas que serão utilizadas para verificação da sua concretização, os quais, no presente caso, são claros e objetivos; Do ValeTransporte VT 2.8. a isenção de contribuição previdenciária sobre o fornecimento de VT aos empregados está prevista na alínea “Í” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, com a ressalva de que se dê “na forma da legislação própria”; ocorre que a Lei 7.418/85, instituidora deste beneficio, e' autoaplicável e não veda nenhuma forma de entrega de tal verba, apenas o Decreto 95.247/87 impôs a restrição ao pagamento em dinheiro, extrapolando sua função legislativa, ao inovar as disposições da citada Lei 7.418/85, em afronta ao principio da estrita legalidade; 2.9. o VT pago em dinheiro somente integraria a base de cálculo de contribuições previdenciárias se fosse creditado em retribuição aos serviços prestados pelo empregado, mas ele não é pago pelo trabalho, e sim para o trabalho, possuindo natureza eminentemente indenizatória; os empregados da Impugnante que optaram pela concessão do VT recebem nada mais que o valor suficiente para seu deslocamento ao local de trabalho, sem proporcionalidade à sua remuneração, produtividade ou qualquer medida que denote retributividade deste beneficio; 2.10. a Lei 7.418/85, ao instituir o VT, estendeu o beneficio aos servidores públicos da Administração Federal direta ou indireta; ocorre que tanto o Decreto 2.880/98 como a Medida Provisória MP 2.16536/01, ao criar, para esses servidores, o denominado “AuxilioTransporte”, pago em pecúnia, que, por sua finalidade e suas características, equivale ao VT, atribuiulhe natureza jurídica indenizatória, isentandoo da contribuição ao Plano de Seguridade Social; ora, se os pagamentos em dinheiro efetuados pela União possuem natureza indenizatória, esta não poderia ser Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 modificada simplesmente por serem realizados por pessoas jurídicas de direito privado; Do Abono Único 2.11. o abono em tela, como diz o próprio nome, foi pago em uma única vez, por força de Convenção Coletiva de Trabalho CCT reconhecida pela CF e celebrada pleno exercício da liberdade sindical, a todos os empregados, em valor fixo (R$ 1.700,00),independentemente de cargo ou salário, com caráter expressamente transitório e desvinculado do salário, estando ausentes a retributividade, já que o abono não foi proporcional à função ou remuneração dos beneficiários, e a habitualidade, já que pago em parcela única, não sucedida por qualquer outra a este título; difere do abono salarial previsto no art. 457 da CLT, que se refere à antecipação de reajuste salarial, vinculado exclusivamente ao contrato de trabalho; 2.12. o Abono Único enquadrase à perfeição nos termos do item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que excluiu da incidência previdenciária “os abonos expressamente desvinculados do salário”, tendo o Decreto 3.048/99, ilegal e inconstitucionalmente, inovado ao acrescentar ao texto da lei que pretende regulamentar a expressão “por força de lei”, ofendendo o princípio da estrita legalidade vigente em matéria tributária; Da revisão do valor da multa 2.13. é ilegal o procedimento adotado pela Agente Fiscal na definição da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme determina o art. 106, II, “c” do CTN, devendo ser o mesmo revisto, já que a metodologia em vigor à época dos fatos é sempre mais benéfica à Impugnante, pois prevê multa de 24 a 100%, ao passo que a norma superveniente (Lei 1 1.941/2009) estabelece penalidade de 75 a 150%; 2.14. a multa de mora eventualmente devida não pode ser calculada de forma progressiva no tempo ou com base em atos administrativos, assumindo a função compensatória própria e exclusiva dos juros de mora, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/91, na redação anterior a dada pela MP 449/2008, que a revogou e, no texto superveniente, remete a cobrança de multa e juros de mora sobre contribuições previdenciárias em atraso ao art. 61 da Lei 9.430/96, que limita o percentual da penalidade a 20%; Da inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação 2.15. devem os diretores da Impugnante ser excluídos da “Relação de Vínculos” do presente processo administrativo, já que as únicas hipóteses legais em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser solidariamente responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias, estão previstas nos artigos 134 e 135 do CTN, sendo que tais hipóteses não ocorreram no presente caso, não podendo ser presumidas .2.9. o VT pago em dinheiro somente integraria a base de cálculo de contribuições previdenciárias se fosse creditado em Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.227 7 retribuição aos serviços prestados pelo empregado, mas ele não é pago pelo trabalho, e sim para o trabalho, possuindo natureza eminentemente indenizatória; os empregados da Impugnante que optaram pela concessão do VT recebem nada mais que o valor suficiente para seu deslocamento ao local de trabalho, proporcionalidade à sua remuneração, produtividade ou qualquer medida que denote retributividade deste beneficio; 2.10. a Lei 7.418/85, ao instituir o VT, estendeu o beneficio aos servidores públicos da Administração Federal direta ou indireta; ocorre que tanto o Decreto 2.880/98 como a Medida Provisória MP 2.16536/01, ao criar, para esses servidores, o denominado “AuxílioTransporte”, pago em pecúnia, que, por sua finalidade e suas características, equivale ao VT, atribuiulhe natureza jurídica indenizatória, isentandoo da contribuição ao Plano de Seguridade Social; ora, se os pagamentos em dinheiro efetuados pela União possuem natureza indenizatória, esta não poderia ser modificada simplesmente por serem realizados por pessoas jurídicas de direito privado; Do Abono Único 2.11. 0 abono em tela, como diz o próprio nome, foi pago em uma única vez, por força de Convenção Coletiva de Trabalho CCT reconhecida pela CF e celebrada no pleno exercício da liberdade sindical, a todos os empregados, em valor fixo (R$ 1.700,00), independentemente de cargo ou salário, com caráter expressamente transitório e desvinculado do salário, estando ausentes a retributividade, já que o abono não foi proporcional à função ou remuneração dos beneficiários, e a habitualidade, já que pago em parcela única, não sucedida por qualquer outra a este título; difere do abono salarial previsto no art. 457 da CLT, que se refere à antecipação de reajuste salarial, vinculado exclusivamente ao contrato de trabalho; 2.12. o Abono Único enquadrase à perfeição nos termos do item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que excluiu da incidência previdenciária “os abonos expressamente desvinculados do salário”, tendo o Decreto 3.048/99, ilegal e inconstitucionalmente, inovado ao acrescentar ao texto da lei que pretende regulamentar a expressão “por força de lei”, ofendendo o princípio da estrita legalidade vigente em matéria tributária; Da revisão do valor da multa 2.13. é ilegal o procedimento adotado pela Agente Fiscal na definição da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme determina o art. 106, II, “c” do CTN, devendo ser o mesmo revisto, já que a metodologia em vigor à época dos fatos é sempre mais benéfica à Impugnante, pois prevê multa de 24 a 100%, ao passo que a norma superveniente (Lei 11.941/2009) estabelece penalidade de 75 a 150%; 2.14. a multa de mora eventualmente devida não pode ser calculada de forma progressiva no tempo ou com base em atos Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 administrativos, assumindo a função compensatória própria e exclusiva dos juros de mora, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/91, na redação anterior à dada pela MP 449/2008, que a revogou e, no texto