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Numero do processo: 10380.721152/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 21 15 2/ 20 14 -8 0 Fl. 5533DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO INEL IMOBILIÁRIA NOVO EUZÉBIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 07/03/2014, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 32.438.132,91. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 65/79 a autoridade fiscal relata as investigações acerca da alienação, pela contribuinte, do Shopping Center Del Paseo e do Conjunto de Garagens, unidades autônomas integrantes do Centro Empresarial Del Paseo. Indica que o subcondomínio foi alienado em 03/05/2011 pela autuada e por Favor S/A Empreendimentos e Participações pelo valor total de R$ 72.750.000,00, conforme contrato de compra e venda e escritura pública juntados aos autos, cabendo à contribuinte 76,93% do total alienado, ou seja, R$ 55.966.574,94, sendo que o valor total foi pago mediante sinal de 50% e mais 12 (doze) parcelas. Examinando a escrituração da contribuinte, a autoridade lançadora apurou que ela tributou os valores recebidos como receita bruta da atividade, e não como tributação de ganhos de capital, dado que as contas que ser referiam aos bens objeto da alienação estavam classificadas na sua escrituração contábil como "estoque", ou seja, como contas do ativo circulante. Analisando a origem, finalidade operacional e natureza contábil dos bens alienados, bem como as receitas contabilizadas, descreveu as características do empreendimento, e observou que ele foi idealizado em 23/12/97, quando a fiscalizada vendeu a Favo S/A Empreendimentos e Participações o imóvel no qual foi construído o shopping center, consoante registrado em escritura pública e na matrícula do imóvel, onde restaria claro que o empreendimento visou o seu funcionamento como shopping center com a utilização e locação de áreas para fins comerciais e/ou administrativos. Reportandose ao Pronunciamento Técnico PME Contabilidade para pequenas e médias empresas, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), nos itens 4.5 e 4.6, o fiscal autuante asseverou que os condôminos não tinham o propósito de realizar o ativo, nem pretendiam vendêlo ou consumilo durante o ciclo operacional normal da entidade; os ativos não foram mantidos essencialmente com a finalidade de negociação; não pretendiam realizar os ativos no período de até doze meses após a data das demonstrações contábeis; e nem os ativos são caixa ou equivalente de caixa. Conclui, assim, que os bens alienados não se classificam no ativo circulante. Intimada, a contribuinte apresentou quadro demonstrando que o imóvel esteve classificado no Ativo Permanente Imobilizado de 2001 a 2006, passando a Ativo Permanente Outros Investimentos de 2007 a 2009, e por fim a Estoques em 2010 e 2011. Em diligência ao empreendimento comercial, a autoridade fiscal obteve contratos de locação firmados entre o shopping center e os lojistas juntados aos autos, a partir dos quais constatou a continuidade das atividades de uso e locação até os dias atuais, de modo que os bens alienados continuam sendo bens do ativo permanente posto que a sua finalidade não foi alterada, ou em outras palavras, não ocorreu qualquer fato no sentido de alterar a função dos bens e que justificasse tal reclassificação contábil. Fl. 5534DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 4 3 Reproduzindo o Pronunciamento Técnico nº 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, observou que no ativo permanente são registrados os bens, tangíveis e intangíveis, pertencentes à empresa e que são necessários para que a mesma cumpra seu objeto social, e reportandose à definição dos bens do imobilizado, concluiu que o universo de bens que formam o Shopping Center Del Paseo e o Conjunto de Garagens, objeto da alienação em apreço, sem dúvida que se tratam de bens mantidos para uso no fornecimento de mercadorias ou serviços ou de aluguel a outros e para fins administrativos, utilizados por mais de um período. Logo, tais bens não poderiam ter sido classificados no ativo circulante, especialmente porque os ativos, desde sua inauguração até sua alienação, tiveram e continuam tendo a finalidade antes descrita, verificandose com a alienação em 2011 apenas a mudança da propriedade dos ativos. Questionada a contribuinte acerca dos motivos da mudança da classificação contábil, e frente à alegação de que inexistiria qualquer proibição na legislação tributária e nas Normas Contábeis Brasileiras, dado que o imóvel não era sede da empresa, moradia dos sócios, ou mesmo essencial para sua sobrevivência, mas sim mero objeto comercial que têm por fim gerar receitas através de várias formas de exploração, o fiscal autuante reconheceu que não há vedação à transformação de um imóvel utilizado para uso ou aluguel em mercadoria para venda, mas isto quando há uma quebra da finalidade, o que não se verificou no caso presente, em que a finalidade continuou a mesma. Observou que a sede da empresa se localizava no imóvel, e destacou que a resposta prestada evidencia que o imóvel era necessário para que a empresa cumprisse seu objeto social, ou seja, continua sendo um bem do ativo permanente. A autoridade lançadora ainda acrescentou que embora a fiscalizada, como empresa imobiliária, pudesse perfeitamente mudar a classificação contábil de imóveis de seu patrimônio, não foi o que se verificou no presente caso, dado que o objeto social da empresa, desde 2001, passou a abranger também a administração de shopping center, compreendendo também, a locação de espaços comerciais, bem assim, a exploração e administração dos parques de estacionamento, e o Shopping Center Del Paseo e seu respectivo Conjunto de Garagens sempre tiveram e continuam tendo finalidade bem diversa. Tanto o é que o imóvel permaneceu registrado no Ativo Permanente até 2009 e as receitas de alugueis dele decorrentes constituíram as principais fontes de receita da empresa. Concluindo que em 2011 verificouse, pelas razões expostas, a alienação de um bem do ativo permanente sujeita ao ganho de capital, a autoridade fiscal registrou as inconsistências na contabilidade, dado que o imóvel foi classificado em subconta de "móveis e utensílios" do conjunto "Estoques", e acrescentou que, não basta simplesmente transferir contabilmente um bem do ativo imobilizado para a conta de estoques para que ele se torne, de fato, num bem do ativo circulante. Em observância ao princípio da continuidade, para assim proceder, o ativo deve ter sua função social suprimida ou alterada. O fiscal autuante ainda acrescenta ter constatado que os valores devidos declarados em DCTF eram inferiores aos apurados a partir das receitas informadas nos livros Diário e Razão e consolidadas no Mapa de Receitas Operacionais. Na descrição dos fatos integrada ao Auto de Infração de fls. 12/64 consta o seguinte resumo das irregularidades constatadas na apuração do IRPJ devido na sistemática do lucro presumido nos anoscalendário 2011 e 2012: 0001 RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA Fl. 5535DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 5 4 RECEITA BRUTA MENSAL DA ATIVIDADE Receitas da atividade, escrituradas e não declaradas, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Esta infração diz respeito à apuração das receitas de serviços (da atividade), inerentes aos aluguéis e taxa de administração, onde, ao considerarmos os valores contabilizados, sua apuração e os valores declarados em DCTF, constatouse saldos a pagar. Destacase que a conclusão pela ocorrência desta infração resultou da análise detalhada no item 2.2.11 do referido termo de verificação fiscal em anexo, e abrangeu os anos de 2011 e 2012, culminando com lançamentos no 1º e 2º trimestre de 2011 e 3º e 4º trimestre de 2012. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/03/2011 1.691.827,76 75,00 30/06/2011 1.285.059,55 75,00 30/09/2011 36.434,05 75,00 31/12/2011 85.575,63 75,00 31/03/2012 41.462,25 75,00 30/06/2012 7.223,73 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 30/06/2012: art. 3º da Lei n° 9.249/95. Arts. 518 e 519 do RIR/99 0002 OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL GANHOS DE CAPITAL Omissão de ganho de capital, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Constatei que o contribuinte, equivocadamente, simplesmente procedeu à reclassificação contábil dos bens alienados, de conta do ativo permanente para conta do ativo circulante, tendo como principal consequência desta ação, a omissão do ganho de capital e a decorrente apuração a menor dos tributos devidos. A apuração tributária foi menor e se deu de forma indevida em virtude de, em sendo os bens alienados do ativo permanente, a apuração tributária cabível deveria ser com base no ganho de capital, contudo, a tributação total se deu com base no lucro presumido, como se a receita total obtida fosse oriunda da atividade. A conclusão pela ocorrência desta infração resultou dos fatos e das constatações explicitadas até o item 2.2.10, em especial da análise detalhada no item 2.2.1 a 2.2.10 do referido termo de verificação fiscal em anexo, o qual é parte integrante dos autos de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 30/06/2011 51.056.733,87 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2011 e 30/06/2011: art. 3º da Lei n° 9.249/95. Arts. 521, 522 e 528 do RIR/99 Fl. 5536DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 6 5 0003 DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Ausência de inclusão na base de cálculo do imposto de renda devido da totalidade dos rendimentos e/ou ganhos líquidos de aplicação financeira de renda fixa ou de renda variável apurados conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Esta infração diz respeito à apuração das receitas financeiras, inerentes aos descontos obtidos, juros e rendimentos de aplicação financeira e de poupança, onde, ao considerarmos os valores contabilizados, sua apuração e os valores declarados em DCTF, constatouse saldos a pagar. Destacase que a conclusão pela ocorrência desta infração resultou da análise detalhada no item 2.2.11 do referido termo de verificação fiscal em anexo, e abrangeu os anos de 2011 e 2012, culminando com lançamentos no 1º e 2º trimestre de 2011 e 3º e 4º trimestre de 2012. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/03/2011 1.375,40 75,00 30/06/2011 515.148,38 75,00 30/09/2011 522.155,14 75,00 31/12/2011 237.314,20 75,00 31/03/2012 82.945,39 75,00 30/06/2012 106.452,56 75,00 30/09/2012 102.707,91 75,00 31/12/2012 116.515,82 75,00 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2012: art. 3º da Lei n° 9.249/95. Art. 521 do RIR/99 Idênticas irregularidades foram apuradas no âmbito da CSLL devida nos mesmos períodos. Impugnando a exigência, a contribuinte discorreu sobre sua atuação em compra, venda e administração de imóveis, próprios e de terceiros, sobre a incorporação a seu patrimônio de imóvel posteriormente destinado à construção de um shopping, sobre a sua transferência para ativo circulante em 2010 e a opção da pessoa jurídica pelo lucro presumido em 2011, período no qual o referido imóvel foi vendido, sujeitandose aos tributos devidos. Discordou do ganho de capital apontado pela Fiscalização afirmando a regularidade de sua opção pelo lucro presumido em 2011, assim como da reclassificação contábil do imóvel em referência, defendendo a legalidade do reconhecimento das receitas correspondentes e da apuração dos tributos, e observando que não foram aproveitados os pagamentos efetuados. Ainda, afirmou inverídica a ocorrência dos fatos narrados pela Fiscalização e que resultaram na tributação de receitas da atividade escriturada e não declarada, destacando que os demonstrativos de cálculo não evidenciam a receita omitida. Requereu perícia sobre os valores adotados como base de cálculo do lançamento especialmente para os itens 0001 e 0003 do Auto de Infração, formulando quesitos e indicando perito. Pleiteou, assim, a declaração de nulidade do lançamento referente aos itens 0001 e 0003, por cerceamento de direito de defesa, Fl. 5537DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 7 6 ou então o reconhecimento de sua improcedência, juntamente com a infração indicada no item 0002. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · Com referência às infrações 0001 e 0003, a autoridade fiscal tomou por referência mapa de apuração trimestral elaborado pela contribuinte, além das infrações dos livros Diário e Razão, elaborando demonstrativo no qual indicou a natureza das receitas, a conta em que registradas e o total trimestral extraído dos livros de conhecimento da contribuinte, que se limitou a fazer alegações genéricas em sua defesa. As receitas assim apuradas foram transpostas para outro demonstrativo de recomposição das bases tributáveis, onde os tributos devidos foram confrontados com os valores declarados, para assim determinarse os valores exigidos. Inadmissíveis, assim, a arguição de nulidade do lançamento e a realização de perícia; · A autoridade fiscal bem demonstrou que o imóvel em referência está gerando rendas e, portanto, cumprindo uma das atividades econômicas previstas no contrato social da empresa, razão pela qual não poderia, sem que haja alteração de seu uso, ser classificado no ativo circulante. As normas contábeis e as soluções de consulta referidas pela impugnante não justificam, em face dos elementos fáticos que constam dos autos, a citada reclassificação contábil desses bens. A lei tributária, por sua vez, só considera a receita como decorrente de atividade imobiliária quando o imóvel é construído para venda ou adquirido para revenda. · Há pagamentos que poderiam ser aproveitados para reduzir os valores lançados, caso confirmado o efetivo pagamento de excedentes indicados nos trimestres 3º e 4º, de 2011, e 1º e 2º, de 2012. Já recolhimentos de Contribuição ao PIS e de COFINS não podem ser aproveitados para reduzir exigências de IRPJ e CSLL sem a apresentação da correspondente DCOMP. Em razão destas justificativas, a Turma Julgadora de 1ª instância assim decidiu: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Obs: Cabe à Delegacia de origem adotar os procedimentos necessários para a imputação dos excedentes de pagamentos, de IRPJ e de CSLL, aos respectivos créditos do 2º trimestre de 2011, nos termos e condições explicitados no voto. Cientificada da decisão de primeira instância em 08/10/2014 (fl. 5488), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 07/11/2014 (fls. 5490/5527). Aduz que desde o início de suas atividades apresentava como objeto social a compra e venda e a administração de imóveis, próprios ou de terceiros, dentre outras atividades, sendo que através do 8º Aditivo ao Contrato Social os cotistas resolveram aumentar o capital social da empresa mediante integralização de imóvel onde posteriormente Fl. 5538DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 8 7 houve a construção do denominado Shopping Del Passeo, em operação conjunta com a empresa FAVO S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES. Referido imóvel, em princípio, foi incorporado ao ativo permanente e lá permaneceu até 2009, sendo movimentado em 2010 para a conta nº 116 do seu ativo circulante, na qualidade de bem pertencente ao "estoque" de imóveis da empresa, juntamente com outros que ali já repousavam, conforme Balanço Patrimonial no ano de 2010. A partir de 2011 a contribuinte, até então optante pelo lucro real, passou a ser optante do lucro presumido e, em maio de 2011, o imóvel em referência foi vendido sujeitandose à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS entre o 2º trimestre/2011 e o 2º trimestre/2012. A recorrente enuncia os recebimentos eleitos como receita da operação, e anota que, ao ser intimada a esclarecer a operação, o procedimento fiscal estava suportado por Mandado de Procedimento Fiscal MPF referente a diligência, mas apresentou todos os documentos solicitados e foi surpreendida com lançamento que não se coaduna com as premissas legais aplicáveis ao caso. Descreve as infrações apuradas, diz que a decisão de primeira instância manteve a exigência em pequenas e singelas linhas, e aponta erro formal em sua elaboração porque a decisão seria de parcial procedência ao reconhecer que a contribuinte efetuou em alguns trimestres recolhimentos à maior em reação ao apurado pela fiscalização, o que deveria ter sido utilizado para abater o crédito tributário (sic), mas nela consignouse a impugnação como improcedente, cabendo, assim, o retorno dos autos à primeira instância para correção do erro formal. Na sequência, afirma nula a decisão de 1ª instância porque cerceada sua defesa na medida em que houve mera negativa genérica de seu pedido de prova pericial. Afirma a importância da perícia requerida porque não existe qualquer informação analítica da composição da nova base de cálculo dos tributos lançados em qualquer planilha. Entende que a autoridade julgadora não poderia afirmar que inexistem obscuridades ou omissões sem a prévia perícia requerida, reitera que nas planilhas apresentadas pelo agente fiscal somente consta o valor "cheio" da base de cálculo", sem apontamento das receitas omitidas, o que impossibilita sua receita. Invoca o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, reportase às quesitos formulados para realização da perícia e diz que eles, caso respondidos, seriam suficientes para esclarecer a composição da base de cálculo e possibilitar o pleno exercício do contraditório e ampla defesa. Entende que, por ter apontado a inexistência de prova material da composição da acusação fiscal, deve ser esta reexaminada em respeito ao art. 2º da Lei nº 9.784/99. Observa que o pedido de perícia atendeu ao art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72 e pleiteia a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, consoante determina o art. 59, inciso II, do mesmo Decreto. Cita, também, os arts. 27 e 68 da Lei nº 9.784/99, além de doutrina acerca da importância das provas no lançamento tributário e do princípio da verdade real. Transcreve ementas de julgados administrativos que entende aplicáveis ao presente caso. Passando ao mérito, diz que nem mesmo as alegadas receitas financeiras omitidas foram devidamente identificadas ao contribuinte, que recebeu a autuação já com a uma nova composição genérica da base de cálculo dos tributos lançados de ofício (sic). Questiona como se defender daquilo que você não vê, reitera a importância da perícia requerida, e assevera que o correto seria o agente fiscal ter demonstrado de forma clara e precisa qual a receita que foi omitida, até mesmo para possibilitar a defesa do contribuinte, Fl. 5539DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 9 8 nos termos do art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Ademais, se os julgadores entenderam dispensável a perícia, deveriam estes terem decomposto as bases de cálculo e reafirmado o lançamento, e não simplesmente negar o acesso ao direito de defesa do contribuinte. Cita outros excertos doutrinários acerca da prova lançamento tributário e reafirma o cerceamento ao seu direito de defesa. Na sequência, abordando a acusação de omissão de ganho de capital, diz que a autoridade julgadora não se preocupou em analisar as razões expendidas na impugnação, e reiterandoas, destaca que a causa objetiva da tributação deve ser devidamente apontada, cogitando que o agente fiscal adotou entendimento absolutamente pessoal em desfavor da legislação e de decisões administrativas em temas similares, assim aplicando um conceito que não está expresso na legislação de regência, em especial relacionado a classificação contábil do patrimônio. De forma semelhante, o acórdão recorrido apenas mencionou a legislação, sem fazer a necessária conjugação desta com o fato tributário imponível. Centra a discussão no vínculo da atividadefim da recorrente e a possibilidade de reclassificar no decorrer do tempo um bem do ativo permanente para bem do ativo circulante, e passa a abordar as questões de direito que entende relevantes, inicialmente observando que na decisão recorrida foi legitimada a possibilidade e correção na mudança de regime de apuração do lucro tributável. Discorrendo sobre a reclassificação na escrita contábil de ativo, observa que a acusação fiscal e a decisão recorrida se sustentam apenas no entendimento de que a reclassificação do imóvel deveria ter sido registrado em escrita contábil em uma conta do Ativo Permanente e não do Ativo Circulante, em razão de sua finalidade. Argumenta que a reclassificação contábil seria possível desde 1997, quando houve a negociação entre a Consulente e a empresa FAVO S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, que alterou a figura jurídica do imóvel, transmutandoo em um empreendimento empresarial composto por lojas, cinemas e playcenter, conforma Escritura Pública anexa. Antes disso, o imóvel era eminentemente reservado à uso da empresa (sic), mas com a construção do referido empreendimento passou a possuir efetivamente, de direito e de fato, a característica mercantil, ou seja, passa a ser explorado na forma do objetivo social da empresa de compra, venda e administração de imóveis, próprios ou de terceiros. Tal conglomerado complexo destinavase a locação ou venda, e sua finalidade seria apenas o lucro. Relata que na incorporação do imóvel ao ativo permanente da empresa não houve o pagamento de ITBI, mas o recolhimento foi promovido quando o imóvel passou ao estoque, e isto em 1997, o que comprova que desde então o imóvel passou a ser tido como uma mercadoria pela empresa. Nada em contra esta ocorrência foi consignada na acusação fiscal ou na decisão recorrida. Reportase ao Pronunciamento CPC nº 31 e à Resolução CFC nº 1.188/2009 para defender que nenhum prejuízo pode ser imposto pela transposição do imóvel de uma posição de registro contábil para outra se a finalidade do imóvel foi substancialmente mudada, se a venda foi efetuada depois da reclassificação, se o valor da venda foi superior ao valor contábil e há várias provas de que houve empenho pela impugnante para efetuar o negócio jurídico perfeito. Cita também o Pronunciamento CPC nº 27, afirmandoo aplicável embora cite exemplo de locação de veículos, porque um empreendimento imobiliário de lojas e vagas de garagem tem a mesma finalidade que possa ser atribuída à locação de veículos, auferir lucro com seu aluguel, e posteriormente, e no momento que for conveniente ao proprietário, Fl. 5540DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 10 9 ser posto a venda. Diversa seria a situação em que um imóvel é construído para ser a sede de uma empresa, e existe para servila e não para trazer lucros, como o imóvel em questão. Observa que a própria autoridade fiscal admite a classificação de imóveis no ativo circulante quando representam mercadoria de empresas imobiliárias. No presente caso, negociou um imóvel utilizado pela empresa em 1997 com uma construtora, alterando a finalidade do mesmo, da sua transformação foram criados novos imóveis, sendo vários vendidos e outros mantidos sob a administração da contribuinte aguardando o momento apropriado de sua venda. Por sua vez, o objetivo social da empresa sempre foi a compra e venda de imóveis próprios e de terceiros e a empresa mantém o Livro de Registro de Inventário, no qual o imóvel estava registrado por ocasião de sua venda. Logo, não há que se falar em ausência de continuidade do imóvel na conta circulante. Invoca a Solução de Consulta nº 139/2006 da SRRF/10ª RF que teria sido desqualificada com a acusação fiscal e a decisão recorrida, ressalta que o imóvel em questão não foi adquirido, colocado no ativo permanente, e depois simplesmente vendido. No caso, o imóvel foi adquirido, incorporado, teve sua finalidade transformada em 1997, foi vendido parcialmente, e posteriormente vendido totalmente. Assevera que o caso em debate é distinto daquele tratado no Acórdão nº 1101 000.930 porque o imóvel ali tratado nunca teve utilização pela empresa no sentido de obter lucro, o imóvel ali tratado nunca sofreu qualquer intervenção material que agregasse valor comercial e transformasse sua destinação e a empresa em questão exercia suas atividades como fabricante de embalagens de cartolina e papelão. Ademais, a complexidade de uma operação de shopping center não permite que as lojas sejam simplesmente esvaziadas e postas a venda, pois é parte da essência deste tipo de empreendimento o seu pleno funcionamento, o que justifica o fato da recorrente não cessar o recebimento dos aluguéis até a data da venda, em nada comprometendo a operação. Discorre sobre a regularidade do reconhecimento de receita e apuração de tributos, afirmando que não houve qualquer prejuízo ao Fisco Federal. Aduz que não haveria recolhimento de Contribuição ao PIS e de COFINS se os bens fossem taxados como de seu ativo permanente, e defende que a incidência do IRPJ e da CSLL se faz sobre o percentual de lucro calculado sobre o valor da receita. Aborda a Instrução Normativa SRF nº 84/79 acerca do registro dos imóveis em inventário, e correlaciona o tema com outras decisões administrativas. Conclui, assim, que inexiste qualquer irregularidade e, quando muito, houve equívoco na contabilização do ativo em 1997, que foi corrigido em 2011. Diz, ainda, que o agente fiscal não levou em consideração os tributos que incidiram sobre a receita de venda do imóvel contabilizado no ativo circulante, observa que seu entendimento foi acatado na decisão de 1ª instância, e ressalta a importância da compensação de ofício, que ensejaria redução de principal, multa e juros. Argumenta que frente ao recolhimento indevido dos tributos, a Fiscalização poderia ter invocado o artigo 61 e seguintes da IN/SRF 1.300/2012, e pede a exclusão dos valores que quantifica em R$ 1.087.649,95 (IRPJ), R$ 6.044.380,16 (CSLL), R$ 363.787,42 (Contribuição ao PIS) e R$ 1.679.018,84 (COFINS). Fl. 5541DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 11 10 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre apreciar a arguição de nulidade da decisão. A recorrente afirma que foi cerceado seu direito de defesa em razão de negativa genérica de seu pedido de prova pericial, bem como aponta erro forma na elaboração da decisão, que deveria ter sido de parcial procedência ao reconhecer que a contribuinte efetuou em alguns trimestres recolhimentos à maior em reação ao apurado pela fiscalização, o que deveria ter sido utilizado para abater o crédito tributário (sic). Com referência ao pedido de prova pericial, a negativa não foi genérica como afirma a recorrente. Vejase a justificativa apresentada pela autoridade julgadora de 1ª instância: 11.3. As outras duas infrações relacionamse com divergências encontradas entre as receitas escrituradas nos livros Diário e Razão e os valores correspondentes, de IRPJ e CSLL, declarados em DCTF. Uma diz respeito a receitas de serviços e, a outra, a receitas financeiras. 