Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10715.002748/2010-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10715.002748/2010-24
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591926
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.759
nome_arquivo_s : Decisao_10715002748201024.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10715002748201024_5591926.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6386247
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048422866485248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 262 1 261 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.002748/201024 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.759 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNITED AIR LINES INC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 27 48 /2 01 0- 24 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 263 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.354, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 264 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 265 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 266 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 267 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 268 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 269 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 9303003.759 CSRFT3 Fl. 270 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000187/2002-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-002.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
Presidente
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10930.000187/2002-74
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5590346
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.126
nome_arquivo_s : Decisao_10930000187200274.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10930000187200274_5590346.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6378257
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423053131776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 862 1 861 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.000187/200274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.126 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria FINSOCIAL Recorrente COLORFIO IND. COM. MALHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: FINSOCIAL Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para a solução da lide a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. No caso, não ocorreu a homologação tácita. CRÉDITOS DE FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESPACHO DECISÓRIO. Os cálculos relativos à atualização dos créditos de Finsocial observaram os índices de atualização determinados na decisão judicial. TAXA SELIC. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 01 87 /2 00 2- 74 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 863 2 provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), fl. 01, protocolizado em 24/01/2002, o qual, consoante planilhas de fls. 02/03, corresponde a uma parcela dos pagamentos que teriam sido efetuados para os períodos de apuração 01/1990 a 03/1992, no montante atualizado de R$ 55.744,48. No campo 02 do formulário de fl. 01 consta a seguinte informação: “Pedido está sendo feito em razão de sentença prolatada em favor da empresa requerente e confirmada em sede de recurso junto ao Tribunal Regional Federal 4ª Região sediado em Porto Alegre, RS.” Instruem o pedido, ainda, os documentos de fls. 04/09 (cópia de documentos societários) e 10/176 (cópia do processo judicial nº 99.20167002/PR). Às fls. 179/190, foram juntados comprovantes de pagamento do Finsocial relativamente ao período de 14/04/1989 a 07/11/1991 (períodos de apuração 02/1989 a 05/1989, 07/1989 a 12/1989, 01/1990 a 12/1990, 01/1991 a 10/1991). Intimada, fls. 192/193, a contribuinte apresentou a planilha de fl. 195 (base de cálculo do Finsocial do período de 01/1990 a 03/1992). Após nova Fl. 863DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 864 3 intimação, apresentou uma cópia do livro de Registro de Saídas do período (fls. 202/360). Às fls. 363/364, juntouse o documento denominado “papeleta de comprovação de pagamentos”. Às fls. 366/374, juntaramse demonstrativos de imputação e de consolidação. Às fls. 376/380, juntouse o extrato de consulta relativo ao processo judicial nº 99201670023/PR. Em 04/10/2002, após análise, o pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal (do Brasil) em Londrina/PR (fls. 381/385). Na ocasião foi reconhecido o direito creditório de R$ 18.921,67, em valores de 31/12/1995. À fl. 398, cópia da declaração de compensação apresentada em 08/05/2003, constante do processo administrativo nº 10930.002422/200323 (nessa declaração a contribuinte pleiteia a compensação do débito de Cofins de 03/2003, vencido em 15/04/2003, no valor de R$ 2.413,12, com créditos decorrentes de decisão judicial, objeto do processo judicial nº 99.201.6700 2). Às fls. 400/403, cópia de documentos relativos à ação judicial. Efetuados os cálculos relativos à compensação, fls. 405/407, foi emitida a “informação de compensação” de fl. 408. Em decorrência, o débito constante do processo nº 10930.002422/200323 acabou extinto (fl. 410). Notificada (fls. 411/412), a contribuinte ingressou com a petição de fl. 413, onde requer prazo para se manifestar e requer a juntada de novos documentos (fls. 414/557). À vista da documentação apresentada, o processo foi encaminhado à Saort da DRF em Londrina (fl. 558) para análise e providências. Efetuadas novas verificações e novos cálculos, emitiuse novo despacho decisório (fls. 646/652), cancelando o despacho anterior (fls. 381/385), deferindo o pedido de cancelamento de Per/Dcomp, admitindo declarações de compensação retificadoras, deferindo a restituição de R$ 25.033,72, em 31/12/1995 e homologando parcialmente as compensações indicadas. Cientificada dos novos cálculos efetuados, e do despacho decisório respectivo, fls. 688/689, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 690/694, cujo teor será sintetizado a seguir: Primeiramente, após breve relato dos fatos, defende a homologação tácita das compensações já que a notificação ocorreu mais de cinco anos após a entrega das declarações. A seguir, questiona os cálculos efetuados e salienta que neles não foram considerados os índices previstos na Súmula 37 do TRF da 4ª Região. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 865 4 Relata, ainda, que a taxa Selic foi aplicada erroneamente já que a atualização “se deu por meio da taxa Selic acumulada, quando, em realidade, os índices deveriam ser aplicados mês a mês”. Ao final, requer a produção de provas documental e pericial “a fim de que se apure o efetivo crédito decorrente dos indevidos recolhimentos realizados a título de Finsocial.” Indica assistente técnico e lista quesitos (fls. 693/694). Requer, ainda, a homologação de todas as compensações informadas e a concessão do prazo de 15 dias para juntada de procuração (juntada à fl. 696). Às fls. 432/499 e 502/590, cópias dos Per/Dcomp nºs 05460.68628.160903.1.7.572128 (retifica os Per/Dcomp nºs 30175.56963.070803.1.7570135, 42513.19363.090603.1.7.578083 e 24800.90158.030603.1.3.570902), 05075.45336.160903.1.7.572934 (retifica os Per/Dcomp nºs 40696.10227.070803.1.7.574144 e 02220.58744.090603.1.3.577218), 35786.59155.070703.1.3.573410, 29080.34752.160903.1.7.571837 (retifica os Per/Dcomp nºs 01672.91194.110803.1.7.575800 e 31427.66976.070803.1.3.574482), 27715.24105.090310.1.8.572347 (cancela o Per/Dcomp nº 38356.08658.160903.1.3.570009), 02238.01339.160903.1.3.576670, 15723.11195.091003.1.3.579642, 35358.94915.151203.1.3.578253, 40476.87781.151203.1.3.571602, 36570.24893.130104.1.3.570807, 00110.51566.090204.1.3.576480, 06380.63625.170304.1.3.572052, 10082.64802.060404.1.3.571644, 01316.53206.060504.1.7.578578 (retifica os Per/Dcomp nºs 19919.54650.060504.1.7.570653 e 25017.19368.050504.1.3.574350), 34621.19401.150604.1.3.570090, 10340.50426.060704.1.3.574078, 17401.17591.110804.1.3.572091, 02551.36848.081004.1.3.573043, 04685.36106.121104.1.7.574054 (retifica o Per/Dcomp nº 04319.94569.121104.1.3.574829), 18458.74704.060105.1.3.572910, 28440.94836.110205.1.3.571002, 27917.03083.280605.1.3.574072, 12419.06123.140705.1.3.573556, 04779.55354.110805.1.3.574868, 37703.82880.090905.1.3.578722, 10058.09593.131005.1.7.570897 (retifica o Per/Dcomp nº 24319.63154.071005.1.3.576737), e 10341.47201.071005.1.3.573308. Às fls. 700/703, juntaramse demonstrativos de saldos de pagamentos. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA n° 0628.981, de 25/10/2010, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba /PR, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 CRÉDITOS DE FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 866 5 Mantémse o despacho decisório quando se constata que os cálculos relativos à atualização dos créditos de Finsocial observaram os índices de atualização determinados na decisão judicial. TAXA SELIC. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Período apuração: 01/02/2005 a 31/08/2005 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO LEGAL. Nos termos da legislação de regência, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de afastar as preliminares e considerar a manifestação de inconformidade improcedente. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia no tocante à produção de provas. Solicita o reconhecimento do seu crédito homologando tacitamente as compensações efetuadas, já que as notificações foram depois de cinco anos da entrega das declarações, ou seja, houve decadência do direito de homologar as compensações e no mérito, questiona metodologia de cálculos empregados, resultando valores inferiores ao efetivamente devido e finalmente que a taxa Selic foi aplicada erroneamente, pois o índice a ser aplicado deve ser mês a mês e não o acumulado, que resulta numa atualização a menor, gerando em consequência, a suposta insuficiência de créditos. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 867 6 É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. PRELIMINARES CERCEAMENTO DE DEFESA PELO INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E PRODUÇÃO DE PROVAS Em sede de preliminar, argumenta a recorrente cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia e produção de provas, ressaltese que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, autoriza o julgador a determinar, de ofício ou a pedido, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio. Todavia, em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo tornase prescindível a realização de diligência ou perícia. Verificase, inclusive, que a decisão de primeira instância respondeu todos os questionamentos arguidos pela recorrente (conforme efls.843/844), os quais reproduzo aqui: No primeiro quesito apresentado (fl. 693), a interessada faz a seguinte indagação: 01 – Quais foram os valores recolhidos pela empresa à época? Em que data foram realizados os recolhimentos? Qual a alíquota aplicável à época? Ora, uma vez que os comprovantes dos recolhimentos que foram considerados na auditoria constam dos autos e, ainda, uma vez que a alíquota aplicável à época encontravase prevista em lei (salientando que a alteração determinada na decisão judicial foi observada na auditoria), resta claro que a resposta para tal questão prescinde da realização de perícia (basta consultar os autos e atentar, principalmente, para os demonstrativos de fls. 600/604 para se obter a resposta para todas essas questões). No próximo quesito (fl. 693), a interessada questiona: 02 – De que forma foi reconstruída a base de cálculo do FINSOCIAL para apurar o quantum recolhido a maior? Evidente que em se tratando de pessoa jurídica que industrializa e comercializa produtos, a base de cálculo do Finsocial coincide com a receita bruta (apurada com base na escrituração e demonstrada às fls. 600/602). Importante salientar que as bases Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 868 7 de cálculo utilizadas na auditoria coincidem com as informadas pela própria contribuinte juntamente com o seu pedido de restituição (fl. 02). Indaga ainda (fl. 693): 03 – Como foi realizada a conversão monetária e a atualização dos valores? Quais os índices utilizados? Como se verifica nos demonstrativos de fls. 600/644, e já foi demonstrado no presente voto, as conversões ocorreram de acordo com o previsto na legislação e a atualização atendeu ao comando judicial. No último quesito, questiona (fl. 694): 04 – Como foram apurados os índices cumulados da taxa Selic? Ora, foram apurados nos termos da legislação de regência, ou seja, a apuração não ocorreu mês a mês como pretendido, mas de forma acumulada, quando cabível, desde 01/01/1996 até a data da extinção do crédito, pela compensação. Assim, os autos contêm prova documental de inquestionável valor para a elucidação dos fatos, de modo que referidos documentos, examinados à luz da legislação de regência, constituem um conjunto probatório suficiente para formar a convicção do julgador. Portanto, pelos motivos acima expostos, resta indeferida a perícia solicitada pela recorrente, o que não repercute em cerceamento de defesa, pois à recorrente teve oportunidade de apresentar toda a documentação, como se defender em todas as etapas do devido processo legal. No âmbito do acórdão recorrido, o colegiado de primeira instância entendeu que não ocorreu violação à ampla defesa da recorrente, tendo em vista o conhecimento sobre a matéria em discussão, inclusive, respondendo a todos os questionamentos (reproduzidos acima) levantados pelo próprio e tendo sido cientificado. Enfim, tenho por suficientes para o julgamento deste, os elementos contidos nos autos, tendo esses igualmente reveladose o bastante para instruir a defesa do contribuinte. Em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo tornase prescindível a realização de outra diligência ou perícia, o que por sua vez, não implica cerceamento de defesa. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Quanto ao argumento pela homologação tácita, reza o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (alterações posteriores), que prevê que o prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Consta no despacho decisório, as compensações que foram homologadas parcialmente ou que não foram homologadas incluemse dos Per/Dcomp nºs 27917.03083.280605.1.3.574072,12419.06123.140705.1.3.573556, 04779.55354.110805.1.3.574868, 37703.82880.090905.1.3.578722, 10058.09593.131005.1.7570897 (que retificou o Per/Dcomp nº 24319.63154.071005.1.3.57 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 869 8 6737) e 10341.47201.071005.1.3.573308, transmitidas em 28/06/2005 (fl. 563), 14/07/2005 (fl. 567), 11/08/2005 (fl. 571), 09/09/2005 (fl. 575), 13/10/2005 (fl. 583) e 07/10/2005 (587), respectivamente. Importante, transcrever parte do parecer Saort (fl. 646/652 (papel): ...... 17. Portanto, tendo em vista as incorreções apontadas, em observância aos princípios constitucionais que norteiam a Administração Tributária é cabível a revisão do Despacho Decisório de fls. 381/385, com o seu conseqüente cancelamento, realizandose nova análise da matéria para apuração do direito creditório da interessada e verificação das compensações declaradas. 18. De acordo com demonstrativos de fls. 600/621, nos quais foi calculado o FINSOCIAL dos períodos de apuração 01/1990 a 03/1992 devido a 0,5% e considerados todos os pagamentos apresentados pela empresa para tais períodos, restaram os saldos de pagamentos relacionados às fls. 603/604. Esses saldos de pagamentos, atualizados até 31/12/1995 com fulcro na decisão judicial, importaram em R$ 25.033,72 (fls. 619/621). A partir de 01/1996 o crédito sofre a incidência da Taxa SELIC. 19. Esse crédito é superior ao demonstrado pela empresa à fl. 02 (R$ 24.806,18 =somatório da coluna VALOR ATUALIZADO ATÉ 01/01/96), possivelmente em razão dos índices de correção aplicados. 20. Em relação às Declarações de Compensação retificadoras apresentadas,discriminadas no relatório deste Parecer, é cabível a admissão, bem como é passível de deferimento o Pedido de Cancelamento n° 27715.24105.090310.1.8.572347, haja vista não haver óbice na IN RFB n°900/2008. 21. Utilizado o crédito de R$ 25.033,72, com incidência da taxa SELIC a partir de 01/1996, para as compensações efetuadas pela empresa por meio de DCOMP verificase que ele não foi suficiente para extinguir todos os débitos, conforme cálculos de fls. 625/634. Então, o segundo despacho decisório que cancelou o primeiro despacho decisório, para ajuste, por conta das incorreções apontadas (não haviam sido observados os índices da Súmula 37 do TRF da 4ª RF), dessa maneira, considerando que as declarações em questão foram entregues entre 28/06/2005 e 13/10/2005, logo, o prazo para a homologação das compensações acabaria entre 28/06/2010 e 13/10/2010 (contando os cinco anos após suas entregas). Logo, o despacho decisório questionado (fls. 646/652 (papel) foi proferido em 17/03/2010 e a recorrente dele foi cientificada em 29/05/2010 (fls. 688/689), de fato, um pouco antes de decorridos os 5 anos. Assim, uma vez que, ao contrário do afirmado, a ciência ocorreu antes do prazo de cinco anos fixado pela legislação, logo, não há que se falar em homologação tácita. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 870 9 Não procede a alegação de decorrido prazo para ocorrer a homologação tácita. MÉRITO Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), fl. 01, protocolizado em 24/01/2002, o qual, consoante planilhas de fls. 02/03, corresponde a uma parcela dos pagamentos que teriam sido efetuados para os períodos de apuração 01/1990 a 03/1992, no montante atualizado de R$ 55.744,48. No campo 02 do formulário de fl. 01 consta a seguinte informação: “Pedido está sendo feito em razão de sentença prolatada em favor da empresa requerente e confirmada em sede de recurso junto ao Tribunal Regional Federal 4ª Região sediado em Porto Alegre, RS.” Segundo o despacho decisório, ratificado pela decisão a quo, resta uma DCOMP cuja homologação foi parcial e algumas que não foram homologadas, por inexistência de crédito. A recorrente argumenta que os cálculos efetuados não foram considerados os índices previstos na Súmula 37 do TRF da 4ª Região e que a taxa Selic teria sido aplicada erroneamente já que a atualização “se deu por meio da taxa Selic acumulada, quando, em realidade, os índices deveriam ser aplicados mês a mês.” Então, a recorrente pretende que os juros sejam capitalizados, enfim capitalização dos juros sobre juros vencidos; incidência de juros sobre juros e temos que a legislação a ser aplicada no ordenamento é com base na taxa Selic, a seguir exposta. A Lei nº 9.430, de 1996 dispõe sobre a forma de aplicação da taxa Selic: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ......................................................................................................... .......................... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ......................................................................................................... .......................... § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 871 10 Com base no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995 que dispõe: Art. 39 ....... § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Dessa forma, também, não procede a argumentação pela capitalização de juros sobre juros, pela inexistência de previsão legal, ao caso. Percebese que a discordância resulta sobre o cálculo do crédito do Finsocial, logo, reproduzo aqui, o entendimento trazido pela decisão de primeira instância, pois de fato, houve o reconhecimento pela Receita Federal de erro na atualização monetária, o que culminou no cancelamento do primeiro Despacho Decisório, e feito os devidos ajustes; tudo devidamente explicado no Parecer Saort às fls. 646/650 (papel) (reproduzido, inclusive alguns trechos do voto do Parecer acima), no entanto, observase que se chega ao mesmo valor do crédito: A contribuinte reclama da sistemática de cálculo observada nos autos. Diz que não foram utilizados os índices da Súmula nº 37 do TRF da 4ª Região. Solicita a revisão do despacho. O despacho em questão (nº 345/2010), que foi emitido em 17/03/2010 (fls. 646/652), além de homologar em parte as compensações pleiteadas e admitir a retificação de parte das declarações de compensação, também serviu para cancelar o despacho decisório emitido em 04/10/2002 (fls. 381/385). Segundo consta do despacho decisório questionado, quando da realização dos cálculos – por ocasião da elaboração do despacho decisório que acabou cancelado – de fato não haviam sido observados os índices da aludida súmula. Vejase o que consta às fls. 648/649: 13. Verificase, pelo informado no citado Despacho Decisório, que os valores pagos a maior foram corrigidos pelos índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997. 