superveniente, remete a cobrança de multa e juros de mora sobre contribuições previdenciárias em atraso ao art. 61 da Lei 9.430/96, que limita o percentual da penalidade a 20%; Da inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação 2.15. devem os diretores da Impugnante ser excluídos da “Relação de Vínculos” do presente processo administrativo, já que as únicas hipóteses legais em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser solidariamente responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias, estão previstas nos artigos 134 e 135 do CTN, sendo que tais hipóteses não ocorreram no presente caso, não podendo ser presumidas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento negou provimento a Impugnação em decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, 1, da Lei 8.212/91 e art. 214, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9°, “j”, da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9°, X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. VALE TRANSPORTE. Integram o saláriodecontribuição previdenciário os valores pagos em pecúnia aos empregados por conta de Vale Transporte, desobedecendo a legislação pertinente. Art. 28, § 9°, “i”, da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9°, Vl, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. ABONO. Integram o saláriodecontribuição as verbas pagas a título de abono, sempre que não houver expressa determinação legal da sua desvinculação do salário. Art. 28, § 9°, “e”, item 7, da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9°, V, “j”, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS Conforme disposto nos arts. 2º e 3º da Le nº 11.457/2007, são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o saláriodecontribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.228 9 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT nº1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de oficio, utiliza se a regra geral do art. 173, 1, do CTN. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. Art. 106, II, “c”, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 39 do art. 49 da Lei n9 6.830/80. Impugnação Improcedente Em relação a alegação da Impugnante de que a fiscalização não poderia utilizar as convenções coletivas de PLR firmadas em 2004 para fundamentar os lançamentos realizados em 2005, uma vez que o MPF limitavase ao período de 01/2005 a 12/2006, a DRJ concluiu pela sua improcedência, pois o pagamento das verbas foi efetuado em 2005, sendo, portanto, deste ano as contribuições previdenciárias exigidas no AIOP. Além disso, em relação a alegação de que a lavratura do AIOP teria ocorrido após o prazo de validade do MPF 08.1.66.002009000023, a DRJ mencionou que este teve sua data de validade sucessivamente prorrogada até 30/08/2010, posterior, portanto, a consolidação do AIOP em 10/08/2010. Sendo assim, não haveria que se falar em invalidade da autuação por perda do prazo de validade do MPF. Em relação à decadência, embora tenha reconhecido a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, entendeu a DRJ que, como não houve pagamento das verbas objeto da autuação, o prazo decadencial deveria ser contado tomando como base o dies a quo estabelecido no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional e não o prazo no artigo 150, §4º alegado pela Impugnante. Em relação aos valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, entendeu a DRJ que essa não se adequava ao previsto na Lei 10.101/2000. Isso porque a CCT/PLR : Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 a) "não exige uma única condição a ser cumprida pelos trabalhadores, como as citadas no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, que pudesse ser aferida objetivamente em avaliação ao cumprimento acordado(...)não há qualquer critério de avaliação do desempenho dos mesmos que os incentivassem a melhorar sua produtividade, colaborando para obtenção de um lucro ou de um resultado previamente pactuado. b) não contém assinatura prévia ao período que se refere. c) teria violado a semestralidade exigida no §2º do art.3º da Lei 10.101/2000 ao prever a possibilidade de antecipação do pagamento. Em relação aos valores relativos ao Vale Transporte, concluiu a DRJ que o art. 4º da Lei nº 7.418, de 1612/1985 proíbe quaisquer outras formas de prestação do benefício, dentre elas, o adiantamento em dinheiro. Em relação ao abono, entendeu a DRJ que o pagamento único não retira sua natureza salarial, uma vez que o abono faz parte da remuneração do trabalhador, ainda que previsto em CCT, uma vez a esta somente possui força normativa no âmbito do direito do trabalho. Em relação ao questionamento da Impugnante quanto ao critério de lançamento das multas, esclareceu a DRJ que, antes da publicação da Medida Provisória nº 449 de 04/12/2008,. aplicavase a multa de mora sobre o descumprimento de obrigação principal prevista no então vigente art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212/91, nos percentuais de 24% a 100% conforme a data em que fosse paga a contribuição em atraso e, eventualmente, somavase a multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória, prevista nos revogados §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, referente à não apresentação, omissão de fatos geradores ou erro no preenchimento da GFIP. Com o advento da mencionada MP, que alterou o art. 35 e introduziu o art. 35A na Lei 8.212/91 passou a ser exigida uma única multa de ofício, equivalente a 75% do valor da contribuição devida Assim, tratandose de fato gerador ocorrido anteriormente a publicação da MP, tendo o Auto de Infração sido lavrado posteriormente a essa data, deve a fiscalização, em obediência ao disposto na alínea "c", inciso II, do art. 106 do CTN, cotejar a penalidade prevista na legislação de regência com a nova multa de ofício aplicando esta caso resulte menos gravosa que aquela. Esclarece, ainda, que essa sistemática está prevista no art. 476A da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009 e que a autoridade fiscal cumpriu rigorosamente essa sistemática. Finalmente, quanto aos argumentos que sustentam a exclusão dos diretores da Impugnante do "Relatório de Vínculos", afirmou a DRJ que o referido relatório não tem como escopo incluir os sócios ou diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas listar todos os representantes legais do sujeito passivo, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial. Sendo assim, o simples fato de constar nos autos uma relação com nome e endereços dos representantes da autuada não significa que a Administração está imputando aos dirigentes a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.389442), reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza, em particular, o seguinte aspecto: Em relação ao pagamento da PLR o Relatório fiscal entendeu estar descaracterizado o pagamento de tais verbas em razão dois motivos. O primeiro por terem as convenções sido assinadas somente ao final do anobase e, o segundo, em razão das Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.229 11 convenções não possuírem metas claras e objetivas de modo a incentivar a produtividade, não podendo ser utilizada como meta a lucratividade do setor. Diante disso, ressalta que o argumento utilizado pela DRJ relativo a regra da semestralidade configuraria argumento novo não mencionado no Auto de Infração consistindo, portanto, em inovação do critério jurídico do lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora: Júnia Roberta Gouveia Sampaio O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1. PREMILINARES A Recorrente alega duas preliminares, quais sejam: a) nulidade do Auto de Infração, uma vez que o MPFF nº 08.1.66.002009 000023 tinha como objeto a fiscalização de contribuições previdenciárias do período de 01/2005 a 12/2006 e, por esse motivo, a auditoria fiscal não detinha autorização para fiscalizar documentos relativos ao ano de 2004. b) decadência do lançamento relativo ao período anterior a 07/2005,.nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Analisaremos, a seguir, cada uma dessas alegações. 