11.4. Em relação a estas duas infrações, a Impugnante alega, preliminarmente, que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que a Fiscalização não teria especificado a natureza e os valores de cada receita omitida, mas, pelo contrário, apurado os créditos com base em dados globais, impossibilitando o exercício da ampla defesa, todavia, não há como acolher tais argumentos, conforme se passa a expor. 11.5. Ao prestar esclarecimentos no curso do procedimento fiscal a Impugnante apresentou mapa de apuração trimestral (fls. 99/103), onde constam, mensalmente, não apenas a receita da venda dos referidos imóveis (50% de sinal e o restante em parcelas), mas também receitas de serviços e financeiras, assim como apresentou, dentre outros documentos, cópia dos livros Diário e Razão. 11.6. Por seu turno, a Fiscalização, com base nos dados escriturados nos livros Razão e Diário, elaborou o documento “Mapa das Receitas Operacionais”, onde apresenta a natureza das receitas, a conta em que estão registradas, bem como o total trimestral de cada uma delas, tudo extraído dos livros e documentos apresentados no curso do procedimento fiscal, ou seja, não há ali nenhum dado que não pudesse ser identificado e, eventualmente, contestado pela Impugnante, que, no entanto, limitase a fazer alegações de cunho genérico. 11.7. Além disso, a Fiscalização, levando em conta as receitas apuradas na contabilidade e a interpretação jurídica que deu à venda dos dois imóveis, elaborou outro documento, “Mapa de Recomposição de Apuração Tributária”, onde faz a recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo o regime do Lucro Presumido, calcula os valores devidos do imposto e da contribuição, em cada trimestre, e, mediante a subtração das importâncias declaradas em DCTF, apura os créditos de IRPJ e CSLL, exigidos nos Autos de Infração. 11.8. Como se vê, embora a Impugnante possa discordar dos lançamentos tributários, não há neles nenhum dado que não esteja nos documentos livros e declarações de sua elaboração, tampouco há nos cálculos realizados pela Fiscalização quaisquer obscuridades ou omissões que pudessem ser apontadas como impeditivas do exercício da ampla defesa. 11.9. Ademais, não é qualquer vício que implica a nulidade do lançamento, ficando tal hipótese restrita ao lançamento realizado por agente incompetente, nos termos do Decreto 70.235/72 . Os demais vícios são sanáveis, quando trouxerem prejuízo ao Fl. 5542DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 12 11 sujeito passivo, ou dispensam qualquer providência da Autoridade Julgadora, quando não influem na solução do litígio, conforme determinam os artigos 59 a 61 do referido decreto: [...] 11.10. Também não se justifica, pelas razões anteriormente expostas, a realização de diligência ou perícia. Os dados colhidos pela Fiscalização constam dos livros, documentos e declarações, apresentados pela Impugnante no curso do procedimento fiscal, por outro lado, a demonstração da apuração das bases de cálculo e dos tributos não pagos foi feita com toda a clareza necessária, de modo a permitir a contestação pontual de qualquer matéria, o que todavia não ocorreu, optando a Impugnante por fazêlo de forma genérica . 11.11. A prova pericial, em regra, só se justifica quando os exames a serem realizados requeiram conhecimentos técnicos específicos, que estão fora do normalmente exigido para o desempenho da função de auditoria fiscal, ou então, quando há algum motivo que, pela sua natureza, a torne indispensável, não sendo este o caso dos autos. 11.12. Abaixo, transcrevemse os dispositivos do Decreto 70.235/72 que tratam da matéria, cabendo destacar a possibilidade de o julgador indeferir os pedidos de diligências e perícias que entender impertinentes: [...] 11.13. Ficam, portanto, indeferidos os pedidos de diligência e perícia. Nestes termos, valendose dos argumentos desenvolvidos para refutar a alegação de nulidade do lançamento, a autoridade julgadora de 1ª instância demonstrou que a perícia era desnecessária. Por sua vez, a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o indeferimento de pedido de perícia, devidamente fundamentado, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, pois sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora: DILIGÊNCIA FISCAL INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. (Acórdão nº 10422.944) PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE Compete ao julgador apreciar e julgar a solicitação, podendose indeferir os pedidos de diligências e/ou perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, atendido ao disposto no artigo 28 do Decreto n. 70.235/72, mormente quando se encontra nos autos de elementos necessários e suficientes à formação da convicção do órgão julgador para a decisão do processo. Preliminar Rejeitada. Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 101 96.750) Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no artº 18, do decreto 70.235, de 1972. (Acórdão nº 180300.484) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (Acórdão nº 3201000.617) PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a Fl. 5543DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 13 12 convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 1301001.824) Já com referência ao mencionado erro formal na decisão que concluiu pela improcedência da impugnação, há cerceamento do direito de defesa que exige saneamento. Como relatado, a Turma Julgadora expressou sua decisão nos seguintes termos: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Obs: Cabe à Delegacia de origem adotar os procedimentos necessários para a imputação dos excedentes de pagamentos, de IRPJ e de CSLL, aos respectivos créditos do 2º trimestre de 2011, nos termos e condições explicitados no voto. Isto porque deu parcial razão à contribuinte em suas alegações acerca do aproveitamento de recolhimentos a maior promovidos nos períodos de apuração fiscalizados. Assim consta do voto condutor do acórdão recorrido: 11.31. Todavia, em que pese tal fato, a Impugnante tem razão, em parte, quando afirma que os recolhimentos relacionados à operação de venda dessas unidades poderiam ter sido utilizados com a finalidade de liquidar os créditos constituídos. 11.32. Observese que, não obstante a Fiscalização ter procedido à recomposição do lucro presumido, em cada trimestre, e de ter abatido dos valores devidos (IRPJ e CSLL) as importâncias declaradas em DCTF, há trimestres em que o saldo a recolher é negativo, ou seja o Contribuinte declarou e, eventualmente, pagou valor que excede ao apurado pela Fiscalização. 11.33. Tais distorções decorrem substancialmente do fato de a Impugnante ter considerado a receita das unidades autônomas como sendo da atividade imobiliária e de têla reconhecido na medida do recebimento das parcelas (50% à vista e 50% a prazo), ao passo que, no lançamento, a operação foi considerada como ganho de capital e, a receita reconhecida, integralmente, no mês em que foi realizado o contrato de compra e venda (maio de 2011). 11.34. O quadro, abaixo, mostra as diferenças positivas e negativas que há entre os valores de IRPJ e CSLL, levantados pela Fiscalização, e aqueles declarados, em DCTF, de conformidade com o Mapa de Recomposição de Apuração Tributária (fls. 4563/4572): Fl. 5544DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 14 13 11.35. Dessa forma, entende esse relator que, nos trimestres 3º e 4º, de 2011, e 1º e 2º, de 2012, os valores excedentes, desde que efetivamente pagos e desde que, sobre eles, não recaia nenhum direito pleiteado pelo Contribuinte ou reconhecido de ofício pela RFB, devem ser imputados aos créditos constituídos de IRPJ e CSLL, do 2º trimestre de 2011, com a incidência de juros e multa de mora, nos termos da legislação tributária. 11.36. Quanto aos recolhimentos de PIS e COFINS, não há como aproveitálos, uma vez que os Autos de infração, ora em discussão, tratam exclusivamente de IRPJ e CSLL. Ademais, cabe observar que somente com a apuração dos fatos geradores ocorridos, mês a mês, é que se poderia constatar a certeza e liquidez de pagamentos indevidos a título de PIS e de COFINS, matéria que, via de regra, deve ser objeto de processos de restituição ou compensação (PER/DCOMP), formalizados pelo contribuinte. Nestes termos, a autoridade julgadora condicionou a redução do crédito tributário lançado à confirmação do efetivo pagamento do IRPJ e da CSLL e à disponibilidade do indébito apontado nos períodos analisados, e admitiu que na imputação dos valores eventualmente disponíveis fosse excluída a multa de ofício aplicada no lançamento, dado que aos valores devidos no 2º trimestre/2011 deveriam ser aplicados, apenas, juros e multa de mora. Ao cientificar a contribuinte da decisão de 1ª instância, a autoridade local facultoulhe a interposição de recurso voluntário, mas exigiu o pagamento integral dos valores lançados (fls. 5486/5487). Logo, não lhe foi dado conhecimento das consequências do que decidido pela autoridade julgadora de 1ª instância, pois não foi apurado qual o alcance do acolhimento parcial das razões apresentadas em impugnação. Ademais, a inexecução das providências determinadas na decisão deixou de evidenciar a exoneração de crédito tributário lançado, a qual, conforme o valor da soma de seu principal e da multa de ofício, pode demandar reexame necessário na forma da Portaria MF nº 3/2008: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 5545DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.721152/201480 Resolução nº 1302000.384 S1C3T2 Fl. 15 14 Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Esclareçase que não se trata, no caso, de imputação de pagamento promovido em razão dos valores lançados (art. 156, I do CTN), ou seja, da extinção de crédito tributário associada à desistência, pelo sujeito passivo, de questionálo. O crédito tributário lançado eventualmente alcançado pela imputação admitida pela autoridade julgadora de 1ª instância seria extinto por decisão administrativa (art. 156, IX do CTN), ao adotar entendimento divergente daquele implicitamente aplicado pela autoridade lançadora, que não considerou os excedentes posteriores como redutores do crédito tributário apurado em razão da infração constatada. E a extinção do crédito tributário, em tais circunstâncias, somente se verifica com a definitividade da decisão administrativa, atributo que lhe é conferido depois do reexame necessário, caso a exoneração do principal e da multa de ofício supere R$ 1.000.000,00. Por sua vez, o reexame necessário, para ser promovido, depende de ato do Presidente da Turma de Julgamento. Por tais razões, o presente julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência, com a remessa dos autos à Unidade de origem para que a autoridade competente adote as providências determinadas no acórdão de 1ª instância acerca dos excedentes de IRPJ e CSLL verificados nos períodos fiscalizados, e, caso identifique exoneração de crédito tributário superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, observe o disposto no art. 34, §2º do Decreto nº 70.235/72, encaminhando os autos ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo para interposição do competente recurso de ofício. Finalizadas tais providências, o sujeito passivo deve ser novamente cientificado da decisão de 1ª instância e de sua liquidação, facultandolhe a interposição de recurso voluntário, ou de sua complementação, em novo prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 5546DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10218.720519/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE.
Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/1993).
Numero da decisão: 2201-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
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ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/1993). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidentesubstituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 05 19 /2 00 7- 09 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/03), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 955.916,74, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Cristina”, cadastrado na RFB sob o nº 4.221.6729, com área declarada de 8.756,0 ha, localizado no Município de Ourilândia do Norte/PA. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1.000,00 (R$ 0,11/ha), que considerou subavaliado, arbitrando o valor de R$ 2.170.875,08 (R$ 247,93/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: preliminarmente, requer que a Notificação de Lançamento seja anulada com amparo nos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório previstos no art. 5º, inciso LV, da Constituição da República, resultando que todas as matérias prejudiciais sejam apreciadas e decididas antes do mérito, com fundamentação própria e específica (art. 93, inciso IX, e inteligência dos art. 5º, inciso II, caput, da Constituição da República); salienta que, na exigência do ITR, existe a necessidade de que sejam observadas as disposições do CTN e do Decreto nº 70.235/1972 (PAF) e da legislação específica, e que a não observância deles leva à nulidade do ato administrativo e a exigência pretendida e que, no caso, a Notificação de Lançamento deixou de observar vários aspectos dessa regulamentação e deve ser considerada nula; considera que o Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 16.07.2008, foi cientificado, em 20.09.2007, por meio de Edital, uma vez que a intimação pessoal foi enviada para endereço que não o seu domicílio fiscal, e que em face da quantidade de documentos requeridos, sua natureza e dificuldade para obtenção, protocolou, em 02.10.2007, pedido de prorrogação de prazo para apresentação da documentação requerida; esclarece que seu pedido de prorrogação foi deferido e que em 29.10.2007 apresentou os documentos comprobatórios requeridos, anexo ao Ofício devidamente protocolado; salienta que, somente, após já ter lançado o crédito tributário e enviado para as providências devidas junto à DRF, a fiscalização juntou documento informando que teria analisado a documentação, o que obviamente não ocorreu, já que o lançamento foi efetuado em 05.11.2007, sendo a pretensa análise realizada em 12.03.2008; entende que o devido processo legal não foi observado por falta de motivo, questionando qual seria o preceito legal no qual se embasou o agente fiscal para constituir crédito tributário sem Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10218.720519/200709 Acórdão n.º 2201002.730 S2C2T1 Fl. 3 3 levar em consideração os documentos de provas produzidas pelo impugnante e qual seria a prova efetiva, material e contundente que teria embasado a exigência pretendida; reitera que por falta de análise dos documentos e provas apresentados e produzidos que militam em favor do contribuinte assim como a falta de indicação dos motivos de fato e os dispositivos específicos infringidos com a sua contundente e efetiva comprovação, a peça fiscal é nula e cita e transcreve jurisprudência administrativa para referendar sua tese; considera que houve cerceamento do direito a sua defesa, fato comprovado pela lavratura da Notificação antes de analisados os documentos apresentados e com a afirmação expressa pelo agente fiscalizador pela sua pretensa “não apresentação”; entende que o lançamento seria nulo por ter a fiscalização deixado de considerar o direito de produção de provas durante o procedimento fiscalizatório; reitera que a falta de indicação dos motivos de fato e os dispositivos específicos infringidos com a sua contundente e efetiva comprovação, entendendo que a peça fiscal é nula e cita e transcreve jurisprudência administrativa para referendar sua tese; salienta que o direito de defesa é um direito prévio do contribuinte em conhecer a acusação de forma expressa, clara e minuciosa para possibilitar a defesa; considera, também, cerceamento do direito de defesa à apuração do VTN via SIPT, posto que é um sistema que impossibilita ao contribuinte ter garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa e requer a nulidade da Notificação por afronta a esse direito, e cita e transcreve jurisprudência administrativa para apoiar seu argumento; requer, ainda, a nulidade da Notificação por considerar que o procedimento fiscal é carente de profundidade e que a omissão imputada foi feita sem comprovação, posto que a descrição dos fatos e da matéria tributável resumiuse a simples informação do agente, sem robustos e concretos elementos comprobatórios da existência do crédito tributário, já que nenhuma prova válida há nos autos capaz de convalidar a pretensão que esposa; discorre sobre a responsabilidade tributária (art. 128 a 138 do CTN) e especificamente sobre a responsabilidade por sucessão (art. 129 e 130 do CTN), entendendo não ser o caso em questão, isso porque, muito embora tenha iniciado tratativas para a aquisição do imóvel, ainda não as concluiu de modo que a propriedade do bem não lhe foi transferida; considera que a Certidão emitida pelo Registro Público – Cartório Guerra – de Ourilândia do Norte, em anexo, certifica a inexistência de propriedade rural registrada em nome do Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 impugnante, de modo que ficaria comprovado que não houve transferência da propriedade do imóvel; considera que, fazendo prova quanto a não transferência da propriedade do imóvel até o presente momento e, portanto, à época do fato gerador, não há como lhe atribuir a condição de responsável pelo tributo sendo, por via de conseqüência parte ilegítima no lançamento, que por essa razão é nulo; salienta que houve erro na capitulação da suposta infração com violação do princípio da tipicidade, já que a indicação dos motivos de fato e os dispositivos legais específicos supostamente infringidos, não correspondem à realidade dos acontecimentos, além de a pretensa infração caracterizada pela não comprovação do VTN não é genérica, porque a lei determina o estrito conceito de área tributável pelo ITR e VTN; considera que o contribuinte deve efetivamente possuir área tributável, da qual se exclui, por força de lei, as áreas abrangidas pela isenção do tributo, bem como a valoração da terra nua deve se dar pelo valor de mercado e não por presunção legal; entende que o VTN declarado somente é passível de desconstituição por meio de prova produzida pelo agente fiscalizador, que utilizou mera consulta em sistema utilizando o VTN atual, quando deveria ter utilizado o valor da época e comprovado a sua vigência para a região; entende, também, que o art. 196 do CTN não foi obedecido por inexistência de Termo de Encerramento de Fiscalização, posto que ao encerrar o procedimento fiscal esse Termo deixou de ser lavrado, tornando o procedimento fiscalizatório viciado, tornandoo plenamente nulo; no mérito, aduz que mesmo que o lançamento pudesse ser mantido diante das ilegalidades e nulidades expostas, ainda assim, o montante lançado não está em consonância com o valor efetivamente devido, isto porque deixou de observar a efetiva existência de área isentas sobre o imóvel; considera que o imóvel rural situase na “Amazônia Legal” e em decorrência disto fica obrigado o proprietário a manter 80%, no mínimo, de áreas inexploradas de reserva legal e preservação permanente; afirma que a DIAT deixou de observar aspecto de suma importância que foi a existência de áreas isentas sobre o imóvel e, da mesma forma, a fiscalização deixou de observar essa ocorrência e reconhecêlas de ofício, como determina a legislação de regência; discorre sobre a legislação específica (Código Florestal) sobre as áreas de reserva legal e de preservação permanente; entende que as áreas de preservação permanente e de reserva legal existem independentemente do seu registro ou averbação no Registro de Imóveis ou Órgãos de Proteção Ambiental (seja na esfera Federal, Estadual ou Municipal), e o proprietário do Fl. 281DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10218.720519/200709 Acórdão n.º 2201002.730 S2C2T1 Fl. 4 5 imóvel deve respeitálas, na forma e nos limites que a lei estabelecer; esclarece que por efetivamente existir à época da pretensa ocorrência da infração notificada, inclusive por expressa disposição legal, a Reserva Legal deve ser considerada para fins de apuração da base de cálculo e, em decorrência, reconhecida a isenção do tributo sobre aquela área e da mesma forma quanto à área de preservação permanente; salienta que a fiscalização desconsiderou toda a área de isenção, em total desconformidade com os diplomas legais de regência e desconsiderando toda a gama de elementos probatórios trazidos aos autos, e, ademais, qualquer verificação in loco em diligência fiscal, que deveria ter sido efetuada pela fiscalização e não foi, indicaria a inequívoca existência das áreas ambientais; reitera que não há como negar o direito de considerar como isenta a área de reserva legal e proteção permanente, desde que comprovada a devida cobertura florestal de qualquer natureza no imóvel (art. 16, “a”, § 2º, da Lei nº 4.771/65), o que se comprova pela obrigação legal cogente a que está obrigada e pela averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, e que foram desconsiderados pela fiscalização; considera que o argumento de que o contribuinte deveria apresentar ADA não tem o condão de retirar a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal existentes no imóvel, posto que o ADA, previsto na Lei nº 9.393/96, tratase de simples mecanismo de atualização de informações cadastrais, que depois de utilizado pelo IBAMA é encaminhado à Receita Federal; entende que a eventual falta do ADA representa apenas descumprimento de formalidade cadastral, mas que de forma alguma descaracteriza a área de preservação permanente e de reserva legal, já que ambas estão devidamente comprovadas com fundamento no art. 2º da Lei nº 4.771/65 e pelo Laudo juntado aos autos e cita e transcreve Ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes e de Decisão Judicial para referendar sua tese; ressalta que a fiscalização não observou o princípio da primazia da realidade, deixando de analisar os eventos fáticos e reais, em que a impugnante efetivamente manteve intactas as áreas de preservação permanente e reserva legal e que deveria têlas declarado na forma determinada pela legislação de regência, fazendo jus à isenção daquelas áreas; afirma que as declarações fiscais prestadas à fazenda pública pelos contribuintes gozam de presunção de verdade e que a fiscalização deve provar que as declarações não correspondem à realidade dos fatos e, no caso, o agente fiscalizador deveria ter comprovado que o VTN declarado não correspondia ao valor efetivo; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 considera o arbitramento do VTN imotivado, feito em uma tentativa ilegal de inversão do ônus da prova; ressalta que a simples utilização de VTN obtido pelo SIPT, que o contribuinte sequer tem acesso para formular sua contraposição, não pode ser considerado como prova, quando muito pode ser considerado como indício e assim sendo deve ser corroborado por outro tipo de prova; salienta que a fiscalização, além de não produzir nenhuma prova acusatória idônea, ignorou todas as provas produzidas e que atestam sua inocência; entende que na ausência de provas acusatórias irrefutáveis, outro caminho não há senão desconstituir o lançamento tributário pela declaração de nulidade da Notificação de Lançamento, conforme se pronuncia a jurisprudência uníssona e pacífica; considera que a exigibilidade do tributo em questão possui efeito confiscatório, posto que mesmo que vendesse a propriedade a impugnante não obteria recurso suficiente para o pagamento do crédito lançado; considera, ainda, que a exigência pretendida não pode sobreviver frente ao princípio da razoabilidade, posto não ser razoável pretender exigir o ITR sobre áreas de proteção permanente e reserva legal estabelecidas em Lei e de observação obrigatória e em relação à qual está impedida de exercer atividades produtivas, tendo, ao contrário, responsabilidades legais pela sua preservação sob pena de configuração de crime ambiental; entende que a alíquota utilizada de 20% é inaplicável por considerála confiscatória, o que significa dizer que em 5 anos, se persistente a situação, o imóvel estará confiscado; salienta que no art. 11 da Lei nº 9.393/96 o que determina a progressividade do ITR é o tamanho do imóvel e o grau de utilização, sendo evidente que a progressividade em questão colide com a progressividade prevista na Constituição da República, que autoriza a aplicação de diferentes alíquotas tão somente com o fim de desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; entende, ainda, que sendo o ITR um imposto de caráter nitidamente real, a progressividade fiscal pretendida pelo legislador ordinário, como já pacificou o STF, é totalmente contrária à Constituição da República e não pode prosperar; considera que a aplicação da Taxa SELIC é inconstitucional por ser uma taxa remuneratória e que não pode ser utilizada sob a forma de atualização monetária, além de ferir o princípio da legalidade e o da hierarquia das leis, já que lei ordinária não pode regulamentar matéria destinada à lei complementar; entende que deve ser utilizado, a título de juros de mora, o percentual de 1% ao mês, de acordo com o art. 161, § 1º do CTN; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10218.720519/200709 Acórdão n.