14. Porém, conforme Acórdão de fls. 157/165, a correção do crédito deve se dar pela variação do BTNF, INPC e UFIR, observados os índices previstos na Súmula nº 37 do TRF da 4ª Região para os meses de março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991. Ocorre que os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997, foram calculados com base na BTNF, INPC e UFIR, mas não levam em consideração os índices da Súmula 37 para os meses de março, abril e maio de 1990. Conseqüentemente o crédito reconhecido foi atualizado incorretamente. ......................................................................................................... .......................... Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 872 11 17. Portanto, tendo em vista as incorreções apontadas, em observância aos princípios constitucionais que norteiam a Administração Tributária é cabível a revisão do Despacho Decisório de fls. 381/385, com o seu conseqüente cancelamento, realizandose nova análise da matéria para apuração do direito creditório da interessada e verificação das compensações declaradas. 18. De acordo com demonstrativos de fls. 600/621, nos quais foi calculado o FINSOCIAL dos períodos de apuração 01/1990 a 03/1992, devido a 0,5% e considerados todos os pagamentos apresentados pela empresa para tais períodos, restaram os saldos de pagamentos relacionados às fls. 603/604. Esses saldos de pagamentos, atualizados até 31/12/1995 com fulcro na decisão judicial, importaram em R$ 25.033,72 (fls. 619/621). A partir de 01/1996 o crédito sofre a incidência da Taxa Selic. (fls. 648/649) Aludida falha, no entanto, acabou corrigida quando da elaboração dos cálculos que serviram de base para o despacho decisório ora questionado. É válido esclarecer que a observância dos índices da Súmula nº 37 (84,32%, 44,80%, 7,87% e 21,87%, nos meses de março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991), devendose ressaltar que o índice de fevereiro de 1991 coincide com o contido na NE Conjunta nº 08, somente produziria diferenças de atualização em relação aos pagamentos efetuados até maio de 1990. Visando verificar se os índices corretos foram observados quando do levantamento dos créditos, optouse por gerar novas planilhas demonstrativas dos saldos de pagamentos, atualizandose todos os saldos até 01/01/1996 (o resultado obtido deve oportunamente ser dividido por 1,01 para excluir os juros de 1% no mês de janeiro de 1996, já que a partir dessa data deve incidir a taxa Selic até a extinção do crédito, pela compensação). Numa primeira simulação, os cálculos foram feitos sem a aplicação dos índices da Súmula nº 37, ou seja, com a observância apenas dos índices indicados pela Norma de Execução conjunta nº 08, de 1997 (que reflete as variações do BTNF, INPC e UFIR). Na outra simulação, os cálculos foram feitos com a aplicação dos índices da Súmula nº 37 (nos meses respectivos) e dos índices da NE nº 08/97 (nos demais meses). Cotejando as planilhas obtidas (fls. 700/701 e 702/703), percebese que a única diferença está relacionada aos pagamentos efetuados nos meses de fevereiro/1990 a maio de 1990, isso, logicamente, porque os índices divergentes entre as planilhas (março a maio de 1990) acabam influenciando apenas os pagamentos efetuados até 31/05/1990 (isso não ocorre em fevereiro de 1991 porque o índice previsto na Súmula coincide com o previsto na NE 08/97). O quadro a seguir pretende esclarecer: Saldo atualizado em R$ (01/01/96) Data Pgto Moeda Total do DARF Saldo do DARF NE 08/97 NE 08/97 e Súmula 37 12/02/1990 NCz$ 2.815,26 1.459,44 73,18 141,51 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 873 12 13/03/1990 NCz$ 3.643,75 1.878,38 54,51 105,41 10/04/1990 Cr$ 5.217,37 3.043,45 62,52 92,67 14/05/1990 Cr$ 39.927,30 23.228,93 477,21 488,49 Para demonstrar como o sistema eletrônico chegou aos valores atualizados em 01/01/1996, primeiramente devese excluir desses valores os juros de 1% relativos ao mês de janeiro de 1996 (já que a compensação não vai ocorrer nesse mês). Saldo atualizado em R$/1,01 Data Pgto Moeda Total do DARF Saldo do DARF NE 08/97 NE 08/97 e Súmula 37 (01/01/1996) 12/02/1990 NCz$ 2.815,26 1.459,44 72,45 140,11 13/03/1990 NCz$ 3.643,75 1.878,38 53,97 104,36 10/04/1990 Cr$ 5.217,37 3.043,45 61,90 91,75 14/05/1990 Cr$ 39.927,30 23.228,93 472,48 483,65 Após, devese obter os coeficientes de atualização. Esses coeficientes são determinados a partir da acumulação dos percentuais mensais de ajuste (desde o pagamento) e, também, pela variação da UFIR verificada no período de 01/01/1992 a 31/12/1995. Exemplificando: O coeficiente de dezembro de 1991 (0,001723162) deve ser obtido a partir da seguinte operação: 1,2415 X 0,8287 : 597,06 (ou seja, o índice de dezembro de 1991 multiplicado pela UFIR de 31/12/1995 e dividido pela UFIR de 01/01/1992); O coeficiente de novembro de 1991 (0,002179455) deve ser obtido a partir da seguinte operação: 1,2415 X 1,2648 X 0,8287: 597,06 (ou seja, o índice de dezembro de 1991 multiplicado pelo índice de novembro de 1991 multiplicado pela UFIR de 31/12/1995 e dividido pela UFIR de 01/01/1992), e assim sucessivamente. Mês Indicadores 1990 Indicadores 1991 Indicadores em índices 1990 Indicadores em índices 1991 Índices acumulados 1990 Índices acumulados 1991 Janeiro 56,11 20,21 1,5611 1,2021 107,9910 5,795339 Fevereiro 72,78 21,87 1,7278 1,2187 69,17625 4,821012 Março 84,32 11,79 1,8432 1,1179 40,03719 3,955865 Abril 44,80 5,01 1,4480 1,0501 21,72156 3,538657 Maio 7,87 6,68 1,0787 1,0668 15,00108 3,369829 Junho 9,61 10,83 1,0961 1,1083 13,90663 3,158819 Julho 10,79 12,14 1,1079 1,1214 12,68737 2,850148 Agosto 10,58 15,62 1,1058 1,1562 11,45173 2,541598 Setembro 12,85 15,62 1,1285 1,1562 10,35606 2,198234 Outubro 13,71 21,08 1,1371 1,2108 9,176836 1,901258 Novembro 16,64 26,48 1,1664 1,2648 8,070386 1,570249 Dezembro 19,39 24,15 1,1939 1,2415 6,919055 1,241500 Mês Coeficiente 1990 Coeficiente 1991 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 874 13 Janeiro 0,14988808 0,008043743 Fevereiro 0,09601440 0,006691409 Março 0,05557032 0,005490612 Abril 0,03014883 0,004911542 Maio 0,02082101 0,004677213 Junho 0,01930195 0,004384339 Julho 0,01760966 0,003955914 Agosto 0,01589463 0,003527656 Setembro 0,01437388 0,003051078 Outubro 0,01273715 0,002638884 Novembro 0,01120144 0,002179455 Dezembro 0,00960343 0,001723162 Adotandose os coeficientes obtidos e multiplicandoos pelos pagamentos efetuados entre 12/02/1990 e 14/05/1990 (únicos que sofrem influências da Súmula 37), obtêmse os seguintes valores atualizados em 01/01/1996 (sem os juros de 1% relativo a janeiro de 1996): Data Pgto. Moeda Total do DARF Saldo do DARF Valor atualizado 01/01/1996 (R$) 12/02/1990 NCz$ 2.815,26 1.459,44 140,12 13/03/1990 NCz$ 3.643,75 1.878,38 104,38 10/04/1990 Cr$ 5.217,37 3.043,45 91,75 14/05/1990 Cr$ 39.927,30 23.228,93 483,65 Como se vê, fazendose os cálculos sem a utilização do sistema eletrônico específico chegase aos mesmos valores por ele obtidos (as diferenças de centavos decorrem, obviamente, do arredondamento de casas). À vista do exposto, concluise que os cálculos foram corretamente efetuados, não havendo qualquer reparo a ser efetuado no despacho decisório. Portanto, concluise que fazendose os cálculos sem a utilização do sistema eletrônico específico chegase aos mesmos valores obtidos pela recorrente , com ressalva das diferenças de centavos, por conta de arredondamento de casas decimais. Logo, não há reforma em relação aos cálculos levantados, tudo devidamente minuciosamente explicado e com observância dos índices de atualização determinados na decisão judicial. Quanto à Taxa Selic utilizada, já comentado no item acima, quando da metodologia dos cálculos. Então, a Lei nº 9.430, de 1996 com respaldo no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, dispõe: A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10930.000187/200274 Acórdão n.º 3201002.126 S3C2T1 Fl. 875 14 compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Dessa forma, voto por afastar a preliminares e no mérito negar provimento ao presente recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720714/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
PAF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O contraditório no âmbito do processo administrativo fiscal é estabelecido a partir impugnação do lançamento. Os elementos constantes dos autos deram condições ao contribuinte de compreender o lançamento e de oferecer impugnação, portanto não há que se falar em ofensa ao contraditório e a ampla defesa.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Cabível a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujo pagamento não foi comprovado.
Numero da decisão: 2201-003.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Ementa: PAF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O contraditório no âmbito do processo administrativo fiscal é estabelecido a partir impugnação do lançamento. Os elementos constantes dos autos deram condições ao contribuinte de compreender o lançamento e de oferecer impugnação, portanto não há que se falar em ofensa ao contraditório e a ampla defesa. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Cabível a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujo pagamento não foi comprovado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13819.720714/2013-98
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5594053
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.180
nome_arquivo_s : Decisao_13819720714201398.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 13819720714201398_5594053.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6396460
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423094026240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.720714/201398 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.180 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARIA MEZA VILLAS BOAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Ementa: PAF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O contraditório no âmbito do processo administrativo fiscal é estabelecido a partir impugnação do lançamento. Os elementos constantes dos autos deram condições ao contribuinte de compreender o lançamento e de oferecer impugnação, portanto não há que se falar em ofensa ao contraditório e a ampla defesa. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Cabível a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujo pagamento não foi comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 07 14 /2 01 3- 98 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, consubstanciado na Notificação de Lançamento, pela qual está sendo exigido o IRPF Suplementar no valor de R$ 9.350,00, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais. A fiscalização apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 34.000,00, declarados em relação à Milena Traversa Palazon, por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Suscita ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa por só haver tomado conhecimento do que seria a comprovação de pagamento requerida pela fiscalização posteriormente à autuação, descrevendo haver apresentado os recibos das despesas por ocasião da intimação e da reintimação fiscal. Alega apresentar a comprovação do pagamento de R$ 34.000,00 a MILENA TRAVERSA PALAZON, no ano de 2008, referente a tratamento odontológico, o que diz ter efetuado em espécie, aduzindo que uma parte dos valores (R$ 9.400,00) foi paga com recursos sacados da conta bancária ao longo do ano (os quais descreve) e que a parcela restante (R$ 24.600,00) proveio de devolução de empréstimo que havia efetuado a sua filha, MARIA CECÍLIA VILLAS BOAS, apontando os valores assim obtidos e esclarecendo que a devolução (que detalha) ocorreu em espécie e que o empréstimo não foi declarado por haver sido quitado antes do encerramento do anocalendário. Requer, pelo exposto, que seja revista e cancelada a notificação de lançamento, que argumenta não estar pautada nos princípios e requisitos dos atos e procedimentos administrativos estipulados no caput do art. 37 e 5º, LV, da Constituição Federal, assim como nos arts. 788, 835 a 839, 841 e 844 do Decreto nº 3.000, de 1999. A 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente a impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: CONTRADITÓRIO. DIREITO DE DEFESA. O contraditório no âmbito do processo administrativo fiscal é estabelecido a partir da faculdade de impugnar o lançamento, descabendo falar em tolhimento de direito de defesa na fase de fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.720714/201398 Acórdão n.º 2201003.180 S2C2T1 Fl. 3 3 A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Impugnação Improcedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 12/11/2013 (fl. 104) e, em 11/12/2013, interpôs o recurso de fls. 106/119, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à prova do efetivo pagamento da despesa médica lançada na Declaração de Ajuste da recorrente, pois, de acordo com a autoridade fiscal e recorrida, tal comprovação não se fez presente. Antes de entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a preliminar suscitada pela recorrente. Alega a suplicante ofensa ao contraditório e a ampla defesa, já que “... não pode o fisco efetuar lançamento sob a alegação de que não lhe foram apresentados documentos dos quais os contribuinte não tinha o dever de apresentar e tampouco foi intimado a fazêlo...”. De pronto, não assiste razão à recorrente. Compulsandose à Intimação de fl. 18, verificase que a contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, bem como a efetiva prestação dos serviços, conforme determina o art. 835 do Decreto nº 3000/1999: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). Ademais, quando do procedimento fiscal (fase oficiosa), a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento; o princípio do contraditório e da ampla defesa é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Assim, rejeito a preliminar de nulidade, por não restarem configurados ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação aplicada à espécie, no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/1995, além do art. 73, § 1º, do Decreto nº 3000/1999: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ............................ Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Da análise dos dispositivos supracitados, depreendese que cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Primeiramente, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, tais como radiografias, exames, laudos médicos, etc. Portanto, como ocorre no presente caso, a simples declaração do suposto prestador de serviço não têm o condão de comprovar a efetividade do serviço prestado. Relativamente à alegação de que os pagamentos em espécie advêm de recursos de suas contas bancárias, bem como de devolução de empréstimo à sua filha, valho me das bem lançadas conclusões da decisão de primeira instância, que considero bastantes para afastar a pretensão do recorrente, pedindo vênia para a transcrição: E a exigência proposta tem sua razão de existir nos valores elevados que a contribuinte pretendeu deduzir, os quais, caso realmente existentes, seriam facilmente comprovados por meio da movimentação financeira correspondente, principalmente quando se verifica que a contribuinte declarou auferir rendimentos de R$ 110.237,36 no anocalendário 2008 e pretendeu deduzir despesas com uma única profissional, da sua mesma área de atuação (odontologia), de R$ 34.000,00, o que corresponderia a mais de 30% dos rendimentos brutos auferidos no ano todo. Acrescentese o fato, trazido juntamente com a impugnação, de que a filha, MARIA CECÍLIA VILLAS BOAS, também é profissional de odontologia, o que potencializa a dúvida acerca Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.720714/201398 Acórdão n.º 2201003.180 S2C2T1 Fl. 4 5 da existência efetiva de pagamentos e de serviços contratados de terceiros em valores tão expressivos. A interessada suscita comprovar os pagamentos em espécie com recursos que adviriam de suas contas bancárias e de devolução de empréstimo à sua filha, o que, porém, não se encontra comprovado. Os saques relacionados na impugnação, às fls. 06/08, no total de R$ 9.400,00, teriam sido realizados ao longo do ano, desde janeiro, e são compostos de valores de pequena monta, compatíveis com o procedimento pelo qual as pessoas comuns procuram manter em seu poder recursos para despesas cotidianas (bens de consumo, alimentação, lazer, transporte, etc), não sendo crível, por exemplo, que um saque de R$ 400,00 efetuado em 09/01/2008 se destinasse à acumulação de moeda em espécie para o pagamento de despesas que viriam a ocorrer a partir de julho. Nesse sentido, as retiradas subseqüentes e espaçadas ao longo do tempo também demonstram a utilização dos valores antes sacados, e não a acumulação. Por outro lado, os extratos bancários apresentados pela interessada, às fls. 27/74, demonstram cabalmente que a contribuinte fazia uso corriqueiro de cheques para efetuar os pagamentos de suas despesas, inclusive as de pequeno valor, o que não se compatibiliza com a tese de que justamente as supostas despesas médicas que pretende deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em valores tão significativos (R$ 34.000,00), tenham sido efetuados em espécie, com recursos cuja movimentação financeira a interessada não logra comprovar. Quanto ao empréstimo que alega ter efetuado à filha, em que pese haja registro de recursos transferidos àquela, não há prova da devolução de valores com os quais diz haver efetuado o pagamento das despesas controversas. Em verdade, pelos elementos presentes no processo, concluise que inexistiu a operação de empréstimo e a devolução na forma suscitada. Em primeiro plano, verificase pela conta bancária da filha, juntada pela impugnante às fls. 75/81, que o suposto empréstimo careceria de propósito para que viesse a ocorrer, na medida em que a movimentação financeira da filha denota a ausência de sua necessidade, o que é corroborado pelos rendimentos que a impugnante diz haverem sido auferidos pela filha (fl. 10). No que se refere à tese de devolução de valores em espécie, é infirmada pela própria demonstração da impugnante, de que prosseguiu efetuando saques em sua conta bancária até o final do ano; de um lado, a interessada alega que dispôs de recursos em espécie da ordem de R$ 19.600,00 recebidos da filha, mas de outro demonstra que, ainda assim, necessitou efetuar saques, por exemplo, de R$ 200,00 em 08/08/2008, R$ 200,00 em 01/09/2008, R$ 200,00 em 29/09/2008. Evidentemente, o fato de se socorrer de sua conta bancária para efetuar saques prova que não recebia recursos em espécie da Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 filha e tampouco os acumulava para quitar as supostas despesas médicas. Além do que foi exposto, há que se salientar que despesas de R$ 34.000,00 com tratamento odontológico pressupõe tratamento de complexidade razoável, o que, em decorrência, farseia acompanhar de farta documentação probatória, como ficha dentária, radiografias e laudos, agendas e anotações de acompanhamento e evolução do tratamento, etc, espécie de prova que a interessada, não obstante também odontóloga, sequer apresentou, apesar de haver sido instada nesse sentido, consoante intimação fiscal (fl. 18). Notese que as ponderações de ordem subjetiva efetuadas apenas se destinam à formação da convicção a respeito da força probante dos elementos trazidos ao processo. No caso, é inegável que, havendo dúvidas quanto à existência fática das despesas médicas, deve ser exigida a comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços como condição para que se acolha a dedução correspondente. Sobre a comprovação da efetividade das despesas médicas este Órgão já se manifestou, conforme ementas transcritas: IRPF DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Acórdão nº 10244154) IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Acórdão nº 10243935) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Acórdão nº 10416647) “IRPF DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Diante de elementos que colocam em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justificase a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento. Sem isso, o simples recibo é insuficiente para comprovar a despesa, justificando a glosa.” ( Acórdão nº 10421.813) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13819.720714/201398 Acórdão n.º 2201003.180 S2C2T1 Fl. 5 7 Portanto, a validade da dedução de despesa médica depende da comprovação da prestação dos serviços ou do efetivo dispêndio do contribuinte e, como não foram carreadas aos autos estas provas, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.902555/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete à interessada demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, consoante os ditames do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CRÉDITO JUDICIAL.
O crédito judicial hábil a embasar as compensações pretendidas pela contribuinte é aquele oriundo de decisão judicial transitada em julgado, segundo o disposto no artigo 170-A do Código Tributário Nacional.
COMPROVANTE DE RETENÇÃO.
Nos termos do § 2º do artigo 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, para que determinada retenção seja computada na formação do saldo negativo, é imprescindível a apresentação do comprovante de retenções emitido pela fonte pagadora a ser elaborado em conformidade ao estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000.
RETENÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA À TRIBUTAÇÃO.
Nos termos do inciso III do § 4º do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, somente podem compor o saldo negativo apurado as retenções vinculadas a rendimentos efetivamente oferecidos à tributação.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS
Não deve ser subtraída a multa de mora do valor recolhido a título de estimativa para fins de apuração do saldo negativo, quando o contribuinte possui tutela judicial que impede o Fisco de exigir a referida sanção.
Numero da decisão: 1401-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para: Não abater do crédito pleiteado do montante da multa de mora objeto de ação judicial ainda em discussão, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete à interessada demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, consoante os ditames do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CRÉDITO JUDICIAL. O crédito judicial hábil a embasar as compensações pretendidas pela contribuinte é aquele oriundo de decisão judicial transitada em julgado, segundo o disposto no artigo 170-A do Código Tributário Nacional. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Nos termos do § 2º do artigo 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, para que determinada retenção seja computada na formação do saldo negativo, é imprescindível a apresentação do comprovante de retenções emitido pela fonte pagadora a ser elaborado em conformidade ao estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000. RETENÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA À TRIBUTAÇÃO. Nos termos do inciso III do § 4º do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, somente podem compor o saldo negativo apurado as retenções vinculadas a rendimentos efetivamente oferecidos à tributação. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS Não deve ser subtraída a multa de mora do valor recolhido a título de estimativa para fins de apuração do saldo negativo, quando o contribuinte possui tutela judicial que impede o Fisco de exigir a referida sanção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.902555/2013-81
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589275
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.494
nome_arquivo_s : Decisao_10166902555201381.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10166902555201381_5589275.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para: Não abater do crédito pleiteado do montante da multa de mora objeto de ação judicial ainda em discussão, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6374487
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423119192064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.902555/201381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.494 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente Banco do Brasil S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete à interessada demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, consoante os ditames do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CRÉDITO JUDICIAL. O crédito judicial hábil a embasar as compensações pretendidas pela contribuinte é aquele oriundo de decisão judicial transitada em julgado, segundo o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Nos termos do § 2º do artigo 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, para que determinada retenção seja computada na formação do saldo negativo, é imprescindível a apresentação do comprovante de retenções emitido pela fonte pagadora a ser elaborado em conformidade ao estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000. RETENÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA À TRIBUTAÇÃO. Nos termos do inciso III do § 4º do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, somente podem compor o saldo negativo apurado as retenções vinculadas a rendimentos efetivamente oferecidos à tributação. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS Não deve ser subtraída a multa de mora do valor recolhido a título de estimativa para fins de apuração do saldo negativo, quando o contribuinte possui tutela judicial que impede o Fisco de exigir a referida sanção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 25 55 /2 01 3- 81 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para: Não abater do crédito pleiteado do montante da multa de mora objeto de ação judicial ainda em discussão, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 865871: Tratam os autos das Declarações de Compensação nº 11008.65609.300712.1.3.021780 e 37748.80662.030512.1.7.02 7980, transmitidas pela contribuinte em epígrafe, por meio das quais ela pretendeu compensar os débitos informados, indicando como direito creditório o saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/01/2009 a 30/11/2009, no valor total de R$ 114.223.530,74: […] O procedimento de análise das compensações iniciouse eletronicamente, mas foi direcionado para a análise manual de retenções no montante de R$ 15.600.946,92 e de estimativas no total de R$ 241.561.918,97. Com o objetivo de melhor examinar as compensações em questão, a Autoridade Tributária encaminhou à interessada a Intimação nº 1335/2012 (fls. 568/569), por meio da qual se exigiu a comprovação das retenções que contribuíram para a formação do saldo negativo alegado: 1) os comprovantes de retenção (original e cópia simples, ou cópia autenticada), emitidos pelas fontes pagadoras relativos às retenções informadas no demonstrativo de crédito da Declaração de Compensação n° 37748.80662.030512.1.7.027980, conforme tabela abaixo, ou, como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia do DARF, desde que este contenha a base de cálculo correspondente a prestação dos serviços ou que contenha o número da nota fiscal correspondente. Neste último caso, também é necessário o fornecimento da cópia da nota fiscal; 2) Com relação à retenção feita pelo CNPJ 00.000.000/000191, discriminada na linha 1 da Tabela abaixo, esclarecer e comprovara natureza da operação que resultou na retenção código 8045 no valor de R$ 12.527.583,59 e informar quem foi a fonte pagadora. A contribuinte atendeu à intimação recebida com a apresentação da resposta juntada a fls. 100 do processo nº 10166.722012/201382, em apenso, bem como dos documentos e planilhas que a acompanharam. Analisados os elementos entregues, a AuditoraFiscal responsável pelo exame das compensações proferiu seu parecer Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 pela não homologação, formalizandoo no Relatório de Intervenção do Usuário, a fl. 891 e seguintes. No mencionado relatório, são apresentadas as razões que levaram à confirmação ou não das retenções que compuseram o saldo negativo alegado pela contribuinte. Em suma, a Fiscalização examinou os comprovantes de retenções entregues pela interessada, cotejandoos com eventuais informações declaradas nas DIRF constantes nos bancos de dados da RFB. Caso a retenção estivesse confirmada em algum destes documentos, foi aceito que a retenção participasse da formação do saldo negativo. Em relação a algumas fontes pagadoras, a Agente do Fisco fez menção à alternativa prevista no § 1º do artigo 31 da IN SRF nº 480, de 2004. As conclusões expostas pela Fiscalização acerca das retenções analisadas foram listadas em 138 linhas no item 5 do aludido relatório. Merece especial destaque a motivação atinente à retenção em que a fonte pagadora é a própria contribuinte: Em resposta à Intimação n° 1.335/2012 (fls. 100/101 cc 252/253), a contribuinte esclareceu que a retenção efetuada no código 8045, pelo próprio Banco do Brasil, referese à autoretenção na qual o beneficiário do pagamento se obriga no recolhimento sob o referido código. Apresentou a planilha de fl. 384, onde constam os valores recebidos pela prestação de serviços de administração de cartão de crédito e os respectivos valores das retenções. Tendo em vista que os valores informados pelo Banco do Brasil não foram encontrados na base de dados da RFB, as empresas relacionadas na Planilha de fl. 384, foram intimadas (fls. 802/806) a informar e comprovar os valores pagos, mensalmente, ao Banco do Brasil, no anocalendário 2009. Em resposta, as referidas empresas nos informaram os seguintes valores pagos ao Banco do Brasil, no período de 01/01 a 30/11/2009, a título de comissão: CIELO S/A R$ 604.036.504,73 (fls.807/809); REDECARD S/A R$ 430.504,40 (fls. 810/814); e CBSS – R$ 28.721.550,76 (fls. 815/840). O BANCO BANKPAR (fls. 841/849) e a PETROBRÁS (fls. 850/862) informaram que não houve nenhum pagamento ao Banco do Brasil a título de comissões e corretagens. Dessa forma, será confirmada a retenção, no código 8045 (1,5% do valor dos rendimentos recebidos, que totalizam RS 633.188.559,89), correspondente às parcelas informadas pelas fontes pagadoras. Do valor total R$ 15.600.946,92 referente às retenções examinadas manualmente foi confirmada a quantia de R$ 11.312.448,21. Sobre as estimativas, expôs a AuditoraFiscal: A partir da Tabela 3, podese observar que a contribuinte procedeu ao recálculo das estimativas, apurando durante Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 4 5 o período de 01/01/2009 a 10/10/2009, acréscimo nos valores inicialmente calculados. Somente no mês 11/2009 a estimativa foi recalculada com valor menor. Ocorre que, ao realizar os pagamentos suplementares, não considerou a incidência de multa de mora, quitando apenas o principal e parcela relativa dos juros, amparado supostamente pelo instituto da denúncia espontânea, razão pela qual o valor alocado do DARF não corresponde ao valor do principal pago. Além disso, na carga da DCTF, ao ser efetivada a imputação proporcional, foi considerada a incidência da multa de mora. Por conseguinte, não foi possível extinguir o valor integral do principal do débito, conforme se pode observar da coluna que demonstra o valor efetivamente amortizado, na Tabela 3, resultado da aplicação do percentual obtido pela divisão do valor total pago (principal + juros de mora) e o total do débito (principal + multa de mora + juros de mora) multiplicado pelo valor do principal do débito. O saldo de débito resultado da diferença entre o valor do principal e o valor efetivamente amortizado foi transferido para o processo 10166.723841/201200 e encontrase com a exigibilidade suspensa, uma vez que foi concedida a antecipação de tutela, nos autos da Ação Ordinária n° 25986.53.2012.4.01.3400, para suspender a exigibilidade das multas moratórias de IRPJ e CSLL no período de 01/2009 a 11/2009, entre outros. Sendo objeto de discussão judicial, as parcelas referentes ao período de 01/2009 a 10/2009 não estão aptas à composição do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2009, uma vez que desprovidas de liquidez e certeza. Ademais, aplicase ao caso em análise o art. 170A do Código Tributário Nacional. Somente os saldos dos pagamentos a maior da estimativa de novembro/2009 estão disponíveis para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Foi consultado sistema SIEF/PERDCOMP (fl. 889) e confirmouse que não houve Pedido de Restituição ou Declaração de Compensação utilizando estes saldos de pagamentos como crédito de pagamento indevido ou a maior. Portanto somente será confirmada a estimativa de novembro/2009, devendo ser realizado o bloqueio do saldo disponível, nos valores informados na Tabela 3, para que tais saldos não sejam objeto de futuros PER/DCOMP de crédito a maior de estimativas de IRPJ. Finda a análise, o procedimento de exame das compensações retomou seu curso normal, resultando na emissão do despacho decisório de fl. 15, o qual não homologou as compensações em questão: […] Cientificada da decisão proferida em 13/05/2013 (fl. 16), a interessada ofereceu sua manifestação de inconformidade em 12/06/2013, a qual foi juntada a fls. 3/10. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Argumenta que a Autoridade Fiscal, ao fundamentar a não alocação de determinados DARF, fez referência à Ação Ordinária nº 2598653.2012.4.01.3400, a qual foi impetrada justamente para que fosse afastada a multa de mora nos pagamentos em atraso realizados espontaneamente. Lembra que a matéria já se encontra pacificada no STJ, o que levou a PGFN a editar os Atos Declaratórios nos 04/2011 e 08/2011, dispensando os procuradores a contestar decisões que excluem a incidência de multa nos casos de denúncia espontânea. A fim de evidenciar o correto procedimento adotado, apresenta tabela em que resume os valores envolvidos que resultaram na apuração do saldo negativo pleiteado: Conclui que a DRF não aceitou o direito creditório sustentado justamente porque não reconheceu que a denúncia espontânea afastaria o pagamento de multas nos recolhimentos em atraso, o que enseja a reforma do despacho decisório em questão. Na continuação, passa a interessada a discorrer acerca das retenções não confirmadas ou confirmadas parcialmente. Expõe que havia sido intimada a apresentar os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras ou, alternativamente, cópia do DARF que tivesse a mesma base de cálculo correspondente à prestação dos serviços ou que informasse o número da nota fiscal, sendo que, neste último caso, o DARF deveria estar acompanhado do aludido documento fiscal. Argui que, não obstante os documentos requeridos tenham sido apresentados, algumas retenções não foram confirmadas pela Autoridade Tributária. Argumenta: A retenção na fonte efetuada no código 8045, CNPJ 00.000.000/000191, referese à autorretenção de IR sobre a comissão de administração de cartão de crédito, no total de R$ 11.495.759,40, conforme se depreende dos DARFs recolhidos (Anexo 10) e ora demonstrado no quadro/resumo abaixo: Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 5 7 Tais valores correspondem ao imposto retido sobre as comissoes pagas pelas empresas: CIELO S.A. CNPJ N° 01.027.058/000191 REDECARD CNPJ N° 01.425.787/0001 04); AMERICAN EXPRESS CN }J N° 07.965.479/000140; e PETROBRAS CNPJ N° 34.274.233/000102. E acrescenta que, em relação ao código de receita 8045, existe, ainda, o valor de R$ 1.033.434,42 compensado na apuração do saldo negativo em virtude de IRRF retido pela empresa CBSS, cujos comprovantes são apresentados no anexo 11. Registra que os DARF mencionados nas linhas nos 33, 34, 57, 73, 74, 96, 98, 114, 116, 119 e 129 do item “5” do Relatório de Intervenção do Usuário, segundo a DRF foram recolhidos em desacordo com a exigência do artigo 31, § 1°, da IN nº 480/2004. Quanto aos valores constantes nas linhas nos 27, 30, 40 e 114 do mencionado item 5, argumenta que os DARF já constam dos autos. No que toca às retenções tratadas nas linhas nos 2, 7, 10, 17, 18, 21, 26, 28, 39, 43, 80, 85, 92, 97, 107, 121 e 133, aduz que procede com a juntada do Comprovante Anual de Retenção e/ou de cópia dos DARF. E prossegue: Já em relação aos Comprovantes do INSS e do INCRA, cujos valores de IRRF totalizam R$ 671.142,78 (diferença a comprovar de R$ 664.795,92) e R$ 92.654,18, (diferença a comprovar de R$ 52.249,26), respectivamente, os mesmos foram solicitados às fontes pagadoras. Tão logo sejam entregues ao Banco, serão prontamente juntados aos autos. Em relação às retenções informadas nas linhas nos 24, 46, 47, 49, 50, 51, 52, 54, 55, 58, 66, 70, 87, 106, 115, 126 e 128 do aludido item 5, comunica não houve qualquer recolhimento por parte dos Institutos de Previdência Municipal ou das Prefeituras, os quais alegaram estar amparados no artigo 158 da Constituição Federal, que destina o produto da arrecadação do IRRF aos Municípios. Diante dos argumentos de que teria apresentado “farta” documentação e considerando a incidência do princípio da verdade material ao caso vertente, entende ter comprovado que Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 o saldo negativo de IRPJ apurado em 2009 é suficiente para compensar integralmente os débitos indicados nas Dcomp em apreço. Requer, destarte, a reforma do despacho decisório questionado. Quanto à matéria de direito, argumenta que o artigo 53 da Lei nº 9.784, de 1999, impõe à Administração Pública o dever de anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade e que o processo administrativo deve priorizar o princípio da verdade material. Argumenta: Destarte, e exclusivamente sob o aspecto formal, trazse a documentação comprobatória da retenção na fonte que formou o direto creditório declarado nos PER/DCOMPs, relativo ao saldo negativo de IRPJ 2009, e também do andamento processual atualizado da Ação Ordinária n 2598653.2012.4.01.3400 (onde se pleiteia o não pagamento das multas moratórias em face das denúncias espontâneas realizadas), demonstrando que a glosa procedida é de toda improcedente. Neste ponto, não se pode olvidar que o Banco é possuidor do crédito alegado, conforme se depreende da DIPJ e DCTF regularmente apresentadas, demonstrando que a suposta insuficiência de crédito nos PER/DCOMP apresentados é de toda improcedente. E tal situação pode ser verificada pela simples leitura da ficha 12B da DIPJ 2009 (Anexo 3), onde está demonstrada a existência de saldo negativo, cujo valor declarado é suficiente para se promover as respectivas compensações declaradas. Destarte, ao teor dos documentos que ora se junta, uma vez demonstrado que o Banco é possuidor de crédito suficiente, inexistem razões para a manutenção da decisão proferida, devendo, por conseguinte, ser reformado o Despacho Decisório recorrido. É o que se requer. Assevera que o artigo 149 do CTN obriga o Fisco a revisar de ofício o lançamento não podendo deixar de apreciar questões suscitadas que fragilizem o crédito tributário. Impedese, assim, que se cobre do contribuinte o que ele não deve. Lembra, ainda, que as ações da Administração devem se pautar nos princípios da legalidade, da razoabilidade e da moralidade. Ante o exposto, requer que seja acolhida a manifestação de inconformidade interposta e que sejam homologadas as compensações objeto do presente feito. A 13ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações, por meio do Acórdão nº 1450.298, de 13/05/2014, que recebeu a seguinte ementa, fls. 864: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 6 9 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete à interessada demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, consoante os ditames do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CRÉDITO JUDICIAL. O crédito judicial hábil a embasar as compensações pretendidas pela contribuinte é aquele oriundo de decisão judicial transitada em julgado, segundo o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Nos termos do § 2º do artigo 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, para que determinada retenção seja computada na formação do saldo negativo, é imprescindível a apresentação do comprovante de retenções emitido pela fonte pagadora a ser elaborado em conformidade ao estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000. RETENÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA À TRIBUTAÇÃO. Nos termos do inciso III do § 4º do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, somente podem compor o saldo negativo apurado as retenções vinculadas a rendimentos efetivamente oferecidos à tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 12/06/2014 (fls. 893), a contribuinte, em 11/07/2014, interpôs o