1.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DO PERÍODO PREVISTO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No CARF, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimentofiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.230 13 nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Além disso, a alegação do Recorrente no sentido de "o fato gerador dos pagamentos realizados pelo Recorrente em 2005 foram as Convenções de PLR negociadas e celebradas no ano de 2004, período não albergado pelo Mandado de Procedimento Fiscal a meu ver, não se sustenta. Isso porque o artigo 28 da Lei nº 8.212/91 é claro ao dispor que o fato gerador das contribuições previdenciárias é "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês" . Dessa forma, não há que se falar em fato gerador da PLR no exercício de 2004, pois antes da data prevista na convenção para o pagamento da PLR não há que se falar em valores "pagos" "devidos" ou "creditados" o que somente veio a ocorrer em 2005. Em face do exposto, rejeito a primeira preliminar suscitada. 1.2) DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AO PERÍODO ANTERIOR A 07/2005 Conforme mencionado no relatório, a DRJ entendeu que, em razão da ausência de recolhimento das rubricas autuadas, o prazo decadencial não deveria ser contado de acordo com norma do artigo 150, §4º do CTN mas de acordo com a prevista no art. 173, motivo pelo qual, não teria ocorrido a decadência das competências mencionadas pela Impugnante, ora Recorrente. Tal controvérsia já foi definitivamente solucionada por este Conselho ao editar a Súmula 99 que assim dispõe: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração De acordo com a mencionada súmula, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizados no período autuado, ainda que tais recolhimentos não se refiram as rubricas autuadas. Sendo assim, levandose em consideração que as contribuições objeto do lançamento fiscal se referem ao período de 01/2005 a 12/2006 e que a autuação fiscal foi lavrada somente em 08/2010 resta caracterizada a decadência relativas as competências de 01/2005 a 07/2005. 2) MÉRITO 2.1) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Antes de proceder a análise sobre o tema da Participação no Lucros e Resultados, é importante delimitar a motivação utilizada pela Autoridade Fiscal para Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 14 descaracterizar os planos de PLR da então autuada. Essa motivação vem sintetizada no item 5.36 do trabalho fiscal, abaixo transcrito: "5.36 Diante do exposto, vemos que as Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação nos Lucros e Resultados dos Bancos não cumprem as disposições legais para afastarem a natureza salarial dessa parcela, haja vista que: (i) foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base, sendo retroativas aos períodos de participação;e (ii) não contam com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação Delimitada a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal, fica clara a inovação promovida pela Delegacia Regional de Julgamento ao apontar irregularidade da semestralidade do pagamento o que lhe é vedado, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nestes termos: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontrase escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamentodeve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantêlo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal (grifamos) (Acórdão nº 9202003.196; sessão de 07/05/2014; Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Dessa forma, correta a alegação da Recorrente no sentido de que ao apontar suposto vício na semestralidade do plano, a DRJ teria inovado na fundamentação jurídica sem competência para tanto. Feita a delimitação dos supostos vícios apontados no Programa de Participação nos Lucros e Resultados da Recorrente, analisaremos o instituto da PRL tal como previsto na Lei nº 10.101/2000, 2.1.1) A REGULAMENTAÇÃO DA PLR PELA LEI Nº 10.101/2000 A Constituição Federal, ao tratar dos direitos conferidos aos trabalhadores assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.231 15 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Tratase de norma de eficácia limitada, cuja regulamentação se deu por meio da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994. De forma harmônica com a Constituição Federal, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, também determinou que a participação nos lucros ou resultados da empresas somente não integraria o salário de contribuição, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nestes termos: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, determina os requisitos da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, tendo resultado da conversão em lei da já citada Medida Provisória nº 794, de 1994, após sucessivas reedições.São esses os termos da lei reguladora: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade,nos termos do art. 7o, inciso XI da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 16 § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2 É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifamos) A leitura dos artigos acima transcritos nos permite verificar a existência de normas prescritivas (determinam a conduta a ser observada) e normas permissivas Essa distinção, a nosso ver, é fundamental para interpretação da obediência ou não do plano de PLR ao estabelecido na mencionada lei. Em primeiro lugar, observase que o artigo 1º da lei é norma de conteúdo programático, ou seja, trata da finalidade da lei que seria, em suas palavras, "integração entre o capital e o trabalho" "incentivo à produtividade O artigo 2º traz uma norma prescritiva ao determinar que a participação deverá ser objeto de negociação coletiva realizada por comissão paritária, acordo ou convenção coletiva. O §1º do artigo 2º, por sua vez, traz normas prescritivas e permissivas ao determinar que "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas" e que, para essa finalidade poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Da leitura do referido parágrafo constatase que a norma prescritiva nele prevista referese a imposição de regras claras e objetivas. Tais regras podem utilizar como parâmetro a produtividade, a lucratividade ou a realização de programas de metas e resultados a depender da especificidade do setor econômico e do tipo de negociação realizada. Em outras Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.232 17 palavras, a lei não determinou quais as regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros. Apenas exigiu que tais regras fossem claras e objetivas. Isso fica ainda mais claro quando, em seu artigo 3º, §2º, veda, expressamente, que o pagamento seja feita em periodicidade inferior à 6 (seis) meses. Feitas essas observações iniciais, passaremos a análise do Plano de Participação de Lucros e Resultados da Recorrente, bem como das objeções utilizadas pela Autoridade fiscal para descaracterizálo. 2.1.2 DATA DA ASSINATURA AO FINAL DO ANO BASE O argumento da auditoria fiscal de que o fato do contribuinte assinar os acordos coletivos somente ao final do ano descaracterizaria a natureza da verba paga a título de PLR, ao meu ver, não merece prosperar. Isso por que a data de assinatura dos acordos coletivos não possui o condão de desnaturar a validade do acordo realizado entre as parte, tampouco retira a natureza jurídica do pagamento da rubrica. Ao final de cada exercício, após apurar o lucro efetivo, estes eram rateados entre os empregados fato que pressupõe o conhecimento prévio das metas do programa pelos empregados. Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros.Nesse sentido já se manifestou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. I Ação fiscal precedente ao lançamento é procedimento é inquisitório, o que significa afastar qualquer natureza contenciosa dessa atuação, de forma que a prévia oitiva do contribuinte, quanto a eventuais dados levantados durante ação fiscal, podem ser plenamente descartados acaso a autoridade fiscal já se satisfaça com os elementos de que dispõe; II A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; III Para a alínea "j" do § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 18 estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; IV Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado. (Processo nº 14485.000329/200764, Recurso nº 160.087, Acórdão nº 9202002.484– 2ª Turma, Sessão de 29 de janeiro de 2013) (grifamos) A jurisprudência desse Conselho tem reconhecido que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização,baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, Rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721). Merece transcrição, pela clareza e profundidade com que aborda a questão, parte do voto do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: . “Sem embargos, se analisarmos de forma mais detida a exigência contida no §1º do art. 2º ut mencionado, veremos que os instrumentos de negociação deverão prever regras "claras e objetivas" , e esse é o ponto central da questão, porque o que a Lei exige não são metas ou resultados, mas sim preceitos que não sejam geradores de dúvidas que impeçam a qualquer das partes envolvidas o direito de observar o quanto fora acordado. Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultado, inadvertidamente esteja, confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É obvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas as partes envolvidas no pagamento da verba em questão mas não é seu objetivo principal. a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. (grifamos) Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.233 19 Como bem esclarece o voto acima transcrito, a participação nos lucros ou resultados é uma modalidade negocial na qual um empregador (diretamente ou por meio do sindicato) negocia junto aos seus empregados (representados por comissão ou sindicato) a distribuição de valores atrelados a metas empresariais e não a execução dos contratos de trabalho. De resto, é importante ressaltar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. Dessa forma, entendo que o critério utilizado, qual seja, a lucratividade do setor, não exige que seja estabelecido previamente a assinatura da convenção. Isso porque entender que não houve negociação prévia antes da assinatura da convenção. significa tomar o produto (convenção) pelo processo (negociação). Conforme esclarece Amauri Mascaro Nascimento em sua obra Direito Sindical: "Negociação é um procedimento de discussões sobre divergências trabalhistas entre as partes visando um resultado. Convenção é o resultado desse procedimento, o produto acabado da negociação. A negociação pode ou não ser bem sucedida. Se frustrada, não haverá convenção. O conflito terá outra forma de composição. A negociação é obrigatória. A convenção é facultativa. Assim, como há norma e o seu processo de elaboração, há convenção e negociação. A relação entre as duas é de meio e fim, sendo a negociação o meio que produzi o fim. (NASCIMENTO, Amauri Mascaro Direito Sindical ed. Saraiva, p.316) Além disso, é até mesmo natural que, uma vez eleito o critério da lucratividade como parâmetro da PLR, os sindicatos se esforcem para concluir as negociações em período próximo ao final no ano, quando poderão aferir com maior precisão o lucro que servirá de parâmetro para a participação. Em face do exposto, não há que se falar em invalidação do conteúdo das convenções coletivas de trabalho em razão de sua assinatura por ocasião da finalização das negociações de database. 2.2.2 AS CONVENÇÕES NÃO CONTARIAM COM REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO À FIXAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS E ADJETIVOS. Em relação a alegação da Recorrente que o critério objetivo utilizado pelo setor financeiro era a lucratividade (um dos critérios previstos na Lei 10.101/2000) a Delegacia Regional de Julgamento o rejeitou com base da seguinte fundamentação; 8.10.2 Não se discute o emprego da lucratividade dos bancos como critério para determinar o valor a ser distribuído a propósito de PLR; o inaceitável é que as CCT/PLR, como se depreende da sua leitura (fls. 56/76), não exigem uma única condição a ser cumprida pelos trabalhadores, como as citadas no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, que pudesse ser aferida objetivamente, em avaliação ao cumprimento do acordado apenas há estipulação de datas de pagamento e de valores compostos de percentuais do saláriobase e de estipulação de Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 20 datas de pagamento e de valor compostos de percentuais do saláriobase e de parcelas fixas, sem que se exija qualquer contrapartida dos empregados não há qualquer critério de avaliação do desempenho dos mesmos que os incentivassem a melhorar sua produtividade, colaborando para obtenção de um lucro ou de um resultado previamente pactuado e integrando capital e trabalho, como pretende, explicitamente, a lei regulamentadora em seu art. 1º . (grifamos) Pela leitura do trecho acima transcrito, percebese que a DRJ confunde a PLR com incentivo à produção. Como já abordado no tópico anterior, "a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. Ademais, como bem ressaltou a Recorrente, é importante atentar para peculiaridade das negociações firmadas pelo setor financeiro. Tais peculiaridades demonstram que a exigência de programa de metas e adoção de outro critério que não a lucratividade do setor acabaria por inviabilizar a Participação de Lucros e Resultados. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a negociação do setor a que pertence a Recorrente é realizada (como faculta a própria lei 10.101/2000) por meio de Convenção Coletiva, a qual é significativamente distinta dos acordos coletivos. Enquanto os acordos tem abrangência restrita a uma empresa (o que permite a previsão de regras e critério específicos para realidade daquela empresa) a convenção coletiva tem abrangência ampla, incluindo, assim, uma pluralidade de empresas e realidades negociais distintas. Como esclarece a Recorrente em sua impugnação, a convenção coletiva trabalho aplicável aos bancários envolve 111 sindicatos, 6 federações, 1 confederação representativa dos trabalhadores, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados por todo Brasil. Parece claro que as realidades experimentadas pelos empregadores e empregados nas diversas regiões do país são muito distintas. Sendo assim, as eventuais metas e critérios adotados para um banco de varejo na região norte do país não podem ser reproduzidas por um banco de investimentos na região sul. Por esse motivo, o estabelecimento de metas para o setor tem que levar em conta o ponto de conexão possível entre as diversas realidades negociais, qual seja, a lucratividade. A lucratividade é exatamente o critério reconhecido nas convenções coletivas de trabalho referente aos bancários. O valor a ser distribuído depende, exclusivamente, do percentual de lucratividade do banco e do crescimento do lucro