º 2201002.730 S2C2T1 Fl. 5 7 entende, também, que a multa aplicada, na intenção de impor penalidade, é exagerada e afronta o princípio do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição da República, em seu art. 5º, XXII, além de ferir os princípios da proporcionalidade e princípios da ordem pública; considera que a multa deve ser afastada ou reduzida a, no máximo, 30% do valor lançado, para que não se configure o confisco rechaçado pela Constituição da República; requer que seja determinada perícia e abertura de prazo para a formulação dos quesitos nos autos do processo; formula seu Requerimento Final: I recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; II seja considerada impugnada a Notificação que lançou o ITR; III seja reconhecida a inexistência do crédito tributário, a título de ITR relativo ao exercício de 2004, já que indevido e constituído em desacordo com a legislação de regência por força de tudo quanto aduzido, especialmente porque: a) preliminarmente, o agente fiscalizador deixou de observar as mais basilares normas que regem o procedimento administrativo maculando de nulidade o procedimento, inclusive, e, especialmente, a ilegitimidade passiva do impugnante nos termos do CTN; b) deixou de reconhecer a isenção que alcança a área territorial rural nos exatos termos em que declarada, pela incontestável existência de área de reserva legal e área de preservação permanente, cuja efetiva existência foi exaustivamente demonstrada, no sentido de afastar a pretensão esposada pelo agente fiscalizador; c) ademais, ainda que não fosse assim, é inexigível, para fins de isenção, a averbação das áreas de reserva legal e preservação permanente no registro de imóveis, bastando sua efetiva existência e comprovação física, como foi feito; d) também é inexigível, para fins de isenção, o ADA, cuja exigibilidade para fins de reconhecimento da isenção carece de fundamento legal; e) o indevido arbitramento do VTN, uma vez que não foi produzida prova para contestar o valor declarado; f) a exigência nos termos em que posta tratase de confisco, já que ao desconsiderar as áreas de reserva legal e preservação permanente, cuja característica principal é a impossibilidade de utilização econômica da área, não permite ela produzir resultados econômicos suficientes a fazer frente a exigência tributária pretendida, já que o montante lançado (principal + Fl. 284DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 acessórios) excede em 50% do VTN, significando que, em menos de dois anos, o bem seria confiscado; g) não é razoável, à luz do princípio constitucional da razoabilidade, a exigência pretendida, uma vez que penaliza o proprietário pela preservação do meio ambiente, mantendo intocável mais de 80% da área a título de reserva legal e área de preservação permanente, como provado, subvertendo, a fiscalização, a função social da propriedade e a legislação ambiental ao desconsiderar a isenção em questão, uma vez legalmente instituída; IV seja reconhecido, ainda, que outros direitos, não menos importantes, não foram observados pela autoridade administrativa, conforme demonstrado ao longo da presente peça, maculando, uma vez mais, o lançamento; V seja, pelo tanto quanto averbado na presente peça, portanto, declarada nula a Notificação de Lançamento e extinto o crédito tributário, desconstituindose, por via de consequência, seus efeitos; VI caso assim não se entenda, sejam reduzidos os juros e multa da parcela não desconstituída para os patamares requeridos; VII por cautela, caso se faça necessário, não obstante o entendimento de que todos os elementos probatórios já constam dos autos, pretendese provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial por meio de provas documentais e periciais que fica previamente requerida; VIII por fim, requerse que todas as intimações e publicações se dêem em nome dos signatários, no endereço constante do preâmbulo. Em 14.10.2008, o contribuinte apresentou Requerimento de Juntada de Documentos, às fls. 109, para carrear aos autos a Anotação de Responsabilidade Técnica de fls. 110/112, que foi deferido por meio da Informação de fls. 113. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: DA LEGITIMIDADE PASSIVA O sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação tributária. Contribuinte do Imposto Territorial Rural é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10218.720519/200709 Acórdão n.º 2201002.730 S2C2T1 Fl. 6 9 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. TERMO DE ENCERRAMENTO Descabe a alegação de inexistência de termo de encerramento da ação fiscal porquanto o procedimento de fiscalização culmina com a lavratura da própria Notificação de Lançamento ou do Auto de Infração, sendo dispensável a lavratura de termo de encerramento. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto à distribuição das áreas do imóvel, que não são objeto da lide. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. DOS JUROS DE MORA (TAXA SELIC). DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, ciência por decurso de prazo em 16/08/2013 (fl. 154), Claudiomar Vicente Kehrnvald apresenta Recurso Voluntário em 30/08/2013 (fls. 156/274), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, nulidade do lançamento, já que “nenhuma prova válida há nos autos capaz de convalidar a pretensão que esposa”. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1.000,00 (R$ 0,11/ha), que considerou subavaliado, arbitrando o valor de R$ 2.170.875,08 (R$ 247,93/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal. Em seu apelo insurge o suplicante contra exigência alegando, entre outros vícios, que não foi juntada aos autos prova indicativa do lançamento fiscal. Pois bem, compulsandose os autos, verifico, pois, que de fato não foi juntada a tela do SIPT, ou seja, o documento contendo a informação pelo qual se apoiou a autoridade fiscal quando do arbitramento, conforme dispõe o art. 14, caput, da Lei 9.393/1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifei) Citase, outrossim, o art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/1996 dispunha: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10218.720519/200709 Acórdão n.º 2201002.730 S2C2T1 Fl. 7 11 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (grifei) Pelo que se vê, o fisco dispõe da prerrogativa estipulada em Lei de não aceitar informações prestadas pelo sujeito passivo, como a de que cuidam estes autos, sempre que tais valores não mereçam fé. Todavia, impõese que ao fazêlo se precavenha, fazendo apoiar suas pretensões em parâmetros previstos pelo legislador, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. Contudo, não é o que ocorre nestes autos. Na verdade, não há no processo qualquer evidência dos critérios e parâmetros utilizados pela autoridade fiscal para arbitramento do VTN, já que não foi juntada a tela do SIPT que indica o valor do VTN considerado para fins de arbitramento e que possibilitaria a verificação da aplicação dos critérios e parâmetros previstos na legislação do ITR acima transcrita, inclusive capacidade potencial da terra. Assim, ausente a informação do SIPT demonstrando os critérios pelo qual se baseou o arbitramento, impossível aferir a legalidade do procedimento. Esse também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa transcrita: ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). (Acórdão nº 9202003.144 – 2ª Turma Processo nº 13116.001484/200318) Isso posto, devese acolher a pretensão do contribuinte e, consequentemente, restabelecer o VTN informado em sua DITR. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13982.720540/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL. Nos tributos lançados por homologação, o direito de pleitear a restituição ou efetuar a compensação, a partir de 9 de junho de 2005, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado, inclusive na hipótese de Resolução do Senado Federal que suspendeu a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.
COMPENSAÇÃO. REQUISITO. RETIFICAÇÃO DA GFIP. A compensação de valores recolhidos sobre a remuneração dos agentes políticos, com fundamento na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.506, de 1997, deverá ser precedida de retificação da GFIP, para excluir os exercentes de mandato eletivo nela informados.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% - prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 - quando a autoridade fiscal não demonstra, por meio da linguagem de provas, a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para excluir a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização (AI nº 51.030.998-4).
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA E MULTA ISOLADA Recorrente MUNICÍPIO DE PAIAL PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL. Nos tributos lançados por homologação, o direito de pleitear a restituição ou efetuar a compensação, a partir de 9 de junho de 2005, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado, inclusive na hipótese de Resolução do Senado Federal que suspendeu a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. RETIFICAÇÃO DA GFIP. A compensação de valores recolhidos sobre a remuneração dos agentes políticos, com fundamento na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.506, de 1997, deverá ser precedida de retificação da GFIP, para excluir os exercentes de mandato eletivo nela informados. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal não demonstra, por meio da linguagem de provas, a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 05 40 /2 01 3- 71 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 755 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização (AI nº 51.030.9984). André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 756 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), cujo dispositivo tratou de negar provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1535.487 (fls. 677/684): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO. De acordo com o art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para fins de definição do termo inicial da contagem do prazo prescricional da ação de repetição de indébito, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por esta razão, as alegações de inconstitucionalidade da multa isolada não são apreciadas nesta decisão. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 21/44, que o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), a saber: i) AI nº 51.024.3822, relativo à glosa de compensação de contribuição previdenciária, indevidamente realizada pelo sujeito passivo nas competências 01 a 12/2009, acrescida de juros e multa de mora; e ii) AI nº 51.030.9984, referente à multa isolada pela compensação indevida, no percentual 150% (cento e cinquenta por cento), quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, nas competências 02 a 12/2009. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 757 4 2.1 Quanto ao período da autuação, a compensação referese a recolhimentos efetuados a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios percebidos pelos detentores de mandato eletivo municipal prefeito, viceprefeito e vereadores , no período de ago/2000 a set/2004. 2.2 A fiscalização motivou a glosa no descumprimento dos incisos I e V do art. 6º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2005, c/c incisos I e III do art. 4º da Portaria MPS nº 133, de 2 de maio de 2006, por ter o sujeito passivo: i) deixado de retificar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), para excluir destas os exercentes de mandato eletivo informados, e ii) compensado valores alcançados pela prescrição. 2.3 Embora a autoridade lançadora faça menção à existência da ação de segurança nº 2008.72.03.0029319, impetrada pelo município em 2008, a glosa da compensação não foi fundamentada em aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 2.4 Além da glosa, foi aplicada a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e formalizada representação fiscal para fins penais. 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 12/7/2013, às fls. 6 e 14, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 364/394). 4. Posteriormente, ao ser intimado em 7/8/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 692/693, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 5/9/2014, em que reafirma os argumentos já expendidos em sua impugnação, resumidos a seguir (fls. 695/730): i) é cabível a aplicação do prazo decenal para compensação tributária, tendo em vista o indébito referirse a período pretérito à vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005; ii) o termo inicial do prazo prescricional, nos casos de leis cuja execução foi suspensa por Resolução do Senado Federal, é a data de publicação desta última, e não a data do pagamento; iii) a compensação foi realizada de acordo com os preceitos normativos; iv) é ilegal a exigência de retificação da GFIP estabelecida em atos infralegais; e v) é descabida a aplicação da multa isolada, quer pela inexistência de máfé por parte do contribuinte, quer pelo caráter confiscatório do montante de 150%. É o relatório. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 758 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. 5.1 Ressalto que a interposição de recurso pelo sujeito passivo, nos termos das leis reguladoras do processo tributário, suspende a exigibilidade do crédito tributário, produzindo os efeitos decorrentes que lhe são próprios. Mérito a) Glosa da compensação 6. Para fins de melhor organizar o raciocínio e facilitar a compreensão do voto, analiso a argumentação do recorrente na ordem abaixo disposta. a.1) Tributo sujeito ao lançamento por homologação: prazo para pleitear restituição ou compensação 7. Assim estão redigidos os arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Fl. 758DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 759 6 8. Antes da edição da Lei Complementar nº 118, de 2005, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, predominava o entendimento jurisprudencial de que a extinção do crédito tributário, conforme art. 150 do CTN, pressupunha o pagamento antecipado conjugado com a homologação da atividade do sujeito passivo. 8.1 Vale dizer que o termo inicial do prazo para a restituição, a que alude o inciso I do art. 168 do CTN, contavase da efetiva homologação, expressa ou tácita, o que ficou conhecido como a tese "dos cinco mais cinco", justificando o uso da expressão "prescrição decenal". 9. Então, na contramão da tese prevalente no Poder Judiciário, sobreveio a Lei Complementar nº 118, de 2005, com vigência a partir de 9 de junho de 2005, dispondo em seu art. 3º: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. 10. A despeito da construção dominante quanto à regra de prescrição do direito à restituição, a novel legislação operou uma redução do prazo para recuperação do indébito de dez para cinco anos, com aplicação para fatos geradores pretéritos, tendo em vista o caráter meramente interpretativo atribuído ao dispositivo acima destacado pelo art. 4º da mesma Lei Complementar. 11. Diante disso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento no sentido da eficácia prospectiva do art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, incidindo apenas sobre situações que viessem a ocorrer a partir da sua vigência. Em outras palavras, a prescrição continuava observando o regime interpretativo do sistema anterior com relação aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente a 9 de junho de 2005. 12. Acontece que ao julgar o Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS, sob a sistemática da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal (STF), em que pese afastar a condição interpretativa do art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, fixou a data do ajuizamento da ação judicial como marco para aplicação do regime prescricional mais restritivo, e não a data de pagamento, como estabelecido pelo STJ. 12.1 Embora o RE nº 566.621/RS tenha tratado do prazo prescricional das ações judiciais, a depender da data do seu ajuizamento, a simples leitura da fundamentação do voto vencedor permite, sem qualquer dúvida, estender o raciocínio jurídico tanto à restituição administrativa quanto à compensação de tributo indevido pago.1 12.2 O juízo sobre eventual vício no quorum para a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade no RE nº 566.621/RS, como ventilado pela recorrente, é matéria estranha ao âmbito do julgamento administrativo. 1 A compensação pressupõe a existência de crédito passível de restituição. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 760 7 13. Na esteira da posição majoritária do STF, acima mencionada, e considerando que a matéria envolvida contém essencialmente interpretação de princípios constitucionais, o STJ reviu sua jurisprudência e inclinouse ao decidido pela Corte Suprema. 13.1 Nesse sentido, o Recurso Especial (REsp) nº 1.269.570/MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, cuja ementa transcrevo a seguir: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. (grifei) Fl. 760DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 761 8 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. 14. Realço, por oportuno, que não foi atribuído efeito prospectivo à revisão da jurisprudência do STJ, de tal sorte que a nova orientação jurisprudencial que superou o decidido no REsp nº 1.002.932/SP, recurso representativo da controvérsia, começou a ser aplicada às ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005, desde que não definitivamente julgadas. 15. Ademais, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina a reprodução, pelos conselheiros nos julgamentos dos recursos, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, respectivamente, na sistemática da repercussão geral e do recurso repetitivo. 16. Dessa feita, tendo o sujeito passivo realizado a compensação após 9 de junho de 2005, como ora se cuida, o direito de efetuála extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados do pagamento antecipado. a.2) Resolução do Senado Federal: termo inicial do prazo para repetição 17. Pondera o recorrente, inclusive com transcrição de decisão deste Conselho Administrativo, que o termo inicial para a repetição das contribuições previdenciárias em exame contarseia, diferentemente do entendimento da fiscalização, a partir da publicação da Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005, do Senado Federal, a qual suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art 12 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. 18. Tal discussão mostrase superada, pois a jurisprudência atual é firme no sentido da declaração de inconstitucionalidade, proferida em controle concentrado, ou da publicação da Resolução do Senado Federal, quando no controle difuso, não influir na contagem do prazo para repetição ou compensação. 18.1 Deveras, o direito subjetivo do sujeito passivo não se origina da decisão do STF, nem da Resolução do Senado, porquanto tais atos não têm caráter constitutivo. A pretensão à repetição do indébito nasce com o pagamento indevido, que autoriza fazer uso, desde então, de ação própria para a satisfação do direito. 19. Para melhor compreensão da jurisprudência, colaciono a ementa do REsp nº 1.110.578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, porque esclarecedor nesse ponto: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 762 9 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (grifei) 20. Em vista disso, ao confrontar, de um lado, os dados da planilha resumo de fls. 37/38, em que constam o período inicial e final a que se refere o direito creditório e, de outro, os dados da tabela de fls. 38/40, na qual estão indicados pela fiscalização as datas de pagamento antecipado dos respectivos valores recolhidos indevidamente, verificase que a compensação deuse após o transcurso do prazo de cinco anos, contados a partir do recolhimento do indébito, e, portanto, estava extinto o direito de pleitear a sua restituição/compensação no período de 01 a 12/2009. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 763 10 a.3) Retificação prévia da GFIP 21. Preliminarmente, lembro que o art. 48 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, diploma que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), manteve a vigência, enquanto não modificados, dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária e pelo Ministério da Previdência Social, relativos às contribuições previdenciárias, a exemplo da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 2005, e da Portaria MPS nº 133, de 2006. 22. Pois bem. O direito à devolução de valores recolhidos indevidamente encontra fundamento constitucional, nos princípios da legalidade, moralidade e vedação ao enriquecimento ilícito. Porém, a restituição pela via alternativa da compensação não é autoaplicável. 23. De fato, estabelece o art. 170 do CTN que a compensação no direito tributário depende de lei específica que a autorize, podendo esta inclusive prever condições e limites ao seu exercício. Eis a redação desse dispositivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 23.1 Pautado em critérios de conveniência da política fiscal de cada ente político, o legislador pode estipular, ou delegar à autoridade administrativa que estipule, condições e garantias à compensação de créditos tributários com crédito líquidos e certos, ou mesmo instituir limites ao seu exercício. 23.2 Em que pese a possibilidade de se implantar restrições à compensação, haverá sempre a opção pela repetição do indébito mediante o procedimento administrativo ou judicial de restituição. 24. No que tange ao indébito relativo às contribuições previdenciárias, a Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, deu nova redação ao art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, e remeteu a disciplina da matéria à RFB mediante a edição de atos infralegais. Transcrevo o caput do art. 89, na sua atual redação: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, Fl. 763DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 764 11 nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) 25. Assim, ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento feito pela Administração Tributária. Não há óbice à regulamentação por norma infralegal no tocante à forma e aos procedimentos para a compensação, bem como à imposição de limites ao seu exercício, desde que observadas as condições estipuladas em lei ordinária e as diretrizes do CTN. 26. As informações da GFIP compõem a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários (art. 32, IV e § 2º, da Lei nº 8.212, de 1991), utilizando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) as informações sobre vínculos e remunerações dos segurados para fins de cálculo do saláriodebenefício, comprovação de filiação, tempo de contribuição e relação de emprego (art. 29A da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991). 27. É de verse, então, que a exigência de retificação do documento, por competência, para excluir os dados dos exercentes de mandato eletivo informados, como condição prévia à restituição ou compensação, além de mostrarse necessária e não excessiva, estabelece relação congruente com a finalidade do ato, que visa proteger a confiabilidade do banco de dados do regime geral de previdência pública, bem como garantir o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema público de previdência. 28. Com efeito, em face do interesse público alvejado, é inaceitável manter ativas informações no banco de dados da Previdência Social para concessão de benefícios previdenciários relativamente a pessoas cujos valores vertidos ao custeio estão sendo devolvidos. Nada mais adequado do que exigir daquele que prestou inicialmente as informações a adoção de providências com vistas à exclusão dos dados. 29. Concluo, desse modo, o acerto da glosa de compensação, porquanto o encontro de contas foi realizado em desacordo com os preceitos normativos. 29.1 Prevê a legislação ainda, segundo o § 9º do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios previstos no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É dizer com a incidência de juros e multa de mora. b) Multa isolada 30. Foi imposta pela fiscalização ao recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% (cinto e cinquenta por cento) incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Transcrevo o dispositivo: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no Fl. 764DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 765 12 percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (grifei)(...) 31. Como se nota da redação do dispositivo legal, o § 10 não cuida de uma falsidade material, relacionada à autenticidade do documento, mas sim de haver uma falsidade intrínseca a esse documento, em que se faz presente a mentira no seu conteúdo. 32. A multa está condicionada a comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por isso, tenho como premissa que essa sanção fiscal pecuniária exige o elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença de um especial fim de agir, visto que a leitura do preceptivo revela que o legislador não elegeu qualquer elemento específico como requisito para a imposição da penalidade. 32.1 De sorte que não se poderá cogitar de falsidade, em razão do próprio significado da sua acepção, sem que haja consciência do agente em esconder, alterar ou suprimir a verdade. 33. Nesse passo, quando da constituição do crédito tributário, exigese que a fiscalização aponte a existência de um modo de agir doloso por parte do sujeito passivo que conduza à falsidade da declaração apresentada. Mais que um ônus, o Fisco tem o dever de aplicar a penalidade com descrição e suporte em provas da ocorrência da falsidade das declarações em GFIP quando das compensações efetuadas. 34. Porém, no caso em apreço, a acusação deixou de indicar os elementos caracterizadores da existência do dolo na conduta do sujeito passivo. 35. O fato de indevida a compensação não significa que houve falsidade por parte do sujeito passivo. Como exigência imposta pela lei, a penalidade reclama a prova de que o sujeito passivo, mesmo diante da realidade contrária à repetição do indébito pela via da compensação, optou em praticar uma conduta consciente oferecendo crédito sabidamente inapropriado para tal fim. 36. Por isso, quando há controvérsia sobre questões de direito, interpretação ou aplicação da legislação, no âmbito administrativo e/ou judicial, em que há margem razoável para discussão, como ora se cuida, impõese a necessidade de haver um exame mais percuciente da realidade dos fatos e do comportamento do sujeito passivo para que se ateste a conduta dolosa. 37. Não custa reforçar, nesse sentido, que as compensações foram efetuadas no ano de 2009, quando predominava a orientação jurisprudencial do STJ pela aplicação da "tese dos cinco mais cinco" para o exercício do direito à repetição, dada a ausência de posicionamento definitivo da Corte Suprema. 38. Dessa feita, a multa isolada deve ser afastada, pois não comprovada pela fiscalização, em linguagem apropriada, a conduta dolosa do sujeito passivo quanto à falsidade nas compensações, tal como exige o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13982.720540/201371 Acórdão n.º 2401004.178 S2C4T1 Fl. 766 13 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização (AI nº 51.030.9984). É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000200/2003-82
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Geram direito ao crédito presumido de IPI somente as aquisições de insumos tributadas pelas contribuições PIS e Cofins.