recurso voluntário de fls. 12201240, reiterando as alegações apresentadas na fase de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Do não pagamento da multa moratória nos recolhimentos realizados em atraso Em relação a este tema, repetindo o que foi alegado na fase de manifestação de inconformidade, a contribuinte sustentou que não efetuou o pagamento da multa de mora nos recolhimentos realizados em atraso porque estava amparada por medida liminar proferida pelo Juízo da 8ª Vara Federal do Distrito Federal nos autos da Ação Ordinária nº 25986 53.2012.4.01.3400 (v. fls. fls. 562 e seguintes). Reiterou que a PGFN editou os Atos Declaratórios nos 04/2011 e 08/2011, autorizando expressamente “a dispensa da apresentação de contestação, recursos ou a desistência dos já interpostos, para as ações que discutem a exclusão da incidência da multa nos casos de denúncia espontânea, ou mesmo a própria ocorrência da denúncia espontânea”. Alegação desprovida de sentido. Sobre o tema, manifestouse com grande propriedade a decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 871873: [...] deve ser salientado que não é o caso de este colegiado examinar se a situação fática posta nos autos está acobertada pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, [...] Uma vez que a interessada decidiu mover uma ação judicial com o objetivo de não ser compelida a pagar a multa de mora, ela renunciou ao direito de ver esta matéria debatida em sede de processo administrativo, conforme o disposto no artigo 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737, de 1979, e no artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 1980. Nesse sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal […] [...] A coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada pelo processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo da unicidade de jurisdição. Portanto, em consonância com o ADN nº 03/1996 da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, não é matéria a ser decidida por este colegiado a questão da incidência ou não da multa de mora nos pagamentos realizados em atraso que contribuíram para a formação do saldo negativo do IRPJ no período, devendo ser Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 7 11 apreciado, neste julgamento, apenas, qual a repercussão da discussão judicial nas compensações realizadas pela contribuinte. Sobre o tema, importa considerar o inteiro teor da Súmula nº 1 deste CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Importante frisar que as alegações da recorrente acerca de uma suposta violação aos princípios da razoabilidade e do não confisco também não podem ser apreciados por esta instância julgadora, posto que a questão de fundo – exigibilidade da multa de mora – foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. Superada esta questão, cumpre analisar qual a repercussão da discussão judicial nas compensações realizadas pela contribuinte. Sobre o tema, dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional que o crédito oferecido na compensação deve ser líquido e certo, ou seja, não pode ser objeto de qualquer litígio entre o Fisco e o contribuinte, verbis (grifado): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Por sua vez, o art. 170A do mesmo CTN estabelece que eventual direito creditório decorrente de ação judicial somente poderá ser objeto de compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial que lhe serve de supedâneo, verbis (grifado): Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A decisão de piso analisou com bastante lucidez este dispositivo legal, fls. 873: Uma vez que o artigo 170A supra transcrito não faz qualquer referência à natureza ou à origem do direito creditório pleiteado, o fato de a matéria já sido objeto de dispensa de recursos por parte da PGFN não interfere na conclusão pela falta de liquidez e certeza do direito creditório em questão. Tal entendimento está consagrado na jurisprudência do STF: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Recurso Especial nº 1.167.039, de 25/10/2010) A decisão de piso também analisou com grande objetividade e precisão esta jurisprudência do STF, fls. 873. Ora, se a compensação deve esperar o encerramento da ação judicial mesmo em casos concretos de inconstitucionalidade reconhecida pelo STF, mais ainda deve ela também aguardar o trânsito em julgado quando se tratar de dispensa de recurso pela PGFN. Por fim, cumpre destacar que consulta ao endereço eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, realizada na data de prolação da decisão recorrida, comprovou que a ação ordinária movida pela contribuinte não havia sequer sido decidida em primeira instância. Assim, parte do saldo negativo pleiteado pela interessada pressupõe o afastamento da multa de mora. Esta parcela do direito creditório, por se basear em decisão judicial não transitada em julgado, não ostenta as características de liquidez nem certeza, impedindo seu cômputo na formação do saldo negativo passível de ser utilizado em compensações. Diante do exposto, considero que em relação ao presente tema, a decisão de piso não merece quaisquer reparos. Das parcelas de retenção de IRPJ não confirmadas pela autoridade fiscal Retenções efetuadas no código 8045 O não reconhecimento destas retenções foi assim justificada pela autoridade fiscal da unidade de origem: Em resposta à Intimação n° 1.335/2012 (fls. 100/101 cc 252/253), a contribuinte esclareceu que a retenção efetuada no código 8045, pelo próprio Banco do Brasil, referese à autoretenção na qual o beneficiário do pagamento se obriga no recolhimento sob o referido código. Apresentou a planilha de fl. 384, onde constam os valores recebidos pela prestação de serviços de administração de cartão de crédito e os respectivos valores das retenções. Tendo em vista que os valores informados pelo Banco do Brasil não foram encontrados na base de dados da RFB, as empresas relacionadas na Planilha de fl. 384, foram intimadas (fls. 802/806) a informar e comprovar os valores pagos, mensalmente, ao Banco do Brasil, no anocalendário 2009. Em resposta, as referidas empresas nos informaram os seguintes valores pagos ao Banco do Brasil, no período de 01/01 a 30/11/2009, a título de comissão: CIELO S/A R$ Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 8 13 604.036.504,73 (fls.807/809); REDECARD S/A R$ 430.504,40 (fls. 810/814); e CBSS – R$ 28.721.550,76 (fls. 815/840). O BANCO BANKPAR (fls. 841/849) e a PETROBRÁS (fls. 850/862) informaram que não houve nenhum pagamento ao Banco do Brasil a título de comissões e corretagens. Dessa forma, será confirmada a retenção, no código 8045 (1,5% do valor dos rendimentos recebidos, que totalizam RS 633.188.559,89), correspondente às parcelas informadas pelas fontes pagadoras. Em sua peça recursal, repetindo o que foi alegado na fase processual antecedente, a contribuinte afirmou tratarse de autorretenção incidente no pagamento de comissões ao Banco do Brasil, verbis: Tais valores correspondem ao imposto retido sobre as comissões pagas pelas empresas: CIELO S.A. CNPJ N° 01.027.058/000191 REDECARD CNPJ N° 01.425.787/0001 04); AMERICAN EXPRESS CNPJ N° 07.965.479/000140; e PETROBRÁS CNPJ N° 34.274.233/000102. Conforme bem exposto pela decisão de piso, nesta hipótese a retenção somente poderia integrar o saldo negativo se os comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras fossem apresentados ao Fisco, nos termos dos artigos 15 e 16 da IN RFB nº 888, de 2008. A decisão de piso, por meio de extenso arrazoado (fls. 875 e seguintes), demonstrou que o art. 64 da Lei nº 9.430/96 e art. 34 da Lei nº 10.833/03 referemse apenas a pagamentos realizados pela Administração Pública Direta e Indireta, não abrangendo fontes pagadoras de direito privado, tais como Cielo, Redecard e American Express. A decisão de piso procedeu, outrossim, uma análise bastante completa e detalhada acerca dos DARF com código 8045, apresentados pela contribuinte no anexo 10 da sua manifestação de inconformidade. Sobre o tema, assim concluiu o voto condutor da decisão de piso, fls. 878 (grifado): A análise fiscal ressaltou que o valor recolhido não corresponde, em sua totalidade, a rendimentos comprovadamente recebidos e sujeitos à retenção. Em conseqüência, reconheceu apenas parte do valor recolhida como antecipação passível de integrar o saldo negativo. Neste contexto, para que se reconheça um direito creditório superior ao admitido pela Fiscalização, deveria a interessada comprovar o efetivo recebimento dos rendimentos que lhe teriam sido pagos pelas empresas informadas. Na ausência desta prova, não há como se afastar o despacho decisório. Importante frisar que as provas requeridas também não foram apresentadas em sede recursal, de onde se conclui que, neste particular, a decisão de piso não merece reforma. Ainda no que tange a retenções efetuadas sob o código de receita 8045, assim se manifestou a recorrente em sua peça recursal, fls. 905: Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 O valor de R$ 602.611,16 referese ao IRRF sobre os pagamentos efetuados pelo CBSS nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, que foram compensados no ano de 2009. [...] Sobre o tema, por economia processual, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes da decisão de piso, fls. 879880: Outro problema na argumentação oferecida pela contribuinte diz respeito ao período a que se referem as retenções promovidas pela empresa CBSS que contribuíram para a formação do saldo negativo apurado em 30/11/2009. Prescreve o inciso III do § 4º do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996 [...] que as retenções hábeis a compor o saldo negativo são aquelas relacionadas a receitas oferecidas à tributação: […] Com isso, apenas pode compor o saldo negativo do período o IRRF vinculado a rendimentos auferidos no período de 01/01/2009 a 30/11/2009, o que afasta a pretensão da interessada de incluir, no referido saldo, retenções realizadas em outros anos. Mesmo que se restrinja a análise do direito creditório às retenções informadas no comprovante de rendimento de 2009 emitido pela empresa CBSS (fl. 608), ainda assim não seria possível se decidir favoravelmente à interessada. Isto porque não foram juntadas aos autos provas de que tais rendimentos teriam sido oferecidos à tributação, sobretudo tendo em conta que não se encontra informada na Ficha 54 da DIPJ do período os rendimentos auferidos de tal fonte pagadora. De fato, é necessário que a contribuinte demonstre, por meio de sua escrituração contábil e documentos pertinentes, que os rendimentos de R$ 29.158.934,79 (= 6.769.000,54 + 7.094.142,94 + 7.140.911,54 + 8.154.879,77) efetivamente foram computados na apuração do lucro real e devidamente oferecidos à tributação. Sem tal prova, as referidas retenções não podem ser computadas na formação do saldo negativo passível de compensação. Sobre o tema, é pacífica a jurisprudência no âmbito deste CARF: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova por excelência do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a respaldam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB. (Acórdão nº 3401002.487) COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte o ônus de provar o que alega. Não tendo este instruído o processo com a documentação necessária à comprovação dos seus argumentos, tornamse insubsistentes e vazias as razões formuladas.” (Acórdão 20309342) Assim sendo, em relação ao presente tema, considero que a decisão de piso não merece quaisquer reparos. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 9 15 DARFs referentes às linhas 33, 34, 57, 73, 74, 96, 98, 114, 116, 119, 123, 124 e 129 do item 5 do Relatório de Intervenção do Usuário Em relação a estes DARFs, a contribuinte, em sua peça recursal, discordou do entendimento fiscal, nos seguintes termos, fls. 906: […] as respectivas fontes pagadoras são pessoas jurídicas de Direito Privado e, portanto, regidas pela IN SRF nº 459/2004. Logo, não há que se falar em inobservância da exigência do art. 31, § 1º da IN SRF nº 480/2004, cujo normativo não se aplica às aludidas fontes pagadoras. Alegação desprovida de sentido. Na verdade, o art. 31 da aludida IN SRF nº 480/2004 apenas reproduz a regra geral, aplicável a todas as fontes pagadoras, e que exige o fornecimento do comprovante anual de retenção, informando a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. O § 1º da citada IN SRF nº 480/2004 estabelece uma forma alternativa e simplificada de comprovação da retenção, verbis: § 1º Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia do Darf, desde que este contenha a base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. Mas, como bem apontado pela própria recorrente, a referida forma simplificada de comprovação de retenção (mediante cópia do DARF) somente se aplica a pessoas jurídicas de direito público. No caso específico, a própria recorrente afirma que as fontes pagadoras são pessoas jurídicas de direito privado. Consequentemente, a elas se aplicam as regras gerais de comprovação da retenção, já analisadas no corpo do presente voto. Diante do exposto, em relação ao presente tema, considero que a decisão recorrida não merece reparos. DARFs referentes às linhas 27, 30, 114, 2, 7, 10, 17, 18, 21, 26, 28, 39, 43, 80, 85, 92, 97, 107, 121 e 133 do item 5 do Relatório de Intervenção do Usuário Em relação a tais retenções, repetindo o que alegou na fase processual antecedente, a contribuinte limitouse a argumentar que todos os DARF relacionados a estas retenções constam dos autos. No entanto, para que um DARF relacionado a retenção do IRPJ possa efetivamente contribuir para a formação do saldo negativo, é imprescindível que exista um comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, nos exatos termos do § 2º do artigo 943 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), verbis: Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Além disso, há outro requisito para que a retenção possa ser computada no saldo negativo: tratase do necessário oferecimento à tributação do rendimento a ela correspondente, consoante previsão contida no inc. III do § 4º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III – do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Como facilmente se percebe, a legislação de regência impõe o exame de outros elementos, além dos DARF, para que o saldo negativo pleiteado seja reconhecido pelo Fisco. No caso específico dos autos, a contribuinte (ora recorrente) abstevese de trazer aos autos qualquer prova que corroborasse suas argumentações sobre a procedência do direito creditório sustentado, ônus que lhe cabe em vista do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Diante do exposto, também em relação ao presente tema, considero que a decisão recorrida não merece reparos. Comprovação das retenções mencionadas nas linhas 2, 43 e 93 do item 5 do Relatório de Intervenção do Usuário Em relação a estes itens, a contribuinte, em sua peça recursal, admite expressamente que houve divergência entre os código de receita informado pela recorrente e pela fonte pagadora. Alegou, contudo, que tal divergência não prejudica o direito creditório quanto aos valores constantes dos comprovantes de retenção. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.902555/201381 Acórdão n.º 1401001.494 S1C4T1 Fl. 10 17 Não assiste razão à recorrente. Os comprovantes de retenção juntado aos autos não se referem a direito creditório pleiteado não reconhecido pelo Fisco. Além da divergência de códigos de receita, também há divergência de valores. Consequentemente, é impossível se chegar à conclusão de que o documento juntado pela contribuinte efetivamente seja capaz de comprovar a efetividade daquela retenção, bem como o oferecimento à tributação da receita correspondente. Pelo exposto, em relação ao presente tema, o presente recurso voluntário não merece prosperar. Comprovação das retenções mencionadas nas linhas 18, 21, 36, 27, 30, 82, 114, 118, 121 e 135 do item 5 do Relatório de Intervenção do Usuário Em relação a tais itens, a contribuinte, em sua peça recursal afirmou o seguinte, fls. 907: […] embora as fontes pagadoras tenham sido demandadas ainda não forneceram os comprovantes de retenção ao recorrente até o momento. Assim que entregues serão juntados aos autos. Até o momento, tais documentos não foram juntados aos autos. Conforme exaustivamente demonstrado ao longo do presente voto, a simples juntada de DARFs não constitui meio de prova suficiente para a comprovação do direito creditório pleiteado pela contribuinte, nos termos da legislação em vigor. Assim sendo, também em relação ao presente tema, considero que o presente recurso voluntário não merece ser provido. Comprovantes referentes às retenções realizadas pelo INSS e INCRA Em sua peça recursal, a contribuinte admitiu expressamente que tais retenções referemse a outros anoscalendário (2007 e 2008). Na prática, a recorrente não trouxe aos autos fatos novos capazes de ensejar a retificação do entendimento exarado pela AuditoraFiscal e ratificado pelo colegiado julgador a quo. Assim sendo, também em relação ao presente tema, considero que a decisão de piso não merece reparos. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 18 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Com a devida vênia ao ilustre relator, divirjo da sua conclusão acerca da questão relativa à multa de mora sobre estimativas recolhidas intempestivamente. Considerar que os valores pagos a título de estimativas devem ser descontados da multa de mora, por meio da imputação proporcional, para fins de apurar o valor do saldo negativo anual, implica cobrar a referida multa em violação ao que determinou a ação judicial. A tutela obtida não é para restituir uma exação paga pelo interessado. Se fosse, aí sim, era necessário aguardar o trânsito em julgado da medida para possibilitar a compensação, conforme o art. 170A do CTN citado pelo relator. A decisão judicial impede que a Fazenda Pública cobre a referida multa. A imputação proporcional com o consequente reconhecimento a menor de saldo negativo é uma forma de exigir a sanção pecuniária. É negar efetividade a uma tutela judicial que impede o fisco de cobrar o valor digladiado. Considero, pois, que o saldo negativo pleiteado deve ser reconhecido a partir das estimativas recolhidas sem a imputação proporcional com a multa moratória. Meu entendimento não corresponde a reconhecer um crédito tributário desprovido de certeza e liquidez em razão do embate judicial. É o contrário. Corresponde a cumprir a decisão judicial que impede a cobrança da sanção moratória. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13637.001023/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS.
Glosadas deduções pleiteadas na Declaração Anual de Ajuste, cabe então ao contribuinte provar, por meio de documentação hábil e idônea, que faz jus a cada uma delas. Hipótese em que o recorrente apresenta documentos que devem ser reconhecidos e aproveitados em seu favor. Restabelecimento da dedução com despesas médicas.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROVAS A CARGO DO CONTRIBUINTE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, a instrução probatória que deve ser realizada pelo contribuinte. Sua não realização, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Precedentes CSRF.