líquido comparado ao ano anterior. Tratase, portanto, de uma meta coletiva cuja adoção não foi vedada pela Lei nº 10.101/2000. Conforme se verifica pela leitura das cláusulas primeiras das Convenções Coletivas relativas aos anos de 2004, 2005 e 2006 é possível identificar com clareza e precisão o critério utilizado, o valor a ser pago, e as regras para pagamento. Vejamos, a título exemplificativo, a CCT relativa ao ano de 2004: 2004 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.234 21 CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Ao empregado admitido até 31.12.2003, em efetivo exercício em 31.12.2004, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2005 de 80%(oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2004, acrescido do valor fixo de R$ 705,00 (setecentos e cinco reais), limitado ao valor de R$ 5.010,00 (cinco mil reais) PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual , o valor fixo e o limite máximo convencionados no "caput" desta Cláusula, a título de Participação no Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2004, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Quando o total da participação nos Lucros e Resultados calculado pela regra básica do "caput" for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2004, o valor individual deverá ser majorado até alcançar (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.020,00 (dez mil e vinte reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. (...) PARÁGRAFO SEXTO O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2004 (balanço de 31.12.2004) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros e Resultado" Pela leitura do texto da convenção, fica claro que foi estabelecida a periodicidade da distribuição e seu período de vigência. Além disso, a CCT adotou como regra o pagamento de um valor fixo, observandose um teto. Quanto aos prazos para revisão do acordo, é notório que as Convenções Coletivas do Trabalho são revistas anualmente pelos sindicatos das categorias, restando cumpridos, no meu entender, os requisitos básicos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. 2.2 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO SÚMULA CARF 89 A discussão sobre a eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada pela Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Em face do exposto, devem ser cancelados os lançamentos efetuados a esse título. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 22 2.3 ABONO ÚNICO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA PARECER PGFN Nº 2114/2011 De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, é necessário verificar se o abono pago pela Recorrente atende aos requisitos previstos no mencionado parecer, ou se, ao contrário, se trata de abono vinculado ao contrato de trabalho. Por força da 48ª Cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho, assinada em 17/10/2005, a Recorrente estipulou o pagamento de abono único aos seus empregados, nesses termos: QUADRAGÉSIMA OITAVA ABONO ÚNICO Para os empregados ativos ou que estivessem afastados por doença, acidente do trabalho e licença maternidade, em 31/08.2005, será concedido um abono único, na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, desvinculado do salário e de caráter excepcional e transitório, no valor de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais) a ser pago em até 10(dez dias) úteis da data da assinatura da convenção coletiva de trabalho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Ao empregado afastado do trabalho por auxílio doença previdenciário ou auxílio acidentário, que faz jus a complementação salarial conforme disposto na Cláusula "Complementação de Auxílio Doença Previdenciário e Auxílio Doença Acidentário" da Convenção Coletiva 2004/2005 será devido o pagamento do abono único. Ao empregado afastado e que não faça jus à complementação salarial, prevista na Cláusula Vigésima Sexta desta Convenção Coletiva de Trabalho, será devido o pagamento do abono único quando do seu retorno ao trabalho, se na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. PARÁGRAFO SEGUNDO Faz jus, ainda, ao abono único, a ser pago no prazo de 10 (dez) dias úteis da data do recebimento, pelo banco, de sua solicitação, por escrito, o empregado dispensado sem justa causa a partir de 02.08.2005, inclusive De acordo com a cláusula acima transcrita, é possível identificar as seguintes características no abono ali previsto. a) Fatos geradores: os afastamentos por motivo de doença, acidente de trabalho e licença maternidade b) Abrangência: aplicase a todos os empregados ativos ou afastados em razão das ocorrências previstas no item "a" independente de cargo ou função c) Valor fixo : R$ 1.700,00 Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000915/201052 Acórdão n.º 2202003.370 S2C2T2 Fl. 1.235 23 d) Vigência: prazo de vigência da CCT. e) Pagamento: pago uma única vez. Diante do exposto, entendo presentes os requisitos mencionados no Parecer nº PGFN nº 2114/2011, uma vez que: a) o abono vem previsto em Convenção Coletiva. b) a ausência de habitualidade é evidenciada pelos caráter excepcional dos eventos que dão causa ao pagamento do abono (doença, acidente de trabalho e licença maternidade) c) o pagamento de valor fixo independente do cargo ou função demonstra a ausência de caráter retributivo e, portanto, a desvinculação ao salário. Diante do exposto, devem ser cancelados os lançamentos efetuados em relação aos pagamentos efetuados a esse título. Os pedidos relativos às multas bem como a discussão sobre a não incidência do juros sobre multa restam prejudicados diante do provimento do Recurso Voluntário 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, acolho a preliminar de decadência relativa às competências 01/2005 a 07/2005. Quanto ao mérito, dou provimento ao recurso para afastar os lançamentos relativos aos pagamentos relativos à Participação nos Lucros e Resultados PLR, Vale transporte pago em dinheiro e abono único previsto em Convenção Coletiva do Trabalho. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 21/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.721144/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
É isenta a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave.
Numero da decisão: 2201-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. É isenta a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 11 44 /2 01 3- 91 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 29/04/2013, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2008, anocalendário 2007, na qual restou constatada a omissão de rendimentos no valor de R$ 72.697,80 (setenta e dois mil seiscentos e noventa e sete reais e oitenta centavos) recebidos do Instituto Nacional de Seguro Social, do Estado de São Paulo e do Fundo BANESPA de Seguridade Social ( BANESPREV). Constou da mencionada Notificação, na descrição dos fatos, que: da análise das informações e dos documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 72.697,80.". Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte, em sede de impugnação, aduziu, em síntese, que: a) os valores cobrados foram devidamente ajustados em sua declaração de rendimentos, recibo nº 23.88.08.19.0097, entregue em 23/05/2012; b) é aposentado e portador de nefropatia grave, razão pela qual não há de se falar que ocorreu omissão de rendimentos; c) a RFB, por meio do despacho decisório nº 0189/2013, reconheceu o deferimento do crédito que fora pleiteado em relação ao décimo terceiro salário, devendo ser acolhida a impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou a impugnação procedente em parte, cancelando a omissão de rendimentos em relação à fonte pagadora INSS (R$13.525,39) e mantendo a omissão referente às fontes pagadoras Banesprev (R$42.060,42) e Governo do Estado de São Paulo (R$17.111,99), com a seguintes considerações: a) pela análise do laudo de fls. 13, combinado com o documento de fls. 25, expedido pela perita médica do INSS, Sunny Dayse Lourenço Silva, matrícula 1510330, foi definido que o contribuinte é portador de nefropatia grave, desde 23/04/2007, doença não passível de controle; b) o autuado não juntou nos autos documento que comprova que é aposentado, mas afirmou que a RFB, no despacho decisório nº 0189/2013, reconheceu o deferimento do crédito que fora pleiteado em relação ao décimo terceiro salário; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.721144/201391 Acórdão n.