Numero da decisão: 2101-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de não contribuintes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Geram direito ao crédito presumido de IPI somente as aquisições de insumos tributadas pelas contribuições PIS e Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de não contribuintes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim. Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 02 00 /2 00 3- 82 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000200/200382 Acórdão n.º 2101000.064 S2C1T1 Fl. 139 2 Tratase de ressarcimento de crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 13/12/1996, em parte negado por despacho decisório da DRF de origem por tratarse de aquisições efetuadas a pessoas físicas. Na manifestação de inconformidade, a interessada esclarece que adquire pedras semipreciosas a garimpeiros e alega que só poderiam ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido "as compras de matériaprima de pessoas físicas, se houvesse previsão legal, o que não há" e que o benefício foi instituído para compensar os exportadores do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre toda a cadeia e não apenas sobre a última operação. A decisão da DRJ Porto Alegre/RS que indeferiu a solicitação restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Tãosomente as aquisições de insumos que sofrerem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao Crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento dessas contribuições. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o resultado do julgamento registrado em ata, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto condutor do acórdão recorrido da DRJ Porto Alegre/RS, presente às fls. 114 a 115, dispensandose a sua reprodução neste voto. Nesse sentido, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000200/200382 Acórdão n.º 2101000.064 S2C1T1 Fl. 140 3 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16682.900889/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
Ementa:
CSLL. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP.
Verificado o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 12.797,06, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.04-0710, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 12.797,06, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 Ementa: CSLL. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 12.797,06, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.04-0710, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
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SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 12.797,06, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.040710, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 12.797,06, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 89 /2 01 0- 15 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.040710, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469),relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 2.622,66, com o crédito de R$ 2.622,66, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, realizado por meio de DARF (cód. 2469), referente ao período de apuração 31/10/2006, no valor total de R$ 8.742,19. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07 (nº de rastreamento 880540366),emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.622,66. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/45, alegando, em síntese, que: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 4 3 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 17 da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 17 da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 12.797,06, o qual faz jus; 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.040710 em 28/03/2007, no total de R$ 2.622,66 (principal: R$ 2.116,07; multa: R$ 423,21; juros: R$ 83,38), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 2.178,49, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 444,16; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 5 4 eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.025, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 29/06/2012 – 6a feira (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 6 5 Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 31/07/2012. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.03 6375 e nº 28675.06910.211010.1.7.031728, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipóteseabstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 7 6 Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. A extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.323, de 11/09/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, e outros, restou reconhecido o saldo credor de CSLL do ano calendário de 2006, no montante de R$ 12.797,06 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos, e informar se os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. A Demac/RJO procedeu "Informação" da qual fora cientificado o sujeito passivo em 16/10/2014, que se manifestou em 30/10/2014. Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000. 323, de 11/09/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: Conforme relatado, o crédito de R$ 2.622,66, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, realizado por meio de DARF (cód. 2469), no valor total de R$ 8.742,19, referente ao período de apuração de 30/10/2006, declarado no PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.040710 (fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 8 7 em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 16 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 3.493.601,64 (fls. 48/59), como demonstrado a seguir: ... 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 17 da DIPJ/2007, passando a fazer jus à base de cálculo negativa de R$ 12.797,06. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 60/62), que o motivo do acréscimo da base de cálculo negativa está no preenchimento da Ficha 17 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível da “CSLL Mensal Paga por Estimativa” apresenta o valor de R$ 3.493.601,64, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 3.506.298,06. Consequentemente, a base negativa de R$ 100,64 das duas primeiras restou acrescida para R$ 12.797,06 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.03 9250 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 (fls.33/41) declara a compensação de débito de CSLL utilizando o crédito de R$ 75,12, proveniente da base de cálculo negativa retificada de R$ 12.797,06. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 12.721,94. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls.100), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 28675.06910.211010.1.7.031728 (fls.63/66), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 12.721,94, para compensar débito de CSLL, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 12.696,42. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de CSLL integra a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06 pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.036375, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 9 8 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 17 das respectivas declarações o efetivo valor da “Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Paga por Estimativa” – R$ 3.506.298,06 – e, consequentemente, da base de cálculo negativa – R$ 12.797,06 após todos os recolhimentos de estimativa de CSLL efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de CSLL recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 12.696,41, compõem efetivamente a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de base de cálculo negativa, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250 pelo de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater à mencionada base de cálculo negativa retificada. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 98/99). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 12.696,42 indicado no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 10 9 estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.040710 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, em que se analisa o saldo credor da CSLL de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 11 10 Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo da CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, relativo ao período de julho/2006, compõe o saldo negativo de R$ 12.797,06, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.03 1728, e outros, restou reconhecido o saldo credor de CSLL do ano calendário de 2006, no montante de R$ 12.797,06 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.03 1728 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existem decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... Em atendimento ao pleiteado na Resolução acima, a Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ após verificar a situação dos mencionados PER/DCOMP, conforme constam do sistema SIEF Web, apresentou a seguinte informação: (...) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 12 11 7. Em atendimento ao solicitado na Resolução supra temse as seguintes informações: o Per/Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375 trata de Dcomp (retificadora da 24619.77104.230207.1.3.039250) de saldo negativo de CSLL no montante de R$ 12.797,06 referente ao exercício 2007 (01/01/2006 a 31/12/2006). As parcelas de composição do crédito somaram a importância de R$ 3.506.398,70 e referiam se à CSLL retida na fonte, a pagamentos de estimativas da contribuição sob o código de receita 2469 e a estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores. O saldo negativo de R$ 12.797,06 resultou da diferença entre o total da composição do crédito (R$ 3.506.398,70) e o total de IRPJ/CSLL devido no período (R$ 3.493.601,64) [fls. 161 a 163]. 8. Durante a análise automática da Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375 quando da validação das parcelas de composição de crédito informadas pelo contribuinte com os dados constantes dos sistemas da RFB – algumas inconsistências foram identificadas, suspendendo a análise daquela e selecionandoa para a análise do usuário. Somente após a complementação de informações, por um AuditorFiscal da RFB em interface do sistema, a Dcomp retornará ao fluxo eletrônico para conclusão da análise do crédito. 9. As inconsistências identificadas foram: i) Dcomp informada ou sua retificadora pendente de análise e; ii) há Per/Dcomp de pagamento indevido ou a maior utilizando o mesmo Darf (fls. 161 a 163). A primeira inconsistência referese à Dcomp 20638.86653. 221007.1.7.03 7915, a qual foi homologada totalmente, mas no momento encontrase na situação “aguardando procedimentos de compensação”, os quais serão executados automaticamente pelo sistema (fls.164). 10. A outra inconsistência identificou que o contribuinte utilizou o mesmo Darf em outro Per/Dcomp de pagamento indevido ou a maior. O excesso recolhido a título de estimativa de CSLL, referente ao período de apuração de 31/10/2006 informado na Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375 coincide com o solicitado no presente processo. 11. Assim, podese afirmar que o crédito pleiteado na Dcomp 15073.10724.280307.1.3.040710, objeto do processo em tela, também consta da Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375. 12. A Dcomp 28675.06910.211010.1.7.031728 não apresentou inconsistência, mas sua análise automática foi suspensa tendo em vista que o crédito nela informado consta de outra Dcomp (00324.76305.211010.1.7.036375) [fls. 165]. 13. Ainda a fim de atender ao requerido na Resolução nº 1802 000.325, esclarecese que os Per/Dcomp nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.03 1728 não constam de processo administrativo fiscal em tramitação, bem como não existem decisões administrativas para aqueles. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900889/201015 Acórdão n.º 1201001.329 S1C2T1 Fl. 13 12 ... Depreendese da informação acima que o saldo negativo de R$ 12.797,06 da CSLL do ano calendário de 2006 é objeto de análise do Per/Dcomp nº 00324.76305.211010.1.7.036375 que tem conexão com a matéria discutida nos presentes autos, de sorte que havendo o reconhecimento total do mencionado saldo negativo da CSLL, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 15073.10724.280307.1.3.040710, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o valor ainda não utilizado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 12.797,06, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10980.728122/2013-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DESPESA DESNECESSÁRIA. ALUGUEL. Infirmada a acusação de confusão patrimonial entre locadora e locatária, evidenciado que basta a posse do bem para o locador ter direito aos frutos, ausente provas de que a locadora não seria a efetiva administradora do imóvel locado e apresentado o acordo anterior que amparava as despesas escrituradas nos primeiros meses fiscalizados, não subsiste a glosa de despesa de aluguel considerada desnecessária.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Descontos, cortesias, estornos e outras parcelas redutoras de faturamento anterior não podem ser provadas, apenas, por memorandos internos e lançamentos contábeis. O ônus suportado pela contribuinte deve estar evidenciado em documentos elaborados com a intervenção de terceiros envolvidos ou beneficiados pela operação. REPERCUSSÕES NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Ainda que se admita que a falta de comprovação recai sobre requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, como a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício, este, em razão do princípio da entidade, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. Ademais, o art. 13 da Lei nº 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da CSLL.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. REVERSÃO PARCIAL DAS DESPESAS GLOSADAS. Devem ser canceladas as multas isoladas calculadas sobre as glosas de despesas afastadas na apreciação do recurso voluntário.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1302-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de alugueis, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wiipprich que negavam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas não comprovadas; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à multa isolada, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wippirich, que davam provimento parcial em menor extensão, e a Conselheira Talita Pimenta Félix, que dava provimento ao recurso; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio,
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ALUGUEL. Infirmada a acusação de confusão patrimonial entre locadora e locatária, evidenciado que basta a posse do bem para o locador ter direito aos frutos, ausente provas de que a locadora não seria a efetiva administradora do imóvel locado e apresentado o acordo anterior que amparava as despesas escrituradas nos primeiros meses fiscalizados, não subsiste a glosa de despesa de aluguel considerada desnecessária. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Descontos, cortesias, estornos e outras parcelas redutoras de faturamento anterior não podem ser provadas, apenas, por memorandos internos e lançamentos contábeis. O ônus suportado pela contribuinte deve estar evidenciado em documentos elaborados com a intervenção de terceiros envolvidos ou beneficiados pela operação. REPERCUSSÕES NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Ainda que se admita que a falta de comprovação recai sobre requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, como a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício, este, em razão do princípio da entidade, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. Ademais, o art. 13 da Lei nº 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. REVERSÃO PARCIAL DAS DESPESAS GLOSADAS. Devem ser canceladas as multas isoladas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 81 22 /2 01 3- 54 Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 3 2 calculadas sobre as glosas de despesas afastadas na apreciação do recurso voluntário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de alugueis, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wiipprich que negavam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas não comprovadas; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à multa isolada, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wippirich, que davam provimento parcial em menor extensão, e a Conselheira Talita Pimenta Félix, que dava provimento ao recurso; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/11/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.879.329,80. O lançamento decorre da glosa de aluguéis contabilizados de 2007 a 2009 em favor de Cifra Administradora de Bens e Participações Ltda CIFRA, classificados como despesas desnecessárias em razão da vinculação daquela pessoa jurídica e de seus sócios à autuada, como detalhadamente exposto no Termo de Verificação Fiscal, além das seguintes evidências de confusão patrimonial: 1) transferência dos imóveis locados da autuada para CIFRA; 2) localização de ambas no mesmo endereço; 3) inexistência de funcionários registrados em nome de CIFRA; e 4) escrituração de pagamentos de CIFRA, inclusive de tributos, na contabilidade da autuada. A autoridade fiscal também apontou vícios nos contratos de locação, e observou que a transferência dos imóveis a CIFRA não foi levada a registro, permanecendo a autuada como sua proprietária. Constatou, ainda, que os aluguéis pagos de janeiro a novembro/2007 não estavam vinculados a contrato de aluguel. Também foram glosadas despesas consideradas não comprovadas nos anos calendário 2008 e 2009, referentes a cortesias, descontos/abatimentos em duplicatas, comissões e multas. A autoridade fiscal constatou que os lançamentos contábeis destes valores apresentavam como histórico as expressões "VLR REF. MEMORANDO INTERNO" e "MEMORANDO", documentos considerados inábeis para comprovação de despesas. A contribuinte não teria apresentado outros elementos a comprovar as operações, sendo que as operações de desconto deveriam estar evidenciadas em notas fiscais, assim como as despesas com multas e licenciamento deveriam estar suportadas por comprovantes específicos. Os valores glosados estão individualizados às fls. 696/710. A autoridade lançadora observou que os saldos negativos de IRPJ e CSLL originalmente apurados pelo sujeito passivo já haviam sido aproveitados em compensação, e apurou os valores devidos no ajuste anual dos períodos fiscalizados, assim como recalculou as estimativas devidas mensalmente, aplicando multa isolada sobre os valores não recolhidos. Os tributos apurados em razão da glosa de despesas com alugueis foram acrescidos de multa qualificada no percentual de 150%, dado que os fatos antes relatados já seriam suficientes para caracterizar o intuito de fraude da fiscalizada. Em acréscimo, o fiscal autuante consignou que: Oportuno lembrar que a DIVESA DISTRIBUIDORA pagou alugueis – a empresa do mesmo grupo econômico e cujo patrimônio se confunde com o dela para utilização de imóveis que legalmente lhes pertencem, e utilizou essas despesas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. E o uso desse expediente não se deu durante período curto e isolado de tempo, o que poderia levar a uma interpretação que se tratou de erro involuntário. Ao contrário, foi posto em prática já a partir do AC 1992, o que caracteriza reiteramento da conduta ao longo do tempo. Impugnando a exigência, a contribuinte admitiu a glosa de parte das despesas consideradas não comprovadas, arguiu a decadência da exigência pertinente ao anocalendário Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 5 4 2007 ante a inocorrência de fraude, afirmou dedutíveis as despesas com locação, apresentou explicações e documentos para afastar a glosa das demais despesas não comprovadas, questionou as glosas no âmbito da apuração da CSLL e se opôs à exigência de multa isolada concomitante com a multa proporcional, bem como de multa qualificada ante a mera presunção de que houve fraude. Finalizou discordando da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma Julgadora acolheu parcialmente estes argumentos para afastar a exigência de CSLL decorrente da glosa de despesas desnecessárias. A decisão restou assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. GLOSA DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. ALUGUÉIS. A infração se caracterizou pelo uso de contratos fraudulentos dos quais o interessado tinha pleno conhecimento (contrato social do locador e contrato de aluguel), de modo que o dolo resta evidenciado, o que remete a contagem do prazo decadencial ao art. 173, inciso I, do CTN. Poderia, então, o lançamento ser efetuado em 2008. Assim, o primeiro dia do exercício seguinte foi 1º/01/2009, expirando o prazo fatal em 31/12/2013, após a data de ciência do lançamento, que deuse em 28/11/2013. Preliminar indeferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. Correta a glosa, pois pagar aluguel a quem não é o proprietário não é usual, nem normal. MULTA QUALIFICADA (150%). Tendo a infração se caracterizado pelo uso de contratos fraudulentos dos quais o interessado tinha pleno conhecimento (contrato social do locador e contrato de aluguel), está correto o lançamento da multa qualificada (150%). GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. AC 2008 E 2009. Correta a glosa, pois o gasto para poder ser considerado custo ou despesa , deve ser comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. MULTA ISOLADA. BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. A partir da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, o art. 44 da Lei nº 9.430/1996 foi modificado, de modo que no seu inciso II, alínea “b”, consta, expressamente, que a multa isolada deve ser aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ..., no anocalendário correspondente”. Argumentos improcedentes. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no mérito do IRPJ repercute no auto reflexo, exceto a glosa de despesas não necessárias, por falta de previsão legal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Tais juros não foram lançados, de modo que tal discussão escapa do âmbito do litígio instaurado. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 6 5 O crédito tributário exonerado não se sujeitou a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 08/12/2014 (fl. 1413), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 29/12/2014 (fls. 1415/1490), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Preliminarmente a contribuinte argúi a decadência dos créditos tributários relativos ao anocalendário 2007, pois não há que se falar em fraude, na medida em que inexistiu qualquer violação indireta do texto legal, não estando configurada a intenção de atingir fim proibido pela norma jurídica pela celebração de contratos de locação de imóveis entre a Recorrente e a empresa CIFRA. Afirma a separação de suas atividades, invoca o direito ao livre exercício da atividade empresarial e observa que a atividade de locação de imóveis é lícita. Destaca, porém, que mesmo admitindose o início da contagem do prazo decadencial em 01/01/2008, ele se expiraria em janeiro/2013. Cita, ainda, jurisprudência favorável à aplicação do art. 150, §4º do CTN se não verificado dolo, fraude ou simulação; observa que houve recolhimentos regulares no período autuado, e conclui que em 28/11/2013 o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência, consoante doutrina que reproduz. No mérito, afirma a dedutibilidade das despesas com locação, discorrendo sobre suas atividades e as alterações societárias, especialmente a constituição da holding patrimonial denominada Cifra Administradora de Bens e Participações Ltda., que recebeu em integralização e por cisão da Recorrente e outras empresas pertencentes aos mesmos sócios, vários imóveis, concentrando, assim, em uma empresa administradora de bens, o patrimônio imobiliário da família, inclusive como forma de facilitar a continuidade sucessória. Observa que as alterações contratuais foram registradas na Junta Comercial, e que não houve questionamento acerca do valores de locação, que afirma justos. As despesas decorrentes seriam dedutíveis porque necessárias, dado que inimaginável que uma empresa concessionária do porte da Recorrente tenha que trabalhar sem uma sede. Aduz que a receita de locação foi regularmente tributada por CIFRA e que a decisão recorrida desconsidera a utilização do imóvel. Classifica de desinfluente o fato de a recorrente ter o mesmo contador e o mesmo representante legal de CIFRA, observa que esta não necessita de estrutura administrativa completa para administrar bens imóveis, mediante locação para terceiros, sendo administrada pelos próprios sócios, a evidenciar ser mera suposição, não comprovada, a afirmação de que CIFRA tomaria emprestado funcionários da recorrente. Afirma que a Fiscalização equivocouse ao constatar pagamentos lançados em conta corrente patrimonial entre as empresas, inexistindo confusão patrimonial na ausência de lançamentos de despesas de CIFRA em contas de resultado da recorrente. Reportase a contrato escrito celebrado em 30/05/2004, juntado à impugnação, a suportar os valores pagos antes de dezembro/2007, mas observa que tal contratação pode ser verbal, e invoca dispositivos da Lei nº 8.245/91 que impõe ao locatário o pagamento e encargos que não teriam sido especificados nos contratos apreciados pela Fiscalização. Justifica a desnecessidade de cláusulas acautelatórias em razão de as pessoas jurídicas terem sócios comuns, e conclui que os contratos atendem perfeitamente às determinações legais, respeitando os direitos, deveres e interesse de ambas as partes contratantes, inclusive os previstos na Lei de Locações. Defende que o registro do contrato social na Junta Comercial é hábil à transferência da propriedade, observa que na constituição de CIFRA a empresa que recebeu os imóveis passou a deter a posse dos mesmos e, com a locação, permaneceu com a posse Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 7 6 indireta do imóvel locado, transferindo a posse direta para a Locatária. Destaca, assim, que o locador não precisa ser proprietário do imóvel, consoante jurisprudência que cita, e acrescenta que por ser a locação um contrato de natureza pessoal, não necessita de prova do domínio, domínio esse que, no caso em tela, somente não se aperfeiçoou pelo registro da alteração do contrato social, mas que não prejudica a propriedade da Locadora a empresa CIFRA, posto que inexiste qualquer dúvida ou questionamento em relação à validade da aquisição dos imóveis que integram seu patrimônio. Invoca, ainda, a Súmula STJ nº 84. Entende inexistir qualquer prejuízo em razão da assinatura do contrato pela mesma pessoa como representante das duas pessoas jurídicas que têm existência distinta, inexistindo confusão entre credor e devedor, mas sim pluralidade de situações jurídicas, sendo as qualidades da credora e devedora compatíveis com a de Locadora e Locatária na avença. Conclui, assim, que não houve qualquer ilicitude ou fraude, e não restou configurado desvio de finalidade, abuso de personalidade jurídica das empresas em questão ou confusão patrimonial capazes de macular as relações de obrigações regularmente estabelecidas. Os pagamentos realizados, portanto, são necessários à manutenção de sua atividade operacional e dedutíveis na forma da jurisprudência que cita, destacando, ao final, que os valores cobrados são de mercado e obedecem rigorosamente aos ditames legais. Abordando as despesas glosadas por falta de comprovação, a recorrente inicialmente observa que, com relação aos descontos comerciais e abatimentos, não há como os terceiros fornecerem notas fiscais, eis que não se trata de fornecimento de bens e serviços à Recorrente. Afirma que a concessão de descontos somente pode ser provada por documentos internos e ressalta que tal despesa está intimamente ligada à receita, sendo, pois, necessária e dedutível. Esclarece que o abatimento ou o desconto aconteceu por uma série de fatores, tais como faturamento indevido (erro na emissão da nota fiscal, faturamento indevido de garantias de serviços e peças, dentre outros), desconto concedido ao cliente por ter recebido bônus posteriores da fábrica, faturamento a maior, pagamento antecipado de duplicatas, ou pura e simplesmente concessão de um desconto ao cliente, como por exemplo, para fidelizar o cliente com o interesse em possíveis vendas futuras. Aduz que o Fisco não pode se imiscuir na atividade empresarial e classifica de absurda a exigência de emissão de notas fiscais pelos clientes. Acrescenta que memorandos internos, recibos, planilhas, razões e telas do sistema de informações da Recorrente não foram aceitos e diz que a exigência de documentos externos para comprovação dos descontos está fora da realidade das empresas. Assevera que, desmerecendo os documentos internos, a autoridade julgadora de 1ª instância também não analisou a essência das provas juntadas com a impugnação. E questiona quais documentos seriam necessários para comprovação dos descontos concedidos. Transcrevendo a abordagem contida na decisão recorrida acerca dos documentos apresentados, afirma ser dever da administração pública atuar com diligência para apurar a realidade dos fatos e firma o entendimento de que a autoridade julgadora, ao considerar que todos os elementos trazidos pela Recorrente são inidôneos, falta com a razão e com conhecimento técnico que se exige para a função. Questiona se os julgadores forneceram algum documento ao conseguir um desconto comercial. Na sequência, reitera as justificativas apresentadas em impugnação para itens glosados, relacionando os documentos apresentados e esclarecimentos adicionais às fls. 1437/1471. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 8 7 Discorda, ainda, da exigência de CSLL porque as despesas tidas, supostamente, como desnecessárias para fins de apuração do imposto de renda, não deveriam sêlas para fins de CSLL, conforme previsto no Artigo 13 da Lei nº 9.249/95 e jurisprudência que cita. De toda sorte, porque demonstrado que os valores glosados se referem a despesas operacionais e necessárias, pede a declaração de improcedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Questiona, também, a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, dado que a Fiscalização já aplicara, também, multas de ofício de 75% e 150% sobre o IRPJ e CSLL devidos nos anoscalendário fiscalizados. Cita julgados administrativos contrários à exigência cumulada, bem como outros que limitam a aplicação de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória. Discorda da qualificação da penalidade sobre a glosa despesas de aluguel porque a fraude teria sido caracterizada pelo simples motivo de que os imóveis objeto da locação não foram registrados no Cartório de Registro de Imóveis correspondente, entendimento já refutado na abordagem antes relatada. Acrescenta que a multa de ofício de 75%, somada aos juros aplicados no lançamento, já são por demais onerosos, e que a elevação da multa a 150% exige a caracterização de evidente intuito de fraude, ou seja, a comprovação da existência de dolo do contribuinte em fraudar a Fazenda Pública. Afirma inadmissível a fraude apenas presumida, e não provada, reportase aos tipos penais da Lei nº 4.502/64, e cita doutrina e jurisprudência para limitar a qualificação da penalidade aos casos em que presente elemento doloso de falsidade, inexatidão ou omissão. Observa que não é qualquer ilícito tributário que tipifica crime e equipara a circunstância presente à que enseja a Súmula CC nº 14, pois a contabilização de despesas tidas como desnecessárias pela fiscalização não pode autorizar a qualificação da penalidade por não configurar qualquer falsidade, inexatidão ou omissão dolosas por parte da Recorrente, baseandose a Fiscalização em mera presunção, utilizando certos fatos para justificar uma conclusão que não necessariamente decorre deles. Afirma regular sua conduta, e subsidiariamente aduz que mesmo se a contabilização das despesas com alugueres estivesse incorreta, não se poderia falar em fraude ou configuração de crime, revelandose totalmente indevida a majoração da multa e a aventada representação fiscal para fins criminais. Por fim, a recorrente afirma a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, dada a inexistência de previsão legal neste sentido, dado o que disposto nos arts. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96, bem como no art. 161 do CTN. Observa que o art. 43 da Lei nº 9.430/96 somente autoriza a cobrança de juros sobre multa isolada, e invoca jurisprudência contrária ao acréscimo em referência. Acrescenta, ainda, que caso se entenda que a prova ofertada não é suficiente para provar o alegado, protesta a Recorrente por todos os meios de prova em direito admitidos, bem como pela prestação dos esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como pela sustentação oral quando do julgamento do feito perante o Colegiado. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A preliminar de decadência será apreciada ao final, porque influenciada pela acusação de fraude. Iniciando pela glosa de despesas com alugueis, a autoridade lançadora considerou indedutíveis as parcelas de R$ 110.500,00 (anocalendário 2007), R$ 600.000,00 (anocalendário 2008) e R$ 600.000,00 (anocalendário 2009), porque pagas a CIFRA, sociedade constituída em 27/06/91 com capital social de Cr$ 468.000.000,00, mediante aporte de Cr$ 468.000,00 por Ciro Frare, e o restante mediante transferência de vários imóveis de titularidade da autuada. CIFRA também foi favorecida, em 31/10/2007, com patrimônio vertido pela autuada, em razão de sua cisão parcial. Os fiscais autantes também observaram que: · CIFRA estava localizada no mesmo endereço da autuada, possuía o mesmos sócios desta, o mesmo contador, o mesmo representante legal e compartilhavam o mesmo escritório para sua administração; · CIFRA não teve funcionários registrados de 2007 a 2012, sendo possível dizer que para sua contabilidade e manutenção "tomou emprestado" funcionários e infraestrutura da autuada, em atos típicos de confusão patrimonial ; · A autuada registra, nas contas 2103010101 CIFRAADM.BENS E PARTICIPA€AO LTDA (AC 2007 e 2008) e 21301004 CIFRA ADM. DE BENS E PARTICIPACOES LTDA (AC 2008 e 2009) de seu Passivo, pagamentos de despesas da CIFRA, de onde se conclui que a autuada arcou com pagamento de tributos de responsabilidade da CIFRA, pagamentos estes que conferem exatamente com os débitos declarados pela CIFRA em DCTF; · Desde 1992 a autuada pagava a CIFRA alugueis de imóveis que, até 1991, lhe pertenciam, e o contrato de locação apresentado em atendimento a intimação fiscal tinha duração de 5 (cinco) anos a partir de 01/12/2007, fixando aluguel de R$ 50.000,00 em termos simples e dissociados de cláusulas acauteladoras de direitos e garantias das partes, indicando que uma das partes dominava inteiramente a outra, de modo que tudo foi feito de acordo com uma só vontade; · CIFRA não atuava como gestora de fato dos bens imóveis porque o contrato de locação atribuiu à autuada a tarefa de pagar o IPTU, o seguro contra incêndio, a taxa de água, e esgoto, Luz, energia e quaisquer outras que recaiam ou venham a recair sobre os imóveis ditos locados; Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 10 9 · Na matrícula dos imóveis transferidos a CIFRA, permanece como proprietária a autuada, apesar de transferidos contabilmente àquela sociedade constituída em 1991, sendo certo que o correspondente contrato social deveria ter sido levado ao Cartório de Registro de Imóveis para realização da transferência legal da propriedade, conforme estabelecido nos arts. 1.227 e 1.245 do Código Civil/2002 c/c art. 64 da lei 8.934/94 e art. 167 da lei 6.015/73, e antes também fixado no Código Civil de 1916 (art. 676 e 530, I); · Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça evidencia que o art. 98 da Lei nº 6.404 /76 não se presta para substituir a disciplina da transferência da propriedade imóvel estabelecida pelo Código Civil e pela Lei nº 6.015 /73; · A forma despreocupada como a autuada tratou a questão da transferência dos imóveis evidencia a característica meramente formal desse ato, especialmente porque as pessoas jurídicas possuíam os mesmos sócios, e assim a realização de tal transferência não traria impacto algum ao grupo econômico, pois este, com ou sem ela, jamais deixaria de manter a propriedade, direta ou indireta, dos imóveis em comento; · Ainda que a transferência tivesse se verificado, a autuada estaria alugando, de empresa que ela própria criou, os bens que outrora lhe pertenciam. E, considerando que o sócio que assinou citado Contrato de Aluguel, e seu posterior Aditivo, tanto pela CIFRA quanto pela DIVESA PARTICIPAÇÕES, é o mesmo, podese afirmar que houve confusão jurídica prevista no artigo 381 do Código Civil, pois que as qualidades de credor e devedor desta relação jurídica recaíram sobre a mesma pessoa e, o encontro dessa dupla qualidade na mesma pessoa, extingue qualquer obrigação, por confusão; e · Os alugueis de R$ 5.500,00 pagos mensalmente de janeiro a novembro/2007 não teriam respaldo no contrato de locação apresentado. Os fiscais autuantes concluem, assim, que as despesas seriam desnecessárias, e mais à frente justificam a imposição de multa qualificada aos créditos tributários resultantes de sua glosa asseverando que a conduta acima descrita caracteriza fraude perpetrada por vários anos. A recorrente argumenta que CIFRA seria uma holding patrimonial, constituída para concentrar o patrimônio imobiliário da família, inclusive como forma de facilitar a continuidade sucessória. De fato, neste sentido observase no relato fiscal que Ciro Frare, sócio original de CIFRA à época de sua constituição, passou o dividir o quadro social desta pessoa jurídica com Vânia Teresinha Zacarias Frare, Alexandre Zacarias Frare, André Zacarias Frare, além da pessoa jurídica Cipasa Administradora de Consórcios, constituída por esses três sócios, e em 26/10/2006, com o falecimento de Ciro Frare, suas quotas foram transferidas aos três sócios que eram seus herdeiros. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 11 10 A sucessão patrimonial, porém, poderia ter sido planejada mediante transferência à CIFRA, apenas, das quotas da autuada possivelmente antes detidas por Ciro Frare, pois com seu falecimento os herdeiros passariam a ser proprietários da empresa autuada e, indiretamente, de todos os seus bens, sem qualquer incidência tributária específica sobre transmissão de bens imóveis. A transferência dos bens imóveis à CIFRA, assim, revela a intenção do administrador de alterar o título da posse da autuada sobre estes bens e, assim, construir o cenário necessário para o surgimento de novas despesas, antes possivelmente minoradas ou suprimidas com a depreciação integral do imóvel em referência. Esta operação, em regra, é tributariamente vantajosa para o grupo empresarial porque a locatária, se optante ou obrigada ao lucro real, deduz integralmente a despesa em sua apuração, ao passo que a locadora, optando pelo lucro presumido, almejará a incidência tributária sobre, no máximo, 32% da receita de sua atividade. Contudo, o fato de CIFRA estar localizada no mesmo endereço da autuada e não possuir empregados não impede que a atividade de administração de imóveis locados seja exercida, apenas, por seu administrador, ou por uma administradora de imóveis contratada. A simplicidade das operações necessárias para tanto, mormente tendo em conta os contratos de locação entre pessoas ligadas, não permite presumir, à míngua de outras provas, que houve confusão patrimonial. Por sua vez, as demais provas apresentadas pela autoridade lançadora consistem, apenas, no registro contábil de pagamentos de despesas de CIFRA a débito de conta do passivo, ocorrências normais em grupos empresariais, e representativos de contacorrente entre as empresas, sendo certo que os registros a débito em conta de passivo se prestam a reduzir dívida da autuada para com CIFRA. Somente existiriam indícios de confusão patrimonial se o pagamento de despesas de CIFRA fosse contabilizado a débito de contas de resultado da autuada, ou manipulações posteriores do saldo da conta de passivo afetassem esse mesmo resultado. Já a singeleza do contrato de locação e a inexistência de cláusulas acauteladoras de direitos e garantias das partes não podem ser admitidas como evidências de invalidade do acordo, justamente porque ele foi firmado entre pessoas jurídicas ligadas. Irrelevante, também, a atribuição à locatária da tarefa de pagar o IPTU, o seguro contra incêndio, a taxa de água, esgoto, Luz, energia e quaisquer outras que recaiam ou venham a recair sobre os imóveis ditos locados, mormente tendo em conta, como destaca a recorrente, que a Lei nº 8.245/91 assim prevê: Art. 22. O locador é obrigado a: [...] VIII pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio de seguro complementar contra fogo, que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição expressa em contrário no contrato; [...] Art. 23. O locatário é obrigado a: I pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato; [...] VIII pagar as despesas de telefone e de consumo de força, luz e gás, água e esgoto; Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 12 11 [...] XII pagar as despesas ordinárias de condomínio. [...] (negrejouse) Na medida em que as partes envolvidas são livres e capazes para contratar, determinante para a invalidade dos acordos e a consequente indedutibilidade das despesas de alugueis seriam a cessão de direitos por quem não é deles titular, a incompatibilidade entre a realidade fática e os acordos formais mormente mediante demonstração de que a locadora não exerceria a administração direta ou indireta do imóvel, para o que não bastam as referências à atribuição das despesas acima referidas à locatária, dada as previsões legais que assim estabelecem , assim como a inexistência de acordos para constituição da despesa. Neste sentido, a autoridade lançadora assevera que não foi levado a registro junto à matricula do imóvel o contrato social por meio do qual este bem foi destinado à constituição do patrimônio de CIFRA. Além de citar a legislação que exige esta providência para realização da transferência legal da propriedade, os fiscais autuantes mencionam o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, reproduzindo o excerto destacado em negrito a seguir: PROCESSUAL CIVIL, TRIBUTÁRIO E CIVIL. ART. 535 DO CPC. ARGÜIÇÃO GENÉRICA. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL. BENS IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE REGISTRO. 1. Não se conhece do recurso especial pela alegada violação ao artigo 535 do CPC nos casos em que a argüição é genérica, por incidir a Súmula 284/STF, assim redigida: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Quanto à suposta violação ao art. 1º, I, da Lei nº 8.934/94, o recurso padece do requisito indispensável do prequestionamento, viabilizador do acesso às instâncias especiais. 3. No que diz respeito às alegações de posse e de sua comprovação pelo pagamento das despesas do imóvel, a recorrente não discriminou qual dispositivo da legislação federal teria sido violado pelo acórdão recorrido, aplicandose ao caso a Súmula 284/STF. 4. A análise da inexistência de máfé ou de fraude na incorporação dos imóveis penhorados demandaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório da demanda, o que é inviável na via estreita do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5. Para o conhecimento do recurso especial com fundamento no dissídio pretoriano, necessário se faz a demonstração analítica de que os arestos divergiram na aplicação da lei federal em casos análogos, diante de fatos análogos, o que não se verifica na hipótese. 6. O art. 98 da Lei nº 6.404/76 não se presta para substituir a disciplina da transferência da propriedade imóvel estabelecida pelo Código Civil e pela Lei nº 6.015/73, mas apenas qualifica a certidão dos atos de alteração de sociedades mercantis, passada pelo registro do comércio, como título translativo hábil a ser levado a registro imobiliário, como o é, por exemplo, a escritura pública de compra e venda de imóvel. 7. Recurso especial conhecido em parte e improvido Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 13 12 A legislação é clara quanto à necessidade de registro do título translativo de propriedade para que esta seja atribuída ao possuidor do imóvel. O julgado citado, por sua vez, apenas reafirma esta necessidade frente a embargos de terceiros a execução fiscal, propostos por pessoa jurídica que se entendia proprietária de imóvel incorporado ao seu patrimônio por meio de aumento de capital, cujo contrato social não foi levado a registro. Ocorre, porém, que a locação do imóvel não exige que o locador seja proprietário do imóvel, na medida em que somente é transferida ao locatório a posse direta do imóvel, consoante já se manifestou nesta Conselheira no voto condutor do acórdão nº 1101001.235: Assim, releva ter em conta o que dispõe o Código Civil acerca das operações destinadas a transferir a posse e da propriedade de bens imóveis: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. [...] Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, darseá no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. [...] Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. [...] Art. 1.196. Considerase possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. Art. 1.198. Considerase detentor aquele que, achandose em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. Parágrafo único. Aquele que começou a comportarse do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presumese detentor, até que prove o contrário. Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária. Art. 1.201. É de boafé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boafé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. [...] Art. 1.204. Adquirese a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. [...] Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 14 13 [...] Art. 1.231. A propriedade presumese plena e exclusiva, até prova em contrário. Art. 1.232. Os frutos e mais produtos da coisa pertencem, ainda quando separados, ao seu proprietário, salvo se, por preceito jurídico especial, couberem a outrem. [...] Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. [...] Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boafé ou do título do terceiro adquirente. [...] Como se vê na lei civil, a propriedade confere a seu titular a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha, e só é adquirida mediante registro do título translativo no Registro de Imóveis. Mas adquirese a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade, e, neste ponto, o Instrumento Particular de Transação é expresso no sentido de que Rodrigo de Almeida Schmidt adquiriu o direito de exercer sobre o imóvel em referência todos os direitos cabíveis e usálos como seus, podendo exercer a posse e propriedade sem restrições e podendo transferilos ou onerálos à sua exclusiva discricionariedade, exceto com relação à sua transferência no Registro Público, ou atos que impliquem outros registros incompatíveis com este impedimento. Concluise, do exposto, que Rodrigo de Almeida Schmidt adquiriu a posse justa do imóvel em virtude de direito pessoal, inexistindo qualquer impedimento para a cessão da posse direta deste imóvel à própria autuada, salvo se esta já a detivesse por direito pessoal, na forma do art. 1.197 do Código Civil. Contudo, a autuada figurou como interveniente no Instrumento Particular de Transação, e nele se fez constar, dentre as considerações iniciais, que Rodrigo de Almeida Schmidt concordava em ceder em locação para TERMOTÉCNICA os Imóveis, nos exatos termos dos respectivos contratos assinados simultaneamente, que integram o presente instrumento sob a forma de Anexo III. A Fiscalização negou validade ao referido contrato, asseverando que à falta do Registro Público, para terceiros, o imóvel permanece como propriedade da fiscalizada, e neste sentido observou a Procuradoria da Fazenda Nacional que o negócio jurídico poderia ser declarado inválido em razão do disposto no art. 166, inciso IV do Código Civil, por não revestir a forma prescrita em lei. Mas o fato a ser provado é a transmissão de posse direta do imóvel à autuada mediante retribuição, de modo que esta relação jurídica seja válida entre as partes contratantes. E, para tanto, é suficiente o instrumento particular, assinado pelas partes, por intervenientes e duas testemunhas, na forma do Código Civil: Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 15 14 III forma prescrita ou não defesa em lei. [...] Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato. [...] Assim, a acusação fiscal não permite refutar a alegação da recorrente de que para a validade da locação de um imóvel é suficiente apenas a efetiva transferência da posse (mesmo que indireta) — tradição do bem no ato de assinatura do aludido contrato. Em conseqüência, tornase desnecessário abordar a importância da locação para autuada, a possibilidade de o proprietário de vender seu imóvel e continuar nele morando como locatário, e a inexecução do contrato por falta de entrega ou pagamento do preço (aventados pela Procuradoria da Fazenda Nacional), pois estes argumentos não justificaram a glosa das despesas. No presente caso, é indiscutível que por meio de contrato social o imóvel em referência deixou o ativo da autuada e passou a integrar o ativo de CIFRA, aumentando, em contrapartida, seu capital social. A baixa contábil do imóvel pela autuada, resultante do contrato social em referência, é suficiente para transmissão da posse indireta do imóvel a CIFRA, especialmente tendo em conta que os demais aspectos aventados pela autoridade lançadora não são suficientes para invalidar as operações sob questão. Ainda que para a transmissão da propriedade seja exigida forma prescrita em lei, o mesmo não se verifica em relação à transferência da posse, a qual se estabelece desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade, como, no caso, a escrituração do bem como ativo no patrimônio de CIFRA decorrente dos atos societários validamente praticados e a concomitante cessão da posse direta, mediante locação, à autuada. A autoridade lançadora, por sua vez, não fez qualquer ressalva acerca da efetiva utilização do imóvel pela autuada, nem questionou a normalidade do valor dos alugueis estipulados contratualmente. Acrescentou, apenas, que os alugueis pagos de janeiro a novembro/2007 não estariam suportados pelo contrato de locação apresentado pela contribuinte, porém foi juntado à impugnação o documento correspondente (fls. 878/879), estabelecendo aluguel no valor de R$ 5.500,00 a partir de 01/06/2004, por prazo indeterminado, com possibilidade de reajuste anual a partir de 01/06/2005. Referido documento é assinado por Alexandre Zacarias Frare, que figurava como administrador da autuada à época, conforme contrato social de fls. 43/48. É possível, assim, que as operações em referência tenham gerado ganho tributário ao grupo empresarial. Também está claramente demonstrado que a autuada já detinha a posse direta do imóvel antes de ele ser destinado a aumento de capital de CIFRA. Porém, as circunstâncias destacadas pela Fiscalização, pelas razões antes expostas, não invalidam os atos praticados, os quais se mostram hábeis a atribuir a CIFRA, ao menos, a posse dos imóveis incorporados ao seu patrimônio contábil por meio de aumento de capital, título que lhe assegura o direito aos frutos do imóvel. Considerando que nada infirma o efetivo uso do imóvel pela autuada ou a administração do imóvel pela locadora mediante atuação de seu sócio Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 16 15 responsável, não subsiste a acusação de desnecessidade da despesa, devendo ser cancelada a exigência de IRPJ, dado que a exigência de CSLL já foi afastada em 1ª instância de julgamento e não se sujeita a reexame necessário. Em consequência, é despiciendo abordar as razões para qualificação da penalidade, bem como apreciar a preliminar de decadência. Estes os fundamentos, portanto, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência de IRPJ decorrente da glosa de despesas de alugueis. Passando às despesas não comprovadas, a autoridade lançadora direcionou suas investigações aos registros que apresentavam como histórico as expressões "VLR REF. MEMORANDO INTERNO" e "MEMORANDO", destacando que documentos desta espécie não são hábeis a qualquer comprovação, sob pena de se admitir que apenas baseado em Memorandos Internos o contribuinte pudesse, ao seu arbítrio e de tempos em tempos, reduzir ou até zerar o pagamento de tributos, bastando, para tanto, criar uma despesa fictícia e vinculála e esse tipo de documentação. Acrescentou, ainda, que se os descontos concedidos fossem perdas, como indicado nos esclarecimentos obtidos, então a prova pertinente seria a própria fatura comercial. Por fim, as multas diversas, as despesas com licenciamento e as despesas com comissões deveriam estar espelhadas em documentos próprios, e não apenas em memorandos internos. A contribuinte não questionou as glosas vinculadas às contas nº 46106001 Multas Diversas (R$ 4.431,48), nº 4401039913 Despesas c/ Manutenção de Veículos (R$ 5.867,88) e nº 43102001 Comissões e Repres. Vendas P. Jurídica (R$ 4.364,00), bem como não buscou comprovar três despesas registradas na conta nº 43104005 Cortesias Comerciais (R$ 20.127,69, 77.000,00 e R$ 830,00). A autoridade julgadora de 1ª instância apreciou os documentos apresentados, mas manteve integralmente as glosas promovidas. Examinando os documentos apresentados à Fiscalização (fls. 127/409) confirmase que, a sustentar o registro contábil das despesas glosadas, a contribuinte apresentou, apenas, documentos internos como, dentre outros, memorandos entre o "DPTO. DE VEÍCULOS NOVOS" e o "DEPTO. FINANCEIRO" ordenando o pagamento de tributos e multas vinculados a veículos comercializados pela contribuinte, ou informando "acertos" de créditos, ou mesmo de liquidação de "débitos" em favor de clientes, assim como entre o "Gerente de Serviços" e a "Contabilidade" informando despesas assumidas pelo departamento de oficina, ou solicitando cortesia em favor de cliente determinado. Nos casos em que estes documentos internos foram acompanhados de notas fiscais, boletos bancários ou outros documentos produzidos com intervenção de terceiros, não houve glosa. Tais memorandos internos evidenciam que operações comerciais foram realizadas ensejando encargos à pessoa jurídica, possivelmente motivadas por compromissos assumidos na venda de um veículo, ou mesmo para fidelizar um cliente. Todavia, tem razão a autoridade lançadora em rejeitálos como documentos suficientes para comprovação das despesas, porque tais operações deixam outras evidências documentais produzidas com a intervenção de terceiros. Por exemplo: 1) se um veículo adquirido e depois revendido apresenta dívidas anteriores que são assumidas pela contribuinte, a comprovação da despesa se faz com a apresentação da contratação de compra e da venda do veículo, bem como com os boletos de pagamentos das dívidas do veículo; 2) se um cliente é favorecido com a redução de sua dívida mediante concessão de crédito ou liquidação de débito, a comprovação da despesa se faz com a assinatura de acordo assinado entre as partes; 3) se a contribuinte arca com serviços de oficina Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 17 16 referentes a um veículo em garantia ou como cortesia, deve apenas emitir a nota fiscal com a indicação correspondente de que nada será cobrado do cliente; e etc. Em suma, as operações descritas nos memorandos permitem a produção de outras provas que poderiam ser opostas, validamente, perante terceiros usuários da contabilidade. Vejase, ainda, que em momento algum a autoridade lançadora exigiu o fornecimento de notas fiscais emitidas por terceiros para comprovação dos descontos comerciais e abatimentos. Observouse, apenas, que o referencial para prova do desconto comercial é a fatura comercial, e isto porque neste documento o desconto pode estar destacado, ou então ele servirá, em comparação com os documentos representativos dos valores recebidos do cliente, como evidência documental de que a fiscalizada, de fato, deixou de receber toda a receita inicialmente escriturada. Imprópria, assim, a alegação da recorrente de a concessão de descontos somente ser provada por documentos internos. Sua dedutibilidade, de fato, decorre de sua íntima ligação com a receita, mas sua prova se faz tendo em conta esta relação e os eventos posteriores, independentemente dos diversos fatores que a motivam. Nos termos do art. 299 do RIR/99, somente são dedutíveis as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. E necessárias são as despesas pagas ou incorridas para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Além disso, a lei limita a dedutibilidade às despesas operacionais usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Assim, a prova das despesas que afetam o lucro tributável devem evidenciar que o ônus assumido pela contribuinte decorreu de exigências da atividade da empresa. Não basta a operação ser, hipoteticamente, comum à atividade empresarial. Somente por meio de documentos produzidos com a intervenção de terceiros é possível afirmar que a despesa foi promovida para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Admitese que os memorandos internos, recibos, planilhas, razões e telas do sistema de informações da Recorrente sejam a primeira referência da origem das despesa glosadas. Porém, sozinhos, eles nada provam, porque não evidenciam a operação a que se reportam e não permitem avaliar se ela era necessária, normal e usual. A apresentação de documentos externos para comprovação dos descontos, assim, não está fora da realidade das empresas, porque até mesmo para controle interno, com vistas a evitar conluio entre empregados e clientes para concessão de benefícios indevidos a estes, a correlação antes mencionada deve ser avaliada pelos administradores da empresa. A recorrente prossegue questionando a avaliação, pela autoridade julgadora de 1ª instância, dos documentos juntados à impugnação, e reafirmando a dedutibilidade dos valores glosados. O exame dos documentos apresentados em confronto com a análise da autoridade julgadora de 1ª instância evidencia que, em sua maior parte, as glosas devem ser mantidas. O quadro abaixo, elaborado na ordem dos documentos apresentados em impugnação (fls. 880/1364) traz o destaque, em negrito, dos registros que restaram comprovados: Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 18 17 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 380 14/08/2008 3.444,80 Documentos internos Notas fiscais entregues ao cliente fora da data estipulada, com emissão de novas notas fiscais Aparentemente duas duplicatas foram baixadas porque substituídas por notas fiscais posteriormente emitidas, mas não está provado que as primeiras duplicadas decorrem de notas fiscais com o mesmo conteúdo das posteriormente emitidas 381 21/08/2008 553,43 Documentos internos Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno, tela de sistema, extrato de contas a receber, notas fiscais de venda, extrato de Livro Caixa não provam que foi recebido valor menor que o faturado 382 17/10/2008 2.000,00 Documentos internos Crédito em peças e serviços concedido a cliente em razão da aquisição de veículo de R$ 187.000,00 Memorando interno, nota fiscal de venda sem destaque da cortesia, extrato do Livro Caixa e recibo sem assinatura do cliente não provam que a cortesia o beneficiou 383 27/10/2008 720,00 Documentos internos Desconto comercial concedido por retorno de serviço Memorando interno, extrato de contas a receber e do Livro Caixa, ordens de serviço e telas de sistema, acompanhados de notas fiscais em datas e valores diferentes não permitem identificar porque foi dado abatimento no valor contabilizado 384 28/10/2008 1.100,00 Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de contas a receber e do Livro Caixa e telas de sistema não provam que a nota fiscal foi recebida por valor inferior ao da emissão Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 19 18 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 385 29/10/2008 17.996,40 Documentos internos Ajuste na aquisição de veículos usados em contrapartida à venda de caminhões novos, que caracterizaria redução de custos Memorando interno, extrato de contas a receber e do Livro Caixa, telas de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que o resultado final da operação de troca foi alterado 386 07/11/2008 2.000,00 Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de contas a receber e do Livro Caixa, telas de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que o resultado final da operação de troca foi alterado 387 10/11/2008 669,50 Documentos internos Cortesia comercial referente a segunda revisão de veículo adquirido Memorando interno, ordem de serviço sem indicação de cortesia, extrato do Livro Caixa e de contas a receber e telas de sistema não provam que o cliente foi beneficiado 388 13/11/2008 2.100,00 Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de contas a receber e do Livro Caixa, telas de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que houve ajuste no valor original da operação 389 19/11/2008 684,22 Documentos internos Cortesia comercial em serviços por aquisição de veículo Memorando interno, extrato de contas a receber e do Livro Caixa, telas de sistema não provam que a empresa deixou de receber pelas notas fiscais supostamente emitidas em razão dos serviços Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 20 19 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 390 24/11/2008 5.000,84 Impossível saber a causa do cheque nominal no valor glosado Desconto comercial relativo a serviços em veículo sinistrado, em valor devolvido a Cia. Seguradora Nota fiscal de serviços de valor equivalente a contas a receber permitem concluir que houve receita de R$ 45.653,45, mas memorando apenas orienta que seja creditado R$ 5.000,84 à companhia de seguros, com efetivo pagamento em cheque, sem identificar a causa desta operação 391 03/12/2008 1.820,08 Documentos internos Desconto comercial concedido pelo pagamento em menor prazo sem juros Memorando interno, extrato do Livro Caixa e de contas receber não provam que o cliente pagou valor inferior ao da nota fiscal originalmente emitida 392 12/12/2008 697,00 Documentos internos Desconto concedido em razão de negociação comercial pela venda de veículo novo Memorando interno noticia quitação de multas pagas pelo cliente, mas mensagens eletrônicas, acompanhadas de extrato de contas a receber e Livro Caixa não provam se foi menor o valor recebido pela venda original 393 17/12/2008 1.391,60 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto concedido em razão da emissão de nota fiscal com valor incorreto Memorando interno, extrato do Livro Caixa e telas de sistema não provam que o cliente pagou valor inferior ao da nota fiscal supostamente emitida com erro 395 26/12/2008 769,55 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto concedido em razão da emissão de nota fiscal com valor incorreto Memorando interno, extrato do Livro Caixa e de contas a receber, telas de sistema, nota fiscal e ordem de serviço não provam que o cliente pagou valor inferior ao da nota fiscal supostamente emitida com erro Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 21 20 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 358 18/01/2008 500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Crédito em peças e serviços concedido a cliente em razão da aquisição de veículo de R$ 111.500,00 Memorando interno, nota fiscal de venda do veículo e extrato do livro Diário com registro da despesa a crédito de passivo "Adiantamentos de clientes em geral" não provam que o cliente se beneficiou do desconto 360 28/02/2008 2.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial de R$ 1.000,00 por faturamento a maior e de R$ 1.000,00 por negociação entre as partes Memorando interno e extrato do livro Diário com registro da despesa a crédito de passivo "Adiantamentos de clientes em geral" não provam que o cliente se beneficiou do desconto 361 29/02/2008 500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno reportando diversas operações indica recebimento de R$ 5.500,00 pelo cliente, sendo que a nota fiscal foi de R$ 5.000,00, de forma que para acertar o recebimento, o valor deveria interessar como recuperação de despesas do departamento. As evidências são de receita e não de despesa. 362 23/04/2008 2.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Crédito em peças e serviços concedido a cliente em razão da aquisição de veículo de R$ 110.000,00 Memorando interno, extrato de contas a receber, nota fiscal de venda do veículo em valor equivalente à fatura, mensagens eletrônicas, tela de extrato e duplicada sem recibo, embora com anotações manuscritas, não provam que o cliente se beneficiou do desconto Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 22 21 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 363 06/05/2008 2.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Não há relação clara entre a pessoa que comprou o caminhou e a pessoa jurídica que recebeu valor pago. Desconto concedido por faturamento a maior Memorando interno e telas de sistema não permitem afirmar que operação de R$ 28.000,00, cujo valor foi devolvido ao cliente em cheque, foi realizada pelo valor de R$ 26.000,00 e quitada com outros créditos 364 08/05/2008 2.099,48 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno e telas de sistema não dão conhecimento das operações realizadas 365 14/05/2008 575,33 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno que noticia o deslocamento da cobrança de uma pessoa para outra não prova que a contribuinte deixou de receber a dívida 366 18/05/2008 3.812,72 Documentação não apresentada ou fora de ordem Não foi apresentada NF de venda Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, telas de sistema e boletos sem autenticação de recebimento não provam que a venda foi realizada por valor superior ao recebido 367 30/05/2008 1.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno e extrato do livro Diário com registro da despesa a crédito de passivo "Adiantamentos de clientes em geral" não provam que o cliente se beneficiou do desconto 368 25/06/2008 13.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto concedido em razão da venda de veículo usado recebido em troca por valor superior ao avaliado Memorando interno, duplicata sem quitação e tela de sistema não provam que o cliente se beneficiou do valor apurado Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 23 22 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 369 01/07/2008 1.600,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto concedido por faturamento a maior Memorando interno e extrato do livro Diário com registro da despesa a crédito de passivo "Adiantamentos de clientes em geral" não provam que o cliente se beneficiou do desconto 370 04/07/2008 4.700,52 Documentação não apresentada ou fora de ordem Não há relação entre os telex e os demais documentos Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno, extrato do Livro Diário com registro da despesa a crédito de passivo "Adiantamentos de clientes em geral", telas de sistema e evidências do recebimento de comissão não provam que o cliente se beneficiou do desconto 371 08/07/2008 500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, nota fiscal e extrato do Livro Diário com registro da despesa a crédito de passivo "Adiantamento de clientes em geral" não provam que o cliente se beneficiou do desconto 372 17/07/2008 500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto concedido por faturamento a maior Memorando interno, extrato do Livro Caixa, tela de sistema e nota fiscal sem indicação do desconto não provam que a contribuinte recebeu valor menor que o faturado 373 17/07/2008 521,88 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial provado por documentos Memorando interno solicitando a baixa de duplicata por acordo com o cliente, tela de sistema e nota fiscal não dão conhecimento da operação realizada 374 28/07/2008 8.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Documentos internos Desconto comercial por negociação entre as partes Memorandos internos não provam que, embora vendendo veículo usado por R$ 42.000,00, a empresa teve de arcar com a parcela de R$ 50.000,00 atribuída ao veículo na troca por um novo faturado diretamente pelo fabricante Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 24 23 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 191 24/06/2009 2.691,91 Documentação não apresentada ou fora de ordem Não há prova de que a contribuinte arcou com o custo das multas IPVA e multas de veículo usado recebido como parte de pagamento na venda de veículo novo Memorando interno, cheque e comprovantes de pagamento das despesas não provam que o veículo foi recebido como parte do pagamento na venda de veículo novo 192 10/11/2009 574,62 Documentação não apresentada ou fora de ordem Não há prova de que a contribuinte arcou com o custo das multas e não há prova do pagamento Despesas com multas reembolsadas pelo cliente Memorandos internos associados ao comprovante de pagamento da multa atribuída a veículo com a mesma placa e o mesmo valor indicados no lançamento contábil de recuperação de despesas comprova a correlação entre despesa e receita, e a inexistência de efeitos na apuração do lucro tributável 209 02/04/2009 1.586,29 Documentação não apresentada ou fora de ordem NFs e valores não coincidem Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato do Livro Caixa, boleto sem quitação e tela de sistema não provam que o cliente se beneficiou do desconto 210 09/04/2009 41.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem NFs não apresentadas Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno, extrato do Livro Caixa e de contas a receber e telas de sistema não provam que o cliente se beneficiou do desconto 212 14/04/2009 21.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Valores sem coincidência e sem relação entre si Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno, telas de sistema e evidências do recebimento de comissão não provam que o cliente se beneficiou do desconto 214 08/05/2009 650,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Elementos que nada provam Desconto concedido por emissão indevida de nota fiscal Memorando interno, extrato do Livro Caixa e telas de sistema não provam que houve faturamento em duplicidade Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 25 24 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 215 14/05/2009 998,58 Documentação não apresentada ou fora de ordem Elementos que nada provam Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato do Livro Caixa e telas de sistema não provam que o cliente se beneficiou do desconto 216 20/05/2009 1.500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Cancelamento de NF escriturada é estorno de receita e não despesa Desconto concedido por emissão indevida de nota fiscal Memorando interno, extrato do Livro Caixa e as duas notas fiscais apresentadas evidenciam que a primeira, no valor de R$ 1.500,00, contemplava serviços faturados, também, na segunda nota fiscal. 217 20/05/2009 13.500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Operações realizadas com fornecedore e não cliente Desconto concedido por inclusão de carrocerias que foram instaladas pelo próprio cliente Memorando interno, extrato do Livro Caixa, telas de sistema e notas fiscais emitidas não provam que o cliente se beneficiou do desconto 219 21/05/2009 14.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno, extrato do Livro Caixa e de contas a receber, telas de sistema e evidências do recebimento de comissão não provam que o cliente se beneficiou do desconto 218 21/05/2009 12.