Nada obstante, conforme § 3º do artigo 59, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a autoridade julgadora não pronunciará nulidade nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 34.000,00.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. Glosadas deduções pleiteadas na Declaração Anual de Ajuste, cabe então ao contribuinte provar, por meio de documentação hábil e idônea, que faz jus a cada uma delas. Hipótese em que o recorrente apresenta documentos que devem ser reconhecidos e aproveitados em seu favor. Restabelecimento da dedução com despesas médicas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROVAS A CARGO DO CONTRIBUINTE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, a instrução probatória que deve ser realizada pelo contribuinte. Sua não realização, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Precedentes CSRF. Nada obstante, conforme § 3º do artigo 59, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a autoridade julgadora não pronunciará nulidade nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13637.001023/2010-87
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5594782
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.316
nome_arquivo_s : Decisao_13637001023201087.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13637001023201087_5594782.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 34.000,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6398980
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423130726400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 261 1 260 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13637.001023/201087 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.316 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria IRPF Recorrente EVILÁZIO GUERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. Glosadas deduções pleiteadas na Declaração Anual de Ajuste, cabe então ao contribuinte provar, por meio de documentação hábil e idônea, que faz jus a cada uma delas. Hipótese em que o recorrente apresenta documentos que devem ser reconhecidos e aproveitados em seu favor. Restabelecimento da dedução com despesas médicas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROVAS A CARGO DO CONTRIBUINTE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, a instrução probatória que deve ser realizada pelo contribuinte. Sua não realização, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Precedentes CSRF. Nada obstante, conforme § 3º do artigo 59, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a autoridade julgadora não pronunciará nulidade nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 34.000,00. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 10 23 /2 01 0- 87 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13637.001023/201087 Acórdão n.º 2202003.316 S2C2T2 Fl. 262 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório o elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, cujas partes transcrevo da folha 209 e seguintes, e que complemento ao final: Tratase de processo de Impugnação de Notificação de Lançamento nº 2008/986145744291171, fls.19/26, resultante do trabalho de Malha Fiscal, cuja ciência deuse em 29/11/2010, fl. 40, e foi apresentada pelo representante da interessada em 29/12/2010, tendo sido encaminhado para esta Turma de Julgamento. O lançamento de ofício é relativo à Imposto de Renda Pessoa Física, Exercício 2008, anocalendário 2007, no qual se apurou um crédito tributário a época no valor de R$ 18.989,25. De acordo com o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento (fls. 21/24), por meio do procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA, foram apuradas as seguintes infrações: 1) Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 34.000,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado:” Enquadramento Legal: “Art. 8º, inciso II, alínea ‘a’, e §§ 2º e 3º, da Lei Nº 9.250/95, arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001 e arts. 73, 80, 83, inciso II do Decreto 3.000/99 – RIR/99”. A autoridade lançadora na descrição dos fatos informou que não foi comprovado o efetivo desembolso das despesas pleiteadas. E, assim analisou os recibos entregues pelo contribuinte: 1 – MARILIA DE CARVALHO MIRANDA: 1 recibo de R$ 12.000,00, referente à tratamento psicoterápico no período de janeiro a dezembro com dez sessões mensais de R$ 100,00 cada. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13637.001023/201087 Acórdão n.º 2202003.316 S2C2T2 Fl. 263 3 2 – THAISA SILVEIRA BELLOZI: 2 recibos no valor de R$ 2.000,00 cada sem data completa, referentes à tratamento odontológico. 3 – OTAVIO ROMUALDO DA SILVA PEREIRA: 1 recibo no valor de R$ 2.000,00, 2 recibos no valor de R$ 1.500,00 cada, sem data completa, referentes à tratamento odontológico. 4 – VINICIUS DE PAIVA: os recibos emitidos não foram considerados suficientes para comprovação da dedução pleiteada em função de ser considerado exagerado, além de não conterem de forma clara o nome do responsável pelo pagamento, o valor do pagamento, a forma de pagamento (no caso de parcelamento, devem ser discriminados data e valor de cada uma das parcelas), data da emissão dos documentos (dia, mês e ano), beneficiário do serviço, emitente do documento, com registro de habilitação profissional no Conselho Regional de Classe e assinatura da pessoa física responsável pela emissão do documento. E à fl. 22, assim completou a descrição dos fatos: Tais recibos não foram considerados suficientes para comprovação da dedução pleiteada tendo em vista que o total das despesas médicas foi considerado exagerado. Além disto, os recibos foram emitidos em desacordo com o exigido na legislação vigente, uma vez que os documentos comprobatórios das despesas médicas devem identificar de forma clara e legível o nome do responsável pelo pagamento efetuado; o valor do pagamento; a forma de pagamento (no caso de parcelamento, devem ser discriminados data e valor de cada uma das parcelas), data da emissão do documento (dia, mês e ano), o beneficiário do serviço (declarante, dependente ou terceiro), o emitente do documento nome, endereço, CNPJ (pessoas jurídicas) ou CPF (pessoas físicas), neste caso, com respectivo registro de habilitação profissional no Conselho Regional de Classe e assinatura da pessoa física responsável pela emissão do documento. (...) Inicialmente cabe esclarecer que, em principio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Existindo dúvida quanto a efetividade dos gastos médicos declarados,especialmente quando se mostrarem exagerados, a legislação tributária permite que a autoridade tributária não acate simples recibos como provas suficientes para evidenciar as efetivas realizações dos gastos podendo solicitar elementos adicionais que demonstrem a veracidade das deduções pleiteadas. Assim, para se gozar de deduções referentes a despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação do pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando os pagamentos forem questionados pela fiscalização. , Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13637.001023/201087 Acórdão n.º 2202003.316 S2C2T2 Fl. 264 4 2) Compensação Indevida de Carnê Leão Constatouse compensação indevida a título de carnêleão, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 103,00, referente à diferença entre o valor declarado de R$ 1.707,26 e o efetivamente comprovado R$ 1.604,26. Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que: => atendeu ao termo de intimação apresentando a documentação solicitada; => ao ser questionado sobre a efetividade dos pagamentos informou que efetuou os pagamentos de suas despesas médicas em espécie; => a fiscalização não fundamentou o seu lançamento em razões legais e reais, com base em lei específica; => a fiscalização mesmo admitindo que os recibos apresentados seriam idôneos glosou as despesas sem fundamentação legal, dizendo que a glosa seria em função da falta de comprovação do efetivo desembolso e a entrega dos recursos aos profissionais citados; => Transcreve os arts. 43 a 46 da Instrução Normativa nº 15/2001 e o art. 8º da Lei nº 9.250/2005, afirmando que não haveria previsão legal para a fundamentação da glosa; => Transcreve decisões do CARF neste sentido; => não há qualquer obrigação para que o contribuinte faça saques bancários para cada uma das despesas médicas que tenha que pagar; => Questiona ainda o caráter confiscatório da multa aplicada; => Concorda com a infração de dedução indevida de carnê leão. Foi juntado o dossiê aos autos, fls. 48/202. Conhecida pela DRJ, a impugnação do contribuinte foi assim tratada, em suma (fl. 66 e ss.): constatou a ausência de contraditório em relação à infração capitulada como compensação indevida de carnê leão; transcreveu o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995 e os artigos 73, 43 e 46 do RIR/1999, para então observar que os recibos foram glosados em função da não comprovação do efetivo pagamento das despesas bem como por não terem cumprido as exigências legais. Elaborou um quadro resumo, onde se verifica que apenas em relação ao recibo de R$ 12.000,00, emitido por Marília de Carvalho Miranda, apontouse a "falta de endereço da profissional", nos demais, o problema foi a não comprovação da efetividade do pagamento Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13637.001023/201087 Acórdão n.º 2202003.316 S2C2T2 Fl. 265 5 após longa argumentação, resume que, uma vez requisitado pela Fiscalização, caberia ao contribuinte comprovar a efetividade da entrega dos recursos para pagamento das despesas, decidindo por manter a glosa "pela falta da comprovação do pagamento". Cientificado dessa decisão em 09/06/2014 (AR na folha 220) e inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/07/2014 (protocolo na folha 221), onde assim manifesta sua insatisfação, em síntese: salienta que não obstante ter apresentado os recibos dos pagamentos das despesas médicas e diversos documentos, a Fiscalização houve por desconsiderar as deduções pleiteadas em sua declaração; a Turma Julgadora da impugnação não analisou os demais documentos acostados aos autos, que corroboram as informações dos recibos (laudos e declarações); deveria ser verificada a situação fiscal dos emitentes dos recibos para determinar a compatibilidade com a emissão dos mesmos; quanto à questão do endereço faltante em um dos recibos, diz que a falta foi suprida pela declaração da mesma profissional, que consta dos autos; no mais, cita jurisprudência e legislação, para defender que o pagamento pode ser feito em dinheiro e que o recibo é documento hábil à comprovação. Ademais, ainda na fase preparatória do lançamento, apresentou recibos, declarações e laudos que não poderiam ser desconsiderados, ante a inexistência de indícios de falsidade que pudessem afastar a presunção de veracidade dos recibos. PEDE que seja acolhido seu recurso, para cancelamento do crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento em debate. São anexadas decisões deste CARF relativas ao mesmo contribuinte e a glosa de despesas médicas, dos exercícios de 2005, 2006 e 2007. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf) A matéria expressamente discutida no recurso é atinente apenas à questão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 34.000,00, no exercício de 2008, ano calendário de 2007, estando as demais questões preclusas, a teor do artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13637.001023/201087 Acórdão n.º 2202003.316 S2C2T2 Fl. 266 6 O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estatui que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A Autoridade Fiscal, apontando o valor de R$ 34.000,00 declarado como dedução a título de despesas médicas, considerou o total "exagerado" e, portanto, os recibos não foram suficientes para a comprovação dos pagamentos neles especificados. registrou a resposta do contribuinte a seu Termo de Intimação Fiscal, no que tange à apresentação de declarações firmadas pelos profissionais emitentes e ao questionamento quanto á possibilidade de pagamento em dinheiro. Entendeu que não foram apresentados extratos bancários que indicassem saques em datas e valores compatíveis com os pagamentos em questão. Nessa mesma linha, ao discutir o caso, a Turma Julgadora de 1ª instância se posicionou pela não comprovação da efetividade da despesa, por falta de comprovação do pagamento. O contribuinte repisa que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente, o que não é proibido. Venho externando que não é plausível efetuar “juízo” sobre o “juízo” da Autoridade Lançadora, que entendeu por considerar “exageradas” as deduções pleiteadas. Existe o dispositivo legal, acima transcrito, que lhe confere essa prerrogativa. Mas, por outro lado, devese considerar no julgamento o conjunto fático probatório existente nos autos, para formar a livre convicção sobre a procedência das despesas efetuadas e se seria o caso, isso considerado, da Autoridade Lançadora dever aprofundar seu procedimento para então demonstrar a inidoneidade dos recibos e sedimentar a glosa efetuada. Temos diversos casos em que o contribuinte não atende às intimações para prestar esclarecimentos e mantémse em silêncio, não podendo a fiscalização aprofundarse em mais nada e devendo mesmo proceder a glosa das despesas, com respaldo legal. Mas nestes autos, conforme registrouse na Notificação de Lançamento, houve resposta, com a apresentação de “declarações firmadas pelos emitentes dos recibos confirmando a prestação do serviço", conforme folha 22. Era o caso, então, de se “circularizar” junto aos declarantes, para confirmar ou não a prestação e o recebimento, tornando mais robusta de elementos eventual glosa. Mas isso não foi feito. Observo que na folha 33 consta Certidão de óbito de Evilázio Guerra Filho, falecido em 1996, em virtude de acidente, aos 16 anos de idade, filho do contribuinte recorrente, e na folha 34 consta encaminhamento médico para “apoio psicoterápico e fisioterápico” considerando “doença de diverticulite” e cirurgia, de lavra de médico que não é um dos emitentes dos recibos questionados, com data de 2001. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13637.001023/201087 Acórdão n.º 2202003.316 S2C2T2 Fl. 267 7 Na folha 35, Marília de Carvalho Miranda, psicóloga e psicoterapeuta, declara que realizou tratamento contra “depressão/ansiedade” durante o ano de 2007, tendo recebido R$ 12.000,00 pagos por 10 sessões mensais a R$ 100,00 cada. Na folha 36, Vinícius de Paiva diz ter recebido durante o ano de 2007, R$ 13.000,00 referentes a tratamento fisioterápico e reeducação postural, em moeda corrente. Na folha 37, Otávio Pereira descreve o tratamento odontológico que realizou no contribuinte (raspagem e alisamento, enxerto e terapia), dizendo ter recebido R$ 5.000,00 em 2007. Na folha 38, Thaiza Bellozzi diz realizou sessões de fisioterapia facial e colocação de placas, atestando o recebimento de R$ 4.000,00. É possível verificar que ambos os tratamentos odontológicos foram realizados na Clínica Dr. Breno, na Avenida Contagem, 1112, Santa Inês, Belo Horizonte/MG. Destaco, portanto, que documentos e informações adicionais que comprovem a “prestação do serviço”, como os aqui mencionados, servem como elementos de prova a subsidiar os recibos, e não apenas e exclusivamente a comprovação do pagamento. Nesses casos, caberia à autoridade lançadora demonstrar a inidoneidade dos recibos. Enfim, face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para ser cancelada a exigência fiscal consubstanciada na Notificação de Lançamento aqui em discussão (fl. 19), em relação à glosa de despesas médicas, considerando o não questionamento de parte da autuação nestes autos (fl. 203/206). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002433/2003-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/01/2002
IMPOSTO DE IMPROTAÇÃO. EXTRAVIO DE MERCADORIA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Por expressa determinação do decreto regulamentar, vinculante de todos os julgadores administrativos, o fato gerador do imposto de importação devido em consequência de extravio de mercadoria armazenada em depósito alfandegado ocorre no momento da apuração da falta pela autoridade aduaneira.
Numero da decisão: 9303-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo para exame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou, em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do ex-conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Da Costa Possas (Presidente Em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer De Castro Souza (Suplente Convocado), Robson Jose Bayerl (Suplente Convocado) e Valcir Gassen (Suplente Convocado) e as Conselheiras Erika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/01/2002 IMPOSTO DE IMPROTAÇÃO. EXTRAVIO DE MERCADORIA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Por expressa determinação do decreto regulamentar, vinculante de todos os julgadores administrativos, o fato gerador do imposto de importação devido em consequência de extravio de mercadoria armazenada em depósito alfandegado ocorre no momento da apuração da falta pela autoridade aduaneira.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10907.002433/2003-09
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5615611
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.197
nome_arquivo_s : Decisao_10907002433200309.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10907002433200309_5615611.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo para exame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou, em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do ex-conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Da Costa Possas (Presidente Em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer De Castro Souza (Suplente Convocado), Robson Jose Bayerl (Suplente Convocado) e Valcir Gassen (Suplente Convocado) e as Conselheiras Erika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6455677
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423133872128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 409 1 408 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10907.002433/200309 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.197 – 3ª Turma Sessão de 07 de julho de 2016 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. EXTRAVIO DE MERCADORIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TCP TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/01/2002 IMPOSTO DE IMPROTAÇÃO. EXTRAVIO DE MERCADORIA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Por expressa determinação do decreto regulamentar, vinculante de todos os julgadores administrativos, o fato gerador do imposto de importação devido em consequência de extravio de mercadoria armazenada em depósito alfandegado ocorre no momento da apuração da falta pela autoridade aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo para exame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou, em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do exconselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 24 33 /2 00 3- 09 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Da Costa Possas (Presidente Em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer De Castro Souza (Suplente Convocado), Robson Jose Bayerl (Suplente Convocado) e Valcir Gassen (Suplente Convocado) e as Conselheiras Erika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Relatório A Fazenda Nacional busca reverter decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes assim ementada naquilo que interessa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO CRITÉRIO TEMPORAL DO FATO IMPONÍVEL EXTRAVIO No caso de avaria ou extravio, em que o responsável tributário pela indenização da Fazenda dos impostos que deixaram de ser recolhidos, o critério temporal do fato imponível deve ser determinado pela aplicação do art. 1° § 2°, c/c parágrafo único do art. 23 do DecretoLei 37/66, ou seja, na data do conhecimento da autoridade aduaneira da ocorrência da f alta ou extravio. IRRETROATIVIDADE DAS NORMAS TRIBUTARIAS — As normas trazidas pela Medida Provisória n° 135/2003 que instituíram nova sistemática de cálculo da indenização dos impostos devidos à Fazenda por conta da responsabilidade pelo extravio de mercadoria, somente pode alcançar os fatos geradores ocorridos após a data da publicação do novel regramento. Ela decidiu autuação assim relatada pela decisão de primeiro grau: Trata o presente processo da Notificação de Lançamento de fls. 07 a 12 por meio da qual é procedida a exigência de R$ 1.888.246,44 (um milhão oitocentos e oitenta e oito mil duzentos e quarenta e seis reais e quarenta e quatro centavos) de Imposto de Importação. Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 08 a 10 a exigência é decorrente do desaparecimento de 5 (cinco) contêineres apurado em procedimento de Vistoria Aduaneira (fls. 01 a 06). Como aí indicado, o lançamento se restringiu ao imposto, não sendo a ele acrescidas, ao menos não neste processo, quaisquer multas, apesar das referências a elas feitas no Termo de Vistoria de fls. 01 a 06 e na descrição dos fatos, de fls. 08 a 10. Isso foi, aliás, expressamente mencionado na decisão recorrida: O presente feito teve início com procedimento de Vistoria Aduaneira instaurado em 10/10/2003, conforme fls. 01 a 06, firmado pelo relator e membro da comissão de investigação. Da vistoria aduaneira decorreu o Auto de Infração que sob o título "Vistoria Aduaneira — Falta de Mercadoria — Depositário" foi imputada a responsabilidade tributária ao depositário com descrição de conduta fraudulenta para Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.002433/200309 Acórdão n.º 9303004.197 CSRFT3 Fl. 410 3 aplicação da penalidade agravada de 150% na forma do art. 645 do RA, além da multa fixa por contêiner extraviado prevista no art. 107 do DecretoLei 37/66. Tais multas, apesar de mencionadas na descrição dos fatos e enquadramento legal, não foram objeto de cálculo e lançamento.