º 2201003.106 S2C2T1 Fl. 59 3 c) da análise dos documentos de fls. 28 a 30, do processo n.º 10875.721742/201289, utilizados como prova emprestada, concluise que os rendimentos de aposentadoria provém apenas do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ nº29.979.036/000140; d) O dispositivo contido no despacho decisório nº 0189/2013 não condiciona este julgamento, pois não se trata de decisão que vincula todos os demais atos da administração tributária; e) enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, é permitido ao fisco efetuar a revisão do lançamento. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte teceu as seguintes alegações: a) valores ora cobrados, foram devidamente ajustados na declaração de IRPF; b) foi apresentada documentação referente ao laudo médico pericial expedido pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina e Ribeirão Preto e pelo Centro Integrado de Nefrologia, demonstrando o acometimento de nefropatia grave, bem como documentação atinente à concessão de aposentadoria; c) a própria Receita Federal do Brasil, por meio do comunicado n.º 718/2013, processo n.º 10875.721.7742/201289, Despacho Decisório n.º 0181/2013, reconheceu o direito à restituição do imposto sobre o 13º salário (exercício 2009, 2010 e 2011). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis recebidos por pessoa física, no valor de R$ 72.697,80 (setenta e dois mil seiscentos e noventa e sete reais e oitenta centavos) referentes às fontes pagadoras INSS, BANESPREV e Governo do Estado de São Paulo. Devido ao reconhecimento do direito à isenção sobre os proventos de aposentadoria recebidos pelo INSS, diante do acometimento pelo contribuinte da patologia denominada nefropatia grave, foram excluídos do lançamento os rendimentos no valor de R$ R$13.525,39 (treze mil quinhentos e vinte e cinco reais e trinta e nove centavos), pela DRJ, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 remanescendo a omissão relativa aos rendimentos recebidos da Banesprev (R$42.060,42) e do Governo do Estado de São Paulo (R$17.111,99). Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.721144/201391 Acórdão n.º 2201003.106 S2C2T1 Fl. 60 5 A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca existência da moléstia grave e da validade do laudo pericial oficial, conforme consta do Acórdão da DRJ, fazse necessário apreciar a natureza dos rendimentos auferidos. No que se referem aos rendimentos provenientes do Estado de São Paulo, não restou comprovada pelo contribuinte a sua natureza específica apta a garantir o direito à isenção, de modo que não lhe assiste razão quanto a tais valores considerados omitidos. Quanto aos rendimentos recebidos pela BANESPREV (Fundo BANESPA de Seguridade Social) sociedade civil instituída pelo Banco do Estado de São Paulo S.A BANESPA, pessoa jurídica de direito privado, de fins previdenciais e assistenciais, não lucrativo, com autonomia patrimonial, administrativa e financeira restou comprovada pelo contribuinte, por meio de documentação acostada ao recurso voluntário, a percepção de complementação de aposentadoria, desde 12/01/2007, conforme declaração emitida pelo Fundo, fl. 50. Cabe ressaltar que o Decreto 3000, de 26 de março de 1999, em seu art. 39,§ 6º, dispôs sobre a isenção da complementação da aposentadoria, quando recebida por portador de moléstia grave, nos seguintes termos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria , reforma ou pensão. (...).” No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, assim salientou: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicamse: III à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave. Assim, considerando a apresentação do laudo oficial correspondente ao período pleiteado, bem como a natureza dos rendimentos recebidos do BANESPREV, restam Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 cumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Desse modo, em obediência ao disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 39, § 6º, do Decreto 3000, de 26 de março de 1999, art. 6º, § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, e ao conteúdo do Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, cumpridos os requisitos legais necessários à concessão da isenção, assiste razão ao contribuinte quanto aos rendimentos recebidos a título de complementação de aposentadoria. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10521.000208/2009-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/08/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.652
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/08/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 52 1. 00 02 08 /2 00 9- 40 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 163 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3202000.641. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 164 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 165 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 166 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 167 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 168 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 169 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 170 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 171 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 172 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10521.000208/200940 Acórdão n.º 9303003.652 CSRF‐T3 Fl. 173 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13881.000001/2001-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos tão somente para sanar a omissão do acórdão embargado quanto à questão da glosa dos materiais registrados no CFOP´s 3.99.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 3302-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, apenas para suprir a omissão em relação ao emprego no processo produtivo dos materiais registrados no CFOP 3.99. Fez sustentação oral: Dra. Alessandra Cher - OAB 127566 - SP