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno, extrato do Livro Caixa, telas de sistema e evidências do recebimento de comissão não provam que o cliente se beneficiou do desconto 222 08/06/2009 1.500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido pela entrega do veículo sem a carroceria faturada Memorando interno, extrato do Livro Caixa, tela de sistema e nota fiscal não provam que o cliente se beneficiou do desconto 223 17/06/2009 1.050,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido por emissão indevida de nota fiscal Memorando interno, extrato do Livro Caixa, tela de sistema e notas fiscais que evidenciam a prestação dos mesmos serviços, no mesmo veículo, mas faturados contra diferentes clientes, evidenciam a duplicidade Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 26 25 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 224 19/06/2009 37.825,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido ao cliente por recebimento de comissão de venda do fabricante do veículo Memorando interno, extrato do Livro Caixa, telas de sistema e evidências do recebimento de comissão não prova que o cliente se beneficiou do desconto 227 13/07/2009 1.231,40 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno, tela de sistema, extrato de Livro Caixa e de contas a receber e nota fiscal de venda, extrato de Livro Caixa não provam que foi recebido valor menor que o faturado 232 31/08/2009 626,40 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno solicitando a baixa de duplicata, extrato de contas a receber e tela de sistema não dão conhecimento da operação realizada 233 10/09/2009 667,91 Documentação não apresentada ou fora de ordem Identificação de peças em garantia Desconto comercial por faturamento indevido Recibo com assinatura do cliente acompanhado de documentos internos acerca da anterior cobrança de peça em garantia provam que o desconto favoreceu o cliente 234 10/09/2009 1.319,50 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Recibo com assinatura do cliente acompanhado de documentos internos acerca da anterior cobrança de peça em garantia provam que o desconto favoreceu o cliente 235 15/09/2009 11.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno solicitando a baixa de duplicata, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 27 26 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 236 18/09/2009 750,48 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno solicitando a baixa de duplicata, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 237 24/09/2009 5.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Baixa de adiantamento recebido e lançado como recuperação de despesa Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, extrato do Livro Razão e recibos sem assinatura do cliente não provam que a operação foi estornada 238 29/09/2009 2.300,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Cortesia concedida a cliente em razão da aquisição de veículo de R$ 200.000,00 Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, nota fiscal e documentos internos correlatos à venda sem indicação do desconto e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 239 23/10/2009 4.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 242 29/10/2009 10.605,93 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorandos internos, extrato de Livro Caixa e de contas a receber e notas fiscais de valores diferentes daquele esperado em razão da operação original que foi ajustada não provam o estorno 243 29/10/2009 8.506,51 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 28 27 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 246 11/11/2009 20.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno solicitando a baixa de duplicata, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema e duplicata sem outras informações não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto 247 11/11/2009 5.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido mas lançado como recuperação de despesa Memorando interno, extrato de Livro Caixa e lançamentos de reversão da despesa sem evidências das causas do registro original não permitem confirmar o estorno 248 17/11/2009 9.500,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido mas lançado como recuperação de despesa Memorando interno, boleto bancário e notas fiscais em nome de clientes diferentes e extratos de lançamentos contábeis não provam a operação realizada 251 19/11/2009 3.032,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido mas lançado como recuperação de despesa Memorandos internos associado a cheque depositado em favor de cliente não permitem vincular o pagamento à operação original de venda 252 20/11/2009 9.350,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Pagamento pela contribuinte em favor de fornecedor que instalou carroceria em data próxima e no mesmo veículo vendido evidencia cobrança a maior do cliente 253 30/11/2009 2.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto concedido por serviço em garantia Memorando interno solicitando a baixa de duplicata, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 29 28 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 255 14/12/2009 7.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Pagamento pela contribuinte em favor de fornecedor que instalou terceiro eixo em data próxima e no mesmo veículo vendido evidencia cobrança a maior do cliente 256 15/12/2009 2.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 257 15/12/2009 5.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, notas fiscais e documentos internos da venda original e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 259 30/12/2009 1.700,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, notas fiscais e documentos internos de venda não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto 396 15/01/2009 1.062,67 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno e notas fiscais de venda não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto 397 16/01/2009 11.250,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno, extrato de Livro Caixa e recibo sem assinatura do cliente não provam que houve faturamento indevido 398 19/01/2009 663,10 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e tela de sistema não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 30 29 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 399 09/02/2009 587,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno, extrato de L. Caixa e de contas a receber, tela de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiário do desconto 400 27/02/2009 6.000,63 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto 401 02/03/2009 3.333,32 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, boletos bancários sem autenticação e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 402 09/03/2009 689,30 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno, extrato de Livro Caixa e notas fiscais para o mesmo cliente com descrições diferentes não permitem compreender a operação realizada 403 11/03/2009 10.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por entrega de caminhão sem pneus Memorando interno, extrato de Livro Caixa e tela de sistema não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto 404 12/03/2009 720,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno informando faturamento incorreto de serviço em garantia e notas fiscais emitidas contra o cliente e contra o fabricante de mesmo valor e descrição evidenciam o faturamento indevido contra o cliente Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 31 30 Avaliação da Impugnação Avaliação em Recurso Voluntário Doc. Data Valor 1º arquivo Demais arquivos Justificativa Avaliação 405 25/03/2009 745,62 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, e tela de sistema não provam que o cliente foi beneficiado pelo desconto 407 25/03/2009 15.000,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial provado por documentos Memorando interno, extrato de Livro Caixa e de contas a receber, tela de sistema e recibo sem assinatura do cliente não provam que ele foi beneficiado pelo desconto 408 19/06/2009 720,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno informando faturamento incorreto de serviço em garantia e notas fiscais emitidas contra o cliente e contra o fabricante de mesmo valor e descrição evidenciam o faturamento indevido contra o cliente 409 16/09/2009 6.580,00 Documentação não apresentada ou fora de ordem Discrepância evidente Desconto comercial por faturamento indevido Memorando interno informando faturamento maior que o devido acompanhado de cheque nominal depositado em favor do cliente em data próxima à da emissão da nota fiscal de venda provam o desconto concedido Destacamse ainda, nos elementos assim examinados, evidências da prática, pela empresa, de concessão créditos para utilização futura dos clientes, com a imediata dedução destes valores como despesa independentemente do aproveitamento da cortesia. Além de inexistir qualquer efetividade da despesa no momento da concessão do crédito, é razoável supor que o cliente receba algum comprovante deste suposto direito futuro, ou seja, que algum documento fosse elaborado com sua intervenção para constituição do crédito. Observase, também, que erros cometidos pelos setores de execução de serviços ou de vendas, ou alterações das condições iniciais dos negócios, dos quais resultassem a supressão da cobrança de valores, foram noticiados apenas por documentos internos de comunicação e de registro contábil. Contudo, para prova do ônus assumido pela contribuinte era necessária a prova de que somente parte da receita inicialmente apropriada foi recebida, o Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 32 31 que se faz mediante documento firmado em conjunto com o cliente, dispensandoo do pagamento da dívida, sob pena de restar caracterizada, apenas, mera liberalidade. Evidenciase, desta forma, que a contribuinte não manteve regular controle interno de suas operações, restando impossibilitada de provar a efetividade das despesas glosadas pela Fiscalização. Com fundamento nas justificativas expostas no quadro antes transcritos, somente são afastadas as glosas dos itens nº 192 (R$ 574,62 em 10/11/2009), 216 (R$ 1.500,00 em 20/05/2009), 223 (R$ 1.050,00, em 17/06/2009), 233 (R$ 667,91, em 10/09/2009), 234 (R$ 1.319,50 em 10/09/2009), 252 (R$ 9.350,00, em 20/11/2009), 255 (R$ 7.000,00, 14/12/2009), 404 (R$ 720,00 em 12/03/2009), 408 (R$ 720,00 em 19/06/2009) e 409 (R$ 6.580,00 em 16/09/2009). Esclareçase, por fim, que o pedido subsidiário da contribuinte de provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, encontra óbice no art. 16, §§4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Tratandose de fatos passíveis de demonstração por meio de prova documental, como exaustivamente exposto no presente voto, estes elementos deveriam ter sido juntados à impugnação, ou mesmo posteriormente, desde que fundamentada a impossibilidade de apresentação anterior. Assim, considerando que todas as operações comprovadas se verificaram no anocalendário 2009, a glosa promovida neste período deve ser reduzida em R$ 29.482,03. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas não comprovadas no âmbito da apuração do IRPJ. A recorrente prossegue questionando especificamente a exigência de CSLL a partir de tais glosas, assevera que as despesas tidas, supostamente, como desnecessárias para fins de apuração do imposto de renda, não deveriam sêlas para fins de CSLL, conforme previsto no Artigo 13 da Lei nº 9.249/95 e jurisprudência que cita. Ocorre que as glosas em referência se deram por falta de comprovação das operações, noticiadas apenas por documentos internos, como restou confirmado na maior parte dos registros antes analisados. De toda sorte, ainda que se entenda que a falta de comprovação recai sobre os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade dos gastos o que não se admite nem por hipótese, na medida em que os documentos internos apresentados não são prova da ocorrência dos fatos neles expostos , esta Conselheira assim se manifestou no voto condutor do Acórdão nº 1101001.180, em favor da indedutibilidade de gastos desta natureza, na apuração da base de cálculo da CSLL: Quanto à glosa de despesas desnecessárias na apuração da base de cálculo da CSLL, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, embora vencida na possibilidade de apreciação desta matéria pela CSRF, apresentou argumentos suficientes a manutenção da exigência e que são aqui adotados: Uma vez mantida a glosa das despesas financeiras, fazse necessário analisar se, conforme afirmado pela Procuradoria, também seriam devidas as exigências relativas à CSLL, lançadas como reflexo. Desta feita, urge transcrever o art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995, verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 33 32 independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida peta legislação especial a elas aplicável, (Vide Lei 9.430. de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, VI das doações, exceto as referidas no § 2", VII das despesas com brindes Assim, se a lei fala em "independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964" é porque mencionado artigo passa a ser considerado, também, para efeito de base de cálculo da CSLL, e o mesmo é a base legal do art. 299 do RIR/99, dispondo, verbis: Art 47, São operacionais a s despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1a São necessárias as despesas pagas ou incorridas paia a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2a As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, § 3o Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4o No caso de empresa individual, a administração do imposto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se esse não puder provar a relação da despesa com a atividade da empresa. § 5o Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da empresa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do imposto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado,autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6o Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de força maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 34 33 § 7o Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5o, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. Portanto, a partir do anocalendário de 1996, com a entrada em vigor da Lei n° 9.249/95, as despesas não necessárias devem ser glosadas, também, da base de cálculo da CSLL, o que significa dizer que devem ser mantidas, também, as exigências relativas à CSLL. Vejase que mesmo tendo em conta apenas o art. 2o da Lei nº 7.689/88, referido dispositivo determina a incidência da CSLL sobre o resultado do exercício e este, a teor da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC nº 750/93, não pode ser afetado por operações que não guardem relação com a finalidade da pessoa jurídica: Art. 4º. O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônio autônomo não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. O princípio assim enunciado firma que a entidade objeto de contabilização tem de estar completamente separada das entidades que formam o corpo de seus proprietários. Demonstrado que por ingerência destes o resultado da autuada foi minorado com despesas decorrentes de um empréstimo cujos efeitos foram anulados em operações subseqüentes, resta evidente que tais despesas não deveriam ter sido contabilizadas e, por conseqüência, afetado o lucro aqui tributado. Por tais razões, também em relação à incidência de CSLL sobre a glosa de despesas não comprovadas, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do anocalendário 2009 a parcela de R$ 29.482,03. A recorrente também discorda da exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, dado que a Fiscalização já aplicara, também, multas de ofício sobre o IRPJ e CSLL devidos nos anoscalendário fiscalizados. Afastada integralmente a glosa de despesas de alugueis e parcialmente a glosa de despesas não comprovadas, as multas isoladas deverão ser recalculadas a partir das bases imponíveis minoradas. Todavia, a exigência cumulada com a multa proporcional aplicada aos créditos tributários remanescentes subsistirá porque que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 35 34 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 36 35 Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Em razão dos efeitos desta alteração, recentemente a 1a Turma da CSRF aprovou a Súmula nº 105 com o seguinte enunciado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Restou pacificado nesta 1a Seção de Julgamento que até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, que alterou a redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430/96 e deslocou o fundamento legal da penalidade em comento para o inciso I, letra “b” daquele art. 44, não é possível a exigência concomitante das duas penalidades. Todavia, as infrações remanescentes ocorreram em 2008 e 2009 e está evidenciado nos autos que a contribuinte, relativamente ao pagamento mensal esperado naquele período, deixou de efetuálo integralmente, descumprindo esta obrigação acessória Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 37 36 imposta aos optantes pela apuração anual das base tributáveis. A multa proporcional, por sua vez, foi aplicada em razão da falta de recolhimento dos tributos devidos ao final do período. Assim, com referência ao tema, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir as multas isoladas calculadas sobre as glosas de despesas de alugueis e sobre as despesas cuja comprovação foi admitida neste voto. Por fim, a recorrente afirma a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, dada a inexistência de previsão legal neste sentido. Contudo, a aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe consoante as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 38 37 (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 39 38 § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 40 39 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Em suma, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) excluir as glosas de despesas desnecessárias de aluguel a apuração do IRPJ nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, o que torna desnecessária manifestação acerca da arguição de decadência e das objeções contra a qualificação da penalidade; 2) excluir a parcela de R$ 29.482,03 da apuração do IRPJ e da CSLL no ano calendário 2009, relativamente às glosas de despesas não comprovadas; 3) excluir as multas isoladas calculadas sobre as glosas de despesas revertidas no presente julgamento. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.728122/201354 Acórdão n.º 1302001.791 S1C3T2 Fl. 41 40 Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000806/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 08 06 /2 00 4- 18 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: “Tratase de recurso voluntário (fls. 95/110) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 11/02/2008, contra acórdão n° 1014.738 da 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, datado de 20 de dezembro de 2007, que indeferiu o pedido de ressarcimento, bem como não homologou as compensações efetuadas pela recorrente, nos termos da ementa do acórdão (fls. 86), abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 CESSÃO DE ICMS — INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS. Rest/Ress. Indeferido — Comp. não homologada. Em 29/04/2004, a contribuinte apresentou Pedido de Restituição de crédito da COFINS não cumulativo, com fulcro nos §§1° e 2°, do art. 6°, da Lei n° 10.833/2003, no valor total de R$ 70.367,31, relativo ao mês de fevereiro de 2004, referente à ilegalidade da inclusão das cessões de créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição, e, ao fim, requer a subseqüente compensação dos valores recolhidos a maior, com débitos existentes, conforme DComp's, constantes dos autos (fls. 01/09). A autoridade local, por considerar a cessão de créditos de ICMS a terceiros como auferimento de receitas, base de cálculo da contribuição para a COFINS, glosou os referidos valores, reconhecendo parcialmente o direito creditório da contribuinte, no valor de R$ 61.587,32, homologando parcialmente as compensações efetuadas (fls. 18/22), tendo esta interposto Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, suscitando, preliminarmente, a inexistência de lançamento para a cobrança do suposto débito, nos termos do art. 142, do CTN e, no mérito, informa que a Lei n° 10.833/2003, juntamente com a IN SRF 600 de 2005, que regulamentam a compensação e ressarcimento de créditos oriundos da contribuição para CORNS, estabelecia que as pessoas jurídicas que realizassem exportações, com esse fim especifico, poderiam compensar débitos vencidos ou vincendos junto à Secretaria da Receita Federal (fls. 52/72). Por fim argumenta que a legislação é precisa ao tributar apenas as RECEITAS auferidas pelo contribuinte, ressalvando as DESPESAS, inclusive as decorrentes de pagamentos a fornecedores através de transferência de saldo credor de ICMS. A DRJ/POA indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa já transcrita. Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, ser ilegal a inclusão do crédito do ICMS cedido a terceiros como receita da mesma, incidindo assim a COFINS, pugnando pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado bem como a homologação das compensações efetuadas.” Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.000806/200418 Acórdão n.º 9303003.339 CSRFT3 Fl. 488 3 A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, o qual foi julgado nos termos do Acórdão nº. 380100.431, de 25/05/2010 (efls. 137/142), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência da COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não se constituindo receita. Recurso Voluntário Provido. Contra o acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 145/152), o qual logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade constante às efls. 399/400. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, às efls. 410/423. É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki Relator Preenchidas as condições de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores auferidos pela contribuinte a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS gerados na exportação. A discussão encontrase superada no âmbito deste CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual decidiu que o PIS e a COFINS não incidiam sobre os créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o art. 25 da LC 87/96, porquanto não constituíam receitas, mas sim custo recuperável sob a forma de compensação ou restituição. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 Em 22/05/2013, o STF proferiu decisão acerca da matéria, cujo teor restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.000806/200418 Acórdão n.º 9303003.339 CSRFT3 Fl. 489 5 Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII – Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII – Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX – Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (Rel. Min. Rosa Weber. Publicação: 25/11/2013, DJE nº. 231, Trânsito em julgado: 05/12/2013) Por outro lado, dispõe o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF/2015: Art. 62. ............................................................................................ §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos art.s 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 1963 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, in casu, não pode se furtar o julgador deste Tribunal Administrativo de reproduzir a decisão definitiva proferida pelo STF, na sistemática prevista no art. 543B do CPC/1973, que julgou inconstitucional a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operações de exportação, conforme demonstrado linhas acima. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 Com essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel MiyazakiRelator Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15374.001105/2001-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do fato gerador, quando constatado o pagamento antecipado do tributo (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÕES JUDICIAIS. APLICAÇÃO NO CARF. OBRIGATORIEDADE REGIMENTAL
Por força do art. 62-A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC), devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
PAGAMENTO ANTECIPADO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE.