(destaquei) A decisão ora recorrida apontou ter ocorrido nulidade no lançamento por ter sido aplicada legislação ainda não vigente quando da ocorrência do fato gerador, porquanto o fato imponível se verificaria na data da comunicação feita pelo próprio autuado à Administração aduaneira nos termos do parágrafo único do art. 23 do Decretolei 37/66. O recurso especial é por contrariedade à lei e à prova dos autos. Aduz ele terem sido contrariados os artigos 114 e 144 do CTN, os artigos 72, § 1º e 73, II, c, do Decreto n.° 4.345/2002, 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Transcrevo, em seguida, os fundamentos expostos pela Fazenda Nacional quanto à contrariedade aos arts. 114 e 144 do CTN e ao art. 73, II do Decreto 4.543: A hipótese dos autos, em que houve o ingresso da mercadoria no território aduaneiro, com seu armazenamento em local alfandegado e posterior extravio, sem que o importador tivesse ainda providenciado o registro da importação via Siscomex, considerase ocorrido o fato gerador na data em que a autoridade aduaneira apurou a falta ou dela tomou conhecimento. Devese atentar, no entanto, para o correto entendimento de cada uma dessas expressões. Não se pode admitir que, enquanto a apuração da falta pela autoridade aduaneira ocorra após a realização de atos e procedimentos administrativos tendentes a identificar a ocorrência da infração, a tomada de conhecimento (parte final do dispositivo) se dê, para efeitos de ocorrência do fato gerador, com a mera comunicação informal feita pelo responsável tributário. Considerar que a simples comunicação realizada pelo contribuinte ou responsável tributário, que, digase de passagem, pode até mesmo ser inverídica, determina o aspecto temporal do fato gerador implicaria transferir para o sujeito passivo a delimitação dos elementos essenciais do fato gerador, atribuição exclusiva da autoridade administrativa, por meio do lançamento. Somente tomando em conta tais premissas é que se podem compreender as normas que regulamentam o dispositivo. Eis o teor do art. 73, II, "c", do Decreto n° 4.543/02: Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (Decretolei n° 37, de 1966, art. 23 e parágrafo único): I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: a) bens contidos em remessa postal internacional não sujeitos ao regime de importação comum; b) bens compreendidos no conceito de bagagem, acompanhada ou desacompanhada; e c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira. A leitura das normas de regência revela que, no caso concreto, jamais se poderia admitir a afirmação de que o lançamento seria nulo porque o fato gerador do imposto de importação ocorreu em momento anterior à edição da norma aplicada na determinação da base de cálculo e da alíquota do Imposto de Importação. Isso porque, na hipótese particular estampada nos autos, o fato gerador não se consolidou no momento em que a contribuinte comunicou o extravio das mercadorias ao Fisco, mas sim na ocasião em que a autoridade efetivamente verificou o extravio ocorrido, com a adoção das providências cabíveis. Tendo em vista a correta exegese das normas em comento, forçoso é assinalar que o fato gerador da exação só se aperfeiçoou com a realização do correspondente lançamento, notificado ao sujeito passivo em 14.11.03, não havendo que se cogitar de aplicação retroativa da Medida Provisória n° 135, de 30.10.03. Ou seja, não teria ocorrido aplicação retroativa de lei. Prossegue o recurso na linha de que, mesmo que se a considere ocorrida, haveria previsão para tanto no art. 144, § 1º do CTN dado ter a nova lei "apenas estabelecido novos critérios de apuração" consoante afirmado em decisão deste Conselho, que reproduz. Insurgese, ainda, o recurso contra a afirmação do julgado de que teria havido um "desvio na base de cálculo do tributo, pois os valores colhidos para o arbitramento foram provenientes de importações de portos marítimos e aeroportos, sendo que as importações realizadas via aérea conteriam um valor agregado muito maior que as realizadas pelo transporte marítimo". Esse aspecto levaria à nulidade do lançamento mesmo que se admitisse a aplicação da lei posterior. No recurso, a Fazenda aduz que a afirmação está em "franca contradição com a prova dos autos, já que, consoante se dessume dos documentos de fls. 1828, somente foram consideradas, no arbitramento da base de cálculo do imposto devido em razão do extravio do conteiner CRXU 475.6777, mercadorias importadas pela via do transporte marítimo, atendendose assim ao que determina o § 1° do art. 51 da Medida Provisória 135/03". Debruçase, por fim, o especial sobre a alegação de nulidade por descumprimento de requisitos, entendidos por necessários, no processo de vistoria aduaneira. Seriam eles a intimação para acompanhar os trabalhos tanto do depositário quanto do importador e do transportador. Afirma a Fazenda contrariados os arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72, dado não ter havido qualquer prejuízo à defesa, que foi amplamente exercida. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.002433/200309 Acórdão n.º 9303004.197 CSRFT3 Fl. 411 5 Demonstrada assim, em seu entender, a contradição à lei e à prova dos autos, pede a Fazenda seja "conhecido e provido o presente recurso, no sentido de reformar a decisão recorrida, para que se restaure o lançamento do Imposto de Importação". O despacho nº 3100010, de 12 de março de 2012, o admitiu com a seguinte lacônica fundamentação: O Recurso é tempestivo, a decisão foi não unânime, e a sessão de julgamento é anterior a 30/06/2009. Passo à análise da contrariedade indicada. A recorrente indica que o acórdão recorrido teria contrariado os artigos 114 e 144 CTN, 72. § 1°, e 73, II, c, do Decreto n°4.345/2002, e 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. Em face do exposto, dou seguimento ao recurso acima. Encaminhese à Unidade Local da RFB para ciência ao contribuinte do acórdão recorrido e deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões. O despacho não fixa os limites do recurso, motivo pelo qual as contrarrazões principiam por postular a imediata exclusão das multas aplicadas "que não teriam sido contestadas no recurso da Fazenda". Nelas, também, pedese o não conhecimento do recurso por não ter sido demonstrada a contrariedade, bem como apontase a inexistência de prequestionamento quanto à possibilidade de retroação da nova norma em face do § 1º do art. 144 do CTN. Defendese, no mérito, o acerto da decisão por seus próprios fundamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como de praxe, há de se começar o exame do recurso pela revisão de sua admissibilidade, especialmente neste caso concreto em que o despacho não lhe fixou o alcance e as contrarrazões a ele expressamente se voltam. Nesse particular, há de ser rejeitado o pleito inicial do contribuinte sobre as multas devidas pelas infrações apuradas, dado que nenhuma multa há aqui. Por outro lado, cabe, também, rejeitar a pretensão fazendária, expressa ao final do seu bem fundamentado recurso, no sentido de que "o auto seja integralmente restaurado". Dado que aqui apenas se discute se houve ou não nulidade, seu acatamento importa devolver a análise de seu mérito à instância recorrida. Como segundo aspecto de sua admissibilidade, também rejeito a interpretação exposta nas contrarrazões de que a representação da Fazenda teria apontado contrariedade a dispositivos que não constam de lei: mesmo quando indicado dispositivo Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 constante de decreto (Regulamento Aduaneiro), há nele menção aos dispositivos legais, em sentido estrito, que lhe dão validade. Do mesmo modo, rejeito a alegação de falta de prequestionamento quanto à possibilidade de retroação da nova norma com base no art. 144, § 1º do CTN. É certo que é pacífico neste colegiado ao menos hoje que tal requisito é indispensável mesmo nos recursos apresentados pela Fazenda Nacional ainda que os diversos regimentos internos apenas o exijam para os recursos do sujeito passivo. E a razão é que não cabe à instância especial se pronunciar, de forma inaugural, qual terceira instância, sobre qualquer matéria; cabe, sim, examinar as matérias enfrentadas na decisão proferida, confrontandoas com o que decidido no paradigma nos casos de recurso por divergência ou com o que diz a lei ou a prova na hipótese aqui considerada. Neste último caso, até porque não se pode afirmar se houve ou não contrariedade se nada foi dito a respeito. Ocorre que o acórdão guerreado tratou sim, a meu ver, da matéria retroação, ao admitir a aplicação da norma posterior, embora sem mencionar sua razão para tanto. De se conferir: Ainda que se pudesse manter o lançamento com base na legislação superveniente, é de ressaltar que os valores colhidos para o arbitramento foram provenientes de importações de portos marítimos e aeroportos o que provocou um desvio na base de cálculo uma vez que as importações realizadas via aérea contem valor agregado muito maior do que as importações realizadas pelo transporte marítimo. Ele somente a rejeitou, pois, por entender que os critérios do arbitramento teriam sido mal aplicados. O prequestionamento, também é pacífico, não diz respeito a argumento, mas a matéria. Aberta, na decisão, a possibilidade de retroação, entendo cabível a rediscussão, no recurso, da causa para sua não aplicação. Por fim, também cabe negar o pleito genérico de não admissibilidade porque não teria sido comprovada a contrariedade alegada. Nos termos da pacífica jurisprudência deste colegiado, a existência ou não da contrariedade à lei ou à prova é o próprio mérito do recurso; para sua admissibilidade basta que a decisão seja nãounânime e que sejam efetiva e fundamentadamente apontados os dispositivos legais e/ou prova dos autos supostamente contrariados. Ambos estão presentes no recurso em exame. Em consequência, conheço do recurso. Passo ao seu mérito. E sou forçado a começar pelo reconhecimento da completa ausência, na impugnação apresentada, de questionamento do autuado quanto à utilização dos critérios de cálculo do imposto previstos na MP 135 por ter sido esta publicada posteriormente à data da comunicação feita à Administração. Embora tenha questionado tanto a utilização da alíquota quanto o valor tributável atribuído a cada contêiner, fêlo apenas por serem ambos superiores aos que constariam das faturas a eles relacionadas e, mais importante, não aponta nisso qualquer nulidade, devendose depreender ser o seu pedido o da revisão do valor lançado, adequandoo àquele indicado nos documentos. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.002433/200309 Acórdão n.º 9303004.197 CSRFT3 Fl. 412 7 Provavelmente alertado pela decisão de primeiro grau acerca do dispositivo legal que autorizaria aquelas práticas, inclui em seu recurso voluntário argumento relativo à irretroatividade, mas novamente nela não aponta cerceamento nem pugna por nulidade em razão disso, ainda que a suscite por outros supostos vícios. Concluo, desse modo, que a afirmação de que o auto de infração seria nulo por esse motivo apenas consta da decisão proferida, não tendo integrado, ao menos não de forma explícita, o pedido do contribuinte no seu recurso voluntário. Nesses termos, e em meu entender, a decisão recorrida é extra ou ultra petita. Pacífico na jurisprudência, todavia, que o recurso em tais casos são os embargos de declaração e também em razão de o especial fazendário nada alegar sobre o ponto, deixo de a proclamar e examino a possibilidade de adoção da Medida Provisória. O primeiro ponto é, naturalmente, definir quando ocorreu o fato gerador. Com efeito, se prevalecer o entendimento da douta procuradoria, não se configuraria retroatividade, nada maculando, então, o procedimento fiscal. E assim o é, de fato, dada a vinculação aos decretos que nos submete1. De fato, considero flagrante que o artigo 73 do decreto regulamentar2 suprimiu, sem maiores explicações, aquela parte do art. 23 do decretolei 37/663 que tratava da "tomada de conhecimento" do extravio e seus efeitos com relação aos tributos. A decisão recorrida adota como premissa que a comunicação prestada pela empresa a ela corresponde, mas disso, respeitosamente, discordo. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 2 Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (Decretolei no 37, de 1966, art. 23 e parágrafo único): I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: a) bens contidos em remessa postal internacional não sujeitos ao regime de importação comum; b) bens compreendidos no conceito de bagagem, acompanhada ou desacompanhada; e c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; e III na data do vencimento do prazo de permanência da mercadoria em recinto alfandegado, se iniciado o respectivo despacho aduaneiro antes de aplicada a pena de perdimento da mercadoria, na hipótese a que se refere o inciso XXI do art. 632 (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 18 e parágrafo único). Parágrafo único. O disposto no inciso I aplicase, inclusive, no caso de despacho para consumo de mercadoria sob regime suspensivo de tributação, e de mercadoria contida em remessa postal internacional ou conduzida por viajante, sujeita ao regime de importação comum. 3 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Dito de outra forma, e exatamente na linha do quanto expus no voto transcrito, diante de duas possibilidades interpretativas da lei, o decreto enveredou por aquela que é desfavorável à pretensão da empresa aqui, cabendonos apenas cumprilo, mesmo que concordássemos com aquela pugnada pela defesa. Com efeito, o exame dos documentos por ela coligidos aos autos (fls. 172 a 194) levame à conclusão oposta, na linha defendida pela d. representação fazendária em seu recurso: somente mediante os trabalhos de vistoria empreendidos é que foi possível chegar à materialidade do imposto devido, dado que os documentos fornecidos sequer permitem, de plano, uma correta identificação das mercadorias, muito menos, de sua classificação fiscal e correspondente alíquota. Nesses termos, a comunicação efetivamente deu ciência do roubo de contêineres. O conteúdo desses contêineres, no entanto, somente foi efetivamente constatado, para efeito do lançamento dos tributos, no curso do procedimento de vistoria. Nesses termos, pareceme desarrazoado, neste caso, considerar que o fato gerador tenha mesmo ocorrido quando da comunicação prestada. Tal hipótese, a meu ver, apenas pode ser considerada quando a comunicação é efetivamente suficiente ao lançamento dos impostos devidos, dispensando, assim, qualquer procedimento de vistoria posterior. É preciso reconhecer, contudo, que o decreto regulamentar sequer cogita dessa última possibilidade. De fato, a completa ausência a ela provavelmente se deva à conclusão de que sempre haverá a necessidade de a autoridade administrativa apurar o extravio, com o que, a princípio, não concordo. Isso não obstante, tenho posicionamento firmado, escorado nos melhores administrativistas, no sentido de que estamos vinculados à interpretação da lei que o decreto regulamentar adotar, quando houver e quase sempre há outra possível. Sobre isso, já me pronunciei em voto que, embora tratasse de café, peço vênia para transcrever aqui por explicitar bem os meus motivos: Entendo não assistir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.002433/200309 Acórdão n.º 9303004.197 CSRFT3 Fl. 413 9 Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhôa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.002433/200309 Acórdão n.º 9303004.197 CSRFT3 Fl. 414 11 daquela receita, que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. Nesse sentido, vale transcrever as felizes lições do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles4 acerca do alcance e vinculação dos decretos regulamentares: Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva dos chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo expresso, explícito ou implícito pela legislação. Comumente, o decreto é normativo e geral, constituindo exceção o decreto individual. Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei, e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo. O nosso ordenamento administrativo admite duas modalidades de decreto geral (normativo): o independente ou autônomo e o regulamentar ou de execução. Decreto regulamentar ou de execução é o que visa a explicar a lei e facilitar a sua execução, aclarando seus mandamentos e orientando sua aplicação. Tal decreto comumente aprova, em texto à parte, o regulamento a que se refere. Regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo): ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa. Idêntico posicionamento (salvo quanto à possibilidade dos chamados decretos autônomos) adota outro de nossos mais celebrados administrativistas, o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello5, para quem o princípio da legalidade ínsito no art. 84, IV da Lei Maior impõe “que mesmo os atos mais 4 MEIRELES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 181 5 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso De Direito Administrativo. 17ª Ed. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 94. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 conspícuos do Chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos, inclusive quando expedem regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei. Ou seja: pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores”. Definindo, na mesma obra, o que seja essa “fiel execução”, ensina, com a característica clareza (op.cit., p. 330) : “Ditos regulamentos cumprem a imprescindível função de, balizando o comportamento dos múltiplos órgãos e agentes aos quais incumbe fazer observar a lei, de um lado, oferecer segurança jurídica aos administrados sobre o que deve ser considerado proibido ou exigido pela lei (e ipso facto, excluído da livre autonomia da vontade), e, de outro lado, garantir aplicação isonômica da lei,pois, se não existisse esta normação infralegal, alguns servidores públicos, em um dado caso, entenderiam perigosa, insalubre ou insegura dada situação, ao passo que outros, em casos iguais, dispensariam soluções diferentes”. E mais adiante referindose à vinculação dos regulamentos (op. Cit. pp. 331 a 332): “É bem de ver que as disposições regulamentares a que ora se está aludindo presumem, sempre e necessariamente, uma interpretação da lei aplicanda... ....A respeito destes regulamentos cabem importantes acotações. A primeira delas é a de que interpretar a lei todos fazem – tanto a Administração, para imporlhe a obediência, quanto o administrado, para ajustar seu comportamento ao que nela esteja determinado – mas, só o Poder Judiciário realiza, caso a caso, a interpretação reconhecida como a ‘verdadeira’, a ‘certa’ juridicamente. Seguese que, em juízo, poderá, no interesse do administrado, ser fixada interpretação da lei distinta da que resultava de algum regulamento. De outra parte, entretanto, não há duvidar que o regulamento vincula a Administração e firma para o administrado exoneração de responsabilidade ante o Poder Público por comportamentos na conformidade dele efetuados. Isto porque o Regulamento é ato de “autoridade pública”, impositivo para a Administração e, reflexamente, mas de modo certo e inevitável (salvo questionamento judicial), sobre os administrados, que, então, seja por isso, seja pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, têm o direito de, confiadamente, agir na conformidade de disposições regulamentares”. Aplicando tais lições ao caso em análise, vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de intrepretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.002433/200309 Acórdão n.º 9303004.197 CSRFT3 Fl. 415 13 Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer manquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Assim, enquanto o café em grão, não torrado nem descafeinado, constar na TIPI como NT, é produto não industrializado, as Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 operações adotadas em seu “processamento” não consubstanciam industrialização e o seu “processador” não faz jus ao benefício veiculado na Lei nº 9.363/96. . Em suma, ainda que se concorde com a interpretação do acórdão recorrido, no sentido de que o artigo 23 fixa o critério temporal do fato gerador, é preciso reconhecer que não se pode aplicálo sem ferir a disposição do decreto regulamentar a que estamos todos vinculados. Com essas considerações, provejo o recurso fazendário para afirmar ocorrido o fato gerador apenas no momento da efetiva apuração do imposto, ou seja, no procedimento de vistoria aduaneira. Estando já em vigor, naquela data, a lei aplicada, de retroatividade não se trata e nulidade não há. E igualmente procede o argumento da Fazenda Nacional contra o outro "fundamento" aduzido pelo relator para considerar nula a autuação, concretamente, de que no arbitramento do valor tributável relativo ao contêiner CRXU 475.6777 (único em que feito arbitramento do valor aduaneiro) teriam sido consideradas importações por via aérea. Além de nada disso constar do recurso do contribuinte, a prova dos autos (fl. 20) cabalmente o desmente. Afastada a nulidade apontada pelo relator, devem os autos retornar à unidade julgadora de segundo grau para exame das demais questões suscitadas no recurso voluntário, inclusive aquela atinente à nulidade, mas apenas nos termos que constam das peças de defesa. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001545/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/05/2009
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTAS DE MESMA ESPÉCIE EM MOMENTOS DISTINTOS E EM PROCEDIMENTOS FISCAIS DISTINTOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DE AUTUAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E OBRIGAÇÃO PRINCIPAL POSSUEM FATOS GERADORES DISTINTOS. A APLICAÇÃO DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE DO ANTERIOR REALIZADO EM OUTRO PROCEDIMENTO FISCAL, AINDA, QUE DE DILIGÊNCIA VERIFICA-SE POSSÍVEL, POIS DECORRENTES DE DUAS CONDUTAS SEPARADAS E DISTINTAS, QUE FORAM PRATICADAS EM DOIS MOMENTOS DISTINTOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/05/2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTAS DE MESMA ESPÉCIE EM MOMENTOS DISTINTOS E EM PROCEDIMENTOS FISCAIS DISTINTOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DE AUTUAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E OBRIGAÇÃO PRINCIPAL POSSUEM FATOS GERADORES DISTINTOS. A APLICAÇÃO DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE DO ANTERIOR REALIZADO EM OUTRO PROCEDIMENTO FISCAL, AINDA, QUE DE DILIGÊNCIA VERIFICA-SE POSSÍVEL, POIS DECORRENTES DE DUAS CONDUTAS SEPARADAS E DISTINTAS, QUE FORAM PRATICADAS EM DOIS MOMENTOS DISTINTOS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.001545/2009-16