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 24/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos tão somente para sanar a omissão do acórdão embargado quanto à questão da glosa dos materiais registrados no CFOP´s 3.99. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, apenas para suprir a omissão em relação ao emprego no processo produtivo dos materiais registrados no CFOP 3.99. Fez sustentação oral: Dra. Alessandra Cher OAB 127566 SP (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 24/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 00 01 /2 00 1- 17 Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao 4º trimestre de 2000, cumulado com pedido de compensação, tendo por objeto o crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96 e Portaria MF nº 38/97, e o relativo à manutenção do crédito de IPI atinente as saídas de produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI com suspensão do imposto, nos termos da Lei nº 9.826/99, no montante de R$ 802.079,48. O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente (fls.235237) para: (i) glosar a quantia de R$ 541.096,78, por não se enquadrar nas disposições da Lei nº 9.826/1999, e da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997; e (ii) reconhecer o direito creditório no valor de R$ 260.982,70. Inconformada, a Embargante apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.256285), que restou indeferida pela DRJ em Ribeirão Preto – SP, nos termos do Acórdão DRJ/RPO nº 8.736, de 03/08/2005 (fls.314329). Intimada da decisão proferida pela DRJ/RPO em 29.09.2005, a Embargante interpôs Recurso Voluntário (fls.333370), reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de conformidade e, anexando ao mesmo um Parecer Técnico emitido por Carlos Eduardo Lopes, Engenheiro – CREA/SP nº 51.490/D (fls.378404). O julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.703 (fls.419425), sendo prestada informação fiscal às fls. 927941. Ato contínuo, a Embargante tomou ciência do resultado da diligência e apresentou manifestação às fls. 950966, anexando outro Parecer Técnico de Natureza Contábil elaborado pelo contador Silvio Simonaggio, CRC 1SP098254/00. Em 01/07/2010, esta 2º Turma de Julgamento julgou parcialmente procedente o recurso do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 330200.461, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o acórdão de primeira instância que indefere pedido de perícia por considerar que a solução da controvérsia dependeria de prova apresentada pelo contribuinte autuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 CRÉDITO BÁSICO. DEVOLUÇÕES. CONTROLE DO ESTOQUE. CONDIÇÃO. É permitida a escrituração de créditos por devoluções se houver efetivo registro da produção em livro previsto no regulamento ou em controle equivalente. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13881.000001/200117 Acórdão n.º 3302003.175 S3C3T2 Fl. 3 3 CRÉDITO BÁSICO. AMOSTRAS PARA TESTES, PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS. APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO. PROVA. AUSÊNCIA. 0 direito de crédito relativo a produtos adquiridos para outros fins, que não o uso na produção, depende de prova contábil e fiscal inequívoca que demonstre sua utilização como insumos no processo produtivo. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS. CONCEITO. Somente se caracterizam como insumos as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto fabricado ou consumido em contato direto na sua produção. RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos presumidos ou básicos de IPI. Recurso voluntário provido em parte. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional (União) interpôs Recurso Especial, que teve seu seguimento negado nos termos do despacho carreado às fls. 2.1632.164. A Embargada, por sua vez, opôs embargos de declaração alegando em síntese que: a) o motivo da oposição dos Embargos de Declaração foi a manutenção das glosas relativas aos materiais registrados sob os CFOP´s 1.11, 2.11 e 1.99, 2.99 e 3.99; b) o acórdão não se pronunciou quanto ao direito creditório dos materiais registrados sob o CFOP´s 3.99, sendo omisso a esse respeito; c) o acórdão ao manter as glosas correspondentes aos materiais registrados nos CFOP´s 1.11, 2.11 e 1.99 e 2.99, com base no entendimento de que não houve demonstração de sua utilização; não se tratariam de produtos que se integram ao produto fabricado; e seu consumo não se dá pelo contato direito, deixou de se manifestar a respeito do laudo técnico apresentado em sede recursal; e d) embora o v. acórdão tenha negado a atualização pela Selic, por entender que não há previsão legal que permita a incidência de juros no caso do ressarcimento do IPI, à época em que foi proferida a decisão (01.07.2010) já havia, o E. STJ, em regime de recurso repetitivo, decidido de forma diversa (RESP nº 1.035.847), sendo que por se tratar de matéria de ordem pública, a atualização pela referida taxa deve ser reconhecida. Os embargos de declaração foram parcialmente admitidos para a Turma de Julgamento apreciar apenas a omissão quanto aos fundamentos que a ensejaram a glosa dos materiais registrados sob o CFOP´s 3.99, conforme se verifica no despacho de decisório de fls. 2.2132.216, abaixo reproduzido: Entendo que os protestos veiculados pela Embargante podem ser divididos em três núcleos. (i) A desconsideração do laudo técnico apresentado, (ii) a omissão em relação ao aos materiais registrados sob o CFOP 3.99 e (iii) a omissão em relação à Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO 4 decisão do STJ, em Regime de Recursos Repetitivos, acerca da incidência de juros moratórios sobre o valor do ressarcimento pleiteado. No que se refere ao primeiro item, o que se observa é que a Relator do Processo apreciou a questão e decidiu a respeito. Leiase abaixo excerto extraído do voto. Entretanto, não se trata de produtos que se integram ao produto fabricado e seu consumo não se da pelo contato direto com ele, conforme exigido pelo Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. Esclareçase, ainda, em relação aos produtos que, em tese integrarseiam aos produtos fabricados, como as soldas, que não houve prova de sua efetiva e especifica utilização em produtos fabricados, uma vez que poderiam ser utilizados na manutenção de equipamentos e bens de produção. (...) A Interessada afirmou que os produtos estariam identificados as fls. 216 a 218 e os esclarecimentos prestados as fls. 959 e 960, além de no parecer técnico de fls. 1097 a 1099 e 1486. Entretanto, somente a chamada perícia de engenharia não é meio hábil para esse tipo de prova, que é de natureza contábil e fiscal e teria que ser efetuada especificamente em relação a cada produto, uma vez que a natureza da operação de entrada não era condizente com a alegada finalidade de emprego na produção. O fato é que a Interessada não demonstrou sua utilização, embora tenha sido cientificada do teor da resolução que aprovou a diligencia anterior e a questão tenha sido suscitada na Ultima diligência. Em relação ao item 03, como bem lembrou a Embargante, a alteração no Regimento Interno do CARF, que determinou a reprodução no voto das decisões tomadas pelo STJ ou pelo STF, em Regime de Recursos Repetitivos ou de Repercussão Geral, ainda não estava em vigor, assim, inadmissível entender que houve omissão em relação a ponto sobre o qual a Turma deveria terse manifestado. Finalmente, pareceme que assista razão à Recorrente em relação ao item 02 (ii). De fato, não encontrei no Voto condutor da decisão embargada nenhuma menção a respeito das razões de decidir acerca dos materiais registrados sob o CFOP's 3.99. Com base nestes fundamentos, ADMITO os Embargos de Declaração interpostos pela Embargante, apenas em relação à omissão quanto aos fundamentos que ensejaram a glosa dos materiais registrados sob o CFOP's 3.99 item 02 (ii) especificado no corpo do vertente Despacho. Encaminhese à Secretaria da Turma para distribuição do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento. É de se ver que o despacho decisório admitiu parcialmente os Embargos de Declaração apenas para sanar a omissão quanto aos fundamentos que ensejaram a glosa dos materiais registrados sob o CFOP's 3.99, sendo esta a única matéria que aqui será apreciada. É o Relatório. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13881.000001/200117 Acórdão n.