No caso de rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual, o Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como o Saldo de Imposto a Pagar, ambos registrados na Declaração de Ajuste Anual e confirmados no Auto de Infração, são aptos a atrair a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9202-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do fato gerador, quando constatado o pagamento antecipado do tributo (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÕES JUDICIAIS. APLICAÇÃO NO CARF. OBRIGATORIEDADE REGIMENTAL Por força do art. 62-A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC), devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. PAGAMENTO ANTECIPADO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE. No caso de rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual, o Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como o Saldo de Imposto a Pagar, ambos registrados na Declaração de Ajuste Anual e confirmados no Auto de Infração, são aptos a atrair a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial do Procurador negado
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do fato gerador, quando constatado o pagamento antecipado do tributo (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÕES JUDICIAIS. APLICAÇÃO NO CARF. OBRIGATORIEDADE REGIMENTAL Por força do art. 62A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC), devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. PAGAMENTO ANTECIPADO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE. No caso de rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual, o Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como o Saldo de Imposto a Pagar, ambos registrados na Declaração de Ajuste Anual e confirmados no Auto de Infração, são aptos a atrair a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 11 05 /2 00 1- 02 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora, multa de ofício e multa por atraso na entrega da declaração, tendo em vista a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto e ganho de capital, nos anos calendário de 1995 a 1997. A Contribuinte foi intimada do Auto de Infração em 06/04/2001 (fls. 104/105). Em sessão plenária de 18/10/2006, foi julgado o Recurso Voluntário nº 148.698, prolatandose o Acórdão nº 10615.896 (fls. 271 a 285), assim ementado: “IRPF DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4 o do art. 150 do Código Tributário Nacional. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM Não pode ser acolhida a alegação da recorrente no sentido de que a origem dos recursos utilizados na compra de imóvel seria um mútuo pactuado com a empresa da qual é sócia, sem que haja qualquer comprovação do referido mútuo nos autos. O mesmo se aplica à venda de imóvel sem a respectiva documentação comprobatória. IRPF GANHO DE CAPITAL Na falta de comprovação dos valores gastos com corretagem e obras quando da aquisição do imóvel, não podem os mesmos ser acrescidos ao custo de aquisição do imóvel, para redução do IRPF incidente sobre o ganho de capital. IRPF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA É Fl. 370DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15374.001105/200102 Acórdão n.º 9202003.755 CSRFT2 Fl. 370 3 indevida a cumulação da multa de lançamento de ofício com a penalidade pela falta de entrega da declaração de rendimentos quando as mesmas têm a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência, quanto aos fatos geradores do anocalendário de 1995, e excluir a multa por atraso na entrega da declaração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho (Suplente convocado) e José Ribamar Barros Penha que, quanto ao ganho de capital consideraram as benfeitorias (fls. 249 e 251) no custo de aquisição do imóvel.” Cientificada do acórdão em 25/04/2007 (fls. 286), a Fazenda Nacional opôs, na mesma data, os Embargos de Declaração de fls. 287 a 274, rejeitados conforme despacho de fls. 292/293. Intimada a rejeição de seus Embargos de Declaração em 28/08/2007 (fls. 294), a Fazenda Nacional interpôs, em 29/08/2007, o Recurso Especial de fls. 295 a 306, com fundamento no art. 15, § 1º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, visando rediscutir a decadência, declarada relativamente ao anocalendário de 1995. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 15/08/2008 (fls. 307 a 309). No apelo, a Fazenda Nacional pede, em síntese, a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista a inexistência de antecipação de pagamento. Cientificada do recurso da Fazenda Nacional em 16/01/2010 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 347/348), a Contribuinte, em 28/01/2010, ofereceu as ContraRazões de fls. 315 a 318, bem como o Recurso Especial de fls. 319 a 326. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi negado seguimento, conforme Despacho nº 220000.222, de 28/04/2011 (fls. 349 a 355), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 356/357. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que o paradigma trata de lançamento contra Pessoa Jurídica, enquanto que o acórdão recorrido trata de exigência em face de Pessoa Física. Quanto ao mérito do apelo, reitera as razões do acórdão recorrido. Voto Fl. 371DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, a este foi negado seguimento. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ao argumento de que um dos paradigmas indicados trataria de lançamento contra Pessoa Jurídica. Em face de tal argumento, cabe esclarecer que a matéria suscitada no Recurso Especial é a decadência, enquadrada nas normas gerais de Direito Tributário, estabelecidas no Código Tributário Nacional e aplicáveis a todos os tributos, independentemente da legislação específica que rege cada uma das espécies de exação. Assim, não se discute no recurso os elementos específicos de cada espécie de exigência, e sim termo inicial e prazo para formalização da exigência, o que é regulamentado por norma geral, razão pela qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo a analisálo. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora, multa de ofício e multa por atraso na entrega da declaração, tendo em vista a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto e ganho de capital, nos anoscalendário de 1995 a 1997. A Contribuinte foi intimada do Auto de Infração em 06/04/2001 (fls. 104/105). A matéria suscitada no recurso é a decadência, declarada em relação ao anocalendário de 1995. A matéria em tela já está pacificada no âmbito deste Colegiado que, por imposição do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 372DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15374.001105/200102 Acórdão n.º 9202003.755 CSRFT2 Fl. 371 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se co0mprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso dos autos, houve o pagamento antecipado, o que pode ser constatado pelo exame da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1996, anocalendário de 1995, às fls. 10, que registra o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 18.692,68, bem como o Saldo Imposto de Imposto a Pagar no total de R$ 33.174,72. Ademais, o próprio Auto de Infração registra, às fls. 89, o total de R$ 51.867,40 como imposto pago. Destarte, tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 1996, anocalendário de 1995, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1995. Assim, aplicandose o art. 150, § 4º, do CTN, o Fisco teria até 31/12/2000 para efetuar o lançamento. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu somente em 06/04/2001 (fls. 104/105), efetivamente consumouse a decadência. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para manter a decadência, relativamente ao exercício de 1996, ano calendário de 1995. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 374DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 13770.000105/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Luciano Martins Ogawa, OAB/SP nº 195564.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 860 1 859 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.000105/200421 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.631 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de janeiro de 2016 Assunto Solicitação de diligência Recorrente ARACRUZ CELULOSE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Luciano Martins Ogawa, OAB/SP nº 195564. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débitos próprios com crédito oriundo da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS apurada no regime não cumulativo, com origem em fevereiro de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: 1 Tratase no presente processo da declaração de compensação (Dcomp) acostada à fl. 03, por intermédio da qual se pleiteia o reconhecimento da existência de crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS referente ao período de apuração fevereiro de 2004 (valor: R$ 6.337.900,24, v. fl. 02), apurado segundo o regime da nãocumulatividade, a ser compensado com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 10 5/ 20 04 -2 1 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 861 2 débitos de outros tributos e contribuições federais, no valor de R$ 3.577.171,48. 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (DRF/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRFNIT/ES n° 2.796/2008 e Despacho Decisório (fls. 231/259), reconhecendo apenas parcialmente (valor: R$ 2.961.834,71) o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, a compensação de que trata a Dcomp acima citada, sob os seguintes fundamentos: • na apuração do valor devido a título de PIS/Pasep nãocumulativo (cf..planilha de fls. 181/182), e no que tange às variações cambiais, foram tomadas apenas as operações ativas, sem qualquer espécie de abatimento, considerando a adoção do regime de competência para tal contabilização, nos termos do art. 30 da MP n°2.15835/2001; • também os valores apurados a título de crédito presumido de IPI, não oferecidos à tributação pelo contribuinte, foram incluídos pela fiscalização como componente da base de cálculo da exação, porquanto, segundo o entendimento da RFB, no conceito amplo de faturamento delineado pelas Leis n`'s 10.637/2002 e 10.833/2003, em não havendo previsão expressa de sua exclusão é de se considerar como receita; • já no que concerne aos créditos da nãocumulatividade (ajustados conforme planilhas demonstrativas de fls. 133/180), o contribuinte registrou em sua base de cálculo no mês de janeiro/2004 o montante de R$ 8.976.421,82, sob o histórico "Banco Bradesco Guaíba — incorporação Guaíba 08.01.2004", todavia, questionado pela fiscalização (fls. 196/197, 210 e 220/223), não logrou êxito em apontar e justificar a origem de tal valor, razão pela qual foi providenciada a sua glosa; • na rubrica "Bens utilizados como insumos", as glosas ficaram por conta: dos insumos importados registrados no cálculo (art. 67 da IN SRF n° 247/02), à época não alcançados pela incidência do PIS/Pasep; da gasolina e óleo diesel utilizados como combustíveis nos veículos da empresa, por não se enquadrarem no conceito de insumo; dos serviços gráficos (planilha analítica das notas fiscais excluídas do cálculo às fls. 133/134); • já em relação ao item "Serviços utilizados como insumos", foram expurgadas as despesas de comissão de agentes, a manutenção de equipamentos de comunicação, a manutenção e conservação de imóveis e escritórios, programas de formação profissional, serviços de consultoria e planejamento, bem assim daqueles outros prestados em áreas vinculadas à produção/industrialização, mas que não se enquadram como insumos, devido à influência indireta que exercem sobre os bens produzidos/industrializados, podendose exemplificar a manutenção e conservação de estradas, as despesas administrativas, os serviços realizados no âmbito do almoxarifado, as despesas com meio ambiente, segurança industrial e patrimonial, a limpeza de áreas de produção, o monitoramento e inventário florestal, enfim, um sem número de serviços nesta situação, o que motivou a fiscalização a Fl. 861DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 862 3 elaborar uma planilha demonstrativa das glosas realizadas (fls. 135/144); • no item "Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas", foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos, ambulâncias e o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (fls. 145/147); • na rubrica "Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado", circunscrevendose o direito creditório à depreciação/amortização dos bens componentes do ativo imobilizado e não do ativo permanente, a amortização das despesas préoperacionais registradas no ativo diferido não podem ser admitidas no cálculo do crédito, bem assim as despesas atreladas a bens que, mesmo registrados no ativo imobilizado, não são empregados diretamente no processo produtivo, como é o caso de mesas, cadeiras, armários, aparelhos de ar condicionado, entre outros (os demonstrativos de glosa encontramse às fls. 148/172); • os valores apropriados pelo interessado na rubrica "Outros valores com direito a crédito", tais como despesas com hospedagem de empregados, viagens nacionais, serviços gráficos e fotográficos, serviços de táxis, assistência à saúde e funerais, e serviços artísticos devem ser expurgadas, porquanto as despesas do gênero não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal (demonstrativos de glosa às fls. 173/180). 3 Outrossim, e em face do exposto, propôs a autoridade administrativa local, por intermédio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES n° 2.796/2008 e Despacho Decisório (fls. 231/259), o reconhecimento apenas parcial (valor: R$ 2.961.834,71) do direito creditório pleiteado pelo interessado, homologandose, também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, a compensação apresentada à fl. 03. 4 Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 24/11/2008 (v. fl. 271), o contribuinte, irresignado, apresentou, em 23/12/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 272/293 e demais documentos a ela anexados às fls. 294/359, alegando, em síntese, que: a) a autoridade administrativa local não considerou saldo de créditos nãocumulativos do PIS, relativo ao mês de dezembro de 2002, no valor de R$ 1.292.207,80, pois, como o contribuinte protocolou em 17/01/2003 declaração de compensação (Dcomp) no valor de R$ 1.517.387,11, e, posteriormente, a fiscalização veio a apurar débito somente no valor de R$ 225.179,31 (cf. MPF n° 0720100/00623/03, docs. 06 e 07, fls. 324/332), não tendo sido possível informar na DCTF o débito de PIS na forma de nãocumulatividade, o referido valor de R$ 1.292.207,80 foi acrescido à Dacon de janeiro/2003 como saldo remanescente de períodos anteriores; b) a autoridade administrativa também desconsiderou saldo de créditos em favor do interessado nos montantes de R$ 1.620.520,53 e R$ 5.000.520,55, respectivamente, para os meses de março e abril de Fl. 862DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 863 4 2003, pois, em que pese os referidos débitos terem sido informados em Dcomp junto ao processo n° 13770.000096/200215 (v. doc. 04, fls. 316/317), o interessado, posteriormente, retificou o seu Dacon para os referidos meses (docs. 05 e 07, fls. 318/323 e 330/335), tendo apurado em verdade, ao invés de débitos, saldo credor de R$ 2.285.045,00 e R$ 2.595.530,65 nos referidos meses; c) o interessado, na qualidade de empresa exportadora, faz jus ao benefício instituído pela Lei n° 9.363/96, a qual prevê a hipótese de crédito presumido do IPI como meio de ressarcimento do PIS, colocandoa na posição de empresa acumuladora de créditos de PIS, causa do saldo constante dos seus registros contábeis/fiscais até a data de hoje, e tal situação, de inconsistências entre os dados apresentados pelo impugnante e o resultado da apuração feita pela fiscalização enseja, no mínimo, a imediata revisão do procedimento fiscal realizado através de diligência; d) o impugnante apurou base tributável do PIS sobre variações cambiais nos exatos moldes utilizados pela fiscalização, porém utilizando os valores coretos e a efetiva valorização/desvalorização do Real, conforme planilhas de movimentação e apuração de PIS não cumulativo sobre as variações cambiais (doc. 10 e 11, fls. 336/359); e) o crédito presumido do IPI consiste em benefício fiscal que é materializado na forma de ressarcimento para o pagamento de PIS e COFINS, não podendo ser de maneira alguma considerado como base para tributação pelo PIS nãocumulativo, haja vista não haver qualquer fundamento para considerálo como receita, fato gerador da contribuição ao PIS, conforme previsto pela Lei n° 10.637/2002; f) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme Solução de Consulta n° 260, de 26/09/2008, Solução de Consulta n° 85, de 07/04/2008, Solução de Consulta n° 72, de 04/09/2006; h) também não há que se falar em glosa de créditos de PIS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pelo PIS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ Fl. 863DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 864 5 para fins de crédito presumido de IPI (Resp n° 1008021/CE; Resp n° 617.733/CE; Resp n° 813.28015C), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração do PIS; i) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRFNIT/ES n° 2.796/2008, para que seja homologada na integralidade a compensação constante deste processo n° 13770.000105/200421, ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJ2 n.º 13 26.048, de 20/08/2009 (fls. 412 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não compete à DRJ apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio, auferidas a partir de 1" de fevereiro de 1999, deverão ser computadas, na condição de receitas financeiras, na determinação das bases de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, até 01/08/2004, com o advento do Decreto n° 5.164, de 30/07/2004, que reduziu a zero a alíquota da contribuição a incidir sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Sob a égide do regime nãocumulativo, os valores relativos ao crédito presumido do IPI integram a base de cálculo do PIS. PIS/PASEP. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, na prestação de serviços, ou, ainda, fornecidos por pessoas jurídicas não domiciliadas no País, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos do PIS. PIS/PASEP. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 865 6 Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 440 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débitos próprios com crédito de PIS que apurou, na sistemática não cumulativa, em fevereiro de 2004. Deferida em parte o direito vindicado e instaurado o litígio, a instância a quo manteve, na integralidade, a decisão proferida pela unidade de origem. A primeira das alegações de defesa diz com créditos de PIS que não teriam sido considerados pela fiscalização, especificamente saldos que teriam sido gerados em períodos anteriores, mas que foram desconsiderados no procedimento fiscal. Eis os parágrafos em que a matéria é abordada pela Recorrente: “11. Entre diversos equívocos ocorridos durante a fiscalização, em especial os flagrantemente conceituais, temos uma falha na apuração, de cunho meramente matemático/aritmético que prejudicou todo o resultado final apresentado no combatido Parecer SEORT, que, contrariando o entendimento esposado pelo ilustre julgador de 1ª instância, merece reparo sob pena de ter contaminado toda a apuração/apropriação de créditos efetuadas pela Recorrente. 12. Com o advento do PIS não cumulativo, a partir da vigência da Lei 10.637/2002, a recorrente passou a ter em sua escritura fiscal os valores de R$ 31.351,55 (Trinta e um mil, trezentos e cinqüenta e um reais e cinqüenta e cinco centavos) e R$ 1.260.856,25 (Um milhão, duzentos e sessenta mil, oitocentos e cinqüenta e seis reais e vinte e cinco centavos) referentes aos saldos de 2002, conforme informado na DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Recibo n.° 33.60.33.71.55.08 (Página 4, linha 28) (DOC. 05), que não foram considerados pelo auditor fiscal. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 866 7 13. Referido saldo, no valor total de R$ 1.292.207,80 (Um milhão, duzentos e noventa e dois mil, duzentos e sete reais e oitenta centavos) é composto pelo valor de débito de R$ 1.517.387,11 (Um milhão, quinhentos e dezessete mil, trezentos e oitenta e sete reais e oitenta centavos) conforme Declaração de Compensação protocolada em 17/01/2003 IN 210/2002, que é resultante do débito apurado no valor de R$ 2.735.740,62 (Dois milhões, setecentos e trinta e cinco mil, setecentos e quarenta reais e sessenta e dois centavos) incluindo novas receitas acumuladas nas competências de Agosto/2002, Setembro/2002, Outubro/2002 e Novembro/2002 deduzidas do Crédito do PIS apurado na compra dos insumos e serviços no valor de R$1.218.353,51 (Um milhão, duzentos e dezoito mil, trezentos e cinqüenta e três reais e cinqüenta e um centavos), portanto, considerando a Base de Cálculo correta (com a exclusão da BC das Receitas de Agosto/02 a Novembro/02) o débito líquido passa ser de R$ 225.179,31 (Duzentos e vinte e cinco mil, cento e setenta e nove reais e trinta e um centavos), resultante da apuração pela não cumulatividade do débito R$1.443.532,82 (Um milhão, quatrocentos e quarenta e três mil, quinhentos e trinta e dois reais e oitenta e dois centavos) deduzido do PIS apurado a crédito na compra dos insumos e serviços no valor de R$1.218.353,51 (Um milhão, duzentos e dezoito mil, trezentos e cinqüenta e três reais e cinqüenta e um centavos), conforme demonstrado no MPF n°. 0720100/00623/03.(DOCs. 06 e 07). Temos ainda que, como na DCTF não é possível a informação de débito do PIS na forma de não cumulatividade, o valor de R$ 1.292.207,80 (Um milhão, duzentos e noventa e dois mil, duzentos e sete reais e oitenta centavos) foi acrescido à DACON de Janeiro/2003 como saldo remanescente de períodos anteriores. 14. Não bastasse a aparente desconsideração dos saldos iniciais de PIS apresentados ao Fisco através das competentes DACONS (12/2002 e 01/2003), ainda teve a recorrente o prejuízo de não terem sido observados pela fiscalização os valores pagos a maior a título de PIS nos montantes de R$ 1.620.520,53 (Um milhão, quinhentos e vinte mil reais e cinqüenta e três centavos) e R$ 5.000.520,55 (Cinco milhões e quinhentos e vinte reais e cinqüenta e cinco centavos) referentes respectivamente aos meses de março e abril de 2003. (DOC. 08 e 09) 15. No referido período, a recorrente apurou os mencionados débitos de PIS. Entretanto, o DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais só foi disponibilizado pela RFB a partir de março/2004. Dessa forma o contribuinte só pode fazer o protocolo do demonstrativo em 26/03/2004 (1° e 2° trimestres de 2003) (DOCs.05 (2 e 4)). Posteriormente, em 25/10/2004, esta DACON foi retificada (DOCs. 05 (1 e 3)) em decorrência de ajustes efetuados pela recorrente referentes a créditos não apropriados na apuração original (março e abril de 2003), o valor nos referidos DACONS ultrapassou o efetivo valor de saldo devedor,(DOC. 05 (1), página 9, linha 36) e (DOC. 5 (3), página 7, linha 36), que já havia sido compensado no montante de R$ 1.620.520,53 (Um milhão, seiscentos e vinte mil, quinhentos e vinte reais e cinqüenta e três centavos) em 09/04/2003 e R$ 5.000.502,55 — (Cinco milhões, quinhentos e dois reais e cinqüenta e cinco centavos) em 13/05/2003 no processo 13770.000096/200215. Em decorrência desse procedimento, a recorrente Fl. 866DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 867 8 apurou um saldo credor de R$ 2.285.045,00 (Dois milhões, duzentos e oitenta e cinco mil e quarenta e cinco reais) em março/2003 (DOC. 05 (1), página 6, linha 33) e R$ 2.595.530,65 (Dois milhões, quinhentos e noventa e cinco mil, quinhentos e trinta reais e sessenta e cinco centavos) em abril/2003 (D 05 (3), página 4, linha 33).” Analisado o Parecer SEORT/DRF/VIT/ES N° 2796/2008 (fls. 261 e ss.), constatase que o tema dos ajustes quanto aos valores não oportunamente aproveitados em períodos anteriores à fevereiro de 2004 foi, de fato, enfrentado, mas a fiscalização deixou claro ser plenamente possível que assim se desse, embora se referindo a um específico que glosou por falta de justificativa. Confirase: “Por oportuno, cumpre registrar que ao longo do exercício 2004 o contribuinte promoveu ajustes referentes a valores não aproveitados no momento adequado porém, enquanto não extinto o seu direito de fazêlo, o que é plenamente possível. Assim, em janeiro/2004, o contribuinte registrou em sua base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade o montante de R$ 8.976.421,82 (oito milhões, novecentos e setenta e seis mil, quatrocentos e vinte e um reais e oitenta e dois centavos), sob o histórico "Banco Bradesco Guaíba — incorporação Guaíba 08.01.2004", todavia, questionado pela fiscalização (fls. 196/197, 210 e 220/223), não logrou êxito em apontar e justificar a origem de tal valor, razão pela qual foi providenciada sua glosa.” Sobreveio, então, a dúvida: será que a Recorrente está pretendendo valores que não constaram da escrituração contábil/fiscal, vale dizer, será que a Recorrente está, na verdade, pretendendo retificar, para mais, o valor do crédito que pretendia compensar quando apresentou o seu pedido, tal como entendeu o relator da decisão recorrida, segundo o qual não competiria às DRJs proferir, originariamente, qualquer pronunciamento sobre suposto direito de crédito do interessado em processo de restituição/compensação? Os valores pretendidos pela Recorrente constaram nos Dacons encaminhados à RFB antes do início da ação fiscal? Caso afirmativo, foram considerados no cálculo do crédito de PIS com origem em fevereiro de 2004? Sublinhese, aqui uma vez mais, que os valores referidos pela Recorrente não foram objeto de consideração explícita pela fiscalização no Parecer SEORT/DRF/VIT/ES N° 2796/2008. Tampouco conseguimos identificálos nas planilhas acostadas aos autos. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem se pronuncie sobre os valores informados nos parágrafos acima e elabore Relatório Fiscal conclusivo e específico por valor sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13770.000105/200421 Resolução nº 3201000.631 S3C2T1 Fl. 868 9 Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 868DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13654.000791/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 07 91 /2 00 9- 71 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.742 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para a competência 08/2004. O Relatório Fiscal (fls. 17/20) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/09/2009 (fls. 01 e 33), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 36/103), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0928.208 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 110/113) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação: 1. traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias; 2. pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias; 3. infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. 4. contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal; 5. por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.742 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO O Fisco afirma que o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS para a Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 [...]”. Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificarse, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, já que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação legal ensejadora da autuação. Ou seja, pelos fundamentos a seguir delineados, a motivação fática e jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, mesmo tendo a autoridade tributária à sua disposição todos os documentos pertinentes à escrituração contábil – bem como os demais documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei 12.101/2009 –, limitouse a justificar a autuação apenas pela existência do indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformado pelas instâncias judiciais ordinárias. Contudo, não houve a emissão de qualquer Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente ((Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009): I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.742 S2C4T2 Fl. 5 7 III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n.) § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que os requisitos referemse a um rol exaustivo, incisos I a V, para que se possa gozar da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Dentro do quadro fático e jurídico, verificase que o Fisco não observou a necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e seus parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]” Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.742 S2C4T2 Fl. 6 9 Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foram os §§ 1o e 4o, ambos do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionado pelo equívoco do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação formal, consoante previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991. II DA NATUREZA DO VÍCIO Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco, no Relatório Fiscal, delineou um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000791/200971 Acórdão n.º 2402004.742 S2C4T2 Fl. 7 11 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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