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5584409
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.209
nome_arquivo_s : Decisao_19515001545200916.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001545200916_5584409.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
id : 6354245
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423203078144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 228 1 227 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001545/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.209 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente BV FINANCEIRA CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/05/2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTAS DE MESMA ESPÉCIE EM MOMENTOS DISTINTOS E EM PROCEDIMENTOS FISCAIS DISTINTOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DE AUTUAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E OBRIGAÇÃO PRINCIPAL POSSUEM FATOS GERADORES DISTINTOS. A APLICAÇÃO DE NOVO AUTO DE INFRAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE DO ANTERIOR REALIZADO EM OUTRO PROCEDIMENTO FISCAL, AINDA, QUE DE DILIGÊNCIA VERIFICASE POSSÍVEL, POIS DECORRENTES DE DUAS CONDUTAS SEPARADAS E DISTINTAS, QUE FORAM PRATICADAS EM DOIS MOMENTOS DISTINTOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 45 /2 00 9- 16 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001545/200916 Acórdão n.º 2202003.209 S2C2T2 Fl. 229 2 Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001545/200916 Acórdão n.º 2202003.209 S2C2T2 Fl. 230 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.223.5840 CFL.38, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, combinado com os artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC e Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, de fls. 22 e 24, com período de apuração de 01/2005 a 12/2005, segundo Termo e Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 10. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 21/05/2008, conforme AR, de fls. 43. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões impugnatórias acostadas, as fls. 51 a 56, remetida via postal, em 12/06/2009, conforme envelope, de fls. 60, desacompanhada de qualquer documento. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 81. O órgão julgador a quo emitiu o Acórdão nº 1624.308 11ª, Turma da DRJ/SP1, datado de 18/02/2010, fls. 82 a 90, por meio do qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 26/06/2013, conforme AR, de fls. 102. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 162, com razões recursais, as fls. 163 a 165, acompanhado dos documentos, de fls. 166 a 221, remetida via postal, conforme envelope de remessa, postado em 24/06/2013, fls. 210. As razões recursais sumariadas estão declinadas abaixo. Mérito. · que o contribuinte entregou todos os documentos exigidos pelo fisco, só não o fazendo para o período atingido pela decadência; · que a presente multa já fora aplicada pelo AI DEBCAD 37.049.0533, pois o presente débito foi lavrado no curso de diligência das Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001545/200916 Acórdão n.º 2202003.209 S2C2T2 Fl. 231 4 notificações 37.049.0681 e 37.049.0606 lançados na fiscalização, que a diligência visa complementar; · que está havendo duplicidade de autuações, pois a empresa foi penalizada com a lavratura de auto de infração de obrigação acessória e principal, sendo este último decorrente de arbitramento, não devendo ter sido lançado o auto da obrigação acessória, pois o contribuinte já tinha suportado multa em razão da infração, estando o contribuinte sendo novamente autuado pelo mesmo fato gerador, devendo o acórdão guerreado ser reformado. · Do pedido e requerimento: a) reforma integral do acórdão recorrido, com a declaração da inexigibilidade da multa recorrida. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 225. O processo foi remetido ao CARF, fls. 225. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 226. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001545/200916 Acórdão n.º 2202003.209 S2C2T2 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. O agente fiscal no curso da diligência fiscal emitiu o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 3, de fls. 18, acompanhado de relação de documentos anexa. Tal TIF foi recebido pela empresa, em 16/04/2009, conforme AR, de fls. 20, tendo em vista que o contribuinte não apresentou todos os documentos exigidos esse foi autuado, conforme transcrito a seguir, REFISC. Autuo a empresa com fundamento no art. 33, §§2 e 3 da Lei 8.212/91 , com redação dada pela Medida Provisória n° 449, d e 03.12.2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, d e 06.05.99, por deixar de apresentar os documentos de suporte contábil, relativos aos lançamentos relacionados em anexo, solicitados pelo Termo d e Intimação Fiscal n° 3, d e 31/03/2009. Assim, improcede a afirmação da recorrente que entregou todos os documentos solicitados, só não o fazendo para períodos decadentes. Essa segunda alegação, também, é improcedente, pois não há período abrangido pela decadência. O período pelo qual se exigiu os documentos foi objeto de lançamento no DEBCAD 37.049.0681, o qual em razão da impugnação ensejou a realização de uma diligência, sendo que no curso dessa diligência em razão da não apresentação dos documentos solicitados foi o contribuinte autuado por meio do presente instrumento, veja a transcrição do acórdão da DRJ. 33. A presente autuação foi formalizada como resultado de diligência fiscal procedida em razão das alegações da Autuada nos autos da NFLD n.° 37.049.0681. Lá, a Autuada reclamava identificação de lançamentos feitos a partir dc seus registros contábeis. Dessa forma, como houve um procedimento fiscal que resultou em um lançamento, não há que se falar em decadência, uma vez que essa deixou de operar, pois o marco divisor da decadência e prescrição é justamente o lançamento e no caso como o Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001545/200916 Acórdão n.º 2202003.209 S2C2T2 Fl. 233 6 contribuinte impugnou a exigibilidade do crédito está suspensa, artigo 151, III, da Lei 5.172/66, não iniciando a fluência do prazo prescricional até o julgamento final de seus reclamos administrativos e de estar definitivamente constituído o lançamento. Assim, não se pode falar nem em decadência e nem em prescrição, razão pelas quais não há período decadente. Além do mais, decadência é uma coisa e cumprimento de dever instrumental é outra coisa e o Decreto 3.048/99 diz que o prazo de guarda dos documentos a favor da fiscalização são de dez anos. Seção III Das Obrigações Acessórias Art. 225. A empresa é também obrigada a: § 5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observados o disposto no § 22 e as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) A empresa sofreu duas autuações, pois desrespeitou a legislação tributária duas vezes, porém tais autuações são distintas e por motivos distintos, uma cuida de lançamento de obrigação principal contribuição social propriamente dita e a outra de lançamento de penalidade por descumprimento de dever instrumental. A primeira por não ter recolhido de forma regular as contribuições previdenciárias e assim deixou de cumprir com sua obrigação principal, ainda, que decorrente de retenção. A segunda, porque no curso da ação fiscal primitiva deixou de atender a alguma solicitação do fisco e foi autuada por conta disso, pois é isso que diz o artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/91, o que ensejou a autuação. O órgão fiscal em razão da impugnação do contribuinte na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 37.049.0681 entendeu por bem promover uma diligência para esclarecimentos de dúvidas, devido a isso intimou o contribuinte a apresentar novos documentos e o contribuinte novamente não o fez, deixando o prazo se findar sem manifestação, embora fosse de seu próprio interesse, pois serviria para lastro de sua defesa. Dessa forma, como novamente descumpriu a solicitação cometeu nova infração, o que acarretou nova atuação. Com esses esclarecimentos fica evidente a inexistência de duplicidade de autuação ou de dupla penalização pelo mesmo fato gerador, pois todos são distintos, uma vez que o fato gerador da autuação de obrigação acessória não se confunde com o fato gerador da autuação decorrente de obrigação principal, bem como o fato gerador da primeira autuação por descumprimento de obrigação acessória em 2006, não se confunde com o fato gerador da segunda autuação de obrigação acessória, ocorrida em 08/05/2009, uma vez que cada uma delas envolve uma conduta praticada em momentos distintos, ainda, que de mesma espécie. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001545/200916 Acórdão n.º 2202003.209 S2C2T2 Fl. 234 7 Assim sendo, rejeito todos os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, negarlhe provimento, tendo em vista a insubsistência das teses recusais apresentadas. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721069/2011-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não haver divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não haver divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10073.721069/2011-31
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5580663
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.774
nome_arquivo_s : Decisao_10073721069201131.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10073721069201131_5580663.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Alberto Freitas Barreto. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6345063
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423207272448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 673 1 672 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10073.721069/201131 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.774 – 2ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Contribuições Previdencárias Recorrente Fazenda Nacional Interessado BR METALS FUNDIÇÕES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não haver divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carlos Alberto Freitas Barreto. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 10 69 /2 01 1- 31 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721069/201131 Acórdão n.º 9202003.774 CSRFT2 Fl. 674 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.106, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de julho de 2013 (efls. 608 a 615). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2009 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA.CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL.. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O mero pedido de compensação de contribuições previdenciárias que venha a ser indeferido ou questionado pela SRFB, sem que a fiscalização aponte qualquer conduta dolosa do contribuinte a justificar que o pedido formulado o foi com o intuito de fraude ou mesmo falsidade em sua declaração, não justifica a imposição da multa constante do art. 89, §10o da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento ao recurso Enviados os autos à Fazenda Nacional em 11/11/2013 (efl. 616) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, a sua Procuradoria apresenta, em 04/12/2013 (e fl. 626), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 617 a 625). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido no âmbito do Acórdão 2301002.736, datado de 18 de abril de 2012 e de lavra da 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721069/201131 Acórdão n.º 9202003.774 CSRFT2 Fl. 675 3 Acórdão 2301002.736 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2010 COMPENSAÇÃO. MULTA DE 150% POR FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. NORMA LEGAL QUE NÃO EXIGE O DOLO. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE JURÍDICA NÃO EXISTE. Segundo o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. A norma legal não exige dolo expressamente ou vincula sua aplicação ao conteúdo do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no art. 136 do CTN: a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. Recurso de Oficio Provido. Decisão: I) Por voto de qualidade: a) dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em negar provimento ao recurso Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional, em sua demanda, que enquanto o paradigma dispõe expressamente acerca da ausência de necessidade de comprovação de dolo específico na hipótese atinente à infração em tela (bastando a falsidade da declaração), o vergastado concluiu em sentido oposto. Entende a recorrente que a aplicação da penalidade dependeria de dois condicionantes, a saber: a) a compensação indevida; b) a comprovada falsidade de declaração do sujeito passivo, necessariamente cumulativos. Defende que o fator agravado na infração sob análise é a conduta de falsear o conteúdo da declaração, de forma que o Fisco reste iludido quanto à efetiva ocorrência de fatos geradores, defendendo também que "(...). Em relação às compensações promovidas nos autos, tal procedimento apresenta, sim, elementos suficientes para caracterizar a imposição da penalidade isolada, mormente porque o suposto crédito sabidamente não tinha qualquer respaldo em decisão judicial ou administrativa para a sua respectiva compensação.". Defende ter havido nos autos ação dolosa do contribuinte com o intuito de evitar ou diferir o pagamento do tributo. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721069/201131 Acórdão n.º 9202003.774 CSRFT2 Fl. 676 4 Requer, assim, que seja dado provimento ao seu Recurso Especial, para restabelecer o auto de infração em que foi imputada multa isolada. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 632 a 634. Encaminhados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 20/08/2014 (efl. 639), a autuada apresenta, em 25/08/2014 (efl. 657), contrarrazões de efls. 658 a 670, onde: a) Após breve relato do feito até a presente sede de Recurso Especial, defende inexistir divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, uma vez que não ficou assentada, no acórdão recorrido, a necessidade de dolo para a aplicação da multa de 150%. Ressalta que o que motivou a decisão recorrida foi a ausência de imputação de falsidade documental à autuada e não a ausência de dolo e que, no próprio acórdão paradigma, o entendimento é no sentido de necessidade de comprovação da falsidade, o que não teria ocorrido, no entendimento dos julgadores a quo, no presente caso. Defende assim que o recurso da Fazenda não seja conhecido, ressaltando, uma vez mais, que "se ficou assentado na decisão recorrida que não há nos autos comprovação de qualquer falsidade documental por parte da Recorrida, não cabe a esta Câmara reanalisar todo o contexto dos fatos e das provas"; b) A seguir, rechaça o entendimento da recorrente no sentido de que, ao utilizar direito creditório não respaldado por decisão administrativa e judicial, teria o contribuinte falseado o conteúdo da declaração com intuito de diferir ou reduzir o pagamento de tributos, de forma que o Fisco tivesse restado iludido quanto à ocorrência dos fatos geradores e/ou existência do crédito, caracterizada, assim, conforme a recorrente, conduta fraudulenta pelo autuado. b.1) Quanto à inexistência de decisão administrativa ou judicial, entende que, a partir do disposto no caput do art. 89 da Lei no. 8,212, de 24 de julho de 1991 e arts. 34 e 44 da IN RFB no. 900, de 2008, o procedimento adequado para a formalização de compensações é por meio da compensação em GFIP e que os créditos decorrentes de ação judicial são apenas uma das modalidades de créditos que podem ser compensados. Defende, assim, que em nenhum momento há exigência legal de que a compensação deve ser precedida de decisão judicial ou administrativa para que o crédito seja passível de compensação; b.2) Ressalta que a fraude, consoante definida no art. 72 da Lei no. 4.502, de 30 de novembro de 1964, deve ser praticada necessariamente antes da constituição do crédito tributário, sendo que, no caso em questão, houve a devida constituição do crédito tributário através da GFIP, posteriormente extinto pelas compensações questionadas, resultando, em verdade, uma incompatibilidade entre o conceito legal de fraude e o instituto da compensação, reproduzindo Acórdão de lavra da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que esposa tal entendimento (Acórdão CSRF 9101000.758). Enquanto a fraude estaria relacionada com a ocorrência do fato gerador, a compensação é instituto vinculado à extinção da obrigação tributária, ressaltando, por fim, que a autuada regularmente apurou a ocorrência dos eventos tributáveis e os informou ao Fisco através de sua GFIP; b.3) Salienta que todos os créditos utilizados pela recorrida eram próprios e "decorrentes de pagamentos que de fato foram efetuados e, posteriormente, tidos por ilegais/inconstitucionais", e que teriam sido, inclusive, reconhecidos como legítimos pelo Fl. 676DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721069/201131 Acórdão n.º 9202003.774 CSRFT2 Fl. 677 5 relator do processo onde se discute o débito oriundo de obrigação principal referente às compensações indevidas. Entende que só as compensações feitas com declarações comprovadamente falsas ou nas quais esteja caracterizada máfé podem ser apenadas com a penalidade de 150%, ressaltando, uma vez mais, ter informado todas as compensações em GFIP e obedecido os procedimentos determinados pela Lei no. 8.212, de 1991 e pela IN RFB no. 900, de 2008, e que, quando instada a apresentar as razões que levaram à realização da compensação, apresentou todos os esclarecimentos e informações necessários. Assim, pugna pela manutenção do Acórdão recorrido em sua totalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo o pleito atende os requisitos de admissibilidade quanto a sua tempestividade e às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação analítica de divergência. Todavia, com a devida vênia ao despacho de admissibilidade de efls. 632 a 634, ouso discordar deste. Entendo como necessário, para fins de conhecimento do Recurso Especial, que se esteja necessariamente diante de aplicação de critérios jurídicos distintos a uma mesma situação fática, o que não vislumbro ter ocorrido no caso em tela. Explico. Depreendo ter concluído o recorrido, a partir da análise dos elementos constantes do feito, pela não caracterização de falsidade por parte da autoridade autuante, e, também, pela não caracterização de conduta dolosa do contribuinte a justificar que o pedido tenha sido formulado com fraude, daí ter afastado a aplicação da multa isolada em questão. É o que se pode concluir da ementa e trecho condutor abaixo transcritos, verbis: EMENTA: (...) COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL.. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O mero pedido de compensação de contribuições previdenciárias que venha a ser indeferido ou questionado pela SRFB, sem que a fiscalização aponte qualquer conduta dolosa do contribuinte a justificar que o pedido formulado o foi com o intuito de fraude ou mesmo falsidade em sua declaração, não justifica a imposição da multa constante do art. 89, §10o da Lei 8.212/91 (g.n.). VOTO CONDUTOR: (...) Fl. 677DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721069/201131 Acórdão n.º 9202003.774 CSRFT2 Fl. 678 6 Verificase, pois, que a justificativa para a imposição da multa isolada foi tão somente o fato do contribuinte ter efetuado o seu pedido de compensação com base em créditos tidos pela fiscalização por inexistentes. Há de se ressaltar que os créditos são próprios e decorrentes de pagamentos que a recorrente de fato efetuou em competências anteriores, todavia, por ela tidos como ilegais ou inconstitucionais, assim os reconhecendo como indébito tributário. Em nenhum momento, o relatório fiscal da infração imputou qualquer falsidade documental ao contribuinte, ou mesmo que os pretensos pagamentos indevidos não existiam, mas simplesmente que não poderiam ser considerados como indébitos, passíveis de restituição ou compensação (g.n.). (...) Por tais motivos entendo que a mero indeferimento do pedido de compensação pleiteado, por si só, não tem o condão de justificar a falsidade necessária a justificar a imposição da multa de 150%, sobretudo quando parte do pedido do contribuinte relativamente a compensação, ao ver deste relator, possui condições de ser acatado e está amparado por decisões judiciais favoráveis das Cortes Superiores, não lhe tendo sido imputado qualquer conduta ou manobra fraudulenta por parte da fiscalização (g.n.). (...)" Já o acórdão paradigma trata de situação onde se comprovou, no entender do Colegiado, a existência de falsidade na declaração, não se podendo afirmar, assim, que decidiria aquele Colegiado de forma diversa do vergastado, na hipótese de concluir pela não caracterização de falsidade, sendo razoável, pelo contrário, que, nesta hipótese, se decidisse, inclusive, de forma convergente com o Acórdão recorrido. Faço notar que incabível, a esta altura, que este Colegiado revolva o arcabouço probatório de forma a contestar a não caracterização de falsidade pela qual concluiu, em meu entendimento, de forma expressa, o acórdão recorrido. Destarte, não vislumbro, in casu, a aplicação de critérios jurídicos diferentes a situações fáticas idênticas, de forma que voto, assim, pelo não conhecimento do pleito recursal fazendário. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 678DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10073.721069/201131 Acórdão n.º 9202003.774 CSRFT2 Fl. 679 7 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10235.000478/2004-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL.
Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigura-se constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-004.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente.