º 3302003.175 S3C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela empresa MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA. teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Como visto, aponta a embargante que este Colegiado não se pronunciou quanto ao direito creditório dos materiais registrados sob o CFOP´s 3.99, sendo omisso neste ponto. Pois bem. Não tendo a Turma se manifestado sobre essa questão, admito os embargos para suprir a omissão suscitada pela Embargante. Inicialmente, é imperioso destacar que os materiais registrados no CFOP´s 3.99, que constam do demonstrativo carreado às fls.218223 descrevem o tipo de material supostamente utilizado pela Embargante em seu processo produtivo, a saber: Descrição do Material Un. Qtde. IPI Calc CFOP Descrição do Material IPI Calc CFOP A decisão de primeira instância manteve a glosa sobre referidos materiais por entender que não se enquadram no conceito de insumo para fins de creditamento de IPI, conforme demonstra o trecho da decisão proferia pela DRJ, vejamos: Analisandose os demonstrativos de fls. 214/223 não é possível sustentar a tese da contribuinte, de que os produtos foram efetivamente utilizados na produção. Nas entradas com CFOP 1.99, 2.99 e 3.99 encontramse moldes, ferramentas, brocas, etc. Estes produtos, como já discorrido anteriormente, não se Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO 6 coadunam com o conceito de insumo, e por isso, também não geram o direito ao crédito. Ao contrário do entendimento manifestado pelos julgadores de piso, sustenta a Embargante que os materiais registrados no CFOP´s 3.99 efetivamente integram ou foram integralmente consumidos no processo produtivo, conforme, segundo ela, comprovado no Parecer Técnico emitido por Carlos Eduardo Lopes, Engenheiro – CREA/SP nº 51.490/D. Todavia, além dos materiais anteriormente citados não constarem do Parecer Técnico, as alegações da Embargante são de ordem muito genérica, sem qualquer especificação de como esses materiais foram utilizados/consumidos em seu processo produtivo, não se prestando para o fim de afastar a glosa mantida pela fiscalização. Além disso, salientase que o precedente citado pela Embargante (acórdão 3302002.725) não cancelou a glosa relativa ao CFOP 3.99, pelo contrário, manteve por total ausência de comprovação de sua utilização no processo produtivo. É o que se extrai do trecho do voto proferido pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas: INDEFERIMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS A PRODUTOS RECEBIDOS EM CONSIGNAÇÃO CFOPS 1.99/2.99/3.99 Em relação aos produtos classificados nos CFOP’s 1.99/2.99/3.99, a glosa foi mantida porque os julgadores administrativos entenderam não serem os produtos insumos para fins de IPI, a saber: TRECHO DO ACÓRDÃO DA DRJ “Analisandose os demonstrativos de fls. 212/220 não é possível sustentar a tese da contribuinte, de que os produtos foram efetivamente utilizados na produção. Nas entradas com CFOP 1.99, 2.99 e 3.99 encontramse moldes, ferramentas, brocas, peças de máquinas etc. Estes produtos, como já discorrido anteriormente, não se coadunam com o conceito de insumo, e por isso, também não geram o direito ao crédito.” Já o relator do acórdão embargado manteve a decisão da forma como proferida porque os produtos em discussão não constaram do Laudo Técnico, lembrando que os Embargos de Declaração foram acolhidos porque o acórdão embargado não considerou o Laudo Técnico, a saber: Trecho do Voto do Relator Walber José da Silva “Quanto aos materiais dos CFOPs 1.99/2.99/3.99, nada foi dito no referido Laudo Técnico.” Concordo com o ilustre Conselheiro Relator neste particular. Fato é que a revisão da decisão proferida no acórdão no 330200.464 somente está sendo realizada em razão dos Embargos de Declaração apresentados. A decisão embargada foi omissa porque não considerou o Laudo Técnico. Assim, se os produtos aqui listados não são parte do Laudo Técnico, não há que se cogitar em revisão da decisão neste ponto. (sublinhado) Desta forma, pela total ausência de prova quanto a utilização dos materiais registrados no CFOP 3.99, a glosa deve ser totalmente mantida. Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13881.000001/200117 Acórdão n.º 3302003.175 S3C3T2 Fl. 5 7 Diante do exposto, voto por conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, darlhes parcial provimento para sanar tão somente a omissão existente no acórdão nº 330200.461. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 13782.720264/2014-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 02 64 /2 01 4- 89 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13782.720264/201489 Acórdão n.º 2201002.959 S2C2T1 Fl. 123 2 Tratase de Notificação de Lançamento por meio da qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: Omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício no valor de R$ 46.575,88. Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 10.500,00. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/15, julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 100/105. Entenderam os julgadores da instância de piso que a infração de omissão de rendimentos deveria ser mantida parcialmente e que as despesas médicas deduzidas deveriam ser restabelecidas integralmente. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/12/2014 (fl. 111), o Interessado interpôs, em 29/01/2015, o recurso de fls. 113/116. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Ao que se recorda, foi cientificado do acórdão de 1ª instância em 05/01/2015. Sendo o prazo recursal de 30 (trinta) dias, é tempestivo o recurso apresentado. Restou comprovado nos autos que teve diagnosticado, em 29/04/2004, através de laudo médico, doença de neoplasia maligna de próstata, CID C61. Assim, seus rendimentos devem ser tratados como não tributáveis em virtude da constatação da moléstia grave, tornandose imperioso o reconhecimento da isenção desde a constatação da doença. A decisão recorrida tributou os rendimentos recebidos do Ministério da Saúde até 31/05/2014, quando ocorreu sua aposentadoria junto àquele Órgão, apurando, após as correções, um saldo de imposto a pagar de R$ 4.342,53. Acontece que o Recorrente recolheu, a título de IRPF, anocalendário 2010, a quantia de R$ 17.194,02, em 08 parcelas de R$ 2.149,25, conforme faz prova a cópia de sua DIRPF em anexo. Em que pese ter havido a retificação da sua DIRPF, o que resultou num saldo de imposto a pagar de R$ 280,74, até então a RFB não promoveu a restituição dos valores pagos a maior pelas vias normais. Considerando que já havia efetuado o pagamento do saldo de imposto apurado na declaração original, posteriormente reduzido, conforme DIRPF Retificadora, entende fazer jus à compensação do saldo do imposto de renda no valor de R$ 4.342,53 (a pagar) com o valor pago de R$ 17.194,02. Ao final, requer seja conhecido e provido o presente recurso, reconhecendo se a isenção dos rendimentos desde a constatação da doença. Alternativamente, pleiteia a compensação dos seus créditos com o débito apurado pela RFB no acórdão recorrido. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13782.720264/201489 Acórdão n.º 2201002.959 S2C2T1 Fl. 124 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Aprecio, de início, a (in) tempestividade do recurso. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto, a ciência ao contribuinte, do Acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE, se deu em 29/12/2014 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento AR acostado aos autos em fl. 111, o que significa dizer que o prazo recursal iniciouse em 30/12/2014 (terçafeira), findandose em 28/01/2015 (quartafeira). Em 29/01/2015 (quintafeira) foi protocolado o recurso de fls. 113/116, ou seja, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de primeira instância. Caracterizada, portanto, a intempestividade do recurso apresentado. Face ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13782.720264/201489 Acórdão n.º 2201002.959 S2C2T1 Fl. 125 4 Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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