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL. Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigura-se constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10235.000478/2004-71
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591885
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.690
nome_arquivo_s : Decisao_10235000478200471.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FABIO PIOVESAN BOZZA
nome_arquivo_pdf_s : 10235000478200471_5591885.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente. Fábio Piovesan Bozza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes.
dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6385333
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423210418176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 604 1 603 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10235.000478/200471 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.690 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente IDELMÉCIO GOMES PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001 ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL. Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigurase constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 04 78 /2 00 4- 71 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 João Bellini Júnior – Presidente. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes. Relatório O contribuinte Idemélcio Gomes Pereira, ora Recorrente, foi autuado em 02/07/2004 por suposta omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos calendários 1999, 2000 e 2001. O Recorrente foi intimado por várias vezes para apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos depósitos verificados em suas contas bancárias, apresentando a petição de fls. 293295, acompanhada com os documentos.de fls. 296307. Como não foi apresentada qualquer documentação referente aos depósitos bancários, foi emitida requisição de informação sobre movimentação financeira (RMF) às instituições financeiras, nos termos do art. 3º do Decreto 3.724/2001 (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Cientificado da autuação, o Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Inconformado, o Recorrente apresentou recurso voluntário, aduzindo o quanto segue: (a) que a origem dos recursos do recorrente decorre de uma cisão societária ocorrida em 16/02/90, decorrente da qual recebeu vários imóveis e mercadorias para serem comercializadas, como pode ser comprovado pela documentação constante no Processo Administrativo; (b) que o dinheiro resultante foi aplicado e reaplicado no sistema financeiro a partir de então, acarretando tributação dos rendimentos auferidos exclusivamente na fonte, como pode ser verificado pelos extratos bancários acostados aos autos; (c) que o recorrente não se utilizou de interposta pessoa (laranjas) para fazer as aplicações financeiras correspondentes, ou mesmo para abertura e movimentação de contas bancárias o que afasta qualquer hipótese de fraude; Fl. 605DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10235.000478/200471 Acórdão n.º 2301004.690 S2C3T1 Fl. 605 3 (d) que a nãodeclaração dos saldos decorreu de desconhecimento da legislação aplicável, e não do intuito de escapar da incidência tributária, o que pode gerar a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória e nunca pelo descumprimento de obrigação principal; (e) que alienou parte do patrimônio recebido pela retirada da sociedade "A Credilar Ltda." e movimentou recursos diretamente nas suas contas correntes, notadamente as do Banco Bradesco, o que aumentou o volume de dinheiro disponível nas referidas contas e o montante aplicado no sistema financeiro; (f) que em 1997 já havia alienado o estoque e os imóveis de Rondon do Pará, Augustinópolis e Conceição do Araguaia e que estes valores, aplicados no sistema financeiro, é que mantém o recorrente, sendo a tributação do imposto de renda exclusiva na fonte; (g) que o Auto de Infração é nulo de pleno direito, visto que se originou sem que tivesse havido um Mandado inicial, violando o art. 7º do Decreto nº 70.235/72; (h) que o Termo de Intimação Fiscal é nulo porque em abril de 2002 estabelecia um processo de fiscalização que abrangida até dezembro de 2002, sem estabelecer o término dos trabalhos efetuados pelos auditores fiscais e em razão de ser caduco porque o art. §2° do art. 7º do Decreto nº 70.235/72 estabelece prazo de 60 dias para a perda de validade dos Termos de Início de Fiscalização; (i) que o Termo foi desconsiderado pela própria fiscalização porque ao lavrar um Auto de Infração em 16/12/2003 contra o Recorrente, os auditores mencionaram que o início fora em 24/11/2003, não mencionando o termo de 29/04/2002; (j) que foram solicitados documentos referentes a períodos absolutamente caducos, como escrituras públicas registradas em 1994, 1996, 1997 entre outras datas; (k) que não pode subsistir a tributação pretendida neste auto de infração em razão das inúmeras ilegalidades apontadas acima, pois dele não pode decorrer nenhuma imposição tributária; (1) que escoado o prazo do § 2º, do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, sem que tenha havido a intimação do contribuinte acerca da prorrogação do MPF, este readquire sua espontaneidade, cujo principal efeito prático é a possibilidade de pagamento dos tributos em atraso, sem a multa de ofício, que incide no percentual de 75%; (m) que os valores lançados foram objeto de denúncia espontânea, já que o Recorrente apresentou perante o fisco federal Declarações de Ajuste Anual retificadoras referente aos períodos que estão sendo exigidos no respectivo Auto de Infração, bem como parcelou o montante do tributo devido, o qual foi calculado com juros e multa de mora de 20%; (n) que a Receita Federal ignorou a denúncia espontânea lavrando o Auto de Infração e aplicando a multa de ofício de 75%, incorretamente; (o) que o fisco não questionou em momento algum dos valores lançados nas Declarações de IR do recorrente, visto que o parcelamento requerido foi prontamente aceito pela Receita Federal, não sendo em nenhum momento questionados os valores reconhecidos como devidos; Fl. 606DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 (p) que o auto é improcedente pois lavrado após o oferecimento da denúncia espontânea pelo recorrente, violando o art. 138 do CTN; (q) que ocorreu a decadência do direito de lançar do fisco ao período anterior a junho de 1999, uma vez que o recorrente foi notificado no dia 02/07/2004; (r) que a presunção estabelecida pela Receita Federal de que o Recorrente omitiu receitas em razão da realização de depósitos bancários é inadequada, pois a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda, já que depósito bancário é estoque (patrimônio) e não fluxo (renda) e, juridicamente, somente a renda tem a conotação de acréscimo patrimonial; (s) que a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos diz ser ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda com base apenas em extratos ou depósitos bancários, conforme dispõe também jurisprudências administrativas e judiciais; (t) que é ilegal a aplicação da retroatividade da Lei n° 10.127/2001, pois para os exercícios anteriores a 2001 era vedada a utilização as informações da CPMF em quaisquer procedimentos fiscais (cita jurisprudência administrativa e judicial); (u) que o auto deve ser julgado improcedente pela ilegalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial (cita decisões judiciais); (v) que é absolutamente falsa a identificação entre movimentação financeira e aquisição de renda, pois o que se identifica como sendo renda (aquisição de disponibilidade econômica) é movimentação financeira (aspecto material da hipótese de incidência da CPMF); (w) que tributar saldos bancários é tributar o patrimônio e não a renda e que as aplicações financeiras são tributadas exclusivamente na fonte; e (x) que a aplicação dos juros pela taxa Selic é inconstitucional. A turma ordinária do CARF, ao analisar todos os argumentos acima listados, deu parcial provimento ao recurso voluntário a fim de (i) acolher a preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174/2001, com relação aos fatos geradores ocorridos até 09/01/2001, e (ii) manter a cobrança, com relação ao período restante (anocalendário de 2001), por falta de prova de origem dos depósitos bancários (fls. 503519). Contra a parte exonerada do crédito tributário originalmente lançado, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência (fls. 523533), o qual foi provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecendose a possibilidade de o Fisco utilizarse das informações da CPMF, relativas a períodos anteriores à edição da Lei nº 10.174/2001 para o lançamento de outros tributos (Súmula CARF nº 35), e determinandose, como consequência, o retorno do processo à Câmara “a quo”, para apreciação das demais questões suscitadas no recurso (fls. 590594). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Fl. 607DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10235.000478/200471 Acórdão n.º 2301004.690 S2C3T1 Fl. 606 5 Em função do provimento do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, restou reconhecido o direito de o Fisco utilizarse das informações da CPMF relativas a períodos anteriores à edição da Lei nº 10.174/2001 para fundamentar o lançamento de tributos. Não obstante a matéria julgada pela CSRF refirase a uma preliminar (ou, quando menos, a uma prejudicial das demais matérias de defesa), percebo pelo confronto entre o recurso voluntário e o acórdão proferido pela turma ordinária do CARF que toda matéria de mérito já teria sido analisada por ocasião do julgamento do recurso voluntário na parte relativa aos créditos tributários do anocalendário 2001, não exonerados por essa decisão. Assim, vale registrar, por oportuno, as decisões tomadas por aquela turma recursal, com aplicação plena aos anoscalendários 1999 e 2000 (algumas são reforçadas com a edição de súmulas do CARF): para afastar a alegação de decadência: A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, em autuação de omissão de rendimento por depósito bancário de origem não comprovada, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início em 31 de dezembro, aplicandose o Art. 150, § 4º do CTN (...) Portanto, afasto a preliminar de decadência pois incabível a este caso concreto. (acórdão do CARF, fls. 514) para permitir ao Fisco a requisição direta de informações bancárias do contribuinte às instituições financeiras: Quanto a quebra do sigilo bancário, a partir da Lei Complementar 105, de 10/01/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, possui amparo legal, de acordo com o Art. 6º (...) A ilegalidade na quebra do sigilo bancário arguido pelo contribuinte, deve ser afastado. (acórdão do CARF, fls. 514515; mencionese também o julgamento ocorrido, em 2016, pelo STF do RE 601.134/SP, com repercussão geral) para afastar a alegação de reaquisição da espontaneidade e os efeitos da suposta denúncia espontânea realizada pelo Recorrente (retificação de DIRPF e parcelamento, conforme noticia às fls. 454): Fl. 608DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 O contribuinte alega que apresentou em 15/03/2004 DIRPFs retifícadoras fis. 365/392 e que a decisão "a quo" afirmou que os valores declarados são inferiores aos lançados de ofício e não considerou nem excluiu do lançamento fiscal, descartando a ocorrência da denúncia espontânea. Ocorre que, no meu entendimento, o fato concreto não contempla a denúncia espontânea, uma vez que as fls. 250 há intimação datada de 4/3/2004, atestando o contribuinte não estava no gozo da espontaneidade, portanto, descabida a hipótese de afastamento da multa de ofício de 75% pleiteada. (acórdão do CARF, fls. 510) para afastar as supostas irregularidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal: O Mandado de Procedimento Fiscal foi constituído pela Secretaria da Receita Federal do Brasil como medida de planejamento e controle das aões fiscais em execução e passou a ser considerado um importante instrumento de transparência da administração tributária, pois o contribuinte passou a ter conhecimento das ações fiscais levadas a efeito por auditores fiscais da RFB: agentes fiscais designados, local, abrangência da auditoria e período examinado. (...) Portanto, é forçoso afirmar que o Auto de Infração está condenado pela existência de um vício insanável gerado pela inobservância de um procedimento "interna corporis" estabelecido pela própria administração pública em seu próprio prejuízo. Não me parece coerente, motivo pelo qual rejeito este argumento do recorrente, reproduzindo a jurisprudência administrativa acerca da matéria: (...) (acórdão do CARF, fls. 511512) para afastar supostos impedimentos à utilização da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10235.000478/200471 Acórdão n.º 2301004.690 S2C3T1 Fl. 607 7 R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. para afastar a alegação de inconstitucionalidade da taxa SELIC Afasto, também, as alegações referentes a inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic para atualização do crédito tributário, uma vez ser matéria já pacificada neste Conselho de Contribuintes, conforme Súmula 4 abaixo transcrita: (acórdão do CARF, fls. 519) para justificar as conclusões fiscais, com relação ao mérito do lançamento: Quanto ao mérito da autuação fiscal, o contribuinte não trouxe provas para ilidir o trabalho fiscal, qual seja documento hábil e idôneo das origens dos depósitos bancários verificados em sua conta corrente, o que veio a aperfeiçoar a presunção legal constante no Art. 42 da Lei. 9.430/96. (acórdão do CARF, fls. 517) Por fim, não obstante os autos contenham diversos documentos relativos a aplicações financeiras do Recorrente, que poderiam comprovar as origens de recursos em cada ano mas não a origem dos depósitos realizados em contacorrente do Recorrente , é importante deixar consignado o seguinte cuidado tomado pela fiscalização no momento da autuação (fls. 363): Cabe ressaltar que os créditos oriundos de resgate de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do presente Auto de Infração, bem como as transferências entre contas do mesmo titular. Desse modo, por inexistir matéria de mérito específica aos anoscalendários anteriores à edição da Lei nº 10.174/2001 que ainda não tenha sido analisada – quais sejam, anoscalendários 1999 e 2000 – aplico as mesmas conclusões alcançadas por aquela turma ordinária com relação ao anocalendário 2001, além daquelas acima mencionadas. Por isso, entendo inexistir qualquer motivo válido para afastar o lançamento de ofício realizado pela fiscalização. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo a cobrança dos valores constantes do auto de infração. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722792/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 2201-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. RECURSO NEGADO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10280.722792/2011-92
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5585072
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.997
nome_arquivo_s : Decisao_10280722792201192.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10280722792201192_5585072.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator. EDITADO EM: 13/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
dt_sessao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6360618
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423243972608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 84 1 83 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722792/201192 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.997 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria Imposto de Renda de Pessoa Física Recorrente ROSA MARILDA FIGUEIREDO DA CONCEIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. RECURSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relator. EDITADO EM: 13/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 27 92 /2 01 1- 92 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 1538.123 – 3ª Turma da DRJ/SDR, de 21 de janeiro de 2015, fls. 61/63, que julgou improcedente a impugnação contra lançamento que exige imposto de renda das pessoas físicas, ano calendário de 2007, exercício de 2008, por dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 28.600,00 . Transcrevo o relatório do acórdão combatido, por bem caracterizar o litígio: A contribuinte foi notificada de lançamento relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2008, anocalendário 2007 (fls.20 a 23), por meio do qual formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$7.865,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até abril de 2010, totalizando um crédito tributário de R$15.404,38, até a data da notificação. O lançamento foi motivado por dedução indevida de despesas médicas, no total de R$28.600,00, por falta de atendimento à intimação para comprovar o que declarado. A contribuinte contesta o lançamento, ratificando as deduções efetuadas e anexando as provas exigidas, como afirma (fl.33). Em obediência ao disposto no art. 6ºA da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 4 de agosto de 2010, foi efetuada revisão do lançamento com base nos documentos apresentados. Nela foi mantido o imposto suplementar apurado, sob o argumento de que nenhum dos documentos apresentados está revestido das formalidades legais previstas no art. 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, c/c o art. 80, § 1º, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (fls.37 a 41). Cientificada por edital, em razão de ter sido improfícua a tentativa por via postal, a contribuinte não se manifestou (fls.44 a 57). A contribuinte toma ciência desta decisão em 12 de fevereiro de 2015 conforme AR de fls.81. Em 13 de março seguinte, às fls.67, há interposição de recurso voluntário onde a Recorrente, se qualifica e diz oferecer os motivos de fato e de direito que fundamentariam seu pedido. Oferece, no item III.1 das razões os seguintes argumentos: Por desconhecer as formalidades do art.8º seus parágrafos incisos da Lei 9250 de 26 de 12/1995 c/c art.80 parágrafos, Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10280.722792/201192 Acórdão n.º 2201002.997 S2C2T1 Fl. 85 3 incisos do Decreto 3000 de 26 de março de 1999, assim como os Profissionais emissores dos Recibos dos Serviços Médicos em Fisioterapia constante de sua DIRPF, também desconhecedores das Leis acima descritas, julgamos que simplesmente postarem seus nomes, CPF, Carimbo de sua entidade Profissional, valor recebido e nome e CPF de seus pacientes fosse suficiente para comprovação dos seus serviços prestados.Declara são verdadeiros os comprovantes anexos, que junta os originais e também uma cópia da DIRPF de Maria de Nazaré dos Santos Araújo CPF 249.025.27100, para nova análise. Isto posto se reporta ainda, pelo prazo do processo , oito anos, que julga já prescrito, por não estar ele inscrito em Dívida Ativa da União Através do despacho de encaminhamento de fls.83, por sorteio, recebo o processo para relato. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase, conforme anteriormente relatado, de lançamento para exigência do imposto de rendas das pessoas físicas, ano calendário de 2007, exercício de 2008. Descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 7, informa que a Contribuinte, regularmente intimada não atendeu à intimação para apresentar a comprovação das despesas médicas no valor de R$ 28.600,00. Às fls. 18 há informação dos correios que o número do domicilio da Recorrente não existia. A notificação de lançamento foi cientificada através do edital de fls. 31, afixado no dia 25 de outubro de 2011 e desafixado no dia 11 de novembro de 2011. Impugnação inserta às fls.33, em 17 de novembro de 2011. A autoridade preparadora, às fls. 36 emite o seguinte despacho: Trata o presente processo de impugnação contra a Notificação de Lançamento IRPF referente ao exercício 2008, apresentado pelo contribuinte acima identificado. Considerando o disposto no artigo 6ºA da IN RFB 958 de 15 de Julho de 2008, alterado pela IN RFB 1061 de 04 de Agosto de 2010, conforme abaixo: “Art. 6ºA. A impugnação do sujeito passivo à Notificação de Lançamento efetuada sem intimação prévia, ou sem atendimento à intimação, e sem apresentação anterior de Solicitação de Retificação de Lançamento, terá o seguinte tratamento”: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 I os documentos apresentados e demais questões de fato alegadas serão analisados pela autoridade lançadora; Considerando que o contribuinte não atendeu a intimação, proponho o encaminhamento do presente processo ao SEFIS/DRF/BEL, para que se proceda conforme preceitua a referida Instrução Normativa. O TERMO CIRCUNSTANCIADO Nr 421/2012 e o DESPACHO DECISÓRIO Nº 476/2012 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, fls. 36/37de 06 de junho de 2012 e 41, concluiu pela manutenção total da exigência objeto deste processo. E intimou a Contribuinte a se manifestar , no prazo de 30 dias, informando que se tal não acontecesse, havendo ou não manifestação os autos seguiriam para julgamento. O AR de 11/09/2013,fls.53,não localiza a Recorrente. A cientificação se dá , outra vez, por edital, conforme fls. 57, com data de afixação em 11 de fevereiro de 2014 e desafixação em 25 de fevereiro de 2014. Em 05 de novembro de 2014, fls.59, há pedido de antecipação de julgamento invocando as disposições do §3º do artigo 71 da Lei 10741, de 1º de Outubro de 2003 (Estatudo do Idoso). A DRJ ás fls. 61/ 62 conhece o litígio na forma que restou posto pela Recorrente e julga a impugnação improcedente, sob os seguintes fundamentos: Como relatado, a revisão de ofício considerou que os documentos apresentados pela contribuinte não são suficientes à comprovação da efetiva realização das despesas médicas declaradas. De fato, nenhum deles atende às formalidades legais do art. 8º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, c/c o art. 80, § 1º, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, como já evidenciado na revisão do lançamento. A exemplo, deles não consta identificação do endereço do profissional que os subscreve, alguns sequer a cidade de onde teriam sido expedidos, bem como ilegíveis os números de registro profissional, em sua maioria. A legislação tributária prevê que as despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. E em nenhum dos recibos apresentados há identificação do beneficiário da prestação, limitandose a referir haver recebido da contribuinte a importância ali descrita, declarações estas que não guardam compatibilidade com as informações constantes da base de dados. Afora isso, e apesar das diferentes especialidades indicadas nos recibos apresentados, os padrões de preenchimento se equivalem em alguns deles, sugerindo terem sido elaborados pela mesma pessoa. Do que se conclui insuficientes à comprovação, como notificado à interessada, que não acrescenta novas razões ou provas à sua impugnação. A Recorrente ainda tenta justificar os erros de preenchimento dos recibos apresentados, onde não constam identificação do endereço do profissional, outros sequer a cidade de onde teriam sido expedidos, bem como ilegíveis os números de registro profissional, em sua maioria, por ignorância. dos profissionais quanto a estas necessidades legais. Contudo, Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10280.722792/201192 Acórdão n.º 2201002.997 S2C2T1 Fl. 86 5 não socorre ninguém o argumento de ignorância de lei, nos termos do artigo 3º do DecretoLei nº 4.657/42 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). E mais não constam dos autos elementos que respaldem a pretensão da Recorrente. Ao contrário, ela junta a Declaração de Imposto de Renda de um dos emitentes dos recibos que pretende sejam aceitos, sem qualquer nexo com a presente ação, bem como oferece novos argumentos que não foram analisados pela decisão recorrida. O artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70235/1972 determina o conteúdo da impugnação e o seu parágrafo 4º é claro quanto ao momento de juntada da prova. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Já o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3000/1999, ao tratar das despesas dedutíveis para fins de apuração do imposto devido, assim dispõe, no artigo 73: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º ). O enquadramento legal: se deu nos Art. 8º, inciso II, alínea 'a', e §§ 2º e 3º, da Lei ns 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto 3.000/99 RIR/99 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF ns 15/2001, dispositivos a seguir transcritos: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea a ). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 Cabia à Recorrente provar que necessitou dos serviços médicos e que eles foram efetivos, bem como realizou o pagamento e que as despesas ocorreram com a ela própria ou seus dependentes legais, nos termos do artigo 8º da Lei 9250/1995, acima reproduzido. Contudo, tanto na fase inquisitória quanto na impugnação e/ou recurso, apenas são ofertados recibos, de forma precária. Na fase de reanálise a contribuinte não carreou aos autos nenhum documento.Optou por não exercitar o direito da ampla defesa e do contraditório, posto á sua disposição. Ficou somente com os recibos apresentados de forma insatisfatória para albergar o direito pretendido e nos argumentos meramente discursivo. Nessa conformidade, Nego provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
